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Edicao 125

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10 anos

SETEMBRO 2013

ANO X - Nº 125 Resende Costa - MG

www.jornaldaslajes.com.br contato@jornaldaslajes.com.br

Distribuição Gratuita

Gestão do lixo: necessidade e desafio para os municípios Festa do Café com Biscoito em São Tiago

Resende Costa celebra padroeira

No dia 1º de setembro, a paróquia de Nossa Senhora da Penha de França celebrou a festa da padroeira. As festividades começaram no dia 23 de agosto com a novena, que neste ano abordou o tema “Maria, Senhora da Penha, a bendita entre todas as mulheres!”. Diversos sacerdotes participaram da novena, refletindo sobre as mulheres do Antigo Testamento.

Nossa vizinha chega à sua 15ª Festa do Café com Biscoito graças a uma parceria bem-sucedida que reuniu várias entidades empresariais no FOCEST (Fórum Cultural e de Empreendimentos de São Tiago). O sucesso da festa está ligado à pujança da indústria são-tiaguense de biscoitos, que já reúne mais de 60 produtores de pequeno, médio e grande portes. Página 13

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Turma da Vaquinha promove 8ª Vak’s Fest

Resendecostenses são escolhidos pelo programa Ciência Sem Fronteiras Iniciativa do Governo Federal, o programa possibilita jovens das universidades federais brasileiras a estudarem certo período no exterior. Os resende-costenses André Magalhães e Carlos Fernando Ávila, universitários da UFRRJ e da UFOP, respectivamente, farão intercâmbio na Irlanda e na Inglaterra. Página 08

Aterro controlado de Resende Costa

O JL publica nesta edição reportagem especial sobre a gestão do lixo. São muitos os desafios que os municípios enfrentarão até se adequarem às exigências da legislação atual.

Na região do Campo das Vertentes, foi criado o Consórcio Intermunicipal de Gestão e Desenvolvimento Ambiental e Sustentável das Vertentes (CIGEDAS), que tem como ob-

jetivo priorizar a questão dos resíduos sólidos. Outro fator abordado pela reportagem é o destino do lixo hospitalar. Páginas 04 e 05

A 8ª Vak’s Fest mais uma vez foi sucesso entre os resende-costenses e visitantes. Neste ano, a turma da Vaquinha inovou com a realização do “esquenta” no dia anterior ao evento. No dia do evento, em dois ambientes no Parque de Exposições, a galera curtiu o som dos DJs no salão e aprovou os shows na parte externa. Página 07


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Jornal das Lajes

E D I T O R I A L Recomendações sobre plano de gestão de resíduos sólidos Qualquer plano de gestão de resíduos sólidos, municipal ou regional, deve ter como objetivo reduzir a quantidade gerada de lixo. Os especialistas divergem entre incentivo e punição, mas o fato é que o ideal seria a combinação das duas coisas. Ou seja, educação ambiental e estímulo fiscal (redução de imposto), de um lado; punição por meio de taxação direta sobre a produção de lixo, de outro. Esta edição do JL traz a reportagem especial “Gestão do lixo” sobre o grave problema da geração, bem como da tentativa de solução, dos resíduos sólidos. Em cursos de capacitação de funcionários municipais, o especialista no assunto, Fernando Wolmer, da CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), apresenta uma estrutura básica de elaboração de plano municipal de gestão integrada de recursos sólidos (PMGIRS). Ao longo de suas apresentações, ele faz sugestões sobre aspectos importantes a serem considerados. A primeira observação é de que um bom plano deve refletir as peculiaridades locais e ser escrito de maneira simples, para que qualquer vereador ou cidadão possa ler. Deve deixar claro, por exemplo, que os rejeitos não podem ser reciclados e, portanto, devem receber tratamento adequado. Também deve enfatizar o papel da conscientização do cidadão por meio da educação ambiental. Na elaboração do plano, é fundamental engajar líderes de bairro e da comunidade. Os prefeitos precisam facilitar o acesso a informações das secretarias municipais, para embasar o documento. E cada município tem de criar o seu Conselho de Meio Ambinte (Condema) por lei e realizar audiências públicas. A coleta seletiva deve ser formalizada por meio de lei municipal. O catador ganhou status de “reciclador”, por isso “é preciso dar valor ao que é reciclável ou reaproveitável”. As prefeituras devem estabelecer parcerias com entidades de catadores. A meta deve ser a de alcançar 100% de coleta seletiva no perímetro municipal, já que é mais difícil chegar a 100% da população. A quantidade diária de resíduos domiciliares e comerciais deve ser separada, por espécie, e pesada. O volume médio por habitante/dia deve ser dividido pelo número de habitantes, cujo resultado pode ser comparado com a tabela de referência do Plano Nacional de Resíduos Sólidos. A “logística reversa” requer o envolvimento de todos os agentes da cadeia produtiva, até o retorno do resíduo ao fabricante. Já o tratamento dos resíduos úmidos (compostagem) depende da escolha de área específica, devidamente licenciada, com informações sobre produção de composto orgânico, controle de acesso a pessoas, identificação da empresa responsável pelo tratamento, contrato com a prefeitura etc. Cuidados também na escolha do local (aterro sanitário) para a destinação dos rejeitos, que deve ser implantado até 2 de agosto de 2014 dentro das normas técnicas recomendadas, além de ser fiscalizado regularmente. Aterro sanitário não é antigo lixão, requer licenciamento. Quanto aos resíduos de saúde, a principal medida é a segregação (seringas, por exemplo). O maior problema dos resíduos da construção civil está nas pequenas reformas de casas cuja coleta fica por conta da prefeitura. Já as embalagens vazias dos resíduos de atividades agrossilvopastoris (defensivos agrícolas, vacinas e remédios para animais) devem ser devolvidas aos estabelecimentos comerciais do ramo. No caso dos resíduos de pneumáticos, a população deve ser orientada para fazer o descarte adequado de pneus inservíveis. Os resíduos sólidos perigosos e eletrônicos têm problemas específicos, como produtos pequenos importados e vendidos em pontos informais como barracas. Resíduos perigosos (pilhas, baterias, celulares, lâmpadas etc.) jamais devem ser jogados em aterro. Um dos problemas dos resíduos de serviços de saneamento é o do destino da torta de esgoto que sai de lagoa de tratamento. Já o serviço de limpa-fossas deve ser credenciado. Se existem áreas contaminadas, a ênfase é no plano de remediação/descontaminação/monitoramento, pois não existe plano de recuperação. Um dos itens de um plano de gestão de resíduos sólidos é o “prognóstico”, que deve apresentar ação prevista, a metas, prazo e custos estimados. Recomenda-se ainda o incentivo à formação de consórcios específicos, apesar das dificuldades políticas. A lista de recomendações é imensa. Mas, para se ter um bom plano, é preciso fazer projeções futuras para a demografia, pois “quem gera o lixo é o cidadão”.

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Meio Ambiente

JOSIMAR HERBERTHY MACHADO JOSÉ*

Comitê de Bacia Hidrográfica Vertentes do Rio Grande A busca pela preservação do meio ambiente conciliada com o desenvolvimento sustentável tem sido cada vez mais almejada por governos e pela sociedade. De acordo com Grossi (2009), todos nós temos um endereço ambiental planetário, que é diferente da rua ou da cidade onde moramos, formado pela natureza e moldado pelo ciclo da água. Neste endereço planetário, pertencemos à bacia hidrográfica do rio Grande, mais precisamente à bacia do rio das Mortes. Muitos poderiam perguntar o que seria uma bacia hidrográfica. É um conjunto de terras drenadas por um rio principal, seus afluentes e subafluentes, englobando todo o relevo geográfico circundado por onde as águas escorrem ao precipitarem as chuvas. É onde vivem todos os animais, toda a vegetação e todas as pessoas com sua cultura, suas indústrias, suas casas, propriedades rurais etc. A gestão dos recursos hídricos de uma bacia é um tema relevante, pois a água, como um bem natural, é vital para todas as espécies e todas as atividades humanas. Para coordenar a gestão das águas foi criada a Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei Federal 9.433/97) que determina a bacia hidrográfica como uma unidade territorial de planejamento e gestão, a chamada UPGRH. Essa lei propõe que a gestão repartida seja exercida pelos chamados Comitês de Bacia Hidrográfica (CBH). Na composição de um CBH devem estar presentes re-

presentantes do poder público, dos usuários de água (irrigantes, industriais, concessionárias de água e esgoto etc.) e da sociedade civil organizada. Assim, em novembro de 2002, a Universidade Federal de São João del-Rei, através do Laboratório de Estratégia e Meio Ambiente, coordenado pelo professor Helvécio Luiz Reis, juntamente com o Instituto Rio Limpo da cidade de Barbacena, formaram uma comissão Pró-Comitê da Bacia dos Rios da Morte e Jacaré, sendo o primeiro passo para a formação do que viria a ser mais tarde o Comitê de Bacia Hidrográfica Vertentes do Rio Grande (CBH GD2). Foram feitas diversas reuniões com os agentes locais (prefeitos, industriais e sociedade civil organizada) e com representantes do governo estadual, especificamente com o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), sendo apresentadas diversas justificativas para a criação de um comitê na região do Rio das Mortes. Como resultado, em 26 de dezembro de 2007, através do decreto nº 44.690/2007, institui-se o CBH Vertentes do Rio Grande. O CBH abrange 42 municípios das bacias dos rios das Mortes e Jacaré, dentre esses Resende Costa. O Comitê é composto por 48 conselheiros entre titulares e suplentes: 12 representantes do poder público estadual, 12 do poder público municipal, 12 dos usuários dos recursos hídricos e 12 da sociedade civil organizada.

Destaca-se que duas cadeiras no plenário do CBH são ocupadas por entidades de Resende Costa: a Prefeitura Municipal e o IRIS. A área de atuação do CBH GD2 é de 10.011,68 km², o que corresponde a 6,68% da área total da bacia do Rio Grande, abrangendo uma população de 556.426 habitantes. Os principais problemas ambientais encontrados na bacia: desmatamentos, poucas áreas de reservas naturais, destruição ou ausência de mata ciliar para utilização na pecuária e agricultura, caça e pesca predatórias, mortandade de peixes por asfixia (falta de oxigenação por excesso de esgoto e de metais pesados), irrigação desordenada carreando solos e agrotóxicos para os mananciais, exploração minerária, barragens hidrelétricas, erosões dos solos, assoreamento do leito dos rios, lançamento de efluentes (esgoto) líquidos domésticos, hospitalares e industriais, uso desordenado de ocupação do solo, falta de consciência ambiental de grande parte da população e falta de políticas municipais de proteção ambiental. A sede do CBH está na cidade de São João del-Rei, mais precisamente na UFSJ, no Laboratório de Estratégia e Meio Ambiente (LEMA). As reuniões do comitê são bimestrais e abertas ao público em geral. Venha participar, água é um recurso de interesse de todos. (*Técnico Administrativo CBH-GD2)

Foto e situação do mês

Fundado em 22 de janeiro de 2008

E T N E I D E P X E

ANO X Nº 125 - SETEMBRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro

Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000

Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Diretor de redação: Rosalvo Pinto

Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP

Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte

Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves

Tiragem: 4000 exemplares

Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto

Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Tiradentes

Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Por detrás do lixo, uma paisagem exuberante de Resende Costa


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ANO X Nº 125 - SETEMBRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Informativo da Câmara

Homenagens

O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.

Confira alguns dos projetos de lei aprovados nos meses de agosto e setembro Projeto 77- autoriza abertura de crédito e dá outras providências. Quitar despesas deixadas em aberto pela administração anterior. Projeto 78 - autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Nossa Senhora da Conceição e dá outras providências. Projeto 79 - dá nome a Avenida Efraim José de Resende e dá outras providências. Projeto 80 - dá nome a Rua Amélia Rodrigues Vale e dá outras providências. Projeto 81 - dá nome a Rua Eduardo da Silva Vale e dá outras providências. Projeto 82 - autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa – AMIRCO, para repasse de recursos e dá outras providências. Tem por finalidade garantir recursos para a realização de eventos culturais para as

festividades do dia da padroeira. Projeto 83 - autoriza abertura de crédito e dá outras providências. Tem por finalidade permitir a aquisição de um veículo de 16 lugares a ser lotado na Secretaria de Saúde e Assistência Social. Projeto 84 - autoriza a implantação de Programa de Atendimento Administrativo, a abertura de crédito especial e dá outras providências. Aquisição de celulares para utilização dos secretários.

Projeto 89 - autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação Comunitária de Radiodifusão para o Desenvolvimento Artístico, Educacional e Cultural de Resende Costa – ACRADATEC –RC, para repasse de recursos, abertura de crédito especial e dá outras providências. Projeto 91 - autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e o Conselho Comunitário do Tabuado e dá outras providências.

Projeto 85 - cria cargo de Farmacêutico na estrutura Administrativa da Prefeitura. Tem por finalidade atender ao Programa Farmácia de Minas, no Posto de Saúde.

Projeto 93 - dá nome a Rua João Agostinho da Silva e dá outras providências.

Projeto 88 - autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação Instituto Rio Santo Antônio, para repasse de recursos e dá outras providências. Custear o IV Festival de Bandas Circuito do Som.

Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.

Maiores informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br

Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526

Voz do Cidadão

Projeto Arte por Toda Parte - Resende Costa “Em 2009, iniciava-se em nossa cidade, Resende Costa, o Projeto Arte Por toda Parte, da Cia Teatral ManiCômicos, em parceria com a Prefeitura Municipal. No início, as aulas de teatro eram ministradas pelo professor Jean Fábio e aconteciam no Parque de Exposições, depois fomos para o Ginásio Poliesportivo. O professor tinha uma vontade enorme que as aulas acontecessem na Casa de Cultura da cidade, mas naquele momento ela se encontrava sem estrutura para uso. O professor Jean, juntamente com alguns dos alunos do projeto, foram até o prefeito, e em 2011 as aulas passaram a ser na Casa de Cultura e uma possível reforma foi discutida. No final deste mesmo ano apresentamos a peça “A decisão de minha vida”. A partir dessa peça a vontade e o incentivo para a reforma passaram a ser mais evidentes. Em 2012, o projeto continuou na cidade com a professora Fernanda Nascimento. As aulas aconteceram no CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), pois a Casa de Cultura estava em Reforma, novos alunos apa-

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Ao grande amigo Beto A vida sempre nos apresenta a oportunidade de viver bem com as pessoas, cativando novos amigos e criando laços. Foi assim que o nosso amigo Gilberto Silva, o Betinho do Aderson, conquistou suas inúmeras amizades, criando laços eternos. Hoje esses laços choram a sua perda e ao mesmo tempo envolvem sua família, como demonstração de conforto e amizade. Ao mesmo tempo comemoram a sua chegada à companhia divina, aquela que descansa os bons que viveram na terra. Todos os dias, Betinho, da varanda de sua casa ou pela janela, conversava com aqueles que por ali passavam, perguntando se estava tudo bem e pela família, sempre gritava: “Tem jeito não, né fio!”. Por entre essas passagens, sempre aconteciam situações interessantes comigo. Ele sempre me chamava de Carina, talvez porque minha tia tem esse nome. Então, um dia passando de fora de sua casa, ele sentado na varanda conversando com uma de suas tias, me gritou: - Ô Carina! Eu, como de costume, respondi. Nisso sua tia disse que eu não me

chamava Carina, e sim Francielle. Ele, interrompendo-a, disse: - É Francielle? Francielle que você chama? - É sim, Beto! Respondi. - Tá boa, Carina? Imediatamente ele perguntou. Saí dali rindo, deixando-o e a sua tia também sorridentes. Era frequente ainda ele descer a nossa rua, quando estava indo à pracinha e gritar pelos vizinhos, anunciando a sua presença. Na volta era a mesma coisa: - Ô João, Pedro, Daniela... Hoje certamente Betinho está ao lado de Deus, e é isso que nos faz acreditar que ele está melhor. Sua presença aqui na terra trouxe alegria aos que com ele conviveram, por isso a tristeza faz parte do momento. Mas sua ausência deixará, além da saudade, a certeza de que ele foi especial aqui. “Paciência e perseverança tem o efeito mágico de fazer as dificuldades desaparecerem e os obstáculos sumirem” (John Quincy Adams). Fracielle Vale

