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ANO IX Nº 113- SETEMBRO 2012 / RESENDE COSTA - MG
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Artesanato de Resende Costa foi destaque nas comemorações do Dia do Patrimônio Histórico Resende Costa participou no dia 18 de agosto das atividades do Dia do Patrimônio Histórico, em Belo Horizonte. O evento aconteceu na Praça da Liberdade e contou também com a participação das cidades de Ouro Preto, Mariana e Belo Horizonte. O tear centenário e a banda de música de Jacarandira garantiram o sucesso da participação de nossa cidade no evento. Leia também nesta edição a reportagem com o professor Gustavo Melo, que analisa o artesanato de Resende Costa. Leia ainda o editorial na página 2.
Páginas 04 e 06
Prefeito, viceprefeito e secretários municipais de Resende Costa terão salários reajustados
O tear centenário de Resende Costa chamou a atenção dos turistas na Praça da Liberdade
Os secretários municipais de Resende Costa terão seus salários reajustados em 7,45% a partir de 2013, assim como o prefeito e o vice-prefeito. O artigo que fixa o aumento dos salários do secretariado municipal autoriza ainda o pagamento do 13º salário e terço de férias e veda qualquer outra espécie de gratificação adicional, como abono, prêmio, verba de remuneração ou outra espécie remuneratória. Páginas 11
2 Jornal das Lajes Meio Ambiente
Editorial
Em defesa da realização da Mostra de Artesanato de Resende Costa
Uma reportagem especial desta edição do Jornal das Lajes revela o sucesso da participação de Resende Costa nas comemorações do Dia do Patrimônio Histórico, em Belo Horizonte, no dia 18 de agosto. A cidade levou à Praça da Liberdade, local do evento, um tear centenário e a banda de música Lira São Sebastião, do distrito de Jacarandira. O nosso artesanato e a tradicional banda de Jacarandira encantaram os turistas que visitaram a Praça da Liberdade. As colchas expostas ao lado do tear, a antiga roca de fiar e os novelos de retalhos chamaram a atenção para aquele que é o maior produto, bem como o principal atrativo turístico de Resende Costa: o artesanato. Os resende-costenses, que foram à Praça da Liberdade para prestigiar a participação da cidade no evento, se sentiram orgulhosos por ver o nosso artesanato ser valorizado pelos participantes do evento e também pela sua organização. Esse sucesso trouxe novamente à tona uma ideia que sempre surge em rodas de conversa entre resende-costenses e, vez ou outra, aparece nos planos de governo de algum candidato: a realização de uma “Festa do Artesanato”. Infelizmente tudo ainda está no plano das ideias. Temos o artesanato como a principal mola propulsora da nossa economia, porém, na contramão de outras cidades da região do Campo das Vertentes, como Tiradentes (Mostra de Cinema e Festival de Gastronomia), Barbacena (Festa das Rosas) e São Tiago (Festa do Café com Biscoito), a cidade não investe na realização de um evento que valorize e divulgue seu principal produto. No momento, está sendo articulada a participação de Resende Costa como um dos membros da nova Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), que acaba de ser instalada em São João del-Rei. No último dia 06, a reabertura da CDL na cidade foi oficializada pelo vice-presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG), Nilson Andrade, que esteve na sede da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (ACI del-Rei). A parceria ACI del-Rei/ CDL vai abranger 16 municípios circunvizinhos e fará parte da regional Zona da Mata da FCDL-MG, que possui atualmente 4.391 associados. A participação de Resende Costa na Câmara de Dirigentes Lojistas poderá ser o impulso que faltava para se organizar a tão sonhada Mostra do Artesanato. No entanto, para o sucesso de um evento deste porte, é importante que a cidade tenha uma associação comercial forte, reunindo todas as atividades econômicas do município. Assim, uma parceria desta entidade fortalecida com a ACI del-Rei poderá trazer bons frutos, inclusive, convencer o meio empresarial sobre a importância e os benefícios do associativismo. Quando se fala na realização de uma Mostra do Artesanato de Resende Costa, muitos pensam exclusivamente em shows e outras atrações que, no fim, rebaixariam o artesanato para segundo plano. É importante tê-los, mas defendemos algo maior, ou seja, um evento que torne o nosso artesanato cada vez mais conhecido e valorizado. Um evento que capacite e atualize nossos artesãos, valorizando seu ofício. A mostra não poderá deixar de lado a realização de seminários, palestras, workshops, para se discutir meios para a preservação do artesanato e a subsistência do artesão. Diversas cidades da região já se beneficiam com o boom do turismo de Tiradentes, entre elas Resende Costa que, diferente de algumas delas, tem seu próprio atrativo turístico reconhecido internacionalmente. O empresariado local e o poder público não podem deixar esse momento passar. É preciso investir no enorme potencial que a cidade oferece. A inércia, vendo passar o tempo, certamente não é a melhor estratégia.
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E T N E I D E P X E
ANO IX Nº 113 - SETEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro
Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000
Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br
FERNANDO CHAVES
Um pouco sobre a história da coleta de lixo em Resende Costa Anteriormente ao serviço de coleta de lixo na cidade, a destinação final dos resíduos sólidos urbanos ficava por conta dos próprios moradores. Os resíduos orgânicos (restos de alimentos e de comida) eram jogados nas hortas ou alimentavam animais (cachorros, galinhas, porcos). Outros resíduos (papéis, plásticos, latas etc.) eram queimados no próprio quintal ou enterrados. A maior parte do lixo urbano era constituída por resíduos orgânicos, uma vez que o consumo de produtos industrializados ainda não havia alcançado as cidades pequenas, como Resende Costa. Os primeiros trabalhos de coleta de resíduos sólidos na cidade remontam às décadas de 30/40, quando a prefeitura municipal passou a disponibilizar um funcionário para fazer a varredura e a coleta do lixo dos moradores no centro da cidade. Dentre os primeiros a realizar esse trabalho sobressaem o “Tunico Varredor de Rua” (também conhecido como “Ioti”) e, mais tarde, o Agenor (conhecido como Genô) e o Antônio (o “Mudo”). Por volta de 1974 os serviços passaram a ser feitos por José Pedro Pinto, que utilizava para a coleta um balaio, posteriormente substituído por um carrinho de mão. Os resíduos eram depositados em três locais: Laje do Fórum, Laje de Cima (atrás da Gruta Nossa Senhora de Fátima) e Rua Joaquim Pinto Lara. No final dos anos 70, José Pedro utilizava uma charrete puxada por cavalo. A prefeitura disponibilizou outro funcionário para ajudá-lo, o José Luiz (Zé Gaspar). Os resíduos passaram a ser jogados numa cava existente na saída para o povoado do Barracão e numa
voçoroca na entrada do bairro Várzea. No início dos anos 80, devido ao aumento da população e da área de abrangência da coleta, o recolhimento do lixo passou a ser realizado, aos sábados, por um caminhão basculante vermelho. O caminhão recolhia os resíduos da área central e entornos. Trabalhavam quatro funcionários: o motorista, Dolinato Vieira (Natinho) e três garis, Luiz Gonzaga Pinto (Nonô), Pedro Paulo Pinto e Antônio Sebastião Filho. Antônio Sebastião começou a ajudar José Pedro nos trabalhos diários da charrete. Por volta de 1985, a Prefeitura compra um trator pequeno que puxa uma caçamba (conhecido como “jirico”, de “jerico”, burro). O motorista passa a ser Marques Antônio dos Santos. A coleta de lixo passa a atender toda a cidade. José Pedro trabalha com sua charrete até se aposentar em 1988 e Zé Gaspar se aposenta em 1989. Por volta de 1990, um fato trágico interrompe a deposição de resíduos no barranco da Várzea. Uma criança morre soterrada no lixão. Diante disso, a Prefeitura transfere o lixão para uma voçoroca situada depois do bairro Santo Antônio, de propriedade do Sr. Rivaldo Resende. Esse lixão seria desativado em 1999, com a utilização do atual Aterro Municipal, na região da Picada. Por volta do ano 2000, o jirico foi substituído por um caminhão amarelo, da marca Chevrolet, posteriormente trocado por um Mercedes azul. Eram seis funcionários: o motorista, Éder José de Lima, e seis garis, Antônio Sebastião Filho, Eurides Lopes Ferreira, Hélio da Silva Resende, Luiz Gonzaga Pinto, Nivaldo de Mendonça
Resende e Pedro Paulo Pinto. Começou-se, então, a separar alguns resíduos recicláveis, para serem vendidos para uma empresa de Barbacena. Na década de 2000, a limpeza do centro da cidade continuou sendo feita por Pedro Paulo Pinto e Antônio Sebastião Filho. Vários funcionários da Prefeitura trabalharam esporadicamente na varredura da cidade, como por exemplo, César Pio de Resende, hoje aposentado. Em 2009, a Prefeitura comprou um caminhão compactador, próprio para o recolhimento e transporte de lixo, sendo motorista o Éder e ajudantes Eurides, Nivaldo e Geraldo Camilo de Fátima Silva. Iniciou-se ainda a coleta seletiva na cidade, principalmente no centro e seu entorno. Atualmente, a varredura das ruas é realizada no centro da cidade e entornos, de segunda á sábado. Os funcionários responsáveis e as áreas de varredura são: Paulo Pedro Pinto, na área central da cidade; Sebastião Teodoro dos Reis, na entrada da cidade (“Asfalto”); Vicente Ananias Neto, na Rua Nova e na Rua do Rosário, e Hélio da Silva Resende, na Várzea. Nos domingos também é realizada a limpeza das ruas do centro da cidade, havendo revezamento entre os funcionários Paulo Pedro Pinto e Sebastião Teodoro dos Reis. (Agradecemos ao coautor deste texto, Adriano Valério Resende, ao funcionário da prefeitura municipal, Pedro Paulo Pinto (Paulinho) pelas informações aqui apresentadas e, de modo especial, a todos os funcionários que já trabalharam na honrosa tarefa de manter nossa cidade limpa)
Informe Cultural
MAC informa O Movimento Arena Cultural (MAC), com o apoio da Prefeitura, da Câmara Municipal e do Instituto Rio Santo Antônio (IRIS), convida todos para a 3ª edição do Festival de Bandas “Circuito do Som”. O evento ocorrerá nos dias 21, 22 e 23 de setembro, no centro da cidade. Contaremos com bandas de quase todas as cidades da região. O MAC estará comemorando seus dois anos de existência. Maiores informações no site www.macrc.com.br.”
Diretor de redação: Rosalvo Pinto
Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP
Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte
Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves
Tiragem: 3000 exemplares
Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto
Circulação: Resende Costa e São João del-Rei Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
AMIRCO INFORMA
A Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO) informa que os três primeiros volumes da “Coleção Lageana”: Livro de Pálidas Reminiscencias da Antiga Lage- hoje – Villa de Rezende Costa (José Augusto de Rezende), Um olhar sobre Resende Costa (autores diversos) e Móbiles de Areia (Evaldo Balbino), publicados com recursos provenientes do Fundo Estadual de Cultura (FEC), continuam à disposição dos interessados. A AMIRCO agradece a colaboração dos proprietários das casas comerciais, pela contribuição que prestam para o desenvolvimento cultural de nossa cidade, ao se oferecerem sem ônus para a venda dos livros. A associação destaca a colaboração da senhora Heloísa, da Banca de Jornais, pelo seu interesse em estar sempre procurando a AMIRCO para a reposição dos livros vendidos.
