10 anos
ABRIL 2013
ANO IX - Nº 120 Resende Costa - MG
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Distribuição Gratuita
Prefeitura Municipal tenta solucionar problemas no trânsito de Resende Costa Foto Cássio Almeida
Política regional: Carrancas
A partir da década de 1990, o turismo surgiu como nova força da economia de Carrancas (MG). Atualmente existem no município cerca de 25 pousadas e hotéis-fazendas, além de oito restaurantes. Sustentabilidade e exploração do turismo são hoje a grande preocupação no município, que recebe turistas atraídos pelas belezas naturais.
Nas celebrações, ritos e procissões os resende-costenses mais uma vez vivenciaram a Semana Santa sem perder a riqueza de cada gesto, que marca o dia-a-dia da religiosidade mineira. Em 2013 a Semana Santa contou também com um chamado a uma participação maior da juventude, que é lembrada na Campanha da Fraternidade e na Jornada Mundial da Juventude.
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Autoridades municipais falam sobre obras públicas Em 2012, algumas obras que haviam sido iniciadas ou licitadas nos anos anteriores acabaram paradas, a maioria por falta de recursos. O Jornal das Lajes procurou a Prefeitura Municipal de Resende Costa em busca de esclarecimentos a respeito de algumas dessas obras, com destaque para a rede de esgoto, Pró-Infância e Academia da Saúde. Página 04
Fiéis celebram a Semana Santa em Resende Costa
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Jornal das Lajes comemora dez anos
trarem soluções. Educação no trânsito, placas de sinalização, alterações nas vias e avenidas da cidade e criação de vagas para estacionamento são propostas que deverão ser estudadas por especialistas, na tentativa de minimizar os problemas.
No dia 14 último, o Jornal das Lajes comemorou dez anos de existência. Fundado em abril de 2003, a partir do idealismo de um grupo de jovens que desejavam resgatar a cultura de Resende Costa, o JL é hoje referência em jornalismo regional. Leia nesta edição a coluna “Causos e Cousas” e o editorial.
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Semáforo instalado nos Quatro Cantos ainda é motivo de controvérsias
O semáforo instalado nos “Quatro Cantos” (cruzamento das Avenidas Monsenhor Nelson e Prefeito Ocacyr Alves e Rua Assis Resende) gerou muitas controvérsias entre moradores do entorno, motoristas e pedestres que transitam no local. Mas não é somente este o maior
problema que hoje preocupa os responsáveis pelo trânsito em Resende Costa. Falta de estacionamentos, fluxo de veículos pesados no centro da cidade e escassez de vagas para carga e descarga também são gargalos do trânsito, que obrigam as autoridades municipais a encon-
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Jornal das Lajes
E D I T O R I A L
10 anos de Jornal das Lajes Um jornal do interior, distribuição gratuita, sem fins lucrativos, sem pagamento de salários, produzido na base da boa vontade de sua equipe, merece comemorar seus 10 anos de circulação, por ser um feito sensacional. 10 anos ininterruptos e 120 edições, chegando pontualmente ao leitor no meio de cada mês. É deveras um motivo a ser comemorado. Este jornal tem o significativo nome de “Jornal das Lajes”. É de se perguntar: quem sustenta esse milagroso mosaico de 10 anos de notícias, ciência, economia, cultura, opiniões, política, literatura, religião, esporte, artes, festas sociais, estórias, gastronomia, recuperação da história e da memória de Resende Costa, saúde, música, informações técnicas e tecnológicas ou, como diziam antigos filósofos, “de omni re scibili et quibusdam aliis” (de tudo o que se pode saber e mais alguma coisa)? Sustenta o milagroso mosaico um poderoso tripé, de ações diferentes e funções imprescindíveis. O primeiro, o sonho, a ideia, o empenho, a persistência e a garra do Denilson Daher, o fundador, com sua equipe inicial: André Oliveira, Cássio Jônatas, padre Claudir Trindade, Ednanda Coelho, Márcia Resende, Paulo Andrade, Rômulo Sousa, Sérgio Ricardo, Tatiane Resende e Wanessa de Paula. Essa equipe foi se transformando e crescendo com o tempo, com a mesma persistência e garra nos dias de hoje: André Oliveira, Eustáquio Chaves, Rosalvo Pinto, José Venâncio de Resende, Emanuelle Ribeiro, Rafael Alves, Elaine Martins, João Magalhães, Antônio Ribeiro Neto, Regina Coelho, Rafael Chaves, José Antônio de Resende, Evaldo Balbino, Cláudio Ruas Pinto, Fernando Chaves, Caroline Resende, Carina Bortolini, Luiz Antônio Pinto, Cássia Lara, Gláucio Wallacy, Marta Osório de Moraes, Fábio Passos, Janete Helena, padre Dirceu Medeiros, Cláudio Luís, Geraldo Aires, Tatiane Silva, Denise Resende, Paula Dias, Aline Resende, Daniela Regina, Anderson Daher, Gláucio Wallacy, entre tantos outros que, de uma forma ou de outra, colaboraram e ainda colaboram com o JL. O segundo, os nossos patrocinadores e colaboradores. Sem eles o tripé não se sustentaria. Desde o início acreditaram e confiaram na nossa proposta e vêm nos acompanhando lado a lado. O terceiro, os nossos leitores. É para eles que os dois tripés acima trabalham. São nossos leitores que nos estimulam a levar adiante o projeto JL. Esse tripé sustenta o mais importante: a comunidade de Resende Costa. É para essa comunidade que produtores, patrocinadores e leitores se associaram nesse empreendimento. Os 10 anos nos estimulam a rever e afirmar nossos princípios e nossos compromissos. Desfraldando sempre a bandeira da liberdade da imprensa, temos nos esforçado, ao longo dessa década, em fazer do JL um jornal independente, ligado à política com “P” maiúsculo, ou seja, à política enquanto ações visando ao bem-estar da cidade e de seus cidadãos, não nos imiscuindo na chamada política partidária que, infelizmente, costuma ser mais destrutiva do que construtiva na atual conjuntura político-eleitoral de nosso país. Como dizia o poeta latino Virgílio, “fugit irreparabile tempus”: daqui a alguns dias estaremos no 11º. ano do JL...
Jornal das Lajes Ltda
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Fundado em 22 de janeiro de 2008 Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro
Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000
Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Diretor de redação: Rosalvo Pinto
Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP
Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte
Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves
Tiragem: 4000 exemplares
Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto
Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Tiradentes
Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
ANO IX Nº 120 - ABRIL DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Meio Ambiente
FERNANDO CHAVES
Água: um recurso natural vital
No dia 22 de março foi celebrado o Dia Mundial da Água. Data criada pela ONU com a finalidade de refletirmos sobre um recurso natural vital: a água. Desde os primórdios, o homem escolheu se estabelecer próximo às nascentes e aos rios, dada a necessidade por água. Com o passar do tempo, foram atribuídas aos rios funções que até então não existiam, uma dessas era de transportar aquilo que não serve ou que é descartado pela sociedade, ou melhor, levar para longe do alcance dos olhos o resultado do uso da água: o que conhecemos como esgoto. Destaca-se que o lançamento dessas águas residuárias (esgoto) nos cursos d’água gera, como consequência, poluição e contaminação. As fontes de água doce, as mais vitais para os seres humanos, são justamente as que mais recebem poluentes. Muitos lugares do planeta, cidades e zonas agrícolas correm sério risco de ficar definitivamente sem água. A poluição dos mananciais está entre os fatos mais graves, uma vez que esses são as fontes de abastecimento de água potável para a população das cidades. A causa fundamental dessa tragédia ecológica, que pode eventualmente piorar se medidas sérias e sustentáveis não forem tomadas, é o aumento acelerado de várias formas de poluição, além da ocupação desordenada em regiões de
Charge
preservação de mananciais. A utilização de recursos hídricos requer manejo adequado quando se quer evitar problemas de degradação do meio ambiente. O desmatamento das margens dos rios, a erosão, os lixões, a poluição dos cursos d’água são consequências do uso inadequado do solo, seja para uso agrícola ou para uso urbano. Podemos chegar a uma época em que não haja nenhum lugar no planeta com águas limpas. Com aumento da população, cresce também a demanda por água para atender a satisfação humana em todos os seus processos, desde o uso mais nobre, o consumo humano, até outros usos, como dessedentação de animais, irrigação, consumo industrial, recreação etc. Dessa forma, se torna cada vez mais difícil atender em qualidade e quantidade a todos esses usos. A água vem perdendo poder frente a ações antrópicas. No entanto, como a Natureza é sábia e generosa, a água possui a propriedade de autodepuração (purificação e recuperação das características naturais), ou seja, a água consegue eliminar naturalmente determinada carga de impurezas que nela é lançada. Evidentemente, trata-se de um processo lento e de ação prolongada, que na maioria das vezes não consegue estabilizar (depurar) a carga de poluentes dentro de prazos compatíveis com a sociedade moderna. Aí entra a ação benéfica do homem, com a
criação de mecanismos para ajudar a Natureza nesse processo de depuração/regeneração da qualidade e das propriedades essenciais da água. Citam-se como exemplos a construção de Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) e das fossas sépticas. Cabe mencionar que, recentemente, uma ETE está sendo construída em Resende Costa, com o objetivo de tratar o esgoto gerado pela população urbana. A água não deve ser encarada como um recurso para atender exclusivamente ao homem, mas sim como fonte de vida para o planeta. De acordo com o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos da Água: “A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos”. Nós, brasileiros e resende-costenses, somos privilegiados em poder usufruir de forma satisfatória de água, tanto em qualidade quanto em quantidade. Por outro lado, temos a obrigação de colaborar na preservação desse recurso vital, mas dotado de limites. Pequenas ações em nosso dia a dia são essenciais: evite o desperdício de água, não desmate as margens dos rios e o entorno de nascentes, não jogue lixo e entulho próximo a córregos, não jogue esgoto diretamente nos corpos d’água, plante mais árvores.
Jornal das Lajes
ANO IX Nº 119 - MARÇO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Informativo da Câmara O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.
Confira alguns dos projetos de lei aprovados entre os meses de março e abril PROJETO 20 – O projeto dispõe sobre os procedimentos para o acesso à informação pública no âmbito do Município de Resende Costa e providências. Cria no âmbito da Administração Pública Municipal o Sistema de Informação ao Cidadão – SIC.
dradas nas hipóteses que menciona e dá outras providências.
PROJETO 21 – O projeto de lei autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende costa e a Associação dos Pequenos Produtores e Trabalhadores Rurais de Resende Costa – ARCOSTA, o repasse de recursos e dá outras providências. Permite o empenho de dotação para a ARCOSTA.
PROJETO 27 – O projeto de lei autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. Permite a aquisição de um guindaste hidráulico e uma cabine para adaptação em caminhão.
PROJETO 22 – O projeto de lei prorroga a data do vencimento da parcela única do Imposto Predial e Territorial Urbano – IPTU, com desconto, no exercício financeiro de 2013, e dá outras providências. PROJETO 23 – O projeto de lei autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. Autoriza a assinatura de convênio com o Ministério da Educação para a aquisição de dois ônibus escolares para a zona rural. PROJETO 24 – O projeto de lei autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. O referido projeto autoriza o pagamento complementar da remuneração de servidor público. PROJETO 25 – O projeto de lei dispõe sobre as vedações para a nomeação dos cargos de Secretários Municipais, cargos em comissão ou função gratificada, no âmbito dos órgãos do Poder Executivo e do Poder Legislativo do Município de Resende Costa, de pessoas enqua-
PROJETO 26 – O projeto de lei concede reajuste sobre os vencimentos básicos dos servidores municipais ativos, inativos e pensionistas e dá outras providências.
PROJETO 28 – O projeto de lei altera a Lei Municipal n.º 3.275, de 18 de agosto de 2009 e dá outras providências. Promove alterações na lei municipal que institui o Fundo de Habitação de Interesse Social. PROJETO 29 – O projeto de lei concede reajuste de vencimentos e salários aos servidores da Câmara Municipal e dá outras providências. PROJETO 30 - O projeto de lei autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o conselho de Desenvolvimento Comunitário do Ribeirão Santo Antônio e dá outras providências. Permite a realização do Torneio Regional de Futebol de Campo. PROJETO 31 – O projeto de lei autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho de Desenvolvimento Comunitário do Ribeirão Santo Antônio e dá outras providências. Permite a realização do XXVII Encontro de Carro de Bois. PROJETO 32 – O projeto
de lei autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Comunitária da Região do Barracão e dá outras providências. Possibilita a realização da VI Festa Sertaneja. PROJETO 33 - O projeto de lei autoriza a assinatura de convênio entre o Município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Salva Terra e dá outras providências. Possibilita a realização da X Festa da Colheita do Milho. PROJETO 34 – O projeto de lei autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Expedicionário Sport Club e dá outras providências. Possibilita a realização de Torneio Regional de Futebol de Campo da região do Campo das Vertentes. PROJETO 35 – O projeto de lei autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Filhas de São Camilo/Hospital Nossa Senhora do Rosário e dá outras providências. Possibilita a assinatura de convênio com o Hospital para a realização de plantão médico. Maiores informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br Venha participar das Reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.
Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N. Centro.
Tel.: (32) 3354-1526
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APAE Resende Costa sedia encontro regional das APAEs A APAE de Resende Costa sediou, no dia 11 de março último, o encontro regional das APAEs do Campo das Vertentes. O evento contou com a participação de representantes das 20 APAEs integrantes da regional (diretoria, profissionais clínicos e pedagógicos, alunos e pais), além de autoridades locais, da superintendente regional de ensino de São João del-Rei, Maricéia do Sacramento Santos, do diretor regional de saúde de São João del-Rei, José Rosário Silva e do deputado e presidente da Federação Mineira das APAES, Eduardo Barbosa. O deputado Eduardo Barbosa proferiu uma palestra cujo tema foi: “Tecnologia assistiva promovendo o desenvolvimento humano da pessoa com deficiência intelectual”. Ele iniciou a palestra dizendo que o conceito de tecnologia assistiva permite criar possibilidades de autonomia e independência. A pessoa com deficiência, segundo ele, tem ao seu alcance metodologias facilitadoras para a sua qualidade de vida, e cabe à APAE se comprometer com essa nova área de conhecimento para que essas possibilidades se manifestem, pois “a inclusão exige recursos para que a pessoa tenha participação efetiva”, explicou. Relembrando a sua história de 25 anos no movimento apaeano, o deputado enfatizou a necessidade de escuta atenta por parte dos dirigentes e profissionais: “A interação com as pessoas com deficiência intelectual e múlti-
pla é fundamental para que os ambientes sejam adequados a seu favor”, afirmou. O Prefeito Municipal de Resende Costa, Aurélio Suenes, destacou os avanços que a APAE conquistou durante os anos e a legitimidade que detém na comunidade, citando como exemplo o mutirão para a construção da nova sede da entidade. Já a diretora da Superintendência Regional de Ensino (SRE) de São João del-Rei, Maricéia Santos, falou da importância do papel das APAEs de Minas Gerais para as práticas de educação especial. Após o almoço, os participantes foram divididos em grupos e por setores de representatividade para discutirem sobre a tecnologia assistiva e a pessoa com deficiência intelectual. Terminadas as discussões houve a plenária para apresentação das conclusões dos grupos. Cada grupo pôde colocar suas dúvidas e anseios. Destaque para a participação significativa e qualitativa dos alunos apaeanos, posicionando-se de forma coerente e segura, defendendo seu direito de serem ouvidos e atendidos. Encerrados os trabalhos relativos à plenária final, foram escolhidos os dez familiares e o casal de autodefensores representantes de cada regional, para participação no II Fórum Mineiro de Autogestão, Autodefesa e Família. Ambos os eventos serão realizados nos dias 11, 12 e 13 de outubro deste ano, em Belo Horizonte, no Minascentro.
