10 anos
MAIO 2013
ANO X - Nº 121 Resende Costa - MG
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Distribuição Gratuita
Passados 95 anos, Biblioteca Municipal comemora conquistas e esbarra em problemas Foto Emanuelle Ribeiro
Construção civil em Resende Costa a pleno vapor Em média, 95 novos imóveis, entre residências e lojas comerciais, são construídos anualmente em Resende Costa, o que mostra que o setor de construção civil está de vento em popa. Além disso, cerca de 40 imóveis são reformados e ampliados por ano, de acordo com o Setor de Cadastro da Prefeitura Municipal. Página 03
Perfil: trajetória do maestro João Tomás A trajetória de João Tomás Silvério na banda de música Santa Cecília, em Resende Costa, começou cedo, ainda na infância. Passados 43 anos, o maestro se viu no momento de deixar a regência da banda no último dia 30 de abril. Conheça um pouco da trajetória do carismático e talentoso regente, que marcou uma geração de músicos. Página 06
Aumentam os casos de suspeita de dengue nas Vertentes
Resendecostenses lançarão livros em terra natal
O número de notificações de dengue subiu para 122 casos este ano, em relação a 30 diagnósticos em 2012, na área de abrangência da Gerência Regional de Saúde com sede em São João del-Rei. Foram confirmados 64 casos da doença, concentrados praticamente em São João. A situação em Resende Costa, de acordo com o Serviço de Epidemiologia, requer cuidados. Página 12
cutivas mudanças trouxeram sérios problemas à biblioteca, principalmente ao acervo de livros. Após muitos protestos e reivindicações, foi inaugurada em setembro de 2008 a nova sede, cujo acervo é composto por 8.310 obras.
Alair Coêlho e Evaldo Balbino lançarão em Resende Costa seus mais recentes livros: O Embuçado e Amores Oblíquos, respectivamente. O Embuçado, no. 4 da Coleção Lageana, editado pela AMIRCO com apoio do Fundo Estadual de Cultura, é uma trama que envolve maçonaria, história, amor e mistério. O lançamento do livro de contos Amores Oblíquos marcará o reencontro do premiado autor Evaldo Balbino com sua terra natal.
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Fachada da Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto
A Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto foi criada em Resende Costa no dia 29 de abril de 1918, seis anos após a emancipação política do município, ocorrida em 1912. Gonçalves Pinto doou seu acervo particular de livros ao recém-criado município a
fim de que fosse fundada uma biblioteca pública. 95 anos após sua fundação, a biblioteca, que leva o nome do seu fundador, vem mantendo grande parte do seu acervo através de doações. Ao longo dos anos, a biblioteca municipal mudou diversas vezes de endereço. As conse-
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E D I T O R I A L No Dia do Trabalhador, uma reflexão sobre a educação No dia primeiro de maio, em pronunciamento ao povo brasileiro na rede nacional de rádio e TV, em comemoração do Dia do Trabalhador, a presidente Dilma Rousseff afirmou ter enviado ao Congresso Nacional um novo projeto destinando todos os recursos obtidos com a exploração do pré-sal exclusivamente para a educação. A presidente reafirmou, assim, seu compromisso com a educação como alavanca para a geração de empregos e para o desenvolvimento do país. Uma nação que não prioriza a educação caminha na contramão do progresso. Coréia do Sul, Finlândia e Suécia são exemplos de países que investem seriamente em educação e já estão colhendo, há muito, os bons frutos desse investimento. O Brasil ainda precisa evoluir muito quando comparado a esses países. Mesmo estando no ranking das nações que mais aumentaram seus gastos com educação entre 2000 e 2009, ainda falta muito para o Brasil ter uma educação verdadeiramente de qualidade, ou seja, que promova o desenvolvimento integral do ser humano, à qual todos os brasileiros, independentemente de classe social ou cor da pele, tenham acesso. É necessário destacar que importantes ações têm sido realizadas, como o programa “Ciência sem Fronteiras”. É sem dúvida nenhuma um grande passo dado pelo governo federal para a formação de novos cientistas, através de intercâmbio dos alunos escolhidos com os melhores centros de tecnologia e pesquisas do mundo. Porém, não basta investir apenas na educação superior, uma vez que para obtermos uma educação superior de qualidade é necessário primeiro investir na educação básica, onde tudo começa. Entre tantos problemas na educação básica, falta investimento nas escolas, os professores estão cada vez mais desmotivados pelos baixos salários e pela falta de perspectiva na carreira. Neste ano, porém, a educação básica deverá receber do governo federal mais de 9 bilhões de reais para investimentos em projetos e ações. Resta torcer para que esse investimento bilionário seja de fato aplicado em bons projetos e não desapareça nos ralos da corrupção e da incompetência administrativa. Queremos que nossas escolas acolham os alunos com professores capacitados, motivados e dignamente remunerados, que sejam equipadas com laboratórios e bibliotecas, enfim, escolas que sejam reflexo da grandeza de um país que cresce a cada dia e que não pode mais olhar para trás. Pelo contrário, precisa corrigir seus erros passados, para acelerar o passo rumo ao desenvolvimento. O Brasil é atualmente um dos países do mundo que mais geram empregos, porém, esbarra num grave problema oriundo da falta de compromisso com a educação no passado: a escassez de mão de obra qualificada. Faltam trabalhadores qualificados em diversos setores da nossa economia. Para preencher essa lacuna, o Brasil tem recebido imigrantes europeus que fogem do desemprego recorde em seus países, especialmente Portugal e Espanha, e desembarcam no novo continente atraídos pelo boom da economia e pelos bons salários. Em geral são trabalhadores qualificados como arquitetos, engenheiros e advogados, que estão ocupando espaços que deveriam ser preenchidos por brasileiros. No Dia do Trabalhador, diferentemente de alguns países da velha Europa onde milhares de trabalhadores protestaram intensamente contra o desemprego e contra as medidas de austeridade fiscal, o brasileiro festejou, comemorou o atual momento da economia do país. Oxalá, nos próximos feriados de primeiro de maio, tenhamos ainda mais motivos para comemorar outras importantes conquistas ainda a serem alcançadas, como o aprimoramento da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a extinção plena do desemprego e o desenvolvimento da educação.
Jornal das Lajes Ltda
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Fundado em 22 de janeiro de 2008 Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro
Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000
Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Diretor de redação: Rosalvo Pinto
Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP
Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte
Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves
Tiragem: 4000 exemplares
Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto
Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Tiradentes
Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
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Meio Ambiente
ADRIANO VALÉRIO RESENDE
A sustentabilidade das atividades econômicas em Minas e em Resende Costa Minas Gerais foi um estado intensamente explorado pela colonização portuguesa. Das minas da região saíram ouro e diamante que foram alimentar o luxo das Coroas portuguesa e inglesa durante os séculos 18 e 19. Em muitas áreas do interior de Minas, durante o século 18 e principalmente no 19, o motor socioeconômico era certamente a fazenda, como foi o caso do nosso “Arraial das Lages”. A partir de meados do século 19, as plantações de café se tornaram a principal atividade econômica do sul de Minas. Já no século 20 a produção industrial e a mineração em grande escala, principalmente de minério de ferro, se tornaram importantes atividades econômicas. Nas décadas finais do século passado temos o início da introdução das monoculturas de cana-de-açúcar e do eucalipto. Essas atividades obviamente vieram acompanhadas de significativos impactos ambientais, que na atualidade são bastante discutidos. A mineração desde o período colonial continua sendo uma atividade importante para a economia do Estado e infelizmente grande empresas, seja estrangeiras ou nacionais, continuam explorando os minérios do subsolo mineiro (com destaque para o minério de ferro) e levando-os in natura para o exterior. Se parte significativa desse minério fosse beneficiada em Minas, as vantagens econômicas para o Estado seriam enormes. Merece destaque o peso da atividade mineradora na economia do estado, gerando renda e empregos diretos e indiretos, sendo, portanto,
extremamente importante para a população mineira. Para gerar essa expressiva produção mineral o impacto no meio ambiente é enorme. Fala-se aqui em impactos socioambientais: físicos, bióticos e sociais. Assim, a gestão ambiental no estado tem constantemente se deparado com a questão da extração mineral e suas interferências no meio ambiente. Ressalta-se que a atividade minerária é considerada como utilidade pública, o que legalmente autoriza intervenções em Áreas de Preservação Permanente – APP, em nascentes e em Mata Atlântica. A principal região mineradora é o chamado Quadrilátero Ferrífero, compreendendo parte da região metropolitana de Belo Horizonte, onde as reservas de minério de ferro são gigantescas. Outra atividade que merece destaque é a plantação de cana-de-açúcar, principalmente no Triângulo Mineiro. Vastas áreas de solos férteis estão ocupadas por essa monocultura. Registra-se o significativo conflito das atividades de monocultura com a agricultura de subsistência. Os impactos ambientais provenientes da atividade são visíveis: impacto visual, as queimadas, o desrespeito às áreas de proteção ambiental nas propriedades (APPs, nascentes, reservas legais), carreamento de sedimentos para os cursos d’água, uso de agroquímicos etc. A demanda de expansão territorial da atividade é enorme. No Norte e Nordeste de Minas a monocultora do eucalipto (silvicultura) vem se tornando constante. O Vale do Jequiti-
nhonha, por exemplo, está em grande parte tomado pela silvicultura. Também não faltam questionamentos sobre os impactos ambientais da atividade em regiões carentes de água e de recursos sociais. A demanda por áreas para expansão da atividade é enorme, prejudicando a agropecuária de subsistência ou autossubsistência e justificando o desmatamento. Os impactos sociais são significativos. Por exemplo, enquanto se planta e colhe eucalipto com máquinas, a população do Vale tem que se deslocar para as plantações de cana e de laranja de São Paulo em certos períodos do ano. O estado deveria incentivar a real integração entre as atividades de monocultura e a economia Norte e Nordeste de Minas, de forma a mitigar a situação socioeconômica da região. Falando um pouco da nossa região, a bacia do rio Santo Antônio, onde está localizada grande parte do município de Resende Costa, é referência na literatura em degradação ambiental devido aos processos erosivos (voçorocas) e vem nos últimos anos sofrendo significativo processo de transformação econômico-produtiva (“modernização”), principalmente com a expansão das plantações de eucalipto. Devido principalmente à topografia da região, que é ondulada e montanhosa, e ao alto preço das terras, o eucalipto, felizmente, ainda não se tornou uma monocultura. No entanto, nossa região precisa ser melhor estudada e entendida em uma perspectiva sistêmica e holística.
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Informativo da Câmara
Cidade
O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.
Confira alguns dos projetos de lei aprovados no mês de abril PROJETO 36 – autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e o Expedicionário Sport Club e dá outras providências. Tem por finalidade garantir recursos para a realização da 7ª Corrida Rústica de São Vicente de Paulo. PROJETO 37 – autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação dos Estudantes Universitários de Resende Costa – AEURC, o repasse dos recursos e dá outras providências. Assegura o repasse de recursos à associação de estudantes universitários. PROJETO 38 – dá nome à rua de Rua José Mendonça Chaves e dá outras providências. PROJETO 39 – denomina Bairro Zé Padeiro o loteamento de José Nicolau Filho, parte integrante da Lei Municipal n.º 3.008, de 18/12/06 e dá outras
providências. PROJETO 40 - autoriza a cessão das dependências do Parque dos Trabalhadores Dr. Geraldo Magela de Resende à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Resende Costa – APAE e dá outras providências. PROJETO 41 – autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Esportiva Boca Júnior e dá outras providências. Possibilita a realização do 1º Desafio das Pedras e do 13º Enduro das Lajes.
PROJETO 43 – autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende e a Associação dos Moradores da Nova Resende – ARNOVA, e dá outras providências. Possibilita recursos para a realização da 18ª Festa das Mães do bairro Nova Resende. PROJETO 46- autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Coral e Orquestra Mater Dei e dá outras providências. Maiores informações: www. camaraderesendecosta. mg.gov.br
PROJETO 42 – autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Nossa Senhora Aparecida e dá outras providências. Possibilita a realização da XXVII Festa da Colheita do Povoado do Cajuru.
Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.
Cumpre-me aqui lembrar, que além do artigo ter sido publicado em data tão expressiva, como a comemoração dos dez anos de vida do JL, também o foi, coincidentemente, dos 68 (sessenta e oito anos) de fundação do Expedicionário. O Expedicionário que já vinha animando a juventude de RC, desde o final de 1945, apenas com seus treinos, em abril de 1946, tomou corpo, oficialmente, quando resolvemos “oficializar” sua existência e o fizemos, sob o comando de Antônio Argamim de Freitas, o Totonho do Sobico, em reunião, informal, à noite, em frente à loja do Senhor Ozório Chaves, onde hoje está a Panificadora Sobrado, e exatamente no meio da rua. Sugeri que se pusesse o nome no time de Operário. Totonho do Sobico refutou: porque não Expedicionário, afinal eu fui um integrante da FEB?! Concordamos e ficou sendo Expedicionário F.C.
Compramos imediatamente o uniforme e o time tomou vida no primeiro domingo de maio de 1946, numa comemoração do primeiro aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, quando o time jogou, e venceu, um time de São João del-Rei, o Boa Vontade F.C. - pelo elástico resultado de 6x1. O Expedicionário foi então registrado na DEE – Diretoria Estadual de Esportes, do Estado de Minas Gerais; poucos anos depois nós o registramos na Federação Mineira de Futebol, quando esta era presidida por meu amigo e companheiro, Walter Soler. Mas, de par com esta informação, quero mesmo é proclamar minha eterna gratidão pela elevada honra de ver meu nome e meu artigo emoldurados nas páginas do Jornal das Lajes. Obrigado, muito obrigado mesmo.
Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
Voz do Cidadão Prezado André, Editor-chefe do JL. Recebi e tenho em mãos o Jornal das Lajes, Nº 120. Acontece que sou um leitor apaixonado do jornal que eleva a tão altos patamares a minha querida Resende Costa. É um prazer, quase orgásmico, poder ler e reler, como faço sempre, o nosso jornal, de que você é o brilhante redator. Cumpre-me, primeiramente, declarar: como é bom ser resende-costense. Agora, vamos ao fim primeiro desta: no último número do JL, a alegria que me acometeu foi intensa, eis que me deparei com um artigo de minha autoria: “O glorioso Expedicionário F. C.”, extraído de meu despretensioso livro, Casos e Causos do Vovô Totonho da Chapada. Ressalte-se que desta publicação sobressai, com vigor, a certeza de que uma boa revisão valoriza, e muito, qualquer texto. Foi o que aconteceu.
