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Edicao 123

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10 anos

JULHO 2013

ANO X - Nº 123 Resende Costa - MG

www.jornaldaslajes.com.br contato@jornaldaslajes.com.br

Distribuição Gratuita

Jornal das Lajes e Rádio Inconfidentes comemoraram dez anos de fundação Foto Elaine Martins

Jovens resendecostenses se preparam para a JMJ

Número de veículos cresce em Resende Costa e São João del-Rei O número de veículos em São João aumentou 56,8%, entre janeiro de 2008 e o mesmo mês deste ano, passando de 25.528 para 40.030 unidades. Já em Resende Costa, o número de veículos aumentou 60,8% em seis anos, passando de 3.022 para 4.859 unidades. O total de automóveis cresceu 46,2% no mesmo período, e o número de motos mais que dobrou, subindo de 627 para 1.278. Página 06

Milhares de jovens vivem a expectativa para o início da Jornada Mundial da Juventude. O maior evento da Igreja Católica destinado aos jovens acontecerá no Rio de Janeiro entre os dias 23 e 28 deste mês. Os jovens da paróquia de Nossa Senhora da Penha já estão com as malas prontas para desembarcarem no Rio e se unirem a outros jovens, que virão de diversas partes do mundo. Páginas 04 e 05

As repúblicas estudantis em São João del-Rei

São João del-Rei aderiu às manifestações A redução da tarifa de ônibus urbano e o anúncio da anulação da licitação do transporte público, vencida pela Viação Presidente, foram as duas primeiras vitórias dos cinco mil são-joanenses que foram para as ruas no dia 18 de junho, em adesão aos protestos que varrem o Brasil desde meados de junho. Página 12

Representantes do Jornal das Lajes, da Rádio Inconfidentes e autoridades municipais durante evento no Teatro Municipal

Nos dias 14 e 15 de junho, Jornal das Lajes e Rádio Inconfidentes FM comemoraram juntos dez anos de fundação. Em abril de 2003, Resende Costa ganhava dois veículos de mídia obstinados em valorizar e divulgar a cultura local e infor-

mar os cidadãos. Aos dez anos de desafios, JL e Rádio Inconfidentes dão-se as mãos para celebrarem as conquistas de uma mídia livre e engajada no desenvolvimento da cidade. No Teatro Municipal, na noite do dia 14, a professora do curso de

Comunicação da UFSJ, Filomena Bomfim, proferiu palestra sobre a Comunicação Regional e Sustentabilidade. A imprensa regional teve seu futuro vaticinado nesta brilhante palestra. Página 08

Com a UFSJ, as repúblicas passaram a fazer parte do cenário de São João del-Rei. E com nomes criativos e engraçados. Ao lado de repúblicas tradicionais como a Santa Casa e a Mausoléu (10 anos de existência), existem as que surgem e desaparecem e outras que nem constam na agenda oficial de controle dos estudantes.

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Jornal das Lajes

E D I T O R I A L

Os protestos e o falso federalismo brasileiro

Jornal das Lajes Ltda

ADRIANO VALÉRIO RESENDE

Como o Geoturismo pode contribuir para a conservação das lajes O geoturismo surgiu como um segmento turístico direcionado ao entendimento e contemplação de aspectos naturais, tais como o patrimônio geológico, geomorfológico, paleontológico etc. Diferentemente do ecoturismo, o geoturismo atribui ao turismo não só um caráter de contemplação, mas também um caráter educativo. Ele incentiva as pessoas a se interessarem por questões como a formação do planeta e a gênese das formas de relevo, por exemplo. Resende Costa foi erguida sobre um grande bloco de granito. Em alguns locais, a rocha fica exposta, exibindo grande beleza, o que, consequentemente, aumenta o potencial turístico de nossa cidade. Essas áreas de afloramento são as famosas lajes. Na mais visitada delas, a laje de cima, é visível uma associação entre os elementos naturais e culturais da cidade. Bem ao lado do aforamento, situam-se a igreja Matriz e o prédio histórico onde funciona a Câmara Municipal. Pode-se dizer que as lajes têm um elevado valor ecológico, científico e cultural. As lajes devem ser vistas como um patrimônio com grandes potencialidades turísticas. Tais potencialidades podem ajudar, inclusive, na sua conservação, da mesma forma que a preservação do patrimônio favorece o aumento do fluxo de turistas no local. É uma via de mão dupla. Ações geoturísticas nas lajes poderiam ajudar a conscientizar os visitantes e os moradores da cidade sobre a importância de se conservar o local. Um número cada vez maior de turistas tem o interesse de entender melhor aquilo que visitam. Eles não querem apenas admirar a paisagem, mas também compreendê-la. Dessa forma, a promoção do geoturismo nas lajes permitiria que os visitantes não só contemplassem a paisagem, mas que adquirissem, também, um en-

tendimento básico sobre a história do local. A visita passaria a ter caráter educativo. Os minerais, as rochas, o relevo e as paisagens atuais são o produto e o registro da evolução do planeta ao longo do tempo. Através da percepção da complexidade e do tempo que a natureza leva para construir a paisagem que hoje é habitada, podemos convencer as pessoas da necessidade de se conservar a natureza. Permitir que o visitante não só contemple a vista das lajes, mas entenda um pouco a respeito dos processos geológicos responsáveis pela sua formação, levaria a uma maior valorização do local. Uma ação interessante seria a criação de um banner a ser instalado nas lajes, onde haveria informações descritivas da rocha, como nome, idade de formação, tipo de rocha, como ocorreu a evolução do relevo, porque Resende Costa foi construída naquele local e tantas outras informações que enriqueceriam a visita ao local. A criação deste banner, inclusive, está sendo estudada pelo IRIS. Convém destacar que esse banner seria apenas uma ação dentre várias outras que poderiam ser feitas com o intuito de valorizar e conservar as lajes. O local pede por limpeza constante, por melhor

iluminação, pela retirada de estruturas que tiram sua beleza, como a base do pluviômetro que ali se encontrava e a tão polêmica caixa d’água. É importante, também, o esforço constante para conscientizar os visitantes do local para que não joguem lixo, não acendam fogueiras, enfim, que não tenham atitudes que depredem e tirem a beleza da rocha. Essas são algumas estratégias que podem melhorar a gestão desse patrimônio natural. Medidas dessa natureza, aliadas a uma política consistente de turismo, podem contribuir não só para a preservação das lajes, mas também ampliar o potencial turístico da área, trazendo inúmeros benefícios à cidade. As lajes são apenas um exemplo. O turismo rural, por exemplo, que já possui iniciativas em Resende Costa, pode ganhar fôlego com o geoturismo. Uma cidade que tem como principal distribuidor de renda o turismo, deve explorar todos os seguimentos turísticos da melhor forma possível. O geoturismo estimula práticas sustentáveis e conscientiza os turistas para que não pratiquem um turismo predatório. Resende Costa pode ganhar muito com o geoturismo. Mãos à obra!

Parte do que restou do antigo medidor pluviométrico é apenas um dos elementos que poluem as Lajes da Matriz

Foto e situação do mês

Fundado em 22 de janeiro de 2008

E T N E I D E P X E

Meio Ambiente

Foto Emanuelle Ribiero

A onda de protestos que varre o País desde meados de junho – cujo mote foi a redução da tarifa e melhoria do transporte coletivo – realçou uma questão crucial: o falso federalismo brasileiro. Tirante demandas como endurecimento das leis contra corrupção e violência, o atendimento à extensa pauta de reivindicações - presente nos cartazes e nas palavras de ordem - cai no colo dos governantes de Estados e Municípios. Além da herança centralizadora da ditadura militar, a transição democrática a partir de 1984, sobretudo a Constituição de 1988, enveredou-se para um modelo manco de descentralização político-administrativa. Os municípios são responsáveis pelos serviços de saúde (Sistema Único de Saúde – SUS) e educação fundamental, além de demandas em áreas como segurança, transportes, coleta de lixo, pavimentação de ruas e sinalização. Porém, o texto constitucional não assegurou as receitas orçamentárias adequadas para o poder municipal fazer face a tal volume de despesas. Situação esta extensiva aos estados. A Constituição brasileira é uma verdadeira colcha de retalhos no que se refere ao sistema tributário. De um lado, a União fica com a maior parte do bolo, na forma de impostos como os de renda (IR) e sobre produtos industrializados (IPI), enquanto estados e municípios devem contentar-se com fontes de receita como imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS), no primeiro caso, e os tributos sobre imóveis (IPTU e ITBI) e sobre serviços de qualquer natureza (ISS), além de taxas eventualmente constituídas para fins determinados. Acrescentem-se a isto as trasnferências previstas por meio dos Fundos de Participação (percentuais do IR e do IPI), que são repasses da União para municípios e estados que não conseguem arrecadação própria suficiente para atender a necessidades orçamentárias básicas. Mas a maior de todas as distorções são as “famigeradas contribuições”, que engordam o orçamento da União e burlam o federalismo. Ainda contribuiu para minguar as receitas municipais a criação irresponsável de novos municípios, principalmente entre 1984 e 2000. Com isso, são criadas novas estruturas como administração municipal e principalmente câmara de vereadores, com acréscimo de despesas desproporcional às receitas. Nos últimos anos, as distorções, em prejuízo de estados e municípios, ganharam dimensões absurdas, na medida em que o governo federal passou a abrir mão de receitas, na forma de bilhões de reais em desonerações, para empresas e setores, com o argumento de que seriam medidas para enfrentar a crise econômica mundial. Assim, as novas demandas, geradas pela pressão das ruas, vão pegar administrações municipais – e mesmo estaduais - endividadas e sem condições de cumprir com novas obrigações. Em resumo, de um lado, os municípios vivem uma situação de penúria. De outro, o sistema eleitoral vigente aumenta estas distorções, ao tornar os municípios – e mesmo muitos estados – flagrantemente dependentes dos políticos em Brasília. É a chamada “política do pires na mão”. As reformas tributária e política poderiam contribuir para fazer frente aos desafios atuais e futuros, desde que focadas na descentralização. A primeira deveria gerar um sistema tributário revolucionário que colocasse racionalidade nesta parafernália de impostos e contribuições e fortalecesse o orçamento municipal. A segunda também deveria priorizar o verdadeiro federalismo, ao reforçar a representação política local (ou seja, os vínculos entre eleitores e eleitos), com a implantação, por exemplo, do voto distrital, ainda que misto. Senhores de Brasília, lembrem-se de que “o cidadão mora no município”.

ANO X Nº 123 - JULHO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro

Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000

Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Diretor de redação: Rosalvo Pinto

Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP

Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte

Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves

Tiragem: 4000 exemplares

Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto

Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Tiradentes

Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Dois bodes desfrutam do sol da tarde e admiram a paisagem no mirante das Lajes de Cima (Foto Emanuelle Ribeiro)


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ANO X Nº 123 - JULHO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Informativo da Câmara

Voz do Cidadão

O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.

Confira alguns dos projetos de lei aprovados nos meses de junho e julho Projeto 49 - dispõe sobre as diretrizes para elaboração da Lei Orçamentária de 2014 e dá outras providências Projeto 61 - autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e o Expedicionário Sport Club o repasse de recurso, a cessão de bem público e dá outras providências. Projeto de Lei 62 - autoriza

assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Banda de Música Lira de São Sebastião.

pró-infância. Maiores informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br

Projeto de Lei 64 - autoriza a abertura de crédito e dá outras providências - Lar São Camilo.

Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.

Projeto de Lei 66 - autoriza a abertura de crédito e dá outras providências - mobiliário para

Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526

Voz do Cidadão

Gruta de Nossa Senhora de Fátima “Estamos próximos do dia 17 de agosto de 2013. Cinquenta anos atrás o povo promoveu bela festa de inauguração da Gruta de Nossa Senhora de Fátima, nas Lajes da Matriz. Acompanhei a obra de perto, pois, além de filho do pedreiro (Geraldo Melo, o Corina), pertencia ao

grupo de coroinhas da Matriz que auxiliava monsenhor Nelson naquele momento. Eu me lembro de quando a imagem chegou e o povo que se aglomerou ao longo da Avenida Ministro Gabriel Passos e na Praça Cônego Cardoso, para recebê-la. Foi um dia inesquecível, com Foto Emanuelle Ribeiro

Monumento erguido para a inauguração da gruta. Ausência da placa de inauguração

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missa, banda de música, coral, fogos de artifício e repique dos sinos da igreja. Ao lado da gruta, as lideranças civis e eclesiásticas descerraram uma placa com os seguintes dizeres: “Monumento Nossa Senhora de Fátima construído pelo prefeito Adenor de Assis Coelho, sendo vigário Monsenhor Nelson Rodrigues Ferreira. Benção realizada durante as Missões dos padres capuchinhos em 17 de agosto de 1963”. Ao longo desses cinquenta anos, quem nunca deu uma passadinha pelo local para observar a imagem da santa ou fazer uma oração? No último mês de janeiro, deparei-me com a placa que havia sido descerrada em 1963, quebrada e atirada ao chão.

Proteção aos animais “Há alguns meses, um grupo de amigos com a intenção de proteger os animais de rua criou a Associação de Proteção e Defesa dos Animais de Resende Costa. Poucos são os recursos, dependendo de doações e ajuda de voluntários para o atendimento de primeiros socorros aos animais. Não há espaço físico para tal atendimento e recuperação, precisando, assim, da boa-vontade de pessoas que os acolham em suas casas. A nossa intenção é criar um espaço físico para a recuperação dos animais que

necessitarem, e, não, um canil para recolher todos os animais de rua da cidade, pois seria impossível! Apontar falhas é fácil! Aliás, isso é típico de certos profissionais, o difícil é encontrar tais indivíduos fazendo alguma coisa para solucionar o problema. Então, junte-se a nós! Vamos proteger e encaminhar esses queridos animais que tiveram a infelicidade de pertencerem a pessoas perversas”.

Andréia Ciro RC ANIMAIS

Placa de inauguração da Gruta

Fiquei chocado. Juntei os cacos e os guardei para que não perdêssemos a mensagem que havia sido gravada em uma peça de pedra. O Amadeu, filho do ex-prefeito, já falecido, se prontificou em mandar fazer uma nova placa. Poderíamos nos

juntar e realizar outra festa para celebrar os 50 anos desse monumento. E dizer um sonoro não aos que se prestam à depredação, ao vandalismo”.

