ANO CXIX EDIÇÃO 41 DOMINGO, 11.10.2020
R$ 3.20 ISSN 1679-0189 ÓRGÃO OFICIAL DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA
FUNDADO EM 1901
O Reino dos Céus é delas
“Então disse Jesus: “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas” (Mateus 19.14).
11 de outubro (segundo domingo do mês) - Dia da Criança Batista 12 de outubro - Dia das Crianças Notícias do Brasil Batista
Missões Mundiais
Notícias do Brasil Batista
Notícias do Brasil Batista
Desde a infância
Liberto da prisão
Proteção à infância
Uma família
UFMBB fala da importância da organização Amigos de Missões
Menino que nasceu em prisão na República da Guiné vai para orfanato
Voz Batista, da CB de Pernambuco, tratou do assunto durante o mês de setembro
Lar Batista no Espírito Santo celebra aniversário de 71 anos
págs. 08 e 09
pág. 11
pág. 12
pág. 13
2
REFLEXÃO
O JORNAL BATISTA Domingo, 11/10/20
EDITORIAL
Vulneráveis à voz do Senhor “Então disse Jesus: “Deixem vir a profunda e nos faz refletir sobre muitas mim as crianças e não as impeçam; pois questões. o Reino dos céus pertence aos que são Além do que ouvimos falar sobre semelhantes a elas” (Mt 19.14). este versículo, antes de começar a digitar essas palavras pensei na palavra Algo que reparei, enquanto estava no vulnerabilidade. Criança é vulnerável, processo de edição dos textos para esta não é mesmo? E durante esse período edição de O Jornal Batista, foi o número de isolamento social foi assim que fide vezes em que o texto acima foi citado camos, vulneráveis. Ninguém, absoluem artigos. Quatro vezes. Agora, com a tamente ninguém estava (está) livre da minha colaboração, cinco. Sim, sabemos COVID-19. Claro que fazemos a nossa que é um texto clássico quando o assun- parte, respeitando todas as regras etc, to é crianças. Mesmo assim, como toda mas, mesmo assim, não estamos ilesos. a Palavra, esta palavra de Jesus é bem Estamos vulneráveis.
Acredito que devemos ser como as crianças. Vulnerável no sentido de permitir que o Senhor transforme as nossas vidas diariamente, vulneráveis à voz do Senhor. O profeta Samuel, ainda menino, foi vulnerável ao falar do Senhor: “Então veio o Senhor, e pôs-se ali, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel. E disse Samuel: Fala, porque o teu servo ouve” (I Sm 3.10). Quando abrimos o coração, o Senhor fala conosco, transforma a nossa vida. Que sejamos cada vez mais sensí-
veis ao toque do Senhor; que a nossa busca por santidade e intimidade seja constante. São passos para sermos como crianças perante o Senhor. Nosso desejo, mais uma vez, é que os textos desta edição edifiquem a sua vida e lhe faça refletir. Que as notícias do que tem acontecido em nossa denominação te inspire a fazer cada vez mais em prol do Reino. Que Deus te abençoe! n Estevão Júlio
secretário de redação de OJB
( ) Impresso - 120,00 ( ) Digital - 50,00
O JORNAL BATISTA Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso. Fundado em 10.01.1901
SECRETÁRIO DE REDAÇÃO Estevão Júlio Cesario Roza (Reg. Profissional - MTB 0040247/RJ) CONSELHO EDITORIAL Francisco Bonato Pereira; Guilherme Gimenez; Othon Ávila; Sandra Natividade
INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189 PUBLICAÇÃO DO CONSELHO GERAL DA CBB
EMAILs Anúncios e assinaturas: jornalbatista@batistas.com Colaborações: decom@batistas.com
FUNDADOR W.E. Entzminger PRESIDENTE Fausto Aguiar de Vasconcelos DIRETOR GERAL Sócrates Oliveira de Souza
REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA Caixa Postal 13334 CEP 20270-972 Rio de Janeiro - RJ Tel/Fax: (21) 2157-5557
Fax: (21) 2157-5560 Site: www.convencaobatista.com.br A direção é responsável, perante a lei, por todos os textos publicados. Perante a denominação Batista, as colaborações assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião do Jornal. DIRETORES HISTÓRICOS W.E. Entzminger, fundador (1901 a 1919); A.B. Detter (1904 e 1907); S.L. Watson (1920 a 1925); Theodoro Rodrigues Teixeira (1925 a 1940);
Moisés Silveira (1940 a 1946); Almir Gonçalves (1946 a 1964); José dos Reis Pereira (1964 a 1988); Nilson Dimarzio (1988 a 1995) e Salovi Bernardo (1995 a 2002) INTERINOS HISTÓRICOS Zacarias Taylor (1904); A.L. Dunstan (1907); Salomão Ginsburg (1913 a 1914); L.T. Hites (1921 a 1922); e A.B. Christie (1923). ARTE: Oliverartelucas IMPRESSÃO: Folha Dirigida
REFLEXÃO
O JORNAL BATISTA Domingo, 11/10/20
3
Ação divina x ação humana Pr. Julio Oliveira Sanches Fica bem claro, no estudo da Bíblia, que Deus não realiza aquilo que o homem pode e deve realizar. Deus não interfere nas decisões que são exclusivas das ações humanas. Tal assertiva leva-nos a refletir até onde Deus atua e até onde a responsabilidade humana precisa assumir o seu papel. A compreensão desta verdade bíblica vai oferecer subsídios as nossas orações. Às vezes pedimos a Deus para realizar ou atuar em situações que são de exclusividade humana. A única oração cabível neste momento e em tal situação é a que busca por sabedoria para agir da melhor maneira possível. Duas vezes, Deus disse a Jeremias não mais orar pelo povo escolhido (Jeremias 7.16 e 11.14). Deus fez tudo pelo povo e este não se preocupou em responder aos apelos divinos. Não era a oração do profeta que impediria o cativeiro que viria, mas o sincero arrependimento do povo, que não ocorreu.
Quando o povo de Israel se deparou com o Mar Vermelho e o exército de Faraó a persegui-lo, Moisés e o povo começaram a clamar a Deus por livramento. A orientação divina foi que o povo continuasse a marchar. A parte que cabia ao povo era seguir em frente. O mar e o Faraó eram problemas de Deus. Ao povo, não cabia abrir o mar ou lutar contra os egípcios. Mas sim seguir marchando. O mar foi aberto por Deus e o exército de Faraó afogado. Uma era a parte humana outra a de Deus. Assim foi por toda caminhada pelo deserto. Cabia a Moisés falar à rocha. A Deus cabia fazer sair água da pedra. A Deus coube fazer chover o maná durante 40 anos a cada manhã. Ao povo cabia acordar cedo e colhê-lo. O povo não tinha poder para trazer maná dos Céus. Isto pertencia a Deus. O Senhor não foi colher maná para os retardatários. Acordou tarde! Perdeu a comida do dia. Tampouco cabia a Deus colocar a panela ao lume para cozinhá-lo. Isto era ação humana.