Prestação de Contas Arrecadação de fundos para cirurgia do menino Yuri • Rifa de uma bezerra: R$ 5.000,00 • Rifa de uma televisão: R$ 2.500,00 • Bezerra leiloada no Parque do Campo (doada por Aldemar Aarão e Aldemir Aarão): R$ 900,00 • Valor em doações recebidas no Parque do Campo: R$ 3.250,00 • Demais doações: R$ 15.350,00 Valores repassados pela família da criança. Os familiares de Yuri agradecem toda a ajuda e apoio recebidos.
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Jornal das Lajes
ANO IX Nº 120 - ABRIL DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Política
Educação
Rede de esgoto deve ser retomada Paula Assis: há 50 anos fazendo a diferença ainda neste semestre EMANUELLE RIBEIRO
Em 2012, algumas obras que haviam sido iniciadas ou licitadas nos anos anteriores acabaram paradas, a maioria por falta de recursos. O Jornal das Lajes procurou a Prefeitura Municipal de Resende Costa em busca de esclarecimentos a respeito de algumas dessas obras, com destaque para a rede de esgoto. Rede de Esgoto A obra da rede de esgoto foi idealizada nas gestões anteriores e sua conclusão será de grande importância para Resende Costa. A previsão inicial era de que a obra seria entregue em fevereiro do ano passado, mas isso não aconteceu. Faltou fiscalização por partes dos órgãos envolvidos e a empresa responsável acabou abandonando o serviço. O atual prefeito, Aurélio Suenes, que já foi da diretor Copasa, disse que procurou a diretoria da empresa ainda antes de assumir a prefeitura, em novembro do ano passado. “Fomos pedir o empenho da empresa para retomar a obra paralisada por falta de recurso financeiro. Naquela ocasião tivemos a notícia de que a Copasa ainda não tinha previsão para a retomada das obras. Já no inicio do ano, o diretor de operações responsável pela nossa região, Dr. Valério, comunicou a liberação de mais de três milhões para a conclusão da tão esperada obra de esgoto de Resende Costa”, completou. De acordo com o prefeito, a Copasa informou que a obra já está em processo de licitação e a previsão é de que os trabalhos devem ser retomados ainda no primeiro semestre desse ano. “Acredito que o principal desafio que temos é concluir bem a obra de coleta e tratamento de esgoto de Resende Costa. Quero acompanhar de perto, passo a passo, essa obra, vou colocar um funcionário da prefeitura para fiscalizar a empreiteira. Não é razoável que uma empresa venha aqui causar estragos nas nossas ruas e fique por isso mesmo. Com todos os desafios que temos pela frente, espero que no ano que vem possamos concluir
essa importante etapa para nossa cidade. Conheço de perto a importância e os benefícios do saneamento básico. Sempre estive empenhado pela causa do esgoto em Resende Costa. Em 2007, quando era vereador, estive na presidência da Copasa para solicitar a liberação da obra. Algo tão relevante e ao mesmo tempo básico como a coleta de esgoto não pode atrapalhar a imagem e o desenvolvimento de Resende Costa”, explicou Aurélio. Pró-Infância Outra obra que foi paralisada é a da Pró-Infância, no bairro Tijuco. Mas essa já foi retomada, ainda no ano passado, em outubro. Segundo a secretária de Educação, Silvanda Resende, a previsão é de que a obra seja concluída em maio desse ano e comece a funcionar no início do próximo ano letivo: “Educação infantil é uma das mais importantes fases da vida escolar de uma criança. Com a construção do prédio da Pró-Infância poderão ser atendidas crianças em dois turnos, na idade entre zero e cinco anos e 11 meses. Atualmente, a educação infantil acontece em um espaço que não atende aos requisitos recomendados. Essa obra desafogará a Escola Conjurados, que também atende a turmas de educação infantil”. Com a Pró-Infância em funcionamento há ainda a possibilidade de surgirem mais empregos: “Quanto ao número de funcionários, ainda não sabemos ao certo. O que podemos informar é que as cantineiras e professores lotados na EMEI acompanharão as turmas. Se houver necessidade de mais profissionais, há em vigência um concurso”, afirmou Silvanda. Quanto ao abandono da obra pela empresa M2A Serviços de Construção e Engenharia Ltda-Me, na ocasião houve um empecilho envolvendo os funcionários, que ficaram sem receber. Silvanda explicou que esses funcionários ajuizaram ações na Justiça do Trabalho em São João del-Rei e os processos estão em julgamento de recursos
Da esquerda para a direita, o vereador Abel Assis, Toninho Ribeiro, Aurélio Suenes e o Dr. Valério
no Tribunal Superior do Trabalho: “Cabe esclarecer que nos julgamentos realizados em 1ª instância, o município de Resende Costa teve sua responsabilidade afastada. Porém, é necessário aguardar o julgamento das decisões judiciais para se concluir até onde vai a obrigação do nosso município”, declarou a secretária de Educação. Durante nossa conversa, Silvanda fez comentários a respeito de outra novidade no setor da educação: no dia 19 de março, ela, juntamente com o prefeito Aurélio, estiveram em um evento em Juiz de Fora, onde entregaram pessoalmente à secretária estadual de Educação, Ana Lúcia Gazolla, um ofício solicitando o empenho na compra de terreno para ampliação da Escola Estadual Assis Resende. Academia da Saúde A Academia da Saúde, em terreno próximo à Prefeitura Municipal, é outra obra paralisada em Resende Costa. O secretário de obras, Adelmar Aarão, informou o seguinte: “Essa obra foi iniciada no mandato anterior e a informação que temos é de que ela foi iniciada em data posterior à permitida para liberação de recursos devido ao período eleitoral. Por isso, o restante do recurso não foi encaminhado. Estamos tentando viabilizar a liberação desse recurso para a conclusão da Academia”. O secretário de Administração e responsável pelo setor de esportes, Toninho Ribeiro, deu mais informações sobre essa obra: “A Academia da Saúde será equipada com equipamentos feitos para a prática de exercícios. Equipamentos testados e próprios para a realização de atividades físicas. A obra encontra-se parada, aguardando nova regulamentação por parte da Caixa Econômica Federal para que possamos terminá-la. Será uma obra de grande benefício para todos. Resende Costa é uma cidade carente de espaços para a prática de exercícios físicos e essa Academia será uma ótima opção para quem gosta de se exercitar”. Ainda no setor esportivo, Toninho comentou outras ações: “Estamos distribuindo material esportivo para as equipes que se inscreveram na Prefeitura Municipal. Estamos também trabalhando em projetos para os bairros: nossa intenção é criar praças de esportes e lazer em terrenos da prefeitura”. O secretário de obras Adelmar Aarão concluiu falando sobre outras obras na cidade: “Encontra-se já em andamento o processo para a licitação do calçamento das ruas do bairro Expedicionários (Zé Padeiro) com previsão de início em maio ou junho, além de mais duas ruas no bairro Novo Horizonte. Há outras obras a serem realizadas, mas prefiro esperar a confirmação para dar mais informações à nossa população”.
Talvez não fosse a intenção de quem fundou a Escola Municipal “Paula Assis” há 50 anos, mas o fato é que ela se tornou uma instituição de ensino muito prestigiada. De uma escola rural organizada para atender as crianças do povoado do Ribeirão de Santo Antônio e arredores, atualmente acolhe quase 300 alunos de grande parte da zona rural de Resende Costa e também da cidade. Essa ascendência aconteceu gradativamente e graças à dedicação de funcionários, alunos e professores, todos ferrenhos batalhadores pela escola. Esses tantos, que passaram por lá ou ainda a compõem, foram responsáveis por este jubileu de ouro, e por fazer o nome “Paula Assis” estar entre os de maior destaque no âmbito educacional da região.
Para comemorar esse aniversário, que se deu no dia 12 de março, foi organizada pela direção e secretaria da escola uma gincana, envolvendo professores e alunos. Divididos em três equipes mescladas por alunos dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio, foram realizadas provas com conteúdos referentes ao cinquentenário. A equipe amarela venceu as equipes vermelha e verde. E os parabéns, que não podiam faltar, foram tocados pelos alunos que fazem parte da banda de Jacarandira. Uma coisa é certa: se depender dos professores, funcionários e alunos, a Escola Municipal “Paula Assis” vai continuar trilhando um caminho brilhante. Parabéns pelos 50 anos de sucesso!
Funcionários e professores comemoram os 50 anos da Paula Assis
Homenagem
Homenagem de uma ex-aluna
NATÁLIA COELHO
Lembro-me da primeira vez que eu fui à Escola Municipal “Paula Assis” como se fosse ontem. Minha avó Tote era professora e me levou para uma visita. Mesmo que seja uma lembrança borrada de mais de quinze anos atrás, me recordo muito bem da felicidade de todos os que estavam lá. Tempos depois, minha mãe também se tornou professora da Paula Assis e de vez em quando me levava lá para um passeio. Com o passar do tempo, pude perceber através de casos e histórias de minha mãe que a felicidade morava naquele lugar e que ninguém que passava ali era infeliz. E eu ficava por entender o porquê de tanta felicidade. Passei a imaginar que só quem estudava ou trabalhava lá era privilegiado por aquela mistura de alegria, bom humor, afeto, e, claro, compromisso com suas responsabilidades. Então chegou o dia que meus pais me deram a notícia de que eu iria estudar naquela escola. Pra falar a verdade, fiquei revoltada. Não queria
deixar o lugar onde eu estudava, nem me separar de meus amigos. E um sentimento de medo do desconhecido tomou conta de mim. Mas fui, mesmo assim. Fui e prometi a mim mesma que nunca iria me adaptar. Mas como diz meu ídolo da infância, Peter Pan: “Nunca diga nunca!”. Fiquei surpreendida. Aquele lugar era acolhedor, assim como as pessoas que ali estavam. Cativaram-me, ensinaram-me e despertaram em mim um amor que irei levar da “Paula Assis” para o mundo. A partir de então passei a entender a alegria de quem convivia lá. Agradeço hoje a meus pais, meus professores, funcionários e amigos que me proporcionaram esta experiência maravilhosa. Levarei a lembrança desta escola por toda a vida. Parabéns, “Paula Assis”, e que venham muitos anos semeando alegria e aprendizado aos que aí passarem!
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ANO IX Nº 120 - ABRIL DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Religião
Semana Santa
Novo papa, participação da juventude e resgate de tradição religiosa são destaques da Semana Santa
Outro acontecimento que marcou a Semana Santa em 2013 foi o resgate da “Encomendação de Almas”. Há muitos anos sem acontecer, o rito é
Foto Magali Resende
Encomendação de Almas
Padre Eder (centro) presidindo a cerimônia da Vigília Pascal. Rito da benção da água
característico da Quaresma e as pessoas saem às ruas no fim da noite, orando pelos fiéis defuntos. “Em Resende Costa, seguimos o rito de São João del-Rei, que consiste em executar um dos Motetos de Passos e o ‘Senhor Deus’, além de um Pai Nosso e três Ave Marias e uma breve oração em latim. Há algumas diferenças, já que aqui fizemos cinco pontos de oração, para vermos se daria certo, e rezamos aos sábados”, declarou João Carlos Resende, presidente do Coral Mater Dei. O resgate dessa tradição católica é responsabilidade do Coral, como explicou João Carlos: “Minha avó, a Donana da Fazenda da Laje, tem 87 anos e lembra da ‘Encomendação’ quando ainda era menina. Ela sempre me falava, contando as crendices que tinham sobre o rito. Ano passado, o Max Lara deu a ideia de resgatar. Todos gostaram da ideia de rezar pelas almas e os jovens tomaram frente na organização. Resolvemos resgatar, pois se trata de algo salutar e cultural”. A “Encomendação de Almas” não é uma realização da Igreja, parte da iniciativa dos fiéis, uma manifestação de fé popular. Segundo João Carlos, cerca de 30 a 40 pessoas participaram do rito. Houve duas “Encomendações” nos primeiros sábados da Quaresma e com a morte de Lilia Lara, soprano do Coral Mater Dei, a organização adiou a terceira manifestação para o Sábado de Ramos. O presidente
do Coral acredita que nos próximos anos, a tradição pode se fortalecer e atingir o mesmo nível que o rito possui em São João del-Rei: “Confesso que por ser o primeiro ano, a divulgação foi muito fraca: utilizamos apenas o Facebook. Em São João uma multidão incalculável acompanha. Penso que se um dia a paróquia resolver nos apoiar, mesmo que seja só anunciando e convidando o povo, a participação será maior”. João Carlos tem apenas 19 anos e assumiu o Coral Mater Dei, tradicional em Resende Costa. Ele aproveitou para falar sobre a participação da juventude na igreja: “É interessante notar que no Mater Dei há adolescentes, jovens, adultos e idosos. Eles gostam de participar da igreja preservando nossas tradições e assim aconteceu na ‘Encomendação’. A participação dos jovens foi boa, eles estão muito empolgados com tudo isso. Hoje o presidente e o vice são jovens (eu e o Wagner Barbosa, que tem 21 anos). É bom vermos que estamos em conexão com a Igreja, atraindo ao grupo pessoas de todas as idades. A própria Campanha da Fraternidade desse ano aborda o tema juventude. Penso eu que estamos em profunda comunhão com a Igreja”. *Vinícius Borges Gomes é estudante de Comunicação Social – Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Foto Macrina Lara
Foto Magali Resende
Procissão do Enterro saindo do adro da igreja Matriz
Coral Mater Dei realiza Encomendação de Almas durante a quaresma
PADRE DIRCEU DE OLIVEIRA MEDEIROS*
É Páscoa!
EMANUELLE RIBEIRO / VINÍCIUS BORGES GOMES* Mais do que fé, a Semana Santa é cultura. Nas celebrações, ritos e procissões o povo resende-costense mais uma vez vivenciou sua tradição sem perder a riqueza de cada gesto, que marca, sobretudo, o dia-a-dia do interior de Minas Gerais. A Igreja Católica celebra na Semana Santa a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. São gestos e solenidades que fazem os fiéis vivenciarem alguns dos momentos marcantes do cristianismo. Desde a abstinência de carne na sexta-feira da Paixão até os ovos de chocolate no domingo de Páscoa, vemos a grande impressão cultural e simbólica deixada pelo catolicismo na cultura. Em 2013 a Semana Santa conta com um chamado e uma participação maior da juventude. Eles são lembrados não só na Campanha da Fraternidade desse ano, mas também no grande evento que o Brasil receberá em julho no Rio de Janeiro: a Jornada Mundial da Juventude. Um dos maiores eventos religiosos do planeta deve servir para maior reflexão dos católicos acerca da missão do jovem na vida da igreja e também na sociedade. Os católicos mostram-se otimistas também com seu novo líder: o papa Francisco. O argentino já confirmou sua presença no Brasil e deve visitar outras cidades além do Rio de Janeiro, como Aparecida, no Vale do Paraíba. O papa Francisco, que durante a cerimônia do Lava-Pés em Roma, lavou os pés de 12 presidiários, dando um exemplo de compaixão e humildade. E com essa nova esperança que se acende, com a escolha do papa Francisco e a espera por um mundo igualitário e mais justo, os resende-costenses saíram as ruas, aproveitando o momento de reflexão. A Semana Santa 2013 teve ainda um ingrediente a mais: a chuva, que fez com que algumas celebrações fossem adiadas. Apesar disso, a previsão é que cerca de mais de três mil pessoas participaram da festa religiosa na cidade.
