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OJB EDIÇÃO 26 - ANO 2026

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ÓRGÃO OFICIAL DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA FUNDADO EM 1901

119 anos de história

Convenção celebra sua trajetória de fé e missão A

Unidade fortalece o avanço da missão batista

Lideranças unem estratégias para alcançar o Sul do Brasil

Missões Mundiais mobiliza ajuda

Notícias do Brasil Batista Notícias do Brasil Batista
Notícias do Brasil Batista
Missões Mundiais

EDITORIAL

Celebrar os 119 anos da Convenção Batista Brasileira é recordar uma história construída por igrejas que decidiram caminhar juntas. Desde 1907, a cooperação tem sido uma das marcas mais preciosas da identidade batista no Brasil. Não como uma estratégia organizacional, mas como uma expressão da compreensão de que a missão de Deus é maior do que qualquer igreja ou liderança isoladamente. Ao longo de mais de um século, essa convicção permitiu que o Evangelho chegasse a cidades, povos e nações. Deu origem às juntas missionárias, fortaleceu a formação teológica, incentivou a educação cristã e aproximou igrejas espalhadas por um país de dimensões continentais. O que une os batistas brasileiros nunca foi apenas uma estrutura. É a mesma fé, o mesmo compromisso com a Palavra de Deus e o mesmo desejo de anunciar Cristo.

A celebração realizada neste mês trouxe um lembrete oportuno para todos nós. A história que recebemos não existe para alimentar sentimentos de superioridade, mas para despertar gratidão e responsabilidade. Somos herdeiros de homens e mulheres que serviram com humildade, enfrentaram limitações, fizeram sacrifícios e confiaram que Deus faria muito mais do que eles próprios poderiam imaginar.

A mensagem baseada na vida de João Batista reforçou esse princípio. A grandeza do servo de Deus não está na visibilidade que conquista, mas na clareza de compreender quem é o verdadeiro protagonista da história. João conhecia sua identidade, reconhecia a origem de sua força e sabia que toda glória pertencia ao Senhor. Essa continua sendo uma lição indispensável para a Convenção Batista Brasileira. Em um tempo em que o mundo valoriza cada vez mais a visibilidade e o reconhecimento, somos lembrados de que nossa razão de existir permanece a mesma. Cooperamos para fortalecer igrejas, servir ao Reino e proclamar o Evangelho de Jesus Cristo. Quando mantemos esse propósito diante de nós, preservamos aquilo que deu origem à Convenção e continuamos honrando o legado recebido.

Celebrar 119 anos, portanto, é muito mais do que olhar para trás. É renovar o compromisso de seguir servindo com fidelidade, unidade e espírito cooperativo. Que os próximos capítulos dessa história sejam escritos com a mesma dependência de Deus que inspirou os pioneiros em 1907.

E que a nossa oração continue sendo a mesma proclamada durante essa celebração: que Cristo cresça. Sempre Ele. Nunca nós. n

O JORNAL BATISTA

Órgão oficial da Convenção Batista

Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso.

Fundado em 10.01.1901

INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189 PUBLICAÇÃO DO

CONSELHO GERAL DA CBB

FUNDADOR

W.E. Entzminger

PRESIDENTE

Raphael H. P. Abdalla

DIRETOR GERAL

Fernando Macedo Brandão

SECRETÁRIO DE REDAÇÃO

Estevão Júlio Cesario Roza

(Reg. Profissional - MTB 0040247/RJ)

CONSELHO EDITORIAL

Francisco Bonato Pereira; Guilherme Gimenez; Othon Ávila; Sandra Natividade

EMAILs

Anúncios e assinaturas: jornalbatista@batistas.com

Colaborações: decom@batistas.com

REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA

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A direção é responsável, perante a lei, por todos os textos publicados. Perante a denominação Batista, as colaborações assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião do Jornal.

DIRETORES HISTÓRICOS

W.E. Entzminger, fundador (1901 a 1919);

A.B. Detter (1904 e 1907); S.L. Watson (1920 a 1925); Theodoro Rodrigues Teixeira (1925 a 1940); Moisés Silveira (1940 a 1946); Almir Gonçalves (1946 a 1964); José dos Reis Pereira (1964 a 1988); Nilson Dimarzio (1988 a 1995) e Salovi Bernardo (1995 a 2002)

INTERINOS HISTÓRICOS

Zacarias Taylor (1904); A.L. Dunstan (1907); Salomão Ginsburg (1913 a 1914); L.T. Hites (1921 a 1922); e A.B. Christie (1923).

ARTE: Oliverartelucas

O que Cristo vê quando ninguém vê

Ordem dos Pastores Batistas do Brasil

Há trabalhos no ministério que ficam sem registro: uma visita ao fim de uma tarde cansada, uma oração silenciosa antes de uma reunião difícil, uma conversa que evitou uma ruptura, um sermão pregado com a alma pesada, um pedido de perdão sem plateia, uma noite em claro por uma ovelha ferida.

Grande parte do pastorado acontece longe da homenagem pública. E talvez seja bom que seja assim. Há uma fidelidade que perde algo de sua beleza quando precisa ser anunciada. O ministério pastoral é vivido diante de Deus antes de ser visto pela igreja.

Por isso, ao encerrar esta série sobre o Dia do Pastor, é preciso olhar além do reconhecimento humano. Ele é justo e necessário, mas não basta. O pastorado precisa de uma esperança mais firme que aplausos, resultados ou estabilidade institucional. Essa esperança tem nome: Cristo, o Supremo Pastor.

