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ANÁLISE, CURADORIA E OPINIÃO DE VALOR Segunda-feira, 26 de outubro de 2026 | Ano 25 - Nº 4212 | R$ 5,00 (dia útil) R$ 9,00 (fim de semana)
Lula vence e prepara o quarto mandato RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO
FESTA E CONTESTAÇÃO
GABRIEL SANTOS
Atual presidente reverteu a derrota do primeiro turno e obteve 51,79% dos votos válidos. Vantagem sobre o adversário passou dos 4 milhões de votos. Por outro lado, Flávio Bolsonaro não reconhece resultado, critica intromissão da Justiça e prepara ação para anular pleito PÁ G I N A S | 4 e 5
OPINIÃO | HENRIQUE PEDERSINI
OPINIÃO | RODRIGO MARTINI
Virada histórica e as cobranças
O custo do tetra
Lula precisa virar a chave da economia e entregar o país promissor que prometeu.
Lula vence a 4ª eleição presidencial, após uma série de “bondades” na campanha.
DESAFIOS REGIONAIS
Avanços na infraestrutura dividem espaço com atrasos Mais de dois anos após as cheias, municípios registram obras de pre-
venção, mas exigências técnicas e entraves desaceleram a entrega em dia.
PÁ G I N A S | 1 2 e 1 3
GOVERNO E CONGRESSO
Oposição forte exigirá concessões de Lula Com ampla maioria do PL, Legislativo reduz margem do Planalto so-
bre o Orçamento e força articulação com partidos de centro.
PÁ G I N A | 6
OPINIÃO | MATEUS SOUZA
Sem Lula e sem Bolsonaro Apuração mal terminou e a corrida por 2030 já começou: esquerda e direita buscam nomes.
ECONOMIA E TRABALHO
Dívida pública e juros desafiam futuro governo Gastos públicos limitam respostas às demandas de empresas e trabalhadores Dívida pública e juros que superam R$ 1 trilhão ao ano reduzem a margem para políticas públicas e investimentos. Em 2027, nova etapa da reforma
tributária, instabilidade no mercado internacional e mudanças na relação de trabalho traz incertezas aos setores produtivos. PÁ G I N A S | 1 0 e 1 1
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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
E D I TO R I A L
A B R E A S PA S
O país precisa sair da disputa
A
eleição terminou, mas o país permanece diante do risco de prolongar o confronto. Lula conquistou o quarto mandato em uma votação marcada por falhas no transporte de eleitores, demora nas respostas judiciais e uma prorrogação conduzida de forma confusa. Esclarecer esses episódios é uma obrigação das instituições. Transformar as dúvidas em rejeição antecipada à vontade das urnas amplia a instabilidade e impõe um custo que vai além da política. A Justiça precisa examinar a própria atuação. Diante das denúncias de dificuldades no transporte público, a presidência do Tribunal Superior Eleitoral deveria ter respondido em tempo hábil. A demora de Kassio Nunes Marques levou a campanha petista a recorrer ao Supremo.
“A chegada do meu filho renova a esperança no futuro” Grávida de sete meses, Catiele Vogt, 37 anos, participa há 16 anos das eleições como presidente de mesa e espera um Brasil mais seguro, com saúde e educação de qualidade para as próximas gerações
LAUTENIR JUNIOR
Lautenir Junior
lautenir@grupoahora.net.br
Com esse ambiente de hostilidade, o quarto mandato de Lula começará sob pressão fiscal...” Foi neste momento que a intervenção de Cristiano Zanin, próxima ao encerramento da votação, criou outro problema: parte das seções já estava fechada, enquanto outras puderam continuar. Uma decisão destinada a assegurar o voto acabou aplicada em condições diferentes pelo país. Há, porém, um fato que não pode desaparecer dessa discussão: as duas campanhas pediram mais tempo para votar. PT e PL apresentaram justificativas e abrangências distintas, mas ambos reconheceram dificuldades de acesso às urnas e solicitaram a extensão. Com esse ambiente de hostilidade, o quarto mandato de Lula começará sob pressão fiscal e com pouco espaço para promessas sem financiamento. A dívida pública, o peso dos juros e a dificuldade de ampliar investimentos exigem respostas concretas.
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O que representa participar das eleições há cerca de 16 anos?
Vejo como uma forma de exercer a cidadania e ajudar o nosso país. É um momento em que a gente pode contribuir e fazer a nossa parte. Participo a cada dois anos, como presidente de mesa, e considero importante estar presente nesse processo. É uma maneira de colaborar para que a eleição aconteça e de entender que cada pessoa tem sua responsabilidade na construção do país.
A gravidez mudou sua maneira de olhar para o futuro do Brasil?
Com certeza, a gente pensa ainda mais no futuro dos filhos. Estou grávida de sete meses e meu bebê nasce em janeiro, justamente quando começa um novo governo. Isso faz a gente refletir sobre o país que queremos deixar para eles. Quero ensinar aos meus filhos a importância de exercer a cidadania, de serem pessoas boas e de fazerem aquilo que estiver ao alcance para contribuir com o Brasil. Acho que tudo começa dentro de casa, com o exemplo que damos.
Que país espera encontrar nos próximos anos?
Quero um Brasil seguro, tranquilo, com saúde e educação de qualidade. Espero que meus filhos e minha família tenham oportunidades e possam viver bem. A gente quer que as crianças cresçam com condições de estudar, escolher seus caminhos e construir o próprio futuro. São coisas que parecem básicas, mas fazem muita diferença na vida das pessoas.
Por que a educação deveria receber mais atenção?
A educação é o que o país mais precisa. Trabalho como secretária escolar concursada e acompanho a importância da escola na vida das crianças. É uma área que precisa de um olhar mais atento, de investimentos e de valorização. A educação abre oportunidades e prepara as pessoas para o futuro. Quando a gente pensa nos filhos, pensa também na escola que eles vão frequentar e nas possibilidades que terão ao longo da vida.
O que mais chama sua atenção na experiência de trabalhar nas eleições?
Para mim, é uma forma de contribuir com a democracia e com o país. Já são cerca de 16 anos participando desse processo, e vejo isso como um compromisso com a cidadania. É importante que as pessoas compreendam que podem fazer a diferença dentro das suas possibilidades. Não é apenas sobre votar, mas também sobre respeitar os outros, cumprir responsabilidades e pensar na sociedade como um todo.
Que valores pretende transmitir aos filhos?
Quero que sejam pessoas boas, que respeitem os outros e procurem fazer o bem. Quero mostrar que cada um pode contribuir de alguma forma para melhorar o lugar onde vive. A cidadania também passa por essas atitudes do dia a dia. Espero que eles cresçam entendendo a importância de participar, de respeitar as diferenças e de fazer a sua parte por um país melhor.
A HORA | 3
Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
VIRADA HISTÓRICA
Após bilhões em benesses, Lula RODRIGO MARTINI conquista o tetra rodrigomartini@grupoahora.net.br
TIRO - Flavio Bolsonaro (PL) conquistou 3,6 milhões de votos a mais do que no primeiro turno, e Lula (PT) aumentou em 10,3 milhões a própria votação no segundo turno. E assim se explica a vitória. - Ao fim e ao cabo, e de forma majoritária, as pesquisas eleitorais erraram no primeiro turno e também erraram no segundo turno. - Perguntinha: a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) pode significar o fim do Bolsonarismo e o início de um novo momento à direita? Aguardemos!
Calma e prudência após a derrota
Só perde para Getúlio Vargas…
A
campanha do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) custará mais de R$ 350 bilhões aos brasileiros. Eleitores, de direita e de esquerda, vão pagar caro pelas benesses prometidas ou já executadas pelo petista durante a acirrada disputa com Flávio Bolsonaro (PL). A virada no segundo turno – a primeira na história – ficará
manchada na história pelo uso desenfreado da máquina pública em prol da situação. E o “lapso” – ou a ensurdecedora inoperância – do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) custará caro à credibilidade do sistema. Por fim, Lula vai ao quarto mandato sob a sombra da impunidade, da crise econômica e cercado de uma maioria de parlamentares de direita.
Se finalizar os próximos quatro anos de mandato, Lula chegará a 16 anos no poder. Com isso, só ficará atrás de Getúlio Vargas, que ficou 18 anos, seis meses e 20 dias no comando do Brasil. Natural de São Borja, Vargas ficou 15 anos durante o Governo Provisório, Governo Institucional e Estado Novo, entre 1930 e 1945, e mais três anos entre 1951 e 1954, quando foi eleito presidente.
ELEIÇÃO SOB SUSPEITA
Menos abstenção “Vamos pedir a anulação da eleição”, avisa Flávio
O número de eleitores que abriram mão do voto diminui de forma drástica do primeiro para o segundo turno
A decisão monocrática do ministro do STF Cristiano Zanin, o ex-advogado de Lula, de prorrogar por duas horas a votação foi a “cereja do bolo” do indigesto pleito. De forma racional, é duro sustentar que a diferença de 4,3 milhões de votos se originou neste período de 120 minutos. Mas o fato absolutamente inusitado e de difícil compreensão será pano pra manga para alimentar teses e desconfianças. O senador e candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) já avisou que não reconhece a vitória petista e pedirá a anulação do pleito. Ou seja, o que já está ruim ainda pode piorar...
