FAÇA SUA
ASSINATURA 51 3710.4200 51 99352.6402
Acompanhe o portal do Grupo A Hora
ANÁLISE, CURADORIA E OPINIÃO DE VALOR Terça-feira, 27 de outubro de 2026 | Ano 25 - Nº 4213 | R$ 5,00 (dia útil) R$ 9,00 (fim de semana) FÁBIO KUHN/365 VEZES NO VALE
Liberação alivia custo logístico Três meses após ser interditada, ponte que liga Muçum a Encantado volta a receber tráfego de veículos pesados Interditada após a primeira enchente registrada em 2026, no mês de julho, a Ponte Tarso Dutra teve a reabertura definitiva confirmada para amanhã pelo governador Eduardo Leite. Gestores e líderes da região apontam para a normalização do abastecimento das empre-
sas, escoamento da produção e acesso a comércio e serviços. Por outro lado, fica mantida a necessidade de fortalecer a infraestrutura na região para minimizar impactos de eventos climáticos, como os que danificaram a passagem sobre o Rio Guaporé. PÁ G I N A | 5
OPINIÃO | FERNANDO RÖHSIG
OPINIÃO | RODRIGO MARTINI
OPINIÃO | VINI BILHAR
Quem gere não deve controlar
Para baixar a temperatura
Incentivo ao comércio local
Conflito de papéis e falta de contraponto ameaçam a perenidade de empresas.
Vice-presidente será escalado para coordenar “pacto econômico” com o setor produtivo.
Campanha da CDL Lajeado estimula compras de fim de ano nas empresas da cidade.
NATAL DA GIRANDO SOL
Decoração reúne mais de 750 mil lâmpadas MANUELA BORTOLINI/DIVULGAÇÃO
ENERGIA E EXPANSÃO
Certel projeta mais quatro hidrelétricas
PCH Vale do Leite será entregue no início de 2027. As demais usinas ao
longo do Forqueta passam por análise ambiental, técnica e econômica.
RESGATE DE MEMÓRIAS DESAFIOS NO CAMPO
Excesso de chuva trava plantio e ameaça safras
DIVULGAÇÃO
PÁ G I N A | 3
DEPOIS DAS URNAS
PL aceita resultado e Flávio articula oposição Senador quer cassação da chapa de Lula por abuso de poder econômico. PÁ G I N A | 3
Juristas separam acusação da controvérsia sobre horário de votação.
PÁ G I N A S | 6 e 7
Umidade dificulta colheita do trigo, atrasa semeadura da soja e do milho e acende alerta na pecuária leiteira da região. PÁ G I N A S | 12 e 13
Escola de Sério prepara centenário PÁ G I N A | 1 1
2 | A HORA
Terça-feira, 27 de outubro de 2026
E D I TO R I A L
A B R E A S PA S
A conta depois das urnas
“Ser mesária deixou de ser apenas uma função e passou a fazer parte da minha história”
P
assada a eleição, o governo precisa comprovar como financiará os compromissos da campanha. A legitimidade das urnas permite conduzir o país, mas não dispensa escolhas sobre gastos, impostos e dívida. Cada promessa tem um custo que permanece depois da votação. Ampliar benefícios trouxe apoio eleitoral. Sustentá-los exige uma economia capaz de gerar renda e arrecadação. Quando as despesas permanentes dependem de novas dívidas, a conta avança sobre os próximos orçamentos e restringe o dinheiro para serviços e investimentos.
Ampliar benefícios trouxe apoio eleitoral. Sustentá-los exige uma economia capaz de gerar renda e arrecadação.” A preocupação do setor produtivo merece respostas. Empresas precisam conhecer regras e custos para contratar e crescer. Juros elevados e incerteza tributária adiam decisões. Nos pequenos negócios, novas obrigações encontram pouca margem para absorção. Governo e Congresso terão de rever despesas, privilégios e incentivos sem retorno. Preservar interesses políticos enquanto se cobra mais de quem produz enfraquece a capacidade de financiar o próprio Estado. O próximo mandato será medido pela entrega. Proteger a renda e melhorar serviços exige preservar as condições de investimento e emprego. O custo da vitória eleitoral não pode comprometer o futuro do país. Filiado à
Fundado em 1º de julho de 2002 Vale do Taquari - Lajeado - RS
Av. Benjamin Constant, 1034, Centro, Lajeado/RS grupoahora.net.br / CEP 95900-104
FAÇA SUA ASSINATURA
51 3710-4200
Editor-chefe da Central de Jornalismo: Felipe Neitzke
Contatos eletrônicos:
assinaturas@grupoahora.net.br comercial@grupoahora.net.br faturamento@grupoahora.net.br financeiro@grupoahora.net.br centraldejornalismo@grupoahora.net.br atendimento@grupoahora.net.br
Os artigos e colunas publicados não traduzem necessariamente a opinião do jornal e são de inteira responsabilidade de seus autores. Impressão Zero Hora Gráfica
Diretor Executivo: Adair Weiss Diretor Editorial e de Produtos: Fernando Weiss
DANIÉLY SCHWAMBACH
Há 22 anos, Sabrina Bruxel Sulzbach dedica parte dos fins de semana de eleição a uma tradição que começou com os pais. Natural de Estrela, a servidora pública de 48 anos é presidente de mesa desde 2004 e, conforme informações recebidas da Justiça Eleitoral, tem o maior tempo de atuação na função na 21ª Zona Eleitoral, que abrange Estrela, Bom Retiro do Sul, Colinas e Fazenda Vilanova. Entre reencontros, histórias curiosas e responsabilidades, encontrou no trabalho voluntário uma forma de contribuir com a comunidade Daniély Schwambach daniely@grupoahora.net.br
Como começou sua trajetória como mesária? Comecei em 2004, pouco depois de ingressar no serviço público. Sou auxiliar de biblioteca concursada em Lajeado e, atualmente, estou cedida ao Sindicato dos Servidores Públicos Municipais. Também presido o Lions Clube de Estrela. Desde a primeira eleição como mesária, fui presidente de mesa. No começo, as folgas eram um incentivo, mas, com o tempo, a atividade ganhou outro significado. Passei a gostar dos encontros e de contribuir com a comunidade.
Essa ligação com as eleições vem de família? Sim! Meus pais foram mesários em Colinas e depois em Estrela. Os dois chegaram a ser presidentes de mesa. Quando deixaram a função, dei continuidade. Cresci acompanhando esse compromisso e aprendi com eles a importância da responsabilidade. Meu pai, inclusive, está querendo voltar a atuar. É muito especial ver essa história continuar.
Como foi descobrir que você é a presidente de mesa mais antiga da 21ª Zona Eleitoral?
Fiquei muito surpresa, porque não sabia. Também fiquei feliz e orgulhosa. São 22 anos de dedicação, aprendizado e convivência com pessoas diferentes. Nunca encarei essa atividade apenas como uma obrigação. Gosto de participar e de contribuir para que tudo aconteça da melhor forma.
O que mais marcou você nesses 22 anos?
Os reencontros. Já encontrei antigos alunos, amigos e pessoas que não via havia muito tempo. Trabalhei por anos na seção 22, na Prefeitura, e depois fui para o salão da Oase. Nesta eleição, passei para a seção 29, e alguns eleitores até me procuraram porque estavam acostumados a votar comigo. Também há situações engraçadas, como quem tenta apertar os números na tela da urna, achando que é sensível ao toque.
Qual é a maior responsabilidade de uma presidente de mesa?
É garantir a organização e o cumprimento das orientações da Justiça Eleitoral. O
trabalho começa no sábado, com a preparação da urna. No domingo, organizamos a seção, conferimos documentos e orientamos os eleitores. Também gosto de conversar com a equipe e explicar as funções de cada um. É um compromisso que exige atenção e pontualidade.
Depois de tanto tempo, o que motiva você a continuar?
Gosto muito do que faço, do trabalho em equipe e dos reencontros. Cada eleição tem uma história diferente. Minha filha até brinca e pergunta se a eleição vai cair de novo no aniversário dela, porque isso já aconteceu. São lembranças que ficam. Se Deus quiser, pretendo continuar por muitos anos.
O que diria para quem pensa em ser mesário?
Vale muito a pena experimentar. É uma oportunidade de contribuir com o país, conhecer pessoas e aprender. É um trabalho de formiguinha, mas de grande importância. Se tivesse que resumir esses 22 anos em uma palavra, seria comprometimento. Quando acreditamos no que fazemos, deixa de ser apenas uma função e passa a fazer parte da nossa história.
A HORA | 3
Terça-feira, 27 de outubro de 2026
ENERGIA E EXPANSÃO
Certel projeta novas hidrelétricas DIVULGAÇÃO
Além da geradora de energia em construção sobre o Rio Forqueta, a cooperativa planeja investir em outras quatro
ERINEO JOSÉ HENNEMANN PRESIDENTE DA CERTEL
Lautenir Junior
lautenir@grupoahora.net.br
O mercado de energia muda, por isso precisamos acompanhar as oportunidades e manter um planejamento bem estruturado.”
VALE DO TAQUARI
C
om 80 mil associados em 48 municípios, cooperativa avança na geração de energia, prepara novos empreendimentos no rio Forqueta e busca ampliar a competitividade diante das mudanças do mercado elétrico. A Certel projeta o futuro com investimentos na infraestrutura de distribuição e na ampliação da geração de energia. A cooperativa destina cerca de R$ 150 milhões à estrutura operacional, que inclui redes, subestações, transformadores, veículos, equipamentos e equipes de operação e manutenção. Na geração, o foco está na hidrelétrica Vale do Leite, com entrega prevista para início de 2027, e em quatro novos empreendimentos previstos para a bacia do rio Forqueta. “Precisamos estar sempre preparados para atender às necessidades dos nossos associados. Os investimentos em redes, subestações e equipamentos inteligentes aumentam a capacidade de atendimento e permitem uma resposta mais rápida, principalmente em situações de emergência”, afirma o vice-presidente da Certel, Daniel Luis Sechi.
Hidrelétrica do Vale do Leite tem previsão de entrega prevista para início do próximo ano
Energia comercializada por 20 anos A tecnologia também integra essa estratégia. Em parceria com outras cooperativas de energia do Rio Grande do Sul, por meio da Federação das Cooperativas de Energia, a Certel contratou um sistema de inteligência artificial que cruza dados meteorológicos e informações técnicas da rede elétrica. Segundo Sechi, a ferramenta apresenta índice de acerto superior a 70% nas previsões e auxilia na preparação das equipes, na gestão de estoques e na organização da logística.
O principal investimento atual em geração é a hidrelétrica Vale do Leite, orçada em cerca de R$ 100 milhões. O empreendimento conta com financiamento de quatro cooperativas Sicredi e integra uma iniciativa de cooperação regional. A energia produzida já foi comercializada para entrega a partir de 2030, em contrato com duração de 20 anos. A usina deve gerar energia equivalente ao consumo de cerca de 20 mil pessoas. “É um investimento que nos dá
a garantia de retorno, porque a energia já está vendida para os próximos 20 anos”, destaca o presidente da Certel, Erineo José Hennemann. Além da Vale do Leite, a cooperativa mantém outros quatro projetos hidrelétricos na bacia do rio Forqueta. Cada empreendimento tem investimento estimado na faixa de R$ 100 milhões. Os projetos passam por análise ambiental e dependem de viabilidade técnica e econômica.
A estratégia prevê a participação em leilões públicos de energia para comercializar antecipadamente a produção das futuras usinas. A cooperativa considera o leilão previsto para 2027 uma oportunidade para negociar energia com entrega a partir de 2031, alinhando os contratos ao cronograma de construção. “O mercado de energia muda, por isso precisamos acompanhar as oportunidades e manter um planejamento bem estruturado”, explica Hennemann.
Girando Sol projeta 750 mil lâmpadas em evento de Natal Atração ocorre em 14 de novembro, com show gratuito da Família Lima e público estimado em 15 mil pessoas ARROIO DO MEIO
O Natal Iluminado da Girando Sol ocorre em 14 de novembro, com uma estrutura ampliada em relação à edição anterior. A decoração terá mais de 750 mil lâmpadas no pátio da empresa, no entorno e nas fachadas dos prédios da expedição e da área administrativa. Em 2025, foram utilizadas 260 mil lâmpadas, volume que representa um aumento de cerca de 188% na quantidade prevista para este ano.
Entre os principais elementos da decoração estão oito estrelas cadentes de seis metros de altura, um presépio de sete metros de largura, um Papai Noel de cinco metros e um pinheiro iluminado de dez metros. A novidade desta edição é a mensagem “Feliz Natal”, que ficará exposta na caixa-d’água da empresa, a 26 metros de altura. Velas e luminárias artesanais também integram o cenário. A instalação está a cargo da Espaço Luz e do empreendedor Edemar Immich. A organização prevê estrutura coberta, independentemente das condições climáticas, além de food trucks, estacionamento e espaço para o público. A estimativa é de até 15 mil pessoas. A recomendação é que os visitantes levem cadeiras.
DIVULGAÇÃO
Celebração A programação integra as comemorações dos 35 anos da Girando Sol, com o tema “Celebrando o cuidado que inspira novas histórias”. O evento terá show de fogos, presença do Papai Noel e apresentação gratuita da Família Lima.
O Natal Iluminado Girando Sol integra o projeto cultural “Família Lima pelo Sul do Brasil”, por meio da Lei Rouanet. A produção cultural é da Nova Produções, com patrocínio da Girando Sol e realização do Ministério da Cultura.
Atração ocorre em 14 de novembro, em Arroio do Meio, com show gratuito da Família Lima e público estimado em 15 mil pessoas
4 | A HORA
Terça-feira, 27 de outubro de 2026
TEMPERATURA E ECONOMIA
Lula pode indicar Alckmin a novo pacto RODRIGO MARTINI com setor produtivo rodrigomartini@grupoahora.net.br
TIRO
U
m dos principais e mais longínquos braços direito do presidente reeleito Lula (PT), o deputado federal gaúcho Paulo Pimenta (PT) deve integrar o governo federal a partir de 2027. Ele já foi Ministro da Reconstrução nesta atual gestão e ontem participou do programa Conexão Regional. Além de externar a preocupação em “diminuir a temperatura do país”, que ainda ferve em função das eleições e relações polarizadas, ele anunciou a intenção do governo federal de indicar o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para coordenar um “pacto econômico” com o setor produtivo. Duas vezes governador do estado de São Paulo, Alckmin tem muita experiência e trânsito entre empresários. E historicamente defendeu pautas mais liberais. Na semana passada, por exemplo, o vice-presidente participou no Palácio Piratini do ato de entrega da Licença Prévia (LP) ao
bilionário Projeto Natureza (foto), da empresa CMPC, previsto para Barra do Ribeiro, na Região Metropolitana de Porto Alegre. É um empreendimento de R$ 27 bilhões que enfrenta resistência de ativistas e ambientalistas mais ligados à esquerda, mas conta com apoio e admiração de Alckmin. Na entrevista, Pimenta enfatizou que o vice-presidente foi escalado como peça-chave para liderar o diálogo com o setor produtivo e buscar um ambiente de previsibilidade, redução da taxa de juros e expansão dos investimentos privados no país. O deputado também defende a construção conjunta de uma agenda focada na competitividade, na reforma tributária e no estímulo ao crédito. Entre outras ações. Ele também sabe que não será tarefa fácil vencer a desconfiança dos empresários. Mas os primeiros movimentos anunciados pelo braço direito de Lula me parecem corretos.
Pimenta à disposição do Vale (e de Zucco) Líder do governo no congresso, Paulo Pimenta conhece as dores do setor produtivo do Vale do Taquari. Já debateu e muito com empresários locais, líderes regionais, prefeitos e prefeitas, e isso sempre facilitou o diálogo direto com o governo federal. E hoje, diante do pessimismo empresarial com a quarta vitória de Lula, a proximidade e o diálogo aberto com o deputado federal podem beneficiar o Vale. Além da possibilidade de Maneco Hassen (PT) voltar a atuar ao lado dele.
Ontem, durante a entrevista a Rádio A Hora, o deputado federal também sinalizou para atuar como ponte entre o futuro governo estadual e o Palácio do Planalto. Nos microfones, Pimenta colocou-se publicamente à disposição do governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), para facilitar o diálogo com o Poder Executivo federal, assegurando a manutenção das pautas prioritárias do Estado e a transição das demandas gaúchas em Brasília.
DE OLHO EM 2030?
EDUARDO LEITE
Os dois lados são ruins. Os brasileiros estão exaustos dessa guerra. É preciso parar de achar que existe um ‘salvador da pátria”.
Eduardo Leite realimenta o sonho por terceira via Governador do Rio Grande do Sul desde 2019, Eduardo Leite (PSB) tentou concorrer duas vezes a presidente da República. Em 2022 e 2026. E não conseguiu emplacar a candidatura. Em ambas as oportunidades, o ex-tucano se apresentou como uma “terceira via”. Nem tão à direita e nem tão à esquerda. Um “liberal moderado”. E ainda não emplacou, reforço. Mas ele não desistiu de alimentar o sonho de uma via alternativa ao país. “Os dois lados são ruins. Espero que o vencedor tenha dignidade de estender a mão aos eleitores do outro lado. Os brasileiros estão exaustos dessa guerra. É preciso parar de achar que existe um ‘salvador da pátria’. Precisamos fortalecer nossas instituições para construir um futuro de longo prazo. É preciso parar de considerar o outro lado como um mal a ser exterminado”, afirmou o único governador gaúcho reeleito na história, durante entrevista em Pelotas antes do início da apuração. Logo após a vitória de Lula, Leite se manifestou nas redes. Reconheceu a vitória do petista e voltou a pregar moderação. “Aos que comemoram, que a alegria não se transforme em provocação ou humilhação. Aos que estão frustrados com o resultado, que possam compreendê-lo com serenidade e respeito às urnas”, salientou. Não por menos, e mesmo com a possibilidade de migrar ao setor privado – no Brasil ou no exterior –, muitos torcem para ele tentar a presidência em 2030.
- Só Fernando Collor, em 1989, e Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998, venceram Lula. - Lula completa 81 anos de idade hoje. Ao fim do quarto mandato na presidência, em 2030, estará com impressionantes 85 anos de idade. Até lá, o líder da esquerda precisa pensar em um sucessor. E o nome do deputado federal André Janones (Rede), que idealizou e liderou o “Exército de Lula”. - Janones é mineiro e conquistou 78,7 mil votos em 2026. Mas são números que devem ficar no passado. Após mobilizar mais de 10 milhões de seguidores no WhatsApp, ele passou de 2,7 milhões para quase 7 milhões de seguidores no segundo turno. Um novo fenômeno das redes sociais. - Não vi muitos prefeitos (as) manifestando voto a presidente no Vale. Ou seja, a reeleição de Lula não deve afetar as conexões e acordos já firmados com a União. Aliás, sempre deveria ser assim. - É grave. Ainda no domingo a noite, logo após o resultado das eleições e com base em um comentário do irmão Eduardo - ele afirmou que Flávio Bolsonaro também deveria deixar o país em caso de derrota nas urnas -, o Ministro do STF Alexandre de Moraes mandou a PF recolher o passaporte do senador derrotado por Lula.
Zucco questiona vitória de Lula. Mas sinaliza diálogo
Na festa da própria vitória, no primeiro turno, o governador eleito Luciano Zucco (PL) bravejou aos militantes de direita que o desejo dele pós-vitória no pleito gaúcho era “prender o barbudo”, em uma clara referência ao presidente Lula (PT). Uma fala desnecessária. Ontem, um dia após a surpreendente virada do petista sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), Zucco lançou nota à imprensa e, assim como o colega de PL, questionou a quarta vitória de Lula nas urnas. De acordo a nota do governador eleito no RS, o pleito de 2026 foi “mais uma eleição presidencial com interferências abusivas, dados contraditórios e questionamentos que precisam ser devidamente esclarecidos”. E mais. Segundo Zucco, “a confiança dos
brasileiros exige transparência, respeito à lei e respostas a todas as contestações legítimas”, e ele garante que irá “acompanhar com atenção os desdobramentos e as medidas que venham a ser adotadas”. E tudo isso tem a ver com o STF, claro. Por outro lado, e isso é o mais importante a destacar, Zucco reforçou a intenção de defender os interesses dos gaúchos “diante de qualquer presidente da República”. É um aceno ao necessário diálogo. “Tenho posições políticas claras e não abro mãos dessas. Mas fui eleito governador para trabalhar pelo Rio Grande do Sul. Acima das diferentes políticas está a responsabilidade com o nosso Estado. O Brasil é maior do que qualquer governo. E o RS pode contar comigo”, finalizou.
A HORA | 5
Terça-feira, 27 de outubro de 2026
REGIÃO ALTA
Liberação de ponte na ERS-129 reforça economia e devolve conexão FÁBIO KUHN/365 VEZES NO VALE
Após três meses fechada para circulação de veículos pesados, reparos em passagem sobre o Rio Guaporé chegam na fase final. Líderes mantém projeção de retomada diante dos impactos causados pela interdição
JONAS CALVI PREFEITO DE ENCANTADO
Histórico dos transtornos
Jhon Willian Tedeschi
jhontedeschi@grupoahora.net.br
VALE DO TAQUARI
A interdição da ponte ocorreu em 24 de julho, após serem identificados danos e rachaduras em um dos pilares, causados pela primeira enchente registrada na região este ano. Novas elevações no nível do rio impactaram o andamento dos reparos, e a liberação parcial para veículos leves e pedestres no sistema Pare e Siga foi feita no dia 3 de setembro. O investimento feito na obra foi de R$ 4,9 milhões.
A
reabertura de uma das principais ligações na parte alta da região amplia a expectativa pela volta da normalidade na rotina das comunidades, em especial de Encantado e Muçum. Prevista para amanhã, 28, a liberação definitiva da ponte sobre o Rio Guaporé, na ERS-129, reconecta um eixo logístico importante do Vale, prejudicado pela interdição que perdura por três meses. O conjunto de desafios enfrentados no período de restrição rodoviária são citados por gestores dos municípios e líderes associativistas. Veículos pesados ainda precisam utilizar o desvio por Roca Sales, o que aumenta o trajeto e, por consequência, impacta o setor produtivo, além de serviços pontuais que precisam ser acessados entre as cidades. Em publicação nas redes sociais, o governador Eduardo Leite confirmou a liberação para o meiodia de amanhã. No comunicado, reafirma a importância da ponte para a atividade econômica da região e que as obras permitem a normalização do escoamento da produção.
“Tirar uma lição” Prefeito de Encantado, Jonas Calvi destaca que o município teve problemas pontuais do longo do período. “Isso significou dificuldades de acesso, deslocamentos mais longos, aumento dos custos de transporte e prejuízos à integração econômica com Muçum e os demais municípios da região.” Com a liberação integral da ponte, a expectativa é de normalizar principalmente o transporte de cargas, a circulação de caminhões e ônibus e o deslocamento das pessoas que ainda enfrentavam restrições. “Vai facilitar o abastecimento das empresas, o escoamento da produção e o acesso
Veículos pesados que necessitam de desvio por Roca Sales poderão fazer a travessia sobre o Rio Guaporé
ao comércio e aos serviços de Encantado”, justifica. Para Calvi, a partir de agora se torna uma prioridade trabalhar junto ao Estado para fortalecer a infraestrutura e ter melhores condições em eventos do tipo. “A região já enfrentou muitas dificuldades com as enchentes e não pode ficar tão vulnerável quando uma ligação importante apresenta problemas”.
Ligação estratégica Na mesma linha vai a análise da presidente da Associação Comercial e Industrial de Encantado (ACI-E), Raquel Cadore, que menciona as poucas alternativas de ligação entre as localidades. “Defendemos que a infraestrutura viária seja tratada como prioridade permanente com investimentos em manutenção, prevenção e planejamento.” Ela considera a ligação “estratégica” para Encantado e região, uma vez que reflete na mobilidade, atividades econômicas e qualidade de vida da população. “A liberação significa recuperar a segurança e previsibilidade logística, que são fundamentais para o desenvolvimento e interferem diretamente na competitividade das nossas empresas e comprometimento da eficiência dos negócios”, explica.
6 | A HORA
Terça-feira, 27 de outubro de 2026
PL reconhece resultado e prepara ação contra Lula Abuso de poder econômico durante a eleição, com aumento do Bolsa Família, projeto para Meis sustentam argumentação do partido. Juristas distinguem essa acusação do argumento sobre horário de votação Filipe Faleiro
filipe@grupoahora.net.br
O
PL reconheceu ontem à noite a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), um dia depois de Flávio Bolsonaro rejeitar o resultado e anunciar que pediria para anular a eleição. Em uma mudança de discurso, o senador afirmou pelas redes sociais que pretende organizar a oposição no Congresso e questionar a chapa vencedora por abuso de poder econômico durante o pleito. A manifestação do partido veio em nota do presidente nacional, Valdemar Costa Neto. “Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas entendemos que os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos dentro de um debate político equilibrado e democrático.” Flávio não admitiu a derrota de forma explícita no vídeo
FÁBIO GISCH
Eu discordo da posição do Supremo, mas pela norma, poderia assumir função e prorrogar. Isso trouxe um problema desnecessário.” divulgado nesta segunda-feira. Manteve as críticas à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou a votação por duas horas, mas passou a apontar o Legislativo como espaço de enfrentamento ao próximo governo.
No Vale, todas as seções fecharam às 17h. Chegada das urnas em Lajeado, no Cartório Eleitoral, começou cerca de 15 minutos depois
“Eu vou reunir os deputados e senadores eleitos para organizar a nossa estratégia e fazer da Câmara e do Senado a nossa fortaleza”. O senador relacionou essa intenção ao resultado das eleições parlamentares e à maioria que atribui à direita no Congresso. A direção do PL defende que o partido não endossasse a tese de fraude. A estratégia anunciada passou a concentrar o questionamento judicial em supostos abusos durante a LEOBARK RODRIGUES/DIVULGAÇÃO
campanha, em lugar da tentativa de invalidar a votação pela extensão do horário. “Eu vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo”, disse Flávio. A distinção entre os dois caminhos é central na análise dos juristas. A discussão sobre as horas adicionais envolve os efeitos da decisão sobre a votação. Uma acusação de abuso de poder exige examinar condutas durante a disputa, as provas apresentadas e a gravidade das circunstâncias.
Discussão judicial
Presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação do horário de votação não comprometeu a apuração nem a segurança do resultado
Para o advogado e mestre em Direito Público Jonas Caron, os questionamentos sobre o uso da estrutura governamental devem ser tratados de maneira separada. A diferença de 4,43 milhões de votos não encerra uma eventual investigação sobre medidas adotadas pelo governo durante o ano eleitoral, realça. A legislação estabelece que, nas ações por abuso de poder, a avaliação considera a gravidade das circunstâncias. Não é necessário demonstrar, por uma conta de votos, que a conduta alterou o vencedor. Isso também não significa que qualquer benefício anunciado em ano de eleição configure abuso ou leve à cassação.
Caron chama atenção para as restrições à distribuição gratuita de bens, valores e benefícios. A Lei das Eleições prevê exceções para calamidade pública, estado de emergência e programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior. A análise depende, portanto, das características de cada medida. O advogado considera pouco provável uma cassação, diante do histórico de julgamentos envolvendo a Presidência. Ao mesmo tempo, critica o que identifica como diferença de rigor entre as disputas nacionais e municipais. “Pelo histórico, sabemos que a Justiça Eleitoral costuma ser mais branda quando se trata de decisões presidenciais ou de governo estadual. Se fosse um prefeito, é bem provável que teria
MAURO HAUSCHILD
Houve um pedido para prorrogar e depois o argumento de que foi prejudicado. Isso, no campo jurídico enfraquece o argumento.”
A HORA | 7
Terça-feira, 27 de outubro de 2026 VINI BILHAR
JONAS CARON
Decisões monocráticas causam um desconforto muito grande. Mas, não inviabilizam a eleição. O que precisamos discutir é como corrigir falhas como essas.” o mandato cassado”, avalia.
Horário do voto não sustenta ação Quatro juristas consultados pela reportagem não identificam fundamentos suficientes para
anular a eleição em razão das duas horas adicionais. As divergências entre eles se concentraram na condução da decisão pelos tribunais. Para o advogado especialista em Direito Constitucional Mauro Hauschild, a dificuldade está em demonstrar como a prorrogação comprometeu o resultado. Diante de uma vantagem de 4,43 milhões de votos, o levantamento extraoficial identificou 34.319 registros entre 17h e 19h. “Não há capacidade de causar dano no resultado das eleições”, frisa. Por isso, o total não pode ser tratado como uma quantidade de votos acrescentada pela decisão do STF. Depois da derrota, Flávio também questionou a diferença de tratamento entre seções abertas e encerradas. Argumentou que não seria possível saber quantos votos receberia nos locais que já haviam concluído os trabalhos. Para Hauschild, essa hipótese precisaria ser acompanhada de demonstração do prejuízo alegado. Outro elemento apontado pelo advogado é a participação das duas campanhas entre os solicitantes de mais tempo. A equipe de Lula procurou o TSE por dificuldades no transporte público antes de recorrer ao Supremo. A de Flávio acionou a Justiça Eleitoral devido às condições climáticas. “Houve um pedido para prorrogar e depois o argumento de que foi prejudicado. Isso, no campo jurídico, enfraquece o argumento”, resume. Os requerimentos tinham abrangências diferentes: o PL pediu a ampliação em determinados estados, enquanto o PT levou ao STF uma solicitação nacional.
a função e prorrogar. Isso trouxe um problema desnecessário”, argumenta Gisch. Em manifestação após o resultado, o presidente do TSE, Nunes Marques, reconheceu dificuldades operacionais, mas sustentou que a apuração não foi comprometida. Gisch considera que os problemas de condução não eram suficientes para desfazer a eleição. “Problemas de chuvas, de transporte, são inerentes no processo. Em 2024, o Rio Grande do Sul, com a maior inundação da história e muitos lugares de votação alterados, não houve prorrogação de horário.”
Pressão no próximo mandato O jurista Marco Mejia interpreta a reação inicial de Flávio como uma tentativa de atribuir a derrota à atuação do Judiciário. “Impossível o terceiro turno. Isso não vai acontecer”, afirma, ao analisar a contestação baseada na
prorrogação. Para ele, a ligação política atribuída a um ministro não substitui a demonstração de irregularidades. “A crítica da decisão e o questionamento do resultado exigem argumentos distintos. Por não gostar de um ministro, não se pode alterar um resultado.” Mejia projeta que o quarto mandato de Lula enfrentará pressão dos adversários, sobretudo pela composição do Congresso. A discussão sobre o papel dos tribunais também deve permanecer na agenda legislativa, realça Jonas Caron. “Decisões monocráticas causam um desconforto muito grande. Mas não inviabilizam a eleição. O que precisamos discutir é como corrigir falhas como essas”, afirma. Para o advogado, essa responsabilidade também pertence ao Congresso, que pode rever as regras eleitorais e os instrumentos de controle, preservando os meios institucionais de contestação.Lo VICTOR PIEMONTE/STF
Impossível termos um terceiro turno. Isso não vai acontecer. O não reconhecimento do resultado está mais ligado a uma tentativa de manter a militância.”
Do pedido à contestação Durante a votação: PT e PL procuraram o TSE para ampliar o horário, com justificativas e abrangências diferentes. Recurso ao Supremo: a campanha de Lula também pediu a extensão nacional ao STF. Perto das 17h: Zanin autorizou mais duas horas de votação. Cumprimento da decisão: somente seções ainda abertas continuaram a receber eleitores. Urnas encerradas não foram reabertas. Depois das 19h: o TSE retomou o recebimento dos boletins e a divulgação da apuração.
Críticas à intervenção O especialista em direito eleitoral Fábio Gisch concentra a análise no momento em que a decisão foi tomada. Perto do encerramento da votação, o ministro Cristiano Zanin emitiu a decisão quando seções já estavam concluídas. “O Tribunal Eleitoral, com o ministro Kássio Nunes Marques, deveria ter se manifestado uma hora antes. Com o silêncio, outra instância poderia decidir. Eu discordo da posição do Supremo, mas, pela norma, poderia assumir
MARCO MEJIA
Domingo à noite: Flávio rejeitou o resultado e anunciou que pediria a anulação. Nunes Marques afirmou que a extensão não comprometeu o processo.
Ministro do STF, Cristiano Zanin, foi sorteado pelo sistema. Decisão motivou críticas e a contestação de Flávio Bolsonaro
Segunda-feira: o PL reconheceu a vitória de Lula. Flávio anunciou que organizará a oposição e pedirá a cassação da chapa por suposto abuso de poder econômico.
8 | A HORA
Terça-feira, 27 de outubro de 2026
vinibilhar@grupoahora.net.br
VINI BILHAR
Lajeado Brilha aposta em prêmios para impulsionar comércio local
Indicadores
Dólar: R$ 5,40 | Ibovespa: 176.608,23
Acil aproxima imprensa da Expovale Construmóbil 2026
VINI BILHAR
A Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) promoveu, na semana passada, um café com a imprensa para alinhar ações e apresentar iniciativas relacionadas à Expovale Construmóbil 2026. O encontro ocorreu na sede da entidade e foi conduzido pelo presidente Eduardo Gravina. Entre as novidades está o projeto Acil em Movimento, que utilizará uma unidade móvel para promover entrevistas, aproximar expositores e patrocinadores da comunidade e
A
Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Lajeado abriu a temporada do Lajeado Brilha 2026, campanha que busca estimular as vendas de fim de ano e fortalecer o comércio local. Além de estimular as vendas, a campanha reforça a importância do comércio na geração de empregos, renda e oportunidades, em um momento de preparação para os desafios econômicos de 2027. A 28ª edição distribuirá R$ 80 mil em 300 vales-compras de R$ 200 e R$ 400, além de mais de 600 prêmios instantâneos.
dar visibilidade às lideranças presentes na feira. A entidade também apresentou os canais de comunicação que estarão disponíveis para facilitar o trabalho dos veículos de imprensa durante o evento. A Expovale Construmóbil ocorre de 12 a 15 e de 18 a 22 de novembro, no Parque do Imigrante. A programação reunirá a 24ª edição da Expovale e a 12ª da Construmóbil, com foco em negócios, desenvolvimento regional e integração da comunidade.
Mercado financeiro reage com queda à reeleição de Lula Os consumidores concorrerão a um Hyundai i20 Limited 1.0 MT zero-quilômetro, oferecido com apoio da CarHouse. Pelo segundo ano consecutivo, os funcionários do comércio também participam, concorrendo a uma Honda Biz 125 ES zero quilômetro. Os sorteios estão previstos para 30 de dezembro, pela Loteria Federal. Segundo a presidente da CDL, Giselda Hahn, o aumento no faturamento durante a campanha varia de 5% a 10%, podendo chegar a 40% em alguns estabelecimentos, conforme o segmento.
“É uma campanha robusta, que tem o objetivo de desenvolver o comércio local e incentivar a população de Lajeado e da região a realizar suas compras nas nossas empresas”, destacou a dirigente. A entidade busca mobilizar a população de Lajeado e região para valorizar as empresas locais. Em um cenário de endividamento das famílias, inflação elevada e desafios econômicos, a iniciativa aposta em prêmios, na qualidade dos produtos e no atendimento diferenciado, para incentivar os consumidores a comprar nas empresas da cidade.
O mercado financeiro reagiu negativamente à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por volta das 15h de ontem, o dólar chegou a R$ 5,60, alta de quase 9% em relação à abertura do pregão. A moeda norte-americana vinha de um período de valorização do real e era negociada a R$ 4,97 após o primeiro turno das eleições. Na Bolsa de Valores, o Ibovespa recuou abaixo dos 175 mil pontos, após registrar máximas históricas durante outubro. No dia 5, o índice atingiu 206.911 pontos e, nos dias seguintes, chegou ao
recorde de 209.066 pontos. A queda superior a 10% nos primeiros minutos de negociação acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as operações para conter movimentos bruscos do mercado. A reação reflete a incerteza dos investidores diante do novo cenário político, especialmente em relação às perspectivas fiscais e jurídicas. A expectativa é de que o mercado assimile o resultado eleitoral ao longo da semana, enquanto agentes econômicos reavaliam suas projeções.
A HORA | 9
Terça-feira, 27 de outubro de 2026
Abstenção cai no país e atinge menor índice em 20 anos ARQUIVO A HORA
Vale do Taquari registra menos ausências, votos brancos e nulos na disputa pela Presidência. Dados apontam diferenças entre os turnos
Onde houve maior queda de votos brancos Arvorezinha: 109 votos a menos, de 225 para 116 Bom Retiro do Sul: 79 a menos, de 187 para 108
Karine Pinheiro
karine@grupoahora.net
Maior redução de votos nulos
VALE DO TAQUARI
A
participação dos eleitores aumentou no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. No Brasil, a abstenção caiu de 21,08% para 19,22%, o menor índice para essa etapa desde 2006. A diferença de 1,86 ponto percentual representa uma mudança em relação ao comportamento histórico das disputas presidenciais, em que o comparecimento costuma diminuir entre as duas votações. No domingo, 25, compareceram às urnas cerca de 3 milhões de eleitores a mais em relação ao primeiro turno, em 4 de outubro. O resultado também representa a maior redução da abstenção entre turnos desde a redemocratização. O movimento ganha relevância porque a primeira votação havia registrado o maior percentual de ausências em eleições presidenciais desde 1998. No Rio Grande do Sul, a queda foi ainda mais expressiva em termos proporcionais. A abstenção passou de 21,35% para 19,16%, recuo de 2,19 pontos percentuais. Mesmo com a ampliação do comparecimento, 1,63 milhão de eleitores gaúchos não foram às urnas no segundo turno, conforme dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/RS).
Cenário regional No Vale do Taquari, a redução
Arroio do Meio: 72 a menos, de 282 para 210 Bom Retiro do Sul: 71 a menos, de 203 para 132
No Rio Grande do Sul, o recuo de abstenções foi superior a 2% entre os dois turnos
ocorreu em menor proporção. A região contabilizou 61.607 ausências no primeiro turno e 60.815 no segundo, diferença de 792 eleitores. Embora o resultado acompanhe a tendência estadual e nacional, a variação regional foi mais discreta, passando de 17,73% para 17,48%. Dos 39 municípios, apenas quatro apresentam redução no número de ausências entre os turnos: Anta Gorda, Arroio do Meio, Arvorezinha e Bom Retiro do Sul. Juntas, essas cidades somam 792 ausências a menos. Arroio do Meio teve a maior redução em números absolutos, com 260 ausências a menos, de 2.438 para 2.178. O mesmo padrão aparece nos votos brancos e nulos. A redução regional de 275 votos em branco e 176 nulos também se concentra nas mesmas localidades, com exceção de Putinga, que apresenta três votos em branco a menos. Em Arroio do Meio, por exemplo, os votos em branco passaram de
224 para 173, enquanto os nulos caíram de 282 para 210.
Brancos e nulos recuam A diminuição também alcançou os votos que não foram destinados a nenhum dos candidatos. No Vale, os votos em branco passaram de 5.868 para 5.593
entre os turnos, redução de 275 registros, ou 4,7%. Os votos nulos caíram de 5.225 para 5.049, diferença de 176. Somadas, as duas categorias passaram de 11.093 para 10.642 votos, queda de 4,1%. No cenário nacional, a queda foi mais acentuada em números absolutos. Os votos brancos passaram de aproximadamente 2,3 milhões no primeiro turno
Voto que não chegou às urnas No Vale – 17,48% No RS – 19,16% No Brasil – 19,22%
O que os números mostram Maior redução de ausências Arroio do Meio: 260 a menos, de 2.438 para 2.178 Arvorezinha: 240 a menos, de 1.628 para 1.388 Bom Retiro do Sul: 151 a menos, de 1.742 para 1.591
para 1,43 milhão no segundo. Os nulos recuaram de 3,67 milhões para 2,72 milhões. A redução conjunta dessas categorias contribuiu para ampliar o total de votos válidos na disputa presidencial. A leitura conjunta dos indicadores aponta para uma ampliação da participação eleitoral entre os turnos, tanto no país quanto no Vale do Taquari.
10 | A HORA
Terça-feira, 27 de outubro de 2026
RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO
RESULTADOS NO VALE
Votação de Lula cresce quase 25% no segundo turno
Desempenho dos candidatos Flávio Bolsonaro (PL)
9,5% de votos a mais no Vale
Flávio Bolsonaro vence com ampla vantagem na região, mas presidente reeleito acrescentou 17,5 mil votos entre os turnos. Situação local acompanha tendência observada no país
Maior alta proporcional: Capitão
+26,4%
De 1.358 para 1.717 votos Maior alta absoluta: Lajeado
+2.928
Mateus Souza
De 32.135 para 35.063 votos
mateus@grupoahora.net.br
Menor alta proporcional: Muçum
VALE DO TAQUARI
O
segundo turno da eleição presidencial mostrou um avanço mais intenso de Lula (PT) no Vale do Taquari, mas sem alterar a liderança de Flávio Bolsonaro (PL) nas 39 cidades. O presidente reeleito cresceu mais tanto proporcionalmente quanto em números absolutos, embora a diferença regional entre os dois tenha diminuído apenas 615 votos. Flávio passou de 179.478 votos no primeiro turno para 196.450 no segundo, um acréscimo de 16.972 votos, equivalente a 9,5%. Lula avançou de 70.701 para 88.288 votos, conquistando mais 17.587 eleitores, crescimento de quase 25%. Apesar do crescimento superior, Lula terminou o segundo turno com 108.162 votos a menos que Flávio. A vantagem do candidato do PL havia sido de 108.777 votos no primeiro turno. O resultado mostra que a ampliação não foi suficiente para ameaçar a dianteira regional do adversário. O movimento ocorre em um contexto nacional de avanço de Lula. Ele avançou sobre Flávio em 96,7% dos municípios brasileiros
+5,1%
De 2.246 para 2.360 votos
e reverteu o resultado do primeiro turno em 211 cidades, entre elas o Rio de Janeiro, segundo município mais populoso do país. Além disso, ampliou a vantagem em outras capitais, como São Paulo, Salvador e Porto Alegre.
Maiores avanços As maiores altas percentuais revelam movimentos distintos conforme o tamanho da base eleitoral. Em Capitão, Flávio cresceu 26,4%, passando de 1.358 para 1.717 votos, o maior avanço proporcional do candidato entre as 39 cidades. Em Muçum, sua votação aumentou apenas 5,1%, de 2.246 para 2.360 votos, a menor alta relativa. Entre os eleitores de Lula, Putinga registrou o maior crescimento proporcional: 33,2%, de 401 para 534 votos. Já em Travesseiro, o aumento foi de 14,7%, de 529 para 607, o menor avanço percentual do petista.
Votação total no Vale do Taquari Flávio Bolsonaro 196.450
68,99% dos votos válidos Venceu em todas as cidades. Maior percentual foi em Vespasiano Corrêa (87,82%) Lula 88.288
31,01% dos votos válidos Maior percentual ocorreu em Tabaí (44,17%)
Nem todos os municípios acompanharam a tendência de aproximação. Em Capitão, a
Lula conquistou o quarto mandato. No Vale, somou 31% dos votos válidos
vantagem de Flávio aumentou 232 votos, passando de 813 para 1.045. Anta Gorda registrou ampliação de 204 votos na diferença, enquanto Estrela teve aumento de 128.
Números absolutos Lajeado foi o município em que os dois candidatos mais ampliaram a votação em números absolutos. Flávio ganhou 2.928 votos, passando de 32.135 para 35.063. Lula acrescentou 3.455 votos, de 13.299 para 16.754. A diferença entre eles diminuiu 527 votos, mas permaneceu expressiva ao candidato do PL. Venâncio Aires apresentou o maior recuo na vantagem de Flávio. O candidato do PL somou mais 2.486 votos, enquanto Lula acrescentou 3.110. Com isso, a distância entre os dois caiu de
Lula (PT)
24,9% de votos a mais no Vale
Maior alta proporcional: Putinga
+33,2%
De 401 para 534 votos Maior alta absoluta: Lajeado
+3.455
De 13.299 para 16.754 votos Menor alta proporcional: Travesseiro
+14,7%
De 529 para 607 votos
14.894 para 14.270 votos, uma redução de 624. Em Taquari, o petista também teve avanço superior, reduzindo a diferença em 521 votos.
A HORA | 11
Terça-feira, 27 de outubro de 2026
EDUCAÇÃO
FOTOS: FILIPE FALEIRO
Escola Pedro Albino Müller abre contagem para o centenário
Encontro na manhã do sábado marcou início de uma programação que seguirá nos próximos meses
Encontro no sábado celebrou os 99 anos da instituição e reúne diferentes gerações. Plantio de um jequitibá marca o início das atividades para os 100 anos, em outubro de 2027 Filipe Faleiro
filipe@grupoahora.net.br
SÉRIO
A
história de Sério passa pelas salas de aula da Escola Estadual de Ensino Médio Pedro Albino Müller. Ao completar 99 anos nesse sábado, 24 de outubro, a instituição reúne alunos, famílias e profissionais que ajudaram a construir essa trajetória e lança a contagem regressiva para o centenário, em 2027. O encontro marcou o início de uma programação que seguirá nos próximos meses. Entre os atos, o plantio de um jequitibá simboliza a ligação entre as gerações que formaram a escola
e aquelas que ainda passarão por ela. Para o prefeito Moisés de Freitas, ex-aluno, a trajetória do colégio mostra a importância atribuída à educação pelos primeiros moradores. “A escola representa a história do município, da formação do vilarejo e também a importância que se dava ao ensino. A primeira instituição, construída pela comunidade, foi uma escola”, realça e complementa: “minha trajetória iniciou aqui. Relembrar os professores, encontrar minha primeira professora e celebrar esse aniversário é um momento de extrema alegria”, afirma. A participação da comunidade é uma das características que a direção pretende valorizar nas comemorações. Diretora e ex-aluna, Maribel Mattei Rodrigues relaciona a permanência da escola ao envolvimento das famílias na rotina e nas decisões da instituição. “Temos na escola uma participação muito grande de todas as famílias, uma presença muito forte dos pais dos alunos. Isso é uma característica que queremos manter cada vez mais viva”, res-
Hoje, a Pedro Albino Müller atende cerca de 116 estudantes
salta. O centenário também será uma oportunidade de lembrar quem ajudou a construir essa história. A programação prevê encontros com ex-alunos, ex-professores e ex-funcionários, além de atividades organizadas por uma comissão. Para a vice-diretora Vera Eichler, a relação com a escola começa antes mesmo da matrícula. “A escola representa minha identidade. Eu cheguei aqui criança, minha mãe trabalhava na escola e me trazia junto. Depois me tornei aluna, professora e hoje continuo essa trajetória”, conta. O encontro com as famílias, acrescenta, reforça o vínculo construído desde a infância.
Memória da primeira professora Neto da primeira professora da instituição, Neuri Gusson acompanha a homenagem com
a lembrança das dificuldades enfrentadas por quem iniciou o trabalho. “Foram pessoas de uma visão de futuro de grande valia. Hoje a gente vê o resultado disso, centenas ou até milhares de alunos que saíram daqui”, afirma. Hoje, a Pedro Albino Müller atende cerca de 116 estudantes, do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, com 13 professores e cinco funcionárias. Entre os avanços da trajetória está a implantação do Ensino Médio, que permitiu aos jovens continuar os estudos em Sério. A estrutura também recebeu melhorias, como a cobertura da quadra, a criação do auditório e reformas nas salas de aula, biblioteca e laboratório de Ciências.
Temos na escola uma participação muito grande de todas as famílias, uma presença muito forte dos pais dos alunos” MARIBEL MATTEI RODRIGUES DIRETORA E EX-ALUNA
A escola representa minha identidade. Eu cheguei aqui criança, minha mãe trabalhava na escola e me trazia junto. Depois me tornei aluna, professora e hoje continuo essa trajetória” VERA EICHLER
VICE-DIRETORA
12 | A HORA
Terça-feira, 27 de outubro de 2026
AGRICULTURA GAÚCHA
Umidade freia colheita do trigo e atrasa semeaduras Excesso de chuva dificulta operações no campo e compromete o desenvolvimento de milho e o início do plantio da soja na região Estevão Heisler
projetodoagro@grupoahora.net.br
VALE DO TAQUARI
O
Além do retardo no desenvolvimento, chuva excessiva e pouca luminosidade provocou quebra na germinação das lavouras de milho na região
excesso de chuva e a baixa luminosidade têm dificultado o avanço das atividades agrícolas no Rio Grande do Sul. Enquanto a umidade do solo limita a entrada de máquinas nas lavouras de trigo, o plantio das culturas de verão enfrenta atrasos e exige cautela dos produtores. O cenário também preocupa a cadeia leiteira, que depende do milho para a produção de silagem. O cenário se reflete na região. De acordo com o engenheiro agrônomo Alano Tonin, do escritório regional da Emater/RS-Ascar, que abrange os Vales do Taquari e Caí, 25,41% dos 2.554 hectares cultivados com trigo haviam sido colhidos até o fim da semana passada. Outros 52,24% estavam em maturação e 22,35% permaneciam na fase de enchimento de grãos. A produtividade média registrada até o momento era de 2.709,08 quilos por hectare. Nas culturas de verão, a semeadura da soja alcançava apenas 3,75% da área prevista. O milho para grãos estava mais adiantado, com 52,66% da área semeada, enquanto aquele destinado à silagem chegava a 55%.