Nas multiplicações dos pães, aos discípulos cabia encontrar o pão. A Jesus multiplicá-lo. Jesus não distribuiu pão ao povo. Os discípulos podiam fazer isto e fizeram com alegria e assombro. Aos discípulos não foi dado o poder de multiplicar pão. Isto era ação de Jesus. Desejamos que a Igreja cresça e que o Espírito Santo convença os pecadores. A parte humana está inserida no Ide de Jesus. No testemunho do salvo. Ao salvo compete evangelizar e convidar pessoas para virem a Cristo. Ao Espírito Santo cabe tocar no coração do pecador e convencê-lo do seu pecado. Preguiçosos, desejamos que Deus faça a nossa parte, mesmo quando o testemunho que damos laborará e impedirá a ação do Espírito na vida do pecador. A parte divina o Senhor cumpre. Mas, a nossa obrigação, que é só nossa e de mais ninguém, não cumprimos. E ainda reclamamos dos resultados. Educar e evangelizar os filhos é responsabilidade exclusiva dos pais. Orar
para que a semente que plantamos germine é nosso dever. Fazê-la germinar é obra do Espírito Santo. Onde não há semente, não há terreno para a ação divina. Amar e respeitar o meu cônjuge é minha responsabilidade. Cumpro o mandamento divino (Ef 5.25). Abençoar este amor cabe a Deus fazê-lo. Ele o faz com alegria. Não transfira para Deus suas responsabilidades. Não tente realizar o que só a Deus pertence realizar. A inversão dos papéis gera confusão e tristeza. Acordar de manhã no domingo e ir ao templo adorar a Deus é responsabilidade minha. Aceitar a minha adoração e responder aos meus atos de culto cabe a Deus fazê-lo. Inventar desculpas para me ausentar dos cultos e não participar da causa de Cristo é obra do diabo. Deus nada tem a ver com as minhas mentiras e negligências espirituais. O Senhor sempre cumpre a parte dele. Os salvos nem sempre estão dispostos a cumprir a sua parte. Culpar a Deus por nossas mazelas é pecado. n
Criança não dá dízimo! Carlos Costa Magalhães
pastor na Igreja Batista de Nova Cintra, em Santos - SP
Pode parecer uma afirmação que lhe cause alguma revolta, ou até mesmo pode lhe parecer uma afirmação comum. Tudo depende da forma como você olha para cada criança; se apenas como uma isca para “fisgar” os pais, ou apenas como um trabalho para “movimentar” a Igreja e conseguir convencer os membros a ofertarem. O fato é que desde que me converti tenho contato com o trabalho com crianças e já ouvi de tudo, mas a frase que mais me marcou foi essa: “Criança não dá dízimo!” Ouvi isso durante uma conversa onde
compartilhava sobre quantas coisas poderíamos fazer para alcançar ainda mais crianças com a mensagem do Evangelho. Confesso que demorei algum tempo para me reanimar após essa colocação. Passados alguns anos percebo que essa frase está na mentalidade de muitas pessoas e dita de outras formas, as mais diversas possíveis. O fato é que temos preferido remediar do que prevenir. Gosto do lema dos Embaixadores do Rei: “Construindo meninos para não remendar homens”. Penso que esse deve ser o caminho, precisamos “construir” meninos e meninas a partir da mensagem do Evangelho da Graça de Deus, pois, dessa forma não
teremos que “consertá-los” no futuro. Hoje temos muito esforço concentrado para “consertar” meninos e meninas que não investimos nenhum esforço para “construir”, logo, o mundo, a carne e o Diabo construíram e nos resta agora tentar “consertar”. Quando vejo a quantidade de filhos de cristãos que se perdem no mundo, penso na qualidade do que ensinamos para eles enquanto crianças em nossas Igrejas; penso em como usamos a famosa “salinha” como mero entretenimento para que as crianças não atrapalhem o culto e os pais possam cultuar, quando deveríamos levar cada criança a cultuar a Deus, a reconhecerem Jesus como Senhor de suas vidas!
Mas isso demanda investir na vida de cada irmão que responde ao chamado de ministrar para as crianças, significa estruturar nossas Igrejas para que as crianças possam cultuar a Deus. Mas voltamos ao início da nossa conversa, quando pensamos nessas coisas, afinal, criança não dá dízimo! Pensemos mais nas palavras de Jesus: “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam” (Mt 19.14b); pensemos também se não estamos fazendo o papel dos discípulos que repreendiam os que traziam as crianças até Jesus. Que Deus nos desperte para investirmos mais tempo construindo e dessa forma investiremos menos tempo consertando! n
4
REFLEXÃO
O JORNAL BATISTA Domingo, 11/10/20
Olavo Feijó
pastor & professor de Psicologia
Contando a história da É na infância que libertação aos nossos filhos se aprende
Jeferson Cristianini
pastor, colaborador de OJB
Na tradição judaico-cristã, os pais possuem a responsabilidade de transmitir a fé a seus filhos, visando a continuidade na crença em Deus nas próximas gerações. É uma forma de investir nos filhos e nas próximas gerações. Essa missão sempre esteve na conta dos pais e não pode ser terceirizada, como tem sido em nossos dias. São os pais, no convívio familiar, que devem falar das obras de Deus e levar os filhos a observarem a devoção dos pais e serem influenciados, desde a tenra idade, a adorar ao único Deus. Sabemos que os filhos (as) são herança do Senhor e que nós, pais, precisamos criá-los na disciplina e na admoestação do Senhor (cf. Sl 127.3/ Ef 6.4). Michele Anthony, em seu livro “Espiritualidade em família”, diz assim: “Os filhos são um dom precioso vindo de Deus e carregam um sinal indelével da imagem de Deus. Essa afirmação confere um significado incrível à nossa missão de criá-los para conhecer o Senhor”. Deus mostra o roteiro de ensino dos pais em relação aos filhos no texto de Deuteronômio 6, no famoso shemá, onde o povo é chamado (convocado) a ouvir e amar a Deus com exclusividade, e os pais são desafiados a “inculcar nos filhos” as orientações dadas pelo Senhor (Dt 6.4 a 6). A dinâmica dessa transmissão através da oralidade deveria acontecer no convívio do cotidiano, ou seja, “assentado em sua mesa, andando pelo caminho, e ao deitar-se ou levantar-se” (Dt 6.7). Os pais também receberam a incumbência de “atar - as palavras - como sinal na mão, e por frontal entre os olhos, escrever nos umbrais da casa e das portas” (Dt 6.8 e 9). Dessa forma, a criança teria contato com as palavras de Deus na fala dos pais, escritas por todo lado na casa, e, assim, ficaria exposta à Palavra de Deus, conhecendo a história da redenção e libertação do Senhor. Nesse roteiro do Senhor sobre a entrada na terra prometida, Deus mostra Sua preocupação com a próxima geração e deixa orientação aos pais de suprirem as demandas dos filhos com
respostas históricas da libertação do Senhor sobre Seu povo. Deus orienta assim: “Quando o teu filho, no futuro, te perguntar, dizendo: Que significam os testemunhos, e estatutos, e juízos que o Senhor, nosso Deus, vos ordenou” (Dt 6.20). As crianças sempre questionam de tudo, inclusive, sobre a fé. É certo que as crianças perguntarão sobre nossa crença e será nesse momento que deveremos contar a história da libertação de Deus sobre nossas vidas. Deus orientou assim: “Éramos servos de Faraó, no Egito; porém o Senhor de lá nos tirou com poderosa mão” (Dt 6.21). No caso do povo daquela época, daquele contexto, era contar a saída do Egito. Deus enfatiza a graça de Deus; da mesma forma teremos que responder as questões e demandas de nossos filhos, respondendo à luz da graça de Deus. Quando nossos filhos (as) nos perguntarem por que vamos para a Igreja, porque somos cristãos, porque amamos a Deus, teremos que ter a ousadia de falar da graça, da mão poderosa de Deus. Não somos do Senhor por nossos esforços ou mérito, mas pela graça, pela “poderosa mão do Senhor”. Quando perguntarem sobre a nossa fé teremos que falar e explicar que éramos escravos do pecado e estávamos presos nas garras de satanás, e Jesus, com Suas mãos estendidas e abertas na cruz, nos libertou de forma poderosa e vitoriosa. Quando nossos filhos nos perguntarem teremos que falar da nova vida que hoje desfrutamos em Jesus, de como fomos libertos da condenação do pecado, de como fomos “transportados das trevas para o reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13). Teremos que contar como fomos libertos quando conhecemos mais e mais a Verdade que nos libertou totalmente (cf. Jo 8.32/ Jo 8.36). Que tenhamos a convicção e certeza de contar a história da libertação de Deus ao povo, para que eles, no tempo oportuno, desfrutem dessa mesma libertação promovida pelo Senhor. Que nossa vida e nossos lábios conduzam nossos filhos (as) ao temor de Deus e aos pés de Jesus constrangidos pelo Espírito Santo. Pais, essas é nossa responsabilidade e missão. Que o Senhor nos encontre fiel. n
“Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Pv 22.6). O livro dos Provérbios declara, com firmeza: “Ajude o seu filho a formar bons hábitos, enquanto ainda é pequeno. Assim, ele nunca abandonará o bom caminho, mesmo depois de adulto” (Pv 22.6). A um grande educador, conhecido por sua cultura pedagógica, foi perguntado por um pai sobre quando começar a educar a sua criança. “Quantos anos têm a tal criança?” Perguntou o professor. “Três anos”, o pai respondeu... “Bem, meu amigo, se ainda não começou, você está atrasado três anos!”. Os alicerces da nossa personali-
dade são estabelecidos desde antes do nosso nascimento, com base no ambiente cultural da nossa família. O conselho escrito pelo autor de Provérbios encontrou, nos séculos posteriores, todo o apoio da pedagogia e da psicologia da criança e do adolescente. Jesus Cristo, nosso Mestre, estabeleceu a postura cristã essencial quanto às crianças. “Traziam criancinhas a Jesus, para que Ele pusesse Suas mãos sobre elas e orasse. Mas os discípulos repreendiam aqueles que as traziam: “Não O incomodem”, diziam eles. Então, Jesus disse: “Não proíbam que as crianças venham a Mim, porque delas é o Reino dos Céus! Aí, Ele pôs Suas mãos sobre as cabeças delas e as abençoou, antes de ir embora” (Mt 19.13-14).
