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MDP: Crônicas do Crack — Luis Marra

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MATERIAL DIGITAL DO PROFESSOR cbn

Crônicas do crack Luis Marra

Carta ao professor

obRas 978-65-89810-09-4 (Estudante) 978-65-89810-07-0 (PRofessoR) elaboRaÇÃo Eduardo Modesto de Carvalho, Bruno Gradella e Vicente Castro cooRdenaÇÃo editoRial Jorge Sallum Suzana Salama Paulo Pompermaier ediÇÃo Ana Lancman Sofia Boldrini Renier Silva assistÊncia editoRial Felipe Musetti diagRamaÇÃo e RevisÃo EdLab Press licenÇas cc-by-nc 3.0 bR editoRa papagaio Rua Coronel Diogo, 1500/1504 • 01545-001 São Paulo sp 55 11 30515544 livros@editorapapagaio.com.br

Este Manual tem como objetivo fornecer subsídios para o trabalho com a obra literária Crônicas do Crack, de Luis Marra. Luís Marra é um médico psiquiatra, escritor e literato brasileiro, nascido no ano de 1950 e que, desde 2002, trabalha com dependentes químicos, sobretudo aqueles que vivem nas regiões das diversas “cracolândias” existentes na cidade de São Paulo. Entre suas obras publicadas, estão os livros O Coletivo Aleatório (2001), O Diário Perdido do Jardim Maia (2008) e, a principal delas, Crônicas do Crack (2017). Crônicas do crack reúne vinte relatos colhidos pelo autor no contato com dependentes. As histórias, que para alguns leitores podem ser assustadoras, são basicamente reais ou contêm muita pouca ficção, e foram construídas a partir de depoimentos colhidos em atendimentos médicos e conversas informais. A intenção é de observar o mundo do dependente químico, tanto em suas “viagens” como em suas relações sociais, considerando o ambiente pelo qual transita, os “estados de loucura”, as relações com a sociedade e muitas vezes com o crime. Para preservar o anonimato das personagens todos os nomes foram trocados. No capítulo do livro “Antônio Santiago: o dito e o oculto”, o morador de rua Antônio Santiago se utiliza de uma boa retórica e esbanja criatividade em um diálogo com o doutor para conseguir uns trocados. Segundo o autor, há algo de literário na busca constante por algo indefinido, por uma “viagem”, uma loucura extremada, principalmente no flerte com o perigo e com a morte.

Luis Marra Crônicas do crack, Editora Papagaio

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“O canto da noia”, que abre o livro, foi escrito após uma visita feita a uma “cracolândia” da Zona Leste de São Paulo, durante a qual o médico acabou fazendo uma consulta coletiva a céu aberto. Já para escrever “Sobrevivente de Troia”, último capítulo, autor colheu relatos de atividades com grupos de teatro. Ao final de cada crônica, seguem, em itálico, depoimentos pessoais, observações, opiniões, dados complementares, e tudo isso de maneira a compor o que se poderia livremente considerar como os “bastidores” de cada um dos textos. Esperamos que o livro ajude a combater o estereótipo construído sobre dependentes químicos, em particular, do crack.

Sumário Carta ao professor

1

1

Propostas de Atividades I

3

1.1

Pré-leitura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

3

1.2

Leitura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

8

1.3

Pós-leitura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

11

2

3

Propostas de Atividades II

13

2.1

Pré-leitura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

13

2.2

Leitura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

15

2.3

Pós-leitura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

17

Aprofundamento

18

3.1

A obra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

18

3.2

Um holofote a quem vive nas sombras . . . . .

19

3.3

Uma questão social ampla e complexa . . . . .

19

3.4

Uma discussão atual . . . . . . . . . . . . . . .

20

3.5

Atividades para o aprofundamento da pesquisa 23 3.5.1

A atualidade de «Conto de Escola», de Machado de Assis . . . . . . . . . . . .

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5

1 1.1

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Debater a questão da internação sem autorização do paciente . . . . . . . .

27

Discussão sobre os riscos da droga . .

28

Sugestões de referências complementares

29

4.1

Livros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

29

4.2

Filmes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

30

4.3

Sites . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

31

Bibliografia comentada

31

Propostas de Atividades I Pré-leitura

Tema “Precisamos falar sobre isso” Conteúdo

Depoimentos de diversos usuários de crack em

fase de tratamento, com o objetivo de apresentar a história de vida pessoais diante do dilema do crack e da marginalização que ele causa. Objetivo O principal objetivo desta atividade é fazer com que o aluno vislumbre a realidade do usuário de crack para além dos estereótipos difundidos geralmente pela mídia. Justificativa Os alunos precisam entender a situação complexa que leva uma pessoa a se tornar um usuário de drogas. Nessa primeira atividade, que antecede a leitura dos contos literários sobre usuários de crack, é necessário abordar o assunto a partir dos conceitos e preconceitos já estabelecidos pelos próprios alunos. Veremos na metodologia a seguir que os alunos serão convidados a assistir um breve documentário produzido pelo próprio autor e psiquiatra Luis Marra. O

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Figura 1: Abertura do documentário Crônicas do crack, de Luis Marra, disponível no www.youtube.com/watch?v=47NIEsOO6qA

intuito é apresentar os usuários como pessoas comuns, capazes de explicar o significado da droga do ponto de vista especificamente delas. Consideramos essa atividade fundamental como pré-leitura da obra literária proposta. Metodologia Propomos exibir aos alunos o documentário intitulado Crônicas do crack feito pelo próprio autor do livro, e pode ser visto no seguinte link1 . O filme tem cerca de 24 minutos e consiste em uma série de depoimentos de usuários de crack sobre a droga, o uso dela, como se envolveram com ela, a violência que muitas vezes sofreram e a tentativa (para todos nesses casos bem sucedida) de recuperação. Sugerimos que o professor assista também a entrevista que o autor deu para a tv Estadão, disponível nesse link2 . E 1

https://www.youtube.com/watch?v=47NIEsOO6qA Acessado em 21/03/2021. 2 https://www.facebook.com/209792265728043/videos/ 1772581939449060 Acessado em 21/03/2021.

