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Edicao 106

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ANO VIII Nº 106 - FEVEREIRO 2012 / RESENDE COSTA - MG

Chuvas castigam a região das Vertentes Resende Costa, devido à sua localização, não sofreu muitos danos Foto - Prefeitura Municipal de São João del-Rei

DISTRIBUÇÃO GRATUITA

Crime de latrocínio choca população resende-costense No último dia 18 de janeiro, Resende Costa ficou perplexa com a notícia de um assassinato ocorrido na Boa Vista, zona rural de Resende Costa. Adair de Sousa Ribeiro, 67, foi barbaramente assassinado por criminosos que roubaram de sua residência pequena quantia de dinheiro. Pagina 10

Jogo aberto Tenente Klaudir, novo comandante da Polícia Militar de Resende Costa, conversou com o JL sobre drogas, trânsito e cidadania. Confira nesta edição os principais trechos desta entrevista. Página 04

A água chegou quase a cobrir a Ponte do Bezerrão em São João del-Rei

As chuvas de dezembro e janeiro passados trouxeram sérios problemas aos estados da região sudeste, especialmente Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Em Minas, mais de 200 municípios decretaram situação de emergência. Na região do Campo das Vertentes, cidades históricas como Prados, São João del-Rei e Tiradentes sofreram com enchentes e deslizamentos. Famílias ficaram desabrigadas e perderam suas casas. Veja nesta edição os problemas causados pelas chuvas em Resende Costa e região. Página 11


2 Jornal das Lajes Editorial Cidadania: um compromisso que vem do berço e da educação

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Na seção Jogo Aberto desta edição do Jornal das Lajes, o novo comandante do 3º Pelotão da Polícia Militar, sediado em Resende Costa, tenente Klaudir Silva, abordou temas importantes relacionados à segurança pública. Tráfico e consumo de drogas, abusos e desrespeito no trânsito e falta de compromisso com a cidadania são hoje problemas que começam a afetar as cidades de médio e pequeno portes, ainda não preparadas para essas situações, antes comuns apenas nas grandes cidades. O tráfico e o consumo de drogas já são problemas que começam a preocupar as autoridades das pequenas cidades. Segundo o tenente Klaudir, em Resende Costa, Lagoa Dourada e Coronel Xavier Chaves, cidades sob o comando do 3º Pelotão, a droga mais consumida ainda é a maconha. Porém, já passam a preocupar as drogas mais pesadas, como o crack, que está migrando dos grandes para os pequenos municípios, chegando até as suas zonas rurais, devido ao preço acessível (uma pedra pode custar apenas R$ 5,00). Espera-se que o poder público comece a participar do combate às drogas, programando campanhas educativas nas escolas e nos eventos públicos, utilizando-se para tal os meios de comunicação disponíveis, como rádio, jornais e redes sociais. Espera-se também o envolvimento, nesta tarefa, das Igrejas e das instituições sociais organizadas. O importante é prevenir, antes que o mal se torne uma epidemia incontrolável. Enfim, essa é uma tarefa de todos nós, cidadãos. Convivência social e bem-estar na cidade também foram temas abordados na seção Jogo Aberto. É triste constatar como os princípios de respeito e de obediência às leis vêm sendo ignorados em nossas cidades. Os moradores de Resende Costa começam a não ter paz em suas casas, em especial os do centro. Nos fins de semana, sobretudo naqueles de grandes festas, o direito ao sossego é simplesmente ignorado e desrespeitado. O barulho de danceterias, o som alto de carros até tarde da noite, gritos, desordens, brigas, garrafas quebradas nas ruas, pessoas urinando nas praças e ruas, casais praticando sexo em locais públicos e em frente às residências constituem uma triste realidade para nossa cidade. Somente uma parceria de responsáveis pela segurança, poder público, igrejas, famílias e escolas poderiam por fim nesse caos. Momentos de lazer podem (e devem) ser oferecidos à população, desde que se respeite o direito à individualidade e ao sossego do outro. As festas organizadas em Resende Costa, sejam elas públicas ou particulares, estão recebendo cada vez mais frequentadores, da cidade e dos municípios vizinhos. Isso implica maior responsabilidade por parte de seus promotores e dos responsáveis pela ordem pública. Responsabilidade significa garantia de ordem, conforto e segurança. Em específico, o JL tem recebido queixas em relação aos bailes realizados na danceteria Kaessy, sobretudo no que diz respeito a ordem, barulho, consumo de bebidas por menores e até mesmo segurança física do próprio recinto. Por se tratar de local cedido em comodato pelo poder público, é de se esperar que haja uma contínua vigilância por parte do cedente, que lhe concedeu, inclusive, o alvará de funcionamento. Enfim, a aspiração de todos é de viver e conviver em uma cidade organizada, segura, limpa, sem muito barulho, na qual as individualidades sejam respeitadas e a convivência coletiva seja harmoniosa. Utopia? Não, se o compromisso com a cidadania for um valor permanentemente cultivado, do berço familiar à eficiência da educação.

Jornal das Lajes Ltda

CNPJ: 09.323.470/0001-60 Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro (32) 3354-1323 - Resende Costa - MG CEP: 36.340-000 Diretor de redação: Rosalvo Pinto Editoração: Rafael Alves Editor de Esporte: Geraldo Aires Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Jornalista responsável: Floresta - Belo Horizonte José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP Tiragem: 3000 exemplares Diretor Administrativo: Circulação: Eustáquio Peluzi Chaves Resende Costa e São João del-Rei Diretor de Contabilidade: Os artigos assinados não refletem Antônio da Silva Ribeiro Neto obrigatoriamente a opinião do jornal. Editor-chefe: André Eustáquio

ANO VIII Nº 106 - FEVEREIRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Cultura

RENATO RUAS PINTO

Janeiro e suas mulheres revolucionárias Acompanhei, ao longo do mês de janeiro, várias reportagens que, no conjunto, me chamaram a atenção para o fato de esse mês estar ligado a quatro mulheres incríveis e revolucionárias. Nara Leão nasceu no dia 19 de janeiro e em 2012 completaria 70 anos. Sempre será considerada como a musa e a voz feminina da bossa nova, o que por si só já lhe valeria o título de revolucionária. A bossa nova nasceu, no Rio de Janeiro, em reuniões de jovens e um dos pontos tradicionais era o apartamento dos pais de Nara. Assim, ela esteve ligada às origens desse importante movimento musical que projetou a música brasileira para o mundo. Esse destaque, porém, não fez com que ela deitasse sobre os louros ou se acomodasse na fama. Nara fez parte também de outra vanguarda importante na MPB, a Tropicália, que fundiu a música brasileira com o rock. É um caminho um tanto quanto interessante: levou a MPB pra fora e voltou com aquilo que acontecia no mundo. Se o 19 de janeiro marcou o nascimento de uma musa, foi também a despedida de outra, a inesquecível Elis Regina, cuja morte

completou 30 anos em 2012. Elis foi outra inquieta revolucionária, que sempre apostou em fórmulas novas. Conhecida por seu faro para grandes músicas, Elis ajudou a lançar jovens compositores como Renato Teixeira, João Bosco e Fagner, o que é louvável, vindo de uma cantora consagrada, que poderia se aliar somente a nomes já estabelecidos. Além disso, Elis foi única. Dona de uma voz inigualável e de uma capacidade incrível de expressar emoção nas suas interpretações, creio que não deixou seguidoras, mas sim uma grande lacuna na MPB, que demorou a ser preenchida. Essa data de 19 de janeiro tem mesmo alguma magia. É também a data de nascimento de Janis Joplin, um dos maiores ícones do movimento hippie e da psicodelia do final dos anos 60. Assim como Elis, Janis também conseguia colocar uma emoção muito forte na sua música. Conhecida como rebelde desde a sua adolescência, Janis logo largou a faculdade e partiu para San Francisco, onde foi destaque em um momento muito importante do rock e protagonizou apresentações históricas, como a que aconteceu no festival de Mon-

terey, em 67, além do mítico Woodstock, em 69. Rita Lee não nasceu em janeiro, mas foi por muito pouco: 31 de dezembro. Não aguentou esperar um dia. Nesse mês de janeiro de 2012, porém, ela anunciou a sua aposentadoria dos palcos. Disse que o físico não suporta mais, mas deixou claro que se aposenta dos shows, mas não do rock. Rita foi outra rebelde e revolucionária. Além de ter estado na vanguarda da MPB junto ao movimento tropicalista - quando fazia parte de Os Mutantes -, na sua carreira solo abriu um caminho quase inexplorado no rock brasileiro: o da mulher roqueira. Não sei de quem é a frase, mas me lembro de ouvir dizer que, se Raul Seixas foi o pai do rock brasileiro, Rita Lee com certeza é a mãe. Felizmente, ela deixou claro que ainda tem material inédito para vários álbuns. O rock’n’roll agradece. Quanta coincidência para um só mês! Nara Leão, Elis Regina, Janis Joplin e Rita Lee, quatro mulheres emblemáticas, ligadas por um mês também emblemático, pois é ele que abre um novo ano. Além disso, o janeiro tem algo de musical. E de feminino também.

Voz do Cidadão

Rua Carmem Geralda Daher Gomes recebeu calçamento “Meu nome é Silvania Lúcia de Miranda e sou moradora do bairro Nova Resende. Gostaria de esclarecer que a obra de calçamento da Rua Carmen Geralda Daher Gomes está licitada há mais de três meses. Sei disso porque acompanho tudo o que diz respeito ao bairro Nova Resende. A rua está calçada. O empreiteiro estava calçando outras ruas primeiro, e agora concluiu o calçamento da Rua Cármen Geralda Daher Gomes. Quem quiser, pode checar a veracidade dos fatos na foto da rua calçada, ou pessoalmente. Esta obra teve a boa vontade do prefeito Adilson, e nós agradecemos ao mesmo por mais esta obra em nosso bairro”.

Silvania Lúcia de Miranda Moradora do bairro Nova Resende Resende Costa (MG)

Calçamento de bloquetes na rua Carmem Geralda Daher Gomes

ERRATA Na reportagem “Câmara Municipal realiza sessão solene no espaço de eventos C & M”, veiculada na edição 105, janeiro, p. 3, faltou mencionar que Lúcia Toshie Kikuchi recebeu o título de cidadania resende-costense honorária, no dia 15 de dezembro de 2011.