Pedro exorta os presbíteros a pastorearem “o rebanho de Deus” e lembra que, “quando se manifestar o Supremo Pastor, vocês receberão a imperecível coroa da glória” (1Pe 5.4). O pastor não trabalha para sustentar uma imagem, mas para permanecer fiel diante de Cristo. A igreja não lhe pertence, a glória não lhe pertence e a recompensa final não virá do reconhecimento humano.

Isso o liberta de duas prisões. A primeira é a necessidade de ser indispensável. Cristo é a esperança da igreja. Foi Ele quem comprou o rebanho com seu sangue e quem sustenta sua igreja pela Palavra, pelo Espírito e pela fidelidade da aliança. A segunda é a do desânimo absoluto. O pastor pode servir com intensidade sem tentar ser o redentor da igreja, amar profundamente sem carregar culpas que não lhe pertencem e descansar na soberania de Cristo.

Jesus declarou: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (Jo 10.11). Antes de qualquer pastor servir, Cristo redimiu. Antes de qualquer líder proteger a igreja, Cristo venceu o pecado, a morte e o juízo. O pastor

cuida porque Cristo primeiro cuidou; persevera porque Cristo ressuscitou.

Uma das dores do ministério é que nem toda fidelidade produz resultados visíveis. Há sermões que parecem cair em solo duro, aconselhamentos rejeitados e frutos que só aparecerão anos depois. No fim da vida, Paulo não apresenta um relatório triunfalista. Ele diz: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé” (2Tm 4.7). Essa é uma palavra necessária aos pastores: guarde a fé, nos tempos de crescimento e de escassez, de reconhecimento e de esquecimento. Há pastores que chegam ao fim de junho agradecidos, mas cansados. A esperança cristã não nega a fadiga; ela a coloca diante de Cristo. O Deus da paz ressuscitou “o grande Pastor das ovelhas” (Hb 13.20). O Cristo ressuscitado continua pastoreando sua igreja.

Pastor, você não serve a um Senhor ausente. O Supremo Pastor vê o que ninguém vê. Conhece cada gesto fiel e também suas falhas. Por isso, sua esperança não está na própria impecabilidade, mas na graça que restaura servos quebrados.

Igreja, honre seus pastores olhando para Cristo. Ore por eles, caminhe ao lado deles, corrija-os biblicamente quando necessário e não espere deles o que somente o Salvador pode oferecer.

O ministério pastoral é vivido entre duas manifestações de Cristo: a primeira já aconteceu, quando o Bom Pastor deu a vida pelas ovelhas; a segunda ainda virá, quando o Supremo Pastor se manifestará em glória. Entre essas duas certezas, pastores pregam, ensinam, choram, recomeçam e perseveram.

Que este Mês do Pastor termine não com a exaltação de homens, mas com a adoração ao Cristo que chama, sustenta, corrige, consola e guarda seus servos. E que, quando o Supremo Pastor se manifestar, a alegria não esteja no tamanho do nome que construímos, mas na fidelidade daquele que nos chamou pelo nome.

Até lá, sigamos pastoreando com os olhos em Cristo. Com temor. Com ternura. Com coragem. Com esperança. n

O

papel do pastor como teólogo público

Marisnede Mendes Batista

OECBB

No segundo domingo do mês de junho, celebramos o Dia do Pastor Batista, uma data especial para homenagear homens chamados por Deus para pastorear o seu povo com amor, dedicação e fidelidade às Escrituras Sagradas. Mais do que líderes religiosos, os pastores exercem um ministério de ensino, cuidado espiritual, aconselhamento e formação cristã na igreja e na sociedade.

Hoje em dia, muitos pastores são vistos principalmente como conselheiros, líderes e até terapeutas motivacionais. Entretanto, o papel essencial do pastor é ser um teólogo que atua como mediador entre Deus e o povo. Com base na descrição dos pastores encontrada nas Escrituras, bem como nos personagens centrais da história da Igreja e da teologia cristã, compreendemos que os pastores possuem o chamado para servir como teólogos públicos em suas congregações e comunidades. Em tempos de tantas mudanças culturais, crises de valores e desafios espirituais, cresce a necessidade de entendermos o pastor como um verdadeiro teólogo público.

O teólogo Kevin J. Vanhoozer destaca, em sua obra O Pastor como Teólogo Público, que o pastor não foi chamado apenas para ocupar um púlpito, mas para interpretar biblicamente a realidade e ajudar a igreja a viver o evangelho de forma prática no mundo.

Ser teólogo público significa levar a Palavra de Deus para além dos muros da igreja, dialogando com os desafios da sociedade à luz da Bíblia. O pastor é alguém que orienta famílias, aconselha vidas, fortalece os abatidos, ensina princípios cristãos e ajuda as pessoas a discernir a vontade de Deus diante dos problemas do dia a dia.

O pastor-teólogo não apenas transmite conhecimento

bíblico, mas também forma discípulos conscientes de sua missão no mundo.

Em tempos de incerteza, o papel do pastor torna-se ainda mais essencial. A seguinte tríade resume de forma significativa a essência do seu ministério:

Esperança contra o medo: apontar para a soberania e o cuidado de Deus, lembrando que ele está no controle mesmo quando as circunstâncias ao redor parecem caóticas.

Verdade em meio ao caos: oferecer o direcionamento sólido das Escrituras, servindo como uma âncora de discernimento e sabedoria em um mundo repleto de desinformação e ideologias passageiras.

Graça em meio à dor: estender o amor, o consolo e o acolhimento de Cristo, criando um ambiente seguro onde os feridos encontrem cura e recomeço. É o equilíbrio entre amor, compaixão e graça que acolhe o ser humano por inteiro.

