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Edicao 109

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ANO IX Nº 109 - MAIO 2012 / RESENDE COSTA - MG

Associação dos Moradores do Bairro Nova Resende (Arnova) inaugura sua nova sede

DISTRIBUÇÃO GRATUITA

Decreto que regulamenta publicidade no centro histórico de São João delRei gera polêmica Empresários são-joanenses entraram na Justiça com pedidos de medida liminar (provisória), contra as imposições do Decreto Municipal que regulamenta a colocação e manutenção de anúncios, placas publicitárias e toldos nas fachadas de estabelecimentos comerciais no centro histórico de São João del-Rei. Página 05

Perfil: Conheça o artesão e artista plástico Ricardo Velasco Lemos Carioca de nascimento e resende-costense de coração, Ricardo conversou com o JL sobre a sua trajetória profissional e artística, e revelou a sua profunda admiração pela cultura mineira. Página 04

Nova sede da Arnova foi inaugurada no dia 5 de maio

O Centro Comunitário do bairro Nova Resende foi inaugurado no dia 5 de maio e representou grande conquista para os moradores do bairro, fruto de reivindicação popular. Através do orçamento participativo, os moradores tiveram sua tão sonhada reivindicação atendida pelo poder público. A partir de agora a já atuante Arnova poderá expandir seus projetos sociais, beneficiando a todos os moradores do bairro. Página 12


2 Jornal das Lajes Editorial

Uma volta ao tempo

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No próximo dois de junho, Resende Costa comemorará 100 anos de emancipação política. Certamente a programação para essa data especial trará atrações, como shows musicais, discursos políticos, eventos culturais etc. As comemorações são importantes, mas o essencial nesse momento é refletir sobre a cidade, sua história, sobre as pessoas que lutaram para a criação e o desenvolvimento do município e, sobretudo refletir sobre seu futuro. Como seria interessante se pudéssemos viajar pelo tempo. Poderíamos voltar ao início do século 20 e testemunhar os movimentos políticos que culminaram na emancipação do município, desmembrando-o de Tiradentes. No dia 2 de junho de 1912, os “lageanos” comemoraram oficialmente a criação da primeira Câmara Municipal de Resende Costa, sendo o coronel Francisco Mendes de Resende o primeiro administrador público. Homem culto, instruído no seminário de Mariana, o coronel Mendes foi também o responsável pela redação das primeiras leis municipais. Infelizmente, só restaram algumas fotos e poucos escritos das solenidades daquela ocasião histórica. Uma pequena vila foi elevada à categoria de cidade. Os relatos de algumas pessoas que testemunharam o desenvolvimento de Resende Costa a partir de meados da década de 20 revelam como a população daquela pequena vila foi se preparando para termos a cidade de hoje. Com o passar do tempo, vários movimentos culturais surgiram e mudaram a rotina da pequena vila: grupos de teatro, cinema, banda de música e orquestra, tradições religiosas, esporte, entre outros. Hoje, vivemos numa cidade movimentada, recebendo turistas de várias partes do Brasil e do mundo, atraídos pelo nosso artesanato, carro-chefe do desenvolvimento do município. Nesta volta ao tempo poderemos nos encontrar com muitas personalidades marcantes na trajetória política e cultural do município. Se entrarmos na Câmara Municipal, encontraremos o coronel Mendes e outros homens públicos que doaram tempo e serviço ao município em troca do ideal de promover o bem público. Tempo em que as pessoas eram vocacionadas à vida pública - diferente de hoje, quando para muitos a política tornou-se somente alavanca para o poder e para o acesso a uma atraente opção profissional. Mas se entrarmos na igreja Matriz, lá nos depararemos com a figura do saudoso padre Nelson, que durante 44 anos esteve presente e atuante nos principais acontecimentos da vida da cidade, através da religião, da educação e da cultura. Outras tantas personalidades resende-costenses, baluartes de nossa história, de sua educação e de sua cultura, que jamais serão apagadas da memória da nossa e das futuras gerações. Reconhecer a dedicação e o espírito cívico desses cidadãos é uma das mais justas homenagens que devem ser levadas ao público no próximo dia 2 de junho. Outro ponto a destacar: ao contrário de muitas cidades brasileiras de médio e pequeno portes, nas quais a coisa pública tornou-se antro de corruptos e oportunistas, Resende Costa pode se vangloriar de, em grande parte da sua trajetória política, ter sido administrada por homens públicos honestos. Se Resende Costa é hoje uma das cidades que mais se desenvolveram na região do Campo das Vertentes é porque um sólido caminho foi preparado por pessoas competentes e responsáveis. Que o centenário a ser comemorado no próximo dia 2 de junho seja um momento único para nós resende-costenses resgatarmos e valorizarmos a nossa história e quem a escreveu.

Jornal das Lajes Ltda

CNPJ: 09.323.470/0001-60 Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro (32) 3354-1323 - Resende Costa - MG CEP: 36.340-000 Diretor de redação: Rosalvo Pinto Editoração: Rafael Alves Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Jornalista responsável: Floresta - Belo Horizonte José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP Tiragem: 3000 exemplares Diretor Administrativo: Circulação: Eustáquio Peluzi Chaves Resende Costa e São João del-Rei Diretor de Contabilidade: Os artigos assinados não refletem Antônio da Silva Ribeiro Neto obrigatoriamente a opinião do jornal. Editor-chefe: André Eustáquio

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Meio Ambiente

O terceiro setor e as ONGs ambientais

As ONGs (organizações não governamentais) têm ocupado um espaço crescente na sociedade brasileira já há cerca de duas décadas. O terceiro setor, isto é, a sociedade civil organizada, se diferencia em relação ao primeiro setor (estado) e ao segundo setor (mercado) e atua em múltiplos campos: cultura, meio ambiente, defesa de minorias, reforma agrária, combate à pobreza etc. A sigla ONG é uma denominação genérica das entidades do terceiro setor, e abarca todo tipo de associação sem fins lucrativos e com finalidade coletiva. As ONGs atuam nas lacunas deixadas pelo setor público (união, estados, municípios) e pelo setor privado (empresas) e trabalham com a ideia de auxílio na resolução de problemas sociais e na fiscalização dos setores público e empresarial. O avanço das ONGs reflete a debilidade dos nossos sistemas político e econômico, além da complexidade da sociedade em que vivemos. O estado não consegue ser onipresente. Não dá conta de representar a imensa variedade de classes, anseios e minorias. E, em tempos de internet, não pode mais calar os debates e forjar identidades. Por seu turno, a economia de mercado não consegue mais emplacar grandes ilusões. A destruição ambiental que nosso sistema econômico produz é uma das molas propulsoras para a emergência do ambientalismo, um dos campos sociais mais ocupados pelas ONGs. Recentemente, um escândalo de corrupção envolvendo ONGs conveniadas ao Minis-

tério dos Esportes foi intensamente noticiado pela mídia. O problema é que a cobertura noticiosa tradicional muitas vezes ocorre sem a devida contextualização, gerando interpretações reducionistas e preconceituosas. Assim, a cobertura do escândalo contribuiu para ofuscar injustamente o papel importante que a maioria das entidades civis realiza no Brasil. Não se trata de defender romanticamente a epopeia das ONGs. O terceiro setor não emerge para salvar o mundo dos reveses da economia de mercado, ou da ineficiência e corrupção estatais. Ele é fruto de um cenário de demandas sociais e políticas e convive com contradições e distorções próprias. Assim como no mundo político e empresarial existem boas e más condutas, também no terceiro setor existem comportamentos heterogêneos. Há grande desinformação, descrença, desconfiança e indiferença em relação às ONGs, especialmente as ambientais. O que são elas, afinal de contas? O que podem as ONGs ambientais? Quais suas limitações, suas potencialidades? Como funcionam? Se não funcionam, por quê? Qual o verdadeiro papel de uma ONG ambiental numa comunidade? Tenho a certeza empírica de que a maioria das pessoas têm dificuldades para responder a essas questões, talvez até para formulá-las. Predominam as opiniões superficiais, muitas vezes injustas e preconceituosas. É comum, por exemplo, grupos sociais enxergarem as ONGs ambientais com desdém, como se elas se

FERNANDO CHAVES

dedicassem a questões de menor importância, frente a assuntos como a produção econômica ou a geração de empregos. Muitos não conseguem separar das ONGs a pecha do interesse político. Em alguns casos, cobra-se das entidades civis soluções imediatas para questões em que o próprio poder público esteve omisso por décadas. Ademais, ao avaliar o trabalho das ONGs, desconsidera-se frequentemente o baixo índice de participação popular da cultura política brasileira, o que torna a mobilização de militantes um grande desafio para as entidades do terceiro setor. A grande missão das ONGs talvez seja esta: mobilizar uma sociedade historicamente pouco participativa, e retirá-la da postura de eterna pedinte em relação ao poder público. Para além de suas limitações reais e dos estereótipos a elas atribuídos, as ONGs ambientais se mostram viáveis e necessárias em diversos níveis, como na denúncia e revelação de problemas ambientais, na educação ambiental, no auxílio técnico a populações que lidam com o meio ambiente, na fiscalização da atuação empresarial e estatal, na implementação de projetos ambientais visando à disseminação de atitudes sustentáveis (efeito de exemplo), no apoio e assessoria ao poder público, no estímulo à produção de conhecimento ambiental técnico e acadêmico, na implementação direta de projetos de recuperação ambiental e no resgate de identidades culturais ligadas ao manejo sustentável do ambiente.

Informe

Amirco informa e convida A Amirco, compartilhando as festividades dos 100 anos da emancipação de nossa cidade e com o apoio da Prefeitura Municipal, vai promover o lançamento do volume 4 da Coleção Lagea-

na, o livro de crônicas “Móbiles de Areia”, do premiado escritor e poeta resende-costense Evaldo Balbino, no próximo 22 de junho, sexta-feira, às 20h, no CPP. A publicação tem o patrocínio

do Fundo Estadual de Cultura e o evento, para o qual estão todos convidados, integra a programação oficial das comemorações do centenário da cidade.


