Marina: Mas eu só sou uma moça Latindo A Mera Cana, sem dinheiro e sem banca e sei que assim falando pensas que esse desespero é moda em 2016, mas deixa eu cantar que é pro mundo ficar Odara, e tem gente que ainda grita que tudo tudo tudo vai dar pé. Mas ah... vai dar pé. (a atriz coloca um ovo em pé, a la Colombo. Ouve-se os versos finais de “Será que eu vou virar bolor” de Arnaldo Batista. A luz focada no ovo em pé vai saindo em fade .Black Out) FIM. (Luz. Áudio de Veronez cantando Baby. Começa outro espetáculo. Talvez um solo. Talvez não... Brasil, 2017. Parece que Marina perdeu um grupo de teatro, na chuva. Procura entre os becos, manifestações e blocos de carnaval.i . Na rebordosa de uma greve geral, em pleno século XXI, esta lumpenproletária escreve coisas a partir de cançõesii)
MPB:
iii
Música Pra Bicho grilo Musica Para Baixinhos Musica Para Baranguinhos Musica Para Bonitinhos Musica Pré Baratas Musica Para as Batatas Maracangalha Pantomima Barack Obama Maracutaia Palavra Bipolar Mandaram Parafraseas Batman Mas prefiro Batmacumba Mamãe Pediu Bebeto Machuca parte Bagunça Manifesto Perfeito Bandeiroso Música Pós Balzaquianismos Melodia Pós-moderna Brasil Minas Paralelepípedo Barranco
Musica Pra dar Bandeira Música Pra Baba-Baby-Baba Marina Pereira Banana Música Para Bichas Música Para Botas Maçã Pêra Banana (uva salada mista) Maluco Para Beleza Musico Pobre Brasileiro Marchinha Pasmada de Bairro Marcha Pro revolucionária do Bando do Apocalipse Madonna Palavrão Bunda suja Marina Prolixa Boca Suja Marina Piano Bar Minha (terra tem) Palmeiras (de onde fugiu) Belchior Mambembe Puta Bacamarte Maxixe Pró Beto Guedes Mambo Pré Bituca Musica Política Barroca Metal Punk Bolor Musica Prolixa Bahiana Mel Puro de Berlandia Meu Pó é de Breu Mentiras Para (grandes) bostas Metateatro Para baleias Mandinga Para boiar Melodia Penteando Brasilienses Melo Pop com Balangandã
Memória Política Brasilis Minha Poesia é Beatnik Mitologia Panis (et Circencis) Brasilis Manifesto Pau (Brasil) Beat (generation) Mostra Paleolítica de BH Meus pensamentos baderneiros Minha pré história Bacante Mais papo bolorento Mar e Praia em Belo Horizonte Mitologia MPB Mitologia PRÉ alguma coisa PÓS alguma coisa PARA alguma coisa
(América! América do Sul, eu te dou meu fígado! And now Im nothing. E de repente éramos hippies. Vitória! Esqueça os rapazes, os poetas e suas cuecas pois chegaram as sapatões! Eu vou sozinha avistando prenúncios de movimentos pela cidade. Gente que se junta, mas nem sempre compartilha. Não sei quem sou eu dentro da noite ocidental... Na minha tarde de chuva tropical. Eu vi a chuva limpando nossos desvarios do ano anterior, na tentativa de que os trovões anunciassem uma jornada boa. Eu quero ver. Eu quero ver. Eu quero ver o que vai acontecer. Quando Zumbi chegar. Cadê as notas que estavam aqui? Não preciso delas basta deixar tudo soando bem aos ouvidos. Não me peça que eu lhe faça dramaturgia como se deve. Teatro como se deve ou até mesmo canção como se deve).
MPB: Simples definição. Is a short of Musica Popular Brasileira. Est née avec des artistes débutants de la seconde génération de la Bossa Nova. Posteriormente, la MPB pasó a incorporar elementos de procedencias varias como el rock y la samba, de la música pop y del samba.With the dramatic rise
of the Brazilian rock and pop during the 1980’s, the MPB scene saw few new rising starts during that decade. La fin de la Bossa Nova ne signifie pas, pour autant, la fin de l’esthétique de ce style. Los primeros MPB tomaron prestados elementos de la bossa nova y, a menudo, se basaban en una poco velada crítica a la injusticia social y a la represión gubernamental, encontrándose en progresiva oposición a la escena política caracterizada por la dictadura militar, la concentración de la propiedad de la tierra, y el imperialismo. Una variación dentro de la MPB, efímera pero influyente, fue el movimiento artístico conocido como Tropicália. Geraldo Vandré, Edu Lobo et Chico Buarque de Holanda , manguebeat or soul, Maria Bethania, MC Carol, Raul Seixas, Julinho da Adelaide, Vanderleia. Ce mouvement a été une grande référence pour des artistes postérieurs de jazz ainsi que pour le courant post punk britannique. Generally MPB brings together elements of various Brazilian musical styles, often mixed with different kinds of international music genres. E o meu cavalo só falava inglês, minha pátria é minha língua, fala mangueira.
fala mangueira fala mangueira fala mangueira fala lalalalalalalalalala ê aê aê aê êêêê ô ô ô ô ô ô eô êo aiaiaiaiai aiaiai. (agora eu choro assim) ielululailulomlomlomlom ie eie eie eie (infiel) M A ma QUI qui, NA na M A ma QUI qui, NA na M A ma QUI qui, NA na Na na na na na na NADA NADA NADA NADA (LOOPING) tratratra tra as que comandam vão no tetê teteretê tê teterete bebabebabebabebajuru beba aa uu aa uu uuuuuuuaaaaaa (novidade) Taratitundaradara, taratitundaradara, nhenhenhém Auia aê. Eta eta eta. ---- tchan ------ tchan----- tche tchereretchetche che che che nhenhenhém. (um instante maestro) Superhomem, superviva, supervick, super chá, super quentão.
