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Edicao 126

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10 anos

OUTUBRO 2013

ANO X - Nº 126 Resende Costa - MG

www.jornaldaslajes.com.br contato@jornaldaslajes.com.br

Distribuição Gratuita

Destinação do lixo de cemitério é desafio para o município Foto José Venâncio

Asfaltamento da estrada Resende Costa a São Tiago

Marcha fúnebre é o tema da tese de doutorado defendida pelo professor Edésio de Lara Melo no dia 29 de julho último na FAFICH – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG. Na entrevista concedida ao JL, Edésio fala da abrangência da sua pesquisa no campo da musicologia e também da importância da preservação das bandas de música.

A rodovia LMG 839 (Resende Costa – São Tiago) figura na relação de projetos de engenharia autorizados, como “projeto em andamento”, no programa “Caminhos de Minas”. Este trecho já foi demarcado duas ou três vezes em preparação para obras de pavimentação asfáltica, sendo a última demarcação bem recente. Empresários falam dos benefícios desta obra para os dois municípios. Página 06

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Amirco tem projetos aprovados pelo FEC

Crise no SUS afeta hospitais em São João del-Rei Dados da Confederação Brasileira de Hospitais Filantrópicos indicam que o SUS cobre apenas 65% dos custos de Santas Casas e Hospitais, em virtude de defasagem da tabela de procedimentos. Santa Casa e Hospital das Mercês utilizam de recursos extras para cobrir despesas e investir em equipamentos. Página 05

Jogo Aberto com Edésio Lara

Cemitério de Resende Costa passa por reformas e limpeza para o dia de Finados

Outubro é mês de limpeza nos dois cemitérios de Resende Costa, em preparação para o dia de Finados. Duas ou três vezes ao ano é feita a coleta do lixo de cemitério. Este ano, os cemité-

rios devem gerar mais lixo por causa da retirada de terra das sepulturas para a construção de gavetas. Segundo o secretário de Meio Ambiente da Prefeitura, Luís Cláudio dos Reis, o ma-

terial a ser retirado do cemitério é considerado contaminado e deve ter um destino específico para não colocar em risco a saúde das pessoas. Página 06

A Secretaria de Cultura de Minas Gerais divulgou, dia 5 de outubro, a lista dos projetos aprovados pelo edital 2013 do Fundo Estadual de Cultura (FEC) que teve 678 inscritos. Dos 154 selecionados, 5 são do Campo das Vertentes, incluindo o projeto “Coleção Lageana IV na web”, apresentado pela Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO). Página 12


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Jornal das Lajes

E D I T O R I A L A Justiça tardou ou falhou? O apertado placar de seis votos a cinco demonstrou com exatidão a tenacidade do debate entre os onze ministros no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) durante as sessões que decidiram a aceitação dos embargos infringentes, que beneficiam doze condenados no processo do mensalão. Porém, a batalha jurídica não se resumiu apenas ao debate entre os ministros. Estavam se digladiando, de um lado, a complexa doutrina jurídica e, de outro, a vontade popular ansiosa por ver a justiça acontecer no Brasil. O resultado deste embate, o brasileiro acompanhou ao vivo. O STF concedeu, com o voto de desempate do ministro Celso de Melo, o decano da corte, mais uma chance aos doze condenados, entre eles o ex-ministro José Dirceu e o operador do mensalão, o empresário Marcos Valério, de ir novamente a julgamento pelos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. É prematuro afirmar que o STF decepcionou ou ludibriou os brasileiros, ou seja, que o julgamento do mensalão, considerado o maior escândalo político da história recente do Brasil, deu em nada. Os ministros da mais alta corte do Judiciário do país votaram de forma independente e técnica. Os argumentos de todos se embasaram na jurisprudência brasileira e no regimento interno do STF. Mesmo assim, o que já se esperava, a interpretação da lei foi ponto de discordância de parte dos ministros, tanto que o placar foi apertado, restando ao ministro decano proferir o voto de minerva. Contudo, a aceitação dos embargos infringentes merece uma reflexão que vai além da tecnicidade jurídica. Em meados de junho e julho deste ano, o Brasil vivenciou momento histórico: manifestações populares contra a corrupção e a precariedade dos serviços públicos foram vistas em diversas cidades do país. Os milhares de manifestantes que aderiram às manifestações demonstraram veementemente a descrença de grande parte dos cidadãos brasileiros com os partidos políticos e as instituições que nos representam. Mas restava, impoluto, o STF. Após a condenação dos réus do mensalão, em 2012, a corte caiu nas graças da opinião pública e o ministro Joaquim Barbosa, atual presidente e relator do processo, tornou-se herói nacional. O povo enfim reencontrou na toga dos O povo reencontrou na ministros juízes a esperança de ver toga dos ministros juízes a a justiça de fato acontecer no país. Mas a lua de mel durou pouesperança de ver a justiça co tempo. Os infindáveis recursos de fato acontecer no país. garantidos pela legislação brasileira associados à oportunidade de os mensaleiros poderem contar com renomados (e caros) advogados, cujos honorários em hipótese nenhuma se comparam aos de advogados que defendem os “réus comuns” Brasil afora, reacenderam no brasileiro a sensação de impunidade. A aceitação dos embargos infringentes fortaleceu também o argumento de que raramente os condenados graúdos vão para trás das grades e, quando vão, ficam pouco tempo. Mostrou, enfim, a distância que existe no Brasil entre os poderosos (que podem contar com os infindáveis recursos da Justiça) e o cidadão comum, que às vezes não tem sequer recurso para contratar um advogado. Diante desse quadro é preciso urgentemente atualizar a legislação de maneira a impedir que medidas protelatórias dificultem o cumprimento da justiça. E para minimizar a sensação de impunidade, é necessário que condenados cumpram efetivamente suas penas como, aliás, ocorre nos países desenvolvidos para todos os cidadãos. Se o julgamento dos réus do mensalão foi apenas mais uma farsa é preciso aguardar para ver. Esperamos que não. Mas, a opinião pública precisa estar atenta para não deixar que a Justiça falhe. Até agora ela tardou, e, se falhar, não restará mais nenhuma esperança, nenhum fôlego ao brasileiro, já cansado de presenciar tanto abuso de políticos sem caráter e sem escrúpulos.

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Jornal das Lajes Ltda

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Fundado em 22 de janeiro de 2008 Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro

Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000

Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Diretor de redação: Rosalvo Pinto

Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP

Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte

Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves

Tiragem: 4000 exemplares

Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto

Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Tiradentes

Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

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Meio Ambiente

ALESSANDRA GUSE DOS SANTOS*

Coleta seletiva: geração de renda e de cidadania O processo de sobrevivência humana altera a natureza de várias formas. A geração de resíduos sólidos urbanos, que comumente chamamos de lixo, é uma dessas alterações. Nem todos os resíduos são inservíveis, muitos podem ser reciclados ou reutilizados. A coleta seletiva é justamente o processo de separação do que pode ser reciclado, ou seja, do que pode voltar para a indústria. Esse é um trabalho digno e importante, que gera renda e cidadania para os participantes. Vejamos o caso de Resende Costa. Em 2010, o setor municipal de Assistência Social recebia a proposta de um projeto modelo, tendo como foco principal a coleta seletiva. A proposta inicial era trabalhar com educação ambiental nas escolas e com a geração de trabalho e renda através de oficinas que reutilizassem o material reciclável. A montagem do projeto contou com vários setores da Prefeitura: Secretarias de Educação, de Agropecuária e Meio Ambiente, de Saúde, de Transportes, de Obras e, principalmente, o setor de Assistência Social. Inicialmente, a coleta seletiva acontecia apenas uma vez por semana no centro da cidade. Havia treze famílias em situação de vulnerabilidade social envolvidas. Os representantes dessas famílias eram responsáveis por auxiliar na divulgação do projeto através de panfletagens e outros, coletar o material de porta em porta, separá-lo e, por fim, vendê-lo a um atravessador. A primeira venda levou cerca de dois meses para acontecer e, mesmo recebendo pelos produtos, o valor gerado foi de aproximadamente R$ 700,00. Uma dificuldade no processo foi, e ainda continua sendo, não poder vender os recicláveis diretamente para as fábricas, uma vez que não há como emitir nota fiscal. Ainda em 2010, com o

apoio do Estado e da Prefeitura, foram adquiridos: caminhão, prensa, balança digital, carrinhos e lixeiras. No entanto, a utilização concreta desses bens só ocorreu em meados de 2011. Nesta mesma época, a cidade completava 99 anos e o tema das comemorações foi a coleta seletiva. Foi realizada uma grande campanha solicitando a adesão da população ao projeto e foi ampliada a coleta para todos os dias e para todos os bairros. Então, deparou-se com grande quantidade de material reciclável para ser separado e não havia pessoas suficientes para fazê-lo. A ideia de inserir no projeto os presos em regime fechado, com bom comportamento, para realizarem a separação do material reciclável veio do então secretário de Agropecuária e Meio Ambiente. Os reclusos, a cada três dias trabalhados, ganhariam um dia de liberdade. O trabalho social com os cinco novos envolvidos foi intenso. Muitos encontros foram realizados com o objetivo de promover a interação, a criação de laços, o respeito, a reflexão, o empreendimento e a autonomia. Como havia dificuldades de pessoas para a coleta, pouco depois foi solicitada autorização para os presos realizarem também a coleta. Então, nova campanha foi realizada, solicitando à população que deixasse o material do lado de fora das casas. Atualmente, a coleta ocorre em todos os bairros da cidade nas segundas, terças, quintas e sextas-feiras. O motorista e o coletor são funcionários da Prefeitura, que após recolherem os recicláveis, os levam diretamente para o antigo matadouro, no Tijuco, onde são separados. A prensagem é feita no Parque de Exposições, por necessidade de energia elétrica. O projeto conta com cinco reclusos, que são responsáveis por separar, prensar e vender o material recolhi-

do. Esses, para permanecerem na coleta, devem manter o bom comportamento dentro e fora do projeto. O foco do trabalho social não é o que eles fizeram no passado, mas o que serão capazes de fazer no futuro. A carga a ser vendida é fechada mensalmente quando se atinge cerca de 60 fardos, que chegam a pesar até mais de 400 kg cada. O valor da carga varia de acordo com o material disponível, gerando R$ 3.000,00. Por exemplo, dos 60 fardos vendidos, 30 são de papelão oriundo do setor comercial, que vale cerca de R$ 0,30 cada kg. Assim, percebe-se que a coleta seletiva deve ser melhorada nas casas. O reciclável de Resende Costa é muito bem aceito no mercado, uma vez que se apresenta limpo. Isso faz dele um material com maior valor e maior poder de negociação junto aos atravessadores. Destaca-se que o dinheiro gerado na venda dos recicláveis pertence ao setor de Assistência Social da Prefeitura que o investe em programas sociais. Algumas necessidades imediatas do projeto são: adoção de uma rotina no itinerário e no horário da coleta, construção de um galpão de separação e a criação de uma associação de recicladores. Destaca-se que a coleta seletiva é um projeto que envolve diversas áreas. Seu caráter social é evidente. Hoje temos principalmente presos, mas antes de tudo temos gente. Seu caráter ambiental também é evidente, pois contribuímos para diminuição da produção de lixo. Por fim, temos geração de trabalho e renda, temos garantia de dignidade para as pessoas que trabalham na coleta seletiva e temos esperança de que podemos crescer muito mais, enquanto associação e enquanto seres humanos. *Assistente Social da Prefeitura Municipal de Resende Costa

ERRATA Na última edição do Jornal das Lajes (Ed. 125) foi publicado na seção “Gente que fez e faz a história” artigo homenageando postumamente o poeta resende-costense Abel Lara, que faleceu no dia 19 de junho último. No artigo foi dito que a esposa de Abel, sra. Nilse Gonçalves Lara, “faleceu dias antes das bodas de ouro”. O Jornal das Lajes corrige esse lamentável erro. A sra. Nilse Lara está viva e reside em Belo Horizonte. Abel Lara foi quem faleceu dias antes de celebrar com Nilse suas bodas de ouro. O JL pede desculpas à família por este equívoco.


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Informativo da Câmara O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.

Confira alguns dos projetos de lei aprovados nos meses de setembro e outubro Projeto 94 - autoriza a permissão do uso das dependências do Parque dos Trabalhadores Dr. Geraldo Magela de Resende por particulares e dá outras providências. Projeto 95 - institui o programa de acesso à internet e de telefonia móvel no distrito de Jacarandira. Autoriza a abertura de crédito especial e o uso de

bem público para a instalação de equipamentos de transmissão de sinal de internet e telefonia móvel e dá outras providências. Projeto 96 - autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. Tem por objetivo a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de

R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) para assegurar o custeio da reforma e modernização da Escola Municipal José Augusto de Resende, localizada no Povoado do Cajuru, zona rural do município Resende Costa. Projeto 97 - dá nome à Rua Francisco de Assis Silva e dá outras providências.

Projeto 98 - altera a redação do inciso III do artigo 5º da lei municipal 3.490 de 9 de junho de 2011 e dá outras providências. Autoriza o Executivo Municipal a proceder a outorga de concessão para exploração do serviço de colocação de placas indicativas de nomes dos logradouros públicos, dispõe sobre a padronização das mesmas e dá outras providências.

