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Edicao 114

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ANO IX Nº 114- OUTUBRO 2012 / RESENDE COSTA - MG

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Aurélio Suenes é eleito prefeito de Resende Costa com 2.737 votos Foto: Fernando Chaves

PT e PSDB vêm se digladiando no poder em Resende Costa há 20 anos. Rompendo a dobradinha bipartidarista, Aurélio Suenes (PRTB/PMDB/PR) foi eleito prefeito do município com 2.737 votos, tornando-se assim um dos prefeitos mais jovens da região, com apenas 33 anos. Confira nesta edição os resultados das eleições municipais em Resende Costa e nas cidades da região do Campo das Vertentes. Leia também o editorial na página 2.

Páginas 04

Parte dos funcionários da Prefeitura Municipal de Resende Costa não tem recebido seu salário em dia

O prefeito Aurélio Suenes ao lado do vice Toninho Ribeiro - campanha vitoriosa confirmada por 2.737 eleitores

Desde julho deste ano, parte dos funcionários da Prefeitura Municipal de Resende Costa não recebe seu salário em dia. O pagamento, que normalmente é efetuado no último dia útil de cada mês, passou a acontecer por volta do dia 10 do mês seguinte. O principal motivo desse atraso foi a queda do FPM, principal receita do município. O secretário de Administração e Fazenda, Marcos Henrique (Mazé), prevê a regularização nos próximos dois meses. Páginas 06


2 Jornal das Lajes Editorial A imprensa nas eleições municipais As eleições municipais deste ano tiveram um ingrediente a mais: a adesão de candidatos, militantes partidários e eleitores às redes sociais. O site de relacionamento Facebook foi amplamente utilizado para propagandas, divulgação de propostas e, mais ainda, para o debate de ideias. Em Resende Costa, antes mesmo do início oficial da campanha, foi criado no Facebook o grupo de discussão “RC Política”, que de imediato obteve a adesão de centenas de internautas. E o número de participantes cresceu ainda mais à medida que a campanha eleitoral foi se desenrolando. Um dado satisfatório foi observar o envolvimento do eleitorado jovem nas discussões políticas. No grupo “RC Política”, o debate foi proveitoso e se deu em bom nível, apesar de algumas discussões mais ásperas, motivadas pelo calor da disputa partidária. O que veio à tona foram propostas para a cidade e reflexões sobre os problemas que atualmente afetam a vida do cidadão resende-costense. Enfim, neste ano o eleitor encontrou nas redes sociais o canal perfeito para se expressar livremente. A participação da mídia digital nas eleições reforça ainda mais a importância da imprensa na sociedade, apesar de, infelizmente, ainda haver políticos que a enxergam como um perigoso adversário que deve ser combatido a todo custo. Por isso, não raro surgem no Brasil algumas vozes propondo o tal controle da mídia. Ora, na verdade, as pessoas que propõem tais projetos, sejam parlamentares ou lideranças partidárias, só valorizam a imprensa quando ela defende ou divulga ideias que vão ao encontro dos seus interesses ou do interesse do seu partido. O que é lamentável para um país onde a democracia vigora robustamente. “Sem imprensa livre não há democracia”, afirmou a presidente Dilma Rousseff logo quando foi eleita. Esse “mandamento” deve ser decorado pelos políticos que desejam amordaçar a imprensa. Em Resende Costa, tanto o Jornal das Lajes quanto a Rádio Inconfidentes FM cumpriram sua missão nestas eleições. O debate entre os candidatos a prefeito, realizado no dia 22 de setembro, foi, mais uma vez, uma mostra do comprometimento do JL e da rádio Inconfidentes com a sociedade resende-costense. As regras do debate foram discutidas e aprovadas pelos representantes dos partidos e coligações, no intuito de beneficiar aos três candidatos. O eleitor aprovou o debate e certamente usufruiu dele para a escolha do seu candidato. A disputa eleitoral chegou ao fim. O momento é de acompanhar os eleitos, prefeito e vereadores, para se certificar de que cumpram seus mandatos com dignidade e realizem o melhor para nossa cidade. Os desafios são muitos e governar exige do gestor público, além de competência, muita perspicácia, responsabilidade, prudência e abertura para o diálogo. Durante a campanha, o eleitor recebeu muitos candidatos em sua casa, ouviu propostas, acolheu promessas e acreditou. Agora certamente irá cobrar dos eleitos. Passada a euforia das eleições, é chegado o momento de encarar a realidade do município e, diante dela, planejar o governo. O JL deseja boa sorte aos eleitos de Resende Costa - o prefeito Aurelio Suenes e seu vice Toninho Ribeiro e os nove vereadores – bem como aos dos demais municípios do Campo das Vertentes. Uma das características da política resende-costense, diferentemente de algumas cidades da região, é o clima de respeito e cordialidade durante as disputas eleitorais. E é justamente essa relação respeitosa e cordial que nós da imprensa de Resende Costa propomos aos eleitos.

Jornal das Lajes Ltda

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CNPJ: 09.323.470/0001-60

Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro

Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000

Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Diretor de redação: Rosalvo Pinto

Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP

Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte

Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves

Tiragem: 3000 exemplares

Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto

Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

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Meio Ambiente

ADRIANO VALÉRIO RESENDE

A destinação do lixo em Resende Costa Na sociedade atual, o consumo de bens materiais, muitos deles descartáveis ou de pequena duração, é incrivelmente grande. A destinação final ambientalmente adequada dos resíduos (o “lixo”), como produto final dessa mentalidade consumista, tem sido objeto de preocupações por parte dos gestores públicos. De maneira geral, as Prefeituras, como responsáveis legais pela coleta, transporte, destinação e disposição final dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) têm enfrentado dificuldades, desde financeiras até operacionais, para destiná-los adequadamente. Pensando mais holisticamente, conforme estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal nº 12.305/2010), além da disposição em aterros (aterro sanitário, aterro controlado ou lixão), existem outras formas de destinação final e também processos e ações que ajudam a diminuir o volume de resíduos a ser enterrado. Com relação à destinação final adequada tem-se, por exemplo, a incineração, que apesar de ser um processo que praticamente não deixa passivo ambiental é significativamente mais caro. Os processos voltados para a diminuição do volume de resíduos dispostos em aterros consistem basicamente na instalação de Usinas de Triagem e Compostagem (UTC) e na coleta seletiva. As ações principais consistem em redução, reciclagem e reutilização, destacando-se aqui a educação ambiental como peça-chave. Ressalta-se que esses processos/ações podem propiciar geração de renda por parte

da população envolvida, trazendo, portanto, além dos benefícios ambientais, benefícios sociais para a comunidade. A implantação de UTCs e as campanhas de divulgação sobre a necessidade de se separar os recicláveis na origem (residências e estabelecimentos comerciais) têm sido as principais ferramentas dos órgãos públicos e da sociedade civil organizada para otimizar a questão da destinação final dos RSU. A UTC é um sistema que consiste na “separação manual da matéria orgânica, materiais recicláveis, rejeitos e resíduos especiais presentes no lixo”. Os recicláveis (plástico, papéis, vidros etc.) são segregados e vendidos; a parte orgânica é destinada ao pátio de compostagem para produção de compostos orgânicos ricos em húmus e nutrientes minerais, que podem ser utilizados em paisagismos, na recuperação de áreas degradadas, entre outros; e o que não pode ser aproveitado é direcionado ao aterro. Resende Costa, infelizmente, ainda não dispõe de UTC. A coleta seletiva tem como principais objetivos a separação dos resíduos recicláveis nas fontes geradoras. Reciclar traz vários benefícios econômicos, ambientais e sociais, como diminuição do resíduo a ser aterrado (aumentando a vida útil do depósito de lixo), preservação dos recursos naturais, economia de energia, diminuição da poluição do ar e das águas e geração de empregos. Destaca-se que está previsto na legislação mineira (Leis nºs 13.803/2000, 14.128/2001, 18.031/2009) a res-

ponsabilidade pública para com o fomento à coleta seletiva, à reciclagem e à organização e inclusão social dos catadores. Em Resende Costa, os princípios de uma separação de resíduos aconteceram por volta de ano 2000, quando alguns resíduos recicláveis eram separados na carroceria do caminhão de coleta de lixo. Em 2009 a prefeitura comprou um caminhão compactador, que inviabiliza a separação dos recicláveis. Assim, a partir de 2010, a prefeitura iniciou a implantação da coleta seletiva na cidade, inicialmente no centro, depois nos bairros e escolas. Trabalham no processo, além de funcionários da prefeitura, pessoas cadastradas pela Secretaria de Assistência Social, que recolhem os resíduos nas casas e alguns presos, que trabalham voluntariamente na separação, prensagem e pesagem dos resíduos no Parque do Campo e na área do antigo matadouro. Os equipamentos utilizados foram recebidos por doação: prensa, balança, elevador e carrinhos de mão. Reconhecendo os esforços inicias e as dificuldades na continuidade, a coleta seletiva e a consciência ambiental precisam avançar em Resende Costa. *Mestrando em Geografia (tratamento da Análise Espacial, na PUC Minas) e Analista Ambiental da Fundação Estadual do Meio Ambiente. (A coluna “Meio Ambiente” é uma parceria entre Jornal das Lajes e a ONG Instituto Rio Santo Antônio - IRIS).

Imprensa

Presidente da Câmara Municipal de Resende Costa e editores do JL visitam a FAOP

No dia 26 de setembro, o presidente da Câmara Municipal de Resende Costa, Luís Cláudio dos Reis, e os jornalistas e editores do Jornal das Lajes, André Eustáquio e Emanuelle Ribeiro, visitaram a Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP), sendo recebidos pelo diretor de promoção e extensão cultural da instituição, Celmar Ataídes Júnior. Na ocasião, estava acontecendo na FAOP o “6º Seminário Patrimônio Cultural – Conservação e Restauração no Século XXI”. Durante a visita, André, Emanuelle e Luís Cláudio tiveram oportunidade de participar de um estudo de casos ministrado pela são-joanense Alzira Agostini Haddad, cujo tema foi: “A cidade que sonhamos é a cidade que podemos construir: pelo empoderamento local/

global. São João del-Rei Transparente”. A visita também estreitou os laços de possíveis parcerias entre a FAOP e Resende Costa, na elabora-

ção e execução de projetos culturais. A FAOP é uma unidade da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, sediada em Ouro Preto.

