ANO CXXV EDIÇÃO 11 DOMINGO, 15.03.2026
ISSN 1679-0189 ÓRGÃO OFICIAL DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA FUNDADO EM 1901
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Seminário Equatorial vive um novo tempo Reformas estruturais, nova gestão e quase 50 vocacionados na turma de Teologia marcam fase de renovação da Faculdade Batista Equatorial. Leia mais na página 12.
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Veículos seguem pelas estradas levando a mensagem transformadora do Evangelho
Batistas do Acre ganham publicação mensal para notícias do campo
JMM convida os Batistas a orarem pelo fim do conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã
Colaboradores se reúnem para celebrar campanha de Missões Mundiais
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REFLEXÃO
O JORNAL BATISTA Domingo, 15/03/26
EDITORIAL
Um novo tempo que honra o legado Ao longo de sua história, as instituições de formação teológica têm desempenhado um papel essencial na vida das Igrejas Batistas. São espaços onde vocações são confirmadas, onde a Palavra é estudada com profundidade e onde líderes são preparados para servir a Deus e à sua Igreja com fidelidade e excelência. É com gratidão e esperança que celebramos este novo momento vivido pela Faculdade Batista Equatorial (FABAE), em Belém - PA. Aos 70 anos de história, a instituição atravessa uma fase de renovação que une legado e visão de futuro. Investimentos estruturais, fortalecimento institucional e o compromisso com a excelência acadêmica demonstram o cuidado em
manter viva a missão de formar vocacionados para o ministério. Um dos sinais mais encorajadores desse tempo é a nova turma presencial do curso de Teologia, que reúne quase 50 alunos. Jovens e vocacionados provenientes de diferentes regiões, especialmente do Pará e de estados vizinhos, chegam com o desejo de se preparar para servir ao Senhor. Cada um deles representa uma resposta ao chamado de Deus e o fruto do trabalho das Igrejas que continuam despertando vocações para a obra missionária. Outro aspecto significativo é o fortalecimento da vida espiritual e comunitária no Seminário. O retorno dos cultos à capela, a participação
O JORNAL BATISTA Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso. Fundado em 10.01.1901
ativa de alunos e professores nas programações devocionais e o envolvimento em projetos missionários revelam que a formação ministerial vai além das salas de aula. Ela se constrói na comunhão, na prática da missão e no compromisso com o Reino de Deus. Este novo tempo também evidencia algo que sempre marcou a história batista: a cooperação. Parcerias com Igrejas, convenções, organizações denominacionais e colaboradores comprometidos demonstram que o avanço da obra de Deus é resultado do esforço conjunto do povo batista. O que vemos na FABAE é mais do que reformas estruturais ou ampliação de projetos acadêmicos. Vemos um
SECRETÁRIO DE REDAÇÃO Estevão Júlio Cesario Roza (Reg. Profissional - MTB 0040247/RJ) CONSELHO EDITORIAL Francisco Bonato Pereira; Guilherme Gimenez; Othon Ávila; Sandra Natividade
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FUNDADOR W.E. Entzminger PRESIDENTE Raphael Abdalla DIRETOR GERAL Fernando Macedo Brandão
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sinal de esperança para as próximas gerações. Cada vocacionado preparado, cada líder capacitado e cada igreja fortalecida apontam para o cumprimento da missão que o Senhor confiou ao Seu povo. Que Deus continue conduzindo a Faculdade Batista Equatorial neste novo capítulo de sua história. Que o legado construído ao longo de décadas permaneça firme, enquanto novas gerações são formadas para proclamar o evangelho, servir às Igrejas e impactar o Brasil e o mundo. Seguimos confiantes de que, quando colocamos nossos planos nas mãos do Senhor, Ele estabelece os caminhos e multiplica os frutos para a sua glória. n
Site: www.convencaobatista.com.br A direção é responsável, perante a lei, por todos os textos publicados. Perante a denominação Batista, as colaborações assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião do Jornal. DIRETORES HISTÓRICOS W.E. Entzminger, fundador (1901 a 1919); A.B. Detter (1904 e 1907); S.L. Watson (1920 a 1925); Theodoro Rodrigues Teixeira (1925 a 1940); Moisés Silveira (1940 a 1946);
Almir Gonçalves (1946 a 1964); José dos Reis Pereira (1964 a 1988); Nilson Dimarzio (1988 a 1995) e Salovi Bernardo (1995 a 2002) INTERINOS HISTÓRICOS Zacarias Taylor (1904); A.L. Dunstan (1907); Salomão Ginsburg (1913 a 1914); L.T. Hites (1921 a 1922); e A.B. Christie (1923). ARTE: Oliverartelucas IMPRESSÃO: Editora Esquema Ltda A TRIBUNA
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Correr e morrer Claudio de Castro Fernandes pastor da Igreja Batista Deus Conosco, em Manaus - AM
“Corramos com perseverança a corrida que nos está proposta” (Hb 12.1). Que corrida é esta que foi proposta aos seguidores de Jesus? A palavra “proposta” significa colocar diante de nós, em frente de nós; colocar diante dos nossos olhos. É aquilo que foi designado e destinado para nós. É algo que foi colocado à nossa mão. Essa corrida é a vida cristã, o desenvolvimento da Nova Vida Em Cristo para o estabelecimento do Reino de Deus e edificação da igreja que Jesus fundou. É o Evangelho em marcha, até que todos saibam que Jesus é o Senhor. É o resultado da aceitação da chamada ao discipulado de Jesus que disse: “Segue-me”. Essa corrida e a vida nos caminhos de Jesus, é pisar onde ele pisou, é falar como ele falou, é servir como ele serviu, obedecer como ele obedeceu e amar como ele amou. Essa não é uma corrida comum, pois a palavra usada vem com toda a dinâmica de uma corrida com muito esforço. É correr e gastar as energias, executando e realizando a obra de Deus. A palavra “corramos”, é tradução da palavra “τρεχω” (trecho), que significa correr numa competição com um esforço muito grande. Segundo o
Dicionário Strong1, “a palavra aparece na literatura grega denotando incursão em risco extremo, que requer o uso de todas as habilidades de alguém para alcançar vitória”. É uma corrida onde o corredor cai de exaustão ao final. Não é para amadores, mas para autênticos seguidores de Jesus. Os aventureiros ficam pelo caminho, os interesseiros não pagam o preço. Essa corrida tem características GERAIS que servem para todos os corredores. Todos devem correr em JUSTIÇA, SANTIDADE, VERDADE, com AMOR, ABNEGAÇÃO e ZELO. É correr com um ALVO SUPREMO em mente, como dizia o saudoso Apóstolo da Amazônia, Darciso Medeiros: “Mas em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que eu complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At 20.25). Não obstante, a “corrida proposta” também tem características PESSOAIS, pois Deus tem dado DONS aos seus cooperadores. Essas capacitações do Espírito de Deus são diversificadas e distribuídas conforme o próprio Deus. A cada um, Ele dá um ou mais dons, conforme lhe apraz. Sendo assim, ainda que tenhamos uma corrida com características GERAIS, cada um tem a sua corrida PARTICULAR. Por isso temos um Paulo, um Eurico Nelson, um Billy
Graham e outros que se destacaram, mas Deus tem também os anônimos que correram a corrida que a eles FOI PROPOSTA. Alguns não são vistos e nem lembrados, mas correram bem. O que importa é que cada um COMPLETE A CORRIDA que recebeu para correr, e no fim seja encontrado FIEL. A “corrida proposta” deve ser desenvolvida sem peso, sem fardo e sem impedimentos. Esta corrida dos seguidores de Jesus é diferenciada e deve ser realizada, “pondo de lado todo o impedimento, e o pecado que se nos apega”. Sim, tudo que atrapalha deve ser notado, tirado do caminho, removido e descartado, senão comprometerá o sucesso da carreira. É possível que cada um tenha seu próprio “peso”, fardo e impedimentos pessoais, que precisam ficar de lado. É comum que atletas corram com peso numa mochila, para que na hora do “vamos ver” possam correr com maior desenvoltura e cumprir a missão. Os comandos do Exército brasileiro, nos TFM carregam cinco quilos na mochila e nas marchas começam com 16 quilos e vão até uns 25 quilos. As FE chegam a andar por 1,5 Km com 90 quilos; daí para a frente, mais 50 km com 54 kg. Certamente que esses guerreiros vão voar no cumprimento da missão quando estiverem sem peso. Retirar o peso é fundamental para quem quer correr bem e agradar a Jesus. Pesos, fardos e impedimentos, ain1 STRONG, James. Dicionário Bíblico Strong, Hebraico, Aramaico e Grego de da que não sejam pecados, podem se tornar pecado ao atrapalhar a corrida. Strong. Barueri, São Paulo: SBB, 2002.
Devemos correr sem os embaraços da vida. Todo cuidado é pouco, pois a sociedade e alguns santos evangélicos têm na ponta da língua a expressão: “Não tem nada a ver.” Na verdade, tem tudo a ver, pois Jesus nos purificou “para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tito 2.14). Então, nada de correr com o peso dos “embaraços” da vida. Há um relato, que mais se parece com uma lenda, que Fidípides, um mensageiro grego, em 490 A.C., após a vitória na Batalha de Maratona, correu 42 Km para informar a vitória e, quando chegou com a mensagem disse: “Alegrai-vos, atenienses, nós vencemos!” e a seguir caiu morto devido à exaustão2. Correu sem peso e sem embaraços, correu com zelo e com toda a sua capacidade. A notícia que temos da VITÓRIA DE JESUS não pode nos eximir de um zelo semelhante. Como disse Paulo aos Gálatas recalcitrantes ao evangelho verdadeiro: “Corríeis bem. Quem vos impediu de obedecer à verdade?” (Gl 5.7). Sendo assim, se o perigo existe e se o prejuízo pode ser grande, a palavra de ordem aos convidados para a corrida é: abandonar tudo que atrapalha, que envolve habilmente para atrapalhar e que cerca e incomoda continuamente para impedir o crente de brilhar, de cumprir a missão e de agradar ao Senhor Jesus. n 2 Disponível em: https://www.bbc.com/ portuguese/articles/cwy4lyp73rno. Acesso em 25 fev. 26.
