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ANO VIII Nº 100 - AGOSTO 2011 / RESENDE COSTA - MG
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Motoristas e passageiros reclamam da falta de infraestrutura no terminal número 100 rodoviário de Resende Costa JL comemora edição
Ao chegar à 100ª edição, o JL folheia a sua história para dizer que a sensação vai muito além de uma simples conquista. Comemora o êxito de um trabalho jornalístico compromissado com a ética e com a liberdade. Ler o editorial na página 2
Resende Costa recebe seu novo pároco Padre Eder Sebastião dos Santos tomou posse, no dia 27 de julho, como pároco de Resende Costa, em solene celebração eucarística presidida pelo bispo da Diocese de São João del-Rei, dom Célio de Oliveira Goulart. Padre Eder recebeu a Provisão que lhe garante a permanência de cinco anos frente à Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França. Página 08
No Terminal Rodoviário de Resende Costa, os motoristas são obrigados a manobrarem em marcha a ré para entrar na plataforma
Inaugurado em 1996, o Terminal Rodoviário José Pedro dos Santos (Gancho) atualmente não oferece infraestrutura necessária para o conforto dos passageiros. Motoristas e auxiliares de viagem também reclamam da sua localização e pedem obras de adequação e ampliação. Página 04
2 Jornal das Lajes Editorial Centésima edição: oito anos e quatro meses de Jornal das Lajes Nesse período o JL, além de ter se constituído em um instrumento de (in)formação social, levou a cabo ao mesmo tempo uma tarefa de natureza histórico-cultural, na medida em que divulgou e incentivou a cultura em geral e, de modo especial, ao recuperar parte considerável da memória histórica de Resende Costa. A evidência dessa última ação está na recente publicação, em parceria com a Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO), das duas obras da “Coleção Lageana”, o opúsculo “Livro de Pallidas Reminiscencias da antiga Lage – hoje – Villa de Rezende Costa (de José Augusto de Rezende, fac-símile de 62 páginas) e “Um olhar sobre Resende Costa” (coletânea de textos do JL, autores diversos, 602 páginas). A marca de 100 edições é, ao mesmo tempo, gratificante e dolorosa. Gratificante, pelo serviço que o JL possa estar prestando à Resende Costa, sempre na trilha dos objetivos propostos quando de sua criação, em 2003, pelo Denílson Daher e seu grupo inicial. Dolorosa, por ser uma caminhada de muito trabalho e recursos financeiros exíguos, o que nos impede de alçar voos maiores. Entretanto, os quase nove anos de voo têm sido garantidos e incentivados pela parceria com nossos patrocinadores, anunciantes e colaboradores, sem os quais esse modesto voo teria sido impossível. Assim, esse apoio acaba transformando o doloroso em gratificante. Oito anos depois, temos elementos suficientes para analisar a trajetória do jornal e os problemas inerentes a essa trajetória. Como qualquer instituição ou empreendimento humano-social, o JL vem recebendo por parte de seus leitores ora elogios e incentivos, ora críticas e acusações. Modestamente, permitimo-nos dizer que mais os primeiros e menos os segundos. Democraticamente, nossos espaços escritos (coluna do leitor) e virtuais (site) estiveram sempre abertos a ambas as manifestações. Agradecemos uns, não polemizamos com outros. A história mostra que a imprensa, na maioria das vezes, não é bem vista por pessoas ou grupos que estão no poder. Em nossa ainda curta existência já pudemos observar um fenômeno curioso que, de certa maneira, sinaliza e confirma que, em termos de nossos compromissos para com nossa sociedade e nossos leitores, pensamos estar caminhando numa direção socialmente correta. Nos dois mandatos do PSDB e coligados no poder executivo, por vezes publicamente recebíamos queixas e críticas de que o JL era um “jornal do PT”. Agora, quando o poder executivo passou às mãos do PT, vez ou outra, o JL é, também publicamente, acusado de ser um “jornal do PSDB”. Isso demonstra que algumas pessoas, de ambos os lados, lamentavelmente ainda veem o jornal sob a ótica de uma política mesquinhamente partidária ou mesmo sob ótica de seus interesses particulares. Temos certeza de que o tempo e a história hão de reconhecer nossos esforços para cumprir nossos propósitos. Assim, continuamos caminhando, tocando adiante nossa caravana, perseguindo obstinadamente o ideal de praticar um jornalismo independente e ético, mirando sempre seu objetivo maior: o bem de nossa Resende Costa. Nova coluna
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Estreia nesta edição a coluna “Gastronomia”, assinada pelo novo colaborador do JL, Cláudio Ruas Pinto, o Cacau. Advogado por profissão e apaixonado pela arte da culinária, da qual é um incansável incentivador, Cláudio tem como missão aproximar o leitor das diversas culturas, tradições e saberes gastronômicos, revelando que gastronomia é antes de tudo sinônimo de prazer e, por que não, simplicidade. Seja bem-vindo, Cacau!
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CNPJ: 09.323.470/0001-60 Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro (32) 3354-1323 - Resende Costa - MG CEP: 36.340-000 Diretor de redação: Rosalvo Pinto Editoração: Rafael Alves Editor de Esporte: Geraldo Aires Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Jornalista responsável: Floresta - Belo Horizonte José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP Tiragem: 3000 exemplares Diretor Administrativo: Circulação: Eustáquio Peluzi Chaves Resende Costa e São João del-Rei Diretor de Contabilidade: Os artigos assinados não refletem Antônio da Silva Ribeiro Neto obrigatoriamente a opinião do jornal. Editor-chefe: André Eustáquio
ANO VIII Nº 100 - AGOSTO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
O verso e o controverso
JOÃO MAGALHÃES
Reforma eleitoral (IV)
Voto facultativo, ou obrigatório? Voto facultativo. Contrário à legislação vigente, o comparecimento à seção eleitoral seria livre. Votar deixaria de ser uma imposição. O cidadão pode exercer seu direito de votar, ou não. A expectativa seria uma melhoria na qualidade do voto, com um avanço consequente no processo democrático. Haveria igualmente uma economia de gastos para a nação pela desativação da máquina burocrática das justificações e punições pelo não comparecimento à votação. Diminuiria também o tráfico, ou seja, o comércio clandestino de votos. Usei, propositalmente, os verbos no condicional, ou futuro do pretérito, como querem os gramáticos, porque tenho as minhas dúvidas. De há muito, descreio na mudança de muitos comportamentos só pelo processo educativo. Alguns hábitos ou atitudes que tenho visto mudados, ou mutantes atualmente, assim o estão porque se legislou a respeito. Como exemplo, o cinto de segurança. De dependesse só de campanhas educativas, pouquíssimos o estariam usando. Mesmo assim, um razoável número de pessoas ainda o menosprezam. Vejo isso nas frequentes viagens de ônibus. O mesmo pode-se dizer do fumo em locais em fechados. Idem quanto à cam-
panha contra a poluição. O inimaginável uso, abuso e desperdício de sacolinhas plásticas que empanzinam a natureza só serão controlados mediante proibição e fiscalização, como já acontece em alguns municípios, inclusive São Paulo. Campanhas educativas são necessárias, fundamentais até, mas o efeito delas só se garante se fizer parte do projeto alguma legislação, alguma coerção. Em pesquisa, este ano, feita por telefone com 797 pessoas a partir de 16 anos, em todos os estados e o Distrito Federal com a seguinte pergunta: “Você acha que o voto deve ser facultativo, ou obrigatório?”, 65% dos entrevistados responderam que o voto deve ser facultativo. 85% deles, no entanto, afirmaram que iriam votar, mesmo sendo facultativo. Mesmo assim, acho temerário optar pelo voto facultativo, no atual estágio evolucional político de nossa sociedade. Pode ocasionar um retrocesso na educação política. Além do mais, reformas fundamentais, com sérias e duradouras consequências, não se devem guiar só por pesquisas. Sobretudo esta, cujo universo achei muito estreito: só 797 pessoas! A alienação política infla dolorosamente, cada vez mais na juventude - e nisto a culpa maior está em nosso atual processo eleitoral que sustenta esta des-
qualificada classe política que nos governa há anos. Uma liberação, vota quem quer, não seria uma substanciosa vitamina para esse desinteresse? O argumento de que voto facultativo debilita o “comércio” de votos, penso que não cola: a modificação será no preço. Será mais caro convencer o eleitor a se deslocar para a sessão eleitoral! O pernicioso voto-celebridade: artistas, esportistas, modelos, big-brothers, mulheres-fruta, religiosos etc., continuará, se não aumentar, mas uma reforma decente enfraquecerá o efeito dele. Talvez o voto “cacareco, o voto “macaco tião”, em partes os votos “Enéias” e “Tiririca”, decresçam, ou sumam; no entanto, eles têm significância social como espaço de protesto e diagnóstico de situações políticas. Acho arriscado mexer no item obrigatoriedade. Aliás, a comissão do Senado para a reforma já se posicionou pela sua permanência. Há temas muito mais importantes a se analisar. E voltando à pesquisa, se 85% dos pesquisados votariam, mesmo sendo o voto voluntário, acho desnecessário bulir. Por que e para que mudar? Compensa o risco de uma piora? É melhor deixar como está. É o que penso. E você?
Voz do Cidadão
Resende Costa e o centenário
“A história de Resende Costa é cheia de fatos importantes. Os seus mais conhecidos fundadores, José de Resende Costa e José de Resende Costa, o filho, fizeram parte da Inconfidência Mineira. O artesanato também é parte importante. As tecelãs faziam um verdadeiro milagre para tecer as colchas: tingiam o fiado com plantas do campo, dentro as cores que elas queriam,cortavam as tiras e assim conseguiam as peças necessárias para tecerem as famosas colchas. Eram necessárias muitas tiras, mas as tecelãs não desistiam. A nossa cidade comemorou 99 anos
e já entrou no ano 100. Os tempos mudaram: a tecnologia toma conta da modernidade e temos mais facilidade para conseguirmos algum objetivo. Façamos algo também importante: vamos fazer uma campanha para trazermos para Resende Costa os restos mortais do inconfidente José de Resende Costa, filho! Como fazer? Cada um tem uma ideia, juntemos as ideias e façamos o meio necessário para que, no centenário da cidade, tenhamos aqui em nossa terra um marco de referência: os restos mortais de um inconfidente. A nossa juventude precisa conhecer, e
bem, a nossa história, que está ligada aos nossos antepassados. As tecelãs uniam e trabalhavam as tiras e faziam as colchas, e nós, agora, poderemos nos unir e trabalhar as ideias para realizarmos um marco de referência na cidade dos inconfidentes. O Jornal das Lajes pode ser um meio de divulgação da campanha. Ele tem leitores espalhados por esse imenso Brasil que poderão ajudar a unir as peças (ideias)... Façamos algo”! Adenor Roberto de Resende por e-mail
Para se corresponder com a redação do Jornal das Lajes: Os textos para a seção Voz do Cidadão deverão trazer a assinatura, o endereço, o número da cédula de identidade e o telefone do autor. Enviar para: Editor-Chefe, Jornal das Lajes. Endereço: Rua Assis Resende, 95, Centro – Resende Costa, MG. Tel. (32) 3354-1253. E-mail: contato@jornaldaslajes.com.br. Por motivos de espaço e clareza, o jornal se reserva no direito de editar as cartas, quando necessário. O conteúdo dos textos não é de responsabilidade editorial do Jornal das Lajes.