Portanto, nesta data dedicada ao Pastor Batista, rendemos graças ao Senhor pela vida de cada pastor que serve a Deus com amor, humildade, dedicação e coragem, sendo referência de fé para a igreja e para a sociedade. Que Deus fortaleça seus corações e renove suas forças, para que continuem apascentando as ovelhas e formando líderes comprometidos com a Palavra de Deus, com a igreja e com a transformação da sociedade.

Que nossos pastores continuem sendo instrumentos de Deus, atuando não apenas como pregadores, mas como verdadeiros teólogos públicos, capazes de conectar a verdade eterna das Escrituras às necessidades do nosso tempo.

Referência:

Fonte retirada: https://oecbb.com.br

VANHOOZER, Kevin J; STRACHAN, Owen. O Pastor como Teólogo Público. São Paulo: Vida Nova. n

O Propósito Maior: Encontrando Significado

Além

da Rotina

Fabio Machado do Nascimento

Conselheiro de Embaixadores do Rei, 2º vice-presidente UMHBPC

“Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra.” Atos 1.8 (ACF)

Em nossa jornada diária, é comum buscarmos significado para além da rotina, das responsabilidades familiares e da segurança financeira. Embora essas áreas sejam importantes, muitas vezes percebemos que existe algo mais profundo para ser vivido. Essa inquietação nos leva a refletir sobre o verdadeiro propósito da vida e o legado que estamos construindo.

A Bíblia revela que esse propósito está ligado a uma missão maior, estabelecida por Deus antes mesmo de nossa existência. Não se trata de uma atividade ocasional, mas de um chamado que transforma nossa maneira de viver, trabalhar e nos relacionar. Essa missão não está limitada aos ambientes religiosos; ela se manifesta em nosso cotidiano, como expressão de quem somos em Cristo.

O apóstolo Paulo nos chama de “embaixadores” (2Coríntios 5.20). Assim como um embaixador representa sua nação em terras estrangeiras, somos representantes do Reino de Deus onde quer que estejamos. Nosso trabalho, nossa vizinhança, nossos relacionamentos e nosso lar são campos missionários. Quando compreendemos isso, a vida ganha significado e propósito que nenhuma conquista material pode oferecer.

Jesus nos confiou a Grande Comissão: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28.19). Esse “ide” não significa abandonar a vida comum, mas viver de forma intencional, influenciando pessoas por meio das palavras

e do exemplo. Fazer discípulos envolve ensinar, caminhar junto e demonstrar os valores do Reino. E não estamos sozinhos nessa tarefa, pois Cristo prometeu estar conosco todos os dias.

Para cumprir essa missão, recebemos a capacitação do Espírito Santo. Esse poder não é para nosso conforto pessoal, mas para nos tornar testemunhas eficazes. Ele se manifesta na integridade, na sabedoria, na coragem e na maneira como servimos ao próximo. Muitas vezes, um testemunho silencioso de honestidade, excelência e amor abre portas que palavras sozinhas não conseguiriam abrir. Além disso, Deus nos criou com dons, talentos e vocações específicas. Efésios 2.10 afirma que somos “feitura de Deus, criados em Cristo Jesus para boas obras”. Nossa profissão, habilidades e influência não são acidentais; são instrumentos que Deus nos confiou para servir pessoas e refletir Seu caráter. Seja como profissional, líder, pai, empresário ou artista, cada cristão possui um papel único na realização dos propósitos divinos.

O desafio é olhar para nossos círculos de influência — família, amigos, colegas e vizinhos — e reconhecer as oportunidades diárias de fazer a diferença. Um gesto de serviço, uma palavra de encorajamento, uma escuta atenta ou uma postura ética podem impactar vidas de forma profunda. Quando vivemos com propósito, cada ação se torna uma oportunidade de glorificar a Deus.

A missão é o coração de uma vida verdadeiramente significativa. Quem abraça esse chamado encontra plenitude, alegria e a certeza de que sua existência produz frutos eternos. Não fomos criados para uma vida sem direção, mas para sermos agentes de transformação, luz e sal em um mundo que necessita de esperança. Que nossa vida diária seja uma resposta prática a esse chamado e que, por meio de nós, as pessoas encontrem a mensagem de amor, propósito e salvação que há em Cristo. n

Antes da Convenção: as primeiras sementes batistas em solo brasileiro

Marcelo Santos

Historiador, Cientista da Religião, Escritor, Professor, Pastor da IBG-Igreja Batista da Graça/SP, Autor do livro – O Marco Inicial Batista – Editora Convicção

Ao celebrarmos os 119 anos da Convenção Batista Brasileira, somos convidados a olhar não apenas para sua organização, em 22 de junho de 1907, mas também para as sementes plantadas décadas antes. Nenhuma instituição surge repentinamente. Antes das estruturas e assembleias, existem pessoas movidas por convicções, comunidades dispostas a cooperar e discípulos comprometidos com a expansão do Evangelho.

A história dos batistas no Brasil começou a ganhar forma na segunda metade do século XIX. O país ainda vivia sob o regime monárquico, a escravidão permanecia vigente e a Igreja Católica era a religião oficial. Nesse contexto, imigrantes norte-americanos chegaram à região de Santa Bárbara d’Oeste (SP) após a Guerra Civil Americana, trazendo consigo suas famílias e sua fé.

Em 10 de setembro de 1871, cerca de 27 membros organizaram a Igreja Batista de Santa Bárbara, reconhecida como a primeira Igreja Batista em solo brasileiro. Embora seus cultos fossem realizados em inglês e voltados principalmente aos imigrantes, aquela comunidade representava uma importante semente plantada no país.

Desde o início, a Igreja demonstrou forte visão missionária. Em 1872, enviou um pedido à Junta de Missões Estrangeiras da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, solicitando missionários para evangelizar os brasileiros. O pedido revelava a compreensão de que a fé não deveria permanecer restrita à comunidade de imigrantes.

