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Edicao 122

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10 anos

JUNHO 2013

ANO X - Nº 122 Resende Costa - MG

www.jornaldaslajes.com.br contato@jornaldaslajes.com.br

Distribuição Gratuita

Especial: Internato Rural completa 20 anos em Resende Costa Foto Emanuelle Ribeiro

Resende Costa realiza primeira Mostra de Artesanato

De 29 de maio a 2 de junho, aconteceu em Resende Costa a primeira Mostra de Artesanato e Cultura, visando à valorização e divulgação do artesanato através de palestras e oficinas para artesãos e empresários. Durante o evento, o público curtiu apresentações artísticas e culturais. A Mostra fez parte das comemorações dos 101 anos de Resende Costa. Página 08

Alunos do Assis Resende se destacam nos vestibulares

A Escola Estadual Assis Resende tem sido destaque em qualidade do ensino nos últimos anos devido, principalmente, ao alto índice de estudantes aprovados nos vestibulares. Segundo a diretora Andrea Lima, cerca de 20 alunos foram aprovados este ano e o número é ainda maior se somarmos aos que já se formaram nos anos anteriores e que conseguiram vaga na universidade em 2013. Página 12

Política regional: Madre de Deus de Minas

Algumas incoerências em São João del-Rei

A história política de Madre de Deus de Minas passou por várias fases distintas desde a emancipação do município em 1953: o predomínio do velho PSD no período anterior à ditadura militar; a troca de posições partidárias na fase de ARENA e MDB; o retorno ao ninho dos antigos pessedistas e a confusão partidária mais recente. Página 07

Recentemente, nove pontos de ônibus com teto “transparente” foram instalados em São João. Porém, pessoas com guarda-chuva ou sombrinha ainda são vistas debaixo dessas coberturas, abrigando-se do sol. Outra incoerência é o projeto de lei aprovado pela Câmara, que obriga os comércios a se adequarem às normas de acessibilidade, quando nem a própria Casa possui rampas para deficientes.

Yasmim, dona Verônica, Mariléia e Tatiana

O convênio entre a Prefeitura de Resende Costa e a Escola de Medicina da UFMG está completando 20 anos. Desde 1993, a população rural recebe semanalmente a visita dos estagiários de medicina para consultas, orientação e demais

procedimentos. O objetivo do Internato Rural consiste em colocar o aluno, quase médico, em contato com a realidade das pequenas comunidades. Sete comunidades rurais são hoje atendidas pelo Internato. 75 duplas de estagiários passa-

ram pelo município nas duas décadas, contribuindo para o desenvolvimento do SUS e da saúde preventiva. O trabalho dos estagiários é elogiado pelo povo nas reuniões do Conselho Municipal de Saúde. Páginas 04, 05 e 06

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Jornal das Lajes

E D I T O R I A L O serviço de fossas e a rede de esgoto em Resende Costa O Jornal das Lajes publica nesta edição reportagem especial sobre o serviço de limpeza de fossas, mantido pela Prefeitura. O intuito principal é mostrar o caráter essencial deste serviço, em uma cidade que não possui rede de coleta e tratamento de esgoto, aliás um problema nacional. Reportagem de 1º de maio da Agência Brasil, empresa de comunicação oficial, mostra a dramaticidade da situação do saneamento básico, o que faz “o país parecer parado no século 19”, na avaliação do presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos. De acordo com a organização não-governamental, os últimos dados disponíveis do Ministério das Cidades, de 2009, apontam cerca de 55,5% da população brasileira sem ligação a qualquer rede de esgoto, sendo somente um terço dos detritos coletados e tratados no país. Ao lado desta triste notícia, chega-nos uma informação auspiciosa do prefeito Aurélio Suenes, qual seja: a Copasa vai liberar cerca de R$ 3,1 milhões para dar continuidade às obras de coleta e tratamento de esgoto em Resende Costa. Aguardamos retorno da empresa para fornecer aos leitores do JL mais detalhes sobre a licitação dos recursos. Aproveitamos esta oportunidade para defender junto à Prefeitura e à Copasa uma proposta que, independente dos aspectos técnicos, se trata de medida de bom senso. Boa parte da rede de coleta de esgoto, já implantada em Resende Costa nos bairros mais baixos, vem se deteriorando pelo não-uso. Sem deixar de mencionar informações que dão conta de que muitas ligações clandestinas vêm sendo feitas a esta rede, o que provoca transtornos na medida em que não existe saída para estes resíduos. Além disso, a implantação da rede no centro da cidade será obra difícil e lenta, exigindo “um trabalho artesanal” na definição do engenheiro civil Jorge Hannas Salim. Assim, defendemos que na sequência das obras seja, prioritariamente, construída a estação de tratamento de esgoto (ETE) e que a rede de coleta já concluída seja ligada à ETE e colocada em funcionamento. Assim, parte da população já passaria a usufruir de imediato deste bem público que é o saneamento básico, enquanto a Copasa continuaria as obras, “sem agonia”, da rede de coleta numa área restrita da parte mais alta da cidade. Através de reportagens e ouvindo os cidadãos, o JL vem acompanhando as obras de implantação da rede de esgoto desde o início, inclusive noticiando os transtornos causados à população em alguns bairros da cidade. Ruas esburacadas e calçamentos defeituosos são algumas das heranças deixadas pela empreiteira Soenge, responsável por executar as obras na cidade. Mesmo diante desses transtornos, sempre defendemos a importância da rede de esgoto para Resende Costa. É inadmissível a população de uma cidade que cresce a passos largos ainda utilizar fossas sépticas. A reportagem desta edição mostra como esse recurso já está saturado, devido a vários problemas, como a localização geográfica da cidade. O início das obras da rede de esgoto coroou um longo período de negociações e expectativas. E a expectativa maior era de que fosse inaugurada, sem interrupções, ainda no mandato do governo anterior. O que não foi possível, devido a alguns imprevistos no projeto inicial, como a dificuldade em instalar as tubulações na parte alta da cidade. De acordo com informações da própria Copasa, publicadas pelo JL, as obras na parte alta da cidade demandaria “estudo mais específico”. Independente dos imprevistos, o fato é que as obras não podem ficar paradas, enquanto as fossas proliferam como caminhos de rato pelo solo de Resende Costa.

Jornal das Lajes Ltda

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Fundado em 22 de janeiro de 2008 Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro

Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000

Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Diretor de redação: Rosalvo Pinto

Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP

Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte

Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves

Tiragem: 4000 exemplares

Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto

Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Tiradentes

Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

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Meio Ambiente

ADRIANO VALÉRIO RESENDE

Água subterrânea na região de Resende Costa Ciclo hidrológico é o nome dado ao processo de circulação da água no planeta. No solo, tal conceito comporta uma fase superficial e outra subterrânea. A fase superficial é representada pela bacia hidrográfica, que é uma área drenada por um rio principal e seus afluentes e delimitada por divisores de água, as áreas mais altas da paisagem. A fase subterrânea, a bacia hidrogeológica, representa as águas que estão no subsolo, armazenadas nas rochas ou nos vazios (poros) do solo. Destaca-se que os aquíferos ou sistemas aquíferos, que compõem a bacia hidrogeológica, quase sempre não coincidem com os limites dos divisores topográficos das bacias hidrográficas. As águas subterrâneas quando chegam à superfície, em um ponto específico, recebem o nome de nascentes ou olhos d’água. As águas subterrâneas possuem ainda outra função muito importante: alimentar o fluxo dos rios no período da estiagem, o chamado de fluxo de base. Assim, as águas subterrâneas representam a parcela do ciclo hidrológico que transita pelo subsolo de um sistema hidrográfico, sendo muito importantes na regulação da quantidade de água disponível em uma região, principalmente no período seco. Aquífero é o nome dado a uma litologia (rocha) porosa e permeável, capaz de conter água suficiente para que possa ser captada, por exemplo, por meio de um poço. Em outras palavras, o aquífero é um ma-

terial geológico capaz de servir de depósito e de transmissor da água armazenada. Resumida e simplificadamente, tem-se o aquífero livre, onde a água está em equilíbrio com a pressão atmosférica e com a qual se comunica livremente, e o aquífero confinado, localizado entre duas camadas de rocha impermeáveis. Assim, quando se faz uma fossa ou buraco e se encontra água, este é o aquífero livre. Desse tipo de aquífero provêm ainda as águas das nascentes. Já a água de poços tubulares profundos provém de um aquífero confinado. A quantidade e a qualidade das águas em uma bacia hidrogeológica dependem do clima e dos arcabouços geológicos e hidrogeológicos. Minas Gerais apresenta uma significativa diversidade de tipos litológicos (rochas) e, consequentemente, um grande número de unidades aquíferas com características próprias e distintas. Nas áreas de embasamento cristalino, com rochas graníticas (os calçamentos de paralelepípedos) e gnáissicas (pedras de construção), geralmente não são encontrados bons lençóis d’água subterrâneos, exceto se a rocha for muito fraturada e as fraturas estiverem interconectadas. Nesses aquíferos, a água ocupa fraturas e fendas abertas em rochas ígneas e metamórficas, que possuem baixíssima permeabilidade. Esse é o caso dos aquíferos da região de Resende Costa, que possuem pouca água armazenada. Um exemplo disso: quan-

do o sistema de abastecimento de água da cidade era realizado pela prefeitura municipal (até início da década de 80), utilizavam-se três nascentes e dois poços tubulares perfurados em 1964, com vazões de 2,5 e l,0 litros/segundo. Em mais dois poços perfurados pela COPASA, em 1978 e em 1998, as vazões foram de 0,37 l/s e 0,46 l/s. Destaca-se que essas são vazões muito baixas. A COPASA, na década de 90, realizou um estudo sobre as águas subterrâneas no Estado: “Disponibilidades Hídricas Subterrâneas no Estado de Minas Gerais”. O município de Resende Costa está localizado no Sistema Aquífero Granítico-Gnáissico, que abrange partes do centro-sul e a faixa leste do Estado. Sobre a qualidade das águas consta que são predominantemente bicarbonatadas, cálcicas a calco-magnesianas e pela falta de circulação e pelo tipo de rocha, a água é na maior parte das vezes salinizada. Portanto, na região de Resende Costa há baixa favorabilidade hidrogeológica, isto é, há pouca água disponível no subsolo. Assim, nesse contexto, no período seco, o fluxo de base é pequeno, provocando uma visível diminuição do volume (vazão) nos cursos d’águas e nascentes. Dessa forma, destaca-se a importância da preservação das áreas de recargas, onde há infiltração e permanência de água no solo, sendo essas principalmente as áreas com cobertura florestal nativa.

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Informativo da Câmara

Cidade

O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.

Confira alguns dos projetos de lei aprovados nos meses de maio e junho PROJETO 47 - institui o Plano Municipal de Cultura de Resende Costa – PMC, e dá outras providências. PROJETO 48 - autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Nossa Senhora da Conceição e dá outras providências. PROJETO 50 - institui contribuição especial facultativa para a Associação dos Municípios da Microrregião dos Campos das Vertentes – AMVER, e dá outras providências. PROJETO 51 - autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Clube dos Cavaleiros de Resende Costa para a cessão das dependências do Parque dos Trabalhadores de Resende Costa, Dr. Geraldo Magela de Resende e repasse de recursos para a realização da XXXIV Exposição Agropecuária de Resende Costa, XXIII Cavalgada Bolivar de

Andrade e realização da XXIX Exposição Regional e dá outras providências. PROJETO 52 - autoriza a alienação do bem público municipal que especifica e dá outras providências. PROJETO 53 - dá nome à Rua Geralda Evangelista Coelho e dá outras providências. PROJETO 54 - dá nome à Rua João Daher e dá outras providências. PROJETO 55 - dá nome à Rua Terezinha Macedo Lara Melo e dá outras providências. PROJETO 56 - autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho de Desenvolvimento Comunitário São Geraldo e dá outras providências. PROJETO 57 - concede Medalha de Honra ao Mérito José de Resende Costa ao senhor José

Pio de Resende. PROJETO 58 - altera dispositivos da Lei Municipal n.º 2.214, de 18 de setembro de 1995 e dá outras providências. PROJETO 59 - autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Filhas de São Camilo/Lar São Camilo de Lellis e dá outras providências. PROJETO 60 - concede Medalha de Honra ao Mérito José de Resende Costa a senhora Nilza Reis. Maiores informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município. Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro.

Voz do Cidadão

Ruas de Resende Costa foram invadidas por “cachorros sem donos” “Numa noite de maio, ao passar por uma rua mal iluminada ao lado do cemitério, fui atacado por três cachorros – inclusive levei uma dentada na perna de um deles - que, tudo indica, não tem donos. Outro dia, seis e meia da manhã, cruzei com um “bando” de cachorros, uns dez, fazendo a maior algazarra na rua do bairro. Não sei ao certo, mas acredito que esta invasão de cachorros é um problema que importuna a cidade inteira. “Tem cachorro de Lafaiete, tem cachorro de Lagoa Dourada, tem cachorro de tudo quanto é lugar”, definiu bem meu primo Zé da tia Alice. Uma afirmação, que pode conter uma informação valiosa do que anda ocorrendo nas ruas de Resende Costa.

Estes acontecimentos me fizeram retroceder no tempo, quando alguns anos atrás eu passava o Natal em Bariloche (Argentina). Chamou minha atenção a quantidade de cachorros idosos que perambulavam pelas ruas, em busca de alguma comida. No restaurante onde jantávamos (um grupo de brasileiros), os simpáticos e bonitos cachorros circulavam entre os turistas na esperança de que pudessem participar da ceia de Natal, ainda que marginalmente. Voltando mais ainda no tempo, na época de criança, os meninos de minha rua divertiam-se com a chegada, a cada ano, de homens, portando espingardas, para matar “cachorros zangados” no antigo campo do Varginha. Sabíamos que

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nos dias seguintes iríamos assistir ao espetáculo de urubus invadindo o pasto onde jaziam estendidos os animais, até que sobrassem expostos apenas os esqueletos. Não quero aqui ser radical ao ponto de defender “pena de morte” para os - ou “vacinação fatal” (à base do tiro) dos - cachorros abandonados pelas ruas da cidade. Mas bem que o poder público e alguma organização não-governamental (protetora dos animais) poderiam tomar alguma providência para nos livrar deste incômodo. De minha parte, por medida de segurança, tive de correr para tomar vacinas anti-tétano e antirrábica”. José Venâncio de Resende

Como vive uma cidade sem rede de esgoto, que depende do serviço de fossas? JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE Imaginem uma cidade sem rede de coleta e tratamento de esgoto, que depende cem por cento de fossas sépticas. Este é o caso da centenária Resende Costa. Falar em fossa significa não apenas furar fossa, mas sobretudo fazer limpeza de fossa, um serviço de caráter essencial. Toda semana, José Carlos Santana, o popular Zezé ou “o homem do caminhão”, atende de 10 a 12 pedidos de limpeza de fossas, entre pequenas e grandes. A dimensão de uma fossa pode ser medida pela quantidade de caminhões carregados de excrementos e águas usadas. Assim, uma casa pequena representa no máximo uma viagem até o depósito (“caixa de esgoto”) no Tijuco (até há pouco tempo, esses resíduos eram jogados no antigo lixão, que funcionava no “terreno do Júlio”, na saída da cidade). Já a fossa de um estabelecimento comercial gera de dois a três caminhões cheios. Cada escola significa em média seis viagens de caminhão. A mais trabalhosa é a fossa do hospital que representa cerca de 15 carregamentos numa única limpeza. Normalmente, o pedido pode ser feito diretamente na prefeitura ou pelos telefones 3354-1366/1292/1494. A funcionária que recebe o pedido abre uma ordem de serviço, assinada pelo interessado, e a repassa ao “homem do caminhão” que programa a visita. Mas há os casos de emergência, quando a fossa está entornando ou é localizada dentro de casa ou da garagem, conta Zezé. Novas fossas José Lucimar Coelho, o Mazinho, já furou duas a três fossas por semana. Hoje, costuma demorar até um ano para fazer um serviço desses. Enquanto isso, ele vai se virando como servente, roçando pasto, quebrando pedra, capinando horta, enfim, fazendo de tudo um pouco. Uma das explicações para a queda na procura é que, nas construções de casas, os próprios serventes são contratados para abrir as fossas.

