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ANÁLISE, CURADORIA E OPINIÃO DE VALOR Segunda-feira, 5 de outubro de 2026 | Ano 25 - Nº 4196 | R$ 5,00 (dia útil) R$ 9,00 (fim de semana)
Lucchese faz história e garante o Vale na Assembleia DANIÉLY SCHWAMBACH
VOTAÇÃO INÉDITA Com 71.720 votos, Roberto Lucchese obteve a maior votação de um candidato a deputado estadual do Vale e garantiu uma cadeira na Assembleia. O empresário liderou a nominata do MDB no RS. Maneco Hassen fica a 2.127 votos de uma vaga, e Mateus Trojan termina como segundo suplente do MDB. Na disputa pela Câmara, nenhum dos sete candidatos locais se elegeu. Após a vitória, Lucchese promete repetir no mandato o empenho dedicado à reconstrução da Ponte de Ferro.
PÁ G I N A S | 4 e 5
Lucchese celebra a conquista de uma cadeira na Assembleia Legislativa. Mais de duas mil pessoas participaram da festa, que começou no comitê do candidato em Lajeado. Depois da carreata pelas ruas principais, a concentração foi para o São Cristóvão, na Av. Piraí
CORRIDA AO PIRATINI
DECISÃO NO SEGUNDO TURNO
Com crescimento na reta final, candidato do PL alcançou 58,05% dos votos válidos e liquidou a disputa. Juliana Brizola (PDT), somou 31,65%, enquanto Gabriel Souza (MDB) fez 8,43%.
Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro fecha primeiro turno com 47,03% dos votos válidos. Atual presidente, Lula alcança 45,16% do total, após liderar maioria das pesquisas.
Zucco vence no primeiro turno Flávio Bolsonaro lidera disputa
XXXX
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CRISE HÍDRICA
Reservatórios reagem e afastam risco de apagão
AVISO AOS LEITORES XXXIl mos ipis que incia solor apit haris aceatum atio blat maximporum que placias verro earuptamus miliciis necepud iatates iu
Devido ao feriado desta terça-feira, A Hora volta a circular na quinta-feira, 14
PÁ G I N A | 5
XXXXXXX xxxxx PÁ G I N A | X
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E D I TO R I A L
A B R E A S PA S
O recado das urnas
A
s urnas apontam uma guinada à direita e cobram da esquerda uma revisão. A vitória de Zucco no primeiro turno, a escolha dos senadores e a força das bancadas conservadoras revelam uma preferência que precisa ser compreendida por quem vence e por quem perde. No Vale do Taquari, o resultado acrescenta outro recado: a defesa de um representante local encontrou resposta na votação de Roberto Lucchese. A mobilização pelo voto local ajudou a colocar a representação no centro do debate. Agora, a confiança depositada em Lucchese se transforma em responsabilidade. Rodovias, moradias, saúde e prevenção de desastres exigirão articulação, presença e capacidade de cobrar resultados.
“Agora, a confiança depositada em Lucchese se transforma em responsabilidade. Rodovias, moradias, saúde e prevenção de desastres exigirão articulação, presença e capacidade de cobrar resultados.” Também merece atenção o desempenho de Mateus Trojan. Sair de Muçum, um município de cerca de cinco mil habitantes, e alcançar quase 30 mil votos demonstra uma capacidade de apoio que ultrapassa a cidade de origem. A segunda suplência frustra a expectativa do candidato, mas preserva o significado da votação. A frustração de Maneco Hassen tem outro contexto. Ligado à esquerda, o candidato disputa espaço em um ambiente favorável às forças conservadoras. Cabe à esquerda compreender por que a atuação e as propostas apresentadas não foram suficientes. Filiado à
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“É a experiência de se doar pela democracia” Desde 2002, Clarissa Jaeger, 44, jornalista, se voluntaria como mesária. Está é sua quarta eleição. Em 2026, atuou como presidente de mesa na Escola Moisés Cândido Veloso, bairro Hidráulica em Lajeado, onde encontrou vizinhos e amigos. Percebe que o eleitor chega à urna cada vez mais informado. Em tempos de polarização política e hostilidade nas redes sociais, defende a postura madura: manter o controle emocional e evitar discussões desgastantes. A opinião ela manifesta na urna, o único lugar onde interessa para de fato, mudar os rumos do Brasil Andreia Rabaiolli
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Quem lhe inspirou a se tornar mesária? A inspiração veio do meu pai, que por muitos anos trabalhou como mesário. Quando eu era criança, achava o máximo ver ele lá, porque eu sabia que era um trabalho importante e achava que ele era especial por desempenhar aquilo. Então foi meio que “eu também quero fazer isso, ser como ele”. Mas hoje já é mais por ajudar mesmo. Estar disponível para um processo importantíssimo que simplesmente não tem como acontecer se não tiver pessoas para auxiliar, e quando a gente está por vontade própria, o atendimento aos eleitores é diferente. Porque a gente não está lá só para fazer o processo andar. Somos uma referência para o eleitor, alguém que vai conversar, vai tranquilizar.
ANDREIA RABAIOLLI
Como você se relaciona com a política, a democracia e esse processo de votação, sendo que há tanta polarização?
É sempre um tema delicado. No treinamento de mesários a gente recebe a orientação de não manifestar opinião. E eu trago muito isso pra minha vida pessoal. As coisas estão muito extremas e por isso eu prefiro me manter imparcial. Tenho minha opinião, mas prefiro manifestar ela na urna, que é onde vale de fato. Entrar em brigas, principalmente nas redes sociais, não levam a nada. Eu mantenho minha opinião pra mim, e respeito totalmente a dos outros. Isso é a democracia!
Como é o clima entre os mesários?
Eu gosto de pensar que estou fazendo a minha parte. E por mais que muitos dizem ao contrário, eu acho super divertido estar lá, reencontrar pessoas do bairro que eu não vejo mais porque não moro mais lá, mas que fizeram parte da minha história. Vizinhos, amigos, colegas. Eu acho que todo mundo deveria trabalhar como mesário pelo menos uma vez na vida, pra ter a experiência de se doar pela democracia, mas principalmente pra entender o quão trabalhoso é para os envolvidos e para acreditar na seriedade do processo.
Que transformação percebeu no comportamento dos eleitores? Eu vejo que os eleitores chegam cada vez mais informados. Eles sabem sobre a documentação, o uso do celular, a necessidade da cola, e estão por dentro de alterações que ocorrem de um ano para o outro. Eles entendem a urna, sabem como ela funciona e estão preparados para usála corretamente. Então eu te diria que a informação é a principal evolução.
Os voluntários ali na escola onde eu trabalho também já estão há mais tempo, então a gente já se conhece e tenta sempre se ajudar, principalmente quando surge algum perrengue ou alguma dúvida. É nosso papel também acolher os “convocados”, que na maioria das vezes chegam sem muita disposição. Aí a gente entra com um clima agradável e receptivo, pra que eles também sintam a importância do trabalho e também peguem gosto.
O que você aprendeu com o processo democrático?
Eu sempre gosto de falar sobre a seriedade, a segurança e a transparência. Eu sei que ainda há muitas discussões sobre a urna eletrônica, mas a gente que conhece bem como funciona o processamento e fechamento de dados, o repasse disso para o cartório, a gente sabe que é tudo muito correto. E eu acho que ser mesária esses anos todos me ensinou muito sobre cidadania. É um privilégio enorme a gente poder manifestar nossas preferências por meio do voto. E ser mesária voluntária pra mim é saber que eu posso fazer a minha parte e contribuir para algo que é muito maior do que eu. A eleição não depende só de quem vota, mas também de pessoas dispostas a dedicar um dia do seu tempo para que tudo aconteça da melhor forma possível.
A HORA | 3
Segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Surpresa e decepções
ESTAMOS NA ASSEMBLEIA!
Roberto Lucchese reabre a porteira e reposiciona o Vale
rodrigomartini@grupoahora.net.br
RODRIGO MARTINI
Mateus Trojan (MDB) e Maneco Hassen (PT) fizeram votações expressivas e ficaram bem ranqueados como suplentes de deputado estadual. Mas os sentimentos são distintos. Pelo lado do emedebista, o sentimento é de vitória com os 29,9 mil votos.
Já para o petista, que já havia atingido a suplência em 2022 e realizou belo trabalho durante a reconstrução do Estado, o insucesso foi doloroso, assim como foi decepcionante a votação do ex-deputado estadual Airton Artus (PDT).