A infância e a infantilidade Davi Nogueira
pastor, colaborador de OJB
Todos tivemos infância. Há aqueles que não puderam brincar. Tiveram que trabalhar. Ou viveram num lar disfuncional, aonde a infância perdeu a essência. Nos desenvolvemos. Na fase adulta,
muitos tem traços infantis. Não é errado. O impróprio é não ter o equilíbrio. Ilusionar a vida, como faz uma criança. Na fase adulta, lidamos com a realidade. Muitas vezes dura! Costumo dizer que devemos saber o momento de brincar, e falar sério. Assim, não perderemos os traços e infantis, mas teremos a maturidade. n
REFLEXÃO
O JORNAL BATISTA Domingo, 11/10/20
5
Educação, educador e criança
Madalena de Oliveira Molochenco
educadora cristã, professora e escritora; doutora em Educação; membro da Igreja Batista Betel, em São Paulo - SP
Estamos no mês de outubro, em que se comemora, no Brasil, o Dia das crianças. Comemora-se também o Dia do Professor e do Educador Cristão. Crianças&professores, duas figuras tão interessantes, intrigantes, conectadas. Há muitas obras sobre educação, educador e a criança. Faremos alguns destaques para nossa reflexão. A educação da criança é descrita por vários autores. Desde a mais remota civilização, as crianças recebiam orientação de seus pais ou dos anciãos tribais. O Antigo Testamento nos relata que a criança hebreia recebia instrução de sua mãe, permanecendo aos seus cuidados até por volta da idade de sete anos. Depois era encaminhada pelo pai, e lá recebia instrução profissional. Isto nos remete a Jesus, que deve ter sido carpinteiro como seu pai, ainda que o texto bíblico não traga evidências disso. Em períodos de cativeiro, os judeus criaram as Sinagogas e estas passaram a ter um papel importante na educação de crianças, que para lá se dirigiam próximas dos sete anos. Um século antes da vinda de Cristo, Simão ben Shetach decretou a obrigatoriedade escolar primária a todos os filhos de judeus e Josué ben Gamala, sumo sacerdote, universalizou tal exigência no ano de 63/65 da era cristã (Armstrong, 1992, p.
22). Podemos inferir que Jesus recebeu instrução primária, pois, entendemos José, seu pai, como um judeu cumpridor da Lei. Isso está comprovado nas Escrituras, que narram sua ida a Belém para o censo e a apresentação de Jesus no templo em Jerusalém. O livro texto para a instrução era a Tora, e, “é na Torá que o povo judeu encontrava a sua identidade e o conteúdo mais expressivo de suas raízes e compreensão (DURÃES e RAMIRO, 2018, p. 25)”. No Novo Testamento vemos Jesus como o mestre por excelência e no início de Seu ministério foi questionado pelos judeus: “como este homem adquiriu tanta instrução?” (Jo 6.14). Este trecho bíblico deixa claro que os “professores” em Israel passavam por uma orientação para o desenvolvimento de sua profissão - a Escola de profetas, e muito provavelmente Jesus não a frequentou. Os valores para os israelitas eram a preservação da linhagem e das tradições e tais valores dizem respeito ao amor e temor a Deus bem como o ensino de uma profissão, habilidades para manutenção da família, como comerciantes, artesãos, ou com o cuidado da terra e de animais. A história da Educação no Novo Testamento se pauta na Igreja, nas cartas que contém um tratado de Educação cristã, crescimento espiritual, doutrinário, Teológico e traz uma diversidade de educadores que desempenharam este papel. A história social da criança é discutida por Philippe Ariès (1981). Nesta obra recai um olhar sobre a sociedade,
a criança e a educação escolar. Um dos argumentos do autor é que a infância foi considerada um período de ‘curta duração’ até meados do século XV e XVI. A predominância, até então, era de escolas com características medievais, com enfoque na preparação de clérigos e distante da educação da infância. Aos meninos era dada a vantagem da educação, passando este privilégio às meninas somente em torno do século XVII. Neste período, tendo como bases estudos rudimentares da área da psicologia, passou-se ao conceito de ‘disciplina’ e foi atribuída aos colégios internos a condição de melhores formadores. Havia diversas escolas espalhadas por toda a Europa e Américas, mas a disciplina era uma questão de “formação” em um curso que tinha a duração de três a quatro anos. Desta forma, a infância é considerada por este autor como um período mais prolongado do que na Ancien Règime. As influências do Renascimento e do Iluminismo dão à Educação novas faces, novas contribuições, destaques aos educadores Comênius e Lutero, que além de serem figuras centrais no movimento protestante foram grandes defensores da educação na infância e do acesso à escolarização a todas as crianças. Vivemos hoje um período em que nem a família, nem a escola são valorizados em seu papel educacional. Infelizmente, podemos incluir, em alguns contextos, a Igreja, a Educação cristã e o educador cristão. Família e Edu-
cação devem caminhar juntas, assim como Igreja, Educação cristã e educador. Neste mês de outubro, em que nos lembramos da criança, do professor e do educador cristão, nossa lembrança poderia estar voltada à Educação cristã pois esta, “se manifesta em espaços educacionais múltiplos, é o processo de formação integral da pessoa humana, cuja vida é moldada na Palavra de Deus, produzindo virtudes pessoais que devem ser compartilhadas com a família, a comunidade da fé e o mundo” (DURÃES e RAMIRO, 2018, p. 97). Durães e Ramiro (2018) alertam a uma crise de identidade ao educador cristão e nos desafiam a este ministério não somente como um gestor de classes de EBD, mas muito mais. Um educador que se proponha a “aceitar os desafios que exigem uma formação mais crítica e desenvolvedora de competências que os ajudam a superar os paradigmas atuais e os que estão por vir” (DURÃES e RAMIRO, 2018, p. 160). Temos de caminhar olhando à frente, para o futuro no atendimento das demandas atuais. Bibliografia. ARMSTRONG, Hayward. Bases da Educação cristã. Rio de Janeiro: JUERP, 1992. ARIÈS, Philippe. História social da criança e da família. Rio de Janeiro: LTC, 1981. DURÃES, Ivan de Oliveira, RAMIRO, Elana Costa. Educação cristã: Reflexões sobre desafios e oportunidades. São Paulo, Reflexão, 2008. n
6
REFLEXÃO
O JORNAL BATISTA Domingo, 11/10/20
Ah, se eu voltasse a ser criança...
