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ANO VIII Nº 101 - SETEMBRO 2011 / RESENDE COSTA - MG
Exploração de reserva de minério de ferro em Jacarandira vai gerar centenas de empregos e aquecer o comércio
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Tiradentes abre série de reportagens sobre política regional A histórica cidade, situada na região do Campo das Vertentes, encontra-se num momento de transição. Crescimento desordenado, trânsito caótico nos feriadões, circulação de veículos pesados no centro histórico, baixa qualidade da educação e falta de saneamento básico são problemas que dependem de decisões políticas pautadas em planejamento e gestão. Pagina 05
COPASA pretende concluir obras da rede de esgoto no início de 2012 Apesar das dificuldades técnicas encontradas pela empreiteira responsável pela execução das obras, a expectativa da COPASA é que o cronograma se confirme e a rede de esgoto seja entregue à população em fevereiro de 2012.
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Topo da Serra do Carretão, minério em abundância
O distrito de Jacarandira deverá se tornar o primeiro polo industrial de Resende Costa nos próximos anos. A Rede Gusa Minerações Ltda iniciará, em janeiro ou fevereiro de 2012, a exploração da magnetita. 60% das reservas estimadas em 180 milhões de toneladas estão em Resende Costa. A mineradora pretende investir inicialmente 8 milhões de reais nas instalações para a exploração da matéria-prima siderúrgica e gerar mais de 300 empregos diretos, além dos indiretos em borracharia, hotéis, restaurantes, posto de gasolina, construção de moradias etc. Página 06
2 Jornal das Lajes Editorial O minério como garantia de prosperidade Geração de empregos diretos e indiretos, aquecimento do comércio. Nos próximos anos, o minério poderá ser o carro-chefe para o desenvolvimento do distrito de Jacarandira, distante 42 km de Resende Costa. Uma nova e próspera era é esperada por toda a população local, que já está ansiosa para que se iniciem as extrações da magnetita – minério encontrado com abundância na Serra do Carretão pela Rede Gusa Minerações Ltda. Diante dos benefícios advindos da exploração da magnetita em Jacarandira, é necessário, a partir de agora, que Resende Costa estabeleça um novo planejamento administrativo, para melhor aproveitar essas benesses e investir a longo prazo. Os próximos 20 ou 30 anos poderão ser decisivos para o futuro da região de Jacarandira e, por que não dizer, para todo o município. Especulou-se, por exemplo, que Resende Costa poderia receber o porto seco da Rede Gusa. A história mostra que em muitos municípios, que no passado viveram a glória da exploração do ouro e outros minerais, vê-se hoje profunda decadência, uma vez que não houve investimentos essenciais em infraestrutura, saúde, educação, comércio etc., que poderiam garantir a prosperidade quando ocorresse o esgotamento das minas. A legislação atual exige que 2% do valor mensal da produção das mineradoras sejam repassados ao município, os chamados “royalties”. Cabe, portanto, ao município saber investir esse montante. Para garantir isso, Jacarandira terá que se organizar no intuito de cobrar de Resende Costa os investimentos a que tem direito. A comunidade não pode aceitar apenas as migalhas, afinal o “mapa da mina” apontou a direção das riquezas em suas terras. A representatividade política é essencial nesse momento. Já nas próximas eleições, Jacarandira precisa, mais do que nunca, se unir e eleger seu representante na Câmara Municipal para defender seus interesses. Mas não é somente Jacarandira que vai se beneficiar com a exploração do minério. O povoado do Cajuru, vizinho do distrito, também verá a prosperidade chegar, sobretudo através da geração de empregos. Portanto, caberá também à comunidade se organizar para melhor aproveitar esse momento único. Espera-se, enfim, que os nossos gestores públicos, a partir de agora, vejam a política sob uma nova ótica, menos bairrista e mais desenvolvimentista, voltada à coletividade e não somente às siglas partidárias. Que tenham “olhar de águia”, isto é, vislumbrem o futuro para garantir o bem-estar das próximas gerações. Está chegando a hora de o compromisso político de Resende Costa ser único e exclusivamente com o desenvolvimento a longo prazo. Que não aconteça aqui o que ocorreu em vários municípios do Brasil, que apenas curtiram o momento de glória, mas quando o bonde da história passou e o minério acabou, restaram apenas as lembranças, a falta de perspectiva e, para muitos, infelizmente, a miséria.
ANO VIII Nº 101 - SETEMBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
O verso e o controverso
Reforma eleitoral (V)
Financiamento de campanha Na realidade, nós contribuintes já financiamos campanhas eleitorais, através do “fundo partidário”. Trata-se de um fundo especial de assistência aos partidos políticos, constituído pela arrecadação das multas eleitorais, por recursos financeiros legais, doações espontâneas privadas e doações orçamentárias públicas. Segundo as leis 9.096/95 e 11.459/07, 5% do fundo são destacados em partes iguais a todos os partidos que tenham seus estatutos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os demais 95% do total desse fundo são distribuídos aos partidos na proporção dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados. O projeto da comissão do Senado adotou o financiamento público de campanha eleitoral. Em suma, prevê o seguinte: ficam proibidas as doações de pessoas físicas e jurídicas. No orçamento do ano eleitoral, constará a verba que
E T N E I D E P X E
Jornal das Lajes Ltda
CNPJ: 09.323.470/0001-60 Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro (32) 3354-1323 - Resende Costa - MG CEP: 36.340-000 Diretor de redação: Rosalvo Pinto Editoração: Rafael Alves Editor de Esporte: Geraldo Aires Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Jornalista responsável: Floresta - Belo Horizonte José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP Tiragem: 3000 exemplares Diretor Administrativo: Circulação: Eustáquio Peluzi Chaves Resende Costa e São João del-Rei Diretor de Contabilidade: Os artigos assinados não refletem Antônio da Silva Ribeiro Neto obrigatoriamente a opinião do jornal. Editor-chefe: André Eustáquio
o governo destinará para o custeio da campanha. Para o primeiro turno, a base do cálculo do valor será o número de eleitores registrados até 31 de dezembro do ano anterior ao ano eleitoral, multiplicado por R$7,00. Havendo segundo turno, multiplica-se por R$2,00. O montante será depositado numa conta do Banco do Brasil, à disposição do TSE, e os recursos serão distribuídos do seguinte modo: 1% divididos igualmente para cada partido, registrados no TSE; 14%, divididos entre os partidos que têm representação na Câmara Federal; os restantes 85% ficam para os partidos, proporcionalmente ao número de representantes que elegeram para a Câmara Federal na última eleição. Na pesquisa feita encomendada pelo Senado, 48% opinam que o financiamento só deve ser privado; 32%, que o financiamento seja somente público: apenas 15% são favoráveis ao atual sistema: finan-
ciamento público e privado. Acho que o esquema atual precisa mudar. Ou é público, ou é privado. Os dois não. Esta imoralidade que rola por aí, escancarada (felizmente a justiça já começa a realizar algumas cassações), tem que ser cerceada. Pesados os prós e os contras, penso que o financiamento público é melhor. Não vai acabar com a corrupção, mas pode diminuí-la. Sendo ilegal qualquer contribuição privada (que no esquema atual visa, quase sempre, a benefícios, proteções, privilégios e vantagens), é mais fácil denunciar, processar, provar e punir. O financiamento privado é uma enganação. Raramente, é gratuito. A conta é alta e quem paga somos nós, pois, o financiado “recompensa” o financiador, desviando para ele a contribuição de todos para benefício de todos.
Voz do Cidadão
Coleção Lageana “Gostaríamos de parabenizar os escritores do livro “Um olhar sobre Resende Costa”, Rosalvo e Elaine e o presidente da AMIRCO, Eduardo Lara, pela brilhante iniciativa de preservar a história de nossa que-
rida Resende Costa e de nossa gente. Pessoas como vocês é que fazem Resende Costa crescer. Um abraço! Alunos do 3º e 4º anos da Escola Municipal “José Augus-
to de Resende” - Povoado do Cajuru”. Professora Luciléa Resende Moreira (por e-mail)
Saúde
Política regional Inicia-se nesta edição uma série de reportagens sobre política regional. O jornalista José Venâncio de Resende apresentará as particularidades, o confronto de forças, tendências ideológico-partidárias, tradições e personalidades que marcaram e ainda marcam o cenário político nos municípios da região do Campo das Vertentes. A série se inicia com uma reportagem sobre a política em Tiradentes – cidade histórica que se encontra na encruzilhada do desenvolvimento. Mais uma vez a política poderá decidir que caminho o município irá escolher.
JOÃO MAGALHÃES
“Quero parabenizar a Secretaria Municipal de Saúde de Resende Costa, na pessoa da nossa competente secretária, Mírian Leão Sette, que juntamente com sua equipe está realizando um belíssimo trabalho. Eu, como conselheira da saúde do distrito de Jacarandira, tenho visto de perto a
competência desse pessoal, inclusive o Bita, que também vem desenvolvendo muito bem o seu papel de chefe do transporte. Ninguém que esteja realmente precisando de um veículo para o transporte do doente tem ficado sem o mesmo. O Bita também está de parabéns, juntamente com todos os mo-
toristas, que são educados e caridosos com as pessoas que transportam. Parabéns ao nosso prefeito Adilson pelo seu desenvolvimento e pelo dever cumprido!” Jú Jacarandira – Resende Costa (MG)
Para se corresponder com a redação do Jornal das Lajes: Os textos para a seção Voz do Cidadão deverão trazer a assinatura, o endereço, o número da cédula de identidade e o telefone do autor. Enviar para: Editor-Chefe, Jornal das Lajes. Endereço: Rua Assis Resende, 95, Centro – Resende Costa, MG. Tel. (32) 3354-1253. E-mail: contato@jornaldaslajes.com.br. Por motivos de espaço e clareza, o jornal se reserva no direito de editar as cartas, quando necessário. O conteúdo dos textos não é de responsabilidade editorial do Jornal das Lajes.
ERRATA: Na edição passada, nº 100, na reportagem “Festival de Música de Prados em Resende Costa”, página 6, 2º parágrafo, onde se lê AMARC, leia-se MAC (Movimento Arena Cultural).
