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PRIMEIRA VERSÃO - A REVISAR

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Texto de João Santos


Realizado por meio do Edital nº14/2020 - SELEÇÃO DE BOLSISTAS PARA AS ÁREAS ARTÍSTICAS, TÉCNICAS E DE PRODUÇÃO CULTURAL, com recursos da Lei Aldir Blanc.


1 HERÓI DAS ESTRELAS outros viram também

(dedicado à Jorge Mautner e à memória de Nelson Jacobina)

PRÉ-PRÓLOGO

Um quadro em uma parede. Pedrinho se aproxima e escreve:

ARACY DE ALMEIDA = BEETHOVEN

Se afasta e lê, pensativo, o que escreveu. Volta ao quadro e completa, a respeito de Aracy de Almeida:

ARACY DE ALMEIDA = BEETHOVEN ↳ (embora ligeiramente superior)

[Blecaute]

ANA [OFF] No evangelho de São João uma voz em júbilo anuncia: Uma criança nasceu entre nós

1 - PRÓLOGO

COMADRE: Boa noite meninas e meninos, boa noite a todas e a todos. Bom dia, senhoras e senhores. Bom dia aos que não são nem senhoras nem senhores. Boa noite a cada uma, a cada um, boa noite aos que não são nem uma e nem um, nem todas e nem todos e que, ainda assim, são. E aqui estão. Estamos. Bom dia, boa tarde, boa noite!


2 Hoje nós vamos falar sobre as ideias de um menino. Um menino que desde bem novo, mais novo que você, que está aí do outro lado....mais novo até do que eu...desde bem novinho, já dizia que, quando crescesse, queria ser um velho profeta. Esse menino é brasileiro, filho de pais estrangeiros (coitados!). E as ideias desse menino revelam sua paixão pelo Brasil. Mas paixão de verdade! Ser apaixonado de verdade por este país é muito diferente de só usar uma camisa de futebol. É muito diferente de só dizer que é apaixonado. Tem gente por aí balançando nossa bandeira, pintando o rosto de verde e amarelo, mas que odeia o carnaval, odeia a mistura, não entende nada nem de diversidade nem de solidariedade e também não se importa quando queimam nossas matas matando as onças, os passarinhos além das árvores maravilhosas, verde-esmeralda, cheias de segredos ainda não descobertos. Amar o Brasil é amar o outro, amar o mistério! Mas esses aí tentando destruir o país são outros coitados que não entendem nada sobre nossa força. Vamos falar de uma paixão real, uma paixão que condensa, que junta, que cola muitas pecinhas de outras paixões em uma única amálgama. Como um quebra cabeça ou a gema de ovo e o coco ralado que juntos dão gosto à sobremesa. Uma liga, mais forte que o aço. Paixões que são também profecias que ele viu. E o que ele viu, outros viram também.

2 – OUTROS VIRAM

ANA Walt Whitman, o poeta cantor da democracia universal, disse:

PEDRINHO “O Brasil será o vértice da civilização!”

ANA Walt Whitman era contraditório.

PEDRINHO O que é ser contraditório?

ANA É quando a gente fala uma coisa e depois fala o contrário.


3 PEDRINHO Então eu sou contraditório. Eu sou imenso. Eu contenho multidões! ANA Mas nós não estamos aqui para falar sobre Walt Whitman.

PEDRINHO Sobre Walt Disney, talvez?

ANA Nem Walt Whitman nem Walt Disney, vamos falar sobre ideias.

PEDRINHO Quem aqui gosta de música, hein?

ANA Alguém aqui sabe tocar guitarra? Bateria? E quem aí já brincou de pular carnaval?

PEDRINHO Eu! Eu amo carnaval! O carnaval também, contém multidões!

ANA E quem aqui sabe tocar violino? Alguém aqui sabe como tocar violino? Nossas ideias misturam carnaval, batuque, e também violino.

PEDRINHO Ideias que misturam física quântica e de rock n’roll.

ANA Física quântica?

PEDRINHO Quem aí gosta de física quântica?


4

ANA O que é física quântica?

PEDRINHO Depois eu tento te explicar.

ANA Ideias que passam por Oxóssi, Buda e Jesus Cristo e chegam também - por que não? - a quem não tem religião.

PEDRINHO Ideias e poesias.

ANA Poesias e profecias. Profecias e política.

PEDRINHO Rebeldia.

ANA Filosofia

PEDRINHO Palhaçaria

ANA Livros complicados.

PEDRINHO Sucessos do rádio.


5 ANA Quem aí ainda escuta rádio?

PEDRINHO Eu escuto, você escuta?

ANA E quem aí está no Tik Tok?

PEDRO Ideias e paixões.

ANA Canções.

PEDRO E ANA Multidões!

