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OJB EDIÇÃO 45 - ANO 2026

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ANO CXXV EDIÇÃO 45 DOMINGO, 08.11.2026

ISSN 1679-0189 ÓRGÃO OFICIAL DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA FUNDADO EM 1901

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CHAMADOS PARA SERVIR

DIA DO DIÁCONO BATISTA – SEGUNDO DOMINGO DE NOVEMBRO O ministério diaconal é expressão de amor, cuidado e compromisso com a Igreja de Cristo.

Reflexão

Reflexão

Notícias do Brasil Batista

Notícias do Brasil Batista

A jornada do líder

Estudo bíblico

Conexão MB

Multiplique 2026

Pr. Héber Aleixo explica que liderar também significa abrir mão do controle

Pr. Valtair Miranda fala da Bíblia Hebraica e o Antigo Testamento Protestante

Organização promove aproximação entre liderança nacional e lideranças estaduais

Pr. Fernando Brandão compartilha visão da CBB para os próximos anos durante CGM 2026

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págs. 08 e 09

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2 O JORNAL BATISTA Domingo, 08/11/26 EDITORIAL

REFLEXÃO

Diaconato: uma vocação que se expressa no serviço

Em Atos 6.3, encontramos referências importantes para “Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de a escolha daqueles que exerceriam responsabilidades de muitos” (Mc 10.45). serviço: homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria. Já emI1 Timóteo 3.8-13, o apóstolo Paulo O ministério diaconal ocupa um lugar importante na vida apresenta outras qualificações relacionadas à conduta, à da Igreja. Mais do que uma função ou posição eclesiástica, ser fidelidade e à maturidade daqueles que desempenham esse diácono representa o compromisso de servir a Deus e ao próxi- ministério. mo, contribuindo para o fortalecimento da comunidade cristã. Essas orientações demonstram que o serviço cristão A própria origem da palavra e a compreensão bíblica do exige coerência entre aquilo que se professa e a maneira ministério apontam para uma característica essencial: o como se vive. Não basta conhecer as responsabilidades serviço. Por isso, o exercício do diaconato não deve ser com- ministeriais; é necessário cultivar uma vida que testemunhe preendido como uma posição de destaque, mas como uma os valores do Evangelho. oportunidade de demonstrar, por meio de atitudes concretas, O diácono também é parte importante da construção o compromisso com os ensinamentos de Jesus Cristo. de relacionamentos saudáveis na igreja. Seu compromisso O documento Exame e Consagração ao Ministério Diaco- com a paz, a concórdia e o amor ao próximo contribui para nal, publicado pela Convenção Batista Brasileira, destaca que uma comunidade mais unida e preparada para cumprir sua a consagração de alguém ao diaconato acontece quando a missão. Igreja reconhece suas qualidades espirituais, morais, intelecNeste Dia do Diácono Batista, somos convidados a recotuais e teológicas, além de sua disposição para responder à nhecer aqueles que dedicam suas vidas ao serviço da Igreja. chamada divina para o desempenho dessa tarefa. Mais do que homenagear uma função, celebramos pessoas Essa compreensão nos ajuda a perceber que o ministério que compreenderam que servir é uma expressão da fé e uma diaconal começa muito antes de uma cerimônia de consa- maneira de seguir o exemplo de Cristo. gração. Ele é identificado no testemunho cristão, na particiO verdadeiro valor do ministério diaconal não está no pação na vida da igreja, no relacionamento com os irmãos reconhecimento recebido, mas na fidelidade com que cada e na disposição de contribuir para o bem da comunidade. pessoa responde ao chamado de servir. n

O JORNAL BATISTA Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso. Fundado em 10.01.1901 INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189 PUBLICAÇÃO DO CONSELHO GERAL DA CBB FUNDADOR W.E. Entzminger PRESIDENTE Raphael H. P. Abdalla DIRETOR GERAL Fernando Macedo Brandão SECRETÁRIO DE REDAÇÃO Estevão Júlio Cesario Roza (Reg. Profissional - MTB 0040247/RJ) CONSELHO EDITORIAL Francisco Bonato Pereira; Guilherme Gimenez; Othon Ávila; Sandra Natividade EMAILs Anúncios e assinaturas: jornalbatista@batistas.com Colaborações: decom@batistas.com REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA Caixa Postal 13334 CEP 20270-972

Rio de Janeiro - RJ Tel: (21) 2157-5557 Site: www.convencaobatista.com.br A direção é responsável, perante a lei, por todos os textos publicados. Perante a denominação Batista, as colaborações assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião do Jornal. DIRETORES HISTÓRICOS W.E. Entzminger, fundador (1901 a 1919); A.B. Detter (1904 e 1907); S.L. Watson (1920 a 1925); Theodoro Rodrigues Teixeira (1925 a 1940); Moisés Silveira (1940 a 1946); Almir Gonçalves (1946 a 1964); José dos Reis Pereira (1964 a 1988); Nilson Dimarzio (1988 a 1995) e Salovi Bernardo (1995 a 2002) INTERINOS HISTÓRICOS Zacarias Taylor (1904); A.L. Dunstan (1907); Salomão Ginsburg (1913 a 1914); L.T. Hites (1921 a 1922); e A.B. Christie (1923). ARTE: Oliverartelucas


REFLEXÃO

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A jornada do líder: quando liderar significa abrir mão do controle Heber Aleixo

pastor da Igreja Batista Vida - DF e diretor-Executivo da Lifeshape Brasil

Nos primeiros artigos desta série, refletimos que a liderança começa dentro de nós e se revela na maneira como servimos às pessoas. Agora, a jornada avança para um dos desafios mais difíceis de todo líder: reconhecer que não fomos chamados para fazer tudo sozinhos. Muitos líderes começam assumindo responsabilidades porque possuem disposição, competência e senso de missão. Entretanto, com o passar do tempo, aquilo que nasceu como compromisso pode transformar-se em centralização. O líder passa a acreditar que tudo depende dele, que ninguém fará com a mesma qualidade ou que delegar significa perder o controle. A centralização nem sempre nasce da arrogância. Às vezes, nasce do medo. Medo de que algo dê errado, de que outra pessoa não corresponda às expectativas ou de que nossa participação deixe de ser considerada indispensável. Entretanto, quando tudo depende de uma única pessoa, a liderança deixa de ser multiplicadora e torna-se um obstáculo para o crescimento. Moisés enfrentou esse perigo. Depois de conduzir o povo de Israel para fora do Egito, tornou-se a principal referência para todas as decisões. Desde a manhã até a tarde, as pessoas permaneciam ao seu redor esperando que ele julgasse suas questões. Ao observar aquela situação, Jetro, seu sogro, perguntou: “Que é isto que você está fazendo com o povo? Por que você fica aí sentado sozinho, enquanto todo este povo o rodeia desde a manhã até a tarde?” (Êx 18.14). Moisés apresentou uma resposta que parecia muito espiritual: o povo o procurava para buscar a vontade de Deus. Ele ensinava os decretos do Senhor e resolvia as questões que surgiam. O problema não estava no que ele fazia, mas na maneira como havia estruturado sua liderança. Jetro respondeu com clareza: “O que você está fazendo não é bom. Você e o seu povo ficarão esgotados, pois esta tarefa lhe é pesada demais. Você não pode executá-la sozinho” (Êx 18.17-18). Essa é uma advertência que muitos líderes precisam ouvir: nem tudo aquilo que fazemos com sinceridade e boa intenção está sendo realizado de maneira saudável. Moisés estava servindo, mas seu modelo de serviço produzia esgotamento. Ele estava atendendo o povo, mas também criava dependência. Enquanto todas as decisões precisassem passar por ele, outras pessoas não teriam oportunidade de crescer, assumir responsabilidades e desenvolver seus dons. Jetro não aconselhou Moisés a abandonar sua missão. Orientou-o a concentrar-se naquilo que somente ele poderia fazer e a escolher pessoas capazes, tementes a Deus, confiáveis e íntegras para compartilhar as responsabilidades. Abrir mão do controle não significa abrir mão da liderança. Significa exercer a liderança de forma mais madura. Delegar também não é simplesmente distribuir tarefas