Maiores informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município. Praça Nossa Senhora de Fátima, s/n, Centro. Tel.: (32) 3354-1526


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Jogo Aberto

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Marcha fúnebre

“Chorava-se a perda de uma pessoa querida com uma composição musical” (Edésio Lara) ANDRÉ EUSTÁQUIO “Marchas fúnebres: tradição musical na Semana Santa da microrregião de São João del-Rei, MG, (1870 – 1965)”, é o tema da tese de doutorado defendida pelo professor Edésio de Lara Melo no dia 29 de julho último na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH, UFMG). Participaram da banca avaliativa os professores Antônio Carlos Guimarães, do curso de música da UFSJ, César Maia Buscacio (UFOP) e Ana Cláudia Assis (FAFICH, UFMG), ambos pianistas e doutores em História, José Newton Coelho Meneses, coordenador do programa da pós-graduação em História da (FAFICH, UFMG), além de Adalgisa Arantes Campos, a orientadora. Nesta entrevista, o professor Edésio fala da abrangência da sua pesquisa no campo da musicologia e também da importância de se preservar as bandas de música - importante meio artístico/cultural para preservação e divulgação deste gênero musical abundante no repertório da região das Vertentes. O resende-costense Edésio de Lara Melo é maestro e professor do curso de música da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Assinou por longo tempo a coluna “Tô de Olho”, do Jornal das Lajes. A marcha fúnebre é tema da sua tese de doutorado. O que o motivou a estudar de modo mais profundo esse gênero musical tão presente em nossa região? Tive contato direto com o gênero quando comecei a tocar na Banda de Música Santa Cecília de Resende Costa, dirigida pelo estimado professor Geraldo Sebastião Chaves, por volta de 1968. Desde aquela época, encantado com as belas marchas que tocávamos, me perguntava sobre alguns nomes que constavam em nossas partituras: Antônio de Pádua Falcão, João Evangelista Bernardes (João Mariafra), João Francisco da Matta, entre outros. No doutorado, então, ao desenvolver minha pesquisa tendo como base a microrregião de São João del-Rei, formada por quinze municípios, esses e outros tantos compositores, inclusive de Resende Costa, aparecem como os responsáveis pela criação das músicas que os moradores da região estão habituados a ouvir. Fale um pouco sobre o desenvolvimento do seu trabalho

Edésio Lara

referente à trajetória da marcha fúnebre na história da música. Dividi meu trabalho em duas partes. Na primeira, procurei tratar do tema da morte e das primeiras manifestações fúnebres em música. Busquei, nas antigas lamentações fúnebres, os primórdios desta música que, antigamente era cantada e, às vezes, acompanhada de instrumentos. A música nasceu então da necessidade que tiveram os músicos na Idade Média de prestar homenagem a pessoas falecidas: patronos e mestres, principalmente. Como as informações sobre a marcha fúnebre, tanto em dicionários quanto em livros de história são ínfimas, cuidei de traçar o que chamei de “o caminho da marcha”. A música instrumental fúnebre se consolidou durante o período Barroco quando compositores, principalmente franceses, iniciaram o costume de dedicar aos seus professores músicos uma obra lamentosa. Chorava-se a perda de uma pessoa querida com uma composição musical. Esta prática se estendeu a outros países europeus até que, em fins do século 17, surgiram as primeiras peças tocadas por instrumentos de sopro e percussão destinados aos funerais de pessoas ilustres das principais cortes europeias. Mas foi a partir da Revolução Francesa que a marcha fúnebre, tocada por bandas de música, foi alçada à condição de acompanhar enterros de pessoas dignas das mais altas honrarias. Imediata-

mente, ela foi trazida ao Brasil por militares que vieram a serviço da corte portuguesa em 1808. Seu uso nas procissões da Semana Santa aconteceu depois, durante o século 19. Na segunda parte do texto me dedico exclusivamente à microrregião de São João del-Rei. Foi preciso visitar arquivos, acompanhar procissões em diversas cidades e entrevistar pessoas para descrever como a fundação de bandas de música, a circulação de músicos e de partituras estimularam o surgimento de muitos autores que quiseram, com suas composições e repetindo o costume europeu, prestar homenagem a uma pessoa falecida ou destiná-las, especificamente, a determinadas passagens da Paixão de Cristo. Assim, desde a metade do século 19 até o fim do Concílio Vaticano II (1965) o que se viu foi uma produção significativa de marchas fúnebres compostas por músicos do local, que ainda escutamos nas procissões da Semana Santa e em alguns enterros. Como o senhor avalia a importância do seu trabalho para a musicologia e para a cultura musical da região onde pesquisou? Sinto que meu trabalho traz à tona um tema até então inexplorado. A tese deixa claro as possibilidades que temos de empreender mais estudos sobre o fazer musical iniciado nessas vilas ligadas a São José del-Rei (Tiradentes) e São João del-Rei, em torno das ban-

das de música. Confesso que o tema causou certa estranheza em professores e colegas da pós-graduação, mais acostumados a ouvir falar de pesquisadores envolvidos com a música destinada à liturgia, isto é, a que envolve a atividade de corais e orquestras. Até os mestres de banda mostraram-se surpresos com o meu interesse no assunto, pois, nunca haviam sido procurados para tratar desse tema. Pouco ou quase nada sabemos dos nossos compositores e de suas músicas. Por isso, quando ouço nossas bandas tocando marchas de autores europeus ao lado das escritas por músicos nascidos no interior mineiro e são praticamente desconhecidos, sinto que temos um longo trabalho pela frente. É preciso destacar estas figuras, editar suas músicas e, acima de tudo, contribuir para que o que sabemos e temos, tanto na memória quanto nos documentos, não se percam. O que mantém a marcha fúnebre em evidência é a tradição que temos de acompanhar com música alguns enterros e procissões da Semana Santa. Sem esses dois acontecimentos a marcha fúnebre, tocada pelas bandas de música, corre sério risco de cair no esquecimento. Atualmente há muitos pesquisadores se dedicando ao estudo da produção musical que se deu no interior do Brasil? Desde quando Francisco Curt Lange, musicólogo alemão radicado no Uruguai, na década de 1940, revelou ao mundo uma quantidade enorme de música e músicos nascidos em Minas Gerais, a pesquisa em música em nosso país tomou novos rumos. Hoje podemos dizer que se encontra bastante avançado o conhecimento que temos do repertório, autores e práticas musicais nascidas junto com as capelas construídas pelos bandeirantes, nos anos iniciais do século 18 e que estavam praticamente adormecidas em arquivos pessoais e das centenárias orquestras ou outras corporações musicais mineiras. Porém, quando falamos de repertório exclusivo de banda de música, grupo musical que é peça fundamental em minha tese, nosso conhecimento a esse respeito é bastante precário. Escreve-se muito sobre a função social que têm esses conjuntos, mas, poucos estudos existem sobre práticas musicais, autores e repertórios que pos-

suem esses grupos no Brasil. O que falta para se ter maior divulgação e também para se recuperar o que foi produzido em séculos passados? Mais pesquisas. Devemos observar que grande parte do material musical do passado está perdida. Muitas partituras foram queimadas, jogadas fora como entulho. Outras ficaram inutilizadas devido ao uso e falta de uma cultura arquivística que fosse capaz de cuidar da produção musical de outrora. No entanto, há muito material nas mais de mil bandas existentes em Minas Gerais, sem considerar as do resto do país. É preciso considerar ainda que os compositores, indiferentes à questão da autoria, não atentaram para o fato do quão importante é a colocação do nome do autor, data e local de criação da obra. Das 169 marchas fúnebres com as quais trabalhei na tese, diversas aparecem como sendo de autor desconhecido. A pesquisa me permitiu grandes descobertas, não sendo possível detalhá-las aqui. Além das pesquisas, é preciso dizer que as condições para a difusão desta música se mantenham. E o que fazer para preservar e ao mesmo tempo difundir as marchas fúnebres? Nas grandes cidades, atualmente, é quase impossível a realização de um enterro ou de procissão seguida de banda de música. Nas cidades do interior, isso ainda é possível. Tenho dito que estou bastante entusiasmado com o que tenho visto em minhas andanças durante a quaresma. Noto um interesse crescente em muitas cidades de reviverem certas cerimônias da Paixão que foram suprimidas do calendário após o Concílio Vaticano II. A música depende da sua realização, repito, para manter-se viva. Não por acaso, alguns compositores têm respondido positivamente, compondo novas músicas para esse fim. O senhor pretende publicar em livro a sua tese de doutorado? Pretendo sim. Depois de colocá-la no banco de teses e dissertações da UFMG, quero fazer uma revisão do texto, adaptá-lo para uma publicação. A partir de 2014 pretendo levar o resultado do trabalho para congressos ou outros encontros destinados à pesquisa em história e música.


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Saúde

Recursos do SUS não cobrem despesas hospitalares com pacientes

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Fotos José Venâncio

A ênfase dada pela propaganda oficial ao programa Mais Médicos deixou em segundo plano a falta de solução para o problema do asfixiamento financeiro que leva à desmontagem do Sistema Único de Saúde (SUS). Aquilo que o professor Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP, denomina “privatização branca do SUS”. Para tapar o buraco financeiro do SUS, Santas Casas e Hospitais - um dos braços do sistema - precisam correr atrás das mais diversas fontes de receita. Dados da Confederação Brasileira de Hospitais Filantrópicos, apresentados no Congresso Nacional de Brasília (DF) ocorrido em agosto desse ano, indicam que o SUS cobre apenas 65% dos custos destas entidades, em virtude de defasagem da tabela de procedimentos. A tabela unificada do SUS não é atualizada desde 2008 e, com isso, as entidades filantrópicas, que são obrigadas a atender pacientes do SUS, estão numa situação muito crítica, diz o médico Carlos Guilherme de Abreu, diretor técnico do Hospital Nossa Senhora das Mercês, de São João del-Rei. A Santa Casa da Misericórdia de São João del-Rei depende de recursos adicionais de convênios e do Plano SASC (plano próprio de saúde complementar) para cobrir os custos dos procedimentos ofertados aos pacientes do SUS e, inclusive, da folha de pagamento dos funcionários, informa o administrador

Santa Casa de São João del-Rei também sofre com a escassez de recursos de SUS

José Antônio da Silva Santos. A instituição atende pacientes não apenas de São João Del-Rei e da microrregião do Campo das Vertentes, mas também de todo o Estado de Minas e de outros estados do Brasil. Defasagem - O SUS paga todas as despesas médicas, mas os valores não condizem com a realidade dos preços praticados, explica Carlos Abreu. Tanto que o setor de pacientes dos convênios praticamente mantém o Hospital das Mercês, ao subsidiar o seu funcionamento. “A folha de pagamento do hospital (324 funcionários, todos especializados) é um sacrifício muito grande. Chegamos a pedir dinheiro emprestado.” Outra fonte de recursos do hospital é a realização de convênios com a Secretaria Municipal de Saúde, para fazer mutirões (cirurgia de catarata, por exemplo). Entre os exemplos de defa-

Pacientes nos leitos do Hospital das Mercês, em São João del-Rei

sagem, Carlos Abreu cita a consulta especializada denominada ETE (encaminhamento para tratamento externo) ou de urgência, cujo valor é de R$ 11,00. Na área em que o hospital é referência regional (traumatismo e ortopedia), foi preciso montar um sistema de plantão 24 horas, com clínico e ortopedista. O Governo estadual transfere R$ 100 mil por mês, mas o custo deste plantão é de R$ 150 mil/ mês. Cada médico recebe R$ 1.200 por plantão, o que dificulta conseguir um profissional. Para uma radiografia, que custa R$ 40,00 no mercado e R$ 23,42 nos convênios, o SUS transfere apenas R$ 6,88 ao hospital. O médico Euclides Garcia de Lima Filho, que trabalha na Santa Casa desde 1960, disse que nunca viveu tempos tão difíceis como agora. Ele considera que o SUS padece de dois males: o sucateamento de postos de saúde e hospitais e a baixa remuneração dos profissionais de saúde. Os hospitais não têm verba suficiente para manutenção nem para modernização (renovação de equipamentos e mobiliário), enfatiza Euclides Garcia. O atendimento é prejudicado por aparelhos quebrados ou defasados. As camas da Santa Casa, por exemplo, são aquelas antigas ainda movidas a manivela. É comum paciente ficar uma semana em maca no corredor até conseguir uma vaga. No caso dos profissionais, o SUS, além de pagar mal, paga atrasado (as guias ficam represadas). Um médico recebe R$ 5,00 por uma consulta. Segundo

Investimentos dependem de transferências de governos estadual e federal Outra face perversa da crise do SUS é a falta de recursos para investimentos, numa área em que equipamentos em geral são caros e de rápida obsolescência. Não sobram recursos para a atualização tecnológica, admite Carlos Abreu. “A medicina está sempre evoluindo para o uso de novos equipamentos e procedimentos, o que exige atualização permanente. Caso contrário, passa a não ter condições de funcionamento.” No Hospital das Mercês, os investimentos têm sido possíveis graças aos recursos transferidos pelos governos estadual e federal, conta o médico. “Nós temos um equipamento de Raio X absolutamente moderno. Para atualizar o tomógrafo, nós gastamos R$ 240 mil. Estamos bem avançados”. O Hospital ainda dispõe de um arco cirúrgico (permite acompanhar a cirurgia ortopédica em tempo real na tela do computador) que custou cerca de R$ 180 mil. Outro arco cirúrgico, para fazer ligação de veias e artérias, custa cerca de R$ 250 mil. Outras melhorias foram a modernização da central elétrica do Hospital (a carga elétrica passou de 70 kVA para 270 kVA, para suportar novos equipamentos) e a construção de Euclides Garcia, no caso de cesariana, o SUS paga ao cirurgião cerca de R$ 129,00, enquanto a remuneração de um plano de saúde é de cerca de R$ 900,00 e um médico particular recebe R$ 1.500,00. Para a equipe médica (cirurgião, anestesista, auxiliar e pediatra), estes valores sobem para R$ 2.500,00 (plano de saúde), R$ 3.000,00 (particular) e cerca de 310,00 (SUS). Já no parto normal, o obstetra recebe R$ 1.160,00 (plano de saúde), R$ 1.500,00 (particular) e cerca de R$ 200,00 (SUS).

inédita “central de oxigênio” (para purificar o oxigênio do ar a custo bem menor do que o usual), esta última doada pela White Martins. Na festa de Nossa Senhora das Mercês, dia 24 de setembro, o Hospital inaugurou reformas das enfermarias, do auditório e do Renalclin (Serviço de Terapia Renal). Da mesma forma que as enfermarias, o Renalclin já está em funcionamento. São três turnos de trabalho que permitem atender 38 pacientes por turno, seis dias por semana. O serviço substitui o rim que parou de funcionar, por meio da filtragem do sangue (o paciente permanece no local cerca de 4 horas, voltando em seguida para a casa). Na Santa Casa da Misericórdia, a radioterapia, em fase de instalação, é um dos poucos serviços que a instituição ainda não oferece (os outros são cirurgia cardíaca, hemodinâmica e hemodiálise). Segundo José Antônio, investimentos em inovação tecnológica (novos equipamentos e instalações) são realizados com recursos próprios disponíveis ou via convênios firmados com a Secretaria Estadual de Saúde e o Ministério da Saúde e ainda por meio de emendas parlamentares. J.V.R. Com a inclusão do pediatra, estes valores passam para R$ 1.500,00 (plano de saúde), R$ 1.800 (particular) e cerca de R$ 270 (SUS). Estas remunerações não incluem diária de hospital. O problema é que a situação vai se agravar, alerta o médico. O povo vai achar que o “Mais Médico” será a solução, mas poderá ter uma grande frustração. O governo bolou um plano para transferir a sua culpa aos médicos, conclui Euclides Garcia, que reconhece a existência de uma minoria relapsa.