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Anualmente celebramos a Páscoa! É o rito maior do cristianismo: é o mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Nós, seres humanos, somos essencialmente ritualistas. Ritualizamos tudo. Nossa vida é uma verdadeira liturgia. Criamos ritos para nascimento, para a puberdade, para o casamento, para a morte. O nosso dia a dia também é repleto de rituais: ao despertamos, nos penteamos, saudamos as pessoas que estão à nossa volta, fazemos o sinal da cruz, temos hora para nos alimentar. Esses hábitos, lato sensu, também podem ser chamados de “rito”. O rito pertence ao mundo da cultura. Aqui vale fazer uma distinção entre o que é cultural e natural. Para tal lançamos mão da antropologia cultural. Posso exemplificar: comer é ato natural, uma necessidade biológica, da natureza, enquanto comer com a ajuda de talheres é um ato cultural, uma criação humana, nossos ancestrais comiam com as mãos. Acabamos ritualizando um ato meramente natural. Nós humanos somos ritualistas. Esta é uma dimensão intrínseca do ser humano. Feito esse preâmbulo, voltamos ao tema da Páscoa. Pode-se falar em duas páscoas, a judaica e a cristã, sendo que a segunda deriva da primeira. A primeira tem significado histórico, celebra um acontecimento concreto na vida de um povo, a saber, o povo Hebreu, ao passo que a segunda tem uma conotação mais espiritual. Mas o que é mesmo Páscoa? Ou o que é a hagadah de pesah, o relato da Páscoa? Esta pergunta era feita por uma criança aos anciãos na celebração da páscoa judaica: uma criança se levantava e perguntava: “Que rito é este”? Ex. 12, 25-27. Grosso modo, podemos dizer: Páscoa significa passagem, de uma situação ruim para uma situação melhor. Outro nome que se pode dar ao rito, sobretudo na cultura judaica, é memória. De fato, para o judeu o pecado imperdoável era se esquecer das maravilhas de Javé, no caso do Êxodo. Por isso mesmo o salmista diz “… se de ti Jerusalém eu me esquecer, que me seque a mão direita. Que me cole a língua ao paladar caso eu não me lembre de ti” Sl 137, 5-6. O rito tem esse aspecto de anamnese, ou seja, de não deixar que os favores de Deus caiam no esquecimento. Não quero aqui aprofundar demasiadamente o tema da páscoa judaica, apenas chamar atenção para alguns aspectos, que, a meu juízo, são interessantes. Primeiramente, o caráter concreto da páscoa judaica, ela faz memória de um fato concreto. Javé, o Deus da vida, interveio na vida de um povo e fez esse povo passar de uma situação de escravidão para a liberdade. Outro aspecto interessante é o sim-
bólico, temos os seguintes sinais simbólicos na Páscoa judaica: a menorah, candelabro de sete velas que era acesso pela mulher, pela dona da casa no início da celebração pascal; os raroses, ou as ervas amargas que recordavam a amargura da escravidão do Egito, dentre outros. Valeria a pena conhecer os detalhes da celebração judaica da Páscoa. Talvez em outra oportunidade. Passemos à celebração cristã da Páscoa. A primeira celebração cristã da Páscoa foi realizada por Jesus na última ceia. Convém salientar, antes de mais nada, que Jesus era um judeu, educado na religião judaica, nos costumes de seu povo. Muito embora tenha criticado duramente os elementos alienantes de sua religião, tais como o legalismo, ritualismo, alienação, Jesus foi judeu plenamente. Nesse sentido, podemos dizer que a Páscoa cristã é, por assim dizer, filha e herdeira da Páscoa judaica, afinal o cristianismo tem suas raízes no judaísmo. Mas cabe aqui uma interrogação: o que diferencia a Páscoa cristã da Páscoa judaica? Numa palavra, o objeto que se celebra. Na Páscoa judaica, celebramos um acontecimento histórico; na Páscoa cristã celebramos uma pessoa, Jesus Cristo, o novo cordeiro que se ofereceu por nós. Na Páscoa cristã celebramos, pois, a verdade central do cristianismo: a morte e a ressurreição de Jesus. Cristo morto e ressuscitado é a essência de nossa fé. A fé cristã diz que ao terceiro dia, quando tudo parecia perdido, Jesus saiu vitorioso do sepulcro, dando-nos esperança e vida nova. A páscoa cristã é a passagem de Cristo da morte para a vida e nós cristãos, com ele também queremos ressuscitar. Finalmente nos perguntamos: como celebrar bem a Páscoa? Celebra bem a Páscoa quem tem esperança e acredita que a vida é mais forte que a morte, apesar dos sinais de morte que ainda persistem em nós e na sociedade. Celebra bem a Páscoa quem se compromete com a defesa e a promoção da vida, desde a concepção até o seu fim natural. Celebra bem a Páscoa quem se preocupa com a sua qualidade de vida e com a dos outros; quem se esforça para passar de uma vida ruim para uma vida melhor. Celebra bem a Páscoa quem, com humildade busca o sacramento da reconciliação e se nutre da Eucaristia, que é o corpo do Senhor. Quem acredita que a história humana não é uma realidade caótica, mas que o Ressuscitado é Senhor da história e da vida de cada um de nós e que, um dia, iluminados pela luz do Ressuscitado compreenderemos, com profundidade o mistério da vida. Feliz Páscoa! *Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Prados e Vigário-Geral da Diocese de São João del-Rei.
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Patrimônio Histórico
Semana Santa: um bem cultural que deve ser preservado ANDRÉ EUSTÁQUIO Atualmente, uma das preocupações em Resende Costa, principalmente de quem lida com as questões do patrimônio histórico, é a preservação das tradições centenárias da Semana Santa. Devido às reformas litúrgicas ocorridas na Igreja a partir do Concílio Vaticano II (1962-1965), muitos costumes e tradições foram caindo em desuso durante as celebrações, entre tantos, a língua latina e as missas orquestradas. Em Resende Costa, mesmo enfrentando muitas dificuldades, a comunidade ainda preserva suas tradições. Durante a Semana Santa, ainda se ouvem motetos e orações em latim, missas orquestradas, sermões, o povo acompanha procissões que resguardam costumes antigos. Mesmo assim, a Semana Santa corre sério risco de perder suas tradições originais, se não houver comprometimento do Poder Público – uma vez que a Semana Santa é também uma manifestação cultural da cidade - e da Igreja em preservá-la. Manter o formato original da Semana Santa é hoje uma tarefa difícil, devido principalmente à escassez de orquestras, de pregadores de sermões, de padres conhecedores da língua latina, dos ritos antigos etc. Mesmo diante dessas dificuldades, ainda existem cidades como São João del-Rei, que conseguem preservar integralmente suas tradições através do trabalho incansável das irmandades e de religiosos que acreditam na importância da tradição enquanto incentivo para espiritualidade e para a perpetuação da cultura do povo. Mas infelizmente essas cidades são exceções. Atitudes desprovidas de argumentos consistentes, como “necessidade pastoral”, ou até mesmo opções pessoais de alguns religiosos contribuíram para que em muitas cidades as tradições da Semana Santa fossem sendo, ao longo do tempo, descaracterizadas ou excluídas da programação original. Para evitar as descaracterizações ou, na pior das hipóteses, o
desaparecimento das tradições, uma das formas de se preservar a Semana Santa é registrá-la como bem cultural imaterial. Os livros de registros estão divididos em três categorias: Formas de Expressão, Celebrações e Saberes. A Semana Santa entraria na categoria ‘Celebrações’. É importante ressaltar que o registro não significa tombamento, mas um instrumento de salvaguarda. “Ao contrário do tombamento, cujo objetivo é a preservação das características originais de uma obra, seja móvel ou imóvel, o registro trata apenas de salvaguardar o desejo de uma comunidade em manter viva uma tradição, que pode vir a sofrer mudanças com o tempo”, é o que dizem as orientações sobre registro de bens imateriais. Não há dúvidas sobre o interesse da população resende-costense em preservar as tradições da Semana Santa, mantendo-as vivas para as futuras gerações. A cada ano aumenta o número de fiéis nos atos litúrgicos e paralitúrgicos. Cresce também na cidade o número de turistas que desejam conhecer de perto e fazer a experiência religiosa das celebrações que remontam ao período colonial. A grande maioria é atraída pela beleza do ritual e da música sacra, pelo clima de espiritualidade e contrição nas procissões, enfim, por todos os aspectos religiosos e estéticos que, em perfeita sintonia, caracterizam a Semana Santa. O vereador Paulo César Daher Chaves (PT) defende o registro da Semana Santa de Resende Costa e fala da importância dessa ação para a preservação da cultura local: “A nossa principal preocupação é com a preservação da nossa história. Todas as pessoas que se interessam pelas nossas tradições têm em comum o medo de que, com o passar do tempo, todas as atividades relacionadas às solenidades da Semana Santa sejam alteradas e, consequentemente, desapareçam das nossas lembranças”, disse o vereador. Em tese, o registro preserva o modo como se celebra a Semana Montagem Emanuelle Ribeiro JL
Imagens de Nossa Senhora das Dores e Senhor dos Passos, veneradas durante a Semana Santa de Resende Costa
Santa, destacando todos os seus elementos, como rito, linguagem, trajeto das procissões, horários, músicas executadas, grupos musicais, ornamentação dos templos e dos andores etc. Além disso, o registro viabiliza projetos que ajudam a manter vivo o patrimônio cultural por meio de parcerias com instituições públicas e privadas, que poderão colaborar com pesquisas e projetos que deem suporte necessário para sua preservação e continuidade. “Qualquer tombamento pode trazer algum benefício financeiro para o nosso município, por meio da Lei Estadual do ICMS - Robin Hood”, destaca Paulo Daher. O interesse da comunidade é fundamental, principalmente da Igreja, que tem a responsabilidade maior de realizar as celebrações e ao mesmo tempo preservar suas tradições. “Penso que todos têm o interesse de preservar as nossas tradições e costumes, especialmente quando se trata da programação da nossa Semana Santa. Já conversei com o Luís Cláudio, secretário municipal de Meio Ambiente e Agropecuária e responsável pelo setor de Cultura da prefeitura. Ele demonstrou apoio a essa iniciativa. Conversei também com o vereador Ângelo Márcio, atual presidente do Conselho de Patrimônio Histórico de Resende Costa, também favorável ao assunto. Este processo deve contar com todas as pessoas que se preocupam com a preservação da nossa história”, disse o vereador Paulo Daher, que já participou do Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural de Resende Costa e por isso lembra de que não se trata de uma proposta recente: “Esta proposta não é recente, vem desde a época em que eu participava do Conselho do Patrimônio Histórico de Resende Costa. A intenção principal é a preservação das nossas tradições”. O pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, padre Eder Sebastião Santos, disse ser necessário consultar o bispo diocesano antes de iniciar o processo: “Pedi aos vereadores que se interessam por este projeto para me enviar os procedimentos necessários, pois o bispo precisa tomar conhecimento e autorizar”. O vereador Paulo Daher informou que já existe um inventário de toda a programação da Semana Santa, feito em 2007. “Para concretizarmos este nosso projeto, o primeiro passo seria a contratação de uma empresa especializada para realizar o dossiê da referida programação, sendo o mesmo apresentado ao Conselho do Patrimônio para a continuidade dos trabalhos e efetivação do registro”, conclui o vereador.
Aviação
UFMG domina competição Aerodesign nos EUA RENATO RUAS PINTO*
Após a conquista do bicampeonato nacional na competição Aerodesign em 2012 (leia a matéria em http:// www.jornaldaslajes.com.br/ integra.php?i=895), a equipe da UFMG, a “Uai, Sô! Fly!!!”, embarcou rumo aos Estados Unidos para defender o título internacional, depois de ter conquistado o do ano passado. E foi, viu e venceu. Melhor: foi, voou e venceu. A equipe, composta de nove alunos do 5o ao 9o período dos cursos de engenharia aeroespacial e engenharia mecânica superaram dificuldades e 39 concorrentes de todo o mundo e trouxeram para a UFMG o terceiro título na competição americana (além do ano passado, os mineiros já haviam faturado em 2006). As dificuldades começaram com o lado financeiro. Afinal, a alta performance da aeronave é consequência de tecnologias e processos produtivos diferenciados, empregados na sua construção, fatores que encarecem o protótipo. Além disso, há um custo alto de passagens, alimentação e hospedagem. Para superar esse primeiro desafio a equipe precisou de correr atrás de patrocínio junto a grandes empresas, o que viabilizou a ida aos EUA de todos componentes, além do professor orientador Paulo Iscold e do piloto Rodrigo Zanasi. Uma vez na competição, os desafios não são muito diferentes dos já vividos no Brasil: reparos de última hora, consertos em tempo recorde para garantir o avião em condição de voo e a adrenalina alta a cada bateria de voo. Sempre me chamou a atenção na competição brasileira o espírito de cooperação entre as equipes, que se ajudam trocando ferramentas, emprestando peças ou até colocando a mão na massa e participando de reparos dos aviões concorrentes. De acordo com o capitão da “Uai, Sô! Fly!!!”, Fred Moulin, nos EUA não é diferente: “é um clima
bem legal, pois a disputa fica sendo na pista mesmo. Antes disso todos se ajudam”. Ao fim, a vitória e um aprendizado diferenciado que transcende os aspectos técnicos e que vão ser importantes na vida profissional dos estudantes. Fred afirma que “o aprendizado mais importante foi o trabalho em equipe. No meio profissional, a maioria dos trabalhos é em equipe, e trabalhar junto a outras pessoas diferentes de você é algo muito difícil e desafiador, pois cada um tem um ponto de vista diferente e, no final, temos que tomar apenas uma direção no projeto”. Outra lição importante vivida na prática é que, se para competir são necessários organização e dedicação e, para se vencer com marcas impressionantes, como o recorde mundial de peso para a categoria (17,2 kg para um avião que pesa vazio apenas 3,2 kg), a equipe precisa de um alto nível de excelência e profissionalismo em todos pequenos detalhes. As outras equipes brasileiras também se destacaram. A PUC-Rio (categoria Advanced) ficou em 4o lugar e levou a menção honrosa de melhor projeto. O CEFET-MG (categoria Regular) ficou em 3o lugar, mesma colocação da equipe da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) na categoria Micro. A UFSC também ganhou a menção honrosa de melhor eficiência estrutural (relação entre o peso carregado e o peso vazio do avião). Parabéns aos brasileiros e à “Uai, Sô! Fly!!!”, que trouxe o 12o título para o Brasil em 14 anos de participação (7 na classe Regular, 4 na Advanced e um na Micro), mantendo a nossa tradição nessa importante competição estudantil. *Engenheiro aeronáutico e membro voluntário da comissão de avaliação da competição aerodesign nacional.