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O futuro da IA e as regras da Bíblia Luciene Cunha Barbosa
membro da Primeira Igreja Batista em Vera Cruz, em Goiânia – GO; Pedagoga, educadora cristã, neuropsicopedagoga, psicóloga Clínica, mestre em Educação, doutoranda em Educação
O desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA) é inegavelmente um “futuro das empresas” e uma “virada de jogo empresarial”, com inovações como o processamento de linguagem natural, o reconhecimento de voz e a análise de dados aumentando sua usabilidade. No entanto, a recente controvérsia em torno do Gemini levanta uma questão central: o desenvolvimento tecnológico está seguindo as regras éticas e morais que a Palavra de Deus nos exorta a seguir? O futuro da IA, marcado por tecnologias como redes neurais e aprendizado profundo, só será sustentável se for guiado pelos princípios bíblicos de integridade, transparência e respeito ao próximo. 1. A questão da transparência e da invasão (Êxodo 20.15). O incidente com o Gemini é uma clara violação do
direito à privacidade e à confiança. O Google foi acusado, em um processo judicial nos EUA, de usar o assistente Gemini para rastrear comunicações privadas de usuários em programas como Gmail, mensagens instantâneas e videoconferências. Alega-se que o Google ativou secretamente o Gemini nesses aplicativos, permitindo-lhe coletar dados privados “sem o conhecimento ou consentimento dos usuários”. Além disso, o Gemini foi flagrado analisando e resumindo documentos pessoais, como declarações de imposto de renda, no Google Docs sem ter sido acionado pelo usuário. O processo de resumo de documentos implica em “pegar o documento, enviá-lo para os servidores do Google e então devolver a resposta pronta”, o que não é interessante para documentos pessoais que contêm informações sensíveis que o usuário não deseja compartilhar. O mandamento de não furtar transcende o roubo de bens materiais, aplicando-se também à apropriação indevida de informações e à invasão de espaço privado. “Não furtarás.” (Êxodo 20.15). O ato de coletar dados privados secretamente, explorando “todo o
histórico registrado das comunicações”, sem o consentimento claro do usuário, caminha perigosamente para a apropriação não autorizada. A falta de transparência e o uso de configurações “profundas” para desativar a ferramenta demonstram uma intenção de violar a privacidade, o que contraria a honestidade que a Bíblia exige.
A IA passará da ficção futurista ao futuro das empresas, mas não deve passar por cima da dignidade humana e do direito à privacidade. O futuro que a IA constrói deve ser um futuro de justiça e ética, espelhando a moralidade ensinada na Palavra de Deus. Bibliografia
2. A ética da confiança e a lei do amor (Mateus 22.39) A IA deve ser desenvolvida para servir, não para vigiar. Quando assistentes de IA “abrem portas para novas ameaças hacker” e violam a privacidade, eles destroem a confiança essencial para o convívio social e digital. O segundo grande mandamento nos chama a valorizar e proteger o bem-estar do nosso próximo. “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mateus 22.39). A implementação de tecnologias deve refletir esse amor. Isso significa: Transparência total: As regras de uso e coleta de dados devem ser claras e facilmente acessíveis, não escondidas em “configurações de privacidade do Google”.
BÍBLIA SAGRADA. Almeida Século 21. São Paulo: Vida Nova, 2010. CAMERO, Igor Almenara. Gemini é pego bisbilhotando documentos pessoais sem autorização. TecMundo. Documento pessoal. Acesso em: 30 nov. 2025. CORREIO BRAZILIENSE. Revolta das máquinas: Chat Gpt desobedece a ordem para desligar. Correio Braziliense. Documento pessoal. Acesso em: 30 nov. 2025. SICOLOS. Como a IA -Inteligência Artificial- passou da ficção futurista ao futuro das empresas. Sicolos. Documento pessoal. Acesso em: 30 nov. 2025. TUTO DIGITAL. IA: A revolução silenciosa que está moldando o futuro. Tuto Digital. 25 abr. 2025. Documento pessoal. Acesso em: 30 nov. 2025. n
respeitada. Já a onerosidade, direta ou indireta, exige discernimento. A Lei 9.608/98 afirma que voluntário é quem trabalha sem remuneração e sem gerar vantagem econômica para a instituição. Entretanto, algumas atividades podem sustentar cursos pagos, eventos, produtos ou plataformas monetizadas. Nesses casos, cabe à igreja cumprir a legislação e formalizar a contratação quando a atividade deixar de se enquadrar como voluntariado. Diante disso, algumas atitudes são fundamentais. A primeira é a transparência: explicar o que é voluntariado, seus limites e como as atividades são organizadas fortalece o cuidado pastoral. A segunda é criar políticas claras, com termo de adesão, descrição das atividades, ausência de obrigação e liberdade para recusar tarefas. A terceira é distribuir responsabilidades, evitando que poucas pessoas façam tudo. Isso reduz riscos jurídicos e ex-
pressa o princípio bíblico do corpo, no qual cada membro contribui conforme seus dons. A quarta é reconhecer quando uma função precisa ser contratada, especialmente quando envolve atividades contínuas, essenciais ou de natureza econômica. A quinta é cultivar uma cultura de cuidado e descanso, permitindo que voluntários se ausentem e sejam substituídos sem constrangimento. Este texto não acusa igrejas nem desestimula o serviço. Pelo contrário, reforça que agir com justiça, clareza e responsabilidade é parte do testemunho cristão. Transparência é bíblica. Cuidado é bíblico. Cumprir a lei também honra o nome de Cristo. Quando a igreja se organiza com sabedoria, protege seus membros, fortalece a comunhão e mostra ao mundo que a fé não serve para justificar negligências, mas nos chama a viver a verdade em todas as áreas da vida, inclusive no cuidado com quem serve. n
Voluntário... será? Cleberson Williams
bacharel em Direito, aluno no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil
Você já pensou se aquilo que tantas pessoas fazem na Igreja é realmente voluntário? Em muitos lugares, certas tarefas acabam sempre nas mãos dos mesmos irmãos, mesmo sem qualquer acordo formal. E, quando alguém falta, várias atividades simplesmente não acontecem. Levantar essas questões não é acusar, mas orientar a liderança a cuidar melhor das pessoas e a agir com integridade diante da lei e diante de Deus. A legislação brasileira, especialmente os arts. 2º e 3º da CLT, afirma que há vínculo de emprego quando se verificam pessoalidade, habitualidade, subordinação e onerosidade. Compreender esses elementos ajuda a Igreja a organizar o serviço voluntário de forma correta. A pessoalidade ocorre quando a atividade depende exclusivamente
de uma pessoa, como quando apenas um voluntário sabe operar o som, transmitir o culto, editar vídeos ou acessar sistemas internos. Quando isso acontece, a função deixa de ser algo compartilhado e passa a se parecer com uma obrigação individual. A solução está em treinar outras pessoas, criar escalas e permitir substituições reais. A habitualidade surge quando o serviço é realizado sempre nos mesmos dias e horários, semana após semana. Se o voluntário perde a liberdade de escolher quando servir, a atividade se aproxima de trabalho. Escalas rotativas e pausas regulares ajudam a preservar o caráter voluntário. A subordinação aparece quando há ordens, cobranças, controle rígido ou a necessidade de justificar ausências. O voluntário não deve servir por medo, pressão ou receio de represália. Ele serve por amor, e a liderança precisa garantir que sua liberdade seja
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Convivendo com as diferenças dentro de casa Cleber Montes Moreira
pastor da Igreja Batista de Vila Antunes, em Cajati - SP
“Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.18). A família é o primeiro ambiente de convivência que Deus nos concede e, naturalmente, o espaço onde nossas particularidades ficam mais evidentes. Como escreveu Gary Henry: “Uma das maravilhas da criação de Deus é a variedade que existe entre os seres humanos. Somos todos igualmente criados por Deus à sua imagem, contudo não há dois indivíduos exatamente iguais. Cada um de nós é um inigualável pacote de forças, capacidades e personalidades”. Essa diversidade não é um erro de percurso; é expressão da multiforme sabedoria do Criador.