Homenagem e agradecimento Uma das maiores dores que pode atingir o nosso coração é a separação das pessoas de quem gostamos e com quem convivemos. Com a perda de meu sogro, conhecido como Nonô do Matheus, não poderia deixar de agradecer a algumas pessoas que estiveram conosco nesse momento tão difícil. Não vou citar nomes, mas em especial a toda a equipe do Hospital Nossa Senhora do Rosário. Num piscar de olhos, olhamos para o lado e, infelizmente, aquele nosso ente querido, Sr. Nonô, já não está mais aqui. Não queremos sofrer e nem sentir dor, mas a saudade é mais forte e, quando nos damos conta, estamos sofrendo. Vamos sempre lembrar com ca-

rinho do Sr. Nonô. Não há palavras suficientes para descrever o nosso momento de tristeza. Infelizmente tudo tem seu tempo. Entregamos nossas vidas nas mãos de Deus e apenas ele poderá nos ajudar. A saudade é grande, mas devemos pensar que esteja onde estiver, estará bem melhor que aqui e, ao lado de Deus nosso Pai! Agradeço em nome de sua esposa Elza, filhos José Almir e Marilucy, em meu nome e do genro Adnilson, dos netos Aline, Matheus e Nathany. Obrigada pelo apoio e que Deus ilumine cada um de vocês. Cleide Resende Campos (Nora do Sr. Nonô)

Integrantes do Projeto Arte por Toda Parte, do Curralinho dos Paulas

receram e no final apresentamos a peça “A grande Chacota”, que contou de uma maneira divertida a passagem do nome Arraial das Lages para Resende Costa, trazendo a presença de personagens locais. O Projeto Arte Por toda Parte também realizou em nossa cidade aulas de teatro, dança, música, artes plásticas e literação para crianças na Escola Mu-

nicipal Conjurados. Na Comunidade do Curralinho dos Paulas o projeto também continuou e no final do ano foi apresentada pelos alunos a peça “Quilombo”. No final de 2012, para nossa alegria, aconteceu a inauguração da Casa de Cultura, o que traz para nós cada vez mais vontade de fazermos arte, e esperamos que seja um espaço de tro-

cas e aprendizado. Em 2013 o projeto ainda não começou, esperamos ansiosos pelo retorno das aulas. Por tudo isso que nos foi proporcionado, agradecemos a toda equipe da Cia. Teatral Manicômicos. Muito Obrigado!” Alunos do Projeto Arte Por Toda Parte 2012: Ana Alice Maria do Carmo,

Bárbara Luzia do Nascimento, Beatriz Aparecida N. Resende, Deise Rafaela Rosa, Ernandi Antônio Resende, Ezequiel Cassemiro, Isamara das Graças Pinto, Julia Monteiro Santos, Larissa Magalhães, Luiz Carlos Miranda, Maria do Socorro Souza, Maria Margarida M. Resende, Nayara Sousa Resende, Raiane Magalhães, Renata de Sousa Resende.


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ANO X Nº 125 - SETEMBRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Especial Gestão do Lixo

Experiência paulista: apoio aos municípios na elaboração de seus planos São Paulo optou por apoiar os municípios na elaboração de planos de gestão de resíduos sólidos (vários tipos de lixo). Para isso, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SMA) criou projeto de oficinas para capacitar funcionários de pequenos e médios municípios que têm dificuldades para elaborar seus planos. Em 2013, está prevista até o fim do ano a realização de 20 oficinas regionais de capacitação, abrangendo 508 municípios. O objetivo é construir a estrutura básica do plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos (PMGIRS) e calcular o índice de gestão de resíduos (IGR), diz a diretora de Políticas Públicas da SMA, Denize Cavalcanti. Além das oficinas, os técnicos da SMA já analisaram vários planos encaminhados por municípios. Entre as deficiências mais comuns, verificaram a existência de propostas genéricas (sem dados específicos do município), falta de metas (apenas recomendações/ sugestões), ausência de indicadores para avaliação/monitoramento, metas irreais, ausência de prazos para cumprimento das metas, falta de envolvimento das universidades regionais, “logística reversa” incompleta (interrompida no pós-coleta), necessidade de programas de gerenciamento (urbanos, de serviços de saúde e de construção civil) para detectar a destinação dos resíduos e ausência de mapas/ georreferenciamento e de cobrança de taxa do lixo. Segundo Denize, o Ministério do Meio Ambiente recomenda que os planos municipais contemplem os 19 itens (conteúdo mínimo) previstos no artigo 19 da lei 12.305/2010, tenham efetiva participação popular (audiências públicas) e sejam aprovados pela Câmara Municipal (lei municipal). “Mas municípios abaixo de 20 mil habitantes podem fazer planos simplificados.” Estrutura - O PMGIRS pode ser dividido em oito grandes tópicos: introdução, metodologia, caracterização do município, diagnóstico, prognóstico e metas, disposições gerais, referências bibliográficas e anexos. Para elaborar o PMGIRS, o prefeito deve orientar todas as secretarias a fornecer os dados, diz o engenheiro Fernando Antonio Wolmer, da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Sane-

Foto José Venâncio

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Lixo compactado na usina de Coronel Xavier Chaves

amento Ambiental). “O plano deve mostrar as peculiaridades locais. Deve ser escrito de forma que um vereador ou qualquer pessoa possa ler.” Ele foi um dos palestrantes da oficina de capacitação para a elaboração PMGIRS, realizada em agosto na sede da SMA na capital paulista, da qual este repórter participou como convidado. A “introdução” deve destacar que o plano reúne um conjunto de ações voltadas para a busca de soluções adequadas à gestão dos diversos tipos de resíduos produzidos e que ajudará o município a diagnosticar a forma de acondicionamento, coleta, transporte, transbordo, segregação, tratamento e destinação final dos resíduos. Deve explicitar ainda os objetivos gerais, como o de atender os preceitos legais da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), e os objetivos específicos (adequação dos serviços de limpeza urbana, revisão da logística dos serviços relativos aos resíduos sólidos, compra de equipamentos e veículos, qualificação das equipes envolvidas, identificação de áreas para tratamento/disposição final em aterros sanitários, implatação/ ampliação da coleta seletiva, estímulo a parcerias da prefeitura com cooperativas e associações de catadores, exigência de apresentação de programas de gestão de resíduos de saúde, de construção civil etc. da parte dos geradores, melhoria da coleta na área rural, proje-

to de educação ambiental etc.). A metodologia deve indicar que a principal etapa para a elaboração do PMGIRS é a execução minuciosa do diagnóstico, bem como o detalhamento das informações de maneira a se observar a real situação do gerenciamento de cada tipo de resíduo sólido. Para levantar as realidades e peculiaridades do município, devem ser utilizados instrumentos como pesquisas de opinião pública, reuniões setoriais, visitas a campo, acervo de documentos, cartas, mapas e outros tipos de ilustração, além de citar legislações e normas. O capítulo da caracterização do município prevê um texto resumido da sua história (uma página), bem como dados gerais como localização, infraestrutura urbana, aspectos sócioeconômicos, ensino, clima, demografia, bioma, solo, geologia, hidrografia etc. Uma sugestão é incluir mapas. Para Wolmer, é importante fazer projeções futuras para a demografia, porque “quem gera o lixo é o cidadão”. O diagnóstico deve mencionar os instrumentos utilizados na elaboração do plano (questionários específicos, pesquisa de opinião, reunião com agentes públicos, levantamento de campo, registros fotográficos, legislação municipal, bancos de dados oficiais etc.) e explicitar que o tratamento das informações será apresentado por tipo de resíduo (domiciliares/ comerciais, de limpeza urbana, de ce-

mitérios, de serviços de saúde-RSS, da construção civil-RCC, industriais, da zona rural, das atividades agrossilvopastoris, pneumáticos, dos serviços de transporte, perigosos/eletrônicos, do serviço de saneamento e de áreas contaminadas). Para cada tipo, deve exibir a quantidade gerada, a forma de acondicionamento, a coleta, o transporte, o tratamento e a destinação final. A síntese do diagnóstico deve apresentar um roteiro para o PMGIRS, que pode ser na forma de tabela ou simplesmente elencando os problemas identificados por tipo de resíduo. Exemplos de síntese: resíduos domiciliares: o município não possui programa de coleta seletiva; a frota de caminhões coletores é insuficiente para atender à demanda; o horário da coleta é inadequado; há poucas lixeiras suspensas etc.; resíduos da construção civil (RCC): a prefeitura não realiza a pesagem; não há equipe técnica para atuar nessa área; não há aproveitamento desses resíduos etc.; resíduos pneumáticos: não há ecopontos para coleta adequada e aproveitamento desses resíduos (ou são acondicionados em um local, porém não é feita a coleta pelos fabricantes); resíduos perigosos e eletronônicos: são descartados com os resíduos domiciliares. Metas - No capítulo sobre o prognóstico, para cada problema

identificado, deve ser apresentada a ação prevista, a meta (curto, médio ou longo prazo), o prazo e os custos estimados. Exemplo: no caso dos resíduos domiciliares, se o problema é a falta de coleta seletiva no município, a ação deve ser a implantação deste serviço com abrangência de 100% do perímetro urbano. A meta seria de curto prazo (estimado para junho de 2014, por exemplo). O custo seria de R$ 300 mil e o responsável, o Departamento de Meio Ambiente da prefeitura. O capítulo das disposições gerais deve conter o monitoramento e a avaliação das ações propostas no plano. Também deve identificar a área para disposição dos rejeitos, bem como informar se o município participa (ou tem interesse em participar) de algum consórcio público para o gerenciamento de resíduos sólidos. Deve ainda abordar a obrigatoriedade de plano de gerenciamento (para quem, em que prazo, sanções etc.) e de estruturação da logística reversa (setores, tipo de resíduo que não deve ir para aterro ou área pública etc.) por parte de geradores. Outra informação importante refere-se a situações de urgência e emergência (acidentes com resíduos que coloquem em risco a saúde pública ou o meio ambiente etc.) (mais detalhes em http://www.jornaldaslajes.com.br/integra.php?i=1175).

O aterro controlado de Resende Costa armazena grande quantidade de lixo

Novo Consórcio das Vertentes opta por plano regional de resíduos sólidos O Consórcio Intermunicipal de Gestão e Desenvolvimento Ambiental e Sustentável das Vertentes (CIGEDAS), criado recentemente, resolveu dar priorizade à questão dos resíduos sólidos porque os municípios têm prazo curto para cumprir a lei federal 12.305/2010 que instituiu a Política Nacional de

Recursos Sólidos. O artigo 54 da lei prevê que, até 2 de agosto de 2014, todos os municípios dêem destinação final, ambientalmente adequada, aos rejeitos. Além disso, o Consórcio optou por elaborar um único plano regional de gestão dos resíduos sólidos, devido às dificuldades financeiras

dos municípios, informa a assessora jurídica Carla Freire de Abreu. A decisão é respaldada por orientação da FEAM (Fundação Estadual do Meio Ambiente) e da SEDRU (Secretaria Estadual do Desenvolvimento Regional e Política Urbana). Carla assegura, contudo, que o plano regional vai respeitar as

características de cada município da região. Ela enfatiza, ainda, a importância de se reduzir a geração de resíduos sólidos, por meio de medidas como educação ambiental e incentivos fiscais para estimular a população. Fazem parte do CIGEDAS Barroso, Carrancas, Conceição da

Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Dores de Campos, Ibituruna, Lagoa Dourada, Madre de Deus de Minas, Nazareno, Piedade do Rio Grande, Prados, Resende Costa, Ritápolis, Santa Cruz de Minas, São João del-Rei, São Tiago e Tiradentes (J.V.R.).


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Especial Gestão do Lixo - Continuação

Cisver já recolheu 126 toneladas de lixo hospitar em 15 municípios

Desde 2008, o Consórcio Intermunicipal de Saúde das Vertentes (CISVER) vem dando destinação adequada aos resíduos sólidos de saúde (RSS), também conhecidos como “lixo hospitalar”, da região. O programa de gerencimento de resíduos sólidos de saúde (PGRSS) já coletou 126,34 toneladas desse tipo de lixo até agora (31 de julho deste ano) nos 15 municípios que fazem parte do Consórcio. São João del-Rei não aderiu ao Cisver por opção própria, conta a assessora jurídica Juliana de Medeiros Campos. Uma vez por semana, o caminhão baú do Cisver recolhe, em cada município consorciado, os resíduos sólidos devidamente acondicionados em bombonas colocadas em hospitais, unidades e postos de saúde públicos e filantrópicos. Segundo Juliana, o licenciamento para a coleta abrange material hospitalar, resíduo humano (placenta, por exemplo) e resíduo químico (este último não é mais transportado porque não se faz mais revelação de filme para Raio X). Esse lixo é transportado para Ubá onde é incinerado pela empresa Serquip, de acordo com os requisitos e as exigências da legislação ambiental, assegura Juliana. Em seguida, as bombonas são esterilizadas e devolvidas, hermeticamente lacradas, às unidades de saúde dos municípios. Todo este processo é avalisado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), bem como pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM). No acondicionamento dos resíduos de saúde, é preciso respeitar rigorosamente a divisão entre eles, observa Juliana. Agulhas, por exemplo, são acondicionadas em caixa especial antes de ir para

Caminhão do Cisver reúne o lixo hospitalar nas cidades conveniadas

a bombona. Papel, plástico, metal e resíduo orgânico, entre outros, devem ser separados dos resíduos de saúde. Este processo é repetido em cada unidade de saúde municipal, que tem o seu plano de gerenciamento de resíduos de saúde (PGRSS) elaborado pelo Cisver. Resende Costa, por exemplo, tem PGRSS para três unidades (o Hospital São Camilo, a Unidade Básica de Saúde e o PSF. Por isso, Juliana atribui muita importância ao treinamento constante que é dado aos profissionais de saúde (desde o pessoal de limpeza até o médico) para a segregação correta dos resíduos. “O objetivo é minimizar os impactos ambientais e proteger a saúde pública.” Surgimento - O Cisver surgiu na esteira do embate entre o Ministério Público e os municípios sobre a destinação correta dos resíduos sólidos de saúde, por volta de 2006, quando era comum descartar lixo hospitalar em lixões, recorda Juliana. O governo estadual fez um investimento inicial no caminhão baú, nas bombonas, em kits de coleta seletiva, em vários tipos de

lixeira e sacos plásticos. A doação inicial desse material teve a preocupação também de promover a educação ambiental. Em Minas Gerais, existem apenas dois consórcios do gênero (São João del-Rei e Juiz de Fora) porque é complicado gerenciar este tipo de serviço, diz Juliana. É difícil conseguir o licenciamento da FEAM, promover treinamento regular dos profissionais e encontrar uma empresa especializada em incineração que atenda aos requisitos legais. Houve consórcios que desistiram do serviço, devolvendo os caminhões ao governo. O Cisver, que abrange uma população de cerca de 110 mil habitantes, é formado pelos seguintes municípios: Barroso (34,98 toneladas recolhidas), Conceição da Barra de Minas (2,16 t), Coronel Xavier Chaves (2,87 t), Ibituruna (3,59 t), Itutinga (3,31 t), Lagoa Dourada (8,43 t), Madre de Deus de Minas (3,52 t), Nazareno (8,01 t), Piedade do Rio Grande (5,46 t), Prados (12,65 t), Resende Costa (7,65 t), Ritápolis (3,74 t), Santa Cruz de Minas (3, 27 t), São Tiago (9,11 t) e Tiradentes (3,98 t) (J.V.R).

