ANO CXXV EDIÇÃO 42 DOMINGO, 18.10.2026
ISSN 1679-0189 ÓRGÃO OFICIAL DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA FUNDADO EM 1901
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Parabéns, Educador Cristão!
s o d o t a o rtind e v d a , o t sen s i e r r C p a a a s r o a p m ia, ama r l c o o d r e p b a , s o t a da o t “Portan 1.28 m o s c e s n m e s u s o a l Co cad ” a . o o t s d i r n a C n i ens s em o r u d a m s lo Notícias do Brasil Batista
Notícias do Brasil Batista
Missões Mundiais
Notícias do Brasil Batista
Unidos na Missão
100 anos
Cuidado e esperança
Comunicação
Juventude Batista Piauiense anuncia projeto missionário durante culto
Primeira Igreja Batista de Itaperuna - RJ celebra seu centenário
Missões Mundiais fala sobre combate à fome e à insegurança alimentar
Convenção Batista Brasileira inaugura Rede de Comunicadores Batistas
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REFLEXÃO
EDITORIAL
Educação Cristã: uma missão que transforma vidas O Dia do Educador Cristão é uma oportunidade de reconhecer e valorizar aqueles que dedicam seus dons, conhecimentos e tempo à formação de discípulos de Jesus. Mais do que transmitir conteúdos, educar cristãmente é compartilhar os ensinamentos da Palavra de Deus, cultivar valores bíblicos e contribuir para que crianças, adolescentes, jovens e adultos cresçam na fé e no conhecimento do Senhor. A educação cristã ocupa um lugar fundamental na vida da Igreja. Por meio do ensino, gerações são preparadas para viver os princípios do Evangelho, desenvolver seus dons e servir a Deus e ao próximo. Essa missão exige dedicação, amor, compromisso com as Escrituras e disposição para aprender continuamente, reconhecendo que o próprio Cristo é o nosso maior exemplo de Mestre.
Em um mundo marcado por tantas vozes e desafios, o educador cristão tem a responsabilidade e o privilégio de ensinar a verdade bíblica e testemunhar, por palavras e atitudes, os valores do Reino de Deus. Seu trabalho, muitas vezes silencioso, produz frutos que ultrapassam o tempo e alcançam gerações. Neste dia, expressamos nossa gratidão a todos os educadores cristãos que servem nas igrejas, instituições de ensino e organizações batistas. Que o Senhor renove suas forças, conceda sabedoria e fortaleça sua vocação, para que continuem cumprindo essa missão com excelência, fidelidade e amor. Que cada esforço dedicado ao ensino contribua para a formação de discípulos comprometidos com Cristo e com a expansão do Evangelho. n
O JORNAL BATISTA Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso. Fundado em 10.01.1901 INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189 PUBLICAÇÃO DO CONSELHO GERAL DA CBB FUNDADOR W.E. Entzminger PRESIDENTE Raphael H. P. Abdalla DIRETOR GERAL Fernando Macedo Brandão SECRETÁRIO DE REDAÇÃO Estevão Júlio Cesario Roza (Reg. Profissional - MTB 0040247/RJ) CONSELHO EDITORIAL Francisco Bonato Pereira; Guilherme Gimenez; Othon Ávila; Sandra Natividade EMAILs Anúncios e assinaturas: jornalbatista@batistas.com Colaborações: decom@batistas.com REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA Caixa Postal 13334 CEP 20270-972
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Pastor sem mensagem João Emílio Cutis
pastor da Primeira Igreja Batista de Irajá - RJ; professor dos Seminários Batistas da CBB
para pregar, quando perceber que não está em condições. O que não é positivo é a constância da prática de deixar a Igreja sem uma mensagem e reiteradas explicações de não estar bem para pregar. Não se pode esperar que um pregador esteja sempre plainando sobre uma nuvem de alegrias e facilidades. Principalmente pregadores menos experientes tendem a pensar que tudo precisa estar muito bem para que ele esteja apto para a pregação. Não são poucas as ocasiões nas quais um pastor prega sob forte ataque do inimigo sobre sua vida. É da experiencia comum de um legítimo pregador se curvar em oração pedindo ao Senhor que o fortaleça em meio às suas fraquezas, para trazer uma mensagem que edifique a ele próprio e aos seus ouvintes. É famosa a situação de Charles H. Spurgeon, que convivia com suas crises de depressão, mas que pela graça de Deus continuou pregando e abençoando vidas. Em palestra ministrada a estudantes da Escola de Pastores, o grande pregador disse: “crises de depressão acometem a maioria de nós. Animados como possamos ser normalmente, a intervalos temos que ser derrubados. O forte nem sempre é corajoso, e o alegre nem sempre está feliz”1. Portanto, não se espera que o pastor finja ser um homem de aço. O púlpito não é um palco de teatro no qual o pregador vive um personagem encapsulado, protegido dos ataques do maligno e das investidas do mundo. Além disso, o Senhor permite que venham certas provações. É preciso reconhecer que pode ser durante o fogo da provação que Deus molde e purifique um pregador, tornando-o um instrumento mais refinado em suas mãos. Lidamos assim com duas verdades. A primeira é a função essencial da mensagem bíblica em um culto. Culto deve ter ensino das Escrituras. A segunda verdade é que a mensagem é transmitida por uma pessoa humana, imperfeita e sujeita às crises da vida. Diante disso, para não ficar sem mensagem, o pastor deve viver debaixo da dependência de Deus para experimentar o milagre da superação e conseguir cumprir a ordem bíblica: “pregue a Palavra...” (II Timóteo 4.2). Nem sempre o pastor estará bem para pregar, mas muitas vezes é pregando que a Palavra trará vigor e restauração, tanto ao pregador, quanto aos ouvintes e assim se cumprirá o texto bíblico que diz: “...para que se veja que a excelência do poder provém de Deus, não de nós” (II Coríntios 4.7). Portanto, pastor, em meio às suas batalhas pessoais, pela graça de Deus, você jamais será um pastor sem mensagem. n
Com semblante desanimado, o pastor assumiu a palavra no momento de trazer a mensagem naquela manhã de domingo. Depois de uma semana repleta de desafios, as famílias haviam saído de casa e foram ao templo, na expectativa de ouvir uma palavra fundamentada nas Escrituras e receberem uma mensagem. Mas o pastor, um tanto quanto abatido disse: “irmãos, sendo muito sincero, hoje não tenho nenhuma mensagem.” Por um instante, o silêncio dominou o ambiente. No desejo de ser transparente e sincero com a Igreja, o pastor seguiu explicando que não havia passado uma semana fácil em casa. Se desentendeu com a mulher e filhos, o que o desestabilizou de forma a não ter uma palavra para aquele momento. Então resolveu despedir os irmãos em vez de ficar “enchendo linguiça” no púlpito, uma vez que não havia tido “cabeça” para preparar a mensagem, afinal, o pastor também é humano. O culto terminou com um clima bem sem graça. Para piorar a situação, não foi a primeira vez que o fato ocorreu. No mês anterior, por conta de uma conversa difícil antes do culto, o pastor não se viu em condições de pregar, e, em lugar disso, deu uma palavra destemperada e rude, abrangendo vários assuntos que estavam “atrasados” e precisavam ser tratados. No pacote exortativo-profético entrou tudo, desde mascar chicletes e roupas com decotes na Igreja até a forma errada como alguns crentes têm votado nas últimas eleições. Estes e outros temas foram tratados de improviso, no calor da chateação que serviu de combustível para o desabafo em vez da mensagem bíblica. Situações como estas não fortalecem a Igreja, pelo contrário, contribui para gerar cochichos especulativos, insegurança e desconfiança. Quando fatos semelhantes se repetem, os crentes desconfiam da estabilidade emocional do pastor e ficam inseguros se vale ou não a pena deixar o conforto do descanso no lar, em um domingo de manhã, para ouvir um pregador imprevisível. Com isso, não quero dizer que o pastor é alguém emocionalmente imune a qualquer desestabilização. Longe disso! A semelhança do profeta Elias estamos todos sujeitos às mesmas paixões e aos momentos de instabilidades, basta um exame da narrativa contida em I Reis 19.1-4 e a afirmação encontrada em Tiago 5. 17. Na verdade, todo pregador é de 1 SPURGEON, C.H. Lições aos meus alunos Vol. 2. São Paulo: barro (II Coríntios 4.7). Não é incorreto pedir outra pessoa PES, 1982.
