Skip to main content

Edicao 117

Page 1

10 anos

JANEIRO 2013

ANO IX - Nº 117 Resende Costa - MG

www.jornaldaslajes.com.br contato@jornaldaslajes.com.br

Distribuição Gratuita

Teatro Municipal é reformado e entregue aos resende-costenses Foto André Eustáquio / JL

Posse de prefeito e vereadores em Resende Costa

No dia 1º de janeiro, o prefeito Aurélio Suenes e o vice Toninho Ribeiro foram empossados em cerimônia realizada no CPP e em seguida receberam das mãos de Adilson Resende a chave da cidade. A reunião solene de posse foi dirigida pelo vereador mais votado, Zinho Gouvêa, que declarou empossados os vereadores e ainda foi eleito presidente da Câmara.

Atlético-MG e Cruzeiro no Expedicionário

No dia 23 de dezembro, as torcidas organizadas Galoucos e Sangue Azul se enfrentaram no campo do Expedicionário. Nos três jogos realizados, a Raposa saiu vitoriosa. E fora de campo, tudo azul novamente: a torcida do Cruzeiro foi maioria. O jogo entre as torcidas rivais marcou o exemplo da amizade, que deve prevalecer no esporte. Página 16

Página 04

Política Regional: Nazareno em destaque

Tiradentes sedia 16ª Mostra de Cinema Entre os dias 18 e 26 de janeiro, Tiradentes receberá a 16ª Mostra de Cinema. A Mostra é conhecida internacionalmente e atrai públicos diversos, que estão em busca de bom entretenimento e novidades do segmento audiovisual. A expectativa é que o evento atraia um público de mais de 30 mil pessoas. Página 13

A reforma do Teatro Municipal preservou as características do início do século 20

Construído no início do século 20, o Teatro Municipal de Resende Costa passou por diversas fases. Abrigou grupos artísticos, foi palco de grandes montagens de teatro e sediou

diversos movimentos culturais ao longo das décadas. Mas sofreu também com o abandono. Após 20 anos de sua última reforma, o Teatro, que já estava seriamente danificado, foi novamente

reformado e ampliado. Leia nesta edição a cobertura feita pelo JL da reinauguração do Teatro Municipal, que aconteceu entre os dias 19 e 23 de dezembro. Páginas 11 e 12

A tradição política de Nazareno (MG) foi rompida na última eleição, na qual João Caetano Leite (PDT) derrotou Ederaldo José dos Santos, principal secretário do ex-prefeito José Heitor Guimarães de Carvalho (PSDB). A cidade é conhecida, politicamente, como “cozinha de Tancredo”, conforme Modesto da Silva Neto, político e músico em Nazareno. Página 05


2

Jornal das Lajes

E D I T O R I A L

JL 10 anos: jornalismo sério e independente O Jornal das Lajes inicia 2013 com um pacote de novidades. No ano em que comemoramos dez anos de fundação (14 de abril de 2003), a edição 117 registra mais um passo, mais uma conquista nesta caminhada vitoriosa: o JL, a partir desta edição, passará a ter 16 páginas e sua tiragem aumentará para 4.000 exemplares - um presente para o leitor que nos prestigia e, sobretudo, confia e estimula o nosso trabalho. Comemorar dez anos de existência não significa somente registrar uma data simbólica. É muito mais do que isso. Neste mesmo espaço, já contamos a nossa história em diversas oportunidades. O leitor sabe do idealismo que motivou a equipe de jovens, liderados pelo Denilson Daher, a fundar um jornal em Resende Costa. Voltando hoje à edição 1, Ano 1 (Editorial: “O despertar do jornal”), nos damos conta de que continuamos fiéis aos propósitos iniciais dos seus fundadores: “ ... construir um jornal que informe, com total imparcialidade, o que está acontecendo em nossa cidade, que dê à sociedade voz ativa para que possa cobrar das autoridades medidas sensatas para eventuais problemas...”. Passados dez anos, sabemos como é árdua essa missão, pois a imprensa costuma ser pressionada pelos interesses de pessoas, grupos e partidos políticos. Talvez o maior de todos os nossos desafios tenha sido corresponder aos anseios dos nossos leitores. No entanto, através do talento e da dedicação dos nossos jornalistas, colunistas e colaboradores, o JL tornou-se parte da vida cultural de Resende Costa e conseguiu corresponder às expectativas dos leitores. Sem muitas ambições, exceto a de resgatar a memória da nossa terra, informar e livremente formar opinião, aos poucos o periódico foi ganhando estilo próprio. Nas páginas do JL o leitor já sabe que pode encontrar opiniões importantes, sinceras, coerentes e imparciais, além de se informar sobre os principais eventos da cidade e conhecer a nossa história. De Resende Costa o JL partiu para as cidades da região. Desde o início, já contávamos com a preciosa parceria com alguns empresários de São João del-Rei que acreditaram e aprovaram o nosso trabalho. Graças a esse incentivo, com o qual contamos até hoje, São João del-Rei tornou-se também um local privilegiado de circulação do jornal, admirado pelos são-joanenses. Porém, o laço se estreitou a partir de 2007, através do incansável trabalho do jornalista resende-costense José Venâncio de Resende que, apresentado ao JL, se apaixonou pela nossa causa, vestiu a camisa e partiu para consolidar a nossa ambiciosa missão de transformar o “jornalzinho”, como muitos resende-costenses carinhosamente o chamam, em um jornal de amplitude regional. As relações entre poder e imprensa (em suas diversas modalidades) variam de acordo com a organização política da sociedade onde atuam. Nas sociedades desenvolvidas, nas quais funciona uma democracia autêntica, há uma convivência sadia e respeitosa; nas subdesenvolvidas, na maioria das quais simula-se uma democracia claudicante (caso do Brasil), essas relações tendem a ser traumáticas; nos regimes autocráticos (ditaduras) o poder simplesmente suprime a liberdade de imprensa. O apego do ser humano ao poder é a manifestação extrema da famosa struggle for life (luta pela vida). Se não controlado pelos mecanismos da democracia, o poder vê na imprensa livre uma ameaça, um inimigo a ser combatido e eliminado. Na história do Brasil tivemos períodos de controle e mordaça da imprensa (ditaduras) e períodos de liberdade total. Recentemente estivemos à beira de uma recaída, com uma proposta de “regulação” (leia-se, “controle”) da imprensa. Felizmente elegemos uma presidente que tem, repetidas vezes, rechaçado essa tentação, natural e inerente ao desejo incontido do poder. No nível municipal, essas relações poder/imprensa funcionam da mesma maneira. Nesses dez anos o JL conviveu inicialmente com o poder exercido pelo PSDB e, posteriormente, pelo PT. Aconteceu exatamente o que era de se esperar. No primeiro caso, dizia-se que o JL era um “jornal do PT”. Houve até um episódio de rasgamento do jornal em público na prefeitura; no segundo caso, o JL passou a ser chamado por alguns militantes de “Jornal do PSDB” e por outros de “jornal antiPT. Repete-se a velha história: quem está no poder sempre quer que a imprensa esteja incondicionalmente a seu favor. Parece algo surrealista, mas é a realidade. No fundo, prevalece sempre a ambição pelo poder e pela continuidade no mesmo. Mas séria e serenamente, como diz o ditado popular, o JL vai “tocando sua caravana, enquanto os cães ladram”. O JL continua firme no seu percurso, esforçando-se para ser um instrumento útil à nossa sociedade resende-costense, expandindo-se agora para a região das Vertentes, especialmente São João del-Rei e Tiradentes.

Jornal das Lajes Ltda

E

X

P

E

D

I

E

N

T

E

Fundado em 22 de janeiro de 2008 Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro

Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000

Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Diretor de redação: Rosalvo Pinto

Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP

Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte

Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves

Tiragem: 4000 exemplares

Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto

Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Tiradentes

Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

ANO IX Nº 117 - JANEIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Meio Ambiente

ANTÔNIO ORLANDO MENDONÇA JÚNIOR

Um panorama da apicultura em Resende Costa

A sustentabilidade tem se tornado, nos últimos anos, uma demanda crescente da sociedade atual. Responsabilidade social e ambiental aliadas à viabilidade econômica é o que define uma atividade como sustentável. Nesse contexto, a apicultura tem se mostrado uma das atividades mais sustentáveis, pois tem baixo impacto ambiental, além de ser uma alternativa de renda viável. A apicultura não demanda a abertura de áreas agropastoris, nem produz resíduos em escala como outros ramos do agronegócio. A Abelha é um dos insetos mais antigos, portanto tem uma relação totalmente harmônica com a fauna e flora. A abelha depende inteiramente de uma natureza saudável, assim como a natureza depende dela para o seu vigor. Nos últimos anos, Resende Costa tem demonstrado sua aptidão para a apicultura. Vários fatores colaboram para isto: posição geográfica, preservação considerável da flora, áreas de eucaliptos e, principalmente, a iniciativa de apicultores pioneiros. Até o ano de 2002, a atividade era pouco profissional. Apenas algumas pessoas, espalhadas pelo município se dedicavam a criação de abelhas. Utilizavam de técnicas tradicionais de manejo, visando principal-

Charge

mente a produção de mel. Retiravam esse produto de cupins, ocos de árvores, vãos de telhados. Era uma atividade extrativista, que visava o mel apenas para o próprio consumo. A descoberta pelos japoneses de um tipo especifico de própolis impulsionou o interesse por essa atividade. A grande procura pela chamada própolis verde, coletada pelas abelhas do alecrim-do-campo ou vassora, deu novo fôlego para apicultura nacional. O própolis do alecrim contém alto valor medicinal, atuando no combate de várias doenças. No Japão ele é, inclusive, usado no auxílio do tratamento de diversos tipos de câncer. Essa descoberta mudou radicalmente a apicultura em Resende Costa. Por se tratar de uma região em que è possível produzir a própolis verde, os apicultores começaram a encarar a atividade com mais seriedade e entusiasmo. Em 2002, foi fundada a Associação dos Criadores de Abelhas de Resende Costa (ACARC). Iniciativa importante para a organização dos produtores, promovendo a capacitação dos interessados, por meio de cursos, palestras e encontros. Assim, o carro-chefe da produção dos apicultores resende-costenses é a própolis, pois tem alcançado valores expressivos no mercado. Ela é reunida

mensalmente e vendida para uma empresa exportadora do sul de Minas. A grande maioria dessa própolis é enviada para o Japão e, mais recentemente, para o mercado Chinês. De olho na crescente demanda do mercado interno, um grupo de apicultores uniu forças e construiu, em 2008, um entreposto para o beneficiamento do mel e da própolis. A Casa do Mel, construída dentro das exigências legais, prova o quanto a apicultura tem se profissionalizado em nosso município. As perspectivas para a apicultura se ampliam cada vez mais: produção de mel orgânico, produção de pólen e melhoramento genético são alguns dos temas que podem ser ainda explorados. A apicultura resende-costense evoluiu muito nos últimos anos, gerando renda para dezenas de produtores. Por ser uma atividade sustentável, ela merece destaque, pois está em sintonia com as novas demandas da sociedade contemporânea, que se vê no desafio de produzir com o mínimo de impacto ambiental, ao mesmo tempo em que gera renda e promove a qualidade de vida dos produtores. (A coluna “Meio Ambiente” é uma parceria entre Jornal das Lajes e a ONG Instituto Rio Santo Antônio (IRIS).


Jornal das Lajes

ANO IX Nº 117 - JANEIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

3

Meio Ambiente

IEF conclui projeto de proteção de nascentes do São Francisco na região ELAINE MARTINS Quarenta e nove produtores rurais receberam acompanhamento técnico, arames, grampos e mourões para conservação e revitalização da mata ciliar e nascentes de suas propriedades e proteção de 125 ha de área verde. Isso porque o Instituto Estadual de Florestas (IEF) está concluindo na região mais um projeto do Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. De acordo com o engenheiro florestal Reginaldo Alves, analista ambiental que responde pela agên-

cia do IEF em São Tiago, o projeto foi iniciado em 2009 com o objetivo de promover a proteção e recuperação das nascentes e cursos d’água da bacia do São Francisco nos municípios de Resende Costa, Desterro de Entre Rios e Lagoa Dourada. O foco da última ação iniciada em novembro é a microbacia do rio Brumado, tributário da cabeceira do rio Paraopeba, em Lagoa Dourada. “Estabelecemos parceria com 24 produtores dos povoados Cachoeira dos Forros, Curralinho dos Machados, Matatu e Ressaca. Foi distribuído material para a construção de quase 20 km de cerca e proteção de 20 nascentes, somando mais de 40 ha de área protegida a ser recuperada,” disse.