Edésio de Lara Melo


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ANO X Nº 123 - JULHO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Jogo Aberto

Contagem regressiva para o início da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) “Em muitos momentos da história, os jovens foram protagonistas de grandes revoluções, por isso dizemos que o engajamento deles na Igreja nos dias de hoje é de suma importância” (Padre Eder Santos) ANDRÉ EUSTÁQUIO Milhares de jovens do mundo inteiro desembarcarão na cidade do Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude, um dos maiores eventos da Igreja Católica, que acontecerá entre os dias 23 e 28 deste mês. A programação é extensa e inclui missas, reflexões, momentos de adoração, via-sacra, palestras e shows. No entanto, a maior atração certamente será a presença do papa Francisco, que fará sua primeira viagem internacional após a eleição ocorrida no dia 13 de março deste ano. Coincidentemente, a primeira viagem do papa será a um país de seu continente de origem – Jorge Mario Bergoglio é argentino e antes de ser eleito papa foi cardeal arcebispo de Buenos Aires. O Vaticano confirmou que o papa celebrará as missas em português visando a uma maior aproximação com os jovens. A aproximação da Igreja com os jovens foi o que motivou o papa João Paulo 2º a criar a JMJ ainda no início do seu pontificado. Nesta entrevista o pároco de Resende Costa, padre Eder Sebastião Santos, fala da expectativa da Igreja em relação à JMJ. Para o sacerdote, trata-se de um momento especial para a juventude católica e “de muita esperança e renovação para a nossa Igreja”. O Brasil vive um dos momentos mais marcantes de sua história contemporânea. Nas últimas semanas, milhares de pessoas, em sua maioria jovens, saíram às ruas das principais cidades do país para protestar contra a corrupção e a precariedade dos serviços públicos. Os protestos dos jovens brasileiros repercutiram no mundo inteiro. Afinal, o que os jovens desejam? Esta é a principal pergunta que políticos e analistas fazem neste momento e que a Igreja também quer fazer durante a JMJ. Qual a importância da JMJ para um maior engajamento dos jovens na Igreja? Os jovens têm um papel fundamental hoje na Igreja. A juventude é a fase da vida em que as pessoas descobrem o mundo e a si mesmas. Trata-se de um tempo em que o jovem alarga seus sonhos, sua vontade de lutar e cultivar ideais, além de sentir brotar um intenso desejo de mudar o mundo, não somente na Igreja, mas também na política. A juventude é essa etapa da vida marcada pelo amadurecimento, pela aquisição de responsabilidades, ou seja, o momento em que o jovem aprende a fazer suas escolhas a partir do livre arbítrio que Deus

lhe deu. Em muitos momentos da história os jovens foram protagonistas de grandes revoluções, por isso dizemos que o engajamento deles na Igreja nos dias de hoje é de suma importância. A expectativa é muito grande. Esperam-se milhares de jovens do mundo inteiro para o evento no Rio de Janeiro. O senhor acredita que a JMJ verdadeiramente motivará os jovens a se lançarem nos propósitos da jornada? Vale lembrar que a Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá neste ano no Rio de Janeiro, surgiu a partir de uma convocação do papa João Paulo 2º. O papa confiou aos jovens a missão de levar a cruz de Cristo a todo o mundo. Ele disse: “Quero repetir a vós, mais uma vez, o que tenho dito desde o primeiro dia do meu pontificado, que vós sois a esperança do papa, sois a esperança da Igreja”. Esta é a motivação especial, ou seja, o jovem como esperança da Igreja. E a JMJ certamente contribuirá ainda mais para a participação do jovem na Igreja. Como o senhor avalia o atual momento da Igreja, principalmente a eleição do papa Francisco? Avalio esse momento movido por muita esperança. Contra todas as previsões midiáticas, o conclave [reunião dos cardeais para eleição do papa] soube ouvir a voz de Deus e elegeu um homem que Deus pensou para este momento histórico em que vivemos. O mundo ficou surpreso e ao mesmo tempo admirado com o papa Francisco, que de cara impressionou a todos através da sua simplicidade e proximidade com o povo. Podemos entender a simplicidade do papa Francisco logo em sua apresentação ao povo, após a eleição: renunciou ao uso da moseta [manto vermelho com bordas brancas sobre os ombros], optou por usar sua própria cruz peitoral, deixando de lado a cruz confeccionada especialmente para o novo papa, falou espontaneamente, se apresentou como bispo de Roma, convidou a todos a caminharem juntos, convidou os fiéis a rezarem o Pai Nosso e Ave Maria, que são orações do povo e, por fim, pediu silêncio aos fiéis e também que rezassem para ele enquanto, inclinado em sinal de humildade, recebia as bênçãos e as orações de todo o povo. Não podia ser outro sorriso, não podia ser outro o gesto mais humano do que dizer naquela ocasião à multidão presente na Praça

São Pedro: “boa noite”. Assim será o nosso papa Francisco, rompendo com os protocolos e com as honrarias, para viver com simplicidade. A eleição do papa e a JMJ são enfim momentos de muita esperança e de renovação para a nossa Igreja. A presença do papa Francisco no Rio de Janeiro será uma motivação a mais para os jovens que participarão da JMJ? Não importa qual seja o papa, mas a presença do líder máximo da Igreja neste evento gera uma motivação muito grande. Antes da renúncia do papa Bento 16, já esperávamos ansiosos pela vinda do papa ao Brasil para a JMJ. O Papa Francisco certamente será a grande novidade da JMJ, uma motivação a mais para nossos jovens, ou seja, a principal atração. O senhor acredita que o papa Francisco, com seu jeito simples e ao mesmo tempo carismático, se aproximará mais da juventude? Acredito muito nesta aproximação Papa e Juventude, Juventude e Papa. Quando o que existe dentro do coração do jovem se confronta com aquilo que o contradiz, ele acha que aquilo que sentia antes não passava de mero sentimento bobo ou até mesmo infantil, típico da juventude. Surge então um inevitável sentimento de frustração e de ansiedade. Os jovens, assim, tendem a se tornar conformistas ou acomodados e por isso saem em busca de outros caminhos... O papa Francisco, com seu jeito simples e carismático, poderá aproximar o jovem da Igreja, sobretudo quando estamos diante de um mundo secularizado. Qual a expectativa do senhor quanto ao pós JMJ? Você pode fazer a seguinte reflexão: como anda a sociedade hoje? Na criação da JMJ, o papa João Paulo 2º disse que seria um meio para se alcançar a nova geração de católicos e propagar os ensinamentos da Igreja. Pois bem, o que vai acontecer nessa JMJ serão as seguintes atividades, buscando sempre a intimidade com Deus: Catequese, adorações, missão, momentos de orações, palestras, partilhas e shows. Por isso, a expectativa é muito grande, uma vez que a JMJ irá certamente balançar os participantes. Já o que vai acontecer depois, acredito que será a continuidade de tudo aquilo que os jovens viverem e aprenderem durante o evento. Outras coisas que podemos esperar é o fortalecimento dos grupos

Padre Eder Santos Foto Camila Silva

de jovens nas igrejas, além de um maior comprometimento deles com os movimentos e pastorais. Qual a mensagem que o senhor deixa aos jovens de Resende Costa que participarão da JMJ? Deixo uma mensagem repleta de muito entusiasmo. É o que estamos presenciando nos eventos pré JMJ, especialmente quando recebemos no ano passado as réplicas dos símbolos da JMJ (Cruz e Ícone de Nossa Senhora) em nossa paróquia. Os jovens ficaram muito entusiasmados com aquele acontecimento. Em sua visita ao Brasil em 2007, o papa Bento 16 fez questão de um encontro com os jovens e fez o seguinte apelo: “Não desperdiceis vossa juventude. Não

tenteis fugir dela. Vivei-a intensamente. Consagrai-a aos elevados ideais da fé e da solidariedade humana. Vós sois o presente jovem da Igreja e da humanidade. Sois seu rosto jovem. A Igreja precisa de vós, para manifestar ao mundo o rosto de Jesus Cristo, que se desenha na comunidade cristã. Sem o rosto jovem a Igreja se apresenta desfigurada”. Por isso, jovens, sejam firmes e corajosos, levantem a cabeça, pois o Senhor está convosco. Vão ao encontro do papa, para que possam encontrar o verdadeiro sentido da juventude, que está na vivência do amor de Deus. Que Nossa Senhora da Penha proteja nossa juventude e que Deus abençoe a todos.


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Religião

Jovens de Resende Costa vivem expectativa da JMJ

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ANDRÉ EUSTÁQUIO

A cada dia cresce ainda mais a expectativa dos jovens católicos para o início da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que neste ano acontecerá no Rio de Janeiro entre os dias 23 e 28 de julho. Desde 2011, a juventude da paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, de Resende Costa, vem se preparando para participar do evento que, de acordo com os organizadores, poderá receber aproximadamente dois milhões de jovens do mundo inteiro. A preparação dos jovens resende-costenses foi iniciada tão logo foi anunciado pelo agora papa emérito Bento 16 que a JMJ 2013 aconteceria no Rio de Janeiro. Seguindo o protocolo, assim que o país que sediará a jornada é escolhido pelo Vaticano, suas respectivas dioceses recebem os símbolos da JMJ, que são a cruz e o ícone de Nossa Senhora, doados aos jovens pelo papa João Paulo 2º. “A diocese de São João del-Rei foi privilegiada por ser uma das primeiras do Brasil a receber os símbolos da JMJ, em novembro de 2011. No evento que marcou a chegada dos símbolos à nossa diocese, a juventude de Resende Costa não ficou de fora. O Grupo de Jovens Shalon montou uma tenda para mostrar nossa história e o nosso trabalho. E a nossa participação se repetiu em vários eventos promovidos pelo Setor Diocesano da Juventude de São João del-Rei, como DNJ (Dia Nacional da Juventude), Bote Fé, caminhadas penitenciais, encontro provincial da juventude etc.”, disse Lucas Lara, membro do Grupo de Jovens Shalon da paróquia de Nossa Senhora da Penha e assessor do Setor Diocesano da Juventude de São João del-Rei. Vinte e dois jovens de Resende Costa participarão da JMJ no Rio de Janeiro. Treze permanecerão no Rio durante toda a semana. “Iremos para a abertura

Jovens resende-costenses que participarão da JMJ durante toda a semana

oficial da JMJ, para as catequeses com os bispos, para o Festival da Juventude, para a Feira Vocacional e para a acolhida do papa Francisco. No fim de semana, mais nove jovens de nossa cidade se encontrarão conosco para os encontros com o papa, que são a Via-Sacra em Copacabana e a vigília com a missa de encerramento em Guaratiba”, informou Lucas Lara. O Jornal das Lajes conversou com Lucas Lara e Camila Silva, integrantes do grupo de jovens Shalon e organizadores dos peregrinos de Resende Costa, que falaram da expectativa de participar de perto do maior evento católico voltado à juventude. Qual a importância da JMJ para os jovens que participam das pastorais da Igreja? Camila - É uma alegria muito grande para nós que participamos de grupo de jovens, pastorais e movimentos termos a oportunidade de estar presente nesse importante e inesquecível momento da nossa Igreja. Ir ao Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude significa para nós um incentivo a mais para

Jovens que participarão do fim de semana da JMJ

continuarmos desempenhando nosso papel de evangelizadores em nossa comunidade, uma vez que o tema da jornada nos pede: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19). Será com certeza um momento único que iremos levar para nossa vida toda e muito contribuirá para nosso crescimento espiritual. Vocês acreditam que a JMJ poderá motivar os jovens a participar ainda mais da igreja e cativar aqueles que ainda não participam? Lucas - Claro. Isto é fato. Enquanto membro do Setor da Juventude vi isto acontecer mesmo antes da chegada da jornada. Grupos de jovens foram restaurados e alguns criados, jovens afastados voltaram e muitos foram cativados e convertidos. Isto quer dizer que, seja nos eventos diocesanos centrais ou nos retiros e “Incendeias” que fizemos em missão por toda a diocese em preparação para a JMJ, seja em Jacarandira, com o apoio do padre Raimundo Inácio. A Jornada Mundial da Juventude chama atenção dos jovens para a igreja, mostra a construção de uma igreja jovem dentro de um contexto e de um mundo jovem. A JMJ se expressa dentro deste mundo, por meio da amizade, da música, da oração, da aventura, da internet e redes sociais etc. A JMJ é a resposta a um anseio do Beato João Paulo 2º: “A Igreja só será jovem, quando o jovem for Igreja”. Como vocês avaliam a participação dos jovens hoje na igreja e na sociedade? Camila - Disse o saudoso Papa João Paulo 2º: “A juventude se soubesse a força e o poder

que tem poderia mudar o mundo”. Percebemos nos dias atuais o poder que os jovens têm de influenciar os outros a não se calarem diante de tantos problemas que a sociedade vem enfrentando. A mídia não fala em outro assunto a não ser as manifestações e protestos que tomaram conta do Brasil. E foi através da iniciativa dos jovens que o povo começou a reivindicar uma série de mudanças no país. Na igreja não é diferente. Os jovens estão atuando em grupos e pastorais, contribuindo para o crescimento espiritual da comunidade. Mas muitos, porém, ainda se encontram afastados, no mundo das drogas, da violência, da prostituição, trilhando caminhos sem volta. É preciso que nós que estamos à frente acreditarmos no poder e no amor de Deus, irmos ao encontro dos meios e soluções para o resgate destes jovens, para que eles possam voltar a trilhar o caminho do bem. É preciso que eles resgatem suas vidas e também se sintam motivados na busca por um mundo melhor para se viver. Encontrar com o papa Francisco motiva ainda mais a participação de vocês na JMJ? Lucas - O encontro com o papa Francisco nos motiva imensamente e aumenta nossa ansiedade de fazer presença na JMJ Rio 2013. Francisco, o papa do povo, embora tenha chegado até nós por pouco tempo, já é conhecido e amado pela sua humanidade. A presença do santo padre só tem a acrescentar à beleza e importância do evento, que é um encontro de

milhões de jovens com o mesmo intuito de busca da experiência e encontro pessoal com Cristo. Quais foram os principais desafios encontrados por vocês durante a preparação para a JMJ? Camila - Primeiramente a preocupação de nossos pais e das pessoas que estão a nossa volta, pelo fato de ser um grande evento com um número grande de participação de pessoas dos mais diversos lugares, gerou certo desconforto. O preconceito do Rio de Janeiro ser uma cidade com alto índice de violência foi também uma preocupação que enfrentamos. Além disso, os valores são altos e as despesas muitas. Tivemos que usar nossas economias e mobilizar pessoas da nossa paróquia a nos ajudarem contribuindo para que nossa vontade de participar da JMJ se tornasse realidade. Já no Rio de Janeiro, como haverá milhares de peregrinos, penso que teremos de enfrentar algumas dificuldades, como limitações na locomoção, filas para alimentação e ainda caminhar 13 quilômetros para chegar ao local da vigília e da missa com o papa. Mas a ansiedade e a expectativa já tomam conta de nós e se Deus quiser a emoção e a alegria em participar desse momento único fará valerem a pena todos os desafios que enfrentamos até agora. Que Deus derrame suas bênçãos sobre nosso papa Francisco e o Espírito Santo o ilumine, e que abençoe e esteja ao lado dos organizadores e dos peregrinos da JMJ.