Trigo depende de condições para a colheita Com mais da metade da área ainda em maturação, o trigo exige atenção à evolução das lavouras e às condições de acesso para a colheita. A umidade excessiva dificulta a entrada do maquinário e pode comprometer o planejamento das operações, sobretudo quando os períodos de tempo firme são curtos. Além disto, o cereal já colhido apresenta baixa qualidade. O técnico em agropecuária e gerente comercial da Cooperagri, Gerson André Müller, recomenda avaliar cada lavoura antes de iniciar a colheita. “Se está na hora de colher, tem que colher, mas é preciso avaliar cada caso. Se entrar com o maquinário em um momento muito úmido, pode haver compactação do solo, que depois precisará ser corrigida”, alerta Müller.
Milho sente falta de luminosidade O atraso no calendário e a sequência de dias com pouca incidência solar comprometem o desenvolvimento do milho.
Segundo Müller, a maior parte das lavouras que acompanha estava entre os estádios V5 e V8, correspondentes a plantas com cinco ou seis folhas desenvolvidas, embora existam áreas em fases diferentes conforme a época de semeadura. O técnico relata que há lavouras com crescimento abaixo do esperado para o período. Além de retardar o desenvolvimento, a baixa luminosidade limita a fotossíntese e pode reduzir o potencial produtivo. A cultura depende da combinação entre temperatura e radiação solar para crescer e completar o ciclo adequadamente. “Tem muito milho que está bem baixinho e já está há bastante tempo parado na lavoura, estagnado pela falta de luminosidade”, observa Müller. Segundo ele, a recuperação do desenvolvimento dependerá das condições climáticas nas próximas semanas. De acordo com o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Álvaro Trierweiler, o excesso de água pode provocar perda de nutrientes. “Muita chuva provoca a lixiviação e a lavagem dos nutrientes no solo. A cultura não consegue aproveitar os nutrientes que estariam disponíveis, porque parte deles se perde com
A HORA | 13
Terça-feira, 27 de outubro de 2026
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Nos últimos seis meses, mais da metade dos dias foram chuvosos na região segundo dados da Univates. Detaque para setembro, quando acumulado de chuva superou 334 milímetros GERSON ANDRÉ MÜLLER TÉCNICO EM AGROPECUÁRIA E GERENTE COMERCIAL DA COOPERAGRI
Tem muito milho que está bem baixinho e já está há bastante tempo parado na lavoura, estagnado pela falta de luminosidade. A recuperação dependerá das condições climáticas nas próximas semanas.” o excesso de umidade”, explica o agrônomo. Outro fator de atenção é a ocorrência de doenças favorecidas pela umidade. Müller recomenda monitorar as lavouras e verificar a necessidade de controle fitossanitário conforme o híbrido utiliza-
do, a suscetibilidade a doenças e o estágio de desenvolvimento. O atraso pode se estender ao calendário da safrinha, pois a postergação do primeiro cultivo reduz o intervalo disponível para a próxima semeadura. Em algumas áreas, a janela para uma segunda safra poderá ficar comprometida.
Áreas de várzea enfrentam maior atraso As dificuldades são mais intensas nas áreas baixas, onde a água permanece acumulada por mais tempo e impede a entrada de máquinas. Trierweiler cita o caso de dois produtores de Estrela que, juntos, planejavam semear aproximadamente 100 hectares de milho, mas haviam implantado apenas oito hectares no momento do relato. O exemplo representa cerca de 8% da área planejada pelos dois
agricultores e ilustra a dimensão do atraso em propriedades com lavouras sujeitas ao encharcamento. Nas áreas mais altas e com solos de melhor drenagem, o plantio avançou mais, embora também tenha ocorrido postergação em relação ao calendário habitual. Para Trierweiler, a escolha dos talhões é decisiva neste momento. A recomendação é priorizar as áreas com melhores condições de drenagem e avaliar individualmente cada lavoura antes de iniciar a semeadura. Em terrenos muito úmidos, insistir no plantio pode resultar em falhas de emergência, perda de sementes e desperdício de fertilizantes. “O produtor deve priorizar as áreas melhores neste momento, aquelas com maior potencial produtivo e ter cautela para não perder sementes e adubo.”
Atraso preocupa produção de silagem O cenário também traz incertezas para a pecuária leiteira. O milho destinado à silagem precisa produzir volume suficiente para garantir a alimentação do rebanho, e o atraso no plantio, associado à baixa luminosidade, pode comprometer a quantidade produzida. Müller relata o caso de uma propriedade leiteira que já avalia adquirir silagem de terceiros para compensar a produção abaixo do esperado e a incerteza sobre o cultivo da safrinha. O planejamento antecipado, segundo ele, é importante para evitar falta de alimento ao longo do ciclo produtivo. A preocupação se soma aos desafios de uma atividade que depende de oferta regular de volumoso e de custos de produção controlados. Se a produção própria não atender à demanda, a necessidade de compra pode elevar as despesas da propriedade.
Soja exige cautela na semeadura Com apenas 3,75% da área prevista semeada, a soja ainda está no início do calendário regional. Trierweiler explica que, historicamente, as melhores produtividades na região de Estrela costumam estar associadas a plantios realizados entre 15 de outubro e 15 a 20 de novembro, embora os resultados dependam das condições de cada safra, da cultivar e do tipo de solo. O plantio em dezembro ainda é possível, mas aumenta os riscos por se afastar da época preferencial. A semeadura tardia desloca a colheita para o outono e pode expor a cultura a condições menos favoráveis ao final do ciclo. O agrônomo ressalta que a janela estabelecida pelo zoneamento agroclimático vai de 1º de outubro ao fim de janeiro, mas o período efetivamente recomendado pode ser menor conforme a combinação entre cultivar, solo e condições da propriedade. O produtor também deve verificar as exigências do seguro rural, pois a cobertura depende do enquadramento correto da lavoura.
Conservação do solo ajuda a reduzir perdas Além das decisões imediatas sobre plantio e colheita, Trierweiler destaca a importância do manejo conservacionista para melhorar a infiltração da água e reduzir a erosão. Solos bem estruturados favorecem o desenvolvimento das raízes, aproveitam melhor a disponibilidade hídrica e diminuem o escoamento superficial. Trierweiler recomenda manter o solo coberto durante o maior período possível e observar o desenvolvimento das raízes para identificar sinais de compactação. Quando há suspeita de problemas físicos, a orientação é realizar um diagnóstico antes de decidir por intervenções mecânicas, que podem ser necessárias em situações mais severas. A análise química do solo
ÁLVARO TRIERWEILER ENGENHEIRO AGRÔNOMO DA EMATER/RS-ASCAR,
O produtor deve priorizar as áreas melhores neste momento, aquelas com maior potencial produtivo e ter cautela para não perder sementes e adubo.”
Situação das lavouras na região Trigo
Enchimento de grãos – 22,35% Maturação – 52,24% Colhido – 25,41% Área plantada – 2554 ha Produtividade até o momento - 2.709,08 Kg/ha
Soja
3,75% da área semeada
Milho Grão
52,66% da área semeada
Milho Silagem 55% área semeada
também contribui para o planejamento da adubação e da correção da acidez. Com acompanhamento técnico, o produtor pode avaliar se as práticas adotadas estão produzindo os resultados esperados e ajustar o manejo conforme as necessidades de cada área.
14 | A HORA PALAVRAS CRUZADAS DIRETAS
www.coquetel.com.br
© Revistas COQUETEL
Desejo de quem cursa Artes Cênicas O cão preparado pelo adestrador Problema O clima capilar cauda região sado por amazônica estresse
Modelo de cuidado médico que considera diversos fatores Emma Thompson, atriz
Minas (?), estado da Região Sudeste
Recipiente usado no batismo católico Erva para espantar mau-olhado (Folcl.)
Estande da feira livre
Os regimes criados por nutricionistas "Cão que (?) não morde", dito Membros da Comuna de Paris (Hist.)
Publicações Legais
Formato do palito de dentes Os artigos de luxo, por seus preços
Gás nobre radioativo (Quím.)
Peixe que possui ferrão na cauda
A região afetada pelas hemorroidas
Sintetiza proteínas na célula (sigla)
A família de Wandinha (Cin.)
Postura da ioga Homem elegante
(?)/DC, banda de rock
Sílaba de "disco" Orelha, em inglês
Banda que gravou "Tarde Vazia"
Euro (símbolo) Museu de Niterói (sigla)
3/ear. 5/dândi. 6/ássana — sandro. 11/socialistas.
BANCO
Inscrição Região do na Cruz Brasil mais atingida pela escassez das chuvas
Símbolo do anseio de voar (mit. grega)
Apelido de Rosângela
Curso mais avançado que o mestrado Aqui; neste lugar (?) Botticelli, pintor italiano
Terça-feira, 27 de outubro de 2026
35
Solução A B I P T R E I N A D O E Q U A T O R I A L U A P I A I R G G E R A I S R D R I C A R O B A R R A C A A N D O U T O R A D O D S O O D E A C A A S S A N A S A N D R O D I S B AL A N C EA D O S E N I R A E L A D R A M A C S O C I A L I S T AS 23/09 - 22/10
Virgem: Boas notícias, aprovações e avanços nos estudos. Use a diplomacia no trabalho e reserve tempo para descansar.
23/10 - 21/11
23/07 - 22/08
Leão: Seu esforço profissional será reconhecido. Mostre resultados, valorize seu trabalho e evite conflitos familiares.
22/11 - 21/12
21/06 - 22/07
Câncer: Projetos coletivos avançam. Dialogue no amor, controle os gastos e valorize os conselhos de amigos.
Sagitário: Produtividade e bons resultados no trabalho. Ouça mais nas conversas íntimas.
22/12 - 19/01
21/05 - 20/06
Gêmeos: Respeite seu ritmo, organize pendências e encare mudanças no trabalho como aprendizado.
Escorpião: Relacionamentos exigem decisões. Uma proposta pode surgir; mantenha a calma.
Capricórnio: Amor e criatividade em alta. Invista em talentos e projetos pessoais, mas controle os gastos.
20/01 - 18/02
20/04 - 20/05
Touro: Emoções intensas e conquista pessoal. Seja transparente no amor e aja com estratégia diante de pressões.
Libra: Resolva pendências financeiras e valorize transformações no amor. Planeje gastos e evite discussões.
