10 anos
NOVEMBRO 2013
ANO X - Nº 127 Resende Costa - MG
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Distribuição Gratuita
Possível corte de árvores do Largo do Rosário divide opiniões Foto Emanuelle Ribeiro
Resende Costa conhecendo Nova Resende
Nova Resende-MG é conhecida pelo seu café de qualidade e pela florescente indústria de moda íntima. Mas este ano ganhou destaque pela maneira criativa como estimula seus cidadãos a lidar com o lixo, que é trocado por alimento. O município teve início nas primeiras décadas do século XIX com a presença do Tenente Coronel João Gonçalves de Rezende, bisneto de João de Rezende Costa.
As principais bacias leiteiras da microrregião das Vertentes – São João del-Rei, Resende Costa, Ritápolis, Madre de Deus de Minas, Piedade do Rio Grande e Coronel Xavier Chaves – somaram em 2012 a produção de 73,106 milhões de litros, volume 19,1% maior do que o produzido em 2000. Página 13
Resendecostenses participaram de projeto da UFMG
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Asfaltamento da LMG 839: benefícios para o turismo na região O asfaltamento da rodovia LMG 839 (Resende Costa – São Tiago) pode consolidar o circuito turístico das Vertentes. Todos ganhariam com a interligação asfáltica entre as cidades históricas da região: mais segurança e conforto, melhor sinalização e maior circulação de informações turísticas. Página 06
Estudo mostra evolução da produção de leite nas Vertentes
Árvores no entorno da igreja do Rosário cresceram e estão causando transtornos aos moradores.
A igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Resende Costa, passou recentemente por reformas que substituíram a pintura externa e solucionaram parcialmente alguns problemas de infiltra-
ção. De acordo com informações obtidas na Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, os problemas de infiltração nas paredes da igreja são constantes devido, principalmente, às árvores
que circundam o adro. Um abaixo-assinado foi enviado pela paróquia ao Conselho de Desenvolvimento do Meio Ambiente (CODEMA) solicitando o corte das árvoPágina 05 res.
Alunos da Escola Estadual Assis Resende participaram da II Mostra de Ciências da UFMG com dois projetos no mês de outubro, orientados pelas professoras Eunice Resende e Nelma Resende. Um deles foi considerado o melhor da categoria ‘Investigativo’ da Mostra e foi apresentado na Universidade no dia 5 de outubro último. Página 08
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Jornal das Lajes
E D I T O R I A L
Constituição Federal e liberdade de expressão No dia 5 de outubro último, a Constituição da República Federativa do Brasil completou 25 anos. Trata-se incontestavelmente de um marco importante no processo de redemocratização do Brasil após 21 anos sob o regime militar. De 1988 para cá, muitos avanços ocorreram, dentre eles a garantia da igualdade entre todos os cidadãos e o direito à liberdade de expressão. Muitas críticas, porém são desferidas à Carta Magna. Chamada pelo deputado Ulisses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte, de “Constituição Cidadã”, a Carta foi elaborada idealmente para um regime político parlamentarista, embora tenha de conviver hoje com o sistema presidencialista. Outra crítica feita à Constituição é de ter ampliado as obrigações de Estados e Municípios, sem contudo promover a descentralização correspondente no âmbito das receitas. E também a de ter engessado o orçamento federal, dificultando a gestão pública. Diferentemente de outros modelos mais enxutos, como a dos Estados Unidos, que desde 1787 (ano da sua promulgação) teve apenas 27 emendas, ao completar 25 anos a nossa Carta Magna de 1988 já foi modificada cerca de 80 vezes com aprovação e promulgação de 74 propostas de emendas constitucionais (PECs) pelo Congresso Nacional. Atualmente tramitam na Câmara dos Deputados e no Senado mais de 1600 PECs, que pretendem modificar texto constitucional. Um dos grandes pilares da Constituição Federal é o artigo V, inciso IX, que define: “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Assim, a Carta está alinhada com o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos que diz: “Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão...”. Não raras vezes, este artigo tem sido motivo de polêmicas. A mais recente está relacionada com censura a biografias não autorizadas. Artistas do grupo “Procure Saber” - Roberto Carlos, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque, entre outros – vieram a público nas últimas semanas defender a autorização prévia à publicação de biografias não autorizadas. Os ânimos acirraram-se na medida em que biógrafos e outros grupos se posicionaram contra a censura, às vésperas da votação de projeto de lei no Congresso Nacional que retira a necessidade de autorização para a publicação de biografias. Nesta edição do Jornal das Lajes o colunista João Magalhães (O verso e o controverso) reflete sobre este tema, que ainda promete muito debate e muita polêmica. Nos próximos dias 21 e 22 o Supremo Tribunal Federal (STF) irá promover uma audiência pública para discutir a questão de autorização prévia para a publicação de biografias. Espera-se um debate acalorado, em que estão em jogo dois princípios basilares previstos na Constituição: a liberdade de expressão e o direito individual à privacidade. Mas a questão da liberdade de expressão não se restringe às fronteiras nacionais. Na reunião da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), realizada em outubro em Denver (EUA), as principais ameaças à liberdade de expressão nas Américas foram destacadas no documento final do evento. São exemplos as crescentes restrições à atuação da imprensa em países como Argentina, Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Equador, as revelações de espionagem contra jornalistas nos Estados Unidos, as dificuldades de acesso a informações públicas e o crescente número de assassinatos de jornalistas. Nesse sentido, o Brasil vai relativamente bem, apesar da intolerância contra o trabalho da imprensa por parte de alguns governantes e políticos e das frequentes propostas de implantação de um “controle social da mídia”, por parte de setores mais radicais da sociedade. Embora existam imperfeições e muitos pontos ainda a serem aprimorados, a Constituição Federal de 1988 precisa ser defendida e preservada, afinal, ao longo destes 25 anos, tem contribuído decisivamente para o constante amadurecimento da democracia do país.
Jornal das Lajes Ltda
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Fundado em 22 de janeiro de 2008 Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro
Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000
Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Diretor de redação: Rosalvo Pinto
Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP
Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte
Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves
Tiragem: 4000 exemplares
Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto
Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Tiradentes
Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
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Meio Ambiente
ADRIANO VALÉRIO RESENDE
Qualidade das águas do rio Santo Antônio O nosso conhecido rio Santo Antônio é o principal curso d’água que corta o município de Resende Costa. Ele tem sua formação no encontro das águas do ribeirão de Cima e com as do ribeirão de Baixo, no povoado do Ribeirão de Santo Antônio, no sopé da Serra das Vertentes. Suas nascentes mais altas estão acima dos 1.100 m e sua bacia de drenagem possui uma área de aproximadamente 513 km². Ele deságua no rio das Mortes, na divisa entre os municípios de Ritápolis e Coronel Xavier Chaves, no entorno das ruínas da Fazenda do Pombal, a uma altitude de 892 m, após percorrer cerca de 35 km. O ribeirão do Mosquito ou das Coroas, pela margem esquerda, é o mais importante dentre os afluentes. Entre 2012 e 2013 foram feitas coletas de água na bacia do rio Santo Antônio para avaliação de sua qualidade, sendo as análises realizadas pelo laboratório Hidrocepe Serviços de Qualidade Ltda, localizado em Belo Horizonte. Destaca-se que os parâmetros físicos, químicos e biológicos obtidos em uma análise, na medida em que são comparados aos padrões estabelecidos pela legislação, permitem avaliar a qualidade da água da área monitorada. Assim, para o rio Santo Antônio, foram utilizados as nove variáveis que fazem parte do chamado Índice de Qualidade das Águas – IQA: oxigênio dissolvido, coliformes fecais (Escherichia coli), pH, demanda bioquímica de oxigênio, ni-
trato, fosfato total, temperatura, turbidez e resíduo total (sólidos totais). As coletas representaram um ano hidrológico, realizadas em abril/2012 (transição chuva/seca), agosto/2012 (estiagem), novembro/2012 (transição seca/chuva) e fevereiro/2013 (chuva). Foram estabelecidos cinco pontos de amostragem na bacia do rio Santo Antônio: ponto 1, nas cabeceiras do córrego Bertânia, afluente ribeirão de Baixo; ponto 2, no rio Santo Antônio, à jusante do deságue do ribeirão dos Pintos; ponto 3, no ribeirão do Mosquito, à jusante do deságue do córrego Barracão; ponto 4, no ribeirão do Mosquito, à jusante da cidade de Coronel Xavier Chaves; e ponto 5, no rio Santo Antônio, próximo à foz no rio das Mortes. Foi estabelecido ainda um sexto ponto, no rio das Mortes, à montante da foz do rio Santo Antônio. Os resultados das análises foram comparados com os parâmetros da Resolução CONAMA nº 357 de 2005 e da Deliberação Normativa Conjunta COPAM/CERH-MG nº 01 de 2008, que classificam os corpos d’água. Segundo essa última, as águas doces estaduais são classificadas, segundo a qualidade requerida para os seus usos preponderantes e as condições ambientais dos corpos d’água, em cinco classes de qualidade, da melhor para a pior: especial, 1, 2, 3 e 4. Pode-se dizer que o padrão médio de qualidade é a classe 2, até que seja feita a aprovação oficial dos enquadra-
mentos (classes) dos rios e análises das variáveis de qualidade. Dessa forma, realizou-se a classificação dos resultados dos seis pontos de coleta. De maneira geral, a maioria dos resultados dos pontos localizados na bacia do rio Santo Antônio não atendeu aos padrões de qualidade da classe 2, uma vez que vários parâmetros estavam como classes 3 ou 4. A exceção foi o primeiro ponto de coleta, em uma nascente, onde apenas um parâmetro ficou como classe 3. Um fato deve ser aqui destacado: para o mês de novembro foi realizada uma análise no rio das Mortes, imediatamente à montante do encontro com as águas do rio Santo Antônio. Na comparação das análises dos pontos 5 e 6, verificou-se que as águas do rio Santo Antônio estavam com qualidade inferior à do rio das Mortes para a maioria dos parâmetros analisados. Assim, podemos afirmar que as águas da bacia do rio Santo Antônio, que banha grande parte do município de Resende Costa, estavam, na maioria das análises realizadas, com qualidade inferior à estabelecida pela legislação (classe 2), ou seja, foram identificadas significativas alterações na qualidade das águas do rio Santo Antônio e do ribeirão do Mosquito ao longo de seus percursos. Você deve ter se perguntado: quais as causas dessas alterações na qualidade das águas da nossa Resende Costa? Essa é uma outra história...
Voz do Cidadão
Moradores reclamam de problemas em rua da cidade “Nós, moradores da Rua Aderson Silva, no bairro Santa Terezinha, através deste jornal, queremos como cidadãos, fazer valer nossos direitos de ir e vir para nossas casas. Porém, devido à situação de nossa rua isto está quase impossível, e com um agravante: as chuvas. Se precisarmos sair às pressas e estiver chovendo, carro não sobe e nem desce e, às ve-
zes, temos que deixar o mesmo dormir na rua devido ao estado da via. Em nossa casa mora uma cadeirante de 90 anos e, inclusive, já tivemos que sair correndo debaixo de chuva com ela, porque o carro não subia a rua. Esgoto de outras casas desce em nossa rua, agravando ainda mais o problema e, também, vão se formando poças, podendo até proliferar o mosquito da
dengue. Se acharem que estamos falando demais, saibam que este problema já vem de anos atrás. Já estamos cansados de promessas! Só mudaram as caras, mas a falta de comprometimento continua a mesma! Quatro anos passam rápido, um já foi. E aí, como ficamos?” Dulce e Dalton
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Informativo da Câmara
Saúde
O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.
Confira alguns dos projetos de lei aprovados nos meses de outubro e novembro Projeto 86- dispõe sobre a contribuição para custeio do Serviço de Iluminação Pública e dá outras providências. Projeto 92 - autoriza celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação dos Municípios da Microrregião do Campo das Vertentes (AMVER) para realização do III Congresso Regional de Educação dos Municípios das Vertentes e dá outras providências. Realização de congresso com a participação de professores municipais. Projeto 94 - autoriza a permissão de uso das dependências do Parque dos Trabalhadores de Resende Costa “Dr. Geraldo Magela de Resende” por particulares e dá outras providências, com a finalidade única de realização da 2ª festa “Tirei Onda de Som Automotivo”. Projeto 95 - institui o Programa de Acesso à Internet e de Telefonia Móvel no Distrito de Jacarandira. Autoriza abertura de crédito especial e o uso de bem público para a instalação de equipamentos de transmissão de sinal de internet e telefonia móvel e dá outras providências. Autoriza o uso de uma pequena torre de aço localizada no distrito de Jacarandira, zona rural, para instalação de equipamentos de internet para acesso exclusivo dos moradores da região. Projeto 96 - autoriza a abertura de crédito e dá outras providências, para reforma e modernização da Escola Municipal José Augusto de Resende, no povoado do Cajuru, zona rural. Projeto 97 - dá nome à Rua Francisco Assis Silva e dá outras providências, no loteamento de herdeiro de Roque de
Paula Pinto.
PASA.
Projeto 98 - altera a redação do Inciso III do artigo 5º da Lei Municipal 3.490, de 9 de junho de 2011, e dá outras providências, para proceder outorga de concessão para exploração do serviço de instalação de placas indicativas de nomes dos logradouros públicos e dispõe padronização das mesmas.
Projeto 111 - autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação dos Moradores e Amigos do Tijuco, autoriza abertura de crédito especial e dá outras providências. Tal convênio oferece oficinas de música para crianças e adolescentes e incentiva a formação de grupos musicais que divulguem os resultados das oficinas.
Projeto 99 - revoga a Lei Municipal nº 2.942, de 3 de maio de 2006, que dispõe sobre a denominação de próprios do município de Resende Costa. Institui novas regras sobre denominação dos próprios municipais e dá outras providências. Novos termos para denominação de ruas, praças e logradouros. Projeto 100 - autoriza o Poder Executivo Municipal a efetuar a permuta do imóvel e dá outras providências. Tal permuta tem por finalidade compensar os prejuízos sofridos por moradora, devido à erosão ocorrida no terreno da mesma, tornando inviável o aproveitamento da área útil restante. Projeto 101 - cria vaga na estrutura administrativa da Prefeitura Municipal e dá outras providências. Cria vaga de mais um cargo de Auxiliar Administrativo. Projeto 110 - autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Resende Costa (APAE) e dá outras providências. Recursos para aquisição de três cadeiras de rodas personalizadas, uma cadeira de rodas para banho, um andador e um aparelho Neurodyn 2 canais, com recursos provenientes de doações dos funcionários da CO-
Projeto 114 - autoriza os representantes da Fazenda Pública Municipal celebrar acordo em processos administrativos e transacionar em processos judiciais em que o município de Resende Costa for interessado, seja como autor, réu ou tiver interesse jurídico na qualidade de assistente ou oponente e dá outras providências. Possibilita o Executivo promover transações e conciliações em processos judiciais em que o município estiver envolvido. Projeto 115 - autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação de Congado São Cosme e Damião, o repasse de recursos e dá outras providências, visando à realização das tradicionais festividades culturais de congados durante as comemorações da Festa do Rosário. Maiores informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município. Praça Nossa Senhora de Fátima, s/n, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
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rização e divulgação da nossa cultura! Local: R$ 40,00. Fora de Resende Costa: R$ 80,00 Contato pelos telefones: (32) 3354-1323; 3354-1705 e (31) 3281-4467. Jornal das Lajes: DEZ ANOS de jornalismo comprometido com Resende Costa e região.