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Voz do Cidadão

Leitora reclama de atendimento na emergência do Hospital Nossa Senhora do Rosário

“Decidi utilizar este espaço do jornal após ser vítima de um acontecimento que muito me revoltou. Resido em Resende Costa desde 2007, aqui trabalho e aqui crio meus dois filhos, um menino de 4 anos e uma menina de 1 aninho. Numa sexta-feira à tarde, meu filho apresentou febre e mal estar, então mediquei-o apenas com um anti-térmico. À noite a febre voltou mais alta, e dei novamente o anti-térmico; entretanto, sua febre não baixava. Apesar de ter tomado dipirona, sua temperatura subia. Preocupada, levei-o ao Hospital Nossa Senhora do Rosário por volta da meia-noite. Além da febre, ele se queixava de dores. Ao dar entrada na emergência, a enfermeira mediu a temperatura do menino – que apresentava febre – e começou a perguntar alguns dados, como nome, endereço etc. Qual não foi minha surpresa quando ela perguntou: “Qual é a religião?”. Eu, sem acreditar no que ouvia, pedi que repetisse, e constatei que ela realmente me questionava sobre a religião do meu filho. Diante de minha indignação, ela disse que era o protocolo do hospital, ela tinha que perguntar (e não a culpo, ela cumpria ordens). Mas que absurdo! Em que século estamos? O Brasil é um país laico, e o hospital é público. Não poderia haver esse tipo de pergunta numa triagem antes mesmo de atender meu filho doente. Respondi que sou protestante e que meu filho é batizado em igreja protestante, mas afinal, qual a relevância disso? Que diferença fará no atendimento? Há tratamento diferenciado para católicos, umbandistas,

ateus? Isso é inconstitucional, viola uma cláusula pétrea da Constituição Federal que repudia qualquer espécie de discriminação. Mas, infelizmente, as surpresas da noite não acabavam por aí. Eu perguntei qual médico estava de plantão e a enfermeira informou-me. Depois das referidas perguntas e de ter medido a temperatura do meu filho, ela disse que iria ligar para o médico plantonista. E então me disse o seguinte: que o doutor estava em sua casa, que não viria, que se eu quisesse poderia ser aplicada em meu filho uma medicação anti-térmica e para evitar náuseas. Disse ainda que eu poderia escolher entre passar a noite no hospital ou voltar pela manhã. Mas como assim ele não viria? Ele não estava de plantão? Ela afirmou, então, que ele só sairia de sua casa em casos de extrema urgência. Meu Deus! Ele não estaria me fazendo nenhum favor, era sua obrigação vir dar uma olhada em meu filho. Ele não está trabalhando de graça, ele recebe pelo plantão que deveria estar cumprindo. Uma criança com febre pode não ser nada e pode ser tudo. Há pouco mais de um mês meu filho esteve internado em Belo Horizonte por uma grave laringite que começou com uma febre. Não é correto medicar por telefone! Só o médico, com sua formação e experiência, tem condições de avaliar, na anamnese, qual a medicação adequada. Lendo a matéria sobre saúde na edição passada do jornal, só reforço minha opinião. Sei que o sistema de saúde em nosso país anda carente

de médicos, equipamentos, leitos... E compreendo que aqui em Resende Costa o quadro de médicos é escasso. Mas, a partir do momento que um profissional assume um plantão, ele tem que cumpri-lo adequadamente. Ele tem a obrigação de assistir ao paciente. Eu não sairia do conforto de minha casa se não estivesse realmente preocupada! Pela manhã, levei meu filho a São João del-Rei, onde ele foi muito bem atendido no pronto-atendimento da Santa Casa – onde, a propósito, não me fizeram perguntas despropositadas. Com a medicação adequada, melhorou, mas poderia ter sido poupado de uma noite inteira de mal-estar se o médico já tivesse diagnosticado seu problema à noite. Não tenho a intenção de prejudicar, com isso, nenhum profissional; mesmo porque sempre foram solícitos comigo em outras circunstâncias. Antes, desejo expressar minha insatisfação e indignação com este sistema. Várias pessoas relataram-me, após eu contar o que passei, que ocorreu o mesmo ou pior com elas, e todos sabem de casos absurdos cometidos nesta área. Então por que nada muda? Vamos exigir que se encontrem soluções para tais problemas, já que o povo tem sofrido com tal situação. Os profissionais de saúde têm que ser respeitados e bem remunerados. Mas o cidadão também merece respeito, e o mínimo para alcançá-lo é um atendimento digno e humano.” Carina Bortolini Resende Costa (MG)

Homenagem a Joelson Jaime “Eu aproveito o espaço do JL para fazer uma homenagem a um grande amigo, o radialista Joelson Jaime, o Joe, da Rádio Itatiaia, de Juiz de Fora. Joe era diretor artístico, locutor e apresentador do programa “Go Back” e faleceu, vítima de assassinato, no último dia 23 de abril. Sua trajetória pelo mundo do rádio foi brilhante, com muito sucesso por onde passou. Joe, pessoa amiga, autêntica. Joe foi um excelente profissional! A arte da interpretação, da locução eram facilmente perceptíveis na beleza de sua voz inconfundível, inigualável e inesquecível. Dizem que ninguém é insubstituível, mas isso não é verdade. Pessoas especiais são insubstituíveis e Joe era uma pessoa especial. Go Back? Go Back é igual a Joe e vice-versa. Joe,

uma estrela da Rádio Itatiaia que foi apagada. Mas quem o conheceu e teve o privilégio de conviver com ele estará sempre a ouvi-lo dizer: “Itatiaia, música e informação de melhor qualidade” ou “Itatiaia, muito mais que qualidade, pelo seu prazer de ouvir boa música”. No último dia 28, fiz em meu programa, na Rádio Inconfidentes FM, uma homenagem ao querido Joe, tornando seu trabalho conhecido aos nossos ouvintes através de uma mensagem gravada por ele mesmo. Joe merece todo esse carinho.” Joe...Saudades eternas!

Ângela Maia Resende Costa (MG)


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Perfil

ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO

Ricardo Lemos: um artista carioca que descobriu Minas e se apaixonou pela sua cultura

O artista plástico carioca Ricardo Velasco Lemos, 50 anos, após experienciar diferentes culturas em diversos países do mundo, escolheu Resende Costa para viver. Modelando a argila, criando formas, manuseando o barro e fazendo arte, Lemos curte Resende Costa e se dedica, juntamente com seu filho Amon Lemos, ao seu mais novo projeto, a pizzaria La Fontana. Ricardo chegou a Resende Costa há sete anos motivado pelo desejo de conhecer melhor a cultura mineira. A qualidade de vida e a riqueza cultural e artística das cidades históricas influenciaram na decisão do artista de fixar residência em Minas Gerais: “Quando cheguei para conhecer Resende Costa, imediatamente a estrada me encantou. Quando entrei na reta que dá acesso à entrada da cidade e vi a igreja lá no alto, aquilo mexeu comigo. Vim, conheci pessoas e gostei. Depois de um tempo, resolvi vir pra Minas em definitivo e escolhi Resende Costa. A qualidade de vida em Resende Costa é abundante. A pessoa que nasce aqui não tem essa noção, mas eu que vim de fora percebo isso. Nestes sete anos em que estou na cidade, cumprimento a todos; é um ambiente familiar. Outra coisa, demoro dois minutos do meu trabalho à minha casa. Aqui o tempo rende, o relógio tem umas 28 horas (risos). Eu rejuvenesci devido ao estilo de vida que levo na cidade”. A vida no campo e o clima interiorano típico das cidades mineiras não foram totalmente estranhos para o artista plástico que já havia vivenciado um pouco dessa realidade antes de percorrer algumas das mais importantes metrópoles do mundo, como Paris e Nova York: “Quando vim pra Resende Costa, já sabia andar a cavalo e ordenhar vaca. Conheço esse universo rural, que sempre me atraiu muito. Em Minas vocês têm o que há de melhor: melhores cavalos, vacas de leite... O clima é fantástico”. Além de artesão e artista plástico, Ricardo foi bartender (especialista em drinks) em Nova York, Paris, Rio de Janeiro e Florianópolis. No entanto, o trabalho na noite, que durou 13 anos, não mais o satisfazia, “estava numa época da minha vida em que eu queria mesmo era deixar de trabalhar na noite e viver apenas da minha arte; e o artesanato de Minas é referência nacional”. Ricardo Lemos viveu durante quatro anos nos Estados Unidos, seis na Europa e ainda morou na África. Detalhe: foi alfabetizado em francês, língua que domina fluentemente, além

do espanhol, do inglês e do português. “Tem gente que me pergunta qual o melhor lugar do mundo, Paris, Nova York, Espanha, Noruega ou África. Eu falo que é Resende Costa, porque é onde eu estou morando, onde tudo está favorecendo pra eu morar, em termos de qualidade de vida e relação; hoje sou casado com uma resende-costense”, conta. Ricardo é casado com Raquel Azevedo, tem quatro filhos do primeiro casamento e três netos. A argila, a cerâmica e o artesanato A cultura mineira proporcionou ao artista plástico carioca voltar, como ele mesmo disse, “às raízes do artesanato”. “Eu trabalho com a terra, com a semente. Gosto de manusear o barro. Continuo sendo o típico artesão, querendo passar minha arte, criar minha expressão; para mim cada peça é única”, disse. Uma das características de Ricardo é de se preocupar minuciosamente com a originalidade, isto é, com a expressão própria de cada peça e sua matéria-prima. “Os melhores artesãos não tiveram formação acadêmica, são natos e isso deve ser preservado”. Lemos acredita que a competição do mercado influencia negativamente no processo de criação artística: “A competição atrapalha. A arte não pode ser escrava do mercado. Infelizmente, hoje o artesanato está em processo de massificação, efeito da indústria cultural. Visando apenas ao lucro, ele perde seu valor, justamente por perder seu lado artístico”. Como todo artista, Lemos tem um estilo singular de vida. É sensível à natureza, na qual se inspira, acolhedor e voltado às reflexões espirituais. “A terra que eu tenho aqui não é fértil, então tirei toda a terra lá de cima e busquei uma terra boa, procurando fazer um jardim com a maior variedade de cores, que alimentam o meu espírito”, disse apontando o jardim em frente ao seu ateliê. Nas paredes do ateliê podem-se ver algumas imagens de santos e retratos de pintores mundialmente conhecidos, como Pablo Picasso e Van Gogh. “Estes são os meus mestres”, conta Ricardo, mostrando suas novas criações, confeccionadas em argila. A paixão pela arte começou cedo. Aos 15 anos de idade, Ricardo Lemos já era artesão, no Rio de Janeiro. “Quando eu me dei conta, já era um adolescente de 18 anos prestando vestibular para Belas Artes e entrei na federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi

onde comecei a me profissionalizar”, lembra. Há dois anos, Ricardo resolveu encarar novamente o ensino superior na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), onde cursa Artes Aplicadas em Cerâmica. Ele fala um pouco sobre a sua arte: “Eu venho me aprofundando no trabalho com mandalas, que comecei há uns sete anos. A universidade está abrindo meu horizonte agora para o trabalho com cerâmica. Estou trabalhando no momento com esculturas e arte de modelagem. O meu estilo, característico nos meus desenhos, tem base no surrealismo. Mas eu não sigo uma linha específica. Gosto de toda a história da arte, e de cada uma delas tiro um proveito. Mas me identifico mesmo é com os mestres da Idade Média. Estou voltando às raízes do artesão, trabalhando com cerâmica, argila, mas, ao mesmo tempo, estou na arte contemporânea”. O artesão contemporâneo que se inspira nos mestres da Idade Média Para muitos artistas um dos maiores desafios sempre foi conciliar o talento para a criação com as exigências financeiras do mercado, em outras palavras, conseguir sobreviver apenas da arte. Vários gênios da arte experimentaram esse drama, os compositores clássicos Beethoven e Mozart são exemplos de artistas que durante boa parte das suas vidas enfrentaram sérias dificuldades financeiras. Ricardo Lemos acredita que é possível o artista sobreviver da sua criação, do seu trabalho, mas pondera que o importante é a realização pessoal: “Acredito que tenha espaço no mercado para o artista. Primeiramente, o artista tem que ter prazer em fazer a peça; a venda é consequência. São poucos os que mantêm esse pensamento e conseguem sobreviver dele. O que me faz trabalhar 10, 12 horas por dia é a satisfação. Existe mercado e existe público, e ele vem à nossa porta”. Quando questionado sobre suas inspirações, Ricardo volta à Idade Média, ao feudalismo e às corporações de ofício. “Hoje, eu trabalho no mesmo esquema do feudalismo e das corporações de ofício. Sigo um mestre no que faço e gostaria de ter discípulos para dar continuidade ao meu trabalho. Hoje em dia, é difícil você criar um aprendiz, devido ao imediatismo e à escassez de tempo. Quando você passa uma técnica, ele vai logo querer abrir o próprio negócio, ganhar dinheiro com aquilo. Não espera o tempo para amadurecer”. Lemos criti-

ca ainda algumas tendências contemporâneas que, na opinião dele, banalizaram a arte: “A arte não vem dando bilheteria desde que a reprodução, que começou com a fotografia, foi ganhando cada vez mais espaço, substituindo a originalidade e o processo artesanal. Hoje, nós estamos na era da internet, do que eu chamo de clique apocalíptico. Espero que em 2020 aconteça o mesmo movimento de 1920, ou seja, mudar o mundo”. La Fontana: novo conceito de arte e gastronomia Com a vinda do seu filho Amon para Resende Costa, Ricardo decidiu investir numa nova ideia. Mas o leitor não pense que se trata de algo diferente da arte. Pelo contrário. Ao lado do seu ateliê, localizado na entrada da cidade, uma construção típica das cidades do interior de Minas, erguida meticulosamente com adobe e sob o olhar e a técnica do artesão, abriga a charmosa pizzaria La Fontana. Um espaço aconchegante com obras de arte do próprio artista decorando as paredes, meia luz e música ambiente, vem atraindo grande público pela excelência do atendimento e, claro, pela qualidade do cardápio. Ricardo explica o que o motivou a abrir uma pizzaria bem como a sua ideia, inédita em Resende Costa, de se fazer arte através do cardápio: “Meu filho Amon já havia morado em Resende Costa. Após um tempo em Santa Catarina, a qualidade de vida o trouxe de volta à cidade em novembro de 2011. Ele viu este espaço e propôs criar uma pizzaria de forno à lenha. A ideia me animou muito, pois como estou trabalhando no momento com cerâmica, pensei em fazer este forno à lenha. Antes, eu tinha aqui um sistema de galeria, onde expunha trabalho de outros

