Espaço do Povo Brasil
Setembro 2021
Edição 80
Ano 12
Distribuição Gratuita
PARAISÓPOLIS 100 ANOS Como a comunicação potencializou a segunda maior comunidade de São Paulo PÁG 2 Não sonhei em morar na favela, mas sonho com a favela que se torna bairro PÁG 3 Feirão de emprego garantiu formação e colocação dos moradores no mercado de trabalho PÁG 19
Favela Brasil Xpress marca presença no centenário de Paraisópolis PÁG 16
Parque Paraisópolis é inaugurado durante 13ª Semana de Paraisópolis PÁG 12
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2 TELEFONES ÚTEIS EMERGÊNCIA DISQUE DENÚNCIA DIREITOS HUMANOS - 100 CENTRAL DE ATENDIMENTO À MULHER - 180 POLÍCIA MILITAR - 190 POLÍCIA CIVIL - 197 BOMBEIROS - 193 SAMU - 192 EMERGÊNCIA DE TRÂNSITO - 188
SAÚDE E SERVIÇOS AMA PARAISÓPOLIS Tel: 3742-5394 UBS 1 - Tel: 3744-5822 UBS 2 - Tel: 3501-9031 UBS 3 - Tel:3742-3269 / 3742-1323 SASF VILA ANDRADE - Tel: 3742-6891 CRAS CAMPO LIMPO - Tel: 5841-4776 CREAS CAMPO LIMPO - Tel: 5814-7483 6ª DELEGACIA DE DEFESA DA MULHER - Tel: 5521-6068 DEFENSORIA PÚBLICA Tel: 3105-5799 MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO - Tel: 3119-9000 PREFEITURA DE SÃO PAULO - 156
EXPEDIENTE Espaço do Povo É uma publicação da Agência Cria Brasil
Diretor Jornalista Responsável Joildo Santos joildosantos@paraisopolis.org MtB 67099SP Redação Francisca Rodrigues francisca.rodrigues@ agenciacriabrasil.com.br Gabriela Marinho gabriela.marinho@agenciacriabrasil. com.br Gustavo Moreira
gustavo.moreira@agenciacriabrasil.com.br
Keli Gois keli.gois@agenciacriabrasil.com.br Fotografia André Silva Caio Caciporé Luis Maike Projeto Gráfico e Editoração Alex Andrade Edições aandrade9@gmail.com Anúncios e contato
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EDITORIAL
Como a comunicação potencializou a segunda maior comunidade de São Paulo Se você tem filhos, sobrinhos ou adora desenhos animados, provavelmente já viu a história da Ellie, uma mamute que não se enxerga como tal pelo fato de conviver com gambás. Um dia, ao encontrar Manny, um mamute, ela descobre que, apesar de viver como um gambá e copiar todos os seus comportamentos, ela não é um deles, mas sim, uma mamute. Por que estou te contando toda essa história? Porque como comunicador dentro da maior comunidade de São Paulo, é isso que eu percebia quando Paraisópolis era retratada na mídia. Víamos uma Paraisópolis representada como uma Paraisópolis de crimes, problemas sociais e tantos outros males que assolam toda e qualquer comunidade, mas, muito além dessas situações, somos um povo rico em cultura, conhecimento e cheio de talento e potencial, precisamos apenas de representatividade. Foi para mudar essa situação da falta de visibilidade e reconhecimento que percebi que comunicar
da favela para a favela era extremamente necessário. Em 2007, junto com outros amigos fundei o ‘Jornal Espaço do Povo’, um jornal comunitário que tinha como principal objetivo dar representatividade aos mais de 100 mil habitantes de Paraisópolis, além de mostrar todas as características da nossa comunidade, quando muitos estereótipos começaram a ser quebrados. À medida que o jornal ia crescendo e que a comunidade começava a ser representada não só pelo jornal, mas também por tantos outros moradores de Paraisópolis, que lutavam todos os dias por uma comunicação mais inclusiva e colaborativa, Paraisó-
polis foi ganhando mais destaque e espaço na mídia. Desta vez, não como velhos fantasmas criados pelo preconceito e pelo medo, mas sim como a nova Paraisópolis. Hoje, à frente da Cria Brasil Comunicação, posso dizer com toda a certeza que a comunicação ajudou a transformar Paraisópolis, e vai mudar as comunidades do Brasil. O que começou como um jornal comunitário para defender a visão e os interesses dos mais de 100 mil moradores, se transformou em uma agência de comunicação de
Joildo Santos Diretor de Comunicação da Agência Cria Brasil
grande alcance, comunicando de forma colaborativa, promovendo a inclusão de todos os moradores e trazendo o olhar para a Paraisópolis que queremos. Parabéns, Paraisópolis! São 100 anos de lutas e histórias e, desses 100 anos, 14 fazendo a comunicação dessa comunidade que ganhou meu coração. Joildo Santos Diretor de Comunicação Agência Cria Brasil
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3 ARTIGO
Não sonhei em morar na favela, mas sonho com a favela que se torna bairro Paraisópolis completa 100 anos com missão de ser referência para comunidades de todo o país Por Gilson Rodrigues
Eu não sonhei em morar na favela. Acredito que ninguém sonha em morar em cima do córrego ou sofrer com enchentes em áreas de risco. Ninguém sonha em viver em um lugar onde falta água e o serviço do Samu não chega. Quando minha família chegou a São Paulo, há 70 anos, nosso sonho era ficar rico e garantir boa educação para as crianças, trabalhar e estudar para ajudar os demais familiares. Logo percebemos que a São Paulo da TV é diferente da realidade, e nos deparamos com a vida na favela: em cima do córrego e mentindo que moramos no Morumbi. Se morar em São Paulo significa passar por mais dificuldades e viver em meio à falta de oportunidades, representa também lutar para melhorar e transformar a comunidade. Ao completar 100 anos no dia 16 de setembro, Paraisópolis aprende e ensina. É sinônimo de resiliência, inovação, disposição. Chegamos ao centenário no mesmo ano em que a Folha. São duas histórias de conquistas: a Folha na defesa da democracia
como princípio editorial, e Paraisópolis na missão de se organizar como comunidade e referência para favelas de todo o país. As histórias que escrevemos aqui se apoiam em redes - conectadas ou reconstituídas - e, embora não faltem determinação e capacidade para continuarmos superando as vulnerabilidades em nosso território, também queremos celebrar as tantas conquistas, motivo de orgulho para a cidade e o país. Cumpre a nós lutar pelo desenvolvimento urbano local, pela universalização dos serviços públicos e pela eliminação das áreas de risco geotécnico para seus 100 mil moradores. Avanços foram conquistados na construção da Nova Paraisópolis entre 2005 e 2012, quando o programa de urbanização da Prefeitura de São Paulo investiu R$ 400 milhões em infraestrutura, equipamentos públicos e habitação social. Naquela época, o índice de coleta de esgoto passou de 18% para 85%, e o de abastecimento de água atingiu os 90%. É urgente retomar o programa e concluir obras tão necessárias, um direito essencial
da população. Sonhamos com uma Paraisópolis conectada ao mundo e o acessando sem restrições de CEP, com oportunidades que promovam inclusão, desenvolvimento econômico e impacto social na vida de milhares de famílias da segunda maior favela do país. A educação em Paraisópolis passou por diversas mudanças ao longo dos anos, principalmente no que se refere à primeira infância. O acesso cresceu, seja por meio das CEIs e EMEIs ou de instituições mantidas pela iniciativa privada na comunidade, como a Associação Crescer Sempre, com uma escola de educação infantil e ensino médio integral. A ampliação educacional também se deu por meio de programas de contraturno escolar e de biblioteca aberta à comunidade, com a Escola Alef Peretz, de ensino médio, o CEI Ser, para crianças de 0 a 3 anos, e outros projetos que investem na educação de crianças, jovens e adultos de Paraisópolis, como Pró-Saber, Projeto Einstein na Comunidade e A Casa da Amizade. Todas essas ações contribuem para a diminuição
