10 anos
AGOSTO 2013
ANO X - Nº 124 Resende Costa - MG
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Distribuição Gratuita
Cartões-postais de Resende Costa necessitam de revitalização Foto Emanuelle Ribeiro
Resende Costa realiza 34ª Exposição Agropecuária Aconteceu entre os dias 18 e 21 de julho a 34ª Exposição Agropecuária de Resende Costa. Além das atrações musicais, o evento contou com diversas atividades voltadas ao produtor rural. Neste ano, a festa apresentou mudanças na programação e também na estrutura do Parque de Exposições de Resende Costa.
Santa Cruz de Minas é considerado o menor município do Brasil, com área de 3,3 km2. Emancipada em 1995, a cidade tem cerca de 132 oficinas artesanais, mas busca consolidar-se como centro turístico, para atrair os visitantes que fazem do município um corredor de passagem entre São João del-Rei e Tiradentes. Página 12
Páginas 06, 07 e 08
Coronel Xavier Chaves é exemplo na região
Obras paralisadas causam transtornos As obras da rede de esgoto estão paralisadas desde o final do ano passado. Transtornos causados à população em alguns bairros, como ruas esburacadas e calçamentos defeituosos, são algumas das heranças deixadas pela empreiteira Soenge, responsável por executar as obras até a sua paralisação. Página 03
Santa Cruz de Minas encerra a série “Política Regional”
Mato, lixo e esgoto maculam a paisagem nas Lajes de cima.
Há anos o poder público municipal abandonou o que se considera os principais cartões-postais de Resende Costa, as Lajes de cima e de baixo. Localizadas no centro da cidade, as lajes recebem turistas diariamente e são o ponto de en-
contro dos resende-costenses que não se cansam de admirar a belíssima paisagem que o local oferece. Lugar agradável para passear, encontrar amigos, namorar, prosear, mas que infelizmente se encontra abandonado. Entra governo, sai governo e a
sujeira, a pouca luminosidade e a ausência de placas indicativas confirmam que o poder público ainda não acordou para o imenso potencial turístico que as lajes oferecem a Resende Costa. Página 04
Há 13 anos, não existe lixão em Coronel Xavier Chaves, que é pioneiro em reciclagem de lixo na microrregião Campo das Vertentes, com sede em São João del-Rei. A Usina de Triagem e Compostagem de Lixo, construída no primeiro mandato do prefeito Elder Sávio Silva, processa atualmente entre 1700 e 1800 kg de lixo por dia. Página 13
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Jornal das Lajes
E D I T O R I A L
O legado da JMJ A Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que aconteceu no Rio de Janeiro entre os dias 23 e 28 de julho, deixou saudade aos milhares de jovens que se reuniram na cidade maravilhosa para o encontro com o papa Francisco. Além de saudade, a JMJ deixou um legado importante àqueles que ouviram o papa falar de inclusão e justiça social. Semanas atrás, as ruas de diversas cidades do país tornaram-se palco de manifestações populares oriundas do descontentamento do brasileiro com as instituições políticas e a precariedade dos serviços públicos. Essas manifestações propositadamente eclodiram durante a Copa das Confederações, também como sinal de repúdio aos bilhões de reais gastos na construção de luxuosos estádios para a Copa do Mundo, que será realizada no Brasil no ano que vem. Temia-se, por isso, pela segurança do papa, bem como dos jovens peregrinos provenientes de diversas partes do mundo. Apesar dos temores quanto à segurança, a expectativa para a visita do primeiro papa latino-americano ao Brasil crescia à medida que a data para o início da JMJ se aproximava. Felizmente não houve agressão ao papa e a nenhum peregrino da JMJ. Já em solo brasileiro, o primeiro discurso do santo padre deu o tom da sua visita. Dirigindo-se à presidente Dilma Rousseff, o papa disse em voz serena e sedutora: “Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo! Venho em seu Nome, para alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada coração”. Aplausos de toda a plateia presente no Palácio da Guanabara ao humilde pedido de boas-vindas. Naquele momento, o Brasil inteiro abraçou Francisco, abrindo-lhe suas portas. O carisma, a gentileza e a humildade do papa Francisco não conquistaram somente a juventude católica. Políticos, jornalistas, intelectuais, entre tantas personalidades que acompanharam de perto a JMJ, receberam de mente e coração abertos a sua proposta de uma Igreja voltada aos pobres, de um mundo que promova a inclusão dos jovens e idosos, que mate a fome dos pobres e que lute pelo diálogo profícuo entre nações e religiões. Francisco, em seu discurso de despedida, disse emocionado que o Brasil lhe deixara muita saudade. Afinal, ele viu muitas coisas aqui: O Brasil mostrou ao papa que o trânsito nas nossas cidades é mesmo caótico (o santo padre ficou preso em um congestionamento no centro do Rio de Janeiro logo que chegou), mostrou que a desigualdade social ainda é uma chaga aberta que jorra muito sangue (Francisco viu a pobreza de perto em visita à favela da Varginha), mostrou porém que também somos um povo de paz e acolhedor (Francisco andou pelas ruas do Rio de Janeiro com a janela do carro aberta, não recebeu socos, nem foi vítima de atentado, mas de apertos de mão e de súplicas por bênçãos). O papa sentiu no Brasil o pulsar de uma igreja viva. Ele contemplou o rosto sofrido, emocionado, esperançoso e carente do seu rebanho. No Brasil, a juventude fez o papa sorrir. Aqui ele encontrou terreno fértil para lançar a semente que poderá fazer germinar uma Igreja voltada ainda mais aos pobres, e conclamar a juventude a ser protagonista das grandes mudanças das quais o mundo necessita. Na Idade Média, um certo Francisco de Assis mudou os rumos da Igreja e também da ordem política e econômica vigente através do seu exemplo de simplicidade, pobreza e despojamento. Na era do capitalismo global, o papa Francisco revive o espírito do pobrezinho de Assis e assim cativa os jovens, fortalece a Igreja, acanha os poderosos em seus tronos e palácios e propõe ao mundo um novo modelo alicerçado na inclusão, no diálogo e na paz. Eis o legado da JMJ Rio 2013!
Jornal das Lajes Ltda
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Fundado em 22 de janeiro de 2008 Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro
Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000
Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Diretor de redação: Rosalvo Pinto
Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP
Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte
Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves
Tiragem: 4000 exemplares
Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto
Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Tiradentes
Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
ANO X Nº 124 - AGOSTO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Meio Ambiente
ADRIANO VALÉRIO RESENDE
Pensando a questão do lixo em Resende Costa No dia 2 de agosto fez exatamente três anos da promulgação da Lei Federal nº 12.305/2010 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Você deve estar se perguntando: o que essa lei interfere na nossa vida? Podemos dizer que muita coisa. E se definirmos a expressão resíduos sólidos como: “material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade”. Ainda com dúvida, e se a trocarmos pelo seu sinônimo mais conhecido: lixo. Agora você entende a importância da lei. A lei trata de vários assuntos, dentre outros: áreas contaminadas, coleta seletiva, disposição e destinação adequada do lixo, logística reversa dos resíduos, padrões sustentáveis de produção e consumo, reciclagem, responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, serviço público de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos. Restringiremos-nos a falar sobre esses dois últimos. Outra base legal importante na questão dos resíduos sólidos urbanos é a Lei Federal nº 11.445/2007, que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico. Nela foram definidas as responsabilidades do poder público municipal no tocante à questão: “coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e vias públicas”. Um dos grandes problemas a ser solucionado pela Prefeitura Municipal de Resende Costa é justamente este: des-
tinação final do lixo doméstico. Legalmente, toda Prefeitura é obrigada a dispor ambiental e adequadamente os resíduos sólidos urbanos em aterros, “observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos”. Resende Costa possui um Aterro Controlado, que é um local, devidamente cercado e identificado, onde os resíduos são dispostos geralmente em valas e cobertos com terra. O Aterro Municipal está localizado em uma área rural comprada pela Prefeitura em 1999, distante 6,5 km do centro da cidade, num local denominado Picada. No Aterro são depositados diariamente cerca de dez toneladas de lixo. Isso mesmo, dez toneladas. Saiba que você, morador resende-costense, produz aproximadamente 01 kg de lixo por dia? Uma questão é preocupante: a vida útil estimada para o Aterro era de no máximo dois anos, segundo o Relatório de Vistoria elaborado pela Fundação Israel Pinheiro, parceira da Fundação Estadual do Meio Ambiente – FEAM, datado de 2011. Então, em 2013 a Prefeitura não teria mais lugar, ambientalmente adequado, para dispor o lixo gerado na cidade. Acrescenta-se ainda outra situação: a Prefeitura tem dificuldades para localizar e adquirir uma área ambientalmente adequada para disposição de lixo. Atualmente, para aumentar a vida útil do Aterro, os resíduos estão sendo amontoados
inadequadamente e misturados com terra, o que praticamente transforma o Aterro Controlado em Lixão. Essa é uma forma inadequada de disposição de lixo no solo, sem critérios técnicos e medidas de proteção ambiental ou à saúde pública. Se você não conhece o local onde é disposto o lixo gerado na cidade, faça uma visita ao Aterro Municipal. Recentemente, na Câmara Municipal, por meio do Projeto de Lei 63/2013, de 27 de maio, foi autorizada a contratação de consultoria para elaboração do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos. A Prefeitura optou pela elaboração e implementação de plano intermunicipal, através da AMVER, o que é facultado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos. No Plano serão apontadas e descritas as ações relativas ao tratamento a ser dado aos Resíduos Sólidos Urbanos gerados na cidade: geração, segregação, acondicionamento, coleta (convencional ou seletiva), transporte, tratamento e disposição final. Trocando em miúdos, a Prefeitura deu o primeiro passo para resolver, em nível regional, a questão da disposição ambientalmente adequada dos resíduos sólidos urbanos gerados na cidade. Mas, em nível local, ainda devem ser realizadas três ações principais: adquirir uma nova área para implantação de um novo Aterro Controlado, construir uma Usina de Triagem e Compostagem e melhorar a coleta seletiva.
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ANO X Nº 123 - JULHO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
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Informativo da Câmara O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.
Confira alguns dos projetos de lei aprovados nos meses de julho e agosto Projeto 68 - autoriza abertura de crédito e dá outras providências (aquisição de veículo a ser usado pela Secretaria Municipal de Saúde). Projeto 69 - autoriza o Poder Executivo a contratar financiamento junto ao Banco do Brasil S/A e dá outras providências (aquisição de máquinas e equipamentos). Projeto 70 - dispõe sobre a doação do imóvel reservado ao município à Com-
Projeto 72 - autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação Instituto Rio Santo Antônio, para o repasse de recurso e dá outras providências (convênio firmado com o IRIS).
panhia de Habitação do Estado de Minas Gerais – COHAB, MG, na forma e condições que especifica. Projeto 71 - concede isenção tributária de Imposto de Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN) e Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPT) para viabilizar a implantação do programa habitacional dos governos federal e municipal e dá outras providências.
Projeto 73 – altera a Lei Municipal n º 3.438, de 4 de fevereiro de 2011 e dá outras providências. Projeto 74 - autoriza cessão temporária do Ginásio Poliesportivo Monse-
nhor Nelson e dá outras providências (realização do 2 º torneio intermunicipal de voleibol). Projeto 75 - declara de Utilidade Pública a Associação dos Artesãos de Nossa Senhora de Fátima. Projeto 76 - altera o Anexo I da Lei Municipal n º 3619, de 29 de junho de 2012 que dispõe sobre as diretrizes para elaboração da lei Orçamentária do município de Resende Costa, MG,
para o exercício financeiro de 2013 e dá outras providências. Maiores informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município. Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
Cidade
Verba de R$ 3,12 milhões para rede de esgoto de Resende Costa aguarda licitação ANDRÉ EUSTÁQUIO / JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE O Conselho da Copasa aprovou, em 24 de junho último, recursos no valor de R$ 3,12 milhões para a continuidade das obras da rede de coleta e tratamento de esgoto de Resende Costa. A liberação da verba está dependendo agora de publicação e licitação, de acordo com o gabinete do deputado estadual Rômulo Viegas. A assessoria do deputado garante que este processo será rápido. As obras da rede de esgoto estão paralisadas desde o final do ano passado. Entre os motivos para o atraso, está a dificuldade em instalar as tubulações na parte mais alta da cidade. Transtornos causados à população em alguns bairros, como ruas esburacadas e calçamentos defeituosos, são algumas das heranças deixadas pela empreiteira Soenge, responsável por executar as obras até a sua paralisação.
No editorial da edição de junho, o JL defendeu que, ao retomar as obras, Copasa e Prefeitura priorizem a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) e a ligação da rede de coleta já concluída nos bairros mais baixos, deixando a parte mais alta da cidade para a etapa seguinte. Na oportunidade, o JL argumentou que a rede já implantada vem se deteriorando pelo não-uso ou estaria recebendo ligações clandestinas. Além disso, a implantação da rede no centro restrito da cidade será obra difícil e lenta, “um trabalho artesanal” na definição do especialista Jorge Hannas Salim. Ruas esburacadas Em alguns bairros da cidade onde a rede de coleta foi concluída, a situação deixada pela empreiteira Soenge é caóFotos André Eustáquio
tica. A reportagem do JL visitou os lugares mais críticos, embora em outros bairros não visitados pela reportagem, como Nova Resende e Santo Antônio, a situação de diversas ruas também seja caótica. Na Rua Vereador José Pergentino de Sousa, bairro Várzea, o calçamento está totalmente defeituoso: manilhas de água pluvial quebradas, remendos mal feitos e chão abatido são apenas alguns dos problemas. De acordo com o secretário de Obras da Prefeitura Municipal, Adelmar Aarão, o trabalho de repavimentação das ruas foi mal executado: “terá que ser tudo refeito, pois faltou compactar o terreno antes de calçar”, disse. Nas ruas Vereador Antônio Salomão, próxima à Fonte da Ilha, e Sebastião Rodrigues Vale, bairro Varginha, os problemas são os mesmos, ou seja, calçamento irregular, o que dificulta o trânsito de veículos e até mesmo de pedestres. Porém, o problema do calçamento se torna menor quando comparado ao esgoto que corre a céu aberto em algumas ruas, despejado de algumas residências. Na Rua Vereador José Pergentino, que fica próxima à Copasa, o esgoto escorre ao lado da calçada e ainda corta a rua paralela, exalando mau cheiro. O problema se repete em algumas ruas do bairro Bela Vista, poucos metros acima do local onde está sendo construída a ETE. Estação de Tratamento
Calçamento danificado e esgoto a céu aberto em rua próxima a COPASA
Um dos graves problemas oriundos das obras inacabadas da rede de esgoto são as ligações clandestinas. Nos bair-
As obras da ETE estão paralisadas
ros Várzea e Tijuco, alguns moradores estão despejando o esgoto doméstico nas redes já concluídas. O problema é que a ETE não está pronta e com isso o esgoto não tem destino para ser tratado, sendo portanto jogado no córrego do Marisco, que fica alguns metros abaixo da Estação de Tratamento. As obras na ETE estão paralisadas. O local se tornou um canteiro de obras totalmente abandonado. No escritório da empreiteira responsável pela execução das obras, telhas quebradas e fora do lugar; no pátio, manilhas amontoadas à mercê do mato que cresce. A estrutura base para abrigar o reator também está inacabada. Em uma delas, cavou-se um enorme buraco onde se encontrou água. Com o abandono das obras, a água está empossada e suja, servindo como potencial foco de doenças, como a Dengue. Vale frisar que para a ETE ser con-
siderada concluída, não basta apenas estarem prontas as estruturas: “Para a ETE ficar totalmente concluída, é necessário o que a Copasa chama de urbanização da ETE, ou seja, construir canteiros, calçar as vias e gramar alguns locais”, informa o secretário de Obras. Adelmar Aarão também concorda que o ideal, no momento, é colocar para funcionar o que já está pronto: “Penso que deveria colocar para funcionar a rede que já está pronta, para depois construir o resto. Fazendo isso, pode-se inclusive identificar possíveis problemas na rede já pronta, gerados durante a execução da obra, por parte da empreiteira”. Resta apenas uma pergunta: Afinal, de quem é a responsabilidade atual pela pavimentação das ruas danificadas pelas obras: Soenge ou Prefeitura Municipal? A população espera por essa resposta.