(John eu não esqueço, oh no oh no. Não se esquecer dos aviões do forró! Eu prometo eu não esqueço, eu não esqueço. Comento a respeito de John, a balada nova do DVD. + 10%. Some may like a soft brazilian singer but i've given up all attempts at perfection.)
MPB: A poética de Aristóteles e a canção popular Quatro estrofes, um refrão, solilóquio, canto I canto II, coro, choro, chorinho, hamartia, catarse, foda-se e um Epílogo. Canções com proparoxítona, frestas, marcha contra a guitarra um cantinho um violão, mão na testa cotovelo na mão funk pancadão, proibidão e feminejo. A minha história é talvez igual a tua. Reguetom que veio do norte e foi viver na rua. Depois da introdução vem verso, verso, verso e o refrão. Tem refrão ainda, tem a versão de Nenhum de nós do Starman do Bowie e solo. (lalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalal ala)
MPB: Mini Peça manifesto: Hoje, você vai escrever um manifesto.
Hoje, você vai ter a chance de expressar todo o seu mal estar com o mundo do mesmo jeito que Oswaldinho ou Karlinhos se expressaram.
Com pequenas frases de insatisfação.
Frases menores ainda.
E uma maior que use uma bela metáfora que defina de uma vez por todas o mal do nosso século.
Passado.
Presente.
Futuro.
E assim você explica o que é o mal do século. E que você está no começo do século. E que você é parte do mundo. E vai repetir isso pra todos. E vai repetir isso pra todos. Três vezes. Que é de praxe.
E depois disso tudo você solta uma palavra absurda em alto e bom tom. Conclamando todos para se unirem a você. Você vai criar um conceito. Uma idéia. Uma escola. Um movimento. Você vai inspirar gerações. Você vai entrar para a história: Paquita. (“PORQUE NÃO TEM PAQUITA PRETA?” cito SIMONE MAGALHÃES, cantora Curitibana, uma das poucas fontes que vou informar aqui, o resto fica de exercício pra vocês. Eu não sei o que fazer com essa solidão toda. Escutando toda essa musica. Passeando pelas décadas. Tem horas que a musica perde o sentido, a época, o contexto político, a classe social. Sobra eu. Belchior morreu ontem. Passei o dia escutando o bardo. Hoje João, na tentativa de me ajudar em minhas crises criativas disse: “Já tentou Marina Lima?”. Espero acontecimentos. Disse a Fidelis que não sabia mais sobre o que era esse texto e ele disse: Uai! Sobre musica, bandeiras e deboche! Brasil, América do Sul, minha geração... A geração anterior, a geração posterior, a geração entressafra. Não sei se sou Y, se sou Z ou se sou Xuxa.)
MPB, texto teatral em processo de construção: Sinopse hum Eu gravei uma fita pra você. Uma fita de MPB E não sei por que. Sinopse Dois O que o pagode e o axé fez pelo o seu discurso político? Belo Horizonte em fevereiro responde.iv
Sinopse Três Eu digo: Play Você diz: Play Eu rebobino e você clama por stop. Eu digo pause você insiste stop. Bola pra frente. Forward. Sinopse Quatro Por favor: preciso de um fast forward pra entender nosso estado de plays! Sinopse Cinco Manifesto. Porque gosto de afirmações, exclamações e perguntas retóricas. Canção pop por que quero uma ponte para a conclusão com solo de guitarra ou bateria. Sinopse seis De repente não quero mais falar disso tudo. De repente meu teatro desapareceu. Sinopse sete De repente. Silvia reapareceu. (Quem é Silvia?) Sinopse oito Silvia reapareceu por que falaram que ela virou passado. E ela gritou: qual é? Silvia reapareceu gênia, vanguarda e emancipada e gritou: Eu sou a verdade do cerrado. Tem ironia na frase de Silvia. Só que não. Não matem minha geração antes do tempo. Não rotule minha geração no meio do caminho! Não transforme meu play em passado! Não liguem pra mim! Silvia chora de mágoa e volta para o porão. E começa uma nova canção bandeirosa e irracional. As armas não chegaram, mas eu estou a postos! O que era velho rejuvenesceu de repente. Arbitrariamente, em doses homeopáticas, de imprensa golpista e mídia chinfrin. Sinopse 9
2016 foi um ano ruim, eu não estava lá, foi o que Silvia me contou. E o golpe? Cest um ter long histoir. Une tragedie. Une farce. Une parodie. Une copie coller. Une presepada politique. Une merde! Ques quecé un espetacle absolument alucinant y insolite. Limpiere du nort,nsa, moro, es decir le carsher. Lavajato. You know. Tu le monde knows. It’s the oil stupid… Le heritage des elite bresilienne. Arrogant, ignorants, escravagistes, intolerrant, and so on and so on y les casserole le champagne, la classe moyenne, l'empire médiatique de la tele globô. Oloxunaê janaina. Cest pathaphisique! Et voilá coup d etat! Sinopse 10 É um grito que se espalha, é uma dor (bateria) (canalha mudo) Sinopse 11 Abra um parêntese (não se esqueça): Malandro ou otário, quase sanguinário, Franco atirador se for necessário, Revolucionário, porque me organizando eu posso desorganizar, melitintando eu vou carnavandalizar. Sinopse 20 Eu me vejo (eu estou) parada (no bar do Auzílio) fumando o cigarro (ou na igreja) que não deixei apagar pela tristeza (tchurururu) tomando o meu conhaque (onde quer) que me deixa comovida (que eu esteja) como o diabo (eu não estou). Sinopse 5.000 Paquita! Paquita! (Quero falar uma coisa adivinha onde ela andamooor da minha vida daqui até a eternidade nossos destinos foram traçados nas ondas do rádio que deve dispertar uou! Ojuobá ia lá e via Ojuobahia... Xangô manda chamar tantantan batem na porta não precisa ver que ainda é cedo (cede, cedo, cedo.), tudo vai ficar por conta da emoção). Personagens: Silvia Bee Paquita Marcelo Veronez Cumpadre Washington Baby Boomers O pessoal do ceará
O pessoal maldito O pessoal da Bahia O pessoal da esquinav. (historinha nas alterosas...) O poeta da presença Curitibano Um ator cínico do século passado Geração anterior A próxima geração Geração entre safra Crise de identidade Os horizontais Os verticais Caetano Veloso O bardo Cearense Torquato Neto João Santosvi Jonatta Doll e os Garotos Solventes Genival Lacerda O cinema brasileiro David Bowie Tom Zé Alex Queiroz Angela Roro Charles Chaplin Gravador 1 Gravador 2 Movimento dos Dramaturgos das Alterosas. (Hoje, você vai escrever diálogos. Diálogos complexos, consistentes. Fortes.)