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ANO IX Nº 113 - SETEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Religião
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Espiritualidade e participação do povo marcaram a festa de Nossa Senhora da Penha, em Resende Costa
Resende Costa celebrou com muita alegria as festividades de Nossa Senhora da Penha de França, padroeira da cidade. No dia 23 de agosto, deu-se início à novena preparatória, que neste ano apresentou para reflexão o tema: “Com Maria, a Mãe da Penha, acolhemos Jesus, nossa alegria”. Comunidades rurais, bairros, pastorais, movimentos da paróquia e diversos sacerdotes da diocese de São João del-Rei se uniram a centenas de fieis devotos em cada dia da novena. No dia 26 de agosto, domingo, aconteceu a já tradicional carreata de Nossa Senhora da Penha e São Cristóvão. No trajeto, ruas e casas foram ornamentadas com bandeirinhas azuis: “Foi uma sugestão do nosso pároco, que cada família que tem Nossa Senhora como Mãe colocasse uma bandeirinha azul em sua casa. A cidade ficou bonita e em clima de festa”, disse Camila Silva, da comissão organizadora da festa. A novena foi encerrada no dia 31 de agosto com a celebração eucarística presidida pelo resende-costense padre Paulo Marcelo Daher Gomes Filho, pároco de Dores de Campos. A coroação de Nossa Senhora, pelo Grupo de Jovens Shalom, fechou com chave de ouro a novena preparatória. O tema da coroação foi o centenário da emancipação política de Resende Costa, comemorado neste ano. A apresentação destacou as raízes do povo resende-
Uma multidão de fieis devotos de Nossa Senhora da Penha participou da procissão
-costense, que tem a religiosidade como base. Algumas pessoas que, de uma forma ou de outra, colaboraram para o desenvolvimento de Resende Costa, e que também atuaram na igreja, foram homenageadas. “Vamos contar uma história, iniciada há mais de 200 anos no alto deste penhasco. O ano era 1749: uma humilde capela de pedra dedicada a Nossa Senhora da Penha foi erguida neste escarpado rochedo, circundada por poucas casas. Havia também pouca gente... Não havia mais nada, além da magnífica paisagem que desaparecia no horizonte e da esperança de um povo que começava a se organizar, e que escolheu Maria Santíssima como padroeira desta terra nascente. Era o início de uma saga de fé e trabalho que se entrelaçavam para formar a identidade do povo resende-costense” (comentário inicial
Foto: Magali Resende
Jovens coroaram a imagem de Nossa Senhora da Penha
da coroação). Dia Maior - 1º de setembro, feriado municipal, é o dia maior dedicado a Nossa Senhora da Penha. Repique de sinos, alvorada festiva e queima de fogos anunciaram, com júbilo, a chegada do dia da padroeira. A cidade se revestiu de alegria. Desde cedo, as ruas por onde passaria a procissão foram cuidadosamente preparadas para a confecção do tapete. “As ruas foram ornamentadas com tapetes do artesanato local, valorizando, assim, nosso povo e nossa arte”, disse Camila. A missa solene das 18h00 foi presidida pelo bispo diocesano, dom Célio de Oliveira Goulart e concelebrada pelo pároco padre Eder Sebastião Santos e pelo vigário paroquial padre Raimundo Inácio da Silva. Logo após, uma multidão de fieis saiu em procissão pelas ruas da cidade. Fé, devoção e oração marcaram esse momento, que foi coroado com a belíssima apresentação musical do tenor e professor do conservatório de música Padre José Maria Xavier, de São João del-Rei, Mário Kraus, acompanhado pela pianista Adriana Mundim. Na chegada da procissão, ele cantou a tradicional Ave Maria, de Schubert. Essa homenagem especial a Nossa Senhora da Penha, que encantou a todos os presentes que lotaram a igreja Matriz, foi a realização de um sonho do César Tadeu, o Tadeu do Cici, que contatou o tenor podendo, assim, realizar sua homenagem.
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Educação
Eduardo Assis é medalha de ouro na OBMEP 2011 Mais uma vez, o aluno do 1º ano do ensino médio da Escola Municipal Paula Assis, no povoado do Ribeirão, Eduardo Geraldo Assis, 14 anos, fez bonito na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). No dia 27 de agosto último, ele participou da cerimônia de premiação da OBMEP 2011, no Rio de Janeiro. Eduardo recebeu a medalha de ouro das mãos da presidente Dilma Rousseff, que esteve presente à cerimônia de premiação. Além da presidente Dilma, também estiveram presentes à cerimônia o governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral; o ministro da Educação Aloizio Mercadante; o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação Marco Antonio Raupp; o diretor geral do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) Cesar Camacho; o diretor adjunto do IMPA Claudio Landim; além de diversas autoridades do governo federal e estadual, e de representantes do meio acadêmico e científico brasileiro. O Diretor Geral do IMPA anunciou na cerimônia que o programa de iniciação científica da OBMEP (PIC) vai ser ampliado progressivamente. Atualmente, três mil alunos
são contemplados com a bolsa de estudo de R$100, do CNPq. No ano que vem, serão 4,5 mil estudantes, premiados na OBMEP 2012, e em 2016, cerca de 10 mil. A oportunidade de participar do Programa de Iniciação Científica Júnior é oferecida aos alunos premiados com medalhas de ouro, prata e bronze, e matriculados em escolas públicas. Eduardo Assis, que é aluno da professora Goretti Resende, é bolsista de matemática da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), devido às duas medalhas de bronze adquiridas em outras edições da OBMEP. A presidente Dilma falou do programa “Ciência Sem Fronteiras”, que dá bolsas de estudos a brasileiros no exterior, e da importância de o país gerar inovação na área científica: “Um medalhista de ouro da Olimpíada de Matemática tem plena condições de chegar a pleitear uma oportunidade no Ciência Sem Fronteiras. O Ciência Sem Fronteiras foi feito para encurtar o caminho, aumentando a oportunidade de jovens como vocês para estudar nas melhores universidades do mundo [...] Este país tem que combater a miséria, gerar ciência, tecnologia e inovação”, afirmou a presidente.
Alunos de escolas públicas de todo o Brasil receberam medalhas das mãos da presidente Dilma Rousseff
4 Jornal das Lajes
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Economia & Negócios
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Artesanato tradicional de Resende Costa precisa reinventar-se para sobreviver
o professor de economia da UFSJ, Gustavo Melo Silva, defende a articulação entre poder público e setor privado para a reinvenção do artesanato
A articulação entre poder público e setor privado e a maior integração regional é a chave para a reinvenção da tecelagem tradicional de Resende Costa, na visão do professor Gustavo Melo Silva, do Departamento de Ciências Administrativas e Contábeis da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). O grande salto do artesanato resende-costense ocorreu no período de estabilização econômica e crescimento do País e de consolidação da região das Vertentes como polo turístico puxado por Tiradentes. O tapetinho, carro-chefe do artesanato local, era o principal produto em 1996, posição que se mantinha em 2009 (último dado disponível). A produção de tapetinhos em domícilios aumentou 240% nesse período, passando de 38,6 mil peças em 97 para cerca de 131 mil unidades em 2009. Gustavo atribui esse desempenho a uma organização econômica no âmbito do domicílio produtor e dos estabelecimentos comerciais. Esses comerciantes fornecem os insumos, organizam burocraticamente a produção e escoam a mercadoria. Ou seja, estimularam a divisão e a especialização do trabalho. Tanto que se evoluiu de produtores especializados em 1997 para prestadores de serviços em “bater tapetinhos” em 2009. Gustavo é autor da tese de doutorado “Mercados como construções sociais: divisão do trabalho, organização e estrutura social de um mercado em um território municipal”, apresentada em 2010 ao curso de pós-graduação em Sociologia da UFMG sob a orientação do professor Jorge Alexandre Barbosa Neves. 664 questionários domiciliares e 69 comerciais foram aplicados entre 2.655 domicílios e 76 estabelecimentos comerciais visitados no
perímetro urbano. A partir dos dados coletados, Gustavo observou, nas duas últimas décadas, “que este mercado passou por uma série de transformações organizadas burocraticamente e controladas socialmente pelos proprietários dos estabelecimentos comerciais detentores das fontes de fornecimento e consumo da produção domiciliar”. Segundo Gustavo, o comerciante fornece o tear e o insumo e o produtor domiciliar sabe apenas “bater tapetinhos”, ou seja, não sabe criar. Essa parte criativa está hoje na mão de algumas anciãs (acima de 60 anos), cujos descendentes deixaram de ser tecelães e se tornaram comerciantes. Eles passaram a ter papel também de propor inovações, além de “articular” a produção. Histórico - Esse processo teve início no príncipio do século 19, explica o professor da UFSJ. Além do reaproveitamento de tecidos, havia na região plantio de algodão e criação de ovelhas para produzir lã. A considerável concentração de mão-de-obra escrava precisava ser abastecida (vestuário e roupa de cama). Com o encolhimento da mineração e o avanço da agricultura, a produção doméstica focou na subsistência da propriedade rural. No início do século 20, prossegue Gustavo, um dos fatos importantes foi a indústria têxtil centenária de São João del-Rei. Na década de 1980, a realidade dessa indústria era outra, com o parque fabril tendo se tornado obsoleto. Nesse período, a indústria gerava muito refugo (sobra de tecido) que se constituía em espécie de “lixo” para as fábricas. Nesse período, lembra Gustavo, o poder público construiu a infraestrutura viária, como o trecho asfaltado até a rodovia São João del-Rei – Murtinho, as redes de água e de energia elétrica e aumentou a capacidade de atendimento da rede educacional. A ferrovia do aço gerou postos de trabalho e a tecnologia impactou a agricultura nacional, que afetou a pequena propriedade rural. Cidades como Resende Costa se estruturavam, por exemplo, para atender demandas e ofertar trabalho na construção da ferrovia do aço. Fim do refugo - Importantes mudanças ocorreram na década de 1980, como a inversão da população entre campo e cidade, a consolidação de Tiradentes como receptivo