TIRO
Naturalmente…
Q
ue vitória. Que domingo. O eleitor compreendeu a pulsação e o Vale do Taquari volta a ter voz, vez e protagonismo na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Uma vitória hercúlea a um povo trabalhador, resiliente, e que enfrentou as piores catástrofes climáticas já registradas no país. A vitória de uma região reconhecida pelo associativismo, pelo cooperativismo e pelo empreendedorismo, mas que nas últimas décadas
esqueceu de também andar junto na política. E a vitória vai muito além deste domingo e dos próximos quatro anos. O empresário Roberto Lucchese (MDB) enfim quebrou a recente “zica” da região – o Vale não elegia deputado estadual desde 2014 – e, além de retomar com absoluto tamanho e propriedade o nosso espaço de fala, ação e voto no parlamento gaúcho, ele reacende a autoestima e a confiança política da região e reabre as portas a
Eleito à Assembleia do RS com a maior votação dentro do MDB gaúcho (71.720 votos), Roberto Lucchese (MDB) naturalmente já se posiciona como um possível candidato a deputado federal em 2030.
futuros novos deputados locais. A partir da contundente vitória em 2026, acabou o pessimismo e ficou uma certeza: o Vale têm condições de eleger – e reeleger – deputados.
Faltou pouco para vagas diretas ao Congresso A derrota dos candidatos a deputado federal do Vale do Taquari não surpreendeu. A pulverização de votos para postulantes ao Congresso é histórica e a desconstrução desse modelo “adotado” pelo eleitor da região – e alimentado por agentes políticos que insistem em fazer campanha para candidatos de fora – não será do dia pra noite. Mesmo assim, a região ainda pode contar com representantes em Brasília, já que Carlos Ranzi (MDB) e Matteus Amaral (PP) podem beliscar vagas via suplência. Ou seja, uma vaga direta não seria nada surreal se contássemos com um pouco mais de otimismo por parte dos próprios correligionários e, claro, dos eleitores da região.
- O eleitor mais atento informa: agentes políticos (com ou sem cargos eletivos, mas com ambições políticas maiores) que fizeram campanha pública e notória para candidatos de fora do Vale do Taquari foram “printados”. E os “prints” podem retornar com força em 2030. - Quero registrar o meu reconhecimento aos nossos candidatos derrotados que de fato estavam engajados pelo Vale do Taquari. E se alguém por ventura só se aventurou por interesses pessoais, partidários ou sei lá o quê, o meu voto para que reflita e pense de forma coletiva no próximo pleito. - Por fim, aplausos à cordialidade entre os candidatos do Vale. Antes, durante e após a eleição.
FLÁVIO X LULA À espera das propostas! Não foi no primeiro turno, como os antagônicos presidenciáveis “previam” de forma pueril. Ficou tudo para dia 25 de outubro. Até lá, espero eu, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) terão mais três semanas para enfim apresentar propostas e de-
bater políticas de governo, já que o espaço público do primeiro turno foi tomado por acusações, ilações e ações puramente eleitoreiras envolvendo Banco Master, STF, Dark House, Bolsa Família, Bets, Nossa Senhora Aparecida e por aí vai...
Mudança no Senado é resposta ao STF Zucco atesta força do PL no RS Luciano Zucco (PL) repetiu um feito que só pertencia ao petista Tarso Genro e venceu a sempre acirrada disputa pelo Palácio Piratini no primeiro turno. A surpreendente vitória sobre a esquerda de Juliana Brizola (PDT) e Edegar Pretto (PT) e a máquina pública de Gabriel Souza (MDB) também atesta o crescimento do Partido Liberal (PL) no Rio Grande do Sul. Uma estratégia iniciada logo após a derrota de Jair Bolsonaro (PL), em 2022, repetida em todos os pagos do Brasil, e que pode ser crucial à possível vitória de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência no dia 25 de outubro.
O Supremo Tribunal Federal (STF) que se prepare. A nova composição do Senado Federal não será tão amistosa com os mandos, desmandos e as relações pra lá de suspeitas dos nobres ministros. O
recado da sociedade foi claro. E quem “pagou o pato” maior foi a esquerda, que demonstrou mais dificuldade para se descolar dos escândalos e viu a direita tomar a maior fatia do Senado.
E as concessões rodoviárias? Gabriel Souza (MDB) definhou na reta final e o voto útil aniquilou qualquer perspectiva. E, entre as principais razões para a dura derrota do escolhido a sucessor de Eduardo Leite (PSD), a própria escolha pelo candidato, claro, mas a queda também passa pela ferida aberta no MDB gaúcho e o “racha” no apoio humano e financeiro à ala
de Souza. E passa pela decisão de Eduardo Leite (PSD) de não entregar o governo ao vice no último ano de mandato. Além disso, e aqui está um ponto de atenção a mais ao Vale, a derrota de Gabriel Souza e Ernani Polo é fruto do inevitável – e talvez injusto – desgaste político gerado pelo debate sobre concessões rodoviárias e pedágios.
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DEPUTADO ELEITO
Lucchese conquista votação histórica e leva o Vale à Assembleia Empresário teve 71.720 votos na sua primeira disputa eleitoral e lidera a nominata do MDB no RS. Maneco Hassen (PT) fica a pouco mais de 2 mil votos de uma cadeira, e Mateus Trojan (MDB) termina como segundo suplente Filipe Faleiro
filipe@grupoahora.net.br
VALE DO TAQUARI
R
oberto Lucchese (MDB) conquista uma cadeira na Assembleia Legislativa com 71.720 votos, a maior votação da história de um candidato a deputado estadual do Vale do Taquari. Na primeira disputa por um cargo eletivo, o empresário é o mais votado do partido no RS e o 11º entre todos os concorrentes ao parlamento gaúcho. Entre os 19 candidatos do Vale, Lucchese é o único eleito. Na comemoração, atribui o resultado à escolha dos eleitores por um representante regional. “O nosso povo teve coragem de escolher alguém nosso. E não é só se eleger, é se eleger em primeiro lugar. Amanhã, às 6h, estou de pé para trabalhar, e o meu patrão são vocês.” Natural de Marques de Souza, o empresário da construção civil e do setor imobiliário ganha projeção em 2024, quando lidera a mobilização para reconstruir a Ponte de Ferro entre Lajeado e Arroio do Meio. Ao projetar o mandato, recorre à experiência de trabalho após a enchente. “A gente acorda antes de todo mundo, dorme depois de todo mundo, e nesse intervalo trabalhamos mais que todo mundo. Foi isso que fizemos na Ponte de Ferro e é isso que vamos fazer nos próximos quatro anos.”
A gente acorda antes de todo mundo, dorme depois de todo mundo, e nesse intervalo trabalhamos mais que todo mundo. Foi isso que fizemos na Ponte de Ferro e é isso que vamos fazer nos próximos quatro anos.” ROBERTO LUCCHESE DEPUTADO ESTADUAL ELEITO PELO MDB
O resultado coroa a mobilização de entidades, empresas e meios de comunicação pelo voto regional. Para o deputado eleito, a votação estabelece um compromisso que deverá ser avaliado ao fim do mandato. “Daqui a quatro anos vamos olhar para trás e vamos lembrar deste momento, e vamos ver o que colhemos, porque hoje nós plantamos uma das maiores votações da história.”
Decepção em Taquari Maneco Hassen (PT) recebeu 33.786 votos e terminou em 11º lugar na federação composta do o PC do B e o PV. Ficou como primeiro suplente. A diferença para Miguel Rossetto (PT), o último eleito do grupo, foi de 2.127 votos. Rossetto somou 35.913. Após a apuração, Maneco reconheceu a frustração. “Óbvio que estou muito triste. Toda a expectativa, esperança de sair vitorioso.
Por outro lado, feliz com mais de 33 mil pessoas que depositaram confiança em mim.” O candidato destaca a eleição de Lucchese e deseja que o futuro deputado corresponda às necessidades regionais. “Outro aspecto que me deixa feliz é porque o Vale elegeu um deputado. Desejamos muita sorte, muito trabalho, muita dedicação para cumprir os anseios da região.” Para Maneco, o resultado exige compreender as escolhas do eleitor. “Eu não duvido da urna quando perco. Muito pelo contrário. A gente tem que ter humildade, sabedoria e entender o recado do eleitor.”