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que leia, se possível, a entrevista dada à revista Cult disponível aqui3 . Em seguida: 1. Antes da exibição do vídeo, atenção. Alguns depoimentos podem ser muito fortes e portanto solicitamos ao professor que assista previamente e avalie se seus alunos estão preparados. E que converse com eles sobre isso antes da apresentação. 2. Ainda antes da exibição, discuta com eles alguns tópicos de maneira informal. • Qual o significado da palavra droga? Discuta com eles então o conceito da palavra droga. Lembre-os que “droga” em grego, phármakon, significa tanto remédio quanto veneno, ou ainda encantamento mágico, como a que os deuses fazem com os homens (Odisseia; (cap. 4; linha 220). Lembre-os também que qualquer “droga medicinal” pode ser um remédio mas também um veneno, conforme as dosagens. BNCC

1

Habilidades de Língua Portuguesa

EM13LP34Campo das práticas de estudo e pesquisa Produzir textos para a divulgação do conhecimento e de resultados de levantamentos e pesquisas – texto monográfico, ensaio, artigo de divulgação científica, verbete de enciclopédia (colaborativa ou não), infográfico (estático ou animado), relato de experimento, relatório, relatório multimidiático de campo, reportagem científica, podcast ou vlog científico, apresentações orais, seminários, comunicações em mesas redondas, mapas dinâmicos etc. –, considerando o contexto de produção e utilizando os conhecimentos sobre os gêneros de divulgação científica, de forma a engajar-se em processos significativos de socialização e divulgação do conhecimento. 3

https://rotacult.com.br/2017/08/ dr-luis-marra-fala-sobre-o-livro-cronicas-do-crack/ Acessado em 21/03/2021.

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• Quais as drogas que conhecemos? Peça para fazerem uma lista. Para pensarem em drogas alternativas, supostamente inofensivas; as novas drogas; as drogas que não se usam mais; as drogas usadas em outras culturas; as drogas usadas por um curto período de tempo durante a guerra. Comente com eles sobre o uso de drogas pelos soldados durante a Segunda Guerra Mundial a partir do artigo “High Hitler: como o uso de drogas mudou o desfecho da Segunda Guerra”, publicado na revista Super Interessante, acessível pelo link super.abril.com.br/historia4 . • Toda droga é ilícita? Elenque com eles as drogas lícitas e ilícitas. Lembre-os por exemplo que o álcool é ilícito em países muçulmanos, por questões de religião. Apresente uma lista de países que não aceitam álcool e quais os motivos e limites. Eis uma breve lista de países e razões distintas para a proibição do álcool nesse link: terra.com.br/vidae-estilo5 . E lembre-os, ainda, que alguns países estão discutindo qual os limites do uso de drogas como a maconha. Caso ache importante aprofundar esse tópico, sugerimos essa matéria da BBC/Brasil sobre as mudanças recentes no Uruguai. Link: bbc.com6 . 4

https://super.abril.com.br/historia/ high-hitler-como-o-uso-de-drogas-mudou-o-desfecho-da-2a-guerra/ Acessado em 21/03/2021. 5 https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/turismo/ internacional/jornal-lista-10-paises-onde-bebida-alcoolica-e-proibida, a1aebf5da7afe310VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html Acessado em 21/03/2021. 6 https://www.bbc.com/portuguese/internacional-50842940 Acessado em 21/03/2021.

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BNCC

Habilidades de Língua Portuguesa

2

EM13LP04

cbn

Todos os Campos de atuação social

Estabelecer relações de interdiscursividade e intertextualidade para explicitar, sustentar e conferir consistência a posicionamentos e para construir e corroborar explicações e relatos, fazendo uso de citações e paráfrases devidamente marcadas.

• O que é um “drogado”, um “viciado”? Esta é a principal questão da nossa atividade, uma vez que assistirão a depoimentos de usuários. Tente levantar todos os tipos de estereótipos que os alunos conhecem. Quais nomes vocês conhecem para drogado? “Noia”, “noínha”, “drogado”, “doidão”, “alucinado”… • Todo drogado é marginal? A droga leva ao crime? Por fim, trate da questão da criminalidade como um estereótipo. BNCC

3

Habilidades de Linguagens e suas Tecnologias

EM13LGG502 Analisar criticamente preconceitos, estereótipos e relações de poder presentes nas práticas corporais, adotando posicionamento contrário a qualquer manifestação de injustiça e desrespeito a direitos humanos e valores democráticos.

3. Exiba o filme. Caso não tenha equipamento adequado, divida a sala em grupos de quadro e peça para assistirem em um celular. 4. Após o filme, retome com eles as perguntas iniciais. Abra a discussão. Tempo estimado 50 minutos.

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Figura 2: Luis Marra, autor de Crônicas do Crack.