[Entra base instrumental]

PEDRINHO Rabindranath Tagore, poeta hindu e profeta disse:

ANA “O ciclo superior da civilização será no Brasil”. Stefan Zweig refugiou-se do holocausto no Brasil. Antes de morrer, escreveu:

PEDRINHO “Brasil, país do futuro”. E Dom Bosco previu uma luz que brilha.

ANA


6 A fundação da cidade de Brasília.

3 – OS QUINDINS DO IMPERADOR

[Ouve-se uma chuva fina]

COMADRE Você já ficou preso em casa num dia chuvoso? Se acaba a luz não tem TV, não tem WiFi, só tem a chuva lá fora que é tão cinza, e tristonha e gelada. E aqui dentro só tormento, só tormento e tédio, tédio e mais tédio... Imagine uma freira. É, uma freirinha, religiosa. Uma freirinha portuguesa, presa num convento em uma tarde fria e chuvosa. Antigamente, muito antigamente, antes das casas terem TV, Wi-Fi ou energia elétrica, as freiras portuguesas moravam isoladas em conventos e usavam claras de ovos para engomar suas roupas. Sobravam as gemas. Gemas amarelinhas. E uma freira, uma freirinha entediada numa tarde chuvosa, provavelmente enjoada de comer omeletes, resolveu misturar as gemas tão amarelinhas dos ovos com um produto que naquela época, em Portugal, era raríssimo, caríssimo, importado do Brasil: o açúcar. E das gemas de ovo com o açúcar surgiram uma infinidade das mais maravilhosas delícias da doceria universal: da Baba de Moça, os Pasteizinhos de Santa Clara, os Pastéis de Belém, os Pingos de Tocha, os Toucinhos do Céu, os ovos Moles de Aveiro, os Quilhões de São Gonçalo, os Travesseiros de Sintra e as Brisas...as deliciosas Brisas do Liz...Todas estas receitas incríveis partiram da invenção autêntica de uma freirinha portuguesa entediada com a chuva lá fora, tão cinza tristonha e gelada... Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Bourbon. Alcunhado O Magnânimo...Dom Pedro II era um menino quando tornou-se imperador do Brasil. Um menino de 5 anos. Não um primogênito, como costumam ser os imperadores, mas um caçula. Imperador, mas ainda assim um menino órfão de mãe e abandonado pelo pai. E seu professor, que se chamava José, um cientista, por certo ficava sem saber como animar esse menino quando chovia e o menino (imperador, sim, mas ainda assim menino) ficava entediado preso dentro de casa, ainda que sua casa fosse um palácio. Imperadores também ficam entediados, especialmente aqueles de 5 anos sem pai nem mãe. Pedro teve pai e mãe. E teve também avô e avó. Mas àquela altura já não os tinha por perto. Sua avó, espanhola, e seu avô, português, tinham vindo para o Brasil às pressas, muitos anos antes. Mas na certa dentro do mesmo navio que eles vieram, veio também uma cozinheira, das boas, que sabia as receitas mais maravilhosas dos mais maravilhosos doces portugueses. Todos aqueles que foram inventados graças àquela freirinha entediada numa tarde chuvosa. Os pasteizinhos de Santa Clara, os Travesseiros de Cintra e também as Brisas, as Brisas do Liz. Talvez esta cozinheira prendada tenha vindo com o avô e a avó do menino para o Rio de Janeiro. Ou ficado por lá mesmo onde eles desembarcaram primeiro: na Bahia. O certo é que numa tarde chuvosa qualquer, da mesma chuva de antigamente, teria se distraído o professor do Imperador, José, mais conhecido pelo seu sobrenome, Bonifácio


7 de Andrada. Trancado em seu gabinete este professor, que era botânico e também poeta, sentiu um cheiro de açúcar queimado no ar. Um cheiro tão delicioso, mas tão delicioso, que fez com que ele se levantasse, saísse de seu gabinete e, percorrendo todo o palácio sem encontrar o pequeno imperador, finalmente chegasse à cozinha. Acontece que, no Brasil, as receitas portuguesas se tornaram outras. Sem as coisas que não se encontravam ou que eram muito caras por aqui, como as amêndoas que eram usadas para fazer as Brisas do Liz. No Brasil não tínhamos amêndoas. Quase que ainda não as temos, e quando achamos por aí, elas são muito caras. Mas na Bahia, onde desembarcou primeiro a família real portuguesa, onde não havia amêndoas, haviam muitas cozinheiras maravilhosas, vindas de todo canto da África. Talvez em uma tarde de chuva, depois de um café, uma cozinheira portuguesa tenha lamentado com uma colega africana as saudades das Brisas, das Brisas do Liz. E essa colega africana, sem ter às suas mãos amêndoas, ralou um punhado de coco e misturou num tacho de cobre com o açúcar queimado, o que fez surgir um cheiro tão delicioso, mas tão delicioso que anos, décadas depois, chegou à capital imperial do Rio de Janeiro e tirou José Bonifácio de Andrada do seu gabinete, fazendo com que ele percorresse todo o palácio, sem encontrar o pequeno Dom Pedro II, até, finalmente, chegar à cozinha. Nossa amálgama não é feita de ouro, nem é feita de aço. Só o amor, só o amor, pode matar o medo. A amálgama é feita de açúcar e tédio. De chuva e de saudades. A amálgama não é feita com correntes nem leis, mas é feita apesar dela, apesar das dores e açoites. A amálgama é feita com amor e coco queimado. Amanhã, ódios aplacados, superadas as dores, superada sem atalhos a escravidão, as ditaduras, o sangue derramado dos nossos ancestrais, restará ainda o mais autêntico e essencial que se constrói com nosso povo. José Bonifácio, professor, botânico e poeta verá então o imperador, o menino imperador do Brasil, menos triste sem seus pais, menos entediado numa tarde chuvosa, pois estará junto ao colo quente e forte da cozinheira que lhe dará quindins.

