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Edicao 108

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ANO IX Nº 108 - ABRIL 2012 / RESENDE COSTA - MG

Saúde pública em Resende Costa: desafios, problemas e soluções

DISTRIBUÇÃO GRATUITA

AMIRCO: Álbum fotográfico de Resende Costa

Veja e participe!

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Extração de quartzo gera controvérsias e causa danos ambientais em Resende Costa

A extração do mineral quartzo em alguns povoados de Resende Costa tem causado polêmica entre moradores, poder público e a mineradora responsável. Além das controvérsias, o impacto ambiental já é percebido nas áreas onde o mineral é explorado.

Solo desprotegido e início de erosão em área de mineração encerrada na Micaela

Pagina 11 / Leia também o Editorial

Fila para marcação de consultas em frente à Secretaria Municipal de Saúde

Corrupção, ingerência, falta de atendimento médico, filas intermináveis nos hospitais e ambulatórios para marcação de consultas e exames, escassez de profissionais da saúde, falta de leitos nas UTIs e escassez de recursos financeiros. Estes são apenas alguns dos graves problemas que afetam o sistema público de saúde do Brasil e que estão longe de ser somente exclusividade das grandes cidades. Páginas 06


2 Jornal das Lajes Editorial

ANO IX Nº 108 - ABRIL DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Artigo

Algumas pinceladas sobre o cenário futuro de Resende Costa

A polêmica extração de quartzo em Resende Costa

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Após breve intervalo, os caminhões lotados de pedra voltaram a atravessar o centro de Resende Costa, com destino a São João del-Rei, para descontentamento de boa parte dos moradores da cidade. A carga transportada é o mineral quartzo, atualmente extraído nas localidades do Curralinho dos Maias e da Micaela pela Mineradora Vianini Ltda. Uma reportagem especial desta edição do JL vai fundo na questão mostrando o imbróglio em que se encontra a situação da Mineradora frente aos trâmites legais para a exploração do mineral no município de Resende Costa. A polêmica envolvendo a Mineradora Vianini e a Prefeitura Municipal de Resende Costa se estende desde 2011 e não se restringe apenas aos caminhões pesados que circulam pelas ruas do centro da cidade e pelas estradas de terra do município, destruindo pontes e mata-burros. Em reportagem de janeiro de 2011 (ed. 93), o JL já havia levantado o problema da extração do quartzo em Resende Costa. Na ocasião, a novidade foi a suspensão, pela Justiça, tanto da extração quanto do transporte do mineral. Conforme relatado na referida reportagem, a preocupação da prefeitura, naquele momento, era, sobretudo, em relação à degradação ambiental. Após um ano, a situação continua a mesma e as preocupações também. Enquanto as autoridades se digladiam com a mineradora cobrando dela responsabilidades, alvará e autorizações, a terra é escavada, o mineral retirado e as estradas e mata-burros destruídos. Na queda de braços e na divisão das responsabilidades, a mineradora diz que está em dia com as suas obrigações, e ainda acusa a prefeitura de não ter dado manutenção adequada às estradas. Se a empresa não apresentou, até agora, toda a documentação exigida para a exploração e extração do minério, por que aceitar que ela continue atuando no município? Pelo visto, até a Mineradora Vianini apresentar os documentos exigidos pela lei, as lavras já se esgotaram e ela certamente estará em outro lugar. A polêmica já foi longe demais. Espera-se que o Poder Público local exija categoricamente que a empresa apresente, além de toda a documentação exigida, um plano de recuperação das áreas degradas. O responsável pela Mineradora Vianini, Rafael Vianini, ouvido pela reportagem, disse que a empresa cumprirá com todas as exigências ambientais assim que a mina for fechada. Mas, antes disso, é preciso que a situação seja legalizada e que o município tenha a garantia de que as exigências da lei serão de fato cumpridas. Resende Costa já está começando a experimentar da mesma luta de forças que os grandes municípios mineradores travam com as mineradoras e com a legislação ambiental. De um lado está o interesse único das empresas em explorar e esgotar o máximo das minas. De outro se encontra os municípios tentando não perder o lucro advindo da exploração, mas ao mesmo tempo cumprir as exigências da lei, preservando o meio ambiente. Uma coisa é certa, o interesse das mineradoras é tão somente o lucro. A recuperação ambiental, quando não é totalmente descumprida, é realizada lentamente. Sofrem os moradores do entorno das minas e o município que sempre arca com o prejuízo incalculável deixado quando as máquinas vão embora. Enquanto este imbróglio não é resolvido, resta apenas uma pergunta: O que o município de Resende Costa está ganhando com a exploração do mineral quartzo pela Mineradora Vianini?

Jornal das Lajes Ltda

CNPJ: 09.323.470/0001-60 Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro (32) 3354-1323 - Resende Costa - MG CEP: 36.340-000 Diretor de redação: Rosalvo Pinto Editoração: Rafael Alves Editor de Esporte: Geraldo Aires Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Jornalista responsável: Floresta - Belo Horizonte José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP Tiragem: 3000 exemplares Diretor Administrativo: Circulação: Eustáquio Peluzi Chaves Resende Costa e São João del-Rei Diretor de Contabilidade: Os artigos assinados não refletem Antônio da Silva Ribeiro Neto obrigatoriamente a opinião do jornal. Editor-chefe: André Eustáquio

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Resende Costa comemora este ano o seu centenário, momento mais que oportuno para se refletir sobre o seu futuro. O que queremos de nossa cidade nas próximas décadas? Uma forma de responder a esta pergunta é pensar em pilares do desenvolvimento de longo prazo do município como, por exemplo, educação, infraestrutura e empreendedorismo, sempre tendo como pano de fundo a sustentabilidade. Outro jeito de se ver a questão é identificar os principais problemas a serem enfrentados: educação dissociada da realidade, baixa empregabilidade (limitada oferta de vagas e inadequação profissional para se obter melhores salários), infraestrutura deficiente, falta de planejamento urbano etc. Uma das preocupações deve ser a de definir claramente áreas prioritárias de atuação do poder público, do setor privado e das organizações da sociedade civil, bem como as formas de cooperação entre eles. Alguns aspectos devem ser considerados, dado o seu caráter vital para o futuro. Na educação, focar o ensino na melhoria do desempenho dos jovens em compreensão de textos, ciência e matemática, de maneira a ofertar pessoal preparado para cursos técnicos

profissionalizantes e para a universidade, bem como fomentar o empreendedorismo em novas frentes como, por exemplo, novas tecnologias e designs de artesanato. Também necessita-se expandir a rede de internet banda larga (internet rápida) para estimular a interatividade no ensino/aprendizado e facilitar a vida das empresas; equipar laboratórios com equipamentos de ponta e definir metas a serem atingidas pelas escolas, sem se falar do treinamento/reciclagem permanente do corpo docente. Na saúde, é preciso descentralizar o atendimento básico, com a criação de rede de postos nas áreas urbana e rural para descongestionar o hospital, encaminhando a este apenas os casos mais graves. Também deveria estar nos planos do poder público definir um novo desenho do mapa viário do município (anel rodoviário e mudança do terminal rodoviário para desviar o crescente trânsito pesado da cidade, sistema de transporte urbano com veículos leves, asfaltamento de rodovias/estradas vicinais etc.), bem como planejar o crescimento urbano (critérios para a expansão horizontal e vertical das novas edificações, criação de áreas verdes, espa-

ços de lazer e cultura etc.) e o desenvolvimento rural (implantar eixos de desenvolvimento, obedecendo às características de cada região do município; por exemplo, agregar valor à mineração de Jacarandira). No apoio ao empreendedorismo, pensar uma estratégia voltada para a realização de eventos (feiras, exposições etc.) que sejam vitrines para os produtos artesanais do município e da região, fomento ao turismo rural (restauração/construção de casarões para sede de hotéis-fazenda, por exemplo) e estímulo à agregação de valor nos produtos agropecuários (venda de produtos artesanais como doces, geleias e temperos), sem negligenciar a qualificação da mão-de-obra como precondição para a evolução de emprego e salários. Também sugere-se a construção de um centro de convenções, equipado para atrair eventos regionais ou estaduais, no âmbito de uma política de estímulo ao turismo de negócios. O livre empreendimento em Resende Costa é tradição que precisa ser fomentada entre os jovens, usando-se para isso de todos os esforços e criatividade. São algumas pinceladas para ajudar a planejar e construir o cenário futuro de nossa cidade.

Informe Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa - (AMIRCO) Projeto FEC 2011 – Fundo Estadual de Cultura

Álbum fotográfico de Resende Costa

Na comemoração dos 100 anos de nossa cidade, a AMIRCO vai publicar, com recursos do Fundo Estadual de Cultura e apoio da Prefeitura, um álbum com fotos de Resende Costa, antigas e atuais. Quem tiver fotos interessantes e quiser participar do álbum, leve sua(s) foto(s) à Biblioteca Municipal, no período de 9 a 30 de abril, no horário de 08h00 as 11h00 e 13h00 as 17h00, para serem copiadas e, posteriormente, devolvidas aos seus donos. PARTICIPE e COLABORE!

Site JL

Opinião do leitor

O leitor do Jornal das Lajes que desejar postar comentários no site www.jornaldaslajes.com. br, a partir de agora, obrigatoriamente deverá fazer seu cadas-

tro, gratuitamente, seguindo as indicações no próprio site. Comentários e textos sem autoria não serão liberados. Ao fazer o cadastro, o internauta terá que

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Jornal das Lajes

ANO IX Nº 108 - ABRIL DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Voz do Cidadão

Informe Saúde

Falando de saudades “Saudades do tio Adair (de Sousa Ribeiro) que se foi e deixou um vazio em nossos corações, uma dor muito forte, sem limites. Sua partida, de maneira inesperada e violenta, deixou um rastro de tristeza para quem o conheceu, amigos e familiares. Dizia a sua mãe, dona Chiquinha, que quando criança ele era um menino muito amoroso, gracioso e inteligente. E assim o foi durante toda a vida, uma pessoa do bem, que nunca plantou discórdia. Vivia

em paz, até que naquela triste noite sua vida foi tirada de maneira violenta e covarde. Agora só nos resta dizer: Adair, que saudade de você! O carinho de seus irmãos, sobrinhas e amigos. Que Deus proteja você, porque aí onde está morando agora nada vai magoá-lo.” De sua sobrinha, Socorro Sousa Resende Costa (MG)

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Câmara Municipal de Resende Costa

“Diante da manifestação do munícipe José Germano de Resende, no Jornal das Lajes, Voz do Cidadão, edição nº 107, março de 2012 (p.3), atendendo à solicitação do Vereador Francisco Abel de Assis, a Câmara Municipal de Resende Costa esclarece que, dentro das atribuições e possibilidades de ação dos vereadores, tudo foi regularmente solicitado à administração municipal. Esclarecemos que durante os anos de 2009, 2010 e 2011, por indicação e ofício, foi solicitada a realização de manutenção, limpeza e patrolamento da via pública que liga o Povoado dos Pintos à via principal de ligação entre os Municípios de Resende Costa e Passa Tempo, bem como a recuperação

da ponte construída sobre o córrego “Zé Germano”. Oportunamente, lembramos que é o poder executivo quem detém aparelhamento para concretizar as chamadas políticas públicas. O chefe do executivo é quem administra o orçamento municipal, construindo e/ou reformando. De forma contrária, o vereador não possui um capital para gastar, não tem um secretariado para gerir seus projetos e nem todo um aparato capaz de garantir ênfase às suas ações. É de sua responsabilidade buscar no seio da sociedade as preocupações coletivas, trazendo para o debate nas sessões da Câmara questões relacionadas à segurança pública, saneamento, limpeza, educação, saúde, turis-

mo, meio ambiente, entre outros temas de interesse comum, como representante do povo, sendo o porta-voz de todos os cidadãos. E em relação ao pedido do munícipe requisitando a realização da obra, as indicações encaminhadas à prefeitura municipal foram regimentalmente aprovadas por todos os edis desta Casa. Assim, esclarecemos que, no que se refere às obrigações dos vereadores, entendemos por cumprida nos ditames legais, porém não há nenhuma possibilidade deste poder legislativo municipal executar as obras reclamadas pelo munícipe e demais moradores daquela localidade, por ser esta uma atribuição do executivo municipal”.

