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PrimeiraMão maio 2015 - edição 139

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Primeira Mão

Edição 139 - maio 2015

MANIFESTAÇÕES 2015 PAG. 14

A SOLUÇÃO CUBANA PAG. 17

NATUREZA SOB OS OLHOS Pag. 10

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Feministas Página 20

DE HOJE maio 2015 - Revista Primeira Mão I

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2 I Revista Primeira M達o - maio 2015


Índice As Feministas de hoje

Editorial Entrar na Universidade é uma das experiências mais marcantes na vida de um jovem. É aqui que boa parte de nós descobre quem é, o que quer da vida e começa a trilhar seu futuro. Apesar dos diferentes campi, centros e cursos, nós, estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo temos em comum a vontade e a necessidade de descobrir quem somos e nos preparar para o que queremos ser. E é com essa intenção, de promover reflexões e descobertas, que a turma 2012/2 inicia seu caminho no comando da revista Primeira Mão. Essa primeira edição é um reflexo daquilo que somos. Uma revista feita, em sua grande maioria por mulheres, não poderia ter capa mais representativa. É através desse olhar forte, autônomo e sensível, que buscamos representar a luta da mulher, seja através do movimento feminista ou da maternidade na juventude. Ainda assim, é uma revista de todos, ou pelo menos, de todos os estudantes da Ufes. Nessa edição também vamos falar das novas maneiras de assistir filmes, das manifestações políticas e até mesmo de um jeito bem barato de fazer turismo no Estado. Essa revista é para você, homem ou mulher, capixaba ou forasteiro, finalista ou calouro, que assim como nós, tem sonhos que ultrapassam os limites da Universidade!

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Manifestações 2015

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A hora do TCC

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Perfil do empreendedor

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Anjos na Ufes

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Ufes no Facebook

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A subida do dólar

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Sob os olhos da natureza

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Grande Vitória além das janelas

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Entrevista: A solução cubana

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Quando os filhos chegam cedo ` Filmes em casa ou nos cinemas

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Ufes se prepara para Olimpíadas

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Culinária da vida real

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Expediente: Primeira Mão é uma revista laboratório, produzida pelos alunos do 6º período do curso de Comunicação Social/Jornalismo, da Universidade Federal do Espírito Santo. Av. Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras | Vitória - ES CEP 29075-910 revistaprimeiramao@gmail.com. Ano XXVI, número 139. Semestre 2015/01 Reportagem e edição: Betina Hatum, Carolina Sampaio, Cinthia Pimentel, Daniella Camilo, Danielly Carneiro, Edilaine Machado, Gabriela Costa, João Brito, Joicy Marques, Júlia Bragatto, Júlia Grillo, Júlia Salume, Juliana Do Amaral, Karolyne Mayra, Klebert Silva, Laura Mansur, Letícia Menezes, Linneker Almeida, Lívia Meneghel, Luana Pessoa, Maria Luiza Silva, Mariana Carvalho, Mariana Salomão, Marina Amorim, Nayara Santana, Stefhani Paiva, Yasmin Gomes. Diagramação: Letícia Menezes, Klebert Silva, Ruth Reis. Impressão: Gráfica da Ufes maio 2015 - Revista Primeira Mão I

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Livia Meneghel

TC A hora do

Cinthia Pimentel

Ingressar na universidade é visto por muitos jovens como um rito de passagem importante em suas vidas. A graduação é uma fase para aprender a se autoconhecer, fazer novas amizades, participar de festas e namorar bastante. Mas, para tristeza de alguns e alegria de outros, a vida acadêmica não se resume a diversão. Estudar é essencial e faz parte desse aprendizado: além das disciplinas obrigatórias e optativas, trabalhos e provas ao longo dos anos, a última e não menos relevante obrigação a ser cumprida é a elaboração do famigerado Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Visto por muitos alunos como um pesadelo na vida acadêmica, o TCC é temido por alguns desde o início da graduação. O choque costuma ser ainda maior quando os estudantes se dão conta de que a faculdade está chegando ao fim. Além disso, há incertezas sobre o que vem pela frente e crise de ideias para começar o projeto. As variações entre os TCCs podem ser inúmeras de um curso para outro. As diferenças vão desde o tempo para apresentação do trabalho até o número de páginas, o prazo para ser entregue, entre outras. É o caso dos cursos de Comunicação Social – Jornalismo e Publicidade - e Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

NA COMUNICAÇÃO SOCIAL O professor e coordenador do curso de Comunicação, Rafael Paes Henriques, explica que para dar início ao Trabalho de Conclusão de Curso nesta graduação é preciso ter frequentado as aulas de Métodos e Técnicas de Pesquisa, ministradas no 7º período. “Nesta disciplina o aluno começa efetivamente seu projeto, pois aprende as regras da pesquisa científica e da ABNT, além de começar a pensar no tema que vai pesquisar. O TCC pode ser um trabalho teórico ou prático acompanhado de um memorial descritivo”, detalha. Já a escolha do orientador para cada finalista é feita em reunião do Departa-

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mento, podendo os professores orientar no máximo cinco alunos por semestre. A limitação desse número de graduandos foi adotada para proporcionar um bom acompanhamento ao longo da produção do trabalho mais importante da vida acadêmica do universitário. Para quem está prestes a se formar, uma das principais reclamações é a proibição do TCC em grupo – modalidade permitida até o final de 2014. Devido à nova regulamentação presente nas diretrizes curriculares aprovadas pelo MEC, o trabalho passou a ser individual. Outra dor de cabeça é o tempo para apresentação da monografia: de 15 a 20 minutos, seguido depois de arguição por parte de uma banca de três professores. A limitação é uma faca de dois gumes: para os prolixos, esse tempo é considerado insuficiente para abordar todas as questões; já os mais práticos enfrentam dificuldades para adequar a proposta ao prazo exigido. Ainda de acordo com Rafael Paes, cerca de 80% dos graduandos em Comunicação Social não terminam o curso em oito períodos devido ao TCC. Dificuldades em estruturar o projeto, conciliar a vida acadêmica com o estágio e o nível de exigência consigo mesmo têm sido algumas das causas do atraso. Por mais assustadora que seja essa estatística, saiba: ainda há esperança. Para tranquilizar os alunos que estão passando por essa fase, o coordenador do curso de Comunicação tranquiliza: “Os alunos têm muito medo do TCC. Acham que é algo difícil, complicado e que precisa ser sensacional. É preciso ser um trabalho de qualidade, mas a cobranca leva em conta o estágio em que o estudante se encontra”, diz ele. “O aluno chega no 8º período e já está com a cabeça mais lá fora do que aqui dentro. Porém, o caminho deve ser concluir uma etapa para iniciar outra. Não precisa se desesperar”, recomenda Paes. Quem vive na pele esse momento é o estudante de Jornalismo Renan Chagas, de 23 anos. Até chegar a essa etapa do

curso, ele ouviu muito os conselhos dos professores e escolheu seu tema a partir de algo que tem interesse: a introdução de publicidade nos telejornais populares, abordagem motivada principalmente pela discussão do que é o telejornalismo nos dias de hoje. A organização do tempo para estudar é um ponto que pesa bastante para os universitários. No caso de Renan, que atualmente faz duas disciplinas na Ufes e estagia à tarde, o preparo para o TCC começou bem antes, no 7º período. “Como terminei o pré-projeto antes de o período acabar, aproveitei o tempo que sobrou para adiantar o TCC e antes de começar o 8º período já tinha praticamente escrito o meu primeiro capítulo. Hoje, para poder estudar, aproveito a parte da noite que tenho livre e abri mão das saídas no final de semana”.

NA ENGENHARIA É DIFERENTE O professor e coordenador de Projeto de Graduação de Engenharia Elétrica da Ufes Paulo José Melo Menegaz afirma que, diferente da graduação de Jornalismo, no último período, os alunos de Engenharia ainda têm disciplinas obrigatórias a cumprir. Para dar início ao TCC - na disciplina Projeto de Graduação 2 (PG 2) - é preciso estar aprovado na disciplina Projeto de Graduação 1 (PG 1). Uma facilidade para os futuros engenheiros é que o projeto de pesquisa pode ser feito em dupla, porém, na proposta de trabalho é preciso deixar bem clara a função que cada aluno irá exercer, pois eles serão avaliados individualmente. Segundo o coordenador do curso, também é permitido ser orientador quem não é professor da Universidade. Isso pode acontecer, por exemplo, se o aluno decidir fazer um projeto de graduação de determinado processo da empresa que estagia, pois, por se tratar de algo específico, dificilmente algum professor terá contato direto com a situação e os processos a serem estudados. “Neste caso, o chefe (supervisor) do


CC

aluno pode ser o orientador, desde que seja engenheiro formado. Ele precisa ter o grau de formação que o estudante solicita, dando todo respaldo técnico. Já o professor da Universidade dá o suporte acadêmico com a função de co-orientador, promovendo uma troca de experiências entre as partes”, explica Paulo. A dificuldade com a escrita no curso de Engenharia é apontada por ele como um problema. “O engenheiro não escreve bem, e isso é uma deficiência de formação. Nós acabamos perdendo um pouco o contato com a parte do ensino de línguas, o que faz com que o aluno adquira vícios de linguagem”, lamenta. Para vencer esses obstáculos, o coordenador do curso diz que reler o trabalho antes de enviar para banca é de extrema importância, além de trabalhar com seriedade e ter em mente que o projeto de graduação vai exigir tempo. Não faltar às reuniões com o orientador e cumprir os prazos do cronograma estabelecido também são pontos essenciais. Um dos finalistas no curso de Engenharia Elétrica é o Murilo Amaral. Ele explica que o projeto de graduação escolhido por ele é um módulo aferidor de boa qualidade da energia elétrica. Basicamente, é um aparelho que mede vários parâmetros para concluir se a energia é de qualidade ou não. Murilo está fazendo seu projeto há dois semestres, mas acredita ser uma exceção. Alguns dos motivos são pessoais, mas a ausência de seu orientador no Brasil também foi um fator que o desmotivou. Hoje, ele tem apenas 25% do trabalho finalizado. “Sou exigente. Costumo refazer tudo se acho que posso deixar o trabalho melhor. Não acho que precisa ser ‘o trabalho da minha vida’, mas também não preciso fazer qualquer coisa como alguns por aí”, afirma.