1.2

Leitura

Tema «A lágrima por trás do gorro ninja» Conteúdo

Discussão sobre os personagens envolvidos no

conto. Objetivo Discutir como foi escrito o conto a partir da comparação entre o texto do conto e os “bastidores”. Lembramos que cada conto apresentado no livro é seguido também de uma seção em que o autor explica quais foram as circunstâncias reais em que conheceu os personagens, e também a sua opinião médica sobre o caso. Justificativa Tratar da compreensão da trama e da matéria do conto. Discutir os limites entre ficção e relato pessoal e as características do gênero. Metodologia O conto “A lágrima por trás do gorro ninja” narra a história de um menino denominado somente pelas iniciais do seu nome – W.R. – que, humilhado por uma situação de bullying na escola, é encorajado por um tio a portar uma arma para “dar um guenta” naqueles que o ameaçavam. Imbuído de coragem, o menino, então, é convidado pelo tio

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para fazer “um serviço”. Sem saber o que vai acontecer, mas tomado pela curiosidade, o menino acompanha o tio em uma emboscada, invade a casa de um rival e se vê obrigado a executar a sangue frio uma pessoa. Imediatamente após à cena, o menino, que portava um gorro preto para não ser identificado, escuta uma criança correndo. “Tio, não mata meu pai”, pede a criança. W. R. então chora por trás do gorro, sem que seu tio perceba. O crime já havia sido cometido. W. R., que morava então próximo à cena do crime, passa a acompanhar a vida do filho da vítima. A paranoia de ser vingado e morto, e a culpa por ter tirado a vida de um pai, o desconcertam por absoluto. W.R. recorre ao crack. W.R. então chega no consultório do médico, ainda transtornado com a cena que cometera, e totalmente comprometido pelo uso do crack. Segundo Luis Marra, W. R. entendeu muito bem, ainda mais quando eu fiz menção à palavra-chave “caráter”, e disse que aquela lágrima atrás do gorro ninja era uma prova oculta e íntima do caráter que ele tinha. Aquela lágrima era um bem precioso que nunca ninguém dele tiraria. O conto então narra o que se passou na vida de W.R. antes de ele se tornar um “viciado”. Considerando isso, propomos a sequência didática: 1. Peça aos alunos para ler em casa o conto “A lágrima por trás do gorro ninja”. 2. No dia da aula, peça para alguém explicar a trama do conto.

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BNCC

4

EM13LP46

cbn

Habilidades de Língua Portuguesa Campo artístico-literário

Compartilhar sentidos construídos na leitura/escuta de textos literários, percebendo diferenças e eventuais tensões entre as formas pessoais e as coletivas de apreensão desses textos, para exercitar o diálogo cultural e aguçar a perspectiva crítica.

3. Cite a primeira frase do livro: «transcrevo, ou então reescrevo, algumas semanas depois, o que teria sido, aproximadamente, a confissão de W. R.» 4. Coloque as questões: (a) este texto é uma descrição, uma narrativa ou um conto? (b) é tudo verdade o que está narrado? Lembre-se que o autor diz “transcrevo ou então reescrevo”. (c) E a fala do personagem W.R. é verdade ou ficção? Utilize para isso a seguinte passagem dos comentários do autor, ao final do conto: “Acredito sinceramente que W.R. não deva ter mentido. Ele não tinha muito a perder. Além do mais, o que veio mesmo dele foi uma confissão num momento de intensa verdade em que o paciente adicto grave não oculta suas sombras profundas porque se sente momentaneamente livre, porque está rendido na tragédia pessoal para a interlocução acolhedora, e também porque mobiliza o fito sublime de expor sua luz irrompendo da escuridão.”. 5. Discuta em que momento o crack entra na vida de W. R. 6. Peça para escreverem em casa um texto argumentativo sobre o que foi debatido, trazendo elementos da reflexão conjunta em sala de aula, mas também ideias próprias. Convide-os a comparar o caso de W. R. com alguma história real que conheçam. E em seguida, peça

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para escreverem sobre “um caso” semelhante que conheçam. Tome o cuidado, no entanto, de pedir para que troquem todos os nomes, laços de parentesco ou até mesmo localidades. E explique que o importante no texto é a trama, não o caso particular. Diga para eles que convém ao leitor não ficar preocupado se é tudo verdade ou não. Basta a verossimilhança da história (Verossimilhança, segundo a Wikipedia7 , isto é, “impressão da verdade que a ficção consegue provocar no leitor.” 5

BNCC

EM13LP54

Habilidades de Língua Portuguesa Campo artístico-literário

Criar obras autorais, em diferentes gêneros e mídias – mediante seleção e apropriação de recursos textuais e expressivos do repertório artístico –, e/ou produções derivadas (paródias, estilizações, fanfics, fanclipes etc.), como forma de dialogar crítica e/ou subjetivamente com o texto literário.

Tempo estimado Uma aula de 50 min.

1.3

Pós-leitura

Tema E quando acontece perto de mim? Conteúdo

A leitura e discussão sobre a redação dos pró-

prios alunos sobre um caso semelhante. 7

https://pt.wikipedia.org/wiki/Verossimilhan%C3%A7a#: ~:text=Verossimilhan%C3%A7a%20%C3%A9%20a%20impress% C3%A3o%20da,que%20acontecem%20na%20realidade%20vivida Acessado em 21/03/2021.

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Objetivo Fazer com que os alunos discutam sua própria produção escrita sobre assunto semelhante: o convívio com histórias de violência que envolvem usuários de crack. O foco deve estar na vida da pessoa e não nas ações que elas cometeram durante ou após o uso das drogas. A redação não deve ter uma relação causal, o personagem fez 𝐴 porque usou a droga 𝐵; ou passou a usar droga 𝐵 porque fez isso ou aquilo.” Justificativa Aprofundar a discussão sobre a constituição dos personagens do livro por meio da emulação8 e escrita criativa. A partir da pergunta “e você também conhece algum caso parecido?” a intenção é fazer com que os alunos descubram na literatura um recurso para entender e expressar o seu próprio entorno. Metodologia Ao ler o livro, percebemos que o autor Luís Marra abordou a questão das drogas de um panorama distinto do que este tema é geralmente tratado. Comumente, o assunto dos entorpecentes e da dependência química são tratados de um ponto de vista médico, ou como um problema social. Raramente, busca-se ouvir o indivíduo, isto é, sua perspectiva no cotidiano de dependente químico, suas experiências diárias, sua história, seus sonhos e objetivos. Nesse sentido, a obra de Luís Marra humaniza pessoas que, em geral, são tratadas apenas como estatística. Considerando isso como uma estratégia para se abordar o tema com os alunos, proponha o seguinte: 1. Retome a redação solicitada na aula anterior. 8

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2. Peça para um aluno que conte a história que escreveu, sem ler. Lembre-os que é preciso ficcionalizar um pouco para não expor a pessoa. Troca-se um nome, uma cidade, uma parte do enredo. E em seguida, peça para que outro aluno leia em voz alta o que esse aluno narrou. 3. Em seguida, discuta as circunstâncias do fato narrado, tal qual faz o autor após cada conto. 4. Recolha os relatos dos demais alunos. 5. Em uma segunda aula, conte você mesmo em sala de aula três relatos sem mencionar o nome dos alunos. 6. Abra para um debate sobre a exclusão e desumanização dessas pessoas, pontuando possibilidades para retomar uma vida melhor para esses indivíduos em condições precárias. BNCC

6

Habilidades de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas

EM13CHS503 Identificar diversas formas de violência (física, simbólica, psicológica etc.), suas principais vítimas, suas causas sociais, psicológicas e afetivas, seus significados e usos políticos, sociais e culturais, discutindo e avaliando mecanismos para combatê-las, com base em argumentos éticos.

Tempo estimado Duas aulas de 50 minutos.

2 2.1 Figura 4: O crack inibe a recaptação da dopamina alterando o funcionamento dos neurônios (Autor Desconhecido; Domínio Público)

Propostas de Atividades II Pré-leitura

Tema Conversando com uma pessoa que um dia usou crack Conteúdo

Preparar um série de entrevistas a serem feitas a

um adicto ou “ex-adicto”.

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Figura 3: O livro aborda a temática da dependência química a partir da perspectiva do indivíduo (Marco Gomes; cc-by 2.0)

Objetivo O objetivo dessa atividade é colocar os alunos no lugar do autor, e fazer com que eles perguntem e investiguem, de maneira construtiva, a história pessoal de um usuário de crack. E que se preparem para fazer perguntas contundentes e interdisciplinares. Justificativa Colocar os alunos diante de uma experiência real, e fazer com que eles façam perguntas segundo suas histórias e a experiência literária que tiveram anteriormente com a matéria. Envolver demais professores em um evento maior, numa discussão ampla sobre o assunto. Metodologia 1. Monte um comitê de professores e alunos que se encarregue de localizar e convidar formalmente um usuário ou ex-usuário de crack para uma conversa na escola. 2. Preparem uma série de perguntas que serão feitas durante o evento. Separe as questões entre as fases “antes”, “durante” e “depois” do crack.

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3. Em conversa com o professor de geografia, analise o que há de política pública na sua cidade. Proponha ao professor que apresente os programas atuais, tais como Crack, é possível vencer 9 , cujas apresentações estão disponíveis no site do Ministério da Justiça10 . O professor pode recorrer ainda ao vasto relatório elaborado pelo ipea para apresentar aos alunos os resultados do programa. O texto assinado pelo sociólogo Márcio Júlio da Silva Mattos está disponível neste link: ipea.gov.br11 . BNCC

Habilidades de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas

7

EM13CHS103 Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de diversas naturezas (expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos e geográficos, gráficos, mapas, tabelas, tradições orais, entre outros).

Tempo estimado

A definir segundo o envolvimento dos

professores. Sugestão é que este seja um trabalho coordenado do trimestre.

2.2

Leitura

Tema A entrevista Conteúdo

Alunos recebem na escola uma pessoa que é ou

já foi usuário de crack. 9

https://www.justica.gov.br/news/ conheca-o-programa-crack-e-possivel-vencer Acessado em 21/03/2021. 10 https://www.justica.gov.br/programas-e-planos/ crack#:~:text=O%20Crack%2C%20%C3%A9%20poss%C3%ADvel% 20vencer,%3A%20preven%C3%A7%C3%A3o%2C%20cuidado%20e% 20autoridade Acessado em 21/03/2021. 11 https://www.ipea.gov.br/ppp/index.php/PPP/article/ view/683 Acessado em 21/03/2021.

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Objetivo Fazer com que os alunos dialoguem, tal qual o autor do livro, com uma pessoa que teve uma experiência com o crack com o objetivo de investigar a sua história pessoal e as razões que levam uma pessoa a fazer tal escolha, e também as consequências. Justificativa Se nas etapas anteriores, passamos do preconceito à experiência; da experiência à literatura; da literatura às narrativas pessoais dos alunos; agora nessa etapa, nosso objetivo é colocar os alunos na posição de entrevistadores e investigadores de um mundo pessoal afetado pela droga. Ao realizar uma entrevista, os alunos serão obrigados a pesquisar sobre o que perguntar de maneira concisa e profunda, tal qual puderam ver em entrevistas e também no livro. Eis as etapas da atividade: 1. Escolham o nome, definam o dia e divulguem na escola o evento. 2. Convidem os alunos de uma faixa etária adequada. 3. Escolham um professor e um aluno para receber o convidado. 4. Criem uma equipe para registrar o evento, desde que o convidado aceite ser filmado. 5. Proponham ao convidado que fale da sua vida principalmente antes do crack e não foquem em questões técnicas e curiosidades banais sobre a droga. BNCC

8

Habilidades de Linguagens e suas Tecnologias

EM13LGG203 Analisar os diálogos e os processos de disputa por legitimidade nas práticas de linguagem e em suas produções (artísticas, corporais e verbais).

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6. Por fim, exponham as questões que foram discutidas anteriormente, com os professores das áreas de humanidades.

Tempo estimado Três horas.

2.3

Pós-leitura

Tema Registro do evento Conteúdo Figura 5: Substâncias químicas e o corpo humano (Drug Disposal; Domínio Público)

Gravações dos eventos, e transcrição e publica-

ção da entrevista. Objetivo Registrar a entrevista. Justificativa Guardar e compartilhar o registro de uma experiência multidisciplinar dos alunos, com o apoio dos professores de humanidades. Metodologia 1. Monte um grupo para a transcrição da entrevista. BNCC

9

EM13LP15

Habilidades de Língua Portuguesa Todos os Campos de atuação social

Planejar, produzir, revisar, editar, reescrever e avaliar textos escritos e multissemióticos, considerando sua adequação às condições de produção do texto, no que diz respeito ao lugar social a ser assumido e à imagem que se pretende passar a respeito de si mesmo, ao leitor pretendido, ao veículo e mídia em que o texto ou produção cultural vai circular, ao contexto imediato e sócio-histórico mais geral, ao gênero textual em questão e suas regularidades, à variedade linguística apropriada a esse contexto e ao uso do conhecimento dos aspectos notacionais (ortografia padrão, pontuação adequada, mecanismos de concordância nominal e verbal, regência verbal etc.), sempre que o contexto o exigir.

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2. Publique a entrevista com fotos no site medium.com12 3. Inclua num bloco de textos separado os “bastidores” da entrevista, ou seja, as principais discussões antes e depois da entrevista. 4. Edite e publique a entrevista no Youtube, no canal da escola. 5. A publicação ou parte dela pode ser veiculadas no jornal da escola, serem expostas em um mural, ou mesmo no site do colégio. Tempo estimado

Três aulas de 50 min., afora atividades em

casa.

3

Aprofundamento

Nesta seção, desenvolvemos um trabalho de aprofundamento que, em diálogo com a formação continuada de professores, oferece subsídios para a abordagem do texto literário. A leitura em sala de aula de Crônicas do Crack pode ser enriquecida pelo aprofundamento no universo literário em que a obra está inserida.

3.1

A obra

O livro As crônicas do crack é uma composição de relatos colhidos pelo médico psiquiatra Luis Marra, que trabalha com dependentes químicos desde o ano de 2002. A forma de escrita destes relatos contidos dentro do livro nos remete a algo bem literário, com uso de metáforas, analogias e descrições. Ao olharmos para trechos do livro, vemos que ele não é voltado para debater políticas públicas acerca do consumo de crack na 12

https://medium.com/ Acessado em 21/03/2021.

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cidade de São Paulo, mas que o objetivo do autor é mirar no mundo do dependente químico, nas suas “viagens”, em suas relações sociais, no ambiente em que ele está vivendo e até mesmo em sua própria loucura. Dentro desta perspectiva, a escrita busca acabar com o estereótipo construído de que a pessoa que consome crack é, única e exclusivamente, um usuário. Assim, a obra denota que esses indivíduos têm sentimentos, uma vida anterior ao vício, estando, muitas vezes, dentro de um contexto desfavorável, além de indicar que o universo dos dependentes químicos possui próprias relações de sociabilidade muito próprias.

3.2

Um holofote a quem vive nas sombras

Como já dito, o intuito e interesse do autor deste livro é mergulhar no universo do dependente químico, sobretudo aquele que é usuário de crack. Segundo suas próprias palavras em uma entrevista dada para a tv Estadão, no ano de 2017: “a pessoa viciada nesta droga contém dentro de si uma criatividade tremenda” Figura 6: Dependente químico mostrando cachimbo (Marco Gomes; cc-by 2.0)

Isso fica claro ao leitor no capítulo do livro “Antônio Santiago: o dito e o oculto”, onde o morador de rua Antônio Santiago se utiliza de uma boa retórica e esbanja criatividade em um diálogo com o doutor para conseguir uns trocados. Além do mais, ainda segundo o médico, o dependente se aproxima muito daqueles autores e pensadores que vivenciaram o movimento literário do romantismo no século xix, por sempre estar buscando a viagem, a loucura extremada e o flerte com o perigo e com a morte.

3.3

Uma questão social ampla e complexa

Outro ponto que vale ser debatido é de que as drogas transitam por todas as classes sociais. A ideia de que o consumo

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era exclusivo das classes mais baixas já foi, há muito, posto de lado. Entretanto, não se individualizou o dependente. Deve ser superada também a ideia de um único perfil de dependente químico, existem vários perfis. Isso porque as pessoas são individuais, apesar de elementos em comum, cada indivíduo tem suas particularidades. Contudo, não se pode perder de vista que condições sociais podem ocasionar maior ou menor peso para o consumo, vício, e superação deste. Neste sentido, o norte-americano Carl Hart, professor de psicologia pela Universidade de Columbia e um dos especialistas no assunto nos diz que a importância do ambiente em que o dependente químico está inserido é crucial para o seu vício. Dentro de um ambiente onde há diferentes alternativas que possam superar o uso de drogas, a pessoa terá mais facilidade para sair da dependência. Isto é evidenciado na obra em questão, já que o autor também nos mostra as consequências dos ambientes e contextos com os quais os usuários convivem. Sendo assim, o autor ressalta que existe uma grande dificuldade com relação a ajudar os dependentes químicos em condição de rua a superar a dependência, posto que o ambiente em que estão inseridos é totalmente desfavorável ao abandono dos psicoativos, sendo estimado que menos de 30% dos usuários busquem tratamento ou qualquer tipo de ajuda.

3.4

Uma discussão atual

O livro é publicado em um momento em que o uso de psicoativos se tornou endêmico em alguns locais, como por exemplo São Paulo, que abriga em seu centro um dos maiores pontos de consumo de entorpecentes a céu aberto.

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Figura 7: Moradores de rua no centro de São Paulo (Marco Gomes; cc-by 2.0)


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Figura 8: Dependentes químicos na região da Cracolândia (Luciana Marinho/Flickr; cc-by 2.0)

Ademais, dentro do mencionado contexto há de se lembrar também que os últimos anos houve acalorados debates acerca de políticas públicas para dependentes químicos, especialmente os que se encontram em situação de rua. Questões quanto a utilização do sistema público de saúde, a setores urbanos que os dependentes ocupam e em que medida o problema retroalimenta a violência são alguns pontos que podem ser levantados acerca desta complexa questão. Reflexões e provocações como essa se encontram ao longo das páginas da obra de Luis Marra, uma vez que colhe relatos de regiões extremamente marginalizadas, onde o poder do Estado não chega, e também traz histórias do centro da cidade, escancarando a diferença de atuação do Poder Público em cada um dos contextos. Ademais, vale frisar que, ao mesmo tempo que se pensa na questão dos psicoativos como um problema social, que afeta a vida de milhões de pessoas pelo mundo, existem estudos atuais que denotam que a boa engenharia química de substâncias

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proscritas pode aprimorar a eficácia de tratamentos medicinais, de sorte que o debate fomentado por essa obra é, atual e riquíssimo e, sem dúvida, polêmico. Portanto, Crônicas do crack, como já foi dito, não é um livro destinado a defender esta ou aquela política pública acerca da questão dos dependentes químicos. Sua função, embora tangencie esses pontos é mais humanitária. A obra está voltada para o descobrimento de seu universo, dos atores que fazem parte deste ambiente, de suas sociabilidades e pensamentos. Ainda assim, não podemos tirar este escrito do contexto de ações mais brutas em relação aos dependentes químicos que vivem nas ruas de São Paulo, sendo impossível retirar a atuação do Estado do cotidiano desses habitantes da capital paulistana.

3.5

Atividades para o aprofundamento da pesquisa

3.5.1

A atualidade de «Conto de Escola», de Machado de Assis

Muitas vezes o discurso pedagógico e a escola são interpretados pelos alunos como moralizantes ou “distante da realidade”. Quando se aborda um tema como as drogas, então, essa tendência é ainda mais evidente, uma vez que para o aluno do Ensino Médio, em vias de se tornar independente, as experiências próprias ou as narradas por colegas sobre “qual é a real” são confrontadas com explicações didáticas. A luz disso, sugerimos o trabalho com o texto de Machado de Assis, “Conto de Escola”. O conto narra a história de jovens com dificuldades para acompanhar o desenvolvimento escolar e propensos à evasão. Mais do que isso, estamos falando de uma história de 1840, em que os jovens estão expostos tal como hoje. O

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conto foi lido pelo próprio autor de Crônicas do crack e pode ser escutado nesse link13 . E o texto de Machado de Assis pode ser lido aqui14 .

15

Aconselhamos também que a professora ou professor leiam o capítulo 3, “Machado de Assis e seu tempo” e os subsequentes, do artigo do pesquisador Sidnei Ferreira de Vares, mestre em educação da fe-usp. O “Conto de Escola” constitui uma importante obra de nossa literatura, cujo fulcro temático é o sistema de ensino, mas especificamente a sala aula, onde se desenvolve a maior parte do conto. Nele, Machado expõe sua concepção de educação explorando as contradições existentes entre a realidade da escola e o mundo fora dela. Embora o conto não traduza fielmente a trajetória do autor, pois não se trata de um texto biográfico, fornece informações até certo ponto precisas sobre a educação durante o período monárquico. (…) 13

https://soundcloud.com/jorge-sallum/ condo-de-escola-machado-de-assis-lido-por-luis-marra Acessado em 21/03/2021. 14 http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ ua000191.pdf Acessado em 21/03/2021. 15 https://soundcloud.com/jorge-sallum/ condo-de-escola-machado-de-assis-lido-por-luis-marra Acessado em 21/03/2021.

