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Edicao 105

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ANO VIII Nº 105 - JANEIRO 2012 / RESENDE COSTA - MG

Turismo rural começa a ser desenvolvido em Resende Costa

DISTRIBUÇÃO GRATUITA

Construção da ETE causa polêmica em Tiradentes

A construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) em Tiradentes tem tirado o sono dos moradores do bairro Várzea de Baixo. Alegam eles que a obra poderá causar danos ao ambiente e, sobretudo, ao turismo, pois a linha do trem “Maria Fumaça” passa próximo às lagoas onde o esgoto será tratado. A COPASA, responsável pelas obras, garante que não haverá impacto. Pagina 11

IRIS obtém cadeira no GD2

O Instituto Rio Santo Antônio (IRIS) apresentou à instituição Bacia Hidrográfica Vertentes do Rio Grande (GD2) sua candidatura a uma cadeira no seu comitê. Candidatura única, o IRIS foi aprovado pela plenária e será empossado como representante da sociedade civil no órgão, na reunião da entidade, em fevereiro próximo. Página 06

Vista de Resende Costa a partir do alto do Catimbau, no Ribeirão. Ao fundo a serra de São José

Resende Costa possui vasta extensão territorial, com uma malha de estradas de terra acima de 1.400 km ligando os povoados da zona rural. Paisagens exuberantes, matas intactas, nascentes e rios ainda são desconhecidos até pelos resende-costenses. Além de mostrar outra face de Resende Costa, o turismo rural poderá minimizar o êxodo rural, gerar alternativas de renda ao produtor e resgatar a originalidade das festas da colheita do milho em alguns povoados. Página 04


2 Jornal das Lajes Editorial Violência e corrupção

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O número 10, desde épocas longínquas e por alguma razão é um número especial, simbólico, meio cabalístico, até. Desde as 10 pragas do Egito, passando pelos 10 mandamentos e chegando, nos tempos modernos, a padrão de classificação de quantidades, qualidades, atributos etc. (aquela história, típica dos americanos, de estar sempre listando os 10 melhores em qualquer coisa...). Muita gente já se aventurou a enumerar as “10 pragas do mundo moderno”, ou as “10 pragas do Brasil”. Não se sabe ao certo quais seriam, mas duas com certeza seriam fortes candidatas a qualquer lista, no mundo e especialmente no Brasil: a corrupção e a violência. Ambas características dessa espécie terrestre que se diz racional e inteligente, o tal do “ser humano”. Por ironia, exatamente por ser racional e inteligente, ele tem a capacidade de se tornar o pior dos seres. Ele é, conscientemente, corrupto e violento por natureza. Recorrendo ao número 10, é bem provável que o Brasil se situe entre os 10 países mais violentos e corruptos do mundo. Não é preciso recorrer ao IBGE, Data Folha ou a qualquer outro órgão similar. Basta sair pelas ruas, ligar a televisão, ouvir o rádio ou ler os jornais. Basta aos nossos leitores abrirem a página 9 desta edição do JL. A bela coluna “Retalhos literários” está cruelmente ferida. Deixou de ser retalhos de arte para se transformar em vítima de golpes desumanos de violência. Grito de desespero de um ser humano que se dedica à leveza e a beleza da educação e da arte. Requintes de uma ação ... animalesca? Não, dizer assim seria injustiça para com nossos irmãos animais. Eles não são nem violentos e nem corruptos. A violência, expressão máxima do desrespeito e da crueldade para com o ser humano, disputa diária e ferozmente os espaços da mídia com a corrupção. Durante esses últimos anos ouvimos todos os dias a mesma cantilena: assaltos, sequestros, assassinatos, quadrilhas, violência e irresponsabilidade no trânsito, bem como corrupção generalizada em todas as instâncias e esferas da nossa organização sociopolítica. Ministros, juízes, senadores, deputados, governadores, prefeitos, vereadores, funcionários “et caterva”, como diriam os romanos. O ano que passou foi, infelizmente, um ano de violência e corrupção. É uma pena e uma contradição para um país como o nosso. Está entre as 10 maiores economias do planeta (olha o 10 aí!), passando ao sexto lugar no fim do ano passado e ostentando, ao mesmo tempo, um quadro triste e vergonhoso de violência e corrupção. Só existe uma saída para esse quadro: a educação e a mobilização da sociedade brasileira para enfrentar, através do voto e do protesto, esse cruel paradoxo. O JL e o nosso colunista, vítima dessa situação, trazem sua pequena contribuição, estimulando a educação e denunciando as pragas da violência e da corrupção.

Jornal das Lajes Ltda

CNPJ: 09.323.470/0001-60 Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro (32) 3354-1323 - Resende Costa - MG CEP: 36.340-000 Diretor de redação: Rosalvo Pinto Editoração: Rafael Alves Editor de Esporte: Geraldo Aires Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Jornalista responsável: Floresta - Belo Horizonte José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP Tiragem: 3000 exemplares Diretor Administrativo: Circulação: Eustáquio Peluzi Chaves Resende Costa e São João del-Rei Diretor de Contabilidade: Os artigos assinados não refletem Antônio da Silva Ribeiro Neto obrigatoriamente a opinião do jornal. Editor-chefe: André Eustáquio

ANO VIII Nº 105 - JANEIRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Religião

ANDRÉ EUSTÁQUIO

O sonho de Belém

Na noite de 24 de dezembro, a tradicional Missa do Galo foi celebrada na igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha, em Resende Costa, às 21h00, pelo pároco padre Eder Sebastião Santos. Centenas de fiéis lotaram a igreja para ouvirem a mensagem de Natal. A parte musical da solene celebração eucarística ficou a cargo do Coral Mater Dei, que entoou cânticos natalinos, como os tradicionais Adeste Fideles e Noite Feliz. A missa de Natal evoca o nascimento de Jesus em Belém. De acordo com a fé cristã, Deus se fez presente no meio dos homens, em meio à simplicidade de uma estrebaria. Pastores e homens simples do povo foram os primeiros a verem o Deus menino. Portanto, as reflexões deste dia nos levam a pensar na simplicidade como modo de vida e também no verdadeiro significado do Natal, que nos tempos atuais vem sendo deturpado e superado pelo consumismo. Atualmente, a cena do presépio, criada por São Francisco de Assis como sinal de humildade de um Deus que se fez homem, perdeu espaço para a suntuosidade dos shoppings e para as propagandas convidativas ao consumo desenfreado. A essência do Natal,

Presépio exposto na igreja Matriz de Resende Costa

portanto, esvazia-se ao mesmo tempo em que cresce a disputa pelo presente mais caro, pela ceia mais farta e pela decoração mais chique. Assim, a mensagem que ecoa da gruta de Belém não mais chega aos ouvidos dos homens, afinal, na sociedade contemporânea, marcada pelo barulho, pelo individualismo e pelos excessos, poucos se abrem para uma reflexão profunda e sincera sobre o verdadeiro sentido da existência. A mensagem de Belém quer nos dizer, sobretudo, que a felicidade se encontra na simplicidade. Deus que se manifesta à humanidade, numa atitude pedagógica se despoja de toda a magnificência, glória e poder, dizendo-nos que para sermos bons e felizes, basta renunciarmos à ganância e às vaidades em favor de uma vida pautada pelo equilíbrio, pelo despojamento e pela solidariedade.

Uma bela canção entoada na missa de Natal revela nostalgicamente o espírito que perpassa a noite santa. “À noite, enquanto a cidade sonhava, no céu a luz de uma estrela brilhava e os anjos anunciavam: hoje é Natal de Jesus”. Ouvir com o coração sereno e aberto a mensagem de Belém, contemplar a humildade do presépio, curvar-se diante da inocência frágil de uma criança e olhar para dentro de nós mesmos: eis o convite da noite de Natal, um sonho cujo protagonista é o amor. Na escuridão da noite, brilhou uma estrela que guiaria para sempre os rumos da humanidade. Enquanto os homens sonham com luxo, poder e riqueza, a estrela de Belém aponta para uma existência que encontra seu verdadeiro sentido na simplicidade e no despojamento. Resta-nos fazer a escolha.

Voz do Cidadão

Moradores da Travessa Carmem Geralda Daher Gomes reivindicam melhorias “Os moradores da Travessa Carmem Geralda Daher Gomes estão em situação precária devido às condições em que se encontra a rua: muito lixo, buracos por toda a parte e barro vêm causando muita sujeira. Além disso, transportes escolares passam pelo local cerca de cinco vezes ao dia, o que faz o barro aumentar e as condições piorarem. Nós já reclamamos na prefeitura várias vezes, mas eles não atendem os nossos pedidos. Já tentamos fechar a rua, mas a prefeitura mandou a polícia militar resolver o assunto, que deveria ser tratado por eles. Precisamos de mudança já!” Willey Luiz Cardoso, em nome dos moradores da Travessa Carmem Geralda Daher Gomes. Carta enviada ao JL.

As condições da Travessa Carmem Geralda Daher Gomes são precárias


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Legislativo

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EMANUELLE RIBEIRO

Câmara Municipal realiza sessão solene no espaço de eventos C & M

Cidadãos homenageados pela Câmara Municipal de Resende Costa

A Câmara Municipal de Resende Costa realizou no dia 15 de dezembro último a tradicional sessão solene para a entrega dos títulos de cidadania honorária e honra ao mérito a pessoas

que contribuíram de alguma forma para o engrandecimento do município. Em 2011, a reunião foi transferida para o espaço de eventos C & M devido ao período chuvoso e ao espaço limitado

Contemplando as Palavras

Em novembro do ano passado, foi realizado o Encontro Nacional de Gêmeos no Espaço Unibanco de Cinema (centro de São Paulo). Organizado pelo Sindicato dos Gêmeos e tendo como mote o adequadíssimo dito popular “cara de um, focinho do outro”, o evento recebeu o que os promotores chamam de GPS – gêmeos, parentes e simpatizantes. Não participei do encontro paulista, até porque não tenho irmã gêmea, mas tenho toda simpatia por iniciativas dessa natureza. Em se tratando da reunião dos gêmeos, não pude deixar de lembrar as várias duplas de alunos que tive nessa condição. Havia aquelas que, por serem constituídas de irmã e irmão ou de irmãos fraternos ou bivitelinos (diferentes entre si) não chamavam tanto a atenção das pessoas na escola. A situação se complicava, pelo menos para mim, quando encontrava pela frente gêmeos idênticos. Por mais que os coitados ou os colegas mais familiarizados com eles tentassem me mostrar alguma mínima diferença entre um(a) e outro(a),

da Câmara, conforme explicou Luís Cláudio dos Reis, presidente da casa. Cerca de 150 pessoas, entre convidados e homenageados, compareceram ao evento. “Uma diferença em relação aos outros anos é que com a revisão da lei orgânica ficou definido que para receber a cidadania honorária a pessoa deve residir no município, valorizando ainda mais o título”, declarou Luís Cláudio. A indicação é apresentada através de proposição de lei, acompanhada de justificativa e cada vereador pode apresentar uma indicação para cada título. O título de “cidadania honorária”, portanto, é concedido a

pessoas nascidas em outras cidades, mas que vivam no município e acabam se envolvendo em ações que beneficiem Resende Costa. Já o de “honra ao mérito” é entregue a cidadãos natos de Resende Costa e que tenham tido alguma participação no desenvolvimento do município. “Em minha opinião, o evento é muito importante, pois traz reconhecimento às pessoas que estão contribuindo para o desenvolvimento econômico e social de nossa cidade, demonstrando exemplos de cidadãos comprometidos com o município, tendo eles nascidos ou não em Resende Costa”, conclui o presidente da