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ANO X Nº 123 - JULHO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Cidades

Técnicos concluem demarcação para pavimentação da rodovia Resende Costa a São Tiago ANDRÉ EUSTÁQUIO / JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE A estrada que liga Resende Costa a São Tiago passou recentemente por um processo de conservação. O Departamento de Estrada de Rodagem (DER – MG), responsável pela conservação da estrada, patrolou os 36 quilômetros que ligam as duas cidades. O trabalho, executado pela empresa terceirizada CCR – Construções Civis e Rodovias, inclui também o cascalhamento da via. “O DER

está fazendo o trabalho de conservação da estrada, enquanto o asfaltamento não acontece”, disse o funcionário do DER, João Batista, o Joãozinho do DER. Enquanto a patrol da CCR trabalhava na estrada, o técnico em topografia da ENECON Engenharia, Isaac da Silva, concluía o trabalho de demarcação. Ao longo dos 36 quilômetros há marcos de bambu nos dois lados da estrada,

A nova Ponte Grande será construida abaixo do local onde se encontra a atual

indicando as retificações que ocorrerão na pista. “Certamente haverá retificações drásticas no traçado da estrada, como eliminação de várias curvas, alargamento das pistas, limpeza e terraplanagem”, disse Isaac, da ENECON, empresa responsável pelos projetos de topografia e pavimentação. Entre Resende Costa e São Tiago quatro pontes estão erguidas na rodovia. Três delas foram

Ponte sobre o Rio do Peixe já está preparada para a estrada pavimentada

construídas em 1987 já preparadas para a estrada asfaltada. Já a Ponte Grande, que de grande só tem o nome, não existirá mais de acordo com o novo projeto. A atual ponte é estreita e apresenta problemas oriundos principalmente do assoreamento do rio. Tais problemas se agravam no período das chuvas, formando enormes buracos na cabeceira da ponte. De acordo com o técnico da ENECON, uma nova

Máquina trabalha na conservação da estrada

ponte de 10 metros de largura e 40 de comprimento será construída abaixo da atual, no lado direito de quem segue no sentido São Tiago. “A ponte será construída em curva”, disse Isaac. Até o fechamento desta reportagem, duas equipes da ENECON trabalhavam na demarcação da estrada. Após concluírem o trecho Resende Costa a São Tiago, realizariam o trabalho entre Bom Sucesso e São Tiago.

Isaac realizando as demarcações topográficas no alto do Rancho Novo

Número de veículos aumenta mais de 50% em seis anos, em RC e SJdR

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

O número de veículos em São João del-Rei aumentou 56,8%, entre janeiro de 2008 e o mesmo mês deste ano, passando de 25.528 para 40.030 unidades. Já o total de automóveis cresceu 46,6% no mesmo período (de 14.352 para 21.043 unidades), enquanto o número de motos subiu 85,5% (de 6.232 para 11.563 unidades). A diferença entre o total da frota e as quantidades de automóveis e motos é atribuída a caminhões, caminhonetes e ciclomotores, entre outros, segundo explica Carlos Magno Resende, chefe da Ciretran (Circunscrição Regional

de Trânsito) de São João del-Rei. Nestes seis anos, a quantidade de veículos em Resende Costa aumentou 60,8%, pulando de 3.022 (janeiro/2008) para 4.859 unidades (janeiro/2013). No caso dos automóveis, a evolução foi de 46,2%, passando de 1.877 para 2.745 unidades, enquanto o número de motos mais que dobrou (de 627, em janeiro/2008, para 1.278 em janeiro último. Em abril (último dado disponível no Ciretran), a quantidade de veículos em São João del-Rei atingiu 40.647 unidades, das quais 21.353 eram veículos Foto Emanuelle Ribeiro

Já está difícil encontrar vagas nos estacionamentos exclusivos para motos

e 11.753, motos. No caso de Resende Costa, em abril, a frota chegou a 4.940 unidades, das quais 2.791 automóveis e 1.290 motos. Poluição O aumento no número de veículos resulta na maior emissão de poluentes devido à queima de combustível fóssil, lembra o professor Marco Túlio Raposo, aposentado do Departamento de Ciências Naturais da Universidade Federal de São João del-Rei (DCNAT/UFSJ). Com isso, ocorre maior concentração de poluentes no ar que pode provocar problemas respiratórios, principalmente no inverno, em crianças e idosos. Além disso, Marco Túlio refere-se ao stress causado pelos engarrafamentos, barulho e infrações continuadas, particularmente de motos que se arriscam diariamente no trânsito, ultrapassando pela direita, trafegando entre carros e o meio fio, ultrapassando sinal vermelho etc. “Infelizmente, vejo isso diariamente em São João del-Rei e, para ser franco, só tenho usado o carro em último caso”.

Em relação ao barulho, Marco Túlio cita estudo sobre acústica aplicada, realizado por alunos de iniciação científica que ele orientou, em 2005 e 2006. Na ocasião, foi feito um conjunto de medições de intensidade sonora em diversos pontos de São João del-Rei. “O que pudemos observar é que a intensidade sonora causada pelo ruído de fundo - aquele provocado pelos motores de automóvel, burburinho das pessoas, carros de propaganda etc, - em determinados horários atingia valores elevados, acima de 80 decibéis”. A exposição continuada a ruídos dessa ordem – prossegue o professor da UFSJ - provoca efeitos fisiológicos importantes, como irritabilidade e perda de concentração, contribuindo para o aumento do stress. “Ora, esses dados a que me referi foram obtidos sete anos atrás, época em que o trânsito e o volume de carros e motos circulando nas ruas eram menores do que hoje.” Assim, embora não tenha dados de medida atualizados, Marco Túlio conclui que “os níveis de intensidade sonora provocados pelo ruído de fundo tenham aumentado e, consequentemente, com maior impacto nos efeitos

fisiológicos prejudiciais à saúde”. Inspeção veicular Para o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Saldiva, “a concentração de poluentes atmosféricos está relacionada ao aumento de admissões hospitalares e à mortalidade por doenças respiratórias e cardiovasculares. Crianças, idosos e indivíduos doentes são as principais vítimas. No entanto, mesmo as pessoas que não se enquadram nesse perfil sofrem os efeitos da poluição”. Em São Paulo, por exemplo, estima-se que a poluição reduza a expectativa de vida em cerca de um ano e meio, devido a três motivos principais: câncer de pulmão e vias aéreas superiores; infarto agudo do miocárdio e arritmias e bronquite crônica e asma. Por causa da gravidade do problema, o professor da USP defende que a solução “é tornar a inspeção veicular mais rigorosa e expandi-la para outras cidades, além de investir em transporte coletivo de baixa emissão”.


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Aconteceu

Gente que fez e faz a história

Sexóloga Laura Muller conversa com público em Barroso lescência”. No fim, o público pôde interagir ainda mais com a sexóloga em um momento reservado para fotografias e autógrafos. Para

RHONAN NETO ver mais imagens do evento, acesse a fanpage “Click com Rhneto” na rede social Facebook. Fotos Click e Rhonan Neto

Na noite do último dia 26, a cidade vizinha de Barroso recebeu uma convidada especial: a sexóloga Laura Muller, do programa Altas Horas, da Rede Globo. O público presente no espaço Bahall, cerca de 700 pessoas, teve a oportunidade de bater um papo com a profissional. Durante um bom tempo, a palestra foi marcada pelo diálogo entre Laura e a plateia, que levou uma série de questionamentos. O evento faz parte do projeto “Papo Cabeça Holcim”. A palestra durou aproximadamente uma hora e trinta minutos com diversos subtemas relacionados ao sexo. Laura Muller aproveitou ainda para apresentar livros de sua autoria, inclusive o recém-lançado “Educação Sexual em 8 Lições – Como orientar da infância à ado-

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A sexóloga Laura Muller participou do projeto ‘’Papo Cabeça Holcim’’ no último dia 26, em Barroso

Admiradores aproveitaram para terem seus exemplares autografados

Livros da sexóloga foram apresentados durante a palestra

Laura Muller e o jornalista Rhonan Neto

Laura Muller autografa seu mais recente lançamento

Parabéns, dona Das Dores! Maria das Dores de Resende, a dona Das Dores do Orestes, completou 95 anos no dia 8 de maio último. Apesar do atraso, a data merece ser marcada. Seus 10 filhos, 44 netos, 70 bisnetos e 22 tataranetos a homenageiam nesta edição do JL. Parabéns, Das Dores!

Adeus à dona Mariquinha FRANCIELLE VALE

“Uma pessoa amorosa com os filhos, netos e com todas as pessoas com as quais ela convivia. Pessoa boa e de bom coração”. É assim que Joaquim Aristeu descreve a nossa querida e agora saudosa dona Mariquinha, sua mãe. Maria Libânia de Resende, a Dona Mariquinha, que tanto pregava o amor a Deus, nasceu coincidentemente um dia após a comemoração do Natal, em 26 de dezembro de 1931. É natural de Resende Costa, do Povoado dos Pintos. Nasceu no Derrubado (localização do Povoado dos Pintos) e se mudou para a Terra do Feijão em 1951, quando se casou com José Silvério de Assis. Dona Mariquinha teve nove filhos, 15 netos e um bisneto. De acordo com Aristeu, quando perguntada sobre o que mais gostava de fazer, ela dizia entusiasmada que era tecer e rezar, alegando que enquanto estava tecendo descansava e pensava em Deus. Sua rotina era bem simples e calma, todos os dias fazia a limpeza da casa, trabalhava com o tear e rezava. Aos domingos esperava a família com o almoço pronto, e à tarde servia o café com quitandas feitas por ela mesma. Habitualmente dona Mariquinha assistia ao culto na capela de São Geraldo Magela, seu santo de devoção. Durante sua vida, dona Mariquinha foi devidamente reconhecida pelo seu dom artístico de tecer, já que muito contribuiu para o desenvolvimento dessa especialidade em Resende Costa, que é uma das principais atividades desenvolvidas para mover a economia da cidade. Ela aprendeu a tecer com apenas 13 anos, continuando uma tradição herdada de sua mãe Maria Margarida da Luz, na época em que a atividade artesanal era desenvolvida exclusivamente por mulheres. Seu primeiro tear foi comprado pelo seu pai, Joaquim Carlos de Resende, com seu próprio dinheiro. A matéria prima para as primeiras peças produzidas no tear era lã de carneiro, retirada do animal no quintal da

Dona Mariquinha (Foto Arquivo Joaquim Aristeu)

fazenda em que morava. Depois esse fio era tingido, para serem feitas as linhas, e levadas para as rocas para produzirem as peças. Quanto à comercialização das peças, era feita pelos homens, que saíam de viagem para cidades vizinhas levando-as a cavalo. O conhecimento adquirido por dona Mariquinha de outras gerações foi passado para cinco de seus filhos e para nove netos, contribuindo para a perpetuação da tradição da família. É evidente o carinho que dona Mariquinha espalhou por onde passou, deixando saudades a todos que dela se lembram. Aparecida Enita, casada com Aristeu, se emociona ao falar de sua sogra. “Ela era como uma mãe pra mim, em momento algum que chegávamos em sua casa a encontrávamos triste. Ela era uma pessoa muito católica, e tinha muito amor com todos nós”. Enita acrescenta: “Foi uma grande perda para nós que a amávamos”. Maria Libânia, a dona Mariquinha, faleceu no último dia 5 de junho, deixando saudades. Luciene Cardoso, empresária, que tinha contato com dona Mariquinha, deixou uma mensagem: “Ela era uma pessoa muito inteligente, que dominava muito bem o tear. Fazia peças muito bonitas e difíceis... Além disso, sempre recebia a todos com carinho em sua casa, independente de conhecer a pessoa ou não. Era uma pessoa especial e que já está deixando saudades”.


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Aconteceu

Ao completar 10 anos, Rádio Inconfidentes e JL comemoram e pensam o futuro

A independência editorial e política do Jornal das Lajes foi destacada no evento de 10 anos do jornal e da Rádio Inconfidentes, que aconteceu na noite do dia 14 de junho no Teatro Municipal de Resende Costa. O presidente da Rádio, Cláudio Luis Resende, agradeceu a todos os que contribuíram para o sucesso dos dois veículos de comunicação, entre os ouvintes/leitores, colaboradores e apoiadores publicitários. O vice-prefeito Toninho Ribeiro, que trabalhou 13 anos na rádio (inclui o período de rádio pirata), considerou a emissora “uma das minhas paixões na vida”. Já o editor-chefe do Jornal das Lajes, André Eustáquio, lembrou a idéia inicial de constituir uma imprensa livre e independente, e ao mesmo tempo comprometida com Resende Costa. Essa ideologia e o amor à cidade e à cultura

que nortearam as idéias iniciais resultaram na comemoração destes 10 anos. Já o diretor de redação do JL, Rosalvo Pinto, lembrou as várias tentativas anteriores de se criar um jornal em Resende Costa, que “tiveram a sua utilidade”. E diz que o JL já teria fôlego para se tornar quinzenal, mas isto exigiria mais gente envolvida. Denilson Daher, que deu o pontapé inicial, lembrou-se dos patrocinadores que apoiam o jornal desde o início. “Parece um sonho estarmos aqui hoje.” Jornal e rádio, no início, disputavam espaço publicitário, recorda. Com o tempo as pessoas perceberam que era possível a existência dos dois. Satisfeito com a “cultura” de o JL ser o canal entre setor público e sociedade, Denilson admitiu voltar a colaborar com o jornal um dia. O presidente da Câmara Municipal, Francisco Abel de Assis, destacou

André Eustáquio, Cláudio Luís e Eustáquio Peluzi, diretores da Rádio Inconfidentes

o acerto dos dois veículos. “O fruto de um trabalho que pensa na comunidade é certo.” Já o prefeito Aurélio Suenes enfatizou que “ter um jornal e uma rádio, uma imprensa livre, é um grande ganho para Resende Costa”. E informou que está estudando um convênio da Prefeitura com a Inconfidentes, que seria votado pela Câmara Municipal. Presentes ainda ex-prefeitos, vereadores, colaboradores do jornal e da rádio, além de outros convidados.

