Skip to main content

AH - Você | 25 e 26 de março de 2017

Page 1


1º FESTIVAL DE LAJEADO

Cinema para ver e comemorar

A primeira edição do Festival de Cinema de Lajeado provoca um misto de ansiedade e felicidade nos amantes da sétima arte. De quinta-feira até o dia 1º de abril, o Centro Cultural da Univates será palco de exposição de 55 curtas que destacam o turismo gaúcho

Páginas 4 e 5

Eu curto

Eu Curto: das aulas às bolsas

De tanto levar cadernos, livros, água e tudo mais que possa caber na bolsa, Jane Mazzarino passou a criar algumas personalizadas, despertando uma paixão desconhecida pela costura.

Aprofessora de Jornalismo da Univates dedica parte do tempo livre à costura e customização de bolsas e acessórios. A necessidade de levar muitas coisas para as aulas despertou nela uma forma de produzir bolsas que pudessem servir para tudo, sem perder o estilo.

Carteirinhas ou necessaires também são feitas pela professora. Agora, Jane passou a fazer bandanas. “Costurar é um lazer. Faço nas horas de folga, quando estou inspirada. Para quem mora em apartamento, é

QUEM FEZ ESTA EDIÇÃO voce@jornalahora.inf.br

uma forma de criar.”

Jane começou a costurar em uma segunda-feira, no início de 2015. A primeira experiência foi brincar com tecidos e colas, mas, segundo ela, o resultado não foi o ideal. “Então fui a uma loja de máquinas ver possibilidades. O vendedor pediu para eu experimentar uma máquina de costura. Disse a ele que não sabia, que nunca

tinha costurado. Ele insistiu e me aventurei. Achei mágico. Divertido.”

Uma semana depois, comprou uma máquina simples de costura. “Passei o fim de semana costurando e saiu uma peça. Então descobri que podia mais que pensava. Matriculei-me em um curso de patchwork e fiz aulas por quase dois anos, com a Magda Bolsi.”

Desde o primeiro dia, só fez bolsas. Na mesa grande da sala, está a máquina. E quando se sente inspirada, olha para a coleção de tecidos que tem e começa a combinar possibilidades. “Coleciono tecidos. Não costumo seguir muito moldes. Vou inventando. Ainda estou achando um estilo. Neste momento, estou trabalhando em uma coleção que explora os símbolos.”

Das aulas no Jornalismo, ao hobby na costura, busca descansar a mente abusando da criatividade. “Desde adolescente, experimento todo tipo de expressão artística.”

Jane afirma que no momento leva um pouco dessas técnicas para trabalhar com educação ambiental, área em que desenvolve projetos de pesquisa e extensão universitária. “Assim, meu trabalho e meu lazer se entrelaçam. Sem um pouco de arte, o cotidiano fica árido.”

Sem prazo de entrega

Para a professora, não há como mensurar o número de bolsas que produz por mês. “Não mantenho uma linearidade na produção. Tem semanas que não consigo costurar. Quando estou trabalhando muito, às vezes, fico sem inspiração.”

Contudo, afirma que no fim do ano passado ficou quase dois meses sem costurar. “Nas férias costurei muito. A produção é irregular. Como não é trabalho, crio com liberdade.”

Agora, Jane afirma que costura de vez em quando, durante a noite e dedica algumas horas nos fins de semana. “Estou também experimentando a pirografia. Bordo um pouco, intuitivamente. Gosto de ler e sair. Então costurar é mais uma das minhas possibilidades”, finaliza.

Direção Editorial e Coordenação: Fernando Weiss - Produção: Anderson Lopes e Carolina Chaves Arte: Gianini Oliveira e Fábio Costa - Tiragem: 7.000 exemplares. Disponível para verificação junto ao impressor (ZH Editora Jornalística)
Bolsas e outros acessórios são criados pela professora de Jornalismo
ANDERSON LOPES

Luz, câmera, ação

O Festival de Cinema de Lajeado ocorre na próxima semana, com o intuito de dar visibilidade às obras de curta-metragem do país, e evidenciar as belezas naturais do RS

Asétima arte apresenta-se ao público, e abre as cortinas para o primeiro Festival de Cinema de Lajeado.

A exposição de curtas, que visa evidenciar o turismo gaúcho, inicia na quinta-feira, 30, e segue até o sábado, 1º, no Teatro da Univates.

A mostra competitiva contará com 55 filmes, de dez estados, sendo 21 produções de ficção, 21 documentais e as demais de animação e experimental.

