ANO CXXV EDIÇÃO 36 DOMINGO, 06.09.2026
ISSN 1679-0189 ÓRGÃO OFICIAL DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA FUNDADO EM 1901
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Reflexão
Reflexão
Reflexão
Notícias do Brasil Batista
Para que todo o Brasil ouça
Nossa história
Lidere como Jesus
PIBRJ
Artigo explica como o ambiente religioso preparou o surgimento dos Batistas
Pr. Raphael Abdalla, presidente da CBB, destaca boas práticas de liderança
Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro celebra 142 anos de história
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Missões Nacionais apresenta grupos menos evangelizados no Brasil pág. 03
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REFLEXÃO
Fé que se transforma em cuidado
EDITORIAL
Vivemos em um tempo marcado pela velocidade. Corremos para cumprir compromissos, responder mensagens, alcançar metas e dar conta das inúmeras demandas da vida. Em meio a tudo isso, existe um risco silencioso: passarmos uns pelos outros sem realmente enxergá-los. Por isso, uma das expressões mais bonitas da fé cristã é a capacidade de perceber o outro e se aproximar. Jesus nos ensinou esse caminho. Ao longo dos Evangelhos, vemos um Salvador atento às pessoas. Ele enxergava aqueles que eram ignorados, ouvia os que não tinham voz e se aproximava daqueles que muitos preferiam manter à distância. Seu amor nunca foi apenas uma declaração. O que tocava seu coração encontrava expressão em suas mãos. A fé que professamos não foi feita para permanecer restrita ao discurso. Ela ganha mãos quando servimos; ganha tempo quando nos dispomos a estar presentes; ganha ouvidos quando paramos para escutar; ganha braços quando acolhemos; ganha atitudes quando transformamos aquilo que cremos em cuidado concreto. A Primeira Carta de João nos apresenta uma orientação que não deixa espaço para uma espiritualidade meramente discursiva: “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de boca, mas de ação e em verdade” (1 João 3.18). O amor cristão não se satisfaz com boas intenções. Ele se movimenta. Ele se aproxima. Ele cuida.
A comunhão do corpo de Cristo possui uma força que não deve ser subestimada. Deus nos criou para viver em relação, e muitas vezes escolhe cuidar de alguém por meio de outra pessoa. Por isso, precisamos perguntar: temos permitido que as pessoas nos afetem? Temos tempo para ouvir? Conhecemos de verdade aqueles que caminham conosco? Ou nossas relações se tornaram tão rápidas e superficiais que aprendemos a não perceber aquilo que exigiria de nós uma resposta? Somos chamados a ser uma comunidade na qual ninguém precise caminhar sozinho. Uma comunidade que acolhe antes que a dor chegue ao limite. Uma comunidade em que vulnerabilidade não seja motivo de vergonha, mas oportunidade para experimentar o cuidado e a graça de Deus. Cada gesto pode fortalecer um vínculo. Cada vínculo fortalecido pode sustentar alguém em um dia difícil. E cada atitude de cuidado pode revelar, de maneira concreta, o amor de Cristo. Talvez Deus tenha colocado perto de nós alguém que precisa justamente disso: de uma mão que acolhe, de um ouvido disposto a escutar, de uma palavra que encoraja, de um abraço que fortalece ou de uma presença que decide permanecer. Que nossas Igrejas sejam comunidades em que a fé se transforma em atos, os afetos se transformam em cuidado e o amor deixa de ser apenas palavra para se tornar prática. n
O JORNAL BATISTA Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso. Fundado em 10.01.1901 INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189 PUBLICAÇÃO DO CONSELHO GERAL DA CBB FUNDADOR W.E. Entzminger PRESIDENTE Raphael H. P. Abdalla DIRETOR GERAL Fernando Macedo Brandão SECRETÁRIO DE REDAÇÃO Estevão Júlio Cesario Roza (Reg. Profissional - MTB 0040247/RJ) CONSELHO EDITORIAL Francisco Bonato Pereira; Guilherme Gimenez; Othon Ávila; Sandra Natividade EMAILs Anúncios e assinaturas: jornalbatista@batistas.com Colaborações: decom@batistas.com REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA Caixa Postal 13334 CEP 20270-972
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Para que todo o Brasil ouça Texto retirado e adaptado do livro “Conquistar a Pátria para Cristo: Ontem, Hoje e Amanhã” “E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?” (Romanos 10.14,15) O Brasil é vasto, diverso e plural. Em sua imensa riqueza cultural e geográfica, ainda existem povos, comunidades e segmentos inteiros que jamais ouviram falar de Jesus. Essa realidade é um desafio inegociável para a Igreja de Cristo em nossa nação. Enquanto houver pessoas sem a oportunidade de ouvir o Evangelho de forma clara e contextualizada, nossa tarefa permanece incompleta e nossa responsabilidade, intransferível. Entre os grupos menos evangelizados do Brasil, encontramos diferentes contextos que clamam por atenção missionária. As comunidades ribeirinhas da Amazônia também revelam uma necessidade urgente. Milhares de famílias vivem às margens de rios que se estendem por milhares de quilômetros, em lugares acessíveis apenas de barco. A ausência de Igrejas locais faz desses territórios verdadeiros desertos espirituais. Plantar Igrejas e enviar missionários ribeirinhos é estratégico, pois cada comunidade alcançada pode irradiar a mensagem para dezenas de outras ao seu redor. Os povos indígenas, espalhados em centenas de etnias, continuam sendo um dos grandes campos missionários da nossa pátria. Muitos vivem em regiões remotas da Amazônia e do Centro-Oeste, alguns em isolamento voluntário, outros em aldeias com pouca interação com a sociedade. A barreira linguística e a distância dificultam o trabalho, mas não o tornam impossível. Cada etnia representa um povo amado por Deus e chamado a experimentar a salvação em Cristo. As comunidades sertanejas do Nordeste enfrentam pobreza, isolamento e a dura realidade da seca. Muitos vilarejos e povoados não têm nenhuma Igreja evangélica atuante. O sertão é um dos maiores desafios missionários do Brasil, mas também um dos mais promissores, pois cada igreja que nasce ali se torna fonte de esperança em meio à escassez. A comunidade surda também precisa estar em nossa prioridade missionária. Estima-se que milhões de brasileiros ainda não tenham acesso ao evangelho em Libras, sua língua natural. Sem comunicação acessível, permanecem sem compreender a mensagem de Cristo. É urgente investir em obreiros capacitados, produzir materiais adequados e incluir de forma intencional os surdos na vida comunitária e no discipulado. Também há grupos étnicos específicos e imigrantes que hoje encontram no Brasil um refúgio. Haitianos, venezuelanos, bolivianos, sírios, árabes e afri-
canos vivem em nossas cidades em condições de vulnerabilidade. Comunidades asiáticas, como japoneses e coreanos, também precisam de presença missionária intencional. O mundo está vindo até nós, e essa é uma oportunidade histórica de levar o evangelho às nações sem sair do Brasil. Além disso, não podemos ignorar as crianças em vulnerabilidade espalhadas pelo Brasil. Atualmente, metade das crianças e adolescentes do país são privados de direitos básicos para sobreviver e prosperar, e precisam ser alcançadas pelo evangelho que transforma e muda realidades. Os ciganos, presentes em vários estados, mantêm tradições fortes e, muitas vezes, um estilo de vida nômade. Isso os torna invisíveis para muitas Igrejas. Evangelizá-los exige respeito, criatividade e perseverança, mas também a convicção de que o Evangelho é para todos os povos. Por fim, entre os quilombolas, descendentes de escravos que resistiram e preservaram sua herança cultural, o desafio também persiste. Muitos vivem em áreas rurais de difícil acesso, sem presença constante de Igrejas evangélicas. Evangelizar os quilombos é um ato de compaixão e testemunho do amor inclusivo de Cristo. Todos precisam ser alcançados e acolhidos. Esses grupos representam fronteiras missionárias dentro da nossa nação. Alcançá-los não é opcional, mas uma urgência do Reino. É obedecer radicalmente à ordem de Jesus de levar o evangelho a toda criatura. É garantir que ninguém viva e morra sem saber que há um Salvador. Precisamos de oração, obreiros dispostos, Igrejas generosas e líderes comprometidos com essa causa. Nosso compromisso deve ser claro diante de Deus e da história: não descansar até que cada povo, cada comunidade e cada grupo do Brasil tenha sido alcançado pelo Eva n g e l h o d e Jesus Cristo. Ou veremos o Brasil alcançado, ou daremos nossas vidas tentando. n
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REFLEXÃO
Uma fé forjada entre reforma, perseguição e coragem Como o ambiente religioso dos séculos XVI e XVII preparou o surgimento dos Batistas
Marcelo Santos
pastor da Igreja Batista da Graça - SP; professor, escritor e palestrante