Conviver, entretanto, não significa pensar igual em tudo. Dentro de casa, temperamentos distintos, ritmos variados e perspectivas próprias fazem parte da realidade. Essa variedade pode enriquecer os relacionamentos ou gerar conflitos, dependendo da postura que adotamos. O apóstolo Paulo ensina que devemos buscar a paz “quanto estiver em vós”, o que indica que, embora não controlemos as atitudes alheias, somos plenamente responsáveis por nossas próprias reações. A maturidade espiritual se revela quando escolhemos o domínio próprio em vez da impulsividade. O sábio afirma que “a resposta branda desvia o furor” (Pv 15.1), e o apóstolo Tiago exorta que todo homem seja “pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tg 1.19). Tais orientações são ferramentas práticas para o dia a dia sob o mesmo teto. É dentro de casa
que exercitamos virtudes essenciais: paciência, humildade, mansidão e perdão. Muitas vezes, o Senhor usa justamente o temperamento desafiador de um familiar para moldar o nosso próprio caráter. Contudo, é preciso fazer uma distinção fundamental: conviver com diferenças não significa que a ordem bíblica do lar deva ser negligenciada. Diferenças saudáveis situam-se no âmbito das opiniões, preferências e personalidades. Já a rebeldia deliberada, atos de indisciplina, desvios morais ou vícios não pertencem ao campo das “diferenças”, mas da correção e do cuidado pastoral da família. Buscar a paz não é comprometer a verdade, nem manter a harmonia “a qualquer preço”. A paz bíblica caminha de mãos dadas com a fidelidade aos princípios do Senhor. É importante lembrar que discordar
não autoriza desrespeitar. Podemos defender convicções com firmeza, mas sempre com um espírito ensinável e atitude amorosa. O tom das palavras e a disposição para ouvir fazem toda a diferença. Se a unidade e a edificação mútua eram esperadas na igreja do Novo Testamento entre pessoas de origens tão distintas, quanto mais devem ser a marca de um lar cristão. Em tempos de crescente intolerância na sociedade, a família deve ser o lugar onde a verdade é preservada e o amor governa as relações. A unidade familiar não nasce da ausência de divergências, mas da decisão consciente de priorizar o vínculo em Cristo acima das preferências pessoais. Aprendemos, assim, que a paz no lar não é o silêncio dos conflitos, mas a presença de Cristo dirigindo o coração de cada um. n
Um louvor centrado em Deus Nédia Galvão
membro da Igreja Batista da Restauração - Missão Batista em Macambira - SE; capelã escolar; especialista em Ciência da Religião; especialista em Docência (com ênfase em Educação Inclusiva); bacharel em Teologia
Contemplamos o fenômeno da adoração espontânea, da adoração extravagante, de um culto meramente emocional, de uma base cristã fundamentada no sensorial e no místico, assim como em eventos que concentram multidões para ouvirem o que querem e lhes agrada. Trata-se de uma experiência cristã frágil, superficial e enganosa. Somos chamados a falar do Evangelho e viver o Evangelho sem subter-
fúgios, mas de forma real e autêntica, no dia a dia, na nossa rotina. Na carta aos Hebreus, capítulo 13, verso 15, está escrito: “Por meio de Jesus, portanto, ofereçamos continuamente a Deus um sacrifício de louvor, que é fruto de lábios que confessam o seu nome”. Assim, entendemos que um louvor centrado em Deus consiste em: 1. Algo sacrificial. O termo sacrifício (tisían, θυσίαv), no idioma grego, significa algo que se oferece com custo, algo que tem um preço. E o sacrifício de louvor que nos é exigido não tem a ver com o sistema levítico, com suas ofertas de sacrifício de animais, mas do louvor de lábios e de uma vida consagrada a Deus. O que os lábios professam deve
ser uma realidade na vida, uma vida conectada com o que se professa. O que os lábios confessam, a vida deve atestar. O louvor sacrificial não está relacionado a simples emoção, arrepios e experiências de êxtase, mas é expresso de forma verbal e comportamental, ratificando uma consagração, exaltação e gratidão a Deus. Mas, um louvor centrado em Deus ainda consiste em: 2. Algo contínuo O sacrifício de Cristo foi único, plenamente eficaz e ecoa na eternidade e nos proporciona a oportunidade e privilégio, isto é, a graça de oferecer sacrifício diário de louvor a Deus. E o termo grego (pantós, παντὸς), que
significa continuamente, todo tempo, refere-se a um grau de totalidade, completude. Trata-se de uma duração de tempo contínuo, sem limites, perpétuo, constante, incessante. É assim o sacrifício de louvor que devemos oferecer a Deus, um louvor perene. Um louvor centrado em Deus não tem a ver com um momento específico, de uma circunstância favorável, mas de uma atitude contínua, independente da situação. Precisamos viver essa realidade de um louvor sacrificial, que tem um preço; não um louvor de facilidade, de simples emocionalismo e experiências passageiras. E viver a realidade de um louvor perene, não baseado em momentos bons, mas em todo o tempo. Esse sim é o louvor centrado em Deus. n
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REFLEXÃO
O JORNAL BATISTA Domingo, 15/03/26 VIDA EM FAMÍLIA
Construindo uma Liderança Sólida do Lar para o Ministério
Pr. Gilson Bifano Nas páginas da Bíblia, há histórias curtas que carregam lições poderosas, como o momento em que Zípora chama Moisés de “marido de sangue” em Êxodo 4.24-26. Essa passagem rápida, mas impactante, oferece insights valiosos para a vida diária, especialmente para líderes cristãos, especialmente pastores. Ela nos lembra que a verdadeira liderança começa em casa, e Deus não aceita atalhos nessa área. Moisés acabara de receber de Deus as ferramentas para liderar o povo de Israel na saída do Egito. Ele estava a caminho de volta, cheio de propósito divino. Mas, no meio da jornada, algo inesperado acontece: o Senhor o confronta. Dependendo da tradução, é dito que “o Senhor o encontrou” (NVI) ou “o confrontou” (NVT). Era um encontro sério, que colocava em risco a própria vida de Moisés. O problema? Deus estava prestes a tirar a vida de Moisés por causa de uma falha simples, mas grave: ele não havia circuncidado um de seus filhos. Esse ritual não era só uma tradição cultural; para os israelitas,
era o sinal da aliança com Deus, estabelecida com Abraão em Gênesis 17:9-14. Todo menino hebreu precisava ser circuncidado no oitavo dia, como marca de obediência e compromisso. Moisés, ocupado com a grande missão, deixou isso de lado por tempo demais. Foi aí que Zípora entrou em ação. Com uma pedra afiada, ela circuncidou o filho, tocou o prepúcio nos pés de Moisés e disse: “Você é um marido de sangue para mim”. Sua atitude rápida salvou a situação, mostrando coragem e sabedoria em um momento de crise. Essa história é um alerta claro para pastores e líderes de hoje. Deus não permite que o ministério público avance se o lar estiver fora de ordem. Moisés não podia começar sua liderança épica sem corrigir essa falha familiar. Aplicando isso ao contexto atual, significa que os princípios da Bíblia precisam ser vividos primeiro em casa, antes de serem pregados na igreja. Um pastor que ignora sua família pode ter um ministério que parece forte, mas na verdade é fraco nas bases. Pense nisso como uma casa cons-
truída sobre areia: ela pode impressionar por fora, mas desaba na primeira tempestade. O verdadeiro fruto ministerial surge quando o líder prioriza o lar, pastoreando sua esposa e filhos com dedicação diária. É no dia a dia familiar que a obediência a Deus é testada e fortalecida, preparando o caminho para um impacto maior na comunidade. Talvez a negligência de Moisés tenha vindo de influências externas, como a cultura de Zípora, que era midianita e não hebreia. Isso nos ensina a ficar atentos às dinâmicas do lar que podem conflitar com os valores bíblicos. Líderes precisam examinar suas rotinas familiares e corrigir o que não alinha com a vontade de Deus. Por exemplo, se um pastor está tão focado em eventos da igreja que negligencia o tempo com os filhos, isso pode ser uma “circuncisão pendente” moderna – algo que precisa ser resolvido antes que problemas maiores surjam. Outro ponto importante é o papel do cônjuge como parceiro no ministério. Zípora agiu como um canal de Deus, corrigindo Moisés e salvando sua vida. Isso mostra que esposas
(ou maridos de pastoras) podem ser instrumentos divinos de orientação. Pastores inteligentes valorizam essa parceria, ouvindo conselhos do lar e construindo uma base sólida juntos. Imagine um casal ministerial que ora e discute decisões em casa: isso não só fortalece o casamento, mas também enriquece o serviço à Igreja. Lembre-se: Deus usou Zípora para lembrar Moisés de sua aliança; quem sabe Ele não está usando seu cônjuge para apontar áreas de crescimento em sua vida? A história de Zípora nos convida a uma reflexão honesta: como está o alicerce do seu lar? Que “circuncisões” estão sendo negligenciadas em sua vida? Não espere uma crise divina para agir. Examine, corrija e construa com fidelidade. Assim, seu ministério não só sobreviverá, mas prosperará, irradiando autenticidade e graça para todos ao redor. Que essa lição inspire você a priorizar o que realmente importa, começando hoje. n Por: Gilson Bifano Diretor do Ministério OIKOS oikos@ministeriooikos.org.br
MISSÕES NACIONAIS
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Carreta Missionária abençoa vidas pelo Brasil! Redação de Missões Nacionais Nossos veículos seguem pelas estradas levando a mensagem transformadora do Evangelho e realizando ações de compaixão e graça. Vamos relembrar algumas das ações realizadas em 2026? Continue a leitura e alegre-se conosco por cada local alcançado e por cada vida impactada pelo amor do Salvador.
O Reino de Deus também chega sobre rodas! Em Januária, também em Minas Gerais, a Carreta Missionária foi instrumento de cuidado, acolhimento e amor. Cada atendimento realizado carrega mais do que serviço, carrega o Evangelho vivido na prática. Seguimos avançando, levando esperança, dignidade e a mensagem que transforma pelo Brasil!