que não queremos realizar. É confiar responsabilidades, oferecer clareza, acompanhar o desenvolvimento e permitir que outras pessoas participem verdadeiramente da missão. Quando delegamos apenas tarefas, formamos ajudantes. Quando compartilhamos responsabilidade, formamos líderes. Um líder inseguro sente-se ameaçado pelo crescimento das pessoas. Um líder saudável alegra-se quando aqueles que caminham com ele amadurecem, assumem novas responsabilidades e, em algumas áreas, tornam-se até melhores do que ele. Jesus também demonstrou esse princípio. Ele poderia ter realizado seu ministério sem a participação dos discípulos. Contudo, escolheu chamá-los, ensiná-los, caminhar com eles e enviá-los. Permitiu que tentassem, falhassem, aprendessem e amadurecessem. Cristo não formou pessoas para permanecerem eternamente dependentes de sua presença física. Ele as preparou para continuar a missão. Paulo apresenta a mesma compreensão ao ensinar que líderes foram concedidos à Igreja “com o fim de preparar os santos para a obra do ministério” (Efésios 4.12). A função do líder cristão não é realizar sozinho todo o trabalho, mas capacitar o povo de Deus para que cada pessoa cumpra sua parte. Na Jornada do Líder que desenvolvemos na Lifeshape Brasil, entendemos que, depois de aprender a liderar a si mesmo e a servir outras pessoas, o líder precisa aprender a construir equipes. Isso exige confiança, comunicação, clareza e responsabilidade compartilhada. Equipes saudáveis não são formadas por pessoas que apenas executam as ordens de alguém. São comunidades nas quais diferentes dons trabalham em unidade, pessoas são desenvolvidas e todos compreendem como sua contribuição coopera para uma missão maior. Talvez seja necessário perguntar: o que ainda está centralizado em mim? Quais responsabilidades poderiam ser compartilhadas? Estou formando pessoas ou apenas utilizando sua ajuda? Minha equipe possui liberdade para tomar decisões ou precisa da minha aprovação para tudo? Também precisamos perguntar com sinceridade: se outra pessoa realizar uma tarefa melhor do que eu, ficarei feliz ou ameaçado? A obra de Deus nunca dependeu de uma única pessoa. Ela pertence ao Senhor, que distribui dons, levanta pessoas e nos concede o privilégio de cooperar com aquilo que Ele está realizando. Moisés não se tornou menos importante quando compartilhou responsabilidades. Pelo contrário, sua liderança tornou-se mais saudável, o povo foi mais bem cuidado e novos líderes tiveram a oportunidade de servir. O verdadeiro líder não utiliza pessoas para ampliar sua própria influência. Ele utiliza sua influência para ampliar a capacidade das pessoas. Liderar é servir. E, algumas vezes, a melhor maneira de servir é sair do centro, confiar em outras pessoas e ajudá-las a ocupar o espaço para o qual Deus também as chamou. n


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REFLEXÃO

A Bíblia Hebraica e o Antigo Testamento Protestante Valtair A. Miranda Quando abrimos a nossa Bíblia, o Antigo Testamento sempre termina com o profeta Malaquias. Essa ordem parece tão natural que raramente nos perguntamos se sempre foi assim. No entanto, quem pega uma Bíblia hebraica nas mãos descobre logo uma surpresa: embora ela contenha rigorosamente os mesmos textos do nosso Antigo Testamento protestante, a ordem dos livros é completamente diferente. Lá, o último livro não é Malaquias, mas Crônicas. Por que essa diferença existe e de que maneira ela nos ajuda a entender melhor a história do texto bíblico? A Bíblia hebraica tem 24 livros agrupados em três categorias distintas: Torá (a Lei), Nebiim (os Profetas) e Ketubim (os Escritos). A primeira divisão é a Torá, formada pelos primeiros cinco livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. A segunda é a dos Nebiim, dividida em dois blocos: os Primeiros Profetas, que reúne Josué, Juízes, Samuel e Reis; e os Profetas Posteriores, composto pelas obras de Isaías, Jeremias, Ezequiel e o livro dos Doze, que reúne os doze profetas menores em um único rolo. A terceira seção é a dos Ketubim, subdividida em três grupos: os livros Poéticos (Salmos, Provérbios e Jó); os Cinco Rolos, lidos em festas religiosas (Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes e Ester); e os Restantes, que incluem Daniel, a obra conjunta Esdras-Neemias e o livro de Crônicas. Esses mesmos textos formam o nosso Antigo Testamento protestante, mas organizados a partir de gêneros literários: livros narrativos, poéticos e proféticos. Os livros narrativos somam dezessete obras: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, 1Samuel, 2Samuel, 1Reis, 2Reis, 1Crônicas, 2Crônicas, Esdras, Neemias e Ester. Em seguida vêm os cinco livros poéticos: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos. Por fim, temos os dezessete livros proféticos, divididos entre os Profetas Maiores (Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel e Daniel) e os doze Profetas Menores (Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias). Ao compararmos essas duas formas de organização, encontramos algumas diferenças bem claras: • Os 24 livros da Escritura hebraica (às vezes contados como 22 por causa de junções antigas) foram reorganizados pelas primeiras igrejas e se transformaram nos 39 livros do nosso Antigo Testamento; • O livro dos Doze, que era um rolo só para evitar a perda de manuscritos pequenos, foi separado em doze livros indi-

