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paulo kellerman est贸rias

sem editora

c茅u nublado

alexandre louro fotografias


CÉU NUBLADO | paulo kellerman

(estórias)

& alexandre louro

(fotografias)

| sem editora


Ouço-os em redor do meu caixão, falando baixinho. Lamentam-se, dizem que é injusto, tão injusto. Ficam calados durante uns instantes, talvez olhando para o chão, talvez perguntando-se que horas serão; e depois repetem: tão injusto. Alguém diz, pesaroso: teve uma vida simples e monótona, tão altruísta. Ninguém responde: e o silêncio incomodando. Novo lamento: uma vida de sacrifício, para que fossemos felizes. Depois, uma confissão inesperada, quase inaudível: tanto que a amávamos. E eu no meu caixão, quietinha. Um pouco surpreendida: amavam-me? E só agora é que mo dizem?

[ experiência # 01 ]


Hoje, comemoro dez anos de casamento. O meu marido quer festejar, há semanas que faz planos: e eu submeto-me à sua vontade, tentando disfarçar a indiferença. Aqui estamos, portanto: no hotel em que nos fechámos durante uma semana a fazer amor, onde ele me pediu em casamento, onde eu aceitei. Parece-me que o tempo não passou, que tudo se repete. E enquanto ele me despe (sempre apressado, desatento), pergunto-me se será desta vez que terei finalmente coragem de confessar que nunca (nunca) o amei. Talvez depois de ele me foder.

[ experiência # 02 ]


Havia uma actriz que todos elogiavam pela excelência dos seus desempenhos; mas ela estranhava: porque o que louvavam era, afinal, a sua capacidade de fingir, mentir, iludir: de não ser ela própria. Sim, percebera há muito que a sua vida era um extenso catálogo de fingimentos: para cada circunstância escolhia a personagem adequada e encarnava-a. Actriz a tempo inteiro, na verdade. Até que, certo dia, apaixonou-se. E disse-lhe: amo-te tanto. Ele encolheu os ombros, indiferente: como poderia adivinhar que ela efectivamente (e talvez pela primeira vez) sentia o que dizia?

[ experiência # 03 ]


Entro sem hesitação, decidido e corajoso. Aguardo a minha vez, enquanto um par de velhos é atendido por uma jovem antipática e displicente; distraído, olho o expositor dos preservativos: sinto-me corar e desvio o olhar, embaraçado. O tempo vai passando, arrastado e silencioso. Então, a rapariga pergunta-me o que desejo, sem sorrir. Tento não gaguejar, parecer casual; quase consigo. Ela avia-me sem hesitar, distante e indiferente. Saio, com a pequena embalagem no bolso. Sinto-me agradecido pela indiferença da funcionária, certo de que não lhe passou pela cabeça a mais ténue suspeita. Jamais lhe ocorreria que os comprimidos que acabou de me vender vão servir para me suicidar, lá mais para o fim da tarde.

[ experiência # 04 ]


ELA (num tom algo hesitante): Suspeito que a felicidade, aquilo a que chamam felicidade, seja apenas isso. (Pausa breve.) A capacidade de sincronizar a nossa velocidade pessoal, o nosso movimento, com a velocidade do mundo. (Pausa breve. Num tom tímido, vacilante): Não achas? EU (pensativo, algo distante): Pode ser o oposto. Pode ser a capacidade de abdicar do movimento, de reduzir a velocidade a nada. (Pausa breve.) Como durante o sono. (Sorrindo.) Não és feliz quando estás a dormir?

[ experiência # 05 ]


Ando por aqui, de um lado para o outro, por vezes irritado, outras apenas desanimado. Percorro todos estes corredores indistinguíveis, aguardo em todas estas salas idênticas, interrogo todas estas funcionárias indiferentes, ignoro todos estes sorrisos hipócritas. E repito a pergunta, incapaz de não o fazer: mas não recebo nenhuma resposta, ninguém explica nada. Sorriem, simplesmente; encolhem os ombros; abanam a cabeça; não sabem. Não desisto, contudo. Baterei a todas as portas que encontrar, não me cansarei de perguntar. Alguém me explicará, um dia, por que motivo morri, onde estou, que se segue. Terei, um destes dias, todas as respostas que procuro. (E depois, talvez pense tranquilamente o que fazer com essas respostas.)

