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Edicao 107

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ANO VIII Nº 107 - MARÇO 2012 / RESENDE COSTA - MG

Carnaval 2012 abre comemorações do centenário de Resende Costa

DISTRIBUÇÃO GRATUITA

O desenvolvimento de Barroso, MG, é sustentado pela articulação entre política e economia

Em Barroso, se misturam política e fábrica de cimento, carro-chefe da economia da cidade, ressaltando-se, nesse contexto, a figura de Tancredo Neves, que foi ligado ao grupo industrial que mantinha aquela indústria. Confira nesta edição a sexta reportagem da série especial sobre política regional. Pagina 05

Obras de instalação da rede de esgoto em Resende Costa poderão se estender por mais um ano Contrariando as expectativas iniciais, o engenheiro responsável pela execução do projeto, Wellington Percílio, informa ao JL que o adiamento do término das obras é devido a dificuldades técnicas e operacionais, decorrentes da topografia da cidade e também do longo período das chuvas. Página 12

Um grande tear em Bambu foi conduzido à frente do bloco Cabeção, que homenageou o centenário de Resende Costa

Neste ano, o tema escolhido para o carnaval foi o centenário da emancipação política de Resende Costa. A história do município foi contada de maneira artístico-irreverente pelos blocos caricatos, fantasias, ornamentações da avenida Gonçalves Pinto e inclusive pela marchinha-tema do Bloco Cabeção, composta por Wander Moraes e José Robson, músicos da terra. Páginas 06 e 07


2 Jornal das Lajes Editorial Resende Costa: centenário, eleições e futuro

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No Brasil dizem que o ano começa de verdade somente após o carnaval e que antes dele definitivamente não há chances de se discutir questões sérias, assumir projetos e trabalhos, enfim, tudo fica mesmo para depois da quarta-feira de cinzas. Momo se despediu e os tamborins calaram. É hora de começar. Em Resende Costa 2012 se iniciou de maneira especial, pois no dia 2 de junho próximo comemoraremos 100 anos de emancipação política do município. Para refletirmos sobre o centenário de Resende Costa e sobre as eleições municipais que acontecerão em outubro próximo, o JL iniciará, a partir da edição de abril, uma série especial de reportagens sobre o futuro de Resende Costa. E já de antemão, convidamos os nossos leitores a interagirem conosco, opinando, enviando sugestões de reportagens e entrevistas. É hora de perguntarmos sobre o que queremos de nossa cidade nos próximos 10, 20 ou 100 anos. Educação, infraestrutura urbana e rural, saúde, geração de empregos, cultura, meio ambiente, turismo e apoio ao empreendedorismo, certamente serão temas que trataremos nas edições do JL no decorrer de 2012, procurando demonstrar que o desenvolvimento do município deverá estar intimamente ligado a um planejamento visando ao longo prazo. Esperamos que durante a campanha eleitoral, que em breve se iniciará, os planos de governo elaborados pelos candidatos e apresentados ao eleitor fujam da mesmice dos anos anteriores, e tratem de temas importantes e que vão ao encontro do desenvolvimento futuro da cidade. O eleitor está cansado de ser iludido com propostas meramente eleitoreiras, por vezes inexequíveis. Coincidentemente, celebraremos o centenário de Resende Costa em ano de eleições municipais. Não há oportunidade melhor para o eleitor refletir sobre as propostas de cada candidato e analisar o que cada um está propondo para melhorar a qualidade de vida na cidade. Cabe ao eleitor enxergar o pleito que acontecerá em outubro como um momento de suma importância para a cidade. A omissão não é a melhor estratégia. É preciso formar opinião, discutir as propostas, cobrar dos candidatos e, se possível, engajar-se em algum projeto. Afinal, política é cidadania, ação, dever de todos. Infelizmente, o que se vê na grande maioria dos municípios do Brasil é a política sendo tratada somente entre as lideranças partidárias e seus correligionários. Com raríssimas exceções, a sociedade, no geral, é excluída do processo. No fim da história predominam as ideias ou, pior ainda, os interesses de um pequeno grupo. Para se pensar o futuro de uma cidade, não se pode desprezar os diversos segmentos que a compõem. Como excluir do debate as lideranças comunitárias, as associações de bairros, ONGs, representantes do comércio e da segurança pública? Pensar e planejar o longo prazo é uma atitude que nasce a partir de um compromisso sério com a democracia. Enfim, a pergunta que propusemos no início deste editorial, “o que queremos de nossa cidade nos próximos 10, 20 ou 100 anos?”, deve nortear o ano eleitoral que se inicia. Esperamos que o centenário de Resende Costa não seja apenas mais uma ocasião para shows, homenagens e discursos políticos. Mas, um precioso momento para começar a planejar o futuro do município.

Jornal das Lajes Ltda

CNPJ: 09.323.470/0001-60 Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro (32) 3354-1323 - Resende Costa - MG CEP: 36.340-000 Diretor de redação: Rosalvo Pinto Editoração: Rafael Alves Editor de Esporte: Geraldo Aires Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Jornalista responsável: Floresta - Belo Horizonte José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP Tiragem: 3000 exemplares Diretor Administrativo: Circulação: Eustáquio Peluzi Chaves Resende Costa e São João del-Rei Diretor de Contabilidade: Os artigos assinados não refletem Antônio da Silva Ribeiro Neto obrigatoriamente a opinião do jornal. Editor-chefe: André Eustáquio

ANO VIII Nº 107 - MARÇO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Religião

PADRE DIRCEU DE OLIVEIRA MEDEIROS*

Que a saúde se difunda sobre a terra. (Cf. Eclo 38, 8) Quaresma é tempo de metanoia - expressão grega que quer dizer mudança de mentalidade e de atitudes. Para nos ajudar a viver o tempo quaresmal, a Igreja no Brasil nos propõe a Campanha da Fraternidade, que chama a nossa atenção para temas atuais, que tocam nossa existência e de nossos irmãos e irmãs mais sofridos. No corrente ano a Igreja nos leva a refletir sobre a problemática da saúde no Brasil, com o tema “Fraternidade e Saúde Pública” e o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra”. Passo a abordar alguns pontos que julgo relevantes para nossa reflexão. A Organização Mundial de Saúde (OMS) nos ensina que saúde é “um estado de completo bem-estar, físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças”. Gostaria de acrescentar também o aspecto espiritual. O texto base da CF 2012 tem uma compreensão antropológica unitária, ou seja, entende o ser humano como um todo e como possuidor de muitas dimensões: física, espiritual, psicológica etc. Na relação com a doença, o cuidado espiritual é imprescindível. Em outras palavras, o ser humano não pode ser considerado somente em seu aspecto físico ou mental ou mesmo espiritual, mas sim como um ser multidimensional e cada dimensão é importante. Não descartemos o aspecto espiritual e lembremo-nos que visitar os enfermos é uma obra de misericórdia! (Mt 25, 35-36). A Constituição Federal entende a saúde como “Direito de todos e dever do Estado”. Nesse contexto nasceu o SUS (Sistema Único de Saúde). O texto base da CF 2012 reconhece o

avanço que significou a criação do SUS, porém, pondera que esse sistema está longe do ideal, principalmente se comparado com os de outros países que, verdadeiramente, priorizam a saúde pública. Nessa perspectiva, não podemos tratar a saúde como um negócio lucrativo ou mesmo um favor, mas um direito. Infelizmente uma mentalidade mercantilista, que transforma tudo em negócio, também está infectando o nosso sistema de saúde. Brota daí a necessidade de sermos cidadãos, “fermento na massa, sal da terra, luz do mundo”. A CF 2012 nos conclama a participar das conferências e dos conselhos de saúde, enfim a exercer nossa cidadania. Desejo realçar aqui a relevante contribuição dada pela Igreja na área da saúde. Podemos dividi-la em dois momentos: a contribuição de ontem, do passado, e a de hoje, ambas valiosas. No passado, através de suas confrarias e outras entidades congêneres, a Igreja deu relevante colaboração à sociedade com a construção das Santas Casas e dos Hospitais Religiosos. Ordens Religiosas foram criadas, sob a inspiração do Espírito Santo, com o carisma exclusivo de promover a saúde! Se fizermos uma análise, em nossa região, verificaremos: a maioria das instituições de saúde que temos nasceu dentro da Igreja. Será que tais instituições contam com o apoio necessário do poder público? Em nossos dias, porém, a Igreja se empenha na promoção da vida e da saúde de todos. O texto base da CF 2012 nos apresenta dados concretos. Lembremo-nos do trabalho silencioso e generoso das pastorais da saúde e da criança. A pastoral da criança, movida pelo amor aos pequenos e

liderada pela saudosa doutora Zilda Arns, foi peça chave na redução da mortalidade infantil em nosso país. Essas pastorais foram e são um verdadeiro exército do bem que trabalha pelo projeto de Jesus, a fim de que todos tenham vida e a tenham em abundância! (Jo 10, 10). Concretamente, convido você a aprofundar o tema da CF 2012. E poderá fazê-lo participando dos grupos de reflexão em sua comunidade, conhecendo a realidade da saúde em seu bairro e seu município, participando da Coleta da Solidariedade no Domingo de Ramos. Os recursos obtidos com essa coleta serão aplicados em projetos sociais relacionados com o tema da campanha, em âmbito nacional e diocesano. Você poderá ainda ingressar na pastoral da saúde de sua paróquia e se interessar pela situação dos enfermos de sua comunidade. Finalmente, para iluminar nossa reflexão, sirvo-me de um trecho da mensagem quaresmal do Papa Bento XVI: “por conseguinte (...) vos convido a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Com frequência prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela ‘esfera privada’.” Espero que esse texto seja provocativo e desperte interesse em todos!

*Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição - Prados (MG). Vigário-Geral da Diocese de São João del-Rei (MG).

Voz do Cidadão

Moradores agradecem melhorias em ruas

“Os moradores das ruas Paulo Ferreira Resende e José Bosco de Resende agradecem a atual administração pelo serviço de calçamento realizado na área. A todos, o nosso muito obrigado”. (Geralda Cândida Maia - Resende Costa, MG)

Rua Paulo Ferreira Resende foi pavimentada

Informe A AMIRCO informa que, no mês de abril, estará recebendo fotos para a publicação do “Álbum Fotográfico de Resende Costa”, a ser lançado no período das festividades do centenário da cidade.


Jornal das Lajes

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Voz do Cidadão

Alunos da Escola Municipal Paula Assis Estrada encontra-se em brilham em Olimpíada de Matemática péssimas condições

Eduardo Geraldo ao lado da professora de matemática, Goretti

“Na edição 104 do Jornal das Lajes, em uma entrevista sobre a Escola Municipal Paula Assis, mencionei que o objetivo da escola não era apenas preparar alunos para vestibulares, concursos e medalhas. A conquista do que seria uma dificuldade para algum aluno também é uma vitória. Continuo afirmando isso e nós, professores e funcionários, trabalhamos para tanto. Mas hoje não poderia deixar de, em nome de toda comunidade escolar, homenagear os alunos Lucas Resende e Eduardo Geraldo de Assis. No início deste

ano, recebemos a notícia de que ambos receberam as medalhas máximas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) referentes ao ano de 2011. O aluno Lucas, que este ano não está na Paula Assis, obteve medalha de prata em seu nível, e foi um dos 300 medalhistas nacionais na categoria. Receberá sua condecoração em São João del-Rei, provavelmente na UFSJ. O medalhista de ouro, Eduardo, obteve o 63º lugar no Brasil e o 12º em Minas Gerais, dos 200 premia-

dos em seu nível. Quem irá lhe entregar a medalha será a presidente Dilma Rousseff, provavelmente no Rio de Janeiro, em data a confirmar. Os dois alunos têm vaga no Programa de Iniciação Científica para alunos que estão matriculados em rede pública (PIC/2012). Eles reforçam a idéia de que o interesse e o esforço por parte do aluno, um acompanhamento de qualidade por parte dos profissionais da educação e o apoio familiar fazem toda a diferença. E é por isso que mais uma vez eu destaco a dedicação profissional das pessoas com quem trabalho e, especialmente neste caso, parabenizo a professora de matemática dos medalhistas, Maria Goretti Resende. Ao Eduardo e ao Lucas: vocês podem ter certeza que são motivo de orgulho para a Paula Assis. Para mim, particularmente, com certeza já são”.