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Política Regional
Carrancas: preocupação com a sustentabilidade na exploração do turismo
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
A partir da década de 1990, o turismo surgiu como nova força da economia de Carrancas. Atualmente, existem no município cerca de 25 pousadas e hotéis-fazendas (em torno de 600 leitos), além de oito restaurantes, que recebem gente de diferentes partes do Brasil. Até então, prevalecia na economia municipal a pecuária leiteira e, mais recentemente, surgiram grandes produtores de milho e soja. Essa mudança de perfil aumentou a preocupação com a melhoria das condições de acesso ao turista e o estímulo à educação ambiental para promover o turismo sustentável, como observa o prefeito José Raimundo dos Santos. Carrancas (elevada à categoria de vila em 1938) pertencia a Francisco Sales (atual São Vicente de Minas) quando o Coronel Rozendo de Souza Andrade foi nomeado primeiro prefeito do recém-criado município, desmembrado de Oliveira (A freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Carrancas e sua história, Marta Amato, 1996). Também o médico Manoel Moreira da Silva Junior foi indicado prefeito de Francisco Sales, logo depois da Segunda Guerra Mundial (em 1946). Os dois políticos teriam batalhado, no exercício do cargo, pela emancipação de Carrancas. A lei número 336 criou o município de Carrancas em 27 de dezembro de 1948, assegurando a sua autonomia administrativa e o direito de eleger seus próprios prefeitos e vereadores. Moreira foi nomeado intendente do município e o primeiro prefeito, Francisco Corrêa, foi eleito em 06 de março do mesmo ano pela União Democrática Nacional (UDN). UDN e PSD - Naquela época, prevaleciam duas correntes políticas – a UDN, liderada pelo Coronel Rozendo e o Partido Social Democrático (PSD), chefiado por Mário Guimarães, conta Geraldo Albertino de Rezende, que
foi vereador da primeira Câmara Municipal, instalada em 9 de abril de 1949. “A UDN era mais forte aqui, o pessoal daqui acompanhava os Andrada de Barbacena, que tinham muita influência em Minas”. Os Ferreira (o Coronel Rozendo casou na família Ferreira) eram poderosos (família e fazenda grandes), mas eram “muito moles”, continua Geraldo. “O Manoel Moreira era mais decidido, ia a Belo Horizonte, conversava. O político tem que ter amizade, trazer coisas boas de fora”. O Coronel Rozendo era padrinho de batismo de Manoel Moreira, que se tornou também uma espécie de afilhado político dele nas fileiras da UDN. Já Mário Guimarães era ao mesmo tempo amigo e adversário político de Moreira. Os prefeitos eleitos depois da emancipação enfrentariam “problemas sérios”, pois o município era “quase que estritamente leiteiro” e a renda pequena “para se fazer o que não foi feito em 200 anos como freguesia, vila e distrito”, diz Marta Amato. Eram “verdadeiros heróis” que lutavam pelo progresso que estava ao longe, “depois das serras, nas cidades grandes: escolas, hospital, estradas, luz, água tratada...”. Prefeitos - O primeiro prefeito, Francisco Correa, teve a “árdua tarefa de organizar a primeira prefeitura de Carrancas”, mas não terminou o mandato por ter sido cassado, assinala Marta. Eleito pela UDN, no meio do mandato ele “virou a casaca”, na expressão de Marcelo Moreira, e foi parar no PSD. O vice Tarley Ferreira de Souza, neto do Coronel Rozendo, cumpriu o restante do mandato (entre dezembro de 1951 e abril de 53). Em 1953, Manoel Moreira assumiu a prefeitura pela primeira vez. Fazendeiro (pecuarista de leite) das 4 às 10 horas da manhã, Moreira era médico no período da
Igreja Matriz de Carrancas, localizada na praça central da cidade
tarde e fazia política o tempo todo, lembra seu filho Marcelo. “Meu pai era o único médico da região, atendia a cavalo nas fazendas, ia onde o doente estava”. Moreira foi colega de escola de Tancredo Neves no Colégio Santo Antonio, em São João del-Rei. E era aliado de Magalhães Pinto, adversário político de Tancredo – os dois conheceram-se quando Magalhães era diretor do antigo Banco Nacional em Belo Horizonte e o médico, mutuário do banco. “Aí nasceram a amizade e a fidelidade partidária”, conta Marcelo. Prova disso foi a inauguração da Usina de Itutinga no Rio Grande, presenciada por Marcelo, então criança. Manoel Moreira foi apresentado ao então governador Juscelino Kubitschek (PSD) por Tancredo Neves, que anunciou o médico como um “político forte do Sul de Minas”. Então, o governador pediu a Tancredo para convencer o político a mudar de partido. Tancredo abraçou Moreira e respondeu: “Esta UDN é uma rapariga muito honesta”. Em 1955, Mateus Ferreira de Andrade (UDN), neto do Coronel Rozendo, substituiu Manoel Moreira na administração da prefeitura. Os udenistas mantiveram-se no poder, com a volta de Moreira em 1959. Em 1963, houve nova troca de posições com Moreira devolvendo o cargo de prefeito ao também udenista Mateus. Um novo nome e um novo partido surgiram em 1967: Domingos Custódio de Rezende, desvinculado das famílias tradicionais de políticos, elegeu-se prefeito pela ARENA (Aliança Renovadora Nacional), partido criado pelo regime militar para substituir a UDN. O mandato-tampão de 197173 foi ocupado por outro novo político, Hely Andrade Alves, também da ARENA. Ele foi substituído por um político desconhecido, Honostorio Teixeira (ARENA), que governou entre fevereiro de 1973 e janeiro de 77. Hely voltou ao cargo em 1977 para mais um mandato. Um dia, Marcelo Moreira encontrou na rua Rozendo Netto de Souza Andrade, ambos ainda jovens. As duas famílias estavam rompidas por divergências políticas. “Então, propus a Rozendo sairmos candidatos numa chapa única, para acabar com as pendências políticas.” O diretório do PDS (Partido Democrático Social), nova denominação da ARENA, aprovou a aliança e os outros partidos não lançaram candidatos. Rozendo e Marcelo (vice) administraram Carrancas no período de 1983-88. Com a dissolução de ARENA e MDB, os dois partidos cederam políticos para uma ampla gama de
Igreja Matriz de Carrancas, localizada na praça central da cidade
legendas que surgia com o fim do regime militar. Turismo - O ex-prefeito Hely Andrade voltou ao cargo em 1989, desta vez pelo PFL (Partido da Frente Liberal), sendo substituído em 93 pelo também ex-prefeito Rozendo Netto (PFL). Neste mesmo ano, faleceu o médico e político Manoel Moreira, poucos dias antes de completar 84 anos. Então, surgiu um novo nome, desvinculado das correntes políticas tradicionais, José Raimundo dos Santos, eleito pelo PTB para o período de 1997 a 2000. A gestão de José Raimundo coincidiu com o advento do turismo em Carrancas. Em 1998, uniram-se Ivan Leite, Mário Guimarães e Marcelo Moreira para investir em turismo. Eles viram oportunidades de negócios nas riquezas naturais do município, como cachoeiras, serras, mirantes, plantas e grutas. Assim, Ivan construiu uma pousada no centro da cidade. Mário transformou a própria fazenda em hotel-fazenda. Marcelo criou, a partir de seu sítio, um complexo turístico (pousada, restaurante, pesqueiro, passeio a cavalo, camping e cachoeiras). “No início, a gente colocava matérias em jornal, televisão e revista. Aí a coisa fluiu naturalmente e ganhou o apoio da internet”, lembra Marcelo. A partir daí, empresários que visitavam Carrancas começaram a observar o potencial turístico e muitos decidiram investir no município. Assim, o município, cuja população caiu de cerca de sete mil para quatro mil habitantes, conseguiu estancar o encolhimento populacional devido ao turismo, observa Marcelo. “Uma fazenda de leite, por exemplo, pode ser tocada por dois funcionários. Um hotel-fazenda gera mais de 10 empregos.” Depois de José Raimundo, o ex-prefeito Hely Andrade retorna-
ria ao cargo (2001-2004) pelo PFL. Foi substituído por Magno Orlando Ferreira de Carvalho (PSDB), que ficou duas gestões à frente da administração municipal. Plano diretor - A última eleição trouxe de volta o ex-prefeito José Raimundo dos Santos, desta vez pelo PMDB. O foco da nova gestão é a melhoria da infraestrutura de apoio ao turismo, em parceria com o setor privado, uma vez que o patrimônio natural (cachoeiras, por exemplo) está em propriedades particulares. José Raimundo pretende buscar o diálogo com as lideranças da atividade turística e colocar à disposição do setor máquinas e equipamentos para melhorar as condições de acesso ao turista. Nesse sentido, o plano diretor para os próximos 10 anos é uma prioridade máxima da atual administração, segundo Anete Fernandes de Oliveira, secretária de Turismo e Cultura. “O potencial turístico de Carrancas requer um plano diretor”. Por orientação do Ministério Público, foi criado, em 5 de novembro do ano passado, um comitê gestor para o acompanhamento do plano diretor do município. A primeira etapa de implantação do plano será a de conscientizar e mobilizar a população sobre a sua importância. A partir daí, a prefeitura começará a atuar, explica Anete. O município de Carrancas foi muito ligado a São João del-Rei, no comércio, nos serviços de atendimento médico, hospitalar, advocatício etc., lembra Geraldo Rezende. “A Estrada Real, que levava a São João del-Rei, passava por aqui. A CEMIG é que nos separou; fechou os caminhos com a construção da usina hidrelétrica de Itutinga e da barragem de Camargos, na serra”. Hoje, Carrancas está mais próxima de Lavras, embora ainda pertença à microrregião das Vertentes com sede em São João del-Rei.
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Aconteceu
EMANUELLE RIBEIRO
Aleluia Fest supera as expectativas No Sábado de Aleluia, a galera de Resende Costa e região curtiu a noite no Aleluia Fest, evento realizado no bairro Pôr-do-Sol. Quem optou por passar a noite do último dia 30 em Resende Costa com certeza não se arrependeu: com tendas itinerantes e ao som de DJs, o Aleluia Fest atraiu muita gente e foi um grande sucesso. Depois de muito tempo sem festas e bailes, nossa cidade ganha um espaço bacana para a realização de eventos e diversão dos jovens. A organização mandou super bem na estrutura do local e a Polícia Militar garantiu a segurança de quem esteve na festa durante toda a noite. E o melhor é que a partir de agora o local será usado para a realização de outros eventos e os resende-costenses terão uma ótima opção para entretenimento na cidade.
Dona Menina comemora 92 anos Cerca de 50 pessoas, entre familiares e amigos, comemoraram no dia 28 de março, quinta-feira santa, o aniversá-
rio de 92 anos de Dona Menina, mãe de Tião, Toninho, Nelza e Elza. Muitos anos de vida para Dona Menina.
Aos 92 anos, dona Menina parte o bolo e comemora com os amigos
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A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
A fada “ S e t e anos de pastor Jacó servia Labão...” E quem era o Labão? Pai de Raquel, uma bela serrana. Mas o Jacó servia patavina ao Labão. Ele estava de olho era na bonita Raquel. Como é que essa história termina? Vai lá na bíblia e lê. Tem também uma versão mais curta: a do Camões. Só quatorze linhas. Comigo, a coisa não deu soneto nem sonata. O meu Labão era um funcionário do... bem, digamos... trabalhava fora de Resende Costa. Tinha um sítio nas cercanias da cidade. Rico, enorme sítio, imenso patrimônio, uma linda filha e um inusitado sonho: – Quero passar num concurso público. Sempre a mesma história: a prova vence e eu nunca ganho. Ah, sim. O homem era chegadinho num cacófato. – Nem precisa assumir nada. Só quero passar. É necessidade da alma minha. Amigos seus já tinham passado em concursos e ele era o único que não. Queria só sentir o gostinho. Tanto insistiu que aceitei dar umas aulas pra ele... mas, na verdade, não servia a ele e sim a ela, e a ela só por prêmio pretendia: sua linda filha, que, por sinal, já andava arrastando asa pro meu lado. Toda quarta-feira eu ia ao sítio dar aula de gramática pro homem. A filha sempre me trazia um café, deixando seu braço roçar o meu ombro. Eu não reagia, claro. O pai jamais viu isso, pois aquilo era um objeto indireto alcançado por uma regência oblíqua sem complemento. Coisa raríssima. Cobrava barato dele. E ele topou pagar: – Topei dar vinte pratas! Era finzinho dos anos oitenta. O Edílson Daher iria inaugurar um scotch bar em
cima da padaria Sobrado, com Paulinho Pedra Azul e tudo. Porém, o Labão das Lajes me convidou para almoçar naquele fim de semana. Aceitei o convite e convidei a garota para o show. Depois do almoço, o homem me contou a história dele. – ... e aí, o sítio ficou pra mim. Eu fiquei como herdeiro. Eu havia dado o contra, mas acabei aceitando. Parou de falar e olhou ao redor, como que procurando alguém. E gritou: – Fada! Vem cá! Traz os cavalos! Chegou a linda filha com dois cavalos arreados. Arrepiei, pois eu nunca tinha subido num cavalo. Nem de carrossel. O pai, num pulo só, já estava em cima do bicho. Tentei imitar o giro do Labão e subi. De repente, a cabeça do cavalo sumiu. – Você montou ao contrário. – disse o irmãozinho. O cavalo já me olhava de lado, como que cismado. No que tentei descer, escorreguei e caí deslizando e agarrando as ancas do cavalo. O equino, desconfiado das minhas intenções, despachou um coice que raspou a minha orelha. – Tenta de novo – era o irmãozinho outra vez. – Esse cavalo nunca foi montado e você também nunca montou. É bom que vocês dois aprendem juntos. À noite, fui ao show com a garota. A fada me beijava e flertava com outros. A fada abraçava outros e me flertava. Quer saber? Resolvi colocar uma pedra azul em cima do assunto. Fui embora sozinho, porém em paz. De vez em quando, eu meu lembro de tudo isso. Será que o Labão conseguiu passar em algum concurso? E a garota? Linda! Essa fada...!
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
Contemplando as Palavras
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REGINA COELHO
Lilia Lara
Filha caçula da dona Zezé e do Alcides Lara, Lilia foi uma criança feliz e encantadora. Ainda pequena, começou a se destacar em apresentações escolares e religiosas, graças principalmente ao talento demonstrado pelo canto, uma de suas paixões pela vida toda. Já adolescente, alta e sempre bonita, teve a prática do vôlei e a atuação em encenações teatrais que aconteciam na cidade como algumas de suas distrações preferidas. Ao chegar à fase adulta, tornou-se provavelmente uma das primeiras cabeleireiras de Resende Costa. Foi aluna do então Grupo Escolar Assis Resende e do antigo Ginásio Nossa Senhora da Penha. Com o objetivo de cursar o magistério, mudou-se para Barbacena, onde, a exemplo do que fizera como cantora do nosso Coro Paroquial, passou a integrar o Coro Orfeônico da escola em que se formou. Professora formada e de volta à sua cidade, foi trabalhar no então Grupo Escolar Conjurados Resende Costa, mas por breve período, pois casou-se em 1968, indo morar em Sete Lagoas. Distante da terra natal, manteve-se atuante como profissional da educação e deu à luz seus dois primeiros filhos. Transferida para Lavras, cursou Pedagogia. E regressou finalmente a Resende Costa em 1978, ao assumir a direção da Escola Estadual Conjurados Resende Costa, hoje municipalizada. Era a volta para casa. Aqui teve seu filho caçula. Ao mesmo tempo, iniciou uma bela etapa de vida marcada por inúmeras e importantes realizações. À frente do Conjurados por 13 inesquecíveis anos, fez a escola crescer substancialmente, tornando-a referência de bom ensino e de sólidos princípios humanitários. Paralelamente, reassumiu seu
posto de cantora no Coral Opus Mater Dei e passou a chamar para si a responsabilidade de novas funções. Totalmente devotada às causas cristãs, atuou na Pastoral Carcerária, em cursos de preparação para crismandos e na coordenação das atividades dos coroinhas da Paróquia de Nossa Senhora da Penha. Inspirada no movimento católico da Renovação Carismática, buscou na força do Espírito Santo a própria força para estimular, liderar e sobretudo vivenciar ações condizentes com os ensinamentos de Jesus. Dessa forma, foi presença iluminada no Apostolado da Oração, na Legião de Maria, no Cerco de Jericó e na Adoração noturna, na capela da matriz, encontro com companheiros para reza de hora marcada, muitas vezes alcançando a madrugada. No centro de tudo, a ação poderosa do terço. A reza semanal no Lar São Camilo, o terço mensal da família junto aos vizinhos e o momento aos domingos antes da missa das oito. Em casa, o rosário de quatro terços instituído pelo Papa João Paulo II é rezado diariamente. E como se já não bastasse tanta dedicação, era preciso coordenar as visitas da Mãe Rainha, preparar com carinho as coroações de maio e enfeitar cuidadosamente as janelas de uma certa casa da Praça Dr. Costa Pinto para as procissões festivas que por ali passam. Era preciso também apoiar a vocação sacerdotal de seminaristas encorajados e amparados por ela. E olhar o mundo com o coração para prover proteção providencial aos mais necessitados. Em família, era o referencial na forma de quem guardava com desvelo a casa e as histórias outrora ali vividas por ela, pelos pais e irmãos. Era ainda a tia querida de um incontável número de sobrinhos, cada um deles lembrado nominalmente todos os
dias ao ser contemplado em suas orações e, hoje, todos órfãos dela. No dia a dia doméstico, o gosto pelos trabalhos manuais e pelos livros lidos, estudados e emprestados aos montes por aí. Os cuidados com o marido, o trabalho indispensável de sua dedicada ajudante e a alegria pela chegada dos filhos, netos, noras, genro e de quem mais aparecesse. Casa sempre aberta, também para receber os amigos seresteiros em memoráveis cantorias. É a bela voz que agora se cala destacando-se naturalmente entre as outras. Nas andanças pela cidade e nos passeios que adorava fazer, a elegância em pessoa e a saudável vaidade, coisas de quem se gostava, sem jamais ser fútil ou deixar de cultivar as coisas do espírito, sendo suave, humilde e bondosa. Não por acaso batizada como Maria, devotava amor extremado a Nossa Senhora, fortaleza de todos os momentos e a quem agora pedimos que interceda por nós junto a seu filho, em razão da dor pela ausência de alguém que soube se fazer muito amada. E se na vida lhe foram dadas a força para combater o bom combate e a perseverança para ter guardado a fé, conforta-nos a todos acreditar que Deus a recebeu em Sua morada. Lilia Lara, seu outro nome é SAUDADE. P.S. “Recebi a incumbência de escrever o texto acima, que foi lido ao final da missa de sétimo dia de minha tia Lilia. Resolvi publicá-lo neste espaço porque uma tão bonita história de vida merece ser contada de novo. Nela me incluo para dizer que desde sempre estivemos muito próximas afetivamente. Em casa, crescemos todos amparados também por seus cuidados. Sem ela agora, que vazio!”