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REFLEXÃO
Educação em movimento
Ensinar com profundidade - discipular com proximidade - servir com propósito Genivaldo Felix
pastor, mestre em Educação, membro da OECBB, membro da Igreja Batista VIBE - GO
No terceiro domingo de outubro celebramos o Dia do Educador Cristão. Mais do que uma data comemorativa, este é um momento oportuno para refletirmos sobre a nossa vocação, nossa prática e os desafios que envolvem a Educação Cristã em nossas Igrejas, em um mundo em constante transformação. Ou seja, vivemos em uma sociedade informacional marcada pelas novas tecnologias digitais, Inteligência Artificial (IA), mudanças culturais e por diferentes formas de aprender a ensinar, aprender a aprender e aprender a pensar. Nesse cenário, o ministério de Educação Cristã não pode permanecer estacionado. Ele precisa estar em movimento. Movimento, porém, não significa simplesmente correr atrás das novidades, modismos. Significa caminhar com direção, propósito e intencionalidade em algo que o próprio Deus está realizando compaixão e graça. Para o educador cristão, movimento significa continuar ensinando a Palavra de Deus com profundidade, enquanto encontra maneiras significativas de aproximá-la da vida dos aprendizes. O ensino da Palavra sem relacionamento pode transformar-se apenas em transmissão de informações, lições dadas, mas sem conexão com a realidade dos aprendizes; o relacionamento sem ensino bíblico pode perder sua direção. Como disse Lingon Ducan (2026), “Ninguém ensina bem sem antes ter aprendido bem (...). Ensinamos melhor as Escrituras se as conhecemos melhor”. Por isso, Educação Cristã precisa unir conteúdo bíblico e relacionamento, conhecimento e prática, ensino e discipulado intencional e relacional. É nessa perspectiva que compreendo a educação em movimento. Primeiramente, é importante destacar que se trata de seis movimentos, no mínimo; podendo haver mais.
a Educação Cristã não pode ficar restrita às paredes do templo, da sala de aula ou aos espaços tradicionalmente destinados ao ensino. É possível que, em alguma Igreja os membros se reúnam em Pequenos Grupos Discipuladores (PGMs) para refletir (gr. Reflecte, “voltar a trás”) sobre a temática abordada na EBD. O educador cristão e o professor da Escola Bíblica são chamados a movimentar-se em direção às pessoas. Jesus ensinava nas sinagogas, mas também caminhava pelas estradas, encontrava pessoas em suas casas, conversava à beira do caminho, ensinava junto ao mar e relacionava-se com pessoas em diferentes circunstâncias da vida. O ensino de Jesus estava em movimento porque sua missão estava em movimento. O educador cristão também precisa perguntar: Onde estão as pessoas que precisamos alcançar através do ensino sistemático, objetivo e metódico do Evangelho? Como podemos levar o ensino da Palavra? Eu, abordo algumas facetas do ministério de Jesus no meu livro: “Aprendendo com Jesus na Escola Bíblica Discipuladora e por meio da Sala de Aula Invertida”, (2026). Compartilhar Jesus com os outros é testemunhar, ensinar, ouvir, acompanhar e apontar para Cristo. A Educação Cristã em movimento não espera simplesmente que as pessoas venham. Ela também vai ao encontro delas.
O segundo movimento consiste na prática de um discipulado intencional e relacional. Para exemplificar, volto-me para Jesus, que não apenas ensinou multidões. ele chamou discípulos para caminhar com ele. Havia ensino, convivência, correção, perguntas, experiências, serviço e transformação. O discipulado cristão precisa ser, portanto, intencional e relacional. Intencional, porque não acontece por acaso. É necessário estabelecer objetivos, acompanhar processos e criar oportunidades para o crescimento espiritual. Relacional, porque discípulos não são projetos ou números. São pessoas que precisam ser conhecidas, ouvidas, acolhidas, orientadas O primeiro movimento consiste no compartilhamento e acompanhadas. Nesse sentido, o educador cristão não é de Jesus aos outros. É ir ao encontro das pessoas e com- apenas aquele que ministra uma aula. ele é também alguém partilhar com elas as boas-novas do Reino de Deus. Logo, que caminha com pessoas. Daí a importância de superar a
REFLEXÃO ideia de que ensinar e discipular são ministérios separados. Ensinar com profundidade. Discipular com proximidade. Essa combinação pode transformar a sala de aula em um ambiente de aprendizagem, relacionamento e crescimento espiritual.
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resses e maneiras de aprender. A tecnologia pode contribuir nesse processo, mas ela não substitui o relacionamento. Pelo contrário, quanto mais recursos tecnológicos temos à disposição, maior pode ser a necessidade de proximidade humana. É por isso que a Educação Cristã em movimento precisa equilibrar tecnologia e relacionamento, inovação e O terceiro movimento consiste na atualização per- intencionalidade, recursos digitais e presença. manente para o exercício do ministério. Educação em movimento exige também educadores, professores em O sexto e último movimento consiste no acompanhamovimento. O educador cristão precisa continuar apren- mento dos aprendizes de discípulos. Não basta ensinar e dendo, isto é, aprendizagem ao longo da vida, ou para a depois simplesmente esperar pelos resultados. É preciso vida. A fidelidade às Escrituras não significa imobilida- acompanhar. Quem está aprendendo? O que estão compreende metodológica. Pelo contrário, quanto maior o nosso dendo? Quais são suas dificuldades? Como está aplicando compromisso com a missão de ensinar, maior deve ser a Palavra à sua vida? Em que precisa ser orientado? Como também nossa disposição para aprender, aprender com está avançando no processo de discipulado? O acompao outro. Precisamos atualizar conhecimentos bíblicos, nhamento transforma a educação em processo contínuo. O pedagógicos, tecnológicos e culturais. Cada vez mais se acompanhamento pode acontecer por meio de conversas, tem acesso a recursos didáticos disponíveis para ensi- pequenos grupos, encontros individuais, atividades, registros nar a Palavra. Por outro lado, precisamos compreender de aprendizagem, projetos, momentos de oração e diferentes as novas gerações, suas linguagens, seus contextos e formas de cuidado. Quem ensina com profundidade precisa seus desafios. A atualização permanente não significa também acompanhar com proximidade. Educação Cristã: abandonar aquilo que recebemos, mas buscar maneiras sempre em movimento. mais adequadas de comunicar aquilo que é essencial. O conteúdo permanece fundamentado na Palavra; as formas Quando pensamos nesses seis movimentos percebemos de ensinar podem e precisam dialogar com o tempo em que a Educação Cristã não pode ser compreendida como que vivemos. Um educador que ensina precisa continuar algo estático. Ela é uma caminhada. É movimento da Palasendo aprendiz dedicado na arte de tecer o conhecimento vra para a vida em transformação (Romanos 12.1-2). É um da Palavra com a iluminação do Espírito Santo. movimento do conhecimento para a prática. É movimento da sala de aula para o relacionamento. É movimento do enO quarto movimento consiste na adoção de métodos sino para o discipulado. É movimento do discipulado para o ativos. Outro movimento educacional necessário está rela- serviço. Por isso, o educador cristão precisa estar disposto cionado às nossas práticas pedagógicas na Escola Bíblica. a sair da zona de conforto sem sair do fundamento bíblico; Durante muito tempo, o processo de ensino esteve fortemen- experimentar novas