“Sou morador do Sítio Valinhos e venho através deste veículo informar sobre a estrada que liga o povoado dos Pintos à estrada de Passa Tempo - construída em 1962 pelo ex-vereador José Germano de Resende e pelo Aristides Teixeira de Resende - que se encontra em péssimas condições. A ponte do córrego do Zé Germano está impedida, impossibilitando qualquer automóvel de transitar por ali. Já foram feitas vá-

rias reivindicações aos órgãos públicos. Em 2009, esteve no local o ex-secretário de obras acompanhado por Mário de Assis Resende; tiraram fotos do local, porém, até hoje o problema não foi resolvido. Sou morador do local, mas não só eu, como também várias pessoas necessitam constantemente da estrada”. (José Germano de Resende Resende Costa, MG)

(Virgínia Daher de Oliveira Coelho – diretora da Escola Municipal Paula Assis – Resende Costa, MG)

Não é bem assim!

Pastor José ministrando culto na Igreja Batista, em Recife

“Há cinco anos me tornei ministro de culto (pastor) e desde então

tenho como obrigação ensinar cabalmente o evangelho de Cristo Jesus. Já fui pastor em algumas cidades do sul de Minas e atualmente faço parte da equipe “missionária pastoral” aqui em Resende costa. O fato é que em todas as cidades que trabalhei sempre me deparei com os pontos de atritos e doutrinários do ponto de vista religioso. Então quero pontuar nossa visão bíblica e de sua veracidade. Tudo que falamos provamos através dela, nada falamos de vontade própria. Também não temos a prerrogativa de dizer que o que ensinamos é verdade absoluta. Eu sou contra o preconceito religioso, isto me torna acessível a quaisquer credos. De contrapartida não sou obrigado a concordar com a visão doutrinária e vice versa. Nós precisamos entender que a religião vista de modo difamatório separa as

pessoas e destrói a comunhão. Nos anais da história do cristianismo, principalmente nos séculos XVI e XVII, muito sangue fora derramado, essa barbárie ainda predomina em alguns corações. Herdamos a separação religiosa de nossos antepassados e brigamos por banalidades. Ensinar a verdade bíblica é o melhor caminho para a construção de um povo que assume o ônus da expansão do reino de Cristo. Quando as pessoas nos perguntam algo sobre a religião, nós pastores José e Francisco juntamente com nossas esposas temos a obrigação de ensiná-las. Enfaticamente não somos contra quaisquer religiões, apenas ensinamos a bíblia”. (Pastor José da Silva Carmo - 1ª Igreja Batista em Resende Costa, MG)

Cidadã indignada “O nosso carnaval foi muito bom, mas quanto à qualidade da higiene pública, ficou a desejar. A falta de banheiros públicos foi terrível. Nunca vi tanta gente fazendo xixi em qualquer lugar, em todas as ruas que abrangem o centro, inclusive nas ruas do asfalto, por onde os blocos passaram. Os banheiros que foram colocados à disposição do público nos dias oficiais, no centro da

cidade, foram poucos, em vista de tanta gente e tantos turistas. Espero que a organização da festa seja diferente no próximo ano, com instalação de banheiros químicos em toda a área central, onde acontece o carnaval, bem como no asfalto, por onde desfilam os blocos do pré-carnaval.” Andréia Aparecida Ciro Resende Costa (MG)


4 Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 107 - MARÇO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Meio Ambiente

ANDRÉ EUSTÁQUIO

GD2 e COPASA realizam ação ambiental em São João del-Rei O comitê de Bacia Hidrográfica Vertentes do Rio Grande (GD2) e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA), com o apoio de empresas e entidades parceiras, realizaram, no dia dois de março último, um ato simbólico para recolhimento do lixo deixado pela enchente às margens do Rio das Mortes, próximo à ponte do Bezerrão, em São João del-Rei. Participaram do evento mais de 20 militares do exército, além do corpo de bombeiros e representantes do Instituto Estadual de Florestas (IEF), EMATER e Prefeitura Municipal de São João del-Rei, através da Secretaria Municipal de Agropecuária. O organizador do evento, Auré-

lio Suenes, presidente do GD2, destacou o envolvimento dos parceiros e da imprensa: “Por se tratar de um ato simbólico, o importante é que o fato possa chegar às casas das pessoas, para isso é que contamos com o apoio das rádios, jornais, e TV’s que registraram o acontecimento”. O evento “Ação Ambiental Consciência e Atitude”, teve o objetivo de conscientizar as pessoas para mudanças de hábitos que afetam diretamente o meio ambiente como: evitar o uso de sacolas plásticas, não jogar lixo nas ruas, encostas e rios, adotar práticas de reciclagem etc. “Outros eventos dessa natureza devem acontecer ao longo do meu mandato como presidente do Comitê

de Bacias-GD2. Nos próximos eventos vamos incentivar a participação das escolas e da própria comunidade, que não puderam estar presentes devido às questões de segurança”, disse Aurélio, que destaca ainda o papel determinante do poder público nas questões ambientais: “Percebemos que apesar de ser um tema bastante comentado, o meio ambiente está em segundo plano para os gestores públicos. O exemplo claro está nos lixões, a maioria dos municípios não tem usina de reciclagem e compostagem de lixo, a coleta e o tratamento de esgoto são gargalos que interferem na qualidade de vida das pessoas. Só há um caminho para que as coisas comecem a mudar: educa-

Perfil

Militares do Exército ajudaram na coleta do lixo nas márgens do Rio das Mortes

ção. Só assim tomaremos consciência e passaremos a exigir e cobrar

mais do poder público”, concluiu.

ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO

Um cidadão resende-costense na terra do Tio Sam

No dia 1º de março, o resende-costense Célio Moraes dos Santos retornou aos Estados Unidos, onde trabalha há cerca de 25 anos. O leitor deve estar se perguntando: “Mas quem é Célio Moraes dos Santos?”. Pois bem, estamos falando do popular e carismático Timoura, ou Timourinha, 58 anos, natural do Quilombo, zona rural de Resende Costa. De origem humilde, Timoura deixou a roça, onde trabalhava com seu pai, para tentar a vida na cidade grande. Partiu então para o Rio de Janeiro, onde se formou torneiro mecânico pelo SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). Trabalhou algum tempo no Brasil, mas quando surgiu uma oportunidade de emprego no exterior, não pensou duas vezes, arrumou as malas e aterrissou no Iraque: “Rio de Janeiro-Portugal; Portugal-Madrid; Madrid-Copenhague; Copenhague-Beirute; Beirute-Aman; Aman-Iraque. Fiz esse trajeto muitas vezes. O Iraque acreditou muito no Brasil”,

conta Timoura, acrescentando à frase a expressão ‘uai’, até porque antes de tudo ele é nosso, ele é de Minas. Iniciada a guerra Irã-Iraque (1980/1988), a Construtora Mendes Júnior na qual trabalhava foi obrigada a interromper suas obras no Iraque. A maioria voltou para o Brasil e outros tentaram outras alternativas. Já com alguma experiência internacional, Timoura subiu a América e foi trabalhar na Flórida (EUA). “Já fui pra lá falando inglês, mas o salário na Flórida não era muito bom. Daí fui pra Nova York e tô lá até hoje”, afirma, com um sorriso estampado no rosto, sua marca original. Atualmente, Timoura é motorista de táxi em Nova York, onde trabalha cerca de 20 horas por dia e vive numa pensão chinesa. Sua vida na megalópole americana é uma correria danada. Corre pra cá, corre pra lá, e geralmente se alimenta de comida chinesa: “mas lá tem comida brasileira também”, completa. No dia a dia do seu trabalho como taxista, Timou-

No dia em que voltou aos Estados Unidos,Timoura recebeu o JL na sua construção, em Resende Costa

ra tem a oportunidade de conviver com muita gente, inclusive de diversas nacionalidades, a começar pelos companheiros de trabalho, que não são poucos, ao todo 400 motoristas. O trabalho, uma rotina de em média 40 corridas diárias, lhe proporciona ouvir estórias engraçadas: “Conheço Nova York inteirinha, de norte a sul. Rodo o tempo todo, rio bastante. Uma vez eu peguei um irmão do presidente do Peru, Alan García, e ele me contou uma estória engraçada de uma viagem dele ao Brasil” (risos), disse Timoura, aproveitando para nos convidar a um passeio por Nova York: “Vão lá pra vocês verem, rodo com vocês a cidade toda. A gente passeia. Vai ser gostoso”. E é verdade. Resende-costenses que aparecem em Nova York e procuram o Timoura são carregados na palma da mão. Que o digam o professor Rosalvo, sua mulher e o Chiquinho do Góes, que o tiveram como cicerone no seu imenso táxi preto e amarelo, gratuitamente, em 1997. No país do Tio Sam, Timoura já fez de tudo, desde torneiro mecânico e motorista de caminhão, até atendente de farmácia e funcionário de uma companhia de fast food. Apesar de ter a oportunidade de conhecer uma cultura diferente, viver no exterior e viajar muito, a vontade é mesmo de voltar definitivamente para o Brasil, sua pátria e onde estão seus incontáveis amigos: “Assim que eu aposentar, eu volto. Tenho 58 e lá se aposenta a partir de 62 anos”. Anos atrás ele trouxe uma fita cassete, na

qual um rapaz capixaba, de dentro do seu táxi, foi filmando todos os pontos principais da cidade, com a gravação humorística da fala do cicerone Timoura, com direito a um giro pelas quebradas da noite e da madrugada novaiorquinas. Uma preciosidade. Adaptação e cidadania americana

No início da sua estada nos Estados Unidos, a adaptação ao clima foi um dos maiores desafios: “Cheguei a ter problemas na pele por causa do tempo. Fui a um médico grego e ele receitou um remédio que não era mais fabricado, ihh, deu um problema danado” (risos). Apesar dos problemas iniciais de adaptação, enfrentados por quase todos os imigrantes, Timoura hoje já se sente totalmente ambientado. Ele acredita que as condições de vida nos Estados Unidos são melhores do que no Brasil, apesar de o custo ser alto: “É tudo caro. Numa pensão particular, uma noite é 60 dólares. Uma galinha com arroz é 10 dólares, mas também tu ganha. Ninguém lá ganha menos de 100 dólares por dia”, destaca. Um ponto negativo para Timoura, além do clima, é a frieza do povo norte-americano: “são secos, indiferentes”. Quando questionado sobre a segurança, é enfático: “Segurança total. A gente não tem problema com isso”. Mas pondera que infelizmente existem preconceitos em relação aos estrangeiros e que em alguns bairros há risco de ataques de gangues.

Timoura batalhou até conseguir a dupla cidadania e ser reconhecido legalmente nos EUA, o que lhe concede tranquilidade para ir e vir, inclusive votar. Enquanto cidadão americano, Timoura é consciente do seu dever eleitoral. Eleitor declarado do atual presidente Barack Obama, disse: “Eu sou forte em política, lá e aqui. Durante as eleições, fiz questão de ir pra lá, paguei passagem pra votar no Barack Obama. Ele é nosso, quer ajudar os imigrantes, diferente de outros que acham que os Estados Unidos giram sem os imigrantes, mas eles precisam da gente”. Timoura acredita que Obama será reeleito, mas não deixa de criticar o sistema eleitoral americano: “O sistema de votação lá é muito pobre”. Ponte aérea Resende Costa/EUA Enquanto cidadão brasileiro e norte-americano, Timourinha atualmente divide seu tempo e atividades entre os dois países. Quando está em Resende Costa trabalha com vendas e se dedica à construção próxima à escola Conjurados, onde quer usufruir da aposentadoria: “Vou ao Paraguai quatro, cinco vezes; vou ao Brás. Não paro não. Já a minha construção aqui em Resende Costa é em estilo norte-americano. O desenhista de lá que montou pra mim”. Timoura pretende voltar ao Brasil para as eleições municipais: “vou voltar para as eleições e votar nos meus companheiros daqui”.