Os editores do JL, Emanuelle e André, o diretor da FAOP, Celmar Ataídes e o presidente da Câmara de Resende Costa, Luís Cláudio


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Literatura

Filho da pedra revela a literatura escondida nas Pintura em palavras: os móbiles montanhas de Minas de areia de Evaldo Balbino ELAINE MARTINS

As montanhas escondem o que é de Minas. A afirmativa do verso do poeta Carlos Drummond de Andrade poderia ser válida para a literatura de outro poeta mineiro, Evaldo Balbino, nascido nas grotas do antigo Arraial da Lage, terra dos inconfidentes Resende Costa, na serra das Vertentes. Só não o é porque, apenas neste ano, o autor do livro de poemas Moinho (Scriptum, 2006), laureado pelo Suplemento Literário de Minas Gerais, deu a luz a dois novos livros, Móbiles de areia (Amirco, 2012) e Filhos da pedra (Nelpa, 2012). Cumprindo o ritual simbólico de lançar suas obras na sua terra natal, Balbino estreou na prosa com Móbiles de areia em Resende Costa, em junho e, em Belo Horizonte, em agosto. O livro de crônicas foi matéria de entrevistas concedidas pelo autor a emissoras de rádio (Inconfidência AM, Inconfidentes FM, Unesp), jornais (Agora, Estado de Minas, Hoje em Dia, Gazeta de São João del-Rei, Folha das Vertentes e Jornal das Lajes) e agências de notícias. O poeta, que vive na capital mineira desde 1995, rompeu as montanhas e lançou Filhos da pedra primeiro na 22.ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o maior evento do gênero na América Latina, também em agosto. Galardoado pelo Prêmio Eugênio Coimbra, o livro foi lançado na Biblioteca Municipal de Resende Costa, na noite de 7 de setembro, em um concorrido evento promovido pela Amirco e conduzido pela professora Regina Coelho. Tendo como fundo o acervo original da biblioteca doado por Antônio

Gonçalves Pinto em 1918, o bate-papo literário entre Regina e Evaldo contagiou o público. Maria Moreira homenageou o ex-aluno com a leitura dramatizada da irreverente “Canção do Exílio”, de autoria do poeta. Luzia Resende escolheu outra poesia do livro, “O seduzido”, e Fernando Cunha leu “Ofertório ao filho da pedra”, de sua lavra e inspirado na obra de Balbino. Em Belo Horizonte, a noite de autógrafos ocorreu dia 18, na Livaria Status. Com as obras recém-lançadas, a literatura de Evaldo Balbino, antes escondida, vai sendo descoberta, introduzida no montanhoso mapa do mercado literário e ganhando lugar nas estantes de leitores sensíveis. Em Filhos da pedra, por exemplo, esse leitor se depara, já na capa, com a comunhão do passado (herança colonial) com a modernidade (olhar presente), além da pedra, matéria linguística e imageticamente explorada ao longo da obra – mas isto seria assunto para outro texto. Com mais de 14 prêmios, Evaldo aparece em antologias de poetas con-

teporâneos e no Catálogo de autores y libros de América Latina (Cerlalc; Unesco, 2008), editado na Espanha. Ele já tem prontos dois livros de poesias e um de contos, traça mais quatro de poemas, termina o que virá a ser o seu primeiro romance e ainda trabalha no segundo, Beraliza à beira da estrada, cujo enredo envolve um assassinato ocorrido além das grotas do Ribeirão de Santo Antônio, no Estivado, tendo como pano de fundo o getulismo. Esse livro possivelmente integrará a nossa Coleção Lageana, de que já faz parte Móbiles de areia. O escritor também negocia em Belo Horizonte a edição dos títulos infantis Cordel do gato sem botas e Carrossel de palavras. O veio poético desse filho da cidade das lajes parece mostrar o quanto de segredos e preciosidades literárias das montanhas de Minas merece ser garimpado, valorizado, apreciado e compartilhado. Assim, outro verso de Drummond, “Ninguém sabe Minas”, poderá ser reescrito – com a devida licença poética, claro.

Promovido pela Amirco, o lançamento de Filhos da Pedra reuniu mais de 80 pessoas na noite histórica da Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto.

Voz do Cidadão Uma vaca de pequeno porte morre ao cair numa poça de esgoto Sou proprietário de um sítio dentro da cidade, próximo às mediações da Copasa, onde crio algumas cabeças do gado “Santa Rosália”, que se caracterizam pelo pequeno porte. Tal espécie ainda não é muito comum em Resende Cos-

ta, o que aumenta o seu valor e estima por quem as tem. Durante as exposições agropecuárias passadas do município, participei com muito gosto e satisfação. As “vaquinhas” e os “boizinhos” sempre chamaram a atenção de quem por ali pas-

sava, principalmente das crianças. No entanto, no mês de agosto último, fui surpreendido pela perda de uma vaca, nomeada por “Boneca”. O animal, ao cair em um esgoto a “céu aberto” dentro da minha propriedade, inalou e

REGINA COELHO “É com palavras que faço pinturas”. Assim, sem fazer rodeios, o cronista Evaldo Balbino define seu ofício de escrever e o põe em prática produzindo belos quadros. Exemplo disso pode ser visto e sentido nas 33 crônicas da obra Móbiles de Areia (Amirco, 2012) que, chancelado pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, constitui o terceiro livro da Coleção Lageana. Usando a metalinguagem para justificar paixão e compulsão pela palavra, como no texto que dá nome ao livro e em outros como “Ávida palavra”, “Ao rés-do-chão” e “O pintor” (de onde foram extraídos alguns fragmentos destacados aqui), Evaldo vai muito além disso. Em “Declaração de amor”, ele discorre sobre a descoberta, ainda na infância, dos primeiros livros, ao que parece um encontro definitivo com a leitura, depois com a própria escrita. E afirma categoricamente: “Na contramão das preocupações ecológicas, gosto muito dos papéis. Sou uma traça às avessas”. Para quem “a vida é leitura do que se pintou e se pinta” e “nossos olhos têm o poder de ressuscitar mortos, de fazer renascerem constantemente passados”, as mãos “retratistas” do autor revivem brin-

engoliu os excrementos ali presentes. Queria registrar que juntamente com meus irmãos, entramos no dito “esgoto” para resgatá-la, mas nosso esforço foi em vão. A “vaquinha” acabou morrendo. Como cidadão honesto e trabalhador, que paga seus impostos fielmente, venho aqui demonstrar a minha indignação e pedir das autoridades responsáveis

cadeiras, travessuras e sobressaltos do menino vindo da roça para morar na cidade com a família. Aliás, o Ribeirão de Santo Antônio (povoado) e Resende Costa são espaços afetivos quase sempre presentes nos textos. E há muito mais. Ganham destaque as cenas prosaicas do cotidiano que retratam pai e mãe na difícil lida de muitos momentos em que a figura materna reina absoluta. “Parecendo antiga, minha mãe era moderna. Dominando e fingindo ser dominada, suas mãos tinham um poder de glória. De domar o marido com carícias e brados” – define o autor, agora a figura central daquele núcleo familiar na visão do garoto de antes. Não faltam histórias envolvendo tipos humanos interessantes nem reflexões sobre a morte e, especialmente, sobre Deus em imagens divinamente pintadas pelo poeta/pintor que Evaldo Balbino não deixa de ser. “Deus está é dentro da gente e não fora. Se ele aparece nas nuvens, são nossos olhos que o projetam lá: projetam as nossas próprias almas”. Sem quaisquer retoques, o trecho final de “Estátuas aéreas” é puro encantamento. Assim também o é o estilo corajoso do jovem Evaldo ao produzir, no todo, obra de primeiríssima qualidade.

medidas para que tal situação não venha a se repetir. Acredito que esgoto a “céu aberto”, dentro de qualquer cidade, é algo grave e sério que merece ser analisado com toda atenção, a quem compete fazê-lo. André Luís Mendes de Almeida Sítio Marisco (Resende Costa – MG)


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Eleições 2012

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Aurélio Suenes rompe bipartidarismo ao ser eleito prefeito de Resende Costa PT e PSDB vêm se digladiando no poder em Resende Costa há 20 anos. Com Gilberto Pinto o PSDB emplacou dois mandatos e outro terceiro com José Rosário. Já o PT foi representado no Executivo Municipal pela administração do doutor Luiz A. Pinto e por último, com Adilson Resende, que tentou a reeleição nas eleições do dia 7 de outubro último. Rompendo a dobradinha bipartidarista PSDB/PT, Aurélio Suenes (PRTB/ PMDB/PR) foi eleito prefeito de Resende Costa com 2.737 votos, tornando-se assim um dos prefeitos mais jovens da região, com apenas 33 anos. O clima nas ruas, nas três últimas semanas que antecederam às eleições, parecia sugerir uma vitória de Aurélio. Como não houve nenhuma pesquisa registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a curiosidade dos eleitores resende-costenses era cada vez mais aguçada quando saía o resultado de alguma pesquisa interna

dos partidos. Porém, sempre vinham a público números pouco confiáveis, afinal nenhum partido tinha autorização para divulgar o resultado verdadeiro e, em alguns casos, nem interesse havia, principalmente quando os números mostravam uma situação desfavorável ao partido que encomendara a pesquisa. A ansiedade chegou ao fim na tarde do dia da eleição, quando os boletins das urnas começaram a ser somados pelos fiscais dos partidos. Logo se viu que Aurélio abriu uma dianteira considerável nas seções da cidade. Quando, enfim, vieram os resultados das seções da zona rural, os partidários de Aurélio, antes mesmo de o Fórum divulgar os resultados oficiais, soltaram o grito da vitória, uma vez que a diferença entre ele e o segundo colocado, Gilberto Pinto (PSDB), não podia mais ser superada. O resultado final foi: Aurélio Suenes: 2.737 votos (38, 69% dos Foto: Fernando Chaves

Aurélio entre seus apoiadores

votos válidos); Gilberto Pinto: 2.248 (31,77% dos votos válidos) e Adilson Resende: 2.090 (29,54% dos votos válidos). Por volta das 18h30min, a praça Rosa Penido já estava tomada pelas bandeiras verdes empunhadas pelos militantes do PRTB e pelos eleitores de Aurélio Suenes. A festa, que se estendeu até o fim da noite de domingo na rua Gonçalves Pinto, centro da cidade, foi o desfecho de um anseio que, durante a campanha, foi se tornando claro em Resende Costa, ou seja, o resultado das urnas revelou a vontade do povo pela renovação. Entenda-se renovação, neste caso, como o rompimento com o bipartidarismo PSDB/PT presente na política de Resende Costa há vários anos – uma situação que já começava a desagradar grande parte dos cidadãos resende-costenses. A coligação “Essa é a via. Esse é o caminho”, liderada por Aurélio Suenes e seu vice Toninho Ribeiro, catalisou a vontade do eleitor de ver outra alternativa para a política resende-costense. O recado das urnas foi dado. A eleição de Aurélio em Resende Costa faz eco à tendência regional pela renovação política. Em São João del-Rei, por exemplo, o professor Helvécio Reis (PT), neófito na política partidária, desbancou o candidato favorito, ninguém menos que o prefeito Nivaldo Andrade (PMDB), que tentava a reeleição, apoiado pelo senador Aécio Neves e pelo governador Antônio Anastasia. Outro fator a se destacar nessas

Foto: Fernando Chaves

Durante a campanha, Aurélio recebeu os abraços das crianças

eleições em Resende Costa é a renovação da Câmara Municipal. 60 candidatos disputaram os nove cargos para vereador. Um número expressivo. Chama a atenção, também, a quantidade de candidatos jovens – uma satisfatória surpresa, sinal de que a juventude está, felizmente, se interessando ainda mais pela política. A cidade e os partidos ganham com isso. Espera-se que essa adesão da juventude, seja nas candidaturas, ou nos debates nas redes sociais, sirva de estímulo para os partidos se renovarem e se abrirem mais para o diálogo, uma vez que não se faz política apenas com meia dúzia de filiados. A participação do povo e o debate de ideias são fundamentais para a revitalização dos partidos e para o amadurecimento da democracia.

Da Câmara atual, apenas três vereadores conseguiram a reeleição: Abel do Nenego (PMDB), 291 votos; Betinho (PSDB), 264 votos e Paulinho Daher (PT), 192 votos. Seis novos vereadores irão compor o legislativo municipal de Resende Costa no período 2013-2016. São eles: Zinho Gouveia (PSDB), 470 votos – o mais votado; doutor Luiz (PT), 416 votos; Joãozinho do Antônio Dias (PMDB), 389 votos; Lucas do Barriga (PR/ PRTB), 242 votos; Ângelo do MAC (PT), 208 votos e Chiquinho do Cajuru (PDT), 188 votos. Dos 8.716 eleitores, 7.641 (85,60%) compareceram às urnas; 1.255 se abstiveram de votar (14,40%). Em Resende Costa, foram totalizados 175 votos brancos (2,35%) e 156 nulos (2,09%).