Fotos Elaine Martins

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Regionalização Em sua palestra sobre comunicação regional, a professora de Jornalismo da UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei), Filomena Bomfim, abordou as estratégias de desenvolvimento sustentável na localidade. Para ela, diante da globalização, não restou alternativa a não ser reforçar o local e o regional. E o desafio passou a ser ligar a comunicação regional à sustentabilidade. Filomena destacou as funções informativa, formativa, política, pedagógica e de desenvolvimento da comunicação regional. Além da prestação de serviços, enfatizou o verdadeiro engajamento (quase uma militância) sócio-político-cultural com o objetivo de transformar a região. A professora citou exemplos de cidadania, história, cultura regional etc., presentes nas páginas do JL. Entre as características da comunicação regional, Filomena elencou o engajamento real nas questões sociais; comprometimento na solução dos problemas; proximidade cultural; personalismo (todos se conhecem); e mobilização social, entre outras. Ao ligar a comunicação regional à sustentabilidade, Filomena citou

A professora Filomena Bomfim proferiu palestra sobre Comunicação Regional e Sustentabilidade

o exemplo do artesão, cuja arte é um trabalho e ao mesmo tempo um “patrimônio” para as gerações futuras (manutenção dos bens e riquezas tangíveis e intangíveis a serem usufruídos pelas próximas gerações). Neste sentido, o jornalismo foca na produção e circulação de informações. Filomena lembra que a boa prática jornalística sugere que se priorize a entrevista pessoal. Na comunicação regional, não se deve abrir mão dessa proximidade com as pessoas.

regional, cultura regional e desenvolvimento regional. Sobre as perspectivas, Filomena apontou a importância do surgimento de novos veículos, além da rádio e do jornal; fortalecimento dos atuais meios de comunicação; valorização das mídias alternativas; expansão do mercado de trabalho; elevação do padrão de qualidade; respeito e promoção da cultura e identidade locais e responsabilidade e inclusão social.

Desafios

Comemorações

Para Filomena, não é possível fazer comunicação regional sem considerar a “cultura”, que tem a ver com sustentabilidade. Mais uma vez, ela usa reportagens do JL para dar exemplos de sustentabilidade (internato rural, águas subterrâneas etc.). Entre as práticas e estratégias sustentáveis, a professora da UFSJ recomendou promover cidadania, identidade

Na noite do dia 15, sábado, as comemorações dos 10 anos se estenderam até a Churrascaria Ramona, onde o cantor, compositor e violeiro Max Lara realizou um show especial, que marcou esta data de grande importância para o Jornal das Lajes e a Rádio Inconfidentes FM. O artista resende-costense apresentou composições próprias, além dos clássicos da viola caipira.


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A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Lembranças O fluxo da memória... Será que memória tem fluxo? Tem nada! A memória é um lago profundo e misterioso no qual as lembranças aparecem e afundam... para depois aparecerem outra vez, acompanhadas de outras lembranças. Fecho os olhos e respiro fundo. Emergem em mim algumas lembranças. Ainda estão vivas, não se afogaram no abismo negro do esquecimento. Molhadas de memória, essas lembranças respingam momentos de um 1988 tão longe, tão perto... 1988 da nova Constituição Brasileira, do assassinato de Chico Mendes, do surgimento do Tocantins e o Brasil ganhava ainda mais dois estados: Amapá e Roraima. Também foi o ano em que eu estava à beira de uma piscina no churrasco de formatura de um terceiro ano do Assis Resende. Professores e alunos, confraternização alegre com sol, cerveja, carne e música. Lembro-me de que o Mário Márcio cantava ao violão qualquer coisa que falava de água. Acho que era o Djavan: Você deságua em mim e eu oceano... Logo depois, o Mário cantou Sá e Guarabira: O sertão vai virar mar... Debaixo dágua lá se vai a vida inteira... Nem bem acabou essa e o Mário emendou mais uma que falava de água: Águas que banham aldeias e matam a sede da população... Terra! Planeta Água... Só música que falava de água. Até parece que o Mário tinha dormido com uma sereia. Aquilo parecia um aviso. E foi. Eu conversava com uma das alunas quando alguém empurrou a garota na piscina... e

a coitada não sabia nadar! Ela se agarrou forte em mim para não cair. E caímos os dois. Na água, a menina era toda pavor: puxava meu cabelo, batia os braços na minha cara, esmurrava a água, chutava a minha barriga e me levava cada vez mais para o fundo, travando meus movimentos. Eu não podia fazer nada, pois tinha que me desvencilhar dos ataques dela justamente para ajudá-la... ao mesmo tempo em que também tinha que segurar minha sunga, que já estava quase no joelho. Foi um desespero. O Mário parou de cantar e, dentro da piscina, aquele dueto horroroso, mico de duas notas musicais: eu gritava com dó e a menina fora de si. Por fim, um grupo entrou na água e resgatou a desesperada. Fiquei sozinho na piscina por um bom tempo. Engoli muita água. Precisava relaxar a barriga e apertar a sunga. Fechei os olhos e respirei fundo. Ao abrir novamente os olhos, estou aqui e agora, tão distante daquele tempo. Mas a lembrança dele teima em emergir no lago da minha memória. Minhas lembranças, tantas lembranças. Algumas nadam tranquilamente no lago da minha memória. Outras se debatem igual àquela garota, jogando angústia pra todo lado. Trato-as todas muito bem. Umas viram literatura e outras se vestem de causos. Tenho que entender bem as lembranças, pois um dia eu também serei nada mais do que uma lembrança. E, como lembrança, quero nadar sereno no íntimo de quem se lembra de me amar. Mesmo que in memoriam.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Artigo

O uso do Álcool e o Alcoolismo CARLOS ALEXANDRE DE RESENDE*

Na edição passada escrevi de forma mais geral e introdutória sobre a dependência química. Uma doença crônica reconhecida pela organização mundial de saúde desde 1967, porém predominando ainda na sociedade uma visão moralizante e preconceituosa para com os dependentes. Neste mês tratarei sobre uma de suas facetas, a mais presente, o Alcoolismo. O uso de bebidas alcoólicas sempre existiu e provavelmente sempre existirá em todas as civilizações. Com a nossa sociedade contemporânea não é diferente. O álcool como uma droga lícita (permitida por lei) está intrinsicamente ligado aos hábitos de nossa cultura. Bebe-se por quase tudo, e, para além das propagandas a nos bombardear o tempo todo, as próprias relações sociais se encarregam de inserir o álcool no cotidiano. A maior parte da população consegue manter uma boa relação com as bebidas alcoólicas, não bebendo ou mesmo fazendo uso recreativo ou social. O individuo ingere pequenas doses uma ou duas vezes por semana e se precisar ficar sem sua “cervejinha”, vinho ou destilado, não sente ou, pelo menos, lida bem com essa falta. Ou seja, a maioria da população não é nem abusadora e nem dependente de álcool. Entretanto, de acordo com dados do Segundo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, realizado pela UNIAD/UNIFESP e pela SENAD, a porcentagem de alcoolistas (expressão utilizada pelos especialistas em substituição ao termo alcoólatra) atinge números altíssimos e preocupantes: 17% da população brasileira abusam de álcool (bebedores problema) e 6,8% são dependentes químicos do mesmo (10,5% da população masculina e 3,6% da população feminina). Tais dados só vêm confirmar o que vemos todos os dias. Fica a questão a ser respondida: por que muitas pessoas conseguem beber sem se tornarem alcoolistas e tantas outras se tornam vítimas dessa doença? Trata-se do que cha-

mamos de uma doença multifatorial, ou seja, determinada por diferentes razões, sendo algumas delas: disponibilidade de bebidas alcoólicas; lugar social ocupado pela substância nas relações sociais nas quais o individuo se encontra inserido (Por exemplo: adolescentes ou homens adultos em um grupo de bebedores); histórico de vida e características psicológicas do indivíduo e predisposição genética para se tornar alcoolista. Simplificando o processo: O individuo, em uma determinada situação social, envolvido por determinados sentimentos, ingere uma bebida contendo álcool em sua composição, tal substância gera efeitos físicos e psicológicos. A pessoa sente prazer e se livra de sensações desagradáveis, como, por exemplo, inabilidade social (vergonha e inibição social), sentindo-se mais a vontade, a sensação de estresse diminui, e uma euforia começa a tomar conta de seu corpo. Com o tempo (o desenvolvimento do alcoolismo é lento) passa a repetir o uso para sentir de novo os benefícios das primeiras experimentações. Se a pessoa possuir a já citada predisposição genética, ela será “mais forte para a bebida” e acabara bebendo mais. O bebedor problema ou abusador é aquele que ainda não é (e talvez nem chegue a ser) dependente do álcool. Trata-se da pessoa que consegue viver sem a substância, não depende e em muitos momentos nem se lembra dela. Porém, “não sabe beber”, quando bebe passa dos limites ingerindo muito álcool. Expõe sua saúde física a riscos (intoxicação alcoólica) e pode se envolver em situações socialmente problemáticas (acidentes, brigas e outras situações de violência, prejuízos econômicos etc.). O dependente, por sua vez, já é um doente crônico. Se antes ele bebia porque gostava, por prazer, para se divertir e aliviar o estresse da vida, aos poucos passa a beber por necessidade. Seu organismo se torna tão dependente do álcool, que já precisa beber quase todos os dias, não controlando mais nem a

frequência nem a quantidade de cervejas ou pingas. O alcoolista apresenta sinais e sintomas altamente desagradáveis quando interrompe o uso da bebida. Parar de beber para um alcoolista não é uma questão de mera escolha, seu corpo e seu psicológico estão doentes. Ele precisa de tratamento. Infelizmente, para o dependente é muito difícil aceitar que tem um problema, por causa do mecanismo psicológico da Negação: “Eu não tenho problema com a bebida! Vocês é que estão pegando no meu pé. Paro quando eu quiser.”. Alguns abusadores de álcool podem chegar a aprender a beber socialmente, mas os dependentes, por razões de ordem psicológica e principalmente biológica, não conseguem manter um uso controlado da bebida. Sendo recomendada a abstinência total da substância. O diagnóstico do alcoolismo precisa ser feito por profissionais, porém fica uma dica simples para familiares e possíveis dependentes; responda as perguntas: Você tem parentes que são alcoolistas? Quantas vezes você bebe por semana? Qual o tipo de bebida? Qual a quantidade? Já deixou algum compromisso importante de lado por causa da bebida? Você realmente consegue parar de beber quando quer? Alguém já o criticou ou reclamou de sua forma de beber? O que a bebida significa para você? Dependendo das respostas é importante buscar ajuda médica e psicológica. Os Alcóolicos Anônimos também são uma excelente opção (para saber mais sobre os A.A fica a dica de um excelente filme: My Name Is Bill Wilson, no Brasil intitulado “O valor da vida”, de 1989). Caso o paciente não aceite o tratamento, o que é muito comum, a família deve procurar por ela própria. Na próxima edição abordarei a prevenção em dependência química e a redução de danos. *Psicólogo e Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de São João del-Rei. Especialista em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo.


10 Jornal das Lajes Causos e Cousas

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ROSALVO PINTO

Pátria de chuteiras De repente, a “pátria de chuteiras” virou a “pátria de protestos” e, quem sabe, essa última se transforme na “pátria de esperanças”. Acabada a festa e a farra, vamos ao trabalho. Também essa história de manifestações, manifestantes e vândalos todo dia - as palavras mais usadas no país nessas últimas semanas - cansa, ninguém é de ferro. Maracanã lotado (de gente rica, claro...), a pátria calçou as chuteiras de campeã. No dia seguinte, a rotina da vida dura: ônibus entupidos e caros, estradas esburacadas, latrocínios, arrastões, custo de vida alto, corrupção, politicagem, filas nos postos de saúde, escolas decadentes, caminhoneiros barrando estradas. E vêm mais coisas por aí... Eu havia escrito este texto antes dos protestos de rua que, de repente, tomaram conta do país. Ao escrever sobre a Copa do Mundo e seus problemas, eu concluía que a única solução para resolver nossos inumeráveis problemas seria convocar o povo para as ruas. Basta lembrarmos das “Diretas, já” e do “bota-fora do Collor”. Mas, infelizmente, se o Collor voltou, era mal sinal... E, para minha surpresa, o povo foi para as ruas. E, detalhe importante, a maioria, jovens. Era bom sinal. O momento nos convida a meditar sobre a famosa expressão criada pelo inesquecível Nelson Rodrigues. Depois de publicar a obra “À sombra das chuteiras imortais”, ele escreveu “A pátria de chuteiras”. Na primeira, ele mostrava como o Brasil conseguiu sair do “complexo de vira-lata” depois de vencer as copas de 58, 62 e 70. Na segunda, ele trata da paixão do Brasil pelo futebol. Mas com as derrotas de 74 e 78, ele, desgostoso, disse que havíamos voltado para o antigo complexo.