Jornal das Lajes

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Especial Política Regional

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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Em Barroso, trajetórias política e industrial se misturam O primeiro prefeito eleito de Barroso foi Geraldo Napoleão de Souza (PSD), que assumiu a administração municipal em 1955. O candidato de Geraldo, que era José Pio de Souza, perdeu a eleição seguinte para João Alves de Macedo Couto (UDN), que administrou Barroso até 1962 e foi sucedido por outro udenista, Inimá Rodrigues Pereira (1963-66). Predominavam o Partido Social Democrático (PSD), liderado por Geraldo Napoleão, e a União Democrática Nacional (UDN), chefiada por Macedo Couto, diz o ex-seminarista, licenciado em filosofia e funcionário aposentado da Companhia de Cimento Portland Barroso (CCPB), Paulo Terra. Com o surgimento da Aliança Renovadora Nacional (ARENA) em substituição à UDN, Geraldo mudou para o novo partido que apoiava o regime militar. “Quando os adeptos do PSD, liderados por Geraldo Napoleão, aderiram à ARENA, não restou alternativa aos antigos udenistas, para continuar na oposição municipal, se filiarem ao MDB (Movimento Democrático Brasileiro), oposição nacional”, diz Terra. Emancipação econômica - A instalação da empresa cimenteira em Barroso em 1955 teve a intervenção direta de Tancredo Neves, relata Terra, que trabalhou 38 anos na fábrica. “Ele convenceu o empresário pernambucano Severino Pereira da Silva, que já tinha fábrica no Estado do Rio, a desviar dois dos quatro novos fornos que pretendia instalar em Italva, distrito de Campos. Severino, então, comprou a mina Mata do Ribeirão, que tinha calcário com índice de pureza superior a 95%.” O político são-joanense era o advogado de Francisco Lopes, proprietário da Mata do Ribeirão, no município de Prados, conta Terra. “Desde essa época, Tancredo passou a fazer parte da CCPB, constituída e licenciada como empresa de mineração por decreto de 1951 de Getúlio Vargas, ocupando cargos como conselheiro, diretor e vice-presidente.” Candidato por acaso - A administração municipal de 1967-70 foi comandada por Genésio Graçano (ARENA), que voltaria à prefeitura

25% do quadro de empregados), mas o corte foi suspenso e adiado em virtude da campanha eleitoral municipal. “As demissões só foram efetivadas na quinzena imediatamente posterior às eleições, ocorridas em 15 de novembro de 1982”.

Réplica da capela de Sant’ Ana, do século 18

em 1973. Baldonedo Arthur Napoleão, sobrinho de Geraldo, estudava pós-graduação nos Estados Unidos, quando se discutiam nomes de candidatos para a sucessão de Graçano. José Bernardo Meneghim (ARENA), candidato forte, estava no páreo. Paulo Terra e Lucindo Filho, o Sindico, convenceram Meneghim a desistir em favor do Baldonedo, para não queimar uma candidatura competitiva num mandato-tampão de dois anos (invenção dos militares). As lideranças políticas da ARENA providenciaram às pressas a filiação por procuração de Baldonedo. Ele foi eleito para o período 197172. Mas Meneghim foi preterido na eleição seguinte por Genésio Graçano (1973-76) e acabou se filiando ao MDB. Capital suíço - Em 1966, a CCPB firmou contrato de parceria (meio a meio) com o grupo suíço Holderbank, empresa financeira que atuava em diversos setores. Assim, o Holderbank adquiriu 48% da CCPB; a Sacomex (que pertencia ao grupo) comprou 1%; e a Eternit do Brasil (também do grupo) ficou com 1%, “daí o meio a meio, já que a Eternit era brasileira”. A parceria durou até setembro de 1969, período em que houve redução de 10% da mão de obra e acréscimo de 30% na produtividade da empresa, além de aumento acentuado da remuneração dos empregados. Também nesta época foram instalados os filtros dos fornos, eliminando o pó das chaminés, relata Terra. O empresário Severino Pereira aproveitou projeto de ampliação da fábrica elaborado na vigência da parceria, dando andamento na construção da segunda unidade da CCPB.

Palácio dos Três Poderes

Essa nova unidade foi inaugurada em junho de 1972, e a capacidade de produção da fábrica (de 500 toneladas de clinquer por dia, ou seja, o pré-cimento composto por 85% de calcário mais argila e areia) ultrapassou as três mil toneladas diárias de clinquer (a adição de 3% de gesso gera o cimento padrão portland). Na década de 1970, a Barroso era a maior produtora de cimento de Minas e a segunda maior do Brasil. A cidade de Barroso era a 15ª maior arrecadadora de ICM em Minas. O grupo Severino Pereira da Silva (formado pelas empresas Paraíso, Barroso, Goiás e Alvorada) tinha vários políticos na diretoria geral, entre eles Tancredo Neves. A fábrica e a política - Em 1962, Inimá Rodrigues Pereira foi eleito prefeito pela UDN, com o apoio explícito (inclusive financeiro) da CCPB, conta Paulo Terra. Empregado da fábrica, Pereira foi licenciado para concorrer nas eleições municipais, com a garantia de retorno à empresa. A eleição de Inimá não foi o único episódio em que a CCPB se envolveu com candidatos à prefeitura local. Na campanha de Baldonedo em 1982, o candidato a vice-prefeito, Antonio Strauss Marques, era engenheiro-chefe de manutenção e vice-gerente da fábrica. Baldonedo disputava pela ARENA enquanto Tancredo Neves concorria para governador de Minas pelo MDB. O candidato a prefeito recebeu o apoio explícito da CCPB, por meio do seu diretor superintendente Carlos Alberto Moura Pereira da Silva (filho de Severino) e do gerente da fábrica Francisco Dias Ferreira Filho, que participaram ativamente da campanha, inclusive pressionando os empregados a votarem em Baldonedo. A empresa colocou nas passeatas equipamentos móveis (caminhões, tratores, pás-carregadeiras etc.), e o gerente da fábrica fazia discursos nos palanques. A CCPB deu apoio financeiro a Tancredo Neves, mas não fez campanha política para ele, apesar de seu vínculo com o presidente da empresa. Antes das eleições, conta Terra, havia uma decisão administrativa de demitir 400 empregados (cerca de

Fenômeno político - O sistema bipartidário (com até três sublegendas de cada partido para acomodar os vários grupos políticos) durou até o final da década de 1980, com os “Napoleão” de um lado e de outro a corrente liderada por Meneghim. Com o fim do bipartidarismo, a família Napoleão ingressou no PSDB e os liderados de Meneghim foram para o PMDB. Adelmo Graçano, sobrinho de Genésio, foi vice de Meneghim em 1989 e rompeu com ele, tornando-se vice de Baldonedo em 1992. Baldonedo tomou posse em janeiro de 93 e renunciou em seguida para assumir uma cadeira na Assembléia Legislativa mineira. Depois de cumprir o mandato de prefeito, o vice Adelmo Graçano disputou duas eleições consecutivas como vice de Eika Oka de Melo (2000) e, ao romper com ela, de Arnaud Baldonero Napoleão (2004). Em 2008, Adelmo foi candidato a prefeito, sendo derrotado. Ele tem sido o fiel da balança, diz Terra. Em 2009, Arnaud (PSDB) assumiu por quatro meses (até abril) com base em decisão da juíza da Comarca, que “impugnou” a candidatura de Eika do Partido Popular (PP), apesar de manter seu nome e número nas urnas. Ela recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) cujos desembargadores consideraram “insanáveis” as suas contas referentes ao ano de 2001. Mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reverteu a decisão por 7x1, “desempossando” Arnaud e devolvendo o mandato a Eika. Com isso, Arnaud tornou-se inelegível nas eleições de 2012. Tornou-se fenômeno político na cidade especialmente depois da vitória no TSE, conclui Terra. O Partido dos Trabalhadores (PT) tem pouca influência em Barroso, embora faça barulho. “Atua como partido satélite”, resume Terra.

em 1986, o ramo cimenteiro separou-se do segmento têxtil. Dez anos depois, o setor cimenteiro foi vendido para o grupo suíço Holcim (maior do mundo na atividade), enquanto a área têxtil foi à falência. A Holcim, relata Terra, desmontou os fornos antigos (das décadas de 1950 e 60, mantendo a parte mais nova que entrou em funcionamento na década de 70. A empresa priorizou a atividade-fim, “que é fabricar cimento, terceirizando as demais atividades, inclusive o ensaque”. Investir na criação e manutenção de cursos técnicos profissionalizantes de níveis médio e pós-médio é um desafio de Barroso na área da educação, de acordo com Paulo Terra. Ele também defende a abertura de “campi” de universidades vizinhas (UNIPAC de Barbacena, UFSJ de São João del-Rei e mesmo as Universidades de Lavras e Juiz de Fora). “Por que não se buscar parceria com essas universidades, abrindo em Barroso outros cursos não existentes em suas sedes?” Também não existem cursos profissionalizantes especializados na formação profissional de operadores de equipamentos do parque industrial cimenteiro, deste modo a Holcim vai ter que formá-los. Diz Terra: “Tenho informações de que a Holcim já tem programas de treinamento elaborados, e exigirá que seus prestadores de serviço também preparem seus próprios profissionais.” Na área de infraestrutura, o principal gargalo está no setor de transporte rodoviário, observa Terra. Com a ampliação da Holcim a partir de 2014, o trânsito rodoviário na BR 265 entre Barroso e as BR 040 em Barbacena e a Fernão Dias em Lavras, “que hoje já é assustador e causa de muitos acidentes (cerca de 300 caminhões e carretas diariamente transportando cimento), passará a ser infernal, passando para cerca de 800 caminhões e carretas por dia transportando o cimento Barroso”. Por isso, “o DNIT e os políticos terão que sofrer forte pressão para duplicar a BR 265 entre Barbacena e Lavras”, conclui Terra.

Desafios - Depois da morte do empresário Severino Pereira da Silva,

Holcim

(a íntegra da reportagem está em www.jornaldaslajes.com.br).


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Carnaval 2012

EMANUELLE RIBEIRO

Carnaval 2012 abriu as comemorações do centenário de Resende Costa O público compareceu em peso e a segurança foi o grande destaque da edição atual do carnaval. Falta de infra-estrutura e possíveis mudanças no atual modelo do carnaval resende-costense foram assuntos pautados após a festa popular.