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O fio condutor do conto é o hiato entre a natureza infantil e o mundo adulto, cujos interesses nem sempre coincidem. A dúvida que paira na cabeça infantil de Pilar naquela manhã de maio de 1840, demonstra que suas preocupações imediatas não se aproximavam da escola. Brincar no campo de Sant’Anna ou no morro de São Diogo? Campo ou morro? Eis a questão que atormentava o menino e que em nada se relacionava com os estudos. Prepare então uma aula sobre Machado de Assis e a evasão escolar. • Apresente a situação da escola durante o Império (1822–1889). Exemplifique com o caso específico do menino Machado de Assis, jovem negro da cidade do Rio de Janeiro, com base no teto de Sidnei Ferreira. BNCC

10

EM13LP01

Habilidades de Língua Portuguesa Todos os Campos de atuação social

Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/escuta, com suas condições de produção e seu contexto sóciohistórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.

• Em seguida faça com que os alunos escutem o conto, lido pelo escritor Luis Marra. Se possível, imprima partes do conto que lhe interessar e distribua para os alunos.

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EM13LP02

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Habilidades de Língua Portuguesa Todos os Campos de atuação social

Estabelecer relações entre as partes do texto, tanto na produção como na leitura/escuta, considerando a construção composicional e o estilo do gênero, usando/reconhecendo adequadamente elementos e recursos coesivos diversos que contribuam para a coerência, a continuidade do texto e sua progressão temática, e organizando informações, tendo em vista as condições de produção e as relações lógico-discursivas envolvidas (causa/efeito ou consequência; tese/argumentos; problema/solução; definição/exemplos etc.).

• Comente uma passagem específica do conto, como por exemplo as seguintes: Raimundo deu-me a pratinha, sorrateiramente; eu meti-a na algibeira das calças, com um alvoroço que não posso definir. Cá estava ela comigo, pegadinha à perna. Restava prestar o serviço, ensinar a lição e não me demorei em fazê-lo, nem o fiz mal, ao menos conscientemente; passava-lhe a explicação em um retalho de papel que ele recebeu com cautela e cheio de atenção. Sentia-se que despendia um esforço cinco ou seis vezes maior para aprender um nada; mas contanto que ele escapasse ao castigo, tudo iria bem. Rato na casaca… Não fui à escola, acompanhei os fuzileiros, depois enfiei pela Saúde, e acabei a manhã na Praia da Gamboa. Voltei para casa com as calças enxovalhadas, sem pratinha no bolso nem ressentimento na alma. E contudo a pratinha era bonita

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e foram eles, Raimundo e Curvelo, que me deram o primeiro conhecimento, um da corrupção, outro da delação; mas o diabo do tambor… • Em seguida discuta com os alunos alguns paralelos entre os personagens narrados por Marra no conto “Uma lágrima por trás do gorro ninja” de Luis Marra e o conto de Machado de Assis. BNCC

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EM13LP50

Habilidades de Língua Portuguesa Campo artístico-literário

Analisar relações intertextuais e interdiscursivas entre obras de diferentes autores e gêneros literários de um mesmo momento histórico e de momentos históricos diversos, explorando os modos como a literatura e as artes em geral se constituem, dialogam e se retroalimentam.

3.5.2

Debater a questão da internação sem autorização do paciente

No dia 6 de junho de 2019, foi publicada a Lei 13.840/19, que permite a internação compulsória de dependentes químicos, ou seja, sem a necessidade de autorização judicial. Desde sua concepção tal lei causou polêmica, uma vez que determinar a internação compulsória gera impactos legais, sociais, morais e econômicos. O princípio da legalidade encontra-se expresso no texto constitucional. De certo modo, a existência de uma lei supre a questão. Entretanto, há um espectro nebuloso na discussão. Como se determinar quando o indivíduo é dependente químico? Ademais, há a questão de até que ponto o tratamento forçado realmente surte efeito, uma vez que o dependente pode não ter interesse em se tratar. Por outro lado, é uma forma de proteger as famílias que são expostas a comportamentos perigosos do usuário. Assim,

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Figura 9: Entorno da Cracolândia. Bairro da Luz, São Paulo-sp (Marco Gomes; cc-by 2.0)

nota-se que é um assunto polêmico. Outrossim, sua discussão é fundamental, posto que é tema da contemporaneidade, devendo, portanto, ser debatido e aprofundado. Isso posto, indica-se a divisão da sala em grupos, cada qual, procurará notícias e pareceres sobre o tema, segundo eixos temáticos, como por exemplo, legal, médico, social, moral, econômico. Isso posto, todos deverão expor aquilo que encontraram e, ao final, sugere-se que a sala seja colocada em roda, e que, a partir daí, se proponha uma discussão sobre o tema, com o professor como mediador. 13

BNCC

Habilidades de Linguagens e suas Tecnologias

EM13LGG303 Debater questões polêmicas de relevância social, analisando diferentes argumentos e opiniões, para formular, negociar e sustentar posições, frente à análise de perspectivas distintas.