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ANO X Nº 124 - AGOSTO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Um olhar sobre Resende Costa
Inverno Cultural
Lajes de cima e de baixo necessitam de revitalização ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO Lixo, animais soltos, depredação. Esse é o cenário muitas vezes encontrado nas Lajes de cima e de baixo em Resende Costa. A principal beleza natural e turística da cidade recebe diariamente muitos turistas, mas a estrutura oferecida não é a das mais atraentes. Indagado pela reportagem do JL, o prefeito municipal Aurélio Suenes falou sobre a revitalização das lajes e disse que reconhece se tratar de uma reivindicação antiga da população resende-costense: “Há muito tempo se fala no potencial turístico do local e no seu valor histórico e ambiental para o município. As lajes precisam de um projeto urbanístico, pensado e aprovado por profissionais e pela sociedade civil organizada. Precisamos de um projeto montado em consenso com as associações municipais envolvidas com cultura, turismo e meio ambiente. A partir desse projeto, precisaremos unir forças para buscar os parceiros e financiadores da obra”. A revitalização do local foi uma das propostas de campanha do atual prefeito e pode-se dizer que estava presente também em quase todas as propostas dos candidatos a prefeito nas últimas eleições municipais. O fato é que até hoje nada de concreto que podesse transformar as lajes, de baixo e de cima, num espaço turístico estruturado e digno de receber a população local e os visitantes foi feito. Segundo Aurélio, a prefeitura tem realizado limpeza periódica nas lajes e outras medidas estão sendo providenciadas: “Estamos providenciando a aquisição de lixeiras para o local, assim como para outros locais do município. Destaco que estamos buscando um modelo funcional e resistente de latões de lixo, para que possam ser realmente úteis e durem por um bom tempo. Temos visto em algumas cidades a aquisição de lixeiras de baixa funcionalidade e durabilidade. Estamos em busca de um material eficiente. Além da limpeza e da instalação de lixeiras, posso destacar a instalação de câmeras de segurança, que estamos viabilizando em parceria com o Banco do Brasil, Sicoob e Bradesco. Estamos estudando, também, uma maneira de melhorar a iluminação nas lajes”.
e vendo a paisagem. Mas quando passam perto do esgoto vão embora na hora”. Ele relatou um episódio em que uma turista caminhava pela pedra e acabou se cortando com vidro. Para quem faz a limpeza, a situação fica pior no fim de semana, quando moradores da cidade se reúnem nas lajes e jogam lixo, urinam e depredam o local. Outros fatores foram comentados, como o descuido com a praça Nossa Senhora de Fátima, torneiras que são deixadas abertas e banheiros quebrados. Tudo isso feito, em sua maioria, por cidadãos resende-costenses, o que é lamentável. A partir da instalação de câmeras de segurança, esse quadro poderá melhorar. O prefeito Aurélio acredita nisso e pede a colaboração de todos: “A câmera de segurança que está sendo instalada pode contribuir, assim como lixeiras eficientes no local e iluminação melhor. Além disso, talvez seja preciso maior investimento em campanhas e iniciativas de conscientização. Precisamos sensibilizar mais os frequentadores das lajes, para que possamos preservar melhor nosso patrimônio”. É de fato significativa a quantidade de visitantes que as lajes de cima recebem todos os dias e esse número pode aumentar a partir de uma maior valorização do espaço e divulgação, conforme explicou Aurélio: “Além de placas, é possível explorar a divulgação na internet, por exemplo. Nesse sentido, o site da prefeitura, que ainda está em construção, poderá ajudar. Outro tipo de divulgação que pode ser aplicado é o uso de guias, banners e mapas turísticos. A prefeitura irá enviar um projeto de lei para a Câmara Municipal nos próximos dias para celebração de convênio com a Asseturc, com objetivo de implantarmos o Centro de Informações ao Turista. Acredito que essa é uma maneira de explorar os pontos turísticos de nosso município”.
Lajes de baixo Nas Lajes de baixo os problemas praticamente são os mesmos das Lajes de cima: lixo, entulho e material de construção acumulados por toda parte. Há tempos já não se vê as árvores que enfeitavam e sombreavam o local. No lugar onde deveria ser construída uma praça se vê mato, lixo e material de construção. Se pudéssemos traduzir em apenas uma palavra a situação em se encontra as Lajes de baixo seria: descaso. Há anos o poder público abandonou o local, ignorando, inclusive, seu imenso potencial turístico. Caminhando um pouco sobre as pedras, logo se depara com cacos de vidro, restos de alimento, sacolas plásticas e excrementos de animais. Lamentável quando se fala de um local que poderia ser tão bem aproveitado e divulgado quanto as lajes de cima, pela sua beleza e localização – as lajes de baixo se localizam no centro da cidade, atrás do quartel da Polícia Militar. Placas indicativas, limpeza periódica e coleta diária do lixo são ações simples e de baixo custo que a Prefeitura Municipal poderia realizar. Espera-se também a colaboração das pessoas que residem no local e que o frequentam para que zelem pela limpeza deste cartão-postal de Resende Costa. “Considero a visão das lajes de baixo tão bonita, ou até mais do que a das lajes de cima, devido ao fato de conseguirmos visualizar em um ângulo de 360 graus toda a cidade de Resende Costa”, disse uma moradora do local, indignada com o abandono e ao mesmo tempo esperançosa de que o poder público redescubra as lajes de baixo e a retire do abandono em que se encontra. Confira mais imagens no site (www.jornaldaslajes.com.br).
Limpeza A instalação de lixeiras fixas e duráveis é uma das reivindicações dos responsáveis pela limpeza das lajes de cima. Geraldo Antônio Arvelos, o Bendelac, contou, inclusive, que eles mesmos fixaram uma lixeira no local, mas passados alguns dias a encontraram danificada e jogada entre o lixo. Segundo ele, a limpeza nas lajes é feita cerca de duas vezes por semana e que a quantidade de lixo encontrada é o fator mais preocupante: “Tem lixo em todo lugar. Não tem como tirar tudo e acaba acumulando”. Garrafas plásticas ou de vidro, copos e sacolas são os matérias geralmente recolhidos. Outro problema citado por Bendelac é o esgoto despejado diretamente nas lajes, assustando os turistas que diariamente visitam o local: “Vem gente aqui todo dia, ficam tirando foto
Paisagem vista a partir das Lajes de baixo
Material de construção é acumulado próximo às lajes, onde deveria ter sido construída uma praça
Evaldo Balbino e Alair Coêlho lançam livros no 26º Inverno Cultural da UFSJ ELAINE MARTINS Na noite de 26 de julho, sexta-feira, Resende Costa mostrou uma das facetas de sua cultura no 26º Inverno Cultural da UFSJ com o lançamento de obras de sua gente. No Centro Social e Cultural do 11º BI, o poeta e escritor Evaldo Balbino apresentou ao público são-joanense o seu mais novo e premiado livro de contos Amores oblíquos (7Letras, 2013); o advogado Alair Coêlho lançou o seu livro de ficção O embuçado (Amirco, 2013), publicado pela Coleção Lageana com o apoio do Fundo Estadual de Cultura (FEC). O público também conheceu os outros livros da Coleção Lageana, programa editorial da Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (Amirco) fomentado pelo FEC. O evento foi aberto pela anfitriã Telma Resende, Coordenadora Adjunta do Inverno Cultural. Ela saudou e agradeceu os presentes e dirigiu agradecimentos especiais aos dois autores, ressaltando a importância de, num mundo de virtualidades, a UFSJ estimular o lançamento de livros. “Ainda mais em se tratando da Literatura, área que permite aos leitores pensamento vasto, uma ampla visão de mundo. Com a Literatura nós viajamos e muito aprendemos com os autores”, completou. Evaldo Balbino reiterou o prazer de estar na região das Vertentes lançando mais um filho de sua lavra. O também professor da UFMG fez um resumo de sua trajetória literária e discorreu sobre livro vencedor do Prêmio Nacional Braskem de Literatu-
ra/Academia de Letras da Bahia 2012. “Amores oblíquos apresenta 12 contos, 12 histórias curtas, em que discuto as paixões humanas, as venturas e as desventuras das relações amorosas”. Alair Coêlho fez um relato das pesquisas realizadas para a escrita de O embuçado. Falou da envergadura da Conjuração Mineira e da importância de, recriada por ele, uma rede secreta de comunicação estabelecida entre os conjurados para tentarem levar a cabo o movimento. Com um caloroso coquetel, os presentes se confraternizaram. Balbino autografou exemplares de Amores oblíquos, Filhos da pedra (Nelpa, 2012), Móbiles de areia (Amirco, 2012 – Coleção Lageana) e Moinho (Scriptum, 2006). Alair Coêlho autografou O embuçado. Ao público também foram apresentados outros dois livros da Coleção Lageana: Um olhar sobre Resende Costa, organizado por Elaine Martins e Rosalvo Pinto (Amirco, 2011), e Livro de Pallidas Reminiscencias do Arraial da Lage (1920), de José Augusto de Rezende (Amirco, 2010). Dos livros à TV Antes da cerimônia, os autores concederam entrevistas à TV Campos de Minas. À emissora, Evaldo Balbino falou sobre a sensação de lançar o seu quarto livro e sobre a premiação que a obra recebeu na Academia de Letras da Bahia, em Salvador. Já Alair Coêlho falou sobre os motivos que o levaram a escrever.
Foto Paulo Filho
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Alair Coêlho, Telma Resende e Evaldo Balbino
Jornal das Lajes
ANO X Nº 124 - AGOSTO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
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Economia & Negócios
Comércio em Resende Costa fecha mais cedo aos sábados
FRANCIELLE VALE
horário seria repensado. Romilda disse que durante esse tempo sua loja não apresentou queda no volume de vendas. A empresária possui dados comparativos que mostram que as vendas em julho deste ano foi maior que as vendas do mesmo mês em 2012. Em contrapartida, três comerciantes que fizeram o compromisso de fechar seus estabelecimentos mais cedo já alegaram que tiveram queda nas vendas, segundo ela. Em seu contato com os comerciantes, Romilda disse que alguns disseram que iriam aderir quando os outros empresários fizessem o mesmo, oito donos de lojas disseram que iriam fechar desde o início e quatro resistiram ao projeto. A explicação para a resistência de algumas lojas é devido à sua localização, uma vez que vendem mais aos sábados, de acordo com os proprietários. A maioria das lojas aderiu à proposta no dia 20 de outubro, sendo que as restantes continuaram fechando no horário normal. Foi feita então uma reunião no Centro de Pastoral Paroquial (CPP), com a presença de um vereador, para que fosse elaborado um projeto de lei, a fim de se criar uma lei municipal que regulamente o horário de funcionamento do comércio no sábado. Para datas especiais, como festas e vésperas de feriados, por exemplo, foi determinado que cada empresário decida o horário em que vai fechar seu estabelecimento. Já é tradição no final do ano, véspera de Natal e Réveillon, que algumas das lojas de confecções funcionem de 8 às 19 horas durante a semana, com o horário do sábado ficando a critério do empresário. Romilda disse que no sábado, 20 de julho, em que aconteceu na cidade a Exposição Agropecuária, o horário foi modificado. Quando questionada sobre a satisfação dos seus clientes, Romilda disse acreditar que as pessoas já se acostumaram, mas “nos primeiros dias algumas pessoas não sabiam”. Segundo ela, na sua loja não houve reclamação e o resultado está nas vendas, que não tiveram queda devido ao novo horário. Benefícios Sobre os benefícios da mudança de horário nos sábados, Romilda afirma que os empresários se mostraram unidos, “quase todos aderiram à mudança”. Ela acrescenta que foi um trabalho sério, “pois os comerciantes tiveram muitos benefícios”. Ela espera que o projeto de lei seja aprovado. Ricardo Resende, graduando em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de São João del-
Fotos Francielle Vale
O horário de funcionamento do comércio de Resende Costa aos sábados passou por mudanças nos últimos meses. Por iniciativa de alguns comerciantes, visando ao seu bem estar e de seus funcionários, foi feito um acordo entre lojistas do ramo de confecções, para que as lojas fossem fechadas aos sábados às 13 horas. A medida entrou em vigor no dia 20 de outubro de 2012. A decisão não contempla o comércio de artesanato, eletrodomésticos, móveis, celulares, informática, material de construção e de agronegócios. Para saber mais sobre esta decisão, o JL conversou com Romilda Assis, proprietária da loja Vanessa Confecções. Romilda foi quem teve a iniciativa de procurar os outros empresários do ramo de confecções, apresentando-lhes os benefícios de fechar as lojas mais cedo aos sábados. O primeiro benefício é o bem estar dos funcionários, que agora possuem um tempo a mais para se dedicarem às suas necessidades pessoais. “Quando alguém tinha algum compromisso, precisava sair com muita pressa do serviço, sendo que muitas vezes não dava tempo de se arrumar. Isso acontecia não só com minhas funcionárias, mas comigo também, que trabalho em minha loja seguindo o horário de funcionamento”, explica Romilda. Outra vantagem que ela apresentou foi sobre as horas semanais trabalhadas pelos funcionários. De acordo com a lei trabalhista vigente, a carga horária a ser cumprida é de quarenta e quatro horas semanais (no caso do tipo de comércio aqui abordado). Quando o comércio fechava em horário normal aos sábados, as horas trabalhadas ultrapassavam as quarenta e quatro, gerando horas extras que eram quitadas com folgas ou com o pagamento extra, através de acordo entre ambas as partes. A redução da carga horária no sábado fez com que os comerciantes diminuíssem inclusive outras despesas que possuem com sua empresa. Sobre os motivos que levaram Romilda a procurar os outros comerciantes, ela explica que em contato com empresários de cidades vizinhas, constatou que essas cidades já haviam adotado o novo horário e que havia dado certo. A partir daí ela procurou a associação comercial de Resende Costa e obteve resposta de que seria difícil implementar essa ideia devido ao comércio de artesanato. Mas Romilda não desanimou e contatou, por telefone, todos os comerciantes. Inicialmente seria feito um teste para analisar as vendas das lojas a partir do dia 20 de outubro de 2012. Se as vendas apresentassem queda com a mudança, o novo
A empresária Romilda Assis propôs um novo horário de funcionamento do comércio aos sábados
-Rei (UFSJ), opinou a favor da mudança, alegando a importância que ela trouxe principalmente aos funcionários das lojas. “Em primeiro lugar precisamos pensar neles, nos funcionários. Já nós consumidores é mais fácil disponibilizar outros horários para fazermos as compras, como em horário de almoço, por exemplo. Quanto à minha dependência do comércio local, não houve diferença, me adaptei facilmente e procuro organizar meu horário durante a semana”. Wagner Barbosa também é graduando da UFSJ, do curso de Engenharia de Produção, e apontou as interferências da mudança do horário: “O que mudou foi o fato de ter que procurar o comércio somente na parte da manhã aos sábados. No meu caso (ele atualmente mora em São João del-Rei) às vezes fica complicado devido ao tempo, mas devemos considerar a causa desta mudança e nos adaptarmos”. Falando dos consumidores, Wagner diz que “como consumidor acredito que possa existir desvantagens para outros consumidores que trabalham e talvez não tenham tempo para realizar suas compras aos sábados. Na parte econômica creio que não existam expressivas diferenças, o indivíduo que se sente na necessidade de adquirir algum bem irá adquiri-lo em qualquer dia da semana, de acordo com sua disponibilidade”. Ele acrescenta a importância dos consumidores se adaptarem ao novo horário: “Não acho que esta ação possa contribuir ou prejudicar Resende Costa, é apenas uma medida já utilizada em muitos lugares e que visa ao bem estar da mão de obra dos comércios que ganham algumas horas no final de semana. Cabe aos consumidores se adequarem à mudança”. Alguns comerciantes que não aderiram foram procurados pela reportagem, mas não se pronunciaram sobre o assunto. Até o fechamento desta edição o projeto de lei ainda não havia sido aprovado.