Você é qual?

na hora de me dirigir a eles nunca sabia com quem estava falando. Acho que alguns deles se divertiam com isso. Outros, provavelmente, deviam se irritar com trocas indevidas de nomes ou eventuais xingamentos. E acho ainda que havia os que, às vezes, por uma razão ou outra, se passavam pelos seus respectivos clones e disso se aproveitavam. Como desmascará-los? Lembranças escolares à parte, o fato é que os gêmeos univitelinos destacam-se na multidão. Quando são famosos como Paulo (cinco minutos mais velho) e Chico Caruso, talentosos chargistas e caricaturistas, isso é um mero detalhe ou inclinação familiar, como queiram. O mesmo se pode dizer dos jovens profissionais da gastronomia já citados pelo meu colega Cacau (Cláudio Ruas) na edição 101 deste jornal – Fernando e Juliano Basile. E Giselle Bündchen, quem diria!, tem uma irmã gêmea. Patrícia é a versão anônima da irmã. Outra dupla interessante é formada por Bia e Branca Feres, atletas do nado sincronizado para o qual a semelhança física é fundamental. Igualdade ou quase isso então,

melhor ainda. Entre meus ex-alunos gêmeos, busquei a colaboração de Luciana e Luciene Cardoso, 36, respectivamente, professora e pequena empresária, para o depoimento abaixo. “Somos gêmeas univitelinas (geradas na mesma placenta) Ciene nasceu primeiro. Eram 6h30 da manhã do dia 31 de outubro de 1975. E após 15 minutos, nasceu Ciana. Nossa mãe não sabia que eram duas meninas!!! E o parto foi feito por nossa avó paterna e uma parteira na Boa Vista, zona rural de Resende Costa. Crescemos e aprendemos juntas muitas coisas boas e ruins da vida. Temos uma pessoa com quem podemos contar a qualquer hora e em qualquer momento da vida. Compreendemos uma à outra e temos uma relação de amizade, confiança e respeito. Temos como desvantagens as comparações: comparação física (Quem é a mais gorda? Quem é mais bonita? Quem é mais alta? Fica pertinho uma da outra pra gente ver as diferenças?! Isso é muito chato!!!); comparação de personalidade (Qual é a Rute e

qual é a Raquel? Ou seja, quem é boa e quem é ruim? Quem é mais séria?); comparação intelectual (Quem é mais inteligente?) Na verdade, somos pessoas muito parecidas, porém diferentes. Cada uma tem o seu jeito de ser. Mas, há momentos em que isso acontece: quando trocamos roupas, em fotos, em vídeos e então temos a sensação estranha de nos vermos uma na outra. Quando éramos crianças, nossos pais nos confundiam muito. Lembramos que uma vez nossa mãe deu umas palmadas na Luciana achando que era na Luciene; nosso pai também deu umas chineladas na “pobre” da Luciana achando que era a Luciene. Quando éramos adolescentes nos interessávamos pelos mesmos rapazes. Resultado: uma se fez passar pela outra para roubar uns beijinhos do namorado da outra!!! Uma vez pedi a Ciana para terminar com um namoradinho que eu não queria mais. Ela fingiu ser Eu, mas o menino tentou beijá-la e no mesmo instante ela gritou: __ Cieneeee!!! Vem aqui???? O fulano está te chamando!!!

Câmara.

Abaixo os homenageados com os títulos de honra ao mérito e cidadania honorária no ano de 2011: Honra ao mérito Beatriz Silva Santos Tarcísio José de Resende Antônio Mozart de Resende Maria Cristina de Assis Cidadania honorária Elzi Mendes de Almeida Silva Luiz Carlos Martinez Mâncio Edite Morais Lima Celina Moeller REGINA COELHO

Outra situação foi quando eu, Ciana, entrei na faculdade e a Ciene havia terminado seu curso. As amigas dela acharam que eu era ela. Vieram correndo me abraçar e dar as boas vindas. E eu, que não as conhecia, fiquei sem saber o que fazer: se abraçava ou falava que eu não era a Ciene e sim a Ciana. “Foi muito engraçado!!!” Na realidade, somos sempre confundidas tanto por adultos como por crianças e acabamos passando por situações engraçadas e às vezes constrangedoras. A ligação entre nós é mesmo muito especial. É muito maior que a ligação entre os outros irmãos e até mesmo entre a nossa mãe. A nossa relação é tão intensa e tão bonita que não conseguimos ficar longe uma da outra por muito tempo. Temos que nos falar todos os dias nem que seja por telefone. Sentimos falta uma da outra. Tudo o que sentimos e vivemos é compartilhado, somos cúmplices. Enfim, é uma ligação de amor, afeto, carinho, compreensão, dedicação, amizade e respeito”. Nota: por absoluta afinidade, minhas entrevistadas optaram por produzir um só texto.


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ANO VIII Nº 105 - JANEIRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Turismo

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Turismo rural poderá ser alternativa de renda para o produtor rural de Resende Costa

Túlio e Cláudio coordenam a implantação do turismo rural em Resende Costa

Começa a se tornar realidade uma ideia que há muito vem sendo discutida em Resende Costa, a implantação do turismo rural no município. No dia 14 de dezembro passado, foi realizada uma reunião, na Biblioteca Municipal, cujo objetivo fora apresentar as propostas de implantação do turismo rural e os resultados das primeiras ações realizadas durante o ano. O projeto teve início a partir da iniciativa da EMATER – MG, que agora conta com o apoio do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR). O extensionista agropecuário do escritório da EMATER em Resende Costa, Marcos Túlio Resende Maia, explicou como surgiu a proposta de desenvolver o projeto de turismo rural no município. “Atualmente, existem dois gargalos que precisam ser resolvidos na zona rural de Resende Costa: o êxodo rural e as festas rurais. Desde que vim trabalhar aqui, pela segunda vez, essas questões passaram a me incomodar. De 1970 pra cá, o êxodo rural no município só vem aumentando (ver tabela). Quanto às festas rurais, não podem ser mais chamadas de festas da colheita, mas encontro de carros de boi, uma vez que os carros passam vazios”. A falta de perspectiva, sobretudo financeira, vem acelerando a migração do homem do campo para as cidades - um fenômeno que acontece em todo o território nacional e que é também evidente em Resende Costa. “Precisamos minimizar o êxodo rural, criando alternativas para segurar o homem no campo. E uma das funções da EMATER é justamente trabalhar para gerar renda ao produtor familiar que reside na zona rural”, esclareceu Túlio, que vê o turismo

rural como uma atividade que poderá gerar renda para o homem do campo: “Diante dos dois problemas, êxodo rural e festas rurais, pensei no turismo como alternativa para geração de renda”. Túlio questiona o formato atual das festas da colheita. Segundo ele, há muito elas perderam suas características: “As festas atualmente são manifestações folclóricas. Não sou contra o folclore, mas o meu trabalho enquanto extensionista da EMATER é criar alternativa de renda para o produtor rural”. Segundo informou Túlio, em 2011 a Prefeitura Municipal investiu aproximadamente 100 mil reais nas festas rurais nos povoados, “sem falar no montante que as comunidades arrecadam. Além disso, todas as barraquinhas são de gente de fora. Questiono então: o poder público investe, outras pessoas ganham e o produtor rural fica chupando dedo? Precisamos aproveitar as festas e torná-las lucrativas para o produtor. E o turismo rural poderá alavancar isso, transformando as festas em atrativos turísticos”, propõe. Fases do projeto Para formular o projeto, os coordenadores partiram de experiências de outros municípios nos quais a iniciativa está dando certo e assim puderam perceber o potencial de Resende Costa. “Nós nos inspiramos no interior de Santa Catarina, onde está sendo desenvolvido o projeto ‘Acolhida na Colônia’ e em Carangola (MG), que desenvolve a ‘Caminhada Ecológica’, um projeto coordenado pelos extensionistas da EMATER”, informou Luís Cláudio dos Reis, presidente do COMTUR.

A parte inicial do projeto foi dividida em duas fases. Na primeira ficou decidido que o poder público não será o gestor, função que caberá ao COMTUR e à EMATER. “O poder público será parceiro, assim como outros órgãos afins. Não queremos, em hipótese nenhuma, que o projeto adquira identidade política”, ressaltou Cláudio. Um dos objetivos desta primeira fase foi a popularização da proposta: “Apresentamos vídeos, demonstrando aos produtores rurais experiências que deram certo em outros municípios”, disse o presidente do COMTUR. Foi também estabelecida a área inicial de implantação. O projeto poderá ser desenvolvido a partir dos povoados dos Pintos, Ribeirão e Curralinho dos Paulas, pois “além da proximidade, ambos os povoados possuem histórias interligadas”. Já o distrito de Jacarandira e o povoado do Cajuru “terão uma proposta independente”. Após a montagem da equipe de trabalho, que conta com representantes da Secretaria Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente e da Arcosta, deu-se início à segunda fase do projeto, que consistiu no trabalho de campo. “Fizemos contato com os produtores rurais interessados, fizemos registros fotográficos e organizamos o registro escrito”, disse Cláudio, ressaltando ter sido uma etapa “trabalhosa e que demandou muito tempo”. Atrativos e produtos

Por detrás das matas e entre vales e povoados se escondem inúmeros atrativos, mas que ainda não podem ser considerados produtos turísticos aptos para a comercialização, conforme explicou Luís Cláudio: “Vou dar um exemplo, a cachoeira dos Pintos. Para ela ser reconhecida como produto, é preciso que se crie uma estrutura bem fundamentada, ou seja, precisamos saber se o turista pode ser recebido lá, se existe acolhida, se as normas de segurança estão sendo respeitadas etc. Acesso adequado e sinalização também são exigidos, entre outras coisas”. O trabalho de campo possibilitou aos organizadores descobrirem muitos atrativos, como trilhas, nascentes e paisagens, mas os causos e as estórias chamaram a atenção do presidente do COMTUR: “Conversamos com muita gente que nos contou estórias fascinantes e causos antigos. Descobrimos muitas coisas interessantes que

poderão ser trabalhadas, como, por exemplo: ainda há nas casas muitos teares em funcionamento. Queremos, inclusive, a partir do turismo rural, resgatar técnicas antigas de bordado e artesanato”. Desfazendo o mito