turístico nacional e a oportunidade de mão-de-obra excedente com capacidade técnica. Além disso, verificou-se a demanda de produto com identidade regional, além da oferta a baixo custo de insumos da indústria. Esse material da indústria têxtil viabilizou a expansão da produção artesanal até o final da década de 90, observa Gustavo. Porém, assinala Gustavo, o que sobreviveu da indústria têxtil nacional começou a adequar seu parque fabril à realidade internacional. Para resolver o problema operacional, automatizou o processo de fabricação, cujo resultado foi o fim da sobra de tecidos. “Hoje, os fornecedores de insumos compram peças de tecidos – e não mais de refugos das fábricas. Isso mudou radicalmente a cadeia de suprimentos. Com isso, houve mudança radical no processo de produção”. Assim, em 2009, dos 450 domicílios produtores entrevistados em Resende Costa, 57% utilizavam o retalho derivado do tecido comprado direto na fábrica. O consumo mensal era de 103.370 kg (cerca de 103 toneladas) de retalho. Esse número variava entre o mínimo de 1 kg de retalho por mês e o máximo de 3.000 kg/mês. Atualmente, um dos problemas mais frequentes é a falta de retalho, porque a demanda continua crescente e os comerciantes não conseguem atender os pedidos, observa Gustavo. Esses comerciantes controlam e organizam a produção, ou seja, remuneram por quantidade e qualidade dos serviços prestados, mas também buscam novos fornecedores de retalho e propõem novas peças para atender o perfil da demanda. Trabalho - Ao longo do século 20, em Resende Costa, havia pouca divisão do trabalho na indústria doméstica. Até que, nos anos 1980, para dar conta da demanda por produção em massa, os comerciantes começaram a estimular a intensificação da divisão do trabalho pelo estímulo ao aproveitamento das habilidades e foco nos resultados. “Para atender à demanda em massa, estimulam a organização do trabalho nos moldes da indústria moderna, mas permanece a ferramenta (tear manual)”. De negativo, Gustavo aponta a intensificação no ritmo de trabalho (8 a 10 horas fazendo o mesmo movimento). Houve a “mecanização do
homem”, cujo resultado é “o adoecimento - a principal reclamação de quem trabalha é a dor”. Além disso, existe a “ameaça à capacidade criadora de desenvolvimento produtivo local” dessa forma de organização do trabalho. “Criatividade é o principal aspecto de desenvolvimento. E houve perda da capacidade de criação de novas peças, tanto nos domicílios quanto entre os comerciantes”. Renda e consumo - De positivo, Gustavo cita a geração de renda e a maior capacidade de consumo, cujos resultados são o aumento na construção civil, maior consumo de bens duráveis (autos, motos, caminhonetes etc.) e ganho indireto (mais bares, restaurantes, supermercados etc.). “A maior parte das pessoas tem esse trabalho como complementação de renda, embora tenham os que vivem só dessa atividade”, revela Gustavo. Cerca de 53% das 1.072 pessoas entrevistadas tem remuneração de até meio salário. “A tecelagem tradicional de Resende Costa é uma fonte alternativa de geração de riqueza e, para alguns, foi – e é – uma fonte de enriquecimento”. Perspectiva - A participação de turistas na compra de artesanato resende-costense é crescente, o que mostra mudança no perfil do comércio local, observa Gustavo. Em 2009, 20% dos compradores eram turistas (80%, lojistas), resultado bem diferente de 1996 quando 98% dos compradores da produção local eram lojistas de outras cidades (apenas 2% eram turistas). Essa mudança deve continuar, o que vai exigir do sistema de produção local mais variedades e novos designs, alerta o professor da UFSJ. O turista é mais exigente, o que exige mudança de padrão dos produtos para atender este perfil de consumidor. “Hoje, os novos consumidores querem identidade local e diversidade de produtos”. Gustavo defende políticas públicas que não considerem apenas as atividades produtivas da tecelagem tradicional, mas também de outras atividades relacionadas, por exemplo, com a agricultura familiar. “Existe uma rede no “Asfalto” (como é conhecida a avenida Alfredo Penido) de cerca de 100 estabelecimentos comerciais. Por outro lado, vemos desperdício imenso de
Foto Fernando Chaves
Técnicas antigas ainda são utilizadas na confecção de colchas e tapetes.
frutas que poderiam ser transformadas em compotas e distribuídas em pontos de comercialização nesta rede comercial”. Ação regional - Esse cenário traçado por Gustavo não se restringe a Resende Costa, daí a necessidade de ação mais regional, diz Gustavo. “A região das Vertentes não tem, no seu plano político de desenvolvimento econômico, diretriz clara para o turismo e para a economia criativa”. Assim, uma política pública municipal deveria revitalizar a atividade explorando a identidade local, diz o professor. “Não estamos otimizando o potencial econômico dessa região tradicional nos aspectos da economia criativa (identidade caipira dos tecidos rústicos de Resende Costa, do biscoito de São Tiago, do couro de Prados etc., que estão associados à colonização). Isso não faz parte de uma política local, que ajude a iniciativa privada e organize essas atividades locais. Não temos, por exemplo, um calendário de eventos regionais”. Ele acredita que os empresários devem articular-se com o poder público para o desenvolvimento de um sistema produtivo que busque filões de mercado, não apenas associados à demanda que prioriza o preço baixo. “Tentar articular forças produtivas e poder público local e regional para resolver questões como o dano à saúde, a falta de mão-de-obra, a diversificação de produtos, o aumento de valor agregado e a identidade local”.
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Política Regional
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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
“Novo bipartidarismo” na cena política de Resende Costa (Última reportagem da série sobre a história política de Resende Costa)
Em boa parte da década de 1970 e início dos anos 80, Ocacyr Alves de Andrade, o Cici da Candinha, e Antonio Pedro da Silva Melo, o Toninho Melo, formaram com padre Nelson o trio que dominou a política de Resende Costa. Com o fim do regime militar e a restauração da democracia no País, novos partidos entraram em cena e teve início um “novo bipartidarismo”. Eleito prefeito pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA) para mandato-tampão de 1971-72, Cici introduziu o calçamento de broquetes de cimento (dos Quatro Cantos até o prédio do Fórum), em substituição ao paralelepípedo. Ele retornou à prefeitura em 1977, desta vez para um mandato de seis anos. Eleito vereador em 1976 pela ARENA, Toninho Melo tornou-se presidente da Câmara Municipal e aliado de Cici. Para ele, padre Nelson sempre esteve à frente das conquistas de Resende Costa. “Liderou todos os momentos da luta pela conquista da rodovia asfaltada.” Além da nova rodovia, Cici resolveu o problema crítico da falta d´água, com a entrega do serviço para a COPASA, afirma Toninho Melo. Também providenciou a iluminação rural dentro do programa “Minas Luz”, com dinheiro do Banco Mundial. E estendeu a CEMIG até Jacarandira, mais de 40 km da sede do município. Cici ainda revitalizou o entorno da matriz e da igreja do Rosário e calçou mais de 70% da zona central com broquetes de cimento, transferindo o paralelepípedo para bairros próximos ao centro, diz Toninho Melo. Também instalou o sistema de alambrado e gramou o campo do Expedicionário, além de construir a Praça Nossa Senhora de Fátima. Cici deixou negociado para o prefeito seguinte o programa MG2 (de implantação de infraestrutura na área rural), financiado pelo Banco Mundial, segundo Toninho Melo. “Resende Costa só chegou onde está hoje graças à gestão de Ocacyr”. Volta da democracia - Na eleição de 1982, o voto direto foi restaurado para governadores e prefeitos de capitais, cidades históricas e estâncias hidrominerais. Um dos pontos fortes do programa dos novos governadores eleitos pela oposição era a visão municipalista, de descentralização administrativa. Gilberto Pinto foi eleito prefeito de Resende Costa pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), com o apoio do Partido dos Trabalhadores (PT). Derrotou Toninho Melo, que disputou a eleição pelo Partido Democrático Social (PDS), substituto da ARENA. Os ventos eram bastante favorá-
Foto Divulgação
Resende Costa, ao longo dos anos, foi marcada por ações políticas e obras fundamentais para o seu desenvolvimento
veis à oposição, lembra Gilberto. “A campanha foi muito acirrada e o padre Nelson me chamou várias vezes à casa paroquial”. O pároco reclamava do nível da campanha, especialmente dos panfletos anônimos. O PT, que estava sendo organizado em Resende Costa, decidiu não lançar candidato, em convenção que teve a presença de cerca de 70 filiados, conta o médico Luiz Antônio Pinto. “Os quarenta e poucos votos de diferença de Gilberto sobre Toninho Melo foram do PT”. O sentimento da “virada” trouxe nova expectativa de administração mais moderna, em contraposição à visão antiga de fazer estrada, ponte e calçamento de rua, afirma Luiz. “Criou-se um movimento municipal, deixando para trás a velha política”. Projetos como o MG2 do governo estadual e os planos de desenvolvimento municipal, relata Luiz, tinham o propósito de fortalecer o município, com a criação dos conselhos comunitários e ações de suporte ao meio rural. Então, surgiram escolas rurais, assistência à saúde, energia elétrica, apoio à agricultura familiar etc. Mas o PT não apoiou a administração de Gilberto, relata Luiz, e começou a propor emendas populares para revitalização da Casa de Cultura, preservação da capoeira do Horto, etc. “Criamos um novo movimento cultural chamado Fundação Casa de Cultura; ocupamos efetivamente o Teatro Municipal e começamos a trabalhar na prática pela sua revitalização; trabalhamos pela criação do sindicato dos trabalhadores rurais”. Apesar da decepção inicial de padre Nelson com a sua eleição, Gilberto conta que procurou fazer parceria com a Igreja. “Eu tinha um relacionamento muito bom com ele”. O ex-prefeito guarda carta, de quatro de maio de 1987, na qual o pároco agradeceu o seu apoio às comemorações do “meu
Áureo Jubileu de Ordenação Sacerdotal”. O religioso destacou, ainda, “a grandeza de seu coração, aliada à ótima formação de homem público, e o desejo de sempre ir ao encontro dos sentimentos de nosso povo, qualidade que lhe é muito peculiar (...), o que faz cada vez maior credor de minha admiração”. Multipartidarismo - A partir de 1979, surgiu em Resende Costa, além do PT, o Partido Democrático Trabalhista (PDT). O antigo MDB virou PMDB com novos integrantes. O PDS perdeu expressão, virando Partido da Frente Liberal (PFL). Com o racha do PMDB, surgiu o PSDB, abarcando parte do antigo partido e remanescentes do PDS. Na sucessão do governador Hélio Garcia, Newton Cardoso derrotou Pimenta da Veiga na convenção do PMDB, lembra Gilberto. “Como nunca senti confortável com a eleição do Newton, saí do PMDB e fui para o PSDB com uma meia dúzia de companheiros. Fui o primeiro prefeito do partido em Minas Gerais”. A eleição de 1987 em Resende Costa foi vencida por Camilo Lelis de Resende Chaves (PMDB), com o apoio do PSDB, em disputa com Luiz Pinto (PT), Tião Melo (PDT), Ocacyr (PDS) e o médico Paulo Cesar Fortuna Dias (PFL). “O Camilo saiu da política; foi o único político que achou a porta de saída, acho que ele nem entrou”, diz Gilberto. Em 1992, o PT chegou ao poder em Resende Costa, pela primeira vez, com Luiz Pinto (João de Paiva Filho, o Bita, como vice), derrotando Gilberto (PSDB), cujo vice era o médico Paulo Dias, e o PDT de Tião Melo em aliança com o PMDB. O partido introduziu o “modo petista de governar”, recorda Luiz, com maior participação da comunidade, já na discussão do programa de governo.