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Um abraço amigo. Alair Coêlho de Resende
Construção civil em Resende Costa a pleno vapor: 95 novos imóveis por ano JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Em média, 95 novos imóveis, entre residências e lojas comerciais, são construídos anualmente em Resende Costa, o que mostra que o setor de construção civil está de vento em popa. Além disso, cerca de 40 imóveis são reformados e ampliados por ano, de acordo com Eurides Arcanjo do Carmo Cruz, do Setor de Cadastro da Prefeitura Municipal. O número de edificações em Resende Costa atingiu 3.475 unidades, contra cerca de 3.000 unidades em 2008. Para efeito de comparação, o município tinha 4.217 veículos cadastrados até dezembro do ano passado. “A movimentação no sentido do aumento das construções em Resende Costa (assim como em qualquer cidade do Brasil) é notória aos olhos de qualquer um”, diz o engenheiro civil Leandro Kloser. Ele, por exemplo, teve demanda de uma média de 6 a 7 projetos em 2009. Já em 2012 foram por volta de 15 projetos, mais que o dobro. “A maior procura foi por projetos comerciais (principalmente lojas de artesanatos). Mas os projetos de residências não ficaram atrás: foram quase metade em 2012”. Estímulo federal - Os clientes estão cada dia mais “antenados” no que se refere à construção civil, ou seja, “querem o que tem de melhor no mercado”, observa Kloser. Para o engenheiro, vários fatores influenciaram nesse crescimento. Um exemplo é a ajuda das entidades federais à construção civil, como a redução de impostos de material de construção por parte do governo, aliada às facilidades para o financiamento da casa própria. “Isto, sem falar no próprio crescimento da economia, principalmente ´daqueles´ classificados como classes C e D”. Kloser cita ainda programas como o “Minha casa, minha vida”, da Caixa Econômica Federal. “A oferta de empréstimos a juros bai-
xos para família, mediante à comprovação de renda, tem ganhado cada vez mais espaço e transformado o sonho da casa própria em realidade para muitos brasileiros”. Outros especialistas, como um projetista que atua neste mercado, observam grande aumento no número de construções nos últimos 12 a 15 anos, principalmente no centro e na Avenida Alfredo Penido. Ele lembra que o CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) notifica obras a partir de 40 m2, mas o INSS considera como “casa popular”, para efeito de isenção, imóveis com até 70 m2. Ou seja, imóvel acima de 70 m2 deve ser lançado no INSS. O crescimento da construção civil reflete no mercado de mão de obra especializada. “Está faltando pedreiro no mercado”, diz o pedreiro José Eduardo Procópio. Além disso, muitos pedreiros estão preferindo trabalhar registrados principalmente na mineração de Congonhas e na siderúrgica de Jeceaba. O pedreiro está ganhando em média R$ 80,00 por dia, das 7 às 17h, de segunda a sexta-feira. Procópio garante que “sai de um serviço e já começa outro”. Uma obra de 250 m2 leva cinco meses para ser levantada, sem o acabamento. Mas, em geral, Procópio constrói obra comum (casas de 70 a 80 m2), que “leva um mês para ser levantada, se for do tipo tijolo baianão”. Exigências – A execução de uma obra, seja construção, reforma ou ampliação, exige alvará de licença, escritura do imóvel e projeto de construção, informa Eurides. “A fiscalização é feita no início da obra, quando se exige o alvará de licença para execução da obra e, no caso de construção nova, o alinhamento e nivelamento. E no final da obra se exige o habite-se (documento expedido pelo cadastro imobiliário, comprovando que as obras podem ser ocupadas e suas finalidades exercidas)”.
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Cultura
Biblioteca Municipal de Resende Costa: conquistas, problemas e projetos ANDRÉ EUSTÁQUIO Fotos Emanuelle Ribeiro JL
A Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto foi criada em Resende Costa em 29 de abril de 1918, seis anos após a emancipação política do município, ocorrida em 1912. Gonçalves Pinto doou seu acervo particular de livros ao recém-criado município a fim de que fosse fundada uma biblioteca pública. Após 95 anos, a biblioteca, que leva o nome do seu fundador, vem mantendo grande parte do seu acervo através de doações. Ao longo dos anos, a biblioteca municipal mudou diversas vezes de endereço. Funcionou no sobrado que abriga a Câmara Municipal, também onde hoje está sediada a Contemp Contabilidade, posteriormente na Prefeitura Municipal e, por último, no imóvel anexo ao Teatro Municipal, até ser definitivamente transferida para sua nova sede inaugurada em setembro de 2008, na praça Nossa Senhora de Fátima. As consecutivas mudanças de endereço trouxeram sérios problemas à biblioteca, principalmente ao acervo de livros. Pode-se afirmar que durante esse longo período itinerante, a biblioteca teve seu momento mais crítico quando foi alojada no Teatro Municipal. O imóvel escolhido para abrigá-la foi construído para ser área funcional do teatro, não para ser sede de biblioteca. Não havia espaço adequado para os livros, muito menos para receber os usuários. Muitos livros, dentre eles obras raras publicadas nos séculos 18 e 19, ficaram anos amontoados, expostas ao mofo, poeira e traças, no camarote do teatro. Diante desta triste situação, diversas reivindicações foram feitas ao poder público. O JL publicou reportagens e editoriais denunciando o estado precário em que se encontrava a biblioteca pública de Resende Costa e ao mesmo tempo sugerindo a construção de uma sede adequada e digna para abrigá-la. Antes que isso acontecesse, a AMIRCO (Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa) se apressou a tentar salvar as obras raras do seu acervo inicial, doado pelo fundador. Assim, 110 dessas obras, em uma primeira etapa, foram restauradas através de projeto apresentado pela AMIRCO e aprovado pelo Fundo Estadual de Cultura (FEC 2009). Essas obras estão hoje expostas em uma sala especialmente estruturada para recebê-las. Após muitas expectativas, finalmente a nova sede foi inaugurada em setembro de 2008 pelo então prefeito municipal, Gilberto José Pinto. As 8.310 obras que compõem o acervo da biblioteca encontraram enfim um lugar digno
Público infanto-juvenil utiliza a Biblioteca para pesquisas
para recebê-las. A auxiliar de biblioteca, Cláudia Lúcia Pinto Resende, elogia a atual sede: “A escolha do lugar para se construir a nova sede da biblioteca não poderia ser melhor [Mirante das Lajes de Cima]. É um lugar muito agradável, inclusive recebemos visitas de muitos turistas, que elogiam bastante. A estrutura é boa e o espaço é suficiente para atender a todos”. Público e acervo De acordo com Cláudia Resende, os principais usuários da biblioteca municipal são crianças, adolescentes e jovens em idade escolar, que frequentam o local para pesquisas e também para obter empréstimo de livros. “Geralmente são crianças, adolescentes e estudantes que frequentam mais a biblioteca. Os professores pedem pesquisas e indicam livros, que na maioria das vezes são clássicos da literatura brasileira, como Machado de Assis, José de Alencar, entre outros. Recebemos também alunos de Resende Costa que estudam em São João del-Rei, tanto do ensino fundamental como do ensino médio, que vêm pesquisar e pegar livros para leitura”, disse Cláudia. O público adulto também frequenta a biblioteca, porém em número menor: “Infelizmente esse público é menor. Atualmente temos recebido muitas doações de livros, por resende-costenses e mesmo por pessoas de outras cidades”, informou a auxiliar de biblioteca. A biblioteca municipal possui hoje 2.505 leitores cadastrados. A literatura infanto-juvenil tem sido a atração dos principais usuários da biblioteca: “Os usuários mais assíduos procuram por publicações novas, ou seja, livros que estão em destaque na mídia. Durante a administração municipal anterior (2008 – 2012) foram adquiridos 147 livros, incluindo os mais pedidos para os vestibulares das principais universidades. São livros de literatura estrangeira, li-
teratura infanto-juvenil. Já estou preparando uma nova lista para este ano”, informa Cláudia Resende, que completa dizendo: “Se não tivermos livros novos, os leitores não se sentirão atraídos”. Problemas O número reduzido de livros atualizados, sobretudo na área de enciclopédias, e a falta de computadores para acesso à internet para pesquisas são apenas alguns dos problemas atuais da biblioteca. Há carências na área de equipamentos necessários ao funcionamento de uma boa biblioteca. A catalogação dos livros ainda é feita em fichas. Não há um sistema informatizado que permita a funcionários e usuários localizarem os livros nas estantes, entre outros problemas. Além disso, é preocupante a constatação de que o novo prédio já apresenta problemas em sua infraestrutura interna e externa, como rachaduras, infiltrações e mofo. “É inaceitável que estejam acontecendo esses problemas, que podem danificar seriamente os livros. É importante ressaltar que tais problemas já vêm ocorrendo há aproximadamente três anos”, lamenta Cláudia Resende.
ausentes na biblioteca. “E como faz falta!”, afirma a auxiliar de biblioteca, que esclarece: “Os professores pedem pesquisas sobre temas atuais, que são encontrados somente na internet”. O equipamento do Telecentro (11 computadores conectados à internet) que estava na biblioteca foi transferido em setembro de 2011 para a Escola Municipal Paula Assis, no povoado do Ribeirão de Santo Antônio. Atualmente a biblioteca conta somente com um computador para serviço interno, desprovido de impressora. Projetos para a biblioteca A secretária municipal de Educação e Cultura, Silvanda Resende, informa que a atual administração tem planos para resolver os problemas acima citados. “Estou ciente dos problemas apontados, pois, após assumirmos em janeiro, visitamos os prédios públicos, inclusive a biblioteca. Percebemos a necessidade de uma reforma do prédio, sobretudo pelo problema de infiltrações que está causando mofo e empenando as tábuas cor-
ridas que compõem o piso do imóvel”, informou a secretária. Dentre os projetos Silvanda destaca a “informatização e aquisição de livros para atualização da biblioteca”. A secretária esclareceu o fato da falta de computadores e acesso à internet: “Os equipamentos se encontram na biblioteca desde a administração passada, porém, a responsabilidade da instalação é do Ministério das Comunicações. Sendo assim, não somos autorizados a montá-los. Devido a esse impedimento, entramos em contato com o ministério para informar que os equipamentos do Telecentro se encontram em nosso município. Estamos esperando uma resposta”. Quanto aos projetos para melhor utilização do espaço cultural, Silvanda convida a comunidade a sugerir ideias: “Ressalto que projetos para melhor utilização dos espaços públicos podem partir da comunidade, das escolas, das associações etc., não necessariamente do poder público. Estamos, portanto, abertos a sugestões”, conclui.
Mofo e infiltrações ameaçam os livros nas estantes
Utilização do espaço A nova sede da biblioteca abriga também o Espaço Cultural professor Geraldo Sebastião Chaves, idealizado para sediar eventos culturais diversos, como palestras, lançamento de livros e debates. De acordo com Cláudia Resende, o espaço vem sendo utilizado para reuniões de alguns grupos da comunidade e setores da prefeitura, como Secretaria de Saúde e Emater. O Cine Cultura também funcionou no local: “Exibíamos filmes para estudantes da zona rural, da APAE e da escola Conjurados”, recorda Cláudia. O Telecentro Comunitário (programa de inclusão digital) é certamente um dos principais itens
Obras raras recuperadas através de recursos do FEC
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Artigo
O monstro das Lajes JOSÉ ÂNGELO DE FREITAS COELHO*
Não sou filho de Resende Costa, ainda que me sinta como tal devido à minha relação com a cidade, a qual sempre vejo através dos olhos do meu pai, Alair Coêlho, este sim, que é filho natural dessa terra tão prodigiosa em beleza e cultura. Lembro-me das visões maravilhadas do alto da Laje de Cima, visões de um dia que morria e a noite que renascia cada tarde do alto da laje. Noites frias do festival de inverno, um encontro de música, beleza, nostalgia e calor humano, que acontecia onde hoje é a Biblioteca Municipal (uma obra que nos enche de orgulho). Infelizmente, tal sentimento não pode ser aplicado a um verdadeiro “monstro” que foi levantado de maneira completamente desafiadora da cultura estética, profanando e violando o direito de Resende Costa de ser uma das cidades mais belas e acolhedoras de Minas. O monstro não tem nome, mas tem função: caixa d´água. Uma aberração. O lugar que um dia e por décadas havia sido o ponto de encontro da juventude e maioria dos adultos da cidade, foi arrebatado da maneira mais vil das mãos e consciências dos resende-costenses. Quantos matrimônios foram pedidos e quantos beijos inocentes foram roubados nesse lugar emblemático de Resende Costa. Quantas amizades foram iniciadas e alicerçadas no campo de voleibol que aí estava. Tudo isso é coisa e assunto do passado. A história é uma mãe, e o tempo é um juiz. Enquanto a história ensina, o tempo julga. De uma ou outra maneira os responsáveis pelo monstro que um dia se levantou na Laje não passarão incólumes pelo crivo da história e a sentença do tempo. A profanação tem um preço, e nesse caso em particular foi muito alto. Toda uma geração se está perdendo porque não tem no seu DNA cultural uma relação com esse lado da cultura urbana de Resende Costa. O culpável? Não há UM culpável, porque nesse caso são vários, começando pelo idealizador, passando pelo que aprovou e terminando pela sociedade resende-costense que nada fez para deter a esbugalhação de um patrimônio que não é só local, é atemporal. É de se admirar que uma terra que deu dois dos mais valorosos heróis da
inconfidência mineira (José de Resende Costa, o pai e o filho, do qual sou descendente, com muito orgulho), não haja posto em ação essa coragem quando Resende Costa, a cidade com seus becos e ruas históricas, pediu e implorou ajuda, quando foi vítima da mais vil violação, quando lhe foi tirada a vista de horizontes musicais, como disse meu pai. Não estou contra o progresso, mesmo porque seria algo nonsense estar. Mas sim estou contra os crimes cometidos em nome do progresso. Moro em uma cidade de mais de 1.500 anos de história, a Cidade do México. Quando o espanhol Hernán Cortez chegou a essa cidade (naquela época conhecida como Tenochtitlan), ficou boquiaberto por encontrar uma cidade maior, com mais população e mais avançada que Barcelona ou Madri, naquele momento. Hoje em dia a cultura mexicana e azteca aflora em qualquer ponto da Cidade do México com seus 22 milhões de habitantes. E ainda com tanta gente vivendo aqui, existe uma consciência formada e aplicada nos moldes da preservação da cultura. Ante o mais leve indício de descobrimento de ruínas ou pirâmides, as obras de qualquer envergadura são imediatamente paralisadas e são chamados expertos arqueólogos mexicanos para fazer a escavação. O metrô da Cidade do México é um dos maiores do mundo e nesse momento em que escrevo essas linhas, as obras de outra estação estão paralisadas devido a um descobrimento arqueológico e ninguém reclama do atraso das obras, porque ainda que sejam muito necessárias em uma cidade com tão alto nível de população, eles sabem que a cultura não pode ser violada por monstros feitos pelos homens, em áreas do progresso. Progresso que destrói, não é progresso, é regresso. O monstro da caixa d´água de Resende Costa ganha dimensões insuspeitadas. Um dia, enquanto eu esperava meu voo de regresso à Cidade do México, depois de uma conferência na cidade de Mérida, estado de Yucatán, vi na lapela de um senhor que esperava seu respectivo voo, um pingente com um triângulo. Aproximei-me dele e qual não foi minha surpresa ao ver aí, a bandeira mineira.