viduais, de Oseias a Malaquias; • Samuel, Reis e Crônicas eram livros únicos e foram divididos em duas partes cada: 1 e 2Samuel, 1 e 2Reis e 1 e 2Crônicas; • Esdras-Neemias, que formava uma só obra, foi repartido em dois livros distintos: Esdras e Neemias. Há também uma mudança na maneira de enxergar as narrativas. A Bíblia hebraica coloca Josué, Juízes, Samuel e Reis entre os livros proféticos, chamando-os de Primeiros Profetas. Isso acontecia porque os hebreus entendiam a história como o palco onde Deus fala e julga por meio de seus profetas. Já no Antigo Testamento protestante, influenciado pela tradução grega Septuaginta, esses livros passaram a ser vistos como relatos narrativos. Em termos de conteúdo, o Antigo Testamento protestante é exatamente igual à Bíblia hebraica. A diferença está apenas na forma como os textos foram arrumados e divididos. Já a Bíblia católica inclui outros escritos que não estão na Bíblia hebraica: Tobias, Judite, 1 e 2Macabeus, Sabedoria, Sirácida e Baruque, além de acréscimos em Ester e Daniel. A ordem da Bíblia hebraica não foi montada por ordem cronológica nem por temas. O que ela reflete é o próprio caminho histórico de reconhecimento desses textos pelo povo judeu. A Torá foi a primeira coleção aceita como Escritura Sagrada. Logo depois vieram os Primeiros Profetas e os Profetas Posteriores. A última parte a entrar no cânon foi a seção dos Escritos, que no início servia para leitura devocional e comunitária antes de ser plenamente integrada. No primeiro século, esse conjunto já estava fechado e reconhecido por todos. O historiador judeu Flávio Josefo (37-100 d.C.) testemunha disso ao falar das Escrituras: “Pois se bem que tão grande intervalo de tempo já decorreu, nenhuma alma se aventurou já a acrescentar ou a retirar, ou a alterar uma sílaba; e é instinto de todo judeu, desde o dia de seu nascimento, considerá-las como o ensino de Deus, permanecer nelas, e, se preciso for, alegremente dar a sua vida em favor delas.” Essa citação de Josefo mostra algo fundamental: os livros não ganharam autoridade porque alguém resolveu reuni-los em uma lista. Eles entraram no cânon justamente porque o povo já reconhecia neles a autoridade do próprio Deus falando. É por isso que, diante de tantas discussões, o jeito mais consistente de estudar a Bíblia é seguir a sua própria organização. Ao fazermos isso, nós não apenas respeitamos a forma como esses textos foram reconhecidos ao longo do tempo, mas também recuperamos o próprio ambiente bíblico no qual Jesus e os apóstolos leram, pregaram e viveram as Escrituras. n


REFLEXÃO

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O teólogo contemporâneo e os desafios da educação teológica Vagner Viana da Graça

doutor em Ensino, bacharel em Direito, especialista em Direito Educacional

A educação teológica é essencial para a formação daqueles que se dedicam ao conhecimento das Escrituras e ao serviço cristão. Entretanto, essa formação não deve se limitar ao aprendizado de conteúdos transmitidos em livros ou salas de aula, pois também envolve as experiências adquiridas na vivência da Igreja, no relacionamento com as pessoas e no contato com os diferentes desafios da sociedade. Nesse sentido, é importante compreender que os teólogos não apenas recebem conhecimentos durante sua formação, mas também desenvolvem saberes a partir de suas próprias experiências e das atividades que realizam diariamente. Esses conhecimentos são importantes porque os teólogos desempenham um papel significativo na vida da Igreja e na orientação de suas comunidades. Por isso, refletir sobre a educação teológica exige considerar não somente aquilo que esses profissionais aprendem nas instituições de ensino, mas também o que constroem por meio de sua atuação junto à comunidade cristã e à sociedade em que estão inseridos. Essa compreensão nos leva a questionar uma visão tradicional segundo a qual o conhecimento teológico pertence exclusivamente ao campo da teoria, enquanto a prática seria apenas uma oportunidade de aplicar aquilo que foi aprendido nas faculdades. Nessa perspectiva, o teólogo acaba sendo visto como alguém que reproduz conhecimentos já estabelecidos, sem participar diretamente de sua construção. Entretanto, a realidade demonstra que o exercício do trabalho teológico também envolve reflexão, aprendizado, produção de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades. O teólogo não atua de maneira isolada, pois sua formação e sua prática são influenciadas pelas experiências pessoais, pelas relações com outras pessoas e pelas situações que enfrenta em seu cotidiano. Assim, a educação teológica precisa reconhecer que cada estudante chega à faculdade trazendo consigo uma história, experiências e conhecimentos que não podem ser simplesmente desconsiderados. A formação não acontece a partir do zero, tampouco deve se apoiar na ideia de que todos os conhecimentos já estão prontos e não podem ser questionados. Pelo contrário, aprender teologia também significa desenvolver a capacidade de pensar, refletir e construir conhecimentos a partir do diálogo entre os conteúdos estudados e as experiências vividas.

Diante disso, surge uma questão importante: como oferecer uma educação teológica que considere a realidade e as experiências daqueles que estão sendo preparados para atuar na Igreja e na sociedade? Uma possibilidade é compreender que o ensino dos conteúdos bíblicos e teológicos precisa caminhar junto com a capacidade de analisar criticamente o mundo ao nosso redor. Não basta transmitir informações, assim como não é suficiente incentivar reflexões que estejam distantes dos fundamentos teológicos. É necessário aproximar essas duas dimensões, permitindo que o estudante aprenda os conteúdos e, ao mesmo tempo, desenvolva a capacidade de pensar sobre sua aplicação na realidade. Afinal, os problemas sociais, culturais e humanos também fazem parte do contexto em que a Igreja está inserida e não podem ser ignorados na formação teológica. Por essa razão, a educação teológica contemporânea precisa valorizar tanto o conhecimento adquirido nos estudos quanto as experiências que os estudantes trazem de sua caminhada cristã e de sua convivência social. Isso significa superar um modelo de ensino baseado apenas na repetição de conteúdos e incentivar uma formação que desperte perguntas, provoque reflexões e ajude os futuros teólogos a compreenderem que a realidade não é imutável. O mundo está em constante transformação, e os conhecimentos adquiridos na formação teológica devem contribuir para que esses profissionais participem conscientemente desse processo, buscando mudanças que estejam de acordo com os princípios cristãos. Essa proposta encontra fundamento na orientação bíblica de Romanos 12:2: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. A passagem nos convida a não aceitar passivamente os padrões deste mundo, mas a buscar uma transformação que começa pela renovação da maneira de pensar. Da mesma forma, a educação teológica deve contribuir para formar pessoas que não apenas conheçam as Escrituras, mas que sejam capazes de refletir sobre elas, compreender a realidade em que vivem e agir de maneira consciente diante dos desafios de seu tempo. Portanto, formar teólogos para o século XXI exige mais do que transmitir conhecimentos: exige preparar pessoas capazes de unir fé, conhecimento e prática, colocando sua formação a serviço da Igreja, da sociedade e da vontade de Deus. n


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REFLEXÃO

As qualificações de um diácono: caráter, fé e testemunho

Artigo produzido com base no documento Exame e Consagração ao Ministério Diaconal, da Convenção Batista Brasileira “Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância” (I Tm 3.8). Quando uma Igreja escolhe alguém para exercer o ministério diaconal, não está simplesmente preenchendo uma função em sua estrutura organizacional. Está reconhecendo uma trajetória cristã e identificando em determinada pessoa características necessárias para o exercício de uma importante responsabilidade espiritual. A Bíblia apresenta orientações claras sobre as qualificações daqueles que desempenham esse ministério. Em Atos 6.3, encontramos três referências fundamentais: boa reputação, plenitude do Espírito Santo e sabedoria. Em 1 Timóteo 3.8-13, o apóstolo Paulo amplia essa compreensão, apresentando características relacionadas à conduta pessoal, à fidelidade, à família e à maturidade cristã. O documento Exame e Consagração ao Ministério Diaconal, da Convenção Batista Brasileira, também destaca esses princípios ao orientar as Igrejas no processo de identificação e preparação de novos diáconos. Entre os critérios apresentados estão a honestidade, a moderação, a responsabilidade, a fidelidade em todas as coisas e o cuidado com as palavras. O candidato também deve demonstrar maturidade na fé, participação nas atividades da igreja, compromisso com a vida familiar cristã e disposição para promover a paz e a concórdia na comunidade.