dos índices de analfabetismo e o aumento da conscientização dos pais sobre a importância da educação. Dão também a perspectiva de um futuro aos jovens, que já almejam e alcançam a universidade, assim como adquirem condições de igualdade para brigar por espaço no mercado de trabalho. Na crise da Covid-19, criamos o Comitê das Favelas e os "presidentes de rua", salvando vidas com vizinhos que cuidavam de vizinhos, além de ações para mitigar a fome e o vírus. Foram mais de um milhão de cestas básicas e dois milhões de refeições distribuídas desde o início da pandemia. E, para enfrentar a crise econômica, impulsionamos negócios como Emprega Comunidades, que apoiou 7.000 diaristas, Mãos de Maria, que qualifica e empodera mulheres e Favela Brasil Express, colocando o CEP das favelas no ecomerce brasileiro. Iniciativas como as hor-
tas urbanas do Agrofavela Refazenda, G10 Bank, Galáxia Revendedora com oportunidades para mulheres terem independência financeira e Costurando Sonhos, que gera renda e confeccionou quase dois milhões de máscaras gratuitas, entre outras lideradas por empreendedores de Paraisópolis. Celebramos a data por meio de ações na comunidade, de 16 a 25 de setembro. Tivemos cultura, empreendedorismo, esporte, moda, gastronomia e muito mais. E lançamos a campanha “Um Presente para Paraisópolis” para arrecadar alimentos e brinquedos para famílias em situação de vulnerabilidade. Eu não sonhei em morar em favela, mas sonho com uma comunidade que não seja dividida por muros e com uma sociedade mais solidária. Sonho com uma favela que se transforma em bairro.
Gilson Rodrigues Líder comunitário de Paraisópolis, presidente do G10 Favelas e destaque no Prêmio Empreendedor Social do Ano em 2020
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5 SAÚDE
Cuidados com o coronavírus continuam necessários Ações da população organizada ainda precisam de apoio Por Gustavo Moreira
tivo para otimismo, em agosto e setembro do mesmo ano a situação se inverteu. A taxa de mortalidade de Paraisópolis já não estava mais abaixo da média do distrito de Vila Andrade como um todo. “Sem contar com o devido apoio público, as ações solidárias deixaram de obter os resultados buscados de proteção à vida dos moradores”, afirmou o médico sanitarista e pesquisador do Instituto Pólis Jorge Kayano no documento “Mortes por Covid-19 crescem 240% em Paraisópolis em dois meses”, publicado pelo próprio Instituto. Passado um ano dessas pesquisas, o Instituto Pólis reitera a taxa acumulada de Paraisópolis (754 óbitos por 100 mil habitantes) acima do distrito de Vila Andrade (306) e da cidade de São Paulo como um todo (464). De acordo com o arquiteto e urbanista Vitor Nisida, também pesquisador do Pólis, a cobertura da segunda dose de vacinação nas comunidades está de um modo geral bem baixa. Dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) da Prefeitura de São Paulo dão conta de que até o início de setembro deste ano foram aplicadas 2.042.833 primeiras doses, 905.231 segundas doses e 71.376 doses únicas da vacina contra Covid-19 no âmbito da Coordenadoria
Regional de Saúde Sul, onde fica Paraisópolis. “O papel do Estado de vacinar precisa ser cumprido. A assistência também é papel do Estado, mas como o Estado cumpre mal esse papel, é bom quando a população consegue se organizar”, defende, acrescentando o porém de que ações de ajuda locais não fazem milagre. As UBSs, ainda que precisem de aprimoramento, são bem distribuídas, influem com eficácia nos distritos mais periféricos. O Foto: Caio Caciporé
Dentro do distrito de Vila Andrade, que abrange ainda o Morumbi, Paraisópolis implementou diversas ações em parcerias com organizações da sociedade civil para impedir que o coronavírus se difundisse. Esse esforço fez com que a favela apresentasse, em 18 de maio de 2020, taxa de mortalidade por Covid-19 de 21,7 pessoas por 100 mil habitantes, de acordo com dados do Instituto Pólis. Enquanto isso, a Vila Andrade como um todo registrava 30,6 mortes a cada 100 mil habitantes. O índice também estava abaixo da média municipal (56,2) e de outros distritos vulneráveis como Pari (127), Brás (105,9), Brasilândia (78) e Sapopemba (72). “Apesar de representar 45,2% da população de todo o distrito (estimativa para 2020), com uma densidade demográfica 6 vezes maior e uma renda média 7 vezes menor, o número de óbitos ocasionados por COVID-19 em Paraisópolis representa apenas 32% do total do distrito – menos de um terço, o que significa que as áreas mais ricas do distrito tem uma letalidade maior do que a da favela”, cravava o Instituto Pólis em maio e junho de 2020. Entretanto, se em maio e junho de 2020 havia mo-
mesmo não pode ser dito de leitos hospitalares e UTIs, que ainda se concentram em bairros mais centrais, onde mora a população de maior poder aquisitivo. O G10 Favelas, junto com os presidentes de rua (voluntários que monitoram as famílias moradoras da comunidade), se responsabiliza pela distribuição não só de cestas básicas e marmitas, mas ainda de máscaras e kits de higiene e de combate à pobreza menstrual, isso
sem falar nas atividades de conscientização e combate às fake news. Centros de acolhimento, especialmente para necessidade de quarentena, foram montados em escolas estaduais, a E. E. Maria Zilda Gamba Natel e a E. E. Etelvina de Goes Marcucci, de onde se aproveitaram as reformas para a volta às aulas. Para ajudar a manter as ações do G10 Favelas, acesse g10favelas.com.br ou doe direto pelo PIX 12.772.787/000199 ou g10favelas
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6 SAÚDE
Variante Delta no Brasil Por: Dr. Francis Albert Fujii CREMESP: 104.852
Muitas notícias são desencontradas e existem muitas fakes News que ainda chegam por meio de grupos de mídias sociais que influenciam nossas opiniões. Mas um assunto importante, como a decisão sobre conti-
nuar com as medidas de proteção individual como distanciamento, uso do álcool gel e, principalmente, máscaras, não pode vir de opiniões desses grupos, exceto se cientificamente confirmadas. Neste mês de setembro de 2021, boa parte da população já está vacinada com a primeira dose e pelo menos 35% com as duas doses completas. Motivo de muito orgulho e esperança de vol-
tarmos à nossa vida habitual. Mas falamos de um vírus que sofre mutações, ou seja, mudanças, assim como qualquer outro vírus. Estas mutações são aleatórias e ocorrem pela luz da ciência ocasionalmente. Não há como evitar, e cada mudança (mutação) uma parte do vírus pode torná-lo mais ou menos infectante. Essas mudanças existem na natureza e sempre acontecem, e
isso permite adaptação da espécie para que sobreviva as condições que existem no mundo. Dentre os vários subtipos, os mais importantes são Alfa - Reino Unido, a Beta - África do Sul, a Gama Brasil, e a Delta - Índia, que gerou uma segunda onda muito importante, principalmente na Índia e que, estas variantes rapidamente conquistam o mundo.