TRANSIÇÃO

ANA Belezas são coisas Acesas por dentro Tristezas são belezas Apagadas pelo sofrimento.

4 - ECOS DE FANTASMAS [A chuva cai mais forte. É noite e o menino assustado está deitado. Uivos do vento ateu.]

PEDRINHO Eu não acredito em fantasmas.


8 Mas que eles existem, existem. Quando a casa inteira está dormindo e eu acordo no meio da noite com os trovões, com a chuva que é tão fria e cinzenta e gelada caindo lá fora....[claramente com medo]...eu não tenho medo. Eu não. Medo de que? Eu não acredito em fantasmas, eu não acredito em fantasmas, eu não acredito em fantasmas. [trovão] Mas que eles existem, existem. Para não ter medo eu me enrolo na coberta e não chamo nem papai nem mamãe. Às vezes eu chamo algum fantasma pra me falar de outros tempos. Algum fantasma do bem, é claro, um artista, um cantor ou um poeta. As pessoas da antiguidade não conversam com a gente pelas palavras que deixaram? Os sábios e os filósofos. Sempre que alguém os lê o que ouvimos são ecos de suas vozes. Ecoam também vozes do mal, entre os estúpidos. Quando o mal ameaça falar eu convoco meus heróis. Se os cruéis veem com ódio, gritos e bravatas, eu digo: Psiu! E chamo os meus. Meus bisavós, tataravós, peço carinho pros meus ancestrais. [trovão] Quando os fantasmas do mal tentam me assustar com bobagens sobre todas as coisas, todas as coisas sem exceção, falando que os homens não são iguais, que no mundo nunca vai haver a paz, eu digo não não não. Silêncio que estou ouvindo Jesus Cristo, Buda, Violeta Arraes. Os Tupis e os Templários de hoje e do passado. Janis Joplin nos corredores do Chelsea Hotel. Silêncio que Aracy de Almeida vai cantar e eu quero prestar atenção.

TRANSIÇÃO ANA dubla “Conversa de Botequim”.

5 – CARMEN MIRANDA EM CAXAMBU [Ana tira a caracterização de Aracy e mostra, ainda com as mãos, um turbante de frutas]

ANA O que é que a baiana tem? Carmen Miranda foi um ícone da música e do cinema, nasceu em Portugal, mas cresceu no Rio de Janeiro e apresentou para o mundo nossa música. Antes de se mudar para os Estados Unidos para trabalhar em Hollywood o então presidente do Brasil, Getúlio Vargas, lhe fez um convite:

COMADRE (Getúlio, ao telefone) Alô, minha filha eu te espero em Caxambu porque preciso tem uma conversa séria com você.


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ANA Caxambu é uma cidade que fica no Sul do estado de Minas Gerais. Até hoje existe na cidade um hotel incrível chamado Hotel Glória. Naquela época – do presidente Getúlio Vargas e da Carmen Miranda – o hotel possuía um Cassino frequentado por pessoas do país inteiro, incluindo o próprio presidente, e onde também faziam apresentações os maiores artistas da época, como Carmen, a pequena notável.

[ANA coloca o turbante de frutas na cabeça e cantarola]

Ta-hí Eu fiz tudo pra você gostar de mim Ai meu bem não faz assim comigo não Você tem Você tem que me dar seu coração

COMADRE/ GETÚLIO (depois de aplaudir) Carmen minha querida, não tenha pena do bolso desses gringos. Você vai, claro, vá lá representar nossa música e mostrar pra eles como é que se faz. Mas que história é essa de não quererem levar seus músicos?

ANA/CARMEN Pois é, seu presidente, não sei como vou fazer porque eu cresci no morro e vivo com o samba, mas esses músicos do estrangeiro não conhecem o nosso ritmo.