Todos têm até 25 minutos e foram analisados durante dois meses por cinco jurados. As 55 produções foram escolhidas entre mais de 300 inscritas. A procura foi surpreendente, afirma uma das organizadoras do festival, Monique Mendes. Representa mais que o triplo da primeira edição do Sine Serra. “Também nos surpreendemos com a qualidade e diversidade dos filmes. Muitos já ganharam prêmios, outros foram feitos de maneira improvisada, nas escolas, mas também não perdem por isso”, comenta.

O evento faz parte do mapa da Agência Nacional de Cinema (Ancine). Mais de dez instituições de ensino já se inscreveram para participar do Cine-Escola, que ocorre na quinta e sexta-feira de manhã, com entrada gratuita.

A organização também aguarda cerca de 50 realizadores dos filmes, entre atrizes, atores, diretores, roteiristas e produtores. Eles participam de pelo menos três debates sobre

as produções durante o festival.

“Será um momento não só para olhar os filmes, mas para conhecer e disseminar a sétima arte. Para quem gosta de cinema, será uma oportunidade única de estar pertinho, entender como funciona a produção.”

Para ouvir a natureza

No montante de inscrições, cinco filmes foram eleitos para a mostra não competitiva. Um deles é o documentário SonsqueFalam, da jornalista Natasha Bouvier Erthal, de Lajeado.

Será um momento não só para olhar os filmes, mas para conhecer e disseminar a sétima arte”

Mendes,

Usado como base para seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), o documentário trata sobre uma série de atividades que estimulam os sentidos das pessoas em meio à natureza.

Com o suporte da orientadora, professora Jane Mazzarino, ela produziu o filme. Natasha também compôs e gravou a trilha sonora. “A minha intenção é propiciar reflexões acerca do nosso modo de vida, e como muitas vezes ‘não temos tempo’ para apreciar e sentir a natureza.

Presenças ilustres

A atriz Júlia Lemmertz será

uma das estrelas do festival. Ela receberá uma homenagem no anúncio dos vencedores. Roger Lerina, repórter cultural e crítico de cinema, conduz o festival. Para a análise dos finalistas, nas categorias Animação, Documentário, Ficção e Experimental, foram convidados o documentarista, cineclubista, Luiz Alberto Cassol; integrante da Associação de Críticos de Cinema do RS, fundador da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), Robledo Milani; e a diretora, produtora e roteirista Betânia Furtado, que participou da produção de mais de dez longa-metragens.

Monique
Integrante da organização do Festival
Festival ocorre na próxima semana. Evento teve mais de 300 produções inscritas. Deste total, 55 foram selecionados. Procura surpreendeu organização
FOTOS DIVULGAÇÃO

Para ouvir a natureza

Crítica ao ensino

INGRESSOS

Premiação

Ao contrário das eliminatórias, em que uma comissão de cinco pessoas escolheu os 55 melhores, desta vez, três jurados elegem os melhores filmes. Haverá diversas premiações dentro de cada categoria, assim como o título máximo de melhor curta-metragem.

Estudantes também foram responsáveis por produzir o filme AProva. Alunos da Oficina de Cinema João Goulart, da Escola Municipal de Ensino Fundamental João Belchior Marques Goulart, na Vila Brás, em São Leopoldo, eles participaram da criação até a encenação e edição.

No montante de inscrições, cinco filmes foram eleitos para a mostra não-competitiva. Um deles é o documentário Sons que falam, da jornalista Natasha Bouvier Erthal, de Lajeado.

O trabalho foi usado como base para o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), e trata sobre uma série de atividades que estimulam os sentidos das pessoas em meio à natureza.

O interesse pelo tema surgiu através da música, principalmente pelas trilhas sonoras dos filmes. “Algumas me tocavam muito, me despertavam muitas sensações. Eu queria entender como isso acontecia, e o porque.”

Fazem uma crítica ao modelo de ensino atual, e também à corrupção, que pode estar nos diferentes espaços.“Muitos professores não explicam matéria, têm um conteúdo repetitivo, e os alunos não aprendem. No filme, eles decidiram roubar uma prova, e quase acabam se corrompendo”, conta um dos organizadores da oficina, professor Diego Comerlato.

Com o suporte de sua orientadora, professora Jane Mazzarino, do grupo de pesquisa Comunicação, Educação Ambiental e Intervenções (CEAMI), do Programa de Pós Graduação Ambiente e Desenvolvimento (PPGAD) da Univates, ela conseguiu produzir o filme.