Dr Francis Albert Fujii CREMESP: 104.852 Médico do Suporte Avançado de Vida do Samu da cidade de São Paulo e funcionário da MEDTRONIC, empresa de implantáveis.
Sabemos que a variante Delta já é a predominante no Brasil, causando pico de contaminação no estado do Rio de Janeiro, e hoje, espalhada pelo país, mas sem aumento significativo ainda no número de mortes. Sabendo disso, manter medidas que evitem a propagação do vírus ainda são necessárias e aconselháveis. Tomar as duas doses da vacina, manter medidas de higiene e, principalmente nos proteger e proteger quem nós amamos. Os idosos ainda são os mais susceptíveis e merecem nosso respeito e cuidado.
G10 Favelas lança Cores da Favela e transforma casas de Paraisópolis Programa realiza revitalização da comunidade, além de gerar emprego e renda No dia 24 de setembro, Paraisópolis lançou o programa de revitalização Cores da Favela, uma iniciativa do G10 Favelas realizada pelas
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Pudim da Zuzuz
startups Assessora Comunidades e Revitaliza Comunidades, que se uniram para transformar favelas de São Paulo e do Brasil. A ideia surgiu do desejo dos moradores de Paraisópolis, baseado nas experiências e necessidades da favela, de terem melhores condições de habitabilidade, com moradias dignas, garantia de segurança física, estrutural e espaços públicos de qualidade – tudo o que contribui para o bem-estar de modo geral. O propósito é expandir esse projeto para centenas de famílias das comunidades de todo o País.
O projeto pretende revitalizar casas, comércios e áreas públicas com o objetivo de elevar autoestima da população, melhorar a qualidade de vida, valorizar o bairro e fortalecer o comércio da região. Além de proporcionar um ambiente confortável, com condições de moradia digna, resguardando a saúde mental e física, fomenta o empreendedorismo e gera impacto social com capacitação profissional e geração de renda. Inicialmente, 51 casas em frente ao Pavilhão Social do G10 já estão sendo reformadas com re-
bocos e pinturas gratuitas. A assessoria técnica está a cargo da Assessora Comunidades, que cuida dos projetos e contribui para o acesso às reformas, enquanto a construtora Revitaliza Comunidades é responsável pela execução do projeto. Todo o processo é acompanhado por um arquiteto e os moradores podem contratar o serviço a preços acessíveis. O projeto é liderado por Isaac Bezerra, fundador da Assessora Comunidades, e Carlos Leonardo, fundador da Revitaliza Comunidades, ambos moradores de Paraisópolis.
A execução de novos projetos, em todas as etapas das obras, será realizada a partir da contratação de profissionais que residem na comunidade com o objetivo de investir na geração de emprego e renda. Os moradores poderão não só fazer financiamento com o G10 Bank, como ainda contar com o apoio de parceiros, como o modelo do Sobras do Bem, programa de arrecadação de material de construção, coleta e reaproveitamento de materiais que não foram utilizados, buscando reduzir os custos envolvidos na reforma.
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ESPECIAL 100 ANOS
O aniversário é de Paraisópolis, mas, o presente é meu! Terra do recomeço, da reconexão, da redescoberta, das oportunidades. Por: Mônica Rydlewski
Não, eu não moro em Paraisópolis, mas passo mais tempo aqui que com minha família. Paraisópolis me recebe de braços abertos há 11 anos. Sua arquitetura, seu povo, suas cores, seus sons, retratam o mundo plural em que vivemos, com a diferença que aqui somos todos iguais. Aqui, somos uns pelos outros e não há espaço para tristeza, ainda que ela exista dentro de cada um de nós. Foi aqui que descobri quem sou, que descobri e aceitei minha missão, que apesar de não ter religião definida, sabia
que tinha que zelar, cuidar e servir ao próximo. E foi aqui, num momento aterrorizante, depois de um incêndio de grandes proporções, que descobri o meu dom, quando fiquei, por 42 dias, cozinhando e cuidando de quem mais precisava de mim naquele momento. E hoje, prestes a completar 56 anos, com o apoio da minha família, dos meus amigos e do povo todo que me incentivou por aqui, me formo em gastronomia no final do ano. Foi aqui que me redescobri, que me reencontrei. Meus amigos? Estão
aqui! Meu sustento? Vem daqui! Ah! Não podia deixar de dizer que aqui consegui matar as saudades gigantes dos meus pais, quando fazia minhas loucas oficinas com os idosos, de quem estou morrendo de saudades. Obrigada, Paraisópolis! Obrigada por receber a todos nós, sem distinção em seu coração de mãe. Obrigada a você, morador, que de alguma forma, em algum momento, estivemos conectados. Seja pelas ações, pelas orações ou pelas vibrações. Hoje posso dizer que tenho orgulho de ser... Favela!
Mônica Rydlewski Bailarina, Produtora de eventos, atua em Paraisópolis há 11 anos. Hoje, além de colunista do Jornal Espaço do Povo, a chefe de cozinha desenvolve diversas atividades voltadas à gastronomia dentro da comunidade.
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8 ESPECIAL 100 ANOS
100 vezes Forró!
