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Edicao 104

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ANO VIII Nº 104 - DEZEMBRO 2011 / RESENDE COSTA - MG

Escola rural de Resende Costa é referência em qualidade do ensino

DISTRIBUÇÃO GRATUITA

Prados é destaque na série Política Regional Conhecida como a “cidade da música”, Prados possui longa e interessante trajetória política. Conheça nesta edição um pouco da história política desta bucólica cidade mineira, incrustada no vale da Serra de São José. Pagina 05

Grupo Coral e Musical Edelweiss se apresentou em Resende Costa O grupo se apresentou na igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha na noite do dia 13 de novembro, domingo. Além de Resende Costa, São João del-Rei, Ouro Preto, Belo Horizonte e Poços de Caldas receberam o coral, que foi fundado em 1985 pela maestrina Leones Malewschik Rudnick, que o rege até hoje e coordenou a turnê. Página 08

Os alunos da escola Paula Assis, Lucas, Eduardo, Cíntia e Carolina, com as professoras Goretti e Ana Paula

Localizada no povoado do Ribeirão, zona rural de Resende Costa, a Escola Municipal Paula Assis há alguns anos vem sendo bem avaliada e alguns de seus alunos se destacam em olimpíadas de matemática, química, física e história. Leia nesta edição a entrevista com a diretora da Paula Assis, Virgínia Daher de Oliveira Coelho. Muito trabalho, dedicação e compromisso dos educadores com a escola têm garantido o sucesso e atraído cada vez mais alunos. Página 04


2 Jornal das Lajes Editorial

JL: um ano especial

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É sempre importante, no findar de um ano, olharmos para trás e fazermos uma retrospectiva de tudo que aconteceu, de bom e também de ruim. 2011 foi um ano especial para o JL, pois partimos rumo à concretização de projetos que têm feito do jornal um dos veículos de comunicação impresso prestigiados na região. Seguindo o projeto de regionalização, publicamos reportagens que revelaram aspectos importantes de cidades da região do Campo das Vertentes, especialmente Resende Costa e São João del-Rei. O jornalista José Venâncio de Resende foi autor de grandes reportagens regionais, que sem dúvida causaram impacto nas diversas cidades onde o jornal circula. Podemos enfatizar, entre elas, a série que estamos publicando sobre política regional, destacando nesta edição a histórica cidade de Prados. Antes de Prados, Venâncio já havia se debruçado sobre a história política de Tiradentes, Lagoa Dourada e São Tiago. Outras tantas já estão programadas para 2012. A série “Política Regional”, além de resgatar a história política dos municípios da região, constituirá futuramente um rico banco de dados para pesquisas e publicações sobre um tema que tem sido pouco explorado pelos pesquisadores e historiadores da região. A série tem despertado a participação dos leitores, que enviam inúmeros comentários ao site do JL. Desenvolver o jornalismo regional é uma das ambições do grupo JL, porém jamais perderemos o foco que há oito anos vem nos impulsionando: Resende Costa, sua história e sua gente. O advogado e escritor resende-costense, Alair Coêlho de Resende, em seu livro Casos e Causos do Vovô Totonho da Chapada, publicado neste ano, dedica um capítulo à cultura de Resende Costa, em especial a trajetória da imprensa. Quando cita os tempos atuais, Alair enaltece o Jornal das Lajes: “Finalmente e depois de longos anos eis que o espírito culto de nossa gente atira um grupo de nossos jovens em nova empreitada jornalística e aí surge com força e altíssima qualidade o ‘Jornal das Lajes’, que até hoje circula e leva o nome de nossa terra a grandes alturas. Pedimos a Deus que o Jornal das Lajes não morra nunca e que seja sempre o arauto que divulgue, com imensurável espírito lajeano, a vocação literária e culta de nossa terra”. Nesta edição mais uma vez destacamos a qualidade do ensino na Escola Municipal Paula Assis, no povoado do Ribeirão. Uma reportagem, ouvindo alunos e professores, mostra como uma escola rural consegue manter a excelência do ensino. O JL se orgulha de tornar públicas informações que engrandecem a nossa terra e fazem dela paradigma de uma cidade com qualidade de vida. Encerramos 2011 com o sentimento de missão cumprida. Agradecemos aos nossos leitores por mais este ano de companheirismo e renovamos o pedido de que permaneçam conosco em 2012 e participem enviando sugestões e críticas. Aos nossos patrocinadores e anunciantes, muito obrigado pela parceria, sem a qual o nosso trabalho seria impossível. A todos vocês, leitores, colaboradores, articulistas, patrocinadores, anunciantes, assinantes e amigos do JL, um feliz Natal e que 2012 seja repleto de grandes realizações e, claro, de boas notícias!

Jornal das Lajes Ltda

CNPJ: 09.323.470/0001-60 Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro (32) 3354-1323 - Resende Costa - MG CEP: 36.340-000 Diretor de redação: Rosalvo Pinto Editoração: Rafael Alves Editor de Esporte: Geraldo Aires Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Jornalista responsável: Floresta - Belo Horizonte José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP Tiragem: 3000 exemplares Diretor Administrativo: Circulação: Eustáquio Peluzi Chaves Resende Costa e São João del-Rei Diretor de Contabilidade: Os artigos assinados não refletem Antônio da Silva Ribeiro Neto obrigatoriamente a opinião do jornal. Editor-chefe: André Eustáquio

ANO VIII Nº 104 - DEZEMBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Religião

PADRE DIRCEU DE OLIVEIRA MEDEIROS*

O menino indefeso

Mais uma vez nos preparamos para a celebração do santo Natal. O nascimento daquele menino frágil e indefeso e que já nasce marginalizado representou um facho de esperança para a humanidade. “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz” (Is. 9,1). Em junho de 2010 tive o privilégio de visitar a terra santa e a Basílica da Natividade onde está o altar da manjedoura, onde, segundo a tradição, nasceu o Deus menino. Confesso que senti algo inenarrável quando, juntamente com outros amigos, me curvei diante daquela estrela de Davi. Ficamos emocionados igualmente quando os frades franciscanos, em procissão, ao meio dia foram ao altar da manjedoura prestar homenagens ao Deus menino. Vale lembrar que os filhos de São Francisco estão ali há 800 anos de modo ininterrupto e que foi o pobrezinho de Assis que idealizou o primeiro presépio. Foi um momento de graça. Mas não nos esqueçamos, Belém é todo lugar e todo coração que se abre para o amor, que se dispõe a acolher o Deus menino frágil e indefeso que deseja nascer em nós e em nossos lares! Falemos da preparação. A preparação para uma festa é tão importante quanto a festa propriamente dita. A Igreja nos oferece o tempo do advento: tempo de preparação, de arrumar a casa da nossa vida para acolher o salvador da humani-

dade. Como nos preparar? Há duas maneiras de nos prepararmos: a preparação exterior e a interior. A exterior deve ajudar a interior, pois do contrário, ela se esvazia e perde seu sentido. Faz parte da preparação externa a montagem do presépio, da árvore de natal, os presentes para os amigos e familiares, a colocação das luzes do Natal. Tudo isso pode ajudar se não se ficar somente no aspecto exterior, se nos entregarmos ao consumismo desmedido e à ostentação. A preparação interior nos leva a vislumbrar o grande mistério da condescendência - delicadeza (sinkatábasin) de Deus, na do seu Verbo: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”! (Jo, 1,14). Para atualizar este mistério nos perguntamos com Santo Anselmo: Cur Deus homo, porque Deus se fez homem? Para se tornar próximo a nós e para que Ele fizesse de nós Filhos de Deus. Este é o diferencial do cristianismo, não é o homem que vai ao encontro de Deus, mas é Deus que vem ao encontro da humanidade. Poeticamente dizemos que o nosso Deus é “um Deus carente” que “mendiga” o nosso amor e a nossa atenção! Vem a nós em forma de criança, pois uma criança não intimida ninguém, pelo contrário, ela atrai e fascina. É como se Deus estivesse nos dizendo: podem se aproximar de mim! Não tenham medo! Assim se manifesta a pedagogia, a delicadeza divina (sinkatábasin). Convém nos perguntarmos: como contemplar este mistério, profundo e simples, em meio a

tanto consumismo, corrupção e violência? Pequenos gestos podem manter a esperança e conservar o verdadeiro sentido do Natal. A novena de Natal, a reunião em família, os gestos de partilha e solidariedade, a contemplação do presépio, dentre outros, podem nos conduzir a uma autêntica espiritualidade natalina. Esta espiritualidade nos leva a perceber a luz verdadeira que vence as sombras e os sinais de morte que nos rodeiam. Finalmente, cabe-nos uma séria reflexão. Nos primórdios da era cristã o Natal era uma festa pagã, a festa do deus sol, que pouco a pouco foi cristianizada. Não deixemos, porém, que suceda o contrário em nossos dias: a paganização do natal. A mentalidade consumista reinante vem transformando a festa do Natal do Senhor numa festa do desperdício e do consumo, numa festa de luzes artificiais que ofuscam a luz do menino que vem de Belém. Convidamos você, seus familiares, de modo especial as crianças, a olhar com atenção o presépio e beber dessa verdadeira catequese sobre a humildade, a generosidade, e o despojamento do nosso Deus que “sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer por sua pobreza”. (2 Cor, 8,9). Um Feliz e Santo Natal a todos! *Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição - Prados (MG). Vigário-Geral da Diocese de São João del-Rei (MG).

Nota de agradecimento

Nós, da família de Zélia Rita de Oliveira, a Dona Zélia do Seu Marcos do Retiro de Cima, agradecemos a todos os que nos prestaram solidariedade nesse momento de intensa dor pela sua perda. A presença calorosa

de amigos tornou e torna mais leve o nosso luto. Agradecemos especialmente ao nosso querido Dr. Luiz, que cuidou dela com enorme carinho e atenção durante tantos anos e que, mesmo muito ata-

refado, sempre nos socorreu nas horas mais difíceis. Não é por acaso que ela gostava tanto de você, Dr. Luiz, e confiava tanto no seu trabalho. Obrigado!

Vende-se um sítio com 30 hectares, localizado a 3 km de Resende Costa com luz e água. Eucaliptal formado. Telefone para contato: (32) 3354-1271


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ANO VIII Nº 104 - DEZEMBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Dicas de Saúde - Pública

No dia 26 de novembro passado, realizamos a XI Conferência de Saúde de Resende Costa. Perdeu, quem não foi. Cerca de 150 pessoas participaram, durante o chuvoso sábado, o dia todo, das discussões sobre a saúde do país e de Resende Costa. Presentes, representantes, eleitos ou não, de todas as comunidades rurais e da zona urbana de Resende Costa. A discussão se estendeu por todo o dia, com direito a momento de relaxamento físico, orientado pela fisioterapeuta Manaíra e regado a café, lanches e almoço de primeira qualidade. Tudo no espaço C&M, da Márcia e Carlos, a quem agradecemos, em nome da Secretaria Municipal de Saúde e da Prefeitura de Resende Costa. Em primeira mão, agradecemos a

LUIZ ANTONIO PINTO*

E aconteceu a Conferência de Saúde todos os que participaram, deixando suas famílias, para discutirmos, juntos, o futuro da nossa saúde. Na parte da manhã, tivemos as palestras. O professor Geraldo Guedes (Faculdade de Medicina da UFMG/ Internato Rural) discorreu sobre seguridade social e controle social, pelos Conselhos Municipais de Saúde. A palestra mostrou a todos a importância da saúde pública e como o povo tem o poder de controlar as questões referentes a ela, no âmbito do SUS. Em seguida, a palestra de Conceição Resende, Secretária Municipal de Saúde de Betim, foi sobre a gestão e os pactos do SUS - pacto pela vida, de gestão e em defesa do SUS. Falou, com a experiência de quem gerencia cerca de 60 equipes de PSF, na cidade de Betim e de quem participou da

Contemplando as Palavras Minha mãe adora flores, especialmente as rosas e as hortênsias. Considerando todas as espécies, afirma preferir apreciá-las em seus respectivos pés a vê-las espalhadas pela casa e com isso arrancadas ou apanhadas de onde nascem. Ainda assim não deixa de se alegrar quando alguém a presenteia com esses mimos. Sabedoras desse seu gosto, pessoas conhecidas ou mesmo os de casa acertam em cheio quando lhe enviam uma rosa. Além da alegria pelo presente em si, para ela isso é sinal de que aquela novena (sempre há uma em andamento) vai resultar na graça alcançada. Da turma que lhe manda exemplares variados da rainha das flores destaca-se dona Guaída do Joãozinho Jacaré. Fui encontrá-la em sua casa, que identifiquei de imediato pela presença abundante de plantas logo na entrada. Acertei com ela uma conversa para a produção da presente matéria, não sem antes dar uma volta pelo quintal com o objetivo de ser apresentada às suas flores. Ganhei de sua zelosa cuidadora uma rosa vermelha. Aliás, esse singelo gesto se repete em relação a “toda amiga” que a visita. Conforme o combinado entre nós, reencontrei-me com dona Guaída. Prosa vai, prosa vem, ela me contou que tem 76 anos, é “devotíssima” de Santo Expedito e São Judas Tadeu e aprendeu a rezar o terço da Imaculada Conceição com a avó, aos 4 anos. Doméstica, já trabalhou como lavadeira, também juntando lenha para vender e apanhando café em serviços contra-

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elaboração do programa de saúde da campanha da presidenta Dilma. Com certeza, uma das mais experientes mulheres, na saúde pública do país, nos últimos tempos. Na terceira palestra, falei eu, sobre a nossa proposta para a nova equipe do PSF - a segunda - em implantação na nossa cidade. Procurei mostrar como o PSF - Programa de Saúde da Família pode, verdadeiramente, transformar a saúde de nosso povo. A prevenção das doenças e a promoção da saúde começam e passam, necessariamente pela ESF (Estratégia de Saúde da Família). Na ultima palestra, já perto do horário do almoço, estreou a Myriam - Secretária Municipal de Saúde - sobre o tema “Acolhimento” - como o SUS deve receber e tratar as pessoas do nosso povo. Como acolher bem, é

claro, bem ao estilo da Myriam, nossa secretária. Após o almoço, formamos grupos, nos quais os temas da Conferência foram discutidos e várias reivindicações foram feitas. Seguiu-se a plenária final, com leitura e aprovação dos relatórios e eleição dos novos conselheiros municipais de saúde. Eleitos, os 24 membros efetivos e 24 suplentes foram apresentados à plenária da conferência e aclamados como os novos verdadeiros gestores da saúde em nossa cidade. Agradecemos a todos os funcionários da Secretaria pelo empenho na realização desta conferência. Parabéns a Resende Costa, por esta bela conferência. Parabéns ao nosso povo. Aos poucos estamos construindo nosso verdadeiro e legitimo SUS.