3.5.3

Discussão sobre os riscos da droga

A obra leva o leitor ao universo do dependente químico, oferecendo assim grande subsídio para se entender seu mundo e sua rotina. Como todo psicoativo, o crack atua junto ao

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sistema nervoso central, ocasionando sensações de prazer, sendo uma das drogas com maior poder de adição para o usuário. E como toda a droga, é imbuída de um ritual social em sua utilização. Diante disso, é importante, até mesmo para uma plena conscientização dos seus riscos, que o professor, juntamente com os professores de Ciências Humanas e Ciências da Natureza, propor uma roda de conversa com os alunos, onde se explicará o funcionamento químico-fisiológico dos entorpecentes no organismo, bem como os aspectos sociais do consumo. Ao final, o aluno já plenamente instrumentalizado, deverá redigir um texto, colocando sua opinião sobre essa questão. 14 Habilidades de Ciências da Natureza e suas Tecnologias

BNCC

EM13CNT207 Identificar, analisar e discutir vulnerabilidades vinculadas às vivências e aos desafios contemporâneos aos quais as juventudes estão expostas, considerando os aspectos físico, psicoemocional e social, a fim de desenvolver e divulgar ações de prevenção e de promoção da saúde e do bem-estar.

4 4.1

Sugestões de referências complementares Livros • bill, M.V.; soaRes, Luiz Eduardo. Cabeça de Porco. São Paulo: Objetiva, 2005. O livro é o resultado de entrevistas e filmagens feitas ao longo de sete anos em favelas brasileiras sobre crianças e jovens que vivem no mundo do crime. Os relatos são associados aos textos do antropólogo Luiz Eduardo Soares. • loRiga, Ray. Héroes. Alfaguara, 2014.

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Um garoto se tranca em seu quarto para viver dentro da música, do que lhe interessa, e fora de um mundo que lhe parece hostil. • szabÓ, Ilona; clemente, Isabel. Drogas: as histórias que não te contaram. Rio de Janeiro: Zahar, 2017. Através das trajetórias de cinco personagens conectadas pelo impacto da cocaína, o livro traça um retrato complexo de um tema que ainda é tabu, apresentando alternativas que vão além da repressão e do encarceramento.

4.2

Filmes • Aos treze. Direção: Catherine Hardwicke (eua, 2013). Inteligente e brilhante, Tracy se torna amiga da garota mais popular do colégio, que a apresenta a um submundo de sexo, drogas e mutilação. Nascerá uma nova Tracy, em conflito constante com colegas, professores e, principalmente, com sua mãe. • Bicho de sete cabeças. Direção: Laís Bodanzky (Brasil, 2001). Este premiado longa conta o drama de um relacionamento difícil entre pai e filho, que leva este a ser mandado para um manicômio. • Maria cheia de graça. Direção: Joshua Marston (eua, Colômbia, 2004). Grávida e desempregada, a jovem Maria aceita a proposta de um conhecido: transportar heroína para Nova York em seu próprio estômago.

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Sites • apadd Além de trazer informações institucionais e canais para quem deseja ajudar a associação, o site16 fala sobre prevenção, tratamentos e capacitação de profissionais para atuar no campo de dependência e drogas. • História do combate às drogas no Brasil A página17 conta a história do combate repressivo a substâncias tóxicas no Brasil, que teve início ainda nos primeiros anos do século xvii. • Políticas sobre drogas O site18 fornece informações detalhadas sobre a senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas), a pnad (Política Nacional sobre Drogas) e o funad (Fundo Nacional Antidrogas).

5

Bibliografia comentada • caRdoso, Fernando. Encarceramento e guerra às drogas. Rio de Janeiro: Gramma, 2019. O livro é um compilado de pesquisas que refletem sobre como o Direito Penal tem sido operado para manter o discurso e as práticas de segregação de determinadas pessoas a partir do encarceramento em massa e da guerra às drogas. 16

http://www.apadd.org/ Acessado em 21/03/2021. http://www.senado.leg.br/noticias/ Jornal/emdiscussao/dependencia-quimica/ iniciativas-do-governo-no-combate-as-drogas/ historia-do-combate-as-drogas-no-brasil.aspx Acessado em 21/03/2021. 18 www.justica.gov.br/sua-protecao/ politicas-sobre-drogas Acessado em 21/03/2021. 17

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• cunha, Wagner. Dependência química. São Paulo: Ideia e Ação, 2008. O psicólogo relata sua própria experiência com drogas para responder perguntas comuns sobre o assunto e propor um tratamento que passa pelo estabelecimento de metas e pela anuência do dependente. • huxley, Aldous. As portas da percepção. São Paulo: Biblioteca Azul, 2015. O livro que influenciou gerações detalha o efeito das drogas, em especial da mescalina, substância extraída do cacto mexicano Peyote, sobre os sentidos deste consagrado escritor. • incey, Thomas de. Confissões de um comedor de ópio. São Paulo: l&pm, 2001. O escritor inglês fala de sua experiência com o ópio, de como ela lhe pareceu uma revelação de verdade divina. Trata-se de um estudo pioneiro da interferência do subconsciente nos sonhos. • sanz, Marta et.al. Drogadictos. Madri: Demipage, 2017. O livro compila os escritos de doze autores espanhóis e latino-americanos, que escrevem sobre drogas, seus efeitos e consequências. Cada um fala sobre uma droga, como a mescalina, o ópio, o crack, o álcool e o sexo. • venÂncio, Renato Pinto; caRneiRo, Henrique (org.). Álcool e drogas na história do Brasil. São Paulo: Alameda Editorial, 2005.

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Este livro traça um panorama do significado que o álcool e outras drogas tiveram na história do país, abordando uma gama de práticas sociais que vão da cura ao crime, da alimentação ao amor, da medicina à religião, da biopolítica à geopolítica.

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MDP: Crônicas do Crack — Luis Marra by EdLab Press - Issuu