O carnaval 2012 abriu as comemorações do centenário de Resende Costa e por isso foi um feriado muito especial para nossa cidade. O secretário de administração, Marcos Henrique Santos (Mazé), considera que “este ano, o carnaval de Resende Costa foi excelente. O maior problema é que nas avaliações, como é comum, sempre pesam mais as críticas do que os elogios. Resende Costa não perdeu em nada no carnaval para as cidades vizinhas. Avenida, variado repertório de músicas, segurança garantida, presença das famílias, os blocos nunca foram tão cheios e animados”. Quanto à infraestrutura, o JL recebeu algumas reclamações referentes às arquibancadas e à escassez de banheiros públicos. Mazé explica que a largura da Avenida Gonçalves Pinto, onde é realizado o carnaval, não permite a locação de arquibancadas e, além disso, as atuais são feitas de madeira, porque o comprimento das mesmas difere todos os anos devido à variação dos pontos de comércio. Com relação aos banheiros, o secretário alega: “É pertinente dizer que a administração do prefeito Adílson foi a que mais se preocupou com esta questão, uma vez que foi neste mandato que se inovou, alugando os espaços nas proximidades da Avenida, instalando os banheiros e contratando vigilância para orientar os foliões a não fazerem xixi na rua, principalmente nas ruas Pedro Alves e Moreira da Rocha. Mesmo com todos esses avanços, a prefeitura admite que é necessário instalar mais banheiros, principalmente feminino, durante o carnaval”. Os banheiros foram disponibilizados somente durante os dias oficiais de carnaval, mas como disse Mazé, com o aumento do número de foliões, já se observa a necessidade de abertura dos banheiros durante o pré-carnaval e a instalação de uma quantidade maior deles no percurso dos blocos.

Mário Franklin, de agente funerário, curtiu o carnaval com criatividade e animação

São comuns as discussões sobre uma possível mudança no modelo atual do carnaval em Resende Costa, principalmente no que diz respeito ao local da sua realização e ao som. “Outros modelos de carnaval que excluem o som de linha foram testados sem sucesso há alguns anos atrás. É claro que a administração aceita sugestões para a realização do carnaval, porém é praticamente inviável a instalação de palco ou apresentação de trio elétrico na Avenida durante o carnaval, por causa do espaço físico, impedimento total do trânsito e segurança do folião”, explica Mazé. Mas, se existem algumas possibilidades de mudança, seria importante estudá-las e até viabilizá-las de acordo com a vontade do público. 2012 é o ano em que Resende Costa completa seus 100 anos de emancipação política e as atividades realizadas durante o carnaval fizeram referência à data, tendo início com o 3º concurso de marchinhas – Prêmio Bié de Composição Musical, realizado pela AMIRCO, na Pizzaria e Buteco da Maura. O evento foi organizado pelo José Márcio de Resende (Zezé da Chiquinha), pela Maura Resende e contou ainda com a participação do grupo Mistura do Pagode. Pelo segundo ano consecutivo, o senhor Didico Vieira venceu o concurso, desta vez com a marchinha “Filhote de Beija flor”. “Nesta edição, mais uma vez a irreverência e a criatividade marcaram o concurso de marchinhas. A AMIRCO agradece a nossa companheira Maura pelo apoio, organização e cessão do espaço para a realização do evento, que abriu o carnaval de Resende Costa”, disse Eduardo Lara Coelho (Duda), representante da AMIRCO. A Associação São Cosme e Damião também fez sua homenagem, com o desfile da “Acadêmicos da Vila Nova”, e o Instituto Rio Santo Antônio (IRIS) e o Movimento Arena Cultural (MAC), com o “Bloco do Cabeção” desfilaram em grande estilo pela avenida na segunda-feira de carnaval. Além disso, segundo Mazé, a decoração foi feita de forma especial, com banners e outdoors, a programação musical focou o centenário e até mesmo a bateria do Rifugo desfilou com camisetas em homenagem ao aniversário do município. “Esta foi uma abertura das comemorações do centenário: teremos um centenário inesquecível, com certeza. Esse diferencial atendeu, sim, às expectativas da comissão de car-

naval”, acrescenta. O secretário de administração informou os custos do carnaval 2012: CONVÊNIOS IRIS – R$ 8.000,00 Associação São Cosme e Damião – R$ 14.000,00 AMIRCO – R$ 20.000,00 AMARC – R$ 11.000,00 (Confira as informações detalhadas sobre os convênios no site do JL: www.jornaldaslajes.com.br) Total: R$ 53.000,00 CONTRATOS Sonorização pré-carnaval e carnaval – R$ 22.500,00 Decoração – R$ 7.345,13 Banners – R$ 1.600,00 Montagem de banheiros – R$ 182,97 Segurança – R$ 3.700,00 Câmeras de segurança – R$ 3.300,00 Serviços gráficos – R$ 960,00 Ligação de energia elétrica – R$ 1.612,11 Show e palco no dia 04/02 – R$ 14.600,00 Total: R$ 55.800,21 Pré-carnaval O pré-carnaval de Resende Costa é responsável por resgatar o carnaval tradicional, ou seja, aquele em que os foliões saem às ruas fantasiados, o verdadeiro carnaval – sucesso em tempos de outrora. Há até quem diz que o carnaval termina no momento em que o pré-carnaval é encerrado, já outros não se preocupam com o verdadeiro sentido da festa popular e querem mesmo é se divertir com o movimento. O carnaval antecipado é uma tradição em Resende Costa e faz muito sucesso com os foliões das cidades vizinhas, que sempre

Durante o pré-carnaval o destaque foi a critividade na confecção das fantasias, como a Família Adams

visitam a nossa cidade para participarem dos blocos. Em 2012, mais um bloco foi criado no pré-carnaval: a turma dos Pelankas inovou com o “Bloco dos Pelankas” na quinta-feira, dia nove de fevereiro. Geralmente são oito dias de pré-carnaval com blocos temáticos. Porém, infelizmente, o que se percebe é que nos últimos anos vem ocorrendo certo desgaste nos temas dos blocos: os foliões já não se vestem mais de acordo com a proposta do dia. Apesar disso, a criatividade vem sendo um grande diferencial e os foliões recriam personagens bem interessantes e divertidos. Os temas se repetem ano após ano e esse desgaste é natural, deixando em aberto a possibilidade de ocorrerem algumas mudanças, mesmo que seja necessário modificar um modelo que vem sendo realizado há muito tempo. Com relação à tradição, percebe-se ainda que muitos foliões da região e até de Resende Costa estão migrando para a cidade de Prados durante o carnaval. Por que isso? O carnaval de Prados não perdeu a tradição do verdadeiro carnaval de rua: o desfile e a rivalidade das escolas “Uca” e “Gato Preto” são provas da permanência da tradição. Além disso, outros fatores pesam a favor, como a escolha das músicas e a instalação das caixas de som. Quanto a esse último fator, um

diferencial é que no local onde é realizado o carnaval em Prados são criados ambientes diversos com estilos musicais variados, deixando que o folião escolha e se divirta com o seu favorito. Segurança A segurança foi um dos grandes diferenciais do carnaval 2012. Isso porque, de acordo com os dados da Polícia Militar, em oito dias de pré-carnaval e quatro dias oficiais de carnaval nenhuma ocorrência foi registrada. Segundo o tenente Klaudir Machado Neves Silva, em todos os blocos do carnaval antecipado, duas viaturas da PM e também policiais a pé, acompanharam os foliões pelo desfile. Já, a partir de sexta-feira, dia 17 de fevereiro, foram instaladas câmeras de segurança na avenida Gonçalves Pinto, o que possibilitou à PM acompanhar o movimento. Além disso, “o tenente. Devido ao grande público que o pré-carnaval atraiu, principalmente na sexta, 10 e sábado, 11 e também ao movimento intenso dos dias oficiais, o comportamento dos foliões surpreendeu. A PM não registrou nenhuma atitude que chamasse a atenção: “O pessoal veio mesmo para brincar. Uma população bem ordeira”, conclui Silva.

Nos dias oficiais, muitos foliões aproveitaram o carnaval do centenário


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Continuação Carnaval 2012

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FOTOS: FERNANDO CHAVES

Bloco do Cabeção canta centenário de Resende Costa

“Não fico sem você, meu bem”! Esta foi a singela mensagem do Bloco do Cabeção à cidade de Resende Costa, que comemora em 2012 o centenário de sua emancipação política. Pelo terceiro ano, o bloco foi organizado pelo Instituto IRIS. E, desde o ano passado, conta também com o apoio do Movimento Arena Cultural (MAC). “Desde que assumiu a organização do Cabeção em 2010, o IRIS tem se esforçado para manter o caráter cultural e folclórico do bloco, valorizando o artista e a cultura local”, explica Fernando Chaves, presidente do IRIS. Nos três anos em que o instituto esteve à frente do bloco, o músico Wander Morais compôs e gravou uma marchinha tema para o Cabeção. Neste ano, a composição de “Não fico sem você, meu bem” contou também com a parceria do músico José Robson. A gravação da marchinha reuniu Emerson Gonzaga, Cíntia Oliveira, Ana Pederiva, José Robson, Wander Morais, Eustáquio Peluzi e Ivonildo Vieira. Desde o início de fevereiro, IRIS e MAC vêm se movimentando na organização do bloco. No dia três daquele mês, foi realizado o 4º Luau nas Lajes, que foi o grito de carnaval do Cabeção, com lançamento da marchinha tema da edição 2012 e abertura das oficinas infantis

de percussão que antecederam o bloco. O 4º Luau também foi palco de diversas apresentações musicais, com a participação das bandas Insignes, Linfoma, SDG, Heitor e Quinzinho, Everaldo, Banda do Chá Preto e Protótipo Anônimo. Fernando Chaves ressalta a importância de começar as movimentações do bloco mais cedo, oferecendo espaço para o músico da Terra e estimulando o contato dos jovens com a música, através da sequência de oficinas de percussão. “A intenção de IRIS e MAC é de que o Bloco do Cabeção não se restrinja a uma hora de desfile pela avenida Gonçalves Pinto. Há dinheiro público investido no Bloco. Então, é preciso maximizar os ganhos socioculturais com o evento. O luau ajudou neste aspecto, pois é um projeto de valorização do artista local, e de resgate das lajes como palco de eventos culturais. As oficinas de percussão, além de divertir a meninada, oferecem oportunidade para os garotos se envolverem com música”, destaca Fernando. Ângelo Márcio, coordenador do MAC, reiterou o objetivo de montar uma bateria mirim com ensaios regulares. Segundo Ângelo, as oficinas de carnaval funcionaram como um experimento. A intenção é dar continuidade e formar um grupo de percussão em condições de se apresentar no

carnaval e em outros eventos da cidade. “Por enquanto, o que tivemos foi uma sequência de oficinas de carnaval, coordenadas generosamente pelo professor André, do conservatório de São João del-Rei. Mas a intenção é não nos restringir a isso. O objetivo é obter recursos e parcerias para desenvolver um projeto regular e, de fato, constituir um grupo jovem de percussão”, explica Ângelo. Além do grito de carnaval do Cabeção, realizado durante o 4º Luau nas lajes, e das oficinas infantis de percussão, promovidas ao longo de fevereiro, IRIS e MAC prepararam uma programação recheada de apresentações musicais e artísticas para a tarde de concentração para o bloco. A segunda-feira de carnaval foi agitada na esquina do Zé padeiro. Já no início da tarde, as atrações do bloco começavam a aparecer. O tradicional fogão de lenha, da turma “Nóis é fogo”, com sua cachacinha e tira gosto a vontade marcou presença nas ruas desde cedo. Uma trupe de artistas ligados ao curso de teatro da UFSJ se apresentou com performances circenses e teatrais. Os carros alegóricos foram estacionados na esquina do Zé padeiro, com destaque para um grande tear feito em bambu. No final da tarde, o professor André encerrava as oficinas infantis de percussão com

uma apresentação para o público presente no Bar da Esquina. Por fim, era hora de samba. E o grupo Trequinteto aqueceu de vez os foliões com o melhor do samba de raiz. Eram quase 10 da noite, hora de ganhar a avenida, quando Wander Morais e José Robson executavam ao vivo a marchinha tema do Bloco. A batida de “Não fico sem você, meu bem” no violão de Wander foi o ponto alto da concentração para o bloco. O batuque da Bateria do Rifugo já chamava pelos foliões. E assim, o cabeção ganhou à avenida irreverente, feliz e resende-costense, feito colcha de retalho. O desfile do bloco procurou resgatar uma história que vai além dos cem anos de município, uma história escrita por personagens marcantes, como o são os inconfidentes, mas também por homens e mulheres que nem sempre deixaram seus nomes, como remanescentes indígenas, tropeiros, artesãos e escravos. É o que relata Flávia Cristina Silva, secretária do IRIS e responsável pela idealização e organização das alas de frente do Bloco Cabeção 2012. Flávia conta que “uma das alas procurou lembrar o tempo em que a iluminação das ruas era feita pelos lampiões, que precisavam ser acesos um a um, todas as noites, e em que os sermões do ilustre padre Nelson instruíam os fiéis a resguardarem-se

do “ardiloso” diabo, que estaria supostamente solto no carnaval. A Casa de Cultura, quase tão centenária quanto a cidade, e os seus famosos bailes de máscaras também foram lembrados”. De acordo com Flávia, o objetivo foi compor um desfile “de narrativa simples e que ampliasse os marcos cronológicos da emancipação política, afinal, o centenário também é a condensação de tradições e memórias que remontam ao tempo das tropas e das Minas do Ouro”. Envolvida pela primeira vez na organização do Cabeção, ela se diz surpresa com o envolvimento das pessoas com o bloco e com a incorporação do tema pelos foliões que desfilaram. “A riqueza cultural destes fragmentos de memória foi profundamente sentida, cheguei a me emocionar ao abrir das cortinas e ao observar os integrantes das alas improvisando coreografias, numa compreensão apaixonada do que representa o Bloco do Cabeção para o carnaval resende-costense”, relatou Flávia, que aproveitou para agradecer aos membros voluntários de MAC e IRIS, que “trabalharam intensamente na elaboração de fantasias e alas”. (Veja mais fotos em www. jornaldaslajes.com.br)