Vivendo entre flores

tados pelo Dr. Válter Bacarini e pelo Raul da dona Dalva. Desde criança, dona Guaída já gostava de folhagens, mas uma cena presenciada por ela há quase 30 anos lhe valeu uma decisão. Era dia de Finados. Aconteceu que a Maria Melo havia levado até à porta do cemitério, aqui mesmo em Resende Costa, uma Kombi repleta de flores para vender. Tendo perdido mãe e pai pouco tempo antes daquele dia, dona Guaída encontrava-se naquela fase em que, segundo ela, as pessoas nessa situação buscam um pouco de conforto levando flores aos seus falecidos entes queridos. Como não tinha dinheiro para comprar as que eram oferecidas no carro, decidiu que a partir de então iria ela mesma cultivar suas plantas. Hoje, a condição de aposentada lhe permite a compra de uma muda para cada pagamento. Indo a São João del-Rei, é a mesma coisa. Quando poda suas roseiras, vai replantando-as. São umas 70 atualmente, cada uma com um tom único. “É igual noiva, não tem rosa feia”, afirma ela, poetando. E acrescenta: “Sou do signo de gêmeos, tudo meu tem que ser dois – duas roseiras iguais, duas folhagens também – só não quis dois maridos”. E dessa forma simples e descontraída ela vai tocando a vida. Isso significa acordar bem cedinho e toda manhã olhar os pés de rosas, ver se eles estão com formigas ou mandruvás e regá-los quando é calor. Seus cuidados incluem ainda jogar esterco de gado neles e entulho, que as rosas adoram. E devem agradecer, suponho eu, pois são belas. Uma única vez elas correram risco de ficar sem os cuidados de

dona Guaída, que gosta de conversar com suas plantas. Ela perdeu um filho e desencantou-se de tudo, mas, mesmo sofrendo, voltou para as roseiras, que “as coitadas não tinham culpa de nada”. Melhor assim para todos, inclusive para os santos da igreja quando são agraciados por flores cultivadas com tanta dedicação. Melhor também para nós. Em tempos de tanta brutalidade, é preciso fazer com que simples e necessárias ações de delicadeza se imponham e façam prevalecer o que temos de bom. Em tempos também de Natal, fui buscar na figura risonha de dona Guaída a síntese dos mais nobres sentimentos experimentados pelo ser humano. Lembrando-lhe a proximidade do período natalino, ela me revelou que monta o seu presépio no cantinho da sala, no chão, com papel de embrulho tingido de tinta preta. Houve uma vez em que usou papel azul para simbolizar a água descendo da gruta. E não de-

vem faltar suas plantas enfeitando tão representativo cenário. “Depois dos meus filhos e amigos, elas são a minha vida”, responde sobre o que as flores representam para ela, Margarida Maria de Alacoque, uma flor de pessoa no nome e na alma. Não posso deixar de agradecer à Tintinha da Dalila a ótima sugestão para que escrevesse sobre plantas. Isso depois de me garantir ter tido o privilégio de ver o momento exato de uma flor se abrindo. Como se pode ver, ela, dona Guaída, minha mãe e um mundo de gente formam uma parcela signifi-

Grupo de discussão durante a Conferência de Saúde

Parabéns, Myriam! Seu trabalho não será em vão. Em tempo - na data em que escrevo este texto, recebo a confirmação de que a Caixa Econômica Federal (CEF) recebeu o repasse da “verba” para a construção da nossa Policlínica da Saúde. Nos próximos dias, será feita a licitação da obra, que será inaugurada no próximo ano. * Clínico geral e sanitarista

REGINA COELHO

cativa da população que se curva embevecida à existência de uma flor. Finalizando, recorro às palavras primorosas de Dom Hélder Câmara que assinalam também o último “Contemplando” deste ano. Até 2012! “O importante não é viver muito ou viver pouco, mas realizar na vida o plano para o qual Deus nos criou. As rosas, a rigor, vivem um dia. Mas vivem plenamente porque realizam o destino de graça e beleza que vêm trazer à terra”.


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Jogo Aberto

ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO

Investimento, disciplina e dedicação têm garantido a qualidade do ensino na Escola Municipal Paula Assis Muitas vezes, quando nos deparamos com a notícia de uma escola que se destaca pela excelência do ensino e se torna referência para as outras, tratamos logo de pensar numa instituição de luxo onde se cobra mensalidades exorbitantes. Mas, a realidade pode estar muito distante disto. Localizada no povoado do Ribeirão de Santo Antônio, zona rural de Resende Costa (MG), a Escola Municipal Paula Assis se destaca pela simplicidade associada à boa qualidade do ensino. A diretora da escola, Virgínia Daher de Oliveira Coelho, 37, concedeu a seguinte entrevista ao JL, na qual apresenta o cotidiano da escola, o perfil dos alunos, mas também fala de algumas dificuldades enfrentadas pela comunidade escolar.

Como a Escola Municipal Paula Assis vem trabalhando para manter a qualidade do ensino? Para nós, cada aluno é importante. A gente tem alunos de vários tipos de desenvolvimento cognitivo. A partir daí fazemos o planejamento das turmas, ou seja, os alunos são agrupados de acordo com o desenvolvimento e isso vai motivar o trabalho ao longo do ano. Temos diferentes propostas e metodologias para trabalharmos com cada aluno. Tal planejamento é feito no início do ano, dividido por bimestres. Mas isso não quer dizer que ele deve ser seguido à risca. Durante o ano esse planejamento pode sofrer alterações, de acordo com as necessidades. No que diz respeito a atividades pedagógicas e extraclasses, o que a escola tem feito ao longo do ano? A Escola tem participado bastante das olimpíadas que são oferecidas nos níveis estadual e nacional. Participamos também das semanas culturais, enfim, de tudo que a prefeitura, o estado e a Secretaria de Educação propõem. Como a senhora avalia o corpo docente da Escola Paula Assis? É um grupo fácil de se trabalhar com ele. São pessoas bem capacitadas para fazerem o que estão fazendo. Maleáveis, os professores se adaptam bem às turmas que lhe são atribuídas. São companheiros na direção, na secretaria e, para tudo de que precisamos, eles se colocam à disposição, na maioria das vezes. Devido à recente implantação do ensino médio na Paula Assis, já existe algum projeto sendo desenvolvido, visando a preparar os alunos para o vestibular? Os professores trabalham em suas discipli-

filhos estudem no Ribeirão. Temos alunos bagunceiros, mas nada escandaloso; quando chamamos a atenção, eles obedecem. A diferença está na disciplina dos meninos da zona rural.

Virgínia Daher concedeu entrevista ao JL

nas. Todos eles são preocupados em trazer informações para os meninos sobre Enem e vestibular. Em maio, levamos os alunos à mostra de profissões na Universidade Federal de Viçosa (UFV). A Escola não deixa passar nada, corremos atrás de documentos para aqueles alunos que ainda não os têm, para fazer inscrição, porque no ano passado alguns alunos não fizeram vestibular por não possuírem documento de identidade. Os professores ficam no pé dos meninos, trazendo questões de vestibular, auxiliando nas matérias em que mostram dificuldades. Muitos alunos da Paula Assis têm se destacado nas olimpíadas de ensino. A que a senhora atribui esse sucesso? Não podemos generalizar, dizendo que a escola é um sucesso, porque é um grupo restrito de alunos que consegue esses resultados. Nas olimpíadas de matemática, química e física, por exemplo, são os mesmos dois alunos que têm conquistado medalhas. Temos um aluno bolsista por dois anos na olimpíada de matemática, ele já ganhou um net book, uma bolsa de estudos e vários prêmios. Acho que eles conseguiriam em qualquer escola em que estivessem matriculados, mas o envolvimento dos professores e da escola ajuda muito. Como aqui não tem como os professores auxiliarem os alunos em horários extra turnos, por causa das dificuldades de transporte, eles sempre ajudam no horário do recreio e nas aulas de educação física. Agora, o desenvolvimento da olimpíada de história é diferente: é dividido em etapas, todas on line e a última etapa é feita em São Paulo. Os alunos trabalham na escola e os professores postam na internet em casa. Além disso, a olimpíada é dividida em grupos. As três alunas que chegaram à final, em Campinas, residem na zona rural. São alunas capacitadas, mas como há necessidade de usar a internet, o envolvimento da escola e dos professores é fundamen-

tal. Mas, não dizemos que a escola é um sucesso por causa disso, temos vários problemas, entre eles, alunos com dificuldades de aprendizagem. Mas nós tentamos trabalhar diferente para ver se esse aluno consegue mostrar o seu máximo, mesmo que isso não signifique chegar a uma final de olimpíada. Qual o perfil dos alunos que estão se destacando nas olimpíadas? São alunos com facilidade nas matérias específicas das olimpíadas. Alguns se destacam também nas outras matérias. Não é obrigatório participar das olimpíadas e há alunos bons que optam por participar de uma e não de outra, ou até mesmo não participar. Quais os principais desafios enfrentados pelos alunos de uma escola rural? O trajeto da casa até a escola é bem difícil. Muita poeira, prejudicando quem tem problema de saúde. Em tempo de chuva o desgaste é muito grande, tem barro e quando o ônibus vem nesse tempo a gente está sempre correndo risco. Há dias de chuva nos quais não há condições de o ônibus rodar, aí os alunos perdem aula. Nesse caso, a gente tenta repor conteúdo, mas costuma acumular provas, mesmo a gente tentando não sobrecarregar os alunos. Como é a relação da escola com as famílias dos alunos? As famílias estão sempre participando. Temos três reuniões por ano e às vezes surgem algumas esporádicas, quando há um assunto extra, e então chamamos os pais. A preocupação maior dos pais é com a disciplina dos meninos, eles fazem questão disso. Se a gente fala que os alunos precisam estudar mais, eles concordam, mas a maior preocupação é a disciplina: “mas eles estão desrespeitando a senhora?”, perguntam. Eu acho que esse é o diferencial de estudar aqui, esse é o motivo pelo qual os pais de alunos de Resende Costa querem que seus

O transporte escolar tem sido eficiente? Não há menino que diz que não estuda por falta de transporte. Quando chove muito e a kombi não consegue chegar a alguns lugares, aí alguns alunos ficam sem aula. Geralmente, em dias de muita chuva, os alunos já sabem que não haverá aula, já que não há condições de os veículos rodarem. Algum motorista da zona rural vê que não há condições e avisa a prefeitura. A Secretaria de Educação avisa nos pontos iniciais de partida do transporte e eu aviso aos funcionários da escola. A escola não possui acesso à internet. Como os alunos fazem pesquisas? A Escola tem um acervo bom de enciclopédias e dicionários. Não temos internet, mas temos a enciclopédia nos computadores da escola, que estão à disposição dos meninos. Geralmente, os trabalhos são individuais e os professores não exigem trabalho digitado. Quando o trabalho é em grupo, os professores sempre colocam um aluno de Resende Costa para ajudar. Em sua opinião, o aluno da zona rural se enquadra no perfil dos estudantes dos centros urbanos, que visam ao vestibular e a outros concursos? Hoje em dia é muito mais fácil a gente conseguir fazer um curso superior, devido aos recursos como, material, transporte etc. Mesmo assim, a meu ver, está sendo menos valorizado. Proporcionalmente, acho que antigamente em Resende Costa mais pessoas procuravam prestar vestibular do que hoje, e os que procuravam fazer era porque queriam ter um curso superior e não porque está todo mundo fazendo. Agora, os meninos aqui da escola estão meio desanimados, porque já é um empecilho o fato de eles não morarem em Resende Costa. Mas, os que têm possibilidade correm atrás. Ano passado vários fizeram vestibular, mas não conseguiram. Acho que vontade os alunos têm, mas há muitos empecilhos também. Já tivemos alunos que formaram aqui, no 9º ano, e que hoje estão cursando o ensino superior e alguns já até se formaram. Inclusive alguns que se formaram, hoje são professores da escola. Acredito que devido ao número de alunos da cidade que estudam aqui, haverá mais alunos prestando vestibular. Mas, a maioria ainda não vê necessidade de fazer um curso superior.