Locais de venda dos livros da AMIRCO: Os livros “Livro de Pallidas Reminiscências da antiga Lage – hoje – Villa de Rezende Costa” (62 páginas) e “Um olhar sobre Resende Costa” (608 páginas), publicados pela Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO), podem ser adquiridos nos seguintes locais, ao preço de R$ 25,00 (o conjunto dos dois): - Loja da Regina Melo - Decorações – Empório Arraial da Laje (Cícero) - Banca de revistas e jornais - Contemp Contabilidade (Toninho) - Escritório Paroquial - Churrascaria Ramona
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Contemplando as Palavras “O povo de fora parabeniza o povo de Resende Costa pela limpeza, mas ainda há gente que joga as coisas na rua”. Quem afirma isso é Hélio da Silva Resende, o Hélio do Nhonhô, 51 anos, há oito na função de gari da prefeitura, onde ingressou mediante concurso público há quase 18 anos. Para a falta de educação dos que jogam lixo no chão ele sugere lixeiras (hoje instaladas pela cidade), mas reconhece que as pessoas põem entulho nelas. Pela manhã em caminhada habitual, sempre vejo com sua vassoura o Hélio cumprindo uma jornada de trabalho que começa bem cedo, às 4 horas. Certo dia, resolvi conversar com ele, precisamente depois de ouvi-lo comentar sobre os problemas de saúde (artrose nos joelhos e complicações nos tendões dos pés) que o
afastaram, a contragosto, do serviço no caminhão de coleta de lixo. Segundo Hélio, o trecho compreendido entre a casa do Lulu (filho do Antônio Magalhães) até o cruzeiro (do bairro Nova Brasília) e as praças da Rodoviária e da Várzea estão sob sua responsabilidade, sem contar o dia reservado aos cuidados com o campo do Expedicionários. Nesse trajeto diário, as luvas e as botinas são equipamento de proteção indispensável, no entanto, atualmente, ele usa tênis por considerar esse tipo de calçado mais leve. “Dá mais proteção”, afirma. Quando lhe pergunto sobre algum eventual acidente de trabalho, ele se lembra de ter batido com a cabeça numa grade de certa casa, pois teve que se esticar todo para pegar o lixo. Isso se deu nos tempos de serviço no caminhão. E já se cortou também com caco de vidro. O gari que elege a segunda-feira
Cidade limpa
como o dia mais difícil de varrição pelo acúmulo natural de lixo revela nunca ter encontrado qualquer coisa valiosa ou curiosa no meio do que recolhe. Acha que o pior na sua atividade é pegar bicho morto, afirmando ser comum achar muito cachorro cheirando mal. “O resto tudo é bom porque a gente faz o serviço com amor”, ressalta ele sem deixar de afirmar que as pessoas, de um modo geral, valorizam seu trabalho e sentem sua falta no caminhão. Um assunto puxa outro, não é mesmo? Assim, fica impossível não lembrar agora um episódio envolvendo a infeliz participação do jornalista Boris Casoy. Recordando. Num intervalo do Jornal da Band, edição do réveillon de 2009, foi levado ao ar um vídeo de dois garis desejando a todos boas festas. Casoy não havia percebido que o áudio ainda estava aberto e fez os seguin-
tes comentários sobre os dois: “que merda... dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras... dois lixeiros ... o mais baixo da escala do trabalho”. Falou besteira o jornalista. Isso sim é uma vergonha. Voltando a falar do Hélio e, por extensão, da categoria que ele representa, é preciso dizer que, na verdade, esses trabalhadores nem sempre são respeitados pelo que fazem. Apesar de imprescindíveis para a manutenção da limpeza nas cidades, eles costumam parecer invisíveis aos olhos da sociedade, que muitas vezes consegue enxergá-los somente quando a sujeira se acumula nas ruas. Papel de bala, bituca de cigarro, palito de fósforo e de picolé, anúncios, sacola plástica, chicletes, folhas secas... A exceção disso tudo fica com as folhas, que caem no chão naturalmente, mas o resto alguém
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REGINA COELHO
simplesmente joga fora... das lixeiras, o que é lamentável. Entra em ação a turma da faxina para deixar a cidade com aspecto saudável, com o jeito que deve ter a casa da gente. E se somos de fato conhecidos por manter limpas nossas vias públicas, façamos todos por merecer tal distinção. Para concluir, vai aqui uma curiosidade ou um pouco de cultura inútil, como queiram: o nome gari é uma homenagem ao francês Aleixo Gary, empresário que se destacou na organização do serviço de limpeza no Rio de Janeiro pelos idos de 1876. Vencido o contrato com o francês, os cariocas, acostumados com a limpeza das ruas após a passagem dos cavalos, mandavam chamar a turma do Gary. Aos poucos o nome se generalizou e até hoje esses profissionais são assim chamados.
Meio Ambiente
Lei do lixo completa um ano, sem muito para comemorar
A lei 12.305/2.010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, completou um ano de vigência no dia 2 deste mês. Com 57 artigos, a nova lei fixa os parâmetros para que a sociedade e o Estado finalmente deem tratamento adequado ao lixo. O texto especifica as diretrizes relacionadas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, inclusive os perigosos, dispondo sobre as responsabilidades dos geradores e do poder público e os instrumentos econômicos aplicáveis nesse novo gerenciamento do lixo. Assim, esta lei se aplica às pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, responsáveis, direta ou indiretamente, pela geração de resíduos sólidos e as que desenvolvam ações relacionadas à gestão integrada ou ao gerenciamento de resíduos sólidos. Desta forma, o poder público e fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes devem implantar a responsa-
bilidade compartilhada pelo ciclo de vida de todo produto. A nova lei institui a obrigatoriedade de se fazer a coleta seletiva, ou seja, a coleta de resíduos sólidos previamente segregados conforme sua constituição ou composição. Estabelece um conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, para minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos. Princípios - A política nacional de resíduos sólidos adota os seguintes princípios: prevenção e precaução; poluidor-pagador e protetor-recebedor; visão sistêmica na gestão
dos resíduos sólidos, que considere as variáveis ambiental, social, cultural, econômica, tecnológica e de saúde pública; desenvolvimento sustentável; ecoeficiência (compatibilização entre o fornecimento, a preços competitivos, de bens e serviços qualificados e a redução do impacto ambiental e do consumo de recursos naturais); cooperação entre as diferentes esferas do poder público, o setor empresarial e demais segmentos da sociedade; responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos; reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem econômico e de valor social; respeito às diversidades locais e regionais; direito da sociedade à informação e ao controle social; razoabilidade e proporcionalidade. Pouco a comemorar - Os esforços públicos e empresariais na implantação das novas regras estão em descompasso, segundo avaliação
do advogado especialista em resíduos sólidos, Fabrício Soler, em entrevista à jornalista Roseli Ribeiro, do “Observatório Eco Direito Ambiental”. Para ele, “as empresas estão internalizando a demanda da lei”; por outro lado, o setor público revela que “os municípios estão atrasados nas discussões” sobre a gestão do plano municipal de resíduos sólidos que deve estar pronto em 2012. A morosidade das prefeituras na implantação do plano de gestão de resíduos é “preocupante”. Centenas de cidades sequer fizeram a primeira tarefa que é a de diagnosticar a quantidade e qualidade dos resíduos gerados pela população local. O advogado alerta que a meta de fim dos lixões em 2014 pode não ser alcançada. Até porque a criação de aterros sanitários é outro desafio municipal, pois a instalação do aterro depende de local apropriado, licenciamento ambiental e outros aspectos logísticos e institucionais.
O especialista ressalta ainda que “o contribuinte paga muito pouco” pelo tratamento dos resíduos sólidos. Por essa razão, ele avalia como natural o surgimento de uma cobrança pelo serviço público desenvolvido. Contudo, defende que medidas nesse sentido devem ser criadas para incentivar o comportamento do cidadão que segrega seu lixo corretamente. Este poderia, por exemplo, ficar isento de eventual taxa, afirma Soler. Um dos gargalos dessa política é a coleta seletiva. No universo de mais de 5 mil municípios no Brasil, apenas 440 possuem algum tipo de coleta seletiva. Na avaliação do especialista, “cabe ao poder público se estruturar para a coleta seletiva”. Mas a eficiência dessa coleta depende da “conscientização do consumidor” (Fonte: http://www.observatorioeco.com.br).
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Cidade
ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO
Terminal Rodoviário está na contramão do desenvolvimento da cidade
Os motoristas ainda reclamam do cavalete colocado na pista de cima do Terminal Rodoviário, obstruindo a passagem de veículos
Faltam poucos minutos para as 18:00 e no Terminal Rodoviário José Pedro dos Santos, em Resende Costa, dois ônibus que fazem a linha de estudantes para São João del-Rei se preparam para a partida. Enquanto isso, um veículo da Viação Presidente realiza manobra para entrar no terminal. Poucos passageiros aguardam no local, exceto alguns estudantes que se encontram na calçada externa da rodoviária. A cena descrita acima aconteceu na tarde da terça-feira, 26 de julho, quando o JL visitou o Terminal Rodoviário para elaborar essa reportagem, motivada por reclamações de passageiros e motoristas insatisfeitos com a falta de infraestrutura no Terminal, inaugurado em novembro de 1996. “Percebo que os maiores problemas são a falta de cobertura e a escassez de bancos para os passageiros. Em dias de chuva, ou até mesmo quando o sol está escaldante, os passageiros ficam esperando no tempo, do lado de fora da rodoviária”, relata Emanuel José Melo Coelho, o Nenel, taxista e motorista da viação Prisma. No entanto, o principal problema que afeta os motoristas, sobretudo de ônibus grande, é a manobra exigida para entrar na plataforma de embarque e desembarque. Antes das reformas no trânsito da cidade, ocorridas em 2010, os ônibus chegavam à rodoviária pela Rua Sete de Setembro, eliminando o procedimento atual que obriga os motoristas a manobrarem o veículo para
entrar em marcha a ré na rodoviária. “Com a inversão do trajeto, passando agora pela Rua do Rosário (Rua José Coelho), a manobra para entrar no terminal ficou mais enjoada, e ainda tem um poste na esquina, o que dificulta ainda mais. Vocês podem ver que o ônibus quase encosta no chão”, explica Nenel. Para ele, o problema poderia ser solucionado se o poste fosse retirado do local e o terreno nivelado. “Mas ainda tem o problema da falta de cobertura para os passageiros. Geralmente deixamos passageiros idosos aqui, e eles ficam esperando o ônibus em pé, debaixo do sol, ou até mesmo debaixo de chuva”, completa. O movimento no terminal rodoviário é ainda maior durante o dia, quando embarcam muitos passageiros com destino às comunidades rurais de Resende Costa, e a maioria deles portando muita bagagem, como sacos de retalhos, compras de supermercado etc. O terminal, além de não oferecer assentos suficientes e cobertura, não possui guarda-volumes, fazendo com que os passageiros aguardem o embarque, por longo tempo, com a bagagem na mão, ou amontoada no chão. Outro motorista, que preferiu não se identificar, também reclamou da posição do terminal e da dificuldade para realizar a manobra de entrada: “Essa é a única rodoviária do mundo em que se entra de ré. E ainda tem aquele poste para dificultar”. Para ele a inversão do trajeto foi positiva, pois “retirou
os ônibus do semáforo (instalado no cruzamento das ruas Assis Resende, Ocacyr Alves de Andrade e Avenida Monsenhor Nelson, no Centro da cidade). Imagina se tivéssemos de parar naquele cruzamento?”, indaga o motorista, para quem os problemas no terminal seriam resolvidos com as obras de adequação: “Ou muda a rodoviária de lugar, ou constrói mais plataformas de embarque. É preciso oferecer alternativas para evitar essa manobra. Na verdade, são obras que foram prometidas, mas até agora não foram realizadas, e nem sei se vão ser”. Para o taxista e motorista da Prisma, Nenel, a inversão do trajeto também foi positiva: “Foi boa para o trânsito, pois evitamos o semáforo e as ruas apertadas. Mas, por outro lado, foi ruim para o acesso dos ônibus ao terminal rodoviário”. O outro motorista aponta mais um problema. Segundo ele, alguns condutores de veículos de passeio não respeitam a placa que indica a proibição da entrada de veículos no terminal, e estacionam no único local, que deveria ser destinado apenas aos ônibus para embarque e desembarque de passageiros. Reforma já e PONTO final Os problemas não afetam somente o Terminal Rodoviário. Os pontos de ônibus em Resende Costa também apresentam problemas de infraestrutura. E um fato que prejudica a solução desses problemas está relacionado, sobretudo, ao local onde os pontos foram instalados: a maioria localiza-se em calçadas de casas particulares. Mas de qualquer forma, medidas precisam ser tomadas para proporcionar maior conforto aos passageiros. A solução de um grande problema pode ser encontrada em simples ações. Para um dos motoristas de ônibus que encontramos na Rodoviária, a construção de guaritas já resolveria grande parte dos problemas enfrentados diariamente pelos passageiros. Ele sugere a instalação de cobertura em pelo menos três pontos de ônibus da cidade que, segundo ele, são os mais usados: Largo do Rosário, hospital e o último, em frente ao Auto Posto Vivas.
O motorista sugere ainda a utilização de madeira de demolição e cita como exemplo a cidade vizinha, Coronel Xavier Chaves, que construiu há pouco tempo guaritas em alguns pontos: “Prático e estilizado”, define o motorista entrevistado. O funcionário da Copasa, Abel Silva, utiliza o serviço de ônibus diariamente, viajando de Resende Costa à Lagoa Dourada e vice-versa. Segundo ele, o que mais incomoda é mesmo a falta de guaritas: “Dentro da cidade, acho que precisamos de guaritas. A minha sorte é que quando está chovendo eu me escondo embaixo da cobertura do Bar da Maura, já que meu ponto fica ao lado”. A questão é: até quando nos esconderemos de problemas como esse? As reformas necessárias seriam aprovadas não só pelos passageiros, mas também pelos auxiliares de viagem, que precisam descer do ônibus em cada ponto para embarcar as bagagens - ação que em dias de chuva se torna um desafio. O grande problema que poderia dificultar as reformas está na localização dos pontos. Por exemplo: cobrir o ponto localizado no Largo do Rosário parece inviável uma vez que se situa na calçada de uma casa particular. Mas um transeunte nos dá uma ideia: “transferir o ponto para a praça, em frente à igreja de Nossa Senhora do Rosário, e permitir que o ônibus dê a volta no entorno da praça”. Trata-se
de uma sugestão que poderia ser analisada pelas autoridades competentes. Já os problemas no Terminal Rodoviário José Pedro dos Santos revelam, acima de tudo, sua inadequação para o atual momento em que se encontra a cidade. Diante do aumento populacional de Resende Costa, da expansão das linhas de ônibus e da moderna frota que o utiliza, tem-se hoje um terminal rodoviário problemático, que não mais comporta a demanda de passageiros, além disso, a plataforma de embarque e desembarque é apertada e não está devidamente adequada para receber os ônibus que partem de lá diariamente. O espaço exíguo dificulta a movimentação dos passageiros e o trabalho dos auxiliares de viagem no embarque das bagagens. Um morador do entorno descreveu o Terminal Rodoviário José Pedro dos Santos como “um grande ponto de ônibus”. Resende Costa já carece de melhorias nos pontos de ônibus e de um terminal rodoviário bem localizado, que atenda a atual demanda, ofereça conforto aos passageiros, possua um posto de atendimento e informações, enfim, que esteja adequado a uma cidade que está, cada vez mais, se desenvolvendo economicamente e ainda recebe turistas de todas as partes do país e do exterior, atraídos pela cultura mineira e pelo artesanato aqui confeccionado e comercializado.