A gestão priorizou programas como habitação popular, hortas comunitárias, descentralização da educação (criação da escola do Ribeirão), implantação do SUS, Conselho Municipal de Saúde, orçamento participativo e o surgimento da Associação dos Pequenos Produtores Rurais com 300 associados. Apesar de 75% de aprovação, diz Luiz, o PT com Paulo César Daher Chaves perdeu a eleição de 1996 para José Rosário Silva (PSDB), que teve como vice Silvério Nilvaldo de Assis (PDT). Cristiano Moreira dos Santos concorreu pelo PMDB. Na eleição de 2000, Gilberto Pinto (PSDB) voltou à prefeitura, em aliança com o PDT (Antonio Aparecido de Souza, de vice). Ele foi reeleito em 2004 (Paulo Dias de vice), derrotando a coligação PT/PPS de Adilson Avelino de Resende e Antônio Emídio dos Santos. Nessa eleição, concorreram ainda Totonho do Jandico, pelo PDT, e Pastor Pedro pelo PTB. Entre as realizações das administrações tucanas, Gilberto cita introdução do asfalto na maior parte das ruas da cidade (menos a entrada, até a Praça Rosa Penido, pavimentada por Cici); construção da nova sede da prefeitura, biblioteca pública e velório municipal; reconstrução do parque de exposição agropecuária (depois da desapropriação do espaço “detonado”); articulação de conselhos comunitários; construção de centros comunitários e quadras poliesportivas na zona rural; calçamentos dos povoados; telefonia em Jacarandira e os sinais de telefonia móvel. Em 2008, o PT voltou ao poder com Adilson (Bita, de vice), desbancando o PSDB de Paulo Dias e Aurélio Suenes Resende. Também disputaram a eleição Cláudio Luis de Resende (PDT) e Antônio da Silva Ribeiro, pela coligação PMDB/PPS. Em entrevista ao JL (agosto de
2012), Adilson enfatizou a discussão do plano de governo com a sociedade e o resgate do orçamento participativo. Entre os resultados, citou calçamento de ruas; modernização da frota e do maquinário; ampliação do atendimento da saúde; implantação do SAMU; ampliação das escolas municipais; criação do ensino médio na Escola Municipal Paula Assis; construção de creche-escola; projeto Coleta Seletiva Modelo; obra da rede de esgotamento sanitário e criação do Centro de Referência de Assistência Social. Dois modelos - A disputa em Resende Costa nas décadas posteriores à ditadura militar reflete dois pontos de vista, de acordo com Luiz Pinto: o de gestão democrática e o de gestão centralizadora. “De 1982 para cá, passou a existir maior movimentação popular, os movimentos passaram a ter voz ativa. Com as gestões petistas, esses movimentos passaram a influenciar na gestão da coisa pública e outros movimentos surgiram para estimular a participação da sociedade civil”. Gilberto considera que “ser centralizador é uma qualidade”, pois “cumpro fielmente a Constituição”. Alega que municípios pequenos não dispõem de especialistas para assumir cargos, o salário de secretário é baixo para contratar um profissional e a estrutura da prefeitura é pequena. “Como não posso preencher os cargos com profissionais e tenho estrutura acanhada, acompanho de perto meus secretários para ver se os recursos estão sendo bem aplicados, se as metas, por exemplo, de educação e saúde, estão sendo cumpridas.” Ele lembra que a Constituição de 1988 obrigou o poder público a contratar funcionários por concurso. A criação do Fundef (ensino fundamental), em 1996, trouxe grande avanço na municipalização da educação. Em 2006, o Fundef virou Fundeb (ensino básico), incluindo a pró-infância e a pré-escola. “Ficou mais eficiente e abrangente, atende a um universo maior e tem mais receita”. E o SUS também mudou. Na próxima eleição, as duas visões voltam a confrontar-se. De um lado, a dobradinha Adilson/Bita tenta a reeleição pelo PT. De outro, o PSDB de Gilberto, coligado com o PDT de Cláudio Luis de Resende (vice), acrescido de dissidentes do PMDB que não queriam candidatura própria. E por fora corre o candidato Aurélio Suenes (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), em coligação com o PMDB, que indicou Toninho Ribeiro como candidato a vice e o Partido da República (PR) (íntegra no site www. jornaldaslajes.com.br).
6 Jornal das Lajes
ANO IX Nº 113 - SETEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Política Regional
ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO
Resende Costa foi destaque nas comemorações do Dia do Patrimônio Histórico “Hoje foi o dia D do patrimônio” (Luís Cláudio dos Reis)
No dia 18 último, sábado, um grande evento marcou as comemorações do Dia do Patrimônio Histórico. A Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, tornou-se palco celebrativo da cultura mineira. Ao longo do dia, uma multidão de pessoas visitou a praça e pôde conhecer um pouco mais das tradições mineiras, como o artesanato e a música. Resende Costa participou das atividades, levando à capital um tear centenário e a banda de música Lira São Sebastião, do distrito de Jacarandira. O Dia do Patrimônio Histórico é comemorado, no Brasil, em 17 de agosto, lembrando o nascimento do historiador e jornalista Rodrigo Mello Franco de Andrade (Belo Horizonte, 1898-1969). Franco dirigiu o Sphan, (atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan), da sua fundação em 1937 até 1967. “Para nós foi uma oportunidade incrível celebrar o Dia do Patrimônio, que é em comemoração ao aniversário de Rodrigo Mello Franco de Andrade, um dos grandes incentivadores da preservação do patrimônio brasileiro. A gente celebra esse encontro, trazendo um pouco da pluralidade cultural de Minas. Temos aqui o tear de Resende Costa, os tapetes devocionais de Ouro Preto, bandas de Ouro Preto, Mariana e também de Resende Costa, do distrito de Jacarandira. Enfim, temos aqui um pouco daquilo que Minas Gerais oferece em termos de cultura, que é um celeiro de arte do Brasil”, disse Celmar Ataídes Júnior, diretor de promoção e extensão da Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP). As atividades foram iniciadas por volta das oito horas, com a chegada da banda de Jacarandira. Em seguida deu-se início à confecção do tapete de
serragem “Árvore da Vida”, na Alameda Travessia, no coração da Praça da Liberdade. Os motivos do tapete homenagearam o patrimônio mineiro. A confecção contou com a participação de alunos da FAOP e do Espaço Criança Esperança de Belo Horizonte, da Rede Globo. O projeto “Tapete + Arte” é uma iniciativa da FAOP inspirada na tradição dos tapetes devocionais que adornam as ruas com serragem tingida e outros materiais para receberem a Procissão da Ressurreição, na manhã do domingo de Páscoa. Em cada canto da praça havia um pedaço da cultura mineira. Enquanto o tapete era confeccionado e a Sociedade Musical Bom Jesus das Flores, de Ouro Preto, realizava retreta ao lado do coreto, o coral Vozes da Globo Minas se apresentava em frente ao Memorial Minas Gerais Vale. Próximo ao Espaço TIM, o centenário tear de Resende Costa chamava a atenção dos visitantes, que ficaram curiosos para conhecer o oficio do artesão, bem como o funcionamento de um tear artesanal. Divulgar e preservar a cultura mineira foram um dos objetivos da programação do Dia do Patrimônio Histórico, conforme declarou Celmar: “A FAOP é a única instituição pública de cultura do estado no interior, e temos como missão incentivar a preservação do patrimônio. Temos muito a dizer, e estar aqui na Praça da Liberdade, que é uma referência de Minas, significa trazer aquilo que o interior tem de mais valoroso. É um pouquinho só, mas é um começo. Acredito que essa data comemorativa fique no calendário de Minas Gerais, de Belo Horizonte e, quem sabe, de outras cidades que desejam comemorar o Dia do Patrimônio Histórico”.
Banda de Jacarandira desfila na Alameda Travessia
Lira São Sebastião encantou os visitantes da Praça da Liberdade Um dos pontos altos das atividades do Dia do Patrimônio Histórico em Belo Horizonte foi a apresentação da banda de música Lira São Sebastião, de Jacarandira. Na programação oficial constava apenas uma apresentação às nove horas, ao lado do coreto. Porém, os aplausos efusivos da plateia fizeram com que os organizadores do evento solicitassem que a banda permanecesse na praça para mais um concerto ao longo do dia. A Lira tocou seu repertório tradicional, conquistando o público belorizontino sobretudo pela performance vocal dos músicos, que interpretaram clássicos da música sertaneja, como “O Menino da Porteira”. “Foi emocionante a chegada da banda, tocando, aqui na praça; as pessoas ficaram encantadas e emocionadas com a banda de Resende Costa. A cidade está de parabéns, a banda está de parabéns. Espero que participem de outros eventos. Eu vou pedir ao nosso programa “Terra de Minas”, que valoriza as coisas boas e a cultura popular de Minas, que dê mais atenção ao artesanato de Resende Costa, para também divulgarmos”, disse Marcelo Matte, diretor regional da TV Globo Minas. A apresentação da Lira São Sebastião emocionou também os diversos resende-costenses que foram até a Praça da Liberdade para prestigiar a participação de Resende Costa no evento: “Estou imensamente satisfeito, cumprindo um desejo. Resende Costa está no meu coração e a apresentação da Banda de Jacarandira me emocionou bastante. É um prazer”, declarou, emocionado, o resende-costense professor José Silvério Chaves, o Tiná. O maestro da Lira São Sebastião, Gerson Ednilson, também falou da emoção de participar de um evento cultural na capital mineira: “É muito gratificante. Estamos com a garotada aí na banda, e participar de um evento como este é um incentivo para continuarmos o trabalho. Jacarandira se sente honrada em participar deste evento”. Os aplausos do público também emocionaram o maestro Ednilson, que explicou a opção da banda por resgatar e preservar o repertório sertanejo de raiz: “Optamos por tocar e cantar as músicas antigas, tradicionais, ou seja, os clássicos que todos conhecem e gostam de ouvir, músicas que ficam para sempre. Desde o maestro Ge-
Tapete devocional homenageou a cultura mineira
raldo Gouveia (ex-regente da banda, falecido em 2011), a banda já tocava essas músicas e não queremos perder a tradição. Ficamos muito satisfeitos em ver o pessoal cantando e aplaudindo a gente. Em quase todas as nossas apresentações, além de tocar, também cantamos”. O maestro destacou, ainda, os desafios de manter uma banda de música numa comunidade rural: “Na nossa banda, do maestro aos músicos, ninguém recebe. Trabalhamos na roça e dedicamos parte do nosso tempo aos ensaios, duas vezes na semana. Fazemos porque gostamos da música. Na minha família, muitas pessoas foram e são músicos, participam da banda. E o que sei sobre música, aprendi com o maestro Geraldo”. O artesanato - Certamente os braços do artesão Luís Cláudio dos Reis voltaram de Belo Horizonte doloridos de tanto bater tear. Mas foi gratificante, afinal, durante todo o dia centenas de pessoas chegaram perto do tear centenário do Luís Cláudio, para ver de perto como se tece uma colcha de retalhos. Passando o novelo entre as linhas e manuseando habilmente o tear, Luís Cláudio revelou aos visitantes da Praça da Liberdade alguns segredos do genuíno artesanato resende-costense. As colchas de retalho e a velha roca expostas ao lado do tear também chamaram a atenção de quem passava pela praça. “Essa colcha esquenta mesmo?”, indagou um ciclista que, curioso, parou para ver o tear. Outro pergun-
tou: “como funciona essa roca?”. Para Luis Cláudio, que é também vereador e presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), “Resende Costa já é conhecida, mas quanto mais divulgação melhor. Começamos a ganhar mais espaço junto aos órgãos ligados à questão do patrimônio, do turismo e da cultura”. Ele informou, com antecedência, que Resende Costa participará novamente do Dia do Patrimônio Histórico de 2013: “A gente ganha mais força”. No cair da tarde, o público novamente se reuniu ao lado do coreto da Praça da Liberdade para assistir ao concerto do Coral do BDMG. Destacando o que há de melhor na música popular brasileira, o coral encerrou brilhantemente este que foi, conforme descreveu Luís Cláudio, “O dia D do patrimônio”. O Dia do Patrimônio Histórico na Praça foi uma realização do IEPHA (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico), FAOP e do Circuito Cultural Praça da Liberdade, em parceria com a Vale, Copasa, Shopping Xavantes, BDMG Cultural, Casa UNA, Casa e Tinta, Viação Irmãos Teixeira, Ateliê e Receptivo Dedo de Prosa, Leroy Merlin e Empresa de Ônibus São Gonçalo. A ação contou, ainda, com o apoio cultural da Globo Minas e do Sou BH. As fotos e a íntegra desta reportagem se encontram em www.jornaldaslajes.com.br
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Aconteceu
Jornal das Lajes
EMANUELLE RIBEIRO
Folia Sertaneja movimenta Lagoa Dourada
A agitação do mês de setembro ficou por conta do Folia Sertaneja, evento que aconteceu em Lagoa Dourada nos dias 6, 7 e 8 de setembro. Com organização dos resende-costenses Lucas Paulo e Carlos Fernando, a festa apresentou MC Marcinho, Fred & Gustavo e Jeito Moleque. Além dos shows, aconteceu também no sábado (8) um jogo de futebol entre a galera do Jeito Moleque e da Kaessy. Os organizadores confirmaram o sucesso do evento, que segundo eles superou as expectativas. Lucas e Carlos Fernando explicaram que o projeto inicial era realizar o Folia Sertaneja em Resende Costa, o que não aconteceu devido a não liberação do Parque de Exposições. A partir disso, eles escolheram Lagoa Dourada para ser palco desse grande evento. De qulquer forma, a galera de Resende Costa compareceu em peso para prestigiar o Folia. Parabéns a organização e que venha a segunda edição da festa!
