Desde 2003
Jornal das Lajes Site: www.jornaldaslajes.com.br
-
E-mail: contato@jornaldaslajes.com.br
ANO IX Nº 111- JULHO 2012 / RESENDE COSTA - MG
DISTRIBUÇÃO GRATUITA
Cel. Mendes e dr. Costa Pinto criaram base político-administrativa de Resende Costa
Vista antiga e atual dos ‘’Quatro Cantos’’
O coronel Francisco Mendes Resende e o médico José Vilela da Costa Pinto criaram as bases político-administrativas de Resende Costa nas primeiras décadas de emancipação do município. Coronel Mendes foi o primeiro presidente da Câmara e do Conselho Municipal
(espécie de prefeito), tendo administrado a cidade entre 1912 e 36. Já Costa Pinto dirigiu Resende Costa entre 1937 e 45, durante a ditadura Vargas. Esta é a primeira de uma série de três reportagens sobre a política resende-costense. Página 05
Escola Estadual Afonso Pena Júnior, de São Tiago, é referência brasileira em educação
A Escola Estadual Afonso Pena Júnior, da cidade de São Tiago, foi considerada pela ONG “Todos pela Educação” como a melhor escola pública do país. Pro-
jetos pedagógicos inovadores, valorização e capacitação dos professores são alguns dos itens que conferiram à escola galgar o topo do ranking da ONG. Já a
Escola Estadual Assis Resende, em Resende Costa, está se desenvolvendo e procurando novos projetos para manter a qualidade do ensino. Página 04
2 Jornal das Lajes Editorial A Igreja desafia os jovens a construir um mundo novo
E
X
P
E
D
I
E
N
T
E
Este editorial tem como finalidade aplaudir a iniciativa da Igreja Católica de reunir jovens do mundo inteiro em torno de uma proposta desafiadora. Os jovens resende-costense, entre os dias 10 e 17 de junho, compartilharam de um grande movimento, ou melhor, da preparação dele, uma vez que a juventude católica do Brasil inteiro está se preparando para a realização da Jornada Mundial da Juventude, que em 2013 será realizada no Rio de Janeiro. A visita dos símbolos da JMJ, cruz e ícone de Maria, a Resende Costa é tema de uma reportagem desta edição do Jornal das Lajes. Quando o saudoso papa João Paulo II criou em Roma a Jornada Mundial da Juventude, em meados da década de 80, o objetivo fora conclamar os jovens do mundo inteiro a serem mensageiros da palavra de Deus levada a todos os povos. Durante seu longo pontificado, João Paulo II esteve sempre presente nos eventos da JMJ, seduzindo e motivando a juventude com seus gestos, palavras e ensinamentos alicerçados na moral católica inspirada na tradição e no evangelho de Jesus. Alguns de seus críticos dizem que João Paulo II “pregava no deserto”, ou seja, a multidão de jovens que se reunia a sua volta e o aplaudia ininterruptamente, terminado o encontro, continuava seguindo os apelos da sociedade pós-moderna. Se o papa dizia o que a juventude desejava ouvir é assunto que merece outra reflexão, porém, o fato é que uma multidão de jovens, numa sociedade extremamente laicizada, ainda se reúne para ouvir o que a Igreja tem a dizer. Em julho de 2013, a Jornada Mundial da Juventude acontecerá no Brasil, com a presença do papa Bento XVI. A organização do evento está preparando uma mega estrutura para receber mais de dois milhões de jovens vindos de toda parte do mundo. São rostos, línguas e anseios diferentes que se juntam numa mesma família, procurando ouvir os ensinamentos de um mesmo pai. Bento XVI, que não possui o mesmo carisma do seu antecessor, terá ao mesmo tempo a missão e o desafio de, no Brasil, maior país católico do mundo, dialogar com uma juventude exigente e cada vez mais confusa diante dos inúmeros desafios profissionais, afetivos, existenciais e morais. Quando João Paulo II idealizou e incentivou a peregrinação da cruz e do ícone de Maria pelas dioceses e paróquias do mundo inteiro não queria promover somente a veneração a um símbolo católico. Pelo contrário, o objetivo do papa era, através desses símbolos, catalisar os anseios e o vigor dos jovens em prol da construção de um mundo melhor, mais justo. A Jornada Mundial da Juventude é sinal de que a Igreja quer ouvir os jovens e incentivá-los para essa missão, isto é, construir um mundo novo, onde refloresçam valores que estão cada vez mais ausentes nas relações humanas, como o respeito mútuo, a doação e o amor ao próximo. No entanto, se os jovens que se reúnem para carregar a cruz da JMJ não se comprometerem com a mudança de si mesmos e da sociedade pela qual é responsável, a mensagem não será válida e a missão da Igreja não prosperará. Atualmente, pregar valores morais que destoam da proposta pós-moderna do consumismo exacerbado e do prazer sem limites tornou-se desafio perigoso. Quem o faz é, no mínimo, ridicularizado. Portanto, cabe aos jovens ter coragem de gritar em alta voz que desejam viver numa sociedade menos alienada e excludente. Aos jovens de hoje a Igreja quer dizer: Não tenham medo, transformem o mundo! Ser cristão significa ter coragem de denunciar as injustiças, assumir a cruz e comprometer-se com a construção de um mundo novo alicerçado na solidariedade e no amor.
Jornal das Lajes Ltda
CNPJ: 09.323.470/0001-60 Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro (32) 3354-1323 - Resende Costa - MG CEP: 36.340-000 Diretor de redação: Rosalvo Pinto Editoração: Rafael Alves Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Jornalista responsável: Floresta - Belo Horizonte José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP Tiragem: 3000 exemplares Diretor Administrativo: Circulação: Eustáquio Peluzi Chaves Resende Costa e São João del-Rei Diretor de Contabilidade: Os artigos assinados não refletem Antônio da Silva Ribeiro Neto obrigatoriamente a opinião do jornal. Editor-chefe: André Eustáquio
ANO IX Nº 111 - JULHO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Meio Ambiente
E a Rio + 20 foi um grande negócio
Diversas empresas souberam lucrar com a conferência Rio + 20 sobre o desenvolvimento sustentável. A grande mídia brasileira, como de costume, pautou o evento com seu discurso bom-mocista e contraditório. Grupos empresariais como Natura e Panasonic enxergaram na conferência uma grande oportunidade para impulsionar seu eco-marketing. Associar a imagem empresarial a posturas verdes tem sido uma rentável estratégia de marketing para vários segmentos do mercado. Enquanto os ambientalistas mais aguerridos apontam para a incompatibilidade entre os atuais padrões de consumo e a noção de sustentabilidade ambiental, diversos segmentos do mercado utilizam o marketing verde para se posicionarem melhor frente ao consumidor e aumentar suas vendas. Lamentavelmente, em boa parte dos casos, a postura verde não vai muito além do marketing. Além de um bom negócio para muita gente esperta, a conferência da ONU não produziu grandes coisas. A questão econômica pautou mais uma vez a discussão ambiental. A crise financeira dos países desenvolvidos, principalmente os europeus, foi um dos entraves que impediram a criação de um fundo verde para financiar internacionalmente o desenvolvimento sustentável. Países em desenvolvimento, como o Brasil, propuseram o estabelecimento do fundo internacional que alcançaria 100 bilhões de dólares em 2018, mas a proposta foi rejeitada pelos países ricos. Ainda
esperamos pelo dia em que a questão ambiental irá pautar as discussões econômicas do G-20. Até o momento, o que se vê são questões financeiras pautando as conferências ambientais. Enquanto isso, as possibilidades de uma guinada sustentável para a economia mundial mínguam aceleradamente, como apontam a comunidade científica internacional e os movimentos sociais. Cento e cinco academias científicas de várias partes do mundo assinaram um documento encaminhado aos chefes de estado que participavam da Rio + 20. O texto aponta o crescimento demográfico e o consumismo como dois dos maiores desafios do mundo no caminho para a sustentabilidade. “Os padrões atuais de consumo, especialmente em países ricos, estão corroendo o capital natural em taxas que comprometem severamente os interesses das futuras gerações”, alerta o documento. Infelizmente, houve uma distância considerável entre o posicionamento dos líderes políticos que participaram da conferência e as preocupações da comunidade científica internacional. Não houve consenso sobre um dos principais temas da Rio + 20: a chamada Economia Verde, que é uma proposta de reconfiguração econômica do mundo, visando ao melhoramento das relações do homem com a natureza e à sustentabilidade no uso dos recursos naturais. Esperava-se o estabelecimento de critérios e metas objetivas para sua gradual implementação, o que não aconteceu. Se por um lado, os países ricos não se mostram
FERNANDO CHAVES
dispostos a transformar seu padrão de consumo, por outro, as nações em desenvolvimento receiam que uma reconfiguração da economia internacional traga restrições aos seus produtos tradicionais, agravando sua situação econômica, visto que a implementação de uma cadeia produtiva verde demanda investimentos significativos. Um fundo internacional para financiamento de tecnologias sustentáveis pelo mundo, aliado a mecanismos de transferência desse tipo de tecnologia dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento são fundamentais para que a chamada Economia Verde não se converta em um arranjo geopolítico excludente em relação às economias nacionais mais fragilizadas. Se a comunidade científica não se sentiu representada na cúpula das nações, a coisa não foi diferente com relação à sociedade civil organizada. Os movimentos sociais reunidos na Cúpula dos Povos, evento paralelo à Rio + 20, manifestaram de diversas maneiras sua frustração com a conferência da ONU. As entidades civis se sentiram excluídas do debate e afirmam não compactuar com o documento assinado pelos 191 países participantes. Solicitaram, inclusive, que fosse retirado do texto final assinado pelas nações o trecho “com total participação da sociedade civil”. Ironicamente, o trecho foi mantido pela ONU. O último a sair que apague as luzes.
Informe Cultural
Causos, crônicas e humor
No próximo dia 19 de julho, será lançado o livro Causos em crônicas de humor, de autoria de José Antônio Oliveira de Resende (um dos cronistas do Jornal das Lajes) e Padre Ramiro José Gregório (Vigário Paroquial da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, de São João del-Rei). A ideia surgiu dos Encontros Culturais, realizados semestralmente no Memorial Cardeal Dom Lucas Moreira Neves, eventos nos quais José Antônio e Padre Ramiro apresentaram para o público contos e crônicas. Os textos, estruturados em torno do cotidiano e do humor, foram bem aceitos pela plateia que lotou as duas edições das apresentações. Os
causos e as crônicas foram recolhidos e viraram livro. José Antônio é professor do Departamento de Letras, Artes e Cultura da UFSJ. É autor de crônicas, contos, peças de teatro e poesias. Também é compositor, tendo como obras músicas de diferentes estilos. É mestre em Língua Portuguesa e fez o seu doutorado em Estudos Linguísticos. Padre Ramiro, além de sacerdote, é jornalista formado. Foi colaborador da Rádio Vaticana e da RAI, tendo passagem por diferentes países. Fez o seu mestrado em Direito Canônico e tem formação em Liturgia, Teologia, Arte Sacra, Comunicação, Grego e Latim. Causos em crônicas de humor
Padre Ramiro e professor José Antônio lançarão livro de crônicas
será lançado no dia 19 de julho próximo, durante o Inverno Cultural da UFSJ. O evento será às 19h, na sede do CESC (antiga Associação dos Sargentos), situado na Avenida Hermilo Alves, s/n, ao lado da Prefeitura Municipal de São João del-Rei.
Jornal das Lajes
ANO IX Nº 111 - JULHO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Artigo
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Em defesa do parto natural Recentemente,
seja, cerca de 85% são cesarianas.
ram bem menos tempo. Não ficam
uma jovem médica revelou, em
É exatamente o contrário do que
sujeitas ao atendimento por equi-
reportagem na TV, que teve seus
defende a OMS.
pe de plantão na rede SUS. Além
filhos em casa, com parteira, após
Reduzir o número de partos
disso, há problemas graves na for-
o acompanhamento normal na
por cesariana é um dos fatores
mação do profissional, conforme
gestação. Este fato fez-me lembrar
para diminuir o índice de morta-
Helvécio Magalhães. “Estudantes
das parteiras que atendiam minha
lidade infantil e melhorar a saúde
de medicina se formam sem fazer
mãe. Eu nasci pelas mãos da Euzi
materna. Aliás, o governo brasi-
um parto normal.”
do João Lara e meus irmãos, por
leiro está a menos de quatro anos
A Agência Nacional de Saú-
intermédio da dona Zica da Rua
do prazo acertado, em 1990, com
de Suplementar faz campanhas e
Sete - é verdade que dona Zica
a Organização das Nações Unidas
estimula as operadoras a diminuir
entregava tudo nas mãos de Deus!