A encomenda mais comum é de fossa de 3,5 a 4 metros de profundidade por 2 metros de boca, mas Mazinho já abriu fossa de até 5 metros. Há um ano, ele furou uma fossa de 2 metros de boca por 4 metros de profundidade para o Centro de Pastoral Paroquial Nossa Senhora da Penha (CPP). A abertura de fossas ocorre em diferentes locais, dependendo do espaço disponível. Assim, algumas são furadas no quintal e outras no passeio e mesmo na rua. Para fazer o serviço, Mazinho costuma cobrar por metro ou por empreitada. Mazinho às vezes é chamado também para limpar fossa. Foi o caso, por exemplo, da fossa do restaurante Irassol que fica no fundo do quintal aonde o caminhão da prefeitura não tem acesso. Neste caso, Mazinho teve de usar pá, lata e corda, e precisou de dois auxiliares. “Lá nós jogamos bastante cal para reduzir o mau cheiro.” Visão médica O médico Luiz Antônio Pinto considera utilizáveis as fossas sépticas na ausência de rede de coleta e tratamento de esgoto. Mas ele alega que, do ponto de vista prático, não existe mais lugar para abrir fossas na cidade e, em segundo lugar, elas são fator de contaminação dos lençóis freáticos. Numa cidade com as características topográficas de Resende Costa, alerta o médico, as fossas do alto da cidade vão contaminar minas e mananciais nas partes mais baixas, trazendo risco de transmissão das mais diversas doenças. Além disso, fossas em cima de pedra ou em casas simples estão sujeitas a vazamentos, por estarem próximas da superfície. Por isso, Luiz Pinto considera que a construção da rede de esgoto deve levar ao banimento dessas fossas na cidade, embora elas sejam aceitáveis na zona rural onde a população é menos concentrada.


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Jogo Aberto

Saúde

Internato Rural (IR) completa 20 anos em Resende Costa “O tempo de permanência em Resende Costa é, sem sombra de dúvida, o melhor indicador para se avaliar a importância da experiência do IR tanto para a universidade como para o município” (professor Geraldo Guedes) ANDRÉ EUSTÁQUIO Neste ano, o Internato Rural (IR) está completando 20 anos em Resende Costa. Em 1993, o município firmou convênio com a Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e desde então recebe os estagiários, alunos do 11º período de Medicina, que realizam na comunidade, principalmente na zona rural, atividades acadêmicas, como atendimentos, palestras, visitas domiciliares e planejamento em saúde. O JL conversou por e-mail com o supervisor do IR, professor doutor Geraldo Luiz Moreira Guedes, 60, do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFMG. Professor Guedes formou-se em Medicina em 1978 e realizou Residência Médica em Clínica Médica. É especialista em Medicina Interna e doutor em Saúde Pública. Guedes é professor da Faculdade de Medicina da UFMG há 33 anos e atualmente leciona no IR, atual Internato em Saúde Coletiva e na disciplina de Ética e Direito Médico. Participa ainda de projetos de pesquisa e extensão na universidade. Nesta entrevista o professor Geraldo Guedes, que implantou o IR em Resende Costa há 20 anos, fala das atividades dos alunos e do êxito da parceria entre a UFMG e o município. O que é o IR? O IR foi criado em 1978 como parte da reforma curricular implantada em 1975. Tal reforma tinha como base pedagógica a chamada Integração Docente Assistencial, ou seja, o ensino privilegiaria a assistência ao paciente nos serviços públicos de saúde e não mais em estruturas modelos que vigoravam até a época. É importante ressaltar o pioneirismos da UFMG na implementação da proposta. O IR, hoje denominado oficialmente Internato em Saúde Coletiva, representa, no final do curso de Medicina, o coroamento do processo de ensino aprendizado nos serviços públicos de saúde, portanto mais próximo da realidade social da sociedade brasileira. Outro aspecto relevante no processo pedagógico do IR é a chamada “redução sociológica”, que permite ao aluno perceber com mais clareza as relações dos indicadores de saúde com as condições de vida da população. Como se dá o convênio entre a UFMG e os municípios que recebem os alunos do IR?

O convênio da Faculdade de Medicina da UFMG com os municípios é padrão e prevê as responsabilidades das partes. Ao município cabe basicamente oferecer moradia, bolsa de alimentação e a possibilidade de inserção dos alunos nos serviços de saúde da atenção básica e da área de saúde coletiva. Para cada cidade a faculdade de medicina designa um professor que é responsável pela gestão do convênio e pela supervisão e avaliação dos alunos. Tais atividades são custeadas pela UFMG. Atualmente, quantos municípios participam do IR? Em média 32 municípios, pois, podem ocorrer pequenas variações no tamanho das turmas. Como se processa a escolha do local de estágio por parte dos alunos? Os alunos fazem uma pré-seleção e quando necessário é feito sorteio entre as duplas que querem um mesmo local. Essas duplas são constituídas por afinidade e é importante ressaltar que o critério de duplas faz parte do modelo pedagógico implantado pela UFMG. Há quanto tempo o senhor participa da coordenação e supervisão do IR? Já coordenei o IR, atualmente o coordenador é o professor Geraldo Cury, que em 1993 me ajudou a implantar o IR em Resende Costa. Estive ausente da supervisão durante cerca de quatro anos, época em que realizei o doutorado. Na ocasião fui substituído pelo professor Aristides. Sou responsável pela supervisão de três municípios, cabendo salientar que o internato de Resende Costa é atualmente o mais antigo. Durante o IR, quais são as atividades básicas dos alunos nas comunidades? O convênio prevê atuação dos alunos nas áreas de promoção e educação na saúde, realizando palestras e visitas domiciliares. Desenvolvem também atividades de planejamento em saúde e na prevenção de doenças infecciosas e crônico-degenerativas, além de participar dos programas de assistência em unidades de atenção básica à saúde do município. Em que período do curso de medicina se inicia o IR e como os alunos são avaliados? O IR é obrigatório e é realizado durante três meses no 11º período, ou seja,

Professor Geraldo Guedes

no último ano do curso médico. Os alunos são avaliados pela sua participação, levando-se em conta uma série de variáveis. Apresentam também um relatório minucioso sobre o município com informações socioeconômicas e demográficas. Fazem também um levantamento de toda a infraestrutura, com ênfase nos equipamentos e nos recursos humanos disponíveis na área de saúde. Todas as atividades desenvolvidas são tabuladas e ao final do estágio é apresentado um estudo de demanda ambulatorial, incluindo dados de mortalidade. No retorno a Belo Horizonte são obrigados a apresentar, em uma reunião final, um pôster sobre tema de saúde que escolhem com base na experiência desenvolvida durante o estágio. Como o senhor avalia esse tempo de IR em Resende Costa? A experiência tem sido importante para a formação dos alunos de Medicina da UFMG? O IR se consolidou e se mostrou nesses 35 anos de existência como uma atividade curricular exitosa e que deve ser permanentemente reavaliada e revisada. O tempo de permanência em Resende Costa é, sem sombra de dúvida, o melhor indicador para se avaliar a importância da experiência, tanto para a universidade como para o município. Em sua opinião, qual a importância do IR para a formação acadêmica e profissional dos futuros médicos? O contato e proximidade dos alunos com a equipe de profissionais, com os problemas de saúde e com a realidade social permite que o aprendizado e o crescimento profissional andem juntos com a valorização

Plano coletivo de assistência hospitalar de aposentados tem reajuste de 60% JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

O valor mensal do plano de assistência médica hospitalar da Associação dos Aposentados e Pensionistas de São João del-Rei (ASAP) terá aumento de 60% em junho, fruto de acordo entre a diretoria da entidade e a Plamedh. A maioria dos associados, por exemplo, que paga R$ 47,37 por mês, terá seu valor reajustado para R$ 75,79. Até 2012, os aumentos de plano de saúde coletivo, como é o caso deste da ASAP, obedeciam a índices fixados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Assim, no ano passado, o reajuste foi de 6,79%. A partir de 2013, o plano coletivo não mais acompanha o índice do governo, passando a ser negociado entre as partes. A justificativa da Plamedh para esse aumento é o número excessivo de internações no Hospital Nossa Senhora das Mercês, explica Ilson da Silva Neves, presidente da ASAP. Inicialmente, a Plamedh queria rescindir o contrato. Num segundo momento, a empresa

queria cobrar por faixa etária, o que seria inviável de acordo com Ilson. Assim, o acordo sobre o reajuste do plano foi fechado para evitar a rescisão do contrato. Até maio, a ASAP repassava mensalmente à Plamedh o valor de R$ 25 mil, correspondente à arrecadação junto a 250 associados. Esse montante subiu para R$ 40 mil a partir de junho. A ASAP tem um quadro de 6.200 associados, dos quais a maioria utiliza o SUS que “ainda deixa muito a desejar”, diz Ilson. Os membros da entidade são originários, principalmente, de São João del-Rei, Tiradentes, Resende Costa, Prados, Lagoa Dourada, São Tiago, Santa Cruz de Minas e Nazareno. Para se associar à ASAP, o interessado deve apresentar o número do benefício, carteira de identidade, CPF, comprovante de residência e duas fotos 3x4. A mensalidade atual é de R$ 7,00 e o número do telefone para contato é (32) 3371-6193.

Vertentes Online

Vertentes Online Trabalho de conclusão de curso na UFSJ vira Exposição “Memória Líquida” http://www.jornaldaslajes.com.br/integra.php?i=1130 DAMAE promete resolver problema de esgoto no bairro Barro Preto http://www.jornaldaslajes.com.br/integra.php?i=1131 Plano de assistência hospitalar de aposentados tem reajuste de 60% As várias fases da política de Madre de Deus de Minas http://www.jornaldaslajes.com.br/integra.php?i=1132

do ser humano, que está no cerne da formação médica. Como supervisor do IR, quais são, a seu ver, os principais desafios para os alunos durante o estágio?As experiências são as mais diversas, mas acredito que o

maior desafio consiste no desenvolvimento da consciência de que estão aptos para enfrentar os desafios e responsabilidades profissionais que terão pela frente. São cerca de seis meses o tempo que resta para receberem o diploma de médico.


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Especial

Internato rural: 20 anos de saúde, amizade e aprendizado ANDRÉ EUSTÁQUIO Fotos Emanuelle Ribeiro

Manhã de quarta-feira, povoado do Ribeirão de Santo Antônio. A primeira consulta do dia de Yasmim Decaris e Tatiana Estorani foi na casa de dona Verônica Maria de Jesus, 93. Logo que chegamos ao povoado do Ribeirão, na Kombi da prefeitura que transporta os estagiários do Internato Rural de Medicina da UFMG, nos dirigimos até a casa de dona Verônica, que recebeu as estagiárias com um abraço afetuoso e esbanjando sorriso cativante. Para Yasmim e Tatiana era o início de mais um dia de atendimento aos pacientes da zona rural de Resende Costa. A primeira consulta foi rápida. Apenas o início de uma leve gripe incomodava a senhora de 93 anos de idade. Após ser examinada por Yasmim, dona Verônica disse bem humorada: “Bom mesmo é estar com saúde, né?”. Enquanto a auxiliar de enfermagem Marileia do Carmo Maia media a pressão do senhor Antônio, filho de dona Verônica, Tatiana conferia cuidadosamente a caixa de remédios da casa, repondo os medicamentos que tinham acabado. A rotina de atendimento dos estagiários do internato rural prevê, além das consultas nos postos de saúde, visitas domiciliares a pacientes que possuem dificuldade de locomoção e não podem ir até o local das consultas, como dona Verônica. As visitas domiciliares proporcionam maior conforto aos pacientes que necessitam de cuidado especial e estendem ainda mais os laços de amizade entre eles e seus familiares com os estagiários. A reportagem do JL acompanhou o trabalho das estagiárias Yasmim e Tatiana e da enfermeira Marileia nas comunidades do Ribeirão e Pintos. Terminada a visita a dona Verônica, nos dirigimos ao posto de saúde, localizado no Ribeirão de Cima, pouco abaixo da capela. Em frente ao posto, cinco pessoas já aguardavam as estagiárias, alguns com receita nas mãos, outros esperando pela entrega de exames. Portas abertas do pequeno posto e a enfer-

Dona Verônica foi a primeira paciente do dia, atendida por Yasmim

meira Marileia já inicia sua rotina de anotar solicitações de consultas, ajudar as estagiárias a preencher prontuários e medir a pressão dos pacientes. Sim, a grande maioria dos pacientes pediu para verificar a pressão arterial. Em vários deles o procedimento necessariamente precisa ser esse: “O perfil dos pacientes das comunidades rurais que atendemos consiste em mulheres geralmente acima dos 50 anos de idade e a maioria possui hipertensão e diabetes”, disse Tatiana Estorani. No povoado do Ribeirão houve poucas consultas, grande parte dos pacientes foi até o posto de saúde para controle da pressão arterial e glicemia, controle das receitas, alguns para marcar exames e consultas em Resende Costa e outros para pegar medicamentos que estavam terminando. Na Kombi da prefeitura estacionada em frente ao posto uma caixa de madeira guarda os medicamentos que são repostos na farmácia do posto de saúde de Resende Costa e controlados pelas estagiárias: “Trazemos de quatro a cinco tipos de remédio para pressão, diabetes, insuficiência cardíaca e alguns anti-inflamatórios. Os remédios controlados são entregues aos pacientes que possuem receitas. Em cada consulta, a receita é renovada e o medicamento entregue”, esclareceu Tatiana. O uso de medicamentos sem prescrição médica é hábito comum a muitos pacientes da zona rural. “Há

muitas pessoas que fazem uso indiscriminado de remédios, principalmente remédios psiquiátricos para dormir. Eles insistem em pegar esses medicamentos, dizendo que o vizinho recomendou ou a avó... A gente orienta, mas na verdade muitas pessoas preferem tomar remédio a tentar resolver os problemas”, lamenta Tatiana. Segundo ela, há também casos de pessoas que fazem uso incorreto dos remédios, pois não sabem ler: “A gente orienta essas pessoas e até mesmo aquelas que não precisam tomar remédios, porém insistem que precisam”. A presença das estagiárias nas comunidades rurais representa qualidade e agilidade no atendimento, além de oferecer conforto e facilidade a muitos pacientes que têm dificuldade em ir até a cidade: “Não existe um estudo que comprove, mas há uma constatação de que os pacientes do internato rural conseguem obter melhor controle das doenças crônicas (diabetes e hipertensão), do que muitos que estão na cidade”, disse Yasmim, que atribui isso a maior facilidade para agendar consultas e exames. “Só vou à cidade quando o caso está mesmo ruim ou as estagiárias mandam”, disse dona Lázara, que foi ao posto de saúde para buscar seus remédios para controle da pressão, marcar consultas para os filhos e agendar exames. Dona Lázara elogia as estagiárias e confirma a qualidade do atendimento: “A gente gosta muito delas.

Antes era muito difícil, agora melhorou demais”. Casos clínicos que demandam cuidados especiais ou avaliação mais detalhada através de exames como tomográfica computadorizada ou ultrassonografia, as estagiárias encaminham para a cidade ou para médicos especialistas em São João del-Rei e Belo Horizonte: “Já consegui agendar uma consulta para um paciente do Cajuru com um professor nosso em Belo Horizonte”, disse Tatiana. Tatiana e Yasmim avaliam ser de grande importância para a formação delas o período de internato rural: “A partir do terceiro ano do curso, iniciamos estágios em hospitais de Belo Horizonte, porém sempre acompanhadas pelos professores. No internato rural nos sentimos mais seguras, pois a responsabilidade é nossa”, disse Yasmim. Tatiana completa dizendo: “A gente aprende nestes três meses muito mais do que aprendemos em muitos anos em Belo Horizonte. Para cada caso que surge no consultório, procuro estudar mais quando chego em casa. E o fato de a responsabilidade ser nossa, nos estimula a estudar ainda mais, afinal, o paciente precisa que eu saiba o que fazer”. A nossa visita ao povoado do Ribeirão foi concluída com um delicioso almoço na casa do senhor Damásio. A comida mineira prepara-

Yasmim confere os prontuários dos pacientes no povoado dos Pintos

da no fogão de lenha pelas mãos hábeis de dona Maria, esposa de Damásio, restabeleceu nossas energias naquela manhã fria do outono resende-costense. O bate-papo descontraído na cozinha do senhor Damásio, exímio artífice construtor de carros de boi e moinhos d’ água, além de grande anfitrião, revelou o carinho que a comunidade tem pelas estagiárias do internato rural. Na sala do senhor Damásio há um mural de fotos da família com os muitos estagiários que passaram por lá. E olha que já são 20 anos de internato rural... “Eles se tornam nossos amigos e sempre voltam para nos visitar”, disse Damásio. Após o almoço de dona Maria, estávamos enfim prontos para ir à comunidade dos Pintos, onde seis pessoas já esperavam por Yasmim e Tatiana.