Na internet, é comum encontrar imagens bem humoradas que refletem como as pessoas encaram o TCC. maio 2015 - Revista Primeira Mão I

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Empreendedorismo na prática (mas não sem conhecimento!) Klebert Silva Conheça a história de Alex Nascimento e saiba como o seu inconformismo com a vida fez com que descobrisse que o conhecimento é fundamental para uma jornada empreendedora de sucesso “Quando as pessoas pensam em empreendedorismo, elas se limitam muito ao serviço privado. Empreendedorismo, hoje, eu entendo que não é isso. Eu entendo que empreendedorismo é você querer fazer as coisas de forma diferente. Seja onde você estiver. Pode fazer numa ONG ou no serviço público”, propõe Alex Nascimento, estudante de Administração e sócio de uma empresa de gestão de marketing aos 25 anos. Mas, como ele mesmo evidencia, Alex nem sempre pensou assim. Incentivado pelos parentes mais próximos, como a mãe, Márcia, e a avó, Tereza, a seguir carreira pública, em busca de estabilidade financeira, ele observava tal perspectiva como limitada e engessada. “Eu nunca gostei de um limite desde o tempo da escola”, afirma. Isso pode parecer incoerência, porém, mostra como a academia muda a história de muitas pessoas. O apressado pensamento de que o setor público é limitado foi decartado quando Alex entrou para o mundo universitário e numa universidade pública, onde descobriu que para não ter limites é preciso não perder de vista o conhecimento. Inconformismo é o lema de Alex quando se trata do universo empreendedor. Perguntado de onde vem a sua inspiração inconformada, após abrir sua primeira empresa aos 19 anos e fechá-la aos 20 e ser sócio da Safari, empresa de gestão de marketing aberta no ano passado, ele responde que retira da sua própria realidade. “A minha mãe não tem um poder aquisitivo muito grande. Desde pequeno eu escrevi para mim um lema que é: a minha mãe está se mantando para me dar as condições dela. Então, eu tenho que me matar para conseguir mais do que ela conseguiu. E dar condições para que meu filho consiga mais do que eu”.

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Após sair do Ensino Médio em 2009, Alex não foi para a universidade. Prestou vestibular para Publicidade e Propaganda e não conseguiu aprovação. Em meados de 2010, ingressou num curso de fotografia com duração de quatro sábados. Nesse momento, se apaixonou pela arte de fotografar. Com a proposta de aprender sobre a nova atividade, foi contratado em 2011 para trabalhar com edição de imagens e diagramação em uma empresa de fotografia. Porém, logo se desafiou e pediu demissão: “Eu estava inconformado de estar trabalhando naquele lugar e falei: ‘acho que vou ganhar muito mais experiência abrindo uma empresa’”. Assim, surgiu, em 2012, a FotoClean, a primeira tentativa de empreender feita por Alex. A iniciativa foi colocada em prática com dois sócios, mas não amadureceu. A FotoClean chegou ao fim com cerca de cinco meses de vida. Para o, hoje, estudante de Administração, o que faltou foi planejamento. No mesmo ano, a namorada, Ana Carolina, o incentivou a tentar mais uma vez o ingresso na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), agora, para o curso de Administração. Ana conseguiu convencê-lo. “O que eu estava fazendo não me satisfazia. E foi o momento em que decidi fazer faculdade. Acho que esse momento foi um divisor de águas. Quando você fala assim: olha, eu estou em um caminho e esse caminho não me satisfaz. Eu preciso de mais”, explica Alex. A aprovação veio, mas para a lista de suplência. Assim, ingressou em uma instituição privada de ensino. Quando soube que iria entrar na UFES no segundo semestre de 2013, recebeu uma proposta de emprego. Ganharia três vezes mais do que ganhava no então atual emprego. Alex

conclui que foi um momento penoso, mas não aceitou a proposta: “Eu falei: eu não quero só esse dinheiro. Não é só o dinheiro que vai me satisfazer. Acho que foi esse o momento, quando eu desisti daquele conforto, daquele resultado que eu já tinha para buscar mais. Para buscar uma coisa do jeito certo, de um jeito mais planejado, de um jeito que me satisfizesse”. Na UFES, Alex conheceu a Empresa Júnior de Consultoria de Administração (EJCAD). Ele reconhece que foi nesse âmbito que mais aprendeu dentro da universidade. O amigo e sócio da Safari, André Vinicius, também participava da EJCAD. Ainda sobre o seu lema, o inconformismo, Alex declara que é preciso melhorar sempre: “Nunca estar satisfeito com aquilo que você tem, achando que está tudo bom. Sentar na cadeira e falar: ‘Ah está tudo bom, está tudo correndo, está tudo lindo’. Porque nunca está”. E cita o psicólogo americano Abraham Maslow para sustentar a sua tese que ser inconformado é fundamental para ser um empreendedor. “Maslow é o cara que escreveu uma teoria que você sempre está em busca de uma necessidade. E quando você supre essa necessidade, surge outra”, teoriza. Ele ainda pontua um dos perigos que pode destruir um sonho empreendedor: “às vezes a gente fica parado e não se motiva a nada mesmo, fica parado na vida. E isso é um problema”. E parece que Alex não terá mesmo tempo de perder o seu foco empreendedor e ficar parado, ele afirma que já está planejando uma nova empresa com visão, totalmente, inovadora. Assim ele segue sua caminhada inconformada: “Eu entendi que empreendedorismo não é a vontade de abrir um negócio. E, sim, o inconformismo com a realidade”, ensina.


Anjos na Ufes Estudantes de intercâmbio terão ajuda de brasileiros para se adaptarem. Edilaine Machado zade. Eu sempre convido as minhas ‘protegidas’ para ir ao cinema. Elas já conhecem minha família e participam de confraternizações em minha casa”, destacou. Uma das protegidas de Letícia, Sarena Young, garante que seu “anjo” foi fundamental para sua adaptação no Brasil. Há mais de dois meses no estado, trabalha como professora assistente na Secretaria de Relações. “Sem a Letícia ficaria muito difícil arrumar todos os documentos, ir à Polícia Federal para retirar o registro do CPF e alugar um lugar para morar”, afirmou a americana. O coordenador Rodrigo Ribeiro não esperava que tantos alunos aderissem ao projeto. Foram inscritos 183 anjos, e 70 foram selecionados. Atualmente, a Ufes conta com 55 alunos e profissionais estrangeiros, um número que

pode aumentar durante o ano. “É esperada a chegada de mais alunos estrangeiros. A meta é que a cada semestre mais alunos de intercâmbio cheguem à universidade”, estimou Ribeiro. Segundo o coordenador do projeto, a medida integra as ações para internacionalizar a Ufes. “Estamos estabelecendo parcerias com universidades de outros países; algumas recebem os nossos estudantes da mesma forma que recebemos os seus. Sempre precisaremos de mais voluntários. Toda ajuda é bem-vinda”, ressaltou. Para participar do projeto e se tornar um “anjo” da Ufes, basta fazer o cadastro na Secretaria de Relações Internacionais, que fica no campus de Goiabeiras, no prédio da Reitoria. Mais informações: 4009-2046 / 31459205.

arte: Klebert Silva

O projeto “Anjos da Ufes”, uma iniciativa da Secretaria de Relações Internacionais da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), promete auxiliar alunos de intercâmbio durante sua estada no Espírito Santo. Os denominados “anjos” são estudantes brasileiros, voluntários, que veem no projeto uma forma de aprofundar seus conhecimentos em uma determinada língua. Além disso, são solidários aos estrangeiros, já que muitos não conhecem o nosso idioma e cultura. Letícia Sunderhus, estudante do curso de Letras, logo que soube do projeto se candidatou como voluntária. Anjo de quatro norte-americanas, ela as ajudou com a obter documentação e também tem oferecido apoio emocional. Ela acredita que a relação assegura mais do que o aprimoramento do inglês. “É uma relação de ami-

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Ufes no Facebook: curta essa ideia Betina Hatum e Nayara Santana

A exploração de novas tecnologias fez com que os meios de comunicação se tornassem mais rápidos, disponíveis e acessíveis. Não demorou para que as instituições aderissem a essas novas ferramentas de comunicação, que proporcionam maior aproximação com seu público-alvo. Com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) não foi diferente. Além do site oficial, em que todas as notícias da universidade são veiculadas, a instituição entrou em 2012 para o universo do Facebook. Segundo a Secretária de Comunicação da Ufes, Thereza Marinho, a proposta da página no facebook era obter um alcance maior de público. “As redes sociais têm uma amplitude muito grande e seria muito ruim para universidade não estar nesse meio divulgando suas ações, tanto na área acadêmica quanto de cultura, já que nosso público é predominantemente jovem e está conectado o tempo todo”, afirma. Além da oficial, várias páginas abordam a instituição no Facebook. A que mais se destaca é a Ufes da