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Contemplando as Palavras
REGINA COELHO
Irmã Maria Geralda
Pessoas como a irmã Maria Geralda Resende, religiosa do Bom Pastor, são a perfeita tradução do que escreveu um dia o poeta alemão Bertolt Brecht sobre aqueles que lutam a vida toda – esses são os imprescindíveis. Assim é a prima Maria Geralda. Sempre tive conhecimento de seu trabalho firme e corajoso junto aos marginalizados, o que é motivo de orgulho para a família e inspiração para esta coluna, quando se comemora o Jubileu de Ouro religioso dessa admirável resende-costense. Por solicitação minha recebi dela o seguinte testemunho:
Meu Jubileu de Ouro “Sou a Ir. Maria Geralda Resende, nasci em Resende Costa, MG, a mais velha de oito irmãos. Meus pais, Vera e Alcindo, ela, professora e ele, escrivão da Coletoria Federal, católicos praticantes, me ensinaram desde cedo a amar Jesus e a Eucaristia. Fiz parte da Cruzada Eucarística e no dia em que completei seis anos, entre meus pais, fiz minha Primeira Comunhão. Disseram-me que tudo que eu pedisse a Jesus nesse dia, Ele me concederia. Na minha cabeça de criança pedi a Ele que queria ser religiosa, ser toda d’Ele, mas, se quando crescesse, eu gostasse de outra coisa, que Ele estava dispensado de atender meu pedido. Fiz meu curso primário no Grupo Escolar Assis Resende e depois fui estudar com as Filhas da Caridade em São João del-Rei e Barbacena, onde em 1958 terminei o Curso Normal. Naquele ano, em abril, uma amiga pediu que eu a acompanhasse ao Instituto Bom Pastor, onde ela ia se encontrar com um salesiano, padre Bartolomeu Poli. Ao entrar na capela, foi como se um raio me atingisse e eu escutei bem forte: É aqui que eu te quero. Comecei a chorar e penso que naquela hora Deus me mudou, tomou posse de mim, cumpriu o que eu lhe tinha pedido aos seis anos. Entrei na capela chorando muito, e o padre, assustado, perguntou o que eu tinha. Disse-lhe que eu ia ser religiosa daquela congregação
que nem conhecia ainda. Ele pediu que eu lhe procurasse depois de 15 dias, mas quis conhecer as Irmãs, e naquele dia escrevi uma carta à Madre Provincial pedindo-lhe para ingressar na congregação. A resposta só veio em agosto. Nesse período, fui catequista, filha de Maria e minha vida mudou totalmente. Perdi o interesse por filmes e bailes. Fiz minha profissão religiosa em 15 de agosto de 1961, e desde então sirvo ao Senhor trabalhando pelos mais pobres e marginalizados. Residi em várias cidades, fiz o ISPAC (Instituto Superior da Pastoral Catequética), com estágios na Penitenciária do Carandiru, em São Paulo, no tempo da ditadura e me especializei em catequese para adultos. Morei em várias cidades, sempre sabendo que estava no lugar certo, fazendo o que Jesus me pedia. Agora faço 50 anos de Vida Religiosa Consagrada. Como presente, Jesus me levou para conhecer Sua terra. Estou chegando da Terra Santa, encharcada de bênçãos e graças, vendo tudo colorido. Agradeço a todos que me ajudaram a chegar até aqui, e ofereço a cada um meu Jubileu de Ouro. À minha família, congregação, amigos, às pessoas que por mim passaram, aos pobres, às mulheres prostituídas, aos jovens, aos presos, a todos que fizeram parte da minha vida, deixo aqui o meu agradecimento”.
Rumo a São Sebastião Lilia Lara Integrei-me à comitiva familiar em Barbacena. No dia 13 de agosto último, seguimos para São Sebastião (SP) com o objetivo de participar da festa dos 50 anos de vida religiosa de minha sobrinha. Ficamos hospedados numa pousada das Irmãzinhas do Coração Imaculado de Maria, um lugar tranquilo e com uma praia “particular”, pois o quintal da pousada dá para a praia. Não podíamos desperdiçar aquela dádiva de Deus – o mar todo por nossa conta. Aliás, a mineirada, quando avistou aquele mundão de água, a criançada principalmente, começou a gritar: ao mar! ao mar! “ao mário!” Foi divertido.
Irmã Maria Geralda e sua tia, Lilia Lara com padre Zezinho
Irmã Maria Geralda celebrou 50 anos de vida religiosa
Dia 15, participamos de um almoço oferecido aos familiares da Irmã Maria Geralda, padres e religiosas. À noite, o momento mais importante: a celebração da missa festiva presidida pelo padre Zezinho, amigo e companheiro de jornada da Irmã Maria Geralda. Guardo comigo em especial uma cena emocionante: a homenageada caminhando pelo centro da igreja, de braço dado com sua mãe, minha irmã Vera, sempre altiva e serena, do alto de seus lúcidos 95 anos, orgulhosa da filha. Durante a homilia, Padre Zezinho destacou a atuação incansável de nossa querida religiosa nas ruas e nos presídios para falar com os sofridos, encorajando-os e ajudando-os a uma vida melhor. Em seguida, o ponto máximo da solenidade: Irmã Maria Geralda renovou seus votos e cantou uma bela consagração. Ao final da missa, recebemos uma bênção especial ao som da consagrada música que exalta o valor da família, com a interpretação de seu próprio autor. A programação culminou com um coquetel, e apresentação de um vídeo sobre a vida de Irmã Maria Geralda contendo imagens inclusive de Resende Costa, cidade que a viu nascer para, a exemplo de sua inspiradora, Santa Eufrásia, seguir as pegadas do Bom Pastor.
Dicas de Saúde - Pública
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LUIZ ANTONIO PINTO*
O SUS que não vemos O SUS - Sistema Único de Saúde - já existe há vinte e poucos anos e boa parte do povo não o conhece. Nosso sistema público de saúde tem uma proposta avançada, em termos de mundo - democratizar o acesso à saúde, em todos os seus aspectos. E isso tem avançado, com dificuldades e conquistas. O maior problema é o “din-din”: nossos governantes (nação/estados/municípios) ainda gastam pouco com a saúde do brasileiro. Nossa Constituição Federal diz: “A saúde é um direito de todos e dever do estado”. Mas a coisa não é simples assim. Voltemos ao tema principal. O SUS nos atinge todos os dias - a qualidade dos alimentos, dos medicamentos, as vacinas que todos tomamos, as consultas, as internações, todos os tipos de exames, as ambulâncias, os plantões e muito mais. Isso, em todo o Brasil! Críticas, vemos toda hora: a grande imprensa (Globo, SBT etc.) gosta de falar mal do SUS, muitos políticos e muitas pessoas simples do povo também. É certo que temos muitos problemas, principalmente pelo pouco recurso financeiro, como mencionado acima (vocês sabiam que pela nossa consulta de clínico geral, o SUS paga 2,04 reais e ainda partimos ao meio, com o hospital? Assim, recebemos, 1,02 real por consulta... sabiam?) Mas é preciso valorizar o “monte de benefícios” que o SUS traz para toda a população brasileira, inclusive, de Resende
Costa. Nosso PSF, que atende 37% da população urbana - e está chegando a segunda equipe, já concursada pela prefeitura e que deverá funcionar ainda este ano - nosso Centro de Saúde, com suas consultas, medicamentos, vacinas, curativos, exames, saúde mental, entre outras coisas; nossos Postos de Saúde na zona rural, nossa Vigilância em Saúde (epidemiológica, ambiental, sanitária etc.); nossos transportes de pacientes; o CISVER - Consórcio de Saúde - do qual já falamos em outro artigo; nosso hospital, magnífico para nós e região; nossos muitos funcionários do SUS que trabalham com salários ainda não muito adequados; as muitas cirurgias realizadas aqui e em outros municípios... É difícil enumerar tudo que o SUS nos proporciona. É por tudo isso que devemos defender o SUS, de “unhas e dentes”. Temos certeza de que, com a participação de todos, muita coisa vai seguir melhorando. É preciso aprender a enxergar o SUS QUE NÃO VEMOS ou que NÃO QUEREMOS VER... Ah, falando nisso, em outubro a Secretaria e o Conselho Municipal de Saúde estarão realizando as pré-conferencias de saúde no município e em 26 de novembro, será nossa Conferencia Municipal de Saúde. Que tal começarmos a ver o SUS dessa maneira? *clínico geral e sanitarista
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Jogo Aberto
“Sou muito feliz como padre” nossa missão, mesmo surpreso, disse o meu sim para um novo desafio. Já ter trabalhado em Resende Costa facilita a sua missão de pároco? O fato de já ter passado por aqui facilita, sim. É certo que antes era vigário paroquial e agora sou pároco. Uma missão mais exigente, devido à extensão da paróquia. Mas contando com a colaboração de todos, nós vamos conseguir superar os desafios.
Natural de Coronel Xavier Chaves, padre Eder Sebastião Santos, 44, tomou posse como pároco da paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, em Resende Costa, no dia 27 de julho último. Padre Eder, no entanto, já conhece bem a realidade da sua nova paróquia, uma vez que aqui trabalhou auxiliando o ex-pároco, padre Geraldo Soares, quando seminarista (2004), diácono (2005) e vigário paroquial (2006 - 2007). Em novembro de 2007, a pedido do então bispo da diocese de São João del-Rei, dom Waldemar Chaves de Araújo (atualmente bispo emérito), padre Eder assumiu a paróquia do Sagrado Coração de Jesus, em Minduri, MG, onde ficou durante três anos e sete meses. Nesta entrevista, entre outros assuntos, o pároco fala sobre suas expectativas frente ao trabalho pastoral na paróquia de Nossa Senhora da Penha. Fale um pouco sobre a sua formação sacerdotal. Digo que foi tranquila, sem muitas crises como se percebe com certos vocacionados. Minha vocação é a chamada vocação tardia. Fiz minha primeira faculdade na Funrei (atu-
al UFSJ) e o curso era integrado, ou seja, filosofia e história juntas. Mas não havia nenhuma intenção de ser padre. Terminei o curso e fui lecionar na rede estadual (em Coronel Xavier Chaves) por alguns anos. Numa transferência de padres, um filho de Resende Costa, padre Paulo Marcelo, foi ser pároco em Coronel Xavier Chaves. Já éramos amigos. Foi quando me aproximei mais da Igreja e pude descobrir, com a ajuda dele, a minha vocação. Com o discernimento da vocação, fui para o seminário para cursar somente a teologia durante cinco anos, pois já tinha um curso superior. E hoje, com a graça de Deus, completei no ultimo dia 26 de julho meus cinco anos de sacerdócio, bem vividos. Sou muito feliz como padre. O sr. trabalhou na paróquia de Nossa Senhora da Penha como seminarista, diácono e vigário paroquial. Como recebeu a notícia de que seria o pároco de Resende Costa? Confesso que não esperava uma nova missão, devido ao tempo da provisão que recebi na paróquia do Sagrado Coração, de Minduri. Como é esta a
A paróquia de Nossa Senhora da Penha possui vasta extensão territorial, diversas capelas urbanas e rurais, além de muitas festas e celebrações durante todo o ano. Isto torna-se um desafio ainda maior para o padre? Com certeza, há mais desafios quando a paróquia é maior. Na busca de tentar atender a todos, torna-se mais desgastante e cansativo. Acredito que organizando e agendando os compromissos devidamente e com a compreensão de todos, podemos superar muitos desafios. A Igreja insiste muito no trabalho pastoral, na inserção e acolhida dos leigos nos movimentos e nas pastorais. Quais são seus planos para o desenvolvimento das pastorais na paróquia de Nossa Senhora da Penha? Sabe-se que os movimentos e as pastorais são para colaborar, ajudar no crescimento e no desenvolvimento da paróquia. Cada grupo se organizando para o crescimento humano, religioso. Nossos planos poderão ser os melhores se bem acolhidos e aceitos por aquelas pessoas que, disponíveis, possam se interessar nessa missão de colaborar com o padre para o desenvolvimento da paróquia. O bispo da diocese de São João del-Rei, dom Célio de Oliveira Goulart, tem insistido muito na criação da Pastoral da Comunicação em todas as paróquias. O que o senhor tem a dizer sobre a importância desta