O controle de pressão arterial é um dos preocedimentos rotineiros no Internato Rural. Na foto, Tatiana atende uma paciente no posto de saúde do Ribeirão


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Especial

História

Igrejinha de pedra de Coronel Xavier Chaves recebe 1428 visitantes em 2013 JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE A antiga igrejinha de pedra (Capela Nossa Senhora do Rosário) de Coronel Xavier Chaves recebeu no ano passado 1428 visitantes, entre turistas, alunos (escolas) e grupos de terceira idade. No primeiro trimestre de 2013, foram 291 visitantes, porém número inferior ao do mesmo período de 2012 (364 pessoas). Os meses de maior visitação foram março, abril e setembro (168 pessoas cada um). O maior afluxo de visitantes ocorre nos meses de feriadões e festividades religiosas (Semana Santa, Corpus Christi, Natal etc.), além da festa de Nossa Senhora do Rosário entre setembro e outubro, segundo Eugênio José dos Santos, chefe de seção da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. A referência mais antiga à igrejinha de pedra, na praça central, é um registro de batismo realizado em 1764 pelo padre Bernardes, filho de Pedro Bernardes Caminha (capitão de ordenanças da Comarca do Rio das Mortes, que morou na Fazenda do Mato Dentro). Pedro era sogro de Domingos Gonçalves de Góis, o mais antigo morador da região da sede do município. Nesse registro, a igrejinha foi citada como “Capella de Nossa Senhora da Conceição do Ribeirão do Mosquito”. Ela só passou a

ser a Capela de Nossa Senhora do Rosário com a inauguração da Igreja Matriz em 1920, de acordo com Francisco Assis Rodrigues, o Chico. A Capela de Nossa Senhora do Rosário era a da Roça Grande, que pertenceu a Caetano Nunes Pereira. Em seu inventário, de 1799, consta a informação de que pertencera antes a Francisco Xavier de Barros, e depois de Caetano a seu sobrinho padre Antônio, explica Chico. Alguns dizem que a igrejinha foi construída pelos escravos em devoção a Nossa Senhora do Rosário, observa Chico. “Então, onde ficava a Capela de Nossa Senhora da Conceição do Mosquito, construída, muito provavelmente por Domingos Gonçalves de Góis, pai do João Gonçalves Lara e Góis e genro de Pedro Bernardes Caminha? Se esta capela sempre foi a do Rosário, que proporção teria então a capela dos senhores dos escravos?” A Capela da Roça Grande é que era a antiga Capela do Rosário, talvez até o início do Século 20, relata Chico, “exatamente quando ficou arruinada a Capela da Nossa Senhora da Glória da vizinha e muito próxima fazenda de Pedro Rodrigues de Arvellos, meu ascendente português (sua imagem foi para a Roça Grande e

a do Rosário foi para a igrejinha)”. A Capela de Nossa Senhora da Glória que muitos conheceram na Roça Grande já era construída em tijolos de barro cozido, material usado somente a partir do final do século XIX, informa Chico. “A imagem de Nossa Senhora da Glória, que ficou nela até a demolição nos anos 80, foi vendida nos anos 90 deste mesmo século a uma colecionadora de Belo Horizonte pelo herdeiro Antônio Bosco de Mendonça. A imagem de Nossa Senhora da Conceição preenche perfeitamente o espaço no altar da igrejinha. Já a imagem de Nossa Senhora do Rosário, que parece mesmo ter vindo de uma capela menor, nem tanto”, conclui Chico. A IGREJINHA (Maria Zélia Vale de Oliveira)

Foto Senac MG Igrejinha de pedra de Coronel Xavier Chaves é um dos marcos turísticos do município

Singela e bela, Pérola da minha terra! Relíquia de pedra, Abrigo da fé de meu povo. Tão cheia de graça! Quando o tempo passa, Beija-lhe reverente a fria face. Do vento os açoites de aço Convertem-se em sedoso abraço. Igreja do Rosário! Capela da minha terra! Acolhedora presença, Nos momentos de fé . No altar despojado, São José de botas abandona Seu cansaço de séculos. Silêncio, sombras, mistério, cheiros De suor, de incenso, de velas e de flores, Vestígios de um tempo pretérito de miséria, De escravidão e de intensa devoção. Sussurros, preces, clamores e canções Ecoam de suas paredes, Vindas do poço fundo do tempo, Impregnando o coração da gente. Do seu retrato na sala, Fitam-me meus antepassados. Silêncio de saudades.

Há 20 anos o Internato Rural contribui com a saúde pública em Resende Costa EMANUELLE RIBEIRO Desde 1993, a população rural de Resende Costa recebe semanalmente a visita dos estagiários de medicina para consultas, orientação e demais procedimentos. Tudo começou na administração do então prefeito Luiz Antônio Pinto. Enquanto aluno do curso de medicina da UFMG, Luiz realizou Internato Rural em 1983 e resolveu trazer o programa para Resende Costa: “A primeira dupla de estagiários veio em meados de 1993. Devido ao fato de eu também ter feito Internato Rural, vimos que seria interessante implantá-lo aqui em Resende Costa”. Os objetivos do Internato Rural consistem em colocar o aluno, quase médico, em contato com a realidade das pequenas comunidades, como explica Luiz: “O Internato Rural pretende inserir os alunos no contexto social das comunidades, fazendo com que participem da organização da saúde pública ao terem contato com locais onde os recursos são escassos”. Segundo ele, os objetivos do Internato Rural coincidiram com os interesses e necessidades de Resende Costa naquela época: “Precisávamos de atendimento médico nas comunidades rurais. Os objetivos deles batiam com os nossos. Eles nos ajudaram muito a organizarmos a saúde pública, a organizar o SUS, participaram da criação do Conselho e da Conferência Municipal de Saúde”, acrescentou. De acordo com a secretária municipal de saúde, Kátia Resende, durante esses 20 anos de convênio cerca de 75 duplas de estagiários passaram pelo município. A Prefeitura Municipal de Resende Costa estabelece convênio com a UFMG através de sua Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP), mantendo uma dupla de estagiários para cada trimestre do ano. Bolsa de alimentação, despesas operacionais e desenvolvimento de estudos e pesquisas relacionadas à atenção básica, participação financeira mensal do Município (bolsa aos estagiários no valor mensal de R$3.350,00), aluguel residencial (R$450,00) e tarifa média mensal de água e energia elétrica (R$100,00) são os gastos do município com o Internato Rural, conforme dados do setor de finanças. As metas que o município pretende alcançar com o programa são as seguintes: formação médica na área de saúde coletiva, desenvolvimento do SUS, prestação de serviços de atenção primária à saúde e na rede básica dos serviços de saúde do município. O crescimento do SUS em Resende Costa é apontado pelo médico Luiz Pinto como uma das principais contribuições do Internato Rural para o município: “Os estagiários trouxeram uma visão nova da medicina, ou seja, a medicina preventiva. Eles conseguiram passar isso às comunidades

ao longo desses 20 anos”. De acordo com Luiz, os estagiários estimulam as pessoas das comunidades assistidas por eles a fazerem consultas e exames preventivos através de palestras, reuniões e conversas: “Eles contribuíram muito para o desenvolvimento da consciência da prevenção, das ações preventivas”. Além disso, o programa contribui com diversos setores do poder público que solicitam a presença dos estagiários em atividades voltadas à saúde, como Secretaria de Saúde, APAE etc. Luiz destacou ainda a obrigatoriedade do Internato Rural enquanto disciplina do curso de medicina. Sendo assim, os estagiários são avaliados e precisam, no fim do Internato, apresentar um trabalho que, segundo o médico, muitas vezes aponta problemas importantes, fazem sugestões e críticas construtivas ao setor de saúde. Atualmente, sete comunidades rurais são atendidas pelos estagiários: Cajuru, Tabuado, Curralinho dos Maias e dos Paulas, Santa Bárbara, Ribeirão e Jacarandira. “O Internato Rural marcou tanto Resende Costa que alguns estagiários até se casaram aqui”, lembra Luiz. “Muitos sempre voltam ao município. De alguma maneira eles criam raízes aqui”, disse Luiz, que destaca também o envolvimento das lideranças das comunidades rurais com os estagiários do Internato Rural: “Se você perguntar para muitos líderes das comunidades rurais sobre o Internato eles vão dizer: ‘o Internato Rural é muito importante para a nossa comunidade’”. Mesmo criando laços, nenhum estagiário permaneceu em Resende Costa para trabalhar, conforme explicou Kátia. Mas, segundo a secretária, a satisfação das comunidades é grande: “Os pacientes são atendidos com toda atenção por parte dos estagiários e do auxiliar de enfermagem. A população se manifesta nas reuniões do Conselho Municipal de Saúde, elogiando e sempre pedem para incluirmos mais duas comunidades, como por exemplo, os povoados do Barracão e Restinga”, afirmou. Concordando com a importância do programa, o médico Luiz Pinto continua a participar de perto do Internato Rural, mesmo passada sua gestão, acompanhando voluntariamente os estagiários todas as quintas-feiras no Hospital Nossa Senhora do Rosário. Luiz assinará convênio com a UFMG para ser professor voluntário, ou seja, ajudar a desenvolver o Internato Rural em Resende Costa e nas cidades da região que mantêm convênio com a UFMG: “Acompanharei os estagiários daqui e de outras cidades da região, além de participar da organização e da supervisão do projeto de expansão do Internato Rural na região”, concluiu.


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Política Regional

As várias fases da política de Madre de Deus de Minas JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

A história política de Madre de Deus de Minas passou por várias fases distintas desde a emancipação do município em 1953: o predomínio do velho PSD (Partido Social Democrático) no período anterior à ditadura militar; a troca de posições partidárias na fase de ARENA (Aliança Renovadora Nacional) e MDB (Movimento Democrático Brasileiro), o retorno ao ninho dos antigos pessedistas e a confusão partidária mais recente. As atividades políticas em Madre de Deus de Minas, antiga Cianita, tiveram início no período entre 1859 (ano em que foi elevado à categoria de distrito) e 1953 (ano em que ocorreu sua emancipação de Andrelândia), conta Prudente José Portela, neto do coronel Leopoldo Portela que foi vereador em São João del-Rei. O Partido Republicano do Turvo (PRT) reunia, em Cianita, nomes como Valério Teixeira de Rezende e Severino Augusto dos Reis Meireles, proprietários das grandes fazendas Vargem e Cachoeira, conta Álvaro de Azevedo (Andrelândia – Fatos de sua vida político-social, Livraria Clássica Brasileira, Rio de Janeiro, 1954). Entre as figuras de projeção do antigo distrito, o fazendeiro “estouvado” José Venâncio Teixeira e seu filho Zéquinha Venâncio. “Quem manda em Madre de Deus, dizia ele, é o compadre Joaquim e quem manda no compadre Joaquim sou eu”. Joaquim era membro do diretório do PRT, como explica Azevedo. “Se, pois, nos bastidores, como insinuava (Zéquinha Venâncio) com espírito, seria ele, em última análise, o chefe de Madre de Deus, quem, entretanto, representava o papel no palco era o seu cunhado, Joaquim Pedro de Araújo, proprietário da Fazenda dos Campos, situada a meio caminho de Turvo e São João del Rei.” Azevedo conta que o mandatário do PRT, Francisco Bressane, impôs ao partido a divisão do queijo, “que era todo seu”, com o Visconde de Arantes. E assim se fez, entre os partidos locais, a “malfadada conciliação de triste memória”. Caberia a presidência da Câmara ao PRT e a maioria de vereadores ao “Partido do Visconde”. Ocorre que o Visconde aproveitou este acordo e “fraudou logo o compromisso conciliatório, chegando mesmo a pedir ou, pelo menos, a facilitar a mutilação do município, com a passagem de Carrancas para o município de Lavras. É que o eleitorado daquele distrito pertencia, na sua totalidade, ao partido contrário ao seu. Essa arma política deixou o PRT desfalcado de valioso contingente

Igreja matriz de Madre de Deus de Minas

eleitoral”. O ex-presidente da Câmara, José Bonifácio de Azevedo, a quem se dirigira o Visconde, preferiu, de acordo com o consenso unânime do partido, a eleição. E assim não assinara o acordo, por não confiar na lealdade do Visconde. “Mandou que outros o fizessem.” Houve o pleito e o PRT foi derrotado, permanecendo no ostracismo até 1915, quando voltou de novo às urnas. Durante o Estado Novo (1937-1945), surgiram a UDN, o PSD e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). As correntes políticas de UDN e PSD em Andrelândia (antigo Turvo) eram conhecidas popularmente como caranguejos e viados, de acordo com o padre José Paulo Guimarães Menezes, de Piedade do Rio Grande. Emancipação Antonio Araújo, o Toniquinho, era empregado da Secretaria dos Municípios na capital mineira quando pediu a emancipação de Cianita. Ele integrava o grupo que liderava a campanha, composto por políticos do PSD como José Bernardino (Zeca do Afonso), José Hilário Ribeiro, Helio Teixeira de Souza e Geraldo Soares Campos (ambos genros de Zeca do Afonso), Antonio Dirceu de Araújo Carvalho (filho de Zeca do Afonso), José Crispim Guimarães e José Amintas de Araújo. Mas durante a votação, na Câmara Municipal de Andrelândia, a UDN – que era contrária por razões eleitorais - acabou por apoiar a emancipação, inclusive o renitente vereador Sebastião Hipólito. Cianita mudou o nome para Madre de Deus de Minas e, com a instalação do Poder Executivo em 12 de dezembro de 1953, José

Justino de Souza foi nomeado intendente do novo município. O primeiro prefeito eleito foi Toniquinho Araújo (1955-59), com José Hilário de vice. Fazendeiro e dono de laticínio – “fazia o melhor queijo prata e a melhor manteiga da região -, José Hilário era o chefe local do PSD que mandava em Madre de Deus, lembra Hélio Teixeira (delegado do município por mais de 20 anos, nomeado pelo governador udenista Magalhães Pinto, embora fosse de partido diferente). No período 1959-63, José Hilário foi novamente eleito, desta vez como vice de Miguel Brasilino do Nascimento, o Dedé, que renunciou ao cargo no meio do mandato em benefício do chefe do PSD. Uma novidade da gestão de Dedé foi a criação de dinheiro próprio (notas de papel) para circular no município, excentricidade que teve vida curta, conta José Carvalho. “Isso foi muito importante na época dele”. Um desentendimento de José Hilário com o vigário padre Henrique, por causa de terras, levou este a liderar um movimento que resultou na criação do PDC (Partido Democrata Cristão) com o apoio de líderes políticos locais. O acordo desembocou na eleição de José Tarcizio de Araújo Lima, com Balduíno Ribeiro (Belinho) de vice, para o período 1963-67. Troca de siglas Com o fim do quadro partidário pré-ditadura militar, Antonio Dirceu, Hélio Teixeira e Joaquim Silvano foram a Belo Horizonte registrar o MDB de Madre de Deus de Minas. Mas logo descobriram que José Hilário passara na frente deles e havia entrado com os papeis. Sem opção,

os três registraram a ARENA no município. José Hilário então fez um acordo com Antonio Dirceu para dividir o mandato meio a meio. Venceram a eleição (período 1967-71), ao derrotar a chapa de Sebastião Hipólito Pio e Severino Meirelles (vice) do MDB. Mas os dois se desentenderam na compra de um prédio para a escola estadual José de Souza Leite, e Antonio Dirceu não passou o cargo para o vice, conforme o combinado. O mandato-tampão de 197173 resultou em outro acordo político entre a ARENA e o MDB, desta vez para eleger chapa única à prefeitura liderada por Antonio Guilherme Araújo Lima (irmão de José Tarcizio), com Antidio Pereira Mendes de candidato a vice. Mas o prefeito eleito acabaria debandando para o lado de José Hilário, de acordo com Hélio Teixeira. Já o período de 1973-77 marcou a chegada ao poder municipal do MDB de José Hilário, ao eleger seu filho Sebastião Fabiano Ribeiro (Tãozinho) e o vice José da Páscoa Nascimento (Zé Caixeiro). Pelo mesmo partido, Zé Caixeiro foi eleito prefeito para o período seguinte (1977-82). Tãozinho voltaria à prefeitura em 1983, desta vez pelo PDS (Partido Democrático Social), partido que substituiu a ARENA no início dos anos 1980. Com o fim do bipartidarismo e o surgimento do PMDB, o grupo político liderado por Antonio Dirceu voltaria ao antigo ninho, o velho MDB. Assim, Zé Caixeiro optaria por ingressar no PTB para retornar à prefeitura em 1988, mas faleceu durante o mandato e foi substituído no cargo pelo vice, José Crispim Guimarães. Na eleição de 1982, Tancredo

