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Edicao 119

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10 anos

MARÇO 2013

ANO IX - Nº 119 Resende Costa - MG

www.jornaldaslajes.com.br contato@jornaldaslajes.com.br

Distribuição Gratuita

Parque de Exposições de Resende Costa é liberado para eventos particulares Foto Emanuelle Ribeiro

Preservação patrimonial é dever de todos

O conjunto arquitetônico histórico de Resende Costa foi consideravelmente danificado ao longo de décadas, em que praticamente não havia consciência sobre a importância da preservação patrimonial. Atualmente, gestores públicos e o próprio cidadão estão conscientes dessa importância, enquanto ação para tornar viva a memória e identidade das cidades.

Duas reportagens especiais desta edição revelam importantes informações acerca das raízes da família Resende em Portugal e sobre o artesanato de retalhos de pano. Locomotiva da economia de Resende Costa, o artesanato de retalhos está nas raízes da colonização da Ilha de Santa Maria, no Arquipélago dos Açores - Portugal, no século XV.

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Jump é a nova onda em academia de Resende Costa O jump passou a ganhar adeptos nos últimos meses e hoje é praticado por muita gente em Resende Costa. O esporte é oferecido pela Academia Center Fitness, que já conta com três turmas de doze alunos. A melhoria da aparência muscular de glúteos e pernas e disposição para realizar as tarefas diárias são alguns dos benefícios do esporte. Página 16

O que liga Resende Costa a Ilha de Santa Maria?

Páginas 11 e 12

Jogo Aberto: Dom Célio de Oliveira Goulart Parque do Campo será utilizado para eventos particulares em 12 datas durante o ano

Após duas sessões de debates no plenário da Câmara Municipal e intensa repercussão nas redes sociais, o projeto de Lei Nº 12, que permite o uso do Parque de Exposições Dr. Geraldo Magela de Resende para eventos particulares, foi

aprovado no dia 22 de fevereiro. O prefeito municipal Aurélio Suenes justificou a utilização do espaço como forma de gerar mais renda para o município. Atualmente, o Parque do Campo, mal utilizado, segundo o prefeito, tem gerado despesas à

prefeitura. Antes de ser liberado para eventos, como bailes e shows, o Parque do Campo deverá passar por vistoria do Corpo de Bombeiros para se adequar às normas de segurança. Página 04

O bispo da Diocese de São João del-Rei recebeu o JL na Cúria Diocesana para uma entrevista exclusiva. O religioso falou sobre o tema da Campanha da Fraternidade, que neste ano aborda a juventude. Falou ainda da Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá em julho no Rio de Janeiro e sobre a renúncia do papa Bento XVI. Páginas 06 e 07


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Jornal das Lajes

E D I T O R I A L

Futebol não é guerra A história vitoriosa do Corinthians ficará indelevelmente marcada pela atitude de selvageria de alguns de seus torcedores que culminou na morte do jovem boliviano Kevin Douglas Beltrán Espada, 14, no dia 20 de fevereiro. Durante a partida entre Corinthians e San José, em Oruro, na Bolívia, válida pela fase de grupos da Taça Libertadores, um sinalizador marítimo foi disparado da torcida corintiana em direção aos torcedores do San José, atingindo o jovem Kevin. A polícia boliviana deteve doze torcedores integrantes da torcida organizada Gaviões da Fiel, indiciou dois deles por homicídio e os outros dez por serem cúmplices. Porém, no domingo, 24 de fevereiro, em entrevista ao Fantástico, um menor de 17 anos, também integrante da Gaviões, assumiu a autoria do disparo do sinalizador. O crime de Oruro reacende a discussão sobre violência nos estádios. As torcidas organizadas dominam grande número dos estádios no Brasil com seus gritos de guerra, coreografias, bandeiras e faixas. Não há dúvida de que proporcionam um espetáculo à parte, dando colorido às arquibancadas, agitando os torcedores e motivando seu time. Se a presença delas se resumisse apenas em performance lúdica, não caberia crítica. Porém, o que se vê muitas vezes são aglomerados de bandidos travestidos de torcedores, que utilizam o escudo do seu clube para formar verdadeiras facções criminosas que querem somente espalhar o terror nos estádios e fora deles. Em sua entrevista ao Fantástico o adolescente que assumiu o disparo do sinalizador disse que comprou o artefato na Avenida 25 de Março, em São Paulo, e que o disparou em direção à torcida do San José com o intuito de “ganhar espaço e moral junto a Gaviões da Fiel”. E como prova de amor ao seu clube, disse ainda ao jornalista: “eu amo o Corinthians, mano”. O trágico episódio também traz novamente à tona a facilidade que esses torcedores bandidos encontram para entrar armados nos estádios. É inadmissível, numa competição internacional, ver nas arquibancadas torcedores munidos de rojões e sinalizadores de uso exclusivo das forças armadas. A continuar desse jeito, em breve veremos torcedores comemorando um gol com uma rajada de fuzil. Muitas coisas precisam ser mudadas nos estádios de futebol sul-americanos, começando pela cultura de “guerra” que se entranhou em nosso futebol. Infelizmente a própria imprensa e os clubes estimulam o comportamento violento de alguns torcedores. Uma rede de televisão brasileira batizou a torcida corintiana de “bando de loucos”, um jornal de grande circulação em Minas noticiou os preparativos do jogo do Atlético MG na Argentina, pela Libertadores, com a seguinte chamada de capa: “Galo se prepara para a guerra”. Ora, enquanto jogadores, cartolas e cronistas esportivos continuarem enxergando partidas de futebol como batalhas sangrentas a serem vencidas e o adversário um inimigo a ser executado a qualquer preço, a reação dos torcedores nas arquibancadas continuará sendo a mesma que vitimou o jovem Kevin, que queria apenas torcer para seu time do coração. Futebol não é guerra. É apenas um esporte, entretenimento. Estádio de futebol não é campo de batalha, muito menos lugar para bandidos travestidos de torcedores. O comportamento criminoso de muitas torcidas organizadas está afastando dos estádios o cidadão de bem que só deseja se divertir e torcer para seu time. Não existe remédio para a dor da família de Kevin. Nada o trará de volta. Mas a tragédia na Bolívia tem que servir de alerta para que novas e mais rigorosas medidas sejam tomadas contra clubes e torcidas organizadas. O Corinthians sofreu as punições da Conmebol, de jogar suas partidas pela Libertadores, fora de casa, sem a presença da sua torcida. Mas, e o comportamento dos torcedores nos estádios, continuará sendo o mesmo? Até quando as autoridades tolerarão as torcidas organizadas mandando e desmandando nos estádios e impondo o terror aos torcedores? Torcemos para que a paz volte aos estádios de futebol. Que o torcedor de bem se sinta seguro e os bandidos sejam definitivamente banidos das arquibancadas.

Jornal das Lajes Ltda

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Fundado em 22 de janeiro de 2008 Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro

Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000

Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Diretor de redação: Rosalvo Pinto

Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP

Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte

Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves

Tiragem: 4000 exemplares

Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto

Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Tiradentes

Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

ANO IX Nº 119 - MARÇO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Meio Ambiente

FERNANDO CHAVES

Um pouco sobre a história do ambientalismo e das políticas ambientais O ambientalismo tem origens na segunda metade do século XX, em consequência das profundas transformações econômicas vividas no período pós-guerra. Em 1972, ocorre em Estocolmo, Suécia, a primeira conferência da ONU sobre Meio Ambiente, tendo o Brasil como um dos países participantes. O documento final da conferência teve um caráter pontual, privilegiando, basicamente, a correção de problemas ambientais apontados pela comunidade científica e pelos governos. Recomendava-se que os países criassem instituições nacionais voltadas para a gestão e o controle dos recursos naturais. Neste sentido, o Brasil instituiu em 1973 a Secretaria Especial de Meio Ambiente (SEMA), que no futuro daria lugar ao Ministério do Meio Ambiente. Anteriormente, já existia no Brasil uma legislação ambiental embrionária, representada pelos velhos Código Florestal (1934), Código das Águas (1934), Código de Minas (1940) e pelo Código da Caça (1967). No entanto, essa legislação possuía caráter nitidamente econômico, isto é, visava à proteção de recursos naturais de relevância para a economia nacional. Só a partir de 1970 o governo passaria a se preocupar com a degradação do ambiente de maneira mais específica. De uma ótica meramente econômica, passa-se a uma ótica corretiva, que anseia corrigir as ações mais prejudiciais ao meio ambiente. Assim, a SEMA implantou políticas como: fiscalização sobre a produção de detergentes, estimulando a confecção de biodegradáveis; controle sobre a poluição por veículos; demarcação

de áreas críticas de poluição e criação de unidades de conservação. A década de 1980 marca uma transição no ambientalismo e nas políticas ambientais pelo mundo. A Convenção de Viena (1985) evidencia a superação da ótica corretiva por uma ótica preventiva. As preocupações, então, voltam-se para o futuro e têm como objetivo maior proteger o ser humano dos efeitos nocivos da degradação ambiental em curso. Temáticas como aquecimento global, buraco na camada de ozônio, derretimento das calotas polares e a proliferação de doenças como o câncer de pele e a catarata vinham à tona naquele momento. Surgem, em diversos países, instrumentos legais voltados para a prevenção e fiscalização de empreendimentos com alto potencial de degradação. Em 1986, o Brasil institui, por exemplo, o licenciamento prévio obrigatório para empreendimentos potencialmente poluidores. É também na década de 80 que o movimento ambientalista internacional ganha força e visibilidade, principalmente através das ONGs. A ótica preventiva e a preocupação com o futuro do planeta constituem-se como o cenário sócio-político no qual se desenvolve o conceito de desenvolvimento sustentável. As décadas de 1990 e 2000 marcam uma nova virada no pensamento ambientalista e nas políticas ambientais no Brasil e no mundo. A chamada ótica preventiva cede lugar a uma ótica integradora, que passa a combinar aspectos econômicos, sociais e ambientais. Desenvolve-se a ideia de que, sem a superação da pobreza, da carência de informação e do acesso precá-

rio aos direitos sociais básicos não seria viável o estabelecimento de uma sociedade sustentável. Dessa forma, a concepção de meio ambiente é dilatada e passa a conter os diversos grupos humanos, sua cultura, estilo de vida, estrutura econômica, condições de existência e seu nível de acesso à informação e aos direitos sociais elementares. As conferências Rio-92, Rio +10 e Rio + 20 reconheceram a correlação indissociável entre desenvolvimento social e sustentabilidade. No entanto, elas frustraram os ambientalistas e a comunidade científica no que diz respeito ao encaminhamento prático de ações que favoreçam uma economia internacional sustentável. A nova ótica de discussão ambiental destaca a necessidade de uma postura de corresponsabilidade e parceria entre governos, ONGs, sociedade e setor empresarial, dando enfoque, inclusive, às iniciativas locais. Se todos os segmentos sociais devem compartilhar as responsabilidades ambientais, é preciso munir a sociedade de informação de qualidade e de acesso aos direitos sociais básicos. Se um ambiente saudável depende de uma responsabilidade socialmente partilhada, passando indispensavelmente por ações descentralizadas nos interiores e nas comunidades locais, é preciso valorizar, sobretudo, a dignidade humana. Se a espécie humana não estiver bem, não terá condições de cuidar da sua própria casa. (A coluna “Meio Ambiente” é uma parceria entre Jornal das Lajes e a ONG Instituto Rio Santo Antônio (IRIS).

jl.com

Está no ar o novo site do JL Em comemoração aos 10 anos de existência, o Jornal das Lajes presenteia seus leitores com a nova versão do site, que traz novas funcionalidades. A parceria com a empresa Atus Tecnologia e Comunicação já reestruturou o jornal impresso e agora traz um layout completamente remodelado para a versão online do JL. Preocupado com a acessibilidade dos leitores, o novo site possui uma interface simples e preparada para se adaptar a smartphones, tablets e monitores. Entre os novos recursos disponíveis, o novo site do JL possibilita ao leitor criar seu perfil, comentar tex-

tos, enviar reportagens e eventos com quantidade de fotos ilimitada. Faça seu cadastro gratuitamente e aproveite todas as

funcionalidades do novo site. Deixe também suas críticas e sugestões nos comentários na pãgina do JL.


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ANO IX Nº 119 - MARÇO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Informativo da Câmara

Conselho Tutelar Novos conselheiros tutelares são eleitos em Resende Costa

O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.

Confira alguns dos projetos de lei aprovados entre os meses de fevereiro e março Projeto de lei 10/2013 – O projeto altera a Lei Municipal 2.639, de 28 de setembro de 2001, que “autoriza contratação temporária por excepcional interesse público.” A alteração visa a autorizar a contratação temporária com a finalidade de substituir uma servidora pública municipal em decorrência de licença maternidade. Projeto de lei 11/2013 – O projeto altera a Lei Municipal 3.639 de 20 de novembro de 2012 que institui programa de tratamento fora do domicilio. A alteração tem como objetivo adequar a prestação de contas para utilização dos recursos do Fundo Municipal de Saúde, possibilitando regulamentar a liberação de dinheiro público para os munícipes que encontram-se em tratamento fora do nosso município. Projeto de lei 12/2013 – O projeto dispõe sobre a permissão de uso do Parque de Exposições Dr. Geraldo Magela de Resende e dá outras providências. O projeto aprovado visa a permitir a utilização do Parque do Campo por Pessoa Jurídica de Direito Privado, para fins comerciais, mediante processo licitatório, em 12 finais de

semana no ano. Ainda sobre a utilização do Parque de Exposições, o Projeto de lei 13/2013 autoriza sua cessão à Associação dos Pequenos Trabalhadores Rurais de Resende Costa – ARCOSTA- e ao Clube dos Cavaleiros de Resende Costa, com o intuito de permitir às referidas instituições a realização de leilões em oito datas durante o ano. Projeto de lei 14/2013 – O projeto autoriza a cessão de uso de bem público. Trata-se da utilização de uma máquina centrífuga elétrica para extração de mel para a ACARC - Associação dos Criadores de Abelha de Resende Costa e Região. Projeto de lei 15/2013 – O projeto autoriza a cessão de uso de bem público à APAE de Resende Costa. Trata-se da utilização de um veículo Micro-ônibus. Projeto de lei 16/2013 O projeto autoriza a cessão de uso de bem público. Refere-se à cessão de uso de equipamentos para implantação do sistema de atendimento Protocolo de Manchester, de propriedade do Município de Resende Costa, à Associação Filhas de São

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Camilo. Projeto de lei 17/2013 – O projeto dispõe sobre a educação para o trânsito, mobilidade, sinalização e segurança. Visa à criação, no município de Resende Costa, do Conselho Municipal de Trânsito e Segurança e dá outras providências. Projeto de lei 18/2013 “Dispõe sobre a Criação do Calendário anual de Cultura e dá outras providências”. Projeto de lei 19/2013 – O projeto altera a Lei Municipal 2.722, de 18 de novembro de 2002 e dá outras providências. Altera Requisitos para o cargo de Auxiliar de Laboratório. Maiores informações: www. camaraderesendecosta.mg.gov. br Venha participar das Reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município. Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N. Centro. Tel.: (32) 3354-1526 Imagem: Arquivo do Jornal

Aconteceu no dia 17 de fevereiro a eleição para os membros do Conselho Tutelar de Resende Costa. Nove candidatos participaram do processo eleitoral, sendo cinco deles eleitos e empossados ainda no último mês. Vítor Rafael, Isabela Vale, Cleide Resende, Vânia Coelho e Kelly Santos assumiram o Conselho no último dia 22. Os candidatos tiveram 30 dias para apresentarem sua candidatura, que teve como prazo final o dia 30 de dezembro do ano passado. A presidente da Comissão Eleitoral, Lidiane Assis, informou que 13 candidatos se inscreveram para o processo seletivo, mas somente nove passaram para a segunda etapa, depois de serem aprovados em um teste de classificação: além dos cinco eleitos, também participaram da eleição, Aline Resende, Maria das Graças Mendes, Marieta Almeida e Sandra Resende. O período de campanha teve início no dia 15 de janeiro e durou um mês e um dia: “Após ser publicado o resultado oficial das provas, foi realizada uma reunião no dia 15 de janeiro para expor as normas a serem seguidas durante o período eleitoral e durante a eleição. Também foi decidido como seria impresso o nome do candidato nos ‘santinhos’, assim como na cédula de votação e sorteada a ordem de cada candidato na cédula. Seguindo as normas estabelecidas pelas legislações vigentes, que preveem no mínimo um mês para a realização de campanha, os candidatos puderam iniciá-la no mesmo dia e prosseguiram até o dia anterior ao da votação, ou seja, 16 de fevereiro”, explicou Lidiane. Lidiane Assis informou ainda os números das eleições: foram 1.561 votos registrados, sendo 1.551 válidos, já que houve sete votos brancos e três nulos. “A posse dos eleitos aconteceu no dia 22 de fevereiro, às 16 horas, na Prefeitura Municipal de Resende Costa. Os novos conselheiros tutelares assumiram seus cargos também no dia 22, pela manhã”, completou. Vítor Rafael, o Tibuço, foi o candidato mais bem votado, recebendo 279 votos: “Resolvi me candidatar para estar mais perto dos problemas de nossa juventude. Minha campanha foi baseada na sinceridade. Conversei sobre minhas ideias, meu pensamento sobre o que poderia ser mudado. Os eleitores confiaram em mim, agora o que me resta é procurar

EMANUELLE RIBEIRO colocar em prática os projetos que tenho em mente”, disse. Dos cinco candidatos eleitos, Tibuço, Isabela e Kelly são as novas caras do Conselho Tutelar: “É um grupo muito forte e pelo que já conversamos me parece que nos daremos muito bem. Acredito que nós novatos aprenderemos muito com as experiências já vividas pela Vânia e pela Cleide”, declarou Vítor Tibuço. Tibuço encerrou falando sobre o maior desafio desse setor para ele em nosso município: “Primeiramente, precisamos mudar o pensamento das pessoas sobre realmente o que é e para que serve o Conselho Tutelar. Acredito que quando as pessoas passarem a compreender o trabalho do Conselho passarão a valorizá-lo”, opinou. Os conselheiros tutelares frequentemente trabalham em parceria com a Secretaria de Educação do município. A secretária Silvanda Resende reforçou que o Conselho é um parceiro de prontidão e que a escola precisa buscar um diálogo permanente com o órgão: “A maior demanda que encaminhamos ao Conselho Tutelar é com relação à frequência dos alunos. Após todas as tentativas da escola em sanar a infrequência, a equipe gestora solicita a intervenção do Conselho. Acredito que a nova equipe fará um bom trabalho e no que diz respeito à relação entre as duas áreas o único problema pode ser a resistência dos pais quanto à atuação do Conselho nos momentos em que este deve intermediar a comunicação entre os familiares e a escola”, afirmou Silvanda. “Nós da Comissão Eleitoral, do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e todos os envolvidos na organização, agradecemos aos eleitores que votaram e exerceram seu direito à cidadania e também a administração anterior e a atual pelo empenho na realização do processo. Parabenizamos os eleitos, certos de que estes lutarão pelos direitos das crianças e dos adolescentes, assim como para o bem da sociedade resende-costense”, concluiu Lidiane, em nome de toda a comissão organizadora do processo de eleição dos conselheiros tutelares. O Conselho Tutelar funciona na Praça Nossa Senhora de Fátima, s/n, Centro. Telefone: 3354-1198.