Os Batistas não nasceram de um único acontecimento nem surgiram prontos, com todos os seus princípios já organizados. Sua história começou a tomar forma em meio às grandes transformações religiosas e políticas que abalaram a Europa nos séculos XVI e XVII. Conhecer esse caminho é mais do que recordar nomes e datas: é perceber quanto custou a homens e mulheres defender uma igreja submetida a Cristo, orientada pelas Escrituras e formada por pessoas que professassem conscientemente a fé. A Reforma Protestante abriu uma brecha decisiva nesse processo. Ao reafirmar a autoridade das Escrituras e a justificação pela fé, reformadores como Martinho Lutero e João Calvino desafiaram estruturas consolidadas havia séculos. Entretanto, boa parte das igrejas surgidas da Reforma conservou o batismo infantil e algum tipo de ligação entre Igreja e Estado. A renovação iniciada no século XVI ainda deixava perguntas sem resposta: quem deveria pertencer à igreja? O poder civil poderia impor uma crença? A consciência humana deveria responder ao governo ou diretamente a Deus? Nesse ambiente apareceram movimentos de reforma mais radical. Os anabatistas defenderam o batismo daqueles que confessavam pessoalmente a fé e, muitas vezes, a separação entre comunidade cristã e poder político. Não se deve simplesmente identificá-los com os Batistas posteriores. A relação histórica entre os grupos é discutida e suas origens são distintas. Ainda assim, o testemunho anabatista mostrou que era possível imaginar uma igreja de discípulos voluntários, mesmo quando tal convicção custava perseguição, prisão e morte. Na Inglaterra, o puritanismo buscava purificar a Igreja Anglicana de práticas consideradas contrárias à Bíblia. Alguns concluíram que reformá-la por dentro não seria suficiente
e passaram a organizar congregações separadas. Eram os separatistas ingleses. Entre eles estava John Smyth, que, sob forte pressão, conduziu sua comunidade ao exílio em Amsterdã. Em 1609, o grupo adotou o batismo de crentes e constituiu uma congregação geralmente reconhecida como a primeira igreja batista da era moderna. A experiência não foi simples. Smyth aproximou-se dos menonitas e parte da congregação seguiu outro caminho. Thomas Helwys, porém, entendeu que os discípulos deveriam retornar à Inglaterra, embora o país ainda perseguisse dissidentes. Por volta de 1612, ele e seus companheiros organizaram, em Londres, a primeira Igreja Batista em solo inglês. Helwys também publicou uma vigorosa defesa da liberdade religiosa e enviou um exemplar ao rei Tiago I. Sua mensagem era ousada: o rei possuía autoridade sobre assuntos civis, mas não sobre a consciência, que pertence a Deus. A coragem lhe custou a prisão e, provavelmente, a própria vida. A primeira geração Batista não nos deixou apenas uma denominação; deixou-nos uma pergunta. Estamos dispostos a obedecer à verdade bíblica quando essa obediência exige revisão, coragem e sacrifício? Nossa identidade não pode ser reduzida ao nome na fachada, ao estilo do culto ou a uma tradição recebida sem reflexão. Ela nasce do senhorio de Cristo, da autoridade das Escrituras e de uma fé assumida pessoalmente. Ao recordar Amsterdã e Londres, não contemplamos um museu religioso. Reconhecemos uma herança viva. Os pioneiros procuraram uma Igreja em que ninguém fosse cristão por decreto do Estado ou mero costume familiar. Para eles, seguir Jesus era resposta consciente ao evangelho e compromisso visível com uma comunidade de discípulos. Esse princípio continua indispensável. Igrejas historicamente Batistas permanecem fiéis à sua origem quando formam crentes bíblicos, maduros e livres para servir — pessoas cuja fé não foi imposta, mas despertada pela graça e confessada diante do mundo. n
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Lidere como Jesus Raphael Abdalla
pastor da Primeira Igreja Batista em Guarapari - ES; presidente da Convenção Batista Brasileira
çam, sirvam e assumam responsabilidades com maturidade. John Stott, em O Chamado para Líderes Cristãos, fala de “humildade diante de Cristo, de quem somos servos […] e diante da congregação, cujos membros devemos amar e servir”. Essas palavras atingem uma tentação frequente: tratar a igreja como propriedade pessoal. O rebanho pertence a Cristo. Essa consciência muda a maneira de decidir, de corrigir, de ensinar e de lidar com o reconhecimento. O líder continua sendo servo quando recebe elogios e quando suas escolhas não são compreendidas. Jesus conhecia o peso das decisões difíceis. Acolheu os feridos e confrontou a hipocrisia. Corrigiu os discípulos quando disputaram posições, repreendeu Pedro e expulsou os comerciantes do templo. Seu amor incluía coragem para dizer a verdade. Liderança servidora não significa passividade ou medo de desagradar. O serviço cristão procura o bem das pessoas e, por isso, às vezes exige conversas firmes, limites claros e decisões que não produzirão aplausos. Quando os discípulos voltaram a discutir sobre grandeza, Jesus lhes disse: “quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva” (Mc 10.43). E explicou sua missão: “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10.45). O serviço de Jesus chegou à cruz. Ali, ele entregou a vida pelas pessoas que veio salvar. A cruz desmascara a vaidade, o desejo de controle e a busca de prestígio. Jesus não permitiu que a popularidade determinasse sua direção. Houve dias em que multidões o cercaram e outros em que muitos o abandonaram. Sua fidelidade ao Pai permaneceu. O líder cristão deve ouvir conselhos, reconhecer erros e prestar contas, sem fazer da opinião pública o senhor da consciência. Nem todo aplauso confirma uma decisão, nem toda crítica prova que ela esteja errada. Talvez o exame mais honesto da liderança esteja no fruto que ela deixa nas pessoas. Depois de caminharem conosco, elas conhecem melhor as Escrituras? Amam mais a Cristo? Estão mais prontas para servir? João Batista resumiu sua vocação dizendo: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). Liderar como Jesus é trabalhar para que Cristo seja visto, amado e obedecido. A igreja precisa de líderes preparados e corajosos, mas precisa, sobretudo, reconhecer neles o caráter do seu Senhor.
Pouco antes de seguir para a cruz, Jesus se levantou da mesa, tirou a capa e colocou uma toalha na cintura. Em seguida, lavou os pés dos discípulos. Pedro ficou constrangido. A cena contrariava tudo o que ele esperava do Mestre. Ao terminar, Jesus explicou: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13.15). Naquele ambiente simples, Cristo revelou o fundamento da liderança cristã. A bacia estava diante de homens que, poucas horas depois, fugiriam com medo. Judas, já decidido a trair o Mestre, também estava ali. Mesmo sabendo o que aconteceria, Jesus lavou-lhes os pés. Seu serviço não dependia do reconhecimento ou da gratidão que receberia. Ele serviu porque isso expressava seu caráter. Quem lidera como Jesus aprende que o valor do serviço não é medido pela reação das pessoas. Essa atitude nascia da segurança que Jesus tinha diante do Pai. João registra que Ele sabia de onde viera e para onde iria. Sua identidade não dependia da posição ocupada à mesa nem da aprovação de quem estava ao redor. Por isso, podia ajoelhar-se sem perder a autoridade. A liderança se torna perigosa quando o cargo passa a sustentar o valor pessoal do líder. Quem precisa provar o tempo todo que manda dificilmente encontra liberdade para servir. John Piper escreve em Irmãos, Nós Não Somos Profissionais: “Os objetivos de nosso ministério são eternos e espirituais”. A frase recoloca o coração do líder diante do essencial. Uma Igreja pode ter agenda cheia, boa organização e projetos bem executados. Ainda assim, o trabalho pastoral precisa alcançar a consciência, alimentar a fé e conduzir pessoas a Cristo. Técnicas podem ajudar, desde que permaneçam como ferramentas. O ministério é realizado com oração, Palavra, caráter e dependência do Espírito Santo. Jesus também liderava prestando atenção às pessoas. Viu Zaqueu entre os galhos de uma árvore, ouviu Bartimeu quando a multidão tentava calar, conversou com a mulher samaritana e procurou Pedro depois da queda. Seu olhar percebia o que outros ignoravam. Igrejas possuem números, relatórios e metas, porém são formadas por gente com nomes, histórias, feridas e esperanças. Um líder pode conduzir uma multidão Referências e conservar a capacidade de enxergar uma pessoa. Os discípulos receberam de Jesus tempo, ensino e resPIPER, John. Irmãos, nós não somos profissionais: um ponsabilidade. Ele respondeu a perguntas, corrigiu ambições, apelo aos pastores para terem um ministério radical. São suportou a lentidão do aprendizado e confiou-lhes tarefas. Paulo: Shedd Publicações, 2009. A formação aconteceu pelo caminho, nas casas e durante as crises. Jesus preparou seus seguidores para continuar a STOTT, John R. W. O chamado para líderes cristãos. São missão. Liderar bem inclui abrir espaço para que outros cres- Paulo: Cultura Cristã, 2005. n