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Depressão, criada durante a última greve dos professores. No início, tinha um teor mais cômico, mas com passar do tempo começou a criticar e denunciar os problemas da universidade. A página é administrada de forma anônima por dois estudantes do campus de Goiabeiras, um do campus de Alegre e outro do campus de São Mateus, e conta com contribuições de todos os alunos em forma de vídeos, textos ou fotos. Por razões óbvias, eles preferiram não se identificar. Com mais de 13 mil curtidas, a página recebe por volta de 20 mil visitas por semana. Para os administradores, o número de acessos e curtidas é o resultado de uma identificação do público com o conteúdo. “Achamos que as pessoas gostam do estilo jovem da página e da forma como as postagens misturam humor com conteúdos sérios”, ressaltam. A página oficial da Ufes também busca atrair mais atenção dos alunos, servidores e professores. Hoje ela conta com pouco mais de 8 mil curtidas. Segundo a Secretária Comuni-

cação da instituição, o ideal seria ter uma linguagem própria para o Facebook, mas esse trabalho ainda não foi possível, por não dispor de um profissional para atuar especificamente com esse tipo de comunicação. Por enquanto, os conteúdos para as redes sociais são postados automaticamente a partir do portal da Ufes, e são realizadas algumas ações especiais com banners, galerias de fotos e campanhas publicitárias temáticas. Thereza Marinho ressalta que as páginas com crítica à Universidade, como a Ufes da Depressão, não atrapalham o trabalho da comunicação. “As pessoas estão se manifestando negativamente ou positivamente. Se for de forma negativa, a gente procura entender onde está o problema e o que a Ufes pode fazer para resolvê-lo”, acrescenta Thereza. Mesmo já estando perto da formatura, os administradores da página da Ufes da Depressão ainda têm interesse em continuar com ela. “Nós adoramos administrar a página, pois é nossa válvula de escape contra o stress”, destacam.


Os efeitos da revoada do dólar Júlia Salume e Danniella Camilo

A cotação do dólar tem sido um dos principais assuntos abordados no início de 2015. Desde 2004 que a moeda não atingia uma cotação tão alta frente à moeda brasileira, em que seu valor foi R$ 2,987. O aumento da moeda americana desvaloriza o real e reflete na economia, principalmente no bolso e no modo de vida das pessoas. Mesmo sabendo que o comportamento do dólar é constantemente vigiado no mercado financeiro, muitas dúvidas surgem na hora de dimensionar o impacto que ele causa na vida da população. Talvez isso aconteça pelo fato de muitas pessoas considerarem os assuntos econômicos complexos demais e de difícil entendimento. Pensando nisso, buscamos uma especialista para nos explicar didaticamente por que devemos nos preocupar com a alta da moeda americana. Preço e Renda: os primeiros a serem afetados Segundo a especialista em Economia Internacional e coordenadora executiva da Fucape Business School, Arilda Teixeira, quando o dólar aumenta, duas variáveis econômicas são afetadas: o preço e a renda. Os preços dos produtos sobem, afetando tanto os importados quanto os produzidos no Brasil, uma vez que, alguns produtos daqui utilizam insu-

Quem ganha x quem perde mos vindos de fora na sua produção. Até mesmo os bens naturais, os commodities, como por exemplo, feijão, café, petróleo e açúcar, são influenciados, mesmo sendo basicamente matéris-primas e produzidos por aqui em larga escala. Esses insumos são comercializados em nível mundial, sendo por isso cotados em dólares, o que significa que, com o nível da moeda lá em cima, todos os produtos, sejam eles importados ou não, aumentam. Já a renda dos brasileiros fica comprometida justamente por causa do alto preço dos produtos, o que infuencia no custo de vida, que também aumenta. Como não há uma umento dos salários na mesma proporção, uma vez que são calculados em reais, este reduz sua capacidade de compra, pois o mesmo salário agora servirá para consumir bens mais caros. Com o poder de compra dos brasileiros reduzido, a consequência é o enfraquecendo o mercado interno. Taxa de câmbio e a Inflação O aumento dos preços é o que produz o fenômeno da inflação, e é isso que acontece quando os preços dos produtos sobem de forma persistente e generalizada. Portanto, o comportamento do dólar incide sobre a taxa de inflação.

De acordo Arilda Teixeira, o dólar influencia o preço do que o Brasil importa do exterior, pois esses produtos são cotados em dólar. Isso significa que, com a moeda americana nas alturas, o importador precisará desembolsar maior quantidade de reais para comprar dólares que, posteriormente, será utilizado para pagar o produto importado. A taxa de câmbio alta desestimula as importações. Por outro lado, com os exportadores ocorre o contrário, quando eles vendem para o exterior eles recebem em dólar. Ao trocá-los por reais, com a moeda americana valorizada, eles recebem mais reais por aquela quantidade de dólar. Por isso, com o valor alto da moeda americana, as exportações são estimuladas. O turismo internacional também perde força, já que fica mais caro comprar dólar para viajar para o exterior. No entanto, o turismo nacional acaba ganhando com isso, pois muitos brasileiros acabam optando por viagens dentro do país e muitos turistas estrangeiros são atraídos, pois com eles acontece o mesmo que com os exportadores: eles trocarão dólares por maiores quantidade de reais, logo, fica mais barato virem para cá. maio 2015 - Revista Primeira Mão I

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Sob os olhos da natureza A aventura de explorar um pedaço de Mata Atlântica situada bem no meio da ilha de Vitória. Karolyne Mayra e Julia Bragatto

Júlia Bragatto

Nem só de prédios é feita a cidade! Mesmo em meio a tantas edificações e tráfego intenso, a capital do ES possui um refúgio natural de mata atlântica preservada que proporciona momentos de descanso e de lazer. Trata-se do Parque da Fonte Grande, que compõe o maciço central de Vitória. Além das belezas naturais e da biodiversidade da fauna e flora, o visitante pode percorrer trilhas e praticar esportes ecológicos nesta unidade de conservação. Aos domingos, é possível fazer uma “Caminhada Ecológica” de 5 km guiada por monitores ambientais do parque. A trilha começa pela Pedra da Batata e passa pelos mirantes do Sumaré, da Cidade e do Mangue, pela Estrada Tião Sá, pelas ruínas da Fazenda Boa Vista e por diferentes trilhas até o destino final, a Pedra dos Dois Olhos.

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Nossa reportagem foi conferir a experiência de realizar a travessia e, ao longo da caminhada, pudemos perceber a diferença do clima, contemplar a biodiversidade e, ao mesmo tempo, praticar exercício físico. Durante o percurso enfrentamos diversos desafios. Tivemos que passar por terrenos acidentados, entrar numa mata com vegetação de um metro de altura, escalar os trechos rochosos e, ainda, resistir ao sol e à sede quando a água acabou. Uma verdadeira aventura que vale muito a pena ser feita!

O ponto de chegada - O destino dessa caminhada é

a Pedra dos Dois Olhos, frequentada por praticantes de rapel, escalada, trilhas e caminhadas. Seu principal atrativo é o pico rochoso de 296 metros de altitude que possui cavernas esculpidas pela ação de eventos naturais que se assemelham a dois olhos. O aposentado Humberto Nascimento faz caminhadas rotineiras na reserva e garante que a experiência é revigorante. “Os benefícios são muitos. O contato com a natureza e o silêncio me proporcionam uma higiene mental. Além disso, a possibilidade de encontrar animais silvestres em uma distância tão curta do centro urbano é fantástica.” afirma Humberto.


Júlia Bragatto

Leandro Silva

Leandro Silva

Júlia Bragatto

Júlia Bragatto

Como chegar ao parque

Projeto Lua Cheia Nos períodos de lua cheia, o parque da Fonte Grande é aberto em horário especial, das 17 às 20 horas, para que o público possa contemplar a paisagem do Mirante da Cidade, situado a 310 metros acima do nível do mar. A ocasião é aproveitada por muitos ciclistas que realizam moutain bike neste horário. Não é necessário fazer inscrição ou contato prévio. Basta comparecer ao local conforme a data divulgada. A portaria de acesso fica localizada na Avenida Serafim Derenzi.

A pé – pela rua Antônio Dell Antonia, em Fradinhos, pela rua Alziro Viana, no Centro, ou pela Leonilda Carnassa Figueiredo, em Tabuazeiro. De carro – pela rodovia Serafim Derenzi ou pela Estrada Tião Sá, no bairro Grande Vitória. É necessário agendamento apenas para as visitas monitoradas. Horário de funcionamento: de 7 às 17h Telefone: (27) 3381-3521. maio 2015 - Revista Primeira Mão I

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Grande Vitória além das janelas Divulgação Polícia Militar

Letícia Menezes Joicy Marques

Todo mundo sabe que viajar é uma atividade relaxante e que está nos planos de grande parte dos brasileiros. O lugar, a cultura, a história e a culinária são fatores de peso na hora de montar um roteiro, e o Espírito Santo é um destino que possui diversidade em tudo isso. Os cinco municípios da Grande Vitória abordados nesta matéria têm diversas alternativas como praias, trilhas, parques naturais, museus, teatros e galerias. Chegar até eles não exige grandes dispêndios, já que são servidos por linhas de ônibus. Estes, todos os dias transportam milhares de pessoas que passam em frente sem prestar atenção nos monumentos históricos, espaços culturais e pequenos pedaços da natureza sempre prontos a nos oferecer beleza e lazer.

Museu Militar (CARIACICA)

Foi o ônibus que escolhemos como meio de transporte para mostrar que o roteiro do dia a dia pode ganhar novos ângulos e resultar em momentos divertidos. Agora, você já pode programar seu próximo passeio.