Então, qual o objetivo de muitos que estão prestes a encerrar o ensino médio, mas não pensam em fazer vestibular? O objetivo é fazer 17 anos e o Conselho Tutelar não buscá-los mais em casa para estudar. Eles ficam porque são obrigados. Mas isso não tira o mérito de muitos que têm consciência da importância de não parar de estudar. Há outros alunos bons que a gente vê que têm condições de fazer cursos bons, mas não veem necessidade. Qual o critério utilizado para selecionar os alunos para virem estudar na Paula Assis? O primeiro critério é residir na zona rural. Já o segundo critério que a Secretaria de Educação usa é ter algum parentesco na Prefeitura. Privilegiamos turmas pequenas para não causar tumulto; nossa maior turma tem 35 alunos. Número de livros, ou seja, se faltar material, não podemos aceitar mais alunos. E transporte, nenhum aluno pode viajar em pé. Para 2012 não temos nenhuma vaga, só se alguém desistir. Como é a relação da escola com a comunidade local? Muito boa. A escola movimenta muito o povoado. A quadra da escola, por exemplo, é usada pela comunidade. Procuramos ajudar quando tem alguém precisando. Não nos intrometemos na vida deles e nem eles nas atividades da escola. Na verdade, há poucos alunos do Ribeirão estudando aqui. Desde a extensão do ensino, em 1994, a Escola Paula Assis vem ganhando notoriedade na excelência do ensino, independentemente do partido político que administra o município... Isso nunca influenciou no desenvolvimento da escola. Todos que passaram por aqui, na administração da escola, são pessoas envolvidas, carregam a escola no coração e se doaram pela instituição. Então, o que a escola é hoje é fruto do trabalho de todos que passaram por aqui. Todos querem vê-la crescendo. Qual a receita para a escola continuar crescendo e mantendo a excelência no ensino? Apoiar cada aluno na sua particularidade. A Escola deve estar preparada para atender os alunos que têm maior facilidade de aprendizagem , que querem participar de competições como as olimpíadas, mas também para aqueles que mostram dificuldades, que temos alunos no 5º ano que ainda não sabem ler. Devemos estar preparados para receber meninos de diversas capacidades cognitivas.


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Especial Política Regional

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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Tancredo Neves iniciou carreira e exerceu influência em Prados

Prados é denominada a “cidade da música”. Um de seus maiores políticos, Getúlio Silva, do Partido Social Democrático (PSD), foi violinista da Lira Ceciliana. O padre Francisco Eduardo de Assis, pároco e líder da União Democrática Nacional (UDN), foi dos mais ferrenhos adversários de Getúlio. O fervoroso Tancredo Neves iniciou a carreira de advogado e exerceu marcante influência na política local. O antigo distrito desmembrou-se de Tiradentes e se tornou município em 1º de janeiro de 1891 (anais da Câmara Municipal, livro I). O capitão Joaquim Teixeira da Silva (conhecido por “Lebre”) foi um dos primeiros vereadores de Prados. O seu filho, Reginaldo Augusto da Silva (conhecido por “Major”), foi eleito vereador por várias legislaturas, de acordo com Luis Fonseca e Silva. Esses dois políticos pradenses eram, respectivamente, avô e pai de Getúlio Silva. Em 1936, o jovem político foi o vereador mais votado do Partido Progressista (PP) para a Câmara Municipal de Prados. Assumiu a presidência da Câmara Municipal e, em 1937, o cargo de prefeito. Com o Estado Novo, em 1938, o governador nomeado, Benedito Valadares, manteve Getúlio Silva no cargo até 1945. No ano seguinte, reassumiu a função de prefeito municipal, também nomeado, mas renunciou alguns meses depois. Entre os feitos de Getúlio Silva, destaca-se o projeto e execução da rede de esgoto da cidade de Prados, mesmo contra a opinião do engenheiro da Rede Ferroviária Centro-Oeste, Dr. Lores, que não via condições para a realização da obra, de acordo com Roseni Pinheiro. “É a mesma rede de esgoto que funciona até hoje”. UDN e PSD - Getúlio Silva ocupou o vácuo político deixado por lideranças como o médico Viviano Caldas e o primeiro prefeito Antonio Cardoso Valle, segundo Luis Fonseca. Assim, às suas qualidades de comerciante, músico e mecenas, foi acrescentado o prestígio político. O PSD de Getúlio Silva foi duplamente derrotado nas eleições

2000). O atual prefeito, Gustavo Gastão Corgosinho Cardoso (em segundo mandato), é neto de Antonio Valle e filho de Gastão. “Ainda existe a mesma resma antiga”, admite Roseni. Prados é comandada pelo PT, coligado com o PMDB, dois partidos oriundos na sua maioria das famílias Miranda, Reis e Azevedo Cardoso que pertenceram ao PSD. Já o PSDB descende na maioria da antiga UDN, representada pelas famílias Marques da Costa e Valle.

Vista panorâmica de Prados. Detalhe para o sobrado da Câmara Municipal ao fundo

municipais de 1947 e de 1950. Na primeira, o candidato José Fonseca, o “Bibi”, foi fragorosamente derrotado por José Moura Vale (UDN), apoiado pelo padre Assis. Na eleição seguinte, Getúlio em pessoa foi derrotado pelo seu cunhado Antonio Ernesto Campos de Azevedo, o Nô, sustentado pelo vigário local. Mas Getúlio Silva foi a primeira grande liderança política do PSD em Prados, de acordo com Roseni. Outras lideranças de expressão do PSD pradense foram João Carvalho Silva (filho de Getúlio), prefeito duas vezes; seu irmão José Carvalho Silva, o Zé Café, que foi vereador e prefeito substituto e Egerton Reis, vereador por três mandatos e líder do partido. Já o padre Francisco de Assis, são-joanense, foi a primeira grande liderança da UDN local. Ele foi um dos maiores benfeitores de Prados, entre o fim da ditadura Vargas e 1976, conforme José Geraldo da Costa, o Nhô Marques, da Selaria Estrela. Outra liderança udenista foi José Moura Vale, o Juca Moura, prefeito em 1947-50 e em 1955-58. Já o segundo prefeito da UDN (1951-54), Nô, “foi um grande prefeito”, na opinião de Roseni Pinheiro que pertenceu às fileiras do PSD. Roseni Pinheiro foi fundador do MDB local e dirigiu não apenas o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) como também

Avenida central de Prados, onde no passado aconteciam os grandes debates políticos

o seu sucessor, PMDB, e o PP (Partido Popular). Foi um dos dois únicos políticos de Prados a ser eleito vereador por seis vezes, tendo sido presidente da Câmara Municipal por três mandatos. O outro vereador de seis mandatos foi o empresário José Marques da Costa, eleito pela UDN e pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Zé Marques fundou a Selaria Estrela em 1930 e foi vereador de 1946 a 1972. Seu herdeiro, Nhô Marques, foi vereador e presidente da Câmara Municipal entre 1973 e 82. Disputa acirrada - A disputa radical entre Getúlio Silva e o padre Assis levou o líder do PSD a escrever um livro de sátiras em versos denominado “Troco em Miúdos”. No prefácio, diz que sempre teve o sacerdote em alta conta, por instrução dos pais e mestres na prática da religião católica apostólica romana. Mas logo percebeu “a sua [do padre Assis] ojeriza para com o Pradense Clube, de que faço parte, e por aí, não vendo também com bons olhos a minha investidura no cargo de prefeito do município”. “Não conseguindo me dominar com boa razão – prossegue o autor – passou a mover campanha política contra mim, a princípio, um tanto velada, até degenerar-se numa feroz e desumana luta, sem nenhuma razão da sua parte”. Na época do PSD e da UDN, “a política era brava”, admite Nhô Marques. “A briga era acirrada”, concorda João Batista de Almeida. Nhô Marques conta que os comitês da UDN e do PSD eram em frente um do outro. O tabelião Hélio Márcio Lopes, da UDN, pelo alto-falante, denominava os pessedistas como “o povo do lado de lá”. De fato, nos horários políticos, “pegava fogo; um falava de lá, o outro respondia de cá”, lembra Roseni. Eram locutores Hélio Lopes, pela UDN, e Egerton Reis/ Eber Lacerda, pelo PSD.

O “comitê” da UDN, no alto da Avenida Magalhães Gomes (ao lado do casarão da Ladeira Nossa Senhora da Conceição onde existe hoje o “Memorial Mons. Assis”), era denominado mausoléu do monsenhor, porque lá funcionava o serviço de alto-falante da paróquia. Já o “comitê” do PSD estava instalado no segundo andar do prédio do antigo Pradense Clube (hoje, Sicoob Vertentes), em cuja parte inferior funcionava o Empório Central (secos e molhados, material de construação etc.) de Getúlio Silva. Havia horários estabelecidos pela Justiça para manifestações políticas. Tancredo Neves - Trabalhou como advogado em Prados, no início da sua carreira, “com brilhante atuação, ganhando diversos processos”, conta Roseni. “A primeira causa que pegou e ganhou, quando se formou advogado, foi em Prados”, completa João Almeida. Tancredo ficava em Prados a semana inteira e em São João del-Rei nos fins de semana. Nhô Marques via Tancredo Neves chegando perto da Selaria Estrela todo dia de manhã, por volta das 9h30, procedente da estação de trem. “Lembro do Tancredo subindo a rua (Coronel José Manuel), com uma pastinha preta, rumo ao Fórum.” Até que se tornou vereador em São João del-Rei e entrou em definitivo na vida política. O Tancredo Neves político foi um grande aliado de Getúlio Silva e dos partidários do PSD. “Tancredo Neves foi o baluarte do PSD, do MDB, do PMDB e do PP de Prados”, resume Roseni. Cenário atual - Entre os prefeitos mais recentes, destacam-se representantes das famílias tradicionais na política como Gastão de Azevedo Cardoso (1963-66), João Carvalho Silva (1967-70), Roberto Miranda (1983-88) e Paulo de Carvalho Valle (1997-

Desafios - O grande desafio de Prados é a criação de postos de trabalho para a comunidade local, por meio de “parcerias com grandes empresas que atuam na região, como Frango Atalaia, Marluvas e Holcim”, diz o prefeito Gustavo. Mas o turismo é “a grande alternativa econômica para o município”. Tanto que precisa ser desenvolvido “de forma ordenada”, afirma o secretário municipal de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer, Daniel Fonseca e Silva de Carvalho, com “o mínimo de conforto aos turistas e visitantes”, eventos para grande público e parcerias. Já Aureliano Magela de Rezende, músico e secretário da Lira Ceciliana, acredita que o desafio é justamente encontrar a vocação turística do município. “Turismo é uma fonte de renda que Prados poderia explorar melhor.” Uma boa política seria divulgar as manifestações culturais do povo pradense, relacionadas com o carnaval, a semana santa, a música e o acervo arquitetônico e paisagístico. Ele pede soluções para a questão da preservação arquitetônica, “já que a cidade ficou na contra-mão de 1980 para cá, com desenvolvimento urbano desordenado”. Exemplo é o ameaçado casarão do século 18, sede da Selaria Estrela. A administração municipal, com a ajuda do Ministério Público, firmou parceria com os proprietários/herdeiros para restaurar o imóvel. Elton Nascimento de Souza, tesoureiro e ex-presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária, defende o poder público mais atuante na divulgação do artesanato (couro, madeira e ferro). E quer Vitoriano Veloso incorporado a esta política. “Muita gente pensa que o Bichinho pertence a Tiradentes”. Mas os desafios de Prados passam pela elaboração do Plano Diretor, observa o prefeito Gustavo, com o apoio da Associação dos Municípios da Microrregião do Campo das Vertentes (AMVER). (a íntegra da reportagem está em www.jornaldaslajes.com.br).