pastoral? Sabemos que cada pastoral tem sua importância. No caso da Pastoral da Comunicação, para que a Igreja continue sua peregrinação nesta terra e também possa entrar no mundo da tecnologia, recebe um destaque maior. Não no sentido de superioridade em relação às outras pastorais. Mas para se tornar uma pastoral de conjunto, ou seja, dar sustento e formação às demais pastorais numa paróquia. Como os leigos podem participar ativamente dos movimentos e pastorais da Igreja? Os leigos podem participar dos movimentos e pastorais se engajando, sendo responsáveis, tendo espírito comunitário. Cada um dedicando e dando sua colaboração naquilo que sabe realizar, que conhece, que é capaz, deixando de lado a competição, a auto-suficiência e tudo que desune para fortalecer ainda mais a paróquia. Percebe-se hoje que um dos maiores desafios da Igreja é atrair os jovens. No mundo contemporâneo, como a Igreja pode dialogar com eles e atraí-los, sobretudo para um engajamento maior nas comunidades? Esse é mesmo um grande desafio. Como atrair os jovens para a Igreja? Penso que a Igreja está acordando para o problema. O que presenciamos neste ultimo acontecimento na Espanha é prova disso. O encontro de mais de dois milhões de jovens com nosso pontífice, o papa Bento 16 em Madri, pode trazer novos frutos para a nossa Igreja. Ainda mais que a próxima Jornada Mundial da Juventude será no Brasil, em 2013. Vejo que podemos ir mais além aqui na paróquia de Nossa Senhora da Penha. Mesmo com muitos jovens atuando, ainda há muitos que poderão fazer parte da nossa Igreja. O sr. acha que a Igreja tem correspondido às expectativas da juventude, principalmente no que diz respeito à espiritualidade? Penso que ainda falta algu-
Patrimônio
ANDRÉ EUSTÁQUIO
ma coisa a fazer. Às vezes a Igreja (povo) fica presa a tradições e costumes que percebemos que não ajudam a juventude a construir sua espiritualidade. É importante lembrar que espiritualidade é amar o Cristo vivo, que interpela profundamente nosso coração. Trata-se de uma atitude de decisão. É a forma como nos comprometemos em nossa vida perante Deus. Espiritualidade é, portanto, uma atitude humana, uma prática terrena com consequências espirituais. Jesus deve ser para nós, e em especial para os jovens, o Senhor que salva e liberta, como São Paulo gritou: “Não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl. 2,20). Como motivar os fiéis a terem uma participação mais efetiva e menos ritualista no cotidiano da paróquia? A Igreja deve ter espaço para todos. Não podemos colocar em prática aquilo que é bonito, de que se gosta, mas que não condiz com a nossa liturgia. Uma participação mais efetiva seria isso, dar oportunidades para todos. A palavra de Deus nos aponta para a necessidade de não permanecermos estagnados em nossa prática de vida, de fé e de atitude. Dentro da fé católica é impossível que subamos sozinhos a escada da vida, ou mesmo que possamos construí-la sem levar em consideração a presença humana e santa de Maria para motivar essa participação na Igreja. Ainda sobre os trabalhos pastorais, como fazer para que as pastorais e os movimentos se tornem ainda mais dinâmicos na ação da Igreja? Penso que seria com a nova proposta de dom Célio: a Pastoral da Comunicação dando suporte às demais pastorais, tornando-as dinâmicas. Também com a colaboração de cada um dentro do seu movimento e pastoral, colaborando com seus coordenadores. Se cada movimento e pastoral fizer aquilo que lhe compete, certamente essa dinamicidade vai ser realidade nas paróquias.
EMANUELLE RIBEIRO
3ª Jornada Mineira do Patrimônio Cultural conta história de Resende Costa através de imagens Durante o mês de setembro, estará sendo realizada em Resende Costa, a 3ª Jornada Mineira do Patrimônio Cultural. O evento, que tem o apoio dos municípios e diversas instituições culturais de Minas Gerais, acontece desde 2009 e busca estimular a valorização da memória e do patrimônio cultural
mineiro: “A Jornada busca incentivar e fortalecer a participação coletiva nas ações de conhecimento e preservação”, explica Solange Daher, chefe do Departamento de Cultura de Resende Costa. Em 2011, o tema é “Quando a minha história conta a história de todos” e como explicou Daher,
conforme sugestão do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural de Resende Costa, a proposta na instância municipal é a de uma exposição itinerante de fotos, que percorra alguns pontos comerciais e públicos de Resende Costa, referenciando nossa história, para que todos possam compartilhar
imagens de nossa terra e de nossa gente: “Fotos que contam a nossa história”. A 3ª Jornada Mineira do Patrimônio Cultural foi inaugurada no dia 1º de setembro durante celebração de missa na igreja matriz, aproveitando a comemoração do dia dedicado à padroeira de Re-
sende Costa, Nossa Senhora da Penha de França. Os primeiros dias de exposição foram realizados na própria igreja matriz. Os interessados em visitar as exposições podem se informar na prefeitura municipal. O telefone para contato é (32) 3354-1366.
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Especial Política Regional
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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Tiradentes, descompasso entre os avanços econômico e político
Uma cidade vitimada pelo crescimento desordenado, trânsito caótico nos feriadões, circulação de veículos pesados no centro histórico, baixa qualidade da educação e falta de saneamento básico. São gargalos que colocam Tiradentes numa encruzilhada, ou num momento de transição. “A cidade tem potencial turístico para 100 anos, mas do jeito que vai não chega aos 20 anos”, alerta o vereador Rogério de Almeida, o Rogerinho, ex-secretário de Cultura e atual presidente da Câmara Municipal. Na raiz de tudo, há um descompasso entre os avanços da economia e da política. A representação política está evoluindo, mas de maneira ainda lenta, admite Rogerinho, que foi eleito sem gastar um real, “o que é muito difícil”. Duas facções políticas revezam-se historicamente no poder. Na verdade, são famílias que comandam esses grupos há anos, diz o carioca Sérgio Santos, dono do bar “Conto de Reis” há 17 anos. “Não há ideologia partidária, não importam as siglas partidárias”. Tiradentes é uma cidade setecentista que sempre foi regida pelo coronelismo, pelo paternalismo, pelo compadrio, admite Rogerinho. “As pessoas estão acostumadas com político que cuida de tapar buraco, com o assistencialismo. Mas eu não culpo as gerações anteriores; todos contribuíram cada um à sua maneira.” Alem disso, “nativos” tradicionalmente não votam nos “de fora”, observa Sérgio. É que o desconhecido causa certo desconforto, acrescenta a professora de turismo Maria Lúcia Oliver, da PUCMinas. Cidades que recebem grupos de fora para implantar negócios e administrar espaços consideram esses grupos “usurpadores de lugares que seriam desta comunidade, mesmo que ela não tenha mão de obra especializada para determinadas funções”. Vicente Martins Filho, músico e diretor do Duo Jazz Festival, também vê com naturalidade certa resistência dos “nativos” em aceitar os “de fora”. “Isto só vai mudar quando os mais antigos saírem de cena e essa geração emergente começar a participar da política”, admite Sérgio. “Acho que essa mudança vai acontecer, é um processo natural.”, prevê Vicente. “Já tem uma segunda geração de políticos com visão mais aberta”, opina Sérgio, que aponta os jovens Rogerinho e Felipe Wagner Gomes Barbosa, vereador eleito e atual secretário de turismo, como políticos da nova geração. Os empresários, que geram emprego e renda, têm pouca representatividade na política local, observa Vicente. Para ele, o ideal seria que esta representação política fosse fru-
Temos de criar um turismo que não seja predatório, acrescenta Sérgio. “Temos de priorizar o turismo que traga retorno para a cidade”.
Nos feriadões o trânsito se torna caótico no centro histórico
to de mesclagem entre “nativos” e os “de fora”. “O ideal é que os empresários se unam para eleger um grupo de vereadores”, concorda o empresário Marcus Vinicius Resende Barbosa, do Hotel Pousada Mãe D´Água. Ele considera Felipe e Rogerinho como vereadores identificados com as ideias dos empreendedores. Desde 2006 vivendo em Tiradentes, o leopoldinense Vicente vê falta de vontade e de articulação da parte de “pessoas ilustres”, ligadas a turismo, educação, construção civil, cultura etc., com capacidade para “abraçar as causas da cidade”. A professora Maria Lúcia, natural de Itabira e há quatro anos em Tiradentes, acha “necessário uma sensibilização para que haja maior integração dos comerciantes, artistas, administradores e investidores na cidade, para uma atuação política e uma modernização administrativa”. Ela sente a falta de uma Associação Comercial “que se manifeste de forma mais pontual na cidade”. Baixa arrecadação – O cobertor curto da receita municipal de impostos não atende à necessidade de serviços e obras da cidade, de acordo com Marcus, que é ex-presidente da Associação de Pousadas e Hotéis de Tiradentes. Ele atribui a baixa arrecadação ao enquadramento do comércio local no Simples Nacional, que estabelece tratamento diferenciado e favorecido a microempresas e empresas de pequeno porte. Rogerinho acrescenta ainda a “injustiça” no pagamento de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) que pesa mais sobre os moradores dos bairros do que sobre os que se encontram no centro histórico. Mas acredita-se que haja elevada sonegação de tributos na economia local. “Os impostos cobrados são irrisórios e a clandestinidade de negócios também”, diz a professora Maria Lúcia. “Para pres-
tar um bom serviço de saúde, educação, comunicação e outros, se faz necessário uma receita mais compatível”. Ela defende a ideia de que o ajuste da tributação seja gradual, para que “as pessoas se ajustem melhor à realidade do valor do seu imóvel e a política seja respeitada”. Quanto às empresas, defende que “a ilegalidade deve ser corrigida. Como o município terá forma de beneficiar toda comunidade com ausência de receitas adequadas?” Para Rogerinho, “Tiradentes só será sustentável desde que todo mundo pague seus impostos.” De outro lado, a prefeitura é inchada de funcionários públicos, embora faltem profissionais melhor qualificados para assumir cargos gerenciais na administração municipal, observa Marcus. “A limitação financeira impede a prefeitura de pagar melhores salários para pessoas capacitadas.” Apesar das restrições orçamentárias, ele diz perceber obras como pavimentação de ruas nos bairros e o calçamento da entrada da cidade pela estrada velha. “Também sei que o prefeito fez acordo com a Copasa para a instalação da rede de esgoto”. Rogerinho acredita que a solução passa pela reforma tributária, “espinhosa, mas necessária”, para aumentar a receita de impostos, com justiça social e sem alta demasiada nos tributos sobre as atividades econômicas. Na verdade, a reforma do código tributário seria um dos itens do novo plano diretor. Outros itens seriam zoneamento urbano, código de posturas, projeto viário etc. Segundo o presidente da Câmara Municipal, o processo de votação do plano diretor já está maduro. “Hoje, todos os vereadores acham o plano importantíssimo.” A Fundação João Pinheiro já elaborou o “termo de referência” que dá as diretrizes para o plano diretor. O custo do plano dire-
tor é estimado em R$ 400 mil, e os recursos já estão sendo captados. Crescimento desordenado – O plano diretor deve atacar outro problema sério que é o crescimento desordenado da cidade. Fora da área central preservada (que segue regras ditadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN), Tiradentes está se espalhando, com construções que vão de condomínios de luxo a moradias simples em barrancos, conta Marcus. Ou seja, construções irregulares de todo tipo estão se proliferando na cidade. A especulação financeira continua muito forte, alerta Rogerinho, que está preocupado com a falta de planejamento. “A cidade cresceu espantosamente e chegou ao seu limite. Hoje, falta estudo de capacidade de carga, os engarrafamentos são grandes. Será que a cidade aguenta receber tantos turistas? A cidade tem de saber até quanto pode suportar”. Definir a missão da cidade, é o que pede o presidente da Câmara. “Turismo de eventos ou turismo cultural? Eu não sei. Se forem os dois, tudo bem. Então, seriam duas normas, dois critérios a serem trabalhados”. Em outras palavras, definir o conceito de turismo de Tiradentes. “No turismo, o menos é mais. Eu quero turismo de qualidade, e não de quantidade”, resume Rogerinho.