Fachada do prédio da Câmara Municipal de Resende Costa

Disque Denúncia Ofereço excelente recompensa a quem der alguma informação que possa levar ao(s) autor(es) de furto realizado na Fazenda Pasto Grande, na localidade do Sumidouro, ocorrido no dia 08/01/13. Foram roubados entre outros: 1 TV Semp Toshiba 20 polegadas, 2 botijões de gás cheios, 1 pulverizador Jacto 20 litros, 1 carabina CBC 5.5 mm, 1 liquidificador, 1 binóculo, produtos veterinários, 1 chuveiro, 1 trena, 1 canivete e 1 molinete. Denúncias serão mantidas em anonimato. Conto com a ajuda da população, pois amanhã poderá ser sua propriedade. Ligue 190 ou (32) 9973-1396.

Isabela, Cleide, Vitor, Vânia e Kelly são os novos conselheiros tutelares eleitos em Resende Costa


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ANO IX Nº 119 - MARÇO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Política

Voz do Cidadão

Lei que libera Parque de Exposições para eventos particulares é aprovada EMANUELLE RIBEIRO

No dia 15 de fevereiro, foi apresentado na Câmara Municipal de Resende Costa o projeto de Lei de Nº 12, que “Dispõe sobre a permissão de uso do Parque de Exposições Dr. Geraldo Magela de Resende e dá outras providências”. O projeto visa à utilização do Parque de Exposições para fins comerciais através de processo licitatório. “Na verdade, uma melhor utilização do Parque do Campo já é esperada há muito tempo. Trata-se de um espaço público, que ao invés de gerar renda para o município gera despesa e não atende à população por falta de regulamentação para isso”, declarou o prefeito Aurélio Suenes, autor do projeto. A aprovação do projeto foi bastante discutida pelos legisladores por se tratar de um bem municipal e também devido à polêmica envolvendo a boate Kiss, de Santa Maria, RS, na qual morreram 240 pessoas, até o momento, em decorrência de um incêndio. Questões de segurança, limpeza e conforto foram debatidas na sessão. Os vereadores se posicionaram a favor da aprovação do projeto, pedindo algumas alterações e esclarecimentos. O vereador Luiz Antônio Pinto (PT) destacou durante a reunião que o local deveria ser vistoriado pelo Corpo de Bombeiros, sendo apresentado um laudo de funcionamento, e solicitou vistas do projeto. “Estamos diante de três

pontos importantes: o primeiro refere-se ao direito de divertimento. Todos nós possuímos e devemos usufruir dele. O divertimento nos desliga desse mundo estressante e nos dá energia para continuar nossa caminhada. O segundo diz respeito ao direito de quietude e tranquilidade. Todos nós também o possuímos e sempre estamos querendo exercê-lo. Quando algum familiar seu faz barulho e se quer dormir um pouco mais, não tem quem não reclame. Já o terceiro, fala do patrimônio público. Fala de como lidar com o bem de todos e a quem compete determinar sua preservação. Vemos que todos os pontos devem ser respeitados. Ocorre que em determinado momento um vai ter de ceder lugar a outro. Cabe ao legislador, então, definir o equilíbrio. E em caso de divergência o judiciário dará a palavra final”, opinou o vereador Ângelo Márcio (PT). No dia 22 do último mês, o projeto voltou a ser discutido na Câmara Municipal e com algumas alterações foi aprovado por unanimidade: “Qualquer pedido de vista deve ser respeitado, pois serve para melhorar o projeto. Lei é coisa séria e deve ser feita com muito cuidado. Na reunião do dia 15 solicitamos a liberação de meia entrada para estudantes e maiores de 60 anos, mais segurança nas proximidades do Parque, solicitamos que a empresa, preferencialmente local, que for

promover o evento dê uma contrapartida social, pedimos que cada evento fosse previamente acertado entre o Poder Público, Polícia Militar e Bombeiros. Isso tudo foi aprovado sob a forma de emenda. Queríamos aprovar um projeto que fosse duradouro e seguro. De nada serviria se aprovar rapidamente uma lei e o judiciário em apenas 2 ou 3 meses proibir a realização de eventos por falta de estrutura”, disse Ângelo. O vereador Lucas Paulo (PR) é o mais jovem representante da Câmara Municipal e defende o projeto: “O uso do parque vai trazer uma série de benefícios, como movimentação da economia local e geração de empregos, além de proporcionar lazer à nossa juventude. Hoje temos poucas opcões de eventos e os jovens acabam saindo para outras cidades, correndo risco nas estradas, por isso será um benefício também para os pais que preferem ver o filho por perto”. O prefeito Aurélio explica melhor: “A empresa que vencer a licitação para utilizar o Parque do Campo será obrigada a fazer todas as adequações para realizar os eventos e garantir o conforto e segurança dos frequentadores. Para a utilização correta e segura do espaço são necessários dois laudos do Corpo de Bombeiros, o laudo permanente que confere a estrutura existente (obrigação da prefeitura) e o laudo proviFoto Emanuelle Ribeiro JL

Sede social do Parque de Exposições Dr. Geraldo Magela

“É com grande honra e satisfação que agradeço a todas as pessoas que me receberam em suas casas, pelos 226 votos confiados a mim, para conselheira tutelar. Cada um deles foi de grande importância para minha vitória. Sem vocês essa vitória não seria

possível. É com grande alegria e humildade que agradeço a todos. Muito obrigada! Que Deus abençoe a todos nós, sempre. Com carinho, o meu abraço”.

“Venho através deste agradecer aos mais de 1.500 eleitores que dispuseram de seu tempo no último dia 17 e foram dar seu voto de confiança a um dos nove candidatos a vagas no Conselho Tutelar. Com a graça de Deus e

com apoio de amigos e familiares fui eleito. Estou muito grato a todos vocês que ajudaram de alguma maneira em minha campanha. Muito obrigado!”

sório que se refere a estruturas montadas, como tendas, palcos e outros (obrigação do responsável pelo evento)”. Sobre a relação com o acontecimento no Rio Grande do Sul, o vereador Lucas disse: “Acho que não devemos comparar essa fatalidade com a aprovação do projeto. O evento que for realizado no Parque atenderá a todas as medidas de segurança que o Corpo de Bombeiros solicitar. Com certeza a cobrança de segurança no local será muito maior agora, o que acho certo, pois locais que reúnem público devem possibiltar maior comodidade e segurança possíveis. Só acredito que não podemos generalizar um acontecimento. Por exemplo: quando um avião cai não podemos parar todos os outros, achando que também vão cair. Entendo que esse projeto não foi aprovado precipitadamente, pois se lá não fosse um local para eventos não poderíamos liberar nem a Exposição Agropecuária, que reúne um público enorme”. A discussão do projeto de Lei foi levada para fora do plenário. Na rede social Facebook, os internautas debateram sobre o assunto e deram suas opiniões. O vereador Lucas comentou que foi procurado por muitos jovens que se demonstraram favoráveis à liberação do Parque de Exposições. Sobre a participação dos internautas e a opinião de alguns contra alguns vereadores, Ângelo observou o seguinte: “Todas as formas de pressão, quando ocorrem, sempre têm um motivo. Às vezes um acidente grave, uma reivindicação antiga, falta de estrutura em algum setor, mas o pior motivo é o desconhecimento. Muitas vezes as pessoas são manipuladas e enganadas de acordo com interesses obscuros. Não havia nenhum vereador contra a aprovação da lei. Ocorre que alguns queriam critérios mais claros e rígidos”. Para o legislador, a população tem de exprimir seu desejo sim, seja da forma que for. “Ain-

da não conseguimos definir qual foi a maioria ou qual é a maioria. Por isso, no plenário da Câmara, solicitei que fosse feita uma consulta à população. É mais fácil para o legislativo. Eu ainda não sei qual é o pensamento da maioria da população acerca da liberação do Parque de Exposições. Só mesmo através de um plebiscito ou pesquisa científica”, acrescentou. O vereador do PT fala sobre uma possível pressão dos resende-costenses para que essa lei fosse aprovada: “As formas de pressão sempre funcionam, podendo até culminar numa revolução. Nós estamos embasados na lei. Lei que disciplina regras sobre a proteção do patrimônio público é norma imposta a todos. O município não pode se voltar contra toda a legislação federal que fala deste assunto. O município não pode dispor do patrimônio público de forma contrária ao que diz a lei. Da mesma forma, você que possui duas casas e quer alugar uma faria de qualquer jeito? Você alugaria sem contrato? Você alugaria para qualquer pessoa?”. Ao finalizar, Ângelo Márcio falou das vantagens e desvantagens dessa utilização do Parque de Exposições: “Uma das vantagens é dar maior utilidade para o local e ao mesmo tempo criar um local seguro para o divertimento de nossos jovens, enquanto a iniciativa privada, o que seria o correto, não abre uma casa de shows em Resende Costa. A grande desvantagem é de se dar destinação diversa da que se espera de um bem público, que neste caso estará sendo usado para gerar lucro para certos segmentos empresariais e, consequentemente, outros segmentos irão surgir e com outras demandas”. O Sábado de Aleluia seria o primeiro evento particular que o Parque de Exposições receberia após a aprovação da Lei, mas como informou o prefeito Aurélio, o evento não será feito por falta de tempo para atender as exigências legais.

Cleide Resende

Vítor Rafael (Tibuço).


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ANO IX Nº 119 - MARÇO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

O Verso e o Controverso JOÃO MAGALHÃES

Religião

Quarta-Feira de Cinzas marcou o lançamento da CF 2013 em Resende Costa

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Na Quarta-Feira de Cinzas, 13 de fevereiro, dia em que a Igreja Católica inicia o período da quaresma, a Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, de Resende Costa, apresentou, em sintonia com a Igreja em todo o Brasil, a Campanha da Fraternidade 2013, que tem como tema: “Fraternidade e Juventude” e lema: “Eis-me aqui, envia-me”. “Um tempo forte de espiritualidade”. Foi a partir dessa reflexão que o pároco local, padre Eder Sebastião Santos, conclamou os fiéis presentes na igreja matriz de Nossa Senhora da Penha a vivenciarem o período quaresmal. Durante a homilia da Quarta-Feira de Cinzas, padre Eder explicou o significado da quaresma, exortando a comunidade a observar a prática do jejum, da esmola e da oração. “A quaresma é um momento forte de espiritualidade. Procuremos através do jejum, da esmola e da oração refletir sobre o nosso modo de ser, e nos propormos a uma verdadeira mudança de vida”, disse o pároco que dedicou um momento da sua reflexão para ler a mensagem que o papa emérito Bento XVI enviou à juventude brasileira, convidando-a às reflexões propostas pela Campanha da Fraternidade deste ano. Muitos jovens estiveram presentes na celebração eucarística das 19h30 e puderam participar de perto da abertura oficial da CF 2013 na paróquia. O coral do grupo de jovens Shalom abrilhantou a celebra-

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Padre Eder Santos convidou os jovens a participarem mais da igreja

ção. Após a comunhão, diversos jovens da comunidade formaram uma grande procissão no interior da igreja e se dirigiram até o presbitério levando cartazes sobre a CF e entoando cânticos apropriados. “A Campanha da Fraternidade tem os olhos fixos na cruz, de onde emana a comunicação do amor de Deus por todos nós, na entrega total de Jesus Cristo. Este gesto é redentor, pois vence todos os males e mortes que nos afligem, descortinando para nós um novo horizonte de esperança expresso no rosto do jovem”, disse a coordenadora da equipe de liturgia da paróquia, Maria Alacoque, a Tóti. O tema proposto pela Campanha da Fraternidade foi meditado durante as celebrações eucarísticas nos finais de semana da quaresma. Além das homilias proferidas pelo sacerdote, a equipe de liturgia e outros movimentos e pastorais Fotos Camila Silva

Coral do grupo de jovens Shalom participou da missa da Quarta-feira de Cinzas

da paróquia preparou apresentações envolvendo a juventude, utilizando cartazes ilustrativos, performances musicais e textos reflexivos, visando a refletir sobre o jovem no amplo contexto social e cultural no qual está inserido. De acordo com Tóti, é necessário aprofundar ainda mais a reflexão e levar o jovem a conhecer melhor a realidade que o envolve bem como os objetivos propostos pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) neste ano. “A Igreja, através da Campanha da Fraternidade, chama a atenção para os desafios dos jovens na edificação do Reino de Cristo. Estamos numa época marcada pela instabilidade de compreensão e dos valores. A sugestiva foto que ilustra o cartaz da CF - a jovem de braços abertos em forma de cruz - representa os que são transformados pela ressurreição de Jesus, que nos fortalece e revigora. É com esse vigor que a juventude deve responder ao chamado de Deus, repetindo as palavras do profeta Isaías: ‘Eis-me aqui, envia-me’”, concluiu a coordenadora da equipe de liturgia da paróquia. Durante a celebração da Quarta-Feira de Cinzas, padre Eder convidou reiteradamente os jovens que ainda não participam de nenhuma pastoral ou movimento da paróquia a se aproximarem, aproveitando o chamado da Campanha da Fraternidade: “Você, jovem, que ainda não participa de perto de algum movimento da paróquia, aproxime-se. Você será muito bem-vindo e todos nós estamos à disposição para acolhê-lo”.

