Desde 2003
Jornal das Lajes Site: www.jornaldaslajes.com.br
-
E-mail: contato@jornaldaslajes.com.br
ANO IX Nº 115- NOVEMBRO 2012 / RESENDE COSTA - MG
DISTRIBUÇÃO GRATUITA
Último marco do povoado do Barro Vermelho está ameaçado de desaparecer
Construída em 1942 no terreno que pertenceu à antiga Fazenda do Barro Vermelho, a capela do Sagrado Coração de Jesus, último marco do povoado, pede socorro. Infiltrações, telhas quebradas, entre outros problemas põem em risco a estrutura do templo. A reportagem sobre a situação caótica em que se encontra a capela abre novamente a discussão acerca da importância da preservação dos imóveis históricos de Resende Costa, tema também abordado pelo prefeito eleito Aurélio Suenes, na seção Jogo Aberto.
Foto: Emanuelle Ribeiro
Páginas 05 e 06
FECIC consolida-se como um “termômetro de inovação”
Fachada da capela do Sagrado Coração de Jesus, no Barro Vermelho
Mais uma edição da FECIC (Feira do Comércio, Indústria e Mostra Cultural de São João del-Rei) foi realizada na cidade histórica entre os dias 13 e 16 de outubro. O evento consolida-se como um “termômetro de inovação”, uma vitrine de novos produtos a serem lançados no primeiro semestre do ano seguinte. Página 04
2 Jornal das Lajes Meio Ambiente
Editorial As eleições e o mensalão De agosto a outubro, o cotidiano político do Brasil se resumiu a praticamente dois acontecimentos: enquanto os candidatos a prefeito e a vereador saíam à caça de votos, o Supremo Tribunal Federal realizava o julgamento daquele que foi um dos maiores escândalos políticos da história do Brasil: O mensalão. O julgamento começou no dia dois de agosto, poucas semanas após o início oficial da campanha eleitoral. Finda as eleições, uma análise que pode ser feita é que o eleitor soube separar o mensalão do processo eleitoral, tanto que o PT - que teve líderes históricos condenados pelo STF, como José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino - foi um dos grandes campeões de votos. O PT temia que o julgamento do mensalão influenciasse no resultado das eleições, uma vez que algumas das suas principais lideranças estavam sentadas no banco dos réus. Tentativas de adiar o julgamento aconteceram, partindo até do ex-presidente Lula, porém os ministros mantiveram o cronograma e concluíram o processo, dando a resposta que a sociedade brasileira tanto esperava. Debates acalorados foram travados no plenário do STF, principalmente entre o relator, ministro Joaquim Barbosa e o revisor, ministro Ricardo Lewandowski. E um importante detalhe, através da televisão o cidadão pode acompanhar, ao vivo, todas as sessões. Nunca antes um ministro do Supremo havia sido tratado como celebridade, sendo abordado nas ruas, recebido mensagens do cidadão, enfim, o povo depositou nas mãos dos onze juízes do STF a esperança de que novos horizontes se arvorem na política brasileira. A tentativa de alguns líderes do PT de desqualificar o processo, argumentando que se tratou “apenas de crime eleitoral”, ou seja, caixa dois, não convenceu os ministros. O Supremo comprovou que houve sim compra de votos de parlamentares da base aliada do governo Lula, além de formação de quadrilha, peculato e outros crimes. Em outras palavras: o mensalão de fato existiu. E para os desavisados o STF deixou claro que o caixa dois também é crime no Brasil. Atento a todo o processo estava o eleitor, que separou o joio do trigo. Nas eleições municipais deixou de lado o mensalão e avaliou outros quesitos para a sua escolha, como o bom momento da economia do país, os investimentos do governo federal em habitação e educação, os modelos de administração que estão dando certo, as alianças vitoriosas e, mais ainda, o surgimento de novas lideranças, como o prefeito eleito de São Paulo Fernando Haddad. “... os eleitores estão querendo renovação na política e votando segundo critérios muito próprios”, escreveu Tereza Cruvinel em sua coluna no jornal Estado de Minas, no dia 30 de outubro. Cada vez mais o voto pragmático vem se sobrepondo ao voto partidário ou ideológico. Poderia ser diferente se o modelo político-partidário brasileiro transmitisse credibilidade ao eleitor. Mas não é o que acontece. No balcão de negócios que se tornou o nosso modelo político, em que tudo é valido “em prol da governabilidade”, como defendem alguns líderes partidários, não há espaço para a ética e muito menos para a ideologia partidária. O que importa é chegar ao poder e se manter nele. Ciente disso, o eleitor vem optando pelo pragmatismo, isto é, vota no candidato, na melhor proposta, em quem pode confiar, até que se prove o contrário. As eleições deste ano e o julgamento do mensalão trouxeram para a política brasileira o anseio popular pela renovação e pela ética na política. O povo e o STF disseram aos políticos corruptos que não é normal fazer caixa dois e comprar parlamentares. Mais ainda, a duras penas os fizeram enxergar que a ética é uma virtude necessária à política.
Jornal das Lajes Ltda
E
X
P
E
D
I
E
N
T
E
CNPJ: 09.323.470/0001-60
Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro
Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000
Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Diretor de redação: Rosalvo Pinto
Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP
Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte
Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves
Tiragem: 3000 exemplares
Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto
ANO IX Nº 115 - NOVEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
ADRIANO VALÉRIO RESENDE
Onde está a Serra das Vertentes? Quem nunca ouviu falar que Resende Costa está na região dos Campos das Vertentes? Então, a pergunta: onde está localizada a Serra das Vertentes que empresta o nome à nossa região? Muitos de nossos conterrâneos veem todos os dias a serra ou até mesmo moram nela. Do mirante de ambas as lajes podemos ver a Serra das Vertentes despontando no horizonte ao longo da estrada para o Ribeirão, atrás do bairro Nova Brasília ou sentido Barracão/Floresta. Mais ainda, nós resende-costenses vemos todos os dias o Sol nascer por detrás da Serra das Vertentes. Com relação ao relevo, o município está localizado num cinturão orogenético conhecido como Planalto e Serras do Atlântico Leste-Sudeste e no domínio morfoclimático dos “Mares de Morros”, segundo o geógrafo Aziz Ab’Saber. Das terras do município, 60% são onduladas e 20% montanhosas. Isso justifica porque nossa região está sujeita a fortes processos erosivos e a movimentos de massa (deslizamentos de terra). Esse Planalto é regionalmente subdivido em várias serras: Serra da Galga na divisa com São Tiago e Passa Tempo, Serra do Corisco na divisa com Desterro, Serra do Florentino ou de São Miguel na divisa com Ritápolis, Serra da Cebola nas proximidades do Cajuru e a famosa Serra das Vertentes. A Serra das Vertentes nasce em Resende Costa, a uma altitude de 1170 metros (na Matriz é 1140 metros), nas
imediações do povoado do Ribeirão de Santo Antônio. Do alto da estrada, no entroncamento que desce para o povoado, a Serra das Vertentes fica nítida ao fundo, uma montanha recoberta por floresta. Vários cursos d´água brotam da serra: a oeste, as nascentes do Ribeirão de Cima; a leste, as do Ribeirão dos Paulas, que passa dentro do povoado do Curralinho dos Paulas e ao norte, as do córrego do Estaleiro (afluente do córrego da Cachoeira, que deságua no córrego do Potreiro e depois encontra com o córrego do Cajuru, na divisa com Desterro de Entre Rios, dando origem ao tão conhecido rio Pará). Dessa história vem a justificativa para o nome da serra e da mesorregião: Vertentes. Entendendo melhor, em termos geográficos, vertente é a superfície topográfica compreendida entre o talvegue (a parte mais baixa) e a crista (parte mais alta, que geralmente é um divisor de água, ou seja, separam nascentes) do relevo. Assim, a Serra das Vertentes é uma cumeeira (um conjunto de cristas alinhadas) que corta o centro-oeste do município e de onde brotam vários cursos d’água: as nascentes dos córregos do Tijuco (que é o principal manancial de abastecimento da cidade, o outro é o ribeirão Pinhão), das Lavras, Quilombo, Barracão e Floresta (vertente oeste, afluentes do rio Santo Antônio); e córregos Gentil, Ponte Grande, do Andrade, Samambaia (vertente leste, afluentes do ribeirão dos Paulas). A Serra das Vertentes ainda preserva a maior parte
da vegetação florestal nativa no município, significativos remanescentes de espécies da floresta tropical (Mata Atlântica). A partir da divisa com Resende Costa, a serra segue sentido das cidades de Lagoa Dourada (a cidade está no sopé da serra), município de Casa Grande e termina ao sul da cidade de Cristiano Otoni, onde se encontra com o início da Serra do Espinhaço nas imediações da BR-040. Curiosamente, em Resende Costa a serra é o divisor de águas entre as bacias do rio Pará; do rio Paraopeba, que recebe as águas do ribeirão dos Paulas e do rio Santo Antônio (afluente do rio das Mortes), que se forma no encontro dos ribeirões de Cima e de Baixo. Ainda mais um detalhe, os dois primeiros rios são afluentes do São Francisco e o terceiro do rio Grande, duas importantes bacias nacionais que banham Minas Gerais. Localizando melhor, do Alto do Jacarandá, além da bela visão da cidade, principalmente à noite, tem-se a divisa natural entre as duas bacias: rio São Francisco, sentido Curralinho e rio Grande, sentido Resende Costa. Mais interessante ainda é saber que as águas do ribeirão dos Paulas vão desaguar, após passar por várias hidrelétricas, no Nordeste do Brasil, na divisa entre Alagoas e Sergipe, após cortar Bahia e Pernambuco, e as águas do córrego do Tijuco ajudarão a formar o rio Paraná, que deságua no oceano, na divisa entre Uruguai e Argentina.
Encontro de Som
EMANUELLE RIBEIRO
Segunda edição do “Tirei Onda Automotivo” acontece em Lagoa Dourada
No dia 21 de outubro, aconteceu no parque de exposições de Lagoa Dourada a segunda edição do “Tirei Onda Automotivo”. A primeira edição do encontro de carros de som foi realizada em Resende Costa. Jonas Pinto e Marcos Tadeu mais uma vez organizaram o evento e, segundo eles, apesar da chuva, 151 carros de som participaram do “Tirei Onda”. “As pessoas foram chegando, debaixo de chuva mesmo, e deu para perceber como esse tipo de encontro vem crescendo. Eu e o Marcos gostaríamos de agradecer aos patrocinadores, à Prefeitura e Câmara Municipais de Lagoa Dourada e ao JL pelo espaço”, declarou Jonas.
