Skip to main content

OJB EDIÇÃO 02 - ANO 2026

Page 1

ANO CXXV EDIÇÃO 02 DOMINGO, 11.01.2026

ISSN 1679-0189 ÓRGÃO OFICIAL DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA FUNDADO EM 1901

9 771679018009

0 0 2 2 6

125 anos construindo identidade e missão O Jornal Batista celebra sua trajetória como instrumento de evangelização, formação cristã e unidade do povo Batista no Brasil.

Reflexão

Notícias do Brasil Batista

Notícias do Brasil Batista

Notícias do Brasil Batista

História

Semana Batista 2026

Pés no Arado

Legado

Como surgiu O Jornal Batista? Nós explicamos para você em um artigo!

Batistas em Pauta destaca preparativos finais para encontro na capital baiana

Juventude Batista Brasileira promove Culto de Envio na Igreja Batista dos Mares, em Salvador

Pr. Fernando Brandão visita Orman e Elizabeth Gwynn nos Estados Unidos

pág. 05

pág. 12

pág. 12

pág. 13


2

REFLEXÃO

O JORNAL BATISTA Domingo, 11/01/26

EDITORIAL

Esta edição especial de O Jornal Batista lhe convida a um duplo movimento: olhar para trás com gratidão e seguir adiante com esperança e compromisso. Ao celebrar 125 anos de história, reafirmamos o papel deste periódico como instrumento de formação, informação, missão e unidade do povo Batista brasileiro. Desde sua primeira edição, em 10 de janeiro de 1901, O Jornal Batista nasceu com propósitos claros: evangelizar, instruir os crentes e defender a causa batista. Mais do que registrar fatos, o jornal ajudou a moldar a consciência denominacional, conectando Igrejas, organizações e lideranças em torno da mesma fé e missão. Esse legado é revisitado e aprofundado no artigo “125 anos:

125 anos servindo à fé, à missão e à unidade O Jornal Batista e a construção da consciência denominacional no Brasil”, publicado na página 5, que resgata as origens, os desafios e a relevância permanente deste veículo ao longo das gerações. A edição também aponta para o futuro. Nas páginas 8 e 9, a matéria sobre as Mulheres Batistas destaca os projetos para 2026, com ênfase na formação integral missional, na unidade entre gerações e no fortalecimento do legado construído ao longo da história. O compromisso com a mobilização denominacional aparece na cobertura dos preparativos para a Semana Batista 2026, que entram na reta final, conforme apresentado na página 12. Ainda nessa página, acompanhamos

O JORNAL BATISTA Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso. Fundado em 10.01.1901

o início oficial do Pés no Arado 2026, marcado por um culto de envio realizado em Salvador - BA, reafirmando o chamado missionário que move a juventude batista brasileira a servir com dedicação e ousadia. A dimensão pastoral e missionária se faz presente na reportagem sobre a visita do pastor Fernando Brandão ao casal de missionários Orman e Elizabeth Gwynn, na página 13, evidenciando o cuidado, a comunhão e o apoio mútuo que fortalecem a obra missionária. As organizações missionárias também ocupam espaço de destaque nesta edição. A Junta de Missões Nacionais (JMN), na página 7, e a Junta de Missões Mundiais (JMM), na página 11, compartilham informações,

SECRETÁRIO DE REDAÇÃO Estevão Júlio Cesario Roza (Reg. Profissional - MTB 0040247/RJ) CONSELHO EDITORIAL Francisco Bonato Pereira; Guilherme Gimenez; Othon Ávila; Sandra Natividade

INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189 PUBLICAÇÃO DO CONSELHO GERAL DA CBB

EMAILs Anúncios e assinaturas: jornalbatista@batistas.com Colaborações: decom@batistas.com

FUNDADOR W.E. Entzminger PRESIDENTE Paschoal Piragine Jr. DIRETOR GERAL Fernando Macedo Brandão

REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA Caixa Postal 13334 CEP 20270-972 Rio de Janeiro - RJ Tel: (21) 2157-5557

desafios e testemunhos que revelam como Deus continua agindo no Brasil e além de nossas fronteiras por meio do esforço cooperativo Batista. Completam esta edição as colunas Fé para Hoje (página 14) e Observatório Batista (página 15), que oferecem reflexões bíblicas, análise da realidade e estímulos à vivência cristã fiel e relevante em nossos dias. Celebrar 125 anos de O Jornal Batista é reconhecer a fidelidade de Deus ao longo da história e renovar o compromisso com o presente e o futuro. Que esta edição fortaleça a fé, inspire a missão e reafirme a unidade que nos identifica como Batistas, sempre firmados no Evangelho e atentos ao chamado de Deus para nosso tempo. n

Site: www.convencaobatista.com.br A direção é responsável, perante a lei, por todos os textos publicados. Perante a denominação Batista, as colaborações assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião do Jornal. DIRETORES HISTÓRICOS W.E. Entzminger, fundador (1901 a 1919); A.B. Detter (1904 e 1907); S.L. Watson (1920 a 1925); Theodoro Rodrigues Teixeira (1925 a 1940); Moisés Silveira (1940 a 1946);

Almir Gonçalves (1946 a 1964); José dos Reis Pereira (1964 a 1988); Nilson Dimarzio (1988 a 1995) e Salovi Bernardo (1995 a 2002) INTERINOS HISTÓRICOS Zacarias Taylor (1904); A.L. Dunstan (1907); Salomão Ginsburg (1913 a 1914); L.T. Hites (1921 a 1922); e A.B. Christie (1923). ARTE: Oliverartelucas IMPRESSÃO: Editora Esquema Ltda A TRIBUNA


REFLEXÃO

O JORNAL BATISTA Domingo, 11/01/26

3

Somos Um Douglas Azevedo Pereira

pastor, membro da Primeira Igreja Batista de Niterói - RJ

“...para que sejam um, assim como somos um” Em determinado momento de sua oração intercessora, Jesus fez um pedido que não pode passar despercebido por ninguém que seja, de fato, Seu discípulo fiel. O desejo por unidade é algo posto em relevo pelo Mestre e tem, na Sua relação com Deus Pai, o exemplo a ser seguido. Por mais que muitos julguem impossível viver em unidade, devido às dificuldades relacionais das mais variadas, comuns à natureza humana pecaminosa, Cristo deixa claro que é possível, se houver uma recíproca manifestação de amor sincero entre as partes e uma notória disposição para esse fim. Não foram poucas as vezes em que o amor

entre o Deus Filho e o Deus Pai foi evidenciado nas Escrituras. Vemos que Deus, que é amor, ama e dispensa amor sem medidas; não deseja ser apenas adorado, como se fosse necessitado de bajulações humanas expressas em palavras e gestos vazios. Deus deseja amor verdadeiro e, como todo amor de verdade, é necessário correspondência e, também nesse quesito, o Filho de Deus não ficou aquém das expectativas divinas. Cristo entendeu na íntegra esse amor e, nEle, aceitou a Sua missão de Se entregar por amor a todos os homens. Interessante que, na referida oração, o Filho de Deus frisa a importância de todos serem um, como Ele e o Pai o são, e que, unidos entre si, sejam unidos na união de Deus. Essa é uma evidência irrefutável para o mundo, que é demasiadamente egoísta e não se preocupa tanto com os demais, e muito menos com os

valores de um Reino essencialmente comunal. A realidade dessa união é um testemunho convincente para um mundo incrédulo, que insiste em viver só, distante de Deus. Quando essa união se expressar em fatos e em verdade, a glória do Senhor estará sobre o Seu povo — uma glória que brilha, dissipando as mais densas trevas da desunião. A unidade perfeita, que tem suas raízes em Deus e tem o amor como seu principal fundamento, será uma marca visível do êxito da missão de Cristo neste mundo. Enquanto a salvação não se consuma, escatologicamente falando, e os embates se acirram a cada dia neste mundo caído, a intercessão de Cristo pelos Seus, desde sua época, perpassando pelo nosso presente histórico até alcançar aqueles que ainda crerão antes de sua segunda vinda em poder e grande glória, de modo algum é uma proposta de fuga

da realidade ou mesmo um escapismo alienante. Sua intercessão é pelo livramento de Deus, pela proteção divina. O mundo é mau, e o ódio é uma marca maligna que o caracteriza. A união, por sua vez, em amor, à semelhança da união divina, torna os cristãos capazes de amar com o puro amor de Deus. Num futuro próximo, portanto, quando, enfim, tudo se consumar e não houver mais lágrimas, nem choro, nem dor, restará na memória a grata lembrança de que valeu a pena amar, apesar dos pesares, a despeito das contingências e dos reveses da existência terrena. E, numa nova e melhor condição, a comunhão definitiva com Deus e com os irmãos revelará que foi no amor de Deus que se amou com intensidade e beleza, em prol do estabelecimento da união que, no amor de Deus, se faz perfeita. n