Desaceleração - Segundo Vicente, Tiradentes vive um momento de “desacelerada”, depois da fase ascendente, a partir da intervenção da Rede Globo nos anos 1980 e da chegada, nas décadas seguintes, de empreendedores de diversos tipos de comércio. “Acho que está uma coisa mais madura. Talvez essa desacelerada seja boa para se repensar o futuro”. Neste “repensar o futuro”, Rogerinho entende que Tiradentes seja administrada por técnicos e, para isso, propõe parcerias com universidades da região para aproveitar o trabalho dos alunos que “precisam de horas acadêmicas”. Exemplo é o projeto de lei de sua autoria, aprovado pela Câmara Municipal, que autoriza convênio com o Departamento de Arquitetura da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), para elaborar projetos de moradias para famílias carentes. Esta medida poderia ser estendida para departamentos como psicologia, letras, economia, comunicação, direito, gestão ambiental, ciências contábeis e turismo. A presença das universidades faz parte da proposta de “gestão compartilhada”, que envolveria ainda a ação política (prefeito deve buscar recursos), as organizações não-governamentais bem como as associações (devem definir diretrizes) e os conselhos deliberativos criados por lei (o do meio ambiente, por exemplo). “O segredo é uma gestão compartilhada para a melhoria da qualidade de vida”, resume Rogerinho. A gestão municipal deveria ser feita por metas, das quais educação e cultura seriam o carro-chefe, defende o presidente da Câmara. “O resto vem naturalmente. Assim, gasta-se menos com saúde, com limpeza, com preservação ambiental, saneamento básico etc. E o turismo é consequência de uma cidade bem cuidada” (veja a íntegra da reportagem em www.jornaldaslajes.com.br).
Tiradentes é uma cidade que cresce desordenadamente
6 Jornal das Lajes
ANO VIII Nº 101 - SETEMBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Economia & Negócios
ANDRÉ EUSTÁQUIO / JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Rede Gusa Minerações vai explorar reserva de 180 milhões de toneladas de minério de ferro na região de Jacarandira Preocupação ambiental
O distrito de Jacarandira vive a expectativa de um próspero
A Serra do Carretão, na divisa de Resende Costa com Desterro de Entre Rios, deve tornar-se um polo industrial extrativo-mineral nos próximos anos, com reflexos sobre o distrito de Jacarandira em termos de criação de empregos e dinamização do comércio local. A revelação é do gerente de mineração da Rede Gusa Minerações Ltda., Manoel Antônio Marques, o Galo, que pretende iniciar em janeiro ou fevereiro de 2012 a exploração do minério de ferro magnetita, cujas reservas da região são estimadas em 180 milhões de toneladas numa área de 101,7 mil hectares. Galo recebeu a reportagem do JL no escritório improvisado da empresa (na casa de hóspedes) em terreno adquirido pela Rede Gusa na barra da Serra do Carretão (o novo escritório está em fase de construção). Ele contou que, há quatro anos, chegou à região à procura de minério, quando foi informado por um agricultor de idade avançada de que havia evidências da matéria-prima siderúrgica na Serra do Carretão. Então, a Rede Gusa entrou com pedido junto à Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) de autorização para a realização de pesquisas. Foram feitos oito furos de sonda (de 50 metros cada) e 22 trincheiras (ou valas) mediante contratos de curta duração com
sitiantes da região. Após as sondagens, apurou-se a ocorrência de magnetita de boa qualidade (66 a 68% de teor de ferro), a mesma existente em Morro do Ferro (distrito de Oliveira), Passa Tempo e em outras duas áreas de Desterro de Entre Rios (Serra do Barro Branco). 60% das reservas da Serra do Carretão estão localizados em território resende-costense (o restante está no município de Desterro). A Rede Gusa espera obter, no máximo até dezembro, as licenças ambiental e mineral do FEAM, Instituto Estadual de Florestas (IEF) e Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), para então começar a produção. Investimentos e empregos A Rede Gusa pretende investir R$ 8 milhões nas instalações para a exploração do minério, basicamente em peneira, britador, correia transportadora, geradores e escritório. A operação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras, caminhões etc.) será totalmente terceirizada. Galo espera produzir 100 mil toneladas de minério por mês nos próximos 20 a 30 anos. A produção será escoada por carretas inicialmente para abastecer o mercado interno, ou seja, siderúrgicas instaladas em Divinópolis (União Siderúrgica),
O sitiante Newton, na dúvida entre arrendar ou vender suas terras
Congonhas/Ouro Branco (Gerdau Açominas), Ipatinga (Usiminas) e Sete Lagoas (Sidermin). Mas a Rede Gusa tem plano de abrir um “porto seco” em Entre Rios de Minas (ferrovia) para a exportação. O projeto já foi aprovado pela MRS Logística para embarcar o minério extraído das minas de Jacarandira, Morro do Ferro e Desterro 2 e 3 (Serra do Branco Branco). Galo estima que serão criados inicialmente 280 empregos diretos, entre operadores de equipamentos e paineis, apontadores, balanceiros, pessoal de escritório e serviços gerais. O salário mínimo (para auxiliar) da mineradora é de R$ 700,00 na carteira, mais cesta básica. Além disso, ele calcula em cerca de 20 a 50 os funcionários terceirizados, sem falar dos empregos indiretos em borracharia, hotéis, restaurantes, posto de gasolina, construção de moradias etc., cuja demanda será estimulada pela presença da indústria. Galo conta que cerca de 20 pessoas procuram o escritório por dia em busca de trabalho. Os interessados são orientados a deixar o currículo e aguardar o chamado da empresa para a função desejada. Enquanto isso, moradores de Jacarandira e região, como Silvinho, que acompanhou a reportagem do JL, mantêm viva a esperança de novas oportunidades de trabalho com a chegada da indústria de mineração. Além dos impostos pagos à União e ao Estado, as prefeituras de Resende Costa e Desterro vão receber “royalties” de 2% sobre o faturamento mensal da Rede Gusa. Espera-se que parte dessa receita beneficie diretamente a região de Jacarandira. Além disso, a Rede Gusa está aberta a parceria com a prefeitura para promover melhorias na infraestrutura local (estradas vicinais, mata-burros etc.)
“Nós nos preocupamos muito com a parte ambiental, queremos trabalhar sério nesta área”, enfatiza Galo ao falar dos projetos da Rede Gusa de instalações, barragem e lavra aprovados pelas instituições oficiais. Entre as compensações, ele cita a conservação das estradas vicinais (por exemplo, instalação de cacimbas para segurar areia e material que provocam erosões nos pastos), preservação das nascentes e matas e recuperação de áreas com erosões. Na exploração das minas, na medida em que terminar um banco (camada de pedra), a empresa pretende plantar árvores e vegetação nativa. Complexo mineral-ferrífero A Serra do Carretão faz parte de um complexo mineral-ferrífero que abrange Morro do Ferro, em Oliveira (Rede Gusa), Ouro Fino, em Oliveira (Mtransminas), Passa Tempo e Desterro de Entre Rios. A Rede Gusa, com sede em Belo Horizonte, possui seis fornos de ferro gusa em Sete Lagoas e minas de produção em Santa Maria de Itabira, Itabirito e Morro do Ferro. A empresa, com 1200 funcionários, tem projeto de 70 pesquisas de prospecção em Desterro, Oliveira, Congonhas e Resende Costa, entre outros. Galo revelou, no final da entrevista, que Jacarandira tem potencial para produção industrial de outro tipo de matéria-prima, como a cassiterita. Tanto que a Rede Gusa já tem projeto de pesquisa para fazer essas sondagens.
Galo, gerente de mineração da Rede Gusa
Tau, primeiro proprietário a firmar contrato com a mineradora
Chegada da mineradora traz esperança a donos de terras O primeiro agricultor a assinar contrato de pesquisa com a Rede Gusa foi Antonio Carlos de Andrade, o Tau, no final de 2007. Em seguida, seu pai, José Bernardino de Andrade, aceitou firmar o acordo com a mineradora para a sondagem em suas terras. Hoje, Tau está convencido de que a melhor proposta é fazer contrato de exploração com a Rede Gusa, que deve durar enquanto existir a mina, recebendo por isso o que é estipulado em lei. Outra alternativa é vender a propriedade para a mineradora. É o caso de Newton Rodrigues de Oliveira, que avalia as possibilidades de arrendar ou vender seus sítios para a Rede Gusa. “Tudo depende da proposta”, afirma o agricultor. Por sua vez, Galo revelou que a empresa tem interesse em adquirir as propriedades de Nilton. Newton mora no Sítio Carretão, que faz fronteira com a propriedade da Rede Gusa. Já no Sítio Cachoeirinha, mais conhecido por Café, o agricultor cultiva milho, feijão, hortaliças e capim. No final de 2009, a Vale procurou Newton para realizar pesquisas de prospecção no Sítio do Café do Newton. O trabalho (de 2 a 9 de dezembro) foi conduzido pela empresa Boart Longyear, de acordo com placa no local, que traz ainda a informação “furo FDR 0020, com profundidade de 93 metros”. A Vale também fez sondagens nas terras dos irmãos José Marciano de Andrade (Sítio Capoeira, na Serra da Galga) e Adão Marciano de Andrade (Sítio Ouro Fino), bem como na propriedade de Neris José Resende, na Serra do Carretão. A assessoria de imprensa da Vale informou ao JL por telefone que a empresa não tem intenção de explorar minério na região. Com a desistência da Vale, Galo aguarda apenas o vencimento do alvará de pesquisas da multinacional, que é de três anos, prorrogável para mais três. No entanto, a Rede Gusa pretende fazer mais furos na área onde tem autorização do DNPM, que coincide com as propriedades de Newton, para elaborar o plano de lavras.