Diálogo com João/John Diálogo entre Gal e Elis (AUDIO) Diálogo com a Geração Anterior Diálogo com a Geração Posterior Diálogo Horizontal Diálogo Vertical Diálogo com o movimento A impossibilidade de diálogo com Lobão Assembleia de Identidades David Bowie x Tom Zé Sertanejo dos 80 x Feminejo anos 10 (sem a ajuda dos “universitários”) Angela Roro x Amy Whinehouse A Patti Smith do Sertão Gravador I e Gravador II Chaplin não fala. (ele carrega uma bandeira em uma passeata e o letreiro do filme mudo diz: Foi Gilberto Gil e fui eu! Não foi ninguém! Vocês estão por fora!) (Como vai senhor ECAD?vii Eu vou indo, e você... tudo bem? Eu vou indo buscar um lugar no futuro pois é... quanto tempo. Me perdoe a pressa, A vida é um dilema, a vida é diferente quer dizer, a vida é muito pior, nem sempre vale a pena. Como o antigo compositor baiano me dizia, não temos tempo de temer a morte ou sorte com a Beatriz... que é de éter, que é uma estrela, que agora meu braço não é mais o braço estendido no grito de gol, vivendo e aprendendo a jogar eu que já não quero mais ser um vencedor, sou apenas um rapaz te tenha pe pena, deste mo moribundo que que ja virou vagagagabundo, eu quero... eu quero banho de cheiro, que quero banho de lua, eu quero que você me aqueça nesse inverno, aqui faz tanto frio, me da vontade de saber, me responda, to sofrendo. Eis-me aqui senhor ECAD, não vou te pagar! Eu vou “loopar” minha vida em sete segundos!)
Minha Bella Ciao (canção popular italiana, cuja versão que se popularizou no mundo se tornou símbolo da resistência antifascista italiana durante a II Guerra Mundial) Já é tardinha. Ca estou carente. Oh, bella, ciao, bella, ciao, bella, ciao, ciao, ciao.
O bêbado com chapéu coco Chame o ladrão, acorda amor! Oh, caro amigo, o que será? Oh que será que será que será? Eu vou! ó por que não? Durango kid quase me pegou.
Esse povo, dizei-me, arde Gloria aos piratas as mulatas as sereias Caia a tarde e o viaduto Espaçonaves e guerrilhas Pros da pesada diz que eu vou levando Oh, bella, ciao, bella, ciao, bella, ciao, ciao, ciao Oh futebol, oh muito choro e roquenrol e roquenrol Porque essa porré um campo minado Oh, bella, ciao, bella, ciao, bella, ciao, ciao, ciao Se não tem carne eu compro um osso, Ponho na sopa e deixo andar. Não leve flores mosca na sopa Oh, vida loka, canalha, não foi cabral Rodamoinho Roda pião Mas esse ano eu não morro (não!) (esse ano eu não morro esse ano eu não morro esse ano eu não morro esse ano eu não morro)
Ligando o nome a pessoa É sempre. Sempre esse estribilho. Mesmo arranjo. Tudo sempre. É sempre esse estribilho. Mesmo arranjo tudo sempre. Como chama mesmo aquele moço de olhos azuis que apareceu na TV e mamãe chamou pra eu ver?... Era gordinho na juventude, mas depois da prisão virou budista e emagreceu. Dizem que tá pro Uruguai cheio de dívida em Porto Alegre. Muito jacu, vez ou outra eu via ele almoçando sozinho num restaurante em Belo Horizonte, a vida foi dura, mas ele não sabe fazer ré menor até hoje. Tinha os olhos azuis, filho de historiador, não... Filho de militar. Era... Ficou assim, escandalosa, veias abertas de amor latino, empurrando namorada da escada ô cutuvelo que dói, sei como é, muito bonita, sempre... Quando teve em Londres viu disco voador no céu. Era uma espécie de Bob Dylan do Sertão. Não gosto muito do filme dele, quando jovem cantou com Mercedes Sosa, mas nos anos 90 apoiou Helio Garcia, quer dizer... Precisou do David Byrne desenterrar. Vai ser colonizado assim lá na América do Sul. Num é pra qualquer um aturar racismo, alcoolismo, Mané, a fome... Deus do céu! Deusa da terra... Desistiu de cantar depois daquele festival, ficou sumido... Tinha uma lenda que cortaram a mão dele como a de Vitor Jara, mas a verdade é que ninguém sabe o duro que ele deu. Gostava de pó, isso ele gostava, uma pena num gostar de ser lembrado desse jeito, né? Quebrou o violão e jogou na plateia muito antes do The Who! Ou foi ao mesmo tempo? Perderam a cabeça e serviram num banquete, as criança gostavam mais disso que di Kiss, queria ver essas tangas e plumas hoje em dia, essa juventude tá tão reacionária. Era supositório de Pó, que era pra num prejudicar a voz. Apresentou em Montreux com aquele barbudo albino e bateu no piano! Geniosa. Gênia. Demônia. Olhos azuis, paulista, pernambucano, mineiro, baiano. Gosto mais da fase do primeiro disco, jogava futebol, esperou cinco anos pra dar nome pra filha, nunca foi de muito papo mesmo, voltou pra Cachoeiro do Itapemirim depois disso e escrevia enfurnado numa banheira