Surpresas e novidades nas eleições municipais da região Campo das Vertentes JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Sem tirar o mérito do professor Helvécio Reis e seus aliados, a vitória do PT (e coligação) em São João del-Rei ocorreu em grande parte por “fadiga de material”. É bem verdade que em entrevista ao JL, o então presidente municipal do PT, Leo Silveira, disse que o partido estava preparado “para enfrentar os cenários mais difíceis possíveis”, com “real possibilidade de vitória”, independente do adversário. O fato é que ninguém mais aguentava o “jeito velho” de fazer política de Nivaldo Andrade, daí a grande surpresa com a decisão do senador Aécio Neves de empurrar

goela abaixo do PSDB local a coligação com o atual prefeito. Aécio e o governador Anastasia, cujo candidato em Belo Horizonte venceu no primeiro turno o esquema federal de Dilma/Lula, tiveram uma derrota humilhante em São João del-Rei. Justamente por apostar no “velho” quando poderia ter lançado um novo e promissor candidato. Mas as surpresas não pararam aí. Em Resende Costa, Aurélio Suenes (PRTB/PMDB/PR) derrotou o “bipartidarismo” em vigor nas últimas décadas (veja mais nesta edição). Em São Tiago, Irimar Mendes (PMDB e coligação) interrompeu uma sequência de

administrações tucanas. Irimar é herdeiro político de Vicente José Mendes, historicamente líder da antiga corrente do PSD local. Em Dores de Campos o opositor Toninho do Ninico (DEM/PT/ PSDB) desbancou a situação liderada pelo PMDB (ver reportagem nesta edição). Já em Ritápolis, o PT (e coligação) chegou ao poder pela primeira vez com Marcus Gimenez, numa eleição na qual os votos se dividiram entre três candidatos. Em Tiradentes, a vitória de Ralph Justino (PV/PMDB e coligação) deve deixar satisfeitos os empresários locais, responsáveis

pela geração de renda e trabalho no município. O novo prefeito é um político articulado, tendo sido secretário de cultura de Tiradentes e de São João del-Rei e o criador do festival de gastronomia de Tiradentes. Em Lagoa Dourada, ainda não foi desta vez que os “braquiária” (PSDB e coligação) conseguiram desalojar da prefeitura os “pêga” (PMDB e coligação), cujo candidato Antonio Mangá se reelegeu por mais um período. Da mesma forma, em Coronel Xavier Chaves, Helder Sávio Silva (PV/PMDB/ PSDB) conseguiu a reeleição, ou seja, o PT ainda não foi batizado

no cargo de prefeito. Em Prados, o PT (em coligação com PMDB e pequenos partidos) manteve o controle da administração municipal, com a eleição do vice-prefeito Maurilio José de Lima, o conhecido Liu. Em Barroso, a descendente de imigrante japonês e fenômeno político Eika Oka de Melo (PP/ PMDB e coligação) garantiu mais um mandato, ao derrotar tucanos e petistas, com respectivas coligações (veja o que está por trás destes resultados na página de política do site www.jornaldaslajes. com.br).


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Política Regional

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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

PSD e UDN viraram PMDB e Democratas, em Dores de Campos

A disputa acirrada entre os candidatos a prefeito pelo PMDB e pelo Democratas (DEM) lembra um pouco da história política de Dores de Campos, que já foi protagonizada pelas tradicionais facções de Barbacena - os Andrada e os Bias Fortes – e o grupo aliado de Tancredo Neves. Nesta eleição, venceu o candidato da oposição Toninho do Ninico (DEM), apesar das acusações de tentativa de influir no resultado por parte da empresa Marluvas, em favor do candidato da situação Wagner Thiago de Paula Teixeira (PMDB). Até 1890, Dores de Campos pertenceu a Tiradentes, tornando-se então distrito de Prados. “Foi uma luta sem trégua para conseguir a emancipação”, resume Francisco Raposo Filho em Memórias Administrativas e Fatos Históricos de Dores de Campos (edição sem data). Com a emancipação em 17 de dezembro de 1938, teve como primeiro prefeito nomeado o coronel Ildefonso Augusto da Silva (1939-45). Outros prefeitos nomeados foram Joel Elpídio Gonçalves (194547), o engenheiro Waldemar Santiago (Jan/Abr 1947) e José Teixeira Malta Sobrinho (Mai/Nov 1947). PSD x UDN - Inácio Silva (1948-51), do Partido Social Democrático (PSD), foi o primeiro prefeito eleito de Dores de Campos. Inácio seria escolhido para mais um mandato (1955-59), depois da administração de José Maria G. Tranqueira (1952-55), também do PSD. O primeiro prefeito da União Democrática Nacional (UDN) foi João Batista (1959-62), conhecido por Bombola. Na verdade, ele assumiu porque o farmacêutico Francisco Maximiano da Silva (PSD), o Canela, escolhido pelo critério de idade (houve empate nas urnas) veio a falecer antes da posse, segundo relata o atual presidente do PMDB local, Adriano Lopes. O primeiro prefeito da família Lopes Pereira, Eurico, assumiu em janeiro de 1963 eleito pelo PSD.

Novos partidos - Com o fim de UDN e PSD, surgiram Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Porém, na região, tanto os Andrada (UDN) quanto os Bias Fortes (PSD) aderiram ao regime militar, conta Adriano, acomodando-se na ARENA (1 e 2). A terceira corrente política entrincheirou-se no MDB, liderado por Tancredo Neves. Hélcio Moncorvo foi empossado prefeito em janeiro de 1967, depois de eleger-se pela ARENA

Foto Divulgação

Vista panorâmica de Dores de Campos, com destaque para a igreja matriz de Nossa Senhora das Dores

2, e logo no início do mandato migrou-se para o MDB. João Ferreira Filho (MDB) foi o prefeito do mandato-tampão de 1971-72. O MDB continuou no poder com Hélio Moncorvo, que administrou o município no período de 1973-77. A corrente udenista da ARENA finalmente chegou de fato ao poder, com a eleição do contador Afonso de Melo Mayrink, em 1976, apoiado pelos Andrada. “Fui convidado pelo partido para ser candidato a prefeito e, pela primeira vez, a oposição teve vitória na cidade”. Foi eleito para quatro anos, mas o mandato foi prorrogado por mais dois anos. Em 1983, José Maria Reginaldo da Silva assumiu a prefeitura, eleito pelo Partido Democrático Social (PDS), substituto da ARENA, para um mandato de seis anos. Ele foi eleito por uma das sublegendas do partido, mas logo depois da posse aderiu ao MDB, lembra Afonso. “Ele nos traiu”. O livro Memórias relata os feitos das administrações municipais até este período. Raposo Filho resume que, apesar das restrições financeiras, muitas obras foram realizadas (serviços de água e esgoto, abertura e calçamento de ruas e avenidas, construção de praças, estradas rurais, etc.). Também destaca a introdução de escolas primárias até a 6ª série, inclusive construção e reformas de prédios. Afonso Mayrink voltaria à prefeitura em 1989, já pelo Partido da Frente Liberal (PFL). “Lutamos contra a máquina e as máquinas do Newton Cardoso, inclusive”. Já Reginaldo da Silva elegeu-se de novo em 92, desta vez pelo Partido Progressista Popular (PPB,) em coligação com o PMDB. “O nosso candidato, o médico José Carneiro Moncorvo Neto, perdeu por apenas 28 votos de diferença”, recorda Afonso. Mas, em 96, o PFL re-

tomou a administração municipal com Meire France Lopes Mayrink, esposa de Afonso. Afonso Mayrink tentava a eleição pela terceira vez, mas no período de cadastramento de candidaturas o PMDB, por meio de seu presidente local Adriano Lopes, entrou com pedido de impugnação de sua candidatura por questões administrativas. No começo de 96, a justiça eleitoral aceitou a impugnação, referente às contas do último mandato de Afonso. “Por pressão do partido e dos eleitores, indiquei minha esposa Mary como candidata, e ela venceu a eleição”, disse Adriano. Em 2000, Mary France Lopes Mayrink concorreu à reeleição pelo PFL, mas foi derrotada por Antonio Alves Moreira (PMDB), o Totinho. Ela voltou a disputar eleição em 2004 e perdeu novamente para Ilidio Antonio de Melo Neto, também do PMDB. O então prefeito concorreu à reeleição em 2008, derrotando o candidato Antonio Américo Ramalho (PFL), o Toninho do Ninico. Naquela eleição, Afonso foi eleito vereador pelo DEM “com a maior votação da história da cidade. Foram 602 votos”. O DEM, na última eleição, “tomou rumo diferente, com candidatos que não são natos da corrente política”, lamenta Afonso ao se referir à aliança com o Partido dos Trabalhadores (PT) que indicou o vice da chapa, um ex-peemedebista. “Com isso, achei melhor encerrar minha vida política”. Políticos tradicionais - Os Lopes Pereira atuam na política municipal desde antes da emancipação, quando Francisco foi representante da Comarca de Prados, conta Adriano. Seus filhos, José e Adalberto, participaram ativamente da política municipal, o primeiro na luta pela emancipação e o segundo como um dos fundadores do PSD local. Am-

bos foram vereadores. Em época de campanha política, Tancredo Neves costumava hospedar-se na casa de Adalberto. Francisco, José, Adalberto e Eurico foram lideranças políticas identificadas com o antigo PSD. Já Waldir Lopes foi um dos fundadores do PMDB dorense, atualmente dirigido por Adriano por duas vezes (em 1995-97 e a partir de 2009). Afonso Mayrink é o tradicional líder da antiga UDN, mantendo até hoje o respeito dos seus seguidores e adversários. Dos 77 anos de emancipação de Dores de Campos, ele foi eleito ou influiu diretamente na eleição de prefeito por 26 anos, observa Adriano. Astrogildo Mayrink, pai de Afonso, nasceu em Ponte Nova e foi para Dores de Campos onde passou a exercer a profissão de contador, “fazendo muitos favores para o povo”. Foi vereador, presidente da Câmara Municipal e candidato a prefeito na década de 1950. Muito ligado a José Bonifácio Lafaiete de Andrada, o Zezinho Bonifácio, e a Bonifácio Tan de Andrada, foi um dos iniciadores da UDN em Dores de Campos. Com o escritório de contabilidade “herdado” do pai, Afonso ajudou muita gente de idade a se aposentar pela previdência rural. “Com isso, eu também me destaquei”. Até então, a UDN nunca havia vencido uma eleição para prefeito, recorda Afonso. O melhor resultado que conseguiu foi um empate entre Bombola (UDN) e Canela (PSD). Mas Canela adoeceu e, com a morte dele, o Tribunal Regional Eleitoral deu vitória para o Bombola. Obras - Entre as principais obras realizadas por administrações municipais no período pós-emancipação, Afonso Mayrink destaca a conquista da CEMIG (gestão de Bombola); o sistema de tratamento

de água (primeira gestão de José Maria Reginaldo da Silva); instalação da antiga estatal TELEMIG e rede de esgoto (primeiro mandato de Afonso); nova sede da prefeitura e Hospital Astrogildo Mayrink (segundo mandato do próprio Afonso). Com mais ou menos intensidade, os prefeitos em geral investiram na melhoria do abastecimento de água e da rede de esgoto (não tratado). Mas o serviço continua municipal, uma vez que até hoje Dores de Campos não aderiu à COPASA. Indústria de selas - Os irmãos Antonio da Silva Sena e Manoel Justino da Silva foram os pioneiros da indústria de arreios em Dores de Campos, segundo relato de Raposo Filho no livro Memórias. As selarias são importante fonte de geração de empregos e base da economia local, observa a historiadora e diretora do Departamento de Patrimônio Cultural/Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Tereza Raquel Assis O. Pugliese. Desde o início do povoado do Patusca, diversas famílias beneficiam-se direta ou indiretamente desta atividade, que teve seu início na cidade por volta de 1835 e 1840. Os irmãos Silva, que aprenderam o ofício em Barbacena, aperfeiçoaram a atividade e transmitiram seus conhecimentos aos descendentes e moradores, tornando Dores de Campos referência nacional e internacional na fabricação de selas, resume Tereza. “A cidade ainda possui grande número de indústrias de arreios, bolsas, elásticos. O comércio é intenso e variado”. A indústria desenvolveu tanto que o município de Dores de Campos já é considerado o maior polo produtor e distribuidor de selas e acessórios da América Latina, de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro, Pequena e Média Empresa (SEBRAE-SP), citado por Gilmar Aparecida Tarcísio, presidente da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços de Dores de Campos (ACIDEC). Também é importante para a economia do município a empresa Marluvas, que produz calçados de segurança. Esses dois setores são representados pela ACIDEC. Um dos problemas do município, que deve ser enfrentado por meio de parceria entre o poder público e o setor produtivo, é a falta de mão de obra especializada, diz Gilmar. (A íntegra deste texto está disponível em www.jornaldaslajes. com.br).


