10 anos
FEVEREIRO 2013
ANO IX - Nº 118 Resende Costa - MG
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Distribuição Gratuita
Resende-costense faz sucesso na internet com vídeos humorísticos Montegem: Eduardo Maia
Plantões médicos mudarão a partir de abril
A Prefeitura de Resende Costa e o Hospital Nossa Senhora do Rosário procuram uma solução para a permanência dos plantões de urgência realizados de segunda a quinta-feira. A partir de abril, os médicos Luiz Antônio Pinto e Paulo Cézar Fortuna Dias não realizarão mais plantões no hospital. Melhor remuneração é condição para vinda de novos plantonistas. Página 04
Geração de empregos cresce nas Vertentes
O mercado formal de trabalho criou 1.136 novos empregos em 2012 na microrregião do Campo das Vertentes, um aumento de 34,4% comparado com o ano anterior. O mercado de trabalho de Resende Costa destacou-se pelo aumento de 52,1% na oferta de oportunidades de trabalho, com geração de 73 novas vagas. Página 15
A histórica Tiradentes comemora aniversário
Perfil: conheça Jean William Cipriani
A cidade de Tiradentes celebrou 295 anos no último dia 19 de janeiro. As comemorações iniciaram logo pela manhã na praça cívica Largo do Sol. Após as solenidades, um bolo de sete metros foi distribuído entre os presentes. O Grupo de Congado Mestre Prego e a Orquestra e Banda Ramalho se apresentaram durante o evento.
O empresário são-joanense, Jean William Cipriani, redescobriu em Resende Costa a sua grande paixão pelo rádio. Habituado a ser entrevistador, nesta edição do JL ele é o entrevistado e fala sobre família, esporte, negócios e revela que seu programa diário na Rádio Inconfidentes, “Fala Resende”, o tem possibilitado fazer o que mais gosta: conhecer pessoas.
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Eduardo Maia já criou inúmeros personagens em seus programas na web
O fisioterapeuta e humorista Eduardo Maia é o novo hit da web. Seus vídeos humorísticos, que apresentam diversos personagens criados por ele, vêm recebendo centenas de acessos desde o fim do ano passado. Os vídeos fazem parte do projeto “Goblin Produções”,
criado pelo resende-costense em 2011. O seu canal “Goblin +”, no Youtube, apresenta um programa por semana, que já é assistido por internautas de vários lugares do Brasil. De acordo com Eduardo, há acessos também no exterior. Devido à crescente audiência, o humoris-
ta pensa em algumas mudanças: “Já estou estudando uma forma de melhorar a qualidade de áudio e vídeo do canal. No conteúdo, pretendo expandir com novos personagens e novos programas, que todos poderão ver em breve”. Página 11
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Jornal das Lajes
E D I T O R I A L
Pesadelo em Santa Maria Era para ter sido apenas mais uma noite de diversão em Santa Maria (RS), mas a negligência, o despreparo e o abuso transformaram a madrugada do dia 27 de janeiro último numa longa e jamais esquecida noite de terror, agonia e tristeza. A vida de mais de 230 jovens, a maioria universitária, foi terrivelmente ceifada nos labirintos da boate Kiss. Sonhos que se descortinavam no auge da juventude foram asfixiados pela fumaça mortal do gás cianeto, desprendido do material sintético, usado para o isolamento acústico, que recobria o teto da boate. A tragédia na boate Kiss foi mais uma entre tantas ocorridas no Brasil, que poderiam ser evitadas se as regras de segurança fossem observadas e as autoridades não fossem tão omissas. Podemos citar os acidentes de trânsito ocorridos todos os dias nas estradas que cortam o país, causados, em sua maioria, pela imprudência dos motoristas e pela falta de fiscalização das autoridades. Na época das chuvas, somos sempre assombrados pelos deslizamentos de terra que deixam bairros inteiros soterrados e dizimam centenas de pessoas, muitas vezes famílias inteiras. Após essas tragédias, pressionadas pela comoção popular, as autoridades sempre prometem tomar providências, investigar culpados, amparar as vítimas e elaborar estratégias de prevenção de acidentes. No fim, nada acontece; as investigações não apontam nenhum culpado e, mesmo que apontem, ninguém é preso. Infelizmente esse é o Brasil. Até quando iremos assistir de mãos atadas vidas serem precocemente ceifadas devido ao desrespeito, à impunidade e ao descaso? Os jovens que foram se divertir na boate Kiss não imaginavam o que poderia lhes acontecer. Eles se sentiam seguros, mesmo estando num ambiente com lotação muito acima da capacidade permitida, sem saídas de emergência e com equipamentos de segurança que não funcionaram quando mais se precisava deles. Depoimentos de pessoas que estavam no interior da boate e testemunharam o início do incêndio revelam que o extintor que ficava ao lado do palco não funcionou, que centenas de pessoas se amontoaram nas grades que fechavam a única saída da boate e os seguranças não permitiram a saída das pessoas até perceberem que de fato havia incêndio na casa. As investigações poderão apontar que uma sucessão de falhas, que poderiam ser evitadas, causou a morte dos mais de 230 jovens. As condições de segurança na boate Kiss eram as mesmas, ou até melhores, do que as de inúmeras casas noturnas que atualmente funcionam nas periferias do país. No dia seguinte à tragédia em Santa Maria, os brasileiros presenciaram o início de uma verdadeira varredura em boates, teatros e bares em diversas cidades do Brasil, no intuito de verificar as condições de segurança dos estabelecimentos. Muitos deles funcionavam à revelia das normas de segurança, por isso foram notificados ou tiveram o alvará de funcionamento cassado. Ao longo das últimas semanas, a imprensa nacional noticiou esta intensa fiscalização nas grandes cidades. E a realidade das pequenas cidades do interior do Brasil, onde centenas de jovens também se reúnem todos os dias em ambientes que oferecem condições infinitamente piores do que as encontradas na boate Kiss? Em muitas dessas cidades não há qualquer tipo de fiscalização, o prefeito assina alvará sem nenhum critério e as normas de segurança são simplesmente ignoradas pelos proprietários de estabelecimentos que recebem grande aglomerado de pessoas. Até quando seremos reféns deste tipo de negligência? Enquanto as autoridades não se despertam de um sono letárgico e se dispõem a cumprir o dever de fiscalizar e exigir dos proprietários de casas noturnas o cumprimento das regras de segurança, fica o apelo aos jovens que curtem baladas para que tenham mais cuidado quando forem escolher onde se divertir e observem, acima de tudo, se o local oferece segurança. Uma simples noite de diversão pode se transformar em pesadelo.
Jornal das Lajes Ltda
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Fundado em 22 de janeiro de 2008 Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro
Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000
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Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP
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Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves
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Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Tiradentes
Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
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Meio Ambiente
ADRIANO VALÉRIO RESENDE
De quem é a água? Você já deve ter se perguntado a quem pertence a água que chega pela torneira da sua casa, se é da COPASA, da Prefeitura ou do proprietário do terreno onde ela nasce. A água não pertence a nenhum deles individualmente, a água é de todos, é um bem público. Mas, atente para essa informação: apesar de ser garantido o direito de acesso a todos aos recursos hídricos (água), isso não quer dizer que se possa entrar em qualquer propriedade para pegar água, o dono da terra precisa autorizar previamente a entrada. A primeira regulamentação sobre as águas brasileiras foi o chamado Código das Águas, Decreto 24.643 de 1934. Segundo o Decreto, eram particulares as nascentes e todas as águas situadas em terrenos não públicos, exceto o potencial hidrelétrico (as quedas d’água) que seria do governo federal. Com relação à qualidade houve um avanço, ficando proibida a contaminação da água, o que causaria prejuízo a terceiros. O fato de a água ser de domínio privado foi modificado mais tarde pela Constituição Federal de 1988. Assim, pelos artigos 20 e 26 são da União, por exemplo, os rios que banham mais de um Estado ou que servem de limites com outros países ou deles provenham, as praias marítimas e os potenciais de energia hidráulica; e são dos Estados a maioria dos rios e lagos e a água subterrânea. Segundo a legislação mais recente, nos termos da Política Nacional de Recursos Hídricos
(Lei Federal nº 9.433/1997), a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico e um bem de domínio público. Complementando, pela Política Estadual de Recursos Hídricos (Lei Estadual nº 13.199/1999) sua utilização deve ser orientada pelos princípios do desenvolvimento sustentável. Bom, se as águas são públicas, é do Estado a responsabilidade pela sua administração, objetivando assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos (Lei Federal nº 9.433/1997). Daí a existência dos chamados instrumentos da Política Federal e Estadual de Recursos Hídricos. Dois desses nos interessam muito: a Outorga dos direitos de uso de recursos hídricos e a cobrança pelo uso desses recursos. Trocando em miúdos, se você faz uso, intervenção ou derivação de recurso hídrico deve ter uma autorização do Estado para isso, ou ainda, se você utiliza água (que não seja da COPASA) para consumo em sua casa, se tem uma represa, um poço em sua propriedade ou faz dragagem para retirar areia de rios, você deve ter uma autorização do Estado. Essa autorização é a Outorga ou a Certidão (Cadastro) de Uso Insignificante. A Outorga é o instrumento legal que assegura ao usuário o direito de utilizar os recursos hídricos e tem por objetivo assegurar os controles quantitativo e qualitativo dos usos da água e o efetivo exercício dos direitos de acesso à água
(Lei Estadual nº 13.199/1999). Atente para o fato de que essa autorização não dá ao usuário a propriedade de água. Em outras palavras, Outorga é um documento oficial, em papel timbrado, que autoriza a utilizar a água. Por exemplo, a COPASA tem uma concessão do Estado para captar água e vendê-la à população, depois de tratada, é claro. O Cadastro de Uso Insignificante é mais simples de fazer e mais barato: para pequenas captações superficiais (até 1 litro/segundo) e subterrâneas (até 10 m³/ dia) e pequenas acumulações (represas de volume menor que 5.000 m³). Para maiores informações acesse o site: http:// www.semad.mg.gov.br/outorga. Ainda há o outro instrumento de gestão das águas: a cobrança pelo seu uso. Sujeita-se à cobrança pelo uso da água, segundo as peculiaridades de cada bacia hidrográfica, aquele que utilizar, consumir ou poluir recursos hídricos (Lei Estadual nº 13.199/1999). A cobrança será feita inicialmente pelo Estado, através do Instituto Mineiro de Gestão das Águas – IGAM, e depois pelos Comitês de Bacia Hidrográfica (CBH). Atualmente, em algumas regiões do Estado de Minas Gerais já se iniciou o processo de cobrança pelo uso dos recursos hídricos: bacia do rio das Velhas e do rio Santo Antônio (rio Doce), por exemplo. (A coluna “Meio Ambiente” é uma parceria entre Jornal das Lajes e a ONG Instituto Rio Santo Antônio (IRIS).
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Está no ar o novo site do JL Em comemoração aos 10 anos de existência, o Jornal das Lajes presenteia seus leitores com a nova versão do site, que traz novas funcionalidades. A parceria com a empresa Atus Tecnologia e Comunicação já reestruturou o jornal impresso e agora traz um layout completamente remodelado para a versão online do JL. Preocupado com a acessibilidade dos leitores, o novo site possui uma interface simples e preparada para se adaptar a smartphones, tablets e monitores. Entre os novos recursos disponíveis, o novo site do JL possibilita ao leitor criar seu perfil, comentar tex-
tos, enviar reportagens e eventos com quantidade de fotos ilimitada. Faça seu cadastro gratuitamente e aproveite todas as
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Informe Publicitário
Informativo da Câmara A partir desta edição, a Câmara Municipal de Resende Costa utilizará este espaço, neste periódico, para informar ao cidadão os projetos de leis aprovados, além de outras informações de interesse público. Trata-se de um espaço informativo e ao mesmo tempo interativo, através do qual o Legislativo Municipal poderá dialogar com o cidadão, fortalecendo, assim, os laços democráticos. A Primeira reunião ordinária da 1 ª sessão Legislativa da Legislatura 18ª da Câmara Municipal de Resende Costa foi realizada no dia 1º de janeiro de 2013, às 12 horas, no salão do Centro de Pastoral Paroquial (CPP). Entre outros projetos colocados em pauta, aconteceu a eleição para a composição das Comissões Permanentes, que funcionarão durante as sessões legislativas. As comissões foram compostas pelos seguintes vereadores: • Comissão de Legislação, Justiça e Redação - Presidente: Paulo César Daher Chaves. Secretário: Ângelo Márcio Resende. Membro: José Roberto Sousa. • Comissão de Finanças, Orçamento e Tomada de Contas – Presidente: Francisco Abel de Assis. Secretário: José Roberto Sousa. Membro: Paulo César Daher Chaves. • Comissão de Serviços Públicos Municipais – Presidente:
João Dias. Secretário: José Roberto Sousa. Membro: Luiz Antônio Pinto. • Comissão de Ensino, Educação e Cultura - Presidente: Ângelo Márcio de Resende. Secretário: José Roberto Sousa. Membro: Paulo César Daher Chaves. • Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social – Presidente: Luiz Antônio Pinto. Secretário: José Roberto Sousa. Membro: Vicente Francisco da Silva. • Comissão de Esportes, Recreação e Lazer – Presidente: Lucas Paulo de Assis. Secretário. Francisco Abel de Assis. Membro: Ângelo Márcio de Resende. Dentre os projetos de leis aprovados pelo Legislativo Municipal durante as sessões do mês de janeiro, destacam-se: Projeto de lei 02/2013 – O projeto, aprovado por unanimidade pelos vereadores, autoriza a assinatura de Convênio entre o município de Resende Costa e a APAE – Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais. Projeto de lei 04/2013 – O projeto autoriza a abertura de crédito especial para custeio das despesas com aluguel de imóvel para a Polícia Civil no município de Resende Costa. A Polícia Civil encontra-se
instalada na Rua Padre Alfredo, antiga garagem da casa da Inedis. Projeto de lei 05/2013 – O projeto autoriza a assinatura de Convênio entre o município de Resende Costa e a AERCO (Associação dos Estudantes de Resende Costa). O convênio garantirá, durante o ano de 2013, transporte dos universitários de Resende Costa até a cidade de São João del-Rei. Projeto de lei 08/2013 – O projeto autoriza a assinatura de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação Filhas de São Camilo/Hospital Nossa Senhora do Rosário, garantindo atendimento hospitalar e ambulatorial de emergência durante os meses de janeiro, fevereiro e março de 2013. Após esse período, será realizado novo convênio e elaboradas novas normas. Maiores informações: www. camaraderesendecosta.mg.gov. br Venha participar das Reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município. Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N. Centro. Tel.: (32) 3354-1526
APAE Noel 2012 A APAE de Resende Costa informa o resultado do APAE Noel 2012. O sorteio de prêmios, promovido pela Federação Nacional das APAEs, aconteceu em janeiro último. ----------------------------------------1º Prêmio – 01 Novo Uno Way 1.0 Flex 4P 2012 Número sorteado: 676.704 Ganhadora: Valesca Bittencourt Machado Prêmio destinado para a APAE vendedora do bilhete sorteado do 1º prêmio. Ganhadora: APAE de Porto Alegre – RS ----------------------------------------2º Prêmio – Mile Way Economy 1.0 Flex 2P 2012 Número sorteado: 704. 815 Ganhador: Márcio Marinho Lins Cidade: Manaus – AM ----------------------------------------3º Prêmio – Uma Motocicleta
Dafra Riva 150cc Número sorteado: 815. 990 (bilhete não vendido) Número ganhador por aproximação: 816.500 Cidade: Bento Gonçalves – RS ----------------------------------------4º Prêmio – Uma Motocicleta Dafra Kansas 150 cc Número sorteado: 990.640 Ganhadora: Noemi Tokuda Rodrigues Cidade: Abaetetuba – PA ----------------------------------------5º Prêmio – Uma Motocicleta Dadra Zig 100cc Número sorteado retificado: 640.676 (bilhete não vendido) Número ganhador por aproximação retificado: 640.900 Ganhadora: Maria Celia Delazari Silva Cidade: Ubá - MG
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ANO IX Nº 118 - FEVEREIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Política
Prefeitura e hospital procuram solução para plantões de urgência
ANDRÉ EUSTÁQUIO Foto Emanuelle Ribeiro JL
A partir de abril, os médicos de Resende Costa, Luiz Antônio Pinto e Paulo Cézar Fortuna Dias, não realizarão mais plantões de emergência no Hospital Nossa Senhora do Rosário. A decisão dos médicos obriga a prefeitura, que contrata o hospital para os serviços de plantão, a encontrar uma solução (leia-se financeira) para a permanência dos plantões de urgência. O prefeito municipal Aurélio Suenes avalia que, dentre os principais desafios financeiros impostos a ele neste início de mandato, conseguir encontrar recursos financeiros que possibilitem a contratação de novos médicos plantonistas é o principal deles. “Encontramos a prefeitura numa situação delicada, mas o problema dos plantões no hospital é que está me deixando mais preocupado”. “Paulo e eu deixamos claro, antes das eleições municipais, independentemente do resultado, que estávamos determinados a não fazer mais plantões de segunda a quinta-feira”, disse ao JL o médico Luiz Pinto. Ele apresenta três motivos para a não realização dos plantões, sendo o principal deles o cansaço devido ao tempo de trabalho. “A primeira razão é o cansaço. O Paulo está há mais de trinta anos realizando plantão e eu já estou chegando quase a isso. Quase não temos tempo para a família, pois tem final de semana que chegamos a trabalhar 72 horas. Durante este tempo, dormimos pouco, pois temos que estar no ar para receber chamadas... Além dos plantões no ambulatório, ainda somos responsáveis pelo atendimento interno do hospital, ou seja, visitar pacientes nos leitos, realizar partos e cirurgias etc.”. Paulo Dias completa dizendo que “não se trata apenas de receber os pacientes que chegam à emergência, temos também que tratar deles”. O segundo motivo apresentado por Luiz Pinto é de cunho financeiro. Segundo ele, o valor que o SUS paga aos médicos atualmente em Resende Costa (pouco mais de 200 reais), por plantão realizado, está muito abaixo do valor de mercado. “Hoje, dificilmente você vai encontrar médico que realiza plantão por menos de 1.200 reais, 24 horas, e 600 reais, 12 horas. Deixando os plantões, teremos também mais tempo para nos dedicar ao consultório. Mas deixo claro que não estamos deixando por causa de dinheiro. Nós assumimos um compromis-
A partir de abril, Prefeitura Municipal terá que encontrar meios para manter os plantões de urgência no Hospital Nossa Senhora do Rosário
so com o Aurélio de realizarmos os plantões durante os primeiros três meses do ano, até a prefeitura conseguir outros médicos plantonistas. Essa é a terceira razão”, justifica Luiz Pinto. Paulo Dias também justifica o apelo da família como o principal motivo para deixar os plantões: “De fato estou há 35 anos realizando plantões. A minha família tem me cobrado, já há bastante tempo, mais presença em casa”, disse. Melhor remuneração Atualmente, a prefeitura repassa ao hospital 249 mil reais por ano, valor que está longe do ideal para cobrir as despesas com plantões. “O valor pretendido ainda não foi divulgado, pois a irmã está verificando a demanda do hospital para a contratação de médicos de outras cidades. Ainda não temos uma situação definida”, informou o prefeito Aurélio. Cobrir a oferta de outros municípios que oferecem remuneração superior ao valor pago aos plantonistas em Resende Costa é um problema a mais a ser superado pela prefeitura. “Os nossos médicos trabalham há muito tempo abaixo do valor de mercado. Para chegar ao valor pretendido, certamente teremos que remanejar o orçamento da prefeitura, inclusive retirando recursos de outros setores. Temos que cobrir a oferta de municípios que oferecem aos médicos remuneração muito maior do que o valor que atualmente disponibilizamos”, disse o prefeito. Ele deixa claro ser de “extremo interesse da administração manter o plantão no hospital, inclusive contando com a presença de médico 24 horas”.