Conferência Municipal de Saúde aprova reivindicações da população No dia 28 de setembro, foi realizada na Casa de Eventos C & M, a 12ª Conferência Municipal de Saúde. De acordo com a até então secretária municipal de saúde*, Katia Resende, o evento “é um processo no qual as pessoas se reúnem, discutem os temas propostos, expondo diversos pontos de vista, deliberam coletivamente e, a partir dos debates locais, escolhem representantes que levam adiante as ideias que tenham a concordância de todos”. Atualmente, o maior desafio na saúde é a escassez de recursos financeiros e humanos. Em entrevista a Rádio Inconfidentes FM no mês de setembro, o prefeito Aurélio Suenes explicou que esse é um problema que afeta todos os municípios brasileiros: “O maior desafio de um governo é saúde. Resende Costa não está nem bem nem mal. Há dados indicando que 700 cidades não têm nenhum médico, e nós temos quatro trabalhando aqui. O município tem obrigação de investir 15% dos recursos em saúde e Resende Costa está com projeção de investir 22%, bem acima do que é exigido”. A secretária Katia destacou que o principal ponto discutido na Conferência Municipal de Saúde foi o aprimoramento da Atenção Básica no município. O prefeito Aurélio também havia falado sobre o assunto durante sua entrevista ao programa Conexão 87: “Uma falha que nós temos é a falta de atendimento na saúde básica. Resende Costa tem cobertura do PSF em apenas cerca de 40% da cidade. A partir do ano que vem, em janeiro ou fevereiro, nós vamos implantar a segunda equipe de PSF em Resende Costa, isso já é garantido. Determinadas áreas que não são cobertas passarão a ser atendidas. A expectativa é que teremos uma melhora nesse sentido, melhorando o atendimento à população”. Segundo a Secretaria de Saúde, as reivindicações aprovadas durante a Conferência foram as seguintes: reformar os Postos de Saúde da zona rural; transportar pacientes para realizar exames de sangue em Resende Costa; aumentar a oferta de medicamentos; aquisição de equipamentos
EMANUELLE RIBEIRO médicos para o Internato Rural; treinamento para os próximos Conselheiros Municipais de Saúde; implantar Internato Rural Odontológico; aumentar as cotas de consultas de Clínico Geral para a zona rural; ampliar a rede de esgoto do Distrito de Jacarandira e implantar nos outros povoados; implantar o PSF Rural; adquirir Academia da Saúde para zona urbana e zona rural; aquisição de telefone fixo para o posto de saúde do Distrito de Jacarandira; presença de uma técnica de enfermagem durante a semana ou pelo menos por dois dias no posto de saúde do Cajuru; priorizar o atendimento para os pacientes da zona rural no Centro de Saúde; implantar Internato Rural nos povoados do Barracão, Andrade e Restinga; aumentar a oferta de insumos para pacientes diabéticos; melhorar a infraestrutura para a terceira idade; melhorar o atendimento do plantão médico no Hospital Nossa Senhora do Rosário (HNSR); promover campanhas de informação sobre normas, programas e funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde (Ex: panfletos, avisos na rádio e jornal local); efetivar a utilização do Protocolo de Manchester no HNSR; melhorar a prevenção em saúde com campanhas educativas; efetivar a implantação do Núcleo de Apoio à Saúde da Família; implantação da Farmácia de Minas; revitalização do mobiliário e equipamentos do Centro de Saúde; contratar mais dentistas para o Centro de Saúde; implantar Saúde Bucal no PSF; aumentar o número de técnicos de enfermagem no Centro de Saúde e PSF e criar mais um cargo para Psicólogo. A população levou suas reivindicações, que foram discutidas entre os profissionais da saúde e, agora, restam às propostas aprovadas na Conferência serem homologadas pelo conselho Municipal de Saúde e depois encaminhadas para o Chefe do Poder Executivo, Secretaria de Saúde e Câmara Municipal de Vereadores. *No último dia 8 de outubro, a Secretaria Municipal de Saúde foi assumida por Eliane Resende.
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Especial Nova Resende
Nova Resende: café de qualidade, indústria de lingerie e troca de lixo por alimento JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Nova Resende - quase na divisa entre o sul e o sudoeste de Minas - é conhecida pelo seu café de qualidade e pela florescente indústria de moda íntima (lingerie). Mas este ano ganhou destaque pela maneira criativa como estimula seus cidadãos a lidar com o lixo, que é trocado por alimento. O município de Nova Resende teve início nas primeiras décadas do século XIX. O primeiro Resende a chegar à região foi o Tenente Coronel João Gonçalves de Rezende, bisneto de João de Rezende Costa que emigrou dos Açores para Lagoa Dourada. João Gonçalves é neto de Thereza Maria de Jesus e sobrinho-neto do inconfidente José de Rezende Costa (o filho). Há cerca de seis anos, a administração municipal lançou o projeto “Cidadão Consciente”, que é um dos 30 finalistas do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social 2013 (um dos seis melhores na categoria “Gestores públicos”), entre mais de mil concorrentes. O vencedor (tecnologia com maior pontuação média em cada categoria) será conhecido em 19 de novembro durante cerimônia em Brasília. Curiosamente, este projeto é vinculado à Secretaria de Assistência Social. Primeiro, porque o município não tem Secretaria do Meio Ambiente; e, segundo, a ideia foi buscar uma alternativa ao assistencialismo, explica a secretária Selene Aparecida Alves. Diariamente, moradores a pé ou de carro - procuram o ponto de recebimento no local de reciclagem para entregar seu lixo. Cada tipo de material é pe-
inclusive no meio rural, conta o prefeito Celson José de Oliveira. Todo dia, a partir das 11h30, forma-se uma fila na entrada do restaurante, que serve em média 200 refeições diárias. No período da colheita do café (entre abril e setembro), esta média sobe para 300 refeições/ dia, por causa do maior afluxo de pessoal da roça (tanto colhedores quanto os próprios produtores). O projeto melhorou a limpeza da cidade e a qualidade da alimentação, além da preservação do meio ambiente, resumiu o prefeito.
sado e, com base numa tabela de preços, o morador recebe um vale correspondente ao valor total. Por exemplo, o vidro é avaliado em R$ 0,05 o quilo; papel fino, R$ 0,05 kg; papelão, R$ 0,10 kg; plástico fino, 0,20 kg; bateria, 0,30 kg; plástico duro, 0,35 kg; pet, 0,55 kg; metal, 2,80 kg; e cobre, R$ 3,00 kg. Os resíduos sólidos recolhidos passam por processo de separação e prensagem (com exceção de ferragem e plástico). Os fardos resultantes são vendidos para compradores de Alpinópolis, São Sebastião do Paraíso e Alfenas. Este resíduo enfardado rende em média R$ 9 mil por mês.
Usina de reciclagem
Mercadinho No mercadinho municipal, os moradores trocam vales da reciclagem por produtos hortigranjeiros (frutas, legumes e verduras), bem como por produtos industrializados (alimentos, material de limpeza e escolar). Os hortigranjeiros são cultivados na horta da prefeitura ou são oriundos da agricultura familiar (frutas). Alguns exemplos de preços: couve-flor custa R$ 0,80 o quilo; cheiro verde, 0,10 o maço; chicória, 0,10 o pé; alface, 0,20 o pé; couve, 0,10 kg; abobrinha, R$ 1,00 kg; e tomate, 0,80 kg. Em caso de diferença, a pessoa recebe o vale-troco que pode ser utilizado em outra oportunidade. Outra opção é utilizar o vale no restaurante popular, implantado em 2012, cuja refeição custa R$ 2,00 (quem pagar com vale acima desse valor, recebe a diferença em vale-troco). A ideia do restaurante foi incentivar ainda mais a reciclagem, Foto José Venâncio
Horta Municipal em Nova Resende
Cerca de 6 a 7 toneladas de lixo seco e molhado coletado diretamente nas ruas pela Prefeitura chegam diariamente à Usina de Reciclagem, de acordo com seu coordenador, José Feliciano Ferreira. Desse volume, 2 a 3 toneladas são descartadas como rejeitos. Selene Alves considera que houve um certo relaxamento da população, que antes costumava separar o lixo seco do molhado. Tanto que a ideia é promover, a partir de novembro, uma campanha de mobilização (escola, rádio, palestras, passeatas etc.) para estimular a separação entre os dois tipos de lixo. Assim, o caminhão da Prefeitura recolheria os lixos seco e molhado em dias alternados. Por enquanto, os funcionários da usina separam os lixos seco e molhado e o rejeito. O lixo seco, prensado e enfardado, tem o mesmo destino dos resíduos sólidos provenientes do ponto de recebimento. Já o lixo molhado é transformado em adubo orgânico (cerca de 2 a 3 toneladas por mês) – para uso na jardinagem da Prefeitura - e os rejeitos são encaminhados para o aterro sanitário. Segundo Selene Alves, os resíduos de saúde (lixo de hospital e de unidades de saúde) de Nova Resende são coletados por um consórcio específico, criado pela Associação dos Municípios da Microrregião Baixa Mogiana (AMOG). A entidade também está criando o consórcio de pneumáticos para recolher os pneus usados dos 16 municípios filiados (a íntegra está disponível em www.jornaldaslajes.com.br).
A influência dos Resendes Nova Resende, cuja sede está localizada a 1.250 metros (acima do nível do mar) na região administrativa do médio Rio Grande, ocupa área de 390,15 quilômetros quadrados e tem população estimada de 15.374 habitantes. Faz divisa com oito municípios: Carmo do Rio Claro, Conceição Aparecida, Alterosa, Monte Belo, Juruaia, São Pedro da União, Bom Jesus da Penha e Alpinópolis. A região pertenceu à Comarca do Rio das Mortes, lembra o advogado, pesquisador de História e autor de livros sobre a cidade, Orlando Salles Filho, o Orlandinho. Tanto que, em novembro de 1764, em giro de reconhecimento passou pela região a comitiva do governador da capitania das Minas Gerais, Luiz Diogo Lobo da Silva, acompanhado de seu secretário Cáudio Manoel da Costa. A povoação com o nome de Santa Rita surgiu em torno de uma capela construída em área doada por Domingos Rodrigues de Lima, João Dias da Silva e Manuel Rodrigues de Lima, de acordo com Edital de Patrimônio da Capela de Santa Rita publicado pelo Bispado de São Paulo em 4 de janeiro de 1823. Entre os outros doadores do Patrimônio da Freguesia de Santa Rita do Rio Claro, estava o tenente Coronel João Gonçalves de Rezende. De Lagoa Dourada, ele foi para São Carlos do Jacuí e, em seguida, para Santa Rita por volta de 1830. Casou-se com Inocência Maria de Jesus e, ao falecer em 25 de agosto
de 1857, deixou nove descendentes em Santa Rita, Juruaia e Muzambinho. Em 1866, o povoado tornou-se Freguesia de Santa Rita do Rio Claro, pertencendo a Jacuí. Em 1875, passou a vincular-se a Passos e, em 1878, a Cabo Verde. Devido à grande plantação de café, por volta de 1880 era popularmente chamada de “Santa Rita do Café ou dos Cafezais”. O capitão Francisco Anacleto de Rezende, neto de João Gonçalves, foi o primeiro vereador de Santa Rita junto às Câmaras de Passos e Cabo Verde. Em 1901, Santa Rita voltou a pertencer a Passos quando foi elevada a vila, com o nome de “Vila Nova de Rezende”. A emancipação política de Nova Rezende veio em 2 de janeiro de 1902, com a instalação da vila. O primeiro presidente da Câmara Municipal e agente executivo (espécie de prefeito) foi o major Cândido Carvalho de Rezende, neto de João Gonçalves. Seu primo tenente coronel Rozendo Aprígio de Rezende, também neto de João Gonçalves, foi juiz de paz, vereador, presidente da Câmara e agente executivo de Nova Rezende no período de 1911 a 1918. Em 24 de janeiro de 1925, a vila passou a pertencer à Comarca de Muzambinho com a grafia “Nova Resende”. Em 10 de janeiro do mesmo ano (Lei 893), a vila foi elevada a cidade. J.V.R.
Mercadinho Municipal em Nova Resende
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Cidade
Solicitação para corte de árvores próximas à igreja do Rosário divide opiniões ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO Recentemente, a igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Resende Costa, passou por reformas. A pintura externa do templo foi substituída e problemas de infiltração parcialmente solucionados. De acordo com informações da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, os problemas de infiltração e mofo nas paredes da igreja são constantes devido, principalmente, às árvores que circundam o adro. Mas não é somente a paróquia que reclama dos transtornos causados pelas árvores. A maioria dos moradores do entorno da Praça Coronel Sousa Maia também se sentem incomodados e por isso, juntamente com a paróquia, organizaram um abaixo-assinado enviado ao Conselho de Desenvolvimento do Meio Ambiente (CODEMA) pedindo o corte das árvores. Onze árvores da espécie Sibipiruna e uma Pau-Ferro circundam o adro da igreja. Elas foram plantadas na década de 1980. “Quando pequenas essas árvores são bonitas e a gente não imagina que quando ficam adultas elas se tornam agressivas, pois suas raízes se espalham em busca de água”, disse a empresária Romilda Maria Assis, moradora do Largo do Rosário e uma das organizadoras do abaixo-assinado. A Sibipiruna é uma árvore nativa do Brasil, considerada de grande porte, podendo medir até 28 metros de altura e atingir 6 metros de diâmetro. Devido a sua copa arredondada e frondosa, a espécie é muito utilizada para arborização de parques nas grandes cidades. Ao longo do tempo, as pequenas árvores cresceram e começaram a causar transtornos aos moradores do Largo do Rosário, como é também conhecida a Praça Coronel Sousa Maia. “Durante o ano inteiro, as árvores espalham sementes, folhas e galhos na rua, além de entupir as calhas”, informa Romilda Assis. “Além disso, elas estufaram o calçamento da rua, desviando o curso da enxurrada em dias de chuva, deixando muita sujeira e areia”. No entanto, os danos maiores são causados à igreja do Rosário. De acordo com a paróquia, a calçada ao redor da igreja está toda trincada devido ao crescimento das raízes. Outros problemas apontados pela paróquia são os danos causados pelas raízes ao piso interno do templo, bem como os mofos nas paredes. No abaixo-assinado enviado ao CODEMA outros problemas são destacados como justificativas para o corte das sibipirunas: o crescimento dos galhos atrapalha a luminosidade, deixando a rua e a igreja às escuras; as calhas da igreja e das casas vizinhas entopem frequentemente na época das chuvas devido ao excesso de folhas, flores e sementes, que caem sobre os telhados; a sujeira dentro do adro da igreja e na praça é constante; os galhos atrapalham a passagem de
Elevação do calçamento e proximidade da rede elétrica são alguns dos problemas destacados pelos moradores
caminhões e ônibus, além de estarem muito próximos da rede elétrica; durante temporais e ventanias, os galhos das árvores ameaçam cair sobre pessoas, veículos e imóveis. O abaixo-assinado, contendo 24 assinaturas de moradores do Largo do Rosário, já foi entregue ao CODEMA. “Além das 24 pessoas, várias outras pediram para assinar, inclusive pessoas que moram em outros bairros, mas estão preocupadas com a igreja. Mas, o abaixo-assinado já estava na prefeitura”, disse Romilda. O prefeito municipal Aurélio Suenes confirmou que recebeu o abaixo-assinado e que enviou o documento ao CODEMA. Segundo ele, o órgão optou pela poda das árvores. “Acho que o corte vai causar um impacto ambiental e visual muito grande. Apesar dos problemas evidentes, acredito que a poda deve ser experimentada antes de qualquer medida drástica”, acrescentou Aurélio. Nem todos os moradores do Largo do Rosário são favoráveis ao corte das árvores. O advogado Hamilton Esequiel de Resende aponta algumas implicações legais, ambientais e estéticas causadas pelo possível corte das sibipirunas: “No art. 185, inciso VI, da Lei Orgânica do Município está estabelecido que ‘são considerados monumentos municipais de conservação permanente as árvores situadas nas praças Coronel Sousa Maia e Dr. Costa Pinto, bem como o Pau-Brasil existente na Praça Cônego Cardoso’. Do ponto de vista ambiental, as árvores oferecem melhor climatização à praça, proporcionando calor mais ameno para os que frequentam a igreja, a praça ou os demais imóveis que a compõem”. Hamilton questiona os problemas apontados pela paróquia e pelos moradores que assinaram o abaixo-assinado: “Quanto aos supostos problemas que estariam [as árvores] causando, como morador, sinceramente, não consigo ver nenhum deles. Se os
galhos atrapalham os caminhões, não há que se cortar a árvore, mas apenas fazer sua poda, como é de praxe pela Prefeitura. Se provocam umidade e/ ou rachaduras nos imóveis, há que se fazer um laudo, para se apurar se são realmente a causa. Isso não ocorre em meu imóvel e nos de minha família. Se as folhas estão caindo nas calhas, trata-se de situação facilmente resolvida com uma limpeza anual, como faço todos os anos em minha casa, no mês de setembro, antes das chuvas. Este ano a limpeza durou apenas duas horas. Já tive um problema de entupimento de calhas, causado muito mais por pombos do que por folhas. Quanto ao levantamento dos bloquetes pelas raízes, isso é facilmente explicável pelo fato de que foram colocados de maneira equivocada, pois a árvore precisa de uma área de permeabilização da água, existindo um tipo de grade de ferro própria, colocada na horizontal, em volta da árvore, como ocorre em Belo Horizonte. Isso, associado ao alargamento do passeio, para “abraçar” as árvores, humanizaria a praça, embelezaria a igreja e protegeria as árvores. Uma cidade que se quer turística tem que ser arborizada, tem que ser agradável aos visitantes”, sugere Hamilton. As árvores, apesar dos transtornos causados à igreja e a alguns moradores, já fazem parte da paisagem da praça. Hamilton destaca a harmonia do conjunto e lembra também de alguns fatos polêmicos acontecidos no passado em Resende Costa: “Gostaria que minha querida cidade não cometesse erro tamanho, só comparável ao loteamento da Praça Mendes Resende, na década de 70, pois, além de dar vida à praça, as doze árvores emolduram a igreja, tornando-a mais bonita, estabelecendo o contraste e a comunhão de cores entre a obra dos homens (a igreja do Rosário) e a obra de Deus (as frondosas árvores). Gostaria que as pessoas favoráveis ao corte refletissem um pouco mais e levas-
sem em conta que as árvores levaram décadas para chegarem ao ponto e à beleza atual. Tudo isso é obra divina e seu corte seria um contra senso para aqueles que, como eu, frequentam, semanalmente, a igreja do Rosário”. O Técnico Ambiental do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Murton Moreira, confirmou que as árvores são protegidas por lei e para que fosse realizado o corte seria necessária uma mudança na mesma. Além disso, segundo ele, o corte seria uma medida que causaria impacto visual na praça, além de problemas ambientais, já que as árvores são produtoras de oxigênio. “A sujeira não pode ser considerada como uma ameaça ou motivo para o corte. Isso é natural. Uma medida efetiva seria a poda educativa, a cada dois anos, fazendo com que a árvore parasse de crescer e, consequentemente, a raiz também, já que esta só aumenta para suportar o peso da árvore”, destacou Murton. Ainda segundo Murton, centenas de sibipirunas são plantadas em áreas centrais de outras cidades e não chegam a ser tão agressivas: “Acredito que o ideal seja mesmo a poda. Estou agendando uma visita à igreja para ver se há realmente danos causados pelas árvores para pensarmos em outras soluções. A poda pode sim estabilizá-las. A beleza do local depende delas. Lembro que logo que elas foram plantadas, nós tivemos que replantar algumas que estavam danificadas, em 1985. O que devia ter sido feito é ter dado um espaço de terra para as raízes, sem calçamento”, acrescentou.