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Cidades

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Finados:

lixo de cemitério é contaminado e deve ter destino específico

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Outubro é mês de limpeza nos dois cemitérios de Resende Costa, em preparação para o dia de Finados. Duas ou três vezes ao ano é feita a coleta do lixo de cemitério. São dois caminhões de lixo em média por ano, entre entulho, terra, restos de urnas e de flores. Este ano, os cemitérios devem gerar mais lixo por causa da retirada de terra das sepulturas para a construção de gavetas. Os restos de urna, por exemplo, são separados entre madeira, plástico e vestes, que vão para o lixo. Já os restos mortais voltam para dentro da sepultura ou vão para o ossuário, explica o coveiro Jaime Genner, funcionário da Prefeitura cedido à Paróquia. “Um problema da sepultura de terra é o risco de contaminação. O maior problema é a terra que sai do fundo da sepultura”. Por isso, Jaime toma vacina e usa luva, bota de borracha e máscara para manipular esta terra. O coveiro alerta para o risco de as pessoas pegarem esta terra com as mãos e jogar sobre a urna. Mas os restos de urnas também merecem cuidado. Segundo Jaime, houve época em que se queimava os restos de urnas e flores. Mas os vizinhos começaram a reclamar porque a fumaça incomodava. “Quando o pessoal reclamou, eu parei de queimar e a Prefeitura passou a coletar esse lixo.” Destino - O lixo de cemitério deve ter uma destinação adequada, de acordo com a lei 12.305/2010 que define a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Segundo o secretário de Meio Ambiente da Prefeitura, Luís Cláudio dos Reis, os dois tipos de material a serem retirados do cemitério são considerados materiais contaminados e devem ter um destino específico para não colocar em risco a saúde das pessoas. Esses resíduos são levados ao aterro controlado. O entulho passa pelo mesmo processo de aterramento em valas de isolamento. Já o material separado do entulho (pedaços de roupas, alça dos caixões) terá outro destino. “No aterro controlado existe uma área de isolamento, que, no passado, funcionava para descarte de material hospitalar, o que não acontece mais nos dias de hoje. Pretendemos utilizar esse local

Novos túmulos estão sendo construídos no cemitério

Entulho acumulado no cemitério de baixo

para depositar esses materiais separados do entulho, evitando assim que alguém possa ter contato direto ou que esse material tenha contato com outros tipos de matérias.” Gavetas - As sepulturas de terra estão condenadas a desaparecer, é uma questão de tempo. A tendência é serem substituídas por gavetas e cremação. Há cerca de três anos, as famílias resende-costenses vêm substituindo os túmulos de terra por gavetas, conta Jaime. Apenas este ano, já foram construídos 20 túmulos com gavetas. Como cada túmulo tem quatro a cinco gavetas, isto aumenta a capacidade de sepultamentos. É a verticalização do cemitério. Há dois anos, a Prefeitura

mandou construir 26 túmulos com gavetas, todos já ocupados. Também a Paróquia tem agido no sentido de modernizar o cemitério, “porque não há mais lugar para enterrar”, diz Jaime. Este ano, padre Eder Santos, pároco, encomendou a construção de 50 túmulos, com cinco gavetas cada, no cemitério de cima. Vinte e cinco túmulos já estão prontos, dos quais dois ocupados. Por decisão do padre Eder, outras melhorias estão ocorrendo nos dois cemitérios, de acordo com Jaime. Este ano, foram providenciadas reforma da rampa de entrada e pintura do muro, além da construção das gavetas. Para 2014, está prevista a construção de novas gavetas e novos ossuários (para depósito de ossos dos túmulos da Paróquia).

Empresários defendem asfaltamento de trecho Resende Costa–São Tiago O Governo de Minas anunciou, recentemente, recursos no valor de R$ 79,8 milhões para obras de asfaltamento dos trechos de Mercês da Água Limpa - Nazareno (LMG 841) e de Carandaí - Lagoa Dourada (entrada da BR 383), como parte do programa “Caminhos de Minas”. Entre as obras já autorizadas, a rodovia MG 335 (Bom Sucesso – São Tiago), com extensão de 45 km, consta como projeto “em andamento” no site www.der.mg.gov.br. A rodovia LMG 839 (Resende Costa – São Tiago), com extensão de 37 km, figura na relação de projetos de engenharia autorizados, como “projeto em andamento”. Este trecho já foi demarcado duas ou três vezes (gasto de dinheiro público!) em preparação para obras de pavimentação asfáltica. A última demarcação foi bem recente. A reportagem do JL percorreu a estrada em junho (ver edição de julho/2013), quando foi informada pelo técnico em topografia da ENECON Engenharia, Isaac da Silva, de que o trabalho de demarcação estava em fase final. “Certamente haverá retificações drásticas no traçado da estrada, como eliminação de várias curvas, alargamento das pistas, limpeza e terraplanagem”, disse ele. Marcos Pinto, proprietário da Lanchonete Cousas da Roça no trevo de São Tiago (entroncamento com a rodovia 494 - Divinópolis), conta que no final de setembro foi informado de que funcionários da ENECON fizeram coleta complementar de solo no trecho Resende Costa - São Tiago para análise. Ele enfatiza a importância da pavimentação deste trecho para a consolidação do circuito turístico. Muitos turistas, principalmente da região Centro Oeste, passam pela sua lanchonente e pedem informações sobre Resende Costa, mas ficam desanimados com a estrada de terra.

Importância estratégica A pavimentação asfáltica deste

trecho é relevante para ambas as comunidades, cujas economias ascendentes se assentam no artesanato, na gastronomia, na produção agrícola e agroindustrial e no turismo, afirma João Pinto de Oliveira, presidente do conselho de administração da Credivertentes. Isto porque permite o escoamento da produção e o fluxo de visitantes simultaneamente pela Fernão Dias e BR-040, com interconexões para o sul do país, o litoral, a capital mineira, Triângulo etc. Outro aspecto salientado por João Pinto é a “revitalização de nossa memória e cultura, pois - assim acreditamos e trabalhamos em conjunto para tanto - nossos valores históricos poderão/deverão ser aflorados, com ênfase para a participação de nossos vultos na Inconfidência Mineira (capitão José de Resende Costa e filho, padre Carlos Toledo etc.), fazendas antigas da região etc.”. Ele lembra que a região é detentora de “vasta e quase inexplorada riqueza cultural, com todo seu viés econômico, e que necessita ser trabalhada, estimulada, divulgada”. Por fim, acrescenta a possibilidade de “explorar nossas riquezas ambientais, pois dispomos ainda de áreas remanescentes da Mata Atlântica e cachoeiras, que poderiam ser utilizadas para fins de ecoturismo”. Vanderlei Cardoso, dono da Biscoitos São Tiaguense, diz que o asfaltamento da estrada vai facilitar o acesso entre as duas cidades. Toda semana, ele vai a Resende Costa para vender biscoitos, mas dá volta por São João del-Rei. “Muita gente deixa de passar por esta estrada por causa das condições ruins dela.” “A pavimentação da estrada vai beneficiar, por exemplo, pessoas que querem fazer o trajeto entre Conselheiro Lafaiete/Lagoa Dourada e Divinópolis ou rodovia Fernão Dias. O caminho vai ficar mais curto”, conclui Vanderlei. (J.V.R.)

Foto José Venâncio

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Duas ou três demarcações já foram feitas no trecho que liga Resende Costa a São Tiago


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Aconteceu

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ANDRÉ EUSTÁQUIO

chonete Come Quieto, muita alegria, fotos, abraços, música e, não podia faltar, o bolo de 15 anos. E esse clima de descontração e amizade se estendeu à Fazenda Floriana. Por volta das 18h30min, a cavalgada chegou ao curral da fazenda, já em meio às sombras da noite que caía. A recepção foi digna de um momento verdadeiramente especial para esse grupo de amigas que criou uma tradição que valoriza o companheirismo e fortalece o belo e saudável costume de andar a cavalo. Parabéns à turma da Cavalgada do Batom. O JL deseja vida longa a essa ideia que já se tornou tradição em nossa terra. Leia mais em www. jornaldaslajes.com.br

Ana Patrícia na saída da cavalgada

VII FELIT reuniu escritores renomados em São João del-Rei e Tiradentes Aconteceu de 25 a 28 de setembro em São João del-Rei e Tiradentes o VII FELIT (Festival de Literatura de São João del-Rei), que neste ano homenageou Luis Fernando Veríssimo, escritor internacionalmente renomado. Diferentes oficinas, palestras e mesas-redondas foram realizadas, tudo com o intuito de uma melhor compreensão das nuances da leitura e da escrita literárias. O gênero literário que teve destaque foi a crônica, devido ao autor homenageado. Com isso, as escolas envolvidas no trabalho de extensão do FELIT leram muita coisa da obra de Veríssimo. A partir desse estudo, a produção cultural dos alunos girou em torno de exposições, crônicas e canções. Além de Luis Fernando Veríssimo, outros autores consagrados estiveram presentes, como: Ivan Ângelo, Carlos Heitor Cony, Carlos Herculano Lopes, Paula Pimenta e Tonico

José Antônio e Luis Fernando Verissimo

Mercador. José Antônio Oliveira de Resende, professor do Departamento de Letras da UFSJ, escritor e cronista do Jornal das Lajes, foi convidado para também participar das discussões sobre o ofício da crônica com autores que estiveram presentes.

Amazonas se reúnem para comemorar os 15 anos da tradicional Cavalgada

O casal anfitrião, Mário Nilson e Luzia Resende

Nas comemorações dos 15 anos, o bolo não podia faltar

As irmãs Ana Paula e Flávia

Cavaleiros cavalgam 100 quilômetros sob as bênçãos do Bom Jesus de Congonhas Catorze cavaleiros de Resende Costa participaram da 2ª Cavalgada Bom Jesus de Congonhas, que aconteceu entre os dias 19 e 21 de setembro. Os cavaleiros se reuniram em frente à igreja matriz de Resende Costa, na manhã do dia 19, para uma bênção que deu início ao percurso de aproximadamente 100 quilômetros. O diácono Javé Domingos Silva proferiu a bênção, invocando a proteção de Nossa Senhora e desejando boa viagem aos cavaleiros. O percurso foi dividido em dois pernoites no município de Entre Rios de Minas, na Fazenda dos Coelhos e Fazenda do Rio Abaixo. Entre os catorze cavaleiros, destaque para o garoto Guilherme Augusto que, com apenas nove anos de idade e na companhia do pai Vaninho do Vilmar, demonstrava muita alegria e entusiasmo por participar pela primeira vez da Cavalgada

Bom Jesus. Os 100 quilômetros não assustaram o garoto, que tem o cavalo como uma de suas paixões. Os cavaleiros contaram com

uma equipe de apoio composta por três pessoas. A Cavalgada chegou a Congonhas às 12h30min do sábado, 21.