O médico Luiz Pinto é enfático quanto à necessidade de aumentar o valor da remuneração dos médicos plantonistas. Para ele, trata-se de uma condição para conseguir novos plantonistas: “Se o valor atual não for reajustado, médico nenhum vai vir pra cá realizar plantão. Nós estamos lutando para que a prefeitura entre em acordo com o hospital para trazer novos plantonistas. E que estes médicos de fato criem vínculos com o hospital e montem consultórios aqui”. Luiz Pinto informa que Paulo Dias e ele estão deixando apenas os plantões de urgência de segunda a quinta-feira: “Não vamos deixar o hospital, preservarei os meus plantões de final de semana, que é também uma forma de eu participar ainda mais do hospital”. Paulo Dias diz que “jamais deixará o hospital nas mãos”, caso não consiga plantonistas até abril. “Se chegar abril e não tiver ninguém para fazer os plantões, é claro que os realizarei até contratar novos médicos. Tenho uma dívida de gratidão com o hospital; se o meu consultório está cheio de pacientes devo isso também ao hospital”, afirma o médico. Prefeito procura saída Uma das saídas apontadas pelo prefeito Aurélio Suenes para aumentar o valor repassado ao hospital seria a instalação da Sala de Estabilização do SAMU. “Esta sala funcionaria dentro do hospital, com médico 24 horas. O Estado repassaria em torno de 40 mil reais mensais para a manutenção desta sala. No fim do ano, se multiplicarmos, é mais do que o dobro do valor que o
Sobrado da Câmara Municipal de Resende Costa está sendo reformado O antigo sobrado que abriga a Câmara Municipal de Resende Costa está sendo reformado. A escadaria que dá acesso ao sobrado teve sua reforma iniciada ainda na administração anterior: as pedras de mármore foram substituídas por blocos de pedra gnaisse. Já os balaústres, que em sua maioria estavam trincados, também estão sendo substituídos por outros, também confeccionados em pedra gnaisse. Quando as obras iniciaram, Luís Cláudio dos Reis (hoje secretário de Agricultura e Meio Ambiente) era o presidente da Câmara. Segundo ele, “a reforma era necessária, já que os balaústres e os barrotes que sustentavam o assoalho da parte central da recepção estavam abalados. Quanto à escadaria, a mudança
CÁSSIO ALMEIDA é mais por motivo estético, pois com as pedras gnaisse o prédio fica com um melhor aspecto, combinando com o alicerce que é todo de pedra”. A previsão era de que a obra fosse entregue no final de janeiro, mas devido às chuvas e ao atraso na entrega das pedras, que estão sendo cortadas em Coronel Xavier Chaves, só deverá ser concluída no final de fevereiro: “Infelizmente os atrasos acontecem, mas assim que estiver pronta, a casa estará de portas abertas para receber todos os cidadãos”, disse o atual presidente da Câmara, Zinho Gouvêa, que informou ainda sobre a fonte dos recursos aplicados na reforma: “A obra está sendo custeada com recursos da própria Câmara Municipal”, concluiu. Foto Cássio Almeida
Sobrado da Câmara em reforma.
município repassa atualmente ao hospital. Com a Sala de Estabilização do SAMU resolveríamos esse problema”, acredita Aurélio. Nazareno e São Tiago, municípios da região do Campo das Vertentes, já contam com a Sala de Estabilização, e por isso recebem verba do governo do estado. “É muito importante que consigamos essa sala. Vou arregaçar as mangas, pedir muito, até ser enjoado. Mas temos que conseguir de qualquer jeito”, enfatiza o prefeito, que reitera a importância do hospital para Resende Costa e região: “Temos um hospital muito bem organizado e administrado, que conta com excelente estrutura capaz de atender bem Resende Costa e outras cidades da região”. Paulo Dias concorda que seria um grande avanço a instalação da Sala de Estabilização do SAMU em Resende Costa, porém enumera algumas dificuldades: “Concordo que a instalação da Sala de Estabilização do SAMU seria a oportunidade de mantermos aqui um plantão 24 horas, pois o estado repassa uma grande parcela de
sustentação do programa, diminuindo, assim, a necessidade de repasse da prefeitura. A grande dificuldade é conseguir médico plantonista, mesmo com valores maiores. Em unidades já instaladas, como na cidade de São Tiago, não raro há ausência de plantonista, obrigando os médicos locais a cobrirem os plantões”. O prefeito Aurélio acredita que uma alternativa para melhorar o atendimento médico em Resende Costa seria a criação da segunda equipe de PSF (Programa de Saúde da Família). De acordo com ele, o objetivo é implantá-la no segundo semestre deste ano: “Além de tantos benefícios, seria mais um médico na cidade, pois uma das exigências para se criar a nova equipe de PSF é que tenha um médico”. A diretora do hospital, irmã Amélia Herold, informou que ainda não chegou a uma definição acerca da contratação de novos médicos plantonistas, uma vez que ainda não se sabe qual será o valor a ser repassado pelo município ao hospital.
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Religião
Política
Administração Municipal de Resende Costa tenta colocar as contas em dia Despesas não contabilizadas referentes a anos anteriores estão sendo investigadas ANDRÉ EUSTÁQUIO
A maioria dos prefeitos recém-empossados no Brasil nem bem assumiu o cargo e já teve que ligar a calculadora, fazer cálculos, abrir mão de possíveis investimentos para tentar colocar em dia as contas das prefeituras. Dívida foi a principal herança deixada pelos antecessores que, devido principalmente à queda no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), não conseguiram fechar as contas no fim de 2012. De acordo com levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), a queda do FPM gerou rombo nos cofres de 97, 37% dos municípios em 19 Estados do país. Resende Costa está entre os municípios que não conseguiram fechar totalmente suas contas no fim do ano passado. O prefeito Aurélio Suenes iniciou seu mandato tendo que quitar uma dívida de R$76.311,53 deixada pela administração anterior. Trata-se de despesas com CEMIG, folha de funcionários inativos, pensionistas e complementação de dezembro de 2012, INSS patronal de dezembro de 2012, Imprensa Oficial e PASEP de dezembro de 2012. A dívida foi totalmente quitada pela administração atual em meados de janeiro, porém estão surgindo outras despesas que não foram contabilizadas, referentes a anos anteriores. “A Administração Municipal vai abrir uma Tomada de Contas Especial para averiguar se realmente houve recebimento de materiais, como peças, ferramentas, materiais de construção etc. e se estes foram de fato utilizados. Após a conclusão deste procedimento, havendo regularidade no fornecimento dos itens reclamados pelos fornecedores, será solicitada abertura de crédito especial junto à Câmara Municipal para efetuarmos os pagamentos, uma vez que se refere ao exercício
de 2012”, esclareceu o assessor jurídico da Prefeitura Municipal, Geraldo Aires da Silva. A assessoria jurídica esclarece que “estão sendo tomadas todas as providências cabíveis para a quitação dessas dívidas, e se houver pagamento, será a partir de autorização da Câmara Municipal”. O prefeito municipal Aurélio Suenes avalia que faltou critério à administração anterior para aplicação de recursos financeiros: “Foram gastos muitos recursos sem o devido planejamento. Agora precisamos organizar nosso orçamento para equilibrar as contas”, disse o prefeito, que se juntou a muitos administradores municipais recém-empossados Brasil afora, que estão sendo obrigados a fazer cortes no orçamento para ajustarem as contas. Almoxarifado desabastecido Os cofres vazios deixaram o almoxarifado da prefeitura desabastecido. Faltam materiais de pequenos reparos, como cimento e pranchão, além de kits escolares, material de limpeza e escritório. “No começo do ano é normal a falta de material, uma vez que as licitações são realizadas no início de cada ano vigente. O material de copa, cozinha e escritório está praticamente esgotado, mas já está aberto edital para licitação. Em relação à merenda e kits escolares, já realizamos as licitações”, informa o secretário de Administração, Toninho Ribeiro. Toninho diz ser difícil enumerar todos os itens que estão escassos ou em falta no almoxarifado da prefeitura: “É muito difícil dizer, pois são vários utensílios. Já o material de água e esgoto está tranquilo”. O secretário informa ainda que estão sendo tomadas todas as providências para o reabastencimento do almoxarifado: “Vá-
rios processos de licitação já foram realizados e outros estão sendo feitos”. O secretário de Administração informou que a Secretaria de Educação distribuirá o material escolar aos alunos da rede municipal de ensino para uso neste ano letivo. “O material não será entregue em forma de kit. As escolas já estão entregando parte do material correspondente aos materiais existentes no almoxarifado das escolas. Já o restante do material será distribuído aos alunos tão logo as empresas vencedoras da licitação, realizada em janeiro deste ano, efetuem a entrega dos produtos licitados”. Quanto ao estoque de material escolar e utensílios de limpeza no almoxarifado das escolas municipais, Toninho Ribeiro esclarece: “a Secretaria de Educação realizou uma avaliação prévia de todo o estoque de materiais escolares no almoxarifado das escolas e verificou a existência de uma quantidade significativa que poderia ser utilizada no ano de 2013, não sendo necessária aquisição de todo o material. Verificou-se também que no almoxarifado das escolas municipais há estoque de material de limpeza suficiente para suprir a demanda de aproximadamente três meses”. Aurélio espera que no primeiro semestre deste ano consiga equilibrar o caixa da prefeitura através, principalmente, do recolhimento de impostos como IPVA e IPTU, uma vez que 50 % da arrecadação do IPVA fica no município, além da totalidade do IPTU. “Esperamos que através da arrecadação com IPVA e IPTU a gente consiga equilibrar as contas da prefeitura já neste primeiro semestre. Mesmo assim, teremos que fazer cortes e ajustes”, prevê.