O artista plástico Ricardo Lemos expõe seus novos trabalhos

artesãos amigos meus. Agora, o projeto é de uma pizzaria artesanal, na qual a gente confecciona a massa todos os dias. Então, tudo que está aqui dentro tem um espírito artístico, de resgate às culturas, que, para mim, tem que ser preservada. Fizemos uma reforma antes de abrir, e antes de iniciá-la fui até a saúde pública e chamei um representante; o curioso é que ele me disse que nunca ninguém o havia chamado para uma situação como essa. Fiz isso porque sei que existe uma série de pré-requisitos, os quais já foram inseridos na reforma. A minha proposta, enfim, foi criar uma identidade artística para o resende-costense. Para isso, me preocupei com a iluminação, com o tipo de música, até mesmo com o volume. O nome La Fontana (A Fonte) vem de um trabalho artístico que estou desenvolvendo. Achei que o nome em italiano daria um charme; busquei na raiz, respeitando quem criou a pizza. A proposta é manter o espírito artístico, que contagia as pessoas que vêm aqui”. Veja mais fotos em www.jornaldaslajes.com.br

Ricardo Lemos com seu filho Amon e sua nora Lidiane em frente à Pizzaria La Fontana


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Regional

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Empresários são-joanenses protestam contra decreto que regulamenta publicidade no centro histórico Dois grupos de empresários são-joanenses, abrangendo mais de 30 comerciantes, entraram na Justiça com pedidos de medida liminar (provisória), entre final de março e início de abril, contra as imposições do Decreto Municípal nº 4.762 (de três de outubro de 2011), que regulamenta a colocação e manutenção de anúncios, placas publicitárias e toldos nas fachadas de estabelecimentos comerciais no centro histórico de São João del-Rei. O decreto, em conformidade com a Lei Orgânica do Município, atende acordo firmado com o Ministério Público do Estado de Minas Gerais. As normas e critérios para a inserção de placas, letreiros e toldos nas fachadas foram definidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), por meio de seu escritório técnico de São João del-Rei. O decreto municipal afeta cerca de 350 comerciantes, dos quais 90% são microempresários, de acordo com a Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (Aci del-Rei). Pouco antes das duas liminares, no dia 26 de março, abaixo-assinado com 256 nomes foi encaminhado ao promotor de Justiça, Antonio Pedro da Silva Melo, no qual os empresários são-joanenses se manifestavam contra o decreto municipal. No documento, liderado pelo empresário Leonardo Imbroisi, os comerciantes atacavam as “regras ditatoriais homogêneas” do IPHAN, que desqualifica “indiscriminadamente todos os toldos e engenhos publicitários, desde uma simples placa de bronze de 30x30cm a uma cobertura de vidro original com setenta anos de existência”. Denominaram “um comportamento neofacista” a determinação e imposição de “um padrão estético (...). A beleza está na diversidade cultural e não na homogeneidade”. Criticaram a “restrição aos direitos democráticos de expressão, identificação, personalização”. Disseram que “uniformizar e restringir o talento individual é uma castração mental aplicada em regime marxista (...). São João Del Rei é bonita porque as suas construções são personalizadas com a cultura individual”. Perdas de eventos - Os signatários do abaixo-assinado lembram que o IPHAN é parte do problema no que se refere à falta de turistas em São João del-Rei. O carnaval, afirmaram eles, deixou de ser o segundo melhor do Brasil e foram perdidos, por exemplo, para Tiradentes eventos como o encontro de motos, a mostra de cinema e a gastronomia. O IPHAN proibiu “vários eventos com grande repercussão nacional” na rede ferroviária. E, recentemente, proibiu “um dos maiores eventos mundiais, a X-treme acrobacia de motos, que é televisionada nada mais nada menos para setenta países. Estamos sofrendo sucessivas péssimas administrações públicas em conjunto com ingerências equivocadas do IPHAN”. “As pousadas e hoteis de São João del Rei sobrevivem na sua maioria por viajantes e também com a sobra dos

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Decreto municipal regulamenta placas e toldos no centro histórico de São João del-Rei

turistas dos eventos de Tiradentes. Os restaurantes de São João del Rei sobrevivem na sua maioria pela frequência da sociedade sanjoanense.” Leonardo Imbroisi denominou o movimento “um grito de desespero” contra o que ele chama de “Processo”, numa alusão às arbitrariedades absurdas narradas no livro de Kafka. Histórico - Em reunião no dia 4 de novembro de 2011, promotores e representantes de vários setores (IPHAN, administração municipal, entidades do comércio, Sebrae, órgãos de preservação do patrimônio, Universidade, Polícias Militar e Civil, entre outros) reuniram-se no Ministério Público para discutir a regulamentação do uso de publicidade no centro histórico de São João del-Rei. Um público tão diverso que, na opinião de Leonardo Imbroisi, na sua maioria não entendia nada do assunto em pauta. Conclusão: um compromisso genérico dos presentes “de dar divulgação mais ampla possível ao referido Decreto, assim como envidar esforços para o cumprimento do que foi regulamentado”. Em 18 de dezembro, o IPHAN divulgou as normas e critérios para a publicidade no centro histórico. O item 4 diz o seguinte: “Nos casos onde a preservação se faz através do governo federal, compete ao IPHAN orientar e normatizar a inserção desses elementos, conforme o Decreto-Lei Nº 25, de 30 de novembro de 1937, em seu artigo nº 18” (ver http://portal.iphan.gov. br/portal/baixaFcdAnexo.do?id=284). Esse decreto é do início da ditadura de Getúlio Vargas. A Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (ACI del-Rei), entidade representativa do setor, agiu no limite das suas atribuições, diz o seu presidente João Afonso. “A ACI disponibilizou o departamento jurídico para orientar os associados, além de promover uma reunião coletiva de

esclarecimentos e distribuição para todos da legislação, e conseguiu prorrogação do prazo que inicialmente era em quatro de janeiro”. Em 27 de janeiro deste ano, o Ministério Público encaminhou notificação individual aos empresários do centro histórico na qual solicitava que “retire todas as publicidades e toldos eventualmente em desconformidade com as regras estabelecidas no Decreto Municipal nº 4.762/11, impreterivelmente até o dia quatro de abril de 2012”. O descumprimento da notificação, dizia, “configura ilícitos administrativo, civil e criminal, pelo que o Ministério Público adotará as medidas judiciais cabíveis contra os responsáveis”. Leonardo lembra que, na virada do dia quatro para cinco de abril, data limite para a retirada de placas e anúncios considerados irregulares das fachadas de estabelecimentos, foi uma correria danada. Um empresário desabafou ao JL: “Há coisas mais importantes para se preocupar como telefones públicos quebrados e lixo na rua! E o Jornal do Poste (jornais murais de São João del-Rei), será que está regular?”. Desolado, Irami Coelho, que teve de retirar o toldo da tradicional Paisagem do Lar, disse que por enquanto não pretende colocar qualquer placa de identificação, apesar de novos clientes terem dificuldade de localizar a sua loja. No dia 19 de abril, o prefeito municipal publica novo decreto (nº 4.955) no qual exige a “elaboração de projeto do engenho publicitário a ser submetido previamente à aprovação do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural de São João del-Rei” Segundo interpretação da ACI del-Rei, pelo novo decreto não é mais necessária a contratação de engenheiro ou arquiteto para a elaboração de projeto, uma das reclamações dos comerciantes.

Toldo da Agência Distribuidora de Publicações - empresários resistem a decreto municipal

Resende Costa alcança conceito B (boa gestão) em índice que avalia municípios brasileiros Despesas elevadas com funcionários, receita própria reduzida e investimentos escassos são problemas da maior parte dos municípios brasileiros. A qualidade da administração financeira das cidades é medida, desde 2006, pelo Índice FIRJAN de Gestão Fiscal (IFGF), da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, cujos resultados de 2010 (os mais recentes) acabam de ser divulgados. Resende Costa está no 1711º lugar, entre os 5266 municípios brasileiros, no Índice IFGF. A cidade está entre os 34,6% dos municípios do país que alcançaram, em 2010, conceito B (boa gestão). Quase metade (43%) dos municípios atingiu conceito C (gestão em dificuldade) e 19,8%, conceito D (gestão crítica). Menos de 2% das cidades brasileiras conseguiram o conceito A (gestão de excelência). O IFGF visa a estimular a cultura da responsabilidade administrativa, por meio de indicadores que aperfeiçoem as decisões quanto à alocação dos recursos públicos, bem como maior controle social da gestão fiscal dos municípios. É composto por cinco indicadores: receita própria, pessoal, investimentos, liquidez e custo da dívida. A base de dados são as estatísticas oficiais disponibilizadas anualmente pela Secretaria do Tesouro Nacional. A pontuação do índice varia entre 0 e 1. Quanto mais próximo de 1, melhor a gestão fiscal do município no ano em observação. Assim, o conceito A abrange resultados superiores a 0,8 pontos; conceito B, resultados compreendidos entre 0,6 e 0,8 pontos; conceito C, entre 0,4 e 0,6 pontos e conceito D, resultados inferiores a 0,4 pontos. No IFGF-consolidado, Resende Costa pulou do conceito C em 2006 (primeiro ano de divulgação do índice), quando atingiu 0,5227 pontos, para o conceito B em 2007 (0,6038 pontos). Depois de repetir o conceito B em 2008 (com 0,695 pontos), caiu para o conceito C em 2009 (0,5584 pontos) e voltou ao conceito B em 2010 (0,6147 pontos). Para se ter uma ideia do conjunto, o resultado máximo (topo do conceito A) foi conquistado por Santa Isabel (GO), com 0,9747 pontos, enquanto o município de Ilha Grande (PI) amargou o resultado mínimo (piso do conceito D), com 0,0778. Indicadores - Quando o IFGF é destrinchado por indicadores, verifica-se que o indicador “receita própria” de Resende Costa evoluiu de 0,0922 pontos em 2006