O analista do IEF Reginaldo Alves mapeou as propriedades e identificou as áreas de proteção permanente de cursos d água a serem recuperadas

Antes de ganhar o material transportado com o apoio da Emater e da Prefeitura Municipal de Lagoa Dourada, os produtores receberam visitas técnicas do analista que mapeou as áreas de preservação permanente degradadas. “A cerca impede o acesso do gado à nascente, evitando, assim, o pisoteio e a degradação da área, o que pode comprometer a vida da nascente e prejudicar a qualidade e quantidade da água dos córregos e rios”, explicou. A partir de janeiro, Reginaldo voltará às propriedades para verificar a construção das cercas pelos produtores e acompanhar a recuperação das áreas protegidas. José Campos de Resende, liderança da região da Ressaca e Floresta, é um dos parceiros do projeto e irá proteger a nascente do ribeirão Malícia, localizada a 90 m do cume da serra das Vertentes que limita os municípios de Lagoa Dourada e Resende Costa. Ele espera aumentar a água da nascente e revitalizar a vegetação da área de recarga. “Além de impedir o pisoteio do gado e melhorar a qualidade e o volume d’água, a cerca irá preservar a mata ciliar e isso é muito importante, pois vai assegurar o desenvolvimento de espécies nativas que, infelizmente, correm o risco de extinção. O jacarandá e o camará, por exemplo, já são pouco encontrados na nossa

José Campos de Resende espera aumentar o volume d’água da nascente do ribeirão Malícia

região”, comentou. Em Resende Costa, o projeto foi executado em 2010, também a partir da parceria entre os governos federal, estadual e municipal e os produtores rurais, sob a responsabilidade do técnico ambiental Murton Moreira, da agência do IEF no município. Segundo o técnico, 16 produtores aderiram ao projeto e foram protegidas 16 nascentes com o cercamento de 42 ha de áreas de matas ciliares e recarga de sub-bacias diferentes. “Das 16 propriedades contempladas, três estão no distrito de Jacarandira e oito no entorno da comunidade do Cajuru e fazem parte do alto Pará; já as outras cinco, da região das comu-

nidades Curralinho do Andrade e dos Paulas, fazem parte do alto Paraopeba. Esses dois rios são importantes afluentes do São Francisco”, detalhou. Para o técnico, a implantação do projeto é de grande importância para a disponibilidade de água num cenário futuro. “Estamos localizados no divisor das bacias hidrográficas dos rios São Francisco e Grande, portanto, estamos geograficamente no ponto mais alto da serra das Vertentes, e isso nos torna mais vulneráveis. Caso ocorra um déficit hídrico em nossa região, seremos os primeiros afetados com o desabastecimento dos nossos lençóis freáticos”, alertou.


4

Jornal das Lajes

ANO IX Nº 117 - JANEIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Política

Aurélio e Toninho Ribeiro assumem prefeitura de Resende Costa

Prefeitura de São João del-Rei: “Papinha” muda de chefe pela nona vez JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

EMANUELLE RIBEIRO

Tudo novo de novo. Há quatro anos, o ex-prefeito Adilson Resende assumia a prefeitura de Resende Costa com a proposta de mudança, que foi adotada pelo povo resende-costense. Passados quatro anos, a população optou novamente pela renovação. No último dia 1º, Aurélio Suenes e Toninho Ribeiro foram empossados em cerimônia realizada no Centro de Pastoral Paroquial Nossa Senhora da Penha (CPP) e em seguida receberam das mãos de Adilson a chave da cidade. Na manhã do dia 1º, às 8h, prefeito, vice-prefeito e vereadores eleitos e a equipe de governo da atual administração participaram da Santa Missa na igreja Matriz. Durante a homilia, o padre Eder Santos abençoou a nova gestão e pediu para que olhem pelos pobres, pela população carente de Resende Costa e desenvolva políticas firmes de assistência social. Oração que foi citada pelo vice-prefeito Toninho Ribeiro em seu discurso no CPP. A reunião solene de posse teve início às 10h no CPP com portas abertas à comunidade. O vereador mais votado, Zinho Gouvêa, abriu a sessão falando sobre ideologia política e desejando aos companheiros uma legislatura de muito trabalho e compromisso. Na sequên-

cia, após todos proferirem o juramento, Zinho declarou empossados os vereadores. O próximo passo foi a eleição da Mesa Diretora. Apenas uma chapa se apresentou, tendo Zinho Gouvêa como presidente, Abel Assis como vice-presidente e Lucas Assis como secretário. Terminada e apurada a votação, a única chapa inscrita foi eleita. Assim que foi instalada a Câmara Municipal, o presidente Zinho passou à posse do prefeito e vice-prefeito eleitos, Aurélio Suenes e Toninho Ribeiro, respectivamente. Em seu primeiro discurso como prefeito municipal, Aurélio disse estar orgulhoso com essa oportunidade que terá de transformar os muitos sonhos de sua geração em realidade. Sobre sua equipe, o novo prefeito destacou que é formada por todas as esferas políticas do município e ainda profissionais e servidores que nunca assumiram uma sigla partidária. Sua preocupação é com o profissionalismo, principalmente devido à crise financeira que atinge o mundo. “Trago na alma o sonho, tão caro à minha geração, de contribuir para a construção de um mundo melhor, mais harmônico e igualitário. Ser político nos dias atuais é desafiar a opinião pública, essa geração que produz uma fração de políticos que fa-

Novo chefe e novas expectativas no antigo prédio que abriga a sede da prefeitura de São João del-Rei. Celson Raimundo Ribeiro, mais conhecido por “Papinha”, já passou por este momento várias vezes ao longo dos seus quase 37 anos de trabalho. Antes de mais nada, por que Papinha? “Meu pai era o ‘Papa-arroz’ que jogava no Minas Futebol Clube na década de 1950 e também tinha um bloco carnavalesco chamado Bloco dos Papinha.” Sua mãe é Suely Gomide, que foi famosa por cantar em escola de samba, blocos carnavalescos, na antiga casa de seresta “Tenda Árabe” e também em outras casas de show. Papinha ingressou no serviço público municipal no final de 1976, pelo setor de almoxarifado, que incluía a área de compras e funcionava no Barracão (ao lado da igreja Nossa Senhora do Carmo). Seu primeiro patrão foi o prefeito Lourival Gonçalves de

cilmente se tornam notícias nos telejornais e trabalham somente os interesses pessoais. Isso tem que mudar! Ao assumir este mandato de prefeito, assumo também o compromisso de fazer tudo o que estiver ao meu alcance para tornar Resende Costa este ano melhor do que no ano passado e, assim também no ano que vem e a cada ano, até o último dia de 2016. [...] Muitos nos perguntam: e a festa? E os foguetes? Eu digo o seguinte: a verdadeira comemoração deve acontecer quando o povo realmente ganhar as eleições. Se ao final deste mandato, os resende-costenses perceberem que valeu a pena nos escolher, aí sim vamos comemorar”, afirmou o prefeito Aurélio em seu discurso de posse. O vice-prefeito Toninho Ribeiro, em seu pronunciamento, reafirmou os compromissos de campanha e disse que todo político tem a obrigação de fazer o melhor pela população, de reverter o dinheiro do povo em benefícios para o povo. “Ser honesto não é mérito e sim, obrigação de todo cidadão”, defendeu Toninho. Os vereadores, já empossados, também tiveram a chance de falar aos presentes. Na sequência, Zinho encerrou a sessão solene. As atividades terminaram na Prefeitura Municipal com uma Fotos Emanuelle Ribeiro JL

Da direita para a esquerda, prefeito Aurélio e sua esposa Danielle e o vice Toninho e sua esposa Vânia

Andrade, o Zé Menino. Dez anos depois, na administração do médico Gerard Cid de CastroValério, o setor de compras da prefeitura foi desmembrado e transferido para a sede, incorporando a área de licitações. Papinha não apenas foi cuidar das compras como também se tornou membro da comissão de licitações a partir de 1993. Papinha trabalhou ainda com os prefeitos Octávio de Almeida Neves, Rômulo Antonio Viegas? Nivaldo José de Andrade (primeiro mandato), Carlos Braga, Fernando Felix Vera Cruz, Sidney Antonio de Souza e, pela segunda vez, Nivaldo Andrade. “Foi muito bom trabalhar com esses prefeitos. Cada um tinha um jeitão de trabalhar”, diz Papinha. Como se aposenta em maio ou junho, ele vai trabalhar no máximo meio ano com o petista Helvécio Reis, o nono patrão de sua carreira.

O presidente da Câmara, Zinho Gouvêa (centro) deu posse aos vereadores

cerimônia simbólica, onde o ex-prefeito Adilson passou às mãos de Aurélio a chave da cidade. Na ocasião, Adilson desejou sorte à administração de Aurélio e disse que torce pelo desenvolvimento de Resende Costa. O primeiro dia de trabalho na Prefeitura Municipal foi diferente. Aurélio, Toninho e sua equipe se reuniram com os servidores públicos também no CPP com o ob-

jetivo de apresentar os secretários, assessores e chefes de setor, além de aproveitar o momento para motivação e reflexão sobre a maneira de gerir o serviço municipal. E assim Resende Costa está nas mãos de seus novos governadores. Desejamos sucesso a Aurélio e Toninho e esperamos que nosso município cresça ainda mais nos próximos quatro anos.


Jornal das Lajes

ANO IX Nº 117 - JANEIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

5

Política Regional

“Cozinha de Tancredo”, Nazareno também teve prefeito pernambucano

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

A eleição de João Caetano Leite (PDT), o João Santeiro, para prefeito, em outubro último, rompeu com a tradição política de Nazareno. Sem qualquer passado político, João Santeiro – apoiado por petistas, petebistas e parte significativa da família Batista -, derrotou Ederaldo José dos Santos, principal secretário do atual prefeito José Heitor Guimarães de Carvalho (PSDB), que recebeu apoio de PMDB, Democratas, PPS e PSC. Caso parecido já ocorrera em 1958, quando o pai de José Heitor, o prefeito Francisco Ribeiro de Carvalho, conhecido por Chichico, não conseguiu transferir votos para seu secretário de administração, apesar do seu prestígio político na época. A diferença é que, daquela vez, o secretário do prefeito perdeu para um candidato do ramo, o pernambucano Dorgival Modesto Jorge. Chichico foi vereador do Arraial de Nossa Senhora de Nazaré na Câmara Municipal de São João del-Rei, atuando em parceria com o então deputado Tancredo Neves. “Nazareno era da cozinha de Tancredo”, define o político, músico, pintor e projetista Modesto da Silva Neto, para explicar os fortes laços que uniam os dois políticos. “Isso despertou o ciúme dos adversários que estavam na UDN e no PTB”, o que explica o fato de que “em Nazareno o PTB nunca se associou ao PSD”, complementa Modesto. Dessa maneira, o PTB - cujos líderes eram José Pedro Teixeira e Alberto Teixeira de Carvalho e, na década de 1950, Dorgival -, uniu-se à família Batista, ligada à antiga UDN (União Democrática Nacional). Dorgival conta que foi parar no antigo arraial são-joanense em 1945, como funcionário do Ministério da Saúde. Nessa época, ele já atuava como corretor de imóveis em Belo Horizonte. Dorgival diz que se vinculou ao PTB e trabalhou na campanha de Getúlio Vargas à presidência da república, tornando-se funcionário do Ministério do Trabalho em Belo Horizonte. Também teria participado da campanha de emancipação de Nazareno, coletando assinaturas para um abaixo-assinado que seria encaminhado ao governador Jusceli-

no Kubitschek. Mas o que pesou mesmo na emancipação foi o prestígio de Chichico e do Cônego Heitor junto a Tancredo Neves, observa Modesto. O prefeito José Heitor destaca três momentos marcantes da presença de Tancredo em Nazareno: como padrinho do segundo casamento do Chichico; como ministro da Justiça de Vargas, na emancipação do município e como governador, na inauguração do busto do Chichico. Aliança inusitada - Com a emancipação, em 12 de dezembro de 1953, foi nomeado intendente (espécie de prefeito) de Nazareno o engenheiro civil e funcionário do Estado Edmundo Loures. O primeiro prefeito eleito foi Chichico (PSD), que derrotou os candidatos do PTB e da UDN e administrou o município no período 1955-58. Ele foi substituído por Dorgival, eleito por uma coligação inusitada entre PTB e UDN, que assumiu em 1959, ao derrotar o secretário de administração de Chichico, lembra Modesto. Na sua gestão, a Campanha Nacional de Educandários Gratuitos (CNEG) criou o primeiro colégio (antigo ginásio) de Nazareno. O PSD voltou ao poder em 1963, com Chichico, que terminou o mandato no meio da ditadura militar e de novo quadro partidário. Nesta gestão, ele construiu o primeiro reservatório de abastecimento de água da cidade (atualmente, encampado pela COPASA). Com o golpe de 1964 e o fim dos antigos partidos, cada um tomou o seu rumo, ou seja, Chichico assumiu a liderança do MDB e o antigo udenista Joaquim Batista de Carvalho e seu sobrinho, Paulo Eduardo, passaram a controlar a ARENA. Em 1966, o MDB elegeu o fazendeiro Antonino Teodoro Teixeira com o apoio de Tancredo Neves. Mas ele renunciou ao cargo seis meses depois devido a forte pressão política. Assumiu o vice, Wilson Gualberto Milagres, então encarregado geral de mineração da Companhia do Estanho de São João del-Rei (que tinha atividade em Nazareno). A vida de prefeito era muito dura naquela época, assinala

