10 anos
DEZEMBRO 2013
ANO X - Nº 128 Resende Costa - MG
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Distribuição Gratuita
Horto Florestal e Capoeira: área verde no coração de Resende Costa Artesanatos terão que se adequar às normas de etiquetamento
Jogo Aberto com o desembargador João Bosco JL entrevistou o resende-costense João Bosco Pinto Lara, que é desembargador do Tribunal Regional do Trabalho em Belo Horizonte. Política nacional, Justiça e Resende Costa foram temas abordados pelo João do Góes, como é conhecido em sua terra natal. Leia nesta edição os principais trechos da entrevista, cuja íntegra se encontra no site.
Cerca de 150 pessoas, entre artesãos, lojistas e autoridades, compareceram ao CPP, no dia 27 de novembro, para uma palestra sobre a adequação das peças de artesanato produzidas em Resende Costa em relação às normas de etiquetamento do INMETRO. Estiveram presentes no evento diretores do IPEM-MG, além de autoridades políticas estaduais.
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UFSJ terá dois departamentos de medicina A UFSJ terá dois departamentos de medicina a partir de 2014, conforme decisão do Conselho Universitário. O normal seria um único departamento abrangendo Divinópolis e São João del-Rei. Para o curso de medicina na sede, estão previstos investimentos em torno de R$ 10 milhões nos próximos cinco anos.
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Resendecostense é premiada na UFSJ
Horto Florestal produz mudas para arborização
No centro de Resende Costa encontra-se espremida entre casas e ruas a Capoeira Nossa Senhora da Penha, uma área verde de aproximadamente 13 hectares que
circunda os bairros Santo Antônio, Nova Resende e Centro. A reportagem do JL percorreu alguns trechos da mata para ver e sentir de perto a luta da natureza contra
a ação predadora do homem. Dentro da Capoeira localiza-se o Horto Florestal - área utilizada para a produção de mudas de espécies de plantas nativas e ornamentais. Páginas 12 e 13
A estudante Sabrina Rafa Resende Sousa, do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFSJ, recebeu prêmio de Menção Honrosa por um trabalho apresentado durante o 11º Congresso de Produção Científica e o 20º Seminário de Iniciação Científica, realizados na universidade, de 18 a 22 de novembro. Página 06
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Jornal das Lajes
E D I T O R I A L
Esperança de um ano novo ainda melhor
FERNANDO CHAVES*
Quatro anos de IRIS Ao longo de 2009, um grupo de jovens empreendia uma pesquisa de campo (bastante intuitiva, é verdade) ao longo do rio Santo Antônio, na zona rural resende-costense. Com a ajuda dos professores de geografia Kesller Sullivan e Hugo Nobrega (na época recém- formados) o grupo mapeou os principais afluentes do Santo Antônio e registrou, por meio de fotografias, a grande ocorrência de erosão na calha do rio. Nessas andanças pelo curso do Santo Antônio, não raramente, ouvia-se (e ouve-se) dos moradores mais antigos relatos sobre a diminuição do nível da água ou sobre o afundamento do leito do rio. Essas expedições culminariam na fundação do IRIS (Associação Instituto Rio Santo Antônio) no dia 27 de dezembro de 2009, quando foi aprovado o estatuto da entidade e eleita a primeira diretoria. Nesses primeiros anos de existência, o IRIS procurou promover ações em diversas áreas. Com um estatuto bastante amplo, prevendo atuação nos campos ambiental e cultural, o IRIS refletia uma visão ao mesmo tempo holística e idealista dos seus jovens fundadores. Apesar de seu caráter generalista, o estatuto aprovado garantiu a existência jurídica da entidade, permitindo a celebração de convênios entre o IRIS e o poder público municipal. Mesmo que esparsas e esporádicas, o IRIS pôde realizar atividades diversas, tais como: produções cinematográficas voltadas para o registro da cultura local; edição de revista ambiental; mapeamento da bacia do rio Santo Antônio
com seus principais afluentes; documentação fotográfica de áreas erosivas críticas do rio Santo Antônio; participação no comitê de bacia hidrográfica Vertentes do Rio Grande há 2 anos; manutenção de coluna ambiental no Jornal das Lajes há 18 meses; execução de ações simbólicas em defesa da revitalização das lajes; realização de oficinas infantis de percussão e blocos carnavalescos de cunho cultural; promoção de palestras sobre meio ambiente e de caminhadas ecológicas junto às escolas; manutenção (ainda que incipiente) de um site local de conteúdo ambientalista; dentre outras. Em quatro anos, a ONG precisou se reinventar e se redescobrir. Desenvolver potencialidades e lidar com limitações. Por um lado, o grupo mostrou algum potencial no que se refere à atuação cultural, à educação ambiental e à construção de conhecimento sobre os ecossistemas locais. Por outro, precisou conviver com os limites, desafios e frustrações, trazidos, por exemplo, pelo baixo envolvimento da população ou pela difícil viabilização técnica, econômica e jurídica de projetos e intervenções ambientais, como recuperação de voçorocas, cercamento de nascentes, recuperação de mata ciliar etc. O IRIS sempre contou com o apoio do poder público local (Câmara e Prefeitura) e também com a parceria de empresas locais. A entidade ainda encontrou aliados fortes, como o MAC, que em vários momentos somou forças junto ao IRIS para levar a cabo projetos como o Luau nas Lajes ou o mutirão
Jornal das Lajes Ltda
Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro
simbólico de limpeza das lajes. Nessa linha, uma função importante desempenhada pelo IRIS nos últimos anos foi oferecer amparo jurídico a alguns projetos do MAC, que ainda não se constituiu legalmente como associação. Há 2 anos, o IRIS celebra convênios com o município e capta recursos para serem investidos em projetos do MAC. Não pode ser esquecida nesse breve panorama da existência do IRIS a iniciativa do professor e membro do IRIS, Adriano Valério Resende, que veio ao encontro das propostas da entidade na construção de conhecimento acadêmico sobre o meio ambiente resende-costense. A dissertação de mestrado do professor soma muito aos trabalhos do IRIS e confirma, lamentavelmente, a degradação do Santo Antônio, como pôde ser visto em matéria da edição de novembro do Jornal das Lajes. Na segunda-feira (23), o IRIS se reúne na Biblioteca Municipal, a partir das 19h, para eleger nova diretoria e novo conselho fiscal. Os membros eleitos irão conduzir a entidade pelos próximos 2 anos. Além da eleição, haverá apresentação da dissertação de mestrado do Prof. Adriano Valério e palestra sobre as relações entre homeopatia e meio ambiente com o terapeuta homeopata Rafael Costa, de São João del-Rei. Venha você também participar! * Fernando Chaves é o atual presidente do IRIS, com mandato até o final de 2013.
Foto e situação do mês
Fundado em 22 de janeiro de 2008
E T N E I D E P X E
Meio Ambiente
Fotos Divulgação
Queremos aproveitar a última edição de 2013 do Jornal das Lajes para refletir sobre momentos importantes ocorridos no decorrer deste ano, que foi especial para o JL uma vez que completamos 10 anos de existência. Num piscar de olhos, uma década se passou e o JL vem se consolidando a cada dia como um importante e reconhecido periódico de Resende Costa e da região do Campo das Vertentes. É momento oportuno para avaliarmos o que foi bom, lembrar o que foi marcante e aprender com os erros. Nunca é demais enfatizar o ideal que nos moveu ao longo desses dez anos: exercer um jornalismo ético, imparcial e comprometido com a informação e com a cultura. Esses pilares nos sustentam e ao mesmo tempo nos motivam a seguir em frente, mesmo quando surgem críticas - algumas às vezes exasperadas, sobretudo quando vêm inflamadas por alguma insatisfação ou discordância político/partidária. Mas são minorias diante do reconhecimento e credibilidade que felizmente alcançamos em uma década de existência, tanto em Resende Costa quanto em outras cidades da região onde o JL circula. Esse reconhecimento é a razão principal que nos leva a brindar os dez anos. A imprensa quando não criticada é sinal de que não cumpre efetivamente seu papel de agitar, colocar o dedo na ferida, expor as chagas no afã de promover a reflexão e o debate. Somente uma imprensa livre, combativa e sem medo é capaz de sacudir a sociedade e levantar a poeira para, assim, fortalecer os alicerces que sustentam a democracia. É preciso, porém, não confundir combatividade com irresponsabilidade. A boa imprensa é responsável com a veracidade das informações, tendo como foco o compromisso inabalável de informar e ao mesmo tempo formar opinião. Para isso, é fundamental estar ancorada na verdade e na ética. É com esta reflexão que desejamos nos despedir de 2013. Animados e otimistas, receberemos 2014 de braços abertos, sem esmorecer, muito menos nos afastar dos ideais em que acreditamos e pelos quais lutamos. Numa breve retrospectiva, lembremos alguns fatos marcantes de 2013, diante dos quais o JL não se omitiu de levar ao leitor elementos para formar opinião crítica e construtiva. Na política tivemos o arvorar das manifestações populares de junho e julho, além da condenação dos réus do mensalão; na religião, a eleição do papa Francisco, primeiro pontífice latino americano, que escolheu como missão reaproximar a Igreja Católica do rebanho e acolher os pobres; no esporte, o Brasil levantou a taça da Copa das Confederações dando o pontapé inicial para a Copa do Mundo 2014, que o país sediará. Que os fatos que elegemos importantes em 2013, quer seja em nossa vida particular, na cidade ou no país, colaborem para a reflexão acerca do compromisso que temos com a sociedade e com as pessoas à nossa volta. O ex-presidente dos Estados Unidos, John Kennedy (1917-1963), em seu discurso de posse no dia 20 de janeiro de 1961, disse: “Não perguntem o que seu país pode fazer por vocês, mas o que vocês podem fazer pelo seu país”. Em nosso tradicional exame de consciência de fim de ano, lembremo-nos dessas palavras para, se necessário, mudarmos de atitude em 2014, tornando nosso ambiente um lugar melhor de se viver. Feliz Natal! É o que desejamos a todos os colaboradores, articulistas, leitores, patrocinadores, assinantes, enfim, a todos que de uma forma ou de outra contribuem decisivamente para o sucesso do JL. Desejamos que todos os nossos sonhos se realizem e aprendamos a cada dia enxergar a vida com os olhos imortais da esperança.
ANO X Nº 128 - DEZEMBRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000
Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Diretor de redação: Rosalvo Pinto
Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP
Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte
Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves
Tiragem: 4000 exemplares
Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto
Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Tiradentes
Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
Enchente sob a Ponte do Rosário
Resultado das chuvas que castigaram São João del-Rei
Por que acontecem inundações em São João del-Rei? Falta de prevenção (limpeza de canal e de bueiros e retirada de entulho); falta de dragagem, contenção de encostas e mata ciliar no Rio das Mortes; falta de consciência da população (não jogar lixo nas ruas). Confirmadas as previsões, São João del-Rei ainda vai sofrer muito com as chuvas nesta temporada.
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Informativo da Câmara
Voz do Cidadão
O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.
Confira alguns dos projetos de lei aprovados nos meses de novembro e dezembro Projeto 103 – estima receita e fixa a despesa do município de Resende Costa para o exercício financeiro de 2014. Projeto 103 – institui Programa de Atendimento Social e dá outras providências. Projeto 104 – institui Programa de Atendimento a Estudantes do Município de Resende Costa e dá outras providências. Projeto 105 - institui programa para concessão de contribuições correntes, auxílios financeiros e dá outras providências. Projeto 106 – institui programa de atendimento ao pequeno produtor rural e dá outras providências. Projeto 107 – institui programa para concessão de subvenções sociais e dá outras providências. Projeto 108 – institui programa para tratamento fora do domicílio e dá outras providências. Projeto 109 – dispõe sobre o Plano Plurianual do governo do Município de Resende Costa para o quadriênio 2014/2017 e dá outras providências. Projeto 112 - altera a Lei Municipal n.º 3.690, de 14 de maio de 2013 e dá outras providências. Altera lei do estágio. Projeto 113 – autoriza a desincorporação e alienação de bens públi-
cos do município e dá outras providências. Projeto 116 - autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. Visa construir a sede da AMAT. Projeto 117 - autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. Visa garantir recursos para a conclusão da reforma do Cajuru. Projeto 118 - concede isenção tributária do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) e dá outras providências. Projeto 120 - autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Pescadores da Fé em Cristo e dá outras providências. Projeto 121 - autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. Visa garantir recursos para a aquisição de um caminhão para coleta de lixo. Projeto 122 - autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. Visa garantir recursos para aquisição de equipamentos para acondicionamento de lixo.
Projeto 127 - dá nome ao espaço público de “Espaço Público Maestro João Augusto Reis” e dá outras providências. Projeto 128 - autoriza a desincorporação e transferência de bens e dá outras providências. Projeto 130 - autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Resende Costa (APAE) e dá outras providências. Projeto 131 - autoriza a cessão temporária do Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson e dá outras providências. Projeto 133 - autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. Projeto 134 - autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação Filhas de São Camilo/ Hospital Nossa Senhora do Rosário e dá outras providências. Maiores informações: www.camaraderesendecosta. mg.gov.br
Projeto 124 - revoga o artigo 2º da Lei Municipal n.º 3.418, de 17 de novembro de 2010 e dá outras providências.
Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.
Projeto 125 - cria vagas na estrutura administrativa da Prefeitura Municipal e dá outras providências.
Praça Nossa Senhora de Fátima, s/n, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
Assine o Jornal das Lajes Neste ano, o Jornal das Lajes está comemorando dez anos de existência. Uma década de jornalismo sério e independente. Chegamos aos dez anos graças ao reconhecimento e ao apoio dos nossos leitores, anunciantes e assinantes. Sem vocês, o JL não existiria. Assinando o JL, você estará colaborando para a consolidação de um projeto jornalístico diferente, que já é referência na região do Campo das
Vertentes, pois é reconhecido como um periódico que, além da notícia, leva ao leitor informações referentes aos mais variados temas de interesse da cidade e da região. Perseguindo o objetivo de expandir sua cobertura jornalística na região das Vertentes, o JL ampliou sua tiragem para 4000 exemplares e o número de páginas para 16, Faça uma assinatura anual do JL e colabore com esse projeto de valo-
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rização e divulgação da nossa cultura! Local: R$ 40,00. Fora de Resende Costa: R$ 80,00 Contato pelos telefones: (32) 3354-1323; 3354-1705 e (31) 3281-4467. Jornal das Lajes: DEZ ANOS de jornalismo comprometido com Resende Costa e região.
Coleta Seletiva esclarecimentos
“Algumas pessoas em Resende Costa ainda insistem na prática, nada honesta, de se apropriar de projetos e ideias que não são seus. Desta vez, o Jornal das Lajes, sem perceber, serviu como vitrine para divulgar coisas do tipo e publicou uma matéria - com o selo do Instituto Rio Santo Antonio – IRIS – sobre a Coleta Seletiva (Edição 126). O texto é de autoria da Assistente Social da Prefeitura, Alessandra Guse dos Santos, que fala ser a Coleta Seletiva “... um trabalho digno e importante, que gera renda e cidadania...” Ela diz que “Em 2010, o Setor Municipal de Assistência Social recebia a proposta de um projeto modelo...” mas não teve a honestidade nem a hombridade necessárias para dizer como, de quem e de que forma. Sua ousadia avançou ainda mais ao dizer que “A montagem do projeto contou com vários setores da Prefeitura...” e passou para o leitor, claramente, a ideia de que a autoria foi da Prefeitura. Isto não corresponde à verdade. Pelo contrário; no primeiro momento, totalmente alheia a um assunto desconhecido até então, a Prefeitura apresentou resistência ao projeto da Coleta Seletiva; resistência e desinteresse. O então Prefeito Sr. Adilson (PT) nunca procurou conhecer pessoalmente a natureza da Coleta Seletiva, a finalidade, a necessidade dela, os muitos benefícios como alguns que foram citados na matéria, nem o autor do projeto. Na procura por alguém interessado em Coleta Seletiva, o assunto acabou indo parar na Assistente Social, a própria Sra. Alessandra, porque o envolvimento com mão de obra servia aos interesses dela mesma, que cuidava do programa Bolsa Família e o governo federal começava a exigir que os beneficiários da Bolsa fizessem algum tipo de trabalho social e, até en-
tão, não sabiam como resolver isso. Quando o projeto da Coleta Seletiva lhe caiu nas mãos, serviu como uma luva para a solução do seu problema; esse foi o motivo do interesse. A questão não era com o meio ambiente; a intenção não era a de resolver o problema do lixo. Foi assim, a verdade manda dizer, que a coisa começou. Entretanto, diz o bom ditado, tudo o que não começa bem termina mal. O que Resende Costa tem hoje é apenas uma aparência de Coleta Seletiva; um engodo; uma imitação de trabalho que não é feito como é preciso, importante e imperativo, mas mantém aparências e acomoda situações. O fato é que existe um lugar onde se separa material (contaminado!); existe um caminhãozinho de coleta circulando; existe uma propaganda na rádio sobre horários de coleta... A Prefeitura se considera satisfeita com o status quo e a coisa vai rolando dessa forma. A matéria diz que “A ideia de inserir no projeto os presos em regime fechado, com bom comportamento, veio do então secretário de Agropecuária e Meio Ambiente.” Não corresponde à verdade. Isso está devidamente previsto no projeto original de Coleta Seletiva Modelo, só que na fase seguinte à implantação, quando tudo estiver funcionando corretamente, para evitar problemas para as unidades penitenciárias. Dá certo quando feito com o devido cuidado. São estes os principais esclarecimentos que cabem ser feitos, a bem da verdade. Espero que o Jornal das Lajes cumpra o seu papel com imparcialidade e publique estas informações. Antonio Carlos M. Gonçalves - autor do Projeto Original de Coleta Seletiva Modelo”
Errata
Nova Resende (MG) foi elevada de Vila a cidade em 10 de setembro de 1925, e não em 10 de janeiro de 1925, conforme informou equivocadamente a reportagem “Especial Nova Resende”, edição 127, página 4.
