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Edicao 116

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ANO IX Nº 116- DEZEMBRO 2012 / RESENDE COSTA - MG

DISTRIBUÇÃO GRATUITA

Aurélio Suenes define sua equipe de governo

O prefeito eleito de Resende Costa, Aurélio Suenes, iniciou o processo de transição de governo no início de novembro junto com sua equipe, já selecionada. De acordo com ele, a escolha do secretariado seguiu os seguintes critérios: “formação, experiência, capacidade de liderar e gerenciar”. Leia também nesta edição a entrevista com o prefeito eleito de São João del-Rei, Helvécio Luiz Reis. Páginas 04 e 05

Foto: André Eustáquio

Resende Costa passa a integrar o sistema de entidades comerciais do Campo das Vertentes

O prefeito Aurélio Suenes, à direita, e sua equipe de governo.

As Associações Comerciais de São João del-Rei e Resende Costa firmaram acordo de parceria no dia 19 de novembro. A parceria possibilitará aos associados resende-costenses ter acesso aos mesmos serviços dos seus colegas são-joanenses, como assistência jurídica, convênios com médicos, odontólogos, hospitais, certificação digital, e o suporte a eventos e treinamento. Páginas 06 e 07


2 Jornal das Lajes Assistência Social

Editorial União das Associações Comerciais da região das Vertentes A assinatura de convênio, em 19 de dezembro, entre as Associações Comerciais de São João del-Rei e Resende Costa, como parte do sistema de entidades comerciais em implantação no Campo das Vertentes, é uma iniciativa auspiciosa (ver notícia nesta edição). A proposta tem o condão de, ao mesmo tempo, estimular as identidades locais e impulsionar o desenvolvimento regional. O presidente da ACI del-Rei, João Afonso Farias, foi feliz ao definir a parceria com a palavra-chave “integração”. O diretor da Associação Comercial de Resende Costa, Cícero Resende Chaves, fez uma profissão de fé no associativismo, embora admita que resende-costenses tenham vivido, nos últimos anos, uma fase de descrédito no associativismo devido a experiências fracassadas como a da Cooperativa dos Produtores de Leite (Coapro).. O caminho a percorrer é longo e árduo, embora as pessoas, muitas vezes, sejam imediatistas, ou seja, esperem resultados imediatos de um trabalho de longo prazo. A ACI del-Rei, prestes a completar 110 anos, assume naturalmente o seu papel aglutinador, até porque está sediada numa cidade-polo. A ideia é não apenas maximizar a utilização de uma estrutura montada de prestação de serviços (assistência jurídica, convênios com médicos, hospitais e odontológico, certificação digital e o suporte a eventos e treinamento), colocando-a à disposição dos empresários da região, como também de fortalecer o associativismo de maneira independente, procurando criar mecanismos de defesa contra oportunistas de plantão que tentam utilizar as entidades como trampolim para ambições políticas. Aliás, este movimento vem ocorrendo em outras regiões do Estado, como São Sebastião do Paraíso e Paraguaçu, onde as associações comerciais – ou porque se encontram em cidade-polo ou porque têm alguma liderança regional – trabalham no mesmo sentido de fortalecer o associativismo independente. Na região das Vertentes, o movimento vem ganhando corpo. A Associação Empresarial de Tiradentes (Antiga Associação de Hoteis e Pousadas), que, há três ou quatro estava esvaziada, hoje congrega mais de 100 filiados, e com perspectiva de crescimento. Tanto que Tiradentes – ao lado de Lagoa Dourada, Resende Costa e Santa Cruz de Minas já assinou convênio com a ACI del-Rei. São Tiago, Prados, Barroso, Dores de Campos e Andrelândia estão analisando a proposta, com algumas entidades em fase de troca de diretorias. Madre de Deus de Minas, Nazareno, Coronel Xavier Chaves, Ritápolis e São Vicente de Minas ainda não têm Associação Comercial, mas reúnem potenciais lideranças neste processo, ou seja, empresários já associados à ACI del-Rei. Como frisou João Afonso, na ocasião do encontro de 19 de novembro, esta parceria é um estímulo à troca de experiências e informações, de maneira a fortalecer o associativismo e a economia regional.

Jornal das Lajes Ltda

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CNPJ: 09.323.470/0001-60

Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro

Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000

Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Diretor de redação: Rosalvo Pinto

Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP

Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte

Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves

Tiragem: 3000 exemplares

Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto

ANO IX Nº 116 - DEZEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

EMANUELLE RIBEIRO

Assistência social conscientiza população a fim de regularizar cadastros do Bolsa Família “Como é bom ter alguém que nos apoie quando estamos precisando de ajuda... Entretanto, melhor ainda é não precisar!!!”. Assim, começa um texto de conscientização do programa Bolsa Família, que está no ar na Rádio Inconfidentes há alguns dias. Segundo a assistente social Alessandra Guse, o grande problema enfrentado pelo programa hoje em Resende Costa é o fato de haver famílias recebendo o benefício sem necessitarem: “Cerca de 75% da economia de Resende Costa gira em torno do artesanato, do não registro de renda. Nós temos um alto índice de pessoas que vêm procurar o bolsa família e diminuem a renda propositalmente”. Com publicidade e divulgação de informações, o setor tenta alertar a população e conseguir com que algumas famílias façam o desligamento voluntariamente. E já obteve resultados, conforme Alessandra: “Algumas pessoas que não precisavam devolveram o benefício após o anúncio na Rádio”. “Quem omite ou mente renda está cometendo uma irregularidade. Apropriar-se indevidamente desse benefício que não lhe cabe é crime”, acrescenta a assistente social. Em outubro passado, a folha de pagamento do Bolsa Família atingiu 614 famílias, não sendo esse número fixo. O valor do benefício varia de R$ 32,00 a R$ 306,00. De acordo com Alessandra, o programa está muito vinculado à questão do alimento, com a função de garantir os mínimos às famílias para que ninguém passe fome, mas que há beneficiados que não se encaixam no perfil do Bolsa Família. “A fiscalização aqui em Resende Costa depende de denúncias e, quando isso acontece, o que é muito raro, eu faço visita domiciliar, entrevista, tentando avaliar a situação dessa família”, diz. Há cerca de dois meses, foi colocada uma urna para receber denúncias anônimas sobre famílias irregulares no setor do Bolsa Família na Prefeitura Municipal de Resende Costa, mas até hoje ela não foi usada. E pior, há irregularidades dentro do setor municipal: “A lei também não permite que funcionário público receba o Bolsa Família, mas na cidade existem pessoas que recebem. A gente tem dificuldades

Informe

Alessandra Guse fala dos problemas do programa Bolsa Família em Resende Costa

de identificar”, destaca Alessandra. Alessandra vê como alternativa o Conselho do Controle Social do Bolsa Família, que é um recurso oferecido hoje pelo Ministério de Desenvolvimento Social (MDS): “Existe outra possibilidade que com a mudança de gestão a gente espera usar. Todo município que tem Bolsa Família recebe um financiamento para promover oficinas de geração de trabalho e renda, na área da educação ou em outras, ou que pode ser usado na melhoria dessa fiscalização. É possível contratar um profissional de fora para fazer o trabalho. A assistência social funcionando, as outras políticas sociais também funcionam melhor - saúde, educação, esporte etc.”. Como explicou Alessandra, o Bolsa Família é apenas parte da política de assistência social, que abrange diversos outros benefícios. “O Centro de Referência de Assistência Social (Cras) tem o objetivo de ser a porta de saída das famílias do Bolsa Família, de fazer com que elas não dependam do benefício. O meu papel é a concessão para quem está fora e saída de quem está dentro”, completa. O Bolsa Família condiciona as famílias a manter as crianças na escola e cuidar das questões da saúde. Mas, para a assistente social, “eles não conseguem enxergar que o bacana de manter a criança na escola não é só garantir o benefício e sim, a superação da pobreza, que é o principal objetivo do programa, a educação é outra porta de saída”.

Outro problema que o setor de assistência social enfrenta hoje diz respeito ao trabalho infantil: “Muitas crianças deixam a escola para trabalhar. A sociedade resende-costense acha legal que o filho do pobre comece a tecer, enrolar, picar retalho aos 10, 11 anos. Não fazem isso com o próprio filho. Temos um alto índice de crianças trabalhando e evadindo a escola. Estamos falando de famílias desestruturadas, desorganizadas, vulneráveis”. Para finalizar, Alessandra Guse falou a respeito do CadÚnico, que para ela é um excelente criador de políticas públicas, que define a prioridade da população. O nome já diz: é um cadastro único de todas as informações sociais de uma determinada família. A família cadastrada pode receber diversos benefícios sociais, de acordo com sua renda, como Bolsa Família, desconto nas contas de água e luz, isenção das taxas de inscrição para vestibulares ou concursos etc. Para fazer parte do CadÚnico, cada membro da família pode receber até meio salário mínimo mensais, não ultrapassando três salários mínimos por família. “Queremos dizer o seguinte: não se sintam ameaçados. Ainda queremos fazer algo por vocês, acreditamos nas suas necessidades. Colabore com a gente! Se sua família recebe o Bolsa Família, mas não está em situação de fome e miséria, nos procure, abra espaço para quem realmente necessita e evite problemas com a justiça”, conclui a assistente social.

MAC informa

No dia 15 de dezembro, sábado, uma noite especial espera por você. Na Churrascaria Ramona, a partir das 21h30, acontecerá a entrega do troféu MAC 2012 e Noite do Flashback, com os grandes ritmos e artistas que marcaram a música.


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Gente que fez e faz a história

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JOÃO MAGALHÃES

Chico Peluzi: uma raiz italiana em Resende Costa Diferente do que aconteceu em São João del-Rei, onde a imigração italiana foi significativa e energizou fortemente a vida da cidade, em Resende Costa, pelo que se conhece, a Itália se representa, por uma única família: os Peluzi. O patriarca fundador foi Francisco de Paula Peluzi, segundo informe da professora Eunice Gomes, sua neta de criação, pois, foi criada, por adoção, pelo seu filho, José Peluzi, o “Zé Pelúcio”, como era conhecido. Conforme Eunice, o verdadeiro sobrenome de Francisco seria Pellucci, mas não se sabe por que evoluiu para Peluzi. Emigrou junto com um Matarazzo, certamente o famoso conde Francisco Matarazzo, posteriormente, o famoso industrial, criador das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, em São Paulo. De descendência nobre, talvez empobrecida, Francisco nasceu em oito de setembro de 1855, em Castellucci, no sul da Itália. O indício é o fato de ter vindo com um Matarazzo, este sim, vindo de Castellabate, que fica aproximadamente a 200 km de Nápoles. Se realmente veio com Matarazzo, chegou ao Brasil em 1881. Escreve Gentil Vale (Visões Perdidas, p.44): “No fim do século XIX chegou ao Brasil num porão de navio, foragido da Itália, pois era anarquista, contrário, portanto, à política posta em prática, ali, pelo rei Umberto I. E mais: pertencera também, como oficial de infantaria, ao exército italiano”. Eunice confirma e acrescenta que o pouco de dinheiro que tinha para a viagem veio da venda de sua farda de militar, com um vistoso elmo de plu-

