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ANO VIII Nº 103 - NOVEMBRO 2011 / RESENDE COSTA - MG
Apesar da crise financeira, empresários avaliam 2011 como bom ano e estão otimistas para 2012
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São Tiago: rejuvenescimento político alicerçado na tradição Nossa vizinha São Tiago é destaque em “Política Regional” desta edição. Admite-se que sua política rejuvenesceu, embora mantendo raízes no passado distante. As duas principais correntes atuantes são herdeiras políticas do capitão João Pereira Santiago, figura das mais marcantes no município. Pagina 05
Prefeitura Municipal inaugura o CRAS em Resende Costa Inaugurado no dia 21 de outubro último, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) é uma conquista para a cidade, sobretudo para as famílias que se encontram em situação de risco ou vulnerabilidade social. Os usuários da unidade contarão com uma equipe qualificada, composta por um pedagogo e duas assistentes sociais. Página 06
A FECIC já é a maior feira comercial da região
Empresários são-joanenses estão otimistas com as perspectivas para 2012. É o que mostra a reportagem especial, nesta edição, feita durante a 6ª Feira do Comércio, Indústria e Mostra Cultural – FECIC 2011. O evento já pode ser considerado a maior referência de negócios da região do Campo das Vertentes. Página 11
2 Jornal das Lajes Editorial O envolvimento da juventude na vida política
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Em meio a sucessivas denúncias de corrupção nos altos escalões da política brasileira, incluindo até queda de ministros da República, uma reportagem desta edição do JL mostra o esforço de alguns jovens para desenvolver o Parlamento Jovem em Resende Costa. Mas, a iniciativa do vereador Paulo Daher (PT) de motivar os jovens a se engajarem nas discussões políticas do município tem esbarrado na falta de motivação dos mesmos, como revela a reportagem assinada pela repórter Emanuelle Ribeiro. Não é à toa que os jovens andam desanimados, afinal as notícias sobre política veiculadas nos meios de comunicação não têm sido nada animadoras. Nas últimas semanas o alvo foi o ministro dos Esportes, Orlando Silva (PCdoB), acusado de montar um esquema de corrupção no seu ministério e ainda receber propina. O ministro, mesmo afirmando ser inocente e exigindo provas de seus acusadores, inclusive da imprensa, não conseguiu manter-se no cargo devido ao desgaste político, tornando-se a sexta figura do ministério da presidente Dilma Rousseff a ser demitida sob suspeitas de corrupção. Como cobrar da juventude maior envolvimento na política quando se vêem, a todo momento, denúncias de corrupção envolvendo eminências que lideram os partidos políticos e/ou àqueles que estão no topo da vida pública brasileira? O quadro atual é desolador e desanimador. Desde a geração que lutou contra a ditadura militar no Brasil (1964-1985) e pintou o rosto exigindo o impeachment do presidente Collor (1992), não se vê aquela garra da juventude disposta a denunciar, discutir e exigir mudanças. Talvez o último movimento popular que de fato repercutiu no Congresso Nacional tenha sido o abaixo assinado exigindo a aprovação da Lei da Ficha Limpa, uma iniciativa da Igreja Católica apoiada por várias instituições e movimentos civis. Nunca se sentiu no Brasil tanta falta do dinamismo e da garra da juventude como agora. O jovem dita modas, implanta novos costumes, cria ídolos, enfim, movimenta a sociedade. Basta ver o sucesso das redes sociais. Quem está por detrás dos grandes sites de relacionamento, criando tendências e mudando paradigmas nas relações das pessoas entre si e delas com a sociedade? Marck Zuckerberg, criador do Facebook, tem apenas 27 anos. Mas o que se espera não é anarquia embalada pelas drogas, como lamentavelmente se viu no campus da USP nesses últimos dias. Espera-se do jovem ideias inovadoras, compromisso com causas nobres e presença marcante e inteligente nos momentos decisivos da sociedade. A eleição da presidente Dilma pode significar também o coroamento de uma geração de jovens que lutaram bravamente contra a ditadura militar. Diante dos mais diversos anseios e de diferentes ideologias que moviam os militantes, aquela geração trazia consigo um projeto para o país, ou seja, o ideal de mudanças. A história abençoou esse engajamento com a eleição de Dilma. Quando ainda se vê, como na reportagem sobre o Parlamento Jovem, lideranças políticas e a juventude dispostos a se engajarem na vida política, revelando idealismo e apresentando propostas, o otimismo renasce. Dom Odilo Pedro Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo, em reflexão no dia de Nossa Senhora Aparecida, descreveu sabiamente os perigos de uma apatia diante das agressões contra a ética e a coisa pública: “Quando não somos mais capazes de reagir e nos indignar diante da corrupção, é porque nosso senso ético ficou corrompido”.
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ANO VIII Nº 103 - NOVEMBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
O verso e o controverso
JOÃO MAGALHÃES
Benzedores e curandeiros em Resende Costa
Desde o momento em que o homem se distancia dos outros animais pela evolução de sua capacidade racional, pelo poder de generalização e abstração, por uma evolução da autoconsciência, que o põe ciente de seus mistérios, de suas angústias, de suas dores e de suas esperanças, aparece a figura do adivinho, do cartomante, do intermediário entre forças misteriosas e desconhecidas, corporificadas em divindades, do curador de males físicos e morais, do exorcista que afugenta maus espíritos, do benzedor que canaliza os fluxos benignos. Presentes desde o alvorecer de todas as civilizações, espaço e tempo apenas diferenciam suas formas de atuação, de estilo, de ritual, mas o conteúdo é essencialmente o mesmo. Praticam a cura de males físicos e de males psíquicos. Por isso sempre tiveram um papel social muito relevante em todas as sociedades e ainda o têm. A evolução científica foi aos poucos circunscrevendo sua atuação, limitando e até reprimindo. Mas continuam porque são messias alimentadores de esperança ante as limitações da ciência e são amparo dos desvalidos economicamente, pois, frequentemente, nada cobram e suas receitas, quando prescrevem, cabem no bolso de todos. Como praticam o ritual da cura, sua atuação quase sempre se prende ao religioso próprio e ao de seus consulentes. Inclusive, são vítimas de preconceitos, incompreensões e até de perseguições violentas. De qualquer maneira, suas bênçãos, receitas e orientações surtem algum afeito, têm alguma eficácia. Do contrário, não teriam a popula-
ridade que tiveram e têm. A própria ciência médica, agora, está modificando sua posição, evoluindo para reconhecer seu valor como terapia auxiliar, ou complementar, acolhendo até essas práticas como objeto de estudos. Alguns exemplos. Revista Veja (21 de setembro de 2011, p.86): “Padres, rabinos médiuns, sempre entraram e saíram pela porta dos fundos” diz o mestre de reiki, (espécie de terapia através da imposição de mãos) Plínio Cutait, coordenador do departamento de Cuidados Integrativos do Hospital Sírio-Libanês (hospital de referência científica em São Paulo). Só recentemente a medicina passou a reconhecer a existências de tais práticas. Há três anos, Cutait lidera uma equipe multidisciplinar que aplica técnicas até pouco tempo atrás nunca vistas num ambiente hospitalar: massagens, meditação e quiropraxia, entre outras. Trabalho semelhante é realizado, há cinco anos, pelo médico Paulo de Tarso Lima, no setor de oncologia do Hospital Albert Einstein (também outra referência em São Paulo). Ainda, segundo a revista, em 1991 o médico americano Brian Berman criou o primeiro Centro de Medicina Integrativa dos Estados Unidos na Universidade de Maryland, primeira instituição de ensino nos EUA a abrir portas às terapias complementares ou alternativas. Hoje são aproximadamente 42 clínicas, algumas ligadas a instituições conceituadíssimas, como Harvard, Yale, Clínica Mayo, John Hopkins etc. Em 1999, fundou-se o Programa de Saúde Espiritualidade e Religiosidade (ProSER) no Departamento de Psiquiatria da USP.
O chefe deste departamento, Eurípides Miguel, explica: “A medicina está se movendo de um eixo (que tinha como meta combater a doença) para outro (que privilegia a promoção da saúde). Estamos interessados em qualquer método que possa ajudar as pessoas, mesmo que fuja de nossos padrões” (Superinteressante, nº 216, outubro de 2011, p.58). Esses parágrafos introdutórios são para justificar uma sequência de reportagens sobre os benzedores e curandeiros que tiveram uma atuação muito influente em Resende Costa. Nosso intuito é registrar esse aspecto da cultura social e medicinal de nosso município. Cumprindo uma das finalidades originais do JL, nossa perspectiva é histórica. Portanto, escreveremos somente sobre os já falecidos. Será sempre expositiva. Em nenhum momento, analítica. Procuraremos abrir para o leitor mais esta janela de nossa história. Começaremos, no próximo número, com o mais conhecido e talvez o mais importante curador de nossa região: Emídio do Bengo, o famoso Sô Emídio. Está na memória e na vivência de todos os mais idosos de nossa terra. Não nasceu aqui, mas sua atuação foi tão marcante que, por anos e anos, nosso município o assumiu como seu grande “médico”. Pedimos aos nossos leitores que tiveram alguma experiência ou conhecimento com nossos benzedores e curadores que se comuniquem conosco, pessoalmente ou por vias eletrônicas. Será uma excelente colaboração para nossa história. (jevangelista1751@terra.com.br)
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Contemplando as Palavras
Considerando a escrita tradicional por meio do lápis ou caneta (principalmente) e a folha de papel, as pessoas estão escrevendo menos. O ato de escrever vem sendo superado pelo uso do computador, mas ainda há quem se mantenha fiel ao hábito de fazer suas anotações usando letra bem pessoal, muitas vezes inconfundível. E mais, há aqueles que se preocupam com a estética da letra, a chamada caligrafia, termo que, em sentido etimológico, significa letra bonita. É evidente que a beleza dos traços da escrita chama a atenção de muita gente e pode render até emprego ou trabalho, como queiram, para os que se tornam calígrafos profissionais. Mas simplesmente ser possuidor de uma bela caligrafia (sem pleonasmo, já que o termo “caligrafia” pode significar somente letra) não é garantia de nada. Isso quer dizer que, intelectualmente falando, ninguém é su-
A palavra escrita
perior ou inferior pelo desenho das letras que produz. Sigmund Freud, por exemplo, o pai da psicanálise, não se preocupava com a estética de seus manuscritos e foi um dos homens mais inteligentes que o mundo já viu. Da mesma forma, os chamados garranchos não podem refletir um nível avançado de inteligência. Vista como uma característica individual, a letra passa a ser um problema quando é ilegível. Sabe-se que aqueles que não se fazem entender por palavras comprometem consideravelmente sua capacidade de comunicação. Em se tratando da palavra escrita, a situação só piora. O que vem prescrito em certas receitas médicas é quase indecifrável. O mesmo acontece em muitas provas e redações escolares. E o que não pode ser lido não é comunicado ou é comunicado de maneira indevida. E aí... Estou me lembrando agora de um texto de Fernando Sabi-
Dicas de Saúde - Pública
Nos últimos dias, circularam pelas redes sociais manifestações diversas acerca da doença que acomete o ex-presidente Lula e seu tratamento. Aqui mesmo, em Resende Costa, manifestações foram vistas no facebook , acerca do assunto. É natural que isto aconteça, na medida em que o fato ocorre com pessoa de grande importância para a história recente do nosso país. Mas é preciso separar o joio do trigo. Sabemos ser o câncer de laringe uma doença grave, que pode acometer qualquer um de nós e, principalmente, os fumantes e aqueles que têm casos semelhantes na família (traço genético). Sabemos também que a possibilidade de sua cura está diretamente ligada à rapidez do diagnóstico precoce e ao tratamento adequado. Assim fez o presidente Lula: com poucas semanas de sintomas, procurou o Hospital Sírio-Libanês em São Paulo, onde foi prontamente feito o diagnóstico e iniciado rapidamente seu tratamento. Assim, manifestações pipocaram nas redes sociais. Ocorreram principalmente manifestações de solidariedade, inclusive de adversários políticos. Mas também tivemos manifestações, inclusive de pessoas de Resende Costa, do tipo: “O Lula deveria procurar o SUS e ali fazer seu tratamento”, talvez como “castigo”, ou ainda “para provar da dificuldade que os brasileiros enfrentam no SUS” e assim por diante. Prontamente o Ministério da Saúde e a direção do Hospital Sírio-Libanês vieram a público esclarecer que aquele hospital e os profissionais que nele trabalham atendem a quaisquer pacientes, inclusive aos do SUS. Aqui, cabe a reflexão: por que o presidente Lula não poderia se tratar em um hospital que presta um serviço de alta qualidade como o Sírio-Libanês? Por que não falaram o mesmo quando o ex-presidente Itamar Franco ou a presidente Dilma