Imprensa

O “Arruia” e o Jornal das Lajes ROSALVO PINTO O periódico “Arruia”, da Associação Artística Coral Julia Pardini de Belo Horizonte, está completando seus 53 aninhos. É do tempo em que ele ainda era feito em máquina de escrever. Hoje, tem uma roupa moderna: diagramação artística, fotos, artigos técnicos e informações de interesse do movimento coral. Veículo único no seu gênero, é mantido pelos amigos da música, no Brasil e no exterior. Com edição mensal e tiragem de 1000 exemplares ao mês, proporciona intercâmbios, divulga festivais, fornece repertórios e é mantido com a contribuição anual de regentes, diretores de coros. Distribuído, esporádica e gratuitamente,

em festivais e encontros, mantém contato com organizações especializadas em canto coral na Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão, entre outros. Resende Costa já teve a honra de receber o Coral Júlia Pardini

em 2005, quando se apresentou no CPP (Centro de Pastoral Paroquial) na noite de 29 de outubro, sábado, e na manhã do dia seguinte, cantou e encantou na missa da matriz de Nossa Senhora da Penha de França. De lá para cá, o Arruia

São-joanense questiona presença do município em Consórcio A intervenção do Ministério Público para anular ou revogar a lei municipal - que autoriza São João del-Rei a participar do CIGEDAS (Consórcio Intermunicipal de Gestão e Desenvolvimento Ambiental Sustentável das Vertentes) – foi pedida em 31 de julho por Edmilson Rezende de Sales, da organização não governamental AMMAS del-Rei (Associação dos Movimentos Sociais, Moradores e Amigos de São João del-Rei). Nesse sentido, ele encaminhou ação popular ao promotor Antonio Pedro da Silva Melo, da Promotoria de Justiça de Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo do Ministério Público do Estado de Minas Gerais. Edmilson questiona a abrangência do CIGEDAS. “Consórcio para resíduos sólidos, controle de água, esgoto, recursos hídricos e planejamento urbano?” No caso específico do saneamento básico, ele argumenta que “a vigência de plano de saneamento básico municipal é condição requerida pela Lei 11.445/07 para a validade dos contratos que tenham por objetivo a prestação de serviços públicos de saneamento básico, no que se incluem os contratos de programas celebrados no âmbito da gestão associada, seja por meio de consórcio público ou por meio de convênio de cooperação. A competência para a elaboração desse plano é do titular dos serviços”. Em São João del-Rei, os prestadores de serviço são a autarquia DAMAE e a COPASA, lembra Edmilson. “Sem prejuízo da competência e da responsabilidade do titular, os planos de saneamento básico poderão ser específicos para cada serviço, bem como poderão ser elaborados com base em estudos fornecidos pelos prestadores de cada serviço.” (...) “No caso de consórcios públicos, estas definições são ainda mais importantes, pois delas dependem a configuração de sua organização, tais como: objetivos e funções do consóre o JL tornaram-se amigos. Vejam como, em sua edição de agosto, o Arruia saudou o JL pela comemoração de seus 10 anos: “Jornal das Lajes, de Resende Costa, “menina dos olhos” do nosso sócio benemérito, Prof. Rosalvo Gonçalves Pinto, está comemorando dez anos de fundação. O Arruia acompanhou o nascimento e o desenvolvimento deste jornal que prima, principalmente, pela valorização da cultura lajeana e das

cio, quais serviços serão geridos e/ou prestados pelo consórcio, área territorial de sua atuação etc.” Na ação, Edmilson disse ainda que, “na prestação regionalizada de serviços públicos de saneamento básico, as atividades de regulação e fiscalização poderão ser exercidas por consórcio de direito público integrado pelos titulares dos serviços”, de acordo com o artigo 15 da Lei 11.445/2007. Mas alega que o DAMAE está em situação irregular, sem um órgão regulador e o Conselho Municipal de Saneamento, ao contrário da COPASA que já é conveniada com o órgão regulador, a Agência Reguladora do Estado de Minas Gerais, desde 2009. Além disso, na opinião de Edmilson, o DAMAE e a COPASA (concessionária na maioria dos municípios e por vários anos) não participaram da (ou tiveram conhecimento da) elaboração do Protocolo de Intenções, “parte integrante da Lei aprovada, como também as secretarias municipais envolvidas administrativamente com as áreas e, principalmente, a maioria absoluta dos vereadores de todos os municípios”. Edmilson também reclama da ausência de participação popular, que implicaria diálogo e parceria com a sociedade civil na formação e no sucesso do consórcio. “Com as audiências públicas, não se busca o esvaziamento de competências da administração direta central, mas apenas a democratização na construção do ato administrativo e o aumento no número de atores sociais a influenciar nos procedimentos decisórios, na formulação e implementação.” Ele cita o exemplo do consórcio de resíduos sólidos da região de Nepomuceno, paralisado pela negligência na participação popular (a íntegra está disponível em http://www.jornaldaslajes. com.br/integra.php?i=1195) (J.V.R). pessoas que ali habitam. A cidade, que hoje se orgulha deste periódico mensal, agora inserida nos meios de comunicação do país, muito deve aos que batalharam para a criação do mesmo”. E o JL, que todos os meses chega à casa do Arruia, se congratula com a maestrina Elza do Val Gomes, fundadora do coral, pelos 53 anos de dedicação à divulgação, no Brasil e no mundo, da arte da música coral.


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Perfil

Tecnologia & Informação

Zé Barba: simplicidade que cativa os amigos

EMANUELLE RIBEIRO

Humildade. Esta é a palavra que define José Camilo Santos, nosso querido Zé Barba, 56 anos. Muito simples, de origem humilde, Zé Barba estudou apenas até o terceiro ano, mas aprendeu muito com a vida. Aprendizado que passou aos filhos e agora ensina aos netos: “Em último lugar vem o dinheiro, primeiro saúde e amizade. Não tem dinheiro que pague a felicidade e eu sei ser feliz. A gente fala o que é certo”. Conhecido por todos, Zé Barba caminha pelas ruas da cidade sempre levando um sorriso no rosto e encontrou no futebol uma maneira de continuar ativo e se divertindo. Nascido no povoado dos Pintos, Zé Barba trabalhou desde cedo nas tarefas da roça. Ajudava com o gado, na manutenção do terreno e nas plantações. Aprendeu a ser solidário ainda quando criança: “Vim saber o que era dinheiro com 15 anos de idade. O dinheiro que eu recebia dos patrões, que eu trabalhava na roça, eu colocava em casa, passava para os meus pais”. O sempre simpático Zé Barba mudou-se para a cidade na infância e gostava muito de jogar futebol. Antes de ser o treinador que conhecemos hoje, Zé era bom de bola, se garantia na defesa e se arriscava no meio de campo: “A gente não montava time, nem tinha muitos torneios, juntava os colegas e jogava bola”. Quando não estava praticando o esporte, gostava mesmo era de sair e contou que não ficou parado na adolescência: “A gente andava muito, né? Com 16 anos eu já saía pro trecho” (risos). O rapaz que curtia sair quando jovem logo sossegou. Aos 18 anos conheceu sua esposa Eva, com quem se casou aos 21 e teve cinco filhos. Hoje, os nove netos convivem com o avô, no que ele mesmo define como uma relação de amizade e diálogo. O envolvimento fiel com o futebol começou de verdade há alguns anos. Em 2008, Zé Barba criou o time “Nova Resende Associados Futebol Clube”, convidou alguns jogadores e logo colocou a equipe para disputar torneios. No ano seguinte, estrearam em uma competição na Restinga de Cima e a primeira taça veio no mesmo ano, em um torneio na Fazenda de Cima. No comando do Nova Resende, muitas histórias divertidas foram escritas e vividas por Zé Barba. O técnico lembrou-se de alguns duelos marcantes. “A gente participou de muitos torneios no povoado dos Pintos e não ganhava nada. Em um deles fomos eliminados pelos Pintos e acabou criando uma certa rivalidade”. O confronto passou, mas não foi esquecido e o time iniciou outro campeonato no Curralinho dos Paulas.

Na estreia, o Nova Resende já sofreu, vendo o adversário Fita Azul vencer os dois quadros, por 8x1 e 14x0. Zé Barba falou disso sorrindo e tentou motivar seus atletas: “A turma começou a desanimar. Eu falei que se eles não parassem eu daria uma festa”. O time então seguiu firme no campeonato, venceu algumas partidas com placares apertados, disputando pênaltis, contou com a sorte e chegou à final. “Juntei a galera no ônibus e falei: ‘como é que é, gente? Nós vamos trazer a taça de vice ou a de campeão?’”. Na final encontraram um velho conhecido: os Pintos! Com o apoio da torcida, chegaram ao gol no primeiro tempo, mas sofreram o empate no segundo e a decisão foi para os pênaltis. Ganhamos por 4x1: “Nosso goleiro era muito bom, defendeu três pênaltis. Pegamos a taça de campeão e deixamos a de vice para os Pintos”. E o nome do torneio condizia mesmo com a postura de nosso amigo Zé: “Copa da Paz”. “Agradeço ao Aurélio, que na época da Loja Kaessy, me ajudou muito. Foi ele quem me deu os uniformes do time há alguns anos. Eu falo que foi ele quem me deu a classificação do Torneio do Curralinho, que a gente ganhou. A gente não tinha camisa para jogar”. No total, Zé guarda seis taças em sua casa. Todas conquistadas com o empenho dos jogadores e de seu comandante, que não cobra do time: “A gente não treina, só junta os jogadores e encontra na hora do jogo mesmo. A única coisa que é de lei, a gente faz a oração no campo. E falo com eles: ‘não sei gritar, não sei mandar. Vocês sabem suas posições, vocês se ajeitam no jogo’. O importante é a gente divertir e ter o bairro representado”. À frente do Nova Resende, Zé Barba conheceu muita gente, fez amizades e andou bastante pela zona rural de Resende Costa. Após esses anos e depois de ter disputado diversos torneios, principalmente no Curralinho, Pintos, Ribeirão e Sumidouro, ele está tendo a oportunidade de ver seu clube disputar uma competição na cidade. Está acontecendo nos finais de semana o Campeonato de Futebol de Campo no Expedicionário. Zé Barba abriu ainda mais o sorriso: “Isso é uma honra pra gente. Primeira vez que disputamos um campeonato na cidade. Acho que a gente precisa de mais times na cidade, não deixar o campo ficar parado, fazer mais jogos”. E você sabe por que o Zé Barba se doa pelo time? Apenas por diversão, porque ganhos não há, só mesmo investimento. “Às vezes peço dinheiro para ajudar na passagem, mas se os jogadores não tiverem eu mesmo pago,

O popular Zé Barba se dedica de corpo e alma ao que mais gosta, o futebol

não fico segurando não. Se algum jogador machucar, eu ajudo com medicação, atendimento médico e se precisar ficar parado até com cesta básica, tudo por minha conta. A gente assumiu o cargo, tem que ter compromisso”. Não é só no campo que Zé Barba gosta de ajudar. Ele busca sempre ser generoso, mesmo não tendo muito e, sem dúvidas, tem muito a ensinar: “Eu gosto de ajudar as pessoas. Se eu tenho um dinheiro e não estou fazendo nada com ele, não gosto de ficar segurando. Ajudo alguém que precisa de alguma coisa, pagar uma conta. A gente também precisa. Fazemos isso aqui e somos recompensados lá na frente”. Gostando tanto de futebol, ele incentiva o netinho Luís Gustavo a treinar. O menino, que também gosta muito de música e é orgulho do avô, hoje é aluno da Escolinha de Futebol Galaxy e está aprendendo o básico do esporte. Quem sabe num futuro próximo não será um destaque do Nova Resende Associados Futebol Clube? Zé Barba gosta de apoiar e é um nome sempre lembrado quando o assunto é futebol: “Fui convidado para tomar conta de um time de mulheres. A gente está pensando em montar na Nova Resende. Muita gente me chama, crianças, mas é difícil, tem que ter espaço, apoio”. No fim da nossa entrevista, ainda muito sorridente, Zé mostrou ser um bom divulgador da equipe e concluiu: “Tem DVDs com imagens do time no Campeonato do Curralinho dos Paulas. Muita gente já tem. Quem quiser pode falar comigo. Mandei o vídeo até para a TV Alterosa. Tem um DVD lá. Já até me disseram que iam me chamar para dar entrevista”. Tomara que isso realmente aconteça. Afinal, Zé Barba é mais um exemplo para os cidadãos resende-costenses e merece todo o reconhecimento e méritos possíveis.

Novo site ConnheceR aproxima pessoas e lugares

ANDRÉ EUSTÁQUIO

O advento da internet trouxe inúmeras facilidades aos usuários da grande rede em praticamente todos os segmentos, sejam eles profissionais, culturais, entretenimento etc. As nossas tarefas diárias também se tornaram mais rápidas e às vezes mais eficientes devido aos inúmeros e cada vez mais sofisticados programas de computador, celulares modernos, aplicativos, entre outras tecnologias surgidas no criativo e cada vez mais dinâmico mundo da informática. Atualmente, monitorar a conta bancária, fazer compras, visualizar um exame de laboratório são atividades que podem ser feitas através de um simples toque na tela do celular. O papel e as filas nos bancos estão com os dias contados. Além de proporcionar conforto ao usuário em suas atividades básicas, o desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas à internet, especialmente em sites especializados e redes sociais, têm tornado possíveis, inclusive visitas virtuais aos principais museus do mundo e a muitos lugares fascinantes como bibliotecas, igrejas, teatros, jardins, paisagens urbanas e naturais etc. O internauta pode agora conhecer uma cidade e seus pontos turísticos sem necessariamente ter de sair de casa. A Atus Tecnologia & Comunicação, sediada em São João del-Rei, criou o site “ConnheceR”, que publica informações de todas as cidades do Brasil, disponibilizando ao usuário da rede o que existe de mais atual em tecnologia. “O objetivo principal do ConnheceR é a divulgação da cultura, da arte e do turismo das cidades do Brasil. No site as pessoas encontram as mais diversas informações sobre as cidades pesquisadas, como galerias de fotos, informações históricas e localização via google maps. Além disso o projeto oferece a tecnologia do código QR, ou seja, um código de barras, que quando escaneado por um smartphone ou tablet direciona o usuário ao site com as informações daquele ponto ou monumento”, explica Rafael Alves, da Atus.