Neves fazia campanha para governador do Estado quando apareceu em Madre de Deus de Minas para pedir apoio político a Antonio Dirceu. Helio Teixeira conta que, na conversa entre os dois, Antonio Dirceu prometeu apoio desde que Tancredo assumisse o compromisso de construir a rodovia entre Madre de Deus e São João del-Rei. Na ocasião, Tancredo perguntou: “é só o asfalto que vocês querem?” Ao que Antonio Dirceu respondeu: “atrás do asfalto vem muita coisa”. Já no exercício do cargo de governador, Tancredo convidou para um almoço, no Solar dos Neves em São João del-Rei, lideranças políticas de Madre de Deus de Minas, tendo comparecido Antonio Dirceu, Hélio Teixeira, Joaquim Silvano, Elias Carvalho (presidente do PMDB) e Wilson Teixeira de Souza. Neste almoço, Tancredo assinou o contrato com a empresa CEESA (Construtora de Estradas e Estruturas) para construir a estrada. A obra começou em 1995 e a rodovia seria inaugurada no início de 1987. Novas gerações Em 1993, apareceu em cena João Bosco Nepomuceno, irmão de Zé Cacheiro, que venceu Tãozinho por uma “diferença histórica” (mais de 500 votos numa cidade do porte de Madre de Deus de Minas), conta José Carvalho. O vice-prefeito eleito era João Eustásio (Tasinho), filho de Joaquim Carvalho de Araújo e irmão do próprio José Carvalho (que foi vereador por quatro mandatos). No período 1997-2004, Madre de Deus de Minas foi administrada por José do Carmo Nascimento, irmão de Zé Caixeiro, eleito pelo Partido Liberal (PL). A família Araújo retomou o poder em 2005, com Tasinho (PMDB), que dirigiu o município por dois mandatos. O atual prefeito, Antonio Reis de Andrade, eleito em 2012 pela coligação PSDB/PT/DEM/ PTB/PV/PPS, é produtor rural e empresário do setor de laticínios. Ele derrotou, respectivamente, sobrinho e tio que fazem parte de duas famílias tradicionais na política municipal: Marcelino Nascimento (coligação PMDB/PDT), com o apoio dos Araújo, e José do Carmo Nascimento (PMN). Em Madre de Deus de Minas, não se deve pedir coerência político-partidária, resume José Carvalho. “Aqui, nós olhamos o candidato, não o partido”. (A íntegra da reportagem está disponível no site www.jornaldaslajes.com.br).


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Aconteceu

EMANUELLE RIBEIRO

O tão sonhado evento do artesanato foi realizado em Resende Costa! De 29 de maio a 2 de junho, a primeira Mostra de Artesanato e Cultura visou à valorização e divulgação do nosso artesanato através de palestras e oficinas para o artesão e o empreendedor, além de apresentações artísticas e culturais, atividades intelectuais e comemoração dos 101 anos de emancipação política do nosso município. “A intenção foi aproveitar o movimento natural da cidade e região no feriado para promover a primeira Mostra de Artesanato. Como tínhamos a previsão das comemorações dos 101 anos de Resende Costa, reunimos as duas ideias”, disse o responsável pelo setor de Artesanato, Turismo e Cultura da Prefeitura Municipal de Resende Costa, Luís Cláudio dos Reis. Segundo Cláudio, o foco principal da Mostra não eram os shows e sim, apresentar nossos movimentos culturais e técnicas de artesanato, visto que Resende Costa é hoje, além de produtora, fornecedora de artesanato ao nível nacional e até internacional. A programação de palestras e oficinas foi antecipada para dois dias antes da abertura oficial, com o intuito de valorizar o resende-costense, nosso artesão e empresário. O ex-vocalista da banda Ira, Nasi, e Kiko Zambianchi foram algumas das atrações da mostra, que contou com apresentações diversas e interessantes, como Hello Acústico, Gleison Túlio e Lúdica Música. No domingo, 2, aconteceu também mais uma edição do Enduro das Lajes, com participação de diversos pilotos de Resende Costa e região. O empresário Emerson Gonzaga mantém um comércio na Avenida Alfredo Penido e falou sobre o evento: “A Mostra de Artesanato e Cultura trouxe ânimo para os comércios locais, visto o grande público que o evento atraiu à nossa cidade. Durante todo o feriado prolongado, a cidade recebeu uma grande quantidade de pessoas que procuravam comprar, conhecer ou participar das atrações do evento. Nós, do Pé de Açaí, abrimos as portas para a Mostra e, literalmente, cantamos para criar um ambiente mais agradável. Sorrimos para o evento e conseguimos atingir nossos resultados. Quando

Foto Fernando chaves

Primeira Mostra de Artesanato acontece em Resende Costa

O cantor Nasi, no abertura da Mostra de Artesanato e Cultura

Wesley, Patricia, Pedro e Valéria

Paloma e Esgo

O deputado Diego Andrade, o prefeito Aurélio Suenes e suas esposas

Clara e Amanda também curtiram a Mostra de Artesanato e Cultura

João Pedro, André, Rômulo, Maysa e Priscilla

Diego e Adriane

O vice-prefeito Toninho Ribeiro e seu amigo Pedro, de Belo Horizonte

Elisângela, Goretti, Maristela e Lucimara

falo de resultados, não me refiro somente às vendas. Para nós, o maior resultado é a vitrine que uma festa desse porte possibilita para todos os comércios e, ainda mais, para a cidade. Muitos elogios foram tecidos por amigos e clientes que, pela primeira vez, vieram ao nosso estabelecimento e puderam se divertir conosco”. Como é de costume, aconteceram também as apresentações das escolas do nosso município na quinta-feira, 30, no espaço Tenda Show, onde foi montada a estrutura, na Avenida Alfredo Penido. O Hino de Resende Costa foi gravado na voz de Ângelo Márcio com acompanhamento do tecladista Wellington Gibs e exibido durante as ati-

vidades. Também aconteceu a entrega das medalhas de José de Resende Costa na data do aniversário, 02 de junho. José Pio, de 87 anos, foi um dos homenageados. O resende-costense hoje vive em Contagem, MG e foi vencedor do prêmio Bom Exemplo da TV Globo Minas no mês de maio. Emerson Gonzaga comentou ainda o envolvimento da ASSETURC na realização dessa primeira Mostra: “Vimos a ASSETURC vestir a camisa da mostra. Isso é muito importante para o sucesso de um evento que só funciona se todos trabalharem coletivamente. Outro ponto positivo foram as palestras voltadas aos empresários. Para nós comerciantes, esse tipo de apoio

faz toda diferença”. O resende-costense espera por outro evento: “Enfim, nos felicitamos com o grande sucesso dessa edição da Mostra de Artesanato e Cultura. Esperamos que a administração pública dê continuidade a essa feliz iniciativa e que, nos próximos anos, consiga manter a qualidade e empenho que fará do evento um ponto forte para nosso artesanato e para Resende Costa”, completou Emerson. O primeiro passo foi dado e agora esperamos que a mostra integre o calendário de eventos de Resende Costa. Luís Cláudio fez um balanço final: “Superou as expectativas. Temos muito que avaliar, levantar os erros e acertos para que a cada ano possamos chegar o mais próximo da

perfeição. O que achei de maior importância foi o envolvimento das pessoas, todos querendo ajudar e ajudaram muito. Os parceiros foram fundamentais, acredito que esse evento foi o divisor de águas para o fortalecimento do nosso turismo. Qualificação, publicidade e bons negócios são os eixos principais para trabalharmos como resultado dessa mostra e a cada dia trilharmos para um turismo voltado para o profissionalismo, buscando uma atividade economicamente viável e socialmente justa. Fica o agradecimento a todos que direta ou indiretamente tornaram possível a realização da primeira Mostra de Artesanato e Cultura de nosso município”.


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A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

A bela Quanto luar desperdiçado! Quantas estrelas sem receber nomes! Quantas noites sem abraços! Assim ela vivia. Só. Feia não era, pelo menos nunca a chamaram disso. Cabelo sempre arrumado, lábios torneados, olhos suaves, dentes alvos e certinhos... Não, não era feia. Mas por que era só? Por que não tinha namorado? Por que não compartilhava com ninguém uma sessão de cinema, um CD novo, uma tarde na pracinha?... E as meninas que conhecia? Todas com namorado a tiracolo. Além disso – felizardas! – eram cantadas pelas ruas, recebiam assovios, bilhetinhos, telefonemas, e elas nem aí. Passavam orgulhosas pelos rapazes embasbacados. Ela não. Ninguém assoviava pra ela. Cantada, nem pensar. Telefonemas de estranhos, só do telemarketing. Jamais vira garotos passarem por ela e olharem para trás. E ela com certeza tinha o que mostrar. Queria namorar. Passear de mãos dadas e corações abraçados... trocar presentes no dia 12 de junho (que dia triste, gente!)... sonhava com um beijo suave e prateado pelo luar cheio... Quanto luar desperdiçado, meu Deus! Quantas vezes vendo a lua cheia e o coração vazio! Quantas estrelas sem receber nomes, meu Deus! Cada estrela receberia o nome de cada beijo que ela daria e receberia. Mas não. Solidão terrível... ela apenas vagueava o olhar por entre as estrelas, e não havia ninguém por detrás delas. Quantas noites sem abraços, meu Deus! Na escuridão do quarto, um abraço apertado contra seu próprio corpo arfante e torturado por uma espera cruel. Pensava nas meninas que conhecia. Também tinha vontade de ser cantada e passar

toda, toda... humilhando o cantador, na sua superioridade de mulher. Bela! Foi aí que ela jurou jamais desprezar uma cantada. Que loucura essas meninas estavam fazendo! Davam um pontapé na sorte! Pois ela estava decidida: se a vida lhe oferecesse a oportunidade de um galanteio, quem sabe... a gente se surpreende tanto... quem canta é porque se encanta... e aí... talvez... quem sabe... um flerte, uma conversa, uma ficada, um namoro... um namorado! Tudo o que sonhava. E dependia dela. Dormiu com o coração aos saltos. Era uma nova mulher. Adeus, luar solitário! Goodbye, estrelas tristonhas! Au revoir, noites sem aurora! Na manhã seguinte, ela soltou o cabelo. Pôs o batom para dar um realce nos lábios, deixou o pescoço à mostra e usou uma blusinha curta, que permitia um pouco da visão de sua barriguinha bonita. A calça justa e a sandália davam-lhe uma silhueta magnífica. Achava-se maravilhosa frente ao espelho. Saiu de casa toda vaporosa, exalando um perfume de garota primavera. Não andou nem dez metros, um par de olhos masculinos a flagrou. O rapaz estava na porta de um barzinho, todo cortês e entusiasmado com o desfile da musa na calçada. Ela notou que ele a olhava e bamboleou o rebolado. Ele não tirava os olhos dela, mas ela não olhava para ele. O rapaz abriu um sorriso e o verbo... e ela ouviu uma cantada!!! Ela deu um sorriso superior, passou as mãos pelos cabelos e... nem olhou para os lados. Passou toda, toda... humilhando o cantador, na sua superioridade de mulher. Bela!

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

Artigo

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Dependência Química CARLOS ALEXANDRE DE RESENDE*

Dificilmente o leitor poderá dizer que nunca conviveu ou mesmo conheceu alguém ou alguma família que tenha sofrido problemas relacionados ao abuso ou dependência de drogas. Elas são substâncias que, ao serem consumidas por um indivíduo, alteram o funcionamento de seu organismo e, por consequência, seu comportamento. Podem ser lícitas (permitidas por lei e aceitas socialmente, como, por exemplo, o álcool, o cigarro e remédios psicoativos) ou ilícitas (proibidas por lei como, por exemplo, maconha, cocaína, crack, solventes, anabolizantes, entre outras). O uso e abuso de drogas é cada vez maior em nossa sociedade e está altamente relacionado a problemas e prejuízos sociais, familiares e individuais como, por exemplo, desvios de comportamento, situações de risco, violência e criminalidade, acidentes, problemas de saúde dos mais variados e mortes. Exemplos são o que não faltam, desde famosos mortos devido ao abuso do álcool, como Amy Winehouse, ou por drogas ilícitas, como Chorão do Charlie Brown Jr, até pessoas de nossa cidade falecidas recentemente devido ao alcoolismo. Existem pelo menos quatro situações no que se refere à relação entre o indivíduo e o uso de uma determinada droga: 1º) A pessoa não usa; 2º) Usa socialmente em ocasiões esporádicas ou especiais (mais comum com as bebidas alcóolicas); 3º) A pessoa é abusadora, usa às vezes, porém não consegue controlar a quantidade, consumindo muito e podendo estar sujeita aos problemas acima referidos; 4º) O dependente químico, aquele que não consegue mais controlar nem a frequência e nem a intensidade do uso da substância. Ele passa a precisar cada vez mais da droga para vivenciar suas experiências diárias, sofrendo sintomas de abstinência em sua falta. Está doente. Embora cada vez mais se fale em dependência química, o assunto, na maioria das vezes, é tratado com superficialidade, sensacionalismo, pre-

conceitos e, o mais grave, a partir de um paradigma moralizante, em que o dependente químico é considerado o culpado, fraco ou mau caráter e só não para por que não quer. O que leva uma pessoa a abusar e se tornar um dependente de álcool, maconha, cocaína ou Crack? As drogas psicoativas ou de abuso são substâncias capazes de gerar prazer, atuando diretamente no sistema de recompensa cerebral e, justamente por essa razão, o indivíduo tende a repetir o uso. A pessoa começa, aos poucos, a abusar da substância e, caso tenha uma predisposição genética, se torna um dependente químico. O organismo e os padrões de comportamento mudam fazendo com que a pessoa passe a depender tanto da droga que, ao interromper seu consumo, mesmo que por um período curto de tempo, apresenta sintomas físicos e psicológicos de abstinência, altamente desagradáveis, que variam de acordo com a droga em questão, o grau de dependência e com outros fatores do quadro clínico. Justamente por tudo isso é muito difícil largar a droga. Não se trata de uma questão de força de vontade. Estamos lidando com uma doença, que ocorre no cérebro, que vai se transformando e com ele, a personalidade do indivíduo. Ninguém que experimente alguma droga pela primeira vez acredita que irá se tornar um dependente químico. Tudo começa com uma experimentação, que pode ser ingênua ou consciente: “Sei que faz mal, mas uma vez apenas não vai me viciar...”. As pessoas usam drogas inicialmente por aventura, curtição, curiosidade, desafio, inadequação social, tédio ou simplesmente para fazerem parte de algum grupo. Ao nos depararmos com casos de dependentes químicos percebemos que não necessariamente são pessoas de mau caráter ou mal formadas e sem valores. Pessoas talentosas, cultas, bem informadas sobre os efeitos das drogas, bons filhos, pais e excelentes trabalhadores também são vitimas em potencial. Portanto, não

existe consumo isento de riscos e não é possível prever quem se tornará dependente, sendo a melhor solução para as drogas ilegais evitar a experimentação e para as legalizadas evitar ou reduzir e controlar o consumo de álcool e cigarro. A dependência química é uma doença crônica, ou seja, não falamos em cura, mas sim em prevenção, tratamento, controle e recuperação. Após a desintoxicação, a pessoa precisa reaprender a funcionar sem a substância e se cuidar pelo resto da vida. O tratamento do dependente químico é complexo e varia em cada caso, envolvendo sempre o tratamento médico/ medicamentoso e o psicológico, que inclui a psicoterapia com o dependente e com sua família (que sofre e adoece junto, codependentes). Também são muito importantes os grupos de mútua-ajuda como os Alcoólicos Anônimos e os Narcóticos Anônimos e a espiritualidade. Estamos diante de um problema de saúde pública, que cresce a cada dia e que afeta todas as classes sociais. Evidente que os governos precisam investir em prevenção e tratamento. Entretanto, cabe a todos os cidadãos buscar informações quanto ao problema a fim de entendê-lo e saber como lidar com seus amigos e familiares abusadores ou dependentes. Quanto mais pessoas informadas sobre o que é e como lidar com a dependência química, maior a possibilidade de o problema ser tratado com a seriedade que precisa. Felizmente existe tratamento e não podemos mais continuar perdendo pessoas para as drogas. Poderemos recuperar vidas e vencer esse desafio, ajudando tais pacientes a desenvolverem suas potencialidades pessoais e conseguirem sentir prazer na vida através de coisas simples cotidianas, com as pessoas que os cercam. *Psicólogo e mestre em psicologia pela Universidade Federal de São João del-Rei. Especialista em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo.

