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Edicao 102

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ANO VIII Nº 102 - OUTUBRO 2011 / RESENDE COSTA - MG

Mirante das Lajes foi palco de eventos culturais

DISTRIBUÇÃO GRATUITA

Lagoa Dourada: renovação no contexto das correntes políticas tradicionais Lagoa Dourada é o destaque desta edição na série sobre política regional. Duas correntes políticas revezam-se no poder desde a emancipação do município em 1911: os “pegas” e os “braquiárias”. A renovação dá-se no âmbito estrutura política tradicional. Lagoa Dourada é conhecida por ser o berço do jumento “pega” e referência na produção do famoso rocambole. Pagina 05

Câmara Municipal promulga lei que visa a extinguir as sacolas plásticas do comércio

Sacolas e sacos plásticos, tão nocivos ao meio ambiente, estão com os dias contados em Resende Costa. A Câmara Municipal promulgou a lei nº 3.514, que determina a sua substituição, pelos comerciantes, por sacolas e sacos de lixo ecológicos. Tal substituição é facultativa durante os dois primeiros anos de vigência da lei, tornando-se obrigatória após esse período.

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O público curtiu, em grande número, a programação do 3º Luau nas Lajes

O Movimento Arena Cultural (MAC) e o Instituto Rio Santo Antônio (IRIS) realizaram, em 30 de setembro, o 3º Luau nas Lajes. O evento reuniu diversas atrações culturais, tendo também como objetivo a revitalização do Mirante das Lajes, patrimônio histórico e ambiental de Resende Costa. O público ainda pôde visitar uma exposição de fotografias históricas da cidade. Página 06


2 Jornal das Lajes Editorial

Um passo importante

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A Câmara Municipal de Resende Costa deu um passo importante rumo a uma maior conscientização acerca da preservação do meio ambiente, como mostra uma reportagem desta edição. No dia 28 de setembro passado, o presidente da casa, vereador Luís Cláudio (PDT), promulgou a Lei Municipal nº 3.514, que exigirá do comércio local a substituição das sacolas plásticas pelas sacolas ecológicas. O projeto é de autoria dos vereadores Paulo César Daher Chaves (PT) e José Roberto de Sousa (PSDB). Atualmente, a quantidade de sacolas plásticas encontradas nos lixões e nas margens de córregos e rios é assustadora. Ninguém sai de um supermercado, ou de uma farmácia, sem a famigerada sacolinha, mesmo quando a compra se resume a uma pilha ou um tubo de creme dental. Infelizmente no Brasil o discurso de conscientização ainda não é tão eficaz quanto em alguns países desenvolvidos, nos quais a população já assume um compromisso com a cidadania e com a preservação do meio ambiente. Na seção Foto e Situação do Mês, da edição passada, o JL revelou uma verdadeira atitude de afronta à cidadania e ao meio ambiente em Resende Costa. Alguns “cidadãos” vêm, há tempos, jogando lixo doméstico e entulho de construção nas margens da rodovia que liga Resende Costa a São Tiago. Não respeitam sequer a placa que indica a proibição de jogar lixo naquele local. Quando a conscientização não surte efeito, as ações precisam partir de uma legislação séria e eficaz. A fiscalização ao mesmo tempo deve ser incansável e radical. Enquanto a polícia não começou a radicalizar na fiscalização quanto ao não uso do cinto de segurança, aplicando multas e registrando pontos nas carteiras de habilitação, quantos acidentes não foram letais pelo não uso do cinto? Não foi a consciência dos condutores que fez diminuir o número de acidentes devido à embriaguez nas estradas, mas uma lei rigorosa, de tolerância zero, incluindo o teste do bafômetro. A lei deve assumir sua função pedagógica, ou seja, educar. A Lei Municipal nº 3.514 promulgada em Resende Costa, de acordo com os vereadores que a idealizaram, pretende tentar iniciar uma necessária mudança de mentalidade na relação homem/natureza. Ainda não nos conscientizamos que fazemos parte das entranhas da Mãe Terra e, consequentemente, somos responsáveis por ela. As nossas ações de hoje certamente definirão o destino das próximas gerações e do planeta. Torna-se então cada vez mais necessária uma mudança de postura, que pode começar por pequenos detalhes. Se todos os consumidores optassem por ter uma sacola reutilizável, como acontecia antigamente, a quantidade de resíduos plásticos lançados ao meio ambiente diminuiria consideravelmente. O impacto seria também visível na economia, pois o comércio economizaria na compra das sacolas. No final todos saem lucrando. Espera-se que a partir de agora o poder público resende-costense inicie uma fiscalização para realmente se implantar na cidade a substituição das sacolinhas, seguindo os passos de municípios que estão em sintonia com as causas ambientais e compromissados com o futuro. Mas que o processo não se restrinja somente à lei e a penalidades. O cidadão deve se conscientizar de que ele é o principal agente dessa e de outras mudanças. Antes de se assustar com a seca e com a falta d’água, comece a economizá-la; participe da coleta seletiva; leve sacolas reutilizáveis ao supermercado. Principalmente, eduque seus filhos para uma melhor relação com o meio ambiente.

Jornal das Lajes Ltda

CNPJ: 09.323.470/0001-60 Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro (32) 3354-1323 - Resende Costa - MG CEP: 36.340-000 Diretor de redação: Rosalvo Pinto Editoração: Rafael Alves Editor de Esporte: Geraldo Aires Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Jornalista responsável: Floresta - Belo Horizonte José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP Tiragem: 3000 exemplares Diretor Administrativo: Circulação: Eustáquio Peluzi Chaves Resende Costa e São João del-Rei Diretor de Contabilidade: Os artigos assinados não refletem Antônio da Silva Ribeiro Neto obrigatoriamente a opinião do jornal. Editor-chefe: André Eustáquio

ANO VIII Nº 102 - OUTUBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

O verso e o controverso

JOÃO MAGALHÃES

Confessar-se ateu ainda é muito perigoso!

Não é intenção deste comentário debater ateísmo, crença em Deus, fé, agnosticismo etc. Nem problematizar a questão dos preconceitos que, por enquanto, parecem-me inerentes à condição humana. Até hoje, o passado não os viu desaparecer. O futuro verá? Pretende, sim, questionar e debater discriminação - ações e/ou atitudes, comandadas exclusivamente por prevenções e preconceitos. Por que se discriminam a mulher, o homossexual, o diferente por raça, por classe social, por credo, o não-crente, o deficiente, senão pelo preconceito? Contra segregações, separações, intolerâncias, há que se travar luta feroz e contínua. Li na imprensa a seguinte notícia: “A suposta veiculação de mensagens ofensivas contra ateus motivou uma ação civil pública do Ministério Público Federal contra a emissora RedeTV! e a Igreja Internacional da Graça de Deus. Segundo a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, durante o programa O Profeta da Nação, que foi ao ar em 10 de março último, o apresentador João Batista afirmou: “Chega para frente em nome de Deus. Só quem acredita em Deus pode chegar para frente. Quem não acredita em Deus pode ir para bem longe de mim, porque a pessoa que não acredita em

Deus é perigosa. Ela mata, rouba e destrói. O ser humano que não acredita em Deus atrapalha qualquer um. Mas quem acredita em Deus está perto da felicidade” Infelizmente, o conceito de que o não-religioso e sobretudo o ateu não merecem confiança, não são éticos, não têm moral, não têm espiritualidade, ainda está arraigado numa grande porcentagem da população. Li uma enquete, por este tempo, na qual se mostra que seria mais fácil um candidato gay ganhar para presidente da república do que um candidato que se confessasse ateu. Portanto, comparando o preconceito contra o ateu com o preconceito contra o homossexual, o ateu é considerado mais pernicioso. Isso já aconteceu. Um candidato a prefeito de São Paulo perdeu a eleição, praticamente vitoriosa, porque no último debate revelou-se ateu. Achar que moralidade, honestidade, ética, lealdade, caráter, humanismo, benemerência, são propriedades características, ou seja, apanágio, só dos crentes, dos religiosos, é um tremendo preconceito e uma ignorância maior ainda. Qualquer conhecedor simples das inquisições católicas e não católicas sabe disso. Não precisa ir tão longe. Só fanáticos e ultra-alienados ignoram ou perdoam os escândalos e falcatruas de toda laia, prota-

Dicas de Saúde - Pública

gonizadas com tanta frequência por arautos de religiões e fé. Religião é uma das formas de espiritualidade. Certamente, a mais comum. Mas não é a única. Pode-se ter uma espiritualidade, desgarrada de fé religiosa, oriunda de uma mística vinda da contemplação do mistério da existência, nascida de um deslumbramento frente ao universo, como argui e testemunha André Comte-Sponville, prestigiado filósofo e conferencista da Sorbonne, no seu belo livro O Espirito do Ateísmo (Martins Fontes, São Paulo, 2007). Pode-se constatar: práticas religiosas, fé em Deus, ritos, cerimônias, não são as únicas vias para a transcendência. Para citar um exemplo, dentre os numerosos que conhecemos. Você tem coragem de desmerecer uma grande figura do humanismo brasileiro, Oscar Niemeyer (103 anos!) - que por sinal publica agora um livro sobre seus 16 projetos de igrejas e mesquitas -, porque ele é ateu convicto?! Loas ao Ministério Público. Lástimas à emissora e ao programa, responsáveis por tal disparate! É o que penso. E você?

LUIZ ANTONIO PINTO*

Urgência/emergência - SUS Resende Costa

Vem aí o protocolo de Manchester!

Em implantação no país e no estado, estará chegando para nós, ainda este ano, o sistema de triagens de atendimentos chamado Protocolo de Manchester. A iniciativa, pelo país afora - e agora para nós - tem como objetivo racionalizar e melhorar o atendimento nos serviços de urgência. Perto de nós, está em processo de implantação na recém-inaugurada Unidade de Pronto Atendimento (UPA), de São João del-Rei. É comum vermos em nossos serviços de urgência diversos tipos de atendimentos: desde aqueles que significam risco de vida para os pacientes (infartos, traumas etc.) até aqueles de resfriados simples, alergias, manchas, dores crônicas etc. Aí entra o Protocolo de Manchester: após treinamento do pessoal de acolhimento - médicos/enfermagem - os pacientes são classificados em cores: azul, amarelo, laranja, verde e vermelho, recebem cartões ou pulseiras nestas cores e o tempo de atendimento é determinado através deste protocolo, que vai variar de imediato, até algumas horas ou os mesmos serão enviados para atendimento em ambulatórios. Imagine você, leitor, com uma fratura grave, com muita dor e várias pessoas com gripes simples, sem maior repercussão no corpo, sendo atendidas na sua frente ou mesmo tumul-

tuando o serviço de urgência. Os usuários poderão estranhar no início, mas a triagem/acolhimento através do Protocolo de Manchester só virá beneficiar aqueles que realmente são urgências, ou riscos de vida. Pequenos atendimentos, de doenças mais simples, serão atendidos em ambulatórios regulares. Isto é o certo! Em breve teremos o SAMU em Resende Costa e região! Também está prevista para novembro próximo a implantação do Serviço de Assistência Móvel de Urgências (SAMU). Após concurso e treinamento de todo o pessoal, aquisição de ambulâncias, construção da sede regional em Barbacena, o SAMU finalmente iniciará seus trabalhos ainda neste ano. Resende Costa terá uma ambulância em sua sede. As equipes, formadas por médicos, técnicos socorristas e motoristas, orientados pela central, atenderão aos municípios da região, para os casos de urgência e emergência, com risco de vida, sempre que a remoção for necessária, para os diversos locais de atendimento, de acordo com o grau de complexidade de cada caso. Atualmente já vemos, pela televisão, as equipes do SAMU funcionando todos os dias, principalmente nos grandes centros. Em nossa região serão cerca de 50 cidades atendidas pelo projeto, iniciativa do governo federal e em parceria com