“Quem não vive para servir não serve para viver” – SSVP (Sociedade São Vicente de Paulo) “Obra realizada pela comissão da SSVP da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, da cidade de Resende Costa (MG). Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! No dia 11 de dezembro de 2011, foi realizado um mutirão para dar início a uma pequena casa

de quatro cômodos para o Sr. José Severino da Silva (Zé Tampão), que atualmente se encontra desempregado e com problemas de saúde (diabetes), fazendo uso diário de insulina. Com a ajuda das comunidades e de pequenos empresários, a obra foi realizada no prazo de três meses. Aqui ficam os nossos

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agradecimentos a todos aqueles que contribuíram com esta obra. O nosso muito obrigado, e que Deus abençoe a todos vocês que nos ajudaram”.

Comissão SSVP Resende Costa (MG)

Secretaria Municipal de Saúde divulga reivindicações da XI Conferência Municipal de Saúde do município de Resende Costa

A Secretaria Municipal de Saúde realizou no dia 26 de novembro de 2011 a XI Conferência Municipal de Saúde do município de Resende Costa. O evento aconteceu no Espaço C&M e teve como tema “Todos usam o SUS”. De acordo com a secretária municipal de saúde, Myriam Sette, “a finalidade do tema escolhido foi discutir a atuação das instâncias e dos atores do Controle Social (Conselho Municipal de Saúde) como protagonistas políticos da Reforma Sanitária no país, ou seja, uma organização com capacidade de acumular forças , defender interesses públicos e necessidades sociais , além de atuar na transformação das condições de vida e saúde”. Na conferência de 2011, estiveram presentes representantes do Conselho Municipal de Saúde, dos usuários do SUS, dos trabalhadores do SUS, do governo municipal e dos prestadores do SUS. As conferências são realizadas a cada dois anos. Confira as reivindicações apresentadas na XI Conferência de Saúde do município de Resende Costa • Criação do PSF Rural; • Oferta de cursos de capacitação na área de informática para os funcionários da Secretária Municipal de Saúde; • Cursos e assistência médica para funcionários da saúde; • Adequação e melhoramentos no sistema de marcação de consultas; • Aumento do número de consultas em geral; • Contratação de mais médicos, inclusive especialistas para atendimento na cidade; • Fiscalização e acompanhamento do abastecimento de água nos povoados do Barracão e Pintos / esgotos no Barracão / fiscalização da VISA nos povoados - lixos, animais, água, esgotos etc.; • Destinação de recursos para urgências médicas a partir do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social); • Melhorias no atendimento/

acolhimento no setor de emergência do Hospital Nossa Senhora do Rosário; • Reuniões mensais do Conselho Municipal de Saúde - melhor divulgação para maior participação em reuniões do mesmo; • Vigilância Sanitária tomar providências sobre: Animais soltos na cidade, como cachorros, cavalos, vacas etc.; • Instalação de placas de sinalização para unidades de saúde e placas de identificação no Centro de Saúde, Secretaria Municipal de Saúde etc.; • Trabalho para credenciamento da APAE pelo SUS; • Intersetorialidade de todas as ações da saúde: educação, esportes, turismo, funcionários etc.; • Zona rural - PSF / transportes de pacientes para consultas e exames / Internato Rural nos povoados do Barracão e Restinga/ Clínico geral e enfermeiras na zona rural / atendimento pediátrico e odontológico na zona rural / construção de Posto de Saúde nos povoados dos Maias, Barracão e Andrade. Adequação de horários para consultas na cidade / transporte para pacientes debilitados para consultas e exames na cidade; • Contratação de psicólogos e fonoaudiólogos para atendimento às crianças; • Contratação de mais agentes de Vigilância Epidemiológica e mais auxiliares de enfermagem para o PSF; • Contração de Farmacêutico ou Técnico em Farmácia para o Centro de Saúde; • Contração de mais funcionários para a Secretaria de Saúde; • Reuniões mensais entre todos os funcionários da Saúde; • Treinamento de motoristas que atuam na Saúde; • Designação de Técnico de Enfermagem para acompanhar pacientes na ambulância em outras cidades; • Treinamento para os Agentes Comunitários de Saúde e demais funcionários do PSF.


4 Jornal das Lajes

ANO IX Nº 108 - ABRIL DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Arte Sacra

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Escultor Carlos Calsavara vincula barroco à arte contemporânea te, seja tecnicamente, em suas diversas vias de trabalho. Tanto que a arte contemporânea vai ser o projeto de final do curso de Artes Aplicadas, na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), que ele conclui este ano. “É um design não-funcional de cunho estético. Ou seja, a minha proposta é explorar essas formas de maneira mais equilibrada esteticamente, tentando tocar o observador por essa vertente.” Militares do Exército ajudaram na coleta do lixo nas márgens do Rio das Mortes

O escultor e especialista em arte sacra, Carlos Henrique Calsavara, pretende realizar, possivelmente em 2013, a sua primeira exposição individual de arte contemporânea. “Curiosamente, essas peças têm o seu embrião no barroco mineiro. Elas nasceram na arte sacra, inconscientemente. Tem um vínculo com o barroco e ao mesmo tempo é novo.” Calsavara trabalha atualmente com duas vertentes, em paralelo: arte sacra e uma linha contemporânea.

Há 14 anos na profissão, ele procura atender a uma demanda da região, e mesmo do país. “A arte sacra é o meu ganha-pão. Nela eu aprendi muita coisa através da produção e reprodução da arte sacra barroca. Eu procuro plasmar fisicamente nas peças uma ponte entre o físico e o espiritual para tentar causar uma espécie de êxtase. E nisso a estética conta muito.” Com a virtualização (internet), o trabalho de Calsavara deu um salto ao abrir novas fronteiras, seja visualmen-

Clientela – O artista trabalha com vários tipos de material, como madeira, pedra, cerâmica e bronze. Os clientes de Calsavara em geral são o clero e alguns admiradores em particular do Brasil inteiro. O escultor trabalha muitas vezes com réplica ou então com pesquisa e desenho, mediante aprovação prévia do cliente. “Ou seja, trabalho com retratística também. A pessoa traz foto ou pintura para fazer uma imagem que ainda não existe como escultura.” No momento, Calsavara decidiu partir para o lado mais estético, com

Jogo Aberto

a intenção de “tirar as pessoas, por um minuto que seja, dos conflitos cotidianos, da problemática da vida”. Mas o artista admite que isso pode ser faca de dois gumes, porque “não sei se estou anestesiando temporariamente contra a realidade ou se estou dando um medicamento eficaz. Mas ainda não consolidei essa ideia”. Papel do curso – A experiência de cursar Artes Aplicadas na UFSJ tem sido muito proveitosa para Calsavara. “O curso me esclareceu muitas coisas, tanto na arte em geral (sentido intelectual) quanto na área comercial (visão empresarial, administrativa, gerencial, de marketing etc.), além do viés técnico.” Para o escultor, o maior benefício é saber tirar proveito de tudo o que é oferecido. “Eu tento tirar o máximo do que se apresenta ali.” Projetos – Um projeto recente de Calsavara foi a cópia da imagem de Nossa Senhora da Conceição para

a igreja de São Francisco de Assis. A peça foi encomendada para substituir a imagem original nas procissões, a fim de não continuar expô-la a riscos. A cópia tem cerca de 1,75m de altura, comparada com os cerca de 2m da imagem original. Foram seis meses de trabalho, conta Calsavara, e a cópia da imagem já estreou na procissão do dia 8 de dezembro do ano passado. Todos os passos da confecção da peça estão no blog www.carloscalcavara. blogspot.com Em 2009, Calsavara esculpiu uma peça de Nossa Senhora das Mercês, a partir de uma foto apresentada pelo cliente. “Eu sugeri mudanças e fiz um desenho que o cliente aprovou e me deu liberdade para fazer o trabalho do jeito que achasse melhor.” Essa imagem, com 1,86m de altura em madeira, está na lateral esquerda da igreja das Mercês. Geralmente, na Semana Santa ou em ocasiões especiais, ela é exposta ao público.

ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO

Os problemas e desafios da saúde pública no Brasil Irmã Amélia Herold fala sobre o tema da Campanha da Fraternidade 2012, sobre o SUS e o Hospital Nossa Senhora do Rosário

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) escolheu a saúde pública como tema da Campanha da Fraternidade 2012. A instituição convida os brasileiros a olharem para a triste realidade que assola o sistema público de saúde no Brasil. Nos hospitais públicos muitos brasileiros ainda morrem nas filas ou nos corredores, sem sequer conseguirem marcar uma consulta ou um exame. A Campanha da Fraternidade também mostra os avanços do Sistema Único de Saúde (SUS), destacando, inclusive, a criação do PSF (Programa de Saúde da Família). Nesta entrevista, a Irmã Amélia Herold, diretora do Hospital Nossa Senhora do Rosário, em Resende Costa, fala sobre o tema da CF 2012 e da realidade de Resende Costa. O Hospital Nossa Senhora do Rosário, uma instituição filantrópica administrada brilhantemente pelas Irmãs Camilianas, é referência regional na qualidade de atendimento. Além de Resende Costa, o hospital recebe pacientes de várias cidades da região. O que a CNBB pretende, ao escolher a saúde pública como tema da Campanha da Fraternidade deste ano?A Igreja do Brasil, com

a Campanha da Fraternidade deste ano, elegendo o tema “Fraternidade e Saúde Publica”, quer refletir sobre a realidade da saúde pública no Brasil, chamar a atenção do país inteiro e dos seus governantes para a situação da saúde e das instituições como santas casas e hospitais filantrópicos, cuja maioria enfrenta graves dificuldades econômicas. A Igreja não ignora que houve avanços na saúde, assim como tem consciência de que ainda há muito a ser feito para consolidar o atendimento no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Refletindo a saúde pública, a Campanha estaria denunciando a triste realidade à nossa volta, como filas nos corredores dos hospitais, dificuldades para agendar exames, falta de leitos nos hospitais, corrupção etc,. De quem é a culpa? Não é preciso ser economista para perceber que a responsabilidade é dos gestores do SUS, tanto da esfera federal, como estadual e municipal. Se cada um assumisse o seu papel de responsável, muitos problemas poderiam ser amenizados, tanto na questão financeira quanto na organização, no que diz respeito às filas para exames e consultas. A situação caótica que presen-

ciamos nos grandes centros do país, como acima mencionado, poderá também atingir os municípios menores? Com certeza. Os problemas na cidade grande têm proporção maior em relação às cidades menores, mas temos conhecimento de que cidades pequenas passam também por sérios problemas de saúde, principalmente se olharmos para o Nordeste do nosso Brasil. Atualmente, o maior desafio enfrentado por muitos municípios de pequeno porte é o sub-financiamento. Em sua opinião, o cidadão brasileiro é consciente dos seus direitos e deveres em relação à saúde? Muitos brasileiros já estão tendo maiores esclarecimentos, principalmente quanto à questão dos seus diretos, mas ainda existe muita gente que não sabe com clareza os seus diretos nem seus deveres. Quando a Campanha da Fraternidade se refere ao SUS, ao mesmo tempo aponta avanços e problemas. Como a senhora avalia o SUS? O Sistema Único de Saúde teoricamente é o melhor plano de saúde do planeta, serve de exemplo até mesmo para os países desenvolvidos. Sabemos que nos últimos 15 anos houve muito avanço, principalmente com a criação

do PSF (Programa de Saúde da Família), porém, como já dissemos, falta mais investimento financeiro. O Hospital Nossa Senhora do Rosário recebe pacientes de Resende Costa e de outras cidades da região. Como o hospital tem se organizado para atender a essa demanda? O Hospital Nossa Senhora do Rosário possui ótima estrutura física e está plenamente apto para atender à demanda referenciada atualmente. Além disso, possui capacidade para expandir seu atendimento. Nos últimos anos, quais foram os principais avanços e investimentos na infraestrutura do hospital? O hospital tem feito investimentos na compra de equipamentos, bem como na sua manutenção. Existem ainda vários projetos para reforma e ampliação de algumas áreas. De onde vêm os recursos financeiros para a manutenção do hospital? Os recursos são provenientes dos serviços prestados, bem como de doações da comunidade assistida pelo hospital. Uma triste realidade, que incomoda a muitas pessoas em Resende Costa, é a fila para marcação de consultas. Há pessoas que passam

Irmã Amélia

a madrugada inteira, enfrentando o frio, para conseguir marcar uma consulta. Por que isso acontece? O que fazer para mudar essa realidade? Faltam profissionais médicos para atender pelo SUS. A contratação de mais profissionais médicos e o aumento do número de consultas talvez fossem a solução. Em sua opinião, a saúde pública em Resende Costa caminha bem ou ainda há muito a se fazer? Sim, aconteceram avanços na saúde publica em todos os seus sentidos. Porém sabemos que é um setor frágil e que demanda cuidado especial por parte dos gestores.