no, o “Macacos me mordam”, no qual um cientista de uma cidade do interior de Minas se vê às voltas com uma macacada que lhe fora enviada indevidamente. Como precisava fazer algumas inoculações em macaco, animal difícil de ser encontrado onde morava, recorreu aos préstimos de um colega residente em Manaus mandando-lhe o seguinte telegrama: “Obséquio providenciar 1 ou 2 macacos.”. Aconteceu que, em razão de um erro do telegrafista ao trocar “1 ou 2 macacos” por “1002 macacos”, o cientista mineiro acabou em apuros em razão da chegada de encomenda tão numerosa e saltitante. Ficcionismo à parte, todas essas considerações me vieram à propósito de uma decisão tomada nos Estados Unidos relacionada à palavra escrita. Por deliberação do governo do estado de Indiana, as escolas ficam desobrigadas de ensinar a escrita cursiva (aquela em que as letras são emendadas umas
nas outras), com a recomendação de que passem a se dedicar mais à digitação em teclados de computador. O mesmo deverá acontecer em outros estados americanos. Em entrevista à VEJA, Mark Warschauer, professor da Universidade da Califórnia, afirma que “ter destreza no computador tornou-se um bem infinitamente mais valioso do que produzir uma boa letra”. E é verdade, mas pesquisas recentes na área da neurociência comprovam que a escrita de próprio punho provoca uma atividade significativamente mais intensa do que a da digitação na região dedicada ao processamento das informações armazenadas na memória, o que tem conexão direta com a elaboração e a expressão de ideias. É o que afirma matéria da citada revista. Segundo a mesma fonte, está provado também que o ato de escrever desencadeia ligações entre os neurônios na parte do cérebro que reconhece visualmente as palavras, o que con-
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REGINA COELHO
tribui para a fluidez da leitura. É impensável negar o valor e a força da tecnologia, aqui representada pelo computador, entre tantas funções, a de sucessor natural da máquina de datilografia. Não há também como deixar de reconhecer que tudo muda. Do registro escrito em pedra, pergaminho, papiro ou papel aos fantásticos computadores de mão, a história da humanidade é contada essencialmente graças à preservação da palavra escrita através dos tempos. Entre todas as maneiras com que se constitui a escrita, destaca-se aquela que se constrói com traços únicos formando a nossa letra. E com todas as letras, é preciso dizer que, assim como o nome que assinamos, ela nos confere personalidade própria. E mais. Por trás das palavras que vamos desenhando no papel, levamos a expressão do pensamento e do sentimento aos próximos e distantes de nós no tempo e no espaço, com a identidade peculiar do que é escrito à mão. LUIZ ANTONIO PINTO*
Os doentes do SUS e os outros também tiveram que se tratar de câncer? Talvez por que ambos teriam diploma de curso superior? Não. Quem assim se manifestou demonstra estar imbuído de um nítido preconceito de classe: “um absurdo, um operário ir se tratar em um serviço de ricos”, “pobre tem mais é que morrer”. Talvez assim pensem essas pessoas. Ora, não importa onde aconteça o tratamento. Cabe a nós, seres humanos, quaisquer que sejamos, sermos sempre solidários com os pacientes: ricos ou pobres, negros ou brancos, altos ou baixos, magros ou obesos. Quanto ao SUS, lutamos todos os dias para que alcance a excelência em seus serviços. Já é um grande sistema de saúde pública, como poucos no mundo. Temos notícias de que índios e pobres de nossos vizinhos Paraguai, Bolívia, Peru e Colômbia atravessam as fronteiras com documentos falsos e, correndo risco de serem presos, vêm em busca de atendimento no nosso sistema de saúde pública. Desejamos que, no futuro, ninguém precise pagar por plano de saúde particular. Desejamos que, no futuro, qualquer autoridade, qualquer um do povo, qualquer operário ou trabalhador rural tenha acesso ao melhor daquilo que a ciência médica possa nos oferecer, de preferência, no SUS! Presidente Lula, tenho certeza de que a maioria dos brasileiros e dos resende-costenses lhe desejam o pronto restabelecimento de sua saúde, onde quer que você esteja se tratando. Quanto àqueles que pensam diferente, o SUS também os acolherá bem, tenho certeza. A propósito, no dia 26 de novembro, será realizada a nossa XI Conferência Municipal de Saúde - nosso momento de reflexão sobre o SUS. Um bom momento para conversarmos sobre a saúde do nosso povo, inclusive sobre o tema deste texto. * Clínico geral e sanitarista
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Jogo Aberto
ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO
“Já frequentei várias churrascarias, inclusive as mais renomadas do Brasil. Tenho um critério do que seja um bom churrasco” (Vinícius). O churrasco com os amigos é um dos programas prediletos do brasileiro, que chega ao fim de semana já salivando por uma picanha suculenta, sempre acompanhada por uma cerveja bem gelada. Na Churrascaria Ramona, em Resende Costa, quem comanda a churrasqueira e garante a excelência do churrasco, inclusive atraindo pessoas de toda a região, é o Vinícius de Mello Chaves, 35, o Vinícius do Tinô. Nesta entrevista, ele fala da sua trajetória profissional, do gosto pelo churrasco e da arte de preparar um dos pratos de maior destaque na culinária brasileira. Quando e como você começou a se interessar pela culinária? Aconteceu no final do ano de 2000. Eu ganhei um livro - Alquimia do churrasco, de Ricardo Pena, mestre na arte da carne -, referente a churrasco, de uma pessoa muito especial, e comecei a tentar entender o que era um churrasco. Até então, eu gostava de fazer churrasco como todas as outras pessoas gostam, nos finais de semana. Em cima disso, comecei a me aprofundar, procurei saber quem era o escritor do livro... Foi a partir daí que tudo começou. Mas antes disso, você já lidava com o fogão? Teoricamente todos nós gostamos de uma boa comida, de uma boa culinária. Eu só tinha o paladar, mas não tinha vontade de fazer. Olha, quando vemos uma coisa bem feita, a gente não imagina que pode fazer também. Pude frequentar vários restaurantes bons, participei do Festival de Comida de Buteco de Belo Horizonte durante alguns anos e através disso fui adquirindo certa experiência, mas uma coisa simplesmente para o meu prazer, para o convívio com os meus amigos, nada então que pudesse me levar para o lado profissional. Existe uma tendência de classificar a gastronomia como algo sofisticado e caro. O que você tem a falar sobre isso? A gastronomia tem hoje uma importância muito grande, coisa que não tinha antigamente. Hoje, a gente vê uma culinária de alto nível, têm vários festivais de gastronomia, inclusive aqui na região temos o de Tiradentes. São cozinheiros renomados, que estudam mistura de sabores, preparo de comida agridoce, combinação de coisas que vemos no dia a dia e até achamos esdrúxulas. Mas aquela combinação não é uma coisa que acontece de repente, ela é baseada em muito estudo, muita técnica, experimentos que deram
errado e estão sendo corrigidos. Você não acha que ainda faltam mais opções de gastronomia (restaurantes, bares etc.) tanto em Resende Costa quanto na região? Uma alta gastronomia requer dinheiro. No caso de Resende Costa, atender a um público com uma gastronomia mais sofisticada, a meu ver, seria um negócio muito arriscado. Mas não é algo a ser descartado. Lógico que existe público para frequentar esse tipo de ambiente, mas não tem um público rotativo para que esse negócio possa dar certo. Temos o exemplo em uma cidade vizinha, Ritápolis: lá tem um chef de cozinha que trabalha com a culinária árabe e foi muito bem sucedido. A gente tem que tentar, tem que ser empreendedor, como foi o Marquinhos, que abriu uma churrascaria gigante em Resende Costa, a Churrascaria Ramona e obteve êxito. Já a comida mineira é mais barata e muito saborosa, e pode ser preparada por qualquer restaurante aqui na cidade. O churrasco sempre foi sua preferência? Sempre gostei de carne, seja preparar, assar ou comer. Já frequentei várias churrascarias, inclusive as mais renomadas do Brasil. Tenho um critério do que seja um bom churrasco. Agora, o churrasco parte de um princípio: a primeira coisa para um churrasco ser bem feito é a matéria-prima. Sem uma boa matéria-prima em mãos você não faz nada. Pegar uma carne de segunda para se preparar um churrasco de primeira é coisa que deve ser descartada de cara. E tem carne de primeira que você vai servir em um churrasco que, na realidade, em virtude da qualidade do gado ou de outros animais, não terá a qualidade de uma carne de primeira. Para começar um bom churrasco é preciso ter uma carne de qualidade e a partir daí balancear os temperos. Qual a diferença entre preparar um churrasco para os amigos e para uma churrascaria? Quando você faz um churrasco para 20 pessoas, a qualidade dele é infinitamente superior do que quando você prepara para 600, 700 pessoas. Você pegar seis, sete quilos de carne para temperar, a excelência do tempero vai ser totalmente diferente. Agora, se você pegar em média 400, 500 quilos de carne para temperar, se você não tiver uma noção muito grande do que está fazendo, você acaba perdendo na qualidade da carne e perde a matéria-prima. Não é só pegar a carne e jogar o
sal, tudo tem uma técnica, todos os temperos são balanceados. Do churrasco de fim de semana a um especialista no ramo. Como aconteceu essa transição? Fazendo o churrasco para os amigos, eles sempre falavam bem, que gostavam do churrasco. E aconteceu, acho que não só para o meu bem, mas para o bem de Resende Costa e região. O Marquinhos teve uma felicidade muito grande em construir uma churrascaria do porte que é a de Resende Costa. Cidades maiores próximas, como Barbacena e São João del-Rei, não têm um ambiente dessa envergadura. Muitos, no início, achavam que não iria dar certo, mas deu. Acredito que nem ele imaginava que isso iria emplacar com tanta rapidez. Enfim, passaram alguns profissionais por lá, mas acho que não se encaixaram no perfil da churrascaria. Muitos amigos influenciaram nessa minha ida pra lá, falando bem do meu churrasco. Aí eu tive uma conversa com ele e fui convidado a fazer uma experiência de 15 dias e estou lá até hoje. Como é a escolha das carnes e o preparo do tempero? No caso da churrascaria, as carnes são preparadas de quarta a domingo, atendendo à necessidade de saída. À medida da saída nós temperamos, para que aquela carne esteja sempre fresca e não fique com aquele tempero de muitos dias, o que pode adulterar o seu sabor. Cada carne tem um tempero específico, trata-se de uma combinação de vários temperos. Quanto à carne de boi, o tempero é praticamente um sal grosso, porém é necessário utilizar uma carne de qualidade e entender qual o ponto: mal passado, bem passado, ao ponto. O que é preciso para ser um bom churrasqueiro? Há muitas diferenças entre o churrasco profissional e o amador. Primeiramente tem que haver uma preocupação com a higiene dos utensílios (faca, garfo, espátula). Hoje já não se usa mais tábua de madeira devido à proliferação de bactérias. Cuidados com a barba e o cabelo também são importantes. Você tem que se preparar para fazer um churrasco. Cuidar da refrigeração das carnes. Às vezes você vai fazer um churrasco no fim de semana, corta, tempera a carne e aquela bacia com as carnes fica horas e horas fora da geladeira, podendo ter contato com insetos, causar o estado de putrefação da carne, podendo até causar uma