Classificados: Vende-se ou troca-se um apartamento semi-acabado na rua Pérsio Babo de Resende, Centro, em Resende Costa. Contato: (32) 9955-6029

estado e municípios. Com certeza será um grande serviço para nós e nossa região! Novembro é mês de Conferência Municipal de Saúde! Acontecerá, em 26 de novembro, a 11ª. Conferência Municipal de Saúde de Resende Costa. Será mais um momento de reflexão do SUS, em seus diversos aspectos, avaliação do nosso SUS municipal e proposições novas para os próximos dois anos. Ao final da conferência, será eleito o novo Conselho Municipal de Saúde - órgão máximo e deliberativo do SUS. As pré-conferências preparatórias serão realizadas a partir de outubro, em todo o município. Para a zona urbana, a pré-conferência está marcada para o dia 5 de novembro, às 17h00, na Biblioteca Municipal, para a qual estão convidados todos os segmentos de nossa sociedade civil organizada. A participação do maior número possível de pessoas é essencial par o bom resultado da conferencia municipal e para o futuro do SUS. Na próxima edição, o Jornal das Lajes publicará o convite com toda a programação desse importante evento. O SUS é do povo, pelo povo e para o povo. Vamos defendê-lo sempre! *Clínico geral e sanitarista


Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 102 - OUTUBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Contemplando as Palavras

Uma viagem de passeio feita em julho deste ano me levou a observar a interessante relação que se estabelece entre a pessoa que está fazendo turismo e a sua máquina fotográfica. Um dos primeiros itens a ser incluído na bagagem (na minha, inclusive), esse acessório de viagem turística deveria deixar de ser assim considerado porque, na verdade, ele é indispensável para quase todo mundo nessa situação. Antes de mais nada, preciso dizer que até eu, que nunca morri de amores por fotografias que tiravam de mim ou que eu mesma tirava, tomei um certo gosto pela coisa. Para quem tinha verdadeira aversão ao clique da máquina apontada para mim, mudei muito. Ou era mesmo falta de jeito para o “olha o passarinho!”, sei lá! Sei é que enquanto durou a minha fase, digamos assim, fotofóbica, dei conta de fugir de muitas fotos, até de algumas em que deveria aparecer. Reconheço isso hoje. Em razão

REGINA COELHO

Olha o passarinho!

desse antigo comportamento, não tenho o registro em foto de certos momentos propícios a isso, alguns até muito importantes para mim. Acontecia que na hora da pose não sabia simplesmente o que fazer. Onde coloco as mãos, meu Deus? Deixo o cabelo para trás ou é melhor jogá-lo para frente? Convém mostrar um leve sorriso ou não? Era um problema, agora felizmente superado. Dito isto, voltemos ao turista e sua sempre presente câmera fotográfica, o que, de cara, já o identifica como tal. E tome fotografia! É incrível como praticamente tudo pode lhe servir de motivo para uma clicada a mais. Fotos em frente a fachadas ou monumentos famosos, ah, isso todo mundo faz. Mas já vi gente fotografando, por exemplo, uma fruta exótica exposta em banca, vitrine de rua ou no café da manhã, isso quando não é fotografada a própria mesa do café. Uma determinada porta diferente de hotel, uma es-

preguiçadeira bem prática da praia ou mesmo aquela fontezinha luminosa toda charmosa merecem uma foto. É que a gente pode querer fazer igual alguma delas um dia. Tem aquele tipo que não perde a oportunidade de registrar toda e qualquer manifestação popular. Pode ser uma banda passando, um sujeito vestido em trajes extravagantes ou um garoto escalando um coqueiro altíssimo. Nesse afã todo em busca da melhor imagem, vale quase tudo, desde esticar o braço até as alturas para alcançar o objeto a ser fotografado, deitar-se no chão e captar determinado teto maravilhoso, até escalar um ponto bem alto e perigoso e de lá conseguir o lugar ideal para mais uma fotografia digna talvez de premiação. Se possível, é preciso tirar várias fotos do alvo escolhido, sob todos os ângulos. Vai que a pessoa perde algum detalhe e aí... É melhor se garantir com mais um clique. Passado o momento da via-

Informe Publicitário

Vereador Bacarini consegue veículo para a saúde

A pedido do vereador Bacarini, o deputado estadual Carlos Gomes (PT) direcionou verba para a aquisição de um veículo para a Prefeitura Municipal de Resende Costa. Trata-se de uma kombi zero km de 12 lugares, que já está sendo utilizada pela Secretaria de Saúde em viagens de pacientes para Belo Horizonte e São João del-Rei, conforme

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divulgou o informativo da Prefeitura Municipal nº 06. Para 2012, o vereador Bacarini está negociando com o deputado estadual Pompilho Canavez (PT) recursos no valor de 200 mil, que serão direcionados para as seguintes entidades: Expedicionários, Boca Júnior, bandas de música e várias associações de moradores.

gem, vem a ansiedade para mostrar aos mais próximos (ou não, quando o material é jogado no computador) o que foi o passeio. Nessa hora, fica claro que certas fotos ou quase todas simplesmente não interessam a eles. Francamente falando, algumas delas não fazem tanto sentido nem para o seu próprio dono. A propósito, minha amiga Popó tem uma teoria bacana sobre isso. Segundo ela, vale o sentimento da gente na hora da foto. O que a gente teve vontade de expressar através daquela imagem. Concordo inteiramente com ela. Outro aspecto que me chama a atenção nessa ligação do turista com a sua câmera é a maneira como ele se posiciona para as fotos. É engraçado observar como cada um se comporta. Os mais jovens, normalmente, gostam de mostrar a irreverência típica da idade. Aparecem sempre muito alegres, mostram dentes, às vezes língua, aparelho ortodôntico, piercings e tatuagens. Fazem gestos largos e, se a foto é de

turma, é difícil saber quem é o mais animado, a julgar pela expressão facial. Entre as meninas, parece que é tendência atual ficar de perfil. Já as pessoas mais maduras são mais contidas. Algumas se mostram até travadas, parecendo estátuas. Há quem fique com semblante até triste naquele instante só de alegria. Drama mesmo acontece quando o turista perde a sua quase inseparável companheira de viagem num raro momento de distração em relação a ela. Isso pode significar o fim para ele. Voltar para casa sem ela e, consequentemente, sem o material produzido com tanto empenho e satisfação deve ser muito desagradável. Uma observação final: não usei o termo “retrato” uma única vez. Hoje tiramos fotos, não mais retratos, não é mesmo? Seja lá como for, o importante é poder guardar com a gente os bons momentos dos passeios. Do dia a dia também, que eles podem ser igualmente inesquecíveis.


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Jogo Aberto

ANDRÉ EUSTÁQUIO / JOÃO MAGALHÃES

“Parece que em cada brasileiro há um pedaço de história guardado e que floresce quando uma viola toca” (Max). Compositor, instrumentista e professor, Maximiliano Vale de Resende Lara, 33, é um músico eclético, que exibe inquestionável talento tanto na música erudita quanto na popular moda de viola. Natural de Resende Costa, Max reside desde 2008 em São João del-Rei, onde leciona geografia nas redes municipal e particular. Nesta entrevista, Max fala sobre a sua formação musical, influências dos grandes mestres da música mineira e seu novo trabalho, um CD dedicado ao repertório da viola caipira. Quando e como se deu o seu interesse pela música? Tudo começou quando eu tinha uns oito anos de idade. Eu, meu irmão Leo e meu pai começamos a ter aulas de teoria musical com a maestrina Aleluia (regente do Coral Mater Dei, de Resende Costa). Foram dois anos de aulas de teoria musical e depois comecei a estudar violão e piano. Depois veio o interesse por outros instrumentos: o contrabaixo, o violoncelo, a flauta transversal e, finalmente, a viola. Você é um músico que transita por diversos gêneros musicais. Qual o estilo ou o gênero que mais o influencia? Bom, como não poderia ser diferente, o que mais marca a minha vida musical é a música feita em Minas Gerais. A música colonial (com os compositores Manoel Dias de Oliveira, Presciliano Silva, João da Mata, Padre José Maurício Nunes Garcia, Padre José Maria Xavier, Antonio de Pádua Falcão), o Clube da Esquina (Beto Guedes, Lô Borges, Toninho Horta, 14 Bis etc.) e os violeiros mineiros (Chico Lobo, Pereira da Viola, Wilson Dias, Gustavo Guimarães, Pena Branca e Xavantinho). Além desses, não posso deixar de citar a influência da música clássica, especialmente o maior de todos, Bach. Você possui composições ecléticas que vão desde a música popular até a música sacra erudita. Fale um pouco sobre a sua atuação enquanto músico e compositor de música erudita. A música erudita é mais complexa, pois não se trata de uma manifestação popular e sim de razões específicas dentro de um contexto musical e escrito, no meu caso mais voltado ao lado religioso orquestral. Tenho algumas missas e peças para diversos momentos litúrgicos para coro e orquestra. Sinceramente, é um aprendizado enorme compor essas peças, pois elas obrigam o

verdade, posso classificar essa nova fase da minha vida como um renascimento musical e devo tudo isso ao querido amigo Luiz, mais conhecido por nós como Dr. Luiz. Ele me fez acreditar naquilo em que nem eu acreditava mais, e sou muito grato a ele por isso. É uma pessoa muito especial pra mim. Também tenho que ressaltar o apoio incondicional que sempre tive dos meus pais e da minha esposa Priscila.

músico a pensar na harmonia e na diversidade de cada instrumento dentro de um conjunto complexo como uma orquestra, o que é base fundamental para qualquer composição, erudita ou popular. Como conciliar a pastoral litúrgica atual, que implica na participação do povo nos cantos, com o ritual tradicional, sobretudo com a música sacra executada por orquestras e outros instrumentos, como o órgão? Esse é um grande desafio. Infelizmente, muitas pessoas associam a música sacra antiga àquilo que não serve mais aos propósitos religiosos atuais. Eu penso o contrário. Acredito que a música é acima de tudo sensibilidade, e nem sempre é preciso entender sua letra para que você seja tocado por ela. O melhor exemplo, e para mim o mais popular deles, é canto da Verônica, de autoria do mestre Manoel Dias de Oliveira, executado na nossa região na Sexta-Feira Santa durante a procissão do enterro. Poucas pessoas conhecem o significado dos dizeres “o vos omnes qui transitis per viam, attendite et videte si est dolor sicut dolor meus”, mas todos entendem a mensagem daquele gesto, não é mesmo? Portanto, acredito que há espaço para todas as formas de manifestação musical no contexto religioso, o que não posso aceitar é o desprezo pelas tradições que marcam a história da nossa gente.