[ experiência # 06 ]


Todos os dias se queixa, insistentemente. Lamenta-se da rotina, da banalidade, da previsibilidade; diz-lhe: a vida contigo é rotineira, banal, previsível. Ela suspira, fica a vê-lo sair, bater com a porta, ouve-o esmurrar o botão de chamada do elevador. Aproxima-se da janela, fica a vê-lo percorrer a rua com passos furiosos; e suspira, de novo. Depois, passadas algumas horas: eis que regressa. E diz, quando a vê: foda-se, que viver contigo é uma rotineira; ou: uma banalidade; ou: uma previsibilidade. (Por vezes, quando está mais irritado: uma rotineira e uma banalidade e uma previsibilidade. Até que, certa manhã, ela morre, em silêncio (resignada, talvez); diz-se na vizinhança que o coração falhou. Mas ele sabe que não, ele conhece a verdadeira causa: morreu por causa dele; da sua presença rotineira; banal; previsível.

[ experiência # 07 ]


Era uma vez uma mulher como todas as outras que num dia como todos os outros chegou a casa. E suspirou; depois, mudou de roupa, ligou a televisão, enfiou-se na cozinha. Enquanto descascava batatas, um exaltado jornalista anunciava a espantosa captura de um vicioso assassino, há muito perseguido pela polícia; curiosa, olhou: viu uma fotografia (bastante antiga e um pouco desengraçada) do marido. As batatas caíram ao chão enquanto os ouvidos fecharam e as mãos tremeram; entretanto, o tempo parou. Assim ficou até o filho mais novo chegar a casa. Estava entusiasmado, o rapaz; e disse, sorrindo: o papá apareceu na televisão. Este é o dia mais feliz da minha vida.

[ experiência # 08 ]


Chegas com o rosto cansado e abatido; beijas-me a face, mesmo junto aos lábios, por vezes sorris. Ficas uns segundos a olhar para mim, como se não soubesses que fazer; depois lamentas-te de qualquer coisa, sem grande convicção; não perguntas como foi o meu dia mas escutas-me, sem me olhares, enquanto vou falando. Inevitavelmente, canso-me do monólogo: de me ouvir, também de te importunar; e calo-me; o silêncio envolve-nos, agressivo. Então, afastas-te com passos lentos e arrastados; espreitas o quarto do miúdo, vais à casa de banho. Por fim, sentas-te em frente do computador: e desapareces. Continuo a preparar o jantar, temperando alface ou desfiando bacalhau, provando o arroz. Há alturas em que me pergunto quando terei deixado de ser tua mulher, aceitando resignadamente este papel de empregada de pensão que me atribuíste; mas, confesso, é raro: prefiro espreitar a televisão, distrairme. E adiar só mais um dia a pergunta, a decisão: até quando?

[ experiência # 09 ]


Havia um bruxo que, certo dia, inventou uma lâmpada mágica que concretizava o oposto do que era desejado. Pelo caminho escuro da floresta aproximou-se um velho; viu a lâmpada e pegou-a, com curiosidade; quando percebeu que era mágica, riu até ficar cansado; depois, esfregou-a com muito cuidado e fez o seu primeiro pedido. Desejou ser jovem: e permaneceu como estava, velho. Desejou ser rico: e as poucas moedas que tinha na bolsa desapareceram. Desejou que o criador daquela lâmpada vivesse muitos anos, até conseguir inventar uma que funcionasse: e o bruxo parou de rir, morto.

[ experiência # 10 ]


Estava um pouco assustada, quase apreensiva; havia, também, uma ponta de remorso, a consciência a incomodar. Mas quando, finalmente, entrou no elevador do hotel, sentiu, mais que tudo, excitação. No quarto, deixou que o seu amante a despisse lentamente, embalado pelo entusiasmo da descoberta de um novo corpo. Depois, fizeram sexo demoradamente, concretizando semanas de fantasias. Quando terminaram, ele caminha pelo quarto; liga a televisão; pega no telemóvel e fala com alguém do banco. E ela, decepcionada, pensa: se quisesse apenas foder, ficava em casa. Depois, di-lo.