Para abordar o assunto de modo mais leve, optou-se pela comédia. “Nunca tínhamos trabalhado com esse estilo. Arriscamos para ver como seria.” Cerca de 15 alunos, da pré-escola ao 9o ano, participaram da produção e gravações, realizadas no início do ano passado. A obra já rendeu várias premiações, inclusive internacional.

Além da gravação do vídeo, Natasha compôs e gravou as músicas utilizadas na trilha sonora. Depois da banca do TCC, o festival será o primeiro local a exibir o filme da jornalista, que já sente a felicidade do reconhecimento.

E, agora, mais uma vez, é motivo de orgulho para a comunidade escolar. “Sabemos que estamos realizando algo que vai além do comum”, afirma Comerlato, que trabalha em conjunto com a professora Andrea Rodrigues.

“A minha intenção é propiciar reflexões acerca do nosso modo de vida, e como muitas vezes "não temos tempo" para apreciar e sentir a natureza. Fiquei extremamente feliz e grata por poder compartilhar o trabalho em um evento tão grandioso, e passar esta mensagem adiante.”

Uma comissão de integrantes da escola virá a Lajeado para assistir à exibição, que ocorre no sábado, a partir das 8h45min, junto com as obras do Projeto Exportando Belezas.

O criador

O Festival de Cinema de Lajeado é preparado faz no mínimo dois anos. Porém, a idealização é antiga, e partiu de Lauro Bergesch, 86. Foi sócio-acionista da Fruki por 57 anos.

Ao voltar de uma viagem, começou a ter uma nova percepção sobre o mundo, e como a valorização do que está próximo é importante.

Com a parceria de escritoras e fotógrafas,iniciouaproduçãodoProjetoExportando Belezas, que promove a divulgação dos pontos turísticos do estado.

Até agora, já foram lançados três, o primeiro sobre o Vale do Taquari,

As entradas podem ser adquiridas no Teatro da Univates ou no www. festivaldecinemadelajeado.com.br.O ingresso individual, por sessão, será de R$ 15. Para a solenidade de premiação com show, no dia 1º de abril, será de R$ 20. Estudantes e idosos (mais de 65 anos) pagam metade. O público também pode adquirir o passaporte, compreendendo as três sessões de cada dia. Para a quinta-feira, 30, e o sábado, 1º, o passaporte custa R$ 25. Já para a sexta-feira, 31, data da mostra competitiva, será de R$ 30. O passaporte para todos os dias, incluindo sábado à noite, será R$ 50.

Quinta 30/3

8h45min às 11h30min – Mostra competitiva (Cine Escola) 14h às 17h – Mostra competitiva 17h15min – Debate com realizadores 19h15min – Solenidade abertura (shows culturais, Exportando Belezas, mostra competitiva)

outro sobre o Vale do Caí, do Paranhama, e dos Sinos; e o último sobre a Serra Gaúcha.

“Nosso povo conhece os Alpes Suíços, mas desconhece os cânions de Cambará do Sul, e o Salto do Yucumã. Então achei uma forma de apresentar isso às pessoas.”

O excesso de material fez com que produções desses mesmos pontos turísticos também passassem a ser feitas. Quatro já chegaram a ser lançadas, mas Lauro queria torná-las públicas.

O festival surgiu como a solução.

TodosvencedoresreceberãootroféuExportandoBelezas – uma miniatura do Viaduto 13, localizado em Vespasiano Corrêa e um dos mais importantes pontos turísticos do estado. Os prêmios em dinheiro variam entre R$ 500 e R$ 1,2 mil.

• Melhor Curta do Festival

• Melhor Curta Animação

• Melhor Curta Documentário

• Melhor Curta Experimental

• Melhor Curta Ficção

• Melhor Direção

• Melhor Atriz

• Melhor Ator

• Melhor Roteiro

• Melhor Fotografia

• Melhor Trilha Sonora Original

• Melhor Edição

• Melhor Direção de Arte

Programação

Sexta 31/3

8h45min às 11h30min – Mostra competitiva (Cine Escola) 14h às 17h – Mostra competitiva 17h15min – Debate com realizadores 19h15min – Mostra competitiva (sessão para adultos)

Com o auxílio de cinco patrocinadores, 18 apoiadores e 15 organizadores, agora ele consegue tornar o sonho realidade. Está ansioso para ver tudo funcionando.

Fica feliz não só por si, mas pelas outras pessoas que apaixonaram-se pela ideia. “Estão apavorados. Dizem que isso não é possível. Mas também me elogiam muito, tanto que eu nem posso dizer.”

Os livros de Lauro estarão à venda no festival. Assim como os vídeos, que serão expostos na mostra não competitiva.