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PADRE DIRCEU DE OLIVEIRA MEDEIROS*
Quaresma: caminho de crescimento Proponho-me a dizer três palavras sobre a quaresma, este rico tempo na liturgia da Igreja. A primeira é esta: quaresma é tempo de tomar consciência de nossa fragilidade humana. “Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris” (Jó 10,9). Assim inicia, o grande orador sacro padre Antônio Vieira, o seu sermão da quarta feira de cinzas. Com essas palavras, no passado, a Igreja convidava o povo a percorrer o caminho quaresmal. A princípio, essa expressão pode parecer um pouco dramática e forte, porém, quero crer que a Igreja, como perita em humanidade, desejava, tão somente, salientar nossa frágil condição humana e nossa transitoriedade. Talvez essa metáfora do “pó” ainda seja útil e atual. É sempre oportuno recordar àqueles que vivem, como se fossem eternos, sustentados por um sentimento de onipotência e auto-suficiência, sua condição de fragilidade e transitoriedade. Aliás, a palavra humildade, que vem do substantivo latino húmus, quer dizer exatamente isto: somos filhos da terra, do barro quebradiço moldado pelas mãos do criador. Enfim, somos limitados! É bem verdade que o ser humano é capaz do bem, do melhor, do mais elevado, mas, pedagogicamente a quaresma nos recorda esta verdade: somos frágeis e não podemos viver como se fôssemos onipotentes! Esta é a primeira palavra sobre a quaresma: quem se julga pronto e acabado não abre espaço em si para a graça de Deus agir. Somos seres inacabados e em constante construção. O tempo quaresmal é tempo de conversão, ou seja, tempo de mudança profunda de mentalidade e atitudes. Para sairmos crescidos da quaresma e atingirmos a estatura do Cristo Ressurrecto, convém nos converter a um estilo de vida mais simples, austero e frugal, no cuidado com a natureza e o ser humano. Esta é a segunda palavra sobre a quaresma: quero convidá-lo a percorrer o caminho quaresmal como tempo de reeducação dos sentidos, sobretudo da visão. O olfato, o tato, o paladar, a audição e a visão, nossos cinco sentidos devem ser reeducados, a fim de termos uma relação mais harmoniosa com a natureza e com os seres humanos. Precisamos reeducar nossa visão, fazer uma re-visão, ou seja, passar
a perceber coisas e realidades que não vemos no cotidiano, sinais da gratuidade de Deus. Passar a ver, sob outro prisma situações e realidades do dia a dia. O desafio é: ver a vida, os acontecimentos, as pessoas com outros olhos, com os olhos da graça, com os olhos de Deus. Jesus curou os cegos e há muitas cegueiras hoje que precisam ser vencidas. Em nossa época somos estimulados por uma “inundação de estímulos”. Privilegia-se o pior. Liga-se a TV e só se vê o pior. Nosso olhar precisa aprender a captar os sinais de Deus nesse emaranhado de coisas. Por fim, reflito sobre o deserto. Para o imaginário do povo do oriente o deserto é vital, é uma escola. O povo de Deus, por assim dizer, foi gestado, a duras penas, no deserto. Foi também no deserto que Jesus se preparou para sua vida pública. O deserto, simbolicamente, é lugar da privação e da solidão. É na “solidão amiga” que nos encontraremos com nosso “eu profundo” e também com nossos fantasmas e demônios. O deserto, por assim dizer, é o lugar privilegiado do encontro com Deus e consigo mesmo. Para criarmos ambiente de deserto precisamos de silêncio, recolhimento, vida interior. Esta é a terceira palavra sobre a quaresma: quaresma é tempo de deserto. Justamente no deserto Jesus foi vítima do diabo que quis dividi-lo, a palavra grega diábolos quer dizer precisamente “aquele que divide”. O diabo quis dividir Jesus interiormente e dissuadi-lo de seus projetos, mas Jesus venceu a tentação e se manteve íntegro (inteiro). Quantos diábolos também querem nos dividir e confundir interiormente no deserto de nossa vida. Em repartições públicas, quantos diábolos querem dividir pessoas que procuram se manter íntegras, ou seja, inteiras em seus propósitos de honestidade e retidão de caráter. No trabalho, na família, enfim, no deserto de nossa vida somos tentados a trair nossos valores e ideais, mas é preciso resistir, pois o deserto é mesmo o lugar da prova. Não tenhamos medo de ir ao deserto, pois lá Deus nos prova, mas depois nos aprova! *Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Prados e vigário geral da Diocese de São João del-Rei.
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ANO IX Nº 118 - FEVEREIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Perfil
Jean William Cipriani: um novo resende-costense EMANUELLE RIBEIRO
O locutor da “voz de veludo” Na infância adorava jogar bola e futebol de botão: “Jogava sozinho para o meu time não perder”, brinca sorrindo. E o Jean de
Foto Emanuelle Ribeiro
“O nome é importado, mas o produto é nacional”. A frase é do comunicador e empresário Jean William Cipriani. Proprietário da empresa “Olé Sport”, Jean expandiu seus negócios para Resende Costa há pouco mais de um ano e aqui já fez muitos amigos e a cada dia conhece mais pessoas. Atualmente com o programa “Fala Resende” na Rádio Inconfidentes FM, Jean apresenta todos os dias aos ouvintes um membro da nossa comunidade. “O programa Fala Resende está me proporcionando o que sempre quis: conhecer as pessoas. Participei de diversas mídias e as pessoas sempre me conheciam e eu não tinha a oportunidade de conhecê-las também. A grande oportunidade de aprender é conhecendo as pessoas, não tendo vergonha das vergonhas delas e nem de nossas vergonhas”, afirma. Jean é filho de uma resende-costense, Geni Soares, e de uma figura extremamente conhecida em nosso município, João Eurípedes Cipriani, o saudoso Dinho das rosas. “Considero-me uma pessoa privilegiada, porque fui criado por três mães: minha ‘mamadi’ Geni, minha avó Enoi e minha tia avó Ruth”, conta. Jean lembra da vida sofrida do pai, dos três trabalhos que mantinha para manter a esposa, os filhos e seus dez irmãos: “Como formação tinha apenas o terceiro ano de grupo, era praticamente analfabeto. Mas era uma pessoa muito sensitiva, de uma capacidade de visão de vida bem diferente. Parece que até hoje em Resende Costa há missas direcionadas a pessoa dele. Uma coisa que sinto muito é não ter tido a oportunidade de ser atendido por ele. Na minha época de infância, minha casa parecia uma fila de INPS. A gente não tinha liberdade de nada: as pessoas ficavam nas salas, corredores e até nos quartos da casa. Foi interessante para as pessoas, mas para mim como filho não foi legal, pois não tive a aproximação necessária com meu pai na infância. Ele trabalhava de manhã no campo, a tarde na fábrica, a noite atendia as pessoas e, às vezes, ainda saía para pescar à noite para complementar a renda”, acrescenta.
Jean William Cipriani, o locutor da voz de veludo
hoje é totalmente diferente do Jean criança, adolescente. Isso porque o Jean já foi tímido! É difícil de acreditar, mas ele tinha vergonha de cumprimentar as pessoas na rua e isso só mudou por volta dos 17 anos, quando iniciou sua carreira no rádio. “Meu sonho era ser motorista. Aconteceu que durante um bate-papo, alguém gravou a minha voz e mostrou ao gerente da Rádio Emboabas (Sérgio Ângelo Cavaliere), que me convidou para um teste. Minha timidez era tão absurda que no momento eu fiquei afônico, travei, não consegui fazer o teste. Mesmo assim, o Sérgio me chamou para ser operador, no início me assustei com a aparelhagem, dispensei a oportunidade, mas ele insistiu e se dispôs a me ensinar. Apostou em mim. Com muita vergonha fui me adaptando e levei seis meses para falar em um microfone”, afirma. Ele acabou caindo de para-quedas na comunicação e usando isso como terapia para sua timidez, que logo passou. Seu primeiro programa foi o “Domingo Total”. E com a participação na emissora, em 1978 surgiu a ideia de promover o 1º Festival del-Rei da Canção, ao lado de Valdir Gomes e Edmundo Loures: “Lutamos contra tudo e contra todos. Acredito que em termos de festival, São João ainda não tinha visto algo daquele nível”. Jean já fez de tudo um pouco, até candidato a vereador ele já foi: “Sem a mínima noção do que era
política e de querer ganhar a eleição. Mas para mim foi o máximo. Foi a época em que eu mais ganhei namorada na minha vida. Eu só fazia campanha com as meninas. E consegui ganhar dinheiro também com a política, gravando propaganda para os outros candidatos”, comenta o dono da voz de veludo. Jean lembra que sua voz, além de ter “despertado emoções diversas como saudade e alegria, foi usada como terapia”. De locutor, Jean passou a gerente de hotel. E com as portas abertas, arrendou seu próprio hotel no alto do Bela Vista, em São João: “Descia e ia para o antigo bar Chafariz e me apresentava como um guia turístico. As pessoas gostavam de mim e eu acabei levando muita gente para o hotel. Falo que sou acostumado a tirar leite de pedra. Aconteceu que o hotel bombou. Tive a oportunidade de cozinhar e servir o dono da Fiat. Ele comeu arroz, filé acebolado, batata frita e salada de tomate e alface. Ainda ganhei na época US$ 600,00 de gorjeta. Coisa absurda”, lembra com felicidade da época. Em seguida, criou a “Olé Sport”, no início em um espaço de 2 por 3m². Com a dificuldade de comprar produtos para a empresa, foi para São Paulo em busca de contatos e sempre conversava primeiro com as meninas, usando a voz para conseguir chegar aos representantes principais. Quando conseguiu a chance de falar com um “chefão” da marca esportiva
Umbro, mandou bem: “No fim da conversa, ele disse que naquele momento não poderia me fornecer e eu falei: se dentro da sua consciência o Sr. tiver a possibilidade de me ajudar, me ajuda que eu preciso, mas se não der, muito obrigado. Ele pegou na minha mão e eu já saí, a lágrima descendo pelo rosto. Quando eu estava na porta, ele me chamou: ‘Vem cá mineiro, você é foda’. Ali ele me deu a oportunidade. Após cinco anos, ele me ligou agradecendo por ser o maior vendedor de Atlético-MG e Cruzeiro da região de São João”. Além de locutor, Jean também foi apresentador de televisão, fazendo o primeiro programa ao vivo da região: “Como repórter tive a oportunidade de entrevistar grandes nomes, como Dadá Maravilha, Zico, Zezé Perrella e Aécio Neves”, conta orgulhoso. A paixão pelo futebol e pela família Sobre sua paixão pelo futebol, ele disse que teve vários níveis, já que quando criança foi flamenguista e santista, por influência da mídia que destacava o eixo Rio - São Paulo: “Só fui descobrir minha verdadeira paixão quando saí de Minas para ir ao Rio de Janeiro trabalhar com meu pai. Pela discriminação que vi lá contra Minas, em diversos sentidos, me tornei cruzeirense. Precisei sair de Minas para ser mineiro. E costumo dizer que antes de ser brasileiro, sou
mineiro e cruzeirense. E também são-joanense e agora resende-costense”. E a paixão pelo Cruzeiro o levou a fundar uma torcida organizada em São João e ser destaque na mídia nacional: “Sou um dos fundadores da Máfia Azul em São João del-Rei. Criada para divulgar o nome do Cruzeiro na cidade e o nome de São João por onde fôssemos acompanhar o Cruzeiro. Criei a faixa ‘Sou mineiro UAI, sou Cruzeiro!’, considerada por José Carlos Araújo, da Rádio Nacional, a faixa mais original que ele já tinha visto em um estádio de futebol”. O Jean conquistador, que na adolescência tinha mais namoradas do que amigos, casou-se jovem, aos 23 anos, com Elenir: “Esse ano completamos 30 anos de casados. O segredo da relação? Ela nunca quis competir com o Cruzeiro” (mais risos). Jean se orgulha da família: “Desta relação nasceram dois frutos de beleza, energia, determinação e superação, Thiagão, 28 e Gabi, 22. Não tive muito tempo com eles na infância, pois tinha que trabalhar para sustentar a família, mas hoje tento recuperar isso. Agora eles que não têm mais tempo. Na medida do possível a gente tenta curtir”. Quando tocamos no assunto Resende Costa, ele falou que desde que chegou sentiu uma energia diferente, uma sensação de que já esteve aqui antes. “A vida tem dessas coisas. Hoje, aos 52 anos, estou fazendo o caminho inverso de minha mãe, que aqui nasceu e viveu por 18 dias”. E com Resende Costa vieram outras surpresas, que foi o retorno à comunicação: “Eu que pensei que tinha me aposentado de tudo isso, estou tendo uma oportunidade totalmente diferente, de trabalhar com a alma, por prazer. Meu sonho hoje é ter uma casa em Resende Costa. Espero que Deus me dê essa oportunidade de ficar mais tempo aqui, aproveitar melhor o carinho e o respeito que tenho recebido”. Este é Jean William Cipriani, um cara que viveu diversas religiões e hoje acredita que sua verdadeira religião é a consciência. Acredita que Deus não tem forma, cor e nem religião. O Jean, que hoje não tem distinção do gari, do pedreiro, do doutor, do prefeito, do governador, do presidente, que não se sente inferior nem superior a ninguém, como mesmo disse. O novo filho adotivo de Resende Costa.
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Aconteceu
EMANUELLE RIBEIRO
Felipe e Dante na Churrascaria Ramona
No dia 19 de janeiro, a Churrascaria Ramona apresentou mais uma grande atração: show com Felipe e
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Dante! Mesmo com a chuva que caía durante a noite, o público saiu de casa e se divertiu ao som da dupla ser-
taneja. Afinal, não tem como negar um bom churrasco, regado de música e cerveja.
Mistura do Pagode na Pizzaria La Fontana Durante a tarde do dia 19 de janeiro, a Pizzaria La Fontana ofereceu aos resende-costenses um grande show com a banda local “Mistura do Pagode”. O
evento “Praia Skol” aconteceu durante o Festival Happy Hour, do qual a Pizzaria estava participando no mês passado, e atraiu muita gente animada.
coordenadora do projeto Cineclube AudiovisUAI, aprovado pelo Ministério da Cultura em 2010, levando cinema alternativo e debates ao município de São Tiago gratuitamente, aos domingos. Este ano foi nome-
ada chefe de Cultura e Turismo na Prefeitura Municipal de São Tiago, onde desenvolve projetos de incentivo à cultura local. Ave Mariana Fernandes!