A Igreja também exerceu influência sobre Antônio Teixeira de Albuquerque, ex-padre católico e primeiro brasileiro batizado por uma Igreja Batista. Sua conversão marcou o início da participação ativa de brasileiros na expansão da obra batista.

A resposta ao pedido missionário chegou em 1881, com a vinda dos missionários William Buck Bagby e Anne Bagby, seguidos por Zacharias Taylor e Kate Taylor. Após um período de adaptação e aprendizado da língua portuguesa, os missionários compreenderam que era necessário desenvolver um trabalho voltado diretamente aos brasileiros.

Ao lado de Antônio Teixeira, decidiram estabelecer-se em Salvador, uma das cidades mais importantes do país. Em 1882, iniciaram ali um trabalho evangelístico marcado por cultos, ensino bíblico e visitas. Apesar das limitações e resistências, perseveraram na missão.

No dia 15 de outubro de 1882 foi organizada a Igreja Batista da Bahia, reconhecida como a primeira Igreja Batista criada com o propósito específico de evangelizar os brasileiros. Se Santa Bárbara foi a primeira Igreja Batista organizada no país, Salvador tornou-se o ponto de partida da expansão missionária nacional.

A partir da Bahia, missionários e convertidos passaram a levar o Evangelho a outras cidades e regiões. Esse crescimento não dependeu apenas de missionários estrangeiros. Desde cedo, brasileiros assumiram responsabilidades, plantaram Igrejas e contribuíram para consolidar um movimento genuinamente nacional.

Os pioneiros batistas também estabeleceram princípios que moldariam a identidade da denominação: a autoridade das Escrituras, a conversão pessoal, o batismo de crentes, a autonomia da Igreja local, a liberdade religiosa e a cooperação voluntária para o cumprimento da missão.

Essas convicções permitiram que as Igrejas permanecessem firmes e compreendessem que, embora autônomas, não deveriam viver isoladas. Compartilhavam a mesma missão e a mesma visão de alcançar o Brasil com o Evangelho. Essa compreensão seria fundamental para o surgimento da Convenção Batista Brasileira anos depois.

Celebrar os 119 anos da CBB é reconhecer esses primeiros passos. Antes da assembleia de 1907, houve uma pequena Igreja em Santa Bárbara, um pedido por missionários, a conversão de Antônio Teixeira, missionários que atravessaram fronteiras e uma Igreja organizada em Salvador com a visão de alcançar o país.

A história da Convenção começou muito antes de receber um nome. Começou quando homens e mulheres compreenderam que o Evangelho precisava ultrapassar barreiras culturais e geográficas. A semente foi plantada. Nos anos seguintes, ela germinaria, alcançaria novas regiões e daria origem à crescente rede de Igrejas batistas que conhecemos hoje. n

Conferência Global Multiplique 2026

A Junta de Missões Nacionais promoverá, entre os dias 3 e 6 de novembro de 2026, em Caldas Novas (GO), a Conferência Global Multiplique 2026, um encontro voltado à capacitação de líderes, ao fortalecimento do discipulado e à mobilização da Igreja para o cumprimento da Grande Comissão.

Com o tema “Forjados: o Ferreiro, o Fogo e a Bigorna”, a conferência propõe uma reflexão sobre o processo de formação daqueles que Deus chama para Sua obra. A programação abordará temas como discipulado, identidade, caráter, desafios ministeriais, capacitação e, principalmente, formação de liderança, incentivando homens e mulheres a investirem na multiplicação de discípulos e no avanço da missão.

Inspirada no texto de 2 Timóteo 2.2, a Conferência Global Multiplique reunirá participantes de diferentes regiões do Brasil para dias de aprendizado, comunhão, troca de experiências e fortalecimento da visão missionária.

As inscrições já estão abertas. Mais informações e inscrições estão disponíveis em missoesnacionais.org. br/multiplique n

Batistas celebram os 119 anos da Convenção Batista Brasileira em culto de gratidão

Culto comemorativo reafirmou a unidade e a cooperação entre os batistas brasileiros.

Comunicação CBB e Jamile Darlen Jornalista JMM

No dia 25 de junho, a Convenção Batista Brasileira celebrou seus 119 anos de história com um culto especial realizado na Capela do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil. O encontro reuniu colaboradores da Convenção Batista Brasileira (CBB), da Junta de Missões Mundiais (JMM), da Junta de Missões Nacionais (JMN) e do Seminário do Sul, além de representantes da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB), da União de Esposas de Pastores Batistas do Brasil, das Mulheres Batistas, da Ordem dos Educadores Cristãos dos Batistas do Brasil (OECBB), da Associação dos Músicos Batistas do Brasil (AMBB), da Juventude Batista Brasileira (JBB), do Colégio Batista Shepard e de diversas Convenções Batistas estaduais, entre elas a Convenção Batista Fluminense, a Convenção Batista Carioca e a Convenção Batista Capixaba. A Diretoria da CBB também esteve representada pelo 2º vice-presidente, Pr. William Menezes, e pela 4ª secretária, Ana Caroline Martins. A grande participação do público lotou a Capela do Seminário, evidenciando a unidade e a cooperação que caracterizam a família batista brasileira.

fidelidade de Deus ao longo dos 119 anos da Convenção e celebrou a presença de uma nova geração comprometida com a continuidade da missão.