Ala representa os incofidentes José de Resende Costa e Tiradentes

Ala relembra a cultura indígena

Os foliões compareceram desde cedo na esquina do Zé padeiro

Grupo trequinteto

Artistas do curso de teatro da UFSJ agitaram a concentrção para o Bloco

Durante o defile do bloco, Wander Morais e Ivonildo Vieira cantaram juntos a marchinha do bloco

Pedro, Ézio e Valéria representam os antigos acendedores de lampião

A turma do fogão compareceu e esquentou a concentração na esquina do zé padeiro


8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Lagartixa Aos poucos, comecei a perceber que estava sendo observado. No início, pensei que fosse apenas um incidente banal, desses que se encerram em si mesmos. Mas a coisa foi se repetindo sistematicamente. Dois olhos arregalados passaram a observar meus movimentos. Era só eu chegar em casa, depois das aulas no Assis Resende, e já topava com ela no meu quarto. Paradinha. Não desgrudava os olhos de mim. Big Brother is watching you... Isso é lá com o George Orwell. No drama do meu quarto, Small lizard is watching me! Tudo bem que era uma lagartixa, mas o seu olhar fixo e silencioso me incomodava. Uma vez, ela me deixou constrangido: me flagrou sem roupas. Em frente a ela, eu totalmente nu. Não sei se ela aprovava o que via, porém não tirava os olhos da minha nudez. Aquilo me deixou tão cismado que me vesti depressa e tratei de espantá-la do quarto. Xô, lagartixa voyeur! Lembrei-me do Álvares de Azevedo: “A lagartixa ao sol ardente vive / E fazendo verão o corpo espicha: / O clarão de teus olhos me dá vida, / Tu és o sol e eu sou a lagartixa”. Quem sabe, talvez a invasora noturna do meu quarto fosse uma romântica e ficasse repetindo os versos do Álvares de Azevedo enquanto me flertava. Só que ela não

sabia fazer direito. Não se flerta de modo tão invasivo. O flerte é, sim, invasivo. Porém, o olhar do flerte invade num dinamismo ao mesmo tempo suave e arrebatador. Revela e esconde, vem e vai... para depois voltar. Além disso, ela fazia justamente o contrário do meu olhar sobre Resende Costa: tratava-se de uma lagartixa me observando, ao passo que nas minhas crônicas eu é que observo as lagartixas... (Brincadeirinha!!!) As noites foram se somando até que a lagartixa não apareceu mais. Onde ela teria se metido? Seria uma espiã e agora, de posse das informações que desejava, não precisava me observar mais? Sumiu. Deixou de dar as caras. Foi numa madrugada. Eu teimava insone com as palavras, em busca de um pingo de literatura que pudesse tingir o meu papel. Minha caneta caiu e rolou para debaixo da cama. Puxei-a e veio algo junto: a lagartixa. Imóvel e com os olhos estatelados. Estava morta. Acho que entendi o que ela quis me dizer durante todo esse tempo me olhando enquanto estava viva. Também eu, de tanto observar as coisas, um dia ainda vou morrer agarrado à escrita e com os olhos arregalados e impotentes (talvez sem lágrimas) diante do desfecho da vida... espanto que seduz e oprime.

__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Contemplando as palavras “A língua trai. Num piscar de olhos, trocamos letras, confundimos significados, ignoramos flexões, pisamos concordâncias, esnobamos regências. Pior: organizamos as palavras de tal forma que nossas frases transmitem recados diferentes dos que pretendemos. Dá-se, então, o que Mário Quintana explicou: “A gente pensa uma coisa, escreve outra, o leitor entende outra, e a coisa propriamente dita desconfia que não foi dita”. É o caso da faixa exibida em frente a charmoso salão de beleza unissex. Ansiosa por aumentar a clientela, a proprietária anunciou: “Corto cabelo e pinto”. O resultado foi o contrário do esperado. Os homens sumiram. As mulheres rarearam. O que houve? Concretizaram-se as palavras do poeta gaúcho. O xis da questão é o “e”. A conjunção liga classes iguais: substantivo + substantivo (Maria e Paulo), adjetivo + adjetivo (bonito e elegante), pronome + pronome (eu e ele), verbo + verbo (trabalho e estudo). Os clientes leram dois substantivos (cabelo + pinto). Já imaginou? Ninguém quis correr riscos. Os senhores protegeram o pênis. As mulheres foram solidárias. A pobre comerciante se deu conta da cilada. Arrancou a faixa com a mensagem ambígua. No lugar, pendurou esta: Corto e pinto cabelo. Viva! O “e”, agora, liga dois verbos – cortar e pintar”. Extraído da coluna de Dad Squarisi “Dicas de Português”, que o Estado de Minas publica às quartas-feiras e aos domingos, o texto acima me remete a um aspecto interessante da língua: a oralidade, o que faz va-

REGINA COELHO

Ciladas linguísticas ler muitas vezes aquela máxima de que “o que se diz (e o que se escreve também, acrescento eu) é o que se entende”. Decorrem daí incontáveis situações de mal-entendidos com certa dose de humor até. O escritor mineiro Affonso Romano de Sant’Anna, por exemplo, já teve a oportunidade de repassar a seus leitores o caso de uma fiel que, segundo lhe contaram, rezava assim a ave-maria: “Ave, Maria, cheia de graça. O Senhor é convosco. Benditas suas avós entre as mulheres...” Ele também se lembra de ter caído na mesma armadilha. Isso porque quando era criança, afirma que costumava cantar assim, de maneira convicta, o seguinte trecho do Hino Nacional: “Verás que um filisteu não foge à luta...” Também tenho minha contribuição a dar nesse sentido. Criança como Sant’Anna, ia se aproximando o Natal. E em casa, como preparação para os festejos daquele período, músicas alusivas à data eram tocadas na radiola da família. Numa delas havia um texto que era recitado assim: “Natal é Jesus na cadência dos hinos, orando e pedindo por nossos destinos”. Naquela época, eu teimava, seriamente convencida do que ouvia, em recitá-lo assim: “Natal é Jesus na cabeça dos índios, orando e pedindo bonecos vestidos”. Já recentemente, estive envolvida num episódio no mínimo curioso. Fui a uma oficina de eletrodomésticos em São João del-Rei levando um liquidificador para o devido conserto. Atendida por um jovem rapaz, fui encaminhada por ele a um outro lugar onde eu deveria ler na placa do endereço indicado a palavra “uálita”. Levei alguns bons segundos para decifrar aquele estranho nome como “Walita”, marca bastante co-

nhecida no mercado (pelo menos para muitos), desde 2004 associada à Philips. Verdadeira piada virou o trecho da música “Noite do prazer”, de Cláudio Zoli. O trecho original “A madrugada, a vitrola rolando um “blues”, tocando um B. B. King sem parar” foi transformado por semelhança fonética em “trocando de biquíni sem parar”. O nome do cantor e guitarrista americano simplesmente desapareceu na versão popular. Existe ainda o que é dito com competência a exemplo de calça “jeans”, feira “hippie” e strip-tease, mas esbarra na escrita registrada assim: calça “dins”, feira “ripe” e “estripitismo”, alguns dos muitos casos que observei pessoalmente. É simples entender isso. Ler e escrever são habilidades posteriores à da fala, que ocorre de modo natural e intuitivo. A escrita é resultado de uma aprendizagem explícita e consciente. Em outras palavras, muito do que se fala por aí só é ouvido e repassado como chega aos ouvidos. Daí a ocorrência de manifestações linguísticas orais como levantar “a lepra” (a lebre), cordão “bilicado” (umbilical), certidão “de opa” (de óbito) e tantas outras. Retomando a discussão sobre a língua, é preciso reconhecer que estamos todos, em maior ou menor escala, sujeitos a seus caprichos. E todo cuidado é pouco, principalmente quando determinados modismos aparecem sob o disfarce de fala chique. A praga do gerundismo é um exemplo disso: “Nós vamos estar passando o problema para vocês”. Cilada! Ninguém merece ouvir esse tipo de construção linguística. Xô, gerundismo!

Polícia

Acidente no centro de Resende Costa deixa motociclista ferido Na noite do último dia dois de março, por volta de 20h50, em Resende Costa, a Polícia Militar foi acionada para atender a uma ocorrência de trânsito. Segundo testemunhas, uma picape chevrolet Montana, cor verde, com placa de Betim (MG), transitava pela rua Doutor Abeilard, quando, no cruzamento com a Rua Bueno Brandão, surgiu

uma motocicleta Honda, 125 cc, cor preta, com placa de São João del-Rei (MG), em alta velocidade. O veículo e a motocicleta se colidiram. Com o impacto, o condutor da motocicleta foi projetado ao solo, sofrendo várias escoriações e fraturas. Houve necessidade do comparecimento de uma unidade do Corpo de Bombeiros para fazer o processo de imobili-

zação e condução do motociclista ao hospital. Compareceu ao local uma unidade da Polícia Técnica Científica, que fez o levantamento para subsidiar o inquérito policial que versará sobre as reais causas do acidente. A guarnição da Polícia Militar constatou, através do sistema, que o condutor da motocicleta era inabilitado.