Por Paulo Rydlewski
Não tem como ser um bom músico, se em nosso coração não houver amor e disciplina. Amor pela música e tudo que podemos dar e receber de sua prática, de seu aprendizado.. amor pelas pessoas que podemos atingir com sua beleza. Disciplina para estudar, se desenvolver, traçar metas profissionais e correr em sua direção. Digo o mesmo de uma orquestra, essas são as condições iniciais para que qualquer grupo possa ter um futuro brilhante. Some-se a essas condições a alegria, e aí teremos a Orquestra Filarmônica de Paraisópolis, que nasceu do encontro dos sonhos e da determinação da União dos Moradores de Paraisópolis, de seu presidente Gilson Rodrigues, dos meus e de muitos outros. Não poderia haver um lugar melhor que Paraisópo-
lis para essa ousadia. Uma pequena “cidade”, onde a maior parte de sua população tem origem no Nordeste. É lá a terra onde as crianças dançam antes de caminhar, cantam antes de falar. É lá também onde se revelam cantores, bandas, bailarinos, atores e diversos artistas de todas as áreas. É lá, onde apesar de todas as diferenças e dificuldades, se mantém intacta a alegria de se viver. Já temos alguma história, são onze anos de muita luta e muitas vitórias na história dessa orquestra que tem como sua marca musical registrada um baião chamado “Mourão”, que faz muito sucesso em todas suas apresentações e orgulhosamente representa a comunidade. Em nosso caminho, tratamos de oferecer Cursos de Iniciação Musical, Formação em Instrumentos, Profissionalizante, Coral Infanto Juvenil e até para o exame de vestibular. Por nossa orquestra já passaram mais de seiscen-
tas crianças, adolescentes e adultos moradores e amigos de Paraisópolis. No entanto, mais importante que quaisquer números é a decisão, tomada em 2000, de se investir em cultura e educação, a forma mais rápida e eficiente de se desenvolver um país, ou mesmo uma “cidade” como Paraisópolis. Essa decisão, somada aos talentos locais e uma série de ações positivas, iniciativas criadas aqui mesmo, vêm transformando a vida na comunidade. Essa capacidade de
“reação positiva” em todas as áreas, também fez a diferença nesse momento tão difícil que estamos vivendo, ações simples e eficientes, tomadas pelo G10 Favelas e seus parceiros, criaram condições para que, apesar de toda dor, a luta contra a COVID-19 fosse suportada. Hoje, na data de aniversário de 100 anos de Paraisópolis, apesar de tudo, eu prefiro pensar com confiança, acreditar no que vem sendo feito, e assim imaginar nossas crianças cantando novamente, dançando e
se divertindo. Sim, acredito que já é possível sonhar com dias melhores onde a favela concluirá sua transformação em um bairro, onde a inclusão e a ausência de preconceito criarão um novo modelo de convivência, onde seus cidadãos poderão continuar a demonstrar seus talentos, sua coragem e alegria em um imenso forró a céu aberto, e onde, podem ter certeza, a nossa Orquestra Filarmônica fará questão de providenciar a trilha sonora. Viva 1, Viva 10, Viva 100 vezes Paraisópolis!
Paulo Rydlewski Bacharel em Composição e Regência pela UNESP e pós-graduado pela Academia Franz Liszt de Budapest, com Mestrado em Musicologia pela Universidade de São Paulo (USP). O Maestro da Orquestra Filarmônica de Paraisópolis estudou com mestres como Leonard Bernstein, John Cage, Peter Öetvös, György Kurtág e Eleazar de Carvalho.
Coral Infantojuvenil de Paraisópolis está com vagas abertas! Tem filhos com idades entre 07 a 15 anos? Então você não pode perder essa oportunidade! O Coral Infantojuvenil de Paraisópolis está com vagas abertas! Os ensaios serão realizados às terças e quintas-feiras, das 10h às 11h ou das 14h às 15h.Para realizar a inscrição, envie uma mensagem para 11 - 999061409 - Falar com o Maestro Paulo Rydlewski.
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9 CULTURA
Glória Maria fala sobre a Batalha de Rimas Evento marcou presença no centenário de Paraisópolis
Durante os eventos comemorativos do centenário de Paraisópolis, o que não faltou foi declamação em ritmo de rap. Na organização da Batalha de Rimas, que aconteceu no dia 18 de setembro no Espaço Pipa, Glória Maria nos deu uma rápida entrevista. Jornalista, produtora audiovisual e co-fundadora da Batalha junto com o companheiro, Mike Johnnatan, Glória Maria contou que os encontros para disputa de rimas surgiram a partir de um post feito no Facebook, à procura de mcs. “Aí trombei com o Mike, que é mc, e tocamos o projeto”, conta a jornalista. A Batalha surgiu em 2017, com objetivo de reunir crianças e jovens para um evento contínuo de rap, já que não existia na comunidade. Hoje o projeto conta com seis participantes, com idades entre 20 e 28 anos. No evento do dia 18, houve apresentações
Fotos: Reprodução
Por Gustavo Moreira
de artistas da comunidade e depois a Batalha. “Não temos treinos. Acredito que esse desenvolvimento da
rima se dá nas ruas mesmo, Para participar, a jorno encontro quando trom- nalista diz que basta colar bamos a galera no rolê”, co- nos dias de evento, uns menta Glória Maria. dez minutos antes para se
inscrever (caso rime). De qualquer modo, as pessoas podem ficar como público, que vota no melhor mc.
I love paraisópolis ganha reexibição em Portugal Apresentada no Brasil pela TV Globo uma única vez, em 2015, a telenovela I love Paraisópolis ganha de novo a Europa lusófona: sua reexibição iniciou na Globo Portugal em 6 de setembro. Já transmitida por emissora portuguesa em 2016 (o canal aberto SIC - Sociedade Independente de Comuni-
cação), conta a história de amor entre os personagens de Maurício Destri e Bruna Marquezine. A novela tem como autores os dramaturgos Alcides Nogueira e Mário Teixeira. Da realidade à ficção, Paraisópolis e Morumbi se dividem como cenários da trama. Paraisópolis fica ao lado
do Morumbi, bairro da zona sul paulistana. A favela ocupa um espaço correspondente a 97 campos de futebol: são quase um milhão de metros quadrados. Foi nesse espaço, onde moram cerca de 100 mil pessoas, que gravaram atores e atrizes como Bruna Marquezine, Caio Castro, Henri Castelli e Tatá Werneck.
