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ANO IX Nº 112- AGOSTO 2012 / RESENDE COSTA - MG
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Candidatos a prefeito falam sobre suas propostas para o futuro de Resende Costa No dia sete de outubro, 8.716 resende-costenses irão às urnas para escolher prefeito e vereadores. No ano em que Resende Costa comemora 100 anos de emancipação política, o JL perguntou aos três candidatos a prefeito quais são as suas propostas para o futuro de Resende Costa. Confira no Jogo Aberto desta edição o que pensam e propõem Adilson Resende, Aurélio Suenes e Gilberto Pinto. Leia também o editorial na página 02.
Página 04
A política resendecostense segundo padre Nelson
Três candidatos disputam a prefeitura de Resende Costa
Na segunda reportagem sobre a história política de Resende Costa, da série “Política Regional”, o jornalista José Venâncio de Resende descreve a participação do monsenhor Nelson Rodrigues Ferreira nos principais acontecimentos políticos de Resende Costa, a partir de meados do século 20. No Livro do Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Penha (1944-82), o vigário narrou em detalhes os fatos locais, sempre sintonizados com a política nacional. Páginas 05 e 06
2 Jornal das Lajes Editorial
O bom voto
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Mais uma vez as entranhas podres da política brasileira começaram a ser expostas. No último dia dois de agosto, teve início no Supremo Tribunal Federal (STF) o julgamento dos 38 réus do mensalão. Considerado como o maior escândalo político do governo Lula, o mensalão foi classificado pelo ex-procurador-geral da república, Antônio Fernando Souza, como “um sofisticado e complexo esquema de corrupção de uma organização criminosa em nome de um projeto de poder de longo prazo”. Nas mãos dos ministros do STF está o destino de figuras de proa da política brasileira, como os petistas José Dirceu e José Genoino, além de Roberto Jefferson, do PTB, que foi quem denunciou o esquema em entrevista ao jornal Folha de São Paulo no dia seis de junho de 2005. De acordo com o cronograma do STF, o término do julgamento está estimado para o fim deste mês. Até lá, uma verdadeira batalha entre defesa e acusação será travada em Brasília. Os mais renomados advogados criminalistas do país esforçam-se para desclassificar o mensalão, argumentando que não há provas suficientes contra alguns réus, entre eles o ex-ministro José Dirceu, ou que tudo não se passou de “meros” crimes eleitorais, o chamado caixa dois, como defendeu o então presidente Lula em entrevista à Rede Globo no dia 17 de julho de 2005. Distante do planalto central encontra-se o cidadão brasileiro, cada vez mais desiludido com a política, porém esperando que o julgamento não acabe em “pizza”, como vem sendo praxe nas inúmeras CPIs abertas no Congresso Nacional. O julgamento do mensalão é a chance de o Brasil iniciar uma verdadeira faxina política, condenando ao limbo figuras que maculam a res publica. Se interesses escusos não permitem que os partidos ou o próprio Congresso realizem a tão sonhada e necessária reforma política, está nas mãos dos ministros do STF começar a faxina através da toga. Nesta edição do Jornal das Lajes, o leitor terá a oportunidade de avaliar um pouco as propostas dos três candidatos a prefeito de Resende Costa: Adilson Resende, Aurélio Suenes e Gilberto Pinto. No ano do centenário de emancipação política de Resende Costa, o jornal quis saber dos candidatos o que pensam e o que propõem para o futuro do município. A pergunta surgiu da premissa de que política se faz pensando no longo prazo, ou seja, é inconcebível pensar e agir politicamente sem criar bases e infraestrutura para o desenvolvimento futuro. No próximo dia 7 de outubro, 8.716 resende-costenses irão às urnas para escolher prefeito e vereadores. Na zona urbana são 7.272 eleitores (83,43%) e na zona rural 1.444 (16,57%). Nas próximas semanas, os candidatos usarão de todos os argumentos para convencer este eleitorado, apresentando propostas e ideias - muitas, inclusive, inexequíveis, isto é, surgem apenas como tentativa de angariar votos. São as chamadas propostas eleitoreiras. Dessas os eleitores têm que fugir. O bom voto é aquele motivado unicamente pelas boas e, claro, exequíveis propostas. Está na hora de o eleitor deixar de lado o famoso voto no vizinho, no amigo ou naquele fulano que se julga merecedor ou necessita do cargo para se estabilizar financeiramente. Infelizmente, a política brasileira está cheia de figurões que são eleitos a partir desses votos. No diálogo com a urna, o eleitor tem a oportunidade de mudar este quadro e escolher quem avaliar que realmente tem condições de governar a cidade e representá-lo digna e competentemente no legislativo. É preciso excluir da vida pública “políticos” que visam somente ao dinheiro e ao status que o poder confere. Política é coisa séria. E cada eleição é momento oportuno para reescrever o destino das nossas cidades e do nosso país. No dia 7 de outubro, antes de apertar a tecla verde da urna, é importante refletir sobre os inúmeros fundamentos que constituem-se como base de sustentação de todo bom político: competência, seriedade, inteligência, visão de futuro e honestidade. Sendo o maior deles: a honestidade.
Jornal das Lajes Ltda
CNPJ: 09.323.470/0001-60 Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro (32) 3354-1323 - Resende Costa - MG CEP: 36.340-000 Diretor de redação: Rosalvo Pinto Editoração: Rafael Alves Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Jornalista responsável: Floresta - Belo Horizonte José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP Tiragem: 3000 exemplares Diretor Administrativo: Circulação: Eustáquio Peluzi Chaves Resende Costa e São João del-Rei Diretor de Contabilidade: Os artigos assinados não refletem Antônio da Silva Ribeiro Neto obrigatoriamente a opinião do jornal. Editor-chefe: André Eustáquio
ANO IX Nº 112 - AGOSTO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Meio Ambiente
FERNANDO CHAVES
Voçorocas: machucados da terra
O solo é este meio natural terrestre onde nasce a vida, animal e vegetal; o meio, também, onde se termina a vida – Alain Ruellan
Dos recursos naturais indispensáveis para o homem, um em especial não recebe o devido reconhecimento. Trata-se de um recurso tão importante quanto a água, o ar ou as florestas. No entanto, poucos têm ciência da sua complexidade e do seu valor para a vida. O solo é a mais fina e externa camada da crosta terrestre. Nele se desenvolve a vida, nele estão alicerçadas nossas casas. Uma das funções desse precioso recurso é filtrar as águas que alimentam os lençóis freáticos, além de produzir alimento, fornecer matérias-primas diversas e digerir dejetos animais e matéria morta. O solo surge do desgaste das rochas, sob a ação das chuvas, dos ventos, de microorganismos e de outros seres vivos. É um recurso que se renova num ritmo muito lento. Por outro lado, os solos são sensíveis às atividades humanas e podem degradar-se rapidamente, perdendo potencialidades e deixando de exercer suas funções ecológicas. A deposição de esgoto, a pavimentação urbana e o cultivo agropecuário excessivo ou sem planejamento são algumas das formas de degradação e perda de solo. Mas ele pode degradar-se também em consequência da erosão, causada ou não pelo homem. A erosão é um processo natural de transformação do relevo, ela é parte do ciclo de renovação dos solos. O processo erosivo desagrega e fragmenta o solo, por meio da ação das chuvas, dos ventos e do relevo. Alguns fato-
res aumentam a ocorrência e a intensidade da erosão, como declividade do terreno, presença ou não de proteção vegetal no solo, propriedades do solo e cultivo inadequado. O aumento da erosão acarreta a perda de terras agricultáveis, prejudica o abastecimento do lençol freático, contribui para o assoreamento de rios e para a diminuição da oferta e da qualidade da água. Em Resende Costa há uma grande ocorrência de voçorocas, um dos tipos mais graves de erosão. Também conhecidas como barrancos, as voçorocas são sulcos, rachaduras, escavações abertas no solo, geralmente pela ação das chuvas. Se o solo é comparado à pele do planeta, as voçorocas são feridas abertas no solo. Uma explicação para a grande ocorrência do fenômeno em Resende Costa é a fragilidade de grande parte do nosso solo, que tem alto teor de silte e baixa fertilidade natural, além do cultivo agropecuário com baixa tecnologia. A região oeste do município, banhada pela bacia do rio Santo Antônio, é a que tem maior concentração de voçorocas, representando um prejuízo ambiental e econômico significativo. Os sedimentos que a chuva retira dessas voçorocas contribuem para o assoreamento do rio Santo Antônio e afluentes. Além disso, as voçorocas representam perda de solo agricultável, isto é, perda econômica. Em dossiê técnico produzido em 2007 por Analuce Araújo de Abreu para o CETEC-MG (Fun-
Informe Cultural
dação Centro Tecnológico de Minas Gerais), consta o diagnóstico de que “o rio Santo Antônio é grande contribuinte para o assoreamento da represa de Furnas”. Segundo o dossiê, “ficou constatado que havia pelo menos 754 focos de erosão, além de alta taxa de sólidos em suspensão na bacia do rio Santo Antônio, sendo que as voçorocas eram o tipo de erosão dominante da área”. Existem medidas de prevenção à erosão e técnicas de controle e estabilização das voçorocas. O planejamento da atividade agropecuária, observando a vocação do terreno, o tipo de solo, a declividade e o impacto do cultivo visado pode preveni-las. Evitar queimadas, pastoreio excessivo e o desmatamento são medidas importantes. Quanto à estabilização e recuperação de voçorocas, existem métodos para diagnóstico das causas da erosão e ações de contenção e revitalização do solo. Estamos a 90 km de um dos projetos mais avançados de recuperação de voçorocas do Brasil: o Maria de Barro, de Nazareno, que utiliza e difunde práticas de recuperação de solo com técnicas acessíveis e compatíveis com a nossa região. É uma referência excelente para Resende Costa, que carece nitidamente de um plano de recuperação das voçorocas. A preservação do rio Santo Antônio e a manutenção da quantidade e da qualidade das nossas águas dependerão do manejo que fizermos do solo. Cuidemos do nosso chão. ELAINE A. MARTINS
Evaldo Balbino lança o novo livro de poesias Filhos da Pedra
Premiado em Recife em 2000, Filhos da pedra (Nelpa, 2012) é o mais novo livro do poeta e escritor Evaldo Balbino. Alguns dos poemas que integram o livro também foram premiados à parte, como “Retrato”, que recebeu o Troféu Florbela Espanca de Poesia, e “Renúncia”, galardoado com menção honrosa no X Concurso de Poesia Raul de Leoni. O livro começou a ser escrito quando o poeta ainda morava em Resende Costa e, publicado depois de Moinho (Scriptum, 2006) e Móbiles de areia (Amirco, 2012), contém versos que exprimem iniciação poética e elaborada polifonia lírica. Nos 100 textos do livro, o poeta transita pelo clássico, com versos metrificados e
sonetos, e pela estética modernista, com versos livres, brancos e poemas visuais, e chega a pontos de ousadia. Em “Canção do exílio”, por exemplo, faz uma releitura do poema homônimo de Gonçalves Dias, símbolo do romantismo e do nacionalismo brasileiro. Em “Aldeia de Monsanto”, o poeta revisita uma das cidades por onde perambulou em sua viagem pelo além-mar e pela cultura ibérica. Em “Golondrina”, Balbino dialoga com Manuel Bandeira no seu famoso “Andorinha”. As imagens poéticas do livro levantam reflexões sobre o fazer da poesia, sobre o mundo e o trânsito dos seres, sobre os seres em suas complexidades e fragmentações, sobre o amor como elemento poroso
do ser humano. Memória, infância, Deus e o sagrado, o amor, a morte, o cotidiano, as questões sociais e a poesia – tudo comparece nos poemas que insistem em se fazer para que a vida aconteça, mesmo que às vezes apenas através da linguagem. Filhos da pedra será lançado primeiro, no próximo 17 de agosto, na 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Mas no dia da Independência, Evaldo Balbino cantará a sua canção do exílio sobre a pedra de sua terra natal. Com promoção da AMIRCO, o lançamento do livro acontecerá no dia 7 de setembro, às 20h00, na Biblioteca Municipal, no Mirante das Lajes, em Resende Costa.