(ONU) para cumprir a meta da
as taxas de parto normal, segun-
OMS.
do a gerente geral de Regulação
Mas aqui vai um alerta do médico Euclides Garcia de Lima
O problema é reconhecido
Assistencial da Marta Oliveira.
Filho, o dr. Tidinho, pediatra há
pelo secretário de Atenção à Saúde
“Algumas experiências de remu-
55 anos em São João del-Rei e
do Ministério da Saúde, Helvécio
nerar melhor o parto normal têm
defensor do parto natural: é um
Magalhães, que lamenta o recorde
sido bem sucedidas, mas ainda são
perigo fazer parto em casa devido
brasileiro. Para ele, os números
insuficientes.” Também há progra-
ao risco de acidentes relacionados
de cesariana não podem estar tão
mas de atendimento a paciente no
com esta prática. “Parto deve ser
acima do determinado pela OMS,
momento do parto, por grupo de
sempre na rede hospitalar, e pode
dados os riscos inerentes para a
médicos e equipes multidiscipli-
ser feito por parteira experiente e
mulher e a criança.
nares.
que tenha conhecimentos teóricos
Um dos problemas apontados
Para a coordenadora do Pro-
para o alto número de cesarianas é
grama de Sobrevivência e Desen-
Dados publicados pelo jornal
o valor pago ao parto normal cujo
volvimento Infantil do Fundo das
Estado de Minas (17/10/2011)
tempo é imprevisível, podendo
Nações Unidas para a Infância,
mostram que as cesarianas che-
durar horas. No SUS, o médico re-
Cristina Albuquerque, o “parto
gam a 30% no Sistema Único de
cebe por parto normal apenas R$
normal se tornou anormal e isso
Saúde (SUS) de Belo Horizonte
25 a mais do que pela cesariana,
não pode continuar a ocorrer”.
e até 77% na rede suplementar,
ou seja, R$ 175 (normal) e R$ 150
Entre os benefícios do parto
níveis bem acima da taxa de 15%
(cesáreo). Na rede particular, não
natural, os especialistas apontam:
recomendada pela Organização
há diferença.
melhor respiração da criança;
e técnicos.”
Mundial de Saúde (OMS). A re-
Para dr. Tidinho, o alto índice
maior envolvimento psicológico
alidade não é muito diferente no
de cesarianas deve-se ao comodis-
da mulher; aceleração da descida
SUS de capitais como São Paulo
mo dos médicos, à facilidade de
do leite materno (favorece a pri-
(32%) e Brasília (37%) e, pior ain-
anestesia para a mulher (que reduz
meira mamada na primeira hora
da, Rio de Janeiro (56%) e Forta-
o desgaste na operação) e ao fator
de vida); mais segurança para a
leza (66%). Assim, a média nacio-
cultural (falta de preparo das jo-
mãe e para o bebê; menor risco de
nal de cesarianas chega a 37%, a
vens para o casamento e a mater-
prematuridade; menor dor após o
maior do mundo.
nidade, ou seja, falta de hábito em
parto; menores riscos de compli-
Em São João del-Rei, a inci-
cuidar de crianças), sem falar das
cações (hemorragias, embolias e
dência de cesarianas é assustado-
mães adolescentes, “um problema
infecções); recuperação mais rápi-
ra, de acordo com dr. Tidinho. O
tão grave quanto a Aids”.
da no pós-parto; volta mais rápida
médico acredita que o número de
As pacientes grávidas cada
da mulher às atividades físicas; e
partos naturais deve girar em tor-
vez mais procuram a rede privada
menor risco para as futuras gesta-
no de 15% do total de partos, ou
para agendar cesarianas, que du-
ções.
Cultura
3
RENATO RUAS PINTO
Atemporalidade da música e temporalidade do artista Há alguns dias assisti a um ótimo show do Lô Borges. Não poderiam faltar os clássicos como “Paisagem da Janela”, “Nuvem Cigana” e outras tantas que o consagraram. Lô Borges, porém, intercalou algumas músicas dos últimos discos, o que foi uma grata surpresa pra mim, pois conhecia pouco do que rolou. O público cantou junto as “das antigas”, mas sempre dava uma esfriada nas mais novas por serem menos conhecidas. E foi justamente isso que me fez pensar sobre o tempo das músicas e do artista e como aquelas parecem perdurar mais do que seus próprios autores e intérpretes. Creio que nós temos uma queda pela nostalgia, muitas vezes valorizando demais o passado e sem prestar atenção no que está acontecendo agora. E com música não é diferente. Parece que paramos em determinado momento e não damos chance para coisas novas. Sejam elas vindas de novos artistas ou dos antigos, como se Chico Buarque tivesse parado em Roda Viva ou o Paul McCartney ainda tocasse com os Beatles. Mea culpa, ainda estou para comprar os últimos discos do Lô Borges e conhecer mais as músicas que me impressionaram no show. Sobre os artistas consagrados, parece que criamos uma expectativa cruel e injusta em função do que eles fizeram no passado. A verdade é que grandes músicos ou grupos não lideraram mais de uma revolução. Beatles, Tom Jobim e João Gilberto, Bla-
ck Sabbath, Caetano e Gil, Milton e Lô Borges e tantos outros tiveram somente um momento de ruptura e inovação. Exceção, talvez, para Miles Davis, que esteve na vanguarda dos grandes movimentos do jazz no século XX. Quem se lembrar de outro, que me ajude, por favor. Aqueles grandes momentos, porém, não diminuem o que vem depois e inúmeros trabalhos dos artistas citados demonstram que álbuns não precisam ser o Sergeant Pepper’s para serem bons. Quanto aos novos artistas, há quem diga que nos dias de hoje não se produz mais algo que preste. A afirmação, infelizmente, tem um fundo de verdade. Ameaçados pela pirataria e downloads gratuitos na internet, as grandes gravadoras têm investido somente em trabalhos de forte apelo comercial – e qualidade não tão forte assim – para ter retorno garantido. Por outro lado, a mesma internet abriu múltiplos caminhos de divulgação e é justamente lá onde estão os trabalhos bons da turma nova. Esqueçam o rádio ou televisão e saiam à busca na internet. Uma excelente sugestão é a rede social MySpace, muito usada por artistas independentes, brasileiros e estrangeiros. A verdade é que nem Caetano estacionou na Tropicália e nem a fonte de bons artistas está seca. Só não espere achá-los nos caminhos consagrados. A propósito, o último disco do Chico é excelente.
4 Jornal das Lajes Educação
ANO IX Nº 111 - JULHO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG ANA LUÍSA ALMEIDA / EMANUELLE RIBEIRO
Escola estadual de São Tiago é eleita melhor escola pública do Brasil Em Resende Costa, a Escola Estadual Assis Resende tem se destacado em competições estaduais e nacionais e mantém um número significante de alunos aprovados no vestibular. “Estamos no caminho certo” (Andrea Lima – diretora do Assis Resende)
A ONG “Todos pela Educação” tem como objetivo monitorar e analisar os indicativos educacionais das escolas públicas do Brasil para que todos tenham acesso a uma educação de qualidade. Foi na última análise realizada pela ONG que a Escola Estadual Afonso Pena Júnior conseguiu o primeiro lugar no “ranking” das dez melhores escolas públicas do país. Além da escola de São Tiago, estão mais sete escolas mineiras, cinco ocupando as primeiras posições. Situada na cidade do café-com-biscoito, a escola é uma prova que lá se tem de tudo: biscoito, café, extração de álcool através da fermentação da laranja e até robôs que dançam. Sendo os dois últimos, projetos que só conseguiram ir em frente e ganhar o reconhecimento nacional graças ao empenho e dedicação dos alunos, juntamente com o apoio da diretoria e professores. No campeonato nacional, o robô dos alunos da Afonso Pena ficou em segundo lugar, garantindo uma medalha de prata para a escola. A equipe de robótica ganhou, no México, dois prêmios na competição internacional. O projeto “Vinho de Laranja” não fica atrás, com a conquista do primeiro lugar na Mostra de Ciências da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), conseguindo, assim, três bolsas de iniciação científica na Universidade. Com o aumento considerável no desempenho e interesse dos alunos, outros novos projetos estão sendo criados e é esse um dos motivos que ajudou a escola a se destacar, já que quanto mais atraente é o ambiente escolar, maior será o interesse em aprender. A diretora Maria Auxiliadora acredita que o sucesso vem do modo com que a relação entre docentes e alunos acontece. “Aqui nós trabalhamos com amor”, declara a diretora que está há dez anos no cargo. Além disso, ela também ressalta a importância do papel social que a escola tem na vida dos alunos. Bruna Caputo, 16 anos, é aluna do 3º ano e também acredita que o sucesso da escola está na forma através da qual o ensino está sendo tratado na instituição: “A escola vem investindo em uma série de melhorias, o espaço vem se tornando cada vez mais agradável e o nível das aulas tão satisfa-
Foto: Ana Luísa Pena
Escola Estadual Afonso Pena
tório quanto essencial para o rumo que pretendemos tomar. O diferencial certamente é a cumplicidade, uma vez que se deixam de lado as diferenças e passa-se a lidar com as situações como uma verdadeira família”. Resende Costa Em Resende Costa, a direção da Escola Estadual Assis Resende, enfrentando os desafios e limitações do ensino público, se esforça para atingir as metas de Minas Gerais e da SER (Secretaria Regional de Ensino). A escola tem participado de inúmeros projetos e se destaca em olimpíadas e campeonatos regionais e nacionais. Além disso, o Assis Resende tem se sobressaído na preparação dos alunos para o vestibular. “Ficamos muito felizes em saber que a Escola Estadual Afonso Pena Júnior, de São Tiago, que faz parte da nossa regional, está liderando o ranking da ONG ‘Todos Pela Educação’. Este sucesso nos faz refletir que também podemos chegar a esse patamar. Potencial para isto não falta, visto que nossos professores são qualificados e têm feito um planejamento estratégico, buscando trabalhar com o CBC (Currículo Básico Comum), observando os descritores necessários para atingir a excelência do ensino e todos os pré-requisitos para repetirmos o sucesso que nossos alunos dos anos anteriores têm demonstrado nos vestibulares, atingindo os primeiros lugares de diversas universidades, assim como sucesso em muitos concursos públicos”, afirmou a diretora da Escola Estadual Assis Resende, Andrea Lima. Para a estudante do 3º ano, Mariana Maia, atualmente um dos grandes
problemas do Assis Resende é a falta de estrutura. Segundo ela, apesar de faltar maior envolvimento por parte de alguns profissionais, os professores são qualificados e mostram preocupação e compromisso com a turma do 3º ano, que tem o vestibular pela frente: “Somos bem preparados para o vestibular. Os professores levam questões para discutirmos e aplicam simulados”. Para a aluna, outro problema seria a indisciplina dos estudantes: “Mas isso não é culpa dos professores, o problema vem de casa. A escola tem desenvolvido bastante e a nova direção tem trabalhado com muita dedicação”. A diretora Andrea explica que mesmo com a falta de espaço físico, uma quadra de esportes adaptada e nem mesmo um local para se criar uma sala de multimídia, a direção, dentro do possível, tenta manter um ambiente favorável à aprendizagem: “Este ano lutamos e conseguimos formar turmas com número menor de alunos e dividir o 3º ano em três turmas, garantindo assim que eles tenham maior atendimento individual pelos professores e maior orientação para o vestibular. Conseguimos também em relação à rede física, a reforma de que tanto necessitávamos. Estamos já providenciando tudo para abrirmos a licitação. Em breve vamos comprar computadores e projetor multimídia, informatizando nossa biblioteca. Nós temos muitos planos para a melhoria da escola e estamos contando com voluntários. Deixamos aqui nosso pedido de colaboração a todos que fazem parte da escola e todos aqueles que por aqui já passaram”. Alguns alunos da Escola Estadual Assis Resende vêm se destacando em competições pelo estado: “Nossa
Cidadania
EMANUELLE RIBEIRO
Mais uma iniciativa de reciclagem em Resende Costa
Garrafas plásticas de refrigerante e materiais de limpeza, CDs inutilizados, papelão. São materiais como esses que Claudionor Reis, o Dinô do Dativo, usa para confeccionar brinquedos e alguns objetos de utilidade doméstica. Esse trabalho de reciclagem é desenvolvido em sua casa, na Rua 7, com materiais que ele mesmo compra, sem nenhum retorno financeiro. A ideia de criar usando materiais recicláveis surgiu a partir de um cachorro de garrafas plásticas que Dinô fez para usar em festas infantis, onde ele se veste de palhaço para entreter a criançada: “O cachorro foi um sucesso com as crianças, por isso resolvi criar mais bonecos”, conta. Assim, Dinô passou a comprar garrafas, tintas e outros acessórios por conta própria e a produzir mais brinquedos, como gatos, macacos, cavalos, bonecos e objetos, como pesos de porta. Os produtos que confecciona, Dinô distribui entre as crianças na rua e pretende doar a instituições, como as escolas. Sem apoio financeiro, ele descreve o único e mais importante resultado de seu trabalho: “A melhor coisa que existe é tirar o sorriso de uma criança. Queria que alguém me ajudasse com os materiais ou até apoiasse outras iniciativas como essa, mas
escola tem participado de inúmeros projetos, olimpíadas, campeonatos e o que talvez nos falta é divulgarmos mais nossos méritos. Temos obtido destaque nas olimpíadas de matemática, coordenadas pelos professores da área, e atualmente três de nossos alunos, Lucas Salomão Marioto Resende, Jonas Sousa Santos e Paulo Víctor de Assis ganharam menção honrosa e estão desenvolvendo uma bolsa de iniciação científica na UFSJ. Nossa escola também participou da Feira de Ciências da UFMG com o projeto ‘Meio Ambiente e a Cultura Popular do Sabão de Óleo’, desenvolvido em equipe e liderado pelo aluno Rodrigo José da Silva, com a coordenação da professora de química, Eunice, alcançando o troféu de 5º lugar. O aluno ganhou uma bolsa de iniciação científica pela UFMG. Também a aluna Renata Chaves Loureiro ficou em 1º lugar no campeonato ‘Soletrando’ da SRE de
mesmo assim eu vou continuar fazendo os brinquedos e doando às crianças”. A iniciativa de Dinô, além de atingir positivamente as crianças, é também uma maneira eficaz de proteger o meio ambiente. É fundamental para a sustentabilidade do planeta que formas de reciclagem sejam planejadas, mas também concretizadas e projetos como o de Claudionor Reis, mesmo que menores, representam um passo essencial para a preservação ambiental. “Ao invés de jogar esses materiais fora, a gente pode reutilizá-los. Por mais simples que sejam os brinquedos, é bom ver as crianças brincando, ainda mais hoje que elas passam muito tempo na frente da televisão, computador e vídeo-game”, conclui o artista.