Desta vez, nosso veículo missionário esteve presente na cidade de Bonito de Minas, em Minas Gerais, onde foi recebido pela Congregação Batista Sião. As reuniões da congregação acontecem na garagem da casa de uma família. Atualmente, existem 3 pequenos grupos e já foi adquirido o terreno para construção do templo. Uma igreja que nasceu com DNA de Igreja Multiplicadora e tem feito diferença na cidade de Bonito de Minas. A Carreta chegou para somar forças com esses irmãos na propagação do Evangelho! Glórias a Deus por essa oportunidade!
Jesus tem transformado vidas por meio da nossa Carreta Missionária! Também neste ano, ela foi instrumento para levar amor, cuidado e esperança em forma de atendimento aos acolhidos e missionários da Cristolândia Salvador, na Bahia. Um dos testemunhos que ouvimos resume tudo: “Minha mãe tinha vergonha de mim e hoje se orgulha ao saber que estou servindo a Deus e sendo transformado.” Isso é o Evangelho em ação! Muito tem sido feito e muito há por fazer. Envolva-se com o ministério da Carreta Missionária. Ore, oferte e seja um voluntário pelo site: missoesnacionais.org.br/carreta-missionaria n
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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA
O JORNAL BATISTA Domingo, 15/03/26
Batistas acreanos ganham revista mensal para fortalecer comunicação e memória denominacional “O Batista Acreano” busca registrar a história, divulgar ações missionárias e promover a integração das igrejas filiadas à Convenção Batista Acreana. Gerência de Comunicação da Convenção Batista Brasileira Os Batistas do Acre passaram a contar com uma nova ferramenta de comunicação e registro histórico. No dia 14 de março de 2026 foi lançada a revista mensal O Batista Acreano, criada e editada pelo missionário Ícaro Alencar de Oliveira, da Igreja Batista Esperança, em Rio Branco - AC. A publicação tem como objetivo divulgar as atividades das Igrejas filiadas à Convenção Batista Acreana e contribuir para o fortalecimento da identidade denominacional no estado. Segundo o editor, a revista surge em um momento de revitalização e reconstrução da denominação em nível estadual, além de responder a uma necessidade antiga do campo missionário acreano, iniciado há mais de 120 anos pelo jovem pregador baiano Chrispiniano José da Silva. Há bastante tempo, os Batistas acreanos reconhecem a importância de registrar regularmente os acontecimentos do campo missionário. Esse registro possui valor histórico e espiritual, lembrando o princípio bíblico: “Uma geração louvará as tuas obras à outra geração, e anunciarão as tuas proezas” (Sl. 145.4). A criação da revista busca justamente preservar essa memória e compartilhá-la com as próximas gerações. A publicação também responde à necessidade de divulgar as ações realizadas pelas mais de quarenta Igrejas e Congregações Batistas presentes no estado do Acre, tornando mais visíveis os esforços conjuntos voltados à evangelização. O principal objetivo de O Batista Acreano é preencher uma lacuna existente: registrar as ações conjuntas em prol da evangelização estadual, servir como fonte histórica e promover a integração da denominação. Por essa razão, a revista se apresenta como uma “Revista de Missões Estaduais”, com foco especial na divulgação das atividades missionárias. Entre os desafios está manter continuamente o registro histórico das Igrejas e de seus acontecimentos. Para isso, já existe uma mobilização de colaboradores das Igrejas e Congregações, que se dispuseram a contribuir com conteúdos para a revista, promovendo a unidade do povo Batista no estado. A revista também terá espaço para estudos bíblicos alinhados aos documentos confessionais Batistas, como a Declaração Doutrinária e os Princípios Batistas, promovendo instrução
Capa da primeira edição de “O Batista Acreano” e fortalecimento da identidade denominacional. A proposta é contribuir para o crescimento e fortalecimento da denominação no Acre, mantendo viva a missão de ganhar a Pátria para Cristo. A escolha da data de lançamento não foi por acaso. A primeira edição foi preparada para março de 2026, celebrando os 117 anos de um marco histórico para os Batistas acreanos. Em 14 de março de 1909, o pastor Chrispiniano José da Silva, primeiro missionário enviado pela Junta de Missões Nacionais ao Acre, realizou o primeiro batismo bíblico documentado e organizou a Igreja que havia plantado, a primeira Igreja Batista do estado, com cerca de 25 membros, localizada no seringal Porangaba, no rio Iaco, em Sena Madureira, então primeira capital do território federal do Acre. Diante dessa importância histórica e eclesiástica, O Batista Acreano se apresenta como uma revista confessional, por seguir os distintivos e documentos confessionais Batistas; doutrinária, por oferecer espaço para artigos teológicos e pastorais; inspiradora, ao promover as virtudes cristãs e os princípios do Reino de Deus; e noticiosa, registrando a prática da doutrina Batista e a interdependência entre Igrejas de mesma fé e ordem.
Pr. Ícaro Alencar é o idealizador do projeto
Outro desafio enfrentado no estado está relacionado à geografia. Os grandes rios que cortam o território acreano — Acre, Purus, Iaco, Envira e Juruá — nascem no Peru ou na Bolívia e seguem em direção ao rio Amazonas. A integração do estado à malha viária nacional ocorreu apenas em 2021, e a BR-364 permanece de difícil trafegabilidade durante o período chuvoso. Essas dificuldades também impactam a integração entre as Igrejas. Nesse contexto, a revista surge como instrumento de aproximação. A primeira edição foi publicada inteiramente em formato digital, o que facilita sua circulação, embora já exista o desejo de realizar uma pequena tiragem impressa, considerando que parte do público enfrenta dificuldades de acesso à internet ou prefere a versão física. Apesar dos desafios, a primeira edição foi recebida com entusiasmo pelo povo Batista acreano. Uma versão impressa, segundo os organizadores, ampliaria ainda mais o alcance da publicação. Os interessados em colaborar com a revista podem enviar textos para o e-mail obatistaacreano@gmail.com. O convite se estende a todos os Batistas brasileiros que desejem contribuir com artigos acadêmicos, estudos bíblicos
ou relatos de experiências vividas no Acre, especialmente missionários que já atuaram na região. A edição inaugural também destaca, em seu conteúdo, um artigo especial sobre os 117 anos do primeiro batismo realizado no Acre, ressaltando o propósito da revista: resgatar os grandes feitos do passado enquanto registra os acontecimentos do presente. Colocar em circulação a primeira edição de O Batista Acreano foi um grande desafio, especialmente por se tratar de um trabalho realizado por poucas pessoas. Ainda assim, as expectativas para as próximas edições são positivas. A próxima edição já está em preparação e, com a graça de Deus, a meta é que a revista seja publicada sempre no primeiro domingo de cada mês. Aponte a câmera do seu celular para o Qr Code e faça o download da primeira edição de “O Batista Acreano. Ou acesse https://bit.ly/OBatistaAcreano
NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA
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Evento capacita líderes Batistas para o serviço cristão em Caruaru, no agreste pernambucano Encontro destacou o serviço cristão e o exemplo de Jesus como modelo de liderança. Jénerson Alves
jornalista, membro da Igreja Batista Emanuel, em Caruaru - PE
“Servir para influenciar”. Esse foi o tema da Capacitação de Líderes, evento voltado para cristãos, que ocorreu no sábado, 28 de fevereiro, na Igreja Batista da Esperança (IBE), situada no bairro do Salgado, em Caruaru-PE. As palestras tiveram como base o versículo 10 do capítulo 4 da Primeira Carta de Pedro: “Cada um use o dom recebido para servir, administrando fielmente a graça de Deus”.
Inicialmente, o pastor Tiago Lopes (IBE) destacou que o caráter de serviço é inerente à Igreja. Ele ressaltou que o servo de Deus lidera com o intuito de que as pessoas cumpram os propósitos divinos. Na sequência, o pastor Marcos Santos, da Igreja Batista Emanuel em Caruaru-PE (IBEC), ministrou uma palestra enfocando o modelo de Jesus como exemplo de liderança. “Quando Cristo é nosso padrão, estamos no rumo certo, ou seja, no processo de aperfeiçoamento no serviço ao próximo”, declarou. n
Fotos: Mylena Macêdo
Capacitação de liderança na Igreja Batista da Esperança, em Caruaru
Embaixada Pr. Pedro Vovchenco celebra aniversário com formatura de ER Programação especial reuniu Igreja, líderes e visitantes em celebração e cerimônia de formatura. Wagner Fernandes
pastor, membro da Primeira Igreja Batista de São Caetano do Sul - SP; conselheiro de Embaixadores do Rei
No último dia 7 de março, a Embaixada Pr. Pedro Vovchenco, da Primeira Igreja Batista de São Caetano do Sul - SP, reuniu pais, líderes, pastores e visitantes em uma ocasião especial que marcou o aniversário da organização e a formatura de Embaixadores do Rei em sua passagem pelos postos da organização. O culto solene teve início com um momento cívico, incluindo a entrada das bandeiras do Brasil, da bandeira cristã e da bandeira dos Embaixadores do Rei, seguido pela recitação dos compromissos e pela execução dos hinos oficiais de cada estandarte. A programação foi dirigida pelo seminarista Astrocélio Queiroz Jr., que passou a palavra ao conselheiro Wesley Martins, coordenador do Departamento Associacional dos Embaixadores do Rei (DAER) do ABC. Representando também o DCER Paulista, ele transmitiu as saudações do coordenador estadual, Saulo Pazini, e compartilhou uma breve reflexão bíblica. Em sua fala, destacou o valor da organização em seu trabalho de “construir meninos para não remendar homens”, apresentou testemunhos sobre a ação de Deus no trabalho dos Embaixadores do Rei no ABC e enfatizou a importância de sermos “fortes e corajosos”, conforme Deuteronômio 31.6.