Aquário: Mudanças em casa podem avançar. Mostre seu valor no trabalho, evite disputas.
19/02 - 20/03
21/03 a 19/04
Áries: Alívio financeiro à vista. Busque consenso no trabalho, evite exageros e aproveite a energia para se exercitar.
23/08 - 22/09
HORÓSCOPO
Peixes: Bom momento para fechar acordos e ampliar contatos. Organize tarefase mantenha a serenidade.
(51) 3710-4200
A HORA | 15
Terça-feira, 27 de outubro de 2026
CELEBRAÇÃO DE MULHERES
Encontro do Outubro Rosa da Ieclb reúne mais de 130 pessoas
RENATA LEAL/DIVULGAÇÃO
Evento promovido pela Comunidade Evangélica de Lajeado contou com palestra sobre saúde feminina, testemunhos, meditação, café, desfile de moda e sorteio de brindes LAJEADO
M
ais de 130 pessoas participaram, na tarde de sábado, 24, da segunda edição do Encontro de Mulheres – Outubro Rosa, promovido pela Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Lajeado (Ieclb), no Centro Comunitário Evangélico. Com uma programação voltada à conscientização, à prevenção do câncer de mama e à valorização da vida, o evento proporcionou momentos de informação, acolhimento, partilha, fé e integração comunitária. A programação contou com a palestra da médica Débora Bolsi Vasconcelos que conversou sobre o tema. “Muito além do Outubro Rosa: prevenção, saúde e longevidade feminina”, abordando a importância dos cuidados com a saúde da mulher durante todo o ano. Na sequência, três mulheres compartilharam suas histórias de vida e experiências com o câncer, desde o diagnóstico até o momento atual. O encontro também contou com meditação, café preparado pela Nega Salgados, desfile de moda de lojas parceiras e sorteio de brindes. O encontro também contou com a parceria da Secretaria de Saúde com a realização dos Testes Rápidos. Os jovens da Juventude Evangélica de Lajeado (JEL) também estiveram no evento, auxiliando de forma voluntária, na entrega dos alimentos do café nas mesas. Além disso, alguns parceiros estiveram comercializando produtos no evento. A pastora Alessandra Bourscheidt Alves explica que a iniciativa surgiu a partir de uma conversa informal com o grupo de mulheres responsável pela organização do encontro alusivo ao Dia da Mulher. A partir dessa experiência, surgiu a ideia de promover também uma programação especial em outubro, mês
Segundo evento do Encontro de Mulheres – Edição Outubro Rosa contou com palestra, testemunhos, meditação, café, desfile de moda, testes rápidos e sorteio de brindes
dedicado à conscientização sobre o câncer de mama. “Como igreja, nosso cuidado é com a saúde integral das pessoas, envolvendo o físico, o emocional e o espiritual. Recebemos o dom da vida e temos a tarefa de cuidar da nossa saúde e também das pessoas que estão perto de nós”, destaca Alessandra. Segundo ela, o encontro busca estimular as mulheres da comunidade e também aquelas que não fazem parte da igreja a reservarem um momento para si, em meio às demandas do cotidiano. A pastora ressalta que os testemunhos foram um dos momentos importantes da programação, pois permitiram compartilhar experiências e transmitir esperança a quem está enfrentando a doença. Ao mesmo tempo, as histórias reforçaram a importância da atenção aos sinais do corpo e dos cuidados preventivos.
Prevenção e diagnóstico precoce Durante a palestra, a médica Débora Bolsi Vasconcelos abordou a importância da prevenção, do acompanhamento profissional e do diagnóstico precoce do câncer de mama. A apresentação destacou a mamografia bilateral como um exame importante para a identificação de alterações nas mamas, além da necessidade de considerar o histórico familiar na definição do acompanhamento de cada paciente.
A médica reforçou que os cuidados com a saúde feminina vão além da campanha Outubro Rosa e devem fazer parte da rotina ao longo de todo o ano. Segundo ela, a atenção aos fatores de risco e a busca por orientação profissional são fundamentais para que cada mulher receba acompanhamento adequado às suas necessidades.
Valorização da vida O momento dedicado aos testemunhos possibilitou que três mulheres compartilhassem suas trajetórias e experiências com o câncer, incluindo os desafios vivenciados desde o diagnóstico. A proposta foi acolher quem enfrenta a doença, transmitir esperança e incentivar outras mulheres a olharem com mais atenção para a própria saúde. As mulheres Maria Arcenira Hertz, Lucia Helene Dietrich e Elisa de Prado deram testemunho e emocionaram o público. Uma das responsáveis pela organização, Ivete Brust, destaca a satisfação de ver o resultado do trabalho coletivo e a repercussão positiva do encontro entre as participantes. “Às vezes, na correria do dia a dia, entre o trabalho e tantos compromissos, a gente se pergunta se vale a pena fazer parte da organização. Mas, quando o evento acontece, percebemos que vale muito. É muito gratificante ver a alegria de quem acompanha a palestra, reencontra amigas, faz novas amizades e compartilha experiências”, relata.
16 | A HORA
Terça-feira, 27 de outubro de 2026
FUTEBOL AMADOR
INTERCAMPING CHEGA À 20ª EDIÇÃO COM MAIS DE 30 EQUIPES INSCRITAS VISI AGÊNCIA
Competição promovida pela Aemaso começa em 21 de novembro. Força livre e Sub-21 já estão com as vagas preenchidas Ezequiel Neitzke ezequiel@grupoahora.net.br
A
20ª edição do Intercamping começa a ganhar forma em Marques de Souza. Organizada pela Associação Esportiva Marques de Souza (Aemaso), com apoio da Administração Municipal, a competição já conta com mais de 30 equipes inscritas e promete movimentar os campings da região. A abertura está marcada para o dia 21 de novembro, no Camping do Germano, enquanto a final será disputada no Camping do Riacho Doce. A programação deste ano contempla as categorias força livre, feminino, sub-21, veteranos e infantis. As disputas das categorias adultas ocorrerão à tarde, enquanto os jogos das categorias de base serão realizados pela manhã, com calendário previsto para janeiro e fevereiro de 2027. A data de início das partidas infantis ainda será definida. Entre as categorias adultas, a força livre já teve todas as 20 vagas preenchidas. As equipes
serão divididas em quatro chaves, com classificação das quatro melhores de cada grupo para a próxima fase. No sub-21, as oito vagas disponíveis também estão ocupadas. No feminino, três equipes estão confirmadas, com duas vagas restantes. A categoria veteranos também tem três participantes garantidos e outras duas vagas disponíveis. Para esta edição, a Aemaso ajustou a idade mínima da categoria, que passa a ser de 38 anos, para atletas nascidos até 1988.
INSCRIÇÕES E REUNIÃO Nas categorias adultas, as taxas de inscrição são de R$ 600 para a força livre, R$ 300 para o feminino e R$ 400 para o sub-21 e os veteranos. Cada equipe poderá inscrever até 15 atletas. No sub-21, podem participar jogadores nascidos a partir de 2005.
JOGOS AOS SÁBADOS
A reunião para devolução das fichas de inscrição será realizada no dia 11 de novembro, às 19h30min, no Ginásio da Sociedade Escolar. A arbitragem ficará a cargo da Ara.
As categorias infantis serão divididas em três faixas etárias: até 10, 12 e 15 anos. Cada equipe poderá inscrever até 15 atletas, com taxa de R$ 100 por categoria. Os jogos ocorrerão nas manhãs de sábado, e as inscrições serão limitadas. A intenção da organização é realizar seis partidas por rodada, com dois tempos de 15 minutos cada. O calendário será definido posteriormente.
O ingresso para acesso ao camping custará R$ 10 para adultos. Atletas das categorias infantis terão entrada gratuita. As fichas podem ser retiradas com a diretoria da Aemaso, pela página da entidade no Facebook, pelo Instagram @ aemaso_esportes ou pelo telefone (51) 99911-1191, com João Jung. As vagas são limitadas.
Programação deste ano contempla as categorias força livre, feminino, sub-21, veteranos e infantis
CORRIDA DE RUA
RÚSTICA DE NATAL ABRE INSCRIÇÃO PARA 36ª EDIÇÃO ARQUIVO A HORA
Estão abertas as inscrições para a 36ª Rústica de Natal de Lajeado, que será realizada no dia 6 de dezembro, com largada a partir das 6h30min. A atividade integra a programação do Natal no Coração 2026 e oferece opções de corrida e caminhada para diferentes faixas etárias. O evento é promovido pela Prefeitura de Lajeado, por meio da Secretaria da Cultura, Esporte, Lazer e Turismo (Secel), em parceria com o Sesc Lajeado. As inscrições podem ser feitas até 16 de novembro, ou antes, caso as vagas sejam preenchidas.
A programação prevê três modalidades: corrida infantil, corrida adulta e caminhada. Os percursos variam de 400 metros, para as crianças, a 10 quilômetros, na prova adulta. Todas as largadas e chegadas ocorrerão no Parque Ney Santos Arruda, na rua Osvaldo Aranha, no Centro. A corrida adulta e a caminhada começam às 6h30min. Já a prova infantil está prevista para as 8h15min, após o término da disputa adulta. A organização disponibiliza 1,2 mil vagas, sendo 1.150 para adultos e 50 para a
categoria infantil. Todos os inscritos recebem um kit atleta e uma camiseta do evento. A participação das crianças é gratuita. Para adultos, os valores variam conforme a categoria do participante. Trabalhadores do Comércio e Serviços pagam R$ 58, enquanto empresários com credencial do Sesc pagam R$ 61. Para o público em geral, a inscrição custa R$ 65. As inscrições devem ser realizadas pelo site do Sesc, onde também está disponível o regulamento completo da prova.