Claudionor Reis usa garrafas plásticas para confeccionar brinquedos
São João del-Rei. Atualmente estamos participando de várias olimpíadas - física, português, matemática e história. Nossos alunos gostam destas iniciativas e fazemos sempre feiras anuais e projetos diferenciados”, conta Andrea. Mariana Maia concorda que projetos e iniciativas diferentes, como acontecem em São Tiago, também são desenvolvidos no Assis Resende. Para a estudante, falta maior interesse por parte dos alunos, já que as oportunidades são oferecidas pela escola. Ela acredita na capacidade da escola e dos profissionais, mas se chateia com a desvalorização do profissional da Educação: “Qualquer profissional que hoje tem um bom trabalho e ganha bem, na maioria das vezes aprendeu o que sabe com um professor. Então isso precisa mudar, pois, enquanto não valorizarmos o professor, não teremos um ensino perfeito”, conclui.
Jornal das Lajes
ANO IX Nº 111 - JULHO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Especial Centenário de Resende Costa
5
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Coronel Mendes e dr. Costa Pinto criam bases político-administrativas de Resende Costa (*)
Coronel Francisco Mendes de Resende, primeiro Administrador
O coronel Francisco Mendes Resende, filho de Francisco de Assis Resende, e o médico José Vilela da Costa Pinto criaram as bases político-administrativas de Resende Costa nas primeiras décadas de emancipação política do município. Coronel Mendes foi o primeiro presidente da Câmara e do Conselho Municipal (espécie de prefeito) de Resende Costa, cuja emancipação política ocorreu em 02 de junho de 1912. A Câmara dos Vereadores ou Casa do Conselho estava instalada no atual prédio do Fórum, observa o estatístico aposentado e advogado Alair Coêlho. Nessa época, Legistativo e Executivo no âmbito dos municípios confundiam-se – o Judiciário inexistia nesta esfera de poder -, contrariando o tripé de Montesquieu (filósofo francês famoso por sua Teoria da Separação dos Poderes). Segundo pesquisa da professora e colunista deste jornal Regina Coelho (ver edição de junho), o coronel Mendes foi o criador do então Grupo Escolar Assis Resende e da Biblioteca Pública Municipal, bem como responsável pela construção do Teatro Municipal, um dos poucos da época em Minas. Foi ainda responsável pela introdução da água encanada e da energia elétrica na cidade, acrescenta Alair. “Ele contratou uma firma de Juiz de Fora para instalar a água em Resende Costa. A empresa concluiu que era mais barato captar a água na Fonte dos Cavalos. Instalou uma caixa captadora e um motor elétrico dentro de um prédio e
Dr. Costa Pinto
estendeu um cano grosso de ferro até a caixa d´água no alto das lajes, fundos do Salão Paroquial.” A energia elétrica chegou a Resende Costa por intermédio da Companhia Força e Luz São Francisco Xavier – Prados, que servia precariamente o município. Segundo Alair, a usina foi criada por Azevedo, tradicional comerciante de São João del-Rei, e funcionava em represa no rio Carandaí, à juzante de São João del-Rei. “Ele vendeu ações para prefeituras e cidadãos dos municípios vizinhos, mas mantinha o controle da empresa. A usina só fornecia luz à noite, pois, a represa não suportava gerar energia 24 horas por dia.” Troca de guarda - Em 1936, dr. Costa Pinto tomou posse como novo presidente da Câmara e do Conselho Municipal. Em 1937, Resende Costa foi elevada à categoria de cidade e, com o golpe de Estado e a instalação do Estado Novo, Getúlio Vargas criou o cargo do prefeito, para o qual foi nomeado o próprio Costa Pinto. Mas o ditador extinguiu as Câmaras Municipais e, assim, os prefeitos passaram a governar por meio de decretos-leis. Na gestão de Costa Pinto, foi instalado o “Termo Judiciário Municipal”, subordinado à Comarca de Prados. Assim, o tripé de Montesquieu continuou manco no âmbito do Município, lembra Alair. De qualquer forma, as realizações de Costa Pinto no “aspecto sócio-administrativo” representaram um grande avanço para Resende Costa, na sua visão. O primeiro juiz municipal de Resende Costa foi o dr. Pedro Muzzi, nomeado pelo interventor de Minas Gerais à época, Benedito Valadares Ribeiro. Assim, todos os procedimentos - exceto o de presidir o júri que era privativo do juiz de direito da Comarca, no caso Prados - passaram a ser feitos pelo juiz local. Mesmo a instrução do júri era feita pelo juiz municipal, mas o juiz de direito tinha de se deslocar da Comarca para presidi-lo. Alair frequentou a casa do então prefeito, por ter sido colega de escola e membro da turma de Joaquim, conhecido como Quinca do Costa Pinto, ao lado de Celso do Alcides Lara. “Era um homem elegante, que sempre usava colete e bengala. Um dia perguntamos por que ele não comungava quando ia à igreja. Ele respondeu que era positivista, mas não explicou o que era positivismo.” Obra de Costa Pinto - Entre as realizações de Costa Pinto, Alair cita a aquisição do prédio em ruínas - onde funciona a atual Câmara Municipal – que ele remodelou e onde instalou a sede da Prefeitura. Também foi responsável pelo primeiro calçamento de paralelepípedo da cidade nas duas ruas prin-
cipais (Gonçalves Pinto e Quatro Cantos). Já existiam, por obra do coronel Mendes, o calçamento português (pedras poliédricas ou grosseiras menores), que ligava a igreja do Rosário à entrada do largo atrás da matriz; o calçamento rústico (pedras grandes jogadas irregularmente), do passinho até a entrada da Rua Assis Resende (ao lado da igreja do Rosário), e entre os Quatro Cantos e a casa da Sônia Reis. Também tinha este tipo de calçamento na rua Nova (apenas o lado onde mora a dona Filomena, a mãe do Luís Ezequiel de Resende, o Baccarini) até o começo da Várzea na direção do Beira Muro. O calçamento de pedras poliédricas da rua Assis Resende era abaulado, com duas sarjetas laterais, beirando os passeios, lembra Alair. “O Coronel Mendes foi quem introduziu o sistema de dupla sarjeta.” Os demais calçamentos, feitos pelo coronel Mendes, tinham sarjeta central. Costa Pinto instalou a primeira rodovia entre Resende Costa e São João del-Rei, ao comprar o “pedágio” que até então era cobrado para atravessar o município de Prados, conta Alair. Também idealizou a rede rodoviária de Resende Costa, a começar pela construção da estrada para Salvaterra, atual Jacarandira, distrito também criado por ele. Alair destaca ainda o Costa Pinto “mecenas”, que patrocinou a ida a Resende Costa das melhores companhias de teatro brasileiras e portuguesas que iam apresentar-se em São João del-Rei. “Nós vimos em Resende Costa, por exemplo, Margarida Esper (teatro de variedades) e a companhia do português João Fillaret (arte dramática).” Costa Pinto, acrescenta Regina Coelho, “possibilitou a vinda de inúmeras e qualificadas companhias artísticas à cidade. É oportuno assinalar ainda a fundação do Grêmio Literário, espaço instalado nos ´Quatro Cantos´ (hoje o imóvel é propriedade do Luizinho Chaves) e a movimentação de alguns valorosos grupos teatrais como fatos importantes no contexto cultural das primeiras décadas do século XX”. Outro exemplo da presença do então prefeito nas atividades da comunidade resende-costense foi o relato do jornal Senhor Bom Jesus (de 01/02/1945), citado por padre Nelson (Livro do Tombo, 1944-82) recém-chegado à cidade. Por ocasião da missão comemorativa ao centenário de criação da Paróquia, no período de 12 a 22 de agosto de 1944, foi introduzida na nova igreja – construída pelo antigo vigário, padre Heitor - uma cruz comemorativa, da qual foram padrinhos o prefeito Costa Pinto e “uma veneranda macróbia, a mais velha habitante da paróquia ali presente, batizada na então nova freguesia”.