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Especial Política Regional

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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Ritápolis, depois da cassiterita, a procura de rumo para economia local

Ritápolis aguarda com expectativa a transformação da Fazenda do Pombal – onde nasceu Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes -, em Memorial da Liberdade, com base em projeto do arquiteto Oscar Niemeyer. O município considera-se o berço de Tiradentes, que nasceu em 1746 em São Sebastião do Rio Abaixo - antigo povoado de São José del-Rei (hoje Tiradentes) – que depois se tornou Santa Rita do Rio Abaixo. Com a emancipação, em 1º de março de 1963, na “fornada” que beneficiou vários municípios mineiros, ganhou o nome de Ritápolis. “Sendo assim, a Fazenda do Pombal é patrimônio desse município”, resume Sebastião Higino de Souza, o Tião Fogueteiro, no livro Santa Rita do Rio Abaixo (Ritápolis) – Memórias, histórias e causos (Imprimax Gráfica Del Rei Ltda., São João del-Rei, 2012). São 300 anos de ocupação do território, sintetiza o arquiteto Fábio José da Silva. Na virada do século 19 para o século 20, os proprietários rurais começaram a construir casas na cidade para os períodos de festas e para os filhos ficarem enquanto estudavam. Em 1918, a igreja barroca perdeu o aspecto original frontal (frente), conta Silva. Houve o acréscimo de uma segunda nave e de uma torre, mas o interior da igreja continua o mesmo, com retábulo barroco, imagens originais etc. Outro sintoma de desenvolvimento, prossegue o arquiteto, foi a construção, em 1940, do teatro com 300 lugares, que funcionou como cinema até a década de 70 e hoje abriga a secretaria da casa paroquial. Ainda na 2ª Guerra Mundial, houve melhoria da estrada para o tráfego de automóvel (antes, era carro de bois). O descobrimento de cassiterita na Fazenda do Tanque, na mesma época, abriu novas perspectivas, relata Silva. “Isto impulsionou a cidade, trouxe gente de fora, principalmente de Conceição da Barra e do meio rural para a nova frente de trabalho. Tudo isso levou a cidade à emancipação que, porém, foi mais uma questão externa do que interna”. Mas Tião Fogueteiro diz que Tan-

O arquiteto considera que os maiores empregadores do município são, na área urbana, a prefeitura – que “foi transformada em cabide de empregos” – e a vizinha São João del-Rei (construção civil, comércio e serviços domésticos), enquanto o setor rural ainda continua a ser grande fonte de ocupação de mão-de-obra.

Praça da Matriz, com destaque para a estátua de Tiradentes

credo Neves (PSD) não queria que São João del-Rei abrisse mão de Ritápolis. Tanto que os defensores da emancipação se reuniram numa comissão presidida pelo líder da UDN, João Baptista dos Santos, com o apoio do deputado Nicanor Armando Neto (natural de Ritápolis) e dos políticos são-joanenses Mateus Salomé de Oliveira e Nelson Lombardi, para conseguir a emancipação. Os prefeitos - João Baptista dos Santos, conhecido como João Avelino, foi nomeado, em 1963, intendente (espécie de prefeito). O primeiro prefeito eleito de Ritápolis foi Benedito José de Oliveira, líder político local do Partido Social Democrático (PSD) e posteriormente do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Ele dirigiu o município por dois mandatos (1964-67 e 1972-73). O segundo prefeito foi o comerciante Sinval Amaral (1968-71), da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido que conseguiu emplacar o terceiro prefeito, José Jader dos Santos (1974-77). Outro comerciante, Cícero Moura Vieira, devolveu o poder ao MDB (1978-82). Seu sucessor foi o também peemedebista Eduardo Ficher de Almeida (1983-88) que voltaria em 1993-96. O médico Flávio Carletine Albuquerque (MDB) foi eleito para o período 1989-92, mas se perdeu na ad-

Fachada do Teatro Municipal de Ritápolis

ministração e não terminou o mandato, de acordo com Tião Fogueteiro. Com a sua cassação, assumiria o vice, Cícero Vieira, que estava impedido por ser candidato à eleição seguinte. Na linha sucessória, o presidente da Câmara Municipal, o taxista Jorge Resende Silva, completou os seis meses restantes do mandato do prefeito deposto. Por dois mandatos seguidos, o médico Higino Zacarias de Souza, filho de Tião Fogueteiro, governou Ritápolis em 1997-2000 e 2001-2004 pelo PSDB. Desde 2005, já em segundo mandato, dirige o município o oficial da reserva do Exército, Antonio Ronato de Melo (DEM). Apesar dos poucos anos de emancipação, Ritápolis teve uma política conturbada, resume Frederico de Oliveira Guimarães Santos, advogado e primeiro-secretário do Grupo Teatral Inconfidência (grupo de jovens da comunidade). “O município já enfrentou dois processos de impeachment, dos quais um resultou em cassação do mandato do prefeito e outro em absolvição”. As administrações municipais depararam-se com problemas recorrentes e que até hoje permanecem sem solução, especialmente na área da saúde, talvez a mais precária da cidade, observa Santos. “O que se verifica ao longo dos anos é a preocupação das administrações em realizar obras vultosas, enquanto a cidade padece de atendimento médico e de incentivo à cultura, ao turismo, ao esporte e à geração de renda”. Fase de fartura - Até a década de 1980, os prefeitos administravam a escassez de recursos, mas ainda assim conseguiam realizar um bom trabalho, lembra Fábio Silva. “E os vereadores nem tinham salário”. Na primeira metade dos anos 80, a mineração entrou em decadência com a descoberta de cassiterita em grande quantidade no estado de Rondônia, o que inviabilizou a produção local. Mas o município passou a ser beneficiado com mais recursos federais, o que facilitou a vida dos prefeitos e vereadores,

favoreceu o clientelismo e aumentou as possibilidades de corrupção. Houve uma mudança de perfil, resume Silva. “A coisa desandou”. De um lado, os recursos mal aplicados e o favoritismo a grupos de amigos e aliados, ou seja, “falta de olhar coletivo”. De outro, um município carente de oportunidades de trabalho e de alternativas de geração de renda. “A decadência da mineração e essa nova forma de administrar trouxeram um retrocesso. Vão-se completar 30 anos de não-crescimento”. Com exceção das atividades agropecuárias, diz Silva, o município não teve outra atividade econômica forte. Com isso, a população começou a deixar a cidade em busca de alternativas de trabalho. “Nos últimos 16 anos, a população só decresceu, caiu de sete mil para 4,9 mil habitantes”. Da década de 90 para cá, a proporção da população no meio rural girou em torno de 40%. Sem vínculo com a cidade, essa população aproximou-se dos municípios vizinhos, como Resende Costa, São Tiago, Coronel Xavier Chaves e São João del-Rei. “Isso enfraqueceu ainda mais a nossa economia, pois eles vendem, compram e investem nesses municípios”. Para Silva, os produtores rurais, que se sentem abandonados pela administração do município, “têm uma visão política melhor do que a da população urbana. Não tem pobreza absoluta no meio rural”. Por outro lado, “se o município teve alguma melhoria nos últimos anos, foi graças à política nacional que beneficiou a todos”.

Desafios - Fábio Silva defende que a prefeitura se profissionalize e se organize para captar recursos externos na forma de projetos (turismo, artesanato, pequenas indústrias de alimentos, floricultura etc.), em vez de sobrecarregar a população com taxas e impostos. Ele pede estudo comparativo com os municípios vizinhos, principalmente impostos sobre imóveis e taxas municipais, de maneira a definir um critério justo e igual para todos na cobrança. Também propõe que se explore o aspecto urbano (arquitetônico, urbanístico etc.) como meio de atrair novos moradores preocupados com qualidade de vida. Frederico Santos, também primeiro-secretário das Obras Sociais da Paróquia e conselheiro/secretário da Fundação Lara Resende, pede incentivo às atividades econômicas, ao turismo, à capacitação profissional, o que se poderia dar mediante aliança com outras instituições. Ritápolis, por exemplo, não integra o Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes, embora seja berço do líder dos inconfidentes, o Tiradentes. Também defende o associativismo e o cooperativismo. Santos cobra ainda atenção da administração pública em questões essenciais, como a área da saúde e a infraestrutura urbana. “Talvez um dos problemas mais urgentes refere-se ao saneamento básico, especificamente o esgotamento sanitário, não existente na cidade e cuja implantação pela Copasa foi rejeitada pela Câmara Municipal.” Por fim, lembra que a cidade não oferece emprego à juventude que ingressa no mercado de trabalho. “Por isso, a maioria migra para buscar emprego em outras cidades, se já não migrou para estudar um curso superior, o que justifica o declínio populacional verificado nas últimas décadas”. A íntegra está disponível no site www.jornaldaslajes.com.br

Casarão antigo onde hoje abriga a secretaria paroquial


6 Jornal das Lajes

ANO IX Nº 108 - ABRIL DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Saúde

ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO

Conversa com Myriam Sette: uma radiografia da saúde pública de Resende Costa

Myriam Sette, secretária municipal de saúde de Resende Costa

No ano que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe a saúde pública como tema a ser refletido pela Campanha da Fraternidade, saltam aos olhos do cidadão brasileiro os velhos e crônicos problemas que afetam dolorosamente o nosso sistema público de saúde. De tantos, podemos citar alguns, que como um câncer maligno, se espalha em metástase pelas entranhas de um corpo já decrépito e, como nunca antes, sedento de uma panacéia que recupere o seu vigor: corrupção, ingerência, falta de atendimento médico, filas intermináveis nos hospitais e ambulatórios para marcação de consultas e exames, escassez de profissionais da saúde, falta de leitos nas UTIs, escassez de recursos financeiros etc. O JL conversou com a secretária municipal de saúde de Resende Costa, Myriam Antônia Leão Sette, sobre a

realidade da saúde pública no município. No final da conversa, chegamos à conclusão de que os desafios e problemas diagnosticados pela Campanha da Fraternidade 2012 estão longe de ser somente uma exclusividade das grandes cidades, como muitas pessoas imaginam. Eles estão à nossa volta, no nosso dia-a-dia. Podemos constatá-los na demora para se marcar uma consulta na central de atendimento da secretaria de saúde, no acúmulo de pacientes na emergência do Hospital Nossa Senhora do Rosário, na sobrecarga aos profissionais de saúde que atendem, além de pacientes de Resende Costa, doentes vindos de outras cidades da região. A rede física de saúde pública e privada de Resende Costa é composta pelas seguintes unidades: 1 unidade de Saúde da Família (PSF); 1 unidade básica; 1 hospital geral; 5 postos