Vários sacerdotes têm resistência à presença da música sacra “antiga” na liturgia devido, sobretudo, ao texto em latim. Uma experiência liturgicamente ousada de executar, por exemplo, um moteto em latim e logo em seguida cantá-lo em português, empobreceria o ritual? Com certeza, pois a música é composta de acordo com a entonação da letra e do idioma. Mudar uma letra do latim para o português ou vice versa implica em mudanças na estrutura original da música. Assim, perde-se a essência da originalidade proposta pelo compositor. Você tem se dedicado ao culto da viola caipira, tocando, cantando e compondo. Como aconteceu essa química? Sempre gostei desse estilo musical. Já escutava a Banda de Pau e Corda lá de Recife nos tempos do Taiobar do amigo e “tio” Zezé. Também escutei muito as músicas da queridíssima dupla Pena Branca e Xavantinho, Almir Sater, Renato Teixeira e os primeiros trabalhos do Chico Lobo, ainda na década de 90. Mas foi recentemente que comecei a perceber que também poderia compor para esse estilo. Na verdade, as idas lá no Baú (sítio do Dr. Luiz), as conversas com os amigos da “diretoria” e a vivência musical acabaram fazendo com que isso acontecesse. Mas nesse processo uma pessoa teve influência direta e decisiva para que eu realmente acreditasse novamente na música. Na

Quais são os compositores do gênero que mais o influenciaram? Chico Lobo, Pena Branca e Xavantinho e Wilson Dias. Todos possuem trabalhos riquíssimos em letra e melodia. Infelizmente não contamos mais com a folia da dupla Pena Branca e Xavantinho, mas lá do céu eles estão ponteando com a gente. A primeira vez que escutei uma moda de viola foi na música Cuitelinho, numa gravação deles. O Chico é marcante, pois possui uma atividade e criatividade na viola que são impressionantes. Considero a viola do Chico Lobo como um divisor de águas na música do Brasil. Ele trouxe uma roupagem mais moderna e mais arrojada para a viola, é muito bom mesmo, pelo menos pra mim. Depois do Chico Lobo muitas pessoas passaram a respeitar e admirar esse instrumento maravilhoso que é a viola. O Wilson Dias, com quem tive o prazer de tocar junto ao grande professor André Siqueira, lá no Baú, traz a marca do norte de Minas na sua viola. A sua música tem peso, tem história. É uma música que toca na alma de verdade, emociona. Ainda podemos citar outros compositores importantes como o Pereira da Viola, que é sensacional, e o Gustavo Guimarães, que é um músico brilhante. Você gravou um CD de composições inéditas e próprias. Fale um pouco sobre esse trabalho. Na verdade isso faz parte de um sonho antigo. Sempre quis registrar algum trabalho de minha autoria e agora isso foi possível. Gravei nove músicas no estúdio do amigo Rogério Ramos, lá de São João del-Rei – Studio Mixx. Ainda não é um CD pronto, pois a ideia é que seja lançado oficialmente por algum selo, já estamos trabalhando para isso. Agora pretendo divulgá-lo fazendo apresentações e repassando o trabalho de mão em mão. São músicas que falam das manifestações populares brasileiras, especialmente de Minas Gerais e também dos aspectos do espaço natural, tão rico no nosso país.

Por que a viola caipira está tão entranhada na cultura popular? Talvez por ter sido um dos primeiros instrumentos trazidos pelos portugueses para o Brasil. Aqui, a viola ganhou uma roupagem mais cabocla, bem característica do modo de vida implantado no país no início da colonização, mais rural. Por muito tempo o violeiro foi considerado persona non grata, principalmente nas casas das famílias onde os pais acreditavam que eles iriam roubar suas esposas e filhas com sua música enfeitiçada, além de acreditarem que o violeiro tinha pacto com o “coisa ruim”. Uma das expressões mais ricas da cultura brasileira está literalmente no braço da viola. São as suas fitas. Num total de sete, cada uma representa um símbolo religioso, muito comum nas folias de reis. A branca representa o menino Jesus; azul claro representa Nossa Senhora; rosa representa São José; amarela o ouro trazido por um dos reis magos; verde representa a mirra; vermelha representa o incenso; azul escuro representa São Gonçalo, que é o padroeiro dos violeiros. Reza a lenda que São Gonçalo, para tirar as prostitutas da vida de esbórnia, tocava e cantava para elas. Existe ainda uma oitava fita que é preta. Quando o violeiro tem uma fita preta no braço da sua viola significa que ele fez um pacto com o “coisa ruim” para aprender os dotes perfeitos de um violeiro. Ou seja, riquíssima é a nossa cultura. Além disso, a viola é um instrumento que toca na alma, não há quem não se arrepie ao escutar uma viola. Parece que em cada brasileiro há um pedaço de história guardado e que floresce quando uma viola toca. Qual a sua fonte de inspiração para as letras poeticamente tão bem elaboradas? Sempre que penso a esse respeito, e penso muito, logo me vem à mente os ensinamentos da geografia. É curioso, parece até providência. Talvez se não tivesse cursado geografia acho que não conseguiria escrever as letras do jeito que elas são. É um casamento prefeito: viola e geografia. A viola representa a alma da cultura brasileira e a geografia é uma das bases teóricas para entender essa cultura, além das questões naturais, ambientais etc. Também, o fato de ter nascido e criado raízes no interior de Minas Gerais contribuiu para que as vivências do cotidiano calmo e cheio de símbolos culturais se transformassem em inspiração.


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Especial Política Regional

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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Lagoa Dourada: renovação no âmbito das correntes tradicionais “pegas” e “braquiárias”

Apesar de Lagoa Dourada existir há 300 anos, os nomes das duas principais correntes políticas – “pegas” e “braquiárias” – surgiram há cerca de vinte anos. Foi uma invenção de Palmério José de Melo, numa alusão aos grupos políticos do antigo PSD (criadores do jumento pega) e da antiga UDN (asinino não come braquiária) que não se misturam. Lagoa Dourada é conhecida por ser o berço do jumento pega e referência na produção do famoso rocambole. Os “pegas” reúnem políticos da tradicional família Resende que se alojaram no antigo PSD (Partido Social Democrático), mas que com a ditadura militar de 1964 trocaram o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), seu destino natural, pela Arena 2 e que mais tarde voltaram às origens, ingressando no MDB/PMDB. Já os “braquiárias” representam a tradição da família Rodrigues Chaves que cerrou fileiras na antiga UDN (União Democrática Nacional), mais tarde Arena 1 (Aliança Renovadora Nacional, fundada em 1965), e que desembarcou no ninho do PSDB depois de passar pelo PDS (Partido Democrático Social) nos anos 1980. As paixões não são mais tão fortes como antigamente. “A política aqui já foi muito mais ferrenha; hoje o pessoal está mais aberto”, diz Cláudio Resende, dos pegas. Opinião esta que nem sempre é compartilhada pela velha geração. “Politicamente, somos Resende que não passam na mesma pinguela que os Resende de lá”, afirma José Maria Chaves, o popular Nhô do Toti, dos braquiárias. Porém um dos protagonistas das “mutações” ocorridas na política local é Antonio Barreto Pereira Neto, da nova geração de políticos de Lagoa Dourada. A família Pereira foi aliada e defensora da antiga UDN, mas o avô de Barreto, da Fazenda das Bandeirinhas, rompeu com essa tradição ao se candidatar vereador pelo então PSD. No rastro do pai, Haroldo Barreto tornou-se vereador do PSD por vários mandatos. A eleição de 1976 foi considerada como a da “traição de Joaquim Silvério dos Reis” pelo “historiador popular” José Campos de Resende, autor do livro “De Lagoa Dourada”. Em 1954, Antonio Pinto foi candidato a prefeito pela UDN, mas foi derrotado. Então, ele transferiu-se para o PSD e

Barreto. Nas últimas eleições, o PT lançou candidato próprio para a Prefeitura e conseguiu eleger uma vereadora, Nanci das Dores de Carvalho Melo, tornando-se o fiel da balança na Câmara Municipal. Tanto que se aliou com o PMDB, indicando Afonso Campos Maia, então candidato a vice-prefeito, para a Secretaria de Educação e garantindo assim a maioria de cinco vereadores para os pegas.

Vista geral da cidade, tendo a igreja Matriz ao fundo

foi eleito prefeito em 1958. Na eleição seguinte (1962), o PSD trocou de candidato e manteve o poder em suas mãos. Depois do mandato tampão de 1971-72 com Gilberto Vieira de Resende, Pinto volta à prefeitura em fevereiro de 1973. “Aí veio a traição”, de que fala José Campos. Ou seja, Pinto teria apoiado o adversário “atrás das portas”, ajudando a eleger José Augusto Pereira em 1976 pela Arena 1 (ex-UDN) que teve vida longa (16 anos) na administração municipal (1977-92). Em 1992, os udenistas (já PDS) perderam a eleição para uma dupla de “intrusos” que aproveitou o momento de desorganização e fragilidade do PSD histórico (então, PMDB), Vicente Sebastião da Costa, o Vicentão, e seu vice Sebastião Vitor, que elegeram no pleito seguinte o empresário são-joanense Rogério Zerlotini, sem tradição na política local. Mas Rogério rompeu com o “padrinho” e tentou a reeleição numa disputa que, pela primeira vez, teve três candidatos. Os outros dois foram José Valter Vieira, pela oposição udenista (atual PSDB), e o próprio Vicentão, como terceira via pelo PL. O PSDB foi o vitorioso, com José Valter, e ficou no poder por dois mandatos (2000-2008). Apesar de “estranho no ninho”, a gestão de Vicentão foi uma época de desenvolvimento para Lagoa Dourada, na visão de José Campos. “Ele promoveu bastante o progresso, com melhoria, por exemplo, do meio rural

Futuro Terminal Rodoviário de Lagoa Dourada

(conservação e construção de estradas e pontes) e a construção do Parque de Exposição Coronel José de Rezende. Já a administração de Rogério “foi um período sem brilho”. Os Chaves e a UDN - No livro “Lagoa Dourada 300 anos – Síntese Histórica”, Dauro J. Buzatti relata que o primeiro presidente da Câmara, que exercia o papel de administrador municipal, foi o médico Abeilard Rodrigues Pereira (1912-18), ligado aos Resende e político de destaque. Nhô do Toti conta que seu avô, Evaristo Rodrigues de Resende, fez parte da primeira Câmara Municipal, depois da emancipação de Lagoa Dourada em 1911, e foi importante chefe político local. Os netos de Evaristo, Antônio de Souza Resende e José Resende Souza, o José Maia – filhos de Aristides de Sousa Maia e Maria do Carmo de Resende Chaves – foram os fundadores da UDN em Lagoa Dourada. O bacharel em direito José Maia foi o segundo prefeito de Lagoa Dourada, administrando o município por curto período (28/06/1946 a 29/11/1947). Ele substituiu Ernesto Resende (PSD), que pediu exoneração após ocupar o cargo por 16 anos seguidos (de 1931 a 1946), de acordo com Buzatti. Diz Buzatti que Ernesto empenhou-se na manutenção da estrada, ligando Carandaí a Lagoa Dourada, além de aprovar a elaboração do primeiro plano diretor da cidade e o calçamento de diversas ruas. Já o terceiro prefeito, Elisiário José de Resende (1947 a 1951), também do PSD, dedicou-se à nova ligação rodoviária (atual MGT-383) de acesso à capital mineira e a cidades vizinhas como São João del-Rei. Ele ainda administrou o município por mais dois mandatos (1955-59 e 1967-71). Nhô do Toti, como o pai Evaristo, nunca se candidatou a qualquer cargo – “o eleitor cobra da gente toda hora, pelo resto da vida” – mas continua na

militância política (é membro do diretório do PSDB desde a sua criação). Já seus irmãos Geraldo da Aparição Chaves (Dico do Toti), aposentado da Minas Caixa, e Paulo de Jesus Chaves exerceram mandatos políticos no legislativo e no executivo. Para Nhô do Toti, José Valter Vieira (eleito pelo PSDB para as gestões 2001-04 e 2005-08), que teve Dico como vice, foi o melhor prefeito de Lagoa Dourada. Quando a corrente udenista começou a ganhar eleições, houve mais competição, diz Dico do Toti. “Hoje, a cidade está boa, muita construção nova...” Um dos símbolos da família Chaves é a antiga casa da Rua Tiradentes, 94, construída em 1725 por André Rodrigues Chaves, que veio de Portugal e teria se casado com uma sobrinha de Tiradentes, Maria Teresa. O primeiro pároco de Lagoa Dourada, padre Antonio Rodrigues Chaves, neto de André, morou no casarão a partir de 1832, segundo relato de Buzatti. O imóvel foi alternadamente casa paroquial e residência da família Chaves até que, em 1978, foi readquirido por Dico do Toti. Novas lideranças - A eleição de 2008 foi marcada por três candidatos na faixa dos 40 anos: Antônio Carlos Chaves de Resende, o Antonio Mangá (PMDB); Alberto Queiroz Soares (PSDB) e David da Costa Silva (PT). Isto mostra uma renovação dentro da estrutura política tradicional, observa Barreto, que é secretário de Agricultura e Meio Ambiente da atual administração dos pegas, presidida por Antonio Mangá. O perfil dos candidatos não conduz mais para campanhas políticas ferrenhas, diz, mas apesar da renovação, a paixão partidária ainda continua. “Esse Cruzeiro e Atlético não se dissolveu, não”, resume. Já o PT é visto como um potencial gerador de novas lideranças, que também deve colocar pressão sobre as correntes políticas tradicionais para renovar as suas fileiras, acredita