De acordo com Rafael, a proposta do site é ter nas cidades o código impresso (QR) fixado nas portas dos lugares cadastrados, como museus, igrejas, entre outros pontos turísticos. “Tendo o QR fixado na porta, o visitante pode escaneá-lo e assim obter informações sobre o local”. Outros aplicativos possibilitam ao internauta visualizar fotos em 360 graus: “o visitante pode movimentar a foto e visualizar todo o ambiente ao redor. O sistema de identificação de idioma é automático, portanto, as informações no site são exibidas de acordo com o idioma do computador ou dispositivo do usuário”, esclarece Rafael Alves, que diz ainda: “Existe um tradutor automático para textos que ainda não foram traduzidos, expandindo assim nosso público alvo”. Os criadores do site partiram do fato de as pessoas quando viajam sempre procurarem informações turísticas sobre o lugar de destino. Onde ir, o que visitar, como se hospedar, o que ver. Todo turista procura por essas informações. “Essas informações estão em muitos lugares diferentes e às vezes a busca é exaustiva e nem sempre se encontra o que procura. O Projeto ConnheceR surgiu do desejo de criar um ambiente simples e de fácil acesso, onde qualquer um pode compartilhar e adicionar informações sobre atrativos turísticos, além de poder contar a história da sua cidade, enviar fotos, comentar e avaliar os lugares, enviar traduções e muito mais. Tudo isso de forma simples e gratuita”, explica Rafael. O compartilhamento de informações sobre um determinado lugar é uma das opções oferecidas pelo site. “Se uma pessoa faz uma viagem e conhece um lugar interessante, ela pode cadastrar esse lugar no site, adicionar fotos, comentários, avaliações e compartilhar com outras pessoas, criando assim uma comunidade virtual onde o principal objetivo é ConnheceR”, conclui Rafael. Visite o site ConnheceR: www. connhecer.tur.br

Foto Caroline Prates

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Rafael e Erismar mostram a página do ConnheceR no tablet e no smartphone


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Aconteceu

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EMANUELLE RIBEIRO

Vak’s Fest chega à oitava edição

Mais uma edição da Vak’s Fest, uma das melhores festas de Resende Costa e, com certeza, o evento mais esperado do segundo semestre de cada ano. A oitava edição foi sucesso novamente! Com dois ambientes no Parque de Exposições, a galera curtiu

o som dos DJs Pulga e Pedro Condé no salão e aprovou os shows na parte externa. Carta e Seus Curingas foi a principal atração da noite do dia 31 de agosto. A festa, que já caiu nas graças dos resende-costenses e visitantes, novamente atraiu um grande

número de pessoas. O preço da bebida, cerveja e doses a partir de R$ 1,00, é o grande atrativo da Vak’s Fest. E em 2013, a turma da Vaquinha inovou ainda mais. Além do tradicional esquenta, uma semana antes

do evento, os organizadores fizeram uma pré-festa também no Parque de Exposições no dia anterior ao grande acontecimento. Com atrações locais, o “super esquenta” foi aprovado pelo público e deixou a galera no clima da Vak’s! A ideia foi convidar as pesso-

as a deixarem o facebook (internet) e irem para o evento. E deu certo! Parabéns à turma da Vaquinha, que mais uma vez surpreendeu a todos nós!


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Educação

Resende-costenses vão estudar no exterior EMANUELLE RIBEIRO

O programa Ciência Sem Fronteiras é uma iniciativa do governo federal, que possibilita jovens das universidades federais brasileiras a estudarem certo período no exterior, buscando promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. Conforme informações oficiais, o projeto prevê a utilização de até 101 mil bolsas em quatro anos para promover intercâmbio, de forma que alunos de graduação e pós-graduação façam estágio no exterior com a finalidade de manter contato com sistemas educacionais competitivos em relação à tecnologia e inovação. Em 2013, pelo menos duas dessas vagas foram ocupadas por estudantes resende-costenses. André Pinto Magalhães, 21, saiu de Resende Costa em 2010 para estudar na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Passados três anos, hoje ele completou o sétimo período do curso de Geologia e foi um dos aprovados pelo programa Ciência Sem Fronteiras. André passará os próximos 18 meses na cidade de Sligo, costa oeste da Irlanda, onde cursará disciplinas no Institute of Technology Sligo. Ele falou sobre suas motivações ao participar do projeto: “A oportunidade de aprimorar a língua inglesa, conhecer novas culturas, viver uma experiência no exterior e expandir minha visão de mundo”. Com a viagem, a previsão é que ele se forme em julho de 2016. Uma das grandes vantagens de morar no exterior e o principal motivo de muitos estudantes é o aprimoramento de um segundo idioma, especialmente o inglês. André Magalhães possui nível básico de inglês e estudará o idioma nos primeiros meses na Irlanda. Além disso, o governo tem investido nos universitários brasileiros, no intuito de aprimorar princi-

República “Tudo que nóis ganha os Bartira” não faliu JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Os resende-costenses André e Nando foram selecionados pelo programa Ciência Sem Fronteiras

palmente seu sistema tecnológico. André comentou os resultados que espera obter com essa viagem: “Basicamente o amadurecimento, crescimento pessoal e profissional, fluência no inglês, e ampliar as oportunidades no mercado de trabalho”. O futuro geólogo reconheceu as limitações do programa em questão de organização, mas sabe da importância do intercâmbio: “O processo de seleção foi muito lento, com informações escassas e muita ansiedade. O Ciência sem Fronteiras é um investimento na educação do país e, com certeza, uma oportunidade de formação enriquecedora”. Outro resende-costense que vai passar um tempo no exterior é Carlos Fernando Ávila Rodrigues (Nando), 22. O estudante de Engenharia Geológica da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) estudará na University of Leeds, Reino Unido, durante o próximo ano. Nando se inscreveu pensando “na oportunidade de usufruir da excelência científica de uma academia internacionalmente renomada”. Nando foi enfático quanto à sua opinião sobre o programa, pois mesmo tendo sido aprovado, o estudante enxerga falhas do governo: “Dada a precariedade do ensino público básico, o arcaísmo do ensino superior e o perverso desprezo à classe do professorado, é de extrema insensatez que se invista tanto em qualquer outro ramo da educação”.

O estudante da UFOP também falou da falta de organização: “Diversos foram os problemas relacionados à estrutura do programa. A bolsa prometida não foi paga em sua totalidade. O próprio valor calculado pelo governo para compensação cambial não bate com o valor pago. Diversos foram os casos reportados de alunos no exterior que de modo constrangedor precisaram de auxílio da universidade de destino”. O futuro engenheiro geológico já é fluente em inglês e espera com o Ciência sem Fronteiras um desenvolvimento intelectual e acadêmico, além do estabelecimento de network profissional. Nando reconhece a boa oportunidade que terá, mas criticou a maneira como o programa está acontecendo: “O processo de seleção, à semelhança do vestibular atual, não seleciona apenas o aluno que possui excelência acadêmica. As universidades no exterior notaram isso. Para mim, a prova cabal de que o Ciência sem Fronteiras falhou é que as melhores universidades dos EUA e as universidades de Oxford, Cambridge e Imperial College London, que estão entre as melhores do mundo, sequer aderiram ao programa”, conclui. O JL parabeniza os resende-costenses pela aprovação, deseja sorte nessa nova etapa e espera que consigam atingir os objetivos desejados.

A república “Tudo que nóis ganha os Bartira” não faliu, ao contrário do que disse a reportagem do JL na edição de julho (ver no site “As repúblicas estudantis em São João del-Rei”). Uma grande faixa de pano com o nome gravado, fixada na frente da casa localizada na Rua Paulo Freitas, às vezes é retirada para lavar ou então é jogada pelo vento para dentro da varanda. Isto pode criar a falsa impressão de que a república não mais existe. A república começou em 2011 na Rua Marechal Deodoro, antiga Rua do Comércio. Na ocasião, o estudante Teló, de São Miguel do Oeste (SC), sugeriu o nome de um bloco de carnaval de sua cidade. Panda, Raul e Leo Maromba propuseram outros nomes, mas prevaleceu “Tudo que nóis ganha os Bartira” porque “era o que mais combinava: a turma bebia com gosto”, dizem os estudantes. Teló é considerado um “pseudo-morador” por estar quase sempre ausente, e Pirulito é o morador mais novo. Raul e Leo Maromba estudam engenharia elétrica; Panda faz história; Pirulito, jornalismo; e Teló “reza a lenda que é das ciências de computação”. Vizinhança A relação com os vizinhos é boa, garantem. Toda vez que resol-

vem fazer uma festa, eles avisam a vizinhança, que aceita desde que “com horário estipulado, se for no quintal”. No interior da casa, a festa rola “até acabar a última gota de bebida e não ter dinheiro para comprar mais”. Em geral, participam das festas pessoas conhecidas, que convidam seus conhecidos, assim por diante. “E aqui é o ponto dos mendigos, que pedem café, cachaça, de tudo”, contam. É a mesma coisa com as festas: “Os mendigos aparecem, um convida o outro”. Uma vez, quatro horas da manhã, um mendigo dançava e chorava, ouvindo uma música do Leonardo. Histórias engraçadas? Há muitas, admitem com boas risadas. Uma noite, Leo foi a uma festa, voltou e trocou de roupa para encarar uma segunda festa. Mas esqueceu a chave em casa e, ao voltar 3 horas da madrugada, apertou o interfone várias vezes. Ninguém atendeu, “por preguiça”, admitem os colegas. Leo teve de dormir no portão da casa até 6 horas da manhã. Cotidiano A república não tem empregada, privilégio das repúblicas maiores, dizem os moradores. “A gente limpa toda sexta-feira. Cada um é responsável por um cômodo, mas é feito um rodízio. Comida, cada um se vira com a sua”.

Da esquerda para a direita, Pirulito, Leo Maromba, Panda e Raul

Bens que a república acumulou até agora


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A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Prejuízo Tem coisas que a vida avisa. Meu primo me contou que se preparava pra viajar no dia seguinte. Pois na véspera, ele teve enxaqueca. Tudo bem, você pode até dizer que isso foi por causa do stress da viagem, da pressão do compromisso... Mas o meu primo jamais tem dor de cabeça. Só duas ou três durante todos os anos que está vivendo. Além disso, a chave quebrou dentro da fechadura quando ele chegou do trabalho e foi abrir a porta de casa. Queimou a mão na frigideira ao fritar – junto com a mão – um ovo. Teve insônia (fato raríssimo em sua vida) e caiu durante o banho pela manhã. Resolveu não viajar. Não aconteceu nada com o avião onde ele estaria. De duas uma: foi tudo cisma dele ou o azar estava realmente com ele e seria transportado para o avião, que cairia bem no meio de uma tribo de antropófagos, cujo maior sonho é o de se alimentar de gente que cai das nuvens. A vida avisa. E foi ela que avisou naquele sábado quando eu e o Mário Márcio fizemos um show no Salão Paroquial de Resende Costa. Pela manhã, realizamos o nosso último ensaio com som, lá no salão mesmo. O som era do Túlio Daher, e se chamava Prisma. Dividíamos o espaço com os incontáveis pombos que moravam por lá. No meio do ensaio, chegou o Padre João Rodrigues e um homem que nunca mais vi. Carregavam uma escada comprida e pararam no meio do salão. Mário e eu continuamos a cantar. O som estava alto e não ouvíamos o que os dois diziam. Padre João apontava para cima e, pelas feições, reclamava bastante. O homem escutava com atenção. Logo a seguir, aprumou a longa escada, que ia até o forro do sa-

lão. Aos poucos, ele foi subindo, subindo... e não olhei mais, pois precisava ensaiar. De repente, Padre João, lá da plateia, começou a me dizer coisas que eu não entendia. O som alto, o Túlio com fone de ouvido e de costas, o Mário também cantando... Pensei que Padre João estava dizendo que a música era bonita, que o espetáculo prometia... Mas o padre ficava cada vez mais angustiado e vermelho. Comecei a perceber que ele ensaiava uns passos de dança aos pés da escada e sorri animado para o Mário. Estávamos contagiando antes mesmo do show começar. Foi aí que eu entendi que o Padre João estava era desesperado. A escada escorregava e ele tentava, sozinho, segurá-la. Então, o inevitável aconteceu. A escada perdeu o apoio e o homem despencou lá de cima trazendo uns vinte pombos voando com ele. Caiu também um gato que, por sinal, mostrou-se bastante constrangido e revoltado. E foi todo mundo embora: o padre e o homem carregando a escada, os pombos, Mário, eu, o Túlio... e o gato. Esse último ainda olhou pra trás, em nossa direção, e fez um fzzzzzzzzzz com raiva. À noite, o show foi um fracasso. Quase ninguém compareceu. Na plateia, nem gato pingado tinha, pois o gato já havia pingado de manhã. Quando terminou o show, Mário e eu fomos pegar a renda. Você acredita, leitor, que roubaram o nosso dinheiro num momento de distração do rapaz que estava na bilheteria? Não havia um centavo sequer. Suspeitas? Nenhuma. Mas o rapaz da bilheteria jurou que durante todo o show ele viu um gato rondando por ali. ... suspeito... bastante suspeito.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Artigo

Tempos Modernos CARLOS ALEXANDRE DE RESENDE*

Em 1908, Sigmund Freud, o criador da psicanálise e um dos pilares da psicologia como campo de conhecimento e de aplicação clínica, escreveu um breve e denso artigo: Moral Sexual Civilizada e Doença Nervosa Moderna. Longe de nos prendermos à teoria da psicanálise, o que mais me chama atenção na reflexão sobre o texto é que, quanto mais a humanidade avançava em sua civilização, maiores ficavam as exigências e restrições sobre as satisfações do sujeito e, consequentemente, maior a incidência de doenças nervosas. Freud já se atentava para uma nova e gritante realidade, a sensação de que a vida estava mais complexa e exigente, passando mais rapidamente, e o tão precioso tempo parecia insuficiente e escorria por entre os dedos. Invenções que deveriam ser facilitadoras da vida moderna, como por exemplo, o domínio da eletricidade e a possibilidade da luz elétrica, a rapidez na viagem de trem a vapor, a eficiência da comunicação pelo telégrafo, a complicaram e aceleraram. A tecnologia aumentou a carga de trabalho e de compromissos, ao invés de diminuí-los. O que ele pensaria se pudesse observar nosso dia-a-dia mais de 100 anos depois? Hoje, no século XXI, o avanço tecnológico é muito maior e a sen-

Aconteceu

sação de que a vida corre mais rápida é quase generalizada: “Nossa! Já é setembro?”. Vivenciamos experiências com os mais recentes facilitadores da vida contemporânea, meios de transporte, carros e aviões mais rápidos, computadores, telefones celulares cada vez mais sofisticados e outros dispositivos ligados à internet, e cada vez mais ao alcance da população em geral. É extraordinário podermos nos comunicar em segundos com amigos que estão do outro lado da cidade ou do mundo, pagar contas e fazer compras sem sair de casa, na tela do computador. Em um dia obter informações e conhecimentos em jornais e sites da internet, que um homem do século XIX levaria uma vida inteira para conseguir. Ironicamente, toda essa rapidez que deveria ser aliada, acaba muitas vezes nos sobrecarregando e preenchendo cada vez mais o nosso tempo, com mais coisas a fazer e expectativas a suprir. O próprio corpo acelera junto. Não por acaso temos tantos quadros de solidão, estresse, depressão e ansiedade. Podemos falar com quem e quando quisermos, mas o que vemos com frequência são pessoas conectadas a aparelhos, colecionando centenas e até milhares de “amigos” em redes sociais, sem, às vezes, trocar palavras com outros seres huma-

nos ao nosso redor fisicamente e sem aprofundar vínculos. Trata-se de um processo sem volta. Ao que parece, as tecnologias vão continuar se desenvolvendo, a velocidade da vida aumentando e, se não tomarmos cuidado, junto com ela mais restrições e falta de tempo para nós mesmos e para o outro. Precisamos aprender a “desconectar para conectar”. Ou seja, usarmos, sim, as maravilhosas ferramentas desenvolvidas pela nossa civilização, mas aprendermos a separar um tempo para nós mesmos, pensar em nossa própria satisfação pessoal. É preciso olhar ao redor e sentir a vida, ouvir quem está ao nosso lado, construir relações reais, parar e simplesmente olhar pela janela e sentir a brisa (que em Resende Costa, em especial, nos presenteia tanto), observar e refletir sobre as pequenas e saborosas coisas ao redor, ter de fato uma qualidade de vida. Podemos, desde já, começar a exercitar nossa capacidade de aproveitar melhor o tempo, conciliando as novas tecnologias e uma insubstituível e boa conversa frente a frente. (*Psicólogo e Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de São João del-Rei. Especialista em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo). EMANUELLE RIBEIRO

Sr. Vino comemora aniversário de 92 anos!