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ANO IX Nº 112 - AGOSTO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Música
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Música para ouvir com os olhos fechados
Na região das Vertentes, o mês de julho é marcado por eventos culturais que atendem a gostos variados. Em São João del-Rei, o destaque é o Inverno Cultural da UFSJ, que neste ano completou sua 25ª edição abordando o tema “Kairós – Um tempo possível”. Já na histórica e musical cidade de Prados, a grande atração é o “Festival de Música”, uma parceria da Lira Ceciliana e a Universidade de São Paulo (USP). Resende Costa teve o privilégio de mais uma vez receber um concerto do 35º Festival de Música de Prados, na noite do dia 26 de julho, na igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha. No repertório obras de J. S. Bach, Béla Bártok, Beethoven, Mozart, Villa-Lobos e Vivaldi. O concerto foi aberto com o Prelúdio e fuga da suite nº 5 para violoncelo, de Bach. O solista Mauro Brucoli, demonstrando total domínio do violoncelo, traduziu a beleza e a perfeição da partitura de Bach. O Duo para Violinos de Béla Bártok exigiu dos intérpretes performance diferente, às vezes jocosa, como no pizzicato
final. Beethoven é Beethoven. É o que se pode dizer sempre quando somos brindados com a audição de uma obra do compositor alemão. De Beethoven, a orquestra do Festival de Prados trouxe a Resende Costa o Duo para violino e violoncelo. Já os quartetos de Mozart e Heitor Villa-Lobos, nº 19 e nº 1, respectivamente, convidam o público a fechar os olhos e contemplar cada frase melódica e cada diálogo entre viola, violinos e violoncelo. Um primor de música e também de execução. No final, o maestro Olivier Toni, diretor artístico do Festival de Música, regeu o Concerto em ré maior para flauta e orquestra de A. Vivaldi. O solista Jonas Ribeiro demonstrou talento e virtuosismo, sobretudo no segundo movimento, o siciliano. A plateia pôde deleitar-se com música de qualidade do repertório camerístico, ou seja, duos e pequena orquestra. Não faltaram aplausos aos intérpretes, na sua maioria jovens alunos do curso de música da USP. E como bis e presente à plateia, que não queria
ir embora, o maestro Olivier Toni apresentou, de Villa-Lobos, Estrela do céu e lua nova, cujo arranjo é de sua autoria. O arranjo de Toni conferiu à obra de Villa-Lobos vigor e “brasilidade”. Destaque para os primeiros violinos Fábio Brucoli (spalla) e Renan Gonçalves. A peça foi tão aplaudida que mereceu um segundo bis. A 35ª edição do Festival de Música de Prados homenageou dois grandes compositores, o francês Claude Debussy e o maestro brasileiro Eleazar de Carvalho, cujos nascimentos, neste ano, completam 150 e 100 anos, respectivamente. Além de Prados e Resende Costa, Coronel Xavier Chaves e Vitoriano Veloso (Bichinho) foram presenteados com concertos do festival. O público amante da música erudita torce para que o festival tenha vida longa. Felizmente, a cada ano, a parceria Lira Ceciliana/USP se revigora, capacitando músicos, incentivando talentos e formando plateia. Parabéns aos organizadores do festival, especialmente ao incansável maestro Olivier Toni. Foto Márcio
Maestro Olivier Toni, diretor artístico do Festival de Música de Prados.
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Voz do Cidadão
Homenagem
“Há tempo para tudo nesta vida! Tempo para nascer; tempo para viver; tempo para aprender; tempo para amar... Mas, Somos humanos! Não tempo para perder (penso) e se separar de pessoas queridas. Contudo, há tempo para agradecer e reconhecer. Neste momento de ação de graças, vamos agradecer a vida longa de Tia Dodora. Foram 94 anos bem vividos. Deu muito tempo para ensinar às suas filhas, Maria e Inacinha, a serem honestas. Passou-lhes a arte do saber viver. Ambas herdaram da mãe um tesouro que ninguém lhes poderá roubar: a honestidade e a simplicidade. De seu segundo casamento, desfez o mito da madrasta, pois soube conquistar o amor dos seus enteados, com eles vivendo em harmonia. Em sua doença foi muito bem amparada por nossos queridos médicos. doutor Paulo e doutor Luiz. Nossos sinceros agradecimentos às Irmãs Camilianas, enfermeiras e serviçais. É de coração que a família agradece tanto carinho e trabalho dedicados. Ao Hospital Nossa Senhora
do Rosário, em si, como espaço acolhedor, um agradecimento maior: soube fazer com que familiares se sentissem como se estivem na própria casa. À ADRUC e demais farmácias, um sincero agradecimento. Aos parentes, que tanto marcaram presença, saibam que não serão esquecidos. Aos amigos, ora são lembrados com um sincero Deus lhe pague. Não precisávamos chamá-los, pois sempre chegavam antes. Aos padres que sempre ampararam, avivando sua fé, foi Deus quem os colocava a caminho. Finalmente, a vocês, vizinhos: saibam que foram mais que amigos. Vocês foram a continuidade da família. Não precisava pedir; vocês se davam por inteiro. À senhora, Tia Dodora, pela vida que tão bem soube levar, temos a certeza de que deve estar feliz no plano em que está. Valeu! Saudades!” Stela Vale Lara 19/07/2012
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ANO IX Nº 112 - AGOSTO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Jogo Aberto
ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO
JL entrevista candidatos a prefeito de Resende Costa O Jornal das Lajes, no ano do centenário de emancipação política de Resende Costa, formulou a seguinte pergunta aos candidatos a prefeito de Resende Costa: Adilson Avelino de Resende (PT), Aurélio Suenes de Resende (coligação PR, PRTB e PMDB) e Gilberto José Pinto (coligação PSDB e PDT).
Jornal das Lajes - Resende Costa está celebrando, neste ano, seu centenário de emancipação política. Ao longo dos 100 anos, muitos avanços puderam ser observados, contudo, ainda existe muito a ser feito para que o município continue trilhando o caminho do desenvolvimento. Como candidato a prefeito, visando ao longo prazo, o que o senhor propõe para o futuro de Resende Costa?
“Para pensar a longo prazo, temos que pensar também a curto e médio prazo e o melhor é pensar coletivamente: por isso, em 2008, nosso Plano de Governo foi feito em discussão com diversos segmentos da sociedade e, na nossa administração, resgatamos o orçamento participativo. As respostas a isso são concretas: manutenção e calçamento de diversas ruas, inclusive com obras de drenagem pluvial; modernização da frota e do maquinário municipal; manutenção das estradas municipais; ampliação do atendimento da saúde; reforma de todos os postos de saúde do município, inquestionável em nossa gestão; implantação do SAMU; estruturação e ampliação nas escolas municipais; formação continuada dos funcionários públicos municipais; apoio inédito aos estudantes universitários e de cursos técnicos; plano de cargos, carreira e salário dos profissionais do magistério; criação do ensino médio na Escola Municipal Paula Assis; construção da creche-escola; resgate da cultura municipal (apoio às nossas manifestações culturais); maior incentivo ao esporte, com resgate dos torneios de futebol, apoio a corridas rústicas e obras de infra-estrutura esportiva; projeto Coleta Seletiva Modelo; melhorias no aterro controlado; obra da Rede de Esgotamento Sanitário; programa Minha Casa Minha Vida; profissionalização da assistência social, inclusive com
a criação do Centro de Referência de Assistência Social. É importante aqui ressaltar nossa coragem e determinação em defender os interesses do povo. Para avançar mais nos próximos cem anos, a minha candidatura propõe, em primeiro lugar, que adaptemos a infraestrutura urbana à Rede de Esgotamento Sanitário, a qual tive a coragem de fazer, pelos inúmeros benefícios que trará em qualidade de vida e saúde. E falando em saúde, mais equipes do PSF para atender todo o município e mais melhorias nos centros de saúde e no hospital são fundamentais. Na educação, a criação de uma escola municipal para os anos finais do ensino fundamental, parcerias com o IFET-São João del-Rei para a realização de diversos cursos técnicos, implantação do proinfância, incentivo para a pós-graduação de todos os profissionais do magistério. Quanto à cultura, esporte e turismo, propomos a criação de uma Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo, para a criação de políticas públicas especializadas nessas áreas, com foco inclusive no nosso rico artesanato. Também é necessária a política de modernização dos equipamentos, máquinas e frota da Prefeitura, dando melhores condições para que nossos servidores públicos possam prestar importantes serviços para a nossa população e dar continuidade a diversas obras de interesse da população, como calçamento de ruas. Enfim, essas são as nossas principais propostas, com resultados a curto, médio e longo prazo, e pedimos ao povo de Resende Costa, com coragem e trabalho, o apoio e o voto em nossa candidatura”. Candidato Adilson Resende (PT) --------------------
“Nosso projeto para Resende Costa tem por objetivo o desenvolvimento sustentável dos diversos setores: turismo, economia local, cultura, agro-
pecuária, meio ambiente, saúde, educação, esporte e setor viário urbano e rural. No turismo, já mostramos potencial. A cultura do artesanato e o empreendedorismo do nosso povo impulsionaram nossa atividade turística. Tudo à revelia do poder público, quase nada participativo. Para ser sustentável no longo prazo, o turismo precisa da participação efetiva do poder público. É função da administração gerir o crescimento do turismo. Além de incentivar sua expansão, é preciso investir em políticas de valorização das tradições, dos saberes artesanais, dos patrimônios da nossa cultura e história. Turismo, cultura e meio ambiente andam juntos. Expandir o turismo sem preservar nossas raízes coloca em risco a manutenção da atividade turística a longo prazo. Valorizar nossa identidade cultural e nosso meio ambiente é preservar nosso capital turístico. Mas, além do turismo, outros segmentos são fundamentais no equilíbrio da economia municipal, por exemplo: pecuária, silvicultura, agricultura, apicultura, comércio local, setor de serviços, atravessadores, trabalhadores que atuam fora. Todos eles precisam da atenção e assessoria do poder público. A sustentabilidade econômica de Resende Costa significa a manutenção de emprego e renda para as próximas gerações. Na saúde e na educação, temos um histórico positivo em comparação a cidades da região. Mas é claro, é preciso corrigir deficiências, buscando o maior avanço possível. Na saúde, além de manter o importante convênio com o hospital, Resende Costa precisa definir como meta a manutenção de um número maior de médicos no município. Também é possível ampliar serviços de saúde preventiva nos bairros e meio rural. Na educação, é preciso manter avanços, como a ajuda aos estudantes que viajam diariamente, além de resolver alguns impasses. Com o aumento populacional, será preciso encontrar saídas criativas e consensuais para a demanda de espaço nas escolas. A médio prazo, Resende Costa precisará optar pela construção ou ampliação de escolas de forma planejada. O município necessitará também de soluções para o trânsito, encontrando saída para gargalos como a Avenida Alfredo Penido e os Quatro Cantos, provavelmente desviando o tráfego pesado. Um modelo de manutenção mais sustentável das estradas rurais também será necessário. Dizer o que queremos para nossos filhos e netos não é o mais difícil. O desafio maior é fazer disso uma rea-
lidade. Há tempos Resende Costa carece de uma administração com um projeto claro de cidade para o longo prazo. Por isso é pertinente no período eleitoral o debate acerca de uma gestão pública com visão de futuro. Só uma gestão profissional terá condições de definir metas, objetivos e estratégias com clareza, apontando o melhor caminho para Resende Costa. É da profissionalização da gestão pública que esperamos um projeto sustentável e democrático de cidade para o longo prazo”. Candidato Aurélio Suenes (Coligação PR, PRTB e PMDB) --------------------
O PSDB e o PDT, por meio da coligação “Experiência e Competência”, apresenta Gilberto Pinto e Cláudio Luís como candidatos a administrar nossa cidade a partir do próximo ano e responde ao Jornal das Lajes deixando consolidado seu compromisso e o interesse máximo no desenvolvimento do nosso município pós-centenário. Sabemos dos avanços nos diversos setores como mencionado no preâmbulo da pergunta feita pelo JL, no qual atitudes humanas permitiram o desenvolvimento através dos tempos. Quem presenciou ou participou dos fatos mais importantes na vida pública da nossa cidade e também todos que, anonimamente, ajudaram e ajudam a fazer desta cidade um lugar mais agradável, sabem que, de forma isenta e imparcial, diagnosticamos que ainda temos um longo caminho a percorrer e muita coisa para se fazer, tendo em vista nossas carências e necessidades. Se a qualidade dos nossos eleitos é razão direta do voto que o eleitor coloca na urna e se a democracia e o período eleitoral que ora vivemos clamam