Já são oito os municípios que formam a rede empresarial da região JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE As associações comerciais de São Tiago e de Prados assinaram, recentemente, convênios de parceria com a Associação Comercial e Industriral de São João del-Rei e Câmara de Dirigentes Lojistas (ACI del-Rei/CDL), como parte do processo de fortalecimento do associativismo regional. Já aderiram a este acordo Santa Cruz de Minas, Tiradentes, Resende Costa, Lagoa Dourada e Dores de Campos. As oito entidades juntas representam 1200 associados. A segunda etapa do processo, que começa este mês, será a realização de visitas às empresas de municípios que não possuem associações comerciais/CDLs, como Nazareno, São Vicente de Minas, Madre de Deus de Minas e Piedade do Rio Grande. A proposta é que os empresários desses municípios se filiem diretamente à ACI del-Rei/CDL, para conhecer e vivenciar o associativismo, diz Dayvison Alessandro Costa, do Departamento Comercial e Institucional da entidade. Com isso, espera-se criar as condições para a futura abertura de associações comerciais nestes municípios. Conselho - A criação de um Conselho de Empresários
do Campo das Vertentes foi defendida pelo presidende da ACI del-Rei, João Afonso Farias, no encontro de lideranças da região que aconteceu em julho (dia 9) em São João del-Rei. Para ele, o conselho teria mais força para defender interesses da região, bem como realizar eventos e compartilhar ideias e serviços. Participaram do encontro cerca de 100 empresários das cidades de Tiradentes, Resende Costa, São Tiago, Prados, Santa Cruz de Minas, Lagoa Dourada, Dores de Campos e São João del-Rei, além de prefeitos e outros convidados. Fórum - A cidade de São João del-Rei receberá, em outubro, o Fórum Permanente Mineiro de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (FOPEMIMPE). Com o apoio da ACI del-Rei/CDL, o Fórum será uma oportunidade para os empresários da cidade debaterem sobre o desenvolvimento econômico da região e do Estado. O Fopemimpe tem o objetivo de ampliar, difundir e compartilhar informações e técnicas destinadas à atuação do empresariado mineiro.
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Exposição Agropecuária
34ª Exposição Agropecuária traz grandes shows e agita o público de Resende Costa e região ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO Aconteceu entre os dias 18 e 21 de julho a 34ª Exposição Agropecuária de Resende Costa, uma organização da Prefeitura Municipal e do Clube dos Cavaleiros de Resende Costa. Além das atrações musicais, o evento contou com diversas atividades voltadas ao produtor rural, no intuito de valorizar o homem do campo. Neste ano, a festa apresentou mudanças na programação e também na estrutura do Parque de Exposições de Resende Costa. Estima-se que aproximadamente 15 mil pessoas tenham participado dos quatro dias de festa. Na quinta-feira os resende-costenses e visitantes esperaram ansiosos pela chegada da Cavalgada de Abertura da Exposição no centro da cidade. Na manhã de quarta-feira, cavaleiros e amazonas partiram do Bar do Joãozinho do Antônio Dias em direção ao povoado do Cajuru. O pernoite no Cajuru reuniu, além dos participantes da cavalgada, pessoas que tradicionalmente acompanham os cavaleiros nos caminhões e carros de apoio. A chegada da cavalgada em Resende Costa foi marcada pela presença de diversas pessoas nas praças e ruas da cidade. A abertura oficial da festa aconteceu na noite de quinta-feira com a presença de autoridades municipais, regionais, estaduais e federais na arena do Parque do Campo, onde receberam os peões que participaram do rodeio, organizado pela Companhia Paulo Miranda. No discurso de abertura, o prefeito Aurélio agradeceu aos resende-costenses e turistas a
presença, desejando-lhes boa festa. Após o primeiro dia de rodeio, a dupla sertaneja Clayton e Romário fez um mega show e cativou os fãs. Muito simpáticos, os artistas estiveram em sintonia com a galera durante todo o show. A atração da noite de sexta-feira, 19, foi a dupla Thaeme e Thiago. A nova sensação do sertanejo universitário atraiu grande público ao Parque de Exposições. O movimento foi contagiante, assim como a apresentação dos artistas. Cerca de cinco mil pessoas assistiram ao show da dupla. O sábado foi um dos dias mais esperados do evento. A apresentação do cantor Daniel atraiu ao Parque de Exposições grande número de fás, sendo que muitos deles se reuniram em frente ao camarim do artista na esperança de poder encontrá-lo, ainda que por brevíssimo tempo, suficiente para uma foto. Muito atencioso, Daniel atendeu ao dobro de pessoas que estava previsto (a organização previu a entrada no camarim de 30 pessoas credenciadas). Daniel recebeu a equipe de reportagem do Jornal das Lajes e da rádio Inconfidentes FM e falou sobre a evolução da música sertaneja e dos seus 30 anos de carreira: “Acompanhei muitas coisas. Vi a música sertaneja sendo consolidada a cada dia que passa. É um dos estilos predominantes no Brasil, que tem suas origens calcadas na terra”. Daniel também deixou um recado para os novos artistas de Resende Costa, que estão batalhando para terem seu talento reconhecido: “É importante colo-
car sempre o coração à frente de tudo o que você faz, levar as coisas com muita seriedade e responsabilidade. Não ter diferenciação, tratar bem todo mundo e se dedicar ao máximo. Mexer com música é sempre complexo. Parabéns a todos os artistas da terra, acho legal a renovação, precisamos disso. O Brasil é carente de novos ídolos”. A apresentação de Daniel foi fantástica e o cantor emocionou a plateia quando convidou seu pai, senhor José Camilo, ao palco para uma participação na música “Meu Reino Encantado”. Daniel é um artista completo. Além de carismático, é privilegiado por uma voz brilhante e potente, que o possibilita interpretar clássicos do sertanejo atual e ainda os tradicionais modões, como “Boate Azul”, “Menino da Porteira”, entre outras canções que eternizaram um dos estilos mais populares da música brasileira, o chamado sertanejo raiz. Daniel magnetizou ainda mais a plateia ao expressar sua alegria de cantar em Resende Costa: “É uma honra estar aqui em Resende Costa, poder trazer nossa música, trazer a nossa história nestes 30 anos de carreira”. Seu carisma e simplicidade foram traduzidos na empatia com o público, com quem conversou e até improvisou algumas canções. Durante o show o cantor chamou ao palco o prefeito de Resende Costa Aurélio Suenes e seu parceiro de música Cristiano. O trio interpretou a canção “Saudades de Minha Terra”. Além de Aurélio e Cristiano, outros cantores que estavam na plateia também
tiveram o privilégio de “improvisar” com Daniel, como a dupla Douglas e Wesley, Leonel, da dupla Lourenço & Leonel, e Juninho Mattos. Encerramento A programação de domingo começou logo pela manhã com a sétima e última ordenha do Concurso Leiteiro. O criador Nelson Resende foi o vencedor do Torneio deste ano e tomou o tradicional banho de leite: sua vaca Duquesa, da raça Holandesa, produziu 174 litros e 230 gramas de leite. Uma das atrações mais marcantes da 34ª Exposição Agropecuária de Resende Costa foi, mais uma vez, o desfile de carros de boi pelas ruas do centro da cidade na manhã de domingo. Diversos carreiros e cavaleiros participaram do tradicional desfile, que apresentou ao público um pouco do dia a dia da lida do homem do campo. Destaque também para a exposição de equinos. Belos animais de diversas raças, como Mangalarga Marchador, Campolina, Pêga e Piquira ficaram expostos aos visitantes, que puderam admirá-los. O encerramento da 34ª Exposição Agropecuária foi marcado pelo Concurso de Marcha de equinos e pela grande final do rodeio da Companhia Paulo Miranda. Os peões que conseguiram as cinco primeiras colocações receberam premiação: Carlos Drummond, de Itaúna, MG (1º lugar), Tiago Silva, de Silva Jardim, RJ (2º lugar), Leandro Luís, de Itaúna, MG (3º lugar),
Heler (4º lugar) e Hudson Júnior, de Ouro Preto, MG (5º lugar). Centenas de pessoas curtiram a ensolarada tarde de domingo no Parque do Campo: as crianças aproveitaram o parque de diversões enquanto os adultos se despediam da festa nas barracas, curtindo o som do grupo Mistura do Pagode. A banda Scarcéus encerrou a programação com um super show, que contagiou principalmente os fãs do rock. Estrutura Algumas mudanças estruturais marcaram a 34ª Exposição de Resende Costa. Além das modificações exigidas pelo Corpo de Bombeiros, o espaço de shows foi ampliado. Em comum acordo com a Prefeitura Municipal, a Arcosta cedeu sua sede no Parque de Exposições para que o local onde fica localizado o palco pudesse ser ampliado. E a grande novidade foi a instalação de um espaço camarote próximo ao palco de shows, possibilitando aos fãs mais conforto e visão privilegiada dos artistas. Um dos poucos transtornos ocorridos durante a festa foi a enorme fila que se formou na entrada do parque, na noite de sexta-feira. Quem chegou ao Parque do Campo depois das 22h teve que esperar durante mais de 1 hora na fila. Algumas pessoas reclamaram com veemência e outras enfrentaram o transtorno com bom humor e até aproveitaram o tempo para tomar algumas cervejas e se aquecer para a noite.
Fotos Emanuelle Ribeiro Autoridades municipais, regionais, estaduais e federais receberam os peões na abertura da 34ª Expô
Thaeme, da dupla Thaeme e Thiago
Nelson, proprietário da vaca ‘’Duquesa’’, tomou o tradicional banho de leite
A vaca ‘’Duquesa’’ foi a vencedora do 29º Concurso Leiteiro
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Expô 2013 em fotos
uelle Ribeiro Fotos Eman
Aconteceu
Jornal das Lajes
Daniel m o cantor
entrevistara é Eustáquio beiro e Andr Emanuelle Ri
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Jogo Aberto
Jornada Mundial da Juventude
Prefeito Aurélio avalia a Exposição Agropecuária e fala sobre imprevistos ocorridos durante a festa
Na sexta-feira, formou-se uma fila muito grande na
O prefeito Aurélio (esq.) com os cavaleiros e amazonas na Cavalgada de Abertura da Exposição Agropecuária
entrada do Parque do Campo, resultando em reclamações de muita gente, que teve de esperar durante mais de 1 hora. Por que isso aconteceu? O que pode ser feito nos próximos anos para que esse transtorno não aconteça mais? Houve uma lentidão imprevista na leitura eletrônica dos cartões magnéticos [ingressos]. Como os porteiros precisavam devolver o ingresso às pessoas que compraram o passaporte para sexta e sábado, a liberação da fila demorou mais que o previsto. Além disso, a presença de público superou nossas expectativas, o que congestionou um pouco a entrada do Parque. No sábado, já havíamos solucionado a questão, criando uma entrada alternativa para o Parque. Não teremos mais esse tipo de imprevisto em eventos no Parque de Exposição. Por que o segundo show da noite de sexta-feira não aconteceu? A estrutura que Thaeme e Thiago usam em seu show demora aproximadamente três horas para ser desmontada, o que inviabilizou a realização da segunda apresentação, pois a banda subiria ao palco às 5 horas da manhã. Isso revela uma necessidade estrutural do Parque de Exposição. Para receber melhor eventos e shows de grande porte, o espaço precisa da instalação de um segundo palco. A Prefeitura está viabilizando isso para a próxima Exposição. Em se tratando da estrutura do Parque do campo
(portaria, banheiros, segurança, palco etc.), as expectativas foram correspondidas neste ano? Em sua opinião o que pode ser melhorado para os próximos eventos? Com a remoção da antiga sede da Arcosta, foi possível ganhar mais espaço para o público, instalar um palco maior e ainda montar o camarote. Entendo que as demais estruturas, como portaria e segurança funcionaram de forma positiva. De sexta para sábado, reforçamos com mais 10 banheiros químicos para atender melhor o público. Na próxima edição teremos um planejamento melhorado, com mais tempo, e será possível aperfeiçoar cada área e minimizar possíveis falhas. O valor arrecadado na bilheteria e no leilão de barracas foi suficiente para cobrir as despesas da festa? Houve algum prejuízo aos cofres públicos? Pelos comentários que ouvimos, realizamos este ano uma das melhores exposições da região, e o que é melhor, com o menor custo. Somente o valor arrecadado na bilheteria e com as barracas não é suficiente para cobrir as despesas com o evento. Por isso, a prefeitura disponibiliza um total de 170 mil reais para subsidiar a exposição. Esse ano o resultado foi muito positivo. Pelos levantamentos, vamos devolver um total considerável aos cofres públicos. Isso representa o menor valor gasto com exposição agropecuária na região.