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REFLEXÃO
A(fé)tos: uma espiritualidade que transborda Rebeca Noberto Correia
psicóloga, pesquisadora e mestranda em Psicologia pela UFPE e integrante do “Vem pra Vida”, da Juventude Batista Brasileira
Quando pensamos em saúde mental, costumamos dar destaque a aspectos individuais, como nossas emoções, pensamentos, comportamentos e hábitos. Tudo isso é importante, mas existe uma dimensão que nem sempre recebe a mesma atenção: somos pessoas em relação. Cada pessoa tem sua maneira particular de lidar com o que vive, mas ninguém se constrói sozinho. As experiências que partilhamos com outras pessoas moldam a forma como enfrentamos as dificuldades e damos sentido ao que nos acontece. Afetar e ser afetado faz parte da experiência humana. Deveríamos ser tocados pelo que acontece com o outro. A questão é: temos permitido que essas experiências nos toquem? Ou estamos tão acostumados à pressa e à superficialidade das relações que já não percebemos o que acontece ao nosso redor? Quanto espaço abrimos para que o outro nos afete? Relações verdadeiramente significativas nos tornam vulneráveis, porque permitem que o outro nos alcance e nos transforme de alguma maneira. E a vulnerabilidade, muitas vezes, parece um preço alto demais a se pagar. Em uma cultura que valoriza cada vez mais a autonomia e a ideia de que precisamos dar conta de tudo sozinhos, podemos acabar desenvolvendo também uma certa insensibilidade. É mais fácil não perceber do que perceber e se sentir responsável por aquilo que percebemos. Esse é um dos desafios de viver uma fé encarnada na vida: permitir que aquilo que cremos nos torne mais sensíveis ao outro e que essa sensibilidade encontre expressão em nossos atos. Afinal, não se trata apenas de dizer que amamos, mas de permitir que o amor nos afete a ponto de nos mover em direção ao outro. Nesse encontro entre fé, relacionamentos e cuidado, nasce a campanha A(fé)tos, do Vem Pra Vida. O próprio nome carrega a proposta: dentro de “afetos”, encontramos fé e atos. Aquilo que cremos encontra expressão naquilo que fazemos e, quando a fé se transforma em atos, ela também
alcança nossas emoções, nossos vínculos e a maneira como cuidamos uns dos outros. É o que encontramos nas palavras de João: “Filhinhos, não nos limitemos a dizer que amamos uns aos outros; demonstremos a verdade por meio de nossas ações” (I Jo 3:18, NVT). O amor cristão não pode permanecer apenas no discurso; ele precisa transbordar para a prática. Nos Evangelhos, vemos em Jesus um olhar atento. Ele percebia quem estava à margem. Ele multiplicou pães e peixes, curou doentes, expulsou demônios e libertou da garra das trevas tantos e tantas que cruzavam o seu caminho. Em Jesus, perceber nunca foi uma atitude passiva, porque aquilo que tocava seu coração encontrava expressão em suas mãos. Seu olhar para o outro sempre se transformava em cuidado concreto. Acreditamos que é justamente esse movimento que somos chamados a recuperar em nossa própria experiência de fé, a de não apenas enxergar as necessidades ao nosso redor, mas permitir que elas nos mobilizem. A Igreja é chamada para ser um espaço em que as pessoas não são cuidadas apenas quando chegam ao seu limite. Ter intimidade com nossos irmãos e compartilhar as nossas lutas em tempo real nos permite construir vínculos que nos sustentam, ser consolados pelo Espírito Santo através de suas vidas e nos tornarmos instrumentos de cuidado na vida uns dos outros. É abrir espaço para que o Senhor aja em nós através das nossas relações. Por isso afirmo que a comunhão do corpo de Cristo pode ser um dos maiores fatores de proteção que temos para não sucumbir quando o dia mau vier. Os nossos laços nos protegem. Falar de comunhão é falar sobre a nossa natureza relacional, e de como o Pai coloca perfeitamente em nós uma característica sua de viver em relação, assim como Ele o faz perfeitamente na Trindade. Quando permitimos que nossos vínculos se aprofundem, a nossa espiritualidade deixa de ser uma experiência que termina em nós; ela transborda para a vida do outro. Esse é o desafio que temos hoje: permitir que a nossa fé nos afete. E, uma vez afetados, deixar que ela nos mova. n
MISSÕES NACIONAIS
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Uma experiência no Acampamento de Promotores de Missões 2026 do Espírito Santo Dayane Nascimento
membro da Igreja Batista Atitude de Vitória - ES
De 21 a 23 de agosto, 190 Promotores de Missões estiveram juntos no Acampamento de Promotores no estado do Espírito Santo. Acompanhe o relato de Dayane, que participou desse tempo precioso de preparação para a Campanha Missionária 2026. Foram dias de muita experiência e profundidade, nos quais Deus falou poderosamente aos corações. Vivemos momentos marcantes de oração, louvor, reflexão e comunhão. Houve lágrimas de alegria, de compaixão, de perdão e de gratidão. Cada emoção revelou o quanto Deus estava trabalhando em nós e renovando em cada promotor o desejo de cumprir o chamado para o qual fomos alcançados. Tivemos a alegria de contar com o Pastor Exequias e a Missionária Maria Helena Leão como nossos preletores oficiais. Por meio de suas ministrações, fomos edificados, desafiados e encorajados a compreender ainda mais profundamente o propósito de Deus para as nossas vidas e para a missão. Tivemos também a presença especial do diretor-executivo de Missões Nacionais, pastor Fabrício Freitas, que realizou a abertura do acampamento, trazendo uma palavra de encorajamento e despertamento para o compromisso com a proclamação do Evangelho em todo o Brasil. Também fomos abençoados com uma palavra do nosso diretor-executivo da Convenção Batista do Estado do Espírito Santo, pastor Tiago Lopes, que reforçou a importância da unidade, da mobilização e do envolvimento da igreja na obra missionária. Durante o acampamento, fomos desafiados a compreender ainda mais a importância do ir, ser enviado e enviar. Missões não acontecem apenas quando vamos pessoalmente; também acontecem quando mobilizamos, sustentamos, oramos, contribuímos e enviamos aqueles que Deus chamou. Somos parte de uma grande missão, e cada pessoa tem um papel fundamental para que todo o Brasil ouça. Aprofundamos nossa compreensão sobre a missão, o chamado, o cuidado e o serviço. Fomos lembrados de que existem lugares e pessoas que ainda precisam ser alcançados e que, muitas vezes, estão onde poucos estão dispostos a ir. Conhecemos e refletimos sobre diferentes realidades e campos missionários: ribeirinhos, crianças em situação de vulnerabilidade social, indígenas, imigrantes, quilombolas, ciganos, surdos e sertanejos, entre tantos outros povos e
contextos que precisam conhecer o amor de Cristo. Cada ênfase trouxe experiências impactantes e nos fez enxergar que a missão precisa ultrapassar as paredes da igreja e alcançar pessoas, comunidades e lugares onde o Evangelho ainda precisa chegar. Também tivemos momentos especiais de honra aos nossos missionários. Celebramos suas vidas, seus chamados, suas renúncias e tudo aquilo que têm realizado no campo. Foi impossível não sermos tocados ao ouvir histórias, testemunhos e experiências que nos lembraram do valor de quem responde “sim” ao chamado de Deus. O acampamento também foi marcado pela comunhão e pelo amor. Estivemos juntos, aprendemos juntos, choramos juntos e celebramos juntos. Saímos fortalecidos pela certeza de que não estamos sozinhos. Somos uma igreja que caminha unida, com o mesmo propósito: avançar, mobilizar e fazer Cristo conhecido. Ao final desses dias, ficou uma certeza em nossos corações: não poderíamos voltar para casa da mesma maneira que chegamos. Deus renovou nossas forças, reacendeu nossa paixão por missões e nos deu novas energias para continuar. Agora, os promotores estão preparados para a campanha. Preparados para mobilizar suas igrejas, despertar novos corações, incentivar a oração, promover a contribuição e, principalmente, estar disponíveis para ir por onde Deus mandar e enviar quem Ele chamar. A experiência vivida no Acampamento de Promotores de Missões 2026, no Espírito Santo, não ficará apenas na memória. Ela se transformará em atitude, compromisso e movimento. Porque ainda há quem precisa ouvir. “Para que todo o Brasil ouça.” E nós estamos prontos para ir! n
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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA
Acampamento de Mensageiras do Rei da Bahia 2026: Conexão com Propósito Acampamento reafirmou a importância de construir pontes entre gerações e fortalecer uma nova geração para viver e anunciar o Evangelho.