Quando se fala em turismo rural, logo se pensa num luxuoso hotel fazenda, situado numa paisagem exuberante. Num autêntico hotel cinco estrelas do campo, o hóspede tem contato com a natureza, mas ao mesmo tempo desfruta de culinária sofisticada e que nada tem a ver com as comidas típicas do interior. Existe, sim, esta modalidade de turismo – cara, diga-se de passagem. No entanto, a experiência tem demonstrado que a simplicidade da vida no campo é que tem atraído cada vez mais turistas, transformando em mito a ideia de que turismo rural é uma atividade restrita aos luxuosos hotéis fazenda. “O turista que vem das grandes cidades quer interagir com o homem do campo e com o seu cotidiano, ou seja, levantar cedo, ver uma vaca sendo ordenhada manualmente, comer alimento orgânico, ver um muro de pedra...”. Nesta proposta de turismo rural, uma pequena e simples propriedade pode muito bem se estruturar para receber turistas, oferecendo seus produtos, como culinária típica, hospedagem, café da manhã, cavalgadas etc., sem, no entanto, ter de abrir mão da sua rotina cotidiana. Mas Cláudio faz um alerta: “tudo tem que ser muito bem organizado, observando a higiene e a qualidade dos serviços”. Um projeto do povo de Resende Costa O projeto de implantação do turismo rural em Resende Costa deve ser encarado como ação de médio a longo prazo, conforme destacou o presidente do COMTUR: “Não queremos correr o risco de iniciar esse projeto, queimar etapas importantes e depois não dar conta de continuar. Trata-se de uma ação de médio a longo prazo”. Ele ainda faz questão de reiterar a independência política do projeto: “Não admito nenhuma ligação política com esse projeto, inclusive estou participando não como vereador (Cláudio é vereador pelo PDT e presidente da Câmara Municipal de Resende Costa), mas enquanto presidente do COMTUR. Em ano

eleitoral, temos de ficar atentos. Quem subir no palanque e falar desse projeto terá que prestar esclarecimentos. Trata-se de um projeto do povo de Resende Costa e para quem nos visita”. Para o início deste ano, a equipe de trabalho pretende realizar um evento técnico, com representantes do poder público e da imprensa, além de profissionais técnicos. “Faremos uma cavalgada ou caminhada ecológica visitando os atrativos turísticos”, informou Cláudio. Ao mesmo tempo, a equipe estará empenhada no trabalho de qualificação das pessoas que irão trabalhar no setor. “Não dá pra pensar em turismo sem qualificação profissional”, destacou Cláudio, que chamou a atenção para o perfil dos profissionais: “Precisamos de pessoas que de fato estejam interessadas em receber bem os turistas, serem guias, ou seja, pessoas das próprias comunidades”. O município de Resende Costa possui vasta extensão territorial, compreendendo cerca de 600 km2. Nesse território, a malha de estradas de terra ultrapassa os 1.400 km, que ligam os povoados da zona rural. E é justamente neste território, que ainda é pouco conhecido inclusive por resende-costenses, que se descortinam paisagens exuberantes, trilhas em matas intactas, rios, cachoeiras e nascentes preservadas, comunidades que ainda preservam suas tradições. O projeto de implantação do turismo rural, além de preencher uma grande lacuna no potencial turístico do município, se bem implantado e gerido, poderá complementar a renda do produtor rural, gerar emprego e oportunidades para quem permanecer no campo, diminuir o êxodo rural, criar alternativas para os turistas que já visitam a cidade, preservar as culturas locais, difundir ações ecologicamente corretas e incentivar a convivência harmoniosa entre o homem e a natureza. Comparativo da população urbano/rural entre 1970 e 2010 ANOS

URBANA

RURAL

1970

3.086

5.600

TOTAL

8.686

1980

4.208

4.326

8.534

1991

6.209

3.677

9.706

2000

7.628

2.706

10.334

2010

8.776

2.137

10.913


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ANO VIII Nº 105 - JANEIRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Especial Política Regional

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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Coronel Xavier Chaves: emancipação tardia em momento histórico do Brasil

Coronel Xavier Chaves emancipou-se em 1962, em meio à única experiência parlamentarista da república brasileira, presidida por Tancredo Neves. A antiga localidade do Mosquito pertenceu a Tiradentes até 1911, quando se tornou distrito de Prados com o nome de São Francisco Xavier. Em 1943, passou a ser denominado distrito de Coroas, quando deveria ser chamado de “Canoas”, por erro de interpretação na Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Em 30 de dezembro de 1962, tornou-se município, agora com um quarto nome: “Coronel Xavier Chaves”. Algumas das principais figuras dessa história são Domingos Gonçalves de Góis (1754), major Mateus Furtado de Mendonça (1810), comendador Cypriano Rodrigues Chaves, coronel Francisco Rodrigues Xavier Chaves (por volta de 1850), coronel Militão Rodrigues de Mendonça Chaves e Tobias Rodrigues Chaves, segundo conta Francisco Assis Rodrigues, o Chico. A política local começou no início do século 20, com o Coronel Xavier Chaves, conta Rubens Resende Chaves. “Em 1906, dirigiu as eleições e colocou o seu irmão mais moço como chefe do executivo de Tiradentes, ocasião em que ele construiu o balneário de Águas Santas e transformou a fazenda do irmão e sogro (Fazenda do Mosquito) em distrito de Tiradentes. O coronel fez todas as casas do distrito em seus primeiros anos”. O coronel Xavier Chaves foi o responsável pela formação deste núcleo urbano, ressalta Chico. Em 1917, num terreno doado por sua viúva, foi construída a igreja matriz, inaugurada em 1920. Nessa época, foi construída a estrada de rodagem até a estação ferroviária de César de Pina e implantada a usina elétrica no rio Carandaí, que forneceu por muito tempo energia para Prados, Tiradentes, Dores de Campos e Resende Costa, além do então distrito. Tobias Rodrigues de Mendonça Chaves, neto do coronel Xavier Chaves, formou-se em direito em 1932, na mesma turma de Tancredo Neves, e foi promotor de Justiça por mais de 20 anos em São João del-Rei. Outro nome influente na

Vista de Coronel Xavier Chaves

política local foi Cypriano Chaves, o Soaninho, sobrinho do coronel Xavier Chaves. UDN e PSD - No início dos anos 50, Soaninho era o principal chefe político da União Democrática Nacional (UDN) no distrito, lembra José Afonso. Já o chefe político do antigo Partido Social Democrático (PSD) era Valentim Chaves, até que Soaninho deixou a UDN rumo ao PSD. O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) também tinha raízes no distrito sob a liderança de José Elói de Souza. Com a saída de Soaninho, Jesus Cardoso de Arvellos assumiu a chefia da UDN. Quando JK chegou à presidência, Soaninho e José Elói formaram um grupo político forte no distrito de Coroas. O troco do grupo udenista local veio quando o partido chegou ao poder, com Jânio Quadros em Brasília e Magalhães Pinto no governo de Minas. Mas a renúncia de Jânio levou de novo o grupo de Tancredo Neves ao poder em 1961, desta vez no regime parlamentarista. Emancipação - O PSD de Prados, onde governava a UDN, prometeu ao doutor Tobias que, se ganhasse a eleição seguinte, autorizaria o distrito a pleitear a emancipação, relata Rubens. “Meu pai pediu ao Soaninho, na eleição seguinte, que passasse para o PSD, o

Igreja de pedra em Coronel Xavier Chaves chama a atenção dos turistas

que ele fez.” Com a vitória do PSD, Prados liberou o distrito para pleitear sua emancipação. Quando Tancredo Neves tornou-se primeiro ministro do parlamentarismo, em 1961, pediu ao doutor Tobias para fazer o projeto, pois ele conversaria com o então governador Magalhães Pinto, conta Rubens. “O projeto feito por meu pai foi entregue ao irmão de dona Risoleta, o deputado Osvaldo Tolentino, que o apresentou e assim aconteceu a emancipação”. As alas da UDN de Magalhães Pinto e do PSD de Tancredo Neves reivindicavam o papel preponderante na emancipação. Na opinião de José Afonso, a influência maior foi do grupo tancredista. Mas o primeiro intendente nomeado do novo município, José Onésimo Vale, era da UDN e ficou no cargo entre março e agosto de 1963. Já o primeiro prefeito eleito foi o candidato do PSD/MDB, João Batista Assumção, que governou até janeiro de 1967. Com o golpe militar de 1964, o grupo político liderado por Soaninho e José Elói posicionou-se contra a ditadura e desaguou no MDB, lembra José Afonso. O mesmo Soaninho foi eleito prefeito pelo MDB, ficando no cargo no período de janeiro de 1967 a janeiro de 1971. A grande virada - O movimento de redemocratização do País, a partir do final dos anos 1970, teve como líderes em Coronel Xavier Chaves nomes conhecidos, como José Elói de Souza e João Vicente Vieira Camargos, e uma revelação na política: Lalado. Filiado ao antigo MDB em 1969, com 19 anos de idade, “por obra e graça de Soaninho”, Lalado foi eleito vereador em 1970 “depois de muita pressão para ser candidato a prefeito”. Na eleição de 1982, o MDB elegeu prefeito Francisco de Assis Pinto e Lalado foi o vereador mais votado. “A maior contribuição da Câmara de 1983 foi despertar o debate político consistente e o exer-

cício pleno da democracia numa conjuntura de mudanças”. Também foi um período de grandes realizações, como o asfalto e o MG2 - programa de apoio ao pequeno produtor rural (infraestrutura como estradas e pontes). Lalado era responsável pela parte social do programa, em dobradinha com o vereador João Vicente Camargos. “O papel de João Vicente foi fundamental na área política.” Uma das ações do MG2 foi o Plano Municipal de Ação Integrada (PMAI), ou seja, por meio de encontros comunitários, levantavam-se as demandas do município, conta Lalado. Com o falecimento repentino de João Vicente, o PMDB lançou o vereador Délcio José de Resende, que administrou o município de 1989 a 92. Nesse período, a medida de maior impacto foi a criação da Associação Rural (ARCEL), que permitiu criar o Parque de Exposições e melhorar a assistência técnica aos produtores rurais. É desta época também a implantação, nas escolas municipal e estadual, da assistência odontológica, que continua até hoje. A partir de 1997, o PSDB iniciou uma maratona no poder, com a eleição de Helder Sávio da Silva (PSDB). Em 2005, José Guilherme Jaques assumiu o cargo de prefeito, mas Helder voltou em 2009 pela coligação PV-PSDB. O município viveu nos últimos anos um período de prosperidade, bom clima político e melhoria acentuada da gestão pública, reconhece Lalado. Porém, ele teme que o clima hostil contra a oposição surgido na última eleição comprometa a tradição na cidade de se buscar o progresso por meio da ação política. Asfalto - Eleito governador em 1982, Tancredo Neves prometeu ao doutor Tobias que faria o asfalto. Mas o seu substituto, Hélio Garcia, “quis pular fora”, numa reunião da qual participaram Francisco, Lalado, João Vicente e Rubens. Alegou falta de dinheiro. Mas quando

Rubens cobrou o “compromisso de honra do doutor Tancredo” ele respondeu: “Já que é um compromisso de honra, eu vou fazê-lo”. Segundo Lalado, da primeira reunião com Tancredo, participaram o doutor Tobias, o prefeito Francisco de Assis Pinto, João Vicente Vieira Camargos e o próprio Lalado. Na segunda, com Hélio Garcia, estavam presentes o prefeito, João Vicente, Rubens Chaves e Lalado. “Houve intervenção do são-joanense Átila Godói junto ao secretário de Governo de Minas Gerais, José Geraldo Ribeiro, que se tornaria deputado federal. Contribuiu ainda o fato de termos no município a Semenge (empresa de terraplenagem) que veio pra cá devido às obras da Ferrovia do Aço.” Porém o asfalto só saiu no mandato do governador Newton Cardoso, lembra José Afonso. E a rodovia ganhou o nome do vereador João Vicente Vieira Camargos (1982-88). Desafios – Para Helder, atual prefeito, falta atacar alguns pontos críticos da zona rural, principalmente altos de morro. O prefeito diz ainda que já tem os recursos para o plano municipal de saneamento básico (R$ 175 mil) e a garantia de R$ 300 mil para a Estação de Tratamento de Esgoto (recursos federais da saúde, destinados ao saneamento). E no setor de geração de emprego e renda quer reforçar o papel do terceiro setor, estimulando ainda mais as organizações não-governamentais (ONGs). Outra meta de Helder é consolidar o Festival Internacional de Escultura “Cidade da Pedra”, buscando a identidade do município como a cidade da escultura e cantaria em granito (“gnaisse”) e pedra sabão. Recentemente, o prefeito e uma comissão técnica visitaram Portugal, em busca de estreitamento de laços de amizade com Caldas da Rainha, que tem vasta experiência na organização do simpósio das pedras (SIMPPETRA). Para Rubens, a Estrada Real poderia estar trazendo mais turistas à região das Vertentes. Bastaria que fizesse uma modificação radical em sua atuação. Ou seja, desse ênfase a construções de estilo colonial na região. “Basta ver o movimento turístico de Ouro Preto, Mariana, Sabará, Diamantina, São João e Tiradentes”. Já a Associação dos Produtores de Leite de Coronel Xavier Chaves (APLEI), que coleta cerca de 420 mil litros de leite por mês, armazena e embarca o produto em carretas do comprador, tem como maiores desafios melhorar a qualidade do leite e conseguir melhor preço pelo produto, tendo em vista a vantagem da logística de entrega. “A qualidade do nosso produto é que vai permitir que a gente consiga um preço melhor”, diz seu presidente, Antonio Nunes da Silva.


