Skip to main content

JornalCana 341 (Outubro/Novembro 2022)

Page 8

8

MERCADO

Outubro/Novembro 2022

ETANOL VERSUS HÍBRIDOS

Já temos tecnologia pronta para mover carro elétrico a partir do etanol Confira entrevista com Rubens Maciel Filho, um dos ‘pais’ do microrreator desenvolvido na Unicamp

Ele tem o tamanho de um smartp− hone e está prestes a revolucionar o universo da geração de hidrogênio a partir de fontes renováveis. Trata−se de reator químico com− pacto (microrreator). Em resumo, ele produz hidrogênio embarcado a par− tir de etanol dentro do veículo por meio de célula combustível e gera eletricidade para funcionar o motor. Tem mais: este processo já está em escala para uso e foi desenvolvido por pesquisadores do Laboratório de Oti−

mização, Projeto e Controle Avança− do (LOPCA) da Faculdade de Enge− nharia Química da Universidade de Campinas (FEQ Unicamp). Vale lembrar que o protótipo, cora− ção do sistema, tem apenas cinco centí− metros de comprimento. Devido a essas características, a eficiência e o controle das reações são melhoradas, quando comparadas aos reatores convencionais.

Destaques da tecnologia M i c ro r r e a t o r: reformador com

dimensões reduzidas, através do qual se alimenta com o etanol de um lado e se obtém o hidrogênio do outro. Qualidades: as reações químicas ocorrem em espaço confinado e tra− zem os benefícios de intensificação de processos, maximizando as transferên− cias de calor e massa e, portanto, pro− piciando altas conversões em tempo muito reduzido. Como é produzido: as placas que apresentam uma malha de microcanais

são feitas por impressão 3D em dispo− sitivos específicos para metais. Com o uso da manufatura aditiva em proces− sos de fabricação, permite−se o em− prego de softwares de otimização to− pológicas e design. Quantos micror reatores são pre− cisos para mover um veículo: depen− de das especificações. Para escalar até a potência que seja suficiente ao veícu− lo, multiplica−se o número de módu− los reacionais. Por que o etanol: é biocombus− tível produzido em larga escala no Brasil e, assim, já sabemos como ar− mazenar e manusear essa substância. Além disso, há infraestrutura nacio− nal de produção que gera empregos e renda. Redução de emissão de poluentes: é outra vantagem. Embora a reforma do etanol para obtenção do hidrogê− nio possa gerar uma quantidade de carbono no processo, essa emissão po− de ser zerada quando considerada to− da a cadeia agroindustrial.

“Já podemos entrar em escala comercial” dos veículos, inclusive pesados e de máquinas agrícolas.

Para saber mais sobre a tecnologia, JornalCana entrevista um dos ‘pais’ do microrreator, Rubens Maciel Filho, professor de Engenharia Química da Unicamp e coordenador do LOPCA.

Essa tecnolog ia pode acelerar o desenvolvimento de motores elétr icos híbr idos (a células a etanol) de cami− nhões e ônibus, também muito utili− zados pelo setor sucroenergético?= Esta tecnologia permite a ele− trificação dos veículos produzindo o hidrogênio no próprio veículo que é abastecido com etanol, e este hi− drogênio alimenta a célula de com− bustível. É uma forma eficiente de eletrifi− cação de toda a frota (carros leves, ca− minhões, ônibus e máquinas agríco− las) e, reforço, aproveitando a infraes− trutura de distribuição dos postos de combustíveis já existentes. Em conteúdo da Agência de Ino− vação da Unicamp (Inova), é citado que o etanol a ser adicionado no mi− crorreator não é o anidro e nem o hi− dratado, até por usar mais água.

Jor nalCana − Uma vez que já há protótipos do microreator e facilidade de produção dos reatores via 3D, é possível estimar em quanto tempo a tecnolog ia poder ia entrar no mercado brasileiro? Rubens Maciel Filho − A tecno− logia já está pronta para entrar no mercado brasileiro. Temos pleno do− mínio da tecnologia de impressão 3D em metais, polímeros e cerâmica e te− mos trabalhado neste assunto desde o ano 2000, quando ainda não se falava desta tecnologia. Portanto, já podemos entrar em escala de produção industrial. A tecnolog ia também pode ganhar o mercado inter nacional onde há produção de etanol? A tecnologia de manufatura tem interesse mundial e sua aplicação para produzir Hidrogênio a partir do eta− nol com certeza vai despertar interes− se em todo os países que produzem

etanol e mesmo naqueles que não produzem, mas podem comprá−lo. Será possível contribuir muito com a redução das emissões de CO2 e

se aproveitar da infraestrutura já exis− tente no Brasil e nos países que co− mercializam etanol para se obter uma forma muito eficiente de propulsão

E que o tanque terá, na verdade, n a c o m p a r a ç ã o c om o t a n q u e c o m eta nol convenciona l, apenas 5 0% porque os demais 50% serão de água. I s s o g e r a e co n o m i a e m e s ca l a p a r a


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
JornalCana 341 (Outubro/Novembro 2022) by ProCana Brasil - Issuu