COMADRE/GETÚLIO Não tem condições, Carmen! Não tem! [Sinaliza para Carmen esperar e pega o telefone] Alô, Alzirinha, minha filha? Você está no Rio de Janeiro? Alzirinha, estou aqui com nossa grande pequena notável, a senhorita Carmen Miranda, que está prestes a embarcar para os Estados Unidos. O Tio Sam está querendo conhecer a nossa batucada e é Carmen quem vai apresentar. Sim, sim minha filha, mas o pão duro do gringo que está levando nossa grande Carmen Miranda acha que não tem importância ela ser acompanhada por músicos americanos.

ANA/ CARMEN


10 Lee Shubert é o nome do empresário, presidente, senhor presidente.

COMADRE/GETÚLIO Alzirinha minha filha, preste atenção: Eu quero que você vá, pessoalmente, encontrar esse senhor, Lee Shubert, para dizer a ele que está a mando do presidente do Brasil. Diga que o samba é uma questão diplomática e que ele não ouse desafiar a ordem que darei em relação a viagem de Carmen. Não ouse! Se é samba que eles querem, nossa cantora vai precisar de músicos que entendam do ritmo para acompanha-la! Não é mais que óbvio? A senhorita Carmen irá, sim, embarcar, mão irão com ela, no mesmo vôo que esse gringo vai pagar....os senhores...

ANA/ CARMEN Aloysio de Oliveira

COMADRE/ GETÚLIO Aloysio de Oliveira

ANA/ CARMEN Hélio Jordão

COMADRE/ GETÚLIO Hélio Jordão

ANA/ CARMEN Osvaldo Éboli

COMADRE/ GETÚLIO Osvaldo Éboli

ANA/ CARMEN Ivo Astolphi

[Getúlio entrega o telefone para Carmen]


11 ANA/ CARMEN Ivo Astolphi, Vadeco, Afonso, Stênio e Armando Osório.

[Carmen devolve o telefone para Getúlio]

COMADRE/ GETÚLIO O Bando da Lua inteiro! E diga que eles vão bancar a viagem e a estadia de toda a banda. Preste atenção, Alzirinha, isso é uma ordem direta de Getúlio Vargas, presidente do Brasil, em nome do samba e da cultura brasileira.

ANA (tirando o turbante) E assim foi o encontro de Carmen Miranda com Getúlio Vargas em Caxambu. Aliás, uma das teorias sobre o nome da cidade de Caxambu vem de um ritmo Tupi chamado kaxabu! Que é o mesmo que Mandacaru! Há ainda uma outra teoria: que o nome da cidade na verdade não é tupi, mas veio de Angola! Porque cacha pode significa tambor, e mumbu, música! Caxambu então é batuque! Não parece profético que, de lá, por interferência direta do presidente Getúlio Vargas, nosso batuque tenha se irradiado para o mundo?

TRANSIÇÃO

COMADRE PEDRO Como ensinou Vinícius de Moraes: “Nunca fiz coisa mais certa Entrei pra escola do perdão A minha casa vive aberta Abri todas as portas do Coração”

6 - O FIM SEM FIM

ANA Quem aí tem um cachorrinho?

PEDRO


12 Levanta a mão que eu quero ver. Gatinho, alguém tem gatinho em casa? E peixe? Porquinho da índia? Que mais... coelho? Ou algum outro animalzinho de estimação diferente de todos esses?

ANA Passarinho? Calopsita? Papagaio? Periquito?

COMADRE Tartaruga? Jabuti? Salamandra?

ANA Eu tenho um amigo que tem uma iguana.

PEDRO Na casa da minha tia tinha uma lagartixa que meu primo chamava de Efigênia. Acho que era uma lagartixa de estimação.

COMADRE Essa é boa! Mais alguém aí tem lagartixa de estimação?

ANA E insetos, quem gosta de insetos?

PEDRO Eu gosto de insetos. Besouros, joaninhas, mariposas...

COMADRE Mosquitos, borboletas...baratas.

ANA Barata eu não sou muito fã não.


13 COMADRE Será que alguém tem barata de estimação?

ANA Elefante, alguém aí tem elefante em casa?

PEDRO E agora eu quero ver: quem tem uma baleia nadando na piscina?

COMADRE Quem me dera ter piscina.

ANA Bem que eu queria ter uma baleia. Mas na piscina não, tadinha, ela precisa poder nadar livre no mar!

COMADRE Quem me dera um banho de mar. Quem me dera ser baleia!

PEDRO E alguém já teve que se despedir de um bichinho que amava muito? Alguém já teve que dar adeus para um animal de estimação? Eu tive um cachorrinho que viveu 14 anos.

ANA Dizem que cada ano canino equivale a sete anos humanos.