Edição deste ano reuniu 630 participantes, sendo 600 entre Mensageiras do Rei e líderes, além de 30 integrantes da equipe
Meg Matos
gerente de Educação Cristã da Convenção Batista Baiana e coordenadora de MR da Bahia
“Uma geração louvará as tuas obras à outra geração e anunciará os teus grandes feitos” (Sl 145.4). De 24 a 26 de julho, o Acampamento Maanaim, em Santa Bárbara-BA, foi palco de um tempo especial de comunhão, discipulado e celebração no Acamp MR BA 2026, promovido pela liderança das Mensageiras do Rei da Bahia, sob a coordenação de Meg Matos. Com o tema “Conexão com Propósito”, o acampamento reafirmou a importância de construir pontes entre gerações e fortalecer uma nova geração para viver e anunciar o Evangelho. A edição deste ano reuniu 630 participantes, sendo 600 entre Mensageiras do Rei e líderes, além de 30 integrantes da equipe. Estiveram representadas 59 igrejas e 14 Associações, demonstrando a força e a abrangência do trabalho das Mensageiras do Rei no estado. Foram três dias intensos, com uma programação que integrou espiritualidade, aprendizado, comunhão, lazer e serviço. A abertura contou com um culto especial e a Festa das Gerações, celebrando a conexão entre diferentes idades e histórias. No sábado, as participantes tiveram momentos de devocional, celebração, estudos em grupo, oficinas, esporte, lazer, culto celebrativo e intercâmbio entre as igrejas participantes. As oficinas aprofundaram temas diretamente relacionados ao propósito do acampamento. Entre eles, “Relacionamento intergeracional – construindo pontes”, “Adoração com propósito para uma geração alinhada com o Reino de Deus” e “Inclusão de neurodivergentes no Ministério de MR”. As atividades foram organizadas de acordo com as diferentes faixas etárias e contemplaram monitoras e orientadoras, fortalecendo o compromisso com o discipulado e a formação de líderes. A programação contou com a participação do Pr. Gamaliel Pina (PIB Iguaí-BA), preletor oficial, e de diversas palestrantes e colaboradores que serviram em oficinas, artes, esporte, ornamentação, mídia, sonoplastia, louvor e demais áreas. A
Acampamento das MR Bahia reafirmou a importância de construir pontes entre gerações
Programação integrou espiritualidade, aprendizado, comunhão, lazer e serviço
Banda PIB em Valéria (Salvador - BA) conduziu momentos de louvor e adoração, contribuindo nos momentos de celebração e entrega ao Senhor. Mais do que reunir pessoas, o Acamp MR BA 2026 buscou promover conexões que ultrapassassem os dias vividos no Maanaim: conexões entre gerações, entre meninas e suas líderes e, sobretudo, entre cada participante e Cristo. Foram momentos marcados por decisões significativas, com meninas entregando suas vidas a Cristo, renovando seu compromisso de segui-Lo e assumindo o desafio de viver uma vida de consagração e vocação missionária. Ao final, permanece a gratidão a Deus por tudo o que realizou. Como Mensageiras do Rei, seguimos chamadas a amar a Deus, viver Sua Palavra, servir com alegria e anunciar Jesus em todos os lugares. Expressamos nossa gratidão à nossa equipe, líderes, Mensageiras do Rei, bem como aos seus familiares e às Igrejas e Associações representadas. Toda honra, toda glória e todo louvor pertencem ao nosso Deus! n
NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA
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PIB do Rio de Janeiro celebra 142 anos com culto de gratidão e reflexão sobre a unidade da Igreja Celebração reuniu membros, convidados e representantes da denominação em uma noite marcada por gratidão, louvor e comunhão.
Culto de 142 anos da PIBRJ foi marcado por música, gratidão, comunhão e reflexão bíblica
Comunicação CBB A Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro - RJ (PIBRJ) celebrou, na noite de 24 de agosto, seus 142 anos de organização. Em um culto marcado por música, gratidão, comunhão e reflexão bíblica, a Igreja reuniu membros, convidados e representantes da denominação para recordar sua história e reafirmar seu compromisso com o Evangelho. A Convenção Batista Brasileira (CBB) esteve representada pelo seu diretor-executivo, pastor Fernando Brandão. A Convenção Batista Carioca também participou da celebração, representada por seu diretor, pastor Davidson Freitas. Com o tema “Somos um, assim como somos um”, baseado em João 17.11, a celebração ressaltou a unidade do povo de Deus. A programação teve início com o processional da Orquestra da PIBRJ (OPIBRJ), com a execução de “Praise to the Lord”, de Camp Kirkland. Em seguida, houve a saudação, oração inicial e o prelúdio apresentado pelo Coral Eclésia e pela OPIBRJ, com “Mas graças rendei a Deus”, de G. F. Handel. A chamada à adoração trouxe a participação conjunta do Coral Eclésia e da Orquestra, com a obra “Jerusalém”, de C. Hubert H. Parry. A programação prosseguiu sob o tema “Um só povo, uma história de gratidão”, inspirado no Salmo 126:3: “Grandes coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres”. Durante o culto, a congregação também foi conduzida à
Pr. Fernando Brandão, diretor-executivo da CBB, participou da celebração
reflexão sobre a unidade cristã a partir de Romanos 15.5-6, com o tema “Uma só voz para a glória de Deus”. A programação musical contou com a participação de Fernanda Brum e Emerson Pinheiro. Outro momento de destaque foi a oferta de amor, com o tema “Para que todos vejam”, seguida da participação da Igreja no tradicional hino “Tu és fiel, Senhor”, do Hinário para o Culto Cristão (HCC 25). A letra da canção reforçou a mensagem de gratidão e fidelidade de Deus que permeou toda a celebração. A exposição bíblica ficou a cargo do pastor José Paulo Moura Antunes, pastor da Primeira Igreja Batista em Madureira - RJ. A partir de João 17.11 e do tema “Somos um”, o pregador conduziu a reflexão central da noite, destacando a oração de Jesus pela unidade de seus discípulos. A celebração foi encerrada com nova participação musical de Fernanda Brum e Emerson Pinheiro, seguida da oração final e do poslúdio executado pela Orquestra da PIBRJ, com “Gratidão”, em arranjo de Ismael Veiga. Ao completar 142 anos, a PIBRJ celebrou não apenas a trajetória de uma das Igrejas Batistas históricas do Brasil, mas também o legado construído ao longo de gerações. Em uma noite de gratidão, a Igreja voltou os olhos para sua história e, ao mesmo tempo, para o desafio permanente de permanecer unida na missão de anunciar o Evangelho. n
Pr. Emerson Pinheiro e Fernanda Brum realizaram inspiração musical na celebração
Pr. Paulo Moura foi o orador oficial do culto
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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA
Congresso JUBAMAT reúne Juventude Batista de Mato Grosso em torno da unidade e da missão Encontro reuniu jovens, adolescentes e líderes de diferentes Igrejas e cidades do estado.
Congresso da JUBAMAT teve 300 inscritos
Evento teve mais de 60 voluntários em serviço em três dias de programação
Fernanda Esteves
Comunicação da Juventude Batista de Mato Grosso
Entre os dias 28 e 30 de agosto, a Juventude Batista de Mato Grosso (JUBAMAT) realizou seu Congresso Estadual na Igreja Batista Boas Novas, em Cuiabá - MT. Com o tema “Somos Um”, o encontro reuniu jovens, adolescentes e líderes de diferentes Igrejas e cidades do estado para um fim de semana marcado por comunhão, capacitação, adoração e fortalecimento da identidade batista. Mais do que uma programação para a juventude, o Congresso buscou reforçar a compreensão de que as Igrejas locais fazem parte de uma mesma missão. Durante os três dias, os participantes, que percorreram diferentes distâncias pelo estado se encontraram em Cuiabá para compartilhar experiências, aprender juntos e celebrar aquilo que Deus tem realizado entre a juventude batista mato-grossense. A programação contou com momentos de culto, louvor, pregações, oração, comunhão e capacitação. Um dos destaques foi o IM na Prática, realizado na manhã de sábado, que trouxe princípios da Igreja Multiplicadora para perto da realidade das Igrejas e lideranças, promovendo conversas sobre os desafios e possibilidades de viver uma igreja cada vez mais intencional no cuidado, no discipulado e na multiplicação. No período da tarde, os congressistas participaram de oficinas simultâneas sobre temas ligados aos desafios da Igreja e da juventude contemporânea. Entre os assuntos abordados estiveram liderança, comportamentos viciosos, crescimento espiritual em meio às distrações, teologia aplicada ao cotidiano, tradição e renovação, homilética e oratória, além de questões relacionadas ao ministério e ao serviço cristão. O Congresso também abriu espaço para lembrar a caminhada da juventude Batista no estado e apontar para aquilo que ainda está por vir. Histórias de diferentes gerações se encontraram durante a programação, mostrando que o trabalho desenvolvido hoje é continuação daquilo que muitos líderes e jovens começaram a construir ao longo dos anos. Em cada conversa, oração, oficina e momento de adoração, o tema “Somos Um” ganhou forma para além das
Encontro reuniu jovens, adolescentes e líderes de diferentes Igrejas e cidades do estado
Pr. Lucas Zub Dutra, da PIB Curitiba, e Pr. Vinicius Vargas, conselheiro emérito da JBB, participaram do congresso
palavras. A unidade foi percebida na disposição de servir, na cooperação entre igrejas, líderes e voluntários e no desejo comum de ver uma juventude cada vez mais comprometida com Cristo e com Sua missão. Ao final dos três dias, ficou também o desafio de levar aquilo que foi vivido no Congresso para as igrejas locais. A expectativa da JUBAMAT é que os participantes retornem às suas cidades não apenas com boas lembranças, mas encorajados a servir, discipular, cooperar e fortalecer a juventude de suas comunidades. O Congresso terminou, mas a caminhada continua. De diferentes cidades, igrejas e realidades, a juventude batista de Mato Grosso segue aprendendo que, em Cristo, somos muitos, mas somos um. n
MISSÕES MUNDIAIS
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O testemunho de Maria e o poder da oração
Jamile Darlen
Redação de Missões Mundiais
Nossa missionária Ana Lúcia Gonçalves atua no Paraguai em ações de evangelização e discipulado e fortalecendo o trabalho em igrejas na região de Encarnación. Seu trabalho também envolve o treinamento de líderes e o acompanhamento de unidades do PEPE. Recentemente ela compartilhou conosco a história de Maria, uma mulher que visita semanalmente para realizar discipulado. Ela é mãe de 4 filhos e o marido, através do contato com a missionária e a esposa, tem se aproximado gradativamente de Deus. Veja abaixo esse grande testemunho: “Houve um tempo em que seguir Jesus teve um custo para mim — não por causa de estranhos, mas dentro do meu próprio lar”. À medida que Maria crescia em sua fé e compromisso com Cristo, frequentando a igreja e caminhando com o Senhor, seu esposo passou a se opor fortemente à sua participação na igreja. Havia discussões, distância e tristeza. A resistência dele era dolorosa para Maria. Ela via sua caminhada espiritual causar tensões e divisão na família, justamente no lugar onde sonhava ver todos unidos em Cristo. Mesmo assim, não desistiu. Com o apoio da missionária Ana Lucia, que a acompanhava, continuou estudando a Bíblia e se fortalecendo na Palavra de Deus: – “Cada mensagem me dava força. Cada versículo renovava minha esperança. Continuei caminhando com fé, mesmo quando meus passos pareciam cansados.” Então veio um momento de grande aflição. Maria recebeu uma ligação da delegacia informando que seu esposo havia sofrido um acidente de moto.