Desafio – Um dos principais desafios da administração municipal será o de construir um anel viário, que permita o desvio do tráfego pesado rodoviário (MGT 383) da área urbana de Lagoa Dourada (nos fins de semana, por exemplo, é intenso o trânsito entre Belo Horizonte e São João del-Rei/ Tiradentes). Ou seja, comerciantes de combustíveis (postos), indústria moveleira e fabricantes de rocambole temem o esvaziamento da região comercial da cidade cortada pela rodovia - nada que um bom trabalho de marketing e publicidade não resolva. Este ano, por exemplo, Lagoa Dourada realiza a 3ª Festa do Rocambole e Mostra Cultural. Outro fator de melhoria do trânsito será o novo terminal rodoviário que, nas palavras de Dico do Toti, “foi construído no mandato do José Valter, só falta inaugurar”. Atualmente, o principal ponto de embarque/desembarque de passageiros é feito na Praça Ernesto Resende. Mas a nova rodoviária, de acordo com Barreto Neto, foi construída em localização condenada pela engenharia do trânsito. Isto exigiu do atual prefeito, além de terminar a obra (acabamento), viabilizar a logística de trânsito e pavimentação do acesso ao terminal. Uma das principais atividades de Lagoa Dourada, relacionada à tradição culinária, é a fabricação do rocambole, um pão-de-ló recheado com doce de leite, que começou num botequim com o descendente de imigrantes libaneses Miguel Youssef. Hoje, Lagoa Dourada é conhecida como a “capital nacional do rocambole”. O sucesso do rocambole é possível graças ao vigor da pecuária leiteira do município, considerada a maior da região do Campo das Vertentes por Buzatti. Além disso, Lagoa Dourada destaca-se na criação de asininos, na produção de hortigranjeiros e na indústria moveleira (a íntegra da reportagem está no site www.jornaldaslajes.com.br).

Casa do século 18, reduto da família Chaves


6 Jornal das Lajes

Cultura

ANO VIII Nº 102 - OUTUBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG FERNANDO CHAVES

MAC e IRIS promovem 3º Luau nas Lajes Evento contou com a participação de oito grupos musicais de Resende Costa e foi transmitido ao vivo pela rádio Inconfidentes FM O Movimento Arena Cultural (MAC) e o Instituto Rio Santo Antônio (IRIS) realizaram na noite de sexta-feira, 30 de setembro, no Largo da Câmara Municipal o 3º Luau nas Lajes, projeto voltado para a valorização da cultura musical resende-costense e para a revitalização do Mirante das Lajes, patrimônio histórico e ambiental de Resende Costa. A exemplo das edições anteriores, o 3º Luau reuniu atrações diversificadas. A partir das 18h00, tiveram início as atividades voltadas para o público infantil. Uma oficina de percussão, coordenada pelo carnavalesco Márcio Fernandes (o Chiano), animou a meninada presente. Chiano, que coordena a Bateria do Rifugo, pretende montar em parceria com IRIS e MAC uma bateria mirim para se apresentar no carnaval e em outros eventos da cidade. O Luau realizou também uma exposição de fotografias históricas de Resende Costa, cedidas pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, por meio do projeto “Quando a minha história conta a história de todos” da III Jornada Mineira do Patrimônio Cultural. Foi exibido, ainda, o filme “O som do coração”, história de um jovem criado em um orfanato, e que caiu no mundo em busca de seus pais, contando apenas com o seu incrível talento musical. A apresentação dos músicos ligados ao MAC, que é um dos focos do Projeto “Luau nas Lajes”, contemplou diversas gerações, estilos e gostos. O tradicional grupo de seresta de Resende Costa, regido por Maria da

Penha de Souza (a Penha do Jair), deu início à sequência musical da noite. Em seguida, se apresentaram as Bandas Insignes, Transtornados SDR, Trio Arte, Heitor e Quinzinho, Everaldo Oliveira, Banda do Chá Preto e Linfoma. Numa noite fresca e aconchegante, os presentes contaram, também, com os serviços de bar disponibilizados pela Pizzaria e Buteco da Maura e pelo Bar do Toru (bar da esquina). Ramon Resende, vocalista da Banda Transtornados SDR, que acompanha o MAC desde a sua fundação e que participou das duas últimas edições do Luau, destacou a importância do Movimento Arena cultural e do projeto “Luau nas lajes” para os músicos da Terra. De acordo com Ramon, os eventos do MAC permitem que sua banda divulgue composições próprias com mais tranquilidade que nos shows contratados, nos quais a banda fica mais restrita ao cover. O vocalista destacou, ainda, a possibilidade de interação, cooperação e troca de experiências entre os músicos como uma das vantagens oferecidas pelo Luau e pelo MAC. Além de proporcionar oportunidade de apresentação para diversos músicos de Resende Costa, valorizando o artista e a cultura da terra, o Luau é um projeto que pretende resgatar a antiga tradição dos festivais culturais realizados nas Lajes de Cima durante a década de 80. O projeto congrega ainda as causas ambiental e turística, reivindicando do poder público uma revitalização

Apresentação do Grupo de Seresta de Resende Costa

Patrimônio

do espaço tradicional das Lajes e a conversão daquele local em ponto turístico consolidado e em lugar apropriado para manifestações culturais diversas. Enquanto o MAC coloca em pauta a discussão acerca da valorização do artista e do patrimônio cultural de Resende Costa, o IRIS traz à baila a questão ambiental e urbanística. A parceria entre os dois movimentos teve início já há cerca de um ano e meio e tem emplacado iniciativas diversas. Como surgiu o Projeto Luau nas Lajes O primeiro Luau aconteceu em fevereiro de 2011, quando o IRIS preparava a 14ª edição do Bloco do Cabeção. Na ocasião, membros do MAC apresentaram ao IRIS a proposta de realizar um evento musical nas Lajes como aquecimento para o Bloco. E assim aconteceu o “Luau de aquecimento para o Bloco do Cabeção” (primeiro Luau nas Lajes). Com o sucesso do evento, logo surgiu a ideia de se levar adiante o projeto, e fazer do Luau um meio de resgate da antiga tradição dos festivais de inverno, que agitavam Resende Costa na década de 80. Além disso, o segundo Luau, realizado em abril de 2011, incorporou publicamente a reivindicação pela retirada do reservatório da Copasa, convertendo o projeto Luau nas Lajes em expressão dos anseios de MAC e IRIS em relação à revitalização das Lajes e à conversão do mirante e da Praça Nossa Senhora de Fátima em pontos turísticos efetivos, capazes de receber eventos culturais diversos. Bateria Mirim No sentido de contribuir para o acesso da juventude à música, vem surgindo uma parceria entre MAC, IRIS e a Bateria do Rifugo, coordenada pelo carnavalesco Chiano. O objetivo é montar uma Bateria Mirim para se apresentar em diversos eventos pelo município. O projeto, que teve início durante o 3º Luau, contará com o apoio da prefeitura municipal e deve ter início a partir do mês de outubro, com ensaios na Praça do Rosário, às quartas-feiras, em horário a ser divulgado.

Polícia

ANDRÉ EUSTÁQUIO

O cerco se fecha e Gergi Santos apresenta-se à justiça

Após dois anos foragido, Gergi Luiz do Carmo Santos, 43, se apresentou à polícia no dia 1º de outubro, sábado, em São João del-Rei, acompanhado pelo seu advogado. Por volta das 18h00 do mesmo dia, foi conduzido às carceragens da cadeia pública de Resende Costa, onde se encontra preso. Ele se apresentou à Delegacia Regional, em São João del-Rei, pois em Resende Costa não há mais plantões policiais à noite e nos finais de semana. Ao longo dos dois anos em que se encontrava foragido, quatro mandados de prisão foram expedidos contra Gergi. Um deles se refere a uma condenação em decorrência de ameaça de morte. Gergi é acusado de ter assassinado sua companheira, Daniela Patrícia de Moraes, em setembro de 2009. O crime chocou a população de Resende Costa. O corpo de Daniela foi encontrado no aterro sanitário da cidade, uma semana depois de ter sido lavrado o boletim de ocorrência de seu desaparecimento. O

ção. “Ainda não temos o motivo da reprovação, mas devo ressaltar que o projeto foi elaborado de forma minuciosa. Foi um projeto muito bem elaborado, pelo arquiteto Fábio Silva, e a defesa do mesmo sustentou ótimos argumentos de que temos uma vasta e dinâmica riqueza cultural em nosso município e merecemos a disposição digna e adequada de um espaço que possa sediar nossas manifestações artístico-culturais”, declarou o secretário. Talvez, um forte motivo para a reprovação desses projetos seja a não utilização do local para programas culturais, porque, como explicou Adriano, o espaço deve ser utilizado para que a demanda de sua reforma seja atendida pelo governo do Estado. Este é um critério para que seja relevada sua importância junto ao FEC. Atualmente, o teatro é usado pelo Projeto Arte por Toda Parte, desenvolvido pela Cia. de Teatro

laudo da perícia confirma que a vítima morreu asfixiada. De acordo com as autoridades policiais de Resende Costa, o cerco foi se fechando contra Gergi no Rio de Janeiro. A polícia descobriu seu endereço em Campos Elísios (RJ), município próximo a Duque de Caxias, onde residem seus familiares. Durante a investigação, os agentes monitoraram os passos de Gergi e quando tiveram certeza do seu paradeiro, entraram imediatamente em contato com a Delegacia Especializada de Capturas da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que iniciou as buscas. Denúncias anônimas também contribuíram para a localização do acusado. A polícia ouviu várias testemunhas que confirmaram os fatos de que Gergi e Daniela moravam juntos e tinham um relacionamento conturbado, com brigas frequentes. A fase de inquérito policial já foi concluída e o processo se encontra no Fórum da comarca de Resende Costa.

ManiCômicos, que trabalha a expressividade artística e social de crianças e jovens de nossa cidade. Segundo Adriano, recentemente foi realizado um trabalho de limpeza no local: “Tiramos muito entulho que estava acumulado dentro do Teatro há uma década. Eram materiais de antigos carnavais que estavam lá acumulados. Devo acrescentar que lá não havia acúmulo de materiais de nossa gestão. Toda ornamentação de carnaval que usamos foi reaproveitada por escolas e comunidades, em outros eventos e festividades”, completa. Partindo da reprovação dos projetos pelo FEC, algo deve ser feito para que o Teatro Municipal volte a ser aproveitado, alguma ação que deve partir do poder executivo. “A saída que temos é investir recursos próprios para salvar aquele espaço importante para a nossa cultura”, conclui Adriano Magalhães.

EMANUELLE RIBEIRO

Projeto de restauração do Teatro Municipal é reprovado pelo FEC

O Teatro Municipal, que um dia já foi palco de inúmeras manifestações culturais em Resende Costa, hoje está em estado de decadência. O prédio, que está “caindo aos pedaços” e precisa urgentemente de uma reforma,

há muito tempo não sedia um evento cultural. De acordo com o secretário de educação e cultura do município, Adriano Magalhães, a administração está se esforçando e trabalhando em alguns projetos de revitalização do

espaço. Em 2010, foi inscrito no Fundo Estadual de Cultura (FEC) um projeto para a restauração do teatro, o qual foi reprovado. Este ano, outro projeto foi inscrito e mais uma vez não obteve aprova-

Fachada do Teatro Municipal. Prédio construído no início do século 20 necessita de reformas


Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 102 - OUTUBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Aconteceu

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EMANUELLE RIBEIRO

Skol Beats movimenta 1º fim de semana de outubro

No dia 1º de outubro aconteceu mais uma edição do Skol Beats em Resende Costa e foi um sucesso! Muita gente compareceu, se divertiu e dançou pra valer. Com três ambientes superagitados e predomínio do ‘funk’, o Skol Beats durou a noite toda. Mas a galera gostou mesmo foi do preço da cerveja: skol a R$ 0,99. Parabéns aos donos da festa, que organizaram muito bem os ambientes e a venda de bebidas.