No dia 19 de agosto, o senhor Vino comemorou 92 anos de idade. Um dos patriarcas do congado de nossa cidade, Vino recebeu em sua casa amigos e familiares. Foi uma noite de muita cantoria, banquete farto e bastante “causos” contados pelo aniversariante. “Parabéns senhor Vino! Muitos anos de vida, alegrias e saúde” - são os votos de seus filhos, netos, bisnetos e tataranetos.


10 Jornal das Lajes Causos e Cousas

ANO X Nº 125 - SETEMBRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

ROSALVO PINTO

Resende, nossa irmã portuguesa Passando por Portugal no início de agosto, tive duas gratas surpresas. Para quem, como eu, que me dedico ao estudo de nossa história e de nossas origens, foi um prazer conhecer a cidade de Resende e, em Lisboa, uma descendente direta do nosso inconfidente José de Resende Costa, o filho. Deixo nosso confidente e sua descendente para outra edição do JL. Orientado desde aqui pelo amigo, ex-aluno e colega do JL, José Venâncio de Resende, fomos (eu e a Beth minha mulher) parar na cidade de Resende, ao norte de Portugal, às margens do Rio Douro. Berço de origem da família Resende, desde os remotos séculos 12 e 13, terá sido de lá que membros da família emigraram, em meados do século 17, para o arquipélago dos Açores e, depois, nos inícios do 18, para o Brasil, indo para nossa região (Lagoa Dourada). De Lisboa até Porto (bela e interessante cidade), são 2 horas e meia de uma aprazível viagem em moderno e rápido trem. Mais uns 100 km à nordeste, de ônibus ou de trem, chega-se à pequena (uns 3.500 habitantes) e simpática cidade de Resende. É a sede do “Concelho” (município), cuja população é de 13.300 habitantes. A cidade está numa grande encosta que desce até o fundo do vale, onde serpenteia o Rio Douro.Tal como nossa Resende, do alto descortina-se um belo cartão postal. Eu imaginava encontrar uma cidade com um perfil e um casario muito antigo. Engano. Trata-se de uma cidade toda moderna, com um ou outro casarão antigo. Um encanto de cidade: limpíssima, habitações de bom gosto, modernas e ricas, praças coloridas e bem cuidadas, com uma infraestrutura invejável: belas escolas, museu, biblioteca, estrutura pública de lazer, com piscinas, quadras e aparelhos de ginástica, corpo de bombeiros e um bonito comércio. No ponto mais alto está o “Seminário de Preparatórios da Diocese de Lamego”, cidade importante da região. O escritor e historiador português padre Joaquim Correia Duarte, atual pároco de S. Miguel de Anreade - Resende, em sua obra Casas e Brasões de Resende (2007), ao estudar os palácios e os brasões da nobreza que habitava na região em

épocas muito antigas, lamenta o desaparecimento de algumas preciosas moradias (“paços”) e seu brasões (“pedras de armas)”, esculpidos em pedras. Essas pedras de armas ficavam geralmente à entrada dos palácios. Seu livro contém o estudo e as fotos de 37 paços, 19 com pedras de armas e 18 sem essas pedras e a história de cada uma das famílias que neles viveram desde antigas eras. Depois de 25 anos de cuidadosa e laboriosa pesquisa, ele escreveu: “eu pude verificar, com certa mágoa, como algumas casas que foram em tempos tão ilustres se encontram desprezadas e como diversos brasões monumentais se apresentam cheios de musgo e de silva, ou partidos em pedaços nos cantos dos quinteiros [quintais]. E tudo isso, por simples desconhecimento e não por faccionismo ou malvadez” (p. 9). Bem, essa história nós já conhecemos: com a nossa Resende aconteceu a mesma coisa. Também sofreu pelo desaparecimento de seu casario antigo, com a diferença de que muitos de seus casarões foram substituídos por construções feias e mal ajambradas. A Resende portuguesa tem sua atividade econômica maior centrada no plantio da cereja (considerado o maior da Europa), além das tradicionais videiras, que geram os famosos vinhos da região do Douro. Como curiosidade culinária, a cidade é conhecida pelas suas deliciosas “cavacas”, uma espécie de bolo doce, amarelado e com uma cobertura branca, de açúcar em ponto. Outra curiosidade: as principais famílias de Resende foram os Resendes (famílias das mais antigas e ilustres

de Portugal, segundo o padre Joaquim Duarte) e os Castros. Em Resende e região distinguiram-se também as famílias Pinto, Cardoso, Fonseca, Carvalho, Azevedo, Melo, Coelho, Macedo e Abreu, entre outras. São esses sobrenomes que a gente lê nas placas da cidade, sobretudo os Resendes e os Pintos. Quase “colado” em Resende está a freguesia (povoado) de Anreade, com sua simpática e aconchegante capela da Senhora da Luz, toda construída de pedra. Assistimos a uma parte da missa, com um belo coral atrás do altar. E tivemos o prazer de conhecer o padre Joaquim Duarte, que gentilmente nos recebeu e com o qual acertamos nossos contactos para futuras trocas de informações. Espero que ele nos ajude a esclarecer quando e por qual motivo se deu a emigração de membros da família Resende para os Açores. De lá para o Brasil já temos boas hipóteses e algum documento. Enfim, essa é a Resende das cerejas. Escreve o padre Joaquim: “No mês de Abril Resende é um paraíso de beleza e brancura. As encostas ribeirinhas do concelho são então terras de noivas encantadas, de coração em festa e alvoroço, cobertas de mantos de alvura e de fulgor”. (Quem quiser conhecer a obra acima citada e uma alentada história de Resende, do mesmo autor: Resende e sua História, vol. 1: “O Concelho”, 1994, 861 páginas), basta dirigir-se à nossa Biblioteca Municipal. O Venâncio, ao passar pela Resende portuguesa no ano passado, trouxe essas duas obras e as doou para nossa biblioteca).

Vista parcial do centro da cidade de RESENDE, Portugal. Os telhados vermelhos e bem conservados são uma característica das cidades portuguesas

Crônicas do cotidiano

O capitalista Creio que todo mundo já percebeu que eu sou cético e pessimista quanto ao futuro da humanidade. Eu até gostaria de pensar diferente, de acreditar, mas infelizmente, praticamente tudo o que vejo, os fatos com que me deparo só fazem reforçar essa minha, digamos, impressão. Premonição? E não digo isso achando que se o mundo fosse todo povoado por mim, ou pessoas iguais a mim, poderia ser diferente! Pois bem, outro dia um conhecido meu, jovem ainda, declarou-se capitalista e filiado ao Democratas, o partido das novas ideias (sic). O fato veio à tona juntamente com as manifestações populares ocorridas aqui, que, por sua vez, foi consequência das inúmeras manifestações ocorridas no país. Não fosse isso, o fato poderia jamais ter vindo à tona, ainda mais que eu ando meio alheio aos movimentos políticos. O que me espantou foi encontrar um funcionário público, formado em História por uma Universidade Federal (portanto educado e vivendo com e dos recursos públicos), cujos únicos bens parecem ser uma moto, um lote e um guarda-roupa cheio de roupas da marca “gangster” assumir-se um capitalista! Inacreditável! Para mim, existem três tipos de capitalistas: 1) os ricos; 2) os privilegiados e 3) os tolos. Os ricos, por uma questão óbvia. Ser rico é muito bom! Desfrutar dos prazeres dessa vida é orgástico. Comer e beber do bom e do melhor, vestir-se dos mais finos tecidos, extasiar-se nos mais lindos lugares, ser servido... carros, iates e castelos! Você pode imaginar o quão bom seria hospedar-se na Royal Villa, no Gran Resort Lagonissi, Grécia, pela bagatela de R$ 85.000,00 a diária? Pois tem gente que poderia passar a vida inteira lá! Um dito popular, sabiamente, fala que o dinheiro não traz felicidade, compra.

Os privilegiados, por sua vez, querem manter seus privilégios. Dinheiro e privilégio não são sinônimos. Ninguém quer se desfazer de suas prerrogativas, das vantagens que têm e que excluem os outros. Os ricos compram o Estado através dos privilégios que concedem, por exemplo, aos políticos. Dão-lhes apartamentos funcionais, verbas paletó, passagens aéreas, motoristas, salários polpudos, imunidades, aposentadorias compulsórias etc. Eu disse “por exemplo”, porque os privilégios estão aspergidos em inúmeras comodidades e em todas as esferas. E por último os tolos. Os tolos são aqueles que justificam os ricos e os privilegiados. Para eles o mundo está repleto de oportunidades, iguais para todos, cabendo a cada um montar o cavalo arreado, literalmente. Trabalhar, esforçar-se para, finalmente, tornar-se rico. O fato de existirem os nobres nas monarquias, que são um misto de riqueza e privilégio, ou de haverem os novos-ricos, que são um misto de riqueza com tolice, não invalida a classificação. Existem os puros e os miscigenados. Não me acusem de que eu esteja aqui fazendo apologia do socialismo ou comunismo. Escrevo como escreveria Millôr Fernandes, para quem o capitalismo é a exploração do homem pelo homem. E o comunismo exatamente o contrário. Estou, sim, tecendo considerações que pudessem me fazer entender as razões de alguém, digamos, pobre, pretender-se defensor de um sistema que justifica a sua própria expropriação. Quase tão difícil quanto um rato que demonstrasse a necessidade dos gatos! O mundo é um prato de comida e se alguém come mais que o outro nesse prato, o outro há de passar fome. Antes que digam que melhor uns se fartarem às custas dos outros que todos passarem fome juntos, vou encerrar este assunto, e do mesmo jeito que comecei: incrédulo e pessimista. Premonitório?


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ANO X Nº 125 - SETEMBRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Retalhos Literários

EVALDO BALBINO

As eternas manhãs de setembro

(Para Everaldo e Elenice, in memoriam) Hoje é domingo, o dia é azul, o céu se despe e é limpo. As nuvens me amam, desataviadas. Sobrevoam sobre minha cabeça para dizerem que existo, que me fazem sombras leves com um sol ameno. Dizem-me as nuvens que a vida é bela. Se não vivermos a vida, ela viverá por nós. Então: vivamos! Vivamos, neste domingo, dia da ressurreição. Vivamos nesta manhã de setembro, transformada aqui em palavras, em traços. Os traços não são eternos, eu sei. Também tenho a consciência de que não sou perene. Mas enquanto puder, pelo menos quero falar. Quero, como se grita naquela canção da Vanusa, sair, falar e ensinar um canto. Não quero ensiná-lo apenas ao meu vizinho, mas também a todos aqueles que venham se avizinhar destas palavras no papel postas. “Eu quero sair / Eu quero falar / Eu quero ensinar / O vizinho a cantar. // Eu quero sair / Eu quero falar / Eu quero ensinar / O vizinho a cantar / Nas Manhãs de Setembro / Nas Manhãs de Setembro / Nas Manhãs de Setembro / Nas Manhãs!”. Sim, quero cantar como a Vanusa cantava e canta. E saber-me pleno de memória, indo na contramão daqueles que passaram a julgar a cantora como desmemoriada, depois de um episódio em que ela errou o Hino Nacional. Quem realizou tal julgamento é que carece de memória. Parece tão fácil ver nos outros um defeito, uma lacuna sem verificar-lhes o que há de belo. Vanusa é nossa memória. Está em nossa memória musical sem dúvida alguma. Além do mais, para quê cantar bem o Hino Nacional, se neste país a política, em sua grande parte, nos envergonha? A letra parnasiana – bela sem dúvida

alguma – não apaga nossa vergonha. Eu defendo sim o nosso hino, mas acho que devemos lutar contra a alienação política que nos toma para construirmos um país que faça jus ao hino tão soberbo que tem. Eu não sei cantar, mas sei escrever. Então me deixem cantar aqui, nesta folha. Deixem-me cantar como um louco. E como um cão raivoso em noite de lua, quero ser um lobo uivando, furioso, um lobo-memória ardendo de vidas e mais vidas. Quero soltar a voz à semelhança de um uivo ou proferir o que profiro e prefiro com esta voz que Deus me deu. Quero berrar, clamar, gritar, vociferar aos quatro ventos do mundo: vivam as manhãs de setembro! Vivam todas elas, pois nelas estamos eternamente nascendo! Foi em setembro, por exemplo, que nasceram, há mais ou menos quarenta anos, meus irmãos Everaldo e Elenice. Os meus irmãozinhos que não cheguei a conhecer. Antes de completarem um ano de idade, eles se foram. O Everaldo, com nove meses de vida; e a Elenice, com apenas quatro meses. Eles subiram uma escada longa e estreita, cheia de dores e sede. Subiram para brincar com outras crianças num amplo jardim. Vergel sobre nuvens erguido, lá onde os miúdos, todos eles, vestem roupa azul, da cor do ar rarefeito, do ar espalhado pelos céus. Até hoje comemoro o nascimento dos meus dois irmãos, eternas crianças, para sempre nascendo. Comemoração a que me entreguei desde pequeno. Lembro-me, lá na minha infância, da minha ida certa vez ao cemitério do Ribeirão de Santo Antônio. Fui até ao campo-santo, sozinho, para encontrá-los, os meus irmãozinhos. E o que

vi eram apenas sepulturas entre flores murchas. Eram lápides de silêncio e monotonia. Mesmo assim, não desisti da busca. Menino ainda iletrado, eu não sabia onde estavam os corpos fraternos. Andei pela necrópole rústica e tristonha, uma paz de cortar a vida! Andei olhando não para os lírios, que esses não grassavam por aquelas bandas, mas olhando e colhendo florezinhas simples, pequenas. E fui pegando aquelas ramas silvestres e colocando-as sobre cada um dos sepulcros. Fui enfeitando com enleio e esmero a todos que ali dormiam. Depois, chegando a casa, tive que ouvir dos meus pais que tudo fora perda de tempo, que as sepulturas do Everaldo e da Elenice não mais existiam, que família pobre não comprava sepultura. Lembro tudo isso e compreendo. Compreendo o menino no seu amor pelos irmãos mortos, mas para sempre vivos. Compreendo as amargas e familiares palavras, quando lamentavam as diferenças que atravessam a todos nós numa sociedade impiedosa. Se todos morremos, eu me perguntava, por que não termos todos um espaço próprio para dormirmos eternamente? Hoje sei de mais coisas. Sei, por exemplo, que não se tem lugar nunca na existência. Que é ela, a existência, um deslugar. E não estou falando da vida terrena apenas. Estou falando do cosmos, da vida material e espiritual, dessa vida ampla que me parece sempre resumir-se em afoitezas, buscas, felicidades e também em angústias e tristezas. Viver e morrer são fatos que para nós se mostram sempre em deslugares, em tensões, em cordas bambas sobre precipícios.