Rogerio Araujo (Rofa) colaborador de OJB
Um dia desses, pensei comigo: “Como as brincadeiras e a educação das crianças de hoje são bem diferentes!”. Se numa época era preciso “criar” algo para se divertir com os colegas e ler livros e mais livros para encontrar algo sobre um tema do trabalho da escola, agora a situação é outra: os games eletrônicos ocupam todo o tempo (até mais do que deveria) do
lazer dos pequenos e a internet permite a facilidade de achar quase tudo que se deseja com um simples teclar e “navegar”. “Ah, se eu voltasse a ser criança...”, pensei comigo. Mas, do que brincaria? Como seriam os meus estudos, melhor ou pior? Talvez, no aspecto da facilidade do acesso às informações seria muito melhor, mas nas brincadeiras a criatividade seria infinitamente pior, já que não é preciso nem “pensar”. Tudo está pronto e determinado.
O sábio rei Salomão disse em Provérbios 22.6: “Instruí o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não desviará dele”. Isso quer dizer que a criação dos pais e a instrução dada pelos professores podem representar o trilhar de um caminho bom ou ruim até a vida adulta, depende de como é feita. Tudo fica guardado na mente e coração ao longo de nossa vida, em especial nas fases onde o crescimento é maior, da infância à adolescência.
É preciso ter cuidado no trato com as questões e, acima de tudo, pesquisar, acompanhar e conversar muito com filhos, netos e alunos a respeito do que é melhor para eles. Afinal de contas, as coisas são boas e ruins ao mesmo tempo, em todas as épocas da história. O que mais importa é como está sendo absorvido. Por essas e outras que não é má ideia se imaginar como revivendo sua fase infantil. “Ah, se eu voltasse a ser criança...” n
Celebrando o Reino de Deus como crianças Levir Perea Merlo
pastor, colaborador de OJB
“Jesus, porém, disse: Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, porque de tais é o reino dos céus” (Mt 19.14). O mês de outubro reserva pelo menos duas datas comemorativas para nós: a celebração do Dia das Crianças e o Dia de celebração da Reforma Protestante inaugurado por Martinho Lutero no século 16, e que marca o início de uma nova era na história da Igreja cristã. Todavia, vamos focalizar a temática acima: “Celebrando o Reino de Deus
como crianças. Sabemos que o Reino de Deus é o domínio total do Senhor sobre todo o universo e o mundo criado, incluindo aí o ser humano como a menina dos olhos de Deus e coroa da criação. Dos tais é o reino dos céus... O que significa essa expressão para o Senhor Jesus Cristo? Como deveremos entender e tirar lições preciosas para nossas vidas? Certa vez, indagado sobre quem seria o maior no reino dos céus (Em Mt , o autor usa a expressão Reino dos céus, no lugar de Reino de Deus, por se dirigir a comunidade de judeus cristãos, mas é a mesma coisa) Jesus disse: Se vocês não se converterem, e se não se fizerem
como crianças de modo algum vão entrar no reino dos céus. (Mt 18.1-3) Crianças nos trazem grandes lições. Por exemplo, pela própria natureza, elas são frágeis, não tem nenhuma força física ou condição de defesa; não são autossuficientes. Qual a primeira lição que tiramos daí? É assim que devemos entender a nossa vida diante de Deus, somos frágeis, somos barro e não somos autossuficientes diante do Senhor, devemos ser completamente dependente Dele, fora disso é arrogância e idolatria. Crianças, apesar do pecado original, são puras, não há maldade destrutiva no coração de uma criança, são humildes. A segunda lição é simplesmente
fantástica, o Senhor deseja que seus filhos sejam puros de coração e que não demonstrem humildade, mas sejamos verdadeiramente humildes de coração. E com base no que Jesus declarou sobre a natureza divina, “Deus não responsabilizará crianças pequenas e imaturas por decisões que elas não têm capacidade de tomar”. Se morrerem antes de se converterem, estarão incluídas no reino de Deus. É por isso que Jesus disse que devemos ser como crianças. Ao mais celebremos o reino de Deus com alegria e gratidão sem o fermento da malícia, mas com entendimento” (I Co 14.20) Louvado seja o Senhor das crianças! n
MISSÕES NACIONAIS
O amor de Deus foi celebrado em batismos no Nordeste
Cristolândia Alagoas celebrou três anos de trabalho com batismos A Cristolândia Alagoas celebrou seus três anos de atividades no final do mês de setembro, em uma programação que alegrou também o céu. Com a Igreja Batista da Comunhão-AL, pastoreada pelo pastor Wenbley Farias, que é ex-gestor da Cristolândia, foram realizados oito batismos de acolhidos e ainda mais seis de jovens da Igreja. A celebração foi realizada pelo pastor Caio Dornelas, atual gestor do ministério no estado, pastor Wenbley e ainda com a participação do pastor Jocksan
Batismos do jovem Icaro de Beberibe no Ceará
Barbosa, da Segunda Igreja Batista em Areias-AL. A Cristolândia Alagoas completou três anos sendo um lugar de esperança para uma nova vida, porque conta com parceiros fiéis como a Igreja Batista do Farol, liderada pelo pastor Roberto Amorim, que é um grande incentivador do ministério no estado. A festa no céu se deu também por conta dos batismos no Ceará. Em Fortaleza, onde atua o seu missionário Ítalo Matoso, cinco irmãos das frentes mis-
O JORNAL BATISTA Domingo, 11/10/20
7
Em Fortaleza cinco irmãos desceram as águas
sionárias dos bairros Quintino Cunha, Mondubim e Ancuri desceram às águas, professando a fé em Jesus Cristo. E o trabalho no local não para de avançar, já que outros sete irmãos estão sendo acompanhados para, no fim do mês de outubro, também cumprirem esta ordenança de Jesus. Ainda no Ceará, mais um batismo, para a glória de Deus, foi da Primeira Igreja Batista de Beberibe, onde atua a sua missionária Zilanda Maurício. O jovem Ícaro, de apenas 12 anos, conhe-
ceu o evangelho de Cristo através do Relacionamento Discipulador e tomou a decisão de declarar publicamente que morreu para o mundo e agora vive para Deus. A Igreja do Senhor tem avançado não só pelo Nordeste, mas por todo o Brasil, porque conta com a sua parceria fiel! Seja orando, contribuindo ou participando, não deixe de fazer parte da obra missionária que tem apresentado o verdadeiro Evangelho para milhares de pessoas. n
8
O JORNAL BATISTA Domingo, 11/10/20
NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA
NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA
O JORNAL BATISTA Domingo, 11/10/20
9
10
O JORNAL BATISTA Domingo, 11/10/20
NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA
MISSÕES MUNDIAIS
O JORNAL BATISTA Domingo, 11/10/20
11
O milagre do pequeno Mohamed Silas Fernandes
missionário de Missões Mundiais na República da Guiné