mas. Viagem tormentosa e demorada. Se veio com Matarazzo, desembarcou no Rio de Janeiro. Rumou para Minas, “Estado em que já vivia um seu irmão mais velho, de nome João Pelluzzi”, segundo Gentil e conforme Eunice, foi para Juiz de Fora, onde viviam também outros parentes. Mas, não estavam mais lá. Mudaram-se para o “Morro de pedra” aqui em Resende Costa, onde construíram uma fazenda e montaram uma “fábrica de alambiques”. Casou-se com Mariana Bello Peluzi, a Mariquinha. Segundo Gentil, “sua jovem esposa Mariquinha era também filha de um italiano, o senhor Domingos Bello, residente perto da entrada da cava, na saída para a Aguada e Fazenda do Coelho”. O casamento foi realizado, calcula-se, por volta de 1884/85, pois o filho primogênito, Nicolau, nasceu em 31 de agosto de 1887. Depois de casado, Chico veio para Resende Costa, tentando ganhar a vida como relojoeiro, consertando instrumentos de corda etc. Não dando certo, foi para Juiz de Fora. Mas não se fixou lá. Voltou e comprou uma casa que tinha sido construída para ser hotel (chamado “Hotel do Morro”), na rua Dr. Abeillard, que transformou em lar (hoje, loja de material de construção do Gérson). Teve oito filhos: Nicolau, Francisca, Mariana, Ambrosina, Salvador, José, Maria e Domingos, que morreu antes de completar um ano. Permaneceram em Resende Costa o Nicolau, a Ambrosina e o José, os dois últimos solteiros. Nicolau era pedreiro e trabalhou na construção da capela dos Pintos; a Ambrosina, foi professora

em Castro, atualmente bairro de Entre Rios de Minas; o José foi oficial de justiça e trabalhou também na distribuidora de luz do Azevedo, que ficava na esquina da atual casa do doutor Paulo C. Fortuna Dias, médico. “Era uma família, unida, alegre, musical. As filhas tocavam violão e bandolim. O velho, também tocava instrumento de sopro. Faziam aqueles encontros, saraus, lá na sua casa, porque tinham uma sala grande”, contou Eunice. Seu filho José por muitos anos tocou tarol na Banda Santa Cecília. De acordo com Gentil Vale,“era entendido em música, tocava flauta, concertina e harpa. Nas noites calmas e nos fins de semana, costumava executar seus instrumentos, atraindo a presença de muita gente”. Ainda segundo Gentil: “quando de minha infância, ele já era velho. Italiano alto, setenta e poucos anos, talvez. Portador ainda de dentes naturais, que pareciam ter a mesma altura, serrados como se diz, devido a seu constante trabalho na trituração dos alimentos. Seus familiares contavam que nunca tinha ido ao dentista. Quando íamos à igreja Matriz, ou às lajes, passava-se perto de sua oficina de consertos de relógios, que ficava fronteira à casa de dona Zuzuca. Sim, ele era relojoeiro de fama. Menino curioso, eu chegava e ficava observando. Da travessa superior da porta dependurava-se um mostruário de vidro, dentro do qual se exibiam muitos relógios de bolso. Sobre a mesinha, vários outros a serem reparados. Sentado em seu banquinho, com luneta num dos olhos, empunhando pinças, o velho italiano trabalhava o dia todo. Acho que era

O Casal Chico e Mariquinha Peluzi

seu único ganha-pão”. “Amante de caçadas, montava em seu cavalo e, acompanhado de Prata, uma cadela perdigueira, saía pelas vizinhanças de Resende Costa. Não voltava de mãos vazias, trazia sempre muitas codornas na sacola. Diziam que seu cavalo era tão manso e treinado, que o senhor Chico não apeava para atirar. Sentado na sela, mirava a caça e disparava a espingarda, O animal nem se mexia. Prata, então ia buscar a codorna, segurando-a na boca. Aproximava-se do cavalo, apoiava as patas dianteiras na barriga do pagão e a entregava ao caçador. Preparadas as sua vítimas, não jogava fora os seus ossos, Triturava-os com os dentes, engolia-os, dizendo que tinham muito cálcio”, diziam, como escreveu o Gentil. A família manteve os costumes

italianos, máxime, na culinária. O filho José, que segundo Eunice, foi cozinheiro do bispo de Santos, continuou a tradição das massas que fazia muito bem, das azeitonas, das uvas passas, das frutas secas; também do vinho que comprava em barris. Aos domingos, então, bebia-se de canecão. No aniversário do Zé Peluzi, uma macarronada à italiana para o almoço dos convidados era o necessário prato tradicional. Ele mesmo fazia as massas. Como descreve Eunice, o molho era feito com um galo, cozinhando durante horas. Saía grosso, suculento, como uma geleia. E para os que não podiam comparecer, ia uma travessa de cortesia. “Chico Pelúcio”, o Francisco Peluzi da Itália, voou para a memória de Resende Costa a quatro de dezembro de 1931, aos 76 anos.


4 Jornal das Lajes

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Jogo Aberto

ANDRÉ EUSTÁQUIO/EMANUELLE RIBEIRO

São João del-Rei nas mãos de um eminente professor de administração de empresas O professor de administração de empresas doutor Helvécio Luiz Reis, 53, iniciou formalmente sua trajetória política no Partido dos Trabalhadores no dia sete de setembro de 2011. Um ano depois, elege-se prefeito de São João del-Rei, com 28.744 votos, derrotando o prefeito Nivaldo Andrade, que tentou a reeleição. Natural de Barroso, MG, Helvécio reside em São João desde 1978, quando iniciou seus estudos acadêmicos. Na década de 80, inicia, ainda jovem, sua carreira de professor DE (Dedicação Exclusiva) na então Fundação Municipal de São João del-Rei, atual UFSJ, da qual foi reitor durante dois mandatos concluídos neste ano e onde construiu uma vitoriosa e exemplar carreira acadêmica. Nesta entrevista, concedida exclusivamente ao Jornal das Lajes, o professor Helvécio fala sobre seus projetos para São João del-Rei e dos problemas a serem enfrentados na cidade. Confira no site do JL a íntegra dessa entrevista e os vídeos dos principais momentos. No início da campanha eleitoral, o atual prefeito e candidato à reeleição, Nivaldo Andrade, tinha uma boa vantagem nas pesquisas de intenções de voto. Como o senhor conseguiu reverter a situação elegendo-se prefeito de São João del-Rei? Em janeiro, quando fizemos a primeira pesquisa para a prefeitura de São João del-Rei, eu tinha 17% da votação estimulada e 3% da votação espontânea. Era muita baixa. E o Nivaldo era realmente o favorito, com 70% de ótimo, bom e regular na votação da população. Naquele momento, nós torcíamos para que não fossem lançadas três chapas e que PSDB e PMDB se unissem, como aconteceu. Quando lancei meu nome como candidato, fomos crescendo através, também, do trabalho de boca a boca. Na pesquisa de junho, eu já tinha 34% da votação estimulada e o Nivaldo tinha caído um pouco. Eu sabia que seria uma eleição difícil, até porque eram todos contra um, como Davi contra Golias. Reuniam o PMDB e o PSDB e praticamente todos os partidos do lado de lá. E a gente tentava conquistar o PR, pois queríamos mais tempo de propaganda e tínhamos outros partidos, que somavam pouco tempo. Eu tinha um fator contra, que inclusive eles usavam como referência, ou seja, o fato de eu ser desconhecido. E eu me assustava com isso. Apesar de ser reitor da UFSJ, as pessoas não me conheciam. Encontrei pessoas na cidade que não sabiam da exis-

tência da universidade. Portanto, o caminho era apenas um: ir para as ruas, bater nas portas, esticar a mão e me apresentar. Como aconteceu a sua aproximação com o PT? Eu nunca me filiei a partido nenhum, até porque, como reitor, sempre procurei zelar pela não relação partidária. Mas, com a universidade ligada ao governo federal, tendo o Ministério da Educação como sua entidade mantenedora, não tem jeito de não se relacionar com o PT. Após a visita da presidente Dilma a São João, comecei a ter dificuldades com o PSDB e, com isso, não havia outro caminho a seguir que não fosse o PT. O deputado federal Reginaldo Lopes foi quem te convidou para se filiar ao PT? O deputado Reginaldo Lopes sempre foi um grande parceiro que eu tive à frente da universidade, auxiliando na busca e captação de recursos junto ao MEC. No dia sete de setembro de 2011, liguei para ele, nos encontramos e preenchi a ficha de filiação partidária. Após oito anos como reitor, com os meus 51 anos, eu quis participar da política partidária. De imediato, quais são os principais desafios a serem enfrentados em São João del-Rei? O Nivaldo se intitula como o prefeito do povão, do pobre. Porém, acredito que as políticas que ele adota não viabilizam a solução dos graves problemas sociais de São João. Os bolsões de miséria que existem em São João continuam bolsões de miséria apesar dos 12 anos de Nivaldo. As políticas feitas pelo prefeito não são estruturantes. Ninguém é contra entregar uma cesta básica para quem necessita, contudo, faltam políticas estruturantes. É preciso adotar políticas de formação de mão-de-obra e de desenvolvimento social, que permitam as pessoas sair da condição de assistência para uma condição de auto-sustentação. São João del-Rei ainda sofre com problemas de captação, tratamento e distribuição de água, que é um serviço prestado pelo DAMAE. Quais são seus planos para o DAMAE? Nós defendemos o DAMAE e pensamos em valorizá-lo. Acredito que necessitamos de um plano de gestão profissional, ou seja, contar com alguém que conheça a questão das águas. São João del-Rei, pelo que me consta, tem bastante água: são duas bacias que cortam a cidade, além dos córregos. Então temos que preservar.