4

REFLEXÃO

O JORNAL BATISTA Domingo, 11/01/26

Começos e recomeços Olavo Feijó

pastor & professor de Psicologia

Criados para obedecer a Deus “De tudo o que se tem ouvido, o segredo: seja o bem ou o mal” (Ec fim é: Teme a Deus, e guarda os seus 12.13-14). mandamentos; porque isto é o dever O Primeiro Livro de Samuel, no de todo o homem” (Ec 12.13). seu capítulo 15, faz-nos a importante pergunta: “O que é que o Senhor O livro de Eclesiastes revela-nos Deus prefere: obediência ou a oferta por qual razão os seres humanos de sacrifícios? É melhor obedecer a foram criados: “Tema a Deus e Deus do que oferecer-lhe em sacriobedeça aos Seus mandamentos, fício as melhores ovelhas. A revolta porque foi para isso que fomos cria- contra o Senhor é tão grave quanto dos. Nós teremos de prestar con- a feitiçaria... e o orgulho é tão erratas a Deus de tudo o que fazemos, do como é pecado a idolatria” (I Sm inclusive aquilo que fizermos em 15.22-23).

Samya Vanessa Soares de Araújo educadora cristã, 1ª vice-presidente da Ordem dos Educadores Cristãos Batistas do Brasil

O calendário vira, e com ele, a folha em branco de um novo ano. Há algo intrinsecamente poderoso e arrebatador na ideia de um começo. É o momento em que a esperança se renova, o passado se acomoda e o futuro se estende como um território vasto e inexplorado, pronto para ser moldado por nossas escolhas. Mas a vida, com sua inevitável imperfeição, raramente se limita a um único ponto de partida. Por isso, ao lado da beleza dos inícios, jaz a redenção e a força dos recomeços. O começo como ato de criação Todo começo é, em sua essência, um ato de criação. Seja a primeira frase de um livro, o primeiro passo em um novo caminho profissional, ou a primeira hora do dia, ele carrega a mesma potência seminal que encontramos no relato bíblico da criação. A Bíblia se inicia com a frase mais fundamental de todas: “No princípio, Deus criou os céus e a terra” (Gn 1.1). Este versículo não apenas estabelece o marco zero do universo, mas também nos lembra de que a criação brota do nada (ou do caos, como descrito em Gênesis 1.2). O começo exige fé – a fé de que a ordem pode surgir da desordem, e que a luz pode irromper das trevas. Esse princípio de criação ressoa também na literatura, como na obra do poeta chileno Pablo Neruda. Seus

versos, cheios de paixão e de descoberta do mundo, celebram a novidade de cada instante, a oportunidade de ver o mundo como se fosse a primeira vez. Um novo ano nos convida a sermos co-criadores de nossa realidade, a nomear as coisas que queremos ver surgir em nossa vida, tal como Adão nomeou os animais. A poesia dos recomeços Se o começo é uma necessidade divina e universal, o recomeço é uma graça humana. Ele surge da falha, da decepção, da rota que deu errado. A vida não é uma linha reta, mas uma série de curvas, quedas e levantamentos. A capacidade de se reajustar não é um sinal de fraqueza, mas a maior prova de resiliência e maturidade. Na jornada espiritual, o conceito de recomeço é crucial. Ele está diretamente ligado ao arrependimento e à misericórdia. O profeta Jeremias, vivendo um período de grande destruição e exílio, encontrou consolo não no que havia sido, mas na promessa do que viria a ser. Em meio à lamentação, ele escreve um dos versículos mais esperançosos sobre o recomeço diário da graça: “A bondade do Senhor é a razão de não sermos consumidos, as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade” (Lm 3.22-23). Esta é a promessa do recomeço: a fidelidade de Deus nos oferece uma nova chance não apenas a cada ano, mas a cada manhã. Na literatura secular, essa força do

reinício é frequentemente explorada. O romance atemporal “O Velho e o Mar”, de Ernest Hemingway, é um hino ao recomeço. O pescador Santiago passa 84 dias sem pescar nada – o símbolo de um ciclo de fracasso. No 85º dia, ele recomeça, lança sua linha novamente e engaja-se na batalha épica de sua vida. A história nos ensina que o recomeço não garante o sucesso, mas garante a dignidade da tentativa. Mesmo diante da perda total do peixe, no final, Santiago recomeça no plano espiritual e da comunidade. Essa história secular me fez lembrar da jornada de Pedro na pesca maravilhosa, quando passaram a noite no mar sem pescar nada. (Lucas 5.1-11). O caminho do novo coração Um verdadeiro começo ou recomeço nunca é apenas uma mudança de ambiente ou de circunstância; é, fundamentalmente, uma mudança interna. Não adianta mudar o calendário se o coração permanece o mesmo. A Bíblia fala sobre essa transformação interior não como uma reforma, mas como uma nova criação. O apóstolo Paulo escreve: “Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação; as coisas velhas já passaram, e surgiram coisas novas” (II Co 5.17). Esta é a essência do recomeço mais radical: a oportunidade de abandonar o “velho eu” — os erros, os vícios, as mentalidades limitantes — e vestir-se de algo novo. É um convite a olhar para o ano que se inicia não com a exaustão do que acabou, mas com a energia e a curiosidade do que

ainda não existe. Da mesma forma, a filosofia e a literatura existencialista abraçam a ideia de que somos constantemente forçados a nos redefinir. O filósofo francês Jean-Paul Sartre argumentou que o homem está “condenado a ser livre”. Essa liberdade é a mesma que nos permite, a qualquer momento, descartar o papel que nos foi dado ou o papel que escolhemos mal, e recomeçar a escrever nossa própria história. Que este novo ciclo, ou qualquer novo dia que a vida nos apresente, seja encarado com a reverência que um começo exige e a humildade que um recomeço oferece. Lembremo-nos de que o poder não está em nunca cair, mas em usar as misericórdias que se renovam a cada manhã para nos levantarmos e seguir em frente. O começo é a promessa; o recomeço é a perseverança. Com o caderninho da vida em mãos, a caneta apontada e a certeza da graça renovada, podemos dizer: o passado está no lugar dele, e o futuro é agora. Referências Citações Bíblicas na versão NVI HEMINGWAY, E. (2013). O Velho e o Mar. (F. de C. Ferro, Trad.). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. (Trabalho original publicado em 1952). NERUDA, Pablo. Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada. SARTRE, Jean-Paul. O Ser e o Nada: Ensaio de Ontologia Fenomenológica. Tradução de Paulo Perdigão. 25. ed. Petrópolis: Vozes, 2017. n