A mesma reportagem apresentava ainda um breve panorama da cidade: “Resende Costa, antiga Nossa Senhora da Penha das Lajes de Tiradentes, agora município independente, florescente e progressista cidade, tirou o nome do inconfidente mineiro José de Resende Costa, que aí nasceu e morreu. Sua casa, estilo colonial, ainda é conservada no Largo da Matriz. A cidade parece uma cidadela, construída sobre três grandes lajedos. A matriz, construída sobre o pico duma colina rochosa, domina toda a região da redondeza. De longe, bem de longe, avista-se a graciosa e branca igreja sobre a sua rocha na altitude de 1.100 metros acima do nível do mar. A freguesia é relativamente antiga, de 1840.” Eleições para prefeito - A Constituinte, em 1945, deu fim ao Estado Novo getulista. Foram marcadas eleições para a Constituinte estadual, o que levou à exoneração de Costa Pinto pelo então interventor Júlio de Carvalho, santiaguense e presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Seguiu-se um período “bastante confuso”, com mandatos curtos de prefeitos, conta Alair. O juiz municipal Pedro Muzzi assumiu formalmente o cargo, porque era juiz eleitoral. “Nem sequer deve ter ido à prefeitura.” De fato, 1945 foi um ano politicamente tenso para Resende Costa, relata Regina Coelho. Depois de Muzzi, assumiu padre Nelson e logo em seguida voltou Costa Pinto. Esse momento de indefinição constitucional foi assim relatado por padre Nelson: “Verificando-se pouco depois que os snrs. Juízes, por serem Juízes Eleitorais, não podiam ser prefeitos, foi o Vigário da Paróquia, não sem muita relutância nossa, indicado para responder pelo expediente da Prefeitura até o dia 3 de Dezembro. Devido à permanência do tempo, não houve consultas ao Snr Arcebispo, mas sim, ao Rev.mo Forânea, que concordou aceitássemos a indicação. Fomos empossado como Prefeito no dia 28 de Novembro. Passadas as eleições de 2 de Dezembro, passamos a Prefeitura ao Snr. Prefeito Dr. Costa Pinto, no dia 3 de Dezembro às 12 horas” (Livro do
Tombo da Paróquia Nossa Senhora da Penha). Com o afastamento de Costa Pinto em 14 de junho de 1945, prossegue Regina Coelho, foi nomeado prefeito Alcindo Resende, então secretário da Prefeitura, que permaneceu no cargo até novembro de 1946. “Na falta de vice-prefeito, Alcindo, servidor da prefeitura, assumiu apenas para ´tomar conta´ da Prefeitura. Somente cuidou dos serviços burocráticos, não sendo prefeito de fato, na melhor acepção da palavra. O povo nem sequer percebeu estas rápidas e sucessivas mudanças”, complementa Alair. Em reunião presidida por padre Nelson no Teatro Municipal, dia 1º de novembro de 1946, foi indicado o nome do médico Sebastião Lara, por maioria dos votos, para ocupar a cadeira de chefe do executivo municipal. “Também ficou por pouco tempo”, comenta Alair. Para ele, “as rápidas e inexplicáveis mudanças de prefeitos em Resende Costa, em 1946, se deram nas transições da República Velha e Estado Novo para a segunda República e retorno à democracia liberal”. O fazendeiro José Gabriel de Resende foi prefeito entre 1946 e 47. Por pressão de um grupo de correligionários liderados por Tancredo Neves, ele se viu obrigado a aceitar aquele encargo até 1947, de acordo com revelação de dona Aparecida (filha dele, esposa do Élcio Maia) feita a Regina Coelho. “Estas mudanças foram meteóricas e delas a população nem tomava conhecimento. Com José Gabriel, a administração voltou à normalidade e a marcha se estabilizou”, resume Alair. Segundo Alair, o primeiro prefeito eleito pela população foi Antonio de Souza Maia Junior, o Nico de Souza, candidato em chapa única que administrou Resende Costa entre 1947 e 1950. O vice-prefeito dele era Olíndio Argamin de Freitas (veja a íntegra no site www.jornaldaslajes.com.br). (*) Esta reportagem é a primeira de uma série de três sobre a política resende-costense
Edital O Ministério Público do Estado de Minas Gerais informa que se realizará no dia 25 de julho do corrente ano, no período da manhã, CORREIÇÃO ORDINÁRIA na Promotoria de Justiça de Resende Costa, conforme edital afixado no quadro de avisos/editais do Fórum da Comarca. Atenciosamente, Adalberto de Paula Christo Leite Promotor de Justiça
6 Jornal das Lajes
ANO IX Nº 111 - JULHO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
J V R /E R Política Completa dois meses Lei de Acesso à Informação que dá direito ao cidadão a obter informações dos órgãos públicos OSÉ
ENÂNCIO DE
ESENDE
MANUELLE
IBEIRO
Em Resende Costa, a Prefeitura e Câmara Municipais dizem estar preparadas para atender a demanda dos cidadãos Há dois meses, em 16 de maio, entrou em vigor a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527, de 18/11/2011), que se aplica à administração direta e indireta das três instâncias da Federação (União, Estados e Municípios) e das três esferas de poder (Executivo, Legislativo e Judiciário), além de entidades privadas sem fins lucrativos que recebam recursos públicos. A lei reconhece ao cidadão o acesso à informação como direito fundamental. Qualquer cidadão, empresa ou ONG poderá fazer seu pedido de informações por e-mail, telefone ou no balcão de informação do próprio órgão público, sem necessidade de dizer qual a razão do questionamento. Futuramente, as informações deverão estar disponíveis em portais de internet. Se o órgão público não atender à solicitação no prazo máximo de 30 dias, o interessado poderá apresentar recurso a instâncias hierárquicas superiores. Nestes primeiros meses, observam-se principalmente desorganização, informações incompletas, não-cumprimento de prazo, má-vontade em publicar salários públicos e resistência da burocracia em atender demandas. Cresceu, por exemplo, o número de informações consideradas “sigilosas”. Já aparecem as primeiras resistências em fornecer informações sobre despesas pessoais, como diárias, com dinheiro público. Assim, o maior desafio é saber como os órgãos públicos vão responder às demandas. E persiste a dúvida de como o cidadão deverá proceder para solicitar seus pedidos. Estados e Municípios deverão publicar decreto regulamentando o acesso aos dados e as instâncias de recurso em caso do não-atendimento. Cada órgão público, por exemplo, terá de criar o seu Serviço de Informação ao Cidadão (SIC), que será responsável por receber e processar os pedidos. O SIC deve atender, orientar e informar o cidadão. O critério de sigilo só é válido em caso de informações que afetam a segurança da sociedade e do Estado. Informações de caráter pessoal só podem ser negadas se atingem intimidade, vida privada, honra e imagem ou colocam em risco a vida e a integridade física. Para vencer a resistência da buro-
cracia à aplicação da lei, será preciso, entre outras medidas, designar responsáveis por sua aplicação num nível elevado de responsabilidade e publicar seus nomes e formas de contato nos sites dos organismos, diz a arquivista francesa Perrine Canavaggio, em entrevista ao Observatório da Imprensa. “O cidadão paga as contas do Estado. Portanto, tem o direito de entender o que está acontecendo com seu dinheiro, não apenas do ponto de vista financeiro, mas também no que se refere às decisões que o Estado toma em seu nome”, defende Guilherme Canela, assessor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Cone Sul. “O acesso à informação geralmente leva à melhora das políticas públicas. A tendência é que, quanto mais transparente, menos corrupto será o Estado”. No âmbito municipal, o cidadão pode, por exemplo, pedir informações sobre arrecadação e destinação da receita dos impostos, número de funcionários e salários, licitações e contratos, situação da frota de veículos (número, idade, custo de aquisição e de manutenção etc.), custos de serviços terceirizados, beneficiários do programa bolsa família, frequência dos professores à escola, beneficiários de doações de cestas básicas, de material de construção e de terrenos, isenção de pagamentos de serviços públicos como água etc. Resende Costa - Em Resende Costa, a Prefeitura Municipal já discutiu sobre a nova Lei e de acordo com o secretário de Administração, Marcos Henrique Santos (Mazé), o poder municipal pretende, dentro de um curto prazo, se adequar ao que a Lei de Acesso à Informação exige. “A Lei que vai regulamentar o acesso às informações da prefeitura de Resende Costa terá seu projeto enviado para a Câmara Municipal dentro de poucos dias”, disse. Ainda segundo Mazé, “a aprovação dessa lei e sua breve implementação em Resende Costa vem se somar à maneira como o prefeito Adilson e sua administração procuram trabalhar, isto é, prezando a transparência nos atos públicos”. No que diz respeito à forma como a Prefeitura poderá ceder essas infor-
mações, o secretário afirma que no momento está sendo elaborado um requerimento padrão que será deixado em todos os setores da Prefeitura. Quando o cidadão solicitar a informação, seu pedido será protocolado e dentro de um prazo menor possível a informação será prestada. “O impacto dessa Lei no nosso município, assim como em todo nosso país, será positivo pelo fato de o cidadão ter a garantia, em forma de lei, ao acesso às informações públicas. Pode-se verificar, entre outras questões, a maneira como é gasto o dinheiro público”, conclui Mazé. O presidente da Câmara Municipal de Resende Costa, vereador Luís Cláudio dos Reis, afirma que primeiramente a Câmara teve acesso à lei por meio do Diário Oficial da União e que “a decisão foi muito comentada pelos vereadores, até mesmo pela importante ferramenta que o cidadão ganhou com sua aprovação”. Segundo Luís Cláudio, “a lei é um grande avanço no que se refere à transparência, principalmente porque se tem o hábito de nivelar os políticos por baixo e quem realmente leva as coisas a sério acaba ‘misturando’ a parte podre do poder público”. Para o legislador, a fixação de prazos foi um dos fatos mais positivos, porque muitas vezes os cidadãos desistem de levantar informações junto aos órgãos públicos por causa da burocracia e da morosidade em disponibilizar as informações: “Com as novas regras estabelecidas as pessoas têm, agora, um importante mecanismo legal para exigir que seus direitos e pretensões sejam garantidos”, acrescenta. Em Resende Costa, a Câmara já possui um mecanismo de disponibilizar as informações ao público, que é o site próprio do legislativo municipal (http:// www.camaraderesendecosta.mg.gov. br). As leis e informações sobre o legislativo podem ser acessadas na página virtual, informa Luís Cláudio. “Grande parte desses documentos já podem ser retirados diretamente no site ou solicitados na secretaria da casa.” Essa disponibilização de acesso eletrônico às normas editadas e publicadas no município foi criada para atender um Termo de Ajustamento de Conduta – TAC – junto ao Ministério Público,
Polícia
Casal é preso em Resende Costa com notas falsas
No último dia 21, a Polícia Militar prendeu em Resende Costa um casal que havia efetuado compras em uma loja de artesanato com notas falsas. De acordo com a Polícia Civil, L. S. B. e E. A. P. B., residentes em Franca (SP), pagaram a loja com 11 notas falsas de R$ 100,00. Após o casal deixar o local, os funcionários desconfiaram e acionaram a PM, que apreendeu os dois em flagrante em outra loja na saída da cidade. A Polícia Civil informou que fez um
levantamento nas cidades da região e verificou que em São João del-Rei, houve apreensão de duas notas falsas de R$ 100,00 com o mesmo número de série das que foram colocadas em circulação em Resende Costa. Ainda segundo a Polícia Civil, o casal se encontra preso na Cadeia Pública de Resende Costa e o flagrante já foi encaminhado à justiça. O homem preso já possuía antecedentes criminais, por homicídio e estelionato. A pena para esse crime varia de 3 a 12 anos de reclusão.
Furto à serraria causa prejuízo de dez mil reais em Resende Costa
Já no fim de junho, no dia 24, um furto assustou os moradores da Avenida Alfredo Penido, em Resende Costa. Os ladrões arrombaram a porta dos fundos de uma serraria e loja, reviraram o local e levaram parte do maquinário utilizado na sendo uma forma de se garantir a transparência dos atos do legislativo, explica Luís Cláudio. “Não que os mesmos não eram regularmente publicados, mas a disponibilização através da rede mundial de computadores possibilitou que um número maior de pessoas pudessem diretamente acessar as contas, normas e outros atos da Câmara Municipal.” Mas caso o cidadão não consiga encontrar a informação desejada no site, ele pode se informar na secretaria da Câmara. Conforme Luís Cláudio, ela já tem conhecimento dos prazos estabelecidos pela nova Lei e ordem expressa da presidência para respeitá-los. Por fim, o vereador enfatiza: “Tal-
serraria e também um computador. Segundo a Polícia Civil, o prejuízo estimado é de R$ 10.000. A polícia informou que já tem suspeitos da autoria do furto, que o inquérito já foi aberto e que as oitivas já tiveram início na delegacia. vez, agora no início, essa lei não tenha significativa interferência no cotidiano dos órgãos públicos municipais, mas com o passar do tempo, sim. Como toda nova lei, é extremamente necessária uma maior divulgação, pois muita gente desconhece sua aprovação. E, posteriormente, com o passar do tempo, o resultado efetivo dos direitos ali garantidos vai depender de que o cidadão exija seu regular cumprimento”. Fontes: Controladoria Geral da União, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, jornal O Estado de S. Paulo, Observatório da Imprensa, Associação Contas Abertas. Foto: O Globo
Cerimônia de sanção da lei de acesso a informacão
ANO IX Nº 111 - JULHO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Jornal das Lajes
Aconteceu
7
EMANUELLE RIBEIRO
Evaldo Balbino lançou seu primeiro livro de crônicas
Dezenas de pessoas foram prestigiar o lançamento do 3º livro da Coleção Lageana, Móbiles de areia, do resende-costense Evaldo Balbino (Amirco, 2012), e garantiram em primeira mão o livro autografado. O lançamento aconteceu no Centro de Pastoral Paroquial Nossa Senhora da Penha (CPP), na noite do dia 22 de junho. Entre os presentes estavam autoridades municipais, membros da AMIRCO, do Iris (Instituto Rio Santo Antônio) e do MAC (Movimento Arena Cultural), familiares e amigos de infância de Balbino, como a pedagoga Ivana Barbosa, a primeira professora do escritor, Jusceia Resende, e os professores Dilma Sousa, Sônia Reis, Luzia Resende e Mário Márcio Quadros. Também foram abraçar o escritor os seus colegas de JL André Eustáquio, Elaine Martins, Emanuelle Ribeiro, Eustáquio Peluzi, Fernando Chaves, Gláucio Wallace, João Magalhães e Regina Coelho. Os professores Toninho Assunção, Pró-reitor da UFSJ, e Eliana Tolentino, coord. do Mestrado em Letras da UFSJ, e Solange Santos, dir. da E. M. Conjurados, entre tantos outros também foram abraçar Evaldo.