Essas características revelam que o ministério diaconal não pode ser reduzido à execução de tarefas. Ele envolve uma postura permanente diante de Deus, da família, da Igreja e da sociedade. Outro aspecto importante é o relacionamento pessoal. O amor ao próximo e a ética aparecem entre as áreas consideradas no exame dos candidatos ao diaconato. Isso reforça que o conhecimento bíblico e doutrinário precisa estar acompanhado de uma conduta coerente com os princípios do Evangelho. A preparação também exige conhecimento. O documento orienta que os candidatos sejam examinados em temas como as Escrituras Sagradas, a doutrina cristã, a salvação, a Igreja, a liberdade religiosa, o ministério do serviço, o batismo, a Ceia do Senhor, a mordomia cristã, a evangelização e missões. Além disso, é importante conhecer a identidade batista, sua Declaração Doutrinária, o Pacto das Igrejas Batistas, os Princípios Batistas e a história dos batistas. Essa combinação entre caráter e conhecimento demonstra que a responsabilidade diaconal exige preparo integral. A igreja precisa reconhecer pessoas que não apenas compreendam a importância do serviço, mas estejam dispostas a vivê-lo com fidelidade. Neste Dia do Diácono Batista, a reflexão também alcança toda a comunidade. Afinal, as qualidades esperadas daqueles que exercem o diaconato apontam para valores que devem estar presentes na vida de todos os cristãos. Uma igreja saudável reconhece que o ministério diaconal começa no caráter de quem serve e se manifesta na maneira como essa pessoa vive a sua fé. n


MISSÕES NACIONAIS

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O Impacto Brasil alcançou a Amazônia!

Andressa Neves

Missionária em Iranduba - Amazônia

No dia 10 de outubro, vivemos um dia especial de evangelização por meio do Impacto Brasil em Iranduba, cidade do interior do Amazonas, que mobilizou a igreja para compartilhar o amor de Deus e anunciar o Evangelho à comunidade. A programação contou com evangelismo infantil e ações nas ruas, alcançando pessoas de diferentes idades. Enquanto as crianças ouviam sobre o amor de Jesus, os irmãos saíam ao encontro dos moradores, conversando, compartilhando a mensagem da salvação e apresentando a esperança que há em Cristo. O Impacto Brasil foi uma oportunidade de colocar em prática o chamado de Jesus para fazer discípulos e proclamar as Boas Novas da salvação. Cada conversa, palavra de encorajamento e cada oportunidade de compartilhar o Evangelho representou uma semente plantada no coração de alguém. Esse tempo nos lembrou que a missão da igreja não se limita às paredes do templo, mas acontece onde as pessoas estão, em meio à realidade da comunidade. Oramos para que as sementes plantadas durante o Impacto Brasil germinem e produzam frutos, conduzindo cada

pessoa alcançada a conhecer verdadeiramente Jesus Cristo. A missão continua mesmo após o encerramento das atividades, pois ainda há vidas que precisam ouvir a mensagem da cruz e uma cidade inteira que necessita conhecer o Evangelho. Que o Impacto Brasil fortaleça em nós a convicção de que somos testemunhas de Cristo onde quer que estejamos, para que Seu nome seja conhecido e glorificado. n


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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA


NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

Trupe da Alegria - o show da vida com Jesus

É com grande alegria que vos trago uma excelente entrevista com nossa querida irmã Zuleika Antunes, uma artista de Cristo, que, com destreza e maestria, vem servindo a Deus com seus dons e talentos. Nos conhecemos por ocasião do segundo Congresso Nacional de Capelania escolar em Sumaré, onde estivemos como preletores no campo artístico. RM - Minha querida irmã, nos fale sobre a sua pessoa. ZA - Me chamo Zuleika Antunes, tenho atualmente 62 anos. Sou casada com Luiz Vital há 42 anos, temos três filhos, três noras e três netos! Estudei numa escola pública, numa comunidade em Duque de Caxias - RJ, e aos seis anos de idade, numa aula de Artes da Prof. Edwirges, fui impactada por uma aula em que a professora usou um “dedoxe” RM - O impacto artístico influenciou na sua decisão propara aplicar o conteúdo. Este pequeno boneco marcou a fissional? minha história. ZA - Minha formação não podia ser diferente: Educação Física e Teologia; pós-graduada em Arte e Cultura e Gestão RM - Como nasceu seu amor pela arte? de Projetos Culturais. Missionária desde os 15 anos, fundei ZA - A professora cristã aplicava conteúdos com esse re- a Caravana da Alegria e a Trupe da Alegria, Arte e Missão. curso e encantou meu coração. Eu comecei a usar o boneco Desde minha conversão, sempre servimos à Igreja na área das em sala de aula e, em pouco tempo, ainda com sete anos, artes, eventos e com capacitação e treinamentos de jovens e contava histórias clássicas para meus colegas de turma. adultos para servirem com excelência e disciplina ao Senhor. Assim começou minha história com as Artes. Dirigi peças de teatro, feiras e encontros em minha escola. RM - Como foi o surgimento da Trupe da Alegria? ZA - A Trupe da Alegria surgiu da necessidade de levar às RM - Com que idade encontrou Jesus? comunidades e crianças um espetáculo atraente, dinâmico e ZA - Me encontrei com Jesus aos 15 anos e conheci o transformador, que pudesse dialogar com o público de forma Criador e Sustentador de toda Beleza, pois Ele é o Belo e simples, porém verdadeiramente, apresentando o Evangelho Formoso, então tudo fez sentido para mim. Transformador de Cristo. Pensando assim, escrevemos em 1998, Os Três Porquinhos, baseado no texto bíblico de Mateus 7.24-27. Esta história impactou muitas famílias ao longo dos anos, em nosso estado e em vários outros através de viagens missionárias. Muitos outros textos foram escritos também, ao longo destes 37 anos: Amigo Estou Aqui, Quem Está no Controle, Ohana e O Poder do Amor, além de muitos esquetes, monólogos, pantomimas, festivais e feiras, tudo para alcançar pessoas para Cristo e com base na Palavra do Senhor. RM - Qual a missão principal da Trupe? ZA - A Trupe da Alegria Arte e Missão tem a missão de entregar Arte com Alegria e Amor nas comunidades, em parceria com Igrejas locais, e nas escolas, apoiando capelães


