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OJB EDIÇÃO 44 - ANO 2026

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ANO CXXV EDIÇÃO 44 DOMINGO, 01.11.2026

ISSN 1679-0189 ÓRGÃO OFICIAL DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA FUNDADO EM 1901

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Reflexão

Missões Nacionais

Notícias do Brasil Batista

Notícias do Brasil Batista

O mapa

Somos Um em Campo

Embaixadores do Rei

Legado

Pr. Raphael Abdalla destaca importância de valorização dos idosos na Igreja

Projeto de Missões Nacionais leva o amor de Cristo a jogos universitários

Acampamento de ER na Bahia reúne mais de 200 participantes

Conheça a contribuição do Pr. José dos Reis Pereira para os Batistas brasileiros

pág. 05

págs. 07 e 08

pág. 09

págs. 12 e 13


2 O JORNAL BATISTA Domingo, 01/11/26

REFLEXÃO

EDITORIAL

Conectando mulheres Batistas para impactar o mundo para Cristo No ano passado, comemoramos um marco extraordinário: o 75º aniversário do Dia Mundial de Oração das Mulheres Batistas. Damos graças a Deus por esse valioso legado que tem impactado o reino de Deus e sentimos nosso chamado renovado para dar continuidade a essa missão. Obrigada por fazer parte fundamental da história deste ministério e de seu futuro! Nosso tema para 2026 é “Vivendo as Boas Novas: Fé em Ação”, inspirado em Tiago 2:17, que nos lembra que a fé não deve apenas ser acreditada, mas vivida. Como seguidores de Cristo, somos chamados a encarnar as Boas Novas por meio de manifestações concretas de amor, serviço e testemunho, ao mesmo tempo em que atendemos às necessidades do nosso mundo. Ao nos reunirmos online e pessoalmente, oro para que vocês experimentem o poder do Espírito Santo agindo em vocês e por meio de vocês, não apenas para proclamar as Boas Novas, mas para vivê-las fielmente a cada dia. Juntem-se às irmãs em mais de 100 países que intercedem por suas comunidades e buscam ativamente ser portadoras do Evangelho no mundo. Vamos unir nossos corações e nossas mãos aos de

nossas irmãs enquanto buscamos a sabedoria da Palavra de Deus, oramos intencionalmente e discernimos como o Senhor nos chama a demonstrar fé em ação em todos os contextos. Esse movimento global inclui a Oferta Anual do Dia de Oração, uma oportunidade de doar generosamente em apoio ao ministério das Mulheres da Aliança Batista Mundial e às nossas sete Uniões Continentais. Suas doações contribuem para uma transformação eterna ao atender necessidades práticas, empoderar mulheres e crianças e capacitar as pessoas a viverem sua fé de maneira transformadora em suas comunidades. Em nome de nossa liderança global, obrigado por serem parte fundamental desse compromisso compartilhado de doação que impulsiona a missão de Deus em todo o mundo. Obrigado por ser um membro integrante da nossa irmandade mundial e uma parte vital da missão global de Deus. É uma honra servir ao nosso grande Deus ao seu lado. Vivendo as Boas Novas Juntas, J. Merritt Johnston

diretora-Executiva Aliança Batista Mundial Mulheres

O JORNAL BATISTA Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso. Fundado em 10.01.1901 INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189 PUBLICAÇÃO DO CONSELHO GERAL DA CBB FUNDADOR W.E. Entzminger PRESIDENTE Raphael H. P. Abdalla DIRETOR GERAL Fernando Macedo Brandão SECRETÁRIO DE REDAÇÃO Estevão Júlio Cesario Roza (Reg. Profissional - MTB 0040247/RJ) CONSELHO EDITORIAL Francisco Bonato Pereira; Guilherme Gimenez; Othon Ávila; Sandra Natividade EMAILs Anúncios e assinaturas: jornalbatista@batistas.com Colaborações: decom@batistas.com REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA Caixa Postal 13334 CEP 20270-972

Rio de Janeiro - RJ Tel: (21) 2157-5557 Site: www.convencaobatista.com.br A direção é responsável, perante a lei, por todos os textos publicados. Perante a denominação Batista, as colaborações assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião do Jornal. DIRETORES HISTÓRICOS W.E. Entzminger, fundador (1901 a 1919); A.B. Detter (1904 e 1907); S.L. Watson (1920 a 1925); Theodoro Rodrigues Teixeira (1925 a 1940); Moisés Silveira (1940 a 1946); Almir Gonçalves (1946 a 1964); José dos Reis Pereira (1964 a 1988); Nilson Dimarzio (1988 a 1995) e Salovi Bernardo (1995 a 2002) INTERINOS HISTÓRICOS Zacarias Taylor (1904); A.L. Dunstan (1907); Salomão Ginsburg (1913 a 1914); L.T. Hites (1921 a 1922); e A.B. Christie (1923). ARTE: Oliverartelucas


REFLEXÃO

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O mapa Raphael Abdalla

pastor da Primeira Igreja Batista em Guarapari - ES; presidente da Convenção Batista Brasileira

Três livros das Sagradas Escrituras possuem autoria atribuída a Salomão. Cada um deles delimita uma fase bem peculiar da história do autor. Impossível dissociar nossas experiências de nossas obras. Sim, todos temos obras. Alguns escrevem livros, outros constroem edifícios, outros abraçam e confortam. Salomão resolveu, além de edificar, escrever. Em sua juventude nos apresentou Cantares, registro precioso de coração apaixonado por uma bela moça. Seus sentimentos são arrebatados pelo fascínio, suas palavras entregam-se ao charme. Tempos depois, já crescido, em sua fase adulta, o rei escreve Provérbios, maior compêndio de sabedoria já editado em todo mundo. Lições preciosas, práticas e carregadas de maturidade peculiar. Por fim, ele produz sua obra mais emblemática. Não estamos mais diante de um jovem apaixonado, tampouco de um adulto maduro. Salomão agora já possui cabelos brancos, seu rosto está sinalizado pelo tempo, suas memórias são fortes e sua experiência reforçada. Ele chegou no que chamamos de “terceira idade” (perdoem-me o clichê). O que é, portanto, o livro de Eclesiastes? Respondo: é um mapa. Um mapa do homem que percorreu todos os caminhos possíveis da vida, planejou diversas caminhadas, pegou alguns atalhos e, respaldado por sua experiência, convida seus leitores a observar seu percurso. Recentemente comemoramos o “Dia Internacional do Idoso” e é propício agradecer a Deus pela preciosa vida daqueles que possuem um mapa em suas mãos. Ah, como precisamos desse mapa! Como nós – os que ainda não vivemos tanto – precisamos de direção, conselho, afago, instrução. Você que lê este artigo de O Jornal Batista e já passou dos sessenta, por favor, perdoe-me a pretensão. Não tenho o mapa, tenho apenas algumas ideias em construção. Preciso de vocês. Precisamos de vocês. Oro e trabalho por um ambiente de fé onde os idosos sejam respeitados, amados e ouvidos. Mais do que cuidar deles, precisamos ser cuidados por eles.