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Entre os dias 23 e 28 de julho, aconteceu no Rio de Janeiro a Jornada Mundial da Juventude (JMJ). O maior evento da Igreja Católica voltado à juventude reuniu mais de 1 milhão de jovens de diversas partes do mundo. O encontro com o papa Francisco emocionou a juventude que se aglomerou nas ruas do Rio de Janeiro e na praia de Copacabana. Vinte e dois jovens da paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, de Resende Costa, participaram da JMJ. Magali Resende, do grupo de oração Filhos de Maria, esteve no Rio de Janeiro durante todo o evento e contou ao JL a sua experiência de ter participado da JMJ Rio 2013: “A Jornada Mundial da Juventude foi uma experiência única em minha vida e deixou marcas profundas de amor e alegria em meu coração. Partilho alguns pontos que para mim foram essenciais: a graça de viver da Providência Divina e do despojamento, do carinho de Deus através do acolhimento das pessoas que nos receberam, a graça de conviver com os peregrinos de nosso Brasil e de todo mundo e, principalmente, a graça de ver e ouvir o Papa Francisco, homem simples, humilde e com coração tão aberto, tão terno que vem conquistando todo o mundo. Foi uma semana intensa, de muita alegria, emoção e também muita provação por causa do frio, da chuva, das filas, da distância. Mas foi lindo ver que nada disso parava o povo de Deus. Mesmo enfrentando essas dificuldades, a alegria da juventude era sobrenatural. A experiência de ver a praia de Copacabana cheia de milhões de jovens do mundo inteiro me fez refletir que somente Jesus Cristo pode reunir tanta gen-
te. Foi fascinante ver com os meus olhos que a Igreja é jovem, é viva. Sempre fui apaixonada pela nossa Igreja Católica e depois de viver essa experiência estou ainda mais encantada com a Igreja instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo e saber que sou parte dela. Isso é maravilhoso! A JMJ foi um momento de conversão, de renovação da nossa fé e da nossa esperança. Tenho certeza que ela atingiu milhares de fiéis de todo o mundo. Gostaria, em nome de todos o jovens de nossa paróquia que puderam viver essa graça no Rio, de agradecer a todos que nos ajudaram com doações e orações. Agradeço ao Lucas Lara, de maneira especial, que assumiu de coração este desafio coordenando nossa caravana, ao padre Éder e toda a paróquia. Agradeço também a paróquia de Jesus Bom Pastor em Anchieta, no Rio de Janeiro, que nos recebeu de braços abertos. Só Deus pode retribuir o bem que nos fizeram! Termino deixando algumas palavras do papa na missa de envio da JMJ em Copacabana: ‘Ide e fazei discípulos entre todas as nações. Partilhar a experiência da fé, testemunhar a fé, anunciar o Evangelho é o mandato que o Senhor confia a toda a Igreja, também a você. É uma ordem sim; mas não nasce da vontade de domínio ou de poder, nasce da força do amor, do fato que Jesus foi quem veio primeiro para junto de nós e nos deu não somente um pouco de Si, mas se deu por inteiro, deu a sua vida para nos salvar e mostrar o amor e a misericórdia de Deus’. Que possamos viver o amor, a jornada está apenas começando. Esta é a juventude do papa, rumo a Cracóvia 2016”. Foto Arquivo Pessoal
Qual a avaliação que o senhor faz da Exposição Agropecuária deste ano? A exposição agropecuária é o evento de maior porte dentro do calendário cultural de Resende Costa. Além de ser importante para o setor rural, a exposição dá visibilidade e divulga o nome do nosso município. Trata-se de um evento complexo e realizá-lo à altura do que o município merece é um grande desafio. Por ser a primeira edição que realizamos, achei muito positiva. Foram mantidas atrações tradicionais como os concursos de marcha, a exposição de artesanato, a cavalgada, o rodeio e o desfile de carros de boi no domingo. O rodeio no domingo a tarde parece que ficou muito bom também. Fizemos algumas mudanças estruturais no Parque do campo, como a remoção da antiga sede da Arcosta, ampliando o espaço em frente ao palco. Em termos de shows, foi valorizado o sertanejo, que é um ritmo de maior ligação com o homem do campo. A população parece ter aprovado as mudanças. Mas como eu disse, a exposição é um evento complexo, que precisa aperfeiçoar ainda mais a cada ano. Estamos estudando melhorias para a próxima edição, como a instalação de um segundo palco.
ANDRÉ EUSTÁQUIO Foto Arquivo Pessoal
A Exposição Agropecuária é uma das maiores festas organizadas anualmente pela Prefeitura Municipal de Resende Costa. Durante os quatro dias de festa, o Parque do Campo recebe grande número de pessoas de Resende Costa e de outras cidades da região, atraídas especialmente pelos shows de grandes artistas, que garantem o sucesso de público. Organizar a exposição exige do poder público e de outras instituições que participam diretamente da festa, como o Clube dos Cavaleiros, Arcosta e Emater, dedicação muito grande, uma vez que as exigências quanto aos cuidados com a segurança e o bem-estar do público e também dos animais que são expostos aos visitantes, são proporcionais à grandeza do evento. O prefeito municipal Aurélio Suenes respondeu algumas perguntas formuladas pelo JL sobre a organização da Exposição Agropecuária 2013.
Jovens de Resende Costa participaram da JMJ Rio 2013
Os resende-costenses se encontraram com jovens de diversas partes do mundo durante a JMJ
Jovens da Paróquia de Nossa Senhora da Penha participaram da JMJ
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A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Centésima zes.
Cem ve-
Pois é, leitor, eu teci cem crônicas e mais de cem tônicas nessa nossa centena de encontros mensais. Em cada um desses nossos cem encontros, eu roubei minutos de seu olhar, risos tímidos do canto de sua boca, gargalhadas que lutavam contra o fôlego, lágrimas furtivas com medo de escorrer... Roubei tudo isso de você. Mas roubei sem levar, pois todas essas coisas já eram minhas também: afinal, a literatura sempre nos faz um só. No entanto, você também roubou de mim: roubou meu sossego diante da palavra não escrita... roubou minha calma quando eu vi que meu texto precisava de leitor... roubou minha lua quando eu corri atrás de estrelas para costurar constelações sem céu, pois até o céu eu tive que inventar algumas vezes. Cem crônicas... Cem roubos, cem arroubos. Tudo em mão dupla. Essa dupla mão que me escreve e que escreve você, essa dupla mão que faz do sentido algo de parceria cúmplice. Ladrão que rouba ladrão... porém, eu não quero os cem anos de perdão. Cem vezes. Cem meses. Isso dá oito anos e oito meses. Quase gestei o nono ano. Cem vezes escrevi. Mais de cem vezes reescrevi. Muito mais de cem vezes reli. Aos poucos, fui aprendendo o diferente... e o igual
de forma diferente. Cem crônicas. Cem pautas. Sem faltas. Respondi à chamada de cada mês e dei presença a tantas coisas que passaram. Lembrança virou ficção. Ficção virou saudade. Saudade virou verdade. Verdade virou pelo avesso, mostrando os porões da minha alma e os andaimes da sua fragilidade, leitor. Para conseguir isso, o coração tem que ser multidão e a alma tem que ser solidão. Enquanto o coração distribui a crônica em 365 momentos, a alma singulariza todos eles no solitário momento da criação. São 365 pedaços de um ano de solidão. Cem crônicas. Cem anos sendo roubado por sua leitura, leitor, para que seu coração fique ainda mais coletivo. Cem anos roubando a sua solidão, leitor, para que a minha solidão fique ainda mais só. Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de solidão. Minha centésima crônica no Jornal das Lajes... Hoje à noite, vou comemorar com as minhas cem filhas de papel vivo. Em cada uma delas, o sangue canta e a alma escorre. Vou abrir um vinho e tomar um porre de ânimo para mais cem histórias. Não nasci em Resende Costa, mas cada uma de minhas crônicas aqui é como se fosse um gameta tentando perfurar a membrana de pedra do óvulo das Lajes. Pouco a pouco, vou me fazendo feto sempre aprendiz dessa terra boa.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
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Artigo
Prevenir é melhor que remediar! CARLOS ALEXANDRE DE RESENDE*
O famoso e tão repetido ditado popular guarda uma grande verdade quando o assunto é o abuso e/ou dependência de álcool e outras drogas. A Dependência Química gera sofrimentos e prejuízos individuais, familiares e sociais. É complicado levar um dependente para o tratamento e não menos difícil ajudá-lo a se manter livre das substâncias que passaram a aprisioná-lo. Além do mais, o tratamento é bem mais caro que o estabelecimento de ações preventivas. Evidentemente que se conseguirmos evitar, ou pelo menos adiar o uso e diminuir a quantidade, caso o mesmo já tenha se iniciado, nós estaremos prevenindo, pelo menos em parte, tais prejuízos. Nenhuma ação preventiva é 100% eficaz, porém, as pesquisas mostram que as probabilidades de uso, abuso, dependência, e dos prejuízos associados, diminuem com tais medidas preventivas. A responsabilidade não é apenas da família, mas de toda a sociedade e principalmente dos governos municipal, estadual e federal. Ao pensarmos em prevenção necessariamente buscamos diminuir os fatores de risco e estimular os fatores de proteção. Fatores de risco são aqueles que tornam mais provável que o indivíduo experimente alguma droga e mantenha o uso da mesma. Fatores de proteção são aqueles que diminuem a probabilidade do indivíduo experimentar alguma droga ou, que pelo menos, fazem com que ele interrompa ou diminua o uso caso chegue a experimentar. Tais fatores são sempre pensados em níveis: o individual, o familiar, da comunidade e da substância. Seria impossível abordar todos esses fatores e as nuances de um programa de prevenção estruturado nesse artigo, por essa razão pensei ser pertinente apresentar alguns deles de maneira esquemática na tabela a seguir. Cabe a todos buscarem informações, pois uma simples conversa na hora certa pode ser um fator de proteção. Individual Fatores de Risco: Curiosidade excessiva; busca por emoção/ prazer; insegurança; insatisfação; necessidade de agradar ou fazer parte de um grupo; Doenças psiquiátricas (depressão, ansiedade, pânico, esquizofrenia, outras).
Fatores de proteção: Habilidades sociais; possuir um objetivo (projeto de vida) e se dedicar aos estudos e/ou trabalho; Autonomia; Autoestima; Habilidades de enfrentamento e capacidade de resolver problemas; Possuir bons relacionamentos afetivos e com as instituições das quais faz parte; cuidado com a saúde. Familiar Fatores de risco: Presença de extremos como autoritarismo, permissividade (o pode tudo) ou negligencia; Pais ou irmãos que fumam, bebem ou usam drogas; Conflito entre os pais ou irmãos; Falta de diálogo aberto entre os familiares. Fatores de proteção: Monitoramento das ações dos filhos (saber onde, quando, com quem e o que estão fazendo); Presença de amor e de regras claras (saber equilibrar o estabelecimento de limites e o envolvimento afetivo); Regras de conduta claras dentro de casa; Companheirismo; Harmonia conjugal. Escola Fatores de risco: Falta de regras claras e de cumprimento das mesmas; Baixa expectativa em relação aos alunos; Exclusão social, violência e negligencia familiar; Autoritarismo ou permissividade; Falta de infraestrutura; Desvalorização e desmotivação dos profissionais da educação; Dificuldades de aprendizagem, desmotivação e indisciplina. Fatores de proteção: Valorização dos conhecimentos que o aluno já possui das vivências fora da escola; Contextualizar as matérias lecionadas com situações práticas do dia a dia dos alunos e estimular o prazer em aprender; Exploração de talentos pessoais; Estabelecimento de desafios e de vínculos afetivos; Oportunidade de participação; utilização de esportes e de eventos da cultura local; Presença de ações como o PROERD da Policia Militar; Estabelecimento de programas de prevenção ao álcool e outras drogas na escola, tendo como base prin-
cipal o treinamento de professores e demais profissionais da educação para prevenir, identificar primeiros sinais de uso e abuso, e lidar com seus alunos nessa situação. Comunidade Fatores de risco: Falta de políticas públicas em prevenção e de recursos destinados para prevenção e tratamento; Descrença nas instituições; Falta de lazer e acesso à cultura; Modismos; Falta de informação; Uso indiscriminado de remédios sem acompanhamento médico; Violência. Fatores de proteção: Organização comunitária e mobilização social (ex: associações de bairro); Afetividade comunitária; Atuação e proximidade da comunidade por parte da Policia Militar; Informação sobre drogas; Existência de conselhos antidrogas e participação da comunidade; Atuação do Conselho Tutelar bem como da comunidade como um todo para fiscalizar a venda de bebidas alcóolicas a menores; Políticas preventivas financiadas pelo SUS utilizando o PSF como braço de atuação; Atuação das Igrejas; Trabalho; Lazer (frequentemente as opções de lazer incluem “sair pra beber”); Justiça social. Drogas Fatores de risco: Presença do tráfico; Fácil acesso e disponibilidade para a compra; Propaganda excessiva de bebidas; Efeito agradável/prazer que leva o indivíduo a querer repetir o uso. Fatores de proteção: Informações adequadas sobre o álcool e as outras drogas, seus efeitos e suas consequências para o organismo, para o psicológico e para o convívio social; Regras de controle para consumo; Combater o tráfico; Dificuldade de acesso; atuação das polícias; Implementação de políticas públicas para prevenção e tratamento. *Psicólogo e Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de São João del-Rei. Especialista em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo.