“Orgulho pela nossa trajetória” Ex-prefeito de Muçum, Mateus Trojan encerrou a eleição com 29.958 votos. Ficou em sétimo lugar no MDB e na segunda suplência da legenda. Em reunião com correligionários, agradeceu à equipe e lamentou que o partido tenha conquistado menos cadeiras do que projetava. “Até ontem, o partido calculava conquistar oito vagas. Estamos elegendo cinco. É uma baixa muito grande. Fiquei em sétimo, eu estaria eleito.” Apesar da ausência entre os eleitos, Trojan considera que o desempenho precisa ser valorizado. “Alguém acha que é uma derrota fazer 30 mil votos? Não. Muito orgulho das pessoas que estão conosco, orgulho da maneira que conduzimos a campanha.” Segundo ele, as metas de votação foram alcançadas em quase todos os municípios onde a equipe trabalhou. “Muito orgulho da nossa trajetória. Pela caminhada que fizemos, saindo de um município de cinco mil habitantes.”
Venâncio Aires Na tentativa pela reeleição, Airton Artus (PDT) recebeu 20.778 votos e ficou de fora. “Ficamos um pouco decepcionados com a votação em Venâncio Aires e em alguns municípios.” Na análise dele, o número de votos nem sempre corresponde
Festa de Roberto Lucchese avançou pela noite. Concentração iniciou no QG do candidato, na Av. Pasqualini e foi para o São Cristóvão, na Av. Piraí
ao trabalho parlamentar. “Tem deputado que não fez nenhum projeto, não apresentou nenhuma manifestação contundente e fez mais de 50 mil votos, então é tudo muito relativo.”
Sem cadeira em Brasília Nenhum dos sete candidatos a deputado federal ligados ao Vale conquistou uma vaga. Matteus Amaral (PP) registrou a maior votação do grupo, com 51.437 votos. Carlos Ranzi (MDB) aparece em seguida, com 29.642.
A urna mostra o pensamento das pessoas. Eu não duvido da urna quando perco. Muito pelo contrário. A gente tem que ter humildade, sabedoria e entender o recado do eleitor.” MANECO HASSEN
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DANIÉLY SCHWAMBACH
VOTAÇÃO DOS CANDIDATOS LOCAIS DEPUTADO ESTADUAL
Os 12 candidatos do Vale à Assembleia Legislativa receberam 169.594 votos no Estado. Na disputa pela Câmara dos Deputados, os sete nomes ligados à região somaram 93.091 votos.
Airton Artus (PDT) 20.778 votos
Maneco Hassen (PT) 33.786 votos.
Mateus Trojan (MDB) 29.958 votos
1º SUPLENTE
2° SUPLENTE
Luis Benoitt (PL) 3.116 votos
Ramatis de Oliveira (PL) 2.981 votos
Marcos Kayser (Novo) 1.810 votos
Juli Cuciolli (PL) 1.595 votos
Paulinho Zinn (REP.) 1.072 votos
Fabiano Diehl (UNIÃO) 1.016 votos
Samuel Maciel (NOVO) 995 votos
Darlã Bellini (PSDB) 767 votos
Roberto Lucchese (MDB)
71.720 votos ELEITO
DEPUTADO FEDERAL
Matteus Amaral (PP) 51.437 votos
Carlos Ranzi (MDB) 29.642 votos
1º suplente
1º suplente
Enio Bacci (PDT) 5.126 votos
Felipe Força Tarefa (PODEMOS) 3.657 votos
Neide de Teutônia (PSDB) 1.272 votos
Bolacha Melo (PL) 1.212 votos
Tenente Hampel (DEMOCRATA) 745 votos
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PRÓXIMOS GOVERNOS
Filipe Faleiro
filipe@grupoahora.net.br
VALE DO TAQUARI
A
reconfiguração dos parlamentos e do Executivo gaúcho acompanha a cobrança de mais atenção às necessidades regionais. É o que afirmam líderes setoriais e as prefeitas de Lajeado, Gláucia Schumacher, e de Estrela, Carine Schwingel. Pelas análises locais, o resultado das urnas precisa assegurar espaço às demandas regionais, preservar investimentos e transformar promessas em ações. Com a eleição de Roberto Lucchese, a mobilização por representantes do Vale passa à cobrança pelo trabalho dos eleitos. Para Cintia Agostini, a presença de representantes locais precisa significar mais do que o encaminhamento de recursos. “Representar não é enviar emenda”. Ela reconhece o direito de candidatos de fora buscarem votos no Vale, mas destaca a importância de ter quem conheça as particularidades locais e defenda a região nas decisões. “Quando precisar, vai defender a região dele, e está tudo certo. E nós também precisamos disso. É legítimo que todas as regiões tenham deputados.” Cintia lembra que as entidades discutem a representação regional há várias eleições. Como nos debates com candidatos locais em 2018 e as iniciativas posteriores para conquistar cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. A prefeita Gláucia percebe mais adesão à defesa das candidaturas do Vale. Ela concorreu à Assembleia em 2022 e recorda o contato com demandas diferentes das enfrentadas em Lajeado. “Foi
FÁBIO GISCH JURISTA
Hoje, a tendência é mais esquerda e direita. A terceira via não está se criando, e a terceira via se desidratou. É um cenário que se desenhou e cada vez vai ficar mais forte. O eleitor está pensando: por que vou votar, por que vou escolher? Então, vai sendo aquele na frente, o voto útil.”
Vale cobra espaço nas decisões Líderes setoriais e prefeitas defendem continuidade das obras e atenção às necessidades dos municípios ARQUIVO A HORA
GLÁUCIA SCHUMACHER PREFEITA DE LAJEADO E PRESIDENTE DA AMVAT
O governo precisa vir aqui, precisa escutar. Independentemente de quem vencer, vamos dialogar. Quando termina a eleição, é um governador, presidente de todos. Isso é a democracia. Passado o período eleitoral, vamos construir com todos.” Para Gláucia, a definição dos eleitos exige disposição para o diálogo. Os municípios precisam manter as relações com os governos e encaminhar as demandas, independentemente das posições assumidas na campanha. “Passado o período eleitoral, vamos conversar com todos. E o vencedor da eleição precisa entender. Deixou de ser candidato.”
A execução
Convênios para projetos da reconstrução regional, como as obras no Complexo da Polar, em Estrela, estão entre os temas que precisam ser debatidos com a troca de governo no RS CINTIA AGOSTINI
uma campanha bem positiva, escutar as demandas das cidades do Vale. As cidades menores, outro tipo de problema.” Desde então, observa mais envolvimento de empresas, entidades e meios de comunicação. As enchentes também reforçaram a importância da articulação entre os municípios. Na Amvat, relata, os prefeitos passaram a reunir esforços para encaminhar pedidos e negociar investimentos. “Todos se unem para conseguir, barganhar pela região. Isso tem muito mais efeito.”
Compromissos Em Estrela, a atenção se volta à continuidade dos projetos municipais. Segundo a prefeita Carine, são 62 obras recéminiciadas ou a iniciar, entre elas empreendimentos ainda em licitação. “Temos muitos convênios assinados com todos os governos e ficamos na expectativa se isso vai ser cumprido”, afirma. O receio envolve possíveis mudanças nos compromissos em uma eventual troca de gestores.
PRESIDENTE DO CODEVAT
Representar não é enviar emenda. Quando precisar, vai defender a região dele, e está tudo certo. E nós também precisamos disso. É legítimo que todas as regiões tenham deputados. É legítimo que os candidatos venham captar votos aqui e o eleitor se identificar.” Carine explica que questionamentos das empresas podem prolongar licitações por três ou quatro meses. A preocupação se concentra nas obras ainda não iniciadas. A mudança nos governos e nos parlamentos também exige reconstruir relações para encaminhar as demandas. A prefeita Gláucia defende que, qualquer que sejam os governos, é preciso manter a escuta dos municípios. “Às vezes, leis,
CARINE SCHWINGEL PREFEITA DE ESTRELA
Temos muitos convênios assinados com todos os governos e ficamos na expectativa se isso vai ser cumprido, se permanece em eventual mudança. Muda todo o cenário, as relações, e algumas têm que ser reconstruídas. O objetivo precisa ser melhorar a vida das pessoas.” diretrizes, que nada têm a ver com o que está lá na ponta.” Ela cita programas de resposta às enchentes que precisaram de ajustes porque as primeiras regras dificultavam a aplicação nos municípios. “O governo precisa vir aqui, precisa escutar.” Para a prefeita, as propostas de proteção contra cheias devem considerar a realidade de cada local. Em Lajeado, destaca a necessidade de retirar moradores das áreas alagáveis.