Uma Igreja não prospera sem a benção de seus anciões. Precisamos desse mapa para viver, esse mesmo que vocês desenharam durante a vida com lágrimas, sorrisos, erros e acertos. Privilégio nosso compartilhar da companhia de vocês e caminhar pelas trilhas que vocês já desbravaram e construíram. Um mapa! Isso é o último livro escrito por Salomão. Nada mais, nada menos. “Trilhei todos esses caminhos aqui e vi que não deram em nada.” E percorri outros e fui bem-sucedido, diria o velho rei. Então: mãos à obra, há muitas pessoas sem direção precisando de uma dose de direção. Vamos juntos descobrir que não há como se aposentar da felicidade. A Escritura nos ensina a honrar os mais velhos. “Diante das cãs te levantarás, e honrarás a presença do ancião”, orienta Levítico 19.32. O salmista pede que Deus o sustente na velhice, para que ainda anuncie às próximas gerações as obras do Senhor (Salmo 71.18). A Bíblia reconhece o valor de uma vida longa e da experiência que ela reúne. Quem caminhou por muitos anos pode testemunhar a fidelidade divina e ajudar outros a discernir seus passos. A fase mais madura da vida é altamente produtiva. Nas Igrejas, essa verdade se expressa de modo especial: pastores mais vividos em idade oferecem experiência, discernimento e conhecimento pastoral acumulados ao longo de muitos anos. As Igrejas são privilegiadas por terem esses pastores. Outras funções na estrutura eclesiástica seguem o mesmo princípio e raciocínio. A distribuição de responsabilidades deve considerar caráter, chamado e competência, sem transformar a idade em barreira (tanto para menos quanto para mais). A comunidade cresce quando reconhece essa contribuição e abre espaço para que continue frutificando. Os mais novos têm muito a receber. Ouvir uma pessoa idosa é conhecer a história da família, da Igreja e da fé; é perceber como Deus sustentou pessoas em épocas difíceis. Honrar é incluir, visitar, cuidar e compartilhar a vida. Que nossos idosos encontrem respeito e afeto, e possam seguir oferecendo seus dons à comunidade. Assim, as gerações caminham juntas, cada uma fortalecendo a outra. Falamos muito (e faço disso bandeira) que as novas gerações são a igreja de hoje e do futuro, porém preciso acrescentar: os idosos são a igreja de hoje e, claro, do futuro. n


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REFLEXÃO

Uma Igreja livre, uma fé missionária a defesa da consciência à expansão do evangelho pelos continentes Marcelo Santos

pastor da Igreja Batista da Graça - SP; professor, escritor e palestrante

A história Batista avançou carregando duas convicções que nunca deveriam ser separadas: ninguém pode ser forçado a crer, e todo discípulo deve anunciar o Evangelho. A liberdade religiosa protege a resposta consciente da pessoa diante de Deus; a missão convida cada pessoa a ouvir e responder à mensagem de Cristo. Uma fé imposta contradiz o evangelho. Uma fé que não testemunha também se distancia dele. Thomas Helwys já havia afirmado, no início do século XVII, que o poder do rei não alcançava a alma de seus súditos. Sua defesa não se limitava aos Batistas ou mesmo aos demais protestantes. Ela incluía católicos, judeus, muçulmanos e pessoas sem fé cristã. Era uma posição extraordinária num tempo em que uniformidade religiosa e estabilidade política eram consideradas inseparáveis. Para os primeiros Batistas, porém, a consciência deveria responder a Deus, não à coerção do Estado. Essa semente atravessou o Atlântico. Na América do Norte, Roger Williams discordou da interferência civil em questões religiosas e foi expulso da colônia de Massachusetts. Em Rhode Island, ajudou a estabelecer uma comunidade comprometida com a liberdade de consciência. A tradição atribui a ele e a seus companheiros a organização da igreja batista de Providence, em 1638 ou 1639. Mais importante que a disputa sobre datas é o princípio defendido: o governo civil deve proteger a convivência e a justiça, sem determinar a fé dos cidadãos. A expressão “Igreja livre em um Estado livre” resume bem essa contribuição. Separação entre Igreja e Estado não significa hostilidade entre fé e vida pública, nem silêncio dos cristãos diante da injustiça. Significa que a igreja não depende do poder estatal para cumprir sua missão e que o Estado não possui autoridade para definir crenças,

administrar sacramentos ou impor conversões. A igreja serve à sociedade com voz profética, mãos solidárias e consciência livre. Nos séculos XVIII e XIX, avivamentos evangélicos reacenderam entre os Batistas o senso de urgência missionária. Em 1792, William Carey participou da organização da sociedade missionária batista que o enviaria à Índia no ano seguinte. Seu trabalho envolveu evangelização, tradução das Escrituras, educação e iniciativas sociais. Carey tornou-se símbolo do movimento missionário moderno não porque trabalhou sozinho, mas porque igrejas decidiram cooperar para levar o evangelho além de suas fronteiras. Pouco depois, Adoniram e Ann Judson partiram dos Estados Unidos como missionários congregacionais. Durante a viagem, ao estudar o Novo Testamento, concluíram que o batismo deveria seguir a profissão pessoal de fé e tornaram-se Batistas. A atuação na Birmânia, atual Mianmar, foi marcada por perdas, enfermidades, prisão, tradução bíblica e perseverança. Sua história recorda que convicção bíblica e vocação missionária podem exigir mudanças profundas e um alto preço pessoal. O avanço missionário também consolidou o princípio da cooperação. Uma igreja local é autônoma, mas não autossuficiente. Ela governa sua vida sob o senhorio de Cristo, ao mesmo tempo que se une voluntariamente a outras igrejas para realizar o que nenhuma conseguiria fazer sozinha. Juntas, sustentam missionários, preparam líderes, produzem literatura, socorrem comunidades e plantam novas Igrejas. Hoje, liberdade e missão continuam sendo responsabilidades inseparáveis. Defendemos o direito de todos à consciência não porque todas as crenças sejam iguais, mas porque o evangelho chama à fé, não à força. E usamos essa liberdade não para o isolamento, mas para servir e testemunhar. Cada Igreja Batista honra sua história quando protege a dignidade do próximo, proclama Cristo com coragem e transforma autonomia em cooperação generosa para o cumprimento da Grande Comissão. n


REFLEXÃO

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Somos Um através dos estudos teológicos Levir Perea Merlo

pastor, colaborador de OJB

“Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi entregue aos santos” (Jd 3) Chegamos ao penúltimo mês do ano de 2026! Graças a Deus! Nosso calendário denominacional apresenta algumas datas muito importantes para desenvolvermos: dia 2 - Dia de Finados, uma boa oportunidade para pregarmos aos vivos-mortos; dia 2 - Dia Batista de Oração Mundial; dia 8 - Dia do Diácono Batista, no segundo domingo; dia 9 - Dia Nacional das Mensageiras do Rei; dia 15 - Dia da Educação Teológica, no terceiro domingo; dia 22 - Dia do Ministro de Música, no quarto domingo; e dia 26 - Dia Nacional de Ação de Graças, na última quinta-feira do mês. Por último, uma reflexão sobre o Dia da Educação Teológica, a partir da carta de Judas. Essa carta incentiva os cristãos a manterem a integridade de sua fé, enfatizando três ensinos fundamentais: 1. A autoridade suprema de Deus; 2. A proeminência de Jesus Cristo; 3. A fé autêntica resulta em um comportamento que agrada a Deus. A mais séria ameaça ao Evangelho no primeiro século não