intoxicação em quem ingeri-la. Então, não é só pegar a carne e colocar na brasa. No caso do churrasco, tem o ponto certo do braseiro e até mesmo várias maneiras de acender uma churrasqueira. Todo mundo pensa que isso é supérfluo, mas se tudo for feito por etapas o resultado será muito melhor. Fale um pouco sobre os gostos dos fregueses. O que eles mais querem? Nós trabalhamos na churrascaria com 26 qualidades de carne. É diferenciado o paladar de uma mulher, de uma criança, de um adulto e de um idoso. A maioria das crianças prefere o que termina no diminutivo, porque associa a uma coisa pequena, por exemplo, coraçãozinho, asinha, linguicinha. Se você chegar perto de uma criança e perguntar se ela prefere picanha ou linguicinha ela escolhe a segunda. As pessoas mais idosas são mais seletivas, não gostam muito de carne gordurosa como picanha e alcatra e optam por um frango, um lombo de porco, carnes com menos calorias. Já os mais jovens não abrem mão de uma carne mais calórica, mais temperada. O dia a dia vai te mostrando o gosto das pessoas. Agora, falando com a experiência que eu tenho de preparar churrasco há muito tempo, infelizmente, a maioria das pessoas tem o hábito errôneo de consumir carne bovina bem passada. Uma carne bem passada peca em vários fatores: a tendência é ficar mais dura, perder em paladar e ficar mais salgada. Com isso a digestão se torna mais lenta. Isso é uma dica para que as pessoas possam ficar mais atentas ao paladar e não ao aspecto visual da carne. Os fregueses são muito exigentes em relação à escolha da carne? Eu acredito que não tem muito mistério nisso. Por exemplo, a picanha, que é uma carne que tem preferência nacional, tem uma saída maior, sobressai sobre as outras carnes. A gente tentou implantar várias novidades: carnes
exóticas, uma picanha suína, que também é muito saborosa e muita gente não conhecia; colocamos um lombo defumado, uma costelinha ao mel, acrescentamos temperos e cortes diferentes, tudo para valorizar o gosto, dando um diferencial no churrasco. Hoje, eu acredito que a maioria das pessoas que frequentam a churrascaria já sabe do que gosta e do que não gosta. Agora, o público da churrascaria é rotativo, cada final de semana várias pessoas vêm conhecer nossa churrascaria, muito em virtude também do nosso artesanato, que contribui muito para Resende Costa. Essa união só tem a colaborar com o desenvolvimento da cidade, gerando, sobretudo, empregos. Você se sente realizado? Acho que ninguém se sente totalmente realizado. Eu estou muito feliz por estar trabalhando na churrascaria, agradeço demais ao Marquinhos por ter me dado essa oportunidade, mas eu não penso em parar por aí não. Quero continuar dentro desse segmento, que eu vi que emplacou. Hoje eu tenho um trabalho por fora da Churrascaria Ramona, atendendo a algumas churrascarias na região de Belo Horizonte, Divinópolis e às vezes não consigo atender a outras pessoas, porque o meu tempo fica voltado para a churrascaria e os dias que tenho de folga, as segundas e terças-feiras, eu trabalho por conta própria. Esse trabalho está tendo resultado e a gente sempre sonha em crescer, se realizar profissionalmente, quem sabe até abrir um negócio voltado para isso, atendendo não só Resende Costa, mas outras cidades. Hoje, eu me sinto preparado para atender muito mais clientes, mas só não faço isso pela falta de tempo e também me sinto realizado trabalhando na churrascaria, que foi onde tudo começou. Foi uma vitrine para que as pessoas pudessem conhecer meu potencial. (A íntegra da entrevista está em www.jornaldaslajes.com.br)
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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Política de São Tiago rejuvenesceu, com raízes fincadas no passado
A política de São Tiago rejuvenesceu, mas as raízes continuam fincadas no passado distante. As duas principais correntes da atualidade são herdeiras políticas do capitão João Pereira Santiago (1849-1933), uma das mais marcantes personalidades do município em todos os tempos, segundo o boletim cultural e memorialístico Sabores & Saberes (Ano III – XXVII – dezembro de 2009). Até a década de 1930, havia dois grupos políticos no antigo arraial: os “jagunços” e os “canjerês”, de acordo com o romance de costumes Pontes & Cia. (Livraria Cultura Brasileira, Belo Horizonte, 1944, 2ª edição) do farmacêutico e contista João Lucio Brandão. Os jagunços eram chefiados pelo capitão João Pereira, latifundiário, médico e dentista prático e poderoso chefe político local. Já os canjerês, seus oponentes, eram comandados pelo major Joaquim Coelho, ou Quincas Coelho. Assim, a política de São Tiago já era bastante movimentada, quando o então povoado ainda pertencia a Bom Sucesso. PSD e UDN - Com o Estado Novo getulista, os “jagunços” (descendentes do capitão João Pereira) convergiriam para o antigo Partido Social Democrático (PSD), diz João Pinto de Oliveira, diretor-presidente do Sicoob Credivertentes, que publicou comentários sobre o livro de Brandão no boletim Sabores & Saberes. Vicente Mendes foi o principal herdeiro político do capitão João Pereira, que deixou “seguidores” como Guido Dirceu Reis, Francisco Aristeu Pereira e Denílson Silva Reis (este último tataraneto do capitão). Os “canjerês”, que se juntariam na antiga União Democrática Nacional (UDN), reuniam as famílias Coelho, Mata, Vitorino Almeida, Pantaleão, Gaudêncio e Freitas. Aliados de Tancredo - O grupo político do capitão João Pereira sempre foi aliado de Tancredo Neves e Juscelino Kubitschek, no PSD, diz a professora aposentada Maria
Foto aérea de São Tiago
de Lourdes Rezende, a Cairu, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Tiago (IGHST). Ela é bisneta do capitão João Pereira, portanto se define “de raiz e sangue político”. Uma das filhas do capitão casou-se com Vicente José Mendes, que se tornou uma das grandes lideranças de São Tiago desde as décadas de 1940/1950. “Foi o homem que mais eu já vi trabalhar em política; sempre ganhava e, quando perdia, no dia seguinte começava a próxima campanha”, disse Cairu. Com a emancipação de São Tiago em 31/12/1948, o primeiro prefeito, Joaquim Vivas da Mata (UDN), teve como vice Henrique Pereira (PSD). Só eleições separadas, para prefeito e vice, algo bastante comum na época, explicariam esta dupla de concorrentes históricos, diz Cairu. “Da emancipação pra cá, durante um bom tempo, a disputa era entre um Pereira e um Mata.” A segunda administração (eleita em 1952) teve como prefeito Otávio Leal Pacheco, que recebeu o apoio do então deputado Tancredo Neves ao iniciar os serviços de abastecimento de água da cidade. Este foi um dos raros prefeitos que se elegeram à parte da disputa entre as famílias Pereira e Mata. Outro foi Nilson Caputo de Rezende (empossado em 1971) e, mais recentemente, Miguel Salomão (PMDB) e Lindomar de Freitas (PL). Da corrente dos “jagunços”, foFoto - Wanessa Fagundes
A festa do Café com Biscoito atrai grande movimento à cidade
ram prefeitos, em São Tiago, José Pereira Santiago (filho do capitão João Pereira), Francisco Aristeu (bisneto do capitão), Guido e Denilson (duas vezes). Pelo lado dos “canjerês”, administraram o município, além de Joaquim Vivas, Antonio Belfort da Mata (irmão de Joaquim) e Raul Wilson da Mata (filho de Joaquim), este por duas vezes. Papel dos Mendes - Vicente era o empresário dos transportes (antiga jardineira e caminhões) e do comércio (gêneros, bebidas, tecidos etc.) de São Tiago. Cairu conta que ele sustentou a cidade durante muitos anos. “Política para ele era uma paixão; na parte econômica, era um desbravador.” Coincidência ou não, “toda eleição ele aparecia com caminhão novo”. Depois do PSD, Vicente foi para o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), tornando-se líder local do partido até a época em que Tancredo foi governador de Minas (1983-84). Já no PMDB, passou a presidência para o filho Ivanir Mendes. O atual presidente do partido é seu irmão Irimar Mendes, que promete continuar o legado do pai na luta em prol do município. “Historicamente, PSD, MDB e PMDB foram (e são) liderados pelos Mendes”, resume Cairu. Cenário recente - Na ditadura militar, a corrente local da UDN seguiu a tendência nacional, liderada pelos Mata, ou seja, ingressou na Aliança Renovadora Nacional (ARENA), mudou para o Partido Democrático Social (PDS) e depois para o Partido da Frente Liberal (PFL). Mais recentemente, parte dos Pereira também migrou para o PFL, por causa da candidatura de Francisco Aristeu Pereira. Guido, pai de Denilson, foi prefeito pelo MDB na década de 1970 e pelo PMDB na década de 1980. Em 1987, Denilson assumiu o PMDB Jovem, mas o partido perdeu a eleição em 1988 para Francisco Aristeu, do PFL. O mesmo Francisco voltou em 1997 e convidou Denilson para ser secretário de Saúde, o que foi considerado “traição” pelo PMDB que forçou a sua saída. Em 2000, Denilson foi candi-
dato a prefeito pelo PFL e perdeu a eleição. Em 2004, candidatou-se novamente e desta vez venceu o pleito. Em 2007, PFL e PSDB entraram em consenso e Denilson foi liberado para aderir ao ninho tucano. Já o PMDB, presidido por Irimar Mendes, tem como aliados o Partido dos Trabalhadores (PT), seguindo o cenário nacional, e o Partido Popular (PP) que reúne famílias tradicionais (Almeida, Mata, Freitas etc.) da antiga UDN. “Houve um desvio histórico”, diz Cairu. “O PT não decolou ainda em São Tiago, de maneira satisfatória, uma vez que nunca elegeu nem prefeito nem vereador”. A política hoje é mais civilizada, define Cairu. “As pessoas não ficam inimigas, como antes, por causa da política. Os adversários até tomam cerveja juntos”. Desafios - Na visão de Denilson, um dos principais desafios de São Tiago é mobilizar a comunidade e os empreendedores locais para explorar a potencialidade da cidade para o turismo como nova fonte de renda. A idéia é transformar o projeto do forno permanente (área construída de 300 m2), em fase de finalização na praça da matriz, em futuro receptivo turístico de São Tiago. É fazer biscoitos nesse forno todo fim de semana, e não apenas na tradicional Festa do Café com Biscoito. A consolidação da vocação turística de São Tiago também é enfatizada por Irimar Mendes. Para isso, defende parcerias com o setor privado e a comunidade para melhorar a infraestrutura e os serviços prestados nas áreas de alimentação e hospedagem. Também propõe ações, principalmente da Prefeitura e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), para treinar, reciclar e aprimorar mão de obra tanto do setor de produção de biscoitos quanto de outras áreas como a construção civil. O grande desafio de uma cidade pequena, talvez, seja manter recursos humanos capacitados na administração, diz Denilson. As prefeituras sofrem forte restrição de recursos na área de pessoal. Em todo
programa ou projeto dos governos federal e estadual, os municípios têm que entrar com folha de pagamento como contrapartida. Muitos municípios estão perdendo a capacidade de estruturar seus serviços. Por outro lado, muitos servidores que entraram através da Constituição de 1988 não tiveram capacitação e evolução salarial adequadas, observa Denilson. No setor de saúde, Irimar defende providências para preservar o hospital, que “corre o risco de fechar porque está muito endividado”. Também aponta deficiências no atendimento, limitação de vagas, cobrança parcial de exames por meio de convênios com médicos e hospitais da região e repasse de recursos do SUS abaixo do custo do tratamento. Na infraestrutura de transportes, a maior reivindicação, diz Irimar, é o asfaltamento da rodovia que liga Bom Sucesso a Resende Costa, prioritariamente o trecho São Tiago (passando pelo distrito de Mercês de Água Limpa) a Bom Sucesso. Outra demanda é a melhoria do asfalto no trecho São Tiago-São João del-Rei. Mas João Pinto defende “inicial e primordialmente” um projeto ou plano diretor que englobe os aspectos urbanístico, administrativo, social, de saneamento, transporte, arquitetura, cultura etc. “Não poderá haver progresso sustentável sem planejamento e sem a participação consciente e efetiva do cidadão”. No âmbito regional, considera fundamental um planejamento integrado/regionalizado, envolvendo municípios circunvizinhos cujo processo de origem histórica, colonização e formação social demográfica é comum. Denilson concorda com o fato de que o planejamento do município seja resolvido com o plano diretor. Tanto que ele e o prefeito de Prados, Gustavo Gastão, iniciaram conversações com a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). “O processo está aberto a outros municípios”. (veja a íntegra em www.jornaldaslajes.com.br).