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Causos e Cousas
ROSALVO PINTO
Aegrotasne? No longínquo 1956 eu era seminarista interno no Colégio São João, em São João del-Rei. Estava no antigo 4º. ano de ginásio, 14 anos. Naqueles tempos o estudo do Latim era rigoroso: a disciplina “Latim” acompanhava a gente deste o 1º. ano ginasial, passando pelo colegial, noviciado e ia até o 3º. ano de filosofia. O padre José Marino Luz era o competente, exigente e temível professor. Era novembro, e ele nos havia passado um conto em latim, de uma página, para ser destrinchado nos mínimos detalhes da gramática latina. E, ainda por cima, todos tivemos que decorá-lo, na ponta da língua. “Aegrotasne?” era o estranho título. Para os que não sabem o que significa, aguardem! Naquele tempo, nos exames de final de ano havia uma prova escrita e outra oral. Para a prova oral compunha-se uma banca de três professores, tendo como chefe o professor da disciplina. Era o início de dezembro, a gente suspirando por umas férias, pois os estudos não eram brincadeira. Não podíamos passar as férias com a família. Lembro-me de que só voltei à casa de minha família cinco anos depois de minha entrada no seminário, para passar uns 20 dias, morando, imagine-se, apenas a 36 km de minha terra natal! Por algum motivo meu pai teve que vir a São João e passou pelo colégio para deixar, na portaria, uma encomenda para mim. Não pôde me ver, pois visitas, até dos pais, só eram permitidas só no primeiro domingo de cada mês, de 14 às 17 horas. O porteiro guardou o embrulho na prateleira e meu pai se foi. Passados três dias, o porteiro me chamou para pegar o embrulho. Corri à portaria e, só de vê-lo, deduzi, pelas manchas de gordura, que
era alguma coisa de comer. Curioso e satisfeito, voltei ao refeitório para o jantar. Naqueles tempos de comida ruim e racionada (éramos uns 250 seminaristas!), qualquer coisinha de comer era bem-vinda. Pelas regras, quem recebia coisas de comer tinha que dividir com os colegas de mesa. Alguns espertinhos, dependendo do volume, davam um jeito de esconder tudo no seu armarinho no dormitório, ao lado da cama. À noite, quando se apagavam as luzes, esses espertos ratinhos roíam seus petiscos debaixo do cobertor, para o assistente não ouvir e tomar o dito cujo. Assim, escapavam de ter que dividir com os colegas. Com o meu embrulho não daria para fazer isso, nem que eu quisesse, pois era razoavelmente grande. As mesas do refeitório eram retangulares e grandes: 4 de um lado e 4 do outro, assentados em bancos compridos. Nas pontas da mesa, o chefe e o vice-chefe. Cuidavam de ajudar a manter a disciplina e, sobretudo, de servir a comida, para haver uma distribuição justa entre todos. Caso contrário... Naquele jantar, os comensais da mesa nem sequer prestaram atenção na leitura que se fazia durante parte da refeição. Estavam de olhos grudados no embrulho. Abri, curioso. A surpresa: era um frango assado, recheado de ovos cozidos fatiados e miúdos do frango. Minha mãe era uma especialista em fazer esse prato. Os colegas de mesa arregalaram os olhos de satisfação. Naquele dia podia-se livrar das muxibas de carne de boi, que eram servidas uma vez por semana. Aquele frango significava um banquete. Destrinchado e distribuído, em pouco tempo evaporou-se o presente de minha mãe. Até aí, dada a fome e a novidade, nada de anormal. O castigo viria depois. Lá pela noitinha, o frango veio mostrar a que veio:
diarreia, vômitos, indisposição e dor de cabeça. Aquela foi uma noite de procissão aos banheiros. No dia seguinte, foi preciso transferir quase todos para a enfermaria, dada a gravidade da situação. Dois dias depois e os companheiros de mesa ainda pálidos, olhos fundos, inapetência e corridas aos banheiros. Para mim, no terceiro dia era o dia do exame oral de latim, pois o exame escrito acontecera antes do desastre gastronômico. Ainda convalescendo, desci as escadas da enfermaria e entrei na sala de aula para prestar o exame. Lá estavam os componentes da banca, com uma cara de inquisidores. Eu me assentei, sem jeito, envergonhado, sentindo-me culpado por aquela tragédia, sem dizer uma palavra. E o medo de ter que interromper o exame e sair às carreiras da sala? O presidente da banca esticou uma bolsinha de pano para eu retirar o número do ponto a ser examinado. Tremendo, passei o número ao professor, esperando pelo pior, talvez uma écloga de Virgílio ou uma sátira de Horácio, daquelas bem difíceis. Alguns segundos de silêncio e de sofrimento. De repente, ouvi a voz do examinador, solene e pausada, como que segurando-se para não rir e quebrar a seriedade daquele momento: - “Aegrotasne?”. Eu respondi: - Sim, mas já sarei”. E ele: - Então, declame! Eu suspirei, aliviado. Apesar da palidez, dos olhos fundos, da vergonha, de tudo, declamei garbosamente o texto. E ganhei um solene 10. Até que não foi ruim, o frango acabou me salvando do exame oral de Latim. E, como dizemos em Resende Costa: “Assim mesmo teve bão!”. Ah! Já ia me esquecendo: para os que não sabem, “aegrotasne?”, do latim, significa: “Estás doente?”
Crônicas do cotidiano
Tô batido! O mundo não é o mesmo sem meu pai. É difícil ir para casa sabendo que não vou encontrá-lo mais, que ele estará fazendo parte do mundo das lembranças. Conviver com a morte (paradoxal que seja) poderia ser simples, mas não o é. Esperar pelo tempo do esquecimento é penoso. Meu pai teve uma morte digna, bela e significativa. Estávamos todos da sua família reunidos em uma pousada, às suas expensas, para comemorar os noventa anos de vida de minha mãe. Era um dia de festa, de alegria, de comemoração. Terminadas as festividades daquele sábado, recolheu-se ao quarto. E foi no quarto, minutos depois, longe de médicos, enfermeiros, aparelhos, hospital e perto de nós que terminou sua caminhada. Meu pai sempre foi assim, simples, direto e silencioso, como sua morte. De fato, não lhe caberia morrer na insensibilidade e impessoalidade de uma cama de hospital, travestido de aparelhos e tubos, ao som de um bip bip bip monótono e decrescente e cada vez mais espaçado. A nós também não caberia aguardar a notícia fatídica em algum corredor ou sala de espera. A ele sempre interessou a sua casa. A ele assentava a mesma roupa, o mesmo estilo, dia após dia. A seus ouvidos agradavam as sinfonias, que ele acompanhava como se o seu dedo fosse a batuta. Da última vez que ele foi internado – e em outras também –, o que lhe importava era sair logo do hospital: - Quero ir para casa, quero ficar ao lado de sua mãe, meu filho! Estou com saudades dela! As pessoas quando morrem são santificadas. A elas é reservado um lugar no paraíso, bem antes do juízo final. A morte tem essa capacidade de consumir, além do corpo, também os malfeitos. Meu pai não era um santo. Entretanto era, com certeza, um homem de princípios e de valores. E virtuoso. A simplicidade, o desprendimento, a moderação, a concisão, a serenidade, a compaixão e a modés-
tia eram suas companheiras. Se eu pudesse simbolizar, abreviar seus ensinamentos e seu legado eu creio que poderiam ser essas três frases sugestivas que ele costumava repetir quando lhe davam oportunidade de falar: 1) não dê passos maiores que as pernas; 2) pouca coisa não se regra, acaba logo com isso que sossega; 3) paz e paciência. Há tanta sabedoria nisso! A morte do meu pai veio com outros acontecimentos mais ou menos concomitantes. Duas de minhas irmãs viraram avós. Isto porque uma sobrinha minha tornou-se mãe e um sobrinho meu tornou-se pai. A vida segue seu rumo, inexorável. As gerações se sucedem e a minha se torna a dos avós. Meu pai, morto, perpetua seus genes, ainda que misturado, compartido com outros. Aliás, os seus nem são tão seus assim, que vieram de outros que lhe antecederam. Uma nova vida que surge é a vida se renovando. Deve ser por isso que comemoramos o nascimento. “Não quero ir. A vida é tão boa!” Choramos diante da morte porque sabemos que a morte nos tira essa vida, que jamais teremos de volta. A morte nos lembra de que somos finitos. A possibilidade do paraíso não é consolo, a vida eterna não é consolo. Ninguém quer trocar uma pela outra! Mário Quintana disse que “a morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapato”. Hoje, quando eu chegar em casa vou me deitar de sapatos, sem culpa. Para quê esperar a morte para sentir a leveza da liberdade? Quero viver, repito. Mas quando eu morrer eu quero morrer uma morte encantada, como foi a de meu pai. Ele morreu deitado numa cama quente e confortável, rodeado das pessoas que amava, fartas e felizes, jogando um jogo de buraco imaginário contra minha mãe. E creio que antes de seus olhos terem perdido o brilho da vida ele sonhou ter se levantado da cama e se despiu e então, totalmente nu, disse à minha mãe: - Duas canastras limpas! Tô batido! – e o jogo acabou.
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ANO X Nº 124 - AGOSTO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
Discurso de um ruminante amoroso
Fazer literatura, como tudo na vida, é um dom. É uma dádiva poder juntar palavras e construir imagens, surpreendendo os olhos, os ouvidos e a mente do leitor ou do ouvinte. Escrevendo, levo as pastagens que recolho nas planícies da vida para os olhos de leitores que também necessitam dessas pastagens. É dom sim o ato de escrever, que, no entanto, deve ser trabalhado ao longo da vida como qualquer outro dom. Escrever é uma sina, é fatalidade, mas sem dúvida alguma é uma constante procura. Uma crônica, por exemplo, não se faz assim, de pronto. Ela é algo que se constrói aos poucos, um bocadinho a cada dia. Isso se pode dizer de uma crônica, de um poema, de um conto, enfim de todo e qualquer texto, mormente daqueles em que a vida vibra. Em todo escrito em que se deseja a vida vibrando, a construção é lenta, morosa, sem fim. Tudo é um romance inacabado. Tanto a vida quanto a escrita são infindáveis. Quando se senta para escrever, as ideias incansáveis no ato de ruminar já pastaram e estão pastando as coisas da vida, de todas as vidas. E como são longos os pastos! Estendem-se para longes inalcançáveis, para horizontes que não terminam em corcundas montanhas. Para além, sempre mais para além, os pastos da vida se nos dão, se nos ofertam fartos de coisas para nos alimentarmos regalados. E o nosso alimento há de ser tão vário: a delícia e a dor são o nosso cardápio, o nosso pão cotidiano. Já que estamos na vida, somos gados em seus pastos, e não há como nos destacarmos
da relva, dos cerrados, das estepes ao longe compondo um cenário a ser lido. Ler o mundo e escrevê-lo é também ler a nós mesmos. E se os pastos se chegam tão pertos de quem escreve e de quem lê, é porque suas lonjuras, suas distâncias que nossas mãos não pegam, são tão nossas que reverberam no que somos, no que sentimos. Tudo reverbera em nós e, apesar disso, não se pode segurar o que é tão confuso. Incapazes de tocar o que aparentemente está perto, nossas mãos também não pegam as distâncias. No entanto insistem no afã de pegá-las, pois queremos sempre nos entender. Escrever e ler são, entre outras coisas, busca de entendimento. São atos pelos quais palmilhamos os caminhos tortuosos da vida numa tentativa de planuras, de linhas retas para compor nossos passos. Eu sei que todo esse desejo de geometria é só desejo, pois tal meta é inatingível. Mas que importa essa consciência, se o que vale é escrever, e ficar na tentativa mesma de entender? Vale o ato de nadar em águas profundas, mesmo sabendo que o que vemos são as superfícies de tudo, as nossas cascas tão pobres, tão cheias de falta de conhecimento. Os que escrevemos estamos no mundo também para isto: para levar aonde possível for o que é belo como a arte e necessário como a vida. Falo aqui da beleza da arte, que engloba também toda a feiura da vida. Se não for assim, a própria vida não tem sentido. Por isso também escrevo. Por isso sempre faço da escrita uma possibilidade de amor, um jogo de criança infindável e inabalável. Para escrever é necessário ter disposição. A escrita não vem a esmo, à toa, como se um
espírito estivesse ditando algo lá no nosso inconsciente. Isso deve ocorrer, imagino, na psicografia. Para fazer literatura, contudo, o escritor tem que dominar a escrita, tem que saber do que está falando. É lógico que alguma coisa sempre vai escapar, que o texto sempre vai dizer mais do que o autor quis dizer. E o dito a mais sempre é mais do que se esperava. No entanto, apesar do que lhe escapa, o escritor busca dominar o que escreve, tenta olhar para cada palavra, escolhe uma e não outra. Às vezes, são as palavras que o dominam. Mas isso não importa. Não importa que às vezes as palavras me dominem, pois entre seres amantes não pode haver esses negócios de discriminação. Os comércios do amor determinam, mesmo que não queiramos, todo tipo de desordem. E assim, nos interstícios das relações amorosas, caça e caçador, dominador e dominado são uma coisa apenas. E se tais funções não chegam a se confundir em alguns momentos, elas certamente, na maioria das vezes, alternam-se no ato de amar. Pois do mesmo modo escrever é isto: um ato de amor. Um amor conturbado, mas pleno. Um ato solitário quando estou aqui, fazendo minhas garatujas. Um ato ermo e só, porém tão perto dos bulícios do mundo! Não posso me afastar, como já sugeriu uma vez o nosso Olavo Bilac, do “estéril turbilhão das ruas”. As ruas não são estéreis, e o nosso poeta já bem o sabia. Tudo são artimanhas do discurso, que sempre diz mais e mais. As ruas são produtivas nos seus rumores. E escrevendo, neste meu ato solitário e solidário de amor, desejo comungar com o mundo inteiro a vibração maravilhosa da vida.