Uma estrela atrás das câmeras CLÁUDIA SIMÕES
Culta, determinada e bela, Mariana Fernandes é mais que uma promessa em prol da valorização cultural da região. Aos 27 anos, a estudante de Jornalismo da UFSJ, formada e pós graduada em Filosofia pela mesma universidade é documentarista independente e especializou-se no registro precioso das tradições populares da região das Vertentes. Com trajetória coe-
rente que contempla produções do maior gabarito, nas últimas semanas Mariana comemorou mais uma vitória, desta vez envolvendo sua terra natal, São Tiago (MG). “Estou muito feliz! Acabo de saber que meu projeto de documentário ‘Terra dos Biscoitos Falantes’ foi aprovado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais. O orçamento total de R$115.335,00 será destinado à realização de um média metragem de 35 minutos. O tema abordará as tradições orais que envolvem a culinária artesanal dos biscoitos de São Tiago. Cantigas, confecção de fornos de barro, causos e tropeiros serão apresentados em uma narrativa lúdica e poética” disse Mariana sobre o documentário. Com lançamento previsto para dezembro deste ano, Mariana diz ainda que a ideia é dar voz às pessoas da cidade e região,
importando o menor número possível de mão de obra, afinal, o que norteia seu trabalho é a valorização da cultura regional e popular. Pesquisa e talento para descobrir a poesia no cotidiano das cidades fazem a beleza do trabalho de Mariana. Em 2010, realizou o documentário Cine Odeon. Memórias Sonoras (31’) que conta a história do cinema de São Tiago, que como tantas casas do interior, viveu o auge e o declínio após a chegada da televisão. Em 2011, foi a vez de Zezinho Fidel, o palhaço do circo cabeção. 42’ dedicados a José Ramos, o ambientalista de Resende Costa. Em 2012, dirigiu Deus Esteja, um registro das manifestações culturais do interior de Minas, e Resende Costa, Tecendo Histórias, documentário dedicado ao centenário de Resende Costa. E tem mais. A jovem cineasta é também idealizadora e
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Aconteceu
EMANUELLE RIBEIRO
Foliões se divertem com os 12 dias de carnaval em Resende Costa
Fotos Cássio Almeida
Para quem gosta de carnaval, Resende Costa é, sem dúvidas, o lugar certo para curtir essa época do ano. A cidade é uma das únicas do Campo das Vertentes que oferece uma programação extensa: são 12 dias de muita folia. O pré-carnaval de Resende Costa teve início na sexta-feira, dia 2 de fevereiro, e
se entendeu até a sexta seguinte, com os blocos de rua. Com a chegada do “Bloco das Domésticas” na Avenida Gonçalves Pinto, no dia 8, deu-se início aos dias de carnaval oficial, com DJs agitando as noites da galera. Apesar das dificuldades financeiras enfrentadas pela
Prefeitura Municipal, como comunicou o secretário de administração, Toninho Ribeiro, a programação tradicional foi mantida. O gestor de Cultura, Turismo e Artesanato, Luís Cláudio dos Reis, afirmou: “Houve algumas mudanças, principalmente na estrutura do evento, porém não fugimos do
tradicional por causa do pouco tempo para planejamento e também do fator econômico. Ficaram garantidos os tradicionais blocos e o som na avenida durante os dias oficiais”. A instalação de tendas na Avenida Gonçalves Pinto foi a grande novidade no Carnaval 2013: “Optamos pela coloca-
ção das tendas não só devido à chuva que antecedeu os dias oficiais, mas também pelo sol durante as matinês e ainda pelo aspecto visual. Pelos elogios, percebemos que agradamos bastante os foliões”, disse Toninho Ribeiro. Confira a cobertura em imagens do Carnaval 2013:
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A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Trocas A linguagem faz umas trocas que são uma verdadeira loucura. Existe palavra com cara de plural e é singular: ônibus é uma delas. Termina em “s”, tem um monte de cadeirinhas, carrega uma porção de gente... e é singular. Quer outra? Arco-íris. Ele tem um ponto de partida e um ponto de chegada, termina num caldeirão cheio de pepitas de ouro, tem sete cores... e arco-íris é singular. Tem também aquelas que são plural, mas têm cara de singular. Quando a gente fala de mais de um campus universitário, o plural é campi... Vamos visitar os campi... Fica igualzinho nóis vai e nóis fica. E a lata de plástico? Está cheio delas por aí. Com certeza, você já colocou alguma coisa dentro de um vidro de borracha. É lata ou é plástico? É vidro ou é borracha? Certamente... esse tal do certamente tanto pode ser expressão de certeza absoluta quanto de dúvida relativa. Camaleão puro. Rasteiras que a linguagem nos dá. Acho que a linguagem faz essas trocas pra gente aprender que nada na vida é fixo. Nem a linguagem. Nem a vida. Tive um vizinho que queria ser marinheiro. Só andava de branco, tinha coleção de miniaturas de navios, lia tudo da força armada amante do mar, sabia de cor as datas das principais batalhas navais do mundo antigo, conhecia aqueles nós complicados que só marinheiro sabe dar... o cara até usava um quepe branco. Colocaram o apelido nele de Marujo. Explica-se: seu nome é Mário Araújo. Pois não é que o Mário
Araújo virou dono de mercadinho? E mais: como vende tudo no varejo, seu apelido agora é Marejo. A vida trocou, a palavra trocou. Há outros tipos de troca, aquelas em que sem querer mudamos as sílabas de ordem. Um dia, pedi num restaurante uma água minerola e uma coca-cal. Uma antiga namorada minha gostava de fazer miojo no forno de microfondas. Foi com essa namorada que um dia eu pedi uma pita de marguerizza. Minha amiga Maria da Penha Pinto, exímia professora de matemática, contadora de tantos causos que muito me faziam rir... e era gostoso rir junto com a gostosa gargalhada da Maria da Penha. Saudades dos anos oitenta lá no Assis Resende... Pois foi a Maria da Penha que me contou umas trocas que ela também fez. Um dia, ela foi falar que o portão estava fechado e saiu esta pérola: fechão portado. E tem mais. Ao fazer o sinal da cruz, a minha amiga Maria da Penha, em vez de falar “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, rezou outra coisa. Enquanto fazia o gesto do sinal da cruz, Maria da Penha recitava solenemente: Um, dois, três, quatro! Nunca perguntei se ela falou “amém” no final. Viver é perigoso, já lembrava o Guimarães Rosa. Falar também é. Porque, às vezes, quem troca é quem ouve, e não quem fala. E quem entende trocado, sempre troca errado. Por isso, é bom pensar uma, duas, três, quatro vezes em como falar alguma coisa importante. Depois, é bom rezar para que tudo dê certo. Igualzinho à Maria da Penha: Um, dois, três, quatro!
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
Contemplando as Palavras
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REGINA COELHO
Quanta majestade!
O Brasil não teve uma nobreza tradicional à moda europeia, salvo pela presença da família imperial aqui instalada a partir de 1808, em razão da fuga empreendida por D. João VI, provocada pela iminência da invasão a Portugal por Napoleão Bonaparte. Não obstante nossa realidade sem realeza, temos cá nossos reis e rainhas coroados simbolicamente pelo povo. Reinando já há um bom tempo, estão aí mais soberanos do que nunca os Reis Roberto Carlos e Pelé. Este último, fora da atividade que o consagrou mundialmente, mas eternamente rei, faz valer aquela velha máxima de que “quem foi rei nunca perde a majestade”. Isso deve valer também para Reinaldo, um dos maiores jogadores de futebol que o país já teve. Da feliz combinação do talento que esbanjou nos gramados com a primeira sílaba de seu nome surgiu o “Rei, Rei, Rei, Reinaldo é o nosso Rei”, o grito de guerra da torcida atleticana exaltando seu ídolo maior nos anos 70 e 80. “Rei morto, rei posto”, certo? Nem sempre. Como não considerar ainda hoje como o “Rei do baião” o nosso Luiz Gonzaga e os internacionais e para sempre lembrados Elvis Presley e Michael Jackson como os Reis do rock e do pop, respectivamente? Numa versão inteiramente tupiniquim, destaque para um certo “Rei do Cangaço”, o temido Lampião, que foi o principal e mais conhecido cangaceiro brasileiro. Majestade, evidentemente, não é exclusividade masculina. Instituído em 1937, o concurso “Rainha do rádio” foi sucesso absoluto até o final dos anos 50 com a disputa acirrada de votos entre as fãs das cantoras candidatas. Marlene e Emilinha Borba foram algumas dessas cabeças coroadas.
Hebe Camargo, enquanto viveu, reinou como a “Rainha da televisão brasileira”. É verdade que outras rainhas surgiram, como Hortência, a “Rainha do basquete”, hoje já afastada das quadras, ainda atuante no meio e sem sucessora que lhe roube o título. Ao que parece, outras majestades já não fazem mais jus ao reinado que um dia conquistaram. Gretchen, que se tornou conhecida como a “Rainha do bumbum” por dançar virando-se de costas para as câmeras de tevê e para a plateia, foi desbancada pelas popozudas da hora. Também soberana, Sula Miranda, cantora e irmã de Gretchen, já foi aclamada como a “Rainha dos caminhoneiros”. Convertida à igreja evangélica e gravando música gospel, sua estrada hoje é outra. E Xuxa, que por muito tempo reinou como a “Rainha dos baixinhos”, anda à procura de novos e pequenos súditos, provavelmente devotados a outras paixões. Há reis e rainhas para todos os gostos e ocasiões. Ricardinho e Milene Domingues, Rei e Rainha das embaixadinhas. E tome título para os representantes das mais variadas festas realizadas no país: “Rei Momo”, “Rainha do Carnaval”, “Rainha das rosas”, “Rainha da uva”, “Rainha da pipoca”... Aqui mesmo em Resende Costa, temos por ocasião da Festa do Rosário, nossa corte real. E a mania se espalha em forma de nomes bem sugestivos para grande parte dos estabelecimentos comerciais Brasil afora: “O Rei das tintas”, “A Rainha das rendas”, “O Rei das frutas”, “O Império dos tecidos”. Em Resende Costa, “A princesa”. Novelas também não escapam. “Rainha da Sucata” e “O Rei do Gado” são exemplos disso. Na linguagem do dia a dia, algumas construções relacionadas à nobreza são diretas. Assim, o sol é “o astro-rei”, o leão é “o rei dos animais”,
o sabiá é majestade, o galo é “o rei do terreiro”, a rosa é “a rainha das flores” e a mãe, “a rainha do lar”. Outras referem-se a quem é esnobe como aquele que tem o “rei na barriga” ou ao convencido como o tal “rei da cocada preta”. Há ainda a “palavra de rei”, aquela que não volta atrás. E o cumprimento baianês “bom dia, meu rei”, que é a forma como os baianos se tratam e cumprimentam os de fora. No imaginário infantil, a menina vira “princesa”. A mocinha sonhadora se sente a própria, à espera talvez do príncipe encantado. Transitando na hierarquia dos títulos de nobreza, é possível encontrar hoje no Brasil “o Imperador”, ou melhor, o quase ex-jogador Adriano, que, quando jogava na Itália, ganhou o apelido de L’Imperatore, em alusão ao imperador romano Adriano. E não é que até em Resende Costa temos “o Conde”, não é mesmo, Cláudio do Tião da Caixa? E tivemos “o Duque”, antigo comerciante da cidade e pai do Miguel do Duque, do Toninho do Duque e outros “do Duque”. Penso ser do desconhecimento quase geral o nome José da Mata e Sousa para o saudoso “Duque”, assim chamado desde a infância. É verdade que o mundo da realeza desperta o interesse de muita gente pelo glamour que acompanha esse pessoal do chamado “sangue azul”. E como rende histórias a vida deles! Da Inglaterra vem o exemplo perfeito. Apesar de sua fleuma inglesa, a rainha Elizabeth II corta um dobrado para manter sob controle sua nobre descendência, sempre tão observada por todos. Eu, que de rainha tenho o nome, sou mais os meus semelhantes plebeus. E como plebe, que tenhamos “sangue bom”. Eles que são nobres que se entendam!
10 Jornal das Lajes Causos e Cousas
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ROSALVO PINTO
Absurdo dos absurdos Na semana de 14 a 20 de janeiro chamou-me a atenção uma reportagem da Globo mostrando uma cena de arrepiar. Já acostumado com assassinatos, latrocínios, estupros, roubos, tiroteios, drogas e corrupções do dia-a-dia, confesso que fiquei pasmado, dessa vez, com um crime hediondo praticado contra a educação. Na capital do Maranhão, São Luís. No reduto e nas barbas dos sarneys da vida, dos Castelos, dos Lobões et caterva (essa, do latim, merece ser traduzida: súcia, malta, corja, laia etc.), os eternos sanguessugas do pobre povo daquele estado. Deixo hoje de lado meus “causos & cousas”. Minha vida foi sempre dedicada à educação. Sempre defendi ferrenhamente a ideia de que sem educação nosso país vai continuar patinando na pretensão de ter uma sociedade justa, igualitária, com segurança e sadia. Também sempre fiz da minha cátedra um púlpito para o sermão em prol da educação. Já tive meus dois filhos expulsos da escola privada (e religiosa...) em Brasília, por ter batalhado, em associações civis, para defender a escola pública e de qualidade para todos brasileiros. Hoje, faço da minha coluna no JL um púlpito para denunciar o desprezo pela educação por parte das autoridades responsáveis por ela. Que me perdoe a jornalista Eliane Cantanhêde, da Folha de São Paulo (20 de janeiro passado, p. A2), pois vou roubar o texto de sua coluna e transcrevê-la na minha coluna. Ela também deixou de lado os temas políticos - sua especialidade -, para também denunciar um crime contra a educação. “O futuro jogado às traças BRASÍLIA – Em meio a tantas discussões econômicas
e à enxurrada de mortes que assola o país, passou quase em branco uma das imagens mais chocantes da semana passada: ônibus escolares novos em folha, 300 mil livros didáticos, uniformes, tênis, material e pilhas impressionantes de cadeiras apodrecendo num depósito ou debaixo de sol e chuva há pelo menos dois anos. Tudo isso foi mostrado pelo repórter Alex Barbosa no “Jornal Hoje”, da Rede Globo, justamente em São Luís, no Maranhão, Estado com o pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), lanterninha em português e matemática e candidato ao Guinness no último Enem: 5 das 10 piores escolas do país são maranhenses. Logo, tudo o que está jogado ali já seria importante em qualquer cidade, de qualquer Estado, mas teria de ser tratado como tesouro no Maranhão. Os responsáveis pelo descalabro deveriam responder por crime de lesa-pátria – senão hediondo. O prefeito de São Luís era o tucano João Castelo, que perdeu a reeleição (imagine-se por que...). E, além dele, não havia secretários? Fiscalização externa? Diretores de escolas? Pais de alunos? Não é possível que ninguém tenha visto, ouvido e gritado por socorro. E esse é só um caso entre centenas, até milhares, que ocorrem por toda a parte, mas não vão parar na TV e ninguém fica sabendo. Dilma, que dá prioridade à educação (aumento diferenciado para professores, investimentos muito acima da inflação, o Ciência sem Fronteiras), deve ficar enlouquecida. Assim como a Saúde tenta reaver 300 ambulâncias abandonadas em todo o país, o MEC vai passar um pente-fino nos convênios e programas com recursos federais em São Luís e denunciar ao Ministério Público. Até lá, os cinco ônibus escolares, os 300 mil livros e todo
o resto ficam jogados às baratas, às traças e aos bodes que devoram o futuro das crianças do Maranhão e de tantos outros brasileirinhos por aí”. O ex-prefeito João Castelo, antigo aliado da ditadura, já foi deputado, senador e governador. Não viu nada. E o patriarca da “dinastia Sarney”, há mais de 50 anos empoleirado no poder? Foi um péssimo presidente da república, por acaso. Alguém se lembra da inflação de 80% ao mês? Da moratória que arrasou a economia? Do fracasso dos “fiscais do Sarney”? E, pior, desde que saiu da presidência, em 1989, garante sempre e facilmente sua eleição como senador, mas pelo Acre. Com qualquer cinco mil eleitorzinhos ele se mantém no Senado. Poucos sabem disso. Em 1989, como presidente e seu genro, Jorge Murad, seu secretário particular, estiveram na corda bamba de uma CPI sobre corrupção em seu governo. Uma das mais longas no Congresso: durou um ano e, como sempre acontece, terminou em pizza. Ou melhor, teve o mérito de alavancar a eleição do Collor: Foi a famosa “CPI da corrupção” que inspirou ao Collor a campanha do “caça-marajás”, lembram-se? Onde está a senhora Roseana, filha do Sarney, tantas vezes no governo do Maranhão? E o fiel cão-de-guarda do Sarney, ou melhor, o seu “Lobão”, que também não larga o osso do poder, sempre a reboque de seu padrinho? Será que não dão notícia do que acontece no pobre terreiro da educação maranhense? Tristeza e vergonha. Vai-se o dinheiro do contribuinte e vai-se a educação das crianças maranhenses. Quem sabe o imortal da Academia Brasileira de Letras (onde sequer deveria ter entrado) não poderia soltar seus “marimbondos de fogo” lá nas escolas de São Luiz, para picar os depredadores da educação de seu pobre Estado?