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ANO IX Nº 120 - ABRIL DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Causos e Cousas
ROSALVO PINTO
A imprensa em Resende Costa A imp r e n s a sempre cumpriu um papel fundamental na vida das sociedades humanas. No passado, sobretudo a partir dos anos 50, os meios de comunicação social, que hoje chamamos “mídia”, tiveram um extraordinário desenvolvimento, graças ao grande avanço das tecnologias eletro-eletrônicas. A imprensa escrita, entretanto, manteve sua importância e continua se expandindo, inclusive em nossa cidade, da qual já se pode falar em uma “história da imprensa resende-costense”. A comemoração dos 10 anos de vida do Jornal das Lajes nos convida a perscrutar, no nosso passado, as tentativas de se ter um jornal. Foram quatro tentativas no século passado e uma “realidade” neste século. Parece que não se tem notícia da existência de algum jornal até a década de 1930. Uma primeira tentativa de se criar um jornal em nossa terra terá sido em 1932. Tenho em mãos o primeiro exemplar do “Resende Costa”, já bem desgastado pelo tempo, publicado em 24 de janeiro. Abaixo do título o seu objetivo: “Órgão dedicado aos interesses do Município”. Logo abaixo: “Redator e diretor: Carmo Barbosa”. O “Resende Costa” tem 4 páginas, em forma de tabloide pequeno. Pela capa e pelo seu conteúdo percebe-se que se trata de um jornal mais ligado à administração pública. A capa traz no centro a foto do Cel. Francisco Mendes de Resende (eleito prefeito um ano antes) e um texto que cobre a capa inteira, nos moldes de um “Editorial”. Os demais artigos dizem respeito aos atos da administração municipal: decretos e balancetes do município. Nele já há uma cobrança ao poder público: a solução de um problema da “Ponte Nova”, entre São Francisco Xavier [atual Cel. Xavier Chaves] e César de Pina (estação ferroviária da RMV). Noticia-se também a troca do forro do Teatro Municipal.
Há uma matéria transcrita do jornal “A Época”, (semanário!) de Entre Rios, dando notícia da construção da estrada ligando Resende Costa a Entre Rios. A justificativa da obra é curiosa: os habitantes de São João del-Rei e redondezas gastam um dia inteiro de viagem a Belo Horizonte, pelo trem da “Oeste”; com a ligação RC/ER, essa viagem passaria para 6 horas, indo de carro até Brumadinho e daí de trem (Central) até BH. Não se tem notícia da duração desse jornal. Outra tentativa aconteceu em 1949, agora um tabloide grande: o bi-mensal “O Resende Costa”. Tenho em mãos a edição número 1, de quatro páginas, datado de 6 de janeiro. A página de rosto tem um texto longo, “Apresentação”, em forma de Editorial, e um soneto do Miled Hannas: “Prece”. Interessante conhecer o box com o ”Expediente”: O Resende Costa – Órgão do povo e pelo povo. Diretor: Miled Hannas – Redator: José Procópio da Silva – Gerente: Geraldo Sebastião Chaves – Sub-gerente: Adão Pinto Lara – Assinatura anual: CR$ 20,00. Nesse primeiro número, além dos textos dos editores (exceto o Adão), já entram as “colunas”: literatura (dois textos do Gentil Ursino Vale), agro-pecuária, católica, sociais, artes e diversões (cinema), poesia (além do soneto do Miled, um soneto de Natal do José Procópio), política (um texto do Geraldo Chaves) e um texto interessante, diria filosófico, do Dr. Geraldo Rezende (Geraldo do Lulu). Enfim, muita coisa boa naquele longínquo 1949. Lembro-me de ter visto também o número 2. Não sei até quando circulou o “O Resende Costa”. Mas o nosso Zé Procópio era um obstinado sonhador com um jornal resende-costense. Assim, ele voltou à carga em 1963, com o “O inconfidente”, que veio a lume em 15 de dezembro de 1963. A primeira edição teve como objetivo comemorar a primeira formatura do an-
EMANUELLE RIBEIRO
Eleita nova diretoria da Rádio Inconfidentes FM
tigo Ginásio Nossa Senhora da Penha. Em seu editorial, discorrendo sobre o papel da imprensa e esbanjando seu latim, ele dizia que a imprensa é ut ignis: lumino et aestuo, ou seja, é como o fogo, ilumina, mas queima. Outra tentativa foi a do “Jornal Novo”, idealizado e dirigido pelo então vereador e presidente da Câmara, Antônio Pedro da Silva Melo (Toninho do Zé Augusto), pequeno tabloide mimeografado, que circulou no final da década de 70, encerrado nos inícios da década de 80. Era um órgão mais a serviço das ações da prefeitura e do partido político do regime militar, o Arena/PDS, à época no poder em Resende Costa. Depois do “Jornal Novo” e no clima de expectativas do novo século surgiu a ideia de um “novo jornal”, idealizado em 2003 pelo Denilson Daher. O número 1 circulou, com quatro páginas, em abril. Sua primeira equipe: André Oliveira, Cássio Jônatas, padre Claudir Trindade, Ednanda Coelho, Márcia Resende, Paulo Andrade, Rômulo Sousa, Sérgio Ricardo, Tatiane Resende e Wanessa de Paula. Na folha de rosto, além do Editorial, o artigo do Denilson, sob o significativo título de “Liberdade”. Na verdade, um belo manifesto sobre a liberdade, a característica fundamental do jornal e da imprensa em geral. O Jornal das Lajes, sob a égide da liberdade, tem como objetivo “agir como um elo entre a sociedade e os órgãos administradores e lutar pela justiça e pelo progresso de Resende Costa”, diz o fundador, que deixou o JL a partir da 16ª. edição, em junho de 2004. Mas a semente que ele plantou continua crescendo, como se pode ver na tabela abaixo: Edição Páginas 1ª 04 2ª 08 7ª 10 9ª 12 26ª 12 117ª 16
Imprensa
Tiragem 1.000 2.000 2.000 2.000 3.000 4.000
No dia 15 de março aconteceu na sede da Rádio Inconfidentes FM a eleição dos novos membros da diretoria da Associação Comunitária de Radiodifusão para o Desenvolvimento Artístico, Educacional e Cultural do município de Resende Costa (ACRADATEC-RC). O edital da eleição foi afixado e divulgado pela emissora e as inscrições de chapas ficaram abertas até o dia 28 de fevereiro, mas apenas uma chapa se inscreveu, sendo eleita por aclamação. Cláudio Luís Resende foi reeleito como presidente, sendo os outros membros Fábio Adriano Resende Daher (Vice-Presidente), Eustáquio Peluzi Chaves (Tesoureiro), Domingos Sávio Pinto (Vice-Tesoureiro), Érica Deliane de Andrade (Secretária), Afonso Camilo Magalhães (Vice-Secretário), André Eustáquio Melo de Oliveira (Diretor Comunitário) e Camilo Sousa Vale (Vice-Diretor Comunitário). Em conversa com o presidente da associação, ele enumerou as principais conquistas do último mandato: “Dentre vários objetivos alcançados, o principal foi a compra dos equipamentos da emissora, sendo que antes era pago por meio de arrendamento mensal, no qual fizemos um parcelamento a longo prazo. Efetuamos também a troca do local de funcionamento, tornando possível uma melhor amplitude do nosso sinal, na frequência permitida pela legislação, com construção de novos estúdios. Efetivamos ainda um contrato de comodato onde funcionam os es-
túdios, além do entorno, onde pretendemos construir nossa sede. Desenvolvemos a mudança e reforma do estatuto, permitindo, assim, a rotatividade da diretoria, pois o anterior não previa a realização de eleições. Compramos vários equipamentos e programas. E por fim, diversificamos a programação e a adequamos para os objetivos da radiodifusão comunitária”, disse Cláudio Luís. Administrar uma rádio comunitária não é nada fácil, devido, principalmente, aos empecilhos burocráticos, como falta de recursos para aprimoramento da logística e melhoria da qualidade dos equipamentos e para melhor preparação e treinamento dos funcionários. Cláudio acredita ainda que falta apoio dos políticos que detêm o poder de decisão para permitir que a associação receba subvenções ou algum tipo de benefício. “Outro problema é a dificuldade que algumas pessoas têm de assimilar a concepção do associativismo e o imediatismo exagerado de alguns, que esperam sempre receber algum tipo de serviço sem se preocupar em fazer alguma coisa para ajudar”, acrescentou. O presidente reeleito falou dos projetos para esse mandato: “Nesse primeiro momento é importante pensar na continuidade dos projetos em andamento e parcerias já estabelecidas com os apoiadores culturais, construção da sede própria da emissora e treinamento de pessoal”, concluiu.
André Eustáquio, Eustáquio Peluzi, Érica Andrade e Cláudio Luís, diretores da Rádio Inconfidenets FM
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ANO IX Nº 120 - ABRIL DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
O Verso e o Controverso
JOÃO MAGALHÃES
Isenção de impostos para os milionários clubes de futebol?! Depois de abordar as absurdas imposições da Fifa para a Copa do Mundo (JL, ed. 117) bem como a política suja e a violência que estrangulam nossos gramados (JL, ed. 118), volto novamente ao futebol, antes que seja tarde. Por quê? Porque o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo (do PC do B, quem diria!) está se empenhando para que o Corinthians e outros clubes sejam liberados dos débitos que têm com fisco: Imposto de Renda, Contribuições Sociais sobre Lucros Líquidos (CSLL) PIS e COFINS. A Lei 9.615/1988 aboliu a isenção fiscal de que as entidades de desporto profissional gozavam desde 1947. O ministro questiona o posicionamento da Receita Federal sobre o assunto. O pedido foi feito à Advocacia Geral da União (AGU), por meio de um parecer do Ministério dos Esportes. Argumenta que a Receita Federal fere o desporto brasileiro; que os clubes têm, por lei, autonomia para se conjugar com sociedades civis sem fins lucrativos; que o futebol integra o patrimônio cultural brasileiro; que é considerado de elevado interesse social; que é um reconhecido elemento de brasilidade e que é paixão do brasileiro. Que beleza, hein, Sr. Ministro? Clubes profissionais de futebol: associações de benemerência, entidades
sem fins lucrativos?! Isso é nos fazer de otários! Até o mais fanático adorador dos esportes profissionais sabe do jogo dos milhões. Preço dos ingressos (baratinhos, não?!), transações milionárias de atletas, contratos de exploração comercial em estádios e arredores, camisas legítimas do clube (também baratinhas!...), direitos de TV, patrocínios nos uniformes, merchandising... O leitor pode completar esta lista. Sem fins lucrativos?! Entidades de benemerência?! Pode gargalhar, cidadão brasileiro! Benemerência? Se for a que o atual diretor do Palmeiras ameaçou cortar à sua torcida organizada em represália a atos de violência de seus membros, praticados recentemente! Entende-se que passa “um dinheirinho” para “ajudá-la” em suas belíssimas manifestações! Comove muito o ministro invocar o discurso do Lula homenageando “os heróis da Copa de 1958”, para calçar seu empenho em liberar os clubes de suas obrigações tributárias: “Quando a gente veste a camisa da seleção, está vestindo a camisa de nossa nação, está representando os milhões de brasileiros e brasileiras”. Bonito patriotismo! Convite a todos os brasileiros escorchados por uma das maiores cargas tributárias do mundo: vamos
nos enrolar na Bandeira Nacional, entoar, num uníssono vibrante e a plenos pulmões, o Hino Nacional, sair em claques para exibir o Brasil, fixar as Armas Nacionais em nossas vestes... Depois disto, pediremos isenção de nossos impostos. A duras penas o país caminha - muito devagar, é verdade -, para anular privilégios, para ratear mais justamente o custeio da sociedade, para tirar um tanto o peso da cacunda dos trabalhadores. O mundo europeu, por clamor popular, está dando um exemplo, exigindo tributos das igrejas e entidades religiosas. E vem essa do ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, do Partido Comunista do Brasil?! Que comunismo é esse, Sr. Ministro? Se os clubes não pagarem, nós é que temos que pagar. Alguma dúvida quanto à afirmação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional: “Há uma realidade econômica inegável nas atividades de desporto profissional que não permite que o confundamos com atividade associativa”? Ainda bem! É o que penso. E você? Fonte: O Estado de S. Paulo, 28/2/13 e 1/3/13
jl.com
Está no ar o novo site do JL Em comemoração aos 10 anos de existência, o Jornal das Lajes presenteia seus leitores com a nova versão do site, que traz novas funcionalidades. A parceria com a empresa Atus Tecnologia e Comunicação já reestruturou o jornal impresso e agora traz um layout completamente remodelado para a versão online do JL. Preocupado com a acessibilidade dos leitores, o novo site possui uma interface simples e preparada para se adaptar a smartphones, tablets e monitores. Entre os novos recursos disponíveis, o novo site do JL possibilita ao leitor criar seu perfil, comentar tex-
tos, enviar reportagens e eventos com quantidade de fotos ilimitada. Faça seu cadastro gratuitamente e aproveite todas as
funcionalidades do novo site. Deixe também suas críticas e sugestões nos comentários na pãgina do JL.
Gastronomia
CLÁUDIO RUAS
Entra, vamo tomá um café?! Essa é uma das frases mais ditas no cotidiano das roças, cidades mineiras e também Brasil afora. Prova da presença e importância dessa bebida em nossas vidas. Na casa mais rica ou mais pobre, o café tornou-se item indispensável, seja para alimentar, acordar ou servir à visita. Além de dar prazer, prevenir doenças e movimentar a economia mundial com bilhões de dólares. Tudo isso graças às cabras da Etiópia, no nordeste da África, que foram as descobridoras desse tesouro. De acordo com a famosa lenda de Khaldi, por volta do ano 500 d.C., os criadores de cabra da região começaram a perceber que elas ficavam mais ativas e espertas depois de comer aquele grão vermelho parecido com uma cereja. Então resolveram consumir também, inicialmente mastigando ou bebendo um fermentado alcoólico feito com o grão. Posteriormente, ele foi levado para a península Arábica, que se tornou a principal região produtora, consumidora e exportadora do grão, que ainda demorou bastante tempo a ser preparado da forma atual. Pela importância da bebida, ela era chamada de “kahwah”, que significa vinho em árabe, palavra que deu origem ao nome café. De lá também vem o nome da espécie “café arábica”, que é sinônimo de grão de qualidade, anunciado em destaque nas embalagens como “100% arábica”. Atualmente o Brasil é o maior produtor mundial, também se destacando pela qualidade dos grãos, cada vez mais apreciados no exterior. E nossa Minas Gerais é o estado que mais produz, com aproximadamente 50% da safra nacional. Para se ter uma ideia da importância da nossa terra, para cada quatro xícaras de café tomadas no mundo, uma é feita com café mineiro! Ele é exportado para mais de 60 países e no quesito qualidade também está no topo da lista. Em recente torneio na Europa, entre dez cafés especiais selecionados do mundo todo, seis eram daqui. Basta entrar em um supermercado sofisticado de Paris para ver a valorização que o café mineiro tem tido lá fora, o que infeliz-
mente ainda não ocorre por aqui como deveria. O Sul de Minas é a região que mais se destaca, não só na qualidade, mas na quantidade, apesar de ser a cidade de Patrocínio, no Alto Paranaíba, o município que mais produz no país. O sul do estado, cujas características climáticas e geográficas são o diferencial, tem abraçado cada vez mais essa atividade, que não se restringe a plantar e vender o grão. Assim como outros produtos ligados à gastronomia, o café tem se tornado uma importante ferramenta de desenvolvimento do turismo. Já existem roteiros turísticos e agências que levam os turistas para conhecer as fazendas produtoras e, consequentemente, apreciar a belíssima região, a culinária etc., além de festivais, como o “Café com Música”, da charmosa cidade de Cristina. Exemplo a ser seguido pela nossa Resende Costa, que já passou, e muito, da hora de ter o seu grande “Festival do Artesanato”. Voltando para a bebida, assim como já falamos da cerveja, o café também tem seu lado social, principalmente para nós mineiros. Ele é a desculpa para o de fora entrar pra cozinha, esticar a prosa e, claro, se deliciar com os acompanhamentos que aqui são muitos: queijo, broa de fubá, biscoito polvilho, pão de queijo e por aí vai. Portanto, o café está muito ligado ao jeito mineiro acolhedor e farturento de receber, uma das nossas grandes virtudes. Todos nós temos a chamada “memória olfativa”, que nos faz remeter a uma situação do passado quando sentimos algum cheiro ou gosto. E uma memória das mais marcantes para mim é a do cheiro do café sendo torrado e depois moído, que me transporta imediatamente para a fazenda dos meus bisavós em Moeda, quando criança. Adorava ajudar a moer o grão no moinho velho e ficava intrigado com a força do cheiro da torrefação, que parecia subir quilômetros morro acima, perfumando até hoje aquele lugar. (Veja no blog dicas sobre o uso do café, além de uma receita deliciosa de “Frango assado com molho de café”: http://www.casalgastromg.blogspot.com.br/).