6 Jornal das Lajes

Turismo

ANO VIII Nº 104 - DEZEMBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Estudo aponta avanços e deficiências de São João del-Rei em competitividade turística

O índice geral de competitividade turística de São João del-Rei, numa escala de 0 a 100, atingiu a média de 56,1 pontos em 2010, acima da média de 51,6 pontos de 2009 e de 2008. Para efeito de comparação, a média nacional foi de 56,0 pontos em 2010; a das capitais foi de 64,1 pontos; e a das não-capitais ficou em 50,3 pontos, abaixo do índice nacional de competitividade. O índice tem a finalidade de mensusar, de forma objetiva, diversos aspectos – entre eles os econômicos, sociais e ambientais – que indicam o nível de competitividade dos destinos turísticos. O “Estudo de competitividade dos 65 destinos indutores do turismo regional” - elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ministério do Turismo e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) tem o propósito de auxiliar destinos turísticos a analisar, conjugar e equilibrar os diversos fatores que, para além da atratividade, contribuem para a evolução da atividade turística. Para isso, foi realizado mapeamento minucioso das condições em que se encontram os 65 municípios estudados, segundo 13 dimensões. O estudo já gerou três relatórios (2008, 2009 e 2010) que apresentam os valores obtidos pelo destino turístico nas 13 dimensões e reúne análises sobre os resultados consolidados, além de congregar os indicadores de competitividade registrados por município e os índices nacionais de competitividade. Assim, a “média Brasil” consolida um total de 65 destinos, a “média capitais”, 27 capitais; e a “média não-capitais”, 38 municípios. No caso de São João del-Rei, os resultados obtidos pelo destino turístico, em 2010, nas dimensões “infraestrutura geral” (64,4 pontos), “acesso” (60,0 pontos), “políticas públicas” (65,7), “cooperação regional” (57,4), “economia local”

(57,2), “capacidade empresarial” (62,4) e “aspectos sociais” (65,5), “aspectos ambientais” (71,1) e “aspectos culturais” (58,4 pontos) contribuíram positivamente para o índice geral de competitividade do município. Isto porque se mantiveram acima do resultado geral da avaliação (56,1 pontos). Por sua vez, os índices registrados nas dimensões “serviços e equipamentos turísticos” (46,8 pontos), “atrativos turísticos” (51,5), “marketing e promoção do destino” (36,3), “cooperação regional” (55,2) e “monitoramento” (26,7) ficaram abaixo do total geral, influenciando negativamente o indicador de competitividade do município.

Evolução x regressão Na comparação com 2009, o relatório permite concluir que houve evolução do indicador de competitividade do destino turístico (total geral). Para efeito de evolução (estabidade ou regressão), o estudo considera que a diferença entre os resultados seja superior a 1,0 pontos para mais ou para menos. Assim, considerando as 13 dimensões avaliadas, o relatório observa que houve evolução nos resultados dos últimos dois anos em atrativos turísticos, marketing e promoção do destino São João del-Rei, políticas públicas, cooperação regional, monitoramento, economia local, capacidade empresarial e aspectos sociais, ambientais e culturais. Já as dimensões infraestrutura geral e acesso registraram estabilidade, enquanto serviços e equipamentos turísticos apresentaram regressão. Na comparação entre categorias, o total geral de São João del-Rei (56,1 pontos) em 2010 praticamente empatou com o de Brasil (56,0), mas superou o das não-capitais (50,3 pontos). Na dimensão infraestrutura geral, São João del-Rei (64,4 pontos) ficou li-

geiramente abaixo de Brasil (65,8) mas acima das não-capitais (59,8). Também na dimensão acesso à cidade (60,0 pontos) ficou ligeiramente abaixo de Brasil (60,5) e bem superior à dimensão não-capitais (52,3). Em serviços e equipamentos turísticos, o município (46,8 pontos) ficou com média inferior à do Brasil (50,8), porém maior do que a de não-capitais (41,9). Em atrativos turísticos, São João del-Rei (51,5) perdeu tanto para Brasil (60,5) quanto para não-capitais (61,3). Em marketing e promoção do destino, o município (36,3 pontos) foi inferior a do Brasil (42,7) e não-capitais (39,8). Na dimensão políticas públicas, a média são-joanense (65,7) superou a de Brasil (55,2) e a de não-capitais (50,7). Da mesma forma, ocorre na dimensão cooperação regional, cuja média local (57,4 pontos) é maior do que a de Brasil (51,1) e de não-capitais (53,1). Por sua vez, na dimensão monitoramento, São João del-Rei (26,7 pontos) ficou abaixo de Brasil (35,3) e de não-capitais (30,0). Em economia local, a média são-joanense (57,2 pontos) foi inferior à da dimensão Brasil (59,5), mas superior à de não-capitais (51,5). Por outro lado, em capacidade empresarial, a cidade histórica (62,4 pontos) foi superior tanto à média Brasil (57,0) quanto à média não-capitais (38,6). Nos aspectos sociais, ambientais e culturais, São João del-Rei, com médias de respectivamente 65,5 pontos, 71,1 pontos e 58,4 pontos, superou as dimensões Brasil e não-capitais nos três casos. O relatório do índice de competitividade do turismo permite que “os destinos estudados utilizem essas informações para planejar e desenvolver vantagens competitivas, norteando a elaboração de políticas públicas que eliminem, gradativamente, os entraves ao desenvolvimento sustentável da atividade turística”.

Assistência Social

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Doze alunas concluíram curso de pintura em madeira: uma realização do CRAS em parceria com a ARNOVA No dia 18 de novembro último, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Resende Costa realizou a formatura das alunas do curso de pintura em madeira. O projeto foi uma parceria do CRAS com a Associação do bairro Nova Resende (ARNOVA). As oficinas de pintura se iniciaram no mês de maio e foram ministradas pela artesã Tânia Raimunda Barbosa, sob a coordenação da assistente social Alessandra Guse. De acordo com Diogo Matos, coordenador do CRAS de Resende Costa, além da geração de trabalho e renda para as famílias participantes, um dos objetivos das oficinas de pintura foi promover laços de convivência entre os moradores da própria comunidade. “O curso atendeu diretamente 12 mulheres, que receberam qualificação profissional e orientações de empreendedorismo. No final, receberam o certificado de conclusão do curso”, disse Matos. Na solenidade de formatu-

ra estiveram presentes, além das alunas, educadora e equipe do CRAS, alguns representantes do poder público municipal de Resende Costa: o prefeito Adilson Avelino de Resende, o presidente da Câmara Municipal Luís Cláudio dos Reis e o secretário de Educação e Cultura Adriano Aparecido Magalhães. Também estiveram presentes, prestigiando as alunas do curso de pintura, representantes da diretoria da ARNOVA e do Conselho Municipal de Assistência Social. “O Centro de Referência de Assistência Social de Resende Costa, com o intuito de atender suas obrigações enquanto unidade pública do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), está desenvolvendo também oficinas de artesanato no bairro Nova Brasília (pintura em tecidos) e na comunidade do Curralinho dos Paulas (pintura em madeira)”, informou Diogo Matos.

Celeste, da Arnova, recebe certificado das mãos da assistente social, Alessandra Guse

Agradecimento Ione Margarida Gouveia Fortunato agradece aos militares, cabo Wellington Otaviano Araújo de Paula, cabo Sidney Aurélio de Sousa e ao soldado Erivelton Coelho, pelo atendimento prestado à sua neta Iara Vitória Fortunato, de apenas dois meses. Iara sufocou-se com o leite materno enquanto passeava com sua mãe na praça Coronel Sousa Maia, durante a festa do Rosário. Os militares foram eficientes prestando os primeiros socorros, inclusive reanimando Iara. A menina foi levada ao hospital Nossa Senhora do Rosário pelos militares, onde ficou em observação durante uma noite e se recuperou bem.


Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 104 - DEZEMBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Aconteceu

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EMANUELLE RIBEIRO

Noite do Flash Back movimenta Churrascaria Ramona No dia 19 de novembro, o Movimento Arena Cultural (MAC)) promoveu na Churrascaria Ramona a Noite do Flash Back, movimentada pelos hits que fizeram sucesso e marcaram várias gerações. O evento abriu as comemorações do aniversário de um ano do movimento. Além do baile, o MAC realizou ainda a entrega do Troféu MAC 2011, homenageando as empresas que estiveram ao seu lado, apoiando suas ações ao longo do ano. O Jornal das Lajes e a Rádio Inconfidentes FM foram umas das instituições homenageadas na noite do dia 19. A Noite do Flash Back foi uma iniciativa da locutora da Rádio Inconfidentes, Ângela Maia, que levou para a pista seu programa de flash back “Go Back”. “O evento fez com que o Movimento Arena Cultural iniciasse os eventos de fim de ano com sucesso, alegria e descontração”, afirmou Ângela Maia.

A Rádio Inconfidentes, representada pelo diretor de programação Toninho Ribeiro, entregou uma placa comemorativa ao MAC

O JL, representado pelo editor chefe André Eustáquio, recebeu das mãos de Ângelo Márcio e Ângela Maia o Troféu MAC 2011

Toninho Ribeiro, Eustáquio Peluzi e Cláudio Resende, da Rádio Inconfidentes FM

Rodolfo, Charles e Gutielle

Ramon, Esgo, Nô e Cássio

Alisson, Rodrigo, Ana Luiza, Victor, Fernando e Ryan

Ingrid, Nara, Daniel, Daiane e Maíra

Victoria e Julia

Nenel e Jeferson

Luana, Joice e Ingrid

Fã do Rei do Pop compareceu em grande estilo na Noite do Flash Back

O presidente da Câmara, Luís Cláudio, e sua esposa Lúcia, prestigiaram o evento

Lilian Fernandes defende tese de doutorado na UFV

A professora Lilian Fernandes Moreira defendeu, no dia 17 de novembro, sua tese de doutorado em Bioquímica Agrícola, na Universidade Federal de Viçosa (UFV). Em 2005, Lílian licenciou-se em Química na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e em 2007 fez mestrado em Entomologia (ciência que estuda os insetos sob todos os seus aspectos e relações com o homem, as plantas, os animais e o meio-ambiente) na UFV. O JL destaca essa grande vitória na carreira da professora doutora Lilian Fernandes Moreira.

Lilian Fernandes (centro) defendeu tese de doutorado na UFV


8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

As amigas ocultas Há momentos em que procuro a crônica e ela aparece. Vem dócil e pressurosa, ágil e promissora de coisas em que nem cheguei a pensar. Porém, há momentos diferentes: caço a crônica. Eu me armo de caneta e papel, revisto-me da técnica e convoco inspirações... mas nada de crônica. Talvez ela se assuste com todo o meu aparato. Ela gosta da simplicidade espontânea dos momentos sutis. Ontem à noite, eu entrei no restaurante de costume e me instalei na minha mesa de costume. Fiz força para a crônica aparecer: armei-me, revesti-me, convoquei... mas nada de crônica. Havia apenas eu e mais um grupo de mulheres, um pouco à minha frente. Falavam muito e as gargalhadas eram constantes. Um jantar de confraternização. Tentava me concentrar na ausência do meu texto, mas meu olhar e meu ouvido deslizavam para os movimentos e as vozes das donzelas alegres e barulhentas. A bem da verdade, o que elas falavam tinham algo de criativo e jovial, típico da alma feminina quando se esquece das amarras do dia a dia. No meio da conversa, uma delas propôs: – Vamos começar? De repente, ao comando desta, todas puxaram bolsas e pacotes coloridos. Era um jantar de amigo oculto. – Eu começo! O silêncio se fez e uma plateia improvisada se colocou atenta ao redor da mesa. – A minha amiga oculta é uma pessoa especial. É nova na turma, ainda está em evolução... As gargalhadas pipocaram. O presente foi entregue seguido de abraço, beijo e foto. A que ganhou o presente abriu e encantou-se com o que viu no embrulho. Não consegui descobrir o que era. – Agora, eu. Bem, a minha

amiga oculta um dia me chamou para morar em cima da casa dela. Vê se eu tenho cara de rato de sótão! Mais gargalhadas. Mais um presente entregue, mas beijos, abraços e fotos. – Bom, a minha amiga oculta é uma pessoa muito legal... (Já reparou que todo amigo oculto é legal, especial, bonito e trabalhador? Uma pessoa assim não pode ficar oculta.) – … é uma pessoa bonita, inteligente, trabalhadora... – Uai! Eu de novo? – manifestou-se uma que já havia sido contemplada. Mais risos. Levantou-se uma: cabelo pretinho, rosto bonito e sorriso encantador. Elencou um rol de qualidades da sua amiga oculta enquanto eu, no meu canto, olhando para ela, elencava um outro rol de qualidades de musa. Mais abraços, presente, beijos e foto. Todas presentearam e foram presenteadas. A conversa voltou a rolar solta e ruidosa, ao som de brindes, talheres e vozes em alarido. Mesmo mastigando, as bocas ainda encontravam espaço para as palavras. Pedi a conta e fui embora. Não fui notado. Mas a missão do cronista não é ser notado, e sim notar. Notei e anotei. E saí de lá com a minha crônica prontinha. Ela chegou até mim e dispensou o que armei, revesti e convoquei. Veio espontânea e simples, cheia de vida e encanto, grande e terna, igual noiva entrando na igreja. É assim que a minha crônica deve ser, do jeito que elas falaram: sempre nova na turma, em constante evolução, alegre espaço de confraternização de almas... Tudo do jeito que essas minhas amigas ocultas me mostraram. Elas, sem saber, pegaram em minha mão e traçaram as minhas linhas.