A surpresa do papa Bento XVI Uma renúncia papal era para mim uma utopia, mesmo com as misteriosas voltas que o mundo dá. Nunca cogitei que em minha vida presenciaria uma renúncia de papa, nem por fantasia das fantasias, nem curtindo os romances de Morris West (“Sandálias do Pescador”, “Fantoches de Deus” etc.), ou algum filme como o de Nani Moretti, “Habemus papam”. E aconteceu. Não foi novidade a eleição do cardeal Ratzinger para o papado, Pessoalmente, nunca dei muito crédito à propalada frase: “Quem entra papa para o conclave, sai cardeal”. Nas eleições que acompanhei, só vi exceção na eleição de João XXIII. A renúncia, sim, foi um estrondo. Atordoou. O fato me estimulou a partilhar com o leitor uma utopia das utopias que me acompanha. Afinal, se o ser humano não sonhasse em voar, quem sabe as aeronaves não existissem até hoje. Muitas realidades são precedidas de longos sonhos. Recentemente, encontrei mais um “colega” de caminhada: James Carroll. Meu conhecimento não é pessoal, pois veio pela leitura de seu livro A Espada de Constantino – A Igreja Católica e os Judeus. O melhor estudo que já li sobre o antissemitismo. Grande erudição, fundamentada em pesquisas abrangentes. Nossa trajetória é análoga. Padres de congregação religiosa: eu, 1964; ele, 1967. Saída da estrutura religiosa: ele, antes de mim. Família: casal de professores, casal de filhos. Divergem as posturas. Ele continua católico fervoroso, praticante, lutando por uma Igreja a renovar-se, voltando à sua “infância” de comunidades que aderiram ao que ele chama de “Movimento - Jesus”. Sua utopia, bem descrita no capítulo final de seu importante livro, é praticamente igual a da minha. A minha postura não é religiosa no sentido estrito, é humanista. O humanismo me movimenta e não me deixa sentado à margem do rio. Não trabalho mais com fé religiosa, embora a respeite muito e reconheça sua importância para quem a possui. “Sou um ser humano e nada do que é humano me pode ser estranho” (“Homo sum et humani nihil a me alienum puto”). Este verso do dramaturgo latino Terêncio (+161 aC) resume meu teor de atuação. Nesse sentido é que o religioso se faz presente, pois é um dos mais vigorosos fenômenos humanos. Nesse sentido é que as religiões, enquanto instituições que se criam a serviço do religioso, devem ser objeto de profundo interesse de todo humanista. O sábado, entendido como organização religiosa, existe e deve existir para o homem e não o contrário. Jesus deixou isto muito claro a seus seguidores, as religiões cristãs (Mc 2,27). E o Cristianismo

primitivo o entendeu muito bem. A religião não está serviço de Deus, está a serviço da pessoa, realçando seus valores e direitos, colaborando em suas necessidades. Vamos à utopia. James Carroll propõe a convocação de um novo concílio ecumênico, o Vaticano III. Seu livro é de 2001. Vê aí a única maneira de transformação estrutural da Igreja. Sugere temas a serem debatidos, entre eles, a democracia. É também minha utopia, desde o momento em que percebi que as propostas mais essenciais do Concílio Vaticano II ficaram no platônico mundo das ideias. Que o novo papa convoque o Concílio Vaticano III. A função básica desse concílio seria tirar do papel e jogar na prática as propostas fundamentais do Concílio Vaticano II, reduzidas a utopias por estes dois últimos pontificados. Haverá um dia em que a essencial constituição dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja, no seu nuclear capítulo II: O “Povo de Deus” comece a descer das comoventes teorias dos púlpitos para germinar na terra das comunidades? O Vaticano II afirma: “O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial ou hierárquico ordenam-se um ao outro (...). Pois ambos praticam, cada qual a seu modo, do único sacerdócio de Cristo”. (na língua oficial do Estado do Vaticano: Sacerdotium autem commune fidelium et sacerdotium ministeriale sive hierarchicum....ad invicem tamen ordinantur; unum enim et alterum suo peculiari modo de uno Christi sacerdotio participant”). O Concílio Vaticano II definiu a Igreja como Povo de Deus. E aqui, a meu ver, entra o tema democracia. O “movimento Jesus”, usando a expressão de James Carroll, opondo-se à teocracia dos hebreus, cresceu pela prática da assembleia (Eclesía), pela participação, pela liderança, pelo carisma. Por isso Pedro se torna o primeiro líder e tem o poder. Não era o poder monárquico absoluto que se consolida no século do Imperador Constantino, com apoio total dele e dura até hoje, no qual o papa, inclusive, nomeia os votantes para sua sucessão. Quem sabe algum dia o católico, o praticante, claro, não o nominal, possa eleger o bispo que governará a diocese onde ele vive e o seu pontífice, através de representação ou todo cidadão “com titulo de eleitor católico” possa ter voz na escolha do seu pastor? Por que não? É uma utopia das utopias. Mas, quem sabe... Uma ou outra vez, gosto de “viajar”. É a minha utopia. E Você? Qual a sua?


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Jogo Aberto

“Não podemos ter medo de avançar como Igreja” O bispo da diocese de São João del-Rei analisa o momento histórico vivido pela Igreja e defende uma participação maior dos jovens através das pastorais e movimentos ANDRÉ EUSTÁQUIO

A Igreja Católica está passando por um dos momentos mais importantes de toda sua história. Após 600 anos, o papa Bento XVI renuncia em meio a graves escândalos envolvendo religiosos, que incluem pedofilia, disputa interna pelo poder e corrupção no Vaticano. Além desses escândalos, a Igreja está diante de outros desafios no campo da pastoral. E um dos principais certamente é atrair os jovens, dialogar com eles, entender seus dilemas e anseios, propor caminhos. O bispo da diocese de São João del-Rei, dom frei Célio de Oliveira Goulart, 68, em entrevista exclusiva ao JL, falou sobre o atual momento da Igreja, bem como sobre a Jornada Mundial da Juventude e a Campanha da Fraternidade deste ano. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresentou como tema da CF “Fraternidade e Juventude”, justamente para a Igreja ir ao encontro dos jovens e intensificar a reflexão sobre seus problemas e desafios. Dom Célio é franciscano, foi ordenado sacerdote no dia 12 de junho de 1969 em Itaúna (MG) e sagrado bispo no dia 28 de agosto de 1998 em Pirapora (MG), onde fora pároco. Natural de Piracema (MG), dom Célio está à frente da Diocese de São João del-Rei desde o dia 17 de julho de 2010. Confira abaixo a entrevista com o bispo, realizada em São João del-Rei na Cúria Diocesana. O que motivou a CNBB escolher a juventude como tema para a Campanha da Fraternidade deste ano? Primeiramente, devido à coinci-

Quais são os maiores problemas e desafios que a juventude enfrenta no presente momento? Devemos estar atentos para não perdermos a juventude. São muitos os desafios que os jovens enfrentam e que refletem na vida da família, da sociedade e, consequentemente, na vida da Igreja. Então nós esperamos que, iluminados pelo documento da Campanha da Fraternidade e por tudo aquilo que tem vindo para a Jornada Mundial da Juventude, possamos abordar perspectivas diferentes para a nossa juventude. Fala-se muito que a juventude de hoje está apática ante os desafios sociais, seja na política, na religião etc. O senhor concorda com essa análise? Eu acho que são várias causas que contribuem para isso. Talvez nós adultos não deixamos os jovens ser jovens. Talvez nós não deixamos surgir novas lideranças. Hoje nós conseguimos tudo muito pronto: a gente abre a internet e está tudo pronto, vai ao supermercado e lá encontra tudo muito pronto. Neste mundo consumista em que estamos parece que a gente quer também uma juventude pronta, e com isso não deixamos que ela discuta seus desafios e problemas. Nós adultos não temos paciência para escutar a juventude, seja no ambiente familiar, no ambiente de igreja, no ambiente de política. Muitas vezes nós abafamos aquilo que poderia ser um despertar da juventude. É uma juventude diferente daquela que viveu im-

portantes acontecimentos nas décadas de 70, 80... Agora, no contexto político e social de 1964, 68, 70 e 80, em que a juventude teve uma atividade maior, nós observamos que os jovens eram escutados, tinham vez nos processos decisivos na política, como também na Igreja. Os movimentos de juventude ajudaram muito para que os jovens se ligassem mais à Igreja. Depois veio a Pastoral da Juventude, que também incentivou a participação mais ativa do jovem. Muitas vezes nós queremos, por paternalismo exagerado, resolver tudo para os jovens, não deixando que ele participe do processo da família, da política e da religião. Há também todo um processo de desilusão, né? Nós estamos desiludidos com muitas situações, seja no campo da economia, da política, enfim. Muitas vezes na própria igreja nós não encontramos uma linguagem atual para a nossa juventude. O Documento de Aparecida analisa isso muito bem, ou seja, por que os jovens se afastam da igreja? Porque talvez a nossa comunicação na igreja não os atinja. A minha fala como bispo tem que ser uma fala que atinja crianças, jovens e adultos, mas talvez eu não consiga chegar até eles. O jovem tem, digamos assim, outro referencial. Nos nossos projetos catequéticos com a juventude temos que estar atentos a tudo isso, ou seja, escutar um pouco mais os jovens e apontar caminhos. O jovem quer que a gente aponte caminhos, mas que a gente também caminhe junto com ele. No passado, os jovens participavam mais da vida da Igreja através das comunidades de base, das pastorais, dos movimentos estudantis... Nós temos tudo para ser uma Igreja ministerial, ou seja, uma Igreja de serviço, de funções. Mas se nós não prestarmos atenção, a nossa Igreja continuará sendo muito hierárquica, muito clericalizada. A Igreja aponta tantos caminhos, tantas possibilidades para que o jovem possa exercer suas funções através de diversos minis-

térios: no ministério da palavra, no ministério da catequese etc., mas muitas vezes nós não sabemos aproveitar isso. Muitos são os anseios dos jovens, que vão desde questões básicas como emprego e formação intelectual até problemas existenciais e morais. Como a Igreja pode responder aos anseios dos jovens de hoje? Eu acho que várias questões são abordadas. Uma catequese de grupo de jovens e uma catequese de jovens que se preparam para a crisma são meios concretos que a gente tem para abordar essas questões. Chamar atenção também para o discernimento, ou seja, distinguir aquilo que é adequado ou não para os costumes, para a ética, para a maneira como os jovens se relacionam. Eu acho que talvez nos falta paciência para refletirmos sobre isso. No Documento 85 da CNBB, sobre a juventude, está muito claro que é necessário que em cada diocese haja um setor diocesano de juventude para que a gente possa escutar movimentos e pastorais juvenis, a fim de dar respostas adequadas aos anseios e necessidades de cada região da diocese. Então eu creio que meio nós temos, boa vontade temos também. Muitas vezes falta planejamento, ou assumi-los melhor, seja pelos próprios jovens ou por nós adultos que os acompanhamos. Como a diocese de São João del-Rei tem se preparado para a Jornada Mundial

da Juventude? Nós tivemos um grande ganho aqui de termos fundado o Setor Diocesano da Juventude. Isso nos ajudou muito a dar encaminhamento à Jornada Mundial da Juventude, uma vez que o setor é uma referência. Outro ponto também importante foi termos feito a réplica da cruz da Jornada Mundial e do ícone de Nossa Senhora. A cruz e o ícone chamam atenção do jovem para a Jornada Mundial da Juventude, uma vez que vendo a cruz e o ícone ele já faz essa ligação com a Jornada Mundial. Outro ponto é sentirmos que nossos jovens, entusiasmados pelos nossos padres, querem participar da Jornada. Eu tenho chamado a atenção dizendo que a Jornada Mundial já começou, ela não será. Ela já começou pra nós desde o momento da visita da cruz. Então eu creio que a motivação é muito grande e o apoio que eu tenho tido dos padres e das paróquias é muito bonito também. A Campanha da Fraternidade e a Jornada Mundial da Juventude poderão motivar os jovens para uma participação maior na Igreja? É o que nós esperamos, né? A jornada não é pra ser oba oba, não é pra ser um passeio no Rio de Janeiro, pra ver o novo papa, mas algo que venha pra motivar. A jornada não é pra ser uma brincadeira que passa, mas um acontecimento que marque as nossas vidas. É isso que nós queremos e aguardamos.

Foto Reuters - Andrea Comas

Foto André Eustáquio Dom Célio de Oliveira Goulart, bispo da diocese de São João del-Rei

dência com a Jornada Mundial da Juventude, que vai acontecer em julho deste ano no Rio de Janeiro. Nós bispos escolhemos essa temática em uma assembleia. Então, em consonância com a Jornada Mundial da Juventude, foi escolhida essa temática para que a linguagem fosse já facilitada e o trabalho que se faz em preparação para a Jornada Mundial tivesse um peso reflexivo ainda maior para essa problemática.

Peregrinos brasileiros recebem os símbolos da JMJ.


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Continuação Jogo Aberto

Jogo aberto / Dom Célio de Oliveira Goulart

A renúncia do papa Bento XVI é um fato histórico. Apenas seis papas renunciaram em toda a história da Igreja, tendo sempre como pano de fundo histórico questões políticas complicadas. O último pontífice que renunciou foi Gregório XII, no século 15. Como a renúncia de Bento XVI vai influenciar no direcionamento futuro da igreja? A seriedade da Igreja realmente é muito profunda. Nós temos os princípios dogmáticos que fundamentam a nossa doutrina, o magistério da Igreja e a tradição da Igreja. Isto está aí, não muda. Porém, o contexto em que a Igreja está inserida é diferenciado de acordo com cada momento da história. O papa não governa sozinho. Ele é sempre assessorado pelos cardeais e por peritos. Ele tem poder de decisão sim, mas o homem que é sábio vai sempre escutar. Na organização da Igreja, a gente vê muita solidez, muita unidade, espírito de comunhão. Muitos têm sua maneira própria de pensar, sua pesquisa própria no que diz respeito a questões teológicas, mas há

mostrar a riqueza que os ritos litúrgicos nos oferecem. O conjunto de todos os ritos e celebrações deve ser bem aproveitado. Nós temos neste período quaresmal uma oportunidade para fazermos uma revisão de vida, de contrição. A busca de uma confissão tem seu sentido, a participação na Via-Sacra tem seu sentido, assim como a reflexão sobre o tema da Campanha da Fraternidade. Tudo isso nos leva a uma mudança de mentalidade, a uma postura diferenciada em nossas atitudes para que vivamos depois a ressurreição.

Ilustração CNBB

Como o senhor recebeu a notícia da renúncia do papa Bento XVI? Primeiramente tive um sentimento de susto. O que está acontecendo? O nosso papa está muito doente, o nosso papa está fragilizado... então esse foi o primeiro momento, ou seja, o que aconteceu? Pessoas ligadas à Igreja e também aquelas que não têm vivência cristã fizeram essa mesma pergunta. Pelo fato de os meios de comunicação de hoje serem rápidos, a notícia chegou naquela segunda-feira de carnaval de supetão, digamos assim. Mas, depois que a gente começa a assimilar mais a notícia e escutando o próprio papa se justificando diante dos cardeais naquele momento, percebemos que ele toma aquela decisão depois de ter rezado, com a iluminação de Deus. Vendo que, considerada limitada a sua saúde e limitado também diante de tudo aquilo que é a missão de um papa, ele acha que para o bem da Igreja deveria tomar aquela decisão. Então eu vi, como tantas pessoas que se manifestaram, nessa decisão do papa humildade em se colocar de maneira tão aberta diante de todo mundo e de todos os meios de comunicação. Ainda humildade e sabedoria em poder fazer essa auto-análise e dizer: não é possível mais, diante de uma missão tão importante que é administrar e dirigir a Igreja.

A Campanha da Fraternidade 2013 abordou o tema juventude

aquilo que nos une. Então, eu não tenho medo que essa renúncia possa atrapalhar a nossa unidade. Pelo contrário, esse momento vai fortalecer ainda mais a Igreja. Eu quero crer que nós sairemos ainda mais fortalecidos como Igreja Católica. O papa Bento XVI apontou pra isso, ou seja, o mundo de hoje espera do papa encaminhamentos mais concretos, mais positivos para os desafios que nós enfrentamos. Em seu último encontro com o clero da diocese de Roma, Bento XVI falou que é necessário que a Igreja se renove. A que renovação ele está se referindo? É muito difícil avaliar isso. Nós sentimos que há forças contrárias dentro da própria Igreja para colocar em prática o Concílio Vaticano II. O Concílio está fazendo 50 anos e nós encontramos grupos fechados às suas propostas. Talvez o papa acene para isso. Talvez ele esteja mostrando a nossa falta de corresponsabilidade de resolvermos questões próprias nossas e que levamos para o governo de Roma. Então muitas vezes nos esquivamos de dar respostas a questões pastorais concretas, com aquela desculpa, ou seja, a Igreja não deixa, o Direito Canônico não deixa. O Direito Canônico abre para nós tantas possibilidades de compreender e adaptar a lei da Igreja. Então, no sentido de dependência, nós mandamos tudo para o papa resolver, enquanto nós, como bispos, juntamente com o conselho diocesano, temos condições de dar encaminhamentos práticos a muitas questões que envolvem o nosso povo. Não podemos ter medo de avançar como Igreja. Não pode-

mos ficar presos a tradições. Muitas vezes em nosso contexto aqui a gente fica preso a tradições superficiais, brigamos por coisinhas que não levam a nada: como é que vai ser o canto, vai ser em latim ou em português. Como é que vai ser a procissão, quantas velas saem. Quem pode comungar e quem não pode comungar. Então, muitas vezes perdemos nosso tempo, gastamos nossas energias com coisinhas que não levam ao essencial do cristianismo. E se a nossa realidade aqui é essa, imagine a realidade mundo afora? E muitas vezes nós apelamos para Roma, quando deveríamos trabalhá-la em espírito de fé, de diálogo e de perdão para superarmos coisinhas que desanimam o bispo, os padres e os cristãos leigos. E essa não é a Igreja de Jesus Cristo. Para mim a Igreja de Jesus Cristo é aquela em que nos colocamos em atitude de humildade, definindo critérios para resolver questões de pastorais. Então creio que o papa está apontando para isso. Quando ele fala que há coisas para as quais devemos estar mais abertos, e vivenciar aquilo que foi de abertura do Concílio Vaticano II, eu acho muito certo. Quanto bem nos faz o conhecimento dos documentos do Concílio! Muita gente ainda não conhece as constituições e os decretos que vieram para nós. Muita gente não leu isso ainda. E muitas vezes falam em nome do Concílio Vaticano II sobre coisas que nem foram orientadas pelo Concílio Vaticano II. É essa falta de conhecimento que muitas vezes atrapalha e dificulta. Estamos no período da Quaresma, em preparação para a Semana Santa. Fale um

pouco sobre esse momento forte da espiritualidade católica. A Igreja, de maneira muito sábia, nos coloca no decorrer do ano litúrgico as várias etapas para vivenciarmos a nossa espiritualidade: a espiritualidade do Advento, do Natal, do Tempo Comum, da Quaresma e, consequentemente, do tempo Pascal. É o que chamamos de Ciclo Litúrgico da Igreja. A Quaresma é um tempo de preparação e de nos perguntarmos sobre o que significa a paixão e morte de Cristo. Concretamente, a Semana Santa é uma retomada da vida de Jesus Cristo, os seus últimos acontecimentos: sua entrada triunfal em Jerusalém, o momento em que Ele dá os últimos conselhos aos seus apóstolos naquela ceia pascal, depois o momento de sua entrega e condenação injusta, sua morte de cruz e, por fim, sua ressurreição. E celebramos muito bem esses momentos em nossas paróquias. Quais são as orientações do bispo para que os fiéis aproveitem melhor a Semana Santa? Eu gostaria de fato que em nossas paróquias procurássemos viver intensamente as celebrações da Semana Santa. Não sermos assistentes, mas participantes. Não sermos espectadores, mas alguém que sabe o que está acontecendo. E isso exige a nossa resposta de fé. Às vezes as pessoas falam, ‘ah, a Semana Santa de São João del-Rei é a mais bonita do mundo’. Mas o que significa esse ser bonito no sentido de nos levar aos apelos de entender e viver o mistério da paixão do Senhor e também o mistério da sua ressurreição? Às vezes nós perdemos essa oportunidade. Gostaria de