Em outros pontos da cidade Em algumas avenidas da cidade, outras árvores tiveram de ser cortadas. Na rua Bueno Brandão, ao lado do Teatro Municipal, as árvores que compunham o canteiro central que divide as duas vias foram cortadas recentemente. Há mais tempo, o
mesmo aconteceu com algumas árvores da rua Padre Joaquim Carlos. Quanto ao corte das doze sibipirunas da igreja do Rosário, a paróquia e os moradores do entorno que se sentem prejudicados esperam o parecer do CODEMA e da Prefeitura Municipal. “Alguma solução tem que ser encontrada para proteger a igreja. Sugiro cortar as árvores e plantar outras de pequeno porte. Além disso, é necessário nivelar novamente o calçamento próximo ao adro da igreja”, conclui Romilda Assis. O prefeito Aurélio explicou os critérios utilizados para o corte das árvores próximas ao Teatro Municipal: “O pedido dos moradores, a condição de degradação das árvores que ali estavam (tomadas por ervas daninhas), a necessidade de alargamento da rua e, por fim, o parecer favorável do CODEMA”. Sobre as sibipirunas, ele disse que o corte, diferentemente da poda, pode causar uma polêmica ambiental: “O CODEMA, instituído em Resende Costa nessa administração, é um órgão paritário e independente, sendo que as decisões desse Conselho devem ser legitimadas. As polêmicas sempre vão existir. Sabemos que as condições climáticas tornam muito arriscados a permanência ou o plantio de árvores de grande porte em centros urbanos. Mas deixo claro que a Prefeitura tem que agir de acordo com o parecer do CODEMA”. Ainda segundo Aurélio, a Prefeitura está estudando junto ao IEF, espécies de árvores apropriadas para centros urbanos: “Vamos plantar árvores de pequeno porte em vários pontos, onde as calçadas e ruas são mais largas”. Murton Moreira afirmou que o corte das árvores na Rua Bueno Brandão era necessário, devido também à mudança no trânsito na região central da cidade. Mas segundo o Técnico Ambiental do IEF, outras árvores de pequeno porte serão replantadas no local em breve.
Três árvores foram cortadas recentemente na Rua Bueno Brandão
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Pós-graduação
Amirco
Estudo confirma degradação da bacia do rio Santo Antônio
Amirco elege diretoria para o biênio 2013-2015
Conhecimentos sobre os recursos socioambientais da região podem servir de instrumento para tomadas de decisões de prefeituras e do Comitê da Bacia Hidrográfica Vertentes do Rio Grande Fotos Elaine Martins
ELAINE MARTINS O desmatamento, a má utilização dos solos, o lançamento de esgoto em cursos d’água e a disposição inadequada de resíduos em Coronel Xavier Chaves, Lagoa Dourada, Resende Costa e Ritápolis são as principais causas da degradação ambiental dos 513km² da bacia do rio Santo Antônio, um dos principais afluentes do rio das Mortes na Serra das Vertentes. Isso foi o que confirmou o estudo “Diagnóstico socioambiental da bacia do rio Santo Antônio-MG”, defendido como dissertação de mestrado pelo geógrafo Adriano Resende, em 23 de outubro, junto ao Programa de Pós-Graduação em Geografia da PUC-Minas. Adriano Resende considerou a área de estudo formada pelas sub-bacias do rio Santo Antônio e do ribeirão do Mosquito, envolvendo nos quatro municípios uma população de 31.395 habitantes, sendo 20.872 urbanos e 10.523 rurais. “A região já possui um histórico de degradação ambiental, pouca água subterrânea para exploração e uma rede de drenagem que, apesar da elevada densidade de nascentes e cursos d’água, vem sofrendo com o assoreamento. Por isso a importância de se estudar a bacia”, justificou. A área, de acordo com o geógrafo, passa por um significativo processo de trasformação econômico-produtiva, tendo a sua vegetação nativa substituída por braquiária e eucalipto e o seu solo empobrecido. “Registramos 754 focos de erosão, sendo 447 voçorocas ativas e 384 inativas, reponsáveis pelo carreamento de sedimentos para o leito do rio. Há uma tendência natural para o surgimento de erosões na sub-bacia do rio Santo Antônio; mas elas são acentuadas pela pressão antrópica,
A Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (Amirco) realizou a sua sétima assembleia geral em 26 de outubro e elegeu a diretoria 2013/2015, reafirmando o compromisso da entidade com a valorização e promoção da cultura de Resende Costa e sua gente. Os dirigentes eleitos foram Rosalvo Pinto (presidente), André Oliveira (vice-presidente), Emanuelle Ribeiro (secretária), Eustáquio Peluzi (diretor financeiro), Flávia Silva (diretora so-
ELAINE MARTINS cial) e Elaine Martins (diretora de comunicação). O historiador Francisco Pinto assumiu a presidência do Conselho Consultivo, formado por 10 membros. Foram dadas boas-vindas aos novos associados Wagner Silva, presidente do Coral Mater Dei, e Ediceia Silva, pedagoga. Além destes, outros três novos conselheiros foram indicados: a historiadora Edna Resende, o poeta Evaldo Balbino e o agrônomo Toninho Pinto.
Cidades Asfaltamento da LMG 839 e a consolidação do circuito turístico das Vertentes A dissertação de Adriano Resende foi aprovada pela banca composta pelos professores Guilherme Bueno, José Flávio de Castro e Wagner Teixeira
sobretudo pelo desmatamento para a agropecuária e a silvicultura”, diagnosticou. O uso e ocupação da bacia Os principais consumos da água são o abastecimento público nas cidades e o lazer e a dessedentação de animais na zona rural. Os usos industriais restringem-se a laticínios, alambiques e piscicultura, mas poucas são as captações e propriedades regulamentadas. “O número de certidões de uso insignificante e portarias de outorga é muito menor que as intervenções verificadas em campo, assim como poucas são propriedades rurais que possuem averbação de reserva legal,” pontuou o geógrafo. O resultado das análises de qualidade das águas não atendeu aos padrões exigidos pelas normas am-
Adriano Valério defendeu dissertação de mestrado na PUC Minas.
bientais. As causas mais prováveis, conforme diagnosticado, são o carreamento de sedimentos e o lançamento de efluentes sanitários nos córregos. Dos quatro municípios da bacia, nenhum trata o esgoto, que é lançado em cursos d’água, e apenas Coronel Xavier Chaves possui usina de triagem e compostagem de resíduos sólidos – os outros destinam o lixo a aterros controlados. Desdobramentos O estudo poderá produzir mecanismos para a implementação de políticas públicas, a exemplo da regularização ambiental. “Para a fiscalização, que é meu metiê, o diagnóstico também permite a ampliação de conhecimentos acerca da região e contribui para para a tomada de decisões”, acrescentou Dr. Wagner Teixeira, analista da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMAD-MG) que particiou da banca avaliadora. Com o entendimento da bacia hidrográfica como unidade de planejamento e gestão, Adriano Resende, também analista ambiental da SEMAD-MG, acredita que o diagnóstico poderá se desdobrar em um plano de ação a ser implementado na bacia do rio Santo Antônio em parceria com o Comitê da Bacia Hidrográfica Vertentes do Rio Grande, prefeituras e ONGs. Ele pretende, em breve, apresentar os resultados do estudo ao Comitê e ao Instituto Rio Santo Antônio (IRIS).
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE O asfaltamento da rodovia LMG 839 (Resende Costa – São Tiago) ajudará a consolidar o circuito turístico das Vertentes, na visão do professor Ivis Bento de Lima do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Todos poderiam ganhar com a interligação das cidades históricas da região por meio do asfaltamento de trechos de terra, da melhor sinalização e da ampliação das informações úteis aos turistas. O professor Ivis enfatiza que o asfaltamento da rodovia LMG 839 deve vir acompanhado de ações de melhoria de todo o circuito turístico. Uma das grandes deficiências é a falta de sinalização. “Para pertencer ao circuito de Estrada Real, as estradas devem estar bem sinalizadas”. O asfaltamento da rodovia LMG 839, por exemplo, permitiria divulgar com mais ênfase biscoitos, frutas e cachaça de São Tiago e o artesanato em retalhos de tecidos de Resende Costa. Já o trevo de Prados poderia trazer informações sobre o artesanato em madeira, objetos de couro e o patrimônio histórico. E o trevo de Coronel Xavier Chaves poderia dar destaque para cachaça, artes em pedra, bordados e frutas. Além disso, é preciso melhorar o padrão de divulgação da gastronomia regional, como parte da política de consolidação do circuito turístico das Vertentes, conclui o professor Ivis. Prefeito no DER-MG - No mês passado, o prefeito de Resende Costa, Aurélio Suenes, e o secretário de obras, Adelmar Aarão, reuniram-
-se com o diretor-geral do DER-MG, José Élcio Monteze, e com o deputado e secretário de estado Wander Borges. Na ocasião, Aurélio solicitou ao DER-MG informações sobre o projeto de asfaltamento da via que liga Resende Costa a São Tiago e destacou a importância da obra para a região. Também defendeu a construção de um anel rodoviário para desviar o fluxo de veículos pesados da zona urbana de Resende Costa. O diretor do DER-MG informou que o projeto de engenharia para o asfaltamento do trecho está em fase de finalização. Já a construção do anel rodoviário, que não estava prevista no projeto original, vem sendo estudada pelo órgão. Segundo Monteze, após o fechamento do projeto de engenharia, a obra vai depender apenas da autorização do governador para as etapas finais, ou seja, a licitação e a execução. Já o secretário Wander Borges acredita que a obra pode ser liberada ainda no mandato de Antônio Anastasia, que termina no final de 2014. Para o prefeito Aurélio, é importante o município acompanhar de perto a elaboração e a execução desse projeto, para garantir os devidos benefícios e minimizar os possíveis impactos para a cidade. “Sabemos que ainda não há data prevista para o início do asfaltamento. Mas há um projeto, que vem sendo estudado e atualizado pelo DER. Estamos sempre buscando todas as informações e registrando a necessidade do anel rodoviário em Resende Costa”.
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Aconteceu
Paróquia de Nossa Senhora da Penha realiza Festa do Rosário Foto Camila Silva Terno de Congado na procissão de Nossa Senhora
Andor de Nossa Senhora do Rosário, Santa Efigênia e São Domingos
Capitão do Terno de Congado
Missa Conga foi celebrada pela primeira em Resende Costa.
Os fiéis se reuniram em frente à igreja do Rosário durante a tarde
Os Congados são uma das atrações da tradicional festa do Rosáio
Foto Marilene
A Festa do Rosário já se tornou tradicional em Resende Costa. Todos os anos se espera com ansiedade a realização da festa, que acontece geralmente no primeiro final de semana de novembro. Resende Costa recebe durante os dias do tríduo preparatório e, sobretudo no dia da festa visitantes de várias cidades que vêm conhecer as tradições e os costumes dos congados, responsáveis por abrilhantar a festa. Fé, devoção e alegria são expressas através de instrumentos, cores, rimas e danças típicas apresentadas pelas bandas durante todo o domingo. Como é bom poder ver e sentir a energia e o entusiasmo dos congadeiros tocando seus instrumentos! Ritmo e sintonia contagiam quem participa e assiste aos grupos de congado, que celebram a liberdade conquistada pelos negros e os costumes, mantidos por eles através de várias gerações. Neste ano aconteceu pela primeira vez a celebração da “Missa Conga” na paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, celebrada pelo vigário paroquial padre Raimundo Inácio e concelebrada pelo pároco local padre Eder Santos. Participaram também da celebração o diácono Javé Domingos e os grupos de congado, responsáveis pela parte musical, tornando a liturgia ainda mais participativa. A “Missa Conga” promove o diálogo entre a liturgia da Igreja e a religiosidade popular. Após a celebração, aconteceu a procissão com a participação dos congados. Na chegada à igreja do Rosário houve homenagens a Nossa Senhora, realizadas pelas bandas de congado.