Foto Arquivo Pessoal

A Cavalgada do Batom debutou no dia 21 de setembro. Tudo começou na cozinha da Fazenda do Pinhão, em 1998. Enquanto um delicioso frango com quiabo era preparado para alimentar os homens que participavam de uma cavalgada, as mulheres, entre um tempero e outro, articulavam a criação de uma cavalgada somente delas. E deu certo! Neste ano, comemorando os 15 anos desta ideia surgida na beira do fogão de lenha, aproximadamente 50 amazonas participaram da Cavalgada do Batom, que teve como destino a Fazenda Floriana, do casal Mário Nilson e Luzia Resende. Durante a concentração na Lan-

Fotos André Eustáquio

Não podia faltar o bolo, afinal 15 anos precisam ser comemorados com requinte

Cavaleiros de Resende Costa em frente a Basílica do Senhor Bom Jesus de Congonhas


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Educação

Educação ambiental e escola: Pronatec oferece cursos Assis Resende Sustentável gratuitos em Resende FRANCIELLE VALE

A Escola Estadual Assis Resende foi palco de mais uma atração, apresentando no dia 24 de setembro, o 1º. Projeto Assis Resende Sustentável. O impulso para a realização do projeto surgiu, de acordo com a direção da escola, da necessidade de reafirmar a questão da preservação e respeito ao patrimônio e ao meio ambiente. A preocupação com o desenvolvimento sustentável tem se tornado cada vez mais discutida, uma vez que as ações do ser humano na natureza têm seu reflexo para muito tempo. Com isso surge a importância de se tratar este tema nas escolas, introduzindo assim o conceito de economia verde. A economia verde está relacionada ao bem-estar humano aliado à preservação do meio ambiente. A ideia do projeto Assis Resende Sustentável partiu de um trabalho realizado por um ex-aluno, Rodrigo José da Silva, hoje estudante de Engenharia na UFSJ, em par-

ceria com a professora Nazaré Eunice. Eles trataram da Cultura Popular do Sabão de Óleo, que foi ganhador de um prêmio na UFMG. Andrea Moreira, Karla Lima e Elisabete Pinto, diretora e vice-diretoras da Escola Assis Resende, respectivamente, destacaram a importância da interação entre os alunos e os organizadores do evento, proporcionando momentos de descontração e aprendizagem, quando feita a extensão da ideia de um projeto de reciclagem para todas as séries da escola. A educação ambiental é primordial nas escolas, segundo as diretoras, pois no mundo consumista em que vivemos, é essencial que busquemos nas diversas disciplinas uma maneira rica e lúdica de se tratar dessa questão, visando à conscientização da preservação e respeito ao meio em que vivemos. A organização do projeto contou com a participação de toda a escola e cada série

desenvolveu um subtema: poesias, desfile do rei e rainha da reciclagem, apresentações de diversos shows e paródias e brinquedos feitos com materiais reciclados. O evento contou também com a apresentação da professora intérprete de libras, Patrícia Chaves, e sua turma formada por alunas com deficiência auditiva. A educação é o melhor caminho para o exercício da cidadania. E ser cidadão é, sobretudo, respeitar o mundo em que se vive. Foi o que observaram as diretoras da escola, que consideraram terem sido alcançadas as metas propostas para o projeto, porém, como a conscientização ambiental deve ser diária, e diante da existência de outras formas de se abordar a questão ambiental, é importante a realização de outros meios de interação entre os estudantes e o desenvolvimento sustentável. Foto Arquivo Pessoal

Izadora e Elimar, rainha e rei da reciclagem, com os professores

Costa

Em 2013, Resende Costa foi uma das cidades que aderiram ao Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Segundo informações oficiais, o principal objetivo do programa é expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica para a população brasileira, por meio de diferentes ações. Os resende-costenses estão tendo uma grande oportunidade de especialização para o mercado de trabalho de forma gratuita, sendo que o Pronatec, além do curso com professores muito bem capacitados, oferece apostila, material de apoio, uniforme e lanche. O Pronatec foi trazido para Resende Costa no período de transição do prefeito eleito, Aurélio Suenes. Sabendo da existência do programa, Aurélio procurou a então coordenadora adjunta do Pronatec em São João del-Rei, Liliane Chaves, que deu todo o apoio necessário para a implementação do programa na cidade. Segundo a orientadora e interlocutora municipal do Pronatec em Resende Costa, Solange Daher, o município fez a adesão através do site do Ministério do Desenvolvimento Social, que é o primeiro passo para o município oferecer cursos do Pronatec. “A principal condição para a implantação do programa em Resende Costa era oferecer o espaço físico. Como a Escola Conjurados ficava ociosa no período da noite, foi fácil e os custos para o município são baixos”, afirmou o prefeito Aurélio. Depois de toda a ação burocrática, as aulas em Resende Costa tiveram início no mês de junho e teve adesão dos resende-costenses: até o momento, três turmas já se formaram nos cursos de Auxiliar Administrativo, Operador de Computador e Vendedor, que foram os primeiros oferecidos. A formatura aconteceu no último dia 3 de setembro e teve a participação de cerca de 85 alunos. Conforme Solange Daher, nesta segunda oferta, estão sendo oferecidos os cursos de Auxiliar Administrativo e Operador de Computador: “Para o próximo ano, a administração pretende pactuar novos cursos. Uma reunião será agendada para o final de outubro com o coordenador adjunto, senhor Ataualpa de Oliveira, para definição de quais cursos pode-

EMANUELLE RIBEIRO rão ser ofertados em Resende Costa”, acrescentou. Uma das ações do Pronatec é a Bolsa-Formação, que amplia a oferta da Educação Profissional mediante a oferta de vagas em cursos técnicos e de formação inicial e continuada. Solange explicou que há dois tipos de Bolsa-Formação, a Estudante e a Trabalhador: “A Bolsa-Formação Estudante oferece cursos técnicos a partir de 800 horas, destinados a alunos das redes públicas de ensino médio. Já a Bolsa-Formação Trabalhador prevê a oferta de cursos de qualificação pelo IFSudeste MG a pessoas em vulnerabilidade social e trabalhadores de diferentes perfis”. Há modalidades diferenciadas a serem atendidas, como estudantes das redes públicas de Ensino Médio, preferencialmente aqueles em vulnerabilidade social e, também, beneficiários de programas federais de transferência de renda, como o Bolsa Família. Existe também uma seção intitulada “Pronatec na Copa”, que pretende qualificar profissionais da área de turismo e hospitalidade que atuam nos diversos segmentos do setor. O estudante Wesley Marques ainda está cursando o ensino médio, mas decidiu aproveitar essa oportunidade, se inscreveu no curso de Auxiliar Administrativo e já está com o diploma em mãos: “Um belo trabalho, tanto dos professores como também da organização do projeto. Eu, particularmente, gostei bastante, pois com esse curso adquiri um conhecimento a mais. Provavelmente ele me servirá muito no futuro, tanto na vida profissional quanto na pessoal. Enfim, nota 10 para o projeto!”, disse Wesley. Tudo leva a crer que o programa trará bons resultados para Resende Costa no sentido de aumentar a oferta de profissionalização e, consequentemente, o número de pessoas empregadas. “Eu sempre digo que temos que aproveitar todas as oportunidades ofertadas pelos governos. A qualificação profissional é um grande passo para o desenvolvimento da economia local. Pela quantidade de pessoas que já fizeram e os que ainda vão fazer os cursos, considero um acontecimento relevante para nosso município. Espero que possa trazer bons frutos para nossa Resende Costa”, concluiu o prefeito Aurélio.


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A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Hoje é meu aniversário Foi só eu virar a esquina da avenida e lá vinha ela em minha direção. Ao me ver, fixou o olhar e abriu um sorriso discreto, mas alegre: – Quanto tempo! – Pois é, quanto tempo! – Você sumiu. Por onde anda? – Tenho saído pouco. Era ela. Mais madura, penteado diferente, marcas sutis do tempo ao lado dos olhos... Ainda estava bonita. – Hoje eu me lembrei de você. Que bom que ela ainda se lembra de que hoje é o meu aniversário! Fingi-me de desentendido: – Ah, é? Por quê? – Li uma crônica sua ontem no jornal. Você falava da primavera e hoje é primavera. Será que ela esqueceu o meu aniversário? Culpa da primavera. Por outro lado, seria pior se eu tivesse nascido em estação de chuvas. Não suportaria vê-la dizendo que toda vez que tem raio e trovão ela se lembra de mim. – Na crônica, você falou tão bonito das flores... Fiquei encantada. A primeira flor que dei a ela... Quanto tempo! Era começo de namoro. Depois, vieram muito mais flores, mas aquela primeira era a mais linda e a mais pura, justamente porque era a primeira. Lembro-me do primeiro presente de aniversário que ela me deu: uma camisa da cor daquela flor. – Mas eu me lembrei de você por um outro motivo também. Que alívio! Eu sabia que ela iria lembrar que hoje é meu aniversário. – Há um momento engraçado na crônica. Eu ri muito. Você sempre me

fez rir, lembra-se? Como esquecer? Era gostoso vê-la alegre, ouvir sua gargalhada de menina sapeca, sentir seus tapas e beliscões carinhosos me mandando parar de fazê-la rir, pois já não tinha mais fôlego. Que saudade daquele meu aniversário em que a velinha não acendia de jeito nenhum. Depois de acesa, por mais que eu soprasse ela não apagava nunca, o foguinho sempre voltava. Como rimos juntos! – Parabéns! Ufa! Lembrou. – Parabéns pela crônica! Amei, apesar de ter uma passagem que me fez chorar. Lembro-me das suas lágrimas quando não pude mais ficar. Escorriam como dois riachos sem destino e sem consolo. Minha passagem a fez chorar... passei e não fiquei quando ela queria que eu ficasse. Agora é ela quem passa e eu quero que fique sem ela poder. Tudo é passagem. Meu aniversário também é passagem. Daqui a algumas horas não será mais meu aniversário. – Bem, já vou indo. – Some não. – Tenho saído pouco. E desci a avenida como uma lágrima sem destino e sem consolo. Hoje à noite, amigos e amigas irão lá em casa para o meu aniversário. Levarão presentes e eu abrirei cada um, com gratidão, alegria e carinho. Mas ficará, no canto da minha lembrança, um presente que um dia ganhei e jamais abri. Um presente que floriu, encantou, riu, chorou... e foi embora.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Psicologia e Cotidiano

Culpa perdão e responsabilidade CARLOS ALEXANDRE DE RESENDE*

“A culpa foi minha”; “Não consigo tirar isso da cabeça”; “Por que fui fazer uma coisa daquelas?”; “Não devia ter dito o que eu disse”; “Não deveria ter feito o que eu fiz”; “Não deveria ter entrado nessa”; “Por que deixei que os outros escolhessem por mim?”; “Por que deixei que fizessem isso comigo?”; “Devia ter lutado pelos meus sonhos?”; “Por que não disse o que queria ter dito?”; “Não deveria ter gastado tanto”; “E se eu tivesse escolhido outro caminho?”; “Por que não aproveitei mais os momentos com quem amo?”; “Por que não pensei melhor?”; “Por que não arrisquei?”; “Por que não fui bom (boa) o suficiente?”; “Se eu tivesse trabalhado mais...”; “Se eu tivesse estudado só mais um pouquinho”; “Nossa, como engordei. Por que fui comer tanto?”; “Não deveria ter deixado aquele amor escapar. Devia tê-lo vivido”; “Não deveria ter bebido tanto”; “Não vi meus filhos crescerem”; “Por que sinto uma coisa dessas. Isso não é certo”; “Mas, uma boa mãe não sente uma coisa dessas pelo seu filho”; “Como pude gostar de alguém que me faz tão mal?”; “Por que não me assumi antes?”; “Se eu pudesse voltar

atrás faria tudo diferente”. Provavelmente, o leitor já disse ou sentiu algo parecido com alguma dessas falas. Poderia passar o resto do texto escrevendo outras parecidas. São frases soltas, que, evidentemente, não identificam ou expõem as pessoas que as falaram. É o que escuto praticamente todos os dias, no consultório. Angústia: sofrimento, pesadelos e insônias, transtornos de ansiedade e depressões, quase sempre a culpa (consciente ou inconscientemente) está presente. Seja por algo feito, realizado, ou ainda por uma omissão, algo que se deixou passar. Muitas vezes as pessoas sofrem semanas, meses, anos e até uma vida inteira, sendo vítimas do arrependimento, de ressentimentos (ressentir: sentir de novo, ruminar tristezas e frustrações), remoendo coisas, se culpando. Sentem que falharam com os outros e, principalmente, consigo mesmas. Nesse ponto a questão do perdão é central. Não falo aqui do tão defendido perdão ao próximo (também libertador de ressentimentos), mas sim do perdão a si mesmo. Nunca escutei alguém angustiado, que não precisasse se perdoar de

algo, deixar passar e seguir em frente. Mas o que seria o perdão a si mesmo? Não é esquecer o que se fez ou deixou de fazer (de algumas coisas nunca se esquece), mas, sim, “pegar leve comigo mesmo” e dar um novo significado para o que foi ou deixou de ser vivido, ver com outros olhos, com uma nova perspectiva, livrar-se dos ressentimentos. É o desafio de reescrever sua história longe das ruminações e das amarras da culpa. Encarar a situação de frente, assumir e aceitar seus sentimentos. Como costumamos dizer nos consultórios, a culpa não serve para absolutamente nada a não ser nos fazer sofrer. Perdoar-se é, em última análise, trocar a culpa pela responsabilidade: “Já está feito. Preciso me responsabilizar pelas consequências de meus atos ou omissões”. Na maioria das vezes um processo lento, difícil e até doloroso, mas que no fim é curativo e libertador. (*Psicólogo e Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de São João del-Rei. Especialista em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo).