Fachada da igreja matriz de São Tiago Maior, padroeiro da cidade
6 Jornal das Lajes
Sustentabilidade
ANO VIII Nº 103 - NOVEMBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Comitê da Bacia das Vertentes do Rio Grande deve lançar plano diretor em 2012
O Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) Vertentes do Rio Grande, presidido pelo resende-costense Aurélio Suenes de Resende, prepara a segunda etapa do diagnóstico para a elaboração do plano diretor, cujo tema “A bacia que teremos” vai ser discutido em reunião no dia 15 de dezembro (às 14h00) no anfiteatro da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Campus Santo Antônio. Durante o encontro, o consórcio encarregado do trabalho (formado por Ecoplan, Lume e Skill) vai apresentar uma projeção de como será a bacia hidrográfica se nada for feito em termos de preservação dos recursos hídricos, tratamento de esgoto, fim dos lixões etc. A nova diretoria do comitê, eleita em 1º de setembro, assumiu com o diagnóstico da bacia hidrográfica já em andamento. Tanto que a primeira etapa do diagnóstico – “A bacia que temos” – foi apresentada à sociedade em reunião no dia 29 de setembro em Prados. Foram identificados como pontos fracos a qualidade da água (forte interferência de esgoto domiciliar), grande quantidade de voçorocas, a falta de matas ciliares, o carreamento de terra para córregos e rios em função da atividade produtiva principalmente em períodos de chuvas (intervenção no solo sem o devido cuidado) e o afundamento do leito dos rios e córregos (por causa da retirada de areia para a construção). A principal conclusão desta etapa do diagnóstico é que, se nada for feito, a tendência é piorar a situação de oferta de água, explica Aurélio Suenes. Daí a importância de conscientizar produtores rurais sobre a preservação dos recursos hídricos e dos agentes políticos em relação ao saneamento, fim dos
lixões e outras ações. “É preciso ter um olhar diferente para o meio ambiente. A palavra chave é conscientização”. Representação A nova diretoria tem representantes dos quatro setores que compõem o comitê, ou seja: Aurélio, pelos usuários de água (setor produtivo); Gilda Terezinha da Rocha Ferreira (vice-presidente), pelo poder público estadual; Keila Maria Franco (1ª secretária), pelo poder público municipal e Larissa Resende Martins Ferreira (2ª secretária), pela sociedade civil organizada. A diretoria foi escolhida pelos 24 representantes dos quatro setores (cada setor tem seis cadeiras) que tomaram posse no mesmo dia, juntamente com seus respectivos suplentes (a relação completa está disponível em www.jornaldaslajes. com.br). Entre os principais problemas do comitê, sobressai a falta de conhecimento sobre o trabalho do órgão, o que resulta em falta de interesse pelas suas atividades. De acordo com Suenes, os mais interessados são os usuários como, por exemplo, COPASA, CEMIG, grandes empresas e suas entidades representativas como Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG). Isto ocorre justamente porque precisam de água em quantidade e qualidade. Ele lembra que uma das atribuições do comitê é definir as regras de cobrança pelo uso da água. “A cobrança depende da quantidade de água que é utilizada para uma determinada atividade produtiva; ou seja, esse tema abrange grandes indústrias que precisam de outorga para funcionar. Pequenos consumidores, como produtores rurais,
Aurélio
certamente não se enquadram nesse assunto”. Já o menor interesse pelas ações do comitê é dos poderes públicos estadual e municipal, revela Suenes. Uma das consequências desse desinteresse é a ausência às reuniões e a falta de gestão (planejamento, diretrizes etc.). Mas ele constata maior participação da sociedade civil organizada. “Em geral, os comitês de bacias hidrográficas são conduzidos pelas ONGs (organizações não-governamentais)”. A terceira etapa do diagnóstico terá como tema “A bacia que queremos”. O plano diretor, resultado do diagnóstico, deve ficar pronto e ser divulgado a partir de maio de 2012, segundo informa Aurélio Suenes. Sobre a bacia hidrográfica O CBH Vertentes do Rio Grande, cuja sede funciona junto ao Laboratório de Estratégia e Meio Ambiente (LEMA) da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ/Campus Dom Bosco), abrange área total de 10.011,68 km2 (o que corresponde a 6,68% da área total da bacia do rio Grande) e reúne 35 municípios com população estimada em 556,4 mil habitantes (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além do próprio Rio Grande, os principais cursos d’água são constituídos pelo rios das Mortes, dos Peixes, Jacaré e Cervo. As principais atividades econômicas desenvolvidas na bacia são o agronegócio (produção de grãos e de hortigranjeiros, avicultura, pecuária extensiva, principalmente de gado leiteiro, laticínio, abatedouro e indústria têxtil), extração mineral (minério de ferro, calcário), indústrias de concreto asfáltico, química, cal e cimento e de turismo. Pertencem à bacia hidrográfica os municípios de Alfredo Vasconcelos, Antônio Carlos, Barbacena, Barroso, Bom Sucesso, Carandaí, Carmo da Cachoeira, Casa Grande, Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Dores de Campos, Ibertioga, Ibituruna, Ijaci, Ingaí, Lagoa Dourada, Lavras, Nazareno, Nepomuceno, Oliveira, Prados, Resende Costa, Ressaquinha, Ribeirão Vermelho, Ritápolis, Santa Cruz de Minas, Santa Rita do Ibitipoca, Santana do Jacaré, Santo Antônio do Amparo, São Bento Abade, São Francisco de Paula, São João del-Rei, São Tiago, Tiradentes e Três Pontas.
Assistência Social
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Inaugurada a sede do CRAS: uma conquista para a assistência social de Resende Costa Em latim “cras” significa amanhã. O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), inaugurado em 21 de outubro último em Resende Costa, é uma conquista do presente, mas ao mesmo tempo é uma chama ardente de esperança para um amanhã próspero. Esta é a expectativa da equipe coordenadora do CRAS, que atenderá a diversas famílias que se encontram em situações de riscos sociais. A sede está localizada à Rua Vereador Antônio Salomão, 60, no bairro Expedicionários. O novo empreendimento na área da assistência social, entregue aos resende-costenses pela prefeitura municipal, conta com estrutura adequada às finalidades da unidade, incluindo salas para atendimentos individuais e salão para assembléias e oficinas. Os usuários do CRAS contarão com uma equipe qualificada, composta pelo coordenador, pedagogo Diogo Matos e por duas assistentes sociais, Alessandra Guse e Marcela Rita. O CRAS é uma unidade pública estatal descentralizada da política de assistência social, responsável pela organização e oferta de serviços da proteção social básica do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). De acordo com o coordenador, Diogo Matos, a unidade prestará serviços preventivos no âmbito da assistência social: “o CRAS tem por objetivo prevenir a ocorrência de situações de vulnerabilidades e riscos sociais no município, através do desenvol-
vimento de potencialidades de seus usuários, do fortalecimento de vínculos familiares e comunitários e da ampliação aos direitos de cidadania”. Os objetivos do CRAS não se restringem somente ao atendimento de famílias consideradas pobres, mas a todos aqueles que necessitarem de seus serviços, independentemente de qualquer indicador social. “É uma unidade que possibilita o acesso de um grande número de famílias à rede de proteção social de assistência social”, disse Diogo Matos, que ainda informou tratar-se de uma unidade da rede socioassistencial de proteção social básica que se diferencia das demais. “Além da oferta de serviços e ações, possui as funções exclusivas de oferta pública do trabalho social com famílias do Programa de Atenção Integral à Família (PAIF)”, completou Matos. O CRAS contará em breve com o apoio do Centro de Atendimento Socioinfantil (CASI), que já tem sua sede anexa ao CRAS. As obras estão concluídas, mas faltam ainda a definição e a montagem da equipe de trabalho. De acordo com Matos, o CASI atenderá a crianças e adolescentes dos seis aos 14 anos, que apresentam dificuldades de aprendizagem, sociabilidade e que se encontram em situação de risco e/ou vulnerabilidade social. Serão oferecidos projetos e oficinas, cujo objetivo é promover, de forma integral, a formação e a inserção das crianças e adolescentes na sociedade.
Inaugurado o Centro de Referência de Assistência Social - CRAS
Jornal das Lajes
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Aconteceu
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EMANUELLE RIBEIRO
Churrascaria Ramona: churrasco, cerveja e música conquistaram o público de Resende Costa e região No sábado, 15 de outubro, a Churrascaria Ramona apresentou o forró de Moreira e Banda. O cantor são-joanense promoveu o sertanejo mais agitado e colocou a galera pra dançar um animado arrasta-pé. Com muita música, churrasco e bebidas diversas, os clientes da Churrascaria Ramona puderam aproveitar a noite, mesmo com a chuva, que não deu trégua naquele fim de semana. Já no dia 29 de outubro, foi a vez do cantor Rubinho animar a noite, resgatando clássicos da MPB e trazendo também sucessos da atualidade. O público compareceu em grande quantidade. O cantor tornou a noite muito agradável, com um show leve, possibilitando aos presentes aproveitarem a boa companhia e ainda curtirem boa música. A Ramona tem acertado numa receita irresistível: churrasco, cerveja e música.
Emanuelle, André, Venâncio e Eustáquio, do JL, curtiram a noite na Ramona
Moreira agitou a noite sertaneja na Churrascaria Ramona
Érica e Fabiana
Wesley e Patrícia
Viviane e Paula
Sara, Patrícia e Angélica
Rubinho destacou os clássicos da MPB
Ednamara e Elmo
Didi e Neneca
Juliana e Júlio
Isabela comemorou seus 15 anos na Kaessy
Alisete e Brenda
A programação da Churrascaria Ramona tem agradado públicos de todas as idades
Mateus e Silvana
A Churrascaria Ramona tem atraído muitas pessoas vindas das cidades da região
Com uma grande festa no sábado, 22 de outubro, Isabella Coelho comemorou, na Kaessy Casa de Eventos, os seus 15 anos. Com seus pais, Carlos Alberto Coelho e Márcia Coelho, e a irmã Isadora Coelho, a debutante recebeu os convidados na comemoração, que contou com muita emoção, homenagens e a disputada e tradicional valsa. Depois do caloroso “parabéns pra você”, a galera caiu na balada.
Isabela com seus pais Carlos e Márcia
8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Nasceram um para o outro Não é de hoje que venho ouvindo isso. Inclusive, tem até uma variante: Sempre tem um chinelo velho para um pé cansado. Tem casais cujos pares combinam tanto entre si que passam a se parecer fisicamente um com o outro. Mais que irmão. Nasceram um para o outro. Já vi Geraldo casado com Geralda... Lauro com Laura... Fabiano com Fabiana... E o Paulo que se casou com a Paula? E aí, veio aquela paulada pra amamentar: Paulina, Paulete e Pauliene. Essa coisa é meio estranha. Tem casal que vive às turras, o cara bate na mulher, a mulher anda com não sei quem, unhada e soco, choros na delegacia... e o casal não se desgruda. Nasceram um para o outro. E aqueles casais que são cúmplices até na profissão? O marido é borracheiro e a mulher é mecânica. O marido é agente funerário e a mulher faz maquiagem no defunto. O marido é policial e a mulher é detetive. O marido é escritor e a mulher é revisora. Já viu esposa que é agenda do marido? Em casos assim, geralmente o marido é motorista da esposa. Nasceram um para o outro. Acho que aquela frase Eu não consigo viver sem você não é frescura. Se um nasceu para o outro, então se um morre o outro não demora a dar entrada no cemitério. Filosofia profunda aquela música antiga: “Aonde a vaca vai, o boi vai atrás...” Nasceram um para o outro. É o caso do Tristão com a Isolda. O grande cavaleiro
nascido na Cornualha queria com tal ardor a sua mulher amada que foi pra cama com duas Isoldas (favor, não relacionar isso com o nome da região onde o Tristão nasceu). Como não pôde ter definitivamente a primeira Isolda, ficou mais do que triste, morreu Tristão. Também nasceram um para o outro o Romeu e a Julieta. Dependiam tanto um do outro que escolheram fazer a mesma estupidez juntos: colocar os burros na frente do carro. Fizeram mais que nascer um para o outro: morreram um pelo outro. Tinha que dar nisso mesmo: ele inconsequente e metido a valente; ela burrinha e metida a sabidinha. As rimas não mentem. Nasceram um para o outro. Por incrível que pareça, ainda existem Penélopes que ficam a vida inteira fiando, confiando e desfiando o tempo e as oportunidades, sempre naquela fidelidade ao homem da sua vida. E o Ulisses não decepciona: aparece e vivem felizes para sempre. Nasceram um para o outro. Sabe aquela coisa da noiva, depois do casamento, jogar para trás o buquê? Pois é, tem moça que pega e ainda cai aos pés do futuro marido. Nasceram um para o outro. Não sei se a vida é exata ou hesita. Para uns, ela é exata como aquele chinelo velho esquecido num canto e sempre encontrado pelo pé cansado. Para outros, ela hesita até ficar exata: Essa é a minha metade, a minha eterna companhia! Bem, não é com todo mundo que isso acontece. Tem que nascer um para o outro.