Apresentei-me pensando que se tratava de um conterrâneo e minha surpresa alcançou índices altíssimos quando vi que se tratava de um mexicano. Conversamos essas conversas rápidas entre voos e quando perguntei o que ele foi fazer no Brasil, me disse que participou de um congresso da Emater, com uma parte feita em... Resende Costa! Eu não saía ainda do meu assombro quando foi disparado um verdadeiro míssil oral direto ao meu coração. Para tal efeito, reproduzo literalmente o que me disse: - Me gustó mucho todo lo que vi en Resende Costa se parece a Taxco aqui en México, pero hay una cosa que echó a perder todo lo bonito: ¿quien diablos colocó una cosa tan fea como un tinaco de agua justo en el lugar más bello de Resende Costa? Es un crímen. Para os não versados na língua de Cervantes, a tradução, ainda que doa: - Eu gostei muito de tudo o que vi em Resende Costa, parece Taxco (uma cidade colonial do México), mas tem uma coisa que fez perder tudo o que vi de bonito lá: Quem foi o responsável por construir essa coisa tão horrível como uma caixa d´água no lugar mais bonito de Resende Costa? Devido ao meu silêncio ante tão assustadora verdade, me perguntou: “Por acaso não havia outro lugar para colocar a caixa d´água?” Claro que havia e há, mas o monstro não conhece essas coisas do coração nostálgico. É como Frankenstein na novela de Mary Shelley, criado sem razão aparente de existir, porque não tem consciência da sua própria existência. Enquanto isso, cada vez que vou a Resende Costa, deixo a visita à Laje de Cima como última etapa, qual santa peregrinação por vias onde passei, quando era menino, minhas férias na casa dos meus avós. E sempre se apodera de mim o sentimento de impotência ante tão grave abuso. Sei que chegando à Laje, tenho que encontrar outra vez com o monstro. É um encontro inevitável e fere, porque enquanto que eu vou e venho, o monstro não se move e fica. *Teólogo evangélico, pastor e escritor
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Polícia
Diminuem os furtos na zona rural de Resende Costa EMANUELLE RIBEIRO
“Hoje a incidência de furtos na zona rural de Resende Costa é baixa, quase inexistente. O programa ‘Patrulha Rural’, da Polícia Militar, tem contribuído para esse quadro”, declarou o tenente do 3º Pelotão de Polícia Militar, Klaudir Machado. O objetivo da “Patrulha” é garantir a segurança no campo e atinge também os municípios de Coronel Xavier Chaves e Lagoa Dourada, conforme já divulgado pelo Jornal das Lajes em edição passada. De acordo com dados da Polícia Civil de Resende Costa, em 2013 ocorreram cinco furtos em propriedades da zona rural de Resende Costa, sendo um deles furto de gado: “Todos estes fatos estão sendo investigados pela Polícia Civil, com apoio, inclusive, da Perícia Técnica e Científica da Polícia Civil e da delegacia de Entre Rios de Minas, tendo em vista que um possível autor reside em uma localidade rural daquele município”, explicou o policial civil Gláucio Wallacy. Em conversa com o tenente Klaudir, ele explicou que a quantidade de casos diminuiu consideravelmente nesse último ano, mas que os moradores ainda precisam estar atentos: “Aconselhamos aqueles que residem na zona rural manter um cachorro nos arredores da casa para dar sinal de qualquer movimentação suspeita. Quem possui imóveis no campo é bom visitá-los com mais frequência ou comunicar alguém próximo para ficar de olho”. Klaudir disse ainda que os casos mais comuns são de roubos de menor porte, menos preocupantes, além de furtos de criações, visto que seus donos as deixam livres, sem proteção. Ele chamou a atenção também para o caso especial de motocicletas: “São os veículos mais usados para furtos
pela facilidade de locomoção. É bom estarem sempre atentos para o aparecimento de algum estranho, que desperte suspeição”. Os casos registrados pela polícia, de acordo com Klaudir, acontecem em sítios mais próximos à cidade e onde não há moradores: “Os donos demoram a perceber, pois ficam muitos dias sem visitar o imóvel. Quando dão conta, registram o boletim, mas fica difícil para a polícia encontrar algum suspeito”. A Polícia Civil informou que não houve prisão em flagrante e nem em decorrência de mandado de prisão, mas informou ser possível durante o processo investigativo alguma pessoa ser apontada como autora dos delitos e, assim, ser indiciada pelos crimes supostamente cometidos. Gláucio reforçou o conselho do tenente Klaudir: “O que eu gosto sempre de ressaltar e orientar é que os proprietários de casas, sítios e fazendas na zona rural, não deixem suas propriedades sozinhas em hipótese alguma, principalmente aquelas onde possuem em seu interior equipamentos e produtos com algum valor pecuniário”. O tenente destacou uma nova forma de furto que vem acontecendo na zona rural e que já tem até nome: o “Golpe da Antena”. Segundo ele, os meliantes vão até o sítio oferecer antenas com o objetivo de entrar nas casas e conhecer o local, ver o que há de valor para depois voltarem para furtar: “Geralmente são pessoas bem amigáveis, que não apresentam risco algum. Usam até uniformes de empresas e mandam mulheres. Uma das perguntas que fazem é: ‘você reside aqui?,’ para fazer um reconhecimento da área. Felizmente ainda não aconteceu na nossa região”, completa.
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Jornal das Lajes
ANO X Nº 121 - MAIO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Perfil
João Tomás: 43 anos de banda Santa Cecília EMANUELLE RIBEIRO
João Tomás no aniversário de Resende Costa em 2012
A trajetória de João Tomás Silvério, 54, na banda de música Santa Cecília de Resende Costa, começou cedo, ainda na infância. Passados 43 anos, o maestro se viu no momento de deixar a regência da banda no último dia 30 de abril: “Hoje eu me sinto muito cansado, mentalmente e fisicamente. Tem o tempo de começar, mas precisamos ver o tempo de parar, reconhecer os limites, diagnosticar o problema e afastar. Eu tenho muito pesar em deixar a banda, mas não pretendo me afastar de vez. Não consigo deixar a música. Hoje eu falo que sou casado com a Romilda e com a música”, afirma João sobre seu afastamento. O envolvimento com a música começou ainda nos tempos de criança, quando estudava no então Grupo Escolar Assis Resende: “Mais ou menos em 1967 tínhamos um auditório no Grupo. Nessa época, a Maria Aleluia começou a oferecer aulas na escola, formando um corinho e uma bandinha e eu fazia parte do corinho. Com a Aleluia aprendi as primeiras notas musicais. Na sexta, após o intervalo, voltávamos para a sala e estava tudo pronto para nos apresentarmos para a turma”, relembra João dos primeiros anos de música. Pouco tempo depois, João passou a integrar a banda Santa Cecília: “Aprendi a música de repente, de ouvido, com o auxílio do Sr. Geraldo Chaves. Comecei com o bombardino. Aprendi trombone, baixo e sempre que faltava algum músico eu aprendia o instrumento para comple-
tar a banda. Quando entrei no Coral Mater Dei me vi obrigado a começar a ler um pouco as notas”, conta. A transição de músico para maestro da banda aconteceu de forma rápida, devido aos problemas de saúde de Geraldo Chaves. Em pouco tempo, João estava regendo e treinando novos músicos: “O Sr. Geraldo passou diversos períodos internados e sempre me deixava cuidando da banda. Teve uma época em que ele deixou a banda com 14 músicos e quando voltou, na véspera da Festa de São Sebastião, se deparou com um bando de novos alunos. Ele levantou a mão, regeu e a criançada tocou. Ele ficou admirado, surpreso. 1982 foi seu último período de aulas. Logo depois eu assumi”, afirma João Tomás, emocionado. João, então, ficou com a difícil tarefa de ensinar a música e fala das dificuldades: “A dificuldade em ensinar é encontrar alguém que tem talento e disposição em aprender. A música é um dom. Há muitos anos eu formo músicos em Resende Costa. Sempre apareciam na sala cerca de 60 alunos e quando iniciávamos os exercícios com instrumento restavam seis. A música exige sensibilidade, concentração. Existem dois tipos de afinação: de garganta e de ouvido. Acredito no dom, mas com a vontade de aprender e o esforço, uma pessoa consegue”. Sobre os momentos marcantes à frente da banda Santa Cecília, o ex-maestro enumerou alguns: “Por volta de 1973 a banda fez dois passeios, um em Rio Novo e outro no Parque da Colina, em Belo Horizonte. Saiu o Sr. Geraldo animado com aquela criançada, a gente nunca tinha saído de casa (risos). Outro momento bacana foi uma apresentação que fizemos no Colégio Salesiano, no Rio de Janeiro. Já o melhor momento como regente foi durante os encontros de bandas. Nosso primeiro encontro foi em São João del-Rei, não faz muito tempo. A banda não tinha uniforme e uma pessoa disse na ocasião que a única coisa que faltava era isso, porque o resto a gente tinha tudo. Fui eu quem organizei o primeiro encontro em Resende Costa também. Participamos de uns 30 encontros”, diz orgulhoso.
O músico viveu momentos difíceis também frente à banda: “Houve uma época em que eu enchia o carro de instrumentos e levava para as cidades vizinhas para arrumar. Colava com durepóxi, arame”. Hoje as coisas melhoraram: “De um certo tempo para cá a banda recebeu muito apoio, ganhou uniforme, instrumentos, equipamentos, incentivo do poder municipal. Hoje as coisas são bem mais fáceis”, completa. João Tomás conclui falando sobre suas expectativas: “Espero que dê tudo certo, que a pessoa indicada leve bem a banda. O próximo que entrar tem que ter muito jogo de cintura, carisma, saber cativar novos membros e segurar os músicos antigos. É preciso ser humilde, estar aberto a ideias. E claro que podem contar comigo. Foi um tempo muito bom e espero que seja melhor de agora em diante”. A imagem do maestro frente à banda sempre foi de uma pessoa carismática, que valoriza a amizade que tem com seus músicos. Eustáquio Peluzi participou do último período de aulas de Geraldo Chaves e desde então convive com João Tomás na banda Santa Cecília. O músico deixou o seu depoimento para o maestro: “Ele é uma pessoa muito carismática e possui uma maneira especial de lidar com o músico, nos considerando, antes de tudo, como grandes amigos. A manutenção de uma banda de música não é tarefa fácil. O maestro tem que atuar na formação e preparação do músico, além de outras incumbências relacionadas ao funcionamento da banda. É um trabalho árduo e demorado. O João sempre conseguiu fazer isso de forma serena e equilibrada, tendo na união e na amizade os principais fatores para manter a banda de música viva e atuante. Todos que têm a oportunidade de conhecer e conviver com o João despertam por ele um profundo respeito e admiração. Com seu jeito simples e sempre de bem com a vida ele cativa a todos. Eu o considero uma pessoa excepcional e só tenho a agradecer-lhe pelo seu amor e pela sua dedicação em favor da nossa banda de música Santa Cecília”.
Festas Rurais
Festas rurais em Resende Costa perdem suas características FRANCIELLE VALE As festas rurais iniciaram em abril em Resende Costa com atrações tradicionais, como cavalgadas, desfiles de carros de boi, shows, concursos de marcha e outros atrativos para as comunidades e para os visitantes. Atualmente, porém, surgem questionamentos acerca do que realmente vem motivando e movimentando essas festas. Há pessoas que dizem que as festas rurais estão perdendo sua originalidade e, diante disso, propõem maior valorização do homem do campo. Sobre o sucesso dessas festas, não há dúvidas de que aumenta com o passar dos anos, tendo em vista o movimento e a motivação da população. Vale ressaltar que as festas rurais atraem também pessoas de várias localidades da região. Para falar sobre as festas rurais, o Jornal das Lajes conversou com Marcos Túlio (EMATER) e Adélio Mariano, vice-presidente do conselho do povoado dos Pintos. Atualmente, as festas não estão mais comemorando a colheita, e por isso buscam outros motivos, frente aos novos objetivos que estão surgindo. De acordo com Túlio, “hoje são chamadas de Encontro de Carros de Boi as festas de Jacarandira, Cajuru, Ribeirão e Curralinho dos Paulas. A festa do povoado dos Pintos é chamada Encontro de São João. Já a festa no povoado do Barracão é dirigida aos violeiros. Todas as festas têm algum evento relacionado aos equinos, como concurso de marcha ou cavalgada, sendo que a mais tradicional é a festa do Ribeirão de Santo Antônio, que acontece há mais de 20 anos”. Falando sobre a verdadeira intenção dessas festas, Túlio diz que “inicialmente era de comemorar a colheita. Porém, com o passar dos anos, perdeu esse foco, pois diante de vários fatores as comunidades deixaram de plantar milho, feijão e outros produtos. Hoje a intenção é manter viva a tradição, principalmente a do carro de boi”. Adélio Mariano falou sobre o
Encontro de São João, que acontece no povoado dos Pintos há 14 anos. Conforme Adélio, a festa é intitulada assim devido à data em que acontece o evento, ou seja, próximo ao dia 24 de junho, sendo então uma festa junina. “A cada ano que passa a festa está se ampliando mais”, disse Adélio. Ele falou sobre a competição entre os povoados, o que faz com que todos os anos as festas evoluem ainda mais, incentivando o produtor rural, além de ser um atrativo para a comunidade. Segundo Adélio, os custos da Festa de São João são distribuídos da seguinte forma: é feito um convênio com a prefeitura de um valor que cobre aproximadamente 40% do custo da festa, e o complemento desse valor é feito pela comunidade através de leilões, quermesses e vísporas. Já há preocupações em relação às despesas e lucros oriundos das festas rurais. A EMATER e a Assistência Social do município questionam o fato de que as festas não geram lucro às comunidades rurais. Túlio argumenta que a atual organização dos eventos traz prejuízo às comunidades, uma vez que todo o recurso aplicado vai para fora do município. “Deve-se fazer com que esses recursos se transformem em divisas (dinheiro) para o produtor”, sugere. Túlio acredita que a fórmula para isso é a união de forças dos moradores dos arredores das comunidades com os órgãos públicos envolvidos com os produtores. “Em conjunto encontrarão um meio para manter esses recursos no município”, defende Túlio. Túlio e Adélio propõem uma parceria para a implementação do Turismo Rural no município, uma vez que já está sendo trabalhada no Povoado dos Pintos, para o desenvolvimento da comunidade. Segundo eles, o povoado tem perfil para o turismo. Túlio disse que está trabalhando nessa proposta há mais de dois anos, e espera começar a colher os frutos logo.
O carro de boi é uma das atrações das festas rurais
Jornal das Lajes
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Política Regional
História política de Piedade do Rio Grande tem raízes em Andrelândia
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Os Monteiros - Américo José Monteiro, da Fazenda do Ribeirão, foi vereador eleito pelo
Foto Arquivo Prefeitura
A história política de Piedade do Rio Grande tem raízes no processo político do antigo Turvo, atual Andrelândia, que remonta ao Império. Antes disso, entre meados do século 18 e início do século 20, a antiga Vila de Nossa Senhora da Piedade do Rio Grande pertenceu a São João del-Rei. O primeiro batizado na Capela de Nossa Senhora da Piedade teria ocorrido em 1743, diz padre José Paulo Guimarães Menezes, o pároco. Em 1825, a capela passou para os domínios da Freguesia de São Miguel do Cajuru, desmembrando-se da matriz de Nossa Senhora do Pilar, e em 1861 para Madre de Deus. Em fevereiro de 1892, Piedade do Rio Grande foi elevada à categoria de paróquia, bem antes da emancipação política. No início do século 20, o distrito passou a pertencer ao Turvo, ganhando o nome de Vila de Arantes, devido à família Arantes cujo expoente, o Visconde de Arantes, era político influente na região, conta Álvaro de Azevedo (Andrelândia - Fatos de sua vida político-social, Livraria Clássica Brasileira, Rio de Janeiro, 1954). O “Partido do Visconde” reinava absoluto quando, em 1887, surgiu contra ele o Partido Republicano do Turvo (PRT). “Nasceu raquítico, mas adquiriu logo o máximo vigor, facilitada a sua tarefa pelo advento da República a que o Visconde (como quase todos os titulares do Império) aderira logo...” De 1905 a 1915, o Turvo ficou sob o domínio do Partido do Visconde, por intermédio da chefia de Emílio Antonio Cardoso e Evaristo Antonio Chaves. Piedade do Rio Grande foi, por longo tempo, um dos maiores redutos eleitorais do Visconde de Arantes. Ele recebia a maior parte dos votos do distrito pelas mãos do chefe político Hipólito Rodrigues Teixeira. Na oposição, figurava a família dos Monteiros que, no início do século 20, começou a se imiscuir na vida política do distrito. De acordo com Azevedo, depois de acordo entre as duas facções políticas, defendido pelo Partido do Visconde para evitar derrota na próxima eleição, José Bonifácio de Azevedo foi escolhido para a presidência da Câmara. Porém, o direito de voto de desempate do presidente manteve o PRT dominando a política do município até 1945.