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Crônicas do cotidiano
Regional
Conheça o “sanduíche São João del Rey”, no bairro Higienópolis da capital paulista JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
“Sanduíche São João del Rey”! É isso mesmo. A ideia foi de Igor Anhelli da Silva, sócio-proprietário da padaria Nosso Cântaro, no tradicional bairro de Higienópolis da capital paulista. Dar nomes de cidades paulistas, mineiras e cariocas a sanduíches especiais foi uma forma encontrada de homenagear o avô Guilherme da Silva, que em 1947 emigrou com os pais de Portugal, aos 18 anos de idade, e se instalou em Santo André, no ABC paulista. A vida toda dele foi cuidar de padarias, conta Igor. Ele ficou muito conhecido porque tinha concessão para explorar o negócio de padarias, bares e restaurantes na antiga Rede Ferroviária Federal no ABC paulista. Depois, ganhou também concessão para atuar na Rede em Piaçaguera. “Meu avô chegou a ter mais de mil funcionários”. Depois do falecimento de Guilherme, a família pensou em um projeto para homenageá-lo, vinculado ao seu negócio e “a tudo o que ele gostava”. Então, surgiu a ideia de abrir a padaria, em 2008, cujo cardápio seria focado exatamente “nas coisas de que ele mais gostava”, lembra Igor. A começar pelo nome “Nosso Cântaro”. E por que o nome? O cântaro é um tipo
de vaso antigo onde se armazenava ou transportava água e outros líquidos. “E uma das paixões da vida do meu avô era a água. Encontrei uma foto dele onde aparece o cântaro ao fundo”, conta Igor. “Uma coisa está vinculada à outra”, resume. “Cântaro, água, padaria, alimentos e cidades que têm minas de água”. Além do sanduíche São João del Rey (picanha fatiada, queijo prato e vinagrete), o cardápio inclui sanduíches Quatinga (local de Mogi das Cruzes), São Pedro, Agudos, Campos do Jordão, Lindoia, Serra Negra, Araxá, São Lourenço, Monte Verde, Poços de Caldas, Petrópolis, Teresópolis e Iguaçu. Sem falar dos sanduíches que levam os nomes de “Sr Guilherme” e de sua esposa “Dona Maria”. Para manter a tradição, toda sexta-feira a padaria Nosso Cântaro serve aos clientes diferentes pratos de bacalhau “que meu avô adorava”, conclui Igor. Sanduíche de pão de queijo Recentemente, foram lançados em São Paulo os sanduíches “Tiradentes, Del-Rei, Mariana e Outro Preto, de acordo com a coluna “Curiocidade”, de Marcelo Duarte no portal Estadão.com.br (15/03/13). O
“Trembão” (cujo pão é livre de glúten) foi lançado pela lanchonete Pibus Hamburger, no bairro Itaim-Bibi, e foi certificado pela Associação dos Celíacos do Brasil. Trata-se de quatro sanduíches que são servidos dentro de um pão de queijo grande. A ideia foi de José Eduardo Ferrari, proprietário da casa. Enquanto saboreava uma fornada de pães de queijo no café da manhã, ele teve o estalo de fazer pães maiores para seus lanches. Ele precisou de 45 dias para encontrar um fornecedor, colocar um forno dentro da cozinha e anunciar o lançamento pelas redes sociais. O fornecedor é a empresa mineira Formaggio Mineiro. “Em poucos dias, começamos a receber pessoas que nunca tinham vindo à lanchonete só para experimentar o TremBão”, comemora Ferrari. O sanduíche “Tiradentes” é composto de hambúrguer artesanal, maionese caseira e queijo prato. Já o “Del-Rei” tem filé mignon em tiras, queijo prato e catupiry. Os outros dois lanches são: “Mariana” (filé de frango em cubos, cogumelos, gorgonzola cremosa e queijo prato) e “Ouro Preto” (omelete, queijo prato derretido, maionese caseira e presunto grelhado em tiras).
Português Guilherme, inspirador do Sanduíche São João del-Rey. Domingas Clario, a gerente
RAFAEL CHAVES
Não passe dos 60 Eu ando meio nervoso. Meio não, inteiro! Não vejo TV, não leio notícias, nada! Estou um completo alienado. O que foi feito de mim, um quase trotskista? Cadê o “libelu” que combatia a ditadura militar e insuflava greves? Onde estão guardados os discursos inflamados de sentimentos? E os sonhos utópicos? Não é que eu não tenha mais ideologia. Eu creio que seja de esquerda, mas a impotência, a descrença e o pessimismo tomaram conta de mim. Quem sabe eu tenha hoje um ideário próprio? Assim como se, a essa altura de minha vida, me fosse permitido pensar por conta própria. Seria isso possível ou permitido? “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra”. Charles de Gaulle não disse, mas o Brasil não é mesmo um país sério! Somos um país hipócrita. A maioria das pessoas diz que as coisas estão melhorando. Têm esperança! Eu não! É por isso que eu me alieno: para não me enraivecer além da conta. Seria isso o que estou fazendo uma crônica? Por via das dúvidas, peço licença. Eu poderia citar uma infinidade de motivos que me fazem pensar o que eu penso. Vou me restringir a um fato só. Há algum tempo aconteceu um acidente com o João do Galo e sua família que me deixou estarrecido. Segundo a versão que eu conheço (mesmo que haja outras, não invalidam o que eu vou dizer), ele vinha de Belo Horizonte para nossa Resende Costa quando, em Congonhas, um caminhão veio batendo em diversos veículos, entre os quais o dele. O caminhão não conseguiu reduzir a 60 km/h, velocidade permitida pelo radar, e bateu em dois carros antes de bater no dele e depois em mais outros três, num total de sete veículos envolvidos. Uma senhora morreu no momento do acidente, parece que outros três morreram depois. João perdeu
o carro e quase a família toda! A causa do acidente foi o radar. Quem vai a Belo Horizonte sabe o que eu estou dizendo. O radar foi instalado depois de um longo declive, de mais de cinco quilômetros, em uma rodovia de mão dupla, a BR 040, e camuflado depois de uma curva. O local de instalação foi meticulosamente estudado. Não para cumprir sua função de segurança, mas para multar. Todo mundo sabe que, no local, o que cabe é uma passarela, não um radar. Ainda que houvesse a necessidade de redução de velocidade, não poderia ser desse modo, instantaneamente, de repente, sem mais nem menos. Haveria de ser paulatina, desde o início do declive, com avisos e outros meios mais. Eu tenho quase a convicção, a certeza, a ousadia de dizer que, após a instalação do radar, mais acidentes e mais mortes passaram a acontecer nesse lugar. Caberia apurar. Seria trágico se se confirmasse essa hipótese. No dia do acidente, o caminhão que provocou o acidente estava no nome de uma empresa transportadora. No processo, segundo João, apareceu um recibo de venda do caminhão, com data anterior ao do acidente, provavelmente para isentar a transportadora. Devem ter colocado como responsável no lugar da transportadora um pobre coitado que dificilmente terá condições de pagar pelo prejuízo. Definitivamente não sou contra radar ou, antes, pelo desrespeito às leis de trânsito. Mas do jeito que está sendo feito, não! Os radares são instalados quase todos com velocidade máxima de 60 km/h, aparentemente sem qualquer estudo de ser esta a velocidade de segurança para a via, e geralmente em locais preparados para flagrante, com intuito de arrecadar. Nossa sociedade, nossas leis, nosso país esta infestado de hipocrisia. Hipocrisias como essa. Hipocrisias noticiadas nos jornais (que evito de ver ou ler) todos os dias. Dizem para a gente não passar dos 60 e, embora isso possa nos causar a morte, continuamos calados, subservientes, inertes, mansos...
Jornal das Lajes 13
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Patrimônio Histórico
Problemas no trânsito geram controvérsias em Resende Costa Quem hoje passa pela Avenida Monsenhor Nelson ou sobe a Rua Assis Resende e vê o semáforo desativado, não imagina que por trás do desligamento do equipamento existem vários pontos em questão. O semáforo que se localiza nos “Quatro Cantos” (cruzamento das Avenidas Monsenhor Nelson e Prefeito Ocacyr Alves e Rua Assis Resende) foi instalado durante a gestão do então prefeito Adilson Avelino (administração 2009-2012). À época, um dos responsáveis pelo estudo para a instalação do dispositivo foi o policial civil Gláucio Wallacy. Segundo Gláucio, que defende a permanência do semáforo, “todo e qualquer pedestre que ali se depara, precisa ficar extremamente atento. Neste momento, há três fluxos de veículos naquelas vias, havendo a necessidade da verificação deles em um mesmo instante e sofrendo sério risco de quando estiver verificando um ‘terceiro fluxo’ e começar a atravessar a via, ser atropelado por um veículo automotor vindo do primeiro ou segundo. Fato este que não ocorreria se aquele equipamento estivesse devidamente em funcionamento”. Mas nem todos enxergam dessa maneira. Os principais defenso-
res do desligamento do semáforo são os moradores da Rua Assis Resende. Para Ana Maria Melo, motoristas se aproveitavam do sinal aberto para aumentar a velocidade do veículo, ficando muito perigoso atravessar a rua, principalmente para os idosos. E completou: “Quem mora nessa rua (Assis Resende) sabe que o semáforo não é necessário”. Pelas declarações, fica fácil perceber que a questão do semáforo divide opiniões. “Até que se procedam as mudanças necessárias para o bem de Resende Costa quanto ao trânsito, creio ser necessário manter o semáforo ligado”, disse ao Jornal das Lajes o Tenente Klaudir. Já o prefeito Aurélio Suenes tem outra opinião: “Fizemos contato com uma empresa de consultoria de trânsito de Belo Horizonte. O engenheiro de transito já esteve em Resende Costa e, segundo o mesmo, pelo tempo que ele ficou no cruzamento, ficou claro que ali não tem fluxo suficiente para utilização de semáforo”. Porém, os motoristas precisam se lembrar que mesmo com o semáforo desativado ainda existem leis que regem o trânsito, sendo assim, é preciso respeitar as respectivas preferências quando se trata de
cruzamento. Mas além da opinião de autoridades e especialistas, a população resende-costense também tem a sua. Em pesquisa não oficial, feita através do facebook, a maioria foi favorável ao desligamento do semáforo. As maiores queixas eram sobre o tempo de espera com o sinal em vermelho (um minuto) sendo que muitas vezes nenhum carro atravessava o cruzamento durante esse tempo. Além disso, não é somente o semáforo que vem aborrecendo o cidadão resende-costense. Onde vai parar? Em outra declaração, Gláucio afirma: “Contamos hoje com mais de cinco mil veículos registrados e em circulação em nossa querida cidade e uma população em torno de onze mil habitantes”. O resultado disso é que hoje para se estacionar um carro em Resende Costa os motoristas enfrentam uma verdadeira odisséia. Mesmo em dia de pouco movimento, dificilmente se encontra uma vaga para deixar o carro, principalmente na Avenida Gonçalves Pinto, nos arredores da igreja Matriz e em frente aos principais supermercados. Para Edil-
son Daher, sócio de um desses supermercados, “além da falta de um ponto de carga e descarga, muitas vezes falta vaga para os clientes dos comércios no centro da cidade estacionarem seus veículos, já que muita gente deixa seu carro estacionado durante todo o dia nessas vagas”. Edilson ainda defende a implantação de um estacionamento rotativo, assim “os proprietários dos veículos usariam essas vagas apenas pelo tempo necessário”. Para Gláucio, “a não existência de espaços específicos criados pelos comércios instalados ali, de carga e descarga de suas mercadorias, gera grandes problemas de fluxo. Espaços e depósitos instalados em outro local, dando maior conforto e condições na execução do trabalho de carga e descarga, bem como maior comodidade aos pedestres, veículos e clientes que circulam por ali, melhorando consideravelmente o fluxo de todos naquele cruzamento de vias”. Como citado acima, um local de carga e descarga para os comerciantes do centro da cidade também é uma grande demanda. Perguntado sobre essa questão, o prefeito Aurélio Suenes disse que providências serão tomadas para solucionar esse problema. Uma
CÁSSIO ALMEIDA delas é criar um ponto de carga e descarga próximo aos supermercados. A princípio esse ponto seria em frente onde hoje funciona a locadora do Leandro. Em relação à boa fluidez do trânsito no centro de Resende Costa, Aurélio apresentou as seguintes soluções: “Antes de desligar definitivamente o equipamento (semáforo) estamos estudando a possibilidade de alterar o trânsito no local, passando para mão única a Avenida Monsenhor Nelson até na Casa de Cultura. Dessa forma, eliminaríamos o fluxo de veículos que vêm do Parque de Exposições. O incômodo vai ser para os veículos pesados, que terão que fazer o retorno na rodoviária por não terem condições de subir a rua do Depósito Santo Antônio, porém essa alteração vai acabar definitivamente com a polêmica do semáforo, pois teremos apenas dois fluxos de veículos nos ‘Quatro Cantos’”, explicou o prefeito. “Acredito que o futuro do equipamento seja o leilão. Temos coisas mais importantes para investir em trânsito, como o monitoramento das ruas com câmeras”, concluiu Aurélio, sobre o destino do semáforo.