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Jogo Aberto
O desembargador que queria ser jornalista João Bosco Pinto Lara diz que a Justiça precisa ser desburocratizada para se tornar mais acessível ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO
“
“O problema da Justiça começa na cultura: não temos sido educados ao longo dos anos para cumprir regras elementares. Por isso, nossa Justiça se torna a mais congestionada do mundo” (desembargador João Bosco Pinto Lara).
”
Para fechar 2013 com chave de ouro, o Jornal das Lajes conversou com o desembargador João Bosco Pinto Lara, o popular resende-costense João do Góes. Há 24 anos na magistratura, João Bosco, 59, construiu uma carreira sólida no Judiciário. Iniciou seu percurso no interior, trabalhando em Teófilo Otoni, Manhuaçu e Betim, até chegar à capital mineira, onde reside e desde 2011 é desembargador do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Culto e possuidor de uma inteligência privilegiada e sedutora, João revelou que antes de se enveredar pelo Direito desejou muito ser jornalista. Política, Justiça e Resende Costa foram temas da longa e prazerosa conversa que tivemos com o desembargador, que nos recebeu em sua casa, em Resende Costa. Fale um pouco sobre sua formação A minha ideia inicial era fazer Jornalismo. Prestei vestibular para Comunicação na PUC, na época o melhor de Belo Horizonte, e ao mesmo tempo para Direito na UFMG. Meu sonho sempre foi ser jornalista. Até hoje tenho essa frustração por não ter sido. Fui aprovado nas duas provas, mas tive dificuldades pelo fato de os dois cursos serem diurnos. Escolhi Direito, que também era uma opção minha. Em minhas andanças, sempre liguei o Direito à Literatura, até porque autores como Castro Alves, Olavo Bilac, Machado de Assis, muitos deles eram bacharéis em Direito. E muitos eram também jornalistas. Nunca pensei em ser advogado ou juiz. Comecei a tomar gosto durante o curso e me realizei. Como o senhor começou a se envolver de fato com o Direito? Mesmo antes de me formar, já estava envolvido com a profissão, advogando. No final do quarto ano de Direito abrimos um escritório. Formado, em 1978, passei a atuar no setor
Desembargador João Bosco Pinto Lara
público. Advoguei intensamente durante 11 anos, como procurador do Estado e advogado trabalhista – minha opção sempre foi essa, concomitante à minha militância política, atuando com sindicatos. Por isso optei também por ser juiz do Trabalho, iniciando em meados de 1989. O senhor foi um dos criadores do Partido dos Trabalhadores (PT) em Belo Horizonte. Como o senhor começou a se interessar pela política? Meu interesse pela política nasceu ainda em Resende Costa. Tinha uma barbearia na cidade, pertencente ao senhor Jesus, que assinava diversos jornais. Sempre fui muito ávido por leitura: sou viciado, leio de tudo e gosto de muita coisa em Literatura. Tenho um gosto especial por biografias, atualmente estou lendo a do Getúlio Vargas, escrita por um jornalista cearense. Então, eu sempre ia até o senhor Jesus para ler jornais, o que aguçou meu interesse pela política. Isso na década de 60, na minha época de ginásio. Estava muito bem informado sobre o que acontecia na política quando cheguei a Belo Horizonte, em 1971. Lá, fui fazer o curso secundário no Colégio Estadual Central, que era excelência em ensino na capital e também centro de tudo o que acontecia em Belo Horizonte para os jovens. O movimento estudantil nessa época era oposição ao regime militar. Eu caí no movimento estudantil já no Colégio Estadual. Fui diretor da UMES (União Municipal de Estudantes Secundaristas de Belo Horizonte), uma atuação política semiclandestina, permitida, mas vigiada. Entrei na universidade em 1974 e já estava iniciado na política. E assim foi durante
todo o meu curso. Sua militância política aconteceu em plena Ditadura Militar... No final dos anos 70, teve início a abertura do regime militar. As pessoas que militavam clandestinamente, até então, começaram a procurar meios de organizar partidos. O PT surgiu como uma dessas alternativas. Na verdade, o que se pretendia era criar um partido de ideologia socialista. Muitas pessoas se envolveram nesse projeto, desde o Fernando Henrique Cardoso ao Lula. Foram praticamente dois anos de discussões e prevaleceu a ideia de se criar um partido para os trabalhadores, justamente porque o movimento sindical era um dos líderes. Participei intensamente desse projeto desde o início. Em Belo Horizonte, para se criar um partido na época, era necessário instituir uma associação e eu participei da entidade civil que deu início ao PT. Quando conseguimos legalizar o partido, eu fazia parte do grupo. Fiquei no PT de 1980 a 82, quando me desvinculei. Após sair do PT, o senhor foi para o PMDB. Por quê? Fui para o PMDB por uma questão de política local, porque estávamos em Resende Costa reorganizando o antigo MDB. Era nosso objetivo participar das eleições que ocorreriam no fim de 1982. Participei também da criação do PSDB em Resende Costa em 1988 e fui o primeiro presidente da Comissão Provisória do partido aqui. Desde essa época, o PT definiu que não queria alianças, o que chamávamos de ‘chapa puro sangue’. Havia essa resistência. Fazendo uma avaliação
histórica do partido, desde a sua fundação até os dias de hoje, o que o senhor diria sobre o PT que governa o Brasil e se consolidou num dos maiores partidos do país? O PT foi realmente a grande novidade que surgiu naquela época. Quando nós o idealizamos, pensamos num partido que devesse ser estruturado a partir das bases. E foi isso que fizemos. O PT foi fundado a partir de núcleos: metalúrgicos, advogados, médicos, trabalhadores do ensino e outros. Um partido no qual se expressasse o denominador comum das pessoas interessadas em construir uma nova sociedade. Sua origem está no movimento sindical, mas também nas universidades. Intelectuais de um modo geral estiveram envolvidos e o partido vive até hoje essa ambiguidade, ou seja, a manutenção da aliança entre a classe trabalhadora e parcelas da burguesia. O PT, não tenho dúvida, durante muito tempo cresceu e se consolidou a partir de premissas básicas: um partido de bases que representassem não só o trabalhador, mas setores da sociedade preocupados com o processo de mudança. Quando teve início a transformação do PT, ou seja, quando o partido começou a se abrir para alianças com outros partidos de ideologias diferentes? Exatamente quando chega ao poder. A primeira eleição significativa de um petista foi a da Luísa Fonteles, eleita prefeita de Fortaleza. Fui à posse dela. Depois veio a eleição da Luísa Erundina em São Paulo e o PT foi se aclimatando, entrou no jogo. E com a eleição do Lula, em 2002, o PT se tornou um partido como outro qualquer. Porém, com um problema mais grave a meu ver: o partido ainda mantinha a aura da ética, mas para que o Lula pudesse se eleger e viabilizar seu governo, o que chamamos de governabilidade, o partido precisou de fazer alianças. Essa política de alianças foi pensada pelo José Dirceu. Mas as alianças não são necessárias para o partido chegar e manter-se no poder? Sim, mas tem que haver limites. Ao se embriagar com o poder, o PT perdeu a referência da ética e passou a se interessar apenas pelo poder. Escrevi um artigo para o Jornal do Tribunal, em novembro de 2002, sobre a
eleição do Lula, dizendo o seguinte: o PT precisa fazer apenas duas coisas: primeiro resolver com urgência o problema da fome e da miséria. Nem se falava em Bolsa Família na época, pois era um programa do governo anterior, do Banco Mundial, do Neoliberalismo. O programa do PT era o Fome Zero, cujo gestor era o Frei Betto. Aí o partido enxergou nisso uma possibilidade de vir e ficar. E ficou. Outra coisa a se fazer era moralizar a política, implantando no Brasil a forma republicana de se fazer política, sem negociação, sem fisiologismo. Mas, para minha tristeza, dois anos depois estourou o mensalão. A grande maioria do PT diz que o mensalão não existiu. Trata-se, para eles, de uma farsa criada pela oposição e por alguns setores da imprensa para desestabilizar o governo e o partido. Não tem como dizer que o mensalão não existiu. O PT tinha que fazer uma base, manter a governabilidade. E só se consegue isso no Brasil através de cargos ou dinheiro. Isso existiu em outros governos também. Então aquele PT, que todos nós pensávamos que iria mudar o modo de se fazer política, aliou-se ao que tem de pior na política brasileira. O Lula de ontem e o Lula de hoje. Mudou muito? Estive com o Lula duas vezes na minha vida. Uma vez na casa do Patrus (Patrus Ananias, ex-prefeito de Belo Horizonte e um dos fundadores do partido), em Belo Horizonte e, em outra oportunidade, na Secretaria do Trabalho durante um evento também em Belo Horizonte. Para quem conhece o Lula na intimidade, ele não mudou nada. Sempre foi uma pessoa pragmática. O criador do Lula é um sindicalista do ABC Paulista chamado Paulo Vidal Neto, que tinha conhecimento do modo de atuar dos sindicatos dos Estados Unidos, sem ligação com política, apenas com o objetivo de buscar melhores condições de trabalho. O Lula tinha horror a partidos políticos. Até que enxergou na criação do PT a possibilidade de consolidar o que ele vinha fazendo no movimento sindical. Ele é um animal político por excelência. Nós todos sabíamos que um dia ele chegaria à presidência da República.
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Jogo aberto - Continuação O PT às vezes é criticado por sua visão “autoritária”. Setores mais radicais do partido defendem certo tipo de censura à imprensa, a estatização, entre outras medidas autoritárias típicas das ditaduras de esquerda em alguns países da America Latina, como Venezuela, Equador e Bolívia. Qual a gênese desse pensamento dentro do PT? Já falamos da formação do PT por trabalhadores e intelectuais. Eram intelectuais da esquerda: marxistas, leninistas ou trotskistas. A origem do autoritarismo está lá no leninismo e em menor grau no trotskismo. Essa herança leninista da centralização do poder, sobre a imprensa, estatização, enfim, o controle sobre tudo. O controle da mídia é vontade do PT, mas difícil de acontecer no Brasil, pois, temos instituições consolidadas. Isso já acontece na Venezuela, com o chavismo. Essa prática é absolutamente incompatível com a democracia. Li muito sobre marxismo e leninismo. Foi importante para a minha formação. Olho para trás e não me arrependo dos meus anos de militância. Naquela época, era importante você ser de esquerda, tinha relevância. Era um momento histórico propício. Não faço uma autocrítica sobre o que fiz e ao que fui, só acho que as coisas mudaram e não fazem mais sentido. Não existe mais essa divisão ideológica entre direita e esquerda. A Social Democracia seria hoje o modelo ideal de governo? A Social Democracia, o Estado do bem-estar social, fracassou também. Seria o meio do caminho entre o Capitalismo e o Socialismo. Você manteria as estruturas da sociedade burguesa, porém fazendo concessões à esquerda, dando à população o bem-estar social. Agora, o problema todo é financiamento, dinheiro. De onde tirar dinheiro para custear isso? O Marx já dizia lá atrás que o capitalismo era autofágico, se destruiria por si mesmo. Isso não se confirmou. A economia de mercado é o que prevalece e nós temos que nos adaptar a isso. O governo do PT implantou programas sociais que visam ao bem-estar social, como o Bolsa Família... O Bolsa Família é importante. Nenhum governo no país mexeria nele. Esses programas de transferência de renda existi-
rão sempre, porque a economia de mercado é excludente, criada a partir da competição não só de empresas, mas entre pessoas. A competição é essencial para que as pessoas melhorem, consequentemente, também a sociedade. Qualquer governo deve oferecer o básico, como saúde e educação. A partir daí as pessoas vão caminhando com suas próprias pernas. Vamos fazer uma ponte entre a política e o Judiciário, usando para isso o processo do mensalão, que conferiu grande visibilidade à Justiça. Durante o julgamento dos réus pelo STF, muitas críticas à Justiça apareceram na imprensa, entre elas lentidão, excesso de recursos, impunidade etc. O senhor concorda com essas críticas? Sem dúvida. Se abrirmos hoje as redes sociais, como o Facebook, iremos nos deparar com uma série de críticas relativas, sobretudo, ao que as pessoas esperam da Justiça, ou seja, rapidez, agilidade e efetividade. Lentidão ou morosidade é um problema crônico da nossa Justiça, insolúvel. Origens disso? A burocracia que herdamos dos portugueses, nossos colonizadores. Muita regra e pouco conteúdo. As pessoas não estão preocupadas em mostrar resultados. O chamado Devido Processo Legal é fundamental para a democracia: as pessoas, em um determinado conflito, devem ter as mesmas possibilidades para exporem seu ponto de vista, provar aquilo que está sendo alegado. E foi isso que se discutiu durante o processo do mensalão: o direito à defesa, direito ao contraditório. Quando você leva isso a extremos, como se faz no Brasil, você acaba não fazendo justiça. As regras para a garantia do Devido Processo Legal, isto é, garantir às pessoas obter o mesmo tratamento perante a Lei, acaba resultando em injustiça devido à demora do processo. É por isso que Justiça se torna lenta? A Justiça é lenta porque estabeleceu-se aqui que as decisões são sempre recorríveis. Com isso, não há final, nem paradeiro. Uma coisa é você declarar alguém culpado, outra é você executar aquilo que o Estado impõe como pena. O fato é que, no Brasil, quando chegamos a essa fase não conseguimos executar. O problema da Justiça começa na cultura: não temos sido educados ao longo
dos anos para cumprir regras elementares. Por isso, nossa Justiça se torna a mais congestionada do mundo. As coisas mais irrelevantes, briga de vizinho, por exemplo, viram processo judicial. Em vez de as pessoas tentarem negociar entre si, procuram a Justiça. Isso gera um custo enorme para o país. E ainda tem outra coisa que se chama prescrição. Você discute na Justiça ao longo de anos e no fim não paga o que deve, porque prescreveu. O caso do mensalão é paradigmático, porque teve muita visibilidade e, com isso, as pessoas se informaram e se perguntaram por que nada dá certo no Brasil. Esse julgamento, conforme foi realizado, é muito importante, porque as pessoas passaram a entender o processo e o sistema carcerário.
legítima, mas qual o sentido, por exemplo, de uma manifestação bloquear a BR 040 três dias seguidos? Nenhum. Você atrapalha a vida de uma quantidade significativa de pessoas. O Brasil precisa de regras sendo seguidas. Para isso, o caminho é a educação. É necessário dar aulas de cidadania, ensinar as pessoas viver em sociedade. Cotas não resolvem problemas. É preciso investir na educação de base. Educação e cultura são duas coisas umbilicalmente ligadas. Segundo uma pesquisa de um antropólogo carioca, as pessoas com menos recursos, os excluídos, não recebem uma educação adequada e apreendem da sociedade o que tem de pior nela. O negócio é educação.