Vista geral de Piedade do Rio Grande
distrito de Arantes e presidente da Câmara Legislativa do Turvo, espécie de prefeito, conta seu neto José Edwiges Araújo Monteiro (Fatos e Recordações, 2010). “Na gestão do vovô como prefeito, é que foi instalada a linha telefônica, partindo de Barbacena a Andrelândia. E também neste período nasceu a idéia de construir a estrada de automóvel, ligando Ibertioga a Piedade, cujo destino era Caxambu.” A família Monteiro teve participação ativa na construção da estrada Ibertioga-Piedade. As obras do trecho de Ibertioga à fazenda da Ventania foram administradas por Custódio. Nas terras da Ventania, a administração foi realizada pelo proprietário da fazenda, Antonio Fagundes. O trecho final, até Piedade, teve a construção tocada por Hildebrando Teixeira de Andrade. Colaborou na construção Godofredo de Oliveira, da fazenda do Ribeirão, genro de Américo Monteiro. A estrada foi inaugurada em 13 de setembro de 1928, com a presença de José Francisco Bias Fortes, secretário de Segurança Pública de Minas, e José Bonifácio Filho, seu secretário particular, ambos de Barbacena, relata José Edwiges. Entre as lideranças políticas dessa fase do distrito de Arantes, aparece José Fernandes Teixeira, avô do ex-prefeito Enir Geraldo Teixeira, que era juiz de paz até Getúlio Vargas assumir o poder federal. O pai de Enir, José Fernandes Filho, chegou a ser vereador em Andrelândia pelo distrito de Arantes. Outros netos do líder político são o ex-prefeito José Fernandes e o atual prefeito Mauro
Fernandes do Vale. UDN x PSD - Com a queda da ditadura (Vargas), foi embora o prefeito do PRT, relata Álvaro de Azevedo. “Logo, na primeira eleição, após o longo período ditatorial, foi derrotado o Partido Republicano do Turvo, voltando, pois, o município, ao dominío do velho partido do Visconde, que readquirira, assim, o poder, após trinta anos de ostracismo (1915 a 1945)”. O prefeito eleito, Simplício Dias do Nascimento, não apenas beneficiou o município com construção e reforma de estradas intermunicipais, como também iniciou em Piedade do Rio Grande o abastecimento d´água, observa Azevedo. “Efêmero foi, porém, o triunfo do Partido do Visconde”. A partir da era Vargas, UDN (União Democrática Nacional) e PSD (Partido Social Democrático) alternavam-se no poder em Andrelândia, e eram popularmente conhecidos como “caranguejos” e “veados”, observa o padre José Paulo. A política era polarizada, “pegava fogo”, complementa Enir. No distrito de Arantes predominavam os caranguejos “pela força do coronelismo (voto de cabresto)”, afirma o pároco. Uma das poucas vezes em que a oposição comandada pelos veados venceu foi em 1950 quando o distrito ajudou a eleger prefeito o padre Jaime Salgado Pereira, tendo como vice Ed Monteiro de Araújo. “Começou então o seu trabalho em prol do distrito de Piedade: primeiro conseguiu que o nome oficial do distrito voltasse a ser o de Piedade do Rio Grande, e não o de Arantes”,
relata José Edwiges, referindo-se a Ed Monteiro. Mesmo com a emancipação em 1954, a UDN continuou dominando a política do novo município. José Gonçalves da Silva foi nomeado pelo governador do Estado intendente de Piedade do Rio Grande para organizar o município com vistas à primeira eleição direta. O primeiro prefeito eleito foi o udenista Nicanor Martins Gonçalves, para o mandato de 1955-59. “A liderança do senhor Nicanor era muito forte, ele era ligado aos Andradas de Barbacena, que sempre foram majoritários aqui nas eleições de deputados e governador”, afirma Bartolomeu Rogério Gonçalves, servidor público e assessor especial do atual prefeito. A UDN manteve o controle da administração municipal em 1959-62, com José Bernardino do Nascimento, e em 1963-66, com Edmundo Bosco Ribeiro. Segundo Enir, Edmundo cultivou laços políticos com o então ministro de Minas e Energia, Gabriel de Resende Passos, e seu filho Celso (deputado federal). Outro aliado era o deputado estadual são-joanense Nelson Lombardi, que ajudou a encaminhar a construção da ponte do Rio Grande, concluída na gestão de Enir. Com o golpe militar de 1964, a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) assumiu naturalmente o papel da UDN na hegemonia da política local. As sublegendas 1 e 2 da ARENA chegaram a prevalecer sobre o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), de acordo com o padre José Paulo. Assim, Edmundo Ribeiro, que voltou ao poder em 1963
pela UDN, terminou o mandato na ARENA. Em 1967, foi a vez de Nicanor Gonçalves voltar à prefeitura, também pela ARENA. A família dos Martins Gonçalves, com Bartolomeu, manteve o controle da administração municipal no mandato-tampão de 1971-72. Enir Teixeira assegurou a hegemonia da ARENA, ao ser eleito para o período 1973-76. O antigo udenista José Bernardino voltou ao cargo de prefeito em 1977, também pela ARENA. O mandato de seis anos (1983-88) marcou o retorno à administração municipal de Bartolomeu Gonçalves, desta vez pelo PDS (Partido Democrático Social), substituto da ARENA. Multipartidarismo - Com a abertura política, o mutipartidarismo foi o primeiro golpe no coronelismo que predominava em Piedade do Rio Grande, na visão do padre José Paulo. “Aqui mudou muito depois do bipartidarismo. Mas ainda continua um resquício com os Andradas de Barbacena.” Em 1989, o PMDB (sucessor do MDB) chegou à prefeitura, com Alfredo Salgado Monteiro. Mas na sua sucessão o PDS retomou o poder em 1993, com Enir Teixeira. Em 1997, o PMDB voltou à administração municipal com José Fernandes Neto, que foi batizado nas urnas para mais um mandato (2001-04). O PSDB estreou na gestão municipal com Lecy Ataíde do Nascimento (2005-08), mas perdeu a eleição seguinte para o ex-prefeito José Fernandes Neto (PMDB). O atual prefeito é Mauro Fernandes do Vale, eleito pelo também estreante Partido Progressista (PP). Além do multipartidarismo, também o agronegócio contribuiu para o fim do coronelismo, admite padre José Paulo. “O coronelismo era forte porque a população rural era maior do que a urbana.” O município era “eminentemente rural, tinha muito a ver com a agricultura familiar e colonial. Não tinha latifúndios”. Eram pequenos produtores “comandados politicamente por uns quatro coronéis”. Atualmente, a população urbana representa a maciça maioria dos moradores do município. Reflexo disso é que a Câmara Municipal, de acordo com o padre José Paulo, tem representação multipartidária, com vereadores do PSDB/PP (4), PMDB (2), PSD (2) e PT (1). Na eleição anterior, já ocorrera a multi-representatividade partidária no Legislativo.
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Jornal das Lajes
ANO X Nº 121 - MAIO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Aconteceu
EMANUELLE RIBEIRO
Festas rurais movimentam mês de abril em Resende Costa As festas rurais tiveram início em abril em Resende Costa e têm levado a galera da cidade para o campo nos últimos finais de semana. A sexta Festa Sertaneja do Barracão abriu a temporada de eventos no dia 12 de abril e se estendeu até o dia 14. No final de semana seguinte, dia 19, foi a vez do povoado do Ribeirão movimentar o pessoal. E no fim do mês, dia 26, o distrito de Jacarandira se tornou o terceiro palco das “festas de roça”, atraindo um grande número de pessoas e produtores rurais. As festas são marcadas pelos shows sertanejos,
A festa de Jacarandira já é referência em animação
cavalgadas, desfiles de carros de boi e concursos de marcha. O próximo agito está próximo e acontece no povoado do Cajuru, de 17 a 19 de maio. Será a vigésima sétima Festa do Carro de Boi do Cajuru, uma das mais tradicionais e famosas do município. Depois acontecem ainda as festas no Curralinho dos Paulas e no povoado dos Pintos.
Almoço de confraternização marca Dia do Trabalhador Aconteceu no dia primeiro de maio, feriado do Dia do Trabalhador, na Churrascaria Ramona, um almoço de confraternização dos funcionários dos supermercados Nos-
sa Senhora da Penha, Nossa Senhora da Conceição e da Churrascaria Ramona. O almoço também contou com a participação dos familiares dos funcionários.
Funcionários comemoraram Dia do Trabalhador na Churrascaria Ramona
O povoado do Barracão mais uma vez recebeu um público animado
A festa de Jacarandira valoriza as tradições do carro de boi
A festa no Ribeirão é uma das mais tradicionais do município
A sexta Festa Sertaneja do Barracão aconteceu de 12 a 14 de abril (Fotos Arquivo Pessoal)
Maçonaria, história, amor e mistério na trama do livro do resende-costense Alair Coêlho Agentes de uma misteriosa rede de informação e contrainformação cruzam os caminhos das Minas do século 18 e chegam ao Arraial da Lage. Isso porque está prestes a ser desmantelado pela Coroa portuguesa um esquema que culminaria na Conjuração Mineira. Eis parte da trama envolvendo maçonaria, história, amor e mistério do livro O embuçado (Amirco, 2013), de autoria do advogado Alair Coêlho, 82, a ser lançado em 1º de junho. Segundo o autor, o projeto do livro surgiu na década de 1950, quando conheceu o Arraial Sebollas, hoje Inconfidência/RJ. Ali, segundo a lenda, um dos braços de Tiradentes teria sido exposto e, depois, roubado e enterrado sob o altar da igreja local. “O assunto me deixou fascinado e, como desde a infância, à época de aluno da professora Dulce Mendes, eu vivia intrigado com a figura do embuçado, esta se tornou uma personagem impositiva do enredo que eu começara a engendrar”. Alair Coêlho empreendeu pesquisas acerca da Inconfidência Mineira e percorreu a Estrada Real. “Concluí que se tratava de um movimento gigantesco e não poderia ter prescindido de uma poderosa rede estratégica de inteligência, da qual nossos historiadores nunca tiveram se apercebido. Era uma lacuna. Resolvi dar corda ao meu nascente projeto de escrita, ainda que ficcional, dessa rede à qual atrelei a figura do embuçado,” conta. Para a historiadora e professora Ana Paula Resende, Alair Coêlho não tem a pretensão e nem a intenção de que sua obra seja uma história social. “Ele consegue transformar o Arraial da Lage e Vila Rica, assim como outros lugares de Minas Gerais, em palcos para os personagens históricos. E essa característica teatral faz parte do perfil do próprio autor, que é também ator e autor de peças teatrais”, acrescenta. Alair Coêlho participou do Grupo Teatral Agenor Gomes, na era de ouro do Teatro Municipal de Resende Costa (1947-1958). É autor das obras teatrais A vingança do judeu, em parceria com José Ramos de Melo (Edição dos autores, 1951), A felicidade está presente (SBAT, 1953), do conto “Cór-
ELAINE MARTINS rego da Cruz”, menção honrosa no Concurso de Contos do Suplemento Literário de Minas Gerais (1956), e do livro Casos e causos do vovô Totonho da Chapada (Provisão, 2010). Foi agraciado pelo Governo de Minas Gerais com a Comenda da Liberdade e Cidadania (2012) e reside em São João del-Rei desde 1988. O embuçado é o 4º livro da Coleção Lagena a ser publicado pela AMIRCO com o apoio do Fundo Estadual de Cultura (FEC 2012). O lançamento do livro acontecerá dia 1º de junho, sábado, às 20h, na Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto, situada no Mirante das Lajes. Integrando a programação da Festa do Artesanato e Cultura de Resende Costa, o evento é parte das comemorações dos 101 anos da cidade e terá o apoio do Governo Municipal. Evaldo Balbino recebe prêmios e lança novo livro
O poeta, escritor e colunista do JL Evaldo Balbino está com agenda do mês maio movimentada. No dia 13, ele recebe no Hotel Ouro Minas, em Belo Horizonte, o Prêmio MG Cultura 2013 ao lado de nomes como o do também escritor mineiro, e diretor do Museu da Inconfidência, Rui Mourão. No dia 28, Balbino estará em Salvador/BA, para receber o Prêmio Nacional Braskem da Academia de Letras da Bahia (ALB) 2012. A cerimônia acontecerá no solar Góes Calmon, sede da ALB, com o lançamento oficial e nacional do premiado livro de contos Amores oblíquos (7Letras, 2013). No dia 31, o escritor desembarcará em Resende Costa para, dois dias depois, cumprir o ritual simbólico de lançar a sua mais nova obra na terra natal. Com promoção da AMIRCO e apoio do Governo Municipal, o lançamento de Amores oblíquos acontecerá dia 31 de maio, sexta-feira, às 20h, também na Biblioteca Municipal, como parte das celebrações do aniversário da cidade e da programação da Festa do Artesanato e Cultura de Resende Costa.