6 Jornal das Lajes

Cidade

ANO IX Nº 114 - OUTUBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO

Desde julho, parte dos servidores públicos não recebe salário em dia em Resende Costa

Desde julho deste ano, parte dos funcionários da Prefeitura Municipal de Resende Costa não recebe seu salário em dia. O pagamento, que normalmente é efetuado no último dia útil de cada mês, passou a acontecer por volta do dia 10 do mês seguinte. Segundo o técnico em contabilidade da prefeitura, Carlos Valério de Sousa, o Tuta, o principal motivo desse atraso foi a queda do Fundo de Participação do Município (FPM) no segundo quadrimestre de 2012*: “o FPM é a principal receita do município. No nosso caso, nós temos o coeficiente 08, medido através do número de habitantes. Somos dependentes do FPM, a receita tributária nossa é mínima”, explicou. De acordo com o secretário de Administração e Fazenda, Marcos Henrique de Oliveira Santos, o Mazé, a prefeitura começou a atrasar os salários em julho. No mês de agosto, o número de servidores sem receber aumentou e isso aconteceu novamente em setembro. Os primeiros servidores que tiveram os salários atrasados foram os agentes políticos, pessoal da administração, aposentados e os que recebem complementação. Depois dessa ordem e passado o primeiro mês, foi preciso atrasar o de outros funcionários. “Hoje a mordida é: prefeito, secretários, servidores inativos, os que recebem complementação, médicos, enfermeiros, pessoal do CRAS, Secretaria de Administração. São 60% pagos e 40% esperando a primeira parcela do FPM. A gente espera que com a subida no terceiro quadrimestre a gente consiga superar e já pagar em dia nos próximos meses, para fechar o ano, com receita e despesa equilibradas”, disse o secretário. Tuta explicou que a queda do FPM é natural: “em 2008, 2009, 2010 e 2011, a receita caiu no segundo quadrimestre e voltou a subir. Em 2012, até o momento, só há queda. Se compararmos os dois

quadrimestres de 2012 com o exercício anterior, a gente ainda tem um ganho financeiro, na ordem de mais de 200 mil reais. Então, até junho o pagamento foi feito em dia por causa da reserva financeira. A gente tinha investimento nos anos anteriores para exatamente suprir a queda da receita esse ano. Mas esse ano a gente não tem mais, o caixa zerou e a gente depende da receita do mês para pagar o mês. As receitas dos últimos três meses não foram suficientes”. Além da queda do FPM, outros fatores agravaram ainda mais esse momento de “crise” enfrentado pela Prefeitura, como explica o contador: “houve mudanças entre o planejado e o executado. Houve obras não previstas no orçamento que foram executadas através de crédito especial, como por exemplo, a reforma do Centro Comunitário do Curralinho dos Paulas. A reforma da Casa de Cultura estava prevista no orçamento para ser executada com recursos de convênio, mas não houve a transferência e, por isso, está sendo executada com recursos próprios. Tivemos ainda as comemorações do centenário, que foi uma exceção. Houve um gasto a mais do que nos anos normais, do que como foi previsto”. Tuta explicou ainda que o reajuste deste ano foi além do que é considerado inflação. A inflação foi em torno de 7% e o reajuste foi de 15%, acompanhando o salário mínimo. Segundo ele, o município fica quase que “obrigado” a seguir esse percentual. “O piso do professor foi lá em cima; a União dita o piso e o município tem que acompanhar. No ano passado, a gente pagava o peso da folha do magistério em torno de 65% da receita do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Nós terminamos o mês de agosto com 75%, para ter uma noção do peso da folha. É

uma sequência de fatos agravantes”, acrescentou. Mazé afirma que isso não vem acontecendo apenas em Resende Costa: “eu tenho conversado com secretários da região, de Lagoa Dourada, São Tiago, e essas cidades estão passando pelo mesmo problema que a gente. Em algumas situações, problemas até piores. A gente está cumprindo com o repasse da saúde, maior que 15%. A gente passa os 25% para a educação, sempre respeitando isso. Questões legais, repasses para as secretarias, tudo obedecendo às leis, a gente consegue manter isso. Em 2009 a gente também passou um certo aperto, mas conseguimos segurar as pontas. Se considerar o volume da crise, nós passamos bem, tranquilamente”. Hoje, a maior despesa da Prefeitura é com servidores: “o município pode gastar 54% com a folha de funcionários. No mês de agosto, a folha de pessoal fechou em 52%. Eu não posso falar que isso é saturado, que a prefeitura está inchada de servidores, de jeito nenhum. Em cima da receita, está bem próximo do limite, mas em questão de números e demanda nós temos diversas deficiências aqui”, destacou Tuta. Diante do déficit financeiro que a Prefeitura enfrenta hoje, o JL questionou sobre a possibilidade e a viabilidade da criação de uma nova secretaria na Prefeitura Municipal e sobre os impactos dessa medida. Tuta explicou o seguinte: “o orçamento de 2013 já está na Câmara, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2013 foi votada em junho. E não está prevista a criação de nenhuma secretaria nova. Portanto, ela não pode ser criada. Mas para o ano seguinte, ou seja, 2014, é preciso analisar o impacto dessa ação. Ano que vem é o ano de elaboração do Plano Plurianual (PPA) para quatro anos, e o impacto será analisado.

Regional

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

O IPTAN consegue 1º curso de engenharia e ainda luta pela medicina em São João del-Rei

O Instituto Presidente Tancredo de Almeida Neves (IPTAN) prepara-se para implantar o seu curso de engenharia de produção em 2013, no momento em que a demanda por profissões nas áreas de exatas está em alta no Brasil. A revelação foi feita pelo diretor geral da instituição são-joanense, Ricardo Assunção Viegas, que falou ainda sobre um desejo antigo de ter um curso de medicina (outra profissão na qual a mão de obra também é escassa). Segundo Viegas, o IPTAN, que existe há 11 anos, vinha tentando, muito antes da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), conseguir em Brasília a aprovação de seu curso de medicina em São João del-Rei. Este sempre foi um grande sonho do médico Nicolau Carvalho Esteves, mantenedor do IPTAN, que possui cerca de seis ou sete faculdades de medicina espalhados pelo Brasil, em cidades como Juiz de Fora, Ipatinga A viabilidade técnica da criação de uma nova secretaria será muito bem estudada”. Para finalizar, Mazé afirma que pretende regularizar a situação do atraso dos salários dos servidores o mais breve possível: “a perspectiva minha em junho era normalizar em um mês, mas não tive sucesso devido à queda contínua do FPM. A gente tem que normalizar até 31 de dezembro. Agora, o crescimento do FPM é eminente, como apontam os gráficos, e pretendo no mês que vem já pagar todo mundo em dia. O percentual de gente que vai ficar sem receber em dia com certeza vai diminuir”. Questiona-

e Araguaína. Porém o sonho do doutor Nicolau não se efetivou por causa de vários entraves, como excesso de burocracia e de exigências por parte do Ministério da Educação (MEC). “Ficamos surpresos, mas felizes pela UFSJ”, afirma Viegas, que não vê possibilidade de concorrência entre faculdades de medicina pública e privada. Segundo o diretor geral, o IPTAN acaba de ser credenciado pelo MEC com nota 4,0 (Diário Oficial da União de 03/09/2012). Para 2013, o projeto da instituição é transformar-se em Centro Universitário, com a autorização do MEC para a implantação do seu primeiro curso de engenharia. Atualmente, o IPTAN conta com cerca de 1600 alunos nas áreas de direito, enfermagem, administração, ciências contábeis, pedagogia, ciência e tecnologia da informação e educação física. do sobre se a Prefeitura fechará 2012 com o caixa em dia, Mazé respondeu: “a tendência é fechar o ano em dia, porém sem dinheiro ou com pouco dinheiro em caixa”. *Para entender melhor: tradicionalmente, o FPM é dividido em três parcelas, nos três quadrimestres. No primeiro quadrimestre, ele tem um patamar melhor. No segundo, devido à restituição do imposto de renda, ele cai e volta a crescer no último. Neste ano, além desta queda, houve a isenção do IPI, o que agravou mais. Até o mês de outubro, o FPM havia apresentado apenas queda.


Jornal das Lajes

ANO IX Nº 114 - OUTUBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Aconteceu

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EMANUELLE RIBEIRO / CÁSSIO ALMEIDA

Vak’s Fest para Resende Costa

No dia 13 de outubro, a Turma da Vaquinha realizou mais uma grande festa em Re-

sende Costa. A sétima edição da Vak’s Fest aconteceu no Parque de Exposições e atraiu

um grande número de pessoas. A galera curtiu a noite ao som das bandas Uai Garotos e Milla

Tequila. No outro ambiente, DJ agitando a noite toda.

3º Circuito do Som é realizado em Resende Costa Aconteceu de 21 a 23 de setembro em Resende Costa, o 3º Circuito do Som, evento promovido pelo MAC (Movimento Arena Cultural). A programação dessa edição do evento foi dividida da seguinte maneira: Sexta-feira Sertaneja, Sábado do Rock e Domingão variado. Participaram bandas de Resende Costa, Barbacena, São João del-Rei, Coronel Xavier Chaves, Prados, Bom Sucesso e até de Jeceaba. Bruno Silva, Bruno Resende e Maíra Maia integraram a comissão organizadora do evento.

“No fim de semana em que ocorreu o nosso evento, completamos dois anos de projetos culturais em Resende Costa. O Circuito do Som foi o evento que lançou o Movimento Arena Cultural, movimento este voltado para o apoio aos artistas de nossa terra. Muitas pessoas, até hoje, não entenderam nossa proposta, qual seja, a de fomentar a atividade cultural através do apoio a artistas amadores. Não somos empresa de eventos e não temos compromisso com grandes shows artísticos nem com fes-

tas movidas a incentivar o consumo de bebidas alcoólicas e outras coisas mais, como acontece nos quatro cantos do país”, declarou Ângelo Márcio, coordenador do MAC. No dia 3 de novembro, o MAC participará do projeto “Viva Viola”, na comunidade dos Pintos, com Chico Lobo, Wilson Dias e outros. E também no dia 3, estará na Festa do Rosário. Ângelo antecipa que acontecerá em dezembro a 3ª edição do Circuito das Artes, no Teatro Municipal de Resende Costa.