O Museu Militar conta com aproximadamente 600 objetos e quase mil fotografias. São vários tipos de uniformes usados e diversas épocas. O espaço foi reestruturado e guarda lembranças da atividade de profissionais da segurança do Estado. Linhas - 771 - 768 – 702

Ilha das Caieiras (VITÓRIA)

Na capital, a culinária fica por conta do bairro Ilha das Caieiras. Famoso por sua contribuição à história do Espírito Santo, abriga os restaurantes mais procurados da região. Com vista para o canal que separa a Ilha de Vitória do continente, a gastronomia pode ser apreciada a partir das mesas no deck de madeira que emoldura o bairro. Linhas - 333 – 333E – 331 – 010 – 211 – 310 – 072 – 071

Casarão (VIANA)

Divulgação Prefeitura de Viana

Yuri Barichvich

Quem se interessa por história não pode deixar de visitar o Casarão. Estima-se que o imóvel tenha sido construído em meados do século XIX. Moradores contam que Dom Pedro II o visitou durante sua passagem pelo ES. Reformado em 2007, o Casarão retomou sua cor original, o amarelo-ocre e o verde colonial. No espaço há um anexo onde funciona uma cafeteria e um centro de vivência. Linhas - 901

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Divulgação Prefeitura de Vitória - Elizabeth Nader

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Yuri Barichvich Divulgação Prefeitura da Serra

Casa do Congo Mestre Antônio Rosa (SERRA)

Praia de Manguinhos (SERRA)

O balneário é localizado em uma antiga vila de pescadores. A praia é tranquila, aconchegante, repleta de opções de restaurantes e também é ponto de desova de tartarugas marinhas. Para quem está à procura de paz e beleza natural precisa conferir. Linhas - 884 - 882 - 831

Fundado em 2000, conta a história da cultura popular capixaba. No prédio de 140 anos fica um acervo histórico sobre o congo. Linhas 828 827 880

Museu Ferroviário (VILA VELHA)

Convento da Penha (VILA VELHA)

O Convento da Penha é um santuário religioso que foi fundado no ano de 1558 pelo frade espanhol Pedro Palácios. É um dos símbolos turísticos mais importantes do Estado e recebe uma das maiores festas religiosas do Brasil, a Festa da Penha. Construído no alto de um morro, possui uma linda vista e a paz que os devotos procuram para rezar. Linha - 635

Divulgação Prefeitura de Vila Velha

Parque Moscoso (VITÓRIA) Inaugurado em 1912, é o cartão de visita do centro da cidade. É um refúgio na correria da rotina, com brinquedos, verde, espaço para caminhada, jogos, animais, lagos, pontes, entre outros. É encantador! Linhas - 212 – 202 – 110 – 210 – 213 – 172 – 160 – 124 – 184 – 171 – 161 – 204 – 164 – 010 – 130 – 370 – 175 – 211 – 051 – 052 – 071 – 073

Divulgação Museu da Vale

O Museu Ferroviário Vila Velha está situado na antiga Estação Pedro Nolasco às margens da baía de Vitória. É um lugar bonito, muito utilizado por noivas que querem fazer belas fotos. Há, ainda, um restaurante dentro de um vagão de trem. Linhas - 516, 559, 572, 573, 574 e 597

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Fotos: Mariana Carvalho Montagem: Klebert Silva


Cerca de quatro meses após uma eleição presidencial acirrada, dois grupos têm ganhado as ruas: de um lado, movimentos sociais que defendem a presidente Dilma e querem aprofundar as políticas sociais, de outro pessoas que querem o impeachement da Presidente, combate à corrupção e intervenção militar. Combate à corrupção, reforma política, impeachment presidencial, greve geral e até intervenção militar. Assim como em 2013, o brasileiro vive em 2015 um momento de insatisfação com o sistema político e com aqueles que o representam. A multiplicidade de pautas impressiona tanto quanto o volume e a paixão com que as pessoas têm ido as ruas no início deste ano. Dois principais grupos têm ganhado as ruas desde março. De um lado, aqueles que há muito tempo já as ocupam e reivindicam, muito mais do que uma solução imediatista, uma verdadeira e profunda reforma política. Movimentos sociais organizados como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a União Nacional de Estudantes (UNE) e o Movimento dos Sem Terra (MST), têm mostrado sua força e experiência na luta popular. Apesar de mais tímidos em questão de números, se mostram verdadeiros gigantes no momento das mobilizações. No dia 15 de abril pararam o país em uma greve geral contra a Lei da Terceirização (PL 4330/04). Do outro, uma verdadeira massa de verde e amarela tem como principal pauta a saída da presidente Dilma Rousseff (PT), mas também levanta cartazes pedindo maior combate à corrupção, intervenção militar e um Estado

“À medida em que se repete à exaustão que Dilma é a grande vilã, perde-se cada vez mais a compreensão de que ela é apenas uma peça na gigantesca engrenagem da corrupção no Brasil. A história ensina, aprende quem quer.”

mais liberal. Apesar da pouca experiência com protestos, as manifestações do “Fora Dilma” mobilizam números impressionantes, utilizando principalmente as mídias sociais para organizá-las. Já em sua primeira ação, no dia 15 de março, reuniram mais de 1 milhão de pessoas em todo o país e tiveram resposta imediata do governo, que lançou um pacote de medidas de combate à corrupção. Segundo o professor Luiz Claudio Ribeiro, do departamento de História da Ufes, a tendência é que essa grande massa de insatisfeitos se organize em grupos menores e passe a lutar por pautas mais específicas. Esse grupo, segundo ele, composto por famílias da classe média brasileira, sente na pele as dificuldades econômicas e se mostra indignado com as frequentes denúncias de corrupção. “Diferente de 2013, que começou com a pauta do transporte público e foi se expandindo, vejo um processo de afunilamento das reivindicações”, pontuou. É na história do Brasil que o professor busca o motivo de tantas insatisfações. “Com o fim da ditadura militar nós conseguimos eleições, mas, a princípio, ela não foi direta, e os grupos ligados ao regime militar acabaram se beneficiando desse processo. Depois, quando finalmente o brasileiro pode votar para presidente, elegeu Collor . Quan-

Sergio Majeski, deputado estadual (PSDB)

do ele sofreu o impeachment, a expectativa era de grande transformação, mas o sistema político permaneceu o mesmo”, afirma o professor. Ele analisa a eleição de Luiz Inácio Lula da SIlva e Dilma Roussef, ambos do Partido dos Tabahadores (PT), como “mais um momento de esperança, que foi novamente frustrado quando o partido se aliou a política tradicional – e corrupta – do país”. Luiz Claudio não vê o “Fora Dilma” como uma simples insatisfação popular, mas sim como um movimento de fundo ideológico. “Tem gente com bons motivos, mas na verdade, o que está por trás é uma luta ideológica profunda que quer tirar a esquerda do poder”, afirma. Para o professor, a mídia tem tido um grande papel em transformar as insatisfações populares em um embate contra a presidente Dilma, e esse sentimento “anti-PT” nada contribui com a resolução dos problemas que o país enfrenta hoje. Além da postura da mídia, não é possível tratar dos protestos atuais sem falar do poder da internet. Segundo o professor do Departamento de Comunicação Social, Fábio Goveia, a internet tem grande peso na divulgação e organização de movimentos populares. “Nenhuma manifestação hoje pode prescindir da mobilização na

“O primeiro protesto foi de grande proporção. Movimentos como este não podem ser subestimados. No Congresso, o PT defende acelerar a Reforma Política, com financiamento público de campanhas para evitar possíveis trocas de favores”

Givaldo Vieira, deputado Federal (PT)

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internet”. Goveia é um dos coordenadores do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) da Ufes e enfatiza que no caso do protesto do dia 15 de março, que pedia a saída da presidente Dilma, as redes sociais fechadas via telefone celular, como o aplicativo ‘WhatsApp’, foram o principal mecanismo de mobilização e difusão. “Do ponto de vista de uma estratégia comunicacional, a mobilização foi um sucesso”, analisa o professor. Gouvea também destaca os protestos das centrais sindicais, ocorrido no dia 12 de maio, que vão de encontro ao “Fora Dilma”, e em muitos momentos são, inclusive, tidos como governistas. “Apesar de serem bem menores em número absoluto, o efeito desses atos cria um contraponto nessa disputa. Vale observar que os movimentos convocados por organizações civis, em geral, possuem legitimidade e reconhecimento social, que pesa no momento de negociações”. O Labic ganhou visibilidade e protagonizou o cenário de análises das grandes manifestações de junho de 2013 na imprensa e no meio acadêmico. Sobre as diferenças e semelhanças entre as atuais mani-

Lorena Kellen, estudante

“O ‘Fora Dilma’ é um movimento oportunista. Grande parte de seus organizadores só o fazem por não aceitar o resultado da última eleição e, para além disso, não aceitam que pessoas como eu, classe C e D, estudem nas mesmas universidades que seus filhos, que tenham as mesmas oportunidades.”