__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

ANO VIII Nº 104 - DEZEMBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Cultura

ANDRÉ EUSTÁQUIO / ROSALVO PINTO

Coral Edelweiss conquistou o público resendecostense na sua primeira turnê em Minas Gerais Em Resende Costa o feriado prolongado de 15 de novembro – Proclamação da República - foi marcado por um grande concerto do Coral e Orquestra Edelweiss, de São Bento do Sul (SC). O grupo se apresentou na igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha no domingo, 13, às 21h00, iniciando sua primeira turnê em Minas Gerais. Além de Resende Costa, São João del-Rei, Ouro Preto, Belo Horizonte e Poços de Caldas receberam o coral, que foi fundado em 1985 pela maestrina Leones Malewschik Rudnick, que o rege até hoje e coordenou a turnê. O Edelweiss possui longa trajetória no cenário da música erudita/coral no Brasil, já tendo também participado de festivais no exterior. Em 2007 o grupo participou de gravações da Rede Globo em cenas da novela “Duas Caras”. O coral já produziu alguns discos, inclusive de músicas natalinas e populares. Seu repertório é amplo e ao mesmo tempo eclético, contemplando árias sacras e operísticas, temas de filmes, músicas populares e clássicos do repertório alemão. A música alemã ganha destaque no repertório do Edelweiss, que tem suas raízes fincadas na cultura germânica. O concerto do Coral Edelweiss em Resende Costa foi uma promoção da Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO), que contou com o apoio da Prefeitura Municipal, Paróquia Nossa Senhora da Penha, Pousada Belas Artes, Churrascaria Ramona e Pizzaria Quero Quero. Na igreja matriz de Nossa Senhora da Penha, aos poucos os bancos da nave central foram sendo tomados. Quando começou a apresentação, grande parte da igreja estava lotada. E a interação coral/ plateia deu-se instantaneamente. O público vibrava e aplaudia cada música apresentada. A performance do coral deixou a plateia extasiada, que pôde ouvir, executada pela orquestra, a Ária na quarta corda de J. S. Bach, bem como, executadas pelo coro e orquestra, as peças Lascia Ch’ io Pianga, de Haendel; Gabriel’s Oboé de Ennio Morricone (tema inesquecível do filme A Missão, estrelado por Robert De Niro) e duas belas polkas de Johann Strauss, entre outras.

A música brasileira também foi prestigiada. Destaque para as interpretações de Disparada, de Geraldo Vandré e Theo Barros, bem como de Bicho de Sete Cabeças de Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e R. Rocha, que teve como solistas os cantores Ivana Maria Lampe e Roy Rudnick. O dueto de Lampe e Rudnick, intercalado pelo coro e orquestra, confirmou a excelência do trabalho do arranjador da maioria das peças apresentadas, Rainer Mafra. Quando o público pede bis é sinal inconteste de que a apresentação foi um sucesso. E não faltou bis para o Edelweiss, que encerrou o concerto com Festa no Interior, de Morais Moreira, a pedido da plateia. Para algumas pessoas que foram assistir pela primeira vez a um concerto de canto coral foi amor à primeira vista. Já aos iniciados ficou aquele gostinho de quero mais, que sempre surge no final de uma grande apresentação. O Edelweiss deixou saudades ao público resende-costense, que já espera por um novo encontro. Espetáculos como esse deveriam acontecer com maior frequência nas cidades do interior, que dificilmente têm oportunidade de assistir a apresentações musicais desse nível. Quando acontecem, é ocasião propícia para se formar plateia e também desmistificar o conceito que preconceituosamente se estabeleceu de que a música chamada clássica é inacessível, difícil e chata. Ora, a arte é universal, portanto deve ser acessível a todos. E a música é o exemplo maior da capacidade que a arte tem

de conquistar o espírito humano, sem distinção de classe e de cultura. A música é a arte por excelência, como disse o filósofo alemão Arthur Shopenhauer. Quando a melodia e os acordes sublimes e perfeitos de uma sonata de Beethoven, ou de uma sinfonia de Mozart transcendem a alma e invadem a percepção do ouvinte, não importa o lugar, muito menos a classe social. Trata-se da música cumprindo a sua essência estética, isto é, proporcionar bem-estar, contemplação e sensação de plenitude. No mundo atual, a música executada por vozes humanas educadas e trabalhadas e por instrumentos não eletrônicos que exigem alta performance de seus artistas está, infelizmente, sendo substituída cada vez mais pela música eletrônica pesada e estridente, apresentada a multidões que conversam, gritam e bebem. Nesse contexto, infelizmente a música fica em segundo plano. O Edelweiss, ao nos oferecer momentos de rara fruição musical, no aconchegante silêncio daquela noite chuvosa de Resende Costa, talvez traga um pouco de esperança de que, pela dedicação e pela educação, possamos reverter esse quadro. Enfim, quem não veio, perdeu. Os que vieram se deliciaram com o que ouviram. E os que adquiriram os CDs vão se lembrar por muito tempo da beleza dos sons e dos arranjos do Edelweiss, delicadamente comandados pela maestrina Leones Rudnick.

Coral Edelweiss se apresentou em Resende Costa e encantou o público presente na igreja Matriz


Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 104 - DEZEMBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Retalhos Literários

EVALDO BALBINO

A missa e o homicídio

Os olhos de dona Lilica nem piscam. O padre fala de um mundo maravilhoso, longe do fogo do inferno. Quando a exortação gira em torno de demônios, lagos de fogo ardente, enxofre, sofrimento eterno, ela faz questão de orar mais, de fechar mais os olhos para exorcizar o que é incômodo. Falando assim, desse jeito sério e repetido, é capaz de o diabo aparecer mesmo e aí pronto: estou perdida! Sem altas teologias, pratica uma fé de preferência mais iluminada, mais próxima das nuvens do que dos subterrâneos da vida. Pensando nas nuvens, pelo menos não corre o risco de ir para as profundezas. A sepultura deve ser o inferno, ou a porta dele, já que não tem dúvidas quanto a este dogma: as profundidades do inferno ficam no subsolo da Terra. O novo padre fala muito em demônios. Então ela tem que aproveitar os lapsos de céu na boca do homem de Deus para poder experimentar um pouco de êxtase, sem perigos com cheiro de enxofre. Empertiga-se toda ouvidos para os novos céus, uma cidade gloriosa pairando sobre a terra, anjos e arcanjos resgatando o povo que durante mil anos sofreu destinos malignos. O padre diz de pedras preciosas, paredes de diamante. Palavra bonita esta, fazendo-lhe pensar em paredes de amantes, não apenas um e sim vários. Um amante só é pouco. Aí se penitencia em pensamento: amante no sentido bonito da expressão, ora essa! Deus me livre pensar em amante! Nem quando o Onório me desposava, quando ele estava vivinho do meu lado, meu companheiro e minha pedra no sapato, nem nessa época eu pensava em amante senão em Deus. Na Nova Terra, leões e cordeiros viverão pacificamente, não existirá dor nenhuma, a terra não terá de ser lavrada, o homem não terá que viver mais com o suor do seu rosto, o amor tomará conta de tudo. Haverá fartura por toda parte, ninguém vai passar fome. Vem-lhe de repente a lembran-

ça do que leu certa vez no livro Nosso lar de Chico Xavier, onde se fala de um mundo em que todos bebem ar e água o tempo todo. Aí o medo de ter que passar por tanta escassez, logo ela que adora massas: macarronadas em domingos são sagradas! Melhor mesmo confiar no padre, Deus me livre! Até que ele não está falando coisas tão esdrúxulas assim. Comida no céu é coisa boa, bem-vinda. O pior era o padre anterior da sua paróquia, o que saiu da cidade já há alguns meses. Acreditam que cismou de dizer um dia, e na maior seriedade, uma coisa sem pé nem cabeça? Pois é, olhou pra todo mundo e disse: “E que ninguém pense que Deus precisa da gente. Não precisa não. Pois saibam todos que Ele não pediu a ninguém nem um saco de cimento emprestado pra construir o mundo. Fez tudo sozinho, e em seis dias!”. Vejam que loucura. E ainda acrescentou: “E se tivesse pedido emprestado, ele não é ruim de negócio não. Teria devolvido tudo, e até em dobro!”. Comida no céu sim, Maria Santíssima, mas daí falar em saco de cimento já é demais, como se Deus fosse um pedreiro dado a tais concretudes. Pra herdar toda essa terra e suas glórias, continua o padre, a glória desse mundo não pode nos iludir. Toda riqueza deve ser combatida. Ainda bem que não sou rica, com meus dois salários vivo bem, com dignidade. O Onório, mesmo com suas ignorâncias, me deixou essa pensão que me serve, agora tenho outro salário, afinal meus sessenta anos merecem. Ai, meu Deus, como já trabalhei nesta terra! Mas não tenho preguiça não. Inclusive não me preocupa se tiver que continuar suando o rosto no céu. O que não pode é faltar macarronada lá aos domingos. Isso não pode! Meus queridos irmãos, minhas queridas irmãs, fiéis do Deus vivo todo poderoso, tomemos cuidado com as coisas deste século! Ela não sabe que século tem dois sentidos. Mas qual é o problema deste século, meu Deus? Desde que o mundo é mundo é essa fuzarca, essa latomia,

é reclamação que não para mais! E ficam aí falando que tudo tá ruim, tá com problema. Minha mãe já dizia isso, meu avô também, minha bisavó, e todos os meus antepassados até Adão. Lá no Éden já devia ter problemas, ah já devia!! Hoje em dia, filhos do Todo Poderoso, principalmente hoje em dia, já perdemos os parâmetros, o que é certo e errado. Por exemplo, a televisão! Desde meados deste século (agora ela entende corretamente a palavra “século”), a humanidade vem se entregando às ilusões que uma simples tela alimenta. Simples, porém perigosa, enganadora, aliciadora das ingenuidades. O que é aliciadora? – pergunta-se dona Lilica. Podemos dizer que a televisão é um lobo atacando um cordeiro. Agnes dei! Ela adora ouvir latim. Não entende nada, mas soa bonito, um som poderoso. Nem diabo em latim soa feio. Fica até angelical. O padre vai falando dos males que a televisão traz a todos. E vai ensinando a igreja a fugir de tais armadilhas. Enquanto ele prega, dona Lilica vai pensando em anjos cantando em latim, orando em latim, um coro de enlevar a alma. Dura um bom tempo o seu devaneio. Quando dá por si, o padre está alongando os ensinamentos. Olha para o relógio, e as horas já estão avançadas. Vira-se para a comadre Dulce e só vê uma baba descendo da boca que ronca quase que silenciosamente. Começa a preocupar-se. Perderá a novela. Começa a pedir a Deus para que a missa acabe. E sem nenhuma culpa faz isso. Sem nenhuma culpa como um santo. Deus atende, precipita o culto. Lilica acorda a comadre de rosto sonolento, cabeça apoiada no encosto do banco da frente. De fora da igreja, nem há tempo de conversar com a amiga, que também perdeu o sono e vai caminhando a passos largos. Vamos, comadre – afirma ofegante a dona Lilica –, hoje vai passar quem matou a Odete Roitman!

Justiça

Promotor de Justiça da Comarca de Resende Costa recebe Medalha Desembargador Hélio Costa

Solenidade de entrega da Medalha Desembargador Hélio Costa ao promotor Adalberto de Paula (esq), presidida pelo juiz da Comarca de Resende Costa Donizetti Nogueira

Em solenidade realizada na quarta-feira, 7 de dezembro, o promotor de justiça, Adalberto de Paula Christo Leite, foi homenageado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais com a Medalha Desembargador Hélio Costa, que lhe foi entregue pelo juiz Donizetti Nogueira Ramos, diretor do foro da Comarca de Resende Costa. A Medalha Desembargador Hélio Costa é concedida, bienalmente, a personalidades do mundo jurídico que prestaram relevantes serviços à Justiça em cada comar-

Gastronomia

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CLÁUDIO RUAS

“Confit de porc” ou “carne de lata”?