O mês de outubro, no Brasil, é considerado o Mês das Crianças. Neste tempo, muitas ações evangelísticas são direcionadas ao público infantil. As crianças são preciosidades do Senhor e a Palavra de Deus plantada no coração de uma criança pode crescer com força, dar frutos e, futuramente, transformá-la em um novo semeador. Quero compartilhar a história de vida de um pequeno menino africano, de cinco anos, chamado Mohamed. Ele nasceu, literalmente falando, dentro da maior prisão feminina da República da Guiné, localizada na capital Conacri. Enquanto estava grávida, sua mãe cometeu um grave delito resultando em prisão imediata. Quando o menino Mohamed nasceu, a família da mãe, que habitava em um vilarejo extremamente pobre, não tinha recursos para sustentá-lo; e a decisão então foi que o menino viveria com a mãe na prisão. Quando nossa equipe começou a desenvolver o projeto missionário de Capelania Prisional entre mulheres, encontramos ali Mohamed. A presença daquela criança na prisão, vivendo como se fosse um prisioneiro, incomodava nosso coração. Sempre que perguntávamos a outras pessoas experientes que, antes de nós tinham realizado algum trabalho missionário na prisão, recebíamos o conselho de que o problema de haver crianças morando nas prisões da África era algo muito complexo e “não valia a pena” mexer com isso. Era melhor que concentrássemos nossos esforços em pregar o Evangelho e deixar para lá as questões sociais. Entretanto, para nossa equipe era inaceitável pregar o Evangelho e fechar os olhos para as questões sociais. Compreendíamos plenamente que nossa missão era pregar a mensagem da Bíblia em palavras e também em ação. Dentro da prisão, costumávamos reunir grupos de mulheres que sentavam-se conosco para ouvir histórias bíblicas pela estratégia missionária chamada POB - Apresentação Oral da Bíblia. O menino Mohamed, assim que entrávamos na prisão, vinha nos abraçar e logo chamava sua mãe, muçulmana, para vir se sentar e ouvir as histórias sobre Jesus. Constantemente orávamos pelas mulheres e por Mohamed. Até que um dia tivemos uma ideia abençoada. Pensamos na possibilidade de encaminhar o menino para um lugar onde ele poderia ser livre, brincar, ir à escola e se relacionar com outras crianças. Conhecíamos um orfanato administrado por um casal cristão e, em conversas an-
teriores com a mãe de Mohamed, já era de nosso conhecimento que ela sofria muito em ver seu filho crescendo como prisioneiro, sem nunca ter cometido um delito. Seu sonho era que ele pudesse morar em família e desfrutar de uma vida saudável na infância. Começamos a ir de um departamento para o outro, numa eterna burocracia, cujo diretor da prisão dizia não ser responsabilidade dele e a juíza do ministério da infância nos jogava novamente para o diretor da prisão. Fomos orientados por um cristão advogado a conseguir a garantia da vaga do orfanato e a pedir à mãe de Mohamed que escrevesse uma carta expressando seu desejo de enviar o filho para viver em um orfanato durante seu período de cumprimento da pena. Durante o longo processo, pessoas de muitos lugares nos sustentavam em oração. A juíza da infância, depois de muita espera e burocracia, resolveu atender ao nosso pedido. Glória a Deus. O menino sairia, então, da prisão. O acordo judicial garantia à criança o direito de ir visitar sua mãe na prisão e de que sua guarda seria devolvida, automaticamente, à mãe no término de sua pena.
Foi um dia de muita alegria para toda nossa equipe missionária e para todos aqueles que nos ajudaram no decorrer do processo, quando o menino Mohamed pegou seus pertences, vestiu uma roupa bonita que tinha ganhado, se despediu de sua mãe em uma mistura de lágrimas e alegria, e saiu da prisão. No caminho para o orfanato, ficou maravilhado com tudo que via nas ruas. Era a primeira vez que ele entrava em contato com o mundo fora da prisão. O trânsito, as lojas, o movimento das pessoas nas ruas era um mundo completamente desconhecido para ele. Ao chegarmos ao orfanato foi nítida a sua alegria em ver tantas crianças. Quando o casal administrador do orfanato lhe mostrou onde seria sua cama e que ele teria um lugar no armário reservado para guardar os seus pertences, ficou impressionado. Antes dormia numa esteira no chão da prisão e suas coisas viviam espalhadas. No orfanato recebeu material escolar e foi matriculado na escola maternal, passando a usufruir de uma vida com oportunidades e liberdade, que é o seu direito! Glorificamos a Deus, por Sua bondade e Seus milagres. Quando alguém pergunta para Mohamed como ele saiu
da prisão, ele responde: “Jesus me tirou da prisão”. A história de Mohamed é um milagre. Nosso coração se enche de alegria e louvores a Deus, por ter tornado isso possível. Jesus disse: “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas” (Mt 19.14). Obedecer todas as palavras de Jesus é nossa missão. É com grande alegria que compartilhamos a história de Mohamed e queremos que saiba que você também faz parte desta história aos nos apoiar em recursos e sustentar em oração. Continuem orando pelo Mohamed e pela salvação de sua mãe que ficou extremamente tocada pela ação. Ore pelas vidas das muitas outras crianças que vivem com suas mães nos interiores de prisões africanas. O esforço valeu a pena e foi alegria e privilégio! Que possamos prosseguir compartilhando o Evangelho e transformando a vida dessas mães e seus filhos com a alegria de Jesus. Ajude a levar esperança a outras crianças como Mohamed. Participe da campanha Doe Esperança. Acesse: www.doeesperanca.org.br. n
12
NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA
O JORNAL BATISTA Domingo, 11/10/20
Primeira Igreja Batista em Santa Margarida - RJ celebra Jubileu de Diamante Durante esse tempo, Igreja já formou outras quatro Igrejas. Silvio Scarabelli e Fernando Fernandes
pastor titular da Primeira Igreja Batista em Santa Margarida - RJ; pastor, Departamento de História da Primeira Igreja Batista em Santa Margarida - RJ
ORGANIZAÇÃO A Primeira Igreja Batista em Santa Margarida, em Campo Grande-RJ, foi organizada pela Igreja Batista de Cosmos-RJ no dia 06 de agosto 1960, com 50 membros. O Concílio foi presidido pelo pastor Aristides Pinto Figueiredo e teve o pastor Damy Ferreira como secretário; pastor Joel Moura como examinador; a entrega da Bíblia foi realizada pelo pastor Carlos Lima Cedro; o pastor Jabniel Silva foi o responsável pela leitura do Pacto; pastor Jair Coutinho de Castro fez a oração e o orador ocasional foi o pastor Ocário Vieira. Demais pastores participantes do Concílio: pastor Olimpio Gil Filho, José Angelo, Emilio Wondracek, José Maximino da Costa e Assis José de Arruda. PASTORES Pastor Aristides Pinto Figueiredo; Samuel Terra de Oliveira; Gonardo Bember; Willians Balaniúc; Aderbal Barreto da Silva; Altanir Alves de Freitas; Aristides Pinto Figueiredo; Marcílio Dias Ribeiro; Fernando Fernandes da Silva; Gilson do Carmo Batista; Sérgio Rodrigues Muguet; Gilson do
Silva de Santa Rosa, Sonja Arruda Martins e Rosinéia Neves. Atual Erasmo Romão. PATRIMÔNIO A Igreja possui um terreno onde estão construídos o templo, prédio e salas. O santuário tem ar-condicionado, bancos confortáveis e aparelhagem de som interno e externo para evangelização. Possui uma Kombi de múltiplas atividades, servindo para transporte de idosos aos domingos para os cultos e também, Celebração de 60 anos da PIB em Santa Margarida - RJ quando necessário, servir aos enfermos. Em breve chegará uma Van que servirá ORDENAÇÕES Carmo Batista; e, atualmente, Silvio Heleno para programações em outras cidades Cerqueira Scarabelli. Serviram ainda como A Igreja, na comemoração do seu Ju- e estados. ministros auxiliares os pastores Ronaldo bileu de Diamante, celebra a ordenação Cabral Lopes e Aloísio Freitas. de vários obreiros para o serviço do ReiCONCLUSÃO no. Irineu Tardivo, Waldomiro dos Santos A primeira palavra que brota em cada IGREJAS FILHAS Monteiro, Claudio Eduardo Macedo Cos- coração é de gratidão ao Senhor, pelas A PIB em Santa Margarida-RJ, desde a ta, Valdecir Júlio de Barros, Paulo César vitórias alcançadas, as milhares de vidas sua organização, tem o objetivo da procla- Chaves Furtado, Aluísio Freitas, Eliezer que foram transformadas pelo poder do mação da mensagem conforme a ordem