pelo processo da escolha, torna-se necessário encarar esse processo como um dos mais importantes espaços sociais de manifestações de cidadania e de dignidade. Há necessidade de evolução em todos os setores, necessários para permitir mais segurança, conforto, sustentabilidade, dignidade e qualidade de vida. Sensibilizados por essas razões e conhecedores de um diagnóstico no qual carências diversas são evidentes, a coligação “Experiência e Competência” propõe diretrizes e premissas que venham minimizar e superar as deficiências que nosso município apresenta nos segmentos administrativo, político, social, cultural, econômico e sustentável. A vontade política para isso acontecer nós temos e estamos alinhados com o governo Estadual e Federal, onde buscaremos apoio, recursos e instrumentos para viabilizarmos nossos projetos. Não se pode também conceber uma administração pública sem o envolvimento da sociedade civil organizada e coordenada por pessoas capacitadas e habilitadas para aptidões específicas, na qual cada secretário ou assessor tenha formação, habilitação e conhecimento da respectiva área; este é um dos nossos objetivos. Administração pública é coisa séria e não permite amadorismo. Apresentaremos, oportunamente, todas as nossas propostas e nosso plano de governo detalhado, por meio dos vários mecanismos existentes. Certamente não veremos, sob a têmpera do plano terrestre, a celebração do segundo centenário de Resende Costa. Gostaríamos apenas de que o povo do nosso município aceite e apoie nossas propostas, para que nossas ações e atitudes sejam capazes de refletir maior desenvolvimento em todos os setores, traduzindo em desenvolvimento e evolução os nossos planos e projetos implantados. Gilberto Pinto e Cláudio Luís, cujos princípios, qualidades e defeitos muitos já conhecem, vislumbram novos horizontes para o nosso município, possuindo experiência e competência para superar os vários desafios e os inúmeros problemas atuais, evidenciados nas áreas de saúde, segurança, meio ambiente, agropecuária, cultura, educação, esporte, turismo, artesanato, enfim setores carentes de investimentos e ações concretas, para promover o verdadeiro desenvolvimento que todos merecem”. Candidato Gilberto Pinto (Coligação PSDB e PDT)
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Política Regional
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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
A política resende-costense na visão (e atuação) do padre Nelson (*) Monsenhor Nelson Rodrigues Ferreira, o “padre Nelson”, participou ativamente dos principais acontecimentos políticos de Resende Costa, a partir de meados do século 20. No Livro do Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Penha (1944-82), o vigário narrou em detalhes os fatos locais, sempre sintonizados com a política nacional. Em 1947, o novo pároco, a “pedido de terceiros”, trabalhou por chapa única para a eleição de prefeito e de vereadores. Antonio de Souza Maia Junior, o Nico de Souza, assumiu a prefeitura e, para a Câmara Municipal, despontou o vereador Antônio Honório de Resende, também conhecido como Antônio Resende. Na eleição de 1950, o vigário ficou surpreso com a derrota política de Getúlio Vargas e de Juscelino Kubitschek em Resende Costa. A cidade deu vitória ao Brigadeiro Eduardo Gomes e ao candidato a governador Gabriel Passos, além de eleger prefeito Geraldo Monteiro, na coligação da UDN (União Democrática Nacional) com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). “Este resultado surpreendeu a todos os partidos locais”. O médico José Alencar Teixeira, desprestigiado no diretório do PSD (Partido Social Democrático), organizou às vésperas das eleições o Partido Social Trabalhista (PST) e indicou Antônio Resende, que venceu Antônio da Silva Barbosa, o “Barbuzinha” (da coligação PSD, PR, PTB e UDN). O resultado surpreendeu o pároco, para quem a vitória do PST se deveu à popularidade e prestígio de Geraldo Monteiro, à impopularidade e desprestígio de Cassiano Resende (presidente do PSD local) e à inabilidade dos ex-deputados federais Augusto das Chagas Viegas e Tancredo de Almeida Neves. Na posse de Antônio Honório, em 1955, um churrasco foi oferecido ao povo com muita cachaça, para descontentamento do vigário. “Culto, latinista e honesto” - Kubitschek foi eleito presidente em 1955 sob crítica de padre Nelson. “Terminou sua administração propalando pelos quatro cantos de nossa pátria, pelo rádio e pela imprensa, ter concretizado todo o seu plano (...)”. Nos três mil quilômetros inaugurados na propagan-
da, “nem um quilômetro construído em direção a São João del-Rei, mas o homem, apesar de demagogo e perdulário, é inteligente, sempre realiza a terça parte do que promete”. Na campanha eleitoral de 1958, padre Nelson apoiou para prefeito o jovem Miled Hannas, da UDN. “Avizinhando-se as eleições, após uma série de conchavos, apresentaram-se dois candidatos: Miled Hannas, moço muito culto, latinista, muito honesto, e Saturnino Chaves de Mendonça Júnior.” Venceu Miled por uma maioria de 60 votos. Na posse do novo prefeito, em 31 de janeiro de 1959, o pároco condenou a festa promovida pelo vice-prefeito empossado, José da Conceição Vale, o Zizi Vale, “que apesar de todos os nossos esforços contra promoveu no dia grande baile de gala no Teatro Municipal, com jazz de Belo Horizonte, etc. e grandes gastos. Procedeu com muita dignidade o sr. prefeito que não somente não compareceu ao mesmo, mas também não permitiu que saísse um centavo dos cofres da municipalidade para esse esbanjamento”. Envolvimento da igreja - A campanha eleitoral para presidente e governador foi bastante aguerrida em Resende Costa, fazendo eco ao que ocorria no Brasil. Padre Nelson escreveu que o povo desejava novos rumos políticos e econômicos e que, por conta disso, estava se deixando levar pelo discurso fácil do candidato Jânio Quadros, um demagogo que não inspirava confiança. Em janeiro de 1961, narra o vigário, houve a dupla posse do presidente “louco” do Brasil e do primeiro presidente católico dos Estados Unidos, o democrata John Kennedy. Jânio Quadros assumiu o cargo, na primeira cerimônia realizada em Brasília, em “clima de euforia democrática, pois um candidato da oposição, de origem humilde, chegava à presidência da República”. No mesmo ano, padre Nelson recebeu circular do bispo diocesano, orientando os párocos a promover “listas com assinaturas endereçadas ao sr. presidente da República, pedindo a não-oficialização do Partido Comunista”. Mas a inesperada e surpreendente
renúncia de Jânio Quadros ao mandato presidencial, em 25 de agosto, criou profunda crise na vida nacional. Com o veto à posse do vice-presidente João Goulart, o Congresso instituiu o parlamentarismo para solucionar o impasse. Com o ministério parlamentarista, chefiado pelo são-joanense Tancredo Neves, Goulart tomou posse em quatro de setembro. Tancredo, porém, não conseguiu impedir a radicalização política, o que levou a Igreja a se envolver cada vez mais nos acontecimentos e os bispos brasileiros a criarem um movimento eleitoral pela família católica. Aliança Eleitoral pela Família - Em Resende Costa, obediente à voz da autoridade eclesiástica, o pároco fundou a Aliança Eleitoral pela Família, cuja primeira diretoria foi constituída por Sérgio Procópio de Resende (presidente), Scylla Conceição Reis (vice-presidente), Adenor Coelho (primeiro-secretário), Geraldo de Paula Magela, o Geraldo Porteiro (segundo-secretário), José Pio de Resende (primeiro-tesoureiro), Alfredo de Paula Pinto, o Alfredo Carcereiro (segundo-tesoureiro), Wagner Geraldo de Sousa Resende, Geraldo Élson da Silva e Valdemir Silva Resende. Nesse clima político cada vez mais hostil, o vigário envolveu-se intensamente na campanha para as eleições de outubro de 1962, o que lhe rendeu muitos dissabores. “Preferia sepultar no silêncio os acontecimentos de setembro e outubro, não fora uma ordem do sr. bispo diocesano e o amor à história. As coisas tomaram rumo inesperado. Fiel à nossa consciência sacerdotal, diante da triste conjuntura nacional, resolvemos tomar uma atitude mais positiva na orientação da consciência dos eleitores de nossa paróquia”. Fiel aos princípios da Aliança Eleitoral pela Família (ALEF), o pároco começou a trabalhar, desde o início de setembro em Resende Costa, “em prol de uma campanha tranqüila em torno de candidatos honestos”. Assim, buscou uma coligação partidária a favor de candidato único. De início, UDN, PSD, PR (Partido Republicano Mineiro) e PTB concordaram com a candidatura de Adenor Coelho. Porém, vinte e quatro horas depois,
para surpresa do pároco, “o sr. J.V., cidadão trabalhador e inteligente mas pouco equilibrado, candidatou-se com o apoio do PTB. O aparecimento desta candidatura levou o PSD também a se desligar da coligação, levantando a candidatura do ex-prefeito A.R., bom cidadão, sobre quem, porém, pesavam graves acusações”. Padre Nelson foi acusado “de ter usado do confessionário” para interferir no resultado das eleições, mas reagiu: “Deus, porém, sabe a verdade”. A vitória de Adenor Coelho, em 7 de outubro, levou os outros dois candidatos a reagir contra o pároco. Reportagens foram publicadas no jornal Correio de Minas, de Belo Horizonte, com acusações de que padre Nelson “usou do púlpito para campanha política e virou muitos (votos) no confessionário”. O estudante universitário Geraldo de Mello saiu em defesa do pároco. Parlamentarismo em RC - 1963 foi um ano agitado no cenário político nacional, a começar por plebiscito promovido pelo governo João Goulart pela volta ao presidencialismo. Segundo o pároco, setenta por cento do eleitorado votou pelo NÃO, “atendendo, portanto, à propaganda oficial”. “Foi essa a primeira vez em que se realizou no Brasil um plebiscito de caráter nacional”. O resultado do plebiscito em Resende Costa surpreendeu o Brasil inteiro, menos ao padre Nelson. “Grande maioria do eleitorado resende-costense votou a favor do SIM pelo parlamentarismo. Esse fato foi notícia do Repórter ESSO, de várias estações de rádio brasileiras, que publicaram reportagem extraordinária que Resende Costa foi o primeiro município brasileiro, um dos poucos, a dar vitória ao SIM contra o presidencialismo”. A hierarquia da Igreja católica agia como nunca, preocupada com o rumo do país, escreveu o pároco. Publicação de “caricatura esportiva” de Nossa Senhora Aparecida (Última Hora, de São Paulo) ajudou a acirrar os ânimos políticos. O bispo diocesano pediu aos sacerdotes que promovessem nas suas paróquias “expressivas homenagens de desagravo a Nossa Senhora Aparecida”. Em Resende Costa, o pároco deu caráter de desagravo ao tríduo da festa de Nossa Senhora da Penha “e,
Monsenhor Nelson registrou os principais momentos da política resende-costense entre as décadas de 40 e 80
ao encerramento da procissão da padroeira, houve em frente de nossa matriz, em concentração popular, expressiva manifestação a Nossa Senhora”. Nos primeiros meses de 1964, o Brasil ia “de mal a pior”, na visão do pároco. Em Resende Costa, “as comunhões desta semana santa foram ligeiramente mais numerosas do que as das últimas semanas santas”. Foram registradas 6695 comunhões, o que levou padre Nelson a concluir que “o povo todo tinha medo de algo”, ou seja, “o povo rezava e comungava pela nossa pátria”. Enquanto isso, “conspiravam abertamente tanto os adversários da situação como os comunistas”, e o país se radicalizava “em perigos vizinhos da guerra civil”, relata o pároco. Foi “nesse clima (que) o presidente Goulart lançou mão de seus últimos trunfos”. No dia 13 de março, “cercado de grande aparato bélico, o Rio assistiu um decisivo comício pró-reformas”, como a reforma agrária. Enquanto “os da esquerda se amotinavam os católicos promoviam por todo o Brasil a cruzada do terço pela pátria e pela família”. No dia 29, domingo de Páscoa, um milhão de pessoas reuniu-se em São Paulo “para receber a cruz simbólica vinda de Jerusalém”. No dia 30, o presidente João Goulart recebeu homenagem dos sargentos, “proferindo o discurso que foi seu canto de cisne”; “portanto, estava o ambiente preparado para a revolução”.