Jornal das Lajes
ANO X Nº 121 - MAIO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Criança lendo a redação Sobre a mãe
A mãe A mãe é muito importante. A mãe é muito bonita. Eu tenho mãe. Minha mãe é a mulher mais bonita do mundo. Tem hora que a minha mãe é muito brava. Quando a minha mãe fica brava, ela fica vermelha e com o olho arregalado. Até a voz fica diferente. Tem hora que eu demoro pra obedecer, aí a minha mãe fica contando: um... dois... três... Se eu não vou lá no três, ela vem cá no quatro. E aí dói, porque tem tapa. Quando a minha mãe me chama de meu amor, minha vida, meu sonho, então é porque vem coisa boa. Tem hora que é beijo. Quando a minha mãe me chama falando o meu nome, é porque é coisa séria. Mas tem hora que ela me chama falando o meu nome e o meu sobrenome: aí é pra obedecer senão tem tapa. Igual quando ela fica contando até três. É bom escutar a minha mãe falar. Mas tem umas coisas que ela fala e que eu não entendo direito. Ela sempre fala que é pra eu não falar mentira. Um dia, eu quebrei um vaso com a minha bola e falei que não fui eu. Ela, então, me segurou e me encarou bem fundo e disse que queria ouvir eu falar o que aconteceu... olhando bem nos seus
olhos. Eu falei a verdade. Mas acontece da minha mãe falar mentira no celular. Uma vez ela falou que estava numa loja e ainda estava lá em casa. Por que ela mentiu? Deve ser porque ela não teve que falar olhando nos olhos de quem estava no outro celular. De vez em quando, a minha mãe fala com as amigas que está naqueles dias, ou que aqueles dias estão chegando. Ela fala que fica impossível naqueles dias, até briga com o papai. Teve uma vez que eu não quis comer alface e falei que não queria porque eu estava naqueles dias. Se ela podia, eu também podia. Todo mundo ficou rindo de mim. Nunca mais quis saber daqueles dias. Sabe o que eu fiquei sabendo? A mãe envelhece. Toda mãe fica velha um dia. Mas a minha mãe não. Ela pode ficar de cabelo branquinho e andando com dificuldade, mas ela sempre vai ser a minha mãe bonita. Ah... ela também faz uma brincadeira legal: ela sorri pra mim, abre os braços e conta até três: um... dois... três... Eu saio correndo e fico lá no meio dos braços dela. E aí eu falo que só vou sair quando eu chegar no cem. Eu só sei contar até dez. Então eu fico um tempão lá.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
O Verso e o Controverso
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JOÃO MAGALHÃES
A distorção das torcidas Esporte é um potente hormônio social. E futebol, modernamente, é o mais forte. Como hormônio, gera prazer, vibração, entusiasmo; mas açula também agressividade, violência e até massacre. A mídia explorou à saciedade o caso Kevin Espada, garoto boliviano de 14 anos, morto por um sinalizador naval disparado por um torcedor corinthiano, na partida San José x Corinthians, Oruro, Bolívia, taça Libertadores. Certo, vive disso, lucra com isso. Reconheça-se, porém, que os órgãos sérios contribuem muito, trazendo a debate múltiplos aspectos do fenômeno esporte. Preponderou, claro, a discussão sobre o subfenômeno esportivo: torcidas organizadas. E mesas redondas, pronunciamentos, estrebuchos, exibições, lágrimas de crocodilo, análises de cientistas sociais, entrevistas com estudiosos, inundaram as redações. Passada a chuva, o assunto sai de linha e tudo fica como antes. Pena. Por isso é necessário reacender. Um perfil O estudo “Características das torcidas organizadas de São Paulo” mostra que 26,9% dos associados são menores de idade. Os torcedores inscritos da Federação Paulista de Futebol (FPF) são: Corinthians, 22.634; Palmeiras, 10.793; São Paulo, 7.987; Santos, 6.123. Alguns nomes: Corinthians: Gaviões da Fiel, Estopim da Fiel, Pavilhão nove, Coringão Chopp, Fiel Macabra, Guerra Corintiana; Palmeiras: Mancha Verde, Pork’s Alviverde, Acima de Tudo; São Paulo: Independente, Dragões da Real, Os implacáveis; Santos: Torcida Jovem, Sangue Jovem, Meninos da Vila. Como se vê, alguns nomes já apavoram. O “Batismo” Almir L. Gonçalo Júnior relata: “No banheiro mal lavado do ônibus, quatro meninos se espremem assustados. Com nojo, medo, ansiedade, fazem de tudo para não esbarrar no outro. A porta se abre e apenas um escolhido para sair. Os outros três ficam lá, de ouvido colado na parede fina. Da para ouvir o vozeirão perguntando: “Qual é o ano do primeiro título do Corinthians?” Em seguida outra: “quem marcou o gol do Campeonato Brasileiro de 1990?” E, para tirar um dez: “quais são os nomes
dos últimos cinco presidentes da Fiel?” Essa, nem com a ajuda dos universitários. Esse é o batismo para os calouros da uniformizada Gaviões da Fiel em sua primeira caravana para um jogo do Corinthians. Para se tornar efetivo membro da torcida é preciso acertar estas perguntas. Quem não acerta, volta para o banheiro”. Depois de aceitos, eles viram obreiros. Sentem-se importantes ao carregar as bandeiras e contar os instrumentos que vão para o estádio. Ficam felizes ainda quando têm de fazer tudo de novo na volta. E não temem a violência”. Sintetizo, pois achei importante uma entrevista com a professora Heloísa Reis, da Faculdade de Educação Física da Unicamp, estudiosa da violência ligada ao esporte, mantendo no possível o seu fraseado. Acha positiva a associação a uma torcida organizada, pois, os indivíduos buscam se associar com grupos sociais semelhantes. O problema é que muitas vezes a adoração pela torcida, pelo seu símbolo, pelo seu nome, se torna maior do que pelo clube. Com isso formam grupos, sobretudo de adolescentes, que querem se autoafirmar. O próprio gosto dos homens pelo futebol e por o futebol ser uma atividade predominantemente masculina já é por si só um atrativo de autoafirmação. Nesses grupos, essa possibilidade de afirmação de masculinidade mais violenta, viril, hostil é aumentada. A distorção vem porque o grupo cria uma identidade própria e passa a ter uma relação competitiva com grupos rivais A competição se torna tão hostil que começam a guerrear entre si no grupo. Quem é mais macho? Quem consegue impor mais medo ao outro, ferir o outro. O atrativo inicialmente é: eu torço para o clube X e vou para determinada organizada. E existem pessoas na sociedade que são extremamente violentas e têm o prazer pela violência. Essas costumam se associar àquelas torcidas que mais claramente são violentas. Há trabalhos acadêmicos que mostraram que no dia seguinte à morte de um torcedor, há filas de torcedores que vão se filiar àquela torcida que matou. O jovem tem noção de sua violência. Quem não consegue agir individualmente procura o grupo, porque ali se encoraja. Costuma
ser aquele indivíduo que adora filmes de luta, de terror, que adora ver um atropelamento, que, se vê briga, fica ali agitando para que batam mais. É um indivíduo que se formou com pouca repugnância à violência. À pergunta se esses adolescentes acabam sendo usados pelos mais experientes, vem a resposta: temos de ver que esses jovens, de 12 a 18 anos, não são tão ingênuos, inocentes assim. Então, mais do que os maiores de idade utilizá-los por conta da nossa legislação, eles mesmos vão criando um hábito violento dentro da torcida e tomam para si a tarefa de ser os protetores da torcida, porque esta tarefa lhes dá reconhecimento e status muito grande. Não agem assim porque receberam ordens. Este “batalhão de frente” normalmente é de menores, mas são menores que querem estar ali. Numa caravana, por exemplo, tem um grupo que fala que vai no ônibus da bagunça. Naquele ônibus tem de tudo, é onde as pessoas mais violentas estão. Não vai nele porque alguém determinou. Fazem questão de ir porque a única maneira que eles encontram de ser reconhecidos é pela força, pela capacidade de briga, de agressão, de violência. As torcidas, em geral, não são violentas. Na maior torcida organizada de São Paulo, cerca de 80 mil, aproximadamente, não passam de 200 os indivíduos muito violentos. Mas essa minoria faz muito estrago. O que deve ser feito? Uma política de repressão e de inteligência para poder tirar essas pessoas das torcidas e puni-las conforme a lei. A extinção é a pior medida a ser tomada. É obrigação do Estado propiciar políticas de lazer e de educação nessas associações para, numa tentativa de fazer com que esses jovens tenham prazer e compreendam que o caminho da ilegalidade, da violência, da agressão é o pior a ser escolhido. Acho que a professora está certa. E você? Fonte: O Estado de S. Paulo, 3/3/13, E4.
10 Jornal das Lajes Causos e Cousas
ANO X Nº 121 - MAIO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
ROSALVO PINTO
Rincha, mula “véia”! Vo l t o aos meus tempos de criança e de adolescente. Tempos em que convivi com o antigo trem da Rede Mineira de Viação (RMV), nos trechos que, saindo de São João del-Rei, tinha três diferentes destinos: as “Águas Santas”, Barbacena e o “Sertão”. Tempos em que a gente, até carinhosamente, chamava a RMV de “Ruim, Mas Vai”. A linha das Águas Santas era curta. Saindo relinchando da bela estação de São João del-Rei, logo a maria-fumaça passava sobre o córrego da Água Limpa em um pontilhão de ferro. O nome “pontilhão” já dava medo. Rolavam histórias de mortes e, por isso, poucos se arriscavam a passar a pé naquela geringonça de ferro. Logo adiante uma primeira parada: a estaçãozinha “Chagas Dória”, no bairro de Matozinhos. Deixando a estação poucos metros depois, a expectativa da passagem no pontilhão sobre o Rio das Mortes. Para nós meninos aquilo era como se fosse, hoje, atravessar a ponte Rio-Niterói. Quando a maria-fumaça enchia o pulmão, soltava um jato de fumaça branca e arrancava apitando da Chagas Dória, alguns pescadores empoleirados no pontilhão tinham que sair às pressas, às vezes até perdendo um belo mandi no anzol. E falando em pontilhão, lembro-me, aos 10 anos, do Nico Cassiano nos seus quase 90 anos, que vinha lá da rua dos elegantes bangalôs, atravessava o Matola e me pegava na Vila Santa Terezinha para pescar. Um pedaço de linguiça e uma garrafinha de cachaça no embornal, misturadas com suas chumbadas que pesavam quase meio quilo. Assentado no pontilhão, a cada vez que lançava o anzol com aquela baita chumbada, os pescadores por ali torciam o nariz e resmungavam: “aquele ve-
lho só serve para espantar os peixes!” Passada a maria-fumaça, voltavam os pescadores. Depois vinha a parada da curta viagem: a estação “César de Pina”. Logo depois o sonhado destino: o balneário das Águas Santas. ara nós resende-costenses a César de Pina tinha um atrativo especial. Muita gente, sobretudo homens, costumavam sair de Resende Costa bem de madrugada e andavam umas três léguas a pé até César de Pina e, daí, acabavam de chegar a São João, na volta do trem. A outra linha era a de São João a Barbacena, passando por Tiradentes. Na subida para Barbacena a maria-fumaça sofria, bufava. Por vezes era até preciso ir jogando areia nos trilhos. Ruim, mas ia! Gastavam-se seis horas de viagem. De Barbacena podia-se pegar a Estrada de Ferro Central do Brasil e continuar para outros rumos: Itabirito, Ouro Preto, Belo Horizonte e até Rio e São Paulo. A RMV tinha uma bitolinha estreita, 60 cm. Parecia até trenzinho de brinquedo perto das imponentes marias-fumaça da Central. Lá era outra história: bitola larga (1,60 m), tudo grande, dava medo! Até o nome era imponente: as “Ramonas”. O relincho era cavernoso, amedrontador. Dureza era aguentar a fumaça e a chuva de carvõezinhos que invadiam os carros. Os mais prevenidos usavam um guarda-pó, que chegava em casa sujo e cheio de buraquinhos queimados. A terceira linha era a do “trem do sertão”. O sertão era o oeste de Minas. Para nós aquele nome soava como um lugar longínquo e misterioso. Era a linha mais distante. Ia até Ribeirão Vermelho (perto de Perdões e de Santo Antônio do Amparo), às margens do Rio Grande. O mais esperado era a travessia do pontilhão sobre o Rio Grande, perto do qual o do Rio das Mortes
parecia uma pinguelinha. Morando em São João del-Rei e tendo parentes e amigos que circulavam pelo trem do sertão, a gente ouvia causos curiosos. O trem saía bem cedo e chegava de volta já noitinha adentro. Vivendo no seminário dos salesianos, no alto do bairro das Fábricas, a gente tinha umas duas horas de estudo no início da noite. Era um salão enorme, silêncio absoluto e rigoroso. Ai de quem dormisse, mesmo depois de um dia de rezas, estudos, recreios, aulas e trabalhos. De tanto em tanto, a gente levantava os olhos já cansados e olhava, ansiosamente, um relógio grande lá no alto, no qual estava escrito em latim: Afflictis, lentae; celeres gaudentibus horae (as horas são lentas para os aflitos e rápidas para os alegres). Pois bem, aquele silêncio sepulcral só era quebrado, todas as noites, ali pelas sete e meia, com o apito prolongado da maria-fumaça, voltando do sertão. Esse apito se prolongava ao longo da avenida Leite de Castro. Nem era apito, era um relincho contínuo. Daí o outro apelido da RMV: “Rincha, Mula Véia!”. Diziam que o maquinista abria o apito de longe para avisar à “patroa” que já podia ir preparando sua janta. Passando em frente à sua casa, seu colega de cabine, o “foguista”, jogava na beira dos trilhos uma braçada de tições fumegantes. Prá “espertar” o fogo do feijão... Saudades dos trens-de-ferro, desativados no Brasil pelo furor da indústria automobilística, pelos homens da “gloriosa revolução de 64”, e esquecidos por todos os homens (e a mulher) que os sucederam. Um país continental, só nos restaram rodovias vergonhosas e assassinas. Pobre Brasil, que ainda sonha em ser um país desenvolvido, rico e justo! Bão mesmo era o trem, sô!
Cronicas do Cotidiano
RAFAEL CHAVES
O ladrão de galinhas Comprei umas frangas. Meia dúzia delas. Lindas, as frangas. Tão lindas que todo sábado, no meu dia de ir ao sítio, a primeira coisa que eu fazia era procurar por elas. E perguntar ao secretário notícias delas. Queria saber como elas estavam se desenvolvendo: - Começaram a botar? Minha preocupação vinha de um histórico de sumiço frequente de galinhas do meu galinheiro. Simplesmente sumiam. Diziam que eram os bichos. Bichos, que bichos? Lobos, cachorros do mato? Eram seis frangas: três vermelhas e três pretas. As vermelhas eram da raça Rhode Island Red. As outras eram pretas, não me recordo mais de qual raça. Pretas sim, mas com “luzes” cor de ouro nas bordas das penas, principalmente nas penas do pescoço: chiques! Todas poedeiras legítimas. Quando eu fui comprar as galinhas, minha intenção era de comprar só as vermelhas. As vermelhas são nossas velhas conhecidas, tradicionais. Porém, quando eu vi aquelas outras, pretas, eu não resisti. Além do mais, elas tinham uma característica interessante e inusitada. Elas botavam ovos azuis! Galinhas cruzeirenses! – pensei. Embora não fosse fanático, não haveria como deixar passar em branco os ovos azuis. Foi daí que resolvi comprar das duas qualidades. Como eu disse, aos sábados eu as contava. Eu apontava pra cada uma, e é uma, é duas, é três (vermelhas). É uma, é duas, é três (pretas). Eu apontava e contava cada uma porque galinhas de raça são todas muito iguais, parecem gêmeas, e eu queria ter certeza da contagem. Ia tudo bem até o dia em que eu contei as vermelhas, mas não encontrei as pretas: - Ué, cadê as frangas pretas? – fui perguntar ao funcionário. - Sumiram. - Sumiram? Mas como sumiram? Enquanto isso eu andava de um lado para o outro, que é o meu jeito, tentando dissipar a raiva e entender a situação. - Acho que foram os bichos – respondeu o caseiro. - Bichos? Mas que bichos? Que bicho ia escolher logo as pretas? Só as pretas? – perguntei. Só me faltava essa agora,
bicho racista! – pensei. - Então o bicho vem aqui, na escuridão da noite, pega três galinhas e escolhe quais vai levar? E ainda escolhe pela cor? – desabafei ao empregado. Eu estava à beira de um ataque de nervos, de explodir em fúria. Que bicho seria esse capaz de um amor ou ódio tão grande a uma pretinha que se esquecia de que era um ser irracional? Não, não era um bicho do mato. Só podia ser o bicho de dois pés! Mas antes que eu completasse meu raciocínio, o funcionário, fazendo uma cara de quem talvez não me contasse caso não me visse naquele estado, disse: - Olha, eu vi umas galinhas parecidas lá na casa de “fulano”. O fulano era o vizinho. Então era isso! O bicho era o cachorro, o cachorro do vizinho! Na mesma hora eu parti em direção à casa dele. No galinheiro dele eu encontrei duas delas. Peguei as duas frangas (na verdade quase galinhas), com a licença da dona da casa e fui me encontrar com o vizinho, que eu sabia onde ele estava. Quando ele apareceu eu fui logo perguntando: - O que minhas galinhas estão fazendo no seu galinheiro? – e mostrei as galinhas a ele, segurando-as pelos pés, cada uma em uma mão. O cínico – porque ele sabia que as galinhas eram minhas – me veio com a lorota de que as galinhas tinham aparecido lá, do nada, como se galinhas tivessem o saudável costume de visitarem umas às outras, de passearem entre a vizinhança. Depois disse que as tinha comprado e jogou a culpa em outro pobre coitado. Enfim, inventou lá umas histórias que nem compensa relembrar. Foi a última vez que eu comprei galinhas de raça. Hoje em dia eu vejo galinhas correndo pelo curral e não as conto mais, para não me aborrecer. Umas são pretas, outras mulatas, outras ruivas. São de todas as cores, mestiças, frutos da liberdade e da promiscuidade que reina entre os galináceos do meu sítio. E da seleção natural: sobrevivem as que mais correm dos bichos. Ah, e antes que esqueça, sumiu uma panela novinha e uma sela lá de casa (entre outras coisas que vêm desaparecendo ao longo do tempo)...