15 anos de Izadora Quizaika No dia 29 de setembro, Izadora Quizaika comemorou seus 15 anos no Sítio Primavera, onde recebeu seus amigos e familiares.

Izadora, ao lado da irmã e dos pais


8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

O porco e a pulga

De repente, uma freada brusca. Todos espremeram as caras curiosas contra o vidro das janelas do ônibus. Muitos falavam tudo, mas não tinham visto nada. Ainda mais naquele breu da noite. Aos poucos, informações mais precisas começaram a se espalhar dentro do ônibus depois que o motorista e o trocador desceram para averiguar. – Acho que matou. – Pelo barulho... – Era grande? Aquela freada me acordou justamente no momento em que eu sonhava que estava num globo da morte. Meio grogue, perguntei pro passageiro ao lado: – Cadê a moto? – Não tem moto não, moço. É bicho mesmo. Meio acordado, meio dormindo, mas palerma por inteiro, insisti: – Bicho?! Já acabou o número do globo da morte? Tá na hora dos bichos? É leão ou macaquinho? O rapaz preferiu sair de perto e foi lá pra frente, deixando-me sozinho no circo do Morfeu. Quando o torpor do ridículo se esvaiu, me dei conta de que o ônibus tinha atropelado um porco. Também me dei conta de que o motorista e o trocador não estavam resgatando o suíno, mas sequestrando. Já que o bicho estava abatido, resolveram não chorar pelo leite derramado... e pegaram o leitão esparramado. Colocaram o pobre animal dentro do porta-malas e seguiram a viagem, conversando animados sobre as possibilidades de menu

que o porco oferecia. Ali perto do Ribeirão do Mosquito, senti uma coceira chata na sola do pé. E eu estava de sapatos. Tentei enfiar o dedo, mas não alcancei o ponto. O jeito foi dar suaves pancadas com o pé no chão do ônibus em busca de algum alívio. Foi só eu começar que o ônibus parou de novo, irritando os passageiros: – Outro porco? – Alguém deixou o chiqueiro aberto. O trocador, assumindo os ares didáticos de uma comissária de bordo, explicou a todos que iria tirar o porco do porta-malas, pois o bicho estava vivo. Ele e o motorista tinham ouvido pancadas. Preferi ficar quieto. Dei pancadas com o pé sim, mas foram muito leves. Apesar da escuridão, pude ver os dois, cada um pegando de um lado, arrastando o porco desacordado e colocando-o à beira do asfalto. Voltaram e o ônibus começou a andar. Olhei repentinamente pela janela. Juro que vi o porco se levantar e sair correndo. Vivo e salvo. E o porco ex-cardápio sumiu no mato. E aí, eu fiquei pensando: o ônibus parou por causa das minhas pancadas ou o porco também deu pancadas, avisando que estava vivo? Salvei o porco com o meu pé ou ele mesmo se safou, pra não virar pé de porco? O porco levou o lombo, mas deixou o limbo: minha eterna dúvida. A pulga que estava no meu pé hoje mora atrás da minha orelha.

__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Contemplando as Palavras

REGINA COELHO

A voz do rádio no Brasil

Pesquisas recentes revelam que o rádio está presente em 52,1 milhões de domicílios brasileiros. Isso representa 171,9 milhões de ouvintes domiciliares e 91,3% dos lares de todo o Brasil equipados com o praticamente indispensável aparelho que propaga informações sonoras por meio de ondas eletromagnéticas. Embora hoje tenha sido suplantado pela televisão aberta, que é vista por 178,8 milhões de pessoas abrigadas em 54,2 milhões de domicílios, num total de 95,1% deles, o rádio segue firme como o companheiro diário de muita gente. E tem mais. Segundo estimativas, cerca de 80% dos automóveis, caminhões, camionetes e furgões possuem rádio AM/FM. Os números aqui mencionados são impressionantes pelo que representam num país de proporções continentais como é o Brasil, que celebra no corrente ano seus 90 anos de rádio. Numa volta ao tempo, o 7 de setembro de 1922 ficou registrado como o dia em que foi realizada a primeira transmissão radiofônica oficial no país como parte das comemorações do Centenário da Independência. Na ocasião, o discurso do presidente da república Epitácio Pessoa foi transmitido para receptores instalados em Niterói, Petrópolis e São Paulo, através de uma antena instalada no Corcovado, Rio de Janeiro, então capital da república. Na verdade, precisamente 80 aparelhos de rádio captaram a programação daquele dia histórico. Naquele mesmo dia, além da abertura da Exposição dos 100 anos de Brasil independente, à noite, a ópera “O Guarani” (de Carlos Gomes) foi transmitida do Teatro Municipal para alto-falantes instalados no local da exposição, assombrando

o público lá presente. Era o começo da primeira estação de rádio do Brasil, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Fundada por Edgar Roquete Pinto, a emissora foi doada ao governo federal em 1936, que a transformou na Rádio MEC. O mesmo assombro diante daquela “caixa que falava” pôde ser observado aqui em Resende Costa anos depois. De acordo com meu primo Alair, um estudioso entusiasmado da história da cidade, os três primeiros rádios resende-costenses tiveram como proprietários o Abraão Hannas, o Alcides Lara (meu avô materno) e o Ozório Chaves. Tratava-se de um modelo chamado rádio-capela, de um metro de altura e um de largura, um móvel da casa, praticamente. Nos lares onde eles foram instalados, o povo fazia fila para conhecer aquela novidade. E havia o Pedro Maia, fazendeiro do Curralinho dos Paula, que, maravilhado com o aparelho e cético ao mesmo tempo, achava que tinha alguém dentro dele. Ressalte-se que, inicialmente, o preço de um aparelho e a demora na implantação de retransmissoras foram impedimento para que muitas famílias adquirissem um rádio. Na trajetória histórica desse hoje poderoso meio de comunicação de massas (considerado agora como emissora), merece destaque a instituição, em 1935, do programa oficial do governo de Getúlio Vargas, “A Voz do Brasil”, transmitido até hoje em todo o país. Marcando época no rádio (e mais tarde na tevê), surgiu em 1941 o “Repórter Esso”, o primeiro radiojornal brasileiro. Sucesso total também tiveram os programas de auditório e seus ídolos da década de 40, a época de ouro, quando o rádio se tornou um veículo popular. Nesse cenário, as radionovelas foram um capítulo à parte, com

adaptações de tramas internacionais, muitas vezes, como “O direito de nascer”, do cubano Félix Caignet, que ficou três anos no ar e chegou a ser chamada popularmente de “O direito de encher”. E bem antes de a televisão chegar ao país, o que ocorreu em 1950, o rádio já fazia suas transmissões esportivas levando o torcedor ao delírio com narrações antológicas, como as que marcaram os dois primeiros títulos mundiais para o Brasil, em 1958 (na Suécia) e 1962 (no Chile). Levar o torcedor a “ver” a partida pelo rádio é a mágica que os mestres da locução esportiva conseguem fazer. É oportuno considerar que, apesar de ter sofrido um certo declínio em virtude do advento da televisão, o rádio no Brasil soube se adaptar aos novos tempos. E se nos seus primórdios as próprias características físicas do aparelho receptor faziam com que ele se mantivesse como um objeto de escuta coletiva em torno do qual a família se reunia, hoje ele pode ser levado facilmente a qualquer parte, até mesmo carregado no bolso do usuário. E se agora, em razão das muitas atribulações desta vida agitada, as pessoas já não se juntam mais para ouvir o rádio e conversar sobre as notícias do dia, elas o têm como a companhia fiel, seja para o trabalho, para o lazer ou para a solidão de certos momentos, especialmente o das madrugadas com seus insones ouvintes ou quase inevitáveis temores. E pensar que muitos decretaram o fim do rádio com a entrada da televisão no país, tornando-se também ela acessível à maioria dos brasileiros. Diferenças à parte ou por isso mesmo, o fato é que um não exclui a outra. Ainda bem! Dando voz ao ouvinte, a presente matéria continua na edição de novembro próximo. Até lá!


Jornal das Lajes

ANO IX Nº 114 - OUTUBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Retalhos Literários

Desde criança tenho reverência para com as cruzes. Aprendi que elas não devem ser adoradas, que devem sim ser execradas, pois numa delas, num dia terrível, um homem foi crucificado. E foi nela que ele também perguntou: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?”. O céu se fez escuro e a treva desceu sobre a Terra. Rasgando-se o véu do santuário, uma dor cortou os peitos sofridos, uma dor de sufocar a todos em amor, piedade e arrependimento. O véu se rasgando é bem a imagem da dor, de algo lacerante, mas é também a imagem de um vitupério, de uma coisa absurda, como absurdas são muitas coisas já acontecidas neste mundo. Muitos outros, como Jesus, foram mortos e crucificados. Tiveram muitos que carregar também suas cruzes. E muitas vezes o fizeram sem sentirem um Simão Cireneu os ajudando. Carregamos cruzes sempre. E elas são tão nossas, que às vezes nem as percebemos. Fazem parte de nossos corpos, de nossas vidas, de nossos medos, de nossos sonhos e de nossos pesadelos. Sem cruzes, não teríamos a possibilidade de rever a vida, de descansar em alguns momentos. Mas há muitos tipos de cruz. As hieráticas, as rígidas e as delicadas, as que brilham e as toscas e opacas, as feitas de pedra ou pau, mas também as fabricadas de suor e ouro e exploração. Existem as simplezinhas que se cravam nas infâncias do mundo, que se fazem de toquinhos, de talos de mamona, pauzinhos amarrados com embira e fé. Basta cruzar um pau com o outro e pronto: eis que uma cruz se desata, passa a existir. Lembro-me de quando eu estava aprendendo os pontos cardeais na es-

EVALDO BALBINO

As cruzes

cola primária. A professora Lúcia nos dava luz, nos ensinava a ficar de pé, de braços abertos, e com a mão direita virada para o nascente do sol. Aí saberíamos discernir os pontos cardeais: à direita o leste, à esquerda o oeste, à frente o norte e atrás o sul. Será que é por isso que dizemos que ter um norte é dar sentido à vida, é ter destino? Talvez seja por isso mesmo, pois desde pequeno me ensinaram que o Norte estaria à minha frente. E deduzi de tudo isso que olhar para trás ou para os lados seria fugir do norte, da linha reta, dos caminhos previstos. Mas ninguém na época me deu a fundamental lição que hoje eu já aprendi: olhar sempre para o leste é estar constantemente amanhecendo. E em pé, lá na escola primária, abrindo os braços sobre um sol delicioso, eu não sabia com o que me fantasiar. Se com a minha sombra projetada no chão, cheia de vida às vezes maior do que eu, ou se com os braços abertos que, com o corpo, formavam uma cruz, também viva, palpitando naquele chão de terra na Escola Estadual Assis Resende. À época, a escola funcionava no que é hoje a Prefeitura Municipal de Resende Costa, pois o edifício do Grupo Escolar Assis Resende estava em reforma. Das cruzes que existem, há duas que sempre me molestaram. Cada uma a seu modo. As de cemitério e as de estradas. Nos dois cemitérios da minha cidade, da minha pequena Resende Costa, as cruzes sempre foram sérias, empedernidas, postadas sobre sepulturas como se fossem sentinelas sombrias, austeras. Sempre me incomodaram essas cruzes, esses guardas que nunca tosquenejam, pois que estão vigiando sempre algo. Algo que nunca consegui

saber se é a vida ou a morte. Velam, por acaso, os que jazem entre flores e insetos alados? Ou nos espreitam, a nós que vamos ali chorar nossos mortos? Muitas pessoas tentam mascarar essas cruzes, tentam dar-lhes a gala de senhoras pomposas e bem-vestidas. Senhoras com hálito perfeito para salões e namoros e juventudes. Os entes queridos, os que ainda não transpuseram os umbrais da morte, colocam ao redor das cruzes jarros de flores, fotos dos falecidos, adornos outros e vários. Colocam tudo isso como se dissessem, numa dedicatória amorosa: “Aos mortos, dos que ainda vão morrer”. E nenhum desses adereços apaga o brilho da estrela fatal: a severidade dessas senhoras sobre corpos e insetos e vermes. Há também as cruzes plantadas nas beiras de estrada. Quando as vejo, um silêncio mais que profundo me toma. Um silêncio rumoroso, daqueles que nos vêm para fazer perguntas. E aí ficamos atônitos, querendo saber por que estão ali aquelas cruzes, o que de fato ocorreu no sítio onde elas reinam silenciosas e também sérias. Tais cruzes são muito simples, humildes, e raramente vejo flores tentando enfeitá-las. Parece que o tempo passa, e as cruzes enraizadas nas beiras de estrada, desleixadas, ficam sendo apenas memória. Memória sem enfeite nenhum. Mas para que servem os enfeites, se tudo passa mesmo? Acho que eles existem porque gostamos da beleza. E existem uma vez que, na beleza, podemos amar toda feiura. E entre feiuras e belezas, perdemos por fim a noção do que seja uma coisa e outra, e isso pelo fato de tudo ser belo. Assim nos amamos todos, entre cruzes, flores e insetos alados.