Modesto, pois o município praticamente “vivia de arrecadação própria como tarifa de água, Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e eventualmente Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis por Ato Oneroso ´Inter Vivos’” (ITBI). O Fundo de Participação dos Municípios (FPM) só vinha em dezembro, e era um valor baixo. Os funcionários recebiam vale (não viam dinheiro)”. Gestão “revolucionária” - No mandato-tampão de 197172, Nazareno foi governado pelo ex-udenista Geraldo Teixeira de Carvalho, o Dadinho, da ARENA. Mas a própria ARENA arrastou para as suas fileiras Wilson Milagres, que voltou à prefeitura em 1973 para mais quatro anos. A saída de Wilson do MDB ocorreu devido a divergências dentro do partido, revela Modesto, supostamente por causa de seu método de trabalho, mas principalmente do traçado da variante Nazareno - BR 265, que colocou em lados opostos Chichico e a Companhia do Estanho (à qual Wilson e o vereador Pierre Cartianu eram ligados). Wilson teve “papel revolucionário” na gestão municipal, com a introdução do tratamento de água e do telefone, bem como a implantação do salário mínimo na prefeitura, relata Modesto. “Com ele, a receita melhorou porque a Companhia do Estanho (que explorava cassiterita, tantalita e outros minérios no município) tornou-se parceira da prefeitura”. Em sua época, foi instalado o alto-forno da fundição de estanho, que passou a aproveitar a cassiterita não apenas de Nazareno, como também do norte do Brasil, o que resultou em mais impostos. Também foi introduzido o artesanato de estanho, que depois seria transferido para São João del-Rei. Wilson ainda usou de seu prestígio para buscar recursos nos governos estadual e federal. Dorgival conta que, em 1976, foi convidado pelo governador Aureliano Chaves para ser o candidato da ARENA a prefeito de Nazareno. Foi assim que ele derrotou o cunhado Elpídio Batista de Freitas (candidato pelo MDB), administrando o município no

Vista aérea da cidade de Nazareno

período 1977-82. Nesse mandato, Dorgival criou a Fundação Municipal do Segundo Grau. De volta ao MDB - De volta à casa de origem a convite de Tancredo Neves, Wilson Milagres elegeu-se prefeito pelo MDB para o período de seis anos (1983-88). Foi a eleição da “hora da virada”, lembra Modesto, quando a onda oposicionista varreu o Brasil na fase final da ditadura militar. Nessa eleição, os partidos utilizaram o recurso da sublegenda e, assim, Wilson venceu o também emedebista João Batista de Paula e os candidatos da ARENA José Augusto de Carvalho e Devamir Valentino de Carvalho. “Era um homem de tanto prestígio que o único governador que ele não conseguiu levar a Nazareno foi o Hélio Garcia”. Em novo quadro partidário, Dadinho retornou à prefeitura em 1989, só que desta vez pelo PMDB. Foi substituído em 1993 pelo médico Gilson Bastos Leite, do PFL, criado pela família Batista. Em 1997, foi a vez de o PTB assumir a prefeitura, com Luís Antonio de Carvalho (PTB), que se reelegeu em 2000, mas renunciou no meio do mandato para se candidatar a deputado, cedendo o lugar ao vice Geraldo Heitor de Andrade. Porém Geraldo não conseguiu a reeleição, ao ser derrotado por José Heitor (PSDB), que administrou o município por dois mandatos (2005-2008 e 2009-2012). O atual prefeito não conseguiu eleger seu sucessor, Ederaldo Santos, pelo PSDB. Comenta-se que, tanto entre os tucanos quanto em partidos que apoiaram o candidato, muita gente bandeou para João Santeiro. Vicente Edson do Nascimento, vereador por sete mandatos pelo PMDB e reeleito para mais um exercício, diz que está disposto a colaborar com o novo prefeito. O PDT de João Santeiro elegeu apenas uma vereadora, ficando em minoria na Câmara Municipal, já que PSDB e PMDB emplacaram três vereadores cada e Democratas e PSC, um verea-

dor por partido. Mais arrecadação - José Heitor diz que o novo prefeito vai se beneficiar do aumento de receita, relativo à compensação financeira pela exploração de recursos minerais (CFEM) que, a partir de janeiro de 2010, passou de R$ 3 mil para R$ 70 mil mensais. “Uma ação junto ao Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM) fez com que esse recurso da CFEM fosse depositado em juízo desde 2005, o que gerou um valor de mais de R$ 2 milhões que devem entrar nos cofres públicos de Nazareno”. Para isso, o prefeito teria contado com o apoio da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (AMIG) e de uma consultoria tributária. “Isto foi fruto do reconhecimento de Nazareno como cidade mineradora”. O prefeito informou também que, desde janeiro de 2010, funciona em Nazareno uma usina de triagem de compostagem de lixo, resolvendo um dos principais problemas do município que são os resíduos sólidos. Outro avanço foi a ampliação da rede de esgoto na área urbana, que passou de 30% em 2005 para 85% atualmente. “O desafio maior é a estação de tratamento de esgoto, mas vamos deixar meio caminho resolvido. Conseguimos recursos de R$ 3 milhões do governo federal, e o processo está em andamento.” José Heitor garantiu ainda que vai deixar encaminhado o asfaltamento do trecho Nazareno – Mercês da Água Limpa ou Capelinha (São Tiago), que “já está em licitação. A obra deve começar em março de 2013. Essa estrada de 22,7 km é estratégica e foi incluída no Programa Caminhos de Minas. Será uma das primeiras desse programa a ser executada e vai melhorar o escoamento da produção agrícola e também de minérios”. (A íntegra da reportagem está disponível em www.jornaldaslajes.com.br)


6

Jornal das Lajes

ANO IX Nº 117 - JANEIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Polícia

Balanço do 3º pelotão da Polícia Militar, sediado em Resende Costa, do ano de 2012 Trabalhando em prol da comunidade e de maneira bem visível e ostensiva, a Polícia Militar de Resende Cos-

ta vem demonstrar algumas ações e serviços prestados com qualidade nas cidades de Resende Costa, Coronel

Xavier Chaves e Lagoa Dourada. “A população deve ver no policial alguém no qual

possa confiar e contar em todos os momentos. Participe e denuncie pelos telefones: 190 (PMMG) ou 181 (dis-

que denúncia)”, destaca o comandante do 3º pelotão, tenente Klaudir Machado.

Patrulha de prevenção em área comercial

Operações contra o tráfico de drogas Comunidade participa do CONSEP (Conselho de Segurança Pública)

Implantação da Rede de Vizinhos Protegidos Patrulha da madrugada – visita tranquilizadora

Patrulha Rural – ações preventivas em áreas rurais

Blitz educativa - consciência no trânsito

PROERD - Programa de Resistência as Drogas

Ações da PM contra o contrabando

Apreensão de moeda falsa - recuperação dos bens


Jornal das Lajes

ANO IX Nº 117 - JANEIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Aconteceu

As opções para a virada do ano dos resende-costenses foram muitas. Na Avenida Gonçalves Pinto, apesar de a Prefeitura Municipal não ter organizado o tradi-

cional evento, os comerciantes se uniram e prepararam uma festa para um público grande que escolheu passar o réveillon na rua. Além disso, o pessoal se reuniu em casa,

A Turma da Vaquinha inovou organizando seu primeiro réveillon no Parque do Campo

nos sítios e em outros espa-

EMANUELLE RIBEIRO Fotos arquivo pessoal

Feliz ano novo!!!

7

ços com os amigos para fazer aquela farra. Confiram algumas imagens do réveillon da galera.

A galera saudou a chegada de 2013 na Avenida Gonçalves Pinto

O réveillon Tantão 2013 foi comemorado no Sítio Recanto

No Sítio Valinhos, o réveillon também foi muito animado

Centenas de pessoas se reuniram na Avenida Gonçalves Pinto durante a passagem de ano

Virada no Libertas atraiu pessoas de diversos lugares Em Tiradentes, o “Espaço Libertas” recebeu grande número de pessoas na virada do ano. Com DJs, bandas e espaços diversos, o evento durou até a manhã do dia 1º. Quem escolheu iniciar o novo ano no Libertas pôde saborear a culinária de outros países, não perdendo, é claro, o contato com a deliciosa comida mineira. Com muita música, gente bonita e bebidas à vontade, o Réveillon Libertas foi uma boa pedida para a noite do dia 31. E o Espaço Libertas não para! No último dia 5, aconteceu lá também o show com a banda Oba Oba Samba House. E vem aí mais um mega evento: no sábado de Aleluia, tem Nando Reis no Libertas. Compre já o seu ingresso impossível perder essa!


8

Jornal das Lajes

ANO IX Nº 117 - JANEIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Aconteceu

ANDRÉ

Muita energia e animação marcaram a virada do ano na Churrascaria Ramona. O público que optou por comemorar o réveillon na Ramona teve ainda o privilégio de curtir o som do Clube da Seresta, de São João del-Rei, que garantiu a animação musical até às 3h da madrugada Fotos Luara Ramona

do dia 1º de janeiro. E um detalhe: repertório digno das grandes comemorações de ano novo, com muito samba, MPB e seresta. Quando o relógio anunciou meia noite, a churrascaria se transformou num grande palco de confraternização; as pessoas se abra-

EUSTÁQUIO

çavam desejando umas às outras um 2013 repleto de alegria, paz e sucesso. O réveillon na Churrascaria Ramona já se consolidou como referência para os resende-costenses e também para o público de toda a região, que já foi seduzido pela animação e pelo delicioso churrasco.

Formatura dos terceiros anos do Assis Resende acontece com mega- evento no Parque de Exposições EMANUELLE RIBEIRO

O fim de ano foi agitado em Resende Costa. Na sexta-feira, 28 de dezembro de 2012, os formandos dos terceiros anos da Escola Estadual Assis Resende promoveram um evento no Parque de Exposições, onde receberam seus diplomas e comemoraram com os amigos e a família o fim de mais uma etapa de suas vidas. Muita gente compareceu à festa, que teve bebida e comida à

vontade e muita música à noite inteira para a galera. O JL parabeniza os formandos e deseja sucesso nessa nova fase!

Fotos Emanuelle Ribeiro JL

2013 foi saudado com muita animação na Churrascaria Ramona


Jornal das Lajes

ANO IX Nº 117 - JANEIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Todo de branco Passei somente um réveillon em Resende Costa. Foi no final dos anos 80 e início de 90. Como todo réveillon, esse também tinha foguete estourando na rua, pessoas abraçando quem nunca viram e beijando quem nunca mais iriam beijar... e aquela porção de gente com a obrigação de ser feliz no último segundo do ano que estava acabando. Ah, sim... e todo mundo de branco. Que nem arraial do Gasparzinho, o fantasminha legal. E eu ali, zanzando zonzo na avenida. Tanta barulheira só porque o calendário iria mudar. Aos encontrões, fui abraçado num ano e beijei no outro. Na porta do bar do Miguel, um cara chorando sozinho, desabafando umas coisas para o paciente copo. Naquele copo, suas lágrimas etílicas... em seus olhos, a cachaça lacrimosa. De vez em quando, parava o seu monólogo e mandava um berro de “Feliz Ano Novo” para quem quisesse ouvir. Sambas-enredo do Rio de Janeiro invadiam a madrugada. Casais abraçados, bebendo, cantando, gingando e se arrastando pra não sei onde. Aquilo tudo foi me cansando e acabei indo lá pras lajes da Matriz. Ninguém lá. Olhei para os lados do Beira Muro. Uma lua maravilhosa prateava a paisagem enegrecida pela noite alta. Até a lua e as estrelas estavam de branco, saudando 1990. Ao longe, a algazarra da avenida. Perto de mim, um grilo executava o seu chiado insistente e monótono. Nem aí pra Ano Velho ou Ano Novo. – O senhor é dotô? Trabalha no hospital? O grilo começou a falar e eu estava virando Pinóquio. – Aqui embaixo, dotô. Eu

tô caído aqui. Me cura. Me dá um remédio. Ocê não é dotô? Tô com febre amarela. Toda vez que eu tenho febre eu fico amarelo. Era um bebum. Achou que eu era médico só porque eu estava de branco. – Eu não sou médico. Além disso, essa febre e você amarelo... deve ser hepatite. – Entendê ocê entende. Se não é dotô, então é dentista Vai, home! Tenho um dente que me maltrata desde que não sei. Tira esse dente de mim. Virei-me para ir embora, mas o bebum me mandou esperar. – Ocê não é dotô nem é dentista. De branco assim... Já sei! Ocê é marinheiro. Resolvi abandonar o navio e bater em retirada. – Já vai embora? Eu disconfiava... todo de branco aqui nas laje, lua cheia, virada do ano... é Pai de Santo. Saí dali e fui baixar em outro terreiro. O novo ano começou e correu ao longo dos meses. Cheguei a ver o pobre homem em alguns botecos de Resende Costa. Até que um dia me contaram quem ele era e que tinha morrido. Eu fui a sua única companhia na virada do ano. O bebum foi pro túmulo, mas me ensinou o seu pileque: a angústia de meus tropeços cotidianos. Em cada melancolia que não espanto, um médico que não cura. Em cada maçã que não mordo, um dentista frustrado. Em cada corpo que não aventuro, um marinheiro afogado. Em cada amor que não adivinho, um Pai de Santo sem feitiço. São brancos em mim. São brancos de mim. Páginas anêmicas do meu delírio. Os dias do ano velho se foram, mas as páginas do meu poema embriagado... essas ficaram.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