Maria Nossa Mãe: Passa na Frente Maria passa na frente e vai abrindo estradas e abrindo portas e portões, abrindo casas e corações. A Mãe indo na frente, os filhos estão protegidos e seguem seus passos. Ela leva todos os filhos sob sua proteção. Maria passa na frente e resolve aquilo que somos incapazes de resolver. Mãe, cuida de tudo que não está ao nosso alcance. Tu tens poderes para isso. Vai Mãe, vai acalmando, serenando, e amansando os corações. Vai acabando com o ódio, rancores, mágoas e maldições. Vai terminando com as dificuldades, tristezas e tentações. Vai tirando teus filhos das perdições. Maria passa na frente e cuida de todos os detalhes, cuida, ajuda e protege a todos os teus filhos. Maria Tu és a Mãe também porteira. Vai abrindo o coração das pessoas e as portas nos caminhos. Maria eu te peço passa na frente e vai conduzindo, levando, ajudando e curando os filhos que precisam de Ti. Ninguém pode dizer que foi decepcionado por Ti, depois de ter chamado ou invocado. Só tu, com o poder de teu filho, pode resolver as coisas difíceis e impossíveis. Nossa Senhora, faço esta oração pedindo a tua proteção, rezando um Pai Nosso e três Ave Marias. Amém. Agradecimento a graças alcançadas Maria do Carmo


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Causos e Cousas

ROSALVO PINTO

A cocota e eu O título é esse mesmo. E não “Eu e a cocota”. A cocota vem primeiro, pois é a principal personagem desta crônica. A propósito, não sabia nada sobre a origem do termo “cocota”. Corri ao “pai dos burros” e levei um susto. O Aurélio não registra “cocota” como sendo aquela ave de porte médio, verde brilhante, bico afiado e perigoso, que costuma falar. Nasci e fui criado sempre ao lado de uma cocota, ouvindo todo mundo dizer: “prrrrr, dá o pé, cocota!”, pois minha mãe sempre gostava de ter uma cocota ou um papagaio. Será que o Aurélio não sabia disso? Recorri à internet e... nada de animal. Aurélio e internet só conhecem uma outra “cocota”! Segundo o doutor Wikipedia, “Vem do francês “cocotte”, que é uma caçarola de perfil baixo, que acabou sendo sinônimo de jovens francesas em férias no balneário de Saint Tropez, que se exibiam em calças jeans justas coladas ao corpo, com a cintura recortada bem abaixo do convencional, copiada por estilistas de moda, décadas depois, que seria conhecida como ‘calça cocota’”. Ou “calça Saint Tropez”. Isso foi lá pelas décadas de 60 e 70. Corresponderia hoje aos termos gatinha, periguete etc. Meninas e mocinhas bonitinhas, patricinhas, metidinhas e... haja “inhas”. Corria o ano de 1952. O Góes meu pai era fiscal “pé-de-chinelo” da prefeitura de Resende Costa. Uma merreca de salário, sempre atrasado, caderneta sempre dependurada no “negócio” do Chiquito Vale, casa precisando de reforma urgente, filhos pra criar, uma ladainha de problemas. Resolveu tirar férias-prêmio de seis meses e mudar para São João del-Rei com a família. Com ajuda de lá e de cá conseguiu dois empregos: marceneiro durante o dia no Colégio Santo An-

tônio e guarda-noturno da fábrica de tecidos São João, na vila Santa Teresinha, durante a noite. Eu estava no quarto ano primário e tive que deixar o Grupo Escolar Assis Resende no meio do ano e terminar o primário no Tomé Portes del-Rei, de São João. Éramos quatro filhos, eu o mais velho. Para nós, mudar, ainda que para uma casa muito ruim, pequena e de chão batido, era a coisa melhor do mundo. Imagine! Morar em São João del-Rei, uma glória! E lá fomos nós. Numa tarde de julho, o caminhão International KB-7 do Zizi Vale, ao volante o Zé Barbosa e como ajudante o Tio Taca (João de Paiva), saiu roncando lotado pra São João. Mamãe e a Mercês na “boleia” e o resto junto com a desengonçada traquitana na carroceria. Amarrada por cima de tudo, a outra inseparável moradora da casa: uma cocota na gaiola. Por esse meio tempo eu andava com a ideia de ser padre. Vivia na igreja: o catecismo, coroinha e membro da Cruzada Eucarística. Na vila Santa Terezinha frequentava, nos domingos, o Oratório Festivo dos salesianos. Então fiquei interessado pelo seminário deles. Fim de ano, diploma na mão, já poderia entrar no início do ano seguinte. Tudo acertado, aquela expectativa, surgiu um problemão: e o tal do enxoval? Uma peleja: um presente daqui, um pedido dali, um negocinho qualquer... e a cocota de estimação, coitada, acabou pagando o pato. Mandaram-me ao mercadinho da cidade para tentar vendê-la, uns cobrinhos a mais. E lá fui eu com a cocota, 10 anos, a pé, imaginem, no poleiro! Três horas de esperança e nada. Era longe e, com um trocadinho no bolso, peguei a jardineira do Narciso, dirigida pelo Janjão. Assentei-me, meio envergonhado, com o poleiro no colo. A cocota, que nunca tinha andado de

ônibus, assustada, resolveu aprontar: pulou no chão e sumiu debaixo dos bancos. Aí começou um alvoroço entre os passageiros, alguns levando bicadas nas pernas. Mais envergonhado ainda, rastejei-me pelo chão pra lá e pra cá e nada de pegá-la, correndo por entre as pernas do povo. Com muito custo consegui agarrá-la, aos guinchos agudos e estridentes. Me deu vontade de abandonar o enxoval, o seminário e, dali, fugir e sumir pra Resende Costa. O padre Duílio Brescia, diretor do Oratório, prometeu uma ajuda. Eu olhava com inveja seus ajudantes, seminaristas de batina preta: os clérigos Hamilton Silva (meu conterrâneo, filho do Sô Zé do Ciro), Moisés Marchesi e José Camargos. Esse último era o músico que acompanhava os cantos nas missas tocando um pequeníssimo harmônio. Tão pequeno que, mais tarde no seminário, fiquei sabendo que ele era chamado de “Zequinha”. Padre Duílio me deu uma tesourinha e dois cortes de brim, daqueles mais ordinários, para os dois ternos exigidos pelo enxoval. Meu pai os levou para o Ticureba, um sobrinho dele, alfaiate lá no Tejuco. Claro que o feitio foi de graça. E pela primeira vez na vida vesti uma calça comprida. Com meu pai, seis meses depois, aconteceu o que se esperava: não aguentou mais o rojão, trabalhar dia e noite. Saía de casa às seis da manhã, voltava às cinco da tarde, jantava e ia fazer ronda na fábrica até às cinco da manhã. Voltamos para Resende Costa. O mesmo caminhão, o mesmo “chofer”, o mesmo ajudante e as mesmas traquitanas. Dessa vez, ainda por cima, sob uma chuvarada de janeiro. Amarrada no alto, triunfante por ter escapado do enxoval, a gloriosa cocota. Prrrrr... dá o pé, cocota!

Livros Literatura, história e livros no Teatro Municipal marcam os 101 anos da cidade durante a Mostra de Artesanato & Cultura de Resende Costa ELAINE MARTINS A Mostra de Artesanato & Cultura de Resende Costa, com o apoio da AMIRCO (Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa), movimentou o Teatro Municipal por duas noites com concorridos eventos sobre literatura e história. Na sexta-feira, 31 de maio, o poeta e escritor Evaldo Balbino lançou o seu mais novo livro Amores oblíquos (7Letras, 2013); no sábado, 1º de junho, aconteceu o lançamento do quarto livro da Coleção Lageana intitulado O embuçado: agente da Conjuração Mineira (Amirco, 2013), de autoria do advogado Alair Coêlho, precedido de uma palestra do professor Rosalvo Pinto sobre o tema: “Os inconfidentes José de Resende Costa (Pai e filho), o Arraial da Lage e a Inconfidência Mineira”. O público de Resende Costa, cidade natal de Balbino, conheceu o livro de estreia do escritor no gênero conto três dias depois de a obra ter sido lançada em Salvador, onde o professor da UFMG recebeu o Prêmio Nacional Braskem de Literatura da Academia de Letras da Bahia. “Não é porque os outros [76 concorrentes] não ganharam o prêmio que não são tão bons. Julgar arte é muito difícil. O povo baiano me recebeu muito bem, assim como a Academia de Letras da Bahia. O presidente da Academia comentou, inclusive, que sou o primeiro mineiro a ganhar esse prêmio que existe desde 1983,” comentou. O livro tem 12 contos. “Não há nenhum conto com o nome de ‘Amores oblíquos’, mas todos falam de amor e todos os amores retratados são oblíquos. Se lerem atentamente o primeiro conto, verão que há muito de Resende Costa nele.” A história da Conjuração Mineira, tema caro à identidade cultural e turística do Campo das Vertentes, foi tratada por Rosalvo Pinto e Alair Coêlho. O primeiro fez um apanhado da trajetória dos conjurados Resende Costa; o segundo discorreu sobre a trama ficcionalizada em seu livro O embuçado, publicado pela Coleção Lageana, com o apoio do Fundo Estadual de Cultura (FEC 2012). Tendo atuado nas décadas de 1940 e 1950 como ator e autor no Grupo Teatral Agenor Gomes, Coêlho voltou pela primeira vez àquele palco depois de 60 anos emocionado. “Estou muito feliz. Este palco remete a momentos especiais, a uma época de efervescência cultural. Aqui montávamos e encenávamos inúmeras peças teatrais. Íamos ao Rio de Janeiro adquirir cenários já usados por grandes compa-

nhias e chegamos a produzir a peça ‘Deus lhe pague’, de Juracy Camargo, ao mesmo tempo em que ela era encenada no Rio por Procópio Ferreira,” relembrou. O autor não fugiu das origens: “O livro tem muito de teatralidade. Os leitores perceberão que toda a história tem as cidades coloniais de Minas como palco, sendo o centro o Arraial da Lage”. Os eventos refletiram dois dos objetivos da Mostra: o de celebrar o aniversário da cidade, comemorado em 2 de junho, e o de valorizar e divulgar a arte e a cultura da gente de Resende Costa. O convite para a participação da AMIRCO feito pelos organizadores não deixa de ser um reconhecimento da atuação da associação e, sobretudo, do trabalho desenvolvido com a Coleção Lageana, um programa editorial que busca incentivar e divulgar a produção de pesquisadores e escritores da cidade e região. Lançamentos concorridos Além de familiares e amigos dos autores, membros da AMIRCO, professores e estudantes, participaram dos eventos: o prefeito Aurélio Suenes; o vice-prefeito Toninho Ribeiro; os secretários municipais Luís Cláudio, Silvanda Resende e Geraldo Aires; a diretora da E.M. Paula Assis, Eunice Fernandes; os vereadores Betinho e Ângelo Márcio; o presidente da Inconfidentes FM, Cláudio Luís; o pianista Anderson Daher; o diretor da Asseturc Cícero Chaves; a procuradora da AMVER Dra. Carla Freire de Abreu; o secretário executivo da AMVER, Marcos Antônio Rabelo; o diretor do Foro de São João del-Rei, o Dr. Auro Maia de Andrade. Segunda chance Quem não pôde prestigiar os escritores e suas obras durante a Mostra terá uma segunda chance. Também com apoio da AMIRCO, eles participam do 26º Inverno Cultural da UFSJ lançando os seus livros na noite de 26 de julho em São João del-Rei. E, aguardem, vêm mais publicações... A Coleção Lageana, com apoio do Fundo Estadual de Cultura, lançará no 2º. Semestre as três obras: “Retratos de uma Resende Costa Centenária” (equipe da AMIRCO), “Memórias do antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage” (Juca Chaves) e “Os Inconfidentes José de Resende Costa, pai e filho, e o Arraial da Lage” (Rosalvo Pinto, 2ª. edição).


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Retalhos Literários

EVALDO BALBINO

Uma noite no zoo com Puccini Meu sobrinho músico Luís Gustavo convidou-me outro dia para assistir a um belo espetáculo no Jardim Japonês do zoológico de Belo Horizonte. Ele tocaria na Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, a qual faria, juntamente com o Coral Lírico de Minas Gerais, o acompanhamento orquestral da ópera Madame Batterfly de Giacomo Puccini. Eu não gosto de zoológicos. Duas vezes em minha vida entrei nesse tipo de ambiente. A primeira foi em Belo Horizonte, há muitos anos, com minha irmã Ediceia e seus dois filhos. Por insistência dela, é claro, que queria dar um domingo de lazer para os pupilos. A segunda vez foi no Jardim Zoológico de Madri, quando na capital espanhola estive por nove meses. Lá eu dividia apartamento com uma senhora cubana. E também por insistência dela tive que fazer a indesejada visita. Somos assim, não é mesmo? Muitas vezes cedemos à vontade dos outros para satisfazê-los. É longo e árduo o caminho que nos leva ao amadurecimento necessário para que possamos aprender a ouvir nossas próprias vontades. Hoje em dia já me dou ao luxo de me ouvir mais, de me seguir melhor. Por que não gosto de zoos? Porque para mim o lugar de animais selvagens é na selva. E poderão me perguntar como faremos, nesse caso, com os animais em extinção. Ora bolas, como faremos? Todo mal deve ser cortado é pela raiz. E se esse mal está lá nas selvas, é lá mesmo que ele deve ser combatido. Não é enjaulando tigres e elefantes que vamos salvar os animais. Defendo a liberdade plena, incondicional. Nada mais

triste, por exemplo, do que ver um pássaro preso numa gaiola ridícula! Eu me canso de falar isso a conhecidos meus, mas não adianta. O ser humano muitas vezes é egoísta. Prefere o estranho e sádico deleite de ver um bicho trinando na prisão a ver asas explorando os ares, os galhos das árvores, as copas supremas da vida livre. Isso de preferir a nossa felicidade à felicidade alheia é terrível. E é mais terrível ainda quando nossa felicidade se constrói sobre o alicerce da prisão do outro. Na noite da ópera de Puccini, no entanto, o zoológico mostrou-me outra face. A noite estava fria, e o caminho que levava ao Jardim Japonês estava nublado e silencioso entre árvores. Funcionários guiavam-nos com lanternas até o nosso destino. Os animais deveriam estar dormindo, e talvez bem longe desses bulícios humanos que gostamos de fazer. Surpreendi-me com a decoração do jardim que até então eu desconhecia. E fiquei emocionado, pois nada mais perfeito do que uma ópera ao ar livre! E mais perfeito ainda é um jardim com decoração japonesa para ser o cenário de uma história acontecida no Japão na segunda metade do século XIX. Uma história na verdade inventada, mas que recupera o momento histórico da invasão dos Estados Unidos naquele país. Toda invenção é real, eu sempre digo, porque nos fala da própria vida. Como tragédia da expansão e do domínio norte-americano no mundo, Madame Butterfly singularmente nos conta sobre o estupro dos sentimentos de uma gueixa que, iludida por um tenente americano, Pinkerton, vê apenas no suicídio a única maneira de recuperar sua honra maculada. O marinheiro ama o exotismo e a beleza da gueixa, toma-a por esposa nos rituais

japoneses, passa uns tempos com ela, parte do Japão e lhe promete voltar na primavera seguinte. As primaveras, contudo, sucedem-se, e o marido não volta. Ela, grávida, tem um filho de Pinkerton e vai afundando cada vez mais na miséria. A despeito de tudo, ela insiste em acreditar num amor inabalável e espera incondicionalmente pelo marido. Este, quando retorna três anos depois, já vem casado “de verdade” com uma “verdadeira esposa americana”. A paixão volúvel do marujo é atravessada por remorsos, e mesmo assim ele e sua “esposa verdadeira” arrancam o filho da gueixa. Fazem isso porque pensam que somente os dois têm condições de “educar um filho”, e não uma cantora e dançarina a serviço do entretenimento de homens. O drama em construção precipita-se quando a gueixa se mata. A história dessa gueixa, cujo nome é Cio-Cio-San, é a de alguém que se lança de um navio em chamas nas ondas terríveis de um mar impiedoso. Apesar de todas essas coisas ásperas da vida, naquela noite no zoo eu pude ter momentos de suavidade e salvação. Um zoológico encarcerando animais selvagens, o frio que nos cortava a todos no Jardim Japonês, o desrespeito de diferentes culturas pela mulher e pela gueixa e a volubilidade dos sentimentos humanos não foram elementos suficientes para fazer desabarem meu mundo e minha vontade de amor. Foram três atos de puro sentimento e expressividade. Música de fina orquestração, num requinte que nos levava aos píncaros de sentimentos sublimes. Chorei em diversos momentos da ópera. Apesar de todas as coisas ásperas da vida, eis que a arte entra em cena e nos faz encarar tudo o que é feio com mais discernimento e beleza.