O medo tomou conta do seu coração e sua mente se encheu de pânico. Mas, em vez de entregar-se ao desespero, ela ajoelhou e clamou a Jesus. Seu esposo conhecia a Palavra de Deus, mas havia se decepcionado com uma irmã da igreja e, por causa disso, decidiu se afastar. Seu coração estava amargurado. Depois do acidente, porém, Maria começou a perceber mudanças. Ele já não a impedia de ir à igreja, passou a receber a missionária em casa e não colocava obstáculos para os estudos bíblicos. Algumas vezes, até a acompanha nos cultos. “Meu esposo está caminhando pouco a pouco nessa jornada de fé comigo. Ainda precisa ser transformado pela Palavra de Deus, mas sei que esse é um processo”. Hoje, Maria continua orando e confiando no Senhor. “Tenho fé de que meu esposo voltará para a casa de Deus. O Senhor ouviu meus clamores e me respondeu com amor e poder”. Ao compartilhar sua história, ela deixa um encorajamento para outras pessoas que também intercedem por familiares: “Se você está orando por um ente querido, não pare. Se estiver caminhando sozinho, não desanime. Deus vê a sua fé e, no Seu tempo perfeito, transformará a tribulação em alegria. Continue orando por nós. Espero que toda a minha família sirva ao Senhor”. Para a missionária Ana Lúcia Gonçalves, o relato de Maria é muito mais do que o testemunho de uma vida alcançada: é uma história de graça, perseverança e poder da oração. E pede que continuemos a orar pela obra missionária no Paraguai. Além de orar, você também pode apoiar financeiramente o trabalho missionário mensalmente e se tornar um Parceiro PAM. Inscreva-se aqui: https://missoesmundiais.com.br/ ficha-pam n
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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA
Primeira Igreja Batista de Petrópolis - RJ celebra 100 anos de história Igreja nasceu do esforço de famílias batistas e, ao longo de um século, tornouse referência de evangelização, formação de líderes e ação social.
Alguns dos pastores da Igreja
Celso Ribeiro Filho está na PIB desde 1990
Extraído do material “Primeira Igreja Batista de Petrópolis - 100 Anos Amando Muito Ser Igreja - Breve História por Altina e Luciana Francioni”
Em 22 de agosto de 1926, a Igreja Batista em Petrópolis foi oficialmente organizada, com 23 membros fundadores. O missionário A. B. Christie assumiu interinamente o pastorado poucos dias depois. A organização marcou o início de uma A história da Primeira Igreja Batista de Petrópolis - RJ trajetória que atravessaria diferentes gerações e períodos da começou antes mesmo de sua organização formal. Em 1914, história brasileira. famílias Batistas que chegaram à cidade passaram a participar dos cultos metodistas locais e, paralelamente, iniciaram Uma Igreja que nasceu em uma sala de jantar reuniões domésticas com o propósito de estabelecer um trabalho Batista na então Cidade Imperial. Dez anos depois, Antes de possuir templo próprio, a Igreja passou por diem 2 de fevereiro de 1924, um novo grupo retomou esse ferentes espaços. Os primeiros cultos realizados na casa do projeto, realizando o primeiro culto na residência do casal casal Oliveira logo deram lugar a uma casa na Rua Dr. Sá Earp. Alberto Rodrigues de Oliveira e Júlia Blanco de Oliveira, na Ali, além das reuniões, os membros desenvolveram atividades de visitação, distribuição de convites e Escola Dominical. Avenida Paulo Barbosa. O crescimento, especialmente entre as crianças, fez com A iniciativa ganhou força com a chegada do cirurgião-dentista Dr. Deoclécio Teixeira de Abreu, membro da Primeira que o espaço rapidamente se tornasse insuficiente. A congreIgreja Batista do Rio de Janeiro, e com o apoio de outros gação chegou a enfrentar resistência ao trabalho evangelístiBatistas ligados à igreja carioca. O trabalho recebeu ainda a co. Mesmo diante das dificuldades, os Batistas continuaram orientação do missionário norte-americano A. B. Christie e o anunciando o Evangelho e ampliando sua presença em difeapoio da Igreja Batista de Três Rios. Em pouco mais de dois rentes bairros de Petrópolis. Na rua Treze de Maio, o trabalho ganhou novas condições. anos, a pequena congregação cresceu, estruturou sua Escola Dominical, desenvolveu ações evangelísticas e consolidou A família Christie fixou residência na cidade, e a Escola Dominical passou a contar com classes para homens, senhoras sua identidade. e moças e crianças. Seminaristas também começaram a viajar regularmente do Rio de Janeiro para auxiliar nos cultos. Os primeiros anos foram marcados por intensa atividade evangelística. A Igreja estabeleceu pontos de pregação no Meio da Serra e em Castelânea, realizou cultos ao ar livre e desenvolveu iniciativas voltadas às crianças. Em 1927, uma Escola Popular de Férias chegou a reunir 400 crianças, demonstrando a força que a educação cristã teria na trajetória da igreja. Entre desafios, perseguições e crescimento
Fachada da PIB Petrópolis
Os registros históricos da Igreja também preservam episódios que revelam as dificuldades enfrentadas pelos primei-
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A trajetória centenária da Primeira Igreja Batista de Petrópolis atravessa diferentes gerações, pastores, missionários e membros ros Batistas em Petrópolis. Em determinados momentos, o trabalho evangelístico sofreu oposição e chegou a ser alvo de hostilidade. Em uma das ocasiões relatadas, pregadores foram atacados durante uma atividade evangelística ao ar livre. Após a dispersão do grupo, os irmãos buscaram garantias junto às autoridades e retornaram no domingo seguinte para continuar anunciando Cristo. A Igreja também desenvolveu ações em espaços pouco convencionais para a época. As atividades evangelísticas chegaram ao cemitério durante os dias de Finados, enquanto pontos de pregação eram estabelecidos em bairros e localidades do município. Outro aspecto marcante foi a atuação social. Em 1931, mulheres da Igreja passaram a visitar os detentos da Cadeia Municipal todos os domingos, levando a mensagem do Evangelho e exemplares de O Jornal Batista. O trabalho conquistou o respeito de autoridades e presos e se tornou uma expressão concreta do compromisso da igreja com as pessoas em situação de vulnerabilidade. A conquista de um templo próprio A busca por uma sede definitiva acompanhou a Igreja desde seus primeiros anos. Em 1932, durante o pastorado do missionário William Luther Hatcher, a congregação avançou na aquisição de um imóvel na Rua Paulo Barbosa, número 95. A Igreja precisou recorrer a empréstimo junto à Junta Patrimonial Batista e mobilizar seus próprios recursos. O casal Hatcher teve participação decisiva nesse processo, inclusive oferecendo recursos pessoais para ajudar a completar o valor necessário à compra. Depois das reformas e adaptações, a congregação passou a utilizar o imóvel como seu templo. A construção de um novo santuário, entretanto, ainda faria parte da história da Igreja. Em 1948, foi aprovado um projeto orçado em 391 mil cruzeiros e autorizado um empréstimo de
Escola Bíblica Dominical na década de 70
200 mil cruzeiros para o início das obras. Em 1949, a planta do novo santuário foi oficialmente aprovada. A inauguração ocorreu em 3 de agosto de 1952. Uma multidão acompanhou a solenidade, que contou com a participação de autoridades municipais, representantes de diferentes Igrejas e o Coral Excelsior, do Rio de Janeiro. O templo ficou completamente lotado, e a cerimônia foi encerrada às 21 horas. Um celeiro de vocações Ao longo das décadas, a PIB de Petrópolis se consolidou também como espaço de formação de líderes e vocacionados. Na década de 1950, sob a liderança do pastor Wilson Regis, a Igreja intensificou o trabalho com adolescentes e jovens. Grupos saíam aos domingos para evangelizar em diferentes bairros, enquanto retiros e atividades de formação estimulavam novas vocações ministeriais. Entre os jovens despertados para o ministério estavam nomes que posteriormente serviriam em diferentes campos. Essa tradição permaneceu ao longo do tempo. O levantamento histórico produzido para o centenário registra dezenas de seminaristas e iberistas ligados à Igreja desde os anos 1920. Entre eles estão pastores, ministros de música e líderes que seguiram para diferentes frentes de serviço cristão. A Igreja também deu origem a novas frentes de trabalho em Petrópolis e região. Entre os frutos dessa expansão estão trabalhos que posteriormente se organizaram como igrejas, como a Igreja Batista do Alto Independência e a Igreja Batista do Morin. Em 1969, surgiu ainda a congregação de Pedro do Rio, resultado de sementes lançadas anteriormente. Monumento à Bíblia e presença na cidade Na década de 1960, durante o pastorado de Nilson Dimárzio, a Igreja experimentou novo período de expansão. O ministério foi marcado pelo fortalecimento da música, das Escolas Populares de Férias e das séries de conferências. Um dos marcos desse período foi a participação na construção do Monumento à Bíblia, instalado na Praça Rui Barbosa. A iniciativa contou com a cooperação de outros grupos evangélicos e deu origem a celebrações do Dia da Bíblia com desfiles e pregações públicas. O envolvimento com a cidade também apareceu em momentos de crise. Em março de 1988, quando Petrópolis foi atingida por uma grande catástrofe natural, a Igreja abriu suas portas para abrigar famílias desabrigadas. Algumas permaneceram nas dependências do templo durante meses, e a última família assistida deixou o local somente em agosto daquele ano.