6 Jornal das Lajes
ANO IX Nº 112 - AGOSTO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Política Regional
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
A política resende-costense na visão Rodovia asfaltada: (e atuação) do padre Nelson – Continuação “Estrada dos nossos sonhos” A “revolução” de 1964 - Goulart, vítima de um governo “por demais comunizante”, não resistiu à pressão e caiu em 31 de março. Para padre Nelson, “os militares já não suportavam a vergonha de sustentar e manter um governo que dava cobertura à indisciplina”. O general Mourão Filho, ao lado do então governador mineiro Magalhães Pinto, “se pôs em armas, na noite de 31 de março”. E, “na madrugada do dia 1º de abril, São Paulo aderiu à causa da revolução e, mais tarde, outros governadores e outras unidades militares se manifestaram a favor”. Com a fuga de Goulart para o Uruguai, na noite de 1º de abril, o Congresso declarou vaga a Presidência da República, comemorou padre Nelson. “Está vitoriosa a revolução”. E, em 9 de abril, o comando revolucionário editava “ato institucional”, pelo qual o regime se armava de “instrumento jurídico indispensável à sua institucionalização”. Em seguida, “vieram as cassações de mandato, suspensões de direitos políticos”. Em 12 de abril, o marechal Humberto de Alencar Castello Branco e o mineiro José Maria Alckmin “foram eleitos pacificamente pelo Congresso presidente e vice-presidente da República”. Assim, “se iniciou uma nova fase na vida política do país”. Padre Nelson, porém, não se iludiu porque “essa revolução foi feita por homens” e, “portanto, terá seus erros”.
Os militares teriam “de derrubar privilégios injustos”, precisariam distribuir castigos. Em Resende Costa, disse o pároco, “a cidade se alegrou com a derrubada do governo”; “houve grande passeata cívico-popular, com discursos, música e fogos”; no dia 2 de abril, “os ginasianos promoveram outra passeata por iniciativa espontânea”. E ponderou: “A bem da verdade histórica, é bom que se diga que nem todos receberam bem a revolução. Havia na cidade janguistas e brizolistas, não-comunistas, é claro, que desejavam as reformas preconizadas pelo sr. João Goulart”. Vitória da oposição Em 1966, primeira eleição municipal no regime militar, Antônio Honório foi eleito prefeito pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro), por “maioria esmagadora de votos”. Uma vitória que padre Nelson considerou “surpreendente”. O novo regime extinguira os antigos partidos políticos (UDN, PSD, PTB, PTN, PR etc.) que foram substituídos por apenas dois partidos: a Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e o MDB. Antônio Honório derrotou os candidatos da ARENA Antônio da Silva Barbosa e, pela sublegenda do mesmo partido (esquisitice da época), José de Resende Maia. Daí a surpresa do páro-
co. Enquanto o novo prefeito tomava posse, o marechal Costa e Silva era escolhido pelo Congresso Nacional para suceder Castello Branco. A eleição indireta, no final de 1970, do general Emilio Garrastazu Médici mereceu a aprovação do padre Nelson: “Com a eleição do general Médici, temos a impressão de que o Brasil continua sendo governado, após a revolução, por homens de bem e de responsabilidade”. Comentário elogioso também para o prefeito eleito, Ocacyr Alves de Andrade: “O município há muito vem precisando de uma mão firme e de uma cabeça criteriosa para governá-lo. Não podemos bater palmas para o prefeito deste último quadriênio. Muito esperamos do sr. Ocacyr para este biênio 1971-72. (...) Se ele for o que dele esperamos, lamentaremos, é claro, tenha sido eleito para tão pouco tempo”. Em 1972, a oposição voltou à prefeitura, com Geraldo Monteiro, tendo Aristides Coelho dos Santos como vice, o qual o sucedeu, após a cassação de Monteiro pela Câmara Municipal. Em 1976, “após campanha política calma”, a situação retomou a prefeitura com Ocacyr de Andrade (ARENA), apoiado por padre Nelson. “Não pudemos votar por motivo de doença e operação cirúrgica em São João del Rei”. (a íntegra deste texto está disponível no site www.jornaldaslajes.com.br).
Solenidade de inauguração do asfalto, com a presença do governador de Minas Gerais Francelino Pereira (3º da direita para esquerda)
Nas décadas de 1950 e 60, padre Nelson participava ativamente de comitivas a Belo Horizonte para encontros com autoridades do Governo estadual e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Na pauta, ações políticas para a construção de nova rodovia, pavimentada, que facilitasse a comunicação de Resende Costa com o restante de Minas Gerais e outros estados. No apagar das luzes da administração do governador Aureliano Chaves, os ventos sopraram a favor dessa demanda, relata o pároco: “(Nós) resolvemos procurar em S. Paulo, dia 17 de maio de 1978, em seu escritório na Avenida Nações Unidas, o comendador Pelerson Soares Penido, presidente e principal acionista da empresa construtora e pavimentadora de estradas Serveng-Civilsan, com o seu prestígio e amizade pessoal com o dr. Aureliano Chaves. Ótimo resultado!” No dia 23 de maio, padre Nelson; Ocacyr, prefeito; Antonio Pascoal de Melo, presidente da Câmara; e Pelerson Penido fizeram apelo ao governador mineiro pela construção da rodovia. “Foi feita a promessa de encaminhamento rápido. A construção da estrada foi posta em concorrência. Dia 12 de dezembro, abertas as propostas, foi aprovado justamente a da firma Serveng-Civilsan de nossos conterrâneos Pelerson, Cristóvão, Vicente e Paulo Penido, filhos de Resende Costa, motivo de muita satisfação para todos nós.” O valor do contrato foi fixado em Cr$ 74,741 milhões (moeda da época), com previsão de reajuste, ficando fora deste orçamento a construção de uma ponte que seria objeto de outra concorrência. Segundo o vigário, após as primeiras providências contratuais, tais como organização do canteiro de obras e chegada das primeiras máquinas, os serviços tiveram início na tarde de 10 de janeiro de 1979, “com a presença das autoridades municipais e de regular número de pessoas”. Em 8 de julho do mesmo ano, uma comitiva formada de políticos saiu de Resende Costa rumo a Aparecida do Norte, liderada por padre Nelson. “Convidado pelo nosso amigo comendador Vicente Penido, fomos em companhia do sr. prefeito e do sr. presidente da Câmara, dr. Toninho de Melo, a Aparecida para um encontro com o sr. governador de Minas, dr. Francelino Pereira, que lá se acharia em visita à Padroeira do Brasil e à Basílica Nacional. Almoçamos com o sr. governador em casa do sr. Vicente Penido, anfitrião. Objetivo desse encontro: obter, juntamente com os irmãos Penido,
todos lá presentes, garantia do sr. governador de asfaltamento de nossa nova rodovia, já em fase adiantada de construção. Fomos felizes.” Em 1981, finalmente, o sonho da rodovia asfaltada tornava-se realidade, com a construção de 14,5 km de extensão. Valor da obra: Cr$ 136 milhões. Padre Nelson fez um resumo do evento de inauguração: “Tendo sua construção, iniciada a 10 de janeiro de 1979 pela construtora Serveng-Civilsan de nossos conterrâneos irmãos Penido, vimos afinal inaugurada, a 20 de março do corrente ano, a estrada de nossos sonhos, ligando Resende Costa à BR 383”. A solenidade foi presidida pelo governador do Estado, Francelino Pereira dos Santos, com a presença do bispo diocesano D. Delfim, Bispo Diocesano; dos irmãos deputados Bonifácio Andrada e dos irmãos Penido, “a quem em grande parte ficamos devendo esse melhoramento”, além de prefeitos das cidades vizinhas e “inúmeras pessoas e filhos de Resende Costa que vieram para participar da nossa alegria”. As autoridades foram recebidas na Praça Cônego Cardoso, em frente da Igreja Matriz, em palanque armado sobre o adro. “Toda a praça, as ruas, a estrada e o trevo rodoviário estavam artisticamente ornamentados com bandeiras e faixas de boas vindas aos ilustres visitantes. Na Escola Estadual Assis Resende, foi oferecido o ´cock-tail´.” Não tardou e veio a grande decepção nas eleições de 1982, pelo menos para o padre Nelson. “Após campanha eleitoral um tanto agitada, realizaram-se com relativa tranqüilidade, em todo o Brasil, eleições para renovação dos mandatos das vereanças, prefeitos, deputados, governadores de Estado e senadores (um terço da Câmara Alta). Se não houve surpresas no resultado geral em todo o País, devido à insatisfação generalizada do povo com a situação política e econômica urgente, aconteceu, porém, o inesperado em Resende Costa, com a vitória da oposição.” “Tendo sido grandemente beneficiada nestes últimos anos com a nova rodovia, novo serviço de água (COPASA), Telemig, novo prédio escolar e verbas extras, tudo reforçado com a administração do sr. Ocacyr, ninguém, ou melhor, poucos esperavam o que aconteceu: a vitória dos candidatos da oposição: sr. Gilberto josé Pinto, prefeito, e Aquim Coelho de Resende, vice. Que os eleitos, na esfera federal, estadual e municipal, não procurem a servir a si mesmos, e sim sirvam à comunidade.”