Ponto de ônibus na Praça Cônego Cardoso não tem cobertura e os passageiros esperam em pé
OAB instala sala do advogado em Resende Costa A 37ª subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em São João del-Rei, instalou a “Sala do Advogado” em Resende Costa, Prados e Entre Rios de Minas – os três municípios são sede de comarca. A cerimônia de entrega simbólica das salas às três comarcas aconteceu em São João del-Rei, no dia 4 de agosto, no Teatro do 38º Batalhão da Polícia Militar, na Avenida Leite de Castro. A solenidade foi presidida pela advogada Carla Freire de Abreu, presidente da 37ª subseção da OAB, e contou com a presença de diversos advogados das comarcas contempladas. Esteve também presente, representando a Câmara Municipal de Resende Costa, o vice-presidente da Casa, vereador Cleiton Afonso dos Santos. Para o delegado da 37ª subseção da OAB em Resende Costa, o
advogado Adenor Amadeu Resende Coelho, trata-se de uma importante conquista para os profissionais: “É um benefício incalculável para todos os advogados que trabalham na Comarca de Resende Costa. Antes, os advogados, sobretudo os que vinham de outras cidades, não contavam com um espaço onde pudessem receber seus clientes, peticionar, tirar xerox e acompanhar os trâmites dos processos via internet. Agora todos poderão contar com espaço e estrutura adequados, com internet, xerox, fax...”, disse. A presidente da 37ª subseção da OAB/MG em São João del-Rei, Carla Freire, informou que o projeto de revitalização das salas da OAB nas comarcas da região, que pertencem à 37ª subseção, é antigo, e só foi possível graças a um conjunto de fatores
e pessoas: “O caso da Comarca de Resende Costa foi peculiar, pois os advogados nem tinham mais a sala no fórum. E, sendo Resende Costa uma cidade querida de todos nós, foi muito importante para a classe dos advogados a reinauguração da sala da OAB, pois, agora, o advogado tem uma sala de apoio com infraestrutura de trabalho digna e adequada. Tenho sempre falado, que a 37ª subseção da OAB é conduzida a várias mãos, desta forma, agradeço a todos que colaboram comigo, na condução dos meus trabalhos à frente da Presidência”, disse Carla. A Comarca de Resende Costa disponibilizou como espaço onde funcionará a Sala do Advogado, a antiga sede do Cartório Eleitoral, situada ao lado do Fórum, na Praça Rosa Penido. De acordo com Adenor
Amadeu, “todas as despesas, inclusive com funcionário, serão custeadas pela 37ª subseção da OAB”. O horá-
rio de funcionamento será das 12 às 18 horas, de segunda à sexta-feira. (A.E.)
O Advogado Adenor Amadeu recebeu a placa das mãos da presidente da 37ª seção da OABMG, Carla Freire
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Gente que fez e faz a história
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Geraldo Nery Gouveia: “maestro da música e da vida”
No distrito de Jacarandira, distante 42 km de Resende Costa, nascia em 17 de maio de 1926 um homem que marcaria a vida de muitos jovens daquele lugar: Geraldo Nery Gouveia, carpinteiro de profissão e maestro por amor e convicção. Sua atuação no meio musical, inicialmente como instrumentista, começou em 1955, quando iniciou seus estudos de música com Moisés de Paula, maestro da banda de música de Morro do Ferro, distrito de Oliveira, MG. Em meio a muitas dificuldades, incluindo aulas e ensaios no sábado à noite e no domingo, surgia a primeira formação da banda de música de Jacarandira, Lira de São Sebastião, que iria mudar para sempre a vida de Geraldo Gouveia. A música se entranhou na alma de Geraldo Gouveia sem pedir licenças. O talentoso carpinteiro, exímio na arte de confeccionar rodas d’água de engenho, também começou a mostrar enorme aptidão para a música. De clarinetista da primeira banda, pouco tempo depois Geraldo Gouveia assumiu a regência da segunda formação da Lira de São Sebastião em 1967. Em entrevista ao JL, publicada em março de 2005, o maestro conta como foi a formação dessa banda: “Passados 12 anos (desde 1955, ano em que foi criada a primeira banda), o senhor Nicodemus (Coelho, homem de grande liderança no distrito de Jacarandira) manifestou vontade de formar outra banda, mas só que dessa vez houve a preocupação de encontrar pessoas dispostas a ficar em Jacarandira. Arrumei caderno para todo mundo e a banda começou de novo, e continua até hoje”. Geraldo foi o grande mestre da música em Jacarandira. Um líder que soube doar seu talento em prol de uma comunidade. Ensinou música, garimpou talentos, organizou encontros de bandas, rompeu grandes barreiras para cultivar a arte, enfim, fez história. As pessoas de Jacarandira recordam sua perseverança e seu empenho: “Ele não se amedrontava com a distância, muito menos com o frio. Em todas as alvoradas e festas religiosas, lá estava o senhor Geraldo, vindo de sua casa ainda de madrugada, para reger a banda”, lembra Jesus
Agnélio, integrante da banda e ex-aluno do maestro. Mas o tempo implacavelmente foi passando e há dois anos o Geraldo Gouveia entregou a regência da Lira de São Sebastião ao atual maestro, Ednilson. Aquele homem bem disposto e alegre não mais encontrava forças para continuar o seu ofício. Surgiram os problemas de saúde e, no dia 9 de julho último, aos 85 anos, o maestro Geraldo Nery Gouveia dava, em Belo Horizonte, seu último suspiro, em decorrência do agravamento de um enfisema pulmonar. Saía dos palcos da vida o maestro, o amigo e o grande líder e incentivador da cultura na comunidade de Jacarandira. Entrava, porém, para sempre no coração e na saudade de muitos que tiveram o privilégio de conviver e estudar com ele. O seu sepultamento em Jacarandira, na tarde de domingo, 10 de julho, tristemente marcou a despedida de um grande homem que escreveu traços da história de sua comunidade nas linhas de uma partitura. Nos acordes da música, ele formou uma geração, fez muitos amigos, colaborando incansavelmente com a promoção da cidadania. Como despedida, imersos num profundo e intraduzível sentimento de emoção e saudade, os músicos das três bandas presentes no sepultamento (Resende Costa, Desterro de Entre Rios e Jacarandira) executaram duas músicas que ele mesmo pediu que fossem tocadas durante seu enterro: Chalana e o dobrado Som da Lira. Muitas homenagens foram feitas, revelando carinho e reconhecimento (ler a homenagem feita pelo trompetista José Luis Messias Santos). O senhor Geraldo, viúvo desde 1980, quando faleceu sua esposa Elzi Coelho Leão, deixou oito filhos e importante legado para aqueles que acreditam na arte e estão dispostos a investir em talentos, conferindo oportunidade aos jovens. Sua memória certamente se imortalizará nos acordes da Lira de São Sebastião e em cada página de uma partitura musical executada em Jacarandira. Em poucas palavras o seu sobrinho, Zinho Gouvea, que o acompanhou em seus últimos momentos, resumida e perfeitamente retratou quem foi
O maestro Geraldo Neri Gouveia entre os troféus conquistados pela Lira de São Sebastião
Geraldo Nery Gouveia: “um maestro da música e da vida, que vai deixar bastante saudade”. Que o legado e o exemplo do maestro Geraldo Gouveia continuem vivos em Jacarandira. Que as gerações futuras deem prosseguimento à sua obra “com fé em Deus e pé na tábua”, como ele mesmo disse no fim de sua entrevista ao JL, em 2005. Homenagem Hoje, 10 de julho de 2011, Jacarandira se entristece ao se despedir de um ilustre e inesquecível amigo que sempre viveu intensamente as questões de sua comunidade. No futebol, não há quem não se lembre deste companheiro. Percebia-se claramente o seu amor pela música ao ser constantemente flagrado assoviando pelas ruas as diversas músicas executadas pela Lira. Mãos habilidosas, que na entalha dava à madeira cores e formas dignas de arte. Sempre sorrindo, nunca permitiu que os espinhos da vida lhe tirassem o desejo de viver. Tinha a Lira de São Sebastião como a “menina de seus olhos” e esta se orgulha imensamente de ter tido em sua história um mestre que, com seus olhos enxergou um caminho de conquistas; com seus ouvidos, ouviu as notas da esperança; com seus punhos fortes, escreveu os compassos da vitória e, com seu coração, entregou-se como regente. Coração este que nunca falhou na marcação. Fizesse frio ou calor, chuva ou sol, sempre lutou bravamente para que a cultura das bandas de música não se enfraquecesse em nosso estado e para que, em especial, a Lira de São Sebastião se tornasse um motivo de orgulho e admiração para os moradores de Jacarandira. Mestre, amigo companheiro e eterno maestro, seu clarinete não se calou, pois cada nota que dele saiu estará sempre no coração daqueles que o amam. Temos certeza que Deus o receberá de braços abertos na grande “lira de eternidade”. Seguimos no solo da vida lembrando sempre de seu exemplo. Seu amor pela Lira em uma ocasião durante o primeiro encontro de bandas. Ao subir ao palco para testá-lo, mencionou a seguinte frase: “meu sonho era realizar um encontro de bandas em Jacarandira; amanhã, se eu morrer, morro feliz”. É neste espírito que queremos seguir seu trabalho, doando nossas vidas incondicionalmente. Sua falta será sentida, sua presença, lembrada. Diante de tudo, a Lira de São Sebastião só tem uma coisa a dizer: Muito obrigado e vá com Deus! José Luis Messias Santos Trompetista da Lira de São Sebastião
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Regional
São João del-Rei, no centro do debate mundial sobre a corrida por terras-raras A fabricante de ligas metálicas Resind, especializada na recuperação de resíduos metálicos, está no centro do debate mundial sobre a corrida por terras-raras, liderada pela China. A empresa, que atua no reprocessamento do estanho e de outros metais, tem unidade em São João del-Rei, onde produz ligas metálicas de terras-raras em seu forno de redução. As terras-raras representam um conjunto de 17 elementos químicos usados para a produção de diversos produtos modernos, como imãs, fibras óticas, notebooks e celulares. A elevação nos preços das terras-raras e a diminuição no fornecimento global desses minerais começam a gerar problemas em algumas cadeias produtivas do país. Exemplo é a Fábrica Carioca de Catalisadores (FCC), única fabricante no Brasil de catalisadores para o craqueamento do petróleo nas refinarias, que já está sentindo os efeitos do cenário restritivo das terras-raras. A corrida pelos estoques e reservas de terras-raras no Brasil deve-se à manobra chinesa para estabelecer cotas de exportação para os compostos desses elementos minerais. Tanto a Vale quanto outras empresas, inclusive estrangeiras, estão voltando suas atenções para esse mercado no País. Por trás dessa movimentação está o temor global do desabastecimento, uma vez que a China responde por mais de 90% do fornecimento mundial das terras-raras. Assim, quem conseguir ser uma alternativa à produção chinesa pode abocanhar parte de um mercado mundial de cerca de US$ 5 bilhões, que abastece setores de alta tecnologia. “O Brasil tem potencial par entrar nesse mercado, e nós vemos isso como uma grande oportunidade”, disse o diretor da Resind, Almir Clemente, em entrevista à repórter Vanessa Dezem, do jornal paulista “Valor Econômico”. A empresa mineira tem a ambição de abastecer o mercado interno. A capacidade da companhia é de 300 toneladas de matérias-primas processadas por mês. Nova tecnologia - Há seis meses, a Resind desenvolveu uma tecnologia para produzir uma liga de terras-raras. Com isso, quer abastecer a cadeia da indústria automobilística e,
numa segunda etapa, fornecer para os fabricantes de catalisadores, importantes no processo de refinamento de petróleo. Segundo Clemente, a tecnologia envolve o processamento da monazita – concentrado mineral onde se encontram terras-raras. Da monazita, saem uma liga com as terras-raras e uma escória. Para chegar a isso, a Resind faz um tratamento metalúrgico em fornos. Trata-se de processo seguro diante do principal desafio de se produzir terras-raras, que é manter controlado o material radioativo, garante Clemente. A monazita abriga também o tório, elemento que deve ser separado e armazenado de modo seguro. De acordo com a empresa, a tecnologia permite que o tório fique encapsulado em uma escória, sem contaminar o ambiente. Para usar sua tecnologia e iniciar a produção, no entanto, a Resind precisa da matéria-prima. Para isso, a empresa está negociando a compra do estoque das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), companhia estatal produtora de urânio. A INB tem um estoque de 20 mil toneladas de monazita bruta no Rio de Janeiro, sendo que 62% do material são terras-raras. Clemente pretende produzir 200 toneladas por mês da liga com terras-raras, suficiente para suprir o mercado que abastece a indústria de autopeças. Numa segunda etapa, a Resind quer investir num segundo forno para produzir mais 200 toneladas de liga do mineral, que abasteceriam a cadeia de refinamento de petróleo. A demanda brasileira por terras-raras, atualmente, está em torno de mil toneladas por mês. As cerca de 10 mil toneladas negociadas com a INB seriam suficientes para suprir a demanda desses mercados por cinco anos. Mas o Brasil pode se tornar exportador do produto. Os recursos identificados e medidos no Brasil são maiores do que as reservas oficiais da China, de acordo com o pesquisador Francisco Lapido Loureiro, do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem). As terras-raras já foram identificadas em Catalão (GO), Araxá (MG) e Pitinga (AM).