Foto Letícia Resende
CAMILA SILVA
Empresa de eventos surge em Resende Costa que animaram a noite toda. Também foi muito boa a recepção nas redes sociais. Aproveito para agradecer a todos que compareceram ao evento e que nos apoiaram, como os formandos do terceiro ano, e a todas as pessoas que nos ajudaram de qualquer forma”, comentou Ricardo. O sócio da Vesúvio destacou também que existem muitos benefícios com a entrada da empresa na cidade: “O próprio comércio local que se aquece; a entrada de receita na cidade por meio de frequentadores que residem em cidades vizinhas e vêm prestigiar o evento; a geração de empregos eventuais para dezenas de pessoas e, principalmente, o conforto que gera para a população que reside na cidade ou perto, pois não há necessidade de se deslocar em grandes distâncias para procurar esse tipo de lazer”. O próximo evento da Vesúvio já tem data marcada: dia 7 de dezembro! Será uma “Choppada” no Parque de Exposições com DJ e os grupos UAI Garotos, de Resende Costa, e UAI Samba, de São João del-Rei. Acompanhem a Vesúvio na rede social Facebook e fiquem por dentro das novidades: www.facebook.com/efl.vesuvio
EMANUELLE RIBEIRO
Fotos Emanuelle Ribeiro
Aconteceu e vai continuar acontecendo! Resende Costa agora ganhou uma empresa que promete agitar a cidade com eventos diferenciados: a Vesúvio Produções. Uma ideia amadurecida por alguns membros da Turma da Vaquinha, que já tem tradição em realização de boas festas, tendo em vista a carência de entretenimento dos jovens resende-costenses: “Um dos objetivos seria resgatar a tradição de festas estilo ‘baile’ e oferecer uma opção de lazer noturno com qualidade para que as pessoas não tenham que sair da nossa cidade todos os finais de semana, procurando diversão em outros lugares”, contou Ricardo Resende Andrade, sócio e fundador da Vesúvio. O pontapé inicial da empresa em Resende Costa foi no dia 12 de outubro último, com a realização da “Balada Red Label” no Parque de Exposições. “Em conversas casuais e até mesmo na internet (principalmente via Facebook) é notório o apoio de grande parte da população ao resgate desse tipo de festa, ainda mais pelo fato das pessoas poderem se divertir sem ter que pegar estrada. O público da ‘Balada Red Label’ superou nossas expectativas e foi uma noite bastante agradável, sem maiores problemas. Os presentes curtiram bastante as atrações
O primeiro evento da Vesúvio, Balada Red Label, foi um sucesso
A DJ Laila Apple agitou a noite no dia 12 de outubro
DJ Laila Apple
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Educação
Alunos da Escola Assis Resende participaram da II Mostra de Ciências da UFMG
Evaldo Balbino fala sobre Educação e Literatura
ELAINE MARTINS
EMANUELLE RIBEIRO
Esse prêmio é de grande importância para o nosso município, comprovando o bom nível do ensino em Resende Costa: “A Escola Assis Resende deu total apoio ao projeto, estando de prontidão para atender qualquer necessidade, tanto do nosso grupo quanto do grupo que se dedicou ao outro projeto. Contamos com a orientação da professora de Química, Eunice, e com o importante auxílio da Professora de português, Márcia Fernandes, e o professor de Educação Física, Rodrigo Aguiar, a quem temos muito a agradecer. A maior contribuição que tivemos foi o conhecimento adquirido sobre o tema e, com isso, poder esclarecer algumas dúvidas mais frequentes, mostrando também que nossa escola consegue preparar muito bem os seus alunos. Com todo o esforço realizado pelo grupo obteve-se o resultado tão esperado”, acrescentou Renata. A premiação deve ocorrer em novembro na UFMG, mas a data ainda é incerta. Como prêmio, serão recebidas três bolsas de iniciação científica júnior, além de certificados e medalhas. O projeto seria implementado e enviado para a seleção na Feira Brasileira de Ciências (FEBRACE) até o último dia 29. O resultado da seleção será divulgado no dia 18 de dezembro. A professora Eunice Resende tem se dedicado na preparação de alunos resende-costenses para Olimpíadas e outras competições escolares há um bom tempo: “Desde 2010 participo da Olimpíada de Química, que é complicada, pois qualquer escola pode participar. Assim, todos os anos, de agosto a outubro, preparo fora do horário escolar os alunos que seleciono - cinco do 1º ano e cinco do 2º. Em 2011 aconteceu a I Mostra de Ciências
A diretora da Escola Assis Resende, Andrea Lima, as orientadoras Eunice e Nelma e os alunos das equipes selecionadas no Campus Pampulha da UFMG
da UFMG em comemoração ao Ano Internacional da Química. Fui informada sobre o evento e sugeri que os alunos pensassem em um tema para montarmos um projeto e somente um aluno interessou-se, pois a Mostra juntamente com a prova da Olimpíada ocorreriam no dia do Enem. Propus ao aluno que desenvolvesse o projeto do “Sabão de óleo”, o orientei e o projeto foi aceito para a apresentação, sendo que ele ficou em 5º lugar. O prêmio foi uma bolsa de Iniciação que o aluno desenvolveu no ano seguinte. Durante a iniciação o projeto foi aperfeiçoado e publicado no CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)”. As participações em Olimpíadas e eventos na área do ensino rendem bons resultados, haja vista a projeção que nosso município e instituições alcançam em nível estadual e nacional. Além da premiação, outros fatores devem ser considerados, como destacou Eunice: “O meu objetivo em participar desses projetos é oferecer aos nossos alunos oportunidades de crescimento na vida acadêmica quando ingressarem em uma universidade. É preciso muita coragem e ousadia para participar desses projetos, pois nos desdobramos para dar conta de preparar esses alunos, uma vez que tudo isso vai muito além da sala de aula. Faço isso por realização pessoal e amor à profissão”. O segundo projeto, orientado pela professora Nelma, foi desenvolvido pelos alunos Elimar do Carmo, Isabella Coelho, Mariana Cristina e Maykon Oliveira. O projeto é relacionado aos sistemas sustentáveis de energia e o objetivo do grupo foi construir uma placa fotovoltaica feita de materiais alternativos e de baixo custo, e ainda explicar
Equipe da Escola Assis Resende que ficou em primeiro lugar na II Mostra de Ciências da UFMG
O colunista do JL Evaldo Balbino desembarcou em São João del-Rei no dia 31 de outubro para participar da 1ª Ciranda de Estudos de Pedagogia do Instituto de Ensino Superior Presidente Tancredo de Almeida Neves (IPTAN). O também professor da UFMG apresentou a palestra “Educação e literatura: a libertação pela arte”, levando o público de professores e estudantes a refletir sobre as possibilidades de a literatura
ser apropriada pela escola para a promoção de um letramento literário. Depois da apresentação, Balbino confraternizou-se com o público e autografou os seus livros Moinho (poesia, 2006), Filhos da Pedra (poesia, 2012) e Móbiles de Areia (crônicas, 2012), além de Amores Oblíquos (contos, 2013), ganhador do Prêmio Nacional Braskem/Academia de Letras da Bahia.
Foto Aline Silva
A Escola Estadual Assis Resende participou da II Mostra de Ciências da UFMG com dois projetos no mês de outubro: “Suplementação: Beleza e Força Enganosas”, orientado pela professora Eunice Resende e “Células Fotovoltaicas x Copa Verde 2014”, orientado pela professora Nelma Resende. O primeiro foi considerado o melhor da categoria ‘Investigativo’ da Mostra e foi apresentado na Universidade no dia 5 de outubro último. Os alunos Josiane Martiniano de Pádua, Paulo Victor de Assis, Raissa Silva e Renata Ribeiro escolheram o tema por ser um assunto atual: “Já que muitas pessoas que buscam um ‘corpo perfeito’ recorrem a algum tipo de suplementação, seja ela para ganhar ou perder massa”, destacou a estudante Renata. Segundo os idealizadores do projeto, o objetivo inicial seria alertar a população em geral sobre o risco do mau uso dos suplementos e o uso dos anabolizantes. “Foram feitas várias entrevistas com profissionais da área de educação física e proprietários de academia, nutricionista, médico cardiologista, médico veterinário (pelo fato de muitos utilizarem drogas veterinárias para tentar conseguir músculos, o que é extremamente nocivo à saúde) e usuários desses produtos. Todos eles reforçaram a ideia de que o uso do suplemento de forma adequada (com acompanhamento nutricional e atividade física) ajuda na concepção do corpo desejado, mas quando mal utilizado, traz muitos malefícios. E o uso de anabolizantes (hormônios sintéticos) é extremamente proibido e só é recomendado por médicos em doses terapêuticas, para pessoas que não produzem ou que produzem pouco hormônio”, explicou Renata.
Evaldo Balbino foi acolhido pela professora Raquel Borges, coordenadora do curso de Pedagogia do IPTAN
o seu funcionamento através de uma maquete do estádio Mineirão, que recebeu placas fotovoltaicas durante sua reforma para a Copa do Mundo de 2014. “Em meio a tanto trabalho eles tiveram que correr atrás de conhecimento, pois não sabíamos direito como construir e como funcionava a célula fotovoltaica, pois se trata de uma ciência muito nova que não se encontra em livros didáticos. Foi muito enriquecedor, porque além de teoria eles tiveram experiência de laboratório, de prática, que é muito rara para um aluno de ensino médio. Durante a realização das atividades do projeto, eles conseguiram crescer muito como estudantes e ‘pesquisadores’. O nosso projeto nada mais é do que o início de uma grande pesquisa”, explicou Nelma.
O projeto não foi premiado, até porque não foi finalizado. Nelma disse que é necessário melhorar a eficiência da placa e que essa ideia terá continuidade na escola, com a ajuda de outros professores e alunos, pois esse projeto demanda tempo. “Temos muitos planos para que no ano que vem possamos ter uma placa melhor ou, talvez, apenas alunos mais interessados pela pesquisa e pela ciência. Meu papel de professora neste projeto é incentivar os estudantes na área científica. É o que precisamos na educação do nosso país hoje: alunos incentivados e valorizados”, concluiu Nelma. O JL acredita na importância dessas iniciativas e parabeniza os funcionários e alunos da Escola Estadual Assis Resende envolvidos nos projetos.
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A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Invenções doidas Fiquei sabendo que um tal de Goventosa inventou, lá na Itália, a moto de uma roda só. A máquina fazia até 150km/h. E o mais incrível: o motoqueiro ficava assentado dentro do próprio aro da roda. Ficava assentado enquanto a moto estivesse parada, pois na primeira rodada o Goventosa já iria longe. Pode ser também que o intrépido italiano usasse o cinto de segurança para viajar na centrífuga mais idiota que a pátria de Dante Alighieri criou. Claro que o trambolho não foi pra frente... nem pro lado. Fiel a todo círculo, tornou-se algo voltado para si mesmo e a invenção do Goventosa virou vento. No começo do século passado, um alemão inventou a boia-salsicha. Era uma boia salva-vida, comprida e fina, que dava voltas em torno do corpo do nadador. O cara ficava igualzinho cachorro-quente com uma só fatia de pão. Se já é humilhante entrar na água agarrado numa linguiça inflável, mais humilhante ainda é salvar-se boiando na jiboia. A invenção não foi pra frente. Acabou esvaziando. Em 1931, um americano criou um rádio acoplado ao chapéu, com antena e tudo. Era só colocar o chapéu, ajustar a antena, sintonizar a estação e passear feito barata pelas ruas. Talvez Kafka fosse profeta e não soubesse. Pelo que consta, a invenção durou até o dia em que um usuário foi atingido por um raio e morreu estorricado. E o rádio-chapéu naufragou nas suas ondas curtas. As invenções doidas ainda estão acontecendo. Não sei como ainda não inventaram o liquidificador musical. O guarda-chuva
com cortina ao longo das barbatanas. O sapato autolimpante. No entanto, existe uma invenção doida que a cada ano se repete sem se reinventar. Irrita todo mundo, beneficia poucos, contraria a saúde e coloca os lucros num plano que não convence ninguém. Trata-se do Horário de Verão. O nosso é doido mesmo. É tão doido que começa na primavera. É tão doido que tem estado que não o adota. É tão doido que o Brasil fica com quatro horários. O nosso Horário de Verão é invenção mais radical do que a moto do Goventosa, pois ele é uma imposição Governamentosa. È mais ridículo do que a boia-salsicha, pois enrola todo mundo e ninguém se salva do afogamento. É mais onda curta do que o rádio-chapéu, pois não capta as reclamações gerais da nação. Até que essa geringonça passe, o negócio é fingir que está com sono mais cedo, forçar apetite sem fome, acordar com dívidas de sono e pensar que o Brasil está dando passos de gigante por causa do Horário de Verão. O brasileiro está tendo mais emprego por causa do Horário de Verão? O brasileiro está comendo melhor por causa do Horário de Verão? O brasileiro está estudando melhor por causa do Horário de Verão? O brasileiro está tendo melhores hospitais por causa do Horário de Verão? O brasileiro está tendo mais segurança por causa do Horário de Verão? ... o brasileiro está tendo mais saco por causa do Horário de Verão?
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
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Música
Quando os deuses andavam entre nós RENATO RUAS PINTO
Na Grécia antiga os deuses e semideuses conviviam com mortais. Disfarçavam-se ou se transformavam para seduzir jovens incautos. Na Ilíada de Homero, até escolheram lados e combateram na Guerra de Tróia junto aos heróis Heitor, Ulisses e os exércitos troianos e gregos. Porém, não vou falar dos deuses gregos, mas sim dos deuses de nossa música popular brasileira, a MPB – sigla que abriga artistas com estilos tão diferentes entre si tal qual os príncipes e irmãos Páris e Heitor. Três livros que passaram por minhas leituras recentes contam várias histórias de quando os nossos deuses da MPB andavam entre nós e eram vistos nos bares, clubes obscuros e ruas que nós conhecemos: Tom Jobim, Vinícius, Chico Buarque, Milton Nascimento, Elis Regina, João Gilberto, Lô Borges e um panteão completo de outros grandes nomes. O primeiro é “Os Sonhos Não Envelhecem”, de Márcio Borges, que conta a história do Clube da Esquina. Márcio, um dos irmãos da talentosa família Borges foi, junto com o mais velho Marilton, um dos primeiros a conhecer Milton Nascimento em Belo Horizonte. E foi o seu primeiro parceiro em composições, além de um dos letristas principais do Clube da Esquina, ao lado de Fernando Brant e Ronaldo Bastos (Márcio assina letras como “Tudo que você podia ser”, “Clube da Esquina nº 2”, entre outras). É uma narrativa em primeira pessoa, fiada na memória de um dos fundadores de um clube que ganhou notoriedade internacional. Além disso, é reconhecido hoje como um dos movimentos que não só sacudiu a música brasileira na ressaca pós-bossa nova, mas que trouxe para MPB influências do rock inglês (leia-se Beatles). Além de uma leitura prazerosa, o livro se destaca por contar histórias interessantes do Clube, desde a ida de Milton para BH, o começo do seu sucesso nacional com “Travessia” e a entrada em cena dos parceiros mais jovens Lô Borges e Beto Guedes, que eram
crianças quando Milton começou a compor com Márcio. A história da gravação do álbum antológico “Clube da Esquina”, que levou o movimento para além das montanhas de Minas, é um trecho de destaque da bela história da reunião de talentos e de um trabalho construído a várias mãos. A sintonia do grupo é a tônica da história e é bem exemplificada no trecho onde se conta a história da famosa “Para Lennon e McCartney”. Em um barulhento almoço na casa dos Borges, Lô mostrou a melodia que havia composto. Dali Márcio e Fernando Brant saíram para quartos separados e, após meia hora, cada um voltou com um trecho da letra, cabendo a Márcio o “porque você não verá...” e Fernando assinando a parte “eu sou da Ámerica do Sul...”. Genial, não? Pois foi isso o Clube da Esquina, uma seleção de talentos que ainda por cima sabiam jogar como um time. A segunda leitura, também um belo relato em primeira mão, é o “Noites Tropicais” de Nelson Motta. Nelson foi testemunha do nascimento da Bossa Nova, além de parceiro em composições de Dori Caymmi, Marcos Valle, Lulu Santos e outros. Após uma carreira como músico que durou muito pouco, ele se tornou um produtor musical respeitado e teve toda sua vida ligada à música e grandes artistas. Nos anos 90 ainda foi responsável pela descoberta e lançamento de Marisa Monte. Credenciais mais do que suficientes para garantir histórias interessantes em um livro que conta passagens relevantes da música brasileira desde a bossa nova até o estouro do rock nacional nos anos 80. Em suas páginas transitam gigantes que, por sua proximidade a Nelson, ganham uma vida que salta das páginas para nossa imaginação, como Elis Regina, Tim Maia e Roberto Carlos. Musicalmente falando, é abrangente pela diversidade de estilos que passam pelas páginas, desde o samba e bossa nova até o rock, passando pelo funk/soul e a moda da discoteca dos anos 70 (Nelson estava, por
exemplo, por trás da formação de As Frenéticas). De fato, uma bela coleção de histórias interessantes, como a criação do famoso Circo Voador, berço da explosão do rock nacional. A última leitura foi “Chega de Saudade”, de Ruy Castro, sobre a história da Bossa Nova e de como esse movimento saiu da zona sul do Rio de Janeiro e ganhou o mundo, virando quase sinônimo de música brasileira no exterior. Focado na “Santíssima Trindade” da Bossa Nova – Tom Jobim, Vinícius de Moraes e João Gilberto – o livro conta em detalhes a transformação vivida pelo excêntrico João Gilberto, que desembocou na criação da famosa batida, e como esse ritmo encontrou um porto seguro nas composições de Tom e letras do Poetinha. O livro é fruto de uma pesquisa primorosa e traz histórias dos bastidores que valem a leitura. Conta, por exemplo, como os artistas brasileiros foram enganados por editores estrangeiros inescrupulosos que os lesaram nos direitos autorais. Ou como vários artistas conquistaram os Estados Unidos e quando Tom Jobim recebeu uma ligação em um bar no Rio de ninguém menos do que Frank Sinatra, convidando-o para a histórica gravação dos dois gênios. São três excelentes leituras que deveriam vir acompanhadas de áudio para se ouvir os artistas e músicas citadas. Mesmo sem o áudio, as músicas vêm à cabeça enquanto se lê. Os três livros despertaram em mim uma grande vontade de ir atrás de álbuns históricos e ir mais fundo na discografia de vários artistas. Infelizmente, nem tudo está à disposição em catálogos, mas vamos procurando, pois é uma busca sempre bem recompensada. Por fim, as leituras nos fazem refletir sobre a polêmica do momento, o movimento encabeçado por certos artistas para se proibir a publicação de biografias não autorizadas. Dá pra se pensar em quantas grandes histórias poderão não ser contadas por conta de uma censura prévia idiota.