O que poderia ser feito para minimizar os problemas da Justiça no Brasil? É o velho ditado: um bom acordo vale mais do que 500 processos judiciais. As pessoas precisam, antes de qualquer coisa, saber se entender, conversar. Temos que acabar com a tradição do conflitivismo; qualquer coisa se torna uma ação judicial. Voltamos à educação, ou seja, as pessoas precisam estar preparadas. Mas é um longo caminho. Então, o que precisa ser feito de imediato? Uma reforma para acabar com essa quantidade de recursos. Você tem um problema e em vez de abrir um processo, caro e demorado, por que não sentar-se diante do juiz para resolvê-lo? Ora, tem-se o juiz, mas a única maneira de se apresentar a ele é através de um advogado... Precisamos desburocratizar a Justiça, tornando-a acessível às pessoas.
Fala-se tanto em reformas: do Judiciário, Tributária, Política... Qual reforma precisa ser feita com mais urgência? A reforma política é a reforma das reformas. Não acredito que vai acontecer. Qualquer reforma política, para ser minimamente decente, irá contrariar interesses de quem está hoje no poder. E essas pessoas não vão permitir. Voto Distrital é uma coisa essencial. O parlamentar que você elege tem que ser representante do seu distrito. Temos que fazer uma reforma política profunda. Houve uma proposta de se fazer aquela constituinte exclusiva para a reforma política. Isso é uma bobagem. Uma coisa é certa: com esse parlamento, não faremos nenhuma reforma. Mas não estamos encalacrados. Nós temos que passar a eleger candidatos que se comprometam com a reforma política. Já seria um grande passo acabar com o voto obrigatório.
Como o senhor avalia as manifestações populares que aconteceram neste ano? As manifestações foram muito interessantes e ao mesmo tempo valorizadas em demasia. Não tenho certeza se elas continuarão em 2014, como dizem. Parece que se esgotaram. Se manifestações rendessem alguma coisa, a França seria outro país depois de 1968. Foi importante porque as pessoas saíram às ruas e os representantes viram que não podem fazer as coisas impunemente. Mas não acho que dali para frente o Brasil se tornará outro país. No Brasil também vale tudo, o que é um problema. Como eu disse, aqui nossa cultura é a de não observar regras. Qualquer manifestação é
Das cidades da região do Campo das Vertentes, Resende Costa é uma das que mais se desenvolveram, devido, principalmente, ao comércio do artesanato. Mas ainda há muito a ser conquistado. O que o senhor acha que falta a Resende Costa para se alcançar um nível de desenvolvimento organizado e seguro? Nossa região é privilegiada por se localizar num importante eixo turístico. Resende Costa é uma cidade muito arrumada, bem cuidada. Acho que as administrações municipais têm cuidado muito bem da cidade. Para mim, Resende Costa ainda precisa diversificar um pouco mais suas atividades econômicas. Hoje,
tudo gira em torno do artesanato. É importante. É nossa vocação. Mas Resende Costa tem potencial para outras coisas, como, por exemplo, o turismo rural. Temos poucos hotéis, pousadas, restaurantes. Temos que insistir nisso. O artesanato deve ser preservado, sem dúvida, mas é um risco investir só nele, pois, podemos chegar num momento de desgaste e o artesanato se tornar um samba de uma nota só. O que Resende Costa significa para o senhor? Resende Costa é tudo pra mim. Minha família é daqui e todos os meus familiares gostam daqui, embora alguns não morem aqui. Costumo dizer que Resende Costa é aonde venho me refazer a cada final de semana. Reencontro-me em qualquer esquina da cidade, embora muitas coisas tenham mudado. Resende Costa é uma referência pra mim. Não consigo pensar e agir sem essa referência, que é a minha origem. Tudo aqui me faz voltar ao passado, à minha infância, que paradoxalmente foi sofrida, mas ao mesmo tempo alegre. Não consigo imaginar viver sem vir a Resende Costa. A pergunta que não quer se calar: o senhor pensa em participar ativamente da política resende-costense, candidatando-se a algum cargo político? Se eu dissesse que não me interesso por política estaria mentindo. Sou um ser essencialmente político. Nesses 24 anos que estou na magistratura, confesso que fico me coçando em época de eleição. Vejo a política como uma forma de realizar o bem comum. Então, quando eu me aposentar, se me for dada a chance, não somente de ser prefeito, mas vereador ou um secretário... Se eu não puder estar na Prefeitura ou na Câmara, há outras maneiras de atuar em prol da comunidade, que é o que vocês fazem no jornal. Já que gosto tanto dessa cidade, sinto que me falta fazer algo mais concreto. Hoje, o meu trabalho absorve meu tempo, por isso não consigo participar mais ativamente. Quando eu me aposentar, prometo que vou me envolver mais com as coisas da cidade. Podem me cobrar. Eu quero fazer isso. Leia a íntegra desta entrevista no site do JL (www. jornaldaslajes.com.br/entrevistas).
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Educação
UFSJ terá dois departamentos de medicina: em Divinópolis e em São João del-Rei
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
A Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) terá dois departamentos de medicina a partir de 2014, conforme decisão do Conselho Universitário da UFSJ (Consu) em 2 de setembro. O normal seria um único departamento de medicina abrangendo Divinópolis e São João del-Rei. Caso típico em que a lógica política vai na contramão da racionalidade econômica, comentou um professor da própria universidade que preferiu não ser identificado. Esta nova situação preocupa os alunos do Campus Centro Oeste Dona Lindu (CCO), da UFSJ, em Divinópolis, de acordo com o diretor do Centro Acadêmico de Medicina, Luiz Fernando Martins da Silva. Apesar de o curso já ter laboratórios bem-equipados, ele diz que é preciso ampliar os laboratórios de anatomia, habilidades práticas e de urgência. Também afirma que falta contratar professores em áreas como medicina de família, clínica médica, cirurgia, cardiologia e urgência. Em resposta ao JL através da Lei de Acesso à Informação (24/09/2013), a FUNREI (Fundação Universidade Federal de São João del-Rei) garante: “Nenhum curso já existente na UFSJ será prejudicado com a criação de novos cursos na sede, muito pelo contrário todos terão ganho. O MEC (Ministério da Educação) já liberou recursos para abertura do curso de medicina da sede; todos os recursos para ampliação estão assegurados”. Sobre os laboratórios, a FUNREI acredita que, hoje, “todos atendem perfeitamente o funcionamento do curso de medicina; no entanto, para melhor adequação e possível ampliação do número de vagas, estamos finalizando o projeto do novo prédio de habilidades, simulação, técnicas cirúrgicas, salas
Laboratório farmacotécnica que atende o curso de Medicina
de aula para pós-graduação, tele saúde e farmácia social”. Investimentos - Segundo a FUNREI, existem quatro cursos de graduação em medicina no CCO/Divinópolis, com 1.200 alunos. Para o curso de medicina da sede (São João del-Rei), estão previstos 40 alunos por ano, a partir de 2014. No CCO/Divinópolis, já foram investidos mais de R$ 40 milhões nos cursos existentes. O Departamento já dispõe de todos os laboratórios para o funcionamento adequado do curso, diz a FUNREI. “Estamos finalizando o projeto do novo prédio de habilidades, simulação e técnicas cirúrgicas.” E “ainda falta a contratação de oito docentes”. Para o curso de medicina de São João del-Rei, a previsão da FUNREI é de investimentos em torno de R$ 10 milhões divididos em cinco anos, com a construção de laboratórios de habilidades, simulação, técnicas cirúrgicas e anatomia, bem como adaptação e melhoria dos laboratórios existentes na UFSJ como parasitologia, microbiliologia, fisiologia e microscopia. Para a sede, serão contratados
Laboratório de habilidades que atende cursos de Medicina e Enfermagem
aproximadamente 40 professores e 10 técnicos. Ainda de acordo com a FUNREI, até o momento, existem recursos previstos, da ordem de R$ 2 milhões, para compra de material permanente e material de consumo, assim como para o projeto do prédio da medicina. E já estão sendo elaborados os novos editais para contratação de professores, com mais oito vagas, que serão publicados em breve. Currículo e estágio - O foco dos cursos de medicina da UFSJ é formar bons médicos generalistas, “para dar conta das necessidades básicas da população”, como define Luiz Fernando do Centro Acadêmico. Segundo a FUNREI, uma consultoria do MEC está ajudando a Universidade na construção do projeto pedagógico do curso. Além disso, está promovendo a adequação dos conteúdos por períodos e nos internatos que começam no 9º período. Luiz Fernando, do Centro Acadêmico, diz que é preciso ampliar o campo de estágio para os alunos até o 8º período. Também no internato (nos dois últimos anos quando o aluno fica por conta de estágio) há limitação no campo de prática, de acordo com Luiz Fernando. Outra preocupação é com as possibilidades de residência para os recém-formados. Para a FUNREI, atualmente o CCO/Divinópolis utiliza como campo de prática os hospitais São João de Deus (Divinópolis), Santa Casa de São João del-Rei, Bom Despacho, Pará de Minas, Hospital Sofia Feldman (Belo Horizonte) e Hospital Regional de Betim. Quanto à primeira turma de formandos da UFSJ (36 alunos, este ano), “todos estarão aptos a fazer a prova de residência nas mais diversas áreas”, conclui a FUNREI.
Resende-costense Sabrina Rafa recebe prêmio na UFSJ EMANUELLE RIBEIRO
A resende-costense Sabrina Rafa Resende Sousa, estudante do curso de Arquitetura da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), recebeu prêmio de Menção Honrosa por um trabalho apresentado durante o 11º Congresso de Produção Científica e o 20º Seminário de Iniciação Científica, realizado na UFSJ, de 18 a 22 de novembro de 2013. Sabrina desenvolveu uma pesquisa de iniciação científica com o título “Reciclagem dos Resíduos da Construção Civil da Cidade de Resende Costa/MG”. Segundo a estudante, a pesquisa foi realizada no período de agosto de 2011 a agosto de 2012, sob orientação do professor Mateus Martins, do curso de Arquitetura e Urbanismo A estudante de Arquitetura Sabrina Rafa JOSÉ VENÂNCIO da UFSJ. Foi conduzido um DE levantamento sobre a geração classifi cação e destino destes O asfaltamento da rodovia -se com o diretor-geral do DERde resíduos da construção resíduos a Resolução LMG 839 (Resende Costa – Sãocivil Tia-MG, Josésegundo Élcio Monteze, e com na cidade possívelo reciclaConama go) ajudaráeasua consolidar circuito o deputado(Conselho e secretário Nacional de estado gem. “Adas ausência de tratamento turístico Vertentes, na visão do Wander Na ocasião, Aurélio do MeioBorges. Ambiente) n° 307. Foi professor Bento Lima doestá Desolicitou aoainda DER-MG adequadoIvis para taisderesíduos realizado um informações estudo de partamento sobre o projetodedepolíticas asfaltamento da na origem de deCiências graves Econômicas problemas implantação públida Universidade Federal de São João via que liga Resende Costa a São ambientais e este levantamento cas camente voltadas del-Rei (UFSJ). Todos poderiam gaTiago especifi e destacou a importância da poderá como orientação nhar comservir a interligação das cidades para o gerenciamento obra para a região. Tambémdesses defena futurasdaintervenções quedodehistóricas região por meio asdeu a construção de um anel civil rodoviresíduos da construção e faltamento trechos de de medidas terra, da terminam de a adoção ário para desviar o fluxo de veículos sugestão de um programa de melhor sinalização ae da ampliação pesados da zona urbana de Resende que minimizam geração de gerenciamento dos resíduos gedas informações úteis aos turistas. Costa. resíduos e sua reutilização ou radosOna cidade. O professor Ivis enfatiza que o diretor do DER-MG inforreciclagem”,daexplicou Sabrina. asfaltamento rodovia LMG 839 mou “O que oestudo projeto depossibilitou engenharia De acordo com ela, a atividade deve vir acompanhado de ações de asfaltamento do trecho está apara afiormação de que é sempre melhoria de todocivil o circuito da construção gera aturístico. parceem fasea degestão finalização. Já a consválida ambiental dos Uma das grandes defi a falla predominante deciências massaé total trução do anel não resíduos da rodoviário, construçãoquecivil, ta de sinalização. “Para pertencer ao estava prevista no projeto original, dos resíduos sólidos urbanos circuito de Estrada Real, as estradas uma vez que a ideiapelo consiste vem sendo estudada órgão. em Seproduzidos nassinalizadas”. cidades: “O devem estar bem um programa de aplicação de gundo Monteze, após o fechamento grande o do setor conciO desafi asfaltamento da é rodovia do projeto de engenharia, a obraamvai uma estratégia econômica, LMG 839,atividade por exemplo, permitiria liar uma produtiva de dependere apenas da integrada autorizaçãoaos do biental técnica, divulgar com mais biscoitos, grande porte comênfase as condições governador para as etapas fi nais, ou processos e produtos, a fim de frutas e cachaça de São Tiago e o seja, a licitação e a execução. Já o seque conduzam a umdedesenvolartesanato em retalhos tecidos de aumentar a efi ciência no uso de cretário Wander Borges acredita que vimentoCosta. sustentável, Resende Já o trevo demenos Prados matérias-primas através ainda da não a obra pode ser liberada no agressivo ao meio ambiente”. poderia trazer informações sobre o geração, minimização ou recimandato de Antônio Anastasia, que artesanato em madeira, objetos A pesquisa mostra que dea termina no finalresíduos de 2014. gerados, clagem dos couro e o patrimônio histórico. E reciclagem de entulho é uma Parabenefícios o prefeito ambientais Aurélio, é imo trevo de Coronel Xavier Chaves como e soluçãodar para os materiais que portante o município acompanhar poderia destaque para cachaça, econômicos para os processos de perto a elaboração e a execução são em inevitavelmente artes pedra, bordados perdidos, e frutas. produtivos, que não os resulta desse projeto, já para garantir devitransformando perdas dessa Além disso, éaspreciso melhorar apenas da vontade de economidos benefícios e minimizar os possío padrão de divulgação da gastronogeração desordenada de resíveis trata-se impactosde para a cidade. zar, uma atitude“Sabefunmia como parte civil, da política duosregional, da construção em mos que ainda não há data prevista de consolidação do circuito turístico damental para a preservação do grande quantidade matériapara o início do asfaltamento. Mas das Vertentes, concluide o professor meio ambiente”, acrescentou -prima, que serve tanto para há um projeto, que vem sendo esIvis. Sabrina. tudado e atualizado pelo DER. Esobras prediais como para obras pesquisabuscando foi apresentada tamosA sempre todas as Prefeito DER-MG - No públicas, em no lucro. “O esforço informações e registrando a necessimês passado, o prefeito de Resende no 11º Congresso de Produção da cidade em focar o manejo dade do ca anelerodoviário em Resende Costa, Aurélio Suenes, e o secretário Científi 20º Seminário de adequado dos resíduos domiciCosta”. de obras, Adelmar Aarão, reuniramIniciação Científica da UFSJ. liares é tão importante quanto A apresentação da pesquisa foi o gerenciamento e reciclagem avaliada por uma professora do dos resíduos da construção civil curso de Arquitetura e Urbanispara a preservação ambiental”, mo da Universidade Federal de disse Sabrina. Minas Gerais (UFMG) e por Durante a pesquisa, foi um membro interno, profesfeita uma seleção de obras e sor da UFSJ, sendo conferido reformas na cidade com vários o prêmio de Menção Honrosa tipos de resíduos de construção, pelo trabalho desenvolvido. O realizando um diagnóstico com JL parabeniza Sabrina Rafa pelo o levantamento das característiprêmio e deseja sucesso em sua cas locais dos resíduos gerados carreira como arquiteta. e uma posterior organização,
Cidades Asfaltamento da LMG 839 e a consolidação
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Aconteceu
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Churrascaria Ramona:
três anos de muito sucesso Uma das maiores da região, a Churrascaria Ramona completou no mês de novembro três anos de muito sucesso. E para comemorar, churrasco, cerveja gelada e música animada! A agitação ficou por conta da dupla sertaneja Edmar e Samuel, que movimentou a noite do dia 16 de novembro. Como de costume, não faltou interação com o público: foram sorteados brindes para quem esteve presente prestigiando as comemorações. A Churrascaria Ramona mais uma vez fortaleceu sua referência nas Vertentes. Bom atendimento combinado perfeitamente à degustação do melhor da cozinha mineira tem atraído resende-costenses e pessoas de diversos lugares que visitam a cidade. O Jornal das Lajes parabeniza Sérgio Marcos Teodoro, o Marquinho, proprietário da Churrascaria Ramona, por comemorar tão cedo este grande sucesso. Que venham outras comemorações, além de muitos anos de sucesso à Churrascaria Ramona!