[ e x p e r i ê n c i a # 11 ]


Quando andava a procura de comida nos caixotes do lixo, encontrei uma revista. Tinha quase seiscentas páginas, preenchidas com fotografias de mulheres dos mais diversos géneros, todas muito bem vestidas. Ao lado, havia sempre um preço. Não quis acreditar. Uma loura com pernas tão, tão compridas apenas por vinte euros; ou uma trintona de mamilos erectos e olhar vicioso por trinta e dois euros (mais quarenta e nove cêntimos); e por aí além: centenas delas. Mulheres deslumbrantes vendidas por preços ridículos. Passei a noite a tentar escolher: sempre sonhara ter uma mulher assim e nunca pensara que pudessem estar ao meu alcance. Depois, apareceu um amigo que olhou para e revista e disse, num tom cansado e triste: eh pá, isso é um catálogo de roupa.

[ experiência # 12 ]


E, então, deus enviou um telegrama, avisando: no domingo, às dez horas, o mundo acaba. Como nunca acontecera nada semelhante, levou-se o aviso muito a sério. Por isso, todo o mundo se preparou, dividido entre o desespero pela aproximação do fim e a apreensão pela expectativa sobre o que se seguiria. Quando chegaram as dez horas de domingo, nada aconteceu. Lentamente, os homens foram percebendo que tudo não passara de um falso alarme e, histéricos, iniciaram efusivas comemorações. Mas, de repente, no auge da festa, o mundo acabou. E deus, lá no alto do céu, riu-se sonoramente: então, não se lembraram que a hora mudou à meia-noite? Estúpidos.

[ experiência # 13 ]


Era uma vez um soldado cobarde. Como tinha medo, em cada batalha onde era forçado a participar, limitava-se a deixar-se cair do cavalo e fingir-se morto até final dos combates. Ninguém reparava muito bem na sua participação e envolvimento nas batalhas, mas como chegava sempre ao fim com vida e sem ferimentos, começou a alcançar certa fama. E tanto a fama cresceu fama de herói que já participou em mais de cem batalhas e nunca foi ferido, que o próprio rei desejou conhecê-lo e saudá-lo. E perante toda a corte, nomeou-o cavaleiro, declarando-o exemplo a seguir por todos.

[ experiência # 14 ]


Havia um menino tímido que, certo dia, se apaixonou por uma colega de escola. Passou todo o ano a observá-la, de longe, tentando dia após dia reunir coragem para lhe falar, amaldiçoando-se por nunca o conseguir. Até que as férias chegam e o menino muda de escola. Sessenta anos passam, quase imperceptivelmente. E o menino está, agora, num lar de idosos; e é aí que, inesperadamente, reencontra a sua antiga paixão: tão velha como ele, tão bonita como há sessenta anos, tão inacessível como sempre. Uma vez mais, não consegue falar-lhe. Mas não se aborrece, pelo contrário: sente-se feliz. Pois sabe que, afinal, morrerão debaixo do mesmo tecto, juntos, como um velho casal. Tal como sempre desejara.

[ experiência # 15 ]


Havia na casa de banho da minha avó uma torneira de banheira que se apaixonou. O alvo do seu amor era uma simples torneira de bidé, a quem a ideia de despertar o interesse da torneira de banheira causava tal entusiasmo que, por vezes, até entupia. Numa primaveril manhã, iniciaram o namoro; conversavam e olhavam-se, por vezes suspiravam ruidosamente; mas nada mais poderiam ambicionar (fazer amor, por exemplo), pois, como se sabe, as torneiras estão fixas às paredes. E isso entristecia-as um pouco, arrefecia os ânimos amorosos, alimentava fantasias. Até que, certo dia, houve um tremor de terra; a casa foi destruída e abandonada. Mas no meio dos escombros, as torneiras, finalmente juntas (miraculosamente juntas), concretizavam por fim o seu amor. E, claro: foram felizes para sempre.