Que me perdoem o Nelson Rodrigues e os meus irmãos brasileiros, mas que negócio é esse de “pátria de chuteiras”? Por que não pátria das mãos, dos braços, das pernas, e, sobretudo do cérebro? Ou esse povo do Brasil só tem pés? As mídias gastam horas e muito dinheiro com o futebol. Jogadores mercenários, ganhando fortunas astronômicas, para alimentar, tal como na história do “pão e do circo”, milhões de brasileiros. É um acinte aos milhões de pobres deste país. O Ronaldinho tem mais horas de TV do que a presidente Dilma! E por que todos os outros esportes não têm vez na mídia e no país? Mas a pátria de chuteiras me leva a outras considerações. No dia 30.10.2007, numa festa na Suíça, o então presidente Lula se emocionou e chorou de alegria. Eu também chorei aqui no Brasil, mas de espanto e de tristeza. A festa lá acabou terminando em carnaval (aliás, tudo por aqui acaba mesmo em carnaval, ou em pizza...) e eu tive vergonha de ser brasileiro. Um país mais pobre, mas sério, jamais pensaria em copa; mas, se aceitasse, começaria a preparação no dia seguinte. Aqui, passaram dois anos, dedicados à campanha eleitoral de 2010. O resultado está aí: atrasos, orçamentos estourados, o caso escandaloso do Corinthians e, o que é pior, a esperança (prometida) de investimentos pesados na infraestrutura de mobilidade urbana, que vai ficar para outra copa. Nossa juventude percebeu essas coisas e saiu para as ruas. Essa dinheirama desperdiçada para venerar os cartolas da FIFA e da CBF e os jogadores milionários, bem que poderia ser um bom início para investimentos de impacto na educação, na saúde, na infraestrutura esculhambada do país, na segurança etc., mazelas que nos assolam e são o gargalo que entrava o sonho de termos

uma sociedade mais justa e igualitária. E olha que ainda vêm por aí as Olimpíadas... A verdade é que o brasileiro e seus governantes há décadas perderam (se é que já tiveram...) a capacidade de olhar para frente, para o futuro. O que vamos ganhar pelo fato de sediar uma copa mundial de futebol? Só para provar que somos o país de chuteiras? Não seria muito melhor ostentarmos uma pátria de livros, trocando o domínio dos pés enchuteirados pela supremacia do cérebro inteligente e educado? Caímos no engodo do país rico, do consumo desenfreado, da 6ª. economia do mundo. A economia (leia-se, o capitalismo) não perdoa. Alguém, algum dia, vai pagar a conta. O triste dessa história é que o pior sobra para os milhões de pobres. Deslumbrados, agimos como aquele pobre que ganhou na loteria e no dia seguinte comeu todo o dinheiro. Ou como nos ensina a sabedoria popular: “quem nunca comeu mel (ou melado), quando come se lambuza”. Que me desculpem meus leitores, às vezes penso que estou marchando na contramão da história. Só o futuro dirá se tenho ou não razão. Escrevo livremente o que eu penso. Não sou ligado a partidos políticos. Sou apenas um simples cidadão que se esforça para colaborar naquilo que possa fazer pelo país (sou professor voluntário na UFMG) e que sonha em viver numa sociedade igualitária, educada, sadia e feliz. Resta-nos torcer para que a “pátria de protestos” se transforme na “pátria de esperanças”, de riquezas, não das riquezas materiais, mas a riqueza da igualdade social, da educação, da saúde, da civilidade, da justiça, da tranquilidade, da segurança. Se não conseguirmos essa riqueza, continuaremos sendo apenas a “pátria de chuteiras”.

Inverno Cultural

26º Inverno Cultural da UFSJ promete aquecer o público em julho EMANUELLE RIBEIRO

Acontece em julho o 26º Inverno Cultural, promovido pela Universidade Federal de São del-Rei (UFSJ). A programação do evento já foi divulgada pela organização. O tema desse ano é “Todo lugar é aqui”, remetendo ao fato de a universidade estar localizada hoje em diversas cidades, além de São João del-Rei, como Ouro Branco, Sete Lagoas e Divinópolis. A ideia é aproveitar as diferenças e semelhanças entre as pessoas, de diferentes lugares, como está claro na universidade. E será a primeira vez também que o evento irá abranger os outros campi da UFSJ. Além disso, a programação continua em cidades próximas a São João, como Barroso. As apresentações confirmadas são de Criolo, Zélia Duncan, Bruna Caram, Matanza, Aline Calixto, Ney Matogrosso e Banda Blitz. A novidade é um show inédito de Milton Nascimento, preparado especialmente para o Inverno Cultural. Durante uma coletiva de imprensa no dia 14 de junho, o pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários, Paulo Henrique Caetano, falou da “importância da programação estar articulada com as comunidades de cada campus da instituição, de forma a reconhecer as diferenças, as peculiaridades, as distâncias e as proximidades”. A reitora Valéria Kemp também valorizou o encontro de culturas proposto para essa edição do evento. Além das apresentações musicais, será possível participar de oficinas, palestras, seminários, exposições e demais programações artísticas e culturais. As inscrições para as oficinas em São João del-Rei terminaram no último dia 7. Quem conseguiu uma vaga terá a oportunidade de interagir com diversas áreas, como educação, teatro, cinema, literatura, música etc. As oficinas são voltadas para todas as faixas etárias: crianças, adolescentes e adultos. Ainda com a ideia de proximidade, de unir lugares, outro destaque é a exposição “Todo lugar é aqui”, disponível em todos os locais onde o Inverno Cultural estará presente. Três artistas de países

e gerações diferentes participarão do evento, conforme a Ascom (Assessoria de Comunicação da UFSJ): o mineiro Pedro Motta, o francês Gérard Monnier e o colombiano Ivan Argote. A exposição reunirá trabalhos de fotografia e videoinstalação. De acordo com a instituição, o Inverno Cultural visa à divulgação das artes, da educação e do intercâmbio cultural entre cidadãos, artistas, artesãos, estudantes, professores, profissionais da cultura e demais interessados de todas as regiões do Brasil. Vai além de uma mera “mostra cultural”, apresentando-se também como ambiente de formação de profissionais de arte e cultura em suas localidades. E tudo isso, bem pertinho de Resende Costa! As atrações musicais do 26º Inverno Cultural já têm datas definidas: o primeiro show será da banda Blitz, no dia 13 de julho, em Barroso. Nos dias 15 e 16, as bandas selecionadas no concurso Pop & Rock se apresentarão. A sambista Aline Calixto é a atração do dia 18, seguida de Bruna Caram, no dia 19. Rap nacional é com o Criolo no dia 20, e no dia 21 a banda de hardcore, Matanza, se apresenta. O cantor Milton Nascimento é o destaque do dia 25. Dona Jandira e Zélia Duncan encerram a programação, nos dias 26 e 27 de julho, respectivamente. AMIRCO Por intermédio da Associação dos Amigos de Resende Costa (AMIRCO), na noite de 26 de julho, sexta, haverá o evento de lançamento dos livros “O Embuçado”, de Alair Coêlho Resende (editado pela AMIRCO/Coleção Lageana) e “Amores Oblíquos”, de Evaldo Balbino (Editora 7Letras, do Rio de Janeiro). Estarão apresentadas também outras três publicações da Coleção Lageana, de Resende Costa: “Um olhar sobre Resende Costa”, (Edição Jornal das Lajes/AMIRCO), “Livro de Pallidas Reminiscencias da antiga Lage – Villa de Rezende Costa”, de José Augusto de Rezende e “Móbiles de Areia”, de Evaldo Balbino.


Jornal das Lajes 11

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Retalhos Literários

EVALDO BALBINO

In (feliz) Ano Novo, aquele

A mãe mexia no tacho o arroz-doce quase pronto. Um cheiro bom subia para o ar e entrava nas narinas gulosas do menino. Enquanto a alquimia ia sendo milagrosamente realizada, ele olhava as mãos da mãe na faina e ia pensando que o doce daquele arroz no tacho só perdia para a doçura das mãos que o preparavam. As mãos da sua mãe eram mais doces até mesmo que o mel emanado da terra prometida no deserto para o povo hebreu em fuga do Egito. O menino tinha nariz atento e ouvidos perspicazes. E ele se lembrava de ter ouvido várias vezes, na igreja, exortações sobre uma terra prometida muito antigamente para um povo nômade. Uma terra onde leões e cordeiros apascentariam juntos, as animálias e os humanos seriam companheiros inseparáveis, as árvores dariam seus frutos, a natureza reinaria plena e ninguém choraria suas dores nem as dores alheias. Essa seria uma terra onde não haveria choro nem ranger de dentes, pois as dores desapareceriam dela. Mesmo deslumbrado com terra assim tão doce, o menino à beira do tacho ainda achava que as mãos da mãe é que eram as mais doces de todo o universo. E agora aquelas mãos faziam um arroz-doce, luxo a que se davam todos os da sua casa em dias de Ano Novo. Então, mais uma vez, a mãe foi para o fogão como sempre, e o menino ficou empertigado, esperando pela hora do manjar. E ali, aguardando, ele não saberia nunca dizer o que era mais doce: se acompanhar a feitura da iguaria ou se comê-la. Desta vez a chuva caía fina lá fora. De mansinho, sem rai-

va nenhuma, abrindo um ano sem nenhum estardalhaço. Era uma chuva sem bátegas, mas goteiras contínuas desciam serelepes das telhas de barro da cozinha e iam bater no telhado mais abaixo lá da varanda sobre o quintal, um telhado sem-vergonha de amianto, bem chinfrim mesmo. O menino ouvia a chuva cantando sobre a casa e lavando as ruas da infância, enquanto ele namorava a mãe e o arroz-doce. Vontade de caminhar e correr na enxurrada, ele não tinha agora. Sua vontade era mesmo estar ali, ao lado da mãe, esperando docemente pelo que era doce. Esperando, não pela Terra Prometida, mas aguardando aquele doce que lhe seria ofertado nesta vida mesma, neste nosso cotidiano maravilhoso. A mãe cantava músicas sem fim. Cantava e também contava histórias para ele. Embalado por melodia tão sublime, o menino confundia a voz materna com o canto da chuva lá fora. Mãe e água eram uma coisa só, úmida e aconchegante. Eis, entretanto, que de repente um som outro veio interromper a harmonia que reinava na cozinha. O pai do menino entrou espavorido, dizendo que o Carlinhos, um garoto da vizinhança, estava soterrado nas terras em lama do barranco de lixo. O pai buscava por uma enxada para ajudar os homens que, debaixo da chuva, tentavam tirar a vítima ainda viva daquele lamaçal. O barranco de lixo era o cartão-postal que todos daquele bairro de periferia tinham que ostentar na cidade. Era o regalo que a Prefeitura dava cotidianamente aos moradores das margens. Ele, o menino, até que gostava do barranco, pois lá dentro já tinha achado muitos brinquedos, velhos na

verdade, mas ainda prestáveis. E quem ousasse entrar no bairro tinha que atravessar uma nuvem de fumaça fedorenta, de lixo queimando sem cessar, de restos da cidade sendo carbonizados pouco a pouco. O Carlinhos aproveitara a chuva contínua, o fogo do barranco meio apagado, e fora lá dentro do precipício para buscar pneus velhos com que pudesse brincar. E o que ele tinha encontrado foi uma catástrofe: a terra muito molhada passara por um deslizamento e descera sobre ele e sua infância. Muitos da pequena cidade acorreram ao local. A chuva persistia, e mais desmoronamentos poderiam vir. Os homens lá embaixo trabalhavam com enxadas nas mãos, buscando pela vida perdida entre pedra, lixo e lama. Foram horas aquelas de terror e medo, de percepção de que a vida é mesmo frágil e de que a morte não escolhe idade. Tanto não escolhe, que o Carlinhos foi tirado morto de debaixo da lama. Um corpo já sem alma, enterrado vivo quando o que ele buscava era somente um brinquedo. Quando o que ele buscava era somente a vida. Desfeita a confusão de pessoas, o menino, a mãe e os demais irmãos voltaram desolados para casa. O pai tinha ido com os outros homens, levando o corpo bambo do Carlinhos para a Santa Casa. Já estava morto, mas tinham que seguir alguns rituais de praxe. Seria feita até mesmo uma autópsia. Chorando na cozinha, a mãe foi encontrar o arroz-doce esquecido e todo queimado no tacho. E ele, o menino que esperava pelo doce, foi para o quarto dos pais triste como nunca. Foi para lá e ficou olhando, sobre a cômoda da mãe, aquele grosso livro de capa preta prometendo uma terra que mana leite e mel.

Gastronomia

CLÁUDIO RUAS

Botando lenha na fogueira Chegou de vez o inverno e a friagem. Mesmo com a impressão de que já não se faz mais frio como antigamente, ele está aí. Tem quem não goste de jeito nenhum, mas tem quem adore e sabe tirar bom proveito dele. Na gastronomia então, na minha opinião, ele é super bem-vindo, seja pela possibilidade de beber e comer algo mais aconchegante e calórico (não só no sentido “gordo” da palavra), mas também pela desculpa de se acender um fogão de lenha, uma lareira ou uma fogueira no quintal. Se o contato com o frio pode ser bem desagradável, a sensação de se aquecer é deliciosa. Um banho quente; um casaco reforçado; um gole de cachaça ou vinho; uma cumbuca de caldo de feijão com pimenta, cebolinha e torresminho por cima e aproximar as mãos do fogo são coisas das mais prazerosas possíveis nos dias frios. Levanta a moral e aquece a alma. Tudo isso graças aos nossos antepassados que vieram a descobrir a forma de se obter e controlar o fogo. Daí em diante, uma enorme (r)evolução ocorreu na vida do ser humano, que passou a se proteger e se alimentar melhor. Consequentemente, teve um maior desenvolvimento cerebral e de seus neurônios. Explico: alimentos cozidos permitem uma melhor digestão e aproveitamento energético. Dessa forma, além de “alimentar” melhor seu cérebro, o então homo erectus passou a ter mais tempo livre para desenvolver outras atividades e assim acabou evoluindo. Ou seja - puxando um pouco a sardinha para nossa brasa - pode-se dizer que foi a gastronomia a responsável pela evolução dos seres humanos! (apesar de que acho o termo “evolução” às vezes controverso nos dias atuais). Mas o fato é que as coisas mudaram, sobretudo na cozinha, onde técnicas e equipamentos modernos não param de serem criados e utilizados para preparar alimentos (microondas, thermomix, “sous vide”, nitrogênio líquido). Porém, uma coisa é certa: o bom e velho fogo continua por lá, até no restaurante mais moderno do mundo. E o mais interessante é que nota-se cada vez mais um movimento contrário a

tanta “evolução”. Muitos restaurantes, chefs e cozinheiros em geral têm buscado utilizar o calor da forma mais primitiva e, assim como os consumidores, tendem a valorizar a carne feita na brasa, a pizza assada no forno à lenha e o cozido feito no bom e velho fogão de lenha. Esse último então, para nós mineiros, tem um lugar mais do que especial em nossas vidas e merece um artigo só para ele nessa coluna. Não se trata de puro saudosismo. Do ponto de vista técnico, esse fogo primitivo pode permitir um resultado diferenciado, seja pelo delicioso sabor da fumaça na carne, ou pelo calor forte e intenso que assa perfeitamente a pizza ou pelo cozimento lento e uniforme do fogão de lenha, que extrai ao máximo os sabores e amaciam os alimentos. E claro, uma pitada de charme e encantamento, talvez explicada pela herança genética dos nossos ancestrais que dependiam e idolatravam tanto o fogo, até no aspecto religioso e místico. Experimente reparar nas pessoas (e em si próprio) ao lado de uma fogueira de noite. Veja como geralmente ficamos vidrados e meio hipnotizados com ela. Isso é muito curioso. Cada dia que passa sou mais apaixonado pelo fogo. Acendê-lo e controlá-lo é muito mais simples do que muitos imaginam. E conseguir lenha, por incrível que pareça, tem sido até mais fácil atualmente em certos casos, inclusive nas grandes cidades: basta procurar uma construção ou caçamba de entulho que certamente encontrará lenha boa para queimar. Não se esqueça de aproveitar para assar bem no meio da brasa umas cebolas e baroas enroladas no papel alumínio. Depois de cozidas, uma regada de azeite, pitada de sal e pronto. Ficam perfeitas. Como bem diz o slogan do interessantíssimo e recém-criado “Instituto Atá” (liderado pelo nosso número um da cozinha Alex Atala, com objetivo de aperfeiçoar a relação entre consumidor-produtor-ingrediente-natureza), “o fogo, com arte e ciência, é instrumento de civilização”. (A receita do mês é um aconchegante “creme de angu com bacon e quiabo crocante”: http://casalgastromg.blogspot. com.br/)