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FRANCIELLE VALE
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Regional
Mais de 3,5 mil famílias atendidas pelo Energia Rural da CEMIG JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE / ANDRÉ EUSTÁQUIO O programa Energia Rural - Luz para Todos (2003-2010) e Universalização do Atendimento na Área Rural (2011-2012) – da CEMIG contemplou 3.577 famílias na região das Vertentes com a ligação de energia elétrica, beneficiando cerca de 14.000 pessoas. A previsão é atender mais 800 famílias no biênio 2013/2014, de acordo com Eduardo Alberto C. M. Júnior, da Diretoria de Distribuição e Comercialização da empresa. Entre os municípios atendidos, 294 famílias da zona rural de Resende Costa receberam ligações elétricas, com previsão de mais 84 famílias no biênio 2013/14. No caso de São João del-Rei, foram 815 famílias beneficiadas até agora e previsão de 213 outras até 2014; Coronel Xavier Chaves, respectivamente 107 e 35 famílias; Lagoa Dourada, 347 e 72 famílias; e São Tiago, 191 e 57 famílias. Ganhos sociais – A eletrificação rural contribui para a melhor qualidade de vida das pessoas do campo, com oportunidade de ganhos nas três dimensões do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): saúde, educação e renda, diz Eduardo. O resultado aparece na conservação de alimentos e vacinas; bombeamento de água para consumo próprio e irrigação; utilização de aparelhos elétricos para tratamentos
especiais de saúde; inserções culturais (acesso à TV) e comercial/crédito (endereço da fatura de energia); maior tempo de estudo diário; aumento dos processos produtivos agrícolas e consequente aumento da renda; agregação de valor aos produtos da comunidade; aquecimento da economia; injeção de dinheiro na economia (aquisição de materiais e contratação de serviços); aumento da produção industrial para atendimento ao programa/geração de emprego. Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Resende Costa, José Gouvêa Filho, o Zinho Gouvêa, o programa Luz para Todos é uma ação importante do governo que tem colaborado para a melhor qualidade de vida do homem do campo: “Foi um acerto do governo ao fazer com que a energia elétrica chegue aos recantos dos municípios, proporcionando qualidade de vida ao pequeno produtor e trabalhador rural. O programa incentiva as famílias a permanecerem no campo em situação digna”. Zinho avalia o programa dizendo que até 2008 funcionou com “rapidez e eficácia”, já agora “atende, mas demora muito. Até 2008, a demanda por ligações era grande, hoje quando surge uma família solicitando a ligação elétrica, a CEMIG faz a vistoria para ver se essa família se enquadra nos requisitos; se for aprovada, aí
sim é feita a ligação”. O requisito para uma família residente na zona rural obter energia elétrica através do Luz para Todos é ter o imóvel em condições de morada. “A casa não precisa estar pintada ou totalmente rebocada, mas os cômodos devem estar em perfeitas condições de habitação”, explica Zinho Gouvêa. Se o proprietário quiser agilizar o processo de ligação, basta quitar a taxa e entrar com o pedido. “A Cemig fará a vistoria e, se aprovado, a família requerente terá o dinheiro ressarcido”, disse Zinho. O programa Luz para Todos não exige nenhuma contrapartida do requerente: “se a família for aprovada após a vistoria, obterá energia elétrica totalmente custeada pelo programa”, afirma Zinho. O Luz para Todos é mais um entre os programas do governo que visam a atender às necessidades básicas do trabalhador rural, como energia elétrica e moradia. Para Zinho Gouvêa, trata-se de uma conquista do próprio trabalhador rural. “Quando surgiu o programa ‘Minha casa minha vida urbano’, os trabalhadores rurais, representados por seus sindicatos, lutaram e conseguiram o ‘Minha casa minha vida rural’, que em nosso município está sendo desenvolvido através da parceria entre Prefeitura Municipal, EMATER – MG e Sindicato dos Trabalhadores Rurais”.
Ecoponto são-joanense recebe de 120 a 300 pneus inservíveis por semana O Ecoponto, de São João del-Rei, recebe cerca de 120 a 300 pneus inservíveis por semana de empresas (comércio de pneus, borracharias etc.), prefeituras e mesmo cidadãos de 16 municípios vinculados à AMVER (Associação dos Municípios da Microrregião do Campo das Vertentes). O Ecoponto recolhe todo tipo de pneus descartados (automóveis, caminhões, motos, bicicletas, tratores e empilhadeiras), informa Washington Ângelo de Souza, técnico de controle ambiental da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade. Todo mês, uma carga completa de 900 a 1200 pneus inservíveis é recolhida no Ecoponto pela empresa Benecap e entregue ao ponto de coleta em Belo Horizonte da Reciclanip (entidade criada por fabricantes de
pneus), que mantém parceria com a prefeitura são-joanense. Estes pneus são utilizados como combustível alternativo em fornos de cimenteiras, asfalto-borracha (adição de pó oriundo da trituração de pneus à massa asfáltica para pavimentação de rodovias), artefatos de borracha (tapetes para automóveis e pisos industriais e para quadras poliesportivas) e laminação (indústria moveleira, solas de calçados, dutos de águas pluviais etc.). Há casos especiais de doação de pneus inservíveis para pessoas interessadas no seu aproveitamento, como o empresário João Bartolomeo que utiliza estes pneus para contenção de barrancos em área de Tiradentes. Para isso, o interessado precisa assinar com a prefeitura um termo de responsabilidade ambiental, explica Washington Souza.
Ecoponto recebe de 120 a 300 pneus inservíveis por semana em 16 municípios
O Ecoponto funciona na Vila do Carmo, local conhecido como Patronato, no acesso ao Parque de Exposições. De acordo com Washington, o plano da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade é construir um novo Ecoponto, com instalações mais modernas e acessíveis. Para isso, espera contar com o apoio de municípios parceiros e do Consórcio Intermunicipal de Gestão e Desenvolvimento Ambiental e Sustentável das Vertentes. A coleta de pneus inservíveis no Ecoponto de São João del-Rei é feita toda sexta-feira, das 7h às 12h, mediante agendamento prévio. Os telefones para contato são (32) 33791522, 3379-1515 e 3379-1516, na parte da manhã. J.V.R.
Contenção com pneus inservíveis em área de Tiradentes
Universalização da energia elétrica A universalização dos serviços públicos de energia elétrica foi estabelecida pela Lei nº 10.438 (de 26 de abril de 2002), alterada pela Lei nº 10.762 (de 11 de novembro de 2003). A Lei 10.438 definiu que a universalização dos serviços públicos de energia elétrica deve ser realizada sem ônus de qualquer espécie ao solicitante, nos horizontes temporais estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A Resolução ANEEL nº 223 (de 29 de abril de 2003) criou as regras para que as distribuidoras do país elaborassem os Planos de Universalização e definindo o ano limite para o alcance da universalização em cada área de concessão. Ao longo dos anos, houve a necessidade de revisão dos Planos de Universalização, em função do aumento expressivo da quantidade de domicílios a serem atendidos e da criação de programas específicos para a área rural, como o Programa Luz para Todos.
Até meados do ano passado, 85 distribuidoras do país encontravam-se universalizadas, sete distribuidoras tiveram o ano de universalização definido para 2014 e nove distribuidoras tiveram o ano de universalização definido entre 2016 a 2018, atendendo a Resolução Normativa ANEEL nº 488 (de 15 de maio de 2012). A partir da universalização, toda solicitação de atendimento deve ser realizada pelas distribuidoras de acordo com os prazos e condições estabelecidos pelas Condições Gerais de Fornecimento (Resolução Normativa ANEEL nº 414, de 9 de setembro de 2010). O programa específico Luz para Todos foi lançado pelo Governo Federal em novembro de 2003. O programa é coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, operacionalizado pela Eletrobrás e executado pelas concessionárias de energia elétrica e cooperativas de eletrificação rural em parceria com os governos estaduais.
Asfaltamento da LMG 839: deputado diz que levou demanda ao governador A necessidade de pavimentação da rodovia LMG 839 (São Tiago a Resende Costa) – “um antigo sonho dos moradores de Resende Costa” – foi levada ao governador Antonio Anastasia pelo deputado estadual Rômulo Viegas (PSDB), que trabalha para viabilizar a obra junto ao Governo de Minas. Segundo o deputado, o trecho deve ser incluído no programa Caminhos de Minas. “Essa obra vai permitir o acesso mais seguro e rápido às duas cidades. Uma reivindicação justa e de extrema importância para a região.” O projeto de asfaltamento do trecho Resende Costa-São Tiago já está pronto, até mais adiantado do que o do trecho de Bonsucesso, informa Denilson Silva Reis, ex-prefeito de São Tiago, vice-presidente da Trilha dos Inconfidentes e assessor do núcleo de gestão da Gerência Regional de Saúde de São João del-Rei. Para ele, a obra é muito importante porque permite o fomento ao turismo, além da facilidade de escoamento da produção. “Resende Costa foi o mu-
nicípio que mais cresceu em termos turísticos nos últimos anos e São Tiago tem muito potencial real nesta área. E o turismo traz muita renda, mas o município não consegue trabalhar sozinho.” Segundo Denilson, o governo tem consciência da importância desta obra. “A pavimentação terá de ser feita, pois a meta do programa Caminhos de Minas é alcançar a realização de cem por cento.” Para o prefeito de São Tiago, Irimar Mendes, a obra representa benefícios para as áreas urbanas e rurais dos dois municípios, como incremento ao comércio, escoamento de produção, redução de frete e facilitação do acesso das pessoas. Também contribui para facilitar a interligação entre importantes regiões do Estado. O JL entrou em contato com as assessorias de imprensa dos deputados federais Domingos Sávio (PSDB) e Reginaldo Lopes (PT). E continua aguardando a manifestação dos dois parlamentares. J.V.R.
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A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
O meu menino Deus Esse ano eu resolvi montar um presépio. Comecei pelos coadjuvantes: boi, vaca, cavalo, ovelhas e um galo. Formei, assim, a minha fauna divina. Arranjei um punhado de areia branca e fui catar algumas pedras pra montar a gruta. Ainda pus um pedacinho de espelho no meio da areia, imitando um pequeno lago. Distribuí as ovelhas espaçadamente. O cavalo, a vaca e o boi dentro da gruta. O galo ficou em cima de tudo, com o bico aberto. Passando numa loja, vi um anjinho com uma faixa que dizia: Gloria in excelsis Deo. Empacotei e levei. Quando fui colocar o anjo em cima da gruta, a coisa ficou esquisita: dois seres alados disputando o espaço. De um lado, o galo; do outro, o anjo recém-chegado. Perdão, galo, mas anjo é anjo. O galo desceu umas pedras e o anjo ficou lá em cima, perto de uma estrela dourada. Faltavam Maria e José. Ela veio de uma loja e ele de outra. É assim que os casais se formam, cada um vindo de uma paragem diferente e unindo-se de forma inesperada. O Natal se aproximando e onde estava o Menino Jesus? Não encontrava um que me agradasse. Uns eram muito grandes, desproporcionais. Tinha um que era maior do que o boi. Até que achei um, num camelô. Pequeno, bem pequeno, mas com as dimensões do presépio. Foi aí que outro dia eu me encontrei com a Zizica, empregada da Tia Zenóbia. Zizica tem uma queda, ou melhor, um tombo pelo Ozório, um padeiro aposentado. O coração da Zizica vive caindo por causa dele. Zizica me parou e me lançou um olhar solitário de broa sem fubá:
– O padre vai benzer o Menino Jesus que a gente vai pôr no presépio. Cê vai montar presépio? Então, leva domingo a sua imagem lá pro padre benzer. Toquei pra igreja no domingo, levando o meu Menino Jesus no bolso, de tão pequeno que ele era. Na hora da bênção, todo mundo que tinha Menino Jesus levou o seu lá pra perto do padre. O meu era o menor de todos. Havia outros, mais ricos, mais imponentes. Tinha até um que trajava uma túnica de cetim branco. Todo mundo olhava pra ele, admirando. O meu, não. Era pobre mesmo. Já estava voltando com o meu Menino Jesus pro bolso quando o padre chegou e foi logo dizendo umas orações e despejou água benta. Quase afogou a minha imagem. Na noite de Natal, o meu Menino Jesus foi pra gruta. Coitado. Pobrezinho, sem conforto algum e, mesmo assim, me olhava sorrindo. Pois é, Jesus. Você aí deitado numa estrebaria, num berço de penúria. Sei que você veio pra assumir a minha miséria, recolher a minha humilhação, juntar a minha estupidez e pregar tudo isso numa cruz para que eu pudesse também participar da sua glória. Você merecia um presépio melhor, mas foi o que eu consegui fazer para esperar a sua chegada. E você veio. Ouço, ao longe, umas pessoas cantando “Noite Feliz”. Ouço alaridos distantes, risos, alguns foguetes espocando... Dentro de mim, apenas o silêncio. Mas no meu silêncio ecoa a sua voz de criança nova que acredita que tudo pode ser festa... mesmo quando nada faz sentido. E você faz sentido, Jesus. Seja bem-vindo ao meu presépio.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
Contemplando as Palavras
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REGINA COELHO
Por falar em Natal Fim de ano chegando, a história se repete. Sem que a gente se dê conta, já é dezembro. O espírito natalino se faz presente, literalmente também. É hora de presentear e ser presenteado. Suscetíveis ao clima do momento, abrimos nossos corações, abrindo ainda bolsos e bolsas, seduzidos pelos apelos massacrantes do mercado consumidor. A combinação é quase infalível. E então, como que tomados subitamente por sentimentos tão nobres como a bondade e a caridade, decidimos pela prática do bem em favor do próximo. A bem da verdade, a movimentação que se observa em torno dessas causas beneficentes nem sempre tem motivações emocionais, digamos assim. A julgar pelas campanhas filantrópicas desenvolvidas por empresas e instituições, em época de Natal ou não, fica claro esse entendimento. Em razão dessas iniciativas sociais, ganham todos: os atendidos por elas e seus patrocinadores. Estes, para dizer o mínimo, ganham um forte marketing social, e isso é compreensível. De um jeito ou de outro, é válido e necessário todo propósito ligado à promoção do bem comum. E em que pesem as críticas de alguns aos que fazem desse período de confraternização o único momento para o envolvimento em ações solidárias, é possível acreditar que isso pode ser um bom começo. Não é o caso de esperar que as pessoas sejam capazes de gestos grandiosos o tempo todo. Isso é impossível. É o caso, porém, de saber transformar, ou melhor, querer transformar ações isoladas em atitudes consistentes e permanentes. Pequenas e cotidianas gentilezas que sejam já fazem uma grande diferença. Para melhor, é
claro.