10 Jornal das Lajes Causos e Cousas

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ROSALVO PINTO

“Terceiros” de antigamente

Pode ser que algum leitor estranhe o título. Não se trata dos antigos irmãos das chamadas “Ordens Terceiras” (de São Francisco da Penitência, dos Carmelitas etc.). Nem aqueles que plantam (roças) à terça. Os dicionários não registram, mas, todo falante de uma língua tem o direito de inventar uma palavra. Foi o que eu fiz. Talvez um dos objetos religiosos mais difundidos no mundo, pelo menos no Ocidente, seja o “terço”, ou o “rosário”. Nas línguas mais perto de nós o terço é rosario, no espanhol, (la) terza, italiano, rosaire, francês, Rozenkranz, alemão e rosary, inglês. No português distinguimos o terço do rosário, que é o conjunto de três terços seguidos. O nome “terço” vem da reza principal, corresponde à terça parte do rosário. E o “terceiro” é aquele que faz terço. Criado o nome, vamos adiante. Mas, infelizmente, é nome de uma profissão que não existe mais. Hoje os terços são fabricados industrialmente. Há anos que não vejo um terceiro, como se via antigamente. Porém, vale mais a pena dizer “terceiro” do que “fazedor de terço”. Como menino, lembro-me dos dois grandes terceiros em Resende Costa: o Nhonhô Caiano e o Zezinho da Santa Casa. Mais recentemente, foi o Gabriel Pinto, irmão do sô Zé Pedro (pai do Serginho, do Lucílio etc.). Modéstia à parte, nos meus tempos de menino no seminário, tornei-me um exímio terceiro. Meu alicate - a ferramenta básica e quase única de um terceiro -, aposentou há mais de 50 anos. Coitado, deve ter saudades. Para não enferrujar, vez por outra arranjo um servicinho pra ele. Mas o que ele sabia mesmo era fazer terço. Aliás, minto. O meu foi um alicate de dentista, aço de primeira, bico curti-

nho, dava mais firmeza para trabalhar. Ganhei-o de um colega de seminário, o Reinaldo de Moraes Cunha, de Mercês do Pomba. Além do alicate, a gente mesmo fazia uma geringonçazinha, como se fosse uma pua ou furadeira. Era muito simples: uma rodinha de madeira, um toquinho redondo de 25cm com um ferrinho na ponta, um pedaço de barbante e pronto. Estava pronta a engenhoca. Nos meus tempos de terceiro a gente utilizava quatro tipos de bolinhas, ou “contas”. As mais simples, abundantes e mais fáceis de se trabalhar com elas eram as “contas de lágrimas”. Branco-cinzentas, tinham um formato de lágrima. Bastava apanhá-las pelos matos e tirar com um arame fino (ou agulha) o seu miolo central, pois eram já furadas pelo centro. Outra, também muito comum nos matos, era redondinha, pequena e bem preta. Se não me falha a memória, eram as “contas de caeté” e era relativamente fácil de ser usada. Outra, mais rara e mais bonita, era a conta de “canafístula”, marronzada, vinda de um arbusto médio, também nativo nos matos. O problema é que ela era dura e difícil de ser furada, pois, além de dura, não tinha um formato muito regular. Por fim, a mais elegante, pois dava um terço mais comprido e, sobretudo, mais solene, mais religioso, por causa de uma certa ligação evocativa com a oliveira, árvore sempre muito lembrada na Bíblia, no Novo Testamento: era a conta de caroço de azeitona. Além de difícil para furar, dava trabalho para limpar, lavar e raspar. O problema maior era o custo da azeitona, que naqueles tempos era cara e rara. Ainda nos meus tempos, na década de 50, apareceram as contas artificiais, de plástico, de cinco cores. Com essas contas a gente fazia um terço colorido, conhecido como “ter-

ço missionário”. Cada um dos cinco mistérios (de 10 contas) tinha uma cor, representando os 5 continentes: branca (Europa), amarela (Ásia), vermelha (América) verde (Oceania) e preta (África). Voltando ao meu velho amigo, o alicate, devo dizer que ele, depois de fazer tantos terços, quase me jogou nas garras da polícia repressora da ditadura militar argentina. Era o tumultuado ano de 1968. Violentos movimentos estudantis no Brasil e na Argentina. Eu estava em Córdoba, Argentina, fazendo o 3º. ano de Teologia e, em dezembro, voltávamos, eu e o colega Dídimo, para o Brasil. Saímos de trem de Córdoba para Santa Fé, capital da província do mesmo nome, onde chegamos por volta das 23 horas. Tomamos um táxi e pedimos para nos levar ao Colégio Salesiano, onde iríamos pernoitar, conhecer a cidade e seguir para o norte da Argentina. O taxista percebeu que éramos estudantes brasileiros e, desconfiado, ao invés do colégio, nos levou para a delegacia da polícia federal. Passamos a noite presos e sendo interrogados. Em dado momento, um policial abriu nossas malas e esparramou tudo pelo chão. Mexe daqui, mexa dali, ele viu o alicate. Apanhou-o, levou até a fechadura da porta do gabinete e sentenciou: “E isso aqui? Já sei. Com certeza é para vocês assaltarem bancos e arrombarem caixas!”. Depois de muitas interrogações, pedimos para falar com a Embaixada do Brasil em Buenos Aires, ou para o Colégio, onde nos esperavam. Finalmente, lá pelas seis da manhã nos liberaram. Apavorados, tratamos de sumir da cidade. Culpa do meu fiel alicate. Mas ele se redimiu e nunca mais me abandonou. E nem arrombou portas e caixas. É apenas um simples e santo terceiro!

Crônicas do cotidiano

RAFAEL CHAVES

Lawanny Anne Lawanny Anne apareceu na vida dele de repente. Surgiu pedindo-lhe apenas a amizade, nada mais. Ele aceitou, despretensiosamente. As coisas, no entanto, não se sucederiam tão fácil quanto lhe parecera a princípio. O rostinho angelical e meticulosamente desenhado de Lawanny Anne despertou nele mais que curiosidade. Ele começou a ver nela mais que alguns simples traços de lápis de cera. A pele era lisa, suave, tênue e imaculada. Os cabelos louros, ligeiramente avermelhados, e presos, deixavam escapar uma mecha que lhe caía sobre a sua bochecha até a nuca. A nuca era delgada, esbelta. O rosto fazia sombra à nuca, como se a quisesse esconder de alguma mordida. “A nuca dela parecia querer ser mordida, lambida, sorvida”, assim ele me disse, vampírico. Os cabelos, a mecha, acentuavam e emolduravam as curvas perfeitas de sua orelha, que pareciam querer ouvir ou assimilar os pensamentos dele. Os olhos grandes, cor-de-mel, todavia, não lhe miravam. Pareciam enxergar alguma coisa ao mesmo tempo triste e vaga, como se essa coisa estivesse distante, mas perto do coração. O nariz pequeno e a boca rósea, de lábios finos, complementavam a beleza extrema de Lawanny Anne. E toda aquela imagem de Lawanny Anne despertou nele o interesse de encontrá-la, onde ela estivesse. Queria protegê-la de sua fragilidade, queria amá-la em sua formosura. E ela parecia querer que ele a trouxesse para o mundo onde ela pudesse, definitivamente, encarnar. Então ele começou a procurar por Lawanny Anne. Uma busca solitária, meticulosa e silenciosa. Solitária porque não queria dividir com ninguém sua busca, nem que soubessem de suas intenções. Meticulosa por-

que dependia de um esforço hercúleo pelos mínimos detalhes e vestígios de onde pudesse estar Lawanny Anne. Silenciosa porque ocupavam suas noites e madrugadas. Ele procurou pelos outros amigos de Lawanny Anne. Quase todos eles eram de Resende Costa. “Resende Costa não é tão grande assim!”, pensou. Através deles ele procurou por Lawanny Anne. Viu álbum por álbum, foto por foto dos amigos de Lawanny Anne, tentando localizar algum indício qualquer onde Lawanny Anne estivesse “marcada”. Releu todos os “feed” de notícias, desde quando Lawanny Anne deu seu primeiro sinal de existência, na tentativa obstinada de ter informações dela. Inscreveu-se nos grupos onde os amigos de Lawanny Anne publicavam supondo que ela pudesse ter algum interesse em particular. Nada! Lawanny Anne não era fácil. Nada havia sobre ela, nem informações públicas nem privadas. Nada ela lhe contara de sua vida. Quando e onde teria nascido Lawanny Anne? Onde teria estudado? Onde trabalhava? Onde? Quem era essa Lawanny Anne que tomava conta da sua mente, do seu coração e do seu tempo? Por que lhe pedira a amizade e depois desaparecera? Foi num dia desses de busca insana e persistente que ele recebeu uma mensagem no bate-papo do facebook: - Ei, tudo bem? – alguém perguntou - Olá, tudo bem e com você? – ele respondeu. - Tudo ótimo! Aqui, posso te perguntar uma coisa? - Claro que pode. Diga. - Quem é essa sua amiga, a Lawanny Anne? - Heim? Uai, eu já ia te fazer a mesma pergunta! - Ihh... Ela me adicionou aqui e eu tô doido prá saber quem é, mas não consigo encontrar nada. Acho que é “fake”! - “Fake”? - É, “fake”. “Fake” é um perfil imaginário. É alguém que se inscreve no facebook com dados falsos. - Ahh... De repente tudo ficou claro como o dia para ele. Enquanto as lembranças de suas buscas intermináveis lhe vinham, ao mesmo tempo seu amor ruía, desmoronava. Calmamente foi até busca e lupou Lawanny Anne. Deixou-lhe uma mensagem: “eu sei quem você é!”. Depois buscou e clicou em “amigos” e escolheu a opção “desfazer amizade”, não sem antes admirar, pela última vez, seu rosto perfeito.


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Retalhos Literários

EVALDO BALBINO

Livrai-nos do fogo do inferno! C o me ç a a noite e o Ribeirão de Santo Antônio está silencioso. O Seu Geraldo Martins morrera no início da tarde, mas este silêncio todo não é por sua morte. Ele morrera, porém muitos ainda continuam na sua faina, entre milharais, plantações de café e mandioca, entre pomares inesgotáveis da vida. Lá no Ribeirão de Baixo mesmo, a esta hora da tarde, bem na venda do Nélson, alguns homens devem estar bebericando a vida, falando dos segredos alheios, desejando a mulher do próximo, e tudo isso com a pacificadora ideia de que tudo será perdoado, pois estão bêbados, sem maldade nenhuma. No Ribeirão do Meio, a porteira solitária está fechada. No pasto, a vaca pasce com seu bezerrinho ao lado mesmo do menino. E o menino, de conga, calça de tergal plissada, camisa de uma cor bonita num tom pêssego, aguarda sua mãe que a esta hora deve estar penteando os cabelos em frente à penteadeira. Ambos, menino e mãe, vão ao velório na casa do Seu Martins. O menino sem medo nenhum. Não tem medo dos mortos, pois sabe que eles não mexem com ninguém. Além disso, o Seu Martins era homem bom, sempre lhe dando balas na venda do Nélson, quando ele, o menino, ia buscar querosene para sua mãe. Atarantada no tear, serviço que faz até altas horas da noite, a mulher não tem como ir à mercearia e pede ao menino que vá em seu lugar. O Nélson não lhe dá nada, somente o troco bem contado, que homem honesto o vendeiro é. Porém o Seu Martins sempre abria seu largo sorriso branco, não da brancura de dentes, que estes ele não tinha, mas da brancura da alegria. Mesmo sem dentes, aquele homem ria,

a barriga balançava, e suas mãos se estendiam para o menino guloso por balas. Agora, depois de morto, certamente o Seu Martins não mais lhe dará balas. E ele, o menino, em ato de agradecimento, acompanhará a mãe até ao velório. De cabelos longos e penteados, com uma mecha nascendo e crescendo branca bem no meio da testa, a mãe se aproxima apressada. Pega a mão do filho e vai solicitando passos rápidos, argumentando que estão atrasados. O menino a atende, solícito. Aceita as passadas da mãe, sem deixar de lado, no entanto, o receio de que a poeira da estrada suje seu par de congas, mandadas comprar recentemente na Vila. A sola de borracha branca contrasta com o tom pêssego escuro do resto do calçado. E nenhum receio de que lhe venham dizer ser esta cor para mulheres, tão parecida com o rosa. Que se danem todos, chegou a pensar isso quando as calçava, imponente, para acompanhar a mãe à casa do Seu Martins. E o mais bonito de tudo: a cor das congas é a mesma da camisa que sua mãe coseu. Assim, tão bem vestido, ele vai para um velório. Bonito diante da morte. Para encurtar o caminho, a mãe decide passarem pela cava, uma estrada funda por onde o menino nunca gosta de passar sozinho. Ribanceiras altas, buracos de onde saem cocotas, mas também serpentes. E o medo da Luz da Pedra? A que dizem vagar sobre o Ribeirão noturno e a qual muitos já disseram ter visto ali mesmo, errando pela escuridão da cava? De jeito nenhum! Passar ali sozinho, nunca! Até mesmo durante o dia, é sempre noite na cava. Acima das ribanceiras, densa mata torna o caminho mais sombrio do que a morte.

A casa do Seu Martins fica no Ribeirão de Baixo, entre uns bambuzais, um pouco depois da venda do Nélson. Mesmo passando apressados diante do empório, o menino vê alguns homens no balcão bebendo a vida. É gente magra, pois a morte está ali perto, entre os bambuzais, deitada na casa do Seu Martins. E praticamente quase todos do povoado estão, agora, cultuando a morte, exorcizando-a, para no dia seguinte voltarem aos seus afazeres, às suas vidas. No velório, pessoas de pé, de cócoras; umas sentadas à mesa, outras em bancos de madeira ao longo do terreiro ou pelos cômodos da casa. Um silêncio rumoroso atravessando tudo. No momento em que chegam o menino e a mãe, a reza já vai começada. Todos tristonhos, tentando espantar a morte. E o menino fica solerte, de ouvidos em pé, escutando aquelas vozes todas em uníssono. Ele nunca ouvira antes aquele tipo de coisa, nunca presenciara o ritual. Entre um mistério e outro, o Ó Meu Jesus vem à tona e atravessa a existência do garoto: “Ó meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do inferno. Levai as almas todas para o Céu, e socorrei principalmente aquelas que mais precisarem”. O coração apertado, o menino clama por sua mãe: – Mãe, vamo embora, que tão mandano ele pro inferno. Vamo embora, mãe, pelo amor de Deus! Imersa na reza, como que estando em outro mundo, a mãe não o escuta. Então ele, sem coragem de voltar sozinho para casa, busca pensar na vaca e no bezerrinho, pascendo vivos lá no pasto. Os dois esperando que ele, o menino, volte logo para apartá-los. Não da vida, mas um do outro, momentaneamente, para continuarem juntos no outro dia.