Jornal das Lajes
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Aconteceu
EMANUELLE RIBEIRO
VI Vak’s Fest supera as expectativas
No dia 27 de agosto aconteceu em Resende Costa uma das maiores festas da região: foi a sexta edição da Vak’s Fest, organizada pela Turma da Vaquinha. No mês de agosto não se falava em outra coisa na cidade, isso porque a Vak’s Fest é a única balada em que se compram 400ml de cerveja e outras bebidas por apenas R$ 0,50. Mas antes de a festa rolar, uma polêmica tomou conta de Resende Costa: foi proibida a entrada de menores
na danceteria Kaessy. Na verdade, essa decisão já está prevista em lei e foi informada pela Turma da Vaquinha nos materiais de divulgação do evento. O que causou a polêmica foi a venda de ingressos para menores nos dias que antecederam à festa, a proibição da entrada dos mesmos acompanhados por responsáveis e, o que é pior, a permanência de alguns (e por que não os outros?) no ambiente da festa.
De qualquer forma, a VI Vak’s Fest foi um sucesso e o que mais impressionou foi a estrutura do ambiente externo com palco e três apresentações musicais. Além disso, a organização na venda de bebidas merece destaque. Outra atitude da Turma da Vaquinha deve ser exaltada: eles colaboraram com a Sociedade São Vicente de Paula, deixando a cargo deles a venda de canecas. Parabéns à Turma da Vaquinha e que venha a VII Vak’s Fest!
Danielle e Thais
Deusiane, Valéria, Bianca e Bruna
Edinéia e Camila
Juliana e Graziele
Patrícia e João Paulo
Cássio e Aline
Patrícia e Vinícius
Daniela e Thamires
Pollyanna, Milena e Marina
Concurso garota Assis Resende atrai público diversificado à Kaessy
No dia 3 de Setembro, os formandos do 3º Ano II da Escola Estadual Assis Resende realizaram a primeira edição do concurso “Em busca da garota Assis Resende” na danceteria Kaessy. Dezessete candidatas foram convidadas a desfilar e concorrer aos títulos de garota Assis Resende e garota simpatia do ano de 2011. A festa atraiu um público diversificado - de crianças a idosos
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- que curtiu uma noite agradável na Kaessy. Nathany Resende foi a escolhida dos jurados e do público, conquistando o título de garota Assis Resende. O título de garota simpatia foi conferido a Sara Ribeiro. Parabéns ao 3º Ano II pela criatividade na organização desse evento! As apresentadoras do evento, Vanuza e Andrea, com as candidatas ao garota Assis Resende
8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Mais um aniversário De novo estou fazendo aniversário. De novo estou completando mais um ano. De novo... de velho. Não posso me queixar de meus entes queridos. Sempre telefonam, dizem coisas agradáveis, falam que o dia é especial, desejam-me felicidades... Até cantam parabéns. Ouço, agradeço, jogo meu sorriso sereno para o canto da boca e suspiro. Todo mundo vira filósofo no dia do aniversário. Quem cumprimenta faz questão de elaborar frases profundas e vestidas de sabedoria. Quem ouve – o aniversariante – também filosofa. É aí que eu entro: fazer aniversário é dizer adeus ao que chega. Se, por um lado, eu ganho experiência, por outro meus dias escoam pelo ralo do meu calendário. Chegam os abraços, vão-se os passos. Aparece a festa, vai-se o que resta. Chegou a hora de apagar a velinha / Vamos cantar aquela musiquinha... Havia uma canção que dizia assim. Apagar a vela. Soprar o fogo da existência que nem chegou a consumir a vela. A vida é assim. Nem bem é acesa e já está na hora de apagar. Vou parar de soprar velinhas em cima de bolos. Mais ainda: nem vou chegar perto da mesa quando cantarem os parabéns. Já pensou como o negócio é trágico? Na sua frente, uma vela com o número de anos que você viveu até aquele momento. De repente, as luzes se apagam. Nas trevas, uma única vela acesa, iluminando pra todo mundo aquela quantidade de vida que você mesmo terá que soprar, varrer da exis-
tência. E todos ainda batem palmas. Você soprou anos de alegria, lágrimas, prazeres, conquistas, trabalho... E todos ainda batem palmas. Além de trágico, o ritual é sádico: tem gente que canta Com quem será que o fulano vai casar? É festa ou é gozação? Ninguém acende uma velinha sequer simbolizando o ano a mais que você está começando a viver. Todo mundo só se preocupa com o que já foi embora. E ainda lhe desejam muitos anos de vida... Pra quê? Pra gente soprar tudo outra vez? A coisa ainda fica pior quando os presentes começam a escassear. Isso é sinal de reta final ou de qualquer coisa parecida. Se no seu aniversário você começa a não ganhar presentes, é porque você já não está fazendo mais falta. Por enquanto, ainda ganho presentes. Vejo que preencho lacunas em vidas que não são minhas. Meu aniversário está chegando. No dia, vou acordar pensando em quem vai me ligar, em quem vai vir me dar um abraço, em quem vem dizer que me deseja uma vida longa. Nesse dia, estarei com a casa arrumada, a barba feita, a mesa posta e a música pronta pra tocar. Quem vier, arrume um canto, assente-se, a casa é sua. O vinho é de qualidade e a conversa vai inaugurar madrugadas e madrigais. Mesmo que um dia tudo termine num último suspiro, vale a pena festejar enquanto suspiramos. Não vou soprar velinha alguma. O capricho dos meus dias se encarregará disso.
__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
ANO VIII Nº 101 - SETEMBRO
Religião
DE
2011 / RESENDE COSTA - MG ANDRÉ EUSTÁQUIO
Resende Costa celebra sua padroeira, Nossa Senhora da Penha de França
Durante nove dias a paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, em Resende Costa, se preparou para celebrar a festa da padroeira. O tema escolhido este ano para as reflexões durante a novena foi: “Senhora da Penha, reflexo do coração materno de Deus”. A novena foi marcada pela presença de diversos sacerdotes da diocese de São João del-Rei, como também pelas comunidades rurais, bairros, movimentos, pastorais, representantes de associações, enfim, de toda a sociedade resende-costense. No dia 1º de setembro, quinta-feira, feriado municipal, os resende-costenses celebraram o Dia Maior dedicado a Nossa Senhora da Penha. À meia noite ouviu-se o repicar dos sinos, saudando a padroeira da cidade. Ao meio dia, os fieis homenagearam Nossa Senhora da Penha, soltando foguetes e, às 18h00, foi celebrada a missa solene do dia, presidida pelo bispo diocesano, dom Célio de Oliveira Goulart. Concelebraram com dom Célio o pároco de Resende Costa, pe. Eder Sebastião Santos, o vigário paroquial, pe. Raimundo Inácio, monsenhor José Hugo de Resende Maia, pe. Geraldo Magela da Silva e o diác. Admilson Heitor. Participou também o semin. Lucas Alerson. A igreja matriz estava lotada durante a solene celebração, que foi abrilhantada pelo Coral Mater Dei. A beleza do templo dedicado à Virgem Maria foi ainda mais destacada pela ornamen-
tação escolhida especialmente para o dia da padroeira. O andor de Nossa Senhora da Penha também foi enfeitado com flores escolhidas para a festa. Na homilia, dom Célio refletiu sobre a importância de Nossa Senhora na história da salvação: “Toda a nossa alegria em festejar a Virgem Maria ainda é muito pouco diante da sua importância na história da salvação, pois ao contemplar Maria estamos contemplando ainda mais o seu filho Jesus”. O bispo ainda destacou Nossa Senhora como padroeira de uma paróquia: “Nossa Senhora, enquanto padroeira de nossa paróquia, é nossa intercessora. Portanto, devemos apresentar a ela todas as nossas alegrias, as fragilidades humanas, os problemas sociais, políticos, todo o nosso contexto social”. Após a missa, os fieis saíram em procissão luminosa pelas ruas do centro da cidade. Todo o percurso foi enfeitado e iluminado por velas. Ao som da Banda de Música Santa Cecília, os devotos de Nossa Senhora da Penha homenagearam e dirigiram súplicas à Virgem Santíssima. Na chegada da procissão, uma efusiva queima de fogos de artifício homenageou a padroeira, que foi acolhida no interior da igreja por uma multidão de devotos. A festa da padroeira deste ano, além de reunir muita gente durante a novena e no Dia Maior, ainda contou com o já tradicional movimento de barraquinhas
A missa solene foi presidida pelo bispo diocesano dom Célio de Oliveira Goulart
A procissão percorreu ruas do centro da cidade
e música nas proximidades do adro da igreja matriz. Padre Eder, que pela primeira vez celebrou a festa de Nossa Senhora da Penha como pároco de Resende Costa, a avaliou positivamente e com muito entusiasmo: “A festa foi excelente. Como cheguei agora à paróquia, deixei acontecer para analisar. No ano que vem, pretendemos melhorar o que não funcionou neste ano. Mas, no geral, foi nota dez. O povo participou muito, tanto na novena quanto no Dia Maior”. (veja galeria de fotos da festa em www.jornaldaslajes.com.br)
Meio Ambiente
IRIS e MAC promovem ação voluntária de limpeza nas Lajes de Cima O Instituto Rio Santo Antônio (IRIS) e o Movimento Arena Cultural (MAC) organizaram no último domingo de agosto, 28, um mutirão para limpeza das Lajes de Cima. Os voluntários retiraram do local um volume de vinte sacos de lixo, contendo plásticos, papéis, garrafas e cacos de vidro, dentre outros resíduos. O lixo depositado no local, além de degradar a paisagem do mais conhecido cartão postal de Resende Costa, coloca em risco aqueles que transitam pelo local. Cacos de vidro, pilhas, lâmpadas florescentes quebradas, dejetos de utilização íntima e higiênica e até mesmo alguns objetos farmacológicos foram encontrados, como seringas e recipientes com resíduos medicinais de uso doméstico. A moradora do entorno, Maria Helena Resende, que contribuiu com o mutirão, elogiou a iniciativa e lamentou que boa parte dos frequentadores do local não tenha consciência ecológica e jogue seu lixo nas lajes. Maria Helena lembrou também que faltam latões de lixos mais bem distribuídos e de tamanho adequado à grande demanda do local, que é bastante fre-
quentado. O mutirão de limpeza das lajes contou com o apoio do Instituto Estrada Real, que doou camisas e material de divulgação para os voluntários. Também contou com a participação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que disponibilizou faixas, vassouras, pás e veículo para o transporte dos dejetos. No encerramento da atividade de limpeza, membros do IRIS e do MAC entregaram ao secretário municipal de Meio Ambiente, João Bilaya, um manifesto que reivindica intervenções práticas nas lajes, visando à melhoria da paisagem e o cuidado com o meio ambiente do local. Além da defesa da retirada do reservatório da Copasa e da reivindicação por latões de lixo bem distribuídos e de tamanho adequado à demanda do local, constam no manifesto as seguintes sugestões: remoção do Pluviômetro obsoleto e esteticamente indesejável situado sobre a laje; remoção de um suporte obsoleto de antena situado próximo à gruta Nossa Senhora de Fátima e que tem servido como esconderijo facilitador de práti-
cas escusas; negociação junto à Cemig com a finalidade de remover e instalar fora da pedra os postes que foram fixados sobre a laje nas proximidades do CPP, prejudicando a estética do local; negociação junto à Cemig para remoção dos padrões e das caixas de medição instaladas junto à parede do passinho situado na praça Nossa Senhora de Fátima. IRIS e MAC vêm realizando há cerca de um ano uma campanha pela revitalização das lajes. Nos próximos meses, os dois movimentos devem realizar em parceria o “3º luau nas lajes”, projeto que tem por objetivo efetivar a utilização cultural das lajes e reivindicar a revitalização daquele espaço.
