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Primeira Mão

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PRI oAMEI R1 A Outubro 2011

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revista

laboratório Comunicação-UFES Outubro 2011

. . . s ó v a s Os seu Geeks, a nova geração de nerds 22 Desperdício, um banquete no lixo

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Faz em ! 13


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Outubro 2011

PRI Índice MEI oA˜

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Desvendado o mistério das passagens aéreas baratas 4 Independente mesmo! 7 Memes: Tem que ver isso ae! 8 Erecom Vitória 2011 vem aí! 10 Os seus avós...Fazem 13 Entrevista: Rodrigo Oliveira 16 Um banquete jogado no lixo 18 Mania, cada um tem a sua 20 Geeks, a nova geraçao de nerds 22 Eu quero, eu quero, eu quero 24 Disco, Livro, Filme 26 Ensaio fotográfico . Campus 27/28

Expediente s

Primeira Mao é uma revista laboratório, produzida pelos alunos do 6º período do curso de Comunicaçao Social /Jornalismo, da Universidade Federal do Espírito Santo. Av. Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras | Vitória - ES CEP 29075-910 jornal1mao@gmail.com Ano XXI, número 125 . Semestre 2011/2 Profa. Orientadora: Ruth Reis Reportagem, Ediçao, diagramaçao, imagens: Barbara Tavares, Brunella Brunello, Cíntia Casati, Diovana Renoldi, Felipe de Aquino, Gabriela Mignoni, Honório Filho, Igor Van Der Put, Jheniffer Sodré, Laila Martins, Larissa Fafá, Leandro Nossa, Luana Esteves, Mariana Spelta, Murilo Gomes, Natália Devens, Paula Tessarolo, Priscilla Calmon, Ricardo Aiolfi Foto da capa - Yuri Barichivich Revisao - Irislane Figueiredo Impressao: Gráfica Universitária . Ufes s

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Preço das passagens aéreas PRI oAMEI R 4A Outubro 2011

Mistério desvendado

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Gabriela Mignoni Está a fim de viajar pagando pouco? Espere a próxima promoção das companhias aéreas. As ofertas são cada vez mais frequentes e as passagens são vendidas a preços bem acessíveis. Há cerca de dois meses, por exemplo, a estudante Camilla Mello comprou seus tickets de ida e volta entre Recife e Vitória por R$149,00. “É sempre assim. Como tenho amigos em Vitória e a passagem daqui é muito cara, vivo atrás de promoções. Recebo notificações por email e fico de olho nas oportunidades das redes sociais”, conta. Muita gente sabe dessas promoções e, provavelmente, já comprou uma passagem baratinha para

matar as saudades de alguém que mora longe ou para conhecer novos lugares. Mas o que poucas pessoas se perguntam é: como isso é possível? De que forma as companhias aéreas vendem passagens a aproximadamente R$40,00 e ainda assim conseguem ganhar tanto? (ver gráfico). Mistério? Que nada. De acordo com o economista Richard Moreira, as empresas aéreas, em geral, trabalham com um controle estatístico de utilização dos voos, estabelecendo critérios quanto a rotas, dias e horários. “Dessa forma, conseguem apurar a demanda média de cada voo e, consequentemente, viabilizar ofertas para os dias e horários que apresentam uma

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Setor aéreo mundial Crescimento de Jan a Jun 2011

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Fotografia: Gabriela Mignoni

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China

Leonardo Marques, fundador do site Melhores Destinos, explica que, para um avião decolar e não dar prejuízo, é necessário ter aproximadamente 60% de ocupação. Com base nisso, as companhias aéreas oferecem preços mais baixos para alcançarem essa cota mínima e vão, progressivamente, aumentado o valor das passagens. Isso possibilita a venda de bilhetes aéreos baratos até fora das promoções. “Em um voo com 160 passageiros, a empresa pode fazer algo como: 30 passagens por R$59,00; 30 por R$79,00; 30 por R$99,00; 30 R$159,00; 30 por R$259,00; e 10 passagens por R$459,00”, ilustra Leonardo (ver infográfico). Assim, os valores dos tickets mais caros acabam compensando os mais baratos. O preço baixo, porém, tem um limite. O valor da passagem não pode ser inferior ao custo de um passageiro em determinado voo. Para uma empresa como a TAM, por exemplo, é melhor ir com a poltrona vazia de Recife a São Paulo do que vendê-la a R$30,00, pois o custo desse passageiro é maior do que isso.

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menor demanda”, afirma Richard. A lógica é preencher poltronas vazias.

Brasil

Para os viajantes, nada melhor do que economizar no primeiro e mais importante passo de uma viagem. “Quem quer, gasta muito pouco com passagem. É só se programar e ficar atento às novidades”, afirma Camila, que vem a Vitória cerca de três vezes por ano.


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Gabriela Mignoni

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E isso dá dinheiro? Tudo o que foi dito até agora tenta explicar o baixo valor das passagens oferecidas por algumas companhias aéreas, mas e quanto à possibilidade de lucro, como explicar? Richard Moreira lembra que, hoje em dia, qualquer atividade comercial tem suas estratégias direcionadas à redução de custos, e o lucro é um resultado dessa ação. No caso da aviação civil, o advento das compras de tickets via internet já reduziu bastante os gastos com pessoal e com impressão de bilhetes convencionais, que estão entre os principais custos do setor. Outro corte de despesas veio com a simplificação dos lanches oferecidos nos voos. Outro fator que influencia diretamente o lucro das empresas do setor aéreo comercial brasileiro é o baixo nível de concorrência. Enquanto a maior companhia aérea do Brasil possui aproximadamente 156 aeronaves, nos Estados Unidos, as principais têm mais de 1,2 mil aviões. O economista reforça: “o nível de concorrência é mínimo por aqui, o que deixa as companhias brasileiras ainda em uma posição confortável.”

Passagens baratas, já! Dicas para conseguir bons preços na hora de comprar seus tickets: 1- Antecipe-se. Comprar passagens com antecedência é a melhor forma de economizar. Em um mesmo voo, pessoas pagam preços muito diferentes dependendo da data em que efetuaram sua compra. 2- Pesquise muito! Teste várias datas e empresas aéreas diferentes, sempre colocando ida e volta e um mínimo de 2 dias de permanência. Lembre-se: dias de semana costumam ter voos mais em conta. 3- Acompanhe as redes sociais, como twitter e facebook, e blogs especializados no assunto, como o Melhores Destinos (melhoresdestinos. com.br). Esses canais oferecem muitas dicas e promoções exclusivas. Fonte: Melhores Destinos


Elas podem mais Outubro 2011

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A baixa concorrência pode até ser benéfica para as empresas, mas a história não é a mesma quando falamos dos viajantes. Isso porque, competindo com poucas, as companhias aéreas podem cobrar valores mais altos.

Esse é um dos motivos para não termos passagens ainda mais baratas no Brasil. Nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo, as empresas “low cost” (em português, baixo custo) chegam a cobrar apenas US$ 10 por tickets domésticos. Elas trabalham com a redução de custos ao extremo, padronizando suas frotas – o que reduz gastos com manutenção e treinamento de pilotos; utilizando as aeronaves o maior número de horas possível; cobrando multas altíssimas em caso de mudança de datas e rotas; reduzindo os serviços de bordo; configurando as aeronaves em uma única classe etc. Por aqui, além de concorrer pouco, as empresas aéreas têm um custo operacional alto devido, entre outros motivos, à carga tributária e a algumas restrições legais. “A Webjet, por exemplo, oferece o mesmo produto/serviço lá de fora, mas a legislação brasileira ainda impede algumas coisas”, explica o expert Leonardo Marques. Se a lei permitisse cobrar para despachar bagagens e por alguns serviços obrigatórios, certamente a empresa estaria oferecendo passagens por valores próximos a R$20,00 em muitos trechos. No caso da GOL, que tem um modelo um pouco diferente (ela é uma low coast low fare – corta alguns custos sem chegar ao extremo) Leonardo sugere: “Ela já poderia, por exemplo, vender lanches em todos os voos”, prática muito comum em companhias estrangeiras. E aí, encara voos assim ou prefere pagar um pouco mais pelo conforto e para ganhar, pelo menos, um biscoitinho e uma água mineral?