Bem a propósito disso, guardo na lembrança um episódio que passo a contar agora. No final da década de 80, submetido a uma cirurgia em São João del-Rei, meu pai recebeu, ainda na Santa Casa local, muitas visitas. Entre elas, naturalmente, estavam os familiares, os amigos mais próximos, os conhecidos de lá e de cá. Todos lhe desejando uma boa recuperação e apresentando seus préstimos à família. Foi quando a Terezinha do Didi, nossa conterrânea, filha do saudoso senhor Alcides Maia, e morando em São João até hoje, ofereceu-se para lavar as roupas pessoais de meus pais (minha mãe era a acompanhante principal do paciente). Ao dizer que aquilo era o que tinha a oferecer, enfatizando que era boa na lavação, ela nos comoveu, revelando seu melhor – generosidade em sua forma mais espontânea. Não foi preciso aceitar a oferta da Terezinha, que pode até não se lembrar desse fato, mas a gente não pode se esquecer de um gesto assim tão belo. Como a maioria das pessoas, procuro desenvolver meu lado bom. Há dois anos e meio, por exemplo, pratiquei uma pequena boa ação que me rendeu eloquentes agradecimentos por parte de um casal brasileiro a quem pude ajudar. No hall de um hotel em Roma, aguardávamos o traslado para o aeroporto. Pertencíamos a grupos diferentes, eventualmente reunidos para determinados passeios, portanto, só nos conhecíamos de vista. Naquela espera ansiosa pela partida, os dois tinham uma preocupação extra: o cadeado de uma de suas malas se perdera ou estragara, qualquer coisa assim. Normalmente, já há aquela insegurança dos que despacham sua bagagem em relação a extravio e violação de malas em viagens de avião. É um absurdo isso, mas acontece com frequên-
cia. Os indefesos passageiros que tratem de proteger seus pertences como podem. No caso específico aqui narrado, para complicar, era domingo. Nas imediações, o comércio estava fechado. Com certa experiência nessas situações de viagem, por isso, prevenida, não pensei duas vezes em ceder meu cadeado reserva ao então apreensivo e depois aliviado casal. Isso fez o senhor querer comprar o bendito cadeado (no seu lugar, eu faria o mesmo). Recusei a proposta (no meu lugar, acho que ele faria o mesmo). E ficamos assim. No dia a dia, entre os afazeres a que cada um de nós se entrega, surpreendemos e somos surpreendidos com delicadezas que nos humanizam e nos aproximam uns dos outros como semelhantes. É dessa forma que entendo e recebo mimos que muito me alegram. Como os pães de queijo que a Maria do Carmo (do Aquim), vindo pessoalmente até minha porta, trouxe para mim. Estavam tentadoramente deliciosos, Maria. Pedi ao Hamílton (da Penha) algumas mudas de gerânio e fui prontamente atendida por ele. As flores hoje estão lindas. De uma senhora do Barracão que eu mal conhecia ganhei uma planta de cravina, assim que ela soube do meu interesse por essa flor. Tudo isso é muito bonito e é vida real, muito distante dos grandes e improváveis feitos heroicos. E não deve haver uma segunda intenção nessas e noutras tantas atitudes porque, segundo Frei Betto, “generosidade calculada é barganha”. Beijos, abraços, sorrisos e cumprimentos contam muito, mas que não sejam só os protocolares. Declarações de amor e de amizade aos que amamos também. E principalmente a vontade de ser melhor, cada um de nós, por nós mesmos e para o bem de todos. A isso chamamos solidariedade. Um bom Natal a todos!
10 Jornal das Lajes Causos e Cousas
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ROSALVO PINTO
Where are we? In the United States or in Brazil? Em princípios dos anos 50, o padre salesiano (e músico) Ralfy Mendes de Oliveira, com seu perspicaz “feeling” (!), compôs uma marchinha muito interessante. Mal sabia ele o que viria pela frente. Vejam o estribilho e apenas uma das estrofes: “Agora todo mundo anda dizendo por aí, ‘Good bye, good bye, boy’. Eu acho que essa gente precisava em vez de inglês, Aprender um pouco mais de português, O.K, O.K! “How do you do”, diz o engraxate; “Very well”, responde o carroceiro. Até a cozinheira lá de casa vem com essa: ‘Patrão, tá tudo bão, tá tudo O.K. O.K., O.K.!’” Natal à vista, ao abrir o jornal Folha de S. Paulo (FSP) por esses dias, levei um susto. Pensei que estava em New York. Mas estava em BH mesmo. Aí, resolvi passar uma semana no Nordeste antes do Natal. Então, saí procurando hotéis na FSP. Fiquei na dúvida entre o Iberostar Bahia, ou o Prodigy Beach Resort, ou o Ocean Palace Resort. Acabei ficando com o Vila Galé Cumbuco. Pelo menos parecia alguma coisa de brasileiro. Mas Natal sem presente não é Natal. Então saí a procurar regalos nas propagandas da FSP para presentear meu sobrinho. Vi o “Nintendo 64, um dos primeiros títulos foi o ‘Super Mario 64’, que levou o encanador italiano ao mundo tridimensional pela primeira vez e inspirou os criadores dos jogos da série “Grand Theft Auto” e muitos outros projetistas. E, claro, o primeiro Wii vinha acompanhado pelo “Wii Sports”. Não gostei muito desse. Olhei o novo “Zelda”. O vendedor me falou que “cada novo
jogo tem um truque para ajudar Link a salvar o mundo. Em ‘The Legend of Zelda: a Link Between Worlds’ que saiu neste mês para o portátil Nintendo 3DS, o truque é que Link pode se aproximar de qualquer superfície lisa...”. Acho que esse é o melhor. E comprei. Sei lá o que é isso, mas meu sobrinho de 3 anos com certeza já sabe. Pode embrulhar. Ah, mas estava me esquecendo do meu filho que passou no vestibular. Merecia um bom presente. Fiquei na dúvida entre telefone ou câmera e os quatro modelos: o Samsung Galaxy 54 Zoom, o Sony Xperia Z1, o Nokia Lumia 1020 e o iPhone 5s. Afinal, fiquei com o “iPhone 5s”, pois ele “tem disparo muito rápido, ótimo software para organizar imagens e app simples de usar”. Sei lá o que é isso, mas esse último com certeza deve ser o melhor. Está lá na Loja “Tour Bike”. Mas para crianças na faixa de 3 a 4 anos sugiro os brinquedos: “Show de Mágicas Mickey Club House Disney – Xalingo” ou o boneco “Iron Man 3, com 3 armaduras” (Lojas Americanas), ou a boneca “Monster High Scaris Ghoulia Yelps, bem barata, (Walmart) ou então a boneca Monster High 1600 anos Clawd Wolf ”. Tenho uma ligeiríssima impressão de que o melhor mesmo deve ser este último. Mas eu também sou filho de Deus e vou comprar um presente para mim. Fiquei na dúvida se compraria uma bicicleta “Airwalk Vintage City 700”, que está em promoção na Loja “Tour Bike”, ou então um tênis Adidas. Olhei todos e chamei o vendedor. Imaginem eu pedindo ao vendedor – que a essa hora certamente iria gostar de ser chamado de “seller” -: “seller, please, I want to buy a tennis Porsche Design Sport Run Bounce 52”... E seja lá o que Deus quiser. Lá na seção “Ilustrada” da FSP, tentei ler o texto cujo título era “#euzinho”. O subtítulo infor-
mava: “Evolução das câmeras de celular e avanço de redes sociais elevam autoretratos digitais, as ‘selfies”, a fenômeno cultural de massa”. Fiquei matutando comigo mesmo: “self ” quer dizer “a si mesmo”. Será que foi daí que terá vindo o famoso almoço “serv-servis” que inundou o Brasil? Nós tupiniquins pensamos que o “self ” do “self service” seja alguma coisa referente a “servir’, pois é comida que a gente serve... Pois é, a moda agora é fazer caretas e autofotografar o #euzinho. Quanto mais exótica a careta, melhor o “selfie”. Bacana, né?. A autora da reportagem escreveu: “Até a conclusão desta edição, a hashtag #selfie havia sido usada 58 milhões de vezes no Instagram. Entre os lusófonos, a prática se estende à hashtag #eu, com 2,5 milhões de uso”. - Você entendeu? - Não? - Então o seu selfie está muito fraco. Cuide dele. em meio a essa dominação toda, há aqueles que gostam de esnobar (olha o inglês aí...) e acabam se dando mal. Conta-se que pouco depois da 2ª Grande Guerra o presidente americano Harry Truman se encontrou com o Marechal Eurico Dutra, nosso presidente. Truman apertou-lhe a mão e apressou-se a saudá-lo: “How do you do, Dutra? Ao que, empolgado, mais que depressa respondeu o nosso poliglota presidente: “How too you too, Truman?”. Pena que o padre Ralfy faleceu no ano passado. Se ele estivesse vivo, é bem provável que hoje ele alterasse parte do seu estribilho: “Eu acho que essa gente precisava em vez de português, Aprender um pouco mais de inglês!” Pronto, fico por aqui. Desculpem-me as muitas aspas: o texto tem mais inglês do que português. Vou fechando o meu “The New York Times”, oh!, desculpem-me, o meu “Folha de S. Paulo”... Good bye, boys! Good bye, tribos da geração “Z”!
Ação comunitária Ação Comunitária é realizada em Resende Costa EMANUELLE RIBEIRO Nos dias 15 e 16 de novembro, a Igreja Batista Shalom em parceria com a Igreja Presbiteriana Missional, de Belo Horizonte, realizou em Resende Costa uma “Ação Comunitária”, visando atender necessidades básicas da população resende-costense. José Carmo, Pastor Presidente da Igreja Batista Shalom, ficou satisfeito com o evento: “Tudo deu certo e foi muito bom! A Igreja tem que cumprir não só seu papel religioso, mas social de um modo geral, participando ativamente da vida da população”. O objetivo da “Ação Comunitária” foi oferecer à população serviços básicos, como corte de cabelo, assistências médica e dentária, orientação jurídica, técnicas de memorização para quem faz provas para concursos públicos ou vestibulares, dentre outros. Além disso, houve aulas sobre confecção de produtos de limpeza e higiene, espaço recreativo para as crianças com brinquedos e palhaços e uma escola de baseball no campo do Expedicionário. O evento foi marcado por uma estrutura de qualidade e atendeu centenas de pessoas na Escola Municipal Conjurados, onde foi realizado. A ação também recebeu atrações artísticas, com as apresentações teatrais dos jovens da Igreja Presbiteriana Missional na Praça Coronel Sousa Maia e na
Escola Conjurados. Quem esteve presente em Resende Costa também foi o cantor de Rap “tiOteD”, conhecido no mundo da música e hoje membro da Igreja Missional. Ele foi uma das principais atrações do evento e fez uma pequena apresentação na noite do dia 16 na Avenida Gonçalves Pinto: “Teve um público muito bom. Por ele ser bastante conhecido e hoje estar na Igreja, chamou a atenção de todos. Acho que foi um dos pontos altos da Ação”, comentou o pastor José. Houve ainda cultos de adoração nas praças e visitas às famílias de Resende Costa. A “Ação Comunitária” foi interessante no sentido de fortalecer o intuito social das instituições religiosas. São realmente necessários projetos de Assistência Social visando o bem-estar da sociedade. O pastor José Carmo destacou a importância de todos que colaboraram para que o evento acontecesse: “Agradeço ao povo de Resende Costa pelo envolvimento e também à Igreja Presbiteriana Missional pela participação e pelos serviços prestados a todos nós. Obrigado também à Torcida do Cruzeiro, que contribuiu com a gente no dia 15, em que eles estavam festejando no Rosário. Eles desligaram o som e colaboraram para que o culto acontecesse. Foram muito gentis”, concluiu.
Durante a ‘Ação Comunitária’ várias atividades foram realizadas na Escola Conjurados
Cidades
Quatro modelos de gestão de água e esgoto, em municípios brasileiros JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Atualmente, existem quatro modelos de gestão de água e esgoto nos municípios brasileiros: estatal; misto; privado e o de parceria. O JL contou com a consultoria do engenheiro e especialista no assunto, Jorge Hannas Salim, para analisar estes modelos e mostrar vantagens e desvantagens de cada um deles. Um exemplo de modelo de
gestão estatal é o de Resende Costa (e o da maior parte dos municípios mineiros), cuja concessionária é a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA) que define a tarifa pelo metro cúbico consumido. A empresa é responsável pelo sistema de distribuição de água e agora está implantando a rede de coleta e tratamento de esgoto na cidade.
O modelo estatal é uma combinação nem sempre eficiente de fatores econômico e político. A empresa dispõe de recursos para investimentos (a receita é assegurada pelo quase monopólio estadual), mas a lógica político-eleitoral influi na decisão dos governantes. O retorno financeiro (lucro) obtido numa cidade pode compensar eventual “prejuízo” em outro município. Exemplo de modelo misto é o de São João del-Rei pelo qual a cidade é dividida entre a COPASA (bairros da Colônia) e o Departamento Autônomo
Municipal de Água e Esgoto - DAMAE (região central e os outros bairros). A receita da autarquia depende diretamente do contribuinte local, sendo afetada por critérios políticos na definição da taxa, o que estimula o desperdício. Além disso, não sobram recursos para investimentos na melhoria do sistema (instalação de hidrômetro, por exemplo), na captação de água e no tratamento de esgoto, porque as despesas de custeio são muito elevadas (a folha de salários compromete a maior parte da receita). Exemplos de modelo de gestão por empresa privada são os municípios mineiros de Paraguaçu e Bonsucesso e os fluminenses Petrópolis, Angra dos Reis e Cabo Frio. A tendência tem sido a formação de consórcios de empresas (da área de construção civil) para
disputar as licitações. É criado um conselho municipal (com representantes do consórcio, da administração municipal e da sociedade civil) para discutir a política de saneamento (custo da tarifa, investimentos, contratação de pessoal etc.). Não faltam recursos para investimentos, mas a empresa quer retorno financeiro com juros e correção. O modelo de parceria – o mais conhecido é a PPP (parceria público-privada) – pode adotar diversos níveis de participação dos setores público e privado (50% empresa e 50% município; 49% x 51% etc.). Os investimentos são realizados pelo setor privado - que pode buscar empréstimos inclusive em bancos oficiais como BNDES e Caixa Econômica Federal – e o lucro é proporcional à participação.
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Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
A pedagógica metamorfose de Zezé Ao começar esta crônica, vem-me à lembrança aquele menino peralta e sonhador criado por José Mauro de Vasconcelos. Falo do Zezé, o menino fantasioso que desde cedo teve que lidar com as coisas ásperas da vida. E lembro bem que, quando eu era criança, lá em meados dos anos de 1980, li uma vez no livro didático Brincando com as palavras um pequeno texto intitulado “Artes de Zezé”. Era um fragmento do romance O meu pé de laranja lima. E o texto era encimado por uma linda gravura, dessas que, em minha opinião, não se fazem mais. Um senhor e uma senhora apontavam para uma janela quebrada e, furiosos, ralhavam com um menino que corria como um relâmpago. Um catatauzinho de nada, mas grande na bagunça. Desde aquela época guardo na memória a figura do “pequeno Zezé”. Mas hoje não vou falar dessa personagem. Vou falar é da vida. Se bem que falar de O meu pé de laranja lima é o mesmo que falar da vida. A história criada pelo José Mauro é fascinante e tem atravessado gerações e fronteiras. Lembro-me da felicidade que me tomou, numa biblioteca de Madri, quando pude ler numa estante uma lombadazinha com o delicado nome Mi planta de naranja lima. Belíssima tradução! Não. Como eu já disse, não vou falar desse livro. Vou falar diretamente é da vida, mais especificamente dum episódio ocorrido em Resende Costa em 1989. E o que vi, nesse ano, não foi bonito. Foi de uma aspereza desnecessária. Zezé, esse era seu apelido. Era um menino custoso, briguento, caçava confusão com todos nós da escola. “Filho de mãe solteira”, diziam algumas
línguas tradicionalistas, as que não eram poucas. “Um endiabrado o José”, decretavam alguns professores. E entre decretos e alcunhas, ele prosseguia incólume na sua existência de fazer o mal. Confesso que eu não gostava dele. Na quadra poliesportiva da escola, Zezé sempre fazia uma das suas. Certa vez, por exemplo, ele pegou a bola de vôlei e deu um saque com fúria na minha direção. A bola bateu no meu peito com tanta força, que a dor me deixou sem ar. Não estávamos jogando. Não era nenhuma partida. E a cólera dele era sarcástica e sádica. Ele era daquele tipo de criança que não se sente bem se não estiver fazendo mal para algum colega. Criança não tem maldade?! Ora, ora! Criança também é ser humano, meus amigos! Tem maldade sim, e das bravas muitas vezes! Na verdade Zezé não era tão criança assim. Como era aluno repetente, já era mais velho do que todos nós da turma. Se não me falha a memória, ele estava cursando a sexta série pela terceira vez. Enquanto a maioria dos alunos andava pela média dos 12 anos de idade, ele tinha uns quatorze ou quinze. Era um menino difícil. Ele, o complicado menino, além de muito difícil, era também vaidoso. Andava com os livros numa das cadeiras, amparados por um dos braços pendido. Andava todo duro, empertigado, exibindo músculos que, no entanto, não tinha, com jeitão de macho conquistador das meninas apaixonadas. Andava assim e dizia que mochila era coisa de meninas ou de meninos frescos. Alguns dos nossos colegas o chamavam de galinho índio, pois ele, mesmo pequeno, andava tal qual, sempre com a pose de briga, pronto para bater
em alguém. Outros lhe davam diverso epíteto, chamando-o de “He-Man Conquistador”. Ele usava calças transadas, bem diferentes das que nós usávamos. E falava gírias e outras línguas que não entendíamos. Na rua, depois da aula, tirava do bolso um cigarro e fumava com desdém, com ares de adulto, como se aquele gesto o tornasse mais homem. Tratava-nos com grosseria quase sempre. Daí nossas picuinhas com ele. E tudo eram manias pré-adolescentes, aquelas rivalidades bobas que tínhamos e que passam com o tempo. E ele sempre usava na cabeça um lenço, para andar na moda, dizia. Eis que um dia, perante uma de suas bagunças, um professor nosso irritou-se profundamente com ele e, num tom agressivo e nervoso, começou a chamá-lo de Cazuza. E foi dizendo você pensa que é alguma coisa na vida? Não é nada, rapaz! E fica aí imitando aquele desviado com lenço na cabeça! Você não sabia, seu idiota!? Pois então: ele é um desviado! Não é à toa que ele tá doente, que tá morrendo! Pelo visto você quer ser como ele, não quer?! Diante da fúria docente, a turma ficou espantada e quieta. O nosso colega endiabrado, transformado agora em Cazuza, enfiou o rabo entre as pernas. Virou de repente um anjo sem asas, uma ovelha medrosa. Se ele entendia o que vociferava o professor, não sei. Confesso que eu, na minha inocência, não entendi à época as alusões feitas pelo mestre. Somente tempos depois é que fui entender tudo. E confesso que, mesmo não sentindo amores pelo nosso colega, tive pena dele. Porém, depois, mais pena tive ainda foi do nosso educador com aquela sua preconceituosa intervenção pedagógica.