Contemplando as Palavras

9

REGINA COELHO

De cara com 2013

“O tempo voa”. Essa talvez seja uma das frases mais batidas das muitas que se falam e se escutam por aí. Mais do que simplesmente um velho chavão, ela encerra uma verdade. E assim sendo, já é janeiro e estamos em 2013. “É a vida que segue”, diria o jornalista Chico Pinheiro ao final do “Bom dia, Brasil” de toda sexta-feira. E é fato, mas ando meio cismada com a velocidade que estamos imprimindo ao nosso dia a dia. E sem demora a agenda do ano aparece preenchida. É bem provável até que muita gente que esteja ainda curtindo as esticadas festivas da virada do ano já tenha se programado para o final deste ano. O Carnaval? Esse já está fechado. Para a Semana Santa, tudo pronto. Estou sabendo que não estamos muito bem de feriadões. Fazer o quê? O jeito é ficar com os feriados mesmo, até 2013 terminar. E por aí vai. É lógico que não sou contra as festas e as comemorações, muito pelo contrário. Não entendo é essa urgência, essa correria para o que está lá na frente. Que canseira! E mais. Não entendo também essa obrigação de ser feliz, ou melhor, de estar feliz no réveillon. E depois disso? Sem os fogos de artifício, as ceias fartas e os votos de feliz ano praticamente obrigatórios de noite tão animada, volta-se ao normal. Claro, depois das férias de janeiro. Onde? Adivinhem! Na praia! Mas... tem o Carnaval logo depois. E aí? Sei lá! Para ser coerente com o que disse e penso, vamos com calma. É janeiro e sei é que muita gente não sabe começar o ano sem fazer aquelas listinhas básicas e manjadas de promessas de mudança. Emagrecer, parar de fumar, evitar o estresse,

gastar menos com bobagens e voltar a estudar, por exemplo, são itens que lideram o ranking do “eu prometo” dos que assim procedem. Isso me remete a um artigo interessante da jornalista Anna Marina (do Estado de Minas) publicado no início do ano passado. Nele ela afirma ter recebido de uma leitora uma “tábua de mandamentos”, segundo a colunista, “cheia de dicas, mas sem aquela conversa mole tão típica da ocasião”. Concordo com ela e por julgar o texto também atual, repasso-o a vocês. O “Manual 2013” é o seguinte: • “Beba muita água. • Coma no café da manhã como um rei, no almoço como um mendigo e no jantar como um pedinte. • Viva com os três ‘e’: energia, entusiasmo e empatia. • Arranje tempo para orar. • Leia mais livros do que leu em 2012, para isso sente-se em silêncio pelo menos 10 minutos por dia. • Durma 8 horas diariamente. • Faça caminhadas de 20 a 60 minutos por dia. Procure sorrir enquanto caminha. • Não compare a sua vida com a de ninguém, pois, na realidade, a gente não faz ideia de como é a caminhada dos outros. • Não tenha pensamentos negativos, sobretudo a respeito de coisas sobre as quais não se tem controle. • Não se exceda. Mantenha-se no seu limite. • Não se torne demasiadamente sério(a). • Não desperdice a sua energia preciosa com fofocas. • Esqueça as questões do passado. Não lembre seu(sua) parceiro(a) dos erros do passado. Isso destrui-

rá a felicidade presente. • Viva sem ódio. A vida é curta demais para odiar alguém. • Não tente ganhar todas as discussões. Aceite a discordância. • Entre mais em contato com a sua família. • Diariamente, dê algo de bom aos outros. • Passe um tempo com maiores de 70 anos e menores de 6. • Tente fazer pelo menos 3 pessoas sorrirem a cada dia. • Relaxe. Não lhe diz respeito o que os outros pensam de você. • O trabalho não tomará conta de você quando estiver doente. Os amigos o farão. Mantenha contato com eles. • Desfaça-se do que não é útil, bonito ou alegre. • Acredite. Por muito boa ou má que a situação seja... ela mudará. • Não interessa como você se sente. Levante-se, arrume-se e apareça. • Creia. O melhor ainda está por vir. • Quando acordar vivo(a) de manhã, agradeça a Deus pela graça.” Conforme se pode ver, dá para fazer muita coisa simples e bacana, mas nada de encarar essa lista como receita pronta de felicidade ou lição de autoajuda. É melhor manter distância dessas ilusões. Faço coro também com as palavras de Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, extraídas de seu livro “A casa demolida”: “Nada de coisas impossíveis, apenas uma praia para janeiro, uma fantasia para fevereiro, um conhaque para junho, um livro para agosto e as mesmas vontades para dezembro”. Que assim seja, se a gente quiser. E que venha 2013!


10 Jornal das Lajes Causos e Cousas

ANO IX Nº 117 - JANEIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

ROSALVO PINTO

Um resende-costense em Montes Claros O Jornal das Lajes apresenta o conterrâneo Cristino Resende que trocou os montes das vertentes pelos montes claros do norte de Minas A coluna “Causos e cousas” abre seu espaço neste início do décimo ano de circulação do nosso Jornal das Lajes para o resende-costense Cristino Resende. Um depoimento de saudades e curiosidades, bem ao estilo proposto para esta coluna. E fica aqui o convite a outros resende-costenses ausentes para que expressem seus talentos, enriquecendo o acervo da memória histórica de nossa terra, um dos objetivos deste jornal. Com a palavra o conterrâneo Cristino. Este Jornal das Lajes ... ele tem um sabor diferente quando lido por um legítimo filho das Lajes como sou, e agora morando em terras tão distantes e de costumes nada parecidos com os nossos, só me resta recordar, com boas lembranças, tempos passados. Assim é que, lendo a edição 77 do JL [abril de 2010], senti-me presente nos acontecimentos nele narrados, como, por exemplo, o Buraco do Inferno, onde eu e o padre Jaime Teixeira – salesiano, de São João del-Rei -, estivemos lutando em seu interior contra as revoadas dos morcegos, que fazem daquele lugar a sua morada. Padre Jaime esteve, em 1968, auxiliando o nosso estimado padre Nelson e eu, naquela época, morava na Casa Paroquial. Na edição 75, na coluna Causos e Cousas, fala-se sobre a Casa Paroquial, padre Adelmo etc. Então, bem me lembro agora da minha primeira comunhão, feita com o padre Adelmo, na sacristia da Matriz. Fazia frio e eu, de calça curta e blusa branca, fui levado pela minha bondosa mãe, que antes trocou minha roupa num beco bem ali depois da venda do Zé Padeiro. Lá na sacristia eu me confessei e fui o único menino a fazer a primeira comu-

nhão naquele dia 11 de março de 1951. Ainda sobre o jornal da edição 77, quero dizer que me lembro muito bem da jardineira do Onofre e de seu motorista, o Zé Pedro Gancho. Foi nela que fomos de mudança para São João del-Rei. Lá chegando, no Porto – hoje Santa Cruz de Minas -, como era menino de quatro para cinco anos, fui passado pela janela da jardineira, que era de madeira. Meu pai me pegou e, lá fora, meu irmão Mozart – que Deus o tenha -, me tomou nos braços. Eu era pequeno e, assim, facilitou o trabalho. Sobre o avião do Renato Morethson e seus acontecimentos, envolvendo o padre Nelson e o Sérgio Procópio, fiquei sabendo em casa, ouvindo meu pai e minha mãe comentando o fato e a gente ouvindo calado e com curiosidade. Lembro-me do Antônio do Marisco com sua barba tradicional, que dava medo nas crianças. Mais medo eu sentia ao ver o Carrinho chegar à janela de nossa casa e pedir café, sempre enrolado em seu cobertor, em qualquer tempo. Sobre o Quente-Fervendo eu só ouvia meus irmãos comentando, pois eu não o conheci. Do armazém do Duque guardo grata lembrança do cheiro que ainda sinto do pão-combate, hoje conhecido como pão sovado. Lembro-me também do armazém do Chiquito Vale e sua bomba de gasolina. Uma figura tradicional ainda era o Nhonhô Caiano, que fazia e vendia terços nas ruas e que, tempos depois, na idade madura, fez concurso para os Correios e foi trabalhar em Barroso. Lembro-me bem do Afonso Cego, filho da Sá Ana, que tinha

como guia o João Bizorro (besouro). Afonso Cego era um negro de voz grossa e de um sorriso escondido e acanhado. Ele e seu guia faziam a pé o trajeto de Resende Costa a São João del-Rei, onde o Afonso pedia esmola e se hospedava em nossa casa. Sobre a “luz” que aparecia para as pessoas, tive a sorte de vê-la uma vez, bem em cima da casa da minha irmã Maria, lá no sítio do Açude. Lembrando-me da Fazenda da Laje, não posso me esquecer dos casos de assombração contados pelo Seu Zeca. A sala da casa era bem grande e de lá ele nos levava até a cozinha, onde estavam os queijos exalando um cheiro forte, dependurados e amarrados no teto por causa dos ratos. Na cozinha estava sempre sua mulher, a dona Joaninha, bem pequena e de pés no chão, cuidando em manter o fogo acesso no velho e surrado fogão-a-lenha. Lembro-me do padre Sílvio Chaves como se fosse hoje, com sua luneta mostrando a nós meninos as estrelas e as luzes piscando, segundo ele, da cidade de São Sebastião da Vitória. Lembro-me do cabo Ananias, sempre com sua farda e seu jeito garboso de andar. Não posso me esquecer das procissões comandadas pelo padre Nelson. Ele levava consigo um chicote (reio, relho) para silenciar os que conversavam no final das filas. Continuo guardando as emoções das boas lembranças e aguardo outras edições do Jornal das Lajes para ler as boas recordações. Um abraço para todos, Cristino Resende”.

Crônicas do Cotidiano

RAFAEL CHAVES

Esperança carpe diem Por mais desgraças que nos aconteçam ou aconteçam ao nosso redor, essa semana que vai do Natal ao ano novo sempre nos remete à renovação, à esperança. É um descarrego, é como se tomássemos um remédio, um antídoto contra todos os males que nos tenham acontecido, um placebo aos infortúnios e dificuldades que, invariavelmente, estão por vir. Primeiro, no Natal, a gente reflete mais sobre nosso espírito, nossa alma, nossa condição humana diante do mistério da existência. O Natal tem uma conotação mais intimista, mais familiar. Para resumir: religiosa! Mesmo aqueles que não têm religião acabam por incorporar o significado natalino e comemoram o nascimento de Jesus. E rezam. O ano novo, por sua vez, reflete mais a nossa aparência, a nossa convivência social, nossa condição humana diante do nosso instinto. O ano novo tem um sentido mais ostentoso, uma preocupação com o corpo e com os outros. Para resumir: mundano! Mesmo aqueles que têm religião acabam caindo em tentação e caem na gandaia. E foliam. Embora todo ano seja quase a mesma coisa, podendo mudar uma ou outra situação, um ou outro personagem, não há como sair ileso ou ignorar. Eu próprio, que abomino ser maria vai com as outras, com esse meu ceticismo exacerbado, rezo e caio na folia. Entra ano, sai ano, todo ano eu, aqui no Jornal das Lajes, sempre me rendo, e arrisco-me a cronicar acerca dessas coisas. Balanço entre o pessimismo e o otimismo; balanceio, cada um em um prato, a esperança e o desespero; batalho entre forças e sentimentos opostos. Faço um esforço hercúleo

para não me lembrar das coisas que aconteceram e que me tiram do sério. Fico nervoso só de pensar. Não quero! O máximo de mal que desejo a algumas pessoas é que elas se vão: plantar batatas, longe de mim e dos meus cavalos, que não comem batatas! Também não quero, inocente e alienado, enaltecer as coisas e as pessoas boas. Que elas vençam. Que elas consigam plantar coisas mais nutritivas: alfafas, perto de mim. Este Natal foi muito bom, de muita fartura na mesa, como convém. E de paz, ainda que consentida. E de saúde, ainda que meio senil. Saúde envelhece? É bom abraçar os pais, os irmãos, os sobrinhos e toda a família. Não há ressentimentos nos abraços trocados no Natal. Não há trocas de maus-olhados. Os desejos e a emoção são sinceros. Presentes? Ganhei um ou outro. Aprendi a amar os presentes que eu recebo, todos eles, por menores e insignificantes que pareçam. De algum modo pensaram em mim, ainda que possa ser às avessas. Agora, assim de pronto, creio que 2013 vai ser um ano bom. Vai ser prolífico pelo menos (que o digam as minhas éguas, pois este ano, depois de anos, mais de uma dezena delas estão prenhas e parirão, ah parirão...)! Sinto que alguma sorte me reserva. Será? Economizo sorte para que ela, quando vier, seja grande, enorme, valiosa, rica, abundante e me resolva de vez. Uma mega de virada! Falando em éguas e fim de ano, por via das dúvidas, uma das últimas potras que nasceram este ano eu a batizei de Esperança: Esperança Carpe Diem. É um bom nome para encerrar um ano e começar outro... Que assim seja, amém!