(fonte: Valor Econômico, 28/07/2011).
6 Jornal das Lajes
Exposição
ANO VIII Nº 100 - AGOSTO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO / JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
IMA cancelou eventos pecuários, descaracterizando Exposição em Resende Costa Tropa preparada, caminhões prontos para embarcar os cavalos, freezers cheios de cerveja e animação pra lá de contagiante. Estava tudo pronto para mais uma edição da tradicional Cavalgada Bolivar de Andrade - evento que anualmente abre a Exposição Agropecuária de Resende Costa - até que veio o IMA e azedou tudo. No dia 8 de julho, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) divulgou um Memorando Interno, proibindo a realização de qualquer evento pecuário e emissão de Guia de Trânsito Animal (GTA) para bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos e equídeos, cuja finalidade fosse a participação em eventos pecuários (exposições, feiras, leilões, rodeios, cavalgadas etc.). “O IMA enviou um ofício avisando que estava cancelado qualquer evento pecuário. Cabe deixar claro que esse ofício nos foi enviado por e-mail, em cima da hora e sem assinatura de qualquer representante do orgão”, informou Fábio Melo de Oliveira, presidente do Clube dos Cavaleiros de Resende Costa e um dos organizadores da festa. Além de Resende Costa, o IMA cancelou eventos em Lagoa Dourada, Prados, Desterro de Entre Rios, São Brás do Suaçuí, Jeceaba e Entre Rios de Minas. O motivo alegado foi a suspeita de ocorrência de uma enfermidade denominada estomatite vesicular. De acordo com informações do Memorando Interno, o caso está passando por investigação epidemiológica conduzida pela Coordenadoria Regional de Oliveira (MG). Apesar da suspeita de haver focos dessa doença na região e a consequente proibição dos eventos pecuários, o presidente do Clube dos Cavaleiros de Resende Costa não deixou de ressaltar a frustração dos organizadores com o cancelamento da exposição: “A partir do envio do ofício não nos coube nenhum outro argumento que não fosse acatar a ordem. O cancelamento gerou muita frustração em todos, pois 15 dias antes tivemos uma reunião com o representante do IMA na região de Lagoa Dourada e ele disse que estava tudo liberado. Então preparamos tudo”, disse Fábio. Com os eventos pecuários cancelados, coube à organização da festa apenas realizar os shows que já estavam agendados. A dúvida, no entanto, era se o público ia aceitar, ou melhor, comparecer ao Parque do Campo, uma vez que a essência da festa havia se perdido. Mas felizmente os shows aconteceram com grande presença do público, que curtiu muito Teodoro & Sampaio, Biquini Cavadão e os demais artistas e bandas que agitaram as noites no Parque do Campo nos dias 14, 15, 16 e 17 de julho. Para Fábio Melo, mesmo sem os eventos pecuários, a festa foi boa: “Apesar de tudo, posso dizer que a realização foi positiva, mesmos que 80% do evento tenha sido descaracterizado devido à proibição. Mas assim que o IMA liberar os eventos pecuários, o Clube dos Cavaleiros, com apoio da Prefeitura Municipal, realizará a Festa do
Cavalo, com cavalgada, concurso de marcha e show regional no Parque do Campo”. De acordo com o secretário municipal de administração da Prefeitura Municipal de Resende Costa, Marcos Henrique de Oliveira Santos (Mazé), assim que chegou à Prefeitura o memorando do IMA proibindo os eventos agropecuários, em 8 de julho, foram acatada a ordem e cancelados tais eventos. Conforme o secretário, antes do cancelamento, a organização estava ciente de que as cidades de Entre Rios de Minas, Desterro de Entre Rios e São Brás do Suaçuí estavam proibidas de realizar exposição agropecuária e/ou eventos com animais, mas como Resende Costa pertence ao escritório do IMA de Lagoa Dourada, não havia proibição para realizar a festa: “Tivemos uma reunião 15 dias antes da exposição agropecuária com um representante do IMA, que nos afirmou que poderíamos até aquela data realizar a XXXIII Exposição Agropecuária de Resende Costa. Essa reunião está documentada em ata do Clube dos Cavaleiros”. Ainda segundo Mazé, a Prefeitura repassou, através de convênio, R$ 170.000,00 ao Clube dos Cavaleiros de Resende Costa para a realização da XXXIII Exposição Agropecuária. Mas, com a manutenção dos shows e o cancelamento de compras e contratações referentes ao rodeio, à exposição de animais e à cavalgada, o clube dos cavaleiros devolveu aos cofres da Prefeitura aproximadamente R$71.000,00, após a realização de todos os pagamentos referentes à Exposição. “Esperamos que no ano que vem nossa região esteja livre da ameaça de doenças contagiosas de animais para que possamos realizar uma exposição agropecuária verdadeiramente completa e de qualidade - com a realização da Cavalgada Bolivar de Andrade, da Exposição de Animais e do tradicional desfile de animais no domingo - para os produtores rurais, os cavaleiros, enfim, para todo o povo de Resende Costa”, conclui o secretário municipal de administração. A estomatite vesicular A estomatite vesicular (EV) é uma doença ainda pouco conhecida que acomete equinos, bovinos, suínos, mamíferos silvestres e o homem. Os portadores apresentam
Chegada da banda Biquini Cavadão ao Parque do Campo
sinais clínicos semelhantes a outras doenças vesiculares, principalmente a febre aftosa, segundo os especialistas. Não se sabe exatamente como surge um foco desta doença infecciosa nem onde fica o vírus, diz a pesquisadora Edviges Maristela Pituco, do Instituto Biológico de São Paulo. Em outras palavras, “até o momento, a epidemiologia e a manutenção do vírus no ambiente não estão totalmente esclarecidas, dificultando a aplicação de medidas de controle efetivas”, resume artigo publicado por Pituco em parceria com outros três pesquisadores. Por isso, Pituco recomenda que se faça o diagnóstico diferencial da EV e da febre aftosa. Este exame é feito no Laboratório Nacional Agropecuário (LANAGRO) do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que possui rede em todo o país. Comprovada a ocorrência da estomatite vesicular, a defesa sanitária deve ser acionada para tomar providências básicas, como isolar o foco da doença, já que não existe vacina. “Cada caso é um caso”, diz a pesquisadora. Da mesma forma que a aftosa, o animal com EV se recupera entre 10 e 15 dias. A EV é uma doença rara e pontual, tranquiliza Pituco, cujo sinal clínico no ser humano adulto é um resfriado. Em países onde a defesa sanitária é caótica já houve caso de provocar encefalite em criança. O Jornal das Lajes entrou em contato com o escritório regional do IMA, em Oliveira, para maiores esclarecimentos, inclusive enviando ao funcionário Ivaldo Fernando Pereira diversas perguntas para uma entrevista em sua seção “Jogo Aberto”. Porém, pouco antes do fechamento desta edição, Pereira informou que o IMA não irá se pronunciar enquanto as análises de laboratório não forem concluídas.
Apesar do cancelamento de eventos pecuários, os shows atrairam grande público
Concerto
JOÃO MAGALHÃES
Festival de Música de Prados em Resende Costa
Prados realiza todo ano seu já famoso Festival de Música, dita clássica ou erudita, resultado de uma conjugação de esforços de sua Lira Ceciliana e do maestro paulista Olivier Toni, que consegue, pelo 34º. ano consecutivo, promover a vinda de estudantes de São Paulo, sobretudo do Departamento de Música da Escola de Cultura e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), para interagir com os estudantes de música da cidade ou com os interessados em iniciar seus estudos nessa arte. Resende Costa, graças aos esforços de amigos da cultura (AMIRCO e AMARC) e da Prefeitura Municipal, via Secretaria de Educação e Cultura, entrou no circuito do Festival. A apresentação deste ano, no dia 21 de julho, na igreja do Rosário, constituiu-se, como das outras vezes, de música de câmara. O maestro trouxe para o público: o Prelúdio de Allamanda, da suíte número seis de J. S. Bach, originalmente para violoncelo solo, mas num arranjo para viola. Solo de viola do jovem Daniel Mendes. Antes, o maestro explicou as características da viola numa orquestra sinfônica, o som doce que tem e o papel como instrumento intermediário entre os violinos e os violoncelos. Em seguida, dois solos de flauta do jovem Danilo Crispim:
a peça de Debussy Syrinx, também contextualizada quanto à temática mitológica grega dos faunos e uma peça de Ian Clarke, The Gerat Train Race (A grande corrida de trem), obra de efeitos sonoros, mostrando os recursos onomatopaicos da flauta, exigindo do intérprete grande técnica e virtuosismo. A orquestra camerística apresentou também a Sinfonia em ré maior para trompete e cordas, de G. Torelli. Trompete: Michel de Oliveira Machado; violinos: Israel Canova e Tales Navarro; viola: Rossini Rocha e violoncelo: Maurélio Peotta. Finalizou com o Concerto em Sol maior para dois violinos e dois violoncelos solistas, de Vivaldi. Violinos: Canova e Renan Gonçalves; violoncelos: Jefferson Martins e Agton dos Santos. Os propósitos do maestro Olivier Toni de formar o público para música clássica, apresentando didaticamente as obras e de mostrar, através dos excelentes desempenhos dos jovens, que um estudo bem orientado dá bons resultados, merecem não só elogios, mas muito apoio. Os aplausos vão também para as associações culturais e para a Prefeitura de Resende Costa que está propiciando eventos culturais para todas as tendências e todos os gostos, mesmo que sejam minoritários.
Maestro Olivier Toni regeu a orquestra de câmara do Festival de Prados em Resende Costa
O solista Daniel Mendes executou obra de Bach
Aconteceu
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Jornal das Lajes
ANO VIII Nº 100 - AGOSTO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
EMANUELLE RIBEIRO / ANDRÉ EUSTÁQUIO
Exposição Agropecuária 2011
Neste ano, a Exposição Agropecuária de Resende Costa não aconteceu como o planejado, mas no fim tudo deu certo. Mesmo sem os eventos agropecuários, o público compareceu em peso e curtiu os shows de quinta a domingo. Ninguém esperava tanta gente, mas as pessoas vieram e agitaram ainda mais a Expo 2011. Noite de sexta-feira agitada pelo sertanejo de Teodoro & Sampaio Na sexta-feira, 15, a dupla sertaneja Teodoro & Sampaio fez um show animado e guiado pelo sucesso recente dos cantores: a música do cachorrinho Pitoco. Os artistas nos concederam uma pequena entrevista antes do show:
Qual o maior desafio da carreira musical no Brasil? Ter que trabalhar muito, 24 horas por dia, porque hoje é muito competitivo o mercado da música. É preciso fazer um trabalho diferenciado dos demais, porque para o igual não tem espaço (Sampaio). Quais são as novidades da carreira de Teodoro & Sampaio?
Carina e Maíra
Biquíni Cavadão levantou a galera no Parque do Campo O show da banda de rock Biquíni Cavadão, sábado, 16, foi espetacular, pra ninguém colocar defeitos. Eles tocaram grandes sucessos, clássicos, acompanhados pelo público, que cantou junto e pulou sem parar. O vocalista Bruno Gouveia recebeu nossa equipe com muita simpatia no camarim, após
Este ano comemoramos 30 anos da carreira de Teodoro & Sampaio e estamos lançando o DVD e dois CDs. É muito importante pra gente fazer este trabalho dos 30 anos e o trouxemos em primeira mão pra Resende Costa. A vocês, da emissora e do jornal, muito obrigado pelo carinho (Teodoro) A dupla sertaneja Teodoro & Sampaio recebeu a reportagem do JL antes do show
Roseli e José Geraldo
Lei e Luciana
Em Resende Costa têm surgido muitas bandas voltadas para o rock. Qual o seu conselho para esses novos músicos? Primeiro conquiste o seu espaço aqui em Resende Costa mesmo e vão ganhando espaço na região. Não se preocupem com os modismos e com o que eles criam, façam aquilo que vocês
acreditam e gostam, que vocês encontrarão o seu público, pode talvez não ser um público gigantesco no começo, mas ele pode se tornar gigantesco depois. Quais são os planos da banda para os próximos meses? Nós vamos participar de um festival na Dinamarca agora em agosto, assistiremos ao Rock in Rio e vamos lançar o nosso novo disco, só com músicas inéditas, então o pessoal vai curtir bastante.
o show.