se originou na sociedade pagã, mas veio de dentro da própria comunidade cristã. Em um mundo permeado por tantas tradições religiosas e filosóficas, os cristãos eram frequentemente tentados a ignorar a exclusividade do Evangelho e a misturar sua nova fé com práticas e crenças religiosas mais antigas e tradicionais. Essa situação deu margem ao surgimento de muitos falsos mestres, que proclamavam seus evangelhos contaminados na comunidade cristã. Os resultados desses ensinamentos heréticos eram sempre os mesmos, independentemente de sua natureza: o verdadeiro Evangelho era pervertido; as igrejas eram divididas; a missão cristã era ameaçada; e a fé dos cristãos genuínos, enfraquecida. Essa carta, em particular, aborda o problema dos mestres pseudocristãos que estavam pregando heresias em algumas localidades não identificadas. Suas crenças se assemelhavam às crenças gnósticas comuns no primeiro século. Esses mestres negavam a historicidade de Jesus. Afirmavam ter recebido visões especiais e diziam estar acima dos poderes angelicais. Consequentemente, transformavam a graça de Deus em imoralidade, rejeitando as exigências morais e éticas do Evangelho. Assim, Judas contém uma exortação aos cristãos para que edifiquem sua fé e vivam o Evangelho diariamente. Hoje, precisamos nos mobilizar para sermos UM, proclamando a Palavra viva e verdadeira do Senhor: JESUS CRISTO! n


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REFLEXÃO

O educador cristão e o legado para as próximas gerações Luciene Costa Santos Freitas

reagimos às contrariedades, como tratamos quem pensa diferente e como agimos quando não há reconhecimento. Nosso cotidiano pode fortalecer ou enfraquecer o conteúdo Finalizamos o mês de outubro, mês do Educador Cristão da aula. Por isso, a vida do educador é parte essencial do em Movimento. Este é um momento oportuno para reco- ambiente de aprendizagem. nhecer a importância daqueles que se dedicam ao ensino da Palavra de Deus e refletir sobre as marcas que estamos Preparar quem continuará a missão deixando na vida das próximas gerações. O terceiro compromisso é formar pessoas capazes de O Salmo 78.4-7 apresenta uma responsabilidade que atravessa o tempo: anunciar aos filhos e aos que virão de- compartilhar o que receberam. Em II Timóteo 2.2, Paulo orienpois de nós os feitos do Senhor, para que coloquem nele a ta Timóteo a confiar o ensino a pessoas fiéis, que também sua confiança. A Educação Cristã, portanto, vai muito além possam ensinar outras. Essa cadeia de transmissão mostra de transmitir informações bíblicas. Ela coopera para formar que a fé não deve terminar em uma geração. Uma Igreja pode ter boas aulas e professores dedicados, pessoas que conheçam a Deus, amem sua Palavra e vivam mas precisa investir intencionalmente na formação de novos o Evangelho no cotidiano. educadores, discipuladores e líderes. O aluno não deve ser visto apenas como alguém que aprende hoje, mas como um A Palavra como fundamento discípulo que poderá servir amanhã. Isso exige oportunidaO primeiro compromisso do educador cristão é ensinar des para desenvolver dons, participar da missão e caminhar as Escrituras com fidelidade. Em uma sociedade marcada ao lado de pessoas mais experientes. O educador que pensa no futuro não centraliza tudo em por muitas opiniões, conteúdos digitais e mudanças culturais, as novas gerações precisam de fundamentos sólidos. si. Ele compartilha conhecimento, acompanha novos traRecursos criativos e tecnologias podem contribuir para a balhadores e se alegra ao ver outras pessoas assumindo aprendizagem, mas não substituem o estudo sério da Bíblia, responsabilidades. Como uma árvore que produz sementes, a oração e a dependência de Deus. talvez não veja todos os frutos do seu trabalho, mas pode Como Paulo orientou Timóteo, é necessário permanecer confiar que Deus continuará agindo por meio daquilo que foi naquilo que foi aprendido e reconhecer nas Escrituras a fonte semeado com fidelidade e amor. de sabedoria para a salvação e para uma vida justa. Por isso, o educador não deve transmitir apenas preferências pessoais Um legado que aponta para Cristo ou tradições particulares. Sua missão é apresentar Cristo e ajudar cada aluno a relacionar a verdade bíblica com suas O legado cristão começa em atitudes simples: uma oraescolhas, seus relacionamentos e os desafios de seu tempo. ção com uma criança, a explicação cuidadosa de um texto bíblico, uma conversa com um adolescente, a visita a um aluno ausente ou o encorajamento a um professor cansado. Uma vida que confirma o ensino Pequenas sementes podem participar de grandes processos O segundo compromisso é transformar o ensino em tes- de transformação. Neste tempo de celebração e reflexão, cada pessoa pode temunho. As pessoas não aprendem somente com nossas palavras; elas também observam nossas atitudes. Não po- assumir três decisões práticas: transmitir intencionalmente demos falar sobre perdão enquanto alimentamos ressenti- uma verdade bíblica, alinhar ao evangelho uma atitude que mentos, ensinar sobre amor e tratar os outros com desprezo, precisa mudar e preparar alguém para continuar a missão. ou defender a verdade e agir sem integridade. Não precisamos fazer tudo de uma vez; precisamos começar Isso não significa que o educador cristão precise parecer com fidelidade. perfeito. Todos cometemos erros e dependemos da graça de O centro desse legado não são nossos nomes, cargos ou Deus. A coerência cristã se revela também na disposição de projetos, mas Jesus Cristo. Que as próximas gerações enconreconhecer falhas, pedir perdão, buscar reconciliação e con- trem a Palavra sendo ensinada, a fé sendo vivida e a missão tinuar crescendo. Quando o professor acolhe, escuta e serve sendo continuada. Que Deus nos conceda sabedoria para com humildade, ele torna visível a mensagem que ensina. ensinar, graça para praticar o que ensinamos e visão para preCrianças, adolescentes, jovens e adultos percebem como parar aqueles que anunciarão o Evangelho depois de nós. n presidente da Ordem dos Educadores Cristãos Batistas do Brasil


MISSÕES NACIONAIS

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Uma geração disposta a anunciar que só Jesus salva! Juliana Magre Abrahão

missionária Voluntária do Somos Um em Campo 2026

Entre os dias 16 e 18 de outubro, durante os Jogos Universitários das Faculdades de Medicina dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, vivemos dias marcantes na cidade de Valença - RJ, por meio do projeto SOMOS UM EM CAMPO 2026. Foram dias de serviço, comunhão, evangelismo e, acima de tudo, de testemunhar o agir de Deus. Levamos 87 voluntários, além de irmãos de outras iniciativas missionárias que se uniram a nós nas ruas, formando uma grande equipe comprometida com a proclamação do Evangelho e com a missão de alcançar universitários com o amor de Cristo. Um dos momentos especiais do projeto foi a realização de um culto ao ar livre, que contou com o testemunho do Pedro Vargas, médico que foi alcançado durante o SOMOS UM em 2022, em Vassouras - RJ. Foi naquela ocasião que ele iniciou seu processo de reconciliação com Jesus. Ouvir seu testemunho nos lembrou que uma semente lançada em uma missão pode produzir frutos que permanecem e que a obra do Senhor continua para além daqueles dias de evangelismo. Outro momento marcante aconteceu na madrugada de sábado para domingo, durante a saída da festa dos jogos universitários. Nossa equipe preparou uma abordagem evangelística com água, café, pipoca, cachorro-quente e pirulitos. Mais do que oferecer alimentos, estávamos ali para oferecer algo que o dinheiro não pode comprar: abraços, oração, acolhimento e a mensagem de salvação em Jesus. Naquela madrugada, tivemos a oportunidade de encontrar estudantes profundamente sensibilizados, muitos deles carregando dores, questionamentos e uma sede que só Cristo pode satisfazer. Em meio à música, às festas e à agitação, vimos pessoas que precisavam de alguém disposto a parar, ouvir e apresentar o amor de Deus. Uma das experiências vividas naquela noite nos marcou profundamente. Enquanto uma de nossas voluntárias segurava a placa de “Abraço Grátis”, uma estudante se aproximou perguntando se poderia receber um abraço e oração. Ela queria oração. Ao ser acolhida, começou a compartilhar sua história e revelou que não se sentia merecedora do amor de