A presidente do Codevat avalia que os 19 candidatos ligados ao Vale apresentaram perfis e propostas complementares. Saúde e educação permanecem entre as demandas, enquanto a resiliência climática precisa integrar as decisões sobre desenvolvimento regional. “A dificuldade aparece na passagem da intenção para a execução. Na campanha para os governos estadual e federal, faltaram explicações sobre como cumprir os compromissos anunciados. No RS, todos dizem que não vão aumentar impostos. Mas como vai ser?” Essa mesma cobrança vale para as promessas de melhorar os serviços públicos. Na avaliação de Cintia, poucos debates limitaram o confronto entre projetos. “A indefinição também interfere na economia. Empresários adiam investimentos e decisões enquanto aguardam sinais sobre a condução dos governos”. Para o advogado especialista em direito eleitoral, Fábio Gisch, identifica o fortalecimento do voto útil e a concentração nas candidaturas mais bem posicionadas. “A terceira via se desidratou. A esquerda e direita faz com que o eleitor opte pelo voto útil. Muitos para esgotar o quanto antes a votação. A tendência é termos cada vez menos segundo turno.”
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Segunda-feira, 5 de outubro de 2026
A verdade é que foi uma campanha perfeita!
Rapidinho… HENRIQUE PEDERSINI
• Carlos Ranzi (MDB) muda de patamar dentro do partido. Os quase 30 mil votos deixaram ele pertinho da Câmara dos Deputados e ainda mais afirmado para eleição de 2028. Detalhes: com Lucchese como parceiro principal de sua campanha. • Mateus Trojan vence uma eleição que não se elegeu. Os cerca de 30 mil votos impressionam! Se fica no partido, também terá mais espaço local e regional. • Quanto às candidaturas da região com pequenas votações, eu questiono: qual era a ideia? Se testar para 2028? Apoio político? Há quem saiu mais fraco das urnas neste domingo. • Por último e não menos importante: o que Lula fará de diferente para não perder a votação de 25 de outubro? As próximas três semanas serão de muitas promessas e medidas desesperadas.
O domingo da direita gaúcha O mais fanático simpatizante do Partido Liberal (PL) seria incapaz de escrever um roteiro tão positivo para a sigla como o que ocorreu na eleição deste domingo. É verdade: no dia 25 de outubro ocorre o segundo turno entre Flávio e Lula, mas a soma de votos maior do que a do principal oponente é expressiva para o filho do ex-presidente. No restante, é só motivo de festa ao Partido Liberal no Rio Grande do Sul. Tudo inicia por
Luciano Zucco, que passou de candidato a governador eleito no primeiro turno, eliminou num só ato a esquerda e o tradicional MDB. Na Assembleia Legislativa, o partido emplacou 12 nomes, além do Republicanos, Novo e PP, todos partidos da base. E pode incluir o Senado, que elegeu Van Hatten (Novo) e Sanderson (PL). Definitivamente, foi uma noite e tanto para a direita! MATEUS RAUGUST
P
ode ter sido a figura do Roberto Lucchese, a genialidade do bastidor pelo Arthur, o olhar jornalístico do Fernando, do marketing do Marasca e olha que não citei nem uma mínima parte da equipe. É preciso reconhecer, foi o trabalho! Ninguém calejou tanta sola de sapato quanto o único candidato eleito do Vale do Taquari para deputado estadual. E não é só figurar entre os 55 nomes, mas se apresentar ao mundo político com mais de 70 mil votos, o melhor desempenho do velho e
dividido MDB. A verdade é que a primeira página de Lucchese na vida pública foi cumprida com uma cartilha perfeita, desde a concepção até o vídeo final, que mais parece roteiro de filme com um homem sentado junto à ponte que ele mesmo construiu. A campanha foi além: a escola do “15386” como uma referência à BR e aos municípios alcançados, o material institucional, a escalada ao Everest. A “petulância” de entender se apresentar em uma sigla que já tinha um candidato consolidado,
o pedido para assinar ficha com um evento em que estivessem os principais líderes emedebistas. As danças nas festas de comunidade e eventos associativos, as carreatas e escolhas por cabos eleitorais… Vamos demorar um bom tempo para diluir todos os acertos da campanha do empresário que agora chamamos de “Nosso Deputado”. Lucchese, tens um compromisso com o Vale. Mais um. Mas desafio não te assusta, não é? Ajuda nossa região a se desenvolver, mais uma vez!
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Segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Campanha acirrada confirma segundo turno presidencial Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) se reencontram nas urnas no dia 25 de outubro. Candidatos lutam para conquistar votos de indecisos e também dos demais concorrentes que ficaram no primeiro turno
PERCENTUAIS
Mateus Souza
mateus@grupoahora.net.br
PAÍS
O
s mais de 158 milhões de eleitores de todo o país voltarão às urnas no dia 25 de outubro para definir quem comandará a nação pelos próximos quatro anos. Em uma das eleições mais acirradas da história recente do país, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o atual presidente Lula (PT) vão disputar o segundo turno após 45 dias de campanha. Até o fechamento desta edição, Flávio havia feito 56.079.626 votos, o que representava 47,05% dos votos válidos, enquanto Lula somava 53.792.426 votos (45,13%). Como nenhum dos candidatos alcançou a marca de 50% dos votos válidos, o segundo turno foi confirmado. O terceiro mais votado foi Augusto Cury (Avante), com 3.446.735 votos. O pleito deste ano foi marcado por uma série de situações que tiveram influência direta na decisão do eleitor. A crise
institucional envolvendo Supremo Tribunal Federal (STF), cuja atuação de alguns dos ministros era alvo de críticas constante do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, chegou às campanhas. O denuncismo, presente também em pleitos passados, também foi uma das marcas do pleito. As campanhas de Flávio e Lula trocaram sucessivas acusações durante a propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Os dois candidatos também subiram o tom em diversos discursos para apoiadores. Também foi uma das marcas da campanha deste ano as ausências dos
dois principais candidatos em debates organizados por emissoras de televisão. O cancelamento do debate da TV Globo, a três dias da votação, teve ampla repercussão por conta de uma série de decisões judiciais em sequência, entre elas a que retirava o púlpito reservado para Lula do local. A desistência de Flávio a uma hora do encontro também gerou controvérsias.
Busca por votos A disputa que se reinicia hoje será marcada pela busca por votos dos outros
Até o fechamento desta edição, Flávio havia feito 56.079.626 votos, o que representava 47,05% dos votos válidos
candidatos a presidente e, também, dos eleitores que deixaram de votar nesse domingo. Foram cerca de 30 milhões de faltantes às urnas. Outros 5,9 milhões votaram em branco ou nulo. Por fim, os demais postulantes ao Planalto totalizaram 9,2 milhões.
Quem são Flávio Nantes Bolsonaro tem 45 anos e nasceu no Rio de Janeiro. Advogado por formação, é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e, assim como o pai, teve boa parte de sua trajetória política voltada a atuação parlamentar. Eleito deputado estadual pela primeira vez em 2006 no Rio,
Lula somava 53.792.426 votos (45,13%)
A HORA | 9
Segunda-feira, 5 de outubro de 2026 FILIPE FALEIRO
Municípios
pelo PP, foi reeleito por mais dois mandatos. Em 2016, no PSC, concorreu a prefeito no Rio de Janeiro, mas ficou na quarta colocação. Em 2018, impulsionado pela eleição de Bolsonaro a presidente, Flávio se elegeu senador em 2018 como o mais votado no RJ, pelo PSL. Foi para o PL em 2022 e, em 2026, se lançou candidato a presidente pela primeira vez. Já Luiz Inácio Lula da Silva, 81, tem uma trajetória de mais de 40 anos na política. Fundador do PT, teve seu primeiro mandato eletivo em 1986, quando foi eleito deputado federal constituinte.
Depois, disputou sete eleições, todas para presidente. Derrotado em 1989, 1994 e 1998, foi eleito pela primeira vez em 2002, sendo reeleito em 2006. Após fazer sua sucessora, Dilma Rousseff, em 2010, e viver o ápice, Lula foi condenado em três situações na Operação Lava Jato e chegou a ser preso, em 2018. Solto no ano seguinte, teve suas condenações anuladas, recuperou os direitos políticos e, em 2022, voltou a ser candidato a presidente, sendo eleito no segundo turno ao derrotar Jair Bolsonaro, no pleito mais acirrado da historia.