Pedro e Pitoco
Bruno Gouveia recebeu os fãs no camarim Na foto com Janette Helena
MAC trouxe variedade musical e movimentou o domingo de encerramento
Leonardo e Priscilla
Francielle e Marcella
Destacamos o encerramento da festa no domingo, 17, pela apresentação de quatro grupos locais (Insignes, Transtornados SDR, Mitts e Heitor e Quinzinho). Com organização do Mac (Movimento Arena Cultural) e apoio da Prefeitura Municipal, o projeto “Nosso Som” atraiu um grande número de pessoas ao Parque do Campo e os artistas mostraram ter presença de palco e um repertório animado. A banda UAI Garotos, sensação do sertanejo universitário, encerrou as festividades de 2011.
Foto: Ézio
A banda Transtornados SDR se apresentou no domingo de encerramento da festa
A imprensa nos bastidores da festa
Márcia e Mazé
Luana e Camila
O Jornal das Lajes e a Rádio Inconfidentes FM estiverem presentes no Parque do Campo durante todos os dias fazendo a cobertura dos shows e registrando os agitos da galera que prestigiou a realização da Exposição Agropecuária de Resende Costa. A repórter Emanuelle Ribeiro esteve nos camarins e entrevistou os artistas que agitaram o público nos principais dias
da festa. A editoria do JL e a Rádio Inconfidentes parabenizam e agradecem à Prefeitura Municipal de Resende Costa, especialmente ao secretário municipal de administração, Marcos Henrique de Oliveira Santos, o Mazé, pelo apoio, nos possibilitando realizar nosso trabalho.
8 Jornal das Lajes A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Meu salário Quando as recordações de Resende Costa me invadem vestidas de saudade, algumas imagens ganham contornos nítidos. Lembro-me de um cachorro grande, amarelão e com cara de filósofo, facilmente encontrado nas portas dos botecos. Vivia dormindo. Não dava a mínima para a gritaria das bebedeiras nos bares. Jamais descia do salto. De vez em quando, ele ficava sentado, altivo, olhando em direção do horizonte. Acho que era ali que ele filosofava. Passamos várias vezes um pelo outro, eu indo e ele vindo. Nem olhava pra mim. Sempre com a boca aberta e a língua pra fora. Era bem nutrido e o pelo não era castigado. Com certeza, recebia ajuda dos moradores da cidade. Seu nome? Nunca tive a curiosidade de perguntar. As pessoas o chamavam assoviando ou estalando os dedos. Ele ia até o sujeito, ficava por ali um instante e se retirava em busca de seu rumo incerto pelas ruas e becos. Naquela tarde, eu e o Mário Márcio tínhamos acabado de receber o salário. Saímos da Minas Caixa e fomos até os Quatro Cantos. Num boteco peguei uns salgados e coloquei dentro de uma sacolinha, junto com o meu dinheiro. Foi então que o Mário me alertou: – Não estou gostando nada daquele cachorro ali, Zé. Ele tá seguindo a gente desde lá de trás. Era por causa dos salgados. Passamos por diferentes ruas e o cachorro ali, numa fidelidade que incomodava. O Mário virou-se e agachou, fingindo pegar uma pedra. O bicho estacou e logo depois correu com
medo. Entramos na loja do Zé do Duque pra ver o preço de não sei o que mais. Pus a sacolinha no balcão e travei conversa com o Zé. De repente, o Mário gritou: – O cachorro tá levando tudo! E o cachorro já tinha virado a esquina do Tião Melo... Levava o meu salário com ele. Desci a ladeira como um desesperado. Dessa vez, o cachorro estava na frente e a fidelidade era minha. A correria foi parar perto do Conjurados. O animal se sentou e ficou olhando pra mim, rosnando com a sacolinha na boca. Fui me aproximando, bem devagar. Fiz cara de simpático e soltava um elogio a cada passo que dava. Mas ele parecia dizer que mais um passo e eu me arrependeria. Achei melhor ouvir as ponderações que o cachorro me enviava entre os dentes. Afinal, ele era um filósofo. Ele se levantou e fez que iria correr de novo. E correu. E foi embora. E levou o meu dinheiro. E nunca mais vi o meu pobre salário. Ainda circulei pelos lados que o cachorro tomou. Tarde demais. Depois da ronda, voltei pra casa abatido, desencantado da vida, murmurando uma velha canção do Paulo Vanzolini. No dia seguinte, passei pelos Quatro Cantos. O cachorro estava lá, dormindo sossegado na porta de um bar. Pensei em ir até ele e perguntar pelo meu dinheiro, sei lá, chamar a polícia. Loucura. Tudo isso por um cachorro? Ainda ririam de mim. E tem mais: mesmo que o cachorro fosse preso, ele tinha dinheiro para pagar a própria fiança.
ANO VIII Nº 100 - AGOSTO
Religião
2011 / RESENDE COSTA - MG
ANDRÉ EUSTÁQUIO / FOTOS: EMANUELLE RIBEIRO
Padre Eder Santos toma posse como pároco de Resende Costa
A quarta-feira, 27 de julho, foi festiva em Resende Costa. Afinal a cidade recebeu seu novo pároco, padre Eder Sebastião dos Santos, 44, que tomou posse durante solene celebração eucarística presidida pelo bispo da Diocese de São João del-Rei, dom Célio de Oliveira Goulart. Diversos sacerdotes, diácono e seminaristas participaram da celebração que aconteceu na igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França. Padre Eder já trabalhou em Resende Costa, inicialmente como seminarista, diácono e vigário paroquial, auxiliando o então pároco, padre Geraldo Soares. A cerimônia de posse iniciou-se com a chegada do novo pároco à casa paroquial, onde foi recebido, juntamente com dom Célio e demais sacerdotes, pela banda de música Santa Cecília. Na Praça Cônego Cardoso formou-se a procissão de entrada que - ao som dos sinos da Matriz e colorida pelos fogos de artifício que salpicavam no céu numa típica noite fria de Resende Costa - conduziu os celebrantes até o interior da igreja Matriz. Centenas de pessoas aguardaram o novo pároco em sua nova igreja: familiares; ex-paroquianos vindos de Minduri, onde ficou durante três anos e sete meses como pároco da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus; conterrâneos de Coronel Xavier Chaves; autoridades municipais; movimentos; associações e pastorais da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França e centenas de paroquianos. A solene celebração foi animada pelo coral do Grupo de Jovens Shalon, da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, e contou com a presença do vigário-geral da Diocese de São João del-Rei, padre Dirceu de Oliveira Medeiros, que leu a Provisão de Pároco, concedendo a padre Eder todos os direitos cabíveis ao pároco durante o período de cinco anos. Após a leitura da Provisão, padre Eder se ajoelhou diante do bispo diocesano e proferiu solenemente a profissão de fé. Durante a homilia, dom Célio Goulart destacou que a missão do padre é ser “um vocacionado, ou seja, chamado por Deus a estar no meio do povo”. Dom Célio lembrou que a primeira ação
O bispo diocesano dom Célio apresenta à comunidade o novo pároco, pe. Eder Santos
do padre Eder em sua nova paróquia foi proclamar o Evangelho: “Padre Eder, em sua primeira ação como pároco, proclamou o Evangelho, o que irá fazer diversas vezes nesta paróquia. A nossa missão é proclamar a Palavra do Senhor num mundo que está carente de ouvi-la”. O bispo ainda advertiu que “devemos anunciar a palavra de Deus, não a nossa”. A homilia de dom Célio também foi marcada pela reflexão acerca da dimensão do trabalho pastoral do pároco e da importância de uma paróquia enquanto “dimensão do Reino de Deus”. “A paróquia é uma das dimensões do Reino de Deus, onde os frutos são plantados. Portanto, apresento o padre Eder para trabalhar junto com vocês, fazendo com que a paróquia de Nossa Senhora da Penha seja um sinal que aponta para Jesus Cristo”, disse o bispo, que observou ser a Igreja “uma experiência de comunhão”. Dom Célio ainda agradeceu a comunidade de Resende Costa pela acolhida e apoio ao padre Geraldo Soares, ex-pároco (2004-2011), que assumiu a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus de Minduri no dia 25 último: “Agradeço a todos vocês pelo apoio e reconhecimento ao padre Geraldo, que marcou muito essa paróquia”. Após a homilia, seguiu-se o rito de posse, durante o qual padre Eder fez a renovação das promessas sacerdotais, repetindo o que fizera durante a cerimônia de sua ordenação sacerdotal, ocorrida em Coronel Xavier Chaves em 22 de
__________________________________________________________________ *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
DE
Padre Eder na procissão de entrada da solene celebração eucarística de posse
julho de 2006. Ato contínuo, o novo pároco recebeu das mãos da Irmã Amélia Herold, camiliana, diretora do Hospital Nossa Senhora do Rosário, as chaves da igreja e da casa paroquial. Padre Eder também visitou o batistério, sentou-se em um dos confessionários e, na Capela do Santíssimo, se ajoelhou em adoração. “Padre Eder coloca diante de Jesus Sacramentado todo o seu trabalho missionário que se inicia nessa paróquia”, disse dom Célio, que acompanhou todos esses passos explicando-os detalhadamente. A posse do padre Eder foi também marcada pela emoção dos seus ex-paroquianos. Faixas foram fixadas no interior da igreja Matriz da Senhora da Penha, demonstrando amizade, carinho e agradecimento pelo trabalho realizado pelo religioso em Minduri. Os discursos de agradecimento dos ex-paroquianos não deixam dúvida de quanto o padre foi especial para aquela comunidade. Marilene de Sousa, representando a paróquia de Nossa Senhora da Penha, deu as boas-vindas ao pároco, destacando os desafios vindouros e a missão sacerdotal: “padre Eder, que a sua presença seja sinal da presença de Deus em nossa comunidade”. O prefeito de Resende Costa, Adilson Avelino de Resende, também deu as boas-vindas ao padre pároco. “Enquanto prefeito municipal, quero dar-lhe as boas-vindas, dizendo aquele velho e conhecido ditado ‘o bom filho à casa torna’. É uma satisfação tê-lo de volta conduzindo na fé o nosso povo, e tenho certeza de que realizará um grande trabalho”. Como último ato da celebração, padre Eder agradeceu a todos os presentes, especialmente ao bispo diocesano: “quero agradecer ao nosso bispo dom Célio a confiança por ter depositado em mim essa missão. Agradeço também aos padres presentes e a todos os visitantes que aqui vieram”. Aos seus novos paroquianos, conclamou-os a iniciarem juntos uma nova caminhada: “de mãos dadas certamente conseguiremos cumprir a nossa missão”. Padre Eder inicia seu paroquiato em Resende Costa contando com o auxílio do padre Raimundo Inácio, vigário paroquial residente no distrito de Jacarandira, e do diácono Admilson Heitor.
Jornal das Lajes
ANO VIII Nº 100 - AGOSTO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Gastronomia
CLÁUDIO RUAS
Mas, o que é gastronomia?