regado a whisky... foi de Aids, dizem. Era época que ninguém falava abertamente sobre o assunto. Mas hoje o filho mais novo é evangélico. É. Foi nas águas da Guanabara, eu segui os urubus, essa coisa de arrancar cabeça de conspirador do tempo do império... Toda cidade tem uma praça com o nome dele. Hoje tem sushi bar no mesmíssimo lugar onde expuseram as cabeças deles todos, à margem do São Francisco, ao lado da Candelária, centrão. Piranhas. Tudo criança. Examinaram cabeça por cabeça pra ver se encontravam motivo, ciência racista sem lembrança... A cordilheira tá longe, tá longe, mas é tão bonito! Coisa pro cristo bater palma! Zapata ia gostar do chapéu de Virgulino. Quando assassinaram o seringueiro eu sabia que ia dar treta em Maria Antônia, sempre dá, hoje dá. Ia mesmo ser difícil ocupar aquela transamazônica pra morrer tão perto da posse... aí foi quando eu perdi
o dia da eleição. Todo mundo na america do sul sabe cantar Ojala. Menos no Brasil. Como chama mesmo o moço dos olhos azuis. Já cantaram juntos, não sei em Cuba ou no Brasil. É sempre. Sempre esse estribilho. Mesmo arranjo. Tudo sempre. É sempre esse estribilho. Mesmo arranjo tudo sempre. O mesmo estribilho que vem quando o ruído da panela vazia batendo na colher vem da cobertura. Ensurdece e aflige na mesma frequência do domingo a tarde com a tv ligada no 12. É no 12 né? Angélica. É o nome da musica. Mas o moço... Era pra falar de musica.
CAPAS, LPS k7s playlists e DVDS Era pra falar do mundo. O mundo, TODOS OS OLHOS (TOM ZÉ) 1973 essa bolinha de gude no espaço sideral ocupada por dinossauros É PROIBIDO FUMAR (ROBERTO CARLOS) 1964 que foram nômades até cultivar o espaço. Quando o espaço fica escasso sai atrás de outro espaço. DA LAMA AO CAOS (CHICO SCIENCE E NAÇÃO ZUMBI) 1994 Coloniza, escraviza, compra, ocupa, SHOW OPINIÃO 1964 vende, invade, sela, registra, carimba, avalia, rotula PLUNCT! PLACT! ZUM! 1973 assenta, assenta, senta que lá vem a história. FAIXA: CORAÇÃO VAGABUNDO (CAETANO VELOSO) 1967. Mas na verdade eu quase sempre quero o mundo, abarcar o mundo com as pernas. ALIBI (MARIA BETHANIA) 1978 Engolir o mundo com a buceta. INDIA (GAL COSTA) Quase sempre recrio o mundo nas coxas. ARAÇÁ AZUL (CAETANO VELOSO), 1972. E ressignifico a expressão nas minhas coxas, para além das telhas coloniais. Colônia, escravidão. Estupro do espaço. SOBREVIVENDO AO INFERNO (RACIONAIS MCS) 1997. Estupro do corpo. Dois corpos não ocupam o mesmo espaço. ESTUDANDO O SAMBA (TOM ZÉ) 1976. Dor de cabeça. Meu pulmão: alvéolos sem espaço para o ar. Ar. Foi pelos ares o edifício em 2001. O moço da NSA falou que invadiram a rede. O petróleo, a terra, o sangue estúpido. REVOLUÇÕES POR MINUTO (RPM), 1985. Dois corpos não ocupam o mesmo espaço. REENCONTRO (DIANA E ODAIR) O mundo não cabe na minha buceta. FA-TAL, GAL A TODO VAPOR 1971.Mas meu coração pode crescer dez metros FAIXA: ESPELHOS QUEBRADOS (RONNIE VON) 1969 e explodir. DISCO DO FOFÃO QUE VINHA NO CALDO KNORR 1985 Oh vida futura nós te criaremos. Qual a parte que te cabe neste latifundio. NOEL ROSA E AACY DE ALMEIDA 1950 Santo sepulcro, blockbuster, gôndolas de supermercado algoritmos, nas ramblas do planeta, cova grande pro teu pouco defunto perdido em el siglo, FAIXA: ME LIBERA NEGA (MC BEIJINHO) 2016versículo XX, siculo XX século XXI. DOCES BÁRBAROS, 1976 Quando llegaré. Tinho escrito alguma coisa sobre o hemisfério sul, sobre mapas que tinham monstros enormes de duas cabeças sereias. Sobre o continente que um dia se dividiu, sobre o pecado que não existe do lado de baixo do equador. SECOS E MOLHADOS 1973. Sobre crianças de quinze anos ocupando suas escolas. ALUCINAÇÃO (BELCHIOR) 1976
Sobre o lema dos sem terra. TROPICÁLIA OU PANIS ET CIRCENCIS 1968 Sobre os navegantes de las três caravelas, La Pinta, La Nina y la Santa Maria. Sobre alguém que gritou terra à vista. Sobre o cerrado, sobre a montanha e sobre a ausência de mar. CLUBE DA ESQUINA (MILTON NASCIMENTO E LÔ BORGES) 1973 Bandeirantes e tropeiros. URUBU (TOM JOBIM) 1975 Montanhas remendadas, nobres chacolejando jóias. Arranha céus tapando o vento do mundo e japoneses afogando nossas pedras no pacífico. AFRICA BRASIL (JORGE BEM) 1976 Sobre o continente e suas fronteiras impostas que confrontam, explodem e mutilam identidade. A identidade mutilada de tantos. O furto, o estupro, o rapto pútrido, o fétido sequestro, o adjetivo esdrúxulo, em u, onde o cujo faz a curva. Terra de antípodas. Colombo acreditava em antípodas, pois a terra é redonda. Colombo pôs o ovo em pé. PRIMEIRO XOU DA XUXA 1985. Bruxa