Adriane, Diego e Teti

Wesley e Douglas

Vinícius e Bruna

Natália, Angélica, Soraia e Flávia

Thiago e Laís

Sabrina e Nara

Pedro e Érico

Maíra e João Marcelo

Pedro e Emanuelle

Paulo Henrique, Kênia, Yuri, Ana Carolina e Mateus

O Skol Beats 2011 reuniu pessoas de todos os lugares

Mariana e Débora

Juninho, Lucas e Renatinho

Douglas, Amon, Jeferson e André

André e Gustavo

Patrícia, Ana e Graciana


8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Pãozinho e cinderela – Ih, moço, eu não tenho troco pra isso aí não. De fato. Era uma nota de 50 para pagar dois pãezinhos. A única que eu tinha. A moça me jogou os dois olhos pretos e, lá de trás do balcão, falou compreensiva e tímida: – Paga amanhã. O senhor está aqui todo dia. E estava mesmo. Só entrava ali para comprar meus dois pãezinhos. Coisa de mais de ano. Um dia, já até aconteceu de eu chegar e a moça embalar, como se fosse um robozinho, sem eu pedir nada, adivinha o quê: meus dois pãezinhos. Pago amanhã. Questão de centavos, não nego, mas era dívida. Saí da padaria com dois pãezinhos no pacote e um chumbo na consciência. O dia continuou. Li, escrevi, falei, ouvi, andei, fui, vim, voltei, cheguei... e os pãezinhos na marcação cerrada: Os pãezinhos... não posso esquecer de pagar. Na manhã seguinte, volto à padaria. A moça dos olhos pretos não estava lá. Comprei meus costumeiros dois pãezinhos e disse que estava devendo outros dois, do dia anterior. A outra moça, que não sabia da história, pegou um caderno e passou o dedo indicador linha por linha, de cima para baixo, numa lista manuscrita com nomes, datas, mercadorias e cifras. Pude ver quando ela parou em algo que deveria ser meu nome. Não quis ser indiscreto, mas não resisti. Li rapidamente o que estava escrito. Ali não estava meu nome, mas uma expressão: Moço dos dois pãezinhos: um pão! Raspei a garganta, cons-

trangido: – Desculpe-me, aí está escrito um pão. Na verdade, foram dois. De modo que eu tenho que pagar quatro agora. Foi aí que uma nova fornada começou na minha cabeça. Tudo bem, era como eu suspeitava mesmo. Eu era conhecido por ali como “o moço dos dois pãezinhos”. No entanto, por que a moça dos olhos pretos, aquela do dia anterior, escreveu “um pão”? Eu tinha levado dois. Pode ter sido um engano da parte dela. Mas pode não ter sido engano. Será que ela me chamou de pão? No meu tempo de criança, lembro-me das moças se referirem a homens bonitos chamando-os de pão: Fulano é um pão! Ou ainda: Beltrana se casou com um pão! Quanto a mim, pobre de mim! Pelo que eu saiba nunca fui chamado de pão. A bem da verdade, nunca fui associado a nenhum confeito de padaria... nem mesmo a um tarequinho!!! Quanto mais a um pão! Um pão! Com certeza, foi engano da moça dos olhos pretos. No entanto, por outro lado, por que aquele ponto de exclamação? Um pão! Eu me senti uma Cinderela de bigode. Aquele um pão! era como se fosse meu sapatinho de cristal... encanto frágil, algo real e ilusório, perene e volátil. Mesmo assim, conservei o encanto e faço de tudo para que ele não se torne mofado pela frieza da razão. Moço dos dois pãezinhos... um pão! Quem sabe eu sou mesmo um pão? Se não sou, que bom que ainda sou moço!

__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Educação

EMANUELLE RIBEIRO

Proinfância atenderá cerca de 240 alunos em Resende Costa

A Escola Proinfância, que irá oferecer serviços de creche e escola para a população resende-costense, surge para suprir a grande demanda de escolas na cidade. “Há realmente a necessidade de mais três escolas na cidade, não apenas de mais uma escola. Mais uma escola estadual para desafogar a Escola Estadual Assis Resende, mais uma escola municipal para desafogar a Escola Municipal Conjurados Resende Costa e a nossa tão esperada escola infantil”, esta é a declaração do secretário de Educação e Cultura do município, Adriano Magalhães. Em 2007, o governo federal lançou o Programa Nacional de Reestruturação da Educação Infantil (Proinfância) e as cidades que aderiram a esse Programa ainda em 2007 já estão com suas Proinfâncias prontas. São os casos, por exemplo, das cidades vizinhas de São Tiago e Lagoa Dourada. Resende Costa só aderiu ao programa em 2009, já que não tínhamos o Plano de Ações Articuladas/ Ministério da Educação (PAR/MEC). O PAR é condição indispensável para qualquer transferência voluntária de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação/Ministério da Educação (FNDE/MEC). “Após a posse do prefeito Adilson, fizemos o PAR e nos habilitamos para pleitear o repasse de recursos do FNDE para construir a Proinfância”, declara o Secretário. O Proinfância, conforme explicou Adriano, é um programa do governo federal, mais precisamente do FNDE, que consiste na alocação de recursos para melhorias de infraestrutura educacional. “No nosso caso, na gestão do prefeito Adilson, tivemos a grande alegria de sermos contemplados com a construção de uma creche-escola do porte tipo B

(classificação do FNDE), que atenderá a crianças de até seis anos de idade na educação infantil”, acrescenta. Atualmente, a prefeitura não tem um prédio próprio para educação infantil e conta apenas com uma casa alugada no bairro Varginha, que não tem espaço suficiente para atender aos mais de 200 alunos. A Proinfância está em fase de construção no Bairro Tijuco e atenderá a crianças de creche e da pré-escola de toda a cidade, com capacidade para 240 alunos. A obra, que será concluída em 2012, está sendo construída com recursos da ordem de 1 milhão, 146.mil, valor que já foi licitado. A empresa que executa a obra é a M2A Serviços e Engenharia Ltda., de Viçosa. Serão construídos cinco cômodos para a área de administração da escola, 11 cômodos para a área de serviços gerais, dois cômodos para salas de leitura e laboratório, um pátio com refeitório, um anfiteatro com palco de 43 m², um parque, uma área para estacionamento, oito amplas salas de aula todas com solário e uma área para banho de sol. Além disso, todas as áreas terão

banheiros independentes, sendo que os das crianças serão adaptados de acordo com a faixa etária. “Além desse valor, se somarmos os valores da contrapartida da Prefeitura de terraplanagem e muros de arrimo na ordem de aproximadamente 130 mil, temos um valor de aproximadamente 1.milhão, 280 mil”, completa Adriano. Ainda segundo o secretário de educação e cultura, a admissão de profissionais de carreira, como determina a lei, será realizada através de concurso público. “Sem nenhuma dúvida, a creche/ escola Proinfância é uma das melhores conquistas da educação de Resende Costa, pois teremos um espaço adequado para atender às nossas crianças de até seis anos de idade. A Proinfância foi pensada para atender a todas as necessidades pedagógicas, com preocupação de garantir um espaço agradável e seguro para todos”, conclui Adriano Magalhães. (Leia no site www.jornaldaslajes.com.br a íntegra da entrevista com o secretário de Educação e Cultura, Adriano Magalhães).

Construção da sede do Proinfância

Aluno da Escola Municipal Paula Assis é destaque em matemática A Escola Municipal Paula Assis, no povoado do Ribeirão de Santo Antônio, município de Resende Costa, tem muito que comemorar. O aluno Eduardo Geraldo de Assis, do 9º ano do Ensino Fundamental, participou de um encontro com alunos selecionados pela Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). O evento aconteceu entre os dias 10 e 15 de julho, no Hotel Bucsky, em Nova Friburgo (RJ). Estiveram presentes aproximadamente 300 alunos, que se destacaram no “Programa de Iniciação Científica” (PIC 2009). Os alunos participaram de diversas atividades com professores de universidades de várias regiões do país. A principal finalidade desse evento foi dar continuidade ao trabalho que os estudantes desenvolveram no Programa de Iniciação Científica. Outras atividades também fizeram parte do encontro, entre elas jogos, recreações e esportes. O motivo principal dessa reunião de jovens talentos é criar oportunidades para que possam

iniciar amizades e manter contato com colegas que possuem interesses comuns. Maria Goretti Resende, professora de matemática na Escola Paula Assis, se orgulha do seu aluno Eduardo e revela a alegria de toda a comunidade escolar: “a Escola Municipal Paula Assis se orgulha de possuir alunos que já estão brilhando, antes mesmo de concluírem a Educação Básica. O aluno Eduardo é um, de vários exemplos, que a escola possui”. No currículo do Eduardo já se encontram duas medalhas de bronze e uma menção honrosa, premiações conquistadas por ele na OBMEP. E foi justamente a medalha de bronze que possibilitou a Eduardo participar e se destacar, dentre tantos estudantes, no “Programa de Iniciação Científica”. Além de ser bolsista do programa e medalhista de bronze duas vezes consecutivas na OBMEP, Eduardo já recebeu prêmios como um notebook e uma quantia em dinheiro equivalente a mil reais.

A professora Goretti destaca a importância da participação do aluno no programa: “A participação do aluno Eduardo no Programa de Iniciação Científica é de enorme importância para o seu currículo, pois antes mesmo de ingressar em uma universidade já iniciou estudos em atividades de pesquisa”. “O mais importante de tudo isso é saber que existem alunos que se interessam em aprender muito mais do que os livros didáticos oferecem e muito além do que é produzido na sala de aula”, conclui a professora.

O aluno Eduardo com a professora coordenadora da OBMEP Cláudia Vasconcelos.


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Cidade

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Nova diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Resende Costa toma posse: construção da sede própria é um dos objetivos A nova diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Resende Costa (STRRC) tomou posse no dia 16 de setembro passado. O diretor-presidente, José Gouvêa Filho, o Zinho Gouvêa, foi reeleito para mais um mandato de quatro anos. Ficará, portanto, no cargo, até agosto de 2015. A eleição ocorreu no dia sete de agosto, na qual foi eleito também o diretor-tesoureiro, Camilo di Lélis de Urquiza, do distrito de Jacarandira, que assume as responsabilidades da presidência em caso de eventual afastamento do presidente. O sindicato foi fundado no dia dois de junho de 2006 por um grupo de cidadãos resende-costenses que possuem larga experiência no trabalho com as associações e com o homem do campo, entre eles o atual presidente. “O grupo era composto por mim, pelo Savinho da contabilidade, Cláudio do Afonso, Zé do Dico, José Humberto, entre outros. O José Humberto foi o primeiro presidente, eleito para cumprir mandato de um ano. Ele foi reeleito para quatro anos, mas teve de sair para assumir a Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente da Prefeitura Municipal. Foi quando assumi a presidência, em janeiro de 2009”, explica Zinho Gouvêa. Como em todo início de trabalho que começa do ponto zero, não foram poucas as dificuldades encontradas pela diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Resende Costa. “No início, tivemos muitas dificuldades, mas aos poucos, e com muito trabalho, fomos conquistando a confiança dos nossos associados”, lembra Zinho, que destaca também as conquistas da instituição ao longo dos anos: “hoje contamos com dois funcionários, escritório montado e um razoável fundo em caixa, que preten-