Equipe do Tirei Onda 2012 em frente ao Parque de Exposições de Lagoa Dourada
151 carros de som participaram do ‘’Tirei Onda Automotivo’’ em Lagoa Dourada
Voz do Cidadão Senhor editor: Enviamos comprovante de renovação da assinatura do Jornal das Lajes. Ficamos alegres em ver os conterrâneos lançando livros e gostamos do jornal. Obrigado por tudo. Senhora Marta, esposa do assinante Antônio Clemente Faria, Divinópolis, MG
Jornal das Lajes
ANO IX Nº 115 - NOVEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Religião
PADRE DIRCEU DE OLIVEIRA MEDEIROS*
50 anos do Concílio Vaticano II No último dia 11 de outubro celebramos os 50 anos de abertura do 25º Concílio Ecumênico realizado na Igreja. Este concílio foi convocado pelo grande papa João XXIII, “o papa bom”, que tinha a intenção de colocar a Igreja em dia com os tempos. A palavra de ordem era aggiornamento, ou seja, atualização. Aquele que fora eleito para se tornar “um papa de transição” tornou-se “o papa da transição”. Ângelo Roncalli, era esse o nome de batismo do papa bom, era um homem bem humorado e aberto ao mundo. Para nós que cremos, o concílio foi um sopro do Espírito de Deus que faz novas todas as coisas. Para celebrarmos bem essa data o Santo Padre, o Papa Bento XVI, através da carta apostólica Porta Fidei (Porta da fé), proclamou o Ano da Fé, que além de recordar os 50 anos do Concílio e os vinte anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, nos leva a refletir sobre a “profunda crise de fé” que atinge a humanidade e a redescobrir a beleza da fé católica condensada no Credo. Via de regra os concílios são convocados mediante alguma controvérsia teológica, também chamada de heresia. O Concílio Vaticano II, porém, foi uma exceção. Chamado de 2ª primavera da Igreja, o Vaticano II foi um concílio de cunho pastoral e ecumênico. Ao contrário dos demais concílios não havia nenhuma dissensão teológica que justificasse sua convocação. Assim, a Igreja se abre ao diálogo em um círculo que vai se ampliando: com as Igrejas orientais, separadas de Roma desde 1054; com as outras denominações cristãs surgidas da chamada “reforma protestante”; com aqueles que não são cristãos, ou seja, com outras religiões, como budismo, islamismo e outras. Mesmo os
não crentes não deveriam ser desprezados, mas chamados ao diálogo no amor. Assim o concílio abriu as portas da Igreja para o mundo. A obra mais sensível do Vaticano II foi a chamada reforma litúrgica. A Missa que era celebrada versus Deum, isto é, o padre de frente para o altar e de costas para o povo, passa a ser presidida pelo padre de frente para a assembleia. A assembleia deixa de ser expectadora para ser parte na celebração. O padre preside, mas todos celebram. Aqueles que antes “assistiam” a missa são chamados a participar: “que os cristãos não entrem neste mistério de fé como estranhos ou espectadores mudos, mas participem na ação sagrada, consciente, ativa e piedosamente, por meio de uma boa compreensão dos ritos e orações; sejam instruídos pela palavra de Deus; alimentem-se à mesa do corpo do Senhor”. (SC nº 48). A fim de favorecer essa participação ativa a Missa deixou de ser rezada em latim, língua oficial da Igreja, e passou a ser celebrada em vernáculo, ou seja, na língua de cada povo. A reforma litúrgica foi, sem sombra de dúvida, a obra mais palpável e emblemática do concílio, porém, outras conquistas foram feitas: o ecumenismo, o diálogo com o mundo, o protagonismo dos leigos (as), a nova concepção de Igreja que passa a se conceber como povo de Deus. Desse modo a Igreja não é mais composta somente pela hierarquia, mas é a totalidade daqueles que foram incorporados a Cristo pelo sacramento do batismo. O Vaticano II produziu 16 importantes documentos: quatro constituições, nove decretos e três declarações. As constituições são sobre: a revelação divina e a tradição; a Igreja; a pastoral; a relação da Igreja com o mundo
moderno e a liturgia. Os decretos são sobre: a atividade missionária; o apostolado dos leigos; os bispos; a comunicação social; a formação sacerdotal; as Igrejas orientais católicas; a renovação da vida consagrada; a vida dos presbíteros e o ecumenismo. Por fim, as três declarações são sobre: a liberdade religiosa; a educação cristã e a relação com os não-cristãos. Neste ano significativo é preciso retomar os textos do concílio. No processo de implantação do concílio tivemos idas e vidas. Há aqueles que quiseram ir além do concílio e cometeram rupturas e abusos, como também aqueles que, saudosistas, ainda hoje, resistem aos ventos do concílio, sopro do Espírito. A recepção do Vaticano II, de fato, foi um processo doloroso. Não é fácil abrir-se ao novo, é mais fácil permanecer instalado naquilo que já se conhece. Mas repito: é preciso voltar às fontes, retomar os textos do concílio e sentir o espírito do mesmo, que é de renovação eclesial. Concluo com as palavras do bem-aventurado João Paulo II, citadas na carta apostólica Porta Fidei: “Sinto hoje ainda mais intensamente o dever de indicar o concílio como a grande graça de que beneficiou a Igreja no século XX: nele se encontra uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa”. E ainda com a recomendação do Papa Bento XVI: “Se o lermos e recebermos guiados por uma justa hermenêutica, o concílio pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a renovação sempre necessária da Igreja”. *Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Prados e vigário geral da Diocese de São João del-Rei.
Cidades
3
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Aliança ACI del-Rei/CDL deve levar rede de prestação de serviços a comerciantes das Vertentes
Após a unificação com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), a Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (ACI del-Rei) pretende colocar à disposição da região Campo das Vertentes sua rede de prestação de serviços (assistência jurídica e contábil, convênios com clínicas médicas, apoio na realização de cursos e eventos etc.). A ideia de prestação de serviços regionalizada vai beneficiar associações comerciais de 16 municípios “sem ferir a autonomia de ninguém”, explica João Afonso Farias, presidente da ACI del-Rei/CDL. “Nossa estrutura de oferta de serviços supera até mesmo a da Federação, e esses serviços podem ser compartilhados em benefício da região”. A Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Prestação de Serviços de Lagoa Dourada (ACIAPS-LD) já está usufruindo de serviços da ACI del-Rei, segundo sua presidente Heloisa de Resende Andrade. “O serviço disponibilizado pela Associação Comercial de São João del-Rei mais utilizado pela ACIAPS-LD é o de convênios médicos. Porém é de nosso interesse vários outros serviços oferecidos como cursos, certificação digital, videoteca etc”. Uma das dificuldades apontadas por Heloisa para aproveitar alguns dos serviços é o deslocamento para São João del-Rei. É o caso de cursos e eventos, tanto para o associado quanto para os funcionários. “Mas já tivemos uma conversa sobre como incluir nossos associados aos núcleos de cada setor e promover alguns eventos aqui, como cursos em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro, Pequena e Média Empresa (SEBRAE). Mas isso é só para o ano de 2013”.
Para Heloisa, é importante a parceria entre as associações do Campo das Vertentes, “pois juntos teremos mais força para melhorar e alavancar o comércio da região”. Benefícios do associativismo A partir deste ano, a diretoria da ACI del-Rei e da CDL é a mesma, explica João Afonso. “Entidades com a mesma finalidade e formação têm de ser unificadas, para fortalecer o setor e fomentar a economia”. A CDL é filiada à Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG). A parceira ACI del-Rei/CDL fará parte da regional Zona da Mata da FCDL-MG, que possui atualmente mais de quatro mil associados. De acordo com Nilson Andrade, da Federação, as entidades conveniadas trabalharão juntas em prol do crescimento econômico de São João del-Rei. “Essa cidade se destaca na Região das Vertentes e é referência para muitas outras. O comércio gera renda, empregos e desenvolvimento”. A CDL é uma entidade que tem como objetivo representar os interesses dos lojistas, junto ao poder público e promover ações de fortalecimento do comércio e da economia local. “A ACI del-Rei deu um importante passo”, afirma João Afonso Farias, presidente da ACI del-Rei/CDL. Ele explica que o associativismo proporciona benefícios aos lojistas, como a promoção de melhorias, participação de treinamentos, acesso a informações atualizadas, força para a troca de informações e soluções conjuntas para defesa da classe (colaboração da Assessoria de Comunicação da ACI del-Rei/ CDL).
4 Jornal das Lajes
ANO IX Nº 115 - NOVEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Cidades
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
“Termômetro de inovação”, FECIC é vitrine de lançamento de novos produtos
Construção civil – A Argamassa Revestmais prepara várias novidades para este final de ano e início de 2013, de acordo com seu diretor comercial Dimas Antonio de Resende. Entre os lançamentos, a argamassa projetada (reboco e emboço projetados através de máquina), de maior rendimento; a argamassa especial (que seca de um dia para o outro) e o piso autonivelante (nivela sozinho através de produto químico). Além disso, pretende lançar outros produtos como rejunte, tinta, textura, argamassa para cerâmica e pastilha de vidro. Outra novidade será a inauguração até janeiro da fábrica automatizada, que vai permitir a modernização do sistema de produção, revela Dimas. Uma forma de fazer frente à escassez de mão de obra qualificada, que este ano limitou o crescimento do setor.
para 111 países. Mas o carro está acessível aos municípios do Campo das Vertentes, inclusive Resende Costa, atendidos pela Delfor. Já a Mafra Motos anunciou na feira a nova bicicleta elétrica (“e-bike”), da Dafra, que está chegando ao mercado. Bicicleta elétrica é o futuro, diz Flávio José Mendonça, porque é econômica, ecológica e facilita a locomoção no trânsito, principalmente para quem não tem bom condicionamento físico. Ele espera agradar estudantes e trabalhadores que dependem de bicicleta, por ser São João del-Rei uma cidade plana. Mas quer atingir também os seus clientes em cidades como Resende Costa e Lagoa Dourada. A Rafa Moto Honda surpreendeu o mercado com o relançamento da NX 400i Falcon, além de apresentar o novo modelo NC 700X. A Falcon é moto de uso misto (estrada de terra e asfalto), com painel digital e linhas mais modernas, explica o vendedor Marcelo Magno. A NC 700X tem estilo urbano, com força na retomada, estilo europeu e porta-objeto no lugar do tanque (capacete, bolsas etc.). Com os novos produtos, a expectativa é ampliar os negócios em 2013. No setor de máquinas elétricas e manuais (uso profissional e doméstico), a FECIC tem contribuído para a Irmãos Chitarra aumentar suas vendas da linha de máquinas, ferramentas e compressores, diz o empresário Bruno Chitarra. “A gente espera que melhore mais ainda.” Mesmo não surgindo novos produtos, houve aperfeiçoamento das máquinas e equipamentos, explica o empresário. “Mas apareceram também novas marcas de ferramentas, por menor preço”.
Transporte - A Expresso Vera Cruz Cargas e Encomendas planeja, em 2013, ampliar sua área de atuação nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, diz Giovanni Alves de Oliveira. 90% da produção de tapetes de Resende Costa, por exemplo, são escoados pela transportadora. No setor de veículos, a Delfor Motors Ltda vendeu, na FECIC, 17 unidades do novo Ecosport da Ford e recebeu vários pedidos para entrega com prazo de 60 dias em média, de acordo com seu diretor, Fernando Henrique P. Fernandes. Primeiro produto globalizado da Ford fabricado no Brasil, é destinado à exportação
Supermercados – O empresário Gessi Monteiro, do Monterey, comemora o “excelente ano” para o setor de alimentos. O crescimento da classe média influiu no consumo dos supermercados, explica. Tanto que a novidade no setor é justamente o lançamento, para a classe média, de produtos até há pouco tempo restritos ao segmento de maior poder aquisitivo. A indústria percebeu essa oportunidade e lançou dezenas de produtos novos e similares, acrescenta. “Depois do setor automobilístico, o supermercado é o termômetro para medir a força da economia”. Para Leonardo Rodrigo dos Santos, gerente geral do Baratello, o
A cada ano que passa, a FECIC (Feira do Comércio, Indústria e Mostra Cultural de São João del-Rei) consolida-se como um “termômetro de inovação”, uma vitrine de novos produtos a serem lançados no primeiro semestre do ano seguinte. O povo está sempre atrás de novidade, diz João Afonso Farias, presidente da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (ACI del-Rei). “Quem investe em inovação colhe bons resultados”. No setor moveleiro, por exemplo, o material está mudando muito (madeiras, plásticos etc.), conta João Afonso. “O plástico e o modulado estão ocupando espaço”. Segundo o proprietário da Verona Móveis, a receptividade tem sido grande aos lançamentos como guarda-roupas, poltronas, cômodas e cozinhas.