São João del-Rei é uma cidade turística e infelizmente a gente vê muitas ruas sujas, lixo que não é recolhido, animais soltos... O que fazer para resolver essa situação? Precisamos, primeiramente, educar a população. O lixo deve ser colocado no horário certo, mas o caminhão precisa passar no horário certo. Pensamos no recolhimento do lixo seguindo o modelo da coleta seletiva, mas para isso contamos com a colaboração da população separando o lixo úmido do seco. Nosso lixão também não pode continuar da mesma maneira, portanto, teremos que adotar o aterro sanitário. Outra coisa, lugar de animal não é na rua. Se animais de grande porte, como equinos e bovinos, forem pegos nas ruas, só serão reclamados pelos seus donos mediante pagamento de multa. Trinta dias após a apreensão, serão levados à hasta pública para leilão. Temos também problemas com suínos soltos pelas ruas de São João, e isso não pode acontecer. Se esses animais forem pegos serão levados ao matadouro e dado destino a alguma entidade beneficente. Quanto aos cachorros e gatos, a nossa intenção é criar o centro de zoonose, para receber os animais doentes, porque não dá para abrigar a todos. Temos uma estimativa de 17.000 cachorros hoje em São João. Os doentes serão tratados e quanto aos outros, a ideia é esterilizar para, desta forma, diminuir a população. São João é uma cidade-polo para onde afluem pessoas e interesses da região. Como o senhor pretende trabalhar com os demais prefeitos para que a integração possa trazer vantagens tanto para São João quanto para os demais municípios das Vertentes? Acredito que a expectativa dos prefeitos reeleitos ou eleitos é que o diálogo com São João del-Rei seja melhor. E como somos uma cidade-polo, qualquer coisa que acontece aqui repercute na região. Cada cidade tem um potencial e queremos desenvolver isso em parceria, para tentar fazer um circuito turístico interessante. Considerando que existe hoje uma população flutuante em busca de atendimento de saúde, como aproveitar melhor e de forma integrada os serviços hospitalares e de saúde de São João? A questão da população flutuante também traz impactos. Por exemplo, o Ministério da Saúde, quando define a nossa cota de atendimento, se baseia na população do IBGE e não inclui a população flutuan-

te. Como esses municípios não têm uma estrutura hospitalar vigorosa, muitas pessoas correm para cá. Atualmente, 20% da UPA são pacientes de cidades vizinhas e isso pesa na estrutura da cidade. Além disso, São João não aderiu ao Cisver (Consórcio Intermunicipal de Saúde das Vertentes), por exemplo, e hoje acho que não teria condições financeiras para entrar. Considero uma perda muito grande. Existem muitas reclamações da população são-joanense quanto à escassez de médicos nos PSFs, demora para marcar exames, falta de medicamentos na farmácia pública etc. Quanto à UPA (Unidade de Pronto Atendimento), muitos dizem: “se antes da UPA era ruim, agora está muito pior”. Por quê? Hoje o que sabemos é fruto do sentimento da população: faltam médicos, exames, medicamentos etc. O próprio prefeito reconheceu que o recurso que ele adiciona ao disponibilizado pelo Ministério da Saúde foi insuficiente para bancar e se tivesse reservado um pouco mais, a situação da saúde não seria tão complexa como é hoje. Temos que aumentar o número de equipes de PSFs e reestruturar toda a rede. Talvez hoje 90% dos pacientes que procuram a UPA não são de urgência e emergência, são casos que poderiam ser resolvidos se a unidade básica funcionasse. Estamos fazendo um trabalho de avaliação com a UPA para entender como está funcionando. Outra questão importante é o transporte público. Entre tantas coisas, as pessoas reclamam do preço da tarifa, da falta de cobertura nos pontos e do atraso dos ônibus. Como enfrentar esse problema? A gente também está se baseando naquilo que ouvimos. O que penso, a princípio, é estabelecer uma fiscalização mais rigorosa. Vamos tentar negociar com a empresa novas rotas, bem como a possibilidade de colocar ônibus de porte menor, porque acho que a cidade não aguenta os ônibus grandes que circulam pelas ruas. Ônibus de menor porte têm um custo fixo menor, e isso pode ser interessante para a empresa também. São João del-Rei, há alguns anos, sofreu muito com o problema da violência. O senhor tem um diagnóstico de como se encontra hoje a questão da segurança pública na cidade? Ouvi falar que existe hoje uma espécie de convivência, tolerância entre grupos em São João.

Helvécio Luiz Reis

Digo tolerância, porque eles acham que se começarem a brigar entre si poderiam chamar a atenção da polícia, o que atrapalharia o comércio deles. Não podemos mais ficar omissos diante do problema das drogas. Andando pela cidade, vi situações que me deixaram muito preocupado. O número de pessoas hoje no tráfico, quer sejam usuários ou comerciantes, é grande. E as pessoas acham que isso não passa perto delas. Acho que todo cidadão tem que ter consciência de que, mesmo que não tenha nenhum caso na família, trata-se de uma questão da cidade. Precisamos reforçar a colaboração com a polícia no combate e adotar medidas de crescimento, além de trazer novas perspectivas de geração de trabalho e renda. Se não for dessa forma não adianta, ou seja, temos que ter o que oferecer às pessoas. O senhor disse que durante a campanha percebeu que muitos são-joanenses ainda desconhecem a existência da universidade. É inquestionável a importância que a UFSJ tem hoje para São João del-Rei. O que fazer para torná-la ainda mais valorizada e conhecida pela própria comunidade local? Nunca se estabeleceu até agora um diálogo propositivo entre UFSJ e prefeitura. Parece que são duas instituições concorrentes. Fiz agora uma proposta para a professora Valéria Kemp, reitora, de sentar a equipe dela com a minha e estabelecermos um planejamento estratégico tendo em vista o município de São João del-Rei. O que podemos fazer conjuntamente para melhorar a qualidade de vida da nossa população? A universidade tem profissionais, alunos, professores, que são criativos, competentes e por que não nos unirmos numa perspectiva melhor para São João?


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Política

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EMANUELLE RIBEIRO

Equipe de governo da próxima administração já está definida O prefeito eleito de Resende Costa, Aurélio Suenes, iniciou o processo de transição de governo no início de novembro junto com sua equipe, já selecionada. “Conforme falamos durante a campanha eleitoral, a escolha do secretariado foi definida com base na formação, experiência, capacidade de liderar e gerenciar, ou seja, pessoas que tenham realmente condições de contribuir com o bom andamento do serviço público municipal. Prova disso é que entre os nomes escolhidos, temos pessoas que nunca se envolveram em política, pessoas de outros partidos políticos que não nos apoiaram nesta campanha e funcionários de carreira da prefeitura que vão ter a oportunidade de mostrar seu trabalho compondo a nossa equipe de governo. Acredito que os nomes escolhidos têm aprovação inclusive da população de Resende Costa”, disse Aurélio. Sobre o processo de transição, o administrador disse estar acontecendo de forma pacifica: “Fomos bem recebidos pela atual administração, estamos obtendo todas as informações necessárias para que em janeiro possamos dar início ao grande desafio de administrar Resende Costa”. Aurélio falou ainda sobre a atual situação da prefeitura: “Nós confirmamos o que já havia sido falado na campanha, a situação financeira da prefeitura não é confortável. Se não houver um repasse extra do governo federal, corremos o risco de receber a prefeitura com dívida”. Em menos de um mês, Aurélio assumirá a Prefeitura de Resende Costa e já espera muito trabalho pela frente: “Com o período chuvoso, acontecem muitos imprevistos e a própria condição do tempo atrapalha bastante o andamento dos trabalhos. A infraestrutura urbana deixa a desejar no escoamento de águas pluviais, temos ruas precisando urgentemente de manutenção. Já sabemos das condições ruins de alguns pontos das estradas rurais e das condições de risco de algumas pontes do município. Sei que não é somente isso, temos muito a fazer, mas a verdadeira preocupação é com a falta de recurso financeiro. O importante nesse começo é a compreensão do povo, vamos nos esforçar ao máximo para fazer o melhor, mas precisamos de tempo”. Conheça um pouco da equipe que assumirá a administração de Resende Costa. Secretarias: Administração e vice-prefeito: Antônio Silva Ribeiro, 52 anos Técnico em publicidade. Bancário durante 18 anos em Belo Horizonte. Na política resende-costense, foi eleito vereador e presidente da

Resende Costa. Luís Cláudio tem especialização na área em que atuará, com cursos de qualificação sobre Negócios em Turismo (CNPq), Administração de Hotel e Pousada (SENAC) e Turismo Rural (Universidade On-line de Viçosa - UOV). “O trabalho inicial é preparar a estrutura para que de fato possa ser criada a Secretaria de Artesanato, Turismo e Cultura. Revisar o plano municipal de turismo e colocar em prática as ações estabelecidas junto ao Conselho Municipal de Turismo. Trabalhar a sinalização e indicação do município, interna e externamente, buscar cursos de qualificação profissional para o setor e viabilizar eventos que possam trazer recursos para o município, fortalecendo as ações e os movimentos culturais”.

Montagem Emanuelle Ribeiro/JL

Secretários e assessores do prefeito eleito, Aurélio Suenes

Câmara por dois mandatos, se candidatou a prefeito em 2008 e se elegeu vice-prefeito nas últimas eleições. Toninho Ribeiro já atuou como secretário de administração da Prefeitura de Resende Costa, no mandato de 19972000. “Além de cuidar da parte administrativa e dar suporte às demais secretarias, trabalharei junto com o prefeito Aurélio no intuito de realizar as obras de interesse para Resende Costa. Como candidato a vice-prefeito, em contato com a população durante a campanha, vi de perto as necessidades do nosso município. Serei responsável também pelo setor de esporte, visando a desafogar a Secretaria de Educação”. Educação: Silvanda Maria de Resende, 49 anos Formada em Pedagogia, com habilitação em Supervisão Escolar, pela UFSJ. Em seus 25 anos de magistério, trabalhou nas escolas rurais do município e também na Escola Municipal Conjurados, onde atuou como professora, diretora e pedagoga. “Sou uma pessoa comprometida com a educação, conheço a área e a realidade educacional do município. Darei continuidade às políticas da gestão anterior, pois a descontinuidade tem sido um dos grandes problemas na política educacional do Brasil. O principal desafio é trabalhar com foco na melhoria da qualidade do ensino e, para isso, é necessário conhecer a realidade da educação, o IDEB, apoiar bons projetos e experiências já desenvolvidas na área e manter o diálogo com os profissionais do magistério para obter melhores resultados para a rede. Buscarei conhecer

melhor os programas do Ministério da Educação (MEC), como o Plano de Ações Articuladas (PAR) e estar atenta à legislação da área. Já tomamos algumas decisões, como a escolha das diretoras: convidamos a Rose Daher para ser a diretora do Conjurados e a Renata Almeida para ser a vice-diretora. Na Escola Paula Assis, escolhemos Eunice Fernandes como diretora”. Saúde: Kátia Suzana de Resende, 37 anos Técnico em Edificações (CEFET-MG). Atuou durante quatro anos como auxiliar administrativo na Secretaria de Saúde e dois anos como chefe de divisão de Ações da Saúde. “O objetivo é desenvolver um trabalho com comprometimento, dedicação, honestidade e seriedade, primando pela melhoria da saúde, tanto coletiva como individual dos cidadãos resende-costenses”. Transportes: Cleiton Afonso dos Santos, 31 anos Graduado no curso de Engenharia Industrial Mecânica pela UFSJ. Trabalha na Copasa desde março de 2002, atualmente como Operador de Estação de Tratamento de Água*. É Vereador na atual legislatura, foi Secretário da Mesa Diretora (20092010) e hoje é vice-presidente da Câmara Municipal de Resende Costa. “Com um curso de Engenharia que está ligado ao transporte, sei que posso contribuir muito para uma gestão diferenciada, tanto defendida pelo prefeito eleito em sua campanha. A intenção é equacionar basicamente duas variáveis: demanda e gastos.