Fila para marcação de consultas em frente à Secretaria Municipal de Saúde

de saúde na zona rural; 1 secretaria de saúde e 1 unidade de vigilância em saúde (epidemiológica e sanitária). O município tem como parceiros o Cisver (Consórcio Intermunicipal das Vertentes) e o contrato com o Hospital Nossa Senhora do Rosário. Todos os serviços prestados são custeados pelo SUS e por recursos próprios do município. A Prefeitura aplica 18,71% de recursos próprios na saúde. A lei exige o mínimo de 15%. “O repasse de 18% está longe de ser satisfatório, o ideal seria aplicar mais; há municípios que aplicam mais de 20%”, disse Myriam. Confira abaixo os principais trechos da entrevista com Myriam Sette Campanha da Fraternidade O tema da Campanha da Fraternidade deste ano é muito importante. Há muito tempo, a saúde pública é considerada a principal preocupação e por isso se tornou pauta reivindicatória da população. O SUS (Sistema Único de Saúde) é um programa maravilhoso, inspirado nos programas da universalidade, integralidade e igualdade. No entanto, ele não conseguiu ser implantado em sua totalidade e ainda não atende, sobretudo, aos mais necessitados. O tema da campanha nos leva a refletir sobre a realidade da saúde no Brasil, suscitando também o espírito fraterno e comunitário das pessoas para a atenção aos enfermos. Além disso, visa a mobilizar a população para melhorias no sistema público de saúde. Objetiva também disseminar o conceito do bem viver e sensibilizar as pessoas para a política de hábitos de vida saudável. Nosso município, em comparação com outros tantos municípios com realidade parecida, está bem avançado: temos, sobretudo, um hospital de muita qualidade. O que falta, mas não só aqui, como também em grande parte do país, são profissionais, principalmente médicos. Penso que este é o principal problema que a saúde pública enfrenta atualmente. Problemas e desafios da saúde pública de Resende Costa A falta de mais verbas certamente afeta o município, comprometendo

a qualidade da saúde pública. O certo seria termos repasses das três esferas – união, estado e município. Atualmente, o município tem arcado com a maior parte, o que acaba sobrecarregando. É interessante dizer que nos congressos que participamos, constatamos que a região Sul do Brasil, que possui municípios bem desenvolvidos, é, curiosamente, a que menos aplica verbas na saúde. Por quê? Porque os municípios investem nos atendimentos básicos, primários. Aqui, se tivermos uma atenção primária de qualidade, preventiva, o hospital não seria tão sobrecarregado, ou seja, muitas pessoas que procuram o hospital, em alguns casos, poderiam ser tratadas pela equipe do PSF. Por isso que lutamos tanto para ampliar a equipe de saúde da família. No que diz respeito aos profissionais da saúde, que é um dos maiores problemas, fizemos o processo seletivo para contratar médicos, mas nenhum candidato médico foi aprovado. Duas médicas, que fizeram internato rural aqui, se interessaram em assumir a 2ª equipe do PSF, mas aí a prefeitura de Belo Horizonte contratou um número absurdo de médicos, pagando salários em torno de R$ 10.000,00. Claro que as duas optaram por ficar lá, pois a proposta era muito melhor, além do que elas poderiam continuar estudando. O que pagamos ao médico não muda em relação à região. Em Resende Costa, um médico de PSF recebe R$ 5.108,90, trabalhando 40 horas por semana. Mas, esse não é um problema só nosso. No Brasil temos 5.565 municípios e cerca de 1.000 municípios não têm médicos. É um problema seríssimo. Outro grande desafio do SUS é que hoje se investe mais na cura do que na prevenção. Por isso a preocupação do governo federal em ampliar o número de PSFs. Se atuarmos na prevenção, melhoraremos muito o atendimento e, consequentemente, a qualidade da saúde vai melhorar. Filas e demora para marcação de consultas e exames Houve uma pesquisa com os usuários do SUS e constatou-se que uma das maiores insatisfações é em relação à demora no atendimento e a falta de profissionais, que trabalham em diversos lugares. O usuá r i o procura o centro de saúde (posto, hospital etc.) e muitas vezes o médico ainda n ã o chegou ou o atendimento e s t á atrasado. Quan-

to às filas para marcação de exames, tem acontecido a seguinte situação: Há pacientes que visitam três médicos ao mesmo tempo e com isso há repetição de exames. Então, o que fizemos para melhorar isso? Instalamos um programa na central de marcação que identifica e alerta para o paciente que já fez o exame e tentou marcar nos próximos 90 dias. O ano de 2011 foi excelente para a liberação de exames. Este ano está complicado, porque no início houve férias dos funcionários do centro de saúde e do laboratório, acarretando em acúmulo de exames. Ano passado também foi liberado um número maior de exames. Já neste ano esse número foi reduzido. Estamos esperando o contrato com o hospital para podermos liberar mais exames; acredito que em maio a gente volte à situação de 2011 e tudo vai ser melhor. Agora, para a marcação de consultas vai cair naquele problema da falta de profissionais. Olha, perdemos a doutora Cíntia, o doutor Rodrigo e a doutora Mariana. Então, o doutor Paulo e o doutor Luiz estão sozinhos para atender muita gente. As filas enormes, pessoas não conseguindo marcar exames e dormindo nas filas é uma realidade super desagradável, até porque a saúde não espera. Voltando à questão do PSF, a melhora do atendimento à zona rural seria através da implantação do PSF rural, mas antes iremos implantar a 2ª equipe do PSF. Sonhamos muito com essa equipe para atender a zona rural. Avanços da saúde pública em Resende Costa Quero destacar, sobretudo durante a minha gestão, os recursos humanos e o atendimento à demanda de exames laboratoriais. Todos os êxitos do nosso trabalho só foram possíveis através do trabalho em equipe. Trabalhamos em profunda sintonia. Às vezes nos envolvemos tanto que comemoramos quando algum caso se resolve. O nosso comprometimento é atender bem às pessoas. É importante destacar também a inauguração da base do SAMU em Resende Costa. Nossa cidade conta com uma USB (Unidade de Saúde Básica). A equipe é formada por um motorista socorrista, capacitado para agir em qualquer situação de emergência e técnicos em enfermagem. O atendimento se dá em período integral, ou seja, 24 horas. A equipe está apta para a remoção de pacientes acidentados, com enfarte agudo no miocárdio, traumas, afogamentos, enfim, todos os tipos de atendimento de urgência. Foi um excelente ganho para Resende Costa. A saúde pública pensada no longo prazo Bem, é preciso que haja mais investimento, como contratação de médicos e ampliação da cobertura. Eu também sinto muita falta da participação popular nas reuniões do conselho de saúde, que fazemos todo mês. Infelizmente, a comunidade fica fora disso e muitas vezes criticam sem conhecer a realidade, como as coisas funcionam. Essas reuniões são uma boa oportunidade para a comunidade participar, opinar, sugerir.


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Aconteceu

ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO

Resende Costa recebe 2ª Mostra de Cenas Curtas da UFSJ

Foi realizada nos dias 31 de março e 1º de abril, em Resende Costa, a 2ª Mostra de Cenas Curtas da UFSJ. O projeto aconteceu devido a uma parceria entre o MAC Movimento Arena Cultural (MAC), a prefeitura municipal de Resende Costa e a pró-reitoria de extensão da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). “Gostaria de que esse projeto se perpetuasse e fossem realizadas mais atividades como esta em Resende Costa”, destaca Flávia Cristina Silva, voluntária do MAC. A Mostra aconteceu em São João del-Rei durante duas edi-

ções e Resende Costa foi a primeira cidade da região a receber o projeto. Além de apresentações teatrais na praça Nossa Senhora de Fátima e na Casa de Cultura, foram oferecidas três oficinas durante os dois dias, desenvolvidas pelo grupo Nave de Dionísio, que é coordenado pelo professor Cláudio Alberto dos Santos. “Eu esperava que as apresentações fossem boas, mas foram ótimas. Superaram as expectativas”, declara Bruno Mendonça, também voluntário do MAC. De acordo com Flávia, foram abertas 15 vagas para cada oficina e quase todas foram pre-

enchidas: “O pessoal participou e além dos espetáculos previstos, foram apresentados outros três, que os próprios alunos das oficinas montaram”. Segundo ela, o MAC pretende firmar essa parceria e, principalmente, apoiar os artistas resende-costenses, já que estão surgindo novos talentos com aptidão para o teatro. Esta foi a segunda vez que o MAC utilizou a Casa de Cultura: “Pretendemos aproveitar a Casa de Cultura mais vezes. Os artistas ficaram maravilhados com o espaço”, completa Flávia Silva.

Resende-costense Laís Matta faz intercâmbio na Espanha

A resende-costense Laís Cristina da Matta e Sousa viveu uma experiência única, que se iniciou em setembro de 2011 e terminou em março deste ano: ela esteve na Espanha realizando um intercâmbio na Universidade de Sevilla. A oportunidade se deu através de convênio entre a Universidad de Sevilla e a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), na qual Laís estuda museologia há quatro anos. “Posso dizer que essa viagem foi uma experiência única e enriquecedora, pois me permitiu expandir meus conhecimentos e me possibilitou ter um aprendizado enorme, que com certeza vou levar comigo sempre”, disse a estudante, de apenas 24 anos. Laís conta que assim que chegou à Espanha, percebeu a diferença cultural: “No começo, vem o choque cultural. Confesso que tive muito medo de não me adaptar ao novo, pois sabia que iria encontrar uma cultura diferente da minha, mas com o tempo fui aprendendo a conviver e a respeitar o outro e vice-versa, pois um intercâmbio só funciona quando existe essa troca de experiências. Você aprende, mas também ensina. Fui bem recebida e encontrei um clima bastante festeiro e aco-

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lhedor”, acrescenta. A futura museóloga, além de cumprir um período de estudos em Sevilla, teve a oportunidade de conhecer grandes referenciais turísticos da Espanha, como Santiago de Compostela, Barcelona, Córdoba e Málaga. Laís aproveitou também para conhecer outros países, como Itália e França. A estudante resende-costense contou ao JL que o idioma foi a sua principal dificuldade, já que antes de fazer a viagem ela não tinha domínio do o espanhol: “quando você chega em um país onde todos falam uma língua que você não domina, é realmente dificultoso. Mas, quando você

mantém contato com uma outra cultura, um outro país, você acaba aprendendo com maior facilidade, porque você é obrigado a falar. Durante minha estadia, fiz aulas de espanhol para aperfeiçoar e optei por disciplinas de história da arte e museografia na Faculdade de Geografia e História da Universidad de Sevilla”, afirma Laís. “Sevilla é, além de tudo, um ponto de encontro de gente de todos os lugares do mundo: estudantes, turistas, comerciantes etc. O que favorece ainda mais o contato com várias culturas e o que faz de Sevilla a ‘cidade da diversidade’”, completa a universitária.