Jornal das Lajes

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Polícia

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ANDRÉ EUSTÁQUIO

Resende-costense é nomeado comandante do policiamento de meio ambiente da PM

Tenente Luís Ferreira é o novo comandate do 3º Pelotão Especial de Meio Ambiente

Contemplando as Palavras

Desde a Idade da Pedra, o ser humano adora se cobrir com peles de animais exóticos. Felizmente, a Revolução Industrial da virada do século XX fez surgirem estampas felinas pintadas em tecido, sem a necessidade de abate aos animais em questão. Verdade é que as estamparias de zebra, cobra e onça, principalmente, são um clássico da moda. Entra estação, sai estação e elas têm se mantido em alta. No topo dessa preferência quase exclusivamente feminina, a estampa de oncinha é aposta certa nos detalhes das roupas, em peças inteiras, calçados, acessórios (cintos, brincos, broches, lenços, pulseiras, bolsas...) e uma infinidade de outros itens. Onças pintando nos looks, as “oncinhas” estão por aí colocando as garras de fora. O estilo nada discreto faz lembrar a força e o exotismo das onças de fato e confere às adeptas desse modismo presença física marcante, como acontece com quem o inspira. Pessoalmente falando, essa não é minha praia, ou melhor,

O 2º tenente PM Luís Eduardo Resende Ferreira, assumiu, no dia 10 de janeiro, o comando do 3º Pelotão Especial de Meio Ambiente. O pelotão é subordinado à 6ª Companhia Independente de Meio Ambiente, comandada pela tenente-coronel Rosângela de Souza Freitas. O oficial da PM é natural de Resende Costa (MG) e comandará o policiamento ambiental de 25 municípios mineiros. Sua área de atuação abrangerá 10.174 km², articulados em três grupa-

mentos ambientais com sedes em Lavras, Oliveira e Campo Belo. O 2º Tenente Luís Ferreira assumiu o comando ocupado antes pelo 2º Tenente Francisco Donizetti Soares, que está se transferindo para o Quadro de Oficiais da Reserva da polícia Militar do Estado de Minas Gerais. Luís Ferreira graduou-se no Curso de Formação de Oficiais (CFO), em 2010, e, desde então, trabalhou na 16ª Companhia Independente na cidade de Três

No rastro da onça

minha selva ou meu estilo. Muito menos tenho ligação alguma com bichos e nunca tive qualquer bichinho de estimação. Respeito-os, mas chego a ter fobia em relação a muitos deles. Paradoxalmente, mantenho, desde criança, uma certa atração no que diz respeito à vida dos grandes animais selvagens, entre eles a onça (o jaguar ou jaguara, que em tupi-guarani significa “o que mata com um salto”). Histórias envolvendo onças chamam minha atenção. Lembro o saudoso Euclides da Marta, que me contou, certo dia, ter perdido um irmão, segundo ele, “pras bandas do Mato Grosso”, provavelmente devorado por uma pintada. Registro também o relato pessoal de quem, estando no Pantanal mato-grossense, me garante ter visto um belo exemplar desse felino, bom nadador que é, atravessando o rio, atingir a margem dele e sumir, sem dar tempo de um registro fotográfico à altura daquele momento único. Coisas de arrepiar! Surpreendente é a história da fazendeira Beatriz Rondon, 69. Por trás da máscara de pro-

tetora da fauna, ela promovia safáris em sua fazenda recebendo caçadores, a maioria deles estrangeiros, que pagavam 30 mil dólares para matar onças pintadas. Denunciada em 2011 através de um vídeo enviado anonimamente à Polícia Federal, a proprietária da Fazenda Santa Sofia, que fica no município de Aquidauana, no Pantanal do Rio Negro, é vista nas imagens caçando e abatendo duas onças: uma parda e uma pintada. É espantoso saber que a dona de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN, como é classificada a “Santa Sofia”, propriedade de 35 mil hectares) era citada como um exemplo de guardiã da fauna, principalmente das onças pintadas. Fico tentada a chamar essa caçadora em pele de ambientalista de “amiga da onça”, que em linguagem figurada significa amiga falsa. Levando essa expressão ao pé da letra, no entanto, concluo que amiga da onça é tudo o que ela não é. E mencionando essa expressão popular, constato que, linguisticamente, a onça está bem presente no nosso dia a

dia. Vejamos: quem ainda não disse que alguém “virou uma onça” em um certo momento? Ou então que determinado sujeito está com um “bafo de onça” daqueles? Ou mesmo que não se deve “cutucar a onça com vara curta”? E quando se sabe que é “hora da onça beber água”? Assim dizendo: “hora da onça beber água”, e não, como determina a norma culta “hora de a onça beber água”. É fato que hoje já não se fala em “leite de onça”, bebida preparada com cachaça e leite condensado, mas muitos lançam mão do “tempo do onça” quando se referem a uma época distante. É interessante ainda observar como muita gente não se dá conta de que carrega no bolso ou na bolsa, através da estampa que ilustra as atuais notas de 50 reais, a personagem desta matéria. Habitando o imaginário dos inúmeros contadores de histórias ou vivendo em florestas e em ambientes abertos como o Pantanal e o Cerrado, a onça é o maior predador das Américas, não existindo, portanto, outro animal acima dele na cadeia alimentar. Apesar do porte avanta-

Corações, sendo responsável pelo 3º setor de policiamento e pelo 4º pelotão de polícia militar que abrange as cidades de São Bento Abade e São Tomé das Letras. O tenente Ferreira atuará na coordenação das ações visando à preservação e defesa do meio ambiente e a execução das atribuições de Polícia Ostensiva de Prevenção Criminal da flora, fauna e dos mananciais de água que constituem patrimônio natural da região. REGINA COELHO

jado, é ágil e arisca. Mergulha, salta, corre, sobe em árvores e tem os sentidos muito aguçados. Não mia como a maioria dos felinos, emitindo uma série de roncos muito fortes que são chamados de esturros. Quando caça aves, porém, sabe imitar o seu pio para atraí-las. É capaz ainda de seguir a sua vítima por horas, sem ser notada. Quanta esperteza! Pesquisando sobre o tema aqui tratado, observei que há uma boa bibliografia a utilizar. Destaco o livro “Jaguar: o rei das Américas”, do ecólogo Evaristo Eduardo de Miranda e da jornalista Liana John (Editora Metalivros). A obra se divide em duas partes e reúne aspectos históricos, ecológicos, mitos e significados culturais relacionados a esse animal, com foco voltado para a urgência na preservação da espécie, já reduzida à metade. Poder (não por acaso, “Jaguar” é marca de carro que sugere velocidade e potência) e beleza (porte e pelagem admiráveis) são atributos das onças e talvez expliquem o fascínio que elas podem exercer sobre os humanos.


4 Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 106 - FEVEREIRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Jogo Aberto

ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO

“Segurança pública é dever de todos”

Tenente Klaudir destaca a importância da parceria entre a população e a polícia em favor da segurança pública Tráfico de drogas, trânsito, entre outros problemas relacionados à segurança pública foram temas desta entrevista que o novo comandante do 3º Pelotão da Polícia Militar concedeu, com exclusividade, ao Jornal das Lajes. O tenente Klaudir Machado Neves Silva, 41, assumiu, no início de janeiro, o comando do policiamento das cidades de Resende Costa, Lagoa Dourada e Coronel Xavier Chaves. Natural de Belo Horizonte, o tenente Klaudir está na polícia há 20 anos. Ultimamente, trabalhou no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Sargentos, na capital mineira. O novo comandante possui currículo vasto e vários cursos de formação, entre eles de direitos humanos, polícia comunitária e operacionalidade da polícia. Quais são os problemas mais graves que afetam Resende Costa, atualmente? Em relação à segurança pública, o problema de maior gravidade é o tráfico de drogas. É uma questão, que aos poucos, vem dominando as pequenas cidades. A população deve abrir os olhos para esse problema, tornando-se, inclusive, informante da Polícia Militar. A nossa função é a prevenção criminal e essa prevenção se dá em parceria com a comunidade. Então a população, não só de Resende Costa, como também de Lagoa Dourada e Coronel Xavier Chaves, precisa entender isso. Segurança hoje se faz com parceria. É uma função de todos nós. Como a PM tem atuado no combate ao tráfico? O combate se dá, em um primeiro momento, através das nossas operações de cunho repressivo e do nosso policiamento preventivo. Quando há denúncia, através das operações inteligentes. Mas, o tráfico infelizmente vai se ramificando, trazendo vários problemas, sendo o primeiro deles o aliciamento. Provoca a destruição familiar. A droga é viciante, então a pessoa que fala que vai experimentar uma vez acaba gostando desse prazer momentâneo e se vicia. O tráfico gera outros crimes, como furtos, roubos e homicídios. Então, em um primeiro momento, as pessoas acham que estão seguras, mas não estão. Sabendo que uma pessoa trafica ou faz uso e não denuncia, ela está sendo conivente e, amanhã, infelizmente, ela poderá ser uma vítima. Percebe-se que muitos adolescentes fazem uso indiscriminado e prematuro do álcool, que seria a porta de entrada para o uso de outras drogas mais pesadas... A instituição Policia Militar já tem um programa voltado para a criança e o adolescente, que é o Proerd. É um programa que estamos desenvolvendo junto às escolas, edu-

cando os jovens a respeito das drogas e suas consequências. Com relação ao álcool, é interessante aconselhar os pais - principalmente aqueles que fazem uso constante e acabam levando os filhos ao consumo - a não fechar os olhos, porque o álcool incentiva a se aventurar no uso de outros tipos de drogas. Temos que começar a mostrar aos pais que eles também têm uma função muito importante na questão da educação, não é só deixar para a polícia ou para a escola. Educação também se faz na construção familiar. Como a polícia tem agido em relação à venda de bebidas alcoólicas para menores? Nós buscamos orientar os proprietários a não vender bebidas alcoólicas para menores, principalmente por causa do Estatuto da Criança e do Adolescente, mas esbarramos, infelizmente, na má fé de algumas pessoas. Os adolescentes têm amigos que são adultos, que compram as bebidas e distribuem. Aí fica complicado para nós prevenirmos. Na verdade, a gente pede aos pais para orientar os filhos. Com relação à prevenção, o máximo que fazemos é orientar e quando vemos que realmente o jovem está extrapolando, aí sim buscamos persuadi-lo, orientando-o a ir embora, cessar o consumo, porque a embriaguez traz outros crimes. Agora, inibir os mercados e bares, já estamos fazendo com a nossa patrulha de prevenção. O problema das drogas já pode ser considerado grave em Resende Costa? Como essas drogas chegam à cidade? O problema é grave, mas não gravíssimo, quando comparado às grandes cidades. As drogas chegam por várias fontes, às vezes é uma mercadoria que é entregue aqui, ou alguém que busca em São João del-Rei. Em Resende Costa, nós não temos o grande traficante, aquele ponto de venda de drogas. Os pontos menores que temos são todos catalogados e estamos levantando as pessoas que são fontes de referência na venda de drogas. Já temos esses nomes. Nossa patrulha preventiva está buscando levantar os locais, onde são alocadas essas drogas, para que possamos fazer as operações mais pontuais. Logo, essas pessoas que estão achando que não estão sob nossos olhos com certeza serão presas, o que trará traquilidade para a região. A população tem que ser sábia, não pode se esquivar de um problema que está ao lado. Ela precisa nos informar. Não há necessidade de divulgar o nome, endereço ou telefone, basta ligar no 190 e fazer a denúncia, que será tratada de forma sigilosa e inteligente. Quais são as drogas mais consumidas em Resende Costa? O crack já