Como o senhor avalia a importância da comunicação para a Igreja Católica? Se nós como igreja não entrarmos naquilo que é a dinâmica da comunicação, ficaremos atrasados. O fato de Jesus Cristo tem que ser anunciado, a pessoa de Jesus Cristo tem que ser conhecida, a doutrina da Igreja tem que ser falada. E pra gente falar sobre a doutrina de Jesus, anunciar Jesus e comunicar aquilo que é a boa nova do evangelho, temos que fazê-lo através dos vários meios de comunicação. Temos disponíveis os meios de comunicação de massa, como rádios, jornais, televisão e internet, e também os meios de comunicação viva, como as celebrações, a catequese. Concretamente, em nossa Diocese nós temos a Pastoral da Comunicação Diocesana, e já percebemos como que de fato as pessoas se ligam como internautas àquilo que é divulgado no site da diocese. Eu gostaria de que esse meio fosse um pouco mais acessível, porque nem todas as pessoas ainda sabem acessar um site. Em nível nacional nós vemos o bem que as grandes redes têm feito ao Brasil, as revistas católicas, as TVs católicas... A Igreja tem que saber aproveitar também os espaços que nos são cedidos. Quantos jornais que não têm denominação católica se abrem para que possamos nos comunicar. Quantas rádios nos cedem espaço para que possamos evangelizar. Que de fato a palavra, que é Jesus Cristo, não fique fechada. Essa palavra tem que ser comunicada, e quando deixamos de comunicar Jesus Cristo, palavra viva do Pai, nós estamos sendo omissos em nossa missão de cristãos.

Leia a íntegra desta entrevista em www.jornaldaslajes.com.br/ entrevistas


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Aconteceu

EMANUELLE RIBEIRO

Os primeiros da UFSJ gar em engenharia elétrica pelo SISU (UFSJ) através da nota do Enem. Mas o evestibular é outra coisa. São mais concorrentes e um nível de dificuldade muito maior. Logo, achei que não conseguiria se me inscrevesse na ampla concorrência e acabei me inscrevendo como cotista. Fiquei muito impressionado em ver que acabei ficando em primeiro lugar geral. Afinal, eram 402 candidatos e apenas 45 vagas”. O jovem Éric Leonardo Resende Silva, de apenas 17 anos, é outro que iniciará o ensino superior em 2013. Éric foi aprovado em primeiro lugar no curso de licenciatura em física da UFSJ. O estudante buscou ajuda dos professores da Escola Estadual Assis Resende, fez cursinho pré-vestibular e atribui a conquista aos pais: “A ajuda que recebi de meus pais foi fundamental para a minha preparação. É uma sensação de dever cumprido que não tem preço. Na hora eu fiquei meio que anestesiado, mas aos poucos a ficha foi caindo. Mesmo

não sendo um curso muito concorrido fiquei muito feliz em ter sido o primeiro, ainda mais sendo na ampla concorrência”. Outra resende-costense aprovada em primeiro lugar na UFSJ é Ana Cristina Resende Chaves, de 30 anos. Ana fez cursinho pré-vestibular, preparou-se bastante e realizou um sonho antigo, que era o de ingressar no ensino superior. O curso escolhido foi Pedagogia: “Acredito que ser pedagoga é ter confiança num futuro melhor para todos, pois sem educação ninguém conquista seus objetivos. Nunca tive pretensão de ser a primeira colocada, apenas queria atingir meu objetivo, que era passar no vestibular. Se veio a aprovação, não importa a colocação, estou muito feliz”. Ana Cristina se inscreveu na cota para estudantes de escolas públicas, em que eram cinco vagas para 47 candidatos. O JL parabeniza a todos os resende-costenses aprovados nos vestibulares de 2013 e lhes deseja sucesso!

Fotos: Arquivo pessoal

No dia 20 de fevereiro, a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) divulgou o resultado do processo seletivo para o primeiro semestre de 2013. Esse ano, novamente, Resende Costa teve um número significante de aprovados, alguns deles em primeiro lugar. É importante destacar que muitos desses estudantes vieram de escolas públicas, o que comprova a excelência do ensino público em nosso município. Rodrigo José da Silva é a prova viva: o jovem de 18 anos sempre estudou em escola pública e foi aprovado em 1º lugar geral no curso de engenharia mecânica noturno. Rodrigo escolheu o curso por estar ligado à área das exatas, em que tem mais facilidade, e pela sua curiosidade a respeito do funcionamento de máquinas em geral. E engenharia não foi o único curso em que Rodrigo foi aprovado: “É empolgante. Quero dizer, eu já havia ficado em 1º lugar nos cursos de direito e ciências contábeis pelo Prouni (IPTAN) e 3º lu-

Rodrigo Silva foi aprovado em 1º para Engenharia Mecânica

Leonardo Silva, de apenas 17 anos, foi aprovado em Física

Ana Cristina passou em primeiro lugar no curso de Pedagogia

Evaldo Balbino ganha o Prêmio Nacional Braskem da Academia de Letras da Bahia – conto 2012 Foto Maxwell Vilela

O escritor Evaldo Balbino

O escritor mineiro Evaldo Balbino é o vencedor do Prêmio Nacional Braskem/Academia de Letras da Bahia – Conto 2012, com o original intitulado “Amores oblíquos”. O anúncio foi feito no dia 21 de fevereiro último, pelo presidente da ALB, Aramis Ribeiro Costa e pela Comissão Julgadora formada pelos escritores e acadêmicos

Aleilton Fonseca e Carlos Ribeiro e pela crítica literária Gerana Damulakis. Concorrendo com 76 outros originais, oriundos de treze estados (25 da Bahia, 18 de São Paulo, 9 do Rio de Janeiro, 7 do Rio Grande do Sul, 5 de Minas Gerais e os demais dos estados do Paraná, Goiás, Santa Catarina, Distrito Federal, Ceará, Maranhão e Alagoas), “Amores oblíquos” destacou-se, segundo a Comissão Julgadora, pela densidade psicológica das suas personagens que, em 12 contos, transitam em torno da temática amorosa. O autor premiado nasceu em 1976 em Resende Costa e reside atualmente em Belo Horizonte. Formado em Letras pela UFMG, defendeu a dissertação de mestrado em 2001 sobre a obra da poeta Adélia Prado com a dissertação intitulada “Entre a santidade e a loucura: o desdobramento da mulher na bagagem poética de Adélia Prado”. Em 2001 ingressou no

doutorado em Literatura Comparada, na mesma universidade, relacionando os poemas da poeta mineira aos escritos da santa espanhola Teresa d´Ávila na tese intitulada “Saudade de D(eu)s: escrita, mística e desejo em Adélia Prado e Santa Teresa de Jesus”, defendida em 2005. Evaldo é professor de Língua Portuguesa da UFMG e autor de três livros, dois de poesia e um de crônicas: “Moinho” (2006), “Filhos da pedra” (2012) e “Móbiles de areia” (2012). “Moinho” foi premiado em 2005 pela Fundação Clóvis Salgado e pelo Suplemento Literário de Minas Gerais. “Filhos da pedra” foi premiado nos Prêmios Literários Cidade do Recife – Pernambuco, no ano de 2000. O autor publica mensalmente crônicas na seção “Retalhos Literários” do nosso Jornal das Lajes. Com crônicas, poemas e contos publicados em antologias de circulação nacional e suplementos literários, publica também artigos de crítica

literária em revistas acadêmicas especializadas. O Prêmio Braskem/Academia de Letras da Bahia chega, em 2013, à sua décima edição, concedendo premiações em dinheiro e publicação das obras vencedoras através de editoras nacionais, nos gêneros conto, ensaio, romance e poesia. Antes, de 1987 a 2000, o prêmio tinha a designação de Prêmio Copene de Literatura. Ao longo desses 26 anos (e mesmo antes, com o Prêmio Cidade do Salvador, concedido entre 1983 e 1985), consolidou seu prestígio, em nível nacional, divulgando autores e obras de grande relevância no panorama literário do país. A categoria contemplada em 2012 foi o conto, e o livro ainda inédito de Evaldo Balbino, “Amores oblíquos”, será lançado pela editora 7Letras no Rio de Janeiro. A primeira cerimônia de lançamento do livro ocorrerá na Academia de Letras da Bahia, em Salvador, estando

prevista para maio deste ano. Na sequência, Evaldo Balbino lançará esse seu quarto livro em Resende Costa e também em Belo Horizonte. Evaldo Balbino foi indicado também para receber o prêmio MG Cultura 2013 concedido pelo “Jornal MG Turismo”. A premiação acontecerá no dia 13 de maio, no Hotel Ouro Minas, em Belo Horizonte. Esta é a 17ª premiação literária concedida ao escritor por sua produção literária e cultural em Minas Gerais e no Brasil. Informações sobre o prêmio, cujos troféus são entregues a profissionais de diversos estados brasileiros e também do exterior que se destacaram em seus segmentos profissionais no ano de 2012, e que está em sua 23ª edição, conferir o link: http://mgturismo. com.br/xxiii-premio-mg-turismo-e-xvii-trofeu-mulher-influente-serao-no-ouro-minas-palace-hotel-dia-13-de-maio-de-2013-2/.


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A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Quase em branco e preto – Eu te vi lá no museu! Depois de me falar isso, a moça continuava a me olhar, sorrindo entusiasmada. Estranhei, pois tinha um bom tempo que eu não ia a museus. – Você não foi ao museu. Você está no museu. Era uma exposição de fotos sobre coisas que marcaram a cultura aqui de São João nos anos oitenta. Eu aparecia em algumas fotos fazendo teatro. Que coisa! Minhas peças de teatro... saí da peça do palco pra virar peça de museu. Semana passada, a coisa se repetiu. Tenho alunos de Resende Costa na universidade. Dois deles me trouxeram fotos nas quais eu também apareço. São antigas. O Sandro me trouxe a de uma formatura do Assis Resende; a Valéria conseguiu tirar do baú dos calendários a foto de meu último dia como professor em Resende Costa. São fotos coloridas, mas eu estou quase em branco e preto. No retrato da formatura, estou lá atrás, no alto, pálido que nem lua ao meio-dia. No outro retrato, entre o Mário Márcio e o Marcos estou eu, um pouco ofuscado na tessitura urdida pelo desgaste do antigo. Eu... lá do alto. Eu... entre. Teimando minha cor no meio das cores. O tempo passou, mas não me descoloriu. O tempo passou e me ensinou o afastamento necessário da vida, mesmo estando mergulhado nela. Aprendi a recolher dife-

rentes tonalidades em mim. Cores minhas e suas, matizes seus e meus. Como aprendi uma vez na escola, quando menino: se as cores se juntam, tudo fica branco. Se as cores vão embora, tudo fica preto. Ainda sou esse menino que gosta de ficar juntando e afastando cores. Se as junto, provoco festas onde todo mundo se reinventa, personagens alegres vestidos de uma cambraia branca que não esconde a nudez... Se as dispenso, costuro noites que atemorizam, esquinas escuras que prometem becos... alguns deles sem saída. Acho que é por aí que fotografo em crônicas os mosaicos da minha vida, que ainda insiste em posar pra mim. Ainda não consegui a plenitude da revelação, mas já sei que a melhor foto é em branco e preto: recolher em si as mazelas e os prazeres de quem vive e de quem já morreu, juntar todas essas cores no branco do flash sagaz do momento... e levar tudo isso para a câmara escura do afastamento, atrás da cortina preta daquele mistério da magia. Depois, devolver tudo numa foto simples, em que luz e sombra se equilibram na singeleza das coisas que fazem chorar. – Eu te vi lá no museu! – disse a moça. Sim, querida, eu estou lá. Mas você também está aqui. Meu texto sempre está aberto à visitação pública. Visite-o bem devagar... fazemos parte da mesma exposição.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

Contemplando as Palavras

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REGINA COELHO

Falando sério

Malala Yo u s u f z a i , 15 anos, levou um tiro na cabeça ano passado. A estudante paquistanesa foi atacada por talibans armados por defender o direito à educação para mulheres. Ela se tornou conhecida ainda em 2009, aos 11 anos, quando assinava o blog “Diário de uma estudante paquistanesa” na BBC Urdu, site da BBC para o Paquistão. Na época, Malala comentava o impacto de medidas extremas do Taliban (movimento fundamentalista islâmico), que, naquele ano, havia fechado mais de 150 escolas para meninas e explodido outras 5 no Vale de Swat, uma região ultraconservadora do país. O ataque contra a menina ocorreu no dia 9 de outubro de 2012, quando ela voltava da escola para casa, na cidade de Mingora, província de Swat. Dois homens armados abordaram a van escolar que transportava Malala e cerca de 10 crianças em uma congestionada avenida da cidade. Reivindicando para si a autoria do atentado, o Taliban, que já havia ameaçado de morte a menina, acusou-a de promover o secularismo (rejeição ao Islamismo). Yousufzai, uma estudante alegre que queria ser médica antes de aceitar a vontade do pai e dela própria talvez para ser política, recupera-se hoje na Inglaterra e tornou-se um poderoso símbolo de resistência contra a privação do ensino às meninas paquistanesas. A violência, a educação e as mulheres. Mas estamos no Brasil, dirão muitos. Isso não acontece aqui. E é fato. Nem por isso a indignação é menor. Nem nossa realidade, tão melhor. Se não falta educação para elas e para eles também, brasileiros, ainda que questionada em sua

qualidade, sobra violência provocada por muitos deles para um número bastante expressivo de nossa população feminina. Em favor do país, é justo reconhecer a criação de mecanismos de controle às agressões sofridas por mulheres vítimas de seus agressores em potencial – maridos, namorados, maníacos sexuais e até mesmo pais e parentes próximos. Um recurso é a aplicação da Lei nº 10.778, de 24 de novembro de 2003, que estabelece a notificação compulsória, no território nacional, em caso de violência contra a mulher que for atendida em serviços de saúde públicos ou privados. Outro é a observância da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, mais conhecida como Lei Maria da Penha, que tem como objetivo básico a coibição da violência doméstica com medidas penais mais efetivas impostas aos que nela se enquadrarem. Somente a título de triste curiosidade: Maria da Penha, a pessoa que inspirou a criação da lei que leva popularmente seu nome, é farmacêutica, por seis anos espancada brutalmente pelo marido, que tentou assassiná-la por duas vezes. A primeira, com arma de fogo, deixando-a paraplégica, a segunda, por eletrocussão (choque elétrico) e afogamento. Estatisticamente, a violência contra a mulher é muito maior do que contra o homem. Venha de quem vier, é inconcebível. E, ao contrário do que possa parecer, ocorre em todas as classes sociais, certamente menos disfarçada nas camadas mais simples da sociedade. E se a cultura popular tenta trazer um pouco de leveza a essa questão propondo a proteção às mulheres ao defender que “em mulher não se bate nem com uma flor” pode também estimular a agressão contra elas

sugerindo que “mulher gosta de apanhar”. Sem comentários. Há quase seis anos ocupando regularmente como colunista o presente espaço, vinha até então relutando em escrever sobre tão desagradável assunto. Desta vez não consegui evitar a abordagem desse grave problema que, como se viu, não é exclusividade nossa. E o que faço não é tanto pelo Dia Internacional da Mulher, lembrado a cada oito de março, até porque, se a data existe, isso é sintomático. E os outros dias do ano não são nossos? Não se trata aqui de ignorar a importância desse dia para lembrar o episódio que teria dado impulso à luta das mulheres em busca de respeito à condição feminina. A história das trabalhadoras grevistas que morreram queimadas em Nova York numa fábrica de tecidos que foi incendiada já é bastante conhecida. Principalmente, esse dia deve servir de inspiração para mudanças justas que se traduzam em relações mais harmoniosas entre mulheres e homens. Com todo respeito à trajetória de pelejas de tantas mulheres pelo mundo ao longo dos anos, o que me moveu a falar de nós, acima de tudo seres humanos, foi a comovente história da jovem Malala, tão corajosa e obstinada menina e já enfrentando um peso tão grande na vida. Por ela, por todas as vítimas da violência, incluindo os homens, que prevaleça nossa repulsa a toda forma de agressão. Quanto à propalada e muitas vezes incentivada guerra dos sexos, é mais sensato estender a bandeira branca e reconhecer que, não obstante nossas naturais diferenças, é possível, ou melhor, é necessária a convivência pacífica entre as pessoas.