para 0,1386 pontos em 2010, mas o município permaneceu dentro do conceito D (gestão crítica). Já o indicador “gastos com pessoal” (funcionalismo) apresentou piora, caindo de 0,5271 pontos em 2006 para 0,4905 pontos em 2010, dentro do conceito C (gestão em dificuldade), embora tenha alcançado um conceito B (boa gestão) em 2008 (0,6209 pontos). Em consequência, o indicador de “investimentos” apresentou desempenho irregular, partindo do conceito D em 2006 (0,3277 pontos) para atingir os conceitos B em 2007 (0,6817 pontos) e A em 2008 (1 ponto), mas voltando ao conceito C no ano seguinte (0,5026 pontos) e ao conceito A em 2010 (0,8452 pontos). O resultado positivo ficou com o indicador “custo da dívida” municipal que atingiu conceito A em todos os anos. Os especialistas na análise de contas públicas avaliam que o “binômio do sucesso” é aquele em que os municípios têm baixo gasto com pessoal e alto investimento. São João del-Rei - O município de São João del-Rei ocupa o 1189º lugar no ranking nacional do IFGF, com conceito B em 2006 (0,7711 pontos), 2007 (0,6345 pontos), 2008 (0,7622 pontos) e 2010 (0,6562 pontos), mas com um conceito C em 2009 (0,5928 pontos). No índice FIRJAN 2010, os indicadores da cidade ficaram assim: receita própria, em 0,5282 pontos (conceito C); gastos com funcionários, em 0,7536 pontos (conceito B); investimentos, em 0,7336 pontos (conceito B) e custo da dívida, em 0,9107 pontos (conceito A). Na evolução do período 20062010, o indicador “receita própria” ficou entre 0,4461 pontos (2006) e 0,5282 pontos (2010), portanto no conceito C. Melhor desempenho teve o indicador “gastos com funcionários”, com conceito A em 2006 (0,8426 pontos) e 2008 (0,8468 pontos) e conceito B em 2007 (0,7496 pontos), 2009 (0,7468 pontos) e 2010 (0,7536 pontos). O indicador “investimentos” oscilou entre os conceitos, com B em 2006 (0,7423 pontos), 2007 (0,7424 pontos) e 2010 (0,7336 pontos); A em 2008 (1 ponto) e D em 2009 (0,3505 pontos). Já o indicador “custo da dívida” manteve o conceito A em todos os anos, com respectivamente 0,8916 pontos (2006); 0,8755 pontos (2007); 0,8119 pontos (2008); 0,8507 pontos (2009); e 0,9107 pontos (2010). Mais informações estão disponíveis no site http://www.firjan.org. br/ifgf/.


6 Jornal das Lajes

APAE

ANO IX Nº 109 - MAIO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG EMANUELLE RIBEIRO

Presidente da APAE, Inácia Moreira, fala sobre atual momento da entidade

“A APAE de Resende Costa, desde sua fundação, vem exercendo importantes trabalhos em favor da pessoa com deficiência”, declara Inácia Maria de Resende Moreira, presidente e diretora da APAE de Resende Costa. À frente da instituição desde 2009, Inácia fala sobre os principais trabalhos da atual diretoria, que incluem autorização para funcionamento da educação infantil e, mais recentemente, abertura de turmas das séries iniciais para o ensino fundamental, dando continuidade aos serviços da Escola Especializada “Pingo de Luz”. Além disso, ainda na área da educação, a presidente ressalta as oficinas especializadas, salas de recurso para complementação do atendimento educacional comum. A grande contribuição desse trabalho pedagógico, que inclui participação esportiva, atividades culturais, escolar e lazer, seria a acessibilidade, inclusão social, principalmente ao mercado de trabalho, “pois a pessoa com deficiência intelectual e múltipla também possui potencialidades e capacidades produtivas, devendo ser respeitada e valorizada enquanto parte constitutiva do nosso meio social”, completa Inácia. “Quanto ao atendimento clínico, desenvolvemos ações médicas e terapêuticas nas áreas de neurologia e psiquiatria, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde. Já diretamente na instituição são oferecidos de forma diária, atendimentos em psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia e nutrição. Na área de assistência social, procuramos atender às famílias dos usuários, oferecendo orientação acerca do recebimento de benefícios previdenciários, aquisição de órteses e próteses, bem como consultas médicas especializadas”,

explica Inácia. Segundo ela, todos os atendidos são transportados diariamente para a entidade e recebem alimentação balanceada enquanto estão na sede da instituição, sob a orientação de nutricionista. Atualmente, a nossa APAE conta com nove professores, uma pedagoga, seis funcionários fixos e quatro profissionais da área da saúde. “Os professores possuem vínculo com o Estado e os profissionais da área clínica prestam seus serviços através de contrato com a instituição, que a cada ano se renovam devido à necessidade de realização de processo licitatório”, destaca Inácia. Quanto ao número de beneficiados, hoje a APAE atende a cerca de 100 pessoas, número que varia de acordo com a necessidade. Sobre a arrecadação de recursos, Inácia fala que a APAE é uma sociedade civil sem fins lucrativos que, como qualquer outra, busca seus recursos na realização de eventos. A APAE de Resende Costa promove frequentemente, para angariar recursos, vários eventos, como manhã da sobremesa, rifas, leilões, bazares, contribuições voluntárias, sócios contribuintes, dentre outras ações. “Nossa instituição também recebe importantíssima contribuição do governo municipal. Anualmente realiza um convênio com a Prefeitura Municipal que repassa recursos para a entidade garantir o funcionamento da sua sede e ainda proceder à realização de licitação para a contratação de profissionais das áreas de fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia. Para este ano, foi assinado um convênio que garantirá o repasse de mais de R$ 6.000,00 mensais”, acrescenta. Mas o convênio apenas não é suficiente para manter o funcio-

namento da entidade, que, conforme Inácia, gira em torno de R$ 10.000,00 mensais: “É por isso, mais uma vez, que aproveito este espaço para agradecer o importante apoio do Poder Público, funcionários da APAE e das famílias de Resende Costa, que abraçam, acolhem e reconhecem os serviços prestados pela instituição”. No mês de abril, foi postado no site do JL um comentário anônimo criticando a APAE de Resende Costa. Inácia Moreira aproveitou o espaço para se pronunciar a respeito: “A afirmação lançada foi dura para a instituição que está e sempre esteve de portas abertas para atender a toda comunidade. Se há ou havia arestas a serem lapidadas para que o bom caminho continue a ser trilhado, que juntos possamos encontrar as respostas. Mas ir a público dizendo que essa instituição não está cumprindo com seus objetivos e não declarar os motivos é um afronto a toda cidade que a apoia e está do nosso lado. Quem se esconde atrás do anonimato se blinda para não ser questionado, pois não tem argumentos que possam efetivamente sustentar a sua manifestação. Lembro que estamos sempre sujeitos a erros, pois somos seres humanos, mas a atual diretoria, na qual tenho legitimidade para responder, pauta seus trabalhos na busca da legalidade, levando sempre à frente de nossas obras a confiança em Deus de estarmos fazendo um trabalho justo e honesto. Por fim deixo consignado que no trabalho voluntário é muito importante que outras ideias e ações sejam somadas. Para tanto deixo aqui um convite a quem publicou sua indignação no site do JL para que se junte a nós e, unidos, possamos construir uma APAE cada vez mais forte e solidária”.

Assistência Social CRAS desenvolve projetos de geração de renda e trabalho com jovens e adultos

O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Resende Costa está desenvolvendo projetos de geração de trabalho e renda e, principalmente, de convivência sociofamiliar e comunitária, com grupos de jovens e adultos, tanto da zona rural como urbana. Esta é a informação de Diogo Pereira Matos, coordenador do CRAS. Desde fevereiro, estão sendo realizadas nos espaços do CRAS as aulas do projeto “Mestres do Futuro”, que consiste em oficinas de aprendizagem da arte do tear. O projeto oferece aos jovens de 14 a 18 anos inseridos na escola o aprendizado de uma técnica artesanal de grande expressão econômica e cultural no município. Durante essas oficinas a equipe do CRAS ainda trabalha com os jovens temas relacionados com o seu cotidiano, como drogas, educação, sexualidade, violência, família, dentre outros. Além disso, em março, iniciaram no CRAS os encontros do projeto “Escola de Pais”, que é um espaço de discussão, envolvimento e aprendizagem entre famílias que apresentam algum tipo de vulnerabilidade, seja de ordem familiar, social ou econômica. “Esses encontros buscam levar a reflexão e orientação dos envolvidos enquanto pais, mães

e responsáveis pela educação de seus filhos”, explica Diogo. Segundo ele, o CRAS ainda continua com as atividades realizadas na sede da Associação do Bairro Nova Resende junto com a Pastoral da Criança e em outras localidades do município: “No mês de abril se deu a conclusão de mais duas oficinas de pintura, uma na comunidade do Curralinho dos Paulas, onde se trabalha com madeira, e na Nova Resende – pintura em tecido”. Diogo disse ainda que brevemente serão abertas as portas do Centro de Atendimento Socioinfantil (CASI): “Já na sua inauguração oficial, o CASI irá desenvolver com 50 crianças de sete a 13 anos atividades de arte e cultura do projeto “Arte por Toda Parte”, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação”. Até o momento, o CRAS, que tem como objetivo o fortalecimento de vínculos familiares e sociais, assim como orientar, desenvolver e criar espaços de garantia de direitos e cidadania, está atendendo diretamente a cerca de 60 famílias. “Desde já, gostaríamos de informar que estão abertas as inscrições para a Oficina de Manicure, que tem atendimento prioritário ao público do Programa Bolsa Família. As vagas são limitadas”, conclui o coordenador do CRAS.

CRAS desenvolve projeto ‘’Mestres do Futuro’’ desde fevereiro de 2012


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ANO IX Nº 109 - MAIO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Aconteceu

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EMANUELLE RIBEIRO

Loja Kaessy comemora 10 anos em grande estilo

Nos dias 20, 21 e 22 de abril, a loja Kaessy realizou um mega evento na Praça do Rosário, em Resende Costa, comemorando seus 10 anos de existência. “Sem nossos clientes não seria possível chegar aos 10 anos, o que consideramos uma vitória. Segundo as estatísticas, a maioria das empresas não completa o primeiro ano de vida. Então decidimos fazer este evento em homenagem a todas as pessoas que nos prestigiam, comprando em nossa loja”, afirma Danielle Sousa, proprietária da Kaessy. Ao todo, foram seis apresentações musicais durante o evento, que valorizou a participação de artistas locais. Além disso, no sábado, a loja Kaessy, em parceria com Saulo Longati Assessoria e Cerimonial, promoveu o Concurso Miss Resende

Costa 2012. Cinco candidatas participaram do concurso: Maíra Maia, Monalisa Reis, Nathany Campos, Tatielle Santana e Sheila Guimarães. Todas as meninas desfilaram com roupas da Kaessy e o público aprovou o figurino. Nathany Campos foi a escolhida pelos jurados e eleita Miss Resende Costa 2012. “Fiquei muito feliz, muito emocionada. Agradeço e dedico esse título a todos que torceram por mim”, disse Nathany. O título de Miss Simpatia foi dado à Monalisa Reis. “O Concurso Miss Resende Costa ficou sem acontecer por dois anos. Então, decidimos aproveitar a ocasião para retomarmos esse evento, que além de ser importante e dar visibilidade à cidade, é uma forma de divulgar os produtos da loja. Preten-

demos realizá-lo todos os anos”, conta Aurélio Suenes, também administrador da loja Kaessy. No domingo, a criançada fez a festa com os brinquedos disponibilizados pela Kaessy na Praça. Aconteceu também neste último dia de festividades, o desfile infantil: “As crianças ficaram muito felizes por desfilarem e retornaram essa alegria para nós, que nos sentimos muito prestigiados. Além disso, esse tipo de evento pode despertar e revelar talentos no seguimento da moda”, destaca Danielle, que completa agradecendo a população: “Obrigado a todos que fazem parte da nossa história e saibam que vocês são o que temos de mais importante”. O JL parabeniza a loja Kaessy pelos seus 10 anos de existência e à nova Miss Resende Costa, Nathany Campos.