Um mineiro da roça que acabou indo visitar a Europa, logo foi pra capital da França, a charmosa e badalada Paris. E o amigo metido a chique acabou levando-o pra um restaurante bem sofisticado. Pegou o cardápio morrendo de medo e, sem entender nada, já foi direto aos preços, quase caindo da cadeira, quando seu amigo falou: “A sugestão do chef é esse aqui!”, apontando para o confit de porc. Sem alternativa e com grande expectativa com algo tão inédito (e caro), pediu o prato, que chegou coberto com aquela pomposa tampa de metal. Mas quando viu e provou a iguaria, tomou um susto: “Uai, isso aqui tá igualzim a carne de lata da minha mãe lá na roça!”. “Mas não é possível”, retrucou seu amigo, que logo perguntou ao garçom como era preparado, ficando estarrecido com a resposta: o prato chique e caro do restaurante nada mais era do que a “carne de lata” que nós mineiros do interior conhecemos muito bem. Pra quem não sabe, essa é uma técnica muito antiga, trazida pelos europeus e utilizada, sobretudo, para conservar a carne do porco abatido (ou de outros animais) em sua própria gordura. A carne é frita e depois armazenada em uma lata, mergulhada na gordura, podendo durar vários meses fora da geladeira. Na hora de consumir, basta tirar um pedaço e esquentar na frigideira com a própria gordura endurecida que vem agarrada nele. Tomando os devidos cuidados (como não usar talher sujo e molhado e não deixar pedaços descobertos – lições da minha querida vovó Lia) essa preciosa lata dura muito tempo, o que torna a carne ainda melhor após a sua maturação, seu descanso, sem pressa... coisa de mineiro. Daí se explica a palavra “confit”, que na gastronomia quer dizer “feito lentamente, com alguma gordura”, seja lá qual ingrediente for, desde o tradicional prato francês confit de canard (pato na gordura do pato), até mesmo um tomatinho assado no forno fraco com bastante azeite. Mas voltando à “carne de lata”, é interessante notar que hoje em dia ela tem sido cada vez mais va-

ca do estado de Minas Gerais. A solenidade é também uma forma de integrar o Judiciário à comunidade e comemorar o dia da justiça. O evento, que ocorreu no salão do júri do fórum da comarca, contou com a presença de autoridades municipais, como o prefeito municipal, Adilson Resende, o presidente da Câmara Municipal, Luis

lorizada por aqui, deixando de ser apenas uma coisa restrita à roça. Até no mercado já existe à venda e em alguns bares e restaurantes ela é servida com muita “personalidade”. Além do sabor incomparável, a “carne de gordura” ainda tem outras vantagens, como a facilidade de preparo (basta aquecê-la, até mesmo no micro-ondas!), o aproveitamento da gordura saborosa pra elaborar outros pratos (verduras, farofas etc.) e a desnecessidade de geladeira, evitando trabalho, prejuízo, energia elétrica etc. (tudo que um dono de bar/restaurante quer). Outro ponto positivo é que não é preciso estar na roça e matar um porco pra se encher uma lata de carne, pois seu preparo é muito mais simples do que se imagina. Uma receita bem fácil e com menos sujeira é: temperar com antecedência a carne (pernil ou costelinha) com apenas alho e sal; levar ao forno em fogo médio por 45 minutos; em uma panela, derreter a banha de porco (encontrada em supermercados) e fritar a carne rapidamente, passando-a em seguida diretamente para a vasilha seca e higienizada em que for guardá-la (baldinho de plástico com tampa, daqueles que vêm com azeitona ou cogumelo, é uma boa); esperar esfriar um pouco a gordura e despejá-la por cima da carne, cobrindo-a completamente e, principalmente, não tampar até que tudo esteja totalmente frio (isso é muito importante, senão a superfície mofa). Vale a pena fazer e ver que o “chique” muitas vezes é o simples encarecido. E que ingredientes “simples” (como miúdos de porco e boi, por exemplo), são muito mais valorizados e consumidos no primeiro mundo do que no Brasil. Sorte nossa é que se der vontade de comer um confit de porc , não é preciso ir a Paris, basta ir ao bar do Vanderlei Baixinho em Resende Costa! Mas voltando ao causo do mineiro, no final do jantar e com os beiços brilhando ele disse: “Tava bão por demais, mas a carne lá da roça ainda é bem mió. E beeeeem mais barata...”. (Feliz Natal a todos. Degustem sua ceia!)

Cláudio dos Reis, como também do promotor de justiça, Antônio Pedro da Silva Melo, dos juízes da comarca de São João del-Rei, Auro Andrade, Hélio Martins e João Batista, respectivamente, diretor do foro, juiz titular e auxiliar, daquela comarca, além da presença de advogados, serventuários da justiça e familiares do agraciado.


10 Jornal das Lajes Causos & Cousas

ANO VIII Nº 104 - DEZEMBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO

Resende-costenses no planalto central

Embora relativamente poucas pessoas ou famílias se mudem de Resende Costa, é possível dizer que há resende-costenses espalhados por este brasilzão afora. Ultimamente é mais comum termos mais imigrantes do que emigrantes. Na região do Planalto Central de Goiás e do Distrito Federal temos antigos conterrâneos. Refiro-me àqueles que se mudaram com familiares e por lá ficaram. Talvez os mais antigos, todos oriundos do Ribeirão, tenham sido o Geraldo Nascimento, casado com dona Dalila, o Geraldo dos Santos (Dico), casado com dona Maria Madalena (falecida) e seu irmão José Antônio Nazareth da Silva. Saindo do Ribeirão e passando por Presidente Epitácio, SP, esses pioneiros foram para Brasília em fins dos anos 50 e início dos 60, e aí se fixaram. Outro resende-costense que há anos se fixou na capital foi o José Antônio, filho do Chiquito do Fumal e de dona Norvinda Chaves. Também viraram goianos a Alessandra e o Guto, filhos da Maria Melo, bem como o Arnaldo Mendes Correa, assinante do JL e sobrinho da dona Dulce Mendes. Mas é em Silvânia, a 80 km de Goiânia, que temos uma verdadeira colônia de “lagartixas” e de “gabirobas” (como são conhecidos na região os resende-costenses e os ritapolitanos, antigos santa-ritenses, quando Ritápolis se chamava Santa Rita do Rio Abaixo). Nessa região há marcas da colonização portuguesa desde inícios do sec. 18. Tal como em Minas, lá também ocorreu, em menor escala, um ciclo do ouro. E como Ouro Preto, lá também nasceu uma vila importante, a Vila Boa, fundada pelo famoso Anhanguera, hoje Cidade de Goiás, conhecida como “Goiás Velho”. Vale a pena visitá-la,

um encanto, a cidade da doce Cora Coralina. Foi sede do governo colonial na província de Goiás e a capital do estado até a inauguração, em 1937, da nova capital, Goiânia. Findo o ciclo do ouro, a região passou décadas de dificuldades e marasmo, reerguendo-se muito mais tarde através do agronegócio. O clima, a terra e o relevo fazem de Goiás um estado progressista, um dos celeiros do Brasil. E os goianos são gratos ao presidente Juscelino Kubitschek: ao levar a capital do Brasil para o planalto goiano, deixou um legado de desenvolvimento para toda a região. Silvânia é uma cidade interessante. Inicialmente chamada Bonfim, mas em decorrência de lutas políticas, o clã “Silva” chegou ao poder e impôs, em 1943, o novo nome de “Silvânia”. Com seus 20 mil habitantes, faz parte de um polo de desenvolvimento agropecuário. Por essa razão, atraiu pessoas de outras regiões do Brasil e até do exterior. Isso explica a ida de famílias da Restinga e de Resende Costa, em meados do século passado, atraídas pelas terras boas e pelo ciclo desenvolvimentista. Mas vamos aos pioneiros de nossa região que se mudaram para Silvânia. O João Antônio Neves, casado com Maria Ivone Neves Pinto (a Ivone, filha do meu tio Saneco, irmã do Dinho e do Mazinho) foi um dos primeiros a se mudar da Restinga para Silvânia, em 1962, juntamente com seus irmãos José Tiago Neves (Zezé Mineiro ou Zé Duque, casado com dona Albertina do Coração de Jesus) e Antônio Rosário Neves (casado com Estelita Neves). Nascidas na Restinga foram também para Silvânia Maria Augusta Neves, Vicentina Neves, Rosa Neves e Paulo Neves. Nascida em Bambuí, Maria Lúcia Rodrigues, conhecida como Maria da Bilinha, filha de José Pedro Rodrigues (da Restinga) e sobrinha de

Comunicação

dona Albertina de Jesus, também foi para Silvânia. Essas famílias se multiplicaram no planalto goiano. Tomo como exemplo a Ivone do Tio Saneco, minha prima, que teve quatro de seus cinco filhos nascidos em Silvânia: Solange Maria Neves (dois filhos: Reginaldo e Raiane), Luís Carlos Neves (falecido, um filho: João Antônio das Neves Neto), Sirlei Antônia Neves (duas filhas, Isadora e Roberta) e Maria do Perpétuo Socorro Neves (um filho, Luís Gabriel). A Salete Aparecida Neves Lobo, para homenagear a terra de sua mãe, fez questão de nascer em Resende Costa! Tem duas filhas, Cinthya e Elyza. Bem, depois de tantos nomes e números, uma surpresa. Chegando em Silvânia, com a Beth, minha mulher, e um casal de amigos, nem imaginávamos o que nos esperava. Acompanhados pelo nosso amigo padre Dídimo do Amaral, do Colégio Anchieta de Silvânia, dos salesianos, fomos recebidos por esse povo todo, esbanjando simpatia, como se fôssemos velhos amigos. E mais, uma descontraída e gostosa festa, na chácara do Cláudio Antônio Leandro (casado com dona Eva Neves, filha do pioneiro José Tiago Neves e acompanhados de seus filhos Ana Cláudia e José Tiago). Noite agradável, regada a churrasco, cerveja, cachaça goiana da boa, comida “goianeira” (da artista Laura Neves, filha de dona Albertina, com seu delicioso “risoto do cerrado”), música de seresta ao vivo, num clima que acabou envolvendo lembranças de Resende Costa. Inesquecível. (Agradeço à simpática Elyza - filha da Salete e neta da Ivone -, a gentileza que me fez de escrever a genealogia dos mineiros que, deixando nossa cidade e região, souberam escolher uma terra tão bonita e tão acolhedora).

EMANUELLE RIBEIRO

Associação de Radioamadores procura voluntários em Resende Costa

Há quatro anos, a Associação de Radioamadores do Campo das Vertentes passou a atuar na região, com sede em São João del-Rei. Agora, a Associação procura voluntários para trabalharem como radioamadores, auxiliando a Defesa Civil do Estado, em 14 cidades, dentre elas Resende Costa. O radioamador Edigar Sazzion afirma que isso será de suma importância para a região, já que as cidades estarão interligadas através da Defesa Civil. Sazzion explica que “o radioamador é a pessoa que procura manter funcionando uma estação de radiocomunicação, ora para comunicados e conversas informais, bem como para concursos e competições nacionais e internacionais”. Segundo ele, além de auxiliar as autoridades de Defesa Civil nas situações de risco e calamidades públicas, levando as comunicações a locais muito distantes, como por exemplo, no interior da Amazônia e até da Savana Africana, o radioamador ainda pode participar de “bate-papos”, programas culturais e trocar informações com pessoas de outros lugares. Ainda de acordo com Sazzion, “num país de dimensões continentais como o Brasil, a necessidade de sistemas de comunicação instantânea não convencional é de extrema importância. Por este motivo foi criada uma rede de radioamadores, para prevenir e procurar auxiliar os órgãos oficiais de salvamento, resgate e prevenção às calamidades”. O radioamador pode se beneficiar do radioamadorismo como um hobby, fazendo contatos diários com diversas estações nacionais e internacionais. Mas, além dessa função, o radioamadorismo pode exercer papel mais nobre, sendo uma ferramenta eficaz de utilidade pública em diversas ocasiões, tais como: auxílio a colegas radioamadores viajantes que necessitam de apoio e/ou informações sobre rodovias, telefones, socorro etc.; apoio em caso de emergência aos órgãos públicos de segurança pú-

blica, policiais, bombeiros e outros; intermediação para suprir necessidades da comunidade, principalmente procura de medicamentos e pessoas em outras localidades; apoio e colaboração voluntária com o Ministério a Integração Nacional, através da RENER (Rede Nacional de Emergência de Radioamadores). Conforme Sazzion, para tornar-se um radioamador é necessário a autorização, que depende da prévia verificação da capacidade operacional e técnica do interessado, mediante exames aplicados pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). O s resende-costenses interessados em trabalhar c o m o radioamador, deverão entrar em contato com Edigar Sazzion até o dia 20 de dezembro, pelo email: py4rcv@ gmail. com ou p e l o s telefones: (32) 3 3 7 2 -

1079 ou (32) 8817-0676. A seleção dos radioamadores se dará através de aplicação das provas de ética e técnica operacional, em que o candidato, para ser aprovado, terá que ter no mínimo 70 por cento de aproveitamento em cada prova. Visando à preparação do candidato, a Associação irá emprestar uma apostila, contendo o conteúdo que será cobrado nas provas e, além disso, o candidato poderá entrar em contato pelo email, em caso de dúvidas.