possibilidades sem transformar métodos te centrado na exposição do professor. O professor falava; em fins; utilizar tecnologias sem perder o relacionamento; o aluno ouvia. O professor ensinava; o aluno recebia. Os atualizar-se sem abandonar a essência; ensinar conteúdos métodos ativos nos convidam a pensar de outra maneira. sem esquecer que está formando pessoas, algo que tem um Perguntas, estudos de caso, resolução de problemas, de- caráter geracional. A Educação Cristã em movimento não bates, projetos, aprendizagem colaborativa, experiências é uma educação sem direção. É justamente o contrário. É práticas, produção de conteúdos e outras estratégias podem movimento com propósito. E esse propósito está relacionado colocar o aprendiz em uma posição mais participativa, como à Grande Comissão de Jesus: fazer discípulos. protagonista de sua própria aprendizagem da Palavra de Talvez, você não veja imediatamente os frutos do seu Deus. Isso não significa diminuir a importância do professor. trabalho. Talvez, algumas aulas pareçam não produzir resulSignifica ampliar sua função. O professor deixa de ser apenas tados. Talvez alguns aprendizes pareçam desinteressados. transmissor de informações e passa a atuar também como Continue em movimento. Estude. Ore. Ensine. Ouça. Aproximediador, facilitador, mentor e discipulador. Na Educação me-se. Discipule. Acompanhe. Sirva. Porque Educação Cristã Cristã, essa mudança é especialmente significativa. Quere- não é apenas uma tarefa que realizamos. É uma vocação que mos que nossos aprendizes não apenas saibam responder vivemos. Que Deus nos ajude a sermos educadores que não perguntas sobre a Bíblia, mas sejam capazes de interpretar, estejam simplesmente ocupados em ensinar conteúdos, mas refletir, aplicar e viver a Palavra de Deus. Método não é fim. comprometidos em formar discípulos de Jesus. Educação Método é meio. Cristã em Movimento. Porque quem ensina a Palavra também é chamado a caminhar com pessoas. O quinto movimento consiste no ensino híbrido e personalizado e/ou individualizado. A tecnologia também colocou REFERÊNCIA a Educação Cristã diante de novos caminhos. O ensino híBÍBLIA SHEDD. Almeida Rev. e Atual. São Paulo: Vida brido permite integrar diferentes espaços, tempos, recursos e experiências de aprendizagem. O ambiente presencial Nova, 1997. SILVA, Genivaldo Félix da. Sala de aula invertida na escola continua sendo fundamental, mas pode dialogar com recursos digitais, atividades on-line, vídeos, plataformas, textos, bíblica e nas tecnologias digitais. Uma alternativa para a podcasts e outras possibilidades. O ensino personalizado, educação cristã eficaz na igreja. Curitiba: CRV, 2025. _____________________. Aprendendo com Jesus na Escola por sua vez, chama nossa atenção para uma verdade simples: os aprendizes não são iguais. Eles possuem diferentes Bíblica Discipuladora e por meio da Sala de Aula Invertida. histórias, ritmos, conhecimentos prévios, dificuldades, inte- Goiânia: 2026. Livro do Prelo. n
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REFLEXÃO
O educador cristão em movimento: ide e ensinai Da sala estática à missão que transforma vidas em tempos líquidos
Dorcas Rodrigues Silva de Recamán
doutora em Ciências da Educação, escritora, membro da PIB Jacaraipe, em Serra - ES, atuando na liderança da Congregação Batista do Setor América em Cidade Continental, em Serra- ES
teúdo: é uma vocação para transformar vidas. A Escritura serve para ensinar e preparar o servo de Deus para toda boa obra (II Timóteo 3.16-17). Uma pesquisa de 2026 mostrou que o número de professores jovens no Brasil caiu mais de 30%, e a projeção é que faltem cerca de 235 mil professores até 2040 (Instituto SEMESP, 2022; SEMESP 2026). Se a sociedade sente falta de quem ensine, a igreja sente falta de quem ensine com propósito e com a Bíblia no centro. Por isso, vale refletir sobre três perguntas: quem sou eu como educador, como eu ensino e para quem eu ensino. A Figura 2 mostra como essas três perguntas funcionam como pilares que levam à formação integral.
Vivemos um tempo de mudanças rápidas, que o sociólogo Zygmunt Bauman chamou de “modernidade líquida”: um mundo em que quase nada é fixo e a incerteza faz parte do dia a dia. Isso afeta a escola, a família e a Igreja. O educador cristão que antes tinha uma sala, um quadro e uma lição pronta hoje é chamado a se mover. Mover-se, porém, não é fazer mais atividades ou viver correndo. É assumir o chamado de ensinar com os pés no chão da realidade, indo ao encontro das pessoas onde elas estão. E esse chamado Figura 2: Os três eixos de análise da educação cristã é urgente. A Figura 1 resume essa mudança: do ensino como batista simples transmissão para o ensino como vocação. Figura 1: Do ensino como transmissão ao ensino como vocação para transformação
Fonte: Elaboração própria (2026) A Ordem dos Educadores Cristãos Batistas do Brasil (OECBB) lembra que educar na fé vai além de ensinar con-
Fonte: Elaboração própria (2026)
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Quem sou eu como educador?
Para quem eu ensino?
Antes de pensar em métodos ou em alunos, é preciso olhar para si mesmo. O educador cristão é, antes de tudo, um discípulo. Jesus disse que basta ao discípulo ser como o seu mestre (Mateus 10.25), e isso muda o foco: o ensino passa a girar em torno do relacionamento, primeiro com Deus e depois com as pessoas. Quando Jesus mandou fazer discípulos, “ensinando-os a guardar todas as coisas” (Mateus 28.19-20), deixou claro que ensinar faz parte da missão da Igreja, e não é um setor secundário. A palavra “vocação” quer dizer “chamado”. Os Batistas valorizam o sacerdócio de todos os crentes, a ideia de que cada membro serve com os dons que recebeu, e o ensino é um desses dons (Romanos 12.7; Efésios 4.11). Assim, o educador não é um simples ajudante do pastor, mas alguém que exerce um ministério próprio. Muitas igrejas colocam professores nas classes apenas porque “falta alguém”, mas quando a pessoa entende que foi chamada, ela se prepara melhor, é mais constante e cuida mais dos alunos. Esse chamado se confirma pela vida, pois o educador ensina também pelo exemplo (I Coríntios 11.1). Essa identidade envolve a vida espiritual, porque ninguém leva outros aonde nunca foi; o relacionamento, porque o professor conhece cada aluno pelo nome; o preparo, porque o chamado não dispensa estudo; e a missão, porque ensinar é parte do que a igreja faz no mundo. Há desafios, como usar o “chamado” para justificar a falta de preparo, o peso da responsabilidade (Tiago 3.1) e o cansaço de professores sem apoio. Por isso a igreja precisa cuidar dos seus educadores, descobrindo quem tem o dom, oferecendo formação contínua e reconhecendo publicamente esse ministério.
Dados analisados pela OECBB mostram que apenas um em cada onze adolescentes vive uma fé que realmente influencia suas escolhas. Isso pede uma educação cristã mais próxima, relevante e firmada na Bíblia, porque o mais importante não é quanto o aluno aprendeu, mas como a vida dele muda por causa do que aprendeu. A geração Z é interativa, questionadora e tem pouca paciência para longas falas em que só uma pessoa fala. Por isso, o ensino participativo é justamente a resposta para esse perfil. Esses jovens também percebem rapidamente quando alguém diz uma coisa e vive outra, e por isso a vida do educador precisa confirmar o que ele ensina. O professor que vê seu papel como serviço, e não como palco, abre espaço para que o jovem pergunte, discorde e descubra o sentido da fé para a própria vida.