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Retalhos Literários

Esta ouvi de minha mãe, que por sua vez ouvira, na sua ida infância, da Conceição da Salota. Foi lá naqueles tempos em que as assombrações tinham mais vida, falavam, riam zombeteiramente em cima das porteiras impedindo que carreiros passassem com boiadas e bois. Foi lá naquele tempo, em que a morte e a vida andavam ainda mais juntas, amigas, imiscuindo-se escancaradamente uma com a outra, que uma caveira passou por suas penas. O Ribeirão de Santo Antônio não se dava ao luxo de possuir um coveiro oficial. No campo santo, quem tinha mãos e enxada não era rei, mas com certeza servia à morte e à vida numa faina de escavar e esconder os mortos. Eis que um dia, um desses benditos serventes, o seu Benedito das Cruzes, descobriu numa sepultura uma caveira quieta, fria, mas ainda quente das memórias tristes da vida. Na fronte do crânio jazia um epitáfio, provavelmente escrito no além túmulo, ou melhor, dentro do túmulo. Assim diziam as palavras grafadas, parecia que a ferro e fogo: “Já penei muito e não sei até quando vou penar”. Seu Benedito mirou fixamente a cabeça sofrida, penada, porque caveiras penadas existem, e ficou se perguntando por que aquela frase não terminava com um ponto de exclamação. Sofrimento assim deve ser forte, tão forte, que merece um sinal de pontuação à altura. Benedito, de poucos estudos, admirava as frases muito pontuadas, as exclamativas, as exaltadas. Com piedade cristã da caveira, decidiu retirá-la do cemitério e levá-la para um lugar seguro onde ela não penaria mais. Decidiu ajudá-la, como um bom cristão o faria. Em sua

EVALDO BALBINO

A amante

casa, escondido da mulher, colocou os ossos sofridos numa gaveta, trancando-os em seguida a sete chaves. Ali guardado, o esqueleto ficaria esquecido dos problemas da vida, ou da morte talvez, e não se entregaria à esquisitice, à esquizofrenia dos que labutam na jornada cósmica. Os dias se passavam, e seu Benedito, com a chave que valia por sete no bolso, com a chave e com um segredo bem guardado, ia e vinha constantemente. Do trabalho para sua casa, da sua casa para o trabalho. Fidelíssimo a sua esposa, fidelíssimo ao seu morto engavetado, e também fidelíssimo aos seus mortos de que bem cuidava às vezes entre as cruzes e as flores. Um cuidado que dividia com os afazeres de sua vida de trabalhador de eito. Desconfiada, a mulher de seu Benedito, a dona Constância, que tudo arrumava dentro de casa, começou a sentir comichões nas mãos, na mente e no coração. Este, quando sente algo parecido com uma coceira, um aperto de ciúme, de suspeita, leva seu dono ou dona a ter cada vez mais um pé-atrás. E Dona Constância, julgando inconstantes os sentimentos do marido, começou a julgá-lo. Decerto estaria dentro da gaveta algo terrível, como cartas de amantes ou coisas piores. Certa feita, quando o marido se ausentou por mais dias da casa, a mulher decidiu acabar com suas comichões, com aquilo que a dilacerava. E se amante houvesse, brigaria com o seu homem. Ah, brigaria e muito! Gaveta trancada não se abre. Ainda mais quando guarda uma caveira penada. Constância decidiu, por isso, arrombá-la. E se nada houvesse ali dentro e o marido chegasse depois e questionasse tamanha destruição, ela daria uma desculpa qualquer. O que não poderia continuar acontecendo era o

bichinho do despeito amoroso roer-lhe tanto o coração. Com o machado do marido, a madeira de jacarandá cedeu, e eis que o espanto da mulher se manifestou. Nunca tivera medo da morte. Agora é que não teria. Mas o que era aquilo, meu Deus! Certamente os restos mortais de uma antiga amante do marido. Cartas, palavras denunciadoras, pétalas murchas de rosas trocadas, perfumes em lenços obscenos, marcas de batom pecaminoso – nada disso estava ali. O que ela viu era mais forte: os restos da mulher amada. Mas restos podem muitas vezes ser tudo. E ainda continuam sendo na vida um atropelo, uma lembrança no sapato ou na cabeça. Dona Constância leu aquelas palavras sangradas: “Já penei muito e não sei até quando vou penar”. Leu, e disse para si mesma: “Pois é, sua safada, saiba que você ainda vai penar muito mais!” Acendeu o forno lá na horta, não economizando a lenha cortada pelo suor do marido traidor. Quando o fogo já se erguia esfomeado para as alturas do forno, ela juntou os ossos de vida fácil e os jogou na fornalha do demo. E que queimassem todos, os prostitutos! As palavras que o esqueleto escrevera não eram epitáfio falso. Tratava-se sim de uma ossada sofrida, e ainda por cima ultrajada pelas acusações da mulher. E, para terminar, ainda teve que passar pelo lago de fogo ardente em que se transformara o forno de Dona Constância. Mas na sua raiva de amor e ciúme, a mulher não viu que horas depois de a caveira ser chamuscada, um pombo branco saiu das chamas e foi voando paras as nuvens. Não era o Espírito Santo. Isso não era! Não era amante nenhuma também. Era apenas uma alma liberta amando nuvens e espaços.

Gastronomia

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CLÁUDIO RUAS

Pinga ni mim! Pra acompanhar a carne do porco do artigo da edição passada, vou pedir uma pinga. Ou branquinha, curtinha, capistrana, marvada ou cachaça mesmo, termo com o maior número de sinônimos da nossa língua (mais de 2.000!), prova da sua importância em nosso país. E pra quem não sabe como ela é feita, é mais ou menos assim: no método artesanal, o caldo da cana vai ao tanque de fermentação com fermento (feito com fubá). A partir daí, esse “mosto” será transformado pelas leveduras (fungos, que estão no ar) fazendo com que o açúcar vire álcool para então poder ser destilado no alambique - aquela panela linda de cobre, com um pescoço comprido e um chapéu na cabeça – onde será aquecido. Virando vapor, ele sobe e entra em contato com o “chapéu” resfriado (com água por fora) condensando-se e voltando ao estado líquido, pingando através de um caninho (daí o nome “pinga”) transformando-se na tão esperada cachaça. Nessa fase, ela se divide em 3 partes: cabeça, coração e cauda. Para se obter uma melhor qualidade, deve-se aproveitar somente o coração, e não misturar com as duas outras partes, como muitos fazem, para render mais. Depois, ela pode ser envelhecida em tonéis de variados tipos de madeira (carvalho, amburana, jequitibá, bálsamo etc.), nos quais quase sempre adquire cor e gosto ou, simplesmente, deixá-la descansar para ser servida pura. A cachaça sempre foi considerada bebida de pobre, mas felizmente esse preconceito vem acabando, graças à valorização do produto artesanal e ao aprimoramento da produção, que resultam em bebidas de extrema fineza e qualidade, ao contrário das “51” que existem por aí, “uma má idéia”. Seja de marca ou não, uma capistrana de qualidade depende de vários fatores: tipo do solo, qualidade da cana e do fermento, leveduras eficientes, moderação do fogo, talento do alambiqueiro e forma de ser tratada posteriormente (descanso e armazenamento). Na hora de beber, algumas características devem ser observadas: cor lím-

pida e brilhosa; bolinhas persistentes de ar quando derramada no copo; viscosidade que deixa “lágrimas” lentas ao girar o copo; cheiro suave de bagaço de cana, que não queime o nariz. Além disso, não pode ser muito ácida nem arder na boca, devendo ser aveludada, sem gosto predominante da madeira do barril (se for envelhecida), tudo isso feito de forma cautelosa, ingerindo-se aos poucos, deixando o gole encostar na boca e na língua inteira. Ainda outro detalhe importante: o tira-gosto deve estar a postos pra entrar em cena depois da golada e fechar o ritual, já que harmonização não é só para os vinhos. Um mito que precisa acabar de vez: a cachaça branca é cachaça ruim. Isso não só é mentira, mas, na opinião de muitos (na minha, inclusive), as melhores são as brancas (envelhecidas ou não), pois preservam o sabor original da bebida, sem interferência da madeira e até mesmo de corantes, muitas vezes utilizados pra mascarar a baixa qualidade da cachaça. Para o nosso orgulho, as melhores cachaças do Brasil são as de Minas, que concentra o maior número de alambiques artesanais, pois o jeito cauteloso do mineiro é a garantia de um bom produto. Destaque para a região de Salinas, no norte do estado, onde se produz a famosa “Havana” (Anísio Santiago), que chega a custar R$500 a garrafa. Na minha opinião, a maior jogada de marketing da história. Ela é boa, mas não vale isso não. Nossa Resende Costa também tem cachaças boas, produzidas pelo Zinho do Tenta (Caroméia do Riguinho), João do Bertino, Tião Gouveia, Tetéo do Ribeirão, Murton, entre outros. E na região destaco a “Século XVIII” (do alambique mais antigo do Brasil em funcionamento) e a excelente “Jacuba”, ambas de Coronel Xavier Chaves. Cozinhar com a cachaça também é muito interessante, seja pra tirar a “mardade” e amaciar a carne de porco, ou pra marinar, flambar, substituir o vinho branco no preparo do risoto e, claro, pra beber enquanto se cozinha, mas sem excesso, senão o angu queima. Bom, agora deixa eu ir beber minha pinga, porque o torrêmo tá esfriano...


10 Jornal das Lajes Causos & Cousas

ANO VIII Nº 107 - MARÇO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO

São Miguel e Almas Não resistindo à tentação, hoje vou fugir de nossa Resende Costa e transportar-me para o povoado dos Ferreiras, no município de São Pedro do Suaçuí, na região leste de Minas, bacia do Rio Doce. Para quem não sabe, trata-se de uma cidadezinha de umas 4.000 almas, encravada entre montanhas, como aliás, o são quase todas as cidades por onde passei dias atrás. Como de praxe, no fundo das montanhas sempre corre um bom (e perigoso) rio. Cidades gostam de aninhar-se ao lado de rios. São bonitos, oferecem peixes e lazer, são úteis à agricultura e à pecuária. Mas quando resolvem se encher e se enfurecer, é um Deus nos acuda. São Pedro tem o rio Suaçuí Grande (um pouco maior do que o nosso vizinho rio das Mortes) pois, mais abaixo corre o Suaçuí Pequeno, ambos desaguando no Rio Doce, um antes e o outro depois de Governador Valadares. Para melhor localizar São Pedro para o leitor, a cidade-polo da região é Guanhães. Outras vizinhas, além de São Pedro, são Virginópolis, Virgolândia, Peçanha, São João Evangelista, Santa Maria de Itabira, São José do Jacuri, entre outras. Dada essa aulinha de geografia, voltemos ao São Miguel do título. O povoado dos Ferreiras (nome de antiga fazenda), situa-se entre São Pedro do Suaçuí e São José do Jacuri. Ali, encrustada na encosta de uma das quatro montanhas que a circundam, situa-se a capelinha de São Miguel. A capelinha é também conhecida como “cemitério dos cedros”, pois ela está no lugar onde era o antigo cemitério do povoado, no passado. O nome do padroeiro um santo do antigo devocionário português -, é bem sugestivo, pois lá São Miguel parece conviver,

em boa paz, com as almas dos que por ali moraram, em seu descanso eterno. E hoje ele acolhe também os vivos, que moram nas redondezas da capela. Seu dia “oficial” é 29 de setembro, mas seus fiéis o festejam com uma missa a cada dia 29, durante o ano. Eram cinco horas de uma transparente e aprazível tarde, naquele 29 de fevereiro. Ademais, havia naquele dia um motivo a mais a ser comemorado. O recém-nomeado pároco de São Pedro (o padre Dídimo Pereira do Amaral, da congregação salesiana) comemorava seus 18 anos de idade. Isso mesmo, 18 anos, pois ele nasceu no dia 29 de fevereiro, e, portanto, comemora seus aniversários de quatro em quatro anos. Uma aragem fresca fechava aquele dia calorento de um sol causticante. Subiam lentamente a encosta homens e mulheres. Feições contritas e devotas, passaram entre as múltiplas touceiras de flores coloridas e singelas, no chão batido onde era o cemitério. Tinha-se a impressão de que cada ramada de flores enfeitava um antigo morador. Postaram-se diante da porta da branca capelinha. Os bancos eram toscas peças de madeira roliças, emparelhadas duas a duas, sem encosto, com pés roliços fincadas no chão, formando uma espécie de quadrado. Uma singela mesa improvisava o altar, com sua toalha branca e um círio aceso tremulando à aragem da tarde. Lá dentro, paredes brancas, apenas o São Miguel, que de seu pequeno trono na parede, ao fundo, parecia acolher o padre, seus fiéis, dois visitantes e um cão. Emocionado com aquela cena, misto de bucólica e sagrada, passei a observar o céu, as montanhas, o sol que ia dourando os topos das montanhas, as pessoas, o silêncio absoluto, os 13 homens