Flávio e Lula voltam a se enfrentar nas urnas no dia 25 de outubro. Candidato do PL ficou à frente, enquanto Lula vai ao segundo turno pela primeira vez como sem liderar no 1º turno
LULA (PT) CANDIDATO A REELEIÇÃO
12,43%
66,53%
23,68%
Arvorezinha
71,75%
22,60%
Bom Retiro do Sul
64,27%
27,35%
Canudos do Vale
53,17%
34,83%
Capitão
67,02%
23,75%
Colinas
64,84%
22,83%
Coqueiro Baixo
75,40%
15,49%
Cruzeiro do Sul
64,43%
27,46%
Dois Lajeados
76,80%
15,09%
Doutor Ricardo
73,14%
19,67%
Encantado
68,51%
23,81%
Estrela
68,70%
22,20%
Fazenda Vilanova
58,26%
33,56%
Forquetinha
71,67%
22,48%
Ilópolis
77,66%
15,40%
Imigrante
64,92%
22,52%
Lajeado
64,20%
26,57%
Marques de Souza
68,07%
24,50%
Muçum
71,57%
20,11%
Nova Bréscia
75,69%
16,40%
Paverama
60,42%
31,68%
Poço das Antas
68,00%
20,75%
Pouso Novo
59,91%
33,33%
Progresso
59,52%
33,08%
Putinga
79,21%
14,18%
Relvado
70,69%
22,07%
Roca Sales
66,61%
25,23%
Santa Clara do Sul
70,88%
19,64%
Sério
59,68%
28,86%
Tabaí
53,85%
40,17%
Taquari
57,18%
35,35%
Teutônia
62,72%
26,38%
Travesseiro
57,52%
31,56%
Venâncio Aires
63,49%
27,23%
Vespasiano Corrêa
82,83%
10,13%
Westfália
70,22%
17,71%
municípios do Vale escolheram Flávio Bolsonaro. Diferente do pleito passado, nenhuma cidade teve Lula como o mais votado
67
%
Boqueirão do Leão
foi a soma percentual dos votos válidos em Flávio Bolsonaro
FLÁVIO BOLSONARO (PL) CANDIDATO A PRESIDENTE
O resultado muitas vezes é inesperado, a gente nunca consegue tudo aquilo que a gente queria. Confesso que estava convencido de que ia ganhar as eleições em primeiro turno”.
80,66%
Arroio do Meio
39
Resultado pelo Vale
O QUE DISSERAM Estou muito feliz com o resultado, são quase 56 milhões de brasileiros que me deram esse voto de confiança, para a mudança. A palavra é mudança. O Brasil quer mudança”.
Anta Gorda
Venâncio Aires
10 | A HORA
Segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Zucco vence e leva direita ao comando do RS Deputado federal do PL confirma liderança construída na reta final da campanha, alcança quase 60% dos votos e assume o Palácio Piratini a partir de janeiro. Juliana Brizola fica em segundo e Gabriel Souza em terceiro Karine Pinheiro
karine@grupoahora.net.br
ESTADO
O
eleitor gaúcho escolheu Luciano Zucco (PL) para comandar o Rio Grande do Sul pelos próximos quatro anos. O deputado federal venceu a disputa no primeiro turno das Eleições 2026, com 58,05% dos votos. A confirmação ocorreu por volta das 19h15min, quando a apuração indicava votos suficientes para superar a marca da votação válida. Juliana Brizola (PDT) terminou em segundo lugar, com 31,65%, seguida pelo atual vice-governador Gabriel Souza (MDB), com 8,43%. A diferença entre os dois primeiros colocados foi de quase 1,6 milhão de votos. O resultado encerra
LUCIANO ZUCCO, GOVERNADOR ELEITO
É uma honra e uma emoção muito grande ser eleito governador do meu amado Rio Grande do Sul. Eu venci, a Silvana venceu, nossa aliança venceu, a direita venceu. O que venceu, acima de tudo, foi uma nova esperança, um desejo de prosperidade” uma disputa que começou equilibrada e ganhou novo rumo nas últimas semanas, quando Zucco consolidou a liderança nas pesquisas. Natural de Alegrete, o militar da reserva ingressou na política em 2018, quando foi eleito deputado estadual. Em 2022, chegou à Câmara dos Deputados pelo Republicanos. No ano seguinte, migrou para o PL. Ele sucederá Eduardo Leite (PSD) e terá, a partir de janeiro, desafios como comandar ações de reconstrução do RS, infraestrutura, saúde, educação e equilíbrio das contas públicas.
Zucco foi eleito governador do Rio Grande do Sul no primeiro turno. O deputado federal recebeu 58,05% dos votos válidos e assume o comando do Estado a partir de janeiro, sucedendo Eduardo Leite (PSD)
Seu nome ganhou força a partir da atuação como um dos principais líderes do governo de Jair Bolsonaro e também sendo uma das vozes de oposição durante a gestão de Lula. Na hierarquia do PL, superou nomes como Onyx Lorenzoni (que migrou para o PP) e, aos 52 anos, disputou pela primeira vez o governo estadual. Durante pronunciamento, o candidato eleito direcionou a vitória à população gaúcha. “É uma honra e uma emoção muito grande ser eleito governador do meu amado Rio Grande do Sul. Eu venci, a Silvana venceu, nossa aliança venceu, a direita venceu. O que venceu, acima de
tudo, foi uma nova esperança, um desejo de prosperidade”, disse.
Juliana em segundo e Gabriel perde força Juliana Brizola terminou a eleição em segundo lugar, com 31,65% dos votos válidos. A candidata do PDT teve desempenho superior ao de Gabriel Souza, mas não conseguiu manter a disputa aberta para um segundo turno. A votação consolidou a candidata como principal nome de oposição a Zucco no resultado
P E R C E N T UA I S
Juliana Brizola (PDT) e Gabriel Souza (MDB) somaram 39,9% dos votos no Estado
A HORA | 11
Segunda-feira, 5 de outubro de 2026 MATEUS RAUGUST
Primeira vitória no primeiro turno desde 2010 A vitória de Zucco também interrompe um intervalo de 16 anos sem que um candidato ao governo do RS fosse eleito no primeiro turno. A última vez foi em 2010, quando Tarso Genro (PT) conquistou o Palácio Piratini com 54,35% dos votos válidos. Com 58,05% dos votos válidos, Zucco também supera o percentual obtido por Tarso e estabelece uma das maiores votações proporcionais para o governo estadual desde a redemocratização.
Trajetória
estadual. Já o atual vice-governador e candidato do MDB, Gabriel Souza terminou a disputa em terceiro lugar, com 8,43% dos votos válidos. O resultado representa uma derrota para o grupo que comandou o Estado nos últimos oito anos, primeiro com Eduardo Leite e, desde 2023, com Gabriel na vice-governadoria.
Olhar para o Vale A eleição de Zucco abre uma nova relação entre o governo estadual e os municípios do Vale do Taquari. Durante a
campanha, a recuperação da infraestrutura e a criação de mecanismos permanentes de proteção contra eventos climáticos estiveram entre as principais demandas apresentadas em encontros com líderes regionais. O resultado também ganha peso pelo desempenho do candidato na região. Zucco venceu nos 39 municípios considerados no recorte do Vale, com 65,38% dos votos válidos. Em Vespasiano Corrêa, chegou a 79,40%, maior percentual regional. Em Lajeado, maior município do Vale, o candidato do PL alcançou 65,51%.
Aos 52 anos, Zucco chega ao primeiro cargo no Executivo após oito anos de trajetória política. Militar de carreira, foi eleito deputado estadual em 2018 e, quatro anos depois, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados. Em 2026, deixou a disputa por mais um mandato no Legislativo para concorrer ao governo estadual. A campanha começou em cenário de equilíbrio, mas ganhou força nas últimas semanas, quando passou a liderar as pesquisas. A vitória no primeiro turno consolida a ascensão do PL no Estado e coloca o partido no comando do governo gaúcho.