A demanda no setor de transporte é muito grande, tanto referente à população quanto aos setores internos da Prefeitura (Saúde, Educação etc.). Precisamos reduzir os gastos e, para isso, gerir a frota de perto é de suma importância. Outra meta é a valorização do profissional”. *Aguardando liberação da Copasa. Obras: Adelmar Antônio Aarão, 41 anos Experiência profissional na área rural e também como oficial de manutenção em Serviço de Saneamento Básico na Copasa, onde trabalha há dez anos. “Procurarei atender as necessidades da população, estabelecendo prioridades de acordo com a demanda do município, atendendo bem a população, trabalhando com clareza e objetividade. Na área de obras o desafio é grande, mas com a colaboração e compreensão da comunidade e formação de parcerias, pode-se atingir as metas propostas pela administração e conseguir atingir bons resultados”. *Aguardando liberação da Copasa. Agricultura e Meio ambiente - Setor de Turismo, Artesanato e Cultura: Luís Cláudio dos Reis, 35 anos Graduado em Gestão de Recursos Humanos. Atuou como presidente da Associação de Artesãos, secretário administrativo da Associação das Empresas do Artesanato e Turismo, presidente do Conselho Municipal de Turismo por dois mandatos. Eleito vereador em 2008, atualmente é presidente da Câmara Municipal de

Assessor Jurídico: Geraldo Aires da Silva, 36 anos Formado em Direito pelo IPTAN em dezembro de 2008. Advogado militante nas áreas cível, criminal e previdenciária. Na área pública, atuou durante quatro anos como assessor jurídico da Câmara Municipal de Resende Costa. “A função principal do cargo é de assessoramento, com avaliação prévia da legalidade dos atos e ações públicas. É de competência do cargo a elaboração de projetos de lei, mensagens, decretos, portarias, entre outros atos que vinculam o exercício da administração pública aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Assim, o objetivo é manter a administração nos trilhos que levam aos preceitos norteadores da administração pública, agindo sempre de forma justa em favor do município de Resende Costa”. Assessora de Governo e Planejamento: Érica Leonor Martins, 29 anos Graduada em Letras pela UFSJ e graduanda em Direito no IPTAN. Experiência no serviço público iniciada em 2006, quando ingressou, por concurso público, na rede estadual de educação e atuação como professora em São João del-Rei. Em 2009 ingressou, também por concurso público, na Prefeitura Municipal de Resende Costa, ainda na área da educação. Desde o início de 2009, atua no cargo comissionado de secretária de Gabinete. “Com profissionalismo e ética, que sempre pautaram minha atuação no serviço público, pretendo desenvolver meu trabalho em parceria com a equipe de governo e com os demais servidores da Prefeitura, buscando sempre o bem comum e o desenvolvimento do nosso município”.


6 Jornal das Lajes

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Cidades

Associações Comerciais de São João del-Rei e Resende Costa firmam acordo de parceria

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

As Associações Comerciais de São João del-Rei e Resende Costa assinaram, no dia 19 de novembro, convênio pelo qual Resende Costa passa a integrar o sistema de entidades comerciais do Campo das Vertentes. Presentes ao encontro o presidente e vice da ACI del-Rei, respectivamente João Afonso Farias e Artur Coelho dos Santos Monteiro; o presidente e o diretor financeiro da Associação Comercial de Resende Costa, Valnei Diego de Sousa e Cícero Resende Chaves; o vereador e presidente do Conselho Municipal de Turismo de Resende Costa (COMTUR), Luis Cláudio dos Reis; e o gerente do Departamento Comercial e Institucional da ACI del-Rei, Dayvison Alessandro Costa. Durante a reunião, João Afonso disse que a palavra chave é “integração”. O propósito do acordo com Resende Costa é uma parceria na qual haja troca de experiências e informações, e que o resultado se irradie para outras cidades da região. “Nossa ideia é regionalizar, distribuir e receber os benefícios dessa troca de informações e experiências”, disse o empresário. A intenção é que a região das Vertentes caminhe junto com grupos de associações independentes de outras regiões do Estado, complementou Artur Monteiro. Ele enfatizou ainda a importância de reforçar a parceria com as Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDL). As vantagens Qualquer associado de Resende Costa passa a ter acesso aos mesmos serviços dos seus colegas são-joanenses, como assistência jurídica, convênios com médicos, hospitais e odontológico, certificação digital (comprovação de

Foto - Rosi Americano ACI del-Rei

Delfor Motors: atendimento diferenciado, conforto, facilidade no pagamento e outras vantagens impulsionam a venda de veículos Ford em São João del-Rei EMANUELLE RIBEIRO

Representantes das associações de Resende Costa e São João del-Rei se reuniram em São João para confirmarem a parceria.

identidade de pessoa ou empresa por meio de documento eletrônico, assegurando autenticidade, privacidade e inviolabilidade nas transações online e troca eletrônica de documentos, mensagens e dados) e o suporte a eventos e treinamento. A atual estrutura da ACI del-Rei suporta um número muito maior de associados, e se não for utilizada vai ficar ociosa, observou o presidente da ACI del-Rei. Outros benefícios deste acordo, segundo João Afonso, são as boas relações políticas com os deputados Reginaldo Lopes e Rômulo Viegas e com o senador Aécio Neves. Também revelou que está tentando formalizar um plano corporativo com a Unimed, para atender os associados a preço mais acessível. Cícero Chaves destacou a “sensibilidade” da ACI del-Rei e disse ver com bons olhos a união de forças entre a entidade são-joanense e as pequenas associações comerciais. Lembrou que Resende Costa vem vivendo uma fase de descrédito com experiências fracassadas de associativismo nos últimos anos. Mas garantiu que os

65 sócios da Associação Comercial de Resende Costa vão continuar vinculados à entidade. Diante da proposta da ACI del-Rei, acredita que haja condições de superar os 100 associados de maneira segura. Cícero avalia que, num primeiro momento, os serviços que mais vão atrair os associados são os convênios médico e dentário e a certificação digital. A proposta da ACI del-Rei tem base real, o que permite um trabalho consistente na busca de novas adesões, complementou Artur Monteiro. Os dirigentes da Associação Comercial e do COMTUR vislumbram com este movimento criar no futuro a feira de artesanato de Resende Costa, que deverá ser mais do que um evento de shows musicais, informou Cícero. Para a realização desta feira, esperam, além do envolvimento do artesanato local, fazer parceria com a nova administração municipal. João Afonso colocou à disposição a experiência de sete anos da ACI del-Rei na realização da FECIC (Feira Comercial, Industrial e Mostra Cultural).

Desde 2009, a Delfor Motors, concessionária autorizada da Ford, atua em São João del-Rei. Com atendimento personalizado, excelente avaliação do veículo usado, taxas de financiamento com juros a partir de 0% ao mês e nova loja com muito mais conforto, a Delfor vende hoje uma média de 40 veículos por mês. De acordo com Fernando Henrique Fernandes, diretor da Delfor, hoje muitos clientes optam por um Ford devido ao conforto, durabilidade, segurança e design avançado dos veículos. E a satisfação dos compradores é comprovada: “Segundo a montadora Ford Motor Company Brasil, a Delfor se mantém há mais de cinco anos com o programa de satisfação em vendas e serviços, tendo acima de 90% de seus clientes completamente satisfeitos, estando entre as dez me-

lhores práticas do Brasil”, declara Fernando. Com o fim de ano chegando, o diretor conta que a Delfor está se preparando para atender as expectativas dos clientes: “Adequamos nosso estoque para suportar as vendas do último mês de redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)”. O IPI reduzido é a sua grande oportunidade de adquirir um carro novo e, comprando um Ford, você ainda garante manutenção e seguro a preços considerados os mais baixos do país. Na Delfor Motors já está disponível o novo modelo/2013 do Ford EcoSport, eleita a melhor compra 2012 da revista especializada “Quatro Rodas”. Faça uma visita a Delfor e conheça as vantagens de se ter um Ford: Avenida Leite de Castro, 1400 - Fábricas - São João del-Rei.

Delfor se mantém há mais de cinco anos com o programa de satisfação em vendas e serviços

Educação Alunos das escolas públicas de Resende Costa conquistam medalhas na Olimpíada de Matemática Mais uma vez os alunos das escolas públicas de Resende Costa brilharam e conquistaram meda-

lhas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Na Escola Municipal

Paula Assis, no povoado do Ribeirão, Jonas Marciel de Assis ganhou medalha de prata no nível 1 (modalidade 6º e 7º ano) e Eduardo Geraldo Assis recebeu medalha de bronze pelo nível 3 (modalidade Ensino Médio). Além deles,

A concessionária se prepara para suportar as vendas do último mês de redução de IPI

dois alunos do 3º ano do Ensino Médio foram contemplados com Menção Honrosa: João Sousa Leão e José Roberto de Paula Júnior. A Escola Estadual Assis Resende também recebeu duas medalhas. Elimar Basílio do Carmo e Rodrigo José da Silva levaram o bronze, ambos pelo nível 3. Treze alunos do Assis Resende receberam Menção Honrosa, nos níveis 1, 2 e 3: Lívia Maria Resende Pinto, Beatriz de Sousa, Francie-

le Aparecida Gonzaga, João Vítor Pinto Oliveira, Lucas Salomão Marioto Resende, Mateus Barbosa Resende, Augusto Geraldo Pinto, Bruno Salomão Marioto Resende, Kennedy Dione Pereira Coelho, Luciana Félix de Resende, Maíra Silva Maia, Paulo Víctor de Assis e Rodrigo Reis Baracat. A premiação ocorrerá em São João del-Rei, na UFSJ, com a presença dos coordenadores regionais da OBMEP e do Superintendente Regional de Educação.


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Aconteceu

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ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO

Monobloco é show em Santa Cruz de Minas No último dia 24 de novembro, a “É Show Entretenimento” promoveu mais um mega evento na pousada Lago D’Ouro, em Santa Cruz de Minas. Com apresentação da bateria show Monobloco, o pré-réveillon Lago D’ouro aconteceu em grande estilo e foi prestigiado por um bom público, que aproveitou o open food e open bar a noite toda. Realizado no ambiente interno, o evento contou com excelente organização e recebeu muitos elogios dos presentes.

Resende Costa sedia I Encontro Regional de Entidades Empresariais

União é a palavra que traduz perfeitamente o que foi o “I Encontro Regional de Entidades Empresariais do Campo das Vertentes”, que aconteceu em Resende Costa, no Espaço C&M, no dia seis de dezembro. O encontro foi promovido pela ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), ACI del-Rei (Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei), CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) e SICOOB Credivertentes, e contou com a presença de representantes das associações e da Credivertentes, empresários de Resende Costa, além de autoridades municipais, representantes da imprensa e de outras instituições. Valnei Diego de Sousa, presidente da ASSETURC, abriu a solenidade destacando os benefícios que a parceria entre a ASSETURC e ACI del-Rei trará aos associados de Resende Costa e,

principalmente, para o desenvolvimento do comércio local. De acordo com o presidente da ACI del-Rei, João Afonso Farias, o encontro marcou o início de uma etapa vitoriosa para a região. “O que estamos vivendo hoje é um

marco, uma conquista, uma vitória. É o primeiro passo de uma expectativa de muito sucesso. A partir de agora, trabalharemos de mãos dadas”. (Leia reportagem em www.jornaldaslajes.com.br).