Educação

Olimpíada de Língua Portuguesa – escrevendo o futuro Uma semente leva tempos para germinar e produzir seus frutos. Assim também a semente do conhecimento precisa de carinho, paciência e dedicação para que seus resultados possam surtir os efeitos esperados. Pensando nisso é que a Comissão da Olimpíada de Língua Portuguesa “Escrevendo o futuro” preparou com todo zelo a programação deste ano, objetivando sempre produzir resultados que tenham como meta a formação de novos amantes da boa escrita e leitura. Além disso, proporciona uma oportunidade para o aperfeiçoamento de professores, como forma da ampliação do conhecimento e do aprimoramento do ensino da escrita. De março, quando foi lançada a Olimpíada, até dezembro, quando haverá o encontro nacional com os textos ven-

cedores, várias etapas foram e serão criteriosamente cumpridas e vencidas. Com o lema “Escrevendo o futuro”, a organização pretende conhecer a fundo o ambiente no qual vivem nossas crianças e jovens. Pretende mostrar a realidade de nossas “sementes a serem trabalhadas” através de crônicas, poesias, artigos de opinião e memórias literárias que tinham como tema “O lugar onde vivo”. Resende Costa participa com textos em todas as categorias, os quais têm grandes chances de se sagrarem vitoriosos. Uma etapa eles já venceram, vão agora representar o município na etapa estadual. Os vencedores e suas categorias de participação são: Categoria Poema: Alex Cássio de Assis, aluno da professora Alexandra (EM Conjurados Resende Costa); Ca-

tegoria Memórias Literárias: Maria Clara Silva Pinto, aluna do professor Edgar (EM Paula Assis); Categoria Crônica: Tatiane Resende Soares, aluna da professora Maria das Graças (EE Assis Resende); Categoria Artigo de Opinião: Renata Aparecida de Resende Chaves Loureiro, aluna da professora Jordânia, (EE Assis Resende). É de suma importância frisar que a participação no concurso abre novos caminhos e esperanças em um futuro promissor, pois incentiva todas as crianças e jovens a voltarem com mais dedicação o seu olhar para a literatura e para a educação. (Os textos vencedores da etapa municipal se encontram em sua íntegra no site do Jornal das Lajes (www. jornaldaslajes.com.br)

Gastronomia

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CLÁUDIO RUAS

De Portugal à Itália, via Resende Costa (Final) Depois de Portugal e França, chegou a hora de encerrar nossa jornada no velho mundo, já que a saudade do arroz com feijão começa a dar as caras. Para encerrar, lugar melhor do que a Itália não haveria. Antes da pizza, o que me vem à cabeça quando penso naquele país é o macarrão. É impressionante o tanto que eles apreciam e consomem as massas, na minha opinião, uma das grandes invenções do homem na cozinha. Dizem que foram os chineses os inventores dessa mistura simples de farinha de trigo e água (ou ovo), mas são os italianos quem mais se aprofundaram nas receitas e formas infinitas. Se na França existe um tipo de queijo pra cada dia do ano, na Itália isso também acontece com as variedades de macarrão, que vão muito além dos tradicionais espaguete, talharim e lasanha. O tipo de formato da massa não é à toa, pois ele tem uma função em razão da característica do molho ou ingrediente usado no prato. Por exemplo, não funciona bem uma massa em forma de tubo (como o pene ou o goela de pato) para uma receita que não seja molhada, já que essa forma é feita para “transportar” o molho até a boca. Os italianos gostam tanto de comida (discutem acaloradamente sobre ela) que são até sistemáticos no serviço das refeições: começam degustando um “antepasto” (espécie de tira-gosto), como uma muçarela de búfala (a escrita correta no português é com “ç” mesmo). Depois, é servido o “primeiro prato”, que sempre é uma porção generosa de macarrão ou risoto, capaz de nos satisfazer por si só. Em seguida, o “prato principal”, com uma carne ou pescado e uma salada ou vegetais, tudo sempre acompanhado de pão e vinho. Por fim a sobremesa, quase sempre à base de frutas ou simplesmente as frutas mesmo - e pra arrematar, o café, que eles tomam bem forte e curto. Em algumas regiões, depois disso tudo ainda comem um pedaço de queijo, outra paixão deles. Dá pra ficar cheio só de pensar, mas vale muito a pena passar por essa maratona. E ai de nós querer inverter a ordem ou misturar os pratos, eles até brigam. Mas no fundo têm razão, já que

nós também estranharíamos um italiano comendo arroz, feijão, couve e angu separado em etapas. Na gastronomia, a tradição é algo muito importante e tem uma razão de ser, apesar de que às vezes ela deve ser quebrada. Notamos muita coisa em comum com a nossa gastronomia, com a diferença de que por lá eles não têm certos preconceitos como aqui. Uma dobradinha com feijão branco por aqui soa como um prato restrito aos botecos brasileiros. Mas não. É um prato tradicional da nobre região de Milão, que ainda faz algo parecido com nossa feijoada, porém mais rústica ainda: as carnes e miúdos são cozidos juntamente com o feijão em um caldeirão de barro dentro do forno. Em Roma então, um prato tradicional é o rabo de boi cozido com mocotó. O porco é bem consumido de diversas formas, sobretudo em embutidos, que também são feitos com o javali, um ícone da culinária da região da Úmbria e da Toscana – a “Minas Gerais” deles. A polenta também é tão consumida quanto nosso angu, mas é feita com um “fubá” mais grosso, costuma ser temperada e também frita ou grelhada na brasa. Já a pizza (sempre individual) é bem diferente da nossa, pois é feita com uma massa mais fina e com poucos ingredientes, o que na minha opinião é uma grande vantagem. Além disso, ainda é bem mais barata do que as vendidas por aqui, algo em torno da metade do preço, o que acontece com várias outras iguarias. E apesar de tantas outras coisas boas, como os vinhos, azeites, tomates e pescados do mediterrâneo, a saudade da nossa comida mineira e brasileira parece crescer na mesma proporção do prazer que sentimos degustando a comida deles. É hora de voltar, mas trazendo na bagagem os bons exemplos da cultura italiana, da valorização dos produtos locais, da tradição, do sentar à mesa diariamente com a família, de comer com calma...e com alma. (A receita desse mês no nosso blog é um prato ítalo-mineiro, bem interessante: “massa com linguiça caipira e ora-pro-nobis - http://www.casalgastromg.blogspot.com.br/)


10 Jornal das Lajes Causos e Cousas

ANO IX Nº 114 - OUTUBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO

Um exemplo a ser seguido Venda Nova do Imigrante, eis o nome. Cidade capixaba escondida nas faldas da Serra do Mar, a 120 km de Vitória. Os portugueses já tinham estado por lá desde 1500. Dedicaram-se à agricultura, sobretudo a do café. Faltando a mão de obra após a abolição da escravatura, foram abandonando a região. Do outro lado do Atlântico, lutando pela sua unificação, a Itália vivia tempos de extrema penúria. Corajosamente, e em busca de dias melhores, os italianos deixaram a pátria e foram acolhidos no Brasil. As enormes dificuldades de adaptação e a dureza do trabalho os impulsionaram a se unirem para sobreviver. Trouxeram para o Brasil o que podiam ter de melhor: a capacidade de trabalho, o cooperativismo e o espírito de solidariedade. As primeiras famílias – Venturim, Altoé e Carnielli – chegaram ao Espírito Santo em 1891. Seguiram as famílias Caliman, Sossai, Perim, Zandonade, Falqueto, Ambrosim, Cola, Zorzal, Colodete, Casagrande, Paste, Camata, Zambom, entre outras. Assim nasceu a “Venda Nova”, no início pertencente a Conceição de Castelo. Só em 1988 emancipou-se. O município manteve o nome de Venda Nova, com o acréscimo de “do Imigrante”, em homenagem aos bravos antepassados que souberam transformar, em pouco tempo, aquela região inóspita num paraíso de bem-estar e de progresso. Cidade muito ligada aos salesianos de Dom Bosco, os membros da Rede de ex-salesianos tiveram a feliz ideia de realizar seu 11º encontro anual naquele recanto de céu. Feliz escolha. Nos dias de 21 a 23 de setembro, a comunidade vendanovense nos acolheu com simpatia, música, comida capixaba, passeios e visitas inesquecíveis, em síntese, com todo

carinho. Vamos conhecer um pouco da Venda Nova do Imigrante. Segundo o censo de 2010, 20.477 habitantes, o dobro de nossa Resende Costa. Os dados sócio-econômico-culturais são de causar inveja. A renda média anual per capita é de aproximadamente 2.000 reais. Tem uma das melhores distribuições de renda do estado. Predominam as pequenas propriedades. Algumas famílias sobrevivem muito bem com dois ou três hectares de terra, utilizados de forma intensiva, cultivando flores, hortaliças etc. Foi a primeira cidade do Espírito Santo a dispor de sistema de coleta e tratamento de esgoto, desde a década de oitenta. Venda Nova tem uma economia diversificada e até certo ponto sofisticada. O café, que já foi a cultura predominante, não o é mais. Foi premiada recentemente com o título de “capital do agroturismo no Brasil”, pois atrai, além dos brasileiros, turistas estrangeiros. O município está sempre entre os dez melhores em indicadores de educação. Tem uma faculdade e um Instituto Federal de Educação (IFES), recentemente implantado, focado no atendimento às necessidades locais: gestão de pequenos negócios e tecnologias alternativas para pequena produção. É uma comunidade pacífica, com índice de criminalidade quase nulo. Neste ano, por exemplo, nenhum caso de assassinato. A cidade investe em cultura: teatro, um coral (desde 1938) e dispõe hoje de um grande e moderno centro cultural. Todos os dados acima se devem a um fator fundamental: trata-se de uma comunidade na qual as pessoas participam solidariamente da vida da mesma. O voluntariado faz parte da cultura local. O Colégio Salesiano, o hospital, a igreja, o abrigo para idosos são,

entre outros, exemplos do trabalho coletivo. A famosa festa anual da “Polenta” conta com o trabalho voluntário de mais de 700 pessoas. A jardinagem da avenida central (trecho da BR 262) foi feita e é cuidada por uma associação de voluntários. Nós, resende-costenses, bem que poderíamos nos espelhar no modelo vendanovense. Teríamos uma cidade muito melhor do que a que temos hoje. Parece que na nossa região e em nossa cidade persiste o tipo de sociedade do “cada um para si e Deus (ou melhor, a prefeitura...) para todos”. Coisas boas do passado não foram adiante. Onde estão o teatro, o cinema, o grêmio literário, a orquestra, o ginásio, o glorioso Expedicionário? Décadas atrás, venderam, na calada da noite, a metade da praça Mendes de Resende (atrás da Matriz) para particulares, que nem resende-costenses eram. Ninguém se moveu para protestar e barrar tal inominável aberração. Afora o Conselho Patrimonial, ninguém lutou pela retirada da caixa d’água da Copasa nas lajes. Nem sequer conseguimos manter uma fracassada cooperativa agropecuária. Parece que ainda pesa sobre nós a assombrosa praga do pároco padre José Duque. Ao sair da paróquia, teria profetizado: “Resende Costa vai andar sempre um passo à frente e dois pra trás”. Alguém poderia perguntar: e o artesanato? É bem verdade que trouxe um crescimento da economia, mas vale lembrar que esse bem-estar econômico está concentrado em poucas mãos. Houve um aumento de oferta de empregos, sim, mas a relação capital/trabalho é cruelmente desigual. Urge criarmos novas lideranças, independentes de partidos e de brigas políticas. Temos novos administradores e legisladores. É o momento de se repensar o futuro de nossa cidade, revertendo a praga: sempre um passo à frente.