10 Jornal das Lajes Causos e Cousas

ANO IX Nº 119 - MARÇO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

ROSALVO PINTO

As três Resende Uma, a mãe, mora em Portugal e duas de suas filhas, aqui no Brasil. Como mãe, é claro, é bem mais velha do que as suas duas filhas. Das duas do Brasil, uma mora no estado do Rio de Janeiro e outra aqui, em Minas Gerais. Vamos conhecer as três. A mãe foi muito antiga, uma longa história. Pode-se dizer que desde antes de Cristo ela já morava no norte de Portugal, no vale do Rio Douro. Depois vieram os pré-celtas, os iberos, entre outros. Depois os romanos, conquistando toda a península ibérica. Chegaram ao norte do Rio Douro aí pelo ano de 137 a.C. Os nomes “vila” e “paço” (palácio) foram criação dos romanos. Os povoados mais importantes da época eram São Martinho e “Cárquere”, esta um tipo de capital da região. Com os romanos, chegou à península ibérica o cristianismo. Os bárbaros, suevos e visigodos, vieram ao longo do século quinto. Foram cristianizados aos poucos. Depois vieram os mouros (muçulmanos), por volta dos anos 700 e 800. Conquistaram toda a península e, incrível, por lá ficaram por sete ou oito séculos, quando dela foram expulsos. O nome da terra-mãe, Resende, apareceu no início do século 11, entre os anos 1000 e 1100. A origem dele é controversa entre os estudiosos. Para uns, o nome viria de um senhor (dos godos), chamado Redisindi; para outros, viria do nome germânico Ranosindus (ou Rausindo e Rausendo) e, ainda, seria derivado de um senhor Rausendo Ermiges. Esse seria o senhor do paço dos Resende e teria sido o povoador daquelas terras. Bem, chegamos à cidade-mãe de Resende. De lá alguns resendinos foram para o arquipélago dos Açores, estabelecendo-se nas ilhas Santa Ma-

ria e São Miguel. No início do século 18, veio para o Brasil o primeiro Rezende, João de Rezende Costa (nascido em 1699), que se fixou na região do atual município de Lagoa Dourada. O historiador português padre Joaquim Correia Duarte escreveu duas obras, Resende e sua História e Casas e Brasões de Resende. Dois belos e interessantes calhamaços, que nosso colega do JL, José Venâncio de Resende, em viagem a Portugal, trouxe da cidade de Resende e as doou para biblioteca de Resende Costa. Quem folheia os dois livros pensa, ao final: tenho que conhecer esta cidade! Um grande número de “paços” lindos e bem conservados, espalhados pelo “Concelho” (município) de Resende. Aí, quando a gente pensa na av. Gonçalves Pinto, na Fazenda das Éguas, nas ruínas das fazendas da Laje e dos Campos Gerais, na caixa d’água da Copasa e na construção roubada a uma das nossas principais praças, dá vontade de chorar. A Resende-mãe portuguesa tem apenas 13.300 habitantes, pouco mais que sua filha resende-costense (entre 10 e 11 mil). Mas vamos à primeira filha da bela Resende-mãe. A filha Resende (RJ), nascida em 1744, é pouco mais velha que a filha Resende de Minas. Esta teria sido por volta de 1750. Era uma região que pertencia à capitania do Rio de Janeiro e era vizinha das províncias de São Paulo e de Minas Gerais. Em 1744 um dos desbravadores do interior do Brasil, o capitão paulista Simão da Cunha Gago, obteve licença para desbravar a região à procura de ouro e pedras preciosas. Ele desceu a serra do Mar com seus companheiros, vindo armar acampamento numa colina que avançava sobre o Rio Paraíba. Os habitantes da região eram os índios Puris (no português, “gente tímida e mansa”).

Eram, de fato, índios mansos. Mas começaram a dar trabalho para os invasores. Ali foi erguido um altar onde foram rezadas as primeiras missas. Mais tarde, o acampamento foi transferido para o outro lado do rio devido aos constantes incômodos provocados pelos índios às roças e às plantações dos colonos. O primeiro nome dado à filha foi de Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre da Paraíba Nova. A filha cresceu rapidamente. Já em 1756, foi elevada à freguesia e, em 1801, passou a ser a Vila de Resende, em homenagem a José Luís de Castro, o Conde de Resende, à época vice-rei do Brasil. O Conde de Resende comandou, de 1790 (quando substituiu o vice-rei Luís de Vasconcelos e Sousa) a 1792, o processo de julgamento e condenação dos inconfidentes, quando foi enforcado Tiradentes e degredado o grupo de 24 condenados, entre eles os nossos José de Resende Costa. Naquela época a vila já tinha 4.000 habitantes. A cultura do café fez a vila crescer rapidamente e, em 1848, tornou-se cidade, já com uma população de 19 mil pessoas, sendo cerca de 10 mil livres e o restante escravos. Hoje, a antiga e pequena filha do Brasil Colônia virou uma grande cidade, industrializada e rica. E o número de habitantes saltou para 122 mil. Bem, a terceira irmã, todos nós a conhecemos. E a amamos. Com um amor todo especial, pois somos seus filhos. Ao nascer, foi batizada com o singelo nome de “Arraial da Lage”. Cresceu e se desenvolveu. Anos depois, em 1911/12, ao se casar com os muitos “lagartixas” que tomaram conta das lajes, mudou de nome para homenagear seus heróis inconfidentes da família Resende: Resende Costa. A exemplo da Resende-mãe, vamos preservar o que resta da nossa Resende-filha!

Crônicas do Cotidiano

RAFAEL CHAVES

A amansação A1: ... Prá mim pegar ela dentro da baia eu gastava aí em torno duma

meia hora... E: Mas quando é assim é bão, quando num tem maldade... é arisco o bichinho... A1: ...uma coisa horrorosa. Eu gastava, Rafael, uma meia hora pra pegar ela dentro da baia, dentro da coberta lá em casa, precisa ver que coisa. Um dia eu cidi, assim tentando com jeito, resolvi assim jogar o cabresto nela assim. Rapaz!, ela fez igualzinha um a, um a..., um passarinho nas régua assim, oh, vupt: vuô lá em cima... Todos: (risos) A1: Eu falei assim: Nossa Senhora, ah morreu, ué. Aí fui com jeito dali, fui levando com jeito uma cuinha de fubá, devagar, com o tempo fui pegando confiança, mas eu gastei um mucado de tempo pra poder coisa... Eu falei assim: com um ano e meio dois ano eu vou amansar ela. E foi dito e feito, com um ano e meio eu já tava com ela, ela já tava arriadinha, eu já tava montando nela, mas, oh, quando eu botei ela na coberta e que amarrei uma, uma sacolinha numa, numa varinha de pescar pra poder tirar ela... porque nada podia balançar que ela virava um tiro, né. A3: Nó! A1: Eu botei ela na coberta. Rapaz, vou desabusar... Vou chegar nela a sacolinha nela assim e ela só faltava morder, vê, ela queria bater com os quatro é duma veiz naquele trem ... Você precisava de ver que coisa horrorosa... Enquanto ela num tava bufando, suano ela num parava... E: Tem animal que é assim mesmo, tem umas que sua de raiva A1: Nossa Senhora! A3: Nossa Senhora, né Leomar? E: Ué, essa do Elfar aí, essa aí também, eu mexi com essa potra mais ou menos um mês de dentro do redondel. A potra não entregava de jeito nenhum. Aí eu fiz igual ocê ta falando aí. Eu falei assim: hoje eu vou resolver e vou passar a perna nessa égua, vamos ver o que que dá. Às vezes montada - ainda veio na minha cabeça - às vezes montada ela sai mió. Já tinha quase um mês que eu tava charretiano ela - tá entendendo? - que eu tava charretiano ela. Aí a égua arriada já, passei a perna nela, pus o pé no estrivo. Quando eu levei a perna por cima dela e antes d’eu já ganhar o outro estrivo ela já fechou comigo e paf paf paf na beira das régua Eu só senti a bunda minha no lombio assim óh pá pá pá (batendo com as palmas da mão). E eu sem o estrivo no pé. Enquanto ela tava pulando na régua assim acompanhando o redondel eu segurei, sabe. Ela deu umas três volta e saiu pro meio do redondel. A1: Hummmm. E: Quando ela saiu pro meio do redondel foi treis pulo só e ela me pôs no chão. Aí vortei ela no charretiamento... Paula Fernandes: Eu quero ser ao seu lado... E: ... Mais rodei a potra no charretiamento até ela fazer isso assim com a cabeça, baixou a cabeça, chegou a esticar o pescoço, entendeu? A1: Entregou... E: É... Falei assim: entregou, agora num pula mais não. Tornei a

tirar as corda do charretiamento, botei a embocadura e muntei. Muntei. A potra ficou quitinha, aí eu fiz assim com o estrivo no pé, pus no pé e falei assim, eu sozinho e Deus: é, égua, agora você num tira eu de cima não, você deixou eu calçar o estrivo, cê num me tira mais de cima não! Toquei ela na boca e ela num foi não. Mas quando eu fiz assim com o calcanhar nela, e toquei, a potra fez só assim: vapt! E ela subiu mais de dois metro do chão... Todos: (risos) E: Ela vuô, sabe? Ela fez assim com as pernas no chão e fez assim “vapt”, vuô lá em cima. E começou, nego: aqui, aqui, aqui e eu mão nela tentano dominar ela na boca, entendeu? Mão nela, supapando ela dum lado, supapando do outro, discontraino, nada d’eu dá conta da égua. Eu falei assim: ela vai me jogar no chão de novo. Larguei a rédia e agarrei assim na frente e atrás do lombio. E falei assim: agora ela vai ter de pular comigo em cima e sem rédia. Ademir, ela pulô tanto, menino, mas tanto comigo. Ela pulou assim uns 20 minuto, fechado nas quatro mesmo... Todos: (risos) E: Quando ela parou de pular ela parou duma vez! - que eu cacei minhas perna, minhas perna tava assim, tava assim bambela, bambela. Só pus a mão assim na cabeça do lombio e quando eu fui caçar a perna, cadê?, meu filho, tinha perna não. Eu fiz assim pra trás e caí... A2: (faz um comentário meio incompreensível) E1: Então, o redondel era lá embaixo ainda, lá embaixo ainda. Vai escutando procevê. Prá mim sair de lá até aqui na cuberta eu custei vim, Ademir. Vim andando, tinha hora que eu escorava assim no pescoço dela assim pra mim consegui... A2: Deu tranco na sua coluna, Sô, aí bambeia as perna... E: Aí eu cheguei aqui. Isso era na parte da tarde. Peguei um cavalo e fui imbora pra rua. Isso foi na terça-feira. Fui imbora prá rua, cheguei, tomei banho e falei assim: hoje eu num vô mexer com nada. Eu tava arrebentado, meu filho. Deitei na cama, aquela dor nas pernas, aquela coisa horrorosa. E aí quando foi aí pelas oito e meia mais ou menos eu comecei a sentir uma dor fina aqui por baixo do umbigo, aqui ó, fina, apertando, apertando, igual quando cê ta com vontade de urinar bastante, de bexiga cheia, sabe? Aí eu fui no banheiro pra uriná mas não saiu nada. Daí tornei deitar na cama. Daí mais ou menos uma meia hora veio aquela dor de novo; eu fui no banheiro já urinei aquele trem amarelozinho, sabe? Quando foi meia noite eu comecei a urinar quase sangue. Aí a dor num passava, eu só tomando buscopam, buscopam, num passava . Quando foi meia noite e meia eu tive que subir pra emergência. A3: Hospital... A1: Quantos dias cê ficô lá? E: Mais de 15 dias... Essa é a (primeira) reprodução (o mais fidedigna possível) de uma conversa à beira do fogão de lenha, lá no meu Sítio. Participantes A1: Aldemir Aarão; E: Eleomar; A2: Adelmar Aarão, A3: Alex do Afonso; e eu. Para o Eleomar, com meus agradecimentos pelo companheirismo e dedicação aos cavalos!


Jornal das Lajes 11

ANO IX Nº 119 - MARÇO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Gastronomia

Portugal

Resendes da Ilha Santa Maria podem ter origem nos Curvello da Espanha JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE Os Resende Costa da Ilha de Santa Maria, no Arquipélago dos Açores, Portugal, podem ter vínculos familiares remotos com os Curvello da Espanha, no continente europeu. A informação é do historiador e genealogista José de Almeida Mello, da Biblioteca Municipal de Ponta Delgada (Ilha São Miguel), com base em pesquisas recentes e cruzamentos de informações. Nas Ilhas Santa Maria e São Miguel, o sobrenome Resende é comumente escrito como “Resendes”. Almeida Mello atribui isto a mera questão de ortografia. João de Resende Costa, nascido em 1699 na Ilha de Santa Maria, é filho de Manuel de Resende e Ana da Costa, casados em 1675 na igreja matriz da Vila do Porto. Manuel de Resende, filho de André da Fonte de Morais e Margarida de Resende é, portanto, irmão de Ana (ou Maria) de Resendes de Melo, que se casou com Francisco Fernandes de Mesquita em 1674 na Vila do Porto, de acordo com Rodrigo Rodrigues (Genealogias de São Miguel e Santa Maria, Volume 5º, Dislivro Histórica). Por sua vez, a avó de João de Resende Costa, Margarida, é filha de Jorge e Resendes e de Catarina de Freitas. O bisavô de João – Jorge e Resendes - é filho de Ana de Resendes de Melo e de Antonio Pacheco da Silveira (ou Matos Pacheco), casados em 1608 na matriz da Vila do Porto, de acordo com Rodrigo Rodrigues, no capítulo 30º (“Da descendência de mestre António, catalão”, volume II da Genealogias). Ana é filha de Nuno Curvelo de Resendes e de Catarina Fernandes Velha (ou Catarina Gonçalves), que se teriam casado na segunda metade do século XVI. Segundo Rodrigo Rodrigues, o casal figura na escritura de doação do Recolhimento da Madalena (ver reportagem sobre a Ilha de Santa Maria), em 1594, na Vila do Porto. Por sua vez, Nuno é um dos filhos de Francisco Curvelo, que se casou com Felipa Faleiro de Resendes, da Ilha de São Miguel, de acordo com o cronista da época Gaspar Frutuoso (Saudades da Terra, Livro IV, Capítulo 31º). Os restos mortais de Francisco jazem na Matriz de Vila do Porto, como diz o testamento (de 1629) do seu filho, o capitão Antonio Curvelo de Resende, que teria sido o instituidor e segundo padroeiro do Recolhimento da Madalena. Francisco é um dos netos de António (talvez do apelido Curvelo), mestre catalão que foi para a Ilha de Santa Maria no princípio da sua colonização, mandado pelo Infante D. Henrique para tratar da plantação de cana de açúcar e seu processamento, de acordo

com Rodrigo Rodrigues (Volume II da Genealogias). Oriundo da Catalunha, casado, morreu na Ilha de Santa Maria com mais de 110 anos, de acordo com Frutuoso (Livro III, Capítulos II e III, de Saudades da Terra). Origem dos Curvello O Mestre António Catalão foi para a Ilha de Santa Maria contratado pelo Infante D. Henrique, a fim de montar diversos engenhos de açúcar, de acordo com Gaspar Frutuoso em Saudades da Terra. “Mestre” naquele tempo correspondia ao hoje denominado engenheiro ou técnico especializado, segundo o Visconde do Botelho (Encontro com as raízes – origens da Família Curvello e seu Apelido”, Lisboa, 1978). “Não havia, então, diplomas. A categoria na profissão era alcançada através da prática oficinal e segundo o mérito, a situação social e a preparação cultural de cada um.” Botelho cita visita que fez a “conhecido alfarrabista de Madrid”, na qual topou com uma “Carta de Armas de 1797 dada a um tal Francisco Crivell, de família oriunda da Catalunha”. A “concessão de armas” fora feita por D. Juan Felix de Rujula, “Cronista e Rei de Armas” de D. Carlos IV, “Rei de Espanha e das Índias Orientais e Ocidentais, Ilhas e Terra firme do Mar Oceano etc. etc.”. O documento, em pergaminho, referia-se que o apelido Crivell, Crivello ou Crivelli, “com esta pequena alteração no modo de se pronunciar (segundo a linguagem do país)”, se encontra escrito com frequência “em nossas crônicas e tratados de linguagem”. O cronista complementa, segundo Botelho, “que os Crivellos são oriundos de Milão, onde tiveram o ti-

tulo de Conde. Dessa cidade passaram vários varões desta estirpe à Península Ibérica, como os senhores de Pinilla, na província da Mancha, jurisdição de Alcaraz”. Com base em suas pesquisas, o Visconde do Botelho concluiu que “a forma mais antiga do nome em causa (Curvello) era Crivelli, que em Espanha assumiu as formas de Crivell (adaptação evidente à língua catalã) ou Crivello e mesmo Cribello”. Assim, o então “Mestre de engenhos”, prossegue Botelho, “deveria, provavelmente, chamar-se António Crivello Catalão, prevalecendo nele o último apelido como é corrente em Portugal, embora fosse provavelmente o da mãe. Não parece muito admissível que se tratasse de alcunha, até porque ele não era natural da Catalunha, mas sim de Valência. Aliás, se fosse alcunha, seria mais curial que o tratassem por Mestre António – o catalão”. Botelho acredita que o apelido “Catalão”, que era “um nome de família e não uma alcunha individual”, talvez, em Portugal, passasse a ser alcunha. Assim, “é provável que os descendentes de António Catalão preferissem usar o nome de Curvello (aliás Crivello), que deveria ser o seu apelido varonil”. Botelho conclui que “não vem, nem de curvo, nem de corvo, nem de cru, nem de coração, o apelido que, sob a forma mais corrente de Curvello, se radicou nos Açores e de que hoje se encontram rebentos em todo o mundo português”. Ele cita, por exemplo, a cidade de Curvelo, no Estado de Minas Gerais, fundada no século XVIII por António José da Silva Curvello, açoriano, natural da Praia da Vitória (Ilha Terceira), “que, a princípio, dera o nome de Santo António da Estrada à pequena povoação que instituiu”.