demos utilizar na construção da sede própria”. O sindicato possui atualmente 650 associados, que são essencialmente trabalhadores rurais. Zinho explica que para ser um associado do sindicato é necessário que o trabalhador retire pelo menos parte da sua renda das atividades rurais: “o associado pode ser proprietário de terras, meeiro, arrendatário, comodatário etc., mas é necessário que pelo menos parte da sua renda seja proveniente da atividade rural. Ele pode até residir na cidade, mas sua renda deve vir da atividade rural”. Estar vinculado a uma organização que luta pelos seus interesses e participar de uma categoria organizada são algumas das vantagens do associado. “O associado se beneficiará de um órgão que luta por ele e pela sua categoria”, disse Zinho, que destacou também: “Muitas vezes, as pessoas procuram o sindicato atrás apenas dos direitos previdenciários, que é um dos serviços prestados por nós. Mas existem mais benefícios. O sindicato luta pela manutenção do direito à aposentadoria das mulheres (55 anos) e dos homens (60 anos)” Entre outros benefícios, o associado também tem acesso aos programas de economia familiar, como o Pronaf e o Bolsa Verde. “O sindicato vem lutando cada vez mais para que o homem do campo tenha mais apoio”, completa Zinho Gouvêa. Contribuição e mensalidade O STRRC sobrevive da mensalidade paga pelos associados. É o que chamam de “mensalidade do balcão”. “Trata-se de 2% do salário mínimo. E é com esse dinheiro que pagamos as despesas do escritório”, informa Zi-

nho. O presidente destaca a importância do pagamento da contribuição por parte dos associados: “É importante que a pessoa continue contribuindo, mesmo após conseguir a aposentadoria, pois é a garantia que o associado tem de que a sua renda seja proveniente da atividade rural”. O valor total da contribuição arrecadada pelo sindicato é dividido: 60% fica com o sindicato; 15% com a Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado de Minas Gerais (FETAEMG); 5% com a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (CONTAG) e 20 % com o Ministério do Trabalho. Zinho ressaltou o direito de remuneração da diretoria, especialmente do diretor-presidente: “Em todos os sindicatos, o presidente possui seu subsídio. Mas optei por realizar um trabalho voluntário, sem receber nada, até o fim do meu mandato. Faço isso em prol do sindicato, para que futuramente possamos, ainda neste mandato, construir a sede própria, que é um dos nossos principais objetivos”. O STRRC é filiado à FETAEMG e ao CONTAG, a quem presta contas, bem como à Central dos Trabalhadores Brasileiros (CTB), que é a instituição que reúne todas as categorias de trabalhadores brasileiros. Conforme informou Gouvêa, o Sindicato dos Trabalhadores conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Resende Costa, que cede o espaço para o escritório, situado no porão da Câmara Municipal. Esta também concede seu apoio, fornecendo sinal da internet. “Peço a Nossa Senhora da Penha que me ilumine na condução de mais um mandato e aos associados peço que apoiem e acreditem em nosso trabalho”, conclui Zinho.

Zinho Gouvêa foi reeleito presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Resende Costa

Gastronomia

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CLÁUDIO RUAS

Do Rio Grande Norte ao do Sul, via Resende Costa Meus familiares costumam dizer que, nas minhas viagens a trabalho, se eu tenho uma audiência em Patos de Minas, por exemplo, eu dou um jeito e passo por Resende Costa na ida ou na volta, mesmo estando completamente fora do caminho. E por aqui na coluna, sempre que possível, os assuntos também vão “passar” por Resende Costa. Eu não poderia deixar de compartilhar com meus leitores as duas viagens que tive a oportunidade de fazer recentemente: Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. No norte, terra da carne de sol e dos camarões, a bela capital Natal e região. Quem nasce lá se chama potiguar, nome indígena que significa “comedor de camarão”. Os camarões geralmente são criados em “fazendas”, têm uma qualidade excepcional e estão sempre presentes nos cardápios, de várias formas possíveis. E as carnes de sol (que na verdade são maturadas no sereno), são espetaculares. Que me perdoem as melhores das gerais, como a de Mirabela (Norte de Minas), ou a da região de Teófilo Otoni (Vale do Mucuri), mas as degustadas em Natal foram demais. Maciez, sabor e, principalmente, pouco sal, o que preserva o frescor da carne. E os acompanhamentos também são muito interessantes, às vezes diferentes, mas com muitas semelhanças, como a macaxeira (mandioca), jerimum (abóbora), farinha de mandioca (para a paçoca de carne e a farofa d’água), feijão verde (de corda), queijo coalho, nata, arroz de leite (cozido com leite, manteiga e sal), baião de dois (arroz e feijão verde cozidos juntos com queijo coalho em cubinhos e coentro) etc. Isso sem contar a incomparável manteiga de garrafa (em especial a da região de Caicó) e as tapiocas (espécie de panqueca feita com a goma da mandioca, geralmente recheada com queijo coalho). Resumindo: tanto a culinária do litoral quanto a do sertão são muito tradicionais, presentes no dia-a-dia, farturentas e baratas, assim como a mineira. Pena não ter mais espaço para tratar das frutas exóticas (para nós!), das belezas naturais e

do povo hospitaleiro, porque ainda temos que falar do tanto de coisa boa que também tem lá pro extremo sul do país. Rio Grande do Sul, apenas três dias, acompanhando minha mulher, que foi a trabalho para a 19ª Avaliação Nacional de Vinhos, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. Bento é o coração da produção do vinho brasileiro, cada dia mais respeitado mundo afora. Herança da forte colonização italiana que se adaptou bem ao local, o vinho e o suco de uva movem a economia e as pessoas na região, com uma infinidade de vinícolas. Todos os anos, em um grande evento que é considerado a maior degustação de vinhos do mundo (cerca de 800 pessoas sentadas) são apresentadas 16 amostras obtidas de uma seleção da safra do ano, assunto para outros capítulos. E para acompanhar tanto vinho bom, comida boa. E muito influenciada pela cultura italiana de massas, polentas, galetos, queijos, salames e embutidos variados que não se encontram (e nem se conseguem fazer) em outros lugares do país. É um povo também muito tradicional e farturento para comida, mas que, ao invés de ir para o bar, vai ao restaurante. Nós beliscamos muito (entre um gole e outro!) e eles sentam e comem pra valer. Passear pelo “Vale dos Vinhedos” e pelos “Caminhos de Pedra” (nos arredores de Bento), é uma viagem por outro país, mas com muitas coisas parecidas com as nossas. Nunca vi tanto verde, além de um povo muito cuidadoso com as casas e jardins, que trabalha muito, em família e em união com os demais “concorrentes”, um exemplo a ser seguido. Enfim, tiro três lições: a primeira, de que devemos aproveitar cada vez mais a facilidade de locomoção dos dias de hoje. De BH para as capitais do Rio Grande do Norte ou do Sul são apenas 2h20 de avião e, dependendo, pode custar 79,00 o trecho. A segunda, de que temos muito a aprender como se explora bem o turismo e os produtos locais. E a última é que, como disse a atriz Dira Paes em um documentário sobre a sua terra, o Pará: “Quanto mais a gente aprecia a nossa cultura, mais a gente valoriza a do outro...”


10 Jornal das Lajes Causos & Cousas

ANO VIII Nº 102 - OUTUBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO

Peripécias de um perna-de-pau Depois de escrever sobre tanta gente, hoje escrevo sobre mim. Também sou filho de Deus. Afinal, no tempero de nosso caráter, todos temos uma pitadinha de narcisismo. Não faz mal, nem é pecado. Na mitologia grega, o belo jovem Narciso, com muita sede após uma caçada, debruçou-se sobre o espelho límpido das águas de uma fonte e se viu. Vendo a própria imagem, apaixonou-se pelo próprio reflexo. Cumprindo a profecia do velho adivinho Tirésias, ele morreu vendo-se. Procurado, encontraram apenas uma delicada flor amarela, cujo centro estava rodeado de pétalas brancas. Era a flor “narciso”. O narcisismo faz parte do nosso aparelho de autodefesa, uma característica básica das espécies, em sua strugle for life, a luta pela vida, conforme ensinou Darwin. Essa luta leva à competição entre as espécies e entre os membros de uma espécie. O esporte é uma das manifestações dessa competição. Quem não quer vencer, ser campeão de alguma coisa? Mas volto ao meu narcisismo. Em matéria de esporte fui sempre um zero à esquerda. Nunca ganhei nada. Sempre fui a negação de qualquer esporte. Tentei quanto pude, mas nunca passei de um reles tapa-buraco. Desde menino, nas peladinhas com bolas de meia nas ruas de Resende Costa. Depois, já adulto, nos cursos de filosofia e teologia do seminário, esse era o meu drama: em qualquer pelada ou em torneios organizados, jamais fui o preferido, mas sempre o preterido. Trabalhando como professor e educador nos seminários e colégios salesianos, o máximo que ousei foi ser técnico de futebol, mas de meninos. E um técnico que sequer sabia como se chuta uma bola. As peladas tinham uma forma simples e rápida de organização.

Dois dos melhores jogadores assumiam a função de líderes. Tirava-se o par-ou-ímpar para ver qual deles começava a escolher os jogadores. Nesse momento começava minha tortura. Até me escondia de mim mesmo, já sabendo do desfecho da seleção. Um pra lá, outro pra cá e seguia-se a escolha, em grau de performance dos jogadores. O desfecho era previsto: eu era o último a ser escolhido. Humilde e resignadamente entrava em campo. Às vezes tinha que ouvir o capitão do time me dizer: olha, você entra aí, mas nem precisa chutar a bola. Basta ficar por ali na intermediária, pra lá e pra cá, apenas atrapalhando os adversários. Ou então, de cara eu recebia outra ordem: você vai ser o “alfo”, alfo esquerdo! Mesmo sendo destro, ainda por cima me mandavam para o lado esquerdo. Não ia alterar em nada. Alfo (half, meio, médio, no inglês) era a posição de meio de campo, à frente dos beques (back) e tendo, entre si, o centeralfo (centre half), uma das posições mais importantes. Lá na frente estavam, na direita e na esquerda, os dois “pontas” e os dois “meias” e no centro, o centefor (centre forward). Naturalmente os alfos tinham seu papel na equipe, mas, no processo de escolha, era para essa posição que eram empurrados os dois últimos escolhidos. Por serem os piores, nem defendiam e nem atacavam. Ficavam zanzando por ali, fazendo número, pois os demais não lhes passavam a bola: sabiam que iriam perdê-la. Ou tomada pelo adversário, ou chutada a esmo, para onde apontasse o dedão do pé, nas peladas descalço, ou, tempos depois, o bico do “kichute”. Consolo desses alfos: pelo menos assistiam à partida de dentro do campo. Preferivelmente sem tocar na bola, porque corriam o risco de serem xingados.

Música

Ao cursar filosofia, no seminário salesiano, uma agravante. Por ser uma congregação religiosa mais conservadora e “fechada”, como se dizia, não era permitido tirar a batina para praticar esportes. Imaginem jogar futebol, basquete, voleibol envergando uma pesada batina preta, por cima da camisa e da calça comprida. Nadar, então, nem pensar. O máximo permitido era enfiar a mão pela abertura do bolso falso da batina, chegar até a barra e puxá-la para cima, travando-a no bolso falso. Se alfos como eu não jogavam nada, pior ainda embaraçados em uma batina! No curso de teologia, em São Paulo, na década de 60, outra agravante. Entre os quase 100 estudantes de todo o Brasil, havia muitos craques de bola. Ainda se jogava de batina ou, modernizando-se um pouco, de guarda-pó. Para não prejudicar os craques, éramos divididos em três categorias, segundo o desempenho futebolístico de cada um: fifinha, fifa e fifona. Claro que eu era da fifinha, talvez o último entre os piores. Foi o golpe mortal. Depois disso dependurei as chuteiras e abandonei gloriosamente o futebol. Até semanas atrás, quando me chamaram para uma pelada, lá no povoado da Boa Vista. Para fazer número, acabei aceitando. Mas tinha que ser de goleiro. Pelo menos servi para buscar a bola no mato ou no fundo da rede. (Agradeço à Eloísa Sari, minha sobrinha, a inspiração para este texto. Lá dos EEUU, onde está terminando seu doutorado, por e-mail ela também se queixava de que, “na escola e na universidade ela era sempre a última a ser escolhida pros times de esportes, que muitas vezes preferiam ter menos jogadores do que correr o risco de colocá-la no time”. Mal de muitos, consolo é!)