Como eu ensino? A segunda reflexão trata do jeito de ensinar. A OECBB observa que modelos engessados, que se repetem sempre da mesma forma, não levam as pessoas a uma experiência mais profunda com Deus. Pense na aula tradicional da Escola Bíblica Dominical: o professor lê a lição, explica e encerra, e os alunos quase não perguntam. Explicar é importante, mas quando só isso acontece o resultado costuma ser muita informação e pouca transformação. Hoje, o educador é chamado a ser um facilitador: alguém que cria momentos em que a turma pergunta, pesquisa, conversa e liga o texto bíblico à própria vida, usando estudos de caso, pequenos grupos, situações-problema e perguntas abertas. O grande exemplo é Jesus, que ensinava com perguntas, parábolas e conversas pessoais. No caminho de Emaús, Ele primeiro caminhou junto, perguntou e ouviu, e só depois explicou as Escrituras (Lucas 24.13-35). Mas é preciso equilíbrio. Facilitar não é renunciar ao conteúdo nem deixar a aula virar um festival de opiniões: a Bíblia continua sendo a referência. E facilitar exige mais preparo, não menos. Na prática, isso aparece em coisas simples, como organizar as cadeiras em círculo, dar espaço para os alunos contarem suas experiências e observar se houve mudança de atitude, e não só se decoraram a lição.
Um educador que sai do lugar O educador cristão em movimento deixa a posição parada à frente da turma e passa a estar presente na vida dos alunos. Deixa a aula pronta e passa a planejar com oração. Deixa um ensino voltado só para a cabeça e busca uma formação completa, que envolva mente, emoções, relacionamentos e fé. A obra de Deus precisa de projetos intencionais, como o PEC, Projeto Educacional Cristão, com acompanhamento e mentoria. Como diz Isaías, o nobre faz planos nobres e neles permanece firme (Isaías 32.8). Para o educador em movimento, ensinar é participar da missão de levar pessoas a Cristo. REFERÊNCIAS BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Tradução de Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Zahar, 2001. BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. 2. ed. rev. e atual. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993. ORDEM DOS EDUCADORES CRISTÃOS BATISTAS DO BRASIL. O educador cristão, um discípulo: uma reflexão de Mateus 10.25a. São Paulo: OECBB, 2024a. ORDEM DOS EDUCADORES CRISTÃOS BATISTAS DO BRASIL. A geração Z e o desafio da educação cristã. São Paulo: OECBB, 2024b. ORDEM DOS EDUCADORES CRISTÃOS BATISTAS DO BRASIL. A prática educativa do educador no contexto da igreja. São Paulo: OECBB, 2024c. ORDEM DOS EDUCADORES CRISTÃOS BATISTAS DO BRASIL. O educador cristão, o coração da missão batista na formação de vidas. São Paulo: OECBB, 2025a. Disponível em: https://oecbb.com.br/o-educador-cristao-o-coracao-da-missao-batista-na-formacao-de-vidas/. Acesso em: 27 set. 2026. ORDEM DOS EDUCADORES CRISTÃOS BATISTAS DO BRASIL. O papel do professor e do facilitador no ensino bíblico moderno. São Paulo: OECBB, 2025b. SEMESP. Apagão dos professores: o desafio da renovação dos professores no Brasil. 2. ed. São Paulo: Instituto Semesp, set. 2026. n
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MISSÕES NACIONAIS
O poder de Deus ultrapassa fronteiras! Missões Nacionais “Todas as nações que fizeste virão e se prostrarão perante a tua face, Senhor, e glorificarão o teu nome. Porque tu és grande e operas maravilhas; só tu és Deus” (Sl 86.9-10). O Impacto Brasil aconteceu de 10 a 12 de outubro, por meio de igrejas que decidiram se envolver com a missão de anunciar o Evangelho pelas ruas, praças e casas. Que tempo especial! Os voluntários vestiram a camiseta amarela Jesus Transforma e, assim, percorreram o bairro para falar sobre
Jesus, abençoar vidas, ouvir histórias, orar com as pessoas. Em Guajará-Mirim, no estado de Rondônia, brasileiros e bolivianos foram tocados pela mensagem viva e transformadora do Evangelho. Do outro lado da fronteira, em Guayaramerín, na Bolívia, o amor de Cristo continua avançando e levando esperança a vidas que precisam ouvir as Boas-Novas. A s ve n t a rolas foram usadas como ferramentas evangelísticas para compartilhar a Palavra de Deus, semear fé e anunciar que, em Cristo, há salvação, restauração e esperança. Esse foi um tempo de intenso impacto e mobilização missionária. O Evangelho continua avançando, alcançando povos, unindo nações e transformando vidas pelo poder de Jesus! Cada gesto de amor, cada palavra anunciada e cada semente plantada pode alcançar uma vida. n
NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA
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JUBAPI reúne cerca de 400 pessoas e anuncia projeto missionário no Piauí Culto teve o tema “Unidos na Missão”.
Culto reuniu, aproximadamente, 400 pessoas dentre as quais estavam jovens, pastores e líderes de diversas Igrejas Batistas da capital piauiense e de outras cidades
Julie Lustosa Luz Lemos
secretária da Juventude Batista Piauiense
Na última sexta-feira, 09 de outubro, a Juventude Batista Piauiense (JUBAPI) esteve na Primeira Igreja Batista de Teresina - PI para uma noite especial de adoração ao Senhor. Com o tema “Unidos na Missão”, o culto reuniu, aproximadamente, 400 pessoas dentre as quais estavam jovens, pastores e líderes de diversas Igrejas Batistas da capital piauiense e de outras cidades. Entre eles estava o pastor Bruno Alves, presidente da Juventude Batista Meio Norte (JUBAMN). A Palavra foi ministrada pelo pastor Raphael Abdalla, presidente da Convenção Batista Brasileira (CBB), que falou aos jovens sobre a necessidade de conhecer a Cristo verdadeiramente e do comprometimento com a missão. Os momentos de adoração foram conduzidos pelo ministério de louvor da Igreja Batista da Vermelha e pelo Coral de Jovens da Primeira Igreja Batista de Teresina. Na ocasião, a diretoria da JUBAPI apresentou de forma oficial o projeto de consolidação da Congregação Batista na Serra do Inácio e comunicou a abertura do PAM (Programa de Adoção Missionária). Essa localidade fica no município
PIB de Teresina recebeu o “Unidos na Missão”
Pr. Raphael Abdalla foi o preletor do encontro
de Betânia do Piauí, uma das regiões piauienses que ainda não haviam sido alcançadas pela presença batista. Através do trabalho da juventude, uma comunidade de irmãos agora está em processo de arrolamento à denominação através da Convenção Batista Piauiense. A iniciativa tomada pela JUBAPI deu-se em razão de seu propósito de ser atuante na propagação do evangelho e de gerar oportunidades para os jovens se envolverem ativamente com a obra missionária no nosso estado. Esse momento fez parte do Congresso Missionário da Juventude Batista Piauiense, que seria realizado em três dias, mas que, devido a um incêndio no sítio onde o evento seria realizado, precisou ser adiada por tempo indeterminado. A celebração, portanto, foi uma oportunidade de agradecer ao Senhor pela proteção e livramento, além de fortalecer os laços entre os jovens batistas do Piauí e Maranhão e, ainda, de renovar a consciência de que a missão da Igreja deve ser vivida intencionalmente. Unidos em Cristo, os jovens são chamados a testemunhar o Evangelho, alcançar vidas e cooperar para que o nome do Senhor seja conhecido e exaltado. n
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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA
Primeira Igreja Batista de Itaperuna - RJ celebra 100 anos de uma história que continua Cem anos de fé, serviço, vidas transformadas e uma certeza: Deus esteve presente em cada capítulo.