Líderes e participantes da Embaixada a Pr. Pedro Vovchenco Ao final da programação, Wesley Martins retornou para entregar à embaixada a placa referente ao 2º lugar conquistado no Congresso do DAER ABC, realizado no dia 28 de fevereiro. Também estiveram presentes representantes da Igreja Batista Vila Gerte, com a embaixada Pr. Mario Pereira da Silva, e da Igreja Evangélica Batista Ebenézer, com a embaixada Diácono Valmir Rocha. Durante a programação, a congregação entoou hinos e corinhos da organização. O orador oficial da ocasião foi o pastor Wagner Fernandes, membro da Primeira Igreja Batista de São Caetano do Sul e integrante da equipe de conselheiros da embaixada. A mensagem teve como tema “Para que nasci?” e foi baseada em Daniel 1.1-8. A reflexão abordou os propósitos da vida cristã, convidando os presentes a abandonar paradigmas construídos ao longo da vida para buscar a vontade de Deus. Após a mensagem, o conselheiro
Ricardo Machado conduziu o momento de formatura, entregando aos Embaixadores do Rei que concluíram as atividades do posto de Escudeiro o diploma oficial, o manual do Arauto e a insígnia correspondente ao posto alcançado. A cerimônia contou com a participação dos demais líderes da embaixada. Celebrando seis anos de sua reorganização, a Embaixada Pr. Pedro Vovchenco dá continuidade a uma tradição histórica na Primeira Igreja Batista de São Caetano do Sul. Ao longo de sua história, a igreja contou com outras quatro embaixadas. Antes da organização atual, existiram embaixadas que levaram os nomes de Salomão Ginsburg e do pastor Waldomiro Motta, que pastoreou a igreja e se tornou conhecido entre os batistas brasileiros como missionário da Junta de Missões Mundiais na Bolívia, nos anos 1940. A embaixada dedicada ao pastor
Waldomiro Motta teve como conselheiro o pastor Pedro Vovchenco, patrono da embaixada atual, juntamente com o saudoso pastor Clovis Martinoff. Nos anos 1990, também se destacaram as atuações dos líderes Luciano de Assis, Marcelo Tinoco, Israel e do irmão tenente Eliano, que deu início a um novo momento do trabalho ao lado do pastor Gilleade Soares, culminando na reorganização da Embaixada Pr. Pedro Vovchenco em 2020. Atualmente, a liderança da embaixada é formada pelos conselheiros Ricardo Mingorance Machado, Astrocélio Queiroz, Janiel de Sousa Gomes, Nathan Antunes Ferreira e pastor Wagner Fernandes, sob a supervisão dos pastores Wagner Cintra e Sebastião Neto. As informações históricas foram apresentadas durante a palavra do pastor Sebastião Neto, que citou o versículo: “Grandes coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres” (Salmos 126.3). Ao final, ele convidou toda a igreja a se dirigir às câmeras que transmitiam a solenidade ao vivo pelo YouTube. Na ocasião, todos cantaram parabéns ao pastor Pedro Vovchenco, que completou 85 anos no dia 8 de março de 2026 e acompanhava a programação de sua casa, junto à família. Que Deus seja louvado pela organização Embaixadores do Rei, que segue transformando meninos em homens de Deus pelo poder salvífico de Jesus Cristo no ABC e no mundo. n
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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA
Missionária brasileira compartilha experiências de 18 anos no Senegal Missionária relata como Deus tem usado educação, relacionamentos e perseverança para levar o Evangelho ao país. Estevão Júlio
jornalista da Convenção Batista Brasileira
Durante o programa Batistas em Pauta, da Convenção Batista Brasileira, na Rede 3.16, Mariana Lima, uma missionária brasileira que atua no Senegal há quase duas décadas compartilhou experiências, desafios e testemunhos do campo missionário no continente africano. Por questões de segurança, a missionária não teve sua imagem exibida, mas sua história revelou a profundidade do trabalho missionário em um contexto predominantemente muçulmano. Um chamado que começou com oração A missionária contou que seu chamado começou logo após sua conversão, em um período de busca intensa pela vontade de Deus. Ela relembra que a convicção surgiu após ouvir missionários compartilhando testemunhos na igreja. “Eu tive a convicção de que Deus estava me chamando para missões. No início tive muito medo de dizer sim, então comecei a orar pedindo confirmação.” A decisão, segundo ela, não aconteceu de forma imediata. Houve um processo de preparação, aconselhamento pastoral e envolvimento em projetos missionários. “Deus fala com você, mas existe um processo. A convicção do chamado é o que sustenta o missionário nos momentos difíceis.” A África: uma paixão desde a infância O desejo de servir no continente africano nasceu ainda na infância, após assistir a uma reportagem sobre a crise humanitária na Etiópia. “Quando vi aquelas pessoas ajudando como voluntárias, aquilo mexeu muito comigo. Desde aquele dia coloquei no coração que um dia também gostaria de ajudar a África.” Anos depois, ao ouvir sobre o Projeto Radical África, da Junta de Missões Mundiais, ela entendeu que era o momento de partir para o campo missionário. Aprender antes de ensinar Antes de atuar no Senegal, a missionária passou pelo Níger, onde teve seu primeiro contato profundo com a realidade africana. Foi ali que apren-
Estevão Júlio, jornalista da CBB, conduz o programa semanalmente na Rede 3.16 deu uma das lições mais importantes do campo transcultural. “Para ser missionário é preciso ter um coração de aprendiz. Quando chegamos ao campo, percebemos que não sabemos nada. Precisamos aprender a língua, os costumes e a forma de viver das pessoas.” Segundo ela, a adaptação cultural é essencial para o trabalho missionário. “Nós somos extremamente adaptáveis. Basta ter um coração disposto a aprender”. Após quase duas décadas vivendo no continente, a missionária afirma que parte de sua identidade já foi moldada pela cultura local. “Quando você vive em outra cultura por muito tempo, passa a gostar daquele estilo de vida. Hoje digo que sou 50% africana.” Ela destacou, por exemplo, o forte senso de comunidade presente na cultura africana. “Em alguns lugares, um casamento pode durar dois ou três dias. Tudo é feito em comunidade, todos participam. Isso é muito bonito.” Profissões que abrem portas para o Evangelho Durante a entrevista, Mariana falou sobre a importância das profissões no campo missionário. A missionária explicou que qualquer profissão pode ser usada por Deus.“No campo há lugar para todo mundo. Qualquer profissional pode contribuir e deixar sua marca.” Ela citou exemplos de voluntários que serviram em diferentes áreas, incluindo construção, saúde e até navegação. “Uma amiga piloto de navio que serviu durante um ano em um barco hospital na Papua-Nova Guiné. Todos podem colaborar de alguma forma.”
Educação como estratégia missionária
Ela também relatou as dificuldades enfrentadas por cristãos locais. “Alguns jovens convertidos podem Atualmente, a missionária atua na sofrer pressão familiar ou até serem gestão de três escolas mantidas por expulsos de casa.” missões Batistas no Senegal. A primeira escola surgiu após uma expeUm apelo à Igreja brasileira riência marcante em oração. “Deus começou a me dar sonhos Ao final da entrevista, a missionária em que eu socorria crianças em peri- reforçou a importância do envolvimengo. Compartilhei isso com a equipe e to das Igrejas no trabalho missionário. entendemos que Deus estava nos cha- “A Igreja brasileira é grande, tem recurmando para trabalhar com crianças.” sos humanos e materiais. Por isso é Assim nasceu um projeto educa- importante ajudar Igrejas mais jovens, cional que hoje impacta centenas de como a do Senegal.” famílias. “Começamos com 24 crianEla também deixou pedidos espeças. Hoje vemos o impacto do Evange- cíficos de oração: pela estabilidade lho sendo plantado no coração delas”. política e religiosa do Senegal; pelo fortalecimento da Igreja senegalesa; Sementes plantadas na infância pela formação de novos líderes locais; pela construção das escolas missioNo contexto muçulmano do Sene- nárias gal, a evangelização exige paciência “Nós estamos plantando semene sensibilidade. Segundo a missioná- tes. Outros virão para colher os frutos. ria, muitas sementes são plantadas Você não vai se arrepender”. ao longo de anos. Ela contou o caso Para aqueles que sentem o chade uma jovem de 17 anos que hoje mado missionário, a missionária deiestá sendo discipulada. “Isso só foi xou um conselho simples e direto. “O possível porque ela foi nossa aluna. medo é natural. Mas dê o primeiro A semente foi plantada na infância.” passo. A única certeza que posso dar é que você não vai se arrepender de Evangelizar em um obedecer ao chamado de Deus.” contexto de minoria Aponte a câmera do seu celular para o Qr code e assista a entrevista No Senegal, os cristãos represen- na íntegra em nosso canal no Youtube. tam menos de 1% da população. A missionária destacou que isso exige cautela e estratégias diferentes. “Quando você fala de Jesus para alguém que nunca ouviu falar dele, é algo completamente novo. Por isso precisamos primeiro conquistar confiança.”
MISSÕES MUNDIAIS
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Orar pela paz em meio à guerra Diante do conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã, a Igreja é chamada a interceder pelos que sofrem e a permanecer fiel à missão de Deus.