presentes, com seus toscos chapéus na mão, faces enrugadas e mãos enrijecidas e grosseiras pelas lides diárias na roça, as vozes afinadas e bonitas das mulheres, que pareciam ecoar nas paragens entre as montanhas, o cão negro, assentado mais cima, ora olhava os presentes, ora fitava absorto o infinito, tal como eu. A cerimônia da Missa prosseguia, aconchegante e devota. Uma criancinha de seus 8 ou 9 meses, mudava mansamente de colo em colo das 14 mulheres presentes. A leitura do texto bíblico e o singelo sermão do padre Dídimo eram um convite à meditação, ao som do silêncio e da brisa daquele entardecer. No momento da consagração, a hóstia foi calmamente alevantada para os fiéis e para a natureza que a circundava. Cenário de respeito e devoção. Homens e mulheres se apresentaram para a simbólica partilha do pão e do vinho. Confesso que poucas vezes na vida presenciei uma cena e uma ceia como aquela. Essa era, a meu ver, a verdadeira cena de celebração da eucaristia, pelos membros daquela pequena comunidade rural, reunidos a cada dia 29 de cada mês, sob as bênçãos do Arcanjo São Miguel e Almas. Dada a bênção final pelo celebrante, ecoou, festivo, o canto do parabéns para o aniversariante. Antes de se dispersarem, todos os presentes vieram, educada e respeitosamente, apertar as mãos dos dois visitantes, vindos de Belo Horizonte para comemorar o aniversário do seu amigo e colega de seminário. Naquela hora, naquele lugar, naquele cenário respeitoso e encantador, não haveria melhor lugar para aquela comemoração. Descemos. O sol acabava de se esconder. Um dia voltarei a visitar o São Miguel e Almas, na solidão de sua capelinha, prometi para mim mesmo.

Crônicas do Cotidiano

RAFAEL CHAVES

Ray Ban

Tudo começou quando ela comprou seus óculos de sol falsificados no Shopping Oiapoque, em Belo Horizonte. Sentiu-se traída pelo seu desejo - desejo incontido de consumo - ao descobrir, tempos depois, que era um Rai Ban, “made in China”, e não um Ray Ban, “made in Italy”. Pior foi o vexame de como isso veio a público. Ela desfilava os seus óculos em pleno verão, domingo de carnaval, na cachoeira dos Pintos, diante de todas as suas amigas e inimigas, quando foi alertada por um paulista que viera junto com sua turma em um carro alugado passar o carnaval aqui em Resende Costa: - Ô meu, esse seu óculos é falso! Não adiantou ela tentar consertar o que não tinha conserto. O denunciante demonstrou e provou por a mais b, e com riqueza de detalhes, a sua tese. Naquele mesmo dia, na solidão do seu quarto, ela esmigalhou seus óculos, vendo neles o paulista - “maldito paulista”, praguejou – até emendar um chute nos seus cacos. Finalmente, atirou-se na cama, afundando seu rosto no travesseiro para enxugar suas lágrimas sofridas e não enxergar o mundo. Ruminou aquela vergonha até o dia em que, viajando pela internet na Lan House do Edgar do Joel, descobriu que poderia viajar a Buenos Aires, de excursão, pagando em dez suaves prestações. Não só descobriu como se decidiu a ir. E foi-se, sozinha e Deus, meses mais tarde, depois de juntar, a duras penas, uns trocados para comprar uns dólares. Sua intenção não era a de conhecer Buenos Aires, dançar tango ou comer “bife de chorizo” acompanhado de Merlot. Não, o que ela queria ter em seu currículo era a viagem de avião, tornar-se uma viajante internacional e comprar um Ray Ban no Free Shop. Sim, o mais importante, comprar um Ray Ban legítimo, que seria sua redenção. Logo depois da viagem, e tendo tomado conhecimento das facilidades que um cartão de crédito poderia lhe proporcionar, foi ao banco abrir, pela primeira vez, sua conta corrente. Não que tivesse interesse em ser correntista, mas para ter o tal dinheiro de plástico. Nesse dia, ela se embrenhou pela agência usando seus óculos novos, modelo aviador, aros dourados e lentes dégradé. Recusou a si mesma de tirá-los, ainda que a luz tênue que iluminava o interior do Banco lhe dificultasse um pouco a visão. Sentiu-se recompensada no

momento em que, após inúmeros questionamentos cadastrais, o gerente lhe perguntou se tinha algum patrimônio em seu nome. - Tenho um Ray Ban! E o disse com a firmeza da mulher mais poderosa do mundo, a própria diaba vestindo Prada, digo, Ray Ban. Ainda mais que soube, de antemão, que o gerente era paulista de nascença. “Toma, distraído!”, pensou ela, vingativa, quase em voz alta. É um mistério não desvendado saber se o gerente fez isto constar de sua ficha de abertura de conta, para que pudesse ser usado como garantia em um futuro e certo empréstimo, mas é fato que o Ray Ban incorporou-se à figura dela, de tal modo que ela parecia tão disforme sem eles quanto um poodle tosquiado de máquina zero. Três anos mais tarde, ou seja, da tal compra do Ray Ban falso, que é exatamente neste ano, ela foi passar o carnaval na praia, em Piúma, lá no Espírito Santo, noutras águas, longe das águas da cachoeira dos Pintos, de triste memória. Afinal, carnaval em Resende Costa valia a pena era na semana que antecedia a data oficial e ela havia pulado todos os blocos, de sexta a sexta. Partiu no sábado de carnaval, de manhãzinha, num ônibus com mais outros quarenta e tantos, na excursão com destino a uma casa alugada, a uma quadra da praia, all inclusive. - Lindo, vou dar um pulo no mar. Olha o meu óculos para mim – disse ao namorado, que também estava na excursão. (Parêntesis para dizer que o paulista, assim como ela, mineira, e inúmeros brasileiros não sabem que óculos é substantivo masculino plural, plural de óculo). O namorado, vendo sua amada partir em direção ao mar, não resistiu e a seguiu e aos predicados dela para refrescar e abrandar seus desejos na água, esquecendo-se da sua função de segurança (patrimonial de óculos). Ela também se convenceu de que era a melhor opção quando ele a abraçou por trás. E se abraçaram e se beijaram tanto que as ondas monótonas e preguiçosas de Piúma lhes pareceram as próprias ondas de Pipeline, no Havaí. Ao voltarem do mar, não sei quanto tempo depois, cadê os óculos? E mais uma vez não houve conserto para o que não tinha conserto. Ela afundou sua face na areia despejando lágrimas de sofrimento que rolaram pela areia feito marolas até se perderem na imensidão do mar... (Para minha amiga Aline, que inspirou esta ficção)


Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 107 - MARÇO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Especial

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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

De Resende (Portugal) para Resende Costa (MG)

O jornalista José Venâncio de Resende em frente às ruinas da primeira Câmara de Resende

Depois de um dia cansativo de viagem, já noite, entro no restaurante Gentleman de Resende pra jantar. Pretendia comer um bom bacalhau e apreciar o famoso vinho do norte de Portugal, quando me deparei com uma música ambiente familiar - Garota de Ipanema - que me surpreendeu por um detalhe: cantada em inglês. Pensei: “Por que em inglês, justo em Portugal?” Fiquei menos de dois dias em Resende, o suficiente para gostar e ter saudade. Uma região de belezas naturais incontáveis - formada por montanhas, onde habitações e plantações estão instaladas em curvas de níveis que mais parecem grandes degraus sustentados por muros de pedra – e de um povo muito simpático. Encontrei dois portugueses que têm irmãos no Brasil. Um deles, o António Quintino, foi o taxista que me conduziu aos locais relacionados com a família Resende. Também foi ele quem me presenteou com um exemplar da obra Resende e sua História (Volume 1: O Concelho, 1994, Edição Câmara Municipal), do padre Joaquim Correia Duarte. Na publicação, padre Joaquim se lembra de que o nome de Resende parece ser de origem visigótica, “Não se sabe porém, ao certo, quem seria o senhor que lhe legou o seu nome. Seria um herói das invasões bárbaras dos séculos V ou VI? Seria um povoador cristão da época da Reconquis-

ta?” Para ele, a opinião mais sustentável é a de que o topônimo se trataria de um genitivo possessivo de origem gótica (séc. VI ou VII) Redisindi (villa), ou seja, quintã senhorial (residência e terra) de Redisindus. . A primeira visita deste repórter foi ao antigo Mosteiro de Nossa Senhora de Cárquere, monumento associado ao início da nacionalidade portuguesa e ao começo da família Resende. D. Egas Moniz, tutor do primeiro rei D. Afonso Henriques, entre 1128 e 1146, recebeu do rei a Honra de Resende. O mosteiro, fundado por D. Egas Moniz, é um imponente monumento, que sofreu intervenções nos períodos gótico, manuelino e barroco, alterando-o profundamente. É composto por igreja de uma nave com capela-mor, mais baixa e mais estreita, parte do claustro, sacristia e panteão do convento primitivo, torre e capela lateral; portal de arco na frontaria principal com decoração manuelina; torre medieval do século XIII e arco de ligação à área convencional; e capela mortuária com quatro túmulos de granito (dos séculos XIII e XIV). Palácio - Outra visita foi ao lugar chamado Paço, onde terá existido na época da colonização romana um dominium ou reserva senhorial, com o paladium (Paço ou palácio) do senhor e as cabanas dos servos que trabalhavam nas terras das cercanias.

Segundo o padre Joaquim, o senhorio teria sido ocupado depois por algum “senhor Godo”, que poderia ter sido chamado Redisindus (possível origem do “de Resende”). Depois de estar na posse dos mouros, terá sido reconquistado, no princípio do século XI, e povoado por um senhor Rausendo Ermiges, apontado como o senhor do Paço de Resende. Este senhorio, nos primeiros anos do século XII, não se sabe bem de que modo, encontrava-se na posse de Egas Moniz de Ribadouro, tutor do primeiro rei de Portugal. “A família dos Resendes é uma das mais antigas e ilustres de Portugal” (Casa e Brasões de Resende, Joaquim Correia Duarte, 2007, Câmara Municipal de Resende). O primeiro a usar o apelido “Resende”, derivado do senhorio do mesmo nome, foi Martin Afonso que terá vivido entre 1258 e 1316. “Este senhor tinha a varonia de Baião, ou seja, tinha a ascendência paterna em D. Arnaldo de Baião e sua ascendência materna em D. Urraca Afonso, neta de D. Egas Moniz de Ribadouro”, relata o padre Joaquim. Assim, o senhorio de Resende viera então à posse de Martin Afonso, por herança de seu pai D. Afonso, de seu avô D. Rodrigo e de sua bisavó D. Urraca Afonso, que era neta de D. Egas Moniz. Depois de D. Afonso – prossegue o padre Joaquim – foram senhores do Paço (ou antigo palácio onde resta hoje a Capela de S. António) e da Honra de Resende, por sucessão e herança: (1) D. Constança Martins de Resende; (2) Vasco Martins de Resende, o Trovador: (3) Gil Vasques de Resende; (4) Martin Vasques de Resende; (5) Vasco Martins de Resende. “São destes quatro últimos as arcas tumulares de Cárquere, que se podem ver ainda hoje no panteon dos Resendes.” As quatro arcas de granito encontram-se na “Capela Funerária dos Resende”, anexa à igreja

do mosteiro. “Os tampos das arcas apresentam, esculpidos, escudos com cabras – os símbolos do brasão dos Resendes.” Segundo o padre Joaquim, “Resende foi, durante a Idade Média, uma Terra ou Honra pertencente a fidalgos da linhagem de Egas Moniz. Em 1288, conservava todos os privilégios e jurisdições das Honras: estava isenta de todos os impostos, tinha vigário próprio e o direito de impedir, em certos casos, a entrada dos oficiais do rei”. Antiga sede - Em 16 de julho de 1514, por “foral do rei D. Manuel I”, foi criado um concelho [município] em Resende. Ao ser criado, o concelho de Resende ficou com área geográfica e confrontações da antiga Honra, que abrangia as freguesias de São Salvador de Resende (incluindo Felgueiras) e Santa Maria de Cárquere. Embora não apareça na listagem dos lugares, a sede do concelho era Vinhós. De acordo com padre Joaquim, no século XVI Vinhós seria o lugar mais central e mais populoso e, portanto, o mais indicado. Assim, a referida povoação foi, até há pouco mais de cem anos, a sede do concelho. Este repórter teve a oportunidade de conhecer as ruínas de Vinhós, em especial o edifício abandonado da antiga Câmara Municipal e a antiga cadeia, em melhor estado de conservação. As publicações Resende e sua História e Casas e Brasões de Resende, presenteadas a este repórter, respectivamente, pelo taxista António Quintino e pelo padre Joaquim Correira Duarte, serão doadas para a Biblioteca Municipal de Resende Costa. Padre Joaquim disse a este repórter considerar bastante razoável a presença de Resendes entre os imigrantes do continente que povoaram os Açores e, de lá, vieram para o Brasil.