da Silva Almeida, Ézio França; Gilberto Evangelho, muitas já desfrutam na glória, do Senhor que diz: “ide por todo mundo pre- Domingos Rosa e Eduardo Delfino dos e outros que em peregrinação buscam a gai o evangelho a toda criatura”. Com esse Reis. pátria celestial, à semelhança dos heróis ideal foram organizadas quatro novas Igrena fé de Hebreus. Gratidão aos irmãos jas. Igreja Batista Centenário Jardim Bela MINISTÉRIO DE MÚSICA que estavam na organização, eram cinVista; Igreja Batista Cristo a Única EspeCom o crescimento da Igreja houve quenta, e todos aqueles que, até hoje, rança; Igreja Batista Bairro Mario Lombard; necessidade de uma pessoa qualificada sustentam com dedicação a Igreja que Igreja Batista Nova Cidade. Destaca-se que para o exercício do Ministério de Música é “Coluna e firmeza da Verdade”. Fiel à a Igreja Batista Cristo a Única Esperança já na preparação dos grupos musicais e, Palavra de Deus, e as doutrinas da declaorganizou quatro novas Igrejas. Pela graça também, preparar músicos e regentes. ração de fé e princípios bíblicos a Igreja do Senhor estão ativas. Assim sendo serviram no MM: Éldia Áurea permanecerá até a volta do Senhor! n
Programa de rádio da Convenção Batista de Pernambuco fala sobre proteção à infância Série aconteceu durante todo o mês de setembro. Área de Comunicação da Convenção Batista de Pernambuco Durante o mês de setembro, o programa de rádio “Voz Batista”, da Convenção Batista de Pernambuco (CBPE), falou sobre proteção à infância. A série “Abuso não é brincadeira”, de cinco programas, teve início na terça-feira, dia 01 de setembro, em uma conversa com Eliseu Magno, membro da Primeira Igreja Batista em Candeias-PE, professor universitário, presidente da Associação Batista de Ação Social (ABAS) e autor de livros nas áreas de defesa de direitos e educação para cidadania. Os outros programas foram ao ar durante os quatro sábados do mês. A “Voz Batista” tomou emprestado o tema da
Campanha promovida pela Polícia Civil do Estado do Ceará no ano de 2019 e trabalhou os seguintes temas junto ao povo batista pernambucano: (A) A atuação do voluntariado junto aos projetos de promoção dos direitos da criança, com a professora e assistente social Yclea Cervino, membro da Igreja Batista do Feitosa-PE, assistente social, autora de livros da área e ex-presidente da ABAS. (B) Como prevenir abuso infantil em casa, com Nadiedja Souza, membro da Igreja Batusta Emanuel, em Maranguape-PE, assistente social, vice-presidente da ABAS e diretora no Instituto Maria da Penha. (C) Como prevenir abuso infantil na Igreja, com Edivaldo Tavares, capelão
da Primeira Igreja Batista no Coração de Rio Doce, em Olinda-PE, Igreja que mantém o Centro de Desenvolvimento Integral Criança do Reino (CDI), diretor
tesoureiro e ex-presidente da ABAS e membro do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Olinda-PE. (D) O papel dos conselhos de direito e tutelar, com Evandro Alves. Ele é assistente social, membro do Conselho Municipal de Promoção e Garantia dos Direitos da Criança e Adolescente da Cidade do Recife-PE e executivo de Mobilização de Recurso no Instituto Solidare, ONG mantida pela Igreja Batista em Coqueiral, em Recife-PE. Você pode ouvir todo o conteúdo nas plataformas digitais da CBPE. Digite “Convenção Batista de Pernambuco” no Spotify, Deezer, Google Podcasts, Apple Podcasts, Overcast, Castbox, Radio Public ou Anchor e confira essa série. n
NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA
O JORNAL BATISTA Domingo, 11/10/20
13
Associação dos Músicos Batistas Fluminenses realiza live especial de retrospectiva
Encontro presencial deste ano precisou ser cancelado por causa da pandemia. Diana Sampaio
Departamento de Comunicação da Convenção Batista Fluminense
Em razão da pandemia do novo coronavírus, o 38º Congresso da Associação dos Músicos Batistas Fluminenses (AMBF), que ocorreria nos dias 25, 26 e 27 de setembro, na Primeira Igreja Batista de Rio Bonito-RJ, precisou ser cancelado. Entretanto, para que a data não passasse em branco, uma live foi realizada no dia 26 de setembro, através do canal no Youtube da Convenção Batista Fluminense (CBF) e na página do Facebook da AMBF, a fim de relembrar momentos e participações dos congressos anteriores. Um vídeo de retrospectiva abriu a transmissão, sendo seguido pelas palavras de boas-vindas do presidente da AMBF e ministro de Música Altiene Flores, e do pastor Luciano Cozendey, à
Grupo Louvart foi uma das atrações da live da AMBF frente da PIB de Rio Bonito-RJ. O grupo Louvart, da Primeira Igreja Batista em Casimiro de Abreu-RJ, deu início às participações musicais, adorando e louvando ao Senhor durante toda a live. Várias apresentações do Coro da AMBF foram recordadas, além da participação marcante da Gaita de Fole. Houve também interações através das redes sociais em que a live foi
transmitida; muitas Igrejas estavam representadas por pessoas que demonstraram a saudade em reviver aqueles momentos, mesmo de modo online. Alguns testemunhos de congressistas, organizadores e ministros de música, os quais estiveram presentes nos últimos congressos, foram apresentados por vídeos, a fim de relembrar experiências únicas de confraternização, ensaios,
oficinas, cultos e muita música. A mensagem de reflexão foi ministrada pelo pastor Rafael Antunes, da PIB em Casimiro de Abreu-RJ, com o tema “A Música como instrumento de evangelização”, abençoando a vida de quem estava assistindo. Ao final, houve a participação musical de Matheus Ferreira, membro da Primeira Igreja Batista em Araruama-RJ, louvando ao Senhor com uma composição própria chamada “Meu Tesouro”. No encerramento da live foram exibidas algumas fotos dos congressos anteriores e as palavras finais do M.M. Altiene. Com certeza foi uma celebração primorosa para todos os que assistiram, revivendo experiências abençoadoras. Oramos para que no próximo ano, todos possam estar juntos no 38º Congresso comemorando novos tempos com muita música e louvor a Deus. n
Em 71 anos de missão, Lar Batista se torna uma família para meninas no Espírito Santo
Visitas foram suspensas durante a pandemia, mas o projeto continua. Ana Nascimento
jornalista da Convenção Batista do Estado do Espírito Santo
“A religião que Deus, o nosso Pai, aceita como sincera e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e, especialmente, não se deixar corromper pelas filosofias mundanas” (Tg 1.27). Dar uma família e condições de vida para meninas do nosso estado, essa é a missão do Lar Batista, que abriga meninas de 0 a 18 anos, e completou 71 anos em setembro. Atualmente, são três casas localizadas no município da Serra-ES, divididas por idades: de 0 a 13 anos; dos 13 aos 18 anos; e um apartamento que funciona como uma república para jovens de até 21 anos que não conseguiram se manter. O projeto, que abriga as jovens adultas, mesmo após a determinação judiciária de que elas precisam deixar o lar, dá auxílio para que essas mulheres consigam independência financeira e social para seguirem sem uma tutela. Como em uma família, elas crescem no Lar Batista e, depois, são preparadas com todo apoio financeiro, profissional e intelectual para