Conforme o dicionário Aurélio, gastronomia nada mais é do que o “conhecimento teórico e/ou prático acerca de tudo que diz respeito à arte culinária, às refeições apuradas, aos prazeres da mesa.” Mas gastronomia é muito mais do que isso. E é por isso que o Jornal das Lajes começa a tratar desse tema, que desperta cada vez mais interesse em todos nós. E é com muito prazer que recebi o convite e hoje posso realizar esse sonho de concretizar em palavras e idéias aquilo que sempre me encantou. Muito longe de ser um chef de cozinha, sou apenas um advogado nas horas ocupadas e um cozinheiro amador nas vagas, mas sobretudo um grande entusiasta da gastronomia. Paixão essa que começou a se materializar ainda no final da infância e por culpa do meu pai, o Rosalvo do Góes, que não sabe cozinhar nada! Mas, como assim?! Exatamente pela falta de habilidade dele, ao acompanhá-lo na roça (minha outra paixão) eu acabava tendo que me virar com as panelas. Aí começou um amor, que, após alguns anos de prática, estudo, compras de muitas panelas e até um casamento com uma profissional da área, me permite hoje tentar compartilhar o pouco que sei nesta coluna. Mas o que realmente é a “gastronomia”? Como já disse, esse termo não está ligado apenas ao conhecimento e ao prazer relacionados à “mesa”, mas sim, a tudo que gira em torno dela. Envolve
sobretudo um ponto de vista cultural, não somente em relação à comida propriamente dita, mas também às bebidas, aos utensílios, às tradições e a tudo que fez parte desse processo que culminou com essa “mesa”, inclusive os sentimentos. Ou seja, a gastronomia vai desde a terra cuidadosamente preparada para o plantio do milho até a sensação de prazer gerada em seu organismo ao comer uma polenta em um restaurante italiano chique, cujo sabor remete ao angu da vovó feito há anos atrás e que ficou guardado na memória. E aos que pensam que a gastronomia está atrelada somente às coisas grã-finas e sofisticadas, temos um exemplo do perfeito exercício da gastronomia que ocorre semanalmente na nossa cidade, mais precisamente às segundas-feiras. Há anos se reúnem, doutor Luiz e seus amigos, com o pretexto de comer um frango caipira em uma roça, de forma muito tradicional, interessante e simples, onde o protagonista frango acaba virando coadjuvante, diante dos torresmos, cachaças, piadas e causos. Isso tudo é gastronomia. Outra definição importante a esclarecer é a do “chef de cozinha”, profissão atualmente muito badalada. Ao contrário do que muitos pensam, não basta o conhecimento gastronômico e/ou a formação profissional em uma escola para se tornar um chef. Como bem disse a chef Roberta Sudbrack (essa sim, chef de verdade, e por sinal, a mais premiada e admirada no Brasil atualmente): “Nós so-
AMIRCO
mos cozinheiros! Podemos “estar” chefs de cozinha se estivermos exercendo essa atividade dentro de uma cozinha profissional. Ainda assim, somos cozinheiros”. E também ao contrário do que muitos pensam, a profissão de chef (ou cozinheiro) está muito longe do glamour estampado pela mídia, pois demanda muita dedicação, estudo e trabalho pesado dentro de uma cozinha a 50ºC e com baixa remuneração. Mas o mais interessante disso é que, mesmo assim, é cada vez maior a escolha das pessoas por essa profissão, o que nos mostra o quão apaixonante é a gastronomia, que também atrai uma legião de amadores mundo afora, onde se incluem os gastrônomos (ou gourmets). Basta uma simples percepção sobre nossos hábitos para constatarmos que, apesar do aumento da oferta de bares, restaurantes e deliverys cada vez mais nos reunimos em casa e produzimos algo na cozinha, nem que seja um patê de sardinha. Isso tudo sem contar a oferta de programas na televisão, sites na internet, livros, cursos, festivais - como o da nossa vizinha Tiradentes, no próximo dia 19 de agosto – e colunas de jornal, como a do Jornal das Lajes, que terá a missão de tentar aproximar e abrir os olhos de todos sobre essa preciosidade que temos em nossas mãos (olhos, nariz, boca...), porque cozinhar, comer e beber bem é muito mais fácil, barato e divertido do que se imagina. ELAINE MARTINS
Projetos de Resende Costa, São Tiago e São João del-Rei são aprovados pela Secretaria de Estado da Cultura A Secretaria de Estado de Cultura (SEC), por meio da Superintendência de Fomento e Incentivo à Cultura e da Diretoria do Fundo Estadual de Cultura, divulgou no dia 2 de agosto o resultado da quinta edição do Fundo Estadual de Cultura (FEC), referente ao edital de 2010. Três projetos culturais da região das Vertentes foram contemplados e receberão recursos não reembolsáveis. Para a Associação dos Ami-
gos de Cultura de Resende Costa (AMIRCO) foram aprovados R$ 29 mil para a realização do projeto Coleção Lageana II, para Prefeitura Municipal de São João del-Rei, R$ 33,83 mil para a programação artística e manutenção do Teatro Municipal e para a Prefeitura Municipal de São Tiago, R$ 65,78 mil para a finalização do projeto Forno na Praça: Espaço Café com Biscoito. O FEC também aprovou R$ 40 mil para a primeira etapa da restaura-
ção do Paço Municipal de Entre Rios de Minas e R$ 46 mil para o projeto Formação e Música da União Musical Santa Cecília de São Brás do Suaçuí. Nesta edição do FEC, para a modalidade “liberação de recursos não reembolsáveis” foram disponibilizados R$ 6,5 milhões direcionados a 118 municípios, contemplando 166 projetos que foram rigorosamente avaliados por câmaras setoriais paritárias.
Saúde
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EMANUELLE RIBEIRO
Projeto visa à melhoria na qualidade de vida da população
O Projeto DANT (Doenças e Agravos Não Transmissíveis), nomeado “Viver a vida valorizando a saúde em Resende Costa”, voltou à ativa em 2011. O programa, que tem como objetivos principais incentivar a prática de atividade física, alimentação saudável, combate ao tabagismo, ações de incentivo à cultura da paz etc., teve início na administração municipal passada, elaborado pela psicóloga Rosângela Braga. A enfermeira do Programa de Saúde da Família (PSF), Sílvia Célia, é quem coordena o DANT atualmente: “O projeto é todo financiado pelo Ministério da Saúde. O município apresenta um projeto relacionado à promoção da saúde e prevenção de doenças que estão classificadas entre as DANT, como hipertensão, diabetes, câncer, alcoolismo, depressão, distúrbios decorrentes de violência e outras”. Em 2010, a atual administração trouxe o projeto de volta. De acordo com Sílvia, foi realizado um seminário e houve divulgação do projeto para toda a população. No fim dos trabalhos de preparação, do qual 100 pessoas participaram, foram abertas inscrições para 90 vagas. Hoje, esses 90 participantes foram divididos em turmas de 30 pessoas e as atividades são realizadas às terças e quintas-feiras, no Parque do Campo. Além da enfermeira Sílvia, toda a equipe do PSF está envolvida com o projeto, trabalhando firme para que ele renda bons frutos. Segundo Sílvia, a maioria dos participantes tem hipertensão arterial ou diabetes e muitos têm obesidade e até depressão. E em três meses de início da atividade física já se percebe melhora para dormir, mais disposição e flexibilidade para realizar simples tarefas como varrer a casa, agachar etc. O fisioterapeuta Breno Almeida é um dos educadores físi-
cos do projeto e responsável pela seleção de interessados através de avaliação física. Segundo ele, essa avaliação consiste em medir o porcentual de gordura no corpo, condicionamento cardiorrespiratório, entre outros. As melhoras relatadas acima pela enfermeira Sílvia são coletadas em depoimentos dos participantes e, de acordo com Breno, uma reavaliação será feita em cerca de dois meses, para ver se realmente os resultados foram bons. “Há pessoas que antes ficavam o dia todo paradas, em casa, e agora podem se exercitar. Muitas delas adotaram o hábito da caminhada. Nós estamos sempre cobrando movimentação, alimentação saudável etc.”, acrescenta o fisioterapeuta. Ana Reis entrou no programa há dois meses e hoje não o deixaria por nada. Ela se diz muito satisfeita com as atividades: “Depois que comecei a fazer, senti o corpo mais leve e até emagreci um pouco. Desde o dia em que comecei nunca faltei às aulas”. Reis nos contou ainda que tinha problemas com insônia, pressão alta, além de não sair de casa, e hoje isso ficou pra trás, graças ao projeto DANT. Com a possibilidade de necessitarem de mais educadores físicos, os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) estão sendo capacitados para darem continuidade ao Projeto. “Acho que precisamos de mais profissionais para abraçar a causa e espero que com abertura de uma nova Equipe de PSF isto possa melhorar. Temos muito trabalho, muita gente interessada, porém não damos conta de tudo, já que o trabalho do PSF não se restringe somente a este projeto, que é de grande importância, porém temos outras áreas para cumprir metas pactuadas com o governo a cada ano e o objetivo geral é melhorar a qualidade de vida da nossa população”, conclui Sílvia.
Projeto Dant desenvolvido com o grupo da terceira idade
10 Jornal das Lajes Causos & Cousas
ANO VIII Nº 100 - AGOSTO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG ROSALVO PINTO
“Casos e causos do Vovô Totonho”
Li, agradeço e agora dialogo com senhor Alair Coêlho de Resende. Agradeço-lhe o presente e o prazer que me deu a leitura do seu “Casos e Causos do Vovô Totonho da Chapada”. Veio de longe, impresso lá em Palmas (Tocantins). O local da edição já inspira e sugere “palmas” pelo seu trabalho. Há dias queria escrever ou telefonar-lhe. Preferi compartilhar aqui com meus leitores a beleza do livro. Teria muito a comentar sobre ele, mas o espaço do meu “causos e cousas” não me permite. Começo pela capa. Bonita e inspiradora. Não há como pensar Resende Costa sem que emerja da memória a silhueta da imponente e altaneira Matriz de Nossa Senhora da Penha de França. Independente de quaisquer sentimentos religiosos. Como todo leitor tem o direito de entender e interpretar textos e imagens como quiser, eu vi assentado naquela meia poltrona vazia a figura simpática, serena e sisuda do Totonho da Chapada. Pernas cruzadas, um pito entre os dedos (acertei?), contando aos filhos o causo do “Duende do Açude”. Mas minha imaginação foi ainda mais audaz: cheguei a ver uma enxada naquele cenário. Tal como meu saudoso pai, o “cumpadre Góes”, também o “cumpadre Totonho” passou pela vida carregando uma enxada. Ambos, vizinhos e cumpadres, ligados pela amizade, pelo cultivo da terra e pelo cuidado com as estradas do município. Entro no livro. O capítulo 1 liga o antigo Arraial da Lage ao movimento da Inconfidência e ao futuro nome da cidade. O 2 apresenta a cidade no século passado. Aí entra em cena a fantástica memória do autor, recuperando fatos e nomes. Já se fala na Banda de Música Santa Cecília, no teatro e no grêmio literário. Este, acredite-
-se, recebeu como doação do Cel. João Evangelista de Souza Maia o lote ali nos Quatro Cantos, no qual se construiu um moderno bangalô que ficou conhecido, até hoje, como “Grêmio. Alair ressalta a figura folclórica do “Sô Afonso ferreiro”, que chegou a construir um caminhãozinho apelidado de “Pipoca”, que era dirigido pelo Antero, irmão do Zé Pedro Gancho. Os capítulos 3, 4 e 5 tratam da participação dos resende-costenses nas guerras, desde a Guerra do Paraguai, passando pela campanha de Canudos e terminando com as duas grandes guerras. Esses capítulos envolvem antepassados queridos e informações curiosas. O capítulo 6 trata da vida cultural de Resende Costa, começando pela educação, passando pelas produções literárias e tentativas de se criar uma imprensa e culminando com uma fantástica recuperação do movimento teatral. Aqui o autor deu asas à sua memória e à sua saudade: também pudera, ele fez parte daquele, segundo ele, “momento sublime da cultura de Resende Costa”, do qual “jamais nos esqueceremos”. Dele fizeram parte sua primeira esposa, a Socorro do Sô Bico e sua irmã, a Maria da Penha Resende. Nesse capítulo delirei-me com a precisa narrativa da passagem por Resende Costa de um grupo de russos, chamados “Cossacos”, que encantou a população com seus malabarismos e com suas músicas e instrumentos russos. Eu nascia naquele ano (1942), mas como menino ouvi muito falar desse evento. Outra boa contribuição para a recuperação da memória da cidade está no capítulo 7, no qual o Alair recupera a história do esporte. O capítulo 8 é dedicado pelo autor à descrição de sua vida familiar: avós, pais, irmãos, suas duas esposas, Socorro Freitas (falecida em 1985) e, posteriormente, Maria Olga Resende Coelho. Entretanto,
Cultura
seus filhos (do primeiro casamento) e netos merecem um destaque especial. Aliás, mais que destaque, eu diria que em todo o livro perpassa e extravasa um grande amor do autor à sua família. No entanto, é às esposas e aos filhos (“... que amamos com toda força de nosso amor”), netos e noras que ele dedica sua obra. Do capítulo 9 ao 15, o autor reconta os casos “que Vovô Totonho contava”. A menção ao “vovô” reafirma que os “casos e causos” foram escritos para seus filhos e netos. Esses contos foram ouvidos pelo autor no tempo da bucólica Resende Costa de antigamente: “Era, portanto, à luz de lamparinas a querosene ou lampião que nós ficávamos ‘na hora do café da noite’, ouvindo as estórias que Vovô Totonho contava, com artística habilidade e é destas estórias que nos ocuparemos a seguir”. Os contos: Galamonha, Cada qual como fez-fez, O menino Jesus e o palhaço, A engenhoca de fazer sal, O duende do Açude, No jardim da vovó Abigail tinha uma fada”. Esses títulos me deram a sensação de estar lendo o nosso Guimarães Rosa. No último conto o narrador vovô Totonho cede sua vez para a Vovó Abigail. E desfaz-se, ao final, o mistério das fadas. Deixo o desfecho para a curiosidade dos leitores. Congratulações ao Alair, pela excelente contribuição para a história de nossa Resende Costa. Uma homenagem de amor à figura de um grande resende-costense, vindo lá da região da Chapada para Resende Costa e posteriormente para São João del-Rei, onde veio a falecer. O Guimarães Rosa bem poderia escrever sobre o seu túmulo: “Quando eu morrer – que me enterrem – na beira do Chapadão – contente com minha terra – cansado de tanta guerra – crescido de coração!” ANDRÉ EUSTÁQUIO
Wangui é o mais novo membro da Academia de Letras de São João del-Rei
O pintor e escritor são-joanense Wanderley Guilherme, conhecido como Wangui, é o mais novo membro da Academia de Letras de São João del-Rei (ALSJDR). Seu nome foi indicado por unanimidade no dia 16 de junho último. “Fiquei muito feliz quando soube da votação e que meu nome havia sido indicado por unanimidade”, comemora Wangui, que foi diplomado como sócio paracadêmico
no dia 31 de julho, domingo, em sessão solene, que teve início às 10 horas. Wangui trabalha no setor de guarda-volumes da Rodoviária de São João del-Rei. Carismático e talentoso, revelou ao JL sua ligação com as artes: “De modo geral, sempre fui ligado às artes pela pintura, música, literatura, cinema, dança, teatro e poesia”. Ele lembra do estímulo recebido
dos amigos e da irmã para desenvolver seu talento: “Vários amigos me chamavam de poeta, inclusive minha irmã Cecília, escritora, me disse: ‘ah, você tem todo jeito poético de escrever’. Agora estou sendo impulsionado a escrever, colocar minhas ideias no papel e transformá-las em poesias e crônicas, continuando a minha nova etapa”.