2ª edição do concurso Garota Assis Resende acontece na Kaessy

Sheila Guimarães, Miss Assis Resende 2012

No último dia 28 de abril, aconteceu a 2ª edição do concurso Garota Assis Resende, na danceteria Kaessy, organizado pelas duas turmas do 3º ano da Escola Estadual Assis Resende. Foram duas categorias: Miss Assis Resende 2012 e Garota Simpatia 2012, ambas com seis candidatas. O concurso foi caracterizado pela igualdade, com todas as meninas desfilando muito bem e a torcida pelas candidatas estava animada. Renata Loureiro, Bianca Ramos, Larissa Reis, Jhenifer Pinto, Fabyana Vale e

encontro de som automotivo e carros rebaixados e, segundo eles, a ideia foi criar um espaço onde o proprietário do som automotivo pudesse curtir, dentro das leis, o seu som. O 1º Tirei Onda Automo-

Foto: Letícia Resende

Os proprietários da loja Kaessy, Danielle Sousa e Auréilio Suenes

Sheila Guimarães foram as candidatas à Miss Assis Resende 2012. Pela categoria Garota Simpatia 2012, desfilaram Giulia Costa, Bruna Marcela, Larissa Santos, Milena Barbosa, Janine Castro e Luely Pinto. Sheila Guimarães foi eleita Miss Assis Resende e recebeu a faixa das mãos de Nathany Campos, que recebeu o título em 2011. Luely Pinto é a Garota Simpatia 2012 e recebeu a faixa da Garota Simpatia do ano passado, Sara Costa.

1º Tirei Onda Automotivo é realizado em Resende Costa

No dia 22 de abril, aconteceu em Resende Costa pela primeira vez, o Tirei Onda Automotivo. O evento foi realizado no Parque do Campo, das 10h às 18h. Jonas Henrique e Marcos Tadeu organizaram o

Nathany Campos, Miss Resende Costa 2012

tivo foi realizado com o apoio da Prefeitura e Câmara Municipais, além da contribuição dos patrocinadores. “Já participo desse evento há vários anos e sempre o pessoal deixa para ligar o som no local, não ligam

1º Encontro de Som Automotivo movimentou o Parque do Campo

na rua, para não ter problemas com a polícia e com os vizinhos”, destaca Marcos. Muitos carros de Resende Costa e região, sons ligados ao mesmo tempo e no último volume, além de gente de todos os lugares curtindo o evento. Este primeiro encontro foi um sucesso e os organizadores já pensam no próximo: “A gente pensa em fazer no ano que vem

um campeonato, com entrega de troféus, elegendo o melhor som”, disse Jonas. Além da diversão, a organização do evento também caprichou na conscientização: “Este evento também é para conscientizar a população sobre ligar o som na rua, porque realmente incomoda. A idéia é criar um espaço próprio”, concluiu Marcos.


8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Presente pra mamãe – Amor, está faltando alguma coisa pra hoje na hora do almoço? – Está tudo preparado. O almoço do Dia das Mães esse ano vai ser diferente. Ninguém está esperando a surpresa. – Eu estou preocupada... Você não me mostrou nada do que vai falar. – Falar e cantar. – O quê? – Depois da minha fala, vou cantar alguma coisa. – Que coisa? – “Flor mamãe”!!! Andei por todos os jardins, procurando uma flor pra te ofertar... – Ah, não mesmo! Isso é brega demais. Você não vai cantar isso. – Mas eu ensaiei... está bonitinho. – Me mostra aí o seu discurso, poema, declamação, sei lá. É coisa curta, né? O almoço vai ser lá em casa e você sabe que a mamãe não tem paciência. – Eu passo a mão... – Tá louco? – É o meu discurso... “Eu passo a mão no peito e acaricio o meu coração...” – Você vai falar isso? É brega, amor. – Pô, mas pra você tudo é brega. – Tá bom, vai. – “Eu passo a mão no coração e acaricio o meu peito...” – Você falou trocado. – Resolvi mudar. Não fica bem começar falando que vou passar a mão no peito. – Tá bom, tá bom... e de-

pois? Vem o quê? – Pois é, deixe-me ver... “Eu passo a mão no coração e acaricio o peito...” – Onde já se viu passar a mão no coração? – Eu passo a mão em você, coração. – Anda, fala aí! A gente já vai chegar atrasado. – Onde é que eu estava mesmo? Passando a mão em quem? – Deixe o discurso pra lá. É melhor a gente só dar o presente e pronto. Já chega. – Aí também não. Eu preparei tudo, eu quero falar... pelo menos cantar. – Ai, meu Deus! Valei-me. Tá bom, vai, canta o negócio. – Cadê o violão? – Que violão? – O meu, ora. – Você deixou na loja pra trocar as cordas. Só amanhã. – Então, faça um batuque aí na mesa. Você me acompanha batucando lá no almoço. – A gente chega atrasado, faz um discurso brega, diz que vai passar a mão no peito e ainda por cima arma uma batucada... O que você quer mais, chuchuzinho? Montar uma gafieira? – Então vamos. Pegue o presente. – Graças a Deus! Ufa! Adeus, mico! – Só mais uma coisa: quem é que vai dar o presente? Você sozinha? Fica indelicado de minha parte. Faz assim: você pega de um lado e eu pego de outro. – Meu bem... – Já sei. É brega.

__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

ANO IX Nº 109 - MAIO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Contemplando as palavras

REGINA COELHO

Nem tão sábias palavras

“Todo mundo elogia e tal, mas a frase mais horrível que existe é: pra sua idade você está muito bem.” Quem disse isso, ainda outro dia, foi a apresentadora Xuxa. Apresento aqui minha solidariedade à rainha dos baixinhos, ao que parece, hoje sem reinado. Sem querer me comparar a ela, apenas tentando captar o sentido de suas palavras, fica claro que aquilo que a princípio parece um elogio deve ter soado para a quase cinquentona Xuxa como um prêmio de consolação. O trecho “pra sua idade” chega a ser cruel. Então a pessoa não pode simplesmente estar muito bem? Devo dizer que não se trata de nenhum problema com a idade, a questão está na forma disfarçada que muitos usam para insinuar que alguém é velho. Vejamos estas outras pérolas que principalmente certas mulheres maduras ouvem: “você está muito conservada”. Ou uma variação disso: “você não envelhece, até parece que está conservada em formol”. Existem também os eufemismos para os considerados feios: “fulano(a) é tão simpático(a)!” Ou então: “ele(a) é bonitinho(a)”, para muita gente é a versão light do(a) feio(a) com dó. Os gordos não escapam: “mas ele(a) tem um rosto tão bonito!” ou: “você está fortão (fortona ou sacudida)”. Saindo do âmbito da aparência, constato ainda que certas construções linguísticas são meras formalidades, ainda que ditas muitas vezes de maneira informal. Quando, por exemplo, uma pessoa se dirige a alguém dizendo “olá, como vai?” ou “tudo bem?”, sabe que isso é só um cumprimento, sem precisar obrigatoriamente de uma resposta condizente com a pergunta. Há também uma frase quase inevitável que muita gente utiliza na tentativa de tornar mais

descontraído o ambiente em que a conversa tem início. Quem recebe, muitas vezes, se vê praticamente obrigado a dizer àquele que é recebido esta educada frase: “fique à vontade”. O perigo é a pessoa levar isso bem ao pé da letra. Já imaginaram? Ou então ouvir dela, como já vi acontecer em uma festa, querer saber seriamente do anfitrião o que ele queria dizer com aquilo. Uma deselegância isso e uma quase confusão à vista. Mas engraçado é o que acontece com um casal que conheço bem. Ao levar alguém até sua casa, seja amigo, parente ou cliente, ele costuma simplesmente pedir, logo de cara: “não repare a bagunça!”, por mais que tudo esteja arrumado. E sempre está. Dá para calcular a posterior bronca da mulher diante de tão descabido pedido dele aos que, normalmente, não veem qualquer vestígio de bagunça naquele lugar. É a famosa força do hábito. Igualmente habitual é chegar a uma loja de roupas e/ou de calçados, mostrar interesse por algum produto e ouvir de quem nos atende a indefectível frase: “pode experimentar”. É lógico que a pessoa pode e deve experimentar o objeto de seu desejo. Dispensável, pois, a “permissão”. E quando a gente acha que a roupa não vai nos cair bem e quem quer nos convencer do contrário dispara: “não vai levar? É a sua cara!” Ou “essa roupa se parece com você”. Verdade seja dita. Nem todos agem assim. Pessoalmente falando, nem posso me queixar da forma como geralmente me tratam. Situação constrangedora ocorre mesmo naqueles momentos em que cumprimentos formais de pesar são trocados indevidamente por manifestações de felicitação. Sei de gente que, em velório, dirigindo-se a um familiar do falecido, cumprimentou-o de forma desastrada proferindo solenemente “meus parabéns”.

Acontece também de a pessoa se apoderar da fala de alguém que lhe deve um agradecimento. Em vez de ouvi-lo, afoitamente, ela diz um “muito obrigado(a)”, não dando tempo ao outro de assim proceder. Constrangimento também é perguntar por alguém julgando-o vivo e saber em seguida que esse alguém já morreu há muito tempo. E não dá para esquecer aqueles terríveis enganos a que estamos todos sujeitos quando confundimos pessoas e/ ou seus acompanhantes. É o caso de encontrar, depois de anos, um conhecido, elogiar a beleza da “filha” que o acompanha e descobrir, na hora, que a moça em questão é a nova companheira dele. Mas, de tudo que tenho ouvido ou falado ultimamente, ando meio cismada com o “no meu tempo” ou “na minha época”. Falar assim dá a impressão de que a gente já viveu o que tinha para viver. Ora, o nosso tempo é hoje. De novo, o tempo, a idade... da loba, do condor (onde dói?). Não tem jeito. É viver e envelhecer ou morrer jovem. Melhor a primeira opção, até para que se tenha tempo (mais uma vez ele) de aprender, entre tantas coisas, que, se “a palavra é prata, o silêncio é ouro”. Eis aí um sábio ditado popular segundo o qual calar é mais valioso do que falar. Dependendo das circunstâncias, no entanto, é omissão. E falar é tão bom, principalmente quando as palavras são usadas com sinceridade para declarar um amor, matar irreprimíveis saudades, pedir perdão, consolar, encorajar ou alegrar alguém. Quanto aos comentários às vezes infelizes, às frases meramente formais ou habituais e às gafes cometidas principalmente naqueles momentos em que o ideal teria sido ficar de boca fechada, é melhor reconhecer que ninguém escapa de dizer certas bobagens, inconveniências, obviedades ou até mesmo indelicadezas.