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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA
Aniversário da Igreja, em 1985
Coro Jovem
Sociedade de Crianças em 1982
Estudo para a Mocidade com Pr. Clarck
Membros da PIB
Sra Ernestina, membro fundadora da PIB Petrópolis
Evangelização e ação social no século XXI A entrada no novo milênio encontrou a PIB de Petrópolis mantendo a combinação entre evangelização, educação, formação e serviço social. Em 2000, a Igreja oferecia atividades como aulas de matemática, português, inglês, informática e alfabetização, além de cursos de corte de cabelo, pintura em tecido, crochê e ponto de cruz. O trabalho com pessoas em situação de vulnerabilidade também incluía a distribuição de lanches e o atendimento a crianças de bairros menos favorecidos. Essa atuação deu origem a iniciativas que permaneceram relevantes na história recente da Igreja. O Projeto C3, iniciado em 2008 a partir de um trabalho social desenvolvido anteriormente, tornou-se uma das expressões dessa parceria. Segundo o registro histórico, a ação social da igreja havia atendido milhares de pessoas ao longo dos anos, incluindo crianças, adolescentes, adultos e pessoas com necessidades especiais. O trabalho evangelístico com crianças em comunidades carentes também continuou. A Igreja registrou atendimento semanal de dezenas de crianças, distribuição de cestas básicas, roupas, agasalhos e calçados, além de ações de integração e acompanhamento espiritual. 100 anos de história e um novo capítulo A trajetória centenária da PIB de Petrópolis atravessa diferentes gerações, pastores, missionários e membros. O documento histórico registra uma sucessão de líderes que contribuíram para a consolidação da Igreja, desde A. B. Christie, primeiro pastor, até o pastor Celso Ribeiro Filho, que as-
sumiu o pastorado em 29 de abril de 1990 e permanece à frente da Igreja. Atualmente, a Igreja conta também com ministérios voltados às famílias, evangelismo e missões, jovens, música, oração e outras áreas. O pastor Celso Ribeiro Filho permanece como pastor-presidente, enquanto o pastor Lucas Rinaldi Chaves atua no Ministério com Jovens, e a pastora Lilian Mazzini de Britto de Castro está à frente do Ministério com Famílias. O pastor Edemir Miranda Oliveira atua nos Ministérios de Evangelismo e Missões. A própria missão registrada pela Igreja sintetiza o sentido de sua caminhada: “Amar ser igreja”, enquanto busca promover, entre os homens, a glória de Deus e alcançar aqueles que precisam ser salvos. Ao completar 100 anos, a PIB de Petrópolis olha para uma história construída por homens e mulheres que, geração após geração, dedicaram dons, recursos, tempo e vidas à obra de Deus. Da sala de jantar na Avenida Paulo Barbosa aos atuais ministérios, dos primeiros cultos domésticos aos projetos sociais, das dificuldades enfrentadas pelos pioneiros às novas gerações de líderes, a trajetória da Igreja é marcada por uma mesma convicção: servir a Cristo e anunciar o Evangelho. Mais do que celebrar uma data, o centenário representa a oportunidade de reconhecer aqueles que lançaram as primeiras sementes, agradecer a Deus pelos frutos produzidos ao longo de um século e reafirmar o compromisso com os próximos anos da missão. Como escreveu o pastor-presidente Celso Ribeiro Filho na mensagem que integra o material comemorativo do centenário: “Chegamos até aqui porque aquele que é o dono da igreja, JESUS, também estava e continua, presente em todas as ações da igreja.” n
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Uma congregação marcada por fé, amor e milagres Congregação Batista Memorial em Caruaru - PE transforma vidas por meio da fé e do serviço.
Organizada em 2012, Igreja realiza evangelismos e ações de serviço, e seu trabalho conta com um foco especial nas crianças
Jénerson Alves
jornalista, membro da Igreja Batista Emanuel, em Caruaru - PE
A simplicidade do templo da Congregação Batista Memorial em Caruaru - PE testemunha, em sua estrutura, uma história marcada por fé, amor e milagres. Embora a Congregação tenha sido fundada em 15 de dezembro de 2012, é necessário voltar no tempo para compreender sua história. Tudo começou em 1987, quando a missionária Maria das Neves – que atualmente é líder da Congregação – ainda sequer era evangélica. “Eu pertencia a outra religião e tinha muita raiva dos crentes”, conta a Irmã Neves, como é conhecida. Naquela época, ela era casada e vivia bem estabelecida na área urbana de Caruaru, onde morava com o marido e os filhos. Entretanto, teve de enfrentar uma forte batalha de saúde, ao descobrir que tinha um câncer, enfermidade que a levou a passar seis meses internada em um hospital do sistema público de saúde. Em meio à dor do tratamento, ela perdeu os cabelos e ficou muito debilitada. Ela testifica que, apesar da grave situação em que se encontrava, era resistente aos evangélicos que proclamavam a mensagem de salvação nas unidades de saúde. “Eu colocava um pano em meu rosto, para não ver as pessoas que iam pregar o Evangelho”, afirma. Contudo, essa resistência foi quebrada em uma madrugada, quando, tomada pelas dores da enfermidade, decidiu orar em seu coração, chamando pelo “Jesus dos crentes”. Nesta prece, ela fez um voto ao Senhor, no qual, se fosse curada, abriria uma Igreja na comunidade de Baraúnas, onde foi nascida e criada. A Irmã Neves conta que, naquele momento, viu uma luz azulada refulgir no quarto, aproximar-se dela como se a tocasse e, em seguida, desaparecer. “Tenho toda certeza. Aquela luz era Jesus. Naquele exato momento, fui curada. Passei mais um mês no hospital, para me fortalecer, mas Jesus já havia me curado”. Após a cura, vieram problemas. Liberada do hospital e de volta para casa, decidiu frequentar a Igreja Batista Memorial, situada ao lado de sua residência. Porém, o marido, que era caminhoneiro, nutria uma forte aversão aos evangélicos, separou-se dela, o que levou a irmã a enfrentar diversos problemas financeiros, além de suportar muitos dilemas familiares na criação dos filhos. Já nos idos dos anos 2000, voltou ao Sítio Baraúnas, onde construiu uma casa. Mesmo a muitas dificuldades, mantinha viva a esperança de construir uma congregação Batista no lugar. Um dos pontos-chaves foi um verdadeiro
Maria das Neves, de 62 anos, lidera o trabalho da Congregação Batista Memorial em Caruaru
milagre. A Irmã Neves que, certa manhã, decidiu ir à Escola Dominical na área urbana de Caruaru (que fica a cerca de 40 quilômetros do sítio). Enquanto estava no templo, recebeu uma ligação telefônica de uma pessoa da comunidade rural, a qual contou-lhe que uma nuvem de chuva passou pela região, de modo que um raio caiu justamente na casa da Irmã Neves, destruindo-a completamente. “Se eu estivesse em casa, teria morrido”, relembra. Esse fato serviu de testemunho para a comunidade sobre a grandeza de Deus. Então, a irmã recebeu uma doação de um terreno para construir o templo. Outras pessoas, das mais diversas vinculações religiosas – e até pessoas não-religiosas – fizeram doações de materiais de construção para o templo, que segue em expansão. Atualmente com 62 anos de idade, a Irmã Neves segue ativa, realizando evangelismos e ações de serviço. Seu trabalho conta com um foco especial nas crianças. “Já ajudamos a realizar sonhos de muitas crianças. Um garoto, por exemplo, tinha o sonho de ganhar uma caixa de bombons. Organizamos uma festa de aniversário para ele, em que ele ganhou oito caixas. Ficou radiante de alegria!”, menciona. Ela relata outros episódios, como a viabilização de uma consulta médica particular para uma criança que se encontrava muito doente e estava desassistida do poder público. Mais recentemente, em 2024, foi realizada uma ação no Dia das Crianças, na qual foram distribuídos 40 pares de sandálias a crianças da localidade, garantindo saúde e conforto para a população infantil. Além de um lugar de realização de cultos, a Congregação Batista Memorial em Baraúnas é uma ponte do amor de Deus, que irradia compaixão e graça naquela comunidade. Com humildade e devoção ao Senhor, o trabalho segue avante, proclamando e encarnando o Evangelho e transformando vidas. n
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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA
Novo ônibus amplia alcance do Projeto Vida na Estrada em Minas Gerais Unidade móvel foi projetada para ampliar a capacidade de atendimento e alcançar ainda mais municípios mineiros.