Parte das celebrações do centenário da PIB Itaperuna
Fachada da Igreja há alguns anos
Primeira Igreja Batista de Itaperuna - RJ
desta igreja — mais de três décadas de sua vida caminhando ao lado desse rebanho. E o atual pastor, Thiago Soares, que Toda grande história tem uma origem. Algumas começam completa dez anos à frente da PIBI, conduzindo a igreja neste em grandes edifícios. Outras começam de maneira simples, momento tão significativo de sua história. quase silenciosa, com poucas pessoas e uma fé que ainda não sabe o tamanho do caminho que terá pela frente. A hisOs números que não contam tudo tória da Primeira Igreja Batista de Itaperuna começou assim. Antes do templo, houve uma fazenda. Foi na Fazenda São Os números desses cem anos impressionam: aproximaDomingos que a semente da fé batista começou a florescer damente 36.500 dias de história, 144.000 cultos e pregações, nessa região. Dali brotou a Igreja Batista de Itajara e, com o milhares de batismos, centenas de casamentos, 23 diácopassar do tempo, alguns daqueles irmãos seguiram para o nos e diaconisas consagrados e 12 igrejas organizadas a centro urbano de Itaperuna, trazendo consigo a fé, o desejo partir desse trabalho. Mas há coisas que nenhum número de servir e o compromisso de anunciar o Evangelho. Até que, consegue contar. em 30 de setembro de 1926, essa caminhada ganhou um Não existe estatística para medir uma lágrima derramada novo capítulo com a organização da Primeira Igreja Batista durante uma oração. Não existe relatório capaz de registrar de Itaperuna. o abraço que sustentou alguém em um dia difícil. Não existe A Igreja passou pela Rua Dez de Maio, pela Rua Buarque cálculo para uma vida que encontrou Jesus. Por isso, talvez o de Nazareth e chegou à Avenida Cardoso Moreira, 691, onde maior patrimônio desses cem anos não esteja nos números. permanece até hoje. Esteja nas vidas. Dezessete pastores, uma só história
Uma Igreja que aprendeu a servir
Ao longo desses 100 anos, 17 pastores tiveram a responsabilidade de conduzir a PIBI em diferentes períodos de sua história: Antônio Bernardo Júnior, Erodice Fontes de Queiroz, Antidio de Souza, José Basílio de Souza, Elias Portes Filho, Isaac Martins, José Joaquim da Oliveira, Virgílio Faria, Plácido Moreira, Abelar Suzano de Siqueira, Ozéias Ramos de Faria, Elias Gomes Vidal, Delphino Eugênio Vieira, Joaquim de Paula Rosa, Gessy Fructuoso, Isaac Ferreira Pimentel e Tiago Soares. Cada nome representa um tempo. Cada tempo, uma contribuição. Cada pastor, uma parte dessa história. Entre eles, três períodos se destacam pela longevidade e pelo vínculo construído com a igreja. O pastor Abelar Suzano de Siqueira, que esteve à frente da PIBI durante 24 anos. O pastor Gessy Fructuoso, que dedicou 36 anos ao pastoreio
Durante sua caminhada, a PIBI manteve o coração aberto para a comunidade. Por meio da Creche Clamor – Obras Sociais e Educacionais, muitas famílias, especialmente do Morro do Castelo, foram alcançadas. Congregações, projetos e ministérios foram surgindo e fazendo da igreja um lugar de evangelização, discipulado, acolhimento e serviço. Setembro: um mês inteiro para celebrar um século de fé O centenário da PIB de Itaperuna não se resumiu a uma única celebração. Setembro de 2026 entrou para a história da igreja como um mês inteiro de comemorações, reunindo família, música, louvor, cultura, comunhão, memória e gratidão.
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5 e 6 de setembro - Congresso da Família
sica, aquilo que durante 100 anos foi vivido através da fé. Louvores especialmente preparados para o centenário fizeram parte dessa celebração, transformando memórias, gratidão e experiências em canções.
As comemorações começaram nos dias 5 e 6 de setembro, sábado e domingo, com o Congresso da Família, que contou com a participação do pastor Gilson Bifano.
28 de setembro - louvor e adoração com o Grupo Logos
13 de setembro - pastor João Marcos e grupo Hagios No domingo, 13 de setembro, o templo da Primeira Igreja Batista recebeu mais uma celebração especial, com a participação de pastor João Marcos Barreto Soares, diretor-executivo da Junta de Missões Mundiais e do grupo Hagios.
Na segunda-feira, 28 de setembro, a celebração continuou com uma noite de louvor e adoração com o grupo Logos. Celebração do centenário
17 de setembro - “100 anos de fé” Na noite de 17 de setembro, a Praça São Pedro recebeu uma grande celebração comemorativa intitulada “100 Anos de Fé”. O evento contou com a participação do cantor PG, além de autoridades locais, entre elas o prefeito, o vice-prefeito e o presidente da Câmara Municipal. Também estiveram presentes líderes de outras tradições cristãs. 19 de setembro - “raízes de fé, sementes de progresso”
29 e 30 de setembro - a celebração do centenário
Nos dias 29 e 30 de setembro, chegaram os momentos culminantes das comemorações. A celebração do centenário contou com a participação do pastor Heber Aleixo, reunindo a igreja para momentos especiais de Palavra, comunhão, louvor e gratidão. E, no dia 30 de setembro, data em que a Primeira Igreja Batista de Itaperuna completou oficialmente cem anos de sua organização, a celebração ganhou ainda outro momento de confraternização. Após o culto, a comemoração seguiu para as dependências do ITC — Itaperuna Tênis Clube, onde irmãos, familiares e convidados participaram de uma grande confraternização.
No sábado, 19 de setembro, a história da Igreja ganhou as telas do cinema. No Cine Ritz Itaperuna, foi exibido o filUm centenário feito por muitas mãos me “Raízes de Fé, Sementes de Progresso”, produzido pela ONA Films, especialmente em comemoração ao centenário As comemorações de 2026 mostraram que o centenáda igreja. rio da PIBI não foi construído por uma única pessoa. Foi construído por muitas mãos. Pastores. Ministros. Músicos. 20 de setembro - pastor Fernando Brandão Líderes. Famílias. Jovens. Crianças. Diáconos. Diaconisas. e a ministra Denise Marambaia Voluntários. Irmãos que trabalharam nos bastidores. Pessoas que cantaram. Pessoas que oraram. Pessoas que organiNo domingo, 20 de setembro, a programação continuou zaram. Pessoas que registraram a história. E entre essas com mais um culto de celebração. Desta vez, a Igreja recebeu contribuições está o trabalho da ministra de música Josiane o pastor Fernando Brandão e a ministra Denise Marambaia, Gil e de toda a equipe responsável pela música, que ajudou a em mais um momento dedicado ao louvor, à adoração e à transformar o centenário em uma experiência que pudesse gratidão. ser não apenas lembrada, mas também cantada. 27 de setembro - Jubileu de Jequitibá
Uma nova página
O domingo, 27 de setembro, foi um dos dias mais simbólicos das comemorações do centenário da Primeira Igreja Batista de Itaperuna. Durante o dia, a história da igreja ganhou as ruas da cidade com uma grande carreata do centenário, que percorreu o centro de Itaperuna e diversos bairros. A carreata terminou no Alma, onde aconteceu um gesto carregado de significado: o plantio de uma muda de jequitibá, símbolo escolhido para representar os cem anos da Igreja.