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em suas atividades e transformando o ambiente escolar. Somos todos voluntários, membros de Igrejas evangélicas e servos do Senhor, cheios do Espírito Santo e amor por vidas. Estamos há 13 anos servindo com alegria a todas as pessoas, em todos os lugares, por meio da arte, com o objetivo de salvar alguns. Fazemos tudo por causa do Evangelho. RM - Como podemos orar por vocês? Quais são os desafios? ZA - Como todo ministério evangelístico, temos muita necessidade de “trabalhadores”, com a missão na veia, preparados para “toda boa obra”. Oramos por servos para servir, que sejam comprometidos com a Missão e, sobretudo, com o dono da Missão. Oramos por sustento e provisão, para que possamos ir além, realizando a missão com coragem

e fé. Nosso estado do Rio de Janeiro precisa que a Igreja vá às comunidades, escolas, praças etc. Por isso, estamos em campanha financeira para adquirirmos uma van para o ministério. O custo de locação de transporte para nós é muito alto, e este tem sido um grande desafio de fé. O que fazemos não tem preço, portanto, não cobramos pelo evento que realizamos, seja nas escolas ou no apoio às Igrejas. Contudo, recebemos ofertas e apoio no transporte da equipe e do material cenográfico. Orem por estes desafios. RM - Como podemos convidar a Trupe da Alegria? ZA - Para convidar a Trupe da Alegria, é necessário entrar em contato conosco através das redes sociais e pelo e-mail trupedaalegria.oficial@gmail.com, com a proposta de evangelização da Igreja para a comunidade. A demanda é muito grande, por isso atendemos a convites que tenham propostas para a comunidade ao redor do templo. Não realizamos EBF’s ou convites para apresentações dentro dos templos, a não ser em casos específicos, clima e circunstâncias adversas. A Coluna de Arte e Cultura existe para despertar, capacitar, conectar e promover a arte cristã e a nossa família de artistas comprometidos com Jesus e seu campo missionário. Estamos abertos para conhecer mais testemunhos e histórias impactantes. Escrevam para nossa coluna e vamos contar para todos, da alegria que é, servir a Deus com nossos dons e talentos. n Arte e Cultura CBB Pr. Roberto Maranhão Ministro de Arte e Esporte Internacional marapuppet@hotmail.com WhatsApp: (31) 995305870


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MISSÕES MUNDIAIS

Além das fronteiras: o trabalho da Inteligência Missionária de Missões Mundiais

Acompanhar acontecimentos internacionais, compreender seus possíveis desdobramentos e identificar riscos para os missionários faz parte de um trabalho que acontece diariamente em Missões Mundiais. Em 23 de outubro, um ataque a tiros durante um funeral em uma igreja ortodoxa na província de Karak, no sul da Jordânia, deixou nove mortos e dezenas de feridos. Três dias depois, o governo jordaniano bombardeou alvos no sul da Síria, afirmando atingir esconderijos de grupos que classificou como terroristas. A ação gerou tensão entre os dois países. O episódio é um exemplo dos acontecimentos acompanhados pelo setor, que busca identificar ameaças, vulnerabilidades e oportunidades e contribuir para decisões mais conscientes e responsáveis. Para entender essa atuação e os possíveis impactos do conflito sobre o trabalho missionário, conversamos com o Pr. Daniel Moulié, líder global de Inteligência Missionária, e com Maria Luiza Ruiz, analista do setor. 1. O que chamou a atenção nesse atentado e como ele se relaciona com os bombardeios na Síria? Maria Luiza: O atentado chocou porque a Jordânia é um país tradicionalmente mais estável na região. Isso porque grupos extremistas podem agir em um país e man-

ter bases ou redes de apoio do outro lado da fronteira. É como se a polícia concluísse que os responsáveis por um crime no seu bairro se escondem no bairro vizinho: prender os suspeitos não bastaria. Por isso, em 26 de outubro, a Jordânia bombardeou as províncias sírias de Daraa e Suwayda. Mas há um ponto que pede cautela: nenhum grupo assumiu o atentado. Até agora, não foi apresentada publicamente uma prova que ligue os autores do ataque aos alvos bombardeados. 2. Um ataque a uma igreja significa sempre perseguição religiosa? Maria Luiza: É comum associar automaticamente a violência contra vítimas cristãs à perseguição religiosa, especialmente em contextos como o Oriente Médio. Um ataque pode apresentar motivação religiosa sem necessariamente demonstrar a existência de uma campanha sistemática de perseguição contra todo um grupo. A escolha de uma igreja durante um funeral pode representar tanto uma seleção simbólica de alvo, associada à identidade religiosa da comunidade, quanto uma oportunidade de atingir muitas pessoas e ampliar a repercussão do ataque. Portanto, embora não se deva descartar a motivação


MISSÕES MUNDIAIS

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religiosa, o ataque, considerado isoladamente, não per- atividades, evitar determinadas localidades ou, em situamite concluir que exista uma campanha sistemática de ções mais graves, avaliar a necessidade de suspender perseguição contra os cristãos na Jordânia. temporariamente alguma ação. É importante compreender que nosso objetivo não é 3. Quando acontece algo como o ataque à igreja na simplesmente retirar missionários de regiões consideJordânia, qual é a primeira ação de Missões Mundiais? radas perigosas. Muitas vezes, são justamente esses Pr. Daniel: Nossa primeira preocupação é compreen- lugares que apresentam grandes necessidades de tesder o que está acontecendo e avaliar se existe alguma temunho cristão. ameaça à segurança dos nossos missionários ou à conPor isso, buscamos contribuir para que os missionátinuidade dos trabalhos missionários naquela região. rios possam desenvolver suas atividades com a maior Para isso, a Inteligência Missionária acompanha as segurança possível. A segurança não é um fim em si informações disponíveis, verifica a confiabilidade das mesma, mas um instrumento a serviço da continuidade fontes e analisa os possíveis desdobramentos do acon- da missão. tecimento. Não observamos apenas o episódio isoladamente, mas procuramos compreender o contexto político, 6. O que a Inteligência Missionária vai acompanhar social e religioso em que ele ocorre e como poderá evoluir. daqui para frente nessa situação? A partir dessa análise, produzimos informações que Maria Luiza: O ponto principal é saber se Jordânia e subsidiam as decisões da liderança de Missões Mundiais. Síria vão conseguir resolver suas diferenças e trabalhar Dependendo da gravidade e dos possíveis impactos, a juntas na segurança da fronteira. E há sinais que indicasituação é encaminhada à Diretoria, para avaliação e riam piora: novas incursões militares, mais vítimas civis definição das medidas necessárias. e restrições prolongadas à circulação na fronteira. É importante destacar que não precisamos esperar Também monitoramos a atuação de grupos extremisuma crise atingir diretamente nossos missionários para tas no sul da Síria, incluindo possíveis conexões transcomeçar a agir. Nosso trabalho também é preventivo, fronteiriças e ameaças a comunidades cristãs e locais pois buscamos identificar ameaças e antecipar possíveis de culto. Essas análises da área são combinadas com o consequências, permitindo, assim, que a organização monitoramento e checagem dos missionários na região, tome decisões de maneira responsável. gerando relatórios analíticos e informes situacionais conforme as alterações no caso 4. Por que a Missões Mundiais decidiu ter um setor dedicado à Inteligência Missionária? 7. Por que é importante que a igreja brasileira saiba Pr. Daniel: Missões Mundiais atua em diferentes que esse trabalho existe? contextos ao redor do mundo, inclusive em regiões de Pr. Daniel: Porque cada missionário enviado represenconflitos, instabilidade política e restrições à liberdade ta o compromisso das igrejas batistas com o cumprimenreligiosa. Diante dessa realidade, não basta apenas reato da Grande Comissão. E esse compromisso não termigir aos acontecimentos. Precisamos compreender os cenários, acompanhar suas transformações e antecipar na quando o missionário chega ao campo. Ele também situações que possam comprometer a segurança dos envolve cuidado, acompanhamento e responsabilidade. Ao conhecer o trabalho da Inteligência Missionária, a nossos missionários e a continuidade dos projetos. igreja compreende que Missões Mundiais não se preoA Inteligência Missionária existe justamente para cupa apenas em enviar missionários, mas também em transformar informações em conhecimento que auxilie a liderança na tomada de decisões. Isso envolve identificar oferecer condições para que permaneçam, desenvolvam ameaças e vulnerabilidades, mas também reconhecer seus ministérios e enfrentem os desafios próprios de cada contexto. tendências e oportunidades para o avanço da missão. Esse conhecimento também ajuda nossas igrejas a Nosso propósito não é eliminar todos os riscos, algo compreenderem melhor a realidade mundial e a interceimpossível na atividade missionária, mas contribuir para derem de maneira mais consciente pelos missionários, que as decisões sejam tomadas com maior responsabipelas comunidades cristãs e pelos povos que enfrentam lidade, conhecimento e discernimento. Entendemos que conflitos, perseguição e outras situações de vulnerabia fé e a prudência caminham juntas no cumprimento da lidade. missão que Deus confiou à sua igreja. Queremos que as igrejas brasileiras tenham a con5. Na prática, o que muda para os missionários no fiança de que, enquanto elas oram, contribuem e enviam, existe uma organização comprometida em acompanhar campo quando o setor identifica um risco como esse? Pr. Daniel: O principal benefício é que nossos missio- os desafios do mundo e cuidar daqueles que estão sernários passam a contar com informações e orientações vindo nos campos missionários. que os ajudam a compreender melhor o ambiente em Para acompanhar mais informações sobre o trabalho que estão inseridos e a tomar decisões mais seguras. Dependendo da natureza e da gravidade da amea- de Missões Mundiais entre as nações, acesse missoesça, isso pode resultar em recomendações para reforçar mundiais.com.br e siga nosso perfil no Instagram: @mismedidas de segurança, rever deslocamentos, adaptar soesmundiais. n