Municípios Anta Gorda
75,92%
9,70%
13,93%
Arroio do Meio
67,41%
19,23%
12,48%
Arvorezinha
75,54%
16,12%
7,79%
Bom Retiro do Sul
66,40%
20,31%
12,00%
Boqueirão do Leão 57,33%
24,72%
17,28%
Canudos do Vale
55,36%
24,71%
19,02%
Capitão
60,52%
15,56%
23,41%
Colinas
60,40%
15,68%
22,79%
Coqueiro Baixo
60,23%
8,89%
30,21%
Cruzeiro do Sul
65,46%
22,29%
11,46%
Dois Lajeados
78,21%
14,94%
6,23%
Doutor Ricardo
60,28%
11,72%
27,80%
Encantado
68,93%
18,54%
11,67%
Estrela
69,75%
18,02%
10,93%
Fazenda Vilanova
58,73%
31,49%
8,95%
Forquetinha
75,56%
11,97%
11,87%
Ilópolis
68,81%
9,25%
21,73%
Imigrante
52,62%
14,45%
32,07%
Lajeado
65,51%
21,79%
11,65%
Marques de Souza
70,48%
17,01%
11,78%
Mato Leitão
66,27%
19,34%
13,46%
Muçum
70,12%
13,84%
14,58%
Nova Bréscia
76,25%
12,50%
10,81%
Paverama
63,11%
22,95%
12,98%
Poço das Antas
67,08%
16,96%
14,73%
Pouso Novo
60,57%
31,51%
7,54%
Progresso
60,05%
27,21%
12,03%
Putinga
73,01%
9,15%
17,50%
Relvado
61,78%
18,22%
19,51%
Roca Sales
69,14%
17,92%
12,21%
Santa Clara do Sul
71,15%
14,78%
13,10%
Sério
50,87%
16,40%
31,70%
Tabaí
55,92%
37,80%
5,15%
Taquari
59,45%
33,00%
6,12%
Teutônia
66,92%
23,12%
8,62%
Travesseiro
52,79%
24,63%
21,59%
Venâncio Aires
67,07%
23,56%
8,38%
Vespasiano Corrêa
79,40%
8,31%
11,03%
Westfália
74,84%
14,85%
9,72%
LUCIANO ZUCCO
Resultado pelo Vale
venceu em
TODOS municípios do Vale do Taquari
Boqueirão do Leão
PERCENTUAL DO VALE
Zucco
65,38% Juliana Brizola
18,78% Gabriel Souza
No Vale, a soma foi ainda menor: 32,7%. O equivalente à metade de Luciano Zucco
13,92%
Venâncio Aires
12 | A HORA
Segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Sanderson e Van Hattem eleitos ao Senado FOTOS: DIVULGAÇÃO
Candidatos do PL e Novo fizeram dobradinha vitoriosa após arrancada na reta final e ampliam presença da Direita na Câmara Alta Mateus Souza
mateus@grupoahora.net.br
ESTADO
A
direita levou a melhor também na disputa pelo Senado no Rio Grande do Sul. Com um dos nomes consolidado desde as primeiras pesquisas e uma arrancada na reta final de outro postulante, a coligação “O Rio Grande Pode Mais” emplacou as duas cadeiras que estavam em jogo na disputa neste ano, para mandatos de oito anos. Ubiratan Sanderson (PL) foi o mais votado, depois de aparecer em boa parte das pesquisas na quarta colocação. Ele somou 3.453.316 votos (30,11%) do total. O outro eleito é Marcel Van Hattem (Novo), com 3.449.053 (30,08%). Eles se juntam a Hamilton Mourão, eleito em 2022 pelo Republicanos, e que também está posicionado no espectro da direita política. Os dois superaram as candidaturas que integravam as coligações “Com o Povo” e “Nosso Rio Grande Não Para”. Manuela
Direita elege os dois senadores da chapa, ambos com votação superior a 30%
D’Ávila (PSOL), com 17,07%, e Paulo Pimenta (PT), com 16,31%, ficaram na sequência. O ex-governador Germano Rigotto (MDB) fez apenas 3,67%, enquanto Frederico Antunes (PSD) somou 1,95%. Sanderson e Van Hattem vão herdar as cadeiras que eram ocupadas por Luis Carlos Heinze (PP) e Paulo Paim (PT). Ambos decidiram não disputar novos mandatos neste ano e encerraram suas atuações na política em 2026.
Trajetórias Natural de Erechim, Sanderson tem 56 anos e é policial federal da reserva. Com graduação em Direito, ele ingressou na política em 2018. Elegeu-se deputado federal em 2018 pelo PSL, na esteira da candidatura presidencial de Jair Bolsonaro. Deixou a sigla em 2022 e migrou para o PL, onde foi reeleito ao Congresso e se consolidou como uma das principais vozes gaúchas de
oposição ao governo federal nos últimos quatro anos. Aos 40 anos, Van Hattem ingressou cedo na política. Eleito vereador pelo PP em Dois Irmãos com apenas 19 anos, em 2004, ficou por três eleições seguidas como suplente de deputado estadual, assumindo o mandato em 2015. Em 2018, já no Partido Novo, foi eleito o deputado federal mais votado do RS, com mais de 300 mil votos, sendo reeleito em 2022.
Bancada gaúcha tem renovação de 32% DIVULGAÇÃO
Mateus Souza
mateus@grupoahora.net.br
Eleitos
VALE DO TAQUARI
P
arlamentares no exercício do mandato e com maior poder econômico, com amplas doações de partidos via Fundo Eleitoral levaram a melhor na disputa pelas 31 cadeiras destinadas ao Rio Grande do Sul na Câmara. A renovação da bancada gaúcha foi de apenas 32%, com 21 reeleitos e dez caras novas. A votação também consolida um movimento verificado desde 2018, com o avanço da direita no Estado. Com 379.834 votos, Maurício Marcon (PL) foi o mais votado no Rio Grande do Sul, seguido por Fernanda Melchionna, que fez 280.262, e Giovani Cherini (PL), com 234.171. Outros 18 nomes conquistaram novos mandatos (confira a lista ao lado). Por outro lado, cinco candidatos a reeleição não obtiveram êxito: Afonso Motta (PDT), Alexandre Lindenmayer (PT), Daniel Trzeciak (PSDB), Fran Bayer (Republicanos) e Heitor Schuch (PSD). O quarto candidato mais votado no RS para deputado federal é uma das novida-
PL: Maurício Marcon, Giovani Cherini, Osmar Terra, Jessé Sangalli, Marcelo Moraes, Diogo Siqueira, Perondi, Bibo Nunes PT/PCdoB/PV: Maria do Rosário, Bohn Gass, Daiana Santos, Denise Pessôa, Alexandre Lindenmayer, Marcon PP/União Brasil: Afonso Hamm, Any Ortiz, Pedro Westphalen, Covatti Filho, Busatto MDB: Alceu Moreira, Juvir Costella, Vilmar Zanchin Ao todo, 21 deputados gaúchos foram reeleitos à Câmara. Cinco não conseguiram reeleição
des da bancada gaúcha a partir de 2027. Vereador de Erechim, Rony Gabriel, que concorreu pelo Podemos, somou 223.643 votos. O bom desempenho do jovem parlamentar puxou o veterano Sérgio Zambiasi para a Câmara. Ex-deputado estadual e ex-senador, ele volta a ter mandato eletivo após 16 anos. No PL, a bancada foi ampliada com as eleições de Jessé Sangalli, que é natural de Encantado mas tem trajetória política
construída em Porto Alegre, de Diogo Siqueira, ex-prefeito de Bento Gonçalves, e de Perondi, que concorreu a prefeito em Pelotas em 2024. O MDB conseguiu eleger Juvir Costella e Vilmar Zanchin para o Congresso. Os dois hoje exercem mandatos na Assembleia Legislativa. Mais votado para estadual em 2022, Gustavo Victorino reforça a bancada do Republicanos em Brasília, enquanto o Novo elegeu Felipe Camozzato.