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8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Novos tempos
Não posso sair pelas ruas e todos vêm ao meu encontro. Ando recebendo abraços efusivos de gente que mal me cumprimentava. De repente, pessoas que jamais pronunciavam meu nome agora me tratam diferente. Já vi alguns que interromperam ligações no celular especialmente para me saudar com a cara mais prazerosa do mundo. Gente que passava por mim com cara amarrada agora até me lança sorrisos de dentro do carro. Ontem, uma me parou e me disse que minha contribuição para com a cidade é imensa. (E eu que sempre achei que faço tão pouco pela minha cidade... tão pouco que ninguém nunca havia falado nada!). Há pessoas que passaram a frequentar a minha casa, procuram por mim, dizem coisas de um passado maravilhoso e mágico, de uma infância em conjunto, de pureza, amizade e travessuras... Mas confesso que não me lembro dessas pessoas na minha infância, até mesmo porque não morei nas cidades de onde elas vieram. E pedem para eu não me esquecer delas... e pedem para eu dar ideias para a cidade ficar melhor... e perguntam por parentes meus que já morreram, mandam abraços para conhecidos que não conheço, elogiam coisas que jamais fiz. Olhei ao redor e vi que outras coisas ficaram importantes também. Os velórios passaram a ficar lotados. Os defuntos passaram a ser canonizados. As alças de caixão viraram tesouro disputado. Missas e festividades re-
ligiosas... Que bonito ver tanta gente que raramente entrava numa igreja agora rezando, aplaudindo, participando, ajoelhando... Gente comungando, gente carregando bíblia, gente em procissões... a conversão é geral! De uma hora pra outra, o ser humano descobriu a caridade. E toca homens e mulheres carregando pobres para os hospitais, comprando remédios para os desvalidos, distribuindo cestas básicas, frutas, ovos, legumes, verduras, roupas. O novo tempo chegou. É bonito ver rostos produzidos e sorridentes espalhados pela cidade, pelos jornais, pelos cartazes. A alegria é a tônica desse novo tempo. Tomara que dure para sempre. Hoje de manhã, uma dessas pessoas que inexplicavelmente se tornaram anjos da cidadania me deu um papel com o seu retrato. Atrás, uma lista de promessas para melhorar a educação, a saúde, a segurança pública. Quanto desprendimento! Quanto amor pelo próximo! Não é à toa que a palavra candidato vem do latim (candidus, isto é, “puro”). Quantos candidatos! Quantos corações cândidos movidos pela pureza das intenções de melhorar a vida dos cidadãos! Olhei para o papelzinho mais uma vez e demorei-me no sorriso daquele candidato ao desprendimento e ao trabalho social. Sua candura me tocou tanto que eu também quis fazer a minha parte para com a cidade: resolvi contribuir com a limpeza urbana e joguei o papelzinho no lixo.
__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
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Educação
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Escolas públicas da região de São João delRei alcançam nota acima de 7,0 no IDEB 2011 O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de 2011, divulgado no dia 14 de agosto pelo Ministério da Educação (MEC), mostra que algumas escolas da rede pública da região das Vertentes apresentaram desempenho bem acima da média. As escolas General Silvano Albertoni, de Barroso, Angelina Medrano e Professora Maria Marcilia de Rezende, de Lagoa Dourada, Aureliano Pimentel e Evandro Ávila, de São João Del-Rei alcançaram nota acima de 7,0, nos anos iniciais do ensino fundamental (1ª à 4ª série). Em Resende Costa, a nota do IDEB foi de 5,2 na escola Conjurados (abaixo da meta de 5,5 para 2011) e de 4,5 na Paula Assis (meta não foi informada). Em São João del-Rei, as escolas Celso Raimundo (nota 6,1), Maria Teresa (6,1), Aureliano Pimentel (7,5), Brighenti Cesare (6,5), Deputado Mateus Salomé (6,7), Dr. Garcia de Lima (6,9), Evandro Ávila (7,2), Inácio Passos (6,4), Professor Iago Pimentel (5,7) e Tomé Portes Del Rei (6,1) já ultrapassaram a meta prevista para 2013 na 4ª série. Em compensação, a escola Ministro Gabriel Passos (5,0) ficou abaixo da meta de 2011 (nota 5,7). Em Barroso, as escolas Irmã Magdaline (5,6), General Silvano Albertoni (7,2) e Santana (6,4) já adiantaram a lição de casa, com notas superiores às da meta de 2013 na 4ª série. Por sua vez, a escola Artur Napoleão (5,9) não atingiu nem a meta de 2011 (6,1). Em Coronel Xavier Chaves, a escola Sebastião Patrício Pinto (6,3) também atingiu antecipadamente a meta de 2013. Bom desempenho tiveram também as escolas Angelina Medrano (7,0) e Maria Jacinta Campos (5,4), de Lagoa Dourada, com notas acima da meta de 2013. Já a
escola Maria Marcília de Rezende, embora com ótimo resultado (7,3), por pouco não adiantou a lição de casa de 2013 (meta de 7,5). Em Prados, as escolas Maestro Adhemar Campos Filho (nota 6,2) e Professor Antônio Américo (6,1) ultrapassaram as metas tanto de 2011 quanto de 2013. O mesmo valeu para Ritápolis, com a escola Márcia Silva Resende Serpa (6,2). As três escolas de ensino fundamental de São Tiago também se saíram bem, em relação ao quadro geral. As escolas Deputado José Aldo dos Santos (nota 6,4), Mercês de Água Limpa (6,9) e Henrique Pereira Santiago (6,0) superaram as metas de 2011 e de 2013. Já a escola Marília de Dirceu (nota 4,9), de Tiradentes, ficou abaixo da meta de 2011. Anos finais do fundamental Nos anos finais do fundamental (5ª a 8ª séries), as notas foram mais baixas em geral e o avanço menor. Em Resende Costa, a nota da escola Assis Resende foi de 4,5 na 8ª série, superior às metas de 2011 (3,8) e de 2013 (4,3). Na rede pública de São João del-Rei, destaque para as escolas Brighenti Cesare (nota 5,2), Cônego Osvaldo Lustosa (5,5), Evandro Ávila (5,7) e Inácio Passos (4,7), que fizeram bem a lição de casa, superando as metas de 2011 e 2013. Por sua vez, a escola Dr. Garcia de Lima (3,1), Governador Milton Campos (4,3), Idalina Horta (4,6), João dos Santos (5,1) e Tomé Portes del-Rei (4,3) tiveram notas abaixo da meta de 2011. Em Barroso, as escolas Cônego Luiz Giarola Carlos (nota 4,1), Francisco Antônio Pires (4,0) e Prefeito Geraldo Napoleão de Souza (5,6) também superaram as metas de 2011 e 2013. O mesmo
ocorreu com a escola Coronel Xavier Chaves (6,0), que antecipou a lição de casa. Em sentido contrário, a escola Abelardo Pereira (4,8) de Lagoa Dourada ficou aquém das metas de 2011 e 2013 na segunda fase do fundamental. Por sua vez, a escola Dr. Viviano Caldas, de Prados, conseguiu nota 4,8, a mesma da meta de 2013. E a escola Padre Crispiniano, de Ritápolis, bateu as duas metas com nota 5,5. Os resultados do IDEB em São Tiago foram contraditórios, com a escola Afonso Pena Junior (nota 5,1) ultrapassando as metas de 2011 e 2013, enquanto a escola Mercês de Água Limpa (3,9) ficou aquém da meta de 2011 (de 4,7). Por fim, a escola Basílio da Gama (3,5), de Tiradentes, também não atingiu a meta de 2011 (de 3,8) na 8ª série. Acima da média Os resultados do IDEB 2011 confirmam que Minas Gerais é referência nacional em educação, diz a professora Maricéa do Sacramento Santos, superintendente regional de Ensino de São João del-Rei . “Nos anos iniciais, a rede estadual mineira alcançou o índice 6,0, equivalente à média de países desenvolvidos e está classificada como a melhor do Brasil. Em nossa região, a maioria das escolas superou a média do Estado e, em geral, já atingiu a média 6,0 proposta para 2021 nos anos iniciais”. Nos anos finais, a rede estadual de Minas Gerais ficou na 2ª posição no ranking de estados brasileiros, observa Maricéa. “Em nossa região, a maioria das escolas estaduais, além de alcançarem as metas projetadas, em cerca de 80% dos casos, superaram a média estadual.” (a íntegra está disponível em www.jornaldaslajes.com.br)
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Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
Ares de São Paulo
Domingo, 19 de agosto de 2012. Após dois intensos dias de participação na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, decido-me por caminhar pela Avenida São João, e por fazê-lo namorando o cruzamento dela com a Ipiranga. Sempre quando faço isso, é lógico, lembro-me do Caetano Veloso e da sua canção, a dura cidade concreta erguendo-se perante meus pés e olhos mineiros. O meu amor por São Paulo, como tudo em mim, é dúbio. Mas afianço convictamente que gosto de São Paulo. Aprecio sua poesia rude, sua cara de metrópole desordenada que me instiga, que me tira de um centro urbano um pouco mais pacato, apesar de nem tanto, que é o de Belo Horizonte. Sempre me hospedo em hotéis do Centro de São Paulo. E desta vez não é diferente. Fora do Anhembi, onde ainda está ocorrendo a Bienal, o que me restam são as ruas sujas do centro paulistano, seus prédios e bares, os cinemas de sexo espalhados por vários pontos, as praças e seus mendigos. Resta-me esse mundo estendido perante minhas vontades. Ainda na altura da Praça da República, esquina com a Rua dos Timbiras, quase piso em algo, e vejo que se trata de um homem dormindo sob um encardido e fétido cobertor São Vicente. Na minha infância fui acariciado por esses cobertores toscos e baratos, que minha mãe comprava em grande quantidade em São João del-Rei. Eram cobertores com preços acessíveis ao bolso de uma família numerosa e simples. Mas na simplicidade, tínhamos limpeza e nos escondíamos dos frios de
junho. Esse não parece ser o caso do homem deitado. Seu corpo está encolhido e treme juntamente com a sujeira do cobertor. Em São Paulo está frio neste domingo. A manhã tem sol, mas uma brisa saturada de poluição bate nas faces dos transeuntes. E todos andam pela Avenida São João, como se estivessem respirando o ar mais puro do mundo. O costume tem destas coisas: passamos a não estranhar o que nos é danoso no cotidiano que se estende em nossas vidas. E enquanto duramos, duram nossos corpos acostumados a tudo. A sentir um ar sujo e a respirá-lo com prazer, a ver pessoas deitadas na rua como se estivessem numa cama confortável e dentro de uma casa aconchegante. Vemos horrores, porém não os enxergamos. Não há demonstração de nenhum estarrecimento. Entretanto algo me estarrece. Um mendigo, sentado na calçada mais adiante, aproveita a água que escorre de um restaurante sendo lavado. E vai esfregando os seus pés imundos, vai tirando as crostas que os cobrem. Com água e sabão que já tiveram sua serventia no chão sujo de uma casa noturna, esse homem se limpa, busca tornar-se palatável aos olhos da sociedade. Atônito fico. Deixo-o lavando-se e sigo o meu caminho. Já são quase 11 horas da manhã, e o tempo avança. Tenho que comer alguma coisa, passar correndo pelo hotel e retirar minha bagagem. O voo de volta para Belo Horizonte será apenas às 18 horas, mas a diária vence ao meio-dia, e não estou disposto a pagar caro por uma parcela de tarde num quarto de hotel. No Largo Santa Cecília pego o metrô, faço baldeação na Estação
da Sé e sigo até a Estação São Judas. Dela saio à rua, pego um ônibus deliciosamente vazio na grande São Paulo, e chego em questão de minutos ao aeroporto de Congonhas. Avisam-me no check-in que posso, caso queira, antecipar minha viagem. Isso muito me alegra, afinal já estou sequioso de minha cama e de um sono tranquilo. Geralmente não durmo bem em quartos de hotel. Uma colega me disse certa vez que em hotel tudo é bom, pois é onde a gente exerce o papel do outro. Essas psicanálises não me convencem. Além disso, em mim mesmo, no meu canto, já faço esse tal exercício. Não preciso de hotéis para isso. Na minha ânsia, quase esqueço meu documento no balcão da companhia aérea. Com o bilhete em mãos e a bagagem despachada, vou para o embarque imediato. Dentro do avião, sento-me espaçosamente, e espero pela decolagem. A máquina sobe para os céus de São Paulo. Sobe e, de vez em quando, inclina-se para um lado e depois para o outro. Estou à janela. Quando o aparelho tomba para o lado em que estou, fico superior a São Paulo. Ela está lá embaixo, ficando pequena com seus prédios gigantescos, com seus rios sujos como cobras lentas, com seus carros minúsculos num movimento de formigueiro. É domingo, e estou subindo para os céus de São Paulo. À medida que subimos, vamos atravessando nuvens, com um balanço de dar um pouquinho de medo. Planando agora no ar, na altura já desejada, o que vejo são flocos de algodão, ilhas de vapor lindas e leves levitando sobre a cidade inteira. O avião parece estar navegando mais acima dessas ilhas. E nos movemos pelo ar como se água fosse. As ilhas flutuam, parecem estáticas. E eu fico extático vendo-as assim tão bruma sobre uma cidade cheia de problemas. Inclino o banco do avião e tento dormir. As nuvens são ilhas e ignoram o que está mais abaixo delas. Ignoram também o que sinto e não percebem que estou tentando dormir.
Gastronomia
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CLÁUDIO RUAS
De Portugal à Itália, via Resende Costa – 2ª. parte Continuando a prosa sobre o velho mundo, de Portugal seguimos para a França, a capital da gastronomia mundial. Lembram-se os leitores do causo aqui contado do mineiro da roça que foi pra Paris e descobriu que o confit de porc era a nossa carne de lata? Então, quando se conhece mais de perto a gastronomia francesa a gente percebe que ela é mais simples do que imaginamos. Mas com um diferencial: eles valorizam ao máximo o ingrediente, o produto e a técnica. Além disso, passaram a dar um refinamento à comida que tornou a gastronomia francesa uma referência e até mesmo uma base para execução de outras culinárias. Impressionante como eles valorizam a comida, desde o morador da zona rural até o parisiense, que se assenta todos os dias em um tradicional “café”, que por lá tem aos montes, muito charmosos, aonde não vão só pra tomar café, mas pra comer e beber outras coisas, principalmente os vinhos maravilhosos. Que por sinal são mais baratos do que aqui no encarecido Brasil, assim como algumas comidas e hotéis. Além da carne de lata, muitas são as comidas e ingredientes que também vemos por aqui. Cito dois pratos típicos e servidos até em restaurantes sofisticados, que são o coq au vin e o boeuf bourguignon. O primeiro é um frango ensopado parecido com o nosso, porém, com vinho no cozimento. E o segundo é uma carne cozida lentamente, geralmente o músculo do boi, muito parecido com a nossa carne de panela, feita na tranquilidade do fogão à lenha. O triste é que aqui no Brasil essa não tem tanto valor como deveria. Já vi em um restaurante pomposo uma mulher torcer o nariz ao saber que aquele prato chique e caro que ela acabou de comer - e adorar - era feito com carne de segunda. Na França isso é diferente, pois os ingredientes são valorizados e apreciados sem pré-conceitos e rótulos, do caviar ao pé de porco. Dois ingredientes indispensáveis para eles são a mostarda (amarela escura e bem pastosa) e a manteiga, muito bem feitos e usados de forma bem generosa, principalmente a última. Ao ver a quantidade de manteiga de uma receita, o que se
pensa é que eles seriam gordos. Mas não, são magros. O segredo? Comer de tudo um pouco, sem excesso e com produtos de qualidade. E olha que eles têm catalogados mais de 365 tipos diferentes de queijos, um para cada dia do ano e um melhor do que o outro, consumidos com pães espetaculares. No cardápio francês as aves também têm um lugar especial, como o frango, a galinha d’angola e o pato, cujas partes mais apreciadas são o peito (grelhado ou curado com sal), a coxa (geralmente cozida na gordura do próprio bicho, o confit de canard) e o fígado, que é considerada uma das grandes iguarias do país. É dele que se produz o famoso foie gras, que é o miúdo de um pato (ou ganso) engordado em excesso, servido in natura ou então processado, cozido ou em forma de patê. Mas uma das coisas mais ricas que a França tem são suas feiras de rua. Bem presentes no cotidiano, geralmente são montadas aos sábados e chamam a atenção pela organização e pela qualidade e variedade dos produtos, muitas vezes vendidos pelo próprio produtor (até mesmo no coração de Paris), sem atravessador, frescos e muito bem cuidados. Praticamente não é preciso escolher o ingrediente na banca, tamanha a perfeição dos produtos. É um convite e tanto pra cozinhar muito - e bem - ou simplesmente fazer um belo piquenique em uma praça ou parque. Algo comum por lá e cada vez mais incomum por aqui, uma pena. Pena também saber que poderíamos ter feiras bem estruturadas, principalmente aqui em Resende Costa, onde compraríamos o que é produzido à nossa volta, com muito mais qualidade e sustentabilidade, valorizando o homem do campo, nossas tradições e resolvendo ainda uma série de problemas sociais e econômicos. Que o poder público - principalmente agora em tempos de eleição - pense com carinho nesse assunto, que não morre nesse artigo. (A receita desse mês no nosso blog é um clássico francês, delicioso, barato e muito fácil de fazer: a Sopa de Cebola: http://casalgastromg.blogspot. com.br/2012/08/sopa-de-cebola.html)
10 Jornal das Lajes Artigo
ANO IX Nº 113 - SETEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO (CIDADÃO RESENDE-COSTENSE)
Reflexões sobre política e cidadania
Tenho escrito no JL sobre muitas pessoas, vivas ou falecidas. Tentando não ser narcisista, hoje escrevo sobre mim mesmo. Ou melhor, sobre minha relação com a política. O contexto do período eleitoral (eleições para prefeitos e vereadores) sugere essa reflexão. Estamos em tempo de acirrada campanha. O cenário se repete em todas as eleições. Vejo as placas, os adesivos, os santinhos, as faixas. Ouço os sons pelas ruas doendo nos nossos ouvidos, sobretudo os feios sons dos gingles. E fico pensando: quanto dinheiro, quanta promessa, quanta mentira. O que me faz lembrar da célebre frase do estadista e “chanceler de ferro” alemão, Otto von Bismarck (1815/1898): “Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante as guerras e depois das caçadas”. Mas vamos à nossa reflexão. Sabemos que numa democracia todos os cidadãos, independente de raça, cor, gênero, idade e classe social têm uma necessária relação com a política. A essência das organizações sociais democráticas é a representatividade, ou seja, cabe aos cidadãos escolherem aqueles que vão governá-los ou vão cuidar do arcabouço das leis que regem a sociedade, nos três níveis: federal, estadual e municipal. Essa ideia de “democracia” é oriunda dos gregos (demos, povo e cracia, governo). Ou, como resumiria Abraham Lincoln, “democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo”. O problema é que “deveria” ser assim. Na realidade, entretanto, na maioria das sociedades nas quais os cidadãos não são educados (na família e na escola) para o exercício da cidadania, a democracia costuma ser “o governo de si, por si e para si”. Isso significa que governantes e legisladores, ao invés de se preocuparem com o “povo” ou com a coletividade que representam, costumam exercer essas funções visando a seus próprios interesses. Trocando em miúdos, se elegem de olho no poder pelo poder e interessados na remuneração advinda das funções que pretendem exercer. Historicamente há poucas e honrosas exceções. Nos sistemas democráticos, dada a complexidade do processo da representatividade e devido sobretudo ao fato das diferenças sociais, os cidadãos se fazem representar através dos chamados “partidos políticos”, diferentes entre si e representativos das ideias (ou ideologias) das variadas camadas da sociedade. O Brasil republicano passou pelas mais variadas formas de partidarismo até chegar a esta verdadeira balbúrdia de hoje. Inúmeros partidos, sem ideologia, criados para atender a interesses de pessoas e grupos, um caos. Basta lembrar as excrescências do PRN e do PSD, que poucas pessoas conhecem (o brasileiro, infelizmente, tem uma memória histórica curta...). O primeiro, inventado pelo “marajá collorido das Alagoas”, para levá-lo ao seu desastrado governo. O partido morreu quando ele foi escorraçado da presidência; o segundo, mais recente, brotou da aventura interesseira do Gilberto Kassab, atual prefeito de São Paulo. Diante dessa triste realidade, a sociedade clama por uma reforma político-eleitoral (como clama por uma reforma tributária e por muitas outras...), mas sucedem-se presidentes e congressos e não o fazem. Claro, uma vez chegados ao poder, o que lhes interessa é batalhar para nele permanecer. Fernando Henrique e Lula (que usaram de todas as artimanhas para permanecer no poder) são dois (maus) exemplos mais recentes. Tinham tudo nas mãos para fazer essa reforma. O
primeiro, como plenipotenciário do governo Itamar Franco e em flagrante desrespeito à Constituição, boicotou a reforma da mesma em 1993, como estava previsto no seu artigo terceiro. O povo sequer soube disso na época. Assumindo a presidência, FHC, passou a governar através de medidas provisórias e lutou para mudar a constituição, abrindo a possibilidade de sua reeleição. Lula, com a maior aceitação de todos os tempos, tinha tudo para fazer as reformas que quisesse. Ao invés disso, tentou reforçar sua base de apoio, por meios escusos, visando a sua permanência no poder. Deu no que estamos vendo por esses dias. Historicamente, alguns partidos nasceram com alguma ideologia. Hoje, nesse emaranhado de partidos, desapareceram as ideologias. Pelas brigas, coligações, roubalheiras e pelo jogo de interesses pessoais é difícil poder dizer que algum partido tenha alguma ideologia. Aliás, nem se sabe o que seja ideologia. A ideologia praticada é a do “venha a nós o vosso reino”, ou seja, o poder, os aconchavos, os cargos, as alianças espúrias, as trapaças financeiras. É o reino do “toma lá, dá cá” ou do “é dando que se recebe”. É o que se vê por aí. Veja-se o caso dos vereadores. Até 1977, as funções de vereador não eram remuneradas, exceto nas cidades com mais de 200 mil habitantes. O exercício da vereança era, então, assumido constitucionalmente como uma colaboração social do cidadão, ao exercer sua função de representatividade para o bem da comunidade. O regime ditatorial, entre muitas de suas mazelas para se sustentar e se perpetuar no poder, modificou a legislação eleitoral vigente, através do famigerado “pacote de abril de 1977”. O presidente Geisel simplesmente fechou temporariamente o Congresso Nacional e alterou a legislação vigente, estabelecendo, entre outras medidas, a nomeação de um terço de senadores (os famigerados “senadores biônicos”) e a remuneração para todos os vereadores do país. A expectativa dessa manobra era que, através dos milhares de vereadores do país, agraciados com esse inesperado “presente”, se fortalecesse o partido da revolução nas eleições daquele ano, uma vez que a oposição ao governo militar crescia em número e em qualidade. O resultado nefasto para a democracia brasileira (e para a economia...),
oriundo dessa medida, está aí: a maioria esmagadora dos candidatos a vereadores lutam ferozmente para serem eleitos, de olho nos salários. Hoje basta ligar a televisão e abrir os jornais para ver o festival de projetos de aumentos abusivos de salários (alguns variando de 40 a 60% de aumento), enquanto os milhões de assalariados e funcionários públicos mal conseguem um teto de aumento baseado na inflação (até a faixa de 6%). E só através de greves. É muito fácil, pois cabe a eles legislar em causa própria. Nem a nova constituição (1988) conseguiu extirpar esta excrescência. Só restaria a força da pressão popular, como aconteceu recentemente com os vereadores de Belo Horizonte que, envergonhados, arquivaram o projeto de aumento. Ou como aconteceu na cidade mineira de Arcos: ao saber do golpe preparado, na moita, para aumentar deslavadamente seus salários, o povo invadiu a Câmara dos Vereadores e pôs tudo para quebrar. Os vereadores recuaram. Por essas e por muitas outras razões não sou (e nunca fui) filiado a algum partido político. Salvo quando, muitos anos atrás, um cidadão resende-costense, não sei com quais intenções (o mais triste é pensar que tenha sido por mera gozação...), registrou na Justiça Eleitoral a criação de um diretório do PTBdoB em Resende Costa. Imaginem só que partido: “Partido Trabalhista Brasileiro do Brasil”, partido criado em Belo Horizonte. Os agraciados com essa distinta honra fomos eu e mais quatro outras pessoas da cidade, cujos nomes prefiro não dizer. Morando em Brasília, fiquei sabendo disso por um dos meus novos colegas de diretório do glorioso PTBdoB, que me alertou para ver o ato de criação publicado no Diário Oficial na véspera. Sem filiação partidária, esforço-me para praticar a cidadania de outras maneiras. Sempre labutei pela educação, pela defesa e pela qualidade da escola pública (a ponto de um colégio particular de Brasília cancelar a matrícula de meus dois filhos), hoje trabalho na UFMG como voluntário e me esforço para praticar um estilo de vida pelo qual possa contribuir para a construção de uma sociedade mais justa. Partidos? Só depois de uma séria reforma política e eleitoral. Ou seja: infelizmente, nunca!
Artigo
CLÁUDIO RUAS
15º Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes Encerrado no último dia dois de setembro, a 15ª edição do Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes foi, mais uma vez, um sucesso. Como ocorre a cada ano, um tema é escolhido como foco do festival (ano passado foi a nova geração de chefs brasileiros) e nesse ano foram os produtos regionais do Brasil. Para isso, formou-se uma “Expedição Gastronômica Brasileira”, que percorreu seis estados a fim de “entender e documentar a diversidade dos nossos ingredientes e conhecer a dedicação das pessoas que o produzem”, explicou a organização do evento, que ainda prometeu a publicação de um livro com o material coletado. Também como de costume, o festival contou com excelente estrutura montada, principalmente no largo da rodoviária e na praça principal, onde foram realizadas apresentações de culinária, palestras, seminários, workshops, exposições, além de apresentações culturais voltadas para música e teatro. Para os chamados “festins” jantares fechados nas pousadas e comandados por chefs convidados - destacou-se a presença do chef espanhol Jordi Roca, considerado o 2º melhor do mundo. Além dele, profissionais do Chile, Peru e Venezuela também vieram de longe para o prestigiado festival, que também contou com nomes brasileiros representando vários estados, caso do
ícone mineiro da alta gastronomia, o chef Ivo Faria (Vecchio Sogno, Belo Horizonte). Ponto forte do festival foram os debates promovidos, com destaque para o ocorrido no último final de semana, cujo tema foi a “Fraternidade Sul-americana”. Contou com a ilustre participação do aclamado chef brasileiro Alex Atala – considerado atualmente o 4º melhor restaurante do mundo (D.O.M, São Paulo) – e dos demais chefs estrangeiros, assim como do principal crítico gastronômico do Brasil, Josimar Melo (Folha de São Paulo), além da nossa maior representante da culinária mineira, a Dona Lucinha. O foco do debate foi a importância da união e trocas de boas experiências dos trabalhos desenvolvidos nos países da América Latina, que hoje têm sido considerados a “bola da vez” da gastronomia do novo mundo. Dentre eles, o que tem se despontado mais é o Peru, graças ao maciço apoio governamental e à irrestrita valorização dos seus produtos típicos. Para fechar com chave de ouro, foi anunciada pelo governador Antônio Anastasia o apoio do Governo do Estado relativo à participação de Minas Gerais como o único representante brasileiro no “Madrid Fusión 2013”, um dos mais importantes eventos gastronômicos do mundo. Excelente notícia. E que venha 2013.
O Festival de Gastronomia mais uma vez movimentou a histórica cidade de Tiradentes. Valorização da culinária regional
Jornal das Lajes
ANO IX Nº 113 - SETEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Cidade
EMANUELLLE RIBEIRO
O Verso e o Controverso
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JOÃO MAGALHÃES
Secretários, prefeito e vice terão aumento Confabulando: fábulas dos salários em 2013 em Resende Costa para um diálogo
Os secretários municipais de Resende Costa terão aumento dos salários em 7,45% a partir de 2013. O próximo prefeito e o vice também terão a mesma elevação nos pagamentos mensais, como pretende projeto de lei da Câmara Municipal de Resende Costa. O valor do salário dos secretários passará dos atuais R$ 2.602,95 por mês para R$ 2.812,48. Já o prefeito passará a receber R$ 8.300,70 e não mais R$ 7.682,28. O salário do vice-prefeito passará de R$ 2.954,14 para R$ 3.191,94 a partir da próxima legislatura (2013-2016). O projeto já foi votado e aprovado pelos vereadores e sancionado pelo prefeito municipal. O artigo que fixa o aumento dos salários do secretariado municipal autoriza ainda o pagamento do 13º sa-
lário e terço de férias e veda qualquer outra espécie de gratificação adicional, como abono, prêmio, verba de remuneração ou outra espécie remuneratória. O projeto de lei prevê ainda que o vice-prefeito, caso seja nomeado secretário municipal, deverá optar pelo recebimento de seu subsídio ou o de secretário. Atualmente, o menor salário da Prefeitura Municipal de Resende Costa é pago aos serventes operário e escolar, vigia, auxiliar de serviços gerais, telefonista, jardineiro, agente comunitário de saúde e gari e corresponde ao valor de R$ 622,01 (salário mínimo). O funcionário público que recebe o maior salário é o médico do PSF
Regional
(Programa Saúde da Família). Esse profissional recebe R$ 7.201,20 mensais. Hoje vivenciamos no Brasil a greve de diversas instituições federais de ensino superior, com os professores reivindicando melhores condições, salários e plano de carreira. Sempre se fala nos salários “injustos” que recebem os profissionais da educação, área primordial para o desenvolvimento de uma sociedade. Em Resende Costa, o professor I (de 1º a 4º ano) recebe R$ 914,58. Já o professor II (5ª a 8ª série e ensino médio) recebe R$ 13,67 hora/ aula. Os salários realmente não fazem jus ao trabalho do professor, mas essa é uma realidade não só de Resende Costa, mas de todo o país.