Laís Matta em Barcelona

Foto: Fernando Chaves

Performance dos alunos que participaram de uma das oficinas da Mostra

Foto: Fernando Chaves

Cena de uma das peças apresentadas na casa de Cultura, durante a 2ª Mostra de Cenas Curtas da UFSJ

No ar o programa Conexão 87: jornalismo dinâmico na rádio Inconfidentes FM Uma nova e diferente atração nas manhãs de sexta-feira. Essa é a proposta do programa Conexão 87, que estreou na Rádio Inconfidentes FM, no dia 16 de março último. O objetivo do programa, apresentado pelos jornalistas André Eustáquio e Emanuelle Ribeiro, é levar ao ouvinte o que foi destaque na semana nos meios de comunicação. A pauta do programa contempla reportagens especiais, entrevistas, análises das notícias, música e agenda cultural. No programa de estreia, André

e Emanuelle receberam os jornalistas Bruno Ferreira e Rhonan Moreira Neto, ambos da cidade de Barroso. Durante o programa, os convidados interagiram com os apresentadores, opinando sobre os diversos assuntos abordados, mas especialmente o esporte, especialidade do jornalista Bruno, que possui larga experiência como cronista esportivo, repórter e locutor. O programa Conexão 87 vai ao ar todas as sextas-feiras, na Rádio Inconfidentes FM, em Resende Costa, das 08h30min às 09h30min.

André Eustáquio e Emanuelle Ribeiro no estúdio da Rádio Inconfidentes FM


8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Perguntas de renascer Resende Costa... quase sou daqui. Metade de mim é laje, a outra metade é longe. E quanto mais te vejo, cidade quase minha, mais te pergunto para te recriar. Cada pergunta que te faço me leva a promessas e ensaios de respostas que ora vêm vestidas de humor, ora vêm com roupa de poesia. Por baixo da roupagem, a mesma nudez de sempre: uma cidade e suas esquinas... uma cidade e seus becos e montes... uma cidade e seu povo e prosa... uma cidade... e eu. E eu te pergunto, cidade. Pergunto para te ver diferente na linguagem que ousa sentidos outros. O muro que o Beira Muro beira é muro de arrimo? O que há por trás do muro que o Beira Muro beira? É de zinco ou de alvenaria o Barracão? Quantas pessoas cabem no Barracão? Pelas frestas do teto do Barracão, como alguém já cantou, dá pra ver as estrelas? O que entra pelo Buraco do Inferno? O que sai pelo Buraco do Inferno? Não entra nem sai nada do Buraco do Inferno? Então o capeta tem o orifício entupido? Qual é a melodia dos Quatro Cantos? O que os Quatro Cantos cantam? É um diapasão para cada um dos ângulos? Os Quatro Cantos fazem uma polifonia de esquinas? Onde está o campo do Parque do Campo? Onde estão os brinquedos, as crianças, o alarido do parque do Parque do Campo? Qual é o parque? Qual é o campo? A Rua Sete fica entre a Rua Seis e a Rua Oito? Seis e

oito não são quatorze? E sete não é o meio de quatorze? Então? A Rua Sete não está realmente no meio da Rua Seis e da Rua Oito? Os pintos do curralinho ciscam com força? Não é perigoso? No Curralinho dos Pintos, qual o pinto que é mais ralinho? Já fizeram terraços com as lajes daqui? Já colocaram as lajes no ponto mais alto das casas? Ou não precisa, pois elas já estão no alto? As lajes das Lajes são pedras ou são mirantes do infinito? E o Morro do Chapéu? Cobre a cabeça de quem? Quem o esqueceu ali, ao longe? Alguém que tirou o chapéu para a cidade e foi embora? O Morro do Chapéu, com aquele seu jeitão de pirâmide do Egito, não seria um faraó das montanhas? Sabe aquela luz que todo mundo fala que aparecia por aqui, assustando as pessoas de madrugada? Pois é, cadê a luz? Por que ninguém mais fala dela? Por que não aparece mais? Queimou? Ou era apenas um sol atrasado, correndo para não perder a hora de amanhecer outros lugares? Eu te pergunto, Resende Costa... e me respondes em cada madrugada que me invade, em cada saudade que me acaricia, em cada amor que me ressuscita. E com isso tudo vou tecendo auroras. Pego um pingo de luz e jogo nas perguntas que te faço. Aos poucos, o arrebol... e te vejo renascida, Resende de Costa e de Frente, Resende Costa renascida quando eu brinco de perguntar.

__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Contemplando as palavras Integrantes de uma turma de oito irmãos, estando vivos hoje seis, Maria José de Sousa (70) e Maria do Rosário de Sousa (59), as filhas da Vovó, vieram do povoado do Brumado acompanhando a família por determinação materna. Instaladas em Resende Costa, foram impedidas de frequentar escola porque, segundo afirmam, a mãe (que era doente) achava que não podiam ir ao grupo escolar, pois, se saíssem de casa, “o carro matava”. Maria do Rosário ou Rosária (como muitos a chamam), no entanto, faz questão de dizer que sabe fazer contas. A julgar pelo organizado e conceituado trabalho que essas duas irmãs desempenham há mais de cinquenta anos como lavadeiras, elas souberam se impor como profissionais de respeito na área em que atuam. No começo, Maria José e Maria Aparecida (uma outra irmã) lavavam as roupas da casa, mas por necessidade familiar passaram a aceitar encomendas de trouxas, todas elas levadas para a Fonte da Mina, perto de casa e local de lavação das peças. Aparecida veio a falecer e Rosária assumiu o lugar da irmã na formação de uma nova e dinâmica dupla. E bota dinamismo nisso! E muita história para contar também. Lembrando os tempos mais difíceis ao lado dos pais (falecidos), minhas simpáticas e sorridentes entrevistadas comentam que puderam contar com a ajuda do José Alencar e da dona Rute, saudosos irmãos do Ênio Resende. Afirmam que por ocasião da compra da casa onde moraram por muito tempo, foram ajudadas também por ela. E o tamanho da gratidão e do carinho que nutrem pela lembrança de uma pessoa tão prestimosa como foi dona Rute pode ser traduzido pela maneira como as duas se referem à

REGINA COELHO

As filhas da Vovó

sua protetora: “nossa mãe”. Quando indagadas sobre a primeira cliente (ou freguesa, melhor dizendo), citam a Margarida (do Tarcísio), que confiou a elas a lavação das roupinhas da filha Naná, na época, bebê. E vieram muitas outras, várias delas fiéis até hoje e recomendando o serviço das duas a filhas e noras. À propósito, o trabalho que as duas irmãs executam numa média semanal de oito ou nove trouxas lavadas e quase sempre passadas (opção da maioria pelas duas etapas) começa com a busca da roupa na casa da freguesa. Essa tarefa é exclusiva da Rosária já que Maria José nunca sai de casa, por nada, segundo ela, que simplesmente se acostumou a viver assim e se diz feliz dessa forma. Até dois anos atrás, as roupas eram lavadas na já citada Fonte da Mina, hoje infelizmente abandonada por todos. Por muito tempo, essas tradicionais lavadeiras cuidaram dela fazendo a capina do local e lavando a caixa d’água. Por questão de praticidade, a lavação é feita agora na casa que construíram em terreno também comprado por elas. Tudo fruto de muito esforço de ambas. E, se atualmente contam com as facilidades no uso de produtos variados para lavar e passar as peças de roupas, isso nem sempre foi assim. É verdade que tudo é lavado exclusivamente “na mão” e Rosária não hesita ao assegurar que a quantidade de trabalho não diminuiu com a popularização das máquinas de lavar. O sabão de bola (feito à base de torresmo triturado, soda cáustica e água) não é mais usado, mas as roupas brancas passam ainda pelo quarador. Isso quer dizer que as duas lavadeiras colocam esse tipo de roupa já em processo de lavagem sobre um plástico estendido no chão do quintal da casa por algum tempo, antes de enxaguar as peças. Secas e recolhidas dos inúmeros varais, as roupas são passadas. Nessa hora, reina ab-

soluto o ferro a brasa. O elétrico, nem pensar! Dá gosto ver as peças dobradas nas trouxas limpas e prontas para o caminho de volta a seu destino, sempre carregadas nos braços da Rosária, uma verdadeira formiguinha passando pela cidade num vaivém constante. Trouxa vai, trouxa vem, é raríssimo alguém deixar de receber alguma peça de roupa ou vir ela trocada de outra trouxa, por engano. E todo cuidado é pouco para não deixar que as roupas manchem. Para evitar que isso aconteça, nossas especialidades recomendam que as peças sejam separadas por cor (o que já é sabido) e, colocadas de molho, não devem ser esfregadas na hora. Elas recomendam ainda varais diferentes para roupas brancas e escuras. Todo cuidado é pouco também para conferir os bolsos de calças, casacos e camisas tirando deles papéis, chaves e dinheiro, muitas vezes esquecidos ali e devidamente devolvidos a seus donos. Tantos anos de trabalho custaram à Rosária uma “inflamação” crônica no pulso direito. Maria José afirma ter se curado de uma dor antiga no braço. São os ossos do ofício. Segundo elas, ver a roupa clarinha e cheirosa é a melhor parte do serviço. A pior? “A chuva”, respondem as duas, mas sabiamente acrescentando que “tem que chover senão a gente fica sem água”. Conhecidas em Resende Costa como “as filhas da Vovó”, quis saber delas o porquê de serem assim chamadas. A explicação é simples: Vovó era o apelido da mãe, Nair Sebastiana de Jesus. Sem dúvida, o nome que as identifica na cidade é marca de qualidade associada à excelência dos serviços prestados a tanta gente por essa dupla que sabe levar a vida com a maior dignidade. Limpeza pura!


Jornal das Lajes

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Retalhos Literários

EVALDO BALBINO

Estátuas aéreas

Desfilavam perante seus olhos bois, carneiros, cabeças de pássaros. Quando não eram animais, apareciam aquelas cruzes iguaizinhas às que ele via em cemitérios ou à beira de estradas. Também via nas nuvens flores, árvores sem raízes, rostos de homem ou de mulher. Eram de mulher, tinha certeza, quando os cabelos se mostravam fartos e longos. Tudo bem que mulheres também cortam o cabelo. Mas no seu mundo o que ele conhecia eram mulheres de cabelos longos, como véus descendo pelo pescoço, abraçando as espáduas, chegando à cintura. Algumas vezes a pergunta: e o que fazer com as mulheres de cabelos curtos, as poucas que ele via de relance em alguns momentos pelas ruas? Como vê-las voando nos altos céus? Bem, nesses casos, optava pelo mais fácil: as feições de cabeças com cabelos curtos eram de homens. Não haveria de complicar a vida ali transmudada em nuvens. A vida por si mesma já era difícil. Então queria ver a simplicidade nas metamorfoses aéreas. Muitas noites também buscou contar carneirinhos, como os que via voando nos céus, as nuvens fugitivas. Quando as noites eram escuras, e o sono tranquilizador não vinha para aplainar os medos, principalmente da morte, então procurava contar carneiros. Mas eles não vinham. Não se

mostravam enfileirados, saltitantes, como os que ele via nos sonos tranquilos das personagens dos desenhos de televisão. Certa vez sua tia insistiu em dizer que tinha visto entre as nuvens o Sagrado Coração de Jesus. Ele não duvidou. Dessas coisas não se duvida. Sua tia andava de um lado para outro, gesticulava, falava alto, animadíssima com o êxtase que experimentara. Juro que vi, gente, juro que vi! – berrava aos quatro ventos e ainda acrescentou: aposto que é pelas provas que já passei na vida; já sofri tanto, que Jesus se mostrou pra mim! Para ele Jesus nunca se mostrara. Desde bem pequeno ouvia falar desse nazareno andando pelos caminhos, curando cegos, levantando mortos, fazendo andarem os paralíticos. Ouvia falar desse homem que pregava boas novas, mas não o conhecia. Em sua igreja não se aceitavam imagens de santos. Quando um dia, depois da relutância de sua mãe, foi para uma outra igreja – também evangélica – para estudar num catecismo aos domingos, foi que viu Jesus pela primeira vez: cabelos longos, barba imensa por fazer, olhos azuis como os de um escandinavo, vestes longas. Andava na simplicidade, mas com uma brancura de corpo e de alma que dava gosto – pelo menos era isso que dizia a catequista. Chegou à sua casa espevitado depois desse primeiro dia de catequese. Foi logo dizendo à mãe que vira Jesus.