A professora Ana Paula Mendonça não deixou de abraçar o amigo Evaldo
O professor de Geografia Mário Márcio Quadros abraçou o ex-aluno
Evaldo recebeu o carinho do irmão Edinei e dos pais, d. Laura e sr. Didi
Eduardo Coelho cumprimentou o escritor
Dr. Alair Coêlho e sua esposa, d. Olga, foram abraçar o conterrâneo
A professora Regina Coelho foi a primeira interlocutora do jovem poeta Evaldo
Evaldo Balbino autografou dezenas de exemplares de seu mais novo livro ‘’Móbiles de areia’’. Fotos Elaine Martins
O presidente da Amirco, André Eustáquio, parabenizou o escritor e falou também sobre a Coleção Lageana
Arraiá agita encontro da Terceira Idade
Aconteceu no dia 11 de junho mais uma festa junina do grupo da Terceira Idade de Resende Costa. O Arraiá foi realizado no Sítio Recanto do Alecrim, com almoço, lanches, víspora e quadrilha durante todo o dia. O grupo inteiro se divertiu ao som das músicas e danças típicas!
Bárbara Costa comemora 15 anos
No último dia 09 de junho, a debutante Bárbara Costa comemorou seu aniversário com uma grande festa junina no Sítio da Vassoura, onde estiveram presentes seus amigos e familiares.
Bárbara comemorou 15 anos ao lado da família e dos amigos
8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Quilo de feijão Se arrependimento autoral matasse, muita gente famosa mandaria suas frases pro limbo. Para escapar das pressões puritanas da sociedade de seu tempo, Flaubert teve que se explicar quanto ao seu então escandaloso “Madame Bovary”. E aí, coitado, o jeito foi botar batom e saia na sua justificativa: Madame Bovary sou eu!... de bigodão e tudo. Quase que ele passou para a história de Flaubert para Florbela!!! E o D. Pedro I? Independência ou morte!... berrou o gajo. Até hoje a gente não sabe se o resultado foi a independência ou a morte. O nosso dublê de libertador deve ter se arrependido de outra: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico.” E ele ficou longe. E ainda deixou por aqui um menor abandonado sentado no trono. As personagens femininas que eu crio ainda não me obrigaram a vestir saia. Também ainda não gritei frases tresloucadas para meia dúzia de gatos pingados no meio do mato e perto de um riachozinho sem graça. Porém, também sou autor de frases estranhas que me feriram as entranhas. Uma delas veio de um convite do Mário Márcio. – É um casamento, Zé. Chamaram a gente pra fazer uma seresta na véspera. Acabei aceitando, mesmo não sabendo quem era a nubente da madrugada. Perto de meia-noite, aquela turma em frente à janela da moça. – Quem é que mora aqui, Mário? – A noiva, ué! – Eu sei, Mário. Mas quem é a noiva? – É a irmã do... De repente, alguém começou a cantar sem esperar os violões e tivemos que ir atrás pra achar o tom. Fiquei tão preocupado
em fazer a coisa direito que até me esqueci de olhar pra janela. E fiquei sem saber quem era a noiva. No fim, a família da moça convidou todo mundo para um lanche... tudo combinado! Fiquei do lado de fora guardando o meu violão. – Você não vai entrar? Era uma garota simpática que me falava sorrindo, lá da porta. – Não, obrigado. Amanhã eu me levanto antes do sol. – Obrigada pela música. Foi tudo maravilhoso. Querendo ser engraçado, pari esta pérola que deveria ter sido abortada: – Diga à noiva que todo casamento termina na festa da despedida. Depois, é só despedida da festa. Você já parou pra pensar no preço do quilo do feijão? Ela me olhou séria: – O recado já está dado. Eu sou a noiva. Não enfiei a viola no saco porque o violão já estava guardado. Saí mais sem graça do que miss quando cai sentada. Depois de tantos anos, eu a vi num supermercado, com marido e filhos. Fiquei perto deles na fila do caixa. Ela não me reconheceu. Pude ouvir a conversa do casal: – Não peguei o feijão. – Então vai lá e pega, pô! Não temos o dia inteiro. Vai depressa antes que aumentem o danado do preço. Você já viu o preço do quilo do feijão? Até hoje eu fico matutando. Será que eles já estavam vivendo a despedida da festa? Ou a minha frase seria apenas um zumbi a mais nas minhas lembranças? Casamento... talvez o casamento seja realmente uma coisa boa. Opa! Senti um arrepio. Você já parou pra pensar no preço do quilo do feijão?
__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
ANO IX Nº 111 - JULHO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Contemplando as palavras
REGINA COELHO
Resende Costa:
1912 – 2012 (Parte final)
No início da década de 50, um empreendimento de vulto surgiu na cidade. Com toda pompa e circunstância, foi inaugurado no dia 7 de setembro de 1952 o Salão Paroquial Padre Adelmo (C.P.P.), importante espaço multiuso idealizado por aquele que lhe empresta o nome, palco de eventos cívicos religiosos e artísticos. Os anos 60 trouxeram boas novas na área da educação. Administrado por Miled Hannas, o município passou a contar com os serviços do Ginásio Nossa Senhora da Penha, o que corresponde hoje às quatro séries finais do Ensino Fundamental. Nas comemorações de formatura da primeira turma, em 1963, muita festa e uma curiosidade: o lançamento na cidade de “O Inconfidente” compondo parte dos festejos daquele importante momento. Atuando como diretor-redator do jornal, destacou-se o professor José Procópio da Silva, professor do ginásio e brilhante latinista. Tal feito se deveu ao empenho do prefeito Adenor de Assis Coelho, na administração de quem foi inaugurado o Grupo Escolar Conjurados Resende Costa (depois, Escola Estadual e, atualmente, Escola Municipal). Além da importância natural que essas duas escolas passaram a ter para a vida do município, elas foram embriões de um crescimento significativo no setor com a consequente implantação do segundo grau (o Ensino Médio de hoje) em 1972 e a extensão de séries nas escolas da cidade e no Ribeirão. Um olhar mais atento sobre a lista que encabeça a primeira parte da presente matéria com os nomes dos prefeitos e vice-prefeitos de Resende Costa revela que num curto período de seis anos a cidade teve três prefeitos: Cici Alves, Geraldo Monteiro e Aristides Coelho. O primeiro cumpriu mandato de dois anos, o que valeu no país todo com o objetivo de tornar
coincidentes os mandatos eletivos. O segundo renunciou ao cargo, fato que transformou em prefeito o “Coelho” (então vice), por igual período exercido por aquele a quem sucedeu. Em contrapartida, entre 1977 a 1988, ou seja, em doze anos, o município teve dois prefeitos com mandatos de seis anos: Cici Alves novamente e sucedendo-o Gilberto Pinto. Depois disso, até o momento atual, os mandatos para o executivo municipal voltaram a ter quatro anos de duração, havendo possibilidade de o candidato disputar uma reeleição desde a disputa do ano 2000. A propósito, com tantas mudanças na legislação em se tratando de vigência dos mandatos eletivos, vez ou outra ganha força a ideia de unificação das eleições gerais e municipais, que hoje ocorrem alternadamente a cada dois anos. Dois momentos especiais marcaram os primeiros anos da década de 80. Assim é que o surgimento da Associação Cultural Movimento Raízes e suas cinco edições anuais do “Encontro de Inverno de Resende Costa” caracterizaram um período de grande efervescência na vida cultural da cidade. Também o Jornal Novo (periódico idealizado e comandado pelo Toninho Melo Dr. Antônio Pedro, hoje promotor de Justiça na vizinha São João) foi destaque naqueles produtivos anos. Na gestão do prefeito Camilo Lélis, o Teatro Municipal passou por uma reforma, o que acontece novamente neste ano do centenário da cidade, agora administrada pelo prefeito Adilson Resende. Paralelamente aos trabalhos de restauração do teatro, foi criada a “Fundação Casa de Cultura”, solenemente instalada no mesmo prédio e tendo como coordenadores gerais José Márcio Resende e Luiz Antônio Pinto. Este último, por sinal, como prefeito eleito na disputa seguinte, pôde concretizar
muitos dos propósitos da Casa de Cultura. No final de 2008, um sonho antigo de muitos resende-costenses virou realidade quando a cidade, sob a administração de Gilberto Pinto, pôde comemorar a inauguração do prédio da Biblioteca Municipal, bela e imponente construção erigida ao lado do casarão da Câmara Municipal, no Mirante das Lajes. Sem deixar de considerar a importância dos fatos aqui apresentados, ressaltando ainda o caráter subjetivo do que foi selecionado, bem como sem deixar de reconhecer o mérito dos homens que em momentos distintos conduziram os destinos de Resende Costa, elejo dois símbolos ligados à sua história centenária: o Teatro Municipal e o Salão Paroquial. Na construção de ambos, a participação popular. Em mutirão, pessoas carregando pedras para a obra do teatro, que foi inaugurado sem forro, o que provocou novos esforços coletivos. O mesmo ocorrendo tempos depois, com a mobilização de tanta gente para conseguir erguer não um simples salão, mas um ousado edifício para a época. Neste ano de comemorações do aniversário de cem anos da cidade da laje, contando com a atuação brilhante da Banda de Música Santa Cecília (corporação mais antiga que a própria Resende Costa, uma vez que foi fundada em fins do século XIX), registre-se a homenagem de reconhecimento da coluna a todos os cidadãos de bem deste município tão querido. Nascer ou não em Resende Costa, viver e/ou trabalhar aqui ou fora daqui guardando no coração sentimentos de amor e orgulho por esta cidade são formas de conferir nossa verdadeira identidade resende-costense e sustentar a sensação que temos de pertencimento a esta terra.
Jornal das Lajes
ANO IX Nº 110 - JUNHO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
Apesar das coisas ásperas
O salmista chegou a escrever que “os mortos não louvam o SENHOR, nem os que descem à região do silêncio”. Lindo isso! Se é verdade, não tenho garantias. A garantia que tenho na vida é o momento que estou vivendo agora. E neste exato e prezado momento, garanto que estou vivo, que estou respirando, que estou sentindo o perfume do mundo, mesmo com seus odores ásperos. Asperezas à parte, louvemos ao Senhor agora, glorifiquemos a vida. Saltitemos! Façamos piruetas como loucos irremediáveis. Tal qual a poeira no redemoinho, rodopiemos plenos de vida e com vida agraciados. Ela caminha com dores e odores desagradáveis. Caminha atravessada de agonias e maus-cheiros a vida. Mas é também a mesma vida que devemos colocar numa balança. Estamos sempre medindo na vida, não é mesmo? Mensuremos, então, o que nos vale, o que vale realmente a pena. Se medimos tudo na vida, meçamos também a ela própria. Tão cheia de problemas, ela não deixa de carregar suas plenitudes. Aqueles sentimentozinhos que nos tomam muitas vezes e que nos fazem gostar de viver, de respirar o ar que nos chega, mesmo que poluído nas grandes cidades. Cheio de detritos da vida moderna, o ar não deixa de ser abençoado. A vida é assim, tão cheia de momentos extáticos, instantes em que, sem nenhuma percepção às vezes, algo se nos revela. Um segredo de amor, de vontade palpitante de amar e de ser amado. Vejam as pedras! Percebam como elas têm vozes, como falam, como cla-
mam em sua inteireza. Têm sentimentos as pedras. Numa aparência de estaticidade, o que elas são é movimento puro. É volteio latejante do corpo, do cosmos. Vejam também as árvores, cheias de seiva. Olhem também para as mortas, as que um dia tiveram vida explicável pela ciência, mas que agora são natureza para sempre eterna, viva. Um moirão segurando cercas tem vida própria, respira o ar que respiramos, apoia braços tão cansados, tão desejosos. Olhemos para os céus, onde nuvens nos separam do espaço, mas nos dizem dele, da sua imensidão estendendo-se para um longe indefinido. Pensar nessa lonjura é ter a capacidade de nos sabermos potentes para o sonho, para a luz. E tudo isso porque pensamos. Pensamos não para compreender, mas para amar. Se na região do silêncio não se pode falar, quero, então, ficar nestas paragens mesmo. Aqui onde há muitos ruídos e onde muitas vezes não sabemos sequer ouvir necessários silêncios. Aqueles silêncios que nos dizem muita coisa sobre nós mesmos, sobre os outros, sobre o mundo, sobre o universo. Não quero me calar numa sepultura. Então, com meu corpo desajeitado vou glorificando a vida agora, vou batendo palmas para tudo e todos – menos para as coisas ásperas. Bato palmas para os corpos se amando, para as bocas se beijando. Gosto de ver os problemas todos ganhando uma resolução. Nos olhares das pessoas, apesar das iras da vida, tenho prazer em verificar vontades de amor, de doação, de ajuda. Mesmo que tenhamos pequenos atritos uns com os outros, afinal não há como fugir disso, mesmo que rosnemos uns aos outros de
vez em quando, o que há de melhor em nós é a capacidade de querer roçar um corpo no outro corpo. É a capacidade de olhar para um amigo ou até mesmo um desconhecido na rua e dizer: “somos tão pequeninos, frágeis, mas é exatamente isso que nos faz grandes e unidos. Unidos, apesar do que é áspero”. Bato palmas sim! Canto louvores a homens, mulheres, crianças, bichos, viagens, barcos, amores, planetas, ruas, praças, cidades, estrelas, mares, rios, árvores – tudo merece salmos e mais salmos. Louvo até aqueles bichos que muitos dizem horrendos. Amo a barata no seu silêncio noturno e os ratos cujos olhinhos são tão bonitos de doer. As cobras, até mesmo as venenosas. Os escorpiões e sua postura bélica perante ameaças. O piolho, amo até o piolho, aquele cuja morada é entre fios de cabelos sem nome, cabelos de quaisquer seres. Louvo e amo até o bicho-de-pé. Aplaudo os gestos heroicos dos que me seguravam à força quando eu era criança e tiravam com extrema perícia os bichinhos-de-pé que me atormentavam. Lembro-me de uma coleguinha de infância que adorava ter bichos-de-pé. A coceira que eles causam, ela dizia, é muita gostosa. Cada louco com sua mania! E que em nossas loucuras louvemos a vida, apesar dos acontecimentos ásperos. Por num canto tudo o que é áspero não significa fechar os olhos e usar lentes cor-de-rosa diante da vida. De jeito nenhum! É antes saber que algo existe de incômodo, mas também é encarar esse algo como objeto comezinho, como a fragilidade de um vidro perante a resistência da pedra. Falo aqui da vida cheia de espinhos, mas faceira e sempre com plena e eterna idade.