Jornal das Lajes
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Aconteceu
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EMANUELLE RIBEIRO / CÁSSIO ALMEIDA
33ª Exposição Agropecuária agita Resende Costa A 33ª Exposição Agropecuária de Resende Costa aconteceu de 18 a 22 de julho e teve como destaques o retorno do rodeio e da cavalgada, com um trajeto diferente, e o show da dupla sertaneja Maria Cecília e Rodolfo, que concederam entrevista ao JL. A dupla, que completa cinco anos de carreira em 2012, preferiu ficar de fora dessa nova moda do sertanejo universitário, que faz referência ao uso de bebidas alcoólicas e apelam para letras simples, como Eu quero tchu, eu quero tcha e Fazendo bará berê. Eles estão em turnê com o show “Ao Vivo em São Paulo” e acreditam que há espaço no mercado sertanejo: “Para quem está começando, que não desista do sonho. Não é fácil, mas é preciso persistir e trabalhar bastante, porque o espaço existe”, declararam. Além de Maria Cecília e Rodolfo, André e Adriano, o cover de Raul Seixas e as bandas locais fizeram a festa do público no Parque de Exposição. Nesta edição da festa, vale destacar ainda a segurança, com participação efetiva da Polícia Militar, que garantiu o bom andamento do evento. O JL agradece à prefeitura pelo apoio e que venha a 34ª Exposição!
Os repórteres Emanuelle Ribeiro e Cássio Almeida entrevistaram a dupla Maria cecília e Rodolfo antes do show
Nova estrutura do Laticínios Fartura será inaugurada Ana Luiza comemora seus 15 anos
Em 1996, o Laticínios Fartura iniciava suas atividades na Fazenda Fartura, em Resende Costa. Agora, após uma paralisação no ano passado, o Laticínios será reinaugurado em uma fábrica totalmente nova, com equipamentos modernos para melhor atender aos seus clientes. O novo Laticínios é registrado no Ministério da Agricultura, sob o número do SIF Serviço de Inspeção Federal (SIF) 687, com liberações ambientais da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), IEF Instituto Estadual de Florestas (IEF) e Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM). De acordo com o proprietário, Sebastião Resende, hoje esta é a única fábrica de Resende Costa com fiscalização do SIF, o que permite a comercialização de seus produtos em todo o território brasileiro. “Agradeço à Prefeitura Municipal de Coronel Xavier Chaves pelo in-
centivo”, disse o empresário. Sebastião atua no ramo há 16 anos, quando começou com empacotamento de leite. Hoje, o Laticínios produz apenas queijo. O Laticínios Fartura tem capacidade de industrialização de 600.000 litros de leite por mês e atualmente comercializa e é reconhecido em grandes centros, como Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. O JL visitou as novas instalações da fábrica e pôde conferir a estrutura e capacidade do local, que trará muitos benefícios para Resende Costa, como explica Sebastião: “Além de gerar empregos, a empresa atua em um novo segmento, movimentando a economia de nossa cidade. Aproveito o espaço para pedir o apoio dos produtores de leite de Resende Costa e região, porque essa parceria será importante para o funcionamento do Laticínios e desenvolvimento do município”.
A nova estrutura do Laticínios Fartura será inaugurada em breve
O Laticínios Fartura investiu em novos equipamentos para melhor atender os clientes
No último dia 14 de julho, a debutante Ana Luiza A. Barbosa comemorou seu aniversário com uma grande festa na Casa de Eventos C & M, onde estiveram presentes seus amigos e familiares.
Ana Luiza comemorou seus 15 anos na Casa de Eventos C & M
8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Tropel O tropel sempre deixa o ouvinte de orelha em pé. Com cadência ou sem cadência, ele pisa o suspense e espezinha o ouvido. Você está sozinho em casa à noite. De repente, passos. O arrepio começa a gelar o seu sangue e você sente os seus pelos se eriçarem. É o terrível tropel atropelando e atrapalhando a sua paz. Dá medo o tropel. Ainda mais quando os passos vêm do desconhecido. Até o misterioso anda... O misterioso também caminha, e caminhar é sair de um lugar para chegar a um outro. Muitas vezes, o que assusta não é o lugar para onde se vai, mas o durante da caminhada. Nesse durante, há o escorregão, há o cansaço, há o tombo, há o tropeço... há o tropel. Era uma sexta-feira de 1986. A noite baforava seu hálito gelado em cada canto do Assis Resende. Os ossos pareciam gelo e as articulações estavam petrificadas. Difícil escrever. Difícil ficar quieto na carteira, o jeito era falar e se mexer, pois o degelo era geral. Tentei baixar o volume da conversa dos alunos, estavam falando muito alto. Até fiz ameaças para se calarem, quase virei urso polar. Sem resultado. Voltei para a mesa com cara de iglu. E a conversa comendo feio. Até que ele chegou. De mansinho, mas ameaçador. Calmo, mas firme. Cadenciado num gélido suspense. O tropel! Aos poucos, os ecos do arrepio invadiram a sala de aula. Aluno por aluno foi se calando
enquanto dirigiam o olhar para a janela. Estabeleceu-se um silêncio de cautela para aguardar quem desfilava seu tropel pelo corredor. E o tropel chegando. Então, comecei a ouvir sussurros aflitos entre as carteiras: – A Dona Eunice! A Dona Eunice! É a Dona Eunice! Ssshhhh!!! E o tropel avançando em direção à sala de aula. Os olhos todos cravados no vão da janela, já antecipando a passagem da diretora que usava salto. Ssshhhh!!! O tropel parou bem perto da janela. Todos engoliram seco. Eu não engoli seco porque consegui ficar molhado de suor. O tropel continuou, veio vindo, veio vindo e... apareceu na janela o Jósimo. Usava botas com um salto estridente. Ele já tinha dado a sua aula e estava me procurando para oferecer carona pra São João. Todos respiraram aliviados: – Ah!... É o Jósimo... Não é a Dona Eunice... É por isso, leitor, que minha crônica sai. É por isso, leitora, que meu poema vai. Eu costumo ouvir o tropel. E encaro quem chega. Às vezes, é a dor com tropel de alegria... às vezes, é a alegria com tropel de medo... às vezes, é o medo com tropel de mistério... No fim, eu acabo seguindo o meu próprio tropel, tão meu, tão seu, tão nosso, nos caminhos que a palavra desbrava no papel. Tropel de papel... é preciso fazer silêncio para senti-lo. Ssshhhh!!!
__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
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Contemplando as palavras
REGINA COELHO
Abreviações, abreviaturas e siglas
As motos estão espalhadas hoje por toda parte. Consideradas antes um meio de transporte urbano, elas invadiram também a zona rural, substituindo muitas vezes carros e cavalos. Isso é público e notório, mas o termo “motocicleta” praticamente caiu em desuso. Por opção do falante, a forma reduzida “moto” vem ganhando espaço também entre os não tão jovens. O mesmo ocorre em abreviações como foto (fotografia), extra (extraordinário), pólio (poliomielite), quilo (quilograma), otorrino (otorrinolaringologista), endócrino (endocrinologista) e outras mais. Questão de praticidade ou de informalidade, como queiram. Em se tratando de nomes próprios, é sinal de intimidade também: Manu (Manuela), Rose (Roselene, Roseane...), Edu (Eduardo), Fred (Frederico), Lu (Luciana, Luciene, Luísa...), Belô (Belo Horizonte), Pelô (Pelourinho), Sampa (São Paulo), Floripa (Florianópolis) são uma pequena amostra disso. E até na linguagem do futebol as abreviações estão presentes no anúncio de clássicos como Fla - Flu (Flamengo x Fluminense), Gre - Nal (Grêmio x Internacional), Atletiba (Atlético Paranaense x Coritiba) e Bavi (Bahia x Vitória) formando uma composição interessante. Também garantindo a economia de letras, é possível contar com as abreviaturas, ou seja, a redução na escrita de certas palavras, limitando-as à letra inicial ou às letras iniciais e/ou finais dos vocábulos representados graficamente. Assim, “h” é hora(s), “séc.” é século e “cel.” é coronel. Perigoso nisso é o sujeito desconhecer o código da abreviatura e ler, por exemplo, como já me garantiram ter acontecido numa cerimônia de formatura, “Ilmo” (em vez de Ilustríssimo) Fulano de Tal, dirigindo-se ao paraninfo. Essas observações me vieram
a propósito das siglas, ou melhor, da profusão delas nos dias atuais. Formadas a partir da reunião de letras ou sílabas iniciais dos vocábulos fundamentais de uma denominação ou título, elas se multiplicam por aí. Partindo daquelas que já são tradicionais e representam nomes de estados da federação (MG, RS, PA...), órgãos públicos ou não (IBGE, SESI...), tributos (IPVA, IPTU...) e afins, pelo presente momento eleitoral, ganham visibilidade obrigatória as siglas dos 30 partidos políticos brasileiros registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Dispostas às vezes em improváveis e surpreendentes coligações ou em posição de confronto, elas são ingredientes de uma encorpada sopa de letrinhas. Vejam: PMDB, PTB, PDT, PT, DEM, PC do B, PSB, PSDB, PTC, PSC, PMN, PRP, PPS, PV, PT do B, PRTB, PP, PSTU, PCB, PHS, PSDC, PCO, PTN, PSL, PRB, PSOL, PR, PSD, PPL e PEN. Uma breve análise sobre o uso das siglas deixa claro que muitas delas estão em alta. DNA (em inglês: DeoxyriboNucleic Acid – ADN, em português: Ácido DesoxirriboNucleico), por exemplo é faladíssima. Tudo por causa do exame que leva esse nome, que é usadíssimo. BO (Boletim de Ocorrência) também. Parece que o termo já virou até sinônimo de barraco, confusão. E tem também SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), UPA (Unidade de Pronto Atendimento). MMA (Mixed Martial Arts – em português, artes marciais mistas) e GPS (Global Positioning System – em português, geoposicionamento por satélite), entre outras. Especificamente entre os adolescentes, BV (Boca Virgem), BVL (Boca Virgem de Língua), BFF (Best Friend Forever = me-
lhor amigo para sempre) e MP (Mente Poluída) estão bombando. Novidade pra mim foi saber que S.O.S. (Só o Olho Salva) é o comentário feito pelas meninas quando o cara é feio. Deve continuar valendo também como pedido de socorro (Save Our Souls = salve nossas almas). Nesse universo de siglas que compõem um vocabulário à parte, destacam-se aquelas há muito consagradas pelo uso geral. Entre elas CD (Compact Disc – em português, disco compacto), DVD (Digital Versatile Disc – em português, disco digital versátil), CTI (Centro de Terapia Intensiva), UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e SUS (Sistema Único de Saúde). Outras vão surgindo sem que as pessoas delas se deem conta. Aí estão as embalagens PET (de Polietileno Tereftalato) e o TNT (Tecido Não Tecido), material usado na confecção de sacolas, toalhas de mesa, cortinas e demais peças em substituição às matérias têxteis tradicionais. Pois é, por todos os lados estamos cercados de siglas. De nomes de famosos como JK (Juscelino Kubitschek), FHC (Fernando Henrique Cardoso), ACM (Antônio Carlos Magalhães), BB (Brigite Bardot), J. Lo (Jennifer Lopez) e PC Farias (de triste memória) a programas de tevê como o CQC (Custe o Que Custar) e o BBB (Big Brother Brasil). E de termos ligados à área médica como AVC (Acidente Vascular Cerebral), HA (Hipertensão Arterial), DST (Doença Sexualmente Transmissível), e TB (Tuberculose). Ufa! Deu canseira fazer esse levantamento. E nem coube tudo aqui, inclusive a linguagem abreviada que se vê na internet e no celular, assunto para uma possível futura matéria.