Alguns dos participantes do mutirão
Jornal das Lajes
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Gastronomia
CLÁUDIO RUAS
Jornalismo
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EMANUELLE RIBEIRO
Site da Vertentes Agência O maior Festival de gastronomia do Brasil é aqui! de Notícias é apresentado
Isso mesmo. O maior e mais importante festival de gastronomia do nosso país é realizado aqui, na “grande Resende Costa”, mais precisamente em Tiradentes. E como noticiamos na coluna anterior, a 14ª edição do evento ocorreu entre os dias 19 e 28 de agosto, com um público total considerável, em torno de 35 mil pessoas, de acordo com a organização. Esse ano o tema do festival foi “A Nova Geração” dos chefs do Brasil (ano passado foi sobre as chefs mulheres), sendo boa parte dos 15 convidados os profissionais que se têm revelado nos quatro cantos do país, inclusive com um concurso entre eles. Destaque para os representantes de Minas, os gêmeos de apenas 20 anos, Fernando e Juliano Basile, que, apesar de serem paulistas, militam na cidade sul mineira de Gonçalves. Mas quem levou o 1º lugar foi o pernambucano Joca Pontes, que conquistou todos com seu trabalho pautado nos ingredientes típicos trazidos do nordeste, o que comprova a nacionalização do festival, fato importantíssimo para a gastronomia. Além dos 28 cursos gratuitos oferecidos - como o do chef paulistano Alex Atala (atual 7º lugar no ranking dos melhores restaurantes do mundo, feito memorável para nosso país) destacam-se os oito festins (jantares sofisticados) realizados em pousadas, cujos convites, que se esgotaram em 24 horas, chegaram a custar salgados
Cultura
R$350,00. Mas as opções de entretenimento acessíveis aos menos afortunados também foram várias, como os bares montados, oficinas, exposições, apresentações musicais e teatrais, atrações essas concentradas nos Largos das Forras e da Rodoviária. Voltando aos festins, ao analisar os variados menus oferecidos, percebemos um fato interessante e cada vez mais corriqueiro na chamada “alta gastronomia”: os ingredientes e produtos mais “simples” e tradicionais, cada vez mais presentes nas receitas, como o risoto feito com queijo canastra e canjiquinha (ao invés do arroz italiano) e o leitão de leite (vulgo leitãozinho) com geléia de cachaça, elaborados pelos irmãos Basile. Mas por que essa valorização desses ingredientes? Por vários e ótimos motivos: primeiramente, óbvio, pelo lado do consumo, pois é muito mais fácil e muitas vezes melhor consumir o que está à nossa volta (canjiquinha), ao invés do que está do outro lado do mundo (arroz italiano). Isso se justifica pelo lado cultural da gastronomia e até mesmo pelo lado econômico e social decorrente do estímulo da produção e uso desses ingredientes. Ou seja, preparando e consumindo mais canjiquinha, estaremos aproveitando um produto mais fresco, contribuímos para preservar as receitas e tradições e ainda favorecemos a criação de emprego e o aumento de renda de quem está mais próximo.
Tais benefícios também se obtêm através da realização de um “festival”, não necessariamente de gastronomia. Festival de qualquer coisa. Ou melhor, festival daquilo que se tem ou de que se propõe a ter, caso do próprio Festival de Tiradentes, que foi idealizado para alavancar o turismo na cidade pelo então chef e secretário de turismo Ralph Justino. Idéia brilhante e muito bem executada ao longo desses anos e que serve de ótimo exemplo para nossa Resende Costa, que inclusive já tem o objeto pronto: o artesanato (que também faz parte da gastronomia!). Um festival bem organizado e atraente traz o turista para a cidade (e para a região) e o resto dos benefícios nem precisam ser citados. Se até Resende Costa lucra com os turistas e participantes do Festival de Tiradentes que vêm aqui fazer compras de artesanato, imagine-se um evento na própria cidade! Além da badalada Tiradentes, outras cidades mineiras, como a vizinha São Tiago (biscoito), Cristina (café), Salinas (cachaça), Sabará (ora-pro-nobis), entre outras, vêm mostrando que a valorização de seus produtos através dos festivais é uma ótima saída para o aproveitamento de uma das mais importantes ferramentas para nossos problemas, a do turismo inteligentemente bem explorado. Pois é... a tal da gastronomia vai mesmo muito além da boca salivando...
ANDRÉ EUSTÁQUIO / COLABOROU: FLÁVIA BARROS
Curralinho dos Paulas recebe certificado de reconhecimento como Comunidade de Remanescentes Quilombolas No dia 12 de agosto último, o prefeito municipal de Resende Costa, Adilson Avelino de Resende, entregou à comunidade do Curralinho dos Paulas o Certificado de Reconhecimento da comunidade como “Comunidade de Remanescentes Quilombolas”. Entre tantos benefícios, esse reconhecimento trará ao Curralinho dos Paulas a chance de concorrer a recursos especialmente destinados às comunidades como esta, no Programa Brasil Quilombola, do governo federal. Além do Certificado, foi entregue à comunidade uma placa com os seguintes dizeres: “O prefeito Adil-
son homenageia o Curralinho dos Paulas, em honra ao reconhecimento desta comunidade como ‘Comunidade de Remanescentes Quilombolas’, conforme registro no Livro de Cadastro Geral nº 13, Registro n. 1.477, fl. 093, publicado no Diário Oficial da União nº 89, em 11 de maio de 2011”. O evento contou com a participação de toda a comunidade do Curralinho dos Paulas. Estiveram também presentes o presidente da Câmara Municipal, Luis Cláudio dos Reis, vereadores e secretários municipais, além das professoras da Escola Municipal Professora Rosa Soares Peni-
do e da pedagoga Silvanda. Na ocasião também foi feita a entrega simbólica do prédio da Escola Municipal Professora Rosa Soares Penido, que passou por reformas. A prefeitura investiu R$ 81.627,43 nessa reforma. O prefeito Adilson ressaltou que se trata de “um investimento sério. Nosso trabalho e investimento em educação estão marcando a história de Resende Costa, porque investir em educação é essencial para que possamos plantar boas sementes para nosso amanhã. Eu sempre afirmo que a gente precisa preparar uma Resende Costa ainda melhor para os
à mídia regional
Foi apresentado à mídia regional, no dia 1º de Setembro, o site da Vertentes Agência de Notícias (VAN), um projeto importante para os veículos de comunicação da região do Campo das Vertentes. A VAN é um projeto desenvolvido pela Professora Filomena Bomfim, do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Além de facilitar a prática jornalística para os alunos do curso, a VAN tem como objetivo valorizar o jornalismo regional, estimular a produção de informações locais e oferecer suporte jornalístico aos jornais locais. Conforme explicou Bomfim, a agência de notícias é um órgão captador, produtor e dis-
tribuidor de informações. Durante o encontro, que aconteceu no Campus Ctan da UFSJ, foi comunicado ainda o vencedor do concurso para criação de um logotipo para a VAN. O aluno do 4º período de Jornalismo, Rhonan Moreira Neto, foi o vencedor e por isso terá a oportunidade de visitar a redação do jornal “O Estado de São Paulo”. O presidente do Sindicato de Jornais e Revistas do Interior (SINDIJORI), jornalista Dermeval do Carmo Filho, encerrou o evento, falando para os alunos presentes sobre “A importância da comunicação regional para a formação do jornalista no Brasil”. Foto: Wanderson Nascimento
A professora Filomena Bomfim é uma das idealizadoras da Vertentes Agência de Notícias
próximos cem anos. E isso se faz em pequenas atitudes”. O prefeito disse ainda que “a Administração Brilhando para Todos está marcando Resende Costa com grandes atitudes de investimento em educação, saúde e desenvolvimento social, de forma séria, planejada, procurando plantar um futuro com muito mais qualidade de vida e
mais progresso, com responsabilidade social”. O cronograma da obra na escola da comunidade do Curralinho dos Paulas, que previa sua execução em quatro meses, foi antecipado para três. As obras foram iniciadas em maio e concluídas no início de agosto.
Prefeito Adilson entrega o certificado à comunidade do Curralinho dos Paulas
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ANO VIII Nº 101 - SETEMBRO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Causos & Cousas
ROSALVO PINTO
O dia em que a tecnologia agrícola chegou a Resende Costa Corria o ano de 1967. Fazendeiros e pequenos agricultores, inclusive os sofridos meeiros, foram surpreendidos com o boato: chegou uma máquina de plantar arroz na cidade. Para uma época em que ainda se sofria para plantar esse cereal, em pequenas vargens, a novidade não podia ser mais alvissareira. Vale lembrar um pouco da história da economia rural de Resende Costa. Até meados do século passado, a elite econômica da cidade era integrada pelos maiores fazendeiros de então. Predominavam ainda os latifúndios, ao lado de pequenos produtores rurais que praticavam uma agricultura de sobrevivência e de um grande número de meeiros, que faziam da “roça” um complemento necessário aos seus minguados ganhos, de autônomos ou de assalariados. Sempre andando a pé, ferramentas às costas, o embornal com o caldeirãozinho da boia, tocavam suas roças pelas madrugadas, pelos fins de tarde e de semana.