12 Jornal das Lajes

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Política Regional

Após emancipação, Conceição da Barra passou 27 anos com nome de Cassiterita JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE Por cerca de 27 anos, entre a criação do município em 1962 e o plebiscito transformado em lei em 1989 pela Assembleia Legislativa do Estado, Conceição da Barra de Minas foi conhecida como “Cidade de Cassiterita”. Desde a emancipação até hoje, Conceição da Barra de Minas já teve 13 prefeitos eleitos. O antigo povoado de Nossa Senhora da Conceição da Barra surgiu em torno de uma capela construída pelos moradores das redondezas em 1726. Em 1765, foi promovida a Capela filial da Matriz de Nossa Senhora do Pilar de São João del-Rei, relata o professor Antonio Gaio Sobrinho (Conceição da Barra de Minas: Minha Terra Natal, FUNREI, 2001, São João del-Rei). Em 1923, a denominação do povoado foi encurtada para Arraial da Conceição da Barra e, em 1943, “deixando a história para trás, passou à vila com a antipática denominação de Vila de Cassiterita”, observa Gaio. Já no final do século XIX, as disputas eleitorais, pelo sistema censitário, se faziam na região entre os dois principais partidos do Império – Conservador e Liberal – relata Antonio Gaio (Memórias de Conceição da Barra de Minas, 1990, São João del-Rei). Em 31 de janeiro de 1892, Antonio Francisco da Rocha foi escolhido “Agente Executivo” de São João del-Rei. Para representar o distrito de Conceição da Barra, foi eleito vereador José Gabriel Ferreira da Silva, nome ligado ao antigo Partido Conservador. Durante a “República Velha”, até 1930, a política nacional obedecia ao chamado pacto dos Governadores, prevalecendo sempre a aliança São Paulo/Minas, conhecida como “Política do café-com-leite”, lembra Gaio. Era época do Partido Republicano Paulista (PRP) e do Partido Republicano Mineiro (PRM). Tanto que, em 1921, o PRM se instalou em Conceição da Barra. UDN x PSD - No Estado Novo de Getúlio Vargas, foram abolidos os partidos políticos, assinala Gaio. Com o fim da ditadura, em 1945, surgiram vários partidos, com destaque para União Democrática Nacional (UDN) e Partido Social Democrático (PSD). “Foram exatamente estas duas agremiações políticas que vieram dividir as preferências eleitorais dos concepcionenses, cabendo suas lideranças entre nós a homens como Dâmaso José de Almeida, Capitão Elpídio Costa e Ataualpa de Oliveira, pela UDN; Pedro Canaan, Elias José de Moura e Vespasiano Araújo, pelo PSD”. Conta Gaio que um dos dias, talvez, mais movimentados da vida política de Conceição da Barra foi o 22 de setembro de 1945, quando o país emergia do longo período da ditadura varguista. “Naquele dia, essas duas agremiações rivais promoveram na vila cassiteriana dois concorridíssimos comícios. A UDN promoveu para seus simpatizantes uma verdadeira festa, com muita comida, bebida e banda de música e o PSD retrucou com a banda local e o espoucar dos irritantes fogue-

Manifestações

Primeiras conquistas dos protestos de rua em São João del-Rei JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Igreja Matriz de Conceição da Barra de Minas

tes de vaias”. A imprensa de São João del-Rei registrou o acontecimento por meio de seus dois jornais partidários, “Diário do Comércio” e “O Correio”. “Constituiu-se sob a chefia do Dr. Mário Teixeira de Almeida o diretório da UDN de Conceição da Barra, reunindo nomes os mais expressivos que filiados à grande organização política sustentarão o nome do Brigadeiro Eduardo Gomes (...). Na residência do Sr. Acácio Alves foi oferecido um lauto almoço à caravana. Dona Delfina de Andrade Alves, sua exma. esposa, prodigalizou-se em gentilezas aos convidados”. “No dia 22 de setembro de 1945 houve dois comícios em Conceição da Barra. Ao meio dia o da UDN que contou com banda e caravana vinda de S. João del-Rei e à tarde o do PSD, quando falaram pró-candidatura do Gen. Eurico Gaspar Dutra os políticos locais José de Alencar Borges, Elias José de Moura e Dr. Gerardo Cid de Castro Valério”. Cassiterita - Com a emancipação político-administrativa – desmembramento de São João del-Rei – por força da lei 2764 (30/12/1962), foi nomeado intendente de Cassiterita o então Juiz de Paz distrital José da Silva Alvim (Zé do Dim), que se encarregou de implantar a máquina administrativa e os serviços municipais. Em 1963, ele deu posse ao primeiro prefeito eleito, Vespasiano de Araújo (PSD), para o período 1963-66. Em meio ao mandato de Vespasiano, o golpe militar de 1964 pôs fim ao “populismo” no Brasil, observa Antonio Gaio, ao criar o bipartidarismo com a Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Assim, o segundo prefeito foi Ataualpa de Oliveira (ARENA), que administrou o município no período 1967-70. O mandato-tampão de dois anos (1971-72) foi ocupado por Antonio Silva, também da ARENA. O partido de sustentação do regime militar emplacou mais uma vez o gestor municipal, trazendo de volta Ataualpa para cumprir o mandato de 1973-76. Em 1977, Vespasiano voltou à prefeitura, desta vez pelo MDB, mas faleceu durante o mandato e foi substi-

tuído pelo vice-prefeito José Palumbo Filho (Palumbinho). PDS x PMDB - No início da década de 1980, a ARENA virou Partido Social Democrático (PDS) e MDB acrescentou um “P” de “Partido” no início do nome, tornando-se PMDB. “Em 1982, em meio ao clima de transformações e esperanças nacionais, foi eleito prefeito municipal o jovem líder Cornélio Galdino de Paiva, que tomou posse em 1983”, relata Gaio. O “seu grande sonho”, que era “também de todos nós”, era a pavimentação asfáltica da estrada entre Conceição e a MG-265. Este sonho, “para alegria de todos”, tornou-se realidade em meados de 1988. “Ainda que continue prevalecendo em Conceição da Barra esse bipartidarismo, sente-se já uma saudável renovação nas lideranças bem como sinais do aparecimento de novas formulações partidárias, encarando ideias renovadas”, observa Gaio. Plebiscito - Em 1986, durante o mandato de Cornélio, a população, mediante plebiscito, optou pela antiga denominação, Conceição da Barra, em substituição a Cassiterita, de acordo com relato de Antonio Gaio. O Legislativo mineiro confirmaria este nome em 1989 (Lei Estadual nº 9960), acrescido da palavra “de Minas”, para se diferenciar do município homônimo no Espírito Santo. As eleições de 1988 ocorreram num cenário de novos partidos, ou novos nomes partidários. O candidato do PMDB, Elias José de Moura Neto, derrotou o empresário Eugênio Morgado, do Partido da Frente Liberal (PFL). Mas, em 1992, o empresário Eugênio Morgado (PFL) conseguiu eleger-se para o período 1993-1996. Foi sucedido por Altair Alvim (Juju), do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que engatou duas gestões (1997-2000 e 2001-2004). E ainda conseguiu eleger o seu sucessor, o também tucano José Tadeu de Souza, para o período 2005-2008. O PMDB voltou à prefeitura em 2009, com Cornélio Galdino de Paiva, mas perdeu a eleição de 2012 para o ex-prefeito Juju (PSDB). (íntegra disponível no site www.jornaldaslajes.com.br).

A redução da tarifa de ônibus urbano (de R$ 2,25 para 2,10), a partir deste mês, e o anúncio da anulação da licitação do transporte público, vencida pela Viação Presidente, foram as duas primeiras vitórias dos cinco mil são-joanenses que foram para as ruas no dia 18 de junho, em adesão aos protestos que varrem o Brasil desde meados de junho. Estudantes, sindicalistas, representantes de movimentos sociais e populares em geral, com caras pintadas e portando faixas, cartazes e bandeiras do Brasil, gritavam slogans e palavras de ordem em favor da melhoria do transporte público e da condenação do aumento do número (e salário) de vereadores e assessores na Câmara Municipal, além de protestar contra a corrupção e os gastos bilionários com estádios de futebol. O prefeito Helvécio Reis informou, em 26 de junho na Câmara Municipal, que recebeu, através de ofício da 2ª Vara Cível da comarca de São João del-Rei, intimação do juiz Auro de Andrade, que determinou o cancelamento do processo licitatório. “Ela determina que a prefeitura exclua a Presiden-

te do processo licitatório. Eu, na minha condição, tenho que avaliar se nós temos que excluir a empresa e dizer que a Vale do Ouro será a responsável pelo transporte ou se nós vamos cancelar o processo. Nós temos que agora discutir internamente com a nossa procuradoria jurídica qual é o caminho que vamos seguir.”, informou o juiz. Ele disse que iria reunir-se com o procurador jurídico para tomar as providências cabíveis com relação ao processo. De qualquer forma, o transporte coletivo, um serviço essencial, não poderá ser interrompido até uma decisão, devendo os ônibus da Viação Presidente continuarem em circulação por tempo indefinido. Até porque a administração municipal teria de elaborar novo edital de licitação. Até o fechamento desta edição no dia 2 de julho, a Viação Presidente não havia recebido oficialmente qualquer notificação judicial, segundo informou o advogado da empresa, James Houara. Veja mais fotos das manifestações em São João del-Rei no site www.jornaldaslajes. com.br

Jovens estudantes, representantes de movimentos sociais e estudantis saíram às ruas de São João

Manifestantes reivindicam melhorias no transporte público de São João


Jornal das Lajes 13

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Economia

Primeira Mostra de Artesanato agrada organização e comerciantes A primeira Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa terminou no dia 02 de junho e trouxe resultados positivos para o nosso município. O JL conversou com o prefeito municipal Aurélio Suenes, o presidente da Asseturc (Associação Comercial e Turística de Resende Costa), Valnei Sousa, e o comerciante Edmar Assis para entender melhor como aconteceu esse primeiro evento e suas expectativas e ideias de agora em diante. A Asseturc foi convidada a fazer uma parceria com a prefeitura e participar, intermediando reuniões em São João del-Rei na sede da ACI del-Rei (Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei) com a participação do Sebrae, Trilha dos Inconfidentes e Circuito Estrada Real. A organização do evento se preocupou em criar fortes parcerias com entidades regionais, visando a maior valorização da Mostra. Percebe-se isso também no sistema de divulgação citado por Aurélio: “Foram utilizados outdoors, panfletos, internet, rádios, jornais e TVs regionais, como a TV Campos de Minas e a TV Alterosa. Podemos divulgar melhor se tivermos mais tempo, já que organizamos essa primeira Mostra em um curto prazo de tempo que dispúnhamos”. Quanto aos resultados comerciais, o presidente da Associação Comercial, Valnei Sousa, disse que “o resultado não foi o esperado, pois o número de turistas não satisfez as expectativas dos comercian-

Foto Fernando Chaves

EMANUELLE RIBEIRO

Exposição com a cadeia produtiva do artesanato local pode ser vista durante primeira Mostra.

tes”. Mas ele ficou satisfeito com a participação e aceitação dos empresários e demais envolvidos com a Mostra: “Os empresários contribuíram adquirindo camisas do evento e divulgando-o. No que diz respeito às palestras e oficinas houve um número razoável de público e os que participaram gostaram e pediram, inclusive, para organizarmos mais atividades do tipo”. O proprietário da loja de artesanato “Traços de Minas”, Edmar Assis, vê o evento com bons olhos: “Era um sonho antigo dos artesãos, lojistas e comerciantes em geral de nossa cidade como forma de divulgação ainda maior do nosso maior patrimônio. O maior resultado foi a aceitação e colaboração imediata dos lojistas na Mostra. Quanto ao aumento das vendas, tivemos sim, pois algumas pessoas que visitaram a cidade à noite acabaram voltando no outro dia para as compras, o que propiciou uma movimentação de compras”. Aurélio também acredita no sucesso do evento: “Esse é um evento esperado há anos

em nossa cidade. Resende Costa é destaque na região e o poder público tem a obrigação de participar e apoiar o desenvolvimento da principal economia do município que é o artesanato. Uma boa estratégia foi realizar a Mostra junto com o aniversário da cidade, visto que isso transformou o evento totalmente viável do ponto de vista econômico, pois somente adequamos e melhoramos uma festa que já acontece todos os anos. Nosso objetivo é, a partir do ano que vem, realizar a Mostra com recursos das leis de incentivo à cultura Estadual e Federal, beneficiando ainda mais nossa economia. Percebemos esse ano, que as classes de lojistas e artesãos aprovaram nossos esforços. Em 2014, os ganhos para a economia municipal serão ainda mais amplos e evidentes. Todo esse trabalho tem resultados de médio e longo prazo, porém é preciso ter continuidade”. Os envolvidos agora já voltam suas atenções para a segunda Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa. “Um aspecto que pode ser melhorado

são as exposições de trabalhos manuais. Fizemos uma exposição com a cadeia produtiva do artesanato local, mas podemos ampliar essa exposição e aproximar mais o turista do processo de produção artesanal. Podemos ampliar, também, a participação de grupos culturais do município. A ideia é aprimorar sem mudar o formato adotado este ano”, comentou o prefeito. Valnei concorda: “Como todo evento de grande porte realizado pela primeira vez, houve falhas, mas também o prazo foi curto para o planejamento e divulgação. Acredito que durante as tardes do evento poderiam haver mais oficinas e apresentações, com os horários das palestras e oficinas mais flexíveis. Outra coisa é usar o espaço da Mostra para incentivar as bandas e grupos folclóricos da cidade”. Aurélio também acredita que o número de oficinas voltadas para a produção artesanal pode ser aumentado: “Tivemos um grande número de oficinas e palestras voltadas para o empreendedorismo, mas ficamos um pouco aquém no que se refere às oficinas voltadas para a produção artesanal. Outros detalhes podem melhorar a festa nesse sentido, como a utilização de decoração artesanal no espaço da Mostra e a ampliação da exposição de nossa cadeia produtiva”. O comerciante Edmar também falou de suas expectativas e sugestões: “É necessário um tempo maior para a divulgação do evento, um estande no local dos shows para a apre-

sentação e mostra dos produtos do artesanato de nossa cidade. Por ser o primeiro evento e com um tempo curto para a organização, acredito que não ficou nada a dever. Eu, particularmente, adorei toda a estrutura, palestras, workshops e shows. Já estamos na expectativa para que a próxima Mostra seja realizada, lembrando apenas que este evento deve permanecer na Avenida Alfredo Penido, uma vez que o foco do artesanato se concentra no local”. A Mostra permanece no calendário de eventos de Resende Costa na data do aniversário do município e, no momento em que terminou esse evento, a prefeitura já iniciou a organização de outra festa tradicional, que é a Exposição Agropecuária. O prefeito Aurélio adiantou alguns detalhes da trigésima quarta Expo: “A expectativa para esse ano é muito boa não somente pelos shows, como também pala exposição de animais. Essa parte está sendo coordenada pelo Túlio da EMATER e está tendo uma aceitação muito grande por parte dos produtores, tanto que ele teve que usar critérios para adequar o espaço pela quantidade de animais a serem expostos, fato que não acontecia há tempos nesse evento. Não devemos ter muitas novidades para este ano, somente algumas adequações no espaço do Parque do Campo. O nosso maior desafio é priorizar o homem do campo procurando valorizar e evidenciar a atividade rural”, concluiu.