chegou aqui? Em Resende Costa, Lagoa Dourada e Coronel Xavier Chaves, a maconha ainda é a droga mais consumida. Nós ainda não tivemos pontuada uma ocorrência de apreensão de crack. Se estiver havendo consumo de crack, ainda é insignificante para repressão criminal, mas estamos monitorando essa questão. Se acontecer, reprimiremos imediatamente. Muitos moradores, sobretudo do centro da cidade, têm reclamado dos carros com som alto, principalmente nos finais de semana na Avenida Gonçalves Pinto. O que a polícia tem feito para minimizar esse problema? No dia 31 de janeiro, tivemos a primeira audiência com o poder judiciário e levamos essa questão. Estamos para adquirir um equipamento para fazer aferição do volume, e a nossa função vai ser extremamente repressiva. Treinaremos nossos policiais e vamos iniciar blitz para fazer apreensão do veículo e desses equipamentos de som. As pessoas estão desprezando uma lei do Conselho Nacional de Trânsito, que define o tipo de som automotor permitido. Temos que respeitar as leis, como coletividade. O indivíduo pode colocar o melhor som no seu veículo, desde que não extrapole o que está no Conselho Nacional de Trânsito. É importante que esses motoristas deem uma olhada no Código de Trânsito Brasileiro e vejam a penalidade. Nós vamos cumprir apenas o que determina a lei. Além do som alto nos carros, não raro surgem reclamações de parte dos moradores do centro da cidade quanto ao barulho e outros problemas advindos de algumas festas organizadas na danceteria Kaessy. A polícia tem recebido denúncias? A perturbação do sossego só tem eficiência quando a pessoa faz o registro. Não basta ela ligar anonimamente para a polícia e reclamar, ela precisa se mostrar, registrar um boletim de ocorrência, para que o próprio judiciário tome providência. Já houve operações e, inclusive, foi pedido que fosse feito um melhoramento no local. Acredito até que se tenha feito, mas não o suficiente. A população tem que recorrer, inclusive ao Poder Público Municipal, à Câmara de Vereadores, para fazer uma audiência pública, envolvendo outros órgãos. Nós já adquirimos uma câmera e todos os eventos serão filmados, exatamente para que a gente municie o poder público sobre essas festas e seus transtornos. Nossos policiais já estão com essa câmera, filmando os eventos, identificando as pessoas que causam algum problema. Já a questão do ambiente pertence ao Poder Público Municipal, pois é ele que libera o

Tentente Klaudir (dir.) ao lado do sargento Rogério

alvará de funcionamento. Quais são as principais ocorrências que tem surgido nas blitz de trânsito? Quando as pessoas tiram carteira aprendem tudo direitinho, frequentam autoescola, aprendem as normas administrativas do trânsito, mas depois acham que por estar em uma cidade pequena, o Código de Trânsito Brasileiro não chega até aqui. Nossos maiores problemas relacionados ao trânsito em Resende Costa são a falta do uso do cinto de segurança, da viseira pelos motociclistas e motoristas inabilitados. Já estamos combatendo os inabilitados com apreensão do veículo e multa. Já a falta do cinto e da viseira, em um primeiro momento, estaremos implantando a blitz educativa, visando a orientar a população sobre o uso do cinto, da viseira e não dirigir de chinelo. O nosso objetivo é levar os motoristas a conhecerem o Código de Trânsito Brasileiro e obedecer a ele. Mas, se as pessoas insistirem em desobeder, estaremos tratando o assunto com repressão, no caso multa. Como novo comandante do 3º Pelotão da PM, quais são as suas prioridades de trabalho? Primeiramente, conscientizar a população de que a polícia é parceira. Nossa função é servir bem a comunidade. As portas dos nossos quartéis estarão sempre abertas. Gostaria que a população entendesse que a polícia não é um problema e, muitas vezes, também não é a solução. Gostaria que as pessoas recebessem bem os nossos policiais, conversassem, expusessem os problemas, para que possamos juntos encontrar uma solução. Nós somos mais prevenção do que repressão e, conversando, podemos chegar a um denominador de segurança para todos. Quero também que a população entenda que há alguns momentos em que precisamos ser repressivos, agir com normas, leis, regulamentos e também com o uso moderado da força. Se a pessoa for abordada, que aceite a abor-

dagem e não busque reagir, desacatar o policial, porque se o fizer será presa e conduzida à presença da autoridade judiciária. Queremos trazer bem-estar para a cidade, mostrando que nossas cidades são tranquilas e que as pessoas podem viver com segurança. Conheça seu vizinho, participe do seu cotidiano, assim você poderá ajudar na prevenção criminal. Nosso objetivo é implantar nas cidades onde trabalhamos a rede de vizinhos protegidos; então seja amigo do seu vizinho, para que quando ele estiver ausente e houver alguma anormalidade, você possa nos comunicar, sendo nossos olhos onde não estivermos enxergando. Então, a relação da polícia com o cidadão deve ser de amizade, de parceria, com ambos buscando um ambiente sadio, sem violência, seguro. É o que chamamos de Polícia Comunitária. Há poucas semanas, aconteceu um crime de latrocínio na zona rural de Resende Costa, que abalou a população. Há alguma coisa que as pessoas possam fazer para evitar acontecimentos como esse? A nossa zona rural é muito extensa. Nós temos a patrulha de prevenção rural, que faz o trabalho preventivo nas comunidades, mas devido às chuvas, o acesso tornou-se quase impossível. As pessoas podem fazer muito. Primeiro, não manter grande quantia de dinheiro em casa. Segundo, qualquer estranho que ali aparecer, qualquer carro com placa diferente, comunique à polícia, para que possamos fazer um levantamento. E terceiro, é interessante as pessoas terem um cachorro em casa, que possa trazer segurança e servir como alarme em alguma situação perigosa. No mais, é contar conosco. Esse acontecimento não faz parte da realidade de Resende Costa e as duas polícias, trabalhando juntas, conseguiram dar uma resposta rápida. (A íntegra desta entrevista está disponível em www.jornaldaslajes.com.br/ entrevista)


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Regional

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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Um pioneiro do artesanato em pedra, Produção agrícola da microrregião de novo em busca de novos caminhos das Vertentes tem valor de

Cerca de 15 escultores, que trabalham com artesanato em pedra em Coronel Xavier Chaves, tiveram influência direta ou indireta de David Fuzatto, que se dedica à profissão há 34 anos, desde a idade de 13 anos. Embora considerado pioneiro, ele faz questão de dizer que o primeiro artesão em pedra de Coronel Xavier Chaves foi José Maria Mendonça, por volta de 1975. “Tive o primeiro contato com a pedra sabão através dele”. Quando se mudou da cidade em 1977, José Maria deixou as bases para David pesquisar nas igrejas do colonial mineiro. “Eu estava na escola, quando tive contato com o trabalho do Aleijadinho por meio de livros. E a igrejinha (capela Nossa Senhora da Conceição do Ribeirão do Mosquito) – eu tinha muita admiração pela igrejinha - era a minha referência. Num processo inconsciente, fazia a ponte entre os livros e a igrejinha”. Dos 13 aos 18 anos, os trabalhos de David eram vendidos para a família de José Maria. Aos 18 anos, ele começou a buscar mercado em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. “Eram peças de reprodução grosseira do colonial mineiro”. A partir dos 20 anos, o escultor começou a introduzir a arte grega e “de lá pra cá isso veio fermentando”. Até 1990, David era o único que trabalhava com pedra em Coronel Xavier Chaves.

“A gente fazia anjo barroco por influência do Zé Maria, alguma interpretação da arte e o nu feminino”. Então, apareceu o pessoal do antiquário de São Paulo, “clientela que exigia produção maior, basicamente reproduções. A gente começou a fazer o resgate dessa cultura da cantaria: escultura arquitetônica (pórticos, escadarias, chafariz, lavabos etc.) e arte sacra (santos, anjos etc.). O que balizou foi o turista com os seus pedidos. O turista (nosso cliente potencial) é por causa do colonial (Tiradentes e São João del-Rei)”. Foi quando David implantou “involuntariamente” a primeira oficina-escola para formar mão de obra. “Criei a oficina por necessidade e também saí por necessidade. Eu comecei a dividir o bolo, cada um começou a ganhar voo próprio”. Mas houve período em que David não tinha cliente para seus trabalhos. Até que começou a vender para lojas de Tiradentes. Em 2000, ele escolheu uma das melhores lojas de Tiradentes para colocar seus trabalhos em consignação. “Eram só clientes VIP, e deu certo”. Hoje existe em Coronel Xavier Chaves uma escola “davidiana” de artesanato em pedra. Luizinho foi o primeiro escultor que aprendeu com ele, assim como foram seus seguidores José de Fátima, Edirlei, Jaime, Marquinhos

e Flávio da Vila de Fátima. Francisco Sales e Lucas Evaristo tiveram iniciação na oficina de David. O atual boom da arte em pedra em Coronel Xavier Chaves é decorrente da procura pelas reproduções. Nas oficinas da cidade, continua-se fazendo reproduções, só que foi incorporada a influência européia com certo atraso. “Todo mundo virou copista, e por sinal, muito bons; só que perderam a identidade”, constata David.

Eclético Atualmente, David considera-se eclético. “Posso fazer egípcio, mesopotâmico, grego e o barroco”. Também conquistou o direito de criar livremente. “Não gosto de trabalhar com comerciantes, mas o turismo de Tiradentes foi o que sustentou essa continuidade do trabalho”. David tem clientes do Brasil inteiro, que pedem justamente “a minha visão de mundo, que é a identidade. O mundo mudou e exige uma nova releitura a partir de uma nova base de conhecimento”. Hoje, são clientes de David grandes industriais de São Paulo, atores da Rede Globo e colecionadores. A oficina de David fica no km 4 da rodovia João Vicente Vieira Camargos, que dá acesso à cidade de Coronel Xavier Chaves.

R$ 98,575 milhões

A produção da tradicional cultura de milho nos municípios da microrregião do Campo das Vertentes cresceu 7,7%, para 148 mil toneladas, em 2010, comparada com a do ano anterior. Já as produções de cana-de-açúcar, feijão e café atingiram, respectivamente, 69.995 t (queda de 2,5%), 13.496 t (decréscimo de 5%) e 4.708 t (acréscimo de 21,2%). Mas já começam a aparecer nas paisagens da região novas culturas, como as da soja e do trigo, ainda que em quantidades pequenas. No caso da soja, houve aumento de 196,9%, para 5.838 t, enquanto a oferta de trigo chegou a 5.689 t (mais 14,8%). Os números municipais referentes a 2010 foram publicados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os destaques de 2010 por município, estão, no caso do milho, São João del-Rei (33 mil t) e Lagoa Dourada (29.700 t); no do feijão, Madre de Deus de Minas (7.200 t); do café, Nazareno (2.100 t); da cana, Coronel Xavier Chaves (17 mil t); e Madre de Deus de Minas, no trigo (3.575 t) e na soja (2.000 t) . No segmento de hortigranjeiros (frutas e legumes), São João del-Rei sobressaiu na produção de laranja (3.900 t); Lagoa Dourada, no tomate (10.560 t), na batata (1.180 t) e na batata doce (1.600 t); Coronel Xavier Chaves, na tangerina (2.050 t); e Piedade do Rio Grande, na maçã (1.000 t). O valor da produção agrícola (inclui frutas e legumes), em 2010, somou R$ 98,575 milhões, com destaque para Madre de Deus de Minas (R$ 20,189 milhões), São João del-Rei (R$ 18,512 milhões), Lagoa Dourada (R$ 13,584 milhões) e Nazareno (R$ 11,385 milhões).