Crônicas do Cotidiano
RAFAEL CHAVES
Alexandria E s s e mundo de meu Deus é grande. Mundo mundo, vasto mundo! Tão grande que a gente se perde, e encontra surpresas inesperadas. Jamais quereria ser eu um vegetal, condenado a sentir o mundo de um só ponto de vista. Nem animal! Mesmo as aves migratórias condenam-se à mesma rota, todos os anos. O mundo é tão grande que eu gostaria de conhecê-lo todo. Todos os seus cantos. Até tu, Alexandria, eu quero conhecer um dia. Eu não sei se todo mundo é assim, mas eu acordo praticamente todos os dias pensando em viajar. “Aonde eu irei durante as minhas férias este ano?”, penso. E canto “deu prá ti, baixo astral, vou prá Nova York, tchau...”. A vontade e o impulso são tantos que Porto Alegre é trocada por Nova York. Mas está explicado: tudo depende do astral. A questão talvez não seja o tamanho da terra, afinal ela é limitada, nos seus 40.075 km de circunferência. Se pudéssemos viajar a 100 km/h, initerruptamente, sem dormir, em linha reta, em pouco mais de 16 dias teríamos cumprido toda a viagem em sua circunferência. Entretanto, o máximo que teríamos seriam imagens do que se pode ver a 100 km/h, em uma rota só, num só sentido. Ou seja, praticamente nada do que nela realmente tem para se ver! O mundo que eu vejo agora da janela de minha sala se resume a uma casa amarelo clara, com telhas de barro e janelas de madeira e atrás dela folhas de uma árvore frondosa cuja copa se ergue acima do telhado da casa e acima disso um céu com nuvens ameaçando chuva. Essa é a imagem que tenho durante praticamente 8 horas por dia, de segunda a sexta-feira. Mude o céu, conforme o clima e mude as fo-
lhas das árvores, conforme a estação, mas é isso que vejo. Dedicamos muito de nossa vida vendo as coisas de uma só maneira, de um só ângulo. E seguimos sem ver o que há por detrás dessa casa ou dessa árvore! Pior, nem sequer tentamos imaginar o que haveria lá do outro lado... Alexandria apareceu na minha vida como uma dessas surpresas que a vida, ou melhor, a terra nos reserva. Entre mim e a janela existe outro jeito de ver o mundo, na tela de um computador. Quando Alexandria surgiu na minha frente eu quase que imediatamente busquei nos recônditos de minha memória quando eu teria ouvido falar de Alexandria. Voltei aos bancos da Escola, a uma aula de história do ensino fundamental e redescobri a famosa biblioteca de Alexandria, aquela que sonhou reunir todos os manuscritos existentes na terra. Mas a Alexandria que insistia em saltar aos meus olhos estava localizada no agreste nordestino, no extremo sudoeste do Rio Grande do Norte, encravada aos pés da Serra da Barriguda. E eu que cheguei a ter lampejos de orgulho por essa terra ao mesmo tempo inóspita e cultural, fui descobrindo que Alexandria se gabava não de sua biblioteca, mas da Barriguda, eleita a primeira maravilha do Rio Grande do Norte! (Ah Genipabu, Ponta Negra, Redinha, Maracajaú, Pipa e tantas outras. Ah Fortaleza dos Reis Magos...) E que Alexandria não fazia nenhuma homenagem ao conhecimento, senão, fazia reverência à mulher de um dos seus governadores, a Sra. Alexandrina Barreto Ferreira Chaves. O mundo é grande e inesperadas são as suas razões. É por isso que eu desejo viajar; é por isso que me bate essa vontade de conhecer Alexandria. A Alexandria no Egito e a Alexandria no Rio Grande do Norte.
Jornal das Lajes 11
ANO IX Nº 118 - FEVEREIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Gastronomia
Especial
Resende-costense faz sucesso na internet O fisioterapeuta Eduardo Maia é o novo hit da internet em Resende Costa. O resende-costense criou uma série de programas humorísticos, que vem recebendo centenas de acessos desde sua primeira exibição, no final de 2012. Com uma produtora que ele mesmo idealizou, a “Goblin Produções”, Eduardo criou diversos personagens e montou um canal no site de vídeos Youtube. Apesar de os programas serem recentes, a “Goblin Produções” surgiu no fim de 2011: “Eu fazia vídeos com os amigos, clipes das nossas bandas e algumas montagens malucas, mas nunca as havia publicado. Eu criei o ‘Goblinóide’ (personagem em desenho) para ilustrar as criações e o nome ficou ‘Goblin Produções’”, conta Eduardo. E com a produtora criada, o fisioterapeuta montou também uma página de humor na rede social Facebook, com foco somente em Resende Costa, onde apresentava imagens e fotos, usando o contexto do dia a dia local, sempre com humor. Alguns se perguntam: Mas por que o nome “Goblin”? Eduardo explica que “Goblin” é uma criatura mitológica, conhecida por fazer travessuras e brincadeiras de mau-gosto. Segundo ele, é conhecida em todas as culturas do mundo e possui diversos nomes: “Achei que tinha tudo a ver com o meu conteúdo”. Após ter criado a página, o resende-costense percebeu que precisava agir para melhorar o conteúdo. Então teve a ideia de fazer alguns vídeos e no final do ano passado surgiu o primeiro programa, que teve como tema DownHill, mostrando um pouco do esporte na cidade. Já nesse primeiro vídeo, Eduardo apresentou dois personagens: o pedreiro Francisnélson, que é um paulista que se julga melhor que os demais e, o Sr. Genésio, um caipira ingênuo: “A ideia era fazer vídeos sobre nossa cidade, com uma pitada de humor. Mas os personagens caíram no gosto do público e acabaram ganhando seu próprio programa”, acrescenta. Desde então, o canal “Goblin +” no Youtube apresenta um programa por semana. Quem já teve a oportunidade de acompanhar uma ou outra produção, viu a qualidade do trabalho de Eduardo Maia. E podem acreditar: ele faz tudo sozinho! E os recursos de edição?
Foto Emanuelle Ribeiro JL
EMANUELLE RIBEIRO
Sou do mundo, sou Minas Gerais “Ser Mineiro é não dizer o que faz, nem o que vai fazer, é fingir que não sabe aquilo que sabe, é falar pouco e escutar muito, é passar por bobo e ser inteligente, é vender queijos e possuir bancos”.
Eduardo criou a ‘’Goblin Produções’’ no fim de 2011
Aprendeu assistindo vídeo-aulas na internet e mexendo por conta própria nos programas: “Nos vídeos, é tudo trabalho meu mesmo: desde a concepção e roteiro até a edição final e publicação. É uma nova descoberta a cada dia”, declara. A partir dos dois personagens criados no primeiro programa, vários outros foram surgindo: Escafóide, o professor Nerd, o detetive Diógenes Sobrinho, dentre outros: “Alguns foram criados com base na minha vida cotidiana, outros foram frutos da minha imaginação. E vários outros personagens ainda aparecerão por aí, para contar suas histórias”, diz Eduardo. Durante a entrevista, Eduardo disse que seu objetivo era fazer as pessoas rirem. E isso ele já conseguiu: o que não faltam são pessoas curtindo, compartilhando e dando muitas risadas com os vídeos da “Goblin produções”. “Não vejo a possibilidade de ‘ficar famoso’, faço somente por diversão e não pretendo viver disso, uma vez que já tenho meu trabalho como fisioterapeuta aqui em Resende Costa. Vejo isso tudo como um hobbie, uma distração. Enquanto estiver divertindo as pessoas eu continuarei fazendo vídeos”, completa. Sobre a quantidade de acessos, comenta: “Eu esperava que somente os meus amigos iriam ver e que os vídeos não seriam vistos por pes-
soas além da nossa cidade. Hoje são vistos por algumas pessoas em todas as regiões do Brasil e já está com alguns acessos em Portugal, o que me surpreendeu bastante e me deixou muito motivado”. O último programa da “Goblin” foi o Big Goblin Brasil, uma paródia do reality show Big Brother Brasil. Até a vinheta do reality foi regravada por Eduardo, com uma versão “Goblin” e, claro, foi sucesso entre os internautas. Perguntado se vem surpresa por aí, Eduardo manda o seguinte: “Claro! (risos). Com a crescente audiência, estou fazendo parcerias com outros produtores de vídeo, e já estou estudando uma forma de melhorar a qualidade de áudio e vídeo do canal. No conteúdo, pretendo expandir com novos personagens e novos programas, que todos poderão ver em breve”. E a gente aguarda ansiosamente, Eduardo! Quem acompanha os programas, com certeza está se divertindo bastante. Para quem ainda não viu, corra, ligue o computador e acesse: basta ir no Google ou no próprio Youtube e digitar “Eduardo Goblin”. Lá aparecerão todos os vídeos lançados. “Se gostarem, as pessoas podem deixar comentários, com sugestões e críticas. É sempre bom saber o que as pessoas querem ver”, conclui o fisioterapeuta, e agora também produtor e apresentador, Eduardo Maia.
CLÁUDIO RUAS
O título vem da música cantada por Milton e o trecho do poema é do Drummond. Duas figuras importantes que saíram de Minas, mas nunca deixaram Minas sair delas. E que sempre fizeram questão de mostrar nossas inúmeras riquezas, inclusive uma delas que é o nosso jeito de ser. Afinal, “minas são muitas”. Ocorre que, por uma série de fatores históricos, culturais e até geográficos, grande parte dessas riquezas sempre foram muito bem guardadas, sobretudo a gastronomia. Tal como o ouro antigamente, cuja existência não poderia ser revelada sob pena de confisco, nossos produtos, receitas e técnicas culinárias seguiram o mesmo caminho. Se por um lado esse segredo foi benéfico quanto à preservação interna da riqueza gastronômica muito bem cozida em fogo baixo ao longo dos anos - por outro, já estamos passando da hora de começar a servir esse prato e colher os seus frutos. E para isso, precisamos abrir as portas das nossas despensas e quintais para o mundo. Como bem disse o chef Eduardo Avelar, que por sinal realiza belíssimo trabalho de registro e valorização da nossa gastronomia com o “Sabores de Minas” e a “Conspiração Gastronômica”, “se antes escondíamos as refeições em gavetas sob as mesas, hoje queremos mais do que nunca mostrar a todos”. E o ano de 2013 deve ser considerado um marco para nós mineiros: pela primeira vez na história do principal evento de gastronomia do mundo – o Madrid Fusión, na Espanha – não houve um país homenageado, mas sim um Estado. O nosso! Se nos anos anteriores o foco do festival foram nos países cuja gastronomia vem merecendo destaque mundial (Peru, México etc.), agora decidiram que Minas Gerais seria a bola da vez. Pode-se dizer que tudo começou através do Festival de Gas-
tronomia da nossa vizinha Tiradentes, hoje o principal do país. A convite do Governo do Estado, os organizadores do evento espanhol vieram e ficaram encantados com o que viram de perto. Não só no festival, mas no Mercado Central de BH... e quem sabe até na nossa rua do artesanato em Resende Costa. Certamente, tomaram uma boa cachaça de Salinas com um pedaço de queijo Canastra, um café do Sul de Minas com biscoito de São Tiago e comeram um frango do quintal com quiabo da horta e angu de fubá do moinho d’água. Viram a hospitalidade e o orgulho das origens que só nós mineiros temos, além das montanhas e paisagens únicas. E aí não teve jeito de não se encantar. Para completar, um grande esforço do governo estadual com apoio político e financeiro para viabilizar a participação e lá se foi a comitiva formada por 15 chefs mineiros, que atravessaram o oceano levando no embornal parte do nosso verdadeiro tesouro, não aquele extraído das minas de ouro, mas sim dos quintais. E como já era de se esperar, fizeram tremendo sucesso, apesar do infantil e lamentável “ciúme” do resto do país, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro. Nossos representantes foram responsáveis pelo coquetel de abertura do evento e serviram não só clássicos como a rabada com agrião, paçoca de carne serenada, pastel de angu e pão de queijo, mas também pratos mais contemporâneos feitos com nossos ingredientes. Assim, mostraram que nossa cozinha não vive só de uma sólida raiz do passado, mas também tem as suas asas para o futuro e, se bem valorizada e divulgada, pode trazer inúmeros frutos para todos nós, a começar pelo homem do campo. Enfim, chegou a hora de entender de uma vez por todas que somos muito mais ricos do que imaginamos e que por isso podemos ser do mundo, mas sem abrir mão de ser Minas Gerais. (A receita do mês no nosso blog – com fotos e vídeos - é uma riqueza garimpada recentemente lá no Sul de Minas, o “pastel de milho”, com uma massa deliciosa feita com farinha de milho, diferentemente do pastel de angu - www. casalgastromg.blogspot.com.br)
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Teatro
Cinema
Blockbuster e filmes televisivos, a Mostra não mostra “Fora do Centro” - as produções cinematográficas também acontecem em outros lugares além do eixo São Paulo-Rio de Janeiro. Esta foi a temática da Mostra de Cinema de Tiradentes – Cinema Brasileiro Contemporâneo - na sua 16ª apresentação, que aconteceu entre os dias 18 e 26 de janeiro. Consolidando, a cada ano, o Programa Cinema sem Fronteiras, foram exibidos filmes oriundos de diversos estados brasileiros. Oportunizando momentos de reflexão, estudo, troca de experiências e atividades pedagógicas através das várias oficinas, seminários e debates com a crítica, diretor e público, a Mostra de Tiradentes reafirma seu propósito de dar vez aos jovens cineastas de mostrarem a um público heterogêneo trabalhos igualmente heterogêneos, tanto na estética quanto no conteúdo, dialogando com as várias linguagens das Artes Visuais, como a dança, a coreografia, o teatro, a música, para comporem seus filmes. Filmes autorais, conceituais, performáticos, livres e temáticos constituíram a programação exibida contemplando os gêneros: documentário, ficção, animação e experimental em curtas e longas metragens. Ao mesmo tempo, amplia-se o compromisso da Mostra com a Cultura: nas manifestações de rua “cortejo da Arte” com a presença de Banda de Música, grupos teatrais, artistas convidados; no lançamento de livros e DVDs; nos Shows após a exibição da última sessão de cinema, que atraíam tanto o público local como o das cidades vizinhas a Tiradentes. Como se vê, a Mostra de Tiradentes não se restringe apenas à exibição de filmes, ela vai muito
além... Evidentemente que, para quem prefere “blockbuster” e filmes televisivos, a Mostra não mostra! Ela confere o cinema como instrumento do livre pensar e de pensar o cinema em seus rumos e tendências; dos temas que abriga: os dramas existenciais, a solidão, a falta de sentido de vida; a complexa teia de preconceitos sociais, morais, religiosos que discriminam a diversidade de gênero, subtraindo o direito de viver sua identidade; a dificuldade daqueles que vão na contramão das instituições, do estabelecido. Estes são os conteúdos da Mostra... No entanto, para abarcar toda essa profundidade temática e de linguagens, seria interessante que a curadoria da Mostra pensasse na importância do papel da mediação entre filme e espectador. De modo que, a partir de dicas ou chamadas de atenção a certos elementos, o espectador pudesse ter algumas chaves de leitura que ampliassem os significados e as sensações, proporcionando maior interação. Outrossim, vale ressaltar que os espaços físicos destinados a determinadas exibições e seminários não abrigaram o público participante, tendo em vista a grande demanda para ocupar uma quantidade reduzida de assentos. Gerando frustração e dando a falsa ideia de democratização dos eventos, tão reforçada pelos insistentes convites do apresentador, quando divulgava a programação. Há que se pensar como resolver essa questão! Muitos ficaram “Fora do Centro”! Importante mencionar a preocupação dos organizadores na programação de filmes infantis, favorecendo à formação de público de cinema desde tenra idade – a “Mostrinha”.
Projeto “Arte por Toda Parte” depende de recursos financeiros da prefeitura para ter continuidade em Resende Costa
MARISA MAGALHÃES Vamos direcionar os holofotes para a atriz homenageada deste ano: Simone Spoladore. Natural de Curitiba – PR, destaca-se profissionalmente no cinema desde 2001 em “Lavoura Arcaica” de Luiz Fernando Carvalho. A Mostra apresentou filmes, em primeira exibição, protagonizados por ela: “Nove crônicas para um coração aos berros” de Gustavo Galvão, ficção, 93 min., DF, 2012; “A memória que me contam” de Lúcia Murat, ficção, 95 min., RJ, 2012. E o filme homenagem: “Sudoeste” de Eduardo Nunes, ficção, 148 min., SP, 2011. Simone também considera o trabalho na televisão estimulante, mas sua preferência é pelo cinema autoral assim como pelo teatro. Além dos filmes mencionados, outros foram muito acolhidos pelo público, destacando-se: “A balada do provisório” de Felipe David Rodrigues, ficção, 92 min, p&b, RJ, 2012; “Doce Amianto” de Guto Parente e Uirá dos Reis, ficção,70min,CE, 2013; “O Tradutor” de Grace Iwashita, ficção, 20min.40, SP, 2012; “Olho Mágico” de André Sampaio, experimental, 7min30, RJ, 2012; “Nas minhas mãos não quero pregos” de Cris Ventura, doc., 70min, MG, 2012; “Os dias com ele” de Maria Clara Escobar, doc., 105min,SP,2012; “O sol nos meus olhos” de Flora Dias e Juruna Mallon, ficção, 70min, RJ/DF/ MG, 2012. Há muitos títulos não citados, se houver interesse, consulte o programa. Por essas e outras... fez-se a Mostra de Cinema de Tiradentes. Conservando seu formato original de inestimável valor para o Cinema, para o fazer cinema e para todos que dele se alimentam. Até a próxima em 2014. Seja bem-vinda!