Daniel Moulié
pastor, líder Global de Inteligência Missionária da Junta de Missões Mundiais
O Oriente Médio voltou a viver dias de forte tensão. Nas últimas semanas, o conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã entrou em uma fase de confronto militar direto, com ataques, respostas armadas e temor de ampliação da crise em toda a região. Relatos recentes apontam consequências humanitárias importantes, com danos a estruturas de saúde e deslocamento de civis registrados desde o início dessa fase do conflito, em 28 de fevereiro de 2026. Para muitos leitores, esse cenário pode parecer distante ou difícil de acompanhar. Mas o que se vê é uma escalada entre países que já mantinham tensões históricas, mas que agora passaram a um confronto mais aberto. Quando isso acontece no Oriente Médio, os efeitos normalmente ultrapassam as fronteiras dos países diretamente envolvidos. A guerra afeta famílias, interrompe serviços, amplia o medo, dificulta o socorro aos mais vulneráveis e gera insegurança em toda a região. Além disso, já há repercussões econômicas mais amplas, inclusive sobre energia, comércio e estabilidade. Diante de um quadro assim, a postura da igreja precisa ser marcada
por temperança. Não cabe ao povo de Deus alimentar entusiasmo diante da destruição, nem transformar sofrimento humano em disputa de narrativas. Quando há guerra, há dor. Há famílias vivendo sob ameaça, comunidades enlutadas, pessoas deslocadas e civis vulneráveis expostos a riscos ainda maiores. Por isso, a resposta da igreja deve começar com oração sincera pelo fim do conflito, intercessão pelos que sofrem e clamor para que a paz prevaleça sobre a lógica da força. Como Igreja comprometida com a missão de Deus, precisamos evitar interpretações apressadas sobre o que uma eventual mudança política poderia representar para a presença do evangelho no Irã. Algumas pessoas entendem que o enfraquecimento ou até a queda do atual regime significaria, automaticamente, maior abertura ao evangelho no Irã. Essa conclusão precisa ser vista com cautela. O próprio ordenamento do Estado iraniano define o país como uma república islâmica e estabelece o islamismo xiita como religião oficial do Estado. Isso mostra que a dimensão religiosa no Irã não se limita ao governo do momento, mas está ligada a estruturas históricas e institucionais mais profundas. Vale lembrar que mudanças políticas nem sempre resultam, de forma imediata, em mudanças profundas
na realidade religiosa e social de um país. No caso do Irã, a presença histórica e estrutural do islã na vida pública e cultural sugere que uma eventual mudança de regime não significaria, necessariamente, maior abertura ao evangelho nem redução imediata das restrições enfrentadas pelos cristãos. Diante disso, cabe à Igreja orar com perseverança, confiando que Deus continua agindo mesmo em cenários complexos e desafiadores. Por isso, não é prudente tratar o cenário atual como se ele, por si só, preparasse um ambiente mais favorável ao avanço do evangelho no Irã. A missão de Deus não deve ser lida a partir da expectativa de colapsos políticos ou de vitórias militares. O evangelho não avança porque há guerra, mas porque Deus continua agindo e sua igreja permanece fiel. Nenhum conflito deve ser romantizado como atalho missionário. Nossa vocação é outra: servir com compaixão, discernir os tempos com responsabilidade, sustentar a paz sempre que possível e compartilhar a Palavra de Deus com amor, sabedoria e perseverança. Isso também nos ajuda a olhar corretamente para as pessoas afetadas por esse conflito. Uma nação não pode ser reduzida ao seu governo, assim como uma guerra não pode apagar a dignidade de homens, mulheres, crianças e famílias que vivem sob seus efeitos. Quando pen-
samos no Irã, em Israel e em toda a região atingida por essa escalada, não estamos falando apenas de estratégias de Estado, mas de vidas humanas marcadas por medo, perdas e incertezas. A Igreja é chamada a lembrar que sua vocação é ser sinal do Reino de Deus em meio à dor do mundo. Nosso papel, portanto, é claro. Somos chamados a orar pelo fim da violência, pela preservação de vidas e pelo consolo de todos os que choram. Somos chamados a pedir a Deus que contenha a escalada militar, preserve os vulneráveis e dê sabedoria às lideranças envolvidas. Em um momento como este, a igreja é desafiada a se unir em oração para que a guerra cesse e a paz prevaleça. E somos chamados a reafirmar, com humildade, que a missão da igreja continua sendo proclamar a Palavra de Deus entre os povos, inclusive em contextos difíceis e marcados por restrições. Em tempos de conflito, a Igreja precisa falar e agir como serva de Cristo, lembrando que nosso Senhor é o Príncipe da Paz. Que Deus tenha misericórdia do Oriente Médio. Que console os aflitos, interrompa a violência e fortaleça sua igreja para continuar testemunhando com fidelidade. E que, em meio à guerra, o povo de Deus permaneça firme em seu compromisso de trabalhar pela paz e compartilhar a Palavra da vida. n
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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA
Faculdade Batista Equatorial vive novo tempo Melhorias na estrutura e nova turma de Teologia marcam fase de crescimento da instituição. William Costa
jornalista voluntário da FABAE e membro da Primeira Igreja Batista em Murinim - PA
Aos 70 anos, a Faculdade Batista Equatorial passa por uma série de melhorias e investimentos para se atualizar e continuar cumprindo seu papel na formação de vocacionados para o campo ministerial. Sob nova gestão, a Dra. Vanessa Costa Alves Galúcio, segunda mulher a assumir a direção do Seminário, traz experiência acadêmica e educacional aliada a uma visão estratégica que potencializa avanços significativos para a Instituição. Natural de Belém do Pará, casada há 25 anos com o pastor Davi Galúcio e mãe de Jonathas e Ana Júlia. Vanessa reúne sólida formação acadêmica. É bacharel em Biomedicina, mestre, doutora e pós-doutora em Biotecnologia e Inovação, além de possuir pós-graduação em Gestão Escolar e experiência na direção acadêmica do ensino superior. Soma-se a isso sua trajetória ministerial ao lado do seu esposo na Igreja Batista Equatorial. Como avaliadora do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior do Ministério da Educação (SINAES/ MEC), reforça a excelência na liderança feminina em instituições teológicas, equilibrando fé, conhecimento e gestão para preparar vocacionados capacitados a impactar esta geração. Entre os avanços imediatos está a mudança do nome institucional de FATEBE para FABAE – Faculdade Batista Equatorial. “Com essa mudança, estamos fortalecendo nossa missão por meio do curso de Teologia e das capacitações ministeriais, além de ampliar a implantação de novas formações acadêmicas, capilarizando e servindo com ferramentas para a qualificação de vocacionados na região”, pontua Vanessa. Além das atualizações institucionais, obras estruturais avançam no prédio da instituição, em Belém, com o objetivo de atender às exigências do MEC. Segundo a diretora, as melhorias contam com recursos provenientes do planejamento e da administração centralizada dos seminários da Convenção Batista Brasileira (Faculdades Batistas), além da evidente provisão divina. “Estamos realizando melhorias internas, incluindo a instalação de uma plataforma elevatória doada, além da pavimentação e recapeamento do estacionamento, com mão de obra ofertada por empresas parceiras. As obras são lideradas pelo engenheiro Maurício Brazão, membro da Primeira Igreja Batista do Pará e coordenadas pela
Melhorias e investimentos no Equatorial ajudam instituição a continuar cumprindo seu papel na formação de vocacionados colaboradora Ana Cláudia. Importante destacar também a realização de uma grande campanha de captação, possibilitada por ofertas que compõem o Fundo Orman Gwynn, refletindo claramente o agir de Deus. A entrega gradual da obra promete maior acessibilidade e impacto funcional no dia a dia do Seminário”, afirma. Turma histórica marca renascimento vocacional Em paralelo, a FABAE registra, pela primeira vez, mais de 40 alunos matriculados na turma presencial de Teologia, dos quais cerca de 90% são batistas. “Estamos colhendo os resultados de uma ação estratégica realizada nas igrejas desde novembro. O perfil do novo aluno abrange jovens recém-saídos do ensino médio e vocacionados vindos do interior do Pará, especialmente da região do Marajó, além de estudantes de estados vizinhos, como o Maranhão. Esses novos alunos são acolhidos integralmente no residencial Mary Moon, que tem a missão de assisti-los e apoiá-los durante sua formação”, explica. Cultos retornam à capela com nova vitalidade Após anos sendo realizados no auditório do Seminário, os cultos devocionais retornaram à capela, espaço com capacidade para mais de 300 pessoas e maior conforto aos alunos, colaboradores e irmãos batistas que visitam o local. Com atuação do capelão e professores, na organização e pregações, e de alunos em diversas funções, com a condução do culto, testemunhos, orações e direção do ministério de louvor, as celebrações, realizadas às terças-feiras, resgatam a comunhão autêntica entre alunos, professores, funcionários, igrejas batistas e comunidade. Outra iniciativa é o culto semanal voltado aos colaboradores, realizado às segundas-feiras e dirigido pelo ca-
pelão professor Benildo Veloso. Esse tempo de celebração fortalece a espiritualidade e prepara a equipe para iniciar a semana com propósito. Programações agregam e formam líderes A FABAE também avança nas áreas de iniciação científica e extensão universitária por meio de colóquios de pesquisa, viagens missionárias, palestras temáticas e eventos especiais, como as programações alusivas ao Dia das Mulheres, Outubro Rosa, Novembro Azul e ações como o Portas Abertas em que a instituição convidou especialistas locais em várias áreas de atuação para um tempo de capacitação gratuita para os irmãos das igrejas locais. Um destaque importante é o processo de plantação de uma igreja batista em uma comunidade Quilombola, no município do Acará, um projeto da Igreja Batista Equatorial, com apoio indispensável dos seminaristas que desenvolvem atividades práticas em campo, sob orientação do coordenador do Centro de Missões da FABAE, professor Davi Galúcio. Ações que contribuem para capacitar ministérios das igrejas locais por meio de oficinas e debates, projetos missionários e treinamentos, consolidando o Seminário como um hub de formação contínua para liderança cristã. Alianças estratégicas com OPBB e COBAPA Todas as terças-feiras, representantes do Seminário participam do tradicional Café com Líderes da Convenção Batista do Pará (COBAPA). A iniciativa fortalece parcerias para atualização e formação pastoral, além de incentivar projetos missionais, como o movimento “Por Mais de Cristo no Pará”. Em fevereiro, o Seminário, em parceria com a COBAPA e a Ordem dos Pastores Batistas do Brasil – Seção Pará (OPBB-PA), realizou o Grande
Encontro de Pastores, Líderes e Vocacionados, com o tema “Organização Contábil, Segurança Jurídica e Gestão Responsável”, na Primeira Igreja Batista de Castanhal. O evento reuniu cerca de 50 líderes em um importante momento de capacitação e é fruto da aliança estratégica denominacional. Equipe de funcionários recebe investimentos Integrada às Faculdades Batistas da CBB, a FABAE amplia a política de assistência aos colaboradores que recebem contínuas ações para fortalecer o ambiente de trabalho e a formação pessoal. Segundo o professor Pedro Veiga, vice-diretor das Faculdades Batistas da CBB, as ações promovem crescimento e fortalecem o senso de equipe e excelência. “Nossos colaboradores têm sido valorizados por meio de ações que possibilitarão melhor desempenho no ambiente acadêmico, com treinamentos contínuos, acesso gratuito a graduações e pós-graduações da instituição, além de momentos de confraternização, como cafés institucionais, day off em aniversários, comemorações e a disponibilização de uniformes”, destaca o vice-diretor. Visão de crescimento e impacto geracional Sob a gestão de Vanessa, o Seminário projeta uma expansão sustentável, honrando os 70 anos de legado e ampliando sua relevância na formação de novas gerações. Entre os planos o fortalecimento do curso de Teologia, a criação de novos cursos de graduação no âmbito ministerial, como Música e tecnólogo de Missões, além de novas Pós-graduações e cursos livres para instrumentalização das igrejas locais. “Confia ao Senhor as tuas obras, e os teus desígnios serão estabelecidos (Provérbios 16:3)”, conclui Vanessa, expressando confiança em um futuro de muitas bênçãos. n
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Culto no Centro Batista celebra a obra de Deus entre as nações Celebração reuniu louvor, intercessão e relatos missionários reforçando o chamado para completar a missão.