Saiba como funciona o esquema de preços das passagens em um mesmo voo A venda é progressiva. Até atingir a cota de aproximadamente 60% de ocupação em um voo, as empresas vendem passagens mais baratas e, depois, vão aumentando o valor. Por isso, antecipe-se!

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R$ 99,00

R$ 79,00

R$ 159,00

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INDEPENDENTE MESMO! Por Larissa Fafá

O ideal de produção livre vem mudando o jeito de fazer música Todo mundo sabe que a internet mudou as formas de relacionamento com o mundo em que vivemos. Com a música não poderia ser diferente. Artistas e bandas encontraram, na web, um espaço novo para compartilhar seus projetos, criando um universo paralelo em relação aos espaços já saturados das gravadoras e produtoras musicais. É nesse mundo que o Festival de Música Livre entra. O evento realizado pelo Circuito Fora do Eixo é composto por artistas, DJs e bandas locais e nacionais que acreditam no compartilhamento livre de músicas através da internet como uma nova maneira de produzir. Aqui, no Espírito Santo, o Festival já vai para a sua segunda edição no final do mês de outubro. Além das apresentações musicais, também acontece paralelamente o Seminário de Música Livre, que pretende trazer pensadores e participantes da cena cultural para debater as questões que envolvem o modo de produção artística e musical, hoje, no Brasil. As mesas redondas são projetadas para criar esse espaço democrático de debate, transmitindo a visão de articuladores culturais de diversas regiões do país e promovendo ampla participação da platéia. O resultado do Seminário é uma corrente intensa de questionamentos e diferentes abordagens sobre as dificuldades e possibilidades de divulgação das produções musicais de artistas independentes.

A partcipante do Circuito Fora do Eixo no Estado, Carolina Ruas, o principal diferencial de um festival independente de música é justamente que ele não requer, necessariamente, verba para acontecer: “O festival independente vai acontecer com patrocínio ou não, nem que tenha que ser feito no quintal da casa de algum conhecido. É essa vontade de trocar experiências que motiva as pessoas e faz a maior diferença”. Carolina ainda completa que eventos como o Festival de Música Livre tanto ajudam as bandas em início de carreira a divulgar o seu trabalho, quanto leva ao público uma música que foge ao circuito comercial. Como estamos falando de música livre e de facilitar o acesso à cultura para o cidadão comum, tanto o Seminário quanto o Festival têm a programação inteiramente gratuita e qualquer um que tiver interesse pode participar. A proposta de cobertura do Festival também se encaixa nas diretrizes do Fora do Eixo e é feita colaborativamente por coletivos que atuam no cenário cultural capixaba. Todo o conteúdo produzido é disponibilizado gratuitamente na internet, contribuindo para o acesso livre e um maior alcance das bandas e a dos artistas independentes.

Saiba mais sobre o Fora do Eixo! O Circuito FdE é uma rede de iniciativas culturais mantidas em 25 estados do país e sua principal característica é a produção colaborativa. É formado por pessoas e coletivos que se dedicam a articular em suas regiões atividades ligadas à área cultural de maneira sustentável, ocupando principalmente os espaços virtuais para a livre circulação da produção de música, de audiovisual e de outros segmentos artísticos. http://foradoeixo.org.br/


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MEMES Leandro Nossa e Igor Van Der Put

Tem que ver isso ae!

Com um sucesso absurdo na grande rede, os usuários convivem diariamente com imagens, tirinhas e vídeos que se espalham e vêm para ficar: os memes. Os internautas que passam boa parte do dia inseridos na rede, com certeza já ouviram falar nessa palavra: meme. Eles estão por toda parte, sendo propagados à exaustão na internet. Mas você sabe qual a definição exata de um meme? E o que faz determinado objeto, imagem, vídeo, ou até frase ser classificada como tal? Muitos usuários apenas replicam e se divertem com eles, mas não sabem de onde vêm. Diversos teóricos da grande rede já desenvolveram teses e estudos que definem os memes. Mas o pri-

meiro conceito não foi aplicado à internet. Em 1987, o zoólogo Richard Dawkins classificou como meme “uma unidade de evolução cultural que se propaga de indivíduo para indivíduo”. A jornalista e pesquisadora das redes sociais Raquel Recuero afirma publicamente que “os memes são pedacinhos de informações, ideias, que são passadas adiante” e “são propagadas com base na percepção de valor que eles contêm”, diz.

Memes no humor

Imagens e situações do cotidiano

acabam virando meme pelo valor que conseguem transmitir. E aqueles que mais têm feito sucesso na grande rede e acabam dominando a definição do termo são as faces e personagens de tirinhas animadas, inspiradas em diversas situações corriqueiras. Originado na última década nos Estados Unidos, o “Rage Guy”, conhecido popularmente no Brasil como “FU”, foi o personagem precursor das tirinhas, junto com outra personagem de sucesso, a “Troll Face” (ver box ao lado). E tudo começou no “4chan”, um


Como surgiram?

Muitos memes são criados a partir de imagens famosas, fotos, quadros. Alguns dos memes mais famosos vieram de celebridades como o Presidente dos Estados Unidos Barack Obama, o Ator Jackie Chan e o Jogador de basquete Profissional Yao Ming.

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dos maiores fóruns livres da rede mundial. Com uma média superiora a 10 milhões de visitantes por mês, a partir dos “4chan”, imagens são criadas e propagadas pelos usuários, na velocidade da luz, para todo o mundo, e popularizadas nas redes sociais e blogs.

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No Brasil, muitos blogueiros investem no humor dos personagens meméticos como fórmula de sucesso. O gaúcho Felipe Loreto, de 24 anos, é dono do blog “Ah Negão”, que tem uma média de 195 mil acessos por dia, segundo ele, e que tem como temática principal as tirinhas animadas com memes. “Sempre posto aquilo que os leitores querem ver, e sempre acompanho as tendências da internet, mantendo o nível de humor que os leitores gostam”, disse. Para Felipe, a ideia de transformar uma imagem ou um fato em um meme já virou prática comum dos blogueiros. “Um meme nasce quando uma imagem, um desenho ou uma frase engraçada são utilizados em diversos contextos. As pessoas espalham a ideia e aquilo vira meme quase que automaticamente”, explica. O sucesso dos blogs e sites que proliferam os memes também se deve ao fato de boa parte retratar situações do cotidiano, em que todos se identificam. “Tem muitas tirinhas, muitas histórias que já aconteceram comigo. É muito bom. Nos bares, eu e meus amigos conversamos sobre os memes mais engraçados que vimos”, diz o estudante Rafael Monteiro, que é fissurado pelos memes.

Onde encontrar?

Blog Ah Negão – ahnegao.com.br – Especializado em tirinhas e divulgação de imagens animadas, como gifs e vídeos. Redes Sociais: Em especial as comunidades do Orkut (sim, o Orkut tem sua serventia) costumam ser berços do surgimento de muitos memes. 4chan: Fórum livre e de postagem anônima, onde os principais memes foram e são criados. 4chan.org Outros blogs: naoligo.com.br; naointendo.com.br; leninja.com.br

Imagens, tirinhas, vídeos e até frases

Não apenas um objeto de visualização pode ser considerado um meme, mas diversas expressões da fala. Frases e gírias utilizadas no dia a dia, muitas vezes, são originadas da internet e propagadas, transformando-se num meme. No Brasil, é o caso das frases “Tem que ver isso ae”, “Aham (sic) Cláudia, senta lá” e “Fica, vai ter bolo”. Felipe Loreto diz que é o criador de um popular meme da internet e que utiliza uma frase que já é meme, o “Sua linda”. “Criei o Ash Pedreiro, que acabou se espalhando pelo mundo todo. Na internet gringa, é chamado de «Dat Ash», e só quem é meu leitor sabe que foi eu que criei”, destaca, orgulhoso, o blogueiro. O Ash Pedreiro costuma usar a frase “Sua Linda” para dar “cantadas” nas mulheres.