Cidade

A mãe o olhou, sem espanto, e perguntou com tranquilidade: – Ah, é? E como é ele? Foi dizendo tudo, descrevendo a grande personagem, detalhe por detalhe. Mas a mãe foi dura: – Que mentirada, meu filho! Cristo não tinha cabelos longos nem olhos azuis. Ninguém aqui viu ele pra sair desenhando assim não! Vê lá se o Filho de Deus ia usar cabelo grande! O menino ficou triste, frustrado. Será que a professora catequista havia mentido mesmo para ele? Mas criança, se não esquece tudo, sabe pelo menos mudar de um problema para outro, fantasiando cada dificuldade com outras brincadeiras. E o garoto não mais se preocupou com aquela “mentira”. Tempos depois, quando lhe apresentaram na escola um desdenho do mártir Tiradentes, pensou: ou esse enforcado é irmão gêmeo de Jesus ou então tá todo mundo mentindo de verdade! Continuou por sua vida afora buscando Jesus, principalmente nas nuvens. Querendo ver, se não aqueles cabelos longos e barba imensa, pelo menos um homem com ares divinos. O problema é que ele não saberia nunca distinguir como é que é um ser divino. Ainda era cedo, e o menino não tinha descoberto até aquele momento que Deus está é dentro da gente e não fora. Se ele aparece nas nuvens, são nossos olhos que o projetam lá: projetam as nossas próprias almas.

EMANUELLE RIBEIRO

Obras da creche/escola Proinfância estão paralisadas A empresa responsável pelo serviço, M2A Serviços e Engenharia Ltda., abandonou as obras em fevereiro. Os funcionários, que não recebiam há cerca de dois meses, procuraram o Ministério do Trabalho. A empresa M2A Serviços e Engenharia Ltda., responsável pelas obras da creche/escola Proinfância no bairro Tijuco, deixou de pagar o salário dos funcionários por cerca de dois meses, conforme explicou o assessor jurídico da Prefeitura Municipal de Resende Costa, Ernane Moreira. Desde outubro de 2011, a prefeitura vinha percebendo uma lentidão no andamento das obras. Este ano, a empresa abandonou o serviço e, no momento, as obras estão paralisadas. Em 2011, a M2A venceu a licitação realizada pela prefeitura, apresentou os documentos legais necessários, firmou um contrato com o município e a construção da creche pró-infância foi iniciada com sucesso, num ritmo bastante acelerado: “A gente pensava que esse serviço seria prestado antes do prazo previsto”, disse Ernane. Mas, quando tudo parecia caminhar bem, com as obras acontecendo a todo o vapor, a fiscalização da prefeitura percebeu que as obras não estavam sendo executadas conforme o combinado. A prefeitura, então, tomou as providências

necessárias e se reuniu com o responsável pelas obras, Adilson: “O Adilson se prontificou a tomar as providências necessárias e seguir normalmente com as obras. Mas, a gente viu que não adiantou muito. Recorremos às previsões de penalidades pelo descumprimento de contrato. Em dezembro de 2011, fizemos uma notificação oficial, advertimos e eles se comprometeram a retomar as obras”, declarou o assessor jurídico do município. Além dos problemas referentes ao andamento das obras, a prefeitura recebeu ainda reclamações dos funcionários devido ao atraso do pagamento dos salários e direitos trabalhistas pela construtora, que já havia demitido alguns funcionários em dezembro passado sem quitar os direitos. Em fevereiro, os trabalhadores procuraram o Ministério do Trabalho, em Conselheiro Lafaiete, para reivindicar os direitos e tentar negociar com a empresa. Segundo Ernane, a M2A fez um acordo para regularizar a situação dos funcionários e retomar novamente as obras, o qual não foi cumprido: “A empresa enviou uma

notificação à prefeitura dizendo que não poderia tocar a obra, alegando coisas que não poderíamos aceitar. O que ocorreu foi uma falha muito grande por parte da empresa, porque ela não prestou o serviço para o qual foi contratada. Com relação aos funcionários, reconhecemos o trabalho deles, o prefeito ficou preocupado com a situação. Se houvesse a possibilidade de a prefeitura pagar os salários deles, nós pagaríamos, mas isso não pode ser feito espontaneamente. A prefeitura não tem autonomia para assumir dívidas do terceiro”, acrescenta. Assim, a prefeitura fez a rescisão unilateral do contrato com a construtora M2A e está tomando as decisões legais cabíveis. “Agora iremos fazer outro processo licitatório para contratar uma nova empresa. Vamos fazer o levantamento e ver o andamento das obras para sabermos qual a porcentagem do serviço concluído”, concluiu Ernane Moreira. O JL entrou em contato com o Ministério do Trabalho de Conselheiro Lafaiete, mas não foi possível contato com o responsável pelo caso.

Gastronomia

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CLÁUDIO RUAS

Resto de geladeira D e s d e criança sempre soube que deixar comida no prato era crime. Jogar alimento fora, seja o que sobrou no prato ou que sobrou na geladeira, é um dos grandes pecados que se pode cometer e minha família sempre soube disso. Aproveitar comida que vai pro lixo, além de lógico e sustentável, muitas vezes ainda culmina com um prato mais rico e saboroso. Até hoje falam – com a boca cheia d’água – do bolinho caipira que a minha querida e saudosa vovó Trindade do Góes fazia antigamente. Nos tempos de pobreza e uma dúzia de filhos pra criar, ela sempre se virava e acabava fazendo coisa boa, como esse bolinho feito com fubá, ovo, cheiro verde e aparas de osso que ela garimpava na cidade e depois limpava pacientemente. Eu nem era nascido, mas consigo visualizar a cena, a cara do bolinho e sinto até o gosto dele, queimando os beiços, crocante e recém saído da gordura de porco. Tudo bem que a ocasião faz o ladrão, mas acho que hoje em dia desperdiçamos muito alimento e deixamos de aproveitá-lo de uma melhor forma, graças a sua facilidade e abundância em relação ao passado. Infinitos são os exemplos de aproveitamento. Então vou tentar falar de alguns, começando pelos clássicos mexidão e farofa, bem brasileiros e “independentes”: quem decide sobre os ingredientes não é o cozinheiro, mas sim, a geladeira, a despensa e o quintal. E é aí que costuma sair coisa boa e surpreendente, como a farofa de resto de chouriço assado com banana caturra e pimenta dedo-de-moça, que o Marcus Monteiro (grande chef, professor e primo) preparou lá na roça no último reveillon. Azar dos porcos que ficariam com os restos. Os cubinhos de caldo de galinha, carne, peixe e legumes são práticos e muito usados, mas experimente de vez em quando fazer o caldo você mesmo, com as carcaças, aparas, ossos e restos de legumes que tiver. É muito superior e o preparo é simples. Portanto, além de um resultado melhor você ainda economiza e extrai ao máximo aquilo que a natureza te deu, o que geralmente é feito em um restaurante organizado, seja simples ou chi-

que. Imaginem só o tanto de coisa gostosa que dá pra fazer com o frango ao molho pardo que sobrou do almoço, já desfiando no fundo da panela com aquele caldo encorpado: risoto, macarrão, tortilha, estrogonofe, pastel, bolinho de arroz dormido e por aí vai. Até o angu que sobrou, se ao invés de ir pra gaiola do passarinho for amassado com o garfo e levado ao fogo com leite, manteiga e queijo ralado, fica ótimo. Os legumes, então, são mestres em serem esquecidos nas geladeiras e nas hortas, mesmo com a facilidade de se fazer uma sopa, um purê, ou um tabuleiro assado com bastante azeite. Assim como as frutas, que viram salada, compota, chutney (geléia) ou suco mesmo. É triste ver uma família na roça gastando dinheiro pra tomar um refrigerante ou um suco artificial enquanto as frutas se perdem nos pomares, pro delírio das maritacas. Mais um pecado cultural que costumo ver no interior é o aproveitamento das perfumadas ervas como manjericão, hortelã e alecrim somente para chás e garrafadas, e não para temperar carnes, molhos e pratos em geral, se limitando a usar a salsinha e a cebolinha. Entendo perfeitamente os costumes – e gosto deles – mas defendo que na cozinha sempre deve haver espaço pra se experimentar, sobretudo pela ótica do aproveitamento. Basta pensar em como surgiram pratos e misturas que hoje são tradicionais e adorados e ver que alguém criou aquilo, muitas vezes indo contra as regras. Outro lado positivo de cozinhar com o que se tem é o exercício da criatividade e do improviso, importantíssimos na gastronomia. Tenha sempre uma receita à mão para se orientar, mas procure não ficar muito preso a ela e não tenha medo. Errar na cozinha é normal até para os grandes mestres. E ensina muito. Por fim, confesso que tem hora que pedir uma pizza pelo telefone é a melhor coisa do mundo, mas temos que ter cuidado com essa comodidade dos dias de hoje, que sai caro tanto pra saúde e pro bolso, como pro paladar e pro bom gosto. E hoje, tá sobrando o quê na sua geladeira?


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ANO IX Nº 108 - ABRIL DE 2012 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO

Polícia

Resende Costa: reminiscências e curiosidades Polícia Militar apreende droga em

Puro privilégio: estou aqui, num domingo, sozinho, almoçando no restaurante Irassol, aquela comidinha mineira. Estou lá na mesa do fundo, de costas para todos os demais comensais, propositadamente. A moldura da janela transforma-se num quadro de esfuziante beleza. Enquanto belisco minha cachacinha, cortesia da casa, tiragostando uma carninha de porco, estou de frente para uma paisagem que se abre e se descortina diante dos meus olhos. Chove. Chuva e sol: “casamento da raposa”, como se dizia antigamente. À minha esquerda, o casario do bairro “Bela Vista”. Ao fundo e à direita, um verdíssimo de sumir de vista. O Bela Vista é um bairro relativamente novo. Está numa pequena elevação, o casario descendo pelas encostas abaixo. Tem até sua igreja. Levanto-me e olho logo abaixo: que pena, vejo apenas os restos que sobraram da antiga “laje da cadeia”. O casario é multicolorido. Casas, em sua maioria novas, bem pintadas, um tom de alegria. E a curiosidade: a maioria delas parecidas. Obedecem ao “estilo resende-costino”, tal como nossos antepassados portugueses tiveram o seu “estilo manuelino”. No estilo resendino todas as casas têm três andares: o térreo, normalmente destinado a lojas, oficinas, escritórios; no segundo, a moradia propriamente dita e no terceiro, um espaço amplo com um enorme telhado. Nesse, no dia-a-dia, estendem-se roupas e trabalha-se nos teares e, de vez em quando, festinhas, encontros, churrascos etc. Nos meus tempos de menino (e lá se vão anos...), ali onde é hoje o Bela Vista, havia apenas o velho campo do glorioso “Expedicionários Futebol Clube”, o orgulho dos resende-costenses.