10 Jornal das Lajes Causos e Cousas
ANO X Nº 127 - NOVEMBRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
ROSALVO PINTO
Na saidinha da prefeitura T e m muita saída por aí: a saída da praia, a saidinha de fininho e, nos últimos tempos, a saidinha de banco. Nossa Resende Costa tem a “saidinha da prefeitura”. Os moradores diurnos do prédio da prefeitura, de tanto entrar e, sobretudo, de tanto sair, parece que não enxergam mais o que está de frente da sua moradia. A rigor, a prefeitura é um dos três lugares mais importantes da cidade. Os outros dois são o da Câmara Municipal e o do Fórum. Não entro no mérito das religiões, do lugar das igrejas. Mas, voltemos à saidinha da prefeitura. Há tempos venho olhando, com pena, o trechinho das Lajes de Baixo de frente para a prefeitura. Mal cuidado, sujo, invadido, queimado, desmazelado e, haja adjetivos. Ah, ia me esquecendo do pior, sem o passeio (ou calçada). Geralmente as prefeituras agem assim: cobram dos cidadãos o cuidado das calçadas, mas elas são as primeiras a descuidar das suas. Dias atrás eu descia a pé e parei na frente da prefeitura. Estava intrigado para saber qual seria o motivo de uma recente e feia queimada. Só poderia ter sido vandalismo. Aquilo que já era feio, ficou mais feio ainda. Entra prefeito, sai prefeito e a degradação da Laje de Baixo continua firme. Nem é bom falar nas invasões que apareceram ao longo dos anos. Pelo descuido, as áreas invadi-
das não têm mais retorno. Mas ainda há tempo de salvar uma nesgazinha de laje, exatamente a da frente da prefeitura. Resende Costa é uma cidade tristemente curiosa: foi gradativamente perdendo suas coisas boas e bonitas: começou perdendo a laje da cadeia, depois perdeu a laje de baixo e, como se não bastasse, fecharam a vista da laje de cima. Foram-se as cinco fontes. Vai-se a capoeira de Nossa Senhora da Penha e por aí vai. Onde já se viu uma cidade vender (vender?) metade de uma das maiores praças, para pessoas que nem sequer resende-costenses eram? De tão acostumadas a não ver a beleza da frente da prefeitura, as pessoas não atinaram para uma situação mais grave. A falta de calçada as obriga a subir e descer a rua pela minúscula calçada da direita de quem sobe. Uma das consequências disso é que muita gente prefere andar pela rua, costume, aliás, muito típico de nossa cidade. E o risco de subir num trecho onde há movimento de veículos entrando e saindo da prefeitura e a entrada e saída da área de estacionamento? Vale lembrar que a prefeitura está continuamente recebendo pessoas de fora, que passam por lá para conhecer ou para resolver problemas. Qualquer cidadão mais atento e perspicaz é capaz de calcular que murar o espaço da prefeitura e fazer uma calçada mais larga do que aquela tripinha do outro lado não é lá nada tão caro (se comparado, por exemplo, aos milhares de reais
Espaço degradado no centro da cidade, em frente à Prefeitura Municipal
que se gastam nas festas para duas horas de show de uma banda...). Máquinas e mão de obra a prefeitura tem. Pedra é o que não falta na encosta da laje. O que falta é um pouco mais de visão administrativa, de preocupação com a aparência da cidade. Que eu me lembre, um único prefeito, assim que assumiu seu governo, fez um projeto de arborização da cidade. Onde estão as centenas de árvores plantadas? Ah, os vândalos... não são invenção dos últimos meses. Nossa cidade é castigada por um sol causticante, pela altitude e pela abrangência da insolação. Merecia ser mais arborizada. Entretanto, cercar e fazer a calçada é o mínimo esperado. Ainda mais barato seria o sonho de ver aquele espaço arborizado ou servindo para outros fins nobres ou estéticos. Basta por a cabeça pra pensar. A ex-futura pracinha do outro lado, mais abaixo, já se foi... O pé de abacate, coitado, o único habitante daquela área, também se foi. Tive a oportunidade de conhecer, em agosto passado, nossa cidade-irmã Resende, de Portugal. Fiquei encantado com a limpeza, a beleza das praças. Doeu-me lembrar de nossa cidade. Lembrei-me da praça Dr. Costa Pinto, no centríssimo da cidade: para evitar os vândalos, fez-se um monstrengo de praça. Não é proibido pensar e sonhar. Imaginem como nossa cidade ficaria tão mais bonita se quatro de suas ruas ou avenidas mais largas, a Rua Padre Joaquim Carlos, a Rua Bueno Brandão, a Rua Nova e a Rua do Rosário tivessem um tratamento planejado e diferenciado de árvores, gramados e flores! Vejam que na Rua Nova o canteiro central costuma até virar depósito de entulho... Enfim, quem sabe se o aproveitamento e o embelezamento daquela área em frente à prefeitura desperte a atenção dos resende-costenses para cobrar de seus governantes outras obras baratas e bonitas... Enfim, vamos nos lembrar que a capoeira de Nossa Senhora da Penha continua esperando por socorro, coitada, já à beira da morte...
Crônicas do cotidiano
RAFAEL CHAVES
Celular, computador e academia Faz quase um mês que estou sem celular, estragou. A oficina alega que não encontra a peça necessária. Diz que já lançaram outros modelos depois desse que eu tenho e que peças para modelos mais antigos são difíceis de encontrar. Faz quase um decênio que estou sem meu notebook, estragou. O HD queimou pela terceira vez. Como estava na garantia, propus uma troca por um novo. Hoje foi meu primeiro dia na academia. Às 7 horas da manhã eu estava em frente à porta da academia, pronto para fazer o tal do teste de carga (este nome não me soa bem). Quase começou mal porque eu me estressei com o atraso de 5 minutos para abrir a academia. Eu sou pontual ao extremo. Quem é pontual detesta esperar. Não faz muito tempo vivíamos sem essas coisas: computador, celular e academia. Como todo mundo estava me cobrando de eu estar sem celular, fui até a loja da operadora e expliquei assim a situação ao atendente: - Olha, eu tenho 29 mil pontos no programa de retribuição, sou cliente há anos, nunca atrasei uma conta e meu celular estragou. Será que eu conseguiria trocar os pontos por um celular, pode ser um simples? Depois de eu me identificar e de o atendente fazer as consultas de praxe, disse, entre satisfeito e solícito: - Você tem direito a um celular de graça sim! – e foi me apontando e mostrando o modelo que eu receberia! Eu cheguei a confiar na minha operadora e acreditar na sua sinceridade altruística. Mas em seguida, em poucos minutos, enquanto ele mexia nos trâmites para me entregar o celular, me veio com esse detalhe: - Oh, eu me esqueci de te avisar, você não vai pagar pelo celular, mas vai perder um desconto que você tem na sua conta! - O quê? Uai, então não é de graça - falei - p... nenhuma! - pensei.
Respirei fundo, para não dizer umas verdades, disse-lhe que ia refletir melhor sobre a proposta e fui embora. É por isso que continuo sem celular, quase incomunicável! Como os meus amigos virtuais deveriam estar sentindo minha falta no facebook, eu fui até a oficina onde internei meu notebook e expliquei assim a situação ao atendente: - Olha, faz mais de uma semana que eu deixei o meu notebook aqui e eu estou precisando de uma solução. Eu estou sem celular e sem computador, os dois estragaram ao mesmo tempo. Você faz ideia do que isso representa? O modo como me queixei, fazendo-lhe entender da gravidade da situação de eu estar sem 3G e sem www parece tê-lo sensibilizado. Depois das consultas de praxe, disse: - O seu caso está pendente da resposta do Júnior. Júnior é o dono. Que Júnior era quem decidiria sobre o caso eu já sabia desde o dia em que fiz a proposta de troca do velho pelo novo. Respirei fundo, para não dizer umas verdades, pedi-lhe empenho e fui embora. É por isso que continuo sem notebook, quase incomunicável! Devo confessar que, por vezes, me senti um peixe fora d’água, sem celular e sem notebook. Será que meus amigos virtuais estão sentindo falta de mim no facebook? Eu até leio os e-mails por outros meios (essa rima dá uma letra de funk!), mas estou longe das redes sociais, dos filmes do netflix e do curso de inglês online. Quantas pessoas terão tentado contato comigo? Eu até recebo ligações no telefone fixo, mas somente daqueles que sabem onde estou. Foi em razão desses eventos que me matriculei na academia. Enrolei até quanto pude fazer isso. Porém parece ser impossível alguém ficar sem esses três símbolos da modernidade ao mesmo tempo: celular, computador e academia. Só não pode, agora, acontecer de eu também precisar de conserto!
Jornal das Lajes 11
ANO X Nº 127 - NOVEMBRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
O tempo e os sonhos O tempo passa para todos. Até as coisas mudam, pois se cansam também. Uma penteadeira antiga demonstra ares de velha avó boa e silenciosa, mas cheia de monotonias. Bela uma penteadeira antiga, porém de uma beleza cheia de enfados, de vida longa num currículo que se estende para longe. Boa e bela, no entanto com uma respiração cansada, com passos lentos em calçada de pedra, com vagares de viver uma vida que sobe por um morro íngreme. E ela, a vida, apesar de tudo, continua bela e boa. Se se cansam as coisas, o que dizer de nós mesmos? Nós, que temos a consciência de que o tempo só sabe passar e nada mais? Tudo bem que o tempo, dizem, nos traz uma madura idade. A maturidade que não se compra e que não se vende. Nenhuma madureza é objeto de mercancia. Dizem isso, mas tenho lá as minhas dúvidas. E com meus botões vou dizendo que nem sempre evoluímos assim. A vida não é evolução. É acontecimento. Não nego o valor da experiência, mas também não nos vejo caminhando de modo retilíneo, como se estivéssemos, por exemplo, galgando altos patamares, os mais difíceis e nobres. Aprende-se vivendo, é claro! Mas vivemos errando também. Outro dia recebi um e-mail de um amigo, com belos slides em anexo. Ao vê-los, desfilaram perante meus olhos heróis dos quadrinhos e personalidades da música e do cinema. Greta Garbo, Batman, Mandrake, Marlon Brando, Dalva de Oliveira, o Homem-Aranha etc. E todos iam passando diante dos meus pensamentos como carneirinhos impertinentes. Não dizem que carneirinhos conta-
dos à beira do sono são capazes de nos embalar na deliciosa rede dos sonhos? No entanto, os carneirinhos que desfilavam diante de mim eram mulheres lindas, gargantas de ouro e voz deslumbrante, figuras destemidas e invencíveis na luta contra um suposto Mal. E todas essas figuras, apesar de eternas, não deixavam de ser carneirinhos mortais. Todas eternas, porque habitando nossas memórias. Mas também todas mortais, pois tanta beleza, tanto brilho nos olhos, principalmente dos cantores e dos atores, tudo isso já virou uma escuridão, uma ausência de olhos, um vazio de olhar. E ao fim de tudo, sob flores e insetos, nem mesmo a certeza de que esta vida continua. Sob terra que se joga e que se esquece, só resta apenas um silêncio profundo como um rio que não conhecemos. E eis aí uma dúvida que abala tudo, até mesmo qualquer fé que se deseja inabalável. Sim, o tempo passa. Para todos e para tudo. Coisas, bichos, homens e mulheres, crianças e idosos. Nada tem salvação, pelo menos neste plano que apalpamos e que sentimos com nossos sentidos primeiros e evidentes. As pessoas e seus sonhos (os heróis que construímos), tudo vira pó da memória. Tal melancolia me assalta e se me faz amiga. Não para me levar de mãos dadas ao abismo do nada, e sim para me fazer pensar, sonhar cada vez mais, lutar contra todo apagamento. De mim e de todos. E essa luta pressupõe um revirar constante das horas passadas. Outro dia mesmo revivi um pouco, e mais uma vez, o passado. Revi um vídeo longo sobre os melhores momentos do Cassino do Chacrinha. Meu Deus, que saudade! Não de uma felicidade, que esta não existe pura e simples. Mas sau-
dade de momentos que vivi: o brilho da roupa do Guerreiro Abelardo Barbosa, a Elke Maravilha dançando com Roberto Leal, o Paralamas do Sucesso, Raul Seixas e sua Al Capone, Elba Ramalho falando de um banho de lua, Sidney Magal com sua Sandra Rosa Madalena, Ultraje a Rigor, Jane e Herondy, Cazuza, Tim Maia, Lulu Santos, Luiz Caldas falando de abelha e flor e amor, Sandra de Sá dizendo da solidão e da necessidade de amor, Evandro Mesquita, Marina Lima falando de noite e sedução, Jairzinho e Simony, Guilherme Arantes, Simone, Roberto Carlos cantando que “todo final tem seu começo” e que os dias e as horas são contados ansiosamente para se ver quem se ama, Fábio Júnior, Baby do Brasil e Pepeu, Wanderléa, Nelson Ned, e, por fim, o Capital Inicial falando de distância e independência. O tempo nos faz alongar caminhos e não nos deixa independentes das distâncias. Elas são pontes que nos ligam sempre ao passado. O passado não passa, mas permanece. A cada vez que perscruto o passado, eu não vejo só coisas boas. Nem tudo é um mar de rosas, mas também, é claro, nem tudo está perdido ou esteve perdido. Há que se extrair de todos os momentos da vida um naco sequer de alegria, de paz, de crença na felicidade plena. Pensando em tudo isso, pergunto a Deus, como já o fez Adélia Prado: “A vida é assim, Senhor? Desabam mesmo pele do rosto e sonhos?”. Se tudo desaba, algo nos salva. E nesta crônica já terminando, lembro a todos que as referidas cenas do Chacrinha foram gravadas num teatro de nome belíssimo. Teatro Fênix. Este nome me salva do tempo e do silêncio.