A mensagem da Palavra foi ministrada pelo presidente da CBB, Pr. Raphael P. H. Abdalla, com base em João 3.26-31. Em sua reflexão, destacou que a identidade dos batistas deve permanecer centrada em Cristo, lembrando que toda honra, toda glória e todo crescimento pertencem exclusivamente ao Senhor. Ao concluir, desafiou a Convenção Batista Brasileira a seguir honrando sua história sem perder de vista seu propósito maior: viver para que Cristo cresça e o Evangelho continue sendo proclamado por meio da cooperação entre as igrejas batistas brasileiras. n

Presidentes e diretores-executivos unidos em prol da missão
Pr. Fausto Aguiar de Vasconcellos, ex-presidente da CBB, e Pr. Fernando Brandão, diretor-executivo
Coral Sons da Colina
Presidente Pr. Raphael H. P. Abdalla

NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

Cooperação fortalece a missão e marca a história da Convenção Batista Brasileira

Ao celebrar seus 119 anos, CBB reafirma o compromisso com a cooperação entre as igrejas para o avanço do Evangelho.

Comunicação CBB e Jamile Darlen

Jornalista JMM

A cooperação tem sido um dos fundamentos da Convenção Batista Brasileira desde sua organização, em 1907. Foi com esse propósito que os mensageiros reunidos em Salvador (BA) decidiram fortalecer o trabalho conjunto das igrejas batistas, dando origem à Convenção Batista Brasileira e às juntas missionárias, estabelecendo um modelo de atuação baseado na unidade em torno da missão.

Durante a celebração dos 119 anos da CBB, o diretor-executivo, Pr. Fernando Brandão, relembrou a histórica semana de 22 a 27 de junho de 1907, destacando que a organização da Convenção Batista Brasileira, da Junta de Missões Nacionais e da Junta de Missões Mundiais nasceu da convicção de que a cooperação entre as igrejas fortaleceria a proclamação do Evangelho.

Ao longo de mais de um século, esse modelo cooperativo tem possibilitado o desenvolvimento de ações missionárias, a formação de líderes, o fortalecimento da educação cristã e o apoio às igrejas em diferentes regiões do Brasil. A atuação conjunta também tem ampliado a presença dos batistas brasileiros em projetos missionários e ministeriais dentro e fora do país.

Ao recordar essa trajetória, a celebração dos 119 anos evidenciou que a cooperação permanece como uma das principais marcas da identidade batista. Mais do que um modelo organizacional, ela representa o compromisso das igrejas em servir de forma conjunta, somando esforços para cumprir a missão de proclamar o Evangelho e fortalecer o testemunho batista nas diferentes frentes de atuação. n

Pr. Fernando Brandão realiza a leitura da Ata Oficial da Convenção Batista Brasileira durante a celebração

Lideranças batistas do Sul do Brasil fortalecem cooperação missionária em encontro do EvangeSul

Momento de reflexão, comunhão e definição de prioridades para a obra batista na região.

Comunicação CBB

Fórum realizado em Curitiba (PR) reuniu representantes das Convenções Batistas da região, da Junta de Missões Nacionais e da Convenção Batista Brasileira para alinhar estratégias e projetar o avanço da obra missionária.

As lideranças das Convenções Batistas do Paraná, Santa Catarina, Pioneira e Rio Grande do Sul, juntamente com representantes da Junta de Missões Nacionais e da Convenção Batista Brasileira (CBB), participaram de um encontro em Curitiba (PR) voltado à reflexão, ao planejamento estratégico e ao fortalecimento da cooperação missionária na região Sul do país.

Realizado no contexto do EvangeSul, o fórum reuniu líderes denominacionais para compartilhar desafios, alinhar ações e projetar iniciativas que contribuam para a expansão do Evangelho nos estados da região. O encontro reafirmou o compromisso conjunto com o plantio e a revitalização de igrejas, a formação de líderes e o fortalecimento da presença missionária em áreas estratégicas do Sul do Brasil.

Convenções Batistas do Sul e Junta de Missões Nacionais unidas pelo avanço da missão

Durante as reuniões, os participantes destacaram as oportunidades missionárias existentes na região e refletiram sobre caminhos para ampliar o alcance da mensagem de Cristo. A cooperação entre as Convenções e organizações batistas foi apontada como elemento fundamental para o avanço da obra e para o desenvolvimento de ações que atendam às demandas espirituais e sociais da população.

Líderes denominacionais compartilham desafios e projetam iniciativas para a região

eficaz quando realizada de forma cooperativa.

Além dos momentos de planejamento, o encontro foi marcado pela comunhão, oração e compartilhamento de experiências ministeriais. Os líderes reafirmaram a importância da unidade denominacional e da parceria entre igrejas e organizações, reconhecendo que a missão se torna mais

Ao final do fórum, foi renovado o compromisso de continuar investindo em iniciativas que fortaleçam a presença batista na região Sul, bem como o convite para que as igrejas intercedam pelos projetos missionários em andamento, pelos líderes envolvidos e pelas vidas que ainda precisam ser alcançadas pelo Evangelho de Jesus Cristo.

O encontro reforçou a convicção de que Deus continua abrindo portas para a proclamação das Boas-Novas no Sul do Brasil, despertando igrejas e líderes para uma atuação cada vez mais intencional e comprometida com a missão. n

Há 119 anos, uma história come çou a ser escrita.

Não apenas a história de uma organização missionária.

A história de pessoas que deci diram dizer “sim” ao chamado de Deus.

Pessoas que oraram quando nin guém estava vendo.

Que ofertaram mesmo quando parecia pouco.

Que atravessaram cidades, países e oceanos para anunciar o Evangelho.

Que abriram as portas de suas igrejas para mobilizar outros.

Que sustentaram missionários, acolheram vocacionados e acreditaram que todos os povos mereciam ouvir falar de Jesus.

119 anos com você, completando a missão

Foi assim que, em 1907, nasceu a Junta de Missões Estrangeiras, hoje Junta de Missões Mundiais. Desde então, geração após geração, Deus tem levantado homens, mulheres, jovens e crianças para participar daquilo que Ele está fazendo entre as nações.