Deus. Com os olhos cheios de lágrimas, aquela jovem abriu o coração. Nossa voluntária a abraçou, ouviu suas palavras sem julgamentos e teve a oportunidade de compartilhar o plano da salvação, explicando que nenhum de nós é merecedor do amor de Deus, mas que Ele nos amou primeiro. Ao ouvir a mensagem do Evangelho, a estudante compreendeu e respondeu positivamente ao convite para entregar sua vida a Jesus. Ela fez sua oração de confissão, teve seu contato registrado para que pudesse receber acompanhamento e ainda ganhou um exemplar do Evangelho de João, entregue por outra voluntária. Naquela abordagem tão simples, vimos como Deus pode usar um abraço, uma conversa e a disposição de alguém para anunciar a verdade do Evangelho e transformar uma vida. Além das experiências vividas nas ruas, também presenciamos motivos de grande alegria entre os próprios voluntários. Em 2025, uma de nossas voluntárias, que já participou de diversas edições do SOMOS UM, compartilhou conosco que estava enfrentando um câncer em estágio metastático. Mesmo diante de uma situação tão difícil, ela permaneceu conosco, participando do projeto e intercedendo pela missão. Naquela edição, nos reunimos em oração, clamando ao Senhor pela restauração de sua saúde. Neste ano, para a glória de Deus, ela retornou ao SOMOS UM EM CAMPO trazendo uma notícia que encheu nossos corações de alegria: um exame recente não apontava mais a presença de células tumorais. Recebemos esse testemunho com profunda gratidão ao Senhor, reconhecendo o privilégio de caminhar ao lado de irmãos que perseveram na fé mesmo em meio às adversidades. Sua presença nos recordou que a missão não é feita apenas por aqueles que anunciam o Evangelho nas ruas, mas também por aqueles que, em meio às próprias


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MISSÕES NACIONAIS

e intencional. A cada irmão que orou, serviu, contribuiu e caminhou conosco, nossa gratidão. Cada um fez parte do que vivemos em Valença! E você, Batista, vem com a gente? O que vivemos em Valença não termina no dia 18 de outubro. Voltamos para casa com a certeza de que ainda há muito a fazer e de que nossa geração precisa ouvir o Evangelho. Há estudantes que precisam conhecer a graça de Jesus, pessoas sedentas por esperança e corações que precisam ser alcançados pelo amor de Deus. Por isso, deixamos um convite especial a todo o povo Batista: envolva-se conosco na próxima edição do SOMOS UM EM CAMPO! E mais, envolva-se ativamente na evangelização dos universitários do Brasil. Ore por essa missão, mobilize sua igreja, incentive os jovens, prepare-se para servir e venha fazer parte do que Deus está realizando entre os universitários. Não precisamos esperar ter todas as respostas ou saber fazer tudo; precisamos estar disponíveis e dispostos a obedecer à voz do Senhor. Que sejamos uma geração que não se conforma em apenas observar, mas que se levanta para anunciar Cristo onde Ele nos enviar. Porque o Evangelho precisa ser anunciado, vidas precisam ser alcançadas e há uma geração que precisa saber que só Jesus salva! lutas, permanecem firmes, servindo e intercedendo. “Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de O SOMOS UM EM CAMPO nos lembra que missões não Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16a). n são realizadas apenas por grandes estruturas ou eventos extraordinários. Muitas vezes, elas acontecem por meio de atitudes simples, de um abraço oferecido na hora certa, de uma oração em uma madrugada inesperada ou de alguém que decide parar para ouvir outra pessoa. Somos chamados a estar presentes, a amar pessoas e a anunciar, com palavras e atitudes, a esperança que encontramos em Cristo. Também deixamos nosso agradecimento especial à Igreja Catedral Metodista de Valença - RJ, que nos acolheu e apoiou durante esta edição do projeto. Agradecemos ainda a cada voluntário que se dedicou não apenas durante o evento, mas também nos preparativos anteriores, confeccionando cartazes, idealizando abordagens criativas, organizando materiais e investindo tempo e disposição para que o Evangelho chegasse aos estudantes de maneira acolhedora


NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

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Acampamento Estadual de Embaixadores do Rei da Bahia reúne 200 participantes Três dias de comunhão, aprendizado, competições e compromisso com Cristo marcaram o reencontro dos Embaixadores do Rei da Bahia. Rafael Amorim

coordenador Estadual de Embaixadores do Rei

“Memorável”, é assim que podemos definir o Acampamento Estadual de Embaixadores do Rei da Bahia, realizado nos dias 10, 11 e 12 de outubro, no Resort Club Equestre, em São Gonçalo dos Campos - BA. O evento foi promovido pela liderança dos EmEstiveram representadas no Acampamento Estadual baixadores do Rei da Bahia, sob a 25 Igrejas Batistas e sete associações Batistas liderança de Rafael Amorim e Alison Neri. Com o tema “Discípulos”, baseado na divisa de João Deus. Após o culto, aconteceu o “baba” entre Conselheiros e 8.31a, reafirmamos que um verdadeiro discípulo de Jesus Embaixadores, ressaltando a integração entre as gerações é disciplinado em obedecer aos mandamentos do Mestre. e proporcionando um momento de lazer e descontração O evento reuniu 200 participantes, entre Embaixadores do durante o evento. No segundo dia, tivemos as competições de xadrez, dama Rei, líderes e membros da equipe. Estiveram representadas e dominó. Outra novidade foi a corrida de obstáculos, que 25 Igrejas Batistas e sete associações Batistas, demonstrancontou com a participação dos conselheiros, correndo ao do a força da organização Embaixadores do Rei em nosso lado de seus embaixadores. Nesse mesmo dia, implemenestado. Louvamos a Deus pela quantidade de inscritos, estamos as oficinas temáticas para os embaixadores e líderes pecialmente considerando que havia alguns anos que não presentes, nas quais foram trabalhados temas como musirealizávamos um acampamento estadual. calização, vocação e chamado e primeiros socorros. Foram dias especiais, nos quais fomos conduzidos à Durante o culto da noite, foi realizada uma homenagem adoração e ao louvor ao Senhor por meio da Banda de Emaos Embaixadores do Rei com idades de 16 e 17 anos, que baixadores da Segunda Igreja Batista de Camaçari - BA. Cada embaixador foi impactado pela mensagem pregada em breve deixarão a organização ER e que, cremos, passarão pelo seminarista e conselheiro Mateus Rogério Oliveira, da a integrar o grupo de líderes. Cada embaixador recebeu um Igreja Batista Monte Gerizim, em Salvador - BA. Também botton com a inscrição: “Embaixadores do Rei Valentes! Uma contamos com a participação de diversos palestrantes e vez ER, Sempre ER!”. No último dia do acampamento, pudemos testemunhar a colaboradores, que serviram nas áreas de mídia, supervisão graça de Deus agindo na vida de cada menino, por meio das das provas, sonoplastia e outras atividades. O primeiro dia da programação contou com provas bí- conversões e dos compromissos assumidos. Cremos que blicas escritas e provas de agilidade. À noite, tivemos o Deus iniciou uma grande obra na vida de cada um desses culto de abertura, marcado por muito louvor e celebração a Embaixadores do Rei. n