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Outubro 2011

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' vem ai!

Ricardo Aiolfi

De 11 a 15 de novembro, Vitória vai sediar o Encontro Regional dos Estudantes de Comunicação Social, o primeiro na história da Enecos que reunirá todos os estados do Sudeste Depois de mais de seis anos sem sediar um encontro da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecos), Vitória volta à cena regional com o Erecom Vitória, em novembro de 2011. Engana-se quem pensa que o Erecom Vitória tem o mesmo perfil do Conecades, famosa micaret... digo, congresso, que reúne estudantes todos os anos em Guarapari. O Encontro Regional dos Estudantes de Comunicação Social (Erecom) é um encontro político, social e lúdico para aproximar e rearticular mais estudantes em torno da Enecos, que organiza o Erecom juntamente com os Coletivos, os Centros e os Diretórios Acadêmicos. Neste encontro, são realizados vários debates sobre temas atuais e ligados à qualidade de formação do comunicador social; à democratização da comunicação; ao combate as opressões; à defesa da cultura popular, ao incentivo à organização estudantil e à liberdade de expressão e de manifestação artística; cultural e política.

“Este ano, o tema é ‘Pé após pé, se faz uma mobilização’, frase do escritor Adilson Vilaça, que, para a gente, representa a importância da organização estudantil para mudar a realidade de nossa comunicação e, consequentemente, de nossa sociedade. O tema é, também, uma forma de estimular e fazer com que o estudante levante a sua voz e, junto com os companheiros, faça a sua parte nessa mudança”, informa a diretora de Cultura do Cacos e coordenadora regional da Enecos, Camila Cuquetto. Ela explica também que a Enecos entende seus encontros como espaços táticos para a construção de seus processos de luta e mobilização. “O Erecom vai desencadear, para o Sudeste, uma reorganização, tanto na atuação orgânica e cotidiana na Executiva quanto nas suas lutas”. Uma das preocupações do Encontro é desmistificar a imagem (distorcida até mesmo para os capixabas) que se tem do Espírito Santo, um Estado ainda é pouco conhecido. O Erecom está

sendo construído com base na cultura capixaba e no modo como o próprio capixaba constrói sua cultura e suas lutas sociais. A Comissão Organizadora está trabalhando para passar um jeito diferente de se debater o tema e levá-lo não só para os participantes como para a sociedade capixaba e para os demais estados. Camila entende que o Erecom Vitória se torna um espaço importante pela compreensão de valores como coletividade e companheirismo. “No encontro, o estudante entrará em contato com gente de todo o Sudeste, que apesar de estar em realidades diferentes, enfrenta os mesmos problemas. Ao se entender como parte de um todo e a importância de estarmos juntos e organizados para mudar essa situação, o estudante começa a enxergar as contradições que não nos ensinam na Universidade. É a partir daí que se pensa uma nova comunicação, feita por um profissional mais crítico e consciente de seu papel social”, explica.

Visite: enecos.org/erecomvitoria2011


Vitória como sede dos encontros da Enecos

A coordenadora nacional da Enecos, Ana Carolina Andrade, diz que o diferencial do Erecom Vitória 2011 é a construção coletiva com os diferentes Estados que participarão do Encontro, o que deve garantir maior representatividade e expressão dos temas, espaços e programação. Para ela, este encontro vai ser um espaço muito importante para a Enecos, já que coloca a necessidade de uma convergência entre o debate nacional e as demandas regionais. “A ideia do Erecom Vitória surgiu no nosso Congresso, em janeiro. Foi articulada com o conjunto dos estados do Sudeste, CAs e DAs dos cursos do sudeste e a coordenação nacional. Seu projeto e diretrizes foram construídos em um Seminário, no Rio, em abril. Precisamos aliar nossas especificidades regionais às políticas nacionais”, defende Ana Carolina. Já para a diretora de Cultura do Cacos e coordenadora regional da Enecos, Camila Cuquetto, a construção coletiva interestadual enriquece a experiência e permite alcançar um maior número de estudantes. “Penso que quando construímos um projeto político de um encontro em conjunto, conseguimos atrair muito mais estudantes, porque os temas abordados no Encontro chegam mais perto dos problemas e da realidade vivida pelos estudantes em cada um dos estados. Aproximamos nossa pauta e percebemos o quanto elas se cruzam em diversos pontos”, argumenta. Camila Cuquetto destaca ainda que este será o primeiro Encontro Regional que reunirá todos os estados do Sudeste. “Na Enecos, o Sudeste é dividido em três regionais devido ao número de escolas de Comunicação. Desta maneira, São Paulo forma a Sudeste 1; Rio de Janeiro, Sudeste 2; e Espírito Santo e Minas Gerais, Sudeste 3”.

Esta não é a primeira vez que Vitória será palco dos encontros políticos da Enecos. Em 1980, o Cacos-Ufes já fazia parte da Executiva Nacional do Enecom, porém o primeiro encontro que sediamos foi em 1988. Acompanhe as datas: • Enecom Vitória - 1988 • Corecom Sudeste 3 - 1996 • Cobrecos Vitória - 1997 • Corecom Sudeste 3 - 1999 • Seminário Identidade em Construção e Conecom - 2000 • Erecom Vitória 2004 • Cobrecos Vitória 2005 Desses encontros, é preciso destacar dois como essenciais nos rumos da Executiva. Primeiro, o Enecom de 1988, que evidenciou uma crise do movimento estudantil de comunicação, conforme registra o documento “Enecos! Mas Que Diabo?”, de 1994: “A polêmica central era o estágio em jornalismo. As plenárias finais dos Enecoms sempre deliberavam contra o estágio, mas nunca com maioria absoluta. Em 1988, a questão provocou uma divisão no movimento. Nada foi decidido (os favoráveis ao estágio abandonaram a plenária final) e a constatação da crise foi imediata”. Sem uma Executiva eleita na Plenária, criou-se uma Executiva Provisória para reorganizar o movimento. Apenas no final de 1994, o Cacos retorna à Enecos. O segundo momento é o Seminário Identidade em Construção, que trouxe à tona a discussão da concepção, da estrutura e da organização do movimento estudantil de comunicação, fundamental para a ampliação e o fortalecimento da Executiva no país.

Para entender melhor a Enecos, fique ligado nas siglas: Enecos = Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social, entidade legítima representante dos estudantes; Cobrecos = Congresso Brasileiro dos Estudantes de Comunicação Social, de caráter deliberativo, é o espaço em que os posicionamentos e as ações da Executiva são propostos e votados;

Conecom / Corecom = Conselho Nacional / Regional de Entidades de Comunicação Social. são voltado para CAs e DAs e têm caráter deliberativo; Enecom / Erecom = Encontro Nacional / Regional dos Estudantes de Comunicação Social; Mecom = Abreviatura de Movimento Estudantil de Comunicação.

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Construção Regional e Nacional do Encontro

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20 anos de luta

Apesar dos encontros nacionais (Enecoms) acontecerem desde 1977, a criação da Enecos só se deu em 1991. A coordenadora nacional da Enecos, Ana Carolina Andrade, avalia que a Executiva tem se consolidado a cada ano como uma entidade essencial para a formação dos estudantes de Comunicação Social. “Podemos afirmar, hoje, que a Enecos contribui para a construção de uma mídia contra-hegemônica, e que forma comunicadores mais conscientes, atuando,

muitas vezes, como contra-escola, trazendo debates que não estão na universidade, a qual está cada vez mais voltada para o mercado. Aqueles que participam dos seus encontros e congressos têm a compreensão de que essa não é a comunicação que queremos. Devemos lutar pela sua democratização e construir alternativas” Ana Carolina Andrade também destaca a importância de não se fazer uma política de encontros em que es-

tes sejam a finalidade, mas, sim, que sejam espaços de articulação e fortalecimento dos trabalhos da Enecos. Para ela, é preciso que os estudantes construam a Executiva no dia a dia levando seus posicionamentos aos espaços em que atuam, seja nos veículos laboratoriais, na sala de aula ou no estágio e, para isso, é preciso que o estudante participe dos debates propostos pela Enecos e se reivindique como tal. Afinal, SOMOS ENECOS!