Crônicas do Cotidiano
RAFAEL CHAVES
A carta e os Correios Outro dia fui à agência dos Correios postar uma carta... (Eu sei que está meio démodé nesses tempos, mas ainda há um charme em enviar ou receber uma carta pelos Correios. Quiçá receber uma carta da pessoa amada! Daquelas que, quando estamos apaixonados, esperamos todos os dias atravessar pela soleira da porta, ainda que jogada displicentemente pelo carteiro. Eu a abriria num instante, só para ver o “Meu amor,” no princípio e o “Beijos. Te amo!”, no final.) ... contendo uns documentos. Quando entrei na agência, dirigi-me à máquina de retirar a senha,... (Para quase tudo hoje em dia tem senha! Eu tenho uma planilha com todas as minhas senhas. Contei e são 121 senhas. Senhas de banco, de cartões, de e-mails, para abrir computadores, para abrir aplicativos, para lojas virtuais, sites onde sou cadastrado, para os... Bem, na verdade são 122 senhas! Tenho uma senha exclusiva só para abrir essa planilha de senhas, por questões de segurança. E não dá para ser uma senha só para tudo. Cada sistema tem suas peculiaridades. Uns exigem que você troque sua senha a cada mês, outros que seja senha numérica, outros alfanumérica, outros com quatro dígitos, outros com seis dígitos e por aí vai...) ... mas não havia, entre as opções, senha para postar carta simples. Havia senha para postar sedex, para o banco postal, para atendimento preferencial e para outros serviços. Eu estranhei, porque os Correios, para mim, sempre tiveram como primeira finalidade despachar as cartas, as correspondências, fazendo-as chegar aos seus destinos. Peguei a senha “outros serviços” e esperei, esperei, esperei até aparecer no painel, finalmente, 354, guichê 4: - Bom dia! Por favor, eu gostaria de postar esta carta. - Sedex 10? - Não, não precisa. - Mas se você postar sedex 10, chega lá amanhã até as 10 horas da manhã... - Quanto fica? - Olha, seria bom você colocar nesse envelope plástico dos correios... - Quanto fica? - Você quer com Aviso de Recebimento? - Seria bom...
- Quer declarar valor? - Uai, põe aí R$2.000,00... É documento, né? - E quer entregar com mão própria? - Mão própria? Que é isso? - Mão própria é mão própria, ora. - Tá bom. Quanto fica? - Deixa eu ver... São 20,00 do sedex, 2,80 do aviso de recebimento, 2,00 do envelope plástico, 19,25 do valor declarado e mais 3,70 da mão própria... Total de 47,75. - Quanto? - 47,75. - Como? Mas eu só quero postar esta carta. Não precisa você levar ela de ônibus não. Aliás, se eu comprar uma passagem de ônibus para essa carta fica até mais barato! - Mas... Nesse instante o meu telefone toca. Atendo. Desligo. - Temos cartão de recarga Vivo. O Senhor deseja? - Meu celular é Claro. - Temos também. Tem de 10,00, 15,00... - Mas é Claro de conta... - Ah... - Por favor, eu só quero postar esta carta. Simples, por favor... - Tem certeza? - Tenho. - Não quer fazer uma fezinha hoje? Vendemos uma telessena premiada no mês passado! - Como? - É! Quer comprar uma telessena? - Não, não e não!!! Quero postar esta carta. - Calma, Senhor, calma. Carta ou encomenda? - Carta! Carta! Carta! - Registrada? - Não! Pelo amor de Deus, simples, por favor! Ou vai me dizer que se for simples não chega? - Ok, senhor, não precisa ficar nervoso. São 1,55. Dou-lhe uma nota de 2,00! - O senhor quer doar o troco para o Hospital do Câncer? Aceitamos qualquer valor acima de 25 centavos. - O quê? Mas eu já não pago meus impostos? Não pago para ter saúde, educação...? E ainda pago plano de saúde! - Mas senhor... - Não tem mas, nem meio mas, estou aqui para postar esta carta É só o que eu quero fazer, postar esta carta! E me dê meu troco! - Nossa! Nem abrir uma poupança no Banco Postal o senhor não vai não?
Jornal das Lajes
ANO VIII Nº 100 - AGOSTO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
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Um olhar sobre Resende Costa - Especial ed. 100
Estudantes escrevem sobre hábitos culturais de suas comunidades rurais
Alunos do 3º ano do Ensino Médio da Escola Municipal Paula Assis escreveram sobre suas comunidades
Estudantes da Escola Municipal Paula Assis, no povoado do Ribeirão de Santo Antônio, prestes a concluir o ensino médio no findar de 2011, falaram de forma clara e sutil sobre os hábitos culturais de suas localidades herdados de geração a geração. Cada adolescente descreveu de forma objetiva, porém, apaixonada, características culturais de suas comunidades. Há pontos comuns entre elas, como, por exemplo a religiosidade - típica da história de Minas - mas há singularidades que conferem a tais características uma feição ímpar, como a culinária e o entretenimento. Os trabalhos foram feitos como avaliação da disciplina Sociologia, ministrada pela professora Maristela de Oliveira Peluzi. O JL, nesta edição especial de nº 100, publica alguns textos deles, revelando interessantes curiosidades das comunidades rurais de Resende Costa. Comunidade dos Tabuados “No mês de setembro é feita a ‘Festa da Primavera’. Já nos meses de junho ou julho é realizada uma ‘Quadrilha’ no Centro Comunitário. Um dos principais pratos daqui é o frango a molho-pardo. O ora-pro-nobis também faz parte da nossa culinária. Há algumas pessoas que gostam de saborear o broto-de-bambu e a samambaia. Com respeito às comemorações religiosas, é celebrada uma missa a cada dois meses, e também festejamos o dia do padroeiro: São José. A nossa cultura sofreu mudanças ao longo do tempo, atualmente as rezas que eram feitas nas casas dos moradores, seguidas de animados leilões, já não existem mais.” (Kássia Resende) Comunidade do Curralinho dos Paulas - “Na comunidade dos Paulas, os idosos gostam de sertanejo antigo – de sua época; na culinária, o angu e o mingau-de-couve continuam fazendo sucesso. As festas marcantes são a Festa da Colheita do Milho, realizada em junho, a Semana Santa, em que comemoramos a Paixão de Cristo e de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da comunidade. Na religiosidade
há presença do catolicismo e dos evangélicos. A igreja de Nossa Senhora da Conceição é ponto destacável na identificação da comunidade.” (Johnny) Comunidade da Micaela - “No meu povoado, Micaela, nós realizamos uma festa para homenagear nosso padroeiro, Santo Antônio – uma comemoração linda, com fogos, música e muita dança. Há alguns anos atrás, era comum as pessoas se reunirem para poder contar causos, tocar sanfona, inventar estórias, fazer versos em ritmo de folia-de-reis e, principalmente, jogar uma boa partida de truco. Hoje em dia, estas manifestações culturais estão perdendo espaço para festas mais animadas, baladas... Parece que os jovens estão preferindo outro tipo de música, com o passar dos anos. Talvez estas manifestações culturais antigas de nossa comunidade tendem a desaparecer.” (Wigor José Gouveia da Costa) Comunidade da Boa Vista - “Por se tratar de uma localidade pequena, a manifestação cultural de maior relevância é a missa anual no cruzeiro da comunidade. Logo após, é servido um café-com-biscoito para os moradores e visitantes. É tradição soltar fogos na manhã do dia da missa. O artesanato têxtil vem sendo passado de geração para geração, principalmente entre as mulheres. Outro costume que faz parte da nossa história são os jogos de futebol realizados aos domingos. Na música, a folia-de-reis foi resgatada pelos jovens.” (Juliana Aparecida de Sousa) Comunidade do Cajuru - “Assim, como em todo lugar, a comunidade onde vivo apresenta manifestações culturais singulares que a diferenciam das demais. Há variados gostos musicais: funk, axé, pop, internacional, eletrônica, sertanejo, principalmente à moda antiga; há também um coral da igreja. Não há um prato típico da culinária da comunidade. As pessoas gostam de fazer diferentes tipos de doces e biscoitos. Inclusive, há duas
mulheres que utilizam a venda dos biscoitos assados em forno artesanal para obter uma renda a mais. As guloseimas são vendidas nas cidades vizinhas: Passa Tempo, Desterro de Entre Rios, Resende Costa etc. Há festas que são tradição na comunidade. A festa do carro-de-boi tem 25 anos e é realizada no mês de maio, o início é na sexta-feira com a celebração da santa missa. No sábado pela manhã tem o desfile dos carros-de-boi com a entrega das premiações à noite. A praça fica lotada de visitantes e moradores à espera do show, e, é claro, das típicas barracas. No domingo ocorre o concurso de marcha de éguas e cavalos. Ocorre também outra festa que já faz parte de nossa história: o pernoite da cavalgada Bolivar de Andrade, que anualmente cumpre o trajeto de Passa Tempo a Resende Costa, durante a Exposição Agropecuária de Resende Costa. Também festejamos a festa do padroeiro, Santo Antônio e a Semana Santa. Na sexta-feira santa, há uma tradição que vem sendo passada de geração para geração, e hoje, passo para minha filha: levantamos pela madrugada para irmos até às fazendas, aos retiros de leite, para buscarmos leite para fazermos tachos e mais tachos de doce de leite e arroz. Alguns vão de carro, moto, cavalo ou até mesmo a pé. É uma experiência única! O orvalho da manhã, o sereno ainda da noite, pessoas andam longe, carregam pesos, contam “causos e causos” e cantam músicas. Temos vários grupos religiosos: ‘Jovens Unidos em Cristo’, ‘Grupo dos Cursilhistas’, ‘Grupo da Melhor Idade’, ‘Rainha da Paz’, ‘São Vicente de Paula’, um conselho da igreja e um conselho comunitário. As missas são celebradas duas vezes ao mês, há realização de cultos em todos os domingos e adoração ao Santíssimo Sacramento às quintas-feiras, com participação de dois ou três moradores. É costume após o encerramento dos cultos, os homens irem para a venda ou para a banca de baralho e as mulheres ficarem nos bancos da praça contando “causos”, colocando a prosa em dia. São organizados animados leilões nas casas dos moradores, para angariar fundos para os grupos que citei, como também, para a Semana Santa. Ah, na noite do sábado de Aleluia, os jovens esperam pela calada da noite, para se reunirem na praça, se dividirem em grupos e sairem para “roubar” objetos pessoais das casas. Depois montamos uma chácara com tudo que conseguimos, e construímos o “Juda” e a “Juda”. No domingo fazemos “pisquinhas”, com os objetos, para todas as pessoas herdarem para assim, queimarmos o Juda e sua esposa. Muitos costumes de minha comunidade foram se perdendo com o tempo, hoje
Povoado do Cajuru
homens já não disputam uma mulher com duelos em versos ou colocam o rádio à pilha e flores nas janelas.” (Gilciana Antônia da Silva Rosa) Comunidade do Ribeirão - “Na minha comunidade, todos os anos temos a Festa da Colheita, por tradição. Foi a primeira festa da região, mas hoje já não atrai tanta gente, como antigamente. Temos também a festa de Nossa Senhora do Rosário, que há tempos atrás, apresentava congadas
muitas festas na minha região: festa junina, festa do carro-de-boi, festa da Padroeira, bailes e leilões para beneficiar a festa da Padroeira. Há muitas rezas, missas, o pessoal junta em peso. Pode-se dizer que o futebol acabou. Pois muitos que jogavam, ficaram velhos, como é o caso do meu pai e dos meus tios, outros mudaram, outros têm que tirar o leite. Se os jogos acabarem, vai ser ruim, pois é uma oportunidade de rever e fazer amigos.” (Antônio Marcos)
Capela do Ribeirão - traços marcantes da religiosidade mineira
de vários lugares. Hoje, como o povo quase não procura igreja, a festa está cada vez mais fraca, com menos congadas e pessoas.” (Isabela Maria Resende) Comunidade do Curralinho dos Maias - “Na comunidade onde moro, as músicas antigas são as mais pedidas. Se tocar uma música de hoje, as pessoas pedem para parar. Quando tem aniversário, fazemos feijoada e churrasco de porco – dizem que a melhor carne para preparar o churrasco. Há
Comunidade dos Pintos - “Vou falar um pouco da nossa cultura: as comidas típicas são: um arroz com feijão, bolo de fubá, goiabada, dentre outros. As pessoas trabalham com retalho, tecem, sobrevivem do ganho dos produtos artesanais. Todo domingo, ministros da comunidade celebram o culto. Uma vez por mês, o pároco de Resende Costa celebra uma missa. Há realização de rezas, leilões, para arrecadar dinheiro para a festa da colheita e dos Santos.” (Malena Silva Reis)
O desfile de carros-de-boi é uma das atrações da Festa de São João no povoado dos Pintos
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ANO VIII Nº 100 - AGOSTO DE 2011 / RESENDE COSTA - MG
Expedicionários
EMANUELLE RIBEIRO
Melhorias no Expedicionários não param As reformas visando às melhorias no Campo do Expedicionários estão a todo o vapor. No dia 30 de Julho foram colocadas pedras na entrada do Campo. Os pedreiros voluntários Adirson Júnior (Tibirrinha), Omar Martiniano, Alexandre Resende e Irineu do Tião trabalharam como voluntários no local. Flávio Henrique, representante da diretoria, afirmou que estão todos empenhados nessas mudanças e que o próximo passo será a instalação do parquinho para as crianças, que já foi comprado. Para Flávio, um dos grandes responsáveis por essas reformas, é o comércio resende-costense: “O comércio nos ajuda muito. Quero agradecer ao Restaurante Irassol e ao Zé Almir, que participaram da doação dessas pedras”. Ainda, segundo ele, Prefeitura e Câmara Municipal e alguns políticos mostraram interesse na
Foto: Flávio Henrique
Pedreiros voluntários trabalham em obra no Expedicionários
troca do gramado, o que é considerado uma das grandes necessidades. “Em breve iremos distribuir um jornalzinho
Giro Esportivo
agradecendo a todos e divulgando os trabalhos”, concluiu Flávio Henrique.