O que começou com o sonho de alcançar povos além das fronteiras do Brasil tornou-se uma obra que hoje está presente em 97 países, com 2.510 missionários anunciando o Evangelho em diferentes culturas e contextos.

Mas a missão não é construída apenas por quem está no campo.

Ela também é construída por quem dobra os joelhos antes do café da manhã. Por quem separa parte da sua oferta para missões. Por quem organiza um culto missionário na igreja. Por quem ensina uma criança a amar os povos. Por quem responde ao chamado para servir. Por quem permanece fiel ano após ano.

É por isso que, ao celebrar 119 anos, comemoramos muito mais do que uma trajetória institucional.

E essa história continua sendo escrita. Enquanto celebramos os 119 anos de Missões Mundiais, nossos missionários seguem servindo onde há necessidade. Quando um povo clama, a Igreja se levanta. É assim também na Venezuela, a campanha A Resposta Venezuela está mobilizando recur-

sos para o envio de uma caravana do Voluntários Sem Fronteiras, que levará alimentos, medicamentos e atendimento médico às vítimas do terremoto. Você também pode fazer parte dessa resposta. As ofertas podem ser enviadas pelo PIX (e-mail) venezuela@doeagora.com ou pelo site missoesmundiais.colabore.org/ respostavenezuela

Porque, há 119 anos, a missão continua sendo escrita por pessoas que transformam fé, compaixão e generosidade em esperança. Obrigado por fazer parte dessa história.

Missões Mundiais, há 119 anos com você, completando a missão. n

75ª Assembleia da Convenção Batista Sergipana

O encontro celebrou unidade, missão e esperança

Assembleia reuniu batistas sergipanos em torno da unidade, da missão e da esperança.

Comunicação CBB

Presidente da CBS, Carlos Alberto Carvalho Silva, destacou a fidelidade de Deus ao longo da história do trabalho batista no estado e desafiou as igrejas a solidificarem a identidade bíblica e missionária

Reunindo mensageiros e líderes de diversas regiões, a Convenção Batista Sergipana (CBS) realizou a sua 75ª Assembleia Geral Ordinária na cidade de Canindé de São Francisco - SE (de 18 a 20 de junho de 2026), tendo como sede as dependências da Primeira Igreja Batista de Canindé. Sob o tema inspirador “Por Cristo Anunciando a Esperança”, fundamentado no texto bíblico de Romanos 15:13, o evento celebrou marcos históricos e projetou o avanço do Evangelho em solo sergipano.

Na palavra oficial de abertura, o presidente da CBS, Carlos Alberto Carvalho Silva, expressou profunda gratidão ao Senhor e ressaltou o significado do encontro: “Este momento representa não apenas um encontro administrativo de nossas igrejas, mas também a celebração da fidelidade de Deus ao longo da história do trabalho batista em nosso estado”. Em sua reflexão, ele conclamou o povo batista a fortalecer a unidade: “Precisamos permanecer unidos em torno do Evangelho de Cristo, preservando a verdade da Palavra e proclamando-a com amor, coragem e fidelidade às futuras gerações”.

A programação contou com uma série de sessões inspirativas e deliberativas. A recepção inicial e as boas-vindas oficiais aos convencionais foram conduzidas pelo pastor Ederson Lents, líder da PIB em Canindé, com resposta proferida pelo vice-presidente da CBS, pastor Christian Almeida, da Igreja Batista da Esperança em Aracaju. Grandes momentos de proclamação da Palavra marcaram o evento, com mensagens trazidas pelo pastor Benilton Custódio Filho, presidente da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB-DF), e pelo pastor Messias Lira, coordenador de Missões Nordeste da JMN/CBB.

O grande destaque da segunda noite do evento (4ª sessão) foi o momento voltado ao despertamento e à mobiliza-

seguinte, a juventude também teve papel de destaque com a celebração promovida pela JUBASE, foi uma noite recheada de animação e reverência além de contar com a mensagem do irmão e missionário Rafael Belmon da PIB em Aquidabã. Além de contarmos com a voz e talento do cantor Wesley Santos.

Além do forte caráter espiritual, a assembleia cumpriu uma robusta agenda administrativa. Foram apresentados e homologados os relatórios da mesa diretora da CBS, do Conselho Fiscal, do Seminário Teológico Batista (SETEBASE), além de relatórios de organizações internas vitais como a Associação de Esposas de Pastores, a Ordem dos Educadores Cristãos, o colégio Americano Batista (CAB) e a Associação dos Músicos Batistas de Sergipe (AMBSE), que também liderou os períodos de louvor.

Ao encerrar os trabalhos, as igrejas foram oficialmente convocadas para a 76ª Assembleia Anual, agendada para ocorrer na Igreja Batista Sol Nascente, sob a liderança do pastor Williams Prata de Jesus. n

Comunhão e cooperação marcaram a 75ª Assembleia
Lideranças reunidas
A Assembleia teve como sede a Primeira Igreja Batista de Canindé

NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

Lourenço Stelio Rega celebra 49 anos de ministério pastoral

Pastor, educador e colaborador de O Jornal Batista mantém atuação no ensino e na missão.

Lourenço Stelio Rega

O pastor Lourenço Stelio Rega, um dos mais antigos colaboradores de O Jornal Batista, celebra neste 26 de junho 49 anos de ministério pastoral. A data remete ao culto de consagração realizado em 26 de junho de 1977, promovido pela Primeira Igreja Batista de Suzano (SP), sob a liderança do pastor Raini Raimundo Peterlevitz, tendo como orador oficial o pastor Irland Pereira de Azevedo.