E é justamente aqui que a história encontra o presente. O pastor Thiago Soares, depois de dez anos à frente da PIBI, vive com a igreja um dos momentos mais simbólicos de sua caminhada. Ele recebeu uma igreja que não começou com ele e que, certamente, não terminará com ele. Recebeu uma herança construída por muitas mãos. Há pessoas que participaram do começo dessa história e não estão mais aqui para celebrar os cem anos. Há vozes que se calaram. Mãos que já descansaram. Joelhos que um dia se dobraram em oração e hoje pertencem à eternidade. Mas aquilo que fizeram permanece. Fica numa família. Fica numa criança. Fica numa vida transformada. Fica na história. E fica diante de Deus. Que a PIB de Itaperuna continue sendo uma igreja de portas abertas, de coração acolhedor, de fé viva e de compromisso com o Evangelho. Em 1926, uma porta se abriu. Cem anos depois, ela continua aberta. n
O grande musical do centenário E o dia 27 ainda reservava outro momento especial. À noite, a música tomou conta da celebração com o Grande Musical do Centenário, conduzido pela ministra de música Josiane Gil, com toda a equipe da PIB. Foi uma noite preparada para celebrar, através da mú-
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MISSÕES MUNDIAIS
Mais que alimento, histórias de cuidado e esperança Jamile Darlen
Redação de Missões Mundiais
“Não se esqueçam de fazer o bem e de repartir com os outros o que vocês têm, pois de tais sacrifícios Deus se agrada” (Hebreus 13.16 - NVI). O combate à fome e à insegurança alimentar já fazia parte da atuação de Missões Mundiais quando, em 2020, a pandemia de covid-19 agravou a crise econômica mundial. Diante desse cenário, o Pr. João Marcos B. Soares, diretor-executivo de Missões Mundiais, desafiou as igrejas brasileiras a atender às necessidades alimentares de famílias em São Tomé e Príncipe, na África. Assim nasceu a campanha Há Fome no Mundo (HFM), inicialmente voltada à distribuição emergencial de cestas básicas, que também alcançou famílias no Haiti, em Moçambique, na Colômbia e na Venezuela. Com o aumento das ofertas recebidas, o HFM ampliou suas ações, deixando de ser apenas uma resposta emergencial. Hoje, integra os programas de saúde de Missões Mundiais, no âmbito do Desenvolvimento Comunitário, reunindo projetos que oferecem alimentos a famílias em situação de vulnerabilidade. Seu propósito vai além da doação: busca acompanhar as pessoas beneficiadas e promover ações que as ajudem a utilizar seus próprios recursos e alcançar melhores níveis de segurança alimentar. Na cidade de Huambo, em Angola, um testemunho daquele período revela a importância desse trabalho. Em meio às dificuldades econômicas que atingiam toda a comunidade, a Escola Pamosi era a única da cidade a oferecer merenda escolar, graças ao apoio do Há Fome no Mundo. Para os alunos, receber esse alimento fez diferença, contribuindo para sua permanência na escola e a continuidade dos estudos. Os anos passaram, mas a necessidade de garantir alimento às crianças permanece. E o compromisso de Missões Mundiais também. Em 2026, a missionária Rosângela Teck, coordenadora da Escola Pamosi, compartilhou novos testemunhos que mostram como essa iniciativa continua fazendo diferença na vida de crianças e famílias. É o caso de Isabel. Durante uma visita à sua casa, a mãe contou à equipe missionária que estava muito satisfeita com as mudanças positivas que vinha observando no comportamento da filha. Compartilhou também algo especial: Isabel havia ensinado à família uma receita que conheceu por meio da alimentação oferecida na escola, preparada com rabanete, couve e ovo cozido. O prato foi tão apreciado que passou a fazer parte das refeições da casa. Da alimentação escolar ao combate à desnutrição Na Venezuela, onde a insegurança alimentar continua afetando a população, especialmente as crianças, profissionais de saúde de Missões Mundiais desenvolveram a Farinha Enriquecida, carinhosamente chamada de FÉ, para combater a desnutrição infantil. Produzida com farelo de milho, gergelim e folhas verdes, a FÉ é um suplemento oferecido junto à merenda escolar nas unidades atendidas do PEPE a crianças em situação de desnutrição. Segundo a nutricionista e missionária Gabrie-
la Mendes, sua composição reúne nutrientes importantes para o desenvolvimento e o funcionamento do organismo. A iniciativa também beneficia outros grupos vulneráveis, conforme conta a missionária Ruth Cordeiro. Avós de crianças atendidas pelo PEPE e idosos da comunidade recebem a farinha, além de participarem Carlos Escalante de ações de evangelização e recebendo a FÉ - Farinha discipulado. Entre os relatos Enriquecida, na Venezuela compartilhados está o de Carlos Escalante, que enfrentava dificuldades para caminhar e convulsões frequentes. Após começar a receber a FÉ, Carlos apresentou melhoras em sua condição. Segundo o testemunho compartilhado, ele voltou a caminhar sozinho e deixou de apresentar convulsões. Os missionários celebram sua recuperação com gratidão a Deus. Essas histórias revelam como o Há Fome no Mundo continua presente no cotidiano de crianças, famílias e idosos. Atualmente, o programa desenvolve ações em Angola, na Venezuela e em Burkina Faso, onde apoia a alimentação de crianças atendidas pela Tenda de Brincar. Seja por meio da merenda escolar, da distribuição de alimentos ou de iniciativas de suplementação alimentar, o HFM permanece como uma expressão concreta do amor de Deus, sustentado pelas orações e ofertas de quem participa da obra missionária. De 2020 a 2026, o Há Fome no Mundo já beneficiou aproximadamente 10.900 pessoas. Atualmente, o programa mantém ações em Angola, na Venezuela e em Burkina Faso, contribuindo para o cuidado alimentar de crianças, famílias e idosos. Neste mês, em que celebramos o Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro) e o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza (17 de outubro), somos convidados a refletir sobre duas realidades profundamente relacionadas: a fome e a pobreza, que comprometem a dignidade e as oportunidades de milhões de pessoas ao redor do mundo. Diante desses desafios, Missões Mundiais agradece a Deus pela generosidade dos batistas brasileiros que, ao longo dos anos, têm contribuído para levar alimento, cuidado e esperança a pessoas em situação de vulnerabilidade. Nossa gratidão vem acompanhada de um convite à oração. Interceda pelas crianças e famílias que enfrentam a fome e a pobreza, por missionários e equipes que atuam nessas comunidades e pela provisão dos recursos necessários para manter e ampliar as iniciativas que promovem a segurança alimentar, o cuidado e a melhoria das condições de vida das pessoas atendidas. Se você deseja apoiar os projetos do Programa Há Fome no Mundo, acesse https://missoesmundiais.colabore.org/hafomenomundo ou faça sua oferta pelo Pix: hafome@doeagora.com. Que Deus continue usando a generosidade de seu povo para levar alimento, cuidado e esperança a quem mais precisa, abrindo caminhos para que mais pessoas conheçam o amor de Jesus. n