Equipes oraram por missionários e celebraram ao Senhor pelos resultados nos campos ao redor do mundo Estevão Júlio
jornalista na Convenção Batista Brasileira
Na manhã do dia 11 de março, a capela do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (STBSB), na Tijuca RJ, recebeu o primeiro Culto das Equipes do Centro Batista em 2026. Foi um tempo marcado por momentos de louvor, intercessão e testemunhos sobre a obra missionária ao redor do mundo. A celebração também reforçou o compromisso dos Batistas brasileiros com a evangelização das nações. Durante o momento de comunicações, o pastor Fernando destacou a importância da mobilização missionária e convidou os presentes a participarem da oferta do Centro Batista destinada à obra de Missões Mundiais. Ele também lembrou que este é um
Canções ministradas durante o culto ressaltaram a importância de compartilhar o Evangelho mês especial em razão do aniversário do Seminário do Sul e do Shepard. Ainda em sua fala, o pastor recordou a chegada do casal Bagby ao Brasil, pioneiros do trabalho Batista no país, ressaltando o sonho que os trouxe à nação: levar o Evangelho a todas as pessoas.
Ricardo Santos, gestor do PEPE
Ruth, missionária venezuelana, falou sobre o trabalho do PEPE no país
Missionários Jacqueline e Edio Thupula
Ana Laura Defáveri, diretora do Colégio Batista Shepard
O culto seguiu com momentos de louvor congregacional, com cânticos como “Louvamos-te, ó Deus” e “Poder Pra Salvar”. A programação também incluiu a apresentação da música “Cristo Venceu”, canção oficial da Campanha de Missões Mundiais 2026. A música contou com a participação especial do grupo Pregadores do Evangelho (PDE), da Primeira Igreja Batista de Irajá - RJ, que são os autores da canção. Um vídeo com a participação do pastor João Marcos foi exibido, reforçando a visão missionária e o chamado para a Igreja continuar avançando na proclamação do Evangelho. O momento de intercessão foi conduzido por Ricardo Santos, gestor do Programa de Educação Pré-Escolar (PEPE), que mobilizou a Igreja em oração por diferentes motivos rela-
Denise Santos, missionária da JMM
cionados à obra missionária. Entre os pedidos estavam a necessidade de mais obreiros para Missões Mundiais, o processo de plantação de novas Igrejas e o avanço da campanha missionária. Durante a celebração também foram apresentados novos colaboradores das organizações da Convenção Batista Brasileira, marcando um momento de gratidão e acolhimento. Testemunhos missionários trouxeram à Igreja relatos do que Deus tem feito em diferentes países. Uma missionária que serve na Venezuela compartilhou que muitas pessoas têm sido transformadas por Cristo e destacou que, mesmo em meio às dificuldades, as crianças vivem com a esperança da volta de Jesus. Outro testemunho foi apresentado pelos missionários Edio e Jacqueline Thupula, que atuam no Quênia. Eles relataram o crescimento da Igreja local, que passou de 10 para cerca de 80 membros, e destacaram o trabalho de discipulado e ensino sobre o que significa servir a Cristo. “Nós falamos da esperança que temos em Cristo Jesus”, afirmaram. Ao final do culto, todos os presentes se uniram em um momento de adoração, cantando juntos “Até que Ele Venha / Ide Pregai”, reafirmando o compromisso da Igreja com a proclamação do Evangelho até que Cristo volte. n
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PONTO DE VISTA
“Que culto é esse?’ Ezequias Amancio Marins
Pastor, Igreja Batista Central em Japuiba, Angra dos Reis, RJ
Salmo 19 1. Os céus proclamam a glória de Deus; e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. 2. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. 1. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; 2. No entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo. Estamos diante de um dos textos mais belos de toda a literatura mundial. C. S. Lewis escreveu que o Salmo 19 é o maior poema no Saltério e uma das maiores composições líricas do mundo. Neste texto, vemos a exaltação daquilo que podemos chamar de a força da revelação natural de Deus. Trata-se do livro da criação, onde encontramos algo acerca de Deus que, embora não seja eficaz para salvar o homem, é suficiente para condená-lo. Esse salmo deve ser lido em conjunto com Romanos 1-2, onde encontramos o seguinte fluxo de pensamento de acordo com Millard Ericson: “Aqui, ao que parece, o argumento é que todos, gentios e judeus, estão igualmente condenados: os judeus porque não fazem o que saber ser exigido pela lei; os gentios, porque, mesmo não tendo a lei, também sabem o suficiente para torná-los responsáveis por seus atos diante de Deus, mas desobedecem”. Logo, ainda na linha de Ericson, quando falamos de revelação geral, estamos afirmando que “Deus nos deu uma revelação objetiva, válida e racional acerca de si mesmo por meio da natureza, da história e da personalidade humana. Ela é acessível a todas as pessoas que queiram observá-la”. Deus se propõe a ser conhecido por meio da criação. E isso ocorre a fim de testemunhar que, por conta dessa “amostra graciosa”, o homem
não pode de modo algum julgar-se alheio diante de Deus. A natureza é como um poderoso sermão que reverbera na história e personalidade dos homens, de tal modo que, ao olharem para cima, não podem negar que Deus existe, embora alguns o façam por “dureza de coração”. Torna-se impossível não considerar Herman Bavinck aqui: “O conhecimento que Deus nos concede de si mesmo na natureza e na Escritura é limitado, finito e fragmentado, mas, ainda assim, é verdadeiro e puro. Deus é como ele se revelou em sua Palavra, e especialmente em e por meio de Cristo; e somente ele é exatamente como nossos corações precisam.” Claro que, por meio da natureza (livro da criação) e da Bíblia (livro inspirado) não podemos ter de Deus o conhecimento plenificado que só podemos ter em Jesus (livro encarnado). Mas o meu ponto neste artigo é: pela natureza criada por Deus podemos ter um vislumbre do modo como nós devemos adorar a Deus em nosso culto público e privado. Um erudito de língua grega aponta o fato de uma das palavras gregas traduzidas por “homem” ser uma combinação de palavras significando literalmente “aquele que olha para cima”, ou ainda “aquele que olha para seu criador”. A impressão que tenho é que o Salmo 19 trabalha com contrastes de “céus” e “firmamento”, com “dia” e “noite”, para fazer jus a esse argumento. Na natureza criada, temos uma revelação de Deus que aponta para a necessidade que o homem tem de olhar para cima, para enxergar o seu criador. Mattew Henry vai nessa direção ao dizer que: “No livro das criaturas de Deus, podemos asseverar que tudo o que vemos são obras das mãos de Deus, ‘o trabalho dos seus dedos’, (Salmo 8.3), e assim manifestam a sua glória”. Nesses termos, o universo físico é uma pregação. Tudo no cosmos aponta e proclama os atributos de Deus. Os astros celestes se comunicam entre si: “um dia discursa a outro dia,
e uma noite revela conhecimento a outra noite” (NAA). O universo em seu silêncio, prega que existe um Deus, e este não é imperceptível, nem sutil em sua apresentação aos homens. O salmista (Salmo 19) começa sua poesia falando de que os céus falam à terra. E cabe ao homem olhar para cima, para enxergar a Deus. Há uma nota de glória na criação que aponta para o seu criador. Se há criação bela, há um criador belo. Não adoramos a criação, mas temos o compromisso de adorar o criador. E, por mais que tentemos, o universo jamais será descortinado por inteiro. Teremos de lidar com mistérios que jamais serão revelados. A criação é indescritível, mas aponta para um criador que se relaciona com o homem. Temos de lembrar de Agostinho que disse: “Pouco te ama aquele que não goza de tuas dádivas que nos deste para expandir nossa mente, alargar nosso coração, enriquecer nossa alma e aumentar nossa força, a fim de que possamos amar-te plena e supremamente e cada vez mais para todo o sempre”. Por isso, denunciamos que o homem não está em fuga de um deus, mas do Deus da Bíblia. De tal modo que, quando a igreja se reúne para cultuar a Deus, precisa estar convicta de que não apenas quanto a forma, mas sobretudo em relação ao conteúdo, sua adoração precisa apontar para o verdadeiro Deus, que é revelado nos livros da criação e na Bíblia. A pergunta que não quer calar é: o culto que você lidera em sua Igreja aponta para Deus e para a sua criação? Muitos cultos em nossa volta estão cheios de elementos humanos de auto ajuda. Neles, quem está no palco, não é Deus, mas sim, os homens. Nesse sentido, todo culto a Deus deve tê-lo como principal. Ele está no palco do nosso coração, antes de estar no centro do nosso culto. Na esfera privada, as nossas orações são feitas ao Pai que nos vê em secreto (Mateus 6.6). E na adoração pública, temos uma solene convocação para adorá-lo comunitariamente, desfrutando de sua criação, que “proclama a glória de Deus, e cujo firmamento
anuncia as obras de suas mãos”, (Salmo 19.1). Mas o que vemos em nossos dias, em alguns contextos são cultos obscuros. Palcos pouco iluminados. Paredes pretas. Louvores humanistas. Mensagens de auto ajuda. Muita motivação pessoal e pouca inspiração divina. Em contrapartida, temos de apresentarmos diante de Deus um culto que evoque as palavras do Senhor “até aos confins do mundo” (Salmo 19.4). O pastor e autor John Piper disse uma vez que a razão pela qual os clubes de strip- tease tampam suas janelas não é principalmente para impedir os transeuntes de espreitarem sem pagar. Em vez disso é para impedir que os clientes pagantes olhem para fora e veja o céu. Os proprietários sabem que se os clientes virem os céus serão lembrados de que um vasto céu cheio de estrelas ou nuvens paira sobre eles e silenciosamente refutam a loucura de atribuir valor a um pseudoprazer passageiro. Pense comigo: os homens e mulheres vão às boates para não olharem os céus. Por isso, as luzes apagadas, os fachos de luz que escondem os rostos e as fumaças que impedem os olhos de estarem atentos ao que está acontecendo em volta. Vamos aos cultos de nossas Igrejas para sermos vistos e vermos os demais adoradores. Assim como , só iremos ao céu em caravana, também queremos adorar a Deus como uma só família, a de Deus. E em nossos cultos, temos de ter o nosso olhar posto lá fora, nos céus, onde Deus habita e logo depois, para nós mesmos, em contrição e reverência. Reflitamos na canção de João Alexandre: “Brasil, olha para cima! Existe uma chance de ser novamente feliz. Brasil, há uma esperança! Volta teus olhos para Deus, Justo Juiz”. Fato é que, o pastor que não conduz a sua Igreja a contemplar a criação de Deus manifestando a glória de Deus, não presta um culto onde a presença dEle é levada a sério. Igreja não é boate. Não precisamos de menos luz. Ao contrário, precisamos de mais luz! n
PONTO DE VISTA
O JORNAL BATISTA Domingo, 15/03/26
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SAÚDE DE CORPO E ALMA
Mente desocupada, bênção de Deus Pr. Ailton Desidério Cresci ouvindo de meus pais e de muitas outras pessoas — inclusive na Igreja — que mente desocupada é oficina do diabo. Penso que, hoje, esse ditado popular já não faz mais sentido, levando-se em consideração as grandes transformações tecnológicas que temos visto e vivido. O mundo agora está na palma das mãos de qualquer pessoa, com múltiplas e praticamente infinitas opções de trabalho, distração e entretenimento. Por conta disso, a mente está tão ocupada e acelerada que mal conseguimos relaxar, desligar ou até mesmo dormir. Se antes se dizia que o diabo habitava nas mentes vazias, agora parece encontrar morada nas mentes saturadas — frenéticas, excitadas e impregnadas por um turbilhão interminável de informações e afazeres. A agitação que tem acometido e adoecido tantas pessoas em nossos dias é uma agitação estática. Estar agitado hoje não significa necessariamente correr de um lado para o outro. A agitação tornou-se silenciosa, doméstica, quase invisível. Ela se manifesta, por exemplo, na cultura do home office, em que o quarto, a sala, a cozinha e até mesmo o banheiro da casa se transformaram em extensões do escritório. A casa perdeu o status de refúgio e descanso, tornando-se também um ambiente permanente de trabalho. A mente ocupada, nesse contexto, transformou-se em uma verdadeira
oficina de tormentos. Quantas doenças psicossomáticas têm infernizado a vida de milhares de pessoas por causa da chamada síndrome da mente ocupada ou, como define o psiquiatra Augusto Cury, síndrome do pensamento acelerado (SPA)? Quando a mente não desliga, o corpo não se recompõe. Quando a mente não repousa — nem mesmo durante a noite — a vida entra em um estado quase zumbificado, como se estivéssemos vivendo uma espécie de existência automática. O filósofo Byung-Chul Han afirma: “Nós nos transformamos em zumbis saudáveis e fitness, zumbis do desempenho e do botox. Assim, hoje estamos por demais mortos para viver e por demais vivos para morrer” (2017, p.119, Ed. Vozes). A ocupação mental que acomete a nossa mente hoje não se deve apenas ao excesso de trabalho. O inimigo da alma também aprendeu a ocupar a mente com a futilidade e com a banalidade. Pequenos entretenimentos aparentemente inocentes — joguinhos, vídeos curtos, buscas intermináveis — sequestram a atenção e aprisionam o espírito. Trata-se do prazer escópico de olhar, clicar e rolar infinitamente a tela, procurando algo que nem mesmo se sabe exatamente o que é. No livro Sabedoria do Deserto, Anselm Grün cita o filósofo e teólogo Blaise Pascal, que já em sua época observava que toda a tragédia do ser humano “principia com o fato de ele não conseguir permanecer sozinho”.
À luz dessa reflexão, Grün comenta: “Atualmente a tentação de se distrair, seja através da televisão, internet ou celular, é ainda muito maior. Muitos procuram tranquilidade. Quando, porém, nada acontece, sentem necessidade de preencher o silêncio com alguma atividade qualquer; navegam pela internet ou ligam a televisão” (2017, p.49, Ed. Vozes). No livro “Favor Fechar os olhos”, Byung-Chul Han, diz que “a causa da aceleração é a incapacidade geral de concluir e encerrar”. Acrescenta ainda que “a insônia também deriva da incapacidade de concluir” (2024, p. 26, Ed. Vozes). Em outras palavras, estamos desaprendendo a parar, a desacelerar e a descansar. Penso que a tragédia do nosso tempo — marcada pelo crescimento de casos de ansiedade, depressão, fadiga crônica e tantos outros males psíquicos e físicos — está intimamente relacionada a uma mente sobrecarregada, sequestrada por estímulos incessantes que não permitem silêncio, nem mesmo para algo tão essencial para a manutenção da nossa vida espiritual, como ler a Bíblia e orar. Uma mente desocupada — livre para pensar, contemplar, imaginar, sonhar e meditar — não é oficina do diabo, mas um espaço vazio de si e cheio da presença de Deus, onde Ele pode falar de diversas maneiras, até mesmo no sussurro de uma brisa suave, como aconteceu com o profeta Elias. Nos evangelhos observamos que
Jesus tinha o hábito de se afastar da multidão e até mesmo dos discípulos, para ficar a sós com Deus e consigo mesmo. Em meio às demandas, às dores e às urgências humanas, Ele buscava lugares solitários para orar. Antes das grandes decisões, antes dos grandes milagres e até antes da cruz, retirava-se para estar a sós com o Pai. Por tudo isso, proponho — como bom Batista — que o velho ditado popular “mente vazia é oficina do diabo” seja reformulado para: “mente vazia, bênção de Deus.” Em um tempo marcado por pensamentos encadeados, incessantes e exaustivos, capazes de sugar as energias do corpo e da alma, ter uma mente livre para repousar, contemplar e silenciar diante de Deus talvez seja, de fato, uma das maiores bênçãos que podemos experimentar nesses dias. Silenciar a mente não é perda de tempo. Cultivar momentos de pausas é reencontrar-se consigo mesmo, resgatando a cada dia a beleza e a leveza da vida. Aprender a fazer pausas é, na verdade, aprender a viver com consciência do tempo e da própria alma. Caso contrário, corremos o risco de atravessar os dias no automático. E, como bem disse Mário Quintana: “A vida são uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas. Quando se vê, já é sexta-feira. Quando se vê, já terminou o ano. Quando se vê, passaram-se cinquenta anos…” n