Na ocasião, Lourenço Stelio Rega foi encaminhado pela Primeira Igreja Batista de Suzano e pela Primeira Igreja Batista de São Paulo para assumir o pastorado da Primeira Igreja Batista de Itatiba, que contava com 21 membros. Após um ano de ministério, a igreja já havia alcançado 45 membros.

Além da celebração dos 49 anos de ministério pastoral, o pastor também comemorou, em março deste ano, 50 anos de magistério teológico.

Ao longo dessa trajetória, acumulou experiências de crescimento e aprendizado nas igrejas locais, na educação teológica e na vida institucional. Ingressou na Faculdade Teológica Batista de São Paulo em agosto de 1978 como professor, onde permaneceu até dezembro de 2020. Durante esse período, exerceu por 24 anos a função de diretor-geral da instituição. Atualmente, é professor de Ética na FABAPAR, no Paraná, atua em projetos especiais na Faculdade Teológica Sul Americana, em Londrina (PR), e continua contribuindo com a formação de líderes.

Na vida denominacional, exerceu diversas funções e também desenvolveu relevante atuação na esfera pública. Foi

voluntário em cargos de governança na Sociedade Bíblica por mais de 40 anos, publicou cerca de 400 artigos em O Jornal Batista, além de textos na Revista Comunhão, em veículos não religiosos e em outras publicações. Também é autor de diversos livros.

Sua contribuição estendeu-se ainda à educação brasileira, participando de ações junto ao Conselho Nacional de Educação (MEC) em favor da regulamentação da educação teológica no Brasil. Atualmente, atua como um dos avaliadores do MEC/INEP para os cursos de Teologia e Filosofia.

A celebração deste ano coincide com o centenário da Primeira Igreja Batista de Suzano, comunidade que marcou o início de sua caminhada ministerial e que também disponibilizou importantes líderes para a Convenção Batista Brasileira, como Nancy Dusilek, Loyde, esposa do pastor Laurindo, além do próprio Lourenço Stelio Rega e de sua esposa, Givanilda. Atualmente, Lourenço Stelio Rega e Givanilda servem como missionários da SEPAL por meio do ministério Cristãos Sem Fronteiras, iniciativa criada para apoiar igrejas, pastores, líderes, profissionais e irmãos em geral, incentivando-os a viver os ideais cristãos na vida pública durante os outros seis dias da semana, como sal e luz, em total dependência do Espírito Santo para fortalecer e guiar suas vidas.

Ao celebrar os 49 anos de ministério pastoral, o pastor expressa gratidão a Deus pela parceria da esposa, Givanilda, pela alegria de ver a família construindo sua história com filhos, noras, neto e netas, e pelo privilégio de servir ao Senhor ao lado de tantos colegas, parceiros de ministério e irmãos que o incentivaram ao longo dessa caminhada. n

Pastor Lourenço e sua esposa Givanilda

O Deus perdoador 2 Coríntios 5.14-21

FÉ PARA HOJE

Vivemos num mundo marcado pelo ódio, pela lacração, pelos ressentimentos, pela raiva, pelas inimizades, disputas, traições, desconstruções, maldades. O homem ímpio não conhece o autêntico perdão que vem de Deus. Sabemos que há muitas pessoas que não perdoam. Que não sabem conviver com os que pensam diferente. Não toleram os erros do próximo, mesmo quando se pede perdão.

Temos um Deus perdoador, que tomou a iniciativa da reconciliação. Ele é o Deus reconciliador. Deus de perfeito amor. Na verdade, Deus é amor, faz parte da Sua natureza (1 João 4.8).

O Brasil está dividido pelo ódio na política, pela falta de diálogo, pela não aceitação do contraditório, mergulhado em amarguras e ressentimentos. As famílias são atingidas pelo veneno do ódio, da inimizade e incompreensão.

Nesta exposição, vamos conversar um pouco sobre o Deus perdoador e as suas implicações.

O DEUS PERDOADOR É AQUELE QUE NOS FEZ MORRER COM CRISTO JESUS, vv.14-16.

O amor de Cristo nos controla – somos servos do Senhor e discípulos do Mestre; Em Cristo a velha natureza foi crucificada, morta e ressurgiu a nova natureza, a divina (Gálatas 2.20; Romanos 6.1-11). Agora somos do Senhor por direito de criação e de redenção. Os que estão em Cristo Jesus são filhos do nosso Abba, nosso paizinho amado.

A Sua graça nos alcançou, aceitou, perdoou e salvou; essa graça nos santifica no Espírito Santo.

Agora, não vivemos mais para nós, mas para Aquele que foi crucificado, morto e ressurreto por nós, v.15.

O nosso conhecimento de Cristo era religioso, natural, mas agora é espiritual, v.16. Antes da sua conversão, Paulo considerava Cristo apenas um homem (Ryrie). Depois, o Messias encarnado, único Salvador e Senhor (Filipenses 2.5-11).

O DEUS PERDOADOR É AQUELE QUE NOS FEZ

NASCER DE NOVO EM CRISTO JESUS, v.17.

A velha natureza não mais domina os filhos de Deus. Agora, a nova natureza, a de Cristo ou do Cordeiro que controla nossas vidas (Colossenses 1.27; 3.11). É o Saulo transformado em Paulo. O religioso, legalista num cristão autêntico, amoroso, perdoador. Os rabinos usavam a expressão “nova criatura” para descrever aqueles cujos pecados foram perdoados. Não há aqui a ideia de mudança do passado da pessoa, mas, sim, mudança de sua posição (natureza) em relação a Deus e ao mundo.

Agora, as coisas velhas, os ranços, a murmuração, ingratidão, a vida dominada pela carne, natureza de Adão, os

vícios, a maledicência e toda a sorte de erro não mais são preponderantes em nós.