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festações e as de junho de 2013, o pesquisador analisa: “As manifestações de junho de 2013 tinham um caráter mais autônomo que os atuais protestos. Ainda que houvesse grupos tentando capitalizar naquele momento, a negação de uma representação era marca fundamental”. De fato, apesar do clima efervescente nas ruas, a velha política continua reinando em Brasília. O Congresso Nacional, representado pelo seu presidente Eduardo Cunha (PMDB), sistematicamente boicota projetos enviados pela presidente Dilma. Esta, que enfrenta a maior crise de confiança de seus dois mandatos, tem dificuldades de levar adiante medidas que melhorem a situação econômica do país. Segundo pesquisa do Instituto Datafolha, a presidente teve no mês de março e abril, o pior índice de aprovação em seus oito anos de governo, com 13% de brasileiros que consideram seu mandato “bom” ou “ótimo”. Para o professor Luiz Cláudio, ainda que o PT tenha perdido a oportunidade de fazer política de uma forma diferente, o partido está longe de ser o único responsável pela corrupção no país. Para ele, essa prática parte de toda a sociedade brasileira e, consequentemente, da grande maioria dos partidos políticos. O partido da presidente Dilma acaba assumindo todo o ônus por estar no poder e por encontrar na impressa e nas classes de renda média e alta fortes opositores. O professor Fábio Gouvea também identifica essa tentativa de vincular o partido da presidente com todas as denúncias de corrupção. “Assim, é óbvio que busca-se, se não o impeachment da presidenta Dilma, agir de modo forte como forma de pressão sobre o Palácio do Planalto, tentando associar o Executivo a toda e qualquer denúncia de corrupção que surge diariamente na mídia tradicional”, analisa. Ao diferenciar as manifestações e compará-las com a eleição presidencial de 2014, a mais acirrada desde a redemocratização, o professor Goveia constata que essa divisão sempre existiu. “Desta vez, vemos

uma postura muito menos permeável de ambos os lados. Assim, o diálogo não é possível, o que é ruim para o país como um todo”. O acirramento desse antagonismo também preocupa Luiz Cláudio: “É preciso desarmar esses dois lados para o país poder andar. Precisamos de uma boa reforma na lei eleitoral, e ela não virá dos políticos”, defende. Os professores concordam que as manifestações têm papel importante para a democracia. Contudo, Fábio Gouvea ressalta a diferença de tratamento entre os protestos das duas principais forças antagônicas. No Estado, enquanto o “Fora Dilma” contou com o suporte da Polícia Militar, que fechou as ruas e cuidou da segurança, o mesmo não aconteceu durante os protestos contra a terceirização, quando os participantes foram agredidos com bombas e balas de borracha. Apesar disso, Goveia se mostra otimista: “Apenas num governo democrático é permitido o pensamento divergente.”. E Luiz Cláudio completa: “Esse é um processo de consolidação da democracia. Agora é transformar as reivindicações das ruas em pautas reais e lutar pelo avanço delas”.

Lucas Viana, biólogo

“Acho normal as pessoas desejarem o impeachment da Dilma. Espero que ela entenda que as pessoas não a querem mais como presidente do Brasil e que ela mesma se demita do cargo. No entanto, acredito que legalmente falando não há nada que justifique o impeachment, ainda.”


João Brito

entrevista

Amante de televisão, viciado em filmes e até jogador de basquete nas horas vagas, Dr. Orelvis Reyes Madrazo, de 40 anos, reside no Brasil desde outubro de 2013. Ele é médico, cubano, e após ser literalmente importado por meio do Programa do Governo Federal ‘Mais Médicos’ (2013), chegou ao solo brasileiro com destino à Grande Vitória, especificamente ao bairro Taquara I, no município da Serra, onde reside com sua esposa e trabalha na Unidade de Pronto Atendimento (Upa) do local. Numa conversa descontraída com a Revista Primeira Mão, o único médico presente na clínica revelou diferenças entre a medicina brasileira e a de seu país de origem, assim como semelhanças entre as duas culturas. Aproveitou também para contar sobre sua rotina como capixaba, informar como se diverte no estado, e esclareceu como é lidar com o preconceito de uma opinião pública tomada pelo ‘’desconhecimento’’, segundo o próprio Orelvis. João Brito

A solução cubana De 2013 para cá, quais foram suas maiores dificuldades na adaptação ao novo país? A principal diferença, para mim, é a língua. Mas, por exemplo, falando da medicina: os remédios, o jeito de tomar os medicamentos, a conduta e o comportamento do paciente são parecidos. O brasileiro e o cubano são contentes e acolhedores. Mas para todo esse conhecimento prévio, estudamos a história do Brasil, a história da medicina local, como se organiza o sistema de saúde brasileiro. O que você e sua esposa fazem para se divertir aqui no estado? Fazemos várias coisas aqui. Por ela ser médica, acabam coincidindo alguns horários. Gosto muito de ver televisão. Filmes, especificamente, adoro. Além disso tentamos curtir e conhecer a praia e a parte histórica da cidade. Também visitamos muitos lugares. Tentamos fazer, no mínimo uma ou duas vezes ao mês, reuniões com colegas durante o final de semana. Procuramos também conhecer os pacientes. Também tiro

tempo para ir à academia e gosto muito de basquete. Pratico no parque da cidade com amigos que conheci. Sobre a diferença dos custos de vida do Brasil e d Cuba, como conciliar? Com certeza, existe essa diferença. Aqui no Brasil o custo de vida tem sido mais elevado. O consumismo, todo país capitalista tem e é quase uma virtude. Mas temos conhecimento anterior do Brasil e chegamos aqui sabendo do que poderia acontecer. Eu e minha esposa compartilhamos os nossos gastos. Desde que o programa foi implantado no Brasil pelo Governo Federal, em 2013, a opinião pública, de modo geral, ficou dividida. Isso gerou preconceito sobre os cubanos. Como lidar com este cenário? Nós já ficamos preparados para que isso acontecesse O povo tem uma ótica de Cuba, como país, que já é preconceituosa. As pessoas costumam dizer que tem um regime ditatorial, uma ilha controlada pelos

Castro, é vermelha e etc. Cuba não tem isso. A mídia contribui muito para essa opinião. Demonstram um desconhecimento da realidade. E é daí que vem o preconceito. Foi falado no início que nós não éramos preparados, mas acho que na prática mostramos o contrário. É comum escutar que o ‘’forte’’ da medicina cubana é o acompanhamento do paciente. Existe essa diferença de lá para cá? Lá temos uma amplitude maior na atenção primária, na prevenção, e isso é algo que trouxemos. Foi desenvolvida uma especialidade lá em Cuba, que é a chamada Medicina Geral Integrada. Além do curso básico, que são seis anos, passamos por um serviço social (residência), durante dois anos. E a minha especialidade é justamente essa: atenção primária. O que acontece nela é que o médico, de fato, segue com aquele paciente, aquela comunidade, que requer mais atenção quanto à saúde básica, prevenção de doenças e riscos.

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Quando os filhos chegam cedo A gravidez precoce e inesperada traz para os jovens o medo de contar para os pais, companheiros e amigos e de enfrentar as mudanças no corpo, na rotina e lidar com novas escolhas de vida

Poliana Carvalho e Danielly Carneiro A maioria das mulheres sonha em se tornar mãe um dia. Amamentar, trocar fraldas e educar fazem parte da rotina materna. Mas quando esta rotina surge na juventude, de forma não-planejada pode ser assustador. Conciliar as novas responsabilidades pode impedir planos ou, pelo menos, adiá-los, já que as jovens mães precisam lidar ainda com outros desafios como as mudanças no corpo e com os julgamentos da sociedade. No caso das estudantes, a maternidade pode comprometer a rotina de aulas chegando ao extremo de os estudos serem interrompidos, o que normalmente acontece quando não têm o apoio familiar e/ou financeiro. Por outro lado, não são raros os caso de meninas que podem contar com a família e com o parceiro para levar em frente os estudos e para trilhar seu percurso profissional. A gestação Já no início da gravidez, a jovem é surpreendida por mudanças e descobertas em seu próprio corpo. A barriga cresce, os enjôos vêm e a responsabilidade de saber que há dentro de si uma vida em formação pode, muitas vezes, desestruturar a gestante. Além disso, o medo de serem julgadas pelos outros, principalmente pelos pais leva muitas meninas a esconder que estão grávidas. Nesta fase, o diálogo com a família é muito importante, explica a psicóloga Juliana Bortolini: “Nesse contexto de mudanças e novos desafios é fundamental que a família atue como suporte afetivo para diminuir o sofrimento da jovem e para que aprenda a lidar com a responsabilidade

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de ser mãe. Um convivência familiar harmônica facilita a aceitação social do bebê, independente da idade materna”. Ariane Barbosa, 20 anos, estava cursando o quarto período de Jornalismo quando descobriu que estava grávida. Ela manteve a gravidez em segredo para a maioria dos colegas de faculdade, que tiveram uma grande surpresa quando Aurora, hoje com quatro meses, nasceu. “Não sabia qual seria a reação das pessoas, por isso quase não falei para ninguém. Na turma pouquíssimas pessoas sabiam. A maioria só ficou sabendo mesmo quando eu já havia ganhado a bebê”, contou. Ariane disse também que não queria acreditar que estava grávida e temeu contar para os pais. “Minha mãe percebeu antes do que eu e insistiu para que eu fizesse o exame de confirmação, mas com meu pai foi diferente. Escondi dele por um tempo e depois quem contou para ele foi minha mãe, eu estava em Vitória no dia, pois não queria estar perto para ver a reação dele”, lembrou. Danielle Louise também viveu situação semelhante ao engravidar no segundo ano do ensino médio, pois sabia que decepcionaria seus pais. Apesar de ter recebido inúmeras críticas, ela pôde contar com apoio deles, se casou e realizou seu sonho de formar uma família. Hoje com 27 anos, é mãe de três filhos,

o mais velho com 10 anos. “Muitos julgaram, alguns pararam de falar comigo ou falavam mal pelas costas. Também tive pessoas ao meu redor que “abraçaram” minha gravidez e que me deram apoio. Eu aprendi que você não pode se abater pela opinião das pessoas porque elas nunca param de julgar”. Mudança de planos Passado o susto é preciso conciliar as atividades típicas da juventude com os novos compromissos, o que nem sempre é possível. Permanecer nos estudos, por exemplo, não é uma tarefa simples, especialmente pela necessidade do suporte financeiro. Nessas situações, para sustentar o filho é preciso dedicar-se ao trabalho e estudar deixa de ser prioridade. Bárbara Kirmes Marçal, 24 anos, engravidou no oitavo período do curso de biologia e precisou interromper a graduação para se dedicar a Nina, de cinco meses. “Interrompi antes da Nina nascer porque estava extremamente cansada. Nos últimos meses de gravidez