segundo semestre foi melhor do que a primeira parte do ano, “principalmente depois que fizemos a campanha Show de Prêmios Baratello”. A campanha constitui-se de sorteio de um carro para clientes que compraram acima de R$ 50,00, com o intuito de conquistar novos clientes. “Espero aumento de vendas maior no final de ano e, para 2013, temos perspectiva muito boa”, afirma. Moda - As novidades da Bolsas U´zzo são bolsas de tecidos de Blumenau (SC) e linha 100% algodão, de acordo com Fernando Matos, proprietário da loja com sede em Belo Horizonte. “Meu estilo é uma linha mais leve e mais confortável, tipo linha praia”. A Felicidade Pura busca diversificar seu público, além de valorizar seus produtos e manter a sintonia com as tendências da moda, diz a empresária Nara Teles. Há cerca de três anos no ramo, ela trabalha com a linha infantil feminina (0 a 12 anos), focada na venda para atacadistas (lojas), mas atende também o varejo em feiras. Teles reclama da concorrência desleal dos importados e do custo Brasil. “Em contrapartida, temos o diferencial do bom gosto e da criatividade”. Consultorias - A Dinâmica Consultoria Jr., que atua nas áreas de administração e ciências contábeis, espera fechar 2012 com 11 projetos concluídos, segundo Ana Paula de Castro da Silva, consultora de administrativo-financeiro. Para 2013, a expectativa é ampliar o número de projetos e o portfólio (atuar em novas áreas como planejamento estratégico, custos, cargos e salários e plano de negócios). Ana Paula é também diretora da Central de Empresas Juniores (CENJE), vinculada à Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), que fornece suporte e auxílio à Dinâmica e mais 16 consultorias juniores de 15 cursos. A Resolve solução em análise, cobrança e recuperação foi responsável, na FECIC, pela campanha “Nome Limpo”, em parceria com a ACI del-Rei e o Sindicato do Comércio de Bens e Serviços de São João del-Rei (SindComércio). “A idéia do mutirão é tirar o nome da pessoa do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito)”, explica João Afonso. “Buscar uma maneira de recuperar o crédito de pessoas endividadas”, comple-
Estande do governo do Estado - artesanato de São Tiago, Tiradentes, Lagoa Dourada e São João del-Rei
menta Gustavo Nogueira, da Resolve. O mutirão foi uma espécie de facilitador para as pessoas que têm dívidas com as empresas participantes da campanha (cerca de 60) que deram desconto nos juros e nas multas. O estande recebeu 200 visitantes, dos quais 120 conseguiram concluir negociações, conta Nogueira. “Consideramos que este é um número muito bom, tendo em vista que foi a primeira campanha do gênero”. Cristais e estanho - O segmento de cristais (vasos, centros, cachepôs etc.) apresentou este ano como novidade a linha de cores transparentes, com bolhas de ar provocadas em estampo, segundo o empresário Antônio Carlos Molinari, da Cristais São Marcos. Outro lançamento são os cálices para champanhe, vinho, licores e conhaque. A inovação está no pé e no gambo alongado em estanho, com a base de fixação estampada no cálice. Na linha do vidro murano, além das bases em estanho, foi feita uma aplicação de estanhos no corpo da peça (cacho de uvas com folhas ao redor, signos de horóscopo etc.). Curso de orquídeas - A novidade deste ano foi o curso para crianças e adultos. No dia das crianças, foram cinco oficinas, com média de 15 a 20 alunos. Foi uma forma de conscientização ecológica e ensinamentos sobre a estrutura da planta, doenças e parasitas, conta Mário Sena Jr., presidente do Núcleo Orquidófilo Serra de São José e professor de teoria do curso. Para os adultos, a oficina foi um pouco mais complexa, com informações técnicas sobre a planta, doenças e parasitas, período de dormência, demonstração de corte e de plantio. Turismo e banco - A procura
pela Europa no primeiro semestre foi muito boa, segundo o agente de viagens Jocelino Benedito Marques da Tiradentes Viagens e Turismo Ltda. “Das vendas já feitas, muita gente ainda está embarcando”. Ele destaca também o roteiro Miami/Orlando/ Nova York. “As vendas tiveram um aquecimento muito maior este ano, e acredito que em 2013 devem ser melhores porque ainda compensa fazer compras lá fora”. No mercado doméstico, Marques destaca a “ótima demanda” pelo Sul, motivada pelo “Natal Luz”, tanto que as reservas estão esgotadas. O Bradesco chega ao final do ano com uma preocupação: readequar-se à nova realidade de queda nas taxas de juros. “Temos de ser mais eficientes e produtivos e buscar novos negócios e clientes”, diz José Raimundo Pereira Amaral, gerente regional de São João del-Rei. As agências mais novas da região (Resende Costa, Lagoa Dourada e São Tiago) trabalham para encontrar o ponto de equilíbrio entre os investimentos feitos e o retorno financeiro, explica Amaral. E, em 2013, o banco vai trabalhar para melhorar seu índice de eficiência operacional. Cidades da região - No estande da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Governo de Minas, estavam presentes representantes dos municípios de São Tiago (biscoitos), Tiradentes (imãs, pedras acrílicas etc.), Lagoa Dourada (rocambole) e Coronel Xavier Chaves (crochê, abrolhos, pintura em cabaça e bordados), além do próprio município de São João del-Rei (mel e derivados, cachaça e outras bebidas artesanais como vinho e a bagaceira de jabuticaba, além da amarula). (A íntegra desta reportagem está em www.jornaldaslajes.com.br).
Jornal das Lajes
ANO IX Nº 115 - NOVEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Jogo Aberto
5
ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO
Renovação e profissionalismo na gestão pública tério do Turismo.
No dia 1º de janeiro, Aurélio Suenes toma posse como prefeito de Resende Costa. Aos 33 anos, casado, funcionário da Copasa e presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica Vertentes do Rio Grande, foi eleito um dos mais jovens prefeitos da região do Campo das Vertentes. Nesta entrevista, concedida exclusivamente ao Jornal das Lajes, Aurélio fala dos desafios que o esperam na administração do município – como o término da rede de esgoto - e, principalmente, dos seus projetos para os próximos quatro anos. Apoiado pelo vice Toninho Ribeiro (PMDB), Aurélio conquistou a confiança da população de Resende Costa, que acreditou nas suas propostas de renovação.
Passada a tensão do processo eleitoral, qual a sensação de ter sido eleito prefeito de Resende Costa? Nós fizemos uma campanha bacana, limpa, bem estruturada, sempre procurando apresentar nossas propostas e respeitar o eleitor. O processo eleitoral gera muitas expectativas e às vezes você tem a sensação que está forte, outras vezes nem tanto. Nós montamos uma equipe de apoiadores e coordenação de campanha muito forte. Fiquei muito satisfeito com o resultado e hoje já sinto o peso da responsabilidade, mas me sinto preparado para enfrentar esse desafio. Quando você e o Toninho Ribeiro começaram a articular a parceria entre PRTB, PR e PMDB, sentiram que era possível vencer as eleições? Em junho fizemos um levantamento e identificamos que mais de 70% da população resende-costense respondeu que estava no momento de renovar. Aí demos a linha para a nossa campanha, em cima da renovação, que é realmente o nosso perfil. Com a proposta de uma gestão diferente, profissional. Percebemos essa oportunidade e assim que iniciamos a campanha a aceitação foi muito boa. Vimos que estávamos no caminho certo. O que você quer dizer com renovação na política? A renovação que propomos não é somente de pessoas e partidos, mas a forma de conduzir o serviço público. Hoje temos muitas tecnologias à disposição e devemos usá-las. É preciso atender o cidadão de forma profissional, responder seus pedidos. Tem gente que diz que não acredita no serviço da prefeitura, então temos que mudar essa ideia, ou seja, organizar, dar retorno ao cidadão. Se ele sentir que o serviço está sendo realizado de forma séria, mesmo tendo seu pedido recusado, vai reconhecer. Na administração pública é fundamental o planejamento visando o longo prazo. Como você enxerga essa questão? O planejamento é muito importante. O plano diretor de Resende Costa está no nosso plano de go-
Vista panorâmica de Dores de Campos, com destaque para a igreja matriz de Nossa Senhora das Dores
verno e nós vamos fazê-lo. É preciso prognosticar os problemas e trabalhar com planejamento. Hoje eu vejo que a linha de Resende Costa é trabalhar em cima do turismo e do artesanato. Essa já é a base da nossa economia, mas o poder público pode participar mais. Vamos criar a nova Secretaria de Turismo, Artesanato e Cultura. Independente de poder ou não criar essa secretaria já em 2013, nós já teremos uma pessoa responsável pelo setor no próximo ano. Temos os nossos potenciais, nossos atrativos naturais e precisamos trabalhá-los. É preciso implantar o turismo rural, que já é uma demanda. Trabalhando nessa linha, acredito que podemos gerar renda, emprego para os resende-costenses e termos uma cidade sustentável. Quais são seus planos para a zona rural? Precisamos investir também na nossa zona rural através de consultorias, apoio aos produtores que necessitam de uma injeção de ânimo. A Emater será uma parceira nossa e queremos que a Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente funcione bem, comandada por uma pessoa com condições técnicas e criativa. O êxodo rural foi significativo em Resende Costa, tanto que hoje nosso município tem apenas 20% da população vivendo no campo. Não podemos esquecer o produtor rural, deixar de incentivá-lo. Pelo contrário, temos que levar a ele novas ideias e técnicas. Se hoje você não profissionaliza o que se faz no campo, não trabalha com ganho de escala, certamente vai perder mercado para quem faz da zona rural uma empresa. Sabemos que o investimento é alto e não é imediato, mas talvez com uma boa consultoria, um bom secretário, e com o apoio da Emater a gente consiga animar o homem do campo a investir e permanecer no meio rural. O que você destacaria como
sendo os principais desafios a ser enfrentados em Resende Costa? Considero o grande desafio terminar a obra de implantação da rede de esgoto. Inclusive já começamos a trabalhar em cima disso. Estive em Belo Horizonte com o Toninho e o Abel (vereador reeleito pelo PMDB) e fomos ao secretário de Estado, o Wander Borges. De lá fomos à Copasa para saber realmente qual a situação atual da obra de implantação da rede de esgoto em Resende Costa. E qual é a situação? Na verdade o que aconteceu é que foi calculado um valor X para a obra; e para que houvesse sua viabilidade foi preciso cortar um pouco do recurso. Nós vamos entrar na fase de complementação desse recurso para continuar e concluir a obra. O recurso financeiro já está sendo equacionado, mas ainda não foi garantido. O diretor da Copasa, doutor Valério, me garantiu que até janeiro conseguirá o recurso e colocará em licitação o restante que falta, o que não é pouco. O que está faltando para a conclusão da rede de esgoto? Está faltando a parte mais difícil, que é o centro da cidade. Além disso, as elevatórias não estão prontas e apenas 20% das ligações foram feitas. De uma forma geral, ainda falta boa parte da obra para ser concluída. Além disso, vai ser preciso reconstruir as ruas danificadas. Toda obra deixa cicatrizes, mas o poder público deve participar mais de perto. Então você acha que faltou fiscalização por parte da prefeitura? Acredito que faltou fiscalização e acompanhamento. E isso não pode acontecer. Nesse primeiro momento, o doutor Valério me garantiu que todas as recomposições serão feitas. Ele pediu que eu fizesse um relacionamento
de todas as vias que foram danificadas e a partir disso solicitará a volta da empreiteira a esses lugares. O trânsito é outro grande desafio a ser enfrentado em Resende Costa. O que você acha que deve ser feito para, pelo menos, minimizar os problemas? Esse é um problema que acontece em muitas cidades. Resende Costa é uma cidade que gera renda e hoje felizmente encontramos mais facilidades para comprar o nosso veículo. Esse conforto é super positivo, mas a cidade não comporta o fluxo de carros que hoje transita em suas ruas. Vamos contratar um profissional que entenda do assunto para nos ajudar. Podemos avançar nesse sentido, mas temos que entender que o espaço em Resende Costa é pequeno. Iremos avaliar se é viável a implantação do transporte público, se terá adesão. Não custa fazermos esse levantamento. Há mais tempo, não havia tanta preocupação com a preservação do patrimônio histórico e cultural das cidades. Hoje felizmente Resende Costa tem o Conselho do Patrimônio e Cultura. Como vai ser sua relação com este conselho? O patrimônio é também um atrativo para o turista. Se quisermos que Resende Costa seja uma cidade cada vez mais turística, é importante que preservemos as casas antigas, conservemos as praças etc. Participaremos ativamente do Conselho do Patrimônio, afinal é importantíssimo preservarmos o que temos. O novo gestor, junto com a questão do turismo e cultura, poderá participar e dar o apoio necessário ao conselho. Temos que ter políticas firmes de preservação e incentivo aos proprietários de imóveis tombados. Acho também que é o momento de reformular as praças de Resende Costa e fazer um trabalho de revitalização das lajes. Temos que contratar um paisagista, fazer projetos e buscar os recursos no Minis-
A remoção do reservatório da Copasa do Mirante das Lajes tem sido uma das lutas do Conselho do Patrimônio Histórico. No entanto, a empresa não concorda com isso e tem feito outras propostas que não atendem aos anseios do conselho e de boa parte da população. O que fazer para resolver esse imbróglio? Enquanto funcionário da Copasa você poderia encontrar uma solução que de fato resolva esse assunto? Se conseguirmos incluir a retirada dele no projeto para levar ao Ministério do Turismo e recompensar a Copasa, será importante para o turismo de Resende Costa. A gente poderia fazer esse projeto - obviamente não seria uma obra barata, mas poderíamos tentar uma parceria com a Copasa. O atual diretor foi meu primeiro chefe na empresa, hoje temos um ótimo relacionamento. Então acho que teremos uma boa abertura, uma compreensão maior. O que a juventude de Resende Costa pode esperar do prefeito Aurélio? Num primeiro momento, nossa grande preocupação com os jovens, que formarão as futuras famílias, é justamente com a questão da formação e a obtenção de renda. Uma ação que já falamos seria o desenvolvimento do nosso turismo e artesanato. Iremos continuar apoiando a formação dos jovens, contribuindo com os ônibus que transportam os universitários, estudantes de cursinho, curso técnico e, se pudermos, vamos melhorar. Queremos uma cidade que ofereça opções de emprego, entretenimento e cultura. Temos hoje na cidade o MAC (Movimento Arena Cultural), que considero muito importante e vamos continuar apoiando. Vemos hoje muitos jovens aprendendo a tocar instrumentos musicais, o que acho muito saudável. Penso que a música deveria ser ensinada nas escolas. Eu mesmo me aventuro a fazer um som de vez em quando (risos). A atual situação financeira da prefeitura te preocupa? Hoje em Resende Costa estamos vendo o atraso dos pagamentos dos fornecedores e do próprio funcionalismo, inclusive levantei essa questão no debate e também durante a campanha. Iniciamos neste mês a transição, para tomarmos ciência do que está acontecendo. Sabemos que Resende Costa depende basicamente do FPM (Fundo de Participação do Município), mas esperamos que haja uma consciência do governo federal para retomar a situação normal. Mas com certeza é preocupante pensarmos em entrar numa prefeitura que não tem reserva de caixa para uma emergência. (A íntegra desta entrevista está em www.jornaldaslajes.com.br/entrevistas).