PEDRO É, sete vezes catorze...alguém aí é bom de tabuada?

COMADRE Noventa e oito!


14 ANA Uau! Noventa e oito?

PEDRO Com certeza não dá para negar que ele teve uma vida longa. Mas eu fiquei muito, muito triste quando ele foi embora. Eu lembro que quando eu era menorzinho eu já entendia que a vida de um cachorro é mais breve que a da gente. E eu ficava pensando assim: quando chegar a hora dele partir eu já vou ser maiorzinho, já devo estar mais preocupado é com trabalho, namoro...

COMADRE Essas coisas que gente grande pensa.

PEDRO Talvez até lá eu já nem me preocupe tanto com meu cachorro e nem fique tão triste. Eu realmente pensava isso! E quando meu cachorrinho nos deu adeus, aos 14 anos.

ANA 98 anos em vida canina!

PEDRO Eu chorei tanto, mas eu chorei tanto. Nem namoro, nem trabalho, foi um dia pra não conseguir pensar em mais nada além dos almoços que ele ficava com a cabeça apoiada nos joelhos da minha avó Dária, que falava que ele tinha os olhos de gente e, claro, dava algum petisco pra ele. Ou nele brincando com a gente na fazenda, recebendo carinho do meu vô Vadinho no alpendre.

ANA Lembra aquela vez que um moço levou a Susy lá na sua casa?

PEDRO Suzy era uma cachorrinha que foi lá em casa pra ser namorada do Rex. Não que eu entendesse muito bem o que isso significava na época. Quando meu cachorrinho se foi eu fiquei muito triste, e ainda sinto muita saudade. Até hoje sinto um pouco daquela tristeza. Lembrando do cobertorzinho que todo dia ele


15 colocava no sol. Nas geleias de mocotó que eu não sei como ele pegava em cima da mesa e enterrava no gramado. Até nos pobres passarinhos que ele vitimava, coitados. Mas é estranho porque, mesmo eu ainda sentindo tristeza quando penso nele, por não ter mais ele aqui, fisicamente presente, eu gosto de pensar nele. Eu sinto que de alguma forma ele está comigo.

COMADRE É ruim quando a gente não consegue superar a dor de uma despedida. Normal chorar um dia inteiro, mais que um dia inteiro, mas é preciso uma hora enxugar as lágrimas pra continuar. Lembrar do que passou é bom, mesmo que a gente carregue alguma tristeza na lembrança. Mas, além dessa tristeza, uma saudade que é boa, porque ela é feita de amor. A gente não precisa deixar de amar quem vai embora. A gente não deve deixar de amar. Porque o amar é algo que nos faz melhores. E o fim sem fim da doçura do amor supera tudo, seja lá que for. Supera até a dor do adeus.

PEDRO Para alguns o amor é triste. Para outros o amor nem sequer existe. Para outros, ainda, o dinheiro compra até amor verdadeiro. Mas eu prefiro acreditar nas palavras de São Paulo: mesmo quando não houver mais nem fé nem esperança o amor continuará resplandecendo no universo.

COMADRE Se houver amor o passado é um presente.

ANA O passado é o passado Mas ele nos fortalece O passado é um presente Que nos dá o presente no presente E nos dará o futuro que virá brevemente

TRANSIÇÃO

COMADRE Como diria Benedito Valadares: “Na prática, a tioria é outra” Outra: “Deixa como estar pra ver como é que fica” Mais uma: “Não sou contra nem a favor, muito antes pelo contrário”


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7 – EU-EU-EUGENIA

PEDRINHO/EUGÊNIO O-o-o-oi! Que bom que vocês chegaram! Me-meu no-nome é E-eu-eu-eu-euu-gêê-nio. Eugênio. E eu-eu sou uma pessoa bastante talentosa. Si-sim. Eu, eu, eu me dou bem basicamente em tudo que faço. Minhas notas são as melhores da sala, eu sou o melhor artilheiro da turma, eu-eu-eu sou o mais bonito, o mais inteligente, o mais simpático e e-ee-eeÊÊeu sou o que fa-fa-fa-la melhor em público. Uhum. Sou ótimo em fazer discursos.

ANA/PARAGUAÇU Oi.

PEDRINHO/ EUGÊNIO Oi. Tu-tudo bem?

ANA/PARAGUAÇU Tudo sim, e com você?

PEDRINHO/ EUGÊNIO Tudo ótimo. E-eu-eu-eu tô sempre ótimo.

ANA/PARAGUAÇU Sempre?

PEDRINHO/ EUGÊNIO Sempre! E-eu-eu sou ótimo, na verdade.

ANA/PARAGUAÇU Bom pra você. Eu, depende do dia. Tem manhãs que acordo péssima. Qual é o seu nome?

PEDRINHO/ EUGÊNIO E-eu-eu-eugênio.