Crônicas do Cotidiano

RAFAEL CHAVES

O pagador de promessas Férias é para fazer o que der na telha, até pagar promessa. Inclusive promessa dos outros. Quando me chamaram – ou eu me ofereci – para a cavalgada, eu nem sabia que o objetivo dela era o de pagar uma promessa que o Vilmar do Zé do Alípio tinha feito. De modo que o meu motivo primeiro, o de cavalgar, foi acrescido ao que o Vilmar fez questão de lembrar a todos durante todo o percurso e pelos dois dias entre Resende Costa e Congonhas do Campo: “Gente, cavalgada cristã, gente!”. Domingo ensolarado, saímos, lá da fazenda do Tuc, pouco pra frente do Curralinho dos Andrada, Vilmar à frente (feito um Davi do Ciro em Cavalgada Bolivar de Andrade), o próprio Tuc, Dersinho, Deivid, Chiquinho, Felipe Bola, Fabinho, Ricardo, Vander, Weller, Nando e eu, montados, com destino ao Senhor Bom Jesus de Congonhas, em plena festa do Jubileu pagar a tal promessa. No apoio o Mauro, o Pai Faca e o Anderson. Apoio, diga-se, é a função gastroeconômica de uma cavalgada. É encher o gastro e dividir o gasto. A cavalgada seguiu, no seu primeiro dia, pelos campos e vales perdidos entre Resende Costa e Entre Rios, com direito a parada para descanso – leia-se cerveja gelada e carne na chapa – nos Coelho e num Pesqueiro. Tardezinha, noite chegando, já na casa onde pernoitaríamos, Vilmar se esparramou pelo chão sujo da varanda, de roupa e tudo, queixando-se de dor lombar, nele e no cavalo dele. Prenúncio de boa coisa não era. Ele, Vilmar, abastado das mesas fartas de torresmo e outras iguarias feitas por Idê e o cavalo, acostumado aos cochos nutridos de soro de leite e silagem de milho, ressentiam-se do trabalho árduo e sem tréguas daquele dia. Vilmar, que apesar dos anos de labuta rural, sabia que cavalo era cavalo só porque, diferente das suas vacas, relinchava, não entrava na fila da ordenhadeira, não tinha chifres e não tinha os cascos divididos em dois, começou a entender que andar a cavalo e cumprir promessa eram coisas mais complicadas e doloridas do que supunha. Cansado e sem co-

ragem de se levantar, engatinhou feito criança pela varanda para se reunir com a turma e, dizendo qualquer coisa, voltou ao seu lugar rolando pelo chão. O pagamento da promessa começou a ir por água abaixo. Sob a batuta de Pai Faca, serviu-se frango com arroz e carne na chapa, regados a cerveja e um pouco, só um pouco, de pinga. Uma viola quebrou o silêncio da noite e insistiu em ser tocada pela noite afora, até desafinar de tanta tontura. No dia seguinte, ainda que apenas reanimado por uma noite mal dormida no improvisado colchão que o Tuc lhe cedera por gentileza de cunhado, Vilmar arreou o cavalo e montou, decidido a tomar ponteira na cavalgada, assim como o fizera no dia anterior e, por óbvio, pagar sua promessa. Mas não passaram de Jeceaba. Nem Vilmar nem seu cavalo resistiram às alturas das montanhas que dominaram a paisagem daquele segundo dia de cavalgada. Assim que foi possível, Vilmar acenou para que o Mauro encontrasse onde embarcar o cavalo e a ele próprio. Acabou de chegar a Congonhas montado no caminhão. No Santuário do Bom Jesus de Congonhas confessou seus pecados, rezou longas e demoradas preces que o padre lhe aconselhou para quitar seus pecados, comungou, destruiu e atirou no lixo o maço de cigarros recém comprado e decidiu “não fumo mais”. Ajoelhou-se ante o abrigo do Senhor Bom Jesus, beijou a fita e se foi. Quase nesse mesmo instante, entre os cavaleiros ainda montados, chegando em Congonhas, Dersinho soltava essa pérola, dita por não sei quem: “óia, no Senhor Bom Jesus de Congonhas eu tenho fé, mas nesses outros que tem por aí, ah, nesses tenho não”. Até hoje não sei qual era a promessa que o Vilmar fizera. Também não perguntei. Talvez fosse a de parar de fumar, mas essa pode ter sido uma decisão de última hora. O certo é que depois de uns dias fui à casa dele e o encontrei fumando. Eu acho que é porque ele não conseguiu fazer o trajeto todo a cavalo. Não sei se é possível cumprir meia promessa. O fato é que Vilmar deu sinal de que “ano que vem vamos de novo”. Promessa é dívida!


Jornal das Lajes

ANO IX Nº 114 - OUTUBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

O Verso e o Controverso

JOÃO MAGALHÃES

Carta aos eleitos de Resende Costa Respeitáveis eleitos, Aurélio Suenes, prefeito, Toninho Ribeiro, vice e vereadores, Zinho Gouveia doutor Luiz, Joãozinho do Antônio Dias, Abel do Nenego, Betinho, Lucas do Barriga, Ângelo do MAC, Paulinho Daher e Chiquinho do Cajuru: É filosofia desta coluna, dialogar com os leitores sobre assuntos de relevância, sobretudo quando se revestem de aspectos polêmicos. Hoje, porém, a importância do cargo que assumirão, motiva a ocupação deste espaço para uma saudação a vocês, acompanhada de um anseio, que sinto não ser só meu, pois, no debate, via rádio, do dia 22 de setembro de 2012, houve pergunta de cidadãos sobre o assunto. Não importam agora os motivos pelos quais seus nomes e os de suas coligações ou legendas foram clicados nas urnas: votos de fé em propostas, votos de gratidão por algum benefício, votos de amizade, votos de família, votos por carisma, votos-protesto, votos-mudança etc. Não importa. O que vale agora é que vocês venceram e vão aqui os devidos parabéns. Para nós eleitores, agora, acende-se a vela da esperança. Os planos que nos foram apresentados como estratégia de campanha, motivação de fé, perspectivas de melhora, fomento de utopias, agora necessitam de fecundação, concepção, geração e nascimento. Por óbvio, não falo das prioridades “do sempre”: saúde, segurança, educação, transporte... São alicerces sociais que jamais podem se abalar, ceder, afundar. Falo de umas sementes que recentemente em campanhas eleitorais foram escolhidas para plantio, mas que não se plantaram. Serão agora? A Mãe Natureza deixou quatro filhas em Resende Costa: as três lajes e a capoeira (ou o bosque). Uma dessas filhas, infelizmente, deixamos morrer: a laje da cadeia, ou laje do meio, como se fala. Suas duas irmãs, a de cima e a de baixo, há muito, estão doentes... Pedem socorro. A esperança quanto ao “tratamento” da laje de cima permanece, pois, ainda há gente preocupada com ela. E a de baixo, tão bela como sua irmã de cima?

Este é nosso anseio, este é o nosso pedido. Alguém de vocês, ou todos vocês, zelem por ela. Grafei “nosso” porque a memória me leva para lá, junto com o bando de meninos do Assis Resende, para soltar estrela, numa competição para ver quem fazia a mais bonita (éramos nós quem fazia), ou quem soltava mais alto, sem o maldito cerol, finalmente proibido. A arquitetura moderna tem conseguido maravilhas de criatividade, sem machucar o meio ambiente. Será que um projeto bem elaborado não transformaria nossa laje de baixo num excelente espaço público, por sua amplidão e beleza paisagística? Uma segunda aspiração. Há um livrinho infantil (do nosso escritor mineiro Wander Piroli, “coleção do Pinto”- BH) de belo título: “Os rios morrem de sede”. A fonte que nasce em nossa capoeira (ou bosque) já morreu de poluição. Sua mãe, a capoeira Nossa Senhora da Penha, morre por mutilação, descuido e abandono. Que cidade de nossa vasta região tem o privilégio de ter em seu centro expandido, um bosque nativo, original, tão ameno e acolhedor? Poderia ser o nosso orgulho! Poderia ser o nosso parque municipal! Há um justo desejo de cada administração de deixar seu nome gravado na História por alguma(s) obra(s) marcantes de sua gestão. A criação e construção do Parque Municipal e a urbanização de nossas lajes não podem ser essas marcas de seus mandatos? Este apelo vai, claro, primeiro para o senhor prefeito, chefe do executivo. Sem seu empenho, gora tudo. Mas foi pensando na importância de uma câmara de vereadores – casa-fonte de leis, com poder, portanto, para mexer profundamente na vida do município; casa-tribunal, com poder de julgar a atuação dos executivos; casa-ouvidoria, que deve incorporar reclamos e anseios dos munícipes – que o apelo vai também a vocês, e com igual intensidade. Uma câmara de qualidade garante um governo de qualidade! Senhores vereadores, a forte esperança e a grande confiança

é que o mandato que a votação lhe concedeu seja uma missão. Frequentemente na Bíblia, nome é sinônimo de missão. Vocês são edis. Do latim “edilis” significa “comestível”, cargo, na Roma antiga, dos responsáveis pelo atendimento da população, sobretudo, alimentação e pelo zelo dos bens públicos. Vocês são vereadores. Do português arcaico, “verea” significa “vereda”, por conseguinte responsáveis por abrir novos caminhos, novas perspectivas para a população. E termino “estas mal traçadas linhas” renovando os parabéns. Resende Costa tem um orgulho. Há anos, não há notícia de administradores e legisladores enodoando sua bandeira com comportamentos que escalavram a ética e moral públicas, como peculato, roubo, desvios, malversação, dilapidação de dinheiro público, falcatruas, “maracutaias”. É honra para nós. Até agora não existiu aqui o que se vê tanto por aí. Que todos vocês saiam “candidatos” no fim do período no sentido etimológico do termo “candidatus”: vestido de branco (de “candidus”, alvo, brilhante). Críticas virão e devem, mas que sejam tão somente quanto a prioridades, características de pessoa, modo de governar, ideologias, trato com o cidadão, projetos etc.. Com vocês a bandeira da ética continuará tremulando nas infindáveis colinas e montes da nossa Resende Costa! Parabéns! Loas e Lástimas * Loas para Lar São Camilo, pelos cuidados de excelência aos idosos, lá acolhidos. E também para o nosso Movimento da Terceira idade. * Lástimas para nosso Estado de Minas Gerais. A violência contra o idoso cresceu 204% em relação a 2011. Segundo a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Minas ocupa o quarto lugar no ranking, atrás apenas do Rio de janeiro, São Paulo e Bahia.