Ficava no terreno da chácara do Manoel Cassiano. E ali acabava a cidade por aquele lado. Vinha o pasto do Ademar Aarão, posteriormente do Chico Carioca. Era onde, nas tardes agradáveis de dezembro e janeiro, muitas famílias íamos catar gabirobas. Bons tempos! Resende Costa nasceu em cima da uma grande laje. Ao ser batizada, a uns 260 anos atrás, como “Arraial da Lage”, era uma laje só, escrita com “g”. No seu topo, a capela de Nossa Senhora da Penha de França. Com o tempo, a laje foi sendo ocupada pelos moradores. Então, sobraram três pedaços de laje, conhecidas até hoje por “lajes de cima”, “lajes de baixo” e a “(ex)-laje da cadeia, onde estou. Engrossa a chuva. O ronco surdo e amedrontrador de um trovão escorre pelas lajes e desaparece nas paragens verdes do horizonte. Mais ao fundo, uma caminhonete sobe, vagarosamente, o “morro da Nega”. Um pedestre, também vagarosamente, sobe pelo meio da rua. O veículo se vê obrigado a contorná-lo. Curiosidade, Resende Costa cresceu, a cidade virou um “colosso de carros” nas ruas, mas o resende-costense ainda vive no passado: tem o hábito de andar no meio da rua. Que se danem os carros. Lá na linha do horizonte, uma cortina de chuva ocultou a serra, lá pras bandas de Lagoa Dourada. Outro trovão? Não, agora o barulho é outro: passa em frente ao restaurante um daqueles carros que mais parecem trovões ambulantes pelas ruas da cidade. Dizem que é música... Pode até ser, pois assim como a cidade, também a música mudou. Resende Costa modernizou-se muito rapidamente. A Cemig, a Copasa e a ligação asfáltica até rodovia MG 383. O êxodo rural,

em busca de grandes cidades e depois atraído pelo movimento do artesanato local. A modernização trouxe os benefícios do desenvolvimento econômico: novos bairros, comércio, construção civil, atendimento de saúde, escolas, empregos. Por outro lado, como qualquer outra cidade desenvolvimentista, vieram os malefícios do trânsito intenso de veículos, que atravessam ruas em alta velocidade, o barulho, o lixo, o incômodo das festas noturnas, a violência, as drogas, as trapalhadas financeiras etc. Muitas tradições culturais e religiosas desapareceram. O cinema, o teatro (que de tanto em tanto teima em ressurgir...); os cruzeiros decadentes e abandonados; as pequenas cruzes coloridas nas portas das casas, enfeitadas com papel celofane e crepom, na quaresma; os passeios na avenida, os leilões, quermesses e barraquinhas, para angariar dinheiro etc. A vida religiosa da cidade mudou com as novidades do Concílio Vaticano II (1962-1965) e a abertura para as denominações evangélicas, simplesmente “proibidas” de funcionar no município até meados do século passado. As mudanças socioeconômicas, culturais e religiosas implicaram mudanças no uso da língua portuguesa. Os choferes viraram motoristas; as jardineiras, ônibus; os “negócios” e armazéns viraram lojas, supermercados; as alfaiatarias, butiques; as vendas, bares e butecos; o Grupo Escolar virou Escola Estadual; os carapinas viraram marceneiros; os ferreiros e os “folheiros” (lembram-se do Manezinho foiero?) viraram serralheiros... Como poetizava e cantava o Chico Buarque, “o tempo rodou num instante, nas voltas do meu coração ... mas eis que chega a roda-viva e carrega a saudade pra lá...”

Lagoa Dourada e Resende Costa

No dia 11 de março, a Polícia Militar (PM) realizou uma operação no povoado do Arame, em Lagoa Dourada, onde foram abordados quatro cidadãos em duas motocicletas, sendo encontrado em posse dos ocupantes: certa quantia de substância análoga à maconha, acondicionada em uma sacola plástica com cerca de 110 gramas; três buchas de substância análoga à maconha e um invólucro contendo certa quantia de sementes da droga. Ao serem questionados sobre a procedência dos materiais ilícitos, os envolvidos disseram pertencer ao cidadão L., morador do povoado do Arame. Após ser questionado, o cidadão L. assumiu a posse do material apreendido e disse ainda que cultivava o produto no local de trabalho e que na casa, onde descansava, havia mais quatro pés de maconha. Com as informações, a guarnição da PM foi até à residência do autor, onde encontrou os quatro pés de maconha plantados no quintal. Foi dada voz de prisão ao autor, por tráfico de drogas. Os demais envolvidos abordados foram conduzidos à presença da autoridade judiciária. Já no dia 23 de março, durante patrulhamento, a viatura da Polícia Militar se deparou com um veículo suspeito, com placa de Lagoa Dourada, ocupado por três cidadãos, nas imediações do bairro Nova Resende, em Resende Costa. A PM abordou os suspeitos e durante a busca foi encontrado um invólucro, contendo certa quantidade de substância análoga à maconha. Os ocupantes que estavam no banco do carona alegaram que compraram a droga de um cidadão moreno, cabelo curto, que usava bermuda e camisa azul. Com as informações, a viatura realizou intenso rastreamento com as características do responsável pela venda da droga e acabou encontrando o suspeito. O cidadão J.C.S foi reconhecido pelos ocupantes do veículo abordado, que disseram ter comprado a droga pelo valor de R$40,00. Realizada busca pes-

Material apreendido pela PM na localidade do Arame

Material análogo à maconha e dinheiro apreendidos pela PM em Resende Costa

soal no infrator, foi encontrado no bolso de sua bermuda a quantia de R$36,25. Questionado sobre o restante do dinheiro, o infrator alegou que havia comprado um isqueiro e cigarros. Foi dada voz de prisão aos cidadãos envolvidos, que foram encaminhados à polícia judiciária. Campanha educativa - A Polícia Militar alerta quanto à importância do uso do cinto de segurança, destacando que a falta desse equipamento, segundo o artigo 167 do Código de Trânsito, configura uma infração de trânsito com multa no valor de R$ 127,69 e perda de cinco pontos na carteira de habilitação, por ser uma infração de natureza grave. A PM chama a atenção ainda para o excesso de velocidade na porta de escolas que, conforme o artigo 220 – XIV, resulta em multa no valor de R$ 191,54 e perda de sete pontos na carteira de habilitação, por ser uma infração de natureza gravíssima. Respeite as normas de trânsito! As informações são do Tenente Klaudir Machado, comandante do 3º Pelotão da Polícia Militar, que abrange os municípios de Resende Costa, Coronel Xavier Chaves e Lagoa Dourada. Latrocínio Quanto ao latrocínio ocorrido em 18 de janeiro, em Resende Costa, que resultou na morte de Adair de Sousa Ribeiro, 67, a Polícia Civil informou que foram feitas a reconstituição do crime e acareação (os quatro suspeitos foram colocados juntos) no início de março, mas nenhum fato novo foi apresentado. De acordo com a Polícia Civil, foi decretada a prisão preventiva dos três suspeitos, que já se encontravam presos e esses aguardarão o julgamento presos. O quarto suspeito responderá em liberdade. A Polícia Civil declarou ainda que o suspeito Élido Dirceu Resende acabou confessando seu envolvimento no crime.


Jornal das Lajes

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Meio Ambiente

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FERNANDO CHAVES

A extração de quartzo em Resende Costa: Impactos socioambientais e controvérsias

A extração de quartzo em localidades como o Curralinho dos Maias e a Micaela, com trânsito intenso de veículos pesados pelas vias do município, gerou recentemente debates e manifestações de descontentamento por parte da população. Moradores das áreas por onde passam os caminhões basculantes carregados de minério reclamam do excesso de carga nos veículos, que, por vezes, deixariam cair minerais pelas estradas ou mesmo pelas vias urbanas. Os caminhões estariam danificando os calçamentos públicos com o excesso de peso, além de provocar trepidação do solo, colocando em risco a estrutura de casas antigas, principalmente no centro da cidade. De acordo com o então secretário municipal de obras, José de Assis Sobrinho, o Zé do Dico, o excesso de carga dos caminhões chegou a danificar pontes e mata-burros em vias rurais e provocar afundamento no leito de estradas. “Foi preciso reformar ou trocar vários mata-burros por onde passam os caminhões. Também uma ponte próxima ao povoado do Andrade precisou ser reformada”, relatou o secretário. A Mineradora Vianini Ltda, de São João del-Rei, atua há cerca de dois anos no município de Resende Costa. A empresa já realizou extrações de quartzo na Micaela e retira atualmente o mesmo mineral na região do Curralinho dos Maias. Segundo informações da assessoria jurídica da Prefeitura Municipal, numa audiência realizada em agosto de 2011, a empresa firmou acordo com o município, e se comprometeu judicialmente com a reparação de danos às estradas e com a diminuição da carga dos caminhões. No entanto, a prefeitura vem alegando o descumprimento do acordo por parte da empresa. Em janeiro do ano corrente, a prefeitura reativou o processo judicial, requisitando a execução do acordo, e até o momento aguarda decisão da justiça. Rafael Vianini, representante da mineradora, diz que “a empresa reconhece a sua responsabilidade e sempre estará pronta para realizar

os reparos necessários na estrada em que trafega”. Mas ele afirma, também, que as condições das estradas rurais por onde passam os veículos da empresa são as mesmas de quando a mineradora se estabeleceu em Resende Costa. “Após a chegada da empresa na cidade, a prefeitura tentou de todas as maneiras lhe atribuir a culpa da causa de todos os danos causados. Salienta-se que, muito antes da exploração acontecer as vias rurais do município já se encontravam em estado de lástima”, argumentou. Rafael afirma que, mesmo não se julgando responsável pelos danos às estradas, a empresa teria fornecido mata-burros à prefeitura como forma de “evitar conflitos”, além de ter realizado manutenção de algumas estradas com equipamentos próprios. Por outro lado, o secretário municipal de Meio Ambiente, João Batista de Andrade Reis (João Bilaia), negou que o município tenha recebido mata-burros da mineradora, e que a mesma tenha reformado estradas. “A única contrapartida oferecida pela mineradora foram alguns caminhões de cascalho, transportados pela empresa até algumas vias rurais danificadas. Não houve nenhum fornecimento de mata-burros e nenhuma obra de manutenção realizada pela própria empresa”, garante João Bilaia. Mas a polêmica não se restringe à questão dos caminhões. A prefeitura municipal questiona, ainda, a legalidade e a responsabilidade ambiental das extrações realizadas pela empresa. Em agosto de 2011, a área de extração de quartzo no Curralinho dos Maias foi visitada e fotografada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente. A visita foi acompanhada pela Polícia de Meio Ambiente de São João del-Rei e por policiais militares do Pelotão de Resende Costa. A área também foi vistoriada, a pedido do secretário municipal de Meio Ambiente, por analista do CEAT – Centro de Apoio Técnico – Setor de Meio Ambiente do Ministério Público Federal. Segundo informações do secretário, foi elaborado relatório

técnico pela analista Maria Eugênia de Freitas Carneiro, sendo o mesmo encaminhado ao Ministério Público da Comarca de Resende Costa. Em contato posterior, por telefone, a referida analista do MP confirmou essas informações. A Empresa Vianini Ltda é detentora do Direito Minerário 833397/2011, conforme relatório obtido no DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), estando o registro da empresa neste órgão com o status “requerimento de lavra”. Adriano Valério, analista ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, explica que uma mineradora, para requerer a Portaria de Lavra (que é o título autorizativo definitivo para lavrar) precisa protocolar no órgão DNPM o PAE (Plano de Aproveitamento Econômico), o que não está evidenciado no relatório que se obtém no site do DNPM. De acordo com Adriano, também não há evidências, no referido relatório, da emissão pelo DNPM de Guia de utilização, que autorizaria o comércio do minério antes da emissão da Portaria de Lavra. “Portanto, a empresa ainda não possui o título autorizativo (portaria de lavra ou guia de utilização) para lavrar a área em questão e comercializar o minério”, conclui o analista. Ainda de acordo com Adriano Valério, para que ocorra a emissão da Portaria de Lavra, o DNPM exige uma Licença Ambiental emitida pela SUPRAM SUL (Superintendência de Regularização Ambiental Sul de Minas). “Com o PAE (Plano de Aproveitamento Econômico) aprovado pelo DNPM, o que ainda não ocorreu, a empresa pode requerer à SUPRAM a emissão da ‘Licença de Instalação’, que autoriza a instalação do empreendimento, mas não a extração propriamente dita. Somente com a ‘Licença de Operação’, fica autorizada a extração dos minerais”, explica Adriano. De posse de tais informações, esta reportagem estabeleceu contato com a SUPRAM CENTRAL (Belo Horizonte), por meio do telefone 31 3228-7821, e verificou que a empresa Vianini Industrial

Foto e Situação do Mês Até o dia 24 de março, sábado, um buraco aberto no meio da avenida Alfredo Penido, entrada da cidade e onde localiza-se as lojas de artesanato, causava transtornos aos motoristas que trafegavam pela via, e incomodava os moradores do bairro. Uma bananeira foi colocada dentro do buraco como atitude de protesto. Após a repercussão, inclusive nos sites de relacionamento, como o Facebook, o buraco foi tapado na manhã do dia 26, segunda-feira.