Foto Ideal Resende

Capela funerária dos Resende no mosteiro de Nossa Senhora do Cárquere. Detalhe para as quatro arcas.

Vista geral do mosteiro de Nossa Senhora do Cárquere

Vista da cidade Resende, Portugal. No fundo o rio Douro

Região vinhateira do Douro Resende é hoje um concelho – situado na vertente setentrional da serra do Montemuro e pertencente à Província do Douro Litoral - do qual fazem parte 15 freguesias (distritos). Com população em torno de 10 a 12 mil habitantes e área geográfica de 120 km2, está há 213 km de Ourense (do outro lado da fronteira da Espanha) e 382 km de Lisboa, capital portuguesa. Faz parte do distrito (estado) de Viseu e da diocese de Lamego. Resende é banhado pelas águas do rio Douro, referência da região, que nasce na Espanha, atravessa o norte de Portugal e desagua na cidade do Porto. Uma região que produz vinhos desde 1600, o que levou o Marquês de Pombal, ministro do rei D. Joao I, a demarcar o Douro (lei de 1756) com a denominação de “Região vinhateira do Douro”, talvez o primeiro caso de identidade geográfica (selo de qualidade) de que se tenha conhecimento. A região vinhateira demarcada tem início na freguesia de Barqueiros (onde já existia o comércio do vinho do Porto), pertencente ao concelho de Mesão Frio. Já a freguesia de Barrô (em frente a Barqueiros na margem sul do rio) pertence ao concelho de Resende e faz parte da região vinhateira. Resende é um dos poucos concelhos que produzem todo tipo de vinho, de acordo com José Luis Pinto, do posto de turismo local. É região típica do vinho verde, mas também produz vinho normal e vinho do Porto. A propósito, o mundialmente famoso vinho do Porto é produzido e engarrafado na região vinhateira do Douro, sendo transportado de barcos para a cidade do Porto, onde é armazenado e comercializado. Na região, predomina a agricultura (basicamente cereja e uva). Resende, como toda a região, enfrentou forte seca no último inverno (não chove desde o Natal). Uma situação que, a persistir, é fonte de preocupação para os produtores, já que a floração das culturas normalmente começa em maio (veja mais informações sobre Resende em http://www.cm-resende.pt/index.


12 Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 107 - MARÇO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Giro Esportivo

EMANUELLE RIBEIRO

Duas equipes resende-costenses participam do Torneio de Futsal de Verão de Barroso

Terminou em fevereiro, a 18ª edição do Torneio de Verão de Futsal, que acontece no Ginásio do Ceclans, em Barroso. O torneio, que teve início em janeiro, contou com a participação de duas equipes resende-costenses: o Matsubara, disputando a Taça de Prata e o Parma, a Taça de Ouro. O Matsubara representou bem Resende Costa, mas não conseguiu chegar à segunda fase do Torneio, devido ao saldo de gols. A equipe venceu três dos quatro jogos na primeira fase, chegando a nove pontos, mesma pontuação de outros dois times da chave “D” Mesmo com uma boa atuação, o saldo de gols baixo prejudicou o Matsubara, que foi eliminado. Já o Parma não foi tão bem: em

cinco partidas disputadas na primeira fase, o time resende-costense não venceu nenhuma. A tradicional equipe do futebol de salão de Resende Costa não jogou o futebol que sabe e acabou não marcando pontos no torneio de Barroso, sendo eliminada também na primeira fase. A final da Taça de Ouro aconteceu no dia 17 de fevereiro, com a vitória do Malasy sobre o Colorado por 7x4. Com essa vitória, o Malasy tornou-se bi-campeão do torneio. No mesmo dia, o barrosense Boi Mamado venceu o Xegados, de Prados: no tempo normal de jogo houve um empate em 2x2 e na prorrogação, o Boi Mamado (nome que faz referência a um famoso bloco de carnaval de Barroso) selou a vitória por 3x2 e conquistou a Taça de Prata. Destaque para o local onde é rea-

lizado o torneio: o ginásio do Ceclans, apesar de estar precisando de uma pequena reforma, comporta aproximadamente cinco mil pessoas sentadas, possui placar eletrônico, duas cabines de transmissão de rádio (usadas nas semifinais e finais), além de vestiários, bar, salas amplas, sauna e escritórios. É um verdadeiro modelo para os ginásios da região. Abaixo, os resultados das equipes resende-costenses no 18º Torneio de Verão de Futsal de Barroso: 1ª FASE Matsubara (Taça de Prata) 10/01 – Matsubara 6x3 Europa 16/01 – Real Dragon 0x10 Matsubara 24/01 – Matsubara 3x12 Boi Mamado

01/02 – Matsubara

4x3

Slap Band

Parma (Taça de Ouro) 13/01 – Malasy 9x1 Parma 17/01 – Parma 3x7 Olímpico 31/01 – Parma 4x5 Guarani 06/02 – Califórnia 7x4 Parma 08/02 – Parma 5x6 Colorado Matsubara: Diego, Flávio, Cássio, João Lázaro, João Paulo, Bruno Henrique, Nô, Wendel, Diego (Chicrete), Daltinho e João Vitor. Técnico: Dinei. Parma: Gatão, Juninho, Alex, Pepeu, Celso, Anderson, Jonas, Ramon, Fabinho, Marcelo, Bruninho, Juninho e Bitu. Técnico: Weber. Torneio do Independente Retornando ao ano de 2011, o

Cidade

destaque da coluna Giro Esportivo vai para o time resende-costense Confraternos. No torneio de futebol de campo do Independente, encerrado em novembro, em São João del-Rei, o Confraternos foi campeão invicto: em setes jogos, a equipe local venceu seis e empatou um. A final, no dia cinco de novembro, foi contra o Independente e o Confraternos venceu por 5x2. Parabéns aos jogadores pela brilhante atuação. Confraternos: Diego, Alex, Denis, Pepeu, Lambada, Edinei, Tatu, Anderson, Flavinho, Jonas, Bruno, Weber, Juninho, Reginaldo, Cássio, Fabinho, Nivaldo, Dinho, Celso, César e Rusque. Técnico: Fabinho.

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Obras de implantação da rede de esgoto em Resende Costa poderão se estender por mais um ano

Com a conclusão da primeira etapa das obras de implantação da rede de esgoto em Resende Costa, a SOENGE, empreiteira responsável pela execução do projeto, está, no momento, focada na construção da estação de tratamento (ETE), localizada na região do bairro Bela Vista. A empreiteira já concluiu a primeira fase de ligação das redes e interceptores. De acordo com Tessa Pires, funcionária da COPASA e responsável pela fiscalização das obras, o cronograma previsto para a primeira fase foi cumprido. A previsão era que as obras fossem totalmente concluídas em fevereiro deste ano, conforme reportagem publicada na edição 101 do JL, setembro de 2011. Na ocasião, a COPASA informou que mesmo diante das dificuldades técnicas e operacionais encontradas pela empreiteira, as redes, as estações elevatórias e a estação de tratamento seriam entregues em fevereiro de 2012. Tal previsão, porém, não pôde ser cumprida. “Tivemos vários problemas em Resende Costa, incluindo a topografia da cidade e as chuvas. Acredito que teremos mais um ano de obra”, disse o engenheiro civil Wellington Percílio, responsável técnico pela execução das obras. Entre das dificuldades técnicas e operacionais apontadas pela empreiteira, a implantação das redes no centro da cidade, especificamente na parte mais alta onde há forte predominância de rochas, é o maior

complicador: “Essa parte da cidade é objeto de um estudo mais elaborado, devido à característica do solo da cidade”, informou Tessa Pires. Estação de Tratamento do Esgoto (ETE)

A ETE é a parte final de todo o processo de captação e tratamento do esgoto. Trata-se do local onde serão tratados os resíduos sólidos diminuindo, inclusive, o impacto ambiental. Conforme explicou o engenheiro Wellington Percílio, a ETE instalada em Resende Costa será composta por unidades estruturais que tratam todo o material orgânico em diferentes etapas. “A primeira fase é a que chamamos de tratamento preliminar, ou seja, garrafas plásticas e outros objetos serão separados, restando somente a matéria orgânica que será tratada”. Após a separação, o material orgânico é conduzido a uma unidade chamada de “decantados”. É a segunda etapa do processo. O material orgânico é tratado quimicamente e depois conduzido ao filtro biológico. Já na penúltima fase, o material é levado ao leito de secagem, ou seja, a uma piscina composta de camadas de material drenante. Concluindo o processo, todo o material orgânico segue para a elevatória de circulação, antes de ser devolvido ao córrego praticamente 100% tratado”. Na estação de tratamento já estão prontas as seguintes unidades:

casa de controle, tratamento preliminar, filtro biológico e 60% do reator, conforme informou Tessa Pires. De acordo com Wellington, a ETE de Resende Costa tratará 43 m3/s de esgoto. “É uma quantidade considerada razoável para os padrões da cidade”, avalia o engenheiro. Impacto ambiental

A construção de uma estação de tratamento de esgoto geralmente causa polêmica, sobretudo entre moradores próximos ao local, que temem alguns transtornos como o mau cheiro. Na edição de janeiro passado (Ed. 105), o JL publicou uma reportagem mostrando a polêmica gerada em Tiradentes. Lá, moradores do bairro Várzea de Baixo onde a COPASA está construindo a ETE, alegam que a estação poderá causar danos ao ambiente e ao turismo, já que está sendo construída próximo às casas e à linha do trem “Maria Fumaça”. Já em Resende Costa, o engenheiro Percílio garante que dificilmente haverá problemas: “Este tipo de ETE que está sendo construída aqui em Resende Costa não causa transtornos, como o mau cheiro. Dificilmente isso acontece. A probabilidade é mínima”. Wellington explicou que a estação de tratamento de Resende Costa será totalmente diferente da que está sendo construída em Tiradentes. “A ETE de Resende Costa é composta por unidades es-

Wellington Percílio, engenheiro responsável pelas obras da ETE

truturais de tratamento. Em Tiradentes o tratamento será realizado em lagoas, com separação manual dos resíduos”. Ainda segundo o engenheiro, para minimizar qualquer tipo de impacto, até mesmo visual, toda a área do entorno da ETE será arborizada.

A obra de implantação da rede de esgotamento sanitário em Resende Costa tem investimentos do Governo Federal, Governo do Estado de Minas Gerais e da Prefeitura Municipal de Resende Costa. O valor total do investimento é de R$ 10.842.221,55.


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