__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
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Política
EMANUELLE RIBEIRO
Parlamento Jovem pode voltar ainda este ano Em 2008, se formava pela primeira vez em Resende Costa o Parlamento Jovem, uma iniciativa do vereador Paulo Daher (Paulinho da Elaine), na época presidente da Câmara Municipal de Resende Costa. O projeto foi instituído com o objetivo de despertar nos jovens a consciência da cidadania e a responsabilidade com seu meio social, sua comunidade. Durante os anos de 2008 e 2009 o projeto funcionou, mas desde o ano passado os próprios vereadores jovens demonstraram desinteresse ao não comparecerem às reuniões e, segundo Paulinho, para o projeto dar certo seria necessário um maior envolvimento da direção das escolas e da Secretaria de Educação do município. “Se o Parlamento Jovem não funciona é porque a Câmara Municipal não exerce bem sua função de fomentadora do projeto. O artigo 2°, parágrafo 4° diz o seguinte: ‘Competirá à Câmara Municipal através da Mesa Diretora e a Comissão de Ensino, Educação e Cultura da Câmara Municipal, indicar um representante de cada segmento para a elaboração da proporcionalidade e coordenação da eleição do Parlamento Jovem, estabelecendo normas, estipulando dias, horários e outras condições como assessoramento técnico compatível com a evolução dos trabalhos, que deverão ser observados pelos candidatos, garantindo igualdade entre os mesmos durante a campanha eleitoral’. Ou seja, cabe à Câmara Municipal dar início à organização das eleições e fomentar a renovação do Parlamento Jovem, o que não vem sendo feito. Todas as eleições do Parlamento partiram da iniciativa de alunos da escola Assis Resende. A Câmara apenas apoiava disponibilizando materiais”, declara Ramon Chaves, ex-vereador e presidente do Parlamento Jovem. Uma grande barreira enfrentada pelo projeto é a falta de interesse dos jovens da cidade. Talvez, se houvesse uma maior divulgação da importância do Parlamento Jovem e de sua representatividade, eles se importariam mais em participar do cenário político resende-costense. Outra forma de estimular a participação política dos jovens seria trabalhar esse assunto nas salas de aula. Para Paulinho Daher essa participação poderia ser trabalhada em disciplinas já ensinadas nas instituições, no dia a dia escolar, do qual a política faz parte. Ramon Chaves, que hoje já não é mais aluno da Escola Estadual Assis Resende, na qual os vereadores são escolhidos, acredita que “os
jovens não têm culpa disso, pois não são incentivados a participar da vida política de Resende Costa. Se a Câmara fizesse uma boa divulgação do projeto, mostrando à juventude resende-costense que ela pode ter representatividade através do Parlamento Jovem, com certeza não faltariam candidatos. O projeto, além de estimular a participação da juventude na política, pode fazer dela uma faixa etária mais ouvida e mais atendida em suas reivindicações e anseios. Não basta apenas aprovar uma lei e achar que ela irá entrar em vigor automaticamente, é preciso se envolver pela causa”. A estudante Ana Elisa Daher compôs a segunda bancada do Parlamento Jovem. Para ela esse desinteresse da juventude é explicado pelo fato de “os grandes escândalos políticos terem criado uma espécie de preconceito”. A jovem afirma que “não houve falha da escola e da câmara, pois elas apoiaram todas as iniciativas do Parlamento Jovem. Mas, a iniciativa não deve partir só dos estudantes e da escola, e sim de órgãos públicos como, por exemplo, a câmara e a prefeitura, com projetos que interliguem cultura e política”. Ana Elisa nos contou que vem se esforçando para que o Parlamento Jovem tenha continuidade: “Eu e outras pessoas, que já foram do Parlamento Jovem, estamos com o projeto de fazer novas eleições neste ano. Não só eleições, mas um projeto cultural para despertar o interesse e esclarecer qual o papel do Parlamento para os alunos”. A Câmara realmente pecou em abandonar o projeto, mas como explicou o vereador Paulinho, é preciso saber se os jovens mostrarão interesse em levar o Parlamento Jovem adiante, porque nos dois únicos mandatos, apenas alguns jovens se preocuparam em comparecer às reuniões e reivindicar os interesses da comunidade. O terceiro mandato do Parlamento Jovem coincidiu com
a saída de Paulinho da Presidência da Câmara, mas esse não pode ser considerado um motivo para impedir o vereador de lutar pelo projeto. Ele assume que houve uma esfriada no fim do segundo mandato e pelo desinteresse mostrado pelos jovens, ele não quis insistir muito, “parecer chato”, em querer dar continuidade ao Parlamento. Ana Elisa Daher esclarece o que deu errado na formulação do terceiro mandato: “No final de 2009, nós passamos nas salas convidando os alunos a se candidatarem, mas para haver eleição são necessários no mínimo nove candidatos, no entanto só sete pessoas se inscreveram”. Apesar dos desafios encontrados pelo Parlamento, o legislativo não deve desistir do projeto e os jovens deveriam participar mais ativamente da política local, pois várias reivindicações da população foram feitas pelos jovens políticos, entre elas o pedido de instalação de cestas de basquete no Ginásio Monsenhor Nelson, bem como a solicitação de melhorias das estradas rurais. Há ainda uma campanha em parceria com a Secretaria de Saúde para divulgar os papa-pilhas na cidade, que tinham o objetivo de dar destino adequado ao lixo tóxico, como baterias, pilhas etc. Foi feita também uma campanha incentivando os jovens maiores de 16 anos a fazerem seus títulos de eleitor, já que em 2008 aconteceriam as eleições municipais. Além disso, a partir de uma proposta do Parlamento Jovem, foi criada a Semana Municipal do Meio Ambiente. Após o interesse do JL em trazer o assunto Parlamento Jovem de volta, o vereador Paulinho Daher apresentou uma indicação na Reunião da Câmara do dia 24 de Outubro, convidando a Escola Estadual Assis Resende a realizar novas eleições para que se elegesse o 3º mandato do Parlamento Jovem.
Ramon Chaves (ao centro) foi o primeiro presidente do Parlamento Jovem
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APAE
ROSENI MARIA FERNANDES*
Coragem de assumir-se diferente
APAEs de todo Brasil comemoraram de 21 a 28 de agosto passado a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla. As atividades desenvolvidas durante essa semana tiveram como tema norteador: “A pessoa com deficiência quebra a cultura da indiferença. Tenha coragem de ser diferente”. A proposta deste ano é lutar para garantir direitos arduamente alcançados por movimentos sociais. Luta essa que vem de longa data. Se revisarmos vários momentos da história, podemos constatar o tratamento desumano com que era tratada a pessoa com deficiência. Muitas vezes ela era tratada como um ser inferior e, portanto, o Estado não tinha nenhuma obrigação de garantir-lhe direitos essenciais de sobrevivência. Na tentativa de mudar essa situação, a partir da segunda metade do século 20, pais e amigos da pessoa com deficiência, juntamente com profissionais de várias áreas, começaram a formar as primeiras entidades com o objetivo de colocar em evidência as potencialidades destas pessoas. E mais ainda, demonstrar que essas pessoas podem ser produtivas, desde que se invista e acredite nelas. Dessa forma essas recém formadas entidades colocavam em foco as discussões em questões sociais e de direitos. A partir desse momento muitas coisas aconteceram e muitos direitos foram garantidos por lei. Nossa constituição de 1988, em seu artigo 5° afirma que: “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à segurança e à propriedade”. Esses princípios são fundamentais para uma sociedade mais justa. Muitos ganhos foram alcançados, tais como: “autonomia e participação na sociedade, atendimento clínico, acessibilidade física, conquista de apoios em locais de grande circulação, criação de Conselhos Estaduais e Municipais, para debates sobre a situação da pessoa com deficiência nesses contextos, dentre outros avanços sociais”. Porém, infelizmente, muitos ainda não têm acesso a tais direitos e a luta agora é garantir que direitos garantidos
Alunos da APAE realizaram apresentação musical durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência
no papel sejam atendidos de fato. Outro objetivo buscado hoje por todos os envolvidos nessa luta é a criação de espaços onde a pessoa com deficiência possa se expressar, indicando os caminhos a serem seguidos pelos movimentos sociais. A APAE de Resende Costa promoveu durante esta semana várias atividades com o intuito de colocar em debate a situação da pessoa com deficiência em nossa cidade. A semana teve como abertura uma missa celebrada pelo pároco padre Eder nas dependências da instituição, dia 19. Fizemos no dia 21, domingo, uma visita a alguns artesanatos da cidade, quando pudemos comprovar a grande dificuldade de locomoção e acesso a muitos lugares. Logo após o passeio tivemos um delicioso almoço na Churrascaria Ramona. Destacamos também o V Seminário da Autodefesa que aconteceu no dia 23. A proposta desse seminário é ser mais um espaço onde a pessoa com deficiência fale sua própria história, relate seus caminhos na superação de suas limitações e revele seus sonhos Tivemos como palestrantes Márcia Regina Delgado e Isabela Cristina da Matta e Sousa, que nos presentearam com depoimentos cheios de emoção, exemplos de luta, superação e de amor pela vida. Ambas são grandes exemplos de que a deficiência é um obstáculo, mas não uma barreira intransponível e de que a inclusão no meio
Informes Culturais O Instituto Rio Santo Antônio (IRIS) convida a todos os interessados para a Assembleia Geral da entidade, a se realizar no dia 18 de dezembro próximo, domingo, no auditório da biblioteca municipal, a partir das 09h00.
IRIS
A reunião terá como pauta: 1) balanço das atividades do IRIS em 2011, mediante apreciação do plano de metas aprovado pela assembléia geral de 2010;
social é possível. No dia 24 aconteceu o dia da família, ocasião em que pudemos ouvir relatos de famílias de pessoas deficientes: suas lutas, sentimentos e vitórias. E reiterando o valor da integração/ interação entre pares, promovemos, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, a IV Mostra de Talentos dos Alunos e Atendidos da APAE e foi realizado um concurso de desenhos, frases e redação com o tema da semana. Participaram deste concurso todas as escolas municipais (rurais e urbana) e as escolas estaduais. No dia da mostra, sexta-feira, 26, no Parque do Campo, tivemos a honra de contar com a presença dos alunos e profissionais dessas escolas, autoridades municipais e representantes da APAE de Lagoa Dourada. Nessa tarde tivemos momentos de grande emoção. Foi um momento de coragem: coragem de ser diferente, de assumir-se diferente, de mostrar-se para sua comunidade como pessoa que é, não permitindo assim, que se perpetue a cultura da indiferença. Fechamos a semana no dia 28 com um “dia de cinema” em São João del Rei. A presidente desta instituição agradece a todos que direta ou indiretamente colaboraram para o sucesso desta semana. *Professora articuladora do Programa de Autodefensoria/APAE- Resende Costa. C.
2) eleição de nova diretoria executiva e novo conselho fiscal, como prevê o seu estatuto; 3) elaboração e aprovação de um plano de metas para o ano de 2012
MAC (Movimento Arena Cultural) informa Não realizaremos a 3ª edição do Festival de Bandas “Circuito do Som”, devido à antecipação do período de chuvas, bem como por termos realizado o 2º Circuito do Som, neste mesmo ano. AGENDA DE EVENTOS: Rua do lazer:
13 de novembro – Brincadeiras no Parque do Campo: presença de palhaços, jogos e muita música. Horário: 13h00. Aniversário do MAC: 19 de novembro - 1º Baile de Flash Back do MAC. Local: Churras-
caria Ramona. Horário: a partir das 22h00. Obs.: Durante o evento acontecerá entrega de troféus para empresas e pessoas que, até então, patrocinaram as atividades do MAC. Os ingressos custarão R$10,00 e o valor arrecadado será utilizado para captação de recursos para as atividades do movimento.