REFLEXÃO

O JORNAL BATISTA Domingo, 11/01/26

5

125 anos: O Jornal Batista e a construção da consciência denominacional no Brasil Como a criação de um órgão nacional de comunicação fortaleceu a evangelização, a instrução cristã e a identidade batista no país. Gerência de Comunicação da Convenção Batista Brasileira Até o final do século XIX, os Batistas no Brasil ainda não dispunham de um órgão de comunicação que atendesse a toda a denominação em âmbito nacional. Os jornais existentes à época exerciam influência restrita às regiões onde eram produzidos, limitando a circulação de informações e a articulação entre as Igrejas espalhadas pelo país. No início do século XX, essa realidade começou a mudar. Missionários como William Bagby, Salomão Ginsburg, Zachary Taylor e J. J. Taylor reuniram-se no Rio de Janeiro com o objetivo de discutir a criação de uma Casa Publicadora que respondesse à crescente demanda por materiais impressos e fortalecesse o trabalho batista em nível nacional. Desse encontro surgiu a decisão de unificar os periódicos estaduais O Echo da Verdade e As Boas Novas, dando origem a um jornal com alcance nacional, capaz de coordenar e divulgar os esforços de

Willian Entzminger

evangelização e ensino cristão realizados nas diversas frentes missionárias do Brasil. A criação de um veículo de comunicação nacional tornou-se uma necessidade estratégica. Ele deveria servir à evangelização dos não-crentes, à instrução dos fiéis e à divulgação dos planos e atividades das Igrejas Batistas. Tratava-se de um passo indispensável para o desenvolvimento da chamada consciência denominacional, fortalecendo a identidade e a unidade do povo batista brasileiro. Na edição comemorativa do centenário da Independência do Brasil, Salomão Ginsburg recorda esse momento decisivo e aponta as razões que levaram à criação de uma Casa Publicadora e de um jornal Batista de caráter nacional. Segundo ele, a iniciativa se justificava por três necessidades fundamentais: evangeliPrimeiro escritório da redação de O Jornal Batista, zar, instruir os crentes e defender a nos fundos da PIB do Rio de Janeiro causa batista. A proposta encontrou ampla concordância, especialmente para o crescimento e fortalecimento prestígio que possuía no meio evangélico, por sua sólida formação teológica pela convicção de que a centralização das igrejas em todo o país. Com a aprovação do projeto, dee por seu especial interesse no estudo das atividades editoriais contribuiria cidiu-se que as Igrejas contribuiriam da Língua Portuguesa, características com ofertas mensais para a manu- que o tornaram um publicista habilidotenção do novo jornal. Também foi so e respeitado. definida a fusão dos periódicos O Echo O primeiro exemplar de O Jornal da Verdade e As Boas Novas, até então Batista entrou em circulação em 10 publicados por iniciativa particular dos de janeiro de 1901. Em suas quatro missionários Zachary Taylor e Salo- páginas iniciais, foram apresentados mão Ginsburg. Embora reconhecendo os objetivos que orientariam o trabaos relevantes serviços prestados por lho editorial: oferecer ao público uma esses jornais à causa Batista, Gins- leitura proveitosa e instrutiva; publicar burg destacou que sua influência era artigos sobre temas variados; apremais regional do que nacional, refor- sentar, em cada edição, reflexões çando a necessidade de concentrar teológicas que contribuíssem para esforços em um único órgão. a formação doutrinária dos leitores, Os recursos materiais das tipogra- incluindo esboços de sermões; expor fias de Salvador - BA e de Campos - RJ e defender de forma consistente as foram transferidos para a recém-cria- doutrinas Batistas; promover o debate da sede da Imprensa Batista, no Rio sobre a realidade religiosa no Brasil e de Janeiro - RJ. De Campos vieram no mundo; abrir espaço para a particifolhetos, caixas de tipos e um prelo pação dos leitores; divulgar informamanual. Da Bahia, foi incorporada uma ções sobre as atividades das igrejas Zachary Taylor imprensa adquirida com recursos le- batistas em todas as regiões do país; vantados pelo missionário Zachary e compartilhar notícias relevantes do Taylor, parte deles provenientes de movimento evangélico no Brasil e no doações de amigos nos Estados Uni- exterior. dos e parte de sua própria propriedade, Por fim, O Jornal Batista assumiu, posteriormente vendida em benefício desde sua primeira edição, o comproda obra editorial Batista. misso de destacar o dever do crente Em 1901, sob a direção do missio- de anunciar o Evangelho a todos os nário William Edwin Entzminger, foi ofi- povos e nações. Assim, consolidou-se cialmente criada a Casa Publicadora não apenas como um veículo de inforBatista, responsável pela publicação mação, mas como um instrumento de O Jornal Batista. A escolha de Entz- missionário, formativo e unificador, minger para exercer simultaneamente cuja relevância permanece viva na as funções de redator do jornal e dire- história e na caminhada dos batistas tor da Casa Publicadora se deu pelo brasileiros. n

Salomão Ginsburg


6

REFLEXÃO

O JORNAL BATISTA Domingo, 11/01/26

O Espírito Santo e a Missão da Igreja Guilherme Henrique Madeira Sampaio formado em Ministério Pastoral pelo Seminário Teológico Batista de Teresina - PI, membro da Primeira Igreja Batista do Cordeiro em São João dos Patos - MA e professor de EBD

Introdução A missão da Igreja é inseparável da ação do Espírito Santo. Desde o relato de Pentecostes, em Atos 2, a Igreja nasce missionária, impulsionada não por estratégias humanas, mas pela força do Espírito Santo de Deus. Assim, compreender a relação entre o Espírito Santo e a missão da Igreja é de suma importância para uma teologia que seja bíblica, pastoral e contextualizada. Diante do exposto, este artigo tem como objetivo refletir sobre o papel do Espírito Santo como fundamento e orientador da missão da Igreja no mundo. O Espírito Santo na revelação bíblica Na tradição bíblica, o Espírito Santo aparece como princípio de vida, força criadora e agente da ação salvífica de Deus. Desde o relato da criação, o Espírito é apresentado como aquele que atua sobre o caos, promovendo ordem e vida. Santana (2015) observa que o Espírito acompanha toda a história da salvação, capacitando pessoas e conduzindo o povo de Deus na realização de sua missão. No Novo Testamento, o Espírito Santo assume papel central na vida e na missão de Jesus. Segundo Lina Boff (2018), o batismo de Jesus marca não

apenas um evento espiritual, mas o iní- serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há cio oficial de sua missão messiânica, diversidade nas realizações nas o mescaracterizada pela unção do Espírito mo Deus é que opera tudo em todos”. para anunciar o Reino de Deus aos pobres, cativos e excluídos (Lc 4.18). A missão da Igreja na Dessa forma, o Espírito não apenas contemporaneidade acompanha a missão, mas a inaugura No contexto atual, marcado pelo plue a orienta. ralismo religioso, pelas desigualdades sociais e por múltiplas formas de confliO Espírito Santo como agente to, a missão da Igreja exige discernimenda missão da Igreja to espiritual constante. À semelhança A missão da Igreja não é iniciativa da Igreja primitiva, que buscava a orienmeramente institucional, mas partici- tação do Espírito Santo para responder pação na missão de Deus no mundo. aos desafios de seu tempo (Atos 15.28), Nesse sentido, o Espírito Santo é o prin- a comunidade cristã contemporânea é cipal agente missionário. Ele chama, chamada a anunciar o Evangelho com envia, capacita e orienta a comunidade fidelidade à mensagem de Cristo e sencristã, convencendo as pessoas do pe- sibilidade aos contextos culturais nos cado, da justiça e do juízo (João 16.8). quais está inserida. Santana (2015) afirma que é o Espírito O Espírito Santo atua como guia quem constitui a Igreja, anima sua vida da Igreja, conduzindo-a não apenas no comunitária e a envia em missão desde anúncio verbal da fé, mas também no o evento de Pentecostes. compromisso com a justiça, a paz e a Dessa forma, Espírito e missão são dignidade humana, conforme expresinseparáveis, pois toda ação missio- sa a Escritura: “O Espírito do Senhor nária autêntica nasce da iniciativa do está sobre mim, porque me ungiu para Espírito e se concretiza na promoção evangelizar os pobres; enviou-se para da vida, da justiça e da paz. O livro dos proclamar libertação aos cativos e resAtos dos Apóstolos confirma essa rea- tauração da vista aos cegos, para pôr lidade ao mostrar o Espírito orientando em liberdade os oprimidos” (Lc 4.18). decisões, enviando missionários e caDessa forma, uma Igreja guiada pelo pacitando a Igreja para um testemunho Espírito é chamada a ser sinal visível do universal (Atos 13.2-4). Reino de Deus no mundo, testemunhanAlém disso, o Espírito distribui dons do o amor de Cristo por meio de ações e carismas à comunidade cristã, evi- concretas e transformadoras. Tal testedenciando que toda a Igreja é corres- munho se manifesta especialmente no ponsável pela missão, e não apenas cuidado com os mais vulneráveis, em seus ministros ordenados. A palavra de consonância com a exortação bíblica Deus em Coríntios 12:4-6 destaca que de praticar a justiça, amar a miseri“os dons são diversos, mas o Espírito é córdia e caminhar humildemente com o mesmo. E também há diversidade nos Deus (Mq 6.8), revelando que a missão