Gastronomia

CLÁUDIO RUAS

Café com biscoito

E s s a certamente é uma das duplas mais inseparáveis e perfeitas da gastronomia mineira. No meu ponto de vista, o “café com biscoito” pode ser definido como uma instituição: da nossa cultura gastronômica, dos nossos variados ingredientes e técnicas de preparo, da nossa receptividade e da nossa simplicidade farta e calorosa. É alimento do cotidiano da casa, mas também é iguaria para servir pras visitas. E essas que não recusem a oferta, senão vira desfeita. A hospitalidade mineira chega a ser até ditatorial e compulsória. Ainda bem! De uns tempos para cá, o café com biscoito também nos remete a uma outra coisa: a cidade de São Tiago, nossa “vizinha de lado”. Da mesma forma que o rocambole nos faz pensar em Lagoa Dourada e o artesanato de tear em Resende Costa, São Tiago hoje pode ser considerada a capital nacional do biscoito. Mas e o café? Bom, como esses dois não se separam, a bebida acabou entrando para a festa, literalmente. A tradição local de produção artesanal de biscoitos, aliada aos esforços para transformá-la em uma festa anual foi o embrião que mudou os rumos da pequena cidade, que hoje tem sua economia voltada para o biscoito, com dez por cento da população envolvida nessa atividade. E de quebra ainda vieram o resgate e a preservação dessa nossa riquíssima cultura, deliciosa e crocante como um “torradinho” saindo do forno. Tal como nossa “vizinha de baixo” Tiradentes – que hoje colhe os frutos plantados há 15 anos com o Festival de Gastronomia – São Tiago vem cada vez mais dando especial atenção para sua festa anual e seu produto. Prova disso foi a criação do “Forno na Praça – Espaço Café com Biscoito”, uma belíssima e rústica construção no meio da praça principal, que abriga, além de charmoso bar e cafeteria, um espaço para que os produtores exponham e vendam seus biscoitos durante todo o ano. Como principal estrela do lugar, um imenso forno à lenha, encantador e primitivo, apoiado em uma base de pedra sabão e rebocado com massa feita com esterco de gado, como faziam antigamente para aumentar a retenção da caloria. E

ao centro da edificação, vazando o telhado acima, um frondoso ipê amarelo que foi preservado no projeto, que por sua vez foi viabilizado pelo poder público municipal e estadual, em associação com ONG comandada pelo Sr. Geraldo Sampaio, gestor do espaço, que ainda promove outras atividades culturais. Na festa desse ano fiquei encantado com as dezenas de variedades de biscoitos deliciosos e muito bem feitos, inclusive muitos deles ainda pelo método mais tradicional e interessante, assados no antigo e insubstituível forno à lenha. Me chamou a atenção também a presença de vários outros produtos alternativos aos biscoitos. Dispostos nas charmosas barraquinhas de bambu e eucalipto que tomam conta da praça, pequenos produtores oferecendo e vendendo o que a cultura local tem de melhor: queijos, morango, mel, cachaça, garapa com limão capeta, embutidos e artesanato em pano, cabaças etc. Deparei até com uma iguaria deliciosa que não se encontra fácil nos dia de hoje, um buchinho de porco caipira recheado com a própria carne, que levei pra casa dentro de uma lata de banha. E olha que a cidade e a festa são famosas só pelos biscoitos... Outra notícia boa foi a da criação do “selo de origem” dos biscoitos de São Tiago, medida importantíssima para valorização e preservação dessas preciosidades imateriais que temos por aqui. Exemplo a ser seguido o mais rápido possível pelo nosso artesanato de tear em Resende Costa, a procedência geográfica e o título de autenticidade é aquilo do que mais precisamos. O gosto que ficou na minha boca depois dessa festa é o de que nossos biscoitos e quitandas mineiras precisam recuperar mais ainda o espaço que perderam para salgadinhos e outras guloseimas modernas nos últimos tempos, sobretudo em festas de casamento e aniversário. Não se trata de querer mudar o hábito atual só pelo lado romântico da coisa. Mas basta pensar em um único motivo (entre tantos outros): é bom e todo mundo gosta. Se tiver dúvida, apareça na festa no ano que vem. (Dessa vez convidamos vocês a dar um passeio virtual pela festa desse ano, através das fotos do evento: http://casalgastromg. blogspot.com.br/).


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Trânsito

Polícia Militar de Resende Costa conscientiza população durante Semana Nacional do Trânsito Entre os dias 18 e 25 de setembro aconteceu a Semana Nacional do Trânsito. Em Resende Costa, diversas ações educativas foram realizadas no intuito de orientar os condutores a respeitarem as leis de trânsito e, ainda, de conscientizar os futuros motoristas. “O grande problema é que a cidade é pequena e a infraestrutura deixa um pouco a desejar. O movimento vem aumentando de mais, são muitos carros hoje em Resende Costa, além dos visitantes. Fica complicado. O objetivo é de uma campanha pró-ativa, com muita informação”, afirmou o sargento Rogério. Em 2013, o tema da campanha foi “Álcool e Direção”. Conforme Rogério, o tema é pertinente, pois no Brasil tem se registrado muitas ocorrências de acidentes de trânsito devido ao uso indevido de bebidas alcoólicas e outras drogas: “A situação é preocupante e a Lei tenta inibir esses condutores que dirigem alcoolizados. O valor da multa é pesado, de mil novecentos e vinte e cinco reais para quem for flagrado bêbado, além de outras ações, como apreensão da Carteira de Habilitação. Uma coisa que melhorou também é que hoje só os sintomas do indivíduo, acompanhados por testemunhas, podem comprovar sua embriaguês, se ele se negar a fazer o teste do bafômetro ou o exame de sangue. Mesmo com as punições rigorosas, o condutor ainda persiste em beber e dirigir”. As blitz educativas tiveram o único objetivo de prevenir os equívocos no trânsito, além das atividades de conscientização. No encerramento da Semana, o cabo da PM, Elvis Lopes Can-

çado, ministrou palestras nas Escolas Municipal Conjurados e Estadual Assis Resende, com a preocupação de criar ideias positivas em meio ao público infanto-juvenil. “Percebo que os jovens têm ansiedade para começarem a dirigir. E eles são a nova geração, nossos sucessores, por isso esse público deve ser conscientizado desde já. Esses ensinamentos podem, também, ser passados aos condutores próximos a eles”, declarou Elvis. Em suas palestras, o cabo Elvis ensinou noções básicas de trânsito, que podem ser seguidas por pedestres, ciclistas, motoristas e motociclistas. Foram exibidos vídeos motivacionais e dados referentes ao trânsito. De acordo com ele, cerca de um milhão e trezentas mil pessoas em todo o mundo perdem suas vidas no trânsito anualmente. Portanto, o trânsito seria a terceira principal causa de mortes. Elvis falou também sobre os momentos em que a polícia precisa usar a repreensão: “Mesmo com tanta informação, os condutores desrespeitam as normas, e aí, a polícia precisa agir. E eles nos culpam, ficam chateados”. O sargento Rogério disse o mesmo e, destacou que o serviço da polícia é prevenir, mas muitas vezes as pessoas não aceitam, veem isso de forma diferente e acabam questionando ou indo contra suas ações: “Pensamos primeiro na prevenção, mas em certas situações não é possível. Muita gente diz que seria melhor sem a polícia, mas imagina, por exemplo, a questão do trânsito, isso viraria um caos. Eu não sei se o pessoal não está atento ou se está muito estressado, o fato é

Foto Emanuelle Ribeiro

EMANUELLE RIBEIRO

Cabo PM Elvis palestrou durante a Semana do Trânsito

que os registros de infrações de trânsito têm aumentado”. Conforme o comandante da PM, hoje as principais ocorrências são de condutores inabilitados e carros com o som ligado em altura não permitida. Rogério comentou ainda que os principais problemas envolvendo o trânsito em Resende Costa estão relacionados ao estacionamento no centro da cidade, além das vagas para carga e descarga: “Algumas mudanças foram feitas, o que melhorou muito o trânsito naquela região, mas continua sendo minha maior preocupação. Uma ação importante seria não realizar eventos na Rua Gonçalves Pinto, descentralizar isso, porque causa muitos transtornos aos condutores”. Sobre o movimento na Avenida Alfredo Penido, a “Rua do Artesanato”, o sargento frisou: “É preciso pensar logo em algumas saídas para não tumultuar ainda mais. Um problema é que a maioria das pessoas pensa apenas em si mesmas, mas é preciso ver também a coletividade”.

Saúde

Conferência Municipal de Saúde aprova reivindicações da população Entre os dias 18 e 25 de setembro aconteceu a Semana Nacional do Trânsito. Em Resende Costa, diversas ações educativas foram realizadas no intuito de orientar os condutores a respeitarem as leis de trânsito e, ainda, de conscientizar os futuros motoristas. “O grande problema é que a cidade é pequena e a infraestrutura deixa um pouco a desejar. O movimento vem aumentando de mais, são muitos carros hoje em Resende Costa, além dos visitantes. Fica complicado. O objetivo é de uma campanha pró-ativa, com muita informação”, afirmou o sargento Rogério. Em 2013, o tema da campanha foi “Álcool e Direção”. Conforme Rogério, o tema é pertinente, pois no Brasil tem se registrado muitas ocorrências de acidentes de trânsito devido ao

uso indevido de bebidas alcoólicas e outras drogas: “A situação é preocupante e a Lei tenta inibir esses condutores que dirigem alcoolizados. O valor da multa é pesado, de mil novecentos e vinte e cinco reais para quem for flagrado bêbado, além de outras ações, como apreensão da Carteira de Habilitação. Uma coisa que melhorou também é que hoje só os sintomas do indivíduo, acompanhados por testemunhas, podem comprovar sua embriaguês, se ele se negar a fazer o teste do bafômetro ou o exame de sangue. Mesmo com as punições rigorosas, o condutor ainda persiste em beber e dirigir”. As blitz educativas tiveram o único objetivo de prevenir os equívocos no trânsito, além das atividades de conscientização. No encerramento da Semana, o cabo da PM, Elvis Lopes Can-

çado, ministrou palestras nas Escolas Municipal Conjurados e Estadual Assis Resende, com a preocupação de criar ideias positivas em meio ao público infanto-juvenil. “Percebo que os jovens têm ansiedade para começarem a dirigir. E eles são a nova geração, nossos sucessores, por isso esse público deve ser conscientizado desde já. Esses ensinamentos podem, também, ser passados aos condutores próximos a eles”, declarou Elvis. Em suas palestras, o cabo Elvis ensinou noções básicas de trânsito, que podem ser seguidas por pedestres, ciclistas, motoristas e motociclistas. Foram exibidos vídeos motivacionais e dados referentes ao trânsito. De acordo com ele, cerca de um milhão e trezentas mil pessoas em todo o mundo perdem suas vidas no trânsito anualmente. Portanto, o

AMIRCO

FEC seleciona 5 projetos das Vertentes Coleção Lageana dá mais um passo para a regionalização ELAINE MARTINS

A Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais divulgou dia 5 de outubro a lista dos 154 projetos aprovados pelo edital 2013 do Fundo Estadual de Cultura (FEC) que teve 678 inscritos. Dos 153 selecionados na modalidade recursos não reembolsáveis, 7 são da capital e os outros 136 do interior. Cinco deles são do Campo das Vertentes, incluindo o “Coleção Lageana IV na web” proposto pela Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO). A aprovação do 4º. projeto da AMIRCO garante a continuidade do programa editorial Coleção Lageana, com a criação de um website e a edição de mais 3 livros de temáticas regionais. São eles: o original de poesia “Portas que viram janelas”, do professor Mário Márcio de Quadros, indicado para publicação dado o seu valor literário e didático; a série de reportagens reunidas sob o título “História política de municípios mineiros”, do jornalista José Venâncio de Resende, indicada por preencher a lacuna do registro da história política dos municípios das Vertentes; e a reedição de “Memória histórica dos diamantes” (1836), de autoria do inconfidente Conselheiro José de Resende Costa, cuja importância extrapola a região e o Estado. A Coleção Lageana, coordenada por Elaine Martins e Rosalvo Pinto, possui um conselho editorial formado por 13 membros que avalia os originais submetidos à putrânsito seria a terceira principal causa de mortes. Elvis falou também sobre os momentos em que a polícia precisa usar a repreensão: “Mesmo com tanta informação, os condutores desrespeitam as normas, e aí, a polícia precisa agir. E eles nos culpam, ficam chateados”. O sargento Rogério disse o mesmo e, destacou que o serviço da polícia é prevenir, mas muitas vezes as pessoas não aceitam, veem isso de forma diferente e acabam questionando ou indo contra suas ações: “Pensamos primeiro na prevenção, mas em certas situações não é possível. Muita gente diz que seria melhor sem a polícia, mas imagina, por exemplo, a questão do trânsito, isso viraria um caos. Eu não sei se o pessoal não está atento ou se está muito estressado, o fato é que os registros de infrações de trânsito têm aumentado”. Conforme o comandante da PM, hoje as principais ocorrências são de

blicação. Para o presidente da AMIRCO, André Eustáquio, a aprovação do 4º. projeto da coleção, que já conta com 4 livros publicados e outros 3 no prelo, coroa as ações dos membros da associação que há quase 10 anos vem se empenhando para resgatar e divulgar a cultura de Resende Costa e sua gente. “Essa aprovação fortalece ainda mais o nosso anseio de regionalização do projeto, estreitando cada vez mais os laços culturais que unem as cidades da região do Campo das Vertentes”,” completa. Recursos para a cultura da região O FEC 2013 destinará R$6,5 milhões para os 153 projetos não reembolsáveis, sendo que os 5 das Vertentes receberão juntos R$190 mil. Além do projeto Coleção Lageana IV, da AMIRCO (R$25 mil), foi contemplado um projeto de Tiradentes: Modernização de Biblioteca Pública Municipal Tomás Antônio Gonzaga, da Prefeitura Municipal (R$10 mil); e outros três de São João del-Rei: Manutenção de Espaço Cultural, do Centro Cultural Feminino (R$15 mil); Maestro João Cavalcante: História e Evolução das Bandas em Minas Gerais, da Fundação Centro de Referência Musicológica José Maria Neves (R$70 mil), e Reforma e Adequação da Sede da Sociedade de Concertos Sinfônicos, da Sociedade de Concertos Sinfônicos de São João del-Rei (R$70 mil). condutores inabilitados e carros com o som ligado em altura não permitida. Rogério comentou ainda que os principais problemas envolvendo o trânsito em Resende Costa estão relacionados ao estacionamento no centro da cidade, além das vagas para carga e descarga: “Algumas mudanças foram feitas, o que melhorou muito o trânsito naquela região, mas continua sendo minha maior preocupação. Uma ação importante seria não realizar eventos na Rua Gonçalves Pinto, descentralizar isso, porque causa muitos transtornos aos condutores”. Sobre o movimento na Avenida Alfredo Penido, a “Rua do Artesanato”, o sargento frisou: “É preciso pensar logo em algumas saídas para não tumultuar ainda mais. Um problema é que a maioria das pessoas pensa apenas em si mesmas, mas é preciso ver também a coletividade”. E.R.