Jornal das Lajes
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Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
Pedro Pires Bessa e a literatura de Divinópolis em crônicas
Conheci recentemente, em Montes Claros, o professor, pesquisador e cronista Pedro Pires Bessa. Homem culto, cuja simplicidade imensa tem a força do encanto. Conhecê-lo foi uma dádiva. Doutor em Teoria Literária, professor aposentado da UFJF e praticando a docência atualmente na FUNEDI/ UEMG em sua terra natal, Divinópolis, vive uma vida constante para as letras, publicando semanalmente, nessa cidade, crônicas no Jornal Agora. Em suas crônicas encontramos, no dizer de Márcia Pereira, uma “longa jornada cidadã e solidária”, que “estuda o caleidoscópio sociopolítico brasileiro” e faz isso num “girar frenético do catavento”. É autor de sete livros já publicados, nos quais se debruça sobre as obras de Loyola Brandão, Jadir Vilela de Souza e sobre os temas: literatura em interface com a mídia e literatura de Divinópolis. Quero destacar aqui o cronista, mais especificamente no seu livro Literatura de Divinópolis em crônicas (2006, Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais). Nesse livro, o autor nos dá um panorama, com olhar de cronista atento a tudo e a todos, das várias manifestações culturais da Cidade do Divino, situada no centro-oeste mineiro. Na introdução do seu tomo, diz-nos o cronista: “Estou seguindo o conselho de Massaud Moisés de publicar essas crônicas em livro, no sentido de procurar dar a elas um pouco mais de perenidade”. E eu diria que, ao publicá-las em livro, o autor nos presenteia com a possibilidade de não apenas ter mais perenes seus
textos para além das páginas de jornal, mas também de fazer perenes as letras de Divinópolis, as vozes que se grafam e/ou cantam nas páginas que autores e autoras divinopolitanos, de nascença ou de vivência, levam aos seus leitores e ouvintes. Pedro Pires Bessa descortina diante de nossos olhos, com leveza e agilidade, comentários críticos sobre autores como Adélia Prado, Adriana Versiani, Corgozinho Filho, João da Viola, Julieta Mattar, Lázaro Barreto, Maria da Conceição Elói, Osvaldo André de Mello, Sebastião Benfica Milagre e outros mais. Em suas crônicas, além de uma esmerada atenção ao trabalho que todos esses escritores realizam, Bessa também procura discutir questões variadas e temas polêmicos. Assim, comparecem nos seus textos discussões sobre a infância, a violência desenfreada, a difusão das drogas, a vida individualista que grassa cada vez mais em nosso planeta, a juventude e a velhice, a progressiva mecanização da vida, a literatura infanto-juvenil produzida em Divinópolis, as relações entre música e poesia, a literatura e a televisão, a mulher e a literatura, entre outras questões. Em todo o livro, Pedro Pires Bessa preocupa-se com a diversidade cultural, reinscrevendo esta preocupação: “temos, atualmente, noção de que, apesar da importância da cultura-padrão, existem outras manifestações culturais tão essenciais quanto ela”. Daí o cronista dizer e refletir sobre a literatura de cordel, o folclore, o dialeto caipira, o compositor João da Viola e os recitais ocorridos em Divinópolis. É nos recitais, diz-nos o autor, que se realiza o ato
de devolução da poesia à comunidade em que ela brotou originariamente: “O lugar da poesia é na praça; ela vive é na palpitação dos corações, no entrelaçamento da música com a dança. O poema só resplandece, verdadeiramente, quando é cantado e bailado sem perder a força apolínea, em plena efervescência dionisíaca”. Pedro Pires Bessa também fala do nosso Gentil Ursino Vale, escritor que nasceu em Resende Costa e que, segundo o comentador, é “o maior memorialista de Divinópolis e um de seus mais primorosos cronistas e contistas”. Assim prossegue o comentarista: “Gentil Ursino Vale relembra pessoas e fatos de sua cidade natal, Resende Costa. Ao primeiro livro de memórias, ele vai sucessivamente acrescentando outras obras. [...] O valor desses textos é incalculável. É um abundante resgate do modo de ser de toda uma comunidade naquilo que ela tem de essencial: a vivência cotidiana de homens, mulheres e crianças em seu mundo próprio. Com seu estilo magnífico, Gentil Ursino Vale coloca todos esses seres e acontecimentos vivos e palpitantes diante de nós”. Eu, resende-costense e leitor de Gentil Ursino Vale, fiquei emocionado ao ver um filho de nossa terra mencionado e analisado por um escritor contemporâneo da estirpe franciscana de Pedro Pires Bessa. Ler Literatura de Divinópolis em crônicas é prazeroso, pois passamos a conhecer um filho de uma cidade “formada com a presença franciscana” e que, por isso mesmo, “traz, indelevelmente, no seu modo de ser, a marca do Pobrezinho de Assis, riquíssimo em brilhante espiritualidade”.
Polícia
Comércio em expansão e pagamento em dinheiro preocupa a polícia em Resende Costa
A cada dia é mais difícil identificar uma nota falsa apenas pela visão e pelo tato. A qualidade das falsificações de notas de todos os valores que circulam no comércio é grande. O comércio de Resende Costa sofreu essa tentativa, ocorrida em 21 de junho de 2012. Um casal, vindo da cidade de Franca/SP, visitou uma loja de artesanato e lá fechou uma compra no valor de 1.300 reais. A estratégia utilizada pelo casal para passar as notas falsas foi utilizar as duas primeiras notas verdadeiras em conjunto com as onze notas falsas. Após receber as compras e julgando que o golpe tinha dado certo, o casal tentou realizar nova compra na cidade, porém não contava com a esperteza da funcionária que percebeu a falsificação e comunicou imediatamente a Polícia Militar. De imediato foi procedida uma varredura pela cidade, tendo a PM utilizado duas viaturas e uma moto. O rastreamento eficaz proporcionou a localização do casal dentro de outra loja, na saída da
cidade. Antes que efetuassem mais uma compra, o casal foi reconhecido pela vítima. Os dois, marido e mulher, foram presos e autuados em flagrante delito. O material comprado foi recuperado e o dono do comércio ficou feliz por não sofrer o prejuízo. A Polícia Militar de Resende Costa alerta: Quem recebe notas falsas
perde o dinheiro e precisa arcar com o prejuízo, porque repassar notas falsas também é crime. Para não cair no golpe do dinheiro falso, previna-se e observe as dicas do Banco Central. Outra prática é ir ao banco mais próximo e conferir nota por nota, antes que as compras sejam liberadas ao cliente.
Notas falsas apreendidas pela Polícia Militar
Gastronomia
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CLÁUDIO RUAS
De Portugal à Itália, via Resende Costa “Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto.” Essa brilhante citação é do aventureiro brasileiro Amyr Klink, que já rodou o mundo de barco e escreveu excelentes livros. O que ele diz é a mais pura verdade: nós precisamos viajar. Nem que seja para a fazenda ao lado. Mas se der pra ir mais longe, melhor ainda. E quando se aprecia a gastronomia, a viagem fica ainda mais interessante e instrutiva, pois a comida é o reflexo do povo e do lugar. Foi por essas e outras que recentemente realizei um sonho de fazer uma viagem gastronômica para o velho mundo e me sinto na obrigação de compartilhar um pouco do que vi com vocês, em três etapas, uma para cada país visitado: Portugal, França e Itália. Melhor lugar para começar como Portugal não haveria, já que parte do nosso “DNA” gastronômico é de lá. E para entender melhor da nossa comida é preciso conhecer mais a portuguesa, que não vive só de bacalhau. É fato que o fantástico bacalhau é muito forte na gastronomia deles (dizem que existe uma receita para cada dia do ano), assim como outros pescados como a sardinha e frutos do mar, pois o país tem uma grande faixa litorânea, do mediterrâneo ao atlântico. Mas a comida do interior, de montanha, também é importante e é nela que enxergamos parte da nossa origem e costumes gastronômicos. A começar pelo grande consumo da couve, a “dona” da nossa horta, usada não só no “caldo verde” de batata, mas até mesmo com bacalhau e em muitos outros pratos, como em um feijão fradinho com paio que experimentei, muito parecido com o nosso querido tropeiro. O feijão também é presente e nos mostra que a origem da feijoada brasileira não é bem como diz a lenda, que atribui a criação aos escravos. Existe um preparo similar, porém com feijão branco na maioria das vezes, linguiças e miúdos, que por sinal são
muito valorizados por lá, assim como em muitos países da Europa, um exemplo a ser seguido. O porco então é a matéria prima utilizada para os magníficos embutidos, muito apreciados e bem feitos, inclusive defumados nos “fumeiros” (defumadores). Há uma grande variedade de enchidos (como a linguiça), caso da “farinheira”, na qual é utilizada farinha de trigo ou de pão no enchimento, e a “negrinha”, espécie de chouriço defumado. Os ensopados e cozidos (com legumes, verduras, carnes, aves e embutidos), são deliciosos e nos remetem à comida molhada da fazenda. Falando em fazenda, lembramos ainda dos doces, da grande utilização de ovos no seu preparo e da forte ligação do nosso queijo minas com um dos queijos mais tradicionais de Portugal, o “Serra da Estrela”. Já falamos dele por aqui, mas não custa lembrar que a nossa técnica de preparo foi inspirada na deles, porém, com a utilização do leite de vaca ao invés do de ovelha. Com certeza ainda existem muitos outros pontos em comum entre nós, o que me instiga a me aprofundar mais nesse assunto. Por ora, prefiro mencionar as demais maravilhas da riquíssima gastronomia lusitana, como seus azeites e azeitonas espetaculares, pães muito bem feitos, batatas saborosíssimas, confeitaria impecável, vinhos especiais e únicos no mundo e muitas outras coisas. Percebi também que felizmente o país tem sido cada vez mais valorizado e procurado pelos turistas, que antes só tinham olhos – e bocas - para outros cantos europeus. E o melhor: nada disso está tão distante, difícil e caro como imaginamos. Primeiro, porque sai da nossa capital um voo diário sem escalas com apenas 9 horas de duração até Lisboa, lugar onde muitas coisas custam menos do que no Brasil. Segundo, porque Portugal também está aqui, dentro da gente. ____________________ Aprenda uma deliciosa receita de “salada de feijão branco com couve e bacalhau” no nosso blog: http://casalgastromg. blogspot.com.br/ e não deixe de aproveitar o 15º Festival de Cultura e Gastronomia da nossa vizinha Tiradentes, entre 24/08 e 02/09!