Desde 2009, a Companhia Teatral ManiCômicos, de São João del-Rei, desenvolve em Resende Costa o projeto “Arte por Toda Parte”, com o objetivo de oferecer a crianças, jovens e adultos o acesso a atividades artísticas. “Pretendemos contribuir para a formação plena do indivíduo, fortalecer a identidade cultural e promover o resgate da cidadania”, declara a atual coordenadora do projeto, Fernanda Nascimento. A equipe está de férias e pretende voltar em breve, após acordo com a Prefeitura Municipal de Resende Costa. Problemas financeiros podem dificultar a sua continuidade. O projeto é dividido em três turmas: uma na comunidade do Curralinho dos Paulas, onde conta com 15 alunos; outra na cidade, com a participação também de 15 alunos, dentre jovens e adultos; e a última, na Escola Municipal Conjurados, onde os cerca de 250 alunos atendidos podem fazer aula de dança, teatro e música. As inscrições para o projeto acontecem sempre no início do ano. “A companhia realiza espetáculos teatrais gratuitos na cidade e toda a população é convidada. Além disso, oferece oficinas gratuitas para a comunidade, atendendo a crianças, jovens e adultos”, conta a coordenadora. A Companhia Teatral ManiCômicos já esteve em Resende Costa com os espetáculos “Domdeandar”, “O Grande Dia”, “A Usurária”, e “O céu uniu dois corações”. No ano passado, apresentou quatro sessões do espetáculo infantil “A fada, a flor e a princesa” na Escola Conjurados. Também em 2012, os alunos do projeto criaram suas próprias peças. A turma de jovens e adultos estreou a peça “A grande Chacota” na APAE de Resende Costa. Depois disso, se apresentou junto com a turma do Curralinho dos Paulas no Teatro Municipal
EMANUELLE RIBEIRO de São João del-Rei, durante a 8ª Mostra Arte por Toda Parte. Em novembro, a turma do Curralinho dos Paulas apresentou a peça “Quilombo” na associação da comunidade. Houve apresentações também na sede da Associação dos Moradores do Bairro Nova Resende (Arnova). A galera do “Arte por Toda Parte” marcou presença ainda na reinauguração do Teatro Municipal, uma de suas apresentações mais importantes em Resende Costa. “A reforma do Teatro tem grande importância para o resgate da cultura local por favorecer o encontro da cidade com a arte e por promover um espaço de criação e prática artística”, disse Fernanda. E o “Arte por Toda Parte” não acontece apenas em Resende Costa. Segundo Fernanda, o projeto é desenvolvido em mais dez cidades da região: Ritápolis, Lagoa Dourada, Dores de Campos, São Tiago, Tiradentes, Ibituruna, Madre de Deus de Minas, Barroso, Perdões e São João del-Rei. Nos últimos anos, o projeto aconteceu com o apoio da Prefeitura Municipal e no momento está parado. Com a mudança na administração municipal, Fernanda aguarda uma reunião com o prefeito Aurélio Suenes para renovar essa parceria e manter o projeto na cidade. Aurélio reconhece a importância da atividade: “A intenção é continuar, é um projeto sociocultural importante, porém teremos que analisar se vamos ter recursos financeiros para isso”. A secretária de Educação e Cultura, Silvanda Resende, afirma que pretende dar continuidade ao “Arte por Toda Parte”, porém destinando um valor menor ao projeto: “Iremos propor continuar as atividades, mas precisaremos diminuir os recursos. Se houver um acordo com a Companhia ManiCômicos, manteremos o projeto”.
Fotos Divulgação
Foto Leo Lara-Universo Produção A peça ‘’A fada, a flor e a Princesa’’ foi apresentada aos alunos da Escola Conjurados
Apresentação dos alunos do projeto na APAE de Resende Costa A atriz Simone Spoladore foi a homenageada na 16ª Mostra de Cinema de Tiradentes
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Tiradentes
Tiradentes comemora aniversário durante 16ª Mostra de Cinema Foto Suelen Cruz
A cidade de Tiradentes celebrou 295 anos no último dia 19 de janeiro. As comemorações do aniversário da cidade começaram logo pela manhã na praça cívica Largo do Sol. Após as solenidades, um bolo de sete metros foi distribuído entre os presentes. Houve também, apresentações do Grupo de Congado Mestre Prego, formado por jovens integrantes da cidade, e apresentações da Orquestra e Banda Ramalho, que tocou o Hino Nacional e o Hino de Tiradentes. A secretária de Cultura, Paula Cavalcante explicou: “foi feito um bolo para a comunidade para as comemorações do aniversário de Tiradentes e a Prefeitura irá contribuir com roupas e acessórios para a continuidade do grupo de Congado”. Em seguida, as autoridades e cidadãos foram participar da sessão solene do Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes, onde os sócios Rogério Paiva e Lucy Hargreaves discursaram respectivamente sobre a Biblioteca Municipal e o Arquivo Municipal. Na oportunidade, o prefeito Ralph Justino disse: “Será estabelecido um local provisório para instalar o acervo da biblioteca e do arquivo, visto que o prédio
Tiradentes comemora 295 anos com bolo de sete metros
dos Quatro Cantos perdeu o prazo do Comodato do Casarão e não poderá mais abrigar os acervos públicos. Estamos com o projeto de uma construção definitiva para abrigar os dois acervos de grande importância educacional e cultural de nossa cidade”. A 16ª Mostra de Cinema de Tiradentes também integrou as comemorações do aniversário da cidade, tendo como principal atração o Cortejo, que saiu por volta das 16 horas da Rua Direita. Os participantes do Cortejo cantaram “Parabéns” pelas ruas Direita e Resende Costa até o destino final, a Praça Largo das Forras, onde foi distribuído o bolo. História - A cidade foi fun-
dada por volta de 1702, quando os bandeirantes paulistas encontraram ouro nas encostas da Serra de São José, começando rapidamente o povoamento do arraial do Santo Antônio do Rio das Mortes, que também ficou conhecido como Arraial Velho. Mas a elevação à condição de Vila ocorreu no dia 19 de janeiro de 1719, pelo Conde de Assumar. Sendo assim chamada Vila de São José del Rey, em homenagem ao futuro rei de Portugal. A cidade, que foi construída a partir da necessidade de uma intensa urbanização devido ao surto da mineração, vivenciou vários períodos históricos importantes na história do Brasil. A começar pela Guerra dos Emboabas, em que paulistas e
forasteiros disputaram a posse das minas. E ainda a Inconfidência Mineira, pois nestas terras nasceram ou viveram figuras importantes do movimento, entre elas, Joaquim José da Silva Xavier (o Tiradentes), José de Resende Costa (Pai e Filho), Padre Carlos Correia de Toledo e Melo e seu irmão Luiz Vaz de Toledo Piza e a senhora inconfidente Hipólita Jacinta Teixeira de Melo. O declínio da extração aurífera fez surgir uma nova realidade para a vila, mais ruralizada. Isso porque a Vila de São José del Rey, atual Tiradentes, tão rica e extensa, pertencia à importante Comarca do Rio da Mortes, que se estendia e fazia divisa com a região de Goiás. Muitas cidades foram se desmembrando, até mesmo o povoado de Lajes, atual cidade de Resende Costa. A então vila passa a categoria de cidade no ano de 1860. Com a República, o advogado, jornalista e ativista político Silva Jardim, em passagem pela cidade, sugere que o nome da cidade fosse substituído para Tiradentes, em homenagem ao mais famoso inconfidente, fato ocorrido em 1889. A cidade ficou adormecida até 1922, com a chegada da caravana
SUELEN CRUZ modernista da Semana de Arte Moderna de São Paulo, que buscava conhecer a verdadeira identidade do Brasil. Em 1938, o conjunto arquitetônico da cidade foi tombado pelo IPHAN. Por volta de 1980, Tiradentes começa a vivenciar uma nova realidade: o turismo. Novos olhares de uma cidade do interior de Minas Gerais ganhando ares cosmopolitas. O turismo fez surgir uma especialização do setor hoteleiro, gastronômico e de eventos com intensa programação o ano inteiro. Muitos casarões e igrejas coloniais formam o conjunto arquitetônico da cidade. A Serra de São José foi palco de sua formação inicial é a grande muralha que ainda guarda os tesouros da cidade e da natureza local. Ainda é possível caminhar pelas ruas e ouvir o murmurinho dos ideais dos inconfidentes, pois a cidade respira história. E fazem parte dessa história de uma Tiradentes centenária filhos ilustres, como o poeta José Basílio da Gama, o botânico Frei Veloso, o pintor Manuel Vitor de Jesus e o músico Manuel Dias de Oliveira, além dos tiradentinos natos ou de coração. Parabéns Tiradentes!
Nova administração quer implantar “turismo sustentável” em Tiradentes JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Mostra de Cinema abre temporada A Mostra de Cinema (em sua 16ª edição), um dos quatro eventos tiradentinos de maior repercussão, abriu
a temporada de atividades culturais da cidade. A Mostra, que reuniu 35 mil pessoas durante nove dias de programação, premiou os melhores trabalhos em longas e curtas-metragens com o “Troféu Barroco”. O documentário “Os Dias Com Ele” (SP), de Maria Clara Escobar, foi duplamente premiado: eleito Melhor Filme pelo Júri da Crítica e pelo Júri Jovem, levando o Prêmio Itamaraty no valor de R$ 50 mil, além de serviços e materiais cinematográficos dos parceiros da Mostra. O melhor longa-metragem, escolhido pelo Júri Popular, foi “Dossiê Jango”, de Paulo Henrique Fontenelle, exibido no Cine-Praça. O curta-metragem “A Onda Traz, o Vento Leva”, do pernambucano Gabriel Mascaro, recebeu dois prêmios: de melhor filme pelo Júri Popular e “Aquisição do Canal Brasil” no valor de R$ 15 mil. Outro premiado foi o curta “Meu Amigo Mineiro”, de Gabriel Martins e Victor Furtado, considerado Melhor Curta da Mostra Foco pelo Júri da Crítica. Agenda de eventos Neste ano, a agenda apresenta algumas novidades, segundo Cavalcanti. “Pela primeira vez, Tiradentes
tem um calendário impresso de eventos.” Os outros três eventos culturais de grande repercussão são o “Foto em Pauta” (terceira edição será entre 6 e 10 de março), o Festival Internacional de Gastronomia (segunda quinzena de agosto) e o “Bike Fest” (26 a 30 de junho). O primeiro Campeonato de Balonismo vai acontecer, no período de 15 a 18 de abril, graças à parceria entre a prefeitura municipal e a empresa Flat Balonismo, de São Lourenço. Já o “Grande Banquete da Inconfidência” será realizado no dia 20 de abril pelo segundo ano consecutivo, mas desta vez mais encorpado, ou seja, terá venda de convites (além dos convidados) e a valorização de produtos regionais. Outra novidade é o Festival de Teatro “Tiradentes em Cena” (11 a 18 de maio), fruto de projeto de jornalista tiradentina que foi aprovado pela lei de incentivo à cultura estadual e federal. Segundo Cavalcanti, a ideia é apresentar espetáculos por toda a cidade, oriundos de diferentes partes do país. Neste ano, a “Festa de Santo Antônio – Padroeiro da Cidade”, realizada no dia 12 de junho, será marcada pela ênfase na relação do padroeiro com a população local,
considerando que a matriz já é local de casamentos de gente de diferentes cidades do estado e do país. “É importante trabalhar sempre com a comunidade, as pessoas da cidade”, enfatiza a secretária. Também aparece pela primeira vez o evento “Vinho & Jazz Festival” (14 a 16 de junho), mas que não deve substituir o “Festival Duo Jazz”, previsto para novembro. Cavalcanti destaca ainda o festival internacional “Artes Vertentes”,
que reunirá em setembro (12 a 22) música, dança, teatro, fotografia e literatura de diferentes países. Outros eventos são: Semana Santa – Procissões e decoração de tapetes ornamentais (março), Festa de São José de Botas (1º de maio), Jubileu da Santíssima Trindade (17 a 27 de maio), Festas Juninas no distrito de César de Pina (28 a 30 de junho), programações de “Férias de Inverno” (julho) e Classic Fusca (25 a 27 de outubro).
Foto José Venâncio
“Ser referência no desenvolvimento sustentável do turismo através da melhoria da qualidade de vida da população e da união da sociedade.” Este é o principal resultado do planejamento estratégico de Tiradentes, elaborado em 2012 pelo Conselho Municipal de Turismo em parceria com a Associação Empresarial de Tiradentes e a participação de representantes de todos os segmentos da cidade. Esse documento será adotado pela nova administração municipal, que, ao assumir em janeiro, fez um planejamento emergencial do turismo para os primeiros 130 dias do ano. “A ideia é pegar o planejamento estratégico, juntamente com o projeto de 65 destinos indutores do desenvolvimento turístico regional (Ministério do Turismo) e o Plano de Governo do prefeito Ralph Justino para montar o planejamento estratégico da gestão atual”, conta Mariana Cavalcanti, secretária da Cultura e Turismo do município.
Vista de Tiradentes com o Cine Tenda em destaque.