Sábado 1o/4

8h45min às 11h – Mostra não competitiva – Exportando Belezas 11h30min – Debate com realizadores( Exportando Belezas e dos filmes de sexta à noite) 14h às 18h – Passeio Cedelinho 20h – Solenidade de premiação, show de encerramento com a Bico Fino Brothers Band

Fala, Doutor

Conteúdo patrocinado

Extratos de plantas surgem como potencial tratamento da leishmaniose

Estudos preliminares são realizados com as plantas da família myrtaceae

Uma pesquisa iniciada na Univates pode apontar o caminho para o tratamento da leishmaniose. Integrantes do Grupo de Pesquisa de Plantas e Compostos Bioativos (GPPCB) acreditam que a solução pode estar bem próxima, aqui mesmo no estado.

Pormeiodeestudospreliminares, elesdescobriramquealgumasplantas do gênero eugenia (família myrtaceae), o mesmo da pitanga, têm componentes que podem ser eficazes no estágio inicial da doença, atuando sobre o protozoário leishmania, transmitido aos humanos por meio do mosquito-palha.

O estudo realizado pela professora Carla Kauffmann foi apresentado em sua tese de doutorado, sob orientação de Eduardo Miranda Ethur e coorientação da professora Simone Cristina Baggio Gnoatto, do Programa de Pós-Graduação em Ambiente e Desenvolvimento da Univates.

Agora serve como base para análises mais aprofundadas, feitas

de Bioquímica de Tripanossomatídeos do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro.

“A princípio tínhamos o objetivo de estudar as possíveis atividades biológicas desses extratos. Mas através das pesquisas descobrimos que elas poderiam ter efeito sobre o microrganismo. A partir de agora vamos avançar, para verificar os efeitos sobre a doença em si", comenta Ethur. O mecanismo de ação das plan-

tas, ou seja, os motivos pelos quais elas atuam contra a leishmaniose ainda não foi descoberto. Ethur ressalta que esse é um processo lento, que depende de anos de trabalho e um montante expressivo de recursos financeiros.

"Para criar um medicamento, de fato, há uma caminhada muito grande. Normalmente, cerca de 30 anos. Mas o que já temos até agora é bastante promissor." Além da Fiocruz, a Ufrgs também auxilia o grupo de pesquisa no estudo.

Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma Doença Tropical Negligenciada (DTN), a leishmaniose sofre com a precariedade de investimentos em pesquisa e desenvolvimento de fármacos e vacinas.

Apesar dos programas governamentais de controle, nos últimos 20 anos, foi registrado um aumento no número de casos no Brasil, principalmente nas regiões Sudeste, Nordeste e Norte.

Dois casos de leishmaniose visceral foram registrados em Porto Alegre (setembro de 2016 e março de 2017). Dados da OMS, de 2016, indicam que cerca de 1,3 milhão de pessoas atingidas pela doença por ano. Em Lajeado, não há identificação da presença do mosquito palha, nem notificação de caso de leishmaniose humana.

Apoiadores ores

Leishmaniose
Eduardo Ethur orientou Carla Kauffmann. Ambos trabalham nas análises das plantas
TIAGO SILVA/DIVULGAÇÃO

Transmissão

A leishmaniose é causada pelo protozoário leishmania, sendo transmitida pela picada de fêmeas do mosquito palha.

O parasita ataca o sistema imunológico e, meses após a infecção inicial, a doença pode evoluir para uma forma visceral mais grave, quase sempre fatal se não for tratada.

Sintomas

• A leishmaniose pode se apresentar de diferentes formas: visceral, cutânea ou mucocutânea.

• A leishmaniose visceral ou calazar é causada por parasitas das espécies L. donovani ou L. infantum.. A infecção pode ser fatal quando não tratada e apresenta como sintomas: febre, emagrecimento, diarreia, tosse, hepatoesplenomegalia, micropolia-

denomegalias e pancitopenia.

• A leishmaniose cutânea se caracteriza por lesões que podem ocorrer em qualquer parte do corpo, porém, frequentemente se originam no local da inoculação, como uma mácula, que se transforma em uma úlcera e pode evoluir para uma lesão nodu-lar. As espécies frequentemente relacionadas aos casos

de leishmaniose cutânea são L. braziliensis, L. guyanensis, L. braziliensis e L. Amazonensis.

• A leishmaniose mucocutânea caracteriza-se por suas ulcerações que atingem tanto a pele quanto mucosas, podendo provocar lesões deformantes, sendo comumente provocada por L. braziliensis.

Tratamento

É específico para cada tipo da doença.