Polícia
Incêndio danifica dez veículos em Resende Costa
Na madrugada do dia 14 de junho, os moradores do bairro Varginha acordaram assustados com as chamas no estacionamento do Auto Socorro PEP. De acordo com a Polícia Civil (PC), uma vizinha sentiu o cheiro de gasolina e em seguida percebeu a fumaça. Logo depois, os vizinhos se uniram para tentar apagar o fogo. A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram acionados. Segundo a PC, no total dez veículos foram danificados, sendo dois caminhões, dois carros e seis motocicletas. Somando isso à estrutura do local, o prejuízo estimado é de cerca de R$ 150.000 (cento e cinqüenta mil reais). A perícia esteve no local e confirmou a suspeita de o incêndio ter sido criminoso, a partir de análise de galões deixados no local, além de pegadas, que seriam do autor, no muro do estacionamento. Conforme a PC, o inquérito foi instaurado para a apuração dos fatos e os depoimentos das testemunhas estão sendo recolhidos. A Polícia já trabalha com suspeitos.
O incêndio destruiu dez veículos
O incêndio deixou um prejuízo de cerca de R$ 150.000
Gastronomia
9
CLÁUDIO RUAS
Os donos do pomar
Se na edição passada nós tratamos da “dona da horta” - a tão cultivada e apreciada couve - nesse mês vamos falar dos “donos do pomar”, sobretudo nessa época do ano em que estamos. É claro que nossos pomares mineiros geralmente têm uma variedade interessante de frutas, mas, dentre elas, algumas se destacam, seja pela predominância ou pelo consumo, principalmente nesse período: a laranja, a mexerica e o limão. A chegada da temporada de seca, a princípio, daria uma idéia de falta de vida e fartura na roça, porém, não é bem isso que acontece. A natureza é sábia e sabe muito bem aproveitar a época “das águas” e, quando ela se vai, em seguida vêm os frutos, principalmente os cítricos, perfeitos contra os resfriados do inverno. Junho e julho, para mim, são meses especiais na roça por uma série de motivos, a começar pela beleza dos dias e das noites. Mas, a abundância do pomar é o que mais me fascina, ao ponto de dar vontade de sair da capital só pra ir encher a carroceria de laranja serra d’água, mexerica candongueira, limão capeta... Na roça, sair da cama no inverno é ruim, mas ir se esquentar no sol chupando mexerica ao lado de um pé carregado é algo sublime, assim como fazer o suco dela misturado com a laranja, usar o caldo pra preparar uma carne de porco ou então comer aquele doce de casca de laranja com queijo minas e umas gotas de limão pra equilibrar perfeitamente com o açúcar. Falar que essas frutas fazem bem pra saúde é chover no molhado, pois todos já sabem. Então, acho que devemos pensar mesmo é no tanto que elas podem ser mais exploradas e valorizadas, principalmente por aqueles sortudos que têm essa fartura toda à sua volta e não sabem o que é pagar R$ 4,00 no quilo de mexerica ruim na cidade grande. Bem fazia meu querido avô - o velho Góes - que sempre aproveitava a fartura de laranja pra fazer vinho, o que praticamente não se vê mais hoje em dia, salvo exceções, como a do Mazinho do Saneco, que ainda produz a iguaria. O limão, então, é uma fru-
ta das mais especiais, principalmente pela sua utilidade na cozinha: tirar a “mardade” da carne de porco, marinar peixes, refrescar e temperar uma costelinha e um torresmo fritos, temperar molhos e saladas e até “cozinhar” um pescado sem que esse vá ao fogo, apenas com seu poder de reação química em função da acidez. Caso do delicioso “ceviche”, prato típico das culinárias peruanas e chilenas e que cada vez mais faz sucesso mundo afora, muito fácil de se fazer: picar em cubos pequenos um filé de tilápia fresca (congelada não é possível) e misturar com cebola roxa fatiada, suco de limão, sal, azeite e coentro (ou salsinha). Esperar uns 10 minutos (tempo para que o limão e o sal “cozinhem” o peixe) e servir. Experimente sem medo, o peixe não estará cru! Aproveite também para experimentar usar mais essas frutas no preparo de comida salgada, o que às vezes vai de encontro aos nossos costumes. Temperar e assar uma costelinha com um pouquinho de suco de laranja não vai deixá-la doce e estranha, muito pelo contrário. Ficará macia, suave e com uma cor linda e dourada. Se o limão é minha fruta favorita, o capeta é o meu preferido, pois tem um sabor diferenciado, adocicado e único, além de ser bastante rústico e produzir por mais tempo. Mas o mais interessante é a quantidade de nomes diferentes que vemos por aí em relação ao limão capeta: limão rosa, limão de moça, limão do rio, limão bergamota, laranja capeta, mexerica capeta etc., o que mostra a sua presença na nossa cultura. Por fim, como já disse em outra ocasião, dói no peito ver alguém na roça gastando dinheiro pra tomar suco artificial ou refrigerante enquanto nem os passarinhos dão conta de tanta fruta gostosa, saudável e DE GRAÇA no pé. Recusar esse presente da natureza é pecado bem pior do que o da gula... ----------------(Quem quiser aprender uma receita fácil de “lombo de panela ao molho de mexerica”, basta acessar o nosso blog: casalgastromg.blogspot.br.)
10 Jornal das Lajes Causos & Cousas
ANO IX Nº 111 - JULHO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO
Cultura
RENATO RUAS PINTO
Dona Terezinha: mãe, musicista e professora Fé, solidariedade e cultura no Retiro Velho No dia 17 de maio, deixou-nos, serenamente, a nossa conterrânea Terezinha Macedo Lara Melo, conhecida como “dona Terezinha do Quinzinho”. Além de forma respeitosa de tratamento, o “dona” é, sobretudo, a marca indelével da profissão de professora. Marca dessas pessoas que cumpriram e cumprem um papel fundamental na educação de todos nós. Deixando-nos, na bela idade dos 86 anos, essa mãe dedicada, professora competente e amante da música vai deixar um vazio, vai deixar saudades. Tal como o dizem as belas palavras da mensagem por ocasião do seu falecimento: “Alma bondosa e digna de estima, ela despertou em todos que a cercavam um carinho que não pode ser esquecido. Sua partida nos entristece, mas suas lembranças nos consolam. Viverá eternamente na memória daqueles que a amaram”. Dona Terezinha nasceu em Resende Costa no dia 26 de novembro de 1926, filha do sempre lembrado senhor Joaquim Pinto de Góes e Lara, o sô Quinzinho e de dona Heloísa Macedo Resende (dona Nhazinha). Seus sete outros irmãos são o Adão, o Joaquim (ambos falecidos), a Isabel, o Zeco, a Heloísa, a Lúcia, o Toninho (Antônio Pinto de Góes e Lara) e o Gonçalo. Pode-se dizer, uma família musical, prendada, que cantou e encantou Resende Costa com sua arte. Mas de dona Terezinha pode-se dizer que viveu desta arte. Enquanto teve fôlego e vida, dedicou seu dote musical a nossa cidade, como violinista na orquestra, cantora, maestrina, além de harmonista. Por anos a fio seus pés e seus dedos deram vida ao antigo harmônio da Matriz, acompanhando as músicas das cerimônias religiosas. Além disso, pintava, desenhava e dava aula de artes. Terminado o 4º. ano de Grupo, a menina Terezinha foi levada para Ponte Nova, onde estudou no internato da Escola Normal Nossa Senhora Auxiliadora, das irmãs salesianas, formando-se, depois de cinco anos, como “normalista”, em 1942. Nesse período só vinha a Resende Costa para as férias de fim de ano. Numa dessas viagens (que eram de trem e duravam de 15 a 20 horas), aconteceu um acidente de descarrilhamento, do qual a menina Terezinha saiu ilesa, porém toda suja de carvão, chegando assim até Ponte Nova.