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Meio Ambiente

Instituto IRIS obtém cadeira no GD2

Entidade submeteu ao FHIDRO projeto que prevê elaboração de diagnóstico sócio-ambiental do Córrego do Tijuco No dia 16 de dezembro último, o Instituto Rio Santo Antônio (IRIS) apresentou ao comitê de Bacia Hidrográfica Vertentes do Rio Grande (GD2) a candidatura do instituto a uma cadeira naquele órgão. Como candidatura única, o IRIS foi aprovado pela plenária do GD2 e será empossado como representante da sociedade civil no comitê na reunião da entidade, a realizar-se no próximo mês de fevereiro. O comitê de bacia é o órgão responsável pelo gerenciamento local das bacias hidrográficas. A política nacional de recursos hídricos prevê a gestão descentralizada e participativa das águas. Sendo assim, os comitês devem ser compostos por representantes de quatro seguimentos da sociedade, com representação: o estado, os municípios pertencentes à bacia, as empresas que utilizam água em larga escala e a sociedade civil (por meio das ONG’s). O IRIS assumirá a vaga de representante da sociedade civil ocupada anteriormente pelo instituto OPTA, de São João del-Rei, que abandonou o comitê em dezembro de 2011. O mandato da entidade resende-costense se estenderá até o fim de 2012. Segundo o presidente do IRIS,

Cultura

Fernando Chaves, a participação da entidade no GD2 será importante porque permitirá ao IRIS maior conhecimento acerca do cenário hídrico da região das vertentes e de Resende Costa. Além disso, possibilitará à ONG um entendimento maior sobre o funcionamento do comitê, sobre a legislação ambiental do estado e sobre os caminhos para se obter recursos que possam ser investidos em Resende Costa. “A participação no comitê será um grande aprendizado para o IRIS. O estado tem disponibilizado recursos significativos para a área do meio ambiente. No entanto, os procedimentos técnicos e burocráticos para se obter e utilizar esses recursos são bastante complexos. Participando do comitê, o IRIS terá acesso a informações importantes sobre a obtenção e o gerenciamento de recursos voltados para o meio ambiente. Além disso, teremos contato com técnicos de toda a região, contribuindo para o amadurecimento do IRIS e apontando alternativas que podem ser aplicadas na preservação e na revitalização ambiental de Resende Costa”, explica Fernando. Além de obter uma cadeira no GD2, o Instituto IRIS submeteu ao Fundo de Recuperação, Proteção e

Desenvolvimento Sustentável das Bacias Hidrográficas do Estado de Minas Gerais (FHIDRO), ao fim de 2011, um projeto que pretende elaborar um diagnóstico sócio-ambiental do manancial de abastecimento de Resende Costa (o Córrego do Tijuco). Coordenado pelo vice-presidente do IRIS, Adriano Valério de Resende e pelo conselheiro suplente Ricardo Sales, o projeto foi aprovado pela plenária do GD2 em outubro de 2011 seguiu para análise do FHIDRO. Se for aprovado nessa instância, o IRIS receberá recursos do estado para custear estudos e levantamentos sócio-ambientais sobre a realidade do Córrego do Tijuco, que abastece a cidade de Resende Costa, incluindo análises de: solo (uso e ocupação agrossilvipastoril, passivos de erosão), vegetação nativa (quantificação, localização e grau de preservação em relação às determinações legais), recurso hídrico (quantidade, finalidade, local de captação) nascentes (grau de preservação/degradação) e proprietários (atividades econômicas principais, local de residência, renda e escolaridade). O projeto pretende envolver como estagiários os universitários do curso de geografia que residem em

Fernando Chaves e Adriano Vaério apresentam projeto do IRIS para o GD2

Resende Costa. Ao fim dos levantamentos socioambientais, também está prevista no projeto a divulgação dos dados e conhecimentos adquiridos para a comunidade (através de uma revista) e para os alunos do ensino médio das escolas Assis Resende e Paula Assis. O projeto tem o apoio institucional da COPASA e da Prefeitura Municipal de Resende Costa. IRIS elege nova Diretoria e novo Conselho Fiscal No dia 18 de dezembro de 2011, foram eleitos os novos membros da diretoria executiva e do conselho fiscal do Instituto Rio Santo Antônio

(IRIS). Com mandato de dois anos, assim ficou composta a direção da entidade: Diretoria executiva: Fernando de Resende Chaves (diretor-geral); Adriano Valério de Resende (vice-diretor-geral); Cláudio Ramon Chaves de Resende (diretor técnico); José Robson de Assis (diretor de comunicação); Emerson Gonzaga Fernandes (diretor financeiro); Flávia Cristina Silva (secretária). Conselho Fiscal: Flávio Sebastião de Assis (titular); Vinícius Reis (titular); Antônio Orlando de Mendonça Júnior (titular); Ricardo Sales Santos (suplente); Aurélio Suenes de Resende (suplente).

MAC promove II Circuito das Artes

Casa de Cultura acolheu apresentações musicais e teatrais

Música, teatro e poesia compuseram o repertório do último evento realizado pelo Movimento Arena Cultural (MAC) em 2011. O agrupamento de músicos e artistas locais que vem agitando Resende Costa há quase dois anos encerrou o ano com um feito importante: levou um pouco de vida ao Teatro Municipal, há muito fora do circuito de atividades culturais da cidade. Durante a segunda quinzena de dezembro, o MAC reuniu, mais uma vez, seu exército de voluntários da cultura, para levar a cabo mais uma empreitada pela arte local. “A organização do II Circuito das Artes contou com a participação de mais de 50 voluntários, sendo cerca de 35 os artistas ou músicos que se apresentaram durante

o evento”, explica Ângelo Márcio, coordenador do MAC. Ângelo fala, também, da importância de uma reativação da Casa de Cultura. “Foi gratificante reabrir as portas do Teatro Municipal para o público. As gerações mais recentes sequer conheciam aquele espaço. A revitalização física do espaço da Casa de Cultura é necessária, mas se faz necessária, também, a revitalização dos costumes, das práticas culturais. É preciso valorizar o artista e a produção cultural local”, defende Ângelo Márcio. O II Circuito das Artes teve início na sexta-feira, 16, com a realização do II sarau literário do MAC no Bar da Esquina. Mesmo com a queda de energia elétrica, que deixou Resende Costa sem luz por cerca de 3 horas naquela noite, foi possível a recitação de belos poemas, além da apresentação animada da Banda do Chá Preto. Com o sarau literário, o MAC

mostrou, mais uma vez, o quanto a poesia está impregnada em nossa cultura. Os poetas estão por aí, compondo em seus recantos. Mesmo em tempos de guinadas tecnológicas das mais assustadoras, há quem esteja fazendo do verso e da rima um meio de comunicação, um reconforto, uma bandeira, um hobby. Enfim, os escritores resistem bem às reviravoltas do mundo, e suas gavetas têm sempre algo de novo, pronto para extravasar suas origens e mover alguma coisa no mundo. Dentre os poetas participantes do sarau estão Afonso Logori, com o poema Alma; Deise Rafaela, autora da poesia Em meio a dor, quem pode amar?; Antônio Orlando Júnior, com o poema Auschwitz; João Paulo de Resende, que recitou Decadência; Flávia Cristina, autora de Provinciana; Adriano Valério, que se inscreveu com o poema O maior trem

do mundo; Pedro Francis, com seu poema Substituições e Evaldo Balbino, autor de Um nome para a ausência. No sábado, 17, a Casa de Cultura recebeu a apresentação teatral do projeto Contando Histórias, desenvolvido pelo MAC, tendo como foco o público infantil. Em seguida, apresentaram-se as bandas Insignes e Transtornados SDR. Na última noite do Circuito, domingo, um grupo teatral formado por integrantes do MAC e do projeto Arte por Toda a Parte apresentou a peça A decisão da minha vida. Em seguida, houve apresentação das bandas Santa Cecília, Trio Arte e SDG, além de uma exposição de pintura, com as telas de Aline Resende e de uma apresentação de dança Tree steps. Renata Tavares, protagonista da peça A decisão da minha vida, conta que começou no teatro participando do projeto Arte por Toda

Casa de Cultura foi palco para apresentações teatrais

FERNANDO CHAVES

a Parte e que está vendo no MAC uma oportunidade de levar adiante a atividade. “O MAC é importante porque está motivando a gente que gosta do teatro e criando oportunidade também para aqueles que gostam de assistir a esse tipo de evento, que é raro em Resende Costa”, explica Renata. Ela conta, também, que está planejando a filmagem de curta metragem, junto a outros membros do MAC. Segundo Ângelo Márcio, o Movimento Arena Cultural irá, sempre que possível, privilegiar a Casa de Cultura como palco para seus eventos. “É uma forma de dar uso ao local, o que tem sido colocado como um pré-requisito para a aprovação de projetos de revitalização daquele espaço junto ao Estado”, explicou Ângelo.

Afonso Ligori recita o poema a Alma


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Aconteceu

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EMANUELLE RIBEIRO

Resende-costenses recebem 2012 com muita festa

Mais um ano se foi e para comemorar a chegada de 2012, a galera se dividiu e curtiu as várias opções para passar o réveillon em Resende Costa e também fora da cidade. Muitos foram para a danceteria Kaessy, no réveillon organizado pela galera do Tantão, para a Churrascaria Ramona ou até mesmo para a Avenida Gonçalves Pinto: o certo é que os resende-costenses se divertiram bastante na despedida de 2011. Quem saiu da cidade também teve várias opções de curtir uma festa badalada, o caso do pessoal que foi para Tiradentes ou outras cidades vizinhas e até Copacabana, no Rio de Janeiro, para conhecer o que foi considerado, neste ano, o melhor réveillon do mundo. Confira os momentos registrados pelo JL na virada do ano. Feliz ano novo, muita paz e saúde para todos!