[ experiência # 16 ]


Quando fiz seis anos, fui à escola; dezassete anos depois, saí. Sentia-me preparado; mais que isso: ansioso. Passava os dias dominado pela ansiedade e impaciência, à espera que me chamassem, aguardando a minha vez. Incapaz de saborear o momento. Mas quando já desesperava, fui convocado. Nem quis acreditar: verdadeiramente excitado, cheguei à fábrica e apresentei-me. Depois, tudo se precipitou um pouco; mandaram-me para uma sala onde dezenas de outros aguardavam; começaram a chamar e fomos entrando nas caixas, escuras e apertadas. Passaram meses. Então, alguém abriu a caixa: pegaram em mim e riscaramme. Criei fogo. Logo depois, sopraram-me e morri. E por entre o fumo, desvaneceu-se o meu último pensamento: é esta a vida de um fósforo? Tantos anos de preparação para isto? Acabou tudo? Tão depressa?

[ experiência # 17 ]


Deveria estar a comemorar: porque hoje é dia de festa, dia do meu aniversário. Faço sete mil, quatrocentos e setenta e seis anos. Uma idade bonita, dizem os amigos; invejável, acrescentam os invejosos. Mas não me apetece comemorar: a verdade é que estou cansado. Queria tanto mudar. Quando falei da minha ideia a alguns dos meus amigos, todos riram. Disseram: impossível, já muitos tentaram mas ninguém conseguiu; nunca. E eu acreditei; é a verdade, afinal. Alguém ouviu falar de um rio que tenha conseguido alterar o seu percurso? Claro que não. Suponho que serei assim para sempre. Eternamente.

[ experiência # 18 ]


A mãe disse-me: vai encher este garrafão com água. E eu fui. Contei as pessoas da fila: noventa (ainda bem, que apenas aprendi a contar até cem). Aguardei, sem pressa nem interesse. Os senhores que distribuíam a água pareciam-me muito lentos, a fila não avançava. Sentia calor, apetecia-me ir à casa de banho. Passou uma hora, voltei a contar: sessenta. Depois, veio a fome. Quase desisti; sentei-me no chão e pensei em rebuçados. O sol foi descendo, fez-se noite. Lá na frente, discussão; fila emperrada. Parece que a água acabou. Regresso a casa com o garrafão vazio. Enquanto caminho, olho distraidamente a praia; e pergunto-me: de que será feito o mar?

[ experiência # 19 ]


Já me resignara: iria morrer nas próximas horas e não poderia fazer nada para o evitar. Foi então que o meu filho me visitou, talvez para se despedir. Ficou comigo até a enfermeira o obrigar a sair, quase sempre em silêncio, quase sempre sem me olhar; antes de sair, disse: até amanhã. Ainda o ouvia descer as escadas e já sentia saudades; pensei no seu rosto destroçado, no seu silêncio amargurado; e decidi: tenho que aguentar, tenho que o ver mais uma vez. Aguentei: e ele veio. Silêncio e pesar, dor, saudade. Quando saiu, disse: até amanhã. E eu voltei a decidir: só mais um dia, só mais uma despedida. Assim continuei a viver, até hoje, até agora; durante mais cinquenta e nove amanhãs.

[ experiência # 20 ]


Todos riem, quando respondo. Dizem (sarcásticos): podes ser um rei poderoso ou mesmo um animal invencível, podes ser alguém adorado e temido ou uma árvore majestosa e secular, podes ser uma estrela de cinema ou um herói desportivo. E escolhes ser isso? Confirmo, tentando que a minha resposta não pareça um desafio, uma impertinência; e os risos cessam, quando se percebe que a minha escolha é séria e reflectida, consciente. Compreendo: não sabem que pensar. Interrogam-se: estarei doido? Decido, então, explicar. Sim, na minha próxima vida não desejo uma existência humana, nem sequer uma existência de ser vivo; prefiro ser um relógio. Porque quando um relógio morre, alguém lhe muda a pilha; e a energia regressa, a vida recomeça. O relógio ressuscita: é imortal. (Desde que haja quem lhe mude a pilha, ouve-se alguém murmurar.) Curiosamente, ninguém pergunta de que me servirá ser imortal se não poderei sentir (saborear) a passagem dessa imortalidade, uma vez que os relógios não sentem, não saboreiam (tiquetacam, apenas). Ainda bem: não saberia como explicar.