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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

Pr. Fernando Brandão destaca missão e formação cristã entre os Batistas Diretor-executivo da CBB reforçou a importância da unidade, da educação cristã e da formação de líderes durante a Conferência Global Multiplique 2026. Estevão Júlio

jornalista na Convenção Batista Brasileira

A Conferência Global Multiplique 2026 foi realizada de 03 a 06 de novembro, no Centro de Convenções DiRoma, em Caldas Novas - GO. Com o tema “FORJADOS - o ferreiro, o fogo e a bigorna”, o encontro reuniu mais de dois mil líderes de todo o Brasil. Pr. Fernando Brandão e outros líderes da CBB participaram da CGM 2026 A Convenção Batista Brasileira (CBB) foi representada pelo pastor Fernando Brandão, diretor-executivo, Elana Ramiro, gerente de Edu- lias no discipulado das novas gerações. Para o pastor, os cação Cristã e outros líderes. A Convicção Editora também pais são os primeiros responsáveis por conduzir os filhos marcou presença, com um estande em funcionamento du- a Jesus e ensinar a Palavra de Deus no ambiente familiar, rante a programação. enquanto a Igreja complementa esse processo por meio da Na noite de 04 de novembro, o pastor Fernando Brandão educação cristã. compartilhou uma mensagem sobre a identidade histórica O executivo da CBB também reforçou que a cooperação dos batistas brasileiros e os caminhos para o fortalecimento é parte essencial da identidade Batista. Ele lembrou que as da denominação. Com ênfase na cooperação, na unidade e Igrejas são autônomas, mas escolheram caminhar juntas e no compromisso missionário, ele destacou que todas as es- ser interdependentes para cumprir a missão. Nesse sentido, truturas e organizações Batistas existem com um propósito alertou sobre os riscos do isolamento e da falta de unidade central: alcançar pessoas com o Evangelho de Cristo Jesus. entre igrejas e organizações. Ao recordar a trajetória dos Batistas no Brasil, ele desAo falar sobre o papel da Igreja na sociedade, destacou tacou o legado dos pioneiros que, mesmo diante de gran- que sua razão de existir não está em disputas políticas des dificuldades, dedicaram suas vidas à evangelização ou ideológicas, mas em Jesus Cristo e na proclamação do e à plantação de Igrejas. Ele relembrou a organização da Evangelho. “Quem nos une é a cruz”, afirmou, ressaltando Convenção Batista Brasileira, em 1907, quando o trabalho que diferenças de opiniões não devem comprometer a coBatista reunia aproximadamente quatro mil membros, 83 munhão entre os irmãos. Igrejas em nove estados. A criação de seminários, escolas, Durante a mensagem, apresentou também o compromisjuntas missionárias e outras organizações foi apresentada so da CBB com a formação de uma nova geração de pastores, como resultado da visão de unir esforços para ampliar o educadores, missionários e ministros de adoração. O trabaalcance do Evangelho. “O resultado não era plantar Igreja, lho envolve uma matriz estratégica que integra seminários, era alcançar todos. A plantação de Igreja era uma estratégia juntas missionárias e convenções estaduais e regionais, para alcançar mais pessoas”, afirmou. buscando fortalecer a atuação conjunta em todo o Brasil. O diretor-executivo também apresentou os pilares fundaNa área da Educação Cristã, destacou o investimento na mentais para a identidade e o futuro dos batistas: Educação produção de materiais para diferentes faixas etárias e no Cristã; Educação Teológica e Ministerial; Evangelização e desenvolvimento de iniciativas de capacitação para profesMissões; Gestão, Cooperação e Sustentabilidade. Segun- sores de Escola Bíblica. Ele também incentivou pastores e do ele, essas áreas precisam caminhar juntas para que as líderes a avaliarem a realidade de suas Igrejas e investirem Igrejas formem discípulos maduros, líderes preparados e no preparo daqueles que atuam no discipulado. comunidades comprometidas com a Grande Comissão. Ao encerrar, convocou educadores cristãos, professores Ao abordar os desafios enfrentados pela denominação de Escola Bíblica, representantes de seminários e líderes de nas últimas décadas, Brandão reconheceu o enfraqueci- convenções a se reunirem para um momento de oração pela mento da educação cristã e as dificuldades vividas pelos restauração e fortalecimento da educação cristã e teológica seminários batistas. Ele ressaltou a necessidade de recu- na denominação. perar a valorização da Escola Bíblica, investir na formação A mensagem foi concluída com um chamado à unidade dos professores e fortalecer a preparação teológica dos e à renovação do compromisso missionário dos Batistas pastores. “O maior erro que a gente pode cometer como brasileiros. Reafirmando o propósito da Conferência Global denominação é formar mal os nossos pastores”, alertou, de- Multiplique, o pastor convidou os participantes a proclamafendendo uma formação fundamentada nas Escrituras, com rem juntos: “Cada batista, um discípulo que se multiplica”. visão missionária, capacidade de discipular e compromisso Assista as plenárias da Conferência Global Multiplique com as Igrejas locais. 2026 no canal de Missões Nacionais no Youtube: https:// Outro ponto destacado foi a responsabilidade das famí- www.youtube.com/@missoesnacionais n