Gastronomia
CLÁUDIO RUAS
O Velho Chico Ele tem um apelido c a r i n h o s o, mas que também guarda um sinal de muito respeito. É velho, desgastado pelo tempo e ainda é muito maltratado. Mas, ao mesmo tempo, é querido, importante e belíssimo até hoje. É o Rio São Francisco, mineiro de nascença e brasileiro de coração. Brota da terra no coração da Serra da Canastra e vai rompendo rumo ao norte mineiro. Passa pela Bahia e sai beirando Pernambuco, mas sem se intimidar com a secura do semiárido, até morrer no oceano Atlântico, entre as divisas de Sergipe e Alagoas. Morrer não. Virar uma parte do mar. É o maior rio exclusivamente brasileiro e tem uma importância do tamanho dos seus quase 3.000km de extensão. Importância pela vida que ele leva com suas águas em lugares onde essa quase não existe. Importância econômica, social, cultural e, claro, gastronômica. Não só pela variedade e qualidade dos peixes, mas do gado que vive em seu entorno (e suas carnes serenadas e manteigas de garrafa), dos frutos do cerrado e de toda cultura gastronômica que margeia aquelas águas mansas. Apesar da certa distância, volta e meia parte uma turma de Resende Costa para uma pescaria no São Francisco. E no último mês tive o privilégio de fazer parte mais uma vez de uma comitiva dessas, o que só reforçou meu encanto pelo Velho Chico. Parece longe, mas nem tanto. Afinal, ainda estamos dentro do nosso estado e as estradas até lá estão bem razoáveis. Oitocentos quilômetros do Ribeirão Santo Antônio até o Rio São Francisco, no rancho entre a cidade do mesmo nome e Januária. Mas vale a pena demais. Começando pelo pôr do sol incrível que deixa o rio rosa e alaranjado. E depois pela lua cheia prateada, que mesmo espantando peixe ainda é sempre bem vinda. Por último, a sensação de que ali debaixo pode ter surubim, dourado, piau, pacu-caranha... Pescar é uma atividade pré-histórica e ao mesmo tempo muito atraente até hoje. Pelo lado da gastronomia então, nem se fala. A proximidade que a cozinha deve ter com o ingrediente faz da pescaria um programa pra lá de interessante. E que justifica as distâncias percorridas, as tralhas carregadas e as horas de paciência dentro do barco. Justi-
fica até a falta de peixe de vez em quando, afinal, como já disse o caipira,“pescar já é tão bom e ocê ainda qué que eu pegue peixe?” A verdadeira aula de limpar e filetar um dourado com o Zé Vicente foi especial. Pescador gente da melhor qualidade, cheio de conhecimentos de beira de rio, mas sofrido pela falta de peixe (e políticas públicas). Os olhos marejando enquanto recebia de nós uma generosa parte da nossa dispensa que havia sobrado comprovam o injusto sofrimento e o esquecimento de pescadores como ele nos dias atuais. Qual o melhor peixe na opinião dele? “Surubim, pacamã e piranha ensopada”. No ensopado que eles costumam fazer, geralmente vai cebola, tomate e pimentão. Se tiver o bom e velho coentro, melhor ainda. O urucum daquelas bandas também costuma ser dos melhores, parecendo até sangue quando diluído no óleo. Mas o surubim na brasa e o ensopado na moqueca, o filé do dourado grelhado na frigideira e o pirão de cabeça de peixe só terão aquele gosto naquele lugar. Do lado do rio, tudo fresco. Saiu de lá já não é a mesma coisa. E é por isso que viagens como essa não têm preço. Na volta, parada obrigatória na vizinha Mirabela, terra das melhores carnes de sereno de minas e do Brasil, que tem um açougue ao lado do outro, tal como as lojas de artesanato aqui de Resende Costa. Um verdadeiro ”artesanato das carnes”, cujas mantas ficam penduradas dentro de vitrines com tela, uma mais linda do que a outra. É muita riqueza para uma região que carece até de água. Antagonismos da vida... (A receita do mês no blog que foi preparada à beira do Velho Chico - é uma “moqueca de surubim com pirão de cabeça”: http://casalgastromg.blogspot. com.br/)
Festival de Cultura e Gastronomia de Tiradentes vem aí! Entre os dias 23 de agosto e 1º de setembro nossa vizinha Tiradentes sediará a 16ª edição do Festival de Cultura e Gastronomia, que é o principal evento do gênero do país. Ótima oportunidade para os resende-costenses desfrutarem dessa deliciosa festa, bem aqui no nosso “quintal”. Aproveitem ainda para fazer um caminho alternativo e muito bacana, passando por Prados e Bichinho. Vale a pena.
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ANO X Nº 124 - AGOSTO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Política Regional
Santa Cruz de Minas, menor município do Brasil, em busca de sua identidade
Santa Cruz de Minas é considerado o menor município do Brasil, com área de 3,3 km2. Emancipada em 1995, a cidade tem cerca de 132 oficinas artesanais, mas busca consolidar-se como centro turístico, para atrair os visitantes que fazem do município um corredor de passagem entre São João del-Rei e Tiradentes. O antigo Porto Real da Passagem pertenceu à Vila São João del-Rei, antes de passar, em 1719, para os domínios de Tiradentes (então, Vila São José del-Rei), de acordo com o atual presidente da Câmara Municipal Alexandre Silva do Nascimento. Era passagem de bandeirantes paulistas em busca de pedras preciosas. Alguns bandeirantes pararam às margens do Rio das Mortes para explorar ouro ou para prestar serviços aos mineiros, conta Alexandre. Um deles foi Tomé Portes del-Rei, de Taubaté (SP), que, nos fins do século 17 e início do século 18, se estabeceu com sua comitiva para comercializar comida, animais e serviços com os transeuntes. Tornou-se guarda-mor distrital (1701) e também concessionário da travessia do rio. Em 1735, seria construída a primeira ponte sobre o Rio das Mortes - a “Ponte do Porto” – cujo construtor ganhou o direito de cobrar pedágio pela sua utilização. “Foi o início do povoamento do Arraial do Córrego. Com o passar do tempo, toda a área partindo do Arraial do Córrego até o Porto Real da Passagem ficou conhecida como Porto Real e, mais tarde, apenas Porto” (“Um Olhar sobre a construção identitária de Santa Cruz de Minas”, História das Vertentes, Caderno 4, 2008, UFSJ – Organizadores: Betânia Maria Monteiro Guimarães, João Antonio Corrêa Filho e Murilo Cruz Leal). A partir de 1910, Juvenal Augusto Chaves tornou-se representante do Porto junto à administração municipal de Tiradentes, relata seu neto Ricardo Ezequiel Chaves, o Ricardinho. “Ele foi autorizado a doar lotes para a construção de casas no distrito.” Novo nome - Existem duas versões para a mudança do nome de Porto para Santa Cruz de Minas. Iniciativa de Juvenal devido à frequente troca de correspondências nos três portos que havia no Rio das Mortes – Porto, Tiradentes e Pombal -, segundo Ricardinho.
Celebração de missa campal e bênção de pedra fundamental da capela de São Sebastião, em 29 de junho de 1937, de acordo com a Prefeitura. Neste local, teria sido erguido um cruzeiro, onde hoje é a atual Igreja Matriz. Santa Cruz foi elevado à categoria de distrito em 30 de dezembro de 1962 (Lei Estadual nº 2.764). Segundo relatório da Câmara Municipal de Tiradentes, neste ano, havia no distrito 1.674 habitantes, 522 casas, uma escola, 15 comerciantes, uma fábrica de banha, cerâmica e olarias, igreja, água, luz e telefone. Emancipação - Em 1991, o distrito tentou, pela primeira vez, desvincular-se de Tiradentes, com a formação de uma comissão pró-emancipação e a realização de um plebiscito. Mas o movimento não foi adiante porque houve resistência à anexação ao futuro município dos moradores de César de Pina e Águas Santas, que preferiram continuar ligados a Tiradentes. Em abril de 1995, surgiu novo movimento pela emancipação, desta vez restrito apenas aos limites do distrito. O pároco padre Claudir Pôssa Trindade e 21 pessoas reuniram-se no salão da Paróquia de São Sebastião, quando foi formada comissão organizadora constituída pelo então vice-prefeito de Tiradentes, Ricardinho (presidente); José Maria do Nascimento (vice-presidente); José Antonio dos Santos (secretário) e Geraldo Magela Muffato (tesoureiro). A comissão começou a trabalhar na busca de informações que atendessem às exigências para a emancipação. Foi constatada a existência de 6.226 habitantes (censo de 1991 do IBGE); 3.229 eleitores (até 03/02/1995, conforme a Justiça Eleitoral); 2.067 casas de moradia; 1.638 residências com energia elétrica da Cemig; 107 terminais telefônicos da antiga Telemig; 88 prédios comerciais e duas indústrias (Mineração Omega e Cal Writh), entre outras instalações e unidades úteis à comunidade. Um grupo de 377 eleitores (da 256ª Zona Eleitoral), residentes e domiciliados no distrito de Santa Cruz de Minas, enviou à Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais um requerimento de abertura do processo de emancipação. Em 26 de maio, foi publicado no Diário Oficial do Estado o “re-
querimento de emancipação nº 138/95”, do deputado Ajalmar Silva, que encaminhava ao presidente da Assembleia Legislativa a documentação necessária. Em paralelo, uma ampla campanha foi realizada entre moradores e eleitores a favor do “Sim”, no plebiscito de 22 de outubro que decidiria o destino de Santa Cruz de Minas. Padre Claudir participou ativamente da campanha, segundo o jornal são-joanense Correio do Município (1ª Quinzena de outubro de 1995). “Padre Claudir hoje é a figura mais popular e mais dinâmica na luta para alcançar a emancipação do nosso querido e amigo Porto Real, hoje Santa Cruz de Minas.” Em 11 de novembro, foi publicado no Diário Oficial do Estado a emancipação de Santa Cruz de Minas, município com área territorial de 3,3 km2 que faz divisa com Tiradentes e São João del-Rei. A lei de criação de Santa Cruz (nº 12.030) foi sancionada pelo então governador Eduardo Azeredo em 21 de dezembro de 1995, aniversário da cidade. Santa Cruz de Minas não ganhou de imediato um intendente nomeado pelo governador do Estado, conta Ricardinho. O município permaneceu vinculado à administração de Tiradentes até o final de 1996 quando houve nova eleição. Prefeitos - Ricardinho pertence à família tradicional de políticos. Seu avô, Juvenal, foi vereador de Tiradentes no início do século 20. Seu pai, Ricardo Augusto Chaves, foi vereador e vice-prefeito de Tiradentes. Ricardinho, antes de tornar-se vice-prefeito, foi vereador em Tiradentes por quatro gestões. Da comissão organizadora da emancipação, saiu o primeiro prefeito de Santa Cruz de Minas. José Antonio dos Santos, com Jorge Bosco Dias de vice, foi eleito pelo Partido da Frente Liberal (PFL) para o período de 1997-2000, tendo conseguido a reeleição para mais uma legislatura. Em 2005, assumiu o novo prefeito Paulo César de Almeida, o Didico da Ambulância, eleito pelo Partido Social Cristão (PSC), que tinha como vice José Alberto do Espírito Santo. José Antonio voltou à administração municipal em 2009, desta vez pelo Partido Progressista (PP), em coligação com o Partido Democrático Trabalhista (PDT) que indicou o vice We-
FotoS José Venâncio
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Rua do Artesanato em Santa Cruz de Minas
Sedes da Prefeitura e Câmara Municipal de Santa Cruz de Minas
riton José de Andrade. A eleição de 2012 foi vencida por Sinara Rafaela Campos, do Partido dos Trabalhadores (PT), em coligação com o Partido Verde (PV), cujo vice é Aldo Batista da Silva. Aspectos econômicos - O artesanato é uma das principais fontes de riqueza da economia de Santa Cruz de Minas. Levantamento realizado em 2007 aponta a existência de132 oficinas artesanais, envolvendo aproximadamente 500 pessoas, de acordo com Marcos Justino da Silva, conselheiro fiscal da Associação Comercial, Industrial e Artesanal de Santa Cruz de Minas (ACIASC). São 90 pequenas marcenarias (móveis de madeira de demolição) e cerca de 30 oficinas de artesanato em metal e ferro (lustres, lampeões, móveis, castiçal, paneleiro etc.). Outras 12 oficinas são de produtos como cerâmica, móveis de eucalipto com fibra de taboa e namoradeira. Outros empregadores de mão de obra no município são a Mineração Omega, a Cal Tiradentes, a Prefeitura e estabelecimentos comerciais como supermercado, confecções, lojas e bares. Os produtos artesanais são vendidos basicamente para lojistas do eixo Rio-São Paulo, mas o Sul do Brasil desponta como novo mercado, conta Marcos Justino. O desafio está em conquistar a união dos em-
presários locais, para promover o desenvolvimento do município (mais renda e empregos), afirma Paulo Roberto França, presidente da ACIASC. O problema é que Santa Cruz transformou-se num corredor entre São João del-Rei e Tiradentes - “o turista passa direto e, para segurar o turista por mais tempo, é preciso um trabalho dos empresários em parceria com o setor público municipal”, complementa. O presidente da associação integra o Conselho de Turismo, instituído em janeiro deste ano pela administração municipal. Um dos objetivos do Conselho é conquistar o ICMS Turístico e desenvolver diretrizes para o planejamento do setor, informa a chefe de Cultura e Turismo Betânia Resende. Esta iniciativa deve contemplar a criação de uma feira de artesanato, para inclusive melhorar a divulgação dos trabalhos, um dos maiores gargalos na visão de Paulo França. Outra medida foi a ativação do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural, existente desde 2008 (Lei nº 552, de 25 de novembro), com o objetivo de sugerir políticas públicas para resgatar a história de Santa Cruz de Minas. A ideia é fazer com que as ações dos dois conselhos sejam complementares, conclui Betânia (reportagem completa disponível no site www.jornaldaslajes.com.br).
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ANO X Nº 124 - AGOSTO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Regional
Música
Resende Costa recebe concerto do Festival de Música de Prados
Usina de reciclagem de lixo de Coronel Xavier Chaves, exemplo para a região JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Adubo - A matéria orgânica é depositada no pátio de compostagem onde fica por 120 dias até a transformação em adubo. Neste processo, o primeiro procedimento é a medição de temperatura, seguida do ciclo de revigoramento, da peneiragem e da análise do material. O
Beto na entrada da usina de triagem e compostagem de Coronel Xavier Chaves
adubo pronto é encaminhado ao laboratório da Universidade Federal de Viçosa (UFV), parceira da Prefeitura no projeto. Assim, o adubo está apto para ser aproveitado em jardinagem, de acordo com orientação da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), explica Beto. Este adubo é distribuído gratuitamente no município. Ociosidade - Quando a Usina foi inaugurada, por curto período, houve uma parceria com a Prefeitura de Prados que estava com problema de colocação do lixo, conta Beto. Durante cerca de oito meses, Prados fornecia entre seis e sete toneladas/dia de lixo à usina. Esta demanda mostrou a necessidade de ampliar as instalações. Como não houve acordo, a parceria acabou. A Usina tem capacidade para processar até 10 toneladas por dia e pode atender até mais de dois municípios, afirma Beto. Mas para isso é preciso novos investimentos como aumento do número de funcionários (para cerca de 15 pessoas) e adaptação na área de recebimento, na banca de triagem, no pátio de compostagem e no galpão de estoque. Referência - A Usina permitiu resolver o problema da destinação do lixo do município, comemora Beto. Tornou-
-se uma referência, tanto que recebe muitas visitas por mês, principalmente de alunos de escolas do ensino fundamental e médio e de faculdades da região. Na escola municipal de Coronel Xavier Chaves, os alunos fazem trabalhos sobre a importância de se aproveitar o lixo, depois de participarem de visitas monitoradas à Usina. A Usina já serviu de modelo para Conceição da Barra de Minas, conta Beto. Alunos que visitaram a unidade de Coronel Xavier Chaves, levaram a ideia para o prefeito de Conceição que a adotou. “O lixo é um problema sério, mas tem muito município que não mexeu uma palha para resolver este problema, apesar da lei de resíduos sólidos dar prazo até 2014”, alerta Beto. “O cerco está fechando. Na hora que começar a doer no bolso, os prefeitos começam a tomar providências.” Treinamento - Beto está na Usina desde o início de sua operação. Na época, precisou fazer treinamento em Viçosa para dominar a parte técnica da compostagem. No ciclo de medição de temperatura, por exemplo, aprendeu a fazer o controle de temperatura (máximo de 65º C) para não matar os microrganismos.