Olga (esquerda), Ariane (centro) e Tamara (direita) encararam cedo o desafio da maternidade.

andar com uma barriga enorme para todos os lados era meio complicado. Tranquei em setembro, ela nasceu em novembro. Tranquei também porque o curso é praticamente integral, não teria com quem deixar minha filha”. Há casos ainda em que o sonho de se formar é tão forte que os obstáculos e as durezas do dia a dia não abalam a vontade de estudar, como aconteceu com Olga de Deus. Contando com a ajuda de seus tios, que a criaram, e de seu companheiro, ela usufruiu do amparo à gestante, direito previsto na Lei 6.202 que lhe permitiu continuar o curso de Jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo. Desde o nascimento de Davi, há nove meses, Olga precisou incluir o filho em suas tarefas. Para isso,

parou de trabalhar e não se matricula em todas as disciplinas possíveis. No quarto período do curso, a mãe de Davi conta também com o auxílio dos professores e colegas de sala e leva o bebê para as aulas. “Como minhas aulas são de manhã e começam às 7 horas, ele vai comigo para a Ufes. Eu saio de casa às 5 horas e não tem babá ou creche que aceite bebê nesse horário”. São muitos os obstáculos, mas é possível seguir com planos e realizar sonhos, mesmo que isso demore mais que o previsto. Assim aconteceu com Tâmara Gomes que descobriu a gravidez quando ainda estava no Ensino Médio. Sem poder contar com o pai da criança, Tâmara encontrou em sua família o suporte que precisava para conti-

A presença dos pais Os pais exercem papel fundamental não só para a criança, como também para a mãe, que encontra no parceiro suporte financeiro e emocional para levar adiante a criação do filho. Ainda assim, é comum encontrar mães que chefiam lares sozinhas ou que podem contar muito pouco com o pai de seus filhos. Eder de Jesus, 27 anos, não mante-

ve um relacionamento afetivo com a mãe de sua filha mas tenta participar de longe da vida de Heloísa, oito meses. “Não pago pensão, mas dividimos as coisas quando dá”. Daniel Pereira, 24 anos, precisou lidar com a responsabilidade de trabalhar quando a namorada engravidou. À sua parceira coube a tarefa de se dedicar integralmente aos filhos, hoje com 5 e 2 anos.

nuar os estudos, se formar em Direito e cuidar do seu filho Bernardo, hoje com 11 anos. “Me senti bastante insegura. Minhas principais angústias foram conseguir terminar os estudos e dar conta do bebê. O maior aprendizado foi ter paciência e perceber que os meus atos, refletem nos atos do meu filho”. Apesar de amarem seus filhos, as jovens mães concordam que seria melhor ter esperado mais um pouco, pois se planejar e preparar pode evitar uma série de conflitos e dificuldades. Mas uma gravidez fora de hora não é sinônimo de fracasso profissional. Com amor e persistência é possível ser uma boa mãe e, ainda, alcançar os planos para a profissão.

Lei de amparo à gestante A Lei 6202/75 garante à estudante grávida a partir do oitavo mês de gestação e durante três meses o direito de ser assistida pelo regime de exercícios escolares domiciliares. O início e o fim do período em que é permitido o afastamento da estudante gestante serão determinados por atestado médico a ser apresentado à direção da escola. A lei tambéms assegura às estudantes grávidas o direito à prestação dos exames finais. maio 2015 - Revista Primeira Mão I

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As feministas de hoje Por Stefhani Paiva e Luan

a D’Angelo

O “fiu-fiu” não é elogio, o espaço no mercado de traba lho não é favor, o corpo femini no não é objeto, a mulher não é símbolo de fragilidade, as roupas não são justificativas para o estupro, o batom vermelho não é sinônimo de vulgaridade, a sexualidade também pertence ao unive rso feminino. A mulher pode es tar onde quiser, ser feminista na universidade, em casa, no relacionamento, no seu trabalho, em sua militância , na rua ou na internet. Hoje, o feminismo tem mais bandeir as e não se limita a minorias. Es tá sendo construído por muitas e muitos que colaboram todo s os dias com suas práticas diária s para difundir a luta contra a opressão e o machismo.

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Diferente das décadas passa das, cujas pautas eram mais gerais, hoje o feminismo tem buscado focar nas especificidades de cada mulhe r. A representante do Setor de Mulheres do Levante Popu lar da Juventude ES, Amanda Verediano, acredita que as feministas de hoje se ide ntificam quando sentem me do de andar na rua à noite , quando voltam para casa e ainda têm que fazer o jantar ou quando deixam de estud ar e trabalhar para cuidar do s filhos, buscando a autonom ia do corpo e da vida. Segundo ela, a luta feminis ta contra o patriarcado é também contra o racismo, a homofobia e o capitalism o, que são estruturantes em no ssa sociedade, pois se os tra balhadores homens são exp lorados pelo capitalismo, as mulheres são duplamente op rimidas e exploradas: como trabalhadoras e como mulhe res. Por isso, tantas especificidades e lutas acabam se configurando como uma só, que é a luta por uma vida dig na para todas as mulheres, sejam elas mães, filhas, tias, avós, brancas, negras, LGBTs ou camponesas. A representante do Fórum de Mulheres ES,Mariana Gava, fala do trabalho realiza do pela instituição junto às mulheres vítimas da violência tem a finalidade é orientá-las a garantir seus direitos. Elas são acompanhadas pelo Fórum até hospitais ou mesm o delegacias para registrarem o Boletim de Ocorrência s quando sofrem violência. Segundo Mariana, o Fórum é composto por algumas organizações que fazem atend imento direto às mulheres da periferia, organizando-as na luta contra todos os tipos de violência contra a mulhe r. Entre essas organizações estão a Associação de Mulhe res Unidas de Cariacica em Busca da Libertação (Amuca buli) e a Associação das Mu lheres Unidas da Serra (Amus) . Também destaca o descaso do poder público para com as pautas das mulheres, já que desde 1992, de acordo com a Comissão Parlamenta r Mista de Inquérito, realizada em 2012 na Câmara Federal e presidida pela ex-senadora capixaba Ana Rita, o Espírito Santo está entre os três estado com maior índice de femi-


Ensaio fotográfico Modelos: Adriana Laurindo, Thais Stein e Duana Peixoto Fotógrafa: Marina Melim Produção: Júlia Salume e Stefhani Paiva maio 2015 - Revista Primeira Mão I

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nicídio, mas pouco se vê de investimento em políticas públicas nessa área. Izabella Rodrigues, estudant e de Publicidade e Propaganda da Ufe s, entende que a grande dificuldade pa ra o feminismo é desmistificar o que rea lmente significa ser feminista. “Quem não conhece as pautas levantadas, comum ente tenta desqualificar o feminismo com o um movimento de mulheres loucas , que querem se sobrepor aos homens”, crit ica. Um diferencial, hoje, tem sido a internet que contribui cada vez mais para expansão e difusão das de mandas feministas. A mobilização se pro paga através de campanhas, vlogs, blogs, páginas no Facebook, entre outros. Um exemplo é a campanha “Chega de FiuFiu”, que, compartilhando recursos de mapas e de submissões anônimas nos ap licativos de internet, indica locais em qu e mulheres foram assediadas em todo o país. Também vale a pena conferir o canal “JoutJout Prazer”, no Youtube, que começou como uma atividade terapêu tica da blogueira Julia Tolezano e hoje quebra tabus por abordar temas sensíveis , como relacionamentos abusivos. Outro exemplo é “Empodere Duas Mulheres”, uma página no Facebook, que procura exp andir o movimento, tentando atingir as mulheres de periferia, trazendo-as para a luta. Os responsáveis pela página acred itam que é mais eficaz convencer duas mulheres do que explicar feminismo para um homem. Entendem que o feminismo é muito mais amplo, só sendo verdadeiro quando não excluir nenhuma questão. Para Maria Malanquini, tam bém integrante do Setor de Mulheres do Levante Popular da Juventude ES, incentivar o empoderamento de todas as mulheres, mostrando que a opressão que atinge uma é a mesma que atinge todas, torna possível criar uma consciên cia feminista no conjunto de mulheres, ind ependente das diferenças sociais. A professora e integrante da Marcha Mundial das Mulheres (M MM), Samira Sanches, fala sobre o que a Marcha apresenta como “Feminismo 2.0 ”. Segundo ela, a frase expressa a inten ção de ocupar a internet com um fem inismo que também é da rua. “Nós, da Marcha, sempre falamos “nas ruas, nos roç ados e nas redes” porque entendemo s que o feminismo precisa ocupar todos os espaços da sociedade. A internet, em bora ainda precise ser mais democratiza da, permite

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s ta lu e d a d a n r jo a g cenas de uma lon XX, lo XIX e u c é s o e o foi Entr minism os e f o d o foc ireit ista de d eres, a conqu lh s das mu to, à jurídico o eito ao v como dir e e oposição ad propried entos arranm aos casa os. jad

Entre as décadas de 1960 e 1980, as mulheres queriam mais igualdade de direitos emais liberdade. Foi o período em que se aperfeiçoaram os métodos contraceptivos .

Neste iníc io de nio, as mu milêlh continuam eres lutando contra o m achismo e querem mais liberdade e respeito à sua cond ição feminina em todos os aspecto s.