[ experiência # 21 ]


Ainda há pouco (três minutos, meia hora?) estava ali sentado no meu sofá preferido, a pensar em nada, apenas a ocupar o tempo (suponho que como sempre faço, dia após dia: a tentar vê-lo passar, perceber se está efectivamente a passar); depois, levantei-me e caminhei com passos determinados, enérgicos, até aqui. Mas não sei por que vim. Não me lembro para que vim. Fico a olhar para a parede da cozinha (os azulejos parecem-me um pouco lúgubres, regressa o velho desejo de os substituir), tentando reconstituir o passado e recuperar a sequência de pensamentos que me fez erguer do sofá e caminhar até aqui. Não consigo; e sinto-me um pouco desamparado, um pouco vacilante (mas não muito). Regresso ao sofá (passos menos determinados, menos enérgicos) e sentome; desistindo, mais uma vez, de tentar acompanhar o ritmo da vida, o movimento do tempo.

[ experiência # 22 ]


ADOLESCENTE (num tom quase choroso): Depois, mesmo antes de tocar, levou-me ali para a zona dos cacifos, onde não estava ninguém (Pausa breve, hesitação.) E disse que não queria mais andar comigo. MÃE (algo condescende, ligeiramente alheada): Oh filha, mas era o teu primeiro namoro. Pensavas que ia durar para sempre? ADOLESCENTE (sem ouvir a mãe): Nem imaginas como me senti. (Pausa breve.) Raiva. Dor. Decepção. Desalento. Fúria. Desamparo. (Pausa breve. Num tom exasperado.) Sei lá. Ódio. (Pausa breve. De novo no tom choroso.) Oh mãe, foi tão mau. Achas que vou voltar a sentir-me assim tão mal? Não sei se aguento. MÃE (num tom inesperadamente seco, rude): Habitua-te, que a partir de certa altura vais sentir-te assim permanentemente. (Pausa breve.) Permanentemente. (A adolescente olha a mãe, incrédula e magoada; tenta sorrir, tenta não chorar. A mãe afasta-se, em silêncio.)

[ experiência # 23 ]


Quando nasci, o meu pai acabara de morrer numa guerra qualquer. E como eu era apenas mais um (penso que o sétimo, não sei bem), a minha mãe não atribuiu demasiada importância ao meu aparecimento. Portanto, cedo aprendi a lidar com a falta de atenção e conforto, de amor, de perspectivas; cedo aprendi a carregar, sozinho e sem lamentações, a única herança substancial e palpável que o meu pai deixou: o vazio. Como sempre acontece, o tempo foi passando. (Para quê?, perguntei eu à minha mãe em certa noite de insónia; não respondeu.) Então, um dia chegaram os homens de fato e gravata; olharam e gesticularam, falaram em tom triste, abanaram a cabeça durante muito tempo; depois, partiram. Mas antes, entregaram a todas as crianças da aldeia um bonito porta-chaves, onde estava escrita a palavra futuro. Fiquei feliz, pois nunca ninguém me dera nada: e agora, havia o porta-chaves. Ergui-o bem alto e contemplei-o com expectativa, à espera que algo acontecesse.

[ experiência # 24 ]


céu nublado paulo kellerman (estórias) e alexandre louro (fotografias) abril de 2009 ebook gratuito [ sem editora ] todos os direitos reservados, etc e tal http://agavetadopaulo.blogspot.com/ (pk) http://www.diospirojoyeux.blogspot.com/ (al)

livros (pk) informações / aquisições: deriva editores http://www.derivaeditores.pt/



Céu Nublado