Resende Costa recebeu, pelo quinto ano consecutivo, concerto do Festival de Música de Prados, que neste ano completou a 36ª edição. O concerto aconteceu no dia 23 de julho, às 20h30min na igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha. No programa, obras de E. Ysaye (Sonata Op. 27 para violino solo “Ballade”), C. Santoro, A. Piazzolla (Estudos Tanguisticos números 2 e 3), H. Villa Lobos (Choro número 2 para clarinete e flauta), L. V. Beethoven (Quarteto Op. 18 nº 3). A obra de Beethoven (17701827), principal destaque do programa, foi brilhantemente executada pelo Quarteto Olivier Toni, formado pelos violinistas Samuel Mello e Caio Machado, pela violista Jully Yamamoto e o violoncelista Jefferson Martins. Obra típica da juventude do compositor alemão, o Quarteto Op. 18 revela o estilo clássico predominante no
século 18. O grand finale foi um tributo aos compositores brasileiros Dominguinhos (falecido no dia 23 de julho), Isaias Bueno, Sivuca e Pixinguinha. Os instrumentistas André Bachur (bandolin), Pedro Bruschi (violão), Danilo Agostinho (clarinete), André Cortesi (flauta) e Gustavo Mazon (contrabaixo) deram show de virtuosismo, levando ao público o melhor do choro, gênero genuíno da música popular brasileira. Destaque para a presença do maestro Olivier Toni, diretor artístico do festival. Sempre presente nos concertos em Prados e nas cidades da região, o maestro Toni é um dos idealizadores do Festival de Música. A realização do concerto em Resende Costa contou com o apoio da Prefeitura Municipal e do Movimento Arena Cultural (MAC).
Foto Flaviane Costa
Etapas - O caminhão deposita o lixo na área de recebimento, onde funcionários encaminham os resíduos para a banca de triagem. Ali, sete pessoas fazem a separação do lixo, retirando o material reciclável (seco), a matéria orgânica e o rejeito (cerca de 15%, que são tecidos, calçados velhos, fralda descartável, isopor e absorvente). O lixo seco é prensado, transformado em fardos e vendido para um comprador de Prados. Ao completar uma carga de 12 toneladas, a cada 45 dias, o caminhão do comprador aparece para retirar os fardos. Geralmente, faz duas viagens.
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Foto José Venâncio
Há 13 anos, não existe lixão em Coronel Xavier Chaves, que é pioneiro em reciclagem de lixo na microrregião Campo das Vertentes, com sede em São João del-Rei. A Usina de Triagem e Compostagem de Lixo, construída no primeiro mandato do prefeito Elder Sávio Silva (1997-2000), processa atualmente entre 1700 e 1800 kg de lixo por dia. A coleta é feita três vezes por semana (segunda, quarta e sexta), abrangendo cerca de 95% do lixo produzido no município, conta Roberto Carlos, o Beto, coordenador da Usina. Um caminhão da prefeitura recolhe lixo seco (papel, papelão, plástico, alumínio, vidro etc.) e orgânico (restos de comida, podagem de grama, frutas estragadas, cascas etc.). Para facilitar este trabalho, é feita uma campanha de esclarecimento a fim de estimular os moradores a fazerem uma pré-separação do lixo. O plano agora é implantar a coleta seletiva, com o recolhimento alternado de lixo seco e orgânico, informa Beto.
O público resende-costense prestigiou concerto do 36º Festival de Música de Prados
No clima dos protestos de rua, laboratório de novos políticos é reativado em SJDR Num clima de protestos de rua em que jovens colocaram em xeque a credibilidade de políticos, partidos e governos, foi eleito em junho o Parlamento Jovem de São João del-Rei, que ficou inativo por quatro anos. São 13 vereadores, entre 15 e 29 anos (limite máximo imposto pelo EJA – Educação de Jovens Adultos), regularmente matriculados no ensino médio e eleitos por alunos de 21 escolas públicas e particulares. Eles tomam posse no dia 14 deste mês, no plenário da Câmara Municipal, para cumprir mandato de um ano. O parlamento jovem faz parte da linha pedagógica da Escola do Legislativo Municipal, coordenada por Alis-
son Reis. A ideia é preparar o político do futuro, ao fazer com que os alunos tenham maior conhecimento da função do vereador e aprendam a elaborar um projeto de lei, além da formação para a cidadania, explica o professor Antonio Carlos Duque Estrada, coordenador do Parlamento Jovem. Processo eleitoral - Vinte e seis candidatos originários de 12 escolas candidataram-se espontaneamente, depois de feita a “propaganda” do projeto nas escolas, relata o professor Duque. Os candidatos foram convidados para uma reunião onde receberam orientação sobre o desenvolvimento da campanha.
Receberam instrução sobre como fazer uma campanha “justa, honesta, limpa”, complementa Alisson. Foram duas semanas de campanha nas diferentes escolas. Após este período, a campanha foi suspensa 48 horas antes da eleição, que aconteceu no dia 28 de junho, com apuração um dia depois. Como foi eleito um candidato a mais do que o número de escolas, a Escola Estadual Governador Milton Campos, que teve mais candidatos, ficou com duas vagas. A partir de agora, tantos os parlamentares jovens quanto os vereadores e seus assessores, bem como lideranças sociais, vão participar em conjunto de atividades legislativas e do ciclo
Recém eleito Parlamento Jovem de São João del-Rei
de formação promovido pela Escola do Legislativo, informa Alisson. Serão palestras, cursos, apresentações culturais e de cidadania durante reuniões quinzenais no plenário da Câmara Municipal. Os eleitos - Os vereadores jovens que tomam posse este mês são os seguintes: Northon Torga (2º ano da E.E. João dos Santos); Douglas Freitas (3º ano da E.E. Governador Milton Campos); Rafaela Vieira (3º ano da E.E. Garcia de Lima); Marcelo Melo (3º ano da E. E. C. O. L); Graziela Silva (1º ano da E. E.
Evandro Ávila); Wellington Batista (3º ano da E. E. Professor Iago Pimentel); Caique Rodrigues (3º ano da E. E. Governador Milton Campos); Isabella Guedes (3º ano do SESI); Rodrigo Ribeiro (3º ano do C. E. Frei Seráfico); João Pedro Ávila (1º ano do Colégio Nossa Senhora das Dores); Marcuso Silveira (1º ano do Colégio Revisão); Gustavo Garcia (3º ano da E. E. Padre Lopes); e Joana Medrado (1º ano do Instituto Auxiliadora). Mais informações sobre o trabalho da Escola do Legislativo e do Parlamento Jovem podem ser obtidas pelo telefone (32) 3373-2114. J.V.R
14 Jornal das Lajes O Verso e o Controverso
ANO X Nº 124 - AGOSTO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
JOÃO MAGALHÃES
Parabéns JL! “Ad multos annos!” Há uma afirmação, antigamente muito usada quando alguém prorrompia em muitos autoelogios: “Louvor em boca própria é vitupério”. Poupo algum leitor de consultar o dicionário: “Vitupério: insulto, injúria, ato vergonhoso....” Não posso, porém, omitir-me de elogiar nosso JL, pelo seu decênio de existência, em cuja festa lamentavelmente estive ausente por viagem, há tempo comprada, mesmo sabendo que aplaudindo a equipe que o manteve e mantém e o fez e o faz crescer com tanta saúde, me elogio também, pois estamos juntos desde seu segundo número – maio de 2003 – cujo editorial escrevi, a pedido de seu fundador, Denilson Daher (por critério de antiguidade no jornal, nosso editor-chefe, André, é 1º decano, eu sou o 2º). Incluo na equipe todos que participaram, escrevendo, pesquisando, desenhando (saudade dos desenhos e charges do Cássio Jônatas!), distribuindo, administrando, cumprimentando, sugerindo, levando em seus carros e, evidentemente, todos os anunciantes que “doaram sangue” e muitos doam até hoje para tirar o jornal da “anemia econômica”. Na ocasião – maio de 2003 – escrevi no editorial: “Chegamos ao 2º mês de vida com a mesma proposta, com idêntico entusiasmo: noticiar, comentar, elogiar, incentivar, sugerir, promover os bons eventos e as coisas positivas de nosso município, mas igualmente alertar,
apontar, denunciar, cobrar dos responsáveis as falhas que sempre acontecem na sociedade dos homens”. Até hoje o JL está cumprindo sua vocação de nascimento. Sempre afirmo e as 124 edições (tenho todas encadernadas) até agora o provam, se você quiser saber tudo de importante que aconteceu em nosso município de abril de 2003, para cá, encontrará em nosso jornal. E recentemente também em nossa região mais vizinha. Atualmente ou no futuro, quem se dispuser a escrever a “História de Resende Costa”, necessariamente terá que consultar o JL. Acho isso o maior elogio, o maior orgulho. Quem participou e quem participa o fez ou faz porque se realizou ou se realiza pela integração com a vida de nossa terra. Essa interação se dá pelo gosto e amor por nossas coisas. Esta é a nossa gratificação. Atuando desde a adolescência na causa-religião e mais tarde também na causa-pedagogia, participei, ou liderei, inúmeros projetos voluntários. A efemeridade deles é constante pelo rolar da vida e suas circunstâncias. Nunca vi um projeto voluntário, que durasse tanto como o JL. Dez anos! Sua permanência vem da participação espontânea, vem da ligação com nossas origens, vem da alegria de ver nosso veículo de comunicação ampliando seu número de páginas, primando pelo conteúdo das matérias, expandindo seu diâmetro geográfico de abran-
Contemplando as Palavras
REGINA COELHO
Sala de aula (Parte I) gência, sendo cada vez mais referência no jornalismo regional. Prezado JL, “ad multos annos!” Você está conseguindo uma proeza rara. Oferece espaço para o particular, para o comezinho, para uma “História da vida privada”, para um leitor matar a saudade de algum familiar, de alguma raiz há muito desaparecida, de algum benzedor que o curou, de uma personagem folclórica com quem conviveu. Mas abre área também para o universal e para o universal regional, para a exposição de opiniões, para o debate, para a grafia de tendências literárias, para entornar emoções. Tudo isso, sem censura, sem cobrar um centavo do leitor. Nosso jornal não padece de tibieza. A ameaça do anjo do Apocalipse “assim, porque és morno, nem frio, nem quente, estou a vomitar-te de minha boca” (Ap. 3,6 – Carta à Igreja de Alexandria) até agora nunca se efetivou no jornal. E o ideal é que nunca se cumpra! Por fim, reverto o agradecimento especial que o Denilson me fez, quando da edição número 2 de 2003: Eu é que o agradeço pelo convite. Como toda equipe, integrar o JL é realização. É sentir-me bem por participar, por atuar. Pertence ao leitor julgar se isto é cabotinismo ou não, mas é o que sinto. E você?
A t u e i profissionalmente como professora nos Ensinos Fundamental e Médio. Foram quase 32 anos ininterruptos durante os quais convivi, evidentemente, com muitas pessoas. Entre colegas, diretores e demais funcionários das escolas por onde passei, pais de alunos e alunos, atenho-me aos últimos, os grandes protagonistas desse processo chamado educação e do presente artigo. Começo dizendo que não tenho a mínima condição de calcular, ainda que aproximadamente, o número de alunos que tive ao longo dos anos. Sei é que passou pelas minhas aulas, primeiramente de inglês, depois de português e literatura, gente das mais variadas idades, origens e atividades. No princípio da carreira, era comum ver na sala de aula alunos mais velhos do que eu, o que foi mudando, é claro, com o passar do tempo. Havia também uma boa quantidade de meninos vindos principalmente dos povoados daqui e de lugares próximos de Resende Costa para dar prosseguimento a seus estudos. Isso ocorria pela falta da extensão de séries e do antigo segundo grau nessas localidades. E não é que até mesmo uma família de angolanos apareceu por aqui com seus filhos matriculados na Escola Conjurados? De vez em quando, para delírio de muitos, surgiam em uma ou outra turma adolescentes integrantes de algum circo instalado na cidade. Mas, do mesmo modo que davam o ar de suas graças, iam embora sem esquentar carteira, quase sempre sem que fosse possível guardar sequer seus nomes. Meninos que moravam no então Asilo São Camilo, gente de companhia, freiras e soldados também estiveram entre os inúmeros alunos que passaram pela minha vida profissional. A julgar pelo convívio de tanto tempo com uma diversidade tão grande de tipos humanos, dá para imaginar a quantidade de histórias que vivi ou presenciei no dia a dia da sala de aula. Selecionei algumas. Contarei os “milagres”, mas omitirei os “santos”. Vamos a elas. Certa feita, ouvi de um aluno um pedido em nome de um colega para que este pudesse ir ao banheiro. Respondi ao solicitante que gostaria que o colega necessitado de sair da sala falasse isso comigo diretamente, que ele tinha boca para falar. “Isso mesmo, eu falei com ele que a senhora não morde”, replicou o intermediário daquela conversa. De uma outra vez, estava passando pelas fileiras de carteira conferindo o inevitável e sempre diário dever de casa. Foi quando um engraçadinho, logicamente com a tarefa por fazer, passou
despistadamente para uma das filas dos que já tinham mostrado o caderno. Percebendo a manobra dele, iniciei aquele sermão, dizendo-lhe que ele precisava nascer de novo para me enganar, pois, quando ele nasceu, eu já trabalhava. Foi o que bastou para um gaiato dizer: “Nossa, a senhora deve ter uns quase 40 anos”. Aconteceu também um dia que, por alguma razão qualquer, não me lembro qual foi, uma das lentes de contato que usava (ainda uso lentes) caiu no chão. Abaixei-me para procurá-la, explicando a todos o que acontecera. Então, um dos alunos que se dispuseram a me ajudar a achar a tal lente me perguntou, seriamente assustado, se eu usava aquilo para enxergar mais do que eles. Igualmente inesquecível foi o que aconteceu numa certa aula de redação. Como forma de motivar a turma para o que pretendia, coloquei para tocar a belíssima “João e Maria”, de Chico Buarque e Sivuca. Lá pelo meio da canção, uma aluna, daquelas bem espevitadas, soltou esta pérola: “Ah, credo, Regina, cê não tinha uma música melhorzinha pra trazer pra nós, não?” Fiquei desconcertada com tamanha sinceridade, achando impossível alguém não gostar daquele primor de valsinha. Isso para mim, para muitos, não para ela. E tem ainda o caso de um aluno que me abordou no primeiro dia de aula dele comigo para dizer que eu havia sido colega da mãe dele. Quis saber de quem ele era filho. Ao me responder, ele acrescentou para todos ouvirem: “a mãe falou que a senhora não deixava ninguém olhar suas provas”. Até hoje fico na dúvida se aquilo foi um elogio ou uma crítica. Sala de aula também é lugar para debates acalorados sobre temas da atualidade. Acreditando nisso e apostando no empenho e no entusiasmo das turmas, testemunhei muitos momentos de alto nível no embate das ideias entre colegas. Do meu gosto pessoal uma outra aposta foi o lançamento do “Revelação 92”. Uma turma pequena de 8ª série, a montagem de um jornal-mural, trabalho extraclasse voluntário e sem nota no diário, e o talento dos alunos se revelando na produção das matérias. Alunos, alunos aos montes, mas cada um era alguém único. Talvez por isso mesmo era impossível evitar alguns conflitos entre eles, entre mim e alguns deles. Na soma geral, prevaleceu a harmonia entre nós. Calados, tagarelas, nervosos, desligados, amorosos, dissimulados, nervosos, aplicados, espirituosos... eles formavam um vasto mosaico de personalidades tão diferentes.
bro.)