Participantes do Acampamento Estadual aprenderam que o verdadeiro discípulo de Jesus é disciplinado em obedecer aos mandamentos do Mestre


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MISSÕES MUNDIAIS

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Uma Bíblia, muitas vidas transformadas Redação de Missões Mundiais Pouco depois de perder o marido para o câncer, Phoebe mudou-se com os filhos para uma cidade em um país próximo ao Irã. Enfrentando problemas de saúde e um período de profunda tristeza, ela não imaginava que um encontro inesperado mudaria completamente sua vida. Tudo começou quando conheceu um pastor iraniano, que convidou sua família para participar de um culto. Naquela ocasião, Phoebe recebeu um exemplar do Novo Testamento. Ao começar a ler as Escrituras, conheceu a mensagem de salvação e entregou sua vida a Jesus. A Palavra de Deus passou a fazer parte de seus dias. Ao conhecer a história da mulher samaritana, narrada em João 4, Phoebe sentiu-se encorajada a compartilhar com outras pessoas aquilo que havia experimentado. E decidiu começar por sua própria família, que vivia no Irã. Uma a uma, telefonou para suas irmãs e compartilhou o Evangelho, contando sobre a transformação que Jesus havia realizado em sua vida. A mensagem alcançou outros familiares e, em apenas um ano, 14 pessoas, entre irmãs, cunhados, sobrinhos e sobrinhas, entregaram suas vidas a Cristo. Hoje, elas estão sendo discipuladas no Irã. Tudo começou com um Novo Testamento entregue a uma mulher que precisava de esperança. Quem poderia imaginar que, por meio daquela entrega, tantas outras pessoas conheceriam Jesus? Histórias como a de Phoebe nos lembram que a distribuição das Escrituras vai muito além de colocar um livro nas mãos de alguém. Cada Bíblia entregue pode se tornar uma oportunidade para que pessoas conheçam a Cristo, famílias sejam alcançadas e o Evangelho continue sendo anunciado. É com esse propósito que Missões Mundiais desenvolve o programa Bíblias para os Povos. Somente na China, já fo-

Imagem meramente ilustrativa.

ram distribuídos 700 mil exemplares da Bíblia. No Irã, esse número ultrapassa 427 mil, com destaque para a distribuição do Novo Testamento em farsi, a língua materna de grande parte da população iraniana. Cada Novo Testamento é utilizado na evangelização, no fortalecimento da fé e na capacitação de líderes cristãos. Mais do que números, as entregas representam oportunidades para que a Palavra de Deus seja conhecida, estudada e compartilhada. Mas ainda há muito a fazer. Em muitos lugares, o acesso às Escrituras continua sendo um desafio. Mesmo onde a Bíblia já está disponível no idioma da população, nem todas as pessoas têm a oportunidade de possuir um exemplar. Em países como o Irã, onde os cristãos enfrentam restrições à prática e à divulgação de sua fé, a distribuição da Palavra de Deus se torna ainda mais significativa. Em parceria com o Ministério ELAM, Missões Mundiais contribui para que exemplares das Escrituras cheguem às mãos de pessoas que desejam conhecer mais sobre Jesus. A Bíblia nos ensina: “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Romanos 10:17). A história de Phoebe é um testemunho dessa verdade. Ao ouvir a Palavra de Deus, ela creu em Jesus Cristo como seu único e suficiente Salvador. Mas não foi apenas a sua vida que foi transformada. Ao compartilhar o Evangelho com sua família, outras 14 pessoas foram alcançadas pela graça de Deus. E quantas histórias como essa ainda podem acontecer? Com uma oferta de R$50, você pode contribuir para que uma pessoa receba um exemplar da Bíblia. Para isso, acesse https://missoesmundiais.colabore.org/biblias2026 ou faça sua contribuição pela chave PIX bibliasparaospovos@ doeagora.com. Participe da campanha Bíblias Para os Povos 2026 e doe uma bíblia! n


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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

Em memória do Pr. José dos Reis Pereira, historiador, professor, jornalista e batista por convicção Há 35 anos nos deixava pastor José dos Reis Pereira, historiador, professor, jornalista e Batista por convicção.

Pr. José dos Reis Pereira pregando na Comemoração do Centenário dos Batistas Brasileiros, em Vitória - ES, em 1982

Jean Pierre

seminarista na Faculdade Batista do Estado do Rio de Janeiro

Nascido na Fazenda de Santa Rosa, na cidade de Piraí - RJ, em 1916, filho de Clovis da Silva Pereira e de Rita de Cassia Braga Pereira, o pastor José dos Reis Pereira trilhou uma jornada que o transformou em uma das figuras mais expressivas da história e da identidade Batista brasileira. Ficou órfão de mãe muito cedo, em 1918, e teve seu primeiro contato com a Bíblia em 1924, em um salão social na Igreja Metodista Central de São Paulo - SP. Anos mais tarde, em 1930, foi batizado pelo missionário T. C. Bagby na Igreja Batista de Vila Mariana, em São Paulo SP, Igreja que marcaria profundamente sua juventude e onde seu pai também se batizou. 1918 - órfão de mãe 1924 - primeiro contato com a Bíblia 1930 - batismo A trajetória ministerial e intelectual Em 1937, ingressou no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, onde iniciou uma relação indissolúvel com a instituição. Concluiu seu curso em 1940, sendo o orador oficial de sua turma. Paralelamente à teologia, cultivou um amor profundo pelas letras, graduando-se como bacharel em Letras Neo-Latinas pela Faculdade Nacional de Filosofia do Rio de Janeiro em 1941, além de obter posteriores licenças e especializações universitárias.

Pr. José dos Reis Pereira marcou a história dos Batistas brasileiros

no Rio de Janeiro, onde exerceu um pastoreio marcante. Homem de visão ampla, foi pioneiro na fundação de frentes eclesiásticas desafiadoras, organizando a Primeira Igreja Batista de Vieira Fazenda (a primeira Igreja organizada em uma favela carioca) e, mais tarde, desbravando regiões como a Primeira Igreja Batista de Copacabana - RJ, a Barra da Tijuca - RJ e o Recreio dos Bandeirantes - RJ, além de comunidades em Vila Rosali, em São João de Meriti - RJ, Riachuelo - RJ e Todos os Santos - RJ. O maior historiador Batista e guardião da identidade Muito além de pastor e líder denominacional, Reis Pereira firmou-se como o maior historiador Batista do século XX. Por 37 anos, integrou o corpo docente do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil como professor de História Eclesiástica e outras disciplinas, marcando gerações de seminaristas com sua erudição e memória prodigiosa. 37 anos no corpo docente do Seminário do Sul

Seu trabalho incansável deu sustentação à identidade, às doutrinas e aos princípios Batistas. Escrevendo obras monumentais que impactaram gerações, como o clássico “O Apóstolo da Amazônia”, “Breve História dos Batistas” e “A História dos Batistas no Brasil”, além de dezenas de opúsculos e artigos, ele estruturou o pilar histórico que permite à denominação compreender suas raízes, sua ortodoxia e sua missão. Dezembro de 1941 - consagrado ao ministério Sua importância como historiador residia na convicção de que a preservação da memória e da fidelidade Consagrado ao ministério em dezembro de 1941, assu- doutrinária neotestamentária era vital para a pureza e a miu logo depois o pastorado da Igreja Batista do Rocha, continuidade da igreja.


NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

O JORNAL BATISTA Domingo, 01/11/26

Como jornalista, deixou uma marca indelével ao dirigir O Jornal Batista por 24 anos, transformando-o em um veículo de reflexão teológica e defesa intransigente dos valores cristãos. Sua vasta cultura e erudição lhe renderam um verbete na Enciclopédia Delta Larousse e a honra de ser escolhido como patrono da cadeira n° 37 da Academia Evangélica de Letras do Brasil. O “Amigo dos Pequenos” Por trás daquela erudição imensa e da postura austera que parecia distante à primeira vista, pulsava o coração de um homem profundamente humanizado, eternizado carinhosamente como o “amigo dos pequenos”. Reis Pereira dedicou um cuidado especial aos seminaristas e aos jovens que iniciavam sua jornada ministerial. Era o defensor intransigente dos estudantes nos corredores do seminário, lutando por seus direitos e apoiando-os em tempos de intransigência e repressão, muitas vezes enfrentando sozinho o corpo docente ou a reitoria para garantir que os vocacionados pudessem concluir seus cursos. “Nunca fez distinção social ou racial e, quer fosse aconselhando jovens pastores, quer atendendo pessoas na redação do jornal com paciência e sabedoria, ele provou ser um verdadeiro pai para os vocacionados.” LINHA DO TEMPO

Capa do livro “Breve história dos Batistas”

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Convenção Batista Brasileira; 1946 - Organiza a Primeira Igreja Batista de Vieira Fazenda, primeira igreja em favela do Rio de Janeiro; 1948 - Eleito presidente da Convenção Batista do Distrito Federal (atual Carioca) e inicia sua presidência na Junta de Missões Estrangeiras; 1947-1958 - Publica obras de grande impacto, como “O Apóstolo da Amazônia”, “Sal da Terra” e “Mobilização dos Válidos”; 1960 - Organiza a Primeira Igreja Batista em Vila Rosali, em São João de Meriti - RJ; 1961 - Funda a Primeira Igreja Batista de Copacabana - RJ, desbravando a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes; 1962 - Assume a Presidência da Ordem dos Ministros do Brasil; 1964 - Assume a direção de O Jornal Batista, moldando o pensamento denominacional por 24 anos; 1967 - É empossado na Academia Evangélica de Letras do Brasil (patrono da cadeira n° 37) e recebe o título de Cidadão da Guanabara; 1972 - Organiza a Igreja Batista de Todos os Santos - RJ e publica “Breve História dos Batistas”; 1982 - Organiza a Igreja Batista em Riachuelo - RJ e publica a obra monumental “A História dos Batistas no Brasil”; 1984 - É eleito presidente da Junta Executiva da Convenção Batista Brasileira; 1991 - Recebe o título de Mestre em Teologia, é eleito presidente Emérito da Convenção Batista Brasileira e descansa no Senhor.

Principais marcos, organizações e publicações 1916 - Nasce na Fazenda de O descanso do Mestre Santa Rosa, em Piraí (RJ); Capa do livro “História dos Batistas no Brasil” 1937 - Ingressa no Seminário No dia 15 de outubro de 1991, Teológico Batista do Sul do Brasil em uma simetria tocante que dee atua como redator do jornal O Cristão; safia o acaso e coroa sua trajetória, o pastor José dos 1938 - Publica seu primeiro artigo em O Jornal Batista Reis Pereira partiu para a eternidade justamente no Dia e organiza a Cooperativa de Seminaristas; do Mestre e no Dia Batista do Brasil. 1941 - É consagrado ao Ministério e assume o pastoFoi o desfecho poético de quem entregou cada fibra rado da Igreja Batista do Rocha - RJ; da vida às suas duas maiores paixões: ensinar, moldando 1944 - Inicia suas atividades no corpo docente do mentes na cátedra e acolhendo os pequenos, e devotar Seminário do Sul, lecionando História Eclesiástica por inteiramente sua existência à causa, à doutrina e à idenmais de três décadas; é eleito Presidente da Ordem dos tidade batista. Pastores Batistas Cariocas; Suas palavras voaram, mas os escritos e o alicerce 1945 - É eleito pela primeira vez para a Diretoria da histórico que ele construiu permanecem imorredouros. n


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PONTO DE VISTA

Fé em Ação Karlene Edwards-Warrick president da BWA Women

Ao redor do mundo, muitos de nossos irmãos e irmãs vivem sua fé em meio à guerra, à perseguição, ao colapso econômico e a uma profunda incerteza. Para eles, a fé não é apenas algo que professam; é algo que precisam vivenciar ativamente todos os dias. Essa realidade me leva a refletir sobre a minha própria experiência de viver a fé durante um período de injustiça e incerteza. Há dez anos, a empresa multinacional onde trabalhei durante a maior parte da minha vida encerrou abruptamente suas operações em Trinidad e Tobago. Eles partiram sem indenizar os funcionários que haviam trabalhado por muitos anos em condições difíceis. O proprietário daquela organização é um dos homens mais ricos do mundo; no entanto, essa decisão causou imenso sofrimento a inúmeros trabalhadores. O impacto foi devastador. Muitos funcionários perderam suas casas. Outros não tinham mais condições de pagar a universidade para seus filhos. Tragicamente, alguns chegaram a perder a esperança a ponto de tirar a própria vida. Durante aquele período doloroso, precisei fazer uma escolha: permitiria que a amargura, a raiva e o desespero criassem raízes, ou confiaria em Deus, mesmo quando a situação parecia injusta e avassaladora? EU ESCOLHI CONFIAR NELE. Em meio à dor e à incerteza, agarrei-me à verdade de que Deus ainda estava comigo, de que Ele não havia me abandonado, mesmo quando as circunstâncias pareciam injustas. Aquele período pôs minha fé à prova de maneiras que eu nunca havia experimentado antes, mas também aprofundou minha dependência de Deus de formas que eu jamais poderia imaginar. Deus mostrou-se fiel. À medida que eu continuava a confiar nEle nos meus momentos mais sombrios, novas portas começaram a se abrir. Minha carreira começou a crescer além do que eu esperava, e oportunidades de ministério surgiram. Essa experiência me ensinou algo poderoso: a fé não é comprovada quando a vida é fácil. A fé se revela na maneira como reagimos quando a vida é difícil. Isso levanta uma questão importante para todos nós: como é, de fato, a fé verdadeira quando estamos sob pressão? Será que ela se resume apenas ao que dizemos acreditar, ou é algo mais profundo, algo visível? Em Tiago 2.17, lemos: “A FÉ, POR SI SÓ, SE NÃO FOR ACOMPANHADA DE OBRAS, É MORTA.” Este versículo desafia a ideia de que apenas crer é suficiente. Deparamo-nos com uma verdade direta e desconfortável: a fé não é apenas algo que declaramos; deve ser algo que demonstramos. O autor deixa claro que a fé genuína é sempre acompanhada de ação. Ela se manifesta na maneira como vivemos, como reagimos