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10 ESPECIAL CENTENÁRIO DE PARAISÓPOLIS
Paraisópolis 100 anos Como um loteamento em uma fazenda no Morumbi se tornou uma das maiores potências periféricas do Brasil Por Keli Gois
Esperança de uma vida melhor, a certeza de um trabalho e a promessa de moradia foram os principais motivos que fizeram com que famílias de diferentes partes do Brasil viessem a São Paulo. Com o objetivo de trabalhar em grandes construções na região do Morumbi, Zona Sul de São Paulo, esses migrantes se instalaram em uma antiga fazenda, que mais tarde passaria a se chamar Paraisópolis e se tornaria a segunda maior favela de São Paulo e uma das maiores do Brasil. Paraisópolis teve início em 1921, quando a área da antiga fazenda do Morumbi foi dividida em lotes para a construção de edifícios de luxo. Por conta do relevo da região, que impossibilitava as construções, o local foi sendo abandonado aos poucos, sendo, mais tarde, utilizado pelos japoneses para o plantio de hortaliças. Já na década de 70, com o grande número de migrantes chegando na região, passou a receber os primeiros barracos de madeira e, desde então, é o lar para mais de 100 mil habitantes, que em 16 de setembro celebraram o centenário da comunidade. São 100 anos de muita história, lutas e conquistas. Conquistas essas, que proporcionam acesso à saúde, educação, qualidade de vida
e moradia aos seus moradores, que chegaram no local e se depararam com uma situação totalmente diferente daquela que eles sonhavam quando decidiram vir para Paraisópolis, como o preconceito, dificuldade de acesso, condições precárias, além da fome e desemprego.“Não tínhamos nessa época, água, luz, carro ou ônibus. Nós andávamos mais de uma hora
para conseguir pegar um ônibus na Avenida Morumbi. Eu tinha um carro que servia de ambulância para mães que iam ganhar bebê, que às vezes nasciam dentro do carro.”, relembra Helena Santos, moradora de Paraisópolis há 53 anos. Essa história de luta por melhorias teve início por um grupo de jovens, que mais passou a fazer parte da
União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis, que em 38 anos de atuação promoveu diversas melhorias na comunidade por meio de uma rede de lideranças comunitárias, que se uniram para lutar pelo direito à educação, saúde, emprego e cultura, trazendo diversos projetos sociais como o Ballet Paraisópolis, Orquestra Filarmônica de Paraisópo-
lis, entre tantos outros que já fizeram e ainda fazem a diferença dentro da segunda maior favela de São Paulo. “São 100 anos de lutas, desafios, resistência para conseguir estar aqui. Não tem sido fácil, Paraisópolis é uma comunidade no coração do Morumbi e tivemos que aprender a conviver e mostrar que não existe Morumbi bom ou Paraisópo-
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ESPECIAL CENTENÁRIO DE PARAISÓPOLIS
Foto: Caio Caciporé
lis ruim, e assim nós temos convocado o Brasil a se unir uns pelos outros, para que a gente possa transformar essa realidade. E a melhor forma de fazer isso é amar o local onde vivemos, gostar das pessoas e conviver uns com os outros, ainda que com as diferenças”, destacou Gilson Rodrigues, Presidente do G10 Favelas. Com o G10 Favelas, lançado em 2019, Paraisópolis conseguiu atrair ainda mais os olhares para a comunidade, que passou a ser vista como uma grande potência e
como exemplo mundial pelas ações de combate a COVID-19, que no último mês de agosto completou 500 dias de ações. “Nos últimos anos, conseguimos atrair investimentos que proporcionaram a construção de 15 escolas, 4 mil moradias, canalização de córregos e a aproximação de uma série de instituições da área da educação, saúde, esporte, que têm transformado a nossa comunidade e, muito mais que isso, nos dado uma perspectiva de que podemos mudar a realidade e inspirar outras pessoas para
que elas também tenham dia 16 de Setembro, Dia de perspectiva.”, comemorou Paraisópolis, e acontece até o dia 25 de Setembro. Gilson Rodrigues. A abertura da Semana de Paraisópolis foi reali13ª Semana de Paraisózada em um evento solene polis é inaugurada com que contou com a presença celebração dos 100 anos Há 13 anos, para celebrar de moradores, lideranças o aniversário de Paraisópo- comunitárias, apoiadores, lis, a comunidade realiza a além de figuras do poder Semana de Paraisópolis, pro- público, que puderam comovida pelo G10 Favelas em nhecer um pouco mais soparceria com a Associação bre os projetos realizados dos Moradores, lideranças na comunidade, como a comunitárias e parceiros que Orquestra Filarmônica de apoiam os diversos projetos Paraisópolis, que realizou sociais realizados na comuni- a abertura do evento, endade. A semana teve início no tre outros como Costuran-
do Sonhos, Favela Brasil Xpress, Emprega Comunidades e Mãos de Maria. . E, como em todos os anos, não podia faltar o bolo de Paraisópolis, produzido pelo Mãos de Maria, projeto que capacita e emprega mulheres de Paraisópolis. O bolo foi recebido com alegria pelos moradores, que em meio a tantas lutas e dificuldades, resistiram e transformaram a comunidade onde vivem e agora, por meio das ações do G10 Favelas e tantos apoiadores, têm certeza que terão a oportunidade de um futuro melhor. “Que nossos 100 anos possam ser melhores, principalmente para as nossas crianças. Que elas possam sonhar,se transformar, estudar e inspirar outras favelas de que é sim possível construir um mundo melhor.”, afirmou Gilson Rodrigues ao entregar o primeiro pedaço do bolo a uma criança moradora da comunidade. Ainda durante as comemorações do centenário, Gilson fez uma homenagem a Josefa Campos, uma liderança comunitária que dedicou sua vida a Paraisópolis. “Queremos homenagear e relembrar uma mulher que dedicou toda a sua juventude e velhice para a construção de Paraisópolis e que infelizmente, nos deixou há um ano, no dia de Paraisópolis. Que esse dia seja também uma homenagem a ela, para que a gente possa continuar o trabalho que ela começou, e fazer as transformações que Paraisópolis precisa, concluiu Gilson.