Gastronomia

CLÁUDIO RUAS

O dia em que Resende Costa abriu seu baú Ainda em 2011, quando recém-inaugurada esta coluna, escrevi um artigo com o título “O maior festival de gastronomia do Brasil é aqui!”, referindo-se à nossa vizinha Tiradentes e à importância desse tipo de evento, cujo trecho peço licença para transcrever: “Tais benefícios também se obtêm através da realização de um festival... bem organizado e atraente ele traz o turista para a cidade (e para a região) e o resto dos benefícios nem precisam ser citados. Se até Resende Costa lucra com os turistas e participantes do Festival de Tiradentes que vêm aqui fazer compras de artesanato, imagine-se um evento na própria cidade?!” Recentemente, ao falar do café e da sua valorização como forma de desenvolvimento do turismo no sul de Minas, voltei ao assunto dando o exemplo “de festivais, como o “Café com Música”, da charmosa cidade de Cristina. Exemplo a ser seguido pela nossa Resende Costa, que já passou, e muito, da hora de ter o seu grande Festival do Artesanato”. Para minha surpresa, logo em seguida tive a notícia de que ele iria se realizar. A “1ª Mostra de Artesanato e Cultura” é um marco para a cidade. É o dia em que abrimos oficialmente para o mundo nosso baú de retalhos, colchas, histórias, artesanatos e cultura em geral. Baú riquíssimo, ainda pouco explorado e cheio de tesouros que muitas cidades nesse mundo queriam ter. Mas onde entra a gastronomia? Em vários lugares, a começar pelo fato de que ela não se resume ao alimento. Tudo aquilo que gira em torno do ato de se alimentar - desde o plantio até a garfada - faz parte desse universo. A linda toalha bordada, os coloridos jogos americanos e guardanapos, a imponente mesa de material de demolição, o charmoso e prático escorredor de pratos de ferro etc., tudo isso está inserido nesse universo, embora muitas vezes de forma imperceptível. E tudo isso também faz parte do nosso artesanato, que encanta os turistas e enriquece seus jantares e cozinhas mundo afora. Até o famoso “casal mineiro” de madeira que se procriou pelo Brasil é

resende-costense, cria do Delfim. Ou seja, não temos o rocambole ou o biscoito polvilho como símbolos, mas temos um “artesanato gastronômico” variado, reconhecido até nacionalmente. E ainda contamos com um arsenal de ingredientes e produtos com um potencial imenso, mas ainda pouco explorado. Cachaças, queijos, embutidos, quitandas, receitas, hortas e pomares sortidos não faltam por aqui. O que falta é o elo de ligação entre o produtor e o consumidor, não só o turista, mas o próprio morador. Nossa cidade é repleta de supermercados, mas carente de uma feira de sábado que funcionaria como esse elo, de forma simples, eficaz e proveitosa, inclusive para o turismo. Voltando ao festival, também fiquei muito feliz com a possibilidade de contribuir com ele, o que ocorreu através do convite para ministrar uma oficina de gastronomia, juntamente com minha esposa (Casal Gastrô). No final da manhã do sábado, com as inscrições gratuitas todas preenchidas, nos reunimos no agradável jardim cedido pela Pizzaria La Fontana para falar e fazer um pouco disso, das nossas riquezas de produtos e produtores. Da possibilidade de explorar mais nossos ingredientes de outras formas ainda não tradicionais, o que fizemos com o ora-pro-nobis. Dessa vez ele saiu do frango ensopado e foi se juntar a um macarrão feito com linguiça caipira (do Vinícius do Tinô), cachaça (do João do Cupertino) e queijo minas (do Chico do Benedito Josme), preparado no disco de arado (do Iremar). Para adoçar as ideias, brigadeiros mineiros de doce de leite com limão capeta e de funcho com café. Mesmo sendo o primeiro ano - programado às pressas e logo após a troca do executivo municipal - esse festival já foi um sucesso, que só tende a se aperfeiçoar e trazer muitos frutos. Parabéns ao prefeito, secretário de Cultura e todos aqueles que apoiaram, trabalharam e prestigiaram o evento. Que venha 2014! (Receitas e fotos da oficina de gastronomia no nosso blog: http://casalgastromg.blogspot. com.br/)


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Educação

Assis Resende tem índice significativo de aprovação nos vestibulares

EMANUELLE RIBEIRO

Foto Emanuelle Ribeiro

Resende Costa conta hoje com apenas uma escola que oferece o ensino médio na área urbana: a Escola Estadual Assis Resende. E a instituição tem sido destaque devido ao alto índice de estudantes aprovados nos vestibulares. Segundo a diretora Andrea Lima, cerca de 20 alunos foram aprovados este ano e o número é ainda maior se somarmos aos que já se formaram nos anos anteriores e conseguiram vaga na universidade em 2013. “Maior satisfação houve quando soubemos que a grande maioria desses alunos está entre os primeiros lugares de grandes universidades e alguns deles sendo aprovados em mais de um curso, podendo escolher a melhor opção”, afirmou Andrea. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do nosso município é um dos mais baixos da região, estando à frente apenas de Tiradentes. Resende Costa possui sete escolas, cinco delas na zona rural, sendo que apenas a Escola Estadual Assis Resende e a Escola Municipal Paula Assis oferecem os anos finais do ensino fundamental e o ensino médio. Nos anos finais, o maior problema é a alta taxa de reprovação. A professora Goretti Resende comentou: “Na Escola Assis Resende, a grande dificuldade é trabalhar com turmas bastante numerosas, além da falta de espaço que é um problema enfrentado pelos profissionais da educação há algum tempo”. A diretora concordou com Goretti: “A falta de espaço físico para uma ampla biblioteca

Escola Estadual Assis Resende vem mantendo a qualidade do ensino, aprovando muitos alunos nos vestibulares de grandes universidades

e de laboratórios causa muita perda aos alunos, pois poderiam ter aulas em laboratórios de informática e ciências, garantindo maior âmbito de ação e possibilidades diversificadas de estudo. Já estamos progressivamente instalando equipamentos para o laboratório de ciências e a partir do ano que vem receberemos 20 computadores novos”, explicou. Apesar dos desafios enfrentados pelo Assis Resende, Andrea e sua equipe têm superado os obstáculos: “Nossa escola tem procurado priorizar no Ensino Médio uma formação capaz de possibilitar aos nossos educandos uma participação ativa na sociedade, com os direitos e deveres a eles pertinentes e principalmente assegurando que sejam capazes de prosseguir nos seus estudos. Acredito que estamos conseguindo”. Nos últimos anos algumas mudanças vêm acontecendo nos processos seletivos das universidades, como a adoção

do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como um caminho para ingressar nas instituições de ensino superior. E o Assis Resende está atento a essas alterações: “Nossos professores têm trabalhado exaustivamente com a preparação para o Enem. Além de seguir o Conteúdo Básico Comum (CBC), os professores preparam simulados e testes, visando a reforçar os conteúdos mais exigidos nos vestibulares. Os educadores também estão sempre se atualizando e procurando motivar os alunos a participarem de projetos, olimpíadas e eventos que proporcionem interação com conhecimentos inovadores, preparando-os para a exigência do mundo do trabalho”, acrescentou Andrea. A professora Goretti Resende destacou ainda a necessidade de ampliar o uso de tecnologias nas escolas para melhorar a motivação e o nível do aprendizado: “Nos últimos anos, a utilização de recursos

tecnológicos se intensificou nas escolas de Resende Costa. Muitos professores utilizam datashow e internet em suas aulas, enriquecendo os conteúdos trabalhados. Dentre as maiores dificuldades encontradas, está o uso do celular por parte dos alunos em sala de aula. No entanto, alguns professores já estão adotando novos métodos para incluir o celular no processo de ensino e aprendizagem, para que os próprios alunos se conscientizem sobre a utilização do aparelho”. No que diz respeito ao baixo nível de aprovação nos anos finais, tendo como base o Ideb, a secretária municipal de educação, Silvanda Resende, diz ser necessária a ampliação da Escola Estadual Assis Resende, a qual absorve o maior número de alunos nessa etapa escolar. “A reprovação e evasão escolar nessa faixa etária reflete a falta de motivação dos alunos,

muitas vezes em decorrência da falta de estrutura das escolas. Nesse caso em particular, a prefeitura tem solicitado junto à Secretaria Estadual de Educação a ampliação e adequação do espaço para práticas recreativas e de sociabilidade”, completou. O fato é que a Escola Estadual Assis Resende tem conseguido superar essas dificuldades, alcançando significativos índices de aprovação nos vestibulares nesses últimos anos, o que é fruto do compromisso dos professores e esforço dos estudantes. “Pretendemos repetir o sucesso alcançado nos próximos vestibulares e também alcançar a média de aprovação da turma de 2012, pois quase todos foram aprovados. Desejamos que nossos ex-alunos estejam alcançando sucesso na vida pessoal e profissional. Gostaríamos de mais uma vez parabenizá-los pela conquista”, concluiu a diretora Andrea.

A diretora Andrea Lima enumera os projetos e ações que têm mantido a qualidade do ensino na Escola Estadual Assis Resende

Universitário resende-costense recebe prêmio em Paris O universitário resende-costense Breno Resende Coelho recebeu, no dia 11 de abril, em Paris, prêmio de gestão ambiental no âmbito da quarta edição do Desafio Verde TIC Campus. Breno, que cursa Engenharia de Produção na Universidade Federal de Viçosa (UFV), está realizando intercâmbio pelo Programa Ciência sem Fronteiras na Ecole Catholique d’Arts et Métiers - ECAM Lyon, França. O concurso apresentou projetos de toda a França cujo objetivo era tornar as instituições de ensino superior francesas mais sustentáveis, através de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).

“Passamos a desenvolver o projeto no começo do nosso ano letivo, em outubro de 2012. Nós nos inscrevemos no concurso juntamente com mais de 40 equipes de toda a França. Inicialmente, ficamos entre os 16 aprovados para disputar a semifinal, fase na qual mantivemos um blog informativo por algumas semanas e ao mesmo tempo nos empenhamos na criação de um dossiê mais completo sobre todo o trabalho. Felizmente, fomos selecionados para a grande final em Paris, onde recebemos o prêmio na categoria Gestão Ambiental do Campus, uma viagem de estudos”, informou Breno Coelho. De acordo com Breno, o

projeto tem como objetivo melhorar a destinação de pontas de cigarro no campus universitário: “Trabalhamos na concepção e no desenvolvimento de uma nova lixeira-cinzeiro interativa. Com a utilização de TICs, ela conseguirá captar a presença de um fumante, interagir com ele e incentivá-lo, mediante o uso de sinais luminosos e/ou sonoros, a jogar o filtro (bituca) no lugar certo. Evita-se assim que muitas bitucas sejam jogadas pelas ruas e pelo campus, facilitando ainda a coleta desse resíduo”, explica o estudante. A equipe a qual Breno está integrado é formada por sete alunos e conta com o apoio de

O universitáio resende-costense Breno Coelho (primeiro à direita) participa de importante programa de intercâmbio na França

um professor. “Continuaremos trabalhando até o final do ano letivo. Provavelmente, outros alunos virão a nos substituir

no próximo ano para continuar a ‘dar vida’ ao nosso projeto”, disse Breno.


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Economia

Regional

Tomate: “churrasco de rico”

DAMAE promete resolver problema de esgoto no bairro são-joanense do Barro Preto

FRANCIELLE VALE

O preço do tomate foi um assunto muito discutido nos últimos meses, devido às altas exageradas no seu preço (mudanças consecutivas em seu valor). O tomate é um dos principais itens da cesta básica das famílias brasileiras, por isso a preocupação e os comentários relacionados ao seu preço. Afinal, qualquer variação nas cotações deste produto influencia no orçamento familiar. O título do texto foi inclusive retirado de uma imagem divulgada na internet, que comparava, sem qualquer análise econômica, o preço do tomate com o da carne. A cesta básica calculada para São João del-Rei, segundo dados do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), leva em consideração o consumo de 9kg de tomate por uma família no mês. As variações em seu preço foram bastante acentuadas de janeiro a abril deste ano. De janeiro para fevereiro, o tomate apresentou um aumento de 54,36%, muito considerável, enquanto entre fevereiro e março houve uma variação positiva de 39,87%. Já a variação do mês de março

para abril foi negativa, com o preço caindo 16,15%. Considerando os meses de janeiro e março (este último apresentou o maior nível de preço), houve um aumento de 115,90%. Tendo em vista que a renda líquida mensal do consumidor sanjoanense é de R$623,76, o tomate no mês de abril representou 14,65% da cesta básica alimentar, cujo custo alcançou R$216,82. O custo de 9kg de tomate em abril foi de R$31,77. O aumento do preço do tomate foi explicado por três fatores: exportação, condições climáticas e a alta produção no início desse ano. Tabela 1: Variação do preço do tomate de janeiro a abril de 2013 Janeiro: 17,55 Fevereiro: 27,09 / Acumulado: 54,36% Março: 37,89 / Acumulado: 39,87% Abril: 31,77 / Acumulado: -16,15% Batata A batata é outro item da

cesta básica cujo preço teve aumento considerável no período de janeiro a abril deste ano. Na cesta básica para uma família sanjoanense, é considerado o consumo mensal de 6kg deste produto. Em fevereiro, o valor de 6kg de batata estava cotado em R$12,13, apresentando um crescimento de 21,06% comparado ao mês de janeiro, cujo preço foi R$10,02. De fevereiro para março, houve um crescimento de 29,68%, passando de R$12,13 para R$15,73. No mês de abril, o preço apresentou um crescimento de 30,71%, com os 6kg custando R$20,56. Numa comparação entre os meses janeiro e abril (que apresentou o maior índice de preço do período), o valor de 6kg de batata subiu 105,19%, ou seja, dobrou. Tabela 2: Variação do preço da batata de Janeiro a Abril de 2013 Janeiro: 10,02 Fevereiro: 12,13 / Acumulado: 21,06 Março: 15,73 / Acumulado: 29,68% Abril: 20,56 / Acumulado: 30,71%