Jornal das Lajes 11
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Música
“Os óculos do John ou o olhar do Paul?”1 RENATO RUAS PINTO
Em tempos de volta do Paul McCartney ao Brasil é sempre oportuno escrever sobre os Beatles. Porém, para mim é sempre complicado falar sobre eles. Primeiro pelo respeito que tenho aos meus ídolos musicais maiores e, segundo, pelo medo de ficar “chovendo no molhado”. Talvez alguém já tenha chegado à mesma conclusão sobre o que eu vou falar abaixo, mas, registre-se, não é plágio. Recentemente, ouvindo o álbum Revolver, percebi que ele é uma verdadeira aula sobre quem são os Beatles, o que eles se tornaram e o que foi a dupla John Lennon e Paul McCartney. O Revolver é um álbum marcante, mas, por razões que não entendo, com poucas músicas conhecidas do público que ouviu Beatles em coletâneas – os não iniciados na beatlemania. Talvez tenha sido eclipsado pelo álbum que se seguiu, o mítico Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band e, por isso, é pouco lembrado. Acho, porém, que as sementes do Sergeant Pepper’s já estavam plantadas no Revolver. O álbum foi gravado na época em que os Beatles, cansados da histeria da beatlemania, abandonaram o palco e investiram na criação em estúdio. Além disso, foi um mergulho de cabeça em algumas coisas que marcariam os anos seguintes: a influência indiana, drogas e a psicodelia, o que faz do álbum um verdadeiro prelúdio para o Sergeant Pepper’s. Além desses fatores, o álbum se presta a uma bela audição didática, tal como disse acima. John Lennon e Paul McCartney quando trabalhavam juntos faziam suas músicas soarem com uma unidade incrível, como se fossem compostas por um terceiro músico. Separadamente,
porém, cada um era um universo musical e talvez a força dos Beatles venha daí. John era mais rock, no sentido amplo da palavra: contestador, enérgico e guitarra na veia. Paul é mais melódico: melodias suaves, arranjos sofisticados e lirismo. E pra provar isso basta ouvir faixa após faixa do Revolver. A primeira de Paul é “Eleanor Rigby”, que traz um arranjo de cordas lindíssimo. Tal como em “Yesterday”, a base rock – bateria, baixo e guitarra – ficou de fora. Na sequência vem “I Am Only Sleeping” de John e a pegada rock deixa evidente o contraste de estilos. Logo depois vem “Here, There and Everywhere” – precedida por “Love You Too” de George Harrison, sobre quem falarei abaixo – e o lirismo de Paul fica evidente nessa música belíssima, que é doce sem ser açucarada. Na sequência vem “She Said She Said”, no qual logo se reconhece o estilo de John. Em seguida, em “Good Day Sunshine” Paul mostra que também bebe na fonte do rock, mas traz algo com elementos do jazz vocal dos anos 50. De fato, em 2012, Paul mostrou com o seu álbum “Kisses on the Bottom” que sempre foi influenciado por esse estilo de música. E John volta a carga com “And Your Bird Can Sing”, cujo solo de guitarra na abertura dá a levada da música. E mais contraste: em “For no One” Paul traz mais uma vez instrumentos clássicos para o estúdio. E assim vão se sucedendo: John vem com “Doctor Roberts”, Paul com a vibrante “Got to Get You Into My Life” e – o grand finale – a viagem lisérgica de “Tomorrow Never Knows”. Não há jeito mais fácil e rápido de entender quem são Paul e John e como a soma
de seus estilos definiu os Beatles. E George Harrison? Para conhecê-lo, o Revolver também é essencial. A meu ver, foi o álbum que revelou George como um compositor amadurecido, dando uma boa dica das grandes composições que viriam nos álbuns seguintes, como “Piggies” ou suas emblemáticas “Something” e “Here Comes the Sun”. Ao contrário da maioria dos discos dos Beatles onde George mostrava apenas duas músicas, em Revolver ele emplaca três: “Taxman”, “I Want to Tell You” e “Love You Too”, essa última marcada pela influência indiana. Por fim, vale lembrar que Ringo Starr também ficaria marcado por esse álbum, ainda que algum tempo depois: é ele quem canta a clássica “Yellow Submarine”, que viria a ser o tema da famosa animação. Por tudo isso, a audição de Revolver é mais do que recomendada para quem quer conhecer melhor os Beatles. O álbum revela o amadurecimento musical do quarteto, que largou para trás os terninhos e canções inocentes para fazer música séria, investindo em arranjos cada vez mais complexos e nas experimentações que o estúdio e o talento do produtor George Martin permitiam. Na sequência de Revolver viria o Sergeant Pepper’s e o conceito de disco de rock nunca mais seria o mesmo, mas essa história fica para outro dia. 1 Para este título não resisti à tentação de tomar emprestado o trecho de “O Papa é Pop”, de Humberto Gessinger.
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Está no ar o novo site do JL Em comemoração aos 10 anos de existência, o Jornal das Lajes presenteia seus leitores com a nova versão do site, que traz novas funcionalidades. A parceria com a empresa Atus Tecnologia e Comunicação já reestruturou o jornal impresso e agora traz um layout completamente remodelado para a versão online do JL. Preocupado com a acessibilidade dos leitores, o novo site possui uma interface simples e preparada para se adaptar a smartphones, tablets e monitores. Entre os novos recursos disponíveis, o novo site do JL possibilita ao leitor criar seu perfil, comentar textos, enviar reportagens e eventos com quantidade de fotos ili-
mitada. Faça seu cadastro gratuitamente e aproveite todas as fun-
cionalidades do novo site. Deixe também suas críticas e sugestões nos comentários na pãgina do JL.
Gastronomia
CLÁUDIO RUAS
Linguiça e mandioca Essa dupla aí tem presença garantida em muitos cardápios de bares, restaurantes e lares do nosso estado e do país. Representa muito da nossa culinária, pois reflete a influência portuguesa (linguiça) e indígena (mandioca) na nossa alimentação. Por essas e outras, esses foram os ingredientes escolhidos para o já tradicional “Festival Comida di Buteco 2013”, o maior evento do ramo no Brasil, que surgiu na capital mineira pelas mãos do Chef Eduardo Maya, como forma de tentar valorizar os botequins e sua gastronomia. E conseguiu. Mas para não perder o costume dessa nossa prosa, vamos voltar um pouco no tempo para entender melhor essas duas preciosidades, começando pela linguiça, que desembarcou por aqui com os portugueses, grandes apreciadores e produtores. A lingüiça é um embutido, feito através da tripa de um animal, geralmente porco ou carneiro. Também existem tripas industrializadas, mas não é a mesma coisa. Ela é recheada com carne temperada, um pouco de gordura e enchida à mão ou por uma máquina própria. Aqui em Minas, a mais tradicional e saborosa – na minha opinião – é a feita com pernil de porco, embora existam infinitas variedades e possibilidades de recheio, desde carnes mais exóticas (cordeiro, javali), até legumes, como o jiló e a própria mandioca. Outros dois “enchidos” mais que especiais e presentes na nossa cozinha caipira são o chouriço e a “murcía”, ambas receitas europeias. O primeiro é feito com o sangue do porco e o redanho, que é uma membrana que reveste o seu intestino e dá um resultado superior ao feito com o toucinho. Já a “murcía” é feita com os miúdos do porco bem picadinhos, que resulta em um sabor sensacional e único, sendo muito apreciada na Espanha e Portugal. Mas infelizmente essa receita tem se tornado rara por aqui, muito por culpa do lamentável preconceito contra os miúdos. Coisas de terceiro mundo... Do outro lado da travessa está a mandioca, uma raiz tuberosa que é o alimento mais brasileiro de todos, nascida na floresta
amazônica depois que um cipó cortado pelos índios resolveu entrar na terra e criar suas raízes. Foi domesticada pelos indígenas que souberam lidar com as espécies “bravas” (venenosas), de forma a tornar a mandioca a base da sua alimentação e dos povos do norte e nordeste, com suas farinhas, polvilhos, tapiocas e tucupis. Alastrou para o resto do país e se enraizou de vez na culinária mineira, onde também ajudou o caldo do feijão a virar tutu. É alimento rústico, barato, delicioso e que alimenta, muito bem definido como “o pão do Brasil”. Uma curiosidade interessante contada pelo entusiasta da raiz - o Chef Felipe Rameh - é que os índios dominavam tanto a técnica de extração do veneno, que chegavam a desenvolver e cultivar espécies venenosas propositalmente, para que animais e outras tribos não roubassem suas mandiocas! Apesar de ser o alimento símbolo do país, ela ainda é pouco conhecida e explorada, sobretudo fora da região norte. Lá eles aproveitam até as folhas, que são moídas e cozidas por vários dias para extrair o veneno, se transformando em um caldo escuro, quando se adiciona carnes e temperos. É a famosa maniçoba, a “feijoada do Pará”. A versatilidade e a importância das mais de 4.000 variedades de mandioca já catalogadas (!) ainda renderão outras prosas por aqui, mas por enquanto vamos voltar para o bar, onde ela e a lingüiça serão as estrelas desse importantíssimo festival. Que a partir de ações como essa passemos a valorizar e apreciar melhor esses ingredientes, de forma mais saudável e sustentável, substituindo o industrial pelo artesanal. Ou alguém de Resende Costa vai dizer que a linguiça da Sadia é melhor (ou a mesma coisa) do que a feita pelo Vinícius do Tinô, que por sinal produz vários outros produtos bacanas para nossa cidade? Ou então que a mandioca que vem lá do Ceasa é igual àquela recém tirada da terra na roça ali pertinho? Eu acho que não. (Aprenda uma receita fácil de linguiça ao forno com molho de mostarda, acompanhada de maionese de mandioca: http:// casalgastromg.blogspot.com.br/)
12 Jornal das Lajes
ANO X Nº 121 - MAIO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Saúde
Casos de suspeita de dengue aumentam mais de 300% na região das Vertentes JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE / ANDRÉ EUSTÁQUIO
nas. Resende Costa Em Resende Costa, o Serviço de Epidemiologia realiza quatro ações de prevenção e combate ao aedes egypti, o mosquito transmissor da dengue. O primeiro é o levantamento de índice. “Fazemos o levantamento de índice em 10% dos imóveis de Resende Costa, quatro vezes por ano. Neste ano, em janeiro, não foi constatada a presença do aedes aegypti, mas encontramos o aedes albopictus”, informou o coordenador de endemia do município, Reginaldo José de Magalhães. De acordo com Reginaldo, há cinco anos é constatada a presença do aedes albopictus em Resende Costa, “mas ele não transmite a dengue”, informou o coordenador. No levantamento de índice realizado em abril deste ano, Reginaldo Magalhães informou que foram encontrados quatro focos do aedes aegypti, nos bairros Bela Vista, Canela e 2 de junho. Além do levantamento de índice, o Serviço de Epidemiologia realiza o tratamento focal em 100% dos imóveis (casas, comércio, terrenos baldios, oficinas mecânica, entre outros). “Temos feito esse trabalho quatro vezes por ano, sendo que o ideal é seis vezes. O trabalho consiste em colocar larvecidas nos recipientes que acumulam água e que não podem ser destruídos, como caixas d’água e piscinas”, disse Reginaldo. A terceira ação tem como alvo os chamados pontos estratégicos (PE): “Escolhemos os PEs na cidade, que geralmente são os cemitérios, ferro velhos, dentre outros. Nesses locais, realizamos o tratamento focal quinzenalmente”, informou Reginaldo
Magalhães. Por último, o Serviço de Epidemiologia realiza mensalmente uma mobilização, visando à conscientização da população, através de palestras nas escolas, propagandas na rádio da cidade e divulgação nas igrejas. Reginaldo Magalhães confirma que a situação em Resende Costa requer cuidados. Segundo ele, existem muitos imóveis em situação crítica: “Posso dizer que em cada bairro da cidade, existe pelo menos um imóvel em situação crítica”. Para maior eficácia na prevenção da dengue, Reginaldo disse que tem endurecido a ação: “Os nossos agentes estão notificando os proprietários dos imóveis onde são localizados os focos e que se encontram em situação crítica. Se esses proprietários não tomarem providência, teremos que levar para o setor jurídico da prefeitura”, disse o coordenador do setor de endemia, que procura também alertar a população: “Se a população não colaborar, a situação em Resende Costa pode piorar. As pessoas precisam parar de olhar para a horta do vizinho, e começar a cuidar da sua. Estará colaborando mantendo as caixas d’ água tampadas, deixando os pratinhos de plantas sem água, pois a maioria das larvas encontradas aqui está nos pratinhos de plantas e nas bromélias”. Atualmente, o Serviço de Epidemiologia de Resende Costa conta com quatro agentes de campo e um coordenador, para monitorar 5.374 imóveis. “Trata-se de 800 imóveis por agente. O ideal seria seis agentes de campo. A falta de funcionários muitas vezes gera atraso em nossas ações”, lamenta Reginaldo. Imagem Pediatria Digital
O número de notificações de dengue (pessoas sob suspeita de contaminação pelo mosquito aedes aegypti) subiu cerca de 300% este ano (até abril), para 122 casos, em relação a 30 diagnósticos de igual período de 2012, na área de abrangência da Gerência Regional de Saúde com sede em São João del-Rei. Os dados, relativos a pessoas residentes nos municípios da região, são oriundos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Foram confirmados 64 casos da doença, concentrados praticamente em São João del-Rei (61 casos). Porém, em janeiro-abril de 2012, o número de notificações tinha registrado queda de 50% (para 30 pessoas sob suspeita) frente ao primeiro quadrimestre do ano anterior. Em São João del-Rei, de 28 notificações em 2011, o número caiu para 11 no ano passado, mas subiu para 92 este ano. Já Entre Rios de Minas chegou a ter 14 notificações em cada um dos dois anos anteriores, que caíram para apenas três este ano. É importante enfatizar que os números oficiais do primeiro quadrimestre deste ano (registrados no SINAN) não são definitivos, podendo sofrer alterações. Significa dizer que o quadro real pode ser bem pior, levando-se em conta que há uma defasagem de tempo entre as ocorrências no âmbito municipal, o envio dos dados ao Ministério da Saúde e o registro no SINAN. O aumento expressivo de casos em São João del-Rei resulta de maior empenho no combate à doença, segundo a enfermeira coordenadora de Epidemiologia do município, Eliene Freitas. “Observa-se que os profissionais estão mais atentos à questão da dengue, refletindo nos registros”. Paulo Soares de Rezende Neto, que é referência técnica do SINAN na Gerência Regional, lembra que notificação não significa necessariamente confirmação de dengue, porque os médicos trabalham com diagnóstico clínico (suspeita da doença). O importante é que haja encaminhamento imediato para tratamento. A Gerência Regional de Saúde de São João del-Rei abrange os municípios de Barroso, Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Desterro de Entre Rios, Entre Rios de Minas, Lagoa Dourada, Nazareno, Prados, Resende Costa, Santa Cruz de Minas, São Tiago e São Vicente de Mi-
SUS são-joanense: problemas estruturais, demanda reprimida e falta de transparência JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
A saúde de São João del-Rei está enferma. Não chega a ser uma doença mortal, mas requer cuidados urgentes. São 146 recomendações resultantes de uma “auditoria cívica” nas unidades de saúde da cidade, feita no dia 26 de abril durante a Caravana da Cidadania, realizada pelo Instituto de Fiscalização e Controle (IFC) com a colaboração da Associação dos Movimentos Sociais e Amigos de São João del-Rei (AMMAS del Rei) e do Instituto Apoiar, além do apoio de várias entidades nacionais. Poderiam ser mais recomendações não fosse a divulgação prévia da auditoria. Cerca de 25 auditores voluntários visitaram as Unidades de Saúde Bonfim, Guarda-Mor, São Geraldo, Senhor dos Montes, Policlínica - Matozinhos, PSFs (Programas de Saúde da Família) - Tijuco, Bom Pastor, Pio XII, Colônia do Marçal e Giarola. O relatório final da auditoria foi entregue ao prefeito Helvécio Reis, à secretária municipal de Saúde, Maria das Mercês Oliveira e ao presidente da Câmara Municipal, Antônio Carlos Fuzatto. A principal conclusão da auditoria é de que “a maior parte dos problemas parece decorrer de falhas estruturais, comuns dentro do sistema de saúde do município, como estrutura física inadequada, grande demanda reprimida e falta de transparência na marcação de consultas e exames especializados”. Também se verificou falta de padronização e transparência nos atendimentos odontológicos, bem como necessidade de rever a estrutura física e de fazer novas contratações. Urgência e médio prazo
Ilustração sobre como prevenir a Dengue
De maneira geral, foram identificados problemas sérios (urgentes) como não-atendimento preferencial ao idoso e deficiente físico; falta de equipamento básico; burocracia no
registro de ponto dos agentes de saúde; falta de recepcionista (desvio de função de agente de saúde); falta de uniforme, protetor solar e boné; demora de meses na marcação de exames e consultas; cota limitada de exames básicos; estrutura e condições físicas ruins; banheiros interditados e falta de acessibilidade; demora para medir pressão e esterilização em “panela de pressão”. Já entre os problemas “potencialmente danosos” (médio prazo), destacam-se necessidade de chegada antecipada para conseguir atendimento no mesmo dia; demanda reprimida de consultas e exames; falta de informatização de cadastros de usuários e prontuários; limitação do número de ultrassons, apesar da grande demanda; falta de veículo para locomoção de médicos e enfermeiros no atendimento domiciliar; não-cumprimento de carga horária por parte de funcionários de nível superior (médicos e dentistas cumprem no máximo duas horas por dia). Além disso, a Unidade Colônia do Marçal foi construída para atender a duas equipes da estratégica saúde da família, mas até o momento só funciona uma unidade básica de saúde. Já a Unidade Giarola tem apenas um clínico geral que atende às quartas-feiras, gerando filas. Por fim, o relatório da auditoria recomenda a solução dos problemas nos prazos indicados (30 dias para os urgentes e 120 dias para o médio prazo). A AMMAS del Rei fará o acompanhamento da implementação das soluções. O documento é assinado pelos dirigentes da AMMAS del Rei Edmilson Sales, Air de Souza Resende, Nereu Machado de Oliveira e Alirio Antônio Alves. Mais informações sobre a Caravana da Cidadania podem ser encontradas nos sites www.ifc.org.br e www.ammasdelrei.org.br.