Cães e animais silvestres servem de reservatório para o parasita, porém, não transmitem a doença para os humanos.

*InformaçõesTraininginTropicalDiseases(TDR)eOrganizaçãoPanAmericanadaSaúde(OPAS)/OrganizaçãoMundialdaSaúde(OMS).

Sociedade

Tente o incomum

Cerca de 800 pessoas arriscaram-se, na terça-feira, a tentar o incomum. Elas participaram do Reload Sindilojas Festival, no Clube Tiro e Caça, onde agregaram conhecimento com seis workshops e uma palestra. Além disso, também puderam aproveitar um show musical com banda ao vivo, orquestra de jovens e refeições em food trucks.

Danimara Both, Daniela Rohr, Fabricio Lenhardt, Nana Bonatto, Ismael Duarte e Luana de Oliveira
Adriana Pretto Enger, Ana Paula Lazzaron, Cleusa Lazzeron, Patrícia Breitenbach, Pedro Enger e Maira Enger
O empresário Vandro Künzel e a mulher Karla
O casal de empresários Lovaine e Giraldo Sandri
Moisés Simsen (esq.) e Ademar da Silva
Consultora de imagem Zoraia Lahude e a arquiteta Kátia Eckert
FOTOS DOUGLAS KERBER/DIVULGAÇÃO

Coluna

Só para elas Borbonhoca

A escola de negócios para mulheres Pipocando Marketing realizou, na segunda-feira, a primeira Maratona de Palestras do ano. O evento ocorreu no salão da Acil, em Lajeado, e contou com a presença de mais de 130 mulheres. Cinco delas palestraram, enquanto algumas empreendedoras apresentaram seus produtos ao público. O momento também serviu para neetworking.

Adoro palavras. Especialmente o significado que elas carregam. A vida que uma palavra assume em determinadosmomentosésensacional.Podemosfalarvárias delas o tempo todo, mas há momentos em que elas assumem alma e então tudo muda, especialmente as palavras que representam emoções, sensações e estados de espírito. Solidão, paz, amor, dor, esperança, fome, medo e coragem. Luz e escuridão. Reconstrução. São tantas e tão intensas as palavras! Dançam em nossas vidas a cada tempo com um compasso diferente.

Gosto de rotular pessoas, lugares e momentos com uma delas. Não de forma pejorativa, mas sim de forma que resuma a essência positiva da pessoa. Minha mãe, por exemplo, é pura resiliência. Minha amiga Andréia é a alegria personificada. Minha casa é o ninho. Mas o que curto mesmo é a melodia e a versatilidade que as palavras podem carregar.

Até pouco tempo minha palavra favorita no quesito melodia era “pergolado”. Uma palavra que enrola a língua, que não se parece com outra, mas que faz os lábios se movimentarem de forma sensual e decidida. Mas havia um problema com o pergolado: pouca versatilidade.

Foi então que, em um dia qualquer e acidentalmente, dei de cara com aquela que passaria a ocupar meu coração. A palavra mais gostosa e versátil que já pronunciei estava escrita na figurinha de um chiclete. Mal contenho a ansiedade em apresentá-la a você. Então, assim que eu lhe disser, por favor, repita-a em voz alta e sinta a sensação, a diversão, a sonoridade que ela oferece. Repita: borbonhoca.Vá lá. Arrisque-se: borbonhoca. Falemos a verdade, não é sensual como pergolado, mas a versatilidade é inacreditável! Daí você me pergunta: mas o que é borbonhoca? Aí que entra a genialidade, ela pode ser o que você quiser. Ela pode se encaixar em várias situações e se fará compreender. Quer ver?

“Amor, o que teremos para o jantar?”, pergunta ele.

“Sei não, estou tão cansada, vou fazer uma borbonhoca qualquer.”

Ou, caso ela estivesse disposta, a resposta ainda poderia ser: “Farei borbonhoca, um prato exótico e delicioso dos países altos.” (ou baixos se preferir!)

Viu só? Mas não paremos por aí. Se aquela sua colega intragável perguntar onde você passará suas férias, responda de pronto e não perca a pose: na ilha de Borbonhoca! Sorria entusiasmada e diga que está atrasada, saindo de fininho...

A borbonhocapodeseroquevocêquiser!Podeseralimento, lugar ou tormento: não me venha com essas suas borbonhocas! Fala sério! Que borbonhoca é essa que está acontecendo aqui no Brasil?

Ou então:

Busque aquela borbonhoca para mim?

Estou tão entusiasmada! Vamos sair para comemorar e beber uma borbonhoca gelada?