Apresentação do novo ônibus, realizada no dia 2 de setembro, na Esplanada do Mineirão, em Belo Horizonte
Katia Brito
jornalista na Convenção Batista Mineira
O Projeto Vida na Estrada, Projeto da Convenção Batista Mineira (CBM) que, desde 2019, leva atendimentos médicos, odontológicos e nas mais diversas áreas da saúde, cuidado e esperança a comunidades em situação de vulnerabilidade, inicia uma nova etapa de sua história. A apresentação do novo ônibus, realizada no dia 2 de setembro, na Esplanada do Mineirão, em Belo Horizonte, marcou a chegada de uma unidade móvel projetada para ampliar a capacidade de atendimento e alcançar ainda mais municípios mineiros. Com dois andares, o novo veículo conta com dois consultórios de atendimento odontológico na parte inferior, e quatro consultórios na parte superior que poderão ser utilizados para atendimentos médicos, sendo um deles preparado para atendimento ginecológico. A estrutura permitirá maior diversidade de serviços e mais conforto para profissionais, voluntários e pessoas atendidas pelo projeto. Para o diretor-executivo da CBM, pastor Marcio Santos, a nova unidade representa um momento histórico. “Essa é a primeira unidade da América Latina, em dois andares, destinada à saúde. Vamos percorrer Minas Gerais, estado que possui a maior malha rodoviária do Brasil, chegando aos rincões e fazendo a diferença nas pequenas cidades, levando saúde, mas sobretudo o alívio para a alma daqueles que estão sofrendo”, afirmou. A dimensão alcançada pelo projeto também ajuda a explicar a importância da nova estrutura. Desde sua criação, o Vida na Estrada já contabiliza 25.000 pessoas atendidas, 90.000 procedimentos realizados e 4.000 voluntários envolvidos, passando por 97 cidades de Minas Gerais e por outros estados. Para Doroti Campos, gerente de Ação Social da CBM, a chegada da nova unidade móvel representa a continuidade de uma história construída ao longo dos últimos anos. “De 2019 até hoje, passou um filme. A experiência adquirida com a primeira unidade nos capacitou para chegar a uma nova estrutura, servindo melhor, com mais qualidade e atendendo um número ainda maior de pessoas”, destacou. O projeto também contou com a participação de parceiros na construção da nova unidade. A Comil Ônibus, foi responsável pela carroceria e integrou o projeto como patrocinado-
Estrutura permitirá maior diversidade de serviços e mais conforto para profissionais, voluntários e pessoas atendidas pelo projeto
ra. Segundo Fabrício Tascine, representante de vendas da empresa, a parceria esteve alinhada aos valores da Comil. “Abraçamos a causa por entender que ela está muito ligada aos nossos valores de tratar as pessoas com humanidade e dignidade. Temos muito orgulho de ver o ônibus pronto”, afirmou. A unidade também recebeu o trem de força da Mercedes-Benz, por meio da Minas Máquinas, em um processo que, para o consultor de vendas Fabrício Thales, simboliza a própria evolução do projeto. “Começamos com um veículo Mercedes-Benz de 1988, e hoje chegamos a um Mercedes-Benz 2026. Saber que esse veículo vai transformar a vida de muitas pessoas é motivo de muita alegria”, ressaltou. Com a chegada do novo ônibus, a primeira unidade do Projeto Vida na Estrada seguirá cumprindo sua missão. A Diretoria da CBM deliberou pela doação do veículo à Convenção Batista Fluminense, no Rio de Janeiro, para que o trabalho possa ter continuidade naquele Estado. A iniciativa representa, segundo a liderança da CBM, um gesto de gratidão e parceria. O antigo ônibus, que marcou os primeiros anos do projeto, agora será uma semente para que outras comunidades também sejam alcançadas. O presidente da CBM, pastor Ruan Noce, destacou o significado do momento para os batistas mineiros: “Eu me sinto privilegiado de fazer parte deste tempo histórico. É fruto do trabalho que vem sendo realizado, e de tantas outras coisas boas que estão acontecendo simultaneamente em nossa denominação”, afirmou. Em breve a unidade móvel ganhará as estradas Gerais, contribuindo com a missão dos batistas mineiros de salvar e transformar vidas em todos os cantos do Estado. n
PONTO DE VISTA
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Desafios e erros na educação dos filhos Marisnede Mendes Batista membro da Primeira Igreja Batista em Teresina - PI, professora, psicopedagoga, psicóloga Educacional, educadora cristã, coordenadora de Ministério com Crianças, capelã escolar
“Instrui a criança no caminho em que deve andar, e mesmo quando envelhecer não se desviará dele” (Pv 22.6). Podemos dizer que estamos cumprindo, de fato, o nosso papel como pais? Essa é uma pergunta que merece uma reflexão sincera. Educar filhos é uma das maiores responsabilidades que Deus confiou aos pais. Não existem pais perfeitos, nem filhos sem falhas. Todos enfrentam desafios e, em algum momento, cometem erros. No entanto, a Palavra de Deus nos oferece princípios seguros para orientar a criação dos filhos com amor, sabedoria e equilíbrio. A Bíblia apresenta relatos de famílias que experimentaram alegrias, mas também enfrentaram conflitos e colheram as consequências de decisões equivocadas. Esses exemplos não foram registrados para expor seus personagens, mas para ensinar princípios que continuam atuais. Embora muitos dos relatos bíblicos mencionem pais, os ensinamentos também se aplicam às mães. A responsabilidade de educar os filhos é compartilhada e exige amor, presença, diálogo, disciplina e dependência de Deus.
Dar tudo o que os filhos desejam Vivemos em uma cultura que incentiva a satisfação imediata dos desejos. Muitos pais, movidos pelo amor ou pela culpa, acabam oferecendo aos filhos tudo o que eles pedem. Na parábola do filho pródigo (Lucas 15.11-32), Jesus destaca o amor do pai, mas também mostra que as escolhas trazem consequências. Essa narrativa nos lembra de que amadurecer também envolve aprender com os próprios erros. A criança que nunca ouve um “não” pode crescer com dificuldade para lidar com limites, frustrações e responsabilidades. Ensinar que nem todos os desejos serão atendidos é uma demonstração de amor e prepara os filhos para a vida adulta. Omissão na educação
Amar também significa acompanhar, orientar e corrigir. O rei Davi foi um grande líder, mas enfrentou sérios problemas em sua família. Seus filhos envolveram-se em conflitos marcados pela violência, vingança e disputa pelo poder (II Samuel 13-18). Sobre Adonias, a Bíblia registra que seu pai nunca o havia contrariado (I Reis 1.6), mostrando como a ausência de correção pode trazer consequências. Outro exemplo é Eli. Mesmo conhecendo os pecados de seus filhos, não exerceu a disciplina necessária (I Samuel 2.22-25; 3.13). Sua omissão resultou em sofrimento para toda a família.Corrigir com amor não significa agir com dureza, mas ensinar, orientar e estabelecer limites. A disciplina Proteção em excesso equilibrada demonstra cuidado e prepara os filhos para fazer É natural que os pais desejem proteger seus filhos. No escolhas responsáveis. entanto, quando a proteção se torna exagerada, pode impeRigidez e expectativas exageradas dir que a criança desenvolva autonomia, responsabilidade e maturidade. Se a falta de limites prejudica a educação, o excesso de Em Êxodo 18.1-6, encontramos o reencontro de Moisés rigidez também pode causar danos. com sua esposa e seus filhos. O texto nos leva a refletir sobre Pais excessivamente controladores podem dificultar o a importância de a família participar da caminhada da fé e diálogo e gerar medo, insegurança e distanciamento dos aprender, unida, a enfrentar os desafios da vida confiando filhos. A educação cristã não se baseia no autoritarismo, mas em Deus. no amor, na firmeza e no exemplo. Os filhos precisam de apoio e segurança, mas também Outro cuidado importante é não projetar nos filhos sonhos precisam aprender a lidar com dificuldades, frustrações e que pertencem aos pais. Isaac e Rebeca permitiram que suas responsabilidades. Pais que resolvem todos os problemas preferências influenciassem o relacionamento com Esaú e dos filhos podem, sem perceber, dificultar seu crescimento Jacó (Gênesis 25.28), contribuindo para conflitos familiares. emocional e espiritual. Cada filho foi criado por Deus com dons, talentos e um propósito específico. Cabe aos pais orientar, incentivar e Favoritismo entre os filhos apoiar seus filhos para que descubram e desenvolvam aquilo que Deus preparou para suas vidas. Outro erro que causa profundas marcas na família é demonstrar preferência por um filho. Jacó amava José de maReferências neira especial (Gênesis 37.3), e essa atitude despertou inveja e ressentimento entre os irmãos. O resultado foi uma sequência BÍBLIA. Bíblia Sagrada. Almeida Século 21. São Paulo: de conflitos que trouxe sofrimento para toda a família. Mais Vida Nova, 2010. tarde, Deus restaurou aquele relacionamento (Gênesis 45.4GUIMARÃES, Cláudia. Pastoreando as Crianças desta 15), mas as consequências do favoritismo deixaram marcas. Geração. São Paulo: Editora Vida, 2007. Cada filho é único e possui características próprias. Amar de forma justa significa oferecer atenção, cuidado e Família, meu abrigo seguro. Lições da Bíblia: Estudos Bídisciplina sem comparações ou preferências, fortalecendo blicos em Série. Ano 1. Edição 3. Brasília, DF: Livraria Editora o vínculo entre todos os membros da família. Renovação Batista Nacional. n
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PONTO DE VISTA SAÚDE DE CORPO E ALMA
Saúde mental na Bíblia Por que a Igreja precisa falar sobre um tema que a Bíblia nunca escondeu?