Educação

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MARLON BRUNO DE PAULA*

O prejuízo da greve universitária além dos muros da universidade Queda nas vendas e diminuição dos clientes: como o comércio de São João del-Rei enfrentou a greve. A greve da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) provocou um fenômeno pouco comum no cotidiano de São João del-Rei. Com a paralisação das aulas no dia 17 de maio e o término das atividades acadêmicas, centenas de alunos voltaram para suas casas, tomando nota de que a maioria dos universitários que estudam na cidade são de cidades vizinhas, ou até mesmo de fora da região das Vertentes. O comércio provavelmente foi o mais abalado e, enfrentando baixas nesses quatro meses de greve, hoje tenta lentamente se recuperar desde a volta às aulas no dia 20 de setembro. Liliane Miranda, vendedora de uma loja de roupas, próxima ao campus Dom Bosco, analisou a situação antes e pós-greve e, segundo ela, o comércio foi muito prejudicado com a paralisação da universidade: “Nos meses de setembro e agosto, as vendas caíram em média 40%. Com a volta às aulas as vendas começaram a normalizar”. Outros setores do comércio de São João também foram afetados, como afirma Jonas Salk, atendente de uma Lan House: “Caiu Bastante o fluxo de gente no comércio aqui da cidade. Na Lan house não está igual estava, mas aos poucos o comércio está voltando ao normal”. A cabeleireira Alice Fraga não apoiou a greve: “Acho uma palhaçada isso, não gostei. O número de clientes manteve estável, mas com a volta observei um aumento do número de pessoas que param no salão e procuram por nossos serviços”. A insatisfação, que a princípio toma conta dos comerciantes da cidade, também é compartilhada pela maioria dos alunos. Segundo a aluna do primeiro período de jornalismo, Luana Levenhagen, natural de Caxambu, o tempo perdido com a greve foi ruim: “Foi muito prejudicial, pois muitos voltaram para suas cidades natais e tiveram que continuar pagando aluguel e as demais despesas sem utilizar. Foi ainda pior para aqueles estudantes que se formarão até o fim do ano letivo e para aqueles que tinham pesquisas em andamento e projetos de extensão. A causa era justa, mas o movimento se perdeu

ao demorar tanto tempo e sem buscar outras formas de manifestação e argumentação”, descreve a aluna. Em entrevista à Vertentes Agência de Notícias (VAN TV), o professor do curso de Teatro da UFSJ, Cláudio Alberto, disse o seguinte: “A nossa perspectiva nesse período de pós-greve, é fazer uma reposição com qualidade, entendendo que o aluno não é o maior prejudicado. Toda a comunidade universitária é prejudicada em uma greve como essa. É preciso perceber que essa nossa luta diz respeito às melhores condições de trabalho e que isso influencia diretamente na vida do estudante. A gente teve algumas conquistas: Saímos dos 17 para os 13 níveis no plano de carreira, que reivindicamos; o professor titular agora não constitui uma carreira separada; o professor que quer ser titular não precisa sair da sua carreira de adjunto, assistente para prestar o concurso para titular, podendo fazer isso como um prosseguimento da carreira; o governo queria dar o reajuste só a partir de 2020, mas a gente conseguiu fazer com que ele negociasse com os grevistas e, na pior das hipóteses, tivemos a correção inflacionária para os próximos três anos. Sem dúvidas que não é um balanço positivo de acordo com as nossas reivindicações. É mínimo, mas a gente entende que esse mínimo é muito, porque representou a nossa capacidade de indignação, de luta”. As aulas na UFSJ voltaram dia 20 de setembro e, apesar da volta dos universitários, a cidade de São João del-Rei, principalmente o comércio, registra de forma gradual o aquecimento das vendas em relação ao período de greve. A paralisação da universidade trouxe à tona algo que há tempos já era perceptível: a forte ligação que se estabelece entre a cidade e a universidade federal, extrapolando os muros da instituição. O sistema de cooperação entre ambas é algo essencial, em que uma necessita da outra para caminhar juntas e principalmente em harmonia. *Aluno do curso de Comunicação Social/Jornalismo da UFSJ.


12 Jornal das Lajes

ANO IX Nº 114 - OUTUBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Giro Esportivo

EMANUELLE RIBEIRO

Acontece 1º Torneio Intermunicipal de Voleibol em Resende Costa Quero destacar na coluna deste mês um evento acontecido no início de setembro no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson e que foi muito importante para o esporte em Resende Costa. Trata-se do 1º Torneio Intermunicipal de Voleibol, organizado por Cristiane Vale e Mariana Pinheiro. No total, 15 times participaram do torneio, sendo três de Resende Costa. “Foi um torneio bem emocionante e disputado. Todos os times estavam mais ou menos no mesmo nível. Em minha opinião, vários jogadores se destacaram na competição. O público se sentiu atraído pela iniciativa de trazer até Resende Costa um esporte que até então, estava adormecido na cidade. O apoio foi fundamental para o sucesso do evento. Tivemos um retorno positivo, pelo qual será possível a realização do 2º Torneio em 2013”, disse Cristiane. Enquan-

to não acontece o 2º torneio em Resende Costa, os nossos times podem disputar nas cidades vizinhas, como explica Cristiane: “Vai acontecer de 26 a 28 de outubro, o Conexão Voleibol, em Barbacena, com as categorias adulto feminino e adulto masculino”. O torneio foi dividido em três categorias: na categoria sub-17, o Marista, de São Vicente de Minas, foi campeão; na categoria adulto feminino, o Master, de São João del-Rei foi o primeiro colocado; na categoria adulto masculino, o time de Barbacena, Reunidos, conquistou o primeiro lugar. Com a realização desse evento, Resende Costa deu um passo importante rumo ao amadurecimento esportivo. Nesta coluna, venho todos os meses trazendo notícias referentes ao futebol ou futsal, esportes mais comuns na cidade. Uma vez ou outra aparecem outros esportes, como a corrida, que

O Marista, de São Vicente de Minas, foi campeão na categoria Sub-17

também vem ganhando força. E com esse primeiro torneio de vôlei, acredito que isso deve mudar. É necessário incentivar as diversas práticas esportivas no município. Conversando com outros amigos que gostam de esporte e até profissionais da área, a gente percebe que falta um envolvimento maior do poder público e da população com o esporte na cidade. Acredito que a principal medida seria incentivar o esporte na escola, oferecendo oportunidade aos alunos de praticarem o vôlei, o futebol, o basquete, o handebol, a natação, o judô etc. Sei da realidade e das dificuldades do nosso município, mas se fosse possível apoiar pelo menos os esportes mais comuns, sempre com o acompanhamento do professor, isso já seria um grande investimento, uma ação importante para o futuro das nossas crianças. Aproveito para dar uma boa notícia para os amantes do esporte, em especial aqueles interessados pelo vôlei: A Cristiane disse ao JL que abrirá em breve uma escola de vôlei na cidade, com aulas de técnica e prática do esporte, contando com professoras de Educação Física que participaram de um curso técnico de voleibol. Ótima oportunidade para quem quer conhecer melhor e praticar esse esporte! Quero utilizar esse espaço ainda para parabenizar a organização do evento e dizer que o JL apoia a iniciativa.

Série “Campeões brasileiros” No campeonato brasileiro de 1973, o Palmeiras conquistou o bicampeonato, empatando em 0x0 com o São Paulo na final, que só aconteceu em fevereiro de 1974. Isso porque o campeonato de 73 foi diferente: A segunda divisão foi extinta e 40 times disputaram a competição. O Verdão manteve praticamente o mesmo elenco do ano anterior e chegou à final novamente com a vantagem do empate. Foram 40 jogos, três derrotas, 12 empates e 25 vitórias, com 52 gols pró e 13 gols sofridos. O palmeirense Ademir da Guia foi eleito o craque do Brasileirão pelo segundo ano consecutivo. Alfredo, za-

gueiro do Palmeiras, foi a revelação de 73. Ramón, do Santa Cruz, balançou a rede 21 vezes e foi o artilheiro. O mico daquela edição foi para o Rio de Janeiro: 20 dos 40 clubes que disputaram a competição foram classificados para o segundo turno e, mesmo assim, Flamengo, Fluminense, Olaria e América não conseguiram avançar. “A Academia”, mais uma vez sob o comando de Oswaldo Brandão, era formada por Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo Mostarda, Zeca, Dudu, Ademir da Guia, Ronaldo, Leivinha, César Maluco e Nei. Os mineiros Atlético e Cru-

zeiro se classificaram para o segundo turno: No grupo 1, o Galo por pouco não se classificou, ficando em terceiro lugar. No grupo 2, o Cruzeiro conseguiu avançar para a final, sendo o segundo colocado. Encerrada a fase final, a Raposa terminou em terceiro lugar no Campeonato. O ano de 1973 foi também um marco para o cinema: Um clássico chegou às telas. Marlon Brando e seu Don Corleone entram para a história com o “O poderoso chefão”, de Francis Ford Coppola. A história da máfia faz tanto sucesso que ganha três prêmios Oscar.

Expedicionário vence Campeonato Regional de Santa Cruz de Minas É campeão! No dia 22 de setembro, os meninos do Dentinho do Expedicionário levantaram a taça de campeões do Campeonato Regional de Futebol de Campo de Santa Cruz de Minas. Com uma campanha impecável - 13 vitórias, um empate e uma derrota - os pequenos craques derrotaram o São Caetano por 2x1 na grande final e, merecidamente, se consagraram campeões. A festa foi grande em Resende Costa, com direito a carreata e muita comemoração. É válido lembrar que, apesar dos avanços na estrutura do nosso espaço, ainda há muito a se fazer e, mesmo com as dificuldades, o Expedicionário conseguiu con-

quistar esse grande feito, enfrentando equipes da região que têm uma estrutura melhor. Caio, do Social, e Jhonatan e Lucas, do Expedicionário, foram os artilheiros do Campeonato. Para os treinadores Chá Preto e Paulo Ricardo, alguns jogadores se destacaram individualmente, mas a coletividade foi essencial para a conquista do título. Atletas inscritos pelo Expedicionário: Rafael Balbino, Maicon, Israel, Pedro Antônio, Gustavo Henrique, Gustavo Luís, Pedro Augusto, Gabriel, Lucas, Jhonatan, Hugo, Patrick, Gustavo, Rafael Oliveira, Luan, Vinícius, Diogo, Humberto, João Pedro e Mateus.

A categoria Dentinho do Expedicionário foi campeã do Campeonato Regional

Nova Resende Associado Esporte Clube conquista mais um troféu O Nova Resende Associado Esporte Clube conquistou seu terceiro troféu em 2012 no último dia 2 de setembro. A equipe de futebol de campo de Resende Costa venceu o Campeonato do Sumidouro, levando a final na disputa de pênaltis. Antes disso, o time já havia conquistado troféus no Ribeirão e Pintos.

O treinador Zé Barba contou que o Nova Resende está treinando todas as quintas-feiras contra o Boca Júniors no Campo do Expedicionário e que o clube está se preparando para o Campeonato dos Pintos, que começa agora em outubro. Meus parabéns ao Zé Barba e aos jogadores pelo empenho!

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