Parte da turma que realizou o 2º Reveillon do Tantão

Marcela, Karina, Isabela, Nádia, Daniela, Thaís e Gabriela no 2º Reveillon do Tantão, que aconteceu na danceteria Kaessy

João Pedro, Artur, Breno, André e Matheus, do Tantão

Com open bar e open food, a Churrascaria Ramona atraiu um grande público no veillon

As meninas festejaram a chegada de 2012 na Churrascaria Ramona

Cláudio, Kátia e Clara no reveillon da Churrascaria Ramona

A virada do ano foi movimentada na Churrascaria Ramona

Mesmo com a chuva, Ramon, Guinho e Esio fizeram a festa na Avenida

Kate, Dúm e Angélica passaram a virada em Copacabana, no Rio de Janeiro

Fernanda, Rodrigo, Cássia, Francielle e Bruno passaram a virada na tradicional venida Gonçalves Pinto

Jonathan, Cocão, Juninho e Flávio aproveitaram a virada do ano no espaço Libertas, em Tiradentes


8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Vida nova Mensagens, e-mails, abraços... tudo desejando que em 2012 os meus sonhos se realizem. Confesso que andei falando isso para algumas pessoas também. Nada de mais em esperar alegrias. Porém, esperar essas coisas somente no último dia do ano é de menos. E vem toda aquela coisa de certas pessoas ficarem deprimidas nas festas de fim de ano. Fica lá o cara com a taça de champanhe na mão, chorando e abraçando quem aparecer na frente, todo de branco. Típica deprê do fantasminha beberrão. Essa tristeza, pelo que venho pesquisando em meus arquivos de cotidianidade nas mais cretinas enciclopédias do empirismo, aparece porque o indivíduo assume o seguinte lema no réveillon: Eu TENHO que ser feliz no ano que está começando. Ano Novo, vida nova! ... mas é agora que você assume isso? No último dia do ano que está acabando? Você teve 364 dias inteirinhos para construir realizações. E aposta na alegria somente no último minuto do último dia? Não são fogos iluminando o céu que vão trazer a felicidade... Pirotecnia das ilusões coloridas... Não são beijos na boca que vão buscar a alegria. Ósculos fugidios nos lábios da euforia... Não são bebedeiras que vão instaurar a tranquilidade. Pobre paz afogada no porre... Não são pulinhos nas ondas à meia-noite que vão garantir os bons ventos do Ano Novo. Ao final das ondas, o naufrágio das expectativas... Não são sementes de romã

que vão fazer germinar a fartura no ano que começa. O estômago não é terra fértil para esse tipo de plantio... No réveillon, muitos dos candidatos à felicidade olham para o Ano Velho como se estivessem se livrando de um fardo pesado e inútil: Xô, Ano Velho! Vá embora, Ano Velho! Se mandam o Ano Velho para o lixo é porque nada dele serviu. Se o ano que passou tivesse sido um espaço e um tempo de construção da alegria, da paz, da saúde e da fartura, então os fogos de artifício, os beijos na boca, os brindes, os pulinhos nas ondas e as sementes de romã seriam consequências felizes de uma consciência tranquila, e não um salto no abismo sádico das esperanças sem raiz. E não cantaríamos “Adeus, Ano Velho” e sim “Obrigado, Ano Velho... Feliz Ano Novo!” Nada de especial no ano que começa. Os dias continuarão com as mesmas horas, a mídia continuará com as mesmas estratégias, alegrias aparecerão, lágrimas rolarão... O que deve ser especial, arrebatador, emocionante e alegre é o meu entusiasmo comigo mesmo, o meu compromisso de sempre fazer de mim uma edição renovada e revisada de acordo com as novas regras do acordo existencial. Esse tipo de comprometimento tem que ser todos os dias. O réveillon nos lembra essas coisas, porém jamais vai garanti-las. Cabe-nos escolher: a euforia do momento ou a alegria para além do momento.

__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Natal

Moradores do Lar São Camilo recebem presentes uma semana antes do Natal

O Papai Noel chegou mais cedo para os moradores do Lar São Camilo, em Resende Costa! No dia 18 de dezembro, foi realizada uma confraternização para que todos recebessem os tão esperados presentes que pediram. O maior presente, porém, foi dado a quem colaborou com essa festa: a alegria vivida naquele dia por cada um que reside no Lar. Tal acontecimento só foi possível graças ao envolvimento de algumas pessoas, que durante o último mês fizeram uma campanha de doação de presentes e dinheiro. Grande parte da população e do comércio resende-costense aderiu à campanha, o que fez do acontecimento um sucesso. Vale destacar que muitos vo-

EMANUELLE RIBEIRO

Graça Fernandes, uma das colaboradoras do evento, participou da entrega de presentes no Lar São Camilo

luntários, como manicures e cabeleireiras, contribuem frequentemente com o Lar, prestando serviços de beleza aos moradores.

O JL parabeniza a todos os responsáveis por esses eventos voluntários realizados no Lar São Camilo.

Almoço de Natal

Na manhã do dia 25 de dezembro, a alegria contagiou a criançada que participou do almoço de Natal no Bar da Gracinha. Enquanto o almoço era preparado, o Papai Noel recebeu as crianças dando presentes e brincando. O momento de festa e confraternização foi preparado com muito carinho e teve um significado marcante na vida da Gracinha: “Fiz uma promessa ao Menino Jesus. Se a minha irmã, que estava muito doente, se recuperasse, no dia do Natal eu faria um almoço para as crianças. E hoje, graças a Deus, ela está aqui com a gente”, disse Gracinha, emocionada.

As crianças se divertiram com o Papai Noel durante o almoço no Bar da Gracinha

Funcionários do Sicoob Credivertentes doaram presentes ao Lar São Camilo

CÁSSIO ALMEIDA

No dia 24 de dezembro, o Lar São Camilo de Lélis recebeu a visita dos funcionários do Sicoob Credivertentes. Em campanha que durou duas semanas, o Sicoob arrecadou mais de 120 presentes, doados pelos seus associados e distribuídos aos residentes do Lar. A entrega aconteceu em uma festa que contou com uma ilustre visita: o Papai Noel.

O Papai Noel do Sicoob Credivertentes fez a felicidades dos moradores do Lar São Camilo na véspera de Natal


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Retalhos Literários

EVALDO BALBINO

Os sacrifícios desnecessários

Em novembro de 2011 ocorreu em Formosa, Goiás, um triste episódio: uma enfermeira matou a pancadas seu cãozinho de estimação. Irônico isso, pois o que é de minha estimação deve receber, no mínimo, respeito da minha parte. Não maltrato aquele ou aquilo a que estimo. Mas animal de estimação é tido, muitas vezes, como um objeto de posse, de troca e venda. Não é à toa que lucramos com as vidas. Muitos humanos sempre tiveram esta capacidade: lucrar com vidas. Muitas vezes lucramos e ainda o fazemos até mesmo com vidas humanas. Os sistemas escravocratas, os servilismos, as explorações da mão de obra, o trabalho infantil – tudo isso atravessa a história para comprovar o que estou dizendo. Não entendo de leis. Portanto não falo aqui alicerçado em artigos, parágrafos, incisos, alíneas. Entendo de vida e de respeito pela vida. Do necessário respeito pela vida e da necessidade de punição daqueles que não a respeitam. Dirão a mim que a lei também respeita a vida. Sim, concordo. Mas também sei que a justiça é construção humana. É instituição daquele que olha para o próprio umbigo e esquece que o mundo, o universo, vai muito além de si mesmo. Vai muito além, sem excluí-lo, é claro! Haverá punição legal para a enfermeira que matou, diante da filhinha de dois anos, o seu cão? Essa pergunta não se cala. Vejo muita coisa e não posso entender. Vejo muita coisa e não posso aceitar. Vejo muita coisa e me recuso a acolher. Vejo homens, mulheres, crianças, animais – vejo todos sofrendo, e muitas vezes de um sofrimento que poderia ser eliminado. Corramos os olhos pelos açougues. Eles são apenas espaços de cheiro forte com cadáveres. As vidas que neles se mostram são as dos que vendem e dos que compram. Já com os cadáveres é outra história. Os sofrimentos, as dores, os espasmos, os olhos arregalados na iminência da morte, as contrações dos músculos, a revolta das vísceras, o desejo extremo de fuga sem nenhuma possibilidade – tudo isso se escoou com o sangue vivo, tudo isso se derramou com o sangue morto lá nos matadouros. E o que comercializamos já é san-

gue morto. Alguns até me dizem: “vamos comer, já está morto mesmo!” Comer a morte parece tão natural. Outros até falam: “matar eu não mato, mas comer é tranquilo”. Estarei fazendo aqui apologia ao vegetarianismo? Quem sou eu, meu Deus, para tal façanha? Não posso impor a ninguém a minha filosofia de vida. Médicos, comerciantes, empresários, fisiologistas, cozinheiros, economistas, açougueiros, gastrônomos, chefes de cozinha, donos de matadouros – pessoas enfim, milhares de pessoas, me matariam por tal defesa. E me defendo de todos. Não simplesmente apelando para a minha liberdade de expressão. O que escrevo nestas linhas parte de uma experiência própria, pela qual passei recentemente. Nunca fui dado a comer carne, pois algo sempre me incomodava quando o fazia. Ou seja, já existia em mim uma náusea, uma dor. Era isto mesmo: eu comungava a dor das vidas que me eram oferecidas em banquete. Essa comunhão chegou à plenitude em março de 2011, quando passei pela experiência de ser sequestrado. Três cidadãos, seres da minha espécie, me tomaram no meu carro e me mantiveram durante toda uma madrugada em suas mãos. Coagido, sob ameaças com faca, revólver, olhos vendados para não ver as fisionomias daqueles seres tão da minha espécie, fui mantido deitado entre os bancos do meu carro, apertado a ponto de ficar com hematomas nos ombros, na cabeça, no rosto, os braços dormentes, as pernas também. Eles, os seres da minha espécie, usavam o meu carro como se fosse deles. Fumavam, riam. E cantavam. As cantorias alternavam-se com ameaças, empurrões no meu corpo, exigências das minhas senhas dos cartões de crédito – e tudo isso faziam ao som duma rádio aqui de Belo Horizonte, da qual nunca gostei e que, a partir daí, passei a detestar mais ainda: a Jovem Pan. Sei que a emissora não tem nada a ver com isso, com a minha trágica experiência. Mas é que esta se somou aos estilos musicais que a Jovem Pan toca e que nunca me agradaram. Aqueles jovens – eram jovens, pois suas vozes mostravam isso – usavam meu carro e ouviam o rádio à vontade. Circulavam eu não sabia por onde. Mas eu ia

percebendo aos poucos que estávamos entrando por matas densas, pois chovia, eu sentia cheiro de terra molhada, de barro, barulho de bátegas sobre plantas. Tive a sensação de que aqueles seriam os derradeiros odores e ruídos que eu sentiria na vida. Encurtemos esse episódio, cuja descrição aqui já é dolorosa. Pararam o carro no meio de um mato. Levaram-me para uma casa em construção. Deitaram-me de bruços no chão, e com os cadarços dos meus tênis amarraram-me os pés e as mãos para trás. O cano de um revólver e a ponta de uma faca não descolavam de minha cabeça e do meu pescoço. Não me mataram, porque não reagi em momento algum. Deixaram-me ali e se foram cantando, como cantando estavam durante todo o tempo do meu lado. Fiquei sem o carro, sem documentos, fiquei dopado por um comprimido que me obrigaram a tomar, fiquei com prejuízos financeiros e psicológicos – mas fiquei com a vida, com a minha vida. Tanto que estou aqui, lúcido, escrevendo estas linhas. Não sei dizer se tenho medo da morte. Mas sei dizer o que senti naqueles momentos, principalmente quando me amarravam. Senti-me como aqueles porcos que eu via os homens amarrarem quando eu era criança. Amarrarem e esfaquearem – uma pontada de ferrugem e aço no coração. E a gritaria dos porcos, cuja linguagem não era e não podia ser humana, a civilizada linguagem humana. Uma gritaria que ecoava nas redondezas amanhecendo e que por certo fazia muitos pensarem ainda em sua cama: “Que beleza, hoje vamos ter carne fresca!”. Quanto a mim, aquela era uma gritaria de me matar. Uma gritaria que doía muito e que ia diminuindo até não existir mais. Eu era um porco sendo amarrado. Como também me encarnei agora naquele cachorrinho lá em Formosa, sendo pouco a pouco assassinado por sua “dona”, uma enfermeira, uma “cuidadora de vidas”. Não posso suportar a dor, nem a própria nem a alheia. E o que não suporto mesmo é a dor causada intencionalmente ou por desequilíbrios pelos quais somos atravessados. Sou apenas, aqui, um ser humano frágil, um animal entre outros animais, ganindo contra tantas mortandades.