6 Jornal das Lajes
ANO IX Nº 115 - NOVEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Um olhar sobre Resende Costa
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Capela do Barro Vermelho pede socorro Hoje não se pode mais falar que o Barro Vermelho, localizado a sete quilômetros da zona urbana de Resende Costa, seja um povoado, uma vez que quase a totalidade dos seus moradores migrou para a cidade. Do antigo povoado não restam mais do que poucas casas espalhadas nas proximidades do riacho e a capela do Sagrado Coração de Jesus. A capelinha foi construída num terreno de aproximadamente meio alqueire de terra que pertenceu à antiga Fazenda do Barro Vermelho, propriedade de dona Teresa Emídia de Jesus, filha do capitão José Procópio de Resende e sobrinha paterna do primeiro vigário da paróquia de Nossa Senhora da Penha, padre Joaquim Carlos de Rezende. “Foi a minha bisavó que doou o terreno e liderou toda a construção da capela”, conta Camilo Tristeza, um dos zeladores da capela. Dona Teresa era neta de Gervásio Pereira do Carmo e viúva do fazendeiro Francisco Machado Pinto. Pelos vínculos de parentesco, o casal provinha da mesma linhagem da família Rezende Costa. A construção da capelinha foi iniciada no dia 15 de junho de 1942 pelo senhor Messias de Resende Pinto, filho da dona Teresa Emídia. Foi o casal Teresa e Francisco que, além da doação do terreno, decidiu pela consagração do templo ao “Amorável Coração do Divino Mestre”. As informações obtidas por essa reportagem revelam que enquanto os alicerces ainda eram construídos, um altar foi improvisado para a celebração de uma missa pelo então delegado paroquial padre Oscar Ferreira da Silva. Finalmente, no dia 26 de setembro de 1943 o templo foi solenemente inaugurado, com a bênção do coadjutor da paróquia de Resende Costa, padre Geraldo Coelho de Resende. A ereção canônica se deu no dia 9 de setembro do mesmo ano. O fim do povoado e a decadência da capela O estado de decadência em que se encontra, atualmente, a capela do Sagrado Coração de Jesus é também fruto do fim do povoado do Barro Vermelho. A historiadora Ana Paula Mendonça de Resende publicou no JL, em novembro de 2005, artigo sobre a história do Barro Vermelho, destacando o início da povoação e o auge da mineração. “... além da agricultura, uma outra atividade econômica começa a fazer parte da vida do povoado: a mineração. A extração do minério de cassiterita foi iniciada por uma empresa de Santa Rita (atual Ritápolis) que utilizava como equipamento um motor
Foto: Emanuelle Ribeiro
Na sacristia, a situação é também preocupante
a óleo. Logo após, nos anos 60 e 70, a empresa Companhia Estanífera do Brasil levou o maquinário necessário para a extração do minério de cassiterita empregando cerca de 50 homens”. Ainda de acordo com a professora Ana Paula, “com o fim da mineração, o povoado foi perdendo seu dinamismo e então poucos moradores permaneceram no local. Atualmente, esse dinamismo vem sendo retomado, com a volta de descendentes das primeiras famílias que buscam no Barro Vermelho um local para descansar e continuar sua história em Resende Costa”. São justamente alguns dos descendentes das primeiras famílias do povoado que lutam pela preservação da capela, entre eles Fábio do Valdir, Camilo Tristeza, Nelson do Virgílio e Paizinho. Mas quem visita o templo, hoje, sente, logo na entrada, o calafrio provocado pelo abandono. A porta lateral da sacristia adjacente à nave central está escorada por uma mesa, facilitando a entrada de quem chega lá. No interior da capela vê-se um cenário de total decadência: bancos totalmente cobertos pela poeira do reboco que cai da laje; várias das antigas telhas de barro estão quebradas ou fora do lugar, causando sérias infiltrações que põem em risco a segurança da capela. O antigo altar de madeira ainda está em seu lugar, porém coberto por muita poeira e exposto às infiltrações e goteiras. No altar se encontram as imagens do padroeiro Sagrado Coração de Jesus, Imaculado Coração de Maria, São Dimas e Nossa Senhora Aparecida. Na sacristia o estado de abandono é assustador. O armário onde são guardadas as sagradas alfaias (vasos e objetos litúrgicos) está aberto, empoeirado e coberto por teias de aranha, assim como o antigo confessionário. Do lado de fora da capela a situação do banheiro é também de abandono: Os
marimbondos escolheram justamente o local para construir suas caixas, colocando em risco as pessoas que dele se aproximam. O zelador Camilo Tristeza disse que ainda neste mês uma reforma será iniciada na capela: “vamos reformar toda a capela, desde o telhado até a pintura e o banheiro. Já vendemos os eucaliptos para arrecadar dinheiro para a reforma, e o pessoal da comunidade também ajudará”. Camilo informou que a capela é aberta para missa apenas uma vez no ano, em junho, mês do Sagrado Coração de Jesus. Na ocasião, as pessoas ligadas ao antigo povoado se reúnem para a celebração. “A última missa celebrada lá foi no ano passado. Neste ano, não teve”, disse Camilo. O Barro Vermelho possuía características comuns aos demais povoados de Resende Costa. Além das propriedades, como casas, fazendas e capela, lá havia um campo de futebol e escola. Naqueles tempos, na capela do Sagrado Coração de Jesus aconteceram os momentos mais importantes da vida social da comunidade, como casamentos, batizados e missas. Nos domingos, em seu entorno, as pessoas se reuniam para as quermesses após a missa e para os leilões – tradição comum na zona rural. Hoje só restam lembranças de uma época, que as forças implacáveis do tempo insistem em corroer. Porém, certamente os remanescentes do antigo povoado, seus filhos e netos não deixarão que o último marco da comunidade desapareça. A capela do Barro Vermelho não pode entrar na triste lista dos inúmeros imóveis (capelas, casas, sobrados, fazendas...) de Resende Costa que desapareceram ao longo do tempo, ou foram seriamente descaracterizados. A reforma da capela, portanto, deverá ser minuciosa, visando à preservação do seu estilo. Foto: Emanuelle Ribeiro
O verso e o controverso
Bandeira de Minas Gerais: “Quae sera”? Ou “Quae sera tamen”?
Rosalvo Pinto, nosso diretor de redação, que prepara uma reedição de seu livro sobre os inconfidentes, José de Rezende Costa (Pai e Filho) e o Arraial da Lage”, pediu-me uma opinião sobre um questionamento feito por eruditos em torno do lema “Libertas quae sera tamen”, que seria colocado na futura bandeira da república, caso tivesse sucesso a Conjuração Mineira. Bandeira essa que se tornou o bonito pavilhão do Estado de Minas Gerais. Eis o debate. Alguns especialistas em latim, sobretudo os estudiosos do grande poeta latino, Virgílio, acham que os inconfidentes cortaram, erradamente, o verso do poeta: “Libertas quae sera tamen respexit inertem”, para escolher a frase-emblema da bandeira. A secção correta seria apenas: “Libertas quae sera”. Trata-se do primeiro verso da estância seis da primeira écloga* (ou égloga) da obra poética As bucólicas de Virgílio. Écloga é uma poesia pastoril, em geral dialogada, versando sobre assuntos do campo, da flora, da fauna etc. Acusam os inconfidentes de violentar a sintaxe do poeta. Para explicar, cito todo o período, com a respectiva tradução literal: “Libertas quae sera tamen respexit inertem Candidior postquam tondenti barba cadebat; Respexit tamen et longo post tempore venit Postquam nos Amaryllis habet, Galatea reliquit”. “A liberdade que (é) tardia, contudo olhou (para mim) inerte Depois que a barba caía mais branca de mim, que a cortava; Olhou para mim, todavia, e veio depois de longo tempo Depois que Amaryllis me tem e Galateia me deixou” Concordo com os entendidos. A inclusão do “tamen” na oração adjetiva “quae (est) sera” pelos inconfidentes feriu a sintaxe de Virgílio, que integrou esta conjunção na oração principal, sem dúvida, pois ele repete este “tamen” no terceiro verso e no mesmo sentido. Parece, inclusive, que o poeta tinha uma predileção por esta conjunção coordenativa adver-
Infiltração põe em risco a estrutura do teto da capela
JOÃO MAGALHÃES
sativa “tamen” que geralmente indica uma concessão, pois, repete-a por cinco vezes no poema e a sintaxe é a mesma (versos 19, 28, 30, 57 e 79). Entretanto, se os conjurados violaram a sintaxe, não machucaram ou feriram a semântica da bucólica, cujo tema é a mágoa, o desespero, a escravidão dos pastores que tiveram suas terras, animais e casas expropriadas pelos generais romanos para distribuí-las a seus soldados. Prática muito frequente por parte dos vencedores. Esta écloga revela aspectos autobiográficos, pois, consta, sem certeza absoluta, que o próprio Virgílio foi vítima. Os inconfidentes eruditos, acho, sentiram esta situação, expressa na poesia, comparável à situação em que vivia a capitania de Minas Gerais, escorchada em tudo pela Coroa Portuguesa! Sobretudo, merece elogio a escolha que fizeram do primeiro verso da sexta estância, mesmo truncado, pois viram a luta do pastor Tityro para conseguir a liberdade, que acabou conquistando, embora tardiamente, um exemplo a seguir e um estímulo para a revolta. Julgo, também, que uma alteração sintática como fizeram: “Libertas, quae sera tamen” (que todavia veio tarde), é admissível. Não altera a semântica do texto, que é o fundamental. É injusto criticar os inconfidentes por mexer na sintaxe adotada pelo poeta Virgílio. Consciente ou inconscientemente, fizeram esta modificação, mas não danificaram em nada o importante conteúdo do poema. E, a meu gosto, entre “Libertas quae sera” e “Libertas quae sera tamen”, ficou muito mais sonoro, mais ritmado, mais significativo o “quae sera tamen” da gloriosa bandeira de Minas Gerais! Quem sabe, até o próprio Virgílio, o grande poeta latino do verso onomatopaico, do verso musical, do verso heroico, também bateria palmas! É o que penso. E você?
Jornal das Lajes
ANO IX Nº 115 - NOVEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Aconteceu
7
ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO
Churrascaria Ramona comemora dois anos em grande estilo
O sábado, 11 de novembro, foi especial. A Churrascaria Ramona comemorou dois anos em grande estilo, oferecendo o que há de melhor: excelente churrasco, variedades de frios, porções e bebidas e, claro, boa música sertaneja da dupla Márcio e Heleno, que já é garantia de sucesso e aplausos na casa. Em festa de aniversário o bolo não pode faltar. E não faltou. Os funcionários da churrascaria foram a todas as mesas servindo um pedaço do bolo aos fregueses, que cantaram o parabéns a você, brindando o sucesso do estabelecimento. A Churrascaria Ramona já se tornou referência na região, pela qualidade do atendimento, bem
como pelo espaço e conforto oferecidos aos fregueses, que já a elegeram como “a melhor da região”: “Já sou freguês da churrascaria a um bom tempo. Resende Costa está de parabéns por este estabelecimento. Aproveito também para parabenizar a toda equipe pelo atendimento e pelo espaço”, disse Elton de Sousa, da cidade de Prados. O empresário e proprietário da Ramona, Sérgio Marcos Teodoro, o Marquinho, não esconde a felicidade por ver um sonho realizado e constatar que um empreendimento de tamanha envergadura deu certo: “Hoje, a Churrascaria Ramona é referência regional. Graças a Deus as minhas expectativas se confir-
maram. Eu até pensei que demoraria uns dois anos para uma resposta, mas, para minha surpresa, já com um ano o sucesso foi total”, comemora Marquinho. De quinta a domingo a churrascaria recebe, além dos fregueses cativos de Resende Costa, muitos turistas da região e do país. “A churrascaria e o artesanato são duas atrações que se casaram e conquistaram os turistas que vêm a Resende Costa. É mais uma opção na cidade”, acrescenta Marquinho. E opção de qualidade. Vida longa à Churrascaria Ramona que, como disse seu proprietário, já é “sucesso total”. (veja mais fotos em www.jornaldaslajes.com.br)
Funcionários da churrascaria Ramona comemoram dois anos de muito sucesso.