Gastronomia
CLÁUDIO RUAS
Cozinhando e refletindo A cozinha é o lugar mais importante da casa. Pelo menos para muita gente e muita casa, principalmente por aqui em minas. É local de alimentar o corpo e a alma. De reunir, compartilhar, de descansar e de trabalhar. E também de refletir. E já que costumamos deixar para refletir somente ao final do ano, então mãos à obra. Naturalmente, antes de pensar no que está por vir, é importante lembrar-se do que fizemos. No caso da nossa prosa aqui no jornal, começamos o ano com uma notícia mais que boa para nossa gastronomia, nosso estado e nosso povo: a participação de Minas como homenageada no mais importante evento de gastronomia do mundo, o Madrid Fusion. Levamos nossas riquezas e fizemos bonito para o mundo, que timidamente começa a conhecer o tanto de coisa boa que temos escondida por aqui. Falamos também do café mineiro, considerado o melhor do mundo atualmente e responsável por uma em cada quatro xícaras bebidas no planeta. Vimos que a cultura e a produção de cerveja artesanal em nosso estado vêm crescendo a passos largos, fazendo as pessoas beber melhor e aquecendo a economia local. Constatamos o aumento dos importantes festivais de gastronomia e cultura em geral, e até tivemos o nosso primeiro festival do artesanato de Resende Costa, que demorou para sair dos teares, mas saiu. Viajamos para uma parte do nosso estado que chega a parecer outro estado (mas não é), o norte de minas, nas barrancas do Velho Chico, um dos rios mais importantes do país, margeado de pobreza econômica e política, mas transbordando de riqueza cultural e gastronômica. De volta da viagem encaramos uma feijoada completa, para lembrar da importância e da delícia desse prato, tal como um suculento churrasco de costelinha de porco (ou de costelão de boi). Para encerrar, um cafezinho com biscoito, da nossa vizinha São Tiago, capital nacional dessa iguaria bem mineira. Foi um ano de muita coisa legal e de boas mudanças. O interesse e a valorização cada vez maiores pela gastronomia são ní-
tidos, tal como o aumento da percepção de que ela significa muito mais em nossas vidas do que o “simples” ato de comer. Envolve não só o nosso bem-estar, mas o da natureza e do meio ambiente. Interfere na economia, na cultura e na vida das pessoas. É um ciclo delicado e que precisa ser bem fechado, sob pena de não aproveitarmos a vida da melhor forma e pagarmos uma conta cara no final. É preocupante ver o homem do campo cada vez mais dominado pelos grandes produtores e pelos alimentos industrializados. Deixam de vender o que tem em função da concorrência desleal e da total falta de políticas públicas. E o pior: ainda acabam gastando dinheiro com a comida industrializada que lhe faz mal. Daí a necessidade óbvia de tentar encurtar esse elo entre o campo e o consumidor em geral, o que só traria benefícios para a maioria. Comida fresca, sem agrotóxicos terríveis, por um preço justo e que remunere melhor quem planta e produz. Que preserve a natureza e as nossas tradições. Por agora precisamos mais disso do que de quebrar recordes de colheita de soja, mesmo diante da importância que isso possa ter. É uma situação delicada e que não se muda do dia para noite, mas não é nada impossível começar a mudar, como muitos já fizeram. Começando dentro da nossa casa, plantando pelo menos um vasinho de manjericão, por exemplo, para ver como a natureza é farta e generosa. No âmbito da comunidade local (rural ou urbana), uma horta comunitária bem orientada então é algo espetacular, pois além de alimentar de forma saudável ainda pode gerar renda. Obviamente se existir um bom canal para venda dos produtos, como uma feira semanal na cidade, minimamente articulada pelo poder público, o que precisamos – e podemos – fazer em nossa cidade. E o primeiro passo para essa mudança já pode ser dado agora, nesse instante: a reflexão. Feliz Natal! (Indo novamente contra a ditadura do peru, a dica de prato para a ceia de Natal é um “salpicão de filé de porco desfiado com couve”: http://casalgastromg. blogspot.com.br/)
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ANO X Nº 128 - DEZEMBRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Especial Meio Ambiente
Capoeira Nossa Senhora da Penha: área verde no coração de Resende Costa Um presente da natureza aos resende-costenses ameaçado pela ação predadora do homem
Um lugar prazeroso que poucos resende-costenses têm o privilégio de desfrutar localiza-se no coração da cidade. Ali encontra-se espremida entre casas e ruas a Capoeira Nossa Senhora da Penha, uma área verde de aproximadamente 13 hectares que circunda os bairros Santo Antônio, Nova Resende e Centro. Guiada pelo funcionário do Horto Florestal, Dimas José de Resende e pelo Técnico Ambiental do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Murton Moreira, a equipe de reportagem do JL percorreu alguns trechos da mata para ver e sentir de perto a luta da natureza contra a ação predadora do homem. Antes da instalação da COPASA em Resende Costa, no início dos anos 1980, fazia parte da rotina dos moradores da cidade buscar água na fonte. Aos olhos de hoje pode parecer poético, mas não para as pessoas que vivenciaram essa época, marcada por muitas privações. O tempo, porém, passou, a cidade se desenvolveu e hoje não é mais necessário buscar água na fonte. Basta abrir a torneira e já se tem em casa água tratada em abundância. As cenas das mulheres vindas das fontes com a lata d’ água na cabeça, apoiada nas “rodias” (rodilhas) de pano, hoje fazem parte apenas das lembranças de poucas pessoas que vivenciaram esta época ou da letra da famosa marchinha de carnaval, de Luís Antônio e Jota Jr. É preciso ressaltar que o desenvolvimento da cidade não trouxe somente benefícios à população; trouxe também problemas, muitos deles oriundos da falta de planejamento. A Capoeira Nossa Senhora da Penha, antes intocada, ao longo dos anos tornou-se uma das principais vítimas do crescimento desordenado imposto à cidade. A Fonte João de Deus, localizada na capoeira, onde muita gente buscava água e lavava roupa
Durante a caminhada, Murton mostrou a diversidade de espécies nativas na Capoeira
até pouco tempo atrás, encontra-se assoreada e poluída pelo esgoto que cai na mata, vindo de bairros vizinhos. O trilho que dava acesso à fonte praticamente desapareceu. No local está se formando uma perigosa erosão. “Essa erosão está sendo formada pela água da chuva que cai com muita força na capoeira. A enxurrada traz também esgoto e lixo para dentro da mata”, explica Murton. Entre arbustos e árvores de maior porte, vê-se claramente o caminho formado pelas águas que arrastam para dentro da mata latas de refrigerante e energéticos, sacos plásticos e objetos maiores, como pneus e tampas de vasilha. “Vocês podem ver que a erosão maior já está praticamente estabilizada por causa do desvio da água. A natureza já está fazendo a parte dela. As feridas estão sendo curadas
Água pluvial causa erosão na Capoeira e ainda carrega esgoto e lixo para dentro da mata
espontaneamente através da própria regeneração da mata”, explica Murton, chegando à beira da grande erosão criada pelo acúmulo de água pluvial e esgoto. A pavimentação de ruas e avenidas da cidade colaborou para a modificação do curso natural da água da chuva, que cai na capoeira: “Enquanto não se resolver o problema da água pluvial e do esgoto no centro da cidade, a capoeira continuará correndo risco”, alerta Murton Moreira. Outro problema que demanda medida enérgica por parte do poder público municipal, principal responsável pela preservação da capoeira, está relacionado com as divisas da mata. De acordo com Murton, ao longo do tempo, houve uma redução de aproximadamente 5% da área total devido à invasão dos moradores do entorno. “Infelizmente isso aconteceu e ainda há vizinhos que quando vão construir derrubam árvores da capoeira e estendem as cercas de limite”. A invasão indiscriminada, no entanto, não partiu somente da vizinhança. Em 1985, a abertura da rua que liga os bairros Nova Resende e Santo Antônio - em frente ao antigo Matadouro Municipal – abocanhou um pedaço considerável da mata. “Naquela época foi uma ação necessária”, reconhece Murton. O desmatamento, no passado um problema crônico que assolava a capoeira, atualmente minimizou. De acordo com Murton, é raríssimo encontrar vestígios de corte de árvores na mata. O técnico do IEF atribui grande parte disso ao programa Auxílio Gás, chamado
por muitos de Vale Gás, criado em 2001 pelo Governo Federal no intuito de atender às famílias com renda de até meio salário-mínimo. “Com a ajuda do Vale Gás, pouca gente tem hoje necessidade de buscar lenha no mato”. Mas ainda se veem algumas árvores com marcas de serrote. “Eles usam o serrote porque faz menos barulho”, disse Dimas Resende.
Revitalização Caminhar no interior da capoeira respirando ar puro é uma atividade prazerosa. Sentir a natureza pulsar entre aroeiras, jacarés, óleos, canelas, veludo-branco, entre outras espécies nativas presentes na mata, não tem como descrever. “A gente entra na capoeira com a pressão arterial a 20 e sai com ela a 12 (risos)”, disse Murton, que não esconde o prazer de caminhar na mata mostrando as espécies de plantas nativas que formam a flora e o sub-bosque. Ele explica a importância da mata para a preservação das nascentes: “A capoeira é uma área de recarga, que absorve a água da chuva e com isso alimenta o lençol freático, preservando as nascentes”. A fauna local é composta por Mico-estrela, Jacu, Trinca-ferro, Sabiá, entre outras espécies de pássaros. “Já vi aqui cobras Coral, Cascavel e Urutu”, disse Dimas Resende, provocando o olhar espantado da repórter Emanuelle Ribeiro, que registrava com a câmera fotográfica cada detalhe da mata apresentada por Murton e Dimas. A emoção de sentir a natureza
ANDRÉ EUSTÁQUIO lutar pela sua preservação e poder contemplar a beleza das árvores e a singeleza dos arbustos crescendo em meio às folhas, galhos e cipós nos leva a sonhar com a revitalização da capoeira e, consequentemente, com a criação de um parque ecológico, para deleite da população local e de turistas que visitam Resende Costa. “Poderiam ser criadas trilhas para caminhada dentro da mata, revitalizar a Fonte João de Deus, desenvolver um projeto de jardinagem no local, entre outras ações”, sugere Murton, chamando a atenção para a diversidade de samambaias. “A beleza natural daqui é incontestável. Mas posso dizer que infelizmente 85% da população resende-costense ainda não conhecem a capoeira”, lamenta Murton, que defende a revitalização da mata como uma ação importante para se promover educação ambiental: “Se a população conhecesse de perto a capoeira, certamente veria que devemos preservar a natureza, não desmatando e poluindo as nascentes, não jogando lixo nas ruas, pois a chuva poderá arrastá-lo para os córregos, nascentes e matas. Com certeza teremos uma população mais educada e consciente da preservação da natureza”. A implantação da rede de esgoto é essencial para Resende Costa em vários aspectos: melhorar a qualidade de vida da população e minimizar problemas ambientais, como os que colocam em risco a Capoeira Nossa Senhora da Penha. Resende Costa tem o privilégio de contar com uma mata nativa no centro da cidade. É, portanto, inaceitável que esgoto, lixo e entulhos sejam jogados na mata, que deveria estar preservada. Quem sabe o sonho de se ter no local um parque ecológico estruturado, com a Fonte João de Deus despoluída, se torne realidade a partir da concretização das obras da rede de esgoto, das cobranças e conscientização da população e da vontade do poder público.
O Técnico Ambiental do IEF, Murton Moreira
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Especial Meio ambiente
APAE
Horto Florestal: trabalho para arborizar o município O Horto Florestal de Resende Costa tem como principal atividade hoje a produção e distribuição de mudas. O espaço é atualmente administrado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) e produziu em 2013 cerca de mil e quinhentas mudas, todas doadas para arborização e jardinagem. De acordo com o Técnico Ambiental do IEF, Murton Moreira, o Instituto orienta os interessados sobre as plantas adequadas para arborização, seja na cidade ou na zona rural. “É necessário aumentar a arborização da cidade, beneficiando o microclima, a paisagem e o impacto visual”, frisou Murton. Dimas José de Resende, funcionário responsável pela manutenção do Horto, trabalha com a produção de mudas nativas e ornamentais. Segundo ele, aproximadamente 40 espécies estão sendo geradas pelo Horto atualmente. As espécies nativas mais comuns são Jatobá, Ipês amarelo e roxo, Quaresmeira, Pau-ferro, Jacaré, Cutieira, Sô Brasil, Pinheira e árvores frutíferas, como Jambeiro, Ameixeira, Goiabeira, Pitangueira e Mangueira. A Quaresmeira é uma espécie muito sensível e, conforme Murton, é raríssimo o viveiro que consegue produzi-la, devido à semente ser muito fina. No viveiro do Horto Florestal todo o processo de enraizamento é natural. Já como espécies ornamentais, Murton citou como exemplos Hortênsia, Azaleia, Hibisco e Ipê-mirim. Todas as mudas produzidas são doadas: “Qualquer pessoa pode pegar mudas, tanto para arborização urbana quanto rural. É só procurar o IEF, apresentar documento de CPF, registrar e fazer o pedido”, explicou Murton. Segundo o Técnico Ambiental, o Horto já chegou a produ-
zir também mudas para apicultura, como Acácia, quatro qualidades de Eucalipto e Canudo de pito. Trata-se de espécies apropriadas para florescer em diversas épocas do ano. Sobre a arborização urbana, Murton disse que todas as árvores são adequadas: “O que precisa ser feito é a poda educativa, sendo sua frequência relativa ao lugar de plantio. Geralmente de dois em dois anos e em alguns casos anualmente. É necessário educar, retirando o excesso de galhos. Se não fizer essa poda educativa, algumas das espécies se tornam inadequadas”. Murton destacou ainda que geralmente a população do interior tem resistência à arborização, devido à quantidade de áreas verdes encontradas: “A gente vê árvore em diversos lugares aqui no município, então não há essa preocupação dentro da cidade. Lembro-me de um fato curioso: entre os anos de 1984 e 1985, o então ex-prefeito Ocacyr Alves me pediu para replantar as mudas na Praça Mendes de Resende, preocupado com a arborização”. Outra atividade frequente no Horto Florestal é a visita de estudantes do município ao local. “Sempre recebemos as escolas para atividades educativas, mostrando o processo de produção, falando sobre as espécies, as crianças levam mudas pra casa e participam também da plantação de alguma muda aqui no Horto. É bem interessante”, disse Murton. O Técnico do IEF falou de alguns problemas estruturais no Horto Florestal de Resende Costa, como a falta de água potável e banheiro para funcionário e visitantes. Além disso, um dos caminhos de chegada ao Horto foi perdido, sendo necessário o calçamento da en-
EMANUELLE RIBEIRO trada. Em conversa com o prefeito municipal Aurélio Suenes, ele afirmou o seguinte: “A revitalização da Capoeira é uma necessidade e uma das metas da administração. Existe um projeto desenvolvido pela ADEPAL (Agência de Desenvolvimento Passos da Liberdade), com sede em Prados, tendo como responsável o Senhor Ilceu. O projeto prevê a limpeza do Horto, construção de pista de caminhada, cercamento da área, calçamento da via que corta a mata, entre outras melhorias, que têm como objetivo tornar o local uma atração para a população e para turistas. Independente da aprovação do projeto, já faz parte do planejamento a melhoria das instalações já existentes no local como água da COPASA, banheiro e outros. Várias ações estão previstas no projeto da ADEPAL. Em relação à pista de caminhada, por exemplo, a Prefeitura celebrou um termo de parceria com a agência para viabilizar a aprovação junto aos órgãos governamentais”. Quanto à situação da Capoeira Nossa Senhora da Pena, o prefeito Aurélio Suenes disse estar ciente dos problemas: “A situação do despejo de esgoto é realmente um grande problema que deve ser resolvido no próximo ano com a retomada da obra de implantação da rede de esgoto pela Copasa. Já com relação à água de chuva, temos que aguardar a viabilidade de canalizar as águas, visto que temos muitas demandas em várias ruas da cidade em situação de muita emergência, como por exemplo, a Rua Vereador Antonio Salomão, que recebe grande parte das águas que partem do centro”. Nossa caminhada pelo Horto Florestal e pela Capoeira Nossa Senhora da Penha reforçou ainda mais
Apae de Resende Costa é representada em Olimpíadas Regional No dia 22 de novembro aconteceu no campus Ctan da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), a nona edição das Olimpíadas Regional das Apaes. Estudantes da Apae de Resende Costa, treinados pela professora Regina Aparecida de Sousa, participaram do evento e representaram bem nosso município. A equipe feminina de Lanceball venceu o time de São João del-Rei, se sagrou campeã e recebeu a medalha de ouro, podendo agora participar das Olimpíadas Estadual. No jogo de Dama, medalhas
de prata e bronze para Resende Costa: o estudante Álvaro Camilo de Resende ficou em segundo lugar e Wilson Reis Lima de Sousa foi o terceiro colocado. O evento foi importante para os alunos da Apae local desenvolverem práticas esportivas e terem a oportunidade de mostrar suas capacidades competindo em âmbito regional. Nós do JL parabenizamos a todos os envolvidos e, principalmente, aos alunos, pela brilhante participação na nona Olimpíadas Regional das Apaes. E.R.