Começava outra fase importante de sua vida: a de educadora e professora. Foi minha professora no Grupo desde a metade do 1º. ano até a metade do 4º. No primeiro semestre do 1º. ano começamos com uma jovem professora, vinda de Belo Horizonte. Lembro-me apenas do seu nome (ou apelido), que achávamos muito engraçado: dona Tenga. No 4º. ano minha família mudou-se no mês de julho para São João del-Rei, onde terminei o curso primário. Lembro-me do gesto de delicadeza da dona Terezinha: à noitinha, na véspera de minha partida, ela apareceu em minha casa com uma lembrancinha na mão, para se despedir de mim. Dona Terezinha era uma excelente e dedicada professora. Colocava-me sempre junto ao Gonçalo, seu irmão mais novo, na carteira. Era no tempo das carteiras duplas, base de ferro e mesa de madeira, com o buraco no centro para colocar o tinteiro. O que mais se via eram os tinteiros entornando, mãos e roupas sujas de tinta. Lembro-me, como se fosse hoje, de que a meu lado à esquerda na outra fileira, ficava a Carminha do sô Álvaro (Maria do Carmo Mendes de Almeida, já falecida), sempre com uma bonita fita na cabeça. Também pudera não me lembrar, pois os meninos não tiravam os olhos dela, bonita, estudiosa, a melhor aluna da sala. Além de professora no Grupo Assis Resende, dona Terezinha foi, posteriormente, professora e diretora do Grupo “Conjurados de Resende Costa”, atualmente escola municipal. Dona Terezinha casou-se, em princípios dos anos cinquenta, com o senhor Geraldo Melo. Em 1955, estando no colégio dos salesianos em São João del-Rei, vim a Resende Costa com o coral do seminário para ordenação dos padres José Hugo e Antônio das Mercês Gomes. Soube que havia nascido o primeiro filho dela. “Vai fazer uma visita à dona Terezinha”, foi a primeira recomendação dos meus pais. Fui retribuir seu gesto de quando mudamos de Resende Costa. Lá estava o Edésio, recém-nascido. Depois vieram o Erasmo, a Tida, a Lúcia, a Heloísa, a Macrina e a Glorinha. Vasculhando os arquivos da Escola Assis Resende, descobri a lista de matrícula dos alunos que entraram no Grupo em 1949. São duas listas separadas, meninas e meninos. A lista contém a idade e o nome do pai de cada “calouro”. Esses foram os
alunos que dona Terezinha levou do 1º. ao 4º. ano. Deixou saudades em todos nós. Para homenageá-la, carinhosamente, neste momento de sua derradeira despedida, eu convido meninas e meninos, meus colegas, presentes ou já ausentes, para assinarem comigo este texto: Meninas: 1. Antônia do Sacramento – 2. Cecília Iria de Jesus – 3. Cristina Maria de Resende - 4. Elisa Maria de Resende – 5. Elzi Maria do Socorro – 6. Efigênia Maria do Rosário – 7. Francisca Maria de Assis – 8. Geralda Coelho de Resende – 9. Helena Maria de Jesus – 10. Ione Pinto – 11. Iraci Maria da Silva – 12. Maria da Penha da Silva – 13. Maria Ozana da Costa – 14. Maria do Rosário de Resende – 15. Maria Jilânia dos Santos – 16. Maria José de Jesus – 17. Maria de Lourdes Peluzzi – 18. Maria do Carmo Guimarães – 19. Mariana Campos – 20. Maria da Conceição Pinto – 21. Maria José de Assis Neta – 22. Maria da Penha de Assis Pinto – 23. Maria Helena Andrade – 24. Maria de Lourdes Reis e Silva – 25. Maria de Lourdes Resende – 26. Marlene Urbano de Resende – 27. Maria do Carmo de Almeida 28. Nilda do Socorro – 29. Sudária Alves de Andrade – 30. Sebastiana Maria de Jesus – 31. Vera Lúcia de Sousa Melo – 32. Valdivina de Jesus – Marlene de Lourdes. Meninos: 1. Antônio de Assis Santos – 2. Ercílio Barbosa – 3. Francisco de Assis Resende – 4. Gonçalo de Resende Lara – 5. Geraldo Magela dos Santos – 6. Isaias Herculano dos Santos – 7. Inácio Sacramento Silva – 8. Jacob Inácio – 9. José Lourenço dos Santos – 10. José Maria da Luz – 11. José Pedro dos Santos – 12. José dos Passos de Oliveira – 13. José Geraldo Celestino – 14. José Olavo Monteiro – 15. José do Rosário Santos – 16. João Benedito de Assis – 17. Luiz Severiano dos Santos – 18. Luiz Ferreira de Andrade – 19. Milton de Miranda Santos – 20. Mário Jesus Resende – 21. Rosalvo Gonçalves Pinto – 22. Renato Gonçalves – 23. Rubens Belo de Resende – 24. Tarcísio Otoni dos Santos – 25. Vicente Ferreira – 26. Valeriano José de Souza - 27. Murilo Fonseca Chaves – 28. José Célio Alves de Andrade – 29. Hélio José Messias Santos – 30. Francisco Alves Ribeiro. (Fonte: livro de matrícula ao 1º. ano do Grupo – 1949)
Na noite fria do dia oito de junho quem foi ao sítio do Retiro Velho se esquentou com o calor humano, com o ótimo caldinho de feijão e cachaça e com música da melhor qualidade. E também ajudou a esquentar outros corações, dos alunos da APAE de Resende Costa, beneficiados com a renda obtida pela festa. A Reza do Retiro Velho já se torna tradicional e chega à sua nona edição, fruto do esforço e dedicação dos anfitriões Guilherme Novais, o “Cascão”, e Ana Daher, a “Ana do Galo”, que todo ano abrem seu sítio para convidados e voluntários que fazem da festa um evento único. Único porque consegue reunir em uma só noite fé, solidariedade e um show de cultura regional. Por todos esses ingredientes foi tema recentemente do documentário “Deus esteja: reza do Retiro Velho”. A demonstração de fé começou com a missa celebrada pelo padre Raimundo, que chamou a atenção em sua homilia para a importância do trabalho da terra e da produção. Ao fim da missa começou a procissão com a participação das folias de São Sebastião do Retiro Velho e a de São Sebastião da Restinga de Cima, dos mestres Neném e Zé Mário respectivamente. Após a fé, a solidariedade. Os presentes se deliciaram com comidas e bebidas preparadas e vendidas por voluntários que se dedicaram toda a noite para enriquecer a festa. É importante lembrar que a cerveja vendida foi toda doada para a festa. De doações também vieram os produtos que movimentaram um animado leilão de doces, salgados, frangos e bebidas. Em linha com esse espírito fraterno, o som e luzes do palco também vieram de contribuições voluntárias. E por fim a cultura. O Retiro Velho se transformou mais uma
vez em palco para o melhor da música regional, com um certo sotaque do norte de Minas e com a presença marcante do instrumento que é a essência dessa música, a viola caipira. A noite de shows começou com a bela e criativa execução do Hino Nacional na viola, por Pedro Gomes. Noite a fora se revezaram grandes músicos de diversas influências e que trouxeram clássicos caipiras, trabalhos autorais e a musica folclórica regional, como Carlos Farias, que mostrou a música das lavadeiras de Almenara. De São Paulo veio Levi Ramiro, que ponteou com virtuosismo sua viola de cabaça. Bilora e Wilson Dias, que por sua vez mostraram a beleza da música do norte de Minas, região que forma e inspira grandes músicos do nosso estado. Ainda passaram pelo palco Gustavo Guimarães, Quincas Da Viola, Joaci Ornelas, Tau Brasil, e Walace Gomes. Outras presenças constantes foram o competente percussionista Aender Reis, o mestre de cerimônias Emerson Bastos e Fidel Martins, que declamaram histórias e poesias entre as apresentações. Música pura, verdadeira e virtuosa. Foi isso que ganhamos de presente desses grandes cantores e instrumentistas, que doaram para a festa e para a APAE sua arte. Se a festa era em honra a São Sebastião, tenho certeza que também ficaram felizes Santa Cecília, a padroeira dos músicos, e São Gonçalo Amarante, o protetor dos violeiros. Fim de festa e a vontade de chegar logo a X Reza do Retiro Velho. Afinal, nada como uma noite de fé sincera, solidariedade transformadora e música de alta qualidade. Coisa mais bonita não há. Parabéns ao Guilherme, Ana e a todos os voluntários que se dedicaram para fazer essa festa incrível.
Reza do Retiro Velho reuniu fé, cultura e solidariedade
Jornal das Lajes
ANO IX Nº 111 - JULHO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Especial Benzedores e Curandeiros em Resende Costa
JOÃO MAGALHÃES
Jesus Barbeiro (Jesus da Leopoldina)
Jesus Barbeiro desfilando no carnaval de 1978
Jesus Maria José, casado com Maria José de Jesus, pai de um único filho, o nosso saudoso José Constantino (Zé Barbeiro), também benzedor bastante procurado e já homenageado pelo JL, quando do seu falecimento, através de seu editor-chefe, Rosalvo Pinto (“José Constantino” ano VI, nº 84, abril, 2010). Os testemunhos (inclusive deste redator) o retratam como uma pessoa extremamente popular e integrada em praticamente todas as vivências de sua época Não perdia a missa dominical da manhã e sempre presente nas procissões. Folias de Reis... a visita à casa dele jamais podia faltar. Gostava muito de cavaquinho, Músico, foi clarinetista da banda, junto com Mindinho, seu irmão, também clarinetista de escol. O advogado Alair Coêlho, 81, recorda que Jesus ensinou-lhe os rudimentos da música. Embora não tenha exercido nenhum mandato “gostava muito de política”, fala Solange, sua neta e diz também que seu pai, José Constantino, deve muito a ele sua eleição para vereador. “Era o dia inteiro pedindo voto”, repete ela. Festeiro, adorava carnaval. Vera Melo e Solange lembram-se dele organizando e liderando um bloco de crianças, que desfilava pelos “quatro cantos”, após a concentração no Teatro Municipal – atual Casa de Cultura. Na festa do Rosário, então, lá estava o Jesus Barbeiro, no meio de um congado, que se reunia e esquentava os tambores em sua barbearia. Por muito tempo, fez parte da diretoria do famoso “Expedicionário Futebol Clube”. E continua Alair Coêlho: “foi seu diretor, quando o Totonho do Sô Bico mudou-se para Belo Horizonte”. Era pedreiro. Trabalhou, informa Solange, na torre da igreja matriz na instalação de sinos. Sua
personalidade, porém, casou-se muito bem foi com a profissão de barbeiro, pois é reconhecido o espaço social que uma barbearia representava nas pequenas cidades. “.... aquela esquina transformou-se, ao longo dos anos, em um dos mais conhecidos pontos de referência da cidade. Pode-se dizer que todo resende-costense por ali passava e passa pelo menos uma vez por dia” (Rosalvo Pinto, art. citado). Sem dúvida, Jesus foi o mais carismático barbeiro que a cidade teve até hoje. Consta que teria morado na rua em frente ao cemitério velho, onde montou sua barbearia. Depois morou numa casa no fim da atual rua José Coelho, numa casa um pouco além do antigo armazém do Antônio do Marisco. Gradativamente, foi aproximando sua barbearia ao centro da cidade. Mudou-a para um cômodo sob o sobrado do Joaquim Batista (atualmente de seu filho Nélson); mais tarde, para a atual avenida Monsenhor Nelson (“quatro cantos”), entre as casas do Jesus de Melo e do Totonho Gomes, até fixar-se definitivamente na rua Gonçalves Pinto, atualmente de seu neto, Cláudio. Mas é como benzedor que Jesus solidificou ainda mais seu prestígio na cidade. Cresceu experimentando estas práticas, pois, sua mãe, dona Leopoldina, era benzedeira. Dentre os filhos de Leopoldina, Mindinho, Verônica, Cincinato e Jesus, dois seguiram seu caminho: Cincinato, que ao que parece, fazia garrafas e Jesus que só benzia. Na barbearia e na casa onde morou com seu núcleo familiar (fica na rua Joaquim Leonel; é uma das casas mais antigas da cidade) atendia muitos pedidos de benzedura. “O povo tinha muita fé nele”, prossegue Solange. Benzia de tudo. Doenças, dores, chama-chuva, mordida de cobra, quebranto, mau-olhado, alergias e animais. Como todo ben-
zedor tinha seus rituais. Não receitava, só um gole, ou mais, de água Há um testemunho de jogador de futebol, com um problema preocupante na panturrilha, resolvido com sua benção. Outro, de uma íngua, cuja bênção foi feita roçando, suavemente, nela uma faca e balbuciando uma oração. Também, da cura de uma doença que pegou nuns porcos que um morador criava no final da rua sete de setembro. Finalizo com o curioso relato testemunhal de Alair Coêlho: “Certa feita, eu era noivo da filha do Sô Bico, dentista e apareceram nos animais que ele criava num pasto que tinha na várzea, rigorosamente onde hoje está hoje a casa do Chicão. Tinha poucas cabeças de vaca lá e deu bicheira. Numa das vacas, a bicheira era da brava. Alguém disse que o Jesus benzia; aí o Totonho, que era cético como eu também em torno destas coisas, induzido pelo pai, procurou-o. Fomos à barbearia, conversamos com ele. Dispôs-se a ir. Só que não podia naquele dia e prometeu para o próximo fim de semana. Muito curioso com aquela situação, resolvi acompanhar o processo. Na caminhada, o Jesus foi colhendo pedrinhas e pondo no bolso. Não sabíamos para quê. Chegando ao retiro, as vacas foram reunidas. Jesus se aproximou de uma que tinha uma bicheira grande na anca. Tirou o chapéu, segurou-o com a mão esquerda no peito. Deu sinal para que silenciássemos, afastou-se das rezes, persignou-se, parece que estava orando e começou, falando em voz alta, eu me lembro muito bem das frases iniciais. Ele dizia: Israel tem doze tribos, doze tribos tem Israel e falou o nome de um patriarca e jogou uma pedra pra trás e ficou com os lábios em movimento como se estivesse orando, balbuciando, a gente não entendia. Andou uns passos e disse outra vez, diminuindo: Israel tem onze tribos, onze tribos tem Israel e jogou outra pedra e assim sucessivamente, aproximando-se do animal. Quando atirou a última pedrinha, sussurrou mais uma prece, persignou-se e deu por acabado. Coincidência ou não, três dias depois a rezes estavam curadas...” *Agradecemos Solange, Alair Coêlho, Vera Melo, Agenor Gomes e demais testemunhantes, pelas informações.