O prefeito de Resende Costa Adilson Resende com o procurador Ernani Moreira e sua esposa Adriana

Cláudio Luis, presidente da Rádio Inconfidentes e André Eustáquio, editor do Jornal das Lajes

O prefeito eleito Aurélio e sua esposa Daniele, na companhia do vice prefeito Toninho Ribeiro e sua esposa Vânia

Da direita para esquerda, Valnei Sousa, João Afonso, João Pinto e Luís Cláudio

Empresários de Resende Costa presentes no Encontro


8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Amigo oculto É sempre a mesma coisa: alguém chega perto da gente com as mãos em forma de concha. Lá dentro, aquela porção de bolinhas de papel. Aí, você pega uma, abre e lê, secretamente, o nome da pessoa a quem você deve presentear. Já que você vai presentear secretamente a alguém, então você vira amigo oculto. Até agora, novidade nenhuma. Desde os mais remotos tempos, casados e casadas presenteiam secretamente seus amantes. Trata-se do amante oculto. Só que no caso do amante oculto – e é realmente um caso – ninguém desembola nenhum papel. Pelo contrário, a vida é que se embola toda. Deixando de lado as puladas de cercas ocultas, umas longas e outras curtas, voltemos ao amigo oculto. A brincadeira possui algumas peculiaridades. Geralmente, é nas proximidades do Natal que os amigos se ocultam. Uma outra peculiaridade: o teto e o piso do preço dos presentes. Isso é sensato, pois uma vez dei um perfume e ganhei um apito. Uma outra vez, dei uma agendinha, dessas roscofes, e ganhei um par de sapatos. Minha cara caiu. Até senti saudades do apito. Tenho participado de amigos ocultos em que uma só pessoa fica sabendo quem saiu com quem. Ela, então, faz uma lista do que cada um gostaria de ganhar e, secretamente, telefona para cada um dos presenteadores informando o presente que devem comprar. Na noite do evento, os participantes, um por um, desfiam um monte de qualidades brilhantes de quem vai receber o presente, só pra ver se a turma descobre quem é. A gente até chega a pensar que

Madre Tereza de Calcutá, ou Dalai Lama, ou ainda João Paulo II estão na rodada. E a coisa tem requintes de teatro. O presenteado sente-se como a pessoa mais surpreendida do mundo, sorri para todos, abre o presente e representa a mais fingida curiosidade, como se não soubesse o que está lá. Ora, bolas, foi ele mesmo que pediu aquele CD, aquele livro, aquela camisa. E ainda diz: Era isso mesmo que eu queria! Quanta novidade!!! Eu, cá comigo, ando cismado com essas coisas. No último amigo oculto, a pessoa organizadora ligou para mim e perguntou, secretamente, o que eu gostaria de ganhar. Haviam me indicado, numa viagem que fiz, um livro chamado Novela de Sansão. Pedi o livro. Não deu outra: na noite do amigo oculto ganhei uma panela de pressão. – Você me desculpe... a ligação estava ruim... quem sabe se... E fui embora com a minha panela de pressão. Não veio o Sansão com a sua novela nem Dalila com suas habilidades culinárias. Minha panela virou panela de opressão. Fica ali num canto da cozinha, mais inútil do que vice-governador, insultando-me com a sua inadaptação. E o pior: quem me deu a tal panela sempre me visita e faz questão de ver o monstrengo. Agora ela é panela de repressão. No próximo amigo oculto, já que tenho de aproveitar a panela e gosto muito de peixe, vou pedir um livro de receitas que ensine a fazer moqueca de pirarucu. ... pensando bem, é melhor deixar pra lá. Podem entender errado.

__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Contemplando as Palavras

REGINA COELHO

Honras ao talento brasileiro

O encerramento da VIII Fliporto (Festa Literária Internacional de Pernambuco) contou com a presença marcante de Ariano Suassuna, escritor paraibano, mas cidadão pernambucano, recifense e olindense. Durante aula-espetáculo ministrada em Olinda na noite do dia 18 de novembro próximo passado, Suassuna discorreu sobre a obra de Capiba, o mais conhecido compositor de frevos do Brasil. E como não poderia deixar de ser, encantou o público presente com o costumeiro vigor e a competência de sempre ao falar do músico homenageado e promover a discussão de questões interessantes ligadas ao país e à sua vida de acadêmico. Logo no início do evento, Ariano sugeriu a troca do nome da Avenida Presidente Kennedy, em Olinda, por Avenida Nélson Rodrigues. “O que é que Pernambuco deve ao presidente Kennedy?”, questionou ele, sendo por isso muito aplaudido. O escritor contou à plateia que deixou de usar terno e gravata em 1981 inspirado por um artigo de Mahatma Gandhi, líder da independência indiana. “Ele dizia que o indiano que amasse seu país e seu povo não devia nunca se vestir como os ingleses nem com a roupa feita pelos ingleses. Primeiro porque estaria virando cúmplice dos invasores. Depois porque ia tirar um dos poucos mercados de trabalho que as mulheres pobres da Índia tinham, que era a costura”, relatou. Desde então, a costureira Edite assumiu a missão de cuidar dos figurinos de Suassuna. “Comecei a ser barrado nos lugares por aí. Tenho vocação para ser barrado”,

revelou. Ariano também contou curiosidades sobre sua posse na Academia Brasileira de Letras. Depois de contratar Edite para costurar o fardão (veste simbólica dos membros da ABL) e uma bordadeira do Clube das Pás (um clube carnavalesco recifense) para cuidar dos adornos, ele foi chamado de jeca, mas não deixou por menos. “Bonito não tem ninguém ali, eu era o menos feio. Duas coisas que me impressionaram na Academia: uma foi a feiura. Ô imortais feios! E a outra foi a idade. Corri o olho e dava mais de três mil anos!”, brincou. Defensor ferrenho da cultura popular do Nordeste, Suassuna lembrou sua velha implicância com Michael Jackson ao afirmar que o falecido astro “vivia aperreado por ser negro” e que “dançarino negro de verdade, orgulhoso de sua cor e de seu país é Mestre Meia-Noite!”, uma referência a Gílson Santana, artista atuante naquela noite. Referindo-se ao cangaço, qualificou-o como “um exemplo extraviado e errado de uma revolta social justa”. Eis aí uma ideia merecedora de reflexão. Para falar do amigo Capiba, muitas brincadeiras. Entre elas, a seguinte. “Todo ano ele (Capiba) me dizia, falando sério: ‘Ariano, o melhor time é o Santa Cruz. Os jogadores dos outros times é que não deixam o Santa jogar!’”, contou Suassuna. As informações aqui relatadas sobre a última noite da Fliporto 2012 eu obtive no G1(o portal de notícias da Globo) e julguei pertinentes ao momento atual. No ano em que o Brasil reverenciou a memória de notáveis como Mazzaroppi (09/04), Jorge Amado (10/08), Nélson Rodrigues (23/08 – ali-

ás, o homenageado desta Fliporto) e Luiz Gonzaga (13/12), todos eles nascidos em 1912 e merecedores das homenagens que lhes foram prestadas, nada melhor do que exaltar também a figura brilhante e corajosa do brasileiríssimo e vivíssimo Ariano Suassuna, 85 anos. Autor de “O auto da compadecida”, ele verá sua mais famosa obra ser o tema da Escola de Samba Pérola Negra (de São Paulo) no Carnaval 2013. Justa homenagem a quem, entre outras coisas, faz do “não troco o meu ‘oxente’ pelo ok de ninguém” uma profissão de fé nas suas origens. Mais Ariano do que isso, impossível! E entrando no clima natalino, recorro a uma canção de Natal composta por Capiba e Carlos Pena Filho para dedicá-la a todos os leitores do Jornal das Lajes. Sino, claro sino __ Sino, claro sino, Tocas para quem? __ Para o Deus menino, Que, de longe vem. Pois se O encontrares, Traze-O ao meu amor. __ E o que Lhe ofereces, Velho pecador? __ Minha fé cansada, Meu vinho, meu pão, Meu silêncio limpo, Minha solidão. m tempo - Um presente para Resende Costa a conclusão dos trabalhos da reforma do Teatro Municipal. Parabéns ao prefeito Adilson Resende pela iniciativa. E que nosso principal espaço cultural seja devidamente administrado para os fins aos quais se destina.


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Retalhos Literários

EVALDO BALBINO

Enfeites para um Natal sem enfeite nenhum Outro dia um amigo chegou a minha casa e, vendo que os meus vizinhos enfeitaram suas portas com um Merry Christmas lânguido, perguntou-me por que eu não fizera o mesmo. Sua pergunta me fez pensar um pouco em por que meus Natais são sempre sem enfeite nenhum. Se ele hoje me perguntasse isso de novo, eu lhe diria que o que não parece belo não deixa de ser belo e que é possível extrair das dores alguma plenitude, umazinha que seja. Hoje, por exemplo, o dia é de chuva fina e de lembranças. Belo Horizonte está chuvosa e, o que é raro, tranquila. Isso é apenas hoje, porque, neste fim de ano que se aproxima, a cidade tem se movimentado mais. Hoje, entretanto, a chuva delicada e tímida, aliada a um domingo, tem esse poder de quietude. E como todo silêncio é propício aos rumores sutis, acabo por ouvir, de mansinho como a chuva caindo lá fora, os meus passados Natais. Eu ficava feliz com duas coisas nos fins de ano: os desenhos natalinos que me eram dados na escola para colorir e os desenhos animados de Natal vistos na TV. Eu não acreditava em Papai Noel, pois sabia da vida árdua de uma família de tecelãs e pedreiros. Não acreditava nele, mas com que garbo o coloria nas épocas de Natal! Fazia a barba mais longa e mais branca, a barriga mais gelatinosa e pendente, e o saco estava sempre cheio de brinquedos e promessas. Nos desenhos, eram árvores de Natal belíssimas, daquelas que não vingam em nossas paragens. Copiando modelos de países setentrionais, nós, os tupiniquins, amamos pinheiros excelsos, altíssimos em sua plenitude. E eu gostava mesmo era de colorir a grande estrela que no cume do pinheiro reinava como rainha absoluta. Meus pais diziam que aquilo

era idolatria e que por isso eles não decoravam nenhuma árvore em casa para o Natal. Mas, sem freios, eu cometia minhas idolatrias. Pegava os lápis de cor e tocava a enfeitar as árvores que as professoras me davam. E se faltava entre as bolotas e a estrela um pouco mais de vida, eu desenhava anjos em revoadas pelos galhos das árvores. Eram anjos tortos, pois eu não sabia desenhar direito. Olhava para os bonequinhos malfeitos, mas acabava me apaixonando por eles. Afinal, todo mundo é torto mesmo, pensava. Qual é o problema de os meus anjos serem desse jeito? Eu já pressentia que debaixo do sol não havia perfeição. Mas o que dizer dos anjos: não eram seres celestiais, vivendo para além do sol? Na verdade, o garoto que eu era não gostava de imaginar anjos no muito além. Meus anjos eram bem da terra. Eu não conseguia e não queria me livrar dos anjos terrestres. Desde cedo me veio um amor pelas pequenas coisas terrenas. Não se pode abrir mão da vida, desta vida que é nossa garantia. Dos desenhos animados de fins de ano, era a turma do Zé Colmeia que me dava alegrias infindas. Repetia-se todo ano o episódio “O primeiro Natal do Gasparzinho”. E ao invés de me apaixonar pelo menino-fantasma, era do Assombroso, um espectro supostamente assustador, que eu me enamorava. Os animaizinhos simpáticos e mambembes, chefiados pelo Zé Colmeia, perdiam-se numa estrada cheia de neve, pela qual iam à procura de um hotel para a comemoração do Natal. Encontravam uma casa antiga e mal-assombrada, condenada para demolição. A casa era imensa e fria. Nela, o simpático Gasparzinho convivia com o fantasma Assombroso, também boa-praça, que tinha a mania de considerar-se um monstro temível. Zé Colmeia e os amigos se uniam e começavam uma faxina pelo casarão. Cortavam um