Produção animal Na área animal, o rebanho bovino da microrregião do David Fuzatto trabalhando na escultura da Virgem Maria

Campo das Vertentes chegou a 180.871 cabeças em 2010, um aumento de 2,1% sobre o ano anterior. Já o plantel de aves somou 228.351 cabeças (queda de 1,5%) e o número de suínos ficou praticamente estável (35.145 cabeças). A produção de leite foi de 143,992 milhões de litros (aumento de 6,7%), com destaque para São João del-Rei (31,107 milhões); São Tiago (19,127 milhões); Carrancas (16,608 milhões); Nazareno (15,855 milhões) e Resende Costa (11,010 milhões). Já a produção de ovos atingiu o total de 783 mil dúzias (praticamente estável em relação à do ano anterior), concentrando-se principalmente em São João del-Rei (128 mil dúzias); Lagoa Dourada (112 mil); Resende Costa (111 mil); e São Tiago (104 mil).

Barbacena e Lavras Barbacena, sede de outra microrregião no Campo das Vertentes, destaca-se na produção de milho (6.000 toneladas), tomate (7.000 t) e pêssego (6.755 t). Na área animal, tem rebanho estimado de bovinos em 23.265 cabeças; de suínos, em 9.982; cabeças e de aves, em 101.952. A produção de leite em 2010 foi de 18,23 milhões de litros e a de ovos, de 1,04 milhão de dúzias. A terceira sede de microrregião no Campo das Vertentes é Lavras, cuja principal produção agrícola predominante é milho (24.000 toneladas), café (5.280 t) e cana-de-açúcar (2.800 t). No setor animal, o rebanho bovino atingiu 27.656 mil cabeças e o de suínos, 18.340 mil, enquanto o plantel de aves chegou a 662.365 cabeças. A produção de leite somou 25,685 milhões de litros e a de ovos, 7,450 milhões de dúzias. Destaque ainda para o plantel de codornas (300.241 cabeças), com produção de 5,180 milhões de dúzias de ovos.


6 Jornal das Lajes

Cinema

ANO VIII Nº 106 - FEVEREIRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG MARISA A. O. MAGALHÃES

15ª Mostra de Cinema de Tiradentes Cinema Brasileiro Contemporâneo - janeiro de 2012 É tudo de bom!

Felizmente, a ameaça de não haver a realização da mostra de cinema em função das chuvas e enchentes que castigaram Tiradentes, assim como diversas cidades mineiras, foi afastada. As nuvens escuras e carregadas deram trégua e a cidade abrigou nossa tão esperada Mostra de Cinema Nacional. Neste ano - comemora seus 15 anos –, é uma debutante – que luta incessantemente para conquistar os espaços que a Arte deveria ter garantido; que proporciona lazer e reflexão; que propõe tomadas de posição no quesito de pensar o cinema nacional: rumos, trajetória, possibilidades técnicas e ideológicas. Conservando seu formato e concepção, a Mostra de Tiradentes vai além da exibição de filmes e avaliação da crítica. Sua proposta é a interação: público, crítica, atores, diretores, produtores, iniciantes da nova geração do fazer cinema com as produções de filmes de temáticas diversas, democratizando o acesso aos bens culturais veiculados pela 7ª Arte a todos, gratuitamente! Consagrando esses 15 anos de mostra, a Universo Produção e o Programa Cinema sem Fronteiras presentearam a cidade com a criação no Cine-Teatro de uma sala de cinema permanente, instalada no Centro Cultural Yves Alves. Até então, era o paradoxo: Tiradentes sedia

uma das mais importantes mostras de cinema nacional, mas não havia cinema na cidade. Como pode?! Esperamos que essa iniciativa seja, de fato, valorizada e bem administrada, prosseguindo com seus objetivos: fomento cultural através do cinema – formação de público – privilegiando, sobretudo, a população local. “O ator em expansão” foi o tema desta 15ª Mostra, que aconteceu no período de 20 a 28 de janeiro. Discutiu-se “a valorização do ator no processo de criação do filme, do ator como ideia, como pensamento, como forma, não apenas como corpo a cumprir um objetivo da cena. O ator contextualizado em dinâmicas participativas e interativas. Qual é o lugar desse novo ator no cinema?” Selton Mello - ator, produtor, roteirista e diretor - foi o homenageado, assim como também homenageados os filmes: O Palhaço, Lavoura Arcaica, A Erva do Rato, Cheiro do Ralo, nos quais ele foi protagonista. Marcus Vianna, músico e compositor, abrilhantou a abertura do evento com emocionante apresentação musical, enaltecendo as belezas de Minas Gerais na poética de sua canção e do seu violino. O filme de abertura, em pré-estreia nacional – como todos os exibidos – foi Billi Pig, direção de José Eduardo Belmonte. Selton Mello protagonizou ao lado de Grazi Mas-

safera, Milton Gonçalves e famoso elenco conhecido do público. Os curtas e longas-metragens exibidos versaram sobre questões afetivo-sexuais, as dores do amor, a traição, a necessidade do ser humano amar e ser amado; questões do imaginário popular povoados nas lendas, mitos, arquétipos; cenas do cotidiano rural: crendices e benzeções; as influências e a dominação psicológica exercidas pelas religiões, pelo machismo e pelos vários “instrumentos” de opressão que aprisionam e aniquilam o livre pensar, o ser-no-mundo; interesses e dramas existenciais vividos pelos adolescentes; o imaginário adolescente feminino na conquista da beleza, das passarelas, do glamour; a interferência das redes sociais devastando o eu-individual e jogando-o em um eu-dos-outros, exposto, julgado, arrombado; filmes de denúncia de má gestão de instituições públicas nas áreas da saúde e educação. Filmes performáticos nos quais os atores vivenciam, de fato, os acontecimentos das cenas, ocupando a vez dos efeitos especiais. A fisiologia como expressão das inquietações do mundo interno e do fazer afetivo corporal. Vale destacar alguns longas: “O homem que não dormia”, Edgar Navarro – ficção, BA, 2011; “HU”, Pedro UraFoto Divulgação - Site da Mostra

O ator Selton Mello foi o homenageado da 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes

Amirco

ELAINE MARTINS

AMIRCO vai publicar álbum fotográfico de Resende Costa

A Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO) vai publicar um álbum/catálogo fotográfico de Resende Costa, como parte da comemoração dos 100 anos da emancipação da cidade, em festa a ser celebrada no dia dois de junho próximo. A publicação vai ser feita com recursos obtidos através de projeto apresentado ao Fundo Estadual de Cultura (FEC) e recentemente aprovado. O álbum conterá, em sua maior parte, fotos antigas (ruas, praças, fazendas, igrejas, eventos, pessoas etc.) e também fotos mo-

dernas da cidade. Com apoio e em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e Cultura, será feita uma campanha, através das escolas, para que as pessoas da cidade apresentem fotos de valor histórico, tal como foi feito, em fins do ano passado, numa exposição itinerante. Oportunamente serão divulgados local e horário para que as pessoas interessadas apresentem suas fotos. As fotos conterão, além da tradicional legenda, o nome das pessoas que as emprestaram para a montagem do álbum. Foto: Elaine Martins

Rosalvo Pinto, André Eustáquio e Adriano Magalhães, da Amirco ,se reuniram para discutir a nova fase da Coleção Lageana

no e Joana Traub Cseko - doc., RJ, 2011; “Vou rifar meu coração”, Ana Rieper-doc., RJ, 2011; “Na carne e na alma”, Alberto Salvá-ficção, RJ, 2011; “Corpo Presente”, Marcelo Toledo e Paolo Gregori - ficção, SP, 2011; “As horas vulgares”, Rodrigo de Oliveira e Vitor Grazie - ficção, SP, 2011. Essa 15ª Mostra registrou também o lançamento de livros que visam ao enriquecimento da bibliografia sobre cinema nacional: “Cinema sem Fronteiras – 15 anos de Mostra de Cinema de Tiradentes Reflexão sobre o Cinema Brasileiro – 1998-2012”, organizadoras: Raquel Hallak e Fernanda Hallak; edição Universo Produção. Contém registros do maior evento do cinema brasileiro contemporâneo realizado no país. “Dicionário de Filmes Brasileiros – Curta e Média-Metragem”, Antonio Leão da Silva Neto; edição: Instituto Brasileiro Arte e Cultura (IBAC). Com 1.270 páginas, é o livro mais completo sobre a produção brasileira de curtas e médias, constando 21.686 filmes catalogados com suas respectivas fichas técnicas.

“Programadora Brasil” – catálogo, MEC/Secretaria do Audiovisual / Cinemateca Brasileira. Reúne todos os filmes lançados desde 2007, edição comemorativa dos cinco anos de lançamento do Programa Brasil. “Filme Cultura” – dezembro de 2011 – revista – Gustavo Dahl: o cinema brasileiro e ele, editor e jornalista responsável: Marcelo Cajueiro, editado pelo CTAv/SAV/ MinC. É preciso ressaltar a preocupação dos organizadores do evento em relação à preservação da cidade, do respeito aos costumes e hábitos locais e à chamada a conhecer sua história e os encantos naturais que Tiradentes dispõe ao visitante. Como podemos contatar, a Mostra de Tiradentes oferece muito mais que filmes, oficinas, debates, seminários, exposições, shows, compêndios, livros. Ela mostra que é possível realizar sonhos, ideais; vencer desafios e colher frutos. Parabéns, Universo Produção e Cinema sem Fronteiras. Sua luta é a nossa vitória! Agora, resta aguardar a 16ª Mostra de 2013 e que seja bem-vinda!


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Aconteceu

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EMANUELLE RIBEIRO

Banda Insignes apresenta especial The Beatles No dia 27 de janeiro, o Bar da Esquina recebeu uma grande atração: a banda Insignes apresentou um especial The Beatles, deixando o público presente muito satisfeito com a versão da banda resende-costense. Quem compareceu teve a oportunidade de reviver e cantar junto os grandes sucessos dos garotos de Liverpool. O show foi dividido em duas partes, sendo a primeira totalmente dedicada à banda inglesa e a segunda composta pelo re-

pertório próprio da banda Insignes. De acordo com o vocalista da Insignes, Ângelo Márcio, a banda vinha pensando em fazer algo diferente nos shows, já que os músicos estavam considerando as apresentações “meio pesadas”. Foi então que surgiu a ideia de um especial, e encaixou perfeitamente. A escolha do primeiro conjunto a ser homenageado pela banda Insignes não poderia ser melhor: The Beatles, além de ser garantia de sucesso, como desta-

Banda Insignes resgatou, com estilo, os grandes sucessos dos Beatles

cou Ângelo, com suas músicas bem executadas é uma das bandas mais famosas do rock. A responsabilidade de escolher um repertório como dos Beatles é grande, mas a banda Insignes mostrou sintonia e foi aprovada pelos fãs que acompanharam o show. A canção “And I love her” abriu a noite e depois vieram outros grandes sucessos como “Love me do”, “Yesterday”, “Hey Jude”, “I want to hold your hand”, dentre outros, fechando o especial com

Gustavo e Mathias

Nathália Cristina comemorou seus 15 anos no Salão de Festas C&M

Os 15 anos de Nathália Cristina foram comemorados em grande estilo. A festa aconteceu no

Salão de Festas C&M, no dia 4 de fevereiro. Junto aos seus pais, Ado e Valdilene, Nathália rece-

Uma festa inesquecível marcou as comemorações dos 15 anos de Nathália Cristina no Salão de Festas C&M

beu os seus amigos e com eles festejou esse momento inesquecível.

