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Ana Cristina e Gabriela, ambas de 19 anos, se apaixonaram pela Nova Zelândia
INTERCAMBIO Depois de passar meses conhecendo um país, jovens sofrem com choque cultural ao voltar para casa. págs. 4 e 5
Profissao Você quer ser um piloto de teste? pág. 7
Sexo! Desvendamos os mitos da pílula anticoncepcional pág. 7
Series Conhe a os seriados que chegam nesta midseason pág. 8
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ESTADO DE MINAS >> quinta-feira, 16 de junho de 2011
De volta para casa Estranhar o próprio país depois de fazer intercâmbio é mais comum do que se imagina uma chatice. Todo mundo só falava disso e eu não conseguia me desligar da Suíça. Fiquei meio deprê”, confessa. Tatiana estava sofrendo do chamado choque cultural reverso. Choque cultural reverso é aquele baque que se toma ao retornar ao país de origem após ter morado por um tempo em terras longínquas. O cansaço da viagem, as festas de despedida lá fora e as de boas-vindas aqui, a ansiedade de retornar, a saudade da família e amigos que se deixa pra trás, o medo de nunca mais revê-los. O estranhamento é tão grande que existem casos em que essa fase de readaptação ao país de origem é mais complicada do que a de adequação ao país estrangeiro.
Apesar de conseguir superar o choque cultural, muitos intercambistas mantêm hábitos adquiridos no exterior. • Usar expressões típicas de outro país: whatever (que seja), desolée (só lamento) e awesome (maravilhoso), como Samia Costa, Lorena Oliveira e Marcela Gontijo, que foram para os EUA, França e Canadá, respectivamente.
SUPERANDO O CHOQUE
Tatiana Guimarães, de 19 anos, levava uma vida legal no Brasil, mas sentia que uma experiência diferente poderia ser positiva. “Além de aprender uma segunda língua com fluência, queria conhecer o mundo e me conhecer melhor também. Estudei no mesmo colégio desde os 3 anos, então é difícil ver muito além daquilo. Se eu saísse da ‘bolha’, poderia me entender melhor, fora da zona de influência dos meus pais, colegas e amigos”, conta. Assim, Tati resolveu fazer intercâmbio e foi parar em Basel, na Suíça. Chegando lá, a adaptação de Tatiana superou suas expectativas. A cidade era “um polo cultural”. Amante das artes, a garota se apaixonou de vez pela cidade do Noroeste da Suíça. “Esperava o clichê das pessoas frias, mas a liberdade de ir e
vir, segurança, pessoas legais, lugares fantásticos e comidas deliciosas faziam de Basel um paraíso.” Rapidamente os meses passaram e vivendo como uma suíça legítima a hora do regresso de Tatiana foi dolorosa. “Só fui me dar conta que ia embora de verdade dois dias antes de voltar. Não conseguia parar de chorar. Doeu muito”, conta. ENCARANDO O VESTIBULAR Além de deixar a família hospedeira e vários amigos do outro lado do mundo, Tatiana voltou ao Brasil bem a tempo de passar uma das épocas mais temidas pelos estudantes: a preparação para o vestibular. “Achei a maratona escola-casa-escola-casa, mais os preparativos pro vestibular,
As gêmeas Ana Cristina e Gabriela Ladeira, de 19 anos, sempre foram acostumadas a fazer tudo juntas, e com o intercâmbio não poderia ser diferente. Após uma pesquisa minuciosa, as irmãs optaram pela Nova Zelândia. “Nos apaixonamos porque é um país rico em esportes radicais”, dizem. Um semestre fora rendeu muitas amizades que deixaram saudade, mas, ao voltar ao Brasil, as meninas se desesperaram quando descobriram que haviam deixado a vida boa de intercambista para trás. As irmãs tentaram minimizar o choque focando na vida que as esperava por aqui. No caso delas, o vestibular acabou sendo motivador para que elas se readaptassem à velha rotina de estudos e, consequentemente, à vida que levavam antes do intercâmbio. A saudade existia, mas os estudos se transformaram em prioridade. “Para recuperar os seis meses perdidos foi necessário muito esforço da nossa parte. E, felizmente, conseguimos. Sabíamos que iríamos ganhar bastante conhecimento com a viagem, mas teríamos que nos empenhar para ser aprovadas quando retornássemos”, declaram.
Para a psicóloga Andréa Tavares, Gabriela e Ana Cristina agiram de forma certa, já que “minimizaram o choque cultural reverso, focando no que as esperava no Brasil”. Para ela, “todo ex-intercambista deve buscar a oportunidade de ver a vida com novos olhos, já que provavelmente desenvolveu novas atitudes, hábitos, crenças e metas. “É bom usar essa experiência para ver a vida de forma mais objetiva e tomar decisões cada vez melhores. O importante é integrar os bons aspectos de ambas as experiências e minimizar o choque cultural reverso”, explica. AJUDA DE QUEM ENTENDE Tatiana só conseguiu superar o choque cultural reverso ao passar no temido vestibular, quando ela pôde se livrar da pressão dos estudos e
reinventar sua rotina. A garota também enfatiza a importância da ajuda de outros ex-intercambistas recém-chegados. “Eles me ajudaram muito porque sabiam pelo que eu estava passando”, diz. Hoje, a universitária relembra com saudade seus momentos fora de casa, mas da forma mais saudável possível, tentando incorporar à sua rotina brasileira o que aprendeu em seu tempo de estudante estrangeira. “Faço sempre comidas típicas da Suíça e aprendi a caminhar mais. Lá, nada era tão distante que não pudesse ir a pé. Implantei esse hábito no meu dia a dia”, diz. Gabriela e Ana Cristina também são exemplos de quem conseguiu tirar o máximo do tempo como intercambistas. “Ficamos mais participativas nas atividades da casa. No intercâmbio você deve lidar com sua roupa de cama suja, com suas roupas sujas, ajudar com a louça e até cozinhar o jantar. Nossa mãe brasileira adorou”, comentam.
• Adquirir um gosto por alimentos estrangeiros. Os campeões: café expresso e manteiga de amendoim. • O vestuário também ganha uma repaginada depois de um tempo fora. Gabriel Costa, que morou na Bélgica, não vê a hora de o inverno chegar para usar um dos cachecóis adquiridos por lá. • O gosto musical também muda. Rafael Andrade não deixou de gostar de rock quando morou nos EUA, mas aprendeu a admirar a cultura hip-hop.