14 Jornal das Lajes O Verso e o Controverso

ANO X Nº 123 - JULHO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

JOÃO MAGALHÃES

Tô feliz! Vi, em 1968, a marcha dos 100 mil. Resultado: depressão. Os apossadores do país (ainda bem que não de toda a nação!) riram de nós e apertaram as tenazes da repressão. Vi e participei das “Diretas Já”, 1984, (saudades do vale do Anhangabaú, apinhado!). Resultado: desilusão. Nossos representantes, em maioria, votaram contra. Vi e participei do “Fora Collor!”, 1992. Resultado: esperança, precocemente falecida. Enganadores do país estão aí até hoje, coloridos ou não. Tô Feliz! O inesperado nos fez uma surpresa. Assisto a quase toda a nação protestando contra os gastos faraônicos com a Copa do Mundo, renegando um Brasil como “país do futebol” e muitos do povo consciente até dando marretadas no pedestal de ídolos-ícones, Pelé, Ronaldo... Enxergo grupos, bradando contra a PEC 37- Proposta de Emenda Constitucional que limita os poderes de investigação do Ministério Público - que por dever de ofício defende a sociedade. Aliás, investigar é um direito de todo cidadão. Leio cartazes e ouço apupos contra os defensores “felicianos” da “Cura Gay”. Passo alegre pelo “Passe Livre”, propugnando uma reforma radical da política de transportes públicos, e rememoro o lema hipócrita gravado em ônibus: “Transporte: direito do cidadão, dever do Estado”! Os pronunciamentos de que para manter o preço das passagens precisa cortar investimentos, não colam. Basta cortar a dinheirama para privilégios do poder legislativo, mais ainda do poder judiciário, fechar a torneira para eventos eleitoreiros, para altos salários etc., que os investimentos se manterão. Um exemplo: nos municípios, por que o cargo de vereança não pode ser gratuito, um mandato de honra apenas, como é em alguns países e como já foi no Brasil até 1977? E a procissão serpeia: cadê a saúde? Cadê a educação? Cadê a segurança? Os ratos comeram! Resultado Um pouco já veio. Houve

uma vitória, pequena, mas houve: cancelou-se ou reduziu-se o aumento do preço das passagens urbanas, em grande parte das cidades. Passe livre sendo adotado por cidades. Perspectiva de gratuidade para estudantes. Negativa de aumento para passagens de ônibus estaduais, semiurbanos e internacionais e de pedágios. Valeu! A Câmara derrubou a vergonhosa PEC 37. Não importam os motivos, mas o governo se movimentou. Abriu diálogo, promete modificações substanciais. Pactos, agora anunciados pela presidente: responsabilidade fiscal e estabilidade, ou seja, manter gastos e inflação sob controle; consulta popular (plebiscito) sobre uma constituinte específica para a reforma política; corrupção como crime hediondo; saúde; transporte público; educação pública. São pacotes importantes, temos que forçar a abertura deles. Anseios Quem presenciou a Copa do Mundo na ditadura militar, transformada em brilhante cortina para ocultar festivamente à nação os horrores, torturas e mortes nos porões, só pode ansiar para que as manifestações continuem durante o torneio, pacificamente e sem prejudicá-lo, é claro. Há que se apoiar a seleção nacional, vibrar com os torcedores, mas o fogo não pode se apagar. Que as forças de segurança consigam dominar a marginália dos anarquistas, dos arruaceiros, dos vândalos, dos oportunistas, dos saqueadores, dos violentos doentios. Enfim, das hordas patológicas que se infiltram em todos os aglomerados. Essas forças têm preparo para isso, ou deve ter. Não investindo contra pacíficos que até agora foi a maioria, receberá o apoio de todos. Foi bonito ver um grupo de manifestantes se organizando e conseguindo orientar e liberar um grupo de policiais acuados e ameaçados de linchamento por um grupo de ferozes “pitbulls”! Medo O aparecimento de algum salvador da pátria que arreba-

te multidões, extirpando marajás, algum messias popular prometendo uma Canaã brasileira, onde jorram o leite e o mel. Comungo com o posicionamento de vários comandantes de manifestações: nosso movimento é apartidário, mas não antipartidário, não pode se fechar a eles. Não existe democracia sem partidos Esperança A reforma eleitoral. É o momento. Como já escrevi bastante neste espaço, o ideal seria a convocação de uma Assembleia Constituinte específica só para a reforma. Foi a proposta da presidente, infelizmente logo retirada por inexequibilidade. Os dorminhocos e engavetadores de reforma eleitoral no Congresso, ou seja, a maioria, acordaram sobressaltados! O perigo é que eles corram para o “vamos mudar, para não mudar”. Urge uma marcação cerrada. Permanece a proposta do plebiscito, ou de um referendo. Um dos dois tem que haver. Pessoalmente, torço pelo referendo, desde que se intensifique a pressão sobre o Congresso para acelerar ao máximo a reforma para valer nas próximas eleições. Senão!... O plebiscito, além de ser muito complicado quanto às perguntas, aporta um gasto econômico inoportuno no momento atual, além de um grande risco de manipulação de votos para manutenção do status quo. Acho mais fácil e mais eficaz a nação se posicionar sobre o já votado por seus representantes, através do referendo. Sugiro que nos enturmemos com a rede de instituições que se mobilizou pela aprovação da Lei da Ficha Limpa e que começará uma campanha pela “Reforma Política Já”: MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral). Já tem o apoio da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). É o que penso. E você?

Contemplando as Palavras

REGINA COELHO

Laços de afeto - O que você faria se estivesse na selva e aparecesse uma onça na sua frente? - Dava um tiro nela. - E se você não tivesse uma arma de fogo? - Furava ela com minha peixeira. - E se você não tivesse uma peixeira? - Pegava qualquer coisa, como um grosso pedaço de pau, para me defender. - E se você não encontrasse um pedaço de pau? - Subia numa árvore. - E se não tivesse nenhuma árvore por perto? - Saía correndo. - E se suas pernas ficassem paralisadas de medo? Nisso, o outro perdeu a paciência e explodiu: - Peraí! Você é meu amigo ou amigo da onça? Da piada transcrita acima, uma conversa entre dois caçadores, teria surgido a expressão “amigo da onça” para designar quem não é amigo de verdade, quem age com falsidade em relação a outra pessoa. Do “amigo-urso” deve-se também manter uma boa distância, pois a conotação do termo não é das melhores. Segundo a história, na verdade uma fábula de La Fontaine, um urso e um homem tornaram-se muito amigos. Certo dia, o homem estava dormindo. E uma mosca pousou-lhe no nariz. Para proteger o amigo, o urso atirou uma pedra em direção ao inseto e, sem medir sua força, acertou a testa do homem, deixando-o morto. Exagero à parte para esse final trágico, a expressão que faz alusão ao atabalhoado animal refere-se àquele que está sempre ao lado de alguém e que um dia não se mostra tão amigo como até então aparentava ser. Perigoso como o próprio fogo é o “fogo amigo”. Traduzida do inglês “friendly fire”, trata-se de uma expressão eufêmica utilizada militarmente em relação a ataques de aliado a aliado ou de inimigo a inimigo. O aviador militar e político italiano Ítalo Balbo foi uma das vítimas notáveis do “fogo amigo”. Balbo foi abatido por engano pela artilharia antiaérea italiana durante a Segunda Guerra Mundial. Daí para a política fagulhas se alastraram, ou melhor, essa forma de expressão passou a nomear a atitude pouco amistosa de um político em se tratando de um correligionário ou aliado. Em outras palavras, isso seria o equivalente a dizer que “quem tem um amigo desses não precisa de inimigo”. Para completar essa série de tipos não exatamente amigáveis, não dá para esquecer o “amigo do alheio” ou ladrão, como sugere o eufemismo. Por outro lado, há o “feijão amigo” nome que se dá ao caldo de feijão encorpado, amassado ou batido, de preferência muito bem temperado e incrementado com

linguiça, bacon, torresmo e afins. E criou-se em São Paulo o “Clube do Feijão Amigo”, uma associação de amizade e confraternização ligada ao segmento turístico. Em atividade desde 1980, o Clube hoje congrega “feijoeiros” no Brasil e no exterior. De apelo bem mais popular é a brincadeira do “amigo oculto”. Fim de ano chegando, é quase impossível deixar de participar de pelo menos um encontro desses, também conhecido como “amigo secreto” ou “amigo invisível”. Igualmente popular é o uso do vocativo “amigo” ao abordar alguém para pedir alguma informação ou solicitar algum serviço ao garçom, ao frentista... Criado pelo poeta Manuel Bandeira no poema “Vou-me embora pra Pasárgada”, há ainda o fictício “amigo do rei”, símbolo não fictício do relacionamento mantido, talvez, por questionáveis interesses. No âmbito das relações afetivas, o “amigo de infância” é sempre lembrado, o “amigo do peito” é aquele especialmente “guardado” no coração de alguém. À afirmação de que a amizade é o amor sem sexo contrapõe-se o entendimento de que a amizade-colorida é a pegação entre amigos. E se para muitos “o cão é o melhor amigo do homem”, o sempre irreverente Vinícius de Moraes (1913-1980), cujo centenário de nascimento se comemorará em outubro próximo, elegeu o uísque como o seu cachorro engarrafado. Aspecto interessante a ser considerado é a amizade na adolescência, momento em que os vínculos fora da família vão se formando. Surgem as turmas, muitas vezes se desfazendo para o surgimento de outros grupos. Enquanto duram essas relações, pela intensidade com que são vividas, parecem eternas. Os adolescentes que vivem isso hoje têm os seus BFFs (Best Friends Forever, ou seja, Melhores Amigos Para Sempre). Hoje também, via internet, os “amigos” podem ser adicionados aos montes. Amigos de verdade? De acordo com o ditado popular, esses a gente conta no dedo. Quanto ao “Amigos, amigos, negócios à parte”, a concordância é quase geral. O mesmo não se pode dizer do polêmico “mulher de amigo meu para mim é homem”, provérbio, é claro, brasileiro. No que diz respeito à frase “Aos amigos tudo, aos inimigos, os rigores da lei” (palavras atribuídas ao presidente Getúlio Vargas), a discordância deve ser quase total. Todas essas considerações servem de pretexto para lembrar o “Dia do Amigo”, que se comemora dia 20 próximo. Muito mais do que uma data, a ocasião é um convite à celebração desse nobre e prazeroso sentimento. De tantas músicas que são verdadeiros hinos à amizade, destaco “Amizade sincera” de Renato Teixeira. Vale a pena ouvi-la. Abraço amigo!


Jornal das Lajes 15

ANO X Nº 123 - JULHO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Regional

Nomes engraçados, aluguel e vizinhos: o cotidiano das repúblicas de estudantes JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE Um anúncio no mural do campus Santo Antonio da UFSJ oferecia vagas para calouros na República Santa Casa, bairro Bonfim, logo atrás da Universidade. A mais antiga república de estudantes de São João del-Rei, 20 anos de existência, tem uma lotação de 10 vagas, mas estava com sete moradores. Com a UFSJ, as repúblicas passaram a fazer parte do cenário de São João del-Rei. E com nomes criativos, e muitas vezes engraçados. Ao lado de repúblicas tradicionais como a Santa Casa e a Mausoléu (10 anos de existência), existem aquelas que surgem e desaparecem de tempos em tempos. Sem falar que muitas nem constam da agenda oficial do estudante da centraldoacademico.com. Até bem pouco tempo, existia perto do centro da cidade a república “O que nós ganha os Bartira”, que nem mesmo constava da agenda 2013 do estudante. De repente, parece que “faliu”. Ou mudou de endereço? Outra que não existe mais é a república “Favim de Mel”, no bairro Bonfim, está relacionada no catálogo do estudante – atualmente, mora apenas uma pessoa no apartamento. Embora exista desde 2008, a república “Colina” – que funciona na Rua Antonio Josino Andrade Reis, às margens do Córrego Lenheiro - também não aparece na agenda do estudante. O catálogo de repúblicas da agenda traz nomes curiosos como 100 Noção, As Normais, Afrodite, Babilônia, Bombar, Café com Leite, Cadeia, Caixaça, Capô de Fusca, Convento, Chocolate com Pimenta, Das Vizinhas, De Lá, Delta Nu, Farol Acesso, Fe-mininas, Kataputa, Kativeiro, K-zona, Malabares, Methiolate, Pé na Cova, Pinga ni Mim, Reis de Copos, ReputaSão, Tapa na Peteca, Xananã, Xibiú, Xilindró e Xuxu com Cana. A República Mausoléu foi fundada em 2003 por Pedro Baratti (estudante de psicologia) em uma casa antiga, com fama de mal-assombrada no fundo do cemitério. Passou por mais duas casas antes de ocupar o atual endereço no Tejuco, onde abriga 11 estudantes de economia e de engenharia mecânica e elétrica. “Mas já teve mais gente”, conta Paulo Vitor. A República Santa Casa – fundada por Gladstony Oliveira Souza (Cabeça), Yusley Ferreira Netto Junior (Manso) e Paulo José Miguel (Paulão), todos estudantes de engenharia industrial elétrica - já passou por cinco casas antes de ocupar o local espaçoso onde se encontra. Hoje, reúne gente de diferentes cursos (administração, economia e engenharia elétrica e mecânica). “A gente tem hierarquia, tem um presidente há cinco anos que é o Bruno Nogueira (TX) que se forma no final deste ano”, conta Marco Antonio Marques Porto (Lambari). “Aqui pode ser comparado a uma empresa, com um peso maior dos mais velhos. A gente leva o nome muito a sério para

não acabar.” Festas e vizinhos - A Mausoléu promove festas grandes, inclusive com o apoio de vários estabelecimentos comerciais, revela Paulo Vítor. “A gente faz campanhas... Quem vem, por exemplo, traz alimentos.” A república chega a doar 500 kg de alimentos para uma instituição de caridade. A Santa Casa também promove festas. “Há 10 anos, fazemos festa junina”, diz Lambari. A arrecadação de mantimentos é trocada por algum objeto, como a caneca que traz impresso o nome da república e da festa. Os alimentos são doados para uma creche do Tijuco. E ainda são organizadas as festas “Bombar” e “Ops”, no Athletic, em parceria com outras repúblicas, prossegue Lambari. A primeira, “Miss Bicho”, é feita para apresentar os calouros. Na segunda, “Festa Fantasia”, é obrigatório o uso de fantasias. “O pessoal de São João del-Rei não gosta muito de república”, admite Paulo Vitor. Muitos vizinhos reclamam das festas, mas “a gente tem muitos amigos na cidade que frequentam a república”. Ele mesmo já foi vítima da reação de vizinho indignado. Numa festa de aniversário de um calouro, um vizinho bateu à porta com uma enxada na mão. “Se não colocasse a mão na frente, estaria no hospital até hoje”. O pessoal da Santa Casa também tem problemas com a vizinhança, em geral por causa de som alto. “A gente extrapola um pouco”, admite Lambari.