Gastronomia
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CLÁUDIO RUAS
O mineiro e o queijo Esse não é só o nome do recente filme dirigido pelo cineasta mineiro Helvécio Ratton. É uma história de amor, de tradição e até mesmo de sobrevivência. Um não vive sem o outro, o que mostra a importância desse alimento, não só como comida, mas em função de vários outros fatores. Evidências históricas da sua fabricação datam de aproximadamente 5.000 anos atrás e acredita-se que sua fórmula teria sido descoberta de forma acidental: antigamente utilizavam o estômago de animais como recipiente para armazenar coisas, como o leite. Até que um dia, esse leite coalhou graças às enzimas presentes no estômago, surgindo então essa maravilha do mundo. Em Minas, o queijo chegou com os portugueses, que trouxeram a técnica utilizada para fazer o tradicional queijo “Serra da Estrela” (também sovado no saco de algodão), que foi adaptada para se usar o leite de vaca, ao invés do de cabra. Nascia o queijo mineiro, que pra ser feito precisa basicamente de um processo simples, mas ao mesmo tempo complexo. Simples, porque basta o leite de vaca ao qual se adiciona o coalho (hoje em dia industrializado, mas que antes era extraído do estômago do tatu ou do porco) o qual faz a separação do soro líquido; um pano pra separar a massa do soro; uma forma e sal grosso por cima. Mas, por outro lado, é bem complexo, porque o que vai determinar a qualidade do queijo - além da habilidade do queijeiro - é o tipo da vaca, da terra e do pasto que ela come, da água que ela bebe, da utilização do pingo (soro do queijo anterior), da maturação adequada e até das bactérias existentes na região. É por essas e outras que aqui em Minas destacam-se os queijos Canastra (da região da Serra da Canastra, no centro-oeste) e do Serro (Vale do Jequitinhonha), assim como o da Serra do Salitre e Araxá (Alto Paranaíba). Nesses lugares a tradição e a qualidade dos queijos é tão forte que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) decidiu “tombá-los”, transformando-os em “patrimônio cultural imaterial”, o que
é importantíssimo para valorizar o queijo e resguardar sua forma de elaboração. Desse jeito, parece que está tudo perfeito por aqui, com um produto de qualidade internacional, símbolo do estado e único no país, adorado e consumido por todos. Mas não está. E o filme-documentário “O mineiro e o queijo” trata direitinho desse problema: de acordo com uma lei federal, o queijo artesanal, feito com leite cru (não pasteurizado), não pode ser comercializado fora do estado antes de atingir longos 60 dias de maturação, o que inviabiliza o negócio. É uma lei ultrapassada da década de 50, infelizmente influenciada pelo espírito capitalista norte-americano que tende a beneficiar o grande produtor em detrimento do pequeno. Ou seja, os queijos mineiros encontrados fora do estado – bem como grande parte dos encontrados por aqui - não são feitos de leite cru e de forma artesanal (prestar atenção no rótulo), mas industrial, perdendo qualidade, tradição e oportunidade de trabalho e renda para o povo do campo. Além disso, normas sanitárias exageradas inviabilizam de vez a produção formal do pequeno produtor, que acaba preferindo a ilegalidade ou então vender o leite para o laticínio, que por sua vez vai acabar fazendo um queijo ruim e caro. E isso infelizmente ocorre no estado inteiro, inclusive em Resende Costa, onde muita gente sabe fazer queijos excelentes, mas muitas vezes esses não saem da sua cozinha. Nos supermercados do país se vende queijo do mundo inteiro e de leite cru(!), mas o queijo do “sô fulano de tal”, de verdade, quase não existe mais. É um assunto muito bem tratado no filme, que traz a opinião de pesquisadores, técnicos e produtores e nos faz despertar para uma questão muito importante. Pena que não vai passar na Globo pra todo mundo ver, mas ainda assim vale uma pesquisa na internet. Patrimônio “nacional” que não pode sair de Minas? Só me resta encerrar com a frase da queijeira Waldete do Zé Mário da Canastra, com o sotaque mais lindo do Brasil: “Acho que se tirar os queijo de mim eu até adoeço...”
Dia
Evento
Local
Hora
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Recital de poesias e entrega de premiações do concurso literário
Bar da Esquina
A partir de 21h00
CPP
A partir de 20h00
Exposição de quadros, pinturas, livros e esculturas
Praça da Matriz
A partir de 15h00
Inauguração do espaço “LER – Letras Resende-
Biblioteca Municipal
A partir de 15h00
Projeto “Arte por Toda Parte” da Cia. Teatral Manicômicos: “A decisão da minha vida”
Praça da Matriz e Biblioteca Municipal
A partir de 15h00
Show musical com artistas do MAC
Praça da Matriz
A partir de 15h00
Logo após será realizada a Seresta de Natal Show musical com artistas do MAC 18
Peça teatral “Deu a louca no mundo das fadas” Projeto infantil “contando histórias” Show musical com artistas do MAC
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10 Jornal das Lajes Causos & Cousas
ANO VIII Nº 103 - NOVEMBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO
Um dia da caça, outro do caçador?
Ao que se sabe, esse provérbio significa, salvo engano, que na vida perde-se num dia e ganha-se no outro. Ou pode significar também que num dia ganha um, no outro, ganha o outro. Entretanto... Naquela manhã de Resende Costa, exageradamente límpida, lá pela década de 60, esse provérbio se aplicou de uma maneira complicada e engraçada. O sol já esparramava seus raios, envolventes e quentes. As senhoras Anália, Célia e Laura, irmãs do sô João Silvestre da Silva (conhecido como Nhô da Marica) moravam ali pelas bandas do “Beramuro”, logo abaixo da casa do Cumpadre Benedito Silva. Ao abrir as janelas que davam para o fundo e para o lado da casa, ali pelas nove horas, deram de cara com um inesperado e asqueroso vizinho. Por certo vindo da capoeira de Nossa Senhora da Penha (uma reserva florestal no coração da cidade), que divisava com os fundos da horta delas. Talvez pela semelhança com um jacaré ou crocodilo, ou mesmo, porque lembrava aqueles amedrontadores dinossauros da época jurássica, elas levaram um tremendo susto. Espichado sobre o muro, a poucos metros da janela, parecia estar tranquilamente dormindo. Sem as tradicionais mentiras de pescadores e caçadores, ele parecia ter um metro de comprimento por dois de sono. Alguns vizinhos e curiosos na rua já estavam também de olho nele. As senhoras, ainda meio esbaforidas, ouviram alguém cochichar: é um tiú, um baita largato (lagarto). Que fazer? Comentaram baixinho as senhoras, com receio de acordar o bicho. Matar? Mas como? Jogar alguma coisa nele? E se ele virasse contra elas? Foi quando uma delas se lembrou de um vizinho que morava duas casas
acima. Aquele que costumava, de vez em quando, passar na rua com uma espingarda no ombro. Deveria ser um caçador. Fiquem de olho no bicho, disse uma delas, enquanto eu vou chamá-lo. Sem fazer barulho, saiu na rua. Mais curiosos e vários meninos por ali, olhando e aguardando o desfecho daquela curiosa cena. Bateu na porta. Nagibinho abriu, ouviu a história, o pedido e prometeu descer logo para resolver o problema. Sim, o Nagibinho. Enquanto dorme o tiú, vale lembrar essa figura tão conhecida na cidade no século passado. Nagib Geraldo, seu nome, era filho do Miguel Nagib, libanês da família “Roman” que aqui aportou no início do século 20. Irmão do Sebastião e do Alderico Nagib, era um solteirão inveterado, de muitos amigos. Divertido, era mestre numa piada e fiel organizador das “chácaras do Judas”, nas Semanas Santas. Sua casa era aberta a todos, sobretudo à rapaziada, que gostava de, à noite, jogar um truco e depois fazer e degustar um frango acompanhado de taioba e angu. Meia hora depois, na sua tradicional calma, desceu o Nagibinho com sua velha espingarda. Essa espingarda tornou-se também protagonista desta estória. Pertenceu ao seu pai e era de tanta estimação que, acredite-se, tinha até um nome, engraçado: “Dona Maroca, não é de venda nem de troca”. Cônscio da sua responsabilidade para salvar as senhoras daquele apuro e risco, Nagibinho andou pra lá e pra cá, buscando o melhor ângulo de ataque. Não podia falhar. Estava em jogo sua fama de bom caçador e atirador. Tirou de um embornal os apetrechos necessários, espoleta, pólvora, chumbinhos e vareta para socar a pólvora. Caprichou na carga. Ajoelhou com um joelho e direcionou o cano para o alvo. Com um olho fechado e outro aberto, mirou
demoradamente. Silêncio absoluto. Ouviu-se um “pá!” seco e chocho e nada mais. A espoleta mascou. E o tiú nem abriu os olhos. Dizem que tiú não escuta. Seria mesmo verdade? Deve ser, até porque a gente, ao se referir a alguém muito surdo, costuma dizer: fulano é surdo feito tiú! Por essa razão o tiú daquela manhã simplesmente dormia, sem se dar conta da confusão ali por perto. Não terá ouvido o estalo da espoleta. Aumentaram os risos, mas ainda bem que tiú não ouve mesmo. Sem perder a postura, nosso herói limpou o cano e fez outra recarga. Agora bem mais caprichada. Outro silêncio, outro “pá!” e nada. Mais risos. Já meio sem graça, não quis dar o braço a torcer. Nova carga, essa de rachar o cano. Dedo no gatilho e capricho na mira. Expectativa. Puxou. Ouviu-se um barulhão e uma nuvem de fumaça cobriu atirador, tiú e arredores. Baixada a fumaça lá estava ele, imóvel. Abriu preguiçosamente um olho e, como que querendo gozar a cara do atirador, botou pra fora, meio de banda, uma comprida língua vermelha. Levantou-se, virou-se sobre o muro e, meio rebolativo, calmamente rumou para a capoeira. Missão cumprida, nosso caçador Nagibinho naquele mesmo dia dependurou sua velha “dona maroca”. Para sempre. E mais, dizem que este tiú vive até hoje, perambulando pela capoeira Nossa Senhora da Penha. Provavelmente botando a língua pra fora e ainda gozando a cara do Nagibinho. Pelo menos naquela manhã de sol de Resende Costa o dia foi da caça... (Agradeço ao Bacarini a sugestão e o relato da estória. Melhor teria sido se eu o filmasse a sua performance de narrador: memória, precisão, detalhes, empolgação e gesticulação de artista!)