Gastronomia

CLÁUDIO RUAS

Feijoada completa

Uma deliciosa música do mestre Chico Buarque explica direitinho o que seria a “feijoada completa”, um ícone da gastronomia brasileira. De forma divertida, ele vai orientando a esposa sobre como proceder, a começar pela cerveja gelada para o batalhão de amigos. Avisa que não tem que pôr a mesa e que basta colocar os pratos no chão e “o chão tá posto”. Pede a linguiça para o tira gosto e lista os ingredientes da caipirinha. Sempre advertindo para colocar mais água no feijão. Fala dos torresmos pra acompanhar, tal como o arroz branco, a farofa, a malagueta e a laranja. E depois do paio, carne seca e toucinho no caldeirão, lembra-se de aproveitar a gordura da frigideira, pra melhor temperar a (nossa) couve mineira. No fim, ainda dá a solução para a falta de dinheiro: “diz que tá dura, pendura a fatura no nosso irmão. E vamos botar água no feijão”. Essa música resume perfeitamente esse prato e ainda mostra o seu interessante universo de simplicidade, fartura e confraternização. Comida sem frescura, barata e que está sempre relacionada a uma celebração. Rende muito, até porque é impossível fazer em pouca quantidade. E costuma sobrar para o dia seguinte, quando fica mais gostosa. Feijoada é comida de fim de semana, mas aqui em Minas acaba entrando no cardápio de restaurantes na sexta-feira. Já em São Paulo, curiosamente, os dias de feijoada são quarta e sábado. Prefiro a sexta, dia estratégico para celebrar o fim de semana e comer sem culpa. Percebemos ainda outras diferenças de hábitos no país, como o modo de servir no Rio de Janeiro: os pertences são dispostos em uma travessa e regados com um pouco do caldo, ficando o restante desse no caldeirão para ser servido separadamente. Mas prefiro o jeito mineiro, com tudo dentro da panela, trocando sabor com o feijão até a hora de ir para o prato, sem esfriar. Que me perdoem os cariocas - bons fazedores de feijoada - mas nós mineiros sabemos muito bem lidar com pertences de porco, feijão e comida ensopada em geral. Isso faz diferença. Outro hábito interessante que ocorre por aqui em Minas em alguns lugares é a presença de um acompanhamento um tanto anormal para a feijoada brasileira: o angu. Nas deliciosas e impagá-

veis feijoadas da minha tia Elisa do Góes, por exemplo, sempre tem uma panela de angu. Falta, eu acho que ele não faz, mas que combina direitinho com o feijão gordo, a couve e a pimenta, isso não resta dúvida. Falando em gordura, temos visto as feijoadas ficaram cada vez mais light, sendo feitas somente com as partes do porco ditas como nobres. A preocupação com a saúde e a leveza da comida é importante, mas, em se falando de sabor, a presença do pé, orelha e focinho é fundamental. Pode-se até não servi-los, dependendo do gosto, mas a participação deles no cozimento faz uma grande diferença. Pelo menos a do pezinho (ou mãozinha, melhor ainda), que fornece o colágeno que ajuda a dar corpo ao caldo e transportar os sabores. Gosto de cozinhá-las junto com o feijão e depois separo para o tira-gosto, sem que os convidados preconceituosos nem saibam delas. O legal é que não precisamos levar a ferro e fogo a frase do escritor Stanislaw Ponte Preta, de que “uma feijoada só é realmente completa quando tem uma ambulância de plantão”. Com cuidado e carinho, é possível fazê-la sem incluir a ambulância na receita, mas com bastante sabor. Ferventar as partes mais gordas com água, limão e cachaça e fritar com pouca gordura e separadamente as demais, escorrendo em papel toalha, ajuda muito. É bom lembrar também que, ao contrário do que reza a lenda de que a feijoada é genuinamente brasileira, inventada pelos escravos - esse prato tem forte influência européia. Portugal, França e Itália sempre fizeram receitas parecidas (feijão com “trupicos”), mas, ao oposto de nós, sempre deram o devido valor que essa iguaria merece, sem preconceitos. No mais, é só chamar os amigos, preparar a caipirinha e ligar a música do Chico. E vamos botar água no feijão. (A receita no blog é uma feijoada sem ambulância de plantão: http://casalgastromg.blogspot. com.br/) Festa do Café com Biscoito Entre os dias 13 e 15 de setembro teremos a deliciosa festa da nossa vizinha São Tiago. Evento tradicional e bacana para toda a região, cada vez mais rica de turismo gastronômico de qualidade. Aproveitem!


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Religião

Artigo

Nossa Senhora da Penha: padroeira de Resende Costa A participação dos fiéis da comunidade, assim como dos corais, da banda Santa Cecília, das congregações, grupos de oração, das escolas, apostolados, ministros da eucaristia e de todos que se fizeram presentes abrilhantou a festa. No domingo anterior ao dia maior dedicado à nossa padroeira, foi realizada uma carreata que percorreu toda a cidade, acompanhada pelos devotos de Nossa Senhora da Penha de França. No dia 1º de setembro, os fiéis seguiram a imagem da santa em procissão que atraiu muitas pessoas. Sobre a procissão luminosa, Lucas disse que “não houve quem não se alegrasse com a participação de nosso bispo, dom Célio de Oliveira Goulart, com a chegada emocionante da procissão luminosa, com as belas flores ornando a Matriz, com as vozes homenageando Nossa Senhora, ou até na simplicidade de nós jovens coroando Maria como nossa rainha”. Maria da Penha Pinto, catequista, coordenadora da equipe de liturgia para crianças e membro do Coral Mater Dei, falou sobre a religiosidade. Segundo ela, a festa de Nossa Senhora é importante porque “desde que

Foto Camila Silva

FRANCIELLE VALE

A imagem da padroeira foi restaurada e entregue especialmente para a festa desse ano

nascemos convivemos com a nossa padroeira, Nossa Senhora da Penha, e para nós católicos simboliza a parte mais alta da nossa religiosidade na cidade”. Maria da Penha, devota de Nossa Senhora da Penha, disse que a participação dos fiéis neste ano na festa foi boa. Ela falou também sobre a participação diversificada de grupos de pessoas, tanto para representar quanto para cantar. “Nós do Coral Mater Dei, que sempre cantamos na festa da padroeira, ficamos com dois dias, mas a novena ficou por nossa conta. Ou seja, apareceram muitos corais que podem abrilhantar a festa”, afirma Maria da Penha.

A novena contou com a participação de diversos sacerdotes da diocese de São João del-Rei Montagem Letícia Resende

Sem dúvida, um dos meses mais bonitos do ano é Setembro, quando se inicia a estação das flores. E bem no início desse mês nossa cidade se reveste de alegria e vive a cada ano uma nova primavera ao celebrar aquela que é a mais bela flor do jardim da criação divina: a Santíssima Virgem. E mais uma vez Resende Costa comemorou com grande participação dos fiéis o dia dedicado à padroeira do município, Nossa Senhora da Penha de França, no último dia 1º. Conforme tradição na cidade, as festividades de comemoração se iniciaram dez dias antes ao dia oficial dedicado à santa. Lucas Lara, estudante da UFSJ e membro de algumas pastorais e movimentos da paróquia, falou sobre a importância da festa de Nossa Senhora da Penha para o município de Resende Costa: “A festa de Nossa Senhora da Penha de França é o ápice das celebrações litúrgicas em Resende Costa, não esquecendo, claro, do Natal, da Semana Santa, Corpus Christi etc. Mas é a festa de nossa padroeira, padroeira da paróquia e de nossa cidade. Festa na qual todos os resende-costenses vivem a devoção à Virgem da Penha”. Segundo Lucas, a festa, como todos os anos, trouxe a participação de muitas pessoas da comunidade, mobilizando todos os paroquianos, bem como todos os movimentos, pastorais, corais, ministérios de músicas, comunidades etc. Ele considerou a importância de o nosso pároco, padre Eder Santos estimular a participação das pessoas, mesmo que indiretamente, como, por exemplo, colocando as bandeirinhas em suas casas indicando que ali é uma casa católica. Em 2013, a paróquia apresentou o tema “Maria, Senhora da Penha, a bendita entre todas as mulheres!”, para reflexões e homenagem a Nossa Senhora, tema que Lucas aponta como sendo um diferencial muito bem proposto. “Durante a novena e o dia maior fomos conclamados a meditar, juntamente com os padres participantes, sobre as mulheres da Bíblia, que foram exemplos para Maria, que é a bendita entre todas as mulheres. Coube a nós reconhecermos como é linda a história do povo de Deus e da salvação projetada em Maria, a Mãe da Penha, a Senhora do Rochedo, a Virgem do Arraial da Laje”.

Carreata de Nossa Senhora da Penha reuniu muitas pessoas nas ruas de Resende Costa

PADRE DIRCEU DE OLIVEIRA MEDEIROS*

As religiões do livro São três as religiões do livro e as três são monoteístas (creem na existência de um só Deus)! Por ordem de antiguidade: judaísmo, cristianismo e islamismo. O livro sagrado dos judeus é o nosso antigo testamento, que eles chamam de Torá ou Tanak. Os muçulmanos adotam como regra de fé o Alcorão ou, simplesmente o Corão. Nós cristãos adotamos a Bíblia como livro da revelação de Deus. Para nós, Deus se revelou à humanidade através deste livro sagrado, que consideramos Palavra de Deus. São Paulo escrevendo aos Tessalonicenses elogia a acolhida que deram à Palavra: “O motivo do nosso contínuo agradecimento a Deus é este: quando ouviram a Palavra de Deus que anunciamos, vocês a acolheram não como palavra humana, mas como ela realmente é, como Palavra de Deus, que age com eficácia em vocês que acreditam” (1Ts 2, 13). A Bíblia não é um livro comum e possui suas particularidades. A Igreja nos ensina que a Escritura é inerrante e inspirada. Embora escrita por homens, ela foi inspirada por Deus e não há erros na Bíblia em matéria de fé e doutrina. Encontramos na Bíblia imprecisões históricas, geográficas e de outra natureza, mas a Bíblia não é manual de geografia, história ou outra disciplina. A Bíblia Sagrada não é propriamente um livro, mas uma coleção de livros (73 livros). Escritos em épocas diversas, em línguas diversas (hebraico, aramaico e grego) e por diversas pessoas (os chamados hagiógrafos) ou escritores sagrados. Estas particularidades da Bíblia fazem deste “livro” um escrito especial. Esses livros podem ser agrupados de acordo com seus gêneros literários: histórico, sapiencial, profético, carta etc. Essa “complexidade” da Bíblia nos leva a tomarmos alguns cuidados com esse “livro”. O primeiro e principal perigo que enfrentamos é a leitura fundamentalista texto. Corremos o risco de fazer uma leitura literal ou ao pé da letra do texto e assim, podemos deformar o texto ou distorcê-lo. Além disso, corremos o risco de usar o texto

para justificar absurdos! Para justificar guerras, exploração e injustiças. A título de exemplo: São Paulo, escrevendo aos efésios, ensina: “mulheres, sede submissas aos seus maridos” (Ef 5, 22. Como interpretar esse texto? Podemos compreender a palavra “submissão” de outra maneira e não devemos interpretá-la ao pé da letra! Há ainda que se considerar o contexto em que este texto foi escrito. Era um contexto patriarcal, machista, e as mulheres não eram respeitadas em seus direitos. Assim, para a “arte da interpretação”, no ambiente teológico temos a ciência exegética! Essa ciência bíblica nos leva a considerar o texto, mas também o contexto em que foi escrito. Considera também o pré-texto ou a intenção do autor sagrado. Essa ciência nos ensina também: no ambiente acadêmico há a necessidade do conhecimento do texto bíblico em sua versão original (hebraico e grego), afinal há um famoso princípio: “toda tradução é uma traição”! Desse modo, para um estudo honesto da Escritura é necessário conhecer o hebraico e o grego, as línguas semíticas que têm suas características próprias. Em geral essas línguas são “pobres”! A título de exemplo: o sentido da palavra “irmão” na Bíblia. No hebraico não existem palavras como “irmão, tio, sobrinho”. Então, para designar qualquer parentesco, usa-se a palavra “irmão” (Confira Gn 13, 8). Que este texto sirva de aperitivo a você, leitor, faça crescer seu interesse pela Bíblia. Que neste mês de setembro cresça em nós o amor à Palavra de Deus! Que deixemos o Espírito Santo guiar nossa inteligência para compreendermos e colocarmos em prática a Palavra de Deus. Que o Senhor nos livre de uma leitura fundamentalista da Escritura Sagrada! Por fim recomendo o link: http://queenofpeacemission.org/por tugues/ CONHECAMELHORABiBLIA.html (*Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Prados e Vigário-Geral da Diocese de São João del-Rei).


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Cultura & Entretenimento

Boa música, cinema e cultura pop num mesmo espaço em São João del-Rei ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO

Boa música, cinema e cultura pop apresentados em São João del-Rei desde 2006 em um único espaço: o Retrô Cine Bar, no bairro Matozinhos. O que começou como uma brincadeira, considerada uma ideia utópica pelo seu idealizador, Tarcílio Vivas, 36, hoje atrai grande número de pessoas que buscam um ambiente alternativo nas noites são-joanenses. “A história inicial é que comecei a me apaixonar por vídeo, fazer edições, criar vinhetas televisivas, que ficaram legais. Comecei a criar o conceito com áudio e vídeo e amadureci a ideia do bar”, conta Tarcílio. Uma das peculiaridades do Retrô Cine Bar é que ele funciona apenas duas vezes no mês, geralmente aos sábados; e a ideia de unir clássicos do cinema e da música, uma proposta Cult, diriam algumas pessoas, vem agradando ao fiel público que praticamente disputa os poucos mais de 180 ingressos colocados à venda e que se esgotam rapidamente. Tarcílio Vivas define o eclético público que aprovou o conceito de bar proposto por ele: “Começamos com um público restrito, formado por amigos, e isso foi crescendo. Hoje é um público geral, mais maduro, e que se diversifica a cada apresentação. Pessoas que queriam um espaço como esse e encontraram”. As sessões de cinema no Retrô acontecem sempre antes das apresentações musicais e a entrada é gratuita. “A ideia era fazer cinema e show ao vivo desde o início. O cinema é uma brincadeira, que eu gosto bastante. A gente nem cobra a entrada para ver o filme. Quem participa da sessão de cinema tem um espaço de tempo para sair após a exibição que se inicia às 21 horas”, explica o dono do bar. Conforme Tarcílio, o repertório conta com clássicos do cinema e filmes alternativos, deixando de lado a cena hollywoodiana. “São filmes mais cult”, define. Segundo ele, no início foram organizados Cine Clubes para discutir o filme exibido em cada sessão, mas atualmente tem-se limitado somente às exibições. Logo na entrada do bar, o frequentador já se depara com um ambiente bem climatizado. A decoração do bar foi produzida detalhadamente, de acordo com o conceito retrô; fotos artísticas, televisões antigas, discos de vinil, livros, videogames, mesa de bilhar, entre outros elementos que

compõem, com muito bom gosto, a estética do bar. “A decoração é muito pessoal, com exceção dos quadros. O resto tudo passou pela minha mão. Trabalho articulado, produzido por mim, para criar mesmo um conceito”. Quanto à música, o gênero da casa é basicamente o rock, abrindo espaço para outros estilos, como o samba raiz. Bandas da região, da capital mineira e de diversos lugares do país já se apresentaram no Retrô. O espaço é propositadamente pequeno, objetivando garantir conforto e privacidade aos frequentadores. No Retrô não é permitido o uso de câmeras fotográficas. Tarcílio explica que optou por essa decisão justamente para garantir a não exposição dos clientes que desejam mais privacidade. “Outros lugares já adotam isso. Optei por um ambiente reservado”. Além de proprietário, Tarcílio é quem cuida diretamente da produção dos shows. A entrevista com ele aconteceu em sua sala, que mais se assemelha a um estúdio de gravação. Computadores, monitores e microfones ocupam o espaço, que tem tudo a ver com o estilo pessoal de Tarcílio Vivas, que antes de ser o dono do Retrô já era amante fanático da música. Em nossa conversa, ele se lembrou dos dez anos da já extinta Banda Tribus, da qual era guitarrista. “De vez em quando ainda toco aqui, de maneira especial”, revela Tarcílio. A eficiência dos serviços de bar, atendimento e cozinha é garantida por uma equipe que conta com mais de 20 funcionários, sendo que a chefia da cozinha está desde o início nas mãos de dona Ana Vivas, mãe de Tarcílio. O gerente do bar, Luiz Felipe Mendes, é um dos fundadores. A perseverança dos fundadores, que acre-

São Tiago chega à 15ª Festa do Café com Biscoito, em parceria bem-sucedida JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Detalhes da decoração do bar no melhor estilo retrô

ditaram numa proposta culturalmente alternativa, vem garantindo o sucesso do empreendimento. O sucesso de público do Retrô ainda não convenceu Tarcílio a aumentar o espaço do bar, que comporta pouco mais de 200 pessoas – as poucas mesas disponíveis precisam ser reservadas com antecedência. “Já pensei em aumentar o espaço, inclusive tem um terreno aqui atrás que me possibilita isso. Mas não quero descaracterizar a ideia, o conceito. O Retrô é um bar para quem curte o que propomos”, explica. Tarcílio atribui o sucesso do Retrô também à equipe que trabalha em perfeita sintonia. “Agradeço a todos eles, que são responsáveis pelo sucesso do bar”. Quando se procura um local para se ouvir boa música, conhecer pessoas interessantes, vivenciar a rica cultura do passado musical e do cinema e ainda se deliciar com uma cerveja gelada e cardápio especial, este lugar se chama Retrô Cine Bar. Vale a pena conhecer e aproveitar o que o bar oferece de melhor.