queimada em praça pública. Sobre Galileu Galilei. Sobre a terra que se move. O NOVO AEON (RAUL SEIXAS) 1975. Começa no útero abaixo da linha do equador. A MULHER DO FIM DO MUNDO ELZA SOARES 2015 Revolve de furação e enchente carregando quem não tem o que carregar, ESPRESSO 2222 GILBERTO GIL 1972, Passa pela mão do hemisfério norte separando, condenando o que a cabeça tampada por um lenço, FAIXA: DOIS ANIMAIS NA SELVA SUJA DA RUA (ERASMO CARLOS) 1973 uma camisa ou um gorro de esqui performa de braço e punho erguidos no ar MOTE E GLOSA (BELCHIOR) 1974. Derrubar monumentos. Queimar carros. Explodir bancos. O sexo escorre por todas as fronteiras imaginárias de nossa cidade estado. Sangue e suor do sul, MEUS CAROS AMIGOS (CHICO BUARQUE) 1976 especiarias do leste. NA RUA, NA CHUVA, NA FAZENDA (HYLDON) 1975 Pacífico gelado. O norte barbarizado. TRANSA (CAETANO) 1972. A baderna adentra o espaço A NOITE VAI CHEGAR (LADY ZU) 1979. com pés no chão de bailarina. O mundo gira, TIM MAIA RACIONAL VOL.1 1975 o mundo cai. O copo de café é de papel reciclável. Doe 3% de seu café para o terceiro mundo. DI MELO 1975 Guerra fria. Bloqueio. Desbloqueio. Café que vem de cá. Gourmet que veio de lá. LEGIAO URBANA 1985 O rosto de Che Guevara estampado na camiseta. Bandeira, camiseta, refrão. FAIXA: DIAS DE LUTA (IRA) 1985. Sobre o Eldorado... remanso casanova sento sé pilão arcado sobradinho. Era pra falar de musica... CARTOLA 1974 Vazio daquilo que no ar do copo ocupa o lugar ocupa. Tira gente, põe represa e diz que tudo vai mudar. Adeus ó choça do monte! Adeus Palmeiras da Fonte, Adeus, amores! Adeus. O PRIMEIRO DA RÔ RÔ 1979 Um homem vivendo dentro da baleia. O cu é logo ali. Esse nosso sítio. E eu, menos estrangeira no lugar e no momento sigo mais sozinho caminhando contra o vento e meto meu grelo na geopolítica. AVA PATRYA YNDIA YRACEMA AVA ROCHA 2015. Eu podia ficar aqui pra sempre no alto dessa montanha arranha ceu, CHEGA DE SAUDADE (JOÃO GILBERTO) 1979 estrada de minas pedregosa, braços abertos sobre a bela e banguela Guanabara, te ver envelhecer entre Alphavelas e arranha céus. Os ricos marcharam pra Marte, Patchamama. CANÇÕES PRAIEIRAS (DORIVAL CAYMI) 1954 Errante navegante quem jamais te esqueceria. No mar as fronteiras balançam. Eu também já fui do mar. Meu fígado é teu América do Sul. MUITO ESTRANHO (DALTO) 1982 E se o mar vier pra Minas afoguemos nossas pedras de vez, nossa mágoa barroca. A PAGINA DO RELÂMPAGO ELÉTRICO BETO GUEDES 1973. Nosso queijo de gaveta... Aimorés com Espirito Santo. Guajajaras com Bahia. São Paulo com Tupis. Estados da República atravessando os índios mortos na sua quebrada, canto, sítio,
local, região, ambiente, lugar de enunciação, todos no chão, transposição do São Francisco, transubstanciação do Rio Doce. Praia Artificial de Tóquio. Já não há espaço em Tóquio. CLUBE DA ESQUINA N1 MILTON NASCIMENTO 1970. Dois corpos ocupam o mesmo espaço. Dinamitar a ilha de Manhatan. Vamos de mãos dadas. ACABOU CHORARE (NOVOS BAIANOS) 1972
Era pra falar de musica. CALCINHA PRETA VOL.18
Saio do templo. Boto meu bloco na rua. Boto pra gemer. (Por uma dialética baiana aplicada à quaresma: Eu pecadora confesso a dios, dos o uno, morto ou solto e não sei se todo poderoso ou se transfabuloso, power to the people, o amor e o poder, a Rosana, al ombligo de la diosa, Pepeu todo masculinofeminino e a Gil luminoso, Marcelo todo Veronez, Marilia Pera Possessa, Amapola la lola, alalaô, Fernanda, Suzanna, Lala e Po, ao bem aventurado João santos, dialética baiana de todos os anjos, Arthuzzis, blancos e padis, Bahia que desce pra floresta e que não é Guanabara e nem banguela, da bem aventurada da morena de cá e ao bem aventurado daquele acolá, que não sou aiatolá, nunca fui xiita e até Ratzinger pediu altas, pendurou as chuteiras, comeu a bula. A agua que não é tão benta e nem Tetê (teteretê) tão santa, quem joga em mim é o Chapolim, moralistas chegando ou não. Haja fogo, haja guerra, haja guerra que há, após a orgia de beagá. Que pequei muitas vezes por pensamentos, palavras e obras por minha culpa (bate no peito) Minha culpa (bate no peito!) minha máxima culpa (rebola), ô não... Portanto rogo a Betânia, Joelma, Beto Guedes e naturalmente Bete Faria, que intercedam junto de Elis por mim, nesses tempos sombrios de pau e pedra e fim do caminho, por que é preciso cantar e alegrar a cidade, meu deus eu sou gaga principalmente na televisão. Mas quem é que me garante, que mesmo esses microfones sempre funcionarão? Então se ela dança eu danço, axéaxéodara amém.)