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ANO IX Nº 109 - MAIO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Retalhos Literários

EVALDO BALBINO

Relembranças I

A meninada gritava muito, e corria de um lado para outro, feito barata tonta sendo perseguida, ou então feito boiada sem norte, sem rumo certo, sem destino traçado. Mas a criançada sabia o que queria, ah se não sabia! Todos queriam andar na roda gigante e rodar pelo ar naquela sombrinha engraçada a que chamam carrossel. E aqueles cavalinhos enferrujados não nos assustavam; estavam descoloridos, mas decolavam pelo ar, erguidos por correntes fortes de ferro, também meio enferrujadas. E o medo do menino que eu era não me confundia. Era menor do que a vontade de voar sobre os cavalinhos, mesmo que velhinhos já, mesmo que oxidados. Naquela época eu não sabia que “ferrugem” era consequência de uma “oxidação”. Eu não era um menino pré-histórico, era simplesmente pré-conhecedor dos processos químicos, dessas parafernálias da ciência. Talvez era até mesmo mais feliz por isso mesmo. É muito bom esse negócio de beber água porque se tem sede, e não por se saber que dois átomos de hidrogênio combinados com um átomo de oxigênio são fundamentais à vida. Nada melhor do que viver por viver, sem consciência, sem muitas teologias. E do mesmo modo que eu não sabia das propriedades químicas da água, que não sabia tratar-se a ferrugem de um processo de oxidação, também não sabia que o ar ventando

em nossas caras era repleto de oxigênio, desse algo também imprescindível aos nossos pulmões. Eu apenas respirava, sentia o vento e o ar, porque eram gostosos, porque eram o ar e o vento, simplesmente. Faziam-me bem, sem cobrar de mim que os conhecesse cientificamente. Aliás, até hoje não me cobram isso; apenas pedem que os sinta, como se sente Deus. E assim eu vivo todos os instantes da minha vida: sentindo o ar, o vento e Deus. A roda gigante eu não queria. Para mim era insosso ficar ali, num movimento lento, indo e voltando para o mesmo ponto, em câmara-lenta. No carrossel também tudo era circular. Voltava-se toda hora para o mesmo ponto, mas pelo menos se ficava tonto, sentia-se o vento mais forte, mais bulinador em nosso corpo. Minha irmã mais velha até dizia: “Ah, como é bom numa roda gigante, a gente ali sentados, namorando, o mundo lá embaixo e o amor acontecendo, rodando devagar!”. Isso tudo podia ser verdade. Mas como eu não pensava ainda em namoros, só queria a adrenalina (na época eu não conhecia esse tal nome “adrenalina”), continuei, então, gostando do meu carrossel, dos meus giros enlouquecidos pelo ar. Quem me escuta falando assim até pensa que em Resende Costa, lá na minha infância, apareciam muitos parques, e também pensa que eu tinha dinheiro para ficar sempre pagando entradas em brinquedos gostosos. Não, nada disso! Meus pais não tinham condições para tais luxos.

Acreditam que até para comprar picolé era a maior dificuldade? Na época nem tínhamos geladeira. Pouquíssimas pessoas na cidade tinham. Passavam meninos com uma caixa de isopor na rua e gritavam esganiçadamente: “ôooo, picooolé! Ôooo, picooolé!!!”. De dentro de casa meus ouvidos namoravam esses gritos, mas o bolso não podia responder aos apelos. Raramente nós nos dávamos ao prazer de refrescar a boca com picolé nos verões de Resende Costa. Longe de mim ser a raposa diante das uvas maduras, aquela da fábula de Esopo! Mas afirmo, sem nenhum outro sentido, que os tais picolés não eram grande coisa. Eram pedras de gelo, feitas de Q-suco, aquele pó artificialíssimo e forte de matar. E até que eu gostava desse sucozinho sem-vergonha, porém com muito açúcar. Falando em picolé, o que mais se vendia nas ruas de Resende Costa, sob um sol que nos arrancava a pele, era chup-chup. Aqueles saquinhos – gelo puro também feito de Q-suco – atormentavam os pais que sofriam diante dos filhos pedindo dinheiro, chorando, esperneando. Também pudera! Todo santo dia passava alguém com a conhecida caixa de isopor gritando escandalosamente o nome da oferenda. E não há ouvido de criança que resista a isso! Nem ouvido nem boca. (Esta crônica continua no próximo número deste jornal.)

Polícia

“Rede de Vizinhos Protegidos” é implantada no bairro Nova Resende Redefinir missões, visão e valores da segurança pública, buscando soluções inovadoras. Com esse intuito surge em Resende Costa, a “Rede de Vizinhos Protegidos”, uma parceria da Polícia Militar (PM) com os moradores do bairro Nova Resende. De acordo com o comandante da PM em Resende Costa, tenente Klaudir Machado, “a combinação dos impactos causados à sociedade em face do aumento da criminalidade fez com que as organizações responsáveis pela segurança pública, de um modo geral, iniciassem um novo processo de se redescobrirem. Mudanças são necessárias nos dois lados, na PM e na comunidade em geral”. Para ele, o grande desafio das organizações vai além da simples redução dos índices de criminalidade, mas na promoção da sensação de segurança, sendo necessárias diversas intervenções que resultem em aproximar a polícia do cidadão, e a “Rede de Vizinhos Protegidos” é uma forma de promover essa interação. “A ideia essencial será vizinho protegendo vizinho. Cada pessoa passará a ser uma ‘câmera viva’ atuando de forma mútua e comprome-

tida, alertando a todos os componentes do laço sobre a presença de pessoas e veículos suspeitos, por intermédio de sinais sonoros, e outras estratégias, impedindo que infratores se utilizem do fator surpresa, dificultando, assim, sua atuação. Dessa forma sempre deverá haver uma conexão com a polícia, garantindo o repasse de informações diretas aos agentes que compõem o sistema de defesa social, que por sua vez, direcionarão suas atuações pontualmente onde for necessário”, explica o tenente. Segundo ele, a princípio, o projeto será implantado no bairro Nova Resende, mas poderá ser usado em outros bairros da cidade. Para que o programa funcione, são necessários envolvimento e interesse da comunidade: “O processo de mobilização é primeiramente caracterizado pelo despertar do desejo e da consciência da necessidade de uma mudança de atitude. No segundo momento, deve haver uma ação em função das mudanças pretendidas no local, um planejamento envolvendo um número maior de pessoas, deixando claro aos moradores que eles são diretamente responsáveis pela

Tenente Klaudir e moradores do bairro Nova Resende, que aderiram ao projeto ‘’Rede de Vizinhos Protegidos’’

sua segurança e de seus vizinhos”, diz o comandante da PM. No bairro Nova Resende, o CONSEP (Conselho Comunitário de Segurança Pública) iniciou o processo de mobilização, com uma reunião no dia 13 de abril para conscientizar e formar parceria com a PM e a comunidade local, implementando o projeto de prevenção criminal e monitoramento residencial. “O intuito desta parceria é aproximar as pessoas, com o objetivo de conhecê-las melhor na busca da auto-proteção”, afirmou o tenente Klaudir, que deixa o convite: “Venha, participe, mobilize você também a sua comunidade e crie a “Rede de Vizinhos Protegidos” no seu bairro”.

Gastronomia

9

CLÁUDIO RUAS

A dona horta Com tanto assunto pra escrever aqui na nossa coluna eu estava duvidoso sobre qual seria o tema desta edição. Até que um almoço na casa da Dona Lia (minha avó materna) acabou com a dúvida: hoje vamos de couve. E refogada na gordura de porco. Apesar da variedade de verduras de folha que consumimos e adoramos por aqui em Minas, a couve é a “dona da horta”. Tanto é que no interior ainda se chama a horta de “horta de couve”. A couve costuma ser apenas um coadjuvante de uma refeição, servindo de acompanhamento ou ingrediente, mas é impressionante como ela é indispensável e quase nunca sobra. A feijoada, o tropeiro, o frango e o angu geralmente sobram nas farturentas mesas mineiras, mas reparem que a couve costuma sempre acabar! O preparo é simples, mas alguns detalhes e cuidados fazem muita diferença. A couve é bastante delicada e não pode com muito calor na panela (a variedade com talo roxo é mais resistente). O ideal é que ela seja refogada praticamente cozinhando e, para isso, uns pingos de água no refogado ajudam bastante. Assim como deixá-la cortada de molho na água, quando fica bem hidratada e suporta melhor o fogo. Já se a couve estiver picada extremamente fina – como muitos adoram e defendem – ela fica mais exposta ao calor e tende a ressecar e embolar. Na minha opinião, a couve bem fininha funciona melhor em saladas, caldos e para ser misturada ao mexido e ao feijão tropeiro. No caso do tropeiro, outra dica: não refogue, apenas misture com os outros ingredientes que já estão na panela, pois só o calor desses já será suficiente para cozinhá-la, sem perder seu frescor, deixando ainda o prato mais leve e menos calórico. Rasgada com a mão ou picada em quadrados de dois centímetros a folha fica mais suculenta, pois sua área de exposição ao calor é menor, e combina perfeitamente para se comer com o angu, seu fiel parceiro. Há os que costumam refogá-la no alho, mas, penso que o sal já é suficiente para o tempero, evitando ainda o risco de amargar, como ocorre com o alho frito excessivamente. Mas o grande diferencial é

o uso de gordura de porco, seja a da “lata”, ou a que sobrou da fritura do bacon ou até mesmo a banha comprada no supermercado. Uma vez ou outra ela não vai te matar (nem engordar), o que permite ainda colocar uma quantidade mais generosa. Como se diz na roça, couve que se preze tem que ser “lumiano” na panela, brilhando lá de longe. Terminando o preparo, é bom ter cuidado com o calor que fica na panela mesmo desligada, sendo interessante transferi-la a uma vasilha para não continuar cozinhando e amarelar (ou então desligar o fogo com antecedência). Galinha gosta de talo de couve não é à toa, portanto, não os jogue no lixo. Bem picado, podem ser refogados juntamente com a folha ou irem pra farofa ou risoto, que vão ficar nutritivos e crocantes. Já experimentou bater no liquidificador uma folha com suco mexerica ou laranja? E charutos de couve, recheados com purê de abóbora e linguiça, gratinados no forno com queijo curado? (Antes de enrolar os charutos, amoleça as metades da folha em água morna por um minuto). Enfim, dá pra fazer muita coisa boa e diferente com a couve, mas pra mim a melhor mesmo sempre vai ser a tradicional, “lumiano”, com angu, arroz, feijão e costelinha da lata. De preferência feita pela Dona Lia, como naquele almoço que me deu a idéia do artigo, com couve fresca lá das bandas da Serra da Moeda. E o mais interessante é que, há anos, observo e tento aprender a técnica do preparo com a vovó. Repito seus passos sistematicamente (à exceção da couve cortada à mão, que não consigo e me rendo à tábua), mas nunca fica - e nem vai ficar - igual e perfeita como a dela. Coisas da gastronomia... (Informo aos leitores que, a partir de agora, teremos um canal eletrônico para estender essa nossa conversa. Eu e minha esposa criamos o “CASAL GASTRÔ”, um blog de receitas, fotos, ideias etc., e que servirá de extensão aos assuntos aqui tratados. Falando em couve, teremos duas receitas legais e fáceis: “farofa de couve com paio” e “bacalhau com baroa escondido na couve”. O endereço é: http://casalgastromg.blogspot.com.br/. Aproveitem!)