Pois bem, foram esses últimos os primeiros a ver a miraculosa máquina. Aí entrou em cena o sô Otacílio do Beramuro (bairro do Beira-muro), pai do Jorge Sapateiro e falecido em 1982. Ele imaginou que essa máquina poderia ser uma ajuda para aqueles laboriosos meeiros. Sô Otacílio, além de tropeiro viajante e negociante, tocava também sua roça. Era lá no Potreiro, onde muitos outros meeiros também labutavam. Sô Otacílio reuniu seus vizinhos para conhecer a tal da máquina. Lá estavam o Góes (meu pai) e seus irmãos, o Geraldo Porteiro e o Alfredo Carcereiro, o Chico Teodoro (pai do João da Dodora), o Zé Procópio (da sá Olinda do Beramuro), o Heitor da Sá Albertina, o Titide do Mané Cassiano, o compadre Benedito Silva, o Antônio Ribeiro (conhecido como Antônio Empenho) e um menino de 11 anos, que espia, curioso, aquela reunião de meeiros. Pairava um clima de expectativa. Finalmente chegou sô Otacílio com os dois rapazes da esperada máquina. Sem dar muita bola aos
presentes, meio exibidos e um tanto metidos, logo botaram em funcionamento a estranha ferramenta. Barulhenta, ela lembrava as matracas da Semana Santa. E, de fato, esse era o nome dela: “matraca”, ou “saraquá”. Ela ia e vinha fazendo as “leras” (leiras, sulcos), retinhas, abrindo as covas, jogando o adubo e soltando os grãozinhos de arroz, tudo ao mesmo tempo. Em duas horas estava plantado o arroz da roça do sô Otacílio, que gastaria um ou dois dias para fazer o mesmo. Talvez tenha sido a primeira invenção mecanizada na agricultura de Resende Costa. Boquiabertos diante daquela prodigiosa matraca, comentavam entre si: “Gente, como é possível uma coisa dessas?!” Meio de longe, braços cruzados, o seu Góes emendava: “eh! É uma máquina importante!” Pois é, ali naquele miolo do Potreiro, onde cada um tinha sua pequena gleba, aqueles meeiros complementavam o sustento de suas numerosas famílias. E que complemento!: além do arroz, do feijão e do
milho, que não podiam faltar, vinha um rosário de deliciosos produtos, a maioria deles espalhados entre o três, como as abóboras, abobrinhas, abóboras d’água, morangas e mugangos, dos quais saia a saborosa cambuquira, os pepinos, o quiabo. Das grotas vinha a samambaia e dos brejos o muxoco. A serraia era nativa: para completar o caldeirão do almoço, os meeiros levavam a gordura para afogá-la na roça. No tempo certo vinha o milho verde, do mingau e da pamonha. Tudo isso era levado para a vila, onde estavam os pés de chuchu e de ora-pro-nobis alastrando pelos muros de pedra, a taioba, os umbigos de banana (que a gente falava “imbigo”) as galinhas e os frangos nos galinheiros e, o que nunca faltava, o porquinho no chiqueiro. Imagine-se a gostosura disso tudo! E ali ainda no miolo do Potreiro, além das roças, rolavam as estórias e as assombrações. O Tio Geraldo tocava sua roça no “Rapa-goela”. Indo do Potreiro em direção ao Rio do Vau, passava-se por uma cava, com mata dentro. Transitava-se ali com
AMIRCO
medo, pois diziam que ouvia-se sempre um barulho estranho, como se alguém estivesse rapando ou raspando a goela. O menino de 11 anos que presenciou e testemunhou a cena histórica do primeiro implemento agrícola moderno chegado em Resende Costa, a famosa “matraca”, chama-se Marcos José Ferreira, o Marquinho do Rancho Novo, filho do Zé Ferreira do Morro de Pedra e neto do sô Otacílio do Beramuro. A ele agradeço a sugestão do texto e as informações para sua escrita, vindas lá do fundo de sua boa memória. No texto entrou também a colher de pau do meu irmão, o João Cariá. Mas o texto eu o dedico ao Góes (Antônio Pinto de Góes e Lara), meu pai, homem que nunca pôde ter um palmo de terra, mas todos os anos, até sua morte em 1978, plantava sua rocinha. Era o incansável meeiro do Potreiro, do Vau, da Floresta e do Quebra-cuié. Como dizia um seu ex-colega dos tempos de exército: “O soldado Lara era baixinho, mas eta Larinha danado, sô!”.
ELAINE MARTINS*
AMIRCO assina contrato com a Secretaria de Estado da Cultura para publicar mais 3 livros da Coleção Lageana
A Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (Amirco) teve o segundo projeto da Coleção Lageana aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura, sob o título de “Coleção Lageana II”. Ainda neste mês a AMIRCO assina o convênio para o repasse de R$ 29 mil do Fundo Estadual de Cultura (FEC 2010). De acordo com os idealizadores do projeto, Elaine Martins e Rosalvo Pinto, o recurso será utilizado para custear parte da edição de mais três livros, garantindo-se a continuidade do programa editorial da entidade, coordenado por ambos. Como parte das ações referentes à comemoração do centenário da criação do município de Resende Costa, a AMIRCO pretende lançar “Móbiles de areia”, “Os inconfidentes José de Resende Costa (pai e filho) e o Arraial da Laje” e “Resende Costa, imagem e memória: 100 anos”. Os dois livros darão sequência aos dois primeiros da coleção: a reedição do opúsculo “Livro de Pallidas Reminiscencias da antiga Lage – hoje – Villa de Rezende Costa” e o livro “Um olhar sobre Resende Costa”.
Móbiles de areia Um dos livros será “Móbiles de areia”, uma coletânea de crônicas do premiado poeta e escritor resende-costense Evaldo Balbino, que busca tecer, entre memórias e palavras, os tempos idos numa e duma pequena cidade. Autor do livro de poemas “Moinho” (Scriptum, 2006), Balbino assina a coluna “Retalhos Literários” do JL, tem crônicas publicadas no livro “Um olhar sobre Resende Costa” (Amirco, 2011) e está prestes a publicar “Filhos da pedra”, contemplado com o prêmio Eugênio Coimbra de poesia em Recife. A edição da coletânea será um exemplo da atuação da AMIRCO no incentivo e valorização da produção literária, abrindo espaço para os jovens escritores mineiros. O livro de Balbino terá, inicialmente, 27 crônicas, algumas inéditas e outras já publicadas no JL. Todas, à exceção de “Infância, doce infância”, ambientam-se numa região interiorana de Minas, aparecendo algumas vezes nomes de pessoas e topônimos que fazem referência direta a Resende Costa.
Os inconfidentes e o Arraial da Laje O livro do professor Rosalvo Pinto, “Os Inconfidentes José de Resende Costa (pai e filho) e o Arraial da Laje” (Editora do Senado Federal, 1992, já esgotado) será outra reedição da coleção. O autor pretende fazer uma revisão e uma ampliação do texto, com o intuito de divulgar a história da participação dos dois inconfidentes, que há 100 anos foram homenageados com a atribuição de seus sobrenomes ao antigo Arraial da Lage, que passou a se chamar Resende Costa. “Agora teremos a oportunidade de incluir na obra o relato das ações que possibilitaram o traslado dos restos mortais do José de Resende Costa, o pai, da África para o Brasil, a identificação de seus ossos e a reconstrução de sua face e, finalmente, em abril deste ano, o seu sepultamento no Panteão dos Inconfidentes, no Museu da Inconfidência em Ouro Preto,” disse Rosalvo. A reedição, somada à recente presença dos restos mortais do inconfidente em Ouro Preto, certamente contribuirá para uma maior
divulgação da participação dos inconfidentes no movimento libertário da Inconfidência Mineira.
Resende Costa, imagem e memória: 100 anos Consoante os objetivos da AMIRCO de recuperar acervos históricos e desenvolver pesquisas histórico-culturais, o projeto Coleção Lageana II também abrange a recuperação do acervo fotográfico do município, idealizado pelo “Movimento Raízes” (década de 80) e (re)produzido pela “Fundação Casa de Cultura” (década de 90). A ideia é devolvê-lo à comunidade, recuperado e incrementado com novas fotografias, sob a forma de uma exposição permanente a ser inaugurada em 12 de junho de 2012. Essas fotografias também integrarão o livro “Resende Costa, imagem e memória: 100 anos”, que será uma edição crítica das imagens do município compreendendo um século de sua história. Por ocasião da elaboração do projeto em 2010, a AMIRCO fez contatos com Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria Municipal
de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, a qual autorizou a utilização do acervo. O projeto conta com o apoio e envolvimento direto do Secretário Municipal, Adriano Magalhães e de José Márcio de Resende e Regina Coelho que, além de serem membros da AMIRCO, participaram ativamente da constituição do acervo da extinta Fundação Casa de Cultura. A coordenadora editorial já contatou o Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da UFMG para avaliar a restauração do acervo e, nos próximos dias, a AMIRCO lançará uma campanha para garimpar mais fotografias para o livro. A ideia, no entanto, já foi lançada ao público por Regina Coelho, ao sugerir, como conselheira municipal do patrimônio cultural, uma exposição itinerante de fotos, referenciando a história de Resende Costa para a Jornada Mineira do Patrimônio Cultural de 2011, cujo tema é “Quando a minha história conta a história de todos”. O JL será, mais uma vez, parceiro da AMIRCO nesse projeto. * diretora de comunicação da AMIRCO
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Retalhos Literários
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EVALDO BALBINO
O cavalo de três pernas Há os que dizem: “não me venham com histórias de assombração, pois tenho medo!”. Existem também os céticos: “podem falar e falar, não adianta; o que é inventado não me espanta!”. Rima à parte, não sabem os descrentes que até mesmo a ausência de credo não abre mão de cultos. Enterramos em nós, muitas vezes, o que em algum momento mexeu com nossas cabeças, ou melhor, com nossos cabelos. Que me perdoem medrosos e incrédulos, pois o que quero falar insiste em minha língua. Sinto-me um contador de causos que nem precisa de cachaça e fumo para tagarelar. Talvez doses de café, que este não dispenso. Quando criança, lá no Ribeirão de Santo Antônio, ouvi muitas histórias, e com um gosto de palavras proferidas por pessoas que nunca passaram por bancos de Escola. Cada vogal e consoante em pronúncias peculiares, tudo me era melhor do que o café em canecas esmaltadas.
Ou igual a ele, pois cafeína e palavras são fundamentais para manter olhos e mentes acesos sem perigo de sono. Que me perdoem, então, pois relembro aqui uma das ficções verdadeiras do Raimundo Mundo. Só ele mesmo para contar coisas como fazia o Teotônio. Sua língua peregrinava tanto como suas pernas. Sempre chegava lá em casa com pés cansados, todavia dispostos a se arrastarem pelas estradas do Ribeirão. Relembro aqui uma história que ele contou certa feita. Rememoro-a sem transcrevê-la, pois transcrição plena é impossível. Se a traição às palavras alheias é inevitável, assumo desde logo que sou traidor. E assim vou escrevendo. O baile fora animado. As luzes mortiças dos lampiões ainda iluminavam o cansaço da madrugada. No terreiro, poucas pessoas. As mulheres já tinham se recolhido a suas casas. Quase todos os homens já tinham ido também. Era sábado. O domingo seria para descan-
so, mas tinha a missa das seis horas, e o padre não gostava de ver a capela vazia. Quando a maioria dos fiéis se atrasava, ele até que começava o culto. E fazia isso murmurando ladainhas com má vontade, ferindo o latim como falamos rispidamente com quem nos contraria. O outro dia seria domingo, e quase ninguém dava mais sinal de vida no terreiro da Fazenda do Morro das Antas. Foi aí que o Seu Chicota, o meu avô que era dado a bailes e viola, pegou seu instrumento de corda, dependurou-o nas costas e passou pela porteira escancarada. Nesse ponto o Raimundo Mundo colocava como protagonista da peripécia o meu antepassado, e fazia isso sem nos pedir licença. O Chicota, então, viu que a lua o ajudava. A estrada se mostrava branca, como se fosse de leite. Depois de atravessar a ponte cujas madeiras rangiam a cada passo, ficou sem discernir o que mais fazia ruído, se a ponte sob os pés ou se o bambuzal ao lado. Subiu até a
Cidade
capela com o adro em barrancos e foi descendo até o Ribeirão do Meio pela cava profunda, cercada de matos que pareciam virgens de tão densos. Dentro da cava era tudo mais espesso, o escuro mais caudaloso. Sem a contribuição da lua, o pó já não era mais lácteo, e sim um estorvo balofo em que as botinas afundavam. Chicota foi descendo e assoviando, no ritmo ainda do baile. Eis que de repente notou um cavalo se aproximando. A silhueta era esbelta, garbosa, mas com o escuro não dava para ver direito a cor do animal. Com arreio posto, deu para perceber a rédea se arrastando pelo chão. Porém era estranha a ausência do cavaleiro. Preocupado, pensando que o cavalariano estivesse bêbado e houvesse caído mais lá para baixo, num pulo segurou a rédea do cavalo desinquieto, e foi puxando o mesmo consigo. O cavalo bufava estranhamente. O ar que soltava era mais frio do que o vento soprando na densa vegetação escurecida. Seu Chico-
ta, então, se lembrou de repente da história de um tal cavalo de três pernas. Um que diziam perambular sozinho pelas madrugadas daquelas grotas, mas que durante os dias não era visto por ninguém. O medo tomou conta do violeiro. Mesmo assim resolveu olhar para os pés do animal. O susto foi GRANDE, dum tamanho sem par. Nessa parte da historieta o Raimundo riu com seus dentes amarelos. Riu com vontade, gargalhou entre goladas de café. Suas mãos tremiam sempre, mas agora vibravam mais. Vibravam de felicidade incontida, dessas que nos levam a viver com sobressaltos. E terminou a fábula entre mãos e boca felizes, dizendo que o Chicota chegara a casa depois de uma corrida com forças que não tinha. Chegara com as calças molhadas de urina e com a camisa rasgada numa cerca de arame. Terminou como se dissesse: “Quem tem ouvidos ouça o que diz esta boca verdadeira”.
ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO
Apesar das dificuldades técnicas, obras de implantação da rede de esgoto deverão ser concluídas em fevereiro de 2012
Desde que se iniciaram, as obras de implantação da rede de esgoto têm trazido alguns transtornos e provocado certo desconforto à população de Resende Costa, principalmente no que se refere à reparação dos calçamentos e à quantidade de vezes que a empresa responsável pela execução da obra – SOENGE – retorna ao mesmo local. No entanto, o mais importante serão os benefícios que esse investimento trará à cidade. Entre eles, a extinção das fossas domésticas, o esgoto devidamente tratado e, espera-se, a revitalização das fontes e da Capoeira Nossa Senhora da Penha. Tanto as fontes quanto a mata estão sufocadas e deterioradas devido ao enorme volume de esgoto doméstico que é despejado nesses locais.
De acordo com o chefe do Departamento Operacional Sudeste da COPASA, Júlio César de Oliveira Minchilo, mesmo encontrando dificuldades, já previstas pelas características do solo local, “as expectativas da COPASA quanto ao empreendimento estão se confirmando e o cronograma está sendo cumprido”. Um fato tem preocupado a população que reside no centro histórico da cidade, ou seja, a necessidade do uso de explosivos para detonar as rochas. Grande parte do centro de Resende Costa foi construída sobre pedras, o que tem dificultado o serviço da SOENGE. Recentemente, a empreiteira teve que usar explosivos para detonar uma enorme rocha em frente à Escola Estadual Assis
Resende, um prédio datado de 1919. Uma rachadura foi aberta no prédio anexo ao antigo e uma quantidade enorme de terra se acumulou nas janelas da escola. Segundo Minchilo, ocorrerá mais uma detonação neste local da cidade, bem como em outros locais fora da parte alta. O engenheiro, porém, tranquiliza a população quanto a essas detonações: “Antes de acontecer, uma detonação é precisamente calculada, medida, estudada e planejada por uma equipe de profissionais amparada por modernos equipamentos para variadas funções, desde a escolha dos locais onde serão introduzidos os explosivos até o impacto sonoro e sísmico que será causado pela detonação, e suas consequências. Tais medidas, além de visar ao máximo de
segurança na ação, também são previstas por leis e normas. Em detonações em espaços urbanos é preciso controlar rigorosamente as explosões observando-se os limites para a emissão de vibração, propagação de ruídos, lançamento de pedras e sedimentos, a sobrepressão atmosférica, a pressão acústica. Todos esses procedimentos são seguidos rigorosamente, de forma a eliminar ou minimizar ao máximo quaisquer riscos, sendo tomadas todas as providências necessárias para a margem imprevisível existente”. Para dar início às obras no centro histórico, especialmente no largo da igreja Matriz, Minchilo informou que haverá necessidade de mais estudos: “As redes coletoras no centro histórico, devido às caracte-
rísticas do solo e dos imóveis existentes, serão objeto de estudo mais avançado, considerando as intervenções ocorridas até então”. De acordo com ele, o maior desafio que a SOENGE e a COPASA têm encontrado no decorrer da implantação da obra é em relação ao terreno: “Resende Costa é uma cidade atípica, ou encontramos terreno rochoso ou terreno alagado”. Mesmo diante das dificuldades técnicas e operacionais, a COPASA informou que pretende concluir as redes, estações elevatórias e a estação de tratamento em fevereiro de 2012. Quanto à reparação dos calçamentos danificados, Minchilo afirmou que “a fiscalização da COPASA está trabalhando junto à SOENGE para sanar estas pendências o mais rápido possível”.
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Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
5º Campeonato Regional de Futsal terá jogos em Resende Costa Desde o último dia quatro de setembro está acontecendo o 5º Campeonato Regional de Fustsal, com organização da Escolinha do São Judas, de São João del-Rei. Em 2011, o torneio conta com sete escolas da região e foi dividido em seis categorias (de 8 a 13 anos), totalizando 42 times. O Galaxy, de Resende Costa, está novamente participando do campeonato e neste ano tem a vantagem de disputar jogos em casa, já que cada equipe possuirá um ginásio como mandante: dos seis jogos disputados, três serão realizados em Resende Costa. Para um dos comandantes da equipe local, João Vítor de Assis, isso será “muito bom para pais e amigos acompanharem as partidas no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson”. Além desse conforto para a torcida, jogar no Monsenhor Nelson pode valorizar ain-
Galaxy foi vice-campeão no Campeonato Regional de Futsal realizado em 2010
da mais a qualidade dos jogadores, que treinam no ginásio frequentemente. Na edição do ano passado, o Galaxy se consagrou vice-campeão, per-
dendo a final para o I.E.P.A. O 5º Campeonato Regional de Futsal se estende até o mês de dezembro.
Ação Social
Expedicionários
EMANUELLE RIBEIRO
Diretoria do Expedicionários dá outro passo importante na reforma do campo
No último dia 31 de agosto, a diretoria do Expedicionários conquistou mais uma vitória, ao inaugurar o parquinho do campo, espaço que já está sendo aproveitado pelas crianças da cidade. Agora, as crianças da Escola Municipal Conjurados se beneficiarão desse parquinho nas aulas de Educação Física. É importante ressaltar, mais uma vez, que tais investimentos estão sendo realizados pela diretoria do Expedicionários em parceria com o comércio resende-costense. O presidente Flávio Henrique agradece aos
colaboradores que participaram da aquisição desses brinquedos para o novo parquinho do campo: “Eduarte e filhos Ltda., Supermercado Nossa Senhora da Penha, Empório Vertentes Artesanato, Loja Princesa, Bar do Fumega, Supermercado Bom Preço, Loja do Vicentinho, Loja Kaessy, Eletro Móveis Matta, Supermercado Sobrado, AMC Informática, Depósito Nossa Senhora do Rosário, Contemp Service Contabilidade, Loja Popular, Loja Róbia e Hamilton Resende”.
CÁSSIO ALMEIDA
Solidariedade e cooperativismo no Dia C Aconteceu no último dia 3, na praça do Rosário, em Resende Costa, o Dia C, promovido pelo Sicoob Credivertentes. O evento, que acontece pela segunda vez (o primeiro ocorreu em São Tiago), tem por intuito promover a solidariedade e o cooperativismo. “O Dia C cumpre nossa filosofia cooperativista, deixando-nos mais próximos da comunidade e promovendo o voluntariado”, declarou Elisa Cibele, uma das organizadoras do evento. O evento contou com voluntários de várias áreas, entre eles profissionais de saúde, advogados, consultores financeiros e ambientais, que esclareceram dúvidas da população em geral. Cabeleireiros também marcaram presença e capricharam no visual da população. A emissão de carteiras de trabalho e identidade foi um dos serviços mais procurados pela população e o limite para emissão de carteiras de identidade, que foi de 50 unidades, foi alcançado ainda pela manhã. As palavras de Alessandro Caldeira, gerente da agência da Credivertentes em Resende Costa, sintetizam essas ações: “É um evento social de grande importância, mostrando o lado social da instituição, promovendo a responsabilidade social e o bem-estar de todos”. Falando em bem-estar, as
crianças souberam, mais do que ninguém, aproveitar o Dia C e, durante o dia todo, atividades voltadas a esse público (pula-pula, pintura, palhaço etc.) foram desenvolvidas. Kennedy, de 8 anos, brincou e interagiu com outras crianças e gostou de tudo o que foi oferecido, principalmente da distribuição de mudas, um ato que ajudou na conscientização ambiental da população. Além de tudo isso, o público curtiu apresentações culturais e o animado sertanejo da banda Uai Garotos e a boa música da Banda Santa Cecília. O evento, além de promover a solidariedade, prova que ainda existem pessoas que estão dispostas a doar parte de seu tempo para ajudar outras pessoas. “Uma ótima iniciativa, trazendo divertimento
Ações sociais marcaram o dia na Praça do Rosário
para as crianças e para toda a população. Falta isso em Resende Costa”, declarou a estudante Rose. “O Dia C mostrou a importância de se reunir a sociedade em torno de um evento que promove o voluntariado, mostrando que tem muita gente que se dedica a isso, basta ter condições”, concluiu o Gerente-Geral do Credivertentes, Luis Henrique Garcia.
Alunos do Conjurados já estão usando o parquinho durante as aulas de Educação Física
MAC informa O Movimento Arena Cultural (MAC) informa que no dia 30 de setembro, sexta-feira, haverá o LUAU NAS LAJES, a partir das 20h30min. Nos dias 14, 15 e 16 de outubro acontecerá a 3ª edição do Festival de Bandas CIRCUITO DO SOM. Bandas e artistas interessados em participar podem enviar e-mail para movimentoarenacultural@gmail.com
Classificados: Durante todo o dia, as ações envolvendo as crianças foram as mais procuradas
Foto e Situação do mês
“O cúmulo do absurdo” Quem chega ou sai de Resende Costa pela rodovia RC/São Tiago depara com um acúmulo de lixo doméstico e entulho de construção, poucos metros a partir do início da rodovia. Injustificável e deplorável a ação de quem está jogando lixo naquele local. Parece uma atitude de afronta e sarcasmo aos habitantes da cidade e ao poder público. O “cúmulo do absurdo” está justamente no fato de que o lixo está colocado ao pé da placa onde se lê “Proibido jogar lixo neste local”. Onde ficam a educação e o compromisso de tais “cidadãos” com a cidadania? Será que se perderam nos escombros do seu próprio lixo ou, talvez, de sua ignorância? Esta edição do JL mostra que, ao contrário do que se vê nesta foto, há ainda cidadãos conscientes e esclarecidos, empenhados em “construir”, ao invés de “destruir”. Veja-se a matéria “IRIS e MAC promovem ação voluntária de limpeza nas Lajes de Cima.”
“Vende-se uma casa no centro de Resende Costa. Tratar pelo telefone (31) 9276-0235”.