Gastronomia
CLÁUDIO RUAS
Churrasco: uma paixão nacional Já falamos nessa coluna sobre a importância da descoberta do fogo na civilização e evolução da nossa espécie. Assim, podemos dizer que o churrasco nasceu na pré-história, quando algum “churrasqueiro” da época assou uma carne de caça no espeto. E de lá pra cá, como é fácil de se perceber, o processo é o mesmo na sua essência: brasa, carne e alguém controlando. E vários outros em volta, ansiosos por um pedaço. No caso do Brasil, nem é preciso lembrar que esse costume veio do sul do país, afinal, associamos automaticamente o churrasco à imagem do gaúcho. No sentido amplo da palavra, “gaúcho” é a denominação do vaqueiro da região dos Pampas, que, além de parte do Rio Grande do Sul, ainda ocupa uma fatia do Uruguai e da Argentina. Um local com grandes pastagens e criações de gado. Peões famintos com a lida e sal grosso pros bois sobrando. Aí não tinha como ser de outro jeito. Juntou-se a fome com a vontade de comer churrasco e a tradição se espalhou Brasil acima, desde a laje de um barraco até o espaço gourmet mais chique de uma mansão. E, curiosamente, sempre em forma de confraternização. Mas é interessante observar as diferenças dos estilos e formas de preparo. Na maior parte do Brasil as carnes são assadas nas churrasqueiras tradicionais de tijolinho com chaminé, com espetos e em cortes médios e grandes. Já no sul eles costumam usar também cortes maiores ainda, muitas vezes feitos no tradicional “fogo de chão” (grandes espetos fincados no chão, ao lado de uma vala com brasa), principalmente a costela do boi, a mais adorada pelos gaúchos. Enquanto isso, os argentinos e uruguaios utilizam cortes bem menores, quase individuais, que são feitos na “parrilha”, espécie de churrasqueira com uma grande grelha regulável ao invés de espetos. Também ao contrário de nós, o corte preferido deles não é a picanha, mas sim o contra filé, de onde tiram os deliciosos bifes de “chorizo” e “ancho”, bem macios e saborosos em função do estilo do gado criado por lá. Particularmente, prefiro o estilo argentino e uruguaio da parrilha, que permite um controle maior e mais prático das
carnes, principalmente quanto ao ponto desejado. O corte menor e a proximidade da brasa diminui o tempo de preparo, mas a inclinação da grelha também possibilita assar simultaneamente pedaços maiores de forma mais lenta. Ainda saindo dos padrões tradicionais brasileiros, é legal ver o crescente uso e valorização de cortes até então considerados menos nobres. A fraldinha é um exemplo clássico, de uma carne tida antes como de segunda, mas que agora pulou para a prateleira de cima. Além de saborosa e macia, é bem mais barata do que a famosa picanha, cujo preço tem extrapolado o que realmente vale. Inclusive é possível preparar partes aparentemente impossíveis, caso da língua do boi, como ensina a referência no assunto em Minas – o Penninha – no seu interessante livro “Transformando carnes de segunda em carnes nobres”. Destaco também o preparo de legumes variados na churrasqueira (pimentão, cebola, abobrinha, berinjela), que além de saudáveis e gostosos, barateiam os custos. Mas em churrasco de mineiro não pode faltar mesmo é bastante carne de porco, em especial a costelinha assada inteira. Substituir o lombo pelo pernil também é uma boa, pois esse é mais suculento, assim como o joelho e o inigualável toucinho de barriga, perfeito para churrascar e pururucar. E lembre-se: o que faz o bom churrasco é a brasa abundante e não o fogo. Não jogue água para diminuir a chama (areia é o ideal) e, sempre que for adicionar mais carvão, retire todas as carnes da churrasqueira antes e espere começar a formar a brasa. São detalhes que fazem a diferença, como bem sabem os bons churrasqueiros que existem em nossa cidade, como o Vinícius do Tinô, que ainda vende produtos churrascáveis diferenciados. E que me perdoem os gaúchos, mas o melhor acompanhamento do churrasco não é o chimarrão. É a cachaça. (Veja no blog fotos de uma autêntica parrilha e aprenda duas receitas para incrementar seu churrasco: uma barriga de porco serenada e um molho chimi churri típico argentino: http:// casalgastromg.blogspot.com.br/)
12 Jornal das Lajes
ANO X Nº 127 - NOVEMBRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Associativismo
Regional
Resende Costa marca presença no Benchmarking Rio Grande do Sul
Com gestão “em dificuldade”,
FRANCIELLE VALE
Entre os dias 23 e 25 de outubro ocorreu, no sul do Brasil, o “Benchmarking Rio Grande do Sul”. O evento contou com a participação de Resende Costa representada por Luís Cláudio dos Reis, gestor de Recursos Humanos; Alessandro Caldeira dos Santos, financiário (gerente da agência do Sicoob Credivertentes em Resende Costa) e Valnei Diego de Sousa, comerciante e atual presidente da Associação Comercial e Turística de Resende Costa (ASSETURC). O evento, realizado nas cidades de Porto Alegre, Gramado e Bento Gonçalves, constou de reuniões formadas por representantes de entidades públicas e privadas que compartilharam exemplos e modelos de sucesso no setor de turismo e comércio. Na programação, palestras, reuniões e visitas aos projetos desenvolvidos. O Benchmarking é um método utilizado pelas empresas para melhorar a sua gestão, mediante a realização contínua e sistemática de levantamentos, comparações e análises de práticas, processos, produtos e serviços prestados por outras empresas, normalmente reconhecidas como representantes das melhores práticas. O processo gera informações importantes para que as empresas conheçam diferentes maneiras de lidar com situações e problemas semelhantes e, desta forma, contribui para que possam aperfeiçoar os seus próprios processos de trabalho e determinar as “melhores” práticas para um processo ou produto em particular. Para Alessandro Caldeira, trata-se de um método muito importante para o crescimento de uma região, uma vez que busca a utilização das melhores práticas. “Levando em consideração o processo, todo o país ganha quando a metodologia é implementada e quando é dada certa sequência, enriquecendo todas as regiões”, disse. As expectativas dos participantes eram grandes. De acordo com Luís Cláudio, va-
leu a pena o contato com pessoas experientes e poder sentir de perto o verdadeiro espírito cooperativista. Sobre o cooperativismo Alessandro Caldeira entende muito bem. Ele contou ao JL que a região do Rio Grande do Sul inspira o cooperativismo entre as pessoas e que, inclusive, em uma das cidades visitadas, Nova Petrópolis, localiza-se a primeira Cooperativa de Crédito do país, ou seja, onde tudo começou. “Minhas perspectivas na participação no encontro era buscar mais conhecimento e poder discutir com nossos colaboradores o associativismo/cooperativismo e mais diretamente auxiliar a ASSETURC na inserção de novas medidas de direção para o crescimento do associativismo no meio comercial que vivemos”, afirmou Luís Cláudio. O evento foi direcionado às entidades ligadas ao E-LÍDER, e as associações foram programadas e direcionadas pelo SEBRAE através da Stratégia Consultoria. Para Valnei Sousa a missão foi muito proveitosa, pela oportunidade de conhecer os trabalhos de centros empresariais e associações comerciais de quatro cidades. Os participantes também puderam conhecer a Federasul em Porto Alegre, onde receberam informações sobre eventos realizados pela mesma e produtos para os associados. Sobre os resultados, Luís Cláudio destacou que “este tipo de evento é uma oportunidade para troca de experiências, aprendizado, e também importante para divulgação da nossa região”. Disse ainda que voltou da viagem bastante entusiasmado, trazendo na bagagem ideias que serão colocadas em prática de maneira diferente das cidades visitadas. Segundo ele, grandes modelos e exemplos conhecidos poderão ser seguidos e que vários eventos como o Benchmarking Rio Grande do Sul já aconteceram em nossa região, contando com Resende Costa no roteiro. Alessandro Caldeira confirma a eficácia do
evento no sul do país e espera poder contribuir com seu trabalho através dos conhecimentos adquiridos. E destacou: “É preciso manter parcerias, buscando novos projetos para desenvolver a cultura cooperativista e associativista”. Alessandro Caldeira falou também sobre a necessidade de se pensar em crescimento e desenvolvimento nas diversas regiões do país. Segundo Alessandro os imigrantes portugueses, alemães e italianos herdaram de seus antepassados a cultura cooperativista, fator fundamental para o desenvolvimento deste modelo na região sul do Brasil. Para ele, a nossa região deve buscar algo inovador, na busca de uma sociedade mais desenvolvida, “onde todos irão ganhar”. No associativismo, o ganha/ganha é importante para que a comunidade se desenvolva. Concluindo, Alessandro disse que a cidade de Gramado levou 50 anos para conseguir atingir o nível em que se encontra hoje, quando se fala em associativismo. “Para realizar isto em nossa região, é preciso que haja conhecimento do processo, paciência e vontade de crescer”. Para Valnei Sousa, a participação da ASSETURC no evento foi muito importante, pois as ideias apresentadas poderão também ser implantadas em Resende Costa, para melhorar o comércio, atrair turistas e dar suporte aos associados. Ele exemplificou que o centro empresarial Flores da Cunha já trabalha com os núcleos setoriais, como: gastronômico, confecção, moveleiro e outros. “A ASSETURC está trabalhando para implantar em Resende Costa os núcleos setoriais, com a criação da E-LÍDER, onde estarão reunidas oito cidades no intuito de fortalecer a associação e criar os núcleos setoriais”, informou Valnei. Informações: site Portal da Empresa (http://www.portaldaempresa.pt)
Resende-costenses participaram de evento no Rio Grande do Sul
Resende Costa vai bem em “investimento” JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
A gestão fiscal (receitas e despesas) de Resende Costa foi considerada “em dificuldade” (conceito C) pelo Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF) de 2011 – formado pelos indicadores investimento, gasto com pessoal, receita própria, custo da dívida de longo prazo e liquidez (relação entre dinheiro em caixa e restos a pagar ou despesas transferidas para o ano seguinte). A melhor classificação do município foi alcançada no indicador “investimento” (conceito A). O IFGF 2011 para todo o Brasil foi divulgado recentemente pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN). O IFGF resende-costense ficou em 0,5999, tendo piorado em relação ao 0,6140 (conceito B ou boa gestão) obtido em 2010. Na escala de classificação do índice, quanto mais próximo de zero pior é o resultado; e 1 representa o melhor desempenho. Desde 2006, quando o IFGF foi criado, Resende Costa alcançou o conceito B três vezes (2007, 2008 e 2010). Já o conceito C foi obtido em 2006, 2009 e 2011. Mesmo caindo em 2011, o IFGF de Resende Costa ficou um pouco acima da média nacional (0,5295). No Estado de Minas, Resende Costa ocupa a 235ª posição entre 792 municípios e, no Brasil, fica na 1749ª posição entre 5164 municípios. O lado positivo é que Resende Costa alcançou o máximo do conceito A (número 1) no indicador “investimento” (destinação de recursos para obras e compra de equipamentos e máquinas), o que ajuda a movimentar a economia local. Aliás, o município atingiu o conceito A em investimento por três vezes (em 2008, 2010 e 2011); conceito B, uma vez (2007) e conceito C, em 2009. Este resultado é explicado pelas transferências de recursos do Estado e da União, uma vez que a “receita própria” manteve o pior nível de avaliação (conceito D), desta vez com 0,1235. A baixa capacidade de gerar receita própria não é exclusividade de Resende Costa, mas é comum na maioria dos municípios brasileiros. Um indicador que aponta Resende Costa em estado de dificuldade é o de “gastos com pessoal”, índice no qual prevalece o conceito C desde 2006 (a exceção foi 2008, quando o município alcançou conceito B, de boa gestão). Em 2011, o índice resende-costense relativo à folha de pagamento chegou a 0,5895. No indicador “custo da dívida”, Resende Costa perdeu, pela primeira vez, o topo
da escala de classificação. Alcançou o conceito B (0,7468) em 2011, quando ostentava o conceito A desde 2006. São João del-Rei - São João del-Rei conseguiu em 2011 o conceito B (boa gestão), com 0,6185, ocupando a 208ª posição entre 792 municípios mineiros e a 1527ª posição entre 5164 municípios brasileiros. O indicador “investimento” atingiu o pior conceito (D), com 0,3538, depois de oscilar entre os conceitos B, A e D nos anos anteriores. A “receita própria” foi um pouco melhor (conceito C), com 0,5328, repetindo os anos anteriores. Os “gastos com pessoal” repetiram o conceito B dos últimos anos, desta vez com 0,6833. Já o indicador “custo da dívida” perdeu a excelência do período 2006-2010, caindo para o conceito B (0,7765). Outro município que alcançou conceito B foi Lagoa Dourada, com 0,6067, tendo ficado na 227ª posição estadual e no 1665º do ranking nacional. No indicador “investimento”, alcançou a classificação máxima (letra A e número 1), repetindo 2010. No indicador “receita própria”, padece do mesmo problema dos demais municípios, ficando próximo do pior resultado (0,0871). Já em “gastos com pessoal”, continuou estacionado no conceito C (com 0,5601). E em “custo da dívida”, caiu para a letra B (0,7754), frente ao conceito A alcançado nos anos anteriores. Por sua vez, Tiradentes ficou no patamar abaixo, conceito C, com 0,5336 (gestão “em dificuldade”). A situação do município já foi melhor nos anos de 2007 a 2010, quando atingiu o conceito B. O indicador “investimento” ficou no pior nível em 2011 (D e 0,2696), em relação ao A (0,9288) de 2010 e ao B de 2006 a 2009. Manteve posição sofrível (D) no indicador “receita própria”, com 0,3270, e situação de dificuldade nos “gastos com pessoal”, com 0,5895. Mas permanece desde 2006 no topo (conceito A) em “custo da dívida”, desta vez com 0,9042. Também Coronel Xavier Chaves (0,5544) e São Tiago (0,5548) atingiram o conceito C, de gestão “em dificuldade”. O primeiro caiu em relação ao B de 2010 (0,6591), embora venha oscilando entre B e C desde 2006. Já São Tiago manteve a mesma situação de 2009 e 2010, mas foi melhor em 2008 (B e 0,6977). Informações sobre o IFGF para todos os municípios brasileiros podem ser procuradas em http://www. firjan.org.br/ifgf/.
Jornal das Lajes 13
ANO X Nº 127 - NOVEMBRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Economia
Regional
Leite: evolução da produção nas Ritápolis tem Instituto Vertentes, no período 2000-2012 Histórico e Geográfico VAN (VERTENTES AGÊNCIA DE NOTÍCIAS)
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Produtividade - A produtividade de Coronel Xavier Chaves variou entre 6,28 mil (2000) e 6,07 mil litros (2012) por vaca/ano. No mesmo período, a produção leiteira aumentou 15,9% (de 3,235 milhões para 3,749 milhões de litros), enquanto o plantel cresceu 19,8% (de 1431 para 1715 vacas ordenhadas). Em Ritápolis, a produtividade ficou entre 6,722 mil (2000) e 6,71
Rebanho de quarenta cabeças de vaca, com produção de 650l de leite por dia
mil (2012) litros por vaca/ano. Nestes 13 anos, a produção leiteira caiu 4,4%, de 9,196 milhões para 8,795 milhões de litros, enquanto o plantel encolheu 4,3%, de 3800 para 3636 vacas ordenhadas. A produtividade da pecuária leiteira de São João del-Rei girou em torno de 5,536 mil litros por vaca/ ano entre 2000 e 2012. Neste período, a produção cresceu 25,8%, de 25,184 milhões para 31,683 milhões de litros, enquanto o plantel passou de 12636 para 15897 vacas ordenhadas. Resende Costa manteve produtividade em torno de 5,383 mil litros por vaca/ano entre 2000 e 2012. Tanto produção leiteira quanto plantel aumentaram cerca de 12,6%, respectivamente para13,035 milhões de litros e 6726 vacas ordenhadas. Depois de atingir 5,07 mil litros em 2000, a produtividade leiteira de Madre de Deus de Minas caiu para 4,97 mil litros por vaca/ano, no ano seguinte, e para 4,78 mil litros/ vaca/ano em 2012. Por outro lado, a produção cresceu 42,6%, de 6,7 milhões para 9,556 milhões de litros, e o plantel aumentou 51,3%, de 3671
Sítio da Vila, em Tiradentes, de Jane Mary Cordeiro Leite
para 5556 vacas ordenhadas. A produtividade de Piedade do Rio Grande apresentou recuo nestes 13 anos, de 4,62 mil litros para 4,39 mil litros por vaca/ano. Por sua vez, o volume produzido aumentou 14,4%, de 5,498 milhões para 6,288 milhões de litros, enquanto o plantel passou de 3303 para 3975 vacas ordenhadas (acréscimo de 20,3%). Parceria e investimento - Para o professor Ivis, a produtividade alcançada pode ser considerada boa, levando-se em conta que a região é tipíca de pequenos produtores. A adoção da ordenha mecânica por mais de 80% dos produtores e o uso do tanque de expansão por cerca de 95% dos pecuaristas, na propriedade ou em associação, contribuíram para este resultado. Em 2010, a CEMIG disponibilizou 23 tanques de expansão para associações da região e, em 2010/2011, a Prefeitura de São João del-Rei instalou 20 unidades para associações do município. Assim, cerca de 70% das 38 associações de pequenos produtores das Vertentes tem tanque de expansão. E a mesma CEMIG criou programa de redução de custo da energia para associações, estimulando o produtor a armazenar o leite em tanque. Além disso, o governo estadual forneceu dois caminhões graneleiros para as associações – um roda em Coronel Xavier Chaves e atende também Ritápolis; o outro estava em Resende Costa, mas em 2011 foi transferido para Desterro de Entre Rios, atendendo o entorno. Houve redução no custo do produto por estocagem e substituição dos latões por caminhão. Produtores com até 100 litros/dia levam o leite no latão até o ponto de recepção de sua associação, onde o produto é estocado. Contribuiu para a evolução na pecuária leiteira regional a parceria
Foi fundado no dia 27 de outubro último, em uma Assembleia Geral, na cidade de Ritápolis o Instituto Histórico e Geográfico (IHG), responsável por pesquisas e estudos sobre diversas áreas do saber humano. A instituição contribuirá para o acervo da cidade e para preservação e desenvolvimento em pesquisas sobre a história local. O organizador do Instituto e advogado Frederico Guimarães explica que já havia sentido falta de um IHG em Ritápolis. “Quando foi instaurada a ação judicial para promover o registro de nascimento tardio do Tiradentes, o juiz responsável pelo caso colheu manifestações dos institutos de São João del-Rei e de Tiradentes, não havendo instituição ritapolitana que pudesse opinar”, explica Frederico, que completa: “Tendo em vista a necessidade de termos o instituto, nós reunimos um grupo de amigos para efetivar a fundação do IHG, através de elaboração de uma proposta de estatuto e convocação de uma Assembleia Geral”. Segundo Cinthia Amaral dos Santos, especialista em História do Brasil, Administração Pública e Gerência de Cidades, a criação de qualquer órgão não governamental que fomente o incentivo, a proteção, a conservação e a organização do Patrimônio Histórico e Cultural de uma cidade é, sem dúvida, uma grande conquista. “Primeiramente porque parte da vontade do povo, sendo uma
iniciativa popular e não imposta, mostrando um amadurecimento da sociedade e a necessidade que esta tem de se conhecer”, afirma Cinthia. Para a estudante de Geografia da UFSJ Ana Lara Resende, o IHG preserva a história local. Ela afirma que “Ritápolis tem uma valiosa história e geografia, que merece ser reunida e relembrada. As pesquisas e estudos podem e devem ter o apoio de toda a população que, naturalmente, contribui com essa criação”. Opinião semelhante à de Cinthia, que entende que a criação do Instituto em Ritápolis é o início de um processo de valorização do patrimônio local. “O nosso acervo é muito rico e está disperso, nas ruas, nas casas, nas famílias, nas lembranças das pessoas e, até mesmo, em outros municípios, sendo necessário, então, organizar para preservar”, completa. Com relação às pesquisas e estudos, Frederico lembra que não há uma predeterminação. “Vai depender do tipo de estudo ou pesquisa que se pretende. Para desenvolver essas atividades, o IHG poderá se valer, por exemplo, de análise de documentos históricos, entrevistas com pessoas, parcerias com órgãos públicos, manutenção de arquivos próprios (livros, fotos, documentos etc.), mesas-redondas, debates, dentre outras. O importante é compilar todos os achados, fatos e documentos para divulgação e preservação da memória ritapolitana”, explica o organizador do IHG.