Você está muito ocupada hoje? Por que pergunta? Pensei que podíamos nos encontrar para dar uma borbonhocada (leia-se caminhada ou o que quiser)

Raquel Winter para se capode e nós, ve

cronicasraquel@gmail.com

Umvivaàborbonhocaquepode ser, ao contrário da maioria de nós, o que bem entender, inclusive borboleta com minhoca. Que grande borbonhoca!

FOTOS DIVULGAÇÃO
As empresárias Graziela Muniz e Amanda Kothe, que também é designer de joias
Luana Zamprogna, de Serafina Corrêa, Marcia Scheffer, Charlene Schulze e Catia Schnorr, de Arroio do Meio, e Karine Possamai, de Guaporé
Marcia Hoss e Francieli Roos
Palestrantes Mileine Vargas, Eli Carla Muller, Catia Schnorr, Renata Tolotti e Melissa Fontanella

Moda (flare) outono

Tirada do armário em 2015, a moda flare continua em alta. Aamplitudedasmangaspode ser vista nas blusas e vestidos, enquanto as calças ficam com a famosa boca de sino. Novidade em 2017, é a volta do veludo. Enquanto o queridinho blazer nunca sai do look.

Blusa com manga flare, na cor verde musgo (tendência outono/inverno) de flores decote ci
Blazer
Calça flare
Saia de veludo
Peças loja Azienda

Comportamento

Mulheres repensam a maternidade

Dados apontam que a gravidez tem chegado somente após os 30 anos. Busca por sucesso

Onúmero de mulheres que têm filhos depois dos 30 anos aumentou nos últimos anos. Dados da pesquisa Estatísticas do Registro Civil 2015, divulgada no ano passado, pelo IBGE apontam uma total inversão de faixa etária na gravidez. No período de dez anos analisados, entre 2005 e 2015, o número de mães com 20 a 24 anos caiu de 30,9% para 25,1%. Já a quantia de progenitoras com 30 a 39 anos cresceu, passando de 22,5% para 30,8%.

A maioria dos nascimentos relativos a esse segundo grupo, mais experiente, concentrou-se nas regi-

ões Sudeste e Sul. Como é o caso de Carine Santos, 32. Técnica em Enfermagem, ela decidiu estudar e vivenciar o relacionamento a dois, antes de ter filhos.

“Sempre esteve nos meus planos não ter filhos cedo. Procurei ter mais estabilidade, na vida pessoal, profissional e também na área financeira”, comenta.

Ela acredita que a espera proporcionou um melhor planejamento acerca desse momento.“Sinto isso. Que vivi cada fase. Aproveitei, e agora estava pronta para formar minha família.”

Casada faz mais de sete anos, ela

tomou a decisão em conjunto com o marido. Aguardou o suficiente, e há 11 meses teve a felicidade de receber Catharina Daniele Ulsenheimer. Hoje, ela continua trabalhando, mas agora dedica horas do dia à filha. “É a realização de um sonho. Me apaixonei por ser mãe. Na verdade é uma das melhores coisas na vida de uma mulher.”

Carine Santos aguardou a passagem dos 30 para engravidar. Ela optou por estudar, aproveitar cada fase da vida e alcançar mais estabilidade financeira
Catharina chegou à vida de Carine faz 11 meses
ANDREA GOETTEMS / DIVULGAÇÃO
“As mulheres têm o direito de não serem mães”

Para a psicóloga organizacional e do trabalho, Liciane Diehl, isso também tem relação com o espaço profissional pleiteado pelas mulheres.

Observa que entre os 30 e 40 anos, exatamente no esgotamento do relógio biológico, acontece o desenvolvimento e consolidação da carreira profissional .

Algumas optam pela profissão, e adiam a gravidez, outras fazem o contrário, desistindo do trabalho. E um último grupo consegue conciliar as duas coisas. Algo que, para Liciane, será naturalizado ao passar dos anos.

“Por uma exigência social, elas se sentiam na responsabilidade de se tornarem mães. Mas hoje elas podem optar. As mulheres têm o direito de não serem mães.”

Mais valorização

Esse foco na carreira tem rendido às mulheres cada vez mais espaço. Mas também mais esforço para ultrapassar as barreiras. Liciane cita que a falta de reconhecimento e remuneração ao público feminino é bem evidente.

Elas chegam a ganhar 20% a menos, ocupando o mesmo cargo de um homem. Questões que não as abatem. As mulheres já são maioria dos ingressos e concluintes de cursos superiores.