Baixou de
Finalizado o pleito, voltamos à reconstrução O governo Lula sempre esteve próximo ao Vale do Taquari neste doloroso processo de reconstrução pós-enchentes. Assim como o governo Eduardo Leite (PSD). Finalizado o pleito, o desafio dos nossos líderes regionais é realinhar estratégias com os agentes de Luciano Zucco (PL) para dar sequência às obras do Funrigs, principalmente. Já em âmbito nacional a missão é mitigar os ruídos em função da baixa votação de Lula no Vale do Taquari e, principalmente, manter a boa relação com os agentes federais já envolvidos no processo de reconstrução. E tudo isso precisa iniciar hoje.
33,4 milhões para 30,3 milhões. São três milhões de brasileiros a mais na reta final. E, pelo jeito, a grande maioria optou pelo candidato da esquerda.
A perplexidade tomou conta de muitos eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) logo após a surpreendente – e para muitos “inexplicável” – vitória de Lula (PT). Principalmente pelo fato do petista aparecer em segundo lugar em praticamente todas pesquisas do segundo turno. Mas é preciso muita calma e prudência. A direita nacional não pode permitir que alguns poucos militantes percam a razão e concedam combustível para novas narrativas e retóricas antidemocráticas. Compreender a derrota e escolher melhor quem comandará as batalhas é o melhor caminho.
L E V A N TA R A P O E I R A … Havia muita expectativa por mudança. O setor produtivo aguardava a guinada à direita e o clima de esperança era alentador à economia. Mas a tão aguardada vitória não veio e a esquerda vai governar por mais quatro anos. Não é a primeira vez para a maioria dos empresários e empresas do Vale do Taquari. Outras derrotas em pleitos eleitorais também despejaram desesperança no setor. Mas a boa notícia é que a pujança e a resiliência dos empresários e trabalhadores da região sempre prevalece.
Alinhamento verde-amarelo
comprometido Há um “alinhamento verdeamarelo” no Rio Grande do Sul que se estende pelo sul e sudeste do país, principalmente. E havia a expectativa de estender o ajustamento com o governo federal a partir de uma possível eleição de Flávio Bolsonaro (PL).
Entretanto, e com a vitória de Lula (PT), resta saber como será a relação entre os agentes de Porto Alegre e Brasília. Lembrando que Zucco falou em “prender o barbudo” durante a festa da vitória dele em solo gaúcho no primeiro turno.
SOBREVIDA AO PT GAÚCHO
Maneco e Pimenta podem assumir funções Enfraquecido após a derrota na disputa pelo Palácio Piratini e também na luta por vagas no Senado no RS, o PT ganha uma nova sobrevida no Rio Grande do Sul com a histórica quarta vitória de Lula (PT) no Brasil. Com isso, Maneco Hassen (PT) e Paulo Pimentas (PT), dois agentes do PT com muitas ligações com o Vale do Taquari e que não conquistaram as respectivas cadeiras no Senado e no Assembleia Legislativa, podem assumir funções estratégicas no estado ou mesmo em Brasília.
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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Lula conquista quarto mandato e Flávio anuncia contestação Petista venceu por mais de 4,4 milhões de votos e prometeu ampliar a participação popular no governo. Adversário não reconhece o resultado e pede anulação após horário de votação ser prorrogado Filipe Faleiro
filipe@grupoahora.net.br
PAÍS
L
uiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo, 25, após reverter a desvantagem do primeiro turno. Com mais de 64,2 milhões de votos, conquistou o quarto mandato e prometeu mudar a relação do governo com a população. Flávio Bolsonaro (PL), que recebeu 59,8 milhões, não reconheceu o resultado e anunciou que recorrerá à Justiça. A diferença ultrapassou 4,4 milhões de votos.Lula tinha 51,79% dos válidos, contra 48,21% do candidato do PL. Entre os turnos, o petista acrescentou cerca de 10,4 milhões de votos, enquanto
Flávio ampliou em 3,7 milhões. Nas primeiras manifestações após a apuração, os candidatos deram encaminhamentos distintos ao resultado. Lula agradeceu a mobilização dos eleitores e falou sobre o próximo mandato. “Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais nas nossas decisões.” Flávio concentrou o pronunciamento na decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou a votação até as 19h. Alegou quebra de igualdade entre os eleitores, pois a extensão não alcançou seções onde as urnas já haviam sido encerradas. “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico e vamos pedir a anulação dessas eleições”, afirmou.
Participação e diálogo Lula atribuiu a vitória ao envolvimento da população na campanha. Destacou a participação dos jovens e dos idosos e afirmou que pretende ampliar a comunicação direta pelas plataformas digitais.
Na medida que a gente ganha as eleições, a gente não tem mais adversário. Eu tenho que governar para 215 milhões. Tenho que governar para todas as cidades.”
“A comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, anunciou. No mesmo pronunciamento, defendeu a regulamentação das plataformas e as acusou de interferir na disputa eleitoral. Para o próximo mandato, citou o cuidado com os idosos, políticas voltadas às mulheres e a ampliação dos serviços do Sistema Único de Saúde. “Na medida que a gente ganha as eleições, a gente não tem mais adversário. Eu tenho que governar para 215
milhões. Tenho que governar para todas as cidades.” Lula também respondeu às avaliações sobre as dificuldades que poderá enfrentar diante de um Congresso mais conservador. Disse que trabalhará com os parlamentares escolhidos nas urnas e vinculou essa relação ao respeito à Constituição. “Eu não escolhi o Congresso; foi o povo que escolheu, e é com ele que eu vou trabalhar e vou aprovar as coisas.”
Flávio critica STF No pronunciamento após a derrota, Flávio classificou a mudança no horário como inaceitável. Criticou a atuação de Zanin e alegou que eleitores de diferentes localidades não tiveram as mesmas condições de participação. “Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades, de diferentes estados”, reclamou. Para o candidato, o encerramento de parte das urnas antes da aplicação da medida impediu saber quantos eleitores ainda poderiam ter votado nesses locais.
Duas campanhas pediram mais tempo Antes do encerramento da votação, tanto o PT quanto o PL haviam solicitado a extensão do horário, com justificativas e
abrangências diferentes. A campanha de Lula começou com pedidos para Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia, diante de denúncias de redução da frota de ônibus e dificuldade de deslocamento. Depois, defendeu a prorrogação nacional. A campanha de Flávio pediu mais duas horas em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Alegou chuvas, alagamentos e falta de energia que teriam prejudicado a chegada dos eleitores. Sob cobrança por uma resposta, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, solicitou informações à Justiça Eleitoral da Bahia e à Procuradoria Eleitoral. Sem resposta do TSE, o Supremo foi acionado. Por meio do sorteio do sistema, o ministro Zanin foi o escolhido e determinou a prorrogação próxima ao horário previsto para o encerramento, às 17h. Parte das seções já havia concluído os trabalhos. Em esclarecimento posterior, o TSE informou que a votação continuaria apenas onde ainda não tivesse sido encerrada. As urnas fechadas permaneceram nessa condição, e a divulgação nacional dos resultados foi retomada após as 19h.
A virada nas urnas Flávio havia terminado o primeiro turno com 56,1 milhões de votos, uma vantagem de 2,2
A HORA | 5
Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
FOTOS: RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO
Flávio venceu em todas as cidades do Vale
milhões sobre Lula. Na segunda etapa, o crescimento da votação do petista foi suficiente para superar essa diferença e abrir uma margem de 4,4 milhões. Lula venceu nos nove estados do Nordeste, além de Minas Gerais, Pará, Amazonas e Amapá. Minas mudou de preferência entre os turnos: depois de favorecer Flávio na
primeira votação, deu ao petista cerca de 50,4% dos válidos. Flávio venceu nos três estados do Sul, em todo o Centro-Oeste, em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, além de Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins. Ao todo, ficou à frente em 13 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula venceu em 13 estados.
No Rio Grande do Sul, Flávio recebeu 57,84% dos votos válidos, contra 42,16% de Lula. A diferença estadual superou um milhão de votos. Porto Alegre apresentou resultado distinto: o petista venceu na capital, com 55,84%. Nos 39 municípios da região (acrescentado Venâncio Aires, do Vale do Rio Pardo), Flávio venceu e reuniu 68,99% dos votos válidos. Foram 196.450 votos para o candidato do PL e 88.288 para Lula. Vespasiano Corrêa registrou o maior percentual para Flávio, com 87,8%. Anta Gorda e Putinga vieram na sequência. Em sete municípios, o candidato recebeu mais de oito em cada dez votos válidos. O melhor desempenho proporcional de Lula ocorreu em Tabaí, onde alcançou 44,2% e perdeu por 389 votos. Canudos do Vale e Taquari foram os outros municípios onde o presidente reeleito ultrapassou 40%. Lajeado concentrou a maior diferença em favor do PL. Flávio recebeu 35.063 votos, contra 16.754 de Lula. Em Venâncio Aires, segundo maior colégio eleitoral do levantamento, o candidato do PL obteve 66,6% dos válidos.