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Jacarandira inova no 10º Encontro de Bandas de Música

Inovação. Essa é a melhor definição para o 10º Encontro de Bandas de Música, que aconteceu no distrito de Jacarandira, nos dias 24 e 25 de setembro último. “O evento deste ano foi diferente. O objetivo foi homenagear o eterno maestro da banda de música de Jacarandira, Geraldo Gouveia, falecido há poucos meses”, informou Ângelo Márcio, do Movimento Arena Cultural (MAC) e um dos organizadores do

evento. Dividido em dois dias, o evento promoveu na noite de sábado, 24, o encontro de instrumentos harmônicos (viola, violão, baixo, guitarra etc.), com a presença de alguns músicos do MAC. Já no domingo, 25, foi a vez das tradicionais bandas de música desembarcarem em Jacarandira e se apresentarem na praça, que inclusive ostenta um coreto, ícone das cidades mineiras onde as retre-

tas se tornaram tradição cultural. Neste ano, marcaram presença as corporações musicais de Morro do Ferro (Lira Batistana), Itaguara (Banda Nossa Senhora das Dores), Desterro de Entre Rios (Lira Monsenhor Luis), São João del-Rei (Banda Salesiana Meninos de Dom Bosco), Resende Costa (Banda Santa Cecília) e a anfitriã, Lira de São Sebastião. “A Banda Salesiana deu um show a parte, pois além de seus

Crônicas do Cotidiano

RAFAEL CHAVES

Entrevista com a miss (30 anos depois) E com a devida vênia do José Antônio, que entrevistou esta mesma pessoa, trinta anos atrás. - Olá, tudo bem, lembra de mim? - Você é o... é o... - Sim, o repórter que te entrevistou quando você foi miss, lembra? - Claro, como eu poderia esquecer! - Então, estamos comemorando o aniversário de 30 anos da revista, relembrando as histórias daquela época. E, afinal, você entrou no mundo da moda? - Ah... Na época surgiram muitos convites. - Que bom! Então você se realizou? - É, eu realizei uns desfiles, sim. Foi muito legal, legal mesmo. Vou te mostrar uma foto minha desfilando... (saindo para buscar o álbum): - Olha aqui! (apontando o álbum). - Bonita, hein? Onde foi? - Foi no clube aqui da cidade. Eu fiz muitos desfiles para as lojas daqui... (olhando para o céu). - Que bom! E você chegou a atuar? - Como? - Atuar, fazer algum papel? - Papel? - É... fazer alguma novela? - Ah... fazer eu não fiz não. Eu fiz um teste na Globo. Na época surgiram muitos convites (olhando para o céu). - Sei, mas você trabalhou nalguma novela? Não era seu sonho? - É... mas na época eu estava desfilando, né? - E os estudos, você se formou? - Claro, terminei o segundo grau. Tenho segundo grau completo. - Não quis fazer faculdade? - Eu bem que queria ser dentista, mas tinha os desfiles, né?

músicos serem em sua maioria meninos e meninas, eles ainda fizeram uma linda coreografia”, contou Ângelo, que falou também da mistura de ritmos, que marcou o evento: “uma hora o pessoal dançava um forró bem agarradinho e em outra estava pulando com as bandas de rock”. Do Movimento Arena Cultural, foram a Jacarandira os artistas

(olhando para o céu). - Então, conte da sua vida de lá para cá. - Então, eu fiz uns desfiles e conheci o Mário. - Mário? - É, meu marido. - Que bom, você se casou? - Você sabe, né? (olhando para o céu). - Tem filhos? - Tenho, dois, o Justin e a Ashley. - Como? - Justin e Ashley. Eu coloquei o nome dos meus ídolos, legal né? - Sim, muito! E quantos anos eles têm? - O Justin está com 28 e a Ashley com 27. São lindos, olha! (apontando outra foto no álbum) E esses aqui são meus netos. - Tão nova e já avó, hein? - É... (olhando para o céu). - Conta, você ainda gosta de lasanha? - Como é que você se lembrou disso? (rindo). Adoro! Faço todo domingo, quando a família se reúne, e frango também, que eu adoro também! - Você se considera uma pessoa realizada? - Claro! (olhando para o chão). - E quais seus planos para o futuro? - Ah, eu tenho um sonho. Estou guardando um dinheirinho. Quero fazer uma lipo, sabe? - Ora, você está maravilhosa, nem precisa! - Ah, que isso, deixa de bobagem... - Obrigado pela entrevista. Foi muito bom ter conversado com você novamente, depois de tanto tempo. - De nada! A entrevista vai sair na revista? - Vai sim, mês que vem. - Obrigada! (olhando para o céu).

resende-costenses Everaldo Oliveira, a dupla Heitor e Quinzinho, as bandas Insignes e Transtornados SDR e a Banda do Chá Preto. A programação ainda contou com a apresentação do ator Adriano Gouveia. O 10º Encontro de Bandas de Música de Jacarandira teve o apoio da Prefeitura Municipal de Resende Costa, que forneceu transporte para os músicos do MAC.


Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 102 - OUTUBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Retalhos Literários Os pés sujos em alpercatas, feitas com suas mãos vacilantes. Pés encardidos pela poeira das estradas nas quais iam e vinham. Calça amarrada acima da cintura. Camisa de gola cinzento-amarelada e com mangas compridas sob um paletó marrom. Um casaco de outras eras, alcançando os quadris lentos e com os bolsos sempre derramando rapé. Unhas grandes, sempre limpas em dedos longos, finos, como os de tocadores de pianos. As mãos trêmulas, que seguravam canecas esmaltadas de café com leite ou que ficavam passando e repassando palhas e fumo. Suas mãos agiam com o esmero dos que obram como se na vida tudo tivesse que ser talhado, bem cuidado, para que possamos um dia também partir meticulosamente, sem pressa nenhuma. Chapéu de palha, ele não usava. Para a cabeça buscava coisa mais grã-fina. Levava sempre um borsalino surrado, com suas abas largas levemente viradas para cima e com uma concavidade na copa. Fazia questão

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EVALDO BALBINO

Raimundo Mundo

de dizer, numa pequena manifestação de vaidade (quase nenhuma tinha), que o feltro utilizado na confecção do seu chapéu era especial, de pelo de lebre e não de coelho. Barba sempre por fazer, um rosto meio que parecendo o de um judeu e com uma voz estranha, mais para dentro do que para fora, ele contava coisas que me deixavam extasiado. Suas histórias pareciam verdadeiras, convincentes, mesmo que cheias de invencionices. Criava mundos como fazia o Teotônio. Mundos em que nós pudéssemos entrar e viver. Língua peregrina como suas pernas, cambaleante e lenta, a me levar a tramas que me emaranhavam. Raimundo Mundo. Assim o chamavam todos os compadres e comadres. E a criançada fazia eco com esse nome que já tinha em si o próprio eco. Só os animais é que não pronunciavam a alcunha. Refiro-me aos chamados irracionais. Mas com muita inteligência paravam para ouvir o Seu Raimundo, entendendo tudo o que ele dizia, tremulando olhos e meneando cabeças. Raimundo Mundo não era reen-

carnação do São Francisco. Isso não era! Bastava olhar para o seu chapéu de lebre, que se notava isso. Porém contava daquilo que os animais sabiam, sentiam, viviam. Eram-lhe audiência os bois e as vacas, os ruminadores de ervas e palavras. Também compunham a plateia os cachorros e as cadelas, as galinhas com seus pintos, os galos de papo empinado e cujo canto parava diante das palavras do Raimundo. Os gatos mais esquivos se arrodeavam, escutando. Até os papagaios faladores paravam para ouvi-lo. Na casa da minha tia havia um, o Papaco, que efusivamente insistia em nos repetir a todos e que também gostava de bicar meus pés de menino que o incomodava. Do mesmo modo ardoroso, o Papaco recebia o Raimundo chegando de mansinho do outro lado da porteira. Com Raimundo falando, o danado do papagaio parava para olhar e ouvir. Todos sustavam as próprias vidas e os próprios hábitos, para orelhar as falas antigas daquele homem, parecido com um judeu de voz oracular. Até nós humanos, pobres animais presunçosos, estacávamos perante as palestras estrangeiras

e muito nossas. Lembro-me das pessoas ouvindo tudo. Se com atenção falsa ou verdadeira, não sei. Quanto a mim, mesmo pequenino, frágil ser humano desde sempre e até hoje, eu fitava meus olhos vidrados de curiosidade na boca do Raimundo e nas suas dentaduras duplas com dentes claros, um dente encapado com ouro se destacando. Eu fixava meus olhos nos seus gestos lentos, comedidos, pensados. Algumas coisas nele me intrigavam, como o hábito de cheirar rapé a toda hora ou de enrolar seu pito de palha que, me parecia, nunca estava enrolado. E as baforadas que dava? A fumaça subia, fazendo espirais que me deixavam tonto de tanto namorá-las. Eu via aquelas ondas encaracoladas e dizia para mim mesmo, só em pensamento, que um dia ainda iria fumar daquele jeito, iria tragar um pito com vontade e perícia. Sorveria a fumaceira e emitiria aquelas sinuosidades, a ponto de fazer inveja a meu pai que do mesmo modo fumava, mas que não produzia as ondulações perfeitas no ar.

Cidade

O Raimundo vivia de trabalhar nas casas dos que o recebiam. Cortava lenhas, catava feijão, aguava a hort’couve, fazia cercas de taquara, tecia peneiras bonitas. Fazia tudo isso murmurando, falando consigo mesmo numa língua que ninguém entendia. Muitas vezes o vi varrendo o terreiro na casa da minha vó, e cantando enquanto o sol queimava o seu chapéu de lebre e a poeira se levantava em torno do seu corpo, enfeitando-o de mistério, de neblina. Passou o tempo, e o Raimundo na sua solidão e na sua faina foi envelhecendo como todos nós. Disseram-me um dia, depois de anos da minha saída de Resende Costa, que ele morrera sobre os cuidados da Lili, minha prima. Igualzinho a tudo e a todos, Raimundo Mundo era semelhante às ondas que ele fazia com suas baforadas quando pitava. As ondas de fumaça subiam, iam se ampliando, conquistando espaços, expandindo as possibilidades de existirem. Tanto cresciam, que se dissipavam após atingirem um ponto alto. Tornavam-se vagas, completamente invisíveis.