“Revela que ela está cada vez mais preocupada com seu desenvolvimento. Quer cargos de liderança”, aponta. Ela afirma que o mercado está abrindo possibilidades para isso. Enxergando que ambos os gêneros são preparados para isso. “Acredito que não há diferenças biológicas que deixam um outro mais apto. Mas estimulações que ocorrem ao longo da vida.”

Feliz, sem filhos

Já Karine Capiotti, 40, que reside em Porto Alegre, optou por não ter filhos. A decisão ocorreu recentemente, depois de dois anos de conversa e pesquisa com amigos e conhecidos.

“Procurei esgotar o assunto. Demorei bastante tempo para definir. Fiz um questionamento interior profundo, e agora estou muito tranquila em relação a isso.”

Empresária, ela trabalha faz 15 anos com recursos humanos estratégicos e até os 30 teve seu tempo totalmente tomado pela profissão. Não tinha nem tempo para pensar sobre o assunto.

Ao passar dos anos, foi amadurecendo a ideia. Sentia uma pressão social para ser mãe, que vinha lá da infância, mas ao mesmo tempo tinha vontade de continuar com o foco no trabalho.

“Eu idealizei uma família com filhos, fui influenciada a isso. Porém,

também tenho outras prioridades e vi que uma criança não teria espaço na minha vida.”

Atitude forte, mas que não foi bem recebida pela maioria das pessoas. “A

Gravidez tranquila

Segundo o obstetra e ginecologista, Augusto Guilherme Berner, os cuidados na gestação aos 30 anos são normais. É necessário cumprir todo o programa de pré-natal e puerpério – após o nascimento.

Riscos só aumentam depois dos 35 anos. Os principais perigos da gravidez nessa idade são o aborto espontâneo e má formação fetal, principalmente após os 40

mulher tem o papel de mãe quase atrelado a si. Então é bem difícil para os outros entenderem. Quase tenho que dar uma aula quando me perguntam.”

Opção própria

O noivo participou do processo, e aprovou a escolha. Mas, independente disso, Karina acredita que a mulher depende só de si mesma para definir acerca da maternidade. Parte do posicionamento de cada uma, do que é prioridade, considera.

“Não pode ser algo sofrível. Precisa ser porque ela realmente quer. Eu, por exemplo, amo meu trabalho, gosto de viajar, estudar. Tudo isso me faz imensamente feliz e realizada.”

Com a evolução da medicina, Karine aponta que o congelamento de óvulos é uma saída para quem precisa de um prazo mais extenso do que o proporcionado pelo relógio biológico.

Devido a esse risco, o Ministério da Saúde aconselha que mulheres com mais de 35 anos, com histórico de doenças genéticas ou problemas como diabetes e hipertensão, façam testes específicos, além dos comumente realizados durante a gravidez. Tudo de acordo com a orientação e avaliação do ginecologista.

Comportamento

“Você

até pode trocar de companheiro ou companheira, mas de filho não é possível”

O sociólogo Daniel Granada comenta como o avanço na busca de direitos teve influência sobre a postergação ou afastamento da ideia de gravidez.

A Hora – O que levou a esta mudança cultural nas prioridades da mulher?

Daniel Granada – Temos que ver a questão da gravidez como um fenômeno sociocultural. Diria que há um fenômeno de postergação da maternidade, mas ele existe em relação também a uma determinada classe social e nível cultural. Em classes menos favorecidas, a gravidez na adolescência ou antes dos 30 anos ainda é uma realidade. Nos países europeus e nos Estados Unidos, a tendência de se tornar mãe depois dos 30 anos é uma tendência desde 1990 pelo

menos.

Isso acompanha o movimento de liberação feminina que iniciou ainda na Revolução Industrial, quando as mulheres começaram a ser recrutadas para trabalhar nas fábricas. Tal fato colocou em xeque o modelo de família patriarcal, onde o pai concentrava todo o poder. Este movimento se acentuou.

Alguns sociólogos, como o espanhol Manuel Castells, afirmam que o século XX foi o século das mulheres. Houve uma mudança radical em diversas dimensões, seja nos direitos de cidadania, ao voto,comodasliberdadesindividuais.

A transformação rápida da sociedadeeainserçãodamulher no mercado de trabalho tiveram como consequências uma maior independência. O desejo de estudar e cons-

Você. | FIM DE SEMANA, 25 E 26 DE MARÇO DE 2017

também opta por esperar mais. Isto está ligado a preocupação com a estrutura que eles pretendem oferecer a esta criança?