Foto Rhafaela Resende - VAN
As principais bacias leiteiras da microrregião das Vertentes – São João del-Rei, Resende Costa, Ritápolis, Madre de Deus de Minas, Piedade do Rio Grande e Coronel Xavier Chaves – somaram em 2012 a produção de 73,106 milhões de litros, volume 19,1% maior do que os 61,391 milhões de litros de 2000. No mesmo período, o plantel de vacas ordenhadas aumentou 19,4%, de 30,8 mil para 36,8 mil cabeças. Em termos de produtividade, Coronel Xavier Chaves e Ritápolis ficaram acima dos 6 mil litros por vaca/ano. Já São João del-Rei e Resende Costa atingiram faixa superior a 5 mil litros/vaca/ano. Por sua vez, Madre de Deus de Minas e Piedade do Rio Grande tiveram produtividade entre 4 mil e 5 mil litros/vaca/ ano. Os cálculos foram elaborados, a pedido do JL, pelo professor Ivis Bento de Lima e pelo técnico Paulo Palumbo, do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fonte dos dados, considera apenas o leite entregue a laticínios e cooperativas, ou seja, não inclui o leite clandestino, observa o professor Ivis. Além disso, a vaca entra no sistema do IBGE como se estivesse sendo ordenhada o ano todo, mesmo tendo sido ordenhada por dois meses. Daí porque a litragem por vaca não é maior.
Ritápolis cria Instituto Histórico e Geográfico (Foto Rhafaela Resende-VAN)
entre a UFSJ e entidades como EPAMIG, EMATER-MG, EMBRAPA Gado de Leite, Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), CEMIG, associações, cooperativas, sindicatos, prefeituras e outras entidades. A tendência é a melhoria no rendimento a partir deste ano, acredita o professor Ivis. É que os laticínios passaram a pagar por produtividade, o que leva os produtores a investirem mais na alimentação do gado (pastagem e ração). Com isso, há aumento na produção e melhoria na qualida-
de. Hoje, o produtor recebe entre R$ 1,08 e R$ 1,11 por litro (média CEPEA/ESALQ/USP). Esses valores devem ser mantidos ou aumentados, cobrindo assim o custo de produção. Recentemente, a EPAMIG montou, na Fazenda Risoleta Neves, um laboratório – Unidade de Pesquisa e Tecnologia em Laticínios (UPTL) –, em parceria com o Instituto Cândido Tostes da EMBRAPA, para dar suporte técnico aos produtores (a íntegra está disponível em Economia, no site www.jornaldaslajes.com.br).
14 Jornal das Lajes O Verso e o Controverso
ANO X Nº 127 - NOVEMBRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
JOÃO MAGALHÃES
Posso escrever sua biografia, sem autorização?
Antes, o assunto estava restrito às posições de alguns biografados, ou herdeiros e biógrafos. O caso mais divulgado foi o recolhimento da biografia de Roberto Carlos, Roberto Carlos em Detalhes, escrita por Paulo César Araújo, recolhida por recurso ganho na Justiça. Mas há outros casos, por exemplo, com o biógrafo Rui Castro e, recentemente, com Domingos Pellegrini, com seu livro “Passeando por Paulo Leminski”, proibido pelos herdeiros. Agora, o problema ganhou dimensão nacional por três motivos: o projeto de lei do deputado Newton Lima (PT/ SP), para modificar a lei vigente sobre biografias, infelizmente emperrado no parlamento por recurso de 72 congressistas que querem votação em plenário; a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), impetrada, em 2011, pela Associação Nacional dos Editores de Livros (Anel), junto ao Supremo, contra o artigo 20 do Código Civil; e agora, um grupo de celebridades, entre eles Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton nascimento, Roberto e Erasmo Carlos, Djavan e outros, formaram o bloco Procure Saber para impedir a modificação da lei que contempla autorização para se publicar biografias ou outros escritos. O caldeirão da mídia está em plena ebulição. Ainda bem, pois, trata-se de um debate de grande importância, ou seja, a tomada de posição, entre dois direitos essenciais da pessoa, consolidados por lei. Tanta importância, que a ministra Carmen Lúcia, em cujas mãos está o processo da Adin, marcou audiência pública para discutir o assunto. Direito à livre expressão, artigo 5º, § IX da Constituição Federal: “É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Direito à privacidade de vida particular, familiar, artigos 20 - 21 do Código Civil:
“Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingem a honra, a boa fama ou respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais” (20). “Vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento do interessado, adotará as providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma” (21). Num conflito entre esses dois direitos qual vale mais, qual tem precedência? Aqui está o embate: caso não seja autorizada a biografia, como fica? Vale a Constituição ou vale o Código Civil? Acho evidente que vale a Lei Maior – a Constituição. A pesagem tem que envolver o bem comum e o bem individual ou particular. O direito de livre expressão, como falar, escrever, publicar, opinar, posicionar-se livremente frente a fatos e fenômenos, tem precedência sobre o direito à privacidade. A liberdade de expressão favorece o indivíduo e a sociedade, logo, num conflito, vence a sociedade, ganha o bem comum. O bem comum prevalece ao bem individual, ou seja, a lei existe para o bem da comunidade. Adoto o conceito da Filosofia Escolástica (Tomás de Aquino) quando define a lei como uma ordenação de meios para um fim, promulgada para o bem da comunidade, Ordinatio mediorum ad finem, ad bonum communitatis promulgata. Se prevalecesse, por exemplo, o bem individual, o poder público não poderia desapropriar uma área particular. A lei não pode proibir você de falar, escrever, opinar sobre os outros.
Isto é censura prévia. Pode, sim, cobrar responsabilidade, incriminá-lo por sua ação. E aí estão crimes, como calúnia, difamação, injúria, artigos 138, 139,140 do Código Penal, respectivamente. Ponto fundamental de toda democracia de Direito é a liberdade de manifestação. A privacidade também o é, mas não absoluta. A censura lesa gravemente indivíduo e sociedade. No prato da liberdade de comunicação estão bem particular e bem comum; no da privacidade, só o particular. A História, a cultura e o saber devem muito às biografias não autorizadas e também os biografados. Freud proibiu que se escrevesse sua biografia. Ainda bem que desobedeceram, pois, sem elas, saberíamos bem menos sobre psicanálise, ciência do psiquismo, sobre a sociedade vienense, sobre a cultura que impulsionou suas teorias! É preocupante ouvir importantes biógrafos brasileiros como Lira Neto (Getúlio Vargas, Castelo Branco, Maysa, Padre Cícero), Rui Castro (Garrincha e outras), Mário Magalhães (Marighela), Fernando Morais (Assis Chateaubriand e outras), declarar que deixarão do ofício, se não houver mudanças. Países democráticos não aceitam censura a biografias não autorizadas. “Na pesquisa que fizemos sobre legislação de outros países ocidentais, só encontramos a necessidade de autorização prévia de biografados na lei brasileira”, afirmou Gustavo Binenbojm, advogado que representa a Anel (“Folha Ilustrada”, 29/9/2012). Só o Brasil... Parodiando Marcelo Rubens Paiva (OESP, 19/10/2013 C10), até o Novo Testamento seria questionado pelas famílias de Judas Iscariotes, Herodes Antipas, Pôncio Pilatos, se a Galileia seguisse a lei brasileira! Quem te viu, quem te vê! Pena ver quem sofreu, anos passados, nas garras da censura, propugnar pela manutenção de autorização para censura, ou quem cantou “É proibido proibir” engajar-se em prol de proibição! Faço minha a pergunta do conhecido antropólogo Roberto DaMatta (OESP, 18/10/2013 C10): “Todas as vidas contém paradoxos. Como aprendemos com Caetano Veloso e talvez com Schopenhauer, “de perto ninguém é normal”. Seria isso um bom argumento para tornar a intimidade pessoal mais sagrada do que a liberdade de escrever livremente sobre o outro, quem quer que seja? Quem vale mais? A vida pessoal de quem deve tudo ao público ou a liberdade de escrever?” Acho que é a liberdade. É o que penso. E você?
Contemplando as Palavras
REGINA COELHO
Plano B 1- Falar bonito é isto Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do quintal. Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com os amados patos, disse-lhe: __Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada. E o ladrão, confuso, pergunta: __Dotô, eu levo ou deixo os pato? (Dad Squarisi “Dicas de Português”, coluna publicada em 15 jornais do país, entre eles o “Estado de Minas”, de onde o texto acima e o que segue abaixo foram extraídos.) 2- Desafio Pode? Não poderia. Mas pode. Folheto distribuído pelo Centro Cultural Amazonino Mendes (Bumbódromo) entrega a gregos e troianos este texto: “O Governo do Estado do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, considerando a política de popularização das ações culturais, a vocação parintinense para as artes, os municípios vizinhos do baixo Amazonas como: Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Maués e Nhamundá, os investimentos realizados na modernização e ampliação das estruturas do Centro Cultural Amazonino Mendes e a necessidade de manter a integridade desse patrimônio e resguardar os equipamentos e acessórios instalados, transforma esse centro em espaço multiuso, destinado primeiramente ao ensino das artes e à formação de técnicos para apoio às atividades artísticas e à capacitação tecnológica de jovens e adultos com intensa atuação do Cetam e da Secretaria de Cultura”. Ufa! O texto tem 745 toques. E só um ponto. Testes sobre a legibilidade e a memória demonstram dois fatos. Um: o leitor retém integralmente períodos com a média de 150 toques. Com 200, guarda a primeira parte e perde a segunda. Com 250 ou mais, grande parte do enunciado se perde. Conclusão: o governo amazonense jogou dinheiro fora. Sugestão A Secretaria de Cultura do Amazonas transforma o Centro Cultural Amazonino Mendes em espaço multiuso. Trata-se de passo importante do governo do estado na direção da política de popularização das ações culturais. Com ele, cria-se espaço para o ensino das artes e a formação de técnicos aptos a apoiar
as atividades artísticas e a capacitação tecnológica de jovens e adultos. (Dito o principal, suprimi, por minha conta, os detalhes.) 3- Estórias com Moacyr Moacyr Scliar estava preocupado porque seu filho adolescente não lia. O menino vivia no computador. Mas ler que era bom, nada. O pai escritor, volta e meia, insistia: “Filho, você precisa ler”. Não tinha jeito. Um dia, Moacyr resolveu radicalizar: escreveu um livro e lascou lá que era dedicado ao filho. Chegou em casa com o exemplar saído do forno da editora, entrou pressuroso, bateu na porta do quarto do filho... Lá estava o adolescente diante do computador. O pai então anuncia o presente: __Filho, olha o livro que teu pai acabou de publicar, é dedicado a ti. O garoto nem tirou os olhos do computador e disse ao pai: __Tu não podias fazer um resumo, tchê? (Affonso Romano de Sant’Anna, em sua coluna publicada no “Estado de Minas” de 9 de dezembro de 2012. Escritor gaúcho, Moacyr Scliar era formado em medicina, tendo trabalhado como médico especialista em saúde pública e professor universitário. Em texto postado quando o amigo se foi, Affonso Romano comenta ter participado em Porto Alegre de programa de rádio homenageando Scliar. Na ocasião, entre casos e depoimentos, um bonito poema de Affonso Romano foi mencionado para ser dedicado àquele que partira. Aqui vai ele): Eles estão se adiantando Eles estão se adiantando, os meus amigos Sei que é útil a morte alheia Para quem constrói seu fim. Mas eles estão indo, apressados, Deixando filhos, obras, amores inacabados E revoluções por terminar. Não era isto o combinado. Alguns se despedem heroicos, Outros serenos. Alguns se rebelam. O bom seria partir pleno. O que faço? Ainda agora Um apressou seu desenlace. Sigo sem pressa. A morte Exige trabalho, trabalho lento Como quem nasce. Envolvida no trabalho de revisão do “Memórias do antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Laje, atual cidade de Resende Costa”, do resende-costense Juca Chaves, a ser lançado brevemente, acionei meu Plano B para compor o presente artigo. Para isso apropriei-me de alguns textos alheios com os devidos créditos e breves explicações minhas colocadas entre parênteses. Em tempo – A obra em questão é parte integrante da Coleção Lageana, projeto desenvolvido pela AMIRCO (Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa).
Jornal das Lajes 15
ANO X Nº 127 - NOVEMBRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Cultura & Gastronomia
Psicologia e Cotidiano
Cultura, gastronomia, atrações especiais, histórias sobre a gastronomia regional e muito queijo. O “Festival Happy Hour de 2014” começa a tomar contornos com a definição do novo ingrediente-tema do evento, que acontecerá entre os dias 10 de janeiro e 02 de fevereiro. A escolha do queijo faz parte do enfoque do projeto que visa resgatar a cultura imaterial que existe na culinária de Minas Gerais. Em 2014, o Festival Happy Hour irá contemplar 12 cidades, com a participação de aproximadamente 50 estabelecimentos: São João del-Rei, Barbacena, Tiradentes, Barroso, Carrancas, Coronel Xavier Chaves, Dores de Campos, Prados, Resende Costa, Ritápolis, Santa Cruz de Minas e São Tiago. O produto, detentor do registro de Patrimônio Cultural do Brasil concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) por seu modo único de produção, recentemente recebeu o selo de qualidade para ser exportado para outros estados do Brasil. Durante o Festival Happy Hour, todos os estabelecimentos irão criar um prato especial com o ingrediente-tema, o que valoriza a criatividade e incentiva novos usos do queijo nos tira-gostos servidos em bares e restaurantes do Campo das Vertentes. De acordo com o coordenador geral, Adriano Margotti, o tema é sempre uma parte muito importante para orientar toda a produção e condução do evento. “Ano passado, foi o Fubá Moinho D’água, que teve uma aceitação muito grande entre os cozinheiros e foi muito elogiado pelo público. O Happy Hour tem essa ligação muito forte com a cultura mineira e, em 2014, novamente destacamos um produto típico de nossa região”, afirma. Há quase dez mil queijeiros em Minas Gerais. Dentre eles, 240 já estão cadastrados e aptos a produzir fora dos limites estaduais. Os produtos terão identificação da
Gastronomia cada vez mais presente no circuito cultural e turístico da região das Vertentes
Fotos Íris Marilnelli
2º Festival Happy Hour tem temática voltada à valorização do queijo na culinária mineira
O Festival é um dos grandes atrativos no circuito cultural e gastronômico da Estrada Real.
queijaria e rótulo com selo de inspeção do IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária) e do Sisbi (Sistema Brasileiro de Inspeção). Excelentes fontes de cálcio, proteínas e vitaminas, os queijos são fundamentais para a formação e a manutenção dos ossos. O minas frescal é uma das melhores opões porque contém menos gordura, colesterol e sódio. Sua história remonta à chegada dos portugueses a Minas Gerais, no século XVIII, depois da descoberta do ouro. Como os homens precisavam de um alimento que durasse todo o dia, uma antiga técnica portuguesa de queijo coalhado, feito de leite fresco, foi adaptada às condições locais.