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Associação Comercial de São João del-Rei comemora 110 anos com muitos eventos
Capacitação de empreendedores, primeiro encontro regional da mulher empreendedora e a 7ª FECIC (Feira do Comércio, Indústria e Mostra Cultural) - além de promoções, ações de marketing, homenagens, campanhas e ações sociais - fazem parte da programação de comemorações dos 110 anos da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (ACI del-Rei) que vai até janeiro de 2013. Entre junho e agosto, ocorreram encontros de corais, ciclo de palestras, encontros empresariais, lançamento de selo comemorati-
vo e campanhas de serviços e informação em áreas como educação, saúde, estética e social. A ACI del-Rei, terceira associação comercial e industrial mais antiga de Minas Gerais, completa, em 2013, 110 anos de defesa da iniciativa e do empreendedorismo, procurando valorizar o empresário como criador de riquezas e gerador de trabalho e empregos, como definem os seus dirigentes. E está atenta às mudanças econômicas e sociais, buscando oferecer serviços de qualidade para seus associados.
Presente na vida social e política da cidade, procura estimular a cultura e a educação e cobrar posições mais justas dos governos em questões que interferem no cotidiano dos são-joanenses. De acordo com a diretoria, a Associação interage cada vez mais com a cidade e, entre suas prioridades, busca apoiar eventos culturais e preservar o patrimônio local. Também procura interferir, quando necessário, na política e ajudar a captar recursos para obras de melhorias. Hoje, a ACI del-Rei participa de (e se faz representar em) todos os conselhos e, como sempre, das decisões sociais da cidade. O surgimento da ACI del-Rei está intimamente ligado ao crescimento de São João del-Rei. Com o desenvolvimento do comércio, a inauguração (1881) do primeiro trecho da estrada de ferro oeste de minas (EFOM) e a proclamação da república (1889), os comerciantes locais sentiram o desejo de reunir os empregados do comércio para defender seus interesses. Assim, em 15 de dezem-
Os lambaris e as minhocas Desde a infância, as fábulas sempre me atraíram. Cheguei a decorar algumas delas, até em latim. Do famoso Lupus et Agnus de Fedro, lembro-me até hoje. Li e colecionei todas que encontrei. Depois, como professor, vi nelas um excelente instrumento para criação de hábito de leitura, pois são pequenas histórias, muitas vezes até escritas em verso, caso de Fedro e La Fontaine. Em sua maioria, são joias literárias que costumam agradar crianças e adultos. Encontrei nelas, também, uma forma excelente para debate de situações e comportamentos, pois este é o intento delas, ou seja, sempre finalizam com uma moral, implícita ou explícita. Vem daí a expressão muito usada “Moral da fábula”. Igualmente excelente, para análise de pessoas e personalidades, pois, embora quase sempre as personagens sejam animais e/ ou objetos, comportam-se sempre a modo dos humanos. Como o espírito desta coluna é dialogar sobre assuntos que julgo importantes, sobretudo os controversos, mas não exclusivamente - e sempre suscitando uma posição também opinativa do leitor - quando o assunto o permitir, usarei como instrumento para a conversa, alguma das fábulas que com o tempo fui criando e escrevendo. Espero que agrade. A corrida aos votos já começou e, como sempre, vem o comércio, a compra e venda, às vezes baratíssima, de sua mercadoria mais valiosa: o voto. O individualismo, o interesse ime-
diato, um consumo de agora, frequentemente levam pessoas a negociar seu clique na urna eletrônica, por saco de cimento, bola de futebol, trechinho de estrada, alguma sinecura... e assim vai. Compete a nós não deixar que o “como sempre” vire “para sempre”. Vamos à fábula Lançadas num lago e presas respectivamente no anzol de dois pescadores, duas minhocas debatiam-se, desesperadamente. Enxergando dois lambaris que nadavam velozmente em sua direção, gritaram aflitas: - Salvem-nos! Não nos engulam! Vocês não se arrependerão! Que nada! O primeiro lambari abocanhou uma delas num segundo, e no minuto seguinte já estava morrendo com as guelras dilaceradas, no balde do pescador. O outro lambari teve um momento de compreensão, ouviu a minhoca e com cuidado, delicadamente, tirou-a do anzol, salvando-a da morte. Até hoje vive feliz, nadando tranquilo nas águas do lago! Moral da fábula “O egoísmo, o individualismo exacerbado, a gana precipitada de realizar seus interesses imediatos, sem ouvir o que o outro tem a dizer, podem levar à infelicidade e até à morte”. É o que penso. E você?
Ilustração: Danilo Magalhães
bro de 1902, um grupo reuniu-se na confeitaria Glória e lançou as bases para a fundação da entidade, que foi
organizada a partir de janeiro de 1903 (a íntegra está disponível em www. jornaldaslajes.com.br).
12 Jornal das Lajes
ANO IX Nº 113 - SETEMBRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
Escola Galaxy completa quatro anos No dia 8 de setembro, a Escola de Futebol e Futsal Galaxy completou quatro anos de existência em Resende Costa. A Escola, que começou com os simples treinos na quadra do Lajes Clube, hoje continua proporcionando alegria, aprendizado e bem estar a muitos atletas. Atualmente, a Galaxy atende a mais de 120 jogadores, com idade entre seis e 17 anos. O projeto Galaxy agora é desenvolvido no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson e no campo do Expedicionário. “Possuímos um convênio com a prefeitura municipal, em que destinamos 10% das vagas para alunos selecionados pela Assistência Social”, explicou João Vítor de Assis, um dos idealizadores da escola. A Galaxy foi muito comentada em Resende Costa pela parceria com o Cruzeiro, que durou um ano e hoje não existe mais. Parceria que foi muito importante para estabelecer um contato dos atletas resende-costenses com o futebol profissional. A Escola ainda mantém parceria com vários outros clubes e centros de formação de Minas Gerais, como o Centro Esportivo Ubaense, de Ubá, considerado um dos melhores centros de formação de Minas Gerais.
Em conversa com João Vítor, ele contou ainda que na última semana de agosto, o atleta Mateus, de 14 anos, ficou alojado no centro do Ubaense, onde passou por avaliação técnica. Mas, apesar do bom futebol, nosso atleta não foi aprovado: “Acreditamos que em breve ele e outros atletas de nossa equipe já estarão preparados para serem aprovados”, completou. João Vítor, que é formado em Educação Física pela UFSJ e está terminando pós- graduação na Universidade Federal de Viçosa (UFV) com especialização em futebol, fala das dificuldades: “Hoje, a maior dificuldade é a deficiência de coordenação motora de muitos atletas que entram na escolinha, talvez seja porque não há aulas sistematizadas com profissionais de educação física nas séries iniciais do ensino fundamental em nossa cidade. Isso atrapalha um pouco, porque o atleta chega com algumas deficiências na coordenação motora, na corrida e até com dificuldades em participar de atividades esportivas em grupo, a respeitar os colegas durante e após os jogos. Mas isso não impede que eles possam desenvolver as suas habilidades. Temos bons atletas, que, com certeza serão destaque em Resende Costa e na região”. Nesses quatro anos, acredito
que a escola tenha contribuído muito para o esporte em Resende Costa e é importante que os pais, patrocinadores e parceiros continuem a incentivar esse trabalho, para que, como afirmou João Vítor, os jovens possam continuar se desenvolvendo, não só no futebol, mas no convívio social, no respeito ao próximo e no trabalho cooperativo. “Contamos com um trabalho sistematizado, com profissionais capacitados para usar o futebol como ferramenta de desenvolvimento pessoal. Assim, temos certeza que em breve sairá um grande atleta profissional de Resende Costa”, conclui o professor. Neste mês, a Galaxy participará de vários jogos: contra o Athletic Club de São João del-Rei, Tupinambás de São Tiago, Ceclans de Barroso, Lagoa Dourada e ainda tem o campeonato regional de escolinhas de futsal. Além disso, a Escola Galaxy, em parceria com o Expedicionário, trará o sub-13 e o sub-15 do Atlético Mineiro em novembro, para disputar amistoso contra os clubes daqui. Parabéns, Galaxy, pelos quatro anos de trabalho em Resende Costa. E que a Escola continue trazendo resultados positivos para a nossa cidade e formando bons atletas.
terminou sem gols: 0x0 e Verdão campeão! Além de Ademir da Guia, o técnico Oswaldo Brandão contou com Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo Mostarda, Zeca, Dudu, Edu Bala, Leivinha, Madruga e Nei para conquistar a taça. Sem nenhuma surpresa, o palmeirense Ademir da Guia foi eleito o craque do brasileirão. Dadá Maravilha, do Galo, foi artilheiro novamente, ao lado do sãopaulino Pedro Rocha, com 17 gols. A revelação de 72 foi o lateral-esquerdo Marinho Chagas, do Botafogo, que acabou
Na coluna Giro Esportivo desta edição, quero parabenizar e destacar a participação de dois resende-costenses na Copa Paulista de Corridas de Montanha, que aconteceu no último dia 25 em Piquete, no interior de São Paulo. Samuel Eduardo Santos venceu o percurso de 7.460m, chegando 3min12s à frente do segundo colocado. O outro atleta da terra, Luiz Nei Resende, correu o percurso longo, de 12.600m, e chegou em 8º lugar. Apesar da falta de apoio e das altas despesas, os dois sempre pro-
curam disputar essas competições e divulgar o nome de Resende Costa em Minas e em outros estados. “É importante lembrar que a gente não recebe nenhum apoio. Estamos em busca de patrocínios, porque é realmente difícil bancar as despesas, ainda mais porque participamos de muitas corridas”, disse Samuel. A dupla, que treina por conta própria aqui em Resende Costa, agora se prepara para a XTerra - Corrida de Montanha de Tiradentes.
Samuel Santos venceu o percurso de 7.460m no interior de São Paulo
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Série “Campeões brasileiros” O segundo clube a conquistar o Campeonato Brasileiro foi o Palmeiras, na época chamado de “A Academia”. Em 1972, 26 times disputavam o Campeonato, mas o Verdão tinha Ademir da Guia, e ele foi essencial na conquista do título. O Palmeiras fez uma campanha brilhante, com apenas quatro derrotas em 30 partidas disputadas e 46 gols marcados. O adversário da final daquele ano era o Botafogo, finalista pela segunda vez consecutiva. O Palmeiras, com a vantagem do empate, apenas credenciou o jogo, que
Atletas resende-costenses participam de corrida no interior de São Paulo
ganhando o apelido de “Bomba do Nordeste”. Na classificação final, o Cruzeiro foi o sexto e o Atlético, o 11º. O mico daquele ano foi para o Flamengo, que no dia de seu aniversário, sofreu uma goleada por 6x0 para o rival Botafogo. Para relembrar um pouco mais sobre o ano da segunda edição do Campeonato Brasileiro, sabem o que aconteceu de importante em 72? Foi feita a primeira transmissão oficial de imagens coloridas na TV brasileira. A Festa da Uva, em Caxias do Sul, foi o evento principal do dia.
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