Marquinho com sua esposa Lucinha e a filha Luara
A dupla Márcio e Heleno se apresentou na noite
Festa em homenagem a Nossa Senhora do Rosário é celebrada em Resende Costa No último dia quatro foi comemorada em Resende Costa a festa de Nossa Senhora do Rosário. As celebrações religiosas tiveram início na quinta-feira, dia primeiro de novembro, e se estenderam até o domingo seguinte. A chuva, mais uma vez, esteve presente, mas não diminuiu a participação dos resende-costenses. “Esta é a segunda Festa do Rosário de que participo e ajudei a irmandade a realizar. É uma tradição muito bonita que Resende Costa tem e mantém e, além de religiosa, é muito cultural. Nós agradecemos a todos pela participação e que em 2013 possamos fazer uma festa ainda melhor”, afirmou o pároco, padre Eder Santos. Além do aspecto religioso, a festa do Rosário é também caracterizada pelos chamados “camelôs”, que neste ano ocuparam toda a rua onde o evento é realizado. Barraquinhas de roupas, jogos, brinquedos, eletrônicos, acessórios
domésticos e até cinema 6D foram montados na Praça do Rosário. Além de Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia também são homenageados durante as celebrações. Mas a grande atração da festa em homenagem à Virgem do Rosário são mesmo as danças de congado. Na festa deste ano uma grande quantidade de grupos de congado participou do evento, colorindo a Praça do Rosário. O congado é uma dança de cunho religioso e cultural de influência africana. Durante a manifestação, acontece a coroação dos reis e rainhas, geralmente em louvor a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia, santos negros. “Essa festa acontece há bastante tempo e é muito importante, porque mantém a tradição da cultura afro-descendente. A forma dos ternos de congado prestarem sua homenagem a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa
Terno de congado homenageia a Virgem do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia
Entrada da imagem de Nossa Senhora do Rosário na igreja do Rosário
Efigênia é demonstrando nossa fé de maneira aculturada. Nós não queremos que essa tradição acabe”, declarou padre Raimundo Inácio.
Devotos de Nossa Senhora do Rosário acompanharam a procissão na tarde de domingo
8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Ele voltou É noite e chove. Uma chuva fina com alguns relâmpagos e poucos trovões que, apesar de tímidos, insistem em roncar. Adianto uma hora a mais em direção à minha morte. Corro o risco de morrer adiantado. Vai começar o horário de verão. É tempo de dar boa-noite com o sol brilhando. É tempo de ir pra mesa fingindo estar com fome. É tempo de ir pra cama simulando sono. É tempo de olhar pro relógio, dizer uma hora e pensar em outra. É tempo... é tempo... é tempo... Houve uma época em minha vida em que eu acreditei no tempo. Depois, fui percebendo que o tempo não existe. O que existe são demarcações e convenções. O horário de verão é uma prova disso. Agora são dez horas. Amanhã, esse agora já serão onze horas. Depois de amanhã, volta tudo a ser como antes. É difícil acreditar no tempo quando os ponteiros ficam na gangorra. O pior é que não são somente os ponteiros que ficam indo e vindo. A gente também fica pra lá e pra cá. Quando estamos nos acostumando com o danado do horário de verão, ele acaba. E lá vai todo mundo outra vez encarar a tal da adaptação. Não vou com a cara do horário de verão. Jamais me convenceu. A saúde do país melhorou por causa dele? A qualidade do ensino e o salário dos professores aumentaram por causa desse horário? Ele melhorou o transporte público? Você passou a comer melhor por causa do horário de verão? Você passou a morar melhor? Recuso-me a acreditar no
entusiasmo amarelo da mídia ao anunciar o novo horário a cada ano. Não me sinto seduzido por míseros numerozinhos acrescidos a uma porcentagem raquítica, sempre baixa. Se teimam em manter uma coisa na qual ninguém vê benefício, deve ser porque o benefício vai pra onde ninguém vê. O horário de verão é tão inconsistente que ele é opcional. Há regiões que não o adotam. E aí, contando com o fuso horário, o Brasil passa a ficar – nesse período – com quatro horários: o horário normal com o seu fuso horário... e o horário de verão, também com o seu fuso horário. É o Brasil com quatro horários e um só relógio... tudo confuso horário. E já que estamos vivendo o oportunismo malandro nas cotas das universidades, cada região com horário diferente poderia reivindicar para si a sua cota no relógio. Teríamos, então, o horário de verão, o horário de outono, o de inverno e o de primavera. Todo mundo satisfeito e ninguém sabendo quem sai ganhando. Vai dar meia-noite. Daqui a uns poucos minutos, vai começar o horário de verão. Só podia mesmo começar à meia-noite, que nem filme de terror. Estou esperando o relógio da Matriz bater. Um pensamento horroroso me gela a espinha: se o horário normal, como dizem, é o horário de Deus, então... o horário de verão é o horário do capeta. Meia-noite! O relógio da Matriz não deu doze badaladas. Deu só uma. Em protesto.
__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
ANO IX Nº 115 - NOVEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Contemplando as Palavras
REGINA COELHO
A voz do rádio em Resende Costa
Você sabe o que o Edson Tancão, a Dora Silva e o Elmo Coelho têm em comum? Quem os conhece bem vai certamente dizer que os três são atleticanos fanáticos. Ok! Isso é público e notório, mas eles cultivam também uma outra paixão, talvez menos conhecida por muitos: são ouvintes assíduos de rádio. Indagados sobre a média de horas diárias passadas na companhia fiel de seus aparelhos em funcionamento, as respostas variam bastante. “Como estou aposentado, acho que ouço diariamente duas horas de rádio. Quando ainda trabalhava e morava em Belo Horizonte, ouvia o Jornal da Manhã e o das 12:30 horas da Rádio Itatiaia. Ouço também a Itatiaia pelo canal 411 da Sky e quando viajo para fora de Minas, ouço a emissora pela internet”, afirma Elmo. Já Dora garante passar “umas dez horas por dia” na escuta de um de seus cinco rádios. Surpreendente é a resposta que Tancão dá ao dizer que passa vinte horas diárias ouvindo rádio. Espera aí, não é muito não, Tancão? Dormir deixando o rádio ligado (são quatro aparelhos que ele tem) não vale. Verdade é que gosto é gosto. Isso deve explicar também os oito aparelhos que o Elmo tem em casa (cinco aqui em Resende Costa e três em B.H.) e a revelação de que não pode ver um rádio que logo se interessa em comprá-lo. Mas como esses ouvintes tão cativos levam a vida antenados a seus inseparáveis aparelhos de rádio? Veja o que eles contam aqui. O começo - Ouço rádio desde os 15 anos. (Tancão) - Ouço rádio desde pequena. Aprendi a gostar disso com minha mãe. (Dora) - Ouço rádio desde pequeno em razão de dois motivos: primei-
ro, porque ia diariamente à residência de meu avô materno (Sr. Alcides Lara), que gostava muito de ouvir rádio. Em segundo lugar, porque o meu pai (senhor Adenor Coelho) era comerciante e vendia rádios. Ele nos orientava (filhos que o ajudavam no comércio) a saber localizar as emissoras mais importantes da época (Rádio Aparecida, Rádio Globo, Rádio Nacional e Rádio Inconfidência) para que as mostrássemos aos clientes interessados na compra dos referidos aparelhos. (Elmo) As favoritas - A Rádio Inconfidência, pois ela só toca música popular brasileira. O programa “Bazar Maravilha” é o meu preferido. Gosto também da Rádio Itatiaia. Além do esporte, seus jornais são completos. Tem o programa “Café com Notícia”, de madrugada, de que gosto muito. São notícias de política, esporte, dicas de saúde, previsão do tempo e manchetes dos grandes jornais do país. E cito também a Alvorada, uma boa rádio com muita música e notícias. Todas são de B.H. (Dora) - Itatiaia, Inconfidência, Record, Tupi, São João e outras. (Tancão) - Minha emissora preferida sempre foi a Itatiaia, com seus noticiários e programas esportivos. Outras emissoras de que também gosto: CBN, e Globo. (Elmo) Dizendo-se ouvinte assíduo da Rádio Itatiaia pela credibilidade e imparcialidade que ela passa ao ouvinte em seus noticiários e nas brilhantes jornadas esportivas que empreende, Elmo resume a opinião dos dois colegas de entrevista, que elegem “esporte e notícia” nas palavras de Dora e “mais informação e entretenimento”, segundo Tancão, como as justificativas principais na preferência deles e de muita gente pela “rádio de Minas”, a poderosa Itatiaia, uma das maiores do Brasil.
O rádio e o futebol - Quem gosta de rádio e entende de futebol sabe direitinho os lances de emoção ou desespero. E ouvindo a Itatiaia, você fica sabendo os resultados de outros jogos também em tempo real. (Tancão) - Eu gosto mais de ouvir futebol do que assistir. Acho mais emocionante. (Dora) - Acompanhar o futebol pelo rádio é, com certeza, mais emocionante. Basta você ouvir os narradores da televisão e o Mário Henrique (da Itatiaia) narrando um jogo. A diferença é gritante. Você se sente dentro do estádio, participando de tudo. (Elmo) Considerando a importância que o rádio representa na vida de cada um dos nossos entrevistados, Dora e Tancão lembram que através dele tomam conhecimento do que acontece no mundo inteiro, ao mesmo tempo em que não deixam de lado seus afazeres do cotidiano. Já Elmo destaca o indispensável papel que esse veículo de comunicação desempenha como prestador de serviços de utilidade pública. E mais uma vez a Itatiaia é exaltada por ele, que, quando vai a Belo Horizonte e se o trânsito fica complicado na chegada, deixa-se orientar pelas informações precisas emitidas pelos repórteres da emissora mineira. Com a atenção voltada agora para a radiofonia local, não posso deixar de ressaltar a atuação da Rádio Inconfidentes, fazendo-se presente na vida de tanta gente em Resende Costa, nas redondezas e longe daqui pela internet. Mesmo sem a estrutura e a tradição e, consequentemente, a força e o alcance das gigantes aqui mencionadas, a Inconfidentes cumpre com acerto os objetivos a que se propõe em adequada sintonia com a sua já consolidada audiência junto à comunidade em geral.