Um dos eixos principais do encontro é a valorização da cultura capixaba, especificado já no projeto político do Erecom Vitória 2011. Uma das integrantes da Comissão de Cultura do Erecom Vitória, Thais Stein, acredita que é preciso desmistificar essa cultura de congo e moqueca pela qual somos conhecidos, quando somos conhecidos. “Vamos mostrar que o Espírito Santo é bem mais do que isso, que tem influência de muitas partes do mundo, que tem um pouco de cada canto do país e do mundo. Temos cultura alemã, pomerana, italiana, holandesa, indígena, africana, entre outras ”, afirma Thaís.

Os traços tribais que compõem a logomarca do encontro não são por acaso. Com sua beleza e forma triangular, os traços correspondem à pintura de identidade dos índios de Aracruz. A idealizadora da arte, a artista plástica e caloura do curso de Audiovisual, Carolina Lyra, explica que os índios, na verdade, deveriam ser chamados de nativos porque são o verdadeiro povo do Brasil. “Eu tentei pensar em coisas que tivessem referência com o Espírito Santo. O encontro é regional e eu acho que o ES é o Estado menos conhecido pelos outros no Sudeste. É importante mostrar que o ES tem cultura, tem história. Nas aldeias que conseguiram permanecer vivas, em suas festas culturais, eles ainda pintam o corpo com esses traços. Essa seria a pintura que eles usariam antigamente em período de guerra, de luta. Cada aldeia tem uma pintura corporal diferente. É uma identificação para diferenciar os grupos”, explica. Carolina Lyra acrescenta ainda que o artesanato indígena é feito com

base nessas fórmulas triangulares e, apesar das cores originais da pintura serem vermelho e preto, tintas vindas do urucum e de uma mistura de plantas nativas, na arte do encontro foram utilizadas as cores rosa e verde, provenientes do artesanato vendido para o sustento das aldeias. Ela acredita que levantar a temática do encontro com uma arte indígena será benéfico a esse povo que enfrenta várias dificuldades, inclusive devido à contra-propaganda que é feita a eles, questionando a identidade de nativos deles. “Em Aracruz, quantas vezes nós não vimos outdoors falando que os índios atrapalham o desenvolvimento da cidade ou que eles não são índios porque não usam mais tanga, como se não pudessem evoluir? Eles não são bichos. Se uma casa oferece mais segurança que uma oca, é óbvio que a oca será mantida apenas para os rituais religiosos. Faz parte das culturas a modificação e incorporação de elementos, coisa que aconteceu, inclusive, com os brancos”, argumenta Carolina.


PRI oAMEI R 13A Outubro 2011

Os seus avós... Fazem!

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Brunella Brunello Priscilla Calmon

A maturidade, hoje, corresponde a uma fase em que a vida pode ser gozada em sua plenitude, sem os estresses da juventude.

Houve um tempo em que a vida acabava após cruzar uma certa linha de idade e dela em diante restava esperar o fim. As mulheres temiam chegar à casa dos 40. Os homens achavam que a virilidade se esgotava aos 60. Balela. Para muitos, a vida começa aos 60. Não existem mais as ideias de “velhice” e “terceira idade” atrelados apenas ao número de dezenas de anos que se viveu. Hoje, ser jovem é uma questão de estado de espírito. Não é difícil encontrar por aí um jovem octogenário de vida ativa e agitada. Vida sexual, inclusive. A saúde, a longevidade e a estabilidade fizeram a faixa etária acima dos 60 se impor diante da mídia e do mercado. A criação do termo “melhor idade” é uma prova da importância dessas pessoas diante da economia e da cultura. Então, se eu fosse você, não entraria sem bater no quarto da vovó. Porque, ao contrário do que você pensa, ela não é nem boba, nem assexuada. E pode te dar lições mais que valiosas sobre como aproveitar a vida ao máximo. Apesar da resistência social em considerar

que o idoso tem, sim, relação sexual, nunca se falou tanto sobre o assunto. Hoje, no Brasil, há uma vasta discussão sobre a distribuição do remédio Sildenafila, conhecido popularmente como Viagra, em postos de saúde. Aqui, no Espírito Santo, por exemplo, só no mês de agosto deste ano, o município de Serra investiu R$ 58 mil na aquisição 36,3 mil comprimidos do Viagra, que serão distribuídos gratuitamente. O empresário Solimar Martins, 63, não concorda com o uso do Viagra: “Não acho certo forçar uma coisa que seu corpo não tem mais. Acho que se o homem não tem ereção, não tem desejo”. Solimar não acredita que um dia vai parar de fazer sexo e dá a dica: “Sempre pense que está jovem. Atividade sexual é como atividade física. Se você nunca parar, sempre vai ter pique”. “O tempo que vivemos hoje idolatra a juventude e apresenta sérios problemas em relação ao prazer considerado, muitas vezes, como sinônimo de pecado”, afirma a psicológa Mária Amélia Lobato Portugal.


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Ela explica a reação social à temática: “para a sociedade é difícil imaginar a sexualidade feminina na melhor idade. Como imaginar a vovozinha com tesão? Ela tem desejo? Alguma vez teve esse direito? Após a menopausa não há mais chance de procriação e isso exarceba o fato que o sexo será somente pelo prazer” Casados há 56 anos, Helena Maria da Penha Bikler, 80, e Waldimir Mingó Silveira, 84, não escondem que entre quatro paredes o sexo é fundamental. “Sexo é vida e enquanto você o tem, você vive”, afirma Waldimir. E com tantos anos de casamento, a dupla afirma que a relação sexual e a paixão ainda continuam as mesmas: “somos muito felizes e vivemos em harmonia. Nossa relação é mantida na base do respeito e da sinceridade. O sexo, antes de tudo, precisa ser feito com respeito”. Mudança de foco - O grupo já ganhou vários nomes. “velhos”, “idosos”, “terceira idade” e, o mais recente, “melhor idade”. Para a professora de Marketing Janaína Leite, essa mudança nas designações reflete o aumento da importância econômica e mercadológica dessa faixa etária, já que, hoje, a terceira idade tem um papel ativo na sociedade de consumo. “Vive-se por mais tempo e com mais qualidade”. E exemplifica: “O mercado se adaptou a essas pessoas e criou produtos e serviços para atendê-las. Desde letras maiores nos sites até pacotes turísticos e empreendimentos imobiliários, há uma grande quantidade de atrativos e produtos para esse público-alvo”.

Solimar Martins, 63. Curtindo a vida.

“Ainda há preconceito” No momento em que os blogs sobre moda atraem grande interesse do público, surge um street style apenas com idosas. Poderosas, estilosas e bem vividas, elas são encontradas pelo fotógrafo Ari Seth Cohen, que escuta suas histórias e as reproduz na página www.advancedstiyle.blogspot. com. Ele começou sua busca em Nova Iorque e, hoje, encontra suas modelos também em semanas de moda mundo a fora.

Capa do livro com as melhores fotos do blog

Para Janaína Leite, o editorial de Tom Ford (leia ao lado) e o blog Advanced Style ainda são considerados transgressivos. “Isso mostra que o movimento de reconhecimento dos idosos ainda está em curso. Ainda há preconceito. Talvez isso venha a mudar em um tempo próximo, já que a tendência é que se viva mais e melhor, e, portanto, que sejamos consumidores durante mais tempo”, espera.


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Helena e Waldimir, 56 anos juntos e a mesma paixão de sempe.