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Congresso Missionário em Teresina - PI promove cuidado e capacitação de missionários Encontro destacou o cuidado com as famílias missionárias e foi encerrado com a abertura da campanha de Missões Locais 2026

Foto: Comunicação PIB de Teresina

Programação reuniu cerca de 30 casais de missionários vinculados à PIB Teresina e dez casais missionários da Convenção Batista Piauiense

Rossi Sousa Matos

assessora de Comunicação da Convenção Batista Piauiense

Cuidar de quem anuncia o Evangelho foi o propósito que marcou o Congresso Missionário 2026, realizado pela Primeira Igreja Batista em Teresina - PI, em parceria com a Convenção Batista Piauiense (CBPI), entre os dias 30 de outubro e 1º de novembro. A programação aconteceu no sítio da Igreja, em Teresina, reunindo cerca de 30 casais de missionários vinculados à PIB e dez casais missionários da CBPI para momentos de escuta, capacitação e cuidado com as famílias. Foto: CBPI

Encontro proporcionou oportunidades para compartilhar experiências, apresentar dificuldades e refletir sobre os desafios do ministério

Sob a coordenação de Missões da PIB em Teresina, conduzida pelo irmão Narcélio, o encontro proporcionou oportunidades para compartilhar experiências, apresentar dificuldades e refletir sobre os desafios do ministério. A atenção esteve voltada tanto à realidade das comunidades atendidas quanto às necessidades pessoais, conjugais e familiares dos missionários. A iniciativa expressou a importância que a Igreja atribui ao acompanhamento daqueles que atuam na missão. Além de ouvir os relatos dos campos, o Congresso investiu na preparação dos participantes para o serviço cristão. Uma das ações foi a capacitação por meio do Projeto Filipe, ministrada pelo pastor Francisco, que integrou os momentos de formação oferecidos aos missionários. O encontro também marcou a apresentação oficial de Mayara Gomes como coordenadora de Missões da Convenção Batista Piauiense. Durante sua participação, ela apresentou a nova função na estrutura da Convenção e compartilhou propostas e projetos de atuação com os missionários conveniados, aproximando a coordenação das famílias e das necessidades dos campos. Entre as orientações abordadas esteve o cuidado no preenchimento dos relatórios missionários. Foi enfatizado que esses registros vão além da prestação de contas: são instrumentos que permitem conhecer o trabalho desenvolvido, compreender dificuldades e identificar necessidades de apoio e oração. O zelo ao relatar a caminhada missionária


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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

contribui para que igrejas e lideranças acompanhem mais Na noite de 30 de outubro, o Congresso também recebeu de perto a realidade de quem serve. o lançamento da revista Voz Batista Piauiense, publicação da CBPI que tem como proposta compartilhar o que acontece Acolhimento e fortalecimento das missionárias nos campos missionários e aproximar as igrejas das famílias Foto: CBPI que neles atuam. A edição de lançamento reúne 16 matérias sobre os campos missionários piauienses, com testemunhos e informações sobre o trabalho desenvolvido. A proposta editorial contempla a apresentação das famílias e seus pedidos de oração, permitindo que os leitores conheçam as pessoas, os desafios e as experiências que fazem parte da missão. Design: Rossi Sousa Matos

Projeto Flores no Sertão, encontro com as missionárias da PIB em Teresina

Um dos momentos de destaque foi o Projeto Flores no Sertão, encontro com as missionárias da PIB em Teresina que contou com a participação da Dra. Natasha Messias. A iniciativa nasceu com o objetivo de acolher, fortalecer e promover o desenvolvimento integral de missionárias e esposas de missionários. Fundamentado em valores da Palavra de Deus, o projeto busca fortalecer a fé, a identidade e a saúde emocional e relacional das participantes, contribuindo para o equilíbrio entre o serviço ministerial, a vida pessoal e os relacionamentos. Também procura favorecer vínculos saudáveis e mais próximos entre as mulheres que exercem liderança nos campos missionários. Durante o encontro, as participantes foram convidadas a refletir sobre a necessidade de cuidar de si mesmas para Design da revista “Voz Batista Piauiense” cuidar de outras mulheres na Igreja e de suas próprias famílias. A reflexão final sintetizou a mensagem de esperança compartilhada naquele momento: “Se Deus faz até cactos A capa destaca a 59ª Assembleia da Convenção Batista darem flores na seca, o que não fará com o seu coração?”. Piauiense e o compromisso com a missão, trazendo o pastor Fernando Brandão, que participou da Assembleia e abordou Comunicação a serviço da missão missão e liderança. A revista também reúne notícias da vida Foto: Pr. Gilvan Barbosa denominacional e prevê espaço para matérias especiais sobre as organizações batistas. Encerramento e abertura de Missões Locais

Apresentação da revista “Voz Batista Piauiense”

O encerramento do Congresso aconteceu no dia 1º de novembro, no templo da Primeira Igreja Batista em Teresina, com a abertura da campanha de Missões Locais 2026, a campanha missionária da própria Igreja. O momento conectou a programação de cuidado e capacitação dos missionários à mobilização da comunidade para o trabalho missionário. Com iniciativas de acolhimento, formação e comunicação, o Congresso Missionário 2026 evidenciou o compromisso da PIB em Teresina e da Convenção Batista Piauiense com os missionários e suas famílias. Da escuta dos desafios nos campos à abertura da campanha, a programação reafirmou a responsabilidade compartilhada de acompanhar, fortalecer e apoiar aqueles que se dedicam à proclamação do Evangelho. n


PONTO DE VISTA

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Consagração diaconal: o reconhecimento público de uma vocação para servir Artigo produzido com base no documento Exame e Consagração ao Ministério Diaconal, da Convenção Batista Brasileira “E, orando, impuseram as mãos sobre eles” (At 6.6). A cerimônia de consagração ao ministério diaconal representa um momento significativo na vida de uma igreja batista. É uma ocasião de celebração, compromisso e reconhecimento público de pessoas que foram identificadas e preparadas para exercer uma responsabilidade de serviço na comunidade cristã. Entretanto, é importante compreender que a consagração não cria uma vocação. Ela reconhece formal e publicamente uma chamada divina que já foi identificada e verificada na experiência cristã do candidato. Essa compreensão está presente no documento Exame e Consagração ao Ministério Diaconal, da Convicção Editora, que orienta as igrejas quanto à realização dos procedimentos necessários para o exame e a consagração. De acordo com o material, o processo começa com a iniciativa da igreja local, responsável por identificar os vocacionados, proporcionar preparo e treinamento e convocar o Concílio de Exame e Consagração. Após a avaliação dos candidatos, sendo eles aprovados, é organizado o ato solene de consagração. O documento recomenda que haja, sempre que possível, um intervalo mínimo de sete dias entre o exame e a cerimônia. O ato de consagração acontece durante um culto público, preferencialmente na sede da Igreja que promove a cerimônia ou na comunidade em que os novos diáconos servirão. Um dos momentos centrais é a imposição de mãos pelos