Tarcílio Vivas, proprietário do Retrô Cine Bar

São Tiago chega à sua 15ª Festa do Café com Biscoito graças a uma parceria bem-sucedida que reuniu várias entidades empresariais no FOCEST (Fórum Cultural e de Empreendimentos de São Tiago). A entidade responsável pela organização do evento é formada por Credivertentes, Emater, Associação Comercial, Assabiscoitos, Cooperativa de Produção de Leite-CASTIL e Prefeitura Municipal. O sucesso da festa está ligado à pujança da indústria são-tiaguense de biscoitos, que já reúne mais de 60 produtores de pequeno, médio e grande portes. São vários tipos de biscoitos de polvilho (com e sem queijo), temperados (alho, cebola, pimenta, bacon, pizza, parmesão etc.), salgados (papa-ovo, escaldado etc.), amantegados, de fubá, doces (recheado com vários sabores), além de bolachas e rosquinhas (com diferentes sabores) e integrais (de aveia, uva passa, nozes, castanha etc.). A maior parte da produção é exportada para outras cidades mineiras e para estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Mas esse sucesso tem os seus problemas, como a falta de mão de obra, principalmente forneiro, enroladeira e empacotador, diz Adilson José de Campos, presidente da Associação São-Tiaguense de Produtores de Biscoitos (Assabiscoitos). “Muitos produtores não participam da festa por falta de mão de obra.” Outro problema é a inexistência de um polo industrial que reúna as empresas que atuam, direta e indiretamente, na produção de biscoitos, reclama Adilson. “Estamos conversando com o prefeito para conseguir a área para o condomínio industrial.” Incentivo fiscal e selo Criado em 2002, o FOCEST não apenas viabilizou a Festa do Café com Biscoito, mas também passou a realizar todos os eventos turísticos da cidade, conta Geraldo Sampaio, presidente de organização não governamental. Como proponente da Festa do Café com Biscoito junto ao Ministério da Cultura e à Secretaria Estadual da Cultura, o Fórum conseguiu a aprovação de incentivo fiscal para a realização do evento. Além disso, em 2011, o Fórum obteve financiamentos para projetos como o do Forno na Praça, relata Geraldo. “A partir da construção do Forno, o município passou a re-

ceber mensalmente o ICMS Turístico do Estado.” Outra conquista do FOCEST foi o “Ponto de Cultura” de São Tiago, que permitiu aquisição de equipamentos e instrumentos para o Centro Artístico Cultural de São Tiago, que atualmente atende cerca de 150 alunos de música. O Festa do Café com Biscoito e o Forno na Praça são formas de atrair turistas para São Tiago e divulgar a cidade dos biscoitos, diz Adilson. Tanto que na última década houve incremento visível no turismo local, bem como maior volume de vendas para outros municípios e estados, reforça Geraldo. “A chegada do Forno trouxe melhoria na qualidade do biscoito são-tiaguense. Atualmente, existem 17 expositores no Forno, com o produto de cada um próximo do concorrente”. Outro benefício do FOCEST, citado por ele, foi o “aumento da oferta de conforto, em áreas como farmácia, vestuário, material de construção e salão de beleza”. Recentemente, o INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) aprovou o selo de origem (indicação geográfica) em reconhecimento ao arranjo produtivo local. Presente e futuro Espera-se para este ano entre 40 e 50 mil visitantes na Festa do Café com Biscoito. Segundo Geraldo, até 2009 a frequência estava em torno de 15 mil pessoas. Com a introdução de shows, pagos, no estádio, houve maior divulgação na mídia e o número de frequentadores chegou a 20 mil em 2009; cerca de 30 mil, em 2010; em torno de 25 mil, em 2011; e 40 mil no ano passado. Entre os dias 14 e 15 deste mês, vários estandes na praça oferecem biscoito dos mais variados tipos (cerca de 5.500 kg) para degustação, além de produtos da agroindústria (mel, doces, queijo etc.) e artesanato típico do município para venda. Também são apresentados oficinas de teatro e dança para adultos e crianças, tendo o biscoito como referência, e shows musicais. Em termos de futuro, na visão de Geraldo, a Festa tende a caminhar para a realização de shows culturais que atendam públicos segmentados. Mas é preciso ultrapassar obstáculos como o problema dos banheiros públicos. “O ideal é o modelo de container, embora seja mais caro.”

Durante a festa, uma multidão de pessoas tomam as ruas de São Tiago


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O Verso e o Controverso

JOÃO MAGALHÃES

Os ovos do sábado Quando acordado, de madrugada, aí pelas duas ou três horas da manhã, amiúde fico ouvindo o contraponto sonoro dos galos, rompendo agradavelmente o silêncio tranquilizante de nossa urbe. Ainda há muitos galos, com suas companheiras, em nossas hortas. Por estes dias, um “barítono”, ligeiramente desafinado, começa aqui pelos meus lados, no Rosário, outro responde lá pelas bandas da Nova Resende, voz bonita, tenor de excelência, a conversa musical estende-se, ao longe, até para a estrada do Ribeirão e um melodioso diálogo de vozes forma-se, pausadamente, nos céus da pré-aurora de Resende Costa. E aí me vem à memória sensitiva o “Tecendo a manhã” do grande poeta pernambucano, João Cabral de Melo Neto: “Um galo sozinho não tece uma manhã: / ele precisará sempre de outros galos. / De um que apanhe esse grito que ele / e o lance a outro; de um outro galo / que apanhe o grito que um galo antes / e o lance a outro; e de outros galos / que com muitos outros galos se cruzem / os fios de um sol de seus gritos de galo, / para que a manhã, desde uma tela tênue, / se vá tecendo, em todos os galos...” Os pensamentos já voaram para as petecas que fazíamos de cascas de espiga de milho e que ficavam muito mais bonitas e coloridas quando as penas eram deles; para o matutino palpar das galinhas; também para os galos que encimavam nossos cruzeiros, já infeliz-

mente desaparecidos em sua maioria, alertando para a traição e arrependimento: “Pedro então lembrou-se da palavra que o Senhor lhe dissera: “Antes que o galo cante hoje, tu me terás negado três vezes. E saindo, chorou copiosamente” (Lc 22,61-62). Igualmente para o desiludido lamento de Jesus em Mateus 23,37: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha recolhe os seus pintinhos debaixo das suas asas...”. Dia destes, um sexteto emplumado levou-me à infância lá no Tijuco, naquela época praticamente um povoado-roça. Era uma alegria a chegada do comprador de ovos. Normalmente montado em burro bom de sela, na garupa dois balaios cilíndricos alongados, um de cada lado. Dentro, os ovos cuidadosamente embalados com palha de milho e acolchoados com capim. Ficávamos à espreita, porque algum ovo quebrado ou trincado podia aparecer. Era nosso presente... às vezes davam uma fritada boa. Melhor ainda quando saía do “embornal” (como pronunciávamos), algum “bico-de-doce”, alguma bala.... Aos sábados, porém, nenhum comprador aparecia. Sabia que neste dia as galinhas botavam para Deus. Os ovos eram separados e depois entregues à paróquia. Era uma prática sagrada, seguida religiosamente por todos os povoados, conforme

testemunhos, por exemplo, do povoado dos Pintos (José Silvério) e do Curralinho (Geraldo Evaristo). Lurdinha do Geraldo porteiro contou-me que, meninota ainda, saía pelos arredores, recolhendo, para ajudar o Padre Nelson. E é o próprio padre Nelson que registra esse religioso costume, há muito desaparecido, de que os mais idosos ainda se lembram. 1944, ano em que assume a paróquia. Mantendo sua ortografia: “entre as muitas coisas louváveis aqui em Resende Costa “encontrámos” o costume de se dar esmolas à Igreja Matriz, o “produto” da venda dos ovos recolhidos aos sábados, o proporciona à “Fábrica” [conselho que administra os bens de uma paróquia] uma “óptima” fonte de renda, tirando o “párocho” de sérios “apuros”, muitas vezes. Este costume foi aqui implantado pelo Revmo. P António Cândido Rocha, hoje “párocho” em Desterro do Mello, quando coadjutor do Revmo. P. Heitôr de Assis”. (Livro do Tombo, vol. 1-1944-fl. 3). Lurdinha disse-me que alguém falou-lhe que há uma senhora, bem velhinha, que segue este costume até hoje. E as missas do galo? Tão mágicas! Verdadeiros réveillons religiosos dos velhos tempos. Alvoroço de nossa infância! Salve, galos! Um brinde a vocês com uma pinguinha com vermute, o saudoso rabo-de galo... que o vento levou!

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Contemplando as Palavras

REGINA COELHO

Sala de aula (Final) Vista sob a ótica de quem conduzia as aulas, a vida de estudante era um capítulo à parte, com variadas formas de comprometimento em relação às atividades escolares e às responsabilidades delas decorrentes. Nesse sentido, havia quem fizesse “corpo mole” ou estivesse só de “corpo presente” na sala de aula ou tirasse o “corpo fora” dos compromissos estudantis. Em compensação, havia os que se empenhavam nos estudos de “corpo e alma”. Dia de prova quase sempre era sinônimo de tensão: o roer das unhas, santinhos colocados estrategicamente sobre as mesas de trabalho, orações piedosas, promessas em busca de uma boa nota ou de aprovação e, às vezes, o choro incontido por toda aquela situação. Na falta de estudo podia sobrar a malandragem dos que viam a “cola” como um recurso válido para um desempenho melhor. Não faltavam outras artimanhas também para a obtenção dos necessários pontos para a média. Isso da parte de alguns, é verdade, os espertinhos de sempre. Da parte de muitos, é preciso dizer, estudar era realmente a prioridade. Estudantes de nome ou de fato, isso pouco importa, numa determinada época, eu e eles estivemos juntos por uma bela causa: o ensino e a aprendizagem. Hoje os tempos são outros. Em minhas andanças pela cidade, continuo a ver inúmeros dos agora meus ex-alunos. Há também os distantes fisicamente. Por onde andarão? Há aqueles que se tornaram colegas e/ou amigos. E ainda os falecidos, de muitos anos já passados, quando se foram tão adolescentes, e aqueles ausentes dos anos de agora. Naqueles tempos de entusiasmo estudantil, fui testemunha em sala de aula e fora dela de grandes sonhos acalentados para quando a vida adulta chegasse. E então formamos boas parcerias de trabalho. Sem qualquer intenção de ser original, recorro a Guimarães Rosa com o propósito de reafirmar que “o mestre é aquele que de repente aprende”. E assim foi. Da convivência e da experiência no cotidiano escolar, recebi e aprendi importantes lições de vida. P.S. Dedico essa matéria, iniciada na edição anterior, a todos os meus ex-alunos, personagens com os quais construí minha história como profissional da educação.

Maratona intelectual “Felicidade!/ Passei no vestibular/ Mas a faculdade/ É particular.” Os versos iniciais de “O pequeno burguês”, composição de Martinho da Vila gravada pelo próprio no longínquo 1969,

sintetizam com perfeição duas realidades vividas por muitos numa determinada fase da vida. De fato, é mesmo um acontecimento bastante feliz a aprovação ao vestibular, concurso instituído no Brasil em 1911 pela Reforma Rivadávia Correa. Para uma significativa parcela dos aprovados, no entanto, passada a euforia pela vitória, vem a preocupação decorrente do pagamento das mensalidades (entre outras despesas) cobradas pelas escolas particulares de ensino superior no país. Quarenta e quatro anos depois do lançamento da música em questão, a situação nela retratada continua atual, ainda que se leve em conta a presente adoção de políticas públicas de apoio aos estudantes menos favorecidos economicamente. Acontece que, para as boas instituições de ensino superior, sejam elas públicas ou privadas, a concorrência hoje é brutal. E pior, é desleal, quando se sabe que não são oferecidas as mesmas condições de estudo para todos. Em outras palavras, em grande parte das escolas públicas brasileiras, falta ainda uma qualificação melhor no ensino de base. E a barreira a ser transposta atende pelo nome de vestibular, ou melhor, pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Momento decisivo na vida de milhões de estudantes brasileiros, o tradicional vestibular já há alguns anos vem perdendo força com a crescente utilização de outros processos seletivos para o ingresso à faculdade. A “bola da vez” é o ENEM, superconcurso com impressionantes 7,17 milhões de inscritos em 2013, a ser realizado em 26 e 27 de outubro. Abrangendo todo o território nacional, o exame é constituído de quatro provas objetivas, cada uma com 45 questões de múltipla escolha e tratando de áreas de conhecimento do Ensino Médio. Com peso de ouro, a temida redação é exigência quase prioritária. Sobre seu sistema de correção, houve três mudanças: a proibição do deboche, a exigência do domínio da norma culta para recebimento da nota máxima e a redução da discrepância (diferença) nas notas de dois corretores para uma mesma redação. A intenção é evitar piadas e gracinhas nos textos (vide receita de “miojo” e letra do hino do Palmeiras no ENEM 2012), redações nota 1000 com erros de ortografia como “enchergar”, “rasoavel” e/ou de concordância verbal, acentuação gráfica e pontuação (em 2012 também). E haverá agora uma observância maior quanto à interpretação subjetiva dos responsáveis pela nota final de cada produção de texto. Havendo necessidade, a opção é pela média aritmética. Grosso modo, é isso. Como se vê, está em curso uma verdadeira maratona intelectual no Brasil. Uma boa preparação a todos e que vençam os melhores.