até mesmo atividades extracurriculares como inglês, natação e ballet. “As crianças fazem de tudo, estudam e vão para a escola. Hoje, nós temos uma criança que chegou em março, que não conseguiu ainda ser matriculada, não só por causa da pandemia, mas sim porque, quando ela chega, nós temos que dar todo o histórico dela imediatamente e ela veio de um estado em que nós não Equipe que atua no Lar Batista no estado do Espírito Santo podíamos fazer isso no primeiro momento, porque precisava se recuperar fisicaem cursos de aperfeiçoamentos para o mente antes de ter uma rotina”, explicou caminharem sozinhas. A gestora geral do projeto, Márcia Fer- mercado de trabalho”, afirma. a gestora geral, Márcia Fernandes. nandes, explica que o apartamento tem A CASA LAR NÃO PARA capacidade de abrigar seis jovens já asVISITAS SUSPENSAS São 12 meses, sete dias na semana e sistidas pelo Lar Batista. Toda estrutura DEVIDO À PANDEMIA da república e todo pagamento relaciona- 24h por dia de trabalho; a casa lar não para! Neste período de pandemia, as visido a saúde, estudo, alimentação e vestuá- No momento, sete crianças e cinco adoles- tas estão suspensas desde março para rio é mantido pela Convenção Batista do centes são atendidas por educadores, que preservar as crianças. As idas para casa antes da pandemia cumpriam plantões dos padrinhos, amigos do lar que apadriEstado do Espírito Santo (CBEES). “Quando ela completa 18 anos, pela de 24 horas. Agora, com a incidência da nham as meninas, também foram cancenossa legislação vigente judiciária ela COVID-19, trabalham por quatro dias para ladas devido à incidência da COVID-19. precisa sair da casa Lar e algumas con- diminuir o acesso de idas e vindas no lar. O Lar Batista conta com quatro Igrejas As educadoras arrumam a casa, la- que contribuem com valor em dinheiro seguem achar parentes etc. O projeto é para quando não conseguimos dar um vam as roupas e organizam toda a rotina depositado em conta e uma Igreja que norte a essa criança e ela não consegue de uma casa normal para as meninas contribui todo mês com 20 kg de açúcar. voltar para o seio familiar, nem se man- assistidas. Além da moradia, o lar tamOs interessados em doar para o Lar ter, então, elas ficam na república até os bém oferece às crianças assistência Batista podem entrar em contato pelo 21 anos de idade. Nesse período, nós médica, estudos, cursos de extensão, telefone (27) 3328-5165 ou pelo e-mail intensificamos o tratamento com elas ou seja, uma rotina normal, que envolve adm@larbatista.org.br. n
14
PONTO DE VISTA
O JORNAL BATISTA Domingo, 11/10/20 FÉ PARA HOJE
Orando as bem-aventuranças Introdução (Mt 5.1-2) Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob Amados irmãos, preciosos leitores de O Jornal Batista, somos gratos a Deus por suas vidas, famílias e Igrejas! Seguem nove orações nas bem-aventuranças. Vamos orar juntos, em nossas devocionais, as bem-aventuranças vividas e ensinadas pelo Senhor Jesus. Nesses dias tão difíceis, caminhemos essa trilha da oração nas bem-aventuranças! Pai do Senhor Jesus Cristo e nosso, louvamos o Teu nome pelo fato do Senhor Jesus Cristo, Teu amado Filho e Salvador nosso, ter nos ensinado o Sermão da Montanha e particularmente as bem-aventuranças. Que coisa maravi-
lhosa é o conjunto das bem-aventuranças! Elas enfatizam o caráter do cristão autêntico. As bem-aventuranças tratam da nossa relação com o Senhor, o nosso coração e o próximo. Pai, os bem-aventurados, os mais que felizes, felicíssimos o são por causa de terem recebido a natureza de Cristo e se tornado Seus discípulos. Senhor, realmente somos felizes por sermos discípulos e discípulas do Senhor Jesus Cristo, marcados de antemão pelo Espírito Santo. As bênçãos do Senhor repousam sobra aqueles que externam os sinais do caráter de Cristo Jesus em nós. Sim, o caráter de amor, graça, ternura, misericórdia, humildade, bondade, mansidão e justiça.
Senhor, Criador e Salvador nosso, desejamos exalar o bom perfume de Cristo diante dos salvos e dos perdidos. As bem-aventuranças são uma pérola de grande valor, inestimável. Ajuda-nos a viver cada bem-aventurança! Que Cristo seja tudo em nós. Que o nosso viver seja Cristo. Ser bem-aventurado ou bem-aventurada, é andar como Jesus andou. É ir por toda a parte fazendo sempre o bem. É seguir após Ele em plena obediência na qualidade de servos e súditos! Então, Pai, desejamos ser ardentemente, conforme o ensino de Jesus de Nazaré, Teu Filho tão amado: ser humildes, chorar a perda da nossa
inocência, ser mansos, ter fome e sede de justiça, ser misericordiosos, limpos de coração, pacificadores, perseguidos por causa da justiça, e viver a vida de Cristo neste mundo, pagando o preço por isso. Muito grato somos, Pai, pelas bem-aventuranças entrarem em nossos corações! Por fazerem parte de nossas vidas! Por serem traços do caráter cristão genuíno. Senhor, que as pessoas vejam em nós o testemunho do Evangelho de Cristo. Que vejam em nós uma vida bem-aventurada, cristificada, semelhante a Cristo Jesus, o Senhor. Seja o Pai glorificado pela prática das bem-aventuranças! n
mico atual e já sofrem por antecipação, acreditando que podem não ter dinheiro para quando for se aposentar. Calma aí: Jesus não ensinou que quando colocamos o Reino de Deus em primeiro lugar, Ele cuida de nós? Sendo assim, por que sofrer? Em quem você tem colocado a sua confiança? Para não me estender sobre o assunto, sei que todos têm problemas. Se você está sendo premiado sem nenhum no momento, não se preocupe: ele chegará (risos). Mas a pergunta que faço é a seguinte: quando os problemas surgem, o que você faz? Entra em depressão? Enfrenta numa boa? Entra em desespero? Acredita que será o fim? Coloca sua confiança em coisas, em circunstâncias, em pessoas, em recursos...? Em um dia desses, estava lendo no-
vamente sobre a luta entre Davi e Golias. É interessante prestarmos atenção no fato de que Davi não colocou sua confiança em nenhuma arma, roupa especial preparada para a guerra ou outro fator humano. Ele mesmo disse para o gigante: “eu venho a ti em nome do Senhor dos exércitos”. Para que confiar em outra coisa? No fim das contas, o que fará toda a diferença é o alvo da sua confiança. O ideal será que você possa dizer como o salmista: “Em Deus tenho posto a minha confiança; não temerei o que me possa fazer o homem” (Sl 56.11). Nem o homem, nem nada. Colocar a confiança em Deus é ter uma vida sem medos. Se Deus estiver no controle, temerei o quê? Em quem você tem colocado sua confiança? n
Em quem você tem colocado sua confiança? Wanderson Miranda de Almeida colaborador de OJB
Quando leio versículos bíblicos que falam sobre nossa confiança em Deus, fico a me perguntar: em quem as pessoas têm colocado sua confiança? Estamos vivendo em uma época na qual só se fala sobre o vírus. Ele tem tomado conta dos noticiários, das conversas, do dia das pessoas. Mas então eu penso: em quem os cristãos têm colocado sua confiança? Sim, pode ligar a confiança à questão da cura, e veremos que muitos têm colocado sua confiança no remédio A ou no remédio B. Outros colocam sua confiança no álcool gel ou na máscara. Ainda há aqueles que depositam sua confiança na vacina, seja ela chinesa, americana, rus-
sa etc. O intrigante é ver que até mesmo os cristãos não têm falado muito sobre sua confiança em Deus, diante das atuais circunstâncias. Que coisa! Mas, para não dizer que eu também só sei falar sobre o vírus, e os outros assuntos? Lembro-me de pessoas que mudam de Igreja e dizem que fazem isso pelos filhos, porque acreditam que será melhor para eles frequentarem uma Igreja com mais recursos. Calma aí: então a confiança aqui foi colocada em Deus ou nos recursos da Igreja? Por falar em recursos, vejo muitas pessoas preocupadas com a aposentadoria ou com o guardar dinheiro para despesas futuras. Não estou dizendo que isso é errado, mas depende do quanto isso o incomoda. Há pessoas que ficam tensas com o momento econô-