Gastronomia

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CLÁUDIO RUAS

Comida mineira: a mais especial do Brasil O Brasil tem muita coisa boa, parece um continente cheio de países e comidas diferentes. Mas Minas consegue ter a mais especial. São tantos os argumentos a favor dessa hipótese que eu me sinto até suspeito pra falar. Mas um motivo especial e muito bem ressaltado por Dona Lucinha – ícone da gastronomia mineira – é que “a um só tempo ela assimilou e preservou, de forma muito equilibrada, a influência culinária e cultural das três etnias formadoras do povo brasileiro”. Ou seja, nós somos especiais porque somos a mistura bem feita dos costumes dos índios, negros e portugueses. Basta um pouco de história pra entender a gastronomia de qualquer lugar, pois ela é um reflexo da sociedade e do que se tem disponível para consumo. Por aqui, primeiro os índios com mandioca, milho, brotos e frutas do mato, caças etc. Depois vieram os escravos, também acostumados com a sobrevivência na natureza e com grande habilidade em improvisar com o pouco para servir muitos. Ainda trouxeram o quiabo na bagagem e eram mestres com a cana e suas rapaduras e cachaças, símbolo nacional. Por último, os portugueses, aos se deslocarem para o interior em busca do ouro e da necessidade de fiscalizar a colônia. Com eles veio o requinte europeu, o frango, os ovos e quitandas, doces e até a técnica de produção do nosso queijo. Jogando tudo na panela, sai um “frango (do português) com quiabo (do africano) e angu (do índio)”, prato clássico mineiro. Nessa mistura, o alho, a cebola, o sal, o cheiro verde e a pimenta, a base da nossa cozinha. Uma divisão interessante da comida mineira, ressaltada por Dona Lucinha no seu delicioso livro “História da Cozinha Mineira” (Editora Larousse), é entre a “comida de tropeiro” e a “comida de fazenda”. A primeira, uma comida mais seca, feita pelos tropeiros e bandeirantes que desbravavam o Brasil, improvisando para comer e ao mesmo tempo precisando de “sustança” para aguentar o tranco: farinha, feijão, paçoca de carne, carne seca ou de gordura etc., comidas pra se comer

de “capitão” (com a mão), sem sujar talher. Daí o feijão tropeiro, outro clássico do nosso estado e que até entrou em cardápio de estádio de futebol, caso do famoso “Tropeirão do Mineirão”. Já a cozinha da fazenda é molhada, ensopada, decorrente da instalação dos portugueses e do declínio do ouro, com muita verdura da horta (couve, taioba, ora-pro-nobis), angu, porco, leite e derivados, doces, quitandas, licores etc. Essa é a nossa comida, em alguns casos ainda influenciada pela proximidade de rios e lagos (peixes) e dos estados vizinhos, o que a torna mais rica, deliciosa e base para a cozinha moderna, com grande número de técnicas e ingredientes a serem utilizados de varias formas. Além do pão-de-queijo, comida mineira é sinônimo de simplicidade e fartura, herança da colonização e do espírito tribal e comunitário vindo dos índios e dos escravos, para os quais a panela (de barro, pedra ou ferro) e o fogão de lenha, até hoje são protagonistas da mais alta importância na nossa cultura. Se o gaúcho constrói uma churrasqueira, o mineiro cada vez mais faz seu fogão de lenha, até na capital e em casa chique. Além disso, mineiro é o que mais se reúne na cozinha e que come a comida típica no dia-a-dia sem abrir mão do franguinho no domingo (e em alguns casos na segunda, no Baú...). Pra terminar, até o verde-amarelo no prato do mineiro, cheio de couve com angu, é sinal de que a cozinha desse estado é a mais brasileira de todas. Como diz Frei Betto, “Minas é um estado de espírito que se conhece pelo paladar”, e que pode ser mais conhecido ainda quando se observam e se valorizam grandes cozinheiras à nossa volta, pra mim verdadeiras chefs, como a Dona Lucinha do livro e a Dona Lucinha do Góes, minha tia, que é uma enciclopédia viva da cozinha e que já nos presenteou neste jornal com um belo artigo sobre a história gastronômica de Resende Costa. Como ensinam elas, o primeiro ingrediente mineiro que vai pra panela é o amor... Então, é ou não é a mais especial do Brasil?


10 Jornal das Lajes Causos & Cousas

ANO VIII Nº 105 - JANEIRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO

Padre Josué, resendecostense, festeja seus 90 anos

Lembro-me de ter escrito na edição 74 deste jornal, em junho de 2009, um texto sob o título “Resende Costa: terra de sacerdotes”. Partindo do padre Sílvio Chaves (ordenado na década de 30) até hoje, consegui contar 34 sacerdotes, ou seja, uma média de 4,5 sacerdotes por década. Uma média alta para aqueles tempos, em uma cidade ainda pequena. Curiosamente, nas décadas de 50 e 60, o seminário salesiano de São João del-Rei acolhia dezenas de seminaristas resende-costenses, talvez o maior grupo da redondeza. A maioria deles eram, na verdade, “empurrados” pelos pais, interessados nos estudos de seus filhos, gratuitos para a maioria. Se não me engano, dessa época apenas um chegou a se ordenar sacerdote: o padre Lauro Geraldo de Resende Pinto (padre Laurinho, já falecido). Provavelmente a década de 50 tenha sido a mais fértil em ordenações sacerdotais. Ordenaram-se nesse período os padres Antenor Resende, Francisco David Resende, Diniz José da Silva, Ézio de Melo Daher, Josué Francisco da Natividade, José Hugo de Resende Maia, Antônio das Mercês Gomes, Francisco Ribeiro da Silva (tio da Meirinha do doutor Luís), Wander Francisco de Paula Silva (irmão do padre Josué), Hamilton José da Silva e José Antônio Resende de Mendonça. Entre todos esses, em sua maioria salesianos, talvez o mais antigo seja o padre Josué. O padre Josué Francisco da Natividade nasceu em Resende Costa, no dia 31 de outubro de 1931. Filho de José Francisco de Paula e dona Francisca Augusta de Paula. Teve como irmãos o Jair, o Wander (que também foi padre), a Eni, a Francisca e a Margarida (esposa do Tarcísio Resende Pinto). Aos 14 anos ele já se preparava para ingressar na carreira sacerdotal. Foi para o seminário salesiano de Lavrinhas (SP), em 1936. Em 1940 entrou oficialmente na Congregação Salesiana, professando seus votos religiosos ao final do

“noviciado”, em São Paulo (bairro do Ipiranga). De 1941 a 1943, fez o curso de filosofia em Lorena (SP). Conforme as normas dos salesianos, os candidatos ao sacerdócio, antes dos quatro anos de teologia, passavam por um período de três anos de provação, chamado “tirocínio” ou “assistência”, ao final do qual faziam os votos perpétuos. Nesse período trabalhavam como educadores e professores nos colégios da congregação. O ainda “clérigo” Josué cumpriu essa etapa de 1944 a 1946, em um dos mais antigos e importantes colégios salesianos do Brasil, o famoso Liceu Coração de Jesus, situado no coração de São Paulo, quase ao lado do antigo palácio do governo paulista, o Palácio dos Campos Elíseos. Encerrou sua formação sacerdotal realizando o curso de teologia, também em São Paulo, no Instituto Teológico Pio XI, situado no alto do bairro da Lapa, onde até hoje funciona como teologado dos salesianos. Finalmente, chegou o momento de sua ordenação sacerdotal, que aconteceu também em São Paulo, na igreja salesiana de Nossa Senhora Auxiliadora (bairro do Bom Retiro), no dia oito de dezembro de 1950. Ainda neste mês ele veio celebrar, com seus conterrâneos e com muita festa, sua primeira Missa (Missa nova), em sua terra natal. Como sacerdote, o padre Josué passou por diversos colégios e obras dos salesianos, cumprindo suas funções de educador e de professor: Pará de Minas, Colégio Santa Rosa de Niterói, colégio salesiano do Riachuelo (Rio de Janeiro), colégio de Araxá e, finalmente, retornou a Niterói em 1957, onde está até hoje. São 54 anos no Santa Rosa, a tal ponto que ele tornou-se uma figura emblemática daquele colégio e de sua comunidade salesiana. E passou a ser chamado e conhecido como “padre Joso”. Em sua vida de educador e professor, padre Joso dedicou-se ao ensino de português, francês

Crônicas do Cotidiano

Amigo oculto Meu caro amigo oculto,

e religião. Tornou-se um grande conhecedor e mestre da língua portuguesa e, paralelamente, um exímio e eloquente orador e pregador. Como sacerdote, desenvolveu inúmeras atividades de assistência religiosa em bairros de Niterói. Em 1984 participou da criação do “Memorial Histórico do Colégio Santa Rosa”, para o qual contribuiu com um vasto acervo de documentos e registros por ele colecionados ao longo dos anos anteriores. Em 2000, organizou o “Museu do Monumento”, no ano da comemoração de seu centenário. Trata-se de um grandioso monumento à Nossa Senhora Auxiliadora, situado nas escarpas da serra atrás do Santa Rosa. Subindo pela sua escadaria interna até o seu topo, aos pés da imagem, tem-se uma vista espetacular da Baia da Guanabara e, ao fundo, do Rio de Janeiro. Coroando toda essa história de trabalho e de dedicação à Congregação Salesiana e aos seus assistidos, rodeado de seus muitos amigos, o padre Joso comemorou festivamente a bela idade de 90 anos no dia 31 de outubro do ano passado. O Jornal das Lajes congratula-se com essa data e tem também o prazer de prestar esta homenagem ao seu ilustre conterrâneo, o qual se tornou, de há tempos, um seu leitor assíduo, além de um incentivador e divulgador do jornal em Niterói.