Banco de dados: (os versos não são maus, nem são meus)
- Não! - Sim! - Por quê? - que bonito, hein? -deu onda
- que lixo! - a bossa, a fossa, a nossa grande dor. - vou festejar o teu sofrer! O teu penar! - eu quero essa mulher assim mesmo - mulher infiel - mulher sem razão - mulher indigesta - mulher pomba rola que voou -um tijolo na testa -essa mulher assim mesmo - Baratinada, alucinada, despenteada, descabelada, embriagada, entoxicada, desafinada, desentoada. - e jogo agua fervendo se você se aventurar - Meu nome é Gal, tenho 24 anos - gostava de política em 1966. - meu mundo caiu e me fez ficar assim -dança no frenetic dancing days. - meu bichinho bunito. - minha filha, minha mãe. - nem que eu caminhasse às três da manhã - Admiro Caetano, Gil, Roberto, Erasmo, - nem que eu rastejasse até o Leblon não iria encontrar - foi você - tola foi você. - perigo é ter você perto dos olhos - depois de ter você - você conseguiu e agora diz que tem pena de mim - você foi comum, pois é, você foi vulgar.
- não posso mais viver assim sempre chorando - Todo dia eu sonho alguém pra mim. Acredito em Deus, gosto de baile, cinema. - quando olhaste bem nos olhos meus e o teu olhar era de adeus juro que não acreditei - Macalé, Paulinho da Viola, Lanny, - chega de verdade é o que a mulher diz... tô tão infeliz - Pergunta - Pergunta pro seu orixá. - Vai amar vai sofrer vai chorar vai dizer -Vai dizer. - Esta bala perdida que te fala, rapá! Te amo, te amo. -Tem razão. - não pense na separação, não despedace o coração - Rogério Sganzerla, Jorge Ben, Rogério Duprat, - eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver, a espera de viver ao lado teu - deus sabe a minha confissão não há o que perdoar por isso mesmo é que há de haver mais compaixão - por toda aminha vida -Waly, Dircinho, Nando, -MULAMBO EU! -MULAMBO TU! -MULAMBO TU! -MULAMBO EU! - morre nasce trigo, vive morre pão - a vida do teu filho desde o fim até o começo. -nenhenhem (é onda que vai) - o que que eu quero se eu te privo do que eu mais venero que é a beleza de deitar - tire o seu sorriso do caminho - nhenhenhém (é onda que vem)
- oh minha grande - que eu quero passar com a minha dor - oh minha pequena - o que é que houve meu amor, você cortou os seus cabelos? - oh minha imensa obsessão. - Senta e observa a tua destruição. - veja bem, nosso caso é uma porta entre aberta. - as rosas não falam - vê se entende o meu grito de alerta - espinho não machuca a flor - agora cadê, cadê você, cadê que eu não vejo mais, cadê? Cadê quem te viu e quem te vê! - E mesmo assim ainda eu não vou dizer que já te esqueci - quaquaráquaquá,. - com açúcar, com afeto. - quem riu fui eu - Que eu sou uma bixa loka preta favelada. Quicando eu vou passar. e ninguém mais vai dar risada - Se alguém vier me perguntar - Loucura é loucura, pior é a emenda. - Nem mesmo sei que vou falar - meu mundo caiu, - Doralice eu bem que te disse - pode apagar o fogo mané, que eu não volto mais. - negue o seu amor, o seu carinho - fico com o disco do Pixinguinha - devolve aquela minha TV, - o Neruda que você me tomou e nunca leu - Acredito em Deus, gosto de baile cinema.
- diga que meu pranto é covardia, - Loucura é loucura, não me repreenda. - teus seios inda estão nas minhas mãos - faz me rir - mentira - perdoo - Hj eu tenho apenas uma pedra no meu peito - 126 cabides - mentira - amar é tolice - mentira - doce ilusão do amor - te perdoo por quereres me ver aprendendo a mentir, te mentir - quem conseguiu quebrar de vez meu coração? - é uma pena, mas você não vale a pena - quem foi que aniquilou com a minha paz? - não vale uma fisgada dessa dor - não me ligue nem mais pra fuder eu insisto. - E o pessoal da pesada - Da linha que separa a dor - Seu caso não é de ver pra crer... - galinha! - tá na cara - Isso é para dor - Não adianta que você não vai esquecer, querida - Loucura é loucura, não me compreenda - E se um dia eu tiver alguém com bastante amor pra me dar
- Não precisa sobrenome - Pois é, eu vou te amar até o fim da linha - Pois é o amor que faz o homem - Eu amei demais!