Jornal das Lajes 11

ANO IX Nº 117 - JANEIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Gastronomia

Patrimônio Histórico

Teatro Municipal de Resende Costa é reinaugurado No dia 19 de dezembro de 2012, as portas do Teatro Municipal, construído no início do século 20, foram novamente reabertas aos resende-costenses. Uma ampla reforma, que durou cinco meses, deixou o teatro em condições dignas de abrigar espetáculos artísticos. O projeto de reforma foi assinado pelo arquiteto Fábio Silva e contemplou detalhes estéticos, segurança e acessibilidade. A reforma custou aos cofres públicos R$ 206.202, 96. “A prefeitura utilizou recursos próprios. Inclusive, o secretariado municipal estava reticente quanto à reforma devido à situação financeira da prefeitura, mas o prefeito Adilson se empenhou e a reforma aconteceu”, disse o então secretário de Educação e Cultura, Adriano Magalhães. Adriano informou que durante o mandato do prefeito Adilson foram inscritos no Fundo Estadual de Cultura (FEC) dois projetos para reforma do Teatro Municipal, porém nenhum deles conseguiu aprovação. “Os projetos enviados ao FEC previam uma reforma mais sofisticada, incluindo instalação de poltronas. Mas quando vimos que demoraria, optamos por utilizar recursos próprios. Foi aí que pedimos ao arquiteto Fábio para enxugar o projeto, garantindo, contudo, conforto, segurança, acessibilidade e, fundamentalmente, preservando o estilo e as características do prédio”, explicou o secretário. O prédio anexo, onde funcionou a Biblioteca Municipal, também foi reformado e ganhou uma rampa para acesso de cadeirantes e um banheiro adaptado para receber portadores de deficiência física. Antes da reforma, o teatro não contava com banheiro e camarim. A partir de agora, os usuários do espaço já contarão com essa estrutura cuidadosamente projetada seguindo as normas de segurança. O camarim foi construído atrás do palco e tem acesso do lado externo do teatro. A banda de música Santa Cecília também terá seu espaço próprio. Durante os ensaios, os músicos utilizarão uma sala ampla, arejada e independente do teatro, proporcionando-lhes conforto e privacidade. A parte superior do teatro, chamada de camarote, também foi recuperada. Os balaústres de madeira, que estavam bastante deteriorados e colocando em risco a segurança da pla-

Foto André Eustáquio JL

ANDRÉ EUSTÁQUIO

A reforma do Teatro contemplou aspectos estéticos, acessibilidade e segurança

teia, foram restaurados e fortalecidos com um corrimão de aço. A reforma não recuperou somente a estrutura do prédio. Nova e eficiente iluminação foi instalada. O telhado foi totalmente refeito e o seu interior coberto por esteira de bambu visando a otimizar a acústica do prédio. “O Fábio sugeriu utilizarmos esteira de bambu seguindo o contorno do telhado, a fim de aperfeiçoar a acústica”, esclareceu Adriano. Ainda de acordo com o secretário, todo o engradamento do telhado precisou ser substituído. “Havia muito mofo, cupim e caruncho. Se demorasse mais dois anos, o telhado certamente viria abaixo”. Utilização e preservação No início da década de 80, quem passava em frente ao Teatro Municipal se escandalizava e ao mesmo tempo se entristecia com o estado de abandono em que se encontrava o prédio. Fotos da época mostram a fachada coberta por cartazes de propaganda política, portas quebradas e pintura danificada pelo mofo. O interior do imóvel sofria com as goteiras e a estrutura do palco e do camarote estava seriamente comprometida. Era uma casa abandonada esperando pelo desabamento definitivo, até que em 1992, durante o mandato do prefeito Camilo de Lélis, uma reforma foi realizada no teatro, que passou a se chamar “Casa de Cultura”. Após a reinauguração em 1992, grupos de teatro locais passaram a utilizá-lo e anualmente acontecia a “Semana Cultural”, organizada pela Fundação Casa de Cultura, com eventos diversos e ecléticos, como lançamento de livros, saraus literários, apre-

sentações musicais e folclóricas. Neste período, inaugurou-se no local uma exposição permanente de fotografias antigas de Resende Costa. Porém, após a extinção da Fundação Casa de Cultura, o teatro retornou ao lamentável estado de abandono, sendo utilizado apenas como ponto de apoio para o carnaval e, esporadicamente, sediava alguma atividade cultural com o intuito maior de utilizar o prédio, ainda que de maneira precária. Em 23 de março de 2005, o Teatro Municipal passou a ser bem tombado pelo município, o que significa que o poder público é atualmente o responsável legal pela sua preservação. A partir do tombamento, nenhuma intervenção poderá descaracterizá-lo arquitetonicamente. O tombamento também exige que as construções próximas ao teatro não ultrapassem determinada altura e nem descaracterizem o entorno do imóvel. Tornar o Teatro Municipal útil e ao mesmo tempo preservado é um apelo que faz o secretário Adriano Magalhães não só ao poder público, mas a toda comunidade: “Antes o Teatro Municipal era o cartão-postal do abandono em Resende Costa. Agora temos um espaço devidamente recuperado que deve ser usado para música, teatro, cinema, literatura, enfim, para a cultura específica. Se ele não for utilizado, daqui a vinte anos o prefeito estará novamente reinaugurando-o”. A primeira atividade cultural fixa no Teatro Municipal, após a reforma, serão as exibições de filmes aos domingos. O projeto “Cine Mais Cultura”, que tinha como sede a Biblioteca Municipal, agora acontecerá no novo Teatro Municipal.

CLÁUDIO RUAS

Cozinha de fora A cozinha até pouco tempo atrás era um dos lugares menos valorizados do lar, com algumas exceções. Sempre dispostas ao fundo da casa ou apartamento, até por razões justificáveis, mas muito distantes, escondidas e oprimidas. A sala sempre foi, digamos, o lugar “nobre” da residência, de se receber visita, seja na cidade ou até mesmo na roça. Mas felizmente, de uns tempos para cá, essa ordem vai se mudando e a cozinha passa a se tornar o cômodo mais valorizado e importante, como sempre deveria ter sido. Cada vez mais a cozinha é maior e mais integrada a outros ambientes, e o melhor, muitas vezes ainda existe uma outra, ou um espaço gastronômico. É o que podemos chamar de “cozinha de fora”, que já existia na roça e nas moradias mais simples do interior há tempos e hoje é item obrigatório em casas ou prédios de luxo da cidade grande. Seja um “espaço gourmet” como dizem, ou uma “cozinha de fora”, o fato é que esse fenômeno nos mostra que estamos reverenciando cada vez mais a gastronomia. Queremos ver a comida, o preparo, o cheiro e o cozinheiro de perto. Buscamos mais espaço e estrutura para cozinhar, de preferência em um lugar agradável, mais aberto, separado, no qual caiba mais gente. Nós mineiros então, adoradores de cozinhas desde sempre, reacendemos cada vez mais os fogões de lenha que tanto cozinharam nos quintais do passado e que não são mais exclusivos do campo e do interior, assunto que rende outro texto. Seja em volta da churrasqueira - como faz o brasileiro e o gaúcho em especial - ou em torno de um forno à lenha – como o povo de São Paulo – ou então ao redor do nosso mineiríssimo fogão de lenha, a

cozinha de fora é um lugar de festa, de reunião e de celebração. Na roça, esse espaço costuma também ser improvisado no terreiro, que recebe uma trempe grande de pedras para ajeitar o tacho de cobre ou o caldeirão de ferro em dias de se fazer doce ou de matança de porco. Até o cupim do pasto pode virar uma trempe perfeita, que guarda todo o calor do fogo sem esquentar o cozinheiro. Uma árvore no canto pra fazer as vezes de telhado e um rego d’água por perto como pia e está pronta a cozinha, também chamada de “giral”. Além das vantagens óbvias de uma cozinha de fora, destaca-se o fato de que ela permite o preparo de certas iguarias que demandam mais espaço e tempo, sem bagunçar a cozinha de dentro e sem interferir no seu dia a dia, para alegria da dona da casa. Em função disso, as pessoas ficam mais à vontade e o resultado final tende a ser sempre melhor. Inclusive muitos restaurantes têm adotado uma espécie de cozinha de fora, geralmente próxima aos clientes, para que o cozinheiro execute ou finalize a receita na frente de todos, o que costuma ser um atrativo interessante do estabelecimento. Enfim, fico muito feliz com essa valorização que tem ocorrido com esse espaço tão especial, não só da casa, mas também de nossas vidas, já que sobrevivemos graças a ele. Tão feliz quanto estou agora, escrevendo ao lado do fogão de lenha aceso da nossa cozinha de fora, recém inaugurada na roça, um sonho antigo realizado. (A receita do mês no nosso blog é boa para ser feita pra muita gente na cozinha de fora, mas também pode ser preparada dentro de casa para poucos: “arroz de arado com açafrão, taioba e linguiça caipira enfumaçada no fogão”. www.casalgastromg.blogspot. com.br


12 Jornal das Lajes

ANO IX Nº 117 - JANEIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Circuito das Artes

Amirco

MAC realiza 3ª edição do Circuito das Artes

“Coleção Lageana” da AMIRCO continua crescendo

O evento marcou a reinauguração do Teatro Municipal. Fechado por mais de uma década, o prédio foi revitalizado com recursos da prefeitura municipal durante o ano de 2012 FERNANDO CHAVES O ano do centenário encerrou-se deixando uma boa novidade para muitos resende-costenses. Músicos e artistas locais, apreciadores da cultura em geral, saudosistas e muitos outros puderam se alegrar com a reinauguração do Teatro Municipal, celebrada em grande estilo durante o 3º Circuito das Artes, entre os dias 19 e 23 de dezembro último. Música, cinema, teatro, poesia e uma exposição de pinturas e desenhos ditaram o ritmo do festival promovido pelo Movimento Arena Cultural (MAC) com o apoio da prefeitura municipal de Resende Costa. De quarta a domingo, a quase centenária Casa de Cultura foi ventilada pelo canto e pelos passos de artistas, em maioria resende-costenses, e pela presença curiosa de jovens, crianças e adultos espectadores. A reinauguração oficial do prédio ocorreu na noite de quarta-feira, com a presença de autoridades municipais e com a encenação da peça A flor, a fada e a princesa, da Cia Teatral Manicômicos. O então secretário municipal de educação, Adriano Magalhães, em seu pronunciamento ressaltou a importância das entidades da sociedade civil na retomada e na manutenção das atividades na Casa de Cultura. “O poder público não faz cultura. Cabe a ele incentivar, fomentar as iniciativas culturais. Mas quem realmente faz cultura é o povo. Se o funcionamento do Teatro Municipal ficar exclusivamente nas mãos da prefeitura, vamos correr o risco de ver, novamente, as luzes da Casa de Cultura se apagando aos poucos. Para darmos vida efetiva e prolongada ao Teatro Municipal, é fundamental a participação de grupos culturais do município na movimentação da casa”, destacou Adriano. Na noite de quinta-feira, o Circuito das Artes levou até o público uma discussão importante: a ques-

tão da valorização e da preservação do patrimônio histórico e cultural do município. Três palestras foram realizadas por iniciativa do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural. André Eustáquio Melo de Oliveira, ex-presidente do Conselho, e Ângelo Márcio Resende, atual presidente, apresentaram as principais iniciativas e os maiores desafios enfrentados hoje pelo órgão. A terceira palestra ficou por conta de Ryanddre Sampaio, museólogo do Museu Regional de São João del-Rei, que apresentou conceitos fundamentais ligados à preservação dos patrimônios histórico, artístico, arquitetônico e cultural, sejam de ordem material ou imaterial. Ao fim das palestras, houve apresentação musical com a banda do Chá Preto e, em seguida, passou-se à exibição de estreia do documentário Resende Costa Tecendo Histórias, produzido pelo Instituto Rio Santo Antônio (IRIS), em homenagem aos 100 anos do município. O filme traz depoimentos sobre a Inconfidência Mineira, sobre a tradição têxtil do município, sobre a tradição religiosa, dentre outros relatos e costumes que ajudam a tecer a identidade cultural e histórica do povo resende-costense. Ao registrar narrativas populares e históricas que permeiam a cultura local, o filme vai ao encontro das reflexões sobre a importância do patrimônio histórico e cultural. De acordo com a documentarista Mariana Fernandes, responsável pela direção do filme, a obra contribui para a preservação da memória coletiva local e pode ser usada também em escolas e em pontos de informação e recepção turística. O terceiro dia de Circuito das Artes foi dedicado à literatura e ao teatro. Um sarau literário contou com a participação de vários poetas da cidade, recitando seus versos sobre o tema “o fim do mundo previsto pelos maias”. Logo em

seguida, o eminente escritor e professor do curso de Letras da UFSJ, José Antônio Oliveira de Resende, ministrou sua palestra intitulada Por que a poesia? , conseguindo arrebatar a atenção e a curiosidade de um público diversificado de adultos e crianças. No final da noite de sexta-feira, foram apresentadas as peças A Grande Chacota e O Quilombo, ambas encenadas por jovens de Resende Costa, participantes do Projeto Arte Por Toda Parte. Já na noite de sábado, o Teatro Municipal abria espaço para uma oficina de dança ministrada por Rafael Santos e, em seguida, para a apresentação de duas peças teatrais: O dia seguinte à morte do Inconfidente, uma performance improvisada por alunos do Projeto Arte Por Toda Parte, e Reconto de fadas, peça infantil dirigida pela resende-costense Renata Sousa. No domingo, além da reexibição do Documentário Resende Costa Tecendo Histórias, o público pôde apreciar as belíssimas apresentações do coral Opus Mater Dei, da banda de música Santa Cecília e do grupo de congado Santa Efigênia. Um dos objetivos do Circuito das Artes é congregar no MAC diversas modalidades de manifestação artística, além da música. De acordo com Ângelo Márcio, coordenador do movimento, a ideia de se criar o evento surgiu com o intuito de ampliar as áreas de atuação do MAC, que foi fundado inicialmente por músicos. “No Circuito das Artes, colocamos todas as manifestações artísticas em diálogo. O MAC surgiu da união de músicos que procuravam espaço para mostrar o seu trabalho, mas o movimento não ficou restrito a essa modalidade artística. O objetivo do MAC é valorizar e oferecer palco para todo o tipo de manifestação cultural e artística. Por isso criamos o festival Circuito das Artes”, explica Ângelo.