à injustiça, como tratamos os outros e como confiamos em Deus quando as circunstâncias não fazem sentido. Na minha própria situação, teria sido fácil dizer “Eu confio em Deus” enquanto permitia que a amargura, a raiva ou o desespero tomassem conta. Mas a fé verdadeira exigia ação. Exigia escolher confiar em Deus diariamente, escolher não desistir e escolher acreditar que Deus continuava agindo, mesmo quando eu não conseguia ver. É desse tipo de fé que Tiago fala: uma fé viva. Uma fé que age, responde e persevera. A verdadeira medida da fé não está apenas em nossas palavras, mas em como vivemos quando nossa fé é posta à prova. 1. UMA FÉ QUE VAI ALÉM DAS PALAVRAS A fé em ação não trata de conquistar a salvação, mas de responder a ela. Quando compreendemos a profundidade da graça de Deus, nossa resposta natural é viver de maneira diferente. Um coração transformado leva a um comportamento transformado. Isso pode se manifestar ao oferecer perdão quando é difícil, ao praticar a generosidade quando é inconveniente ou ao defender a verdade quando ela é impopular. 2. CAPACITADOS PELO ESPÍRITO SANTO VIVER nossa fé não é algo que fe no es algo que fazemos sozinhos. Em Atos 1.8, Jesus promete que os cristãos receberiam poder por meio do Espírito Santo. Esse poder nos capacita a viver com ousadia, amar profundamente e servir com fidelidade. Quando confiamos na força de Deus em vez da nossa própria, nossas ações tornam-se mais do que um simples esforço humano. Elas se transformam em um testemunho de Deus agindo em nós. A fé em ação não se sustenta pela força de vontade, mas pela dependência espiritual. 3. UM TESTEMUNHO PARA O MUNDO Quando a fé se torna visível por meio da ação, ela se transforma em um testemunho poderoso. Em Mateus 5.16, Jesus diz: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos outros homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus”. Nossas ações podem conduzir outras pessoas a Deus. Quando as pessoas veem amor, bondade, perdão e integridade sendo vividos de forma consistente, elas começam a enxergar um reflexo do próprio Evangelho. Viver as Boas Novas significa tornar-se um testemunho vivo da graça de Deus. A fé em ação é o fruto natural de uma vida transformada pelo Evangelho. À medida que crescemos na fé, nossas vidas passam a contar uma história de graça recebida e graça compartilhada. n


PONTO DE VISTA

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SAÚDE DE CORPO E ALMA

Amnom e Tamar: o problema do abuso sexual Pr. Ailton Desidério Se há um tema importante que ainda enfrenta resistência para ser discutido e abordado no contexto da Igreja, é o tema do abuso sexual. Na verdade, de modo geral, as questões relacionadas à sexualidade tendem a ser ignoradas ou, na maioria das vezes, abordadas de maneira equivocada. Não é incomum ouvirmos expressões retumbantes, como: “Sexo antes do casamento é pecado”, sem explicar por que é pecado, e, o que é pecado. No livro União com Cristo e identidade sexual: pensamentos adicionais de uma convertida improvável, a autora Rosaria Champagne Butterfield afirma que não somos pecadores porque pecamos, mas pecamos porque somos pecadores. Ela também observa, em relação aos desejos sexuais, que a experiência com Cristo não nos lobotomiza. Em outras palavras, a conversão não elimina os nossos desejos, em especial o desejo sexual. Ao lermos a Bíblia observamos que ela fala de muito claro tanto sobre a bênção do sexo, como sobre as distorções sexuais (Juízes 19, II Samuel 11 e 13, I Coríntios 5, dentre outros). Entretanto, não quero abordar aqui a questão da sexualidade de maneira geral. Quero fazer um recorte desse tema, tratando especificamente do abuso sexual, a partir do relato bíblico do estupro de Tamar por Amnom, seu meio-irmão, registrado em II Samuel 13. Vale destacar que esse abuso não aconteceu na rua, em um lugar desconhecido ou em um ambiente aparentemente perigoso. Aconteceu no palácio, dentro do contexto familiar, na casa do rei Davi. Em outras palavras, ocorreu em um espaço que deveria ser seguro, protegido e marcado pelo cuidado, mas que se tornou o cenário de uma violência devastadora. Não é essa a realidade de muitos relatos de abuso sexual ainda hoje? Dados sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil, publicados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022, revelam um cenário preocupante: 95,4% dos agressores eram do sexo masculino, e 82,5% eram conhecidos das vítimas. Entre os autores identificados, 40,8% eram pais ou padrastos; 37,2%, irmãos, primos ou outros parentes; e 8,7%, avós. Esses números nos alertam para uma realidade que não podemos ignorar: muitas vezes, a violência sexual acontece justamente nos ambientes em que deveria haver proteção e confiança. No livro Segredos de família: o caminho da restauração, a autora Cláudia Matos, compartilha sua experiência de ter sofrido abuso sexual dentro da própria casa, tendo como agressor o próprio pai, que era líder religioso. Ao descrever a contradição entre a imagem pública e a realidade familiar desse homem, ela o apresenta como “uma pessoa carismá-

tica e bondosa para os de fora, mas para os seus (a família) não tinha nada a ver”. Essa experiência nos lembra que a reputação pública, a religiosidade, o carisma e até mesmo o exercício de uma função ministerial não tornam ninguém automaticamente incapaz de cometer violência. Por isso, a prevenção do abuso sexual não pode se apoiar apenas na confiança pessoal, na aparência de bondade ou na posição que alguém ocupa na Igreja. No livro Raízes da depressão: enfrentando o grande mal do século, o autor Marcos de Souza Borges, conhecido como pastor Coty, missionário da JOCUM, afirma: “O abuso sexual é, literalmente, o assassinato da personalidade. Traumatiza a autoestima, causando danos incalculáveis à identidade”. É nesse contexto que quero dar algumas orientações concretas de prevenção do abuso sexual, tendo como pano de fundo o relato bíblico da violência cometida por Amnom contra Tamar. 1. Manipulação Amnom, seguindo o conselho de Jonadabe, a quem o texto bíblico descreve como “um homem muito sagaz” (II Sm 13.3), vale-se da astúcia para arquitetar seu plano. Embora a expressão hebraica não signifique, por si só, alguém ardiloso, sem escrúpulos ou maldoso, o desenrolar da narrativa revela como essa habilidade é empregada de maneira perversa. Amnom manipula o próprio pai, o rei Davi, e engana sua irmã Tamar, fingindo estar doente para criar uma situação que lhe permita ficar a sós com ela. A manipulação é um mecanismo que pode estar presente na conduta do abusador sexual. O agressor pode apresentar-se como alguém frágil, bondoso, carente ou aparentemente inofensivo, sem revelar suas verdadeiras intenções. Pode recorrer à mentira, à encenação da vulnerabilidade e à conquista da confiança para se aproximar da vítima e facilitar o abuso. Por vezes, utiliza-se da compaixão e da confiança alheias para reduzir a vigilância daqueles que poderiam perceber o perigo. Como diz o velho ditado: “As aparências enganam”. Pais, responsáveis e líderes da Igreja, em especial aqueles que trabalham com crianças e adolescentes, precisam aprender a reconhecer comportamentos invasivos, pedidos insistentes de segredo, tentativas de isolamento e aproximações que desrespeitam limites. Enfim, é preciso estar atentos a esses sinais e orientar crianças e adolescentes sobre como proceder diante de situações suspeitas. Isso não significa ensinar a desconfiar de todos, mas a ajudar a reconhecer comportamentos inadequados, estabelecer limites e compreender que podem pedir ajuda sempre que se sentirem ameaçados ou desconfortáveis.