Amirco
AMIRCO elege sua nova diretoria
A Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO), em assembleia geral realizada no dia 29 de outubro passado, elegeu sua nova diretoria. A diretoria anterior, sob a presidência do Eduardo Lara Coelho (Duda), exerceu seu mandato por quatro anos, não podendo seu presidente ser novamente eleito, conforme prescreve o estatuto da entidade. Os trabalhos da assembleia foram abertos com a presença dos associados Eduardo Coelho Lara, Rosalvo Pinto, André Eustáquio Melo de Oliveira, Hamilton Esequiel de Resende e Eustáquio Peluzi Chaves, tendo justificadas suas ausências os sócios Regina Coelho, José Márcio de Resende, Adriano Magalhães e Elaine Martins. Participaram da assembleia os novos associados José Venâncio de Resende, Ana Elisa Daher Resende, Ângelo Márcio Resende e Elvis Washington Reis. Uma chapa única para a nova diretoria foi composta e apresentada aos presentes: André Eustáquio Melo de Oliveira (presidente), José Márcio de Resende (vice-presidente), Rosalvo Pinto (secretário), Eustáquio Peluzi Chaves (diretor financeiro), Ana Elisa Daher Resende (diretora social) e Elaine Amélia Martins (diretora de comunicação). Essa chapa foi aprovada e simultaneamente empossada para o período de dois anos. Para a composição do Conselho Fiscal foram indicados, sob a presidência do primeiro, os associados Guilherme Novais, Hamilton Resende e José Venâncio de Resende. O estatuto da associação prevê ainda a composição de um Conselho Consultivo, com um mínimo de 10 e um máximo de 30 associados. Para essa função foram indicados, sob a presidência do primeiro, os associados Ângelo Márcio Resende, Adriano Magalhães, Antônio Silva Ribeiro Neto, Edésio de Lara Melo, Eduardo Lara Coelho, Emanuelle Resende
Ribeiro, João Magalhães, Luiz Antônio Pinto, Márcia Aparecida Resende e Maximiliano Vale de Resende Lara. Cumprido o objetivo principal da assembleia, os associados presentes trocaram ideias a respeito da AMIRCO, com sugestões de ações e eventos para atingir os objetivos maiores da entidade. Ficou decidido que os membros da diretoria deverão se reunir bimensalmente. Decidiu-se também que todos os associados serão convidados para um encontro informal de confraternização no final do presente ano, em data a ser posteriormente definida. O novo presidente propôs a reativação dos boletins periódicos de informação, a cargo da respectiva diretoria e a nova associada, Ana Elisa Resende, sugeriu a realização de ações que visem a levar a AMIRCO às escolas da cidade, bem
como a divulgação das ações da entidade via criação de um facebook. . Discutiu-se também sobre a participação da associação em ações que tenham como objetivo, juntamente com o poder público, a recuperação do Teatro Municipal, um espaço histórico que poderia ser utilizado para variadas atividades de caráter cultural. Foram os presentes informados sobre a aprovação, junto ao Fundo Estadual de Cultura (FEC), do projeto “Co-
Crônicas do Cotidiano
RAFAEL CHAVES
7 bilhões
Somos sete bilhões de pessoas no mundo!!! Quando eu nasci – e nem tanto tempo faz, pelo menos assim eu prefiro acreditar – éramos três bilhões. De onde surgiram esses quatro bilhões, em tão pouco tempo? Dá o que pensar. E eu penso, logo existo, no meio dessa multidão... Estima-se que 106 bilhões de pessoas já tenham vivido na terra, durante toda sua existência. Considerando que o homo sapiens teve origem cerca de 200 mil anos atrás, hoje, 6,6% de toda a humanidade está existindo em 0,0005% de sua história. Quando se fala em bilhões eu logo penso em dinheiro. Deve ser porque eu, desde criança, ouvia falar dos bilionários, daqueles sujeitos que aparecem na Forbes. Lá só aparecem esses. Acredito que ganharei na mega-sena, sozinho, um prêmio acumulado, o prêmio da virada, embora esse seja apenas um prêmio milionário, mas que deve chegar a um quinto do bilhão. É que nunca ganhei nada e, desse modo, ainda não desperdicei minha sorte, muito menos meus quinze minutos de fama. Falar em sorte, me veio um episódio entre mim e o Bichinho (lembram-se dele?). Pois certa vez ele veio me oferecer uma rifa de uma Variant (lembram-se dela?). Pois é, a rifa ia correr daí a uns quatro meses e eu fiquei de pagar depois. Mas o Bichinho começou a mandar os filhos me cobrarem lá em casa, todos os dias, cada dia um dos três, eu acho. Aquela cobrança me deixou tão injuriado (eu jamais tinha sido tão cobrado na minha vida!) que devolvi o bilhete. Adivinharam? Pois não é que era o bilhete premiado! Isso fora o fogão de ferro fundido que ele me vendeu e que eu deixei na casa dele por uns dias. Adivinharam? Quando fui buscar o fogão ele o tinha vendido para outro e fiquei a ver navios... Teve também o caso da rifa de um Fiat 147 novinho que meu irmão
leção Lageana II” (já divulgado pelo Jornal das Lajes), através do qual serão feitas mais três publicações, sob a coordenação dos associados Elaine Martins, Rosalvo Pinto e Regina Coelho: um Álbum Fotográfico de Resende Costa (fotos antigas e recentes), reedição da obra “Os inconfidentes José de Resende Costa (Pai e Filho) e o Arraial da Laje” de autoria de Rosalvo Pinto e “Móbi-
estava vendendo, para juntar dinheiro para a formatura dele. Pois ele me pôs, calouro que eu era na faculdade, a vender os últimos bilhetes, senão ele teria de pagá-los, à véspera do sorteio. Adivinharam? Vendi o bilhete premiado, mais precisamente o último do talão. É por isso que não reclamo, deve estar reservado algum prêmio bilionário, digo, milionário para mim. Voltemos aos sete bilhões, aos 7 bilhões de pessoas. Ghandi disse que há o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas, mas não há o suficiente para a ganância. É verdade! Ghandi também disse que todas as suas experiências lhe provaram que não existe outro deus que não a verdade. E essas verdades impõem uma escolha à humanidade: ou o suficiente ou a ganância. Ghandi era um otimista, ou seja, para ele a verdade estava na suficiência. Eu sou pessimista! O homem, creio, escolherá a ganância, ainda que não seja a melhor escolha, ainda que isso represente o seu fim. Só não sei quando a ganância, definitivamente, dominará a suficiência. Veja que a fome até merece um “we are the world” de vez em quando, mas o que preocupa mesmo, o que está sendo notícia a todo instante é a bancarrota da Grécia. Se a África está repleta de famélicos, o mundo não se importa, porém, se o azeite, o vinho e o cordeiro estão ameaçados de sumir da mesa dos gregos, isso sim, é um desastre. O pior – neste caso, coitado dos gregos – é que o sacrifício dos gregos é para pagar banqueiros. Somos sete bilhões, mas ainda dá para dar um “graças a Deus”. Afinal podemos nos refugiar em Resende Costa, mirando o horizonte do alto das lajes, longe da África e da Grécia, por enquanto. Eu até me dou ao luxo, digo melhor, vamos ser francos, ao egoísmo de me deitar (nu) na areia de uma praia fluvial do Rio Santo Antônio, isolado, só. Pior vai ficar quando, dizem, deixarmos de guerrear por petróleo para brigar por água... les de areia”, coletânea de crônicas de Evaldo Balbino. Por fim, os presentes propuseram que a AMIRCO participe ativamente, com ideias, projetos e ações, dos eventos comemorativos dos 100 anos da emancipação do município de Resende Costa, cuja data culminante será o 2 de junho do próximo ano.
Jornal das Lajes
ANO VIII Nº 103 - NOVEMBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Economia & Negócios
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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Empresários são-joanenses estão otimistas, apesar da crise mundial Os empresários são-joanenses estão otimistas com as perspectivas para 2012, apesar da previsão de menor crescimento da economia devido à crise mundial. Uma pequena amostra está nesta reportagem do JL, que ouviu homens e mulheres de negócios durante a 6ª Feira do Comércio, Indústria e Mostra Cultural (FECIC 2011). As vendas do setor de móveis residenciais cresceram em torno de 10% este ano, segundo João Afonso de Farias, proprietário da Verona Móveis e presidente da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (ACI del-Rei). Ele atribui o resultado ao efeito dominó provocado pela ascensão da classe C, cujo maior poder aquisitivo se beneficiou da estabilidade econômica e da forte expansão do crédito. Ano bom também para a “Art Feita à Mão”, fábrica e loja de móveis em madeira de demolição, há um ano e meio na cidade. A empresa, que tem linha própria de produtos e também trabalha sob encomenda, atende ao Brasil inteiro por meio da loja virtual. “Nós fazemos mais negócios pela internet do que na loja”, conta a proprietária Fátima Guimarães. Por isso, acredita que “o próximo ano pode ser ótimo”. O incremento dos negócios em 2011 fez com que a Companhia do Sono decidisse mudar seu ponto comercial da Colônia do Marçal para o início da Avenida Leite de Castro. Um dos sócios, Neymar Resende, conta que a novidade neste ano no mercado é o colchão articulado. A empresa, que trabalha com variedade de preços e flexibilidade no pagamento, espera em 2012 tirar proveito da maior visibilidade (novo ponto de vendas), melhoria da estrutura de atendimento e aumento do leque de produtos. No setor de máquinas e equipamentos, as vendas da Irmãos Chitarra foram bem melhores neste ano do que em 2010, segundo o proprietário Fábio Chitarra. A empresa comercializa ferramentas elétricas e manuais na região, inclusive com “bastante clientes em Resende Costa”. Mas ele não pretende “ficar sentado, vendo a crise passar”. A Del Rei Diesel também viu seus negócios crescerem em 2011, de acordo com o proprietário Daniel Sandim. A empresa fornece bomba injetora, bico injetor e turbina para caminhão, trator e caminhonete. A novidade neste ano é a injeção diesel eletrônica. “É a única máquina no mercado que testa três modelos diferentes de componentes diesel eletrônicos, através de comando de voz”. Ele espera mais vendas em 2012 porque “o caminhão é a base de tudo no Brasil”. A Master Sol, há apenas seis me-
Novos lançamentos de cristais com estanho em estande da Fecic
ses na cidade, atua tanto no segmento de aquecedores solares (distribuidora da Solterm) quanto no de cosméticos (distribuidora das marcas Bicho da Seda e Fórmula “R”). Para Arlindo Possato, os negócios nos dois segmentos estão dentro da expectativa da empresa e, com a participação na FECIC, ele espera alavancar as vendas. No segmento de duas rodas, o ano para a Emoção Motos, concessionária da Yamaha, não poderia ter sido melhor. E a perspectiva é ser melhor ainda em 2012, de acordo com Nivaldo Carvalho. “Quanto mais crise mais sobe a gasolina e aumenta o volum,; cerca de 25 motos usadas e 25 consórcios. As novidades para 2012 são o relançamento da Tenéré 660 e a instalação de ponto de venda em Resende Costa. Material de construção - Os três lançamentos deste ano – porcelanato interno, piso sobre piso interno e argamassa branca para pastilha comum e de vidro – contribuíram para o bom desempenho dos negócios da Argamassa Revestmais. Crescimento mês a mês, com os mesmos problemas, diz o diretor comercial Dimas Antonio de Resende. Ou seja, falta mão de obra, especialmente a qualificada. “Vamos tentando criar soluções para superar o problema”, No segmento de artesanato, a Cristais São Marcos tornou-se líder do mercado nacional neste ano, até então dominado pelos europeus, conta o empresário-artesão Antonio Carlos Molinari. Já as exportações ficaram aquém do esperado, apesar de a empresa vender para mais de 50 países. Ganham com isso os parceiros são-joanenses, a Imperial Estanho e a Estanhos Santa Clara. A parceria está dando resultado porque tem tido lançamentos, conta Molinari. Em 2011, a parceria com a Santa Clara lançou vaso com corrente, candelabro com corrente, candelabro com pingente e bombonière. Com a Imperial, abajur e vaso. José Anselmo de Souza, da Santa Clara, tem muita esperança nesta nova linha de produtos “porque é um diferencial no estanho, realmen-
te é um produto novo”. Na cerâmica, um grupo de artesãos montou a exposição “Simplesmente barro”, no Espaço Cultural da ACI del-Rei, com o apoio da própria associação, do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena e Empresa (SEBRAE) e do Conselho da Mulher Empreendedora. Foram cerca de 400 peças, entre utilitárias, decorativas, bonecos japoneses (haniwas), esculturas e pratos de porcelana (pintados a bico de pena). Já a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) montou o primeiro estande de cerâmica do curso de Artes Aplicadas. A receita da venda de tigelas e jarras, confeccionados pelos alunos, foi revertida para a ação solidária no combate à fome. Uma pré-microempresa – a Malu Mania – foi formada pelas artesãs Maria Filomena Monteiro Luz e Marilena Zanzoni Coelho Monteiro (Lena) para participar da FECIC. São trabalhos manuais em pedraria (pedras), bijuterias, misturadores de suco, móbiles, jogos americanos, toalhas bordadas, marcadores de livros, mandalas, anjos e chaveiros. “Esse trabalho é uma forma de incentivar as mulheres empreendedoras (trabalho feito em casa) a irem para o mercado”, conta Marilena. Mulher empreendedora como Luziê Assia, da Dois Ponto Zero Safia, trabalha com linhas de artesanato da Índia, do Egito e de grande parte do Oriente Médio. Ela vende os produtos em feiras e eventos, patrocinados por prefeituras e associações comerciais. Além de participar da FECIC pela segunda vez, Luziê vende para atacadistas são-joanenses e também atende a clientes de qualquer parte do país por telefone e e-mails. Quanto às perspectivas, prefere seguir o ensinamento mulçumano: atuar no horizonte de 100 metros que é até onde a vista alcança e se doar ao máximo nesses 100 metros. Banco e supermercado - No setor financeiro, o gerente do Bradesco em São João del-Rei, José Raimundo Pereira Amaral, comemora as novas
inaugurações de agências na região (como, por exemplo, as de Lagoa Dourada, São Tiago e Resende Costa), como parte da forte expansão da rede em Minas Gerais, “o Estado que mais inaugurou agências em 2011 (serão 111 no total)”. Ele considera a estreia na FECIC a “oportunidade de o banco estar realmente presente lado a lado com os micros, pequenos e médios empresários”. Além disso, “o banco está sempre dando apoio à bancarização”. O gerente administrativo do Baratello, Leonardo Rodrigo dos Santos, não acredita que os altos e baixos em 2011 tenham sido motivados pela chegada em maio do Bahamas. “Não sei se houve queda por causa do concorrente ou do mercado em si”. Com a normalização das vendas, o desempenho praticamente retomou o ritmo do ano passado. “Não existe nada melhor do que a concorrência”. Tanto que o Baratello manteve a fatia de 3% do mercado, depois da instalação do Bahamas. Guloseimas e bebidas – A participação em feiras, ao lado do “boca a boca”, tem sido um dos meios mais eficientes de propaganda do Rocambole Lagoa Dourada, também conhecido por Padaria do Jaci, que participou neste ano da FECIC pela primeira vez. Nesses eventos, é feita degustação e distribuição de material de propaganda, além da venda nos estandes. Se 2011 já foi bom, 2012 deve certamente repetir o desempe-
nho dos negócios, diz Jaci de Oliveira Andrade. “A crise costuma ajudar a gente; o povo para de viajar para o exterior e começa a viajar para o interior”. Há um ano e meio em São João del-Rei, a Mega Produtos, distribuidora das marcas Mamute Energy Drink, Suco Toda Hora e Conselheira Ice, quer ampliar sua fatia de mercado em 2012, embora considere que 2011 tenha sido “muito bom”, nas palavras de Ronaldo Galvão Cipriani. Além de energéticos, ice de aguardente e aguardente, a empresa começou, recentemente, a trabalhar com suco natural (pouco açúcar). E já atua em vários municípios da região, mas “a prova de que há espaço pra crescer é que eu nem fui a Resende Costa”, diz. O engarrafamento do trânsito é o termômetro de que as vendas estão aquecidas em todos os segmentos da economia, lembra João Afonso. “Quanto mais carros na rua, maior é o sinal de que o povo tem poder de compra”. Porém, o presidente da ACI del-Rei teme os efeitos da crise mundial sobre o Brasil. “Se o saldo da balança comercial (exportações menos importações) ficar negativo, o mercado interno não será suficiente”. Em resumo, o comércio só vai bem com estabilidade econômica e saldo comercial externo favorável. (íntegra disponível em www.jornaldaslajes.com.br).