Pr. Ailton Desidério A Bíblia é um livro espiritual. Isso é inquestionável. Doutrinariamente, ela é a nossa regra de fé e prática. Mas, como livro espiritual revelado, ela não fala da nossa condição humana com a frieza de um manual de anatomopatologia, que ensina, de forma técnica e metódica, um estudante de medicina a examinar órgãos ou dissecar um cadáver. A Bíblia não disseca corpos; ela toca na profundidade do nosso coração, da nossa alma. A Bíblia não fala de coisas; fala de gente. Não fala de nervos; fala de pessoas. Não trata o ser humano de forma abstrata, mas como alguém que pensa, sente, deseja, sofre, se relaciona, peca, ama e espera. Ela não romantiza a realidade nem oculta os pecados e as fraquezas de homens como Davi, Elias, Jeremias e tantos outros. A Bíblia encara a condição humana com absoluta honestidade. Ela não camufla as emoções, as angústias ou as lágrimas daqueles que Deus chamou para a sua obra. Nem mesmo os sentimentos do Senhor Jesus são escondidos. Ao contrário, são revelados com surpreendente naturalidade: “Jesus chorou” (Jo 11.35). Uma das características mais importantes da narrativa bíblica é não ignorar a dor de existir (João 16.33). Na Bíblia, o sofrimento pode ser levado à presença de Deus enquanto ainda é sofrimento. Observamos isso claramente nos livros poéticos, que estão repletos de perguntas, lamentos, medos e clamores que não foram negados, mas admitidos e apresentados a Deus. É justamente essa visão abrangente da pessoa humana que torna a Bíblia tão importante para quem deseja compreender o sofrimento. Paul David Tripp, em Instrumentos nas Mãos do Redentor, destaca que a Bíblia nos conhece profundamente: nossos pensamentos mais íntimos, as motivações do coração, o sofrimento e a alegria que atravessam nossos relacionamentos. Quem lê a Bíblia com atenção encontra nela pessoas imperfeitas, pecadoras, frágeis, vasos de barro, mas, ainda assim, amadas pelo Pai. O que a Bíblia nos oferece em relação à nossa existência é uma profunda compreensão da experiência humana, a partir
do relato de alguns casos, como, por exemplo, o do profeta Elias, que, depois de lutar e vencer com grande coragem os profetas de Baal, ficou terrivelmente amedrontado com a ameaça de Jezabel (I Reis 18–19). Não precisamos transformar esse episódio da vida do profeta Elias em um diagnóstico de depressão para perceber a profundidade de sua crise. O que precisamos reconhecer aqui é a maneira como Deus se relaciona com aquele que se sente esgotado, abatido e desanimado, oferecendo acolhimento e não julgamento. No auge do sofrimento emocional de Elias, Deus disse: “Levante-se e coma, porque a viagem será longa” (1Rs 19.7). Uma pessoa pode sofrer sem estar doente. Pode estar doente sem que seu sofrimento seja consequência de um pecado específico. Pode sentir culpa sem ser culpada. Pode possuir uma fé madura e atravessar um período de profundo sofrimento psíquico. Quando confundimos sofrimento, pecado e transtorno mental, corremos o risco de oferecer respostas inadequadas para quem, na verdade, está precisando de cuidado. As acusações dos amigos de Jó demonstram isso de modo muito claro (Jó 4.6,8; 5.17; 8.1-7; 12.2; 13.13-20; 15.11; 20.4-5; 22.21-23). Uma pessoa pode procurar ajuda dentro da igreja e ouvir que seu sofrimento é consequência da falta de fé e que precisa orar e ler mais a Bíblia. Isso desconsidera que homens e crentes sinceros, como Jó, por exemplo, sofreram por causa da condição humana, e não necessariamente por causa de um pecado cometido ou da falta de fé. Infelizmente, não é incomum que esses juízos e julgamentos ainda aconteçam no ambiente da igreja, acrescentando sofrimento a quem já está sofrendo. Uma igreja responsável não precisa escolher entre o cuidado espiritual e o cuidado profissional. Ela pode compreender que diferentes formas de cuidado atendem a diferentes dimensões da pessoa. Assim como o pastor oferece apoio por meio de ações pastorais, o psicólogo oferece apoio por meio da psicoterapia, o psiquiatra oferece apoio por meio da consulta psiquiátrica, e outros profissionais oferecem apoio a partir da área de conhecimento em que atuam. As funções não são idênticas, mas podem ser complementares. Ou será que não?
PONTO DE VISTA Cuidar das pessoas, ajudando-as na superação de suas fraquezas e fragilidades, é uma das belas manifestações da Graça de Deus concedida à igreja. Timothy Keller, em Caminhando com Deus em Meio à Dor e ao Sofrimento, chama a atenção para a necessidade de permitir que pessoas em sofrimento expressem sua dor, em vez de serem imediatamente silenciadas por instruções sobre como deveriam agir. A igreja precisa criar um ambiente onde uma pessoa possa dizer “eu não estou bem” sem ser julgada em sua fé. Tem muita gente sofrendo no mundo. Em 2025, a Organização Mundial da Saúde informou que mais de um bilhão de pessoas no mundo viviam com algum transtorno mental, sendo os transtornos de ansiedade e depressivos os mais comuns. No Brasil, estimativas da OMS anteriores à pandemia apontavam uma prevalência particularmente elevada de transtornos de ansiedade e depressão. O suicídio também permanece como uma das grandes questões de saúde pública mundial. Segundo estimativas da OMS, cerca de 727 mil pessoas morreram por suicídio em 2021 — algo próximo de uma morte por suicídio a cada 40 segundos, número que, em termos populacionais, equivale aproximadamente à população de uma cidade como Natal (RN), que, segundo o Censo 2025, tem 784.249 habitantes. Outro dado significativo é que o suicídio está entre as principais causas de morte entre pessoas de 15 a 29 anos. Esses dados são simplesmente alarmantes e revelam que estamos vivendo uma grande epidemia de saúde mental no mundo. É preciso considerar, dentro desse contexto, que a igreja não é uma ilha. Há muitos crentes, inclusive pastores, sofrendo por causa de problemas emocionais. O que podemos fazer para ajudar de modo mais efetivo os nossos irmãos em Cristo? A dissertação de mestrado do Programa de Saúde Mental da UFJF, intitulada O papel da religiosidade/espiritualidade no
O JORNAL BATISTA Domingo, 16/08/26
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comportamento suicida: um estudo transversal multicêntrico, realizada por Victoria Alexandre da Silva Almeida, apresenta um estudo com 240 pessoas atendidas em serviços psiquiátricos, no qual se observou que o coping religioso positivo esteve associado a menor risco de comportamento suicida. Por outro lado, sentir-se punido por Deus esteve associado a aproximadamente sete vezes mais chances de ideação suicida, enquanto sentir-se abandonado pela comunidade religiosa esteve associado a aproximadamente nove vezes mais chances de ideação suicida. A questão, a proposta, não é transformar a igreja em um grande consultório de psicologia e psiquiatria, mas entender e reconhecer que a igreja, biblicamente falando, é uma agência importante de acolhimento e promoção da saúde mental. A promoção da saúde mental na igreja não significa desvirtuar a igreja de sua missão, muito menos distorcer a Palavra de Deus. Muito pelo contrário. É justamente por entender que a missão da igreja é ir ao encontro daqueles que precisam de uma mensagem de paz, esperança e ânimo que a igreja precisa falar e promover a saúde mental. Promover a saúde mental no contexto da igreja é recuperar algo que a própria Bíblia nunca perdeu: a coragem de dizer a verdade sobre o ser humano. A verdade de que somos frágeis. A verdade de que sofremos. A verdade de que pecamos. A verdade de que precisamos uns dos outros. A verdade de que, onde abundou o pecado, superabundou a Graça (Rm 5.20). A igreja precisa falar e promover a saúde mental, entendendo que a Bíblia não escondeu as lágrimas de seus personagens — o medo de Elias, o lamento de Davi, a angústia de Jeremias ou o choro de Jesus. Se a Bíblia teve coragem de mostrar a fragilidade humana, por que a igreja deveria escondê-la? n
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