pinheiro, enfeitavam as paredes e a árvore, removiam o pó de todos os móveis, varriam o chão com rapidez e felicidade, pegavam lenha no porão e acendiam a lareira. As lareiras sempre foram minha paixão. Como em Resende Costa fazia muito frio, e ainda faz, lareiras eram e são bem-vindas por lá. Mesmo assim nunca tive lareiras, e com elas sonho até hoje. Eu amava ver toda a turma do Zé Colmeia transformando um ambiente cheio de más sombras e maus aspectos num lugar apetecível. O episódio caminhava de um ambiente enfeitiçado e embruxado para um lugar luminoso e alegre, e tudo isso com a ajuda do Papai Noel. E hoje, depois de eu crescido, aqui agora nesta tarde silenciosa e com chuva insistente e fina, vem-me a inegável pergunta: onde está o Papai Noel? Talvez cansado de voar pelos ares e de dar presentes para pessoas cada vez mais interessadas em presentes, ele tenha se aposentado. Talvez ele já esteja, em verdade, de saco cheio deste nosso mundo. Nos fins de ano brasileiros, sem neve, porque em nossa região pelo menos nunca as houve, a frieza é tamanha. A frieza é mais fria do que a neve. E tanta frialdade me faz pensar em coisas ásperas. É mais um fim de ano que se aproxima, e as pessoas no mundo se atordoam de um lado para o outro. Correm exasperadas com pacotes de compras e mais compras. A vida deixa de ser vida, se não contemplar as vitrines cheias das lojas e dos mercados. O formigueiro humano tem fome e sede, não de justiça, mas de dinheiro e de supostas lembranças a serem dadas na Noite Santa. E em meio a tudo isso, eu, menino sempre, ainda me pergunto pelo Papai Noel e tento desenhar no ar uma estrela guia, daquelas bem grandonas, para enfeitar a minha fantasia.

Gastronomia

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CLÁUDIO RUAS

Cozinha de fim de ano - Porco x Peru A correria da vida tem feito o tempo passar numa velocidade cada vez mais assustadora. Eis que em um piscar de olhos já se foi mais um ano, que chega ao seu final sinalizando a chegada de uma época bem interessante, de celebração, união familiar, reflexão, e perspectivas. E o melhor: tudo isso em torno de uma figura importantíssima, a comida. Além de fonte de alimento e prazer, a comida sempre teve um papel relevante nas celebrações dos povos. E quando se fala de países cristãos, o natal e o ano novo são ocasiões onde a gastronomia tem um destaque especial em relação ao resto do ano, com pratos bem tradicionais e quase exclusivos dessa época, como o peru. Mas desde sempre me perguntei o porquê de tanta adoração por essa ave que quase não faz parte do nosso cardápio. A resposta está na influência que os Estados Unidos exercem sobre nós, já que o peru é muito consumido por lá. Ele é originário da América Central e do sul dos Estados Unidos, onde sua tradição inicial de consumo se dá no dia de Ação de Graças, sendo posteriormente aplicada ao Natal. Particularmente, eu sempre preferi o nosso bom e velho frango caipira ao peru, que em muitos casos acaba ficando ressecado e sem muito gosto. Outro problema também é que ele geralmente já vem temperado, impedindo que o cozinheiro dê o seu toque especial no preparo. Mas mesmo assim ainda é possível fazer um peru saboroso, deixando-o em uma marinada com vinho branco (seco), azeite e ervas, de um dia para o outro e tomando cuidado para não assá-lo demais, sempre em fogo bem baixo e regando com o líquido da marinada. Outro bicho que não pode faltar na mesa de fim de ano é o querido porco. Esse, além de estrela da noite, ainda nos acompanha fielmente durante todo o ano, principalmente aqui nas gerais. Sem querer desvalorizar o peru, mas o porco consegue ser superior na maioria dos aspectos. Até para os supersticiosos, que na virada do ano não comem nada que cisca para traz, o porco leva vantagem, pois fuça para frente. Mas para mim o que conta mesmo é o sabor e a originalidade da coisa, e aí temos todos os motivos para valorizar ainda mais o “fuçante” em relação a esse “ciscante”. Como sempre digo, acho a tradição importante, mas entendo que precisamos tentar mudar e adequar algumas coisas. Principalmente

quando se fala de uma tradição que não está muito alinhada com o nosso clima e com o que temos à nossa volta, o que acontece nas festas de fim de ano. A neve que cai no Natal americano não cai aqui no Brasil. Estamos em pleno verão, onde a comida de inverno não costuma descer tão bem. E por que não substituir as nozes importadas pela castanha do Pará, produto típico brasileiro e que faz sucesso mundo afora? O mesmo questionamento eu faço em relação às cestas de Natal, geralmente cheias de produtos industrializados e importados. Por que não montar uma cesta mais original - e até mais barata - com uma boa cachaça de Salinas, um queijo do Serro, um rocambole de Lagoa Dourada, um café do Sul de Minas, um biscoito de São Tiago, um lombo defumado de Formiga e um jogo americano de Resende Costa? Enfim, acho que precisamos refletir mais sobre esses nossos conceitos e valores e acho o fim de ano uma ótima oportunidade para isso. Oportunidade também para amar e olhar mais o próximo, abraçar a família e cozinhar bastante, com muito carinho. Boas festas aos queridos leitores e obrigado pela companhia ao longo desse ano! Deguste sua ceia! (A receita desse mês no blog é uma sugestão de um prato delicioso e prático para a ceia, que pode ser feito com antecedência e servido frio: “Rosbife de filet mignon suíno” http://www.casalgastromg.blogspot.com.br/) Festival de gastronomia na nossa região Durante o mês de janeiro de 2013 a nossa região terá um evento interessante de gastronomia, o recém criado Festival Happy Hour, em que bares e restaurantes de São João del Rei, Tiradentes, Ritápolis, Prados, Resende Costa, Dores de Campos e Barroso concorrerão com pratos típicos mineiros. O fubá foi escolhido como ingrediente obrigatório. Além disso, serão promovidas atividades culturais de música, fotografia, literatura etc. Iniciativa interessantíssima que conta com o apoio da Associação Comercial de São João del-Rei e que só traz benefícios a todos. Parabéns pelo projeto e aos estabelecimentos da nossa Resende Costa que aderiram ao evento, a Churrascaria Ramona e o Buteco da Maura. Participem! Informações no http://www.festivalhappyhour.com.br/


10 Jornal das Lajes Causos e Cousas

ANO IX Nº 116 - DEZEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO

Profissionais da Resende Costa de antigamente

Quando alguém via a dona Margarida do sô Barbusinha (Barbosinha) apressada na rua, com uma toalha branca e uma bacia na mão, era sinal de que um novo resende-costense estava chegando. Dona Margarida, dona Edith do Veio [Véio] do Chora, dona Zica do Antônio Eduardo, Sá Cândida e dona Elzi Lara: heroínas de tantos anos. Eram as famosas parteiras, as profissionais mais importantes da cidade. Como prêmio, costumavam ganhar quitandas, frutas, frangos e ... muitos afilhados. Antigamente era comum ver passar pelas ruas um homem conduzindo porcos. Nas mãos, uma varinha e cordas, amarradas nos pés de um ou mais porquinhos. Uns, coitados, para o sacrifício; outros, mais novos, alegrinhos, para o chiqueiro de outro dono. Era uma verdadeira profissão. Dos mais famosos, ficou na memória o “sô Cornilinho [Cornelinho] tocador de porco”. Era menino e me lembro bem de um negro, forte e gordo, o “João Deitado”. Claro que ele não gostava do apelido. De nossa casa, acordava-se bem cedo pelos fortes golpes de machado, entremeados das batidas sobre as “cunhas” de ferro, para abrir e rachar a lenha. Era o João Deitado, na casa da madrinha Donana, do Nico de Souza, do outro lado da avenida. Era a sua profissão: rachador de lenha. Cada pancada era seguida de um grito rouquenho, como se aqueles grunhidos suavizassem o esforço na rachadura da lenha. Meu pai não podia pagar um rachador de lenha, mas também dava lá os seus grunhidos. Profissão importante daquelas épocas era a o “foiero” [folheiro, de “folha”, lata). Tempos de falta de luz elétrica, o utensílio domiciliar mais importante era uma boa lamparina a querosene (ou “querosena’, como então se dizia). Eram

feitas aproveitando as raras latinhas de alimentos da época, com o bico, o pavio e a asa, ou alça, para se pegar. Antes da existência de chuveiros, tomava-se banho em grandes bacias de metal, que acabavam nas mãos dos foieros para soldagem dos buracos que apareciam. Bules, canecas, e “chacolateiras”, eram outras peças fabricadas. Talvez o foiero mais famoso tenha sido o “Manezinho foiero”. Pessoa estimada, dizem que gostava de contar umas mentirinhas. Quando nasceu um de seus filhos, ele teria dito que o neném, completado um mês de vida, já era tão esperto que falava, apontando para a parede: “pepel, papai, bibide” (chapéu do papai no cabide)... A água foi o grande problema da cidade até a década de 60. Vinha das cinco fontes que brotavam ao redor da grande laje. Profissão preciosa, sobretudo das mulheres: as “buscadeiras de água”. Para isso elas inventaram uma tosca, mas eficiente tecnologia para esse árduo trabalho: uma lata de 18 litros era colocada sobre uma “rodilha” de pano bem trabalhada e ajustada sobre a cabeça. Com as duas mãos firmes nas “cadeiras”, lá subiam elas morro acima. Era o tempo da modinha de carnaval que se espalhou pelo país afora: “Lata d’água na cabeça – Lá vai Maria, lá vai Maria...”. Outras profissões importantes eram as dos ferreiros/bombeiros, dos oleiros (fabricantes de tijolos e telhas), dos seleiros (Álvaro de Melo, Orestes, senhor Tuniquinho...), dos carapinas (ou carpinteiros e marceneiros), dos pedreiros, que começavam a profissão como “pedreiro-meia-cuié”. Profissões importantes das mulheres eram as quitandeiras, as lavadeiras, as cozinheiras (e “arrumadeiras” de porco) e as costureiras. Lembro-me bem – e a foto tirada pelo senhor Syla Reis o comprova - do meu terninho bran-

co para a primeira comunhão, feito pela dona Sinhá do Lauro. Mas a mais famosa “florista” de todos os tempos (que fazia também arranjos de papel crepom para as cruzes das portas de casa – para o dia da Santa Cruz - e para os “pendentes” de luz) foi a dona Adélia, casada com o Tião do Chora e mãe do Galo. Entretanto, talvez as duas profissões mais especializadas foram as dos alfaiates e sapateiros. Relembro abaixo os representantes dessas categorias, que exerceram tais atividades por longo tempo. Alfaiates: Adenor Coelho (Lorinha) - Aquim do João Coelho (Ticureba) – Aquim do Lauro – Cadico – Chico da Florença – Chiquinho da Maricota - Iraci do Sobico – Lúcio Alves – Nhozinho da Marica - Ramiro Resende – Sebastião Nagib – Syla Reis – Zé Maria do Ziquinha de Lourdes - Zé do Josué – Zé Fussura – Zé Nicodemos – Zé Miranda – Zé Muranga. Sapateiros: Adão do Quinzinho – Antônio “Damascena” – Bilico Reis – Jair do Zé Josué - João Tatá (João Tié) – Joãozinho Sapateiro (dos Óculos) - Joel Vale – Jorge Sapateiro – Miguel Sapateiro – Ninico Reis – Pedro Lelê – Quinzinho Lara – Sílvio da Adelaide – Simão Turco – Zé Reis da Donana – Zé Tiana (filho do João Tatá) – Zé Ticoco. Não se sabe bem se o apelido do senhor João Tatá era pelo fato de ele bater sapatos no pé-de-ferro ou pelo fato de ele tocar trompa na banda... O último sapateiro em atividade hoje é o nosso querido Jorge Sapateiro. Os dois últimos a nos deixar foram os dois irmãos, filhos do João Franquilim: o Antônio e o Miguel.