Crônicas do Cotidiano

RAFAEL CHAVES

14 minutos e 58 segundos: o biquíni Deixemos de lado as interpretações que a frase possa ter, Andy Warhol afirmou que “In the future, everyone will be world-famous for 15 minutes”. Também deixando de lado saber se esse futuro a que ele se referiu chegou ou não – e ele não está mais vivo para responder a essa questão – fato é que, neste domingo, saí, finalmente, na televisão. Saí no programa Mangalarga Marchador TV, por dois segundos. Embora apenas os aficionados por essa raça de cavalo assistam ao programa e, que eu saiba, apenas alguns amigos tenham me reconhecido, lá estava eu, naquela cavalgada, em Cruzília. Acontece que chovia forte na hora da filmagem e eu me protegia com uma capa e a aba do meu chapéu de palha havia cedido com tanta água, cobrindo parcialmente o meu rosto. Mas eu juro, era eu! Eu estava feliz por ter gasto dois segundos dos meus quinze minutos de fama aparecendo cavalgando. Dava-me satisfação de a minha fama ter conexão com cavalos, que é das coisas que mais gosto. E me gabava disso numa roda de colegas, quando um desses desmancha-prazeres veio me dizer que eu havia saído, durante toda semana, numa entrevista no jornal da TV Campos de Minas. Foi como se o mundo ruísse aos meus pés e eu fosse tragado por um buraco negro, de onde jamais pudesse sair para ver novamente a luz, por absoluta impossibilidade física, em seu sentido científico. “Como eu pude gastar de maneira tão desastrada e improdutiva meus minutos de fama?”, pensei. A reportagem durou dois minutos, vezes sete dias da semana, seriam quatorze minutos. “Restam-me apenas 58 segundos de fama, se é que sobravam”, concluí, frustrado e arrependido. E me lembrei da repórter da TV, linda, charmosa e sedutora a me perguntar se “seria possível o senhor nos conceder uma entrevista?”. Não, não foi pela suposta notoriedade que eu me dispus a conceder a entrevista, senão por puro instin-

to, impulso ou descarga hormonal. A notícia era policial e eu estava ali representando um poder de policia que jamais gostaria que fosse motivo de minha publicidade. Estava a trabalho. Abominei as forças biológicas que nos dominam. Praguejei contra as mulheres que nos tiram do sério, desfilando encantos sem segundas intenções. Desejei que, daqui para adiante, todos os repórteres fossem homens e parecidos com o Maurício Kubrusly, desses do tipo que nem o nome ajuda. “Fosse ele eu talvez não tivesse concedido aquela maldita entrevista!”, deduzi, ainda pensando na beldade morena daquela menina que me persuadiu, como quem oferecesse uma barra de chocolate a uma criança. Como nem tudo está perdido, eu me lembrei – salvação da lavoura – de uma célebre frase de para-choque de caminhão: “estatística é igual a mulher de biquíni, mostra tudo mas esconde o essencial”, frase que Andy Warhol provavelmente gostaria muito de ter sido, premonitório e filosófico, o seu autor (a esta hora deve estar se revirando – seus ossos e seus óculos – no túmulo). Em que se pese que aparecer na televisão seja um ótimo indicador de notoriedade, de fama, não poderia esta “maldita” entrevista enquadrar-se exatamente e fielmente neste conceito. Era o biquíni o que me faltava! Benditos sejam todos os biquínis, que nos salvam de nossa humanidade, que nos restituem a razão e o juízo e que nos permitem ver apenas através de ilações e fantasias. Abençoado seja o biquíni na estatística, que nos abona – e, principalmente, aos políticos – a manipulação de dados aos nossos propósitos! Essa minha entrevista, concedida a um programa local, da TV Campos de Minas, de baixíssimo alcance, penetração e audiência, eu poderia facilmente me esconder atrás de um biquíni fio-dental. E assim o fiz. Decidi restabelecer o meu direito aos meus quinze minutos. Ainda me restam 14 minutos e 58 segundos: aguardem-me!


Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 104 - DEZEMBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Educação

ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO

Giro Esportivo

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EMANUELLE RIBEIRO

Alunos se destacam em olimpíadas confirmando a excelência do ensino na Escola Paula Assis

1º Trilhão das Lajes é realizado em Resende Costa

Às 12h10 o sinal toca dando início a mais um dia de aula na Escola Municipal Paula Assis. Aos poucos alunos e professores se dirigem às salas de aula e o pátio gramado da escola fica vazio. Diferentemente de muitas escolas que conhecemos, o movimento dos alunos se dá sem muito barulho. Não há filas, muito menos empurrões. A disciplina é considerada um dos fatores determinantes para o sucesso dessa escola, localizada no povoado do Ribeirão de Santo Antônio, zona rural do município de Resende Costa. Fundada em 1963, a Escola Paula Assis teve a extensão de série (séries finais do Ensino Fundamental) criada em 1994, durante a administração do prefeito Luiz Antônio Pinto. A extensão de série tornou possível aos alunos provenientes das comunidades rurais cursarem o ensino fundamental sem, necessariamente, terem que se deslocar até Resende Costa. Em 2009, foi criado o Ensino Médio e a primeira turma se formou no ano passado. Atualmente, 321 alunos estão matriculados na Escola Paula Assis, que recebe alunos a partir dos cinco anos de idade, iniciando a Educação Infantil. “Na Educação Infantil, já se inicia o processo de alfabetização. Os alunos já têm os primeiros contatos com as letras”, disse Virginia Daher de Oliveira Coelho, diretora da escola desde 2009, que comemora, juntamente com os professores, o grande momento vivido pela instituição, bem como o desempenho de alguns alunos nas olimpíadas de matemática, química, física e história. O sucesso desses alunos pode ser atribuído a uma série de fatores, que vão desde o empenho e interesse pelos estudos, até a dedicação dos professores e o apoio da comunidade escolar, que mantém um relacionamento de amizade e admiração com os alunos. “Não existe sucesso sem a interação de tudo. O conjunto faz a diferença”, disse Carolina Maia Coelho, aluna do 1º ano do Ensino Médio, e que recebeu menção honrosa na Olimpíada Brasileira de História 2011, realizada na Unicamp, em Campinas (SP). Para Ana Paula Mendonça de Resende, professora de história, o perfil dos alunos também faz a diferença: “Eles são bons em todas as disciplinas, a gente percebe o interesse e a afinidade deles com as matérias. Eles me dão um orgulho tão grande, pois vêm da zona rural e disputam com alunos do Brasil inteiro”.

Em novembro passado, aconteceu em Resende Costa a 1ª edição do Trilhão das Lajes, uma organização de Daniel Geraldo de Oliveira e Pedrinho, de São João del-Rei. O Parque do Campo, local da largada e chegada dos motoqueiros, foi tomado pelos admiradores do esporte e principalmente pelas crianças, que aproveitaram o dia na companhia de um grupo de palhaços do Movimento Arena Cultural (MAC). O evento esportivo aconteceu no dia 13. Cerca de 100 pilotos com idades variadas, de Resende Costa e região, participaram do trilhão que, conforme explicou Daniel, é apenas um passeio e não uma dis-

A professora de matemática, Maria Goretti de Resende, destacou outro aspecto primordial, ou seja, o gosto pelo estudo: “Esses alunos gostam de estudar e querem ir cada vez mais longe. Eles querem ir além do que a gente ensina na sala de aula”. De acordo com Goretti, durante a preparação para as olimpíadas os alunos participantes abriram mão do recreio para estudar e receber orientações dos professores. A timidez ainda é visível no rosto do aluno Eduardo Geraldo Assis, do 9º ano, que traz no seu ainda breve, porém vitorioso e nada tímido currículo escolar, medalhas, prêmios e até bolsas de estudo. Eduardo não titubeia em dizer que achou “fácil” a prova de matemática das olimpíadas. “Eu fico até devendo pontos a eles”, disse a professora Goretti, que costuma aplicar exercícios de trigonometria como desafio aos alunos craques na matemática e até distribui pontos extras na sala de aula para incentivar os alunos a renderem sempre mais.

A professora Eunice Resende foi a orientadora das olimpíadas de química e física. Na olimpíada de matemática, a professora Goretti foi a responsável por auxiliar os alunos. As alunas Carolina, Cíntia Mayara Resende e Samantha Resende Andrade foram finalistas da Olimpíada Nacional de História, concorrendo com alunos de escolas públicas e particulares de todo o país. A olimpíada é disputada por equipes de três alunos. Ao todo, foram mais de 16 mil equipes disputando as provas. As três receberam menção honrosa. Apesar de se destacarem nas ciências humanas e gostarem bastante de história, Carolina também mostra preferência por matemática e química. Já Cíntia gosta mesmo é de biologia. As jovens disseram que irão prestar vestibular, mas ainda não optaram por nenhum curso. A professora Ana Paula acredita que elas irão obter sucesso em qualquer área que escolherem.

As provas

Desafios que estimulam o sucesso

Os alunos Lucas Resende e Eduardo, ambos cursando o 9º ano, são destaques nas ciências exatas na Paula Assis. Na Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA) Eduardo conquistou a medalha de prata e Lucas, a de bronze. Os dois trabalharam durante um mês se preparando através de provas, trabalhos e outros materiais de estudo. No fim, tanto esforço valeu à pena. Além disso, os dois receberam menção honrosa nas olimpíadas de matemática e química. A primeira foi dividida em duas fases, e na segunda etapa são selecionados 5% dos alunos (os melhores colocados) com a prova contendo apenas questões abertas. Já na olimpíada de química, dividida também em duas etapas, Eduardo e Lucas foram os primeiros colocados dos alunos das escolas públicas. Os dois ainda participaram da olimpíada de história, permanecendo até a 5ª fase. Além desses prêmios, o estudante Eduardo foi bolsista por dois anos do Programa de Iniciação Científica Júnior (PIC Júnior). Tendo em vista a participação e o sucesso dos alunos nas provas de exatas, fica claro qual caminho os dois pretendem seguir: Lucas quer estudar informática e Eduardo, qualquer área, desde que tenha cálculos. “Provavelmente farei engenharia”, revela.

Para chegar à escola ao meio dia, alguns alunos saem de casa às 9h30. Carolina mora no distrito de Jacarandira, sai de casa às 10h15 e chega por volta das 18h00. “Vejo como maior desafio a falta de tempo. Às vezes quero ler um livro, mas me falta tempo”, lamenta a estudante. Apesar dos desafios impostos, sobretudo pela distância e pelas intempéries, como poeira, barro e estrada de terra, os alunos da Paula Assis valorizam a educação e demonstram que força de vontade, organização, aplicação e disciplina podem mesmo fazer toda a diferença. “Os professores da escola Paula Assis são os mesmos que lecionam na cidade, mas hoje percebemos que existe uma inversão de opção, ou seja, muita gente quer vir estudar aqui. Por quê? Aqui os alunos valorizam o tempo, o estudo e a disciplina”, destacou a professora Goretti. Turmas menores (20 a 25 alunos), autonomia e disciplina são pontos enfatizados pelas professoras Bete Maia (biologia), Ana Paula (história) e Goretti (matemática) como fatores determinantes para a excelência do ensino na Paula Assis: “Aqui as turmas são menores, os alunos são mais disciplinados e os professores têm maior autonomia na sala de aula. Como aqui existe reprovação, os alunos se sentem desafiados e ao mesmo

tempo estimulados a estudar mais, para não ficarem para trás”. A diretora Virgínia Daher acredita que o trajeto até a escola é um dos grandes desafios enfrentados pelos alunos e até pelos professores, mas afirma não ter vontade de trocar a Escola Paula Assis por outra oportunidade de trabalho, e explica: “Diante desses desafios, eles se superam, com certeza. É muito trabalho para eles chegarem aqui e não fazerem nada. A maioria daqueles que têm mais trabalho para chegar aqui são os que dão mais valor”. Virgínia conclui chamando a atenção para uma característica do aluno da escola rural que estimula os educadores: “É muito bom trabalhar aqui. Os meninos têm uma cumplicidade, um carinho com a gente, um respeito que eu não vi em outras escolas por onde passei”. Algum leitor pode questionar o porquê de o JL dar destaque à escola Paula Assis, quando diversas institui-

puta. O percurso, com aproximadamente 80 km, abrangeu trilhas na cidade e também nos povoados dos Pintos, Cajuru e Ribeirão. Além das trilhas, os pilotos ainda enfrentaram um atoleiro, montado na Fazenda da Lage. Os participantes deixaram o Parque do Campo por volta de 10h00 e retornaram às 14h30. “No Parque do Campo, outros pilotos realizaram manobras para entreter o público presente”, conta Daniel. O 1º Trilhão das Lajes foi um sucesso e os organizadores garantem a segunda edição do evento em 2012.