Jornal das Lajes
ANO IX Nº 115 - NOVEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
Nós e os folhetins
Assisti com afinco à novela Avenida Brasil em sua reta final. Confesso assistir a novelas, quando há nesses folhetins uma intriga que me instiga, principalmente quando neles são construídas personagens de tanto fôlego, como as que João Emanuel Carneiro arquiteta. Também confesso que não vejo as novelas desde o seu início. Falta-me paciência para ficar todos os dias diante de uma tela que, se eu não tomar cuidado, pode me deglutir. Não preciso fingir aqui que não vejo novelas. Vejo poucas, mas vejo. Já é badalada, nos meios que se dizem cultos da nossa sociedade, a postura de se execrarem a televisão, a rede Globo e companhia. Eu, de minha parte, não me dou aos luxos de uma postura assim tão radical e tão falsa. Cada um de nós tem um gosto vasto, e o meu chega a ser versátil em alguns momentos. Mas não abro tantas concessões assim não! Gosto do Emanuel Carneiro. Não falo de todo o autor. Mas como resistir a uma Flora, em A favorita, e agora a uma Carminha?! Gosto no Emanuel Carneiro do que há nele de capacidade em erigir folhetins tão densos, tão dramáticos, e em certos casos até mesmo inverossímeis. Um pouco de inverossimilhança tem que existir na arte. Assim todo efeito de realidade é colocado em xeque, e se escancaram aos nossos olhos as artimanhas do enredo, com personagens de nos tirar o fôlego. No último capítulo de Avenida Brasil, deveras me emocionei com a cena em que Carminha e Rita se abraçam. Após o abraço, durante o qual ambas choram, Carminha dá as costas à Rita e chora maravi-
lhosamente. Na sua dureza, no seu caráter orgulhoso, a personagem sente uma dor, uma dor misturada com alívio. Adriana Esteves está perfeita, com uma interpretação digna de uma grande atriz. E o que dizer quando ambas estão coando café, em pleno lixão na casa de Lucinda? Essa cena ocorre logo após o abraço das duas. “Que destino caprichoso esse nosso, hein, traste! Sempre juntas”. Com essas palavras, Carminha a seu modo está amando Rita. O “traste” sai de sua boca, como quem diz: “Se não há outro jeito, vivamos juntas, então!”. Rita se oferece para servir o café, e Carminha, com seu gênio quase indomável, vai logo dizendo: “Sabe como é que eu gosto, né?! Sem açúcar. É só o que me faltava: engordar”. Na dureza das palavras, na empáfia que não se perde, temos outra face de Carminha, que não é a única, mas é outra face. Face outra que, durante vários outros momentos, nos capítulos a que assisti, veio à tona. Que veio à superfície inclusive na mesma cena, quando a vó Carminha segura o neto. Face outra que se amplia quando a Carminha mãe segura a mão do filho, o filho que anos antes ela mesma deixara no lixão. Eu disse agora há pouco não ter uma postura tão radical. Por isso digo que amei essa cena, como gostei de Avenida Brasil. Negar plenamente algo, ser radical nesse sentido, é negar o que há de raiz em nós. Aí sim admito que inevitavelmente somos radicais. Estamos presos às raízes das paixões. E nada melhor do que personagens bem erigidas, complexas, com idas e vindas em suas atitudes e valores, para que possa-
Cidade
mos, numa maravilhosa e dolorosa catarse, olhar para nós mesmos. E assim, olhando-nos, passamos a nos compreender mais, sempre mais. Essa busca de nós mesmos que fazemos não é de hoje. Desde tempos antigos, as pessoas se buscam. Nos rituais pré-históricos, nas danças tão eróticas, nas invocações aos deuses, na tragédia grega e também na comédia, no teatro de ontem e de hoje, na literatura que se fez e se faz – em tudo isso o que estamos fazendo é um exercício infindável. Para melhor compreender, escrevemos, interpretamos, ouvimos canções e somos plateia e telespectadores dos espetáculos que fingem ser a vida, não deixando também de sê-la. Certamente muitas pessoas, as que tinham acesso aos jornais na segunda metade do século XIX, as que liam e as que ouviam as leituras feitas, todas elas se debruçavam sobre as peripécias e as paixões de seres feitos de palavras e inscritos no papel. Acompanhavam os enredos nos folhetins, e com isso acompanhavam a si mesmas. Com a mesma febre, muitos ouvintes depois passaram a ouvir as radionovelas, a ver as fotonovelas. E hoje, as telenovelas reinam quase absolutas. Sem radicalismos, como eu já disse, portanto sem também plenas concessões, admito que muito do que se oferece na televisão é ruim. É ruim mesmo quando nada nos acrescenta. Se, entretanto, soubermos peneirar (de várias novelas uma novela, de várias cenas algumas, de personagens tantas outras poucas), aí sim concederemos à arte televisa o que ela pode nos conceder: a possibilidade, em nós, de tentarmos desatar os nós que nos habitam.
JANETE HELENA
Após 20 anos CPP passa por nova reforma
O Centro de Pastoral Paroquial (CPP) passou recentemente por reformas e foi reinaugurado no último dia 30. O prédio foi inaugurado em abril de 1990 pelo então pároco padre João Rodrigues de Paula. Mas o Salão Paroquial, originalmente, tinha somente a parte que compreende hoje o teatro, construído na década de 50 pelo vigário coadjutor da paróquia, padre Adelmo Ferreira da Silva. De acordo com paroquianos, o espaço tinha grande utilidade para movimentos da paróquia e apresentações culturais. Inicialmente, com o fechamento do cinema no Teatro Municipal, o salão passou a ser a nova sala de cinema da cidade. Ali também foram realizados shows de calouros, festivais de cinema, peças de teatro e eventos diversos, como colações de grau, dentre outros. A ampliação no início da década de 90 consistiu na construção de um anexo de três andares no terreno dos fundos, que já era de propriedade da Igreja. No anexo foram construídas salas que passaram a ser usadas principalmente pelos alunos da catequese. Na época, a ideia era proporcionar melhor espaço para os movimentos da paróquia. Além disso, o CPP passou a ser opção para todo tipo de evento que precisasse de um espaço como o do teatro. O prédio novo foi assunto na cidade na época, uma vez que, além dos movi-
mentos da paróquia, muitos outros eventos aconteciam e ainda acontecem ali. Assim se deu com formaturas, peças de teatro, oficinas, encontros de jovens, retiros espirituais, conferências de conselhos e associações e shows de comédia que, em determinados momentos da história, só puderam ser realizados por causa da existência do CPP. Segundo o pároco atual, padre Eder Santos, passados 22 anos desde a sua reinauguração em 1990, o CPP necessitava de reparos. Por isso passou, recentemente, por uma reforma completa. Graças aos recursos arrecadados nas Festas de São Sebastião e de Santo Antônio do ano passado, o prédio conta agora com uma estrutura novíssima: mais janelas, novo forro e nova pintura, além de salas que oferecem mais conforto e tranquilidade aos usuários. O pároco contou ainda que, além da reforma estrutural, houve uma preocupação com a estética e que optou-se por uma fachada em estilo colonial que combinasse com o estilo de um município centenário como Resende Costa. O salão principal também foi melhorado e para maior conforto dos usuários o número de cadeiras que compunham o espaço da plateia foi reduzido. O CPP tem grande importância para a comunidade, uma vez que ali são realizados vários movimentos da paróquia, segundo Rosângela, funcionária do escritório
CPP passa por ampla reforma na fachada e no interior
paroquial. O espaço é utilizado também para ministrar as aulas da catequese, por isso a reforma das salas será muito útil para as crianças do catecismo. Segundo afirma a catequista, dona Maria da Penha, a situação das salas antes da reforma estava crítica e agora as crianças podem se sentir seguras durante as aulas. Mais mudanças e melhorias estão sendo planejadas pela paróquia, como a instalação de um datashow fixo e outros equipamentos que otimizem ainda mais a utilidade do local. Padre Eder reafirmou a importância do CPP para a comunidade, por ser um espaço que não serve somente aos movimentos paroquianos, mas a diversas modalidades de eventos: “Pouquíssimas paróquias da diocese possuem um espaço como o CPP e mais obras ainda serão realizadas”.
Gastronomia
9
CLÁUDIO RUAS
Minha mesa é um carro de boi Desde pequeno sempre fui apaixonado por carro de boi. A infância na fazenda dos bisavós em Moeda e as andanças pelas roças de Resende Costa foram o combustível dessa paixão que só vem aumentando com o tempo. Ao ponto de decidir que a mesa da cozinha da minha casa fosse feita com um carro de boi. Sem as rodas, ele é apoiado com o eixo e tem o cabeçalho fixado na parede, formando uma espécie de bancada. A obra de arte foi feita pelo Sô Geraldo Melo, que com a ajuda dos filhos ainda exerce essa arte milenar aqui em Resende Costa. Com um brilho nos olhos de dar gosto, muito paciente, ele dá detalhes sobre as técnicas de produção, os nomes das peças, os tipos de madeira e faz questão de mostrar com orgulho a fôrma de fazer a “cheda”, herdada do meu tataravô João Gonçalves, com quem aprendeu o ofício ainda novo. Mas o que o carro de boi tem a ver com gastronomia? Tudo. Além de servir de mesa de cozinha, a gastronomia vai muito além de um prato. Ela engloba tudo aquilo que gira em torno do ato de se alimentar, desde a produção do alimento. E é aí que o carro de boi entra como peça importante nessa cadeia, sobretudo no passado. Se por um lado a vida moderna trouxe comodidade e facilidade para a alimentação (grande variedade de alimentos e estabelecimentos comerciais), por outro, infelizmente, ela fez com que o povo, e até mesmo muitos chefs de cozinha, se distanciassem do início da cadeia alimentar. Hoje a produção é industrializada e proveniente de grandes produtores, o que evidencia a triste realidade da extinção do pequeno produtor que venderia diretamente o que planta aqui por perto de nossa cidade. E que poderia trazer semanalmente para ser vendido na feira aos sábados, tudo fresco e transportado até mesmo em um carro de boi se fosse preciso, como sempre foi no passado e ainda é em alguns casos isolados. Falando em passado, o carro de boi teve um papel fundamental na humanidade, sendo muito utilizado desde as civilizações antigas - como a egípcia – e com função elementar na colonização e desenvolvimento do Brasil, não só na construção e
transporte, mas também na agronomia. E o melhor: até hoje eles ainda são usados, o que não se imaginaria de uma ferramenta tão antiga. Até em algumas fazendas em que se tem trator a figura dos bois de carro ainda persiste, já que em determinados casos eles são mais eficientes do que o mais moderno trator traçado. Fora isso, ainda entra a tradição e o gosto pela coisa, o que é fantástico e mostra de vez quão especial é essa “máquina viva”. Um japonês que toma uma cachaça mineira lá do outro lado do mundo pode estar consumindo uma bebida de cuja produção o carro de boi participou, já que muitos alambiques ainda fazem uso do boi para o transporte e a moagem da cana. O bagaço, resultado dessa moagem, serve de alimento para o próprio boi. O boi, por sua vez, produz o adubo para a cana e aí o ciclo se completa. Isso é a gastronomia mais perfeita, sustentável. Quem não teve a oportunidade de ver um carro de boi “funcionando”, carregado de 40 balaios de milho, com várias juntas de bois bem pareados, subindo uma ladeira e cantando alto sem perder o fôlego, talvez não entenda essa paixão que tem sido ressuscitada na nossa cultura. Prova de que tem algo de errado nessa vida moderna que nos tem sido imposta. Peço licença aqui para agradecer e parabenizar a todos os construtores de carros, carreiros e lavradores que tanto suaram - e suam - a camisa para que comidas gostosas sejam preparadas em nossas cozinhas. Agradeço em especial e aqui faço minha homenagem ao Sô Geraldo Melo, ao vovô João Gonçalves do Ribeirão (meu tataravô paterno) e ao vovô Neca de Moeda (meu bisavô materno), que sempre foi carreiro e tirou o sustento para criar a nossa família com o carro de boi, que até hoje está lá, descansando imponente e vivo debaixo da coberta velha. (A receita desse mês no blog é uma homenagem aos bois de carro da raça caracu: “Língua de boi ao molho de cerveja caracu, acompanhado de musseline de baroa”. Veja também o que já escrevi sobre carro de boi no JL alguns anos atrás: http://www.casalgastromg.blogspot.com.br/)
10 Jornal das Lajes Causos e Cousas
ANO IX Nº 115 - NOVEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO
Mau dia, Minas, mau dia Brasil Sexta feira, nove de novembro, 06h30. Ligo a TV Globo. Roda diante dos meus olhos a imagem do “Bom dia, Minas”, com sua desgastada música de abertura. Inicialmente, as manchetes do dia: três assassinatos na madrugada da grande BH; carreta desgovernada tomba no Anel Rodoviário, bate em seis carros, duas mortes e 5 feridos; quadrilha explode agência bancária, troca tiros com a polícia, morre um policial e bandidos fogem; estudantes de 22 anos, embriagados, fazem pega de madrugada, atingem carro, matando seu motorista e fugindo sem prestar socorro; na “rodovia da morte” (BR 381, trecho BH/ Ipatinga), colisão de uma carreta com um Pálio, dois mortos e três feridos; em Brasília, STF retoma o julgamento do mensalão; Atlético e Cruzeiro se preparam para os jogos do fim de semana. Às 07h30 sai da tela o Bom dia, Minas e entra o Bom dia, Brasil. A cantilena é ainda pior: 11 mortos na madrugada paulistana; em uma semana, 45 assassinatos, 600 de maio a outubro; recolhidos mais de mil celulares em presídio paulista; dois ônibus incendiados na zona leste de São Paulo e motoristas se recusam a sair das garagens; cenas de horror na Cracolândia da Avenida Brasil, no Rio; envolvidos no mensalão são condenados a até 40 anos de prisão; Palmeiras, quase rebaixado, pega o Fluminense, o provável campeão... E eu me pergunto, assustado: “que país é este?”. (Perdoem-me a ousadia de roubar a frase que consagrou os escritores Affonso Romano de Sant’Anna e Millor Fernandes, o músico Renato Russo e sua Legião Urbana e, ironicamente, o ex-governador de Minas Francelino Pereira, nomeado pela
ditadura, sem sequer ser mineiro...). Estaríamos, por acaso, no Iraque, ou no Afeganistão, ou em uma sangrenta guerra civil como a da Síria? Vivemos dias de carnificinas humanas e de números estarrecedores. Infelizmente, estamos no Brasil mesmo. Cenas como as da manhã do dia nove se repetem todos os dias pelo país afora. Estamos dizimando nossa população, nossa polícia, nossos idosos, estuprando nossas meninas de 10 anos. E ainda nos ufanamos de dizer que “somos a sexta economia do mundo!”. Talvez o problema esteja justamente aí: a sexta economia existe, sim, mas está nos bolsos dos 10% dos brasileiros que são os donos dela. Os outros 90%, coitados, que se matem entre si, arrombem e façam explodir os bancos, entulhem as prisões (temos a quarta maior população carcerária do mundo), que fiquem sem ônibus para trabalhar, que aumentem os sequestros e os latrocínios. Ah, o latrocínio. Está na ordem do dia. Matar para roubar ou roubar para matar, não faz diferença. Foi outro dia mesmo, o casal de namoradinhos no bairro Higienópolis, São Paulo. A Caroline, 15, após entregar a mochila, ganhou dois tiros na nuca. Morreu na hora. Eram três os assaltantes, dois tinham 18 anos e o que atirou, 19. Acabaram presos. Na delegacia, o atirador simplesmente justificou, rindo: “Matei sim. Ela reagiu, problema e azar dela”. Os outros dois também debocharam da moça. O namorado e testemunhas informaram que a moça não havia reagido, simplesmente entregara a mochila. Não é preciso ir a São Paulo, ou a outras cidades grandes para ver essas cenas cotidianas. Ainda nos lembramos com tristeza e saudade do Geraldinho do Presépio e do
Tio Adair, da Boa Vista, aqui na nossa ainda pacata cidade. Covardia das covardias: matar para roubar míseros reais. A bandidagem que assola o país compete com um poderoso rival, este vindo dos nossos próprios governantes e representantes: as nossas rodovias, em péssimo estado e o trânsito louco das nossas cidades, que estão ceifando vidas a cada minuto. É difícil saber quem é mais eficiente. O pior de toda essa história é que vamos nos acostumando com tudo isso. Nossa consciência vai se esvaindo, os valores éticos vão se evaporando, tudo vira apenas uma simples rotina. Diante desse quadro tétrico, que diariamente invade nossas casas todas as manhãs, seria mais adequado ajustar os nomes dos dois programas televisivos à verdadeira realidade: “Mau dia, Minas” e “Mau dia, Brasil”. São duas horas de sofrimento, nas quais predominam a violência (roubos e assassinatos), os acidentes, a corrupção enraizada da nossa república democrática e o futebol. Ainda bem que o último traz um pouco de consolo para tanta miséria: o futebol, que é a parte do “circo”, como diziam os romanos, que nos faz esquecer as outras três desgraças. Pelo menos nossos atletas têm seus gordos minutos de entrevista e de glória, todos os dias, eles merecem... Então, todo mundo vai trabalhar e volta para casa à noitinha. A televisão já nos espera com o cardápio perfeito: as más notícias (violência e corrupção) e o antídoto: as novelas. E todo mundo as acompanha, ri e se deleita com o imaginário ... de quê? Da violência (as brigas) e da corrupção. Mas vamos dormir, porque amanhã tem mais “Mau dia, Minas”, seguido do “Mau dia, Brasil”. Até quando?