Nathália comemorou seus 15 anos no Salão de Festas C&M

“Help”. O repertório escolhido pela banda Insignes foi excelente e permitiu ao público relembrar bons momentos dos Beatles, além de presenciar uma grande performance da banda local. Além do especial, Ângelo Márcio e companhia estão pensando na estética dos shows: na apresentação do dia 27 o diferencial ficou por conta da iluminação e também do figurino da banda, que foi composto por roupas do século passado, fazendo refe-

Ernande e André

rência ao figurino dos Beatles. Segundo Ângelo, a banda está focando em novas estratégias, como o site, e pensa em produzir um vídeo clip para 2012, além de querer fazer mais shows em Resende Costa e região. A banda, que já tem cerca de oito músicas próprias ensaiadas, se apresenta no Bar da Esquina todos os meses e garante que vêm mais especiais por aí.

Allan, Bruno, Ramon e Vinícius

Iolanda Aarão foi a ganhadora da promoção Natal Premiado O Supermercado Sobrado e a Rede Mini Preços de Supermercados realizaram a promoção Natal Premiado, na qual foi sorteado um notebook. A vencedora do sorteio, que aconteceu no dia

21 de janeiro último, em Viçosa (MG), foi a cliente Iolanda Aarão, moradora da Rua das Orquídeas, em Resende Costa. Iolanda recebeu o notebook no dia 24 de janeiro, no Supermercado Sobrado.

Paulo Daher e Alessandra entregaram o notebook à vencedora da promoção Natal Premiado, Iolanda Aarão


8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Com classe Tinha circo na cidade. Resende Costa recebia um circo de porte – digamos – considerável. Bailarina dançava no arame, macaco fazia estripulias, trapezistas cruzavam os ares, equilibrista menosprezava a gravidade, palhaços matavam de rir, cachorrinho ensinado fazia pipi no peniquinho... Esse último era o xodó do circo. Todo mundo saía de lá comentando. E mais: leão e elefante dando as caras na República das Lajes. Era emoção demais. E o ingresso, ó: desse tamanhinho! Como o contágio era geral, meus alunos do Assis Resende também ficaram eriçados, todos ansiando por um lugarzinho sob a lona. Queriam ver, pelo menos, o tal do cachorrinho fazendo pipi no peniquinho. E foram. E me deixaram. E mataram a última aula antes da prova de literatura. E fizeram uma péssima prova. Surgiram as mais variadas justificativas para as ausências à aula, todas ligadas a problemas de saúde. Parecia que o circo prestava também serviços hospitalares. Teve gente que disse ter cortado o dedo mínimo em três lugares... deve ter sobrado somente a unha. Outra me disse ter sofrido uma tremenda dor de cabeça. Houve um que justificou sua ausência dizendo que tinha dado uma sessão de vômito. Crise de vômito ainda vai, mas... sessão de vômito? Onde teria sido a sessão? No teatro? Vai ver que compraram ingresso para ver o fulano mostrar, numa sessão, como é

que vomita. Pois é, só que na semana seguinte teve outra prova. E todo mundo afundou outra vez, pois a primeira prova era a base da segunda. Na aula em que dei o retorno da segunda prova, todos estavam na sala, inclusive os amantes do picadeiro. Comentei a prova e fiz oralmente as perguntas dela. Ninguém respondia, não sabiam nada. Claro que não podiam responder: tinham preferido o circo. Comecei a perder a paciência: – Vamos, gente! Respondam! Por que o romance explora esse tipo de argumento? Nada. Foi aí que me veio um repente e bradei, num tom de convocação geral: – Trapezistas! Bailarinas! Domadores! Mágicos! Respondam! Todos me olharam surpresos e a gargalhada foi geral. Para quebrar o galho da turma, dei naquela noite mesmo um pequeno exercício valendo menos pontos para ajudar. Nem bem a turma começou, um rapaz se levantou lá do fundo com o exercício na mão. Chegou com o papel em branco para mim e me falou baixinho: – Pode pegar. Eu não vou fazer. Questão de honestidade. Eu não deveria ter matado a aula para ir ao circo. E foi embora. O rapaz era honesto. Fez a porcaria e saiu-se com classe. Aprendeu direitinho com o cachorrinho que fazia pipi no peniquinho.

__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Gente que fez e faz história

ANDRÉ EUSTÁQUIO / CLÁUDIO LUÍS

Faleceu, aos 93 anos, o empresário resende-costense Pelérson Soares Penido

Pelérson Penido na Fazenda Roncador, em Querência (MT)

Pelérson Soares Penido, um dos maiores pecuaristas e empresários do Brasil, faleceu, aos 93 anos, no dia 7 de janeiro último, em São Paulo. Natural de Resende Costa (MG), Pelérson ultimamente já havia abandonado a presidência de suas empresas. Pelérson nasceu em 1918, no Povoado do Curralinho dos Paulas, zona rural de Resende Costa. Seus pais, Alfredo e Rosa, tiveram mais nove filhos, sendo Pelérson o terceiro mais velho. Doutor Penido, como era conhecido por todos, se destacou no meio empresarial devido, sobretudo, à sua capacidade como empreendedor, além de possuir uma inteligência privilegiada, que o possibilitou se tornar um dos maiores empresários e empreiteiros do país. Sua carreira começou precocemente. Com apenas 17 anos, seus pais o enviaram para Belo Horizonte, onde foi trabalhar numa empresa na qual Rubens, seu irmão mais velho, já trabalhava. Nessa empresa, trabalhou como servente. Um dia, passando pela Rua Rio de Janeiro, na capital mineira, matriculou-se numa escola de topografia, depois em outra escola de mestre de obras, tendo ainda cursado outra de terraplenagem. Esses cursos técnicos

certamente viabilizaram o sonho latente de um dia ser construtor de estradas e empresário de sucesso. Aos 22 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, já como encarregado de obras da Construtora Gastão Urbano Maia, coordenando várias frentes de serviços, onde ficou conhecido. A partir daí, surgiu um convite para trabalhar numa empresa tradicional de engenharia, de nome SERVIENG. Sua primeira empreitada nesta empresa foi comandar quatro mil homens na construção de um trecho da ferrovia São Paulo-Rio de Janeiro, da Central do Brasil. Nos anos seguintes, doutor Penido chefiou uma filial desta empresa, atuando em São Paulo, Goiás e Rio de Janeiro. Em 1949 casou-se com dona Lúcia Marcondes Machado Penido, resultando dessa união três filhos (Rosa, Tadeu e Ana). Em 1954, aconselhou a compra da Pedreira Itaguassú, situada em Aparecida (SP). A partir de então, iniciou o primeiro e grande passo para o caminho empresarial. Foi criada a SERVENG, com o objetivo de administrar a pedreira, com sede em Guaratinguetá (SP), em parceria com David Fernandes Coelho (arquiteto) e Luís Alves Coelho (engenheiro), tendo aliado

a eles seu irmão Vicente de Paula Penido, que exercia grande liderança entre os operários. Entre tantas obras espalhadas pelos estados do Brasil, a SERVENG atuou na construção de Brasília, em 1958, constituindo-se em uma das empresas responsáveis pela efetivação do projeto de construção da nova capital do País. Em 1964, com o golpe militar que depôs João Goulart, Pelérson foi convidado para ser o secretário da aviação e obras do governo Ademar de Barros, governador do Estado de São Paulo. Ficou apenas um ano como secretário, destacando-se no setor energético. Em 1967, comprou a CIVILSAN, formando uma nova empresa a SERVENG-CIVILSAN, aprimorando qualidade, competitividade e novas tecnologias. A partir daí, a empresa realizou obras em vários estados do Brasil, entre eles Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Maranhão, Minas Gerais e Piauí. Ao longo dos anos, Pelérson Penido ampliou seus empreendimentos destacando-se também na área de transporte rodoviário de passageiros. Sua empresa, a Pássaro Marron, é uma das maiores do Estado de São Paulo. Além de empresário e empreiteiro, doutor Penido, em meados da década de 1970, voltou às suas raízes rurais e se enveredou pela pecuária, tornando-se, um dos maiores pecuaristas do Brasil. Atualmente, suas fazendas se destacam pelo plantel de gado leiteiro e de corte. Em uma de suas últimas visitas a Resende Costa, em abril de 2004, Pelérson fez questão de visitar amigos e lugares que marcaram profundamente a sua infância. Em Resende é sempre lembrado como o empresário que atuou decisivamente na construção do trecho asfaltado que liga a cidade à MG 383. Suas gestões junto ao governo de Minas viabilizaram a construção rápida do referido trecho, através da adjudicação, no processo licitatório, que credenciou sua empresa para a construção do mesmo. Pelérson Penido também contribuiu muito com várias obras realizadas pela Paróquia de Nossa Senhora da Penha, entre elas a reforma da igreja do Rosário.


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Retalhos Literários É com palavras que faço pinturas. Desenho esboços para a eternidade. Não há nenhuma presunção no que digo. A eternidade de que falo é um flash dado por minhas mãos brancas e cansadas, porém retratistas. Coisas e cenas e pessoas são congeladas. Bichos também. E todos ficam entre palavras presos, mas para sempre cheios de vida. Pois terão novamente vida toda vez que um mortal como eu abrir uma página qualquer e acessar amorosamente essas palavras. A vida é leitura do que se pintou e se pinta. Nossos olhos têm o poder de ressuscitar mortos, de fazer renascerem constantemente passados. Perante os leitores nada sucumbe: o tempo e a morte perdem a sua força diante da fome de qualquer leitura. Desenho agora formigas caminhando em suas trilhas. Caminham porque uma força maior ou uma necessidade as move, e não porque as retrato assim. Sou apenas um desenhista. Caminham hoje como antes o faziam. O mundo muda, mas nem tanto. Nas transformações que se operam, continuamos como formigas em nossa faina. Continuamos como insetos alados, os que voam entre plantas e desejos. Ali e acolá plantas rasteiras, as que dominam em sua pequenez as majestades da vida. Cupinzeiros solenes, prédios de terra. Troncos de árvores verdes ou já mortos, quietos no chão. Tudo isso eu desenho. Na casinha ao lado, com tijolos à mostra, dona Esmeralda brilha sob a luz do sol, quarando roupas entre pedras de anil espalhadas. Seu filho, tão raquítico e feliz, se-

EVALDO BALBINO

O pintor

relepe formiguinha, bate algumas toalhas brancas na pedra ao lado do riachozinho. A cerca de arame farpado dança com o vento, em cores brancas e outras cores. Parece tudo uma multidão de dançarinos bailando o baile da vida. O riozinho corre, um ribeirozinho de nada, com lodo nas margens, serratucanos apetitosos, folhas diversas navegando sobre as águas poucas, tranquilas. Folhas que ainda não morreram. Águas sem raiva nenhuma, as do riozinho. Sua cólera é como a fúria dos xingamentos de mamãe, numa autoridade amorosa com os filhos. Quando criança eu gostava de ser esse menino. Gostava de fazer descerem sobre essas águas as cascas dos umbigos de banana. Dizíamos “imbigo”, e ficava tão bonito assim, desse modo sem escola: o imbigo era mais gostoso. Eram as côncavas proteções do miolo, apaixonadamente roxas, que singravam as águas. E os filamentozinhos brancos lá de dentro é que eu comia com boca boa. Mamãe os cortava em rodelas, esfregava-os com afinco e limão para que não escurecessem – o sempre medo do escuro. E depois os ferventava, buscando tirar-lhes o amargor que não presta. E assim lhes dava um tom rosáceo, um roxo claro, ainda sutilmente da cor da paixão. Assim como o menino bate a roupa na pedra, espumas coloridas tomando um banho de sol, desse mesmo modo eu fazia. Ajudava mamãe a torcer todos os panos, a desdobrar os tecidos que ela cosia, que ela nos fazia e com os quais agasalhava a todos nós. Ajudava a desdobrá-los com um imenso poder. Poder que ela tinha e que me transmitia. Dádiva que não se nega: a de desdobrar vidas.

O que mais desdobro hoje em dia são palavras. Antes eu só as ruminava, comia-as como se fossem aqueles amendoins em casca que meu pai me levava nas noites do Ribeirão de Santo Antônio. Aqueles mesmos amendoins que depois ele ainda me levou algumas vezes, quando já morávamos na Várzea, periferia do centro de Resende Costa, entre terra vermelha e piteiras. É isto mesmo: à medida que eu ia crescendo, meu pai já não me levava mais amendoins em casca. Eu, um ser tão pequeno, um elefantizinho de nada, sendo desmamado aos poucos. As palavras eram comidas, ração de outro mundo para um menino que não as lia. Ração que aos poucos foi virando tão íntima, tão do garoto que as ruminava com sabor e medo. Eram saborosas a ponto de me viciar. Hoje, além de ruminar as palavras, também as distendo como se fossem lençóis de cores fartas. E abrir as palavras, quará-las ao sol com alegria e vontade, é como ver formiguinhas andando bem ao rés-do-chão, e ver nesse andar o que nós somos. É ver uma criança e sua mãe batendo roupa ao lado do riachozinho, como se estivéssemos vendo a nós mesmos batendo nossas vidas, quarando nossos desejos debaixo dum sol amorável. Escrever tudo isso é pintar com palavras. É um modo de não nos esquecermos e de firmarmos nossa pousada eterna entre as páginas de um livro. Um dia, mesmo amareladas, guardadas com esmero ou perdidas entre outras folhas sem importância nenhuma, essas páginas palpitarão, produzirão rumores de cores imorredouras.

Resende Costa - Pré-carnaval 2012

Gastronomia

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CLÁUDIO RUAS

Seu porco!

É uma injustiça esse adjetivo pejorativo que usamos em comparação com esse animal fantástico, que é a cara – e o focinho - da culinária mineira. O porco é um descendente do javali que foi domesticado na Europa/Ásia 5.000 a.C. (tão antigo como o cão) e chegou ao Brasil com os portugueses. Se cruzarmos javali com porco, nasce um “javaporco”, como faz nosso vizinho Emídio, lá na roça dele. Já o nosso porco do mato (cateto, queixada) é nativo no Brasil, saboroso e bravo pra daná. Durante o Império Romano, o porco era tão valorizado que existia uma lei que punia severamente quem os furtava. Já os muçulmanos e os judeus ortodoxos até hoje não consomem a sua carne por questões religiosas, por considerá-lo um animal impuro pelos seus hábitos. Mas tirando eles, é difícil ver alguém que não o coma. Segundo o historiador mineiro João Camillo de Oliveira Torres (avô da Amana Torres, minha mulher): “O suíno, em compensação, é urbano. Todos podem ter (a despeito das posturas municipais) o seu chiqueiro no quintal”. (O homem e a montanha, 1943, Ed. Autêntica). Demanda pouco espaço, é onívoro (come de tudo, até ‘lixo’), sua carne é de fácil preparo e, principalmente, se aproveita tudo dele, até o esterco que vira energia. Dele tudo se aproveita, do focinho ao rabo que vão para o feijão, o pelo que vira pincel e o pâncreas que produz a insulina contra diabetes. E ainda salva vidas humanas com suas válvulas cardíacas transplantadas, já que sua fisiologia se parece com a nossa. E o excesso de gordura e colesterol? Mito. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína, atualmente a carne tem 30% menos gordura e 10% menos colesterol do que há 30 anos, graças à evolução genética e nutricional. Tirando os deliciosos e injustiçados miúdos e os porcos caipiras, os cortes magros (lombo, paleta) possuem menos colesterol do que o frango sem pele e menos calorias do que o filé mignon bovino. Outra vantagem em relação

ao boi é que a gordura do porco geralmente é separada da carne e pode ser retirada. Outro mito é o de que sua carne tem que ser muito bem passada, para evitar contaminação. Hoje, com os cuidados sanitários cada vez maiores na criação, esse risco não existe mais como antes. Portanto, não é preciso passá-la demais, deixando-a branca e seca, pois o ponto ideal é com um discreto rosado no seu meio, que expele um pouco de suco quando cortado. Esse “fuçante” é tão importante que deu nome até pra nossa cachaça, pois esse se refere ao próprio porco (cachaço), cuja carne recebia uma dose da bebida pra tirar a “mardade” e ficar mais macia, técnica excelente e recomendável. Sinal de fartura na roça, a matança do porco de subsistência é um dia especial e de muito trabalho, que demanda sabedoria na “arrumação”, no cuidado com a barrigada, no enchimento das linguiças e chouriços e na preparação da lata de carne, do inigualável confit de porc, que já foi tema desta coluna. São tantos cortes, produtos e pratos clássicos da nossa cozinha que usam carne de porco que prefiro gastar esse espaço pra dizer que ela é muito mais versátil do que parece. Substitui muito bem a carne de boi em pratos tradicionais (almôndegas, molho bolonhesa, estrogonofe, língua ao vinho, vaca atolada, ragu) e casa perfeitamente com molhos variados e exóticos, frutas, além de ser barata, nutritiva e cada vez mais usada na cozinha contemporânea. Porco é sempre bom, mas não me esqueço jamais da melhor experiência que tive com ele, propiciada pelo nosso amigo João do Galo, na ocasião do cinquentenário do doutor Luiz: depois de montar uma estrutura com tijolos, grade e uma tampa por cima, ele assou uma porca de 90kg inteira, no bafo, lentamente (umas 10 horas), com muito carinho e habilidade. Perfeito de sabor e suculência, com todos em volta se servindo daqueles pedaços que desfiavam na mão, pra mim aquilo foi um verdadeiro espetáculo de gastronomia, graças à rusticidade do preparo bem feito, da celebração na roça, do calor humano. Isso, sim, é comida “chique”! Isso, sim, é gastronomia!


10 Jornal das Lajes Causos & Cousas

ANO VIII Nº 106 - FEVEREIRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO

Vicente do Zé Braz Nós, seres humanos, tal como um casulo, somos fechados em nós mesmos. Com a diferença de que o casulo se abre para a vida e para a beleza. Nós ... sei lá. Nossa face, na verdade, não passa de uma máscara que nos esconde dos nossos semelhantes. Por vezes resolvemos nos expor: ou aos ouvidos de seletos amigos, de um analista ou às páginas de um diário íntimo. Por esses dias chegou às minhas mãos um caderno de anotações de um conterrâneo nosso que já nos deixou há uns 10 anos atrás. Levei um susto ao ver tanta coisa interessante. Inimaginável, uma preciosidade. Poderia ser considerado como um diário? Talvez. Um grande número de frases, ditos populares, pensamentos dos mais diversos autores, notícias do que acontecia pelo mundo, pelo Brasil e por nossa terra, alguns relatos do seu dia-a-dia, alguns momentos de abertura do seu próprio “eu”. Diria que o conteúdo de sua longa lista de pensamentos – alguns dele próprio -, nada mais é do que a revelação de seu perfil de ser humano, de seu modo de pensar e ver a si e ao mundo em que ele vivia. Com toda delicadeza, vou abrindo e compartilhando com os leitores algumas das páginas do seu surrado e amarelado caderno, que guardam seus segredos, desejos e suas inquietudes. Quase todas as páginas têm, no seu topo, o título de “seleção, ou seleções”, por vezes, “seleções ajuntadas”. Os pensamentos. De tantos que talvez ele nem sequer conhecia: Aristóteles (“ A esperança é o sonho do homem acordado”), Sêneca, Galileu, Epicteto, Leonardo Boff, Montaigne (um dos maiores aforistas..) etc. A maioria retirados da “Folhinha do Coração de Jesus”, aquela da qual a gente retirava uma “folhinha” a

cada dia, com os nomes dos santos do dia. O mais interessante é que, no meio de tantas frases e pensamentos, ele incluía os seus, às vezes em versos e assinava: Vicente de Oliveira. Ou, engraçado, como em: “Si eu tivesse um milhão – Não cumia mais feijão – era só galinhão com batatão – Bobó do Vicente”. Muitas outras, anônimas, poderiam também ser dele, por vezes adaptadas de outras. Percebe-se isso pela sua própria escrita e pelos seus gostos, como em “Palavras sem obras é violão sem cordas”. O violão foi uma de suas grandes paixões. Ainda moço e enquanto morou em Resende Costa, sempre pertenceu à banda de música, tocando clarineta. Muitas vezes ele dialogava com as frases por ele escolhidas: “A mãe verdadeira carrega o filho 9 meses no ventre, 2 anos nos braços e o resto da vida no coração”, ao que ele acrescentava: “é mole?”. Ou: “Não existem mulheres feias: existem apenas as que não sabem se tornar atraentes”. E ele: “o bicho é bunito..., i, é, i é ...”. As mulheres, aliás, eram outra de suas paixões. Misturava o romântico e o cômico: “A amizade é como uma – Folhagem que dá flor – Sendo bem cultivada – Pode virar amor” e, logo a seguir: “Assim como si toma remedio – Na certeza que não vai sará ... – Reza-se: na esperança - Do papu secá!...”. E, muitas vezes o saudoso: “Chama-se Abstemio a pessoa que não bebi: alcool nem pinga. Vicentinho com 12 anos – 3º. Ano História natural – Grupo Escolar Assis Resende de R. Costa, em 26 julho de 1924”. Cita várias vezes o professor Lara Resende, sinal de que ele tinha o livro ou, pelos menos, o tinha emprestado. Entretanto, a certa altura, ele discorda veementemente dele, defendendo a

“Lei áurea”: “Lei auria, odioza, não sei porque, senhor professor Lara Resende, lei ruinosa, não tenho culpas de seus avôs que vivia as custas de escravos, ter quebrado depois de 1888 com a bendita lei Auria, e também o seu pai que ficou pobre – Vicente”. E continua: “Eu achei que foi a lei benigna no Brasil, não to vendo nada de lei ruinosa – Vicente de Oliveira”. Tinha um carinho especial pela sua primeira professora: “Dna. Margarida Dangelo, minha professoura em 1923-24 e 25. Nasceu em 9 de junho de 1899. Fez seu centenário no dia 9/6. Deu no jornal Gazeta de São João del-rei do dia 12/6. Vicente de Oliveira, 9 de junho de 1999. Que Deus abençoi a centenaria”. Frases, pensamentos, comentários e informações, ele e seu inseparável caderno vão caminhando para o seu fim. O caderno, cada vez mais desorganizado. Ele, sentindo-se triste e só. “Estou doente, sem esperança meu Deus 12-9-2000”. Queixava-se muito de sua insônia: “noite de insônia 25 de outubro de 2001”. Mas conservava seu amor e carinho pelos muitos amigos: “Dia 4 de setembro 2001 veio aqui um anjo do senhor: carente como eu. Conversei com ela... me pediu si eu deixava ela me dar um abraço ... fui abraçado por ela ... um anjo do senhor! Que Deus ti guia neste mundo tão custoso de enfrentar, amém”. Antevia o seu fim, sempre muito religioso: “Em primeiro lugar temor de Deus, em segundo lugar a fé em Deus ... em terceiro lugar nossas orações a Deus – Vicente Oliveira”. Assim, na sua simplicidade, atento ao mundo, entre muitos amigos (caderno cheio de telefones), alma musical, por vezes amargurado pela solidão, mas transbordando carinho, pôs um ponto final no seu caderno.

Polícia

Presos suspeitos de assassinato na zona rural de Resende Costa Na madrugada do último dia 18 de janeiro, um crime abalou a população resende-costense. De acordo com a polícia civil, quatro pessoas teriam participado de roubo, que terminou com a morte de Adair de Sousa Ribeiro, 67. Os assaltantes invadiram a casa de Adair e de sua irmã, Laurita de Sousa Ribeiro, 70, localizada no povoado Boa Vista, zona rural de Resende Costa, em busca de dinheiro. A polícia civil informou que três suspeitos se encontram presos na cadeia pública de Resende Costa e que um quarto envolvido já foi identificado. O principal suspeito é Élido Dirceu Resende, que nega seu envolvimento no crime. Seu filho, Anderson Aparecido Resende confessou sua participação e alega que Élido foi quem planejou o assalto e que ele mantém em sua posse parte do dinheiro. Segundo a polícia civil, Anderson declara que se arrependeu antes do acontecimento e não teria ido ao povoado, ficando apenas na cidade, como vigilante. O terceiro suspeito é Fábio Le-

andro de Paula, que confessou ter ido ao local do crime, mas negou participação no mesmo, alegando ter ido apenas como motorista, sem saber da intenção dos outros suspeitos. A polícia não revelou o nome do quarto suspeito, mas informou que o mesmo confessou sua participação e devolveu uma quantia de dois mil reais, que recebeu pelo seu envolvimento. Segundo informações da polícia civil, oito mil reais em dinheiro, além de cheques, foram roubados pelos suspeitos. Conforme os investigadores, o laudo da perícia não havia sido entregue até o dia dois deste mês, mas, como consta no atestado de óbito, Adair foi morto por asfixia. O assassino usou fios de telefone. Sua irmã Laurita também foi agredida, mas não apresentou lesões nos exames realizados. Foi ela quem pediu socorro. As investigações sobre o latrocínio, como informou a polícia civil, já estão em fase de conclusão e deverão ser enviadas ao Fórum. A pena base para o crime de latrocínio varia de 20 a 30 anos de prisão.

Falecimento

Nota de falecimento

Faleceu, no dia 3 de janeiro último, em Jacarandira, o ex-

-vereador Domingos Galeno dos Reis. Membro do PSDB de Resende Costa, Domingos foi vereador na legislatura 1989/1992, sendo o mais votado no pleito de 1988. Participou, também, da legislatura que elaborou e votou a primeira Lei Orgânica Municipal. Domingos Galeno residia no distrito de Jacarandira, onde era comerciante. Durante vários anos, trabalhou no transporte de mercadorias vindas de Belo Horizonte. Faleceu aos 75 anos.


Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 106 - FEVEREIRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Chuvas na região das Vertentes

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ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO

Início de ano com muita chuva na região do Campo das Vertentes No Brasil, quando o verão se aproxima e, com ele, a temporada das chuvas, inevitavelmente surge a pergunta: desta vez qual região sofrerá mais com os deslizamentos de terra, enchentes e mortes? As chuvas do início de janeiro causaram enorme estrago na região sudeste do país, especialmente em Minas Gerais que, até o fechamento desta edição, havia decretado mais de 200 cidades em situação de emergência. Cidades históricas como Ouro Preto, Tiradentes e São João del-Rei sofreram com deslizamentos de terra e enchentes. Em Resende Costa, apesar da grande quantidade de chuvas, sobretudo entre os dias 01 e 18 de janeiro, não houve maiores transtornos. No entanto, algumas medidas precisaram ser tomadas com agilidade para que nada sério acontecesse à população. A zona rural foi a mais afetada, conforme explicou o secretário de obras da Prefeitura Municipal de Resende Costa, José de Assis Sobrinho. De acordo com ele, oito pontes foram danificadas pelas fortes e constantes chuvas, impedindo, temporariamente, a passagem de veículos. “Os funcionários municipais agiram com rapidez para encontrar soluções e facilitar o trânsito novamente”, disse. As pontes prejudicadas localizam-se nos povoados do Barracão (duas), Pintos, Patrimônio, Sumidouro, Jacarandira (duas) e Boa Vista. De acordo com Sobrinho, provavelmente uma das causas dos estragos nas pontes seria as “erosões nos córregos, o que fez com que a terra cedesse, provocando desbarrancamento”. Para ele é necessário que se realizem intervenções “mais sérias nesses rios”. “Em alguns lugares a água chegou a ultrapassar as pontes, mas já há passagem em todos os povoados”, afirmou o secretário. Outro problema na zona rural diz respeito às estradas. Devido às constantes chuvas, tornaram-se intransitáveis em alguns pontos, causando prejuízos aos motoristas e colocando em risco a sua segurança. José de Assis Sobrinho informou que a Secretaria de Obras está realizando manutenção nas estradas mais afetadas: “A chuva acabou com as estradas, e os caminhões pesados transitando nelas contribuiu para que a situação piorasse ainda mais. Estamos trabalhando com cascalhamento e manilha; os funcionários estão todos ocupados com isso”. Já na cidade, o maior dano causado pelas chuvas aconteceu na Rua Bueno Brandão, próximo à agência

dos Correios. A forte chuva que caiu na tarde do dia 06 de janeiro destruiu quase todo o calçamento de bloquetes, impedindo o trânsito de veículos. Após um período interditada, a Prefeitura enviou funcionários à rua para que o calçamento fosse refeito. O secretário de obras disse que os problemas mais frequentes na cidade surgiram a partir dos bueiros entupidos – uma triste realidade que vem à tona em quase todos os centros urbanos do país com a chegada das chuvas. De acordo com Sobrinho, o entupimento dos bueiros causou, inclusive, inundação em algumas casas na cidade. “Os bueiros foram limpos e estamos atentos a este problema. É importante também que a população contribua, mantendo os bueiros limpos e não jogando lixo nas ruas, porque quando a chuva chega quem sofre com as consequências é a própria população”, alerta o secretário. Ainda de acordo com José de Assis Sobrinho, algumas famílias precisaram ser retiradas de suas casas, localizadas em áreas consideradas de risco: “três famílias no bairro Nova Resende e duas no bairro Nossa Senhora da Penha. Essas famílias foram removidas para outras casas alugadas pela Prefeitura Municipal de Resende Costa”. Em comparação com os últimos anos, as chuvas do final de 2011 e início de 2012 foram as que mais causaram preocupações à população de Resende Costa. De acordo com as medições pluviométricas, em novembro, início da temporada das chuvas, choveu 233,7mm; em dezembro a quantidade dobrou para 492,3mm e em janeiro, até o dia 23, a medição indicou 400,2mm. No dia 1º. de janeiro choveu em Resende Costa 87,9mm; no dia seis, sexta-feira, 53,1mm, com queda de granizo, causando estragos na Rua Bueno Brandão. Devido, sobretudo, à topografia da cidade, que facilita o rápido escoamento das águas das chuvas, até agora, em Resende Costa, os danos materiais foram poucos, quando comparados com as cidades da região, sobretudo, São João, del-Rei, Tiradentes e Santa Cruz de Minas. Além dessas, Coronel Xavier Chaves, Prados e Barroso também foram afetadas. Enchente do rio das Mortes Em poucos dias, o rio das Mortes, que cruza os municípios de São João del-Rei, Tiradentes, Ritápolis e Santa Cruz de Minas, teve o seu nível elevado para mais de 5 metros

acima do normal, inundando estradas e ruas, deixando bairros isolados e moradores desabrigados. De acordo com informações da Prefeitura Municipal de São João del-Rei, ao todo 2.400 pessoas ficaram desalojadas, 25 desabrigadas e 800 residências foram diretamente atingidas pela enchente na cidade. A situação mais crítica se deu nos bairros Vila Nossa Senhora de Fátima, Colônia do Giarola e Colônia do Felizardo, localizados próximos ao leito do rio. A enchente atingiu também a portaria do campus CTan, da UFSJ, cobrindo grande parte da pista que liga São João del-Rei a Ritápolis. Moradores dos bairros mais afetados tiveram que utilizar barcos para se deslocarem, pois a água chegou a cobrir as pontes do Bezerrão, dos Cachorros e do Porto. De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de São João del-Rei, há vários anos não se tinha notícias de uma enchente de tamanha proporção na cidade. Para atender às vítimas, a Prefeitura forneceu orientações, atendimento médico e distribuiu cestas básicas, água mineral e kits para limpeza das residências. Houve também distribuição de quentinhas e cobertores. Além disso, a Prefeitura realizou campanha para arrecadação de doações de alimentos, móveis, cobertores, roupas, entre outros utensílios necessários às vítimas desta, que foi uma das maiores enchentes já registradas na região nos últimos anos. Coronel Xavier Chaves Em Coronel Xavier Chaves, as chuvas também causaram danos à população. De acordo com Paulo Andrade, chefe de gabinete da Prefeitura Municipal, as casas próximas ao rio Mosquito foram diretamente atingidas pelas chuvas. 157 pessoas foram afetadas, sendo que oito ficaram desalojadas; 61 residências foram atingidas pelas águas e duas foram destruídas. “Tivemos vários pontos afetados com deslizamentos de terras e destruição de estradas, isolando famílias rurais”, informou Paulo Andrade. Ainda conforme o chefe de gabinete, a ponte que liga Coronel Xavier Chaves a Resende Costa (via estrada de terra) foi destruída e cinco pinguelas das comunidades rurais, sobre os rios Carandaí e Mosquito, foram danificadas. Segundo

Funcionários da prefeitura de Resende Costa trabalhando na esquina da Rua Dr. Abeilard

Andrade, a Prefeitura está trabalhando para que tudo volte à normalidade. A recuperação da ponte que liga Coronel Xavier Chaves a Resende Costa já foi concluída e os funcionários estão trabalhando na reparação das pinguelas, localizadas na zona rural. Foram providenciados, ainda, laudos técnicos de alguns deslizamentos mais graves para que fosse iniciada a recuperação de estradas vicinais. Paulo Andrade explica que, em 2005, ocorreu uma inundação na cidade, também com sérios danos à população, mas que “ocorrências de chuvas nestas proporções não é comum. Ainda bem, que os prejuízos foram apenas materiais”, disse. Barroso Barroso foi uma das cidades da região que mais sofreu com as chuvas do início do ano. Cerca de 350 pessoas foram atingidas, sendo 310 desabrigados e 40 desalojados. De acordo com uma fonte ligada à Assistência Social de Barroso, os bairros do Alonso, Cohab, Jardim Bandeirantes e parte dos bairros Dr. José Guimarães, Rosário e Centro foram os mais afetados na cidade. A Assistência Social fez um cadastramento, as famílias foram atendidas e todas receberam doações de alimentos, colchões e material de limpeza, vindos do Governo do Estado, da Defesa Civil de Minas Gerais e de diversas campanhas realizadas na cidade, conforme explicou o órgão. “No ano de 1996 tivemos algo parecido, mas desta vez a destruição e os prejuízos foram maiores”,

destacou a fonte ligada à Assistência Social. Prados Em Prados, cidade seriamente afetada pelas chuvas, de acordo com informações, serão necessários mais de R$ 3 milhões de reais para a recuperação de casas destruídas, pontes danificadas, encostas e ruas. A reportagem do JL entrou em contato com a Prefeitura de Prados para maiores informações. Porém, até o fechamento desta edição, não obteve retorno. Fenômeno climático De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a intensidade das chuvas de janeiro em Minas Gerais é resultado da presença do fenômeno conhecido por “Zona de convergência do Atlântico sul”. O fenômeno climático se caracteriza por chuvas frequentes e volumosas. Rádio Inconfidentes FM e Polícia Militar A Rádio Inconfidentes FM e a Polícia Militar de Resende Costa se solidarizaram com as vítimas das enchentes e realizaram uma campanha para arrecadar doações para as pessoas que perderam parte de seus bens com as chuvas. A população resende-costense aprovou o gesto e aderiu a campanha. No fim, cerca de dois caminhões de doações foram distribuídos entre as vítimas das chuvas em São João del-Rei e Tiradentes. (Veja mais fotos em www.jornaldaslajes.com.br)

O bairro do Alonso foi o mais atingido pelas chuvas em Barroso


12 Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 106 - FEVEREIRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Giro Esportivo

EMANUELLE RIBEIRO

Primeira Corrida da Amizade é realizada em Resende Costa

No dia 15 de janeiro, foi realizada em Resende Costa, no Parque de Exposições, a primeira Corrida da Amizade, que contou com 80 corredores, dentre crianças e adultos. De acordo com Luís Nei Resende, um dos organizadores da corrida, o percurso foi de 8 km para adultos e de 1,5 km para crianças. Além de contar com os corredores de Resende Costa, a primeira Corrida da Amizade trouxe atletas de diversas cidades da região: Dores de Campos, São João del-Rei, Chácara, Barroso, Lagoa Dourada, Oliveira, Barbacena, Conselheiro Lafaiete, Tiradentes, Juiz de Fora e Mercês do Pomba. A primeira Corrida da Amizade aqueceu a prática do esporte em Resende Costa, atraiu visitantes e, o

que é mais importante, incentivou as crianças a participarem do evento. “A organização agradece a todos os atletas que participaram da corrida e parabeniza os vencedores”, conclui Luís Nei Resende. Conheça abaixo os atletas que formaram o pódio da primeira Corrida da Amizade: Categoria masculino 1º) Reinaldo Daniel da Silva (São João del-Rei) 2º) Jairo Emanuel Pereira (São João del-Rei) 3º) Edivaldo da Silva (Juiz de Fora) 4º) Moisés (Dores de Campos) 5º) Frederico Ozanam (Dores de Campos) Categoria feminino 1º) Amanda Aparecida (Mercês) 2º) Débora Janaína Resende (Tiradentes) 3º) Rosilaine Natividade Magela

(São João del-Rei) 4º) Rosana Aparecida Carvalho (São João del-Rei) 5º Aparecida das Mercês Sandim (São João del-Rei) Categoria infantil masculino 1º) Eduardo Geraldo Assis (Resende Costa) 2º) Higor Rodrigo Oliveira (Mercês) 3º) André Natam Teodoro (Resende Costa) Categoria infantil feminino 1º) Luana Aparecida Nogueira (Mercês) 2º) Miriane Gabriele Resende (Resende Costa) 3º) Carolaine da Silva (Mercês) Resende-costenses correm em Juiz de Fora No último dia 10 de dezembro, três atletas de Resende Costa parti-

Atletas vencendores da primeira Corrida da Amizade

ciparam da Corrida de Montanha do Xterra em Juiz de Fora. O corredor resende-costense Luís Nei Resende foi o grande vencedor do percurso de 9 km, que teve no total 67 participantes, dentre homens e mulheres. Ele venceu com o tempo de 42min-

Especial Benzedores e Curandeiros

40seg, 3min à frente do segundo colocado. Já os atletas Samuel Eduardo Santos e Edvaldo Gonzaga Resende, ambos de Resende Costa, correram o percurso de 21 km, sendo que Edvaldo foi o 7º e Samuel o 21º colocado, dentre 64 corredores.

JOÃO MAGALHÃES

Benzedores e curandeiros em Resende Costa: Emygdio do Bengo (Sô Emygdio) – III Receitas e tratamentos

Os testemunhos são muitos. Só o caderno comemorativo do centenário da capela do Bengo apresenta 44 depoimentos. Alguns até com reconhecimento de firma em cartório, como o fizeram os resende-costenses Francisco de Mello Sobrinho, Gervásio Pereira de Resende e Lauro Augusto de Resende, em 1926. Outros, com riqueza de detalhes, como o fizeram as também resende-costenses Maria Lúcia Hannas e Terezinha Hannas Guimarães. Antes de apresentar uma abreviada seleção de males e as respectivas receitas, extraída de mais de 50 depoimentos, convém repetir o que escrevemos no artigo introdutório: nosso objetivo é histórico. Análise, valoração e julgamento ficam a critério do leitor. É de justiça, também, transcrever a introdução que o caderno supracitado redigiu ao apresentar as narrativas: “esses depoimentos não devem ser imitados, sem alguma orientação. A medicina progrediu, a ciência avançou, a racionalidade explica tudo e há especializações várias. Embora haja, também, vários tratamentos alternativos, que não deixam de ser razoáveis”. A exemplificação, a seguir, dá uma ideia ligeira do ritual de seus atendimentos, das receitas prescritas e da personificação das consultas, ou seja, a interação do seu psiquismo com o estado presente do paciente, pois, frequentemente, para males semelhantes, os “remédios” são bastante diferentes.

- problemas de estômago e fígado: descasque uma laranja umbiguda, retire a pele branca e faça chá com elas; - úlcera de estômago: pele torrada passada na cinza; - problemas de intestino: uma xícara de coalhada após as refeições; - cólicas e vômitos: pegar três palhas do colchão, amarrar, juntar com congonha amargosa, escaldar e beber; - apendicite: arrancar vassoura de rabo de burro, cortar a raiz, ferver e tomar o chá; - ferida na perna: cozinhar toucinho no feijão, sem sal, espremer num véu e colocar; - reumatismo: chapéu de couro; - tosse: xarope de “banana São Tomé” feito em casa; - tosse: meia hora antes do almoço, vinho, com folha de figo, água, açúcar e bolacha; - acesso (desmaio): nevroston; - evitou-se uma cirurgia: fatias de ananás, ao sereno da noite, com chá de gravatá; - abcesso de dente: banhar com folha de cidra; - dor de dente: cortar em cruz o limão, ferver e tomar. Outra: banhar com folhas de embaúba; - caroço no pescoço: passar saliva, fazendo o sinal da cruz três vezes; - barriga muito inchada após o parto: pegar uma espiga de milho, tirar a palha, escaldar e dar a beber; - dor nas juntas dos pés: pegar meio litro de leite de uma vaca preta, sem mancha, ferver, embeber um

pano, amarrar no pé, durante três dias; - envenenamento por arsênico colocado numa broa, por engano: cozinhar palha de colchão e beber o chá; - manchas no corpo: além de nevroston, ferver leite com cebola e hortelã e tomar; - visões (alucinações?) e problemas mentais: além de nevroston, arrancar uma moita de sapé, fazer chá com a raiz e tomar todo dia; - tratamento curioso de um eczema: “na frente da casa dele tinha um campo e um grande formigueiro. Ele pediu a vovó que pusesse o pé no formigueiro. Sua perna escureceu de formiga. Daí mandou a vovó tirar a perna e sacudir. Fomos embora. Na manhã seguinte não tina mais nada”; - erisipela: em jejum, aplicar casca de alho, molhada com saliva. O próprio Emygdio, sofrendo de um erisipela, curou-se ofertando as muletas a Santo Antônio, deixando-as sob o altar. Depois saiu cambaleando e voltou a pé para casa; - tratamentos para picadas de cobra: orações e cura à distância. Outros tratamentos: “A perna já estava escurecendo. Fez algumas orações em cima de um barril de fubá, benzeu a água, fez todos os que estavam lá beberem no mesmo copo. Falou para meu pai passar um fio de linha onde a cobra picou, pra ver se o dente ficou lá (cascavel)”. “Benzeu a água, mandou tomar e jogar a cobra no córrego do Bengo (urutu)”.

Capela de Santo Antônio erguido por iniciativa do sr. Emygdio

Ritual Muitos testemunhos descrevem seu ritual: Concentrava-se, braços abertos, levantava os olhos para o alto, como se estivesse rezando ou meditando. Às vezes dava uma baforada no seu costumeiro cachimbo e ficava contemplando a nuvem de fumaça que ascendia... depois, receitava.

Nota: Leitores que tiveram conhecimento ou alguma experiência com nossos benzedores do passado colaborem com a história de nossa cidade. Comuniquem-se conosco: jevangelista1751@terra.com.br, ou pelo e-mail do Jornal das Lajes, contato@jornaldaslajes.com.br.


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