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Gente que fez e faz a história

Economia & Negócios

Abel Lara (1924 – 2013) ANDRÉ EUSTÁQUIO “Um homem de respeito, modesto em seus hábitos, destacando-se pela simplicidade e pelo amor à literatura, aos clássicos e à boa música”. Foi com essas palavras que os familiares de Abel Lara, falecido no dia 19 de junho último, aos 88 anos, o definem. Há dez anos, Abel concedeu uma entrevista especial ao Jornal das Lajes durante a qual, entre um trago e outro de whisky, uma das suas paixões, visitou o passado e rememorou as lembranças da terra que tanto amava. O encontro com Abel Lara aconteceu nas Lajes de Cima no dia 24 de agosto de 2003. Naquela ocasião o JL estava nascendo, publicávamos a 6ª edição. Em cada pauta de edição constava ir ao encontro da memória de Resende Costa, da sua história, de fatos e pessoas marcantes. E foi justamente nessas andanças pelas entranhas de Resende Costa que nos encontramos com o poeta, apaixonado e vibrante filho da terra que presenteou sua amada com os versos que compõem o hino oficial do município (letra e música). Abel entregou o Hino de Resende Costa durante as festividades de inauguração da COPASA em 1981, momento importante para a cidade. Abel Lara encontrou na poesia o caminho mais curto e ao mesmo tempo perfeito para aproximar seu coração da sua amada Resende Costa. “Ó berço, que me viu che-

gar na vida / No aconchego de um lar abençoado / Você parece a Terra Prometida / Que Israel procurou do outro lado. Terra de minha gente e não só minha / A saudade que sempre em mim se aninha / Faz o espaço entre nós diminuir” (versos do poema Minha Terra, de Abel Lara). Na infância, Abel teve sua alma marcada para sempre pela cultura lajeana. Cultivou sólidas amizades, estudou, foi coroinha do padre Heitor de Assis, pároco de Resende Costa na década de 1930; na igreja matriz de Nossa Senhora da Penha sentiu brotar o pendor para a religião e para o latim. “Sou católico apostólico romano”, afirmou convictamente Abel ao JL, em 2003. O coroinha do padre Heitor partiu para o Seminário Menor de Mariana em 1939, aos 14 anos. Abel dizia que o seminário o possibilitou descobrir e aperfeiçoar sua vocação artística enquanto desenhista, escultor e escritor. Porém, sua passagem pelo seminário foi breve. O falecimento de sua mãe o trouxe de volta a Resende Costa, dando início a uma nova etapa em sua vida, sem, no entanto, apagar as marcas indeléveis da religiosidade em sua personalidade. “Se mamãe não tivesse morrido, hoje eu seria bispo”. Em 1953, Abel Lara publicou Alma Atormentada, livro de sonetos e poemas que o credenciou a

Poeta Abel Lara, autor do Hino de Resende Costa

prestar vestibular e assim ingressar na Universidade Católica de Minas Gerais, atual PUCMinas, em Belo Horizonte, onde bacharelou-se e licenciou-se em Letras Clássicas, em 1961. Como professor, Abel lecionou Português, Literatura Portuguesa, Literatura Brasileira e Latim. Além de professor, trabalhou como bancário e com produtos farmacêuticos. O poeta que deixou escritos aproximadamente 200 sonetos, era membro da Academia Municipalista de Letras do Estado de Minas Gerais, cujo patrono foi o inconfidente e conselheiro José de Resende Costa, o filho. Abel pertenceu também à União Brasileira de Trovadores e à Academia Mineira de Trovas. “Tornou-se um poeta consagrado, sonetista de escol, trovador de primeira grandeza. Ele foi um expoente das palavras, da métrica e da rima; homem de uma cultura invejável”, disse sua filha Ana Rita, que se orgulha ao dizer que seu pai obteve inúmeras homenagens póstumas, entre elas, o fato de o prédio onde morou por mais de 40 anos em Belo Horizonte, a partir de agora passa a se chamar Edifício Professor Abel Lara. Abel Lara nasceu em Resende Costa no dia 16 de novembro de 1924. O filho de João Evangelista Lara e Ana Antonia Lara teve nove irmãos: Marica, Zizinha, Iêta, Nair, Adalgisa, Elzi, Onofre, José e Plínio. Foi casado com Nilse Gonçalves Lara durante quase 50 anos. Sua esposa faleceu dias antes das bodas de ouro. Abel e Nilse Lara tiveram duas filhas, Ana Rita e Nair Cristina, e os netos André Luiz, Luiz Henrique e João Victor. Em suas andanças pelas trovas da vida o inevitável aconteceu, Abel encontrou-se com aquela que à espreita e sorrateiramente procura a todos nós. O encontro foi breve e súbito como a declamação de um verso simples. O poeta que tanto amou as letras, a religião católica, a família e sua terra natal, partiu para onde repousam os imortais. Abel não temia a morte. A sua fé inabalável lhe assegurava que o encontro ocorrido subitamente no dia 19 de junho de 2013 seria somente a transição para a eternidade. “Não sinto medo da morte / Pois pela fé não me engano / A vida não sofre corte / Vai seguindo em outro plano” (Abel Lara).

Pesquisa voltada para o comércio local terá início em setembro Será desenvolvida em Resende Costa, com os empresários da tecelagem tradicional local, uma pesquisa que tem como objetivo analisar a Inteligência Competitiva e Cooperação em Arranjos Produtivos Locais (APL) de Minas Gerais. O trabalho será financiado pela Fundação de Apoio a Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e coordenado pela professora Cristiana Fernandes de Muylder, da Universidade FUMEC, de Belo Horizonte. O professor resende-costense, Gustavo Melo Silva, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), apoiará o projeto, que terá início em 17 de setembro. “Entende-se que em todos os ambientes de negócios, a competição é real e as empresas devem buscar se diferenciar ou unir para competir. Os processos que geram competência em competir podem ser denominados por Inteligência Competitiva. Assim, os processos de Inteligência Competitiva nas empresas e aglomerados produtivos se apresentam como uma opção na geração de competências e consequentemente em benefícios aos negócios e para as regiões”, esclareceu Cristiana Muylder. A pesquisa em Resende Costa conta com o apoio da Prefeitura Municipal. Os professores explicaram que um resende-costense estudante da UFSJ irá percorrer todas as empresas da cidade, do ramo de confecções e fabricação de produtos têxteis, para coletar dados sobre as trocas de informações do setor, retratando a cooperação e formação estratégica do APL. “Especificamente, os proprietários ou até mesmo seus empregados, quando autorizados, serão questionados sobre o interesse de trocas de informações sobre o seu negócio com outras empresas e/ou comerciantes do APL (mesma atividade e ramo na sua cidade ou região), com o objetivo de proporcionar a melhoria do conhecimento local sobre o mercado interno e ambiente em que atuam”, afirmou Cristiana. Segundo a coordenadora, os questionários que serão aplicados demandarão pouco tempo dos entrevistados, e todos os dados dos respondentes serão sigi-

EMANUELLE RIBEIRO losos e abordarão apenas quais os interesses dos empresários em buscar informações sobre o mercado. “As questões são muito simples. Por exemplo, os empresários locais serão perguntados se têm pouco ou muito interesse em trocar informações, ideias ou sugestões sobre fornecedores com outros empresários participantes do APL de Resende Costa”, acrescentou. A partir das respostas de todos os empresários poderão ser desenvolvidas estratégias de atuação do setor para viabilizar essa troca de informações, a fim de assegurar que os empreendimentos locais possam competir de forma harmoniosa e mais ágil frente aos novos concorrentes. Após a coleta de dados, os mesmos serão trabalhados e os resultados serão expostos com o auxílio da Prefeitura de Resende Costa. De acordo com a professora Cristiana, será promovido um encontro com os empresários envolvidos, para que estes possam agregar valor aos seus negócios e gerar estratégias para competir e discutir novos nichos de negócios com foco no desenvolvimento empresarial e municipal. O professor Gustavo Melo destacou que os resultados dos trabalhos coordenados por Cristiana, associados a resultados de trabalhos desenvolvidos por ele e por outros docentes da UFSJ, proporcionarão o desenvolvimento de um evento para que os pesquisadores possam apresentar os resultados de seus trabalhos: “Faremos uma parceria com a Prefeitura Municipal para que isso aconteça. Assim, os resultados poderão ser discutidos com as lideranças empresariais e políticas locais”. A coordenadora do projeto salienta que a pesquisa é dos empreendedores locais e, para que os trabalhos tenham os resultados esperados, é fundamental a participação de todos: “O cenário empresarial de Resende Costa é de vocês e somente você, empresário, pode nos ajudar para que a pesquisa se torne um sucesso e todas as informações geradas saiam do papel e alavanquem ainda mais a economia e o desenvolvimento da região”, concluiu Cristiana Muylder.


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Giro Esportivo

EMANUELLE RIBEIRO

Torcida Sangue Azul se expande e representa Resende Costa em Minas No último 14 de agosto, a Torcida Organizada Sangue Azul (TSA) completou um ano de fundação em Resende Costa. E o interessante é constatar que mesmo com pouco tempo de atuação a torcida já se expandiu para outras quatro cidades da região, mantendo a sede aqui em Resende Costa. Só na sede já são 288 membros cadastrados, um número bastante significativo. Em todo canto é possível encontrar membros uniformizados da TSA. Pela evolução da torcida em tão pouco tempo ela ganhou espaço nessa edição da coluna Giro Esportivo. O que me chamou a atenção nesses últimos meses foi a organização da torcida, liderada pelo nosso amigo Paulo César, o Tatu. A primeira ação da diretoria foi registrar a TSA. Depois veio a expansão para as subsedes localizadas em São Vicente de Minas, Lagoa Dourada, Prados e Barbacena. “Queria agradecer ao Wendell Silva, presidente da TSA de São Vicente, por ter sido o primeiro a acreditar em nosso projeto de expansão e também aos diretores de cada subsede”, disse Tatu. Segundo o diretor, todas as ações das subsedes devem ser comunicadas em primeira mão à TSA Resende Costa. A Sangue Azul vem ganhando nome como uma torcida bem estruturada que vem divulgando o nome do Cruzeiro na região das Vertentes. Tanto que quando foi levada para São Vicente de Minas, a TSA movimentou o município, atraindo muitos torcedores à festa de inauguração, que contou com a presença de mais de 40 resende-costenses. As outras subsedes também receberão eventos desse porte na apresentação da torcida.

É impressionante ainda a frequência dos membros da TSA no novo estádio Mineirão, casa que vem fazendo muito bem ao Cruzeiro nessa temporada. Não acredita? Pois bem, a Sangue Azul esteve em 80% dos jogos da Raposa no Mineirão em 2013 e ainda foi representada nas partidas em Sete Lagoas, Varginha, Juiz de Fora, Volta Redonda, Rio de Janeiro (Maracanã) e São Paulo (Morumbi). Tatu explicou: “A parceria que temos é com nossos membros, que mesmo com ingressos caríssimos, têm viajado sempre para ver nosso Cruzeirão jogar. Desde já, em nome de toda a diretoria, agradeço a todos que tem nos ajudado a representar sempre a torcida nos jogos”. Com certeza o torcedor resende-costense que gosta de acompanhar os jogos de futebol pela TV já viu a faixa da Sangue Azul estampada no Mineirão ou em outros estádios. Eu sempre vejo e, inclusive, percebi também a presença da torcida em Juiz de Fora através da logomarca da TSA. Considero essa participação importante principalmente para a divulgação do nome de Resende Costa no cenário esportivo. “Depois que o Mineirão foi reinaugurado, faixas e bandeiras foram proibidas de entrar no estádio. Todas as torcidas organizadas do Cruzeiro se uniram para protestar de forma pacífica para a volta dos materiais. A Sangue Azul se fez presente com faixa e bandeira do lado de fora do Mineirão junto com as maiores organizadas do time. O protesto deu resultado e, depois da liberação, sempre comparecemos nos jogos levando nossa faixa oficial (12 metros) e também nosso bandeirão, padrão da torcida (4,5m por 4,5m)”, contou Tatu. E não é somente nas trans-

missões de jogos que a Sangue Azul aparece na TV. Neste ano, a torcida se fez presente em um dos programas esportivos mais assistidos pelos mineiros, o Alterosa Esporte. O representante azul, Vibrantinho, levou uma camisa da TSA para a bancada e a exibiu durante dois programas. Ele recebeu o uniforme de algum membro da torcida em jogo no Mineirão. Outro fato que vale destacar é que a Sangue Azul já esteve também em treinamentos do time principal do Cruzeiro em abril deste ano. A visita aconteceria apenas no ano que vem, mas pelas atividades realizadas pela torcida, o Setor de Marketing do clube acabou antecipando em um ano a presença da TSA na Toca da Raposa. Os torcedores puderam ver de perto seus ídolos e ainda tirar fotos no Centro de Treinamento. O sucesso da torcida pode ser diretamente ligado ao sucesso do time. O Cruzeiro é, sem dúvidas, um clube vencedor e esse ano está com tudo em busca de mais títulos. No início do ano, disputando o Campeonato Brasileiro, eu via o time como um candidato à vaga na Libertadores. Com o desenrolar do campeonato, acredito que a Raposa é uma das favoritas ao título, tendo adversários fortes como Grêmio e Corinthians. O Cruzeiro tem elenco forte e ganhou a cara da equipe do técnico Marcelo Oliveira, que sabe escalar o time e tem opções de ouro no banco. Tudo tem dado certo e espero que Minas levante também a taça do Brasileirão 2013. Enquanto isso, a Sangue Azul continuará apoiando o time no estádio e segue a meta de conseguir a sede em Resende Costa para unir cada vez mais a família celeste.

Série “Campeões brasileiros” O campeão de 1981 é o Grêmio! O Tricolor Gaúcho venceu o São Paulo por 1x0 na grande final. Apesar da conquista, o Grêmio demonstrou certa irregularidade ao perder sete partidas. O Tricolor superou suas deficiências, mesclou a jovialidade com a experiência, derrotou 14 adversários e conquistou dois empates em 23 jogos. O Grêmio balançou a rede em 36 oportunidades e sofreu 21 gols. O maestro do time, Paulo Isidoro, foi o craque do ano. Com o meia no gramado, o Grêmio conseguiu uma sequência de 42 jogos

CLASSIFICADO Vende-se um terreno com seis lotes, onde está localizada uma casa. Interessados tratar no endereço: Rua Jacarandá, 36, bairro Tijuco.

sem derrotas entre 1981 e 1982. O flamenguista Nunes marcou 16 gols e foi o artilheiro. O vice São Paulo revelou Paulo César Capeta. Os gremistas Leão, Paulo Roberto, Newmar, De León, Casemiro, China, Paulo Isidoro, Vilson Tadei, Tarciso, Baltazar e Odair conquistaram o Brasileirão sob o comando de Ênio Andrade. Atlético e Cruzeiro não foram bem na classificação final: o Galo ficou em 14º e a Raposa em 19º lugar. O mico de 81 aconteceu fora de campo: os gandulas ganharam mais destaque do que os jogadores

na semifinal entre São Paulo e Botafogo no Morumbi. O atraso na reposição de bola virou alvo de críticas e a atuação do árbitro Bráulio Zannoto foi questionada. O ano é marcado ainda por um casamento que virou o foco das câmeras do mundo. Em Londres, o Príncipe Charles trocou alianças com a então plebeia Diana. A cerimônia e a carruagem circulando pela capital inglesa fizeram os súditos voltarem a acreditar em contos de fadas.

Galaxy disputará Campeonato Regional Começa na segunda quinzena de setembro o Campeonato Regional de Futsal, que terá a participação de times locais. A competição é dividida em quatro categorias, sendo cada uma composta por quatro times: sub-11, sub-13, sub-15 e sub-17. A Escola de Futsal Galaxy irá competir nas categorias sub-11 e sub-13. O campeonato reúne equipes como o Athletic Club, de São João del-Rei, além de times de Barroso, Santa Cruz de Minas, Tiradentes e de outras cidades vizinhas. O coordenador da Escola Galaxy, João Vítor de Assis, explicou que o torneio adotará o sistema de turno e returno, se estendendo até o mês de novembro. O Campeonato Regional de Futsal é importante no sentido de apoiar e desenvolver as habilidades dos atletas das fases iniciantes, e a organização se preocupa com a excelência do evento, tanto que os árbitros precisaram se capacitar para atuarem em jogos dessas categorias

de base, uma vez que as regras sofrem algumas alterações em relação às adultas. A Escola Galaxy completou cinco anos de fundação no último dia 8. O projeto tem sido fundamental no intuito de desenvolver a educação de jovens e o seu potencial através do esporte. João Vítor deixou seu recado: “Esse ano fomos convidados a jogar esse regional, que será bem disputado, com equipes de grande nível. Estamos com boas equipes no sub-11 e sub-13, e vamos entrar pensando alto nessa competição. Contamos com o apoio de nossa torcida nos jogos em casa e, fora de casa, tentaremos o melhor resultado. Sabemos que é difícil vencer equipes de cidades maiores, mas temos vários atletas de potencial com grandes condições de defender Resende Costa à altura. Obrigado a todos que nos apoiaram e ainda nos apoiam”. E.R.

Faixa da Torcida Sangue Azul aparece frequentemente nas transmissões dos jogos do Cruzeiro


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