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE Desde a visita da reportagem do JL ao Barro Preto, em fevereiro de 2011, a situação do esgoto naquele bairro são-joanense só piorou. Os moradores estão sempre preocupados com as próximas chuvas. Com a construção do conjunto habitacional de apartamentos Risoleta Neves, dentro do programa federal Minha Casa, Minha Vida, a situação do esgoto no bairro ficou insustentável. “Duvido que o pessoal do Barro Preto durma sossegado até a próxima chuva”, desabafou o presidente da Associação dos Amigos Moradores do Barro Preto, Luiz Ribeiro Carvalho, o popular Maradona, durante reunião realizada, no dia 14 de maio, com a presença do Instituto Apoiar e de outras associações de bairros. A situação já era crítica porque o encanamento do esgoto do conjunto habitacional Dom Lucas Neves, inaugurado no final de 2009, foi ligado à tubulação mais estreita do bairro, resume Maradona. A ligação sobrecarregou a rede existente que ainda recebe águas pluviais em vários lugares, provocando retorno do esgoto, que assim invade residências principalmente em época de chuvas. Com a inauguração do conjunto Risoleta Neves, provavelmente ainda este ano, a situação tende a piorar. O problema é que a comunidade não foi consultada quando houve a ligação do esgoto dos empreendimentos habitacionais, reclama Maradona. Além disso, mais uma vez se repetiu a tendência de despejar o esgoto sem tratamento no córrego do Lenheiro. Se fosse num bairro rico, isto jamais teria acontecido, diz Antonio Claret de Souza, do Instituto Apoiar. Só acontece na periferia onde moram as pessoas que pagam mais impostos, proporcionalmente à sua renda, acrescenta. O problema do esgoto do Barro Preto tem origem no não-cumprimento do plano diretor do município e do estatuto das cidades (lei federal 10.257), afirma Air de Souza Resende, da AMMAS del Rei (Associação dos Movimentos Sociais e Amigos de São João del-Rei). O projeto habitacional não teve relatórios de impacto ambiental e de vizinhança, não teve projeto de rede de esgoto e não houve audiência pública com bairros vizinhos. Rede alternativa Em reunião no dia 22 de maio – a pedido dos moradores com o apoio de outras associações de bairro e do Instituto Apoiar –, o diretor geral do DAMAE (Departamento Autônomo Municipal de Água e Esgoto), Gustavo Gastão Corgosinho Cardoso, prometeu fazer uma obra provisória para resolver o problema emergencial. Inicialmente, a ideia

era trocar a tubulação, mas o custo é elevado. Assim, o DAMAE estuda implantar uma rede seca de PVC (150 ou 200mm), paralela à rede já existente, e uma interligação entre ambas, de maneira que o esgoto seja desviado. Com isso, passarão a existir duas tubulações de 150 mm, permitindo a duplicação da capacidade para 300 mm. Gustavo Cardoso estima gastar cerca de R$ 40 mil nesta obra, mas reconhece que não ela não vai acabar com o mal-cheiro porque o esgoto continuará sendo despejado no Córrego do Lenheiro. Para o diretor do DAMAE, este odor só vai acabar quando se canalizar o esgoto atualmente jogado no córrego, para ser encaminhado diretamente à estação de tratamento, a ser construída. Coleta e tratamento Segundo Gustavo, a administração municipal está acompanhando a tramitação do projeto de coleta e tratamento de esgoto, encaminhado ao Ministério das Cidades. O objetivo é construir interceptores e rede de coleta, bem como a ETE (estação de tratamento de esgoto), mas este é um investimento de longo prazo. O projeto de coleta e tratamento de esgoto, no valor de cerca de R$ 1 milhão, foi licitado na administração passada, informou Gustavo. “Fizemos várias sugestões de melhorias e concluímos na atual administração”. A expectativa é que a obra seja aprovada pelo Ministério das Cidades e licitada ainda este ano pela Caixa Econômica Federal, para ser iniciada em 2014, disse o diretor do DAMAE, que estima o seu custo em R$ 40 milhões. “Tem grande chance de ser aprovado. Esta obra vai resolver o problema de esgoto da cidade”. À reunião de associações de moradores de bairros, no dia 14 de maio, no Barro Preto, compareceram membros da comunidade, dirigentes de associações, vereadores e representante da prefeitura. Esta foi a quarta de uma série de reuniões de associações de bairros coordenada pela organização não-governamental Instituto Apoiar. A ideia é dar voz às associações, que acabam não tendo espaço de outra maneira, explicou Claret. Chamou a atenção a ausência, na reunião com o diretor do DAMAE, dos vereadores Fábio da Silva e Vera Lúcia Alfredo, que compareceram ao encontro do dia 14 de maio. Já a vereadora Lívia Guimarães compareceu apenas à segunda reunião, tendo participado inclusive da mesa dos trabalhos ao lado de Gustavo. Mais informações no site do Instituto Apoiar (http://www.institutoapoiar.org.br/).


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Regional

Contemplando as Palavras

4ª Conferência das Cidades aprova proposta de “microrregião metropolitana” de São João del-Rei JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE Uma moção defendendo a criação de uma microrregião (“aglomeração urbana”), integrando os municípios de São João del-Rei, Santa Cruz de Minas, Coronel Xavier Chaves e Tiradentes, foi aprovada por unanimidade na 4ª Conferência da Cidade que aconteceu no dia 25 de maio em São João del-Rei. Os signatários do documento pediram a intermediação do prefeito Helvécio Reis junto aos demais prefeitos dos municípios limítrofes para tornar realidade a proposta. Entre as funções públicas de interesse comum aos municípios citados, a moção aponta transporte, educação, saúde, meio ambiente e turismo. A iniciativa tem como base o artigo 42 da Constituição do Estado de Minas Gerais, que possibilita instituir, “mediante lei complementar, região metropolitana e aglomeração urbana constituídas

por argumento de municípios limítrofes do mesmo complexo geoeconômico e social, para integrar o planejamento, a organização e a execução de funções públicas de interesse comum”. No caso específico de Tiradentes, a moção cita a importância dos bairros Água Santa e Cézar de Pina, na divisa com São João del-Rei. A reivindicação seria encaminhada à Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que, de acordo com o artigo 49 da Constituição estadual, tem o poder da iniciativa. O parágrafo primeiro deste artigo inclui, entre as funções públicas de interesse comum aos municípios da microrregião, procedimentos contábeis, aperfeiçoamento administrativo, abertura e conservação de caminho ou estrada vicinais, solução de problemas jurídicos e execução integrada de serviços co-

muns. Já o parágrafo 2º do mesmo artigo define que o Estado deverá garantir à microrregião a assistência técnica necessária. A moção foi assinada por delegados representantes de entidades da sociedade civil, do governo municipal, de orgãos públicos estadual ou federal, entre outros. “Se concretizada a criação da microrregião, o governo do Estado deverá direcionar recursos para políticas públicas e São João del-Rei deixará de ser vista como um municipio de 85 mil habitantes, mas componente de uma microrregião de mais de 120 mil habitantes, que poderá vir a sediar inúmeras repartições públicas de interesse da região”, diz Air de Souza Resende, da AMMAS del Rei (Associação dos Movimentos Sociais e Amigos de São João del-Rei).

Coberturas de pontos de ônibus expõem cidadãos ao sol O Instituto Nacional de Câncer (INCA) alerta para os riscos da exposição excessiva ao sol, que vem aumentando a incidência de câncer de pele no Brasil. “O principal vilão desse tipo de câncer são os raios ultravioleta do sol”, diz o INCA ligado ao Ministério da Saúde. Contrariando esta lógica, projeto da FIEMG, IPHAN e Instituto Estrada Real rresultou na instalação de nove pontos de ônibus com teto “transparente” em São João del-Rei. A informação é do setor de trânsito da prefeitura municipal. Não raramente, pessoas com guarda-chuva ou sombrinha são vistas debaixo da cobertura desses pontos de ônibus. Sem falar que em época de chuva a água é despejada do teto na parte da frente do

ponto, aumentando o desconforto de quem precisa subir os degraus dos coletivos. Pelo menos, no caso da exposição ao sol, pode-se recomendar o uso do filtro solar aos cidadãos que cotidianamente tomam ônibus nestes pontos de ônibus. Apesar desses inconvenientes, percebe-se que se trata de um projeto de custo elevado. Fica a pergunta: quantos pontos de ônibus mais simples, ainda que cobertos, não poderiam ser construídos com o dinheiro investido neste projeto? Dois pesos, duas medidas A Câmara Municipal de São João del-Rei aprovou – e o então prefeito Nivaldo Andrade sancionou -, em abril de 2012, leis que obrigam a instalação de rampas de acesso e de cabines exclusivas

de provadores de roupas, bem como de instalações sanitárias, nos estabelecimentos comerciais (lojas, bares, restaurantes etc.) aos portadores de deficiência motora-cadeirantes. Curiosamente, no mesmo mês, a Câmara Municipal são-joanense aprovou outra lei, só que desta vez autorizando a instalação de rampas de acesso às repartições públicas municipais aos portadores de deficiência motora-cadeirantes. Por que a medida é obrigatória para o setor privado e apenas permitida ao setor público? Em visita à sede da Câmara Municipal, este repórter constatou que o plenário onde se realizam as sessões públicas não tem acesso para pessoas com deficiências. Que exemplo! J.V.R

Foto José Venâncio Ponto de ônibus em São João del-Rei coberto por teto transparente. Passageiros ficam expostos aos raios de sol

Câmara de São João aprova projeto de acessibilidade, mas sua sede não possui estrutura para receber deficientes físicos.

REGINA COELHO

Caminho de volta Nem toda ligação que as pessoas têm com a sua cidade de origem é feliz. Aliás, às vezes ela nem mesmo existe. Isso acontece, por exemplo, quando alguém simplesmente nasce em um lugar e dali é levado, sem o tempo necessário de criar identificação com a terra natal, não tendo com ela, portanto, qualquer afinidade ou intimidade. É compreensível que assim seja. Diferente disso é a situação de quem se afasta deliberada e definitivamente de sua cidade de nascimento renegando ou esquecendo suas origens. Como cada um tem lá a sua trajetória pessoal de vida e os seus motivos para proceder desse ou daquele jeito, é preferível não discutir as decisões alheias. Em sentido inverso desse afastamento, prevalece o sentimento de amor à terra, lugar que vê a gente nascer, crescer e, muitas vezes, ir embora, quase sempre com o desejo de um dia voltar de vez. É o que acontece com tantos por toda parte, em Resende Costa também. É o caso de Antônia de Paiva (a Antônia da Preta e neta da Chiquinha), 58 anos. Morando em São Paulo, ela trabalhou como doméstica, ajudante geral, babá e enfermeira prática. Foram 36 anos durante os quais as vindas a Resende Costa se resumiam a uma visita anual. Em relação a esse tempo todo, Antônia lembra que houve uma vez em que ficou ausente da terra natal por dois anos, cidade considerada por ela pequena, não muito evoluída quando se mudou daqui. A família e os amigos são citados por ela ao ser indagada a respeito do que mais lhe fazia falta em seus tempos de vida na maior cidade do país. Sobre a decisão de voltar, a explicação é simples e direta: “ter um pouco mais de tranquilidade e fugir da agitação da grande cidade”. Antônia elege o Grupo Escolar Assis Resende, hoje Escola Estadual Assis Resende, como um lugar especial para ela em Resende Costa. E por quê? “É o lugar onde passei parte da infância e da adolescência e abriu as portas de um mercado de trabalho para mim”, responde. Também de volta à terra natal depois de morar por 40 anos em Belo Horizonte, o professor aposentado Ênio Resende, 75 anos, afirma ter deixado Resende Costa para estudar, pois aqui não havia colégio. No início, segundo ele, chegou a ficar dezoito meses sem vir em casa, tendo chorado muito, admite, por sentir falta da família. Como estudante, passou a frequentar a cidade nas férias. E passou a vir para cá quinzenal ou semanalmente quando já trabalhava. Isso nos tempos em que atuou no Banco Minas Gerais e no Colégio Municipal de Belo Horizonte, que era um conjunto de

quatro unidades – São Cristóvão, Marconi, Salgado Filho e Honorina de Barros, tendo passado por todas. Sempre ligado ao meio rural e já envolvido com o Parque do Campo, importante associação que havia fundado juntamente com um grupo de ruralistas, Ênio optou pela volta à cidade, momento em que deu início à promoção de leilões rurais. E há um lugar especial para ele aqui: a Laje de Cima, pela beleza de sua paisagem e pelas recordações de infância. “Aqui estão minhas raízes, minha família”, resume Ênio em poucas palavras o muito que essa terra representa em sua vida. Também na música e na literatura, referências à terra natal são comuns. Em “Último pau de arara”, a resistência do sertanejo nordestino em ficar em seu torrão é mostrada por Fagner no verso “Só deixo meu Cariri no último pau de arara”. Roberto Carlos é o cara que em “Meu pequeno Cachoeiro” declara seu amor a Cachoeiro do Itapemirim (ES) em versos saudosos como: “Recordo a casa onde eu morava/ o muro alto, o laranjal, ...”. Na obra literária de Mário de Andrade, o berço paulistano do escritor é figura recorrente. O verso “São Paulo, comoção de minha vida...”, que abre o poema “Inspiração”, é só um exemplo disso. E havia Itabira na vida do poeta Carlos Drummond. Seu belíssimo poema “Confidência do itabirano”, muito mais do que uma lembrança sentimental, é uma síntese perfeita da personalidade desse mineiro excepcional. “Alguns anos vivi em Itabira/ Principalmente nasci em Itabira/ Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. (...)” “Itabira é apenas uma fotografia na parede/ Mas como dói!” Versos como esses revelam o amor incondicional de Drummond por sua terra. Felizmente para Antônia e Ênio, sem ser apenas uma fotografia na parede, Resende Costa é o berço aconchegante desses novos tempos. Mesmo assim, um ano e quatro meses depois, ela confessa que ainda não está adaptada à cidade, que considera parada (Para quem viveu em São Paulo então...) e deixa a desejar na área da saúde. Ele fica triste quando alguém fala em colocar um mirante sobre a caixa d’água da Copasa, na Laje de Cima. “Que BURRICE! A Laje é um mirante. Precisa é tirar a caixa d’água, que é a NOTA ZERO da cidade”, afirma Ênio, indignado. E propõe: “Vamos nos sentar em bancos, conversar com amigos e contemplar o pôr do sol”. Deve ser o da Laje, que é belíssimo, não é mesmo? E que ninguém duvide do amor que nossos entrevistados sentem por Resende Costa.


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Cultura

Trabalho de conclusão de curso na UFSJ vira exposição JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE “Memória Líquida” é o tema da exposição que o escultor Carlos Calsavara lançou, no dia 6 de junho, em São João del-Rei (MG), fruto da pesquisa e da observação realizadas durante 8 anos sobre o movimento e a fluidez da água. A mostra é o resultado final do “Trabalho de Conclusão do Curso de Artes Aplicadas: Ênfase em Cerâmica”, apresentado este ano junto à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), sob a orientação do professor Ricardo Coelho. A série “Memória Líquida” foi selecionada por edital público, promovido pelo Centro Cultural da UFSJ - Solar da Baronesa, e será apresentada em mostra individual do artista até 23 de junho. A partir do olhar atento ao movimento singular do líquido, e suas formas fluidas, Calsavara teve a ideia de representar em forma de esculturas o momento inédito da explosão da água ao entrar em contato com a superfície. É o resultado do trabalho de um artista com influências barrocas advindas de suas produções de obras sacras, além da inspiração no grande pintor Leonardo Da Vinci, que realizou vários esboços sobre o movimento da água. E também das lembranças de momentos da infância de Calsavara, que passou a beira do riacho nos fundos de sua casa. Calsavara parte do pressuposto de que todo ser humano é singular em sua existência, o que “torna cada indivíduo específico e incomparável nas dimensões do espaço e do tempo. Tais características pessoais são estruturadas pelas vivências familiares, étnicas, sociais, geográficas e culturais entre outras tantas relações que se estabelecem com o meio ambiente e influenciam direta e indiretamente a conformação da personalidade do ser, assim como vários outros fatores de sua vida”. Primeiras ideias Calsavara partiu do estudo de uma escultura em pedra para a concepção dos novos trabalhos. “Notei, na resolução formal do movimento que sugeri para a água que sustenta o peixe, assim como a que sai da boca do mesmo, que tais volumes poderiam ser, em si mesmos, soluções originais. A partir daí, comecei a explorar a ideia da plasticidade fluida da água como forma a ser representada escultoricamente. Imerso nessas reflexões, imaginei a adição de outros elementos que se vinculassem às representações dos líquidos como torneiras, garrafas, encanamentos etc.” Assim, ainda no plano bidimensional, em 2006 o artista efetivou o projeto “Torneira”, cujo desenho feito em grafite sobre papel canson seria o primeiro a ser transposto para o campo escultórico em 2008. Mas, no ano anterior, seguiram-se novos estudos

o método de confecção das peças em argila pode ser descrito pela sucessão das seguintes etapas: a) Esboço através da modelagem; b) Aprimoramento das formas com estecas; c) Acabamento com lâminas e raspadores, um procedimento de retirada de material similar ao entalhe. “A elaboração das peças dá-se com procedimentos distintos entre si, o que interfere no resultado final e permite distinguir o modo de construção de cada uma.” “Cores automotivas”