Saúde
Campanha de vacinação contra a gripe tem início em abril
FRANCIELLE VALE
Acontecerá neste mês de abril a Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe, que ocorre todos os anos em Resende Costa e região. As vacinações começarão na semana do dia 20, sendo priorizados os grupos de pessoas acima de 60 anos, gestantes, crianças de seis meses a menores de dois anos, profissionais da saúde e doentes crônicos. No grupo de doentes crônicos se enquadram: cardiopatas, doença rural crônica, transplantados, hepatites crônicas, cirrose, pneumopatias, diabéticos em uso de medicação, obesidade grau III, doenças neurológicas crônicas, imunodeficiência congênita ou adquirida. A novidade deste ano é que no quadro de receptores se enquadrarão as puérperas, que são as mulheres com até 45 dias após o parto. A meta para a campanha é vacinar no mínimo 80% das pessoas que se enquadram nesses grupos. Gorete Resende, enfermeira do Centro de Saúde, diz que “nos últimos anos da campanha a meta foi alcançada”. Ela acrescenta que “quando a meta não é atingida, o período da campanha é prorrogado”. Segundo Gorete, o Centro de Saúde possui arquivos das pessoas que se enquadram nos grupos e
não sendo alcançada a meta, é feito um levantamento daquelas pessoas que não foram vacinadas. Também são feitas divulgações através do rádio, jornal e de panfletos. As vacinas são modificadas a cada ano com base em um estudo dos vírus que estão circulando na época e são produzidas para combater aqueles que podem afetar a população. Este é o terceiro ano em que a vacina tem o desafio de agir contra a Influenza H1N1, vacinando a população que possui maior risco de desenvolver a forma grave da doença. Lourdes Dias (Lurdinha), cuidadora no Lar São Camilo, fala sobre a importância de um funcionário da saúde receber a vacina: “Tomo a vacina contra a gripe desde que ela foi liberada para quem trabalha na área da saúde. Essa proteção é muito importante para nós. Antes de começar a tomar a vacina, frequentemente eu tinha gripe, e agora não tenho mais”. Todos os moradores do Lar São Camilo também tomam a vacina. “As pessoas que não são vacinadas têm menos proteção que aquelas que se vacinam, por isso, ao contraírem uma doença, possuem mais chance de complicação, como pneumonia”, é o que afirma
Gorete. Ela destaca a importância de diferenciar resfriado de gripe: “Muitas vezes as pessoas deixam de tomar a vacina por estarem resfriadas, e não devem”. As contra indicações para a vacina são poucas: é contra indicada para casos de alergia severa a ovo, com reação anafilática comprovada; parcialmente em casos de doença febril aguda, porém assim que a pessoa melhorar, já pode receber a vacina; pessoas com uso prolongado de corticoide (mais de três semanas) também não podem receber - aquelas que já usaram há um tempo e não usam mais podem ser vacinadas; a vacina também é contra indicada para pessoas em tratamento de rádio e quimioterapia. A doença H1N1 é transmitida pela tosse, espirro e por contato com objetos contaminados. Seus sintomas são febre, tosse, dor de cabeça, dor de garganta, nariz escorrendo e dores musculares. Para se prevenir a doença, inclusive para aquelas pessoas que não recebem a vacina, as medidas de prevenção são as mesmas da gripe H1N1: evitar aglomeração e ambientes fechados, ter uma alimentação balanceada de qualidade e higienizar as mãos, lavando-as sempre. As pessoas com gripe devem tomar
os devidos cuidados para não propagá-la, como usar um lenço descartável ao tossir e espirrar, e não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal. Essas medidas devem ser tomadas também para aqueles que já foram vacinados contra a gripe, pois quanto mais prevenção, maior é a proteção. A programação da campanha funciona da seguinte forma: durante a semana do dia 20 de abril as vacinas serão aplicadas no PSF (Programa de Saúde da Família) e no Centro de Saúde, de 08 às 12 horas e de 13 às 16 horas. No dia 20, sábado, dia oficial da campanha, o atendimento será apenas no Centro de Saúde, com dedicação exclusiva para a vacinação contra a gripe. Por isso é importante as pessoas darem prioridade para essa data. Na zona urbana a vacinação ocorrerá no período de 15 a 26 de abril, sendo nos dias 16 e 17 de abril para os acamados, 18 de abril no Lar São Camilo e 23 de abril na Cadeia Pública. Na zona rural o atendimento será no dia 20, sendo dividido em três setores: SETOR I Andrade: 7h30 às 8h Paulas: 8h30 às 9h30
Tatu: 10h às 10h30 Santa Bárbara: 11h às 11h30 Maias: 12h às 12h30 Tabuados: 13h às 14h30 SETOR II Barracão: 7h30 às 8h Floresta: 8h às 8h30 Jacaré: 8h30 às 9h Restinga: 9h30 às 10h Micaela: 10h30 às 11h Boa Vista: 11h30 às 12h Pintos: 12h às 12h30 SETOR III Ribeirão: 8h às 9h Retiro dos Currais: 9h30 às 10h Cajuru: 10h30 às 11h30 Jacarandira: 12h às 13h. Aquelas pessoas que não se enquadram nos grupos relacionados acima e que se interessam em tomar a vacina, serão atendidas de acordo com a oferta da vacina e por prioridade. Em primeiro lugar é dada prioridade para casos de bronquite e depois para os outros problemas de saúde que não se enquadram nos grupos descritos. Marque na sua agenda e avise aos seus amigos e parentes. E não se esqueça de levar o cartão de vacinas!
14 Jornal das Lajes
ANO IX Nº 120 - ABRIL DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Educar um filho
Música
Coral e orquestra Mater Dei realiza concerto em Belo Horizonte ANDRÉ EUSTÁQUIO
Em meio a uma exposição de obras de arte, feira gastronômica e artesanato, a música sacra também encantou e emocionou o público que visitou o 5º Salão Mineiro do Turismo, no Minascentro, em Belo Horizonte. O evento aconteceu nos dias 15 e 16 de março e o Coral e Orquestra Mater Dei, de Resende Costa, apresentou, na tarde do dia 15, peças sacras dos compositores mineiros Antônio de Pádua Alves Falcão, Antonio dos Santos Cunha, João da Mata e padre José Maria Xavier. “Fomos agraciados de sermos um dos quatro grupos escolhidos entre os 21 municípios do Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes, para representar um pouco da rica cultura da nossa região. Essa escolha nos mostrou que o nosso trabalho ainda é prestigiado e reconhecido no estado”, disse o presidente do Coral e Orquestra Mater Dei, João Carlos Resende. As músicas escolhidas especialmente para o evento integram o repertório da Quaresma e Semana Santa de Resende Costa: Motetos de Passos e Dores, de Antônio de Pádua Falcão - executados antes e após as procissões e também durante as visitações aos passinhos, Visitação de Dores - adaptação do O vos omnes do Oficio de Trevas da Sexta- feira Santa, do compositor Antonio dos Santos Cunha, Adoramus Te Christe, do padre José Maria Xavier, tradicionalmente executado como solo ao pregador, antes do Sermão do Descendimento da Cruz, na Sexta-feira da Paixão. E, por último, o Stabat Mater, hino a Nossa Senhora, do compositor João da Mata. “Creio que esse repertório só não foi impecável porque não foi possível levar nada de autoria de Manoel Dias de Oliveira, que foi ‘Capitão da Ordenança de pé dos homens pardos libertos do districto da Lage’”, lamenta João Carlos.
A maestrina e contralto Penha Sousa regeu o Coral e Orquestra Mater Dei em Belo Horizonte
Coral e orquestra Mater Dei no Expominas, em Belo Horizonte
A regência ficou a cargo da vibrante maestrina, e também contralto, Maria da Penha Sousa, que conduziu brilhantemente a apresentação. Além de demonstrar segurança e conhecimento das peças executadas, a maestrina soube liderar e motivar os músicos chamando a atenção para cada detalhe da partitura, preservando assim as características originais das músicas. Ao invés de se posicionar no palco de um teatro, o que é formal e esperado para um concerto de música erudita, o coral se apresentou no palco de eventos localizado na praça de alimentação do Minascentro, semelhante a um coreto. Em princípio criou-se certa expectativa quanto à acústica do local e também acerca da presença de público, uma vez que muita gente passava por lá, se alimentava e ia embora. Porém, para agradável surpresa de todos, o público parou para ouvir e a equipe técnica do evento garantiu a qualidade do som. No fim da apresentação, o efusivo aplauso da plateia, que já se aglomerava em grande número no local, reconheceu o trabalho do grupo e confirmou o sucesso do concerto. O convite para o coral se apresentar no 5º Salão Mineiro do Turismo partiu do secretário municipal de Meio Ambiente e Agropecuária, Luís Cláudio dos Reis, que é também responsável pelo setor de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Resende Costa: “Ele teve a ideia de nos convidar para concorrermos a participar deste evento, pois as orquestras sacras são uma identidade da nossa região. Como ele bem disse, ‘Resende Costa é também a cidade da música’, e devemos recuperar este posto”, disse João Carlos. Luís Cláudio falou da importância da apresentação do coral em Belo Horizonte: “A apresentação foi brilhante. Dava para ver a admiração estampada no rosto de quem assistia a apresentação.
Vejo isso como uma afirmação de quanto temos e quanto podemos contribuir para o setor cultural de nossa cidade, da região e de Minas”. O Coral e Orquestra Mater Dei atua provavelmente desde o final do século 19 nas celebrações litúrgicas da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, de Resende Costa. Atualmente, o grupo é responsável por preservar e manter vivas as tradições musicais religiosas na paróquia, especialmente em celebrações solenes como o Natal, Semana Santa e Corpus Christi. Músicos talentosos de Resende Costa já participaram do coral e orquestra. Entre tantos, destaque para o maestro e compositor resende-costense Joaquim Pinto Lara, o sr. Quinzinho, que durante muitos anos regeu o grupo, deixando um legado que permanece até hoje como exemplo e inspiração para os músicos do Mater Dei. João Carlos fala das apresentações do grupo em outras cidades e confirma o interesse do coral em divulgar a cultura musical de Resende Costa: “Desde que foi fundado, no final do século 19 ou início do século 20, com o nome de Orquestra Santa Cecília, o Coral e Orquestra Mater Dei muitas vezes se apresentou em missas e concertos em muitos lugares, como o Santuário Nacional de Aparecida, Juiz de Fora, Nova Serrana e Nova Friburgo (RJ). Porém, recentemente, o Mater Dei tinha deixado de participar de eventos e atos religiosos em lugares mais distantes, devido a razões que não vamos discutir neste espaço. A nova diretoria entende que na medida do possível devemos, sim, aceitar esses convites para maior crescimento do grupo e também para levarmos o nome de Resende Costa àqueles que não conhecem a nossa cidade”, conclui o presidente.
EVALDO BALBINO
Educar um filho Li meses atrás a triste notícia de que um pai fora preso no Mato Grosso do Sul após haver espancado sua filha de nove anos. À época, foi postado um vídeo na internet, gravado por um vizinho, mostrando o modo terrível como o homem “educava” sua filha. Surrava-a porque ela havia retirado um ímã da geladeira! No dia em que li essa triste notícia, escrevi estas notas: “Estou indignado! Lamentável tudo isso. Que os responsáveis paguem pelo que fizeram. Que a justiça seja feita. E que a garotinha espancada possa, se Deus quiser, superar essa situação terrível da vida e oxalá possa livrar-se desses adultos que deveriam educá-la, e que deveriam fazê-lo com carinho e amor”. Hoje, tempos depois, volto a essa minha nota, hábito que tenho desde sempre. Minha vida de leitor e de escritor se perfaz em idas e vindas ao que leio e ao que escrevo. Por exemplo: esta semana mesmo travei contato com o nosso Antônio Torres, escritor já consagrado nas letras brasileiras. Para mim isso foi uma alegria, pois é bom falarmos com quem admiramos. Falando com o autor, mais uma vez voltei ao seu romance Adeus, velho, que eu li há muitos anos, ainda adolescente, em Resende Costa. E naquela época, me lembro, fui marcado de imediato já nas primeiras páginas do livro. Primeiro, com as duas epígrafes de abertura; depois, fui tomado pela primeira frase do narrador se referindo a um “velho e carcomido cruzeiro dos montes”. Uma epígrafe foi retirada de João Cabral de Mello Neto – poeta delicioso: “Para os bichos e rios / nascer já é caminhar”. Outra, o autor buscou no poeta espanhol Antônio Machado – poeta que, obviamente, eu ainda não conhecia à época, pois o máximo a que eu já tinha chegado, até então, eram os poetas portugueses: “Caminante, no hay camino, / se hace el camino al andar”. A primeira frase do narrador é esta: “Braços abertos contra o tempo, o cruzeiro voava”. Achei isso lindo à época. Esse negócio de resistir ao tempo é muito bom! Sou amante de cruzeiros, eu que sempre namorei o cruzeiro em Resende Costa, aquele que está plantado na saída para o Ribeirão de Santo Antônio. Gostei de ver a imagem, em Antônio Torres, do cruzeiro voando. Um cruzeiro voando, mesmo com um “pé preso à terra por dentro de uma pilastra de cimento”. Uma pilastra, completa o narrador, que “também servia de degrau para os joelhos dos pecadores”. Meu Deus, que lindo tudo
isso! Todos nós somos pecadores, eu já sentia isso na época. E que bom sermos assim, incompletos, buscando sempre completudes. Por tudo isso e muito mais, voltando agora à nota que fiz sobre o espancamento da filhinha pelo pai, é que posso dizer: errar é humano! Mas quando o erro é inconsequente, quando ele prejudica um ser tão puro e indefeso, a justiça deve ser feita. Para isso existem as leis, para isso nós, há muito mais que dois milênios, tentamos nos organizar em sociedade. Nenhum espancamento é justificável, muito menos numa situação como a descrita! Que mundo é este, meu Deus? O homem espancando a filha, na cabeça, nas costas, em todo o corpo, e fazendo isso diante da irmãzinha dela, menor ainda! E a madrasta da menina? Coadjuvante do ato! Pois no vídeo ela era vista, calada, lá da porta da casa, vendo a tudo e silenciosa, sem nada fazer em prol da inocente vítima. Defendo que se um homem e uma mulher sabem fazer filhos – e geralmente gostam de fazer isso –, que pensem também nas responsabilidades que envolvem a decisão de se ter um filho. Fazer é simples, é biológico, mas educar não é. Tudo que diz respeito a uma formação cultural é mais complexo, é mais difícil. Volto aqui, nas minhas idas e vindas, às epígrafes do livro Adeus, velho e também ao próprio livro em questão. E faço isso com licença do João Cabral de Mello Neto e dos dois Antônios, o Machado e o Torres. Volto às epígrafes e ao livro para dizer que nascer não basta, que a biologia por si só não nos serve. Caminhar é que é importante. Se tudo começa no nascedouro, se nós começamos como os bichos e os rios, também como eles devemos caminhar. As crias crescem, mas precisam enfrentar a vida. As águas correm, e atravessam em sua corrida muitas pedras, muitas quedas ferozes. E os nossos filhos? Eles crescem, amadurecem como frutos bem-vindos. Mas não deveriam eles lutar simplesmente na e com a vida? Com a linda, deliciosa e triste vida? E digo mais: deveriam os nossos filhos, lutando contra o tempo, voar como os cruzeiros de braços abertos. Voar para a vida, a qual é cheia de ares perigosos, mas aprazíveis. O mais lamentável perigo é aquele que começa dentro de casa. Nesse espaço onde, com carinho e afeto, deveriam os nossos pequenos aprender a trilhar a vida. Não a violência da vida. Uma educação estruturada está alicerçada no amor. E o amor pode ser simplesmente isto: um respeito ao outro, incondicional. O meu filho é outro para mim e, como tal, merece meu respeito.