Equipes feminina e masculina de Lanceball da Apae de Resende Costa
Álvaro e Wilson foram os primeiros colocado da prova de Dama
Dimas Resende trabalha há 16 anos produzindo e cuidando das mudas do Horto Florestal
a importância dessa área verde dentro da cidade. A revitalização e estruturação do Horto Florestal é um
sonho antigo que pode ser realizado através da parceria entre a prefeitura municipal e a ADEPAL.
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O Verso e o Controverso
Economia & Negócios
Artesanatos terão seis meses para se adequarem à “Lei das Etiquetas”
Juscelino Kubistchek, o Nonô
CÁSSIO ALMEIDA Cerca de 150 pessoas, entre artesãos, lojistas e autoridades, compareceram ao Centro de Pastoral Paroquial (CPP), no dia 27 de novembro, para uma reunião que teve o intuito de esclarecer dúvidas sobre a adequação das peças de artesanato produzidas em Resende Costa em relação às normas de etiquetamento do INMETRO. Estiveram presentes a diretora de qualidade, Adriane Barbato, o diretor-geral, Ivan Soares e o gerente de fiscalização compulsória, Raimundo Mendes, ambos do IPEM-MG (Instituto de Metrologia e Qualidade). A reunião também contou com a participação dos deputados estaduais Alencar da Silveira Jr. e Wander Borges, que é também secretário de Estado. O prefeito Aurélio Suenes abriu o encontro, dando destaque à boa presença do público: “O CPP está cheio, o que deixa evidente a importância do artesanato para a cidade de Resende Costa”. Em seguida, a diretora de qualidade, Adriana Barbato, ressaltou que além da fiscalização o IPEM também promove ações educativas, inclusive em escolas, porém sem abrir mão da principal função do órgão, que é a fiscalização. Mas o momento que mais estimulou a participação do público foi a explanação do gerente de fiscalização compulsória, Raimundo Mendes. Com a utilização de slides, Raimundo apresentou alguns mo-
delos de símbolos, que são usados em artigos têxteis. Porém, algumas normas levantaram ainda mais dúvidas, como aquelas que contêm a indicação da composição e tamanho dos produtos. Como os retalhos utilizados na fabricação de tapetes e colchas são compostos de vários tipos de tecidos, e geralmente chegam todos misturados para os tecelões, fica difícil definir a composição exata dos artigos artesanais. Outro fato que gerou muitas dúvidas foi a padronização dos tamanhos. Como os tapetes são produzidos em teares manuais, cada peça é única, dificultando a confecção de etiquetas com tamanho padrão, já que muitos produtos não teriam o tamanho indicado nas etiquetas. Para se chegar a um acordo, Raimundo aconselhou que cada peça seja medida após sua produção e que o tamanho seja indicado manualmente nas etiquetas. Sobre a “Composição Indeterminada”, expressão que pode ser usada quando fica impossível calcular o percentual de cada material usado, o gerente deu a sugestão para que os fornecedores de matéria-prima da cidade busquem informações direto das fontes sobre a composição dos retalhos, para que assim cada tapete e colcha tenham a devida composição indicada na etiqueta. Por fim, foi solicitado aos produtores de artesanato em Resende Costa que cumpram o prazo de seis
de Diamantina
meses para adequar os produtos às normas do INMETRO. O deputado estadual Alencar da Silveira Jr. se mostrou solícito quanto à aprovação de uma lei que crie um selo de identificação dos produtos de Resende Costa, dispensando a indicação de tamanho e composição dos produtos que contenham este selo. Para o deputado estadual Wander Borges a regularização do artesanato, de acordo com as normas vigentes do INMETRO, poderá trazer benefícios aos produtores: “Com a regularização dos produtos artesanais, sabemos que lá fora ele não sofrerá nenhuma restrição, o que pode aumentar o consumo dessas peças”. Para o comerciante Galhardo Sousa, a audiência foi positiva: “Todo mundo pôde esclarecer dúvidas e o prazo dado para a adequação foi um ponto positivo. Com a comissão formada, usaremos esse tempo para buscar uma maneira de adequar as etiquetas às normas INMETRO”. A comissão formada conta com os seguintes membros: Luís Cláudio (Prefeitura); Valnei (ASSETURC); Sara (Artesanato Segredos de Minas); Galhardo (Artesanato Ki-Gracinha); Teófilo (Cape); Edmar (Artesanato Traços de Minas); Lucas Paulo (Vereador); Alessandro (Telinhas); Gracy (ASARC); Fagner (Artesanato Estação das Artes); Isadora, Mayara e Paula (Artesanato Art-Minas).
Foto Fernando Chaves
Empresários do ramo do artesando e autoridades municipais participaram de palestra sobre etiquetação de produtos têxteis
JOÃO MAGALHÃES
Em setembro deste ano estive novamente em Diamantina, onde a aura de seu filho mais ilustre expande-se por toda a cidade: museu, herma na praça que recebe seu nome e pela região, como os locais: Presidente Juscelino e Presidente Kubistchek. Hospedei-me no hotel Tijuco, uma planta moderna, nascida da prancheta de Niemeyer, em meio a pedras e prédios seculares, que não destoa, porém causa certo estranhamento à paisagem. Proposta e construção de Juscelino para local de reuniões, encontros, eventos e hospedagem de sua comitiva governamental. No saguão da recepção, uma série de fotos dele, para mim com uma significância bem maior, pois, até sua morte, no fatídico e misterioso acidente de carro que o vitimou em 22 de agosto de 1976, fui fã dele “de carteirinha”, como se diz. Nosso jornal, nunca escreveu sobre ele, aproveito, por isso, este espaço para algumas memórias que dele tenho. No campo político foi a pessoa mais carismática que já conheci. O carisma, este visgo social que nasce do imo do indivíduo, atraindo e segurando as pessoas, manifestava-se nele pelo semblante, sorriso, teor corporal, otimismo contagiante, quase sonhador e imbatível fluência verbal. Lembro-me de suas aparições na televisão, então adolescente no Brasil, por assim dizer, sobretudo na TV Tupi. Falava, às vezes, até quarenta minutos, sem ler, apenas mostrando gráficos e mapas, e os telespectadores grudados no vídeo. Acho que o melhor teste para carisma, que eu chamo de “teste Jesus Cristo”, é o contato com crianças. O carismático, logo, logo, cativa os pequenos. E me ponho como exemplo. Em 1950, candidatos ao governo de Minas, vieram para comício aqui, Juscelino e Gabriel Passos. Criança, ainda, (ia para 11 anos), ambos os candidatos totalmente desconhecidos de mim, aluno da roça no Assis Resende, participei, comportadamente, como de praxe, dos dois eventos. Juscelino discursou da janela da casa do doutor Teixeira, hoje da família do Ademar Aarão; Gabriel Passos do jardim da casa do prefeito Antônio de Souza Maia Júnior (Nico de Souza), casa hoje da família do Boqueirão. Gabriel Passos passou batido, ficou-me apenas uma nebulosa lembrança. Juscelino, porém, me fascinou. Consegui, ignoro como, mas imediatamente após o comício, uma grande foto-cartaz dele, que colei com todo cuidado na parede da sala de nossa casa, lá no Tijuco! Claro, sem jornal, sem rádio, o Tijuco quase uma roça; depois a ida para longe, seminário lá no oeste de Santa Catarina, vale do rio do Peixe, gravados ficaram: ele na janela, o cartaz, o lema “Energia e Transporte”. Na campanha para Presidente da República, 1955, a fascinação virou um fanatismo tal, que obnubilava qualquer raciocínio crítico, apesar da oposição radical da maioria dos padres, meus formadores, alguns, Lacerdistas, a maio-
ria Janistas de vassourinha. Vivi minha juventude num campo de carismáticos, como Getúlio Vargas, Carlos Lacerda, Adhemar de Barros, Jânio Quadros. Em mim Juscelino anulava todos eles. Meu primeiro voto foi para o Marechal Henrique Dufles Teixeira Lott, seu candidato à sucessão, quando da vitória esmagadora de Jânio para presidente. Perdi um evento histórico, que foi o comício de Jânio na Praça Sete, em Belo Horizonte. Seminarista, hospedado naquela noite no colégio Arnaldo, por ódio ao Jânio, não fui ao comício, inconformado com a festiva recepção mineira ao histriônico mato-grossense. Depois vieram as cassações. Explodi num sonoro benfeito para Lacerda e Jânio, mas grande tristeza pro Juscelino. Evidente, com o amadurecimento político, vez ou outra, discordava, nem tudo apoiava, mas o Juscelino pessoa, o carisma Kubistchek, o Presidente visionárioentusiasta, jamais desapareceram. Razão destas linhas. Em leitura do Livro do Tombo para testar minha memória, confesso, causou-me uma pontinha de decepção, a constatação de restrições e até críticas sobre seus governos, feitas pelo Monsenhor Nelson, embora sem discordar de suas observações e comentários. E termino com a pena do cronista-mor de Resende Costa, Monsenhor Nelson, relatando os comícios de Gabriel Passos e Juscelino, em 1950. Mantenho pontuação e ortografia. “Em campanha política de sua candidatura à governadoria do Estado, chegou a Resende Costa em companhia do Dr. Amaro Lanase, candidato a senador, e do Dr. Matheus Salomé, candidato a Deputado Federal, a 25 deste mês de setembro, o Dr. Gabriel de Resende Passos. S. Excia. Foi recebido festivamente pelo povo, apesar de dia de semana, quando dificilmente se consegue reunir o povo para qualquer recepção. Os discursos foram feitos na Praça Dr. Costa Pinto, em frente da casa do Snr. Prefeito Antônio de Souza Maia Junior (Nico de Souza) em cuja residência lhe foi oferecido e aos membros da comitiva um lauto almoço. S. Excia partiu, no mesmo dia, de automóvel para Barbacena, onde deveria chegar, às 8 horas da noite para um grande comício, passando principalmente por Lagôa Dourada, Prados, Dôres de Campos e Barrôso” (Livro do Tombo, 1950, fl 56). “Em campanha política de sua candidatura à governadoria do Estado, chegou a Resende Costa, em companhia do Dr Tancredo Neves, Belisário Leite de Andrade e grande comitiva, a 27 deste mês de setembro, o Dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira. S. Excia. foi recebido festivamente pelo povo, apesar de dia de semana. Os discursos foram feitos da janela da casa do Snr José Alencar Teixeira, onde S. Excia. tomou ligeiro “lunch”. Para impressionar bem ao povo, veio à matriz, rezou um pouco, visitou a Santa Casa e regressou em seguida para São João d’El Rey para o comício da noite, passando por Prados e Dôres de Campos” (Livro do Tombo, 1950, fls 56/57).
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Artigo
Chega de violência! A festa da entrega da taça se transformou em pesadelo para milhares de cruzeirenses que foram ao Mineirão comemorar o tricampeonato brasileiro ANDRÉ EUSTÁQUIO
O clima era de euforia. Na tarde ensolarada do domingo, 1 de dezembro, o azul inundou a esplanada do Mineirão, que recebeu milhares de torcedores celestes para comemorar com o Cruzeiro a conquista do tricampeonato brasileiro. Dentro do estádio, aconteceria a partida entre Cruzeiro (já campeão) e Bahia (tentando se livrar do rebaixamento à série B). Do lado de fora, uma mega festa fora preparada para os torcedores: trio elétrico do cantor baiano Alexandre Peixe e distribuição de cem mil latões de cerveja. À medida que o estádio enchia, a festa se tornava ainda mais bonita, com bandeiras, faixas, coreografias e cantos da torcida. O jogo em si não importava muito, afinal tudo era festa. Foi nesse clima que os 48.112 torcedores comemoraram com o time até o final da partida, esquentando ainda mais quando o goleiro Fábio ergueu a taça do tri, para delírio da China Azul. O resultado da partida, vencida pelo Bahia por 2 a 1, não arranhou nem um pouco a festa cruzeirense dentro do Mineirão. Enquanto os visitantes faziam o segundo gol, no final do segundo tempo, a torcida cantava: “Nós somos Cruzeiro, tricampeão brasileiro, nada mais nos interessa, nós somos a festa....”. A expectativa fora do estádio era a continuidade da grande festa. Tudo preparado para os torcedores comemorarem de perto com os campeões. Mas nada disso aconteceu. Para espanto e pavor dos eufóricos torcedores que deixavam o Mineirão, a Avenida Abrahão Caram, local escolhido para a festa, transformou-se subitamente em verdadeiro campo de batalha. Duas facções das torcidas organizadas do Cruzeiro, Máfia Azul e Pavilhão Independente, se digladiaram novamente e entraram em confronto com a Polícia Militar (PM). Correria generalizada, bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral, balas de borracha, quebra-quebra nas imediações
Basta!
do Mineirão, ônibus e carros depredados, mais de quarenta pessoas presas: eis o saldo da grande festa proporcionada aos torcedores de bem pela Máfia Azul e Pavilhão Independente. As duas torcidas vêm brigando entre si há algum tempo. No jogo entre Cruzeiro e Atlético no Independência, no 2º turno do Campeonato Brasileiro, os membros das duas torcidas entraram em confronto dentro do estádio, causando perda de mando de campo de dois jogos ao Cruzeiro, além de pagamento de multa. Através de uma decisão judicial, Máfia Azul e Pavilhão Independente estão proibidas de se identificarem dentro do estádio desde o episódio ocorrido no Independência. A medida imposta pelo Ministério Público (MP) vigora até março de 2014. Porém não impede que os integrantes bandidos das duas facções frequentem os estádios. Eles continuam lá impondo o terror, ameaçando os torcedores de bem, prejudicando seu time.