PONTO DE VISTA
O JORNAL BATISTA Domingo, 11/10/20
15
OBSERVATÓRIO BATISTA
Tecnologia não substitui Bíblia, Teologia e adoração! Pr. Lourenço Stelio Rega Com a quarentena provocada pela pandemia da COVID-19, o sagrado se virtualizou. O isolamento social impediu a utilização dos templos, que deixou de ser considerado o local sagrado por excelência. Aos poucos, o lar foi sendo reconhecido como o local onde também era possível viver momentos de adoração e culto, mesmo sem o considerado sagrado púlpito e o contato presencial de um pastor ou pregador. O simples crente, que estava habituado a ir aos domingos aos cultos, no templo que era chamado de Igreja, vai descobrindo, ao longo das semanas, que ele e os seus, salvos por Jesus, são a Igreja e que o espaço em que ia é um local para o cultos, tão habitável por Deus quanto em seu lar. Aliás, o crente comum vai descobrindo também que não apenas o domingo, mas todos os dias são dias a serem consagrados a Deus, e a vida cristã é mais do que ir a um espaço tido como sagrado um dia da semana. O “cada dia” de chamado de Lucas 9.23 foi redescoberto - Cristianismo é estilo de vida a ser vivido a cada momento. Desde os primeiros dias da quarentena, a utilização da tecnologia para a divulgação dos cultos e até mesmo “lives” diárias, bate-papos, momentos de oração, redes sociais com pedidos de oração, divulgação de notícias e muito mais, passou a mobilizar pastores e equipes pastorais em busca de manter contato com as ovelhas. Em muitos casos houve a ampliação de oferta de atendimento aos crentes para além do domingo. Alguns pastores conseguiram descobrir estratégias para climatizar e adaptar os cultos para o formato digital, transformando, por exemplo, a apresentação da mensagem que era pelo púlpito em um bate-papo atrativo a partir da sala de sua casa. A utilização de grafismos, artes digitais foram também objeto de
atenção. Quem demonizava a tecnologia logo se “converteu” ao seu uso para virtualizar o sagrado. Há discussão nas redes sociais de pastores em como voltar ao “antigo normal” e como “desmamar” os crentes do culto virtual para o presencial. Mas ainda há a preocupação com o dilema da fidelização, pois muitos crentes tiveram acesso a outros expositores da Bíblia e até a outros modelos de cultos em outras Igrejas. Em pesquisa que fiz pela Internet, com mais de 3000 respostas, já foi possível descobrir que 85,8% optou em ter acesso a outros expositores, dos quais apenas 9,6% descobriram que seu pastor tem melhor performance, enquanto que 28,2% dizem que outros expositores têm performance melhor, e 62.3% entenderam que a performance é semelhante. Esse último dado é importante, pois, coloca outros expositores em pé de igualdade com seu pastor. E como manter a “fidelidade” deste crente? Um aluno meu deu a resposta: o que vai diferenciar, no final das contas, é ser pastoreado, ser acolhido e agasalhado pelo meu pastor. O pregador da internet não vai no hospital me visitar quando eu estiver doente. Por outro lado, as empresas mundiais de tecnologia ampliaram a oferta de aplicativos e ambientes virtuais de modo a facilitar tudo isso. A concorrência entre elas trouxe de brinde inúmeras facilidades, ampliação do tempo de uso, conexão com outras redes digitais para facilitar o acesso. A garotada da tecnologia nas Igrejas foi acionada como verdadeiros batalhões de “forças especiais” para mostrar sua fluência na tecnologia digital. Descobriu-se, assim, um novo contingente diaconal e abriu-se oportunidade para que esse pessoal, que poderia estar esquecido, pudesse mostrar que pode também ajudar. A tecnologia nos traz muita facilidade e está cada vez mais repleta de recursos e alternativas. Com um pequeno celular
já é possível fazer milagres, conectar diversos equipamentos e fazer a mixagem entre áudio, vídeo, efeitos sonoros e visuais. Já é rotina e acabou turbinando o sagrado com elevada sofisticação. Muito bom tudo isso. Mas, sempre tem um “mas” não é verdade? A virtualização do sagrado não tem como substituir a profundidade dos estudos bíblicos palmilhados no território da Teologia séria e comprometida com a Verdade. A adoração é mais do que entretenimento, mais do que assistir confortavelmente na sala de casa a um grupo cantando com elevada performance. A doutrina e a Teologia bíblica continuam a existir, a Igreja tem sua complexa missão a cumprir, suas práticas bíblicas que levam à conexão entre os crentes em comunhão, que vai além do contato virtual, embora essa alternativa facilite; não substitui o relacionamento “analógico”. No campo das Neurociências, se estuda o quanto do contato pessoal humano, por exemplo, um abraço dentro de certo tempo, estimula a produção de ocitonina, um hormônio produzido no hipotálamo, que, entre outras coisas, estimula o apego e a empatia entre as pessoas. Algo que não pode ser feito pelo contato virtual e digital. Deus é maravilhoso mesmo, criou um corpo com funções fantásticas. Tecnologia é linda, sou da área de TI, mas não consegue ser completa. A pregação pode ser excelente, com o suporte de efeitos digitais atrativos, mas, se não tiver conteúdo profundo, calcado em demorado estudo da Bíblia e de sua Teologia, de nada valerá, será apenas um impulsionador atrativo. Ouvir uma mensagem assim será como ver o rosto no espelho, alguns minutos depois nos esqueceremos do que ouvimos. Mensagem boa é aquela que parte da Bíblia levando-nos a conhecer mais profundamente Deus, nossa missão nesse mundo e que nos dê suporte para as decisões diárias, tornando nos-
sa vida mais significativa e atrativa para espalhar o agradável perfume de Deus e do Evangelho. Com a tecnologia também foi possível alavancar os momentos do louvor. A mistura entre estes dois elementos torna a adoração muito atrativa para quem está assentado no sofá da sala “assistindo” o culto. Mas será necessário diferenciar entre a adoração que envolve nosso coração em resposta ao maravilhoso Deus e o entretenimento estimulado pela elevada performance artística embalada pelos atrativos e grafismos digitais. Tecnologia não é Bíblia. Teologia ou adoração é apenas uma mecânica para transmitir conteúdos. Me perdoem o exemplo, não é a pizza, mas apenas seu entregador. Confundi-lo com a pizza é achar que, introduzindo tecnologia, tudo estará resolvido e poderemos fidelizar nossas ovelhas. A tecnologia é útil, mas como instrumento, ferramenta para facilitar nosso acesso às pessoas, não pode substituir conteúdo sério e profundo, que também precisa ser atrativo, nosso cérebro pede isso. Não pode também substituir presença, contato pessoal e humano. O virtual veio para ficar, mas precisamos saber como utilizá-lo. O virtual democratiza o acesso e a informação, mas poderá estar desprovido do mais importante, que é a presença de nosso Deus por meio da pregação, da oração e da adoração. Tudo dependerá de como vamos utilizá-lo. O profeta Isaías, (1.10-20) lá no passado do mundo analógico, já havia mostrado isso, quando o povo cumpria os rituais, mas deixava de lado o coração puro e sincero (Is 29.13). Portanto, a tecnologia não é redentora, nem portadora em si de boa Teologia, é apenas uma ferramenta. Tarefa difícil e complexa que teremos de aprender juntos redescobrindo como, de fato, lidar com toda essa novidade. n