Let´s Play that Jonnata rebola como Iggy Pop em 2014. Ele já não pode ser deus. Seu sangue é menos que pitoresco. E ninguém recebe seu corpo ao se jogar no ar. Jonnata vai curar suas feridas, moço. Vá recuperar o fôlego. Vai meu filho. Recupera o fôlego. Quanto tempo dura a rotação de um vinil? Quanto tempo dura a verdade de um lambe lambe? Os 25 anos do João, vão durar quanto tempo? Meus 25 anos duraram até anteontem. Hoje tenho 33. Como cristo. Lambe lambe dura até chegar a chuva. Suar de deus para apagar as verdades de um lambe lambe. Jonnata lambe as feridas de um cristo. Gravador tem tempo infinito. É só retroceder e ele diz de novo a mesma voz. A mesma voz. Estou grávida e não sei como aconteceu. Estou grávida da geração anterior. Entressafra de nove meses. Abortei no mês quinto. Mesquinho. E não chove. João, quanto tempo vai durar seus 25 anos?
(áudio de João me contando sobre a maior história de amor de todos os tempos, Angela Maria e Cuby)viii
FIM
Faixas bônus:
Diálogo I A.A Neste momento entram duas mulheres, de cada canto do palco. De um lado, o Amy Whinehouse com uma garrafa de Rum. Do outro lado, Angela Rorô. Elas vão fazer um dueto. Amy está péssima e cai no chão. Ângela ri. Ângela diz para Amy, “Garota, você devia ter escutado os meus discos antes de morrer”. Amy chora. Ângela ri. Angela olha pra Amy.Ângela suspira. Ângela diz. Tadinha dela. Roro: Ofertou-se asem um zelo ao apelo de sorrir Entregou-se inteira e dócil a um fácil seduzir Sem saber que o destino diz verdades ao mentir Winehouse: Love is a losing game Love is losing game (Amy continua com um inglês mal resolvido) Winehouse: Devastated, over, abused, tortured, loser, loser, loser Distroyed, ruined, loser, loser, no road to get away Sorry baby, love is tragic. Love is pain, pain, pain Poor thing it ... Poor devil Poor thing it ... Poor devil
She lives drunk and biritada falling, falling, falling From Acapulco to the wild side or in front of Samir She seeks something every night to have fun, fun, fun there is no place like run... there is no place like run ... Roro: Desespera dessa espera, Por alguém pra lhe ouvir
Sente um frio na costela e uma ânsia de sumir Transa modelito forte comprimidos pra dormir. E não acorda mais. E não acorda mais E não acorda....
Café com Tia Ney (só café, mais nada) (Humberto Augusto – Marina Viana – alguém que musique esse trem)
Piaçava? Hum! Passei Maquiei a casa toda Foi pra receber Tia Ney De make-up espessa, a loka
Cê num sabe o duro que eu dei Espanei a vitrola, lavei a loça De ontem, ancorei a estante Que “a loka!” , caiu em mim no mesmo instante
Biografias Coleção Baderna Pasquim, Rebordosa Piva João Rosa na testa Bakunin Teuda Bara, vida e obra de Tristan tzara Manifesto comunista, aquele Neruda, o livro da barata Autógrafo da Corona, Madonna e o Mahabarata me mata por favor me mata! Eu nasci assim chacrete, comunista e estabanada Corre rapariga corre que Tia Ney já tá na escada
Só tinha café mais nada.
Tinha só café não que também sem um cigarro ninguém segura esse rojão Existencialista sem nenhuma razão passo as tardes entupindo o pulmão Mas toucou a campainha, a primeira do portão Era tia Ney, a loka! Saí do meio dos livros com o cigarro na mão
É, não tava assim um brinco “Não repara a minha sala!” Mas os bibelôs sorrindo Sabem que eu quis agradá-la
Já chegou de lantejoula Rebolando, mas eu tava Tipo corra-lola-corra Tinha só café, mais nada
Senta no sofá, a Malu é educada A cadela mais requintada Não vai te importunar Se importa se eu fumar? A loka não recatada... Bandido corazón no puedo controlar
Já chegou de lantejoula Rebolando, mas eu tava Tipo corra-lola-corra Tinha só café, mais nada
Café é fácil e rápido Passo rapidinho! Fui correndo pouco prática Cigarro na boca Vestir meu maiô Passar um café, “sem açúcar por favor!”
Claro pois não Tia Ney, também gosto de amargor A vida tá azeda e o doce anda muito ardido Pouco agridoce, tudo sabor batido Sou do tempo em que o muro já tinha caído Fiquei com um certo sarcasmo doído
Comecei a falar bobagem, sem muita conexão Falei da conjuntura, da nossa má situação Comecei a rimar coração com palavrão Com o cigarro na boca cismei com Revolução Fiquei nervosa, cantarolei bambalalão, Citei cazuza sem prestar muita atenção O galo na testa, fazendo um papelão Era tia Ney na sala! E eu nem sei tocar violão.