Fotos Fernando Chaves Adriano Magalhães relembrou momentos históricos da Casa de Cultura

Jovens participantes do Projeto Arte por toda Parte

Cena da peça A flor, a fada e a princesa

Apresentação do Coral Opus Mater Dei

A “Coleção Lageana”, criada pela Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO) em 2009, vem crescendo gradativamente. A ideia da criação de uma coleção, iniciativa da sócia Elaine Amélia Martins (atualmente Diretora de Comunicação da AMIRCO), teve como objetivo estimular a publicação de obras escritas (literárias ou não literárias) ou imagéticas, que enriqueçam a história de Resende Costa e das demais cidades da região do Campo das Vertentes. A Coleção Lageana acolhe obras produzidas por resende-costenses ou por outras pessoas não resende-costenses, mas que tenham como tema Resende Costa e sua região. Entretanto, outras obras poderão eventualmente ser acolhidas quando, a juízo do seu Conselho Editorial, se tratar de obras relevantes nos contextos nacional, estadual, regional ou municipal. A primeira participação da AMIRCO nos projetos subsidiados pelo Fundo Estadual de Cultura (FEC) da Secretaria de Cultura de Minas Gerais aconteceu em 2007. Esse primeiro projeto teve como objetivo a recuperação e restauração de obras raras da nossa Biblioteca Municipal, à época abandonadas e em processo de destruição. O projeto foi aprovado e executado com sucesso, com a recuperação de 153 volumes, hoje abrigados em local especial na biblioteca. Com a experiência desse primeiro projeto, no FEC de 2009 a AMIRCO inscreveu o projeto “Coleção Lageana I”, com a publicação das duas primeiras obras da coleção. A primeira publicação foi a edição fac-símile do opúsculo “Livro de Pallidas Remiscencias da antiga Lage – hoje – Villa de Rezende Costa” (1920). Desse opúsculo tínhamos notícia da existência de apenas um único exemplar, em péssimas condições de conservação. Seu autor foi o professor José Augusto de Rezende, da equipe dos primeiros professores e ex-diretor do antigo “Grupo Escolar Assis Resende”. A importância do opúsculo foi de ter sido a primeira tentativa de se produzir uma história da cidade. O segundo, “Um olhar sobre Resende Costa”, um alentado volume de 609 páginas, reuniu os trabalhos produzidos por 46 colaboradores, publicados ao longo de cinco anos no Jornal das Lajes de Resende Costa, versando sobre os mais variados temas da história, geografia, cultura, economia e vida atual da cidade. O lançamento das duas publicações aconteceu com concorrida presença de resende-costenses no dia 28 de maio de 2011. A esse tempo a AMIRCO já havia inscrito um terceiro projeto no FEC, igualmente aprovado. O projeto “Coleção Lageana II” (aberto em 2010) incluiu três publicações, duas de obras escritas e uma imagética. A primeira delas, a coletânea de crônicas “Móbiles de Areia”, de autoria do resende-costense Evaldo Balbino, foi lançada em Resende Costa no dia 28 de junho de 2012. Também

ROSALVO PINTO lançada em Belo Horizonte, teve boa repercussão na mídia estadual. A segunda, uma reedição do livro “Os Inconfidentes José de Resende Costa (Pai e Filho) e o Arraial da Laje”, de autoria do professor Rosalvo Pinto, será lançada em junho próximo, juntamente com a terceira, um álbum fotográfico de Resende Costa. Essas três publicações constituíram uma homenagem da AMIRCO à comemoração do centenário da emancipação política de Resende Costa, acontecida em dois de junho de 2012. E a Coleção Lageana não para de crescer. Um quarto projeto, “Lageana III” foi apresentado e aprovado pelo FEC em dezembro último. Serão mais três obras a serem incorporadas à coleção, perfazendo, portanto, oito publicações. A primeira trata-se de uma história de Resende Costa. Essa obra constitui em si mesma uma história interessante. Um resende-costense da família Chaves, José Maria da Conceição Chaves, mais conhecido por “Juca Chaves” (filho do segundo casamento do sempre lembrado senhor Osório Chaves) decidiu, a partir da década de 50, escrever uma história de sua terra natal. Autodidata, pôs-se a pesquisar em inúmeras fontes (orais, escritas, documentais) as informações para atingir seu objetivo. Sem recursos para realizar seu grande sonho de homenagear sua terra e, sobretudo, perfeccionista ao extremo, foi sempre postergando o término da obra. Tendo seu esboço já cuidadosamente datilografado, continuou incorporando, às margens das páginas, inúmeras informações e correções. Recebeu muitos comentários do professor Antônio de Lara Resende (viveu alguns anos no “Arraial da Laje”, pai do escritor Otto Lara Resende), que viu no trabalho um grande valor para a memória de Resende Costa. Com apoio dos descendentes da família Chaves, através de seu filho, o professor Antônio Afonso Chaves, não só o sonho do Juca será, ainda que post mortem, realizado, mas Resende Costa ganhará sua primeira história, consolidada com um trabalho correto, sério, meticuloso. A segunda obra é constituída por um relato ficcional romanceado, do escritor resende-costense Alair Coêlho de Resende, focalizando o até hoje enigmático evento do “embuçado da Inconfidência”, acontecido em Vila Rica (Ouro Preto) em princípios de 1789, nos albores da repressão ao movimento separatista da Inconfidência Mineira. A terceira obra, intitulada “A hidra de sete bocas”, é de autoria do professor resende-costense Francisco Eduardo Pinto. Trata-se de uma obra, na área de história, resultado de sua pesquisa de doutoramento, na Universidade Federal Fluminense (UFF). Essa obra será publicada em co-edição e parceria da AMIRCO com a editora da UFF e focaliza a questão fundiária no século 18 na Comarca do Rio das Mortes.


Jornal das Lajes 13

ANO IX Nº 117 - JANEIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Tiradentes

Vertentes online

Vertentes online JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Valor da produção agropecuária regional: R$ 149,33 milhões

(veja mais: www.jornaldaslajes. com.br/integra/integra.asp? p=noticias&codigo=569).

O valor da produção agropecuária da microrregião do Campo das Vertentes somou R$ 149,33 milhões em 2011, um acréscimo nominal de 51,5% em relação ao ano anterior. Destaques para Lagoa Dourada (R$ 28,75 milhões), São João del-Rei (R$ 24,47 milhões), Madre de Deus de Minas (R$ 22,01 milhões) e Nazareno (R$ 19,06 milhões). Resende Costa atingiu R$ 3,18 milhões. Os dados municipais foram divulgados pelo IBGE. Entre os produtos vegetais, o milho foi o destaque da região, com 134,5 mil toneladas (queda de 9,1% comparados com o ano anterior). No setor animal, a produção de leite atingiu 148,86 milhões de litros (+ 3,4%), enquanto a de ovos somou 796 mil dúzias (+1,7%). São João del-Rei liderou a produção de milho, com 28 mil toneladas, seguido de Lagoa Dourada e Madre de Deus de Minas, com cerca de 24 mil toneladas (veja mais: www.jornaldaslajes. com.br/integra/integra.asp? p=economia&codigo=79)

Escolas públicas da região no ranking do ENEM 2011

A região no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal Resende Costa e São João del-Rei alcançaram nível “moderado” no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), referente a 2010, com respectivamente 0,6413 e 0,7641 (escala de 0 a 1). O índice, calculado desde 2000 pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, classifica o desenvolvimento socioeconômico dos municípios, utilizando indicadores de “educação”, “saúde” e “emprego e renda”. Na microrregião, o Índice Firjan de São João del-Rei apresentou o maior crescimento (33,8%) entre 2000 e 2010, segundo o professor de economia Aluízio Barros, aposentado da UFSJ. Resende Costa e Dores de Campos atingiram “alto desenvolvimento” em “saúde” na maioria dos anos. São João del-Rei e São Tiago alcançaram “alto desenvolvimento” em “educação”

O Colégio Revisão e o Centro Educacional Frei Seráfico, de São João del-Rei, apresentaram o melhor desempenho por escola da microrregião no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2011. As médias das duas escolas foram, respectivamente, 623, 89 e 623,04 pontos. A média do Brasil foi bem inferior (519 pontos). Entre as escolas públicas, destacam-se a são-joanense E.E. João dos Santos (média 557,75); E.E. Cel. Xavier Chaves (média 544,22) e E.E. Padre Crispiniano de Ritápolis (média 530,68). A E.E. Assis Resende (Resende Costa) alcançou média 491,11. As escolas que apresentaram bom desempenho no Enem 2011 merecem os resultados obtidos devido a fatores como boa administração, professores conscientes e o apoio da família, avaliam os professores Antonio Carlos Duque Estrada e Leonam Maxney Carvalho, da Superintendência Regional de Ensino de São João del-Rei. Para eles, a divulgação do ranking de escolas, por parte do MEC, é válida quando estimula a disputa sadia (veja mais: www.jornaldaslajes. com.br/integra/integra.asp? p=noticias&codigo=567). Criação de ovelhas e receita de cordeiro assado Paulo Lasmar cria ovelhas desde 2004 em Nazareno. Em 2009, participou da fundação do Núcleo de Criadores de Caprinos e Ovinos das Regiões dos Campos das Vertentes e Zona da Mata (NUCCORTE). Lasmar optou por criar matrizes cruzadas devido a sua carência no mercado e à boa aceitação de carne de cordeiro. Usa reprodutores Texel e White Doper com base nas primeiras crias, ganho de peso e textura da carne. E é dono de receita inigualável de cordeiro assado (veja mais: www.jornaldaslajes. com.br/integra/integra.asp? p=cidades&codigo=37)

São João del-Rei lidera nas exportações regionais As exportações da região mineira do Campo das Vertentes caíram 11% em outubro, para US$ 27,18 milhões, em comparação com o mesmo mês de 2011. Já as importações aumentaram 230%, para US$ 10,54 milhões, o que resultou no saldo comercial de US$ 17 milhões (ainda positivo, porém bem menor do que o superávit de US$ 27 milhões de outubro de 2011). As informações constam do boletim “Panorama do comércio exterior Campo das Vertentes – Outubro 2012”, elaborado pela professora Daniela Almeida Raposo Torres, do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). No acumulado do ano (janeiro-outubro), as exportações somaram US$ 244,99 milhões, uma queda de 15,15% em relação a igual período de 2011. Já as importações atingiram US$ 52,76 milhões, um acréscimo de 20,55% sobre o mesmo período do ano passado. Dessa forma, o saldo comercial da região com o exterior foi de US$ 192,23 milhões (um recuo de 21,52% frente a janeiro-outubro de 2011). São João del-Rei é o principal município exportador da região do Campo das Vertentes, com cerca de 34% das exportações, seguido de Barbacena (31%), Nazareno (18%) e Lavras (15%). (veja mais: www.jornaldaslajes. com.br/integra/integra.asp? p=noticias&codigo=570) Cesta básica do trabalhador são-joanense cai 3,74% O custo da cesta básica do trabalhador são-joanense caiu 3,74% em novembro, para R$ 183,17, de acordo com o Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). As quedas mais expressivas ocorreram nos preços da batata (15,89%), arroz tipo 2 (15,14%), margarina (12,36%) e óleo de soja (7,89%) (veja mais: www.jornaldaslajes. com.br/integra/integra.asp? p=noticias&codigo=585).

Expectativa é de que mais de 30 mil pessoas visitem Tiradentes durante a 16ª Mostra de Cinema EMANUELLE RIBEIRO

Acontece de 18 a 26 de janeiro próximo, na cidade histórica mineira de Tiradentes, a 16ª Mostra de Cinema da cidade. A Mostra é conhecida internacionalmente e atrai públicos diversos, que estão em busca de bom entretenimento e novidades do segmento audiovisual. Na última edição da Mostra, Tiradentes foi contemplada com o seu primeiro cinema, que desde então funciona no Centro Cultural Yves Alves. A expectativa é que o evento atraia um público de mais de 30 mil pessoas através de uma intensa programação com mais de 120 filmes em pré-estreias nacionais e mundiais, seminários, debates, oficinas e atrações artísticas. O evento em Tiradentes inaugura o calendário nacional de festivais e mostras de cinema no Brasil. A programação cultural é abrangente e gratuita e acontece em três espaços da cidade: a praça principal da cidade, no Largo das Forras, receberá o Cine-Praça, cinema instalado ao ar livre para atender a uma plateia de até 1.500 pessoas; no Largo da Rodoviária, será instalado um complexo de tendas de 1.400m2 que compreende o Cine-Tenda, com plateia para 700 lugares, além da Tenda Bar Show e do Cine-Café; e a sede do evento e Cine-Teatro serão estruturados no Centro Cultural Yves Alves, localizado na Rua Direita, centro histórico. A 16ª Mostra traz homenagens e exibições de filmes brasileiros em pré-estreias nacionais e mundiais, nos formatos longas e curtas. O público pode participar de oficinas, seminário, debates, exposições, lançamento de livros, mostrinha de cinema, cortejo, teatro de rua e shows musicais. São 12 oficinas de cultura para o público adulto e infanto-juvenil, com oferta de 310 vagas ao todo. As oficinas são sempre gratuitas e permitem a reciclagem para os que já trabalham na

área e o despertar de novos ofícios para muitos alunos. Nesta edição, as oficinas contemplam todas as etapas da construção de um filme. As inscrições foram encerradas no último dia 7. O filme construído pelos alunos das oficinas será exibido ao final do evento, nos dias 25 e 26 de janeiro. A curitibana Simone Spoladore será a atriz cinematográfica homenageada da vez. Neste ano, 97 curtas da recente safra brasileira serão exibidos em oito mostras temáticas: Fora de Centro, Foco, Panorama, Praça, Formação, Juvenil, Mostrinha e Cena Mineira. O público poderá conferir produções diversificadas e descentralizadas de várias partes do país. A Mostra teve ainda 105 longas inscritos. Mais uma grande atração do evento, a Mostra Aurora 2013 teve cinco documentários e duas ficções selecionados. Pela primeira vez, o filme vencedor receberá o Prêmio Itamaraty no valor de R$ 50 mil, além do Troféu Barroco da Mostra Tiradentes e serviços cinematográficos ofertados por empresas parceiras. A coordenadora do evento, Raquel Hallak, destaca: “A cada ano, a Mostra Tiradentes tem demonstrado sua capacidade de renovar-se e estabelecer diálogo entre as diversas esferas da sociedade e as forças constituintes de uma cinematografia. Nesta edição, o público vai conhecer a produção de todos os cantos do Brasil, novos diretores, novas maneiras de fazer cinema – a diversidade na pulsação da contemporaneidade”. A Mostra de Tiradentes é, sem dúvidas, uma ótima programação para o mês de janeiro. E para quem gosta da combinação patrimônio, natureza e cultura, vale a pena visitar Tiradentes entre os dias 18 e 26 e ainda se divertir com a sétima arte. (Fonte: Assessoria de Imprensa da Mostra de Cinema de Tiradentes.)