EMANUELLE RIBEIRO
Torneio de Futsal 2011 teve final eletrizante no Ginásio Monsenhor Nelson
Público animado + noite de muitos gols + tensão = final eletrizante. Foi assim a noite de 30 de julho, sábado, no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson. No último dia do Torneio de Futsal de Inverno de Resende Costa, o público compareceu em peso. Foram cinco jogos e muita emoção dentro e fora de quadra. Em 2011, os jogadores mostraram um futebol limpo e mais vontade de vencer, tornando o espetáculo mais bonito. Gláucio Wallacy e Claudemir (Estrume) apitaram as categorias Pré-Mirim, Dente de Leite e Infantil. De acordo com Wallacy, os meninos das duas categorias iniciais ainda estão em fase de aprendizado, por isso mostram certa ingenuidade e não cometem quase nenhuma infração: “Já a categoria Infantil é mais disputada, até porque os jogadores já são maiores e a maioria disputará a Taça de Prata ano que vem”. Mas essa ingenuidade não esconde talentos, como, por exemplo, o Pedro: o pequeno camisa 11 do Galaxy B foi o herói da final do Pré-Mirim, fazendo os dois gols da vitória sobre o Cruzeirinho, por 2x1. Já na final do Dente de Leite, a noite foi do Ibizinho, que venceu o URC por 6x2. Nesta partida, destaque para Henrique e Pedro Augusto, que foram essenciais na conquista do troféu. Quem levou a melhor no Infantil foi o Galaxy Vasp’s, que goleou o adversário Liverpool, por 5x1. Goleada que ninguém esperava, já que o Liverpool fez uma bela campanha durante o mês. O camisa 10 Ígor, uma das principais armas do vice-campeão, e seus companheiros, não conseguiram parar o bom futebol apresentado por Paulo Guilherme e companhia. O árbitro Paulo Lúcio, de Barbacena, apitou grande parte das partidas das categorias Prata e Ouro. Segundo ele, o
Os jovens atletas campeões do Galaxy Vasp’s, na foto com o prefeito Adilson Resende
Na Taça de Ouro, o Praia foi grande campeão de 2011
Torneio de Resende Costa é muito bem organizado e disputado e em 2011 a qualidade dos jogos foi maior: “Este ano a disciplina dos jogadores aumentou e teoricamente foi mais fácil de apitar. Eu mesmo não usei o cartão vermelho”. A grande surpresa da Taça de Prata, conforme o árbitro, foi o time do Malas (eliminado nas semifinais), que jogou com muita força de vontade: “O time me surpreendeu muito e o goleiro deles (Henrique) também é muito bom”. Na categoria Ouro, Paulo Lúcio gostou do futebol apresentado pelo Pradense, que também foi eliminado nas semifinais, partida em que jogou desfalcado. A partida entre Praia e Ekip-Car, ambas de São João del-Rei, foi a quarta da noite. Os dois times vêm disputando o Torneio há alguns anos e para eles a torcida de Resende Costa não se iguala a nenhuma outra. O tempo foi passando e o Praia não tomou conhecimento do adversário, vencendo por 7x3. Quando o Ekip-Car acordou já era tarde e o Praia, com maior volume de jogo e sabendo aproveitar as oportunidades, ficou com o troféu. A final da Taça de Prata entre Matsubara e Duff Beer, o jogo mais esperado da noite, enfim chegou e os jogadores mostraram o porquê de tanta ansiedade: durante os oitenta minutos muita velocidade, finalizações, oportunidades para ambos os lados, pressão nos minutos finais e quem brilhou foram os goleiros Diego (Matsubara) e Vinícius (Duff Beer). O resultado não poderia ser mais justo: 2x2 no tempo normal. Aí veio a prorrogação (10min), a tensão entre as equipes aumentou e, após cobrança de falta do Duff, confusão na área e gol da vitória: 3x2 para o Duff Beer. O goleiro campeão, Vinícius Barbosa, atribuiu esta conquista à união da equipe e segundo ele, o Duff Beer
irá “representar Resende Costa na Taça de Ouro em 2012”, já que o vencedor da Prata é obrigado a disputar o Ouro por dois anos e o vice-campeão, durante apenas uma temporada. O prefeito Adilson Resende esteve no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson e prestigiou a final: “O torneio acontece há 27 anos, é um dos maiores da região e muito importante para a cidade. O esporte é uma forma de entretenimento saudável e que ajuda na qualidade de vida. A Administração procura apoiar todos os esportes na cidade. É claro que precisamos melhorar, mas estamos atendendo o que nos é pedido na Prefeitura”. A grande novidade do Torneio de Futsal 2011 foi a adição da categoria Pré-Mirim. Mas, de acordo com José Rafael Pinto (em nome da comissão organizadora), muita coisa mudou este ano, como, por exemplo, a segurança reforçada nos dias finais e a presença da Polícia Militar todos os dias no Ginásio. Para Rafael, o Torneio de Futsal é o evento esportivo mais importante da cidade e as equipes da região preferem Resende Costa a outras cidades, devido à presença em massa do público. “Agradecemos à Prefeitura e Câmara Municipal, aos patrocinadores, à Polícia Militar e, principalmente, ao público, que prestigiou o evento durante o mês”, completa Rafael. E depois de muita correria dentro da quadra e muitas brincadeiras nas arquibancadas, o Torneio de Futsal 2011 terminou e vai deixar saudades, já que foi um dos mais emocionantes e disputados dos últimos anos. Que na próxima edição surjam novos craques, novas equipes, novos torcedores e mais emoções!
A equipe Duff Beer, que disputou o Torneio pela primeira vez, levantou o troféu da Taça de Prata
Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
O bolo sem graça A mãe era certinha, gostando de tudo no seu lugar. Com simplicidade, que as posses eram exíguas, mas com organização. Até os remendos nos shorts eram feitos com capricho, e nem pensar em ir com eles para festas, para a escola. Para a igreja, então, nem se fala! Mais execráveis que os remendos seriam os shorts. Onde já se viu entrar na Casa de Deus com calças curtas? O Todo Poderoso não receberia ladainhas de um menino com pernas de fora. Nenhuma voz mendicante, por mais gritada que fosse, entraria nos tímpanos de Deus. Ele seria um surdo perante pernas escandalosas. A mãe decidiu levar o filho naquela tarde à casa da Tia Graça. Uma visitinha de nada que versaria sobre coisas de escola. Dona Graça, que na verdade se chamava Maria das Graças, não era tia de ninguém, pelo menos de ninguém lá na casa do garoto. Mas e a mania que os aluninhos tinham de chamar as professoras de tias? Lembro-me de uma professora que chegou no primeiro dia de aula para todos nós, crianças encapetadas, e já foi logo berrando: “Aí de quem me chamar de tia! Tia, não, de jeito nenhum!”. Com olhos arregalados, pernas tremendo sob a imensa carteira, as mãos suando e sujando a brochurinha simples, fiquei olhando para a professora brava e já arrependido de ser aluno dela. Porém depois o tempo me ensinou a amar aquela braveza toda. Tia Graça era professora no Ribeirão de Santo Antônio, num grupo rural onde todos os irmãos do menino tinham estudado. Um ano antes, 1981, a irmã do guri, dois anos mais velha que ele, tinha cursado a 1ª série com a mestra. E agora, a mãe, sempre solícita com a educação dos filhos, iria resolver algumas pendências. A família humilde acabara de mudar-se e estava morando na entrada da Vila, numa rua com nome bonito, 1º de Maio, o mês das noivas. Hoje o nome é outro, o de um homem conhecido na cidade. Quando mudaram esse nome, o menino já adolescente ficou triste. Tristeza pela perda da poesia. Morando na cidade, outra escola, mais preocupações. A mãe queria pegar com a professora o boletim da filha. Quanto ao menino, ele ia entrando de penetra na história, pois nunca teve boletim, tinha acabado de completar sete anos e já estava borrando os shorts pelo tamanho medo de ter que enfrentar a escola, as lições, o alfabeto, os números. Teria que encarar tudo, aqueles hieróglifos que via indecifráveis nos cadernos e livros dos irmãos e que agora iriam entrar definitivamente na sua vida.
Só de ouvir a mãe chamando para o banho, dizendo que iriam à casa da dona Maria das Graças, ficou massacrado, encolhido no seu mundinho de medo. Banho tomado, roupa sem remendos assentada, um conga arrumadinho nos pés e com as meias três quartos combinando com tudo, lá se foi o garoto de mãos dadas com a mãe. Foi pensando que quem deveria cumprir aquele papel era a irmã, a folgadona que, ao invés de enfrentar a educadora, estava não se sabia onde. Na varanda da casa da professora, sentiu-se num outro mundo. Azulejos do chão até a metade da parede. Amava azulejos coloridos que enfeitavam as casas e as vidas. Desejava morar numa casa assim um dia, ataviada. Teve vontade de não ser bem comportado, de largar as mãos da mãe e se esparramar no chão tão frio, gostoso, bonito. Havia ali flores entre ramos. Folhas que se completavam de uma peça para outra, um mosaico perfeito para se olhar. Contudo ele não pôde fazer isso. As mãos maravilhosas da mãe o seguravam com pulso firme. Certinhas, as que despejavam um amor rijo, uma canga suave no pescoço de bezerro indomado. À mesa, a conversa foi se esticando. O menino ficou atento a tudo, apesar de não entender nada. Ficou de ouvidos abertos para ver se pronunciariam o seu nome, porque aí a coisa ficaria preta, pois aí já estariam planejando confiná-lo numa daquelas escolas tenebrosas, com corredores imensos e professores severos. De repente os olhos infantis brilharam mais do que uma estrela maior. Flamejaram ao virem pedaços dum bolo amarelo trazidos por Tia Graça. Cintilaram de um modo diferente, com mais fulgor do que quando viram os azulejos. Café servido numa xícara de louça, luxo para o menino que só usava copo americano, e a bandeja com as fatias amarelas chegou bem perto. Ele percebeu que dois pedaços estavam grudados. Olhou de soslaio as duas mulheres e, sonso, decidiu-se discretamente. Sua mão direita estendeu-se afoita, fingindo contenção. E eis que segurou o naco que trouxe o outro consigo. A mãe, de súbito, deu-lhe um tapinha no braço e rosnou “Que coisa feia, meu filho! Isso não se faz!”. A vontade de chorar tomou conta do garoto. Dona Graça amainou a situação, segurando o outro bocado do bolo e dizendo que não tinha sido culpa dele. Sua boca pequena e ávida foi comendo a iguaria, mas os olhos não comiam nada, mergulhados que ficaram num lago raso de vergonha.