Organização disponibiliza 1,2 mil vagas, sendo 1.150 para adultos e 50 para a categoria infantil
A HORA | 17
Terça-feira, 27 de outubro de 2026
CANOAGEM
AECA GARANTE RESULTADO POSITIVO NO CAMPEONATO MUNDIAL NA ARGENTINA FOTOS: DIVULGAÇÃO
Associação esteve representada por três atletas em competição disputada na Argentina
A
Associação de Ecologia e Canoagem (Aeca) viveu um momento histórico com a participação no Campeonato Mundial de Canoagem Maratona, realizado em Gualeguaychú, na província de Entre Ríos, na Argentina. A competição reuniu representantes de 37 países e aproximadamente 700 atletas. A equipe da Aeca contou com Francisco Lepkoski, Larissa Naiara e Théo Carracedo, que conquistaram as vagas para o Mundial em março, durante seletiva realizada em Curitiba. Embora não tenham conquistado medalhas, os atletas contribuíram com pontuações para a delegação brasileira, que terminou na décima colocação. “Desta vez, não trouxemos medalhas, mas a participação na competição resultou em pontuações que garantiram ao Brasil a décima colocação, deixando para trás países como a própria Argentina, entre outros”, destaca Edson Carvalho, diretor administrativo e financeiro da entidade. Para a associação, a presença no campeonato representa uma conquista importante. “Participar de um campeonato mundial foi um feito histórico, com atletas remando lado a lado com os melhores do mundo”, afirma Carvalho. Um dos destaques foi
Equipe da Aeca em Gualeguaychú, na Argentina, contou com Francisco Lepkoski, Larissa Naiara e Théo Carracedo, além do diretor
Larissa Naiara, que se tornou a primeira atleta feminina da Aeca a participar de um Mundial de Canoagem Maratona. Nas provas de longa distância, Larissa enfrentou um percurso de 19 quilômetros, enquanto Francisco Lepkoski e Théo Carracedo competiram nos 29 quilômetros.
EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL Além dos desafios nas águas, a viagem proporcionou aos atletas
contato com a cultura argentina e com a história de Gualeguaychú. A programação incluiu o desfile das delegações e uma apresentação de carnaval, manifestação cultural tradicional da cidade. Carvalho destaca a receptividade dos argentinos durante o evento. “A delegação brasileira foi recebida com muito carinho pelos argentinos, que a todo momento nos chamavam para tirar uma foto ou autografar um caderno ou uma camiseta. Foi emocionante sentir o carinho recebido do povo argentino”,
relata. O diretor também acompanhou a delegação, atuando na equipe de apoio e prestando assessoria logística aos atletas durante a competição. Depois da experiência internacional, o grupo volta aos treinamentos com foco na próxima temporada. A primeira competição nacional está prevista para o início de março. “Agora é voltar aos treinos, pois no início de março já teremos a primeira competição nacional”, projeta Carvalho.
Desta vez, não trouxemos medalhas, mas a participação na competição resultou em pontuações que garantiram ao Brasil a décima colocação, deixando para trás países como a própria Argentina, entre outros” EDSON CARVALHO DIRETOR ADMINISTRATIVO E FINANCEIRO DA ENTIDADE
18 | A HORA
Terça-feira, 27 de outubro de 2026
por Luciane Ferreira
JCI Lajeado completava 40 anos
A
Junior Chamber International (JCI) completava 40 anos de atuação em Lajeado. A comemoração foi aberta com uma plenária, realizada na sede da Associação Comercial e Industrial de Lajea-
do (Acil). A programação ainda previa sessão solene na Câmara de Vereadores, concerto da Oclaje no Unicshoping, apresentação teatral, palestra e festa de aniversário. As atividades se encerrariam com jantar-baile.
Na época, integravam a diretoria o presidente Evandro Luiz Schnack, o vice-presidente Alex Schmitt, entre outros membros. Durante as festividades, Schmitt foi anunciado como próximo presidente da entidade.
Alex Schmitt, que ocupava o cargo de vice-presidente, seria empossado presidente no fim daquele ano
Hospital promovia a Semana da Humanização O Hospital Beneficente Leonilda Brunet, de Ilópolis, promovia a 2ª Semana da Humanização. O grupo de canto coral Vozes, formado por estudantes, fez uma apresentação. Em seguida, o os integrantes encenaram a peça teatral “Levanta-te e vem para o meio.” A programação ainda contou palestra sobre segurança no trabalho, aula de ginástica laboral e café da manhã e chá da tarde para os funcionários da instituição de saúde.
Apresentação do coral Vozes animou os funcionários
Destaque para arte e criatividade Jovens atores de Estrela ensaiavam a peça teatral “Escravos do século vinte”. Com direção de Vicente de Souza, o grupo teatral amador tinha a intenção de despertar nos jovens o interesse pelas artes e o exercício da criatividade.
Recursos para micro e pequenas empresas A Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) era parceira do Badesul e prestava atendimento a micro e pequenos empresários interessados em conseguir aporte financeiro. A intenção era catalogar as empresas locais interessadas em fazer financiamentos.
Hoje é - Dia do Engenheiro Agrícola - Dia Nacional de Luta pelos Direitos das Pessoas com Doenças Falciformes Santo do dia: Santo Elesbão e São Frumêncio
A HORA | 19
Terça-feira, 27 de outubro de 2026
FERNANDO RÖHSIG
ARTIGO
Conselheiro de Administração
A regra de ouro que muitas empresas ignoram Governança e gestão possuem funções distintas, mas objetivos comuns.”
E
xiste uma regra simples na governança corporativa: quem gere não deveria controlar, e quem controla não deveria gerir. Na teoria, parece óbvio. Na prática, porém, essa é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas empresas. Quando uma mesma pessoa define a estratégia, executa as atividades, acompanha os resultados e fiscaliza as próprias decisões, o risco de conflitos aumenta significativamente. Não se trata, necessariamente, de má-fé. O problema está na ausência de contrapontos.
A boa governança nasce justamente da existência de estruturas capazes de questionar, avaliar e monitorar decisões. É por isso que conselhos de administração e consultivos, auditorias, conselhos fiscais e comitês existem. Sua função não é dificultar a gestão, mas proteger a empresa e contribuir para a qualidade das decisões. Empresas familiares enfrentam esse desafio diariamente. Cooperativas também. Em muitos casos, lideranças históricas acabam confundindo sua trajetória pessoal com a própria história da organização. A dificuldade
surge quando o crescimento exige novas competências, diferentes perspectivas e mecanismos de controle mais estruturados. Uma empresa madura compreende que discordar não significa dividir. Pelo contrário: estruturas de governança permitem debates qualificados antes das decisões, reduzem riscos e ampliam a segurança para todos os envolvidos. Quando governança e gestão trabalham em equilíbrio, a empresa ganha velocidade sem perder o controle. Quando esse equilíbrio desaparece, abrem-se espaços para conflitos, disputas internas e decisões orientadas por interesses individuais, em detrimento dos objetivos coletivos. O desafio, portanto, não é eliminar os conflitos. É criar mecanismos para administrá-los de forma inteligente, construtiva e alinhada à perenidade da empresa.
RODOLFO AGOSTINI Especialista em Direito Público com ênfase em Direito Constitucional Pós graduado em Advocacia Criminal
Governança e segurança jurídica
A
efetiva execução de projetos públicos depende de muito mais do que disponibilidade financeira ou capacidade técnica. Exige planejamento, definição de responsabilidades, integração entre órgãos e segurança jurídica durante todas as etapas. Nesse cenário, a governança pública assume papel essencial para transformar projetos em entregas concretas à sociedade. No Rio Grande do Sul, especialmente no Vale do Taquari, essa atuação articulada é ainda mais relevante diante da quantidade, da complexidade e da urgência dos projetos em andamento. Já foram bilhões e bilhões de reais empenhados / contratados - seja por esforço Municipal, Estadual e ou Federal. Obras de infraestrutura, programas habitacionais, medidas de recuperação econômica e iniciativas de prevenção precisam avançar com eficiência, transparência e respeito à legislação. A advocacia, seja ela pública ou privada, deve participar desde o início desse processo. Sua função não pode ficar restrita à análise final de documentos ou à correção de problemas já consolidados. A atuação jurídica preventiva contribui para identificar riscos, definir caminhos legalmente seguros, estruturar procedimentos e evitar paralisações, retrabalho e responsabilizações. Também é fundamental manter um ambiente permanente de diálogo institucional O desafio, portanto, entre Municípios, Estado e é construir uma órgãos de controle, como o relação pública Ministério Público e os Tribunais de Contas. Nesse ponto, baseada em cabe registrar o reconheciplanejamento, mento à atuação dessas instituições. Nos últimos anos, responsabilidade em especial após as catástroe confiança fes ambientais e suas conseinstitucional” quências no Vale do Taquari, tenho acompanhado, na prática, esse movimento de aproximação e constatado os resultados positivos dele decorrentes. Esse diálogo não representa confusão de atribuições nem redução da autonomia ou da independência de cada instituição. Ao contrário, proporciona maior clareza quanto aos objetivos, aos limites legais, às responsabilidades e às providências necessárias para a adequada execução de cada projeto. Uma boa governança pressupõe decisões documentadas, fluxos administrativos definidos, transparência, controle de prazos e acompanhamento permanente. Pressupõe, sobretudo, cooperação. Projetos complexos dificilmente serão concluídos de maneira adequada quando os envolvidos atuam de forma isolada ou quando o diálogo institucional ocorre somente após o surgimento de divergências. O desafio, portanto, é construir uma relação pública baseada em planejamento, responsabilidade e confiança institucional. Quanto mais próximos estiverem os entes públicos, as equipes técnicas, as assessorias jurídicas e os órgãos de controle, maiores serão as condições para prevenir falhas, superar desafios que são muitas vezes imensuráveis, tendo em vista a necessidade momentânea, a burocratização que a legislação impõe e muitas vezes necessárias (infelizmente), enfim, superar entraves e concretizar políticas públicas com segurança jurídica ao gestor, ao empreendedor, e aos próprios beneficiários. No Vale do Taquari, essa união de esforços é indispensável para que tantos projetos inovadores e importantes continuem saindo do papel e produzam resultados efetivos. Governança não é apenas controle: é organização, cooperação e capacidade de realizar, com legalidade e responsabilidade, aquilo que a sociedade necessita.
Terça-feira, 27 de outubro de 2026 Fechamento da edição: 18h
MÍN: 8º | MÁX: 24º
O tempo fica firme no Vale, e o sol aparece acompanhado de algumas nuvens.