RAFAEL CHAVES

Lamentavelmente não pude trocar de “papelzinho” no sorteio, pois quando fui fazê-lo a nossa colega respondeu, com um sorriso sarcástico no canto dos lábios, que isso não era possível, pois não havia mais papelzinho a ser sorteado e “além do mais, onde já se viu querer escolher amigo oculto?”, disse. Apesar de alguns colegas terem vindo ao meu socorro, solícitos e se prontificando a trocar, eu não achei justo fazer isto com eles. Aliás, achei até estranho que tantos tivessem se disposto à troca, “que haveria de errado com seus amigos ocultos?”, pensei, “melhor ficar com o meu mesmo!”. Acontece, meu caro amigo, que por falta de curiosidade ou pura displicência, não abri o papelzinho no mesmo instante em que o peguei da sacola. E um tempo depois, ao estender o papel dobrado, é que, para minha surpresa, deparei-me com seu nome. Quero que saiba que essa minha vontade de trocá-lo por outro não significa, de modo algum e longe disso, que tenha algo contra sua pessoa, ou que você seja uma pessoa difícil, ou que fosse custoso encontrar um presente à sua altura, ou mesmo que você fosse, na verdade, meu inimigo oculto. Pelo contrário, tenho por você enorme apreço e consideração. E nem poderia ser diferente! Você é uma pessoa que, acima de ser meu amigo oculto, é meu amigo de verdade, confidente e íntimo. E, ainda, foi muito fácil e tranquilo comprar o seu presente, pois sabia exatamente o que você queria. Portanto, livrei você de ganhar um desses presentes inapropriados e de mau gosto que a gente costuma ganhar de amigo oculto. O meu problema era falar de você em público, de seus predicados e de seus defeitos, por meias palavras, até que alguém adivinhasse quem você é. Isto,

sim, era complicado para mim. E foi única e exclusivamente por esse motivo que aventei a possibilidade de substituí-lo. Embora eu tivesse muito a dizer de você e para você, eu prefiro fazê-lo reservadamente, numa conversa para mais tarde, longe dos olhares curiosos e ansiosos desses nossos colegas. Desde já, então, peço-lhe que guarde um pouco do seu tempo nesta última semana do ano, que é muito propícia para eu lhe dizer o que você representou para nós e o que esperamos de você para o ano que vem. E adianto-lhe que você tem muito, muito a melhorar. Falar nisso, em ano novo, quero lhe desejar um feliz 2012, e que neste ano vindouro você possa, finalmente, cumprir com seus propósitos e promessas, as mesmas que fez no ano passado, que, bem me lembro, são as de: 1. aprender inglês de verdade, de fato, e não esse “the book is on the table” que você fica vomitando, verborrágico, aí pelos corredores, como se fosse um poliglota; 2. parar de fumar de uma vez por todas, que esse seu hábito está fazendo muito mal para sua saúde e também para o seu convívio social e 3. perder um pouco dessa barriga que, permita-me a franqueza e “tenha paciência”, deprecia bastante sua imagem, já combalida pelo tempo. Finalmente, espero que esta lembrança, embora seja a que você quisesse ganhar, lhe tenha realmente serventia e não que seja mais uma daquelas coisas que você costuma comprar, compulsivamente, para entulhar sua casa de quinquilharias que jamais ou muito esporadicamente serão utilizadas. Desculpe a sinceridade. Meu abraço. Carta de mim para mim mesmo, que fui meu próprio amigo oculto entre os colegas de trabalho.


Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 105 - JANEIRO DE 2012 / RESENDE COSTA - MG

Cidades

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Polêmica em torno da nova estação de tratamento de esgoto de Tiradentes

Mais de 300 anos e projeção internacional, até hoje a cidade de Tiradentes não tem sistema de tratamento de esgoto sanitário. E quando caminha para obter este serviço essencial, vê-se em meio a grande polêmica. Em 23 de junho de 2010, o executivo enviou à Câmara Municipal projeto de lei solicitando autorização para celebrar, pelo prazo mínimo de 30 anos, convênio de cooperação com o Estado, por meio do qual delegaria a competência de organizar, regular e fiscalizar os serviços públicos municipais de esgoto sanitário. Também autorizava “celebrar contrato e programa com pessoa jurídica integrante da administração indireta do Estado de Minas Gerais, com o objetivo de transferir, em regime de exclusividade, prestação dos serviços públicos municipais de esgotamento sanitário”, sem licitação (com base no inciso XXVI, do art. 24, da Lei Federal n. 8.666/1993). A proposta foi transformada em lei um dia depois (24 de junho) em sessão extraordinária cujo resultado foi de seis votos a três. Pela nova lei, a concessionária do serviço teria de repassar ao município, a título de indenização pela aquisição dos ativos, a quantia de R$ 800 mil, em 10 parcelas, das quais a primeira seria paga 30 dias após a assinatura do contrato. O acordo prevê serviço de esgoto na sede do município e nos bairros de César de Pina e Águas Santas, bem como canalização de água do chafariz e revitalização do Bosque Mãe d´Água (projeto aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional IPHAN). Prevê ainda o apoio a ações do município na implantação ou melhoria dos sistemas de abastecimento de água e esgoto sanitário do córrego Elvas e zona rural da Caixa d´Água da Esperança, entre outras. Em agosto de 2010, o executivo municipal enviou à Câmara projeto de lei que cria o “Plano Municipal de Saneamento Básico da Cidade de Tiradentes”. A proposta aguarda votação, de acordo com o vereador Gilberto Costa. Esse plano municipal de saneamento básico daria amparo legal às negociações com a COPASA, segundo o advogado Carlos Alberto Caprioglio. Moradores descobrem - Na segunda quinzena de outubro de 2011, o morador do bairro Várzea de Baixo, Sidnei Gonçalves, percebeu uma movimentação estranha de trabalhadores e máquinas na área próxima da linha do trem turístico “Maria Fumaça” a cerca de 20m das residências do outro lado da linha férrea. Ao se informar, descobriu que a COPASA estava iniciando as obras da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do município. “O mais estranho e elementar é que não houve audiência pública hora alguma com os moradores do bairro e com a sociedade de Tiradentes”, lamenta Sidnei. A audiência pública está prevista na

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resolução normativa 74, na esfera estadual, para obras de grande impacto social e ambiental, acrescenta Caprioglio. Sidnei, que é formado em geografia e educação ambiental, procurou outro morador, o colega José Alfredo Couto Bacellar, engenheiro eletricista, e começaram juntos a pesquisar sobre ETE. Descobriram, por exemplo, que pode gerar poluição por gases e lodo tóxico e provocar mau cheiro e presença de moscas, baratas, ratos etc., além de prejuízos ao turismo tiradentino. Para o bairro, diz José Alfredo, o principal impacto, além da inibição à atividade econômica, é o social e psicológico, ou seja, a “desvalorização social”. Quanto ao turismo, “não existe um técnico na COPASA que pode garantir com certeza de 80% de que esse cheiro não vai chegar ao centro histórico. O impacto seria a médio prazo. Já no trenzinho, isso seria percebido de imediato”. Diante disso, procuraram a diretoria da Associação dos Moradores do Bairro Várzea de Baixo (AMOVAB) que, orientada pelo advogado Carlos Caprioglio, convidou a COPASA para participar de reunião no dia três de novembro com os moradores, mas ninguém da empresa compareceu. Com a presença de cerca de 80 moradores e três vereadores, foram discutidas ações e providências a serem tomadas em termos jurídicos e políticos. Assim, no dia cinco de novembro os moradores promoveram manifestação no Largo das Forras e, dois dias depois, os três vereadores que participaram da reunião da Associação encaminharam ofício à Câmara Municipal, à Polícia Florestal, ao Ministério Público, ao Procurador da República, ao IPHAN e à Ferrovia Centro Atlântica (FCA), pedindo apoio contra a construção da ETE no local. Em nove de novembro, o Ministério Público pediu à COPASA que enviasse em 30 dias toda a documentação relativa à obra. Dois dias depois, todos os vereadores declararam-se publicamente contrários à construção da ETE no bairro da Várzea de Baixo. No dia 22 de novembro, a COPASA conseguiu a licença ambiental, no nível estadual, diretamente em Belo Horizonte. E em 28 de novembro o prefeito Nilzio Barbosa enviou ofício à empresa afirmando que não estava de acordo com a construção da ETE naquele local. Este ofício contraria declaração do prefeito (de 20 de setembro) para fins de licenciamento ambiental, de que o local e o tipo de instalação das elevatórias, da ETE e das demais unidades do sistema de tratamento de esgoto sanitário estavam em conformidade com as leis e regulamentos administrativos do município. No final de novembro, a AMOVAB entrou com ação civil pública, requerendo o embargo liminar da obra de construção da ETE. Foi então que os moradores descobriram um ofício do prefeito à COPASA, de 22 de maio, no qual declarava que o local seria adequado à construção

da ETE, bem como um decreto-lei para a desapropriação da área. A liminar foi concedida pelo juiz de direito Auro Aparecido Mata de Andrade, de São João del-Rei, que determinou a imediata suspensão da obra, “devendo cessar toda a atividade no local para o preparo ou construção da ETE, sob pena de pagamento de multa diária, ora fixada em R$ 5.000,00 (cinco mil reais)”. A liminar vem sendo descumprida pela COPASA, de acordo com o advogado Carlos Caprioglio. Na votação em 23 de junho da lei municipal que transferiu ao Estado a prestação dos serviços públicos municipais de esgoto sanitário, o vereador Gilberto Costa (PSC) foi um dos que se posicionaram contra. “Votei contra por não ter conhecimento do projeto”, diz o líder da oposição formada ainda pelo PTB e pelo PTC. Gilberto diz ser favorável à licitação para escolher a empresa que ofereça o melhor serviço pelo menor preço. Já o vereador Rogério Almeida, presidente da Câmara Municipal, até 31 de dezembro, votou a favor do projeto do executivo, mas diz que “pessoalmente é completamente contra o local onde está sendo construída a ETE”. Tanto Rogério quanto Gilberto enfatizam que, como os demais vereadores, não são contra a implantação do sistema de coleta e tratamento de esgoto em Tiradentes. Cobrança dupla - Outra questão que está tirando o sono dos moradores é a cobrança, a partir de novembro, de tarifa de esgoto por parte da COPASA no valor de 45% da tarifa da água. Ocorre que a prefeitura já cobra uma taxa anual de captação de esgoto, incluída no IPTU de 2011 que vence em março de 2012. Além disso, “legalmente, a COPASA só pode cobrar pelo tratamento depois de pronta a ETE. De acordo com o entendimento do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), é legal a cobrança desde que seja no valor mínimo de R$ 6,23 pela captação”, diz o advogado Carlos Caprioglio. “Só que tem de ser ação individual.” Segundo Caprioglio, o esgoto captado é despejado in natura no Rio das Mortes. O esgotamento do Bairro Alto da Torre, Estação (próximo à pequena Tiradentes) e da própria Várzea de Baixo era direcionado por manilhas através do terreno onde hoje é construída a ETE. Com o início das obras, explicou o advogado, a COPASA retirou estas manilhas para construir as piscinas e desviou o esgoto desses bairros (a céu aberto) para o Rio das Mortes, percorrendo uma extensão de mais de 500 metros. O JL tentou ouvir o prefeito Nilzio Barbosa, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta. (a íntegra da reportagem está disponível em www.jornaldaslajes.com.br).