Forever Love, ensaio de Tom Ford, dezembro 2010.

A indústria cultural, que não perde tempo, logo absorveu a temática Em dezembro do 2010, o estilista Tom Ford atuou como editor da Vogue Paris. Dentro de uma das mais importantes publicações de moda do mundo, o estilista produziu e fotografou um editorial com um casal de modelos de 70 anos de idade, protagonizando uma cena picante de intimidade.

Lyn Dell, 79 anos, fotografada pelo Advanced Style. Semana de Moda de Nova Iorque, Setembro 2011

Ford defende sua obra e protesta contra o culto à juventude nas revistas de moda, dizendo que está cansado da rejeição cultural à velhice, às rugas e aos cabelos brancos. Ele disse que imaginou “um homem e uma mulher que estão juntos há muito tempo, fiéis um ao outro, e sempre incandescentes de desejo”.

Erasmo Carlos, sua fama de mau e a capa de seu útimo disco No último mês de julho, Erasmo Carlos completou 70 anos. Logo depois, o Tremendão lançou um CD: “Sexo”, tema das 12 faixas deste que é seu 26º disco. Ele também lançou o clipe da primeira faixa, Kamasutra, dirigido por Cacá Diegues. Erasmo diz publicamente que o sexo é parte importante de sua vida e que o tema deve ser discutido abertamente, sem tabu. Ele também revela que a maior dificuldade que teve foi com a língua portuguesa. A maioria das palavras que define bem o sexo são palavrões, e usá-las poderia trazer um tom jocoso e desrespeitoso à música.


entrevista

Outubro 2011

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Por Lucas Schuina

As horas vulgares

Foto divulgação

Apresentado no início de outubro numa sessão para convidados e na abertura da VI Mostra Produção Independente – 10 anos da ABD Capixaba, o filme As Horas Vulgares, roteirizado e dirigido pelos cineastas Rodrigo Oliveira e Vitor Graize, é um dos mais aguardados lançamentos regionais. Inspirado no livro O Reino dos Medas, do escritor capixaba Reinaldo Santos Neves, o longa-metragem, apresenta os encontros e re encontros de um grupos de amigos de Vitória, em diferentes períodos. Nesta entrevista, o cineasta Rodrigo de Oliveira, fala sobre a concepção de As Horas Vulgares, os aspectos relacionados à produção do filme e a expectativa de exibição e comercialização da obra. Rodrigo e Vitor Graize foram alunos do Comunicação da Ufes. Horas vulgares é o primeiro longa-metragem que dirigem.

Rodrigo Oliv

...?

Quem me apresentou o livro (O Reino dos Medas) foi o Vitor Graize. Ele já era um grande conhecedor da obra do Reinaldo (Santos Neves, escritor capixaba), e esse é o primeiro livro do Reinaldo, de 1971. É uma linguagem muito difícil de traduzir para o cinema. As dificuldades que a gente encontrou foram, basicamente, de conseguir manter um espírito que nos interessava ali, essa coisa de uma geração perdida, imediatamente posterior ao AI 5, que resultou em pessoas exiladas e desaparecidas. A gente sente uma relação disso com o que vivemos em Vitória no começo dos anos 2000, quando entramos na Ufes. Apesar do painel político ser diferente – os desaparecimentos de hoje são de outra ordem – a gente achava que existia ali uma coisa que podia expressar o que vivemos hoje. O filme é mais uma inspiração do que propriamente uma adaptação do livro. O primeiro movimento, então, foi trazer o filme para o começo dos anos 2000, quando a gente chegou em Vitória. O primeiro tratamento do roteiro, que foi o inscrito no edital (da Secretaria Estadual de Cultura, que financiou a obra), estava bastante parecido com o livro; e o que filmamos, no fim das contas, ficou bem diferente, exatamente porque conseguimos colocar a nossa voz ali ecoando junto com a voz do Reinaldo.

...?

Vitor Graize (em pé) e Rodrigo Oliveira, (de camisa listrada) com parte da equipe do filme em intervalodas gravações

Eu acho que essa geração que viveu a ditadura e os anos 70 tem, em relação à nossa geração, uma desconfiança, di-


veira

gamos, de espírito, porque eles acham – eu sinto assim, na média – que, como a gente não teve esse grande impacto transformador das relações humanas e como a gente não tem referência do que é ter um amigo capturado pela polícia e nunca mais vê-lo, que nós, de alguma maneira, experimentamos a juventude de forma sempre retardatária. E a gente percebeu que não. Ainda que os desaparecimentos de hoje não sejam de ordem política, e, obviamente, não são tão importantes quanto eram os daquela época, o que a gente vive hoje, o jeito que o mundo está, a maneira como as coisas se organizam, com tudo muito mais volátil, com um senso de pertencimento a lugares e pessoas muito mais fluido, o que aconteceu com o nosso grupo de amigos é muito parecido com o grupo de amigos que aparece no filme. É algo que aponta para o sentido do desparecimento.

...?

Não tem exatamente um grande arco dramático. A gente não vê um personagem começar, se desenvolver, cumprir a sua trajetória e, enfim, terminar. É tudo muito ao mesmo tempo, e isso dá uma impressão maior de um estado de espírito, muito mais do que de uma narrativa.

...?

Com exceção do João Gabriel (Vasconcelos, que interpreta o protagonista do filme, Lauro), todos os outros atores foram por escolha direta. A gente começou a ensaiar seis meses antes de filmar, o que é um luxo, não só pra qualquer longa-metragem, mas sobretudo para um longa-metragem feito com tão pouco dinheiro. A gente ensaiava duas vezes por mês, no Rio e, depois, aqui, em Vitória. Era importante trazer os atores pra cá, pra eles entenderem como é a cidade. Ainda que a gente tenha descoberto muita coisa no contato com os atores, e algumas cenas só passaram a existir quando eles entraram, o filme tem pouquíssima coisa de impro-

Outubro 2011

O jazz é presença forte no filme (composições de Fabiano Araújo), que tem o ator João Gabriel Vasconcellos como um dos destaques viso, porque para a gente era importante ressaltar que personagens que falam daquele jeito, e que sentem as coisas daquele jeito e conseguem verbalizar suas emoções daquele maneira, são possíveis, eles existem. A gente fala assim. Ao mesmo tempo queríamos que eles falassem de maneira consciente e organizada sem soar literário nem nada. Os textos existiam desde o começo, e os atores foram se habituando até o momento em que eles pareciam naturais, e a idéia de todo mundo é que quando acontece o texto sai com se estivesse sendo pensado na hora.

...?

Eu acho que quando a gente pensa e decide nomear um filme como capixaba geralmente é porque ele não é muito bom. E aí ele precisa de alguma marca para sobreviver, para fazer algum sentido paras as pessoas. Os melhores filmes que foram feitos aqui nos últimos dez anos, que é o período que eu acompanhei mais, eu nunca penso neles como filmes capixabas. (As Horas Vulgares) É uma história daqui. Vai fazer eco e ser recebido em qualquer lugar, mas é uma história daqui. Mesmo que a gente não localize muito explici-

Fotos divulgação

s

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tamente, a cidade está ali (no filme).

...?

Vamos apresentar na Semana dos Realizadores, no Rio de Janeiro, (em outubro). Vai ser o primeiro festival do filme. E, provavelmente, a carreira dele vai ficar mais forte em festivais do ano que vem. Mas eu acho que esse filme tem potencial para as salas de exibição comercial. Já temos conversas com algumas distribuidoras que vão ver o filme no Rio agora. A gente não tem muita ilusão de que este é um filme para grandes públicos. A ideia é mesmo passar por esses festivais, lançar nos cinemas – e não esperamos que seja nada maior do que, sei lá, 10 ou 15 mil espectadores – e, depois, cineclubes. Nós temos uma dívida de honra com o Espírito Santo, porque é um edital estadual, e temos planos de fazer uma rodada pelo interior, assim que o filme terminar a carreira comercial. Hoje, há uma rede muito grande de pequenos festivais e mostras no interior do Estado, e a ideia é levar o filme a todos esses lugares no interior, até para medir o quão capixaba ele é, pra ver se o que gente sente aqui em Vitória faz sentido em Cachoeiro, Alegre, Colatina...


Um banquete jogado no lixo Outubro 2011

PRI oAMEI Não foi preciso mais do que rápida pesquisa R 18A pelosuma bares da Rua Lama

Luanna Esteves e Natália Devens

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em uma noite badalada de sexta-feira, em Vitória, para constatar que o desperdício de alimentos é um hábito da maioria das pessoas. Segundo dados do Serviço Social do Comércio (Sesc), R$12 bilhões em alimentos são jogados fora diariamente no Brasil, uma quantidade suficiente para garantir café da manhã, almoço e jantar para 39 milhões de pessoas. Levando em consideração o estudo de Segurança Alimentar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, pelo menos 11,2 milhões de brasileiros com domicílios fixos passavam fome ou estavam sob risco de não poder comer por falta de dinheiro em 2009. Se acrescentarmos os moradores de rua na estatística, o número é expressivamente maior, ou seja, o desperdício não deveria ser tolerado. Do cultivo até a comercialização, o alimento passa por várias etapas que culminam na perda de sua quantidade à disposição para o consumo. O que sobra nas mesas de bares e restaurante é apenas a ponta do iceberg. Segundo proprietários de seis estabelecimentos, dentre bares e pizzarias na Rua da Lama, são jogados no lixo uma média de 30 quilos de alimento por noite, provenientes das sobras que os clientes deixam nos pratos e de restos de alimentos que não são reaproveitados nas cozinhas. Se fizermos alguns cálculos, os números começam a gritar mais alto. Considerando que cada bar ou restaurante joga no lixo essa média de 30 quilos de alimento por noite, em um final de semana (sexta, sábado e domingo) os 408 estabelecimentos associados ao Sindicato dos Bares e Restaurantes do Espírito Santo, o Sindbares/ ES, desperdiçam mais de 36 toneladas de alimentos.

As perdas

De quem é a culpa? Muito alimento no lixo e muita gente precisando comer. Além das sobras nos pratos, há o desperdício em massa do que é produzido nos restaurantes, pois a comida que sobra nas cubas dos self-services e buffets, geralmente, está em perfeitas condições para consumo e, mesmo assim, vai para o lixo. Mesmo com essa realidade, para os estabelecimentos, a conduta correta é não fazer doação. Responsável pela administração alimentar de dois restaurantes, a nutricionista Patrícia Sthel Caiado explica que, usualmente, a doação não é feita porque se perde o controle da comida a partir do momento que ela sai do restaurante ou bar. “Se, por exemplo, o transporte desse alimento doado for impróprio e implicar em malefícios para a saúde de quem o recebeu, quem responde por isso é o estabelecimento”. Diante disso, a nutricionista recomenda que os estabelecimentos adotem medidas internas para se evitar o desperdício. “Fazer cálculos de previsão do uso na hora da compra do alimento bruto e conservá-lo de forma adequada costuma ser a melhor saída. Os estabelecimentos também não gostam de desperdiçar”, comenta Patrícia. O professor de Direito do Consumidor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Gilberto Fachetti, explica que não existe proibição, pela lei, para a doação, mas, sim, a obrigação de indenizar os danos causados. “A lei é clara: todo aquele que causar algum dano a alguém terá que repará-lo (art. 186 e ar t. 927 do Código Civil)”, declara o professor. Para garantir que a lei se cumpra, a Vigilância Sanitária municipal fiscaliza esporadicamente os estabelecimentos, mas não faz o controle e nem contabiliza quanto é desperdiçado. O Sindbares/ES informou, por assessoria, que não há nenhuma recomendação a ser cumprida em relação às sobras de alimentos, sendo, portanto, decisão de cada estabelecimento adotar suas políticas internas e não infringir a lei. Já que os restaurantes e bares ficam de mãos atadas, resta aos clientes se conscientizarem das atitudes com os hábitos alimentares. Quando questionados pelos repórteres se costumam deixar sobras no prato, 18 de 20 clientes afirmam que não desperdiçam nada. Mas a estudante Catiúscia Maia, 23, confessa: “a gente tenta colocar no prato o tamanho da fome que sente e acaba sempre sobrando mais do que esperava”.


o Outubro 2011

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As alternativas

Em tramitação

Em vez de mandar direto para o lixo, alguns estabelecimentos encontram outras formas de destino para a enorme quantidade de comida desperdiçada, quando não pode ir para o prato da gente. É o caso do Salade Verte, um restaurante modelo buffet, em que os clientes pagam um determinado preço e se servem à vontade, quantas vezes quiserem. A proprietária do estabelecimento, Angelita Chiabai, revela que a solução encontrada foi reaproveitar as sobras de comida. “Temos um galão com capacidade de armazenar cerca de 100 quilos. Nele, depositamos as sobras do buffet e todo o lixo orgânico. Bastam dois dias para enchê-lo”. Toda essa quantidade é doada a uma pessoa que produz lavagem para porcos. Angelita lembra que, muitas vezes, o cliente não se importa com as sobras por não estar pagando pelo peso de seu prato. “Às vezes, ele só experimenta determinado prato e, se não gosta, deixa de lado”, revela.

Há exatos 12 anos está em tramitação no Congresso Nacional o Projeto de Lei 4747/1998, do Senador Lúcio Alcântara, que incentiva a doação de alimentos para instituições cadastradas. Ao doador, o projeto prevê proteção quanto às responsabilidades legais, na hipótese de causar danos ao beneficiado caso a doação tenha sido feita de boa-fé. Esse projeto de lei foi aprovado pelo Senado Federal há 10 anos e encaminhado à Câmara dos Deputados. Ainda não foi votado.


Outubro 2011

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Você é do tipo que não passa por cima de bueiros? Ou que não sai de casa sem antes verificar cinco vezes se todas as luzes estão apagadas? Ou, ainda, do tipo que só consegue dormir com dois travesseiros? Que todo mundo tem uma mania, nós já sabemos, mas até que ponto essas manias são saudáveis? O transtorno obsessivo compulsivo (TOC) acabou virando moda e sinônimo para descrever aquela pessoa que faz algo sistematicamente e tem muitas manias. Mas, na verdade, o TOC é uma doença psiquiátrica, capaz de ocupar boa parte do tempo dos pacientes, de causar desconforto, de comprometer seu desempenho profissional e de prejudicar até seus relacionamentos. O TOC é um transtorno de ansiedade, que, segundo o doutor em Psicologia Social,

Elizeu Batista Borloti, pode se manifestar de várias formas. “Os portadores do TOC podem ser classificados, por exemplo, em limpador, que lava as mãos e toma banho sem parar; em verificador, que confere várias vezes se a porta está trancada ou se a janela está fechada e vive em um constante estado de alerta; o meticuloso, que se preocupa demais com a disposição dos objetos; e o minucioso, que cumpre roteiros rígidos de comportamentos como almoçar sempre no mesmo restaurante todos os dias, no mesmo horário e o mesmo cardápio”. Borloti também destaca que as pessoas com TOC sabem que fazem coisas irracionais, e, simplesmente, não conseguem deixar de fazer. “A repetição dos rituais alivia o desconforto que o paciente sente e, por isso, é

Mania: cada Amor pelos primos, os números

Não amasse a pasta!

Se não tiver simetria, não vale!

“Tenho preferência por números ímpares e as únicas exceções são o 2 e o 10. Essa preferência influencia tudo em minha vida, desde o número do quarto no hotel, o andar que vou morar e a quantidade de maçãs que vou comprar”. Rogério Assunção, bancário.

“O tubo da pasta de dente não pode ficar todo amassado, a pasta tem que ficar na parte de cima e eu uso a escova de dente pra deixar bem certinho”. Laís Camargo, professora.