Trabalho do escultor Carlos Calsavara

como “Encanamento” e um esboço da obra “Despejo”. Calsavara enfatiza que “todo desenvolvimento desse trabalho se deu em paralelo à arte sacra, prioritária por questões profissionais e financeiras. Isso explica a irregularidade nas datas de elaboração de estudos e das primeiras concretizações das esculturas”. A partir do início das realizações tridimensionais, o escultor passou a arquivar quaisquer desenhos, tendo em mente que seriam de grande importância para futuras realizações ou para o simples registro das fases do processo criativo. Memória líquida A produção tridimensional só saiu do papel em 2008, conta Calsavara. Mas o amadurecimento formal, que se desdobrou a partir das primeiras ideias, seguiu-se por todo esse período, acrescenta: “Como os líquidos eram o foco do trabalho, passei a estudar possibilidades a partir da observação da realidade, bem como de referências artísticas relacionadas à forma fluida e seus movimentos”. Os primeiros referenciais com os quais o escultor teve contato foram fotografias conhecidas como “Splash’s”. Já nas artes plásticas, Calsavara encontrou “no inquieto Leonardo Da Vinci vários esboços sobre movimentos aquáticos”, que “foram igualmente influentes na produção das obras”. Essas duas referências apresentaram-se de forma consciente, revela Calsavara. “Curioso, no entanto, é que, além destas, outros fatores me influenciaram sem que eu sequer me desse conta.” Ele destaca a arte barroca com suas formas côncavas e convexas. “A reprodução intensa de tais elementos da arte sacra em meu trabalho comercial resultou numa forte incidência de certos fragmentos característicos desse movimento histórico.” Esta observação, prossegue Calsavara, foi notada no primeiro semes-

tre letivo de 2010, na comparação feita pelo professor Ricardo Coelho durante uma das aulas de História da Arte Brasileira, no curso de Artes Aplicadas da UFSJ. “Na ocasião, o professor associou minha obra ‘Despejo’ com a representação da água presente em um dos púlpitos da igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto - MG, obra de Antônio Francisco Lisboa. A partir daí percebi uma íntima relação entre a referida série e a arte barroca, da qual eu pretendia inicialmente me distanciar.” Confecção e construção Na trajetória como escultor, a madeira foi a primeira matéria-prima com a qual Calsavara teve contato. “No entanto, a inexperiência, a escassez de ferramentas e de conhecimento para afiar as mesmas, logo me direcionaram para a pedra-sabão. Este material me possibilitava cortar em todas as direções e sentidos com o auxílio, muitas vezes, de ferramentas improvisadas.” Para atender à demanda pela arte sacra em madeira, mais tarde, o escultor aprendeu a afiar as ferramentas de corte, assim como a construir e obter os próprios formões e goivas. “Isso me permitiu transferir para o entalhe a precisão que adquiri na experiência com a pedra-sabão.” A argila ficou em segundo plano por falta de massa adequada que proporcionasse a plasticidade necessária, além de uma certa inabilidade técnica no campo da modelagem, relata Calsavara. “Esses fatores me impediam de obter resultados similares aos da pedra-sabão e da madeira. Tendo contato com massas profissionais, percebi algumas possibilidades na modelagem, embora não conseguisse finalizar as peças apenas por esta via. Com o tempo notei que o acabamento desejado poderia ser obtido com a argila em ponto de couro. Nesse estágio, eu podia ‘talhar’ formas delicadas com mais facilidade e precisão de corte.” Dessa maneira, resume Calsavara,

Inicialmente, as esculturas recebiam uma pintura a frio com látex acrílico ou tinta automotiva, relata Calsavara. “Esta última, mais do que o látex, apresenta um caráter contemporâneo ao possibilitar um questionamento dos paradigmas tradicionais vinculados ao material cerâmico, em particular à sua tradição milenar ligada à esmaltação.” A opção inicial do artista pela cor branca deveu-se ao efeito peculiar com que a luz e a sombra se dispersam no volume da escultura. “No entanto, outras cores automotivas oferecem um aspecto artificial impactante, permitindo diversas experimentações em pleno processo no presente momento de minha produção.” O maior contato com o universo da cerâmica, na faculdade, levou Calsavara a observar as características positivas do vidrado: a total impermeabilização da peça, assim como o aumento de sua resistência e o efeito singular de certas coberturas cerâmicas que, dificilmente, são alcançados de outras formas. “Além disso, há economia de tempo, pois a finalização que a tinta automotiva requer é demasiadamente laboriosa: inicialmente, aplica-se uma camada de primer automotivo, em seguida nivelada com lixas 400 a 600 antes da aplicação da tinta, que recebe posterior acabamento com verniz automotivo”.

Ampliação de possibilidades Entre as principais conclusões do trabalho, Calsavara observa que a proximidade com a cerâmica e o aperfeiçoamento prático ampliaram de modo significativo as suas possibilidades. “O cruzamento entre técnicas diversas de queima, o uso de massas específicas como a porcelana e a grés, a esmaltação, entre outros tipos de cobertura cerâmica, proporcionaram-me uma infinita gama de resultados. Além disso, o contato com a obra de outros artistas apresentados durante o curso, bem como a consciência que adquiri em relação à importância da arte para a sociedade, forneceram inspiração para parte do presente e futuros trabalhos, disse o artista.” As diferenças nas peças, no decorrer do processo de criação, descrito de maneira sucinta no TCC, fizeram com que Calsavara pudesse notar a influência determinante do contexto ao qual estamos inseridos. “Tais características se evidenciam desde a concepção, quando eu desejava desvencilhar meu trabalho da arte sacra barroca, passando pela elaboração, confecção e acabamento final das esculturas.” Também “afetaram de maneira decisiva minha expressão artística”, admite Calsavara, “o contexto de forte religiosidade da cidade de São João del-Rei, seu patrimônio artístico e cultural, com especial destaque para os fascinantes entalhes barrocos e, posteriormente, minha experiência profissional, acumulada como escultor de imagens religiosas, inspiradas por essa mesma tradição”. Conclui o escultor que, “ironicamente, forneceu-me as fontes estilísticas para o presente trabalho” a própria arte sacra, “que, através dos compromissos profissionais assumidos, restringia minha criatividade e desgastava minha energia produtiva”.

O artista Carlos Calsavara esculpindo uma imagem em madeira. Seu trabalho de conclusão de curso virou exposição


16 Jornal das Lajes Giro Esportivo

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EMANUELLE RIBEIRO

38 rodadas de emoção Não sei se acontece o mesmo com vocês, mas quando acaba o Campeonato Brasileiro eu tenho a impressão de que o tempo para. Parece que o meu calendário gira em torno do brasileirão e que vivemos esperando a próxima competição ter início. Não podia ser diferente no país do futebol. Felizmente não precisamos esperar mais. No último dia 25 de maio teve início o 5º campeonato mais disputado do mundo, segundo estudo divulgado pela revista internacional World Soccer. Quem será o campeão? Quem deixará a primeira divisão? Quais times se classificarão para a Taça Libertadores? Façam suas apostas! Em 2013 o campeonato ganha em competitividade: Goiás, Criciúma, Atlético-PR e Vitória estão de volta à série A. Teremos novamente o clássico baiano, mas nada de duelos pernambucanos ou goianos. E se depender do Vitória, o Bahia vai descer os degraus para a segundona novamente. Mas de qualquer forma, acredito que Bahia e Goiás são os principais candidatos a mudar de Série em 2014. E pode também ter time grande no pacote: Vasco e Santos que não dêem bobeira, porque estão na beira do abismo e qualquer sopro basta para empurrá-los. Com a ida do Neymar para o futebol europeu, derrubou-se a última gota de esperança do Peixe. O momento é de saber administrar o dinheiro ganho na transação. Por outro lado, perdemos um peixe grande com a descida do Palmeiras. Na Série B, o Verdão é o grande candidato ao título e começou muito bem, derrotando outro candidato à ascensão, que é o Atlético-GO. Com muitos atrativos, acredito que esse será um Brasileirão diferente dos últimos que acompanhamos. Em Minas Gerais, pela primeira vez em muitos anos,

nossos dois maiores clubes vivem uma fase boa. O Cruzeiro, apesar de ter perdido o estadual, é um candidato a uma vaga na Libertadores, por enquanto. Com o desenrolar do campeonato e a adequação do elenco pode disputar o título. Começou muito bem com uma goleada por 5x0 contra o Goiás e a torcida está empolgada. Do outro lado da Pampulha, o Atlético-MG é a sensação do momento. É, em minha opinião, o melhor time da América e candidato fortíssimo ao título, ao lado do Corinthians, outro grande elenco do futebol brasileiro. Tropeçaram na primeira rodada, mas eu apostaria nos dois como principais candidatos a vencer. O Galo é ainda o único time brasileiro que segue firme na Libertadores, depois de uma classificação emocionante em cima do Tijuana. O goleiro Victor defendeu um pênalti aos 48 minutos da etapa complementar e garantiu o Atlético na semifinal. Emoção total. Nunca vi nada parecido em meus poucos anos de futebol. E as surpresas do Brasileirão? Assistindo aos primeiros jogos desse disputadíssimo e extenso campeonato, não me surpreenderia ver o Criciúma terminar entre os dez primeiros colocados. É uma aposta arriscada, mas o time está jogando direitinho e melhor que os outros concorrentes ao rebaixamento. E ainda ajudou o Galo ao contratar o Serginho, por isso acredito que mereça o respeito dos torcedores mineiros. O Vitória é outro que me agrada. Quanto à segundona, a disputa também é acirrada: Goiás, Bahia, Náutico, Portuguesa, Coritiba e Ponte Preta lutarão para permanecer, em minha opinião. Dos grandes, além de Vasco e Santos, o Flamengo corre sérios riscos. Outro que pode nos surpreender, positivamente, e voltar a disputar a Libertadores no próximo ano é o Botafogo, que tem um time muito bom. O que falta ao Fogão

é a confiança da mídia e dos próprios torcedores. Para mim, Internacional, Grêmio e Fluminense brigarão na parte de cima da tabela com os times já citados. Mas... Apesar de termos um dos melhores campeonatos no Brasil, algumas questões têm me deixado preocupada quanto ao Brasileirão. Primeiro, a qualidade dos gramados. Em ano de Copa das Confederações e véspera da Copa do Mundo no país, temos estádios luxuosos, mas temos extremos: o campo em que Cruzeiro e Atlético-PR se enfrentaram no Paraná é vergonhoso, cheio de buracos e sem capacidade para receber bem os fãs. A CBF não pode permitir que isso aconteça. Se não tem campo, inverte o mando de jogo. Os jogadores correm riscos, inclusive, de se contundirem. Aconteceu durantes as reformas dos estádios, está acontecendo de novo: os times precisam viajar para mandarem seus jogos. Às vezes viajam mais de 100 quilômetros para os jogos que seriam em “casa”. Descaso com o futebol brasileiro. Preocupa-me também o público dos jogos. Ingressos caros, distância, falta de compromisso dos atletas e da diretoria. Tudo isso tem desanimado o torcedor a ir ao estádio. No clássico entre Botafogo e Santos, na segunda rodada do campeonato, apenas 1.186 torcedores pagaram para assistir à partida. É muito pouco, menos que um público de segunda divisão. Os clubes têm que motivar seu torcedor, e rápido. Por último, a arbitragem. Já foi pior, mas os erros da juizada continuam favorecendo alguns times do futebol brasileiro e, muitas das vezes, a intenção de prejudicar é clara. Isso é inaceitável! O futebol é uma das poucas coisas em que o brasileiro ainda acredita, mas sem certas modificações esse quadro pode mudar. Por enquanto, abra sua cerveja, ligue a TV ou leve as crianças ao estádio. Relaxe, divirta-se, mas não se acomode.

Série “Campeões brasileiros” O Internacional foi tricampeão brasileiro no ano de 1979. Na final, o Colorado venceu o Vasco por 2x1 em Porto Alegre e conquistou o título invicto na competição. Foram 16 vitórias e sete empates nos 23 jogos disputados. Além disso, o Inter marcou 41 gols e sofreu 13. O artilheiro daquele ano foi César, do América-RJ, com 13 gols. O Internacional revelou o zagueiro Mauro Galvão, de 18 anos, que brilhou na conquista. Falcão voltou a voar em campo e foi o craque de 79, também

com a camisa do Colorado. O campeão invicto, do técnico Ênio Andrade, era integrado por: Benitez, João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão, Cláudio Mineiro, Batista, Jair, Falcão, Valdomiro (Chico Spina), Bira e Mário Sérgio. Os maiores de Minas fizeram um bom brasileirão: o Cruzeiro foi sexto e o Galo décimo na classificação final. Já o América-MG terminou o ano em vigésimo lugar. O vexame ficou em São Paulo: Corinthians, Portuguesa, Santos e São Paulo não

participaram do campeonato. Os clubes não aceitaram ter de disputar a segunda fase, já que queriam entrar somente na terceira devido à disputa do Torneio Rio-São Paulo, que acabou não sendo realizado. Que coisa feia! 1979 foi marcado pela canção “O bêbado e o equilibrista”. Elis Regina embalou a volta dos exilados pela ditadura militar, que tiveram a chance de retornar ao país após o general Figueiredo sancionar a Lei da Anistia.

Música Concerto Alma Brasileira mistura o popular e o erudito e atrai diversos públicos VAN (VERTENTES AGÊNCIA DE NOTÍCIAS) Na sexta-feira, 31 de maio, o projeto Corpo Musical Vertentes apresentou o concerto Alma Brasileira, na Sociedade de Concertos Sinfônicos. O evento reuniu vários expectadores e teve parceria com o Programa Música XXI, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). O Música XXI atua a partir de projetos, ações didáticas, cursos e eventos artísticos. Também abriga e fomenta manifestações musicais do departamento de música (DMUSI), da Pró-Reitoria de Extensão e da comunidade, com abrangência regional e inserção internacional. O professor Antônio Carlos Guimarães, coordenador do Programa Música XXI, afirmou que o Projeto Corpo Musical Vertentes, financiado pelo fundo estadual de cultura, surgiu depois de seis anos do curso de música, atuando na comunidade junto com o programa Música XXI. “São 15 apresentações e sete oficinas, passando por vários municípios do estado, todos eles mapeados pelo Núcleo de Interiorização da cultura de Minas Gerais”, declara o flautista do concerto. Ele ressalta ainda que o “Corpo Musical Vertentes é um projeto regional que traz fomento para várias entidades musicais, tais como a Sociedade de Concertos Sinfônicos e a Banda Ramalho, de Tiradentes, e também para outras cidades, como Ouro Branco, Mariana e Barão de Cocais”. O concerto é composto por Elenis Guimarães (canto), Jayme Guimarães (piano), Antônio Carlos Guimarães (flauta), Guilherme Vincens (violão), Isabele Alves Guimarães (violoncelo) e Jonas Fernando de Souza (clarineta). O repertório de Alma Brasileira baseou-se em canções de compositores nacionalistas. Seu objetivo era trazer elementos da música popular brasileira para a música de concertos, como obras

de Villa Lobos, Marlos Nobre, Tom Jobim, entre outros. “Um programa bem leve, fácil de ouvir e bastante representativo de uma vertente dos compositores eruditos brasileiros”, opina a cantora Elenis Guimarães. “Chamados assim eruditos, mas o público percebe bem claramente que todos eles, sem exceção, têm os dois pés na música popular, e é bem gostoso de ouvir”, explica. Elenis, que canta em concertos há mais de 20 anos, também acredita que uma boa execução nesse tipo de evento está relacionada a “um trabalho cumulativo, porque o que você faz hoje depende do que você fez antes. Não é uma coisa que se realiza de uma hora para a outra. Para este concerto, especificamente, foram umas três semanas ensaiando”, declara. A soprano Elenis ainda comenta que “nas preparações para esses concertos, a gente aprende as músicas, ensaia, marca bem a voz, vem e manda bala”. A apresentação atraiu públicos distintos, desde moradores da cidade até pessoas que vieram de outros estados para prestigiar os músicos do concerto. “Nós cantamos em um coral lá em São Paulo. Foi o pianista Jayme Guimarães quem o fundou, ele foi o nosso maestro. Nós cantamos recentemente e o Jayme foi lá nos prestigiar. Agora, nós viemos aqui retribuir”, declara a expectadora Elisabeth Franceschelle. “Um dos músicos é da minha família e, sempre que possível, a gente vem prestigiar. Além disso, é um evento muito bom. Achei muito rica a escolha das músicas também, foi muito interessante. Eu acredito que é um tipo de evento importante, que vai formando um público que, a cada vez, aumenta mais e torna mais consistente a atividade musical na cidade”, opina Paulo Guimarães, expectador do concerto Alma Brasileira.


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