membros do Concílio de Diáconos, acompanhada da oração de consagração. Esse gesto representa o reconhecimento público da responsabilidade ministerial assumida pelos novos diáconos. A entrega da Bíblia também integra a cerimônia, reforçando a importância das Escrituras como fundamento para a vida e o exercício do ministério cristão. Mas o que acontece depois da cerimônia? Essa é uma pergunta importante. Afinal, a consagração não representa a conclusão de uma jornada, mas o início de uma nova etapa de compromisso com a igreja e com o serviço cristão. A partir daquele momento, os novos diáconos são chamados a demonstrar, no cotidiano, as qualidades reconhecidas durante o processo de preparação. Isso envolve fidelidade, responsabilidade, maturidade espiritual, amor ao próximo e compromisso com a unidade da igreja. O ministério não se limita a um momento especial no templo. Ele precisa ser percebido nas atitudes, nos relacionamentos e na disposição de contribuir para o desenvolvimento da comunidade cristã. Por isso, a cerimônia de consagração deve ser compreendida como uma expressão da responsabilidade compartilhada entre a pessoa vocacionada e a igreja que reconhece sua chamada. Neste Dia do Diácono Batista, a reflexão nos leva a olhar além da solenidade e dos símbolos. Somos convidados a reconhecer que o compromisso assumido diante da igreja precisa continuar presente em cada oportunidade de servir. A imposição de mãos marca um momento especial, mas é a fidelidade diária ao chamado de Deus que dá testemunho da seriedade do ministério diaconal. n


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PONTO DE VISTA OBSERVATÓRIO BATISTA

A missão da Teologia e a Teologia como missão! (resumo) Lourenço Stelio Rega O título desse artigo foi inspirado no livro “The Mission of Theology and Theology as Mission” de J. Andrew Kirk que nos traz dois espaços importantes que a Teologia tem diante de si para cumprir. O primeiro espaço é o papel, a missão, a finalidade que a Teologia deve cumprir ao ser desenvolvida pelos teólogos, estudiosos, exegetas. O segundo espaço nos leva a compreender a Teologia como Missão, que a conecta a um espaço maior que é a história de Deus. 1. A Missão da Teologia: o primeiro espaço afasta a teologia de um academicismo estéril, definindo-a como o esforço árduo de compreender fielmente a Palavra de Deus. Isso exige um estudo rigoroso das línguas originais (hebraico, aramaico e grego) e do contexto histórico, social e religioso da Bíblia etc. Um objetivo é aplicar a revelação divina à atualidade — por meio da equivalência comunicacional — sem jamais perder seus sentidos originais e absolutos. Esse trabalho enfrenta intensa oposição da Filosofia da Linguagem e de pensadores pós-modernos (como Derrida e Foucault). Para essas correntes, o significado não está no texto original, mas na interpretação do leitor, o que estimula a relativização e a “atualização” arbitrária da Bíblia. Além disso, sob a herança do Iluminismo, a verdade tornou-se subjetiva. O indivíduo pós-moderno passou a ser dono absoluto da verdade, sendo seu próprio legislador e juiz. Diante desse caos existencial e religioso, a missão da Teologia é expor a vontade divina com clareza e garantir a segurança doutrinária. Por isso mesmo se torna necessário priorizar o trabalho e a atuação de teólogos e, da mesma forma, priorizar a formação teológica, indo além de seu papel instrumental e ministerial para que os egressos dos cursos saiam preparados para atuar com segurança diante das tendências que estão formando novos e complexos cenários que colocam cada dia mais em risco a vivência de nossa fé, encontrando respostas seguras para seus liderados viverem nos outros seis dias. 2. A Teologia como Missão: O segundo espaço retira a Teologia dos “gabinetes de marfim” e a insere no “chão da rua”. A reflexão intelectual precisa gerar um ambiente em que seja possível ver uma arquitetura de ética responsiva que oriente a vida concreta do cristão, conectando-o à missĭo Dei — a grande missão de Deus para redimir toda a criação e criatura (Ef 1). Neste sentido será necessário propormos uma inversão da lógica utilitarista atual que espera um Deus que intervenha na história humana apenas para resolver nossos problemas. Mas nós é que somos chamados para viver a história de Deus. E aqui entra um adjetivo importante que tem sido pouco compreendido aqui no Brasil, que é missional, que não basta ser utilizado, é necessário compreender

sua profundidade. Desta forma, o termo “missional” é o uso adjetival da palavra missão. Em termos básicos o missiólogo Ed Stetzer nos ensina que se vivo uma vida missional, vivo uma vida moldada pela missão de Deus (missĭo Dei). Sendo assim, posso concluir que, a partir de minha conversão, o meu projeto de vida (agenda, prioridades, modo de viver etc.) passa a ser o projeto da missĭo Dei e a ele me entrego como sua ferramenta para que ele, em sua missão de restaurar toda criação e criatura, me tenha como seu instrumento. A aplicação prática de tudo isso coloca cada cristão na rua, no cotidiano, para expressar na vida pública a prática do Evangelho por meio de vida transformada pelas Boas Novas e torna a igreja como a nova humanidade como um povo modelo, um povo de contraste, e cada cristão como vitrine e a tradução dessas mesmas Boas Novas. Temos aqui a dimensão missional que se expressa por meio do ministério da proclamação e do ministério da presença. Então a Teologia como Missão tem o papel de dar suporte ao cristão para ser lançado a viver a vida normalmente, só que agora seu projeto de vida é o projeto da missão de Deus, e sua vida será representada pela figura do sal, da luz, como embaixador do reino, tenha ele o dom de missionário, evangelista, pastoral ou qualquer outro. Neste caso a Teologia como Missão tem o papel de responder a cada cristão seu papel como agente da contracultura cristã diante de um mundo secularizado, sem Deus e sem coração (Rm 12.1,2). A Teologia como Missão tem diante de si levar os cristãos a desempenharem o seu papel no “mandato cultural” (Gênesis 1.26ss, prefiro chamar de “delegação empoderada de Deus”), resgatando seu papel como “nova criação” (II Coríntios 5.17) e terem vida atrativa demonstrando o agradável perfume de Deus (II Coríntios 2.15), e estimular o papel profético da igreja diante de um mundo cruel e injusto. Unindo a Missão da Teologia e a Teologia como Missão vamos descobrir que o centro da Teologia é o próprio Deus resgatando a Doutrina de Deus/Trindade como a Teologia Primeira e da qual parte o significado de tudo o mais, nos ajuda a redescobrir a Cosmologia, a Antropologia e uma Hamartiologia que nos leva para mais longe de apenas um desejo escatológico, pois toda a nossa vida decaída passa a ter significado no Deus todo Poderoso que envia seu Filho para nos trazer de novo à vida (Soteriologia) e nos dá o Espirito Santo como nosso consolador (Pneumatologia) alimentando nossa vida comunitária (Eclesiologia). Tudo, então, fica conectado em tudo a partir do próprio Deus, da Trindade, que também tem seu ensino recuperado. E, então, temos a Missão da Teologia, mas, mais ainda importante a Teologia como Missão, a missão de Deus em recuperar toda criação e criatura. Amém. n


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