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a difusão de muitas ide ias que nunca tiveoutros estados com suce ram espaço nos grande sso. s meios de comuHá também a Liga Femi nicação e isso, para nó nina de MCs, no Rio de s, é muito imporJaneiro, que busca dar visibi tante, pois amplia nosso lid ad e e empoderar as mulhe alcance.” res no rap e no hip-hop, Outra ferramenta que te que mesmo sendo mo m se destacavim en to s questionadores da orde do na prática feminista m social também repro é a cultura, sobre du ze m a op res são das mulheres. isso. Samira defende qu e “o protagonisNo Espírito Santo, o Fóru mo das mulheres passa m de Mulheres, realiz necessariamente a o Cin e Mu lher, com temáticas div pela construção de ma ersas. Neste ano, foi renifestações culalizado também um fes turais que não só comb tival cultural no dia 8 de atam a presença março de nominado “Lugar de Mu machista na arte, mas tam lher é onde ela quiser”, bém valorizem que contou com intervençõ iniciativas das mulheres es culturais, apresentaç em diversas frenõe s artísticas, roda de conversa, tes”. Exemplo disso é oficinas e bancas de art o coletivo de coes an ato. A Universidade Federal municadoras da March do Espírito Santo é outro a, que busca conespaço que, não só o femini solidar uma forma de co smo, mas temas refere municar que não nt es às minorias marginalizadas so trate a mulher como ob cialmente tem presença jeto. garantida e, mais recentement Outra iniciativa é o Festi e têm ganhado reconhe val Mulheres cim ento institucional. Um exem no Volante, criado em plo é a resolução Nº 23 2007 na cidade de /20 14, que permite aos estudantes Juiz de Fora (MG), qu da Ufes requererem o dir e reúne múltiplas eit o de uso e inclusão nos regist linguagens e expressões ros acadêmicos de seu artísticas protano me social sempre que o nome gonizadas por mulheres civil não refletir sua ide . O evento surgiu nt idade de gênero ou causar alg diante da sensação inc um tipo de constrangim ômoda de enconen to. Outro caso recente são trar majoritariamente as disciplinas optativas do homens no palco curso de Comunicação Social da e na produção de ativid Ufes, que permitem inseri ades desse tipo. r o debate sobre o assunto na Desde então, o MNV já s salas de aula e que surgi foi realizado em ram a partir da demanda das próp rias estudantes de discu tir o tema.

Depoimento

Falta empatia

essa resistência manidade. Por que hu o ss re ing de e é evidente? o sistema querer enxergar o qu - como é injusto em ta op aa lin nid tu cip or dis op a para todos até s, pois as Estou fazendo um direitos são iguais l nas universidade Os cia So ia er ão rif aç pe nic da mu gro e ? Quem faz partiva do curso de Co des para quem é ne e ponto e para quem qu em ag s re Im , no er me ulh , te “M lmen reflexões que esda Ufes cujo tema é são, sim, indiscutive deste “todos”? São te cu dis é um r, ta ça os an op alc pr s. de e Corpo”, na qual a cendo de serem feita muito mais difíceis ero saber. tão care de gênero, com e qu a optaties o lin çõ nã cip ta u dis en “E : es da de pr re las on tir as aluno resp Sobre as au a e o . rp a” co mi o no e co br so oe s Micr das por temas, ênfase nos discurso Eu quero ter aula de que escolhi: são dividi va mo co as r ra na nt tio co es qu rso dos por grupos seu discu sexualidade, além de e deveriam ser trata a E prossegue com qu rm tu sim A . as e dia qu mí é na tos (se escolha de cada a mulher é retratada cotas com argumen rmados a partir da fo te en le am va let o nã mp e co qu e os) idade. No dia da é composta quase qu podem ser considerad um. Escolhi matern re nt de o: mp te ir. Em ntei com uma colepor mulheres. e o esforço de redig apresentação, come qu já o. , gr vio ne ób é do um da as apen matéria e acabei Pode parecer um 100 alunos do curso, de trabalho sobre a s, ga ma , os ? nin né , mi de fe s lda sigua ão sobre o meu serão discutidos tema Bobeira falar sobre de antando uma discuss lev de liz a fe us o ca fic la e pe qu e ad ersa, com uma ao mesmo tempo em Essa falta de sensibilid ma. Ao final da conv e te qu s eça pr P, mo US de da o ad absurdo, minha do aluno ver o ambiente lot ição de quem acha - do outro, como a fe re e ar de loc ida co nt se ide de a idade pergunta: “Nosquerem repensar su ocupa. Essa incapac lega fez a seguinte a co um ar to nt sin te , er de qu da se iversidade tem , de nem presentação na socie , mas por que a un o no lugar do outro sa tã r epo dif to ão en siç am po a nt sa? Nada a ver”. ção de um pontinha de desapo a disciplina como es um lo enxergar a situa pe m um r re sa ga es Ne . er sta int assu é um dos devepoucos homens se rente, que não a sua, , primeiro por que Ué de , ia do nc sê iza au nd re ta ap es e de ões sobre temas tema. Percebi que diálogo, a oportunidad s dela levar discuss re jam se ce o re nã Pa e e. qu lic , to oio é ra dentro de sala ormação membros, ou de ap a ou a troca de inf contemporâneos pa lem ce ob pr la pe lo s pe ido et os ra evitar que as ndo acom diretamente afetad aula. Segundo, é pa de da que estamos se de ida lar cu rti pa o. a ag untas assim. Se elas debatido não é um gueira branca de Saram pessoas façam perg o içã nd co à ar s sobre o assunluta feminista. Será preciso retorn ssem mais informada e fo qu e em qu eo ra víd pa , um ro a ze do te estariam do Dia desses assisti animal, recomeçar , muito provavelmen to de da do rsi ive de Un ida ss da ce o ne ra e minha última um movimento negr consigamos percebe sso lado. Confesso qu no do la sau de a io um e me ad no inv e, qu e logo depois de São Paulo (USP) outro? O outro é esse sposta eu só pensei, re tir cu a dis tiç ra us inj pa a o çã um mes) i vítima de curso de Administra ltei atrás. (Yasmin Go vo le- sa bagunça, fo co da do ria m tó ué his alg la do pe cotas raciais. Quan e ainda se propaga discussão sobre qu a r ta an lev lve so re tivo

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partamento de A professora do De na a disciplina iela Alves, que lecio Comunicação, Gabr perceber, o”, contou que pode rp Co e em ag Im r, tros “Mulhe as estudantes de ou e qu ia nc rê ca a a, com a disciplin iciem essa de espaços que prop em nt se m bé m ta s escursos composta por muito é m bé m ta a rm tu discussão. A s Sociais. A Psicologia e Ciência de os rs cu s do es pela tudant tou a baixa procura en lam o, nt ta tre en professora, litações de nas e alunos das habi alu s da rte pa r po ia iplimatér aganda, já que a disc op Pr e de da ici bl Pu Jornalismo e ção. mento de Comunica rta pa De lo pe da ta er na é of imento ismo não é um mov in m fe o , ra so es of Para a pr ção de igualmulher em uma situa a a ns pe e e, nt de porexclu ação do homem é im cip rti pa a e qu ta di re dade. Ela ac ismo. ática diária do femin pr da o çã tru ns co na ômitante nte de Ciências Econ da tu es li, lel Bo ps Rayssa De dentro e fora ncia desses debates rtâ po im a a rç fo re tirar cas, s podemos discutir e nó e qu ui aq “é e: ad da universid çar nessas lunos permitem avan e qu s to en m na io posic

s que podemos nos tas. É nesses espaço para intervir diretaunir como mulheres dade.” mente na nossa reali minismo mudou, É evidente que o fe upar novos espaços, evoluiu, passou a oc e antes não tinham incluiu mulheres qu tadas pelo movimen suas lutas represen ado cada vez mais, to, e tem se propag , por meio da cultura seja pela internet, s universidades. Mas dos coletivos ou na continue sendo paué necessário que ele ague e ocupe os estado para que se prop hismo ainda prevapaços em que o mac r a opressão. O maio lece, disseminando no dá e sua vivência se diferencial hoje, é qu ulher, transformando cotidiano de cada m a ulher que se incomod em feminista toda m construída pelo pacom a opressão diária pela sociedade. triarcado e reforçada maio 2015 - Revista Primeira Mão I

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No conforto de casa ou Com a popularização das novas mídias para entretenimento audiovisual, como a Netflix, saiba quais são as estratégias feitas pelo cinema tradicional para continuar atraindo o mercado Há 23 anos, o Cine Metrópolis vem sendo uma referência em cinematografia para a comunidade capixaba. Dono de uma programação diferenciada que se destaca entre as demais salas de cinema do Espírito Santo, o Metrópolis busca explorar outras propostas estéticas e temáticas, produzidas fora da atmosfera hollywoodiana. Este ano, sua programação conta com sessões nos horários de almoço, exibição de clássicos do cinema e estreias de filmes, além de realização de mostras e festivais. Segundo o programador do Cine Metrópolis, o produtor cultural Vitor Graize, o critério para a escolha das produções é a diversidade da cinematografia mundial, com ênfase especial no cinema brasileiro contemporâneo, pois, o objetivo é dialogar com um público ávido por refletir criticamente o cinema e a sociedade. Além de promover mostras e ciclos de filmes, o Metrópolis também sedia festivais realizados por outras instituições, como é o caso do Vitória Cine Vídeo e a Mostra de Produção Independente da Associação Brasileira de Documentaristas(ABD)/seção Capixaba. Para Graize, que é frequentador do Cine Metrópolis desde 2002, quando iniciou sua graduação em Comunicação, festivais como esses são muito importantes. “A mostra que mais me marcou foi a Clássicos e Raros, da Cinemateca Brasileira, realizada em 2013, por ter reunido diversos clássicos do cinema brasileiro restaurados, filmes que raramente são exibidos e são de difícil acesso”, destaca. O Cine Metrópolis possui 240 lugares e um público médio mensal de 2.000 espectadores. Entre final do ano de 2014 e início deste ano, o cinema recebeu novos equipamentos: uma mesa de som digital, um novo projetor, além de serviços de manutenção no projetor de filmes 35mm. Dessa forma, o Metrópolis passou a proporcionar uma melhor qualidade de imagem e áudio para os espectadores. Apesar da popularização de novas plataformas de reprodução audiovisual, como por exemplo, a Netflix, os frequentadores do Cine Metrópolis não substituíram um pelo outro. É bem verdade que estas novas alternativas são um tanto quanto vantajosas, tendo em vista todo o tempo e dinheiro gastos quando resolvemos ir a uma sala de cinema comum. Quanto às demais salas do Estado, são raras as programações comparáveis à do Metrópolis.