(Agradeço ao Jorge Sapateiro e à Lucinha, minha irmã, as informações, em gostosas conversas de volta ao passado...).

Turismo

JANETE HELENA

Resende costa apta a receber ICMS Turístico O município receberá em 2013 recursos de incentivo ao turismo

Implantado em 2009, o ICMS Turístico faz parte do pacote do chamado ICMS Social, ou Lei Robin Hood, que visa a premiar ações de incentivo e investimento em diversas áreas. No caso do Turismo, o recurso repassado em parcelas mensais vem premiar municípios que desenvolveram ações no sentido de promover melhorias, aumentar o potencial turístico e oferecer mais atrações aos visitantes. Para se beneficiar e receber o ICMS Turístico o município deve ser associado a algum circuito turístico reconhecido pela Secretaria de Estado de Turismo (SETUR), possuir um Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), ter elaborada uma política municipal de turismo e ter um Fundo Municipal de Turismo (FUMTUR). Também é recomendável que o município esteja participando de outros critérios da Lei Robin Hood, como o ICMS Meio Ambiente e Patrimônio Cultural. Resende Costa pontuou pela primeira vez neste ano e está entre os 119 municípios mineiros habilitados a receber o repasse em 2013. A movimentação que resultou nessa pontuação começou já em 2011, quando o Circuito Trilha dos Inconfidentes, em parceria com o município, realizou oficina de sensibilização que culminou em maior atuação do Conselho Municipal de Turismo. O COMTUR, que existe desde o ano 2000, adequou-se às exigências da SETUR em 2011, quando também foi criada a política municipal de turismo e o FUMTUR. Cumpridos os requisitos obrigatórios, a cidade pôde se submeter à análise de suas ações. Além de ações de divulgação dos atrativos mais tradicionais, como o artesanato exposto na Praça da Liberdade em Belo Horizonte no dia do Patrimônio Histórico Cultural, o Carnaval, a Ex-

posição Agropecuária, a Semana Santa e a Festa do Rosário, também foram incluídos outros eventos no calendário. O COMTUR mais atuante após as adequações também cuidou de mapear as possibilidades de turismo rural, o que chegou a despertar o interesse de agências do ramo. Segundo Solange Daher, Chefe da Divisão de Cultura do município, muitas ações foram desenvolvidas a fim de promover eventos que tornassem a cidade mais atraente para o turista. Foi este o caso de espetáculos teatrais (Paraladibom), Cinema (Cinema na Praça), Jornada Mineira do Patrimônio Histórico (que expôs fotografias locais em diversos lugares da cidade) e ramificações do Inverno Cultural de São João del-Rei com espetáculos musicais e teatrais. Todas essas ações contribuíram para que Resende Costa esteja hoje entre os municípios aptos a receber o recurso em 2013. Assim como outras cidades habilitadas na região, Resende Costa receberá no próximo ano recurso mensal que premia todas as ações desenvolvidas em turismo. O valor aproximado do repasse deve ser da ordem de 12 mil reais por mês, tomando-se por base o valor recebido por outros municípios da região no ano passado. Parte desse recurso será repassada conforme regulamentação ao FUMTUR, que é gerido pelo COMTUR. Luís Cláudio dos Reis, presidente do Conselho Municipal de Turismo, avalia a estratégia da SETUR como positiva, uma vez que ela coroa o trabalho do COMTUR e o trabalho feito no sentido de resgatar suas ações no município: “O recurso a ser repassado não só premiará as ações anteriores, mas também permitirá que ações futuras sejam planejadas a fim de que o setor se desenvolva ainda mais”, disse.


Jornal das Lajes

ANO IX Nº 116 - DEZEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Aviação

RENATO RUAS PINTO*

Equipe “Trem Ki Voa” da UFSJ brilha no Aerodesign de 2012

São José dos Campos, SP, torna-se anualmente a semente do futuro da aeronáutica brasileira. Em novembro, foi palco da competição Aerodesign, organizada pela seção brasileira da Society of Automotive Engineers (SAE). A cidade já é conhecida como a capital aeronáutica do Brasil, por ser sede da Embraer e do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) da Aeronáutica, que é, aliás, o responsável pelo nascimento daquela empresa, que hoje leva o nome do Brasil mundo afora com seus aviões civis e militares. O objetivo da competição, aberta para estudantes universitários, é projetar e fazer voar uma aeronave radiocontrolada com a maior carga possível e atendendo a diversas restrições – dimensões da aeronave e motorização padrão, entre outras – que exigem das equipes um trabalho de engenharia aeronáutica de ponta. Assim, vai-se difundindo essa ciência em faculdades de todo o Brasil e Américas (nesse ano participaram equipes do México, Venezuela e Canadá). A competição é dividida em três categorias: a Regular, considerada a principal e mais disputada; a Micro, que valoriza aeronaves pequenas e a Advanced, que permite aeronaves maiores e com vários motores. Além do desempenho em voo, também é avaliada a qualidade do projeto de engenharia em dois momentos: no relatório técnico, que precisa demonstrar a qualidade da pesquisa e aplicação das principais disciplinas aeronáuticas – aerodinâmica, estabilidade e controle, desempenho e análise estrutural – e na precisão da estimativa de carga para a temperatura e densidade do ar no momento do voo. Não basta carregar peso: é importante prever o quanto a aeronave é capaz de levantar. Outras bonificações premiam os melhores projetos, tal como a eficiência estrutural (relação entre o peso da carga levantada e o peso vazio da aeronave). Assim, os estudantes são motivados a buscar soluções criativas

Foto - Pedro Esteban

Avião da equipe Trem Ki Voa mostrando que voa mesmo

para projetar aeronaves de alto desempenho. A campeã da categoria Regular, a Uai-Sô-Fly da UFMG, conseguiu levantar uma carga de 14 kg com uma aeronave cujo peso vazio era somente de 2,3 kg, ou seja, mais de seis vezes o próprio peso. Para se ter uma ideia do que isso representa, o consagrado cargueiro militar C-130 Hércules consegue levar apenas 60% do seu peso vazio. A competição existe desde 1986 nos Estados Unidos e foi introduzida no Brasil em 1999 por voluntários da Embraer ligados à SAE BRASIL. Digno de nota é o trabalho dos voluntários responsáveis pela organização e condução da prova. Eles são em sua maioria engenheiros da Embraer – entre eles vários que competiram quando estudantes - e se empenham desde antes da prova na preparação do regulamento e na avaliação dos relatórios técnicos. No primeiro dia de competição acontecem as apresentações orais e os juízes avaliam o conhecimento e capacidade de comunicação das equipes. Nos três dias que se seguem acontecem as provas de voo, quando as aeronaves são levadas ao limite. Nessa fase os voluntários garantem a segurança dos voos através de inspeções das aeronaves e fiscalização do cumprimento das regras. E não é pouco trabalho: nesse ano a competição teve 98 equipes inscritas (contra 10 em 1999), que disputam quatro vagas na competição internacional, nos Estados Unidos. Qualifi-

Homenagem

cam-se os dois primeiros da classe Regular, além dos vencedores da Micro e Advanced. Diga-se de passagem, as equipes brasileiras colecionam várias vitórias e pódios na etapa internacional, mostrando que a nossa aeronáutica deve continuar seguindo um belo caminho. Uma curiosidade final: nesse ano pode-se dizer que a competição teve um forte sotaque mineiro. Entre as cinco primeiras equipes da classe Regular havia quatro mineiras: duas da UFMG, uma do CEFET-MG e uma da Federal de Itajubá. Honrando o nosso Campo das Vertentes, a equipe “Trem Ki Voa” da UFSJ, fez bonito com seus projetos e ficou em 2º lugar na classe Micro e 8º na Regular (entre 73 equipes inscritas). Nesta categoria, sua aeronave que pesava 2,8 kg carregou um peso de 10,3 kg. Veteranos na competição (estreou em 2001 com a equipe “Coiote”), os engenheirandos da UFSJ colecionam bons resultados como o 6º lugar em 2010 e a menção honrosa de maior carga levantada naquele ano. Para quem gosta de aeronáutica, não deixe de visitar o site da competição: http://www.saebrasil.org.br/eventos/programas_estudantis/aero2012/ Default.aspx ____________________ *Engenheiro aeronáutico (Embraer) e voluntário na comissão de avaliação da competição Aerodesign.

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Alair Coêlho é agraciado com a Comenda da Liberdade e Cidadania No dia dez de novembro, o advogado resende-costense Alair Coêlho de Resende foi agraciado com a “Comenda da Liberdade e Cidadania”. O evento aconteceu na Fazenda do Pombal, localizada na divisa entre Ritápolis e São João del-Rei, onde nasceu o alferes, mártir da Inconfidência Mineira e patrono do Brasil, Joaquim José

da Silva Xavier, o Tiradentes. A Comenda da Liberdade e Cidadania, que neste ano completou a segunda edição, foi criada sob o patrocínio dos três municípios que até bem pouco tempo atrás disputavam a naturalidade do alferes Tiradentes: Ritápolis, São João del-Rei e Tiradentes. Neste ano, a responsabilidade pela

organização do evento ficou a cargo da cidade de Tiradentes. “O Governo Estadual aderiu, incontinente, à ideia de se criar a comenda e, tomando-a como sua e do Brasil, o governador do Estado de Minas Gerais, assina em primeiro lugar o Diploma da Comenda, além de presidir o agraciamento, no dia do batizado do alferes Tiradentes,

Associações

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CÁSSIO ALMEIDA

Criada em Resende Costa Associação de Proteção aos Animais Não é de hoje que se veem em Resende Costa cachorros e gatos abandonados na rua. Além de abandonados, a maioria desses animais sofre com maus tratos, como, por exemplo, envenenamento, agressões e até atropelamentos propositais. O artigo 32 da Lei Federal n° 9.605/98 considera crime o “ato de abuso, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos, nativos ou exóticos”. A pena para os infratores é de três meses a um ano de detenção e multa. No caso de morte do animal a pena pode ser aumentada. E não são somente os cães e gatos que sofrem. Uma cena já banal na nossa cidade é ver cavalos “pastando” no asfalto, já que depois que ficam velhos são abandonados pelos seus donos por não terem mais nenhuma utilidade. Pensando nisso, está dando seus primeiros passos em Resende Costa a “Associação de Proteção e Defesa dos Animais do Município de Resende Costa”, ou simplesmente “RC Animais”. A primeira reunião aconteceu no último dia 23, no CPP,

e contou com a participação de diversos resende-costenses. Paulinho Daher, um dos integrantes da Associação, disse: “Essa iniciativa não quer dizer que todos os problemas encontrados em nosso município em relação à proteção dos animais estejam resolvidos. Queremos a soma de forças: pessoas sensibilizadas, comércio local, imprensa, poder público, enfim, todos que se encaixem nessa empreitada”. Uma das bases da associação será o recolhimento de doações de ração e remédios para os animais. E assim que possível, a construção de um canil que possa abrigar os animais abandonados, principalmente os cães, que são os mais atingidos pelo abandono. Além das doações, todos podem ajudar a combater as agressões denunciando os infratores às autoridades policiais responsáveis. (Mais informações, inclusive a íntegra da lei, em www.jornaldaslajes.com.br e na página da associação no Facebook).

Participe da campanha de arrecadação para compra de ração. Se você se interessa em colaborar com a Associação RC ANIMAIS, doe suas latinhas diversas para o nosso amigo Sérgio Moreira, na rua Assis Resende. Dessa forma vamos adquirir ração para os animais necessitados. Faça sua parte. Colabore! sempre na Fazenda do Pombal, onde nasceu o imortal brasileiro”, explicou Alair. Neste ano, devido a outros compromissos, o governador Antônio Anastasia não pôde comparecer ao evento, sendo então representado pelo chefe do Gabinete Militar, coronel PM Luis Carlos Dias Martins. Conforme explicou Alair Coêlho, os agraciados com a comenda são escolhidos a partir de critérios previstos em estatuto: “em regra são escolhidos dirigentes de órgãos e instituições que possuem o espírito libertário, que sempre moveu Tiradentes, o que é objeto de texto estatutário”, disse. Alair foi indicado pela Ordem dos Advogados

do Brasil (OAB) e ressalta que foi o primeiro advogado a receber a comenda: “é lógico que nos enche de orgulho”, declara. Existem hoje em Minas Gerais duas comendas relativas à Inconfidência Mineira: A Medalha da Inconfidência, conferida em Ouro Preto, no dia 21 de abril de cada ano e a Comenda da Liberdade e Cidadania, conferida no aniversário do batismo de Tiradentes, na Fazenda do Pombal, no dia 11 de novembro. Neste ano, especialmente em razão da agenda do governador Anastasia, a entrega foi antecipada para o dia dez.


12 Jornal das Lajes Giro Esportivo A s s i m como na vida da gente, no futebol tudo depende de escolhas. Em 2012, os dois maiores clubes de Minas Gerais, Atlético-MG e Cruzeiro, fizeram escolhas diferentes e os resultados dos dois, pode-se dizer, surpreenderam os torcedores, para o bem ou para o mal. Acostumados a verem seu time brigar na parte de baixo da tabela nas últimas temporadas, os atleticanos estão rindo a toa com a atual fase do Galo, considerado um dos melhores times do campeonato Brasileiro e que volta a disputar a Libertadores após anos fora da competição. De quebra, o alvinegro ainda levantou a taça do Campeonato Mineiro. Já a parte azul de Minas quer esquecer logo esse ano – o Cruzeiro foi eliminado precocemente do Mineiro e da Copa do Brasil, e também não atuou bem no Brasileirão. Em 2011, Galo e Raposa chegaram ao último jogo do Campeonato sem grandes pretensões: o Atlético tinha nos pés a chance de mandar o maior rival para a segunda divisão, enquanto o Cruzeiro precisava vencer para permanecer na Série A. O inesperado aconteceu quando o Cruzeiro goleou o Galo pelo inacreditável placar de 6x1 e, com isso, manteve-se com moral na primeira divisão. De qualquer forma, o ano passado foi vergonhoso para Minas: Atlético e Cruzeiro ocuparam as duas vagas acima da zona de rebaixamento, sem sequer conseguir uma vaga para a Sul-Americana.

ANO IX Nº 116 - DEZEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG EMANUELLE RIBEIRO

Os mineiros na série A do Brasileirão 2012 Retornando à atual temporada, ambos os clubes optaram por caminhos opostos e ao contrário do que vinha acontecendo nos últimos anos, o Galo fez a melhor escolha e hoje colhe os bons frutos de seus investimentos. Parece irônico, mas no fim da temporada passada, o Cruzeiro demitiu o técnico Cuca e o Galo, também sofrendo dificuldades com treinador, acabou contratando o ex-técnico do seu rival. E deu certo: Cuca livrou o Galo da segundona, conquistou o Mineiro, montou um elenco forte e colocou o alvinegro de volta na Libertadores. O Cruzeiro sofreu as consequências e ainda não encaixou nenhum técnico. Depois de Cuca, outros três já foram dispensados, sendo o último, Celso Roth. Agora a torcida, não muito satisfeita, aposta suas fichas em Marcelo Oliveira, um “ex-atleticano”. Acredito que o fator “casa” tenha somado bastante para a excelente campanha do Galo, já que com a reforma dos estádios da capital, os mineiros disputaram o Brasileirão 2011 em estádios do interior, tendo que viajar frequentemente. Com a reforma da Arena Independência, o presidente atleticano Alexandre Kalil tratou logo de fechar um contrato para administrar o Estádio e o Galo voltou a se sentir em casa, tanto que ainda não perdeu jogando no Independência. Além disso, a fanática torcida atleticana lota o estádio a cada jogo do seu time. O Cruzeiro não fez do Independência sua casa e, para piorar, perdeu o mando de campo durante uma sequência de

rodadas, precisando mandar seus jogos no interior. Os cruzeirenses receberam uma boa notícia para o próximo ano: o presidente Gilvan de Pinho Tavares anunciou que fechará um contrato para a administração do Mineirão. Quanto ao elenco, o Galo também foi superior em suas escolhas: do gol ao ataque, o time se renovou, montando uma equipe muito forte. Mas a grande aposta do clube foi a contratação de Ronaldinho Gaúcho, que não tinha feito uma boa campanha pelo Flamengo na última temporada. Com problemas de disciplina no Fla, Ronaldinho chegou ao Galo como uma contratação de risco, mas aos poucos o craque conquistou a torcida, provou que tem muito futebol para mostrar e que merece voltar à Seleção Brasileira. Outro jogador responsável pela boa campanha do Galo é o prata da casa Bernard – o baixinho deu trabalho a muitas defesas no campeonato. E com o Brasileirão chegando ao fim, Cuca e seus comandados provaram que as escolhas alvinegras foram essenciais para o sucesso do Galo em 2012: o time ganhou espaço não só na imprensa nacional, mas também em jornais estrangeiros. Para se ter uma ideia da qualidade do elenco, no fim do campeonato, quatro jogadores do Galo foram eleitos entre os melhores: Réver, Leonardo Silva, Marcos Rocha e Ronaldinho Gaúcho. Bernard foi escolhido a revelação de 2012. Do outro lado de Minas, pode-se concluir que 2012 definitivamente não é o ano do Cruzeiro! A Raposa até tentou algumas

Série “Campeões brasileiros” Em 1975, o Internacional foi campeão brasileiro pela primeira vez. Os gaúchos bateram o Cruzeiro na final por 1x0, com gol de Figueroa. O Inter disputou 30 jogos, venceu 19, empatou oito e perdeu três. O clube de Porto Alegre marcou 51 gols e sofreu apenas 12. Flávio, do Internacional, foi o artilheiro, com 16 gols. E o também colorado Falcão foi o craque do ano. Palhinha, do Cruzeiro, foi eleito a revelação do Campeonato e despontou no cenário nacional. E o mico? Foi do Santos! Em seu primeiro Brasileirão sem Pelé, o clube paulista não vai bem: na

primeira fase, vence apenas dois dos 11 jogos e vai para a repescagem, onde apenas um seguiria para as fases finais. Fica atrás da Portuguesa e é eliminado. Em 75, o Santa Cruz tornou-se o primeiro clube do nordeste a se classificar para a fase final do Brasileirão. O campeão Internacional, comandado por Rubens Minelli, tinha no elenco: Manga, Valdir, Figueroa, Hermínio, Chico Fraga, Caçapava, Paulo César Carpegiani, Falcão, Valdomiro, Flávio e Lula. Pela segunda vez consecutiva, o Cruzeiro fica no quase e é vice-campeão. O time mineiro vem

sendo destaque nas últimas edições do Campeonato. Por outro lado, o Galo não conseguiu repetir a campanha de 71 e mais uma vez não foi muito longe, sendo eliminado logo na segunda fase. Fora do futebol, o ano de 75 foi marcado pela canção “Moça”, de Wando, que é a mais tocada nas rádios brasileiras. Com o sucesso da canção, começa uma tradição nos shows do músico: as fãs levam calcinhas e as jogam para ele, enquanto cantam suas músicas românticas.

contratações, como a do renomado zagueiro Alex Silva e do centroavante Borges – o primeiro se contundiu no início do ano, foi vetado pelo Departamento Médico por toda a temporada e rescindiu seu contrato recentemente. O segundo fez alguns bons jogos, mas nada perto da sua atuação pelo Santos em 2011, em que foi artilheiro do campeonato. Além disso, o grande nome celeste, Montillo, também não encontrou seu futebol e acabou sentindo a pressão do time todo dependendo dele. Talvez o maior nome do Cruzeiro tenha sido mesmo o goleiro Fábio, ídolo da torcida, que manteve seu bom rendimento e salvou a Raposa em diversas oportunidades. O Cruzeiro chegou à reta final da competição sem chances de Libertadores e os jogadores passaram a pensar na Sul-Americana, afinal quem não tem cão caça com gato. A declaração do ex-técnico Celso Roth define bem a situação do seu time: “O Cruzeiro está fazendo uma campanha absolutamente dentro das escolhas que fez dentro do campeonato, escolhas em cima do campeonato e ninguém fica impune. A gente está fazendo até uma campanha melhor do que a do ano passado, mas não é isso que o Cruzeiro quer e nem vai ter para o ano que vem”. O campeonato Brasileiro se encerrou e vem aí a temporada 2013. O título ficou no Rio de Ja-

neiro, com o Fluminense. A equipe carioca fez uma campanha excelente, com atuações regulares e garantiu a taça há quatro rodadas do fim do campeonato. O Flu tinha Fred, o melhor jogador do Brasileirão, e isso foi essencial. No fim, acabou dando certo para o Atlético, que conquistou o vice-campeonato e fechou o Brasileirão com chave de ouro, vencendo o Cruzeiro em grande jogo para as duas equipes. Provavelmente o Galo manterá o mesmo time para disputar a Libertadores, talvez com uma ou duas alterações, mas precisará de alguns reforços, principalmente no ataque: o nome de Diego Tardelli ganha força nos bastidores e é querido pela massa alvinegra. Acredito que as maiores contratações do Galo já aconteceram: a renovação com R49 e a permanência de Bernard para a Libertadores, como adiantou Cuca após o clássico. Ao Cruzeiro resta se preparar e renovar grande parte do elenco para voltar a disputar no topo da tabela em 2013. Faxina geral: alguns jogadores não fazem jus à camisa celeste e é hora de serem dispensados. Agora Gilvan promete novos nomes e um deles, Diego Souza, já chega com grande aceitação da torcida. Que venha o próximo ano e que Atlético e Cruzeiro brilhem juntos por Minas!

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