O episódio de violência que as duas torcidas protagonizaram no entorno do Mineirão não deve mais ser tolerado. As autoridades têm o dever de identificar, prender e banir definitivamente dos estádios esses bandidos que se infiltram nas torcidas e espalham o terror. A PM pretende solicitar ao MP a extinção das duas torcidas, uma vez que são reincidentes. Seria lamentável que a tradicional Máfia Azul chegasse ao fim de forma tão deprimente. Mas, quando faltam diálogo e bom-senso para se chegar à paz, a atitude correta é a medida radical. Ganhará o torcedor de bem, que vai ao Mineirão para torcer e se divertir. Após presenciar de perto a cena de guerra, sentir medo e revolta, tentei imaginar qual seria a justificativa das diretorias de ambas as torcidas. O que os senhores diretores da Máfia Azul e da Pavilhão dirão ao Cruzeiro, que teve de cancelar uma festa programada para mais de 100 mil pessoas? Até o fechamento desta edição não vi ninguém se pronunciar, exceto o Cruzeiro que pediu punição aos bandidos envolvidos. A única atitude sensata que, no momento, Máfia Azul e Pavilhão Independente, devem tomar é o pedido sincero de desculpas aos torcedores, ao Cruzeiro e às autoridades a quem agrediram covardemente.
Bons tempos Comecei a frequentar o Mineirão em 1996, quando as arquibancadas ainda eram de degraus de concreto, sem cadeiras. A Máfia Azul fazia uma festa à parte no estádio. Todos nós esperávamos ansiosos pela chegada da Máfia à arquibancada. Já tinha ritual e horário estabelecidos: as faixas eram colocadas na grade da arquibancada e pouco antes do jogo iniciar o bandeirão com o símbolo da torcida cobria a arquibancada de azul e branco. Tenho até hoje camisas da Máfia Azul que, naquela época, sentia prazer em vestir. A torcida animava a imensa nação cruzeirense no Mineirão com belas coreografias e gritos de incentivo ao time. Hoje, infelizmente vemos bandidos travestidos de torcedores tentando transformar a tradicional Máfia Azul em facção criminosa.
Mudança de postura
Foto Portal UAI
Quando a torcida faz a festa. Foto Portal Uai
A paz precisa reinar nos estádios. E as torcidas organizadas têm papel importante para que isso aconteça. Hoje vemos nos estádios pessoas mal-educadas, sem civilidade. Nas arquibancadas, percebemos as torcidas alimentando o ódio através dos chamados gritos de guerra, criados a partir de letras obscenas e de apologia à violência. Se quisermos paz nos estádios, precisamos mudar de comportamento. A violência que manchou a festa da entrega da taça ao Cruzeiro é fruto de uma visão distorcida de bandidos travestidos de torcedores, que acham que futebol é guerra. Futebol nada mais é do que entretenimento, esporte, momento de socialização. Quando essa dimensão é distorcida, prevalecem a ideologia do crime, a força das facções criminosas e as ações dos bandidos. A briga entre Máfia Azul e Pavilhão Independente no domingo, 1 de dezembro, não vai manchar o título de tricampeão brasileiro do Cruzeiro que, indiscutivelmente, fez uma temporada impecável, se consagrando como o melhor time da competição. Porém, em 2014, esperamos que medidas sejam tomadas para que o torcedor vá ao estádio, apoie o time e se sinta seguro.
Psicologia e Cotidiano
Significados para o Natal e fim de ano CARLOS ALEXANDRE DE RESENDE*
Os meses se sucederam e, mais uma vez, chegamos ao final de um ano com a sensação de que o tempo passou muito rápido. As luzes, propagandas do Natal, preparativos para as festividades de fim de ano e até pensamentos e projeções, mesmo que rápidas, sobre como será o próximo ano, são presenças cotidianas nesta época. Quero convidar o leitor a refletir sobre por que consideramos esse período tão significativo, os dois acontecimentos: Natal e a virada de ano. O ser humano, desde que se sabe, é encantado pela lógica e pelo sentido que pode dar ao mundo que o cerca e às suas experiências. Tal encantamento perpassa desde a explicação simples de eventos cotidianos que nos acontecem até uma tese teológica, filosófica ou científica sobre os mesmos. Ainda que possamos não nos dar conta disso, sempre buscamos uma razão, um propósito, uma justificativa para tudo. Somos seres de hábitos e sentidos. Hábitos aprendidos e repetidos na convivência com os outros que nos cercam e sentidos que aprendemos a viver sobre os mesmos. Pois bem, a humanidade, a partir de suas próprias experiências, aprendeu a dividi-las em momentos ou períodos que podem ser datados, cronometrados e significados, de forma que acabamos escolhendo algumas datas e momentos como mais significativos do que outros. Qual a diferença entre o dia 25 de dezembro e primeiro de janeiro em relação aos outros dias do ano? Absolutamente nenhuma, a não ser pelas coisas que fazemos ou deixamos de fazer nesses dias e os sentidos que damos para elas. Pelo que sabemos o próprio aniversariante não teria nascido no dia 25 de dezembro do ano zero, mas provavelmente em abril de outro ano. Em um determinado momento de nossa história, por diferentes razões, escolheram a data que hoje comemoramos o Natal. Logo, o que faz a diferença no Natal ou no Réveillon não é a data em si, mas os sentidos que damos para elas. Aprendemos que o Natal é bonito, um momento de celebração, que é o aniversário de alguém que ensinou uma forma de viver e de sentir, que, se fosse realmente seguida, salvaria mesmo a humanidade dos problemas pelos quais ela sofre. Que é também um tempo de se estar perto das pessoas que amamos e de presenteá-las. Para a grande maioria das pessoas é tempo de rezar ou orar (o termo também depende do significado que cada um dá para sua “conversa com o sagrado”) e se espiritualizar. Para outras muitas pessoas é tempo de comprar. Enfeites, luzes, músicas,
propagandas, mudança de ritmo e de comportamento, enfim, tudo ajuda a compor o clima de Natal e a mexer com os nossos sentimentos - seja através do encanto ou da tristeza. Tristeza, quando não há possibilidade de participar ou compartilhar as dimensões, os simbolismos e os significados do Natal. Com o Réveillon acontece algo parecido. As pessoas se animam e se reúnem com conhecidos e desconhecidos e, em alguns segundos, com direito a fogos e muita música, abraços e felicitações, celebram a morte de um ano e o nascimento de outro. A morte de um período em que viveram ou deixaram de viver determinadas coisas. Os sentidos são variados, mas perpassam o “esse ano que começa vai ser melhor”, “esse ano vou emagrecer”, “encontrar um amor ou viver melhor e mais intensamente o que já tenho”, “mudar de trabalho”, “ganhar mais”, “ter mais sorte, mais saúde” etc. Aprendemos a dar um sentido para esse momento: “morte ao que foi ruim e vamos começar de novo”. Poetas como o meu xará, o Drummond de Andrade, já descreveram melhor esse sentido. O que a psicologia tem a ver com o fato de sempre buscarmos um sentido para nossas experiências? A reposta direta é: dar sentido à experiência nos constrói como humanos e determina nossa forma de pensar, sentir e agir. Esse dar sentido não ocorre de forma isolada. Mesmo sozinhos, significamos nossa experiência sempre tendo um referencial, seja ele o que já vivemos, o que escutamos, vemos ou um pouco de cada uma dessas coisas. Podemos e até devemos fazer parte de nossa sociedade, de suas instituições e de nosso tempo, comemorando e significando com nossos semelhantes tais celebrações. Mas, para além disso, aprendamos a fazer o clima de Natal ser algo mais presente em outros momentos do ano. Por que não nos reunirmos mais com quem amamos, presentear sem uma data específica, se espiritualizar e/ou tentar viver e ser melhor com as pessoas que cruzam nosso caminho, principalmente aquelas mais irritantes? Por que não sentir no meio do ano ou em qualquer outra data a possibilidade de começar de novo, de mudar ou superar um comportamento que o incomoda ou o faz sofrer? Cada dia poderia ser novamente significado como um novo começo, como uma nova possibilidade para viver melhor e com mais intensidade. Estes são sentidos que dou para tais momentos, para essas experiências. Reflita um pouco sobre isso, afinal de contas o significado que nossa sociedade confere ao Natal favorece isso.
*Psicólogo e Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de São João del-Rei. Especialista em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo.
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Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
Três vezes campeão brasileiro!!!
É Tricampeão Brasileiro! Em 2013, com quatro rodadas de antecedência, um futebol bem apresentado e um time caracteristicamente ofensivo, o Cruzeiro conquistou seu terceiro título do Campeonato Brasileiro. O título foi confirmado fora de Minas Gerais, no estádio Barradão, com vitória cruzeirense por 3x1 em cima do Vitória no dia 13 de novembro. Mas para mim essa taça já havia sido conquistada há bem mais tempo! Pela superioridade no campeonato, em setembro eu já sabia que nenhum time poderia superar a Raposa. Foi um ano de muita provação, superação e, no fim, comemoração para o elenco e torcida celestes. A história do Cruzeiro em conquistas nacionais começou em 1966 com a vitória na Taça Brasil: a Raposa se superou na fase mata-mata, passando por Americano de Campos, Grêmio e Fluminense. Na final venceu os dois jogos contra o Santos, na época atual campeão nacional. O bicampeonato veio em 2003 com um time insuperável, liderado pelo meia Alex. O Cruzeiro foi o primeiro campeão da era pontos corridos e foi o time que mais pontuou desde a mudança do campeonato, marcando 100 pontos. 2003 foi um ano inesquecível para os cruzeirenses, pois viram seu time conquistar a “Tríplice Coroa”, ao vencer no mesmo ano o Campeonato Brasileiro, o Campeonato Mineiro e a Copa do Brasil. Ninguém nunca conseguiu esse feito! Quando digo que o ano foi de provação para o elenco cruzeirense, me refiro ao início de tudo. A diretoria celeste fez transformações drásticas no elenco para 2013, praticamente montou um time novo, sem apostar em grandes
nomes ou medalhões do futebol. Apenas o zagueiro Dedé chegou com perfil de estrela. Depois outro nome de peso, Júlio Batista, foi anunciado. Mas Everton Ribeiro, Ricardo Goulart, Nilton, Bruno Rodrigo, dentre outros, foram recebidos de maneira tímida e, aos poucos, com o jeitinho mineiro de ser, conquistaram seu espaço. E que surpresa o elenco desacreditado do Cruzeiro causou! O Cruzeiro começou o ano fazendo um bom Campeonato Mineiro, invicto até a final, onde perdeu para o rival Atlético. Apesar do bom desempenho, ainda havia desconfiança no ar. O Brasileirão teve início e até a paralisação para a Copa das Confederações, o Cruzeiro ainda era uma equipe acanhada. Mas o descanso fez bem ao time, que encarnou o espírito de Seleção e voou. Voou alto e rápido, sem deixar rastros. Destaco um fato importante que aconteceu durante o Campeonato: saída de Diego Sousa para chegada de William, o “Bigode”. Ele fez muito bem à equipe, se encaixou perfeitamente, deu aula e foi respeitado pelos adversários. Bem demais da conta no Brasileirão, a Raposa apostou também na Copa do Brasil. Estava indo de vento em poupa até ter início a fase mata-mata. No primeiro jogo contra o Flamengo tudo nos conformes: superioridade técnica da Raposa e vitória com direito a golaço (impossível descrever o lance) de Everton Ribeiro, o cara que tinha a cara do Cruzeiro! Mas na volta, a coisa desandou e o time que encantava pela velocidade e poder ofensivo retrancou e foi castigado depois dos 40 minutos do segundo tempo com o gol do volante Elias. O Fla precisava apenas daquele tento. Aquilo me preocupou: será que isso afetaria o time? Que nada! A torcida, peça importantíssima nessa temporada, não
deixou o time parar e continuou empurrando os atletas no campeonato nacional. É bom pensar positivamente: o Cruzeiro foi eliminado da Copa do Brasil por ninguém menos que o campeão, já que o Flamengo conquistou sua terceira taça da competição em cima do Atlético-PR no dia 27 de novembro. Aproveitando, parabenizo a todos os flamenguistas de Resende Costa pelo título. Acredito que a eliminação para o rubro-negro carioca deu ao Cruzeiro mais liberdade para se dedicar ao Brasileiro. As expectativas para o Campeonato Brasileiro 2013 davam conta de que clubes como Grêmio, Atlético-MG, Corinthians, Internacional e Fluminense brigariam pelo título. Os três últimos decepcionaram. Mídia e torcedores pensavam assim. E eu também, confesso. O Cruzeiro iria brigar por uma vaga na Libertadores. Mas o time comandado por Marcelo Oliveira se superou. Em 2003, Alex foi referência do Cruzeiro campeão. Passados dez anos, outro jogador do Coritiba se confirmou como ídolo do Cruzeiro: Everton Ribeiro sobrou no meio de campo! Bruno Rodrigo e Dedé formaram uma dupla de beques difícil de superar; Borges, Goulart, Willian e Dagoberto se garantiram na frente! Aí não faltou mais nada: combinação entre defesa segura e ataque mortal só pode dar em título. E que ataque! O time celeste judiou dos goleiros adversários em 2013, com média superior a dois gols por partida. Toda essa força culminou na melhor campanha no Campeonato Brasileiro de pontos corridos. Muitos nomes foram citados para coroar a conquista celeste. Mas um tem um valor especial: Fábio! Um dos goleiros mais regulares do futebol brasileiro, pra mim o melhor do país, foi fundamental para que a taça fosse levantada no dia 1º de dezembro. Ele que ain-
Torcida Sangue Azul reunida na sede para assistir à partida que deu o título ao Cruzeiro
da não havia ganhado um título de expressão com a camisa azul até o momento, é o grande herói da torcida e merece muito mais reconhecimento em âmbito nacional. Já deveria estar na Seleção Brasileira há tempos. A torcida do Cruzeiro idolatra Fábio e dedicou o título Brasileiro ao goleirão. A torcida, que também fez sua parte nesse ano: feliz com a volta do Cruzeiro ao Mineirão compareceu em peso ao estádio em 2013, fazendo da Raposa o time com maior média de público no ano. A torcida resende-costense, sem dúvida, fez número no gigante da Pampulha também: a Torcida Organizada Sangue Azul (TSA) foi representada, se não em todos, em praticamente todos os jogos celestes no Mineirão! E quando não foram, os torcedores fanáticos se reuniram na sede da TSA em Resende Costa e torceram muito! No dia do título, a festa foi linda, com
carreata, fogos e muita comemoração ao longo da madrugada. Aqui, a festa não parou! Teve comemorações nos dias 15 de novembro e 8 de dezembro. Essa última, no Parque de Exposições com presença em massa dos cruzeirenses de Resende Costa e região! Parabéns, torcida cruzeirense, parabéns, Cruzeiro Esporte Clube!!! O título da Raposa foi importante também para confirmar a superioridade de Minas no cenário esportivo nacional, visto que o Atlético venceu a Libertadores no primeiro semestre de 2013. É muito gratificante ver os dois maiores do estado em um momento tão excepcional! O eixo Rio-São Paulo foi silenciado em 2013. Nenhuma força externa foi capaz de contrariar o melhor futebol do Brasil. E que assim seja daqui pra frente: Atlético e Cruzeiro triunfando mundo afora!
Dadá Maravilha em Resende Costa No dia 1º de dezembro, Resende Costa recebeu um visitante
ilustre: Dadá Maravilha, ex-jogador do Atlético. Ele veio para
Na chegada, Dadá foi assediado pelos fãs atleticanos
participar do churrasco da Torcida Organizada Galoucos, que atraiu atleticanos das cidades vizinhas de Prados, São João del-Rei, Ritápolis e São Tiago. O Rei Dadá, campeão brasileiro com o Galo em 1971, e dono de diversas marcas no futebol brasileiro, foi muito bem recebido e tratou a todos com muita atenção e carinho. Tive a oportunidade de conversar com ele e fiquei super feliz com a simpatia do “Peito de Aço”. Ele deixou um recado para os resende-costenses: “Já viajei o Brasil todo, mas uma coisa eu coloco: Resende Costa como primeiro lugar em simpatia, beleza, amizade e respeito. Onde eu for Resende Costa estará no meu coração”. A diretoria da Galoucos agradece a todos os alvinegros e apoiadores, que contribuíram para que a festa acontecesse.
Galera da Galoucos organizou a vinda de Dadá a Resende Costa