Prato especial do 1º Festival
Resende Costa Resende Costa participará do 2º Festival de Cultura e Gastronomia Happy Hour. Na primeira edição do evento os bares da cidade que aderiram ofereceram no menu pratos especiais que contemplavam o ingrediente-tema, que foi o Fubá Moinho D’ água. O público resende-costense aprovou e elogiou, inclusive participando das votações e avaliações realizadas nos estabelecimentos participantes. O Jornal das Lajes e a Rádio Inconfidentes FM apoiarão o evento, divulgando a programação através de fotos e reportagens especiais.
Pratos típicos da culinária mineira são valorizados pelo festival
Escolha profissional CARLOS ALEXANDRE DE RESENDE*
Este mês decidi escrever sobre a questão da escolha profissional, um assunto de interesse para adolescentes, familiares e cada vez mais para profissionais já inseridos no mercado de trabalho. É evidente a necessidade de trabalhar para conseguir dinheiro e suprir as necessidades de sobrevivência, além de outras não menos importantes como lazer, cultura e desenvolvimento pessoal. Entretanto, o trabalho é mais do que um mero fazer para receber, é um conjunto de atividades e relações sociais diárias que podem gerar satisfação, desenvolvimento e realização pessoal ou sofrimento e insatisfação, em alguns casos, até adoecimento (as estatísticas sobre o estresse no trabalho são bastante altas). Por tudo isso e também pelo fato das pessoas passarem, pelo menos, oito horas diárias trabalhando é necessária uma atenção especial no sentido de escolher com o quê, onde e como trabalhar. Nas sociedades antigas a maior parte das pessoas não tinha a possibilidade de escolher seu trabalho, sua profissão. Estavam fadadas a ser o que os pais e, principalmente, a classe ou condição social estabeleciam. Em nossa sociedade contemporânea, embora muitos ainda aceitem quase sem pensar um ou outro emprego por necessidade, cada vez mais os indivíduos têm a possibilidade de escolher sua profissão ou pelo menos planejar melhor seu futuro profissional. Diante de tal possibilidade alguns questionamentos surgem: Devo fazer uma faculdade? Um curso técnico? Qual curso escolher? Abrir um negócio e ser o meu próprio patrão? Em que área? Trabalhar agora ou estudar primeiro? Estudar para algum concurso? Quero uma vida simples, conseguir um emprego que me permita ganhar meu dinheiro e me realizar com outras coisas fora do trabalho? A maioria das pessoas acaba ficando um pouco angustiada, mas escolhe de forma mais ou menos segura e rápida. Entretanto, uma parte dos jovens, que precisam muito cedo decidir seu futuro profissional e até de alguns adultos, chega a sofrer com a indecisão. Em alguns casos a ajuda profissional é importante, por meio de uma orientação vocacional e profissional. Esta era, até pouco tempo atrás, um processo onde se buscava descobrir as aptidões – capacidades e competências - os dons ou vocação da pessoa e, através de testes psicológicos, definir o perfil do indivíduo escolhendo para ele qual a melhor profissão em que se encaixaria. Assim, os resultados dos testes escolhiam para as pessoas uma profissão que corresponderia às características individuais, de sua personalidade. Atualmente, o processo de orientação profissional mudou bastante e os psicólogos buscam auxiliar o sujeito a escolher,
por ele mesmo, não apenas por testes, mas também pelo autoconhecimento, pelo estabelecimento de um projeto de vida, pelo conhecimento das oportunidades e limites a serem enfrentados e elaboração de estratégias para conseguir alcançar a profissão escolhida. Assim os resultados dos testes não são um ponto de chegada, mas sim um ponto de partida. Como nem todas as pessoas passam por um processo de orientação vocacional/profissional espero que algumas dicas neste texto possam auxiliar o leitor a refletir sobre sua própria escolha profissional. Em primeiro lugar é importante salientar que muitos fatores estão envolvidos num processo de escolha, mas dois deles são os mais importantes: o autoconhecimento e o planejamento ou projeto de vida. Autoconhecimento, nesse contexto, significa se conhecer e procurar refletir sobre o que te motiva na vida, seus gostos, seus interesses, o tipo de vida que deseja ter e quais são os seus valores, como se relaciona com as pessoas, se consegue liderar ou seguir regras. Significa ainda, saber reconhecer suas potencialidades e seus limites. Por meio do autoconhecimento o individuo poderá chegar à conclusão de que um determinado caminho será mais ou menos interessante para ele. Poderá ainda saber o que precisará mudar em si mesmo caso escolha um trabalho que não combina com seu estilo de vida ou que exija uma competência que ele ainda não tem. Por exemplo, não gostar e ter dificuldades em matemática não é um indicativo de que um indivíduo não deva fazer engenharia, mas sim que deve solucionar ou tentar minimizar essa dificuldade caso deseje muito a profissão. Já o projeto de vida é o estabelecimento de um planejamento a partir do autoconhecimento. É decidir que tipo de vida, de rotina diária deseja ter e estabelecer metas com objetivos e datas para alcançá-los, além dos meios concretos, como por exemplo, quanto irá gastar para estudar ou abrir um negócio. Nesse momento conhecer as profissões (saber o que cada profissional faz, como é sua rotina, as facilidades e dificuldades da função) por meio de conversas e visitas aos locais de trabalho de pessoas que já atuam naquela profissão ou possuem uma empresa é bastante válido. Escolher um trabalho que ofereça um bom retorno financeiro e que ao mesmo tempo você ame fazer é um alvo a ser alcançado. Caso ainda não tenha conseguido isso existem duas possibilidades: escolher uma nova profissão ou manter o trabalho atual, mas nas horas vagas se dedicar a outras atividades, como música, futebol, pescaria, trabalho voluntário, participação comunitária ou em uma igreja etc.
*Psicólogo e Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de São João del-Rei. Especialista em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo.
16 Jornal das Lajes
ANO X Nº 127 - NOVEMBRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
Expedicionário volta a ser palco de campeonato local Após alguns anos em baixa, o futebol de campo em Resende Costa ganhou mais um capítulo importante em sua história nesse ano de 2013. Aconteceu de abril a outubro o primeiro Campeonato Municipal de Futebol de Campo no campo do Expedicionário, tendo participação de diversos clubes do nosso município: Expedicionário, Boca Júnior, União Tijucana, Nova Resende, Ponte Cachoeira, Ribeirão, Cajuru e Curralinho. A competição foi organizada pelo Expedicionário Sport Clube. No total foram 16 rodadas, com 32 jogos e 81 gols marcados. O campeonato foi dividido da seguinte maneira: na primeira fase, todas as equipes jogaram entre si, sendo que classificaram para as semifinais as quatro melhores. As semifinais aconteceram no dia 6 de outubro: o Ribeirão goleou o Curralinho por 4x1 e o União Tijucana venceu o Ponte Cachoeira por 2x1. No dia 13 de outubro seria conhecido o grande campeão, mas antes os atletas do Ponte Cachoeira venceram o Curralinho por 3x1 e garantiram o terceiro lugar. Nesse jogo, destaque para o atacante Lalado, um dos artilheiros, e para o lateral Caio, considerado a revelação do campeonato, ambos do Ponte Cachoeira. Valeu a pena aguardar pelo último jogo do campeonato! A final entre
Ribeirão e União Tijucana foi emocionante, terminando empatada sem gols no tempo normal. Os torcedores acompanharam no Expedicionário uma apreensiva disputa de pênaltis. E o resultado foi apertado: 4x3 para o União Tijucana, que comemorou com muita euforia o título do primeiro Campeonato Municipal de Futebol de Campo. O time foi premiado com outras conquistas: o meia Maicon foi eleito o craque do campeonato e um dos artilheiros, e o goleiro Diego foi o menos vazado. Além disso, a organização premiou o Boca Júnior com o troféu Disciplina. De acordo com um dos organizadores do evento e membro da diretoria do Expedicionário, Paulo Ricardo, o campeonato teve apoio da Prefeitura e Câmara Municipais, além de patrocinadores locais. “Considero como pontos positivos a boa organização e o bom nível de arbitragem, o empenho de todas as equipes, o resgate do futebol de campo na cidade com participação de equipes tradicionais e, também, o público, já que na final cerca de 700 pessoas foram ao campo. Um ponto negativo é o gramado do Expedicionário, que está muito ruim, dificultando para os jogadores”, acrescentou Paulo. Eu e todos os amantes do esporte resende-costense esperamos que esse seja o pontapé inicial para o resgate do futebol nos campos da cidade. Temos dois bons campos, bem estruturados, com capacidade para receber
mais eventos esportivos ao longo do ano. Eventos que valorizem os clubes locais, os nossos craques. Esperamos também que os gramados desses campos sejam revitalizados e tenham condições de receber tais eventos. Em entrevista ao programa Conexão 87, da Rádio Inconfidentes FM, o prefeito Aurélio Suenes confirmou que há um recurso de R$ 500.000 (quinhentos mil reais) assegurado para investir nesses dois locais, além de outras melhorias no esporte. A diretoria do Expedicionário informou também que pretende realizar no próximo ano a Copa Resende Costa, a ser disputada em todos os campos do município. Há ainda o interesse de organizar o segundo Campeonato de Futebol de Campo, dessa vez com participação de equipes regionais. Esses eventos são muito importantes para recuperar a tradição esportiva de Resende Costa. Quem foi ao Expedicionário nesses últimos meses pôde acompanhar bons confrontos e ver jogadores experientes e jovens juntos em campo. Que essa festa continue por muitos e muitos anos, afinal é muito gostoso poder ir ao campo num dia de domingo, encontrar os amigos e levar a criançada para se distrair. Ficam aqui os nossos parabéns à diretoria do Expedicionário Sport Clube e a todos que contribuíram para que esse evento acontecesse.
Explosão do MMA mundo afora Nos últimos anos, acompanhamos uma expansão avassaladora do esporte MMA pelo mundo, conquistando fãs e adeptos em diversas partes do planeta. O maior evento de MMA é hoje o UFC e o sucesso do esporte está claramente ligado à marca UFC, atualmente uma das mais valorizadas do mundo. Mas é óbvio que alguns fatores influenciaram o crescimento do esporte, principalmente aqui no Brasil, onde o UFC conquistou seu espaço há alguns anos. Atribuo essa febre especialmente à mídia, responsável pela exposição incansável do evento e também ao sucesso que lutadores brasileiros conquistaram no esporte. O Mixed Martial Arts (MMA) nasceu no Brasil ainda no início do século XX, mas foi fora do país que o esporte ganhou maior destaque. O primeiro grande torneio de MMA, o Ultimate Fighting Championship (UFC), aconte-
ceu nos Estados Unidos em 1993 e em 1998 foi adotado no Brasil. No Brasil, a relação mídia e UFC é recente. Até pouco tempo, o MMA no país era visto como um esporte violento e era repudiado pela mídia e opinião pública nacional. O grande objetivo do UFC era, então, atingir a imprensa para que com isso o público brasileiro voltasse sua atenção ao esporte. E conseguiu. Em 2009, a Rede TV! estreou a transmissão do UFC – Sem Limites. Com o aumento cada vez mais evidente do número de audiência, o UFC garantiu seu espaço no Brasil e o sucesso da emissora passou a ser observado por outros canais. Em 2011, o primeiro torneio foi realizado no Brasil e a TV Globo comprou os direitos de transmissão do UFC, lançando em 2012 o reallity show The Ultimate Fighter Brasil, que já vai para a sua terceira edição. O futebol continua sendo, sem
dúvidas, líder de audiência e a principal matéria-prima do Jornalismo Esportivo no Brasil. Mas é inegável o sucesso que o UFC conquistou, ganhando espaço também nos noticiários televisivos, jornais impressos, revistas e outros meios. Um fator que contribuiu para a aparição freqüente do UFC na imprensa nacional é o destaque que atletas brasileiros conquistaram no esporte, atraindo uma legião de fãs e admiradores. Demian Maia, Lyoto Machida, Maurício “Shogun” Rua, José Aldo, Thiago “Pitbull” Alves, Wanderlei Silva (“Cachorro Louco”), Rodrigo “Minotauro”, Vitor Belfort, Júnior “Cigano” dos Santos e Anderson “Spider” Silva são alguns desses atletas. O brasileiro Anderson Silva é considerado pelos fãs e pelo chefão do UFC, Dana White, o melhor lutador do UFC de todos os tempos. Spider, como é chamado, é o herói brasileiro
Série “Campeões brasileiros” O Brasil se colore de vermelho e preto pelo segundo ano consecutivo! Em 1983, o Flamengo foi campeão novamente, conquistou seu terceiro título nacional e o Rio de Janeiro manteve sua hegemonia no futebol brasileiro. A torcida rubro-negra compareceu em peso na grande final contra o Santos e viu seu time vencer bem por 3x0. Em 26 jogos disputados, o Fla perdeu cinco, empatou sete e venceu 14; Marcou 57 gols e sofreu 30. No ano em que se despedia do Flamengo e também pela segunda vez consecutiva, Zico foi
considerado o craque do campeonato. O santista Serginho Chulapa balançou as redes 22 vezes e foi o artilheiro. Aos 24 anos, o goleiro Acácio estreou no Brasileirão com a camisa do Vasco e foi considerado a revelação daquele ano. Os 11 campeões, comandados por Carlos Alberto Torres, foram: Raul, Leandro, Figueiredo, Marinho, Éldor, Júnior, Vitor, Adílio, Baltazar, Zico e Júlio César. O Galo voltou a fazer um bom campeonato e terminou com a mesma pontuação do Flamengo – 35 – em terceiro lugar. O Cruzeiro terminou a competi-
ção em 17º. O mico de 83 aconteceu durante a finalíssima: no fim do jogo, jogadores do Santos perderam a cabeça e agrediram os fotógrafos que estavam à beira do gramado. Houve confusão generalizada, com a entrada da polícia. O árbitro reiniciou a partida por menos de um minuto e apitou o final. O ano também foi marcado por tristeza no mundo da arte e do futebol: morreram a cantora Clara Nunes e o jogador de futebol Garrincha, o “anjo das pernas tortas”.
O União Tijucana superou os adversários e venceu o I Campeonato Municipal
A equipe do Ribeirão ficou em segundo lugar
no esporte e superou diversos desafios em sua carreira. Seus números são tão impressionantes, que ele foi nocauteado apenas uma vez, sendo que nocauteou 20 adversários. O último episódio de sua carreira não foi dos melhores, pois justamente em sua última luta, contra Chris Weidman, em julho, ele foi derrotado por nocaute. Mas agora ele terá a chance de mudar essa história e reconquistar o Cinturão, o qual vinha defendendo há dez duelos consecutivos. No próximo dia 28 de dezembro ele enfrentará Weidman novamente e acredito que grande parte da torcida brasileira estará ao lado de Spider, nosso herói humano. Para se ter uma ideia de como o UFC conquistou o Brasil, aqui mesmo em Resende Costa há muitos fãs do evento. Geralmente as lutas são nas madrugadas dos sábados e, quando estou na rua, em um barzinho ou em uma festa em dia de luta, as pessoas ficam impacientes querendo saber o resultado, pedem para ligar a televisão de al-
gum estabelecimento no canal da luta ou então vão para casa acompanhar os confrontos. Isso já aconteceu inúmeras vezes comigo. Além disso, as artes marciais também têm seu espaço garantido em Resende Costa. Na Academia Ação Física, por exemplo, há aulas de Jiu-Jitsu e Muay Thai e as lutas são muito bem aceitas entre os esportistas locais. O dono da Academia, Renato Cardoso, diz que a procura pelos treinamentos é grande na cidade e associa isso ao sucesso do UFC e à busca por atividades saudáveis: “Temos praticantes de artes marciais de várias idades, incluindo crianças! No Jiu-Jitsu, por exemplo, temos grandes atletas, competindo nos torneios da região e trazendo medalhas para nossa cidade! O Muay Thai é novo aqui, mas tem atraído muita gente”. É verdade que muitos atletas participam regularmente de campeonatos grandes em Minas Gerais. Quem sabe, algum dia não teremos um resende-costense brilhando nos ringues? Espero que sim!