“Tenho mania de simetria! O tapete que fica ao lado da minha cama precisa estar exatamente no meio da cama. O monitor do computador, no meio da mesa. Se as coisas não estiveram desse jeito, me irrita muito”. Erika Simões, estudante.


a limpeza foi o primeiro sinal de seu transtorno: “Antes das consultas médicas, eu limpava a casa sem parar, azulejo por azulejo. Hoje, isso já melhorou, mas ainda tenho muitas regras, como ficar pulando depois do banho até me secar. E na hora de deitar para dormir, eu dobro o edredom de um jeito que sobre dez centímetros de cada lado da cama. Aí eu entro por baixo do edredom, me arrastando, para que os centímetros fiquem certinhos”. Já a administradora, Fabiana Queiróz, tem medo de sujeira. “Se alguém colocar a mão na porta eu não coloco depois. Não aperto o botão de estacionamento do shopping porque acho muito nojento e fico imaginando quantas pessoas já tocaram lá. Uma vez meu marido me fez apertar o botão e eu quase enfartei!”

um tem a sua!

PRI oAMEI R 21A Outubro 2011

tão difícil deixar de cumpri-los”. O especialista ainda lembra que as manias não devem ser confundidas com o transtorno em si, pois elas não passam de comportamentos repetitivos, motivados, normalmente, por alguma superstição. “É algo comum que qualquer pessoa pode ter e que não gera nenhum efeito negativo. Normalmente, é uma ação específica que se torna um hábito e, com o tempo, passa a ser automático, quase involuntário”, explica Borloti. Ele alerta que o tratamento é muito eficiente e o paciente aprende, aos poucos, a deixar de lado seus rituais e a tolerar o desconforto, que passa com o tempo. A gerente de RH, Déborah Martins, faz tratamento psiquiátrico há anos e conta que a preocupação excessiva com

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> Jheniffer Sodre > Mariana Spelta > Murilo Gomes

Círculos malditos!

Cada um no seu quadrado

Estou a dois passos...

Está mesmo apagada?!

“Tenho um edredom de duas faces, uma com flores e a outra com círculos. Se o lado dos círculos estiver para cima eu não consigo dormi de jeito nenhum”. Emili Ferrari, estudante

“Calculo o tamanho dos meus passos para não pisar nos rejuntes do chão. Se acabo pisando, acho até engraçado, mas prefiro não pisar!”. Vivian Thiebaut, estudante.

“Eu conto meus passos sempre quando ando sozinha na rua. Sei que da minha casa até a padaria eu dou em média 70 passos”. Alana Marin, estudante.

“À noite, levanto algumas vezes para verificar se a luz está apagada. E se piso em uma pedra com o pé direito, procuro outra pra pisar com o esquerdo”. Racine Tápias, estudante.


Geeks,

Por Diovana Renoldi e Laila Martins

Outubro 2011

a nova geracao , de nerds

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Conheça o estilo de vida dos geeks: os nerds que curtem novas tecnologias e não abdicam a vida social Há alguns anos, quando pensávamos em nerd, logo imaginávamos uma pessoa solitária, trancada no quarto, rodeada de computadores, games, RPGs, filmes, livros. Hoje, essa definição já está ultrapassada. Os geeks são considerados a evolução dos nerds. Dedicam-se a todas essas atividades sem colocar a vida social em segundo plano. Para o estudante Luis Felipe Salvador (22), essa definição de nerd e geek associada à pessoa anti-social não está com nada. “É claro que a tecnologia nos proporciona uma comodidade gigantesca, e serviços como Netflix (locadora virtual), por exemplo, não deixam nem você sair de casa para alugar um filme. Mas, cabe a cada um dosar as horas que passa no videogame ou com os amigos virtuais e as horas que sai para o bar com os amigos de verdade”, disse. Ele ainda destacou que os games atuais promovem interação com outros jogadores a partir de redes online. Existem várias subdivisões dentro do universo geek. Alguns são fãs de computadores, de games ou filmes; outros preferem seriados, músicas, produtos relacionados à cultura pop. Luis curte todas essas áreas de entretenimento. “Estou sempre ligado nas novidades tecnológicas, e em novos hardwares, softwares, redes sociais. As inovações tecnológicas facilitam cada vez mais nossa vida, e quem estiver por dentro delas só tem a ganhar”, afirmou.


Um dos organizadores do evento, Victor Romualdo Francisco, conta sobre o perfil dos participantes do evento, que são na maioria homens de 18 a 29 anos: “O estilo dos campuseiros é bem variado, assim como seus interesses. Há desde aficionados por games até os que estão interessados apenas em palestras técnicas sobre robótica, programação e e-commerce. Sem esquecer dos que vivem nas mídias sociais”. Victor comenta ainda que muitos participantes costumam se vestir caracteristicamente e se orgulhar de fazer parte da cultura geek. “Muitos campuseiros vestem camisetas com ícones geeks, como Star Wars e The Big Bang Theory. O próprio podcast do co-fundador da Campus Party, Paco Ragageles, leva este nome: Geek Vibrations”, conta.

Foto: Yuri Barichivich

O estilo geek chick já está nas passarelas, nas ruas e nas lojas

Marcos Altoé em foto tirada no evento COM.MODA.

De acordo com Marcos Altoé, blogueiro do Style-a-Holic e colunista da Revista AG, o Geek-Chic é uma mutação do Preppy, modo de vestir icônico dos universitários norte-americanos. “Os ‘novos nerds’ estão na moda, e o universo fashion abriu os olhos para essa 'tribo' nas últimas temporadas devido a invasão de filmes e seriados que representam essa geração conectada, ávida por novidades tecnológicas”, afirmou. As passarelas internacionais assinam em baixo dessa afirmação. Coleções com essa "pegada" nerd já foram vistas em desfiles de marcas como Dolce&Gabbana e Etro. Algumas peças são fundamentais para compor um look geek chick, como óculos de grau de armação grossa, peças vintage, bermudas, saia colegial, sapatos oxford, suspensórios, cardigãs, tênis, camisa de alfaiataria, calças xadrez. Também não podem faltar camisetas com estampas divertidas, ou de ícones do Sci-Fi (Star Wars, Star Trek). O mercado da moda tem investido nesse nicho. Hoje já existem lojas especializadas em artigos de decoração e vestuário para nerds/ geeks. Acesse: www. lojanerd.com www.nerdstore.com.br.

Participante da edição da Campus Party deste ano, vestida com a camisa do evento. Abaixo, Paco Ragageles e Edney Souza realizam um podcast durante a Campus. O próprio podcast do co-fundador da Campus Party, Paco Ragageles, leva este nome: “Geek Vibrations”.

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Foto: Cristiano Sant’Anna

Campus Party, o evento de tecnologia em que os geeks marcam presença

Foto: Eduardo Rabin

Ponto de encontro dos geeks, a Campus Party é um dos eventos mais esperados pelos apaixonados por tecnologia. No Brasil, a Campus terá sua quinta edição em fevereiro de 2012, em São Paulo, e as inscrições já estão esgotadas! Considerado o maior evento de inovação, ciência, criatividade e entretenimento digital de todo o mundo, ele vai reunir mais de seis mil participantes durante uma semana com palestras, oficinas, debates, campeonato de games e muita troca de conhecimento.

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Outubro 2011

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Eu quero, eu quero, eu quero!