COPASA: “não haverá qualquer impacto visual ou de odor na região” No Informativo Especial Tiradentes “Vida & Saúde”, distribuído em dezembro aos moradores, a COPASA alega que assumiu “a coleta, o transporte e a destinação final do esgoto da cidade” em 1º. de agosto. Mas que só começou a cobrar pelos serviços em novembro. Também afirma que criou a “tarifa social, ou seja, quem mora em imóveis com até 44m2 e consome menos de 15 mil litros/mês tem descontos de até 57,5%”. A empresa alega que não suspendeu a obra porque “não foi intimada até o presente momento”, ou seja, 21de dezembro de 2011. Informa ainda que “a Prefeitura Municipal de Tiradentes exigiu-nos a apresentação do Alvará de Obras, cuja documentação para liberação do mesmo foi enviada em 30 de novembro de 2011, e outra parte em seis de dezembro do mesmo ano, após exigências complementares do município, não relacionadas inicialmente”. A COPASA admite que o município solicitou a paralisação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), “porém não expediu qualquer ordem de embargo da ETE”. A empresa diz que aguarda “o referido Alvará e só está executando serviços relativos ao cercamento da área, para proteção da propriedade e movimentação de materiais e equipamentos no canteiro de obras, para execução de redes e ligações de esgoto, uma vez que o mesmo localiza-se no terreno contíguo ao da ETE”. Sobre a atual rede de esgoto de Tiradentes, a COPASA informa que “boa parte destas redes (construídas com manilhas de concreto, cerâmicas e alguns tubos de PVC) precisa ser substituída, devido à precariedade das mesmas e falta de padrão dos materiais utilizados. O mais grave são os diversos lançamentos de esgoto a céu aberto, originados dessas redes e ligações”. A empresa acrescenta que está implantando 3.047 novas ligações de esgoto, 43,4 km de redes coletoras e 5,3 km de redes interceptoras, para coletar os esgotos das residências e conduzi-los até à ETE. Sobre a ETE, a COPASA afirma que não havia outra área no município de Tiradentes que atendesse aos requisitos técnicos e econômicos do local proposto. E que, “para atender à enorme variação da

população flutuante de Tiradentes, as lagoas são a solução ideal”. Mas a empresa garante que “não haverá qualquer impacto visual ou de odor na região, uma vez que o projeto para o sistema proposto nasceu de estudos profundos de especialistas, reconhecidos nacionalmente, e utiliza equipamentos modernos para eliminar qualquer odor no processo”. Segundo a COPASA, haverá uma cerca verde que não permitirá ver as lagoas de dentro da Maria Fumaça. Assim, “o projeto de paisagismo proporcionará, pelo contrário, uma das mais bonitas vistas do passeio”. Acrescenta ainda que “as próprias lagoas, além de não emitirem qualquer odor, são esteticamente bonitas, e se tornarão uma referência no setor”. A empresa acredita que vai contribuir para o turismo – tecnológico ou ambiental -, uma vez que “a ETE será ponto de visitação para sanitaristas, estudantes e ambientalistas do Brasil e do mundo”. A COPASA prevê a conclusão das obras em agosto de 2012, conforme o cronograma do convênio entre Prefeitura e Governo do Estado. Tão logo a obra fique pronta, informa a empresa, os esgotos coletados do comércio, residências e indústrias serão transportados até a ETE. Inicialmente, passarão pelo tratamento preliminar, onde um equipamento irá retirar os sólidos maiores. “Nesta etapa, são eliminados 90% dos resíduos sólidos”. Ainda segundo a empresa, o esgoto seguirá, depois de gradeado, para um tanque chamado “lagoa facultativa” onde as bactérias e os microrganismos consomem a matéria orgânica, lançando na água gás carbônico, nitratos e sais minerais. A presença dos raios solares na massa líquida faz com que as algas transformem esses elementos em oxigênio, deixando a água com um tom esverdeado. “É esse processo que trata o esgoto e garante a ausência de odores.” Da lagoa facultativa, o esgoto segue para a “lagoa de maturação”, que, segundo a COPASA, reduz os microrganismos patogênicos, como coliformes fecais, vírus, vermes, protozoários e salmonelas. “O esgoto tratado fica 95% livre desses organismos, pronto para ser devolvido à natureza.”


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Giro Esportivo

EMANUELLE RIBEIRO

Fim do Campeonato Regional de Futsal

O Campeonato Regional de Futsal, realizado em São João del-Rei, terminou no dia 11 de dezembro último. A Escolinha de Futebol Galaxy, de Resende Costa, foi representada por seis equipes durante o torneio. Veja as posições finais do Galaxy em cada categoria: SUB 8: 4ª Colocação

SUB 9: 3ª Colocação SUB 10: Eliminado na 1ª fase SUB 11: 4ª Colocação SUB 12: 4ª Colocação SUB 13: 3ª Colocação

“Mesmo com as eliminações, o Galaxy teve seu melhor desempenho em campeonatos, conseguindo a classificação

de cinco dos seis times que estavam em disputa. Esperamos que em 2012, jogadores e alunos continuem brilhando”, declarou o técnico da equipe, João Vítor de Assis. Cruzeiro Também em dezembro, no

dia 10, o observador técnico e diretor-geral das escolinhas do Cruzeiro, Marco Antônio, esteve em Resende Costa e selecionou alguns jogadores do Galaxy, acima de 13 anos, para participarem de uma semana de testes na Toca da Raposa I, em fevereiro deste ano. Três atletas foram selecionados: o meia Paulo Guilherme; o atacante

Victor Hugo e o volante Matheus. De acordo com Marco Antônio “outros garotos também chamaram a atenção, mas ainda precisam aperfeiçoar a parte técnica, para, quem sabe, no próximo teste serem selecionados”.

Diretoria do Expedicionários sorteia rifa de refrigerador No dia 24 de dezembro último, a diretoria do Expedicionários sorteou a rifa de um refrigerador durante o programa Viola Caipira, transmitido pela Rádio Inconfidentes FM. Josiane Aparecida Martiniano de Pádua foi a ganhadora do prêmio.

O presidente do Expedicionários, Flávio Henrique, agradece ao comércio e à população resende-costense pelo apoio dado às campanhas realizadas durante o último ano pela nova diretoria e deseja a todos um ótimo ano novo. “Todos os

recursos adquiridos são para a melhoria da infraestrutura do campo do Expedicionários para que nossas crianças e adolescentes possam ter uma juventude mais sadia”, acrescentou Flávio.

O presidente do Expedicionários, Flávio Henrique, ao lado da ganhadora do refrigerador, Josiane Pádua

Especial Benzedores e Curandeiros

JOÃO MAGALHÃES

Benzedores e curandeiros em Resende Costa: Emygdio do Bengo (Sô Emygdio) – II

Pelo número de testemunhos, clientes, dos que o conheceram, dos que ouviram falar dele e por seus dotes paranormais, foi um dos maiores benzedores e curandeiros que a região das vertentes já teve, senão o maior. O sucesso de Emygdio dificilmente se explica só pela fé intensa que o povo tinha nele. Soma-se a essa fé, o dom de suas percepções extrassensoriais; ou seja, como diz a parapsicologia, era um sensitivo de grau elevado. Frequentemente “lia” a realidade do consulente, mesmo quando distante. Esse dom expressava-se numa linguagem religiosa, com fórmulas oracionais balbuciadas e inaudíveis, bênçãos e ritos de significância simbólica e sugestiva. Há ritos muito semelhantes aos que os evangelhos relatam de Jesus, como impor as mãos, tocar nos olhos (Mt 9,29; 20,34), por o dedo nos ouvidos e até passar saliva na língua do doente (Mc 7,33). Essas práticas, conectadas com medicações, na maioria das vezes, de teor fitoterápico, costumam produzir efeito, máxime em doenças de fundo psicossomático ou oriundas de queda de resistência imunológica por problemas emocionais etc. Com este dom intuitivo, combinado ou decorrente de sua estrutura pessoal de teor místico e aliado a um progressivo conhecimento de plantas medicinais e de homeopatia, Emygdio torna-se um curador de muitos sucessos e obviamente sua popularidade espalha-se para todos os rincões da região.

Seu amigo, padre Gustavo Coelho (depois monsenhor) tem mérito também, pois, transmitiu-lhe muitos de seus conhecimentos de botânica e de ervas medicinais e homeopatia, além de vários livros sobre o assunto. Emygdio “possuía um laboratório à rua Paulo Freitas, onde manipulava os remédios. Dentre eles, os mais conhecidos e receitados, conforme as necessidades do momento, eram “parietareno”, “nevroston” e “linimento de Moraes” (manipulado como “Bálsamo de Santo Antônio”) O Sr. Cândido Dutra, farmacêutico formado, era o responsável pela manipulação dos medicamentos indicados. Emygdio era duramente criticado e combatido pela medicina alopata e pela imprensa existente, naquela época”. Para curiosidade do leitor, eis a bula de um remédio, retirada da publicação “Centenário da Capela de Santo Antônio do Bengo” (edição particular dos familiares, 2005): “Relatório sobre o produto farmacêutico denominado “podophylleno”. Propriedade de Emygdio de Moraes. Lugar de fabrico: S. João d’El Rey. Estado de Minas Gerais. Pharmaceutico: Aurora de Souza. Fórmula: jurubeba: 200g; capeba (ou periparoba): 200g; gervão: 200g; fedegoso: 200g; vellame do matto: 100g; podophyllo: 100g; alcool a 30 graus: 100g. Modo operatório: pezam-se as plantas e põe-se a macerar no álcool por 10 dias. Coa-se, decanta-se e filtra-se. In-

dicações therapeuticas: indicado nas hepatites chronicas, splenites, ectericias, engurgitamentos do fígado e do baço, como desobstruente, diurético e estomacal, nas febres palustres e intermitentes; nas hydropsias e palpitações desordenadas do coração. Dosagem: adultos – uma colherinha em água fria, às refeições. Crianças – meia colherinha (sic)” É interessante, também, observar como Emygdio especifica minuciosamente as propriedades terapêuticas de cada componente da fórmula, acompanhado do nome científico: “jurubeba - solanum peniculatum: desobstruente do fígado. Empregado nas febres intermitentes, hepatites chronicas, splenites, icterícia, etc. capeba ou periparoba - peper umbellatum: propriedades therapeuticas estimulantes, estomachicas, anti-syphiliticas, desobstruentes e sudorificas. Emprega-se nas obstruções do fígado e do baço e na... (ilegível). gervão - verbena jamaicensis: desobstruente, estimulante, tonico, febrifugo e sudorifico. Empregado nas hepatites chronicas. fedegoso - cassia medica: Propriedades therapeuticas tonicas, febrífugas e diuréticas; empregado nas moléstias do fígado, hydropesias. podophyllo - pophyllium peredatum: empregado como purgativo nos engurgitamentos do fígado e icterícia. vellame do matto - Solanum paleatum: diuretico, desobstruen-

te e hemostático. Empregado nas moléstias do fígado e nas palpitações desordenadas do coração”. ---------------------------------------- Agradecemos às senhoras Adolfina Calsavara Lima, 74 e Matilde Moraes Misson, 85 (neta do Emygdio) pelas informações referentes à bula de remédio e às especificações dos componentes de sua fórmula. - Leitores que têm conheci-

mento ou alguma experiência com nossos benzedores e curadores do passado colaborem com a História de nossa cidade, comuniquem-se conosco pelo e-mail jevangelista1751@ terra.com.br ou pelo e-mail do JL. - Acréscimo e correção referentes ao texto publicado na edição anterior: Maria Luiza Calsavara nasceu em 1884 na região de Treviso, na Itália, não na região de Trento, como escrevemos).

Emygdio - Foto defronte à sua residência, no Bengo


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