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ANA/PARAGUAÇU Prazer, Eugênio.

PEDRINHO/ EUGÊNIO O prazer é todo seu. E você, quem é?

ANA/PARAGUAÇU Meu nome é Paraguaçu.

PEDRINHO/ EUGÊNIO Que nome esquisito.

ANA/PARAGUAÇU Eu acho bonito.

PEDRINHO/ EUGÊNIO Minha mãe se chama Eu-eugênia, eu acho mais bonito que Paraguaçu.

ANA/PARAGUAÇU Até que é bonitinho também. Não podem vários nomes serem bonitos?

PEDRINHO/ EUGÊNIO Eu prefiro Eu-eugênio e Eu-eugênia. Que pena você não ter um nome bonito como EuEugênia. Porque você é até bonita. Você se parece com, com...comigo!

ANA/PARAGUAÇU(rindo) Ah é? Pois eu também tava até te achando bonitinho, mas justamente por você ser muito diferente.

PEDRINHO/ EUGÊNIO


18 Eu? Eu diferente? Eu eu não! Eu não sou diferente não, eu, eu sou como uma pessoa deve ser! Sou bonito, inteligente, tiro as melhores notas da sala. Sou o melhor artilheiro da turma.

ANA/PARAGUAÇU Você joga futebol?

PEDRINHO/ EUGÊNIO Eu? Eu jogo, eu jogo e muito. Eu sou o que joga.

ANA/PARAGUAÇU Eu também.

PEDRINHO/ EUGÊNIO Você? Como você?

ANA/PARAGUAÇU Por que não? Sua mamãe Eugênia não joga futebol?

PEDRINHO/ EUGÊNIO Não. E eu-eu acho que ela está certa.

ANA/PARAGUAÇU Se ela não quer jogar, ela está certa em não jogar.

PEDRINHO/ EUGÊNIO Eu-eu-eu também acho que ela tá certa.

ANA/PARAGUAÇU Mas eu-eu-eu, Paraguaçu, sempre quis jogar, jogo muito bem e aposto, inclusive, que jogo muito melhor que você.

PEDRINHO/ EUGÊNIO


19 Melhor que e-e-e...

ANA/PARAGUAÇU Uhum, aposto que te dou uma surra, muleque! Pena que é tão convencido, te achei até gatinho.

PEDRINHO/ EUGÊNIO Mas como eu-eu não seria convencido, eu sou como deveria ser. Eu sou como todo mundo quer ser.

ANA/PARAGUAÇU (gargalhando) Quem quer ser como você?

PEDRINHO/ EUGÊNIO Eu-eu-eu...

ANA/PARAGUAÇU Só você mesmo quer ser você! Eu sou muito mais eu! E tô sempre mudando, graças a deus.

PEDRINHO/ EUGÊNIO Não! Você nã-nã-não. Eu-eu-eu...

ANA/PARAGUAÇU Eugênio, presta atenção, deixa dessa bobagem. Tudo bem ser assim do jeito que você é, mas não precisa achar que só esse seu jeito aí que é o bom

PEDRINHO/ EUGÊNIO Mas eu sou o bom!

ANA/PARAGUAÇU Tá, você disse que tem as melhores notas da sua sala.

PEDRINHO/ EUGÊNIO


20 Eu-eu-eu tenho mesmo!

ANA/PARAGUAÇU Em que?

PEDRINHO/ EUGÊNIO Em tudo! Em português, em matemática, em geografia...

ANA/PARAGUAÇU Em artes?

PEDRINHO/ EUGÊNIO Artes não conta, artes nem é matéria de verdade!

ANA/PARAGUAÇU IIIiiiihhh! Já vi que não sabe desenhar! (ri)

PEDRINHO/ EUGÊNIO Eu-eu não seu e nem quero porque eu não quero ser artista, eu-eu-eu não vejo graça nenhuma em arte.

ANA/PARAGUAÇU Duvido! Tem muita coisa que a gente aprende em matemática e geografia que pode perfeitamente viver sem ter aprendido, viu? Agora arte, arte, música, cor, teatro, filme, foto...ah, de arte todo mundo precisa! E tá tudo bem não ser bom em arte, Eugênio, não precisa ficar assim emburrado. Você disse que é bom em futebol.

PEDRINHO/ EUGÊNIO Eu-eu-eu sou o melhor artilheiro da turma!

ANA/PARAGUAÇU Porque eu ainda não sou da sua turma, porque já disse que aposto que te dou uma surra. Mas xadrez, você sabe jogar?


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PEDRINHO/ EUGÊNIO (depois de um tempo em silêncio) Não. Eu....eu não sei jogar xadrez.

ANA/PARAGUAÇU Eu tô aprendendo agora.