Filhos mais precoces na exigência de seus caprichos e pais mais permissivos quanto aos limites Paula Tessarolo e Barbara Tavares Alice é uma criança de apenas três anos e, apesar da pouca idade, já sabe na ponta da língua os presentes que quer ganhar. Engana-se quem pensa que seu desejo se limita a bonecas ou jogos de panelinhas. Alice gosta mesmo é de roupas e não pode ser qualquer uma. Ela já dá palpites com relação às marcas e estilos que gosta de usar. Esse comportamento precoce é cada vez mais comum e, por muitas vezes, é até incentivado pelos próprios pais. A mãe de Alice, Belisa Gomes, afirma que não mede esforços para ver a sua filha bem arrumada. “Sempre quis ter uma menina. Já imaginava as roupas e sapatinhos que eu compraria para ela usar. Comecei a montar o armário dela ainda na gestação. Sempre a tratei como uma princesa”, conta. E diz, ainda, que às vezes compra roupas iguais às dela para a filha. Já se foi o tempo em que as crianças só opinavam depois de adultas. Na sociedade contemporânea, as novas gerações passam a interferir cada vez mais cedo nas decisões do lar. Compras do supermercado, atividades de lazer e até mesmo na escolha do carro novo são alguns dos exemplos. Esse é o perfil do indivíduo independente e espontâneo, que tem se mostrado cada vez mais comum no mundo globalizado. Apesar de pequena, Alice se enquadra nesse contexto. “Ela mesma escolhe as roupas que mais gosta de usar. Esse tipo de comportamen-

to era inconcebível na minha época. Usávamos o que nossa mãe queria”, conta Belisa. Na opinião da psicóloga e psicopedagoga Luciane Machado, a educação atual está se tornando cada vez mais liberal. “O rigor das décadas passadas vem diminuido. Os parâmetros educacionais, na escola e nos lares, refletem esses conflitos. A psicóloga constata uma profunda mudança nos valores pessoais, o que reflete no comportamento de pais e filhos”, aponta. Com uma análise simples, Luciana percebe que a mídia tem papel de destaque na produção de um público consumidor infantil. “Os formadores de opinião, na atualidade, nem sempre são os pais. A criança tem sido cada vez mais inserida no universo massacrante e imperativo divulgado através da mídia, o que dificulta a decisão de dizer não aos desejos dos pequenos”, analisa. Propaganda infantil Cada pai acaba lidando com esse tipo de comportamento de uma forma diferente. É o caso do médico cardiologista Marcelo Demian. Pai de Natália, de quatro anos, e de Samir, de 2 anos, ele confessa tomar medidas radicais para evitar que o consumo infantil se instale em sua residência. “Na minha casa não existe TV a Cabo. Tomei essa decisão, pois os canais fechados para crianças como Discovery Kids ou Nickelodeon veiculam uma gran-

de quantidade de propagandas de brinquedos, e isso incentiva a criança a desejar os produtos. Pode parecer radical, mas é a minha forma de evitar que a publicidade atinja meus filhos”, afirma. “Na minha casa não temos o hábito de assistir TV. Depois que as crianças nasceram, a televisão fica sempre desligada. Por isso, procuro comprar DVD’s de filmes infantis para afastá-las da grade de programação da mídia”, acrescenta. Em junho deste ano, o Congresso Nacional voltou a discutir a proibição de publicidade de produtos e serviços para o público infantil. Criada pelo deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB – PR), em 2001, a proposta havia sido arquivada no ano passado e voltou a ser pauta de discussão em fevereiro deste ano. De acordo com a Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap), a decisão de compra de um produto cabe aos pais, e não se pode tachar a publicidade de vilã. Já para o Instituto Alana, organização não governamental que tem como missão fomentar e promover a assistência social, a educação, a cultura, a proteção e o amparo à população, a propaganda, quando voltada para o público infantil, transforma as crianças em promotores de venda. Segundo a Organização, crianças de até 12 anos não teriam capacidade de identificar o “poder de convencimento” apresentado em uma propaganda. Hoje em dia, três países já proíbem a publicidade infantil: Noruega, Suécia e parte do Canadá (Quebec). Neles, todas as peças publicitárias devem ser dirigidas aos pais e não aos filhos.


Outubro 2011

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O documentário “Criança, a alma do negócio” (2008), mostra como, no Brasil, a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas. O resultado disso é um comportamento infantiul semelhante ao de adultos. O documentário convida o telespectador a refletir sobre o papel da sociedade na infância.

Nas passarelas Um dos exemplos de que o mercado de moda infantil é cada vez mais vasto e sólido é o Fashion Weekend Kids, que já está em sua 10ª edição e é voltado para crianças de até 12 anos. O evento aconteceu neste mês, em São Paulo, e contou com desfiles de marcas já consagradas no mercado de moda infantil como Tyrol, Mixed Kids e Hering Kids. Considerado um dos maiores acontecimentos de moda infantil, o Fashion Weekend Kids reúne milhares de mães e avós acompanhadas de filhos e netos interessados nas últimas tendências para a temporada. Estima-se que, ao longo desses anos, mais de 80.000 pessoas já participaram do evento e cerca de 30 marcas infantis promoveram desfiles.

Com 10 anos de existência, o Fashion Weekend Kids já atraiu cerca de 80.000 pessoas interessadas no mercado de moda infantil.


2002 - presente U.D.R. Outubro 2011

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Disco

Seringas Compartilhadas Vol.2 ››› Felipe de Aquino

Fãs assumidos de Rogério Skylab, conhecido por suas letras cheias de humor negro e escatologia, os mineiros da U.D.R. elevam o “politicamente incorreto” a novos patamares. Seus versos são carregados de...bem, inteligência, como destaca, numa das várias páginas do grupo na web, o Professor Aquaplay, integrante da banda: “Pra gostar da gente tem que ser inteligente. Pra entender, tem que ser gênio.” A banda surgiu cantando no estilo “funk-satânico-pornográfico”, que evoluiu posteriormente para o consagrado “rock and roll anti-cósmico da morte”. Já foi trio, já foi dupla e, atualmente, voltou a ser trio para executar shows apoteóticos recheados dos hits que compõem seus EP’s disponíveis na web. Além do Aquaplay, a banda conta ainda com o MC Carvão e MS Barney. Para conferir o trabalho dos mineiros, basta acessar o perfil da banda no soundcloud: soundcloud.com/udrnoseucu. Onde todas as músicas estão disponíveis para download.

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Filme

Papai Noel às Avessas

››› Felipe de Aquino

Terry Zwigoff 2003

É só o natal se aproximar que cada shopping center contrata um Papai Noel para manter a “magia do natal” na mente das crianças de todo o mundo. Valendo-se desse costume, dois trapaceiros fazem o mesmo roteiro todo ano: trabalham como Papai Noel e duende por um tempo e aproveitam a situação para roubar o estabelecimento na véspera do natal.

A desconstrução da figura do bom velhinho é um choque para todos os mortais que cresceram ouvindo as histórias do Papai Noel. Simplesmente, transformaram o velhinho do pólo norte num bêbado, libertino e assaltante. Mas, como já cresci, vou aproveitar e pendurar umas meias na véspera do natal. Vai que eu ganho umas garrafas de uísque?

Leandro Narloch 2009

Livro

Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil ››› Felipe de Aquino

Leandro Narloch resolveu cutucar a história que nos é contada. Com um ponto de vista que remete a uma das consagradas frases de Einstein - “Heroísmo no comando, violência sem sentido e toda detestável idiotice que é chamada de patriotismo, eu odeio tudo isso de coração”-, o autor ataca a frágil ideia de patriotismo que nos é incutida na escola utilizando-se de teorias históricas alternativas. Zumbi tinha escravos? Os índios foram quem mais mataram os índios? Gregório de Matos era um crítico audaz que estava à frente de seu tempo? Que nada, um conservador que gostava de meter o bedelho na vida alheia, aliás, quem disse que os textos creditados ao autor foram, de fato, escritos por ele? Esses questionamentos servem como contraponto às ladainhas que ouvimos desde crianças. Contraponto, não verdade absoluta. Já temos a tese desde criancinhas, agora recebemos a antítese, cabe a nós completarmos a dialética. E já está nas livrarias o “Guia Politicamente Incorreto da História da América Latina”. E que venha mais polêmica!


Outubro 2011

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Tyaiana Gomes

Campus Yuri Barichivich


Outubro 2011

Campus

PRI oAMEI R 28A ˜

Izaias Buson


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