10 Jornal das Lajes Causos & Cousas Nós somos nós. E os outros? São apenas os outros. Nós, os que sempre temos razão, os melhores, os certos, os impecáveis, os corretos, os espertos e quantos adjetivos haja. E os outros, coitados, os ignorantes, os metidos, os fingidos, os vaidosos, os reacionários, os radicais, os enjoados, os trapaceiros, os exploradores, os invejosos, os sem educação... Inexoravelmente, vivemos em sociedade. O mais obscuro dos seres humanos, vivendo no mais longínquo dos lugares, não escapa das garras de sua sociedade. Amarrado às leis que garantem a vida nesta sociedade, é-lhe impossível viver sem ela. As outras espécies também vivem em sociedades, umas mais organizadas (e gregárias, como as formigas, as abelhas, os cupins etc.), outras menos. Mas todas vivem em paz, regidas pelas leis da natureza. Os humanos, evoluindo a partir de sociedades mais organizadas, tornaram-se, através da criação da linguagem, seres racionais e conscientes. Essa “passagem” se deu naturalmente, segundo os cientistas chamados “evolucionistas” (Darwin, Lamarck e outros); para religiões como o judaísmo, o cristianismo e outras, que acreditam no “criacionismo”, essa passagem se deu pela intervenção de um ser superior, um Deus. Como consequência da capacidade de pensar, raciocinar e ter consciência da existência de si, dos outros e do mundo, os humanos tornaram-se livres para optar entre a prática do bem e a do mal. Por outro lado, o instinto de preservação da espécie e de si mesmos os leva a lutar entre si. Daí advém a competição, as injustiças, as guerras e o ódio. Dois exemplos, um simples e banal, outro cruel. Basta entrar no trânsito das grandes cidades para o ser humano começar a

ANO IX Nº 109 - MAIO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO

Nós e os outros

encarar os motoristas a seu lado como seus inimigos. Por qualquer vacilo você vai ouvir buzinas raivosas, palavrões e gestos obscenos. O cruel e revoltante, vemos quase todos os dias pela televisão: através das câmeras, a frieza e crueldade com que ladrões e bandidos atiram e matam suas vítimas. Serão mesmo seres humanos? Pelo instinto de nossa espécie, cada um de nós é o guardião de nós mesmos e da sociedade na qual vivemos. Como não podemos escapar da sociedade, criamos um mundo nosso, individualista, que nos faz ver nos outros os nossos inimigos, os que vão nos prejudicar, roubar, chantagear e zombar de nós. Para escapar desses perigos, criamos uma máscara que nos protege, a máscara do fingimento e da mentira. Fingimos sempre de todas as maneiras. Encontrando-nos com os outros, elogiamos, bajulamos, sorrimos, tentando ostentar laços de amizade; de longe, nós os criticamos, falamos mal deles, denegrimos suas imagens. Quem não é assim? Quem julga não ser, que “jogue a primeira pedra”, como sentenciou o Cristo àqueles que queriam apedrejar a pecadora. Assim é o dia-a-dia de nossa vida dita “social”, mas que de social, de solidariedade, de atitudes de respeito pouco ou nada tem. Um exemplo dos nossos dias: durante os nove anos de seu mandato, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM, de Goiás) investiu-se da máscara do parlamentar-modelo, do defensor da ética e do rigor contra a corrupção (tendo julgado com rigor réus de CPIs das quais participou). Sua máscara caiu quando, ao serem descobertas suas trapaças, mentiu deslavadamente diante de seus pares. Essas ideias me fazem lembrar meu saudoso pai, o Góes. Um dia ele foi de Resende Cos-

ta a São João del-Rei e lá ouviu um sermão do padre Francisco Gonçalves, o fundador da obra salesiana naquela cidade. Eu era criança e dele ouvia repetir o sábio ensinamento do sermão, que marcou sua vida: “nesta vida somos como viajantes, caminhando um atrás do outro, cada um com seu saco de defeitos nas costas. Só vemos os defeitos dos outros, nunca os nossos”. É de se perguntar: não seria essa uma visão negativista do mundo e dos humanos? É. É realista? Talvez seja. Se realista, seria possível mudá-la? Acredito que sim. As religiões (algumas, as sérias, as não enganadoras e não movidas pelo dinheiro) podem contribuir para uma convivência mais harmoniosa nas sociedades humanas, porque ensinam a ética, o respeito, a solidariedade e estimulam a paz. Muitos personagens dessas religiões passaram por esse mundo pregando esses valores. Mas quem passa esses valores às novas gerações é a educação, sobretudo a familiar. Se essa falhar, não adianta o complemento da educação escolar, por melhor que ela seja. Singelamente, é a estória do “é de pequenino que se torce o pepino”. Ou da “cuia que leva pimenta, nunca mais perde o ardume”, da sabedoria popular do saudoso e sempre lembrado Sô Tonico Chalé. Assim somos nós, esses seres desconhecidos, como definia, no século passado, o biólogo e pensador francês Alexis Carrel, em sua clássica obra “O homem, esse desconhecido”. Nela, parece que ele deixou especialmente para mim o exato pensamento para eu fechar este texto: “Só o amor é capaz de criar nas sociedades humanas a ordem que o instinto estabeleceu há milhares de anos no mundo das formigas e das abelhas”.

Crônicas do Cotidiano

RAFAEL CHAVES

O Rio de Janeiro continua... feio

Outro dia fui ao Rio de Janeiro, meio que obrigado, resolver algumas coisas. Desci na rodoviária, depois de uma viagem noturna, tranquila e rápida pela 040. Durou bem menos que as 9 horas que costumava durar no tempo em que morei lá, há 35 anos mais ou menos. Rodoviária é como toda rodoviária: misto de aromas de salgados – pastel, principalmente – e café, de banheiro precário e pago e caro (às vezes sujo), de ar denso, de aspecto sombrio e de gente, muita gente, gente de todo lugar e de todo jeito... E táxi. Eu ia mesmo precisar de um táxi, mas antes mesmo que eu avaliasse o lugar, à minha frente, umas quatro ou cinco “garotas” gritavam e gesticulavam de suas minúsculas cabinas em minha direção: - Táxi! Táxi! Taxi, táxi! Preço tabelado, preço tabelado! Táxi, aqui, táxi! A gritaria acabou de me despertar. Mirei e me dirigi a uma das cabinas da extremidade, para evitar ser prensado e pressionado pelas outras “garotas”. Eu também temia pela saúde delas, que ameaçavam se engalfinhar, numa disputa em que eu seria o prêmio. No outro dia, fatalmente, eu seria notícia nas páginas sangrentas de “O Dia”: “Mineiro desembarca na rodoviária, causa morte de duas jovens e foge de táxi”. E vá explicar para a polícia carioca que não era nada disso que tinha acontecido, enquanto me levavam, aos trancos e algemado, para Bangu I. Enfim, delírios a parte, contratei a viagem ao centro da cidade a preço fixo. Pelo menos não fiquei a mercê de um “tour” involuntário e alternativo (passando por ruelas e favelas) pela cidade, cobrado por metro percorrido, pensei. O cheiro da rodoviária foi trocado pelo cheiro fétido do canal do mangue. O esgoto pútrido e infeccioso escorria pelo meio da rua e chamava a atenção para os excrementos flutuantes que se moviam no seu leito, lenta e preguiçosamente, até serem despejados e se desintegrarem nas águas da baía de Guanabara. Enquanto não alcançamos a Avenida Getúlio Vargas, uma sensação de insegurança e medo tomou

conta de mim. Ainda que fosse manhãzinha, a sujeira das ruas, as construções decadentes, empobrecidas e pichadas e o horizonte cinzento me causavam inquietação e repugnância. Já na Avenida Getúlio Vargas, minha velha conhecida dos tempos de office-boy, fiquei mais confiante. Pelo menos a sujeira agora era outra, sequelas do carnaval, expelidas pelo sambódromo. Fiz o que eu tinha que fazer, não sem antes ter de deixar meus pertences aos cuidados de um guardador. Por questões de segurança eu não poderia entrar com celular no prédio onde eu tinha meu compromisso, então o mais seguro para mim, por incrível que pareça, foi deixar aos cuidados de um guardador de rua. Os cariocas são alegres e solícitos, principalmente se vai lhes render algum dinheiro. Mas não confie em ninguém que troca o s pelo x, o negócio deles é te extorquir. Experimente deixar um carro na rua sem pagar o que lhes pedem. Como eu tinha o dia inteiro na cidade, pois havia de esperar pela condução de volta, resolvi dar um giro pelos arredores. Andei pelas ruas entre camelôs e gente até chegar à Praça XV, que havia sido tomada por viadutos. Era quase impossível de se ver o céu da praça. Peguei um ônibus que ia na direção oposta à da zona sul. Deixei o Pão de Açúcar e Corcovado pelas minhas costas. Esqueci de Copacabana ou Ipanema. Fui sentir o cheiro de fábrica de sardinha. Fui ver favelas da janela do ônibus. Desci num caótico centro de subúrbio. Andei novamente entre camelôs que tomavam conta de passeios e ruas. Lembrei-me dos preços exorbitantes dos pedágios quando fui a Cabo Frio. Lembrei das viaturas atravessando a Avenida Brasil, apinhada de policiais apontando seus fuzis para os lados. Lembrei de tanta coisa... Perguntei onde estavam os royalties de petróleo, que tornavam o Estado tão rico. O Rio de Janeiro é lindo, visto de longe, do alto do Pão de Açúcar, do alto do Corcovado, de um ponto qualquer de Niterói ou das orlas cuidadas de suas praias da zona sul. Mas o Rio que vi é feio, muito feio e muito maior que a zona sul e é onde vive o povo carioca...


Jornal das Lajes

ANO IX Nº 109 - MAIO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Especial Benzedores e Curandeiros

JOÃO MAGALHÃES

Morethson

Morethson Fulgen de Oliveira

de nada. Peneirando os aspectos

(popularmente, “Sô Moreto”) nas-

práticos, utilitários, administra-

ceu em Conceição da Barra de Mi-

11

seis de abril de 1978).

um copo d´água e a dor passa. Ou-

feitiços, invejas,

“hoje ouvi no adro (?) que o

tra vez, sente que havia uma cobra,

convencendo-os

tivos etc., sobram na maioria das

prefeito de S. João Sr Otavio Ne-

oculta sob um monte de palhas de

de que a defesa

nas (antiga Cassiterita) em 16 de

cartas a que se teve acesso, um

ves está fazendo uma torre de TV.

feijão. E havia.

era não acreditar nisso. E acon-

fevereiro de 1906. Seus pais: João

pensamento, uma opinião, um

que cata ondas a 100k com nitidez

Tem consciência disso e pro-

Pedro Ávila e Benedita de Olivei-

comentário, um gesto de carinho,

... o nosso prefeito de R Costa

cura explicações, fazendo até um

ra. Infância sofrida pela orfandade

uma preocupação amorosa com os

não está interessado neste assunto,

curso de parapsicologia, como no-

com um ano de idade e pelo desca-

filhos, com a paz familiar. O apego

creio que falta-lhe visão para por

ticiado na carta acima.

so da madrasta. Infância e juventu-

à família salta aos olhos. Mostra

[pôr] televisão para todos”. (idem)

Começou a tratar dos camara-

atendimento, como muitos cura-

de em Santa Rita do Rio Abaixo,

também seu caráter alegre, diver-

“Eu e Ivan estivemos fazendo

das da fazenda e do pessoal dos

dores praticam: bênçãos, gestos

atualmente Ritápolis. Faleceu em

tido e divertidor

selhava-os a ler alguma coisa da Bíblia. Não se sabe se Morethson praticasse algum ritual visível de

um curso prático de Difusão uni-

arredores com amostras grátis de

simbólicos, orações sussurradas,

Surge na tela um homem prati-

versitária na faculdade D. Bosco

remédios que conseguia. Só recei-

imposição de mãos etc. Sabe-

Integrou uma tropa de combate

camente autodidata, pois, só estu-

em S João. íamos todos os dias. o

tava remédios do comércio farma-

-se, apenas, que se concentrava

de uma revolução, provavelmente

dou até o “segundo ano de grupo”.

assunto foi Parapsicologia pratica

cêutico, mas envoltos pelo “dom

profundamente ao escrever suas

a revolta tenentista de 1924, pois

Sua escrita, no entanto, flui em

gostamos muito e aproveitamos

da cura”, na fala popular. Mas o

prescrições. Há testemunho, po-

era solteiro e se casou por volta de

frases concatenadas, numa bonita

bastante. no último dia sua mãe foi

efeito deles, como um vento, es-

rém, de um consulente que o viu,

1926 com Otávia Resende (nasci-

letra, sempre a serviço de pensa-

também” (carta de oito de maio de

palha sua fama por todos os rin-

totalmente absorto, roçar, devagar

da em 14 de fevereiro de 1905 e

mentos, de desabafos e muito dos

1976).

cões. “Vinha gente de todo lugar.

e suavemente, o braço da pessoa.

falecida em 15 de abril de 1991),

acontecimentos de Resende Costa.