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EVALDO BALBINO
Santa Maria, rogai por nós! 28 de janeiro de 2013. São seis horas da manhã, e o avião, roncando, já começa seu passeio pelo campo de decolagem do Aeroporto Internacional de Confins. Destino: Rio de Janeiro. Algo me incomoda, mas esse algo ainda não veio para o meu consciente. Sei que algo me incomoda, contudo ainda não sei o quê. Uma noite mal dormida, virando de um lado para outro, o corpo dolorido, um sono irrequieto. Algo me incomoda, e ainda faltam umas duas ou três horas para eu perceber exatamente o que me incomoda. O avião levanta o voo, e o meu coração sofre um pouco com a velocidade exorbitante, com a máquina buscando as nuvens como se leve fosse. Não é costume esse meu estresse, esse medo de avião. Algo, no entanto, me incomoda. Sobrevoamos os céus da Grande Belo Horizonte. As nuvens estão cinzas, anunciando chuva. Uma chuva triste, duradoura. Em alguns momentos, a aeronave atravessa nuvens compactas, plenas de água na iminência de desaguar. Turbulências pequenas me fazem lembrar que a vida é frágil. Basta um quê de nada e ela, a vida, deságua como a água da chuva, desaba para um precipício final. Logo após, servem-nos um amendoim enjoativo, mas um suco de laranja me salva. Sobrevoando agora, uns 40 minutos depois, o céu também cinzento do Rio de Janeiro, o que primeiro vejo é o Cristo de braços abertos. Ele parece querer abraçar a cidade inteira, e em mim a sensação de que ele não consegue isso. A aterrissagem me assusta um pouco. O Santos Dumont sempre me parece pequeno, como se fôssemos todos mergulhar nas águas turvas do oceano. Albatrozes às avessas, faríamos uma imersão sem retorno. Faríamos, mas não fizemos, pois agora, já com a bagagem no hotel, estou na Cinelândia caminhando entre pessoas apressadas. Olho para a Biblioteca Nacional, edifício por que sempre me apaixono. Vou na direção do Theatro Municipal. Carros, garoa, pessoas de um lado para outro, turistas, camelôs, bancas de jornal lotadas de observadores olhando para as notícias do mundo. Nunca gosto de namorar as bancas, de ver os espetáculos que a mídia nos joga nos olhos. Algo brilha, de repente, em minhas retinas. Um reflexo, uma luz dolorosa, apesar da garoa. No Rio, mesmo quando chove,
o tempo é abafado, quente, úmido. A pouca luz é suficiente para incomodar meus olhos frágeis. O que joga reflexos em meus olhos é um pequeníssimo objeto no chão da Cinelândia. Abaixo-me e vejo que é um pingente de prata. É uma prata que faz doerem os olhos. Entretanto, o que mais me dói é ver o que o pingente representa: o Sagrado Coração de Jesus. Um coração que nos punge, um coração ardendo e envolto por uma coroa de espinhos. Recolho o objeto sagrado e o guardo no bolso da calça. Decido-me ir até à Rua da Carioca, para comprar alguns livros num sebo meu conhecido. Na entrada da livraria, o primeiro livro que me vem às mãos é o Entardecer, de Menotti Del Picchia. Como é um poeta de que gosto muito, compro a brochura, e dou de cara com estas palavras: “Todos na vida temos um ‘entardecer’. / Somos como as árvores. / A infância é verde. / A mocidade um festivo explodir / de brotos e de flores. / É na hora melancólica da tarde / que surgem e amaduram os frutos”. Tais versos me incomodam, de tão lindos e tristes. Volto para o Largo da Carioca pensando neles. Quando viro para a direita, percebo o que nunca percebi antes: o Convento de Santo Antônio. Pasmem, podem rir de mim: um edifício imenso como esse, e eu nunca o vi antes. O seu nome me leva às terras do meu Ribeirão de Santo Antônio, o santo casamenteiro. Tomado de saudades, de uma tristeza errante, erro pelas escadas de acesso ao convento e chego a uma capela, onde estão começando a celebrar uma missa em memória de São Tomás de Aquino. E fico sabendo que hoje a Igreja Católica relembra a figura de um dos maiores doutores que ela já consagrou. De repente, a ajudante do padre começa a leitura do Salmo 98. E na liturgia a que assisto, as palavras iniciais do texto “Cantai ao SENHOR um cântico novo, / porque ele tem feito maravilhas” me tomam. Elas me tomam, pois são transformadas em estribilho repetido a cada versículo pelos fiéis que estão ali condoídos e buscando uma ligação com o sagrado. Um homem, de joelhos à minha frente, segura nas mãos vários santinhos. Não de políticos, mas de santos mesmo: São Jorge, Santo Expedito, São Judas Tadeu, Santo Antônio com o Menino Jesus nos braços, São José também com o Menino Jesus e um ramo florido de lírios. O homem pega um a um dos santos, beija-os, e chora, e murmura palavras que não consigo
entender. Ele parece triste, mas de uma tristeza sagrada. Assisto à missa e saio do convento. Olho para o céu ainda cinza, e sinto ainda uma dor imensa, uma dor vinda não sei de onde. Caminho pelo Largo da Carioca em direção à Rio Branco. Tenho dificuldade de trânsito ao lado de uma banca. Muitas pessoas lendo jornais tampam o caminho. Vou pedindo passagem, e escuto o comentário: “Pra que tanta morte, meu Deus!?”. Então olho para as capas dos jornais e vejo estampada em todas a tragédia ocorrida em Santa Maria, RS, onde um incêndio matou mais de 230 pessoas, a maioria de jovens, na boate Kiss no dia anterior. Ontem, dia do triste episódio, eu aparentemente estava fora do planeta. Ocupado com uma amiga que recentemente perdera o marido e com os preparativos para a minha viagem, não liguei a TV nem o rádio nem a internet. Leio agora algumas manchetes dependuradas na banca, escuto murmurações, e meus pensamentos vão fazendo pontes, cruzando fios, enlaçando-se como aquela coroa de espinhos no coração de Jesus. Tantos santos nesta manhã desfilaram perante meus olhos. Tantos santos e o medo. O Cristo Redentor, Jesus e o seu Sagrado Coração, Santo Antônio, São Tomás de Aquino, Deus na liturgia que presenciei, São Jorge, Santo Expedito, São Judas Tadeu, São José e o Menino Jesus. Para coroar tudo isso, para além da coroa de espinhos, veio-me o ramo de lírios, florescido. Mas agora me vem Santa Maria, não a cidade e sim a santa mesma, e com ela também me chega a coroa de espinhos no coração de Jesus. De que me adiantam os lírios de José, os que anunciam núpcias, se não estou agora para casamentos, mas para o choro?! E choro e clamo a todos os santos, mormente a Santa Maria. Rogai por nós, ó mãe de Deus! Rogai pelos que amanheceram mortos em Santa Maria e pelos que ainda morrerão. Rogai pelos sobreviventes e pelos parentes vivos dos que morreram. Rogai pelos nossos medos de incêndios e aviões. Rogai pela juventude que não “explodiu em brotos e flores”, mas que “entardeceu”, não “na hora melancólica da tarde”, e sim numa madrugada agônica e escura. E mais que tudo, Santa Maria, rogai por nós, que somos um gado perdido, manada condoída espalhada pela Terra, cada rês seguindo seus pares, aturdida, em dores compartidas aos quatro cantos do mundo...
O Verso e o Controverso JOÃO MAGALHÃES
O mau cheiro das “arquibancadas” e “vestiários” Explico. Com os vocábulos “arquibancada” e “vestiário”, resumo tudo que rola fora dos gramados dos estádios, ou seja, comportamento de torcedores, de torcidas organizadas, algumas delas fortemente aquadrilhadas, política de bastidores, jogo sujo de dirigentes e demais quejandos! E o leitor há de concordar, fede mais, bem mais, do que oloriza. É a catinga de decomposição, de corrupção, de ferida purulenta, de flatulência de dirigentes e empresários; é o ar viciado, desoxigenado, dos preconceitos, das empáfias, das prepotências. A globalização dos esportes (ênfase para o futebol) pela formação de equipes cada vez mais multiculturais e multiétnicas, em vez de paz e fraternização, infortunadamente, abriu espaço para a eclosão de maus instintos, de reações violentas, de agressões gratuitas, vindas, principalmente, de plateias ultranacionalistas que costumam lotar estádios. Os ”evangelizadores” dos Direitos Humanos estão recebendo bofetadas e escárnios, como tipifica o recente manifesto da torcida do Zenit (time de São Petersburgo), exigindo que o clube não contrate mais negros e homossexuais. E olha a declaração: “Não somos racistas, mas para nós a ausência de futebolistas negros no grupo do Zenit é uma importante tradição que reforça a identidade do clube”! O próprio Michel Platini, presidente da Uefa, chegou a dizer que o jogador que decidisse abandonar o campo depois de sofrer ofensa racista seria punido com medidas disciplinares. Questionado sobre que tipo de punição caberia aos torcedores racistas, foi taxativo: ”Não é um problema do futebol. É um problema da sociedade”. Pena, hein Platini, você foi um craque, ídolo dos franceses e muito admirado por nós! Isso estranha. O futebol não integra fortemente nossa sociedade? Como não é problema dele?! Torcedores, um tanto antigos, que ainda acreditavam no esporte como fator de desenvolvimento humano, saudaram com entusiasmo, por exemplo, o movimento para sindicalização dos atletas, a “lei Pelé” e, com mais ardor, a “Democracia Corinthiana” (Alô, Sócrates, aquele abraço!). Agora isto é raridade. Agora é competição de vida ou morte. Porém, sempre fica um restinho de querosene na lamparina. A tocha ainda fumega. A esperança ainda não morreu. Foi uma luz, a atitude do jogador ganês Kevin Prince Boateng, ao abandonar o campo
no jogo amistoso do Milan (isso é amistoso?!) com o time, também italiano Pro Patria (sugestivo este nome, hein?!), depois de continuadamente ser ofendido por torcedores que em coro imitavam macacos, sempre que ele e os outros jogadores negros pegavam a bola. A equipe toda solidarizou-se com ele e saiu de campo. Este honroso abandono redime o esporte do outro abandono de campo, recente, de time argentino, em São Paulo. Esse sim, vergonhoso. É significativa a posição do Milan em nota oficial: “Basta. Aqueles que têm o coração da mesma cor do coração de Boateng e Sulley Muntari não podiam aguentar mais e decidiram que estava na hora de dar uma lição nesses idiotas”; bem como o comentário do ex-jogador francês Lilian Turam, também negro, depois de falar que foi a primeira vez que um clube grande apoiou ostensivamente atitudes contra a discriminação: “a indiferença prevalece na maioria dos casos... (foi) enorme ajuda na luta contra o racismo”. Li que a Federação Italiana pensava em posicionar-se, ignoro se o fez. As providências tomadas pelas federações inglesas contra os hooligans já produzem efeito. Exemplo é a campanha “Kick it Out” (chute pra fora) contra qualquer tipo de discriminação. Manifestações deste jaez estão sumindo dos estádios ingleses. Não desvalorizo faixas, slogans em camisetas, atletas abraçados e concentrados em preces, ou enviando mensagens levantando a camisa, exortações feitas pela midia etc. Ajudam, mas ponho fé muito mais em gestos corajosos que estapeiam os preconceituosos, que ferem os interesses de clubes, que cortam os espaços de manifestação, como este gesto dos jogadores do Milan. Discriminações e preconceitos não desaparecem. Estão encardidas no ser humano, mas atitudes e comportamentos, impulsionados por eles, podem ser cerceados, punidos e, com isso, diminuídos. Li também que Ronaldo Fenômeno, Luiz Felipe Scolari, Galvão Bueno e mais 15 presidentes de clube lançariam o Movimento por um Futebol Melhor. Será que neste “Futebol Melhor” consta alguma coisa concreta nesta área? Copiando Dom Odilo Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo: “De esperança em esperança, vamos avançando e deixando marcas no caminho” É o que penso. E você? (fonte; “O Estado de São Paulo” 8/1/13 e 12/1/13)
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ANO IX Nº 118 - FEVEREIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Economia & Negócios Mercado de trabalho formal cresceu 34,4% em 2012 na microrregião das Vertentes JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE O mercado formal de trabalho (carteira assinada) criou 1.136 novos empregos em 2012 (janeiro-dezembro) na microrregião do Campo das Vertentes, um aumento de 34,4% comparado com o ano anterior. Este número é a diferença entre as 14.238 admissões (mais 3,8%) e os 13.102 desligamentos (acréscimo de 1,8%). As informações foram divulgadas em janeiro pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e abrangem os setores da indústria (extrativa mineral e transformação), serviços, comércio, construção civil e agropecuária, entre outros. A base da análise do CAGED/ MTE foi 1º de janeiro de 2012, quando foram computados 26.713 empregos na microrregião do Campo das Vertentes, dos quais 15.777 empregos em São João del-Rei. Já o número de estabelecimentos empresariais era de 8.870 (desse total, 4.205 estabelecimentos apenas em São João del-Rei). Em São João del-Rei, economia mais diversificada da região, houve queda de 20%, para 280 vagas, na criação de novos empregos, em relação a 2011, fruto da diferença entre 7.335 contratações e 7.055 demissões. Já o mercado de trabalho de Resende Costa destacou-se pelo aumento de 52,1% na oferta de oportunidades de trabalho, com geração de 73 novas vagas. A economia local apresentou acréscimo de 1,7% nas ad-
missões (para 303 trabalhadores) e 230 pessoas foram afastadas do emprego formal (menos 8,0%). O menor ritmo de geração de empregos em São João del-Rei foi reflexo da dificuldade da indústria de transformação em geral, observa o professor Aluizio Barros, aposentado do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). A indústria metalúrgica, que tem peso importante na estrutura industrial do município, teve retração das exportações, acrescenta o especialista. Em 2011, as exportações foram recordes (US$ 93 milhões no período de janeiro-outubro frente a US$ 83 milhões em 2012). “Exportando menos em relação ao ano de 2011, a indústria reduziu o número dos seus empregados”. Já o desempenho do emprego formal em Resende Costa, no ano passado, superou, em termos percentuais, a média da região, do Estado e do País, comenta Barros. “O aumento percentual de Resende Costa foi realmente espetacular”. No País, o crescimento em relação ao volume de emprego em 1º janeiro de 2012 foi de 3,4%. Foi gerado 1,3 milhão de empregos em 2012, 33% menos do que em 2011 (1,9 milhão). Isto significa desaceleração na geração de emprego, resultado de um fraco crescimento da economia nacional estimado em 1%, explica o professor. “A economia de Resende Costa exibiu imunidade a uma
fraca expansão da economia nacional, devido tanto à natureza de sua atividade econômica quanto à capacidade do empreendedor local em colocar sua produção no mercado.” Dores de Campos O mercado de trabalho em Dores de Campos admitiu 1.161 trabalhadores em 2012 (mais 19,8% frente ao ano anterior), mas desligou 914 pessoas (recuo de 22,3%), com saldo favorável em 249 novas vagas. Porém, em 2011, houve encolhimento de 207 empregos, pois ocorreram mais desligamentos (1.176) do que admissões (969). Em Barroso o saldo foi favorável, com 202 novas oportunidades de trabalho (mais 9,2%), em decorrência de 1.713 admissões (aumento de 31,2%) e 1.511 desligamentos (acréscimo de 34,8%). Por sua vez, Tiradentes apresentou resultado negativo (menos 38,6%) na criação de empregos, com saldo de 35 novas vagas em 2012 frente a 57 do ano anterior. Foram contratadas 854 pessoas (menos 5,3% em relação a 2011) e desligados 819 trabalhadores (menos 3,1%). Outros municípios que falharam na criação de novas vagas foram Nazareno, São Tiago, Lagoa Dourada, Santa Cruz de Minas, Prados e Santana do Garambéu. No caso de Nazareno, foram admitidas 509 pessoas (queda de 8,3%) e desligadas 465 (aumento de 3,3%), re-
sultando na geração de 44 vagas. Porém, houve recuo de 58,1% quando comparado com os 105 novos empregos de 2011. A criação de empregos em São Tiago caiu 42,6%, para 39 vagas, frente ao ano anterior. Foram contratados 652 trabalhadores (10,9% mais), enquanto 613 deixaram as empresas (aumento de 17,9%). Em Lagoa Dourada, os 42 empregos perdidos em 2011 foram recuperados no ano passado. Isto porque foram admitidas 350 (mais 13,3%) pessoas, porém desligadas 308 (menos 12,3%). No mercado de trabalho de Santa Cruz de Minas, o saldo favorável (22 novas vagas) foi 82,1% inferior ao de 2011 (123 vagas). No ano passado, foram contratados 399 trabalhadores (queda de 11,1%) e desligados 377 (aumento de 15,6%). Prados também criou menos empregos, com 56 novas vagas (23,3% menos do que as 73 vagas de 2011). Resultado de 307 contratações (menos 20,5%) e de 251 desligamentos (redução de 19,8%). Já o mercado de trabalho em Santana do Garambéu encolheu devido à maior queda nas admissões (menos 54,3%), para 16 preenchimentos de vagas, do que nos desligamentos (menos 29,2), para 17. Em Ritápolis, apesar da queda nas admissões (4,5%), para 255, e nos desligamentos (16,3%), para 206, o saldo de novos empregos (positivo em 49 vagas)
cresceu 133,3%. Por setor O setor de comércio apresentou em 2012 o melhor desempenho no mercado formal de trabalho (carteira assinada) de São João del-Rei. De acordo com o CAGED/MTE, foram admitidas 2.898 pessoas, mas foram desligados 2.657 trabalhadores, resultando na criação líquida de 241 vagas. Em segundo lugar, aparece o setor de serviços, com 161 novos empregos, fruto da diferença entre 2.124 contratações e 1.963 desligamentos. Destacam-se serviços de ensino, médicos, odontológicos, administração de imóveis, serviço técnico etc.; alojamento, alimentação, reparação, manutenção etc.; instituições de crédito, seguro e capitalização; e transportes e comunicações. Já a indústria de transformação perdeu 160 vagas de trabalho, devido ao menor número de admissões (1.098) em relação aos 1.258 desligamentos. Por sua vez, o setor extrativo mineral (produtos metalúrgicos, minerais não-metálicos etc.) respondeu pela criação de 6 novas oportunidades de trabalho (42 admissões e 36 desligamentos). A economia são-joanense admitiu o total de 7.335 pessoas e demitiu 7.055, com saldo positivo de 280 empregos. Neste total, estão incluídos ainda o setor agropecuário e a categoria “outros” (setores não identificados).