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12 SUSTENTABILIDADE
Parque Paraisópolis Lourival Clemente “Seu Louro” é inaugurado durante Semana de Paraisópolis
Parque conta com área de piquenique, academia e parquinho, muito verde e lazer para que os moradores possam curtir o tempo livre
Além de celebrar 100 anos marcados por lutas, superações e conquistas, Paraisópolis tem ainda muitos outros motivos para comemorar. Após 12 anos de espera e cobranças junto ao poder público, os moradores da segunda maior comunidade de São Paulo finalmente terão acesso a um espaço de lazer e área verde para curtir no tempo livre. O Parque Municipal de Paraisópolis leva o nome de um dos moradores mais antigos da comunidade, "Lourival Clemente da Silva". Popularmente conhecido como Louro, ele chegou de Alagoas em 1964 na tentativa de construir uma vida melhor. Em Paraisópolis ele montou seu conhecido comércio, casou-se e formou sua família, que vive na comunidade até hoje. Na inauguração, esti-
veram presentes esposa e filho que, inclusive, cortaram a faixa na entrada do parque, simbolizando a inauguração. Com uma área total de 68 mil m², o Parque Paraisópolis conta com academia (especialmente recomendada para a terceira idade), decks, área para piquenique, parquinho para crianças e áreas para fazer caminhadas rodeadas de árvores nativas. "Com o parque, vamos proporcionar muito mais qualidade de vida e acesso a lazer aos mais de 100 mil moradores da nossa comunidade, que agora não precisarão sair de Paraisópolis para aproveitar um domingo no parque com a família", comemora Gilson Rodrigues, presidente do G10 Favelas. Elaborado em 2012, o projeto base do parque começou a sair do papel ape-
Foto: Caio Caciporé
Por Keli Gois
nas em 2019, ao entrar no Plano de Metas 2019/2020. Depois disso, a promessa era de que seria inaugurado em 2020 e, por conta de atrasos na construção, mudanças no orçamento e até problemas com o fornecimento de água e energia, a previsão ficou para setembro de 2021, o que se concretizou e foi um presente para a comunidade, que estava celebrando seu centenário. Parque é recebido com muita alegria pelos moradores A inauguração do Parque Municipal de Paraisópolis aconteceu no sábado, 18 de setembro, durante a 13ª Semana de Paraisópolis, e contou com a presença de líderes do governo como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, a primeira dama do estado de São Paulo, Bia Doria,
o secretário do estado de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido, a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, o secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo de Castro, a secretária-adjunta de subprefeituras, Carolina Lafemina, o secretário executivo de projetos estratégicos da Secretaria do Governo Municipal, Alexis Vargas, o subprefeito de Campo Limpo, Thiago Dias da Silva, o presidente do G10 Favelas, Gilson Rodrigues, além de outras lideranças e moradores da comunidade. "Quero agradecer ao Gilson, a todos os líderes comunitários, ao G10 Favelas e todos da comunidade de Paraisópolis. É um momento de muita alegria para a Prefeitura
de São Paulo entregar esse espaço de 68 mil m² que cuida e preserva o verde, mas também é área de lazer aos moradores", declarou o Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, ao Jornal Espaço do Povo. O parque marca mais uma grande conquista de Paraisópolis. "É um espaço muito bom. Com essa área verde vai ser mais fácil para as crianças brincarem. Eu costumo fazer caminhadas e agora, com o parque, não preciso sair de Paraisópolis. Posso fazer isso aqui mesmo no próprio parque da comunidade", comemora a moradora Lucivânia Nobre Severo. Localizado em frente à Assistência Médica Ambulatorial (AMA) Paraisópolis, o parque ficará aberto aos moradores todos os dias, das 6h às 18h.
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Gilson Rodrigues
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14 GASTRONOMIA NO PARAÍSO
Restaurante “a céu aberto” é sucesso em Paraisópolis ‘Churrasquinho do Véi’ serve pratos a preços acessíveis na Pasquale com Jangadas Por Gustavo Moreira
Em 2015, Raimundo Soares, então estoquista de uma empresa de embalagens, decidiu arriscar tudo: largou o emprego CLT em que estava há mais de sete anos para se juntar à esposa, a cozinheira Terezinha Lacerda, e trabalhar com a venda dos espetos.
Com o tempo, surgiu a ideia de trabalhar com porções de arroz, feijão tropeiro e vinagrete. “Nesse início eram apenas os dois, minha mãe na cozinha e meu pai no atendimento”, conta Thales Lacerda, que trabalha com os pais no restaurante “a céu aberto”,
batizado como Churrasquinho do Véi pelos clientes que foram ficando mais regulares. “A cozinha usada era a da nossa casa e não havia ainda muita estrutura”. Com o aumento do movimento, na Rua Pasquale com a Rua das Jangadas, foi necessário variar o cardápio aos poucos até o que se tem hoje: feijoada, costela, galinha, sarapatel, mocotó, picadinho e strogonoff. “Consequentemente, foi preciso melhorar a estrutura tanto da cozinha quanto do atendimento e contratar funcionários para dar conta da demanda. Hoje temos uma cozinha industrial, somos dez trabalhando e continuamos na busca de melhorar o nosso serviço, de crescer mais dentro do Paraisópolis, levando comidas saborosas e com preço acessível para os comerciantes e moradores”, finaliza Thales.
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15 GASTRONOMIA
Dica Gastronômica: Conhecem o Malokeiro Burger? Estive lá no sábado e já fiquei fã. Os meninos Rogério Pereira, Tayslan Alves, Ygor Lima e Marcos Silva estão batendo um bolão, tanto na cozinha como no empreendedorismo. A casa conta com 45 lugares, ar condicionado e cerveja geladinha, servida na caneca gelada. Conta ainda com uma carta de drinks que não fica devendo nada a nenhuma outra. O carro chef são os hambúrgueres com um blend bem delicado e com molhos e acompanhamentos de dar água na boca. Experimentei todos. A casa ainda oferece cultura de alto nível: às segundas, stand up com nomes conhe-
Fotos: Reproduão
Por: Mônica Rydlewski
cidos do grande público, às terças e quartas, Karaokê para soltar a voz, às quintas-feiras, MPB e RAP com artistas da região, e no resto da semana, música am-
biente com DJ da casa. Me senti em uma hamburgueria de New York. Ah! Além de tudo isso, esses meninos empreendedores já estão na segunda loja e empregam
20 jovens, que são treinados pela casa dando oportunidade do primeiro emprego. Um spoiler? Vem aí uma cerveja artesanal com
a marca e a qualidade Malokeiro. Pode ir sem susto, os preços são justos e cabem em qualquer bolso! Fica a Dica!
Da minha cozinha para a sua A edição de aniversário de Paraisópolis me deu um presente: estou de volta, falando de comida boa com vocês. Minha coluna vai se
dividir em duas partes. Na primeira, uma receita prática e com uma boa relação custo/benefício. Na segunda, uma dica gastronômica, que
deverá formar um roteiro @monicarydlewski ou no dos melhores locais para co- direct do jornal @espacodomer na favela. Você inclusi- povo. Bora pra cozinha? ve pode mandar sua sugestão “Fruvete” da Mônica no meu direct no Instagram Sabe a xepa da feira?
Aproveite as frutas da estação tendo como base a banana. Fatie as bananas maduras em rodelas, disponha em uma assadeira e coloque para congelar. Faça o mesmo com frutas da época como morangos, mangas, melões e abacaxis. Retire da assadeira e faça saquinhos distintos para deixar no congelador. Para fazer o Fruvete, basta bater no liquidificador uma parte das bananas (60%), com parte da fruta de preferência. Se necessário, coloque um pinguinho de água ou leite para ajudar a bater. Ah! NÃO precisa colocar açúcar! Solte a criatividade na hora de servir! Bom apetite!