Crônicas do Cotidiano
RAFAEL CHAVES
A barriga Ele cresceu em um tempo em que homem que era homem cortava cabelo no barbeiro, modelava o corpo jogando futebol nos campos de várzea, correndo pelas ruas e nadando nos rios e cachoeiras. O máximo que permitiam à vaidade masculina era “aqua velva”. E é por isso que ele, adolescente, rezava todo dia para nascer um fio de barba. E rezava também para fazer quatorze anos e poder entrar no cinema para ver filme proibido e depois para fazer logo dezoito e poder ver Emmanuelle em todo seu esplendor, sem a folha da videira que cobria Eva e fulminava sua curiosidade. As coisas foram mudando. Quase uma mutação. Ele se lembrou do dia em que as mãos trêmulas do Jesus Barbeiro insistiram em raspar com uma navalha a pele fina e delicada do rosto apavorado de seu sogro. Em todo lugar - assim como se surgissem ao lado da barbearia do Jesus Barbeiro, do Zé do Jesus Barbeiro e depois do Cláudio do Zé do Jesus Barbeiro – apareciam novos e charmosos salões de beleza. Salões unissex. Edward mãos de tesoura tirou proveito reencarnando-se em múltiplas almas e revelando-se em inusitadas esculturas capilares. Os homens se renderam àquelas mãos ágeis e precisas e se libertaram da ditadura e do monopólio do Príncipe Danilo, ainda que não dos jogadores de futebol (os cabeça-de-Neymar que o digam!). Os campos de várzea foram vitimados a uma pela especulação imobiliária e a outra pela proliferação indiscriminada de pessoas nas cidades. Não foram em praças que os campos se transformaram. Foram em casas, comércios e edifícios. Pelo baixo retorno em votos que rendiam os investimentos em obras de saneamento, os córregos e rios se deturparam em redes de esgoto a céu aberto. E porque todo mundo passou a ter carro, as ruas foram asfaltadas para não empoeirarem os carros e se converteram em garrafas (para engarrafarem os carros). Assim, a despeito dos cabelos arrumados, das unhas feitas e da pele limpa, foi-se sedentarizando lenta e gradualmente e uma calosidade proeminente, macia e
redonda, foi se desenvolvendo em seu abdômen, flácido. À medida que ele conhecia o universo feminino, de dentro e na intimidade unissex dos salões, foi se convencendo de cuidar de outras coisas que não só do cabelo. Pareceu-lhe de bom tom cuidar das unhas, mantê-las limpas e aparadas. E num lampejo ou descuido, marcou limpeza de pele com a Regina do Salão “por favor, depois que todo mundo tiver ido embora”. Os cabelos dele foram ficando cada vez mais grisalhos também. Um dia “fizeram sua cabeça”: convenceram-no a aplicar um produto novo, revolucionário, que prometia a cor natural dos cabelos de volta. Não, não era tintura, nada disso! “Aos poucos, sem ninguém perceber, os cabelos voltarão à cor natural”, prometeram-lhe, tal qual o processo às avessas do branqueamento. Ele não se fez de rogado e seguiu, voluntariamente, ao seu cadafalso, um rato de laboratório! Os dias que se seguiram à experiência foram uns dos mais vexatórios da vida dele. Enquanto pôde refugiou-se em casa, mas não tinha como deixar o trabalho e seguia, constrangido, tentando disfarçar seu cabelo azul pelas ruas. Prometeu a si mesmo que nunca mais tentaria mudar a cor dos seus cabelos. Recentemente, mirando uma foto dele, de sunga, sorridente “não sei rindo de quê” à beira de uma praia que mal se lembrava de onde ou quando, foi que ele se deu conta da sua barriga. E de que do tamanho 38 tinha passado a usar o 40 e que o 40 já não lhe servia mais... Não havia medida em salão unissex que pudesse reduzir essa imperfeição. “É a cerveja, eu já te disse, é a cerveja...”, insistiam uns. “Faz a dieta da sopa!”, diziam outros. No dia seguinte deu origem à sua catarse. Deixou o carro na garagem, caminhou por sete quilômetros até o sítio dele lá na beira do rio Santo Antônio, arriscando pequenas corridas e lavou-se e à sua alma nas águas correntes do rio. Em casa fez a barba e borrifou “aqua velva” no rosto – ainda existem homens como antigamente! – e pensou “se eu parei de fumar, posso parar de comer”...
Jornal das Lajes
ANO IX Nº 115 - NOVEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Eleições 2012
11
Zinho Gouvea é o campeão de votos nas eleições para vereador em Resende Costa
ANDRÉ EUSTÁQUIO
No dia 1º de janeiro, José Gouvea Filho, o Zinho Gouvea, 47, dará posse ao prefeito eleito Aurélio Suenes. É regra que o vereador mais votado dê posse ao novo prefeito. Logo após a posse, realiza-se a eleição para a composição da mesa diretora da Câmara Municipal para o período de dois anos. Zinho foi eleito o vereador mais votado do município, com 470 votos. Com seu jeito simples, porém confiante, Zinho revela a satisfação pela excelente votação que obteve nas urnas: “Tive o privilégio de receber 470 votos. Na verdade, eu tinha esperança de me eleger, mas fiquei surpreso com a votação que obtive. Inclusive, sei de pessoas que gostariam de ter votado em mim, mas por algum motivo não puderam, e mesmo assim torceram pela minha eleição”. Zinho partirá para o segundo mandato pelo PSDB. Foi vereador durante o exercício 2005-2008, compondo a mesa diretora como secretário. Em 2008, concorreu à reeleição, sendo o terceiro candidato mais votado do pleito. Porém, não se elegeu, pois o PSDB fez apenas dois vereadores naquela ocasião. “Fui penalizado pela legenda”, disse em tom de humor. Natural do distrito de Jacarandira, Zinho é filho do senhor José
Neri Gouvea e dona Geralda Magela Urquiza, conhecida como dona Lilita. Ainda jovem, residindo em Jacarandira, começou a demonstrar talento para o trabalho com os grupos e para o voluntariado, o que mais tarde o levaria à política. “Fui um dos primeiros coordenadores do grupo de jovens de Jacarandira (JUBA) e presidente da banda de música Lira São Sebastião de Jacarandira. Aos 27 anos mudou-se para Resende Costa e se casou com Valéria Gouvea, com quem tem dois filhos, Victor e Renata. “Em 1992, vim pra Resende Costa, comecei a trabalhar e logo me envolvi com as atividades na paróquia, no hospital e nas associações”, disse Zinho, que em 2003 filiou-se no PSDB, iniciando sua carreira política. “Eu me filiei no PSDB a convite do Amadeu, começando a minha trajetória política”. Quando indagado sobre sua base eleitoral, Zinho pensa um pouco e não titubeia em dizer que “é ampla”: “Olha, eu tive votos em todas as seções eleitorais, tanto na zona urbana quanto na zona rural”. Zinho credita grande parte da votação que obteve ao trabalho que realiza no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Resende Costa, do qual é presidente. “Acredito que se trata do reconhecimento do tra-
balho que realizo nas associações e no sindicato. Por isso, tenho eleitores de todas as classes, do comércio, da zona rural...”. Renovação A partir de janeiro, Zinho fará parte de uma Câmara Municipal amplamente renovada. Do atual legislativo, apenas três vereadores irão compor a nova Câmara: Betinho (PSDB), Abel do Nenego (PMDB) e Paulinho Daher (PT). Os demais, doutor Luiz (PT), Joãozinho do Antonio Dias (PMDB), Lucas do Barriga (PR/PRTB), Ângelo do MAC (PT) e Chiquinho do Cajuru (PDT), estrearão na vereança. “Entendo que nossos eleitores tiveram a oportunidade de renovar a nossa Câmara e souberam fazer isso. Já fui vereador uma vez, mas tenho agora o privilégio de participar de uma Câmara renovada. Espero que tenhamos muita disposição para o trabalho e mostremos competência para honrar o cargo para o qual fomos eleitos”, avaliou Zinho. O atual presidente da Câmara Municipal de Resende Costa, Luis Cláudio dos Reis (PDT), também opinou sobre o processo eleitoral: “Acredito que houve um processo de mudança maior do que o simples fato de
passar um mandato para outro. Conforme temos visto em várias cidades do Brasil, a sociedade está apostando na juventude e buscando assim uma nova geração política. Com relação à nova composição da Câmara, as minhas expectativas são as melhores. Também houve uma grande mudança. Dos sete que tentaram a reeleição apenas três estarão na próxima legislatura, ou seja, serão seis vereadores que darão início aos seus trabalhos em janeiro, sendo cinco eleitos pela primeira vez. Esse processo eleitoral mostrou que a política de ofensas e ataques pessoais não tem mais espaço, dando lugar ao profissionalismo e a uma política de propostas e de organização partidária. Fica a torcida para o sucesso dos eleitos. O desempenho deles determinará o futuro da nossa cidade”. Zinho analisou também a eleição do prefeito Aurélio: “Acho que foi uma das eleições mais democráticas que tivemos em nosso município. Tivemos bons candidatos concorrendo e a juventude teve oportunidade de escolher um prefeito jovem”. Aberto ao diálogo e conciliador, Zinho deseja boa sorte ao novo prefeito: “espero que ele tenha muito sucesso nessa nova etapa da sua vida política e que possa fazer um grande trabalho, à altu-
Zinho Gouvea
ra do que Resende Costa merece”. O PSDB não faz parte da base dos partidos que apoiaram a eleição do prefeito Aurélio. Então, teoricamente, integraria o campo da oposição. Quanto a essa situação, Zinho é bastante claro: “Fazemos parte da oposição. Porém, desejo mais ajudar do que atrapalhar. Quero colaborar para o bom êxito da administração, portanto, não pretendo fazer uma oposição radical”. Conclui dizendo: “Para os próximos quatro anos, espero que tenhamos muita humildade e peço a Deus sabedoria para, ao concluir meu mandato, poder olhar pra trás e ver que Resende Costa desenvolveu”.