16 O JORNAL BATISTA Domingo, 01/11/26 2. Estratégia Em muitas situações de abuso, o agressor planeja suas ações e procura criar circunstâncias que lhe permitam ficar a sós com a vítima, longe dos olhares e da intervenção de outras pessoas. A narrativa de 2 Samuel 13 evidencia essa estratégia. Quando Tamar vai ao encontro de Amnom para preparar-lhe o alimento, ele está em seu quarto e, assim que ela entra, ele ordena que os servos sejam retirados do local (vv. 8-9). O isolamento, nesse caso, não é um detalhe acidental, mas parte das circunstâncias que antecedem a violência sexual contra Tamar. Essa passagem nos alerta para a importância de reconhecer situações de risco e de ensinar medidas de proteção adequadas à idade e à realidade de cada pessoa. Crianças e adolescentes, por exemplo, devem ser orientados a ter cautela diante de convites insistentes para lugares isolados, pedidos de segredo envolvendo encontros ou contatos físicos, tentativas de afastá-los de pessoas de confiança e outras atitudes suspeitas. No caso das crianças, essa orientação exige cuidado especial, tendo em vista que elas ainda estão desenvolvendo a capacidade de avaliar situações e reconhecer comportamentos potencialmente perigosos. Daí a necessidade de receberem orientações claras e concretas, por meio de conversas, histórias, brincadeiras e atividades lúdicas adequadas à sua idade. Não se trata de assustá-las com descrições excessivamente chocantes, mas de prepará-las para reconhecer situações inadequadas e saber a quem recorrer. Uma orientação preventiva precisa despertar atenção e prudência; entretanto, o medo, por si só, não é o objetivo da educação protetiva. Precisamos ensinar as crianças que podem dizer “não”, afastar-se de uma situação insegura e procurar um adulto de confiança. Também precisamos deixar claro que, se não conseguirem reagir ou se forem enganadas por alguém em quem confiavam, não terão culpa pelo que aconteceu. A responsabilidade pela violência é sempre de quem a pratica, e a proteção das crianças é uma responsabilidade dos adultos. 3. Rompendo a barreira do silêncio Depois de violentar Tamar, Amnom passa a tratá-la com desprezo e ordena que ela seja expulsa de sua presença (II Samuel 13:15-17). A atitude revela a perversidade de sua conduta: depois de utilizar a irmã para satisfazer seu desejo, ele a rejeita de maneira cruel, como se ela fosse responsável pela desonra que ele próprio lhe havia imposto. Mesmo sendo a vítima, Tamar é tratada com desprezo e humilhação. A violência não termina com o ato sexual forçado; continua na maneira como Amnom a rejeita e procura afastá-la de sua presença. Em situações de abuso sexual, a violência pode ser acompanhada de ameaças, humilhação, intimidação e outras formas de agressão. Em alguns casos, o agressor chega a ameaçar ou matar a vítima para impedir que a violência seja revelada. Tamar, cujo nome significa “palmeira”, sai daquela situação profundamente ferida. O relato descreve sua reação com imagens marcantes: ela coloca cinzas sobre a cabeça, rasga a túnica especial que vestia, leva as mãos à cabeça e segue gritando enquanto caminha (II Samuel 13.18-19). Esses gestos expressam publicamente sua dor, sua humilhação e a gravidade da violência sofrida.

PONTO DE VISTA Em meio a toda essa situação, Absalão, irmão de Tamar, aproxima-se dela e pergunta se Amnom havia estado com ela. Em seguida, diz: “Ora, minha irmã, cala-te; é teu irmão; não te preocupes com este assunto” (2Sm 13:20). A orientação de Absalão para que Tamar se cale nos leva a refletir sobre uma realidade que ainda encontramos em muitas famílias e instituições: o silêncio da vítima como forma de preservar a imagem do agressor, evitar constrangimentos ou impedir que um escândalo venha à tona. Por vezes, episódios traumáticos de abuso sexual são silenciados para não abalar a reputação do agressor, da família e, em algumas situações, da própria instituição. Com isso, a vítima assume um peso ainda maior: além de lidar com as consequências da agressão, precisa enfrentar o medo de não ser acreditada, de ser culpabilizada, de desestabilizar a família ou de prejudicar a instituição à qual pertence. Em vez de encontrar acolhimento, proteção e justiça, pode ser pressionada a carregar sozinha o peso de um segredo que não lhe pertence. Essa inversão de responsabilidades é profundamente perversa. A vergonha deve recair sobre quem praticou a violência, não sobre quem a sofreu. Nenhuma reputação familiar, ministerial ou institucional deve ser colocada acima da dignidade, da segurança e da busca por justiça. O cuidado pastoral não pode ser confundido com o encobrimento do pecado, e o perdão cristão não elimina a necessidade de responsabilização. É necessário, portanto, romper a barreira do silêncio. Isso significa criar ambientes em que crianças, adolescentes e adultos possam relatar situações de abuso sem medo de serem culpabilizados, desacreditados ou constrangidos. Significa ouvir com seriedade, proteger a vítima, buscar ajuda especializada e realizar os encaminhamentos necessários às autoridades competentes. A igreja precisa ser um lugar de acolhimento e proteção, e não um ambiente em que a vítima seja pressionada a silenciar para preservar a imagem de quem a feriu. Faço este pequeno esboço como forma de destacar a importância de abordarmos o tema da prevenção do abuso sexual por meio de palestras, vivências, conversas e atividades lúdicas voltadas especialmente para as crianças. Informar e prevenir o abuso sexual é uma ação que está inteiramente dentro do contexto da missão da Igreja como agência de transformação, à luz do que Paulo ensina em Romanos 12.1-2. Por outro lado, falar sobre uma sexualidade saudável, à luz da Bíblia, também é uma forma de enfrentarmos problemas que muitas vezes permanecem invisíveis na congregação, nos grupos de casais e entre adolescentes, jovens e adultos. Precisamos criar espaços seguros para conversar sobre sexualidade, relacionamentos, limites, consentimento, violência e responsabilidade. O silêncio e a falta de orientação não protegem as pessoas; ao contrário, podem dificultar o reconhecimento e a denúncia de situações de abuso. A Igreja não pode continuar tratando a sexualidade como um assunto. Falar sobre sexualidade de maneira bíblica e responsável é usar e aplicar os ensinamentos bíblicos com sabedoria, verdade e amor. Se realmente queremos cuidar das pessoas e promover uma transformação genuína, precisamos estar dispostos a abordar também temas difíceis, como o do abuso sexual. Falar sobre sexo com propriedade, profundidade, leveza e sempre dentro de uma exegese bíblia, é fundamental para a saúde espiritual e emocional das pessoas, da família e da Igreja. n


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