Jornalista José Venâncio em frente à biblioteca na Ilha de Santa Maria

CLÁUDIO RUAS

Cerveja, o gole da vez Para cada situação costuma haver um tipo de bebida apropriada, seja pelo clima, tipo de evento, cultura local ou propósito do bebedor. Mas uma coisa é incontestável: se há uma que é a cara do nosso país é a cerveja. Simples, descontraída e refrescante. E de uns tempos para cá, vem quebrando tabus e alcançando espaços antes ocupados por outras bebidas consideradas mais “finas”, o que mostra o valor desse ouro líquido. Mas para continuarmos a prosa, vamos voltar no tempo e entender um pouco da origem e de como ela é feita. Estima-se que em 9.000 a.C já se fazia cerveja e existem registros de produção em 4.000 a.C, na Suméria, atual Iraque. Antes de desenvolver a escrita o homem já estava tomando uma! E a descoberta igual o queijo e a cachaça - teria sido acidental: esqueceram uma vasilha com grãos de cereal (cevada, trigo, arroz) na chuva, eles germinaram (amido virou açúcares), secaram, tomaram mais chuva e foram atacados por micro-organismos que fermentaram o caldo (açúcares viraram álcool). Beberam a mistura, ficaram alegres e felizes e começaram a repetir o processo. Cerveja já foi alimento, matou fome e peste. E hoje é feita a partir de um cereal umedecido, secado e cozinhado em água pura, quando se acrescenta o lúpulo, uma planta da família das canabináceas, que dá amargor, gosto e durabilidade. Por último, as leveduras (fermento), que finalizam o processo. É a receita básica, porém, vários fatores podem concorrer para um resultado final diferenciado: tipo de cereal e a forma como foi tratado (mais torrado = cerveja mais escura), quantidade de lúpulo, acréscimo de outros ingredientes como ervas e frutas etc. Na prática, se no rótulo se indicar “puro malte”, significa que ela é feita exclusivamente com cereais maltados (cevada e/ ou trigo), o que dá bastante diferença na qualidade. É o caso da Heineken, por exemplo, que já é encontrada em Resende Costa e não custa tão mais caro do que uma Skol. Essa, assim como a maioria das marcas consumidas no país, é feita também com cereais “não maltados” (milho, ar-

roz). Em função dessas diferenças apresentadas e disponibilizadas aos consumidores, tem crescido muito a procura pelas “cervejas especiais”, principalmente as artesanais. Por serem feitas em escala menor e com ingredientes e técnicas superiores, o produto final tende a ser melhor, fazendo com que a cerveja alcance público e ocasiões antes restritas a outras bebidas, além do prazer maior, claro. Mas e o preço? Embora existam cervejas realmente caras, o crescimento do mercado tem possibilitado tomar cervejas muito boas a preços bons. Dou o exemplo da ótima cervejaria Backer - mineira de BH - cuja garrafa de 600ml do estilo pilsen chega a custar R$4,90 no supermercado, mais em conta do que uma Brahma no bar. Além disso, pelas características da cerveja especial e pela forma como ela é degustada, o volume consumido pode ser inferior ao da cerveja comum, o que diminui o custo do consumo. Seguindo os passos da cachaça, Minas tem se destacado muito no cenário nacional de produção de cerveja artesanal de qualidade. E BH já é a cidade no país com a maior concentração de cervejarias no seu entorno - como as já tradicionais Áustria, Wäls e Falke Bier - algumas premiadas internacionalmente. Da mesma forma, o número de lojas e bares especializados também aumenta, assim como a procura por cursos de produção caseira, como o da Cervejaria Escola Taberna do Vale. Algumas horas de curso e um pequeno investimento em equipamentos simples (panelas, baldes, balança) já permitem a produção de cerveja boa até dentro do apartamento, prova da sua simplicidade e versatilidade, inclusive quanto às receitas de cada cervejeiro. Enfim, seja ela mais especial - infelizmente ainda pouco disponível na nossa cidade – ou a mais barata, que a cerveja continue sempre cumprindo seu papel de reunir os amigos para se divertir com alegria e confraternizar com prazer e simplicidade essa bebida espetacular e histórica. (A receita do mês no blog é a “COSTELINHA CERVEJEIRA”: http://www.casalgastromg. blogspot.com.br/)


12 Jornal das Lajes

ANO IX Nº 119 - MARÇO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Portugal

Artesanato de retalhos, ponte entre Resende Costa e Ilha de Santa Maria

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

O artesanato de retalhos de pano está nas raízes da colonização da Ilha de Santa Maria, no Arquipélago dos Açores - Portugal, no século XV. Hoje, é a locomotiva da economia de Resende Costa, em Minas Gerais, Brasil. A Cooperativa de Artesanato Santa Maria, na Freguesia de Santo Espírito, com 12 sócias, mantém a tradição, com a confecção de mantas (tipo colchas), tapetes, passadeiras e carpetes, utilizando retalhos de tecidos em teares manuais. Na Ilha Santa Maria, é uma atividade tipicamente rural, diz Eduarda Bairos, uma das sócias da cooperativa. Os produtos de retalhos estão presentes na ilha desde os primeiros colonizadores. Eram feitos inicialmente de tecidos usados, conta Eduarda. No passado, o tear era mais rústico. Já o tear de hoje tem, por exemplo, pente de inox, que substituiu o pente de bambu. Além de usar o retalho, a cooperativa também produz colchas de lã, painéis de linho e outros produtos em tear manual. Na cozinha, está presente a doçaria tradicional (biscoitos de orelha, chocolate, manteiga, etc.), além de pão de milho e trigo e de aguardentes. São produtos de interesse dos turistas que visitam a Ilha, especialmente no verão (julho e agosto), e também para o “mercado da saudade” (imigrantes). Mas destinam-se ainda às lojas da Vila do Porto e das freguesias. Nos teares da cooperativa também são produzidos trajes de grupos folclóricos, só que são tecidos principalmente de lã (tem também de linho). Uma referência à criação de ovelhas que antecedeu aos colonizadores no início do povoamento da ilha. Outra ponte que se pode fazer entre a Ilha Santa Maria e a microrregião das Vertentes é a típica “casa rural mariense”. Trata-se de elemento importante da arquitetura local, que no Brasil praticamente se “urbanizou” e ainda está presente no cenário

de Tiradentes e outras cidades da região – pouco sobrou delas em Resende Costa. Esta habitação tradicional da ilha tem um modelo-síntese, constituído de planta retangular, com piso; fachada de janela/porta/janela; pequeno corredor com cozinha de um lado e quarto do outro; telhado de quatro águas; sistema forno/chaminé encostado à cozinha. Mas este modelo de moradia sofreu ampliação, com crescimento da estrutura orgânica (mantendo a escala e a proporção), e modernização. Atualmente, restam poucas casas rurais marienses ainda bem-conservadas. Ilha de Santa Maria Uma das nove ilhas do Arquipélago dos Açores, Santa Maria “onde tudo começou” foi descoberta por navegadores portugueses entre 1427 e 1432, segundo os historiadores. Trata-se da ilha mais meridional dos Açores (nove ilhas). O professor e historiador Carlos Luís Cruz, do Instituto Açoriano de Cultura (IAC), resume: as Ilhas de São Miguel e Santa Maria formam o grupo oriental; as Ilhas Graciosa, Terceira, São Jorge, Pico e Faial, o grupo central; e as Ilhas Corvo e das Flores, o grupo ocidental do Arquipélago. Na Ilha de Santa Maria, um antigo aglomerado urbano (Vila do Porto), datado do início do povoamento insular, coexiste com um recente núcleo de características mais modernas (Bairro do Aeroporto), de acordo com o arquiteto e professor português José Manuel Fernandes. Além da própria Vila, a Ilha é formada por mais quatro freguesias: Almagreira, Santa Bárbara, Santo Espírito e São Pedro. Tem 97,42 km2 de superfície, cujo povoamento se deu a partir de meados do século XV. Tem população de 5.628 habitantes, mas já chegou a ter 13.233 habitantes, após a construção e funcionamento do aeroporto de Santa Maria na década de 1940 e 50,

Tear manual na Ilha de Santa Maria

especialmente durante a segunda guerra mundial. Boa parte emigrou para a América do Norte e para outras regiões de Portugal. Tanto que, durante o período de verão (especialmente julho-agosto), a população da Ilha de Santa Maria dobra, principalmente por conta dos imigrantes, mas também de outros turistas. Recentemente, o jornal The Guardian, de Londres, recomendou Santa Maria como um dos melhores destinos de praia para 2013. Além das praias, é um período de tradicionais festas típicas na Ilha. As mais conhecidas são as festas do Espírito Santo (festas religiosas comuns a todas as ilhas) e dos Santos Padroeiros (procissões e animados arraiais nas freguesias). O trajeto entre as ilhas nesta época do ano é feito por barcos (no inverno, apenas por avião). Atualmente, a maior parte da população dedica-se ao setor terciário, com destaque para o comércio. Outras atividades são o artesanato tradicional e a criação de gado para produzir carne (a Ilha busca o selo de identidade geográfica, uma vez que não pode concorrer nas exportações devido à pequena escala de produção e ao custo do transporte). Vila do Porto A Vila do Porto – mais antiga vila dos Açores onde se instalou a maioria dos primeiros povoadores - é o centro político e administrativo da Ilha de Santa Maria. Situa-se desde o Forte de São Brás até a Igreja de Santo Antão. Pode-se identificar na Vila efetivamente as três ruas fundamentais, que se desenvolvem entre a Ermida da Conceição (atual Igreja de Santo Antão) e a Matriz de Nossa Senhora da Assunção, explica o arquiteto Fernandes. São elas a rua principal (Frei Gonçalo Velho), a via que a acompanha até a nascente (Rua Dr. João de Deus Vieira/Rua da Boa Nova/Rua da Misericórdia) e a mais secunda-

Casa rural urbanizada na Ilha de Santa Maria

ria, quase de “traseiras” (Rua do Livramento/Rua José Inácio de Andrade). Ainda segundo Fernandes, as três ruas convergem junto à matriz, com o seu prolongamento para o norte fazendo-se por uma típica “rua nova”, mais longa que as anteriores, mais reta e de traçado já dos séculos XVII e XVIII (atual eixo da Rua Teófilo Braga/ Rua Dr. Luis Bettencourt/Rua José Leandres Chaves). A Igreja de Santo Antão culmina a rua longa e larga. Foi nesta rua que se instalaram sucessivos conventos da Vila, como o Recolhimento de Santa Maria Madalena (1594-1600); o Convento de São Francisco (1607-1609), onde funciona a atual Câmara Municipal; e o Convento de Santo Antônio (atualmente, imóvel dividido entre supermercado e Associação da Juventude). A Vila possui várias ermidas, capelas, igrejas e solares antigos. Destaque para a Igreja de Nossa Senhora da Vitória (anexa ao antigo Convento de São Francisco); a Ermida de Santo Antônio (século XVII); a Igreja da Misericórdia (de invocação ao Espírito Santo) fundada em 1536; a Ermida de Santa Maria Madalena (século XVI) e a Ermida de São Pedro Gonçalves (séculos XV-XVI, ligada à Confraria de Pescadores). A atual igreja matriz, construída no século XV, possui três naves, com especial referência ao lampadário de prata (lavrado com as armas do capitão Brás Soares). A arquitetura residencial ainda em muitos casos provém dos primeiros séculos do povoamento, embora muitas casas estejam em ruínas. As ruínas da Casa do Capitão Donatário, de resquício medieval, pouco acima do Forte São Brás, foi residência do capitão Brás Soares de Sousa. O bisavô de Branca Victoria Gago da Câmara Monteiro Leandres, Victor, e o irmão dele, Severino, foram donos da maior parte dos solares da parte antiga da Vila. Um deles é o atual prédio onde funciona a Biblioteca Mu-

nicipal. A família de dona Branca também ofereceu um solar para o Convento de Santo Antônio – hoje, lá funcionam um supermercado e a associação da juventude. Resendes nas ilhas Os Resendes dos Açores são citados por Gaspar Frutuoso, primeiro cronista das Ilhas (Saudades da Terra, Livro IV, Instituto Cultural Ponta Delgada, 2005), e pelo genealogista Rodrigo Rodrigues (Genealogias de São Miguel e Santa Maria, 6 Volumes, Dislivro Histórica), em geral em casamentos com famílias como Andrade, Carvalho, Coelho, Costa, Freitas, Melo, Monteiro, Moniz, Pacheco, Paiva, Pereira, Santos, Sousa e Vieira entre outros. Encontrei Resendes na Vila do Porto, mas das novas gerações. São raros aqueles com idade mais avançada, como Maria de Sousa Resendes, filha de Antonio de Freitas Resende (nascido em 1893 e falecido em 1950) e de Maria de Jesus Sousa (1892-1985). Quando o pai faleceu, dona Maria tinha 14 anos incompletos; era a mais nova de sete irmãos (os outros são José de Freitas Resendes, Manuel Sousa Resendes, Antonio Sousa Resendes, Agostinho Sousa Resendes, Francisco Sousa Resendes e João de Sousa Freitas, já falecidos). Na sua infância, a família morava na Freguesia do Santo Espírito. “Meu pai era lavrador, tinha poucas terras e plantava milho, trigo e batata de meia em terras de outras pessoas. Usava arado puxado por boi e grade... Minha mãe cozia pão, dia sim, dia não. A gente vivia com pão de milho; de trigo só em dia de festa. Meu pai tinha um gado para produzir leite e queijo para o consumo. E matava-se porco.” Hoje, dona Maria mora na Vila e tem uma filha casada e dois netos; os dois outros filhos já são falecidos. Também tem 33 sobrinhos, a maioria vivendo na América do Norte (Estados Unidos e Canadá).

Casa rural na Ilha de Santa Maria


Jornal das Lajes 13

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Patrimônio Histórico

Consciência e responsabilidades para a preservação do patrimônio histórico de Resende Costa

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Mudança de mentalidade Felizmente algumas situações

Foto Emanuelle Ribeiro

Proteger os bens móveis e imóveis que constituem o chamado patrimônio histórico e cultural de uma cidade não é tarefa fácil. Décadas atrás, em muitas cidades do nosso país conjuntos arquitetônicos inteiros ruíram ou foram seriamente descaracterizados para dar lugar a edificações “modernas”, seguindo o inevitável processo de desenvolvimento urbano. Atualmente, gestores públicos e o próprio cidadão já estão conscientes da importância de se preservar o patrimônio histórico, enquanto ação para tornar viva a memória e identidade das cidades. O conjunto arquitetônico histórico de Resende Costa foi consideravelmente danificado. Casarões, sedes de fazendas e sobrados ao longo dos anos foram demolidos ou simplesmente caíram devido à falta de manutenção necessária ou até mesmo ao abandono total. Se olharmos algumas fotografias de Resende Costa do início do século 20, teremos a sensação de que hoje estamos em uma cidade muito diferente. A urbanização modificou traçados de diversas ruas, principalmente no centro da cidade, calçamentos de pedra foram substituídos por bloquetes, além de algumas aberrações, como imóvel residencial construído em praça pública. Tais intervenções no centro urbano de Resende Costa, que danificaram seu conjunto arquitetônico oriundo dos séculos 18 e 19, aconteceram numa época em que praticamente não havia consciência sobre a importância da preservação patrimonial, a começar pelos gestores públicos. Obras de melhoramento na infraestrutura da cidade, como implantação da Copasa, pavimentação de ruas e praças, construção de prédios públicos e particulares, foram realizadas sem o devido cuidado com a preservação do patrimônio. Com isso, diversos imóveis, que hoje classificaríamos como de importância histórica para o município, desapareceram. Sem se falar do reservatório da Copasa, construído justamente no Mirante das Lajes de Cima, principal cartão-postal da cidade. Cabe aqui o lembrete ao poder público e à Copasa: até quando ele permanecerá ali, poluindo visualmente o nosso cartão-postal?