Resultado nacional Lula (PT), reeleito: 64.255.891 votos (51,79%) Flávio Bolsonaro (PL): 59.825.984 votos (48,21%) Diferença: 4.429.907 votos. Votos válidos: 124.081.875. Comparecimento: 80,8% do eleitorado. Abstenção: 19,2%. Brancos: 1,1% Nulos: 2,1%
Rio Grande do Sul
Apuração 2º turno CIDADE
FLÁVIO VOTOS
%
VOTOS
%
ANTA GORDA
3.507
85,02%
618
14,98%
ARROIO DO MEIO
10.518
71,23%
4.248
28,77%
ARVOREZINHA
5.112
72,63%
1.926
27,37%
BOM RETIRO DO SUL
5.397
66,86%
2.675
33,14%
BOQUEIRÃO DO LEÃO
2.825
64,25%
1.572
35,75%
CANUDOS DO VALE
962
58,02%
696
41,98%
CAPITÃO
1.717
71,87%
672
28,13%
COLINAS
1.414
72,00%
550
28,00%
COQUEIRO BAIXO
892
80,87%
211
19,13%
CRUZEIRO DO SUL
5.171
67,69%
2.468
31,31%
DOIS LAJEADOS
2.101
81,31%
483
18,69%
DOUTOR RICARDO
1.301
76,66%
396
23,34%
ENCANTADO
9.935
71,04%
4.050
28,96%
ESTRELA
14.768
72,87%
5.499
27,13%
FAZENDA VILANOVA
1.879
61,91%
1.156
38,09%
FORQUETINHA
1.646
73,55%
592
26,45%
ILÓPOLIS
2.422
80,71%
579
19,29%
IMIGRANTE
1.635
73,15%
600
26,85%
LAJEADO
35.063
67,67%
16.754
32,33%
MARQUES DE SOUZA
2.042
70,71%
846
29,29%
MATO LEITÃO
2.384
69,65%
1.039
30,35%
MUÇUM
2.360
74,42%
811
25,58%
NOVA BRÉSCIA
1.892
80,27%
465
19,73%
PAVERAMA
3.170
63,67%
1.809
36,33%
POÇO DAS ANTAS
1.292
75,82%
412
24,18%
POUSO NOVO
856
61,85%
528
38,15%
PROGRESSO
2.643
63,15%
1.542
36,85%
PUTINGA
2.480
82,28%
534
17,72%
RELVADO
1.310
74,47%
449
25,53%
ROCA SALES
4.333
69,21%
1.928
30,79%
SANTA CLARA DO SUL
3.687
75,88%
1.172
24,12%
SÉRIO
1.130
66,59%
567
33,41%
TABAÍ
1.864
55,83%
1.475
44,17%
TAQUARI
9.162
58,79%
6.422
41,21%
TEUTÔNIA
14.284
67,50%
6.878
32,50%
TRAVESSEIRO
1.112
64,69%
607
35,31%
VESPASIANO CORRÊA
1.817
87,82%
252
12,18%
WESTFÁLIA
1.805
77,80%
515
22,20%
VENÂNCIO AIRES
28.562
66,65%
14.292
33,35%
NO RS
LULA
BRASIL
Flávio Bolsonaro: 3.874.378 votos (57,84%) Lula: 2.824.552 votos (42,16%) Diferença: 1.049.826 votos a favor de Flávio. Votos válidos: 6.698.930.
Resultado regional Vale do Taquari e Venâncio Aires (39 municípios) Flávio Bolsonaro (PL): 196.450 votos (68,99%) Lula (PT): 88.288 votos (31,01%) Diferença: 108.162 votos a favor de Flávio.
57,84% Lula: 42,16% Flávio Bolsonaro:
48,21% Lula: 51,79% Flávio Bolsonaro:
6 | A HORA
Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
LULA REELEITO
Congresso fortalecido pela direita exigirá ampliação de alianças KAYO MAGALHÃES/DIVULGAÇÃO
Presidente encontrará, em seu quarto mandato, duas casas legislativas dominadas pelo PL, principal partido opositor. Somente votos da base aliada não garantirão êxito nas votações Mateus Souza
mateus@grupoahora.net.br
PAÍS
R
eeleito presidente por mais quatro anos, Lula estará diante de um Congresso Nacional com forte presença de partidos de direita e centro-direita. Com o PL na liderança das bancadas da Câmara e do Senado, o quarto mandato do chefe do Executivo terá como principal desafio construir maiorias para aprovar projetos, preservar vetos e sustentar a agenda econômica e social do governo. Na Câmara dos Deputados, a federação PT/PCdoB/PV reunirá 88 parlamentares, enquanto o PL conta com 121 cadeiras e a federação PP/União Brasil, outras 87. Mesmo com as bancadas do PSOL/Rede, PSB e PDT, o campo petista não terá força suficiente para aprovar sozinho suas propostas. O governo precisará buscar apoio em partidos como MDB, PSD, Republicanos e outras siglas de centro-direita e centro, cujas posições podem variar conforme o tema em discussão. A dificuldade será especialmente relevante em votações de maior impacto fiscal, mudanças na legislação e propostas que exigem maioria qualificada. Projetos de lei ordinária podem avançar com maioria simples, conforme as regras de votação, mas leis complementares exigem maioria absoluta. Já uma emenda constitucional depende de 308 votos na Câmara e 49 no Senado, em dois turnos em cada Casa. Nesse cenário, Lula terá de negociar não apenas com aliados tradicionais, mas também com setores que poderiam integrar a oposição ou oferecer apoio condicionado.
Cenário desafiador No Senado, o quadro será igualmente desafiador. Com nove integrantes, o PT fica distante
Dificuldade será especialmente relevante em votações de maior impacto fiscal, mudanças na legislação e propostas que exigem maioria qualificada
dos 41 votos necessários para formar maioria absoluta em uma Casa de 81 membros. O PL, com 28 senadores, tem capacidade ampliada de articulação e pode liderar movimentos contrários às prioridades do Executivo. A atuação de partidos independentes e de centro será decisiva tanto para a aprovação de propostas quanto para a análise de indicações e outras matérias de competência dos senadores. A Rede Sustentabilidade, que integra a Federação PSOL/Rede, também contará com um senador. Embora represente uma força numericamente pequena, sua presença amplia a representação de partidos que podem atuar em pautas próximas às defendidas pelo governo petista, especialmente nas áreas social e ambiental. O governo também precisa lidar com um Legislativo que ganhou protagonismo na definição do Orçamento e na destinação de emendas parlamentares. Isso reduz a margem de manobra do Planalto e aumenta a importância das negociações com lideranças partidárias e presidências das Casas. A formação de uma coalizão poderá exigir concessões em ministérios, políticas públicas e prioridades regionais, sem garantia de apoio permanente.
Obstáculos A oposição, por sua vez, terá condições de impor obstáculos à agenda presidencial e de explorar divergências entre o Executivo e o Congresso. O risco de derrotas legislativas será maior em temas que dividem o centro político ou mobilizam a base bolsonarista. Ao mesmo tempo, a aprovação de medidas de interesse comum, especialmente em matérias econômicas ou regionais, continuará possível mediante acordos específicos.
Senado a partir de 2027
Câmara dos deputados
Governo também precisa lidar com um Legislativo que ganhou protagonismo na definição do Orçamento
A HORA | 7
Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
NOVOS GOVERNADORES
PL e PSD comandarão mais estados em 2026 Partido do presidenciável Flávio Bolsonaro governará os três estados do Sul, além do Rio de Janeiro, Roraima e Rondônia. Sigla do presidente reeleito Lula, PT estará a frente de quatro estados do Nordeste Mateus Souza
mateus@grupoahora.net.br
PAÍS
O
mapa político dos estados brasileiros para o próximo mandato terá predominância de PL e PSD, partidos que concentram o maior número de governadores eleitos em 2026. A sigla do presidenciável Flávio Bolsonaro conquistou seis governos estaduais e estará à frente dos três estados do Sul, além de Rio de Janeiro, Rondônia e Roraima. Já o PSD terá cinco governadores, com presença em diferentes regiões do país. O Partido Progressistas aparece na sequência, com quatro governos, mesmo número do PT e do Republicanos. O resultado mostra a força das siglas de centro e direita na disputa pelos executivos estaduais, enquanto o Partido dos Trabalhadores mantém influência concentrada no Nordeste. A distribuição dos governos também evidencia a presença de partidos com diferentes perfis políticos na administração dos estados. Embora a disputa presidencial concentre a atenção nacional, os resultados estaduais
definem uma parcela importante das forças políticas que terão influência sobre investimentos, articulações regionais e políticas públicas nos próximos quatro anos.
O Republicanos também terá quatro governos. A legenda elegeu Otaviano Pivetta, em Mato Grosso; Cleitinho, em Minas
Gerais; Tarcísio de Freitas, em São Paulo; e Lorenzo Pazolini, no Espírito Santo, este último eleito no segundo turno.