Resende-costenses discutem a política local na internet Uma das principais novidades das eleições 2012 foi o uso da internet: os candidatos fizeram sites e usaram as redes sociais para divulgarem suas propostas e agenda de campanha. Os eleitores também participaram ativamente da política na internet, postando comentários e sugestões. E com a chegada do período eleitoral, foi criado no mês de julho, o grupo “RC Política”, no site de relacionamentos facebook. Paulinho Daher, vereador reeleito, foi o idealizador do grupo: “Antes de criar o grupo já estavam acontecendo discussões políticas e algumas pessoas não estavam interessadas, por isso resolvi criar um grupo específico para centralizar as discussões e, ao mesmo tempo, recolher algumas ideias que poderiam ser revertidas em lei, para ajudar no meu dia-a-dia de vereador e não de candidato. E logo de início tivemos resultado, como a discussão da Festa da Vaquinha: a partir de discussões no facebook e depois na Câmara, a gente conseguiu liberar o parque de exposições, um espaço público, para um evento privado. E funcionou plenamente, sem nenhum prejuízo”. Logo que criou o grupo, Paulinho abandonou a moderação para deixar claro que não tinha intenção eleitoreira: “A classe política é totalmente discriminada, a gente tem que provar que não está mal intencionado”. O “RC Política” não surgiu
para se tornar um espaço de discussão de campanha eleitoral e sim para expor ideias interessantes para a comunidade resende-costense, mas como foi criado durante o período eleitoral, era óbvio que o tema “eleições” apareceria nos “posts”. E surgiram discussões realmente interessantes e úteis para os próprios candidatos, sobre temas diversos, como trânsito, saúde, educação, cultura, obras, artesanato etc. O grupo foi usado também para análise, elogios e críticas aos candidatos. Apesar do caráter não eleitoreiro, os candidatos e apoiadores passaram a usar o “RC Política” como plataforma para campanha: “Durante as eleições, a principal intenção era discutir ideias entre os integrantes do grupo e os candidatos. Tivemos cuidado para limitar a quantidade de postagens referentes a propagandas dos candidatos, para que algum candidato não postasse excessivamente. O objetivo da moderação era ser imparcial. O mais difícil, como moderador, foi controlar as postagens, algumas polêmicas e aturar alguns comentários referentes à coordenação do grupo”, explicou Vítor Rafael, que hoje é moderador do grupo ao lado de Paulo Vinícius. E devido a essa limitação, foi criado outro grupo especificamente para as eleições 2012. Assim, o tema político era discutido pelos internautas resende-costenses em dois grupos no
facebook. Ficou claro que com a possibilidade de usar a internet nessas eleições e com o aparecimento desses espaços, grande parte da juventude aderiu à discussão política em Resende Costa. “A participação da juventude foi super importante. Assim como em outros segmentos da sociedade, é muito interessante renovar, incluir pessoas com novas ideias. A internet foi uma maneira de incluir a juventude e acredito que o seu uso nessas eleições foi positivo, faz parte da evolução. Logicamente nas próximas eleições, a participação dos internautas será maior ainda”, afirmou Paulinho. Terminadas as eleições, os participantes do “RC Política” se fixaram em temas de abrangência nacional, principalmente no julgamento do mensalão, mas a tendência é voltar ao âmbito local: “Acredito que com a chegada da nova administração, os comentários do grupo se voltarão para a política local e, de início, o tema principal deverá ser a nova equipe do prefeito”, disse Vítor. Paulinho Daher foi reeleito vereador e não pretende voltar à moderação do grupo, mas continuará usando o espaço: “Continuarei participando como vereador, com o objetivo de escutar as pessoas e colher propostas que se tornem leis de interesse do município. As discussões não serão tão acirradas como no período eleitoral, mas
EMANUELLE RIBEIRO
Página do grupo RC Política no site de relacionamentos Facebook
que o interesse continue no próximo mandato, fazendo elogios e até mesmo criticando. Que os resende-costenses tragam discussões e propostas para o município, para trabalharmos juntos por Resende Costa. É uma forma de diminuir a distância entre população e classe política”, completou. O grupo “RC Política” está aberto a
todos os resende-costenses interessados e cadastrados no facebook: “Convidamos a todos para participarem, darem suas opiniões e atuarem mais ativamente em nossa política. Espero que as discussões e ideias dos eleitores continuem nos próximos anos e que não fiquem restritas aos períodos eleitorais”, concluiu o moderador Vítor.
12 Jornal das Lajes
ANO IX Nº 115 - NOVEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
Torcidas organizadas de Atlético e Cruzeiro surgem em Resende Costa Em 2012, a fanática torcida atleticana lotou o estádio Independência a cada jogo do time, que ainda não perdeu jogando em casa. E a boa campanha do Galo nesse ano fez com que a torcida alvinegra de Resende Costa criasse a “Torcida Organizada Galoucos”, no dia 29 de abril. A apaixonada torcida cruzeirense, apesar da má campanha do time, não ficou atrás e no dia 14 de agosto fundou a “Torcida Organizada Sangue Azul”. A Galoucos foi criada com o intuito de reunir os atleticanos para assistirem e festejarem juntos durante os jogos. Esgo (Weigson), Nô (Marcos Vinícius), Gutielle, Caio e Marcelo foram os idealizadores da torcida. Esgo, Jonas Barriguinha e esta repórter formam a atual diretoria. “A Galoucos foi a primeira torcida organizada com muitos membros aqui na cidade. A ideia surgiu de uma conversa meio informal, a gente brincou de criar um grupo e a coisa ficou mais séria. Quando vimos, tínhamos mais de 100 pedidos de camisas. O nome foi escolhido por causa do nome do meu time no Cartola. Além de reunir os amigos, queremos ir ao estádio com mais frequência e ter mais facilidade para conseguir ingressos – esse ano tentamos, mas foi difícil, porque a torcida lotou
todos os jogos. Já temos um contato com a Galoucura de São João Del-Rei e o presidente, Vinícius Vale, demonstrou total apoio a Galoucos. Agora já estamos pensando em conseguir ingressos para a Libertadores”, disse Esgo. Com o mesmo objetivo, a Sangue Azul foi criada na cidade. Segundo um de seus comandantes, Paulo Cesar, o Tatu, a intenção é representar o nome da cidade nos estádios, com uma torcida atuante: “Nosso principal objetivo é apoiar o Cruzeiro, não importa a situação. Mandamos confeccionar nossos materiais em uma das maiores fábricas de materiais esportivos do Brasil, a Tacy, de Recife”. Além de estar envolvido com a torcida em Resende Costa, Tatu é presidente do Comando Máfia Azul São João del-Rei: “Acompanho a Máfia Azul desde 2001, sou apaixonado por torcida organizada, mesmo sabendo dos riscos, principalmente em jogos de maior rivalidade. Viajo com a Máfia sede BH para vários jogos. Torcida organizada tem o lado bom, não é só violência”, completa o apaixonado pelo Cruzeiro. Renan, Daiane e Rangel também integram a diretoria da Sangue Azul. As duas torcidas vêm ganhando mais membros e crescendo cada dia mais: hoje, a Galoucos conta com 200 uniformizados e tem quase 600 membros em sua página no
Galoucos nas imediações do Independência, em dia de vitória do Galo
facebook: “Hoje temos dois locais de concentração na cidade, que é o Bar da Gracinha e a Petisqueira Rancho Fundo. E o e-mail para fazer pedidos de camisas é o seguinte: galoucos@hotmail.com.br”, conta Jonas. A Sangue Azul possui 175 membros uniformizados: “Esperamos, em um curto prazo, chegar a 500 membros uniformizados e cadastrados na torcida. Vamos seguir todas as normas que uma torcida registrada precisa ter junto ao Ministério Público”, afirmou Tatu. A Sangue Azul fez sua primeira confraternização no último dia 2, no Olaria Country Clube, com participação em massa da torcida e presença da Máfia Azul de São João e Barbacena. Além disso, o pessoal da Sangue Azul esteve no Independência no último dia 3, no jogo contra o Santos. Durante a conversa com os representantes das duas torcidas foi gratificante constatar o interesse demonstrado por eles em trazer boas ações para a cidade. A diretoria da Galoucos está planejando uma ação de fim de ano para recolher alimentos e brinquedos e distribuir em Resende Costa. Tatu também falou de seus planos: “Estamos programando uma nova confraternização para arrecadar alimentos para doarmos a alguma entidade e também formarmos um grupo sangue azul para doações de sangue”. Sobre a situação de seus times em 2013, a galera do Galo comentou o seguinte: “No início do campeonato, não acreditávamos na possibilidade de título. Logo depois, grandes contratações vieram, como a de Ronaldinho Gaúcho e de Victor. Além disso, a revelação do Galo, Bernard, pesou bastante e passou a aparecer frequentemente na mídia. Apesar das esperanças de título terem diminuído com o fim da 34ª rodada, a torcida reconhece a ótima campanha e os gran-
Série “Campeões brasileiros” No ano de 1974, o Rio de Janeiro levou seu primeiro título brasileiro. Na final, o Vasco da Gama, de Roberto Dinamite e companhia, derrotou o Cruzeiro por 2x1. Foram 28 jogos, 12 vitórias, 12 empates, quatro derrotas, 33 gols marcados e 18 sofridos. O artilheiro e craque daquele ano foi o vascaíno Roberto Dinamite, com 16 gols. O grande Zico, do Flamengo, foi a revelação de 74. O mico daquela edição diz respeito às regras sem noção: a torcida vira realmente a 12ª jogadora - maior
renda é critério de desempate para a classificação para a segunda fase. Com isso, Fluminense e Nacional (AM) ganham vaga. O Cruzeiro voltou a se destacar e chegou à final e no jogo contra o Vasco houve uma grande polêmica: um gol da Raposa, que igualaria o placar, foi mal anulado pela arbitragem. Na primeira fase, o Galo se classificou em primeiro lugar no Grupo B, mas na segunda fase ocupou a terceira colocação do Grupo 2 e foi eliminado. Em 1974, o técnico do Vasco, Mário Travaglini, che-
gou ao título com o seguinte time: Andrada, Fidélis, Moisés, Miguel, Alfinete, Alcir, Zanata, Ademir, Jorginho Carvoeiro, Roberto Dinamite e Luiz Carlos. Esse ano foi marcante ainda para o transporte brasileiro: foi inaugurada a primeira linha de metrô do Brasil, ligando Jabaquara a Vila Mariana, em São Paulo. Um trágico acidente também marcou o ano de 74: um incêndio no Edifício Joelma, na capital paulista, causando 189 mortes e deixando 300 feridos.
Primeiro encontro da Sangue Azul aconteceu na Olaria Country Clube
des resultados do time em 2012 – depois de 12 anos nós estamos de volta a Libertadores. Acreditamos que o título não veio por uma série de fatores, desperdiçamos oportunidades e perdemos pontos contra times fracos, que disputam na parte de baixo da tabela, como Atlético-GO, Bahia, Ponte Preta e Cruzeiro. A renda do Galo, segundo informou Kalil ao site UOL no dia 30 de outubro, irá subir 50 milhões de reais em 2013 e esperamos que a diretoria continue com boas contratações, para que o time mantenha o nível. O gigante de Minas está de volta ao lugar de onde não deveria ter saído. Esperamos também que o Cruzeiro se reabilite e que Minas tenha dois grandes representantes na Série A em 2013”. A turma do Cruzeiro também mandou o seu recado: “2012 é um ano para se esquecer, esperamos uma reformulação total desse elenco medíocre e sem comprometimento com nosso manto azul. A diretoria errou em manter boa
parte do elenco de 2011, em que quase fomos rebaixados. Aquela goleada humilhante sobre o Atlético (6x1) serviu de ilusão para a diretoria, acharam que o elenco não era tão ruim pelo simples fato de golear nosso rival, coisa não muito rara nos últimos anos. O que nos resta é torcer como nunca para que a grandeza do Cruzeiro prevaleça sobre toda a mazela e erros de homens sem caráter e sem competência, que assumiram uma responsabilidade sabendo que não tinham os atributos necessários para honrarem tão grande tarefa”. Espero que as duas torcidas cresçam e atuem de forma positiva na cidade e, quem sabe, possam realizar algumas atividades juntas, como uma gincana ou algum jogo amistoso?! Deixo o convite, em nome da diretoria do Galoucos, de promover uma ação em parceria com a Sangue Azul. A rivalidade é super importante no futebol, é muito saudável, desde que não haja inimizade.
Sistemas - Projetos - E-learning - Sites Treinamentos - Redes - Servidores
www.attcom.com.br