cristã integra fé, vida e compromisso social. Considerações Finais O Espírito Santo é o fundamento e a força vital da missão da Igreja. Sem sua ação, a missão perde seu caráter espiritual e se reduz a esforços humanos. À luz da Escritura, percebe-se que a Igreja só é verdadeiramente missionária quando se deixa conduzir pelo Espírito, vivendo em comunhão, serviço e testemunho. Portanto, refletir sobre o Espírito Santo e a missão da Igreja é reafirmar que a evangelização e o compromisso com o mundo nascem da ação contínua de Deus na história. Referências BOFF, Lina. O Espírito na missão contemporânea. Revista Pistis & Praxis, [S. l.], v. 10, n. 3, 2018. DOI: 10.7213/21751838.10.003.DS03. Disponível em: https://periodicos.pucpr.br/pistispraxis/ article/view/24539. Acesso em: 24 dez. 2025. RYRIE, Charles C. A Bíblia anotada: edição expandida. – Ed. Ver. E expandida. – São Paulo: Mundo Cristão: Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2007. SANTANA, Cláudio Manoel Luiz de. A Ação do Espírito Santo na História da Salvação. RECIMA21 - Revista Científica Multidisciplinar - ISSN 2675-6218, [S. l.], v. 1, n. 1, p. e25359, 2021. DOI: 10.47820/recima21.v1i1.359. Disponível em: https://recima21.com.br/recima21/article/view/359. Acesso em: 23 dez. 2025. n


MISSÕES NACIONAIS

O JORNAL BATISTA Domingo, 11/01/26

7

Entre todos, para alcançar todos

Jennifer Soares

coordenadora da Vila Minha Pátria

No ano de 2025, a equipe da Vila Minha Pátria tem caminhado sob o tema “Entre Todos”, inspirado em Apocalipse 7.9. Esse texto bíblico nos conduz a um sonho coletivo: estar no meio da grande multidão formada por pessoas de todas as tribos, povos, línguas e nações, adorando o Cordeiro que venceu. Mais do que uma visão futura, esse chamado nos confronta no presente, convidando-nos a viver hoje aquilo que um dia veremos plenamente. Portanto, é necessário estarmos inseridos nos movimentos que Deus já está realizando para a salvação dos povos. Não podemos permanecer à margem. Mesmo estando no

campo missionário, somos constantemente desafiados a compreender a urgência da missão e a não perder de vista o nosso papel como Igreja. Existe um risco real de enxergarmos a missão apenas como uma função, e não como uma responsabilidade espiritual contínua. Antes de sermos missionários, somos servos de Deus, chamados a obedecer às responsabilidades que Ele confiou a todos os que creem. Hoje fomos enviados ao campo; amanhã poderemos ser aqueles que enviam, levantam e sustentam outros. Por isso, a cultura de envio, participação e corresponsabilidade precisa fazer parte do nosso cotidiano. Envolver toda a equipe missionária na campanha Minha Pátria para Cristo, incentivando a entrega de ofertas, foi

uma forma prática de afirmar que, por meio de nós, outros também serão abençoados, enviados e sustentados, assim como somos hoje. Estabelecemos um alvo de cinco mil reais e, para a glória de Deus, alcançamos onze mil. Vivemos esse processo com unidade e criatividade: realizamos almoços e sobremesas missionárias, fizemos ofertas pessoais, vendemos ovos produzidos em nosso próprio galinheiro e lançamos

desafios de oferta nos cultos de domingo. Cada ação foi marcada pela convicção de que, juntos, como um só povo, alcançamos mais rápido e vamos mais longe no cumprimento da missão. A responsabilidade da Grande Comissão pertence a todos os que creem em Cristo Jesus, incluindo os missionários de tempo integral, que antes de tudo são servos. Entre todos, para alcançar todos. n


8

O JORNAL BATISTA Domingo, 11/01/26

NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA


NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

O JORNAL BATISTA Domingo, 11/01/26

9


10 O JORNAL BATISTA Domingo, 11/01/26

NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

Igreja Batista no Córrego do Dourado - MG celebra 116 anos de organização Programação foi marcada por momentos de comunhão e adoração.

Kátia Brito

jornalista da Convenção Batista Mineira

A Igreja Batista no Córrego do Dourado, localizada na zona rural do município de Tarumirim - MG, celebrou, no dia 12 de dezembro de 2025, seus 116 anos de organização. A data foi marcada por um culto de louvor e gratidão a Deus, realizado com o tema “116 anos celebrando Jesus”. A programação foi marcada por momentos significativos de comunhão e adoração. O louvor congregacional foi conduzido pelas irmãs Dorca e Lídia, contribuindo para um ambiente de reverência e gratidão ao Senhor. A mensagem da noite foi ministrada pelo pastor José Ângelo, coordenador executivo da Associação Batista Central Riodocense (ABACERD). Tam-

Culto de louvor e gratidão a Deus foi realizado com o tema “116 anos celebrando Jesus” bém estiveram presentes os pastores Ernandes Calixto, da Primeira Igreja Batista de Tarumirim - MG, e Márcio Braga, da Igreja Batista Vila dos Montes, em Governador Valadares - MG. O culto contou ainda com a participação de representantes da Pri-

meira e da Segunda Igreja Batista de Tarumirim - MG, além de um grupo de irmãos da Primeira Igreja Batista Natal, do município de São Sebastião do Anta - MG, atualmente pastoreada interinamente pelo pastor Valci. Ao celebrar mais de um século de

história, a Igreja Batista no Córrego do Dourado reafirma sua trajetória de fé e testemunho cristão, reconhecendo a fidelidade de Deus ao longo dos anos. Como expressão de gratidão, a Igreja declarou: “Até aqui nos ajudou o Senhor”. n

Igreja Batista é inaugurada em Encantado - RS como resposta missionária após enchentes Inauguração do espaço marca um novo capítulo após os impactos das enchentes.

Kátia Brito jornalista

A cidade de Encantado, no Vale do Taquari - RS, recebeu oficialmente, no dia 13 de dezembro, a Igreja Batista em Encantado - RS. A inauguração do espaço marca um novo capítulo após os impactos das enchentes que atingiram a região nos últimos anos e reflete uma ação missionária construída a partir do cuidado contínuo com a população local. Durante a cerimônia, o diretor-executivo da Convenção Batista do Rio Grande do Sul (CBRS), Egon Grimm Berg, relembrou o contexto de dor vivido pela cidade e destacou que a presença da Igreja representa continuidade do serviço cristão. “Passado o momento mais agudo da tragédia, entendemos que a ajuda não poderia parar. Uma das formas mais duradouras de servir Encantado seria por meio da presença de uma igreja”, afirmou. Segundo ele, o projeto nasce com o propósito de ser “um espaço de fé, esperança e compromisso com a cidade”. A Primeira Igreja Batista de Garibaldi - RS é a Igreja-mãe do projeto. O pastor Josué Selayaran explicou que o envolvimento começou ainda na primeira enchente, em 2023, com ações emergenciais. “Entendemos que não bastava apenas ajudar com

Egon Berg, diretor-executivo da CBRS, participou da celebração donativos. Precisávamos oferecer também o evangelho e um cuidado que permanecesse”, resumiu. Para ele, a inauguração representa a consolidação de um projeto que une assistência, discipulado e plantação de Igreja. O pastor Keitson Santos, que assumiu o pastorado da Igreja Batista em Encantado - RS, destacou que sua chegada ao Rio Grande do Sul é resultado de um chamado construído ao longo de anos. “Desde a primeira vez que estive na região, algo no meu coração confirmou que este era o lugar onde Deus queria que eu estivesse”, declarou. Ele ressaltou que, mesmo sendo uma comunidade pequena, há convicção quanto ao propósito do trabalho. “Estamos aqui para servir e anunciar o evangelho, confiando que Deus já tem vidas preparadas”, completou.

Culto de inauguração aconteceu em dezembro

A implantação da Igreja contou com o apoio da Igreja Batista da Orla, de Vila Velha - ES. O pastor Luiz Klitzke ressaltou a importância estratégica da cidade. “Encantado tem influência sobre várias cidades da região, e nossa expectativa é ver um trabalho sólido que alcance também os municípios vizinhos”, afirmou, destacando a cooperação entre igrejas e convenções como essencial para o projeto. O presidente da Associação Batista da Serra Gaúcha (AIBASERRA), pastor Cléber Machado, destacou o esforço cooperativo das igrejas da região para o avanço do evangelho. “Celebramos a inauguração deste espaço e a chegada da família pastoral com grandes expectativas, crendo que Deus fará uma obra relevante em Encantado e nas cidades ao redor”, afirmou. Segundo ele, a associação seguirá apoiando o

trabalho local. “Não mediremos esforços para caminhar junto com a igreja e avançar na plantação de novas igrejas no Rio Grande do Sul”, completou. O pastor Denison Peres Sales, presidente da Ordem dos Pastores Batistas, avaliou a inauguração como resposta direta às orações feitas ao longo dos anos. “As enchentes removeram muitas barreiras e abriram portas para o evangelho. Encantado foi muito atingida, mas também muito amada”, afirmou. Para ele, o desafio agora é apresentar à população “o Cristo vivo, que transforma e restaura”. A Igreja Batista em Encantado inicia suas atividades com o compromisso de servir à cidade, fortalecer famílias e cooperar com outras igrejas cristãs, mantendo viva a visão missionária dos Batistas no Vale do Taquari. n


MISSÕES MUNDIAIS

O JORNAL BATISTA Domingo, 11/01/26

11

PEPE: onde o cuidado de hoje constrói o futuro

Carmen Lígia

missionária da JMM no Panamá e Líder Regional do PEPE nas Américas

Janeiro chegou e estamos novamente de pé, prontos para começar mais um ano. O início de um novo ano sempre enche o meu coração de expectativa: penso no que virá, em como enfrentaremos os desafios, em quantas crianças ainda alcançaremos para Cristo por meio do PEPE, e em como estaremos quando dezembro novamente chegar. Contudo, sigo com a certeza de que o coração confia no Deus que é a nossa força! Nele descanso, e com Ele venceremos juntos este novo ano. Oro por você todos os dias, para que se sinta fortalecido(a), cheio(a) de alegria e renovados(as), vendo as bênçãos do Senhor se manifestarem a cada manhã, conforme a promessa de Lamentações 3.22-23. No PEPE das Américas, cada formatura é um capítulo de esperança que se abre. Celebramos a vida e o futuro de mais de 5.145 crianças que, após dois anos de cuidado, aprendizado e amor, seguem adiante para o primeiro ano, levando consigo uma base firme para continuarem sonhando. O tempo de permanência das crianças nos PEPEs é breve, mas os resultados são duradouros. Elas concluem essa etapa com a autoestima fortalecida, melhores condições de saúde e sonhos renovados. Os aprendizados adquiridos hoje lançam bases sólidas para o futuro, formando homens e mulheres que servirão a Deus com fé, compromisso e dedicação em suas profissões, além de construírem

famílias fundamentadas nos valores cristãos aprendidos no PEPE. Porém, o mais precioso de tudo é que elas não saem sozinhas. Vão com Jesus no coração, aprendendo a adorá-Lo no templo, agora acompanhadas por suas famílias – pais, irmãos, avós e tios – que também renderam suas vidas a Cristo. Por isso, cada formatura no PEPE não é apenas uma despedida, é uma semeadura de eternidade, regada por lágrimas, gratidão e louvor. Em alguns países, cada criança recebe uma bíblia junto com o diploma de “Doutor do ABC”, porque cremos que é a palavra de Deus que firma os alicerces da vida. Mais do que letras aprendidas, elas levam consigo verdades eternas que orientarão seus passos. Todos os dias, cada criança tam-

bém recebe a alimentação necessária para crescer com saúde. E aquelas que enfrentam a desnutrição são cuidadas de forma especial, por meio da Farinha Enriquecida (FE) – como acontece com as 2.200 crianças na Venezuela, alcançadas com esse cuidado que nutre o corpo e renova a esperança. O pastor de uma Igreja onde funciona o PEPE expressou: “Obrigado por nos permitirem ser um refúgio de ensino bíblico em meio à confusão do mundo. Continuaremos em 2026, porque temos uma esperança viva para compartilhar com mais crianças em nossa comunidade”. Tudo isso só foi possível porque caminhamos juntos – você aí, na Igreja, e nós aqui, no campo missionário. Somos uma grande equipe, unida por

um só propósito: levar a alegria de Jesus ao coração de muitas crianças nas Américas. Que neste novo avancemos, para ainda mais longe, fazendo muito mais para a glória do nosso Deus! n


12 O JORNAL BATISTA Domingo, 11/01/26

NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

Preparativos para a Semana Batista 2026 entram na reta final Evento reunirá Batistas na Bahia, com ampla programação missionária, cobertura especial e engajamento das igrejas locais.

Estevão Júlio

a proposta é “colocar o povo batista dentro do evento”, inclusive aqueles que não poderão estar presencialmente. A imprensa local também já começou a repercutir a Semana Batista.

jornalista na Convenção Batista Brasileira

A Convenção Batista Brasileira (CBB) intensifica a mobilização para a 105ª Semana Batista, que acontece de 19 a 25 janeiro de 2026, em Salvador - BA. Considerado o maior encontro anual dos Batistas brasileiros, o evento marca o retorno da assembleia à capital baiana, local da primeira assembleia da CBB, realizada em 1907. A transmissão do programa Batistas em Pauta, de 05 de janeiro, exibido pelo YouTube da CBB e pela Rede 3.16, destacou os preparativos finais e convocou o público a participar desse tempo de comunhão e deliberação. Estevão Júlio, jornalista da CBB, recebeu Lidiane Ferreira, gerente de Comunicação e Marketing da Convenção Batista Baiana (CBBA), e pastor David Pina, responsável pela organização e logística do evento.

Estrutura, logística e acolhimento

Última edição do “Batistas em Pauta” sobre a Semana Batista Juventude Batista Brasileira, além da Operação Jesus Transforma, que levará evangelização a diversos pontos da cidade. A expectativa é de grande impacto social e espiritual, culminando no Domingo da Grande Comissão, com evangelização na orla e batismos. Comunicação integrada e cobertura ampliada

A organização logística, coordenada pelo pastor Davi Pina, envolve mais de 70 expositores, milhares de inscritos e dezenas de equipes de voluntários atuando em aeroportos, rodoviárias, Igrejas e no Centro de Convenções Salvador, principal sede do evento. O espaço contará com câmaras setoriais, programação infantil, área de exposições (Expo Batista), sala de oração e ampla estrutura de alimentação e convivência. As Igrejas Batistas de Salvador também participam ativamente, sediando encontros de organizações como pastores, mulheres, juventude, músicos, esposas de pastores, diáconos, além de oferecerem hospedagem econômica para inscritos.

Em parceria com a CBB, a Convenção Batista Baiana (CBBA) coordena uma estratégia de comunicação inMobilização antes mesmo tegrada, envolvendo redes sociais, da abertura oficial WhatsApp, releases para a imprensa Inscrições e expectativa e produção de conteúdo multimídia. Antes da assembleia, Salvador - BA Segundo Lidiane Ferreira, gerente de Com mais de 3.300 inscritos e já começa a receber ações missioná- Comunicação e Marketing da CBBA, média crescente de novas inscrições rias, como o Pés no Arado, projeto da

diárias, a expectativa é de uma grande Semana Batista. uma das maiores Semanas Batistas. As inscrições on-line foram encerradas no dia 10 de janeiro. As inscrições serão reabertas, PRESENCIALMENTE, a partir do dia 19 de janeiro, nos seguintes locais: 19/01: Abertura da Campanha de Missões Mundiais - Igreja Batista Metropolitana (abertura da campanha da JMM) 20/01: Congresso da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil – Igreja Batista Metropolitana 21/01: Centro de Convenções Salvador Durante o Batistas em Pauta foi destacado que o evento não é apenas administrativo, mas um grande ajuntamento espiritual, de celebração da história, fortalecimento da identidade batista e avanço da missão. “Queremos que, ao final de tudo, um único nome seja exaltado: Jesus Cristo”, afirmou o pastor Davi Pina. A Semana Batista 2026 reafirma Salvador como berço histórico e palco de renovação da missão dos Batistas brasileiros, unindo passado, presente e futuro sob o tema da unidade e do compromisso com o Reino de Deus.

Pés no Arado 2026 é oficialmente iniciado com culto de envio em Salvador - BA Projeto missionário da JBB mobiliza cerca de 250 jovens para ações evangelísticas na capital e no interior da Bahia.

Lidiane Ferreira

gerente de Comunicação e Marketing da Convenção Batista Baiana

O evento contou com representantes da Convenção Batista Baiana (CBBA), Associação Batista de Salvador (ABS), Junta de Missões Nacionais (JMN) e Junta de Missões Mundiais (JMM). A mensagem foi pregada pelo pastor Adoryan Boechat, pastor de jovens e adolescentes na Igreja Batista da Glória, em Vila Velha - ES. Coloque em suas orações o projeto Pés no Arado e as três Carretas Missionárias da JMN, que já estão na Bahia. Com o tema “Paz na Terra, Luz na Cidade”, jovens Batistas de todo o Brasil em levarão a luz que ilumina e preenche nossa vida e a paz que excede todo entendimento.

O Pés no Arado 2026 já começou! E o início foi da melhor forma: dedicando este projeto ao Senhor, com um culto de envio realizado na Igreja Batista dos Mares, em Salvador - BA, na noite de 6 de janeiro. Ao todo, cerca de 250 jovens estarão em bairros de Salvador e cidades do interior da Bahia no período de 06 a 15 de janeiro. Para Jéssica Martins Benevenuto, coordenadora Nacional da Juventude Batista Brasileira (JBB), “as expectativas estão altíssimas para aquilo que o Senhor vai fazer”. “Para nós, é grande alegria e responO Pés no Arado sabilidade, enquanto Jubab, receber O Pés é um projeto missionário, irmãos de diversos estados do nosso país”, destaca pastor Sávio Vinícius, realizado pela Juventude Batista Brapresidente da Juventude Batista Baiana. sileira com as juventudes estaduais

Cerca de 250 jovens participam desta edição durante o mês de janeiro. A ideia do Pés é mobilizar a juventude Batista num estado brasileiro para servir junto com as Igrejas locais que precisam. Durante o tempo do projeto os jovens são divididos em grupos (carinhosamente chamados de família) e de lá partem para uma Igreja local onde desenvolverão ações na comunidade.

Dentre essas ações acontecem evangelismo criativo, tarde alegre, visita aos lares, dia da beleza, EBF’s e o que mais o Senhor guiar para fazê-los! Já no primeiro dia, os voluntários recebem um treinamento onde aprendem mais sobre técnicas de evangelização, abordagens e meios de interação com a comunidade, além de entender o contexto e as demandas daquela localidade. n


NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

O JORNAL BATISTA Domingo, 11/01/26

13

“Valeu a pena”: Pr. Fernando Brandão visita o casal de missionários Orman e Elizabeth Gwynn Casal serviu por mais de três décadas no Brasil. Estevão Júlio

jornalista na Convenção Batista Brasileira

Durante uma visita aos Estados Unidos, no dia 30 de dezembro de 2025, o pastor Fernando Brandão, diretor-executivo da Convenção Batista Brasileira (CBB), e sua esposa, Márcia Brandão, viveram um momento marcado por gratidão, memória e celebração da obra missionária. Em meio às férias, eles percorreram cerca de seis horas de carro para visitar o casal de missionários Orman Gwynn e sua esposa, Elizabeth, que dedicaram mais de 30 anos de suas vidas ao Brasil. O encontro foi mais do que uma visita: tornou-se um testemunho vivo do impacto das missões no país e da fidelidade de Deus ao longo das gerações. “Hoje pela manhã eu estava listando os meus motivos de gratidão ao Senhor, e um deles foi agradecer a Deus pelos missionários que levaram a Palavra de Deus para nós”, afirmou o pastor Fernando Brandão. Uma história escrita em muitos lugares do Brasil O pastor Orman Gwynn serviu no Brasil por 32 anos, passando por cidades como Itabuna - BA, Corrente - PI, São Luís - MA, Belém - PA e Brasília - DF. Além de missionário, foi professor e diretor do Seminário Teológico Batista Equatorial, piloto de avião em apoio à obra missionária no Nordeste e diretor-executivo da Convenção Batista Piauiense (CBPI). Aos 92 anos de idade e com 74 anos de casamento, o pastor Orman

Pr. Fernando e Márcia Brandão durante visita ao casal Gwynn resume sua trajetória com convicção e alegria. “Valeu tanto que, se eu pudesse, eu faria tudo de novo”, declarou. “As alegrias de ver a obra de Deus se desenvolver, de criar novas Igrejas, de ver pessoas que não conheciam Jesus encontrando a salvação… eu não posso nem contar as bênçãos que tivemos ao longo dos anos.” Questionado se investiria novamente a vida no campo missionário, ele respondeu sem hesitar: “Mil vezes.” O olhar sensível de quem também foi chamada Ao lado do esposo em toda a jornada missionária esteve Elizabeth Gwynn, que deixou os Estados Unidos ainda jovem para servir na América do Sul. Em suas palavras, a saudade inicial deu lugar a um amor profundo pelo Brasil e por seu povo. “Valeu a pena. Eu também faria mil vezes de novo”, afirmou. “Encontramos pessoas tão boas, tão acolhedoras. Mesmo sendo estrangeiros, fomos tratados com tanto amor.” Ela também relembrou os desafios dos primeiros anos, marcados pela

saudade de casa, mas reconheceu a mão de Deus em cada etapa da caminhada. “Depois, a gente sempre estava ansiosa para voltar ao Brasil. Isso só pode ser a mão de Deus.” Um legado que continua frutificando O impacto do ministério do casal Gwynn segue visível até hoje. Líderes, pastores e missionários brasileiros foram formados a partir de seu trabalho, especialmente no Seminário Equatorial, que hoje mantém um fundo de bolsas que leva o nome do pastor Orman Gwynn, em homenagem à sua contribuição para a formação de vocacionados. Ao deixar uma mensagem aos jovens, seminaristas e vocacionados, o pastor Orman destacou a importância da obediência ao chamado de Deus. “A coisa mais importante é obedecer ao Senhor em cada detalhe, porque Ele é fiel”, aconselhou. “Deus nunca vai lhe pedir para fazer algo sem lhe dar a capacidade de fazer.” Elizabeth também deixou uma palavra especial ao povo brasileiro, especialmente aos irmãos do interior do país. “Continue confiando em Deus. Deus não falha.

Vale a pena servir ao Senhor, pelas alegrias e pela paz que Ele nos dá.” Em meio às lembranças, orações e gratidão, o encontro foi encerrado com uma mensagem que atravessa gerações e permanece atual. “Cristo é a única esperança. É a mesma mensagem para 2026 e para todos os anos”, reforçou o pastor Fernando Brandão. Ao se despedir, o diretor-executivo da CBB resumiu o sentimento daquele momento especial: “Vale a pena pregar o Evangelho. Vale a pena servir ao Senhor.” O Brasil segue no coração de quem um dia atendeu ao chamado, e os frutos dessa obediência continuam visíveis na vida da Igreja, na formação de líderes e na expansão do Evangelho em todo o país. Assista a entrevista completa. Aponte a câmera do seu celular para o QR Code:

Em março de 1987, o então capelão Dr. Orman Wayne Gwynn, assumiu a reitoria do STBE. Ele permaneceu na direção da instituição até novembro de 1989. Foi também secretário executivo da Convenção Batista Piauiense. A Faculdade Batista Equatorial (FATEBE) criou o Fundo de Bolsas de Estudos Pastor Orman Gwynn, que auxilia financeiramente na formação e na capacitação de novas gerações de pastores e líderes para o ministério cristão. n


14 O JORNAL BATISTA Domingo, 11/01/26

PONTO DE VISTA FÉ PARA HOJE

Grandes desafios para 2026 Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob “Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado; mas faço o seguinte: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, pelo prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.13,14). 1. Temos grandes desafios para 2026, você não concorda? Sabemos que a vida pertence a Deus, mas Ele nos deu dons e talentos para que os desenvolvamos no decorrer da vida. É relevante viver a vida com temor e tremor. Sendo um dom de Deus, a vida deve ser vivida na perspectiva Dele. O ano de 2025 está findando e logo vamos entrar em 2026. Ao percebermos o tempo, as oportunidades, as circunstâncias e as expectativas, somos desafiados a uma confiança na fidelidade do Deus que nos ama profundamente em Cristo Jesus, nosso Senhor (Romanos 8.38-39). O nosso Pai permanecerá fiel sempre, pois Ele não pode negar-se a Si mesmo (II Timóteo 2.13). 2. Do ano de 2025 devemos trazer lembranças positivas e um aprendizado efetivo para entrarmos no novo ano. As coisas que nos edificaram certamente serão instrumentos nas mãos de Deus para nos aperfeiçoar em 2026. Não repitamos os erros do ano passado. As possibilidades do novo ano são

imensas. É muito importante a busca da excelência em tudo o que fazemos a partir de um planejamento pessoal. Eis alguns desafios para 2026: Devoção pessoal, a intimidade com Deus; relacionamentos saudáveis; trabalho sério e criativo; serviço amoroso, excelência e visão das oportunidades para melhorar nossas vidas e a dos nossos semelhantes. Devemos viver amando a Deus e ao próximo com a nós mesmos. É relevante que semeemos coisas muito boas. Nem sempre colhemos tudo de bom que plantamos, mas outros colherão. Paulo disse: “Eu plantei; Apolo regou; mas foi Deus quem deu o crescimento” (1 Coríntios 3.6). Podemos ter sonhos (de preferência com a orientação de Deus), mas precisamos ter disciplina para que eles se tornem realidade. 3. Neste próximo ano, precisamos repensar as nossas posturas diante de Deus, vivendo uma vida de fé, amor e esperança. Diante da família, assumindo responsabilidades a cada dia; perante a Igreja, sendo membros amorosos e efetivos; e diante da sociedade, sendo cidadãos responsáveis, éticos, respeitosos, relevantes e solidários. Deus quer ver em nós fé, esperança e amor (três virtudes cristãs). Ele ordena que sejamos crentes consagrados, visionários e comprometidos com o caráter de Cristo, vivendo como Seus discípulos verdadeiros, impactando o mundo. Jasom, habitante de Tessalônica, disse em relação à Paulo, Silas

e demais discípulos: “Esses homens que têm agitado o mundo chegaram também aqui” (I Tessalonicenses 17.6). O cristão genuíno incomoda, é rejeitado. Seremos sempre perseguidos por causa de Cristo (Mateus 5.11-12). 4. O próximo ano deve ser marcado por atitudes e ações orientadas pelo Espírito Santo. Que o Senhor seja a nossa PRIORIDADE. Que o Reino de Deus seja almejado em primeiro lugar (Mateus 6.33). Que Cristo seja tudo em nós (Colossenses 3.11). Deixemos todo o embaraço e o pecado que tenazmente nos assedia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, Autor e Consumador da fé (Hebreus 12.1,2). O Pai requer de nós o melhor, o mais excelente. O Seu caráter deve ser a nossa marca em nossa peregrinação neste mundo. 5. Que 2026 seja um ano de muitas possibilidades. O Espírito Santo há de nos fazer ver as coisas que são da vontade de Deus. Que o nosso coração descanse da fidelidade de Deus. Seja Jesus o nosso modelo de vida e ministério. Vivamos com intensidade todo o evangelho. Dependamos do Senhor nas mínimas coisas e O glorifiquemos em cada atitude e em cada ato. Que Ele seja sempre o nosso foco. Que a nossa plena satisfação esteja nele. Que O louvemos seja qual for a circunstância. Que vivamos pela fé, cuidamos

amorosamente de nossa família e tenhamos foco. 6. Algumas dicas para este novo ano: vivam uma vida de oração, intercedendo para que pessoas se convertam, pela igreja e pelo Brasil; meditem na Palavra dia e noite; sejam membros de família responsáveis e zelosos; procurem ser assíduos e pontuais nas atividades da Igreja e nos outros compromissos; aproveitem todas as oportunidades para testemunhar de Cristo; sejam fiéis em tudo, confiando na provisão de Deus (Malaquias 3.10); sejam disciplinados; tratem as pessoas com muito amor e consequente sinceridade, perdoando sempre; leiam toda a Bíblia e bons livros; cuidem da saúde, se alimentando muito bem, se submetendo a exames periódicos e fazendo exercícios regulares; observem a natureza e glorifiquem a Deus; criem um grupo de solidariedade para trabalhar numa comunidade carente; tratem o meio ambiente com excelência; elaborem um planejamento pessoal e familiar, pois quem falha em planejar, planeja falhar; e vivam uma vida de equilíbrio em Cristo Jesus. Orem ao Senhor agradecendo 2025 e pedindo por 2026. O velho e o novo ano. O mesmo Senhor que esteve conosco no ano passado certamente estará neste novo ano, pois Ele prometeu, afirmando: “e eu estou convosco todos os dias, até o final dos tempos” (Mt 28.20). n


PONTO DE VISTA

O JORNAL BATISTA Domingo, 11/01/26

15

OBSERVATÓRIO BATISTA

Culto, fumacinha, luzes e dopamina! Lourenço Stelio Rega A configuração da adoração e do culto tem se transformado nos últimos tempos. Temos observado que há certo conflito e estresse entre o modo antigo ou como é possível chamar clássico da música sacra. E o modo contemporâneo, moderno que atrai a juventude e os mais animados. Há um pouco mais de 10 anos fiz uma pesquisa entre pastores e foi possível descobrir a quase inexistência de ministros de música no comando dessa área nas Igrejas que participaram da pesquisa. Foi possível observar o surgimento de outras funções tais como ministro de louvor, líder de adoração etc. A pesquisa também levantava a utilização do hinário oficial da denominação e outros itens. O que se notou nessa amostragem era a tendência para buscar atender as demandas contemporâneas. Isso nos levou a alterar a oferta do curso de música na Faculdade de Teologia diante da queda vertiginosa da procura do curso normal de música sacra. A última turma nova desse curso teve apenas três novas matrículas, enquanto o novo curso, preparado com o apoio de diversos ministros de música na época, teve mais de 30 novos alunos e foi progredindo enquanto eu estive na direção da Faculdade. É notório que existe ainda uma certa temperatura entre manter o estilo clássico e o contemporâneo. Mas tenho notado que em diversas Igrejas tem se conseguido um equilíbrio, de certo modo maduro, com a utilização de diversas estratégias que tem podido atender às diversas necessidades de nosso público adorador. Nossos colegas da área de música poderiam escrever mais sobre isso e demonstrar essas positivas experiências de modo a dar suporte para quem está precisando. Vamos lembrar que a adoração é um ato íntimo, que vem lá do interior de cada um de nós e é resultado de nosso estilo de personalidade, nosso modo de ver a vida, de sentir o relacionamento com Deus, com a espiritualidade e da construção de tudo isso ao longo de nossa trajetória de vida. Aliado a isso temos nossas preferências pessoais em termos de ritmos e sensações, enfim um certo número de variáveis que se somam.

Um dos principais pontos nesse assunto é que pastores, líderes da área de música nas Igrejas precisam levar em conta todos esses detalhes buscando encontrar a melhor equação de modo a levar todos em uma Igreja local a ter alegria, prazer no momento de louvar em adoração a Deus nos cultos. Será necessário ouvir a todos, encontrar caminhos saudáveis para a participação de todos nesse momento importante da vida devocional. Mas, à parte dessa importante discussão, é possível notar o surgimento de diversos movimentos emergentes no meio evangélico aqui em nossa nação, que estão atraindo público considerável, especialmente jovem. Como é uma realidade que está ocorrendo nesse tempo, as análises ainda são provisórias e ainda porosas, mas já é possível destacar pelo menos dois desses movimentos. Chamarei de igreja emergente, mas você poderá entender também como cultura religiosa emergente. Há o que posso chamar de igreja emergente da inclusão, em que, com base na matriz conceitual da Pós-modernidade que tem como um dos seus eixos o indivíduo e sua percepção de mundo, e que se torna, portanto, uma espécie de legislador de sua vida estabelecendo o que é melhor, o que é certo, para suas escolhas, mas também se torna seu próprio juiz para legitimar suas escolhas e experiências. Nesse caso o eixo está em desenhar um tipo de religiosidade e espiritualidade a partir da própria percepção do indivíduo. Então, o que a pessoa sente em relação a Deus é o importante. A Bíblia deixa de ser a revelação de Deus e precisa ser atualizada para, entre outros motivos, atender essa demanda. Se o indivíduo sente que Deus a aceita do modo como ele é, o seu estilo de vida e escolhas, então, isso tem de ser aceito sem qualquer questionamento como algo aprovado por Deus. No futuro vou detalhar mais sobre esse movimento. Há ainda a igreja emergente do consumo do entretenimento que, também, de certo modo, tem como ponto de partida a Pós-modernidade com seu eixo da individualidade. E aqui a Bíblia ainda tem certo valor, especialmente para atender as demandas desse rei-indivíduo como um livro-master de autoajuda. E aqui um pouco de ciência econômica do consumo (um dia vou

falar mais sobre isso – o uso dos princípios da Economia clássica para compreender a religiosidade contemporânea) em que o indivíduo vai procurar a igreja que prega um “deus” que mais lhe forneça recompensa com o menor custo possível. Nessa trajetória entra de presente o “entretenimento gospel” que busca atrair o maior número de seguidores e tornar repleto os auditórios. E é sobre isso que preciso conversar um pouco contigo hoje. Nesse caso é comum notar os “embalos” desses “cultos” (ou seriam shows da fé?), onde é fácil notar a presença de aparelhos injetando fumacinha no palco, músicas com toques ensurdecedores, agitadas por uma espécie de “aeróbica gospel” que criam um cenário estimulador de picos de dopamina viciante. Vamos lembrar que a dopamina é um neurotransmissor que atua como um mensageiro químico no sistema nervoso central, que, além de ser conhecido como um “hormônio do prazer”, estimula a motivação e a antecipação. Ela funciona como açúcar para o cérebro estimulando rápido prazer, mas não dá sustentação para a vida, como ocorre com um chocolate, um sorvete, um refrigerante, e logo você vai querer mais e mais. De um culto nessa modelagem as pessoas saem animadas, estimuladas, mas não alimentadas e transformadas. Já ouvi uma pessoa dizer que, nesse caso, o “adorador” confunde arrepio com unção, barulho com avivamento. Assim, o que deveria ser adoração a Deus está virando show regado por intensa agitação momentânea e vazia de sentido. Se considerarmos o culto que Deus deseja receber (Veja Isaías 1.10-20; 29.13) não necessita de manipulação sensorial, vem de um coração quebrantado, de uma vida colocada no altar de Deus (Romanos 12.1) alimentada pelo propósito de não seguir a cultura dominante e suas tendências, mas da transformação pela renovação da mente (Romanos 12.2) pela Palavra de Deus (II Timóteo 3.16,17). Considerando estes princípios bíblicos aprendemos que o receptor da adoração é Deus, assim, o importante é como ele se sente com a adoração e o louvor que recebe e não necessariamente como nos sentimos ao adorá-lo. Nesse estilo contemporâneo a bus-

ca é com e como nos sentimos e tudo é orquestrado para que você se sinta bem como se tivesse em um show qualquer diante de uma banda famosa em que tudo deve ser feito para agitar seu interior e promover mais ação dopaminérgica viciante. Há cerca de dois mil anos atrás Paulo já previa isso ao mencionar ao jovem pastor Timóteo (II Tm 4.1ss): “virá o tempo em que as pessoas já não escutarão o ensino verdadeiro. Seguirão os próprios desejos e buscarão mestres que lhes digam apenas aquilo que agrada seus ouvidos. Rejeitarão a verdade e correrão atrás de mitos” (NVT). Interessante a expressão “buscarão mestres que lhes digam apenas aquilo que agrada seus ouvidos” que é bem o que ocorre hoje com a dupla “influencers-seguidores” buscando uma identificação que atrai. No fundo, a pessoa começa a depender do estímulo externo para alimentar seu cérebro e emoções para poder sentir Deus ao mesmo estilo do rolar a tela do celular em busca de mais e mais imagens, vídeos e mensagem que estimulam as sensações apenas, mas que, depois de passado aquele tempo de “scrolling” da tela não sobra nada, apenas ilusão e tempo perdido. Quando não tem banda, música agitada, som alto, luz e fumaça, então Deus não está lá no culto, isso é vício dopaminérgico, não é adoração, nem culto. A adoração verdadeira não vem de um show em um palco produzido, mas de um coração que já tem adorado e reconhecido a soberania de Deus nos outros seis dias também. Ao tratar do assunto com a mulher samaritana Jesus apontou para o fato de Deus procurar verdadeiros adoradores que o adorem em espírito e em verdade (João 4.24). E nem houve espaço para tratar de outra tendência, de certo modo até oposta, que é a busca de um lugar tido como sagrado para validar o culto como se fosse uma missa evangélica sacramental. E, então, me diga, como tem sido a sua percepção sobre esse tema? Como você tem desenvolvido a sua vida de adorador? É fruto de dopamina viciante ou de um coração contrito e reconhecedor da soberania de Deus? Fique à vontade para me contar sua percepção: Instagram @lourencosteliorega n


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
OJB EDIÇÃO 02 - ANO 2026 by Jornal Batista - Issuu