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CBB inaugura Rede de Comunicadores Batistas e promove capacitação para profissionais de todo o Brasil Encontro reuniu comunicadores de igrejas, convenções e organizações batistas e contou com palestra de Elis Amâncio. Gerência de Comunicação da Convenção Batista Brasileira A Convenção Batista Brasileira (CBB) realizou, em 16 de outubro, o primeiro encontro da Rede de Comunicadores Batistas, iniciativa que busca conectar profissionais e equipes de Comunicação de Igrejas, Associações, Convenções estaduais e regionais, organizações e instituições Batistas de todo o Brasil. O encontro marcou o início de uma nova etapa de integração, colaboração e capacitação, com o propósito de fortalecer a comunicação da denominação e ampliar o alcance da mensagem do Evangelho. Durante a programação, os participantes conheceram os objetivos da rede e acompanharam uma palestra da jornalista Elis Amâncio, especialista em mídias digitais, mídias sociais e marketing digital, com experiência em Comunicação Cristã, assessoria de imprensa, estratégia digital, consultoria e formação de líderes. A iniciativa integra a perspectiva de Comunicação integrada presente no planejamento estratégico da CBB para o período de 2027 a 2033. Entre os objetivos apresentados estão aproximar os comunicadores batistas, incentivar a troca de experiências, promover capacitação, integrar calendários e campanhas e estimular a produção colaborativa de conteúdo. A proposta também prevê o compartilhamento de conhecimentos e estruturas de Comunicação. Dessa forma, equipes com maior experiência e recursos poderão contribuir com outras Igrejas e organizações, fortalecendo o trabalho desenvolvido em diferentes regiões do país. Comunicação estratégica a serviço do Reino Na palestra, Elis Amâncio destacou a importância de compreender o comportamento das pessoas no ambiente digital e utilizar dados para orientar as decisões de Comunicação. A jornalista apresentou informações sobre o uso da internet, das redes sociais e de outras plataformas no Brasil, ressaltando a relevância desses canais para alcançar públicos diversos. Segundo a palestrante, o planejamento não deve se limitar à frequência das publicações ou à escolha de dias e horários para postar. É necessário analisar os resultados, conhecer o público, definir objetivos e avaliar quais conteúdos realmente contribuem para a missão de cada igreja ou organização. Elis também chamou a atenção para indicadores como retenção de audiência, compartilhamentos, salvamentos, comentários, visitas ao perfil, cliques e inscrições. Mais do que observar o número de curtidas e visualizações, os comunicadores precisam compreender se o conteúdo está alcançando novas pessoas, edificando a comunidade, mobilizando ações e promovendo relacionamentos. Outro ponto abordado foi a importância de produzir conteúdos adequados às características de cada plataforma, sem a necessidade de estar presente em todas as redes sociais. A definição dos canais deve considerar o público que se deseja alcançar, os objetivos da comunicação e a
Comunicadores Batistas de todo o Brasil participaram do encontro
capacidade de execução de cada equipe. A palestrante também incentivou o aproveitamento de conteúdos já produzidos. Uma pregação, por exemplo, pode originar vídeos curtos, áudios, carrosséis, devocionais e outros materiais, ampliando as possibilidades de distribuição da mensagem. Ao concluir, Elis Amâncio lembrou que, por trás dos números e das métricas, existem pessoas. Para ela, o trabalho dos comunicadores cristãos deve estar comprometido com o propósito de proclamar o Reino de Deus. Integração, cooperação e próximos passos Além da capacitação, o encontro apresentou iniciativas para tornar a Rede de Comunicadores Batistas um espaço permanente de relacionamento e cooperação. Os participantes foram convidados a compartilhar suas experiências, apresentar desafios e sugerir temas para futuras atividades. A CBB também anunciou a proposta de um portal de notícias dos Batistas, associado ao desenvolvimento de um novo site institucional. A ferramenta deverá permitir que equipes de Comunicação de igrejas, convenções e organizações criem perfis e enviem notícias, informações sobre eventos e iniciativas, ampliando a participação colaborativa na divulgação do que acontece no Brasil Batista. Na ocasião, não foi anunciada uma data de lançamento. Outra iniciativa apresentada foi a integração das equipes de Comunicação durante a 106ª Semana Batista, prevista para 18 a 24 de janeiro de 2027, em Brasília - DF. A proposta é que os profissionais atuem como parte de uma rede colaborativa, com acesso a um espaço compartilhado de trabalho e estrutura de apoio à cobertura do evento. A CBB também sinalizou a realização de um encontro presencial específico para comunicadores batistas em 2027, no contexto do mês da Comunicação Batista, em abril ou maio. A data deverá ser divulgada posteriormente. A Rede de Comunicadores Batistas pretende, assim, fortalecer os vínculos entre os profissionais, estimular a capacitação contínua e promover o uso estratégico dos recursos disponíveis, para que as iniciativas das igrejas e organizações alcancem mais pessoas. Sob o princípio de que os batistas são um na excelência da cooperação, a iniciativa reafirma que comunicar o Reino é uma missão compartilhada, que exige planejamento, criatividade, compromisso e disposição para caminhar juntos. n
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PONTO DE VISTA
Quando o educador se move, a educação acontece
Ensinar é também aprender,acolher e transformar Eliszangela Santos
educadora cristã, pedagoga, professora, escritora, mediadora de Conflitos
Educar é movimento. Movimento de quem ensina, de quem aprende e, principalmente, de quem compreende que nenhuma pessoa chega até nós como uma página em branco. Cada aluno traz consigo histórias, perguntas, experiências, silêncios e sonhos. Por isso, ser educador é aceitar o desafio de continuar caminhando e aprendendo. O educador em movimento não abandona os fundamentos que sustentam sua prática. Pelo contrário, possui raízes que lhe permitem avançar sem perder sua essência. É possível preservar valores e aprender novas metodologias; utilizar novas tecnologias sem esquecer as relações humanas; ensinar princípios permanentes por meio de novas linguagens. Como nos orienta a Palavra: “[...] mas, examinando tudo, conservai o que é bom.” (1Tessalonicenses 5.21). Durante minha caminhada como educadora, tenho aprendido que nem todo silêncio significa desinteresse, nem toda inquietação é simplesmente indisciplina e nem toda dificuldade representa incapacidade. Às vezes, por trás de um comportamento existe uma história que ainda não conhecemos. Por isso, educar também exige sensibilidade e escuta. Tiago 1.19 nos orienta a sermos “[...] pronto a ouvir, ser tardio para falar” [...]”. Há momentos em que ouvir é a primeira metodologia de que precisamos.