PEDRINHO/ EUGÊNIO Eu sei muitas outras coisas, as coisas que importam, e sou o melhor nelas!

ANA/PARAGUAÇU IIiiihhh... Quer aprender a jogar xadrez?

PEDRINHO/ EUGÊNIO [desdenhando] Você vai me ensinar?

ANA/PARAGUAÇU E-e-eu!

PEDRINHO/ EUGÊNIO Tá bom...

ANA/PARAGUAÇU Vou pegar o tabuleiro. Vou te ensinar xadrez, mas antes vou ensinar uma coisa mais importante: Tem que parar com essa bobagem de eu-eu-eu, Eugênio! Não é eu não, Eugênio! É eu, você e os outros, diferentes da gente. Quanto mais diferente melhor. Eu não vale de nada. O negócio é nós! Tudo que nós tem é nós!


22 TRANSIÇÃO COMADRE E como diria Vladimir Maiakóvski: “Nos demais todo mundo sabe: o coração tem moradia certa, fica bem aqui no meio do peito. Mas comigo a anatomia ficou louca, e eu sou toda coração!”

8 - PRESIDENTE OBAMA [Nesta cena sugere-se utilizar bonequinhos de palito para representar Obama e um repórter]

REPÓRTER/PEDRINHO Mr. President, mr. President, aqui!

OBAMA/COMADRE Oh well, ok, você aí, de onde é, Where are you from?

REPÓRTER/PEDRINHO Do Brasil, Mr. President!

OBAMA/COMADRE Oh, você não ver que eu ser brasileiro?

PEDRINHO O presidente Theodore Roosevelt era fã de uma ópera chamada Melting-Pot que na época era um escândalo, porque falava que [simulando, ironicamente, espanto] um branco anglosaxão podia casar com uma italiana! Um protestante podia se casar com uma espanhola...ou uma portuguesa! Quando ele veio para o Brasil Roosevelt caiu pra trás. Ele disse: os Estados Unidos precisam adotar essa amálgama imediatamente. E levou essa questão para o congresso americano, que recusou indignado a sugestão. Alguns anos depois uma filósofa americana, uma branca numa época ainda mais racista que hoje, apaixonada pela filosofia grega e pelos pré-socráticos, sem querer entrou numa sessão do filme “Orfeu Negro”, que era uma adaptação de uma peça do Vinícius de Moraes. Quando ela descobriu que a verdadeira Grécia que ela sonhava, aquela dos filósofos, morava no Morro, era uma Escola de Samba e era Negra, ela enlouqueceu de felicidade. Dois dias depois ela, com outra cabeça, mexida pelo filme, se encontrou em uma conferência com um filósofo do Quênia, se apaixonou e se casou.


23 E daí que o Brasil fez nascer um outro presidente dos Estados Unidos, segundo ele próprio. [pega o palitinho do repórter] Barack Obama, Mr President, here please!

OBAMA/COMADRE Claro, de onde?

REPÓRTER Do Brasil, Mr. President

OBAMA/COMADRE Brasil? Vocês não saber que eu ser baiano?

TRANSIÇÃO ANA Só o amor pode matar o medo

9 - MÍNIMO DENOMINADOR COMUM

COMADRE O que há em comum entre a valsa e o cateretê, entre o samba e o rock, entre um moçambicano e um polonês? O que há em comum entre o azul, o vermelho, o amarelo, o lilás, o verde e o rosa?

ANA São totalmente diferentes o azul celeste e o marinho, o índigo e o royal, o azul da prússia e o azul bebê. Totalmente diferentes. Totalmente diferentes, não, não se misturam, não, não, não!

COMADRE Totalmente diferentes? Não, não, não...nada a ver! Cada um é único e é nisso que somos iguais! Somos os mesmos, somos um todo, até por termos nossas diferenças, eu e você.


24 É as somas de individualidades que faz o coletivo. É a diversidade que dá a força pra nossa gente! O que temos de igual é sermos muito diferentes.

ANA Na Inglaterra comem feijão com ovos e catchup no café da manhã, aqui em casa eu como feijão no almoço bem temperadinho com sal, alho e folha de louro. Já no Mercado Ver-oPeso de Belém do Pará, ao meio dia, o prato é servido com peixe frito, arroz e açaí! O mesmo açaí que come-se com granola, banana, leite em pó e xarope de guaraná pelas bandas daqui.

COMADRE De onde é que você está falando?

ANA Daqui de casa mesmo.

COMADRE Quando eu era pequena respondia assim o telefone. Quem fala? Eu! De onde fala? Da casa da minha avó!

ANA Entre eu e o outro há uma imensidão. Toda uma cultura, um abismo, um caos ou um deserto. Mas tudo às vezes cessa com um beijo na boca, um beijo no rosto, ou nem isso! Com um simples aperto de mão! E pronto, prazer, meu irmão!