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Cultura

Economia

Projeto “cabeça” une professores e alunos de Portugal, São Paulo e SJdR

Posto de captação do leite “Karinho” é inaugurado em Resende Costa

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

observador e a obra, resume Stela. Na UFSJ - Desse grupo da UNESP, nove alunos, entre eles Stela e Camila, foram convidados para reproduzir o mesmo processo no curso de Artes Aplicadas (ênfase em cerâmica) da UFSJ. Este grupo uniu-se a alunos da UFSJ e a representantes da comunidade local, num total de 20 pessoas, para produzir suas cabeças. A ideia de levar o projeto para São João del-Rei foi resultado de dois fatos convergentes, conta a professora Zandra Coelho de Miranda, vice-coordenadora do curso de Artes Aplicadas. Em 2010, ela conhecera Virgínia durante uma visita técnica ao Vale do Jequitinhonha, para preparar as atividades de artesãos no Contaf (Congresso Nacional de Técnicas para as Artes do Fogo). Em 2012, Zandra voltou a encontrar com Virgínia, desta vez acompanhada de Lalada Dalglish, por ocasião da conclusão da edição do Ressonâncias na UNESP, quando então as três esboçaram a possibilidade de ampliar a “itinerância”. “Pareceu-me algo muito impressionante como resultado plástico”, diz. O workshop na UFSJ foi concluído no primeiro fim de semana (dias 3 e 4) de agosto. Num processo interativo, cada aluno produziu três cabeças (de gesso, cera de abelha e argila), que resultaram nas cabeças ocas de argila. Essas cabeças deverão participar, em novembro, de exposição no Solar da Baronesa, nos mesmos moldes da exposição da UNESP em São Paulo. A diferença é que as demais cabeças (de gesso e de cera) também poderão ser expostas, mas sem ser penduradas. “A ideia é

que, no acabamento da cabeça de argila (cerâmica), você está com ela vazia no colo ou nas mãos”, explica Stela. “O desafio, a reflexão, é sobre o que devolver para esta cabeça vazia.” Com a exposição, conclui-se realmente a etapa São João da itinerância, ou seja, o Ressonância 3, explica a professora Zandra. Repercussão - Para a aluna do curso de Artes Aplicadas da UFSJ, Adriana Aparecida Oliveira, o workshop Ressonância 3 foi muito importante porque “fez despertar meus sentidos e os meus mais profundos e secretos sentimentos, medos e desejo e também me fez perceber a importância do trabalho em equipe”. Já Ana Cristina considera “simplesmente espetacular ter o rosto coberto com gesso, para logo depois me ver num molde como se fosse o espelho que reflete meu ser, minhas emoções, meus medos e anseios”. Simone Araújo diz que o projeto atendeu à sua expectativa sobre a escultura do corpo humano, “matéria que já me surpreendera no curso de Artes Plásticas, onde percebi que, depois de esculpida, a peça se expressava, mostrando seu significado”. A aluna destaca a integração coletiva, com trocas, doações e muito aprendizado entre todos os envolvidos, proporcionada pela experiência, ou seja, “a construção da cabeça no molde, na argila, na cera e em cápsula com todos os olhares, muitas interações e uma identidade que expressa toda esta ressonância”. Ela elogiou a iniciativa desse projeto “que ficará eternizado através das obras e da nossa história”.

Integrantes do projeto ‘’Cabeça oca’’ já com as cabeças prontas

EMANUELLE RIBEIRO A empresa de leite Karinho inaugurou, no dia 14 de setembro, um posto de captação em Resende Costa. A fábrica conta agora com seu primeiro posto fora da região de Divinópolis, onde está sediada. Segundo o gerente da captação, Antônio Marcos Júnior, nosso município foi escolhido por estar situado numa região leiteira de grande potencial. Karinho é uma marca conhecida e tradicional, com atuação no mercado de laticínios há cerca de sessenta anos. Com a inauguração do posto de captação de leite em Resende Costa, a empresa pretende melhorar sua produção, recolhendo o leite de produtores regionais e o refrigerando aqui, para que possa ser transportado e fabricado em Divinópolis. Conforme Júnior, com a possibilidade de aumentar a produ-

ção de leite, mais empregos podem ser gerados na cidade: “Estamos difundindo a ideia e, dependendo da aceitação dos produtores e quantidade de leite recolhida, poderemos precisar de mais funcionários”. O gerente explicou que o produto da Karinho é o leite de caixinha e, com base nos resultados, concorre com grandes marcas do país: “Queremos a confiança do produtor. Nossa empresa é consolidada e essa parceria pode ser boa para o município e região”, concluiu Júnior. Produtores e lideranças locais e regionais estiveram presentes na apresentação do posto de captação no dia 14. Os produtores de leite que já se uniram ao projeto da Karinho se disseram satisfeitos com os valores e forma de trabalho da empresa.

Foto Emanuelle Ribeiro

Quem já não ouviu falar de “cabeça oca”, aquela desprovida de conteúdo? A ideia de cabeça vazia, que pode ter seus espaços preenchidos, está presente no projeto “Ressonâncias”, que uniu, pela primeira vez, as Universidades de Lisboa (Portugal), Estadual Paulista (UNESP) e de São João del-Rei (UFSJ). No princípio de tudo, está a ideia de partilha ou troca com a qual a professora Virgínia Fróis vem trabalhando na Faculdade de Belas Artes, em Lisboa. Ela usa a cabeça, como modelo ou molde, porque é onde as pessoas guardam suas lembranças, ideias, memória etc., contam as alunas Stela Kehde e Camila Lima, da UNESP. No projeto Ressonância 1, Virgínia usou a própria cabeça como modelo. A partir deste modelo, ela moldou nove cabeças por intermédio de outras pessoas que influenciaram o seu trabalho. E no início de 2012 a professora portuguesa fez uma exposição dessas cabeças em Lisboa. Ao conhecer o trabalho de Virgínia, a professora Lalada Dalglish, responsável pela cerâmica na UNESP, convidou Virgínia para aplicar este projeto no curso de artes visuais do Instituto de Artes de São Paulo, que fica na capital. Surge assim o projeto Ressonância 2. Em julho/agosto de 2012, durante um mês, 14 alunos convidados da UNESP esculpiram as próprias cabeças, utilizando as técnicas, os conceitos e os materiais de Virgínia. O resultado foi uma exposição, na galeria do Instituto, das 14 cabeças penduradas em fio de aço, em forma circular, na altura do olhar dos visitantes. A intenção foi estimular a relação entre o

Lideranças locais e regionais prestigiaram o evento

Regional Criado o Conselho Empresarial do Campo das Vertentes JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE A reativação dos vôos de São João del-Rei para as principais capitais do Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte) e um diagnóstico do setor de selaria de Dores de Campos são as primeiras demandas do Conselho Empresarial do Campo das Vertentes, criado em agosto. O objetivo do Conselho é promover a união das entidades comerciais da região com vistas ao desenvolvimento econômico e social. Também foi discutida nas primeiras reuniões do Conselho a regionalização dos núcleos setoriais da ACI del-Rei, ou seja, grupos de empresários organizados por segmento (auto-escolas, bares/restaurantes, açougues/casas de carnes, panificadoras e profissionais de beleza). Assim, empresários de municípios das Vertentes poderão integrar estes núcleos e outros que surgirem no futuro. Com isso, os núcleos ganharão mais força para negociar com fornecedores e promover qualificação de mão de obra, entre outras ações. Na última reunião (1º de outubro), o Conselho decidiu que vai incentivar eventos esportivos, principalmente corridas. Uma ideia é

realizar uma maratona da região que já tem até promessa de apoio da Federação Mineira de Atletismo. Além do baixo custo, seria uma forma de gerar receita para as associações comerciais. Outras sugestões são a organização de um calendário regional de eventos, para evitar a superposição de datas, e a criação de uma revista empresarial da região. Os dirigentes empresariais foram convidados a participar de uma missão ao Rio Grande do Sul, prevista para o final deste mês, em parceria com o Sebrae-MG. Fazem parte do Conselho os empresários João Afonso Farias e Artur Coelho dos Santos Monteiro (ACI del-Rei); Alan de Assis Gandra (ASSET/Tiradentes); Paulo Roberto França (ACIASC/Santa Cruz de Minas); Liliane Andrelia da Silva (ACIST/São Tiago); Stael Maria Ladeira (ACIDEC/Dores de Campos); Valnei Diego de Souza (ASSETURC/Resende Costa); Ana Maria Fonseca (ACI/Prados); e Eloísa Resende (ACIAPSLD/Lagoa Dourada). Na segunda reunião, o Sebrae-MG também passou a integrar a entidade.


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O Verso e o Controverso

JOÃO MAGALHÃES

O Alcoolismo como instrumento de dominação A leitura das duas matérias de Carlos Alexandre de Resende: “O uso do álcool e o alcoolismo” (JL, ed.125/jul/2013) e “Prevenir é melhor que remediar” (JL ed. 124/ ago/2013) conduziu-me a esta breve reflexão: o problema das drogas sob o aspecto da dominação exógena, ou seja, o poder social, sobretudo o poder político, usando da força escravizadora das drogas, sobretudo do álcool, para subjugar, alienar, cooptar, anular a capacidade de reação autodeterminante das pessoas. Nos já bem transitados anos de atuação religiosa, pároco da igreja de São Benedito, Vila Sônia, arquidiocese de São Paulo (capital), no trabalho de promoção humana - alicerçado por uma Teologia de Libertação, foco principal da pastoral católica, na América Latina, nos tempos do Concílio Vaticano II -, o contato com uma iniciante Associação Antialcoólica intensificou, e muito, minha percepção do quanto a dependência química despersonaliza o ser humano e o transforma em objeto de exploração e dominação. Abri, por conseguinte, todos os espaços da paróquia para o núcleo da Vila Sônia e atuei com seus militantes, enquanto lá fiquei. Desde as eras mais remotas até o contemporâneo, os impérios ditatoriais sempre esmeraram em estratégias e técnicas alienantes para “cordeirizar” a população. Os Romanos primaram nisso. À estratégia do dividir, desunir, dissociar, intrigar para imperar - o celebrado e eficiente “divide et impera” ou “divide ut regnes”- somaram as práticas alienantes, tais como o fanatismo partidário, político, esportivo, religioso, o “pão-e-circo”, a divinização do poder, o patriotismo, estilo “Ame ou deixe-o” de nossa ditadura militar etc. Com isso construíram o maior esquema de dominação que a Antiguidade conheceu e continua sendo modelo para os totalitarismos de hoje. Maquiavel que o diga! Desconheço se o Império

Romano usou conscientemente o álcool como meio de dominação, mas que as festas populares, os bacanais, as orgias etílicas, colaboravam para este intuito é afirmativo. É mais que óbvio que o dependente vende sua alma para consumir e progressivamente perde toda a capacidade de autodeterminação. Ululante, também, que os fornecedores fazem de tudo para que a “água” dos alambiques e destilarias afogue e a “farinha” dos “moinhos” entale cada vez mais um número maior de pessoas. O mundo da publicidade e o mundo da diversão e do lazer são prova disso. Vem daí um lucro mastodôntico e cercear este comércio é uma tarefa hercúlea, pois ela conta com um apoio quase nulo. É trágico, porém, e muito polêmico, quando se veem governos aumentando absurdamente os impostos sobre tabaco e bebidas alcoólicas, achando que com isso diminuirá o consumo. Vá lá se o resultado da arrecadação fosse aplicado em programas de desintoxicação, de sobriedade, de moderação e de apoio à recuperação de dependentes. No entanto, vejo muito pouco isso. Na realidade, o esquema estatal vê aí uma mina que fornece muito ouro para o monopólio do poder, para gastos faraônicos, mordomias de apaniguados, fausto de palácios e de elites. É estarrecedora uma leitura recente de um artigo de Mark Lawrence Schrad, autor de um livro: “Vodka Politics: Alcohol, Autocracy and the Secret History of the Russian State” sobre a consciente propagação do uso do álcool pelo Império Russo para dominar, servilizar e até escravizar a população. É dele alguns dados. De 1763, com Catarina, a Grande, até 1914, as receitas com impostos sobre bebidas chegaram a 40% do total da arrecadação do Estado russo, o bastante para sustentar um dos maiores exércitos do mundo e os nababescos palácios dos Czares e

da nobreza! Durante séculos, o Estado russo usou a vodca para oprimir e explorar seu povo. Empurrou vodca para seu povo, para mantê-lo cambaleante e subserviente. De Ivan, o Terrível, a Stalin, os líderes, praticamente, encaminhavam seus colegas mais próximos para a embriaguez, como tática de mantê-los divididos e dependentes. Mudaram o lema romano “divida e impere” para “embebeda e impere”! Há muito que os dominadores perceberam a capacidade opressora do álcool. Em 1845, o americano Frederick Douglas, orador negro, defensor da abolição da escravatura, disse que alcoolizar os escravos era a maneira mais eficaz que os senhores tinham para aplacar os espíritos rebeldes. Em 1858-9, os servos do Báltico ao Volga boicotaram a vodca impingida pela monarquia russa. Com tabernas e destilarias fechando, o governo reagiu com brutalidade. “Os abstêmios eram chicoteados para beber. Alguns que teimosamente se recusavam tinham a bebida despejada em suas bocas por funis e depois eram atirados à prisão como rebeldes”, escreveu um jornalista inglês. Dói pensar que a Igreja Ortodoxa russa, usufruindo das vantagens, quando não apoiava, se omitia, A marca disso é a excomunhão de Tolstoi, quando criou uma sociedade de temperança para o progresso espiritual e material dos russos. Não creio que a sociedade e o governo russos ainda caminham por esta estrada. Penso que não. Mas, cada vez que algum governo aumenta impostos sobre bebidas alcoólicas e fumo, é difícil me afastar desses pensamentos. É o que penso. E você? Fonte: O Estado de S. Paulo, 22/8/2013 A16.