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16 EMPREENDEDORISMO
Favela Brasil Xpress comemora 100 mil entregas Evento contou ainda com celebração dos 80 funcionários contratados Por Gustavo Moreira
Em um país onde o conjunto de favelas equivale ao tamanho do estado da Bahia, não haver logística para receber um produto na porta de casa pode surpreender pela negligência das instituições, mas até pouco tempo era essa a realidade. Era, no passado, porque uma mudança relevante começa a se operar desde abril de 2021, quando a Favela Brasil Xpress ainda nem imaginava comemorar tão rápido suas mais de 100 mil entregas feitas nas comunidades. A celebração ocorreu em 31 de agosto, no Pavilhão Social G10 Favelas, em Paraisópolis, com participação de parceiros como as Americanas e a Dafiti, além de entregadores e destinatários. Idealizada pelo tecnólogo Giva Pereira, CEO da Favela Brasil Xpress, a iniciativa surgiu da logística exigida pelas entregas de doações durante a pandemia e, desenvolvida no âmbito do G10 Favelas, G10 Bank
e G10 HUB Escritório de Negócios, tem compromisso com criação de receita e inclusão social. “A gente trabalha com o last mile, isto é, a última milha, o que quer dizer que as empresas maiores trazem os produtos empacotados para nós e nós utilizamos a inteligência local, com os moradores locais, para o percurso final, o que acaba inclusive gerando trabalho e renda”, explica Giva. O modo de organização, bem-sucedido, agora se expande a lugares como Capão Redondo, Cidade Júlia, Heliópolis e Diadema, também em São Paulo, além de Rocinha e Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, entre outras regiões consideradas de periferia, como Betim, em Minas Gerais. Em Paraisópolis, a Favela Brasil Xpress tem como base o container no G10 HUB Escritórios de Negócios. É lá que os funcionários da startup separam e direcionam as mercadorias que serão levadas pelos entregadores. Se-
gundo o gerente de operações da Americanas, André Biselli, o Favela Brasil Xpress tem um resultado mais efetivo com as empresas devido ao modelo compartilhado. A parceria prevê ainda que empreendimentos das favelas também cheguem ao marketplace da B2W, rede que conta com Submarino, Shoptime e Sou Barato, além da própria Americanas. Para além da entrega de número cem mil, efetivada no evento comemorativo com o recebimento do pacote cem milésimo pela diarista Creuza Carvalho Silva, outros motivos de celebração da Favela Brasil Xpress incluem o salto de quatro funcionários, quando a startup iniciou em abril, para 80, em agosto. Ainda no evento, o primeiro entregador, Francisco Jefferson Souza, braço direito de Giva, teve a contratação reassinada em ato simbólico pelos outros trabalhadores a se registrarem, boa parte comemorando
suas carteiras de trabalho. Como motivo de comemoração, a Favela Brasil Xpress conta ainda com o primeiro lugar no Demo Day, o Desafio Brasil-Reino Unido de Logística Urbana, para projetos de maximização da eficiência em abastecimento em centros urbanos, distinção que se segue ao Prêmio Empreendedor Social do Ano, oferecido pela Folha de S. Paulo e a Fundação Schwab a Giva Pereira pelo mapeamento de Paraisópolis no combate à Covid-19. Tudo isso tem feito o trabalho da Favela Brasil
Xpress ganhar projeção internacional, com matérias que alcançaram o norte-americano Washington Post e o Euronews de Portugal. “A nossa meta é partir das 800 entregas diárias para 5 mil até o fim do mês, com previsão de poder aumentar o dado para 1 milhão até o final do ano”, afirma o CEO Giva Pereira Com todo esse sucesso, Gilson Rodrigues, CEO do G10 Bank, conta que o objetivo é expandir o projeto para 50 favelas, primeiro passo para em seguida chegar a 300 comunidades no país. .
Em parceria com Favela Brasil Xpress, Total Express viabiliza malhas logísticas aéreas e terrestres e ampliar a área de cobertura das entregas Brasil a fora Parceira da Favela Brasil Xpress, a Total Express é uma empresa de soluções logísticas que atende pequeno, médio e grande e-commerce, gigantes do varejo, indústria e governo. Seu objetivo é aliar a expansão dos negócios com seu projeto de responsabi-
lidade social, daí o apoio ao desenvolvimento das comunidades. “O principal objetivo do Favela Brasil Xpress é permitir que os moradores de Paraisópolis e entorno possam ter boas experiências de compra on-line na região, com acesso à facilidade de receber
encomendas em casa sem nenhum imprevisto ou demora”, afirma Eduardo Peixoto, Vice-Presidente da Total Express. “Queremos fazer parte desse movimento e, inclusive, ir além da capacidade de entrega. Nossa intenção é, também, colaborar de maneira proativa para a geração
de empregos nessa região”, completa o executivo. Além da geração de empregos, a parceria com a Favela Brasil Xpress prevê a utilização não só da malha logística rodoviária da Total Express, mas ainda da aérea, especialmente para o transporte de cestas básicas
e outros itens de finalidade humanitária doados ao G10 Favelas. A novidade foi anunciada entre os lançamentos da Favela Brasil Xpress dentro do evento de comemoração do centenário de Paraisópolis, no dia 17 de setembro no Pavilhão Social G10 Favelas.
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17 EMPREENDEDORISMO
Paraisópolis ganha área de recreação infantil
Favelas do Brincar Luis Maike
Favelas do Brincar é novo espaço de recreação para promover o desenvolvimento infantil na comunidade
No dia 16 de setembro, Paraisópolis completou 100 anos, e como parte das comemorações, a comunidade ganhou um espaço de recreação dedicado às crianças. O Favelas do Brincar é uma iniciativa que nasceu da parceria entre o Movimento Unidos Pelo Brincar e o G10 Favelas para promover o direito de brincar com atividades voltadas à primeira infância. Localizada em frente ao Pavilhão Social do G10 Favelas, a área veio para preencher uma carência que era uma queixa de moradores da região, a necessidade de um espaço para as crianças poderem brincar. O projeto oferece uma série de brincadeiras lúdicas, como amarelinha, jo-
gos, entre outras intervenções dedicadas ao desenvolvimento das crianças. “A brincadeira é o único momento em que a criança está exercitando todas as dimensões de seu desenvolvimento, como dimensão física, cognitiva, sócio-emocional e a linguagem. É só na brincadeira que isso acontece. Se a gente quer trabalhar competências sócio-emocionais nessa criança, é através da brincadeira.”, afirma Ana Maria Bastos, especialista em Infância do Brasil (crianças de 0 a 3 anos) pelo Instituto Singularidades. Uma pesquisa realizada pelo movimento Unidos pelo Brincar, em parceria com o Instituto Locomotiva e o Data Favela, denominada como “O Brincar nas
Favelas Brasileiras”, aponta que 88% das mães entrevistadas recorrem às telas, como aparelhos de celular e televisão, para entreter as crianças. Com o trabalho Favelas do Brincar André Silva
Por Gabriela Marinho
remoto, o fechamento de creches e escolas durante a pandemia, pais e filhos passaram mais tempo juntos, mas para muitos pais, nem mesmo com essa aproximação foi possível conciliar o tempo entre o trabalho e o momento de brincar com as crianças. Ainda de acordo com a pesquisa, 50% dos pais acham que a pandemia trouxe dificuldade em encontrar tempo para brincar com as crianças. E não é por falta de compreensão da importância do brincar. Na pesquisa, 92% dos pais acreditam que as brincadeiras são importantes para o aprendizado infantil, principalmente para habilidades de comunicação, socioemo-
cionais, desenvolvimento físico e concentração. “Educação tem tudo a ver com brincar e este presente nos 100 anos de Paraisópolis é uma forma de dar às nossas crianças uma ótima oportunidade de brincar e aprender sem ter que sair da comunidade. Investir no desenvolvimento de todas as crianças hoje é a base para uma sociedade mais próspera para todos amanhã”, afirma Gilson Rodrigues, Presidente do G10 Favelas. Depois de Paraisópolis, o Movimento Unidos Pelo Brincar levará o projeto para demais favelas do País. O Complexo do Alemão (RJ) e Heliópolis (SP) serão as próximas.