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Agora é lei! Comércio terá que substituir a sacola plástica pela sacola ecológica

Empresários de Resende Costa, principalmente os proprietários de supermercados, farmácias e lojas, terão que se adequar à Lei Municipal nº 3.514, que foi promulgada no dia 28 de setembro último, pelo presidente da Câmara de Vereadores, Luís Cláudio (PDT), após ser aprovada por unanimidade no plenário do legislativo em todas as sessões apresentadas. A nova norma prevê que os comerciantes substituam o saco plástico e a sacola plástica pelo saco de lixo ecológico e pela sacola ecológica. Tal obrigação é facultativa durante os dois primeiros anos de sua vigência, após esse período a substituição torna-se obrigatória, sob pena de aplicação de penalidades, que chegam até a cassação do alvará de localização e funcionamento das empresas que desobedecerem às regras estabelecidas pelo referido sistema dispositivo legal. Dentre as penalidades, o comerciante que não se adequar também poderá ser multado no valor de 15 UPFM (Unida-

de Padrão Fiscal do Município) e, em caso de reincidência, o valor deve ser cobrado em dobro O projeto de lei foi apresentado ao executivo pelos vereadores Paulo Cesar Daher Chaves (PT) e José Roberto de Sousa (PSDB). “Apesar de em nossa cidade já existir uma coleta seletiva, boa parte de todo esse plástico termina no único aterro sanitário da cidade, dificultando e impedindo a decomposição de materiais biodegradáveis. A situação poderia ser amenizada se houvesse maior preocupação com a reciclagem do nosso lixo doméstico, mas o lixo reciclado em nossa cidade ainda é pequeno”, justificaram os vereadores, que destacaram também a necessidade “da adoção de medidas urgentes para frear o consumo desse material de forma a contribuir com a preservação e conservação não apenas de rios e lagos, mas também dos centros urbanos”. As sacolas plásticas são distribuídas aos consumidores descontroladamente. Às vezes, na compra

de uma simples escova de dente e de um creme dental o cliente leva para casa duas sacolinhas, que muitas vezes serão descartadas e jogadas ao meio ambiente sem nenhum critério. Estudos dizem que um saco plástico pode levar até 450 anos para se decompor. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 1.818.666 toneladas de resíduos plásticos pós-consumidos viraram lixo no país e foram parar, indiscriminadamente, nos aterros e lixões, poluindo e degradando o meio ambiente. “A situação ambiental nos preocupa. Diante disso, está cada vez mais claro que dependemos de políticas públicas eficazes para tentar minimizar o impacto que o homem tem causado ao meio ambiente”, disse o vereador Paulo Daher. Os vereadores se inspiraram também em outras cidades, como Belo Horizonte, onde a lei já vigora e a fiscalização é rigorosa. “Seguimos alguns exemplos de outras cidades do Brasil, que já implantaram

a lei e estão colhendo bons frutos. Inclusive, conto com o apoio dos estudantes do município para nos ajudarem na fiscalização, como também na conscientização da população”, convida Paulo Daher. Além da substituição das sacolas plásticas nos estabelecimentos privados, a lei 3.514/2011 exige o mesmo dos órgãos e entidades do poder público sediados no município. A lei também autoriza o executivo a promover campanhas educativas e de conscientização dos cidadãos e das instituições a respeito da substituição das sacolas plásticas No que diz respeito à elaboração de políticas públicas de preservação do meio ambiente, os vereadores entendem que “os poderes públicos devem buscar soluções alternativas à degradação ambiental causada pelo material, que atualmente é utilizado pelos estabelecimentos comerciais para acomodar as mercadorias”. De acordo com Paulo Daher,

a lei 3.514/2011 visa a inserir Resende Costa no grupo de municípios que já legislaram sobre este assunto e insistem na substituição das sacolas plástica pelas sacolas ecológicas. “O que queremos é tentar mudar a maneira com que o homem se relaciona com a natureza, ou seja, minimizar o impacto ambiental. Fazendo isso, estaremos também agradecendo à natureza por tudo o que ela nos oferece”, conclui o vereador, que pede o apoio dos comerciantes para a implantação do projeto.

Vereador Paulo Daher acredita que a lei poderá contribuir com a preservação do meio ambiente


12 Jornal das Lajes

ANO VIII Nº 102 - OUTUBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG

Giro Esportivo

EMANUELLE RIBEIRO

Conheça o UFSJ Rugby Football Em março de 2010, dois garotos se reuniram e resolveram montar um time de rugby em São João del-Rei e a iniciativa deu certo. Após um ano, o UFSJ Rugby Football, popular Búfalos, conta com cerca de 25 jogadores e já disputou o Campeonato Mineiro de Rugby. Apesar da pouca visibilidade, o jogador Luiz Ney Cardoso acredita que o esporte “vem crescendo a passos largos”. Conforme explicou Luiz Ney, o rugby é um esporte praticado em um campo do tamanho do de futebol, podendo ser de terra ou grama. Na modalidade em que eles jogam (union XV), duas equipes de 15 jogadores tentam marcar o maior número de pontos durante 80 minutos, divididos em dois tempos. Para roubar a bola do adversário é permitido o contato (tackle) com o jogador portador da bola. “Apesar de o jogo ser de muito contato, existem regras severas para proteger a integridade dos jogadores, como por exemplo, utilizar apenas as mãos para derrubar o adversário e não segurá-lo acima da linha dos ombros”, conta Luiz. Segundo ele, o rugby possui quatro formas de pontuação: try (5 pontos), conversão (2 pontos), chute de penalidade (3 pontos) e drop goal (3 pontos). “Uma regra interessante do rugby é que o jogador, exceto o capitão, não pode se dirigir com palavras ou gestos ao árbitro. E mesmo assim, o capitão não pode contestar uma decisão do árbitro, sujeito a ser expulso da partida e pegar suspensões pela federação”, explica o jogador. Quando o time resolveu iniciar os treinos, apenas um jogador já havia tido contato com o esporte e outros poucos conheciam as regras. “A maioria nem sabia da existência do esporte. Essa foi uma das maiores dificuldades em aprender a jogar e, principalmente, treinar os jogadores”, declara Luiz Ney. Os Búfalos participaram apenas de um campeonato até agora, mas de um campeonato importante, de abrangência estadual, que foi o Campeonato Mineiro de Rugby XV, em 2011. De 10 equipes participantes, o time ficou em 9° no geral e com essa participação garantiu presença automática na edição de 2012. “O UFSJ Rugby participará novamente do Campeonato Mineiro de Rugby XV em 2012, mas com um time mais experiente e sem os problemas de falta de jogadores enfrentados ao longo do campeonato de 2011. Neste segundo semestre não participaremos de campeonatos, vamos ficar por conta de amistosos e treinar mais para o próximo ano”, conta Luiz Ney.

UFSJ Rugby Football

O último jogo dos Búfalos foi um amistoso no dia 24 de setembro, em Campo Belo, contra a equipe da cidade, quando venceram por 17x10. Eles voltam a disputar amistosos ainda este mês, nos dias 15 e 29. Além dos 25 jogadores, a equipe da UFSJ conta com alguns novatos em fase de aprendizagem e ainda estão montando um time feminino, que até agora tem sete meninas. Os treinos dos Búfalos acontecem no câmpus Dom Bosco da UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei) às terças e quintas, às 22h30, e nos sábados e domingos, às 14h00. Segundo Luiz Ney, quando o time principal joga não há treinos no fim de semana, para não prejudicar a condição física dos jogadores. De acordo com o jogador, muitas pessoas adotam uma visão preconceituosa do rugby, por causa do intenso contato físico e isso prejudica o desenvolvimento do esporte. “Entretanto, quem vai a um treino, vê que a realidade é completamente diferente. Apesar dessa característica, o jogo possui regras claras e punições pesadas para os infratores. O principal fundamento do rugby é a segurança dos atletas e o jogo leal”, acrescenta Luiz. Hoje não há um investimento significativo no esporte, principalmente em times menores como o UFSJ Rugby Football, mas há espaço para investimento, uma vez que é o esporte que mais cresce no Brasil, como ex-

plica Luiz Ney: “No período de 2008 a 2011, o número de jogadores federados passou de menos de 5000 para mais de 12000”. Atualmente, os Búfalos recebem apoio da UFSJ, que auxilia no pagamento das taxas de inscrição dos campeonatos e oferece transporte para o time. Mas esse auxílio é dado apenas aos jogadores que são alunos da instituição. Os que não estudam na UFSJ precisam pagar todas as despesas separadamente. De acordo com Luiz, a Secretaria de Saúde de São João del-Rei também ajuda o time, disponibilizando uma ambulância, para casos de jogadores que se lesionam e precisam ser levados ao pronto atendimento. Além disso, eles recebem apoio de iniciativas privadas, como de médicos que prestam atendimento aos jogadores. “Hoje, o time está muito mais estruturado do que há um ano. Temos mais conhecimento do jogo, métodos de treinos mais fáceis de assimilar, jogadores com mais disposição, pessoal capacitado a ensinar a novos jogadores, um juiz registrado na federação brasileira e a cada dia mais se renova o pessoal”, afirma Cardoso. Este é o UFSJ Rugby Football, um time que vem treinado duro, buscando experiência e reconhecimento para um esporte ainda pouco conhecido na região.

“Apesar do jogo ser de muito contato, existem regras severas para proteger a integridade dos jogadores”, afirma o jogador Luiz Ney Cardoso

Foto e Situação do mês Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto atrai grande número de jovens

Atualmente, o povo resende-costense e, sobretudo os estudantes, encontram uma estrutura mais do que adequada para realizarem seus estudos e suas pesquisas. A nova biblioteca municipal oferece condições básicas para aqueles que precisam fazer pesquisas, reuniões ou quaisquer outros eventos. O local permanece cheio, como demonstra a foto ao lado. São crianças pesquisando, ora em livros, ora na Internet, pessoas que levam livros para casa, ou mesmo turistas, que se maravilham com a estrutura da nova sede e com sua localização no Mirante das Lajes. Nos meses de agosto e setembro, particularmente, a biblioteca permaneceu cheia de crianças o dia todo. Mas nem tudo são flores. O acervo da biblioteca, enriquecido sobretudo através de doações, encontra-se cada vez mais desatualizado. Torna-se urgente um maior investimento por parte do poder público na aquisição de novos títulos e periódicos. Assim, os usuários da biblioteca, principalmente nossos estudantes, poderão usufruir melhor desse universo de educação e de conhecimento.

Equipe resende-costense participa do campeonato do Independente, em São João del-Rei Desde o dia 24 de setembro, está acontecendo em São João del-Rei o Campeonato do Independente, organizado pelo Clube Independente. O campeonato é composto por seis equipes, divididas em uma só categoria, classificada como principal. O time Confraternos é a única equipe de Resende Costa, que foi convidada a participar do torneio.

O Confraternos já existe há dois anos e na rodada de estréia, no dia 24 de Setembro, empatou com o clube de Tiradentes em 1x1. Já no segundo jogo, dia 1º de Outubro, o Confraternos goleou o Independente B por 6x0. Os jogos do campeonato, que se estende até o dia 5 de novembro, estão sendo realizados no campo do Independente.

Confraternos é o único time de Resende Costa que participa do Campeonato do Independente

Galaxy no 5º Campeonato Regional de Futsal Como havíamos publicado na última edição do JL, o Galaxy está participando do 5º Campeonato Regional de Futsal. Seguem abaixo os resultados dos dois jogos que o Galaxy disputou

até gora. Conforme explicou o técnico da equipe, João Vítor de Assis, cada escolinha realiza seis jogos por rodada, sendo um de cada categoria.

1º DE OUTUBRO 18 DE SETEMBRO: O Galaxy enfrentou o D’Paula, em O Galaxy enfrentou o São Judas, São João del-Rei, casa do adversário. de São João del-Rei, no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson, em Resende Costa. SUB 8: Galaxy 7x2 São Judas

SUB 8: D’Paula 5x3 Galaxy

SUB 9: Galaxy 9x1 São Judas

SUB 9: D’Paula 3x3 Galaxy

SUB 9: Galaxy 9x1 São Judas

SUB 10: D’Paula 5x1 Galaxy

SUB 11: D’Paula 6x5 Galaxy

SUB 11: D’Paula 6x5 Galaxy

SUB 12: Galaxy 7x0 São Judas

SUB12: D’Paula 5x5 Galaxy

SUB 13: Galaxy 6x1 São Judas

SUB 13: D’Paula 0x7 Galaxy

O próximo adversário do Galaxy será o Sport Center e os jogos acontecerão em Resende Costa, no dia 30 de outubro. Parceria com o Cruzeiro Nos dias 6 e 7 de setembro, a Escolinha de Futebol Galaxy levou dois alunos a Belo Horizonte para fazerem

testes no Cruzeiro. Os dois garotos permaneceram no Cruzeiro por dois dias, mas foram dispensados no último teste. De acordo com João Vítor de Assis, o Galaxy irá levar mais cinco alunos para testes no mês de novembro.


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