COMADRE E se a gente criasse um partido cujo lema fosse esse? A beleza de sermos diferentes?

TRANSIÇÃO COMADRE


25 Gosto de quem gosta das coisas sem querer prendê-las.

10 - O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO AGORA

PEDRO Tô tão nervoso

ANA Calma, não adianta ficar nervoso

PEDRO E também não adianta só pedir calma! Não basta pedir calma para que uma pessoa fique, de repente, calma!

ANA Tem razão, então façamos a única coisa que adianta

PEDRO O que?

ANA Ensaiar!

PEDRO Ah, sim, vamos lá.

ANA Isso aqui é o que?

PEDRO Um ensaio.


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ANA Um ensaio de quê?

PEDRO De uma célula.

ANA Uma célula...

PEDRO Uma célula kaótica.

ANA Além de kaótica...

PEDRO Uma célula democrática kaótica.

ANA E esse kaos?

PEDRO Esse Kaos é com K.

OS DOIS Kaos com K não é igual a Kaos com C.

ANA É bagunça esse Kaos com K?

PEDRO


27 É anarquia, também. Mas é ao mesmo tempo organização.

ANA Me conta então o significado desse Kaos com K.

PEDRO Vamos lá! São quatro significados. KAOS com K significa Kamaradas Anarquistas Organizando-se Socialmente. ANA Ou como diriam Chico Science e a Nação Zumbi: eu me organizando posso desorganizar.

PEDRO Kaos com K também significa Kristo Ama Ondas Sonoras.

ANA Ouvii a palavra, irmão!

PEDRO A palavra e a canção, porque Cristo, como Zapata, Sandino, Zumbi

ANA Antônio Conselheiro, todos os Panteras Negras e Lampião

PEDRO Como diriam Chico Science e a Nação Zumbi

ANA Eu tenho certeza que eles, todos eles, também cantaram um dia.

PEDRO E a terceira definição de Kaos com K: Kolofé Axé Oxossi Saravá!


28

ANA Colofé?

PEDRO Kolofé é uma saudação comum no Candomblé e na Umbanda.

ANA Axé?

PEDRO Axé, quem sabe o que é? Além do ritmo musical, Axé, na língua Iorubá, é o poder vital, a energia de cada ser ser.

ANA Que lindo! Oxossi é um orixá, certo?

PEDRO Certo, Oxossi é o protetor das matas, das florestas.

ANA Saravá?

PEDRO Saravá é uma saudação criada por africanos no Brasil a partir do termo “salvar”

ANA Saravá! Então...Kamaradas Anarquistas Organizando-se Socialmente

PEDRO Kristo Ama Ondas Sonoras


29 ANA Kolofé Axé

PEDRO Oxossi Saravá

ANA E a quarta definição?

PEDRO Essa é a minha favorita, a cara desse partido e dessa célula. A quarta definição é a que você quiser!

ANA A que eu quiser?

PEDRO A que você quiser!

ANA K-Pop, Axé-music, Ópera e Samba!

PEDRO Kachorros Araras Ornitorrincos e Serpentes!

ANA Kachorro-quente, Algodão Doce, Ovo de Páscoa e...e...Sorvete!

PEDRO Kiwi, Abacate, Oiti, Siriguela

ANA


30 Kuwait, Argentina, Omã, Sérvia

PEDRO Kalma, Amor, Otimismo, Serenidade

ANA King-Kong, Anaconda, Otto Octavio Octopus, Surfista Prateado

PEDRO Kascão, Anjinho, Orácio e Sansão

ANA Espera, Horácio é com H!

PEDRO Kouve-Flor, Alface, Ora-Pro-Nóbis....Saaa..saaa...

ANA Salsa, Salsinha, Salsão! Kem Ama Ouvir Sepultura!

PEDRO Ou Sandy e Júnior

ANA Ou Sérgio Sampaio

PEDRO Sá e Guarabyra...

TRANSIÇÃO COMADRE


31 O coração quer a atitude da inclusão em plenitude das minorias, das etnias, dos excluídos, humilhados e ofendidos, da esperança ressuscitada pela inclusão da criança abandonada. Com sorte iremos concebê-las, as conquistas da morte e das estrelas. Oh biogenética, oh cibernética, que alegria viver. E a descoberta do outro é puro prazer.

11 – EPÍLOGO: XEQUE-MATE

ANA/PARAGUAÇU E minha rainha come seu bispo e é outro xeque mate!

EUGÊNIO Não! Eu-eu-eu....

ANA/PARAGUAÇU Eugênio...

EGÊNIO Tá bom, você...você...vo...cê ganhou.

PARAGUAÇU Vamos outra que você tá até melhorando...

FIM SEM FIM


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PRIMEIRA VERSÃO - A REVISAR by João Santos - Issuu