Início de ano com dívidas do ano velho e festival de aumentos de preços e tarifas As famílias são-joanenses começam 2013 com mais contas para pagar. Não bastassem o maior custo de vida e as dívidas de final de ano, início do ano traz novos aumentos, além das costumeiras despesas deste período como a aquisição de material escolar. Muitas pessoas começam o ano carregando as prestações das compras de Natal, lembra Gelton Valle, diretor do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da Associação Comercial e Industrial/CDL de São João del-Rei. “O consumidor deve se preocupar em pagar para evitar a negativização do seu nome.” Além disso, tem os pagamentos de impostos como IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). “No caso dos pagamentos, o consumidor deve sempre analisar se o desconto para a quitação à vista vale a pena; deve verificar se haverá a incidência de juros para pagamentos a prazo e observar as taxas de juros que serão cobradas posteriormente”, alerta Valle. As famílias com filhos estudando tem outras preocupações, como os preços do material escolar e as prestações da escola particular. Para a uni-
versitária Adriana Soares, por exemplo, o custo do material escolar das crianças aumentou cerca de 10% este ano. Com dois filhos em escola pública estadual, ela gastou o valor de R$ 260,25 na compra de cadernos, livro, lápis, borracha, folhas de papel, estojo, mochila, canetas, blusas de uniforme etc., para Alan (6 anos), que cursa o 1° ano, e Arian (11 anos), no 6° ano. Ano novo, preços novos - A pressão do governo Dilma Rousseff no sentido de postergar o reajuste das tarifas de ônibus urbanos para evitar explosão da inflação em janeiro ficou restrita aos grandes centros urbanos. Assim, a passagem do transporte público passou a custar R$ 2,25 (aumento de 12,5%) em São João del-Rei, mesmo o novo prefeito sendo aliado de Brasília. Isto, sem falar do aumento nas passagens de ônibus das linhas interurbanas. O festival de aumentos está por toda parte. Atinge a alimentação doméstica e fora de casa, material de limpeza e de higiene, serviços administrados (públicos) e não-administrados (cabeleireiro, pedreiro, eletricista, médico etc.). Os preços dos serviços vem há tempos rodando acima da inflação
média, puxados pelo aumento do poder aquisitivo e da impossibilidade de concorrência internacional. A cesta básica alimentar do trabalhador são-joanense de salário mínimo subiu 6,1% em janeiro, para R$ 184,79, em comparação com igual mês de 2012 (valor de R$ 174,21). Em conversa com donas de casa e pessoas que trabalham no comércio, o JL constatou que os preços de verduras, frutas, carnes, feijão e arroz (em geral não importáveis), assim como de material de limpeza e higiene, subiram muito. “A gente leva R$ 300,00 ao mercado e traz cada vez menos produtos”, diz uma dona de casa. “Eu comprava lanche natural no almoço por R$ 2,50 e, de repente, subiu para R$ 3,00, um aumento de 20%”, diz uma pessoa que trabalha no comércio. Muitos mercados estão fazendo promoções de carnes e hortigranjeiros, o que exige cuidado redobrado por parte dos consumidores para não comprar produto estragado, alerta uma dona de casa. Outra novidade é a presença cada vez mais freqüente da maquininha de remarcar preços, de triste memória, que andava sumida dos mercados. É mau sinal. Significa que a inflação está cada vez mais pre-
sente na vida dos brasileiros. Endividamento - Além das pressões no custo de vida, é preocupante o endividamento do consumidor são-joanense. Os registros de pessoas físicas no SPC aumentaram 58,5% em janeiro, na comparação com igual mês de 2012. Foram 2.812 inclusões de registros no banco de dados, contra 1.774 em janeiro de 2012. Já as exclusões de registros aumentaram bem menos, ou seja, 13,9% no mesmo período, de 1.072 para 1.221. Em resumo, um ano depois, o consumidor está devendo mais. A receita de Sandra Rodrigues, gerente do SPC, para evitar inadimplência é renegociar dívidas com os credores; não parcelar faturas de cartões de crédito; ter cautela no uso dos cartões de crédito; usar o crédito com responsabilidade; nunca comprometer todo o orçamento (manter sempre uma reserva para eventuais emergências); e evitar utilizar o cheque especial. Energia e gasolina - A presidente Dilma anunciou, no dia 23 de janeiro em rede nacional de Rádio e TV, a redução de 18% na conta de luz para o
consumidor doméstico e de 32% para a indústria, já a partir de janeiro. No entanto, a medida embute alguns riscos inclusive para a política de combate à inflação que insiste em extrapolar a meta de 4,5% a ser perseguida pelo Banco Central. De um lado, existe a possibilidade de as pessoas aumentarem o consumo de energia ou transferir parte da economia na conta de luz para a aquisição de outros bens. De outro, atrasos nos investimentos (especialmente na distribuição) podem prejudicar a oferta de energia. Tudo isso, num cenário de maior crescimento da economia em 2013, em relação aos cerca de 1% em 2012. Por fim, o governo Dilma anunciou aumento nos preços da gasolina (6,6%) e do diesel (5,4%), represados até agora para combater a inflação à custa dos investimentos da Petrobrás. Além disso, o governo poderá ter de deixar ligadas por mais tempo as termoelétricas, mais caras do que as hidrelétricas por serem movidas a combustíveis. Estes fatores podem reduzir o impacto positivo da diminuição na conta de luz, com reflexo negativo no custo de vida.
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ANO IX Nº 118 - FEVEREIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG
Giro Esportivo
O Jiu-Jitsu em Resende Costa momento da luta você sente dor, o combate pode ser interrompido com o que chamamos de ‘bater’, que são três tapas suaves no adversário ou no “tatame” (área de luta). E pode ser praticado por todas as idades, iniciando em alguns casos aos três anos”, declara. E além de não ser violento, o Jiu-Jisu ensina, como explica Rodolfo: “O esporte ensina muito mais do que técnicas e golpes, ensina disciplina, amor ao próximo, a se portar melhor em momentos de estresse, contribui com os tímidos a se tornarem mais desinibidos, proporciona calma às pessoas mais nervosas, concentração e muito mais, tanto em ambientes escolares para crianças, como no trabalho para os adultos”. Os alunos de Resende Costa disputaram o Campeonato Mineiro em 2012 e foram destaque: Gabriel Azevedo e João Vítor Daher foram medalhistas e Guilherme Aires e o treinador Rodolfo Grau foram campeões mineiros no ano anterior. Em 2013, Rodolfo almeja não só o Mineiro, mas também o Brasileiro e até o Mundial. Além disso, na Copa Bauer de Jiu-Jitsu 2012, nove atletas resende-costenses receberam medalhas: Gabriel Resende (campeão), Filipe Resende, João Antônio Lassister, Brender Henrique (campeão), João Vítor Daher (campeão), Matheus Henrique, Luiz Miguel, Feli-
pe Resende e Wesley Geraldo. O Jiu-Jitsu está ganhando espaço também entre as mulheres: em Resende Costa, Rodolfo treina um grupo de três garotas iniciantes e, de acordo com ele, “todas estão em um nível que se compara ao dos homens, mesmo descontando a força superior do sexo masculino. Este ano elas também vão ao Campeonato Mineiro”. A estudante de Direito, Lígia Azevedo, é uma das adeptas da luta: “Comecei a praticar Jiu-Jitsu por influência do meu irmão, Gabriel. Buscava um esporte que me desse prazer em praticá-lo e ao mesmo tempo desenvolvesse habilidades como força, resistência e defesa pessoal. Há cinco meses encontrei isso no Jiu-Jitsu. Os treinos são prazerosos e intensos e podem e devem ser praticados por homens, mulheres, adultos e crianças. Pensando assim, matriculei também meu filho, Miguel, de três anos, nessa atividade”. Para o treinador, a tendência do esporte é sempre crescer. E com a explosão do MMA – sigla em inglês para artes marciais mistas - muitas pessoas estão procurando praticar a luta: “Além de procurar o Jiu-Jitsu para defesa pessoal, muitas pessoas têm como objetivo a saúde ou perda de peso, já que uma aula de Jiu-Jitsu tem um gasto calórico que varia de 750 a 1500 kcal, enquanto em uma caminhada se gasta
Fotos Arquivo Pessoal
EMANUELLE RIBEIRO Na coluna Giro Esportivo de fevereiro, o Jiu-Jitsu é destaque. O esporte é oferecido em Resende Costa pela Academia Ação Física. 40 alunos, incluindo crianças, adultos e mulheres praticam o Jiu-Jitsu na cidade. A luta, que para alguns parece violenta, é tranquila, segundo o lutador e treinador Rodolfo Grau: “É até curioso, a tradução de Jiu-Jitsu é ‘arte suave’”. Além do Jiu-Jitsu, a Academia oferece também outras artes marciais, como Capoeira e Muay Thai. O treinador Rodolfo Grau iniciou no Jiu-Jitsu aos nove anos de idade, e conta: “O esporte me ensinou muito desde a infância e a adolescência, que é uma época difícil para as pessoas e, agora, estando mais velho, é uma forma de esquecer os problemas cotidianos. Além de professor de Jiu-Jitsu eu também dou aulas de Educação Física, sendo que uma formação complementa a outra, tanto com a didática, quanto na preparação física e treinamento de habilidades e atributos físicos de crianças e adultos”. No que diz respeito à questão da violência, Rodolfo diz que o Jiu-Jitsu é um esporte em que se tem controle quase total para prevenção de lesões, diferente de lutas em que há impacto, como o Muay Thai. “Se em algum
O professor de Jiu-Jitsu Rodolfo Grau treina cerca de 40 alunos em Resende Costa
350 calorias por hora”. Sobre o MMA, Rodolfo comenta: “Qualquer esporte é competitivo. O MMA tem golpes e cenas fortes, mas tem suas regras severamente seguidas. Dificilmente há alguém que não as cumpra e, no final, tudo acaba com coleguismo e respeito. As artes marciais ensinam, acima de tudo, o respeito pelo adversário. Cito como exemplo a conduta de lutadores como Minotauro, Vítor Belfort e Anderson Silva, que são exemplares mesmo fora dos ringues”. Rodolfo Grau destacou ainda um grande parceiro do Jiu-Jitsu em Resende Costa: “O banco Crediverten-
tes sempre nos ajuda com patrocínio, visto que as competições de Jiu-Jitsu não são baratas”. Encerrando a entrevista, Rodolfo disse que o que faz é por amor ao esporte: “Não ganho dinheiro. Moro em São João del-Rei e me desloco duas ou três vezes por semana para Resende Costa e o que eu ganho é suficiente para pagar minha gasolina. O que me faz dar aulas é mesmo a satisfação pessoal, coisa que todos nós professores temos um pouco, o prazer de proporcionar a uma pessoa o desenvolvimento da sua coordenação ou uma vitória em um torneio. É bom ver um aluno se tornando melhor”.
Artigo
Santa Maria e as lições para o futuro A tragédia da cidade de Santa Maria (RS), na madrugada do dia 27 de janeiro, abalou o Brasil. A saída de cerca de mil jovens para se divertirem numa típica noite de sábado terminou de forma desastrosa: 238 vidas perdidas e inúmeros jovens ainda em estado grave. Essas vidas poderiam ser salvas se alguns erros tivessem sido evitados. Nada que for dito e provado trará essas vidas de volta, ainda que a justiça seja aplicada aos culpados. Mas o que se pode aprender com esse episódio evitará que pais e irmãos, no futuro, chorem pela perda de seus entes queridos. À semelhança de um acidente aeronáutico, a tragédia não teve uma causa única e sim uma sucessão de erros. Se ao menos um fosse evitado, as consequências seriam menores ou, quem sabe, tudo não passaria de um susto. Se o sinalizador não fosse aceso, não haveria fogo. Se o material do isolamento acústico não fosse inflamável ou não emitisse gases tóxicos, haveria algum pânico, mas nada de mais sério. Se a casa não estivesse superlotada ou se tivesse saídas de emergências adequadas – ou se a única saída não fosse bloqueada pelos seguranças – mais pessoas teriam se salvado. E podemos listar outros tantos “se”, mas não mudaríamos o rumo da tragédia. Entretanto, se observarmos
o acontecido com o “olhar da aeronáutica”, talvez possamos evitar desgraças desse tipo no futuro. Todos sabem que hoje o avião é o meio de transporte mais seguro e com as menores taxas de acidentes. Também sabemos que os níveis de segurança atuais são decorrentes de um aprendizado lento e doloroso, cujo preço foi cobrado muitas vezes em centenas de vidas. Pode-se dizer que a segurança da aviação se apoia em um tripé composto de produto, manutenção e operação. E tudo isso cercado por uma regulamentação rigorosa, que atua em cada uma dessas três pernas. O produto é a aeronave. Para voar, ela e seus componentes precisam atender a regras rígidas, que são demonstradas em longos ensaios de laboratório e inúmeras provas de voo antes de se voar com passageiros. Além disso, há um controle de qualidade rigoroso na fabricação. A manutenção são as ações preventivas e corretivas feitas ao longo da vida do avião, para garantir que todos os componentes estejam sempre em boas condições. Todos sabemos, por exemplo, do risco que corremos ao viajar sem fazer uma revisão dos freios. Por fim, a operação diz respeito aos procedimentos, rotineiros ou de emergência, desde o embarque dos passageiros até à decisão de
se prosseguir ou abortar um pouso ou uma decolagem, em função das condições meteorológicas ou do próprio estado do avião. Um problema em qualquer uma dessas pernas é suficiente para se derrubar o avião. Infelizmente, na história da aviação, muitas vezes os regulamentos e procedimentos que regem esse tripé só evoluíram após a perda de vidas. Como no caso da proibição de fumar nos banheiros (operação) e do uso de materiais que não emitem gases tóxicos (produto), que só se tornaram “regra” após o desastre, em 1973, do voo RG-830 da Varig, na rota Rio/Paris. A tripulação fez um pouso forçado em uma plantação de cebola nas cercanias de Paris, por causa da fumaça a bordo. Estavam a 5 km (ou um minuto) da cabeceira da pista de Orly. Morreram 123 pessoas, intoxicadas com a fumaça de um incêndio causado por um cigarro jogado no lixo da toalete. A aviação, porém, sempre tenta aprender com os seus erros e temos certeza de que, para cada vida perdida, muitas outras foram poupadas. Em Santa Maria parece que se errou nos três quesitos acima. Usou-se um isolamento acústico que emitia gases tóxicos e o número de saídas de emergência não era adequado (produto). Extintores de incêndio não funcionaram e a suposta refor-
ma deixou a casa fora de condições (manutenção). Em termos de “operação”, foram diversos erros: boate superlotada, saídas bloqueadas por seguranças, uso de fogos de artifício proibidos em um espaço fechado, além do fato de os bombeiros deixarem pessoas não treinadas e sem equipamentos participar do resgate. Espera-se agora por uma correta investigação, para que todas as causas sejam apontadas e os envolvidos responsabilizados, sejam eles da banda, da boate ou mesmo do poder público, responsável pela fiscalização.
RENATO RUAS PINTO*
O mais importante é adequar nossas leis sobre o funcionamento de casas de show para evitar que algo parecido se repita. Que se pense sempre em todos os aspectos de segurança: do projeto e construção do ambiente ao treinamento para funcionários sobre como agir em situações de emergência. Custa caro, sim, mas nenhum dinheiro pagará por uma vida perdida em acidentes que podem ser evitados. *Engenheiro aeronáutico