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Contemplando as Palavras

REGINA COELHO

Utilidades mil Anexos às revistas AVON, aquelas que anunciam tradicionais produtos de beleza, catálogos da mesma empresa intitulados “Moda e Casa”, da mesma forma, oferecem uma grande variedade de artigos a uma clientela presente em salões de beleza e também procurada em casa. Esse sistema de venda que dispensa loja, daí ser chamado de porta em porta e que tem as revendedoras ou consultoras como responsáveis pelo contato direto com o público consumidor, quase que totalmente feminino, movimenta cifras impressionantes. Ao mesmo tempo, garante o sustento de muita gente numa verdadeira ciranda de envolvidos com esse tipo de negócio. Compartilho com minha amiga e comadre Moreira o gosto pelo manuseio dessas populares peças de propaganda que vendem quase tudo. Nada mais relaxante. Entregues a provas, trabalhos e leituras próprios do nosso ofício comum, líamos ou víamos aquelas alegres e sugestivas ofertas com prazer. Era uma boa pausa em meio a tanta correria por conta de nossos inúmeros compromissos profissionais. E continua sendo assim para nós duas. Pois bem. Muito menos consumidora do que observadora, resolvi fazer uma seleção atual de produtos que me chamam a atenção por algum motivo qualquer. De cara, destaco o “Relógio Musical Pássaros”, segundo o anúncio da revista em questão, um “sucesso de vendas” no Brasil. O texto esclarece ainda que, a cada hora, uma linda melodia de diferentes pássaros, com duração de 7 a 10 segundos, poderá ser ouvida, lógico, do tal relógio. Educado, ele não soará entre 22 e 5 horas da manhã. Pesquisando ainda no já citado “Moda e Casa” e em seus similares, descobri objetos protetores variados: para ombros (proteção feminina para alças de sutiã), de dedos (para o corte de legumes, carnes...), de canto (afixado em quinas de mesas, armários...), de porta (para não bater), de alimentos, (na verdade, uma tampa que, aberta, parece uma sombrinha). Na linha dos itens que portam coisas, há o porta-metades com “gancho para encaixar na grade da geladeira”, o porta-objetos (para variar a bolsa), o porta-fios (uma alça de elástico), o porta-trecos (deve abranger tudo) e o incrível porta-rolo de papel higiênico com revisteiro. Ao lado de produtos já consagrados como a chaleira ou a leiteira com apito e a lixeira com pedal, aparecem invencionices como a queijeira com canaleta coletora de líquidos, a almofada-bandeja para netbook, o cortador de unha com lupa, a cortina para box com visor e

o avental divertido. Divertido? Nos dois modelos oferecidos, uma mulher e no outro um homem são reproduzidos em trajes sumários. No segmento infantil, é impossível não observar o troninho-elefante (o antigo peniquinho) e a joelheira-baby, “atoalhada, antiderrapante”. Que fofos! Minha relação de artigos de utilidade doméstica compreende ainda o assento massageador, a escova de banho para as costas, a munhequeira (“espaço com fechamento em zíper para guardar dinheiro ou chave”), o descanso de talher e tampa, o separador de ovos (melhor seria se fosse o separador da clara e da gema), o aparador men (“apare pelos do nariz e da orelha”), o organizador de controle remoto e a sapatilha flex (dobrável). Entre tantas opções de compra para isso ou para aquilo, algumas são uma roubada. Uma delas é um certo porta-notas e cartões que, minúsculo, só serve mesmo como porta-moedas. Outra coisa meio esquisita é o miniporta-foto 3x4 com ímã. E tem ainda o cortador de batata palito cujas lâminas se soltam facilmente impedindo que as batatas sejam cortadas devidamente. Deixando um pouco de lado as vendas de variedades por catálogos, é quase obrigatório citar também a alça para abrir certas latas de sardinha e, em algumas embalagens, o picotado que serviria para abri-las e não abre como exemplos de coisas que não funcionam direito. No caso do “abre fácil” mencionado na lata, pode até ser, mas quanta sujeira pode fazer! Uma boa ideia (não é a 51), em compensação, é a tampa-proteção na abertura das latas de cerveja Itaipava, ao que parece, uma exclusividade da marca. De volta às simpáticas revistas, elas são mesmo um sucesso. E correm de mão em mão a cada nova campanha lançada no mercado. Ofertas úteis ou nem tanto, muitas vezes compradas por impulso, sempre apresentadas por alguém ou até ignoradas por quem torce o nariz para o que é popular, certo mesmo é que é quase impossível, principalmente para a mulherada, deixar de pelo menos “dar uma olhada” naquela quantidade absurda de produtos e de fazer um pedido de compra que seja, só pra não perder o costume. Pode-se dar a isso os nomes de leve terapia ou de inofensivo consumismo. Falar em utilidades do lar me fez lembrar o “Da utilidade dos animais”, belo texto de Drummond, extraído da obra “De notícias e não notícias faz-se a crônica”. A lembrança não se justifica pelo tema do presente artigo, mas pela permanente e verdadeira utilidade da leitura de CDA, no mês em que nasceu nosso poeta maior. Fica a dica. E de graça!


ANO X Nº 126 - OUTUBRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Jornal das Lajes 15

Homenagem Especial

Irami Coelho, da Paisagem do Lar (1943 – 2013)

A

inda anestesiados pelo choque da perda tão repentina, vimos manifestar nossos mais profundos e sinceros agradecimentos a todos vocês que, cada qual a seu modo, uniu suas forças às nossas, para que pudéssemos ter fôlego e serenidade para pensarmos na continuidade da vida. Aos nossos vizinhos de casa, que nos ajudaram a acudi-lo, na vã tentativa de segurá-lo entre nós, bem como nos ampararam naquele primeiro momento: gratidão eterna. Aos irmãos, cunhados, cunhadas e demais parentes de São João del-Rei, Resende Costa, Barbacena e região, que mesmo perplexos e paralisados souberam nos acolher e confortar, nossa certeza de continuarmos juntos a celebrar a vida e a alegria (marcas registradas do Irami). Aos sobrinhos e sobrinhas que, com o vigor e a pro-atividade da juventude, puxaram para si todas as tarefas e afazeres administrativos e necessários num momento tão contraditório, nossa gratidão e reconhecimento. Aos amigos, irmãos por escolha, que continuam ao nosso lado diuturnamente na difícil missão de nos consolar e amenizar nosso sofrer, a certeza de que continuaremos rindo e divertindo com o cotidiano e com as histórias do Irami. Aos vizinhos de comércio, comerciantes, clientes e colaboradores da Paisagem do Lar, a promessa de que daremos continuidade aos trabalhos do Irami,

bem como nossos agradecimentos pela solidariedade e apoio irrestrito. A família e o trabalho, que foram a vida dele, continuarão sendo nossa meta e dignos de nossos maiores esforços. Que continuemos sendo fortes e fortalecidos pela grande fé que nos nutre, na certeza de que o Irami, brincalhão e sempre alegre, agora ri e faz piada com tudo lá no céu. Desfrutando da paz dos justos, puros e honestos. Irami Coelho viveu intensamente, dedicou-se de corpo e alma à família e ao trabalho, fez tudo o que quis, curtiu tudo que quis, brincou a vida inteira, riu e fez rir muito a muitos. Sempre foi intenso, amável, respeitoso, sem limites para viver e ser feliz. Grande orgulho de todos nós. Foi embora de repente, sem esperar pelos aplausos, sem dar pistas se estava brincando, sem deixar que interferíssemos... A seu jeito, claro. Quis que prevalecesse sua última chacota. Esperamos um dia estarmos com a serenidade e a lucidez necessárias para novamente agradecermos a todos vocês, elaborando um texto melhor e à altura do tanto que significaram na vida do Irami Coelho e o quanto continuam significando nas nossas vidas. Obrigado. Que Deus proteja a todos nós. Que Deus estanque nossa dor. Deus lhes pague Arlete Wiermann Silveira Coelho e os filhos Anderson, Adilson, Tânia e Luiz Carlos


16 Jornal das Lajes

ANO X Nº 126 - OUTUBRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Giro Esportivo

EMANUELLE RIBEIRO

Diversos atletas participam da 5ª Corrida das Lajes Aconteceu no dia 6 de outubro a quinta edição da Corrida das Lajes em Resende Costa. Noventa e um atletas participaram da competição, que teve inscritos até corredores dos estados da Bahia e do Rio Grande do Norte. Foram 82 maratonistas na categoria Adulto, que percorreram 8 km, e nove infantis, que percorreram 1 km. Um dos organizadores, Luís Nei Resende, destacou essa edição do evento: “A Corrida das Lajes não deixa a desejar para as outras que ocorrem na região. Muitos corredores elogiaram. Acho muito importante a adesão dos resende-costenses, já que 15 atletas locais correram aqui. Agradeço a todos os patro-

cinadores e apoiadores. Vamos continuar incentivando o nosso esporte!”. O JL parabeniza a organização e traz a classificação final da maratona:

3. Rafaela Silveira (São João del-Rei) 4. Aparecida Mercês Sandim (São João del-Rei) 5. Débora Neide Magalhães (Dores de Campos)

Geral Masculino 1. Anderson Lucas (São João del-Rei) 2. Reinaldo Daniel Silva (Tiradentes) 3. Luciano da Silva (Barbacena) 4. Celso de Jesus (São João del-Rei) 5. José Carlos Ribeiro (Dores de Campos)

Atleta Local 1. Luís Nei Resende 2. Reginaldo José 3. Aguinaldo Rodrigues 4. Edvaldo Gonzaga 5. Samuel Eduardo

Geral Feminino 1. Natália Fernandes Pinto (Juiz de Fora) 2. Maria de Fátima (Barbacena)

Infantil 1. Raí Antônio (Tiradentes) 2. Leonardo Emanuel (Resende Costa) 3. Kelvim Cristian (Resende Costa) 4. Iam Charles (São João del-Rei) 5. Iago José (Barroso)

Pódio com os melhores colocados da categoria ‘’Atleta Local’’

Confira os vencedores do segundo Torneio Intermunicipal de Voleibol Conforme divulgamos na edição de agosto do JL, aconteceu no mês de setembro a segunda edição do Torneio Intermunicipal de Voleibol, que foi realizado no Ginásio Monsenhor Nelson, em Resende Costa. No total, 19 equipes participaram da competição. As categorias feminina e masculino adultos foram disputadas nos dias 7 e 8 de setembro, e no dia 21 aconteceram

resende-costenses nesses dois finais de semana de setembro: Categoria adulto masculino: Resende/RJ (campeão) - Zaksa, de Barbacena/MG (vice-campeão). Categoria adulta feminina: Fênix, de Barbacena/MG (campeã) - Colégio Impulso, de Sete Lagoas/MG (vice-campeã). Categoria sub-17 feminina:

os jogos da categoria sub-17 fe-

Atlanta, de Barbacena-MG (cam-

minina. O JL traz os resultados

peã) - Athletic Club, de São João

do Torneio, que movimentou os

del-Rei/MG (vice-campeã).

O Fênix, de Barbacena, venceu a categoria Adulto Feminino

Série “Campeões brasileiros” “Uma vez Flamengo, sempre Flamengo. Flamengo sempre, eu hei de ser...”. Anotem mais um título para o Mengão, bicampeão brasileiro em 1982! Com gol de Nunes, após assistência do “galinho” Zico, o Flamengo derrotou o até então atual campeão Grêmio por 1x0 na finalíssima. O Fla fez uma campanha contagiante: apoiado pela fiel torcida, venceu 15 vezes, empatou seis e perdeu apenas dois jogos. Foram 48 gols feitos contra 27 sofridos. O craque e o artilheiro de 82 vestia a camisa rubro-negra e é idolatrado por todos ainda nos dias atuais: Zico!

Ele marcou 21 gols. E como nos faz falta um artilheiro nato hoje! O gremista Renato Gaúcho, com 19 anos, foi a revelação do campeonato. Interessante que, passados 31 anos, Renato ainda está no Grêmio, agora como treinador do Tricolor Gaúcho. Paulo César Carpegiani comandou a equipe campeã, que tinha em campo Raul, Leandro, Marinho, Figueiredo, Júnior, Andrade, Adílio, Zico, Tita, Nunes e Lico. Atlético e Cruzeiro mais uma vez não agradaram seus torcedores: na classificação final o Galo foi o 19º e a Raposa terminou em 24º.

Em 1982, quem pagou mico foi o River, lá do Piauí. O time terminou o Brasileirão sem marcar pontos. O representante Piauiense perdeu as oito partidas que disputou, levando 26 gols e marcando apenas seis. Foi a pior campanha da história até então. O destaque daquele ano está no esporte: a seleção que não podia perder decepcionou. O Brasil chorou a eliminação na Copa do Mundo para a Itália. Sob o comando de Telê Santana, o time formado por Zico, Falcão, Sócrates e Júnior caiu para a Azzurra ainda na segunda fase do Mundial.


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