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18 ECONOMIA
G10 Bank Participações e Galáxia Academia de Revendedoras lançam programa ‘Investe Nelas’ Programa vai beneficiar mulheres autônomas por meio de cursos de capacitação e microcrédito no valor de R$ 1.500 Com o objetivo de fomentar o empreendedorismo femininino em Paraisópolis, a Galáxia Academia de Revendedoras lançou o Investe Nelas. Fruto de parceria com o G10 Bank, o Programa concede microcrédito no valor de R$ 1.500 para empreendedoras cadastradas. O lançamento ocorreu durante as comemorações do centenário da comunidade. Com o microcrédito concedido, as Revendedoras poderão comprar os produtos da Galáxia para vender e gerar renda. A Galáxia Academia de Revendedoras desempenha o papel de ‘fiadora’ para essas mulheres. Com o microcrédito, elas poderão comprar o Kit Galáxia e podem começar a revender os produtos e gerar uma
renda mensal de R$ 3.000 a R$ 3.500. Mais do que oferecer microcrédito, a Galáxia Academia tem papel de promover a capacitação de suas Revendedoras. Além de equipamentos para tornar o negócio on-line possível (tablets, acesso à internet, etc.), elas recebem treinamentos em gatilhos e técnicas de venda, especialmente a venda em plataformas digitais. Recebem ainda formação em formalização e educação financeira, promovidos pelo Sebrae e pela plataforma digital própria. O evento de lançamento do Investe Nelas, realizado em 20 de setembro, foi conduzido pelas idealizadoras do projeto, Tatiane Cruz e Maria Nilde Santos. Contou com a participação das Revendedoras num dia de beleza promovido por Wallace Rodrigues e sua equipe, do Belezinha Brasil. Marcaram presença no lançamento o ator Henri Castelli, embaixador do Pro-
grama Investe Nelas, parceiro e apoiador do G10 Favelas, e também a empresária Cris Arcangeli, que vai ter produtos comercializados pelas Revendedoras da Galáxia e ainda oferecer mentorias e treinamentos. “O evento foi um sucesso! Fizemos uma alusão ao filme da Cinderela, uma releitura que fala sobre empreendedorismo e poder feminino. Se essa cin-
derela vivesse nos dias de hoje, provavelmente estaria vivendo na favela, com os mesmos sonhos que essas revendedoras. O nosso pa-
pel é justamente dar condições para que elas possam realizá-los”, destacou a idealizadora do projeto, Tatiane Cruz.
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19 EMPREGO & CARREIRA
1º Feirão de empregos de Paraisópolis reuniu grandes empresas
Por Keli Gois
Realizado pelo Emprega Comunidades, feirão de emprego ofereceu Workshops e palestras aos moradores de Paraisópolis
Na tentativa de diminuir a taxa de desemprego dentro de Paraisópolis, que aumentou desde o início da pandemia, o Emprega Comunidades realizou sua primeira feira de Empreendedorismo e Empregabilidade em Paraisópolis. A ação fez parte da programação da semana de comemoração dos 100 anos da comunidade e contou com a presença de centenas moradores. O feirão foi promovido pelo Emprega Comunidades, mais conhecido como “LinkedIn da Favela”, em parceria com o G10 Favelas e empresas como Sebrae, Rede Magalu, Gerdau, Carrefour, rede de Hotéis Meliá, Facul-
dade Anhanguera, LanUp, Low Card, Senai, Senac, além do apoio da prefeitura e do Governo do Estado de São Paulo. “O Feirão de Empregabilidade aconteceu em um momento extremamente importante. O mercado está reaquecendo, o comércio está reabrindo e as pessoas podem voltar a sonhar. Com o nosso feirão, tivemos a oportunidade de mostrar as tendências para que esses candidatos não só tivessem acesso às vagas, mas também pudessem se qualificar para essas oportunidades do mercado”, explicou a fundadora do Emprega Comunidades, Rejane
Santos, durante a realização do feirão. Em busca do primeiro emprego com carteira registrada, João Vitor da Costa Barbosa, 19 anos, que já trabalhou na área de logística, não pensou duas vezes ao saber do feirão, dos Workshops e das vagas que estavam sendo disponibilizadas. “O feirão é uma grande oportunidade que estão dando para a gente. Já trabalhei na área de logística anteriormente e agora estou em busca de uma oportunidade de trabalho na mesma área, mas com registro na carteira”, destacou. Se inscrever nas vagas oferecidas não foi o único obje-
tivo de quem procurava pelo Emprega Comunidades. Moradores que desejavam aprimorar o currículo e aprender sobre outras áreas de atuação também participaram dos diversos workshops nas áreas de tecnologia, serviços e de bares e restaurantes. É o caso do morador Alex Silva dos Santos, 35 anos, que possui uma empresa na área de construção civil na comunidade e participou do Workshop de Empreendedorismo. “Eu estava em busca de novas ideias e conhecimentos para agregar ao meu negócio, e com o Workshop eu pude tirar muitas dúvidas”, declarou.
Além de participar de Workshops e se candidatar a vagas de trabalho, os moradores também puderam se inscrever em programas de bolsas de estudos e capacitação oferecidos pela empresa Americanas. Durante o evento, o Meliá também realizou a entrega de certificados para 30 moradores formados nos cursos oferecidos pela própria rede de hotéis. Os candidatos também tiveram a oportunidade de assistir a uma palestra com a Secretária de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, Patrícia Ellen, e Wilson Poit, Diretor Superintendente do Sebrae SP, que entregou certificados a alunos e moradores de Paraisópolis que concluíram a formação de Empreendedorismo oferecida pela instituição. “Na atual situação, com o aumento do desemprego no país, é muito importante que as empresas gerem oportunidades de emprego e capacitação. Hoje, neste momento de pandemia, temos cerca de 750 pessoas que foram capacitadas pelo Emprega Comunidades e que estão disponíveis para o mercado de trabalho. Nosso papel é encontrar essas empresas que buscam por profissionais capacitados e hoje, durante o nosso primeiro feirão, tivemos essa incrível oportunidade”, concluiu Rejane.
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