10 Jornal das Lajes Causos & Cousas Entre todas as coisas ou objetos existentes neste vasto mundo de Deus, não há dúvidas de que sobressai o “livro”. O advento da “escrita”, muitos séculos atrás, propiciou ao homem a possibilidade de transmitir a seus semelhantes suas ideias, seus pensamentos e seus sentimentos em um conjunto sistemático e organizado, através de variados suportes. Desde as inscrições rupestres em pedras nas várias culturas, passando pelos papiros, pelo papel e, hoje, pelos recursos eletrônicos, o objeto “livro” desempenhou um papel fundamental na vida dos seres humanos. Por muitos séculos a difusão do livro foi feita através de artefatos manuscritos. A invenção do alemão João Gutenberg (1398/1468) provocou a chamada “revolução da imprensa”, pois possibilitou a impressão e a difusão rápida dos livros. Embora o século 20 tenha trazido um grande desenvolvimento tecnológico para a produção do livro, a rigor pode-se dizer que ainda estamos usufruindo da genialidade de Gutenberg. Vivemos ainda na era do livro. Muitas pessoas amam os livros. Outras precisam deles para seu trabalho e para sua sobrevivência. Há até aquelas que os usam para enfeitar as estantes de suas salas, chegando ao cúmulo de comprar livros “por metro”. Mas o livro ainda está forte e firme, embora se diga que, com a assombrosa evolução da era eletrônico-digital, o livro venha a desaparecer. Eu não acredito. E es-
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Livromania
tou entre aquelas pessoas que amam os livros. Precisei e ainda preciso deles por razões pessoais e profissionais. Por estes dias estou mergulhado nos meus livros, tirando poeira, organizando e tentando classificá-los. Pego um, olho outro, abro alguns. Com muito carinho. Afinal, eles foram, desde minha infância, os maiores, melhores e mais fiéis amigos. Muitos deles me acompanham desde que abracei a carreira de professor. Em 1979, eles sofreram com as enchentes de Governador Valadares. Ficaram amarelos, com marcas de barro, desfigurados, mas não me abandonaram. Entre eles está a minha coleção com todas as obras do Guimarães Rosa. E de muitos mestres no ensino da linguística e da língua portuguesa. Por outro lado, por vezes me vem à cabeça a terrível advertência de Santo Tomás de Aquino: timeo hominem unius libri: tenho medo de um homem de um livro só. Curioso, logo ele, que escreveu tantos e volumosos livros! Eu diria também, plagiando o famoso “doutor da Igreja”: tenho medo de um homem que não tem nenhum livro em sua casa. De repente, dou de cara com um livrinho, humilde, escondido, apertado entre dois livros tijolais. Pequenino como esses livrinhos de reza, 52 páginas com espaço duplo e, ainda por cima, escrito em grego na página da esquerda e, na da direita, a tradução portuguesa. Logo, o livrinho tem apenas 25 páginas. Seu título: “Carta sobre a felicidade”. Seu autor: um grego antigo (341 a.C), nascido na
ROSALVO PINTO
ilha de Samos. Pouco conhecido, se comparado aos demais famosos filósofos gregos, ainda tem um nome que parece indicar que ele era pouco conhecido: Epicuro. Folheio o amigo rapidamente, pescando frases esparsas. Que beleza! Parece que está escrevendo uma carta para mim nos dias de hoje. Aliás, esse livro resume-se a uma carta dele dirigida a um de seus discípulos. Digo para mim mesmo: como posso ter coragem de doá-lo ou jogá-lo fora? Cubro-o com carinho e o recoloco na estante. E continuo a minha peleja. Os livros são verdadeiros amigos porque, mudos e generosos, nos educam, ensinam, aconselham, respeitam e até nos repreendem. E não nos cobram nada. Isso é que é ser amigo. Estão sempre lá imóveis, em pé, apertadinhos, por vezes poeirentos, sempre disponíveis para entrar em ação. Fico imaginando como eles ficam felizes em serem convocados. Coisa curiosa: tal como acontece conosco, aliás, com tudo que existe no universo, também os livros ficam velhos. Tal como nós, velhos física e mentalmente. Consumidos, amarelados, enfraquecidos no seu corpo, desatualizados e confusos em suas ideias. Mas podem viver muito mais que nós. Podem se tornar imortais. Aí me vem a angústia: livro-me deles? Não tenho coragem. Não quero abandonar quem sempre me foi fiel. Manejando um por um dos meus livros, fico pensando qual será o destino deles quando eu deles me despedir. Meus herdeiros poderão doá-los a uma biblioteca, vendê-los para um “sebo” (lojas que comerciam livros usados e antigos), ou mesmo jogá-los fora. Mas serão sempre os meus livros e vou ficar com saudades deles. Quem coleciona muito livro tem uma dor de cabeça adicional: emprestar. Há os que não querem gastar e recorrem a você pedindo algum livro emprestado. Às vezes, também, você fica tão entusiasmado com um livro que o passa a alguém, a amigos ou alunos. Tome cuidado: eles podem não se interessar pela leitura e, pior, não o devolvem. Lembro-me de estar certa vez numa rodinha de bate-papo com o saudoso Ulysses Guimarães. Lá pelo quarto whisky ele soltou essa: “Quem empresta livro ou disco é burro, mas, mais burro ainda é quem devolve”.
Educação
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Novo curso de medicina da UFSJ: autorizado antes da aprovação pelo Conselho Universitário O novo curso de medicina da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) faz parte da política do governo federal de formar mais médicos no Brasil. Tanto que a portaria da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (SESu/ MEC), de 5 de junho, autorizou a expansão de vagas em cursos existentes e a criação de novos cursos em universidades federais das cinco regiões do País. De acordo com a portaria, o número de vagas nas 32 universidades contempladas em todo o Brasil mais que dobra, das atuais 735 para 1.615 vagas. Em Minas Gerais, além de São João del-Rei (40 vagas), os municípios de Diamantina, Teófilo Otoni e Alfenas serão beneficiados com 60 vagas cada um. O detalhe é que o novo curso de medicina da UFSJ foi autorizado pelo MEC antes de os conselhos superiores, em especial o Conselho Universitário, aprovarem a sua implantação num dos campi de São João del-Rei. O normal seria que a implantação do novo curso fosse aprovada antes pelo corpo docente. Ou seja, coloca pressão sobre o Conselho Universitário para dizer “sim”. O anúncio do novo curso de medicina da UFSJ foi antecipado pelo deputado federal Reginaldo Lopes, em discurso no dia 2 de junho, por ocasião das comemorações do centenário de Resende Costa. Dois dias depois, em meio à greve das universidades federais, a informação foi confirmada pelo professor Helvécio Reis, ao deixar o cargo de reitor da UFSJ para disputar a eleição de prefeito de São João del-Rei. A portaria do MEC autorizando o curso foi assinada um dia depois (a data improvisada foi escrita a mão) pelo secretário do SESu, Amaro Henrique Pessoa Lins. Confiante, Helvécio informou que o Senado Federal autorizou (Projeto de Lei 36/12) a contratação de docentes e técnicos para as universidades federais, inclusive para concluir o Plano de Adesão ao Programa de Reestruturação e Expansão das Instituições Federais de Ensino
Superior (Reuni). O ex-reitor da UFSJ acrescentou que o MEC informou que vai viabilizar os recursos para a implantação do projeto do novo curso. Falta programação Em resposta à demanda com base na lei de acesso à informação (de 10/07/2012), a UFSJ informou que “o curso de medicina que funcionará em São João del-Rei ainda não teve sua aprovação pelos órgãos colegiados superiores da universidade, uma vez que ainda está em elaboração toda a programação de implantação, como projeto pedagógico, cronograma de contratação de pessoal técnico-administrativo, técnico de laboratórios e docentes, construção e/ou adaptação de edificações, aquisição de mobiliários e equipamentos”. “Outra ação necessária para o funcionamento do curso prossegue a UFSJ - seria o estabelecimento de parcerias para montagem da rede hospitalar através da celebração de convênios (atenção primária e secundária), uma vez que não são mais criados hospitais universitários pelo Ministério da Educação.” Salienta ainda que “o curso de medicina em Divinópolis já funciona com o estabelecimento de parcerias da rede hospitalar da região”. O curso de medicina de Divinópolis oferece 60 vagas anuais (30 em cada semestre) e para isso conta com 52 professores e o apoio de oito técnicos-administrativos exclusivos. Recentemente, foram conseguidas mais oito vagas de professores que serão contratados mediante concurso público, de acordo com a Assessoria de Comunicação da UFSJ em 20 de julho. A Assessoria de Comunicação informou, ainda, que o novo curso de São João del-Rei terá 20 vagas semestrais e que o campus da Medicina ainda não está definido. O quadro de funcionários será composto de 60 professores e 18 técnicos-administrativos de apoio. A previsão da Universidade é de que o curso tenha início em 2014.
Prédio do curso de medicina da UFSJ em Divinópolis
Jornal das Lajes
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Literatura
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ANDRÉ EUSTÁQUIO
Humor e causos nas crônicas de Ramiro Gregório e José Antônio Os escritores Ramiro José Gregório e José Antônio Oliveira de Resende lançaram, no dia 19 de julho, em São João del-Rei, o livro “Causos em Crônicas de Humor. O evento, que aconteceu no Centro Social e Cultural do Exército, foi parte integrante da programação do 25º Inverno Cultural da UFSJ. A obra é a síntese perfeita do talento, do bom humor e da criatividade do padre e do professor. “Se ao terminar a leitura deste livro o leitor constatar que durante toda ela ele expressou, pelo menos um sorriso, ficaremos satisfeitos, pois o trabalho então valeu”, escreveu padre Ramiro Gregório na apresentação da obra. Ramiro Gregório é padre e atualmente exerce seu ministério na paróquia da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar em São João del-Rei. José Antônio é professor do Departamento de Letras da UFSJ e também colunista do JL Nada melhor do que um dos autores para falar ao leitor sobre a obra e, especialmente, acerca da crônica, um gênero literário que, cada vez mais, desperta o gosto dos leitores. Leia abaixo a entrevista com o professor e escritor José Antônio Oliveira de Resende.
Como surgiu a ideia de lançar um livro de crônicas de humor? A ideia de lançar um livro de crônicas de humor nasceu dos eventos culturais que são anualmente realizados
no Memorial Cardeal Dom Lucas Moreira Neves. Padre Ramiro e eu, em dois desses eventos, fizemos uma rodada de causos e crônicas para uma plateia que lotou o Memorial. Foram momentos de literatura e alegria, tudo no clima da boa prosa mineira acompanhada de um café com broa de fubá, salgadinhos e doces oferecidos aos ouvintes. Como os textos fizeram sucesso junto ao público, resolvemos juntá-los num livro. Como se deu a escolha dos textos? Não houve um critério específico de escolha dos causos e das crônicas. Porém, algumas decisões de demanda prática foram tomadas, como, por exemplo, não colocar os textos que eram muito longos, colocar um texto de cada um dos dois autores alternadamente, tudo isso pensando numa leitura otimizada e prazerosa por parte dos nossos interlocutores.