Vista do largo da Matriz. Destaque para o casario antigo que compõe a praça

começaram a mudar em Resende Costa, e para melhor. O Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural do Município, criado em 2002, já realizou importantes ações na proteção de imóveis históricos, tombando imóveis e, através de decreto, preservando outros tantos que entende ser de importância histórica para a cidade. Além disso, o conselho tem desenvolvido nas escolas atividades de educação patrimonial, no intuito de despertar nos alunos a consciência de se preservar o nosso patrimônio. O atual presidente do Conselho, Ângelo Márcio de Resende, chama atenção para o papel do cidadão na preservação do patrimônio histórico e fala também das obrigações de quem reside em imóveis considerados históricos: “Cada pessoa deve ajudar como puder. Quem mora em imóvel histórico deve procurar preservar o seu patrimônio, pois, com certeza, seus familiares têm muita história para contar sobre o imóvel, quer estejam vivos ou já tenham falecido. Cada um de nós precisa estar comprometido com as regras de convivência em sociedade e muitas dessas regras estão expressas em lei. É obrigatória a preservação da nossa história”. A lei municipal 3.524, que dispõe sobre a proteção do Patrimônio Histórico e Cultural do Município de Resende Costa, é muito clara sobre o que diz respeito ao papel do município e do cidadão para a preservação patrimonial. O artigo 1º, capítulo 1, diz que é “interesse público conservar e proteger [o patrimônio] contra a ação destruidora decorrente da atividade humana e do perpassar do tempo”. O capítulo 3 trata dos efeitos do tombamento e da conservação de imóveis. Assim diz o

artigo 23 do referido capítulo: “As obras de conservação e restauração correrão por conta do proprietário ou detentor do bem, em parcerias com o Poder Público e só poderão ser iniciadas mediante prévia comunicação e autorização do órgão municipal competente”. Já o artigo 29, do mesmo capítulo, diz que “sem prévia autorização, não poderá ser executada qualquer obra nas vizinhanças do imóvel tombado que lhe possa impedir ou reduzir a visibilidade ou ainda que, a entendimento do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura, não se harmonize com o aspecto estético ou paisagístico do bem tombado”. A legislação municipal é rigorosa e ao mesmo tempo esclarecedora quanto às atribuições e responsabilidades de cada membro envolvido na tarefa de preservar o patrimônio. Porém ainda é necessário maior rigor na fiscalização de obras em imóveis tombados e/ou preservados pelo município. Por exemplo: o Teatro Municipal, tombado em 2005 pelo conselho, foi totalmente reformado no final de 2012. No entanto, algumas edificações em seu entorno não seguem as exigências da lei 3.524, extrapolando o limite de altura. Se o município não estabelecer regras claras para construções no entorno de bens tombados, além da legislação não ser cumprida, o efeito estético de preservação será prejudicado.

zenda dos Campos Gerais (2005), conjunto paisagístico Fazenda das Éguas (2007) e casa dos Inconfidentes José de Resende Costa pai e filho (tombada pelo IPHAN em 1950). “Nós ainda temos inúmeros imóveis que deveriam ser tombados. Em minha opinião, deveríamos concentrar esforços, inicialmente, em imóveis enquadrados em quatro situações: 1) maior tempo de existência; 2) com estrutura danificada; 3) aqueles cujos proprietários não tenham condições de arcar com reformas, sejam elas pequenas ou grandes e 4) aqueles que possam gerar abatimento através do ICMS cultural. Mas cabe ao nosso povo realizar suas escolhas. Por isso criamos uma página no facebook, no qual as pessoas podem pesquisar e tirar suas conclusões. Na medida do possível, com base em pesquisas, estamos contando a história de cada imóvel”, disse Ângelo Márcio. Ângelo aproveita o que chama de “momento de euforia” para convocar o poder público e o cidadão resende-costense a elaborar ações concretas para a preservação do patrimônio histórico e cultural da cidade: “Estamos vivendo um momento de grande euforia cultural, que se iniciou poucos anos atrás, em que diversos grupos, ideias e pessoas surgiram. Não podemos deixar tudo se perder como aconteceu em meados da década de 90. Também não podemos nos iludir com curtições, euforias e saudosismos transitórios, principalmente os veiculados na internet. Precisamos de ações concretas e de leis que criem regras coerentes. Precisamos, ainda, de verdadeiro engajamento por parte do poder público”. Sobre as ações futuras o presidente do conselho disse que ficou decidido em reunião que o grupo concentrará esforços no tombamento do núcleo histórico do entorno da igreja matriz: “A igreja já

Imagem de Nossa Senhora do Carmo, atualmente exposta no Museu de Arte Sacra da paróquia

é tombada e para a composição do núcleo precisaríamos de no mínimo oito casas, e isso nós temos”, informou Ângelo, que ressaltou também as atividades que podem ser desenvolvidas para estimular a preservação: “Há uma infinidade de atividades que podem ser desenvolvidas, como, por exemplo: isenção de IPTU; reforma por parte do Poder Público de bens tombados; palestras sobre patrimônio, como a que ocorreu durante o Circuito das Artes, na reinauguração do Teatro Municipal”. Por fim, Ângelo Márcio fala de sua preocupação com a situação da Fazenda das Éguas, construída em 1747 e a última das três fazendas erguidas no século 18 em nosso município que ainda está de pé, mas correndo sério risco de desaparecer. “A situação da Fazenda das Éguas deverá ser revista. Não se pode admitir que o dinheiro público que já foi investido fique em vão. Temos de conseguir captar mais recursos para continuar recuperando aquele espaço e estimular o turismo, afinal a fazenda é motivo de orgulho, pois permanece na mesma família desde a sua fundação”, conclui o presidente do Conselho do Patrimônio.

Imóveis tombados Atualmente, em Resende Costa cinco imóveis são tombados: além do Teatro Municipal, a igreja matriz de Nossa Senhora da Penha (tombada em 2008), a imagem de Nossa Senhora do Carmo da fa-

Fachada da Fazenda das Éguas, erguida em 1747


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Retalhos Literários

Regional

Ação civil pública contra redução da jornada dos médicos, parada na Justiça Encontram-se parados, desde 7 de novembro de 2012, na Secretaria da 1ª Vara Cível do TJMG, os autos da Ação Civil Pública que a Associação dos Movimentos Sociais e Amigos de São João del-Rei (AMMAS del Rei) moveu em 2009 contra o Município para revogar a Lei que reduziu de seis para duas horas o horário dos médicos do Sistema Único de Saúde (SUS). A Ação Civil Pública (Número TJMG: 0625091006845 Numeração única: 1006845.50.2009.8.13.0625) recebeu do juiz o seguinte despacho (de fls.663, publicado no Diário do Judiciário Eletrônico/ TJMG São João Del-rei, terça-feira, 28 de agosto de 2012): “Diante do grande volume de feitos em trâmite nesta vara para serem despachados e sentenciados, sendo necessários priorizar a tramitação dos feitos com pedido que tenham urgência ou prioridade para apreciação, determino que estes autos retornem conclusos oportunamente”. A AMMAS del Rei pergunta ao juiz o que significa “oportunamente”. “Se já não bastasse o prejuízo suportado pelos usuários do SUS, ao terem os horários reduzidos de seis para duas horas, ainda tem de suportar a máxima vênia que os autos do processo retornem para apreciação do magistrado quando o mesmo tiver tempo?” Assim, “com indignação”, a entidade reclama, “no mínimo, respeito, vez que, o grande volume de feitos nesta vara (1.ª Vara Cível) não é de competência da AMMAS del REI solucionar e, sim, do administrador do judiciário”. A ONG (organização não governamental) entende, ainda, que “toda demanda é importante, mas, em tese, a saúde da população, combinado com a prioridade de pessoa idosa da parte demandante que assina os autos, deveria obedecer aos trâmites da prioridade, conforme ordena o Estatuto do Idoso” (na ocasião, a demanda foi assinada pelo então presidente Air de Souza Resende, que conta com 71 anos de idade). Histórico - Em 2008, a pedido da Promotoria de Justiça da Comarca de São João del-Rei, foi realizada visita a todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e ao Programa Saúde da Família (PSF), vez que haviam reclamações sobre falta de médicos, descumprimento do horário, falta de material e insumos e péssimas condições de trabalho. A visita resultou em extenso relatório sobre a situação da saúde. Na ocasião, alguns médicos ameaçaram greve por maior salá-

rio e menor carga horária, além de outras reivindicações. Além do relatório, auditoria realizada por técnicos estaduais apontou diversas irregularidades na Secretaria Municipal de Saúde, bem como no Conselho Municipal de Saúde. Diante da situação, o Ministério Público promovu reuniões com vistas a equacionar o problema. O resultado foi um Termo de Ajuste de Compromisso (TAC), do qual constou a redução da carga horária dos médicos de seis para duas horas por dia. Com base no TAC, o então prefeito Nivaldo Andrade enviou mensagem à Câmara dos Vereadores, que resultou em lei definindo em duas horas a carga horária dos médicos. Dessa forma, observa a AMMAS del Rei, os médicos obtiveram aumento salarial de cerca de 150%. “Saliente-se que, ao reclamar ao representante do Ministério Público, almejava-se a regularidade do cumprimento das seis horas da jornada dos médicos, vez que, como é sabido, uma das funções constitucionais do MP é ser fiscal e zelador das Leis. Ou não?” Assim, ao formular o TAC, insiste a entidade, “o representante do Ministério Público desconsiderou os direitos dos usuários do SUS, prejudicando-os com a redução do horário médico de seis para duas horas por dia”. Inconformados, os integrantes da AMMAS del Rei ajuizaram no judiciário local a ação civil pública para revogar a Lei e, por conseguinte, conseguir o retorno ao horário anterior dos médicos. A ONG alegou que os usuários do SUS foram prejudicados com a redução do atendimento dos médicos, “uma vez que não foram contratados novos médicos para complementar o horário antigo de seis horas”. Além disso, houve prejuízo aos cofres públicos, pois “os médicos obtiveram aumentos salariais absurdos com a redução” e, “em tese, à época, o prefeito do município cometeu improbridade administrativa e discriminação entre seus funcionários ao privilegiar a classe médica”. Liminar - Segundo a AMMAS del Rei, inicialmente, o juiz concedeu liminar, ordenando o retorno ao horário antigo. Mas o então prefeito do município recorreu junto à 2ª Instância do TJMG, em Belo Horizonte, e a liminar foi cassada por decisão dos desembargadores. “Dessa forma, os médicos atendem oito pessoas por dia, no decorrer da carga horária de duas horas. Muitas vezes, atendem estas oito pessoas em menos de 40 minutos, e alguns se recusam aten-

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE der além, restando, pois, a opção de chamar a polícia para registrar a omissão de atendimento médico, em face de que a Lei vigente expressa duas horas para o atendimento, e não oito pessoas.” A AMMAS del Rei conclui, assim, que piorou o atendimento, com evidentes prejuízos aos usuários do SUS. Durante reunião da AMMAS del Rei, dia 2 de março (sábado), o diretor da entidade, Antonio Cristino Bonifácio, que é idoso e diabético, forneceu prova da situação atual da saúde em São João del-Rei. Contou que em meados de fevereiro teve de fazer curativo no pé em outros municípios (Resende Costa, Ritápolis etc.) porque, nos postos das UBS são-joanenses procurados por ele, não havia material e, dependendo da hora, nem mesmo enfermeira. Além disso, na última semana de fevereiro, Bonifácio foi à UBS do Bairro das Fábricas para uma consulta, mas o médico não pode completar o trabalho por falta de material (para curativo), equipamento (medidor de pressão) e mesmo enfermeira para fazer curativo. Não bastasse isso, Bonifácio vem lutando há cerca de um ano para marcar consulta com oftalmologista para resolver problema de visão, talvez proveniente da diabetes. Por conta disso, ele já teve de acionar a Polícia, a Secretaria Municipal de Saúde, o MP estadual e a Corregedoria do MP nacional, sem que houvesse solução.

Caravana da saúde - A diretoria da AMMAS del Rei informou que, nos dias 25 e 26 de abril, acontecerá em São João del-Rei a “Caravana Cívica da Saúde”. Auditores do Ministério da Saúde vão fazer, voluntariamente, auditoria nas UBS são-joanenses. Além disso, haverá palestras sobre temas relacionados com a saúde. A AMMAS del Rei faz parte da rede nacional liderada pela AMARRIBO Brasil (Amigos Associados de Ribeirão Bonito). A ONG não tem fins lucrativos, trabalha com voluntários e é impedida por estatuto de receber verba pública. Entre as atividades da ONG, destacam-se as de acompanhar e fiscalizar os serviços públicos (combater a corrupção, inclusive crimes eleitorais); e de defender os direitos do idoso, da mulher, do adolescente, da criança, do consumidor e do meio ambiente. A entidade já denunciou, por exemplo, a compra de votos de vereadores com a cobertura de um ex-prefeito.

EVALDO BALBINO

De outras coisas complicadas ou As doçuras de Deus Na crônica de janeiro deste ano falei de um texto da Clarice Lispector, “Das doçuras de Deus”, que versava sobre uma empregada sua, a Aninha, ou melhor, Aparecida. Lispector nos contou, nesse texto, das manias de Aparecida, dos seus gostos supostamente duvidosos em se vestir, das suas preferências literárias. Mas só quero retomar aqui uma informação: Aparecida, relatou-nos Clarice, enlouqueceu. E sua loucura me fez escrever a crônica de janeiro. Mas eis que, depois de tê-la escrito, eu me deparei com outra crônica de Clarice, e com um título também belíssimo de nos apaixonarmos: “De outras doçuras de Deus”. A escritora, nesse segundo texto, aparentemente não deixa os fatos sem andamento, não abandona Aparecida numa loucura em aberto. Relata-nos que, passado um tempo, Aparecida bateu à sua porta. Clarice assustou-se, pois a doméstica estava internada num hospício. Como poderia estar ali, na sua frente? Mas ela parecia melhor. No hospital, lembrara-se dos nomes dos familiares de Clarice e do endereço, e pedira para visitar a família e buscar um dinheiro que lhe era devido. Indagada, obviamente, em relação a como conseguira sair do hospital, explicou a mulher que aquilo era um teste: deixaram-na sair para verificarem se ela dava conta do mundo lá fora, com autonomia. De fato parecia mesmo melhor. Estava, segundo Clarice, “mais bonitinha, à custa de ter engordado com tantos soros, e tomou três choques elétricos”. Após pagar a ex-empregada, Clarice surpreendeu-se com a fala que a sua cozinheira dirigiu à mulher, também a testando: “Conte para mostrar que você sabe contar”. E não é que Aparecida contou direito mesmo!? E mais: além de contar, verificou que Clarice lhe pagara o mês todo e agradeceu. Penso que Aparecida estava preparada de fato para a vida, e não por apenas saber contar o dinheiro que lhe fora dado, mas também e principalmente por estar pronta para o mundo. E estar pronto para mundo é isto: é estar pronto para a vida e seus percalços. E na preparação de Aparecida, ela até se preocupou com a literatura de Clarice, com as palavras em estado de arte. Tanto se preocupou, que desfechou a pergunta: “A senhora ainda está escrevendo?”. Essa pergunta comoveu a escritora. E também, devo dizer, me comoveria, se eu estivesse ali, diante de tais palavras

de uma mulher supostamente enlouquecida. A casa de Clarice ficou alegre, como uma dádiva divina. Na reta final da conversa, Aparecida (que na verdade se chamava Aninha) disse que agora queria ter um namorado e mesmo ir para um programa de televisão que arranjava casamento. E ainda acrescentou que no hospital descobriram as suas potencialidades e que, depois que tivesse alta, iria ficar lá trabalhando por uns tempos. A crônica de Clarice termina com tais informações. Como eu disse, a autora, aparentemente, não deixou de dizer nada. Mas ainda não sei, já passados uns 36 anos desde o relato desses fatos, se Aninha realmente teve alta, se ela de fato chegou a trabalhar no hospital. Se ela chegou a ter um namorado ou se chegou a apresentar-se num programa televisivo para arranjar casamento. Terá casado mesmo a nossa Aninha? Será que ela de fato “desenlouquecera”? E o que é a loucura num mundo onde parâmetros são poucos, mesmo que supostamente claros e científicos? Era realmente louca a nossa Aparecida? E olha que ainda pensava em literatura mesmo depois de internada, tanto que perguntou a Clarice pelos livros que esta escrevia. Gostava de livros complicados, a nossa louca. Se isso é loucura ou não é loucura, não sei. Mas essa mania eu quero para mim. Os livros complicados, como todas as coisas complicadas, têm aguilhões que nos incomodam, mas que são necessários à vida, para que possamos exercitar nela toda e qualquer busca. Incomodados, devemos nos mover para diante. Numa comparação horrenda, pode-se dizer dos bois sob as cangas. Emparelhados e em filha indiana, eles são forçados a ir para frente, pois são cutucados, incomodados pelos boiadeiros que, infelizmente, chegam até a exagerar com os ferrões. Se é impossível saber da loucura de Aparecida, como de qualquer loucura, é possível saber pelo menos que ela era uma mulher simples. O que ela queria é o que todos nós queremos. Nas coisas simples da vida (como por exemplo namorar, casar, ter filhos, contar um dinheiro, sentir-se mais bonito nem que seja um pouco, trabalhar), nessas coisas mesmo tão corriqueiras é que buscamos uma trilha. Mesmo que sinuosa, nós desejamos encontrá-la para não perdermos o rumo. O rumo da vida. Da vida complicada, mas doce.