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Maria Luiza Silva Marina Amo rim Mariana Salo mão


no escurinho do cinema “Nosso foco é promover a formação cinéfila com reflexão crítica e o público do Metrópolis sempre foi exigente e aberto a diversas experiências de cinema, inclusive em diálogo com outras artes e outras formas de pensamento e expressão, como a filosofia e a ciência”, afirma Vitor. Ele acrescenta que o público tem participado ativamente da construção de um projeto de sala de cinema que prioriza tanto a produção cinematográfica mundial quanto as produções nacionais e regionais. Cinema x Netflix Andressa Trancoso é estudante de Arte Dramática da Escola de Teatro, Dança e Música e assinou o serviço Netflix há pouco mais de um mês decidindo que não iria mais ao cinema, por ter acesso a um catálogo com diversos filmes, pagando menos de R$20 por mês. Mesmo sem as produções que estão passando nas salas de exibição pelo país, ela acredita que, ainda assim, vale a pena esperar para assistir em casa. O Netflix conquistou o gosto do público por aliar qualidade a preço baixo, além de proporcionar a liberdade de ver os vídeos onde e quando quiser. As ferramentas on demand também possibilitaram ao espectador ter total controle sobre a programação. Segundo dados da Agência Nacional de Cinema (Ancine) em 2014, as salas de cinema do Brasil conseguiram atrair mais público e gerar mais faturamento do que no ano anterior, com 155,6 milhões de espectadores e uma arrecadação de R$ 1,96 bilhão nas bilheterias. Apesar dos dados, o número de espectadores de cinema tem caído. Para o professor do curso de Audiovisual da Ufes, José Soares Junior, um dos motivos para a queda de espectadores seria a quantidade de filmes voltada para o público jovem ou grandes adaptações de histórias em quadrinhos, ambos com baixas classificações etárias, os chamados blockbusters. “Há quem diga que estamos numa fase de ‘infantilização do cinema’, entretanto, essa infantilização é uma tentativa desesperada de manter-se com um faturamento alto mirando num público jovem. Mas, se considerarmos o cinema do ponto de vista da produção, do mercado, quanto mais plataformas tivermos, melhor”, afirma. Apesar de todas as vantagens do Netflix e de outras plataformas alternativas, o cinema jamais será deixado de lado. “Uso sempre o Netflix e continuo indo ao cinema. Acho que uma coisa não exclui a outra. O Netflix é legal porque tem várias produções de alta qualidade, mas nada se compara com a tela do cinema. Aconteceu a mesma coisa com a ascensão da TV e nem por isso o cinema deixou de existir”, opina Géssica Amâncio, estudante de Publicidade e Propaganda da Ufes. maio 2015 - Revista Primeira Mão I

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Ufes se prep as olimpiada

Carolina Sampaio João Brito Juliana do Amaral

Com a realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro, no próximo ano, a universidade federal capixaba ganha a chance de abrigar delegações para os jogos.

2016 está chegando e, assim como o ano de 2014, o Brasil estará imerso no mundo do esporte. Holofotes se voltarão para cá. O Rio de Janeiro mais uma vez será palco de um grande espetáculo, as Olimpíadas 2016, e o mundo todo discutirá, no mês de agosto, os acontecimentos da nação verde e amarela. Pertinho da cidade maravilhosa está o Espírito Santo. Com um clima parecido e distância adequada, surgiu a possibilidade de o Estado capixaba abrigar delegações e atletas para adaptação e treinamentos durante o período das Olimpíadas. O governo estadual corre contra o relógio e anuncia reformas no Centro Olímpico do Espírito Santo (Coes) e busca viabilizar também a utilização de arenas como o Estádio Kleber Andrade. A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) tem interesse de participar desse momento histórico e se mobilizou para isso. O próximo passo para a aprovação deve ser

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dado pelo Comitê Olímpico, que fará avaliações para definir se os espaços estão qualificados para uso. Para reforço das instalações esportivas no Brasil, em 2011, o Ministério do Esporte acolheu um projetos de infra-estrutura, entre os quais, o da direção do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD), e concedeu uma verba de R$ 5.654.000,00 para a reforma da pista olímpica de atletismo. Segundo a diretora do CEFD, Zenólia Figueiredo, as obras tiveram início em janeiro de 2014 e têm previsão para serem entregues no segun-

do semestre deste ano. Duas empresas de engenharia atuam na reforma da pista olímpica: a Residência Engenharia, responsável pela construção da sub-base e a Playpiso Engenharia, responsável pela instalação do piso. A diretora do Centro disse que até o momento não houve interesse de alguma delegação na utilização da pista durante as Olimpíadas, somente o campo de tiro com arco. No entanto, o Centro aguarda manifestação do Governo do Estado. A reforma da piscina olímpica foi concluída em 2012, enquanto o gi-


para para as Rio 2016 Júlia Grilo

A pista olímpica da Ufes está sendo construía na área do CEFD desde 2014 e conta com recursos do Ministrério do Esporte. Duas empresas desenvolvem o projeto, uma faz as obras de base e outra se encarregara da instalaçnao do piso.

násio de esportes ainda precisa de reformas. “Nós queremos participar desse momento importante do nosso país, e do nosso estado, que está aqui perto do Rio de Janeiro. Todos querem receber delegações, o que significa mais turismo, mais arrecadações, mais estímulo para o desenvolvimento do esporte onde essas delegações estiverem. Isso também é um legado, mas é um legado não material, é o espírito olímpico que permanece na cidade.” afirmmou o vice-diretor do CEFD, Luis Alexandre da Rocha.

“Olimpíadas: e o legado?” Mesmo com os planos otimistas para a utilização do espaço universitário para treinamento de atletas olímpicos, existe uma preocupação por parte do movimento estudantil da Ufes. Os alunos se questionam sobre os riscos de uma possível privatização dessas dependências, como a pista olímpica. Eles receiam que não haverá verba suficiente para a manutenção dos equipamentos, o que pode acarretar cobrança de taxas pelo uso.

“O nosso medo é que aconteça o mesmo já verificado em outras universidades: pegar uma verba como essa e depois não dar suporte para manutenção. Então o que acontece: em alguns lugares, por exemplo no Rio Grande do Sul, a gente tem o exemplo clássico que eles pegaram o dinheiro fizeram um parque aquático, um centro olímpico maravilhoso, piscina de 50m, piscina de 25m, aquecidas, só que depois é preciso que os próprios estudantes paguem mensalidade para utilizá-las”, explicou Gustavo de Oliveira, estudante do 7º Período de Educação Física. Em resposta, Zenólia Figueiredo, falou que a manutenção mais substancial será por conta da Ufes. “Ainda estamos conversando e submeteremos ao Conselho Departamental do CEFD as normas de utilização da pista.” disse. maio 2015 - Revista Primeira Mão I

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Culinária da vida real Júlia Salume e Laura Mansur

Se você se encaixa no perfil do universitário que não tem tempo para ficar cozinhando e nem dinheiro para gastar com comida, esta seção é para você! Esta edição da revista Primeira Mão traz uma receita de bolo sem mistério para você fazer usando uma caneca, poucos

ingredientes e micro-ondas. Ser um universitário é um desafio que precisa ser vencido diariamente. Esse é o primeiro grande passo rumo à independência na trajetória de um jovem, que traz várias mudanças de estilo de vida. De uma hora pra outra, você precisou apren-

der a administrar “toooodo” o dinheiro de estagiário e o seu tempo, dividindo-se entre ir à aula, estudar em casa, fazer curso de línguas, atividade física, limpar a casa, fazer supermercado… E cozinhar!

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PASSO A PASSO

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Fotos: Carolina de Melo

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Você vai precisar de: 2 colheres (sopa) de achocolatado em pó, 3 colheres (sopa) de açúcar, 4 colheres (sopa) de farinha de trigo, 1 ovo, 4 colheres (sopa) de leite, 2 colheres (sopa) de óleo

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Coloque todos os ingredientes dentro de uma caneca de aproximadamente 300 ml ou mais e mexa até a massa ficar homogênea. Lembre-se de não encher mais do que a metade da caneca!

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Leve ao micro-ondas por 3 minutos.

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Verifique se o bolo já está assado. Se achar que ainda está cru, leve ao micro-ondas por mais 20 segundos. Não se preocupe se ele estiver um pouco murcho, é normal que isso aconteça.

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Fica legal desenformar e jogar uma cobertura. Nós colocamos brigadeiro, mas pode ser leite condensado puro, limão com açúcar, granulado... O que você quiser! E está pronto para comer!

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Fotografia: Vitor ferreira

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