PL garante força no Sul O principal destaque do PL é o domínio dos três estados da Região Sul. No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco foi eleito governador no primeiro turno. O mesmo ocorreu com Jorginho Mello, reeleito em Santa Catarina, e Sérgio Moro, no Paraná. A presença da sigla também se estende ao Sudeste, com Douglas Ruas, no Rio de Janeiro, e ao Norte, com Marcos Rogério, em Rondônia, e Arthur Henrique, em Roraima. Com seis governos, o partido terá uma base de atuação distribuída por diferentes regiões. O PSD, por sua vez, conquistou cinco estados. A legenda terá representantes no Amapá, com Dr. Furlan; no Maranhão, com Eduardo Braide; em Pernambuco, com Raquel Lyra; em Sergipe, com Fábio Mitidieri; e no Amazonas, com Omar Aziz, eleito no segundo turno.
PT concentra governos no Nordeste O PT, partido do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva, terá quatro governadores. Todos foram eleitos no primeiro turno e estão em estados nordestinos: Jerônimo Rodrigues, na Bahia; Elmano de Freitas, no Ceará; Rafael Fonteles, no Piauí; e Cadu de Lula, no Rio Grande do Norte, eleito no segundo turno. Os três primeiros foram reeleitos.
ELEITOS PRIMEITO TURNO AL — JHC (PSDB) AP — Dr. Furlan (PSD) BA — Jerônimo Rodrigues (PT) CE — Elmano de Freitas (PT) GO — Daniel Vilela (MDB) MA — Eduardo Braide (PSD) MG — Cleitinho Azevedo (REP) MS — Eduardo Riedel (PP) MT — Otaviano Pivetta (REP) PA — Dr. Daniel (PODE) PB — Lucas Ribeiro (PP) PE — Raquel Lyra (PSD) PI — Rafael Fonteles (PT) PR — Sergio Moro (PL) RJ — Douglas Ruas (PL) RO — Marcos Rogério (PL) RR — Arthur Henrique (PL) RS — Zucco (PL) SC — Jorginho Mello (PL) SE — Fábio Mitidieri (PSD) SP — Tarcísio de Freitas (REP)
ELEITOS SEGUNDO TURNO AC — Mailza Assis (PP) AM — Omar Aziz (PSD) ES — Lorenzo Pazolini (REP.) RN — Cadu de Lula (PT) TO — Vicentinho Júnior (PSDB) DF — Celina Leão (PP)
Segundo turno define seis governos
PARTIDOS COM MAIS GOVERNADORES:
Seis unidades da Federação tiveram a disputa pelo governo estadual decidida no segundo turno. Além de Omar Aziz, no Amazonas, e Cadu de Lula, no Rio
PL – 6 PSD – 5 PP – 4 PT e Republicanos – 4 PSDB – 2 MDB e Podemos – 1
Grande do Norte, foram eleitos Milza Assis, no Acre; Celina Leão, no Distrito Federal; Lorenzo Pazolini, no Espírito Santo; e Vicentinho Júnior, em Tocantins.
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O que o Brasil leva das urnas para 2027 Seis entrevistas analisam o segundo turno, a polarização política e os desafios do próximo governo. Contas públicas, juros, relação entre os poderes e mudanças na legislação eleitoral estão entre os temas em debate
Filipe Faleiro
filipe@grupoahora.net.br
PAÍS
D
epois do resultado da eleição se abre uma nova etapa de desafios para o país. Equilíbrio das contas públicas, crédito caro, relações entre os poderes, regras eleitorais e a polarização política estão entre os temas que vão acompanhar o governo a partir de 2027. Durante a cobertura do segundo turno, nesse domingo, 25, a Rádio A Hora 102.9
reuniu análises de seis entrevistados. O cientista político Fernando Schüler e o jornalista Alexandre Garcia avaliam a campanha e a governabilidade. O economista Antônio da Luz aborda o endividamento e a redução da jornada de trabalho. O advogado Fábio Gisch discute a legislação eleitoral e as redes sociais. Já José Carlos Sauer, diretor do Instituto Métodos, analisa o comportamento do eleitor e os limites das pesquisas e o advogado Mauro Hauschild analisa a influência das acusações de campanha no segundo turno.
FÁBIO GISCH • Advogado especialista em direito eleitoral
“A Justiça Eleitoral troca o pneu do carro com ele andando” A Hora – A polarização muda os desafios da Justiça Eleitoral? Fábio Gisch — No direito eleitoral, vou citar dois exemplos. Uma foto do ex-prefeito (de Estrela) Elmar Schneider numa lancha, usando uma embarcação da Defesa Civil por minutos nos stories, gerou um processo de cassação difícil, embora tenha sido absolvido. O ex-prefeito de Pouso Novo resolveu implantar um sistema de prótese dentária para pessoas sem dentes no ano eleitoral e também enfrentou um processo de cassação. Nas eleições municipais, o uso da máquina e o abuso de poder político ou econômico são punidos com rigor. Fiquei triste porque se ultrapassaram muitos limites da legislação eleitoral na rivalidade entre direita e esquerda no pleito nacional e estadual, e ficou apenas por isso mesmo: algumas multas e retiradas de propaganda, sem sanções maiores. – As regras acompanham as mudanças na forma de fazer campanha? Gisch – Não tínhamos nada disciplinado sobre a interrupção de mensagens de WhatsApp antes da campanha. A última reforma focou apenas em impulsionamento pago. A Justiça Eleitoral está trocando o pneu com o carro andando. Precisamos aprovar o novo Código Eleitoral, que está engavetado com centenas de artigos. A campanha tradicional, de saliva, suor e sola de sapato, praticamente acabou. Hoje, a eleição é feita por redes sociais, e essa ferramenta precisa ser devidamente regulamentada. – Qual é o principal desafio jurídico deixado por esta eleição? Gisch – O grande aprendizado é o reconhecimento de falhas estruturais na legislação eleitoral digital. Do ponto de vista político, vimos o país extremamente polarizado. A terceira via encolheu. O Brasil alinhou-se a um modelo de polarização semelhante ao norte-americano, entre democratas e republicanos, o que consolida a dinâmica da própria democracia contemporânea.
FERNANDO SCHÜLERE • Cientista político
“Pacificar o país é voltar à norma constitucional” – Como avalia a relação entre os poderes e seus efeitos? Schüler – Nos últimos anos, no Brasil, se criaram dois blocos. Você tem uma aliança, um sistema de poder em torno do Executivo, do presidente da República, de uma maioria no Supremo Tribunal Federal, basicamente os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Flávio Dino, que são muito vocais e têm um alinhamento maior com o atual governo, de maneira geral, junto com a liderança da Câmara e do Senado. Todo mundo viu no segundo turno, o presidente Davi Alcolumbre praticamente funcionando para o governo: botou para votar a toque de caixa a jornada 6x1. Precisava votar o fim da jornada 6x1, toda a redefinição de jornada no Brasil, entre o primeiro e o segundo turno? É um alinhamento político muito claro que não deveria existir. Na minha visão, o Judiciário deveria ser completamente neutro, imparcial e independente. – O que significa pacificar o país? Schüler – Para mim, pacificar o país é voltar à norma constitucional. Nós nos afastamos muito da legalidade no Brasil: juiz natural, instância devida, muita censura prévia, imunidade parlamentar, até sigilo de fonte foi quebrado. Isso, para mim, é essencial. Não é uma questão puramente subjetiva de dizer que temos que ser mais amistosos. O Brasil é uma república, é natural que existam divergências. Juiz não pode entrar em campo. Deve valer a Constituição que a sociedade definiu, a lei deve valer para todos com isonomia. Um novo perfil de ministro da Suprema Corte, que seja mais legalista, tenha apreço à Constituição, acho essencial em termos de país. – Quais tipos de mudanças poderiam contribuir com a democracia? Schüler – Na ciência política não há fórmula exata, mas, no Brasil, dada a nossa tradição patrimonialista e os freios e contrapesos frágeis, a reeleição não funcionou. Ela gerou um uso maciço da máquina pública pelo ocupante do cargo. Precisamos acabar com o Fundão Eleitoral. É dinheiro público contaminando o processo eleitoral, gerando desigualdade a favor dos caciques e alimentando marqueteiros caríssimos. Também defendo o fim do horário eleitoral dito gratuito em rádio e televisão. É um formato chato, sem audiência, que custa fortunas aos cofres públicos e serve apenas para ataques recíprocos e criação de rejeição. Debates ao vivo, como os que tivemos nesta semana, mostram muito mais a verdade dos candidatos do que produções milionárias de marketing. – E sobre a representatividade? Schüler – Simpatizo muito com o voto distrital. Hoje, o deputado se elege buscando votos em 200 municípios. Ele não sabe quem representa e os eleitores não sabem quem os representa. No voto distrital, o deputado tem um território definido e precisa representar a todos, de direita ou de esquerda, o que estimula a moderação e reduz a raiva ideológica e a torcida de Gre-Nal. As grandes democracias do mundo, Estados Unidos, França, Inglaterra e Canadá, usam o voto distrital.
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ANTÔNIO DA LUZ • Economista-chefe do Sistema Farsul
JOSÉ CARLOS SAUER • Diretor do Instituto Métodos
“O que não pode ser discutível é gastar mais do que se arrecada”
“Soberana é a contagem final de votos”
A Hora – Qual é o principal problema econômico que o próximo governo encontrará? Antônio da Luz – Vou tentar trazer uma linha da realidade das coisas, independentemente da preferência política. Hoje nós temos um problema muito sério no Brasil, que é o alto endividamento das famílias. Jamais tivemos uma situação com 51% da população adulta negativada. É algo absurdo ter mais pessoas adultas negativadas do que não negativadas. Quando olho para as empresas, temos mais de 40% de CNPJs negativados a mais do que no pico da pandemia. Repito: 40% mais empresas negativadas hoje do que quando mandamos fechar as portas e ninguém sabia o que aconteceria a seguir. Hoje a situação está pior do que naquele momento.
A Hora – As pesquisas influenciam o resultado de uma eleição? José Carlos Sauer – As pesquisas vêm tendo um protagonismo cada vez maior. Costumo dizer que tivemos uma overdose de pesquisas no primeiro turno das eleições e no segundo também. Pesquisa para todos os gostos e todos os dias. Entendo que sim, uma parte do eleitor, principalmente aquele que já tem uma identidade ideológica, é motivada pelas pesquisas e fica com maior intensidade naquilo que vem a ser uma militância. De outra sorte, as pesquisas eleitorais são balizadores da disputa e não podem ser banalizadas e mal interpretadas. Por óbvio, procura-se acertar o resultado da eleição, mas elas nos apresentam tendências que nos auxiliam a compreender o processo de disputa e que caminho ele está tomando.
– Como o desequilíbrio do governo chega ao custo do crédito? Da Luz – Quando o governo gasta muito acima da receita, precisa cobrir o furo com dívida. O Tesouro precisa emitir cada vez mais títulos para pagar o principal que vence mais os juros, pois não faz superávit primário. Cada rodada captura uma parte maior da poupança disponível no Brasil. O mercado reage exigindo títulos mais curtos, lastreados em Selic e com prêmios mais elevados. O governo começa a emitir títulos a 14% ao ano. Se o governo, que é a célula mais robusta da economia, paga 14%, o cidadão e o empresário vão pagar 20%, 25% ou 30%. O dinheiro fica caro para todo mundo, gerando endividamento, inadimplência e negativações. – Qual é sua avaliação sobre as medidas
econômicas adotadas durante a campanha? Da Luz – Houve falhas graves e grosseiras na condução da política econômica, além da tentativa de comprar a eleição injetando mais de R$ 300 bilhões em programas de última hora, o que terá um custo inflacionário muito grande em 2027. Mas esse é o ponto: fazer o certo na economia não pode ser uma escolha entre direita ou esquerda. O certo é o certo, o errado é o errado. A direita e a esquerda têm agendas de gastos diferentes, alinhadas aos seus pensamentos, e tudo bem alternar entre elas. O que não pode ser discutível é gastar mais do que se arrecada, pois isso gera déficit, eleva juros e trava a economia. Mesmo mudando o governo, teremos um ano de 2027 muito difícil. – Como avalia a redução do tempo de trabalho? Da Luz – Reduzir a jornada de trabalho ao longo do tempo é absolutamente normal e desejável. Na Revolução Industrial, trabalhava-se 14 a 16 horas por dia. Hoje a maioria dos trabalhadores CLT ou servidores públicos já atua na escala 5x2. Apenas uma parcela pequena da população está na escala 6x1. No entanto, esses progressos históricos foram alcançados aumentando a produtividade primeiro. Vários países do mundo fizeram isso com programas focados em investimentos físicos, capacitação e tecnologia. Tentar reduzir a jornada por canetada, sem o ganho prévio de produtividade, traz sérios prejuízos econômicos.
“O fanatismo não permite que o eleitor pense”
– Qual é sua análise sobre a situação econômica e os reflexos na disputa presidencial? Garcia – Tudo o que está aí é atribuído a quem é o chefe do governo: juro alto, dívida pública gigantesca e desequilíbrio das contas. Essa situação provocada pelo excesso de gastos empurra o endividamento das pessoas e pesa diretamente contra o candidato à reeleição. – Como analisa a trajetória do Partido dos Trabalhadores e as expectativas
– Como essa diferença de participação pode aparecer no resultado? Sauer – O interior do Brasil tem maior participação. O voto do interior é mais presente e tem demandas diferentes das regiões metropolitanas. Quando começa a apuração, a chegada do voto do interior de todo o país apresenta uma tendência a um voto mais conservador no sentido dos costumes, princípios e valores. Desloca-se um pouco o peso do voto ao interior. Além disso, há essa subnotificação: uma casa de 5% a 7% do voto bolsonarista, conservador, com identidade muito específica, pode não estar sendo captada nas pesquisas. Isso pode levar a um resultado diferente do observado nos levantamentos.
MAURO HAUSCHILD • advogado especialista em Direito Constitucional
ALEXANDRE GARCIA • Jornalista e comentarista político
A Hora – Como avalia o comportamento dos eleitores neste segundo turno? Alexandre Garcia – O fanatismo não permite que o eleitor pense. O voto tem que ser dado com conhecimento do que fez o atual presidente e de quais são as perspectivas e a equipe de uma nova administração. Faz parte da democracia o racionalismo, e não esse excesso de emoções.
– Como avalia a diferença entre a pesquisa do Instituto Métodos e o resultado do primeiro turno no Rio Grande do Sul? Sauer – O Instituto Métodos divulgou, na sexta-feira da eleição, uma pesquisa que apontava Zucco à frente, Juliana Brizola em segundo, Gabriel em terceiro e Maranata em quarto. Os resultados que apuramos do Maranata, do Gabriel e da Juliana Brizola foram exatamente o resultado que eles obtiveram no pleito. No caso do Zucco, não se capturou a distância que ele alcança e que lhe dá a vitória de primeiro turno. Devemos ter atenção ao processo e interpretar a pesquisa como uma ferramenta que nos auxilia a conhecer o processo eleitoral e compreender que movimento esse eleitor está tomando.
criadas com a chegada de Lula ao governo? Garcia – Era uma promessa de um governo ético que se transforma, para grande parte da sociedade, em um símbolo de frustração. Para uma pessoa que analisa o processo de forma racional, esses fatos históricos e a condução econômica pesam muito na hora da decisão. – Como a nova composição do Congresso Nacional pode interferir na governabilidade a partir de 2027? Garcia – Nunca vi um Congresso Nacional com tanta representatividade de direita e centro-direita como agora. A bancada do PT diminui e o partido perde espaço em governos estaduais. Com esse Senado e essa Câmara, as condições de governabilidade para um eventual governo Lula se mostram extremamente complexas e travadas, enquanto as cobranças por responsabilidade fiscal e respeito aos limites constitucionais são imediatas.
“Com eleitor decidido, abstenção vira a principal variável” A Hora – Qual é o peso das manifestações dos candidatos no dia da eleição? Mauro Hauschild – Na reta final, os discursos têm a função de mobilizar os apoiadores e transmitir confiança no trabalho desenvolvido durante a campanha. Com grande parte dos eleitores decidida, diminui o espaço para conquistar novos votos. O principal esforço passa a ser garantir o comparecimento de quem já escolheu uma candidatura. – As acusações e as denúncias ainda conseguem mudar o voto? Hauschild – O volume de informações e acusações provoca uma saturação. Muitos eleitores sequer acompanham os fatos que dominam o debate político. Mesmo acontecimentos relevantes acabam sem repercussão entre parcelas da população, o que reduz a capacidade de interferir nas escolhas consolidadas. – Por que a abstenção ganha impor-
tância neste segundo turno? Hauschild – Com as preferências definidas, o comparecimento pode alterar a distribuição dos votos efetivos. Não basta observar quantos eleitores declaram apoio a cada candidatura. É necessário considerar quantos irão votar. Uma mudança expressiva na participação, concentrada entre os apoiadores de um candidato, pode modificar o resultado. – Como a distribuição geográfica das abstenções interfere na disputa? Hauschild – A participação varia conforme a região e o perfil socioeconômico dos eleitores. No Sul e Sudeste, a ausência de eleitores identificados com a candidatura de Flávio Bolsonaro pode afetar sua votação. Por outro lado, a abstenção entre pessoas de menor renda, que compõem uma parcela importante da base de Lula, também pode reduzir seu desempenho. O efeito depende de onde e entre quais grupos ocorrerem as ausências.
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ECONOMIA E TRABALHO
Depois do voto,
a conta para governar Próximo presidente enfrenta cenário econômico complexo, alto grau de endividamento e cobranças por melhores salários, apoio às empresas e investimentos. Dívida pública e juros restringem o espaço para atender demandas Filipe Faleiro
filipe@grupoahora.net.br
FERNANDO RÖHSIG CONSULTOR EMPRESARIAL
Como empresário, preciso orientar clientes a fazer orçamentos, planejar caixa e precificar produtos sem saber qual será a alíquota de imposto.”
ESPECIAL
O
presidente a partir de janeiro terá de encontrar espaço para investir e melhorar os serviços públicos em um país que acumula déficits e uma conta anual de juros superior a R$ 1 trilhão. Ao mesmo tempo, empresas e trabalhadores entram em um período de adaptação das jornadas, com divergências sobre os custos e as possibilidades de reorganizar a produção. Do Palácio do Planalto para fora, empresas precisam de condições para planejar, contratar e incorporar tecnologia. Trabalhadores reivindicam melhoria no poder de compra, proteção e tempo de descanso. A adaptação das jornadas e a transição tributária colocam parte dessas decisões no calendário de 2027 frente ao descontrole das contas públicas. Para o consultor empresarial Fernando Röhsig, a falta de previsibilidade sobre o futuro da arrecadação federal dificulta transformar planos em investimentos. “Como empresário, preciso orientar clientes a fazer orçamentos, planejar caixa e precificar produtos sem saber qual será a alíquota de imposto”, afirma. O economista e consultor Eloni Salvi considera que a resposta exige enfrentar problemas anteriores à disputa eleitoral. A baixa
qualificação e as deficiências de infraestrutura limitam o resultado das empresas e a renda. “O nosso ‘Custo Brasil’ é alto pela falta de infraestrutura e de produtividade, e não apenas pela carga tributária”, sustenta. Na avaliação do presidente do Sindicomerciários de Lajeado, Marco Daniel Rockenbach, as mudanças na escala de trabalho podem representar melhorias nas relações de trabalho. “Sabemos que terá um custo. Mas temos de olhar setor a setor. Muitos fazem projeções de 10 ou 15%, mas quando for olhar na ponta da caneta é menos. Temos de pensar também no funcionário, pois o afastamento por exaustão gera um custo altíssimo para as próprias empresas, pois sobrecarrega quem fica e derruba a produtividade.” No orçamento de 2027, a margem para atender às demandas já é motivo de divergência. O governo prevê arrecadar R$ 18,6 bilhões acima das despesas, sem contar os juros da dívida. A Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado, estima o contrário: faltarão R$ 86,1 bilhões para cobrir os gastos. A instituição alerta para o risco de bloqueio de despesas durante o ano.
Limite do governo A dimensão fiscal aparece em duas contas. A primeira reúne
receitas e despesas antes dos juros. Nesse cálculo, o setor público acumulou déficit de R$ 82,1 bilhões nos 12 meses encerrados em agosto. A segunda inclui o custo do endividamento. Com os juros, o resultado negativo alcançou R$ 1,26 trilhão. A dívida bruta chegou a R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse valor não vence de uma só vez, mas precisa ser financiado ao longo do tempo. Os juros nominais contabilizados em 12 meses somaram R$ 1,18 trilhão, incluindo valores incorporados à dívida, sem pagamento imediato de toda essa quantia. Röhsig relaciona o desequilíbrio das contas públicas ao custo do crédito e às dificuldades para investir. “Como reduzir os juros no Brasil se o governo gasta muito mais do que arrecada?”, questiona. Na avaliação do consultor, a necessidade de financiar despesas sem receitas suficientes aumenta a desconfiança sobre a capacidade de controlar a dívida. “Quem empresta ao governo passa a exigir uma remuneração maior pelo risco, o que dificulta a queda dos juros e mantém o financiamento caro também para empresas e consumidores.” O consultor apresenta uma perspectiva mais pessimista que a das instituições consultadas pelo Banco Central. Considera possível que o PIB não cresça em 2027. No Boletim Focus, a expectativa dos participantes era de expansão de 1,32%, com Selic de 12% ao fim do próximo ano. “São projeções, sujeitas a mudanças, em especial após o resultado da eleição.” Para o governo eleito, a dificuldade será responder às cobranças sem ampliar o desequilíbrio. Uma redução de tributos diminui a cobrança sobre determinado setor, mas pode retirar receitas. Um incentivo pode facilitar investimentos, porém exige definir seu custo, a duração e os resultados esperados, destaca Röhsig.
Tributos e arrecadação A transição tributária em 2027 acrescenta outra frente ao início do mandato. Röhsig relata que as dúvidas sobre a cobrança futura
No orçamento de 2027, a margem para atender às demandas já é motivo de divergência
dificultam a preparação dos orçamentos empresariais. A preocupação envolve o preço de venda, o capital necessário para manter a operação e a segurança para assumir novos compromissos. “Sem dados transparentes, o setor produtivo e os trabalhadores não conseguem prever os próximos passos e nem saber se haverá estabilidade nos empregos e nos custos de vida”, afirma. Para o economista Eloni Salvi, comparar as alíquotas anunciadas exige observar como os impostos são calculados. “Existe muita especulação sobre a alíquota da Reforma Tributária. Fala-se em 28% a 29% somando IBS e CBS”, afirma. Salvi destaca a diferença entre a cobrança “por dentro”, na qual o imposto integra a própria base de cálculo, e “por fora”, quando incide sobre o valor sem
o tributo. Por isso, percentuais calculados de formas diferentes não permitem concluir, sozinhos, se uma empresa pagará mais ou menos.
Trabalho e negociação A nova jornada de trabalho aprovada pelo Congresso Nacional estabelece uma transição para 42 horas semanais e, depois, para 40, sem redução salarial. Os dois descansos remunerados começam na primeira etapa. Para Röhsig, a mudança deveria ter sido acompanhada de condições para absorver os custos. “Eu acho que ela teria que ter sido mais debatida e ter algum nível de compensação para quem vai pagar essa conta. Ela deve gerar no curto prazo uma nova organização: ou você preenche as escalas ou você vai ter hora extra”, afirma.
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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026 JO FOLHA/DIVULGAÇÃO
TRÊS POSIÇÕES PARA O PRÓXIMO MANDATO Fernando Röhsig
PREVISIBILIDADE PARA INVESTIR Cobra clareza tributária e condições de adaptação para as empresas. Considera que a situação fiscal e o custo do dinheiro podem limitar investimentos e contratações. Marco Daniel Rockenbach
DESCANSO E REMUNERAÇÃO Defende a redução da jornada e a negociação conforme cada atividade. Sustenta que os custos do adoecimento e a recuperação dos salários precisam integrar a discussão. Eloni Salvi
FORMAÇÃO E INFRAESTRUTURA Aponta educação, tecnologia e logística como condições para produzir mais. Considera que a baixa produtividade exige políticas e investimentos que ultrapassem um mandato.
DESAFIO FISCAL
• R$ 11,1 trilhões
Dívida bruta em agosto de 2026. O estoque equivale a 82,9% do PIB e reúne obrigações do governo federal, da Previdência, dos estados e dos municípios.
MARCO DANIEL ROCKENBACH
PRESIDENTE DO SINDICOMERCIÁRIOS DE LAJEADO
O afastamento por exaustão gera um custo altíssimo para as próprias empresas, pois sobrecarrega quem fica e derruba a produtividade.” “Reduzir a carga horária de cada profissional não elimina a necessidade de manter o atendimento, como nos casos de hospitais e serviços de condomínio, por exemplo. A empresa precisa rever
a distribuição dos turnos e avaliar contratações. E esses custos vão chegar nos preços à sociedade.” O presidente do Sindicomerciários, Marco Rockenbach, contrapõe a afirmação de que não houve debate sobre o tema. “Eu fui pesquisar os meus arquivos. Achei uma cartilha de 2004, com a reivindicação por parte de sindicatos ligados aos trabalhadores. Foi apresentado ao governo”, lembra. Naquela época, não houve avanço pois as centrais sindicais não concordaram com o escalonamento. A divergência está na dimensão do impacto e na forma de absorvê-lo. “Entendemos que essa alteração traz um custo, isso é um fato, mas não concordamos com os custos inflacionados que vêm sendo apresentados”, reafirma Rockenbach. No comércio, a primeira etapa da transição se aproxima do período de maior movimento do ano. Conforme o sindicalista, há conversas com lojistas, gerentes
e empresários para garantir um entendimento sobre o período do Natal. “Nós, como dirigentes sindicais, sabemos que teremos que negociar com sensibilidade. Não podemos impor duas folgas seguidas na semana de maior movimento sem ouvir as empresas e os trabalhadores. Estamos abertos a construir soluções caso a caso”, afirma.
Câmbio e decisões de investimento Röhsig acrescenta o risco cambial às preocupações para 2027. Projeta o dólar acima dos R$ 6, cenário que associa à deterioração das contas públicas e à incerteza econômica. Uma valorização da moeda americana encarece máquinas, componentes e insumos importados. Para empresas exportadoras, pode ampliar a receita em reais, mas o efeito depende também dos
• R$ 1,18 trilhão ELONI SALVI
ECONOMISTA E CONSULTOR
O nosso ‘Custo Brasil’ é alto pela falta de infraestrutura e de produtividade, e não apenas pela carga tributária.” custos de produção e da demanda dos compradores externos. Salvi ressalta que as previsões exigem cautela. “Primeiro, precisamos entender que perspectiva econômica é diferente do resultado. Fazer projeções e pesquisas envolve estimativas, não precisão absoluta”, afirma.
Juros nominais contabilizados pelo setor público nos 12 meses até agosto. Inclui valores incorporados à dívida.
• R$ 1,26 trilhão
Déficit no mesmo período, depois de considerados os juros. Fonte: Banco Central
O economista também aponta os conflitos internacionais e as oscilações dos combustíveis como fontes de pressão sobre os custos. Na avaliação dele, esses aumentos encontram famílias com pouca margem no orçamento. O impacto chega ao transporte, à produção e ao preço das mercadorias.
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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Reconstrução exige continuidade e investimentos Em painel da Rádio A Hora durante a cobertura do segundo turno, prefeitos destacam habitação, infraestrutura e prevenção de desastres como prioridades para os próximos governos Mateus Souza
mateus@grupoahora.net.br
VALE DO TAQUARI
A
reconstrução do Vale ainda depende de obras, moradias e medidas de prevenção que exigem a participação dos governos municipais, estadual e federal. Mais de dois anos após a enchente de 2024, os avanços são evidentes, mas os entraves burocráticos e a necessidade de investimentos mantêm o tema entre as principais demandas da região. O cenário foi debatido no painel Reconstrução RS, promovido durante a cobertura do segundo turno das eleições presidenciais. Os prefeitos Jonas Calvi, de Encantado, e Jones Wünsch, o Mazinho, de Roca Sales, avaliaram as ações já concluídas e defenderam que os próximos governos mantenham os projetos em andamento, independentemente de mudanças políticas.
Para Calvi, a reconstrução precisa conciliar a recuperação dos prejuízos com o desenvolvimento das cidades. Em Encantado, o município restabeleceu pontes e estradas do interior, construiu muros e gabiões e avançou no plano habitacional. Cerca de 70% das ações de moradia já foram executadas, segundo o prefeito. Algumas casas foram entregues e outras devem ficar prontas no início de 2027. “São projetos grandes, não só de valores elevados, mas projetos mais complexos, para que a gente possa atender à necessidade que nós passamos em 2023 e 2024, mas também ter um olhar muito peculiar para o futuro e o crescimento das nossas cidades”, afirmou. O município também tem obras em dois postos de saúde, duas creches e um Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Outro eixo é a pavimentação comunitária no interior, com ligações entre a
JONAS CALVI PREFEITO DE ENCANTADO
A fragilidade das conexões regionais ficou evidente quando pontes foram interditadas e o tráfego precisou buscar rotas alternativas”
área central e localidades, além de pontos turísticos. A canalização de um arroio pluvial no Centro também integra o conjunto de intervenções. Em Roca Sales, a continuidade dos projetos foi um desafio adicional diante da troca de administração municipal durante o processo de reconstrução. Entre as obras em andamento
Ponte em Roca Sales conta com investimentos federais na casa dos R$ 14 milhões
estão a pavimentação de vias, a construção de uma ponte na Avenida General Daltro Filho, um posto de saúde e a mudança de endereço do Centro de Referência de Assistência Social (Cras). Mazinho informou que a passagem de veículos pela ponte deve ser liberada até o fim de 2026, embora a conclusão integral da obra possa ocorrer depois. A estrutura recebeu mais de R$ 14 milhões da Defesa Civil nacional e deve melhorar a segurança e a mobilidade no Centro.
Principal gargalo
Primeiras casas com recursos estaduais foram entregues em 2025 em Encantado
A retomada das habitações é uma das etapas mais delicadas para os dois municípios. Além da construção de novas casas, é preciso retirar famílias de áreas de risco e garantir condições para a recuperação dos espaços atingidos. Em Roca Sales, mais de 230 pessoas foram contempladas pelo Compra Assistida. Mesmo assim, há famílias que aguardam
soluções. Mazinho citou uma licitação para 21 casas que ainda depende de licença ambiental. A infraestrutura de dois lotes também está perto da conclusão, enquanto o município mantém acordos com o Estado para viabilizar novas moradias. O prefeito reconhece que parte dos atrasos decorre de exigências técnicas e ambientais, mas ressalta o impacto que a espera provoca na população. “Para as pessoas que perderam, elas não querem saber o que está faltando. Elas querem sua casa, querem seu lar novamente. E ter um lar é ter dignidade”, disse. Em Encantado, a retirada de moradores de áreas vulneráveis também condiciona a recuperação de espaços públicos. No bairro Navegantes, a transferência das famílias é necessária para que o município remova os resíduos e reorganize a área, com a proposta de criar um parque com caminhos para caminhadas e quadras esportivas. Os prefeitos afirmam que os municípios enfrentam limites técnicos e administrativos para acelerar as entregas. Projetos desse porte exigem profissionais de engenharia, arquitetura, meio ambiente, topografia e geologia, além de autorizações de diferentes órgãos. A cobrança da população, no entanto, recai diretamente
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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026 MATHEUS LASTE
Reconstrução em números JONES WÜNSCH PREFEITO DE ROCA SALES
Precisamos que o próximo presidente seja municipalista, que olhe para os nossos projetos e não abandone as cidades.”
70% Avanço do plano habitacional de Encantado, segundo o prefeito Jonas Calvi.
Início de 2027 Previsão de entrega de novas casas em Encantado.
230 pessoas Contempladas pelo Compra Assistida em Roca Sales.
21 casas Dependem de licença ambiental para avançar em Roca Sales. Mais de
R$ 14 milhões Recursos da Defesa Civil nacional destinados à ponte da Avenida General Daltro Filho.
R$ 1,5 bilhão Valor em debate para investimentos rodoviários ligados à concessão.
80% Parcela aproximada da receita de Roca Sales proveniente de transferências intergovernamentais.
sobre as prefeituras. “Quem está mais próximo da dor da comunidade naquele momento é o prefeito”, observou Calvi. Segundo ele, a proximidade com os moradores faz com que as pessoas procurem os gestores locais, mesmo quando a solução depende de recursos ou decisões de outras esferas de governo.
Prioridades logísticas A recuperação das cidades também passa pela mobilidade regional. Calvi destacou as rodovias ERS-129 e ERS-130 como ligações prioritárias e defendeu avanços na Rota do Pão e Vinho, que conecta o Alto Vale do Taquari à Serra Gaúcha e pode fortalecer o turismo e a fruticultura. O prefeito também citou a necessidade de articulação entre municípios, entidades empresariais e iniciativa privada para definir prioridades e cobrar obras. Na avaliação dele, os investimentos precisam considerar o conjunto da região, com atenção a ligações como a BR-386 e a Via Láctea. Outro ponto em discussão é o destino de R$ 1,5 bilhão associado ao debate sobre a
concessão rodoviária. Calvi defendeu que os recursos permaneçam vinculados a melhorias na infraestrutura do Vale. “A fragilidade das conexões regionais ficou evidente quando pontes foram interditadas e o tráfego precisou buscar rotas alternativas. Caminhões passaram por estradas rurais que não comportam o peso e o volume de veículos, o que amplia os danos e dificulta a circulação”. Para Mazinho, a reconstrução não pode se limitar à reposição do que foi perdido. “As obras precisam reduzir a vulnerabilidade das cidades e garantir alternativas de deslocamento em situações de emergência”. A ponte da Avenida General Daltro Filho, em Roca Sales, faz parte desse esforço.
Política permanente A preparação para novos eventos climáticos foi outro eixo do painel. Os prefeitos avaliam que houve avanços na estrutura da Defesa Civil e na organização das comunidades, mas defendem que os programas não dependam apenas da vontade de cada administração. Em Roca Sales, a Organização Internacional para as Migrações
(OIM), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), auxiliou na elaboração de um plano de contingência e na formação de Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil. Em Encantado, a prefeitura também trabalha na estruturação de planos, na orientação dos moradores e na preparação para alertas. Calvi citou a aquisição de um radar meteorológico, que ainda deve ser instalado, além do recebimento de equipamentos e da previsão de um veículo para a Defesa Civil. Para ele, a manutenção dos dados técnicos e dos treinamentos é essencial, mesmo após mudanças no comando das prefeituras e dos governos estadual e federal. “Os eventos climáticos não começaram no início de uma administração e terminam na outra. Eles vão permanentemente acontecendo”, afirmou. O prefeito também relatou a experiência de Blumenau, em Santa Catarina, onde a população convive há décadas com protocolos de prevenção e alertas. Na avaliação dele, a região avançou desde as enchentes de 2023 e 2024, mas precisa consolidar uma cultura de prevenção para reduzir os danos e responder com rapidez quando houver novas ocorrências.
Papel decisivo Com a eleição presidencial em disputa e a perspectiva de novos ciclos políticos, os prefeitos pediram compromisso com a continuidade dos projetos e com o atendimento às demandas dos municípios atingidos. A reconstrução, afirmaram, não pode ser interrompida por diferenças partidárias. Mazinho lembrou que cerca de 80% da receita de Roca Sales depende de transferências intergovernamentais. Por isso, a capacidade de investimento
local está diretamente ligada ao apoio de outras esferas de governo. “Precisamos que o próximo presidente seja municipalista, que olhe para os nossos projetos e não abandone as cidades”, declarou. Para ele, o processo de reconstrução adiou outras pautas de desenvolvimento. “Se nós não tivéssemos que reconstruir tudo o que perdemos, Roca Sales, Encantado e Muçum estariam avançando em outras pautas.”
14 | A HORA
Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
por Luciane Ferreira
Segundo turno: Lula em Brasília e Yeda no RS As eleições de 2006 foram decididas no segundo turno, tanto para governador quanto para presidente. Em âmbito estadual, no primeiro turno, três candidatos se destacaram. Yeda Crusius (PSDB) somou 40,92% dos votos, Olívio Dutra (PT) conquistou 25,34% dos eleitores e Germano Rigotto (PMDB) teve 23,72% da preferência do eleitorado. Olívio, que já havia sido chefe do executivo estadual de 1999 a 2002 tentava voltar ao Palácio Piratini. Germano Rigotto, por sua vez, buscava a reeleição, pois era o chefe do estado, eleito para o mandato 2003/2006. Olívio Dutra e Yeda Crusius, os mais votados na primeira etapa, se enfrentaram no segundo turno, quando foi eleita a primeira mulher a governar o Rio Grande de Sul. Yeda esteve à frente do Executivo estadual de 2007 a 2010. A governadora eleita somou 53,94% dos votos, contra 46,06%, de Olívio. Para presidência, Lula era reeleito com 60,83% dos votos válidos. Seu concorrente, o ex-
governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), ficou com 39,17% dos votos
De adversário a aliado A eleição de 2006, que deu o segundo mandato a Luiz Inácio Lula da Silva, de 2007 a 2011, tem um
fato curioso em relação a atual. Na época, o petista concorria à reeleição tendo como vice, José Alencar (PRB). O adversário era Geraldo Alckmin, candidato a presidente pelo PSDB. Neste ano, Alckmin estava na chapa de Lula, como vice-presidente. Desde 2022, o político é filiado ao PSB.
REPRODUÇÃO JORNAL ZERO HORA/DIVULGAÇÃO
PT de Lula governaria o país, e o PSDB de Yeda Crusius administraria o estado
General Ernesto Geisel foi presidente de 1974 a 1979
Censura restringia campanha eleitoral A eleição de 1976, em 15 de novembro, ficou marcada pela forte censura na propaganda eleitoral de rádio e TV, imposta pela Lei Falcão. Os candidatos estavam proibidos de discursar ou debater. Os canais exibiam apenas uma foto estática do candidato, seu
currículo e a narração de seus dados biográficos. Naquele ano, foram eleitos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores, representantes dos dois únicos partidos: Aliança Renovadora Nacional (Arena), liderada pelo general-presidente Ernesto Geisel
Hoje é e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), sob a liderança do então deputado federal Ulysses Guimarães. Ernesto Geisel havia sido eleito presidente para o mandato de 15 de março de 1974 a 15 de março de 1979.
- Dia do Trabalhador da Construção Civil - Dia Nacional do Metroviário - Dia do Matemático - Dia de Fundação da Cruz Vermelha Santo do Dia Santo Evaristo
A HORA | 15
Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
HENRIQUE PEDERSINI
MATEUS SOUZA
Jornalista
Jornalista
Festeje, presidente. Muito trabalho te espera!
Quais serão os nomes em 2030?
DIVULGAÇÃO
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ão é todo dia que se vira uma eleição em segundo turno para presidência da República. É inédito, portanto histórico. Mas nem mesmo isso permite que uma festa dure para sempre. Hoje, amanhã ou, no máximo, na próxima semana será preciso “virar a chave” e dar os primeiros passos em preparação ao próximo
governo, o último da história política de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no alto dos seus 80 anos. A vitória inquestionável nas urnas, com mais de quatro milhões de votos de vantagem, não pode apagar problemas graves do terceiro mandato do mais ilustre petista. Os juros explodiram, o real perdeu valor. Com isso, as dívidas aumentaram. O brasileiro
hoje, em sua maioria, come mal, vive mal. O governo federal precisa cuidar melhor do seu povo. Que Lula mantenha ativo seu exército. Não por votos, mas para entregar a população um futuro melhor do que a sofrida realidade atual. Se houve confiança, agora na mesma proporção existirá cobranças. O senhor prometeu muito, entregue!
Por onde a direita perdeu? Quem ganha, não se preocupa muito com o caminho. Agora quem perde, após cuidar das feridas, precisa entender o porquê. E isso requer uma dura e necessária ação: romper a dependência da família Bolsona-
ro. Jair, Flávio, Eduardo, Carlos, Michelle… A lista é grande e o próximo líder da sigla não pode assinar este sobrenome. Quem sai do primeiro turno com vantagem, ganha o apoio de partidos que ficaram pelo
caminho e não vence o segundo turno, fracassa! E isso provoca reflexões e rompimentos. A direita precisa entender por onde perdeu e encontrará no núcleo Bolsonaro o motivo. Será fundamental começar um novo ciclo.
Dê o primeiro passo, Zucco! Tão logo foi eleito governador do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) começou seu discurso aos apoiadores com uma afirmação perigosa: “Prender o barbudo!”, gritou, em referência a Lula. Não prenderá. Pelo contrário, será
preciso se aproximar do chefe do Executivo e isso independe de ideologia. As lacunas do estado são mais urgentes do que o orgulho político. Hora de começar um novo perfil de direita aqui no estado também.
Menos raivosa. Zucco tem assuntos pendentes com o governo federal e criar um canal de comunicação, ao menos respeitoso, é primordial. Futuro governador Zucco: dê o primeiro passo assim que possível, pelo Rio Grande.
Rapidinho… - Maneco Hassen (PT) não deverá ser esquecido pela sigla ao não ser eleito deputado estadual. E o futuro dele pode ser até mesmo na Assembleia Legislativa. Vai saber…
direita na reta final da campanha desta segundo turno. O futuro deputado estadual se posiciona e faz muito bem. Ocupa espaço e deixa claro seu perfil político.
- Roberto Lucchese (MDB) assumiu de vez a conexão com a
- André Janones: o general de Lula em seu Exército foi a repre-
sentatividade da virada. Comandou lives, coordenou movimentos e foi reconhecido no primeiro discurso de Lula, ontem. A esquerda também precisará encontrar outras lideranças. Mas tem mais condições para isso enquanto governo.
efinimos ontem quem será o presidente da República pelos próximos quatro anos. Mas mal termina uma eleição e já começam as movimentações para a próxima. E não me refiro apenas a eleição municipal, que ocorre daqui dois anos. Digo do próximo pleito presidencial, em 2030. Afinal, quatro anos passam num pisca de olhos. Na base governista à esquerda, há um grande desafio: a renovação. Lula, reeleito ontem para o quarto mandato, não poderá disputar um novo pleito. E não há, no PT, um nome “pronto” para substituí-lo. Candidato em 2018, o ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad soma quatro derrotas consecutivas para disputas majoritárias e hoje está distante de uma nova tentativa. Dentro do partido, políticos ligados à ala do Nordeste, como o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, e o senador e ex-governador do Ceará, Camilo Santana, ganharam peso nesta campanha, mas carecem de rodagem nacional. Em outras siglas do campo, Guilherme Boulos, do PSOL, e João Campos, do PSB, estarão sem mandato nos próximos anos e precisarão de cargos no Planalto para se manterem na vitrine. O vice-presidente Geraldo Alckmin, também do PSB, surge como possível sucessor. Tem tido protagonismo na reta final do mandato e ganhou pontos com a esquerda após o forte envolvimento na campanha, além de manter bom trânsito com a centro-direita e o empresariado. À direita, após mais uma derrota de um integrante da família Bolsonaro, a expectativa é de que outros nomes ganhem espaço. O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) desponta como o principal ativo, considerado por aliados e analistas como o único do campo capaz de agregar também o eleitorado de centro. Outro ponto que merece atenção na sucessão da direita é o fator PL. O partido, que terá a maior bancada do Congresso, pode não aceitar um papel de “coadjuvante” em 2030. Diante deste contexto, há quem aposte em nomes como o governador do Paraná, Sérgio Moro, ou mesmo o deputado federal reeleito mineiro Nikolas Ferreira, recordista de votos no país. O ex-presidente Jair Bolsonaro, mesmo preso após condenação na Justiça, mantém influência significativo dentro do seu grupo e pode intervir na disputa interna. Vale lembrar, quem ousou se colocar contra ele ficou com a pecha de “traidor” e foi abandonado pela base bolsonarista, caso do ex-governador de São Paulo, João Dória. Por fim, a chamada “Terceira Via” tem mais dúvidas do que certezas. Existe algum nome capaz de romper com a polarização? Eduardo Leite seguirá com a pretensão de concorrer após não fazer o seu sucessor no governo do RS? Muitas perguntas que serão respondidas com o passar dos anos. Mas 2030 é logo ali.
Mal termina uma eleição e já começam as movimentações para a próxima”
Segunda-feira, 26 de outubro de 2026 Fechamento da edição: 18h
MÍN: 11º | MÁX: 20º
O dia começa com bastante nebulosidade, e ainda podem ocorrer pancadas de chuva em diferentes momentos.