Em Cristo Jesus fomos aceitos, perdoados, restaurados, fortalecidos, encorajados. “Eis que tudo se fez novo”, ou seja, experimentamos os resultados permanentes da nova vida em Cristo”. A graça de Deus não apenas justifica, mas também transforma em nova criação, o que resulta num estilo de vida transformado (v.15).

O DEUS

PERDOADOR É AQUELE QUE NOS RECONCILIOU CONSIGO MESMO POR MEIO DE CRISTO JESUS, vv.18-21.

Agora reconciliados com Deus, nascidos de novo, recebemos o ministério da reconciliação e, como Seus filhos, somos embaixadores de Cristo Jesus. Reconciliar, ou seja, efetuar uma mudança completa. A morte de Cristo removeu a inimizade de Deus contra o homem (Ryrie).

O nosso chamado ou a nossa vocação vem de Deus por meio de e para Cristo Jesus. A reconciliação envolve uma mudança de relacionamento, pois nossos pecados já não são imputados contra nós (v.19). Podemos destacar aqui os três tempos da salvação: fui salvo da condenação do pecado (justificação) ; estou sendo salvo do domínio do pecado (santificação); e serei salvo da presença do pecado (glorificação). No v.20, Paulo traz para si a condição de embaixador de Cristo. O que faz um embaixador do Reino de Deus? Ele deve possuir qualificações espirituais e morais. Como representante idôneo, seus relacionamentos devem ser qualificados. Ele deve promover os interesses do país que representa. No v.21, temos o coração do Evangelho: o Salvador sem pecado assumiu os nossos pecados, levou a nossa culpa sobre si, para que possamos ter a justiça de Deus. Fomos justificados por Deus através do Salvador Jesus Cristo (Romanos 5.1-2). O nosso Deus é o Deus perdoador em Cristo Jesus. Isto é simplesmente maravilhoso e prazeroso em nossa experiência. Brennan Manning nos faz uma pergunta pertinente: “Que acontece quando pecamos e fracassamos [...] quando a vida está caindo aos pedaços?” Aqui nos lembramos da parábola do filho pródigo contada por Jesus. (Lucas 15.11-32).

Podemos perceber claramente que Deus é quem tomou a iniciativa de promover a nossa reconciliação com Ele. Éramos seus inimigos, agora somos Seus amigos. Estávamos longe, mas agora estamos perto. Estávamos mortos em nossos delitos e pecados, mas agora estamos vivos por Seu perdão em Cristo Jesus, o suficiente Redentor. Aprendemos que o Deus perdoador é Aquele que nos fez morrer, a nossa velha natureza com Cristo na cruz; que nos fez nascer de novo, ser regenerados; que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo Jesus.

Portanto, nada, absolutamente nada, nos poderá separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Romanos 8.38-39). n

Filhos para César ou filhos para Deus?

Vânia Santos de Paula Texto retirado site: https://oecbb.com.br/filhos-para-cesar-oufilhos-para-deus/

Ao ouvir uma mensagem do Pr. Voddie Baucham Jr., uma frase me chamou profundamente a atenção: “Não podemos continuar mandando nossos filhos a César para serem educados e ficarmos surpresos quando voltam para casa como romanos.”

Essa afirmação incomoda porque revela uma realidade que muitas famílias cristãs enfrentam: a formação espiritual dos filhos está sendo disputada todos os dias. A questão não é apenas como educá-los, mas principalmente: para quem estamos educando nossos filhos?

“César” representa tudo aquilo que busca moldar silenciosamente a mente e o coração das novas gerações: a cultura dominante, as ideologias, o sucesso acima de tudo e sistemas que frequentemente ignoram os valores do Reino de Deus. Sua influência nem sempre é explícita, mas é constante.

Em contraste, Deus chama os pais a formarem filhos com caráter cristão, firmados na Palavra e preparados para viver com discernimento em um mundo que, muitas vezes, caminha na direção oposta. O objetivo não é apenas prepará-los para uma profissão, mas para uma vida de fidelidade ao Senhor.

Esse desafio não é novo. Desde os tempos bíblicos, o povo de Deus vive cercado por culturas diferentes de sua fé. Jesus orou ao Pai: “Não rogo que os tires do mundo, mas que

os guardes do Maligno... Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17.15,17). O chamado nunca foi fugir do mundo, mas viver nele sem pertencer aos seus valores. Por isso, a formação espiritual exige intencionalidade. Ela começa no lar. A igreja coopera, mas não substitui a responsabilidade dos pais. Ensinar a fé envolve leitura da Bíblia, oração, diálogo e, principalmente, exemplo. Filhos aprendem muito mais observando a vida dos pais do que ouvindo seus discursos.

Também é importante compreender que formar não significa isolar. Nossos filhos precisam estar preparados para enfrentar os desafios da sociedade com discernimento, identidade e firmeza, sendo luz onde Deus os colocar.

Além disso, educar para Deus é um projeto de longo prazo. Não busca apenas resultados imediatos, mas a construção de uma fé que permaneça por toda a vida. Esse investimento acontece diariamente, nas conversas, nas escolhas, nos valores transmitidos e na maneira como vivemos nossa própria fé.

Ao final, permanece uma pergunta que merece nossa reflexão: estamos formando nossos filhos apenas para se adaptarem ao sistema ou para viverem como discípulos de Cristo, capazes de influenciar o mundo sem serem moldados por ele?

A resposta não está apenas no que dizemos, mas no que fazemos todos os dias. Afinal, os filhos são formados pela convivência, pela presença e pelo exemplo. E a direção dessa formação fará toda a diferença: estamos conduzindo nossos filhos para César ou para Deus? n

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