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Regional

VAN (VERTENTES AGÊNCIA DE NOTÍCIAS)

Segurança nas boates de São João tem sido motivo de preocupação A tragédia ocorrida na cidade de Santa Maria no Rio Grande do Sul, na boate Kiss, vem alarmando muitos frequentadores de boates por todo o país. A segurança que as casa de shows oferece a seus usuários nem sempre corresponde ao que é exigido pela lei. Atualmente, São João del-Rei tem quatro casas de shows frequentadas por jovens em busca de descontração. Questionados alguns desses frequentadores sobre o que acham das atuais acomodações e segurança oferecidos por essas casas de shows, a maioria acredita que há necessidade de maior fiscalização e preocupação ainda maior com a segurança. Ana Luiza Macedo, estudante de Engenharia, destaca que até agora nunca tinha se preocupado com problemas que poderiam surgir pela falta de cuidado nesses lugares. “Eu sempre vou a festas

aqui na cidade, mas nunca tinha me atentado para essas questões de segurança, mas depois que ocorreu a tragédia no sul, fiquei mais cautelosa porque as boates daqui não oferecem muita segurança. Tem uma que tem muita madeira e é bem apertada, se pegar fogo morre praticamente todo mundo, pois não tem saída de emergência, somente a porta de entrada, disse a estudante. De acordo com o aluno de segurança do trabalho, Juan Freitas, esses lugares teriam de contar com profissional para planejar e repensar toda a estrutura, de forma a dar segurança a seus usuários. “Eu, como futuro profissional em segurança do trabalho, me preocupo muito com acontecimentos como esse de Santa Maria, pois todo o planejamento tem que ser pensado para a segurança das pessoas e não somente no barateamento dos cus-

Páscoa movimenta o comércio em São João del-Rei

tos para os donos de boates. São João del-Rei, a meu ver, precisa urgentemente repensar suas casas de shows, pois todas elas oferecem riscos a seus usuários”, ressalta Juan. Anderson Teixeira é frequentador assíduo das casas de shows da cidade. Para ele é importante que tenha sempre vistoria nesses locais para, assim, garantir um pouco de tranquilidade não apenas para quem vai, mas às famílias de todos que vão a festas em lugares como esses. “Minha mãe está tão preocupada que não quer me deixar sair mais, porém, acredito que isso seja algo difícil de acontecer aqui na cidade, porque todos os lugares são pequenos e até hoje nunca vi um show no qual tivessem usando alguma coisa com fogo”, disse Anderson.

A Páscoa é uma das festas mais importantes do cristianismo, momento em que os cristãos comemoraram a ressureição de Jesus Cristo. Porém, no Brasil, a Páscoa também é comemorada segundo a tradição pagã de presentear as pessoas com ovos de chocolate. Com isso, a data se tornou promissora para o comércio. Os comerciantes de São João del-Rei já iniciaram os preparativos para atrair e agradar os clientes. Esse ano, de acordo com a vendedora Vanessa Rocha, a demanda e a expectativa são maiores. O comércio pretende alcançar metas e ultrapassar as vendas do ano anterior. Segundo ela, os clientes sempre procuram por melhores preços: “As pessoas sempre perguntam qual a vantagem de comprar aquele produto, quais são as promoções. E os mais procurados são os que vêm acompanhados por drinks, os trufados e os ovos infantis, no caso desse ano, o ovo da novela Carrosel”, disse Vanessa. Apesar dos consumidores reclamarem do preço dos chocolates, eles acabam optando por

Cerca de um mês após o grupo Anonymous organizar um manifesto no centro da cidade de São João del-Rei contra a Viação Presidente, responsável pelo transporte público na cidade, manifestantes se reuniram novamente para reivindicar melhorias nos serviços prestados pela empresa. A “Grande marcha pelo transporte público” foi organizada pela Frente de Luta pelo Transporte Público (FLTP), na qual assinam o grupo Anonymous, Brigadas Populares, Consulta Popular, Levante Popular da Juventude, Movimento Popular de São João del-Rei, PCB, PSOL, PSTU e o Sindicado dos Metalúrgicos. A concentração aconteceu por volta das 14h no bairro Matozinhos, de onde seguiu até a porta da prefeitura municipal. Uma bateria composta por latas e pedaços de pau, acompanhada de apitos, megafones, bandeiras, panfletagem e um carro de som cedido pelo Sindicado dos Metalúrgicos de Itaúna fez com que o movimento tivesse visibilidade por parte da população. Nilza Braga é moradora do

bairro Matozinhos e caminhava com sua mãe, quando se deparou com o manifesto. Ela considera de extrema importância tais manifestações, pois possibilitam que todas as pessoas tomem conhecimento dos problemas da cidade, e parabeniza também os manifestantes pela iniciativa. “Muitas pessoas sabem dos problemas, mas não fazem nada. Eles estão de parabéns”, acrescenta. De acordo com Rafael Matos, membro da Frente de Luta pelo Transporte Público, as principais pautas do movimento, tais como o pedido de revogação do aumento das tarifas, o direito dos idosos de andar de ônibus gratuitamente, a aplicação do meio-passe para estudantes de todos os níveis escolares, a implantação de um Conselho de Transporte na cidade e uma audiência pública para debater estas questões, já foram apresentadas ao prefeito Helvécio Reis. Ainda segundo Rafael, o prefeito apresentou a planilha referente ao aumento da Viação Presidente e alegou não ter embasamento para fazer a anulação.

Outro ponto destacado pelo manifestante foram as mudanças desde o primeiro manifesto até o presente momento. Ele conta que tiveram acesso a uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que manda anular a licitação do transporte público na cidade de São João del-Rei. “A decisão é de fevereiro de 2012 e até hoje não foi cumprida. Nós apresentamos ao prefeito Helvécio e ele prometeu analisar e discutir na próxima reunião, agendada para o dia 1º de maio”, explica. Apesar de ainda não terem conseguido tudo o que esperam, os manifestantes não se mostram desanimados. O membro do Levante Popular da Juventude de São João del-Rei, Luan Ariel, diz que o movimento está atento aos problemas da cidade e pretende manter a pressão na busca por melhorias. “Escolhemos o bairro Matozinhos para fazer esta concentração, porque o transporte é um problema em toda a cidade, não só no centro. Faremos em outros lugares, se for preciso”, completa.

Foto Kleyton Guilherme

Transporte público gera nova manifestação em São João del-Rei

comprá-los. “A Páscoa é uma data muito importante, é uma tradição. O ovo não é a parte principal, mas sempre dou para meu filho, porque ele espera por isso. Ele gosta dos ovos industrializados que têm algum brinquedo dentro”, diz a comerciante Patrícia Souza, mãe de Pedro, de oito anos. Segundo a estudante Cárites Miranda, devido ao aumento do preço dos ovos, ela prefere montar uma cesta com variados produtos para presentear o namorado: “Sempre compro ovos e outros produtos caseiros, pois prefiro escolher o sabor, além de achar que eles possuem preço mais acessível”. Os comerciantes parecem ter apostado nas vendas desse ano, de acordo com Marcos Cirilo de Paiva, gerente de caixa de supermercado. Segundo ele, com o sistema de consignação, ficou mais fácil trazer mais produtos e com maior variedade: “Apostamos em vender mais esse ano. Os ovos que costumamos vender mais são aqueles que têm o time de futebol como tema”.

Manifestantes buscam melhorias no transporte público de São João del-Rei


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Giro Esportivo

Cinema

Jump: a nova prática esportiva de Resende Costa EMANUELLE RIBEIRO

No mês passado, falei um pouco sobre o jiu-jitsu e sua difusão em Resende Costa. Em março, o esporte em destaque é o Power Jump. Não muito comum, o jump passou a ganhar adeptos nos últimos meses e hoje é praticado por muita gente aqui em Resende Costa. O proprietário da Academia Center Fitness e professor de Educação Física, João Viana, explica que “o jump é uma aula organizada sobre o minitrampolim e combina ao mesmo tempo música e movimento, de forma simples e excitante”. Hoje o esporte é oferecido pela Academia Center Fitness, que conta com três turmas de doze alunos, e foi tão bem aceito na cidade, que por enquanto não há vagas para novos praticantes. A professora é a assistente social Alessandra Guse, que já havia praticado o jump fora por dois anos. De aluna, ela foi convidada a ministrar as aulas, tendo no momento o suporte do educa-

dor físico Bruno Ribeiro. Alessandra conta que o jump tem como objetivo a melhoria da aparência muscular de glúteos e pernas e também da disposição para realizar as tarefas diárias. “Outro ganho fundamental é a possibilidade da perda de peso, ressaltando que somente o jump pode não ser suficiente. Muitas vezes é necessário investir em outras mudanças, como a alimentação”, acrescenta. E como a maioria das atividades físicas, o jump proporciona também ganhos na vida social do atleta, como destaca Alessandra: “Somos um grupo! Nós nos encontramos, rimos, gritamos, dividimos avanços, fazemos novas amizades”. João Viana compartilha da opinião da professora e comenta ainda sobre o sucesso do esporte: “O jump é um esporte que pode ser praticado por todas as pessoas, desde que não tenham problemas em articulações ou na coluna. É só saltar, sorrir e queimar!”. Foto André Eustáquio

Uma das turmas de jump com a professora Alessandra Guse

Dos 36 alunos inscritos nas aulas há apenas um homem que pratica o jump. Mauro Fernando, o Mauro Atleta, é maratonista e diz que se interessou pelo esporte porque queria melhorar seu desempenho e resistência nas corridas: “Os resultados são muito bons. Além de ter ganhado mais fôlego durante minhas corridas, o jump melhorou meu bem-estar e meu relacionamento com as pessoas”. Sobre ser o único homem nas aulas, ele diz: “Acredito que tem vários homens aptos a praticar o jump, mas não o fazem por vergonha”. Para conhecermos um pouco mais sobre o jump, apresento um trecho de uma matéria publicada em uma revista de fitness: “A atividade é feita em um minitrampolim e é ótima para quem quer combater o estresse, enrijecer as pernas e o bumbum. Além disso, ainda melhora o condicionamento cardiorrespiratório. Na aula, uma coreografia de movimentos mescla saltos de diversos tipos e movimentos de corrida, e você chega a perder, aproximadamente, 500 a 800 calorias! O sucesso é tão grande que já foram criadas novas modalidades como o Jump Fit Circuit, onde são incluídos exercícios localizados, alternados aos exercícios de resistência cardiovascular, criando novos estímulos e resultados. Elásticos acoplados aos trampolins também permitem trabalhar os membros superiores e tronco”. Apesar de as turmas estarem completas, os interessados podem e devem deixar o nome na Academia Center Fitness: “Existe um rodízio natural, ou seja, hoje não tem vaga, mas amanhã pode ter”, finaliza Alessandra Guse.

Série “Campeões brasileiros” No ano de 1977, o São Paulo conquistou seu primeiro Campeonato Brasileiro. Na cobrança de pênaltis, em pleno Mineirão, o Tricolor Paulista venceu o Atlético-MG por 3x2. Das 21 partidas disputadas, o São Paulo venceu 13 e perdeu e empatou quatro. Foram 40 gols marcados a favor e 15 sofridos. Pollozzi, da Ponte Preta, foi considerado a revelação de 77, enquanto Serginho Chulapa, são-paulino, foi eleito o craque. Reinaldo, do Galo, foi artilheiro com 28 gols. O Galo foi brilhante naquele ano, terminando o campeo-

nato invicto, com tudo para ser o grande campeão. Mas fez um papel feio na final: o craque do time, Toninho Cerezo, mais Joãozinho Paulista e Márcio, erraram suas cobranças na disputa de pênaltis. O Galo terminou o campeonato com 10 pontos a frente do tricolor paulista. O técnico Rubens Minelli conquistou seu terceiro título consecutivo, o primeiro com o São Paulo, que era formado por: Valdir Peres, Getúlio, Estevam, Bezerra, Antenor, Chicão, Teodoro, Darío Pereyra, Zé Sérgio, Serginho Chulapa (Mirandinha) e Neca.

O brasileirão de 77 teve ainda mais clubes participantes: no total foram 62 times. O Cruzeiro, que havia ido mal no ano anterior, também não conseguiu fazer uma boa campanha e terminou em 16º lugar. 1977 foi ainda um ano de adeus: adeus a ídolos do cinema e da música, como Elvis Presley, Charles Chaplin e Maysa. Adeus ao rei do futebol: com a camisa do New York Cosmos, Pelé marcou um gol em cima do Santos e se despediu do futebol.

CARINA BORTOLINI

Considerações sobre o Oscar 2013 Num ano em que muitas excelentes produções foram esquecidas pelo Oscar, houve premiações merecidas e também, é claro, flagrantes injustiças. Dá para entender o motivo de “Curvas da Vida”, com Clint Eastwood, e “Um Método Perigoso”, de David Cronemberg, não serem sequer lembrados? Enquanto “O Lado Bom da Vida”, comédia dramática bacana - e só - foi indicada a oito (!) categorias, o excelente e original “Moonrise Kingdom”, de Wes Anderson, só concorreu a “Melhor Roteiro Original” - e perdeu. Mas, pelo menos, a estatueta ficou com o indomável Tarantino, por “Django Livre”. A cerimônia, que foi comandada por um chato comediante (pra variar), premiou Michael Haneke e seu “Amour” com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Uma escolha obrigatória, pois o filme sobre um casal de idosos que precisam lidar com o definhamento e a proximidade da morte soube ser chocante e plácido, cruel e doce, incômodo e romântico. Uma obra-prima. Mas que vergonha ver Emmanuelle Riva, a protagonista do filme, do topo de seus 86 anos e de uma carreira irretocável, perder a estatueta de Melhor Atriz para a menina Jennifer Lawrence!.. Não que a moça seja ruim, mas colocá-las lado a lado numa disputa já é uma afronta por si só. Minha torcida era mesmo por “Lincoln”, um filme espetacular sobre uma figura excepcional. Primor na reconstrução histórica, atuações impecáveis, diálogos (e monó-

logos) muito espirituosos e a direção sem afetações de Steven Spielberg fizeram valer as 12 indicações. Mas, ironia das ironias, no ano em que o favorito o era merecidamente, deu zebra! “Lincoln” levou apenas dois prêmios, o de Melhor Direção de Arte e o de Melhor Ator para o fabuloso Daniel Day-Lewis, que é o primeiro a conquistar três dessas estatuetas (as outras foram por “Meu Pé Esquerdo” e “Sangue Negro”). Como bem disse Rubens Ewald Filho, considerando alguém que fez tanto pelo cinema como Spielberg, ter apenas dois Oscar em sua estante é muito desprestígio. Acredito que o filme de Ang Lee, “As Aventuras de Pi”, seja também belíssimo, porém, mais na forma que no conteúdo. E o prêmio de Melhor Filme para “Argo” vem celebrar o talento de Ben Affleck, o rapaz que começou como roteirista premiado, transformou-se em ator de segunda e, de uns anos pra cá, descobriu sua verdadeira vocação como diretor de primeira. Seu filme era mesmo um potencial vencedor, pois conseguiu unir discurso contra o terrorismo e homenagem à magia de Hollywood. Não sem mérito, frise-se. Ademais, merece destaque a linda apresentação de Adele interpretando “Skyfall”, canção do novo filme de 007 que acabou rendendo um Oscar à cantora. Para os próximos anos, continuemos aguardando para assistirmos quando é que a Academia se renderá ao talento de DiCaprio. Uma perseguição que até parece coisa de cinema.


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