Como é a sensação de lançar mais um livro? Alguns dizem que lançar um livro é como ter um filho. Penso que são coisas bem diferentes. Quando você gera um filho, até uma determinada idade desse filho você é responsável por ele. Com o livro não, ele nasce e você não assume – nem pode assumir – qualquer responsabilidade pelos caminhos interpretativos que ele trilhar. Cada leitor é um indivíduo histórica e
discursivamente marcado naquilo que ele constrói em sua leitura. Não cabe ao autor chegar para o livro e dizer: Meu livro, esse caminho é errado, você tem que ser lido assim! A gente até pode vislumbrar um modelo de leitura para o livro, porém o resultado é imprevisível. Outra coisa: quem tem filho sabe que o filho nunca nasce com a cara que a gente espera. O livro, ao contrário, nasce com a cara que o autor quiser dar a ele. No entanto, não posso negar que lançar mais um livro é emocionante. É um ato de exposição, de despojamento, de humildade e ousadia ao mesmo tempo. Lançar um livro é assumir o risco de que seus escritos caiam no limbo ou no agrado, no vácuo ou na memória alheia. Porém, a emoção maior mesmo é quando a gente percebe que o livro saiu do papel e continua se reeditando na boca de quem o leu, isto é, quando as pessoas passam a citar, comentar, discutir o que a gente escreveu. A cada livro meu essas emoções me acompanham. Fale um pouco sobre o gênero literário “crônica”. A crônica é um gênero. Não quero entrar aqui na conversa bakhtiniana de gênero até mesmo por uma questão de espaço. Como gênero, a crônica possui uma estrutura característica, um suporte conhecido e um espaço de circulação. Claro que esses elementos são históricos, isto é, sofrem da
Padre Ramiro e professor José Antônio lançaram livro de crônicas de humor
provisoriedade histórica, mudam com o tempo. A crônica, em seu início, era um texto destinado a acompanhar certos fatos históricos, depois passou a registrar pequenos e pitorescos fatos ocorridos na sociedade, sem que houvesse um aprofundamento. Com o tempo, a crônica passou a fazer mais do que simplesmente registrar: ela passou a refletir sobre o que era registrado. E tal reflexão foi se estruturando cada vez mais com requinte. E a crônica virou texto burilado, em que o flagrante do cotidiano vai além do efêmero, sendo que o leitor de qualquer tempo e de qualquer lugar se vê registrado nela. É aí que ela se torna literatura. Como já coloquei num artigo que escrevi, a crônica realizou três transcendências importantes: a primeira é a transcendência do momento, já que seu trabalho temático agora não se prende mais ao
que nasce e morre num mesmo dia – a crônica busca o eterno; a outra transcendência é a do espaço, pois ela, apesar de estar no jornal, vai além do jornal e ganha o suporte do livro e da Internet. Há uma terceira transcendência: a do espaço de circulação. A crônica passou a ser lida em escolas, ou seja, participa do ambiente acadêmico. No entanto, penso que a crônica não pode perder algumas características fundamentais: sua precisão na observação dos fatos, sua intertextualidade sutil, sua pitada de humor (quando esse lhe convier), sua abordagem simples e profunda, rápida mas não afobada, sua possibilidade de leitura descomplicada, sua linguagem oxigenada pelas novidades da fala coloquial, seu estilo de conversa próxima ao leitor, entre outros. Tudo isso buscando a pluralidade de leituras.
12 Jornal das Lajes Giro Esportivo
ANO IX Nº 112 - AGOSTO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG EMANUELLE RIBEIRO
Depois de vencer a Copa Independência, Parma leva também o Torneio de Inverno 939 gols. Essa foi a marca do Torneio de Futsal de Inverno 2012, no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson, em Resende Costa. Ao todo, 45 equipes disputaram a competição, sendo nove na Taça de Ouro, 18 na Taça de Prata, oito na Infantil, três na Dente de Leite e oito na Pré-Mirim. O Torneio de Inverno é a principal competição de futsal de Resende Costa, além de ser conhecido em toda a região, e mais uma vez superou as expectativas dos torcedores. Juninho, Daniel, Deivid, Rafael, Nirceu e Camilo estiveram à frente da organização do evento. Na categoria Pré-Mirim, o Cruzeirinho A foi campeão em cima do Cruzeiro B, vencendo por 5x3. O Cruzeirinho A mereceu o título, tendo dois jogadores premiados: Diego foi artilheiro com 22 gols e Alex foi o melhor goleiro, com nove gols sofridos. Na Dente de Leite, o Brasileirinho derrotou o São José por 5x2 e também teve dois jogadores entre os melhores: Henrique foi artilheiro com 12 gols e Lucas foi o melhor goleiro, com apenas três gols sofridos. Na taça Infantil, o São José foi campeão ao vencer o Vasp’s por 4x3 e também teve dois atletas premiados: Caio foi artilheiro com 16 gols e João Vítor foi o melhor goleiro, com 11 gols sofridos. Em 2012, a Taça de Ouro sofreu alguns desfalques e teve apenas um representante resende-costense, o Matsubara. Os garotos, campeões da Prata em 2011, aceitaram o desafio e, apesar de terem sido eliminados precocemente, jogaram bem e merecem o nosso reconhecimento. Na
final, o Praia levou a taça ao vencer o Pradense por 9x5. Cilei, do Coroense, foi o artilheiro com 11 gols e o goleiro Darby, do campeão Praia, sofreu 15 gols, sendo a defesa menos vazada do Torneio. A Taça de Prata é a categoria mais disputada do Torneio e, neste ano, os times entraram mais preparados, investiram na composição do elenco e cada jogo era disputado como uma decisão. Foi bom de assistir. “Em relação aos anos anteriores destacamos um aumento no nível das equipes na Taça de Prata, mas isso pode ter ocorrido pelo fato de termos apenas um time de Resende Costa disputando a Taça de Ouro. Porém, no regulamento deste ano já foi previsto que todos os atletas dos times que disputaram a final da Taça de Prata (tanto campeão quanto vice) só poderão disputar no próximo ano a categoria Ouro”, disse Rafael Pinto, um dos organizadores do evento. Acredito que um dos grandes destaques dessa edição tenha sido o time da Vaquinha: A turma montou uma equipe compacta, buscou atletas em outros clubes e conquistou o vice-campeonato. Surpreendeu! Ou-
tro time que há um tempo vem mostrando muito futebol é o Barcelona, que acabou ficando na semifinal. E o grande campeão foi o Parma! Os jogadores do Parma estão com tudo nessa temporada: Este é o segundo título conquistado por eles em Resende Costa, já que também ganharam a Copa Independência. Desde o início, o Parma era um dos grandes favoritos ao título e, com um futebol envolvente, a equipe concretizou o que muitos torcedores esperavam e na final venceu a Vaquinha por 5x3. Anderson, da Vaquinha, foi o artilheiro com 16 gols. Os goleiros Gatão e Reginaldo, do Parma, ficaram com o título de melhor defesa, com 12 gols sofridos. O Torneio de Futsal terminou e, agora, as equipes resende-costenses esperam pela realização de mais um campeonato ao longo do ano. Para Rafael, o surgimento de novas competições “mostra a força do futsal em Resende Costa, além de mostrar que a nossa cidade carece de incentivo, não só no futebol, mas no esporte em geral, pois tem demanda para isso”. Parabéns aos campeões e aos organizadores!
Projeto “SAMU in foco”
Com o objetivo de divulgar o Sistema 192 e capacitar os profissionais para educar a sociedade em ações de saúde, surge o projeto “SAMU in foco”. Segundo a coordenadora de enfermagem do SAMU Macro Centro Sul, enfermeira Cíntia Cássia Silva, este evento será realizado nos 50 municípios da Rede de Urgência e Emergência, cobrindo toda a Macro Regional, com pretensão de uma adesão de cerca de 80% da população assistida. O trabalho será realizado pelos próprios profissionais, abordando todas as categorias (médicos, enfermeiros, condutores-socorristas e técnicos de enfermagem) visando a uma programação que atenderá a toda a comunidade. O intuito da diversidade do público é atingir a adesão da população através da multiplicação de informações absorvidas durante a divulgação. “O público-alvo será de alunos de escolas primárias, ensino fundamental, ensino médio, cursos profissionalizantes, cursos superiores, profissionais de saúde, Conselho Municipal de Saúde e Instituições Públicas diversas que consideramos de
grande importância na parceria deste Sistema”, declarou a coordenadora. Os profissionais serão divididos em equipes A, B e C, treinados e capacitados para apresentar o projeto e o Sistema para a população específica. Serão realizadas apresentações, simulações, palestras, dinâmicas, usando uma diversidade de metodologias e didáticas, conforme abrangências do público. O projeto criado pela coordenadora trará atividades para a microrregião de São João del-Rei e terá cobertura da mídia, onde será elaborado um documentário “in loco” das ações e treinamentos dos profissionais. A programação teve início no dia 06 de agosto e se estenderá até 31 de dezembro desse ano. As instituições que se interessarem pelo projeto deverão entrar em contato com o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência Macro Centro Sul (CISRU) pelos telefones: (32) 3339-5550 ou (32) 3362-5862 ou ainda através dos emails: coordenf.cisru@hotmail.com ou nepcisru@hotmail. com
O Cruzeirinho A foi campeão da categoria Pré-Mirim
Série “Campeões brasileiros” Há 42 anos, o Campeonato Brasileiro, competição mais importante do futebol nacional, é acompanhado pelos amantes do esporte em todo o país. Quando teve início, em 1971, o Brasileirão era disputado no sistema mata-mata e o Atlético-MG foi o primeiro campeão. E vejam que interessante: O sistema de pontos corridos passou a valer em 2003, tendo o Cruzeiro como primeiro vencedor. Os dois clubes mineiros se deram bem no primeiro ano de cada sistema, mas os paulistas e cariocas são os clubes que mais acumulam conquistas: São 18 títulos para São Paulo, 12 para o Rio de Janeiro, cinco para Porto Alegre, dois para o Paraná, dois para Minas Gerais, um para
Saúde
Pernambuco e um para a Bahia. Desde o fim da década de 90 eu acompanho o campeonato, sou fã do futebol brasileiro e, por isso, a partir desta edição o JL lança a série “Campeões brasileiros”, trazendo tudo sobre cada campeonato, desde 1971. Relembrem comigo! O primeiro campeão No ano de 1971, quando a música “Detalhes” do Rei Roberto Carlos era a mais tocada nas rádios nacionais, o Atlético-MG se consagrou primeiro campeão brasileiro, vencendo o Botafogo na final. Foram 27 jogos, 12 vitórias, 10 empates, cinco derrotas, 39 gols marcados e
22 sofridos. O artilheiro e craque daquele ano foi o atleticano Dadá Maravilha, com 15 gols. O vascaíno Roberto Dinamite foi a revelação de 71. O mico daquela edição ficou por conta do Botafogo: Após o árbitro José Aldo Pereira marcar pênalti a favor do Vasco, o jogador Brito o atingiu com um soco e, na final, o presidente Nilton Santos agrediu Armando Marques. O Cruzeiro chegou a se classificar para a segunda fase, mas saiu. Escalação do Galo em 71: Renato, Humberto, Grapete, Vantuir, Odair, Vanderlei, Humberto Ramos, Ronaldo, Beto, Dadá Maravilha e Romeu. Técnico: Telê Santana.
Equipe do SAMU de Resende Costa