“No domingo passado o Walter

O pátio da fazenda ficava lotado de

natural de Oliveira. Seus sogros:

Óbvio que não se pode esperar a

me trouxe modo [amostras grátis

carros e cavalos arreados”, relata

Nota: Leitores desta série que

Antônio Pinto de Resende e Flau-

ortografia, nem a pontuação de um

de remédios] de satisfazer os po-

sua filha Dulce. A busca frequente

têm conhecimento ou alguma ex-

sina Gabriela de Resende. Do seu

letrado.

bres que sofre e como é bom ali-

para orientação, aconselhamento e

periência com nossos benzedores

viar os sofrimentos alheios” (carta

ajuda na resolução de problemas

e curadores do passado, colaborem

de 20 de novembro de 1972).

psicossociais o põe, também, no

com a história de nossa cidade.

“Estou de calça e camisa de

quadro dos terapeutas naturais,

Comuniquem-se conosco: jevan-

Per Boy [play boy?] correntinha

tão importantes para a sociedade.

gelista1751@terra.com.br, ou pelo

10 de junho de 1983.

matrimônio, nasceram quatro fi-

Como ilustração, eis alguns

lhos: Dalva, Ivan, Maria Apareci-

fragmentos citados, ipsis litteris.

da (Lia) e Dulce.

Acrescentou-se

Por negócios feitos, seu sogro

apenas

alguma

pontuação para facilitar.

recebeu do Coronel Mendes, como

“A Semana Santa em Resende

no pescoço aparecendo. Graças

Quando era o caso, sossegava os

e-mail do JL, contato@jornaldas-

pagamento, um pedaço de terra

Costa esteve boa, somente o povo

a Deus como é bom viver feliz”

consulentes que se sentiam víti-

lajes.com.br.

da fazenda da Floresta. Deu essa

ficou um pouco agastado com o

(idem).

mas de mau olhado, despachos,

gleba para sua filha e genro. Mo-

padre que veio de fora, instruído

Morethson era muito religio-

rethson vem, então, para Resende

pelo vigário da paróquia. Padre

so. Respeitava e valorizava a fé e

Costa, em 1º de setembro de 1939.

Nelson disse que os católicos que

práticas católicas de sua esposa e

Desenvolveu e ampliou a proprie-

vão a igreja somente quando há

filhas, professando, no entanto, o

dade, construindo a fazenda São

enterros e [é] considerados urubús

credo da Igreja Batista. Achava no

Geraldo.

comedor de carnissa. Ninguém

salmo 121 a sua constante oração.

Dotado de uma personalidade

gosto [gostou] do apelido, eu não

Esta qualificação de pessoa,

empreendedora e de ideias comer-

fui nenhum dia. Otávia foi Sesta

sozinha, não explica a grande po-

ciais e culturais avançadas para

feira. As donas mais chegada a

pularidade que granjeia em toda a

a época, aos poucos, reserva um

igreja ficarão sentidas dizendo:

região. Emanava dele “uma força

lugar na elite influente de nosso

nós além de morar sobre pedras

esquisita”, na expressão de sua fi-

município.

e ainda somos urubús. O resulta-

lha Dulce. Esse fluxo energético,

Dulce, sua filha, de quem pro-

do e [é] que a Igreja Pentecostal

espécie de onda psíquica, saída do

cede a maior parte das informa-

que compro [comprou] a casa do

âmago do seu inconsciente, tonifi-

ções, conta que ele gostava mui-

Zé Padeiro na esquina onde tinha

cava os remédios que receitava.

to de escrever cartas. E é nessas

a venda está cheia de fiéis agora

A primeira manifestação deste

correspondências que se clareia o

crente. nesta igreja distribui leite

fenômeno dá-se quando sua mu-

retrato de um homem participati-

para às crianças, vestuários etc e

lher Otávia queixa-se de intensa

vo, em nenhum momento alienado

é isso que o pobre quer” (carta de

dor de dente. Ele dá-lhe a beber

Morethson e suas filhas Lia e Dulce


12 Jornal das Lajes

ANO IX Nº 109 - MAIO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Giro Esportivo

EMANUELLE RIBEIRO

Com ajuda de voluntários, campo do Atletas da Escolinha Galaxy participam de festival na Toca da Raposa I Boca Juniors recebe pequena reforma Através da Escolinha de Fu- três times. No primeiro dia do fes-

Após cerca de quatro anos sem receber jogos, o campo do Boca Juniors foi palco de um festival de futebol no último dia 29 de abril. “A partir desse festival, tentaremos fazer uma sequência de jogos no campo”, disse Nirceu de Jesus do Nascimento, presidente da Associação Esportiva Boca Juniors. Segundo Nirceu, o campo recebeu uma pequena reforma no último mês: “Sem o apoio de nenhuma entidade, apenas com a ajuda de voluntários, inclusive um senhor de 77 anos, nós limpamos a beirada do campo, onde tinha uma grande quantidade de mato”. O presidente comenta a falta de apoio ao Boca Juniors e ao esporte em geral: “Não sabemos como funciona a distribuição de verbas. Estamos sempre apoiando eventos esportivos na cidade, mas quando precisamos de alguma ajuda, não conseguimos. Os organizadores de outros eventos é que sempre contribuem quando os ajudamos. Falta apoio ao esporte”.

Cidade

Voluntários realizam limpeza no campo do Boca Juniors

A diretoria do Boca Juniors se sente injustiçada quanto à manutenção do campo e até do ginásio municipal, que está aberto aos atletas de segunda à sexta. Fazendo uma visita ao ginásio, percebi os vidros quebrados, telas e redes furadas e descuido com a limpeza. De acordo com Nirceu, foi mandado um ofício à prefeitura solicitando reformas no campo e no ginásio, mas não houve resposta. “A gente gostaria que a nossa associação fosse mais valorizada e

que houvesse mais apoio ao esporte. Tem tanto menino bom de bola na cidade, mas não tem lugar bom para desenvolver”, acrescenta. Carlos Alberto Loureiro Monteiro (Guna), vice-presidente da Associação Esportiva Boca Juniors, cobra maior envolvimento do poder público: “Saímos para jogar em outras cidades, levamos o nome de Resende Costa e não recebemos nada em troca. Onde está a verba que vem para os esportes?”.

tebol Galaxy e sua parceria com o Cruzeiro, os atletas resende-costenses estão tendo a chance de manter um contato maior com o futebol profissional. Nos últimos dias 5 e 6 de maio, 12 jogadores da Escolinha, nascidos em 1998 e 1999, disputaram um festival na Toca da Raposa I, em Belo Horizonte. Ao todo, 27 escolinhas do Cruzeiro, espalhadas por todo o Brasil, participaram do evento. Segundo João Vítor de Assis, um dos treinadores da escola Galaxy, “o objetivo do encontro foi aperfeiçoar o trabalho dos professores, além de possibilitar aos alunos serem observados pelos olheiros de base do cruzeiro”. As 27 escolas participantes foram divididas em nove grupos com

tival, o Galaxy enfrentou o time de São João Batista do Glória/MG e foi derrotado por 4x1. Porém, no mesmo dia, a equipe de Resende Costa venceu o Time de Tucuruvi/SP por 5x1, garantindo a classificação para as oitavas de final. No domingo, dia 6, o Galaxy foi derrotado pelo time de Duque de Caxias/RJ por 4x3. No ranking final de classificação, o Galaxy terminou em 11º lugar. Três atletas da equipe resende-costense (Matheus Miranda, volante; Pedro Augusto, meio-campo e Michel, zagueiro) chamaram a atenção dos olheiros do Cruzeiro e, de acordo com João Vítor, eles poderão ser chamados para testes futuramente.

Toca da Raposa I recebeu jovens de diversas cidades durante o festival

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Centro Comunitário do bairro Nova Resende é inaugurado Valorização da cultura do bairro e apoio aos projetos sociais

No dia cinco de maio, sábado, foi inaugurado o Centro Comunitário do Bairro Nova Resende. Durante o evento, que aconteceu às 17h00, estiveram presentes autoridades municipais, representantes de movimentos comunitários e culturais, além dos moradores do bairro Nova Resende, que prestigiaram a solenidade. “Após a celebração da Missa, houve apresentação dos diversos projetos que acontecem na Arnova (Associação dos Moradores do Bairro Nova Resende), como o projeto de pintura em madeira e tecidos, Pastoral da Criança, Arte Pura e Educação de Jovens e Adultos – EJA”, informou Ítala Carolina da Silva, presidente da Arnova. A sede da Arnova, segundo Ítala, foi uma reivindicação da própria comunidade através do orçamento participativo. “A prefeitura nos apoiou, inclusive nos deixando totalmente livres para escolhermos até o piso que deveria ser colocado. Foi uma obra que partiu mesmo da vontade popular”. A execução das obras demorou cerca de seis meses e custou R$ 120.000,00. O Centro Comunitário é composto por três cômodos, dois banheiros e ampla área externa. A Arnova é uma associação atuante, que procura ir ao encontro das necessidades e da cultura do bairro Nova Resende. “A Arnova já tem 16 anos e é muito atuante. Costumo di-

zer que cresci na Arnova, pois minha mãe foi a fundadora. Com isso sempre participei dos projetos”, disse Ítala. A presidente da associação tem apenas 22 anos, mas já está no segundo mandato, e seu engajamento nos projetos sociais já demonstra, além de idealismo, muita maturidade e compromisso. Ítala destaca o apoio à cultura popular do bairro Nova Resende, uma das principais contribuições da associação à comunidade local. “Quando assumi a presidência da Arnova, percebi que tínhamos que apoiar a cultura do bairro. Costumo dizer que o bairro explode cultura, sobretudo musical. Aqui tem grupo de pagode, a bateria do Rifugo, grupos de congada, enfim muita música. Foi inclusive por isso que resolvemos criar a oficina de música”. Em uma das salas da nova sede vê-se um quadro negro com as notações musicais, uma bateria e vários violões sobre as mesas. É ali que acontecem as aulas de música, iniciativa do projeto Arte Pura. “Os meninos estudam flauta e bateria, mas é o violão que faz sucesso”, declarou Ítala. A inserção social e a valorização da cultura popular do bairro Nova Resende é uma das bandeiras da atual diretoria da Arnova, que acredita que a partir da nova sede as atividades e os projetos desenvolvidos pela associação tenderão a ser ampliados. “Agora com a nova sede poderemos promover mais eventos e

desenvolver outros projetos. Com certeza iremos equipar a sede e apoiar os projetos que já estão sendo desenvolvidos aqui”, declarou a presidente. É comum em muitas cidades nos depararmos com sedes de associações de bairros que não passam de meros “elefantes brancos”, isto é, são abertas uma vez por mês, quando muito, e na maioria do tempo não servem para nada. Ao contrário disso, a sede da Arnova é a materialização e ao mesmo tempo a confirmação de uma associação atuante, comprometida com o bairro, o qual representa e para o qual possui projetos e objetivos claros. No início da tarde de segunda-feira, sete de maio, dois dias após a sua inauguração, já estava em pleno funcionamento, com duas funcionárias organizando as despensas e a presidente, além de conceder entrevista ao JL, estava recebendo duas pessoas que desejavam conversar com ela. Ítala, por fim, agradece a todos que participaram da execução do projeto e convida a população resende-costense a conhecer os projetos que são desenvolvidos pela Arnova, bem como a nova sede que fica aberta de segunda a sexta-feira: “Gostaria de agradecer muito à Prefeitura Municipal, que nos deu este presente, à Câmara de Vereadores, aos colaboradores e voluntários que abraçaram este projeto. Quero dizer também que as nossas portas estão

Ítala Carolina, presidente da Arnova, em frente à nova sede

abertas a todos que desejarem conhecer a sede da Arnova e os projetos que

desenvolvemos aqui”, concluiu.


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