ções públicas de ensino também de destacam nas avaliações de desempenho e milhares de alunos vindos dessas instituições se destacam nos concursos e vestibulares Brasil afora. O que nos chama a atenção, porém, é estarmos falando da excelência do ensino em uma escola localizada numa pequena comunidade rural, de um município com pouco mais de 11 mil habitantes. Mais ainda, falamos de uma instituição de ensino na qual os professores, ao invés de reclamarem dos alunos e da falta de estrutura, não se cansam de elogiá-los, fazem planejamento e se dedicam à escola. Na Escola Municipal Paula Assis a política partidária não dá as cartas e a disciplina, o empenho dos educadores, a dedicação e superação dos alunos fazem mesmo a diferença, conforme testemunho dos próprios professores. Talvez esteja aí o segredo do sucesso da escola.

Turmas menores favorecem o trabalho dos professores


12 Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 104 - DEZEMBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Giro Esportivo

EMANUELLE RIBEIRO

Chega ao fim um dos Campeonatos Brasileiros mais equilibrados das últimas temporadas

Mais um Campeonato Brasileiro chegou ao fim e, apesar de em 2011 os mineiros não terem vivido um bom momento, este foi um dos campeonatos mais emocionantes e equilibrados da era pontos corridos: na rodada final, todos os jogos estavam valendo alguma coisa, seja título, Libertadores, Sul-americana e até mesmo a briga para permanecer na Série A. E os clássicos na última rodada serviram para dar uma apimentada maior no campeonato. Figueirense e Coritiba podem ser considerados as grandes surpresas do campeonato. Ninguém esperava por uma atuação tão brilhante dos dois clubes, que até o fim buscaram uma vaga no G5, mas acabaram tropeçando em seus próprios erros e não venceram os clássicos contra Avaí e Atlético-PR, ambos os rivais rebaixados. De qualquer maneira, o Brasil estará muito bem representado na Libertadores em 2012 por Santos, Corinthians, Vasco, Fluminense, Flamengo e Internacional, todos com recursos e extrema capacidade de chegar à taça. E os outros clubes brasileiros que abram os olhos e corram atrás do prejuízo, porque essas equipes voltarão ainda mais fortes no ano que vem. E para concorrer com elas será necessário investimento pesado.

O Campeonato Brasileiro 2011 foi também um grande revelador de talentos. Um exemplo disso é o mito Dedé, zagueiro do Vasco, que, como dizem por ai, “comeu bola” nessa temporada e foi eleito o craque do ano. Outros nomes também são promessas para o futebol nacional, como o atacante Wellington Nem, do Figueirense, que jogará pelo Fluminense em 2012, o lateral esquerdo Bruno Cortês, do Botafogo e até mesmo o meia-atacante Bernard, do Atlético-MG. O Galo recusou uma proposta de R$ 17 milhões pelo jogador. É importante lembrar que a seleção do campeonato foi formada em maioria por jogadores do Vasco. Um obstáculo para os clubes é o calendário, que é muito puxado, pois precisam disputar Libertadores, Copa do Brasil, Sul-americana e Campeonato Brasileiro, tudo ao mesmo tempo. O Santos, atual campeão da Libertadores, e visto como um dos melhores times do Brasil hoje, não foi tão bem no torneio e ficou apenas em 10º lugar, até porque precisou se concentrar na competição internacional no primeiro semestre do ano. Mas, o peixe nem precisou de se preocupar com o brasileiro e teve o apoio da torcida, já que estreia este mês no Mundial de Clubes. Quem não gostaria de

estar agora na pele do torcedor santista? Acredito que o time que mais sofreu e, mesmo assim, conseguiu, até certa parte, conciliar seu calendário, foi o Vasco, que disputou Copa do Brasil e venceu, Sul-americana e chegou às semifinais e ainda foi vice do brasileiro. Essa agenda cansativa do time comandado por Ricardo Gomes e Cristóvão Borges pode até ter atrapalhado seu objetivo de vencer o Campeonato Brasileiro, mas devemos tirar o chapéu e valorizar a temporada brilhante do Vasco e, claro, não tirar o mérito do Corinthians por ter conquistado o título. Corinthians, Vasco e, inclusive, o campeão brasileiro de 2010, o Fluminense, foram os clubes que mais mostraram maturidade e eficiência no campeonato. O Corinthians, por sua vez, sob o comando do técnico Tite, permaneceu por mais rodadas na liderança, mostrou mais estabilidade em seus jogos e ainda precisou lutar contra tudo e contra todos para chegar à taça. Afinal, se é Corinthians é sofrido! Além disso, a nação corintiana sofreu um grande choque no fim do campeonato: o falecimento de doutor Sócrates abalou a equipe e a torcida e o título foi uma forma de agradecimento e homenagem ao eterno ídolo. O jogo mais esperado pelos re-

sende-costenses foi o clássico Cruzeiro x Atlético-MG: ao Cruzeiro só interessava a vitória e ao Galo, era a chance de mandar o seu rival para a Série B. O Cruzeiro entraria em campo sem Fábio e Montillo, seus principais jogadores. Em Resende Costa, os cruzeirenses se esconderam e sofreram a semana inteira com a zuação dos atleticanos e, nas redes sociais, discussões e mais discussões sobre o jogo, claro que todas elas se referindo a provocações do torcedor do Galo. Mas veio o clássico e o inesperado aconteceu: o Cruzeiro deu um show e goleou o Atlético-MG por 6x1. O Galo entrou em campo de “salto alto” e após os primeiros gols do Cruzeiro se desestabilizou ainda mais, uma vergonha para a nação atleticana. O que se viu foi um time desorganizado jogando contra outro, que mostrava garra e vontade, já que esse era o jogo de sua vida. Nem mesmo o mais otimista dos cruzeirenses esperava por tanto. Como diz o ditado: “um dia da caça, outro do caçador”. Pois bem, na segunda-feira pós clássico, os cruzeirenses puderam retribuir as provocações dos atleticanos e capricharam na zuação, soltando foguetes durante toda a semana. Depois da humilhação que foi o clássico, surgiram os boatos de que o Galo teria vendido o jogo

para o Cruzeiro, devido ao futebol ‘camarada’ que o Atlético apresentou. É verdade que o ramo futebolístico é cheio de armações, que rola muito dinheiro e que Perrela e Kalil são grandes amigos, mas acreditar que o clássico foi negociado seria desvalorizar o futebol, a maior diversão do povo brasileiro, que já sofre demais com a corrupção. Um ato desses seria inaceitável e acho que os presidentes dos clubes mineiros sabem disso, por isso com respeito às torcidas mineiras, até que provem o contrário, prefiro não aceitar essa explicação. O importante é que o Cruzeiro venceu, conseguiu os pontos de que precisava e que em 2012, Minas Gerais será representada pelos dois maiores clubes do estado no Campeonato Brasileiro. Após o fim do Campeonato Brasileiro, os corintianos de Resende Costa fizeram uma bela festa na rua para comemorarem o pentacampeonato, com direito a uma extensa carreata. Os cruzeirenses aproveitaram o clima de festa e também saíram em carreata para comemorarem a permanência e a goleada histórica em cima do maior rival. Aos corintianos, nossos parabéns pelo título e que venha 2012 e mais um Campeonato Brasileiro repleto de emoções como foi este ano!

O Verso e o Controverso

JOÃO MAGALHÃES

Benzedores e curandeiros em Resende Costa: Emygdio do Bengo (Sô Emygdio) (I) Depois do Barbosinha, cuja memória já gravamos nas edições 39 e 40 deste jornal e também no livro da Coleção Lageana “Um olhar sobre Resende Costa” (p.383-388) não padece dúvida que Sô Emygdio foi o maior médico - não-médico - que já clinicou em Resende Costa, embora nunca tenha residido aqui. Dificilmente encontrar-se-á uma pessoa daqui, nascida da década de 1940 para trás, que não tenha ouvido falar dele. Boa parte, inclusive, foi atendida por ele. Os numerosos casos e testemunhos mostram o fenômeno que ele foi. Tão marcante, que justificou um capítulo no livro de conhecidos memorialistas de nosso burgo: Gentil Vale (“Imídio do Bengo” in “Ecos de ontem”, p.48/49) e Therezinha Hannas Guimarães (cap. XIV e XV do seu “Lembranças Esparsas”, p.75/79) Este redator lembra-se, em sua infância lá no bairro do Tejuco, de portadores de bilhetes, lista de pessoas doentes, pedidos de remédios, de receitas, para Sô Emygdio. Sua descendente Adolfina Calsavara Lima, 74, esposa do Nélson tratorista, que vive entre nós (cuja

colaboração agradecemos) e que viveu com ele em sua juventude, lembra-se do povo de Resende Costa, chegando para as consultas, lá no Bengo. Nesta edição, como o espaço só me autoriza um pouco de sua biografia, priorizo os traços que o retratam melhor como um ser humano de excelência, ficando para o próximo número, o Sô Emygdio médico, benzendo e curando. Emygdio Apollinário dos Passos Moraes nasceu em São João del-Rei, MG, aos 24 de julho de 1876, filho de Severiano José Tibúrcio e Maria das Dores de Jesus, moradores na localidade da Colônia do Bengo, ali perto de um dos atuais câmpus da UFSJ, na rodovia São João/São Tiago. Casou-se em 27 de abril de 1901, na matriz do Pilar em São João del-Rei, com Maria Luiza Calsavara, imigrante italiana (região de Trento). Do casamento, três filhos: Antônio Trindade, João Anastácio e Ana Bárbara, mas a família era maior, pois, cuidaram como entes familiares com amor e carinho de Aristides Nascimento Silva, Elza Vieira e Célia José de Azevedo. Com o falecimento de sua esposa, foi levado para Belo Horizonte por sua filha Ana Bárbara, onde faleceu, com 81 anos, no dia 23 de fevereiro de 1958. Seu corpo foi trasladado para São João del-Rei e sepultado no cemitério Nossa Senhora das Mercês. A vida de Emygdio, além das curas e bênçãos, caracterizou-se também por uma profunda religiosidade. Católico de jejum, de retiro espiritual e de atuação nas festividades, foi provedor durante muitos anos da Semana Santa na Matriz do Pilar e na igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, de cuja construção participou. Ardoroso devoto de Santo Antô-

nio, ergueu inicialmente um cruzeiro, próximo a sua casa lá no Bengo, onde à tarde reunia parentes e amigos para a reza do terço. Depois, aí pela década de 1900/1910, desenvolve a grande obra religiosa de sua vida: a construção da atual Capela de Santo Antônio do Bengo, hoje sob os cuidados da comunidade do Bengo e sob coordenação dos padres Salesianos, cujo centenário foi comemorado em 2005. “Construção simples, feita de pedra sabão e barro. Construída por etapas. Sr. Emygdio idealizou a construção de duas torres na capela, mas somente uma conseguiu completar. Esta capela é composta de um altar mor e dois altares laterais. O altar mor era todo talhado em madeira com entalhes e contornos, tendo sido fabricado pelo Sr. Marcelo Cipriani. A capela era rica em prataria: 6 castiçais, 8 jarras com florões. Possuía um lustre de cristal colorido na nave central e ainda um sino de bronze, infelizmente roubado na década de 60. Possuía belas imagens: de seu padroeiro Santo Antônio em madeira, imagem de Sant’Ana e de São João Batista” Esta capela, “hoje graças à bondade de diversas pessoas, se encontra nas condições de atender à comunidade e servir a todos os devotos de Santo Antônio”, mas passou

por uma saga de tropeços, desde a intenção de demoli-la da parte de um padre, frustrada pela movimentação da comunidade do Sô Emygdio que a recuperou em 1979, passando pelo roubo da imagem de Santo Antônio e a danificação de outras (1989), até um incêndio parcial em 1990. Emygdio era também amante da música. Criou uma pequena banda, formada por amigos e parentes e mandou fabricar também um harmônio, “que seria dedilhado por sua filha Ana Bárbara em todas as cerimônias religiosas. Esse harmônio ainda se encontra na capela do Bengo”. “As festas de Santo Antônio, Sant’Ana e São João Batista eram organizadas por ele, com muita piedade e devoção, sempre ajoelhado à frente do altar. Todas essas celebrações eram realizadas com muito respeito, muita fé, queima de fogos de artifício e bastante concorridas

por toda circunvizinhança. Tinha a participação também da orquestra Joaquim Ramalho de Tiradentes e da banda Santa Cecília de São João del-Rei. Era uma apoteose”(*) (*) Os trechos entre aspas acima foram retirados da publicação “Centenário da Capela de Santo Antônio do Bengo” (edição particular dos familiares, 2005). Agradecemos à Senhora Adolfina Calsavara Lima, 74 e à senhora Matilde Moraes Mission, 85, sua neta, pelas informações. (**) Leitores que tiveram conhecimento ou alguma experiência com nossos benzedores e curadores do passado, colaborem com nossa história. Comuniquem-se conosco (jevangelista1751@terra.com.br).


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