Jornal das Lajes 13
ANO X Nº 121 - MAIO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Economia
Cai a oferta de empregos na região de São João del-Rei no primeiro quadrimestre de 2013 F V RANCIELLE
O número de empregos formais na região do Campo das Vertentes variou, em seu total, negativamente no primeiro quadrimestre de 2013. De acordo com o CAGED, base de dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o número de admissões nessa microrregião, de janeiro a abril deste ano foi de 2780, contra 2991 desligamentos no mesmo período, resultando em 211 vagas a menos. Dentre esses dados São João del-Rei se destaca com a maior variabilidade, com perda de 214 empregos, passando de 1606 admissões para 1820 desligamentos. As variações negativas se evidenciam também nas cidades de Tiradentes, Santa Cruz de Minas, Ritápolis, Conceição da Barra de Minas, Prados, Resende Costa, Coronel Xavier Chaves, Lagoa Dourada,
Santana do Garambéu e Barroso, que pertencem à microrregião de Barbacena. Em Tiradentes houve uma variação de 203 admissões para 225 desligamentos, Santa Cruz de Minas com 87 admissões e 109 desligamentos, em Ritápolis uma variação pequena, de 26 admissões para 27 desligamentos, em Conceição da Barra de Minas a variação foi de 100%, onde foram registradas 10 admissões contra 20 desligamentos, em Prados 86 admissões e 93 desligamentos, em Resende Costa 59 admissões e 78 desligamentos, Coronel Xavier Chaves 24 admissões e 25 desligamentos, Lagoa Dourada 89 admissões e 96 desligamentos, Santana do Garambéu com 4 admissões e 6 desligamentos e, por fim, Barroso, com 281 admissões frente a 385 desligamentos.
As variações positivas, em que o número de admissões superou o número de desligamentos no primeiro quadrimestre de 2013 ocorreram nas cidades de Madre de Deus de Minas, Dores de Campos e São Tiago. Madre de Deus de Minas registrou 56 admissões e 44 desligamentos, Dores de Campos 260 admissões contra 223 desligamentos, São Tiago 149 admissões e 122 desligamentos e Nazareno 94 admissões e 76 desligamentos. A cidade de Piedade do Rio Grande permaneceu com o mesmo número de admissões e desligamentos, registrando 27 no período estabelecido. O fato de essa variação no Campo das Vertentes ter sido negativa, registrando no geral mais demissões que admissões, pode ser explicado pelo aumento de
empregos temporários no período de dezembro e janeiro, meses que registram os maiores números de vendas, gerando maior índice de emprego. Com isso as demissões feitas ao final do mês de janeiro e início de fevereiro impactam no resultado apresentado acima. Outro fator que explica a situação é o aumento do salário mínimo, que gera mais custos para as empresas. A taxa básica de juros (Selic), de acordo com o Banco Central, também teve um aumento, passando de 7,16% no início de janeiro para 7,40% no final de abril, explicando também o fato. Setores Dentre os setores da região do Campo das Vertentes destaca-se o setor de Comércio, que com
ALE
um total de 3.105 estabelecimentos registrou 844 admissões e 1.032 demissões. O setor de Extração Mineral registrou 33 admissões e 42 desligamentos, da Construção Civil 267 admissões e 310 desligamentos, o setor de Serviços 775 admissões e 750 desligamentos, Agropecuária, Extração Vegetal, Caça e Pesca 178 admissões e 217 desligamentos e os outros setores/ ignorados 2780 admissões e 2991 desligamentos, diminuindo a oferta de emprego na microrregião. Já o setor de Administração Pública apresentou uma estatística de 52 admissões contra 16 demissões, e o setor de Indústria de Transformação registrou 631 admissões e 623 demissões, aumentando assim a oferta de emprego desses setores na região do Campo das Vertentes.
Cresce o número de reclamações no Procon de João del-Rei O número de reclamações (serviços essenciais, produtos, assuntos financeiros etc.) em São João del-Rei atingiu cerca de 1.500 demandas no primeiro trimestre, comparado com o mesmo período de 2012 (869 demandas). Na área de serviços essenciais (operadoras de telefonia, por exemplo), houve aumento de 12% nas demandas, segundo o diretor do Procon Municipal, Wendell Coelho. Um dos principais motivos é a queda acentuada de qualidade no atendimento via SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) de algumas operadoras de telefonia. Já no segmento de produtos (aparelhos de celulares, eletroeletrônicos etc.), o Procon Municipal apurou queda de cerca de 9% no nível de reclamações. Com a proximidade entre festas de final de ano, férias escolares e carnaval, o povo comprou menos, o que gerou menos problemas e consequentemente menos demandas, explica Coelho. A área de “assuntos financeiros” apresentou ligeira queda na demanda por reclamações, mas Coelho faz uma ressalva. O grande problema do setor continua sendo a portabilidade. Ou seja, bancos estão dificultando a portabilidade de crédito (no crédito consignado, por exemplo, bancos criam empecilhos na liberação de boleto de quitação, impedindo a concretização da portabilidade ou “recompra de crédito”). Outro problema é a cobrança indevida (taxas bancárias, por exemplo). Em 2012, o Procon são-joanense atendeu 3.007 demandas. O carro-chefe das reclamações foi o
setor de produtos, seguido de assuntos financeiros e serviços essenciais. A solução dos problemas apresentados ao Procon são-jaonense gira em torno de 95%, assegura Coelho. Os restantes 5% são casos que exigem encaminhamento à Justiça ou casos nos quais o consumidor não tem razão. O Procon prima pela harmonia nas relações de consumo, observa Coelho. Mas, como o consumidor é o elo mais fraco da corrente, o órgão acaba por se tornar seu defensor. Metas Wendell Coelho assumiu a direção do Procon Municipal em meados de janeiro. Uma de suas metas é reestruturar o processo administrativo do órgão com o objetivo de acelerar a solução das demandas. Além disso, pretende promover a educação para o consumo tanto nas escolas de todos os níveis como também aos fornecedores e prestadores de serviços autônomos. Outra meta é levar o Procon para os distritos do município, por meio de campanhas educativas, palestras, debates, divulgação de material impresso como cartilhas etc. Coelho também quer realizar trabalhos com idosos e pessoas com deficiências. Para cumprir estas metas, o diretor do Procon Municipal planeja fazer parcerias com entidades como Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Instituto Presidente Tancredo Neves (IPTAN), Asso-
ciação Comercial e Industrial (ACI del-Rei) e Secretarias Municipal e Estadual de Educação. Novos Procons Wendell Coelho defende a criação de novos Procons municipais na região das Vertentes. “O custo de instalação é relativamente baixo e o retorno bastante satisfatórtio.” Não falta demanda, complementa o diretor do órgão são-joanense, citando Ricardo Amorim, assessor jurídico do Procon Estadual: “Ninguém pode escolher ser ou não ser consumidor”. Assim, o Procon é uma opção para o cidadão reclamar, afirma Coelho. “Com o Código do Consumidor a partir de 1990, a mentalidade foi mudando, e hoje as pessoas reclamam mais por menor que seja o valor. E devem reclamar mesmo”. Em outras palavras, o consumidor/contribuinte pode e deve reclamar de tudo, sejam produtos ou serviços privados e públicos, aconselha Coelho. “Sempre reclamar os direitos e principalmente fazer valer estes direitos, resguardando-se ao exigir nota fiscal, contrato escrito na prestação de serviços etc. Jamais acreditar em vantagens excessivas (fortes indícios de golpe) e, na dúvida, esclarecer antes de efetuar qualquer operação comercial”. Coelho informa ainda que, em caso de demandas que não sejam da alçada do Procon, o órgão procura direcionar o cidadão ao setor responsável (poder executivo, judiciário etc.). O Procon MG pertence ao
Foto José Venâncio
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Centro comercial de São João del-Rei (Foto José Venâncio)
Ministério Público e atende apenas causas coletivas. Já o Procon Municipal atua na ponta, atendendo casos individuais. No universo de 853 municípios mineiros, apenas 117 possuem Procon. Fórum de Procons O diretor do Procon São João del-Rei participa do Fórum dos Procons Mineiros, uma organização de caráter informal (sem personalidade jurídica) que reúne órgãos ou entidades públicas de defesa do consumidor. Os encontros regulares são quadrimestrais, mas existe o fórum virtual (via internet) que é permanente. Por meio desse fórum, será feita, por exemplo, a uniformização dos procedimentos administrativos. O Procon São João del-Rei funciona na Unidade de Atendimento Integral (UAI), localizada no Terminal Rodoviário Octavio de Almeida Neves.
Manual do Consumidor Em 2009, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais lançou o “Manual & Código de Defesa do Consumidor”, que auxilia na proteção ao consumidor, mas também busca “garantir a consolidação de uma sociedade mais justa e fraterna”, como define a introdução do texto. No item 1, o manual define o que são consumidor, fornecedor, produto, serviço (privado e público) e relação de consumo. Consumidor, por exemplo, “é toda pessoa, física ou jurídica, que adquire ou utiliza produtos ou serviços como destinatário final”. Já serviço público “é todo serviço prestado diretamente pela Administração Pública ou por particulares mediante autorização, permissão, concessão ou delegação do poder público, como os relacionados à educação, saúde, transporte coletivo, água, luz, esgoto, limpeza pública etc”.
14 Jornal das Lajes Contemplando as Palavras
ANO X Nº 121 - MAIO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
REGINA COELHO
Só por curiosidade Notícias dos muitos acidentes que ocorrem nas nossas cidades e estradas são comuns nos jornais. Quando veiculadas na televisão, causam na gente um impacto maior, talvez pela força das imagens em movimento ali mostradas. Mas, por incrível que pareça, há pouco tempo, foi vendo num noticiário uma dessas tragédias, ou melhor, o resultado dela, que tive a atenção despertada por uma cena específica dentro daquela cena principal: curiosos fotografavam e filmavam o triste acontecimento. Em número expressivo e munidos de seus inseparáveis celulares, eles pareciam ser a polícia ou mesmo a própria imprensa registrando tudo como se estivessem agindo no cumprimento de um dever de ofício. De imediato, deixei de acompanhar a matéria propriamente dita para tentar entender a motivação daquelas pessoas totalmente entregues na busca pelos melhores ângulos de um cenário pra lá de horroroso. É sabido que até uma simples ocorrência de trânsito costuma atrair a atenção dos que estão próximos ou não tão próximos do ocorrido. E dependendo da gravidade do acidente, o público presente pode crescer assustadoramente. Tudo bem. Normalmente, não é possível alguém ficar alheio ao que acontece ao seu redor. É compreensível que a gente se interesse pelos dramas humanos e não fique indiferente ao sofrimento dos envolvidos nessas situações. É aceitável que até mesmo por curiosidade as pessoas queiram ver o local do sinistro. Mas daí saírem de seus carros para conseguir o registro de um acontecimento trágico como quem fotografa ou filma um passeio, uma festa, um ponto turístico ou uma pessoa famosa é coisa,
no mínimo, estranha. Isso é o que se pode chamar de curiosidade mórbida ou, se preferirem, a atração pelo espetáculo, termo este que, segundo o dicionário Aurélio, pode significar “tudo o que chama a atenção, atrai e prende o olhar”, mesmo que o episódio seja infeliz ou perverso. Não se trata, portanto, da curiosidade humana em si, condição inerente a todos, que é o desejo de ver ou conhecer algo até então desconhecido. Isso deve explicar a inevitável e saudável curiosidade infantil repleta de porquês, como e o que é isso ou aquilo já na primeira etapa da vida. Há também a categoria da vizinha curiosa, aquela que dá notícia de tudo o que acontece nas casas próximas à sua e parece nunca dormir. Ao captar o menor sinal de movimento, lá está ela, sempre pronta para ver, escutar ou perguntar algo. Informação em primeiríssima mão sobre os outros ou sobre qualquer coisa é com ela mesma. Reparem que usei “vizinha curiosa” no feminino. É que as más línguas, acho que as masculinas, espalham por aí que a curiosidade é uma característica mais acentuada nas mulheres. Será? Isso me remete à série de livros “O Guia dos Curiosos”, do jornalista Marcelo Duarte. O primeiro trabalho desenvolve o tema de um modo geral. Os outros sete livros apresentam temáticas especiais. São elas: esporte, invenções, Brasil, sexo, língua portuguesa, jogos olímpicos e... mulheres. Segundo o autor, “O Guia das Curiosas” (em parceria com Inês de Castro) foi escrito “só para mulheres e quem gosta de mulheres”. A título de curiosidade também, vem à tona aquela crença que enfatiza a curiosidade que matou um gato como a moral da história. Ao que parece, esse ditado se originou na Europa, numa
época em que as pessoas não gostavam muito de gatos. Era o fim da Idade Média. Acreditava-se que os gatos, especialmente os pretos, traziam má sorte. Com o intuito de acabar com eles, havia gente que fazia armadilhas usando como iscas coisas estranhas que chamavam a atenção dos bichanos curiosos. Mesmo cautelosos por natureza, a curiosidade diante daquilo que os atraía levava-os a se dar mal. Nesse caso, ser curioso pode ser visto como algo perigoso e negativo. Em tempos de invasão permitida da privacidade com a vida das pessoas escancarada por todos os lados, fica até difícil não se deixar levar pela curiosidade. Afinal de contas, é muita informação, um verdadeiro bombardeio de notícias, fotos, vídeos e mensagens rondando diariamente nossa vida. Nisso tudo, há muito lixo também, e o que é pior: o desrespeito aos limites estabelecidos pela ética social. Xeretas, bicudos, intrometidos, candinhas, intrusos ou bisbilhoteiros postos de lado, exalto a boa curiosidade, aquela intrigante condição humana que os pesquisadores, por exemplo, têm de sobra e graças à qual descobertas científicas e inventos extraordinários se tornam realidade. Uma simples prova disso é a existência do Botox. Do uso terapêutico da toxina botulínica como uma alternativa eficaz para o tratamento não cirúrgico do estrabismo ao uso cosmético para a melhora das rugas (entre outras utilizações), o caminho da descoberta desse poderoso aliado, principalmente, de muitas mulheres, se fez pela observação, pelo espírito curioso do oftalmologista americano Alan B. Scott. Bendita seja a curiosidade que produz o conhecimento voltado para o lado bom da vida.
Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
Hoje me convém pousar em tua casa Hoje venho pousar em teus olhos, leitor. Venho fazer isso através destas linhas. Peço licença para entrar em tua casa, através de palavras tantas e tontas, pois demasiado e tonto sou nesta vida. Sempre estou rodopiando na existência, transitando entre passados e presentes e desejando futuros. Deixa-me entrar na tua casa, para mais uma vez falar da criança eterna que há em todos nós. Crianças têm suas manias. Suas virtudes e seus defeitos como qualquer adulto. E mesmo assim há quem diga que criança tem um par de asas levitando sobre o tempo. Ora essa, eu já fui criança, no sentido exato do termo! Digo “exato”, pois recorrentemente escrevo que ainda sou criança. Tudo o que escrevo é, na verdade, uma brincadeira com palavras. Continuo brincando como fazia quando era pequeno. Hoje, não muito grande, não sou mais criança exatamente, não tenho mais a pequenez de um menino. Meço aproximadamente um metro e sessenta e nove centímetros, medida essa que me denuncia. Tudo bem que muitas vezes minto a minha altura quando sobre ela me perguntam. Respondo convictamente que tenho um metro e setenta. E o pior é que chego a acreditar nisso! Não sei o motivo dessa mentira que digo a todos e me digo. Se pela praticidade do arredondamento dos números (que me salve a matemática!) ou se simplesmente para me querer mais alto, não sei. Por via das dúvidas, fiquemos com as duas explicações juntas. Pois bem, quando eu era pequeno, lá no Ribeirão de Santo Antônio, fui acostumado desde cedo a ir para a igreja. Uma igreja evangélica, de muitos louvores e orações. A estrada era íngreme para menino tão catatau, mas eis que meu irmão Elton e minhas irmãs e meus pais me levavam no colo. O Elton, muitas vezes, me levou sobre o seu pescoço. E lá ia eu, boneco desconjuntado, sob um sol queimando ou debaixo de estrelas tantas. Que estas eram muitas lá no Ribeirão! Não havia eletricidade. Com a parca luz das lamparinas, sobravam visões de um céu estrelado. A estrada em escarpas não era nada para um menino sobre ombros e abarcado por braços tão cuidadosos. Fui palmilhando desde cedo, pois, a vida de beato. Fui aprendendo orações e louvores a Deus sem a necessidade de usar meus pés infantis. E como era bom voltar da igreja em noites escuras, envolvido por colchas de retalho que mamãe tecia, e com as quais ela nos abarcava para nos proteger do frio lá no alto do Ribeirão. Lá onde imperava e ainda impera a capela, uma igrejinha católica. E como eu gostava da igreja,
a que eu frequentava! O cooperador (a que muitos chamam de pastor) ia pastoreando com palavras as ovelhas. Nem todas atentas, algumas até bocejando, mas todas no intuito único de buscar os céus, de angariar a divina existência. E lá na igreja eu ouvia as palavras, proferidas com fé, com ímpeto, numa exortação às vezes de dar medo, noutras de causar piedade e noutras de nos levar, em vida, para a vida eterna prometida pelas bíblias. O cooperador Totonho, meu tio porque tio de meu pai, falou uma vez sobre uma passagem do Cristo Jesus por estrada cheia de gente, estrada onde pessoas se amontoavam no intuito de ver o Filho de Deus. E Totonho falou, porque leu nas bíblias, sobre um homem muito importante, um tal de Zaqueu. Era um homem baixo, de pequena estatura mesmo. E, numa vontade imensa de presenciar Jesus, Zaqueu subiu numa figueira brava para ver o divino ser passando. Eis que o nazareno ergueu os olhos para o homem baixo lá no alto da árvore e disse: – Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa. Esta exortação foi um achado e tanto para mim e para uns primos meus. Tínhamos um colega, que também era nosso primo um pouco longe, o qual se chamava nada mais nada menos que Zaqueu. Foi uma festa! Todos os domingos, depois daquela exortação do Totonho, passamos a perseguir o menino no adro da igreja, dizendo-lhe as solenes palavras: – Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa. E íamos repetindo a interpelação, num prazer sem remorsos, sagrado e mexeriqueiro. Íamos fazendo isso atrás de um menino que fugia de nós, que nos xingava, que proferia palavrões inadequados a um adro de igreja. E nós, meninos inocentes, anjinhos serelepes, julgávamos adequada nossa atitude. Afinal, usávamos as bíblias para mexer com o amiguinho. Sendo assim, o que fazíamos era sob os auspícios de Deus. Mas eu gostei dessa passagem de Zaqueu não foi só por isso. É que também me deixava feliz, atônito até, um homem tão pequeno (eu o imaginava um anãozinho) fazendo a peripécia de escalar uma figueira brava para ver uma luz tão alta, uma luz tão bela. E hoje, mais do que nunca, sei que posso, com um metro e sessenta e nove de altura, também ver tal luz. E posso do mesmo modo, é claro, pousar em tua casa, meu caro leitor! Na casa de teus olhos.
Jornal das Lajes 15
ANO X Nº 121 - MAIO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Informe Publicitário
Funcionário trabalhando na seção de produção da Melt
191 funcionários.
cronograma de treinamentos que contemple questões técnicas e motivacionais. A adesão e aceitação dos colaboradores confirmam a eficácia desta iniciativa, demonstrando ser mais um passo bem sucedido dado pela empresa.
Objetivos que garantem o sucesso
Foto Emanuelle Ribeiro Laboratório de análise de materiais da empresa
o principal pilar para a construção de um país melhor, a Melt desenvolveu o programa “O lugar de seu filho é na escola” com o objetivo de conscientizar seus funcionários de que a educação deixada aos filhos é a principal e mais valiosa herança. O programa consiste no incentivo à presença dos filhos dos funcionários na escola por meio da cessão de kits escolares para os estudantes, através de critérios de participação durante todo o ano letivo. Para a empresa, o futuro do Brasil está nas mãos dos jovens e, por isso, incentiva a educação entre os funcionários e suas famílias. O segundo projeto pretende atingir pessoas carentes que integram a comunidade onde a Melt atua através da doação de cobertores comprados pela empresa no início do inverno. Uma equipe da empresa define a comunidade que será contemplada pela “Campanha do cobertor” e os colaboradores também são responsáveis pelas entregas dos cobertores. O resultado positivo deste projeto confirma ser essa mais uma iniciativa da empresa que gerou bons frutos. Além da responsabilidade social, a Melt Metais e Ligas S/A também se preocupa com o meio-ambiente, cumprindo as normas ambientais e todas as exigências propostas pelos órgãos fiscalizadores, sendo sua meta a certificação da ISO 14.000.
Foto Melt
Uma empresa com responsabilidades
No filtro de mangas, a poeira dos resíduos é filtrada até chegar a níveis aceitáveis para ser liberada
Não basta ser a segunda maior produtora de estanho do Brasil. A Melt não pensa só em produzir e alcançar seus objetivos financeiros: a empresa cumpre também suas responsabilidades sociais e ambientais. A Melt pertence à cidade histórica de Tiradentes, sendo única indústria que abarca a população do município e, simultaneamente às demais indústrias de São João del-Rei, contribui para o desenvolvimento da região do Campo das Vertentes. Comprovando esse fato, hoje a Melt possui dois projetos que geram reflexos diretos na qualidade de vida de seus colaboradores e na comunidade onde atua: “O lugar de seu filho é na escola” e “Campanha do cobertor”. Acreditando ser a educação
Processo de refinamento do Estanho
A empresa mantém uma área destinada ao reflorestamento em suas dependências e participa do programa 5’S, que tem como objetivo a seleção, organização, limpeza e saúde do ambiente de trabalho. E não para aí: a Melt realiza coletas de pilhas e baterias através de convênio com o Instituto Apoiar e faz o controle ambiental de efluentes líquidos, efluentes gasosos e resíduos sólidos. Seriedade, compromisso com a excelência de seus produtos e com o desenvolvimento do país. Essa é a motivação que levou a Melt ao topo das maiores empresas do país no ramo de metal. Ao olhar para trás e constatar que o esforço valeu a pena, os colaboradores da Melt comemoram o êxito de um grande trabalho alicerçado no esforço e no idealismo.
Foto Melt
Nenhuma empresa atinge um nível de excelência sem muito trabalho e objetivos claros a serem alcançados. Para atingir seus objetivos, sem jamais perder de vista a excelência de seus produtos, a Melt Metais e Ligas S/A valoriza seus funcionários, aos quais reconhece como importantes e eficazes colaboradores, para a consolidação de um projeto que é referência nacional. No intuito de oferecer oportunidades a todos os colaboradores dentro da empresa, a Melt acredita no diálogo como estratégia para que todos possam conquistar seu espaço, trabalhar com motivação e atingir o sucesso. A empresa não abre mão da capacitação de seus funcionários, posicionando-os para o futuro da carreira. A Melt acredita que através de colaboradores motivados com os objetivos da empresa, as ações tendem a apresentar melhores resultados, de forma ainda mais rápida. A empresa tem plena consciência de que o grande desempenho de seus negócios é, também, fruto da dedicação e desempenho de seus funcionários. A aprendizagem no trabalho vem sendo cada vez mais requisitada no mercado, e com a Melt não é diferente. Através do Departamento de Recursos Humanos, a empresa realiza anualmente entre seus colaboradores um levantamento cujo objetivo é a montagem de um
Foto Emanuelle Ribeiro
Neste ano, a Melt Metais e Ligas S/A comemora 25 anos. E a empresa tem muito que comemorar, afinal é hoje uma das principais produtoras de estanho do Brasil. Além do estanho bruto (SN), a Melt produz e oferece ao mercado brasileiro solda branda, ligas Pewter, metal Patente, pasta para soldar e ligas à base de estanho. A história começou em 1988. Até 1990, a Melt produzia um único produto, o estanho bruto, obtido através da fundição da cassiterita. A partir de 1990, a empresa começou a agregar valor ao seu produto, fazendo tratamento de limpeza e purificação, retirando contaminações, o que elevou o estanho a um alto grau de pureza. Em 1993, a Melt deu mais um salto importante: começa a se inserir no mercado de soldas e ligas especiais. A indústria automobilística constitui-se hoje o principal público consumidor de seus produtos. A Melt Metais e Ligas S/A atua apenas no mercado interno. A seriedade na produção e a qualidade final dos produtos alçaram a Melt ao topo das maiores empresas produtoras de estanho do país, ocupando a segunda colocação desde 2004. A qualidade de seus produtos e a agilidade na entrega conferiu à Melt o certificado ISO 9001:2008. Diante de um mercado cada vez mais exigente e competitivo, esse reconhecimento é mais um incentivo para que a empresa continue investindo para se manter em permanente desenvolvimento. Atualmente, a Melt possui cinco filiais, sendo duas localizadas em Tiradentes (MG), duas em Ariquemes (RO) e uma em São Paulo (SP). A Melt emprega
Foto Melt
Melt: 25 anos de excelência no mercado de metais
Foto panorâmica de uma das filiais da Melt
16 Jornal das Lajes
ANO X Nº 121 - MAIO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
Fênix: o futebol feminino persiste em Resende Costa Foto Emanuelle Ribeiro
O futebol sempre foi visto como um esporte para homens, conceito que tem sido mudado ultimamente. Há muitas mulheres que gostam de praticar o esporte e são até melhores que os homens com a bola nos pés ou mesmo na hora de discutir. Em Resende Costa, o futebol feminino tem se desenvolvido nos últimos anos e conquistado algumas adeptas. Por isso, nesse mês nossa coluna traz como destaque as meninas do Fênix, que montaram o time e já treinam juntas há um bom tempo. Muitas das atletas do Fênix começaram a jogar futebol bem cedo, com cerca de sete anos de idade. Bianca Nathane e Mayara Resende, por exemplo, são as mais experientes do time e treinam há cerca de 15 anos: começaram no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson, onde acontecia o projeto CBF, uma escolinha de futebol. “Eu sempre gostei de assistir o esporte e acompanhava meu pai nos treinos. Eu e a Mayara até já jogamos com os meninos na época de CBF, por falta de mulheres interessadas. Mas isso mudou, hoje há mais meninas treinando”, conta Bianca. Já a Helen Santana começou no esporte por incentivo da mãe: “Minha mãe me inscreveu nas aulas de futebol quando criança e eu comecei a desenvolver habilidades e a gostar do esporte”, diz a goleira do Fênix. O Fênix foi idealizado há cerca de cinco anos e hoje conta com cerca de oito atle-
Aconteceu no dia 27 de abril a sétima edição da Corrida de São Vicente em Resende Costa, organizada pela equipe de atletismo Novo Amanhecer. 58 atletas de diversas cidades participaram dessa prova, que foi dividida em várias categorias, inclusive categoria local, que destacou atletas de Resende Costa. Crianças, adultos, ho-
mens e mulheres correram o percurso de oito quilômetros, totalmente montado dentro da cidade. Na categoria dos corredores de Resende Costa, Luiz Nei Resende terminou em primeiro, com o tempo de 31 minutos e 15 segundos. Mauro Fernando, Reginaldo Resende, Edivaldo Resende e Samuel Santos completaram o pódio local.
De pé - Júlia, Mariana e Bianca. Agachadas - Larissa, Amanda e Kátia
tas frequentes: Bianca, Mayara, Mariana Scarlat, Amanda Paula, Helen, Larissa Ribeiro, Júlia Yara e Kátia Valéria. As meninas acabam encontrando dificuldades nos treinos, por falta de jogadoras, e muitas vezes dependem de meninos para completar o time. “Acredito que falta incentivo em alguns momentos. É difícil encontrar horários para treinar, por exemplo. Além disso é necessário mais divulgação, organizar um campeonato poderia ajudar”, acrescenta Bianca. Helen fala da força do futebol feminino em Coronel Xavier Chaves: “É uma cidade bem menor que a nossa e que tem muitas atletas, por causa do apoio. Acho que a prefeitura, inclusive, cede treinador para os times de lá”. As meninas acreditam que há certo preconceito contra mulheres que jogam futebol,
mas que esse quadro tem sido alterado: “A divulgação muda tudo. O futebol feminino aparece mesmo em época de Copa do Mundo e Olimpíadas, fora isso é pouco comentado na mídia. Quando se fala no assunto, todos se lembram unicamente da Marta. Com mais divulgação, acho que o interesse das meninas aumenta”, comenta Bianca. Até eu me arrisquei a participar de alguns treinos do Fênix, mas meu condicionamento físico não me permitiu ir longe: já no segundo treino me contundi e tive que aposentar as chuteiras. Foi legal estar com as meninas nesses dias e ver a persistência do time, que apesar das dificuldades tem lutado e insistido para que a equipe continuasse treinando nesses últimos anos. Além dos treinos e de praticar o futebol por lazer, as atletas do Fênix também participam
Resende Costa participa do JEMG 2013 ANDRÉ EUSTÁQUIO
Cinco dias de competição marcaram a 13º edição dos Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG), dos quais participaram todas as escolas estaduais vinculadas à Superintendência Regional de Educação (SRE). E a Escola Assis Resende, de Resende Costa, fez bonito na competição, classificando-se para a final, na modalidade Futsal masculino. Os jogos aconteceram em São João del-Rei, no campus CTAN,
Sétima Corrida de São Vicente recebe corredores de diversos lugares
da UFSJ e em algumas cidades da região. Na modalidade Futsal masculino, módulo dois, participaram 12 times de 12 cidades da região. A equipe da Escola Estadual Assis Resende venceu seus adversários, indo até às finais da competição. No dia 11 de maio, disputou a semifinal contra o time da cidade de Prados, vencendo-o por 2x0. A final contra o time de São João del-Rei aconteceu
no domingo 12, e a equipe resende-costense não conseguiu, desta vez, levar o título: O time de São João venceu por 4x0. O professor de Educação Física da Escola Estadual Assis Resende, Rodrigo Aguiar, exalta a preparação da equipe: “Para participarmos dos jogos, treinamos muito e contamos com o apoio da direção da Escola Assis Resende”.
Pódio dos vencedores da categoria local da Corrida de São Vicente
de campeonatos na região de Resende Costa e sempre jogam amistosos contra times de Coronel Xavier Chaves e São João del-Rei. “Além da gente, há mais meninas que também praticam o
esporte hoje em Resende Costa. Acho que a cidade tem capacidade de realizar um torneio de futebol feminino. Seria muito bom para o esporte”, conclui Bianca.