Podemos: Rony Gabriel, Zambiasi PSD: Danrlei, Lucas Redecker Republicanos: Gustavo Victorino, Carlos Gomes Novo: Felipe Camozzato PDT: Afonso Motta PSOL: Fernanda Melchionna
A HORA | 13
Segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Direita amplia força e PL se torna maior bancada da Assembleia DIVULGAÇÃO
Eleição renova 26 das 55 cadeiras do Parlamento e muda equilíbrio entre partidos. Resultado acompanha vitória de Zucco ao governo do Estado karine@grupoahora.net.br
Luciane Eschberger Ferreira Colaboração
Federação União Progressista – 8 - Dirceu Franciscon * - Guilherme Pasin * - Joel Wilhelm * - Marcus Vinícius * - Ronize Damassini - Luís Fernando Pires - Nicole Weber Covatti - Salmo
ESTADO
A
Novas forças A lista dos mais votados ajuda a mostrar a distribuição do eleitorado. Adriane Cherini (PL) liderou a disputa, com 129.492 votos, seguida por Delegado Zucco (Republicanos), irmão do governador eleito, com 128.599. Luciana Genro (PSOL) ficou em terceiro, com 127.601 votos. Professor Cláudio Branchieri (PL), com 123.437, completa os primeiros
PL – 12 - Adri Cherini - Professor Cláudio Branchieri * - Comandante Nádia - Paparico Bacchi * - Kelly Moraes * - Scalco - Cláudio Tatsch * - Vanice de Matos - Daiane Mello - Junior Fox - Adriana Lara * - Ali Klemt Federação PT / PCdoB / PV – 10 - Leonel Radde * - Adão Pretto * - Pepe Vargas * - Natasha - Jeferson Fernandes * - Halley * - Zé Nunes - Sofia Cavedon * - Miguel Rosseto * - Humberto Matos
Karine Pinheiro
eleição desse domingo, 4, muda quase metade da composição da Assembleia Legislativa do RS. O PL se consolida como a maior bancada do Parlamento gaúcho, enquanto 23 das 55 cadeiras serão ocupadas por novos nomes a partir de 2027. O resultado acompanha a força da direita nas urnas, no mesmo pleito em que Luciano Zucco (PL) é eleito governador. Dos 55 deputados eleitos, 29 já ocupavam cadeiras na Assembleia durante a atual legislatura. O número considera tanto os parlamentares eleitos em 2022 quanto suplentes que assumiram mandatos ao longo dos últimos quatro anos. A renovação, portanto, alcança 41,8% da composição da Casa Legislativa. O principal movimento ocorre no PL. A legenda elegeu 12 deputados estaduais, sete a mais do que em 2022, quando conquistou cinco cadeiras. Com o resultado, passa a ocupar o posto de maior bancada do Legislativo estadual, superando o PT. O avanço da direita também aparece no desempenho de outras siglas. A segunda maior bancada será a petista, com dez parlamentares eleitos. O partido tinha 11 cadeiras na atual legislatura e, apesar da redução, permanece como uma das principais forças de oposição ao novo governo estadual. PDT e Podemos mantêm as bancadas atuais, com quatro e dois representantes, respectivamente.
Formação da Assembleia
Dos 55 deputados eleitos para a Assembleia Legislativa, 40 são homens e 15 são mulheres
colocados. O resultado evidencia a força eleitoral do campo conservador e a permanência de nomes tradicionais da esquerda entre os mais votados. Luciana Genro e Matheus Gomes, ambos do PSOL, além de Leonel Radde e Adão Pretto Filho, do PT, estão entre os principais representantes do campo progressista que garantiram a permanência ou ampliação das bancadas. A composição também incorpora novos perfis. Entre os eleitos está Natasha Ferreira (PT), que será a primeira deputada trans da Assembleia Legislativa gaúcha. Outros nomes chegam ao Parlamento depois de experiências em prefeituras, câmaras municipais, forças de segurança e iniciativa privada. A eleição ainda reduz o espaço de partidos que tiveram representação na atual legislatura. O PSDB passa de cinco cadeiras para apenas uma. O MDB cai de seis para cinco, enquanto o Republicanos perde uma cadeira.
Parlamento e governo O governador eleito terá pela frente uma Assembleia com maior presença de partidos alinhados ao campo político que sustentou a candidatura. A correlação de forças pode facilitar a aprovação de projetos do Executivo, embora a composição partidária não represente
uma base automática para o futuro governo.
Renovação no interior A composição eleita também mantém forte presença de lideranças do interior. Entre os parlamentares estão ex-prefeitos, vereadores, representantes de diferentes regiões e nomes que construíram trajetórias fora da Capital. O resultado regional inclui a eleição de Roberto Lucchese (MDB), que passa a representar o Vale do Taquari. A eleição rompe um período de ausência de um deputado diretamente vinculado à região e ocorre após campanha em que a representação regional está ao centro do debate político. A presença de diferentes regiões entre os eleitos também mantém a Assembleia como espaço de disputa por recursos e investimentos estaduais.
O que muda em 2027 Com 26 novos parlamentares e o PL na liderança, a Assembleia que toma posse em 2027 terá perfil diferente daquele eleito quatro anos antes. O crescimento do PL, a expansão do PSD e do PP e a redução de partidos como PSDB, MDB e União Brasil mostram uma reorganização do mapa político gaúcho. O resultado também acompanha a vitória de Zucco.
MDB – 5 - Roberto Lucchese - Luciano Silveira * - Beto Fantinel * - Rafael Braga - Edvilson Brum * PSD – 5 - Delegada Nadine * - Gio Krug - Delegada Ana Tarouco - Dimas Costa - Marcelo Arruda PDT – 4 - Eduardo Loureiro * - Diego Picucha - Tiago Cadó - Gilmar Sossella * Republicanos – 4 - Delegado Zucco * - Sergio Peres * - Capitão Martin - Elizandro Sabino * Federação PSOL / Rede – 3 - Luciana Genro * - Matheus Gomes * - Karen Santos Podemos – 2 - Ronaldo Santini * - Bruna Molz Novo – 1 - Ramiro Rosário Federação PSDB / Cidadania – 1 - Moisés Barboza *CANDIDATO REELEITO
14 | A HORA
Segunda-feira, 5 de outubro de 2026
EXERCÍCIO DA CIDADANIA
Do primeiro da fila ao voto não obrigatório, Vale comparece às urnas CAETANO PRETTO
Polícia atendeu ocorrências de propaganda irregular e suposto caso de eleitor que tentou “furar e fila”
cia do público da terceira idade pelo turno matutino e o tempo de votação em cada seção tem ritmo mais lento que o habitual nas seções com maior volume de votantes.
Futuro melhor para Maria Clara
Longas filas no turno da manhã foram registradas em diversas seções
Eleitores participam do pleito para escolher seus representantes no estado e no país Filipe Faleiro
filipe@grupoahora.net.br
Luciane Eschberger Ferreira luciane@grupoahora.net.br
LAJEADO
O
primeiro eleitor do maior colégio eleitoral de Lajeado, Jaime Locatelli, chegou às 7h ANDREIA RABAIOLLI
no Colégio Estadual Presidente Castelo Branco, uma hora antes de abrir a seção de votação. Locatelli levou 40 segundos para votar em seis candidatos. Ele disse que o processo foi tranquilo e espera mudanças para o Brasil. O eleitor havia escolhido os candidatos há um mês, depois de pensar bem. Não foi só Locatelli que chegou cedo ao local de votação. Às 8h, havia 60 pessoas na fila no Castelinho. Tão logo o portão foi aberto, reduziu a aglomeração. Muitos eleitores aproveitaram a Igreja Matriz aberta para orar e pedir discernimento na escolha dos candidatos. Foi o caso de Maria Marlene Machado de Azevedo, 75 anos. Ela mora no bairro Alto do Parque e antes da urna, foi “pedir opinião para Deus para votar certo”. Na Igreja, a Pastoral da Acolhida recebia votantes e fiéis, num domingo de oração diferente. A intenção era por um país melhor.
Filas durante o turno da manhã A movimentação intensa de eleitores gera longas filas e tempo de espera prolongado em diOração para escolher bons candidatos
ANDRÉIA RABAIOLLI
Com apenas sete meses, Maria Clara acompanhou a avó Marta Cristina da Costa à cabine de votação. Marta ficou o tempo todo com a neta no colo e coloca fé no futuro, para que a bebê possa ter melhores oportunidades. A família toda de Marta foi votar no Castelinho, em Lajeado, antes das 9h. Estavam juntos o avô Sérgio Ricardo Teixeira, o filho Leonardo Teixeira e a cunhada Dandara Becker.