Literatura
11
ELAINE A. MARTINS
AMIRCO e Evaldo Balbino presenteiam Resende Costa com livro de crônicas O lançamento do terceiro livro da Coleção Lageana, na noite de 22 de junho, marcou a participação da Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO) nas comemorações oficiais do centenário de Resende Costa e presenteou a cidade e os resende-costenses com Móbiles de areia (2012), do já premiado poeta Evaldo Balbino. Fomentado pelo Fundo Estadual de Cultura (FEC), o livro tem 33 crônicas nas quais, entre reflexões e diálogos com filosofia e literatura, o cronista do JL, que desde 1995 vive em Belo Horizonte onde é professor da UFMG, recria experiências próprias e alheias vivenciadas em Resende Costa. O povoado do Ribeirão de Santo Antônio, a Várzea, o Pasto do Chicão, as ruas Sete e do Rosário, o armazém, as escolas estaduais Assis Resende e Conjurados e outros lugares são matérias para a prosa poética de Balbino. O mistério e o humor também têm lugar no livro. O prosador contou ao público, por exemplo, sobre uma crônica, de cunho narrativo, intitulada “A esposa esbelta”. Nesse texto, segundo o autor, narram-se as peripécias de uma mulher com cintura fina e que sempre comia demasiadamente pouco. Seu marido, desconfiado de tanta beleza abastecida por pouquíssima comida, resolveu fingir não estar em casa e se escondeu sobre o telhado da cozinha para ver o que aprontava sua esposa quando ele, o marido, não se encontrava no lar. “Para saberem o que acontece no final dessa crônica, fica aí indicada a leitura a todos vocês, com direito até mesmo a uma lição de moral, num diálogo engraçado com as clássicas fábulas”, disse o poeta depois de parar o resumo que fazia da narrativa em questão. Para a idealizadora da Coleção Lageana, Elaine Martins, valorizar e divulgar a produção literária de jovens escritores resende-costenses, como é o caso de Evaldo Balbino, cujo talento foi percebido e incentivado pela profa. Regina Coelho desde quando o poeta ainda estudava na Escola Estadual Assis Resende, é um dos objetivos da Coleção Lageana. “Editar as crônicas de Evaldo é, para nós, um privilégio, como o é também tê-lo nos grupos da AMIRCO e do JL. Atravessada pela humildade, a literatura em prosa de Balbino é altamente poética e carrega muito da sua origem lageana”, completou Elaine, que coordena a coleção junto com Rosalvo Pinto. Impossibilitado de se fazer presente, Rosalvo enviou uma mensagem lida pelo presidente da AMIRCO, André Eustáquio, saudando o escritor e
ressaltando o significado do lançamento como mais um avanço no desenvolvimento da cultura da cidade. O lançamento foi ainda uma oportunidade para muitas pessoas reencontrarem o escritor e outras conhecerem-no pessoalmente. Este foi o caso, por exemplo, de Alceia Resende, sua mãe e seu irmão Hamilton Resende, que foram garantir o novo livro e aproveitaram para adquirir o livro de poesia Moinho (Scriptum, 2006). “Estou feliz e honrada por ter participado deste evento. As palavras e escritas de Evaldo me levam ao passado e aos tempos de criança em Resende Costa. Sua simplicidade e sabedoria em colocar as palavras são singulares! Vou continuar acompanhando os seus trabalhos, pois sei que muitas e muitas obras de grande valor virão”, declarou Alceia. Já tendo tido conhecimento da Coleção Lageana, o Juiz de Direito Cléber Costa, natural da vizinha Lagoa Dourada, saiu de Belo Horizonte para prestigiar o evento e também se surpreendeu com a erudição e a linguagem de Evaldo, cujo futuro no mundo das letras acredita ser brilhante. “O lançamento de três obras nesse curto intervalo de tempo comprova que a Coleção Lageana está na direção certa. No campo da cultura e das letras, Resende Costa, sem dúvida, está na vanguarda das cidades de seu porte, quiçá de outras com população bem mais numerosa, condições econômicas e materiais mais favoráveis”, comentou o magistrado que cursou o ensino médio no antigo Ginásio Nossa Senhora da Penha, na década de 1960. A coordenadora Elaine Martins aproveitou a ocasião para anunciar que mais dois novos livros da Coleção Lageana estão em preparação com patrocínio do FEC e a previsão é que sejam lançados na semana de cultura em outubro, quando será reinaugurado o Teatro Municipal. Trata-se da reedição do esgotado Os inconfidentes José de Resende (pai e filho) e o Arraial da Laje, de Rosalvo Pinto (1992), e do livro Resende Costa, imagem e memória: 100 anos, que contará a história da cidade por meio de fotos. Patrocinado pela Secretaria de Estado da Cultura, o evento contou com os apoios da Prefeitura Municipal, representada pelo secretário Adriano Magalhães, também membro da AMIRCO, e da Câmara Municipal, representada por seu presidente Luís Cláudio dos Reis. Os móveis utilizados na decoração foram gentilmente cedidos pela loja Arte Nobre.
Elaine Martins e Evaldo Balbino conversaram sobre a mais recente obra do escritor resende-costense
12 Jornal das Lajes
ANO IX Nº 111 - JULHO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG
Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
Parma conquista a primeira Copa Independência de Futsal
O placar foi apertado, como na maioria dos jogos anteriores, mas o Parma é o campeão da primeira edição da Copa Independência de Futsal, que aconteceu durante os meses de junho e julho no Ginásio do Boca Juniors. A Copa teve início no dia 10 de junho e no dia da final, 08 de julho, o Parma venceu o Barcelona por 4x2, conquistando a taça. No total, 16 times participaram da Copa Independência e a arbitragem ficou por conta de Claudemir (Estrume) e Gláucio Wallacy. Estrume destacou a qualidade técnica das equipes: “Todos os times são bons e, por isso, os jogos foram fáceis, tran-
quilos de apitar”. De acordo com Cássio Almeida, organizador do evento ao lado de Lucas Silva e André Luís, o campeonato surgiu como um “aquecimento” para o Torneio de Inverno: “Como em Resende Costa tem muitos times de futsal, a gente teve a ideia de criar essa copa, porque todos esperam o ano todo para disputar um campeonato oficial, que é o de inverno”. A Copa Independência levou esse nome por ter sido realmente uma iniciativa independente, com apoio financeiro apenas de algumas empresas patrocinadoras. Além de ser mais uma opção para os times de Resende Costa, os organizado-
res ainda destacam a utilização do Ginásio do Boca Juniors, que sofreu pequenas reformas para a realização do evento. Estive acompanhando o andamento da Copa durante alguns domingos, os times se mostraram bem preparados e os jogos foram disputados, o que é uma característica do sistema mata-mata, adotado pela organização. Além disso, em todos os jogos a arquibancada do ginásio lotou. Parabenizo a organização, o público e os times. E para quem gostou vem mais por aí: “A gente pretende organizar um evento mais longo, provavelmente no mês de janeiro, e esperamos poder contar com o apoio de todos”, concluiu Lucas Silva.
Religião
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Jovens resende-costenses veneraram os símbolos da Jornada Mundial da Juventude
A Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, de Resende Costa, recebeu, entre os dias 10 e 17 de junho, a visita das réplicas dos símbolos da Jornada Mundial da Juventude, cruz e ícone de Maria. O evento, que reuniu a juventude católica resende-costense, visa a preparação para a próxima Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá no Rio de Janeiro em julho de 2013 e terá a presença do papa Bento XVI. A organização do evento em Resende Costa ficou sob a responsabilidade de alguns membros do grupo de jovens Shalom e do Ministério Jovem da Renovação Carismática Católica, que seguiram orientações da Coordenação da Juventude da Diocese de São João-del Rei. Lucas Lara e Magali Resende, coordenadores do evento e membros da Renovação Carismática, falaram sobre a organização: “Tudo começou em novembro do ano passado, quando os símbolos originais da Jornada Mundial da Juventude passaram por São João del-Rei. Envolvidos no Setor Diocesano da Juventude, decidimos agir, criando o Setor Paroquial da Juventude, composto por representantes dos movimentos jovens mais atuantes em Resende Costa. Com meses de antecedência começamos a preparar este evento que denominamos ‘Bote Fé Resende Costa’” . Um dos objetivos dos organizadores do “Bote Fé Resende Costa” foi envolver toda a juventude da cidade, e para isso as redes sociais foram bastante utilizadas no intuito de uma divulgação rápida e abrangente. “Resolvemos preparar algo que envolvesse toda a juventude da cidade e também toda a paróquia. A divulgação foi feita através das redes sociais, cartazes, panfletos, também por comunicação verbal nas escolas,
nos movimentos e na igreja. Houve também divulgação pelo som na rua”, informaram os coordenadores. A programação da visita dos símbolos da JMJ a Resende Costa foi ampla e diversificada, com momentos de adoração, reflexões e animação. “Preparamos missas, passeata com trio elétrico, caminhadas, vigília, adorações, visitas nas escolas, luau, show e festa junina. Além disso, preparamos uma jornada de orações em intenção da juventude de todo o mundo e da Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá no próximo ano no Rio de Janeiro, envolvendo milhões de jovens católicos do mundo inteiro. Essa jornada de orações foi muito valorizada, pois envolveu todos os movimentos e pastorais da nossa paróquia”. Para Lucas e Magali a passagem da cruz e do ícone de Maria por Resende Costa superou as expectativas da organização e ainda marcou o ano em que o município celebrou 100 anos de emancipação política: “O evento superou as nossas expectativas, graças a Deus. Acreditamos que a participação poderia ter sido ainda maior, talvez tenha faltado um pouco da nossa parte numa melhor divulgação, mas fizemos o que estava ao nosso alcance”. A participação intensa dos jovens durante a semana também foi destacada pelos organizadores: “Ficamos muito felizes com a participação dos jovens e de todos os fiéis durante a semana. É um evento que ficou marcado na história centenária de nossa cidade. Passamos por muitas provações durante a organização, mas com a graça de Deus tudo deu certo. No final do evento, as lágrimas foram sinais sensíveis das graças e da unção de Deus sobre os jovens e sobre toda Resende Costa. Todos puderam ver o sinal salvífico da cruz e o amor de Maria
que nós jovens resende-costenses trouxemos para nossa terra. Como diz a música, ‘no peito levamos uma cruz, agora continuaremos a levar no coração o que disse Jesus’”. Para Camila Silva, do grupo de jovens Shalom, a vinda dos símbolos da Jornada Mundial da Juventude foi um momento histórico e um marco para a juventude de Resende Costa. “O grupo de jovens Shalom trabalha já há 17 anos com a evangelização de outros jovens e passar por essa experiência foi para nós motivo de muita alegria e ao mesmo tempo de certeza de que o nosso trabalho não é em vão, ou seja, temos que continuar levando Jesus àqueles que ainda não o conhecem, indicar um novo caminho, tendo Nossa Senhora como companhia”. Camila destacou também um dos principais objetivos da passagem da cruz e do ícone de Maria pelas paróquias, que é fortalecer o vínculo entre os jovens: “Receber a cruz e o ícone de Nossa Senhora fortaleceu ainda mais a nossa amizade e intensificou a nossa vontade de participar da vida da Igreja para continuarmos com o nosso projeto de evangelização”. Lucas e Magali apostam na transformação da juventude resende-costense após a visita da cruz peregrina à paróquia: “Em todas as paróquias da nossa diocese por onde as réplicas já passaram, houve uma mudança na juventude. E em Resende Costa não vai ser diferente. Com a promessa de transformar a nossa juventude, o evento foi preparado com todo carinho. Não foi em vão que se chamou ‘Bote Fé Resende Costa’, pois, o intuito é justamente aumentar a fé nos jovens resende-costenses, e nós da organização colocamos fé nessa mudança. Mais do que envolver e festejar a presença desses símbolos com os jovens en-
volvidos na Igreja, a semana serviu para chamarmos a atenção dos jovens que estão afastados de Deus e da Igreja Católica. O objetivo principal agora é trazer esses jovens para dentro, pois, durante a semana, mostramos a eles que não é ‘careta’ ser jovem cristão, pelo contrário, é possível ser feliz e ao mesmo tempo se divertir”.
Antônio Pinto proferiu uma reflexão sobre a saúde pública e a situação do Sistema Único de Saúde (SUS), suas conquistas e desafios. Leia também em www.senhoradapenha.com.br
Caminhada pela Saúde No sábado, 16 de junho, dentro da programação do “Bote Fé Resende Costa”, a Pastoral da Comunicação (Pascom), apoiada pela Pastoral da Saúde, promoveu a “Caminhada pela Saúde”, com o objetivo de intensificar a divulgação e a reflexão do tema da Campanha da Fraternidade 2012: “Fraternidade e Saúde Pública”. A caminhada partiu da igreja matriz, seguindo para a praça do Rosário, onde foi celebrada missa campal, pelo pároco padre Eder Santos. Na chegada à praça, o médico Luiz
Jovens de Resende Costa receberam a réplica da cruz da Jornada Mundial da Juventude
Bote Fé Resende Costa agitou a juventude católica resende-costense