A leve esperança, aérea pois não. Só tinha café e mais nada. Sem açúcar. Nada não... Tia ney rebolava na minha sala E eu com o galo que me deu o grande sertão
Desculpa tia ney minha falta de conclusão
Rebolo com a senhora sou croquete, coxinha não Acabo que faço manifesto samba canção Os anos 10 tão aí, golpe, treta, furacão. Mas vamos dançar que eu hoje varri o salão Fora do tom sem melodia, sem métrica nem rima repara não É que tão querendo do muro fazer reinauguração Haverá guerra ainda tomara que não.
Piaçava? Hum! Passei Maquiei a casa toda Foi pra receber Tia Ney De make-up espessa, a loka Dançamos na sala... dancei... acalmei
i
Estou com vocês. Eu estou com vocês no encontro do mascarado com o beco, eu estou com você no confronto do mascarado com a tropa, eu estou no atropelo do choque, no eletrochoque, no gás dentro do olho, no viaduto que cai, estou com vocês sobre os poros, sobre o útero, no vapor que sobe do vidro de lança perfume quebrado no asfalto, sobre o gineceu arrombado ontem. Eu estou com vocês às seis da tarde num buteco de esquina, assistindo o congresso acanalhado na velha TV, no lado b, no lado de baixo, no bonde, na banda, no bando. Eu estou com vocês enquanto o tempo nos passa a mão e nossa cara larga corre nesta piracema desvairada contra o sistema, a idade, o amor e o cansaço, estou com você nos anos 10, eu estou com vocês e danço um tango argentino dentro de nossa enferma e latina noite ocidental. 1
Diálogo com meu pai: “- Pai, eu já estou à margem do trabalhador normal, agora que eles vão tá na mesma merda que eu, eu vou... eu vou...“ - Vai virar lumpen, minha filha. (um tango argentino me vai bem melhor que um blues) iiiiii
Esta peça não se passa no sertão. Passa aqui, nesta bolacha de vinil. Pensemos neste vinil como um cruzamento entre um presidente e o estado do Espírito Santo, que acabou de atravessar os Goitacazes. Me atravessa um goitacá nadando próximo ao pirulito da entre a escadaria da Igreja e os Dois Guerreiros Botocudos incrustrados do outro lado no edificio art decó. Pra esquerda de quem olha para os índios, da às costas a igreja, você vai pra rodoviária, que olha pro hotel Madrid, da a bunda para a Guaicurus e dá de peito com as montanhas.
iv
v
2
Tente imaginar ser adolescente nos 90, em Belo Horizonte.
Montanhas! Alterosas! Cerrado! Primeiro passo! Aço aço aço...
Buteco! Cachaça! Piolho! Meio Fio! A curva de um rio Io Io Io...
Profeta! Pão de Queijo Tiradente Quero ver gente Ente ente ente..
Queijo! E la se vai mais um dia Ora Canastra E la se vai mais um dia Ora Pro Nobis E la se vai mais um dia Ora Anastasia E la se vai mais um dia E la se vai mais um dia ((Primeira Ode aos Unidos da esquina sem clube. Fevereiro de 2011)
vi
John eu não esqueço eu não esqueço. As armas chegarão amanhã, dia de greve geral. Manha e manhã, massa e maçã. TIL. Grande trunfo da língua portuguesa, por que a felicidade é cheia de a cheia de e cheia de i cheio de o: desabar sobre os homens vai, de cima de banda ou de lado, cheia de ano eno circunflexo ono. Plastic ono cheia de ã ê i ô. Brasil desafinado. Circunflexo. Vai ser guache na vida. Deixo torto e recebo um tanto torto, esse sonho esse tanto esse hippie esse punk, esses companheiros camaradas esse grupo. Este ensaio. Lei natural dos encontros. Mistério. Teatro. Ninguém vê minha sacola. “Câminhu”, caminho em baiano, caminho baianamente. 'O Brasil é desafinado, tem as sílabas tônicas fora dos tempos fortes. Vamos seguindo. Vou voltar pra rua. O tempo é forte. vii
Amanhã me escapo, me ecad, me exponho nas livrarias. Livrarias? Não. Nas mercearias, nas epidemias, nas anemias... Põe prego no feijão. Põe água no feijão. Põe prozac na água. viii Daqui há 20 anos quero te ver. Pra saber do que foi feito de tudo que a gente sonhou. Sabe o que eu acho? (que Antônio Carlos Jobin e Chico Buarque de H...) que esse texto é sobre amizade olha que coisa. Coisa fofinha. Muito romântica. PROPAROXÍTONA! Trunfo da língua portuguesa! E aos seus ouvidos parecer exótica. Você e eu. Soar minha sílaba. Sílaba Tônica. Sou o que soa. Acorde perfeito maior. Arcano maior. Papisa noutras palavras, o tal do leite bom reconheci seus cornos pra fora e acima da manada. Te achei. Na contramão atrapalhando o tráfego. Bailes da vida. Pé na profissão. Eu não toco nenhum instrumento, mas tenho o pé la. Alma – lama repleta de chão de sapato branco. Glorioso. Nos seus 25 anos que não acabarão nunca. Tenho comigo lembranças do que eu era. A coisa de o artista ir onde o povo está e lalalalalala. Mas independente disso eu não passo de um malandrx. E você chorou quando Cauby morreu, por isso que eu te amo. Cantei. Teoria de Vovó Abramovick. Não sei como cantei assim com todo o cabaré me aplaudindo de pé. A vovó chama de body drama. Eu abro os braços sou eu. Eu nunca falo na hora de falar em cada luz de mercúrio, não multiplico. O mar sou eu. Choro diante da multidão. A voz é rouca. É sobre amigo de toda forma. Rês desgarrada geração nessa multidão boiada. Reformada. Sapateando no toró.