“Já veio polícia aqui para baixar o som, mas nada muito grave”. A implicância da vizinhança é um dos motivos pelos quais muitas repúblicas duram pouco ou mudam de endereço, conta Paulo Vitor. Na mudança de casa, muitas vezes sai parte do pessoal, perde-se o vínculo. Custo do aluguel - Outra causa do fechamento de muitas repúblicas é o custo do aluguel. “O aluguel aqui é abusivo”, lamenta Paulo Vitor, da Mausoléu. “O aluguel está muito caro, então com a formatura dos mais velhos não se consegue arrumar calouros”, acrescenta Lambari. Na Santa Casa, o aluguel mensal é de R$ 2.200,00, dividido entre os estudantes. Os estudantes estão botando fé no projeto de parceria, em discussão entre a UFSJ e a Prefeitura para a construção de um condomínio de casas e apartamentos perto do CTAN (Campus Tancredo Almeida Neves), além de locais apropriados para a realização de festas. Resolveria o problema do aluguel e da vizinhança, resume Paulo Vitor. “A ideia é que o valor do aluguel pague a prestação da casa.” Para as casas, por exemplo, o valor mensal seria de R$ 2.000,00, dividido entre 10 pessoas. Assim, muitas repúblicas simplesmente seriam transferidas para o novo condomínio. “Com o projeto, a gente só tem a ganhar”, conclui Lambari. Não haveria mais problemas de aluguel e de som alto com os vizinhos.

República Mausoléu - Da esquerda para direita, Gabiru, PV, Gazela, Gagá e Camarão

República Santa Casa - Da esquerda para direita, Tio Chico, Majin-boo, Apelido, Lambari e Frango

Associação sãojoanense recolhe mais de cinco mil toneladas de material reciclável A Associação de Catadores de Material Reciclável de São João del-Rei (ASCAS) já recolheu mais de cinco mil toneladas em seus 10 anos de existência. Isto equivale a uma média de 40 toneladas por mês (dois caminhões compactadores de material reutilizável). Este material recolhido não é despejado no lixão da cidade, o que ironicamente contribui para aumentar a vida útil deste depósito irregular de lixo, explica o professor Ataualpa Oliveira, da área de gestão do campus de São João del-Rei do IFET (Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais). Ao retirar do mercado esta quantidade de material reciclável, a ASCAS contribuiu para prolongar a existência do lixão na medida em que deixou um espaço ocioso. Daí porque o poder público deve apoiar a associação, que trabalha como agente público de limpesa, observa Oliveira. Desde 2005, a ASCAS ocupa um galpão da Paróquia Bom Jesus do Matosinhos, cujo aluguel é pago pela prefeitura. Porém, este local terá de ser entregue à paróquia, razão pela qual a associação está procurando outro endereço e, para isso, conta com o apoio do poder público. Atualmente, a associação reúne 17 catadores que fazem coleta seletiva em residências, supermercados, gráficas e na própria rua, conta Maria das Graças Silva, presidente da entidade. Além disso, a empresa Bozel Mineração entrega o material reutilizável na própria sede da ASCAS. Além da prefeitura, ao longo destes 10 anos a ASCAS atuou em parceria com a UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei) e recebeu apoio financeiro da Fundação Banco do Brasil, do antigo Banco Real (hoje, Santander), do Ministério da Educação e da FUNASA (Fundação Nacional de Saúde), entre outros. Atualmente, professores da UFSJ e do IFET orientam alunos em projetos de pesquisa e extensão junto à ASCAS. Paulo Douglas, aluno da área de gestão de tecnologia da informação do IFET, por exemplo, desenvolve projeto de mapeamento das rotas dos catadores e faz levantamento do fluxo de material reciclável

por região da cidade. A partir daí, pretende desenvolver ferramentas para orientar os catadores sobre os pontos de maior oferta de material (por tipo e por região) de maneira a tornar mais produtivo o trabalho deles. Fim do lixão - A ASCAS tem participado de discussões sobre meio ambiente e coleta coletiva, promovidas pela administração municipal, conta a voluntária Cecilia Ribeiro. Também foi iniciada uma parceria com a gestão atual na área de saúde, por meio da qual os catadores podem fazer consultas médicas, exames, vacinação etc. Porém, continua pendente o fim do lixão, diz o professor do IFET. A política nacional de resíduos sólidos prevê que o lixão seja substituído por um aterro sanitário, onde haja manejo do material reciclável (coleta do chorume, produção de gás natural etc.). Além disso, até agora a discussão sobre a nova lei de resíduos sólidos, aprovada em 2010, não chegou à ASCAS, admite Oliveira. A política nacional de resíduos sólidos prevê a mudança da logística do lixo no Brasil, com a eliminação dos lixões até o próximo ano. A sensibilização dos prefeitos para o cumprimento da lei é considerada um dos desafios, especialmente no caso dos lixões. Além disso, todos os municípios devem oferecer a coleta seletiva à população. A nova lei disciplina a coleta, o destino final e o tratamento de resíduos urbanos, perigosos e industriais. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), mais da metade dos municípios brasileiros possuem lixões. São ao todo 2.906 lixões, que devem ser fechados até o próximo ano. Dos 5.564 municípios brasileiros, somente 766 fazem coleta seletiva do lixo. Um exemplo de ação neste sentido é o Estado de São Paulo. No final do mês passado, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente promoveu, em Batatais (região de Ribeirão Preto), reunião com vários municípios para treinamento de como elaborar um Plano municipal de Resíduos Sólidos. J.V.R.


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ANO X Nº 123 - JULHO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Giro Esportivo

EMANUELLE RIBEIRO

O Brasil venceu dentro e fora de campo. Essa é a impressão que fica da primeira Copa das Confederações realizada no país. Foi um período de grandes superações, inclusive para mim, que tive a oportunidade de participar da cobertura desse evento esportivo. Só para esclarecer, participei de um projeto da Sony e pude acompanhar três partidas no estádio, uma delas (a mais emocionante) em Recife, entre Itália e Japão. Desconfiança é a palavra que define o sentimento da maioria dos torcedores antes da Copa. Depois de cinco vitórias, três delas contra grandes equipes, e o tetracampeonato da Copa das Confederações, o brasileiro voltou a sorrir e vai CONFIANTE para o Mundial no ano que vem. A competição realizada durante os últimos quinze dias de junho é um evento teste para a Copa do Mundo. Falhas aconteceram, mas houve correções a tempo e acertos. Foi realmente tudo muito bonito, como pede o padrão FIFA de qualidade. Em questão de futebol, acredito agora que o Brasil reencontrou o seu caminho. Sempre foi uma grande seleção, a maior vencedora de todas e, como gritam por aí, “o campeão voltou!”. No início muitos ainda desacreditavam: “Ah, ganhar de Japão e México é fácil”, diriam. Mas não é por aí. Com a estreia vitoriosa sobre a seleção japonesa, logo pensei: “Esse Brasil agora vinga”. Apesar de não ser uma seleção tão tradicional como outras que viriam, o Japão tem um time consciente, rápido e com jogadores fazendo sucesso em grandes clubes, como Kagawa, Honda e Nagatomo. Contra o México, a mesma coisa. Eles nos tiraram das Olimpíadas de 2012, uma dor ainda recente. E o medo do artilheiro Chicharito Hernandez? Foi superado pela habilidade de Neymar Júnior. A gente deu o troco, mas tínhamos um teste maior pela frente. O Brasil de Felipão é ambicioso e mos-

trou que quando está valendo é diferente. O que não fizemos antes na maioria dos amistosos, fizemos em 15 dias. A Azzurra de Balotelli ficou no chinelo. Fred nem quis pensar na possibilidade de perder sua vaga para Jô, que havia marcado nas últimas duas partidas da seleção, e arrebentou. Neymar disse com a bola nos pés que a camisa 10 tem dono novamente. Política de boa vizinhança? O Brasil não quis nem saber: recebeu o Uruguai em Belo Horizonte e, com um jeitinho de mineiro, comeu pelas beiradas, desconfiado das intenções dos irmãos sul-americanos, deixando o bote para o final. Já basta a recepção que tiveram na Copa do Mundo de 1950, nessas terras, onde foram campeões. Mais uma figurinha foi colada no álbum e ainda tinha um espaço em branco, essa era difícil de conseguir. Pelo menos assim parecia. Mas o futebol de troca de passes foi facilmente apagado pela inteligência dos brasileiros. A Espanha manteve a posse de bola, característica marcante de seu futebol, mas a maior camisa do mundo, a verde e amarela, pesou! Essa vitória certamente mereceu ser bastante comemorada, afinal batemos a melhor seleção do mundo. Apesar de que para mim esse reinado está com os dias contados: o futebol do Barcelona, por muito tempo o mais contagiante do planeta, está se desgastando, e com isso há também o desgaste da seleção espanhola, que tem sua base no futebol dos Culés. Acredito que o próximo adversário a ser batido é a Alemanha, que sempre foi muito regular e tradicional, e agora está com um elenco de craques. A volta de Felipão à seleção brasileira foi vista por muitos como um retrocesso. Mas por que não pensar diferente? Tempos de retomar a organização na CBF. Autoridade, técnica, tática, paixão pelo país são algumas marcas do treinador. E o mais importante: jogadores motivados e satisfeitos. Isso o Felipão faz bem. Por isso e muito mais o Brasil é tetra!!! E que

venha o hexacampeonato, agora da Copa do Mundo! Longe dos gramados, mais conquista! Para sediar uma Copa muito dinheiro precisa ser gasto, até porque a FIFA tem suas exigências. Mas será que o Brasil realmente estava preparado para investir nesses eventos? O povo pensa que não. E dessa vez eles não apenas pensaram e saíram às ruas para questionar as atitudes do governo. Os impostos aumentam, mas os benefícios estão estagnados. Como anda nossa saúde e educação? Da mesma forma que andou o Taiti na Copa das Confederações. As manifestações foram justas, legítimas, não podíamos mais participar passivamente. “O gigante acordou”, mas não podemos viver assim constantemente, visto que pessoas com más intenções também aproveitam essas situações para fazer injustiça. Agora o investimento já foi feito, não tem como voltar atrás, o momento é de esperar os resultados positivos que isso pode acarretar, mas não se acomodar jamais.

O Galo, vice-campeão pela segunda vez, revelou para o mundo o “canhão” Éder Aleixo. O treinador Cláudio Coutinho comandou Raul, Toninho, Manguito, Marinho, Júnior, Andrade, Paulo César Carpegiani (Adílio), Zico, Tita, Nunes e Júlio César na conquista do título inédito para o Flamengo. O outro mineiro, Cruzeiro, terminou o Brasileirão em décimo lugar. Que feio! O América-RJ foi eliminado por seus próprios

O ex-jogador do Náutico e agora empresário do setor de material esportivo, Jarbas

Bastidores Em minha viagem ao Recife, tive a oportunidade de encontrar um ex-jogador de futebol que já passou pelo Democrata de Governador Valadares, Botafogo-SP, Bangu-RJ, Naútico (campeão estadual em 85), Santa Cruz (bicampeão estadual em 86 e 87) e ainda atuou no futebol português, pelo Beira-Mar. Seu nome é Jarbas Aguiar. Hoje ele continua atuando no ramo esportivo, mas como empresário: é proprietário de uma loja de material esportivo na capital pernambucana, a “Futebol do Brasil”. Deixo aqui meu abraço amigo ao simpático ex-camisa 7. Aproveito para agradecer também a todos que me apoiaram seguindo minhas publicações, especialmente a meu pai, Toninho Ribeiro, que me acompanhou nesse projeto e a Eduardo Almeida, o Dudu, que foi um grande parceiro nessa viagem como nosso guia turístico e, agora,

Série “Campeões brasileiros” É campeão! O Flamengo conquistou seu primeiro título brasileiro em 1980. O Rubro Negro derrotou o Galo por 3x2 na grande final. Liderado por Zico, o Fla venceu 14 jogos, empatou seis e perdeu em duas oportunidades. Foram 46 gols feitos, sendo 21 do artilheiro Zico, e 20 sofridos. Não podia ser diferente: Zico, o Galinho, foi o craque do campeonato e quem colocou fogo na final com uma assistência e um gol.

Fotos Emanuelle Ribeiro

Copa das Confederações: ganhamos muito mais do que uma taça!

jogadores. Depois de chegar à segunda fase do campeonato, o time perdeu para o Guarani por 3 a 2 no jogo-desempate, com dois gols contra, marcados por Zédilson e Uchoa. A década de 80 tem o início marcado por tristeza: aos 40 anos, John Lennon foi assassinado na noite de 8 de dezembro quando voltava para casa. O autor dos cinco tiros era um fã psicopata. O rock mundial perde uma grande estrela.

Toninho e Emanuelle em frente a Arena Pernambuco

O pernambucano Dudu recebeu bem nossos conterrâneos em Recife

grande amigo. Realmente foi uma experiência significativa, tanto pro-

fissional como pessoalmente.


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