Exposição de cerâmica no Espaço Cultural da ACI del Rei
Exposição do curso de cerâmica da UFSJ
12 Jornal das Lajes Giro Esportivo
ANO VIII Nº 103 - NOVEMBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG EMANUELLE RIBEIRO
A decadência dos mineiros
Reta final do campeonato brasileiro e o futebol mineiro está surpreendendo os torcedores, ou melhor dizendo, está decepcionando. Há anos acompanhando o campeonato, nunca vi isso acontecer: todos os times mineiros na parte de baixo da tabela de classificação, todos tentando escapar do rebaixamento. Vergonha! O América-MG já caiu, não há dúvidas com relação a isso. Parece que o Coelho não fez jus à sua fama de ligeiro e, como na fábula, dormiu no caminho e viu todos os adversários ultrapassarem. Com os maus resultados, o América pode ser considerado o lanterna verde do campeonato brasileiro, claro que sem os superpoderes. O que acontece é que os planos do América eram disputar a série B neste ano para se preparar e pensar em montar uma equipe para 2012. Mas tudo aconteceu rápido demais e o Coelho caiu de paraquedas na primeira divisão: com muita vontade de vencer, mas sem recursos, sem elenco, sem nenhum planejamento. A diretoria americana apostou no que lhe era viável, tentou até o ex-goleiro Milagres como técnico, mas parece que milagres não acontecem no mundo do futebol. E o Coelhão egoísta está querendo levar Galo e Raposa junto com ele e parece que os dois estão querendo aceitar o convite. O torcedor atleticano, coitado, já está acostumado a ver o time do coração brigar todos os anos para permanecer na série A e lutar por uma vaguinha na Copa Sul-Americana. E de que adianta todo esse esforço? Já que todo ano é o mesmo sofrimento, o Atlético vai para a Sul-Americana, mas é eliminado precocemente, tudo isso porque tem um Botafogo no meio do caminho. Em 2011, o Galo investiu em muitos jogadores, mas a maioria deles não se encaixou no time, exceto os jogadores da base como
Fillipe Soutto e Bernard, também o volante Pierre (do Palmeiras), o meia Daniel Carvalho, que teve chances com o técnico Cuca e até mesmo o veterano Magno Alves, que mostrou muita raça. Quem já viu algum jogo do Galo em 2011, sabe muito bem do que eu estou falando – já que gastou tanto dinheiro assim com contratações, o time não deveria ser tão feio. Um grave problema da diretoria alvinegra é a falta de planejamento na contratação de novos atletas: jogadores lesionados, sem ritmo de jogo, que não fizeram boa campanha em outros clubes são as preferências do Atlético. E o que é pior: o jogador é apresentado na Cidade do Galo na sexta-feira e no domingo já entra como titular. Tem cabimento? Isso é brincar com o torcedor, que um dia já viu um Atlético representado por grandes ídolos como o Rei Reinaldo, Dadá Maravilha, Toninho Cerezo e muitos outros. Apesar de tantos erros, o Galo está mostrando mais vontade que o rival Cruzeiro, e faz uma campanha muito melhor no 2º turno, o que o faz largar na frente do rival na corrida contra a segundona. Mas, o que o torcedor realmente espera é que os jogadores honrem a camisa e que o Galo deixe de ser um time para o ano que vem. O Cruzeiro viveu no início de 2011 um verdadeiro conto de fadas. Mesmo com a eliminação precoce e inesperada da Copa Libertadores, a Raposa conquistou o Campeonato Mineiro em cima do seu maior rival e ainda era considerada pelos comentaristas esportivos como uma das equipes que iria brigar pelo título do Brasileirão. Isso não aconteceu e o Cruzeiro, com uma atuação totalmente apagada, entrou para o clube dos desesperados, algo que não é muito comum na Toca da Raposa. A Raposa está acostumada a disputar a Libertadores em todos os anos
Finados
e, lembrando, que em 2010 ficou com o vice-campeonato brasileiro – só não ganhou porque pecou em situações em que não deveria ter pecado. Mas neste ano, a história é totalmente diferente: se o Cruzeiro se livrar do rebaixamento já pode se sentir realizado, será uma conquista e tanto, com direito a carreata e tudo mais! Uma das principais deficiências do clube celeste, que é muito criticada pelos torcedores, é o interesse financeiro, colocado acima de qualquer outra meta. O Cruzeiro não consegue manter os jogadores, os Perrelas não podem sentir o cheiro de dinheiro, que já estão dispensando os craques. A temporada atual resume muito bem essa mania do Cruzeiro, que vendeu jogadores como Dudu, Thiago Ribeiro e Gil e não encontrou jogadores para ocuparem esses “buracos”. Torcedor que se contenta com Anselmo Ramon, Bobô, Ernesto Farías, Wellington Paulista (de vez em quando faz gol), Keirrison (já jogou bola) só pode estar de brincadeira. Não que eles sejam ruins, mas um time do tamanho do Cruzeiro merece bem mais do que isso. O Cruzeiro tem a sorte de poder contar com Montillo, Fábio e outros poucos, como o volante Charles, que foi uma boa investida. Muitos comemoraram a saída de Perrela, que agora assumiu o Senado (melhor seria ter ficado no Cruzeiro), mas o novo presidente, Gilvan de Pinho Tavares, indicado por ele, então acaba que é tudo a mesma coisa. Apesar de os ventos não soprarem a favor, a Raposa ainda tem chances de se livrar do rebaixamento, é só aproveitar os jogos contra Avaí, Atlético-PR e Ceará, adversários diretos na briga pela permanência e, teoricamente, mais fracos. O que o Cruzeiro não pode fazer é deixar escapar esses nove pontos, como fez o Galo, ao empatar com Ceará e América-MG.
E R Cultura Arnova e ManiCômicos participam de evento promovido pela Secretaria de Educação e Cultura MANUELLE
A Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Resende Costa promoveu em 14 de outubro um evento cultural envolvendo o projeto “Arte Pura: crianças em busca de um sonho”, da Associação dos moradores do Bairro Nova Resende (Arnova) e o projeto Arte por Toda Parte, desenvolvido em Resende Costa pela Cia. Teatral ManiCômicos, de São João del-Rei. Foi a primeira vez que os alunos do projeto Arte Pura se apresentaram em público. Hoje o projeto conta com 42 crianças que aprendem a cantar e a tocar teclado, bateria, violão e flauta doce. Os jovens da Arnova fizeram três apresentações na noite: pop rock, com a professora Marina; sertanejo raiz, com a professora Carina e por último, os alunos da professora Maíra apresentaram o sertanejo universitário. “A graciosidade das apresentações das crianças com idade entre oito e 15 anos de idade encantou a noite, deixando claro que num futuro breve, Resende Costa será agraciada com novos talentos, que enriquecerão os eventos na cidade”, declarou a locutora da Rádio Inconfidentes, Ângela Maia, que apreciou as apresentações na noite do dia 14. Em conversa com a presidente da Arnova, Ítala Carolina da Silva, ela disse ao JL que os alunos superaram todas as expectativas e deram um passo importante: “O sentimento é de superação e muita felicidade. Eles ficaram muito ansiosos por ser a primeira apresentação do projeto, mas foi muito legal. Esta é uma vitória de todos”, afirma. Ainda conforme Ítala, a Arnova tem planos de ampliar o número de atendidos pelo projeto, aproveitando a construção da nova sede da Associação, que consequentemente oferecerá maior espaço e melhores condições para trabalhar. A participação da Cia. Teatral ManiCômicos contribuiu para deixar a noite mais alegre. Ao som das gargalhadas da plateia, a Cia. apre-
IBEIRO
sentou a peça “A usuária”, uma produção própria, a partir de uma nova ação do Grupo Experimental ManiCômicos (GEM). “O elenco da peça é formado por alunos formados em nosso curso profissionalizante com a vontade de continuar fazendo teatro juntos. É mais uma forma que a ManiCômicos encontrou de contribuir com o movimento teatral na região”, declara Jean Fábio, coordenador do projeto Arte por Toda Parte em Resende Costa. O curso profissionalizante que Jean citou não conta com nenhum aluno de Resende Costa, pelo menos por enquanto. Sobre o Arte por Toda Parte, Jean explica que “em 2011 o projeto conta com duas turmas no Curralinho dos Paulas, duas na E.M. Conjurados e uma na Casa de Cultura”. De acordo com ele, ao longo do ano mais de 100 alunos participaram das aulas semanais de teatro. A peça “A Usuária”, como informado, não teve nenhum resende-costense no elenco, mas os alunos da cidade participaram e puderam se apresentar na VII Mostra Arte por Toda Parte em São João del-Rei, no dia 24 de outubro. Os estudantes da E.M. Conjurados apresentaram as peças “O pão mágico” e “A floresta encantada” e os alunos que fazem aula na Casa de Cultura apresentaram a peça “A decisão da minha vida”. Alguns dias antes, no dia 18 de outubro, os artistas locais estrearam se apresentando para uma plateia de 100 alunos, na E.E. Assis Resende. Jean informou que outras apresentações estão previstas nas escolas dos distritos rurais. “O objetivo principal do projeto é a transformação da realidade sociocultural de Resende Costa através da promoção do acesso à arte. Em parceria com as Secretarias Municipais de Assistência Social, Educação e Cultura, desde 2009 o projeto vem crescendo gradualmente e alcançando cada vez mais pessoas”, conclui Jean Fábio. FOTO - TIAGO LOMBELLO
EMANUELLE RIBEIRO
Feriado de Finados leva centenas de pessoas ao cemitério local
Centenas de pessoas passaram pelo cemitério de Resende Costa no dia de Finados. As pessoas aproveitaram esse dia para visitarem os túmulos de amigos e familiares. O 2 de novembro é o dia de manifestar a saudade, de resgatar as boas memórias, é o dia de celebrar o amor. “O dia de Finados consiste em colocar em prática a fé que a gente professa, a comunhão com os mortos, que acontece através da nossa oração, quando rezamos pelos que já se foram. É um dia de curtir saudades dos nossos entes queridos. A Igreja católica celebra este dia, porque acreditamos na ressurreição dos mortos. Jesus foi o primeiro a ressuscitar, mostrando para nós esse belo caminho que devemos percorrer”, declara o padre Eder Santos, pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, em Resende Costa. O costume de orar por aqueles que já se foram existe desde o século I. Mas foi a partir do século V que a Igreja passou a dedicar um dia por ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém se lembrava e assim surgiu o dia
de Finados. O pastor José da Silva, da Igreja Batista de Resende Costa, explica a concepção dos batistas acerca do mistério da morte: “Nós, os batistas, cremos que a morte é consequência do pecado e o início de uma outra vida. Mas, logicamente, nós respeitamos e nos lembramos dos nossos mortos. Jesus Cristo disse uma vez: ‘Deixe que os mortos sepultem os seus mortos’, não podemos ficar presos a esses sentimentos fúnebres, devemos seguir em frente”. Um dos túmulos mais visitados no dia 2 de novembro foi o do monsenhor Nelson Rodrigues Ferreira. Ele assumiu a paróquia de Resende Costa em 1944, contribuindo significativamente para o progresso de nossa cidade. Monsenhor Nelson atuou em diversos segmentos, principalmente na educação, oferecendo oportunidades à população, que não tinha muitos recursos naquela época. Faleceu em 1988 e desde então os visitantes nunca se esquecem de orar pela sua alma e também de pedir pelas graças e bênçãos. O dia de Finados é um dia para
refletir sobre nossa passagem pela Terra e de repensar nossas atitudes. Muitas pessoas temem a morte, mas como podemos temer algo que não conhecemos? Crer na vida eterna é uma maneira de acreditar que tudo o que fazemos nesse mundo terá continuidade em outro lugar, de que um dia poderemos encontrar os nossos amigos e familiares. Eis aqui uma passagem de Santo Agostinho, aquele que não temia a morte: “A morte não é nada. Apenas passei ao outro mundo. Eu sou eu. Tu és tu. O que fomos um para o outro ainda o somos”.
Cia. ManiCômicos em apresentação no Teatro Municipal de São João del-Rei