14 Jornal das Lajes O Verso e o Controverso

ANO IX Nº 117 - JANEIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

JOÃO MAGALHÃES

A Fifa nos encaFifou Encafifar, segundo o dicionário do Aurélio, significa e nve r g o n h a r, encabular, vexar, desgostar, desagradar, mortificar. Acho melhor envergonhar e ofender. O assunto entra no campo de futebol, mas o comentário não é especificamente sobre o esporte e sim, sobre a política motivada por ele. Fechando mais a objetiva: sobre as exigências da czarina dona Fifa, que impôs aos governos federal, estadual e municipal condições humilhantes, para que fossem sede das disputas de 2013 e 2014. Começou com o Jérôme Valche, seu secretário, declarando, no ano passado: “O Brasil precisa de um chute no traseiro para se mexer”. O ministro dos esportes cantou de galo - nada a ver com vocês, torcedores do “Galo” -, mas um simples e protocolar pedido de desculpas logo o enrouqueceu... E não foi ele, o Jérôme, que “oficiou” o sorteio para os jogos deste ano? Pelo que se afirma, o país ganhará economicamente com as copas. Cabe dúvida. Recuperará o que investiu nas custosas instalações e fabulosos estádios, alguns deles, futuros elefantes brancos? Concordo. Futebol é a religião do mundo. Nada contra seus fiéis. Também já fui um deles e fanático. Nada, porém, justifica a perda de soberania, a modificação de leis em benefício de entidade particular. A Fifa impôs muito, ou tudo, e negociou muito pouco, ou quase nada. Um exemplo disso: a presidente Dilma derrubou o artigo do Estatuto do Torcedor que proíbe bebida alcoólica nos estádios. Por brevidade e espaço, atenho-me aos municípios que serão sedes de jogos da copa. Tomo, como ilustração e informação, o município de São Paulo, capital. Olha o acordo assinado pelo prefeito Kassab em setembro de 2011, tornado público só agora, por recomendação do Ministério Público Federal. A cláusula 33 contempla que as partes tudo fizessem para manter o conteúdo do acordo sob sigilo! Beleza isto, não?! Veja o tamanho das concessões que São Paulo foi coagido a

fazer. (1) Durante a competição a prefeitura deverá, se a Fifa julgar necessário, “fechar o acesso público a qualquer via dentro da cidade-sede”. Uai! E o direito de ir e vir? E um socorro de emergência?; (2) A lei da cidade limpa, que foi glória eletiva do Kassab para o segundo mandato, também morre durante a copa. Diz a cláusula 15: “As principais localidades por toda a cidade-sede deverão apresentar decorações que incorporem as marcas da competição”. E esmiúça: postes de luz, faixas, outdoors, fachadas de edifícios, pontes e meios de transporte público”. São ordens da imperatriz dona Fifa!; (3) Pela cláusula 30, São Paulo, em dias de jogos, não poderá receber nenhum outro evento cultural que atraia “grande número de pessoas” salvo os patrocinados pela Fifa. E o direito do cidadão que não se inclina para o futebol?; (4) Exige que a prefeitura dê permissão para que bares funcionem “até tarde da noite” em dias de jogos. A lei paulistana 12.879 proíbe bares de portas abertas, sem isolamento acústico, sem estacionamento, sem funcionários para segurança e também que perturbem o sossego público, de funcionar além da 1 hora da manhã! e (5) Cláusula 32, esta é de matar! Exige-se que a prefeitura “não conceda autorização para nenhum trabalho de construção privado ou público”, no período da Copa, e “qualquer construção que esteja em progresso no início da competição deverá ser temporariamente suspensa”! Se o prédio estiver caindo, que caia! E mais: na cláusula 18, pede que a refeitura providencie ao comitê organizador um escritório com todos os equipamentos e produtos necessários para seu funcionamento e o poder público deve “usar de esforços razoáveis” para comprar de empresas patrocinadoras da Fifa. Portanto, a lei de licitações que vá para o espaço! Importante: esse contrato é o mesmo que foi assinado pelas demais cidades-sede. Quer dizer, a ingerência da Fifa é nacional. E ainda se acrescenta: visto irrestrito de entrada no país a clientes da Fifa; fim da obrigatoriedade de manda-

to judicial para apreender produtos suspeitos de pirataria. Como fica o poder judiciário, hein?; permissão para que o organizador de grandes competições esportivas privadas conceda benefícios fiscais, o que é atribuição exclusiva da Receita Federal. Acho que se a “Imperatriz” exigisse a proibição de o torcedor entrar no estádio usando produtos de empresas não patrocinadoras (camisetas, bonés, por exemplo), até a isso nossos governantes se curvariam É muito capachismo, muito “salameleque”, é muita subserviência, muita perda de soberania, muita relativização de leis que se votaram para o bem público, é humilhação para o nosso país. Depois disso, o que significa o Hino Nacional cantado nos estádios? Patriotismo, nacionalismo? É o que penso. E você? Observação: este comentário já estava redigido e enviado à redação, quando tomei conhecimento do parecer, por unanimidade, do Conselho Nacional de Educação (CNE) que recomenda às instituições públicas e privadas de ensino de todo país a manutenção do calendário escolar durante a Copa do Mundo de 2014. Segundo o relator, Mozart Ramos, a Lei da Copa não pode se sobrepor à Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Desafiou, portanto, a Fifa e a Lei da Copa, imposta por ela, que marca férias escolares de um mês, entre 12 de junho a 13 de julho. Diz ela, dona Fifa, que a suspensão das aulas é necessária para amenizar problemas de trânsito e, com isso, garantir o sucesso da competição. O relator da Lei Geral da Copa, Vicente Cândido (PT/ SP) não vê prejuízo para os alunos. O Conselho Nacional de Educação (CNE), diretores de escola, entidades educacionais, sindicatos de professores etc. discordam e, além do mais, questionam a obrigatoriedade das férias neste período. Tanto que estão pressionando o Congresso para alterar a lei, inserindo um dispositivo que dê a cada escola a permissão para adaptar seu calendário conforme for mais conveniente (Fonte: O Estado de São Paulo, 22.12.12).

Homenagem Especial No dia 8 de dezembro de 2012, eu juntamente com todos os meus familiares, perdemos um “ente” querido – Celsinho. Uma morte tão repentina e inesperada, que ainda estamos nos perguntando por quê. No meu caso, além de meu tio, foi o motorista que transportou a mim e a outros tantos universitários, durante a época em que estudamos em São João del-Rei. Celsinho era o típico “casa cheia”. Com seu jeito alegre, amigo e comunicativo, sabia contagiar aqueles que estavam ao seu lado. Realmente vai fazer muita falta! Sei que com o tempo, aceitaremos sua partida, mas jamais nos esquecere-

Celsinho mos dele. Fiquei pensando quanto é importante termos valores essenciais nessa vida, como a honestidade, honradez, amizade e fidelidade ao trabalho. Era assim que ele era. E, principalmente, soube honrar seu papel de “pai” com muita dignidade e caráter, em meio às transformações ocorridas em sua vida. Ele me confirmou, que após o nosso falecimento, são as nossas atitudes que vão demonstrar a pessoa que fomos e a lembrança que vai ficar. Talvez, seja a maior herança que podemos deixar, maior que qualquer bem material. Gostaria de agradecer, em nome de todos os meus familiares,

todo o carinho e solidariedade recebidos. Maristela Peluzi

Retalhos Literários

EVALDO BALBINO

Coisas complicadas “Deus faz doçuras muito tristes”. Essa frase não é minha; é da Clarice Lispector. O espectro que nos chega sempre tão claro. Por isso vai entre aspas, que não sou nenhum plagiador. Pelo menos acho que não. Mas vamos direto ao assunto. Clarice escreveu essa poesia cheia de verdades em 1967 e a publicou em 16 de dezembro do mesmo ano no Jornal do Brasil, numa crônica lindamente chamada “Das doçuras de Deus”. Ela dizia sobre uma empregada sua, Aninha, que, segundo a cronista, deveria se chamar Aparecida. Deveria se chamar assim, mas Clarice não sabia explicar por quê. Mulher feia com uma ausência de dentes dianteiros, calada, mineira com gestos apagados, Aninha usava nos dias de folga uma saia vermelha estampada (muito mais comprida que seu tamanho) e uma blusa marrom. Essa falta de gosto era, na opinião de Clarice, uma das doçuras de Aninha. Tenho cá comigo que de fato a empregada era doce, e de uma doçura peculiar. Quanto à combinação do vermelho estampado com o marrom, me eximo de concordar com a autora, mas também não discordo. Fico neutro, se é que a neutralidade seja possível. Aposto que muitos me olham e devem pensar: “Que homem de mau gosto, com essas roupas feias que não combinam entre si!”. É verdade: nunca fui muito bom nesse negócio de moda, principalmente em se tratando de mim. Só não dou conta mesmo é de andar pelado, infelizmente. Voltando ao assunto principal desta crônica. A doçura verdadeira de Aninha era realmente algo para surpreender. Foi ela mesma quem disse a Clarice Lispector que não gostava de livros “água com açúcar”, que queria sim era ler os livros da autora que a própria Clarice caracterizou de complicados. Lispector, não desejando atmosfera de literatura em sua casa, resolveu dar-lhe um romance policial, cuja tradução era de próprio punho. Dias depois a empregada disse-lhe que acabara de ler o livro, gostara do enredo, mas que o achara um tanto infantil. E arrematou: “Eu gostava era de ler um livro seu”. Que maravilha! Aninha era complicada também. Fazia parte da minha patota. Combinava vermelho estampado com marrom, não portava uma beleza de que alguém possa se gabar e ainda por cima gostava de livros complicados. Ponhamos algumas coisas em pratos limpos. Pois quando estão sujos, os pratos não nos permitem comer como se deve.

Primeiramente, não me sinto nenhum patinho feio. Nem posso dizer se Aninha também sentia isso ou não. Em segundo lugar, que fique claro o seguinte: livro complicado não quer dizer livro difícil. Livro complicado é aquele que não escamoteia a vida, que não coloca lentes cor-de-rosa nos olhos de um leitor ingênuo e sai dizendo aos quatro ventos que o mundo é várzea. Pode até falar de rosas, de jardins floridos, de sonhos ao pé de uma serra maravilhosa, de amores que se encontram felizes para sempre. Pode falar de tudo isso. Mas se for bom, será complicado, terá a capacidade de tirar não apenas o tapete dos nossos pés, mas o chão inteiro, forçando-nos a levitar desconjuntadamente. Aninha – como Clarice, prefiro dizer também Aparecida – era de uma doce complicação não simplesmente porque gostava de livros complicados. E sim porque, além de ser ela mesma, com seus gostos supostamente duvidosos, com suas manias tidas como estranhas, ainda houve por bem desembocar no único caminho que lhe possibilitava enfrentar as complicações da vida. Aparecida, a que sumira de Minas Gerais e aparecera como empregada no apartamento de Clarice Lispector lá no Rio de Janeiro, enlouqueceu. Um dia de manhã, depois de haver demorado muito na rua para fazer as compras, Aparecida surgiu diferente. Um sorriso brando mostrando os dentes postiços que antes lhe faltavam na frente. O dinheiro das compras amassado na mão direita. E dentro do saco de compras dependurado no punho da mão esquerda existiam, cheios de vida e utilidade, pedaços de papel sujo e tampinhas de garrafa de leite e de outras garrafas. Numa atitude pueril, Aparecida foi para o quarto mostrando o alto da cabeça e dizendo que sentia uma dor ali, bem ali. Deitou-se e permaneceu calada. Ainda com sorriso brando, disse, quando indagada, que pegara tudo o que estava no saco para enfeitar o seu quarto. E o que é um quarto, senão um pedaço da vida? A vida precisa mesmo de enfeite. O que Aparecida queria enfeitar, então, era a vida. E queria fazer isso com a doce pureza de uma criança chamada loucura. Na suavidade mansa dos seus devaneios, ela transmitiu muitas lições, como aquelas que os livros complicados nos transmitem. Estar doida era também um modo de dizer: “Gosto de coisas complicadas. Não gosto de água com açúcar”.