(A matéria continua em setem-
Jornal das Lajes 15
ANO X Nº 124 - AGOSTO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
Julho é o mês do futsal em Resende Costa. Um dos melhores e mais disputados torneios de futsal da região das Vertentes terminou no último dia 03 no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson. A 29ª edição do Torneio de Inverno contou com 49 equipes e sofreu algumas modificações. As categorias Feminino e Veterano foram incluídas nessa edição, além de mudanças nas categorias infantis, divididas agora em Sub-9, Sub-11, Sub-13 e Sub-15. Com isso, as finais da competição foram realizadas em dois dias: na sexta, 2, as categorias infantis encerraram sua participação no Torneio, enquanto as categorias adultas definiram os campeões no sábado, 3. A Escolinha de Futebol Galaxy chegou com dois times na final do Sub-9: Galaxy A e Galaxy B. O jogo foi acirrado, com empate em 4x4 no tempo normal, prorrogação sem gols e vitória do Galaxy B nos pênaltis por 2x0. O coordenador da Escolinha e treinador das equipes, João Vítor de Assis, exaltou a participação de cerca de oitenta jogadores do Galaxy no Torneio e a classificação dos times para a final, sendo a primeira vez que concorrem. Outra decisão emocionante foi a do Sub-11, entre Brasileirinho (SJDR) e São José. Novamente empate no tempo normal (3x3) e prorrogação sem gols. Na disputa de pênaltis, vitória do time resende-costense por 6x5. Trabalho reconhecido e coroado do técnico Abel Assis e dos jovens atletas. O Brasileirinho disputou duas finais em 2013. A segunda
foi contra o Galaxy na categoria Sub-13. O resultado final foi 4x2 para o time de São João del-Rei, que realmente é muito compacto, inteligente e decisivo. O treinador Thiago falou sobre a preparação: “O Sub-13 é a equipe que começa a se dedicar à competição, treinando seis horas por semana, participando de diversos campeonatos, inclusive com atletas que jogam o Campeonato Mineiro”. A final da última categoria infantil, Sub-15, aconteceu entre São José e XXT. A sensação do Torneio, São José, conseguiu, com méritos, a taça. O goleiro João Vítor, defesa menos vazada do campeonato, dedicou a conquista aos companheiros de time e à sua família e disse que o São José se preparará para a Taça de Prata no ano que vem. Cássio Almeida, um dos organizadores do evento, ressaltou o incentivo às crianças: “As categorias Sub, melhor divididas esse ano, são a base do futsal de Resende Costa, sendo que agora temos escolinhas e é perceptível a evolução do nosso futebol. O modo de jogar está mudando, os pequenos jogadores tocam mais a bola, não ficam tão embolados. É importante esse apoio e a gente vê a melhora a cada ano”. No sábado, as decisões tiveram início com o jogo da categoria Feminino, entre Pio XII (SJDR) e Mix A (CXC). Apenas quatro equipes se inscreveram nessa categoria. As meninas de Coronel Xavier Chaves se impuseram em quadra, venceram por 3x1 e conquistaram o tri-campeonato. A jogadora Débora comentou sobre a participação da mulher no futebol: “Ainda há preconceito, mas hoje já reduziu, tanto que há mais times
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participando do Torneio. Esperamos que a Prefeitura de Resende Costa continue apoiando o campeonato e o futebol feminino”. A segunda decisão da noite foi entre os veteranos, jogadores com idade acima de 40 anos. O Expedicionário, tradicional no futebol de campo, mostrou sua força também na quadra e venceu o Outro (Ribeirão) por 5x2. O atleta Ladinho conversou com o JL: “Foi muito boa a iniciativa de resgatar o futebol dos veteranos e espero que continue acontecendo. Para mim a conquista foi especial, porque já ganhei dez vezes a Taça de Prata e agora a categoria Veterano. Vai para a minha coleção de troféus e medalhas”. Na Taça de Ouro, teve time de São João del-Rei defendendo a taça: o Praia goleou o Shalk, de Coronel Xavier Chaves, por 11x2 e conquistou pela terceira vez consecutiva o troféu de campeão. O jogador Tiago elogiou a organização do campeonato e disse que tudo isso é fruto da boa preparação e entrosamento da equipe. O jogo mais esperado das finais foi o da Taça de Prata, o último do Torneio 2013. Um fato interessante é que já na segunda fase, os oito times que chegaram às quartas-de-final nunca haviam levantado a taça. Já sabíamos que o campeão seria inédito. Na final, Malas e Barcelona se enfrentaram. As apostas davam conta de que o Barcelona era o favorito. Mas os jogadores do Malas, que se classificaram na área de risco, passaram bem pela segunda fase, venceram outro favorito na semifinal, o Matsubara, e cresceu no Torneio. Na decisão, se postaram bem taticamente e o jogo foi muito equilibrado: empate
Fotos Emanuelle Ribeiro
Torneio de Futsal 2013: três finais foram decididas nos pênaltis
Pela primeira vez, o Malas conquistou a Taça de Prata
No Sub-15, o São José levantou a taça
no tempo normal em 4x4, 1x1 na prorrogação e vitória do Malas nos pênaltis por 3x2. O camisa 10, Lucas Barriguinha, foi um dos nomes do Malas no Torneio: “Foi um prazer fazer parte da equipe, o Malas me acolheu muito bem. Apesar das dificuldades, vimos que éramos uma família e dava para classificar.
Superamos e agora é comemorar”. No total, foram marcados 901 gols durante o 29º Torneio, sendo que a arbitragem, que também foi modificada esse ano, aplicou 133 cartões amarelos e 12 vermelhos. Parabéns a todas as equipes participantes, em especial às campeãs.
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Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
Muita festa para o novo Corredores locais dono da América! brilham em Extrema como! Depois de duas classificações heróicas a final deveria ser mais tranquila, certo? Errado! Quando se trata de Galo tem que ser sofrido, suado, ou então não vale. Novamente desvantagem fora de casa. Na final, o Horto já não era mais um fator a beneficiar. O jogo seria no Mineirão. 60.000 atleticanos estavam aptos a assistir ao espetáculo. E que sofrimento! Só no segundo tempo que o Galo se ajeitou e conseguiu com que a bola entrasse logo no início. E tinha que ser dele, Jô, artilheiro isolado da competição com sete gols. Mas só esse gol não bastava e o relógio andava, até rápido demais. Rostos desesperados. Santos ocupados. Superstições em prática. E valeu! Aos 41min, quando o coração já ameaçava parar, a bola entrou novamente. Leo Silva foi o herói da vez. Pressão do Galo, oportunidades perdidas e o Olímpia querendo cobrança de pênaltis. Para eles, com um jogador a menos e muito cansados, era a melhor opção. Mas Victor estava lá de novo, para com os pés defender a primeira penalidade e salvar o Galão! Foi merecido. O melhor time da fase de grupos, que encantava com o seu futebol bonito, e o time aguerrido do mata-mata, que levou suas disputas até os minutos finais e acreditou! Não citei o São Paulo como uma pedra no sapato, porque realmente não foi. O Tricolor é sem dúvidas um grande vencedor, mas precisa rever suas teorias logo. O Ronaldinho disse que o Galo precisava se divertir naquele jogo em que perdeu para o São Paulo. Muita gente não gostou, mas a verdade é que nas oitavas o Galo brincou e passou fácil. Essa Libertadores teve seus momentos fora e dentro de campo. O atleticano acreditou, mesmo quando todos diziam o contrário, e isso foi fundamental! Chorem mesmo, gri-
tem muito, comemorem! Afinal, vocês são os donos da América. E melhor, podem ser os donos do MUNDO. O possível duelo entre Atlético e Bayern preocupa. Os alemães são o melhor elenco do futebol mundial, mas não diria que é impossível vencê-los. Com alguns reforços e uma tática infalível, para jogar feio mesmo, o Galo pode levar o Mundial, até porque é apenas um jogo e tudo pode acontecer. Antes e após a conquista surgiram muitos boatos de que a partida havia sido comprada pelo Galo. E realmente foi comprada quando o Atlético manteve o Bernard e gastou milhares contratando Victor, Réver, Leo Silva, Pierre, Leandro Donizete, Ronaldinho Gaúcho, Jô, Tardelli, Luan, Guilherme, Cuca e muitos outros. A Libertadores foi comprada pelo alto investimento que o Galo fez na equipe. Quando se arrisca dessa maneira resultados positivos se tornam possíveis. 24 de julho de 2013. Esta data ficará marcada no pensamento de cada atleticano. O dia em que o sonho se tornou possível, em que a sorte finalmente foi real. O dia em que o Galo surgiu para o mundo e que Resende Costa e muitas outras cidades do país explodiram de felicidade. Sim, explodiram! Na noite da conquista, mesmo com chuva, os torcedores foram para a Avenida Gonçalves Pinto e alguns deles ficaram na rua até o amanhecer. Mas a grande comemoração aconteceu no sábado seguinte, na mesma avenida: atleticanos se reuniram no local para confraternizarem e comemorarem juntos esse feito. O fanático Marquinho e amigos distribuíram tropeiro e chope para a massa resende-costense. A festa teve direito a uma carreata enorme e show do grupo “Mistura do Pagode”, além de muitos fogos, música e telão com os momentos inacreditáveis que
Torneio de vôlei começará em setembro O Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson receberá outro torneio em setembro. É o 2° Torneio Intermunicipal de Voleibol de Resende Costa. Nos dias 07 e 08 acontecerão as disputas das categorias Adulto Feminino e Adulto Masculino, CLASSIFICADO Vende-se um terreno com seis lotes, onde está localizada uma casa. Interessados tratar no endereço: Rua Jacarandá, 36, bairro Tijuco.
e no dia 21, serão realizados os duelos da categoria Sub-17. Os jogos terão início às 8 horas e o torneio contará com a participação de várias equipes de Minas Gerais! Assista às partidas e participe dessa competição. É o vôlei conquistando seu es-
paço em Resende Costa. Parabéns às organizadoras Cristiane Vale (graduanda em Educação Física na UFSJ) e Mariana Pinheiro (graduada em Educação Física na UFSJ e pós-graduanda em Treinamento Esportivo na UFJF) por mais essa iniciativa.
No dia 13 de julho, os maratonistas resende-costenses voltaram a conquistar medalhas na cidade mineira de Extrema. Luiz Nei Resende, Samuel Eduardo Santos e Gabriel Morais correram o percurso de 12 km da Meia Maratona de Extrema, corrida noturna, considerada a mais
difícil do Brasil. Luís conquistou a medalha de ouro e foi bicampeão com o tempo de 57min10seg. Samuel cruzou a linha de chegada em segundo lugar com o tempo de 58min41seg. Gabriel foi o 15º colocado. O JL parabeniza nossos atletas por mais essa conquista.
Luiz Nei foi campeão em Extrema
Foto Divulgação
Uma trajetória de milagres, sorte, sofrimento e muita competência. Assim foi o caminho percorrido pelo Clube Atlético Mineiro durante a Taça Libertadores. Apoiado pela sua fanática torcida, o Galão da Massa conquistou esse título inédito em sua história. Título difícil, mas que se tornou possível com as defesas inacreditáveis do goleiro Victor, os ataques fatais do quarteto ofensivo e a fé de Cuca. Ah, como ela fez diferença! Quantos milhares de atleticanos confiaram, rezaram e acreditaram junto com o técnico azarado. Agora não tem mais azar. Nem para o Galo, nem para o Cuca. O ápice do Galo foi aquele jogo contra o Tijuana no Independência nas quartas de finais. Ali o Atlético ganhou a Libertadores. Pênalti para os mexicanos cobrarem aos 48min do 2º tempo. Era só marcar e classificar. “O sonho acabou”, foi o que muita gente pensou. Mas não a torcida alvinegra, essa é diferente, essa tem um parafuso a mais ou a menos. Mil e uma coisas se passaram pela cabeça de cada atleticano naquele minuto aterrorizante. E o alívio veio dos pés de Victor. Explosão de alegria. “Mas como?” Não sei, não consigo dizer, na verdade não há explicação. Apenas agradeçam. Newells Old Boys. O time que mais colocou medo nos atleticanos. Os ‘leprosos’ deixaram para trás ninguém menos que o hexacampeão Boca Juniors. Na Argentina, eles fizeram dois gols e acharam que estava ganho. Arrogância não leva a lugar algum. E não levou mesmo! No caldeirão do Horto eles sentiram a força do Galão e não suportaram a pressão da torcida quando a decisão foi para a cobrança de pênaltis. Jô e Richarlyson erraram, mas eles perderam três. Milagre? Fé. “Não agüento mais uma decisão dessas”. Aguenta sim, e
A galera da Galoucos e todos os atleticanos aproveitaram a festa organizada por Marquinho do mercadinho
o Galo viveu até agora. A galera da Torcida Organizada Galoucos também lotou a Avenida para festejar.
Parabéns Galo! Parabéns torcedores atleticanos! E boa sorte no Mundial de Clubes da Fifa.