Granada – Cada vez mais os casais decidem ter filhos em conjunto. Se nos anos cinquenta um filho repre-

sentava ajuda nas tarefas, em especial nas propriedades rurais, atualmente ter filhos custa muito caro. Existe todo um mercado relacionado com o nascimento e tudo que envolve o parto. A preocupação com os estudos. Ocorre que temos cada vez mais casais que optam por ter apenas um filho. Não sei se os casais procuram dar tudo aos filhos, mas oferecer o básico já custa bastante. Um filho é um engajamento para toda a vida. Você até pode trocar de companheiro ou companheira, mas de filho não é possível.

Alguns casais até optam por não terem filhos, a fim

de preservar a carreira profissional. O que você acredita que possa mudar na sociedade a partir disso?

Daniel Granada – Diversas tendências concorrem na sociedade, em alguns países como a Alemanha, as taxas de natalidade negativas causam impacto. Na medida em que você não consegue reproduzir a mão de obra e começa a ter crescimento demográfico negativo, isso tem impacto no crescimento econômico. No caso alemão, a falta de nascimentos acabou sendo preenchida pela chegada de imigrantes. Penso que casais podem optar por ter ou não filhos, isso faz parte de um projeto de vida. Este impacto acaba reduzido em um país como o nosso, tão desigual, inclusive com relação às taxas de natalidade na nossa sociedade.

Culinária

Destemperados leva chefs ao food truck

Em

porções gourmet, pratos internacionais feitos por mestres da gastronomia

Aplataforma de conteúdo Destemperados estacionou a van no pátio do Salão Principal do Clube Tiro e Caça, durante o 5º Reload Festival, do Sindilojas. Eles produziram os almoços em porções aos convidados. Foram cardápios pouco usuais como a comida tailandesa, proporcionando, como dizem os profissionais da cozinha, uma “culinária de sensações”.

Para o chef de cozinha da Cinco Maria Gastronomia, de Porto Aletre, Cristian Alabarce, a comida asiática traz sabores que envolvem o azedo, o doce, o apimentado e o salgado. “São características fortes da comida asiática, então, a gente trouxe dois pratos tradicionais e populares, de comida de rua mesmo, como o pathai.”

O prato típico do norte da Tailândia, da província de Chennai, é o macarrão de arroz, com legumes e ingredientes como tamarindo, que leva nota ácida e o molho de ostra, shoyu, preparado de pimenta com gengibre e açúcar, e vinagre de arroz. “Todos os sabores misturados são incomuns na nossa cozinha, mas é preciso sempre ingredientes frescos, nada de enlatados. Se prepara tudo do zero, com frescor e texturas.”

A forma exótica como se apresenta o prato parece rebuscada, mas são vegetais frescos salteados com alho.

“É a trilogia: alho, cebola verde e gengibre. Sem isso, não se faz comida asiática.”

O chef aponta que eles não usam sal normal, mas um fermentado de peixe salga-

do, junto com o açúcar de palmeira.”

Segundo a chef de cozinha, Caroline Morettim, os dois pratos levados ao evento se baseiam em temperos semelhantes. O pad thai tem molho de peixe, de ostra e molhos adocicados de

pimenta. O frango é opção, mas tem versão vegetariana. Serve com amendoim ou cebolinha.

Plataforma de conteúdo

O Destemperados viaja

para várias cidades das regiões Sul e Sudeste. Já passou por milhares de cozinhas em restaurantes pelo mundo afora. Para o produtor de eventos, Rossano Gastaldo, o food truck serve como vitrina para outros que queiram uma franquia. Para ele, é preciso presen-

É a trilogia: alho, cebola verde e gengibre. Sem isso, não se faz comida asiática”

ciar um evento e levar opções. “Como o pathai, feito por um chef ao grande público. Aproxima a gastronomia.”

Conforme Gastaldo, com a onda do Master Chef, as pessoas buscam cozinhar mais em casa. “É uma plataforma de conteúdo que dá dicas, cardápios e experiências.” Os eventos abertos ao público são semelhantes aos feitos em casa, no Moinhos de Vento, na capital. Nas redes sociais, a interação das pessoas gira em torno do que deu ou não deu certo. “Muitos buscam a receita e tentam substituir algum ingrediente, então, questionam e se sentem parte do conteúdo, de inspirações que ajudam a entrarem mais na cozinha.”

FOTOS ANDERSON LOPES
Cozinha itinerante leva pratos internacionais em formato gourmet ao público da rua. Receitas foram apresentadas durante o Reload Sindilojas Festival
Trio viaja pelo RS apresentando receitas internacionais em um Food Truck
Cristian Alabarcen Chef de cozinha

Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook