w w w. e m . c o m . b r B
E L O
H O R ●
I Z O N T E ,
MG: R$ 3 ●
D O M I
N G O ,
NÚMERO 25.880 ●
1 6
82 PÁGINAS ●
D E
D E Z E M B
R O
D E
2 0 1 2
FECHAMENTO DA EDIÇÃO: 21H
AGÊNCIA FOTOSITE/DIVULGAÇÃO
RAMON LISBOA/EM/D.A PRESS
& MASCULINO
EM
FEM ININO
★
FARTURA DE ESTILOS
SUBIR SEM TIRAR OS PÉS DO CHÃO
Coleções que desafiam todas as tendências dominam desfiles na Casa de Criadores, em São Paulo. CAPA E PÁGINA 12
DOMINGO
A mineira Erika Januza (E), revelada na série Subúrbia depois de vencer 600 concorrentes, vê a porta da carreira de atriz se abrir à sua frente, mas garante que quer entrar com cautela. CAPA
degusta
BEM VIVER
MARIA TEREZA CORREIA/EM/D.A PRESS
OUTRO JEITO DE AMADURECER
SABOR DO DESERTO
Jovens religiosos que escolheram um caminho longe de extravagâncias. CAPA E PÁGINAS 3 E 4
Tâmara traz para as mesas natalinas tradição dos clássicos banquetes romanos. CAPA
CARLOS HAUCK//ESP. EM
CÂMARA DOS DEPUTADOS
Farra dos escritórios fantasmas
Aluguel, condomínio, IPTU e até assinatura de TV geram despesa de cerca de R$ 32 milhões por ano. São os escritórios parlamentares mantidos com dinheiro público. Em algumas das salas alugadas, o EM não achou ninguém e outras servem até de dormitório para assessores. PÁGINA 3
BATISMO DE ÁLCOOL
Beber, se possível até cair, é o preço cobrado a calouros por alunos veteranos de universidade pública de cidade histórica para o ingresso em repúblicas PAULO FILGUEIRAS/EM/D.A PRESS
PURURUCA
LEITÃO DESBANCA O PERU NA CEIA DE NATAL DOS MINEIROS
Vendas aumentam mais de 80% este mês. Estado é o que mais consome carne de porco no país. PÁGINA 15
SONHO VIRA PESADELO COM LEILÃO DE DUAS TORRES PÁGINA 18
A
morte de dois estudantes da Ufop em menos de 60 dias com excesso de álcool no sangue chama a atenção para o consumo exagerado de bebidas em moradias estudantis, como acima), e para uma prática que se tornou comum em Ouro Preto: em São João del-Rei (a aluno novato de universidade pública só consegue lugar em república se se submeter à bebedeira, que é o “processo de seleção”. Rafael (nome fctício, E), um dos coagidos a ingerir bebida, ficou assustado com o fim trágico dos colegas: ”Meu Deus, podia ter sido comigo”. PÁGINAS 25 A 27 BETO MAGALHÁES/EM/D.A PRESS
Caderno especial lembra grandes jogos e mostra a transformação do Mineirão em moderno palco das copas das Confederações e do Mundo. Estádio será entregue sexta-feira ao futebol mineiro.
APAGÃO QUEDAS DE ENERGIA ELÉTRICA EM CIDADES DE MINAS, RIO E SÃO PAULO PÁGINA 2
CORRUPÇÃO PROMOTORES E PROCURADORES CONDENAM LEVEZA DE PUNIÇÕES PÁGINA 12
PAMPULHA COMISSÃO PARA ACOMPANHAR O TRABALHO DE RESTAURAÇÃO PAGINA 29
ARQUITETURA NIEMEYER E OUTROS MESTRES QUE PARTICIPARAM DA EDIFICAÇÃO DE BH PÁGINA 31
ISSN 1809-9874
99 771809 987014
Assinaturas e serviço de atendimento: Belo Horizonte: (31) 3263-5800 - Outras localidades: 0800 031 5005 Assinatura Uai: 0800 031 5000
ESTADO DE MINAS ● D O M I N G O ,
1 6 D E D E Z E M B R O D E 2 0 1 2 ● E D I T O R A - A S S I S T E N T E : Te r e s a C a r a m ● S U B E D I T O R A : E l l e n C r i s t i e ● E - M A I L : b e m v i v e r . e m @ u a i . c o m . b r ● T E L E F O N E : ( 3 1 ) 3 2 6 3 - 5 7 8 4
BEM VIVER
DE OLHO NO LOOK
Érika Motta incorporou a paixão por maquiagem em sua rotina diária. PÁGINA 5
MARIA TEREZA CORREIA/EM/D.A PRESS
CARLOS HAUCK/DIVULGAÇÃO
Para os integrantes do movimento, abdicar do lazer comum nessa época da vida não chega a ser sacrifício: é uma escolha pessoal e não uma imposição da Igreja
ESCOLHI
ESPERAR
ENTENDA POR QUE JOVENS RELIGIOSOS OPTAM PELA DIFÍCIL DECISÃO DE AMADURECER SEM PARTICIPAR DE FESTAS CONSIDERADAS LOUCAS, BEBEDEIRA OU FAZER SEXO ANTES DO CASAMENTO
IZABELLA FIGUEIREDO “Já fiquei com essa menina quando era do mundo”, disse Daniel Nunes, de 19 anos, olhando com ar nostálgico a bela garota enquanto folheava uma revista e esperava os outros entrevistados da matéria chegarem. Com jeito de quem olha para lembranças longínquas de uma vida à qual não pertence mais, o estudante de engenharia parece estar orgulhoso e convencido de seu novo estilo de vida: há mais de dois anos o rapaz trocou as baladas open bar, as ficadas numerosas e o “tudo liberado” por programas tranquilos, prática de esportes, trabalhos voluntários, pouco beijo na boca e nenhum sexo. “Hoje, estou muito mais feliz com meus programas sossegados, eles me rendem mais tranquilidade”, garante. Pode parecer improvável aos olhos de outros jovens da idade dele, mas para Daniel e muitos outros da mesma faixa etária, viver assim já virou rotina. Eles escolheram viver em santidade. Para quem não entende o conceito de santidade, quem explica é Thiago Marques, de 20, outro jovem adepto e convicto dessa prática: “Viver em santidade é a pessoa honrar Deus em todos os detalhes mais simples do seu cotidiano, com atitudes, palavras, jeito de ser, mesmo que isso implique viver na contramão do mundo. Não se trata de religião, e sim de atitude”, explica o jovem. Para ele, a santidade ultrapassa as premissas religiosas e “consiste principalmente em separar o bem e o mal e acreditar que existe o tempo certo para tudo”, complementa. Resumindo: viver em santidade quando se é jovem significa abrir mão de festas loucas, bebe-
❚
deira, pegação ou fazer sexo antes do casamento, daí a escolha de Thiago, Daniel e outros. Quando Thiago fala de “viver na contramão do mundo” ele não exagera. Afinal, uma vida casta pode mesmo parecer loucura para quem está de fora e já acostumado a “viver no mundão”, como os meninos costumam chamar a rotina comum ao jovem de hoje. Tendo optado pela santidade há pouco tempo e acostumado a frequentar festas e bares, Daniel enfrentou o espanto dos colegas, que custaram a acreditar e não deram credibilidade alguma à decisão do amigo, quando ele comunicou que não era o mesmo farrista de antes. “Eles acharam loucura e duvidaram que fosse durar muito tempo. Foram, inclusive, conferir de perto”, conta. Hoje, ele admite que por causa dessa decisão seu grupo de amigos mudou um pouco. Afinal, o ambiente de casas noturnas e festas não combina mais com ele, o que acabou afastando-o da velha turma. Mas o universitário parece mesmo não sentir falta do antigo grupo. "Antes saía muito, decepcionava todos e voltava para casa com um sentimento de vazio. Não era feliz”, afirma. O corte total de práticas prazerosas aos olhos da maioria dos jovens de hoje faz parte de um movimento que há tempos é filosofia de vida para cristãos. Entretanto, Thiago, Daniel e muitos outros jovens fazem questão de frisar que dizer não à banalização de relacionamentos e adotar a santidade como estilo de vida é uma questão de escolha pessoal e não uma imposição da igreja que frequentam e onde se encontra grande parte de seu círculo social. Agora, o movimento defende a valorização do jovem em relação a seu corpo e alerta para a banalização da sexualidade, devassidão e vícios, que ganharam nome, cara e ampla divulgação, principalmente nas redes sociais. Trata-se do movimento Eu escolhi esperar (EEE).
LEIA MAIS SOBRE EU ESCOLHI ESPERAR PÁGINAS 4 E 5
❚
E STA D O D E M I N A S
●
D O M I N G O ,
1 6
D E
D E Z E M B R O
D E
2 0 1 2
3
BEMVIVER
❚ REPORTAGEM DE CAPA
Inteligentes e com
opinião formada
IZABELLA FIGUEIREDO
O
rgulhosos por englobar o movimento Eu escolhi esperar, jovens adeptos divulgam livremente em suas contas pessoais a logomarca da campanha: uma mão em posição de “pare” adornada por uma pequena aliança atentando para o fundamento principal da campanha,quepropagaorefreiodaspráticas consideradas profanas, em prol das famílias e valores matrimoniais. “Vivemos em uma sociedade que prega a falsa liberdade sexual, como se pudéssemos usála sem limites. Uma pessoa que opta por se guardar para o casamento está fazendo sua escolha e por causa disso sofre discriminação, é alvo de deboches. Foi pensando nessas pessoas que a campanha começou”, conta Nelson, afirmando ter se surpreendido com o número de pessoas atingidas. “Não imaginava que teríamos tantos adeptos. A campanha cresceu de forma despretensiosa.” Nelson Junior não esconde que criou o EEE motivado por uma experiência pessoal, ou seja, o pastor alegaqueofatodeteresperadopela mulher ideal para começar a fazersexovaleuapenaeporissoquis divulgar a ideia para fortalecer quemoptouporela.Entretanto,ele ressalva quenãopretende influenciar jovens indecisos quanto a essa questão, mas deseja apenas ser pontodeapoioparaaquelesquejá decidiramagirdetalforma“Queremos propagar que os jovens que pensamassimnãosãoextraterrestres e nem frustrados sexualmente. São inteligentes, saudáveis e com opinião formada”, defende. Emboranãopareça,Nelsonafirma que o EEE não se trata de uma campanha pró-virgindade, mas simumaformaderesgatarvalores que foram esquecidos com o tempo como a valorização do próprio corpo. “Não trabalhamos com terrorismosexual”,destaca,“nãodoutrinamos castidade ou virgindade, o objetivo é focar no casamento e nas famílias saudáveis. A sociedade valoriza o ato sexual independentemente com quem seja, e aí está o problema. O grande número de divórcios ocorre pela banalização da promiscuidade”, conclui.
Eles esperam pelo par ideal até o casamento e não se sentem constrangidos em assumir suas posturas. Além das redes sociais, os jovens divulgam suas ideias em seminários dentro de igrejas de todo o país FOTOS: CARLOS HAUCK/DIVULGAÇÃO
Márvio Gonçalves e Anelise Bragança estão juntos há cinco meses e enfrentam o desafio de viver um namoro em santidade
MEMÓRIA
Fenômeno da internet
VIRTUAL Embora o movimento
esteja presente em maior volume nas redes sociais como Facebook, Twitter e Instagram, longe da esfera virtual a campanha também vem ganhando forma e força por meio de seminários realizados constantemente em diversas igrejas pelo país inteiro, sempre liderados por Nelson e com convidados especiais a cada evento. O objetivo nessas reuniões presenciais, segundo o pastor, é reforçar fundamentos bíblicos eternos que foram abandonados. Sempre lotados, os seminários doEEEestãocomagendacheiaaté abril do próximo ano. Para completar, o EEE também virou motivo de produtos diversos, como camisetas, livros, chaveiros e CDs, que podem ser adquiridos via internetouemquiosquesmontados nos seminários promovidos pela campanha.Noquesitodivulgação, então, Nelson Junior pode comemorar: o EEE já tem seguidores até em países como EUA, Argentina, México, Peru, Chile e Austrália.
Frequento a maioria dos ambientes, mas sei que não posso me comportar como todo mundo. Tenho que manter uma postura firme. Não bebo, por exemplo
Meus pais até incentivam que eu saia e namore, mas eu explico pra eles que não quero, não por enquanto. Prefiro esperar a hora certa
■ Giuliano Lima, de 16 anos
■ Ana Debarry, de 17 anos
O movimento foi idealizado pelo pastor capixaba Nelson Junior, que, cansado de se aventurar emocionalmente, resolveu dar um basta na superficialidade e volatilidade dos relacionamentos, optando por esperar a mulher certa para se relacionar sexualmente. A campanha Eu escolhi esperar nasceu em Vitória e promove a santidade, ou seja, prega aos quatro ventos a opção de esperar pelo casamento para praticar o sexo. Verdadeiro fenômeno na esfera internética, com mais de 150 mil seguidores no Twitter e mais de 1 milhão de curtidas no Facebook, o movimento arrebatou jovens de todo o país que não têm vergonha de admitir que, para eles, sexo só rola depois do casamento e até o afamado beijo na boca é dado com muita prudência e oração.
Melhores amigos, porém namorados Se existe algo, entretanto, que todos os jovensadeptosdoEEEencaramcomodesafioéaquestãodonamoro,jáquenessashorasatãotemida“tentação”écolocadaatoda prova. Aquilo que parece impossível aos olhosdeumcasaldenamoradosconvencional não é menos complicado para os adeptos do EEE. “É mais fácil manter a santidade a vida inteira do que manter um namoro santo, sem sexo. Afinal, hormônio não converte”,concordaocasaldenamoradosMárvio Gonçalves e Anelise Bragança, juntos há cincomeseseadeptosdonamoroemsantidade. Apesar de crerem nos princípios da santidade como verdade absoluta, isso não quer dizer que para Márvio e Ane seja fácil viver um namoro assim. Os dois, que já viveram outros namoros não santos, se conheceram em um evento da igreja que frequentam e agora encaram diariamente o desafio de viver um namoro em santidade total. Quanto à batalha, Márvio explica que tudo pode ser mais ou menos complexo, dependendo sempre da forma de encarar a situação: “Se o sujeito pensanasantidadeunicamentecomoafaltade sexo eaúnicacoisaquevocê quer na suavida é não deixar de fazer sexo, aí sim é impossível seguir o princípio da santidade. O namoro deve ser um reflexo das nossas vidas, nossos valores são inegociáveis, a questão do sexo vem no pacote”, explica. Outro ponto valorizado pelo casal é a amizade “Existem casais que terminam por ter se tornado amigos demais. Nunca terminaríamos por isso. Amizade é fundamental em um relacionamento”, explica, acrescentando que em alguns namoros o sexo passa a assumir posição primária no relacionamento, comprometendo assim a cumplicidade do casal que deixa de ser amigos para se tornarem apenas amantes. É claro que para não quebrar a santidade, MárvioeAneliseusamsuastáticaseseesquivam de comportamentos considerados inofensivosàgrandemaioriadoscasaisdenamorados,masqueparaelessignificariamumsériotropeço:evitambeijosmaisdemorados,já queparaeles“umabrasaacendeaoutra”,um não frequenta a casa do outro quando estão sozinhos.“Anelisenuncapassoudolimiteda garagem da minha casa e quando entra está sempre acompanhada de amigos”, e se repreendemquandoumaatitudeououtrapassa do limite. Para o casal, vale a pena manter essetipodeatitude.“Comonãotemosrelacionamentofísico,aprendemosadarvaloraoutras coisas. Somos melhores amigos um do outro,temosmuitodiálogo”,afirmaAne,que diz estar vivendo seu melhor relacionamentoatéagora,semsexo.
❚
LEIA MAIS SOBRE EU ESCOLHI ESPERAR PÁGINA 4
❚
E STA D O D E M I N A S
●
4
D O M I N G O ,
1 6
D E
D E Z E M B R O
D E
2 0 1 2
BEMVIVER
❚ REPORTAGEM DE CAPA
A cara pop
Considerada porta-voz dos jovens, cantora mineira é apoiadora oficial do movimento que defende castidade até o casamento
do grupo MARCUS CASTRO/DIVULGAÇÃO
Nem tanto TRÊS PERGUNTAS PARA... à santidade, nem tanto 1) à perversão LU ALONE
CANTORA
IZABELLA FIGUEIREDO Nascida em família cristã, a cantora Lu Alone conheceu o EEE e Nelson Junior no início deste ano. Sabendo que a diva pop mineira não somente se identificava, mas abraçava o movimento, o pastor logo entrou em contato com a garota, nomeando-a uma das embaixadoras oficiais da causa. Lu por sua vez não titubeou em aceitar. “Achei legal a forma que ele fala para os jovens sobre esse assunto, que hoje em dia é tão polêmico.” Como apoiadora oficial da campanha, Lu usou de seu maior dom e compôs duas canções especialmente para divulgá-la: a homônima Escolhi esperar e Vai valer a pena. Em uma das canções ela diz: “Faço parte de uma geração que curte santidade, faço parte de uma geração que ama de verdade. O tempo certo vai chegar”. Lu parece mesmo curtir ser assim, tanto que fala com orgulho sobre sua opção. “Quando você se valoriza, os rapazes sabem que você não é mais uma. O importante é ser visto como alguém especial”, justifica a cantora, que já participou de dois seminários da campanha, em Belo Horizonte e em Salvador, e se prepara para participar de mais outros no ano que vem para promover a causa na companhia de Nelson. Quando questionada sobre a dificuldade em manter essa postura em bastidores de shows, testes e eventos sociais que frequenta por conta de sua carreira, a garota não vacila. “Quando se tem certeza de sua escolha, as pessoas acabam respeitando. Nunca tive problemas com isso porque meu discurso sempre foi muito claro”, conta, relembrando casos em que foi poupada de brincadeiras infames por parte de colegas famosos – e de opiniões diferentes da sua – em bastidores de eventos por conta de sua posição firme: “Estou lutando por aquilo que acredito. Quando sua opinião é verdadeira e você sabe se posicionar, as pessoas acabam respeitando você”, reforça.
Quando se tem certeza de sua escolha, as pessoas acabam respeitando ■ Lu Alone, cantora
Para a psiquiatra Cláudia Diniz Maciel, especialista em saúde mental e dependência química, a decisão de alguns jovens de interromper as práticas consideradas mundanas pode sim ser aceitável, desde que a motivação para tal decisão venha do próprio jovem e não sob influência de terceiros. “Tenho medo de pré-adolescentes de 12 ou 13 anos que ainda não têm uma formação em relação a isso e apenas repetem o que escutam sem saber do que se trata. Chegam aos 40 anos ponderando que poderiam ter aproveitado mais a vida, experimentado mais e se tornam adultos frustrados”, conclui. “Se os pais, por exemplo, impuserem aos filhos um casamento casto, eles estão tentando realizar um sonho deles por meio dos filhos. Pode haver sim um estímulo, uma motivação, mas as decisões têm que partir do próprio jovem”, diz. Quanto à decisão de se manterem virgens até o casamento, Cláudia compartilha da mesma opinião, de que é necessário ser uma escolha pessoal do jovem. Porém, vai um pouco mais além: “Acho que a questão da virgindade às vezes é supervalorizada. Não acho que o ato sexual seja algo tão extraordinário assim a ponto de ser necessário fazer movimentos pró ou contra”. Para ela, mais importante do que levantar a bandeira de se casar virgem ou não é tratar a questão do sexo com responsabilidade. Para a psiquiatra, o que surpreende é que a virgindade do casal também em nada assegura que a família ficará unida pelo resto da vida e tampouco previne que o casal não terá problemas durante o casamento. “E se o casal for incompatível na cama, como fazer? Nenhum dos dois pode casar novamente, porque não é mais virgem ou um milagre acontece que todos que se casam virgens dão certo no ato sexual? Sendo psiquiatra, acho um pouco difícil”, conclui. Cláudia ainda arrisca dizer que optar pela virgindade poderia ainda significar um retrocesso no ponto de vista sociológico. “Isso era uma questão moral forte no Brasil nos anos 1960 e 1970. Hoje, se um paciente opta por se casar virgem, concluo que ele tem o livre arbítrio, mas é importante investigar a motivação sempre.” Cláudia atenta também para a questão de recomendar movimentos pró ou contra para toda a sociedade, afirmando que generalizar um ou outro é sempre prejudicial. “Se as pessoas acham que se abster de sexo e práticas mundanas é necessário para não se perderem no meio caminho, que façam disso o seu lema, mas fazer com que isso seja regra ou condenar quem o faz e julgar menos valioso é errado”, conclui.
Sendo uma figura pública, é complicado ter o Escolhi esperar como filosofia de vida? Já sofreu algum tipo de preconceito por parte das pessoas do showbusiness ou mesmo dos fãs, que viram seu comportamento se diferenciar do das demais estrelas teen? Convivendo com muita gente secular e pessoas do showbusiness, às vezes enfrentava algumas brincadeiras, até me chamavam de “santinha” nos bastidores. Uma vez, nos bastidores de uma premiação, os meninos da banda NX Zero chegaram a ir a meu favor, isso porque sou firme em relação à minha postura e as pessoas me respeitam. Conversando com alguns famosos a respeito, sei que muitos admiram minha postura de admitir que sou assim, principalmente porque não é fácil estar na contramão. Uma vez em uma conversa, um artista me revelou que “as meninas de hoje não se têm valorizado” e me parabenizou não somente pela minha postura, mas por eu defendê-la e assumi-la. Quanto a admitir a santidade, não tenho problema nenhum com isso, mas as pessoas às vezes se espantam. Quando publiquei o símbolo do EEE na minha conta do Instagram, fui repreendida até por cristãos, dizendo que não deveria explicitar tanto a minha escolha, mas sou tão convicta disso que não tenho problema algum em assumir minha postura. É natural.
2)
Você já teve algum confronto íntimo e chegou a ponderar se esse comportamento valia a pena mesmo? Nunca. Na vida aprendemos o que é certo e o que é errado e estou muito convicta de que esperar é o melhor pra mim, é o certo. Está superclaro. Sei que existe um tempo certo pra tudo, e isso que é o legal. Escolhi isso e estou firme nessa ideia de que vai chegar a hora porque sei que daqui a um tempo vou colher meus frutos.
3)
Suas fãs pedem conselhos sobre a vida sentimental? Qual é o seu posicionamento em relação a isso? Sim, elas sempre me pedem conselhos, e muitas vezes até me contam suas histórias de vida por se identificar com as minhas ao ouvir minhas músicas. Quando isso acontece, sempre falo pra elas para esperarem pelo momento certo, que existe um cara certo separado para cada uma, e que existe o momento adequado também. Falo que não adianta namorar por namorar, tem que valorizar o relacionamento e se valorizar também. Sei que elas me procuram porque sabem da minha opinião relacionada ao EEE e não por questões religiosas.