Mataburro danificados supostamente pela sobrecaraga de caminhões

Ltda não possui processo de licenciamento ambiental formalizado no Sisema (Sistema Estadual de Meio Ambiente) para o exercício da atividade de extração mineral em Resende Costa. Esta informação corrobora com a hipótese de que a empresa estaria lavrando no município sem a devida regularização ambiental. A mineradora afirma que “explora minério na região de Resende Costa de forma totalmente responsável e legalizada” e que, no caso da extração nos Maias, “existe um plano de recuperação de área degradada, que será totalmente cumprido após a exploração, bem como um plano de fechamento de mina, desenvolvido por engenheiros competentes da região”. Por outro lado, o secretário municipal de Meio Ambiente acusa a empresa de intervenção ilegal em APP (área de preservação permanente) na região dos Maias. A minerado-

ra teria suprimido vegetação nativa nas margens do córrego Vau das Pedras, sem a devida autorização do IEF. Além disso, o secretário afirma que a empresa não realizou a recuperação ambiental devida da área explorada nas proximidades da Micaela, onde a extração já se encerrou. “Deixaram o solo descoberto, sem curvas de nível e bacias de contenção, técnicas importantes para proteger o solo minerado da erosão. Cabe à prefeitura tomar providências judiciais para garantir o cumprimento de normas fiscais e socioambientais relativas à mineração no município. Reativamos o processo judicial em janeiro, exigindo o cumprimento das obrigações assumidas pela empresa em agosto de 2011, ou seja, a diminuição das cargas, o reparo dos danos causados ao município e a plena regularização ambiental de seus empreendimentos”, declarou João Bilaia.

Quartzo abandonado na estrada por mineradora


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Giro Esportivo

EMANUELLE RIBEIRO

Expedicionários representa Resende Costa no Campeonato Regional Santa Cruz de Minas

No último dia 25 de março, foi aberto em Santa Cruz de Minas o Campeonato Regional, de futebol de campo, do qual participarão vários times da região. O Expedicionários representará Resende Costa em todas as cinco categorias, que são: dentinho, pré-mirim, mirim, infantil e juvenil. Os primeiros jogos do campeonato aconteceram no dia 1º desse mês. O Campeonato Regional Santa Cruz de Minas adota o mesmo formato do brasileirão, com dois turnos, jogos de ida e volta e pontos corridos. Assim, o campo do Expedicionários estará recebendo jogos e os portões estão abertos para o público, que pode comparecer e tor-

cer pelos atletas resende-costenses. De acordo com Flávio Henrique, presidente do Expedicionários, a prefeitura municipal de Resende Costa contribuiu com uma quantia para a participação do Expedicionários no campeonato, mas esta não será suficiente e, por isso, a diretoria irá realizar uma campanha para arrecadar mais recursos. O presidente conta que, quando assumiu o Expedicionários, só existiam duas categorias: “A gente iniciou o serviço e agora contamos com mais atletas e categorias, que treinam regularmente no campo. Isso se deu graças ao envolvimento dos treinadores João Victor, Paulo da Copasa, Xodó e Chá Preto, que trabalham voluntariamente”, acres-

centa. Se tudo der certo e as categorias atuarem bem no campeonato de Santa Cruz, o Expedicionários participará também da liga de São João del-Rei: “Esse é um projeto meu, estou correndo atrás e tudo está encaminhado para que aconteça com sucesso”, afirma Flávio. Ainda segundo Flávio, a Câmara Municipal fez um repasse à Prefeitura no valor de R$ 22.000,00, dinheiro que será aplicado no término das obras no campo, com inauguração prevista para junho e também será usado para trazer a Seleção Mineira de Master, uma das comemorações do centenário de Resende Costa. “Agradeço à Câmara pelo repasse, em especial

ao vereador Paulinho pelo apoio, e também ao prefeito Adilson pelo acordo”, disse Flávio. “Em 2012 acontecem as eleições municipais e depois que entrei na diretoria do Expedicionários, percebi que Resende Costa necessita de uma secretaria de esporte. Então, independente do partido que administrará a cidade, este deverá nomear um responsável pela área”, espera Flávio. Flávio Henrique ainda chama a atenção para um fato importante: o torneio de inverno de futebol de salão em Resende Costa é referência na região e da mesma forma, com apoio e investimento, o futebol de campo também poderá se tornar referência.

Pista de caminhada - A pista de caminhada está funcionando desde o ano passado no Expedicionários e em novembro de 2011 a iluminação foi concluída, mas ainda não está funcionando: “Infelizmente os refletores não estão sendo ligados e quem não pode usar o espaço de dia acaba não caminhando. Além disso, uma forma de melhorar o espaço seria a implantação de aparelhos de ginástica: existe um projeto chamado ‘Saúde na Praça’, em que o Governo Federal disponibiliza recursos para esse fim. Basta as autoridades manifestarem interesse para conseguir isso”, conclui Flávio Henrique.

Especial Benzedores e Curandeiros

JOÃO MAGALHÃES

Benzedores e curandeiros em Resende Costa: Antônio Purcino de uma exposição), onde, inclusive, confeccionava e colocava as dentaduras. Por esses trabalhos odontológicos, que implicava, às vezes, hospedagem em sua casa, pagava-se, modicamente, apenas as dentaduras. O benzedor e curandeiro

O homem Seu verdadeiro nome é Antônio Inácio de Resende. Como sua mãe chamava-se Purcina, houve evolução de Antônio da Purcina para Antônio Purcino. Benzedor e curandeiro de renome aqui em nosso município, nasceu, porém, em Desterro de Entre Rios, em 11 de fevereiro de 1901, vindo a falecer em 1979, aqui na cidade, de enfisema pulmonar, devido a tantos anos de fumo. Seu sepultamento parou a cidade, tal sua popularidade. De seu casamento com Maria José de Andrade, nasceram quatro filhas, entre elas, Ninett Inácia de Resende, a Ju, a quem devemos a maior parte destas informações. Viveu no sítio Grota da Mandioca, perto da Lavra, comprado do ex-prefeito Antônio Honório. Homem de hábitos modestos, desapegado das coisas materiais, contentava-se com a produção de subsistência que cultivava. A maior parte do tempo era dedicada às práticas de benemerência, ou de caridade, como diz a Ju, tratando dos dentes das pessoas, preparando os remédios que distribuía gratuitamente, atendendo às numerosas consultas, jamais cobradas. Como dentista prático, montou um gabinete dentário, bem equipado para a época (chegou a participar

Os depoimentos mostram um Antônio Purcino com uma capacidade grande de intuir, ou seja, de “ler” por dentro as dificuldades da pessoa que o procurava. Não só as físicas (doenças), as emocionais também. Esse dom é nutrido por uma curiosidade científica que o inclina para o estudo dos fitoterápicos, da homeopatia, do esoterismo, da astrologia. Ju lembra-se de acompanhá-lo pelo campo à cata das raízes e ervas e vê-lo estudando e consultando um alentado livro de homeopatia. Até hoje está em sua memória, o cipó-prata, o marmelinho, a carobinha do campo, a espinheira santa, o cipó-azougue, a pomada bela dona (para mãos, ou rosto inchado), o sana-calos (“igualzinho a um doce de marmelada!”). A frequência era grande. De manhã, ao abrir a janela, via os cavaleiros no curral, à espera do atendimento. “O povo tinha muita fé com ele”. Quando eram muitos, ela ajudava na triagem, selecionando e agrupando os “clientes” pelos sintomas apresentados e organizava a fila para benzer, pegar água benta, pegar remédio etc. Benzia com Santo Antônio (a imagem está com a Ju até hoje). Distribuía, também, uns patuazinhos que continham uma oração: “A oração da defesa própria”, confeccionados, na época, pela empregada Maria. Além dos remédios de receita caseira, tratava também com remédios homeopáticos. Vinham pelo

Correio, em frascos, da “Homeopatia Cardoso” (Rio de Janeiro). “Pingavam-se 40 gotas em 20 colheres de água”. Acontecia, alguma vez, de praticar algum exorcismo “tirando o espírito”; usava igualmente de sua grande capacidade de sugestão para “tirar da pinga”, alertando, no momento da benção, para o perigo que o viciado corria se não largasse de beber. A consulta era à semelhança de um médico. Após a anamnese, punha o paciente “numa mesinha de deitar” e apalpava para localizar os males. O cartomante também aflorava; há relato de conselhos ou alertas quanto ao futuro, sobretudo de casamentos. E o astrólogo, igualmente, exemplificado pelo seguinte pedido feito. A sorte revelada pelo horóscopo astro kabalístico para uma adolescente, cujo nome omitimos. (Mexemos um pouco somente na pontuação e ortografia). O sol em pisces Os que nasceram sob este signo são mansos, afáveis, idealistas, pacientes, inofensivos, ingênuos, inclinados a emoções, receptivos, mediúnicos, impressionáveis. Não são determinados, porém metódicos, industriosos, persistentes e persuasivos, amantes da ordem e da perfeição, confiantes, simpáticos. Quando a coragem os abandona se tornam inquietos e tristes. Quando, porém, desaparece o pesar, são amáveis e agradáveis. Distinguem-se pela sua hospitalidade e benevolência, que se estendem até aos animais. A sua constituição em geral não é muito forte; têm predisposição para moléstias do peito, dos rins, nervosismo e doenças devidas a vício de sangue. Para con-

servar a saúde devem evitar as horas difíceis em que perdem a coragem, deixando-se dominar pelo nervosismo. A fortuna não lhes sorri; podem, entretanto, vencer as dificuldades se não sucumbirem sob o peso da timidez e da falta de energia. Adquirem bens por seus próprios esforços. As profissões mais convenientes são: comerciante, escritor, artista, médico, advogado etc. Todos os 12 anos de sua vida marcam uma mudança de fortuna, sendo a época mais crítica entre os 48 e 70 anos. Muitas viagens. Às vezes, viuvez ou dois casamentos. As mulheres deste signo são hospitaleiras, bondosas e amigas das modas. Para laço matrimonial é preferível aos piscianos escolheram pessoas nascidas de 23 de outubro a 32 de novembro. Influências da lua A lua neste signo produz uma natureza sonhadora, apaixonada, intuitiva, amante do luxo e do conforto, das mudanças, da beleza e harmonia, porém, inconstante. Derrota obstá-

culos. Gostos românticos, grande imaginação. Influência do nome de batismo (Nome omitido): significa doce, doçura na alma, espírito elevado. Se sabes querer o que é verdadeiro, se queres só o que justo, se ousas obter o que é possível, acharás um dia a chave do poder. Influência do decanato Indica inteligência e simpatia, porém, inconstante. Dá tendências pelas ciências. Bons e úteis amigos. Nota: Leitores desta nossa série que têm algum conhecimento ou experiência com nossos benzedores e curadores do passado, colaborem com a História de nossa cidade. Comuniquem-se conosco: (jevangelista1751@terra.com.br), ou pelo e-mail do jornal (contato@jornaldaslajes.com.br).


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