Pensando no futuro de Maria Clara, família foi junta à seção eleitoral
ANDRÉIA RABAIOLLI
Geração prateada
Primeiro da fila, Locatelli chegou uma hora antes de iniciar a votação
ferentes seções eleitorais do Vale do Taquari. A maior concentração ocorreu nas primeiras horas do dia, motivada principalmente pela forte presença do público idoso, que buscou exercer o direito ao voto logo no início dos trabalhos. No bairro São Bento, em Lajeado, eleitores relataram esperas de até duas horas diante das seções eleitorais. O cenário de filas e lentidão no atendimento também se repetiu em localidades do interior e em municípios vizinhos, como na comunidade de São Rafael, em Cruzeiro do Sul. A combinação entre a preferên-
As irmãs Nara de Oliveira e Souza, 80, e Jail Oliveira de Souza, 73, foram caminhando à seção de votação na Escola Moisés Cândido Veloso, em Lajeado. Nara reclamou da dor no joelho, mas não deixou de ir à urna para “promover a democracia.” As duas votaram na mesma seção. “Como cidadã, enquanto a gente caminha, vota”, ressaltou Nara. “Somos brasileiros e devemos aprender a escolher nossos governantes.”
“Não muda minha responsabilidade” Daniela Royer, 31 anos, grávida de 5 meses, atuou como mesária na Linha Tangerinas, no interior de Venâncio Aires. Para ela, o domingo de eleições tem um significado especial. Desde
Irmãs caminharam até o local de votação
as primeiras horas da manhã, Daniela ajudou nos trabalhos da seção eleitoral, que reúne 205 eleitores. A rotina de votação seguiu normalmente, mas a presença da gestante chamou a atenção de quem chegava ao local.
Segunda-feira, 5 de outubro de 2026
A HORA | 15
MATEUS SOUZA
MATEUS SOUZA
Cláudio Schumacher votou acompanhado pela filha Cristiana
ZIQUE NEITZKE
Mesária grávida chamou a atenção em Linha Tangerinas
Para Daniela, no entanto, a gravidez não altera o compromisso assumido com a Justiça Eleitoral. “Não muda minha responsabilidade”, resume.
Aos 87 anos, ex-prefeito fez questão de votar Cláudio Pedro Schumacher voltou às urnas neste domingo, 4, para exercer o direito de voto. Aos 87 anos, o ex-prefeito de Lajeado por três mandatos esteve no Co-
légio Estadual Presidente Castelo Branco e destacou a importância da participação eleitoral. Schumacher é o político que mais vezes administrou Lajeado. Foram três mandatos à frente do município: de 1989 a 1992, de 1997 a 2000 e de 2001 a 2004. Ele contou que vota desde 1960 e, ao longo de mais de seis décadas, acompanhou diferentes momentos da política brasileira. Para o ex-prefeito, participar das eleições é uma forma de exercer a cidadania e também de dar exemplo às novas gerações. “Se nós temos uma tendência na vida, é a hora de manifestar. Vamos lá, vamos escolher. Tem mais diversas eleições, mas tem que votar”, afirmou. Ao chegar ao Castelinho, Schumacher também chamou a atenção para a presença de jovens entre os eleitores. Segundo ele, a participação dessa parcela da população é importante para a continuidade do processo democrático. “É o jovem que tem que ir ensaiando para a frente”, disse. Depois de décadas de participação política e eleitoral, Schumacher resumiu o espírito que, na avaliação dele, deve orientar o processo: o respeito às diferentes opiniões e a busca por um resultado que beneficie a coletividade. “Todos juntos, cada um na sua opinião, e o resultado nós queremos o bem de todos”. Schumacher esteve acompanhado da filha, Cristiana Schumacher, na hora do voto. Os outros filhos, a prefeita Gláucia e o empresário Glauco também votaram no Castelinho.
O voto que atravessa gerações Aos 90 anos, Mirna Conrad chegou à Escola Manuel Bandeira, em Lajeado, acompanhada do bisneto Lucas Bergesch, de 12. O incentivo para sair de casa partiu dele. Moradora do bairro Florestal, Mirna relembrou o período de redemocratização. “Desde que eu pude votar, nunca deixei de participar.” Para ela, o compromisso merece ser transmitido aos mais jovens. “Sempre que puderem, eu digo: é importante votar.”
FILIPE FALEIRO
FILIPE FALEIRO
Escola Fernandes Vieira ainda precisa de reforma para receber eleitores que votavam na seção
amigos, conversa”, relata. Com a experiência, a convocação deixou de trazer apreensão. “Todas as eleições, sei que vou ser mesária. É tranquilo para mim.” Bisneto e bisavó consideram importante votar
Testemunha das “Diretas Já” Na escola Moisés Cândido Veloso, Lourdes Schrader, 70, fez questão de comparecer. “Eu não preciso mais votar, mas enquanto eu puder, vou vir. Tenho que votar pelo nosso Brasil”. Testemunha das Diretas Já e da nova Constituição, Lourdes vê na escolha dos representantes uma conquista a ser exercida. “Acredito no poder do voto, porque é um direito que a gente tem para colocar as pessoas certas.”
Entre urnas e amizades Há cinco eleições, Miriam Muller reserva o dia de votação para trabalhar como mesária. A vontade de conhecer essa função
Homem tenta furar fila Lourdes acredita no poder do voto
levou a se inscrever como voluntária. “Sempre quis. Fiz várias coisas na vida e ainda não tinha sido mesária. Estou adorando, cada eleição é um desafio.” Além da responsabilidade de atender os eleitores, Miriam valoriza o convívio com os colegas. A cada pleito, reencontra pessoas e amplia as amizades. “É algo importante na minha vida.” Para Eloisa Schaffer, mesária há 16 anos, o trabalho também se tornou parte da rotina em anos eleitoriais. Ela conta que atuava na seção 88, na Univates, onde construiu vínculos com os demais mesários. A mudança trouxe saudade dos amigos, mas manteve a disposição de colaborar. “É importante ser mesário voluntário, ficar à disposição da Justiça. A gente passa o dia, faz FILIPE FALEIRO
Uma situação policial foi registrada neste domingo no Clube 7 de Setembro, no bairro Moinhos em Lajeado. Na seção 014, um homem teria tentado furar a fila ao se passar por um idoso, o que provocou desconforto entre os eleitores que aguardavam para votar. Diante da situação, a Brigada Militar foi acionada. O caso foi contornado e houve um registro simples junto ao presidente da mesa da seção.
Quatro seções permanecem no Madre Bárbara Eleitores chegaram ao ginásio do Colégio Madre Bárbara, em Lajeado, para votar nas seções 17, 18, 130 e 172. Pela segunda eleição consecutiva, o local recebe os eleitores que normalmente votariam na Escola Fernandes Vieira, situada a cerca de duas quadras dali. A escola permanece fechada desde a enchente de 2024. O atraso nas obras de reforma impede que o prédio volte a receber as seções eleitorais.
Encontrar conhecidos e fazer amigos são pontos positivos de ser mesárias
Segunda-feira, 5 de outubro de 2026 Fechamento da edição: 22h
MÍN: 13º | MÁX: 19º
O tempo segue instável no Vale. A nebulosidade aumenta desde as primeiras horas do dia e favorece a ocorrência de pancadas de chuva, que podem ser ocasionalmente fortes e com volumes significativos.
Das filas ao exercício da cidadania ANDRÉIA RABAIOLLI
VOTO NO VALE
Eleitores esperaram até duas horas para poder votar. Pela manhã, registro maior de idosos que foram aos locais de votação para depositar voto nos seis candidatos. Apesar da demora, avaliação geral é positiva, sem grandes ocorrências no Vale do Taquari. PÁGINAS | 14 e 15 FOTOS: DIVULGAÇÃO
VITÓRIA DA DIREITA
Van Hattem e Sanderson no Senado Candidatos do PL e Novo fizeram dobradinha vitoriosa após arrancada na reta final e ampliam presença da direita na Câmara Alta. Ubiratan Sanderson somou 3.453.316 votos (30,11%) do total, seguido por Marcel Van Hattem (Novo), com 3.449.053 (30,08%). PÁ G I N A | 1 2
FRASES DA EDIÇÃO
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A urna mostra o pensamento das pessoas e eu não duvido da urna quando perco. Muito pelo contrário, precisamos ter humildade, sabedoria e entender o recado do eleitor.” Maneco Hassen, candidato do Vale a deputado estadual pelo PT
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Orgulho da maneira com a que conduzimos a campanha. Muita satisfação de termos atingidos as metas de votos. Só que as circunstâncias não dependem de nós.” Mateus Trojan, candidato a deputado estadual do Vale pelo MDB