Vivemos ainda o desafio de educar em uma sociedade marcada pela velocidade e pela tecnologia. Recursos digitais e inteligência artificial já fazem parte de nossa realidade e podem ampliar as possibilidades de aprendizagem. Entretanto, nenhuma ferramenta substitui aquilo que é essencialmente humano no ato de educar: o encontro, o diálogo, o olhar atento e a capacidade de perceber o outro. Tecnologia é recurso; não é propósito. O propósito continua sendo formar pessoas. E talvez seja justamente aí que o educador deixe suas marcas mais profundas. Quando recordamos aqueles que fizeram diferença em nossa história, dificilmente lembramos somente dos conteúdos ensinados. Lembramos de palavras, gestos, incentivos e de alguém que acreditou em nossas possibilidades. Educação é também semeadura. Algumas sementes veremos florescer; outras crescerão longe dos nossos olhos. Como escreveu Paulo: “Eu plantei; Apolo regou; mas foi Deus quem deu o crescimento.” (1Coríntios 3.6). Ser um educador em movimento é, portanto, estudar sem perder a sensibilidade, inovar sem abandonar princípios, ensinar sem deixar de aprender e compreender que nossa formação nunca termina. Porque educar não é permanecer no mesmo lugar esperando que o outro caminhe. Educar é caminhar ao lado, apontar possibilidades e descobrir que, enquanto ajudamos alguém a avançar, nós também somos transformados pelo caminho. n
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Parabéns, educador cristão, guarda das fontes! Jovana Souza Nunes de Rezende
ministra de cristã da Igreja Batista de Novo México, em Vila Velha - ES; mestre em Avaliação Profissional, psicopedagoga, terapeuta sistêmica, gestora de projetos educacionais e pedagoga
Peter Marshall conta esta analogia em seu sermão intitulado Guarda das Fontes: “Era uma vez um certo povoado que cresceu no pé de uma cordilheira”. A aldeia foi protegida pelas alturas dos montes, de modo que o vento que tremia as portas e arremessava punhados de granizo contra as janelas era um vento cuja fúria já foi gasta. No alto nas colinas, um misterioso e calmo morador da floresta tomou sobre si a incumbência de ser Guarda das Fontes. Ele patrulhava as colinas e onde quer que ele achasse uma fonte, ele limpava sua piscina barrenta de lodo, e tirava toda matéria estranha. Desta forma, a água que borbulhava da fonte corria para baixo limpa, fria e pura. A água pulava cintilante sobre pedras e derramava alegremente em cascatas de cristal até que, fortalecido por outros córregos, tornou-se um rio de vida para o movimentado povoado. As rodas de azenha giravam por sua força. Os jardins foram refrescados por suas águas. As fontes a jogavam como diamantes no ar. Os cisnes navegaram em sua superfície límpida, e crianças riam brincando nos seus bancos na luz do sol. Mas o Conselho de Cidade era um grupo de homens de negócios, pães duros e práticos. Esquadrinharam o orçamento cívico e acharam o salário do Guarda das Fontes. Disse o Guarda da Bolsa: “Por que nós devemos pagar esse sujeito? Nós nunca o vemos; ele não é necessário à nossa vida de negócios no povoado. Se construirmos um reservatório perto da cidade, nós poderemos dispensar seus serviços e poupar seu salário”. Com isso, o Conselho de Cidade votou para dispensar o gasto desnecessário com um Guarda das Fontes, e construir um reservatório de cimento. Então o Guarda das Fontes deixou de visitar as piscinas barrentas, mas observou das alturas enquanto construíram o reservatório. Quando foi terminado, logo encheu com água, mas a água não parecia ser a mesma. Não era mais limpa, e uma espuma verde logo contaminou sua superfície estagnada. Havia problemas constantes com a maquinaria delicada dos moinhos, frequentemente entupido com o lodo, e os
cisnes acharam outro lar distante do povoado. Finalmente, uma epidemia se alastrou, e os dedos amarelos da doença alcançaram cada lar em cada rua e alameda. O Conselho de Cidade se reuniu outra vez. Tristemente, encarou como a cidade estava em apuros, e francamente reconheceu o erro em demitir o Guarda das Fontes. Procuraram-no na sua barraca alta nas colinas, e imploraram-lhe que retornasse a seu abençoado trabalho. Felizmente, ele concordou e começou mais uma vez a fazer suas rondas. Não demorou até que água pura viesse cantarolando felizmente para baixo sob túneis de samambaias e musgos e a cintilar no reservatório limpo. As rodas de azenha rodaram como antigamente. Os odores desapareceram. A doença diminuiu, e crianças em recuperação das suas doenças se alegraram outra vez, porque os cisnes haviam voltado.” Diante disso, a história humana, as invenções e as inovações no campo das ideias mudam cada vez mais rapidamente, e nós, educadores, somos testemunhas dessa mudança dia após dia. Os avanços tecnológicos modificam as formas de comunicação, e a humanidade continua a caminhar em busca de novas relações entre os saberes e de uma melhor compreensão do mundo em que vivemos. Nessa caminhada, buscamos ser Guardas das Fontes que favoreçam a construção do conhecimento em meio a tantas informações. Essa analogia realça a importância do educador não apenas como construtor de conhecimentos, mas também como protetor, cultivador e cuidador do tesouro mais valioso da humanidade: a formação do caráter, dos ideais, das atitudes e da conduta das pessoas, tal como Jesus ensinou ao apresentar a educação como instrumento de transformação. Quando William H. Gates, em seu livro, a Estrada do Futuro, refletiu sobre a chegada de uma revolução tão importante quanto à invenção da imprensa por Gutenberg, mal podíamos imaginar o alcance de suas ideias e o caminho que iríamos percorrer. O autor, mais conhecido como Bill Gates, foi um dos primeiros a demonstrar a dimensão das transformações que a tecnologia poderia provocar, inclusive para nós, profissionais da educação. Pouco antes dessa época, eu acabara meu primeiro curso de informática para professores, e a pergunta que fora lançada por um professor era se não estávamos diante do fim da sala de aula. Quando li esta ilustração de Peter Marshall, imediata-
16 O JORNAL BATISTA Domingo, 18/10/26 mente a associei aos educadores cristãos como Guardas das Fontes, que têm a responsabilidade vital de zelar pela pureza e pela limpeza da água, garantindo que a comunidade tenha acesso a um recurso essencial para a vida. Posto isso, a educação, assim como a água, é um bem indispensável à formação humana e jamais perderá sua importância, visto que fomos forjados na missão e para a missão por Jesus, a fonte de água viva, como escrito em João 4.10. Os educadores desempenham um papel igualmente decisivo na sociedade, atuando como mediadores do conhecimento e contribuindo para a construção dos valores que sustentam o desenvolvimento humano. Assim como os guardas das fontes limpam as nascentes para que a água não seja contaminada e continue a nutrir a vida, torna-se desafiadora a tarefa de educar neste tempo: é preciso filtrar o que é essencial, verdadeiro e transformador, ajudando os alunos a discernir informações e enfrentando o desafio constante de criar modalidades emergentes de aprendizagem e renovar as formas de percepção e de vivência de experiências significativas. Mas o que precisamos aprender para entender o mundo e lidar com suas inúmeras informações? Quais habilidades os alunos devem desenvolver para enfrentar os novos tempos? Como Guardas das Fontes, precisamos continuar ensinando nossos alunos a lidar com o excesso de informações e, muitas vezes, com mensagens contraditórias à sua fé e à sua prática. Precisamos ensiná-los a se posicionar diante de um mundo em constantes mudanças, a fazer escolhas responsáveis e a arcar com as consequências de suas decisões. Assim como o ambiente da fonte precisa estar limpo para que a água possa fluir livremente, o educador cria e mantém um ambiente educacional saudável, estimulante e seguro, onde o aprendizado pode acontecer. Ele cuida para que a motivação e a curiosidade dos estudantes não sufoquem
PONTO DE VISTA os valores que aprenderam para a eternidade. Os Guardas das Fontes asseguram a continuidade da vida para toda a comunidade. De modo semelhante, os educadores, ao formarem cidadãos críticos e conscientes, cidadãos do Reino do Senhor, contribuem para a sustentabilidade social, ética e espiritual da sociedade. Por isso, que não nos falte disposição para subir as colinas, procurar as nascentes, retirar o que as contamina e proteger aquilo que ainda é puro. Que saibamos reconhecer que cada vida que passa por nossa ação educativa carrega consigo uma história, uma possibilidade e um futuro que não podemos prever, porém crer naquele que é a fonte de água viva, que conhece os planos que tem para eles, de dar -lhes esperança e um futuro (Jeremias 29.11). Educadores, certos da missão que nos foi dada sejamos, portanto, Guardas das Fontes, Guardas do conhecimento, Guardas da esperança, Guardas dos valores e Guardas da humanidade que desejamos preservar e construir, pois educar é, em última instância, cuidar da fonte para que a água continue a correr. E enquanto houver alguém disposto a cuidar dessa fonte, haverá também a possibilidade de que novas gerações encontrem nela conhecimento, sabedoria, esperança e vida. PARABÉNS, EDUCADOR CRISTÃO, GUARDA DAS FONTES! Referências: GATES, William H. A estrada do futuro. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 1995. MARSHALL, Peter. Analogia em seu sermão intitulado Guarda das Fontes. Traduzido por Dennis Downing para o site www.hermeneutica.com. Revisado por Ewerton B. Tokashiki. Disponível em: https://www.academia.edu/43188818/O_ Guarda_das_Fontes_por_Peter_Marshall. n
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