Jornal das Lajes 15
ANO IX Nº 120 - ABRIL DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Giro Esportivo Especial
ALAIR COÊLHO DE RESENDE*
O glorioso Expedicionário Futebol Clube No início do século 20, tal como ocorreu em toda Minas Gerais, chegou ao Arraial da Lage um novo esporte, o então chamado jogo da bola; logo depois se popularizou com o nome de foot-ball e o povo logo se pôs a chamá-lo de futebol. Nos anos 20 já tínhamos um bom time desse esporte em nossa terra e seus grandes astros eram três irmãos, filhos de nosso Tio Joaquim de Melo, coletor estadual: Didinho de Melo, Totonho de Melo e Zé de Melo. Didinho era o melhor dos três. Outros três irmãos, chamados irmãos Tobias, cujos nomes não sabemos, também faziam parte do time. Com esses craques, mais o Moacyr do Zé Braz, o Levindo do Braz e outros, dos quais não se guardou os nomes, esse time foi o terror da região. Moacyr do Zé Braz depois foi para o Rio de Janeiro e lá também se sobressaiu, como goalkepper. Há quem diga que foi o melhor jogador de futebol nascido em Resende Costa. O primeiro time de futebol que existiu em Resende Costa chamava-se Resendino Sport Club e seu campo era no Pau-de-Canela, em terrenos do Senhor Francisco Alves, o conhecido Chiquinho Alves. Nesse time se destacavam os seguintes jogadores: Prudêncio Gomes, Elpídio Gomes, Didinho de Melo - o craque do time -, seus irmãos Totonho e Zé de Melo, refinado jogador, Moacir do Zé Braz, os famosos irmãos Tobias e Levindo do Braz. Esse time foi tido como o melhor de toda a região, sendo muito respeitado e temido até mesmo em São João del-Rei. O Resendino foi fundado em 1920 e, embora tivesse uma vida intermitente, viveu até o final da década, quando foi fundado o Resende Costa Sport Club. Numa rápida passagem pelo mundo da bola nós encontramos em Resende Costa três times, nos fins dos anos vinte e início dos anos trinta. Eram o Resende Costa Sport Club, que ocupava o campo do Expedicionário, o Yolanda Futebol Club, cujo campo, no alto, à direita, a aproximadamente uns quinhen-
Expedicionário Sport Club, década de 60
tos metros do Cruzeiro do Beramuro, ao lado de um barranco ou erosão, onde hoje há uma plantação de eucaliptos e o Cruzeiro Futebol Club, que tinha seu campo à direita de quem chega ao Cruzeiro do Pau-de-Canela, nos terrenos do senhor Chiquinho Alves. Houve nesta época um torneio cuja partida final foi disputada pelo Resende Costa e o Yolanda, este composto apenas por jovens afro-descendentes. Haviam estabelecido que os torcedores do time perdedor passariam seis meses sem ter direito a andar pelos passeios (calçadas) da Vila. O Resende Costa venceu por 3x1 e os adversários, educadamente, respeitaram o castigo. Finalmente, depois de altos e baixos na prática do futebol, tivemos a oportunidade de vermos no Resende Costa uma formação quase que bifamiliar: jogavam no time quatro filhos do Sobico (Olinto Argamim de Freitas) e os irmãos Salomão, filhos do senhor Miguel Turco: o Sossó, um dos maiores goleiros de Minas Gerais, Simão e Alberto. Os filhos do Sobico eram o Iraci - a nosso ver o melhor jogador de todos os tempos em Resende Costa -, o Totonho, o Ari e o Hélio. Com o Zé Barbosa, Quito Peluzzi, Juquinha de Souza e Tote do Chico Canela, estava completo o imbatível esquadrão, como gostávamos de dizer. Terminada a II Guerra
Mundial, o Totonho do Sobico, que fora sargento na guerra, funda, em maio de 1946, o Expedicionário Futebol Clube (“Expedicionário”, assim mesmo, no singular), cujo escudo era uma “cobra fumando”, emblema da Força Expedicionária Brasileira (FEB). O uniforme era uma camisa tricolor, em azul, vermelho e branco, em estreitas faixas verticais e um calção branco. Esse time foi o de mais longa vida entre nós, eis que ainda existe. Uma curiosidade: na esquina de “Ao Nacional”, rica loja de propriedade do capitão Ozório de Mendonça Chaves, onde hoje está a Padaria Sobrado, havia uma vitrine de exposição de mercadorias e, ao seu lado, permanentemente exposta, uma placa de madeira com o escudo do Expedicionário contendo o noticiário do clube, redigido dia-a-dia. O primeiro jogo do Expedicionário foi contra um time de São João del-Rei, tendo o Expedicionário vencido por 6x1. A formação do Expedicionário nessa partida foi a seguinte: Geraldo Jaguaré, Ari Freitas e Basílio (trio final); Zé Tiana, Totonho do Sobico e Geraldinho Jacaré (trio médio) e no ataque, Geraldo Chaves, Zé Campos, Godô do Elizeu, Zé Antônio Rocha Coelho e Aderson (o “São” do Chico Canela). É de se destacar que tivemos alguns craques famosos como o foram Sossó, Iraci, Totonho do Sobico e Betinho Peluzzi, den-
tre outros. Betinho Peluzzi saiu do Expedicionário, onde atuava no time reserva e logo foi campeão pelo América mineiro, em 1948, tendo sido também titular da Seleção de Minas Gerais, na época em que havia um Campeonato Brasileiro disputado pelas seleções dos estados. Betinho ficou famoso com o nome de Helbert, seu nome de batismo e de registro. Foi o primeiro resende-costense a se profissionalizar como jogador de futebol. E que jogador! Outra curiosidade digna de nota é que, quando da fundação do Expedicionário, havia entre nós, os fundadores, um jovem jogador, José Fidelis dos Santos, que, embora resende-costense, fora criado em Prados por um tio médico, que se mudara de Resende Costa em razão de desgostos políticos. José Fidelis, cuja mãe continuou morando em nossa cidade, trouxe de Prados, a nosso pedido, peças de uma bola de futebol, de tamanho oficial e nós, utilizando uma velha câmara de ar, já remendada e muito velha, montamos uma bola que, de par com uma outra, já gasta, do Totonho do Sobico, foi a primeira bola do Expedicionário e também a primeira montada em Resende Costa. Nós a montamos na Sapataria do Simão Salomão, onde trabalhávamos como sapateiro. As bolas anteriormente usadas eram as chamadas bolas de capota ou capotão. Eram constituídas de uma câmara de
ar, de bico, sem válvulas. Eram enchidas de ar com uma bomba de recalque, rudimentar, seu bico amarrado e introduzido na capota, a qual era fechada por cadarços, como se fosse um sapato. Nunca eram rigorosamente esféricas. Depois, na década de quarenta, essas bolas de capota deram vez às chamadas bolas argentinas, de válvulas, iguais àquela que fizemos. Esta, por falta de uma forma própria e pela desigual densidade das peças de couro, com poucos dias de uso deformou-se. Começaram então dizer que a “bola do Alair” estava com dor de dente. Aí havia uma sutil referência também ao fato de que éramos namorados da Socorro (depois nossa esposa), filha de um dentista, o Sobico. Em seus primeiros anos de vida o Expedicionário nunca teve uma diretoria, pelo menos até a transferência para Belo Horizonte do Totonho do Sobico, nosso querido Antônio Argamim de Freitas, seu fundador e líder. Algumas pessoas, inconformadas com a “ditadura” do Totonho do Sobico, tentaram, certa vez, constituir uma diretoria para o Expedicionário, tirando-o das competentes mãos do Totonho. Reuniram-se num cômodo de comércio que havia na casa do José Procópio da Silva (hoje casa do Boanerges) e em meio à reunião, quando ia começar a votação, nós dissemos, bem alto, em nome de outros membros do Expedicionário: “nós queremos a ditadura do Totonho do Sobico.” A reunião acabou ali e o Expedicionário continuou sua vida vitoriosa, até hoje, embora agora o chamem de “Expedicionários”, num erro de “número” (singular/plural) e sem respeito ao uniforme de origem. Dos fundadores do Expedicionário Futebol Clube, só restam vivos José Salatiel dos Reis, o Zé Tiana, Zé Campos e este escriba. *Alair Coêlho é resende-costense, advogado e escritor. Autor de“Casos e Causos do Vovô Totonho da Chapada”.
16 Jornal das Lajes Giro Esportivo
ANO IX Nº 120 - ABRIL DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
EMANUELLE RIBEIRO
Resende Costa receberá competição de ciclismo em maio Resende Costa vai sediar nos dias 11 e 12 de maio o primeiro “Desafio das Pedras Mountain Bike e Downhill”. Será uma oportunidade de a cidade conhecer melhor o ciclismo e de nossos esportistas ganharem visibilidade, já que o evento está no calendário da Federação Mineira de Ciclismo e valerá pontos para o ranking. “Receberemos atletas de diversos lugares. O DownHill é uma modalidade voltada para a descida de montanha, já o Mountain Bike - Cross Country é uma modalidade olímpica e utiliza bicicletas para transpor obstáculos na pista, tendo subidas e descidas”, disse Felippe Ramos, um dos organizadores do desafio. Felippe, que é praticante do esporte, contou que em Resende Costa já houve muitos adeptos do Mountain Bike, mas hoje os praticantes optaram pelo Downhill urbano, descendo trilhas próximas à cidade. Há alguns anos, Resende Costa foi sede da Copa das Vertentes, mas esse será o primeiro evento com proporções nacionais na cidade. “Estamos esperando cerca de duas mil pessoas e 250 atletas”, completou. O “Desafio das Pedras Mountain Bike e Downhill” é apoiado pela Prefeitura Municipal, empresários locais e a própria Federação Mineira de Ciclismo. “Temos muitos amigos nos incentivando também, mas ainda encontramos dificuldades para cobrir os gastos do evento, que exige vistorias,
publicidade, premiações e outros pequenos serviços que requerem custo. Esperamos que o comércio local nos ajude com patrocínio e contamos com o apoio de todos. Não vamos desistir, Resende Costa precisa de eventos esportivos novos, e vamos ‘pedalar’ para que tudo aconteça perfeitamente”, declarou Felippe. O secretário de Administração e responsável pelo setor de esportes, Toninho Ribeiro, disse que a Prefeitura Municipal apoiará o evento: “Esse tipo de acontecimento é muito importante para o município, que precisa desenvolver práticas esportivas diversas. Estaremos incentivando dentro de nossas possibilidades e acredito que isso irá trazer muitas pessoas à cidade, o que será bom também para divulgação do nome de Resende Costa e circulação da nossa economia”. As inscrições serão feitas em lojas credenciadas e o valor varia entre R$ 25,00 e R$ 65,00, de acordo com as categorias. Em São João del-Rei, as inscrições acontecerão na Ophicina Bike Shop. Já em Resende Costa, o depósito Santo Antônio e a academia Center Fitness são as lojas credenciadas. O atleta receberá um kit corrida, que contém várias informações sobre a prova, e também alimentação. Os cinco primeiros colocados de cada categoria serão premiados e a entrega das premiações será feita por empresários, autoridades e patrocinadores mediante o convite da organização, conforme explicou Felippe.
O percurso será todo dentro da cidade, o que possibilitará ao público acompanhar os atletas de perto durante a prova. Felippe contou que as lajes de cima e a fonte da mina são parte do trajeto, que irá abranger vários outros pontos da cidade: “Quando mostrei a subida das lajes para o Maurício, da Ophicina Bike Shop, ele ficou doido. Disse que só ali a prova já valeria a pena. No próximo dia 20 teremos a visita do representante da Federação Mineira de Ciclismo para conhecer o circuito”. Cada modalidade da corrida irá acontecer em um dia: o Downhill será no dia 11 de maio com início na Rua Gonçalves Pinto. O atleta deverá comparecer às 9 horas, munido de um quilo de alimento não perecível, a inscrição e todo o equipamento de segurança obrigatório: capacetes fechados, luvas e caneleira. Já a prova de Mountain Bike acontecerá no Parque de Exposições no dia 12 de maio. Os atletas deverão comparecer às 9 horas, levando um quilo de alimento não perecível, a inscrição e todo o equipamento de segurança obrigatório: capacetes abertos, luvas e óculos. Segundo Felippe, nos dias do evento haverá no Parque de Exposições um ambiente legal com bares, sonorização e shows: “Venha participar e prestigiar os atletas de nossa cidade, que participarão da categoria local. Além disso, parte da renda e os alimentos arrecadados serão repassados à APAE de Resende Costa”, concluiu.
Série “Campeões brasileiros” Em 1978, o título do Campeonato Brasileiro foi conquistado pela primeira vez por um clube do interior: o Guarani, de Campinas (SP), venceu o Palmeiras por 1x0 nos dois jogos da final. Esse título foi uma grande surpresa para os comentaristas e fãs de futebol daquele ano, porque o Bugre não tinha dinheiro para contratações e apostou em jogadores da base. Acabou revelando Careca, que se tornaria um dos maiores atacantes do futebol brasileiro. Dos 32 jogos que disputou, o Guarani venceu 20, empatou oito e perdeu apenas quatro. Fez 57 gols e sofreu 22. Paulinho, do Vasco,
balançou a rede 19 vezes e foi artilheiro. O craque e revelação de 78, sem contestações, foi o jovem Careca, autor do gol do Guarani na grande final. O técnico Carlos Alberto Silva, que havia deixado a Caldense-MG para treinar o Bugre, comandou Neneca, Mauro, Gomes, Édson, Miranda, Zé Carlos, Zenon, Renato, Capitão, Careca e Bozó na conquista inédita. 74 times disputaram o brasileirão de 1978. Na classificação final do campeonato, o Cruzeiro foi 10º e o Galo ficou longe, no meio da tabela, em 34º. O mico do ano foi para o Palmeiras, especificamente para o
goleiro Leão, que agrediu Careca dentro da área, em um lance sem perigo, e foi expulso no primeiro jogo da final. Como o Palmeiras já tinha feito três substituições, o atacante Escurinho foi para o gol e não defendeu o pênalti de Zenon, outro craque do Guarani. 78 foi o ano de “Dancin Days” na TV. Nada fez mais sucesso do que as meias coloridas e o cabelo desarrumado de Sônia Braga na novela. Julia Matos, personagem da atriz, virou referência de moda dançando ao som de “Abra suas asas”, das Frenéticas.
Número de adeptos à corrida cresce cada dia mais em Resende Costa EMANUELLE RIBEIRO A corrida de rua é um esporte que vem conquistando seu espaço em Resende Costa. Com algumas competições organizadas e muitos atletas se aderindo à prática, a corrida é um dos esportes que mais crescem no município. Os resende-costenses Luiz Nei Resende e Samuel Santos começaram a correr há cerca de três anos e já disputaram diversas competições, conquistando medalhas e divulgando o nome de Resende Costa por Minas Gerais e até fora do estado. Os atletas estão sempre participando de competições. Já estiveram em Barbacena, Tiradentes, Dores de Campos, São João del-Rei, Divinópolis, Extrema, Juiz de Fora etc. Fora de Minas, Luiz Nei e Samuel correram em Piquete (SP) e na Serra da Itatiaia (RJ). Luiz Nei destaca a saúde como o principal benefício do esporte: “Sempre me preocupei com a saúde e o esporte me ajuda a mantê-la bem. Por isso, também busco trazer as crianças para a corrida”. Samuel, que iniciou no esporte antes do amigo Luiz Nei, diz que a corrida o ajudou a ficar longe dos vícios e ainda fala sobre outros ganhos: “A quantidade de amigos que conquistamos durante essas competições é incrível. É muito bom conhecer novas pessoas”. Sobre as competições e conquistas, o maratonista comenta: “Ao ver que poderíamos correr ao lado de profissionais, nos interessamos pelas competições e sempre que disputávamos a gente voltava com um troféu. Hoje nós visamos também às medalhas, troféus e o nome no atletismo de Resende Costa”. Os maratonistas treinam bastante, correndo aproximadamente 15 km por treino e já colecionam vitórias importantes, como a corrida de Piquete, vencida por Samuel e as provas de Juiz de Fora e Divinópolis, conquistadas por Luiz Nei. Além das tradicionais corridas de rua,
os dois adotaram outra modalidade: a corrida de montanha, que é caracterizada por um percurso mais cansativo, que exige muito da condição física do atleta, visto às dificuldades do trajeto, que conta com morros, pedras e rios. “Às vezes o atleta que na rua se sobressai não consegue o mesmo desempenho nas montanhas”, afirma Luiz Nei. Apesar do crescimento do esporte, os atletas acreditam que a corrida ainda não teve o reconhecimento necessário pelo poder público, mas esperam que isso mude com a nova administração. “Pedimos apenas um pouco de atenção para o atletismo. Acredito que já podemos também organizar uma corrida de montanha em Resende Costa, já que temos percurso para isso”, diz Samuel. Segundo os atletas, o único apoio que recebem acontece quando organizam alguma prova em Resende Costa. Fora isso, fazem tudo por conta própria, o que não sai barato. O prefeito Aurélio Suenes está disposto a contribuir para elevar a modalidade esportiva e os nomes dos atletas resende-costenses: “O primeiro passo é definir um planejamento sobre quantos eventos podem ser feitos no município em um ano. Depois, a prefeitura pode incluir a corrida em eventos de destaque, como aniversário da cidade e outros. Pode também apoiar os atletas em eventos de destaque regional, estadual e nacional, desde que seja feita uma associação envolvendo atletas interessados nesta modalidade. Com isso, podemos ter a oportunidade de repassar recursos através de convênios e levar o nome de Resende Costa para outras regiões. Sobre a estrutura, entendo que essa modalidade não exige muito, mas podemos ajudar na sinalização e segurança das vias públicas, sonorização, divulgação e premiação dos atletas”, disse o administrador público.