Jornal das Lajes 15

ANO IX Nº 117 - JANEIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Economia & Negócios

Educação

Conheça a criação de ovelhas de Paulo Lasmar, em Nazareno

Desempenho das escolas regionais no ranking do ENEM 2011

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Paulo Fernando Lasmar cria ovelhas desde 2004 em Nazareno, no Campo das Vertentes de Minas. Ele começou com 18 ovelhas e um reprodutor, adquiridos em Coromandel (Triângulo Mineiro). “Lembro até hoje que, no caminho, uma ovelha deu uma cria de dois filhotes dentro do caminhão.” Hoje, Lasmar tem um rebanho de 283 ovelhas e três reprodutores. Enquanto degustávamos um cordeiro assado no feriado de 15 de novembro, em seu sítio, Lasmar contava entusiasmado que uma ovelha acabava de ter duas crias gêmeas. As primeiras ovelhas de Lasmar eram lanadas e cruzadas da raça Texel. “Fomos aprendendo no tapa, porque ninguém entendia nada de ovelha e não tinha assistência técnica. No NUCCORTE (Núcleo de Criadores de Caprinos e Ovinos das Regiões dos Campos das Vertentes e Zona da Mata), começamos a discutir raças, mercado, produção, alimentação, doenças...” Todas as orientações de consultorias eram para criar Santa Inez, raça deslanada desenvolvida no Nordeste brasileiro, recorda Lasmar. “Só que lá a criação é extensiva, o índice de verminoses é menor, o clima é quente e seco... Mas ao mesmo tempo não se podia desprezar a raça Santa Inez pela sua habilidade materna.” Carne - O NUCCORTE resolveu focar sua atuação na produção de cordeiros para carne. Lasmar optou pela criação de

matrizes cruzadas, independentemente de raça, devido à carência de matrizes e à boa aceitação no mercado de cordeiro para carne. Depois de experimentar reprodutores de várias raças e fêmeas cruzadas, ele adotou os reprodutores Texel e White Doper, com base nas primeiras crias, ganho de peso, textura da carne e aceitação no mercado. Outra experiência de Lasmar foi buscar duas parições por ano (em vez de três parições em dois anos), mas ele descartou esta opção. Preferiu adotar duas estações de monta com três parições em dois anos. Também testou o desmame com 60 a 70 dias, mas Lasmar concluiu que o melhor é desmamar com 90 dias e confinar os cordeiros de 30 a 60 dias. Do nascimento aos 30 dias, as mães e os filhotes ficam semiconfinados (abrigo com alimento e água e um pasto pequeno com suplementação de ração). De 30 a 60 dias, a amamentação é controlada (apenas à noite). De 60 a 90 dias, ocorre o processo de desmama (mamada, dia sim, dia não, até a apartação definitiva). Os cordeiros entram em confinamento, onde recebem volumoso (que pode ser cana-capim ou silagem) e ração (4% do peso vivo), esta última constituída de 78% de milho, 21% de soja, 1% de calcário e sal proteinado à vontade (com baixo teor de cobre para não prejudicar os rins do animal). “Eles ganham no confinamento 280 a 450 gramas por dia, dependendo do cruzamento usado. Ou seja, o cordeiro

Ovelhas do plantel de Paulo Lasmar

entra no confinamento com 20 a 25 kg e sai com 37 a 45 kg”, observa Lasmar. Comércio - Lasmar lembra que “ninguém vai ter produção para atender toda a demanda; então, temos de aderir ao associativismo”. É inviável um único produtor formar uma carga de 120 a 150 cordeiros para entrega ao frigorífico, alerta o criador de Nazareno. A criação de ovelhas é um bom negócio, tanto que a atividade está em expansão em Minas e no Brasil, diz Lasmar. “O pais produz apenas 15% do que consome, daí o potencial de mercado.” Ele vende o quilo vivo de cordeiro a R$ 6,50 e o descarte (ovelhas velhas) a R$ 4,80 o quilo. Para mostrar a vantagem do negócio, ele faz a seguinte conta: por unidade de área, é como se a arroba do boi fosse vendida a R$ 230,00 (bem acima dos atuais R$ 90,00). “Onde se cria um boi ou uma vaca, criam-se 10 ovelhas. Você ainda pode consorciar criação de ovelhas com a cultura do café – capina-se o café, ajuda-se na adubação e se tem fonte de renda o mês todo.” Além da geração de renda, a criação de ovelhas pode ter função de terapia ocupacional. Pelo menos é o que espera um casal de holandeses, que trabalha com recuperação de dependentes de drogas em Ritápolis. O casal pretende implantar um projeto de produção de cordeiros, cujo investimento inicial será de R$ 200 mil. A ideia é melhorar a auto-estima dos dependentes químicos, explica Lasmar. “Eu acho que pode dar certo.” A previsão inicial é de 150 matrizes, podendo chegar a 400 matrizes em quatro anos. A taxa inicial de retorno é estimada em 2,57% (dois primeiros anos), pulando para 13,6% no período de três a quatro anos e para quase 20% acima de cinco anos. Mais informações, inclusive uma receita de cordeiro assado, estão disponíveis no site www. jornaldaslajes.com.br

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

O Colégio Revisão e o Centro Educacional Frei Seráfico, ambos de São João del-Rei, apresentaram o melhor desempenho por escola da microrregião do Campo das Vertentes no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2011. As médias das duas escolas na prova objetiva (ciências da natureza e humanas, matemática e português) foram, respectivamente, 623,89 e 623,04 pontos. A média do Brasil foi bem inferior (519 pontos). Entre as escolas públicas da microrregião, destacam-se a são-joanense E.E. João dos Santos (média 557,75); E.E. Cel. Xavier Chaves (média 544,22) e E.E. Padre Crispiniano de Ritápolis (média 530,68), acima da média nacional. A E.E. Assis Resende (Resende Costa) alcançou média de 491,11 pontos. As escolas que apresentaram bom desempenho no Enem 2011 merecem os resultados obtidos devido a fatores como boa administração, professores conscientes e o apoio da família. Já as escolas com pior desempenho são vítimas de problemas de gestão, situação sócio-econômica dos alunos e falta de apoio da família, entre outros. A avaliação é dos professores Antonio Carlos Duque Estrada e Leonam Maxney Carvalho, respectivamente gerente do PIP (Programa de Intervenção Pedagógica) e analista educacional/coordenador do conteúdo de história dos anos finais do ensino fundamental, ambos da Superintendência Regional de Ensino de São João del-Rei. Para eles, a divulgação do ranking de escolas, por parte do Ministério da Educação (MEC), é válida quando estimula a disputa sadia, ou seja, mostra que a escola precisa melhorar. Escolas particulares bem classificadas têm vantagens como a melhor situação sócio-econômica das famílias (nível escolar mais avançado dos pais, material didático como notebook e livros etc.). “Mas nós temos escolas

públicas excelentes, onde as famílias influenciam e incentivam os filhos”, observa Carvalho. Por isso, Duque Estrada e Carvalho não se surpreenderam com o desempenho de escolas públicas da região no Enem 2011. “O fundamental é que, se o gestor for realmente pedagógico, o grupo de docência vai bem e a escola vai bem”, resume o gerente do PIP. E isso independe da situação sócio-econômica do aluno, complementa Duque Estrada. “O corpo docente faz a diferença.” Expectativa Duque Estrada espera que a intervenção pedagógica, por meio do PIP (ensino fundamental), e o “Plantão Enem” (projeto da Secretaria Estadual de Educação com a Rede Minas que fornece vídeos e motiva o trabalho em sala de aula) farão com que as escolas públicas possam ter resultados melhores. Mas isso depende também do “entendimento dos professores de que estamos juntos para alcançar o foco principal que são os alunos”, complementa Carvalho. Duque Estrada espera ainda que o Governo do Estado estenda o PIP ao ensino médio, como está planejado, uma vez que o foco da equipe atual do PIP é o ensino fundamental. O professor não pode mais viver apenas de quadro negro e giz, lembra Duque Estrada. Por isso, deve priorizar a “didática dinâmica”, ou seja, usar o melhor possível os recursos audiovisuais. Nesse sentido, ele destaca os investimentos realizados nos últimos 10 anos, em material didático (livros, audiovisual, computador etc.), mas admite: “ainda há muito o que fazer”. Segundo Carvalho, a Superintendência identifica as demandas das escolas da região e tenta contribuir com a sua solução, além de promover a troca de experiências bem-sucedidas entre as escolas.


16 Jornal das Lajes

ANO IX Nº 117 - JANEIRO DE 2013 / RESENDE COSTA - MG

Giro Esportivo

EMANUELLE RIBEIRO

Dia 23 de dezembro de 2012 foi um dia em que tudo esteve azul. No estádio Expedicionários, no jogo das torcidas organizadas de Resende Costa, deu Cruzeiro, Cruzeiro e Cruzeiro! A Torcida Sangue Azul derrotou a Torcida Galoucos nas três partidas realizadas: infantil, feminino e masculino. O público encheu as arquibancadas, mas a galera azul estava mais animada e fez parecer que o mando de campo era do Cruzeiro. O evento Galoucos x Sangue Azul, aguardado durante o mês inteiro, teve início às 14h com o jogo dos pequenos craques. O Galo começou bem e saiu na frente, com gol de Gabriel, mas não aguentou a pressão e

foi derrotado por 3x1. Pedro, duas vezes, e João Vítor marcaram os gols da Raposinha. A torcida cruzeirense comemorou muito e daí em diante não parou de cantar e incentivar os atletas. Em seguida, as meninas também fizeram um grande espetáculo. Eu me arrisquei a entrar em campo e defender as cores da Galoucos, mas confesso que como jogadora de futebol até que sou uma boa jornalista. Corremos, suamos, cansamos muito, tentamos, mas não deu. As cruzeirenses foram superiores, jogaram melhor o segundo tempo e foram premiadas com a vitória por 2x0: gols de Mariana e Beatriz. Chegou o momento: o jogo mais esperado do dia

Galoucos

estava prestes a se iniciar. As duas torcidas fizeram bem suas escolhas e montaram seleções competitivas. O Galo entrou com um único objetivo que era o de vencer, já que tinha perdido as outras duas partidas do dia. O Cruzeiro, mais tranquilo, conseguiu neutralizar as jogadas do adversário, criou boas oportunidades de gol e ainda no primeiro tempo abriu o placar com Leo, que foi um dos destaques do jogo. Os goleiros Claudinei (Sangue Azul) e Reginaldo (Galoucos) foram brilhantes e impediram que o placar tivesse mais gols. O segundo tempo foi bom para os dois lados e, apesar das chances criadas, o placar foi esse mesmo: 1x0 para a Torcida Sangue Azul. No fim do dia, deu Cruzeiro de novo. E assim os atleticanos ganharam um legítimo presente de grego no Natal passado. Definitivamente foi um dia para ser esquecido pelos resende-costenses alvinegros, que de qualquer forma encerraram 2012 felizes com a campanha do Atlético-MG. Já os cruzeirenses viveram um fim de ano muito feliz e farto em Resende Costa. O que vale é que tudo ocorreu perfeitamente, os atletas e os torcedores se respeitaram e

Série “Campeões brasileiros” O Internacional embalou também no ano de 1976 e conquistou o bicampeonato brasileiro. O Colorado venceu o Corinthians por 2x0 na final, com gols de Dadá Maravilha e Valdomiro. Foram 23 jogos, 19 vitórias, três derrotas, um empate, 59 gols a favor e 13 contra. Novamente, o Inter teve dois grandes destaques: o atacante Dadá, como artilheiro (16 gols) e Figueroa, o craque do ano. Paulo Isidoro, do Galo, foi considerado a revelação do

campeonato e formou uma bela dupla com Reinaldo. O Cruzeiro foi a decepção de 76: vice-campeão no ano anterior, a Raposa termina em 31° lugar na classificação final, o que frustra os torcedores. Manga, Cláudio Duarte, Figueroa, Marinho Peres, Vacaria, Caçapava, Batista, Falcão, Valdomiro, Dadá Maravilha e Lula participaram do bicampeonato do Inter, que ainda era comandado por Rubens Minelli. Enquanto o Cruzeiro caiu

de produção, o Galo deu a volta por cima e terminou em terceiro lugar na classificação final: melhor posição depois do título de 71. No ano de 1976, o Brasil chorava a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek. O político morreu em um acidente de carro, após colisão violenta com uma carreta carregada de gesso na rodovia Presidente Dutra, na altura de Resende (RJ).

Fotos Divulgação

Torcidas organizadas de Resende Costa se enfrentam no Expedicionários

Sangue Azul

fizeram do evento uma gran- agora reestruturado, seja palde festa de final de ano. Es- co de muitos outros eventos pero que o Expedicionários, do tipo.

Atleta resende-costense é selecionado por clube de Ubá O jogador da Escola de Futebol Galaxy, Pedro Augusto, foi aprovado na categoria sub 14 do Centro Esportivo Ubaense, de Ubá (MG), e selecionado para integrar o time. Pedro já iniciou os treinos no dia 8 de janeiro. O atleta foi muito elogiado pelos treinadores, que disseram que em breve ele pode

ser levado para clubes maiores. “Ele é o primeiro atleta que conseguimos encaixar em um clube maior e só depende dele para engrenar no mercado. É um jogador diferenciado e acreditamos no seu potencial”, disse o coordenador da Galaxy, João Vítor de Assis.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook